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Numero do processo: 10073.001574/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
DECADÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA.
O lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ ou de CSLL submete-se ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 104 - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
DCTF. SALDOS A PAGAR NULOS. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS OU INEXISTENTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABÍVEL.
Nem todos os valores informados em DCTF constituem-se em confissão de dívida. Nos termos das IN SRF n° 126/98, somente os valores dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio.
Entretanto, após o encerramento do ano-calendário é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas mensais não recolhidas. (Súmula CARF nº 82 - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. EXIGÊNCIA DO TRIBUTO.
Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 52), exceto débitos de estimativa mensal após o encerramento do ano-calendário (Súmula CARF nº 82 - Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
MULTA ISOLADA. DÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL DO IRPJ.
Cabível a exigência de multa isolada por falta de pagamento da estimativa mensal do imposto.
MULTA ISOLADA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR.
Cabível a redução da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinquenta por cento) por falta de pagamento de imposto estimativa mensal (Lei nº 11.488, de 2007, art. 14, que alterou a redação do art. 44 da Lei 9.430, de 1996). Aplicação do princípio da retroatividade benigna, em cumprimento ao art. 106, inciso II, "c" do CTN.
Numero da decisão: 1301-003.807
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as multas isoladas de 75% para 50%.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto- Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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PRELIMINAR REJEITADA. O lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Súmula CARF nº 104 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). DCTF. SALDOS A PAGAR NULOS. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS OU INEXISTENTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABÍVEL. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de dívida. Nos termos das IN SRF n° 126/98, somente os valores dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio. Entretanto, após o encerramento do anocalendário é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas mensais não recolhidas. (Súmula CARF nº 82 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. INSUFICIÊNCIA DE DIREITO CREDITÓRIO. EXIGÊNCIA DO TRIBUTO. Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício (Súmula CARF nº 52), exceto débitos de estimativa mensal após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 15 74 /2 00 5- 18 Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 417 2 encerramento do anocalendário (Súmula CARF nº 82 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). MULTA ISOLADA. DÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL DO IRPJ. Cabível a exigência de multa isolada por falta de pagamento da estimativa mensal do imposto. MULTA ISOLADA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR. Cabível a redução da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinquenta por cento) por falta de pagamento de imposto estimativa mensal (Lei nº 11.488, de 2007, art. 14, que alterou a redação do art. 44 da Lei 9.430, de 1996). Aplicação do princípio da retroatividade benigna, em cumprimento ao art. 106, inciso II, "c" do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as multas isoladas de 75% para 50%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 418 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 354/385) em face do Acórdão da 9ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 308/342) que julgou procedente em parte o lançamento fiscal: a) ao manter o Auto de Infração do IRPJ Multas Isoladas, nos valores de R$ 60.490,93 e R$ 133.175,82, relativas a fatos geradores ocorridos em 31/07/2001 e 31/03/2002, respectivamente; b) ao afastar a exigência Auto de Infração da CSLL Multa Isolada do PA 31/05/2000, por acolher a decadência. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 12/12/2006, a Fiscalização da DRF/Volta Redonda lavrou Auto de Infração do IRPJ Multa Isolada e Auto de Infração da CSLL Multa Isolada (efls. 105/125), quanto aos seguintes períodos de apuração: Auto de Infração do IRPJ Multa Isolada: (...) 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Conforme despacho decisório prolatado pela SAORT/DRF/VRA, fls. 02 a 14 do presente processo, constatouse NÃO haver saldo suficiente de créditos para compensar as estimativas não recolhidas o IRPJ, relativas aos P.A's 07/2001 e 03/2002. Portanto, de acordo com o inciso IV, do parágrafo 1°, do art. 44, da Lei n° 9.430/96, cabe o lançamento de multa isolada de oficio, que foi calculada conforme abaixo: P.A DÉBITO REMANESCENTE % DA MULTA VALOR DA MULTA 07/2001 R$ 80.654,58 75% R$ 60.490,93 03/2002 R$ 177.567,77 75% R$ 133.175,82 (...) Data Valor Multa Isolada 31/07/2001 R$ 60.490,93 31/03/2002 R$ 133.175,82 Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 419 4 ENQUADRAMENTO LEGAL: Arts. 222, 843, e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99 Art. 43, 44, parágrafo 1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. (...) Auto de Infração da CSLL Multa Isolada: (...) 001 MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA Conforme despacho decisório prolatado pela SAORT/DRF/VRA, fls. 02 a 14 do presente processo, constatouse não haver saldo suficiente de créditos para compensar a estimativa não recolhida da CSLL, relativa ao P.A 05/2000. Portanto, de acordo com o inciso IV, do parágrafo 1 ° , do art. 44, da Lei n° 9.430/96, cabe o lançamento de multa isolada de oficio, que foi calculada conforme abaixo: P.A DEBITO REMANESCENTE % DA MULTA VALOR DA MULTA 05/2000 R$ 18.762,61 75% R$ 14.071,95 (...) Data Valor Multa Isolada 31/05/2000 R$ 14.071,95 ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. (...) que integra o lançamento fiscal o Termo de Verificação Fiscal (efls. 103/104); que ciente do lançamento fiscal em 12/12/2006, por intermédio de seu Procurador cuja assinatura foi aposta no próprio auto de infração, o sujeito passivo apresentou Impugnação em 11/01/2007 (efls. 132/148) e (efls. 172/190), cujas razões, em síntese, estão assim resumidas no relatório da decisão recorrida e que transcrevo, in verbis: (...) Cientificada do lançamento em 12/12/2006 (fls. 53 e 59), a interessada apresentou em 11/01/2007, na pessoa de seu administrador (fls. 123/124), impugnações de fls. 66/74 (CSLL) e Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 420 5 fls. 86/95 (IRPJ), em que alega que os autos de infração têm sua base na suposta falta de recolhimento de parcela de estimativa de CSLL de R$ 18.762,61 (05/2000) e de IRPJ de 80.654,58 e R$ 177.567,77 (07/2001 e 03/2002), como detalhado a seguir. da CSLL por estimativa de 05/2000 (parcela não compensada de R$ 18.762,61): que indicou incorretamente na DCTF do 1° trim/2000 que o valor considerado para compensar a CSLL de 02/2000, de R$ 105.686,74, provinha do saldo negativo do IRPJ do ano calendário de 1999. Na verdade, a compensação se deu da seguinte forma: para quitar a CSLL de 02/2000, foi utilizada parte do saldo negativo do anocalendário de 1999, de R$ 19.968,99, e parte do saldo negativo do anocalendário de 2000, de R$ 85.717,75. Tal situação já foi objeto de retificação de DCTF (anexos 3 e 4 — fls. 76,77,78,79); que, assim, o saldo devedor originado do anocalendário de 1999 foi suficiente para as compensações relativas ao ano calendário de 2000, não havendo, portanto, insuficiência de recolhimento da estimativa de CSLL de 05/2000, razão pela qual não procede a multa isolada (de R$ 14.071,95); faz histórico do instituto da compensação e diz que o erro de fato cometido no preenchimento da DCTF já teria sido sanado pela retificação da DCTF; que, ainda que não houvesse suficiência de créditos para a compensação da estimativa de CSLL de 05/2000, não caberia a multa isolada em razão de o saldo a pagar da CSLL ter sido negativo no anocalendário de 2000; transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes; do IRPJ por estimativa 07/2001 (parcela não compensada de R$ 80.654,58): o saldo negativo do IRPJ a pagar de R$ 1.947.862,25, apurado em 31/12/2000, foi suficiente para todas as compensações do anocalendário de 2001, inclusive a de 07/2001, conforme demonstrativo de fls. 88 e informado nas DCTFs apresentadas (anexos 3 a 12 — fls. 99/108), remanescendo, ainda, saldo para utilização em 2000; por esse motivo, não há falta de recolhimento de estimativa de 07/2001 a ensejar a multa isolada (de R$ 60.490,93); do IRPJ por estimativa 03/2002 (parcela não compensada de R$ 177.567,77): para compensação da estimativa de 03/2002, foram utilizados os saldos negativos do IRPJ a pagar do anocalendário de 2000 e de 2001, que foram suficientes para compensar o IRPJ por Fl. 420DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 421 6 estimativa dos meses de 01, 02 e 03/2002, razão pela qual não procede a multa isolada (de R$ 133.175,82; reitera histórico do instituto da compensação, discorre sobre erro de fato e transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e afirma não ser cabível a exigência de multa isolada na hipótese de verificação de saldo negativo do período; que, ainda que não houvesse suficiência de créditos para a compensação das estimativas de IRPJ de 07/2001 e 03/2002, não caberia a multa isolada em razão de o saldo a pagar do IRPJ ter sido negativo nos anoscalendário de 2001 e 2002; transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Conclui a interessada, em ambas impugnações, ser indevida a exigência da multa isolada, pelo que requer o cancelamento das exigências. (...) Na sessão de 18/09/2008, a 9ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I julgou a Impugnação parcialmente procedente ao afastar a exigência do Auto de Infração da CSLL Multa Isolada (decadência) e manter a exigência do Auto de Infração do IRPJ Multa Isolada, conforme Acórdão (efls. 308/346), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002 MULTA ISOLADA. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para que o Fisco lance a multa exigida isoladamente quando a pessoa jurídica não antecipa o pagamento do IRPJ ou da CSLL estimados é de cinco anos contados na forma do art. 173, I, do CTN. MULTA ISOLADA. DÉBITO DE ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO INSUFICIENTE. Os débitos de estimativa de IRPJ e CSLL, declarados e compensados em DCTF, cuja compensação foi indeferida pela autoridade fiscal, estão sujeitos multa isolada, implicando isso a desconsideração dessa estimativa não antecipada na apuração do IRPJ e da CSLL devidos ao final do anocalendário. Lançamento Procedente em Parte (...) Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo, acordam os membros da 9ª Turma de Julgamento desta Delegacia, julgar procedente em parte o lançamento, sendo que a votação das matérias ficou assim configurada: Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 422 7 i) quanto à decadência, a turma, por maioria, vencida a relatora, acompanhou os termos da declaração de voto do julgador Silvio de Oliveira Costa Júnior, declarando decadente apenas o fato gerador ocorrido em 31/05/2000 (estimativa de CSLL); e ii) no mérito, a turma, por maioria qualificada, vencidos a relatora original e o julgador Silvio de Oliveira Costa Júnior, que declarou o voto, acompanhou o voto do julgador Luis Mario Monteiro Teixeira, o qual foi designado a elaborar o voto vencedor. Dessa forma, foi decidido: a) cancelar a multa isolada no valor de R$ 14.071,95, relativa ao fato gerador ocorrido em 31/05/2000 (estimativa de CSLL); b) manter como lançadas as multas isoladas nos valores de R$ 60.490,93 e R$ 133.175,82, relativas a fatos geradores ocorridos em 31/07/2001 e 31/03/2002, respectivamente (estimativa de IRPJ). (...) Ciente desse decisum em 21/11/2008 (sextafeira) por via postal AR (efl. 352), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário em 22/12/2008 segundafeira (efls. 354/385), cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) decadência: que as multas isoladas exigidas estão intrinsecamente vinculadas ao IRPJ e à CSLL, cujos tributos estão sujeitos à sistemática do lançamento por homologação, conforme previsto no art. 150 do CTN, e como tal incide a contagem de prazo decadencial a partir do fato gerador (CTN, art. 150, §4°); que, portanto, no tange à exigência da multa isolada do IRPJ, com período de apuração 07/2001, cuja ciência do lançamento deuse em 12/12/2006, restou configurada a decadência pelo art. 150, §4°, do CTN. b) disponibilidade dos créditos do IRPJ para quitação dos débitos de estimativa: a) da disponibilidade de créditos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (existência de saldo negativo do imposto) para as compensações: (i) débito estimativa mensal do imposto da competência PA 07/2001: existência de saldo negativo do IRPJ AC 2001, anocalendário 2000; (ii) débito da estimativa mensal do imposto da competência PA 03/2002: existência de saldo negativo do IRPJ AC 2002, anocalendário 2001. c) não cabimento do lançamento das multas isoladas: Ademais, transcrevo excertos constante das razões do recurso: Fl. 422DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 423 8 (...) 4.2. Do não cabimento do lançamento da multa isolada: Inicialmente cumpre esclarecer que tais estimativas foram formadas e compensadas sob a égide da redação original da Lei 9.430/96, da IN/SRF n° 21/97 e IN/SRF n° 16/2000, que determinava o encaminhamento dos débitos resultantes de compensações indevidas à Divida Ativa e não à incidência de multa isolada. Mesmo assim, resta evidenciado que o Auto de Infração em comento não merece prosperar, uma vez que a multa, objeto do mesmo não ocorreu, ou seja, a Contribuição Social e o Imposto de Renda realmente devidos na apuração anual, conforme se constata na DIPJ respectivas, já acostada aos autos, revelouse inferior aos valores já quitados (...). (...) O lançamento de Oficio não pode subsistir à vista de ter (...) recolhimentos a titulo de estimativa superiores aos saldos de CSLL e IRPJ, os quais superam largamente o saldo a pagar, apurado na DIPJ. 4.3. Do valor da multa: No que tange ao valor da multa aplicada a Recorrente a mesma foi reduzida de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinqüenta por cento), em razão da nova redação da Lei 9.430/96, com redação nova dada pela Lei 11.488/2007, sendo o lançamento passível de reforma em razão da aplicação retroativa da Lei mais benéfica ao contribuinte, consoante determinação do art. 106, II "c" do Código Tributário Nacional — CTN. 4.4. Estimativas: Mister observar que as estimativas que deram ensejo as multas isoladas, ora exigidas, não foram objeto do processo 13727.000093/200380, (...). Assim, por afronta ao principio constitucional do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório o ato da autoridade impetrada mostrase ilegítimo, razão pela qual merece reparos. 