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Numero do processo: 16327.903462/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 IPRJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INDEDUTIBILIDADE Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece-se o direito de crédito correspondente. IRPJ. SALDO NEGATIVO. GLOSA DE IRRF SOBRE REMESSAS AO EXTERIOR. Quando demonstrado de forma cabal por meio de documentos carreados aos autos que os lucros auferidos por filial localizada em pais com tributação favorecida foi tributado pela sua matriz no Brasil, deve se reconhecer o crédito e homologar a compensação do IRRF sobre os pagamentos efetuados à empresa no exterior.
Numero da decisão: 1402-002.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$1.054.592.441,94 e homologar as compensações pleiteadas, até esse limite. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito de R$1.046.307.902,84, relativo às estimativas pagas mediante compensação não homologada nos autos do processo administrativo nº 16327.000190/2011-83. Designado o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Relator. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES

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1402­002.430  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  23 de março de 2017  Matéria  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  BANCO BRADESCO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2011  IPRJ.  SALDO  NEGATIVO.  COMPENSAÇÃO.  ESTIMATIVAS.  COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INDEDUTIBILIDADE   Constatado  que  as  estimativas  compensadas  não  foram  homologadas,  mas  que  o  respectivo  crédito  tributário  foi  inscrito  em  dívida  ativa,  e  posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece­ se o direito de crédito correspondente.  IRPJ.  SALDO  NEGATIVO.  GLOSA  DE  IRRF  SOBRE  REMESSAS  AO  EXTERIOR.  Quando demonstrado de forma cabal por meio de documentos carreados aos  autos  que  os  lucros  auferidos  por  filial  localizada  em  pais  com  tributação  favorecida  foi  tributado  pela  sua  matriz  no  Brasil,  deve  se  reconhecer  o  crédito e homologar a compensação do IRRF sobre os pagamentos efetuados  à empresa no exterior.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao  recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$1.054.592.441,94 e  homologar  as  compensações  pleiteadas,  até  esse  limite.  Vencidos  os  Conselheiros  Luiz  Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone que votaram por dar provimento parcial  ao  recurso  para  reconhecer  o  crédito  de  R$1.046.307.902,84,  relativo  às  estimativas  pagas  mediante  compensação  não  homologada  nos  autos  do  processo  administrativo  nº  16327.000190/2011­83.  Designado  o  Conselheiro  Leonardo  Luis  Pagano  Gonçalves  para  redigir o voto vencedor.   (assinado digitalmente)     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 34 62 /2 01 4- 41 Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.767          2 Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente.    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Relator.    (assinado digitalmente)  Leonardo Luis Pagano Gonçalves ­ Redator Designado      Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Fernando  Brasil  de  Oliveira Pinto,  Leonardo  Luís  Pagano Gonçalves,  Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader  Quintella,  Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves,  Demetrius  Nichele  Macei  e  Leonardo  de  Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.  Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.768          3 Relatório  Trata  o  presente  processo  de  PER/DCOMP,  protocolada  sob  o  nº  34917.97683.200213.1.2.02­2338  e  transmitido  em  20/02/2013,  em  que  é  pleiteado  crédito  decorrente  de  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano  calendário  2011,  no  valor  original  de  R$  1.632.862.454,65. Ao crédito requerido foram vinculados os débitos constantes das DCOMPs  abaixo:    A Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo – DEINF/SP,  em  despacho  decisório  datado  de  04/09/2014,  v.  e­fls.  331/359,  reconheceu  apenas  parcialmente o direito creditório, no montante de R$463.861.711,09 do saldo negativo de IRPJ  apurado em 31/12/2011, homologando a compensação dos débitos declarados até o  limite de  crédito reconhecido. O referido Despacho Decisório foi fundamentado na Informação Fiscal de  e­fls. 1.261/1.271.  Em seu pedido de restituição, o contribuinte  informou que o saldo negativo  pleiteado  seria  composto  de  R$  8.291.275,90  a  título  de  imposto  de  renda  retido  sobre  rendimentos pagos  ao  exterior, de R$ 424.619.767,72 de  Imposto de Renda Retido na Fonte  (IRRF), de R$ 460.127.864,96 a título de estimativas pagas e de R$ 1.080.795.952,18 a título  de estimativas compensadas. Tais valores, deduzidos do IRPJ devido, apurado no montante de  R$  62.299.918,97,  gerariam  o  crédito  pleiteado.  Todavia,  após  a  análise  detalhada  na  Informação  Fiscal  de  e­fls.  1.261/1.271,  a  autoridade  administrativa  decidiu  por  confirmar  apenas os valores constantes do demonstrativo abaixo:        Em razão das glosas acima apontadas, restou confirmado apenas o montante  de R$533.161.630,06, o que resultou na validação de um saldo negativo de R$ 463.861.711,09  (R$  62.299.918,97  – R$  533.161.630,06),  insuficiente  para  liquidar  a  totalidade  dos  débitos  declarados nas DCOMPs vinculadas ao PER.    