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Numero do processo: 13819.723061/2013-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA.
Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre honorários advocatícios percebidos em processo judicial, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, já que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre honorários advocatícios percebidos em processo judicial, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, já que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002. Recurso Voluntário Provido.
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EFETIVA RETENÇÃO, MAS AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DA FONTE PAGADORA. Tendo restado devidamente comprovada a retenção na fonte do imposto de renda devido sobre honorários advocatícios percebidos em processo judicial, mas não efetuado o recolhimento pela fonte pagadora, não subsiste a glosa da compensação efetuada pelo contribuinte, já que o recolhimento do imposto retido é de responsabilidade exclusiva da fonte pagadora, que deve arcar com os juros de mora e multa ofício subjacentes. Inteligência do art. 128 do CTN e Parecer Normativo COSIT n.º 01/2002. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 30 61 /2 01 3- 07 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13819.723061/201307 Acórdão n.º 2402005.033 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 43/48, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício de 2011, anocalendário de 2010, que implicou apuração de imposto suplementar, sujeito à multa de ofício (75%) e juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: · dedução indevida de R$8.342,76 a título de previdência oficial; e · compensação indevida de imposto de renda retido na fonte de R$16.570,99, por não constar em DIRF. A decisão de primeira instância julgou procedente em parte a impugnação, pois restabeleceu a dedução a título de previdência oficial e manteve a glosa de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte no valor de R$16.570,99. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/01/2014 (fls. 46), o interessado interpôs, em 30/01/2014, o recurso de fls. 48/103. Nas razões recursais aduz as mesmas questões postuladas na peça de impugnação, a saber: · quanto aos valores compensados sustenta que se trata de valores de imposto na fonte retidos em função do recebimento de honorários de sucumbência no processo 1009/92 de Salatiel Ferraz do Amaral Neto da 5ª Vara Cível de São Bernardo do Campo. Ao fim, requer seja acolhido o presente recurso para cancelar o débito fiscal reclamado. É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO A controvérsia cingese à compensação indevida de imposto de renda retido na fonte de R$16.570,99, pois o Fisco afirma que estes valores não foram recolhidos. A decisão de primeira instância assim se pronunciou sobre a questão controvertida nos autos: “Da compensação indevida Quanto ao lançamento de compensação indevida, os documentos 13 a 16, fls. 23/26, que são demonstrativos contendo os cálculos da liquidação de sentença não são suficientes para demonstrar o recolhimento de imposto de renda na fonte relativo aos pagamentos decorrentes de honorários pela atuação profissional no processo de Salatiel Ferraz do Amaral Neto como alega o impugnante. A uma que reportam data de atualização em ano calendário diverso da notificação, a duas que não é possível cotejar os valores que se refeririam à retenção de imposto de renda sobre os honorários mediante guias de levantamento com valores discriminados, visto que não foram apresentadas e a três que consta na Declaração de Ajuste apropriação de crédito de recolhimento de carnê leão no total de R$ 41.495,05, assim, se o pagamento é oriundo da pessoa física indicada no processo judicial a compensação já se encontra realizada. Destarte há que se manter a glosa de compensação indevida.” Em sede de recurso, o contribuinte aduz que, mesmo que não tenham sido recolhidos os valores aos cofres públicos (União), a compensação indevida apontada pelo Fisco no anocalendário de 2010 decorre dos honorários advocatícios recebidos da Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo, sendo que esta fonte pagadora realizou os competentes descontos de IRRF no valor de R$16.570,99. Assim, afirma que, tendo havido a retenção do valor, a omissão no repasse das verbas à União (ente público) não poderia ser a ele atribuível, mas, de outra sorte, à própria fonte pagadora. De fato, conforme se infere das cópias de liquidação e demais peças judiciais de fls. 62/100, do demonstrativo para pagamento de fl. 100 e das guias de depósito judicial de fls. 101/103, inclusive os cálculos judiciais de fls. 90/92 apontam a retenção do imposto de renda no valor de R$16.570,99 (16.068,15 + 502,84), impõese afirmar que o imposto de renda devido sobre o montante pago ao Recorrente a título de honorários advocatícios foi retido pela fonte pagadora no anocalendário de 2010. As hipóteses de responsabilidade tributária vêm previstas nos arts. 128 e seguintes do Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172/1966, e conforme bem assevera o referido art. 128, “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito Fl. 111DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13819.723061/201307 Acórdão n.º 2402005.033 S2C4T2 Fl. 4 5 tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”, o que se amolda à hipótese vertente, porquanto a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte é da fonte pagadora. Nesse passo, conforme autoriza a legislação de regência, especificamente o art. 12, inciso V, da Lei 9.250/1995, são dedutíveis da base de cálculo de apuração do imposto de renda devido “o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo”. O Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), aprovado pelo Decreto 3.000/1999, diz o seguinte: Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): (...) §2º O imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, ressalvado o disposto nos arts. 7º, §§1ºe 2º, e 8º, §1º(Lei nº7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). (grifei) Da leitura do dispositivo legal acima, extraise que a posse do comprovante de rendimentos é o que basta para o contribuinte se beneficiar da dedução do IRRF, salvo se o Fisco comprovar que se trata de documento inidôneo, fato este não evidenciado nos autos. No mesmo sentido, o enunciado do Parecer Normativo n.º 01/2002 da Receita Federal do Brasil registra que, em situações na qual há a retenção do imposto, mas não há o recolhimento, afigurase a responsabilidade exclusiva da fonte pagadora. “IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido.” (Parecer Normativo n.º 01/2002 da Receita Federal do Brasil) Diante desse quadro fático e jurídico, entendese que o contribuinte adotou o procedimento correto ao declarar ter recebido o valor bruto a título de honorários advocatícios com a respectiva retenção na fonte, configurandose direito do contribuinte compensar o valor do imposto retido ainda que não recolhido. Assim, não deve ser mantida a glosa oriunda da compensação, pois o Recorrente se desincumbiu satisfatoriamente do ônus de provar que os valores de R$16.570,99 foram retidos dos seus rendimentos pagos a título de honorários advocatícios pela Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO para restabelecer a compensação no valor de R$16.570,99, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 10/03/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720113/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Inteligência do art. 2º do Decreto nº 8.303/2014.
Ainda que ocorram problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, que não é o caso dos autos, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO.
A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei.
O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos.
Numero da decisão: 1402-002.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) não conhecer das questões atinentes à constitucionalidade de leis e rejeitar as arguições de nulidade do lançamento; e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em relação à infração 002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, acolher a decadência do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º, 2º e 3º trimestres; e do PIS e da Cofins em relação aos fatos geradores de janeiro a novembro, inclusive, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Inteligência do art. 2º do Decreto nº 8.303/2014. Ainda que ocorram problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, que não é o caso dos autos, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) não conhecer das questões atinentes à constitucionalidade de leis e rejeitar as arguições de nulidade do lançamento; e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em relação à infração 002 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, acolher a decadência do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º, 2º e 3º trimestres; e do PIS e da Cofins em relação aos fatos geradores de janeiro a novembro, inclusive, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2351; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 9.513 1 9.512 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13433.720113/201148 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.135 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente HOTEL THERMAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. COMPROVAÇÃO. Caracterizamse como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA DIRETA. DESCOMPASSO REITERADO COM AS RECEITAS DECLARADAS. OPÇÃO FRAUDULENTA AO SIMPLES E AO SIMPLES NACIONAL MEDIANTE SEGREGAÇÃO DE RECEITAS EM PESSOAS JURÍDICAS FORMALIZADAS COM ESSE ÚNICO INTUITO. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO É dolosa a conduta do contribuinte que aufere receitas, as escritura em seu Livro Caixa durante todo o período de apuração e, reiteradamente, não confessa em todas as DCTF transmitidas as dívidas tributárias correspondentes, tampouco informando as receitas respectivas na DIPJ posteriormente transmitida. A criação de pessoas jurídicas com o único intuito de segregar as receitas efetivamente auferidas pela pessoa jurídica com o objetivo único de manter as pessoas jurídicas no Simples/Simples Nacional revela o caráter doloso da conduta adotada. Estando devidamente comprovado nos autos que a conduta do contribuinte se subsumiu a uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, é de se aplicar a multa de ofício na forma qualificada, nos termos da legislação específica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 01 13 /2 01 1- 48 Fl. 9514DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.514 2 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. O entendimento adotado para o lançamento matriz se estende aos lançamentos reflexos. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 Não poderá optar pelo Simples Federal, a pessoa jurídica que seja resultante de cisão ou qualquer outra forma de desmembramento da pessoa jurídica, salvo em relação aos eventos ocorridos antes da vigência da Lei n.º 9.317, de 1996. No caso do Simples Nacional, o desmembramento da pessoa jurídica não pode ter ocorrido em um dos 5 (cinco) anoscalendário anteriores, nos termos da Lei Complementar n.º 123, de 2006. SIMPLES FEDERAL E NACIONAL. EXCLUSÃO. EFEITOS. Excluída dos regimes simplificados de pagamento de tributos federais, fica a pessoa jurídica sujeita às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 16 da Lei n.º 9.317, de 1996, e art. 32 da Lei Complementar n.º 123, de 2006. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRAZO DE DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que há pagamento antecipado, o prazo para a constituição de crédito tributário regese pelo disposto no art. 150, § 4º, do CTN, que o fixa em cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovados o dolo, a fraude ou a simulação, quando, então, passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE INTERNO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle interno com impacto restrito ao âmbito administrativo. Inteligência do art. 2º do Decreto nº 8.303/2014. Ainda que ocorram problemas com a emissão, ciência ou prorrogação do MPF, que não é o caso dos autos, não são invalidados os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 9515DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.515 3 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Incabível na esfera administrativa a discussão de que uma determinada norma legal não é aplicável por ferir princípios constitucionais, pois essa competência é atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário, na forma dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. A vedação quanto à instituição de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador e não ao aplicador da lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: (i) não conhecer das questões atinentes à constitucionalidade de leis e rejeitar as arguições de nulidade do lançamento; e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em relação à infração “002 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA”, acolher a decadência do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º, 2º e 3º trimestres; e do PIS e da Cofins em relação aos fatos geradores de janeiro a novembro, inclusive, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 9516DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.516 4 Relatório HOTEL THERMAS LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 1141.313 proferido pela 4ª Turma da DRJ no Recife que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: O presente processo administrativo versa sobre o contencioso relativo aos autos de infração, por meio dos quais se exigem créditos tributários relativos ao anocalendário de 2006 após a exclusão da contribuinte do regime simplificado de pagamento de tributos denominado Simples Federal, com efeitos a partir de 1/8/2000, por configurarse a situação impeditiva prevista no art. 9º, XVII, da Lei n.º 9.317, de 1996. A contribuinte autuada foi intimada dos autos de infração objeto do presente processo através do Edital de fl. 8708 (ciência em 30/12/2011), formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, do Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente ao anocalendário de 2006, no valor total de R$ 2.828.254,81. 2. O ato excludente formalizouse através do Despacho Decisório DRF/MOS n.º 382, de 2001, encontrandose cópia do mesmo às fls. 1287/1295. Observase, porém, que tal Despacho Decisório, bem como o contencioso relativo à referida exclusão do Simples Federal, foram objeto de instrução do Processo 13433.720314/201226, julgado nesta mesma sessão de julgamento por esta 4a Turma da DRJ/Recife, sendo ali julgado e acordado, por unanimidade de votos, pela manutenção do Despacho Decisório e exclusão da contribuinte do Simples Federal. 2.1. Semelhantemente, embora conste dos autos do presente processo cópia do Despacho Decisório DRF/MOS Nº 400/2011, relativo à exclusão da contribuinte do Simples Nacional, por ter a mesma ultrapassado o limite de receitas de R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) nos anos calendário de 2006, 2007, 2008 e 2009, com efeitos a partir de 1o/07/2007, conforme fls. 7883/7889, o referido Despacho Decisório e o contencioso decorrente da manifestação de inconformidade contra o mesmo foram instruídos através do Processo 13433.721106/201163 (este processo 13433.721106/201163, consultado no e processo, é citado pela contribuinte, por exemplo, em impugnação constante do processo 13433.720963/201227, que traz o contencioso sobre os lançamentos de 2007, 2008 e 2009, incidentes após as exclusões do Simples Federal e do Simples Nacional), observandose que o Processo 13433.721106/201163, com o contencioso sobre a Exclusão do Simples Nacional, foi objeto de julgamento pela 5a Turma da DRJ/Recife na sessão do dia 09 de outubro de 2012, ocasião em que aquela Turma decidiu, por unanimidade de votos, pela improcedência da manifestação de inconformidade, mantendo aquela exclusão, conforme acórdão constante daquele processo 13433.721106/201163. Fl. 9517DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.517 5 3. Às fls. 8625/8672, anexaramse autos de infração e demonstrativos, dos quais a contribuinte autuada foi intimada através do Edital de fl. 8686 (ciência em 30/12/2011), tendo em vista que a ciência postal foi improfícua (fls. 8682/8685), formalizando a exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, do Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins, através dos quais se constituiu crédito tributário, referente ao anocalendário de 2006, no valor total de R$ 2.828.254,81. No lançamento referente ao IRPJ (fls. 8625/8636), estimado com base no lucro arbitrado, encontramse registradas as seguintes infrações, ao final tipificadas: 4.1. “001 – RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA). PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS”: aplicada multa de 150%; 4.2. “002 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA”: aplicada multa de 75%. 5. No Relatório Fiscal de fls. 8673/8679, consignou a autoridade autuante, em síntese: 5.1. Não tendo atendido a intimações que lhe foram enviadas, foram emitidas Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF para as instituições nas quais a contribuinte autuada tem conta bancária. De posse de tais informações, foram elaboradas planilhas, devidamente cientificadas à contribuinte autuada, com o registro de todos os créditos realizados, não considerados os decorrentes de transferências, baixa de valores de aplicações financeiras, créditos estornados, créditos oriundos de empréstimos bancários etc.; 5.2. Da análise dos Livros Caixa apresentados pela contribuinte, constatou se que vários desses créditos foram reconhecidos como recebimentos de clientes (receitas da atividade) (R$ 3.703.856,19). Tendo declarado em sua Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – SIMPLES – de 2006 a receita bruta de R$ 1.315.931,39, temse a omissão de R$ 2.387.924,80. A empresa reconheceu como suas receitas apenas fração dos créditos/depósitos em contas bancárias, pois os créditos de origem não comprovada nas contas bancárias totalizaram R$ 2.878.473,68. Esses outros créditos, no entanto, não foram reconhecidos como receitas; alguns outros foram reconhecidos como empréstimos; 5.3. Sem sucesso, a contribuinte autuada foi intimada a apresentar a documentação comprobatória dos créditos efetuados em contacorrente que não foram reconhecidos como recebimentos de clientes e que não se encontravam entre aqueles já excluídos pela fiscalização por identificação de se tratar de transferências entre contas da empresa, créditos oriundos de aplicações financeiras, créditos posteriormente estornados, estornos de débitos ou empréstimos; 5.4. Tendo sido excluído do Simples Federal e do Nacional, foi também intimado a apresentar a sua escrituração contábilfiscal, assim como o seu novo regime de tributação. Nada tendo apresentado, o lucro foi arbitrado; 5.5. Sobre os valores já reconhecidos no Livro Caixa, como a contribuinte dolosamente infringiu, por vários anos, a legislação do Simples Federal, por beneficiarse indevidamente do pagamento de tributos de forma menos onerosa, lançouse multa de 150%, nos termos do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, com prazo decadencial regido pelo art. 173, I, do CTN; 5.6. Sobre os valores creditados em conta bancária sem comprovação da origem, aplicouse multa de 75%, com prazo decadencial regido pelo art. 173, I, do CTN, pelos mesmos motivos antes expostos. Fl. 9518DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.518 6 6. No prazo legal, conforme fls. 9364 e 9371, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento (fls. 9372/9387), por meio da qual aduz, em síntese, depois do relato dos fatos: Nulidade 6.1. Os Livros Caixa foram entregues, assim como os documentos comprobatórios das receitas. As empresas que optam pelo Simples estão dispensadas de escriturar os Livros Diário e Razão. Mesmo que a Administração Tributária resolva manter a exclusão, deveria tributar a receita com base no lucro presumido; Exclusão do Simples Federal e Nacional 6.2. A fiscalização sequer aguardou o julgamento de primeira instância dos processos de exclusão dos Simples para efetuar o lançamento; 6.3. Não há prova material da irregularidade atribuída à empresa. Não existe na legislação amparo à exclusão mediante simples presunção; 6.4. A fiscalização tratou uma transferência normal de empresa familiar, de “pai para filhos”, como sendo fraudulenta. A verdade é que as Sras. ANA CARLA MATOSO BARBOSA DE AZEVEDO e TAÍSA MATOSO BARBOSA são filhas do Sr. RAIMUNDO CORREIA BARBOSA FILHO e da Sra. RIANE MATOSO BARBOSA. A HOST HOTÉIS E TURISMO LTDA. iniciou suas atividades empresariais na década de 1990, já o casal RAIMUNDO e RIANE bem antes. No início de 2000, resolveu transferir seus negócios para as filhas, daí a constituição das três empresas, o PLANETA ÁGUA, o HOTEL THERMAS e o RESTAURANTE THERMAS. Tais alterações contratuais estão de acordo com a legislação que rege a matéria, inexistindo motivo para desconsiderar a personalidade jurídica dessas empresas. A fiscalização, no entanto, concluiu tratarse de uma única empresa, excluindoas do Simples; Ofensa a princípios constitucionais 6.5. Há falha na intimação que acarreta sua invalidade e “total nulidade do lançamento, por afronta aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório”. Como o AR destinado à ciência dos autos de infração foi recusado, sem qualquer outra tentativa procedeuse à intimação por edital, sem assinatura do delegado. Assim, requer diligência para comprovar que o edital preenche os pressupostos legais para a sua validade (sic); 6.6. Não foi feita intimação pessoal para ciência dos autos de infração. Nunca os Correios foram tão expeditos na postagem e devolução do AR. Requer diligência aos Correios para informe o prazo de devolução de ARs não cumpridos; Nulidade do procedimento fiscal 6.7. Não constam dos autos prorrogações do MPF que alcancem a data da lavratura do auto de infração, que foi emitido para a fiscalização do IRPJ, Simples Nacional e Simples (inicialmente IRPJ; depois Simples e Simples Nacional). A fiscalização foi autorizada a fiscalizar o Simples, mas fiscalizou outros tributos, dentre os quais as contribuições sociais. Tais situações ensejam a nulidade do lançamento; Decadência Fl. 9519DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.519 7 6.8. O período de janeiro a novembro de 2006 já foi alcançado pela decadência. No ano de 2006, a impugnante declarou e recolheu seus tributos a título de Simples, conforme a própria fiscalização reconheceu. Ilegal quebra de sigilo bancário 6.9. O Supremo Tribunal Federal proveu, em 15/12/2010, o Recurso Extraordinário n.º 389.808 (DJe086, de 9/5/2011), afastando a possibilidade de a Receita Federal ter acesso aos dados bancários do contribuinte, o que macula na íntegra o lançamento; MÉRITO Arbitramento 6.10. A fiscalização assevera que a empresa foi intimada diversas vezes para apresentar documentação comprobatória dos depósitos bancários, mas essa informação não condiz com a verdade. Os livros especificando os lançamentos bancários foram entregues. O arbitramento é indevido; Depósito de origem não identificada 6.11. A única operação da empresa autuada é hospedagem e venda de mercadoria aos hóspedes quando da sua estada. Esses valores não podem ser considerados depósitos de origem não comprovada. Não ficou confirmado que há qualquer outro depósito que não esteja lançado no livro entregue. Nenhum lançamento bancário foi omitido. Todos os créditos referemse a recebimento de clientes. Há necessidade de excluir as transferências entre contas da mesma pessoa física ou jurídica. “O ir e vir é próprio do detentor dos recursos”, sendo os valores declarados e escriturados conforme leis comerciais e fiscais. A presunção requer prova inequívoca do fisco; Dolo não comprovado 6.12. No lançamento, foram aplicadas penalidades contraditórias: 75% sobre depósitos bancários de origem não comprovada; 150% sobre a receita operacional omitida; 6.13. A jurisprudência é pacífica no sentido de que a simples omissão de receitas não enseja a aplicação da multa qualificada, sendo necessária a configuração da fraude. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu que o retardamento ou redução do imposto a pagar, mesmo reiteradamente, por si só não configura a hipótese legal; 6.14. A exclusão do Simples Federal não foi capitulada no inciso VII do art. 14 da Lei n.º 9.317, de 1996, que corresponde ao inciso VII do art. 23 da Instrução Normativa – IN SRF n.º 34, de 2001, que se coaduna com a multa qualificada, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n.º 9.430, de 1996; 6.15. Não houve omissão de informação. Todos os livros apresentados foram refeitos nos moldes exigidos pela fiscalização, foi vasculhada a fundo a vida da empresa etc., nada comprovando a atitude dolosa da empresa ou de seus sócios. A pretensa omissão de receitas, mesmo que procedente, não teria o condão de qualificar a multa a 150%; Fl. 9520DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.520 8 Não aproveitamento dos pagamentos 6.16. Ao longo do anocalendário objeto do lançamento, houve pagamentos sob o regime do Simples, os quais, no entanto, não foram compensados com os valores exigidos; Inaplicabilidade da taxa Selic e da multa de ofício 6.17. A aplicação da taxa Selic ofende preceitos da Constituição Federal e do CTN. A multa de ofício representa confisco, o que também é vedado pela Constituição. 6.18. Foi malferido o devido processo legal. Ao final, requer a nulidade do lançamento e a realização de diligências pelas razões expostas. Protesta, ainda, pela produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive provas e alegações complementares. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma julgadora a quo julgoua parcialmente procedente. A parcela de crédito exonerada se deu em razão de a turma julgadora considerar incorreto o procedimento adotado pela autoridade lançadora de não deduzir os valores de tributos que compõe o Simples e que haviam sido recolhidos pela RECORRENTE. O valor do crédito tributário exonerado não ensejou a interposição de recurso ofício. A RECORRENTE foi intimada da decisão em 08/07/2013 (fls. 94669467), tendo apresentado tempestivamente o recurso voluntário de fls. 94759491 em 07/08/2013. Tal processo houvera sido distribuído, inicialmente, à 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção de Julgamento, tendo sido prolatada, na ocasião, a Resolução nº 1102 000.229 que determinou que os presentes autos fossem apensados ao Processo Administrativo nº 13433.720314/201226 (de exclusão do Simples) para julgamento em conjunto. Valhome da parte final do relatório de tal resolução para detalhar o decidido pela primeira instância, bem como o teor do recurso voluntário interposto: O acórdão recorrido (fls. 9427/9441) julgou procedente em parte a impugnação (fls. 9372//9387). Na parte provida da impugnação, o acórdão reconheceu que “os pagamentos realizados com base nos regimes simplificados não foram aproveitados quando da lavratura dos autos de infração” (fl. 9438), razão pela qual o valor da exigência objeto dos lançamentos tributários deveria ser reduzida no montante correspondente. No mais, asseverou o acórdão que: (a) a 5ª Turma da DRJ manteve a exclusão da Recorrente do Simples, nos autos do Processo Administrativo nº 13433.721106/201163; (b) não haveria nulidade nos lançamentos, pois foram observados os “trâmites legais”, bem como não teria ocorrido cerceamento de direito de defesa, já que a Recorrente se defendeu com muitas razões de defesa; (c) a constituição dos créditos tributários, pela Fiscalização, de acordo com o regime do Lucro Arbitrado seria correta, pois a Contribuinte não apresentou, durante o procedimento de fiscalizatório, dos seus livros fiscais e contábeis (com exceção do livro caixa, que seria insuficiente para apuração do Lucro Fl. 9521DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.521 9 Real). Já a apuração do resultado fiscal de acordo com o regime do Lucro Presumido somente poderia ser realizada em caso de expressa opção da Contribuinte, o que não teria ocorrido no caso; (d) seria improcedente a alegação de nulidade no procedimento de ciência, por edital, da Contribuinte, pois (i) a tentativa de intimação postal foi frustrada, (ii) não há previsão legal para que seja realizada mais de uma tentativa de intimação via postal, (iii) o edital foi afixado com autorização do chefe do núcleo de fiscalização (sendo desnecessária a sua assinatura pelo Delegado da unidade RFB); (e) seria improcedente a alegação de que, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal, a Receita Federal do Brasil não poderia ter acesso a dados bancários dos contribuintes, pois a Lei Complementar 105/2001, que institui tais poderes, ainda está vigor, e a referida decisão não tem efeito erga omnes; (f) não teria ocorrido irregularidade no que se refere às prorrogações dos períodos de vigência do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) (conforme consta da fl. 19 dos autos, na qual estão relacionadas todas as prorrogações), nem seria necessária a expedição de novo MPF para constituição de créditos tributários em sistemática de apuração de resultado fiscal diversa daquele inicialmente fiscalizada; (g) os créditos relativos ao período de janeiro a novembro de 2006 não estariam decaídos à época da ciência dos autos de infração (por edital, em 31.12.2011), pois o art. 173, I do CTN seria aplicável ao caso (ao invés do art. 150, §4º do mesmo Código), em vista do fato de a Contribuinte ter agido dolosamente ao ter sido constituída a partir do desmembramento de outra sociedade, com vistas ao seu enquadramento no regime simplificado de tributação; (h) a Contribuinte não teria apresentado documentos suficientes para afastar a presunção de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Relativamente aos valores indicados no Livro Caixa, que, segundo a Fiscalização, decorreriam da atividade da Contribuinte, a omissão de receita foi demonstrada e não presumida; (i) a Fiscalização teria demonstrado não apenas com base em indícios, mas com fundamento em fatos documentalmente comprovados o dolo da Recorrente, que teria sido originado do desmembramento das atividades de outra empresa, com a “única finalidade de reduzir o pagamento dos tributos federais”. Além disso, no caso, teria sido caracterizada sonegação, haja vista que impediu o conhecimento das condições pessoais da Contribuinte (não enquadramento no Simples). (j) o pedido de diligências periciais seria improcedente, por não atender os requisitos legais, e por não ser necessária, tendo em vista que não restaria dúvida ao julgador quanto aos fatos objeto da acusação fiscal; e (k) por fim as alegações de inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic e da multa de ofício não poderiam ser apreciadas na esfera administrativa. Fl. 9522DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.522 10 Em sede de recurso voluntário (fls. 9475/9491), a Contribuinte reproduz suas alegações de impugnação, especialmente no que se refere: (i) à nulidade dos autos de infração, pois a Recorrente teria refeito, mediante a contratação de empresa terceirizada, os seus Livros Caixa de 2006, após a recusa, pela Fiscalização, da sua escrituração inicialmente apresentada no procedimento fiscalizatório. E, como optante do regime do Simples, a Recorrente estaria dispensada da escrituração de Livros Diário e Razão. Por essas razões, a Fiscalização deveria ter utilizado os Livros Caixa apresentados pela Recorrente para apurar seu resultado fiscal, de acordo com o regime do Lucro Presumido, e não arbitrálo; (ii) à necessidade de se aguardar o término do Processo Administrativo em que se discute a exclusão do regime do Simples Nacional para a lavratura dos lançamentos, sob pena de violação do princípio do devido processo legal; (iii) à ausência de prova no sentido de que a Contribuinte teria sido originada do desmembramento das atividades operacionais da empresa HOST HOTÉIS E TURISMO LTDA., como alega a Fiscalização. A Contribuinte teria sido criada após o diagnóstico de câncer do proprietário do HOST HOTÉIS E TURISMO LTDA., cujas atividades, em razão disso, teriam sido divididas entre três empresas (a Recorrente, o Restaurante Thermas e o Planeta Água Bar e Restaurante), que passaram a ser conduzidas pelos filhos do referido proprietário. Segundo a Contribuinte, não haveria amparo legal para a descaracterização da personalidade jurídica dessas empresas; (iv) à nulidade da intimação da Contribuinte, via edital, da lavratura dos autos de infração, em razão (a) do intervalo de um dia entre o Termo de Constatação Fiscal e da lavratura dos autos de infração, sem a observância do prazo de cinco dias apontados no Termo de Constatação Fiscal, em contrariedade ao princípio da ampla defesa e do contraditório, e (b) da incomum agilidade dos Correios na entrega da correspondência relativa aos autos de infração, (c) do fato de que o auditor responsável pela autuação teria assinado digitalmente o edital de intimação em 20/12/2011, ou seja, em data posterior à publicação do edital que se deu em 15/12/2011; (v) à decadência dos créditos tributários lançados, considerandose que: (a) relativamente aos créditos tributários exigidos em razão da alegação da não comprovação da origem de depósitos bancários, acrescidos de multa de 75% (setenta e cinco por cento), seria inconteste a ocorrência de decadência no período de janeiro a novembro de 2006; e (b) relativamente aos créditos tributários constituídos com base na alegação de omissão de receita ("atividade não imobiliária"), acrescido de multa de 150% (cento e cinquenta por cento), também teria ocorrido decadência, pois seria improcedente a acusação que ensejou a qualificação da multa de ofício. (vi) à nulidade dos lançamentos por indevida quebra de sigilo bancário, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (RE nº 389.808), a Receita Federal do Brasil não poderia ter tido acesso direto aos dados bancários da Recorrente, sem autorização do Poder Judiciário, em observância do inciso XII, do art. 5º da Constituição Federal; Fl. 9523DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.523 11 (vii) à violação dos artigos 845, §1º do RIR/99 e art. 142, §1º do CTN, em vista do equivocado procedimento adotado pela Fiscalização no sentido de arbitrar o resultado fiscal da Contribuinte; (viii) à inexistência de demonstração, pela Fiscalização, sobre a existência de "outro depósito que não seja de outra atividade e que não seja esteja devidamente lançado no livro entregue". No mesmo sentido, alegase que todos os créditos recebidos pela Contribuinte no período teriam sido registrados em sua escrituração; (ix) à desconsideração dos depósitos recebidos pela Contribuinte das demais empresas do grupo (Planeta Água e Restaurante Thermas), nos meses de janeiro, junho, agosto, outubro e novembro de 2006, no valor total de R$124.443,59, os quais teriam sido identificados pela própria Fiscalização e deveriam ser abatidos da base de cálculo dos tributos lançados; (x) à ausência de comprovação do dolo que ensejaria a qualificação da multa de ofício. Nesse sentido, a simples omissão de receitas, conforme Súmula nº 25 do CARF, não autorizaria a majoração do percentual da multa de ofício aplicada para 150% do tributo lançadoqualificação da multa; (xi) à ineficácia da qualificação da penalidade, pois, embora tenha tipificado crime contra ordem tributária, sem, todavia, a Fiscalização deixou de lavrar a consequente Representação Fiscal para fins Penais. Em complemento às razões apresentadas para descaracterizar a qualificação da multa de ofício, alegase que a exclusão da Recorrente do Regime do Simples Nacional não teria sido capitulada como crime contra a ordem tributária; (xii) à inocorrência de omissão de informações, pois toda a escrituração disponível teria sido apresentada à Fiscalização. Por fim, a Contribuinte sustenta que seria indevida a aplicação (i) da taxa Selic, para fins de atualização dos créditos tributários lançados, e (ii) da multa de ofício, por caracterizar confisco, em contrariedade à Constituição Federal. É o relatório. Fl. 9524DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.524 12 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. 1 ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, conheço. 2 EXCLUSÕES DO SIMPLES FEDERAL A discussão sobre a exclusão do Simples Federal consta do processo 13433.720314/201226, analisando nesta mesma sessão de julgamentos, tendo sido negado provimento ao recurso voluntário. Quanto ao pedido de sobrestamento do presente feito até a decisão definitiva no processo de exclusão do Simples, não há base legal para tanto. A legislação impõe, inclusive, o julgamento do processo de exclusão como preliminar dos autos de infração lavrados em decorrência de tal exclusão. 3 PREJUDICIAL DE MÉRITO DECADÊNCIA A RECORRENTE alega que haveria decadência em relação ao crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos até novembro de 2006, uma vez que já haveria transcorrido o prazo de cinco anos na data em que se deu a ciência do lançamento. Entendo lhe assistir razão, em parte. Em relação à contagem do prazo decadencial, não se pode ignorar que o STJ entendeu em caráter definitivo (julgamento de recurso representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC) que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a questão do pagamento antecipado é relevante para definição do prazo, assim como a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme se observa na ementa do REsp 973.733/SC, 1ª Seção, Dje 18/09/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 9525DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.525 13 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, antea configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii)a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 9526DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.526 14 Conforme se discorrerá em ponto específico deste voto, entendo que houve prova de dolo em razão da transferência de faturamento da RECORRENTE para pessoas jurídicas sem operação efetiva e que serviram somente para diluir suas receitas a fim de que todas pudessem ingressar/permanecer no Simples. Nesse cenário, a contagem do prazo decadencial deveria ser aferida com base no art. 173, I, do CTN. Ressalto que a infração “001 – RECEITA Operacional Omitida (Atividade Não Imobiliária) – Prestação de Serviços Gerais” foi exigida com multa de 150%, penalidade essa que encaminho meu voto no sentido de mantêla, conforme explanado em ponto específico deste voto. Assim sendo, considerandose que o primeiro per lançado mais longínquo é o primeiro trimestre de 2006 para fins de IRPJ e de CSLL, e o mês de janeiro para fins de PIS e de Cofins, o lançamento já poderia ter sido realizado no próprio ano, e o primeiro dia do exercício é 1º de janeiro de 2007. Logo, o prazo de 5 anos para realização do lançamento expirava em 31/12/2011. Tendo o lançamento sido cientificado à RECORRENTE em 30/12/2011, não há que se falar em decadência em relação à infração “001 – RECEITA Operacional Omitida (Atividade Não Imobiliária) – Prestação de Serviços Gerais”. Contudo, em relação à infração “002 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA”, a autoridade fiscal realizou o lançamento com multa de 75%, ou seja, na prática, considerou não haver dolo em relação ao crédito tributário correspondente. Nesse cenário, considerandose que: (i) a ciência do lançamento se deu em 30/12/2006; (ii) a partir desse voto curvome ao entendimento dos demais membros deste colegiado de que a contagem do prazo decadencial deve ser realizada por infração; (iii) há pagamentos antecipados de IRPJ e CSLL em relação aos três primeiros trimestres de 2006 e de PIS e Cofins de janeiro a novembro de 2006; declaro estar extinto por decadência o crédito tributário referente à infração “002 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA” constante de todos os autos de infração lavrados relativos aos períodos de apuração dos três primeiros trimestres de 2006 e de PIS e Cofins de janeiro a novembro de 2006. Por oportuno, ressalto que a comprovação do pagamento antecipado se retira da própria decisão recorrida ao decompor pagamentos de Simples realizados em todos os meses de 2006 para fins de dedução dos valores lançados de ofício. Fl. 9527DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.527 15 3 PRELIMINARES NULIDADES Para a RECORRENTE o lançamento seria nulo em razão de vícios ligados ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, em especial quanto a suas prorrogações. O inconformismo apresentado pela RECORRENTE não procede. Isso porque o MPF se constitui em elemento de controle da administração tributária. Eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. O MPF constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária tanto para fins de controle interno, quanto para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, assegurando ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o AuditorFiscal está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com emissão ou a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada ao autor ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática daquele ato. Assim, legitimado o AuditorFiscal para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta de prorrogação do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. A não prorrogação do MPF ou a sua não ciência ao contribuinte, por si só não gera nulidade do lançamento. Ademais, no caso concreto, o procedimento fiscal transcorreu absolutamente nos moldes estabelecidos pelas normas infralegais que regem a matéria. As prorrogações do MPF podem se dar apenas por meio de registro eletrônico no sítio da RFB, informação que é disponibilizada para o contribuinte fiscalizado durante todo o procedimento fiscal e que constitui o motivo pelo qual não há necessidade de acostar ao processo qualquer documento que indique o prosseguimento do trabalho realizado pela fisalização. Nesse sentido dispõe o art. 12 da Portaria RFB n.º 4.066, de 2 de maio de 2007: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização, e de trinta dias, para procedimentos de diligência. Fl. 9528DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.528 16 § 1 º A prorrogação de que trata o caput poderá ser feita por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7 º , inciso VIII. [...] Além disso, conforme se observa à fl. 19, consta no MPF a indicação de todas as prorrogações que foram realizadas, assim como, no seu início, a autorização para que a fiscalização verificasse o cumprimento de obrigações tributárias quanto aos regimes simplificados de pagamento (Simples Federal e Nacional). A alegação de que não há autorização para exame dos outros tributos não merece guarida, uma vez que os tributos exigidos nos autos também são recolhidos através dos regimes simplificados de pagamento, embora apurados, no lançamento, por sistemática diversa porque dos regimes foi regularmente excluída a contribuinte autuada, não havendo necessidade de emissão de novo MPF apenas pelo fato de ter havido alteração de regime de apuração. Convém ainda ressaltar que recentemente o Decreto nº 8.303/2014 extinguiu o MPF e criou o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) e, em seu art. 2º, deixa claro que tais instrumentos referemse a controles administrativos: "Art. 2º Os procedimentos fiscais iniciados antes da publicação deste Decreto permanecerão válidos, independentemente das alterações no instrumento de controle administrativo nele veiculadas, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil." Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento em razão de supostos vícios no MPF. No que atine à alegação quanto à forma de tributação adotada (lucro arbitrado), não há qualquer irregularidade no procedimento adotado pelo Fisco: excluído do Simples Federal, o contribuinte se sujeita às mesmas normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, ou seja, o lucro real trimestral. Como o contribuinte não dispunha de escrituração contábil, procedeuse ao arbitramento de lucro, uma vez que o livro caixa apresentado não supre, de modo algum, a ausência da apresentação dos livros Diário e Razão. Nesse mesmo sentido, transcrevo as conclusões da decisão recorrida sobre o tema: 11. A tributação pela sistemática do arbitramento do lucro nada teve de equivocada, uma vez que, excluída dos regimes simplificados, ficou a impugnante sujeita às normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 16 da Lei n.º 9.317, de 1996, e art. 32 da Lei Complementar n.º 123, de 2006. Assim, deveria apurar o lucro pelo regime do lucro real trimestral, visto constituir a regra geral aplicável às pessoas jurídicas, apuração que reclama a manutenção de escrituração regular com observância das leis comerciais e fiscais (Diário, Razão e Lalur) (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Como, embora intimada, a impugnante não promoveu a entrega de sua escrituração, não restou outra alternativa à fiscalização, senão a de arbitrar o lucro, com fundamento no art. 530 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – RIR/99 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Observase que o livro Caixa não é a escrituração que atende aos requisitos legais para a apuração do lucro real, no caso de empresas tributáveis por tal forma de tributação. 12. Já a tributação pelo regime de presunção do lucro somente se dá por opção do contribuinte, conforme o § 1º do art. 516 do RIR/99, e desde que formalizada Fl. 9529DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.529 17 nos termos do § 4º do mesmo dispositivo (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º , art. 26, § 1º). Assim sendo, rejeito a arguição de nulidade em razão do arbitramento de lucros. No que tange às questões ligadas ao edital, reproduzo o contido na decisão recorrida, adotoo como razões de decidir: 13. Não se sustenta a alegação de nulidade do lançamento, ao fundamento de que a sua ciência se deu por meio de edital sem que antes se realizasse outra tentativa de efetuá la por via postal ou pessoal (o AR destinado à ciência dos autos de infração foi recusado). 14. Não há previsão para seja realizada mais de uma tentativa por quaisquer dos meios previstos no art. 23 do Decreto n.º 70.235, de 1972 (que, aliás, não estão sujeitos a ordem de preferência), mas apenas que a utilização do edital se dê quando deles resultar improfícua a intimação ou quando o sujeito passivo tiver a sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal (§ 1º do art. 23; redação dada pela Lei n.º 11.941, de 2009). Não sendo o caso, nenhuma irregularidade há na ciência do lançamento, inclusive, à míngua de previsão legal, quanto à alegada necessidade de que o edital seja assinado pelo Delegado da unidade administrativa da RFB. 15. Notese, ademais, que o Edital de fl. 8708 foi afixado com a autorização prévia do chefe substituto do Núcleo de Fiscalização – NUFIS da DRF de Mossoró. Ainda sobre o edital, a data que se refere a Recorrente e que consta no rodapé diz respeito ao dia em que a referida peça processual foi anexada aos autos, autenticada e/ou assinada, nada interferindo em relação às datas de afixação do referido instrumento. No que atine às questões que envolvem os demais princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pela Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Devese observar que as supostas ofensas aos princípios constitucionais levam a discussão para além das possibilidades de juízo desta autoridade. No âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe, tão somente, verificar se o ato praticado pelo agente do fisco está, ou não, conforme à lei, sem emitir juízo de constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Ademais, o próprio Regimento Interno do CARF, em seu art. 62, dispõe que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O caso concreto não se enquadra nas exceções elencada no parágrafo único de tal dispositivo regimental, portanto, as normas atacadas são de aplicação cogente aos membros do CARF. Por fim, sobre a matéria este Conselho já pacificou seu entendimento por meio da Súmula nº 2, cujo teor é o seguinte: Fl. 9530DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.530 18 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação aos argumentos sobre confisco, esclareçase, ainda, que a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco, preceituada pelo art. 150, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil não se destina aos aplicadores da Lei, mas sim ao Poder Legislativo, que deve tomar em consideração tal preceito quando da elaboração das leis. Ressaltese ainda que os pressupostos legais para a validade do auto de infração são determinados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal, a seguir transcrito: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A respeito da nulidade, o mesmo diploma legal assim dispõe: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1.º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2.º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3.º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifo nosso) Fl. 9531DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.531 19 Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Compulsando os autos, constatase que os autos de infração lavrados preenchem os requisitos elencados pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Além disso, no caso concreto, não há qualquer dúvida quanto à ausência de prejuízo ao contribuinte, tanto que, já em sede de impugnação defendeuse plenamente, despendendo com clareza e qualidade, todos os argumentos necessários ao pleno exercício de sua defesa. Nesse aspecto, frisese que a possibilidade de defesa foi amplamente viabilizada pelos detalhes da descrição dos fatos realizada pela autoridade fiscal e enquadramento legal utilizado nos autos de infração. Portanto, não há que se falar em cerceamento de defesa. Isso porque, não se constata qualquer prejuízo ao pleno exercício do contraditório e da ampla defesa por parte da Recorrente, aliás, prejuízo esse primordial à caracterização de nulidade, conforme apregoa o art. 60 do Decreto nº 70.235/72: “As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo”. Assim sendo, sob os aspectos formais, não há qualquer mácula no auto de infração lavrado. No mais, o agir da autoridade fiscal se deu no desempenho das funções estatais, de acordo com as normas legais e com respeito a todas as garantias constitucionais e legais dirigidas aos contribuintes. Portanto, voto por não conhecer das questões atinentes à constitucionalidade de leis e rejeitar as arguições de nulidade do lançamento. 4 MÉRITO 4.1 OMISSÃO DE RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE HOTELARIA Confrontando diversos depósitos bancários, constatouse que se tratavam, na realidade, de diversos recebidos de clientes cujos pagamentos foram realizados utilizandose de cartões de crédito. Tal conclusão decorre do cotejo entre os extratos bancários e os próprios valores escriturados no Livro Caixa da Recorrente. Para a autoridade fiscal, além da comprovação da omissão direta de omissão de receitas, houve a comprovação do dolo por parte da Recorrente. Extraise do Relatório Fiscal (fl. 8677) que a autoridade fiscal autuante justifica a aplicação da multa qualificada não se baseando apenas em indícios, mas em prova direta de omissão de receitas da atividade da Recorrente percebidas em suas contas correntes e oriundas de pagamentos realizados com cartão de crédito e em total descompasso com os valores declarados para a Receita Federal. Além disso, tendo em vista o desmembramento realizado pela Recorrente com o único intuito de segregar suas receitas de modo fraudulento em si própria e outras duas pessoas jurídicas fraudulentamente formalizadas com o único intuito de burlar o excesso de receita bruta efetivamente auferida pela Recorrente e que impossibilitava sua opção por regimes de pagamento simplificado (Simples Federal e Fl. 9532DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.532 20 Nacional), concluiu a autoridade fiscal, restar caracterizado dolo suficiente para a exasperação da penalidade. De fato, como bem asseverou a decisão recorrida, o fato constituiu uma burla intencional aos regimes simplificados, caracterizando a sonegação nos termos do art. 71 da Lei n.º 4.502, de 1964, pois impediu o conhecimento das condições pessoais da contribuinte autuada (não enquadramento no Simples Federal) que afetariam a obrigação tributária e o crédito correspondente. Além disso, o fato de o contribuinte escriturar, em todos os meses, os recebimentos de clientes em seu Livro Caixa e deixar de declarar nas quatro DCTFs transmitidas, e também em sua DIPJ anual transmitida no período seguinte, denota, sem sombra de dúvida, tratarse não de mera omissão de receitas, mas sim de conduta dolosa que caracteriza a sonegação. Isso posto, mantenho a penalidade de 150% aplicada em relação a tal infração. Como consequência, o crédito tributário correspondente não está alcançado pela decadência, uma vez que a contagem do prazo decadencial deve ser realizada com base no art. 173, I, do CTN, conforme já observado em ponto específico deste voto. 4.2 OMISSÃO DE RECEITAS – CRÉDITOS EM CONTAS BANCÁRIAS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM A RECORRENTE é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) Fl. 9533DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.533 21 IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Fl. 9534DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.534 22 Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A RECORRENTE foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente, não o fazendo durante o procedimento fiscal, e tampouco em sede de impugnação ou recurso voluntário. A esse respeito, assim consta na decisão recorrida: 23. O art. 42 da Lei n.º 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção jurídica de omissão de receitas, invertendo o ônus probante para o contribuinte, para que este demonstre a origem dos créditos em suas contas bancárias, sendo os créditos de origem não comprovada considerados receitas ou rendimentos do contribuinte por presunção legal, conforme tal dispositivo. 24. No caso em exame apenas cabia à fiscalização a comprovação do fato signo presuntivo da omissão, qual seja, o crédito em conta de depósito ou de investimento sem a comprovação da origem, enquanto que, à impugnante, restava a incumbência de afastar a presunção, por meio de justificativas escoradas em provas idôneas, tarefa que, como visto, não se desincumbiu, pois a afirmação que os valores movimentados foram sacados e eventualmente devolvidos às respectivas contas, precisaria ser devidamente comprovada. 25. As transferências entre contas do mesmo titular, estornos ou empréstimos, já foram desconsiderados pela fiscalização, tal como restou informado no Relatório Fiscal. Ademais, da análise dos Livros Caixa apresentados pela contribuinte, conforme ainda o Relatório Fiscal, em relação aos créditos para os quais foi possível estabelecer relação com a atividade da empresa, a fiscalização autuou por omissão de receitas de sua atividade e não por depósitos de origem não comprovada. Especificamente em relação à alegação de transferência de valores advinda da conta de Planeta Água e Restaurantes Thermas, não basta identificar a origem dos depósitos, mas sim justificar sua causa, o que, em nenhum momento, foi realizado por parte da RECORRENTE. Assim sendo, confirmase a omissão de receita apontada pelo Fisco, salientando, contudo, o acolhimento da decadência do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º, 2º e 3º trimestres; e do PIS e da Cofins em relação aos fatos geradores de janeiro a novembro, inclusive, nos termos também já expostos neste voto. Fl. 9535DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 13433.720113/201148 Acórdão n.º 1402002.135 S1C4T2 Fl. 9.535 23 5 CONCLUSÃO Isso posto, voto por: (i) não conhecer das questões atinentes à constitucionalidade de leis e rejeitar as arguições de nulidade do lançamento; e (ii) dar provimento parcial ao recurso voluntário para, em relação à infração “002 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA”, acolher a decadência do IRPJ e da CSLL em relação ao 1º, 2º e 3º trimestres; e do PIS e da Cofins em relação aos fatos geradores de janeiro a novembro, inclusive. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 9536DF CARF MF Impresso em 14/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 14/04/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 13854.000217/98-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES. PESSOAS FÍSICAS
Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando-se aos limites do texto legal.
Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da Instrução Normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. (RESP 993164, Min. Luiz Fux).
O que, por fim, é de se considerar que as aquisições de insumos de produtores rurais pessoas físicas, ainda que não contribuintes para o PIS e Cofins, devem ser consideradas na apuração do crédito presumido do IPI.
RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. APLICABILIDADE.
Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir ser devida a correção monetária ao creditamento do IPI somente quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543-C da lei 5.869/73, ou dos arts. 1036 a 1041 da Lei 13.105/15, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 9303-003.835
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Fabiana Carsoni Alves F. da Silva, OAB/SP nº 246.569, advogada do sujeito passivo.
Carlos Alberto Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES. PESSOAS FÍSICAS Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando-se aos limites do texto legal. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da Instrução Normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições de matéria-prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. (RESP 993164, Min. Luiz Fux). O que, por fim, é de se considerar que as aquisições de insumos de produtores rurais pessoas físicas, ainda que não contribuintes para o PIS e Cofins, devem ser consideradas na apuração do crédito presumido do IPI. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir ser devida a correção monetária ao creditamento do IPI somente quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543-C da lei 5.869/73, ou dos arts. 1036 a 1041 da Lei 13.105/15, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1971; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 366 1 365 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13854.000217/9899 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303003.835 – 3ª Turma Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria IPI Recorrente CARGILL CITRUS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. INSUMOS ADMITIDOS NO CÁLCULO. AQUISIÇÕES. PESSOAS FÍSICAS Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da Instrução Normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições de matéria prima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. (RESP 993164, Min. Luiz Fux). O que, por fim, é de se considerar que as aquisições de insumos de produtores rurais pessoas físicas, ainda que não contribuintes para o PIS e Cofins, devem ser consideradas na apuração do crédito presumido do IPI. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 02 17 /9 8- 99 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir ser devida a correção monetária ao creditamento do IPI somente quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C da lei 5.869/73, ou dos arts. 1036 a 1041 da Lei 13.105/15, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral a Dra. Fabiana Carsoni Alves F. da Silva, OAB/SP nº 246.569, advogada do sujeito passivo. Carlos Alberto Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 20217.838, da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso da seguinte forma: Fl. 368DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000217/9899 Acórdão n.º 9303003.835 CSRFT3 Fl. 367 3 · Por unanimidade de votos: ü Dar provimento para reconhecer os efeitos do Processo nº 13854.000180/9881 e o direito de incluir na base de cálculo do crédito presumido as notas fiscais excluídas, em razão de erro material na identificação do CNPJ do adquirente; e ü Negar provimento quanto aos combustíveis e à energia elétrica; · Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à inclusão das aquisições de insumos de pessoas físicas e de cooperativas e quanto à correção do ressarcimento pela taxa Selic. Em vista da decisão, foi consignado, então, no acórdão recorrido a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1998 a 30/06/1998 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. TEMPORALIDADE. A apresentação dos pedidos de ressarcimento do crédito presumido do IPI com fulcro na Lei nº 9.3613/96 tem temporalidade trimestral. Devem ser observados os termos da decisão definitiva proferida no âmbito administrativo em processo que contenha pedido de ressarcimento de período anterior que altere os valores considerados no cálculo do período seguinte. CRÉDITO PRESUMIDO. A mens legis do incentivo teve por finalidade a desoneração tributária dos produtos exportados, via ressarcimento das contribuições sociais incidentes sobre os insumos que elenca, o que não significa restituir tributos sobre insumos que não os suportaram. A presunção é da alíquota incidente e não da base de cálculo do incentivo. Descabe incluir na referida base as aquisições efetuadas de pessoas físicas e de não contribuintes da contribuição para o PIS e da Cofins, por extrapolar o conteúdo da norma. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. Somente se caracterizam como matériaprima e produto intermediário os insumos que se integram ao produto final, ou que, embora a ele não se integrando, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre este, no processo de fabricação. A energia elétrica e os combustíveis não atuam na obtenção do produto industrializado nem diretamente sobre o seu processo produtivo. Atuam antes, sobre as máquinas e equipamentos do ativo imobilizado, utilizados no processo produtivo. DOCUMENTOS FISCAIS. COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL NA EMISSAO. Comprovada a existência de erro material na emissão das notas fiscais de aquisição de insumos, bem como os registros das mesmas nos livros fiscais do peticionário e, ainda, a efetividade do ingresso dos insumos e sua utilização no processo produtivo do estabelecimento, devem tais documentos ser incluídos no cálculo do benefício no período correspondente. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Incabível a utilização da taxa Selic como fator de correção monetária. O § 49 do art. 39 da Lei nº 9.250/1995 inseriu no seu comando a aplicação da taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento de tributo presumidamente calculado, efetuado a título de incentivo. Recurso provido em parte.” Inconformada com o referido acórdão, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando obscuridade e omissão, requerendo ao Colegiado negar provimento ao recurso do sujeito passivo em relação ao acolhimento da tese de ocorrência de erro material na emissão de nota fiscal em face da ausência de provas. O Presidente da 2ª Câmara aprovou a manifestação da relatora do acórdão embargado, negandolhe seguimento por inexistência de admissibilidade invocado, conforme Despacho de fls. 316/320. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000217/9899 Acórdão n.º 9303003.835 CSRFT3 Fl. 368 5 Continuando, insatisfeito, após apreciação da matéria pela 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão recorrida, suscitando divergência em relação: · Ao cômputo das aquisições de pessoas físicas na apuração do valor do Crédito Presumido do IPI; e · À aplicação da taxa de juros Selic sobre o valor a ser ressarcido. O apelo do sujeito passivo foi admitido integralmente, nos termos do Despacho de fls. 351/355. Ademais, considerando o despacho de admissão do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões de fls. 357/365 a esse recurso, requerendo que seja negado provimento ao recurso do sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade – o que concordo com a análise feita em Despacho de fls. 351/355. Passo, então, a discorrer sobre as controvérsias – quais sejam: · Ao cômputo das aquisições de pessoas físicas na apuração do valor do Crédito Presumido do IPI; e · À aplicação da taxa de juros Selic sobre o valor a ser ressarcido. Quanto ao 1º item cômputo das aquisições de pessoas físicas na apuração do valor do Crédito Presumido do IPI, entendo que as aquisições de Fl. 371DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 insumos de produtores rurais pessoas físicas, ainda que não contribuintes para o PIS e Cofins, devem ser consideradas na apuração do crédito presumido do IPI, vez que: · Nos termos da Lei 9.363/96, é de se verificar a ausência de condições – ocorrência da cobrança ou não das referidas contribuições sobre os insumos adquiridos pelo beneficiário do incentivo; · O cálculo do crédito presumido do IPI deve observar a fórmula prevista na Lei 9.363/96 que, por sua vez, quando traz a observância na fórmula do “valor total das aquisições de insumos”, não exclui valores ou ressalva hipóteses – tais como aquisição de insumos de produtores pessoas físicas ou sociedades cooperativas; · O crédito presumido de IPI não tem a obrigatoriedade de se equalizar om o valor que efetivamente tenha sido recolhido a título daquelas contribuições sobre as diversas fases de elaboração do produto vendido. Não obstante ao meu entendimento, importante trazer que matéria já foi enfrentada pelo STJ no REsp 993164, submetido ao regime do art. 543C do CPC, de Relatoria do Ministro Luiz Fux, quando foi decidido pela ilegalidade da IN 23/97 que determinava a exclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos de Pessoas Físicas e Cooperativas e a correção dos valores a partir do protocolo do pedido. Para melhor elucidar, transcrevo abaixo a ementa da decisão. “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE Fl. 372DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000217/9899 Acórdão n.º 9303003.835 CSRFT3 Fl. 369 7 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal.(grifo nosso) 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a Fl. 373DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que Fl. 374DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000217/9899 Acórdão n.º 9303003.835 CSRFT3 Fl. 370 9 possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; Resp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados Fl. 375DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).(grifo nosso) 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está Fl. 376DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000217/9899 Acórdão n.º 9303003.835 CSRFT3 Fl. 371 11 obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, dar provimento ao recurso especial da Empresa e negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Arnaldo Esteves Lima, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques,Benedito Gonçalves, Cesar Asfor Rocha e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator. Notas julgado conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ.” Sendo assim, também em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015 (alterada pela Portaria MF 152/2016), reproduzo as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, julgados nos termos do art. 543B e do art. 543C, do da Lei 5.869/76, ou dos arts. 1036 a 1041 da Lei 13.105/2015, é de se reproduzir tal entendimento: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] Fl. 377DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." (NR) Assim, se a matéria foi julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser observada, independentemente de convicções pessoais dos julgadores. Importante mencionar que essa decisão foi proferida, justamente, em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas. Quanto ao 2º item aplicação da taxa de juros Selic sobre o valor a ser ressarcido, insurge o sujeito passivo, entre outros, que: · Após o protocolo do pedido de ressarcimento do crédito presumido de IPI (11/98), todos os atos relativos à verificação dos valores e ao seu deferimento são de responsabilidade exclusiva dos Órgãos da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Ou seja, à recorrente compete apenas apresentar aquele pedido e aguardar as verificações dos agentes fiscais; · Por outro lado, eventual demora pelo efetivo pagamento é de responsabilidade exclusivamente daqueles órgãos, responsáveis pela apreciação do pedido. · Por conseguinte, considerando que a recorrente não tem qualquer influência na demora da apreciação do pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI (7/02), forçoso reconhecer que não existe uma justificativa juridicamente válida para a resistência da Fazenda Nacional de pagar os valores Fl. 378DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000217/9899 Acórdão n.º 9303003.835 CSRFT3 Fl. 372 13 relativos ao crédito presumido do IPI acrescidos dos juros “SeIic". · Esses aspectos foram examinados pela 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n. 611.905RS, na sessão de 25.5.2004, no qual se discutiu o cabimento da aplicação da taxa de juros “Selic” sobre os valores constantes em pedidos de ressarcimento do IPI. · Verifiquese que, em situação bastante semelhante à deste processo, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que o contribuinte não pode ser “penalizado” pela demora do Fisco no cumprimento de seus deveres, razão pela qual os valores, objeto de pedidos de ressarcimento, devem ser acrescidos de correção monetária e juros. Após breve síntese apresentada pelo sujeito passivo, importante mencionar que entendo que, a partir de janeiro de 1996, os créditos de tributos federais deverão ser corrigidos pela Taxa Selic a partir do fato gerador. Tal previsão consta do art. 39, § 4º, da Lei 9.250/95, que estabelece: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da Fl. 379DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997)” Vêse que a Administração Pública tem como interesse a adoção da referida taxa para cobrar um valor através da aplicação de um percentual, de um número real e concreto sendo referencial para as demais taxas de juros aplicáveis na economia brasileira. Tal índice possui aplicação cumulada, seja como correção monetária, seja como juros, visando a penalização do pagamento em mora, ou aplicado com conotação indenizatória, tendo em vista possíveis danos patrimoniais. Frisese que a jurisprudência da E. 3ª Turma da CSRF do CARF, aplicando, inclusive, o art. 62 do RICARF, pacífica quanto a supramencionada incidência da Selic para restituição/compensação do montante de tributo pago indevidamente, em face de mora imputável à administração pública, senão vejamos: "Acórdão 9303002.392 Ementa: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. " E, salientase ainda que a incidência dessa taxa é critério utilizado pelo Fisco para correção dos débitos cobrados do contribuinte em mora, estando assim, por analogia, demonstrado o direito de o mesmo ao proceder a compensação do montante pago indevidamente, embasado, principalmente, no princípio da isonomia. Eis que o mínimo esperado é que o indébito, quando devolvido ou compensado, seja acrescido também de taxa devidamente aplicável para correção do prejuízo sofrido. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000217/9899 Acórdão n.º 9303003.835 CSRFT3 Fl. 373 15 Portanto, cabe a incidência da taxa Selic para correção do quantum referente ao crédito que tem direito o sujeito passivo. Tal como ocorre, no caso presente, o que entendo que os créditos da recorrente devem, sim, ser corrigidos pela Selic. Caso contrário, representaria enriquecimento ilícito do fisco. Independentemente de considerar esse direcionamento, importante trazer que, recentemente foi disponibilizada notícia do STF no dia 6.4.2016 – restringindo a aplicação da correção monetária – ou seja, que somente poderseia corrigir o quantum debeatur quando há mora injustificada na restituição a contribuinte (Grifos meus): “Incide correção monetária em mora injustificada na restituição a contribuinte, afirma STF O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) firmou entendimento de que a mora injustificada ou irrazoável do Fisco em restituir o valor devido ao contribuinte caracteriza resistência ilegítima a autorizar a incidência de correção monetária. A decisão foi tomada, na sessão desta quartafeira (6), na análise de embargos no Recurso Extraordinário (RE) 299605, relatado pelo ministro Edson Fachin. A Siemens Ltda. interpôs o recurso (embargos de divergência) alegando haver decisões divergentes das Turmas sobre o mesmo tema. A Segunda Turma entendeu que mesmo tendo havido resistência ilegítima do fisco, não é possível a correção monetária dos créditos de IPI da embargante. A Primeira Turma, por sua vez entendeu, no julgamento do AI 820614, que havendo reconhecimento da chamada resistência ilegítima, é devida a correção monetária de créditos de IPI. Em sustentação oral no Plenário, a empresa pediu o restabelecimento da decisão de primeiro grau, mantida pelo Tribunal Regional Fl. 381DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 16 Federal da 4ª Região, no sentido de que incide correção monetária sobre o crédito de IPI ressarcido administrativamente. Ao se manifestar pelo desprovimento do recurso, a Procuradoria da Fazenda Nacional argumentou que não haveria similitude fática nem jurídica entre os acórdãos, uma vez que o caso tido por paradigma – o AI 820614 – cuidava de direito à correção monetária na hipótese de haver ilegítima resistência do Estado em aproveitar créditos, tema que não teria sido discutido no acórdão embargado. Após análise dos autos, o ministro Edson Fachin disse entender que existe, sim, a apontada divergência entre o acórdão embargado e o caso paradigma. Com esse argumento, o ministro propôs o conhecimento dos embargos de divergência propostos pela empresa. No mérito, ao votar pelo provimento do recurso para restabelecer a decisão de primeiro grau, o ministro citou precedentes do STF no sentido de que existe direito à correção monetária dos créditos de IPI referentes a valores não aproveitados na etapa seguinte da cadeia produtiva, desde que fique comprovada a estrita hipótese de resistência injustificada da administração tributária em realizar o pagamento tempestivamente. Todos os ministros presentes à sessão acompanharam o relator. Mesmo lembrando que o recurso em julgamento não está submetido ao instituto da repercussão geral, o ministro Luís Roberto Barroso propôs a tese, acolhida pelos demais ministros, de que a mora injustificada ou irrazoável do fisco em restituir o valor devido ao contribuinte caracteriza resistência ilegítima a autorizar a incidência de correção monetária.” E, ademais, cabe ainda trazer que 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia, confirmou a invalidade da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 23/97, e reconheceu o direito à correção dos créditos do IPI, no acórdão proferido no Recurso Especial nº 993.164MG, de 13/12/2010. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000217/9899 Acórdão n.º 9303003.835 CSRFT3 Fl. 374 17 Em vista do exposto e em respeito ao art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, entendo que deva ser dado provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. No entanto, independentemente dessa conselheira entender, pelas fundamentações postas que: · A aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96. · No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI é devida a atualização monetária, com base na Selic É de se contemplar nesse voto os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros, em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, in verbis: “Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. [...] § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. [...]” Sendo assim, é de se contemplar que a maioria dos conselheiros entendeu que a aquisição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem de pessoas físicas integram a base de cálculo do crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/96 somente, por força, do REsp 993164, submetido ao regime do art. 543C do CPC, de Relatoria do Ministro Luiz Fux: O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode Fl. 383DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 18 inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Consequentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. E que, em respeito ao art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, devem respeitar tal decisão. No que tange à atualização monetária, com base na Selic, no ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, a maioria dos Conselheiros entendeu pela sua aplicabilidade somente quando atos normativos infralegais obstaculizam o creditamento por parte do sujeito passivo, somente em respeito ao art. 62, Anexo II, do RICARF/2015, vez que a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia, confirmou a invalidade da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal nº 23/97, e reconheceu o direito à correção dos créditos do IPI, no acórdão proferido no Recurso Especial nº 993.164MG, de 13/12/2010: Com efeito, a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural, (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 10358471RS, ReI. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELlC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 11501881SP, Rei. Ministra Fl. 384DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13854.000217/9899 Acórdão n.º 9303003.835 CSRFT3 Fl. 375 19 Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). É de se trazer ainda a Súmula 411 do STJ: “É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco Rel. Min. Luiz Fix, em 25.11.09”. Diante do exposto, cabe refletir que a maioria desse Colegiado deu provimento ao Recurso interposto pelo sujeito passivo com essas últimas considerações. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 385DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
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Numero do processo: 11516.001818/2010-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2202-003.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ALEGAÇÃO DE OMISSÃO CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Não havendo no acórdão embargado obscuridade, omissão ou contradição, devem ser desacolhidos os declaratórios. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Júnia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 18 18 /2 01 0- 36 Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Rosemary Figueiroa Augusto (Suplente Convocada). Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentado pelo contribuinte, relativo ao Acórdão nº 2202002.706, de 16/07/2014, que por maioria de votos, decidiu dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa isolada do carnê leão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício e desqualificar a multa de ofício reduzindo a ao percentual de 75%. Vencido o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt que provia em maior extensão o recurso para afastar a aplicação conjunta das sanções (multa de ofício e isolada), com aplicação exclusiva da multa isolada. O contribuinte foi cientificado em 11/01/2014 (fls. 1.168) e interpôs embargos de declaração, tempestivos, em 14/11/2014. Os Embargos de Declaração foram apresentados com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em seu embargos, o contribuinte indica que teria ocorrido omissão e contradição no julgado. Destaca os seguintes pontos: a) que teria ocorrido omissão ao não abordar a previsão legal estampada no art. 96, parágrafo primeiro, inciso III do Estatuto da Terra, Lei No. 4.504/64; e b) que há contradição entre a premissa adotada no acórdão e a situação demonstrada pelos documentos produzidos pela própria fiscalização em relação ao ganho de capital, especificamente no cálculo do custo médio ponderado. Quando analisada a admissibilidade dos embargos, assim entendeu o Conselheiro que fez a referida admissibilidade: Primeiramente, o embargante questiona a existência de omissão por não ter sido abordado o artigo 96, parágrafo primeiro, inciso III do Estatuto da Terra. Não vejo omissão no acórdão embargado nesse ponto. Merecem respeito as considerações e entendimentos expressos pelo Recorrente ao apreciar essa matéria no embargo. Entretanto o acórdão, apesar de apontar entendimento divergente do almejado pelo embargante, não é omisso, tal como se nota da leitura do voto condutor, que sustenta sua posição. A questão da diferença entre a parceria rural e o arrendamento foi tratada no contexto da argumentação. A discussão do art. 96 é expressamente incluída na fls. 17 e 18 do acórdão embargado. Deste modo não há omissão, no que toca ao item 1 do auto de infração. Adicionalmente, o embargante indica contradição no fato de que os documentos produzidos pela própria fiscalização em relação ao ganho de capital. Afirma especificamente que não vendeu toda a soja em 2005 e que no início do ano mantinha soja no ano anterior. Uma vez que no acórdão se indicava que toda a soja que era comprada era vendida, efetivamente pode se ter incorrido numa contradição. O calculo do custo médio ponderado estaria portanto equivocado no auto de infração. O Embargante reforço Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202003.465 S2C2T2 Fl. 1.198 3 que no processo constariam documentos que reforçariam essa questão e sustentariam esse ponto. O acórdão recorrido foi superficial nesse parte e tangenciou a questão argumentando que o recorrente operava com estoque zerados. Desse modo no que toca especificamente ao ganho de capital deverseia reapreciar se efetivamente o estoque era zero, ou em outras palavras se tudo que era adquirido era vendido, tornandose, efetivamente, irrelevante o custo médio ponderado. O acórdão embargado teria partido assim nesse ponto de uma premissa equivocada. Isto posto, entendo, portanto, que os embargos devem ser acolhidos no que toca ao item 2 do auto de infração, omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos obtidos na venda de soja recebida em pagamento de arrendamento rural. Portanto, foram os embargos do contribuinte encaminhados para julgamento, sendo sorteado a este Relator, a fim de verificar se há contradição e/ou omissão no acórdão embargado, no que toca ao item 2 do auto de infração, omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos obtidos na venda de soja recebida em pagamento de arrendamento rural. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Quanto ao primeiro item alegado pelo contribuinte (existência de omissão por não ter sido abordado o artigo 96, parágrafo primeiro, inciso III do Estatuto da Terra), os embargos não foram admitidos, conforme exposto no relatório. Portanto, deixase de analisar os argumentos do contribuinte em relação ao referido item. Quanto ao segundo item (ganho de capital), respeitado o posicionamento do ilustre Conselheiro Antonio Lopo Martinez, manifesto meu entendimento no sentido que não há contradição no acórdão embargado, existe somente inconformidade do contribuinte com o resultado do julgamento. Transcrevo, primeiramente, trecho do voto do acórdão da DRJ: Pelo que se observa da planilha de apuração do ganho de capital e das acima reproduzidas, a autoridade fiscal corretamente aplicou o custo médio ponderado para o estoque que ingressou nas datas de 09/06/2005, 20/07/2005 e Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 26/08/2005, que restou zerado pelas vendas objeto dos contratos 0300169500.001.775, 0300069500.000.118 e 0300069500.000.233, cujo preço médio ponderado correspondeu a R$ 27,67, e foi este o valor aplicado para apurar o ganho de capital nestas datas; já para os estoques e vendas formados nos períodos posteriores, não há que se falar em preço médio, uma vez que todo o ingresso na data de 27/09/2005 foi vendido para o contrato 0300169500.000.359, e todo o ingresso na data de 08/11/2005 para os contratos 0300169500.000.428, 0300169500.000.494 e 0300069500.000.501. Vêse, portanto, que o cálculo condiz com o comando legal, sem reparos a fazer. Por sua vez, o acórdão embargado, deste Conselho, quanto a esta matéria, tratou da seguinte forma: "Por sua vez, não há que se falar em custo médio ponderado no caso concreto pois toda a soja recebido era vendida. Tal método não altera o resultado quando existe uma única entrada de produto e saídas subseqüentes até que o estoque seja zero, como no caso que aqui se tem. De modo que não identifico qualquer reparo a ser feito nessa parte do lançamento." A contribuinte alega nos embargos que teria ocorrido uma venda de soja em grão de safra 2004 em 03/06/2005: Todavia, conforme exposto, a autoridade fiscal aplicou o custo médio ponderado para o estoque que ingressou nas datas de 09/06/2005, 20/07/2005 e 26/08/2005, que restou zerado pelas vendas objeto dos contratos 0300169500.001.775, 0300069500.000.118 e 0300069500.000.233, cujo preço médio ponderado correspondeu a R$ 27,67, sendo este o valor aplicado para apurar o ganho de capital nestas datas. A DRJ havia compreendido já neste sentido, conforme transcrição acima, o que foi novamente exposto no voto do Conselheiro Relator. Portanto, não há contradição alguma. A questão referida pelos estoques zerados se referem exclusivamente ao custo médio de determinados contratos, não sendo incluído na aferição de custo médio o contrato de venda de soja de safra de 2004 em 03/06/2005. Temse claro que a conclusão de que os estoques estariam zerados pelas vendas objeto dos contratos 0300169500.001.775, 0300069500.000.118 e 0300069500.000.233, Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 11516.001818/201036 Acórdão n.º 2202003.465 S2C2T2 Fl. 1.199 5 datadas de 09/06/2005, 20/07/2005 e 26/08/2005, sendo, assim, irrelevante para o caso a questão da safra de 2004 ter sido vendida em 03/06/2005, pois quando se fala em estoque zerado, foi em período posterior. Percebese, assim, que não há omissão ou contradição no acórdão, não merecendo qualquer saneamento. Busca, em verdade, o contribuinte, rediscutir o mérito, pois não se conformou com decisão, todavia, a rediscussão da matéria é incabível em sede de embargos de declaração. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 19/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 15868.000466/2010-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração:01/01/2006 a 31/03/2006, 01/05/2006 a 30/11/2006, 01/01/2007 a 29/02/2008, 01/04/2008 a 31/03/2009, 01/03/2010 a 31/05/2010, 01/07/2010 a 31/07/2010
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO.