4.5. Homologação das Compensações: Não podem ser consideradas como não homologadas, muito menos não compensadas, as estimativas compensadas em DCTF nos meses 05/2000, 07/2001 e 03/2002 uma vez que as mesmas foram realizadas sob à égide da redação original do art. 74 da Lei 9.430/96 (...). A solicitação de homologação passou a vigorar a partir de 01/10/2002, através do art. 74 da Lei 9.430/96 dada pelo art. 49 Fl. 423DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 424 9 c/c art. 63, I da MP n° 66/2002, não havendo razões para prosperar a multa aplicada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL de 05/2000, 07/2001 e 03/2002, (...). É o relatório. Fl. 424DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 425 10 Voto Conselheiro Nelso Kichel Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, o Fisco lançou: a) CSLL Multa Isolada de 75%: PA 05/2000, valor da estimativa mensal da CSLL não quitada R$ 18.762,61. Valor da multa isolada R$ 14.071,95; b) IRPJ Multa Isolada de 75%: PA 07/2001, valor da estimativa mensal do IRPJ não quitada R$ 80.654,58. Valor da multa isolada R$ 60.490,93; PA 03/2002, valor da estimativa mensal do IRPJ não paga R$ 177.567,77. Valor da multa isolada R$ 133.175,82. Obs: (i) Antes da imposição das multas isoladas, esses débitos de estimativas mensais falta de recolhimento de estimativas mensais da CSLL (PA 05/2000), do IRPJ (PA 07/2001 e PA 03/2002) foram objeto de compensações diretas na escrita contábil/fiscal do sujeito passivo (sem processo), cujas compensações foram informadas nas respectivas DCTF. Entretanto, as compensações desses períodos não foram aceitas pela RFB, por inexistência do crédito utilizado (insuficiência ou inexistência dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL de anos anteriores). (ii) Após o encerramento do respectivo anocalendário é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas mensais não recolhidas (Súmula CARF nº 82 Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). (iii) Por isso, os autos de infração, no caso, tratam apenas da exigência das multas isoladas. A decisão recorrida: a) afastou a exigência, exonerou o valor da Multa Isolada da CSLL do PA 05/2000, por acolher a decadência pelo art. 173,I, do CTN; Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 426 11 b) manteve a exigência das Multas Isoladas do IRPJ dos PA 07/2001 e 03/2002. O sujeito passivo, nas razões do recurso, em suma: suscitou, novamente, preliminar de decadência; no mérito, argumentou: a) da disponibilidade de créditos de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (existência ou suficiência de saldo negativo do imposto) para as compensações: (i) débito estimativa mensal do imposto da competência PA 07/2001: existência de saldo negativo do IRPJ AC 2001, anocalendário 2000; (ii) débito da estimativa mensal do imposto da competência PA 03/2002: existência de saldo negativo do IRPJ AC 2002, anocalendário 2001. b) do não cabimento do lançamento da multa isolada: que tais estimativas foram formadas e compensadas sob a égide da redação original da Lei 9.430/96, da IN/SRF n° 21/97 e IN/SRF n° 16/2000, que determinava o encaminhamento dos débitos resultantes de compensações indevidas à Divida Ativa e não à incidência de multa isolada; c) do valor da multa: que a multa aplicada deve ser reduzida de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinqüenta por cento), em razão da nova redação da Lei 9.430/96, com redação nova dada pela Lei 11.488/2007, sendo o lançamento passível de reforma em razão da aplicação retroativa da Lei mais benéfica ao contribuinte, consoante determinação do art. 106, II "c" do Código Tributário Nacional — CTN; d) que as estimativas (débitos), que deram ensejo às multas isoladas ora exigidas, não foram objeto das compensações do Processo nº 13727.000093/200380; que a glosa da compensação direta e informada na DCTF foi efetuada, sem antes, a fiscalização intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos, o que lhe teria causado prejuízo. Violação da ampla defesa e do contraditório. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 427 12 Identificados os pontos controvertidos passo a enfrentálos. DECADÊNCIA. PRELIMINAR REJEITADA. A recorrente argumentou: que o termo inicial do prazo decadencial para lançamento da multa isolada por falta de pagamento de estimativa mensal de tributos sujeitos a lançamento por homologação deveria ser o art. 150,§ 4º, do CTN; que tomou ciência do lançamento fiscal em 12/12/2006; que, assim, a multa isolada do IRPJ do PA 07/2001 estaria decaída com fulcro no art. 150, §4º, do CTN. Não procede a irresignação da recorrente. Sem delongas, a questão do dies a quo, no caso de imposição de multa isolada, é matéria pacífica neste CARF, sendo inclusive matéria sumulada, conforme Súmula CARF nº 104, cujo verbete transcrevo, in verbis: Súmula CARF nº 104 Lançamento de multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa de IRPJ ou de CSLL submetese ao prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Assim, o termo inicial do prazo decadencial de cinco anos é 01/01/2002. Logo, o Fisco tinha prazo para lançar a multa isolada até 31/12/2006. A contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 12/12/2006, antes do prazo fatal. Portanto, rejeito a preliminar de decadência. COMPENSAÇÕES DIRETAS NA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL, SEM PROCESSO, E INFORMADAS NAS DCTF. CRÉDITO UTILIZADO INSUFICIENTE OU INEXISTENTE. Em 14/05/2003, a contribuinte utilizou saldos negativos do IRPJ e da CSLL dos anocalendário 2002, exercício 2003, em compensações de débitos próprios, conforme diversas DCOMP objeto do Processo nº 13727.000093/200380. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 428 13 O Fisco analisou a formação do crédito pleiteado naquele processo citado a partir do anocalendário 1999, quanto ao IRPJ. Nessa análise, restou apurado, consignado pelo Fisco, que o sujeito passivo, também, fizera várias compensações diretas na escrita contábil/fiscal, sem processo, informadas nas respectivas DCTF, nesses anoscalendário analisados, tendo utilizado saldo negativo do imposto. Em relação aos débitos de estimativa mensal do IRPJ PA 07/2001 e PA 03/2002, débitos objeto de compensação direta na escrita contábil/fiscal, sem processo, com informação em DCTF respectiva, restou apurado débito remanescente: a) PA 07/2001 = R$ 80.654,58 (insuficiência de saldo negativo do imposto do anocalendário 2000) b) PA 03/2002 = R$ 177.567,77 (insuficiência de saldo negativo do imposto do anocalendário 2001). Nesse sentido, consta dos presentes autos cópia do Despacho Decisório da DRF/Volta Redonda, de 07/12/2005, proferido nos autos do Processo nº 13727.000093/200380 (efls. 05/29), in verbis: (...) O interessado pleiteou às fls. 01 e 02, em 14/05/2003, a utilização de créditos decorrentes de saldos negativos de R$ 1.387.459,24 de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e de R$ 1.185.445,11 de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, ambos do exercício de 2003, anocalendário de 2002 para compensação com os seguintes débitos (...). (...) Constam também compensações declaradas através de PERDCOMP's eletrônicos como vinculadas a este processo, conforme fls. 331 a 346, as quais são as seguintes, com os valores em reais, todas elas informadas como compensadas contra o saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro do exercício de 2003: (...) Para podermos examinar os saldos negativos pleiteados, fazse necessário remontar a exercício anteriores. 1 Imposto de Renda de Pessoa Jurídica 1.1 Exercício de 2000, anocalendário de 1999: (...) Fl. 428DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 429 14 1.2 Exercício de 2001, anocalendário de 2000: (...) Examinados os valores compensados e os pagos, verificase que o valor correto da linha 16 (Imposto de Renda Pago Mensal por Estimativa) é R$ 1.879.224,80 e que, portanto, o valor correto da linha 18 (Imposto de Renda a Pagar) é saldo negativo de R$ 1.837.620,03. (AC 2000) Tal saldo negativo foi utilizado em compensação sem processo, conforme fls. 250 a 252, 256 a 258 e 263, dos seguintes débitos de Imposto de Renda Mensal por Estimativa, com os valores em reais: * O valor informado como compensado na DCTF, a fls. 263, é R$ 321.941,43 (fls. 141), mas, como se pode observar, o saldo negativo não foi suficiente para tal. Obs: Débito remanescente estimativa mensal do IRPJ PA 07/2001 = R$ 80.654,58 = (R$ 321.941,43 R$ 241.286,85). (...) 1.3 Exercício de 2002, anocalendário de 2001: (...) Inexistindo valores pagos e examinados os valores compensados, verificase que o valor correto da linha 16 (Imposto de Renda Pago Mensal por Estimativa) é R$ 1.919.817,72 e que, portanto, o valor correto da linha 18 (Imposto de Renda a Pagar) é saldo negativo de R$ 647.058,15. Tal saldo negativo foi utilizado totalmente em compensação sem processo, conforme fls. 289 a 291, dos seguintes débitos de Imposto de Renda Mensal por Estimativa, com os valores em reais: Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 430 15 * O valor informado como compensado na DCTF, a fls. 291, é R$ 252.795,73, mas, como se pode observar, o saldo negativo não foi suficiente para tal. Obs: Débito remanescente estimativa mensal do IRPJ PA 03/2002 = R$ 177.567,77 = (R$ 252.795,73 R$ 75.227,96). (...) 1.4— Exercício de 2003, anocalendário de 2002 (...) Como visto, os débitos remanescentes estimativas mensais do IRPJ: a) PA 07/2001 = R$ 80.654,58; b) PA 03/2002 = R$ 177.567,77. Sobre esses valores remanescentes débitos do IRPJ estimativa mensal o Fisco está exigindo nos presentes autos apenas a respectiva multa isolada. Assim, diversamente do alegado pelo sujeito passivo, restou sim apurado naquele processo insuficiência de direito creditório para saldar os citados débitos remanescentes de estimativas mensais do IRPJ dos citados PA. Vale dizer, diversamente do alegado pela recorrente, as compensações diretas na escrita contábil/fiscal e informadas nas respectivas DCTF foram objeto de análise juntamente com as DCOMP nos autos do Processo nº 13727.000093/200380 em face da análise da formação do crédito saldo negativo o IRPJ dos AC 1999 a 2002 e glosa das compensações com saldo insuficiente de crédito, como demonstrado. Não procede, por conseguinte, a alegação de necessidade de intimação, antes das glosas. Ora, é ônus do contribuinte como autor do pedido de crédito contra Fazenda Nacional a comprovação do crédito pleiteado nas compensações, cujas provas devem ser juntadas aos autos por ocasião da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade (Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16 e CPC Lei nº 13.105/2015, art. 373, I, de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal). Fl. 430DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 431 16 Logo, não há que se falar prejuízo à defesa, pois a glosa deuse nos autos do processo legal administrativo Processo nº º 13727.000093/200380 onde foi assegurado a ampla defesa e o contraditório. Ainda, não cabe revolver, rediscutir, nestes autos, o direito creditório alegado, matéria já decidida, de forma definitiva, nos autos do citado Processo nº 13727.000093/200380. Ou seja: como já demonstrado, o crédito alegado restou insuficiente para quitação dos débitos remanescentes de estimativas mensais do IRPJ dos citados PA, o que ensejou a imputação pelo Fisco das multas isoladas objeto dos presentes autos, pois naquele processo o Despacho Decisório tornouse definitivo, irreformável na órbita administrativa (matéria preclusa), uma vez que a contribuinte, embora regularmente intimada, deixou transcorrer o prazo in albis, deixou de apresentar Manifestação de Inconformidade naqueles autos. Quanto à preclusão máxima, que restou configurada naqueles autos onde os créditos foram pleiteados, analisados e compensações rejeitadas em parte (insuficiência de crédito), consta expressamente do relatório da decisão recorrida nestes autos (efls. 308/346), in verbis: (...) No mérito, o ponto de partida da presente exigência se situa no processo n° 13727.000093/200380, em que a interessada pleiteou o reconhecimento do direito creditório relativo a saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, para compensação com débitos dos anoscalendário de 2003 e 2005. Ao analisar o crédito alegado, relativo ao saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2002, a autoridade fiscal remeteu a auditoria ao anocalendário de 1999 (fls. 02/14), a partir de quando confrontou pagamentos, débitos e compensações. Nesse percurso, apurou que o crédito pretendido era inferior ao alegado por diversas razões, dentre as quais que era resultante de estimativas de IRPJ e CSLL não integralmente liquidadas. As estimativas em questão, de IRPJ de 07/2001 e 03/2002, e de CSLL de 05/2000, foram declaradas em DCTF como compensadas com créditos de saldos negativos anteriores, os quais a autoridade apurou serem insuficientes. Por esta razão, foi feita representação (fls. 23), em 20/04/2006, para que a Fiscalização procedesse ao lançamento da multa isolada então prevista no art. 44, § 1° da Lei n° 9.430/1996 sobre a parcela das estimativas não compensadas. (...) Ao iniciar a ação fiscal que deu origem ao presente lançamento (fls. 25), o autuante intimou a interessada a apresentar livros e documentos, e lhe deu ciência de que lhe estaria aplicando a multa isolada de 75% sobre os débitos de estimativa de CSLL (05/2000) e IRPJ (07/2001; 03/2002). Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 432 17 Às fls. 28/32, a interessada apresentou esclarecimentos quanto à compensação dos débitos de estimativa de CSLL (05/2000) e IRPJ (07/2001; 03/2002) feita em DCTF. Entretanto, na descrição dos fatos dos autos de infração (fls. 54 e 60), o autuante informou que não levou em conta tais esclarecimentos por entender haver precluído o direito da interessada de se manifestar a esse respeito, visto que esta não apresentou sua inconformidade no processo n° 13727.000093/200380. (...) Como visto, o direito creditório já foi discutido, enfrentado, no mérito, nos autos do processo nº 13727.000093/200380, no qual restou apurada insuficiência de saldo negativo do IRPJ para quitação dos débitos remanescentes do IRPJ estimativa mensal dos períodos de apuração já citados (objeto dos autos de infração multas isoladas deste processo). Assim, existindo decisão definitiva naqueles autos, não cabe revolver, rediscutir o direito creditório nestes autos (matéria preclusa), pois já há decisão definitiva, irreformável na órbita administrativa naqueles autos. Por fim, nas razões do recurso, o sujeito passivo alegou que os débitos de estimativas que deram ensejo à imputação das multas isoladas, ora exigidas, e respectivas compensações diretas na escrita contábil/fiscal (compensações sem processo) e informadas nas DCTF respectivas, não foram objeto do processo 13727.000093/200380. Data venia, não procede tal argumentação da recorrente. Como já restou sobejamente demonstrado acima, quando da análise do direito creditório reclamado no Processo nº 13727.000093/200380 saldo negativo do IRPJ 2002, o Fisco analisou a formação do crédito pleiteado desde anocalendário 1999, e constatou: a) a existência de compensações diretas efetuadas pela contribuinte na escrita contábil/fiscal, sem processo, informadas nas DCTF respectivas; b) insuficiência de crédito para a quitação de parte desses débitos de estimativas do imposto compensados diretamente na escrita contábil/fiscal, sem processo, e informados nas respectivas DCTF (restando débitos remanescentes das estimativas mensais dos PA objeto dos presentes autos, que implicaram a aplicação e exigência das multas isoladas em análise). Logo, diversamente do alegado pelo sujeito passivo, todas as compensações diretas na escrita contábil/fiscal sem processo (informadas nas respectivas DCTF) e as informadas nas DCOMP, que utilizaram saldo negativo do IRPJ anocalendário 2002 e de períodos anteriores a partir do anocalendário 1999), bem como o crédito pleiteado, foram analisadas, julgadas, no Processo n° 13727.000093/200380. Restou, destarte, sim apurado naquele processo insuficiência de direito creditório para saldar os citados débitos remanescentes das estimativas mensais do IRPJ dos citados PA, implicando a exigência da respectiva multa isolada, nestes autos. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 433 18 Portanto, não há que se falar em prejuízo à defesa, ao princípio do contraditório e do devido processo legal, pois as compensações diretas (sem processo) efetuadas na escrita fiscal/contábil e informadas nas respectivas DCTF, que utilizaram saldo negativo do IRPJ dos anoscalendário 2002, 2001, 2000 e 1999, foram objeto de análise de mérito juntamente com as DCOMP naquele processo, bem como o crédito utilizado e pleiteado, conforme já restou sobejamente demonstrado. COMPENSAÇÕES DIRETAS EFETUADAS NA ESCRITA CONTÁBIL/FISCAL, SEM PROCESSO, INFORMADAS EM DCTF. CONFISSÃO DE SALDO NULO A PAGAR. O sujeito passivo alegou o não cabimento do lançamento da multa isolada, pois as estimativas mensais do imposto (débitos) foram formados e compensados sob a égide da redação original da Lei 9.430/96, da IN/SRF n° 21/97 e IN/SRF n° 16/2000, que determinava o encaminhamento dos débitos resultantes de compensações indevidas à Divida Ativa da União. Não procede a irresignação da recorrente. Débitos confessados em DCTF: Compensação direta na escrituração contábil/fiscal (sem processo) informada em DCTF: Quanto às compensações diretas na escrituração contábil/fiscal, sem processo, e informada em DCTF, enquanto não transcorrido o prazo decadencial o Fisco tem o direito e dever legal de revisar essas compensações. Obs: No plano normativo, as compensações diretas na escrita contábil/fiscal passaram a ser vedadas, a partir de 01/10/2002, com a instituição da Declaração de Compensação, conforme IN SRF nº 210, de 30/09/2002 (art. 21) e IN SRF nº 323, de 24/04/2003 (art. 1º). Auditoria interna revisão da DCTF MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 (art. 90): Art.90.Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Porém, a partir da edição da MP 135, de 30/10/2003 (convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003, art.18), em relação aos débitos confessados em DCTF e não quitados, houve alteração do art. 90 da MP 2.158, de 24/08/2001, in verbis: Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 434 19 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. Ocorre que, no caso, é inaplicável o art. 90 da MP 2.158, de 24/08/2001, bem como a MP 135, de 30/10/2003 (convertida na Lei 10.833, de 29/12/2003, art.18), pois débitos de estimativa mensal não podem ser exigidos após expirado o respectivo ano anocalendário e, ainda, há cominação legal de multa isolada específica, e não a citada no art. 18 transcrito acima. Ou seja, é aplicável a multa isolada (Lei 9.430/96, art. 44, § 1º, inciso IV). Assim, após expirado o anocalendário respectivo sem pagamento da estimativa mensal do imposto não cabe lançar de ofício débito de estimativa mensal; porém, cabe exigir apenas a multa isolada. Aqui, cabe esclarecer ainda: os débitos das estimativas mensais do IRPJ sequer foram confessados em DCTF, no caso. Mas, ainda que tivessem sido confessados em DCTF incabível a exigência débito de estimativa mensal após encerrado o anocalendário. Cabível a exigência apenas da mula isolada, apenas. Apenas para argumentar, quanto às compensações diretas na escrita contábil e fiscal (sem processo) informadas nas DCTF, houve apenas confissão de saldo nulo a pagar (não houve confissão de débitos). Nesse sentido são os precedentes deste CARF: DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS. SALDOS NULOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO. PROCEDÊNCIA. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de dívida. Nos termos das IN SRF n° 126/98, somente os valores dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio. (Acórdão nº 20310.006, 3ª Câmara do 2º CC, sessão de 23/02/2005, Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis). ASSUNTO:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2001,2002 DCTF. SALDOS A PAGAR NULOS. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS OU INEXISTENTES. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.CABÍVEL. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de dívida. Nos termos das IN SRF n° 126/98, somente os valores Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 435 20 dos saldos a pagar é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Diferentemente, valores informados em DCTF para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio.(Acórdão nº 1301003.467– 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 16/10/2018, Relator Nelso Kichel). Ainda, quanto às compensações frustradas ou indevidas informadas em DCTF ou objeto de DCOMP até 31/10/2003, respectivos débitos são passíveis de lançamento de ofício, conforme verbete da Súmula CARFnº 52, exceto débitos de estimativa mensal após expirado o respectivo anocalendário, in verbis: Súmula CARF nº 52: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Assim, confessado saldo zero, nulo, a pagar e afastada a compensação tributária informada na DCTF por compensação indevida, configura existência de débitos em aberto sujeitos a lançamento de ofício, via auto de infração, exceto os débitos de estimativa mensal. Multa isolada débito de estimativa mensal: Apurado pelo Fisco no Processo nº 13727.000093/200380 que os débitos de estimativa mensal do imposto foram objeto de compensação direta na escrita contábil e fiscal com créditos insuficientes, expirado o respectivo anocalendário com existência de débitos remanescentes em aberto, cabível apenas a exigência de multa isolada sobre os débitos remanescentes. Matéria pacífica, inclusive sumulada, conforme Súmula CARF nº 82, in verbis: Súmula CARF nº 82 Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Justificado está, então, o lançamento da multa isolada prevista especificamente para falta de quitação de estimativa mensal (compensação rejeitada ou indevida, por insuficiência de crédito, como no caso). Aplicação da multa isolada da Lei 9.430/96, art. 44, § 1º, inciso IV. Portanto, cabível, no caso, o lançamento da multa isolada por falta de quitação das estimativas mensais do imposto. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10073.001574/200518 Acórdão n.º 1301003.807 S1C3T1 Fl. 436 21 Retroatividade da LEX MITIOR O sujeito passivo argumentou que, nas razões do recurso, que a multa isolada aplicada deve ser reduzida de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinqüenta por cento), em razão da nova redação da Lei 9.430/96 (art. 44) dada pela Lei 11.488/2007 (art. 14), ou seja, que o lançamento é passível de reforma em razão da aplicação retroativa da Lei mais benéfica ao contribuinte, consoante determinação do art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional — CTN. Aqui, procede a irresignação da recorrente. Consta do Auto de Infração que a multa isolada aplicada de 75% (falta de pagamento de estimativa mensal) foi capitulada no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei 9.430/96. Ocorre que, como bem observou a recorrente, o art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007, reduziu a multa isolada de 75% para o patamar de 50%, cominada no art. 44 da Lei 9.430/96. Portanto, devem ser reduzidas as multas isoladas do IRPJ para 75%, pela aplicação do princípio da retroatividade benigna. Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir as multas isoladas de 75% para 50%. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 436DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.001290/2004-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1989
DECLARAÇÃO IRPJ/1990. RESTITUIÇÃO DE CSLL. FORMULÁRIO.
A Notificação de Lançamento com valores a restituir (CSLL) em montantes inferiores aos pretendidos pela pessoa jurídica enseja a apresentação do formulário "Pedido de Restituição" - PR, respeitado o prazo previsto no art.168 do CTN.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1989
DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO. CSLL.
Se o pedido de restituição efetivou-se além dos cinco anos da data da extinção do crédito tributário, extinto o direito do sujeito passivo em pleitear a repetição do indébito.
Numero da decisão: 1401-003.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e José Roberto Adelino da Silva (Conselheiro convocado).
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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CSLL Recorrente SCANIA LATIN AMÉRICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1989 DECLARAÇÃO IRPJ/1990. RESTITUIÇÃO DE CSLL. FORMULÁRIO. A Notificação de Lançamento com valores a restituir (CSLL) em montantes inferiores aos pretendidos pela pessoa jurídica enseja a apresentação do formulário "Pedido de Restituição" PR, respeitado o prazo previsto no art.168 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989 DECADÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO POR DECLARAÇÃO. CSLL. Se o pedido de restituição efetivouse além dos cinco anos da data da extinção do crédito tributário, extinto o direito do sujeito passivo em pleitear a repetição do indébito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues, substituído pelo conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 12 90 /2 00 4- 78 Fl. 187DF CARF MF 2 Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e José Roberto Adelino da Silva (Conselheiro convocado). Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição de IRPJ/CSLL, relativo ao ano calendário de 1989, ocasião em que foi proferido o seguinte despacho pela DRF em São Bernardo do Campo: Despacho Decisório 137/2007 SEORT/EQRES Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13819.001290/200478 Acórdão n.º 1401003.391 S1C4T1 Fl. 188 3 Fl. 189DF CARF MF 4 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DA DECISÃO DA DRJ/CPS DE 01 DE DEZEMBRO DE 2008 Em apertada síntese, a DRJ declarou nulo o Despacho Decisório: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 13819.001290/200478 Acórdão n.º 1401003.391 S1C4T1 Fl. 189 5 Em atendimento ao decidido pela DRJ, no novo DESPACHO DECISÓRIO de nº 142/10, consta que, em resumo: da DIPJ 1990, não há dados informados no quadro 19 Demonstrativo de Contribuição Social CSLL; não tendo havido nenhuma declaração retificadora, por isso não teria havido a restituição automática; indaga qual seria o motivo de a Interessada ter formulado "o pedido de restituição da CSLL 90 em 18/06/2004 através deste feito administrativo, isto é, há mais de 14 anos da apresentação da DIPJ 90 e quase 9 anos do recebimento da restituição do IRPJ"; que não se pode culpar o Fisco pela inércia do contribuinte em apresentar uma retificadora da DIPJ 90 e formular Pedido de Restituição conforme a INSRF nº 040/83, dentro do prazo legal; Conclusão DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Após descrever o caminho percorrido até aqui e suas peças decisórias, entende a Interessada que uma eventual falha no preenchimento da DIPJ não impede a restituição, que o que vale é a entrega tempestiva da DIPJ; que os valores da CSLL estão Fl. 191DF CARF MF 6 demonstrados no item 20/02 do Formulário 01, no montante de 1.267.084,40 BTN Fiscal; traz ementa de julgado do extinto CC, que entende semelhante à tese que defende. DA DECISÃO DA DRJ/CPS DE 25 DE MAIO DE 2010 Por meio do Acórdão nº 0528.916, da 2ª Turma de Julgamento, consta na conclusão do voto condutor: pelo não reconhecimento do direito creditório relativo às antecipações e duodécimos da CSLL informada na DIPJ/1990; pelo indeferimento do Pedido de Restituição, face o transcurso do prazo legal para a sua repetição e pelo não conhecimento do pedido de compensação com a utilização do referido direito creditório, porque não formalizado nos termos da legislação vigente. Eis alguns excertos da decisão de piso: Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13819.001290/200478 Acórdão n.º 1401003.391 S1C4T1 Fl. 190 7 [...] Fl. 193DF CARF MF 8 Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13819.001290/200478 Acórdão n.º 1401003.391 S1C4T1 Fl. 191 9 Fl. 195DF CARF MF 10 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em 06 de outubro de 2010, ingressou a Interessada com recurso voluntário, onde repete as alegações já fartamente relatadas e comentadas desde o início do imbróglio, acrescentado, entretanto,o seguinte: a exigência de apresentação de "Pedido de Restituição" PR encontrase veiculada por mera instrução normativa IN SRF 40/83 não havendo tal obrigatoriedade nos textos legais que disciplinavam a restituição, as Leis 7.450/85 e 7.799/89); que não há como se admitir que uma norma inferior venha alterar ou restringir direitos estabelecidos em lei; Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, portanto delo conheço. A Recorrente insiste em que bastava a apresentação da DIPJ / 1990 para ter assegurada a sua restituição de CSLL, e, inclusive, não estaria sujeita a pedido de restituição e nem sujeita a prazo extintivo de direito ao eventual indébito. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13819.001290/200478 Acórdão n.º 1401003.391 S1C4T1 Fl. 192 11 Já fartamente demonstrado que a restituição de IRPJ e/ou de CSLL relativa à declaração DIPJ/1990 davase de maneira automática, assim como foi procedido em relação ao IRPJ a restituir da Recorrente. Agora, com relação à um eventual indébito de CSSL, devemos ver que tipo de informação deveria constar na DIPJ que permitisse, a exemplo do IRPJ, a devolução também automática do recolhimento a maior de CSLL. A DRJ nos informou que não houve o preenchimento na DIPJ/90 do campo 19 Formulário I, ao passo que a Recorrente aponta em seu recurso que os valores de CSLL estão demonstrados no item 20, o que, em seu entendimento, "de modo que todas as informações necessárias para que houvesse a restituição automática dos valores de CSLL estavam disponíveis ao Fisco na própria DIPJ." Na DIPJ/90, acostada às fls.79 a 91, de fato, não se encontra preenchido o campo 19 Demonstrativo da Contribuição Social, havendo, entretanto, as informações dos valores recolhidos de Contribuição Social, a título de antecipações/duodécimos, valores expressos em BTN Fiscal, da ordem de 1.267.084,40, campo 20 Antecipações de Duodécimos Recolhidos de Contribuição Social, conforme lembra a Recorrente. Se a restituição era automática, as informações então informadas na DIPJ/90, contrariamente ao alegado pela Recorrente, não permitia concluir pela existência de eventual saldo de CSLL passível de restituição automática. Vejase que desde o segundo Despacho Decisório 142/10 (fls.108), já se destacava as conseqüências da falta do preenchimento em questão: A DRJ ratificou a posição defendida no Despacho Decisório, acrescentado: De forma que não há reparos a fazer na decisão recorrida. Fl. 197DF CARF MF 12 Na situação da Interessada, não lhe bastava apenas ter apresentado a DIPJ/90, deveria ter solicitado o Pedido de Restituição PR, conforme orientação da IN SRF 51/85, citada na decisão da DRJ, e, ainda, não observou o prazo legal para solicitação de repetição de indébito. As citadas instruções normativas na decisão recorrida não tem o caráter que lhe atribuiu a Recorrente, de que estariam alterando e/ou modificando dispositivos estabelecidos em lei. Trataram elas de disciplinar procedimentos a serem adotados pelos contribuintes quando da impossibilidade de restituição automática de IRPJ e/ou de CSLL, nada além disso. Ainda, nem seria o caso de aplicação da Súmula CARF nº 91, uma vez que a solicitação da presente restituição foi feita em 18/12/2003, conforme destacado no Acórdão 05 24.297, da 4ª Turma da DRJ/CPS: Conclusão É o voto, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10850.000377/2003-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO.
Em relação à contagem de prazo de homologação tácita das compensações o início ocorre na data de apresentação do PER/DCOMP ou da retificação deste, se for o caso.
RETENÇÕES NA FONTE. INFORMAÇÕES INCORRETAS NA DIRF. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO RECORRENTE.
Quando se alega que os comprovantes de rendimento apresentam informações incorretas, cabe ao contribuinte a demonstração do erro destas declarações e a apresentação de documentos a comprovar o efetivo valor que foi retido pelas fontes pagadoras.