Segundo  a  autoridade  fiscal,  a  glosa  teria  sido  realizada  pelos  seguintes  motivos (reproduzidos abaixo em apertada síntese):  5. Imposto de Renda no exterior – Foram apresentados os contratos de câmbio e  documentos de arrecadação dos  tributos  federais – DARF de duas operações: uma  relativa ao pagamento de juros e comissões (código de  recolhimento 0481) à  filial  domiciliada  nas  Ilhas  Cayman  e  outra  referente  a  despesa  de  pré­pagamento  de  Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.769          4 exportação (código 0473) também para a filial domiciliada nas ilhas Cayman. Para a  primeira operação há previsão legal de aproveitamento do IR pago no Brasil a título  de  juros  e  comissões  decorrentes  de  operações  com  empresas  ligadas  no  exterior,  desde  que  haja  comprovação  por  meio  documental  (demonstrações  financeiras  e  razões  contábeis)  de  que  a  pessoa  jurídica  estabelecida  em  país  que  não  tribute  a  renda  tenha  incluído  a  receita  sobre a qual  incidiu o  tributo na apuração do  lucro.  Deve  ser  comprovado  também  que  o  lucro  foi  oferecido  à  tributação  no  Brasil.  Assim,  a  apresentação  dos  contratos  e  dos  DARF  embora  façam  parte  do  rol  de  documentos  previstos  pela  legislação,  não  possuem  o  condão  de,  por  si  só,  comprovar  a  existência  do  direito  líquido  e  certo.  Importante  registrar  que  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  diversos  documentos  que  segundo  a  legislação são indispensáveis ao reconhecimento do crédito, porém não o fez. A  segunda ocorrência está relacionada a Retenção do Imposto de Renda sob o código  0473 ­ Renda e Proventos de Qualquer Natureza ­ FATO GERADOR ­ Rendimentos  de qualquer natureza como os provenientes de pensões e aposentadoria, de prêmios  conquistados  no Brasil  em  concursos,  comissões  por  intermediação  em  operações  em bolsa de mercadorias e ganho de capital, inclusive os obtidos em investimentos  em  moeda  estrangeira  pagos,  creditados,  entregues,  empregados  ou  remetidos  a  residentes ou domiciliados no exterior. " Rendimentos do trabalho e da prestação de  serviços sem vínculo de emprego, auferidos por residentes no exterior. (IR/1999, art.  682;  IN SRF nº 208, de 2002, art. 2º). BENEFICIÁRIO ­ Pessoa física ou jurídica  residente  ou  domiciliada  no  exterior  –  O  regime  de  tributação  previsto  pela  legislação para essa operação é de exclusividade na fonte, ou seja, não poderá  ser utilizado como antecipação do devido. Essa regra, diferentemente da adotada  para o pagamento de juros e comissões a filial, sucursal domiciliada em país que não  tribute  a  renda,  não  foi  alterada  pelo  art.  395  do  RIR.  Assim,  em  relação  ao  Imposto  de  Renda  incidente  nas  operações  com  o  exterior  deverá  ocorrer  a  glosa do montante declarado na DCOMP.    32.  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  –  O  contribuinte  logrou  comprovar  parcialmente  os  valores  do  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  não  confirmados  pelos sistemas da RFB e solicitados no termo de intimação n° 92 de 2014 (a parcela  relativa a retenção sobre Juros sobre o Capital Próprio – cód. 5706 – será tratada  em tópico específico, embora conste do demonstrativo das demais retenções):    Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.770          5   33. Estimavas Compensadas  ­ Pretendendo  a  restituição  de  crédito  tributário  de  COFINS reconhecido judicialmente nos autos do processo n° 2006.61.00.003422­0,  o contribuinte após habilitação do crédito nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96,  apresentou  a  RFB  por  meio  da  internet,  em  31.08.11,  o  pedido  de  restituição  recepcionado  sob  o  n°  19280.58460.310811.1.2.57­5250,  nele  informando  como  crédito o valor de R$ 2.329.581.885,64. Atrelado a este pedido apresentou diversas  declarações de compensações visando à extinção de dívida própria.    34.  A  RFB/DEINF/DIORT  analisou  a  pretensão  do  interessado  nos  autos  do  processo administrativo n° 16327.000190/2011­83 e concluiu pelo reconhecimento  parcial do crédito tributário no valor de R$ 4.995.008,14 suficiente para promover a  extinção parcial  das dívidas declaradas nas declarações de compensação conforme  abaixo:    DCOMP  PERÍODO  DE  APURAÇÃO  TRIBUTO  VALOR  DECLARADO  VALOR  EXTINTO DO  CRÉDITO  17649.74571.3108.11.1.3.57­7279  jul/11  IRPJ  104.643.097,58  10.434.128,85     jul/11  CSLL  49.417.560,81  0,00  00564.88884.190911.1.3.57­5788  ago/11  COFINS  24.102.751,02  0,00     ago/11  PIS  9.118.596,58  0,00  18798.38284.270911.1.3.57­3784  ago/11  IRPJ  67.810.735,91  0,00     ago/11  CSLL  32.420.768,06  0,00  28212.51974.201011.1.3.57­6374  set/11  COFINS  23.862.411,57  0,00  23102.87463.171111.1.3.57­0560  out/11  PIS  41.140.982,00  0,00     out/11  COFINS  23.047.111,23  0,00  06985.73203.291111.1.3.57­4450  out/11  IRPJ  884.288.198,00  0,00     out/11  CSLL  575.121.339,29  0,00    35.  Inconformado  com  a  decisão  proferida  pela  RFB  o  contribuinte  apresentou  manifestação de inconformidade junto à DRJ, que houve por bem manter a decisão  da  DEINF/DIORT.  Foi  interposto  Recurso  Voluntário  e  atualmente  o  processo  aguarda julgamento pelo CARF.   36.  Na  declaração  de  compensação  que  ora  se  analisa  (SN  IRPJ),  o  contribuinte  informou como antecipação do IRPJ as parcelas de estimativas dos meses de janeiro,  agosto  e  outubro,  declaradas  nas  DCOMP  acima  assinaladas.  Ocorre,  que  dessas  parcelas apenas a do mês de janeiro foi homologada parcialmente, as demais foram  não homologadas, ou seja, não extinguiram totalmente as dívidas por compensação.  Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.771          6 Logo, as parcelas não extintas das dívidas não poderão ser aceitas como antecipação  do  devido  pois  não  gozam  dos  atributos  da  liquidez  e  certeza,  condições  estabelecidos pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional – CTN e ainda, pelo  art. 74 da Lei n° 9.430/96, in verbis:  37.  