As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público, comprovadamente e não mero registro contábil. Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3201-002.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA- Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público, comprovadamente e não mero registro contábil. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 04 66 /2 01 0- 62 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto,Tatiana Josefovicz Belisário e Elias Fernandes Eufrásio. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da impugnação, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: Tratase de auto de infração (fls. 19/34 – a numeração de referência é sempre a da versão digital do processo) lavrado contra o contribuinte em epígrafe, relativo à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep, para os períodos de apuração janeiro/2006 a março/2006, maio/2006 a novembro/2006, janeiro/2007 a fevereiro/2008, abril/2008 a março/2009, março/2010 a maio/2010 e julho/2010, no montante total de R$ 40.791,00. No Termo de Verificação de Infração Fiscal, às fls. 7/8, o auditor fiscal assim fundamentou o lançamento de ofício: 4. No cumprimento do que dispõe o inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.715/98 (...), chegamos na base de cálculo do PASEP somando os valores das RECEITAS CORRENTES (receita tributária, receita de contribuições, receita patrimonial, receita de serviços e outras receitas correntes) + TRANSFERÊNCIAS CORRENTES RECEBIDAS + TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL RECEBIDAS menos RECEITAS PARA FORMAÇÃO DO FUNDEF/FUNDEB. 5. Com base nos Balancetes da Receita Orçamentária, nos recolhidos através de DARFs e nos valores das retenções do PASEP nas transferências recebidas, elaboramos a planilha denominada “Demonstrativo de Apuração Mensal do PASEP”, para período de apuração de dezembro de 2005 a julho de 2010. Nesta planilha, composta de 7 (sete) páginas, está demonstrado os valores da base de cálculo do PASEP, do PASEP devido, do PASEP recolhido pela Prefeitura por meio de DARF e do PASEP NÃO RECOLHIDO. Cientificado do auto de infração em 01/12/2010, o autuado apresentou impugnação em 29/12/2010 (fls. 39/41), na qual alega: Fl. 123DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 15868.000466/201062 Acórdão n.º 3201002.150 S3C2T1 Fl. 123 3 Do demonstrativo de apuração mensal que serviu de base de cálculo para apuração do tributo, constatase evidente divergência de valores em relação a RECEITA PATRIMONIAL. Apenas para exemplificar, no mês de jan/06 o zeloso auditor fez constar como Receita Patrimonial o valor de R$ 19.320,30 certamente considerando a receita da Prefeitura somada à do Instituto de Previdência Municipal. Assim, laborou em erro. Com efeito, pelo balancete sintético da receita de Janeiro/06, da PREFEITURA, tão somente, a Receita Patrimonial é de apenas R$ 489,82. Esta, a receita a ser considerada, porquanto a Prefeitura não pode responder por débito do Órgão Previdenciário Municipal, que possui receita própria e obrigação tributária própria. Nestas circunstâncias, a prevalecer o demonstrativo de apuração mensal do PASEP tal como elaborado pelo douto auditor, a Prefeitura terá de pagar quantia expressivamente superior à quantia efetivamente devida. Tal equivoco ocorreu e se repetiu na grande maioria dos meses apurados entre Jan/2006 a Jul/2010. Comparese, a propósito, a Receita Patrimonial apontada pelo auditor no Demonstrativo de Apuração Mensal e a Receita Patrimonial contabilizada no Balancete Sintético da Receita de Janeiro/06, Fevereiro/06, Maio/06, Junho/06, Julho/06, Agosto/06, Setembro/06, Outubro/06, Novembro/06, Novembro/07, Março/10, Abril/10, Maio/10 e Julho/10, adiante juntados como peça de defesa. A divergência de valores, repitase, é evidente. E, mais: No dia 12/11/2010, ou seja, durante os trabalhos de fiscalização, a Prefeitura, conquanto com atraso, efetuou recolhimentos ao PASEP, referente aos meses de Jan/10, Mar/10, Abr/10, Mai/10, Jul/10 e Ago/10, conforme provam as inclusas guias DARFs adiante juntadas, todavia, o douto auditorfiscal não efetuou a dedução do tributo pago, na apuração do débito final. Eis, outra razão plausível, para justificar a presente impugnação. De se concluir, portanto, que da forma como o débito encontra se apurado a Prefeitura Municipal de Nova Canaã Paulista terá de pagar quantia a maior do que efetivamente deve, o que resultará em prejuízo aos já combalidos cofres municipais. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP1 no 1656.281, de 19/03/2014, proferida pelos membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006, 01/05/2006 a 30/11/2006, 01/01/2007 a 29/02/2008, 01/04/2008 a 31/03/2009, 01/03/2010 a 31/05/2010, 01/07/2010 a 31/07/2010 ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 As alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não têm valor. ESPONTANEIDADE. EXCLUSÃO. A espontaneidade é excluída com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente e cientificado o sujeito passivo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. O julgamento foi no sentido de considerar totalmente procedente o lançamento. Assim como, observar que antes da cobrança devem ser considerados e vinculados os Darfs já recolhidos pela recorrente, durante o procedimento de fiscalização, cujas cópias encontram se às 56/61 (papel) dos autos. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Em sede de recurso voluntário, apresenta a LC n° 68/2004, de 23/12/2004 que dispõe sobre a reestruturação do Instituto de Previdência Municipal de Nova Canaã Paulista, como comprovação de ser entidade pública, na forma de autarquia, e solicita provimento ao recurso voluntário. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira, de forma regimental. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente de auto de infração, pelo qual se exige o recolhimento de R$ 40.791,00 da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – Pasep, além de multa de ofício de 75% e encargos legais. A autuação é decorrente da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o Pasep relativa aos períodos de apuração de janeiro/2006 a março/2006, maio/2006 a novembro/2006, janeiro/2007 a fevereiro/2008, abril/2008 a março/2009, março/2010 a maio/2010 e julho/2010, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, demonstrativo de apuração e demonstrativo de multa e juros de mora. Bem como o termo de verificação fiscal que dispõe sobre os procedimentos adotados pela fiscalização na presente autuação. Esclareçase, de pronto, no que tange aos recolhimentos efetuados para os períodos de apuração, janeiro/2010, março/2010 a maio/2010, julho/2010 e agosto/2010, o recorrente reconhece que foram efetuados esses recolhimentos, durante a fiscalização, ou seja, Fl. 125DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 15868.000466/201062 Acórdão n.º 3201002.150 S3C2T1 Fl. 124 5 quando já não mais havia espontaneidade, a teor do disposto no parágrafo único do art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, restando, pois, correta a constituição do crédito tributário devido, acrescido de multa de ofício e juros de mora, como esclarece a decisão DRJ, o que acato. No entanto, ressaltese, mais uma vez, que precisa observar que antes da cobrança devem ser considerados e vinculados os Darfs já recolhidos pela recorrente, durante o procedimento de fiscalização, cujas cópias encontram se às 56/61 (papel) dos autos. Pois bem, a base de cálculo da contribuição ao PASEP é a Lei nº 9.715, de 1998, in verbis: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III – pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) § 6º A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 7º Excluemse do disposto no inciso III do caput deste artigo os valores de transferências decorrentes de convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido. (Incluído pela Lei nº 12.810, de 2013) (...) Art. 7º Para os efeitos do inciso III do art. 2º, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art. 8º A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Destarte, a base de cálculo da contribuição para os Municípios é o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. Transcrevese trecho do Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do auto de infração, onde a fiscalização extraiu os valores das bases de cálculo, em comento: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 6 4. No cumprimento do que dispõe o inciso III, do art. 2º da Lei nº 9.715/98 (...), chegamos na base de cálculo do PASEP somando os valores das RECEITAS CORRENTES (receita tributária, receita de contribuições, receita patrimonial, receita de serviços e outras receitas correntes) + TRANSFERÊNCIAS CORRENTES RECEBIDAS + TRANSFERÊNCIAS DE CAPITAL RECEBIDAS menos RECEITAS PARA FORMAÇÃO DO FUNDEF/FUNDEB. 5. Com base nos Balancetes da Receita Orçamentária, nos recolhidos através de DARFs e nos valores das retenções do PASEP nas transferências recebidas, elaboramos a planilha denominada “Demonstrativo de Apuração Mensal do PASEP”, para período de apuração de dezembro de 2005 a julho de 2010. Nesta planilha, composta de 7 (sete) páginas, está demonstrado os valores da base de cálculo do PASEP, do PASEP devido, do PASEP recolhido pela Prefeitura por meio de DARF e do PASEP NÃO RECOLHIDO. Com todos demonstrativos analisados, cálculos de seis em seis meses, conforme fls. 09 a 15 (papel), detalhados minuciosamente; percebese que os valores considerados pelo fisco correspondem às previsões dos dispositivos da Lei nº 9.715, de 1998. Ou seja, foram computados os valores escriturados pela própria recorrente a título de receitas correntes arrecadadas, e de transferências correntes e de capital recebidas. Logo, descabidas as alegações de que a composição de tais bases foi realizada de forma inadequada, já que realizada a partir de peças fornecidas pela própria recorrente e aceitas pelo fisco, abarcando os períodos de apuração e dela teve participação, ciência, tudo no devido processo legal. Enfim, a Lei nº 9.715, de 1998, faz uso dos conceitos do que sejam ‘receita corrente’, ‘transferência corrente’ e ‘transferência de capital’ contidos na Lei nº 4.320, de 1964 (estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.). Os conceitos de receitas correntes e de capital estão dispostas no art. 11 da Lei de n° 4.320/64, que dispõe: Art. 11 – A receita classificarseá nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e Receitas de Capital. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) § 1º São Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) § 2º São Receitas de Capital as provenientes da realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens e direitos; os recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados a atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o superávit do Orçamento Corrente. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.939, de 20.5.1982) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 15868.000466/201062 Acórdão n.º 3201002.150 S3C2T1 Fl. 125 7 Então, no caso, a recorrente, apenas apresenta a LC n° 68/94, como forma de comprovar os valores transferidos pela Prefeitura ao Instituto de Previdência Municipal, em sede de recurso voluntário, sem os devidos registros, apenas alegando, que os valores devem ser deduzidos. Com todos demonstrativos analisados, percebese que os valores considerados pelo fisco correspondem às previsões dos dispositivos da Lei nº 9.715/1998. Foram computados os valores escriturados pela própria recorrente a título de receitas correntes arrecadadas, e de transferências correntes e de capital recebidas. Logo, descabidas as alegações de que a composição de tais bases foi realizada de forma inadequada, já que realizada a partir de peças fornecidas pela própria recorrente e aceitas pelo fisco, abarcando os períodos de apuração, pois, a apuração da contribuição acontece na entidade que aplica o recurso, exonerando aquela que o arrecadou e transferiu, evitando a incidência em duplicidade do tributo. Ou seja, a exclusão somente é permitida quando um contribuinte do PASEP transfere recursos a outro contribuinte, de forma que os recursos transferidos irão integrar a base de cálculo da entidade que recebeu a transferência. Observase, às fls. 09 a 15 (papel) do Auto de Infração, o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO MENSAL DO PASEP VALORES EXTRAÍDOS DOS BALANCETES DE RECEITA ORÇAMENTÁRIA, DO DAF E DARF, levouse em conta as receitas correntes, as transferências correntes recebidas, transferências de capital recebidas e deduzidas do FUNDEF/FUNDEB, e finalmente chegou até a base de cálculo do Pasep, descontado, inclusive, os valores pagos, conforme documentação apresentada pela mesma. CONCLUSÃO Então, na presente autuação, consta que os valores discutidos como transferidos, são na realidade uma transferência meramente contábil, pelo que os valores contidos na previsão da Lei nº 9.715/1998 (receitas correntes, transferências correntes e transferências de capital recebidas), escriturados para tais, pertencem, na verdade, à recorrente, à Prefeitura de Canaã, pois, o art. 7º da Lei mencionada permite que sejam deduzidas da base de cálculo apenas as transferências efetuadas a outras entidades públicas, desde que efetivamente comprovado, o que não ocorreu, no caso em discussão. Assim como, precisa observar que antes da cobrança devem ser considerados e vinculados os Darfs já recolhidos pela recorrente, durante o procedimento de fiscalização, cujas cópias encontram se às 56/61 (papel) dos autos. Por fim, transcrevo a ementa do decidido no acórdão de n° 3202000.352, de 10/08/2011, processo de n° 10950.003991/200943 (São Tomé Prefeitura), de relatoria do Conselheiro Paulo Sérgio Celani, com a mesma linha de entendimento deste: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas Fl. 128DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 8 receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, de sorte que os valores recebidos com destaque para o FUNDEF/FUNDEB devem integrar a base de cálculo da contribuição. Recurso Voluntário Negado. Da mesma forma, comungo do mesmo juízo, o Acórdão de n° 3403002.682, de 28/01/2014, de relatoria de Rosaldo Trevisan, que transcrevo abaixo: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano calendário: 2008, 2009, 2010 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a Contribuição para o PASEP com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas, devendo sobre tais valores incidir a alíquota de 1%, descontandose ao final os valores pagos/retidos. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.Recurso Voluntário Negado. Em assim sendo, não merece reparo decisão a quo. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 1/05/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 14/05/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900839/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3201-001.974
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Charles Mayer de Castro Souza
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/2003 a 30/05/2003 Ementa: RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Trata-se de Declaração de Compensação (Dcomp) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado Fl. 192DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. A interessada foi cientificada e apresentou manifestação de inconformidade, a qual a DRJ julgou improcedente, nas seguintes palavras: A não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de o DARF indicado na DCOMP como origem de crédito aproveitado na compensação ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem de crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito confessado pela interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Alega a interessada que a referida declaração de compensação se deu pelo motivo de ter recolhido o PIS pelo regime não-cumulativo, sendo que a Lei nº 10.684, de 30 de maio de 2003, excluiu as cooperativas desse regime, incluindo no regime cumulativo, com efeitos a partir de 01/02/2003. Devido a isso, apresentou DCTF retificadora. Porém afirma a DRJ que esse fato, não implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Confira-se: Entretanto, o fato de ter recolhido o PIS pelo regime não- cumulativo, quando o correto seria pelo regime cumulativo, de forma alguma implica, por si só, que os valores recolhidos seriam indevidos. Com efeito, nada impede que os valores devidos a título de PIS pelo regime não cumulativo sejam inferiores aos devidos segundo o regime cumulativo, pois, mesmo que a alíquota se já superior no primeiro caso, existe a possibilidade de dedução de créditos, o que pode sim fazer com que o valor recolhidos e já menor do que o realmente devido. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Decorre disso que o Despacho Decisório foi emitido corretamente, já que baseado nas informações disponíveis para a Administração Tributária. Por sua vez, a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório, não tendo igualmente o condão de fazer nascer o direito de crédito e de comprometer a decisão que não homologou a declaração de compensação. Por fim, na ótica da DRJ, o impugnante tem que demonstrar a certeza e liquidez do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária, através da declaração de Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10805.900839/2008-01 Acórdão n.º 3201-001.974 S3-C2T1 Fl. 2 3 compensação, conforme art. 147 do CTN, fato que não ocorreu no caso narrado. Logo o direito creditório não pode ser admitido. Confira-se: Observe-se que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange a existência e regularidade do crédito com que pretendeu extinguir a obrigação tributária. Com efeito, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na faze em que aconteceu a conferência eletrônica da compensação e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nesta fazer de contestação do despacho resultante. Concluindo, faltando aos autos a comprovação da existência de pagamento indevido ou a maior, o direito creditório não pode ser admitido e a compensação que dele se aproveita não pode ser homologada. Cientificado do acórdão, acima destacado, a recorrente apresentou recurso voluntário, afirmando que: a) houve a demonstração, por documentos, da existência do crédito e do valor da compensação pleiteada, conforme Anexo I; b) os referidos documentos demonstram seu direito ao crédito; c) apresentou DCTF retificadora, embora essa retificação tenha ocorrido após a identificação do erro por parte do Fisco. Iniciado o julgamento do recurso voluntário, nossa Turma, por unanimidade, decidiu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Todavia, entendo que essa não é a solução mais adequada ao caso concreto, uma vez que, diante da apresentação da DCTF retificadora, impende que esta seja analisada para verificar se procede ou não o crédito utilizado na compensação de tributo. Ante o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a unidade preparadora certifique o quantum representaria o crédito da recorrente, com base na documentação existente nos autos, intimando a contribuinte para apresentar dados adicionais, se necessário. Cumprindo-se ao determinado na Resolução, foi elaborado Relatório Fiscal e, em seguida, os autos retornaram ao CARF para julgamento. Contudo, a Turma enviá-los mais uma vez à unidade de origem, a fim de que a Recorrente fosse cientificada do Relatório Fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente pleiteou a compensação de débito seu com crédito decorrente de pagamento a maior de PIS. A unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que o alegado crédito estava vinculado à quitação de outra obrigação devida pela Recorrente, que, no entanto, em sua manifestação de inconformidade, sustentou que o pagamento a maior resultou do fato de a cooperativa ter recolhido a contribuição sob regime de apuração não cumulativo, quando deveria tê-la recolhido na sistemática cumulativa. A DRJ não acolheu as razões de defesa, ao fundamento de que a DCTF retificadora foi apresentada após a ciência do despacho decisório. Assentou, ainda, que o erro de aplicação do regime de apuração não comprovaria o pagamento a maior, cabendo ao contribuinte o ônus de prová-lo. No recurso voluntário, a Recorrente juntou comprovantes da origem do pagamento a maior, em função da utilização equivocada do regime de apuração, nos quais informados dados coincidentes com os inseridos na DCTF retificadora. Em face dos argumentos encartados na primeira Resolução (a segunda destinou-se apenas a cientificar a Recorrente do teor do Relatório Fiscal), a Turma baixou os autos em diligência, para que a unidade de origem certificasse o valor do crédito, com base na documentação existente nos autos, intimando a Recorrente a apresentar dados adicionais, se necessário. No Relatório Fiscal de fls. 173/175, a autoridade diligenciadora conclui que o valor original do indébito tributário que a Recorrente teria direito a requerer a restituição e/ou compensação com débitos tributários próprios é de R$ 4.312,31 (quatro mil, trezentos e doze reais, e trinta e um centavos), o mesmo pleiteado no PER/DCOMP. Solucionado o litígio, portanto. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 2/12/2015 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Relatório Voto
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Numero do processo: 10945.721075/2012-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009
CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS e da Cofins.
CRÉDITOS DE PIS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL.
O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento do PIS e da Cofins, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõe-se o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos.
VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Consideram-se isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora.
CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO PARA AGROINDÚSTRIA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO.
É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias.
CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO.
Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativa, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização, bem como que os insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringem apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos do PIS e da Cofins.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3201-002.237
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos : a) por voto de qualidade, afastou-se a alegação de retroatividade do art. 56-A da Lei nº 12.350, de 2010. Vencidos, no ponto, os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo; b) por maioria de votos, mantiveram-se as glosas sobre as exportações realizadas por terceiros e sobre o transporte entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schlinewein.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008, 2009 CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS e da Cofins. CRÉDITOS DE PIS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento do PIS e da Cofins, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõe-se o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideram-se isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO PARA AGROINDÚSTRIA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativa, entende-se que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização, bem como que os insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringem apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008, 2009 COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos do PIS e da Cofins. Recurso voluntário provido em parte.
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RESSARCIMENTO Recorrente DISAM DISTRIBUIDORA DE INSUMOS AGRICOLAS SUL AMERICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrarem o conceito de insumo utilizado na produção e nem corresponderem a uma operação de venda, as despesas com o frete contratado para promover a transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram créditos do PIS e da Cofins. CRÉDITOS DE PIS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento do PIS e da Cofins, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de PIS e de Cofins não cumulativos. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS e para a Cofins as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO PARA AGROINDÚSTRIA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 10 75 /2 01 2- 63 Fl. 4901DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativa, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização, bem como que os insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringem apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 COFINS. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, é vedada a correção monetária e a aplicação de juros sobre os valores ressarcidos do PIS e da Cofins. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos : a) por voto de qualidade, afastouse a alegação de retroatividade do art. 56A da Lei nº 12.350, de 2010. Vencidos, no ponto, os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo; b) por maioria de votos, mantiveramse as glosas sobre as exportações realizadas por terceiros e sobre o transporte entre os estabelecimentos da Recorrente. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Schappo. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Tatiana Josefovicz Belisário e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o procurador Everdon Schlinewein. Charles Mayer de Castro Souza PresidenteRelator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Winderley Morais Pereira. Fl. 4902DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201002.237 S3C2T1 Fl. 4.901 3 Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins apurada no regime não cumulativo, com origem nos anos de 2008 e 2009. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente de pedidos de ressarcimento e declarações de compensação referentes a créditos da Cofins nãocumulativa, relativos ao mercado interno (produtos não tributados), dos trimestres dos anos de 2008 e 2009. Conforme Informação Fiscal e Despacho Decisório de fls. 4564/4586, foram verificadas as receitas decorrentes de vendas para o mercado externo, com suspensão no mercado interno e com alíquota zero também no mercado interno (não tributadas). Com relação às receitas de venda para o mercado externo, a fiscalização excluiu da rubrica de exportação as receitas auferidas como comercial exportadora, de exportação direta por divergências nos documentos comprobatórios e de exportação indireta, por meio de outras comerciais exportadoras, por falta de atendimento aos requisitos estabelecidos na legislação de regência. Sobre as receitas com suspensão, não foram identificadas vendas passíveis de tributação. No tocante às receitas tributadas à alíquota zero, a fiscalização não identificou glosa no que diz respeito à composição de vendas, ou seja, não verificou a existência de produtos tributados compondo tais receitas. Apenas no que diz respeito às receitas financeiras, ela foram excluídas do cálculo do rateio proporcional, ante o entendimento de não estarem “associadas ao montante de custos, despesas e encargos comuns”. Apurados os percentuais para rateio (fls. 4541/4548), a fiscalização procedeu ao exame dos créditos informados nos Dacon da interessada. Dessa análise, resultaram as seguintes glosas: a) despesas de energia elétrica: foram glosados valores referentes a encargos, taxas e multas, que não se caracterizam como energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; b) armazenagem e frete: glosadas as notas fiscais relativas a transferência de mercadorias entre unidades da própria empresa, o que não se enquadra no conceito de frete na operação de venda; Fl. 4903DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 c) depreciação de máquinas e equipamentos: a glosa se deu em relação aos bens que não são utilizados diretamente na produção de mercadorias destinadas à venda; d) crédito presumido – atividades agroindustriais: as aquisições de pessoa física (grãos e lenha) foram excluídas da base de cálculo dos créditos, em virtude da revogação do crédito presumido de empresa cerealista pela Lei nº 10.925/2004. Nas planilhas de fls. 4556/4559, a fiscalização demonstrou os valores mensais reconhecidos e a utilização dos créditos deferidos, o que resultou – em razão das exclusões nas receitas de exportação – em saldo a pagar em quase todos os meses. No tocante ao ressarcimento da contribuição sobre vendas não tributadas para o mercado interno, apuraramse os valores descritos à fl. 4583, significando o reconhecimento de R$ 58.071,96 dos R$ 1.436.215,37. A fiscalização ressaltou ainda ter lavrado auto de infração para exigência dos débitos apurados (processo nº 10945.720325/201329) e de multa isolada sobre os pedidos de ressarcimento indeferidos/indevidos (processo nº 10945.720324/201329). Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 4590/4652. Nela, discorreu sobre a sistemática da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, a legislação de regência, suas premissas e exposições de motivo, defendendo a tese de que o crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas já estava previsto desde seu nascedouro, não se tratando de favor ou subsídio fiscal. A seguir, tratou dos créditos vinculados às receitas de exportação e de sua previsão legal. Referindose ao art. 17 da Lei nº 11.033/2004, defendeu a manutenção dos créditos apurados e vinculados às receitas nele mencionadas – de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. E mais, de acordo com o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, foi permitida a compensação ou ressarcimento desses créditos. Passando à análise da informação fiscal e despacho decisório, argumentou que a aquisição de mercadorias com o fim específico de exportação não gera direito a crédito, como de fato ela não se creditou, mas o fato da contribuinte não ser produtora das mercadorias não acarreta tributação de suas vendas para o exterior, como entendeu a fiscalização. Exemplificou às fls. 4612/4613, acrescentando ter havido equívoco na interpretação do § 4º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, ao se ignorar a previsão de não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins sobre todas as receitas de exportação. Sobre as exportações diretas, apresentou quadro com dados dos registros de exportação, que comprovariam as notas fiscais de Fl. 4904DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201002.237 S3C2T1 Fl. 4.902 5 exportação glosadas por supostas divergências de documentação. Além disso, as referidas notas fiscais trariam eu seu corpo dados correspondentes às informações do Siscomex, cujos comprovantes de exportação teriam sido anexados pela própria fiscalização às fls. 771/1083. No tocante às exportações indiretas, por meio de vendas para comercial exportadora com o fim específico de exportação, alegou que as disposições mencionadas pela fiscalização – Decreto Lei nº 1.248/1972, art. 1º, parágrafo único, Lei nº 9.532/1997, art. 39, § 2º, Decreto nº 4.524/2002, art. 45, § 1º e Instrução Normativa RFB nº 1.068/2010 – “não definem em momento algum o que deve ser considerado como venda com fim específico de exportação, mas visam somente evitar que a mercadoria não deixe de ser exportada pela empresa comercial exportadora adquirente”. Aduziu que o art. 9º da Lei nº 10.833 “exime o vendedor das contribuições para o PIS e Cofins”, atribuindo a responsabilidade pelos tributos à comercial exportadora caso a exportação não venha a ocorrer no prazo devido. Assim, havendo comprovação da efetiva exportação da mercadoria, conforme documentação de fls. 1076/3265, não se pode descaracterizar tais operações como fez a fiscalização. Argumentou que o procedimento de descaracterização prendeu se a excesso de formalismo, em desobediência aos princípios estabelecidos no art. 2º da Lei nº 9.784/1999. A propósito, transcreveu jurisprudência e doutrina. Refutou também a desconsideração das exportações em que se identificou que não foi o adquirente da mercadoria com o fim específico que a efetivamente exportou, mas uma terceira empresa. Procurou esclarecer como se dão determinadas vendas, reiterando que as exportações foram efetivamente realizadas e comprovadas, o que é suficiente para não incidência das contribuições. Suscitou a vedação constitucional ao tratamento desigual a contribuintes que se encontrem em situação equivalente, transcrevendo jurisprudência. Discordou também do entendimento quanto às vendas para empresas que constam como fabricantes junto ao Siscomex, repetindo os mesmos argumentos do parágrafo anterior. Ainda sobre a exportação indireta, alegou não poder ser responsabilizada pelas contribuições sobre exportações não realizadas pelas comerciais exportadoras para as quais vendeu, notas fiscais relacionadas à fl. 4613, pois os arts. 7º da Lei nº 10.637 e 9º da Lei nº 10.833 prevêem sua exigência das referidas comerciais exportadoras. Sintetizando (fl. 4600): Fl. 4905DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 No que diz respeito ao rateio proporcional dos créditos, reclamou que a descaracterização de algumas receitas de exportação ocasionou também a alteração desse rateio, o mesmo ocorrendo em virtude da exclusão das receitas financeiras das receitas do mercado interno “com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência”. Todavia, as receitas financeiras, embora sujeitas à alíquota zero, fazem parte da base de cálculo das contribuições, devendo compor as referidas receitas do mercado interno (com suspensão, isenção, etc) para fins de rateio para apropriação dos créditos. Refutou o procedimento de terem sido as receitas de exportação e do mercado interno sem incidência, com suspensão, isenção e alíquota zero, apesar da exclusão pela fiscalização, computadas na receita bruta total, distorcendo a apuração da proporcionalidade da receita de exportação em relação à receita bruta total. Transcreveu doutrina e jurisprudência. Com relação à glosa dos créditos das despesas de frete na transferência de produtos entre estabelecimentos, argumentou tratarse de etapa da operação de venda para exportação, o que justifica sua apropriação. Transcreveu acórdão do Carf nesse sentido. Defendeu caracterizarse como agroindústria, e como tal fazer jus a crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, mencionando legislação e normas do Ministério da Agricultura sobre o processo produtivo de grãos e descrevendo suas etapas, a saber: recebimento e classificação, descarga das mercadorias, prélimpeza dos grãos, secagem, póslimpeza, armazenagem e controle de qualidade, expedição. Assim, as mercadorias produzidas pela recorrente passam por um processo que agrega insumos, produtos intermediários e embalagens. Transcreveu dispositivos do RIPI/2010 que tratam do produto industrializado e da industrialização, bem como jurisprudência sobre o conceito de processo produtivo, que apoiam sua tese sobre ser o beneficiamento de grãos a industrialização a que se refere a legislação de PIS/Cofins. Acrescentou que a própria fiscalização admitiu, em seu relatório, que a recorrente efetua vendas de “produção própria”, como comprovam também os memorandos de exportação. Reiterou enquadrarse no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, “pessoas jurídicas (..) que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal”, fazendo jus a crédito presumido. Sobre o conceito de cerealista, procurou demonstrar que não desempenha somente essa atividade, definida no inciso I do § 1º Fl. 4906DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201002.237 S3C2T1 Fl. 4.903 7 do referido art. 8º, pois a atividade de secar, também desempenhada por ela, não altera tal interpretação, mesmo porque a Lei nº 11.906/2005 alterou tal inciso retirando o termo “secar”. Refutou a menção da fiscalização, no item 96 do relatório, da IN RFB nº 660/2006 sobre o conceito de cerealista, por não ter atentado que o referido dispositivo está inserido no tópico – DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO, não havendo o propósito de tratar de crédito presumido. O direito a esse crédito está previsto nos art. 5º a 7º dessa norma, onde se evidenciam as operações que permitem à recorrente o direito de crédito. Relativamente às vendas com suspensão, o art. 9º da Lei nº 10.925 permitiu sua efetivação para os produtos relacionados em seu art. 8º. Em contrapartida, o § 4º, II deste artigo vedava o aproveitamento dos créditos correspondentes, situação alterada com a edição da Medida Provisória nº 206/2004 (convertida na Lei nº 11.033/2004), cujo art. 16 (17 na conversão) teria derrogado tal vedação, ao prever: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. De acordo com a Lei nº 11.116/2005, art. 16, a tais créditos foi possibilitada a compensação e o ressarcimento, não deixando dúvida quanto ao direito da requerente. A própria Receita Federal, em Solução de Consulta da 4ª Região Fiscal (nº 77, de 27/09/2005), teria corroborado tal entendimento (fl. 4651). Porém, contrariando a lei a referida Solução de Consulta, a IN RFB nº 660, em seu art. 3º, § 2º, inovou, na tentativa de impedir o aproveitamento de tais créditos. Contra tal disposição, discorreu sobre seu direito, transcrevendo trecho da exposição de motivos da referida MP, recorreu à Lei de Introdução ao Código Civil (para explicar a derrogação da vedação ao aproveitamento do crédito) e mencionou jurisprudência para demonstrar a ilegalidade de tal dispositivo normativo (fls. 4652/4654). Requereu ainda a incidência de juros à taxa Selic incidentes sobre os valores a serem ressarcidos, trazendo à colação farta jurisprudência nesse sentido. Pleiteou ainda: (o julgamento conjunto dos processos de ressarcimento e dos autos de infração em que aplicada a multa isolada). Por fim, requereu a reforma do despacho decisório, para reconhecer seu direito creditório. Fl. 4907DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1445.626, de 24/10/2013 (fls. 4793 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 EXPORTAÇÃO DIRETA E INDIRETA. NÃO INCIDÊNCIA. As receitas decorrentes de exportação direta ou indireta, por meio de comercial exportadora, não se sujeitam à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. As vendas a comercial exportadora não se sujeitam à Contribuição para o PIS/Pasep e ao Cofins, se atendidos os requisitos legais da venda com fim específico de exportação. VENDA A COMERCIAL EXPORTADORA. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. A comprovação da exportação da mercadoria vendida com fim específico cabe à comercial exportadora, e não ao vendedor da mercadoria. RECEITAS FINANCEIRAS. RATEIO PARA APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. O rateio para apropriação de créditos deve considerar as receitas de prestação de serviços e da venda de produtos ou bens, nas quais não se incluem as receitas financeiras. FRETE. CRÉDITOS. Apenas os fretes na operação de venda dão direito a crédito, não se enquadrando em tal conceito a transferência de mercadorias entre estabelecimentos. CEREALISTA. CRÉDITO PRESUMIDO. As empresas caracterizadas como cerealistas não fazem jus ao crédito presumido da Lei nº 10.925/2004. CEREALISTA. VENDAS COM SUSPENSÃO PARA AGROINDÚSTRIA. VEDAÇÃO AO CRÉDITO. É vedado o crédito em relação às vendas efetuadas por cerealistas, com suspensão, para as agroindústrias. RESSARCIMENTO. JUROS. O ressarcimento de créditos não se assemelha à restituição de indébitos e, por absoluta falta de previsão legal, não comporta a incidência de juros. Fl. 4908DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201002.237 S3C2T1 Fl. 4.904 9 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 REUNIÃO DE PROCESSOS. Indeferese o pedido de reunião de processos para julgamento conjunto quando não se enquadrarem na norma administrativa que disciplina a matéria. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 4818/4884, por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Considerações iniciais A Recorrente pleiteou o ressarcimento de créditos da Cofins apurados no regime não cumulativo, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios, com origem em todos os trimestres dos anos de 2008 e 2009. Deferido em parte o direito vindicado, o litígio foi submetido à instância de piso, que reformou parcialmente a decisão recorrida, reconhecendo o direito à apropriação de créditos sobre valores relativos a notas fiscais glosadas a título de “Receitas de Exportação Direta”, bem como sobre os itens referidos na “Relação dos Memorandos de Exportação Glosados – Exportação Indireta” (motivo alegado foi a exportação não comprovada). Esses temas serão abordados quando da apreciação dos autos de infração lavrados contra a Recorrente, uma vez que, como cediço, não há interposição de recurso de ofício em sede de pedido de ressarcimento. O entendimento quanto aos demais temas objeto do litígio, tal como apresentado pela fiscalização, foi mantido na decisão recorrida. Vendas a comerciais exportadoras O primeiro diz com as vendas realizadas a empresas comerciais exportadoras. Segundo a fiscalização, para caracterizar como regular uma venda realizada a uma comercial exportadora, seria necessária a observância dos seguintes requisitos objetivos: a) o destinatário da venda deve ser a comercial exportadora que efetivamente realizou a Fl. 4909DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 exportação da mercadoria, ou seja, a empresa destinatária da venda com fim específico de exportação deve constar como exportadora da mercadoria nas declarações de Despacho de Exportação DDE registradas no Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex; b) o local de destino da mercadoria vendida deve ser um recinto alfandegado ou ela deve ser remetida diretamente para embarque de exportação (por conta e ordem da empresa comercial exportadora). Como cediço, as exportações não se dão apenas através da própria empresa produtoraexportadora da mercadoria, mas, também, por meio das chamadas trading companies – aquelas adrede criadas com a só finalidade de promover a importação e a exportação de produtos fabricados no exterior ou aqui manufaturados –, para as quais o legislador ordinário atribuiu, também às vendas a estas efetuadas e em apreço à imunidade constitucional, uma isenção tributária das contribuições para o PIS e para a Cofins, desde que os produtos tenham sido adquiridos com o fim específico de exportação. O Decretolei nº 1.248/1972, ao dispor sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, por empresa comercial exportadora, para o fim específico da exportação, deu a seguinte disciplina às operações por ela realizadas: “Art. 1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decretolei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art.2º. O disposto no artigo anterior aplicase às empresas comerciais exportadoras que satisfizerem os seguintes requisitos mínimos: I – Registro especial na Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil S/A. (CACEX) e na Secretaria da Receita Federal, de acordo com as normas aprovadas pelo Ministro da Fazenda; II – Constituição sob forma de sociedade por ações, devendo ser nominativas as ações com direito a voto; III – Capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional. § 1º. O registro a que se refere o item I deste artigo poderá ser cancelado, a qualquer tempo, nos casos: a) de inobservância das disposições deste DecretoLei ou de quaisquer outras normas que o complementem; b) de práticas fraudulentas ou inidoneidade manifesta. § 2º. Do ato que determinar o cancelamento a que se refere o parágrafo anterior caberá recurso ao Conselho Monetário Fl. 4910DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201002.237 S3C2T1 Fl. 4.905 11 Nacional, sem efeito suspensivo, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data de sua publicação. § 3º. O Conselho Monetário Nacional poderá estabelecer normas relativas à estrutura do capital das empresas de que trata este artigo, tendo em vista o interesse nacional e, especialmente, prevenir práticas monopolísticas no comércio exterior. Art. 3º São assegurados ao produtorvendedor, nas operações de que trata o artigo 1º deste Decretolei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação.” (g.n). Assim também o Decreto nº 4.524, de 2002, que regulamenta as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins: Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º): I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residentes ou domiciliadas no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível, observado o disposto no § 3º; V do transporte internacional de cargas ou passageiro; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação, modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro (REB), instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, Fl. 4911DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (g.n.) Como se vê, o legislador estabeleceu alguns requisitos para que a isenção do PIS e da Cofins se confirmasse – os mesmos defendidos pela fiscalização e sustentados na decisão recorrida. Além de as vendas necessariamente terem de ser efetuadas a empresas comerciais exportadoras, devem ser assim realizadas com o fim específico de exportação, finalidade explicitada, embora já constante do Decretolei n.º 1.248, de 1972, por meio da IN SRF nº 247/2002, nos termos seguintes: remessa direta do produtorvendedor para embarque de exportação ou depósito em entreposto aduaneiro, em ambos os casos por conta da empresa comercial exportadora. Portanto, a questão de maior relevo para o desate do litígio, ao menos nesta matéria, resumese em saber se as vendas realizadas às trading pela Recorrente observaram tais requisitos, uma vez que a condição de comercial exportadora das destinatárias não foi questionada em nenhum momento nos autos. E, consoante informações fornecidas pela fiscalização e não contestadas no recurso, as mercadorias vendidas não foram depositadas em entreposto aduaneiro (recinto alfandegado) por conta e ordem das empresas que as adquiriram – as comerciais exportadoras, fato que impossibilita sejam tais vendas consideradas como exportações da Recorrente e acarreta a sua reclassificação como receita de venda de produção própria tributada no mercado interno. Como a lei não estabeleceu exceções, considerações outras como a forma em que se apresentavam as mercadorias exportadas pela Recorrente, ou mesmo a alegação de que as saídas das mercadorias se destinaram primeiramente à formação de lotes para a exportação, não são suficientes para afastar exigências previstas em dispositivos legais plenamente vigentes. Esse é o entendimento que vem sendo amplamente adotado nesta Corte Administrativa, inclusive nesta mesma Turma de Julgamento: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. SAÍDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do Fl. 4912DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201002.237 S3C2T1 Fl. 4.906 13 estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (CARF/3ª Seção/1ª Câmara /1ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Acórdão n.º 3101001.787, de 11/12/2014). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI EXPORTAÇÃO INDIRETA VENDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Para que reste caracterizada a venda à comercial exportadora com finalidade específica de exportação é necessário que o produto seja remetido diretamente para embarque ou para recinto alfandegado, o que não ocorreu na hipótese. (Acórdão CARF/3ª Seção/1ª Câmara /1ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Acórdão n.º 3301 002.379, de 22/06/2014). SAÍDA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. REQUISITOS. NÃO CUMPRIMENTO. As saídas para comercial exportadora com o fim específico de exportação referemse àquelas remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Destarte, a passagem desses produtos por outros estabelecimentos intermediários, tais como armazéns gerais ou estabelecimento comercial, descaracteriza a saída com o fim especifico de exportação. (CARF/3ª Seção/1ª Câmara /1ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Acórdão n.º 3101000.874, de 31/08/2011). VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Consideramse isentas da contribuição para o PIS as receitas de vendas efetuadas com o fim específico de exportação somente quando comprovado que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Acórdão n.º 3202000.779, de 25/06/2013). Exportações realizadas por terceira empresa Outro tema referese às exportações que foram realizadas por uma terceira empresa, diversa da adquirente da mercadoria, ou por uma empresa exportadora na condição de fabricante. Fl. 4913DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 Conforme destacado na legislação aqui reproduzida, as saídas com o fim específico de exportação devem se destinar a uma comercial exportadora, diretamente para embarque de exportação, ou para recintos alfandegados, por conta e ordem desta. Já enfatizamos, não é o só fato da exportação que leva ao reconhecimento da não incidência das contribuições para o PIS/Cofins, mas a realização, no plano fático, dos requisitos previstos em lei já aqui expressamente ressaltados. Ainda que as mercadorias tenham sido vendidas para uma empresa exportadora (não se confunda com uma comercial exportadora, uma trading company) registrada na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as operações assim realizadas devem apresentarse com o fim específico de exportação para o exterior. É o que estabelece, como requisito à isenção, o inciso IX do art. 45 do Decreto nº 4.524, de 2002, que regulamenta as contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins. Correta, portanto, a fiscalização ao desconsiderar, como exportações da Recorrente, aquelas realizadas por uma terceira empresa, diversa da adquirente da mercadoria, ou por uma empresa exportadora na condição de fabricante. Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total, sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Distorção no rateio proporcional Sobre o suposto equívoco que teria decorrido da descaracterização de algumas vendas efetuadas para exportação, é evidente que a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, deverá Fl. 4914DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201002.237 S3C2T1 Fl. 4.907 15 ser alterada quando modificadas as parcelas que as compõem, o que ocorrerá quando a unidade de origem, com as considerações expostas no presente voto, recalcular o valor a ser ressarcido. Frete na transferência entre estabelecimentos da mesma empresa A discussão em torno do creditamento sobre fretes pagos na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da mesma empresa também não é novo nesta mesma Turma de Julgamento. Temos entendido que, como a lei fala em “frete na operação de venda”, não se justificaria o crédito na circunstância de a operação reportarse a uma mera transferência entre estabelecimentos (CARF/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, redator para o acórdão Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). Esse também é o entendimento de outras Turmas de Julgamento. Exemplificativamente: CRÉDITOS. FRETES. REMESSA PARA ARMAZÉNS E DEPÓSITOS. IMPOSSIBILIDADE. Carece de previsão legal a apropriação de créditos, na apuração não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, em relação ao custo do frete arcado com a transferência de mercadorias acabadas ou prontas para consumo a depósitos ou armazéns, próprios ou de terceiros. (CARF/4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3403002.373, de 22/8/2013). CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da Cofins e da Contribuição ao PIS. (CARF/3ª Câmara /2ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3302002.027, de 23/4/2013). FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para formação de lote de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição. (CARF/4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, Acórdão n.º 3403002.681, de 28/1/2014). Do crédito presumido da agroindústria Uma outra questão submetida à apreciação deste Colegiado envolve o crédito presumido conferido por lei às agroindústrias. As Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, estabelecem, como regra geral, o não creditamento nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento do PIS e da Cofins (art. 3º, § 2º, das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003). Nada obstante, essa regra Fl. 4915DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 16 geral foi excepcionada por lei especial, qual seja, o art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, que conferiu, apenas para as pessoas jurídicas que menciona, crédito presumido a ser calculado sobre o valor que seria devido fosse a operação tributada nos termos do art. 2º das Leis n.º 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003 (sobre os 1,65% e os 7,6% a título de PIS e de Cofins, respectivamente): Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012)” § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal Fl. 4916DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201002.237 S3C2T1 Fl. 4.908 17 classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007). § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (g.n.). Afirma a fiscalização que, no período de análise, a Recorrente beneficia cereais (basicamente de milho NCM 1005.9010, soja NCM 1201.0090, trigo NCM 1001.9090 e triguilho NCM 1001.1090), atividade que se caracterizaria como a de um cerealista. No recurso voluntário, a Recorrente sustenta beneficiar as mercadorias referidas pelas fiscalização, que, posteriormente, são destinadas, já beneficiadas, à alimentação humana e animal. Com efeito, a despeito da exclusão do crédito da agroindústria pela fiscalização, este Conselho Administrativo, depois de intenso debate (no qual, registrese, restei vencido), assim como vem conferindo ao termo "insumos" interpretação mais abrangente que a definição conferida pela legislação do IPI, de molde a abarcar aqueles fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e para a obtenção da receita tributável pelo PIS/Cofins, também tem entendido que a produção de bens não se restringe apenas ao conceito estrito de industrialização. A título de ilustração: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Fl. 4917DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 18 Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Os serviços diretamente utilizados no processo de produção dos bens dão direito ao creditamento do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo incidente em suas aquisições. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. A aquisição de combustíveis gera direito a crédito quando comprovado que é utilizado como insumo no processo de produção dos bens vendidos e que geraram receita tributável. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONTESTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas no recurso devem vir acompanhadas das provas correspondentes. (g.n.) (3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª TO, Acórdão nº 3401003.001 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 8/12/2015). É o que ocorre com a Recorrente, que adquire bens, de pessoas físicas e cooperativas, e os beneficia, produzindo mercadorias classificadas nos capítulos 10 e 12 da NCM, posteriormente destinadas à alimentação humana ou animal. A impossibilidade de ressarcimento do crédito presumido decorre da própria lei que o instituiu, como previsto no caput do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, que só permite seja utilizado como dedução dos débitos da própria exação. Não por outro motivo, a RFB, por meio do ADI SRF nº 15, de 2005, dispôs que “o valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o P1S/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa” e que “não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento” por falta de previsão legal. Concluindo, a Recorrente também faz jus ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925, de 2004, sobre as aquisições de bens, de pessoas físicas ou cooperativas, empregados na produção (beneficiamento) de mercadorias classificadas nos Capítulos 10 Fl. 4918DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10945.721075/201263 Acórdão n.º 3201002.237 S3C2T1 Fl. 4.909 19 e 12 da NCM, que, contudo, só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime não cumulativo. A retroatividade benigna, é sabido, aplicase, quando cabível, em matéria de infrações à legislação tributária, não para conferir, retroativamente, direitos só estabelecidos em momento futuro. Com a devida vênia, discordamos veementemente de decisão administrativa que tenha adotando entendimento diverso. Das vendas efetuadas com suspensão A Recorrente pretende o reconhecimento de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão a empresas agroindustriais. Ocorre que, como ressaltado pela instância de piso, a Lei nº 11.033, de 2004, que resultou da conversão da Medida Provisória nº 206, de 2004, de fato previu a manutenção de créditos nos casos de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Cofins, mas essa disposição normativa não revogou o disposto no § 4º do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, supra, conforme se depreende da simples leitura do disposto no art. 24 da Lei nº 11.033, de 2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (...) Art. 24. Ficam revogados o art. 63 da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991, a partir de 1o de janeiro de 2005, e o § 2o do art. 10 da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004. Tratase de norma geral posterior que, nos termos do disposto no art. 2º, § 2º, da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (antiga Lei de Introdução ao Código Civil), não revoga nem modifica lei especial anterior, donde resta impossível a manutenção, pela Recorrente, de créditos de PIS/Cofins em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão a empresas agroindustriais. Da taxa Selic sobre os valores ressarcidos No que concerne aos juros à taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos, há norma expressa na Lei nº 10.833, de 2003, vedando, para o ressarcimento do PIS/Cofins, a correção monetária e a aplicação dos juros de mora. Confirase: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II Fl. 4919DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 20 do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para: a) reconhecer a inclusão das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos da Cofins não cumulativa; b) reconhecer o crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925, de 2004, sobre as aquisições de bens, de pessoas físicas ou cooperativas, empregados na produção (beneficiamento) de mercadorias classificadas nos Capítulos 10 e 12 da NCM; É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 4920DF CARF MF Impresso em 13/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 3/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725544/2012-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
ISENÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPLEMENTAÇÃO DE AUXÍLIO-DOENÇA E BOLSAS DE ESTUDOS (REDAÇÃO ANTERIOR À LEI N° 12.513/2011.)
As disposições legais sobre a isenção de contribuições previdenciárias nas hipóteses de complementação do auxílio-doença e do pagamento de bolsas de estudo (redação anterior à Lei n° 12.513/2011) condicionam o benefício à extensão à totalidade de empregados e dirigentes. O fato da interpretação da outorga de isenção ter de ser literal (artigo 111 do CTN) não implica a desconsideração de seu verdadeiro sentido. Se uma norma isentiva visa incentivar a concessão de um benefício de cunho social, o que se impede é a sua concessão de forma individualizada ou discriminatória. Se a diferenciação se deu entre situações em que a própria legislação social prevê um tratamento distinto, como na hipótese de contratação precária, a exclusão não se faz em ofensa à regra de isenção. Alínea n e t do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91.
PRÊMIO POTESTATIVO. EXTENSÃO A TRABALHADORES E TERCEIROS.
Pagamentos condicionados à potestatividade da empresa não integram o contrato de trabalho e, consequentemente, não constituem remuneração ou rendimento do trabalho.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS.
O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária.
RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA.
Súmula CARF nº 88: A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
INCIDÊNCIA OU NÃO DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO DA MATÉRIA. REPERCUSSÃO IMEDIATA AO CONTRIBUINTE E NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Deve ser conhecido o recurso voluntário quanto ao questionamento específico da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que incidente a partir da impugnação ao lançamento apresentada pelo contribuinte, independente de ser verificada a sua cobrança no momento da exigência dos débitos após os julgamentos de primeira e segunda instância, ou mesmo ao final do processo administrativo fiscal, sob pena de cerceamento ao direito de defesa e contraditório.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS.
Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando-se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, que não conheciam da matéria referente à exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO fará o voto vencedor quanto ao conhecimento da matéria. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito da referida matéria (juros de mora sobre multa de ofício), restaram vencidos os Conselheiros THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (ii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento os valores relativos à "complementação ao valor do auxílio-doença". Vencidos os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS, ARLINDO DA COSTA E SILVA e MARIA CLECI COTI MARTINS; (iii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento os valores relativos ao "Prêmio Campo de Ideias". Vencido os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA; (iv) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento os valores relativos à "Bolsa Estudo". Vencido o Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA; (v) Por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto à exclusão dos valores lançados a título de "Vale Livro". Vencidos os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário quanto à referida rubrica; (vi) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante às demais matérias. Fez sustentação oral a Dra. Maria Isabel Bueno OAB/SP 11.127.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2467; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.384 1 1.383 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.725544/201226 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.213 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 8 de março de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO INDIRETO. PARCELAS DIVERSAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS Recorrente SAMARCO MINERACAO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 ISENÇÕES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPLEMENTAÇÃO DE AUXÍLIODOENÇA E BOLSAS DE ESTUDOS (REDAÇÃO ANTERIOR À LEI N° 12.513/2011.) As disposições legais sobre a isenção de contribuições previdenciárias nas hipóteses de complementação do auxíliodoença e do pagamento de bolsas de estudo (redação anterior à Lei n° 12.513/2011) condicionam o benefício à extensão à totalidade de empregados e dirigentes. O fato da interpretação da outorga de isenção ter de ser literal (artigo 111 do CTN) não implica a desconsideração de seu verdadeiro sentido. Se uma norma isentiva visa incentivar a concessão de um benefício de cunho social, o que se impede é a sua concessão de forma individualizada ou discriminatória. Se a diferenciação se deu entre situações em que a própria legislação social prevê um tratamento distinto, como na hipótese de contratação precária, a exclusão não se faz em ofensa à regra de isenção. Alínea n e t do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91. PRÊMIO POTESTATIVO. EXTENSÃO A TRABALHADORES E TERCEIROS. Pagamentos condicionados à potestatividade da empresa não integram o contrato de trabalho e, consequentemente, não constituem remuneração ou rendimento do trabalho. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DESCUMPRIMENTO DOS PRECEITOS LEGAIS. O texto constitucional condiciona a desvinculação da parcela paga a título de PLR da remuneração aos termos da lei. O plano de PLR que não atende aos requisitos da Lei n° 10.101/2000 não goza da isenção previdenciária. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 55 44 /2 01 2- 26 Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 2 RELATÓRIO DE VÍNCULOS. FINALIDADE INFORMATIVA. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. INCIDÊNCIA OU NÃO DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CONHECIMENTO DA MATÉRIA. REPERCUSSÃO IMEDIATA AO CONTRIBUINTE E NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Deve ser conhecido o recurso voluntário quanto ao questionamento específico da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que incidente a partir da impugnação ao lançamento apresentada pelo contribuinte, independente de ser verificada a sua cobrança no momento da exigência dos débitos após os julgamentos de primeira e segunda instância, ou mesmo ao final do processo administrativo fiscal, sob pena de cerceamento ao direito de defesa e contraditório. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitando se aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, CONHECER do Recurso Voluntário. Vencidos o Relator e os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, que não conheciam da matéria referente à exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO fará o voto vencedor quanto ao conhecimento da matéria. Quanto ao mérito do Recurso Voluntário: (i) Por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto ao pedido de exclusão de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao mérito da referida matéria (juros de mora sobre multa de ofício), restaram vencidos os Conselheiros THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a impossibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O Conselheiro CARLOS ALEXANDRE TORTATO apresentará declaração de voto sobre a matéria; (ii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento os valores relativos à "complementação ao valor do auxílio doença". Vencidos os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS, ARLINDO DA COSTA E Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 15504.725544/201226 Acórdão n.º 2401004.213 S2C4T1 Fl. 1.385 3 SILVA e MARIA CLECI COTI MARTINS; (iii) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento os valores relativos ao "Prêmio Campo de Ideias". Vencido os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA; (iv) Por maioria de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para excluir do lançamento os valores relativos à "Bolsa Estudo". Vencido o Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA; (v) Por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário quanto à exclusão dos valores lançados a título de "Vale Livro". Vencidos os Conselheiros LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, THEODORO VICENTE AGOSTINHO, RAYD SANTANA FERREIRA e CARLOS ALEXANDRE TORTATO, que davam provimento ao Recurso Voluntário quanto à referida rubrica; (vi) Por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário no tocante às demais matérias. Fez sustentação oral a Dra. Maria Isabel Bueno – OAB/SP 11.127. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato –Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.253 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigações principais, consoante discriminação adiante esmiuçado. (sic!) Obrigações principais: a) AI DEBCAD 51.023.5999, importando R$ 686.771,15, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte devida por outras entidades e fundos, ditos terceiros, com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD. (...) b) AI DEBCAD 51.026.1493, importando R$ 4.857.854,13, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte patronal sobre empregados e relativas ao GILRAT, com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD. (...) O relatório fiscal aduz que (fls. 35/64): PLR: (...) A partir da pontuação total (PE) de cada empregado, obtémse, por meio da tabela do item 4.5.1 do acordo celebrado, a quantidade de salários a que faz jus cada um deles a título da PLR. 2.2.1.14 Por essa tabela do item 4.5.1 do acordo celebrado, verificase que a quantidade máxima de salários que um empregado poderia atingir seja ele gerente ou não, é de 6 salários, pontuação (PE) correspondente a 500 pontos, desde que a empresa alcançasse todas as metas propostas para ela (R A S equivalente a 500 pontos) e a meta individual dele também fosse atingida por completa (R A E de 500 pontos). (...) comparando os valores efetivamente recebidos por diversos empregados que ocupam cargos de nível gerencial com os valores devidos a eles em função do Termo de Acordo sobre a PLR, constatase que esses empregados receberam, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, valores significativamente acima dos valores estipulados no referido Acordo. 2.2.1.18 Citase, como exemplo, José Tadeu de Morais, DiretorPresidente da Samarco Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 15504.725544/201226 Acórdão n.º 2401004.213 S2C4T1 Fl. 1.386 5 De acordo a planilha “Informações Consolidadas para o Cálculo da PLR Ano 2008” apresentada pela empresa, o seu DiretorPresidente obteve uma pontuação individual (R A E) correspondente 411,40 pontos. 2.2.1.20 Como o resultado de avaliação da empresa para cargos de nível gerencial foi de 200 pontos, a pontuação total (PE) desse empregado, de acordo com a fórmula PE= (R A S x 0,50) + (R A E x 0,50), é de PE 305,70 pontos, ou seja, resultado de (200 x 0,50) + (411,40 x 0,50), que, arredondandose para cima, chegase a 306 pontos. 2.2.1.21 Com essa pontuação, conforme consta da tabela 4.5.1 do acordo celebrado para o pagamento da PLR, José Tadeu tem direito a 3,09 salários. 2.2.1.22 Como o seu salário nominal de dezembro de 2008, referência para o pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados de 2009, era de R$ 60.000,00, José Tadeu faria jus a receber em fevereiro de 2009, a título de PLR, o valor de R$ 85.400,00. 2.2.1.23 Entretanto, foi pago a ele, conforme a folha de pagamento de fevereiro de 2009, rubrica 1155Particip. Lucros e/ou Resultados, o valor de R$ 753.600,00, o que corresponde a 12,56 salários nominais de dezembro de 2008 (R$ 753.600,00 / R$ 60.000,00 = 12,56), portanto, muito acima do valor de 3,09 salários a que ele teria direito pelo Acordo celebrado e também muito superior ao valor máximo (6 salários) que um empregado poderia receber se a pontuação máxima (500 pontos) fosse atingida. Essa mesma situação na qual a empresa pagou acima do estipulado no Termo de Acordo da PLR do exercício de 2008 a ser pago em 2009 foi encontrada para diversos gerentes da empresa, ao passo que para os demais empregados, como já mencionado, a empresa pagou rigorosamente conforme esse instrumento. 2.2.1.25 Dessa forma, os valores pagos aos gerentes acima dos valores estabelecidos no acordo da PLR, ainda que intitulados de PLR, têm natureza de prêmio ou de gratificação, uma vez que não foram concedidos segundo critérios definidos no acordo celebrado, que levam em consideração os resultados ou lucros da empresa. 2.2.1.26 O que se constatou foi que a auditada utilizouse da rubrica 1155 da sua folha de pagamentos, denominada Particip Lucro e/ou Resultados, para conceder, além da Participação nos Lucros ou Resultados acordada com os representantes de seus empregados, gratificação adicional para os seus gerentes, concedida INDEPENDENTEMENTE do atingimento de qualquer meta ou resultado, ou seja, por mera liberalidade da empresa. (...) Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 6 Ressaltese que a tributação incidiu somente sobre a parcela recebida por cada gerente que foi além dos valores estipulados no Acordo celebrado com a comissão de representantes dos empregados da Auditada. C8 COMPLEMENTAÇÃO AUXILIO DOENÇA FPAS 540 Para que o benefício relativo à complementação ao valor do auxíliodoença concedido pela empresa à parte de seus trabalhadores não se constitua base de incidência de contribuições previdenciárias, urge que o mesmo seja disponível à totalidade de seus empregados. 2.2.2.6 Nos termos dos Acordos Coletivos de Trabalho, somente terão direito ao referido complemento os empregados que tenham, no mínimo 3 (três) meses de trabalho efetivo prestados à empresa, conforme cláusulas transcritas abaixo: Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa, a título de “complementação ao valor do auxíliodoença”, face à ausência de cobertura para todos empregados, não se enquadra no previsto no art. 214, § 9º, inciso XIII do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. 2.2.3 Valores pagos a título do benefício de “Auxílio Escolar”: O referido benefício foi concedido pela empresa em cumprimento ao contido em Acordos Coletivos Trabalho, conforme cláusulas transcritas abaixo: A partir desta constatação foi solicitado à empresa através do Termo de Intimação Fiscal nº 05 de 19/04/2012 a apresentação de uma Relação analítica mensal dos empregados contemplados com o benefício “ValeLivro– Material escolar”, contendo Nome completo, PIS valor e tipo. Em resposta a esta solicitação a empresa apresentou ofício datado em 30/05/2012 onde em seu item 06, dentre outros, esclarece: “que não há pagamento em dinheiro ao funcionário”, apresentando juntamente uma planilha contendo relação analítica dos empregados contemplados com “Kit Escolar” e outra planilha contendo o nome dos empregados contemplados com o benefício “Vale Livro”, ambas anexadas a este AI. 2.2.3.4 Os valores pagos pela empresa a título de Auxilio Escolar (Vale Livro/Material Escolar), concedido aos segurados empregados, constituemse em parcela integrante do salário de contribuição, portanto, são bases de cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos da Legislação Previdenciária, art. 28 inciso I, da Lei nº 8.212, de 24/07/91 c/c art. 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999. 2.2.4 Valores pagos a título de “Bolsa Estudo”: Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 15504.725544/201226 Acórdão n.º 2401004.213 S2C4T1 Fl. 1.387 7 Os valores pagos pela empresa a título de Bolsa Estudo, consignado na conta contábil: “0050413003”, concedido aos segurados empregados, corresponde a um reembolso da mensalidade/matrícula paga pelo segurado, referente a curso de nível superior (graduação), pósgraduação e MBA, mediante apresentação do comprovante de pagamento, conforme Regulamento de Benefícios Concessão Bolsa de Estudos. 2.2.4.9 O referido benefício está acessível somente a parte dos empregados conforme indicado no subitem “2.2.4.5” deste Relatório, ou seja, excluem os menores aprendizes, os empregados contratados por prazo determinado e os empregados afastados do trabalho por motivo de doença ou acidente de trabalho (exceto aqueles que se afastaram durante a concessão do benefício), não sendo disponível à totalidade dos empregados e dirigentes. Os pagamentos efetuados pela empresa, destinados a custeio de educação superior, (graduação, pósgraduação e MBA) de parte dos empregados, não se enquadram na educação básica definida no inciso I do art 21 da Lei nº 9.394 de 20/12/1996, e ainda, não estão disponível à totalidade dos empregados e dirigentes, conforme indicado no Regulamento de Benefícios, configurandose assim, uma complementação salarial. 2.2.5 Valores pagos a título do benefício de “Cesta Natal Créditos”: O referido benefício foi concedido pela empresa, em cumprimento ao contido em Acordos Coletivos Trabalho, conforme cláusulas transcritas abaixo: Para que a parcela paga a título de Cesta Natal Créditos concedida pela empresa aos seus empregados, não se constitua base de incidência de contribuições previdenciária, urge que a mesma esteja indicada no § 9º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, publicado no D.O.U. de 07/05/99, o que não ocorre. 2.2.6 Pagamentos a título de Prêmio Campo de Idéias a Segurados Empregados: Demonstrando o caráter habitual do pagamento da referida rubrica, apresentamse os seguintes fatos: _ A empresa mantém um Link específico em sua rede da Intranet intitulado Campo de Idéias (item 5.1.2 do documento “SRHP05” acima citado.); _ Mantêm uma estrutura composta de especialistas responsáveis pela seleção e classificação das idéias. Também participam especialistas das áreas de Segurança e Meio Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 8 Ambiente para avaliação dos impactos das idéias (item 5.4.3.1do documento “SRHP05” acima citado); _ Previsão de pagamento mensal dos prêmios (item 5.5.1 documento “SRHP05” acima citado.); 2.2.6.4.4 Demonstrando o caráter remuneratório (retribuição pelo trabalho) do pagamento da referida rubrica, apresenta se o seguinte fato: _ A empresa determina que “uma idéia é qualquer mudança que traga benefício à organização e seja implementável...” (item 5.2.1 do documento “SRHP05” acima ou seja, estabelece que as idéias deverão trazer ganhos para empresa; Além disso, o § 9º do art. 28 da Lei 8.212 de 24/07/1991 relaciona exaustivamente em suas alíneas todas as parcelas que ao serem pagas ou creditadas a segurados empregados conforme os requisitos descritos em cada uma delas não integrarão o saláriodecontribuição para os fins dessa mesma Lei, sendo que não consta do referido “§ 9º” parcela da natureza a título de Prêmio Campo Idéias, na forma paga pela empresa. Da Impugnação Inconformada com a autuação, cientificada em 18.02.2013, a empresa apresentou impugnação em 19.03.2013 (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 597 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: * pagamentos a título de PLR não ocorreram de forma habitual e retributiva e decorrem de instrumentos coletivos de trabalho, abrangendo todos os empregados e diferença, no cálculo da participação dos empregados que ocupam cargos gerenciais e os demais empregados não foi considerada pela decisão recorrida; * a complementação auxíliodoença atente ao disposto na legislação previdenciária para o gozo da isenção e não há retributividade por não haver trabalho; * o benefício do auxílioescolar (vale livro e vale material) é pago por meio de cartão magnético específico e não por meio de depósito, dinheiro, cheque ou transferência e somente pode ser utilizado pelos seus empregados em estabelecimentos cadastrados que comercializam livros e materiais escolares; * a bolsa estudo é concedida pela recorrente com base na política interna fundamentada, por rígido regulamento que define claramente a vinculação dos pagamentos efetuados à finalidade específica para a qual se destinaram, ou seja, educação voltada para a área de atuação do empregado, sendo que a exclusão dos menores aprendizes, empregados contratados por prazo determinado e dos empregados afastados por motivo de doença se revela em total consonância aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade e que o regulamento exige ligação com o trabalho; * quanto às cestas de natal, não foram pagas de forma habitual e retributiva; Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 15504.725544/201226 Acórdão n.º 2401004.213 S2C4T1 Fl. 1.388 9 * o Prêmio Campo Ideias não foi pago de forma habitual e retributiva, mas de forma esporádica, inclusive para não empregados; * descabimento da cobrança de juros sobre a multa; * não cabimento da representação fiscal para fins penais; * indevida inclusão dos diretores no Relatório de Vínculos; É o relatório. Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 10 Voto Vencido Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Prêmio Campo de Ideias. No que se refere ao Prêmio Campo de Ideias, entende a autoridade fiscal que se trataria de uma recompensa (prêmio) em contrapartida de ideias apresentadas que contribuam para os objetivos da empresa (ganho por parte da empresa, em outras palavras), conforme Regulamento de Benefícios Campo Ideias. Ademais, tratase de forma habitual, com manutenção de link específico na intranet e de uma estrutura de especialistas responsáveis pela seleção e classificação das ideias, além de especialistas das áreas de segurança e meio ambiente para avaliação dos impactos das ideias. Alega a recorrente que o Prêmio Campo de Ideias não foi pago de forma habitual e retributiva, mas de forma esporádica, inclusive para não empregados. Embora sustentado por um Regulamento de Benefícios Campo Ideias e, portanto, passível de criação de algum grau de expectativa, entendo que não se trata de remuneração ou rendimentos do trabalho, dado o seu caráter potestativo, que torna o ato unilateral de concessão do prêmio uma prerrogativa exclusiva da empresa, que age por meio de seus prepostos que avaliam as sugestões. Portanto, não se trata de verba que se insira ou decorra diretamente do contrato de trabalho, havendo notícia, inclusive, de sua concessão a terceiros. Ora, fosse assim, o pagamento a terceiros deveria ser considerado como remuneração de contribuintes individuais. Portanto, entendo que tal rubrica deve ser excluída do lançamento. Complementação do auxíliodoença. Aduz a recorrente que a complementação auxíliodoença atente ao disposto na legislação previdenciária para o gozo da isenção e não há retributividade por não haver trabalho. O artigo 28 da Lei n° 8.212/91, ao definir o saláriodecontribuição para cada classe de segurado da Previdência Social, estabelece a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Em seu parágrafo 9°, temos diversas regras de não incidência lato sensu (ou de não incidência stricto sensu e de isenção1). A alínea n do referido parágrafo estabelece que não integra o saláriodecontribuição "a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa". Baseado no referido dispositivo, a recorrente deixou de recolher as respectivas contribuições previdenciárias. A autoridade fiscal não adotou o entendimento da recorrente em razão de o benefício de complementação do auxíliodoença não ter sido estendido aos trabalhadores com tempo de serviço não superior a três meses de trabalho, conforme disposto nos Acordos Coletivos de Trabalho. 1 Sobre não incidência stricto sensu e não incidência lato sensu, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, p. 234. Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 15504.725544/201226 Acórdão n.º 2401004.213 S2C4T1 Fl. 1.389 11 O que se indaga, então, é se a extensão à totalidade dos empregados requerida pela lei para o reconhecimento da incidência da regra isencional deve ser tomada em seu sentido vulgar, ou seja, qualquer trabalhador excluído faz com que a totalidade dos complementos sejam tidos como salário de contribuição ou se pode haver um critério de discriminação para empregados em situações excepcionais e devidamente consentâneas com outras disposições da legislação social. É de se advertir que a exclusão prevista nos Acordos Coletivos de Trabalho coincide com o prazo máximo estabelecido pela legislação trabalhista para o contrato de experiência (90 dias artigo 445, parágrafo único, da CLT) e para o contrato de trabalhador temporário por intermédio de empresa de trabalho temporário (três meses artigo 10 da Lei n° 6.019/74). Vale dizer, de vínculos potencialmente precários. Essa provavelmente é a razão da exclusão dos trabalhadores com tempo de serviço não superior a três meses de trabalho. Se do ponto de vista da legislação social a situação está plenamente justificada, sob a ótica tributáriaprevidenciária, há uma questão a ser enfrentada, referente a compreensão que se tem do artigo 111 do CTN, que estipula que a outorga legal de isenção deve ser interpretada literalmente. Ou seja, estabelece um tipo restritivo de interpretação, vedando, assim, a aplicação dos critérios hermenêuticos de integração da norma, como a analogia e a equidade. Com isso, todavia, não se deve entender que a interpretação jurídica fique presa à literalidade. Lembrando Celso Ribeiro Bastos, na situação do artigo 111 do CTN, a interpretação não se detém na interpretação literal ou gramatical, embora deva por esta começar. 2 Assim, em que pese a restrição à ampliação do alcance da norma isentiva, não é defeso perquerir o seu verdadeiro sentido, segundo os demais métodos tradicionais de interpretação do direito, em especial o sistemático e teleológico. Assim, tomase o termo "literal" apenas como a indicação de uma interpretação "restritiva", vale dizer, a opção pela conclusão de menor abrangência da disposição legal. 3 Partindo da categorização das isenções em técnicas que têm por função a definição do próprio campo de incidência e em próprias (ou de subvenção) que têm por intuito dar um tratamento diferenciado a determinado grupo de situações , temos que a isenção referida é própria ou de subvenção e, assim, objetiva servir de instrumento de intervenção estatal por meio de uma norma tributária indutora, no caso, de concessão de determinado benefício a um grupo dos trabalhadores. 4 Se é uma norma indutora que visa incentivar a concessão da complementação ao valor do auxíliodoença como um benefício de cunho social, o seu limite e aque incide a limitação do artigo 111 do CTN é que o benefício não possa ser individualizado ou discriminatório. Seria individualizado se pago casuisticamente e configuraria situação discriminatória se o tratamento desigual fosse entre iguais. Nessas situações, o benefício perde o seu cunho social e passa a constituir apenas um diferencial contratual de determinados trabalhadores, não tendo o Estado qualquer intenção de estimulálos. 2 BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de direito financeiro e de direito tributário. 2ª ed. São Paulo: Saraiva, p. 183/184 apud SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. 6ª ed. Sâo Paulo: Saraiva, p. 688. 3 Nesse sentido: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, p. 741. 4 Sobre a classificação das isenções, conforme: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, p. 238 o autor reconhece que as fronteiras entre ambas as formas de isenção se revelam permeáveis, havendo dispositivos que poderão fazer as vezes de isenção técnica e de isenção própria. Assim, não seriam categorias necessariamente excludentes. Ibidem, p. 241. Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 12 Como no caso a diferenciação se deu entre situações que a própria legislação social prevê um trato diferenciado (por exemplo, não há aviso prévio no caso do contrato por experiência), não observo tratamento discriminatório. Por fim, lembro que assim como o dispositivo se refere "à totalidade dos empregados da empresa", o caput do artigo 5° da CF, ao estabelecer expressamente o princípio da igualdade, determina que "todos são iguais perante a lei" e nem por isso deixamos de aplicar a definição aristotélica de igualdade, ratificada por Rui Barbosa: “A igualdade consiste tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais”. Há enorme diferença entre se interpretar literalmente/restritivamente (artigo 111 do CTN) e se tomar tudo "ao pé da letra". Portanto, pela razão invocada pela fiscalização, não vislumbro descumprimento da condição para o gozo da isenção contida na alínea n do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, devendo, assim, a rubrica ser excluída do lançamento. Bolsaestudo. No que tange à bolsaestudo (auxílioeducação), aduz a autoridade fiscal que há distinção entre trabalhadores pelo fato de não serem concedidas bolsas aos menores aprendizes, aos empregados contratados por prazo determinado e aos empregados afastados do trabalho por motivo de doença ou acidente de trabalho (exceto aqueles que se afastaram durante a concessão do benefício). Aqui remetemos à argumentação supra quanto à definição de igualdade e às possibilidades de existências de regras de tratamento diferenciado entre trabalhadores em situações desiguais e com base em critérios ofertados pela própria legislação social quanto à distinção entre trabalhadores. A exclusão de aprendizes, contratados por prazo determinado e afastados por doença ou acidente de trabalho tem relação com a oferta do benefício, que é oferecido pelo empregador, em última instância, com o intuito de que a qualificação pretendida seja aplicada no próprio ofício desenvolvido na empresa. Tanto é assim que se permite, a inserção de cláusula acessória ao contrato de trabalho estipulando "permanência no emprego", pela qual se condiciona a oferta de um curso ou faculdade a um período mínimo em que o trabalhador não deve sair da empresa. E se houver descumprimento da cláusula, haverá o pagamento de uma multa (cláusula penal), normalmente equivalente ou proporcional aos investimentos com a formação do trabalhador. Assim, parecenos que a exclusão daquelas categorias justificase pela própria natureza do benefício, que não está necessariamente dissociado de um compromisso de retorno ao empregador na forma de qualificação de seus quadros de empregados. Temse, portanto, que o benefício foi estendido a todos os trabalhadores em situação de emprego por prazo indeterminado (exclusão de aprendizes e de contratados por prazo determinado) e no vigor da prestação de serviço (afastados por doença ou acidente de trabalho). Na época dos fatos geradores, vigorava a seguinte redação na alínea t do § 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91: t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo;(Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (destaques nossos) Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 15504.725544/201226 Acórdão n.º 2401004.213 S2C4T1 Fl. 1.390 13 Assevera a autoridade fiscal que o custo de educação superior (graduação e pósgraduação) não seria alcançado pela norma de isenção, mas não concordamos porque tais cursos podem servir, e normalmente servem, para a capacitação e qualificação profissional vinculada à atividade empresarial, amoldandose, nessas situações, ao texto supra transcrito. Nesse aspecto particular, consta que o próprio regulamento de concessão exige que o curso tenha ligação com o trabalho Portanto, pelas razões invocadas pela autoridade fiscal, não identifico dissonância entre os pagamentos efetuados pela empresa e as condições para o gozo da isenção contida na alínea t do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores. Participação nos Lucros ou Resultados para os segurados empregados. Alega a recorrente que os pagamentos a título de PLR não ocorreram de forma habitual e retributiva e decorrem de instrumentos coletivos de trabalho, abrangendo todos os empregados e diferença, no cálculo da participação dos empregados que ocupam cargos gerenciais e os demais empregados não foi considerada pela decisão recorrida; Em análise ao Relatório Fiscal constatase que, pelo Termo de Acordo da PLR do exercício de 2008 a ser pago em 2009, a quantidade máxima de salários que um empregado poderia atingir fosse ele gerente ou não, seria de 6 salários. Afora os gerentes, a empresa pagou a PLR rigorosamente conforme esse instrumento. Todavia, a auditoria constatou que diversos gerentes da empresa receberam a título de PLR valores acima daqueles estabelecidos no acordo da PLR. Exemplificase no Relatório Fiscal situação em que o DiretorPresidente teria direito a cerca de três salários, diante de suas avaliações, mas recebeu por volta doze salários. Quanto ao argumento de que a diferença, no cálculo da participação dos empregados que ocupam cargos gerenciais e os demais empregados não foi considerada pela decisão recorrida, a recorrente não traz nenhum elemento concreto que desconstruísse a argumento do Fisco. No que tange, à habitualidade dos pagamentos, temse que a consequência direta pelo descumprimento das condições para o gozo da isenção ou imunidade condicionada relativa à desvinculação da PLR dos salários é a sua vinculação para fins fiscais. Portanto, não se trata de indagar sobre a habitualidade dos pagamentos. Ademais, em nossa compreensão, o que faz com que determinada verba não sofra incidência de contribuição previdenciária é o seu ganho ser eventual, no sentido de ser aleatório, de não ter sido previamente ajustado, de ser inesperado, não alcançando, portanto, situações em que os pagamentos foram pactuados, combinados, prometidos, quando, em verdade, a natureza dos pagamentos é de prêmio ou de gratificação e não da isenção contida no artigo 28, § 9°, e, item 7, da Lei n° 8.212/91. Eventual é aquilo que é acidental, aleatório, inesperado, imprevisto, ocasional, contingente, fortuito e casual, enquanto que habitual é o que é costumeiro, cotidiano, Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 14 repetido, usual, consuetudinário, regular, constante, costumado, frequente e rotineiro. Como se vê, um não é antônimo do outro. A recorrente aduz que o artigo 201, § 11, da CF estabeleceria que somente os ganhos habituais do empregado seriam incorporados para efeito de contribuição previdenciária, o que não é bem verdade. A Constituição estabelece que os ganhos habituais serão incorporados, o que não implica dizer que somente os ganhos habituais serão incorporados. Assim, concluise na mesma linha adotada pela auditoria fiscal, no sentido de que tais pagamentos têm natureza de prêmio ou de gratificação, uma vez que não foram concedidos segundo critérios definidos no acordo celebrado, que levam em consideração os resultados ou lucros da empresa. Auxílioescolar (ValeLivro/ValeMaterial). Quanto à rubrica "Auxílio escolar" (ValeLivro/ValeMaterial), consta que são pagamentos decorrentes de acordos coletivos de trabalho e são destinados aos empregados que tenham filhos que estejam estudando. Os pagamentos, aparentemente, não eram efetuados em dinheiro, mas em cartão magnético. A recorrente alega que, efetivamente, o benefício é pago por meio de cartão magnético específico e não por meio de depósito, dinheiro, cheque ou transferência e somente pode ser utilizado pelos seus empregados em estabelecimentos cadastrados que comercializam livros e materiais escolares. Todavia, a hipótese não é alcançada por qualquer regra de isenção, estando acobertada pela regra matriz de incidência das contribuições previdenciárias. Cestas de Natal. Aduz a autoridade fiscal que foram concedidas cestas de Natal por força dos acordos coletivos de trabalho. Aponta que foi verificada a contabilização de diversos gastos com o benefício de cesta natal créditos eletrônicos aos seus empregados, na conta contábil 0050413099 Outros benefícios sociais". Como visto em item anterior, o ganho somente seria eventual se tivesse percepção aleatória, não previamente ajustada como no acordo coletivo. Mas ainda que se tomasse a eventualidade como sinônimo de nãohabitualidade (ligada à repetição do acontecimento), ainda assim, não se verifica elemento que indique a falta de repetição em anos anteriores e posteriores. Portanto, não assiste razão à recorrente. Relatório de Vínculos. Finalidade Informativa. Quanto ao argumento da indevida inclusão dos diretores no Relatório de Vínculos, temse a Súmula CARF n° 88, que estabelece a compreensão de que a sua finalidade é meramente informativa, razão pela qual descabe se cogitar de eventual exclusão por decisão administrativa. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 15504.725544/201226 Acórdão n.º 2401004.213 S2C4T1 Fl. 1.391 15 a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Portanto, sem razão a recorrente. Representação Fiscal para Fins Penais. A recorrente defende o não cabimento da representação fiscal para fins penais. Todavia, quanto a tais argumentos temos a compreensão vinculada ao que estabece a Súmul CARF n° 28: Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais Destarte, não assiste razão à recorrente. Multa. Juros. Aduz a recorrente, ainda, que não há previsão legal para a incidência da Taxa Selic sobre as multas lançadas. Ao contrário do que expõe a recorrente, não localizei no lançamento fiscal, inclusive nos fundamentos legais do crédito tributário, incidência de juros sobre multa de ofício, mas tão somente juros de mora sobre as contribuições exigidas, o que é devido e permissível por lei. Em outras palavras, a eventual cobrança de juros de mora sobre multa punitiva não é matéria que compõe a autuação fiscal, o que resultaria, em meu ponto de vista, na impossibilidade de apreciála no âmbito restrito ao litígio instaurado com a impugnação da exigência fiscal. Todavia, quando da sessão de julgamento, acabei vencido nesse ponto específico. Uma vez conhecida a matéria pela Turma, passo a análise do mérito. Vejamos o que determina a legislação a respeito: Código Tributário Nacional (CTN) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Lei n.º 9.430/96 Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 16 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) (destaques sempre nossos) É sabido que, no Direito, as relações jurídicas obrigacionais pressupõem a existência de credores e devedores (vide nomenclatura classicamente adotada pelos nossos Códigos Civis de 1916 e 2002). Portanto, podemos afirmar que, a cada obrigação, há um correspondente um crédito e um respectivo débito. No entanto, o Código Tributário Nacional e a legislação tributária em geral atribuem um sentido particular ao crédito tributário, de sorte que ele não surgiria concomitantemente à obrigação tributária (artigo 113, § 1°, do CTN), como se imaginaria em uma relação jurídica de qualquer outro ramo do direito, mas somente com a sua devida formalização, em regra pelo lançamento tributário (artigo 142 do CTN). Aqui cabe fazer algumas ressalvas. O fato de o Direito Tributário definir a constituição do crédito tributário como uma etapa evolutiva na formação da exigibilidade, liquidez e certeza da obrigação tributária, não impede que reconheçamos a existência de um crédito jurídico, na acepção comum do Direito, até porque não há obrigação sem crédito e débito correspondente, como afirmado anteriormente. Tal concepção apenas representa uma posição garantista do legislador face a eventuais abusos do Estado, até porque o Estado é o único ente de nossa sociedade que pode constituir, unilateralmente, um crédito líquido, certo e, futuramente, exigível. Portanto, a estrutura normativa da obrigação tributária não é excludente do conceito vulgar de crédito (e de débito), apenas devemos estar atentos que este crédito é diferente daquele constituído na forma da legislação tributária. Pois bem. Estabelece o artigo 142 do CTN que a autoridade administrativa constitui o crédito tributário pelo lançamento e que este inclui a obrigação tributária principal e, ser for o caso, a “penalidade cabível”. Ora, sendo a multa é penalidade, é inequívoco que a multa de ofício faz parte do crédito tributário e, assim, incluise na referência que o artigo 161 do CTN faz à incidência de juros de mora. Quanto ao conceito de débito, referido pelo artigo 61 da Lei n. 9.430/96, podese afirmar, após a prévia incursão nos conceitos gerais do Direito, que o débito corresponderá à obrigação não paga no vencimento. Este inadimplemento, no Direito Tributário, pode ocorrer sem formalização da exigência pela autoridade administrativa (crédito jurídico na acepção geral do Direito ou mera obrigação tributária, como afirmado anteriormente); ou com a formalização da exigência, seja pela autoridade administrativa, seja por ato do contribuinte (crédito tributário constituído). Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 15504.725544/201226 Acórdão n.º 2401004.213 S2C4T1 Fl. 1.392 17 Em ambos os casos, teremos o débito, sendo que na hipótese de formalização pela autoridade administrativa, o débito será integrado pelo tributo e também pela penalidade (multa de ofício), nos termos do já referido artigo 142 do CTN . Ademais, a previsão do caput do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é ampla, incluindo qualquer débito decorrente de tributos não recolhidos. Repetimos aqui o julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), mencionado na decisão a quo: Acórdão CSRF/0400.651, de 18/09/2007 JUROS DE MORA — MULTA DE OFICIO — OBRIGAÇÃO PRINCIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Recurso não provido. (...) Entendo, assim, que a obrigação tributária principal compreende tanto os próprios tributos e contribuições, como, em razão de seu descumprimento, e por isso igualmente dela decorrente, a multa de oficio proporcional, que é exigível juntamente com o tributo ou contribuição não paga. (...) Em decorrência, o crédito tributário, a que se reporta o art. 161 do CTN, corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo seus acréscimos legais, notadamente a multa de oficio proporcional. (...) O art. 61, parágrafo terceiro, da Lei n. 9.430/97, fundamento legal da multa aplicada no caso concreto, prevê a aplicação de juros de mora sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorreram a partir de 01 de janeiro de 1997. Dentre os débitos decorrentes dos tributos e contribuições, entendo, pelas razões indicadas acima, incluemse as multas de oficio proporcionais, aplicadas em função do descumprimento da obrigação principal, e não apenas os débitos correspondentes aos tributos e contribuições em si. (...) Ressaltese, com relação aos juros de mora, que o art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora à taxa de 1% ao mês, caso a lei não disponha de modo diverso, e a Lei n. 9439/96 determina a aplicação da taxa Selic aos casos em questão. Como dito crédito, deve ser entender, pelas razões expostas, a Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 18 obrigação tributária principal como um todo, incluindo a multa de oficio proporcional. (...) (grifos nossos) Outra não é a conclusão que se extrai da Súmula CARF n° 4, que também faz referência à incidência ampla, de todos os “débitos tributários”: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por fim, é bom que se ressalte que a matéria encontrase pacificada no STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) Demonstrada a legalidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, concluise ser improcedente o inconformismo da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídos do lançamento os valores referentes ao Prêmio Campo de Ideias, à complementação do auxílio doença e aos pagamentos a título de bolsaestudo. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 15504.725544/201226 Acórdão n.º 2401004.213 S2C4T1 Fl. 1.393 19 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, Redator designado Do conhecimento da matéria quanto à exclusão dos juros sobre a multa de ofício Dos debates emanados desta colenda turma, abri a divergência e fui designado para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento por este colegiado da matéria questionada pelo recorrente acerca da exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Em que pese o bem fundamentado entendimento do douto relator, ouso divergir por entender que há, sim, repercussão prática no presente processo com relação à matéria suscitada. Portanto, esta deve ser objeto de apreciação pelos membros desse colegiado, posto que, caso assim não façamos, o contribuinte/recorrente somente poderá se socorrer do judiciário para debater a incidência dos juros (SELIC) sobre a multa de ofício, ao passo que esta já está incidindo sobre os débitos constituídos no presente processo administrativo fiscal a título de multa de oficio. Reconheço que no momento em que se instaura o contencioso administrativo, qual seja, na ciência do contribuinte da lavratura do auto de infração, não há incidência de juros sobre a multa. Tratase de conclusão óbvia, já que a multa de ofício nasce somente com a lavratura do auto de infração e dentro do prazo de 30 dias para impugnação e/ou pagamento o contribuinte ainda não se encontra em mora perante à Fazenda Nacional. Ocorre que, no momento em que apresentada a peça impugnatória suspendendose a exigibilidade do crédito tributário, iniciase a incidência dos juros sobre o crédito tributário lançado (principal) bem como sobre a multa de ofício aplicada (a incidência ou não dos juros sobre a multa será tratada na declaração de voto apresentada, já que este conselheiro restou vencido acerca da referida incidência). Importante destacar, também, que não há descrição específica no Auto de Infração (neste e em qualquer outro processo a que já tive acesso) da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. O que se tem, como sabido, é o arcabouço legal da incidência dos juros via taxa Selic. Na prática, a incidência dos juros sobre a multa será verificada no trânsito em julgado do processo administrativo, caso o débito tenha sido mantido, ainda que parcialmente, em face do contribuinte, no momento do cálculo do montante devido e a respectiva intimação para pagamento. Ressaltese que, ainda, é muito comum e de fácil verificação os casos em que o contribuinte tem a sua peça impugnatória julgada improcedente e, quando intimado da referida decisão acompanhada do DARF para pagamento do débito, no cômputo dos juros ali incidentes já se verifica a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, cumulativamente com a incidência desta sobre o montante devido a título de principal. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 20 Assim, não há como se esquivar da referida discussão, trazida pelo contribuinte em seu recurso voluntário, já que desde que apresenta a sua peça impugnatória, bem como tendo sido esta julgada improcedente, os juros de mora estão incidindo também sobre o montante devido a título de multa de ofício, além, é claro, do débito a título de principal. Não restando dúvidas quanto a esta incidência, hão de ser reconhecidas as razões recursais do contribuinte e apreciada a matéria, sob o risco de se implicar em cerceamento ao direito de defesa e contraditório, já que estarseia deixando de apreciar matéria contestada pela recorrente e com repercussão econômica direta ao patrimônio daquela no curso do presente processo administrativo fiscal. Por essas razões, entendo que deve ser conhecido o recurso voluntário quanto à discussão acerca da incidência ou não dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que latente a verificação de incidência desta aos débitos em discussão no presente processo administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Redator designado Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 15504.725544/201226 Acórdão n.º 2401004.213 S2C4T1 Fl. 1.394 21 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, Redator designado Divirjo do Relator no ponto específico da incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, consoante as razões que apresento a seguir. A recorrente pleiteia a exclusão da incidência dos juros de mora (TAXA SELIC) sobre o montante devido a título de “multa de ofício”. Entendo que a recorrente tem razão, posto que não há previsão legal que albergue a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. O fundamento legal que supostamente dá abrigo à incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício é o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, contudo, entendo não ser esta a melhor interpretação. Eis a redação: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O caput do referido artigo é bastante claro: “Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal [...]”. O § 3º estabelece a incidência dos juros de mora sobre os débitos “a que se refere este artigo”. Para se defender a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, temse que entender ser esta “decorrente de tributos e contribuições”. Ora, as multas de ofício não são débitos decorrentes de tributos, pois são penalidades que decorrem de punição aplicada pela fiscalização quando verificadas as seguintes condutas: a) falta de pagamento ou recolhimento dos tributos e contribuições, após o vencimento do prazo para tal; e b) falta de declaração e declaração inexata. Incorridas alguma dessas condutas, surge o direito da fiscalização de imputar ao contribuinte a multa de ofício, nos termos do artigo 44 da Lei nº. 9.430/96 (redação atual): Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 22 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Assim, entendo que a incidência dos acréscimos moratórios previstos no art. 61 da Lei nº. 9.430/96 se dá sobre “débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ao passo que a multa de ofício não decorre de tributos ou contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo. Ainda, destacase que o art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional é frequentemente usado como fundamento para autorizar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Do mesmo modo, entendo que o referido dispositivo legal não autoriza esta incidência, posto que a previsão ali contida está condicionada a edição de uma lei específica regulando a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Portanto, discordo do entendimento do ilustre Relator apresentando as razões pela qual afasto a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, posto que tanto o artigo 61, § 3º, da Lei nº. 9.430/96, quanto o art. 161, do CTN, não são fundamento legal apto a permitir tal incidência. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Redator designado Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 06/ 04/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI
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Numero do processo: 16327.721657/2011-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
DECADÊNCIA. FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA.
É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, volta-se apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato.
O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
ÁGIO INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. OFENSA AO PRINCIPIO DA ENTIDADE.
Não é possível o registro de ágio, no ativo da investidora, sobre participações societárias que compõem o patrimônio de sua investida, por absoluta falta de previsão legal e ofensa ao princípio da entidade.
IRPJ/CSLL. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO INVESTIMENTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA.
O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização.
Em regra, o ágio efetivamente pago - em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura - deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99).
A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou vice-versa (§6º, II).
Inexistindo extinção do investimento mediante reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE.
É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no que for concomitante com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1499389/PB e REsp 1496354/PR.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Precedentes das três turmas da Câmara Superior - Acórdãos 9101-001.863, 9202-003.150 e 9303-002.400. Precedentes do STJ - AgRg no REsp 1.335.688-PR, REsp 1.492.246-RS e REsp 1.510.603-CE.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
A solução dada ao litígio principal, relativa ao IRPJ, aplica-se, no que couber, à CSLL, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da CSLL.
Numero da decisão: 1402-002.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de primeira instância e a arguição de decadência. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência das multa isolada, vencidos os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento integralmente ao recurso voluntário. Em primeira votação, foram vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Gilberto Baptista que votaram por dar provimento integralmente ao recurso. Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar designado como redator do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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FORMAÇÃO DE ÁGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INOCORRÊNCIA. É legítimo o exame de fatos ocorridos há mais de cinco anos do procedimento fiscal, para deles extrair a repercussão tributária em períodos ainda não atingidos pela caducidade. A restrição decadencial, no caso, volta se apenas à impossibilidade de lançamento de crédito tributário no período em que se deu o fato. O prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 ÁGIO INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. OFENSA AO PRINCIPIO DA ENTIDADE. Não é possível o registro de ágio, no ativo da investidora, sobre participações societárias que compõem o patrimônio de sua investida, por absoluta falta de previsão legal e ofensa ao princípio da entidade. IRPJ/CSLL. INEXISTÊNCIA DE EXTINÇÃO DO INVESTIMENTO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. ÁGIO TRANSFERIDO. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEVIDA. O direito à contabilização do ágio não pode ser confundido com o direito à sua amortização. Em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 57 /2 01 1- 22 Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.488 2 deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do RIR/99). A exceção trazida pelo caput do art. 386, e seu inciso III, pressupõe uma efetiva reestruturação societária na qual a investidora absorve parcela do patrimônio da investida, ou viceversa (§6º, II). Inexistindo extinção do investimento mediante reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas no que for concomitante com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. Precedentes do STJ: AgRg no REsp 1499389/PB e REsp 1496354/PR. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. 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No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência das multa isolada, vencidos os conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Paulo Mateus Ciccone e Leonardo de Andrade Couto que votaram por negar provimento integralmente ao recurso voluntário. Em primeira votação, foram vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Gilberto Baptista que votaram por dar provimento integralmente ao recurso. Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar designado como redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.489 3 (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo de Andrade Couto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.490 4 Relatório BANCO CITICARD S/A recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 1641.677 da 8ª Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo DRJ/SP1 que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto excertos do relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: 1. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supra qualificado, efetuouse, em 13/12/2011, o lançamento de ofício para a constituição dos créditos tributários, consubstanciados nos autos de infração e demonstrativos de fls. 879 a 909, no valor total de R$ 346.715.604,06, a título de IRPJ e CSLL, decomposto da seguinte maneira: IRPJ..................................................................R$ 96.464.551,39 Juros de mora (calculados até 12/2011) ......................R$ 37.403.663,04 Multa proporcional (passível de redução)..................R$ 72.348.413,54 Multa exigida isoladamente (passível de redução).....R$ 37.341.116,64 Valor do Crédito Tributário.............................R$ 243.557.744,61 CSLL...............................................................R$ 40.851.181,63 Juros de mora (calculados até 12/2011) ......................R$ 15.238.200,23 Multa proporcional (passível de redução)..................R$ 30.638.386,23 Multa exigida isoladamente (passível de redução).....R$ 16.430.091,36 Valor do Crédito Tributário.............................R$ 103.157.859,45 1.1 A lavratura se deu em função da apuração das seguintes infrações, com os respectivos enquadramentos legais: IRPJ 0001 AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.491 5 Fatos geradores: 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008 Valor tributável apurado: R$ 385.858.205,58 Enquadramento legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2006 e 31/12/2008: art. 3o da Lei n° 9.249/95. Arts. 7 e 8o da Lei n° 9.532/97 Arts. 247, 249, 385, 386 e 391 do RIR/99 0002 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Fatos geradores: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008. Multa apurada: R$ 37.341.116,64 Enquadramento legal: Fatos geradores ocorridos entre 31/01/2007 e 31/05/2007: Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 e art.14 da Lei n° 11.488/07 Fatos geradores ocorridos entre 30/06/2007 e 31/12/2008: Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 e art.14 da Lei n° 11.488/07 CSLL 0001 CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO DEDUTÍVEIS AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Fatos geradores: 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008 Valor tributável apurado: R$ 385.858.205,58 Enquadramento legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2006 e 31/12/2007: Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.492 6 Arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532/97. Art. 2° da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2o da Lei n° 8.034/90. Art. 57 da Lei n° 8.981/95, com as alterações do art. 1o da Lei n° 9.065/95. Art. 2° e 19 da Lei n° 9.249/95. Art. 1o da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96. Art. 37 da Lei n° 10.637/02 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008: Arts. 7° e 8o da Lei n° 9.532/97 Art. 2° da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2° da Lei n° 8.034/90 Art. 57 da Lei n° 8.981/95, com as alterações do art. 1o da Lei n° 9.065/95 Art. 2° e 19 da Lei n° 9.249/95 Art. 1o da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96 Art. 3o da Lei n° 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei n° 11.727/08 0002 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE BASE ESTIMADA Fatos geradores: 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007, 31/01/2008, 28/02/2008, 31/03/2008, 30/04/2008, 31/05/2008, 30/06/2008, 31/07/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 31/10/2008, 30/11/2008, 31/12/2008. Multa apurada: R$ 16.430.091,36 Enquadramento legal: Fatos geradores ocorridos entre 31/01/2007 e 31/05/2007: Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.493 7 Fatos geradores ocorridos entre 30/06/2007 e 31/12/2008: Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/072007 2. O contribuinte foi notificado das autuações, no mesmo dia da lavratura dos autos de infração, ou seja, 13/12/2011, conforme ciências exaradas às fls. 880 e 896. 3. O Termo de verificação fiscal, de fls. 851 a 878, traz, em síntese, o seguinte: 3.1 O grupo CITIBANK no Brasil ("GRUPO CITIBANK") passou em 2006 por uma reestruturação societária que visava a redução dos custos de administração das sociedades brasileiras controladas diretamente ou indiretamente por Citibank Overseas Investment Corporation ("COIC"), empresa com sede no exterior e controladora do GRUPO CITIBANK, bem como maximizar o retorno dos investimentos realizados pelo GRUPO CITIBANK no Brasil, em particular aqueles advindos do CREDICARD BANCO, atual BANCO CITICARD S.A. 3.1.1 Em função da participação de várias empresas neste ciclo de reorganizações societárias e a necessidade de citação recorrente das mesmas, o autuante descreve as pessoas jurídicas envolvidas com as respectivas abreviações a serem utilizadas no Termo de Verificação Fiscal que abordará a fase desta reorganização que culminou com o aproveitamento fiscal, no CITICARD, do ágio de incorporação da NICE. 3.1.2 Em seguida a autoridade fiscal relata que obteve a documentação por meio da fiscalização, diligencia realizada no Banco Citibank S/A, sistemas da Receita Federal e outras fontes de informações de acesso público, passando em seguida a relacionar, em ordem cronológica, os documentos considerados no processo. 