Numero da decisão: 1401-003.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tão somente para reconhecer a homologação tácita das compensações apresentadas até 22/04/2003, ressalvando que, em relação às compensações que tenham sido retificadas, o início da contagem do prazo de homologação tácita ocorre na data da retificação da declaração de compensação.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO. Em relação à contagem de prazo de homologação tácita das compensações o início ocorre na data de apresentação do PER/DCOMP ou da retificação deste, se for o caso. RETENÇÕES NA FONTE. INFORMAÇÕES INCORRETAS NA DIRF. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO RECORRENTE. Quando se alega que os comprovantes de rendimento apresentam informações incorretas, cabe ao contribuinte a demonstração do erro destas declarações e a apresentação de documentos a comprovar o efetivo valor que foi retido pelas fontes pagadoras.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tão somente para reconhecer a homologação tácita das compensações apresentadas até 22/04/2003, ressalvando que, em relação às compensações que tenham sido retificadas, o início da contagem do prazo de homologação tácita ocorre na data da retificação da declaração de compensação. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DO PRAZO. Em relação à contagem de prazo de homologação tácita das compensações o início ocorre na data de apresentação do PER/DCOMP ou da retificação deste, se for o caso. RETENÇÕES NA FONTE. INFORMAÇÕES INCORRETAS NA DIRF. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO RECORRENTE. Quando se alega que os comprovantes de rendimento apresentam informações incorretas, cabe ao contribuinte a demonstração do erro destas declarações e a apresentação de documentos a comprovar o efetivo valor que foi retido pelas fontes pagadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso tão somente para reconhecer a homologação tácita das compensações apresentadas até 22/04/2003, ressalvando que, em relação às compensações que tenham sido retificadas, o início da contagem do prazo de homologação tácita ocorre na data da retificação da declaração de compensação. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 00 03 77 /2 00 3- 62 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10850.000377/200362 Acórdão n.º 1401003.428 S1C4T1 Fl. 366 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) Relatório Inicio coma transcrição do breve relatório da decisão de Piso. Trata o processo de Declaração de Compensação e retificadoras de fls. 01/02, 13/18, 20/34 e 72/84, que solicitam compensação dos débitos nelas relacionados com o crédito de saldo negativo de imposto de renda, relativo ao anocalendário 2000, no valor de R$ 86.885,11, apurado na DIPJ (fl. 113). 0 contribuinte foi intimado (fl. 44/45) a esclarecer as divergências entre o valor declarado a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte para apuração do saldo negativo e aquele constante nas DIRF apresentadas a RFB pelas fontes pagadoras. Foi apresentada a resposta de fls. 50/71, na qual o contribuinte alega em síntese que: "Dentre o valor informado de R$ 86.885,11 na DIPJ, localizamos um erro de informação a maior na ficha 43 no valor de R$ 5.989,36, ou seja o crédito com a empresa Green Center Com. De Veículos Ltda foi digitado em duplicidade. Informes localizados até a presente data totalizam R$ 45.986,62 (anexo) de todo modo, o valor de R$ 77.895,26, correspondente a IRRF foi comprovado junto as fontes pagadoras." As fontes pagadoras preencheram erroneamente os Informes de Rendimento, no campo onde é informado o rendimento, foi informado o empréstimo conforme demonstrativo abaixo." A interessada foi cientificada do despacho decisório (fls. 215/218) que reconhece parcialmente o crédito pleiteado em 23/04/2008 (fl. 236) e apresentou a manifestação de inconformidade (fls. 248/250) em 21/05/2008. É o relatório. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10850.000377/200362 Acórdão n.º 1401003.428 S1C4T1 Fl. 367 3 A Delegacia de Julgamento considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de entender que a DRF agiu corretamente ao desconsiderar a parte dos valores de retenção na fonte que correspondiam aos valores de receita financeira que não foram oferecidos à tributação pela empresa. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega que: 1 Homologação tácita. Alega que as compensações foram apresentadas em 14/02/2003 e o despacho decisório somente foi emitido em 05/03/2008, razão pela qual já teriam decorrido cinco anos e, assim, as compensações estariam tacitamente homologadas; 2 Prescrição. Alega que desde a prolação do despacho decisório até a ciência do acórdão recorrido decorreram mais de cinco anos e, assim, teria incidido a prescrição sobre a possibilidade de cobrança destes débitos. Alega que a jurisprudência do STJ acata a tese da prescrição e colaciona precedente. 3 Da suficiência do acervo probatório para a comprovação do crédito. Alega que as provas da existência do crédito já estão colacionadas no processo e que a alíquota a ser utilizada no cálculo das retenções é de 20% sobre o valor das receitas financeiras. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Passemos a analisar os pontos de discordância apresentados pelo recorrente. 1. Da Homologação Tácita Com relação à homologação assiste parcial razão ao contribuinte. Apesar de o mesmo alegar que as compensações foram protocoladas em 14/02/03, esta não é uma verdade absoluta. A primeira compensação foi apresentada nesta data e posteriormente retificada. Inúmeras outras compensações foram apresentadas posteriormente indo até 15/02/2003, ou seja foram do prazo de homologação tácita. Além disso diversas declarações de compensação foram retificadas em setembro de 2003. Neste caso, havendo a retificação o prazo de homologação tácita passa a contar da data da retificação da compensação. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10850.000377/200362 Acórdão n.º 1401003.428 S1C4T1 Fl. 368 4 Constatamos que a ciência da decisão da DRF ocorreu em 23/04/2008 e é a partir da ciência que se contam os cinco anos anteriores para fins de homologação tácita. Assim, tendo em vista este prazo, encontramse homologados tacitamente todas as compensações que foram apresentadas até 22/04/2003. Ressalvandose que, em relação às compensações que tenham sido retificadas o prazo de homologação deve ser contado a partir da data da retificação destas compensações, haja vista que a retificação configura nova compensação e reabre o prazo de contagem da homologação tácita, posto que sendo retificada a compensação tratase de compensação nova. Assim, neste ponto voto por dar parcial provimento ao recurso a fim de reconhecer a homologação tácita apenas das compensações apresentadas até 22/04/2003, ressalvando que, em relação às compensações que tenham sido retificadas, o início da contagem do prazo de homologação tácita ocorre na data da retificação da declaração de compensação. 2. Da prescrição pelo decurso de mais de cinco anos entre a data de ciência do acórdão e nova decisão no processo. No que toca a este processo, o pedido do contribuinte, mesmo que não seja expresso neste sentido, trata da adoção da prescrição intercorrente no processo administrativo. Não existe norma jurídica na atual legislação a admitir esta hipótese de prescrição, assim, não pode o agente da administração reconhecer tal tipo de prescrição sem a existência de norma expressa neste sentido. Por estes motivos, ante a ausência de expressa determinação legal, voto por negar provimento ao pedido neste ponto. 3. Da suficiência do acervo probatório para a comprovação do crédito. Alega que as provas da existência do crédito já estão colacionadas no processo e que a alíquota a ser utilizada no cálculo das retenções é de 20% sobre o valor das receitas financeiras Alega novamente, em sede de recurso que os valores a serem considerados como retenção na fonte para fins de apuração do saldo negativo devem ser apurados a partir de aplicação de 20% sobre o total das receitas financeiras auferidas. Alega que o percentual de 5% utilizado pela fiscalização está equivocado No que toca a este ponto apenas às fls. 54/55, em resposta á intimação enviada pela fiscalização, a empresa alegou que o valor das receitas financeiras constantes dos informes de rendimentos estavam incorretos. Ocorre que a empresa não apresentou nenhuma comprovação do erro. Os comprovantes de rendimento acostados pela empresa às fls. 57/75 apresentam as mesmas informações enviadas pela empresa à RFB por meio de suas DIRF. Analisando os valores das retenções a partir dos comprovantes de rendimento apresentados pelo recorrente verificamos o seguinte: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10850.000377/200362 Acórdão n.º 1401003.428 S1C4T1 Fl. 369 5 Retenções com erro de cálculo SADIVE DIST. DE VEÍCULOS cod 3426 fls. 62 IR de menos 1%errado SADIVE AUTOMOVEIS cod 3426 fls. 61 IR de 1% errado Retenções corretas BANCO REDE COD 1708 fls. 63 IR de 1,5% correto PROMOVERDI cód 1708 fls. 66 IR de 1,5% correto RODOBENS ADM E PROD cod. 1708 fls.67 IR de 1,5% correto CIRASA COM cod 1708 fls. 73 IR de 1,5% correto DAIHATSU cod 1708 fls. 75 IR de 1,5% correto O que ocorre em tais declarações de rendimento e que milita contra o entendimento do recorrente é que algumas empresas, no caso as duas empresas com o nome SADIVE informaram rendimentos de receitas financeiras, código 3426 e realizaram a retenção de IR apenas em percentuais inferiores a 1%, fazendo com que o percentual proporcional do valor do imposto incidente sobre as receitas financeiras ficasse reduzido ao apurado pela fiscalização. Ocorre, no entanto, que a recorrente não comprovou que havia efetivamente erro nas informações enviadas à RFB. Pelo contrário, o comprovante de rendimentos juntado pelo recorrente tem valores idênticos aos informados pelas empresas de nome SADIVE em suas DIRF. Assim, não há como reconhecer assistir razão ao recorrente posto não haver qualquer prova de que há algum erro nos comprovantes de rendimento ou nas informações prestadas pelas empresas que pagaram rendimentos ao recorrente. Por isso, não há reparos a fazer na apuração do crédito realizada pela delegacia de origem, posto que utilizou, no cálculo dos valores a serem considerados como retenção na fonte, o percentual de retenção aplicado em média pelas fontes pagadoras sobre a receita financeira oferecida à tributação no exercício. Por tais razões, neste ponto voto por negar provimento ao recurso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer a homologação tácita apenas das compensações apresentadas até 22/04/2003, ressalvando que, em relação às compensações que tenham sido retificadas, o início da Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10850.000377/200362 Acórdão n.º 1401003.428 S1C4T1 Fl. 370 6 contagem do prazo de homologação tácita ocorre na data da retificação da declaração de compensação. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.911724/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.749
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13888.900876/2012-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13888.900876/2012-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13888.900876/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Ricardo Marozzi Gregório, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório O presente processo administrativo tratase de pedido de compensação transmitido pelo contribuinte CPA Prestação de Serviços Radiológicos Ltda., ora Recorrente, no qual pretende pagar débitos próprios com créditos de IRPJ, que foram objeto de anterior pedido de restituição formulado através de PER/DCOMP. Em despacho decisório proferido pela DRF de origem, a compensação pretendida não foi homologada, sob o fundamento de que " foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 11 72 4/ 20 11 -5 5 Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 3 2 contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Não concordando com a decisão proferida, o Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual demonstrou que o seu direito creditório decorreria do fato de ter considerado, na apuração da base de cálculo do lucro presumido, o equivocado percentual de 32% (trinta e dois por cento), "quando os serviços prestados pela mesma se enquadram em serviços hospitalares, impondose a aplicação do benefício fiscal concedido pela Lei 9.249/95, com a consequente utilização de alíquota de 8% (oito por cento) para fins de aferimento do tributo". Para comprovar que o seu objeto social se enquadra no conceito de "serviços hospitalares", o Recorrente acostou aos autos farta documentação. Por outro lado, também demonstrou que, à época em que o pedido de restituição do indébito, promoveu a retificação de sua DIPJ, considerando aquele percentual de 8%, nos termos que determina a legislação. Contudo, ao analisar a Manifestação de Inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) entendeu por bem negar provimento ao apelo do contribuinte. Em seu longo arrazoado, em um primeiro momento, aquela DRJ invocou uma suposta decadência do direito creditório do Recorrente. Ademais, mesmo tendo levantado a referida preliminar de ofício, os julgadores a quo, com base, em especial, em normativos internos da Receita Federal, consideraram que os serviços prestados pelo Recorrente não estariam englobados no conceito de "serviços hospitalares" definidos pela legislação, o que imporia no indeferimento do pleito do contribuinte. Vejase, neste sentido, a ementa do acórdão proferido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2000 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O legislador complementar interpretou (Lei Complementar nº 118, de 2005), com efeitos pretéritos, que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado, de sorte que o direito de pleitear restituição de tributo pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data desse evento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PRESTADOR DE SERVIÇOS HOSPITALARES. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. REQUISITOS. Considerase prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, o estabelecimento assistencial de saúde que atender aos requisitos previstos no art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de Fl. 353DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 4 3 2005 e sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o Recorrente apresentou Recuso Voluntário, no qual, em síntese, rebate todos os argumentos apresentados no acórdão recorrido, junta documentos para combater alegações daquela DRJ e, ao final, pede o reconhecimento do seu direito creditório, com a consequente homologação da compensação apresentada. Posteriormente, os autos foram distribuídos a este Conselheiro para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.735, de 17/04/2019, proferida no julgamento do Processo nº 13888.900876/201211, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.735): DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 18/10/2013, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 19/11/2013, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA LEVANTADA PELA DRJ. Antes de se enfrentar o mérito da discussão, importante demonstrar que não subsiste a preliminar de decadência levantada de ofício no acórdão proferido pela DRJ de Ribeirão Preto (SP). Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 5 4 Em seu longo arrazoado, após discorrer sobre o processo de compensação e os dispositivos legais que regulam o instituto, em especial os que determinam o ônus da prova para comprovar o direito creditório, aquela DRJ alega que " se esvai com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de recolhimento de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido". Aliado a este entendimento, a DRJ, mesmo citando o precedente do STF (RE 566.621/RS) que afasta o caráter interpretativo da Lei Complementar 118/05 e aplica o prazo de 10 anos para os pedidos de restituição formulados antes da entrada em vigor da nova imposição legislativa, afirma que o precedente da mais alta Corte de Justiça no Brasil não se aplica aos pedidos administrativos de restituição do indébito tributário. Com base nestas premissas, a DRJ alega que o pedido de restituição do contribuinte foi formulado fora do prazo de 05 anos e, por isso, o direito creditório estaria fulminado pela decadência. Neste sentido, vejase a conclusão contida no acórdão recorrido: Portanto, tendo alegado direito creditório surgido em 31/7/2000 (data da extinção do crédito tributário do IRPJ), excluindose tal dia da contagem do prazo (dia de início da contagem), o prazo para se pedir restituição se extinguiu cinco anos após a data, ou seja, cinco anos após o pagamento dito indevido. Conseqüentemente, tendo a contribuinte apresentado o Pedido de Restituição em 23/10/2009, inferese que o seu direito de pleitear o reconhecimento do direito creditório para fins de restituição ou de compensação estava extinto pelo decurso do prazo decadencial. Contudo, com toda vênia, é patente o equívoco da DRJ. Explicase. Como se observa da documentação acostada aos autos, no pedido de compensação apresentando pelo contribuinte (PER/Dcomp de nº 29018.44299.231009.1.3.040150 transmitida em 23/10/2009), este indica como direito creditório aquele objeto do pedido de restituição consubstanciado na PER/DComp de nº 07198.52146.130404.1.2.049632, que foi transmitido no dia 14/04/2004. Ora, se o direito creditório surgiu em 31/07/2000 (data de pagamento do indébito), como a própria DRJ afirma e pelo o (SIC) que se depreende da documentação em análise, e sendo o pedido de restituição formulado em 13/04/2004, não se tem dúvidas de que não se aplica, no presente caso, a decadência alegada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), uma vez que o pedido de restituição foi feito dentro do prazo de 05 anos. Não se rebaterá, neste voto, a afirmação do julgador a quo de que o entendimento do STF, consubstanciado no RE 566.621/RS, não se aplica aos pedidos administrativos de repetição do indébito feitos administrativamente pelos contribuintes, até mesmo porque o CARF já pacificou essa discussão, quando da edição da Súmula nº 91 que tem a seguinte redação: "Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador." Fl. 355DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 6 5 Como o pedido de restituição formulado pelo Recorrente (transmissão da PER/Dcomp em 14/04/2004, reiterese) foi realizado dentro do prazo de 05 anos, contados do pagamento indevido ao a maior (31/07/2000), o afastamento da decadência levantada pela DRJ é medida que se impõe ao presente caso. DO DIREITO CREDITÓRIO DO RECORRENTE. DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA O JULGAMENTO. Ao proferir o acórdão recorrido, a DRJ de Ribeirão Preto, em caráter subsidiário, uma vez que entendia pela decadência do direito creditório, alegou que o Recorrente não faria jus à aplicação do percentual de 8% na apuração da base de cálculo do lucro presumido, como determina a Lei nº 9.249/95. Para fundamentar a negativa, aquela Turma Julgadora argumenta que os normativos internos da Receita Federal do Brasil, que interpretaram o alcance do disposto no artigo 15, § 1º, III, a), da Lei nº 9.249/95, são todos no sentido de que "não são considerados serviços hospitalares, para fins de determinação do lucro presumido, os serviços prestados exclusivamente pelos sócios da empresa ou referentes unicamente ao exercício de atividade intelectual, de natureza científica dos profissionais envolvidos". Prosseguindo, após citar diversos normativos internos da RFB e alegando que a "discussão sobre incompatibilidade de atos normativos expedidos no âmbito da RFB com demais dispositivos legais e/ou regulamentares, é matéria que extrapola a esfera de competência do julgador administrativo de 1ª instância", o julgador a quo elenca os requisitos que, ao seu sentir, devem ser cumpridos pelos contribuintes, para que possa aplicar o percentual de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido. Vejase quais seriam esses requisitos: a) desempenhar uma ou mais das atribuições do inciso I, do art. 27 da IN SRF nº 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1º da IN SRF nº 539, de 2005, ou, no caso da atribuição “Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnóstico e Terapia”, exercer uma ou mais das atividades descritas nos itens 4.1 a 4.14, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa; b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC nº 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC nº 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC nº 189, de 18 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil. d) que os estabelecimentos hospitalares (em regime de atendimento de urgência ou não), sigam os dispositivos emanados no ADI nº 19 de 10/12/2007, aqui para efeito de cálculo do percentual reduzido de IRPJ, a ser utilizado por empresas prestadoras de tais serviços, nas condições previstas nas leis e dispositivos sobre o assunto. Ocorre que, a par de toda a discussão acerca da legalidade dos normativos internos da Receita Federal e sua aplicação em detrimento do que determina a legislação, a discussão em comento ganhou novos contornos, quando chegou ao Poder Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 7 6 Judiciário, culminado em julgamento proferido pelo STJ, afetado pela sistemática dos Recursos Repetitivos. O denominado Tribunal da Cidadania entendeu, em síntese, que os serviços hospitalares "se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde, de sorte que, em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar". Vejase a ementa que recebeu o julgado proferido nos autos do RE nº 1.116.399/BA: anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que "a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO "SERVIÇOS HOSPITALARES". INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão "serviços hospitalares" prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de "serviços hospitalares" apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação disposições constantes em atos regulamentares". 