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  sobre  Juros  de  Capital  (JCP)  –  Verificou­se  que  no  decorrer  do  ano­calendário  de  2011  o  contribuinte  sofreu  a  retenção  de  Imposto  de  Renda  sobre  a  Receita  de  JCP  no  montante  de  R$  414.520.375,39, conforme abaixo:    DADOS ANÁLISE DA DCOMP DE SALDO NEGATIVO  CNPJ  MES DA RETENÇÃO  RECEITA DE JCP  IRRF  00.000.000/0001­91      1.422,89  01.525.922/0001­85      36,45  02.558.154/0001­29      67,38  02.558.154/0001­29      11.610,61  02.558.154/0001­29      463,69  02.558.154/0001­29      38,94  03.847.461/0001­92      280,73  05.300.484/0001­08      19,71  07.207.996/0001­50  setembro  1.060.000.000,00  159.000.000,00  09.346.601/0001­25      616,21  09.358.105/0001­25      8.534,56  33.000.167/0001­01      192.277,72  33.009.911/0001­39      456,51  33.042.730/0001­04      135,81  33.592.510/0001­54      1.742.341,15  33.611.500/0001­54      1.985,85  33.870.163/0001­84  setembro  979.925.817,0  146.928.872,56  34.111.187/0001­12      750.000,00  47.509.120/0001­82  setembro  390.000.000,00  58.500.000,00  59.438.325/0001­01  setembro  115.000.000,00  17.250.000,00  60.872.504/0001­23      4.578,55  60.894.730/0001­05      1.325,68  61.024.352/0001­71      75,77  61.092.037/0001­81      273,43  61.532.644/0001­15      26,21  61.585.865/0001­51      50,08  71.673.990/0001­77      369,37  74.552.142/0001­06      30.000.000,00  84.429.695/0001­11      438,17  84.882.141/0001­75      31,37  88.611.835/0001­42      123.208,23  90.400.888/0001­42      33,18  92.754.738/0001­62      507,65  97.837.181/0001­47      296,93  TOTAL      414.520.375,39    38. Pretendendo a utilização do crédito  tributário oriundo da retenção de JCP, nos  termos  da  legislação,  o  contribuinte  transmitiu  a  Declaração  de  Compensação  n°  25293.71911.180412.1.7.06­8276  no  montante  de  R$  381.678.872,56,  conforme  abaixo:  DADOS ANÁLISE DA DCOMP  CNPJ  MES DA RETENÇÃO  RECEITA DE JCP  IRRF  Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.772          7 07.207.996/0001­50  setembro  1.060.000.000,00  159.000.000,00  33.870.162/0001­84  setembro  979.925.817,05  146.928.872,56  47.509.120/0001­82  setembro  390.000.000,00  58.500.000,00  59.438.325/0001­01  setembro  115.000.000,00  17.250.000,00  TOTAL     2.544.925.817,05  381.678.872,56  39. Utilizou  também o  crédito  oriundo  da Retenção  de  JCP  como  antecipação  do  devido  na  DIPJ  no  valor  de  R$  414.520.375,39.  Esse  valor  foi  informado  como  crédito na DCOMP, que ora se analisa (saldo Negativo de IRPJ).   40.  Quando  da  análise  da  Declaração  de  Compensação  de  JCP  n°  25293.71911.180412.1.7.06­8276,  se concluiu pelo direito  líquido e certo do valor  R$  381.678.872,56  a  ser  aproveitado  para  extinção  por  compensação  da  dívida  própria  declarada  pelo  contribuinte.  Naquela  oportunidade,  foi  constatada  a  utilização em duplicidade desse montante, optando­se pela glosa do mesmo, quando  da  análise  da  DCOMP  de  Saldo  Negativo  de  IRPJ.  Assim,  pode  o  contribuinte  utilizar  a  antecipação  decorrente da  retenção  de  IR  sobre  JCP no montante  de R$  32.841.502,83, tendo em vista a utilização no decorrer do ano­calendário de 2011 do  valor de R$ 381.678.872,56.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade  contra  o  Despacho  Decisório  da  DEINF/SP, a Recorrente alega o seguinte:  1) Estimativas compensadas ­ a autoridade administrativa não confirmou as  estimativas  de  julho,  agosto  e  outubro  de  2011,  porque  as  respectivas  compensações  foram  homologadas apenas parcialmente, no caso de julho, e na sua integralidade em relação a agosto  e  outubro.  Porém,  tais  estimativas  já  são  objeto  de  cobrança  no  processo  nº  16327.000190/2011­83,  sendo  certo  que,  com  a  oportuna  homologação  daquelas  compensações, ou o seu pagamento, restará convalidado o saldo negativo pleiteado no presente  feito,  de  forma  que  sua  desconsideração  representa  cobrança  em  duplicidade.  Tal  medida  ofende a Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 2006, a qual tem caráter vinculante  nos  termos do art. 9º da  Instrução Normativa (IN) RFBnº 1.396, de 2013, com redação dada  pela  IN  RFB  nº  1.434,  de  2013.  Afastado  o  presente  argumento,  é  necessário  ao  menos  o  sobrestamento  do  presente  processo  até  a  decisão  final  a  ser  proferida  naquele,  face  à  ocorrência da prejudicialidade, nos  termos do art. 265,  IV,  "a", do Código de Processo Civil  (CPC), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, ou ao menos a suspensão  da exigibilidade do presente crédito tributário sob pena de cobrança indevida;  2)  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  ­  inexistência  de  duplicidade  na  utilização do crédito de IRRF no montante de R$ 381.678.872,56, relativo ao código de receita  5706 – dos R$ 386.074.051,96 glosados  a  título de  IRRF,  grande parte, R$ 381.678.872,56,  refere­se a parcela de IRRF recolhida no código 5706 relativa a receitas de JCP em razão de  pagamentos recebidos das empresas Banco Bradesco Financiamentos (CNPJ 07.207.996/0001­ 50), Banco Alvorada S.A. (CNPJ 33.870.163/0001­84), Bradesco Leasing S.A. Arrendamento  Mercantil  (CNPJ  47.509.120/0001­82)  e  Banco  Bradesco  Cartões  S.A.  (CNPJ  59.438.325/0001­01). A autoridade fiscal argumentou que tais retenções no código 5706 teria  sido  utilizada  em  Dcomp  de  JCP  (processo  10010.009462/0714­72  com  documentos  de  análise).  Contudo,  conforme  tal  processo,  a  utilização  foi  apenas  de  parte  do  seu  crédito,  remanescendo  um  saldo  de  R$  152.272.731,67  que  compôs  o  saldo  negativo  em  sua DIPJ.  