3.2 Na DIPJ referente ao anocalendário 2003 o CITICARD tinha o seu capital social de titularidade de 3 grupos financeiros atuantes no Brasil, através das seguintes pessoas jurídicas: FHL – 33,33% (pertencente ao Grupo Citibank) ITAUCARD– 33,33% (pertencente ao Grupo Itaú) UNIBANCO – 33,33% (empresa líder do Grupo Unibanco). 3.2.1 No final de 2004 os Grupos Itaú e Citibank adquiriram a parte do CITICARD que pertencia ao UNIBANCO, mediante a aquisição das quotas representativas do capital social da TULIPA, na proporção de 50% para cada grupo. A composição societária do CITICARD ficou assim estabelecida em 2004, permanecendo a mesma ao final de 2005, conforme informações das respectivas DIPJs: FHL = 33,33% Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.494 8 ITAUCARD = 33,33% TULIPA = 33,33% 3.2.2 Em 30/04/2006 foi aprovada a cisão parcial do CITICARD com versão de 50% do seu patrimônio para a “ITAÚ CARTÕES”. Os motivos e finalidade da operação encontramse relacionados no item 1 da JUSTIFICAÇÃO. A segregação dos ativos e passivos do CITICARD obedeceu a critérios definidos pelos acionistas e permitiria a administração independente das parcelas vertida e remanescente do patrimônio, de forma que, ao final do processo, "o Grupo Itaú deixará de participar do capital do Companhia, que passará a ter a totalidade de seu capital detida pelo GRUPO CITIBANK"(reprodução do texto original). 3.2.2.1 O capital social do CITICARD, antes desta cisão parcial, conforme consta no item 2 do PROTOCOLO era de R$ 181.795.000,00, e em relação à posição de 31/12/2005, apresentou como novidade o ingresso da NICE no seu quadro societário, que se deu através da versão da parcela cindida do patrimônio da SAINT TROPEZ para a NICE também ocorrida em 30/04/2006 (evento que será mais detalhado na sequência). Através desta cisão parcial, o investimento que a SAINT TROPEZ possuía no CITICARD (antigo CREDICARD), bem como o ágio de R$ 746.822.333,43, foram transferidos para a NICE. Assim, após a cisão parcial da SAINT TROPEZ em 30/04/2006, mas antes da cisão parcial do CITICARD, ocorrida também em 30/04/2006 às 18:00 hs, o capital do CITICARD esteve distribuído desta forma: TULIPA = 16,66% (6.468.888 ações) ITAUCARD = 33,33% (12.937.769 ações) . FHL = 33,33% (12.937.769 ações) NICE =16,66% (6.468.888 ações) 3.2.2.2 Após a sua cisão parcial o capital do CITICARD foi reduzido para R$ 90.897.500,00, mediante o cancelamento de 19.406.666 ações ON, das quais 12.937.769 ações de titularidade da ITAUCARD, 6.468.888 ações de titularidade da . TULIPA e 9 ações pertencentes a acionistas minoritários representados por pessoas físicas diversas. O novo capital social do CITICARD ficou assim distribuído entre os sócios principais: FHL = 66,66% (12.937.764 ações) NICE = 33,33% (6.468.888 ações) . Outros = 0,01% (4 ações) 3.2.3 Em 31/05/2006 houve a incorporação da NICE pelo CITICARD, com a justificativa de reestruturação do Grupo Citibank com o fim de reduzir custos de administração. Com isto o capital do CITICARD foi aumentado em R$ 45.739.592,43, correspondente ao patrimônio liquido da NICE, demonstrado no Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.495 9 quadro abaixo, passando a ser de R$ 136.637.092,43, representados por 22.081.902 ações. Foram emitidas 2.675.236 novas ações com base no valor do patrimônio liquido do CITICARD que foram subscritas e integralizadas pela NICE e atribuídas diretamente ao seu controlador (99,99%), CITIBANK CARTÕES, sendo as 6.468.888 ações de titularidade da NICE extintas e substituídas por igual quantidade e atribuídas proporcionalmente aos sóciosda NICE. Após esta operação o capital social do CITICARD ficou assim distribuído entre os principais acionistas: FHL = 58,59% (12.937.775 ações) e CITIBANK CARTÕES = 41,41% (9.144.123 ações). O BACEN aprovou a incorporação da NICE e o aumento de capital. Quadro demonstrativo do aumento de capital no CITICARD em função da incorporação da NICE PL da Nice antes da provisão de ágio R$ 902.950.099,65 () provisão de ágio (R$ 746.822.333,43) (=) PL da NICE após provisão R$ 156.127.766,22 () valor do PL da participação no CITICARD (R$ 110.388.173,79) (=) aumento de capital no CITICARD R$ 45.739.592,43 3.2.4 Em 31/12/2006 houve a incorporação da FHL pelo CITICARD, em processo similar ao ocrrido com a NICE, resultando num aumento de capital de R$ 3.615.546,00, correspondente ao patrimônio liquido da FHL. As antigas ações da FHL e as novas emitidas com base no valor do PL foram atribuídas aos sócios da FHL (COIC e CHELSEA) As justificativas para incorporação foram as mesmas dadas para a incorporação da NICE. Após a conclusão do processo de incorporação o capital social do CITICARD ficou distribuído conforme dados abaixo entre os seus principais acionistas. O BACEN aprovou a incorporação da FHL, a alteração capital social do CITICARD. COIC = 58,79% (13.049.229 ações) CITIBANK CARTÕES = 41,20% (9.144.123 ações) CHELSEA = 0,0025% (1 ação) Outros (PF) = 0,0075% (3 ações) 3.3 (Histórico da NICE) A NICE foi constituída em 23/08/2005 sob a denominação L.T.V.S.P.E. Empreendimentos e Participações Ltda. Seu capital inicial era de R$ 500,00, dividido em 500 quotas de valor nominal R$ 1,00 cada, atribuídas em igual proporção entre as duas sócias pessoas físicas. Segundo a primeira DIPJ entregue a empresa ficou inativa em 2005. Na primeira deliberação de sócios (ata de 19/04/2006) foram admitidos como sócios cotistas a COIC (com 499 quotas) e a FHL (com 1 quota), mediante a transferência das quotas existentes de titularidade das então sócias pessoas físicas, bem como foi alterada a denominação da empresa para Nice Participações Ltda., cujo endereço passou a ser o mesmo do GRUPO CITIBANK, e no objeto social, que passou a contemplar a participação em instituições financeiras. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.496 10 3.3.1 Nos termos da Segunda Deliberação de Sócios da NICE, com data de 30/04/2006, foi estabelecido aumento de capital de R$ 897.933.383,00, com emissão de 897.933.383 novas quotas, subscritas pela SAINT TROPEZ e diretamente atribuídas, por determinação desta, à COIC. Sendo assim, o capital social da NICE passou a R$ 897.933.883,00, assim distribuído: COIC = 99,9999% (897.933.882 quotas). FHL = 0,0001% (1 quota) 3.3.2 O referido aumento de capital foi consequência da cisão parcial a que foi submetida a SAINT TROPEZ, na data base de 30/04/2006, com versão da parcela do patrimônio cindido de R$ 897.933.383,00 para a NICE. Conforme informado pelo contribuinte na resposta de 12/09/2011 ao Termo.de Intimação Fiscal (TIF) n° 008, " a , parcela cindida corresponde ao investimento da Saint, Tropez na Credicard Dentre a parcela vertida para a NICE está o ágio de RS 746.822.333,43" (reprodução do texto original). 3.3.3 Pela Terceira Deliberação de Sócios da NICE, datada de 30/05/2006, foi admitido como sócio a CITIBANK CARTÕES, em substituição à sócia estrangeira COIC. Em função desta Deliberação de Sócios, o capital social da NICE ficou assim distribuído em 30/05/2006, um dia antes de sua incorporação por CITICARD: CITIBANK CARTÕES = 99,9999% (897.933.883 quotas) / FHL = 0,0001% (1 quota) 3.3.4 No dia seguinte (31/05/2006) foi realizada a incorporação da NICE pelo CITICARD, conforme já explicitado acima. O balanço patrimonial da NICE utilizado para fins de sua incorporação e da confecção pela KPMG do laudo de avaliação contábil de seu patrimônio foi o de 30/04/2006. Foram dois os objetivos declarados pela KPMG para a avaliação patrimonial realizada, in verbis: "'Portanto o presente laudo é emitido com o objetivo exclusivo de fazer parte dos processos de aumento de captal do CITIBANK CARTÕES mediante a transferência do investimento do COIC na NICE e da posterior incorporação da NICE pelo CITICARD..." .O laudo retratou a avaliação do patrimônio contábil da NICE no valor de R$ 902.950.099,65, levando em consideração o ágio de R$ 746.822.333,43 na participação na Credicard (nomenclatura usada no laudo) e sem a provisão de sua amortização (anexo 1),. Também informou a avaliação do mesmo patrimônio contábil com o mencionado ágio acompanhado de provisão de sua amortização em igual valor, para atender determinações da CVM nas Instruções 319/99 e 349/01, antes do evento de incorporação. Por esta avaliação o patrimônio líquido contábil da NICE foi avaliado a R$ 156.127.766,22. Na apuração do lucro real da NICE correspondente à sua incorporação foi adicionado o montante dé R$ 746.822.333,43 como despesa indedutível pela constituição contábil da provisão de ágio. 3.4 (Histórico da FHL) em 2004, 2005 e 2006 tinha a COIC como sócia detentora de 99,9999% das cotas e CHELSEA com 0,0001%. Com relação ao CITICARD deteve 33,33% de participação no capital em 2004 e 2005, passando para 66,66% após cisão parcial e para 58,59% após incorporação da NICE. Foi extinta por Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.497 11 incorporação pelo CITICARD em 31/12/2006. Não havia ágio relativo à sua participação no CITICARD. 3.5 (Histórico de outros participantes, diretos ou indiretos, da reorganização societária). 3.5.1 (Histórico da TULIPA) Em 2001, pertencia 99,99% ao Grupo UNIBANCO. Em data entre 31/08/2004 e 29/12/2004 houve transferência de 50% de suas quotas para o Grupo Itau, sendo que em 29/12/2004 se transferiu os outros 50% para a CANNES (pertencente ao Grupo CITIBANK). Em 31/03/2006 ocorreu a cisão parcial da TULIPA com versão de 50% do seu patrimônio para a SAINT TROPEZ, correspondente justamente à participação da CANNES, sendo importante frisar que não havia ágio registrado na TULIPA relacionado ao investimento CREDICARD (CITICARD). A TULIPA passou a deter 16,66% do CITICARD e, em função da cisão parcial desse, ocorrida em 30/04/2006, deixou de fazer parte do seu quadro societário. 3.5.2 (Histórico da CANNES) A CANNES teve o início de suas atividades em 26/11/2004 com capital inicial de R$ 1.000,00, dividido igualmente entre dois sócios pessoas físicas. Antes do final de 2004 os referidos sócios se retiraram da sociedade tendo sido admitidos como novos sócios,o CITIBANK e a COIC, ambos com 50% do capital, além de aumento expressivo do capital para R$ 1.597.642.376,00 e mudança de endereço para o tradicional prédio do CITIBANK. Em 29/12/2004 a CANNES adquiriu 50% das quotas da TULIPA por R$ 1.583.095.269,58 diretamente do UNIBANCO, passando a deter indiretamente 16,67% do CITICARD. Foi nesta operação que primeiramente registrouse o ágio sob análise nesta fiscalização, contabilizado por R$ 743.436.029,47, sendo que na DIPJ correspondente (ficha 45A) não há apontamento de ágio mas apenas de valor patrimonial de investimento. Posteriormente, em 31/03/2006, a CANNES retirouse do quadro de sócios da TULIPA devido a cisão parcial de 50% do patrimônio da mesma, passando à condição de sócio controlador a SAINT TROPEZ. A CANNES foi extinta em 30/04/2006 por incorporação reversa pela controlada SAINT TROPEZ. Destaca que, pelas informações patrimoniais disponíveis da CANNES, referentes aos anos calendário 2004, 2005 e 2006, o seu investimento relevante era a TULIPA, que em 31/12/2004 apresentava registro de ágio de R$ 743.436:029,47 (valor informado, no balanço de 2004 mas não reproduzido na DIPJ do AC 2004) e R$ 748.620.914,47(valor informado na DIPJ do AC 2005). Já por ocasião de sua incorporação pela SAINT TROPEZ o seu único investimento relevante, conforme as informações da DIPJ, era justamente a SAINT TROPEZ, com registro de ágio de R$ 749.208.033,43. 3.5.3 (Histórico da SAINT TROPEZ) O início de sua atividade foi em 22/08/2005 com outra denominação e capital social inicial de R$ 500,00 distribuído em 500 quotas, divididas igualmente entre seus dois sócios pessoas físicas. A primeira DIPJ. da sociedade, relativa ao período de 30/08 a 31/12/2005, foi apresentada como inativa. Em 2006, houve transferencia das quotas das pessoas físicas para CANNES (499 quotas) e CITIBANK (1 quota), com alteração de endereço para o mesmo do Grupo CITIBANK. Ainda em 2006 o capital da SAINT TROPEZ foi alterado, sequencialmente, i) para R$ 821.001.083,00, por ocasião do recebimento da parcela cindida do patrimônio da TULIPA ocorrido em 31/03/2006, cabendo 821.001.082 quotas à CANNES e 1 quota ao CITIBANK; ii) para R$ 1.049.302.951,00, cabendo Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.498 12 1.049.302.950 quotas à CANNES e 1 quota ao CITIBANK; iii) para R$ 1.795.866.767,00, em função da incorporação da CANNES ocorrida em 30/04/2006, por conta do que foi admitida como sócio a COIC e retirandose a própria CANNES pela sua extinção decorrente da incorporação. Neste momento o capital da SAINT TROPEZ ficou distribuído com 897.933.383 quotas à COIC (50%) e 897.933.384 quotas ao CITIBANK (50%); iv) para R$ 897.933.384,00, em função da cisão parcial do seu patrimônio incorporado pela NICE também em 30/04/2006, através da qual retirouse da sociedade a COIC, que havia sido admitida nesta mesma data, ficando a totalidade do capital pertencente ao CITIBANK. A SAINT TROPEZ foi extinta em 30/04/2006 por incorporação pelo CITIBANK. 3.5.4 (Histórico da CITIBANK CARTÕES) A CITIBANK CARTÕES foi constituída em 30/08/2005 sob a denominação S.F.L.S.P.E Empreendimentos e Participações Ltda. Seu capital inicial era de R$ 500,00, dividido em 500 quotas de valor nominal R$ 1,00 cada, atribuídas em igual proporção entre as duas sócias pessoas físicas. A primeira DIPJ. da sociedade, relativa ao período de 30/08 a 31/12/2005, foi apresentada como inativa. Em 2006 foram admitidos como sócios quotistas a COIC (com 499 quotas) e a FHL (com 1 quota) e houve alteração da denominação para Citibank Cartões Participações Ltda e alteração de endereço para o mesmo do Grupo CITIBANK. Em 30/05/2006 foi deliberado aumento de capital na C1T1BANK CARTÕES no valor de R$ 897.933.882,00, mediante a transferência de 897.933.882 quotas de emissão da NICE cuja titularidade era da COIC. Neste momento a CITIBANK CARTÕES passou a ser sócia da NICE. No dia seguinte, em 31/05/2006, com o evento de incorporação da NICE pelo CITICARD, o CITIBANK CARTÕES passou a deter 9.144.123 ações do CITICARD, correspondendo a 41,41% do capital social, voltando o seu quadro de sócios à mesma situação anterior, com a COIC (99,99%) e FHL (0,01%). Nas DIPJ correspondentes aos períodos base de 2006 e 2007 a CITIBANK CARTÕES não apresentou qualquer atividade econômica ou financeira além dos resultados de equivalência patrimonial advindos desta participação societária no CITICARD. 3.6 O CITICARD registrou contabilmente, em 31/05/2006, como decorrência da incorporação da NICE, ágio de incorporação e sua correspondente provisão de amortização, mediante débito em conta representativa do ágio no ativo diferido crédito em conta redutora do mesmo, pelo valor de R$ 746.822.333,43. A partir de junho de 2006 passou a amortizar mensalmente este ágio de incorporação à razão de 1/60 avos ao mês, bem como passou a reverter a provisão de amortização, cujas receitas de reversão foram excluidas da apuração do lucro real e da BC da CSLL, por ter sofrido a tributação ainda na NICE. O valor desta exclusão referese apenas à parcela da provisão que não foi transferida para a conta de reserva de capital referente à economia fiscal de IRPJ (25%) e CSLL (9%). Os valores com despesa de amortização de ágio (considerados dedutíveis, tanto para IRPJ quanto para CSLL, pelo autuado), os de exclusão das receitas de reversão, bem como a demonstração desta exclusão para o ano de 2006 estão representadas nas tabelas abaixo e representam os fatos que serão objeto de análise da fiscalização: PERÍODO DE APURAÇÃO DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO (R$) 01/06 a 31/12/2006 (incorporação da FHL) 87.129.272,23 01/01 a 31/12/2007 149.364.466,68 01/01 a31/12/2008 149.364.466,68 ' Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.499 13 PERÍODO DE APURAÇÃO EXCLUSÃO DA REVERSÃO DA PROVISÃO (RS) 01/06 a'31/12/2006 (incorporação da FHL) 57.505.741,14 01/01 a 31/12/2007, 98.580.547,92 01/01 a 31/12/2008 . 120.238.395,77 R$ Valor original da provisão em 31/05/2006 746.822.333,43 Valor transferido para reserva de capital (253.919.593,36) Saldo da provisão a ser amortizado 492.902.740,07 Saldo da provisão em 31/12/2006 (435.397.420,45) (=) Valor da Receita de reversão em 2006 57.505.319,62 Valor excluído Lalur e BC CSLL 57.505.741,14 Diferença imaterial 421,52 3.7 O análise recai sobre a amortização do ágio efetuada pelo CITICARD. Será avaliado se a reorganização societária implementada pelo GRUPO CITIBANK corresponde a um planejamento tributário oponível ao Fisco. Para maior clareza, o autuante passa a descrever a sequência cronológica dos passos praticados desde a aquisição originária da participação com ágio até o término da reestruturação societária e consequente aproveitamento fiscal deste ágio. 3.7.1 (1º Passo – Constituição da CANNES em 26/12/2004) Em tal momento a CANNES apresentava todas as características típicas de uma sociedade, como se diz no jargão tributário e de negócios, "de prateleira". Tais sociedades não tem nenhum propósito a não ser o de servir de estrutura jurídica formalmente pronta para ser transferida a outras pessoas físicas ou jurídicas. 3.7.2 (2º Passo – Capitalização da CANNES pelo GRUPO CITIBANK) Após 26/11/2004 e antes de 29/12/2004, a CANNES recebeu expressivo aporte de ' capital por parte da COIC e CITIBANK, fazendo com que o seu capital social passasse a R$ 1.597.642.376,00 (50% para cada uma), como medida preparatória para a aquisição de metade da TULIPA, que significava na ocasião a aquisição indireta de 1/6 do CREDICARD (atual CITICARD). 3.7.3 (3º Passo – Aquisição de 50% da TULIPA em 29/12/2004) Nesta data a CANNES adquiriu 50% da TULIPA, registrando ágio de R$ 743.436.029,47 e não R$ 746.822.333,43, conforme informado para fiscalização em resposta à intimação. Após algumas intimações para apresentação do laudo ou estudo que servisse de comprovação para o fundamento do ágio pago na aquisição originária da participação societária (a teor dos parágrafos 2o e 3° do artigo 385 do RIR/99) foi apresentado em 3/11/2011 (complemento da resposta ao termo de início da diligência) um documento intitulado "Avaliação por fluxo de caixa descontado — CREDICARD" (anexado ao processo) cuja data de referência seria dezembro de 2004 e que não traz informações sobre sua autoria, apenas logotipo " citigroup". 3.7.4 (4º Passo – Constituição de empresas como medida preparatória para a sequencia de operações) No mês de agosto de 2005 foram constituídas três sociedades de propósito específico por pessoas físicas que serviram, pouco tempo depois, como verdadeiras "empresas veículo" utilizadas para passagem de patrimônio representado pelo investimento no CITICARD dentro do GRUPO Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.500 14 CITIBANK. Foram elas: (i) SAINT TROPEZ, em 22/08/2005, ficando inativa durante 2005 e sendo extinta em 30/04/2006, incorporada pelo CITIBANK, não sem antes ter incorporado a CANNES (11:00h) e ter sofrido cisão parcial com versão de parte do seu patrimônio para NICE (12:00h); (ii) NICE, em 23/08/2005, também inativa em 2005, extinguindose por incorporação pelo CITICARD, em 31/05/2006, um mês depois de incorporar a parcela cindida do patrimônio da SAINT TROPEZ que continha a participação no CITICARD; (iii) CITIBANK CARTÕES, em 30/08/2005, também sem atividade em 2005. 3.7.5 (5º Passo – Cisão parcial da TULIPA em 31/03/2006) Como medida preparatória para a futura cisão do CREDICARD e visando concentrar em cada um dos sócios (GRUPOS CITIBANK e ITAÚ) as respectivas participações no CREDICARD (atual CITICARD) foi implementada a cisão parcial de 50% do acervo patrimonial da TULIPA com versão para a SAINT TROPEZ, correspondente justamente à participação da CANNES na TULIPA. Ressaltase que não havia na TULIPA qualquer registro de ágio no investimento CREDICARD (CITICARD). 3.7.6 (6º Passo – Incorporação da CANNES pela SAINT TROPEZ em 30/04/2006) A CANNES detinha 99,99% da SAINT TROPEZ e com a incorporação esta última aumentou o seu capital social em valor, segundo laudo, basicamente composto pelo ágio na aquisição da CREDICARD, registrado na CANNES por ocasião da compra dos 50% de participação na TULIPA. Ressaltase que o valor do ágio transferido (R$ 748.955.241,00) já era maior do que o registrado na CANNES quando do seu surgimento em 2004 (R$ 743.436.029,47). 3.7.7 (7º Passo – Cisão Parcial da SAINT TROPEZ em 30/04/2004 – 12:00h) Nesta etapa houve a versão da parcela que a COIC na SAINT TROPEZ, representada basicamente pela participação no CREDICARD/CITICARD, para a NICE, incluindo o ágio em análise. Com isto houve separação patrimonial e societária da COIC e do CITIBANK e a participação no CITICARD ficou totalmente com a COIC. 3.7.8 (8º Passo Incorporação do patrimonio remanescente da SAINT TROPEZ pelo CITIBANK em 30/04/2006) Evento que não é objeto de verificação direta no presente processo, mas que se destaca pelo fato do recebimento pelo CITIBANK de um acervo liquido muito próximo ao valor investido por ele na CANNES para a aquisição de parte da TULIPA e indiretamente do CITICARD. 3.7.9 (9º Passo – Aumento de Capital do CITIBANK CARTÕES em 30/05/2005) Tal aumento, no valor de R$ 897.933.882,00, foi subscrito e integralizado pela COIC com as quotas que possuía desde um mês antes (30/04/2006) na NICE ( a valores contábeis). Esta operação deve ser considerada como preparatoria para a incorporação da NICE que ocorreria um dia depois e para o ingresso da CITIBANK CARTÕES no quadro de sócios do CITICARD. 3.7.10 (10º Passo – Incorporação da NICE pelo CITICARD em 31/05/2006) Através deste evento é que o ágio existente na NICE de RS 746.822.333,43 foi então ' transferido para o CITICARD e passou a ser amortizado à razão de 1/60 ao mês. Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.501 15 3.7.11 (11º Passo – Incorporação da FHL pelo CITICARD) Esta operação encerra a reorganização societária aqui tratada, de modo que a COIC (controladora internacional do GRUPO CITIBANK no Brasil) passa a deter de forma direta e indireta, 100% do controle do CITICARD. 3.8 Do ponto de vista fiscal o CITICARD passou a amortizar contabilmente e considerar dedutível para fins de IRPJ e CSLL o ágio registrado em seu ativo diferido no valor total de R$ 746.822.333,43, decorrente da incorporação da NICE. E considerou dedutível esta amortização pois interpretou que o caso concreto se subsumia às hipóteses abstratas tratadas nos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/97, reproduzidas no artigo 386 do RIR/99. 3.8.1 Segundo interpretação doutrinária a amortização do ágio somente poderá ser considerada dedutível em determinadas situações previstas legalmente. No caso em tela será preciso avaliar se os comandos existentes nos artigos 7° e 8o da Lei n°, 9.532/97 foram respeitados nas mais diversas etapas da reorganização societária, especialmente no evento de incorporação da NICE pelo CITICARD. Em outras palavras deve ser perquirido se .houve efetivamente a absorção de algum patrimônio adquirido com ágio e ainda pela pessoa jurídica que realmente o adquiriu. Esta é a regra de comando do caput do artigo 7o (artigo 386, caput do RIR/99) aplicável aos eventos em que a investidora absorve o patrimônio da investida, ou vice. versa nos termos do artigo 8o (inciso II do parágrafo 6o do artigo 386 do RIR/99). 3.8.2 No entendimento da fiscalização as condições estipuladas nos artigos 7o e 8o da Lei n° 9.532/97 não estavam presentes na etapa final da reorganização que culminou com a sobredita incorporação da NICE pelo CITICARD (sem que isso queira dizer que tais condições imperaram em outras etapas desenvolvidas). Isto porque a operação negocial/societária que deu ensejo ao surgimento do ágio foi a aquisição de metade das quotas da TULIPA pela CANNES. A princípio a regra especial dos artigos 7o e 8o apenas poderia ser aplicada se os fenômenos de absorção patrimonial tivessem ocorrido entre elas. Não existe previsão legal que autorize o aproveitamento deste "benefício fiscal" por pessoas jurídicas outras que não tivessem sido agentes do negócio jurídico de aquisição da participação societária, quer como adquirente, quer como adquirida. Nem tampouco existe' previsão para que um investimento adquirido apenas indiretamente, como foi o caso do CITICARD, possa ao final de um processo de planejamento tributário amortizar tal ágio indireto. Havendo inclusive julgado na esfera administrativa neste sentido. 3.8.3 Além disto, a reorganização societária foi complexa e valeuse de passagens cujo propósito econômico e negocial, que não o exclusivamente fiscal, é de difícil constatação. Assim, com base em trechos da obra sobre planejamento tributário do Professor Marco Aurélio Greco, que colaciona, a fiscalização entende ser legítimo o interesse do GRUPO CITIBANK em adquirir mais uma parte (1/6) da operação de cartões de crédito da conhecida empresa CREDICARD. Também compreende que em abril de 2006 foi necessária a repartição desta empresa CREDICARD entre seus dois sócios na ocasião (GRUPOS CITIBANK"eITAÚ), inicialmente pela cisão da TULIPA (em 31/03/2006) e em seguida pela cisão 50% da própria CREDICARD/CITICARD (em 30/04/2006). Todavia foi utilizado o artifício de criação de diversas empresas veículo ou de passagem, empresas efêmeras, expressões Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.502 16 já popularizada no ordenamento tributário e tratadas na obra citada do Prof. Greco, utilizadas para carrear o ágio original de aquisição da TULIPA pela CANNES para a única empresa, das que participaram do planejamento, que possuía capacidade operacional para gerar lucros que pudessem suportar a amortização do ágio, e consequentemente proporcionar a economia tributária almejada. 3.8.4 Neste sentido, a situação antes de tudo começar (fotografia inicial) foi a capitalização da CANNES (empresa de prateleira) pela COIC e CITIBANK com o propósito de comprar indiretamente o CREDICARD, via TULIPA, o que de fato foi feito com ágio no final de 2004. Ao final de todo o processo, ainda no 1º semestre de 2006, o CITIBANK já havia recebido o dinheiro aplicado e a COIC estava controlando direta e indiretamente o CREDICARD/CITICARD, se aproveitando fiscalmente da amortização do ágio (fotografia final). A COIC por ser empresa com sede no exterior, caso viesse a comprar diretamente o CREDICARD, como de fato era a sua intenção, não poderia se beneficiar fiscalmente da amortização do ágio. Nem tampouco qualquer empresa veículo que participou do processo tinha capacidade operacional para gerar lucros que não fossem decorrentes de resultado de equivalência patrimonial (não tributável). Além do que, em suas curtas existências, estas empresas nunca tiveram qualquer atividade operacional e só serviram de passagem para o ágio. 3.8.5 A jurisprudência administrativa e judicial tem se posicionado em muitos casos no sentido de não aceitar os efeitos tributários almejados pelos contribuintes advindos de reorganizações societárias sem suficiente propósito negocial, ou com prevalência da forma sobre o conteúdo. Por todo o exposto, as amortizações do ágio em questão devem ser consideradas como indedutíveis na determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 3.9 Além do descrito acima, há ainda outro argumento de natureza muito prática que visa impugnar, caso os argumentos anteriores venham a não prevalecer, parte da amortização do ágio que excedeu o correto valor contábil.O CIT1BANK foi intimado a esclarecer a razão do ágio original na CANNES tersido contabilizado por R$ 743.436.029,47 (conforme balanço patrimonial apresentado) e o ágio que foi vertido para a NICE em 30/04/2006 pela cisão da SAINT TROPEZ ter sido de R$ 746.822.333,43 (mesmo valor que passou a ser amortizado no ÇITICARD). Apresentou resposta com demonstrativo que revela a evolução do valor do ágio de R$ 743.436.029,47 (31/12/2004) para R$ 749.208.033,45 (30/04/2006), sendo a diferença atribuída a diversas despesas da CANNES que foram equivocadamente debitadas na conta de ágio, tais como advogados, KPMG, Standard&Poors, etc. Também apresentou demonstrativo da NICE que mostra a contabilização inicial de R$ 749.208.033,43 e um ajuste a crédito na conta de ágio de R$ 2.385.700, fazendo com que o saldo da conta de ágio em 31/05/2006, que foi incorporado e amortizado pelo CITICARD, passasse a R$ 746.822.333,43. 3.9.1 ~Segundo disposição do artigo 385 do RIR/99, o ágio é uma parcela do custo de aquisição de uma participação societária e deve necessariamente ser registrado no momento de aquisição do investimento. Neste contexto, as despesas diversas da CANNES que foram pagas em contrapartida à débito na conta de ágio não tem a natureza jurídica que lhe é própria, não podendo compor o saldo de ágio a ser amortizado. Assim a diferença de R$ 3.386.303,96 não atende aos Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.503 17 requisitos de dedutibilidade por não poder ser considerado ágio a teor do artigo 385 do RIR/99, devendo ser adicionado de ofício à proporção de 1/60 por mês, no caso R$ 56.438,40 ao mês. 3.10 A CSLL foi lançada como reflexo do IRPJ e obedeceu os critérios indicados na IN RFB nº 810/2008. 3.11 Com base no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488/2007, foram aplicadas multas isoladas sobre as parcelas de IRPJ e CSLL que deixaram de ser recolhidas pela falta de adição das amortizações indevidas do ágio. Nas discussões administrativas já se esposou entendimento de que com a introdução desta alteração (MP 351/Lei 11.488/2007) trouxe significativa mudança na ordem jurídica, no sentido de que não há dupla incidência sobre a mesma materialidade e sim incidências sobre matérias distintas (parcela do tributo que deixou de ser recolhida e totalidade ou diferença do tributo). 4. Irresignado com o teor das autuações, o contribuinte, supra qualificado, apresentou, em 12/01/2012, a impugnação de fls. 924 a 996, informando e alegando, em apertada síntese, o seguinte: 4.1 A forma adotada pelo Grupo Citibank foi a mais correta para atingir o seu objetivo final que era o desenvolvimento das atividades de cartão de crédito do grupo no Brasil. A análise das operações não pode ser vista quadro a quadro (fotografias), conforme afirma a própria fiscalização, devendo ser avaliada como um todo (filme). Assim, fazse necessária a busca pela verdade dos fatos por meio da análise histórica das operações praticadas pelo Grupo Citibank para compreender se o propósito negocial e econômico das operações societárias realizadas que deram origem à dedução do ágio. 4.1.1 A reestruturação societária realizada pelo Grupo Citibank no Brasil teve por objetivo maior e principal a expansão do oferecimento de cartões de créditos, sobretudo a clientes que não possuíssem conta corrente no Banco Citibank S/A ("Banco Citibank"). Antes da compra de parte da Tulipa, pela Cannes, o Banco Citibank somente oferecia cartões de crédito aos clientes que possuíam contas corrente no próprio banco. 4.1.2 Até o final de 2004 participavam do capital social da Credicard, três grandes grupos financeiros (Itaú, Citibank e Unibanco). Esta parceria remonta ao início da década de 70 e tinha por objetivo revolucionar o mercado de cartões de crédito. Na referida estrutura, as decisões societárias somente poderiam ser tomadas por unanimidade e havia no documento que definia a estrutura do empreendimento uma cláusula prevendo a não competição entre os acionistas, ou seja, nenhum dos três grupos poderiam explorar as atividades de cartões fora da Credicard. No entanto, com o passar do tempo, tanto o Grupo Itaú quanto o Unibanco, por terem adquirido outros bancos que já possuíam o negócio de cartões de crédito, passaram a empreender tal negócio, em contrariedade ao quanto disposto no documento mencionado. Tal fato, aliado ao desgaste natural decorrente da necessária unanimidade dos sócios para a tomada de decisões relativas à administração de Credicard, com os impasses daí advindos, levaram os acionistas a desejar, já por volta dos anos 2000, a segregação das suas participações societárias para desenvolver as atividades de cartões de crédito de forma independente. O Grupo Citibank que possuía Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.504 18 expertise , inclusive internacional, no assunto, era o que estava sendo mais prejudicado pela quebra da cláusula de não competitividade. Assim, ao final do filme ora analisado, a Credicard passará a ser inteiramente detida pelo Grupo Citibank, atingindose, portanto, o objetivo pretendido com a reorganização societária: fomento das atividades de cartões de crédito para, inclusive, não correntistas do Banco Citibank. Este era o propósito negocial de toda a reorganização societária. 4.1.3 Isto posto, destacase as principais “fotografias” do processo, onde se perceberá a validade de cada passo adotado, bem como o sentido econômico e o propósito negocial de toda a operação. 4.1.3.1 (Constituição da Cannes, em 25/11/2004, e aquisição, pela Cannes, de 50% da Tulipa, em 29/12/2004) A Cannes foi constituída para a aquisição de 50% da Tulipa, que possuía 33,33% de participação na empresa alvo (Credicard) o que realmente ocorreu no mês seguinte à sua constituição e capitalização. Portando depreendese do início do “filme” que todas as operações foram planejadas para atingir o objetivo final já relatado acima. A Cannes não adquiriu diretamente as ações da Credicard, pois o Unibanco impôs como condição da efetivação do negócio que a alienação fosse feita mediante transferencias de quotas da Tulipa, não tendo o impugnante qualquer controle sobre tal decisão. Nesta operação foi registrado um ágio de R$ 743.436.029,47, atestado pelo balanço da Cannes de 31/12/2004. 4.1.3.2 (Cisão parcial da Tulipa, em 31/03/2006) Nesta etapa houve a cisão da Tulipa com versão de 50% do patrimônio para a Saint Tropez e ocorreu devida a necessidade de segregação das participações societárias dos grupos Citibank e Itaú na Tulipa, de maneira que os outros 50% da Tulipa foram incorporados pela Itau Cartões. Esta etapa continua alinhavada com o objetivo principal de deter o controle da Credicard. 4.1.3.3 (Incorporação da Cannes pela Saint Tropez, em 30/04/2006) Após a incorporação, COIC e Banco Citibank passaram a ser os novos sócios da Saint Tropez, na mesma proporção de suas participações na Cannes (50% cada) e o ágio que estava contabilizado na Cannes passou a ser registrado pela Saint Tropez. Apesar de não ter sido objeto de questionamento pelo Agente Fiscal, devese pontuar que se realizou a incorporação reversa (Saint Tropez incorporando Cannes) como uma forma de equalizar as participações societárias de Banco Citibank e COIC nesta empresa, bem como para que se mantivesse sob a titularidade da Saint Tropez o caixa ali disponível, diminuindose certos custos da operação, tais como os fiscais (com a CPMF, por exemplo). 4.1.3.4 (Cisão parcial da Saint Tropez, em 30/04/2006) com versão da parcela cindida para a Nice. Após esta cisão, esta empresa e o caixa nela disponível passou a pertencer exclusivamente ao Banco Citibank, enquanto que a participação societária na Credicard passou a ser controlada pelo COIC, através da Nice. Desta maneira, resta clara a finalidade de isolar o investimento na Credicard o ágio aqui em questão, passandoos ao controle do COIC. 4.1.3.5 (Cisão parcial da Credicard, em 30/04/2006) com versão da parcela cindida para o “Itau cartões”. Desta forma o Grupo Citibank, através da Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.505 19 FHL (2/3) e da Nice (1/3), passou a deter o controle total da Credicard (anterior denominacão do impugnante). 4.1.3.6 (Conferência das quotas da Nice para o Citibank Cartões, em 30/05/2006) Nesta data, a Citibank Cartões passou a ser controladora da Nice, em substituição à sócia estrangeira COIC, vindo a confirmar o quanto planejado, desde o início, pelo Grupo Citibank: atingir a estrutura necessária para a administração das atividades de cartões de crédito independente das demais atividades operacionais do Grupo. 4.1.3.7 (Incorporação da Nice pela Credicard (atual Impugnante, nesse ponto já denominado Banco Citicard, em 31/05/2006) com a consequente transferência do ágio a esta empresa. Após a conclusão do processo de incorporação da Nice, o capital social da Credicard (ora Impugnante) ficou assim distribuído entre seus novos acionistas: FHL, na proporção de 58,59%, e Citibank Cartões, com o equivalente a 41,41 %. 4.1.3.8 (Incorporação da FHL pela Credicard, em 31/12/2006), pelo qual o Citicard passou a ter COIC (58,79%) e Citibank Cartões (41,20%) como acionistas. 4.1.3.9 (Amortização do ágio após a incorporação da Nice, de 01/06/2006 a 31/12/2008) Após a incorporação da Nice, o Impugnante passa a amortizar fiscalmente as parcelas do ágio pago pela Cannes na aquisição de participação na Tulipa. Observase que todo o processo de reorganização societária realizadas pelo Grupo Citibank foi completamente usual, normal e necessário para a aquisição do controle da Credicard e expansão de seus negócios de cartão de crédito no Brasil, para o oferecimento deste produto a clientes que não possuíssem conta corrente no Banco Citibank. O processo teve início em novembro de 2004 e terminou em dezembro de 2006, tempo mais do que suficiente para afastar a citação de Marco Aurélio Greco feita no item 2.11 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 871). Os agentes fiscais, por não buscarem a verdade material da operação como um todo (filme), entenderam que no caso concreto foi utilizado o artifício de criação de diversas empresas veículo utilizadas para carrear o ágio original de aquisição da TULIPA pela CANNES para a única empresa, das que participaram do planejamento, que possuía capacidade operacional para gerar lucros que pudessem suportar a amortização do ágio, e consequentemente proporcionar a economia tributária almejada. Entendimento que não pode prosperar, uma vez que o o Grupo Citibank utilizouse de forma plenamente legitima, cumprindo todos os requisitos necessários para que fizesse jus à aquisição da empresa Credicard no Brasil, o que se deu através da compra de participação societária na empresa Tulipa, e ao consequente aproveitamento fiscal da dedução do ágio, ainda que por meio da "passagem deste ágio". 4.2 Houve a “preclusão” da possibilidade do Fisco questionar a legalidade dos atos societários que deram origem ao ágio, isto porque o a´gio, como elemento contábil e societário surgiu em 29/12/2004, com a aquisição de 50% da Tulipa pela Cannes. Assim não poderia o Auditor Fiscal questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, surgido em 2004, eis que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos entre o fato que propiciou o surgimento do ágio e a lavratura dos autos de infração em questão (13/12/2011). O antigo Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.506 20 Conselho de Contribuintes, como mostram os acordãos colacionados, já se manifestou várias vezes a respeito da impossibilidade de o Fisco questionar a legalidade dos fatos, ocorridos após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, que tenham gerados efeitos em anos subsequentes, como ocorre no presente caso. 4.2.1 A razão para esta impossibilidade decorre do fato do ágio contabilizado em 2004 representar parte do custo de aquisição do respectivo ativo e, no presente caso, por disposição legal específica, autorizase a "antecipação" do aproveitamento desse "custo" em data anterior a uma eventual alienação do ativo, por intermédio de amortização. Se não existisse a norma hoje prevista na Lei n° 9.532/97, autorizando a amortização do ágio em prazos determinados, tais valores seriam redutores de lucros futuros, quando da alienação do respectivo ativo que o gerou, uma vez que tais valores constituemse como custo de aquisição (redutor do preço de venda). Assim na, a título exemplificativo, hipótese de não existência da Lei n° 9.532/97 que autoriza a amortização do valor do ágio na aquisição de ativos, após atos de incorporação: o Fisco não poderia glosar o custo de um ativo adquirido em 1990, por exemplo, no cálculo de um ganho de capital decorrente de uma venda do aludido ativo ocorrida em 2010, uma vez que o direito à impugnação ou desconsideração daquele ato pretérito (aquisição do ativo em 1990), que gerou um determinado custo e que produzirá efeitos tributários quando da alienação (exercícios subseqüentes), decaiu ou “precluiu”. Mesmo que o efeito tributário dessa alienação tenha se efetivado apenas em 2010, não há como desconsiderar o custo do ativo adquirido em 1990. 