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte Fl. 357DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 8 7 genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl.. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido. (REsp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010) (destacouse) E as decisões preferidas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, inclusive desta Turma de Julgamento, vão ao encontro, como não poderia deixar de ser, tendo em vista o caráter vinculante do precedente, do que decidiu o STJ. Confirase a ementa de dois julgados, sendo que um deles, proferido pela CSRF, tem como parte o próprio Recorrente: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 SERVIÇOS HOSPITALARES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS POR IMAGEM. A contribuinte que executa prestação de serviços médicos por imagem, conforme restou confirmado nos autos, está submetida ao coeficiente do lucro presumido aplicável aos serviços hospitalares. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ no REsp nº 1.116.399 BA. (Acórdão nº 9101003.329 CSRF Contribuinte CPA Prestação de Serviços Radiológicos Ltda. Julgamento em 17/01/2018). ......................................................................................................... Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003 JULGAMENTO STJ. SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO. VINCULAÇÃO. A decisão do STJ na sistemática do recurso repetitivo é de observância obrigatória dos Conselheiro do CARF. DELIMITAÇÃO DA LIDE Restringindose os fundamentos do não reconhecimento do direito creditório ao conceito de "serviços hospitalares", nada sendo tratado em relação à segregação as receitas, no caso de haver atividade distintas, não cabe, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, inovar sobre a causa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO. SERVIÇOS HOSPITALARES.Enquadrandose a Recorrente no conceito legal de Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 9 8 "serviços hospitalares", conforme tese firmada no julgamento do leading case do tema/repetitivo 217, deve ser corrigido o coeficiente de determinação do lucro presumido para o percentual de 8%. (Acórdão nº 1302002.979 2ª Turma, da 3ª Câmara, da 1ª Seção Julgamento em 26/07/2018) No que tange ao Recorrente em específico, não restam dúvidas, pelo conjunto probatório acostados aos autos, que ele cumpre os requisitos elencados pelo STJ para que possa se valer do percentual de 8% para determinação da base de cálculo do IRPJ no lucro presumido. Como relatado alhures, a sociedade é constituída na forma de "sociedade limitada", tendo como sócios médicos, devidamente inscritos no CRM. O objeto social, por sua vez, é o de "Prestação de serviços radiológicos em geral", sendo para a prestação dos serviços depende de qualificação, pessoal e maquinário especializado e de alto custo. Consta dos autos a comprovação dos CNAE's da Matriz e da Filial do Recorrente, em que se pode observar que ele presta serviços "de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante – exceto tomografia" (CNAE Principal 86.402 05) e “de tomografia” (CNAE Secundário nº 86.40204) e "radioterapia” (CNAE Secundário nº 86.40211). Ainda, o Recorrente apresentou alvará de autorização de funcionamento emitido pela Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP), em que se depreende sua atividade econômica como sendo de "Atividade médica ambulatorial com recursos para realização de exames complementares". Como se não bastasse, o Recorrente também apresentou cópia do livro razão, que comprova a prestação de serviços, nos termos do seu objeto social. Ressaltase, neste ponto, que o STJ, no precedente acima citado, classifica como "serviços hospitalares" aqueles se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde. Quanto ao local de prestação, a Corte afirma que são prestados dentro dos hospitais, em regra, mas não necessariamente. Por fim, não se pode deixar de mencionar que o Recorrente retificou sua DIPJ (acostada aos autos) antes de ser proferido o despacho decisório combatido. E naquela retificação, o Recorrente apurou o IRPJ devido com base no percentual de 8%, como determina a legislação. Assim, é patente que a Recorrente exerce a prestação de serviços Radiológicos, de alta complexidade, não se enquadrando em simples consultas médicas e, por isso, deve apurar a base de cálculo do IRPJ no lucro presumido com base no percentual de 8%, nos termos autorizados pela Lei nº 9.249/95. Tendo em vista, contudo, a impossibilidade de confrontar a documentação acostada aos autos, em especial a DIPJ original e a retificadora, para se ter certeza de que os cálculos (redução do percentual de 32% para 8% para fins de mensuração da base de cálculo do lucro presumido) estão corretos, entendese pela conversão do julgamento em diligência. Há de se ressaltar que, ao não retificar a DCTF antes de enviar o PER/DCOMP, o contribuinte acabou por concorrer com para a primeira negativa da compensação pleiteada. Contudo, essa ausência de retificação, aliada ao fato de o Recorrente ter retificado sua DIPJ e, principalmente, pelo o que restou decidido pelo STJ, não pode lhe retirar o direito de ver restituídos os tributos pagos a maior ou indevidamente. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 10 9 Assim, a conversão do julgamento seria apenas e tão somente para confirmar (i) se os cálculos elaborados pelo contribuinte, quando da retificação da sua DIPJ, estão corretos e (ii) para se ter certeza que o direito creditório pleiteado não foi utilizado e consumido em outros pedidos de compensação eventualmente elaborados pelo próprio contribuinte. Para que se tenha certeza sobre esses pontos, entendese pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a juntar aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário objeto do pedido de restituição. Com base nestes elementos e com demais informações que entenda ser necessária verifique e informe: 1) a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ devido no pedido de restituição do indébito tributário, considerando o valor do saldo a pagar, após as deduções legais; 2) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, informando se os cálculos do lucro presumido, com base no percentual de 8%, estão corretos; 3) informe se o direito creditório invocado no presente processo administrativo já foi utilizado e consumido em outros pedido de compensação apresentados pelo contribuinte; 4) Sendo a resposta ao item anterior positiva, informe qual o saldo remanescente do direito creditório e se esse saldo é suficiente para quitar os débitos indicados na Per/Dcomp de compensação apresentada. 5) apresente relatório conclusivo sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo, em especial, o crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ e qual o seu valor; 6) cientifique o contribuinte do relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Após, retornem os autos a este colegiado, para prosseguimento do julgamento. É como encaminho o julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, entendese pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime o contribuinte a juntar aos autos cópia da DIPJ original referente ao anocalendário objeto do pedido de restituição. Com base nestes elementos e com demais informações que entenda ser necessária verifique e informe: 1) a receita bruta, a base de cálculo e o respectivo IRPJ devido no pedido de restituição do indébito tributário, considerando o valor do saldo a pagar, após as deduções legais; 2) esclareça os critérios de cálculo e rubricas que geraram a diferença entre a DIPJ/original e a DIPJ/retificadora quanto à apuração do saldo a pagar de IRPJ, informando se os cálculos do lucro presumido, com base no percentual de 8%, estão corretos; 3) informe se o direito creditório invocado no presente processo administrativo já foi utilizado e consumido em outros pedido de compensação apresentados pelo contribuinte; Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13888.911724/201155 Resolução nº 1302000.749 S1C3T2 Fl. 11 10 4) Sendo a resposta ao item anterior positiva, informe qual o saldo remanescente do direito creditório e se esse saldo é suficiente para quitar os débitos indicados na Per/Dcomp de compensação apresentada.; 5) apresente relatório conclusivo sobre os pontos mencionados acima, esclarecendo, em especial, o crédito decorrente de pagamento a maior de IRPJ e qual o seu valor; 6) cientifique o contribuinte do relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias. Após, retornem os autos a este colegiado, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 361DF CARF MF
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Numero do processo: 13839.905367/2015-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2015 a 30/04/2015
ATO ADMINISTRATIVO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA.
Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
Numero da decisão: 3402-006.503
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MOTIVAÇÃO SUCINTA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO E DO DIREITO DE DEFESA. Decisão sucinta não é sinônimo de decisão imotivada, como já decidido pelo STF em sede de repercussão geral (AI 791.292). Inexistência de nulidade do despacho decisório que negou a compensação realizada pelo contribuinte. Inexistência de cerceamento de defesa PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 53 67 /2 01 5- 03 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado, no qual solicita a compensação de COFINS paga indevidamente a maior. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem concluiu pela improcedência do crédito original informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em resumo: Preliminarmente, a violação ao principio da ampla defesa e ao princípio do devido processo legal. Afirma que a decisão originária se apresenta genérica, lacônica, beira as raias da inépcia e torna difícil a contra argumentação da recorrente. Afirma também que haviam vários outros elementos que poderiam, e deveriam, ser analisados, e se os fossem, certamente permitiriam inferirse de modo diverso, e que esta decisão (do Despacho Decisório) deve ser anulada. No mérito, afirma possuir direito a crédito a ser utilizado e homologado, pois pagou indevidamente ou a maior as contribuições para o PIS e a COFINS ao não excluir de suas bases de cálculo os valores ali embutidos referentes ao ICMS. O valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS por não integrar conceito de "faturamento", pois esse valor de ICMS é mero "ingresso" na escrituração contábil das empresas. A este respeito cita o voto proferido pelo Min. Luiz Gallotti no Recurso Extraordinário nº 71.758 no STF e o Recurso Extraordinário nº 240785 no STF que tem por relator o Ministro Marco Auréio. Requer, que fique sobrestada qualquer eventual cobrança para o pagamento de impostos atinentes ao caso vertente até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. Requer também PROVIMENTO TOTAL à Manifestação de Inconformidade, para ser acatada a matéria preliminar e anulada a decisão, ou, que seja reformada a decisão para HOMOLOGAÇÃO da compensação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo DRJ, nos termos do Acórdão nº 12091.508. Devidamente intimado, o contribuinte interpôs o recurso voluntário ora em apreço, oportunidade em que continuou alegando que despacho decisório seria nulo, porque carente de motivação, o que, por seu turno, implicaria cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente, bem como defendeu a juridicidade do seu crédito, decorrente da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.481, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 13839.905347/201524, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.481): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. I. Preliminarmente (i) Da pretensa ausência de motivação do despacho decisório e suposta ofensa ao direito de defesa do contribuinte 6. A título de preliminar de mérito, o contribuinte se apega ao pretenso fundamento de que o despacho decisório que implicou a denegação da compensação por ele perpetrada seria carente de motivação. Acontece que, apesar de sucinto, o citado despacho é claro ao expor o motivo da denegação aqui combatida: o contribuinte compensou o pretenso crédito com outro débito, sendo este o teor do referido despacho: 7. Embora sucinto, o despacho é claro em apontar o motivo para não homologar o crédito do contribuinte: o pretenso crédito teria sido utilizado para a quitação de outros débitos para com a Receita Federal do Brasil. Aliás, precisando tal assertiva, o citado despacho aponta que tal crédito teria sido Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 5 4 utilizado para o pagamento de n. 43687704232, com código n. 2172, referente a processo administrativo de compensação de 30/04/2015. Tais informações são suficientes para identificar o débito para o qual o "crédito" indicado neste processo administrativo foi previamente utilizado. 8. Apesar da objetividade do referido despacho, tal ato atende a exigência da motivação de todo e qualquer ato administrativo, na medida em que justifica em concreto a recusa da compensação efetuada pelo contribuinte no presente caso. O fato de ser sucinta não implica, per si, a nulidade da decisão por carência de motivação, como aliás já decidiu o Supremo Tribunal Federal em sede de recurso julgado sob repercussão geral, in verbis: 1. Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (STF; AI 791.292 QORG, Relator: Min. GILMAR MENDES, j. em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 1308 2010) (grifos nosso). 9. É também neste diapasão o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, bem como deste CARF, conforme se observa das ementas exemplarmente colacionadas abaixo: AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ART. 620 DO CPC/1973. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS N. 282 E 356 DO STF. REEXAME DE PROVAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA DECISÃO. MOTIVAÇÃO SUCINTA. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. 1. A ausência de prequestionamento de dispositivo legal tido por violado impede o conhecimento do recurso especial. Incidem as Súmulas n. 282 e 356 do STF. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 6 5 2. Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fáticoprobatória (Súmula n. 7/STJ). 3. A decisão que se mostra fundamentada, ainda que de forma sucinta, não dá ensejo ao decreto de nulidade. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ; AgInt no AREsp 1.004.066/SP, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, 4a T., j. em 22/05/2018, DJe 01/06/2018) (g.n.). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 NULIDADE. ACÓRDÃO DA DRJ. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Não é nulo acórdão da DRJ fundamentado, ainda que de forma sucinta. A fundamentação breve não caracteriza ausência de motivação. IRPF. COMPROVAÇÃO. DEPÓSITO EM CONTA DE PESSOA FÍSICA. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O depósito em conta bancária de pessoa física, sócia de empresa prestadora de serviço, caracteriza a pessoa física como beneficiária da renda, sendo devido IRPF sobre os valores recebidos. Registros contábeis e contratos não são capazes de elidir a natureza fática do depósito bancário. IRPF. REMUNERAÇÃO INDIRETA. DESPESAS COM VIAGEM, ESTADIA E ALIMENTAÇÃO. CUSTEADAS PELA CONTRATANTE. AUSÊNCIA DE FATO GERADOR. Despesas de locomoção, hospedagem e alimentação quando incorridas pelo contratante dos serviços em benefício do prestador do serviço para viabilizar a prestação do serviço não caracterizam remuneração indireta. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS. O CARF não é órgão competente para promover de ofício compensação do crédito tributário mantido em sede de processo administrativo em face de eventuais valores que o contribuinte detenha a seu favor junto a autoridade tributária. (CARF; Processo n. 11080.011496/200614; acórdão n. 2201002.349; Data da sessão: 19/03/2014) (g.n.). Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 7 6 10. Ressaltese, por fim, que nem sede de manifestação de inconformidade nem no âmbito do recurso voluntário, o contribuinte trouxe qualquer contraprova no sentido de refutar a motivação do ato administrativo, limitandose a aduzir, genericamente, que tal despacho seria carente de motivação. Convém lembrar, todavia, que o presente caso é um pedido de compensação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, i.e., seu crédito, exatamente como estipulado no art. 373, inciso I do CPC1. 11. Nesse sentido, não há que se falar em nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, muito menos em ofensa ao direito de defesa do contribuinte, devendo o r. acórdão recorrido ser mantido em sua íntegra. II. Mérito (i) A exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e a ausência de prova 12. Quanto ao mérito, convém novamente repisar que o contribuinte figura como titular da pretensão de compensação e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. 13. Assim, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a fiscalização incorreu em erro ao não homologar a compensação pleiteada, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/19722. Em outros termos, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. 1 "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." 2 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13839.905367/201503 Acórdão n.º 3402006.503 S3C4T2 Fl. 8 7 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...) (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifos nosso). 14. Atentandose para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida, a qual limitase a discutir, em abstrato, a validade material do suposto crédito por ela vindicado. Dispositivo 15. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.900265/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado.
Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido.
Numero da decisão: 1201-002.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13971.900250/2008-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 MATERIALIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Como a existência e quantificação do crédito não foram objetos de análise, cabe a unidade local proceder tal verificação com a prolação de novo despacho decisório. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. Somente diante da efetiva análise documental, das diligências necessárias à busca da verdade material, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, apta a demonstrar que a documentação suporte apresentada pelo contribuinte é insuficiente para comprovar a origem do crédito e/ou não esclarece de forma assertiva e sem contradições a composição dos valores discutidos, que o direito creditório não merece ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, POR MAIORIA, para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. Vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13971.900250/200871, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 02 65 /2 00 8- 30 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo decorrente de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou o PER/DCOMP nº 17362.43220.180504.1.3.040318. O sujeito passivo declarou, por meio do referido PER/DCOMP, a compensação de débitos de COFINS no montante de R$ 1.841,54. Enquanto o crédito declarado no PER/DCOMP é referente a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, no montante original na data de transmissão de R$ 999,34, decorrente de DARF (Cód. 5993) recolhido em 30/07/1999. Sobreveio despacho decisório, no qual a autoridade fiscal, ao analisar as informações prestadas no PER/DCOMP, concluiu que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Foi exigido da contribuinte o recolhimento do débito compensado equivocadamente, acrescido de multa e juros. Devidamente intimada do despacho, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que na DIPJ/2000 foi apurado saldo negativo de IRPJ e, portanto, o recolhimento do DARF, declarado no PER/DCOMP, a título de estimativa mensal de IRPJ foi indevido. No mais, a contribuinte afirma que se equivocou ao preencher o PER/DCOMP, tendo em vista que declarou seu crédito como pagamento indevido ou a maior, quando, na realidade, deveria ter declarado saldo negativo. Em sessão de 20 de abril, a 3ª Turma da DRJ/FNS, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do voto relator, Acórdão nº 0728.437. Em vista do disposto na Portaria SRF nº 1.364/2004, vigente à época, o acórdão ficou dispensado de conter ementa. A DRJ/FNS não homologou a compensação, sob os seguintes fundamentos: (i) diante das informações constantes da DIPJ, inferese que o crédito da interessada corresponde a saldo negativo de IRPJ, entretanto a apuração de prejuízo ao final do ano calendário não torna inexigíveis, retroativamente, os débitos de estimativa mensal de IRPJ; (ii) caberia à interessada apresentar regularmente uma nova DCOMP informando corretamente a natureza do crédito. Cientificada da decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário e reforçou suas razões de defesa no sentido de que, como a base de cálculo do IRPJ e da CSLL em 1999 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 4 3 era negativa, não há imposto a pagar. Logo, o valor recolhido a título de estimativa mensal representa crédito de tributo em favor da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.824, de 20/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº13971.900250/200871, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1201002.824): O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Questões de Mérito I. A Busca a Verdade Material e a Necessária Observância dos Princípios da Cooperação e Eficiência Processual Inicialmente, cumpre consignar que somente diante da efetiva análise documental, bem como mediante decisão fundamentada por parte das autoridades fiscais, o direito creditório não merece ser reconhecido. Nos termos do artigo 3º, inciso III, da Lei nº 9.784/1999, é direito do contribuinte ver a documentação probatória apresentada devidamente analisada pelo órgão competente. E, mesmo diante das hipóteses previstas no §4º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, em que as provas poderão ser recusadas, o normativo dispõe sobre a necessidade de decisão fundamentada por parte da autoridade fiscal. Ademais, alinhome ao entendimento de que a Administração não pode ficar restrita ao que as partes demonstram no curso do processo e, além de fundamentar a decisão com base nas provas apresentadas, deve buscar a verdade material por meio das diligências necessárias. In casu, a douta DRJ poderia, ao invés de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, ter realizado a análise da suficiência do crédito e/ou determinado o retorno dos à Unidade Local Competente para tal providência, vez que a contribuinte indicou a existência de saldo negativo de IRPJ. Tratase de um poder/dever da autoridade fiscal hábil a garantir o direito ao contraditório, a ampla defesa e, fundamentalmente, Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 5 4 a busca da verdade material. Sob esse aspecto, é cediça a jurisprudência administrativa e não poderia ser diferente. Os atos praticados pela administração tributária devem ser norteados pelo princípio da verdade material, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Vale lembrar que o core business do contribuinte não é arrecadar, mas empreender, empregar, criar, pesquisar, industrializar e prestar determinados serviços. Quando dificultamos a relação entre o Fisco e os contribuintes, naturalmente estamos atravancando o desenvolvimento econômico do país. O setor produtivo se vê obrigado a dividir sua atenção entre a efetiva gestão de seus negócios e a função arrecadatória outorgada pelo Estado – o número de obrigações acessórias no Brasil traz concretude a essa afirmação e a própria sistemática do lançamento por homologação. Considero que esse raciocínio vale tanto para atuações (Estado como suposto credor) como não homologação de pedidos de compensação (Estado como suposto devedor). Não é porque estamos diante de direito creditório do contribuinte que podemos olvidar dos princípios que regem a Administração Pública, em especial do princípio da eficiência, constante do artigo 37, da CF/88 e do artigo 2º, da Lei nº 9.784/19991. A eficiência, por conseguinte, deve ser pensada a partir da cooperação e da obtenção de resultados proporcionais e efetivos à continuidade das atividades empresariais e à justa arrecadação. As autoridades fiscais e julgadoras devem cooperar com aqueles contribuintes que claramente estão dispostos a cumprir os ditames legais, mas que se equivocam diante da pública e notória complexidade do sistema tributário brasileiro. Esta relatoria tem real preocupação para que os valores cooperação e eficiência processual sejam respeitados em prol da satisfatividade das decisões administrativas. De acordo com Prof. Doutor Humberto Ávila2 " para que a administração esteja de acordo com o dever de eficiência, não basta escolher meios adequados para promover seus fins. A eficiência exige mais o que mera adequação. Ela exige satisfatoriedade na promoção dos fins atribuídos à administração. Escolher um meio adequado para promover um fim, mas que promove o fim de modo insignificante, com muitos efeitos negativos paralelos ou com pouca certeza, é violar o dever de eficiência administrativa. O dever de eficiência traduzse, pois, na exigência de promoção satisfatória, para esse propósito, a promoção minimamente intensa e certa do fim”. 1 Lei nº 9.784/1999: "Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência." 2 ÁVILA, HUMBERTO. Moralidade, Razoabilidade e Eficiência na Atividade Administrativa. In: Revista Eletrônica sobre a Reforma do Estado, nº 04, out/nov/dez 2005, p. 2324. Disponível em: https://goo.gl/Hn3CpK. Acesso em: 01/01/2018. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 6 5 Nessa linha, e em última análise, deixar de observar os preceitos aqui descritos violam o princípio da eficiência, pois os litígios acabam sendo levados para o âmbito do Poder Judiciário. Para além do ônus suportado pelas partes, temos o ônus para o própria Administração Pública. O Estado é um só e os custos do contencioso são suportados por todos os cidadãos brasileiros. A eficiência de gestão dos recursos públicos e o cuidado na busca de soluções satisfativas3 são valores legais necessários à promoção do interesse público e não podem ser considerados incompatíveis com esse objetivo. Lembro que, as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/994. Tendo essas premissas em mente, passo a trazer algumas ponderações em concreto. II. Da Ausência de Análise da Materialidade do Crédito Pleiteado No presente caso, a Recorrente afirma ter apurado saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1999 e que, portanto, os pagamentos efetuados a título de IRPJ ao longo do ano de 1999 seriam indevidos. Alega que se equivocou no preenchimento do PER/DCOMP ao declarar seu crédito como pagamento indevido ou a maior, quando se tratava de saldo negativo. A DRJ, por sua vez, apesar de ter constatado que houve apuração de saldo negativo de IRPJ e CSLL na DIPJ/2000, concluiu que a Recorrente deveria ter apresentado uma nova declaração de compensação informando corretamente a natureza do crédito. Contudo, entendo que tal conclusão não merece prosperar. Cumpre consignar que a questão sobre a possibilidade de restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal já foi objeto de longa controvérsia neste E. Conselho, resultando na edição da Súmula CARF nº 84: 3 Sobre o tema, não é demais citar os valores processuais contantes dos artigos 4º, 6º e 8º, da Lei nº 13.105/2015: "Art. 4º As partes têm o direito de obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. (...) Art. 6º Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...) Art. 8º Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência." 4 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 7 6 “Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.” Diante da alegação da Recorrente de apuração de saldo negativo, a DRJ deveria ter verificado aspectos da apuração do ajuste anual do anocalendário de 1999 antes de reconhecer ou não o crédito pleiteado. Na hipótese de restar comprovado, pela documentação contábil e fiscal da contribuinte, a existência de saldo negativo de IRPJ para o ano de 1999, os pagamentos a título de estimativa de IRPJ, do mesmo período, podem ser admitidos enquanto indébitos passíveis de compensação a partir da data do seu recolhimento, conforme Súmula CARF nº 84. Nesse mesmo sentido, concluiu o Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, relator no julgamento do processo nº 10166.901000/200936, em litígio semelhante ao presente: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 ANALISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 8 7 de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte.” (Processo nº 10166.901000/200936, Acórdão nº 9101002.903, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 08 de junho de 2017). Em consonância com a ementa acima transcrita, entendo que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais e não o saldo negativo final, não deve obstar a análise do direito creditório pleiteado pela Recorrente. No presente caso não houve mudança na origem do direito creditório, mas sim a indicação da parte (estimativa mensal) ao invés do todo (saldo negativo). Vale ressaltar que, conforme já exposto nos itens 10 a 15 deste voto, a desconsideração dos indícios de prova apresentados pela Recorrente viola os princípios da isonomia processual, boafé, cooperação e contraditório efetivo hábeis a assegurar a busca da verdade material e da eficiência processual, conforme prevê os artigos 6º e 7º, da Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil), bem como no artigo 2º da Lei nº 9.784/1999. Logo, considerando que a origem e a procedência do crédito não foram devidamente analisadas até o momento, entendo que cabe a unidade local proceder a verificação da suficiência do direito creditório para a compensação declarada, considerando a alegação de apuração de saldo negativo. A partir da análise pela unidade local, deve ser prolatado novo despacho decisório, com abertura de prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade e dos demais recursos previstos na legislação. Dessa forma, não há supressão do rito processual habitual e o direito de defesa da contribuinte permanece preservado. No mais, é fundamental que sejam verificados conjuntamente, por meio dos sistemas de informação internos da RFB, os PER/DCOMP’s que tenham por base o mesmo crédito. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13971.900265/200830 Acórdão n.º 1201002.827 S1C2T1 Fl. 9 8 Conclusão Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. Aplicase a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, no sentido de CONHECER do RECURSO interposto e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise de mérito do direito creditório na modalidade de saldo negativo, retomandose, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902421/2014-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 21 /2 01 4- 51 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10580.902421/201451 Acórdão n.º 3401005.855 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10580.902421/201451 Acórdão n.º 3401005.855 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.529. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.902421/201451 Acórdão n.º 3401005.855 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10580.902421/201451 Acórdão n.º 3401005.855 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10580.902421/201451 Acórdão n.º 3401005.855 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10580.902421/201451 Acórdão n.º 3401005.855 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10580.902421/201451 Acórdão n.º 3401005.855 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10580.902421/201451 Acórdão n.º 3401005.855 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 201DF CARF MF
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Numero do processo: 10768.720173/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não constatada a omissão alegada.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
DILIGÊNCIA. PROVAS. REFORMA DE DECISÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não caracteriza supressão de instância a decisão que, baseada em provas produzidas em diligência determinada pelo CARF, reformou decisão de primeira instância que reconhecera carência probatória, sendo incabível o retorno do processo à DRJ para novo julgamento.
Numero da decisão: 3401-006.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos.