Recebeu a título de JCP o montante de R$ 2.763.469.567,91, tendo sido retido na fonte IR no  montante R$ 414.520.446,27. Toda  a  receita  foi  oferecida  à  tributação  conforme Ficha 06B,  Linha 37 da DIPJ (fl. 204 do referido processo);  Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.773          8 3) Imposto de Renda pago no exterior – equivocou­se a autoridade fiscal  ao  afirmar  que,  no  caso  das  despesas  de  pré­pagamento  de  exportação,  o  regime  seria  de  tributação exclusiva, sem possibilidade de considerar o IRRF respectivo no ajuste anual. Ora, o  art.  395  do  RIR  não  faz  qualquer  diferença  entre  a  natureza  dos  rendimentos  pagos  a  filial  estrangeira  localizada em paraíso  fiscal,  a ensejar a distinção de  tratamento preconizada pela  autoridade.  De  fato,  o  §8º  do  referido  artigo  é  claro  ao  prever  que  o  IRRF  por  ocasião  da  remessa de quaisquer rendimento a filial estrangeira localizada em paraíso fiscal é passível de  compensação  com  o  imposto  devido  sobre  o  lucro  real  da  matriz  brasileira,  desde  que  os  resultados da filial estrangeira que contenham os referidos  rendimentos  integrem o  lucro rela  da pessoa  jurídica  residente no Brasil. Na verdade,  a  remessa  ao  exterior de  rendimentos  de  qualquer natureza está sempre sujeita ao regime de tributação exclusiva na fonte, como se pode  ver no MAFON juntado a essa peça defensiva, como é o caso dos códigos de receita 0473 e  0481. Porém, se os resultados das filiais localizadas alhures forem computados no da empresa  brasileira,  faz  ela  jus  ao  IRRF,  sendo  certo,  assim,  no  caso  vertente,  que  o  contribuinte  tem  direito à integralidade do IRRF de R$ 8.291.275,90, pois computou os resultados obtidos pelas  filiais das Ilhas Cayman e de Nova Iorque em seu resultado no Brasil, como se vê na DIPJ e  documentação contábil  juntada aos  autos. Conforme comprovam os  documentos  juntados no  processo 10010.009462/0714­72 e  as Fichas 34  e 35 da DIPJ,  também presentes no  referido  processo, os resultados das filiais foram devidamente adicionados ao resultado do impugnante,  conforme Linha 07 da Ficha 09B da DIPJ. Especificamente quanto às operações de empréstimo  realizadas  entre  o  impugnante  e  a  filial  nas  Ilhas  Cayman,  estas  estão  registradas  no  Ativo  (1.6.1.20.00­8 – Empréstimos). Os  juros,  por  sua vez,  são  apropriados mediante o  registro  a  débito da conta do Ativo 1.6.1.20.00­8 e a crédito da conta de receita 7.1.1.05.00­6 (Rendas de  Empréstimos). O resultado da filial de R$ 197.734.187,81 foi escriturado na DIPJ do Bradesco  na Ficha 35 e oferecido à tributação de IRPJ (Ficha 09B) e de CSLL (Ficha 17), sendo que na  composição deste valor está incluída a receita de empréstimos.  Os  autos  foram  então  encaminhados  à  DRJ  de  Recife  para  a  análise  da  manifestação de inconformidade. Em 15 de abril de 2016 foi proferida a decisão da DRJ/REC,  que adotou a seguinte ementa:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2011  SALDO  NEGATIVO.  ESTIMATIVAS.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA. INDEDUTIBILIDADE.  Estimativa  cuja  compensação  não  foi  homologada  não  pode  compor  o  saldo  negativo  pretendido  como  crédito  em  compensação/restituição,  ainda  que  instaurado  contencioso  administrativo  pendente  de  julgamento  no  Carf.  pois  até  este  momento  não  terá  havido  o  indébito  representado  pelo  pagamento indevido ou a maior, requisito essencial estabelecido  em  lei  complementar.  Não  há  que  se  falar  em  excedente  de  pagamento e, por conseguinte, de existência de crédito, se aquele  nem ocorreu.  SALDO NEGATIVO. GLOSA DE IRRF SOBRE JUROS SOBRE  O  CAPITAL  PRÓPRIO.  NÃO  UTILIZAÇÃO  EM  DCOMP.  POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO NO AJUSTE.  Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.774          9 Devida a dedução no ajuste anual de IRRF sobre juros sobre o  capital próprio quando este não tenha sido utilizado em Dcomp.  SALDO  NEGATIVO.  GLOSA  DE  IRRF  NOS  CÓDIGOS  1708,3426 E 5273. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.  Relativamente  à  glosa  das  retenções  nos  códigos  de  receita  1708,  3426  e  5273,  o  contribuinte  não  apresentou  qualquer  contestação, razão pela qual deve ser considerada matéria não  impugnada.  SALDO NEGATIVO. GLOSA DE IRRF SOBRE REMESSAS AO  EXTERIOR.  É  permitida  a  "compensação"  (dedução)  no  ajuste  anual  da  pessoa  jurídica  situada  no  Brasil  do  imposto  retido  na  fonte  sobre  rendimentos  remetidos  a  filial,  sucursal,  controlada  ou  coligaga  desde  que:  (1º)  a  remessa  seja  para  país  com  tributação  favorecida;  (2º)  os  resultados  (lucro)  desta  (filial,  etc.) sejam computados na determinação do lucro real daquela;  (3º)  seja  obedecido  o  limite  do  imposto  de  renda  incidente,  no  Brasil, sobre os referido  lucro. Para comprovar que o  lucro da  filial,  sucursal,controlada  ou  coligada  foi  tributado  pelo  contribuinte,  necessária  a  apresentação  de  demonstrações  contábeis suficientes para verificar a apuração do referido lucro  e se o rendimento remetido está inserido neste lucro.  Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.  Direito Creditório Reconhecido em Parte.  