4.3 Em não se acatando as preliminares acima argumentase, em sede do direito, que é legitima a aquisição do investimento com ágio pela Cannes e o posterior aproveitamento de sua dedutibilidade fiscal. Para comprovar a licitude das operações, bem como ratificar o propósito negocial almejado e atingido,de desenvolvimento das atividades de cartões de crédito no Brasil para não correntístas do Banco Citibank, passase a discorrer acerca (i) da natureza jurídico/contábil do ágio na aquisição de participações societárias; (ii) da licitude da aquisição de participação societária com ágio e de sua transferência; e (iii) o tratamento tributário dispensado ao ágio no ordenamento jurídico brasileiro. 4.3.1 (Natureza jurídico/contábil do ágio na aquisição de participações societárias) O ágio ou deságio gerado em operações, como as ocorridas no presente caso, decorre da diferença entre o valor de aquisição (custo de aquisição) e o valor patrimonial das ações adquiridas (valor de patrimônio líquido), quando se adota o registro da participação societária pelo método da equivalência patrimonial, previsto no artigo 248 da Lei das S/A (Lei n° 6.404/76). De acordo com o artigo 177 da mesma lei das S/A, o registro contábil do ágio deve estar em conformidade com os princípios de contabilidade geralmente aceitos. Assim, tanto a Instrução CVM nº 247/96, como o artigo 20 do DecretoLei 1.598/77 determinam que o custo de aquisição do investimento seja desdobrado em valor do patrimônio liquido (equivalência patrimonial) e ágio/deságio. 4.3.1.1 Com efeito, verificase que no presente caso houve a aquisição, pela Cannes, de participação societária de 50% na Tulipa, empresa holding que tinha como principal ativo a participação de 33,33% no capital social da Credicard. A referida aquisição deuse entre partes independentes Unibanco e Cannes , mediante o pagamento de R$ 1.583.095.269,58 (custo de aquisição), decorrente de Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.507 21 Contrato de Compra e Venda celebrado entre as partes. Portanto, em conformidade com os princípios contábeis geralmente aceitos e nos termos da Instrução CVM n° 247/96, a Cannes desdobrou o valor total do custo de aquisição das quotas da Tulipa em valor do investimento pela equivalência patrimonial (R$ 847.307.195,20) e ágio (R$ 743.436.029,47), o que mostra que os atos praticados foram lícitos e atenderam também às normas emitidas pelo BACEN. 4.3.1.2 Ressaltase também que o ágio registrado no presente caso possuía fundamento na expectativa de rentabilidade futura da Credicard (principal ativo da Tulipa), o que foi comprovado por meio de estudo interno elaborado pelo Grupo Citibank, projetada pela metodologia de fluxo de caixa descontado, não havendo em nenhum momento o questionamento sobre a validade de tal documento pela fiscalização. 4.3.2 (Da licitude da transferência do ágio) No entendimento da fiscalização o ágio amortizado no presente caso somente seria dedutível se a Tulipa fosse incorporada pela Cannes, ou viceversa e que, em virtude das sucessivas transferências do ágio verificadas, não seria possível a amortização do ágio pelo Impugnante, por inexistência de previsão legal que autorize tal expediente.Contudo, este entendimento não deve prosperar, uma vez que o procedimento adotado (transferências do ágio e sua posterior amortização pelo Impugnante) estaria em conformidade com as legislações fiscais e societárias vigentes à época. 4.3.2.1 A assertiva feita pela Fiscalização, sobre a não aplicação do disposto nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97 ao presente caso, carece de fundamento, uma vez que tal lei não restringe a transferência do ágio como pretendeu indicar a Autoridade Fiscal. Pelo contrário: a lógica da permissão da dedutibilidade do ágio, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação, nada mais é do que o reconhecimento de que o ágio deverá, sempre, acompanhar o investimento que lhe é subjacente o qual justificou seu pagamento, pois tal valor (ágio) está intrinsecamente associado à expectativa de lucros futuros gerados por determinado investimento, motivo pelo qual a sua amortização darseá em contrapartida dessa expectativa de lucros a serem gerados, conforme excerto do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações da FIPECAFI que colaciona. O ágio somente existe em função do ativo que é a ele subjacente. Tratase de um acessório que necessariamente deve seguir o principal (investimento). 4.3.2.2 Para tornar mais claro o raciocínio acima, basta fazer um paralelo com um ativo tangível que está sujeito a depreciação. Se este ativo utilizado para integralização de capital em nova sociedade esta teria o direito de continuar deduzindo as despesas de depreciação ainda não aproveitadas. A jurisprudência administrativa, conforme decisões recentes do CARF que colaciona (acordãos 140200.802, 110100.354, 1301000.711 e 10516.774), também admite a transferência do ágio. Dessa forma, seja pela ausência de vedação legal, seja pela coerência no que se refere à contraposição dos lucros e custo para obtenção desses lucros, é de se reconhecer como legítimas as transferências da participação societária, acompanhadas do respectivo ágio, realizadas no presente caso e, consequentemente, a dedução das despesas com amortização do ágio após a incorporação da Nice pelo Impugnante. Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.508 22 4.3.3 (Tratamento tributário do ágio – Dedução fiscal da amortização) Uma vez comprovada a licitude da transferência do ágio deve se observar o tratamento tributário a lhe ser dispensado pelo ordenamento jurídico brasileiro. Segundo o artigo 385 do RIR/99 o lançamento do ágio deverá indicar algum dos três fundamentos econômicos ali dispostos, sendo que no presente caso, em que o Impugnante absorve patrimônio da controladora (Nice) por incorporação, uma vez que esta última tinha registrado ágio apurado com fundamento econômico no valor de rentabilidade dos resultados nos exercícios futuros da Credicard, estabelece a legislação que será possível amortizar o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração (inciso III e § 6o do artigo 386 do RIR/99). Portanto a conduta do autuado referese a um tratamento fiscal legalmente previsto. 4.3.3.1 A dedutibilidade fiscal do ágio, gerado na aquisição de sociedades, teve como objetivo incentivar a prática de fusões e aquisições, tais como as ocorridas em processos de privatização, no entanto tal regra fiscal não se aplica apenas a estes processos, devendo ser estendida a qualquer aquisição, mesmo que entre particulares, como no presente caso. É exatamente este efeito fiscal (esse direito) que qualquer que fosse a pessoa jurídica adquirente do Impugnante teria direito de usufruir. 4.4 A Autoridade Fiscal ainda entendeu que as empresas Saint Tropez, Nice e Citibank Cartões seriam meras "empresas veículo", desprovidas de qualquer atividade operacional, e que tinham como única finalidade, dentro da reorganização societária empreendida pelo Grupo Citibank, levar o ágio até o Impugnante, de modo a realizar a economia tributária pretendida. Entretanto este entendimento não pode prevalecer, pois os atos, além de válidos, possuiam evidente propósito negocial. 4.4.1 A autoridade Fiscal afirma, citando trecho da obra de Marco Aurélio Greco, que nas reorganizações societárias não se pode analisar cada uma de suas operações de forma isolada, devendo se considerar a transação como um todo (filme). A análise do “filme” já foi feita acima, e, como se demonstrará novamente as supostas “empresas veículos” fizeram parte da organização estratégica do Grupo Citibank para a aquisição da Credicard e expansão do negócio de cartões de crédito no Brasil, com foco em clientes que não fossem titulares de contas correntes no Banco Citibank. Dessa forma, os motivos que impulsionaram a criação de Saint Tropez, Nice e Citibank Cartões foram, intrinsecamente, extratributários, relacionados com a atividade oferecimento de cartões de créditos que o Grupo Citibank buscava desenvolver. 4.4.2 A Saint Tropez foi a empresa que recebeu a parcela cindida da Tulipa, que equivalia a 50% de seu patrimônio. Tratase aqui de procedimento que foi necessário para a que as participações atinentes aos Grupos Citibank e Itaú na Tulipa, através da qual detinham, em conjunto, 33,33% da Credicard, fossem segregadas, fato este que foi inclusive reconhecido pela Autoridade Fiscal. Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.509 23 4.4.3 A Nice recebeu a parcela cindida da Saint Tropez, a qual incluía o investimento em Credicard, bem como o ágio decorrente da aquisição, pela Cannes, de participação societária na Tulipa. Houve nessa operação uma separação entre o investimento em Credicard, acompanhado do ágio, e do caixa anteriormente disponível em Saint Tropez. Após esta etapa da operação, o Banco Citibank deixou de participar do negócio Credicard, haja vista que tal atividade estava relacionada, conforme já explicado, à emissão de cartões para clientes não bancários. Tal separação, que foi implementada por meio da Nice, fundase em legítima decisão empresarial de organização de atividades e negócios, mostrandose plenamente lógica dentro do contexto empresarial ora analisado. 4.4.4 A criação da Citibank Cartões representou o complemento da etapa anterior, de organização dos negócios relacionados à emissão de cartões de crédito para clientes não bancários no âmbito da Citibank Cartões, desvinculando tal atividade do Banco Citibank. 4.4.5 Assim, fica demonstrado que as três empresas mencionadas estão em plena em conformidade com o planejamento estratégico do Grupo Citibank, e não pode o Fisco, utilizandose de critérios eminentemente subjetivos {"não aparentam firme propósito negocial'), buscar valorar as escolhas empresarias realizadas pelo Grupo Citibank para a organização de seus negócios. Neste sentido já se manifestou o antigo Conselho de Contribuintes, conforme ementário que se colaciona. 4.4.5.1 Além da importante função desempenhada pelas chamadas “empresas veículos”, destacase que nenhum dos precedentes existentes, até o momento, no CARF, nem mesmo aqueles mencionados pelo Agente Fiscal, são aplicáveis ao presente caso, pois tais decisões se referem a empresas sem qualquer propósito negocial. Nem se diga que o aspecto temporal poderia ser aqui invocado com a finalidade de invalidar ou tornar ilegítimas as operações em questão. Afinal, como já destacado anteriormente, as operações em questão não foram realizadas em um "curto período". 4.5 As operações ora em análise também encontram respaldo na atual doutrina e jurisprudência acerca do propósito negocial. Neste ponto, parte da doutrina e da jurisprudência vem adotando limites positivos ao "planejamento tributário. O primeiro desses limites positivos, reconhecido como aplicável em nosso sistema jurídico pelo já citado jurista Marco Aurélio Greco, corresponde ao motivo, à finalidade e à congruência do negócio jurídico. Para este autor, o motivo e a finalidade do negócio jurídico não podem ser predominantemente tributários, além disso seria necessário que eles fossem congruentes entre si. No presente caso, há ocorrência destes três elementos de forma conjugada. A própria Autoridade Fiscal reconhece haver causa legítima e também a razoabilidade e racionalidade dos passos adotados pelo Grupo Citibank. Sequer houve agravamento da multa e em nenhum momento se mencionou que os atos praticados seriam fraudulentos, demonstrandose, assim, indiretamente, que a reorganização societária realizada guarda estrita identidade com os dispositivos legais que permitem a amortização do ágio. Ademais, os fatos posteriores à reorganização societária realizada pelo Grupo Citibank, isto é, o real e intenso desenvolvimento de sua atividade de emissão de cartões a clientes não Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.510 24 bancários, são suficientes para demonstrar a validade e o propósito dos atos anteriores (operações questionadas). 4.5.1 Não é possível admitir que a operação ora analisada é desprovida de propósito negocial, haja vista que: (i) todos os atos praticados tiveram por motivo a aquisição da controle da empresa Credicard no Brasil, com o consequente aproveitamento do benefício fiscal de dedução do ágio gerado nessa aquisição nos estritos termos da lei.; (ii) a finalidade da operação era a aquisição de uma operadora de cartão de crédito de grande porte e participação no mercado brasileiro, como forma de expandir as atividades de cartão de crédito do Grupo Citibank, que passaria a oferecer cartões de crédito também aos clientes que não possuíssem conta corrente no Banco Citibank e a segregação das atividades dentro do Grupo, de forma que o Impugnante ficou responsável por essa área de cartões de crédito e o Banco Citibank retirouse com o caixa e (iii) todos os atos praticados inseremse congruentemente neste contexto (a forma contrato de compra e venda entre parte independentes, pagamento em dinheiro, efetiva necessidade da utilização de todas as sociedades envolvidas). Portanto, todos os atos praticados, analisados como um "filme", demonstram claramente a congruência do motivo e da finalidade da operação realizada pelo Grupo Citibank, os quais não eram predominantemente tributários. 4.5.2 Um outro limite que poderia ser aplicado no presente caso seria a coerência com o planejamento estratégico do empreendimento econômico (estratégias e planos futuros de um empreendimento como um todo). Este limite não é aceito pelo jurista Marco Aurélio Greco, que entende que tal modelo não está consolidado na experiência brasileira. Entretanto, apesar da sua inaplicabilidade, a operação ocorrida encontrase claramente inserida no planejamento estratégico do Grupo Citibank. 4.5.2.1 O objetivo de longo prazo do Grupo Citibank, desde o início de suas atividades no século passado, era o de se manter como um dos maiores Banco privados em atividade no território nacional. A aquisição de parcela da Credicard e seu posterior controle, para que pudessem ser oferecidos cartões de créditos a clientes que não possuíssem conta corrente no Banco Citibank, como já mencionado, foi apenas um capítulo desse filme projetado há muito tempo. Tal filme, contudo, não acabou, uma vez que o Grupo Citibank continua investindo no desenvolvimento de suas atividades, tendo sido noticiada, inclusive, sua entrada no mercado de credenciamento de estabelecimentos comerciais para transações com cartões de crédito. Assim resta claro que mesmo com a aplicação da doutrina e jurisprudência mais restritas acerca dos limites para a realização de operações que tenham efeitos tributários, a presente operação seria válida. 4.6 Apenas por argumentar, é certo que se deve reconhecer que a operação em comento não buscou nenhuma economia tributária que não ocorreria se a aquisição de Credicard ocorresse de outras maneiras, ou seja, mesmo que não fossem utilizadas as chamadas empresas veículos o resultado fiscal seria o mesmo: o ágio acabaria sendo aproveitado pelo impugnante. 4.6.1 Assim, se a Cannes tivesse adquirido diretamente as ações do Credicard, teria registrado ágio da mesma maneira, o qual poderia ser aproveitado Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.511 25 pelo impugnante após a incorporação da Cannes. Esta estrutura, no entanto não foi possível pois era de interesse do vendedor (Unibanco) a venda de 50% das quotas da Tulipa (holding), e não do investimento a ela subjacente (Credicard). Assim todas as outras operações ocorridas se dera, em grande parte, em decorrência deste primeiro evento, sobre o qual o impugnante não tinha qualquer controle. Fica, desta maneira, sem razão o argumento de que as operações realizadas tiveram como objetivo transferir o ágio para que pudesse ser aproveitado pelo impugnante. 4.6.2 Também carece de razão a afirmação feita pelo Agente Fiscal de que a operação em comento teve por finalidade evitar que COIC adquirisse diretamente a Credicard com ágio, de modo que não seria possível amortizálo. A título ilustrativo, caso o controlador estrangeiro (COIC) adquirisse com ágio a Credicard poderia, nos termos da atual jurisprudência do CARF anteriormente citada, integralizar o capital da Cannes, por exemplo, com a conferência das ações adquiridas da Credicard com ágio. Posteriormente, a Cannes (controladora) passa a ser incorporada pela Credicard (incorporada) que adquire, portanto, o direito à amortização do ágio. 4.6.3 Pelo exposto é fundamental que se entenda que: (i) as alegadas "empresas veículo" de fato possuíam propósito negocial, haja vista que elas claramente não foram utilizadas para gerar o ágio ou para possibilitar o seu aproveitamento pelo Impugnante; (ii) qualquer que fosse a estrutura adotada, seria possível o aproveitamento do ágio pelo Impugnante, de modo que não se pode falar que as operações realizadas tinham por única finalidade a economia fiscal. Por estas razões devem ser canceladas as autuações. 4.7 O impugnante foi autuado também por ter, supostamente, deixado de recolher valores devidos a título de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, entretanto tal penalidade não pode ser mantida, visto que até o advento da Lei n° 8.383/91, o IRPJ e a CSLL eram apurados em sistema de "base anual", ou seja, os fatos econômicos integrantes do fato gerador desses tributos ocorriam ao longo do anobase e somente em 31 de dezembro eram quantificados, de maneira a propiciar a aferição da base de cálculo sobre a qual incidia a exação. Após a edição da referida norma, o IRPJ e a CSLL passaram a ser apurados em sistema de "bases correntes", ou seja, na medida em que os fatos econômicos integrantes do fato gerador ocorrem, quantificase as bases de cálculo naquele mesmo mês e o contribuinte efetua mensalmente o pagamento desses tributos. Contudo, mesmo nesta sistemática, ao final do anobase o contribuinte deve elaborar sua declaração de ajuste, com a finalidade de verificar se o montante que foi pago ao longo do ano excede ou fica aquém do que realmente é devido. Desta maneira, os recolhimentos efetuados com base na estimativa nada mais são do que uma antecipação do tributo que será devido no encerramento do períodobase. 4.7.1 Firmadas essas premissas, verificase que a multa isolada, prevista atualmente no inciso II, alínea "b" do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, com a redação conferida pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/07, diferentemente do que entendeu a Autoridade Fiscal, somente pode ser exigida caso o Fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, com base em estimativas mensais, antes do término do anobase. Portanto, como os autos de infração, objeto do presente processo, foram lavrados após o encerramento dos anosbase de 2007 e 2008, Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.512 26 eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e da CSLL não mais poderão ser punidas pela exigência da multa isolada, conforme já decidiu reiteradas vezes o antigo Conselho de Contribuintes e recentemente vem sendo o entendimento pelo CARF. (Ex: acordãos 10321.253, 10707.047 e 110300.200). 4.7.2 Ainda que fosse possível lançar, após os encerramentos dos anosbase de 2007 e 2008, multa isolada em razão do não recolhimento dessas estimativas, o que se alega a título de argumentação, não poderia haver, sobre a mesma base de cálculo, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade, como ocorreu no presente caso. Analisando os autos de infração, conforme planilhas abaixo, percebese que há incidência de multa de ofício e de multa isolada sobre os mesmos valores. Base IRPJ IRPJ (Principal) Multa de Ofício Multa Isolada 2007 R$ 149.364.466,68 R$ 37.341.116,67 R$ 28.005.837,50 R$ 18.670.558,32 2008 R$ 149.364.466,67 R$ 37.341.116,67 R$ 28.005.837,50 R$ 18.670.558,32 Base CSLL CSLL (Principal) Multa de Ofício Multa Isolada 2007 R$ 149.364.466,68 R$ 13.442.802,00 R$ 10.082.101,50 R$ 6.721.401,00 2008 R$ 149.364.466,67 R$ 19.566.745,13 R$ 14.675.058,85 R$ 9.708.690.36 4.7.3 Tratase de dupla incidência sobre a mesma materialidade, uma vez que os valores adicionados pela fiscalização nas bases mensais foram os mesmos incluídos no cálculo do ajuste anual para a cobrança da multa de ofício. A impossibilidade de cumulação de multas multas em debate já é assunto com posicionamento pacífico no CARF. Nesse sentido, citese o entendimento manifestado, por unanimidade de votos, no Acórdão n° 140100.021, proferido pela Primeira Turma Ordinária, da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento. 4.8 Mesmo que os argumentos expostos até o momento não sejam acolhidos, o que também se alega a título meramente argumentativo, é que não há que se falar na adição da referida despesa na base de cálculo da CSLL, por absoluta ausência de previsão legal. O legislador, ao determinar a base de cálculo da CSLL de forma exaustiva (numerus clausus), fixando, taxativa e individualmente, cada um dos ajustes aplicáveis (artigo 2o e parágrafos, da Lei n° 7.689/88), não arrolou, como hipótese de adição ao lucro líquido, o valor correspondente à amortização do ágio na aquisição de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Frise se, também, que a fiscalização não citou qualquer disposição legal específica para a apuração da base de cálculo da CSLL, procedimento esse que ratifica o exposto. Este é o entendimento manifestado pelo antigo Conselho de Contribuintes através do ementário colacionado. Portanto, mesmo que se considere a amortização fiscal do ágio indedutível para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ é possível concluir que o lançamento de CSLL, objeto do presente processo administrativo, não possui fundamento legal, ou seja, afronta um dos mais importantes princípios norteadores do Direito Tributário, qual seja o Princípio da Legalidade. 4.9 Para o ano base 2008, em razão das alíquotas diferenciadas que deveriam ser aplicadas para o cálculo da CSLL (9% e 15%) temse o seguinte: Janeiro a Abril Base de cálculo Alíquota de 9% R$ 12.447.038,89x04 R$49.788.155,60 R$4.480.934,00 Maio a Dezembro Base de cálculo Alíquota de 15% R$ 12.447.038,89x08 R$ 99.576.311,11 R$ 14.936.446,70 Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.513 27 Total: R$ 19.417.380,70 4.9.1 Como o Sr. Agente Fiscal apurou o montante de R$ 19.566.745,13 a título de CSLL, eivando o presente lançamento de iliquidez e incerteza, o auto de infração deverá ser cancelado. 4.10 No tópico 1, item 2.23 do Termo de Verificação Fiscal, o Sr. Agente Fiscal alega que "(...) a diferença entre o valor original do ágio decorrente da aquisição da TULIPA pela CANNES (R$ 743.436.029,47) e o valor que saiu da NICE e foi incorporado pelo CITICARD (R$ 746.822.333,43), perfazendo o valor de R$ 3.386.303,96, não atende aos requisitos de dedutibilidade por não poder ser considerado ágio a teor do artigo 385 do RIR/99 (...)".De fato, com relação a esse montante (R$ 3.386.303,96), o Impugnante refez os cálculos e efetuou o pagamento do IRPJ e da CSLL devidos, aplicando à multa lançada o desconto no percentual de 50%, conforme DARFs e planilha anexas. 4.11 Ainda que se entenda pela manutenção das autuações em análise, o que se alega a título argumentativo, é certo que os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal. O artigo 13 da Lei n° 9.065/95, que prevê a cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, remete ao artigo 84 da Lei n° 8.981/95, que, por sua vez, estabelece a cobrança de tais acréscimos apenas sobre tributos. Não se pode confundir os conceitos de tributo e de multa. Multa é penalidade pecuniária, não é tributo. É o que se verifica com clareza pela leitura da definição de "tributo", contida no artigo 3o do Código Tributário Nacional. 4.11.1 A instituição de uma multa tem como objetivo sancionar esse comportamento repudiado pelo ordenamento jurídico. Os fatos que ensejam o pagamento dos tributos, por outro lado, são fatos lícitos. Verificase, assim, que a multa tem natureza de sanção, que é aplicada em decorrência do descumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), estando, portanto, expressamente excluída do conceito de tributo indicado no artigo 3º do CTN. Ademais, o § 1o do artigo 113 do Código Tributário Nacional, ao diferenciar "tributo" de "penalidade pecuniária deixa claro que as duas figuras não se confundem. 4.11.2 Demonstrado que multa não é tributo e que a lei só prevê a incidência de juros sobre tributos, a aplicação dos juros sobre a multa é uma afronta ao principio constitucional da legalidade. Nesse sentido já decidiu o antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, conforme se evidencia em ementário colacionado. 4.11.3 Nem se alegue, ainda, que a cobrança dos juros sobre a multa estaria amparada pelo artigo 43 da Lei n° 9.430/96, já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. 4.12 Por fim requer seja dado provimento à impugnação apresentada com a consequente desconstituição dos créditos tributários exigidos e o cancelamento integral dos autos de infração e ainda, caso assim não se entenda, , requer, o cancelamento das multas isoladas em razão do encerramento dos períodos base e da impossibilidade de se cumular a cobrança com a multa lançada de ofício e a extinção Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.514 28 do crédito tributário correspondente ao pagamento efetuado pelo Impugnante (tópico 1, item 2.23 do TVF), conforme guias DARFs e planilha anexas. Em análise da impugnação apresentada, a 8ª Turma da DRJ São Paulo – DRJ/SPI julgoua procedente em parte, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 ÁGIO INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. OFENSA AO PRINCIPIO DA ENTIDADE. Não é possível o registro de ágio, no ativo da investidora, sobre participações societárias que compõem o patrimônio de sua investida, por absoluta falta de previsão legal e ofensa ao princípio da entidade. GLOSA DE DESPESAS. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. DECADÊNCIA. DATA DA AMORTIZAÇÃO. O direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário pela glosa de despesas decorrente da amortização de ágio se extingue em 05 (cinco) anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que se deu a dedução indevida. Isto porque, o pagamento e a contabilização do ágio em si não constitui infração passível de lançamento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. EMPRESAS VEÍCULOS. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. INOPONIBILIDADE AO FISCO. É inoponível ao Fisco o planejamento tributário com a utilização de empresas veículos, assim entendidas como aquelas criadas apenas para trânsito e separação de patrimônio e com falta de propósito negocial, ou seja, sem o desenvolvimento de qualquer atividade empresarial. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A QUALQUER TEMPO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. Permanece aplicável a referida multa quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.515 29 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 CSLL. EXTENSÃO LEGAL. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO INOPONIVEL AO FISCO. DECORRÊNCIA LÓGICA. Cabível a extensão da glosa das despesas com amortização de ágio à base de cálculo da CSLL por conta do disposto no artigo 57 da Lei 8.981/95, que tem por intento evitar a repetição desnecessária de comandos legais para disciplinar a metodologia de determinação das bases imponíveis das duas exações, naquilo em que as sistemáticas têm de comum. Entretanto, independentemente de qualquer interpretação, uma vez considerado inoponível ao Fisco o planejamento tributário tendente a reduzir a base de cálculo do IRPJ, por decorrência lógica o mesmo não pode ser validado para fins de CSLL. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. A QUALQUER TEMPO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal da CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. Permanece aplicável a referida multa quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/96. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Tal decisão exonerou o contribuinte tão somente de parcela da CSLL, exigida, nos seguintes termos: Com relação ao suposto erro de cálculo na apuração da CSLL referente ao anobase 2008, não merece ser acolhido o efetuado pelo impugnante, visto que, conforme esclarecido no Termo de Verificação Fiscal (Fls. 875), para o lançamento adotouse a sistemática prevista na Instrução Normativa RFB nº 810/2008, apenas com o equívoco, cometido pelo autuante, de “arredondar” a alíquota efetiva obtida para cima, o que ocasionou uma diferença a ser exonerada. O contribuinte foi cientificado da decisão em 22 de novembro de 2011 (fl. 1.206), apresentando recurso voluntário de fls.1.2081.311 em 21 de dezembro de 2011. Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.516 30 Em síntese, a recorrente repisa seus argumentos apresentados em impugnação, requerendo a reforma da decisão recorrida e o cancelamento integral da exigência, nos seguintes termos: preliminarmente, aduz que a decisão recorrida é nula por inovar os fundamentos do lançamento, uma vez que a autoridade lançadora não questionou a existência do ágio e o seu fundamento econômico, limitandose a atacar a suposta impossibilidade de "transferência" do ágio mediante o uso de empresas veículo; reafirma seus argumentos referentes à decadência, alegando que o Fisco não poderia, no ano de 2011, atacar operações ocorridas no anocalendário de 2004 e que deram origem ao ágio objeto da autuação; ataca as conclusões tanto da autoridade lançadora quanto da turma julgadora a quo relativamente à impossibilidade de amortização do ágio: em relação aos argumentos da autoridade lançadora, alega que deve se analisar "o filme", e não somente as "fotografias", aduzindo que o ágio foi formado entre partes independentes, efetivamente pago e lastreado em laudo idôneo, e a utilização de empresas tidas como veículo pela fiscalização não se sustentaria, haja vista a existência de propósito negocial, conforme já aduzido em sede de impugnação; argumenta também que o desenho das operações poderia ter sido realizado de outras maneiras que, indubitavelmente, permitiriam a amortização do ágio, como, por exemplo, a aquisição das ações da Recorrente diretamente por CANNES, seguida da incorporação reversa, conforme autorizado pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, ou ainda a aquisição direta das ações da Recorrente por COIC, seguida da integralização de capital em CANNES mediante versão das ações da Recorrente, que em seguida incorporaria CANNES, conforme preveem os mesmos dispositivos legais já citados; no que diz respeito aos fundamentos da decisão recorrida, reafirma que houve inovação no lançamento, uma vez que no lançamento não se questionou os fundamentos do ágio, e a turma julgadora de piso teria concluído que o ágio não teria origem em rentabilidade futura da empresa adquirida (TULIPA), mas sim em bem que compunha seu ativo (investimento em CREDICARD); sobre o tema, anexou parecer do Professor Eliseu Martins que demonstraria que o procedimento adotado pela Recorrente em avaliar a rentabilidade futura de CREDICARD e não de TULIPA estaria correto, uma vez que tais valores seriam idênticos diante da estrutura patrimonial de TULIPA; questiona ainda a exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, bem como a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Às fls. 1.3831.429 a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões que, em resumo, repisam a legalidade do lançamento e da decisão recorrida, requerendo que o recurso voluntário seja desprovido. É o relatório. Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.517 31 Voto Vencido Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator 1. ADMISSIBILIDADE O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. 1 PRELIMINAR 1.1 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Segundo a Recorrente a decisão atacada seria nula por inovar os fundamentos do lançamento, uma vez que a autoridade lançadora não haveria questionado a existência do ágio e o seu fundamento econômico, limitandose a atacar tão somente a suposta impossibilidade de "transferência" do ágio mediante o uso de empresas veículo. Entendo não lhe assistir razão. Isso porque a autoridade fiscal lançadora não se ateve somente a questão da transferência do ágio, mas também à impossibilidade de se amortizar o ágio indireto. Ao questionar que CANNES não poderia registrar ágio de CREDICARD, já que o investimento adquirido seria a própria TULIPA, a meu sentir, a autoridade fiscal questionou não só a transferência do ágio, mas a própria formação do ágio dito indireto. Mais especificamente, à fl. 870, no item 7.7 do Termo de Verificação Fiscal fazse menção taxativa a respeito da impossibilidade de amortização do ágio referente a um investimento adquirido indiretamente. A própria recorrente, embora depois conclua de maneira diversa, em suas razões de recurso, aborda tal questão (fl. 1235): É bem verdade que a Autoridade Fiscal questionou o que chamou de “ágio indireto”, por entender não estarem adequadamente cumpridos os requisitos estabelecidos nos artigos 7º e 8º da lei nº 9.532/97. Desse modo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão recorrida. 1.2 DECADÊNCIA PRECLUSÃO NÃO OCORRÊNCIA DECADÊNCIA RELATIVA A FATOS PASSADOS COM REPERCUSSÕES FUTURAS NO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Alega a Recorrente que tendo os fatos societários que ensejaram a criação do ágio ocorrido no anocalendário de 2004, o crédito tributário em discussão, constituído somente no anocalendário de 2011 estaria extinto. Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.518 32 O tema é pacífico neste Colegiado. Entendese que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Até mesmo porque o art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel de Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Portanto, o lançamento, dado seu caráter constitutivo do crédito tributário, mas declaratório da obrigação, somente pode ser realizado após a ocorrência do fato gerador e, consequentemente, o surgimento da obrigação tributária. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuinte a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advêm dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” Se por hipótese, o contribuinte mantivesse o ágio em seu ativo e não o amortizasse, não teria ocorrido o fato gerador, e, na ausência de infração à legislação tributária, não haveria que se falar em lançamento, pois mesmo nos casos em que do lançamento não resulte exigência de crédito tributário, a constatação de infração à legislação tributária é condição sine qua non para formalização do lançamento. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Considerandose que a exigência diz respeito a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2006 a 2008, e tendo a Recorrente apurado o IRPJ e a CSLL com base no lucro real em tais períodos, a contagem do prazo decadencial somente se iniciou, referente ao período mais longínquo e da maneira mais benéfica ao contribuinte (art. 150, § 4º, do CTN), a partir de 01 de janeiro de 2007, extinguindose o direito de realizar o lançamento somente em 01 de janeiro de 2012, não havendo que se falar em decadência, uma vez que o lançamento foi cientificado ao contribuinte em 13 de dezembro de 2011. Nesse cenário, voto por rejeitar a preliminar de decadência cuja tese implicaria contagem do prazo decadencial a partir da formação dos ágios, e não de sua efetiva amortização. Passo à análise do mérito da exigência. Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.519 33 2 MÉRITO 2.1 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Conforme relatado, tratase de lançamento de IRPJ e CSLL sobre amortização de ágio. A Recorrente alega que a operação que gerou o ágio fez parte de estratégia do grupo empresarial que desejava adquirir a totalidade da operação do CREDICARD no Brasil – investimento anteriormente detido, em partes iguais, por ITAUCARD, TULIPA (de propriedade de UNIBANCO, posteriormente sucedido por ITAÚ) e FHL (de propriedade de CITIBANK). Não se trataria, contudo, de mera aquisição do negócio de cartões de créditos a ser agregado às operações do grupo CITIBANK, mas sim a segregação de operações com cartões de crédito oferecidos a não clientes bancários da própria instituição financeira. Assim, a aquisição de CREDICARD teria se dado no bojo de tal planejamento empresarial. Para tanto, a empresa COIC, situada nos Estados Unidos da América, controladora integral do CITIBANK no Brasil, e o próprio CITIBANK, em 25/11/2004 constituíram a empresa CANNES, no Brasil, cada um integralizando 50% de seu capital social. Em tal aquisição é que houve a formação do ágio posteriormente amortizado pela Recorrente, matéria em que se funda a presente exigência. Quatro dias após (29/11/2004), CANNES adquiriu 50% de TULIPA (que então detinha 1/3 das ações de CREDICARD). Passados cerca de 14 meses (31/03/2006), TULIPA foi cindida parcialmente, vertendo 50% de seu patrimônio para SAINT TROPEZ. As ações de SAINT TROPEZ foram todas entregues ao controle de CANNES, enquanto coube ao ITAÚ (então sucessor de UNIBANCO), manter o restante das ações de TULIPA. Nesse momento, tanto TULIPA, quanto SAINT TROPEZ possuíam 1/6 das ações de CREDICARD. Em curto período de tempo – 30 dias, mais precisamente em 30/04/2006 – houve incorporação reversa de CANNES por SAINT TROPEZ, possuidora, em tal data, de 1/6 das ações de CREDICARD. Por oportuno, ressalto que CANNES é que havia realizado a aquisição, com ágio, de 50% das ações de TULIPA, então detentora de 1/3 das ações de CREDICARD. No momento da incorporação reversa, o ágio contabilizado por CANNES na aquisição de TULIPA passou a compor o ativo de SAINT TROPEZ. Ainda na mesma data, SAINT TROPEZ também foi cindida parcialmente, tendo sido vertidas para NICE as ações, e o respectivo ágio, de emissão de CREDICARD. A controladora do grupo no exterior – COIC – passou a deter as quotas de Nice, enquanto SAINT TROPEZ passou a ser controlada integralmente por CITIBANK (BANCO). Nesse momento, era a seguinte a composição acionária de CREDICARD: ITAUCARD (ITAÚ) e FHL (CITIBANK) possuíam cada uma 1/3 das ações, e tanto TULIPA (ITAÚ) quanto NICE (CITIBANK) possuíam 1/6 das ações. No mesmo dia (30/04/2006) CREDICARD foi cindida parcialmente, com versão da parcela cindida para Banco Itaú Cartões S/A. Desse modo, o controle da Credicard (antiga denominação da Recorrente) passou a ser exercido pelo GRUPO CITIBANK. A tal Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.520 34 época, NICE passou a deter 1/3 das ações de CREDICARD, enquanto FHL detinha o restante das ações (2/3). Depois de um mês (30/05/2006), a controladora do grupo no exterior – COIC efetuou a conferência das quotas da Nice para a CITIBANK CARTÕES. Desse modo, CITIBANK CARTÕES passou a ser controladora de Nice. Segundo a Recorrente, nesse momento, com a inclusão da CITIBANK CARTÕES no quadro societário de CREDICARD, teria sido concretizado o planejado desde o início pelo Grupo Citibank: atingir a estrutura necessária para a administração das atividades de cartões de crédito independente das demais atividades operacionais do Grupo. Um dia depois (31/05/2006), houve nova incorporação reversa, dessa vez entre NICE e CREDICARD, ocasião em que o ágio originalmente detido por CANNES na aquisição das ações de TULIPA (depois transferido a SAINT TROPEZ, e mais tarde à NICE), veio a compor o ativo de CREDICARD. Nesse momento, CITIBANK CARTÕES detinha 1/3 das ações de CREDICARD, enquanto o restante delas permanecia em poder de FHL (CITIBANK). Em razão da incorporação de NICE por CREDICARD, houve o aumento de capital desta em R$ 45.739.592,43, levando à emissão de 6.468.888 ações ordinárias nominativas, distribuídas proporcionalmente à participação no então capital de NICE, resultando em uma participação, em CREDICARD, de 58,59% para FHL e 41,41% para CITIBANK CARTÕES. Ao término de mais sete meses (31/12/2006), FHL foi também incorporada por sua investida Credicard. Tal reestruturação implicou novo desenho societário do grupo, sendo que a controladora no exterior (COIC), além de deter 100% das ações de CITIBANK CARTÕES, passou a deter 3/5 das ações de CREDICARD, enquanto os outros 2/5 das ações eram detidos pelo próprio CITIBANK CARTÕES. A partir de então, CREDICARD (atualmente BANCO CITICARD, Recorrente) passou a amortizar fiscalmente as parcelas do ágio pago por CANNES na aquisição de participação em TULIPA. Para a Recorrente, não existiria restrição legal para a transferência do ágio, que deveria acompanhar o investimento. De igual modo, a utilização das empresas consideradas veículo, tanto pela autoridade fiscal, quanto pela turma julgadora de primeira instância, em nada alteraria a possibilidade de amortização do ágio, até mesmo porque o ágio em questão havia sido efetivamente pago, gerado em negócio entre partes independentes e baseado em laudo idôneo. Além disso, a utilização de tais empresas na operação não teria gerado ágio novo, bem como restaria justificada por propósitos negociais devidamente comprovados nos autos. Entendo não assistir razão à Recorrente. A meu ver, independentemente do desenho das operações e dos eventuais propósitos negociais na utilização de empresas veículo, não havendo extinção do investimento adquirido com ágio mediante confusão patrimonial entre investida e investidora, não há que se falar em dedutibilidade do ágio. Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.521 35 Desde o julgamento do processo nº 16561.720026/201113 (“Caso Bunge” – acórdão nº 1402001.460), no qual fui designado redator do voto vencedor, esta turma, ainda que por voto de qualidade, passou a adotar tal posicionamento. Fixouse o entendimento que, em regra, o ágio efetivamente pago em operação entre empresas não ligadas e calcadas em laudo que comprove a expectativa de rentabilidade futura deve compor o custo do investimento, sendo dedutível somente no momento da alienação de tal investimento (inteligência do art. 426 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99). A amortização do ágio seria exceção. Por decorrência, incluiuse nova premissa para que a amortização do ágio por rentabilidade futura fosse possível, qual seja, a extinção do investimento em razão da absorção do patrimônio da investidora pela investida, ou viceversa, conforme prevê o art. 386, e seu inciso III, do RIR/99. Naquele caso a hipótese ainda tratava da utilização de empresa veículo cujo único objetivo foi possibilitar, mediante reestruturação societária meramente artificial e formal, a amortização do ágio. No presente caso, para seu deslinde, basta a análise de elemento fundamental para que o ágio pudesse ser amortizado, qual seja, que investida e investidora passassem a ser uma única pessoa jurídica, o que jamais ocorreu no caso concreto. Isso porque tendo CANNES adquirido 50% das ações de TULIPA com ágio, somente haveria se falar em amortização de tal ágio se CANNES e TULIPA passassem a ser uma única empresa. Conforme já salientado, tal reestruturação não foi levada a efeito. TULIPA foi cindida parcialmente, vertendo parcela de seu patrimônio para uma nova empresa (SAINT TROPEZ). A cisão efetivamente ocorrida se deu entre CANNES e SAINT TROPEZ. Esta, posteriormente, realizou nova cisão parcial, criando NICE, que futuramente por incorporada por CREDICARD (Recorrente), que passou a amortizar o ágio. Conforme venho explanando em meus votos, não se pode confundir o direito a contabilização do ágio com as condições para amortização em termos fiscais. Vejamos, com base no Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), a legislação que rege a matéria: Amortização do Ágio ou Deságio Art.391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). [grifo nosso] Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Art.426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.522 36 Ivalor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; IIágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. [grifos nossos] Constatase, assim, que, em regra geral, o ágio deverá ser ativado e utilizado como custo somente no momento da alienação do investimento, obviamente se essa vier a ocorrer, o que, frisese, não há qualquer notícia de que tais alienações tenham ocorrido no caso concreto. Nesse sentido, compulsando os autos, percebese claramente que os investimentos realizados, e adquiridos com ágio, comporiam o ativo da Recorrente, provavelmente, por tempo indeterminado, haja vista a continuidade das operações antes realizadas pelas investidas em novas empresas, segregadas de acordo com o ramo de atividade a que se dedicavam e, ao que tudo indica, ainda se dedicam, com exceção da hipótese de fechamento de capital. A artificialidade da operação foi justamente buscar o contorno de tais normas imperativas, que impunham a ativação do ágio, buscando posicionar a Recorrente diante de normas de contorno, quais sejam, o art. 386, III, e seu § 6º, II, do RIR/99, transcritas a seguir, mediante operações societárias meramente com fins fiscais: Art.386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; [...] §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): [...] II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. [grifos nossos] Isso porque o fato de a formação do ágio ter cumprido os requisitos legais estabelecidos, em especial aqueles em que essa turma firmou entendimento necessários (o efetivo pagamento do custo total de aquisição, Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.523 37 inclusive o ágio; a realização das operações originais entre partes não ligadas; seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura), não possui o condão de permitir que a regra geral seja desrespeitada, qual seja, o ágio deverá compor o custo do investimento para fins de apuração de ganho de capital em eventual alienação (inteligência do art. 391 c/c art. 426, II, ambos do RIR/99). Nessa senda, para que o ágio com fundamento em rentabilidade futura possa compor o resultado do período, o regulamento do imposto de renda impõe ou a alienação do investimento – nesse caso, na forma de custo de aquisição , ou mediante amortização, desde que haja incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida (art. 386, caput e inciso III), ainda que de forma reversa (art. 386, § 6º, II). Ocorre, volto a frisar, que tal fato jamais ocorreu no caso sob exame. A transferência do ágio a uma terceira pessoa jurídica não possui qualquer previsão legal. Com exceção de a operação em comento não ter sido realizada no âmbito dos programas de desestatização levada a efeito durante a década de 1990, e independentemente da exigência ou não de propósitos negociais na utilização de empresas veículos, tal caso é muito similar ao do caso TIM julgado neste colegiado na sessão de 26 de novembro de 2014 (acórdão nº 1402001.876). Naquela oportunidade, assim resumi o entendimento sobre o tema: inexistindo extinção do investimento mediante real reestruturação societária entre investida e investidora não há que se falar em amortização do ágio, não se admitindo sua transferência para terceiros para que usufruam de tais despesas. E essa é a posição que mantenho para o presente julgado, motivo mais do que suficiente para negar provimento ao recurso em relação ao tema. O argumento de que, supostamente, o desenho da operação, se realizado de outras maneiras, poderia ter possibilitado a amortização do ágio ainda que tal estruturação fosse possível não me sensibiliza, pois há de se analisar os fatos tais quais ocorreram, e não, como, hipoteticamente, poderiam ser sido realizados. Além disso, há motivo complementar que justifica a manutenção da infração. A PGFN em suas contrarrazões se manifesta respeito da necessidade de cancelamento do ágio junto com a extinção do investimento que lhe deu origem. Tal argumentação procede. Já que houve o cancelamento das ações de TULIPA pertencentes à CANNES quando da cisão parcial da primeira (CANNES recebeu em troca ações de SAINT TROPEZ), o ágio, sendo acessório do principal, deveria também ter sido cancelado. Nesse aspecto, novamente, com a devida vênia, devem ser transcritas as conclusões da PGFN sobre a matéria: De fato, é incontroverso na presente lide que o ágio amortizado e deduzido pelo contribuinte decorre da aquisição de 50% das quotas da TULIPA pela CANNES, ocorrida no dia 29/12/2004. Em face dessa operação, portanto, a CANNES registrou um investimento na TULIPA no valor de R$ 1.583.095.269,58, o .de R$ 743.436.029,47 foi contabilizado como ágio decorrente da diferença entre o custo de aquisição e o valor de patrimônio líquido (R$ 839.659.240,11). Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.524 38 Ato contínuo, em 31/03/2006, houve a cisão parcial da TULIPA. Em decorrência dessa cisão parcial, a parcela da TULIPA adquirida pela CANNES foi vertida à empresa SAINT TROPEZ pelo seu valor de patrimônio líquido (R$ 1.035.438.783,44). Assim, a TULIPA cancelou as 821.000.583 quotas que a CANNES detinha no valor total de R$ 1.583.095.269,48, e a SAINT TROPEZ emitiu a mesma quantidade de quotas no valor de R$ 821.000.583,001 (embora o valor de patrimônio líquido fosse maior). Contudo, mesmo as quotas que detinha da TULIPA tendo sido canceladas, a CANNES permaneceu registrando tal investimento em sua contabilidade, assim como o respectivo ágio. Ou seja, a CANNES registrou o investimento que detinha na SAINT TROPEZ pelo seu valor de patrimônio líquido (e sem qualquer ágio ou deságio), o investimento sobre a TULIPA e o correspondente ágio. Nesse diapasão, registrase o seguinte trecho do Livro Razão da CANNES com database de 30/04/2006 (ou seja, quase um mês após a cisão parcial da TULIPA): Encerrando o caminho percorrido pelo ágio correspondente à aquisição da TULIPA, em 30/04/2006 ele é transferido a SAINT TROPEZ em face da incorporação da CANNES por essa empresa. Nessa mesma data ele é transferido à empresa NICE em razão da cisão parcial a SAINT TROPEZ. E, por fim, em 31/05/2006 é absorvido pelo CREDICARD por meio da incorporação da NICE por esse banco, o qual passa a amortizálo e deduzilo tributariamente. Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.525 39 A fim de demonstrar a ausência de controvérsia sobre o caminho percorrido pelo ágio pago pela CANNES quando da aquisição da TULIPA, destacamse os seguintes trechos do recurso voluntário: [aquisição de 50% das quotas da TULIPA pela CANNES] Na operação em comento, Cannes adquiriu 821.000.583 quotas, no valor total de R$ 821.000.583,00, registrando nessa operação um ágio de R$ 743.436.029,47, conforme atesta o balanço da Cannes de 31/12/2004. Apontese que, como bem reconhece a Autoridade Fiscal (tópico 1, item 1.44 do TVF), foi nesta operação que se registrou o ágio sob análise, no presente processo administrativo, pela primeira vez. (... ) [incorporação da CANNES pela SAINT TROPEZ] Destarte, com essa operação, o ágio que estava contabilizado na Cannes em virtude da aquisição de 50% das quotas da Tulipa passou a ser registrado pela Saint Tropez. (... ) [cisão parcial da SAINT TROPEZ e versão para a NICE] A referida parcela cindida corresponde ao investimento da Saint Tropez na Credicard, bem como o ágio pago pela Cannes na aquisição de participação na Tulipa (transferência do ágio por sucessão em virtude de cisão). (...) [incorporação da NICE pelo CREDICARD] Após a incorporação da Nice, o Recorrente (atual denominação de Credicard) passa a amortizar fiscalmente as parcelas do ágio pago pela Cannes na aquisição de participação na Tulipa. Vêse, assim, que o recorrente confirma que, embora as quotas que a CANNES detinha da TULIPA tenham sido canceladas em 31/03/2006, com a cisão parcial dessa segunda empresa, o ágio relativo a tal aquisição se perpetuou de forma independente. Pois bem, descrito o suporte fático, partese à aplicação do direito. [...] [...] o ágio deveria ter sido cancelado junto com o investimento que lhe deu causa. Em termos contábeis, tributários e societários, tendo havido a extinção do investimento por cisão, não há como o correspondente ágio permanecer existindo de forma autônoma, ainda que tal "mais valia" tenha sido paga com base em uma parcela do investimento que permaneceu sob o poder do investidor. Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.526 40 Por certo, o registro de um ágio decorre do método da equivalência patrimonial (MEP), segundo o qual o preço de aquisição de uma participação societária deve ser desdobrado entre o valor de patrimônio líquido da participação, e o ágio ou deságio. Assim, o registro de um ágio é um aspecto acessório do custo de aquisição de um investimento, o qual é o registro principal. Por essa razão, inclusive, que o parágrafo 1° do artigo 385 do RIR/99 estabelece que "o valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento". Portanto, sendo um registro de natureza acessória, a sorte do ágio deve sempre seguir a sorte do investimento que lhe deu origem. Sendo o investimento alienado ou extinto por qualquer razão, o correspondente ágio também deverá ser cancelado. Em face do cancelamento da conta principal do investimento, não haverá como registrar a correspondente subconta. Como única exceção à regra acima descrita, temse a autorização contida no artigo 386 do RIR/99, pela qual o ágio permanece existindo mesmo com a extinção do investimento que lhe deu causa. Contudo, não se deve olvidar que a referida norma trata de casos onde há a confusão patrimonial entre investimento e investidor, ou seja, onde não há a efetiva extinção do investimento, apenas a confusão de patrimônios. Nesse esteio, o artigo 386 cria uma hipótese de presunção de extinção do investimento adquirido com a manutenção do ágio. No caso em apreço, vale ressaltar, a situação é diversa daquela prevista no artigo 386. Ao contrário do que tal norma prevê, a CANNES não absorveu o patrimônio cindido da TULIPA a fim de justificar a presunção de que o investimento foi extinto. A CANNES substituiu um investimento que tinha (50% das quotas da TULIPA) por outro (100% das quotas da SAINT TROPEZ). Portanto, na situação em testilha, o artigo 386 não poderia ser aplicado para justificar a manutenção do registro ágio. Dessa forma, retornando a presente lide, vêse que, a sorte do ágio registrado pela CANNES deveria ter seguido a sorte das quotas da TULIPA adquiridas por aquela empresa. Uma vez as quotas da TULIPA tendo sido canceladas do patrimônio da CANNES, o respectivo ágio deveria também ter sido cancelado. Não há qualquer justificativa contábil, societária e tributária para que a CANNES permaneça registrando um ágio cuja participação societária que lhe deu origem foi cancelada por cisão da empresa. Tal como defende o recorrente que o ágio deve seguir o investimento que lhe deu ensejo, no presente caso, o ágio relativo à aquisição da TULIPA deve seguir tal empresa. Portanto, tendo 50% de seu patrimônio sido extinto e vertido para outra empresa, o ágio relativo a essa aquisição deixou de existir, pois essa parcela do patrimônio deixou de ser da TULIPA. Ademais, um outro aspecto que deixa o registro adotado pelo contribuinte ainda mais confuso, é o fato de a CANNES, mesmo tendo mantido o registro Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.527 41 do investimento que detinha sobre a TULIPA com o respectivo ágio, ter também registrado o investimento sobre a SAINT TROPEZ. Ou seja, com a cisão parcial da TULIPA, a CANNES registrou em duplicidade o mesmo investimento, e manteve o ágio com relação ao investimento que fora extinto. Mas, o que teria levado a CANNES a manter o registro do ágio reativo à aquisição da TULIPA? Por que ela não transformou esse ágio referente a TJ LIPA em ágio referente a SAINT TROPEZ? Porque, quando do registro contábil do investimento na SAINT TROPEZ, a CANNES apurou deságio. Com efeito, tal como ressaltado anteriormente, o patrimônio da TULIPA fora vertida a SAINT TROPEZ pelo seu valor de patrimônio líquido (R$ 1.035.438.783,44). Contudo, esse montante era superior ao valor das quotas da SAINT TROPEZ registradas pela CANNES (R$ 821.000.583,00). Dessa forma, pelo MEP, a CANNES deveria ter registrado um deságio em face da aquisição das quotas da SAINT TROPEZ no valor de R$ 214.438.200,44. Destarte, demonstrase que, além da alegada transferência do ágio ser impossível em face dessa "mais valia" ter sido extinta junto com o cancelamento do investimento que lhe deu origem, o ágio registrado pela CANNES em face da cisão parcial da TULIPA deveria ser, na verdade, um deságio. Portanto, se houve alguma transferência até o CREDICARD, não foi de um ágio para ser deduzido, mas sim de um deságio para ser tributado. Diferente seria se, com a cisão parcial da TULIPA, a CANNES tivesse cancelado por completo o investimento que detinha nessa empresa, e registrado a participação societária da SAINT TROPEZ pelo seu valor de mercado pautado em novo laudo. Caso a CANNES tivesse assim procedido, ela teria segregado o custo de aquisição de 100% das quotas da SAINT TROPEZ no valor de patrimônio líquido dessa empresa e em um novo ágio. Diante dessa hipótese, não se estaria discutindo a impossibilidade de transferência do ágio em face da sua extinção junto com o investimento que lhe deu origem, mas sim a possibilidade, propriamente dita, da "mais valia" ser transferida. Por fim, destacase que eventual alegação de que o ágio pago se refere ao CREDICARD, e não a TULIPA, não é hábil a justificar a manutenção do registro dessa "mais valia" após a cisão parcial da TULIPA. Com efeito, como já explicado no item anterior, a CANNES em nenhum momento adquiriu diretamente qualquer participação societária do CREDICARD. Portanto, não haveria como a CANNES registrar um ágio relativo ao CREDICARD em face da aquisição da TULIPA, e mantêlo após a extinção dessa última empresa. Contabilmente, isso também seria impossível. Sendo assim, em face do exposto, mostrase a indedutibilidade do ágio absorvido pelo CREDICARD quando da incorporação da NICE uma vez que essa "mais valia" fora extinta quando da cisão parcial da TULIPA. Por certo, não havendo Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.528 42 como a CANNES ter mantido o registro do referido ágio após a cisão da TULIPA, a "mais valia" não poderia ter sido transferida até o CREDICARD. Em relação à dedutibilidade de tais valores da base de cálculo da CSLL, outra não sorte não merece a irresignação da Recorrente. A CSLL tem como base de cálculo o lucro líquido do período com os ajustes determinados na respectiva legislação. Neste sentido, determinam os artigos 248 e 277, ambos do RIR/99: Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais, e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º). Art. 277. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 11). O lucro operacional é, pois, o resultado do confronto das receitas operacionais com as despesas operacionais. Assim, determina o artigo 299/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Da interpretação sistemática destes dispositivos, extraise que somente poderão reduzir o lucro líquido, as despesas operacionais que preencham os requisitos previstos no artigo 299, acima transcrito, quais sejam, as despesas necessárias. Não se trata de aplicação de analogia, mas sim, de considerar que o dispêndio que violam as regras de dedutibilidade do IRPJ, não pode reduzir o lucro líquido que, também, é a base de cálculo da CSLL, com os ajustes previstos na sua legislação específica. Ainda que se considere que as despesas em questão, no presente caso, tenham natureza não operacional, cabe lembrar que, o que os torna indedutíveis também da base de cálculo da Contribuição Social é o próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. A escrituração contábil, pela qual se apura o resultado do exercício, ponto de partida para se chegar à base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL, deve observar postulados e princípios contábeis. Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.529 43 Conforme impõe o Princípio da Entidade, um dispêndio produzido de forma equivocada não deve estar na contabilidade. Em outras palavras, a contabilização de despesas inexistentes implica inobservância do princípio contábil da entidade, devendo ensejar, também por esta razão, a sua glosa, afetando, portanto, a base de cálculo do IRPJ e também da CSLL. Os dispêndios glosados afetam o próprio resultado do exercício e, consequentemente, também a base de cálculo da Contribuição Social, como definida no art. 2º da Lei 7.689, de 1988, com as alterações do art. 2º da Lei 8.034, de 1990. Além disso, o art. 13 da Lei nº 9.249/951, quando trata das despesas indedutíveis das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL, é taxativo ao dispor que tais vedações de dedutibilidade se aplicam independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.502/64, justamente a base legal do art. 299 do RIR/99. Assim, dada a relação de causa e efeito entre as glosas efetuadas para fins de apuração do lucro real e da CSLL, voto por negar provimento ao recurso também em relação a tal matéria. 3 DA EXIGÊNCIA DE MULTAS ISOLADAS POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ E CSLL Em razão da glosa de despesas, a Recorrente deixou de recolher valores a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas. Há de separar a exigência em dois períodos distintos em razão da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996: o primeiro até o advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) e o segundo após a edição de tal ato. Em relação à aplicação da multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, em que pese meu entendimento pessoal sobre a matéria, recentemente foi aprovada súmula impedindo tal cobrança quando baseada no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, conforme se observa do enunciado nº 105 da Súmula CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento. No caso concreto, a partir da estimativa devida referente ao mês de dezembro de 2006, cujo vencimento se deu em 31/01/2007, a penalidade isolada aplicada no lançamento de ofício encontrase prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não se aplicando, portanto, a Súmula CARF nº 105. Confirase a nova redação do dispositivo em questão: 1 Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.530 44 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [....] As multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 1º, estabeleceu como regra geral, a partir do mês de janeiro de 1997, a apuração do lucro real trimestral. Apenas por exceção a pessoa jurídica poderia optar pela apuração do lucro real anual, situação em que fica obrigada a efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL mensalmente, calculados por estimativa (artigo 2º). As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente são determinadas por meio da aplicação, sobre a receita bruta do mês, de percentuais estabelecidos pelo artigo 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de acordo com as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. Consoante se verifica pela redação das normas transcritas, são essencialmente duas as penalidades previstas no art. 44 retrotranscrito (“serão aplicadas as seguintes multas”, “I...II”): uma, exigida juntamente com o tributo faltante, nas hipóteses de “de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Essa penalidade está valorada em 75% “sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição”; outra, exigida de forma isolada, no percentual de 50%, na hipótese da falta recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL. É pertinente esclarecer que os recolhimentos efetuados mensalmente a título de estimativas (art. 2º, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.430, de 1996) não são definitivos, porquanto a apuração definitiva do tributo devido se dará somente ao final de cada ano calendário. Esse o motivo pelo qual a penalidade pelo inadimplemento dessa obrigação é denominada multa isolada, uma vez que pode ser exigida independentemente de haver ou não tributo devido ao final do período de apuração. E também não há qualquer correlação entre o valor do tributo devido ao final de apuração e a multa isolada: sua base de cálculo é o valor do pagamento mensal (estimativa) de IRPJ ou CSLL que deixar de ser recolhido. Diante dessas constatações, é imperioso concluir que as multas são distintas e autônomas. Isso decorre, acima de tudo, das evidentes diferenças que existem entre as hipóteses de incidência e os consequentes das normas punitivas. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.531 45 No IRPJ e na CSLL, observamos que os critérios material e temporal são completamente distintos. O tributo não pago, decorrente da existência de lucro apurado trimestralmente ou anualmente, submetese à multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal ou balanços de redução, submetese à multa do inciso II do dispositivo antes citado. No caso do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, a quantificação toma por base o tributo devido em função do lucro, fazendo incidir o percentual de 75% (regra geral passível de qualificação e agravamento §§ 1º e 2º do art. 44). No caso do inciso II, letra “b”, do dispositivo antes citado, a quantificação toma por base a estimativa apurada em função da receita bruta ou resultados mensais, fazendo incidir o percentual de 50% (regra geral não passível de qualificação ou agravamento). Como se pode observar, são duas normas distintas e autônomas, que punem, em diferentes graus, ilicitudes diversas. Alega a Recorrente que a aplicação da penalidade isolada, tal qual perpetrada no auto de infração, viola o princípio da legalidade. Aduz ainda que não se poderia aplicála após o encerramento do exercício, tampouco em concomitância com a multa de ofício de 75%. Cita diversos acórdãos do CARF que dariam guarida a sua tese. Não merecem prosperar os argumentos de defesa. Vejamos. Em primeiro lugar, conforme já transcrito, a penalidade isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais está prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da legalidade. Nesse sentido, também, não há ofensa ao art. 97, V, do CTN, uma vez que a multa em discussão foi instituída por lei. Em relação a não aplicabilidade das multas isoladas após o encerramento do exercício, implicaria ofensa à literalidade do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que prevê, de forma expressa, a aplicação da penalidade isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, pressupõe se, por óbvio, que o exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do exercício. Podese concluir que o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o fluxo financeiro advindo do pagamento mensal das estimativas. Ora, inexistindo penalidade pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o tributo, e o pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável. Em relação às decisões colacionadas pela Recorrente, frisese que se baseiam na redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em que pese minha particular discordância com a interpretação do referido dispositivo dada pelos acórdãos em questão, não se pode olvidar que os argumentos utilizados não se amoldam a novel redação dada ao dispositivo pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vejamos. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.532 46 Ao se comparar a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, constatase que se buscou adequar o dispositivo à jurisprudência então dominante no CARF, mais precisamente a firmada em torno do entendimento do então Conselheiro e Presidente de Câmara José Clóvis Alves, que atacava a redação do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 ("Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição..."), e também o fato da ocorrência de bis in idem, pois a "mesma" multa seria aplicada quando do lançamento de ofício do tributo (Acórdão CSRF 0105503 101134520). Na nova redação do citado artigo, o caput não mais faz referência à diferença de tributo (“Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas...”), sendo tal expressão utilizada somente no inciso I, que trata da multa de 75% aplicada sobre a diferença de tributo lançado de ofício. A referência à multa isolada agora é tratada em dispositivo específico (inciso II), com multa em percentual distinto da multa de ofício (esta é de 75%, e aquela de 50%). Vêse, assim, que a nova multa isolada é aplicada, em percentual próprio, sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado a título de estimativa, não mais se falando em diferença sobre tributo que deixou de ser recolhido. De qualquer modo, quer pela redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96, quer pela atual, entendo que as multas isoladas devem ser mantidas, ainda que aplicadas em concomitância com as multas de ofício pela ausência de recolhimento/pagamento de tributo apurado de forma definitiva. Tal conclusão decorre da constatação de se tratarem de penalidades distintas, com origem em fatos geradores e períodos de apuração diversos, e ainda aplicadas sobre bases de cálculos diferenciadas. A legislação, em nenhum momento, vedou a aplicação concomitante das penalidades em comento. Isso posto, voto por manter a exigência das multas isoladas. 4 DA INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Por fim, alegou o contribuinte que a cobrança de juros sobre a multa de ofício seria ilegal. Observase, inicialmente, que a questão tem sido objeto intenso debate pela Câmara Superior, haja vista que, num lapso de poucos meses, ocorreram votações em sentidos opostos, ambos decididos por maioria apertada de votos, como se verifica dos acórdãos n° 910100539, de 11/03/2010, e n° 910100.722, de 08/11/2010. Abstraindose de argumentos finalísticos, como o enriquecimento ilícito do Estado, os quais fogem à alçada deste tribunal administrativo, conforme determina a Súmula CARF n° 2, expõese os fundamentos considerados suficientes para justificar a cobrança nos presentes autos, com espelho no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.533 47 contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.534 48 crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.535 49 §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL2008/02395728 Relator(a) Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.536 50 Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que se refere ao período de 01/01/1995 a 31/12/1996, sustentam alguns que o Parecer MF/SRF/Cosit nº 28/98 teria deixado claro não ser exigível a incidência de juros sobre a multa de ofício tendo em vista as disposições do inciso I, do art. 84, da Lei nº 8.981/95. O mencionado Parecer, ainda que conclua pela incidência dos juros sobre a multa de ofício para fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, de fato manifestase nos termos dessa tese. Entretanto, constatase que o referido Ato Administrativo não levou Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.537 51 em consideração a alteração legislativa trazida pela MP nº 1.110, de 30/08/95, que acrescentou o § 8º ao art. 84, da Lei 8.981/95, e que estendeu os efeitos do disposto no caput aos demais créditos da Fazenda Nacional cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional. Cumpre esclarecer ainda que as três turmas da Câmara Superior, em decisões recentes, vêm confirmando a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício (Acórdãos 9101001.863, 9202003.150 e 9303002.400). Por fim, corroborando o aqui exposto, o STJ vem firmando entendimento no mesmo sentido, entendendo que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício, conforme se observa na ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990 PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Ressaltase ainda que, em recentes julgados o STJ decidiu que, no âmbito do parcelamento especial previsto na Lei nº 11.941/2009, as remissões previstas em tal dispositivo legal para as multas de mora e de ofício não autorizam aplicações de reduções superiores às fixadas na mesma lei (45%) para os juros de mora incidentes sobre tais penalidades, ou seja, visto sob outro enfoque, reafirmouse o entendimento de que incidem juros moratórios sobre as multas de mora e de ofício. Tal exegese pode ser observada no REsp 1.492.246/RS (Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, segunda turma, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015) e no REsp 1.510.603–CE (Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015), em relação ao qual transcrevese a seguir sua ementa: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. 11.941/2009. REMISSÃO DE MULTA EM 100%. DESINFLUÊNCIA NA APURAÇÃO DOS JUROS DE MORA. PARCELAS DISTINTAS. PRECEDENTE. 1. "Em se tratando de remissão, não há qualquer indicativo na Lei n. 11.941/2009 que permita concluir que a redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício estabelecida no art. 1º, §3º, I, da referida lei implique uma redução superior à de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora estabelecida nos mesmo inciso, para atingir uma remissão completa da rubrica de juros (remissão de 100% de juros de mora), como quer o contribuinte " (REsp 1.492.246/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/06/2015, DJe 10/06/2015.). 2. Consequentemente, a Lei n. 11.941/2009 tratou cada parcela componente do crédito tributário (principal, multas, juros de mora e encargos) de forma distinta, de modo que a redução percentual dos juros moratórios incide sobre as multas tão somente após a apuração atualizada desta rubrica (multa). Recurso especial provido. REsp 1.510.603–CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 20/08/2015. Isso posto, voto por manter tal exigência. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.538 52 4 CONCLUSÃO Isso posto, voto por rejeitar as arguições de nulidade da decisão de primeira instância e de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.539 53 Voto Vencedor Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Redator designado Ouso discordar do i. Conselheiro relator tãosomente quanto à aplicação da multa isolada, concomitante com aquela aplicada proporcionalmente ao tributo lançado. Quanto a essa matéria, este Conselho possui entendimento firmado, para fatos geradores anteriores à mudança legislativa trazida pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com a edição da Súmula CARF nº 101, in verbis. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com efeito, a inteligência da citada súmula é clara quanto à impossibilidade de exigência concomitante das multas quando relativas a fatos geradores anteriores a 2007, nada aclarando, no meu entender, quanto a fatos geradores a partir daquela data. Nesse esteira, quanto a fatos geradores posteriores à citada mudança legislativa, como é o caso dos autos deste processo, este Colegiado possui entendimento sedimentado, embora não unânime, no sentido da inaplicabilidade da multa isolada quando concomitante com a multa de ofício proporcional ao tributo apurado. Nesse sentido, cito, dentre outros, o acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009, cuja ementa elucida: MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. E acórdão nº 1102001.315 de 25/09/2015, conforme ementa abaixo. Ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2006, 2007 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DE TRIBUTO. ALTERAÇÕES DA LEI 11.488/07. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ, mesmo após as alterações no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, promovidas pela Lei nº 11.488/07.” A jurisprudência no e.Superior Tribunal de Justiça também se coaduna com esse entendimento. Vejase, nesse sentido, o AgRg no REsp 1499389/PB. TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.540 54 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1499389 / PB) E o citado REsp 1496354/PR, julgado pela segunda Turma daquela Corte, que, à unanimidade, confirmou o entendimento quanto à impossibilidade da aplicação das duas multas, quando concomitantes. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.541 55 Recurso especial improvido. Transcrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado, com os fundamentos que adoto: "[...] Para fins de esclarecimento da controvérsia, cito as normas que, segundo a parte recorrente, foram violadas: "Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)" Não prospera a pretensão recursal, na medida em que não reconheço a possibilidade de exigência cumulativa de tais multas. A multa do inciso I é aplicável nos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". A multa do inciso II, entretanto, é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007)". Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.542 56 As hipóteses do inciso II, 'a' e 'b', em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. [...]". Portanto, as multas de oficio isoladas, naquilo em que forem concomitantes com as multas de ofício proporcionais, devem ser exoneradas. Em outras palavras, a multa isolada será cancelada até o montante de base de cálculo menor ou igual à base de cálculo sobre a qual incidiu a multa de ofício proporcional, nos termos abaixo, para o caso concreto: Ano calendário BC multa de ofício proporcional IRPJ BC multa isolada IRPJ BC multa isolada remanescente Multa isolada remanescente 2007 37.341.116,64 37.341.116,64 2008 37.341.116,64 37.341.116,64 Ano calendário BC multa de ofício proporcional CSLL BC multa isolada CSLL BC multa isolada remanescente Multa isolada remanescente 2007 13.442.802,00 13.442.802,00 2008 19.566.745,13 19.417.380,72 Tendo em vista que para o IRPJ e CSLL a base de cálculo da multa isolada foi igual ou inferior à base de cálculo sobre a qual incidiu a multa de ofício proporcional, a concomitância, quanto a esses tributos, atinge as multas isoladas por inteiro. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar – Redator Designado Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.721657/201122 Acórdão n.º 1402002.152 S1C4T2 Fl. 1.543 57 Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/05/2016 por FREDERI CO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 09/05/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10715.004522/2010-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 17/09/2007
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 17/09/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 17/09/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 45 22 /2 01 0- 68 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004522/201068 Acórdão n.º 9303003.762 CSRFT3 Fl. 261 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3803006.274, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004522/201068 Acórdão n.º 9303003.762 CSRFT3 Fl. 262 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004522/201068 Acórdão n.º 9303003.762 CSRFT3 Fl. 263 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004522/201068 Acórdão n.º 9303003.762 CSRFT3 Fl. 264 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004522/201068 Acórdão n.º 9303003.762 CSRFT3 Fl. 265 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004522/201068 Acórdão n.º 9303003.762 CSRFT3 Fl. 266 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 266DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004522/201068 Acórdão n.º 9303003.762 CSRFT3 Fl. 267 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004522/201068 Acórdão n.º 9303003.762 CSRFT3 Fl. 268 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 268DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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