(documento assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE SEIXAS PANTAROLLI
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OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. REJEIÇÃO. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não constatada a omissão alegada. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. DILIGÊNCIA. PROVAS. REFORMA DE DECISÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. Não caracteriza supressão de instância a decisão que, baseada em provas produzidas em diligência determinada pelo CARF, reformou decisão de primeira instância que reconhecera carência probatória, sendo incabível o retorno do processo à DRJ para novo julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. (documento assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 01 73 /2 00 7- 12 Fl. 4507DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.720173/2007-12 Trata-se de Embargos de Declaração (fls. 4.450/4.453) opostos contra o Acórdão de Embargos de Declaração n° 3401.005.057 (fls. 4.428/4.439), proferido em 23 de maio de 2018, em razão de alegada omissão no decisum. Alega a embargante ter havido supressão de instância, uma vez que a dilação probatória realizada em diligência, em sede de julgamento de Recurso Voluntário, teria resultado em decisão não sujeita ao duplo grau de jurisdição administrativa. Por medida de celeridade e economia processual, adoto parcialmente o Relatório constante do próprio Acórdão embargado: Cuida-se de embargo de declaração interposto em face do Acórdão 3401001.749, exarado em 20/03/2012, que negou provimento (rectius não conhecimento) ao recurso voluntário por vislumbrar renúncia às instâncias administrativas, com aplicação da Súmula CARF nº 1. O contribuinte argüiu o julgado asseverando que houve adoção de premissa equivocada, uma vez que não realizou qualquer compensação fundada em provimento judicial, mas sim, que estava obrigado, na condição de responsável tributário, a dar cumprimento a ordem judicial em ações promovidas por terceiros, de maneira que seria inaplicável a renúncia à discussão administrativa. O processo em epígrafe alberga declaração de compensação de Cofins, período de apuração agosto/2005, com direito creditório do mesmo tributo apurado em novembro/2003. A Demac/RJO/Diort não homologou a compensação por constatar erro na apuração do direito creditório, ao passo que o contribuinte havia excluído da base de apuração valores relativos a vendas para clientes beneficiados com medidas judiciais que afastavam a incidência do tributo, o que não encontraria respaldo na legislação, devendo o contribuinte indicar esta situação nas DCTFs, com exigibilidade suspensa. Em manifestação de inconformidade sustentou-se erro na apuração realizada pela RFB, porquanto não foram excluídas as seguintes parcelas: i) das vendas de gasolina – as vendas de gasolina de aviação, submetidas a alíquota diferenciada; ii) das vendas de diesel – a revenda de óleo diesel adquirido da REFAP, sujeito à tributação monofásica; iii) das vendas de GLP – as vendas de propano/butano. Quanto às deduções das vendas da parcela correspondente a empresas com liminar, alegou que se cuidaria de ato jurídico sujeito a condição suspensiva, de modo que o imposto só será devido quando sobrevier o evento futuro e incerto, que é a manifestação definitiva do Poder Judiciário, razão porque tais glosas deveriam ser revisadas. A DRJ Rio de Janeiro II/RJ julgou o recurso improcedente mediante decisão assim ementada: IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. A manifestação de inconformidade apresentada contra decisão que reconheceu em parte o direito creditório pleiteado deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e deverá vir acompanhada dos dados e documentos comprovadores dos fatos alegados. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. Fl. 4508DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.720173/2007-12 É vedado, para fins de compensação, aproveitar crédito, objeto de disputa judicial, antes de transitar em julgado a decisão favorável ao sujeito passivo. APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” O recurso voluntário, grosso modo, reprisou os argumentos da manifestação vestibular, destacando que as vendas a empresas detentoras de liminares envolvem óleo diesel e gasolina, bem assim, que a exclusão das vendas de GLP refere-se à comercialização de propeno, cujo código NCM é 2901.22.00, de modo que sujeitar-se-ia à alíquota geral e não diferenciada, como o propano/butano. Na oportunidade foram juntadas cópias de notas fiscais que demonstrariam a procedência das razões recursais. Na sessão de 16/10/2014, através da Resolução 3401.000.841, uma vez confirmado o equívoco da decisão embargada, no tocante à suposta concomitância, e diante da impossibilidade de decidir o processo no estado em que se encontrava, converteu-se o julgamento em diligência para que fosse averiguado o registro dos documentos fiscais apresentados, a procedência das alegações de fato e a juntada de documentos relativos às medidas judiciais que amparariam as saídas com suspensão da exigibilidade, com redução a termo das verificações efetuadas. O relatório fiscal destacou, relativamente às exclusões de gasolina de aviação e “propeno grau polímero (NCM 2901.22.00)”, que considerou apenas como tais as vendas indevidamente incluídas nas rubricas referentes a “Gasolina” e “GLP”, respectivamente, para as quais foram apresentadas cópias das notas fiscais, não acatando aquelas cuja prova se fez apenas pelo “espelho” da nota fiscal; quanto às vendas a empresas detentoras de medidas judiciais, que todas as ações indicadas transitaram em julgado ao longo de 2011, desfavoravelmente aos contribuintes, além do que, a partir de 2000, o regime de substituição tributária foi sucedido pelo regime monofásico de tributação, de maneira que a distribuidora deveria informar a suspensão da exigibilidade do crédito na DCTF, ao invés de deixar de oferecer ditos montantes à tributação; e, tocante à exclusão da revenda de óleo adquirido da REFAP, sujeito à incidência monofásica, aduziu que o próprio recorrente, ainda durante a fiscalização, reconhecera a improcedência do abatimento. Cientificado destas conclusões o contribuinte asseverou que, mesmo que os “espelhos” de notas fiscais não possuam efeitos fiscais, deveriam ser confrontados com os livros fiscais e contábeis, o que confirmaria a existência do lançamento e convalidaria a exclusão pretendida; que a exclusão das vendas a beneficiários de liminares encontra abrigo na IN SRF 104/200(?), Parecer Cosit nº 1/200(?) e art. 811 do CPC/73; e, que a revenda de óleo já submetido a tributação não enseja nova incidência, sob pena de vilipêndio ao regime monofásico. Fl. 4509DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.720173/2007-12 Em sede de julgamento dos Embargos de Declaração, foi proferido o Acórdão de fls. 4.428/4.439, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE DA DECISÃO ARGÜIDA. ACOLHIMENTO. NECESSIDADE. Necessário o acolhimento dos embargos de declaração que investem contra decisão colegiada que, partindo de premissas fáticas equivocadas, prolata acórdão completamente dissonante dos fatos albergados no processo, eis que inquinado de obscuridade. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. Consoante art. 333, I do Código de Processo Civil (art. 373, I do CPC/15), então vigente, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, incumbe ao autor a prova dos fatos constitutivos do direito invocado, ônus atribuído ao contribuinte nas hipóteses de repetição de indébito ou ressarcimento. ELEMENTOS DE PROVA. CONFIGURAÇÃO DE SITUAÇÃO DE FATO. EXIGÊNCIA. A alegação de inclusão de vendas de produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas, na apuração do tributo, deve vir acompanhada de elementos hábeis, do ponto de vista fiscal ou contábil, que demonstrem cabalmente essa situação de fato, não sendo suficiente a mera remissão à existência de lançamentos nos livros próprios ou documentos sem valor fiscal para esse desiderato. CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO NO TRANSCURSO TEMPORAL. EFEITOS SUPERVENIENTES. A modificação verificada no quadro judicial tributário, decorrente da cassação de liminar que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, tem o condão de restabelecer o status quo ante e tornar devido o tributo suspenso, impedindo que o contribuinte, ainda que na condição de terceiro obrigado ao cumprimento de ordem judicial, possa reaver valor recolhido a maior pela inobservância da causa suspensiva então vigente, mas já revista por ocasião do pleito de restituição. Embargos acolhidos. Às fls. 4.450/4.453, opostos os presentes Embargos de Declaração pelo contribuinte apontando omissão no julgado por considerar que a matéria probatória produzida durante a fase de diligência, já em sede de julgamento dos Embargos de Declaração anteriormente opostos, não estaria sujeita a recurso administrativo, representando supressão de instância. Colacionou julgado deste Conselho para corroborar suas alegações e requereu a anulação do julgado e a remessa do processo à DRJ para novo julgamento de mérito. Às fls. 4.503/4.506, Despacho de Admissibilidade que entendeu ter a embargante apresentado argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos embargos em face da possibilidade de ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado. Fl. 4510DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.720173/2007-12 É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Seixas Pantarolli - Relator Tendo sido já admitidos os embargos por meio do despacho de fls. 4.503/4.506, passo à análise. Do mérito O presente versa sobre Declaração de Compensação, através da qual a contribuinte pretendia homologar débitos de Cofins apurados em agosto de 2005 com créditos do mesmo tributo apurados em novembro de 2003, que restou não homologada por ter concluído a fiscalização pela insuficiência dos créditos e do pagamento apontados. A Manifestação de Inconformidade apresentada foi julgada improcedente pela DRJ/RJO que, como se depreende da ementa abaixo reproduzida, verificou haver carência probatória nas alegações aduzidas pela contribuinte: Em sede de Recurso Voluntário, foi proferido primeiramente Acórdão pela aplicação da Súmula CARF n° 1, entendimento que veio a ser superado pelo Acórdão de Embargos de Declaração de fls. 4.428/4.439, acolhido com efeitos infringentes para dar parcial provimento ao recurso, confirmando o resultado da diligência determinada por este Colegiado. O procedimento concluíra pelo reconhecimento de créditos oriundos de repetição de indébito relativos a vendas de gasolina de aviação e propeno cuja tributação indevida restou comprovada pela apresentação das respectivas notas fiscais. Não foram reconhecidos os demais créditos por carência probatória. Reproduzo, por oportuno, a ementa do julgado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2003 a 30/11/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE DA DECISÃO ARGÜIDA. ACOLHIMENTO. NECESSIDADE. Fl. 4511DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-006.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.720173/2007-12 Necessário o acolhimento dos embargos de declaração que investem contra decisão colegiada que, partindo de premissas fáticas equivocadas, prolata acórdão completamente dissonante dos fatos albergados no processo, eis que inquinado de obscuridade. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA. Consoante art. 333, I do Código de Processo Civil (art. 373, I do CPC/15), então vigente, utilizado subsidiariamente no processo administrativo fiscal, incumbe ao autor a prova dos fatos constitutivos do direito invocado, ônus atribuído ao contribuinte nas hipóteses de repetição de indébito ou ressarcimento. ELEMENTOS DE PROVA. CONFIGURAÇÃO DE SITUAÇÃO DE FATO. EXIGÊNCIA. A alegação de inclusão de vendas de produtos sujeitos a alíquotas diferenciadas, na apuração do tributo, deve vir acompanhada de elementos hábeis, do ponto de vista fiscal ou contábil, que demonstrem cabalmente essa situação de fato, não sendo suficiente a mera remissão à existência de lançamentos nos livros próprios ou documentos sem valor fiscal para esse desiderato. CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ALTERAÇÃO NO TRANSCURSO TEMPORAL. EFEITOS SUPERVENIENTES. A modificação verificada no quadro judicial tributário, decorrente da cassação de liminar que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, tem o condão de restabelecer o status quo ante e tornar devido o tributo suspenso, impedindo que o contribuinte, ainda que na condição de terceiro obrigado ao cumprimento de ordem judicial, possa reaver valor recolhido a maior pela inobservância da causa suspensiva então vigente, mas já revista por ocasião do pleito de restituição. Embargos acolhidos. Verifica-se, portanto, que nas duas instâncias administrativas, a Embargante não logrou êxito em se desincumbir do ônus probatório que lhe cabia. Em se tratando de direito creditório, a jurisprudência deste Conselho é pacífica no sentido de que incumbe ao sujeito passivo demonstrar a certeza e a liquidez do direito que lhe assiste, não se exigindo da autoridade julgadora a realização de perícias e diligências para produzir prova cujo onus probandi recaia originalmente sobre o contribuinte. Vejam-se recentes e unânimes Acórdãos proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DO INDÉBITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Em pedidos de restituição/compensação cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a liquidez e a certeza de seu direito creditório. (CSRF, 3ª Turma , Acórdão n° 9303.008.389, sessão de 21/03/2019, Relator Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal) DIREITO CREDITÓRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DEMONSTRAÇÃO DA PROVA. NECESSIDADE. Fl. 4512DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-006.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.720173/2007-12 A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. (CSRF, 3ª Turma , Acórdão n° 9303.008.389, sessão de 19/09/2018, Relator Conselheiro Demes Brito) Na hipótese, a Embargante não apresentou as notas fiscais hábeis a comprovar que ocorrera indevidamente a tributação de vendas por ela posteriormente excluídas da base de cálculo da Cofins. Cabe ressaltar que os documentos fiscais, de posse obrigatória da contribuinte, foram reiteradamente exigidos ao longo de processo que tramita desde 2007. Apesar das inúmeras oportunidades, limitou-se a apresentar apenas registros contábeis e documentos extracontábeis (espelhos de notas fiscais). Quanto ao momento de apresentação da prova, o Decreto n° 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, estabelece em seu art. 16: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Entretanto, considerando o princípio da verdade material e a aplicação subsidiária da Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dando-se aplicação a princípios consagrados na Constituição, como o contraditório e a ampla defesa, este Conselho tem admitido a produção de provas até o julgamento do feito, pois conforme preceitua o caput do art. 38 da referida lei, o interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo, somente podendo ser recusadas as provas quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. A admissão de provas em diligência determinada por este Colegiado foi realizada em favor da Embargante, jamais em seu prejuízo e, decorridos anos de instrução processual, não há justificativa plausível para, até o presente momento, terem sido apresentados tão somente espelhos extracontábeis e não as notas fiscais exigidas. Tais provas, a rigor, deveriam ter sido apresentadas até a Manifestação de Inconformidade e, assim não o foram, apesar de reiteradas intimações, por inércia da Embargante. Assim, entendo que não mereça prosperar a alegação de que o provimento parcial do Recurso Voluntário, baseado nas provas juntadas pela própria contribuinte em procedimento fiscal de diligência, configure supressão de instância. Considerar a possibilidade de se retornar o processo à primeira instância sempre que determinado contribuinte juntar novas provas em sede de Recurso Voluntário, relacionadas a fato e direito idênticos aos já julgados pela DRJ, Fl. 4513DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-006.198 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10768.720173/2007-12 significaria a possibilidade de se retroalimentar, a desejo do interessado, um ciclo infindável de idas e vindas processuais, desvirtuando-se o entendimento já garantista deste Conselho quanto à admissão de provas em busca da verdade material. Ademais, a Embargante teve assegurados a ampla defesa e o contraditório, visto que as provas não foram apreciadas pela autoridade julgadora sem sua ciência e prévia manifestação, conforme petição de fls. 4.372/4.381. Da conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração, mantendo-se hígido o Acórdão embargado. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Seixas Pantarolli Fl. 4514DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.006653/2009-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA TRIBUTÁVEL.
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-007.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora designada e Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora designada e Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 66 53 /2 00 9- 19 Fl. 422DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pelo Contribuinte contra decisão proferida pela turma a quo que deu provimento parcial ao recurso, para excluir a multa de ofício, sem o restabelecimento da multa de mora, e afastar o IR dos juros moratórios exigidos. Na parte que nos interessa, citado Colegiado concluiu que as diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte e como tal estão sujeitas ao imposto sobre a renda. O acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. As verbas percebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza remuneratória e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS MORATÓRIOS. NÃO INCIDÊNCIA DE IR. RECURSO REPETITIVO. Por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, relator para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Citando como paradigma o acórdão 210201.687, defende a Recorrente que enquanto a decisão recorrida entendeu que, sobre o abono variável pago aos membros do Ministério Público baiano incide o Imposto de Renda Pessoa Física haja vista a vedação a extensão com base em analogia em sede de incidência tributária, o acórdão paradigma, em sentido diametralmente oposto, considerou que o sobre abono variável pago não incide o imposto federal. Intimada a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do julgado por seus próprios fundamentos. Fl. 423DF CARF MF Processo nº 18050.006653/200919 Acórdão n.º 9202007.695 CSRFT2 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal e por tal razão se aplica ao caso a Resolução STF nº 245/2002, devendo ser afastada a tributação. Por diversas ocasiões manifestei meu entendimento pessoal no mesmo sentido exposto pela recorrente. Entendia que não se poderia afastar a aplicação da Resolução nº 245/2002 apenas pelo fato dela versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal, interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV é tratado tanto na resolução citada quanto nas normas estaduais instituidoras do abono. Na concepção desta Relatora, eventual argumento de que essas verbas serviram para repor a atualização monetária dos salários do período considerado, também acabaria por reforçar a tese de que os valores ora discutidos não poderiam ser tributados pelo imposto de renda, afinal é pacífico na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. Ocorre que, desde de 2016 essa Câmara Superior de Recursos Fiscais vem entendendo pela natureza remuneratória da verba, concluindo pela incidência do imposto de renda sobre os valores pagos. Cito como exemplo os acórdãos 9202004.233, 9202006.361, 9202007.070, 9202006.402. Para fundamentar o entendimento que prevalece na CSRF, transcrevo voto proferido pela Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, no acórdão nº 9202007.239 o qual apesar de tratar de verbas recebidas pelos magistrados com base no Lei Estadual nº 8.730/03, em todo se aplica a verba prevista na Lei Complementar Estadual nº 20/03: Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. Fl. 424DF CARF MF 4 As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou Fl. 425DF CARF MF Processo nº 18050.006653/200919 Acórdão n.º 9202007.695 CSRFT2 Fl. 4 5 proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, o Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na sequência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Fl. 426DF CARF MF 6 Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação do Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta de identidade entre o abono variável tratado na Resolução e as diferenças de URV: “TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – DIFERENÇAS ORIUNDAS DA CONVERSÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL EM URV – VERBA PAGA EM ATRASO – NATUREZA REMUNERATÓRIA – RESOLUÇÃO 245/STF – INAPLICABILIDADE. 1. As diferenças resultantes da conversão do vencimento de servidor público estadual em URV, por ocasião da instituição do Plano Real, possuem natureza remuneratória. 2. A Resolução Administrativa n. 245 do Supremo Tribunal Federal não se aplica ao caso, pois faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n. 9.655/98. Ademais, não se trata de decisão proferida em ação com efeito erga omnes, de modo que não pode ser considerada como fato constitutivo, modificativo ou extintivo de direito suficiente para influir no julgamento da presente ação. 3. Agravo regimental não provido." (STJ, AgRg no Ag 1285786/MA, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20/05/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Fl. 427DF CARF MF Processo nº 18050.006653/200919 Acórdão n.º 9202007.695 CSRFT2 Fl. 5 7 Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. (...) Diante do exposto, e adotando a tese fixada pela maioria do Colegiado, nego provimento ao recurso para manter o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 428DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16572.000092/2007-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A regra geral prevista na legislação determina que o imposto de renda deve incidir sobre o rendimento bruto percebido pelo contribuinte, assim compreendido todo produto do capital, trabalho ou da combinação de ambos, salvo exceções legais taxativas.
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
IRPF - DEDUÇÃO INDEVIDA. LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA.