Contra  tal  decisão,  a  Recorrente  protocolou  o  recurso  voluntário  de  e­fls.  1.564/1.598,  através  do  qual  repisa  os  argumentos  já  expendidos  em  sua  manifestação  de  inconformidade, em especial os seguintes pontos:  1)  Pagamentos  de  estimativas  objeto  de  compensação  não  homologada  no processo administrativo nº 16327.000190/2011­83  Argumenta  a  recorrente  que,  apesar  de  as  estimativas  de  julho,  agosto  e  outubro  de  2011  não  terem  tido  sua  compensação  homologada  por  completo  no  âmbito  do  processo administrativo nº 16327.000190/2011­83, não haveria razão para sua desconsideração  no cômputo do Saldo Negativo de IRPJ de 2011, haja vista os seguintes aspectos:  a) tais valores já estariam sendo cobrados no processo de execução fiscal nº  0006016­63.2015.4.03.6130;  b)  referida  execução  fiscal  está  devidamente  garantida  por  seguro­garantia,  aceito pelo respectivo Juízo;  c) desconsiderar  tais valores  implicaria  em duplicidade na  sua cobrança,  de  um  lado,  mediante  a  redução  do  saldo  negativo  e,  de  outro,  pela  via  da  execução  fiscal  (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada);  d) argui a aplicação da Solução de Consulta Interna da COSIT nº 18/2006;  Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.775          10 e) subsidiariamente, propugna pelo sobrestamento do feito até o  julgamento  final do processo de execução fiscal.    2)  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  sobre  pagamentos  efetuados  ao  exterior  a)  Reitera  que,  quanto  ao  imposto  de  renda  recolhido  sobre  juros  de  empréstimos e despesas de pré­pagamento de exportação pagos à sua filial nas  Ilhas Cayman  (R$8.284.539,10  –  oito milhões,  duzentos  e  oitenta  e  quatro mil,  quinhentos  e  trinta  e  nove  Reais e dez centavos), cumpriu com todas as formalidades exigidas pela legislação para o seu  aproveitamento/compensação.  Apresenta  laudo  da  PriceWaterhouseCoopers  para  comprovar  seu direito ao crédito.  b) com relação às remessas feitas à sua filial de Nova Iorque a título de pré­ pagamento de exportações, pelo seu valor diminuto (R$6.736,80 – seis mil, setecentos e trinta e  seis Reais e oitenta centavos), "não irá tecer maiores considerações específicas em face da r.  decisão recorrida", razão pela qual entendemos que tal matéria não foi objeto de impugnação  por esse recurso.  É o relatório.  Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.776          11 Voto Vencido  Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves­ Relator  O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência  deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos.  Conforme  constou  do  Relatório,  duas  são  as  matérias  objeto  de  análise  a  partir do recurso voluntário.  1)  Pagamentos  de  estimativas  objeto  de  compensação  não  homologada  no processo administrativo nº 16327.000190/2011­83;  2)  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  sobre  pagamentos  efetuados  ao  exterior.  A primeira diz respeito a pagamentos de estimativa de IRPJ que compuseram  a  apuração  do  saldo  negativo  desse  tributo  no  ano  calendário  de  2011,  porém  não  foram  confirmadas pelas  instâncias administrativas que nos antecederam. Referem­se a pagamentos  de estimativa dos períodos de apuração de julho, agosto e outubro de 2011 e que teriam sido  quitados  pela  Recorrente  mediante  compensação  com  crédito  apurado  no  processo  administrativo nº 16327.000190/2011­83.   Ocorre, que tal compensação não foi homologada por completo no âmbito do  referido  processo  administrativo,  razão  pela  qual,  tanto  a  DEINF/SP  quanto  a  DRJ/REC  desconsideraram os respectivos valores para efeito de composição do saldo negativo de IRPJ  do ano calendário de 2011.   O  processo  administrativo  nº  16327.000190/2011­83  encontra­se  definitivamente  julgado na esfera administrativa, com solução desfavorável à Recorrente. Os  débitos objeto de compensação no referido processo,  incluindo as estimativas a que se refere  este  feito,  ora  em  análise,  foram  inscritos  em  dívida  ativa  e  estão  sendo  objeto  de  cobrança  executiva na Justiça Federal de Osasco, em São Paulo. O processo de execução recebeu o nº  0006016­63.2015.4.03.6130,  já  os  respectivos  embargos  receberam  o  nº  0007715­ 89.2015.4.03.6130.  Assim,  a  controvérsia  a  ser  analisada  resume­se  à  decisão  acerca  da  possibilidade  de  se  considerar,  para  efeito  de  apuração  de  saldo  negativo  de  IRPJ,  as  estimativas  pagas  via  compensação  não  homologada  em  outro  processo,  mas  já  objeto  de  cobrança judicial, via execução fiscal.  Confesso  que  não me  sinto  totalmente  confortável  em  admitir  tal  situação,  haja  vista  que,  na  prática,  as  estimativas  que  estão  a  compor  o  saldo  negativo  do  IRPJ  não  foram  pagas,  carecendo  o  respectivo  crédito  de  liquidez  e  certeza  quanto  à  sua  realização.  Entretanto,  no  caso  em  tela,  verifico  que  nos  autos  dos  Embargos  à  Execução  nº  0007715­ 89.2015.4.03.6130, os débitos estão garantidos por seguro oferecido pela Recorrente ao Juízo  (v. e­fls. 1.633/1.651). Em seu despacho, o juiz recebeu os embargos à execução e lhe conferiu  efeito suspensivo, haja vista a garantia total do feito (v. e­fls. 1.660).   Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.777          12 Portanto,  ao  término  da  execução  fiscal,  as  estimativas  poderão  vir  a  ser  consideradas quitadas (por homologação judicial), em caso de sucesso por parte da Recorrente,  ou, a contrário senso, serão extintas por pagamento, ainda que mediante a liquidação do seguro  garantia  que  guarnece  o  processo  executivo.  Essa  solução  também  previne  qualquer  tipo  de  tumulto processual, na medida que a resolve­se este processo independentemente do resultado  advindo da execução fiscal. Somente por esses motivos as estimativas que compõem o saldo  negativo ora em análise devem ser reconhecidas.  No mesmo  sentido  deste  entendimento,  colacionamos  abaixo  duas  recentes  decisões  proferidas  pelo  CARF.  