O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade.
Numero da decisão: 2002-000.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento parcial para cancelar todas as glosas com despesas médicas. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e redatora designada.
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A regra geral prevista na legislação determina que o imposto de renda deve incidir sobre o rendimento bruto percebido pelo contribuinte, assim compreendido todo produto do capital, trabalho ou da combinação de ambos, salvo exceções legais taxativas. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. IRPF - DEDUÇÃO INDEVIDA. LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não-assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A regra geral prevista na legislação determina que o imposto de renda deve incidir sobre o rendimento bruto percebido pelo contribuinte, assim compreendido todo produto do capital, trabalho ou da combinação de ambos, salvo exceções legais taxativas. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. IRPF DEDUÇÃO INDEVIDA. LIVRO CAIXA. DESPESAS NECESSÁRIAS À MANUTENÇÃO DA FONTE PRODUTORA. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento parcial para cancelar todas as glosas com despesas médicas. Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 57 2. 00 00 92 /2 00 7- 68 Fl. 706DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 707 2 para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 453 a 463), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de despesas de livro caixa. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$29.858,05, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 495 a 659 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Cientificado do lançamento, em 18/12/2007 (AR fl. 246), o contribuinte apresentou, em 17/01/2008, a impugnação de fls. 248 a 252, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 335), instruída com os documentos de fls. 253 a 331, alegando a inocorrência da omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Secretaria de Estado da Saúde (Funpar), da qual teria auferido rendimentos R$ 41.600,00 (comprovante anual de rendimentos de fl. 158), incluído nesse total a suposta omissão de R$ 5.148,00, em virtude dos serviços prestados A Funpar serem pagos pela Secretaria de Estado da Saúde. Aduz que declarou os rendimentos num só montante, sem discriminação, conforme permissivo legal. Acredita ter havido erro na informação prestada em Dirf, pois não pode conceber o envio de comprovante anual de rendimentos ao contribuinte com determinado valor e Fl. 707DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 708 3 declaração A Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, em valor superior. Concorda com as demais omissões de rendimentos autuadas, em face de equívocos cometidos e indica o pagamento do imposto suplementar correspondente (Darf de fl. 253). Quanto As deduções de despesas médicas, entende suficiente a comprovação apresentada na fase preparatória do lançamento, trazida novamente às fls. 254 a 264, que cumpre os requisitos legais do art. 80 da Lei n° 9.250, de 1995, inferindo que a constatação do recebimento dos valores poderia ser facilmente efetuada pelo Fisco, mediante exame das declarações dos prestadores dos serviços. Contesta a justificativa de falta de coincidência de datas e valores dos pagamentos com os saques bancários, atribuindo lhe ausência de suporte legal, reafirmando que, tendo recebido pagamentos em dinheiro, utilizou esse numerário em posse para pagar as despesas médicas, haja vista que não se pode exigir que os cidadãos mantenham seus valores somente em instituições bancárias. Traz à colação entendimento judicial e doutrinas sobre a matéria. Salienta que possuía recursos em seu poder, inclusive oriundos da venda de veiculo, da qual recebeu parte em dinheiro, fato esse desconsiderado na autuação. Acrescenta que em 2002 recebeu R$ 3.250,00 em dinheiro, não sendo necessário que os recebimentos acontecessem próximos às datas de pagamentos, mas apenas antes delas, ficando o numerário sob a guarda do contribuinte. Reforça que comprovou, em diversas oportunidades, saques em montantes superiores aos dos pagamentos, por exemplo, no anocalendário de 2004, R$ 900,00 e pagamento de R$ 250,00, e, em 2005, saques de R$ 500,00, R$ 900,00 e R$ 1.000,00, pois não seria obrigado a sacar a quantia exata dos pagamentos, reafirma que mantinha reserva de dinheiro em posse para emergências, em especial, de saúde. No que se refere ao Livro Caixa, argumenta que todas as despesas glosadas eram essenciais à atividade médica regular, uma vez que, por exigência da vigilância sanitária, deve manter constantes limpeza e manutenção do ambiente, em prol da assepsia do local. Diz ser o imóvel destinado inteiramente A atividade médica, assim as despesas com material e construção e reforma, realizada unicamente para tornálo mais funcional e para restringir seu uso a essa atividade, não se caracterizariam como aplicação de capital, sendo necessárias ao exercício da atividade, bem assim, a aquisição de equipamentos que se prestariam a agilizar o atendimento dos pacientes. Ao final, requer a apresentação da Dirf do anocalendário 2004, emitida pela Funpar, a fim de se verificarem eventuais Fl. 708DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 709 4 divergências, a consideração do pagamento da parte não impugnada do lançamento (Darf de fl. 253) e, na hipótese de manutenção de exigência, pugna pelo direito ao pagamento com 50% de redução da multa de oficio. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 09/06/2009, no acórdão 0622.628, às efls.677 a 684, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 691 a 703, alegando, em síntese, que § a quantia de R$5.148,00, supostamente omitida, está incluída no montante de R$ 41.600,00, recebidos da Secretaria de Estado de Saúde; § que a DIRF apresentada pela FUNPAR não foi apresentada ao contribuinte, prejudicandolhe a defesa, configurando cerceamento de defesa; § com relação a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, não foram considerados os pagamentos de IRRF realizados pelo Recorrente, conforme cópia dos RPA juntados, devendo o lançamento ser revisto. § com relação as despesas médicas, estas foram quitadas em dinheiro, sendo comprovadas pelos recibos. § com relação a dedução indevida de despesas em livro caixa, entende o contribuinte que são necessárias a consecução da sua atividade, como obras e investimentos em móveis e equipamentos eletrônicos. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 23/06/2009, efls. 689, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 22/07/2009, efls. 691, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas, dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de despesas de livro caixa, relativas aos anos calendários 2002, 2003, 2004, 2005. Para fins de melhor entendimento, colacionase a tabela elaborada pela DRJ delimitando a autuação. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 710 5 Quanto a omissão de rendimentos, o contribuinte concorda com a maior parte da autuação, insurgindose apenas quanto ao valor de R$ 5.148,00, pagos pela FUNPAR, sob alegação de que este valor já estaria incluído no montante de R$ 41.600,00, pagos pela Secretaria de Estado de Saúde. Alega ainda possível erro na DIRF. De acordo com a DRJ: Cientificado do lançamento, em 18/12/2007 (AR fl. 246), o contribuinte apresentou, em 17/01/2008, a impugnação de fls. 248 a 252, acatada como tempestiva pelo órgão de origem (fl. 335), instruída com os documentos de fls. 253 a 331, alegando a inocorrência da omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Secretaria de Estado da Saúde (Funpar), da qual teria auferido rendimentos R$ 41.600,00 (comprovante anual de rendimentos de fl. 158), incluído nesse total a suposta omissão de R$ 5.148,00, em virtude dos serviços prestados A Funpar serem pagos pela Secretaria de Estado da Saúde. Aduz que declarou os rendimentos num só montante, sem discriminação, conforme permissivo legal. Acredita ter havido erro na informação prestada em Dirf, pois não pode conceber o envio de comprovante anual de rendimentos ao contribuinte com determinado valor e declaração A Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, em valor superior. Concorda com as demais omissões de rendimentos autuadas, em face de equívocos cometidos e indica o pagamento do imposto suplementar correspondente (Darf de fl. 253). A Constituição de 1988, que tem por fundamento basilar o federalismo, criou três entes políticos (União, Estados e Distrito Federal e Municípios) com ampla autonomia, dentre elas a financeira. Desta forma, instituiu competências tributárias aos três entes, rigidamente postas, sobretudo quanto a criação de impostos. Conforme artigo 153 do texto constitucional, compete a União, dentre outros, a instituição do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: I importação de produtos estrangeiros; Fl. 710DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 711 6 II exportação, para o exterior, de produtos nacionais ou nacionalizados; III renda e proventos de qualquer natureza; IV produtos industrializados; V operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários; VI propriedade territorial rural; VII grandes fortunas, nos termos de lei complementar. (...) Segundo define o parágrafo 2º, do supracitado artigo, o imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade. O princípio da generalidade permitirá a efetivação dos princípios da universalidade, pessoalidade e capacidade contributiva, na medida em que atua no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência tributária, determinando que todas as pessoas físicas – a integralidade desse universo que esteja no território nacional, que auferir renda e proventos de qualquer natureza terá obrigação de efetuar o pagamento do imposto, salvo exceções prevista na própria lei. Já o princípio da universalidade atuará sobre o aspecto material do antecedente da regra matriz de incidência tributária, afinal determina que a incidência do imposto alcançará todas as rendas e proventos, de qualquer espécie, independente da denominação ou fonte. Por fim, o princípio da progressividade também será aplicado sobre o critério quantitativo do conseqüente da rega matriz, nesse caso para a fixação da alíquota do imposto. Tal princípio implicará na incidência gradativa, em percentual maior e, pretensamente de modo progressivo, à medida que se dá o correspondente aumento da base de cálculo do imposto ou acréscimo patrimonial, ou seja, quanto maior o acréscimo patrimonial maior será a alíquota do imposto devido pelo contribuinte. O Imposto de Renda Fonte, nada mais é do que o imposto de renda, cujo recolhimento se da por substituição tributária, de responsabilidade de outro sujeito passivo que não o contribuinte sendo que não há qualquer alteração dos aspectos que compõe a regra matriz de incidência tributária desse imposto. No caso, apesar do sujeito passivo ser representado por pessoa estranha à relação tributária, o que ocorre no IR Fonte é a mera antecipação de pagamento do tributo, cuja responsabilidade pelo recolhimento foi delegada a terceiro em razão da conveniência da Administração Tributária. Para reforçar o entendimento temos o artigo 128 do CTN: Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito Fl. 711DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 712 7 tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Considerando que dever instrumental é mecanismo utilizado para viabilizar a atividade da Administração Pública no interesse da arrecadação ou fiscalização dos tributos, o IR Fonte é um exemplo desse mecanismo, utilizado pelo sujeito passivo para promover uma maior efetividade da arrecadação do imposto. Ainda, o lançamento fiscal é atividade plenamente vinculada à autoridade administrativa que, naquela situação, entenda pela ocorrência do fato gerador da obrigação, tem o dever de ofício de constituiu o crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sob pena de prevaricação. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A FUNPAR é pessoa jurídica distinta da Secretaria de Estado de Saúde, conforme bem apontou a decisão da DRJ. Ainda, há DIRF, às efls. 308, da fonte pagadora FUNPAR, no exato valor autuado. Desta forma, cabe ao contribuinte apresentar documentos e provas de fato impeditivo, modificativo e extintivo do direito da Fazenda de proceder o lançamento, o que não ocorreu nos presentes autos.Assim, correta a decisão de piso. Ainda, a não disponibilidade da DIRF ao contribuinte não enseja qualquer prejuízo à sua defesa, pois documento que visa formar o convencimento do julgador. Ademais, o documento está anexado aos autos do processo, posto a disposição do contribuinte. Quanto a dedução de despesas médicas, a DRJ manteve a autuação pela falta de comprovação do efetivo pagamento. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Fl. 712DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 713 8 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Fl. 713DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 714 9 Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os Fl. 714DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 715 10 honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 Fl. 715DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 716 11 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Às efls. 507 a 515, há recibos emitidos pela profissional Ana Paula H. Duro datados do ano de 2002 que somam R$5.000,00. Às efls. 515 a 519 há recibos de Ana Paula H. Duro datados do ano de 2003 que somam R$5.800,00. Às efls. 521 a 527 há recibos de Carla Botelho datados do ano de 2004 que somam R$2.750,00. Às efls. 507 a 509 há recibos de Ana Paula H. Duro datados do ano de 2005 que somam R$2.000,00. Logo, restam comprovadas todas as despesas médicas, motivo pelo qual afasto as glosas. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 717 12 Quanto a dedução de livro caixa, o Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto nº 3.000/99) é claro ao delimitar os contribuintes que podem valerse da escrituração do livro caixa, bem como as despesas passíveis de dedução: Despesas Escrituradas no Livro Caixa Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho nãoassalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48. Art. 76. As deduções de que trata o artigo anterior não poderão exceder à receita mensal da respectiva atividade, sendo permitido o cômputo do excesso de deduções nos meses seguintes até dezembro (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). § 1º O excesso de deduções, porventura existente no final do anocalendário, não será transposto para o ano seguinte (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 3º). § 2º O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em Livro Caixa, que serão mantidos em seu poder, à disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 2º). § 3º O Livro Caixa de que trata o parágrafo anterior independe de registro. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 718 13 Pelo dispositivo legal a escrituração em livrocaixa é própria e taxativa para os casos em que o contribuinte receba rendimentos do trabalho não assalariado, casos dos profissionais liberais, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro. Ainda, conforme jurisprudência deste CARF: LIVRO CAIXA. DESPESAS DEDUTÍVEIS. Para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda mensal, somente são dedutíveis as despesas realizadas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. (grifos nossos) LIVRO CAIXA. DESPESAS COM TRANSPORTE. As despesas com transporte somente são dedutíveis no caso de representante comercial autônomo. ARRENDAMENTO MERCANTIL. Somente com a entrada em vigor da Lei n° 9.250, de 1995, é que as despesas de arrendamento passaram a ser indedutíveis da receita decorrente dos rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive dos titulares dos serviços notariais e de registro. (Acórdão nº 3301000.015 Sessão 04/03/2009) Pela leitura do dispositivo delimitase três grupos de despesas dedutíveis: (i) remuneração paga a terceiros com vínculo empregatício, (ii) emolumentos e (iii) despesas de custeio necessárias a manutenção da fonte produtora. Desta forma, aquelas despesas necessárias requerem análise cotejada e minuciosa, variando de acordo com a natureza da prestação de serviços praticada pela fonte produtora Conforme o presente caso, a meu sentir, despesas com instalação de máquinas, compra de móveis e reformas no consultório não são necessárias, posto que indedutíveis. Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe parcial provimento, para cancelar todas as glosas com despesas médicas. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 718DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 719 14 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora designada Divirjo do relator quanto à possibilidade de restabelecimento das despesas médicas declaradas, somente à vista dos recibos apresentados, visto que, no curso da ação fiscal, foilhe exigida a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas (fls.14). Em relação às despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probatório absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente Fl. 719DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 720 15 para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) Assim, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento. Inexiste qualquer disposição legal que imponha o pagamento sob determinada forma em detrimento do pagamento em espécie, mas, ao optar por pagamento em dinheiro, o sujeito passivo abriu mão da força probatória dos documentos bancários, restando prejudicada a comprovação dos pagamentos. Fl. 720DF CARF MF Processo nº 16572.000092/200768 Acórdão n.º 2002000.880 S2C0T2 Fl. 721 16 Acrescentese que, na ausência de comprovantes bancários, poderia ter juntado prontuários e receituários médicos ou exames realizados, mas o contribuinte nada apresentou nesse sentido. Repisese que o ônus é do contribuinte, que é quem se beneficia da redução da base de cálculo do imposto. A alegação de que o Fisco poderia consultar as declarações de rendimentos dos profissionais não o socorre, visto que remanesceria sem comprovação o preenchimento dos requisitos para a utilização da dedução pelo recorrente. Ressalvo o entendimento do conselheiro Virgílio Cansino Gil, que também votou pela manutenção da glosa das despesas médicas, entendendo ser frágil apenas a apresentação dos recibos, desacompanhados de outros elementos, como por exemplo, declarações emitidas pelos profissionais. Isto posto, no tocante às despesas médicas, é de se negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 721DF CARF MF
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