A  primeira,  cujo  Acórdão  recebeu  o  nº  1402­002.330,  foi  emanada desta mesma Turma, em 04 de outubro de 2016, de relatoria do Conselheiro Fernando  Brasil de Oliveira Pinto. A segunda, proferida em 23 de novembro de 2016, recebeu o nº 9101­ 002.493, e tem origem na CSRF, de relatoria do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão.    Acórdão nº 1402­002.330:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2003  COMPENSAÇÃO.  SALDO  NEGATIVO  DE  CSLL.  ESTIMATIVAS  COMPENSADAS.  COMPENSAÇÕES  NÃO  HOMOLOGADAS.  EXECUÇÃO  FISCAL.  GARANTIA  DO  DÉBITO.  Constatado  que  as  estimativas  compensadas  não  foram  homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito  em  dívida  ativa,  e  posteriormente  objeto  de  execução  fiscal  devidamente  garantida,  reconhece­se  o  direito  de  crédito  correspondente.  Recurso Voluntário Provido.    Acórdão nº 9101­002.493:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM  PER/DCOMP. DESCABIMENTO.  Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão  cobrados  com  base  em  Pedido  de  Ressarcimento  ou  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/DComp),  e,  por  conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do  imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de  Informações Econômico­fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do  colegiado, por  unanimidade de  votos,  em  conhecer  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito, em negar­lhe provimento.  Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.778          13 Deste  segundo  Acórdão,  extraio  a  parte  do  voto  que  trata  da  aplicação  da  Solução de Consulta Interna nº 18/2006, da COSIT, e do Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014:  A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior refere­se ao cabimento, ou não,  da  glosa de  estimativas  cobradas  em Declaração  de Compensação  na  apuração  do  imposto  a  pagar  ou  do  saldo  negativo  apurado  em  Declaração  de  Informações  Econômico­fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).  Trata­se de matéria atualmente pacificada tanto no âmbito da Secretaria da Receita  Federal  do  Brasil  (RFB),  quanto  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN), como segue:  Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de  2006:  Na  hipótese  de  compensação  não  homologada,  os  débitos  serão  cobrados  com  base  em Dcomp,  e,  por  conseguinte,  não  cabe  a  glosa  dessas  estimativas  na  apuração  do  imposto  a  pagar  ou  do  saldo  negativo apurado na DIPJ.  PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014:  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  –  IRPJ.  Contribuição  Social  sobre  o Lucro Líquido  – CSLL. Opção por  tributação pelo  lucro  real  anual.  Apuração mensal  dos  tributos  por  estimativa.  Lei  nº  9.430,  de  27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas  em  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  não  homologada  pelo  Fisco.  Conversão  das  estimativas  em  tributo  após  ajuste  anual.  Possibilidade de cobrança.  Assim, não procedem eventuais insurgências da recorrente contra o teor do contido  na Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 2006.  Da mesma forma, é este o entendimento desta CSRF, conforme se observa a seguir:  Acórdão CSRF nº 9101­002.093, de 21 de janeiro de 2015:  IRPJ  ­  SALDO  NEGATIVO  ­  ESTIMATIVA  APURADA  ­  PARCELAMENTO ­ COMPENSAÇÃO ­ CABIMENTO.  Descabe  a  glosa  na  composição  do  saldo  negativo  de  IRPJ  de  estimativa  mensal  quitada  por  compensação,  posteriormente  não  homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial.  Do referido aresto, transcrevo o trecho a seguir (destaque do original):  A  situação  é  análoga  à  das  estimativas  quitadas  por  compensação  declarada após a vigência da MP 135/2003 (com caráter de confissão  de dívida) e não homologadas. Para esses casos, exatamente em razão  de as estimativas quitadas por compensações não homologadas estarem  confessadas,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  expediu  orientação  no  sentido de não caber a glosa na apuração do saldo negativo apurado na  DIPJ.   Esclarece a Solução de Consulta Interna nº 18/2006:  “(...)  Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.779          14 Na  hipótese  de  compensação  não  homologada,  os  débitos  serão  cobrados  com  base  em  Dcomp  e,  por  conseguinte,  não  cabe  a  glosa  dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo  apurado na DIPJ.”  A  incerteza  sobre  essa  orientação,  gerada  pelos  pronunciamentos  da  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  por  meio  dos  Pareceres  PGFN/CAT nº 1658/2011 e 193/2013, no sentido de impossibilidade de  inscrição  na  dívida  ativa  dos  débitos  correspondentes  às  estimativas  não  pagas,  foi  superada  com  o  Parecer  PGFN/CAT/nº  88/2014,  no  sentido de, verbis:  “(...) legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de  compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que  já  se  completou  o  fato  jurídico  tributário  que  enseja  a  incidência  do  imposto de renda, ocorrendo a substituição da estimativa pelo  imposto  de renda.”  Portanto,  é  induvidoso  que,  em  se  tratando  de  estimativas  objeto  de  compensação  não  homologada,  mas  que  se  encontram  confessadas,  quer por Declarações de Compensação efetuadas a partir da vigência  da  Medida  Provisória  nº  135/2003  (31/10/2003),  quer  por  parcelamento,  os  respectivos  valores  devem  ser  computados  no  saldo  negativo  do  ano­calendário,  porque  serão  cobrados  através  do  instrumento de confissão de dívida.  Diante  de  todo  o  exposto,  voto  no  sentido  de dar  provimento  ao Recurso  Voluntário neste ponto.  A  segunda matéria objeto do  recurso voluntário  diz  respeito  ao  Imposto  de  Renda Retido na Fonte sobre pagamentos de juros incidentes sobre empréstimos tomados pela  Recorrente de sua filial nas Ilhas Cayman. Neste ponto, a decisão recorrida não teria acolhido  as  argumentações da  recorrente,  pois não  encontrou nos  autos  elementos que  comprovassem  que o beneficiário dos rendimentos no exterior incluiu na apuração do seu lucro a receita sobre  a qual incidiu o imposto de renda; também não constariam dos autos a comprovação de que o  referido lucro foi oferecido à tributação no Brasil, pela Recorrente.  Abaixo, reproduzo excerto da decisão recorrida que trata da referida glosa:  26.  No  que  se  refere  às  remessas  de  juros  para  a  filial  nas  Ilhas  Cayman,  não  obstante a documentação carreada aos autos, balancete da filial (antes mencionado)  e DIPJ, não é possível aferir se tais rendimentos foram tributados pelo contribuinte  no Brasil e se a dedução foi limitada ao imposto de renda incidente no Brasil sobre o  rendimento. Isto porque:  26.1.  conforme  tabela  antes  elaborada,  foram  remetidos  a  título  de  juros  sobre  empréstimos  à  filial  nas  Ilhas  Cayman  o  montante  de  R$  24.763.127,38,  com  retenção de R$ 8.274.133,77. Consta no balancete, na conta 7.1.1.05.00.6 ("Rendas  de Empréstimos"),  registrado um valor de 325.255.135,91,  superior ao rendimento  mencionado. A princípio, poder­se­ia alegar que o valor é superior às  remessas do  contribuinte, cabendo aceitar a comprovação da sua inclusão no resultado da filial.  Contudo, tal registro não permite verificar se efetivamente as remessas aqui tratadas  estão  incluídas  na  referida  conta,  pois,  por  óbvio,  a  filial  realizou  muitos  outros  empréstimos para possuir uma  renda escriturada naquele  importe. Seria necessário  verificar os registros efetuados na conta individualizadamente, o que não é possível;  Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.780          15 26.2.  consta  nas  Fichas  34  e  35  da  DIPJ2012  anexada  aos  autos  que  o  resultado  disponibilizado  pela  filial,  que  teria  sido  tributado  pelo  contribuinte  na Ficha  09B  para ser possível a dedução da retenção realizada, foi de R$ 197.734.187,81. A partir  do  balancete  anexado  é  possível  verificar  o  registro  de  lucros  ou  prejuízos  acumulados no valor de R$ 197.318.598,44, valor próximo ao  informado na DIPJ.  Contudo, com base nas contas de resultado registradas no balancete, apura­se, s.m.j.,  um lucro contábil para o período de R$ de R$ 423.039.741,19 (R$ 1.535.234.411,43  ­  R$  1.112.194.670,24),  o  que  põe  em  dúvida  se  o montante  levado  para  a DIPJ  representa o  resultado da filial e, por conseguinte,  se as  remessas aqui  tratadas,  se  incluídas em conta de receitas, foram computadas pelo contribuinte. Seria necessário  que o contribuinte houvesse trazido um demonstrativo de apuração do lucro de sua  filial  que  permitisse  verificar  o  porquê  de  tamanha  diferença.  O  balanecete  apresentado não se presta, por si só, para tanto;  Para  comprovar  o  seu  direito  ao  referido  crédito  e  combater  a  decisão  recorrida neste ponto, a Recorrente  solicitou à empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers  que  elaborasse  um  laudo  pericial  de  natureza  contábil­fiscal,  juntado  aos  autos  às  e­fls.  1.674/1.687.  Abaixo  colaciono  os  quesitos  formulados  à  auditoria  contratada,  com  as  respectivas respostas após as análises realizadas:      A autoridade julgadora a quo, ao proferir a decisão recorrida, utilizou na sua  análise o balancete de e­fls. 324/329. Com base neste balancete, a decisão recorrida chegou à  conclusão  de  que  o  lucro  disponibilizado  à matriz  no  Brasil  (a  Recorrente),  e  declarado  na  DIPJ,  no montante  de  R$197.734.187,81,  seria  bastante  inferior  àquele  apurado  no  referido  demonstrativo  contábil  (da  ordem  de  R$423.039.741,19).  Assim,  como  a  contribuinte  não  havia  carreado  aos  autos  nenhum  demonstrativo  de  apuração  do  lucro  de  sua  filial  que  permitisse  verificar o  porquê  dessa  diferença,  a  decisão  recorrida houve  por bem  indeferir  o  pleito da Recorrente neste ponto.  Anexos  ao  laudo  da  PriceWaterhouseCoopers,  constam  os  balancetes  e  razões  das  contas  de  resultado  das  duas  filiais  da  Recorrente  nas  Ilhas  Cayman,  a  Agência  Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.781          16 Cayman  e  Agência  Cayman  II.  Tais  documentos  estão  na  língua  nativa  (inglês),  desacompanhados de qualquer tradução.  Apesar  do  esforço  da  auditoria  contratada  em  procurar  demonstrar  que  o  lucro das filiais nas Ilhas Cayman foram tributados pela recorrente no Brasil, nenhuma linha se  encontra  no  laudo,  nem  tampouco  no  Recurso  Voluntário,  para  rebater  a  conclusão  a  que  chegou  a  DRJ/REC,  mais  precisamente  em  relação  às  discrepâncias  existentes  entre  o  balancete de e­fls. 324/329 e a DIPJ.  Analisando detidamente o referido balancete (e­fls. 324/329), verifica­se que  ele se refere a apenas uma das filiais, a Agência Cayman, o que revela a falta de cuidado da  Recorrente em atender à Fiscalização, haja vista que são duas as filiais naquele país. Mas, nem  esse  detalhe  foi  abordado  pela Recorrente,  nem  tampouco  pela  auditoria,  que  foi  contratada  justamente para desconstituir as bases da decisão recorrida.  São  fatos  como  esses,  aliado  à  apresentação  de  um  laudo  lastreado  em  documentos  que  estão  em  desacordo  com  a  legislação  processual  tributária,  eis  que  desacompanhadas  da  devida  tradução  e,  em  certa  medida,  até  ilegíveis,  que  sou  forçado  a  manter a decisão recorrida, negando provimento ao recurso neste ponto.  Por  todo  exposto,  voto  por  dar  parcial  provimento  ao  Recurso  Voluntário  para reconhecer tão somente o direito creditório relativo aos pagamentos de estimativas objeto  de  compensação  não  homologada  no  processo  administrativo  nº  16327.000190/2011­83,  no  importe  de R$1.046.307.902,84  (Hum milhão,  quarenta  e  seis milhões,  trezentos  e  sete mil,  novecentos e dois Reais e oitenta e quatro centavos).  É como voto.    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Relator.                                      Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.782          17 Voto Vencedor    Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves ­ Redator Designado.    Inicialmente,  insta  ressaltar  que  em  relação  ao  direito  creditório  dos  pagamentos de estimativas objeto de compensação não homologada no processo administrativo  nº  16327.000190/2011­83,  o  C.  Colegiado  acompanhou  o  D.  Relator  que  votou  por  dar  provimento a esta parte do Recurso Voluntário.   Assim,  o  D.  Relator  restou  vencido  apenas  em  relação  ao  segundo  ponto,  relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos efetuados ao exterior.  A  controversa  é  relativa  ao  Imposto  de  Renda  Retido  na  Fonte  sobre  pagamentos efetuados ao exterior, no importe de R$ 8.291.275,90, onde diferentemente do D.  Relator  a C. Turma entendeu que  restou  comprovado e  reconhecido o  crédito que  compôs o  saldo negativo do IRPJ do ano­base de 2011, utilizado em compensações.   O Imposto de Renda pago no exterior decorre:  1)  de  operações  de  pagamento  de  juros  e  comissões  no  importe  de  R$  6.736,80 e R$ 8.274.133,77.   2) de despesas de pré­pagamento de exportação no importe de R$ 10.405,33.  Em  relação  a  este  item  2  relativo  as  despesas  de  pré­pagamento  de  exportação, o v. acórdão recorrido deu provimento a alegação da Recorrente no sentido de que  o artigo 395 do RIR/99 não faz qualquer distinção entre a natureza e o destino dos rendimentos  pagos  a  filial  estrangeira  a  ensejar  a  diferença  de  tratamento  pretendida  pelo  r.  Despacho  Decisório; entretanto, decidiu manter o não reconhecimento de tais créditos por entender que  não restou comprovado em que conta estaria escriturada tal receita, não sendo possível apurar  se esta foi incluída no lucro da filial, bem como, por conseguinte, se foi inserida na apuração  do lucro real do contribuinte no Brasil.   Vejamos o trecho do acórdão que acolheu esta alegação:    24.  No  que  concerne  ao  enquadramento  da  operação  de  remessa  de  despesas de pré­pagamento de exportações, não vislumbro motivo para  que  não  se  considere  incluída  nas  operações  previstas  no  art.  9º  da  MPv  nº  2.158­35,  vez  que  tal  dispositivo  é  bem  abrangente  ao  mencionar  "rendimentos",  sem  qualquer  especificação  ou  limitação  quanto ao tipo de rendimentos a que se refere.      Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.783          18 Segundo  esta  C.  Turma,  o  fundamento  do  v.  acórdão  'a  quo'  para  o  não  reconhecimento  do  crédito,  foi  afastado  pela  apresentação  do  Laudo  Técnico  que  será  analisado mais detidamente a seguir.  Vejamos.  O IRRF no valor de R$ 8.291.275,90 que não foi reconhecido pela instância  'a  quo'  é  relativo  as  operações  com  as  filiais  situadas  nas  Ilhas  Cayman  e  operações  de  remessas  para  a  filial  situada  nos Estados Unidos.  (IRRF  no  valor  de R$  6.736,80  que  está  incluído no valor acima).   Em  relação  aos  valores  acima  indicados  e  que  não  foram  reconhecidos,  a  Recorrente,  no  intuito  de  responder  os  questionamentos  feitos  pela  Fiscalização,  juntou  aos  autos  durante  a  tramitação  do  processo,  contratos  de  cambio  com  os  respectivos  DARFs  e  balancetes  acompanhados  de  Laudo  Pericial  de  natureza  contábil  elaborado  pela  Pricewaterhouse  Cooper,  onde  restou  consignado  e  demonstrado  na  resposta  dos  quesitos  o  seguinte:   a)  as  receitas  de  juros  de  empréstimo  foram  contabilizadas  pelas  filiais  na  conta  contábil  43070150000  (para  fins  de  consolidação  no Brasil,  correspondente  ao COSIF  7.1.1.05.00­6) e desse modo, compuseram os lucros auferidos pelas filiais.   b)  os  lucros  auferidos  pelas  filiais  foram  oferecidos  à  tributação  pela  Recorrente na Linha 06 da Ficha 09B da DIPJ 2012.  c)  a  dedução  do  IRRF  respeitou  os  limites  do  imposto  de  renda  sobre  o  rendimento no Brasil.   A parte em que o D. Relator foi vencido e que prevaleceu o entendimento da  C.  Turma,  foi  no  sentido  de  que  a  apresentação  dos  balancetes,  acompanhados  do  conjunto  probatório  carreados  aos  autos  pela  Recorrente  (documentos  acima  indicados  ­  DARFs,  Contratos  de Cambio  e  principalmente  Laudo  Técnico  em  língua  portuguesa),  foi  suficiente  para comprovar que o beneficiário residente no exterior incluiu na apuração do lucro a receita  sobre a qual incidiu o imposto de renda, bem como que referido lucro foi oferecido à tributação  no Brasil, mesmo sem a respectiva tradução. (A obrigatoriedade da tradução dos documentos  juntados em processos administrativos está prevista no artigo 22, § 1º, da Lei nº 9.784/1999,  artigo 18 do Decreto nº 13.609/1943, artigo 157 do antigo CPC e no artigo 192 do novo CPC.)   Para  a  C.  Turma,  o  conjunto  probatório  foi  suficiente  para  demonstrar  e  comprovar o pagamento do  imposto de  renda, não sendo necessário  se  apegar  a  formalidade  extrema  de  ter  que  se  traduzir  os  respectivos  balancetes,  eis  que  tanto  o  Laudo  Técnico  (elaborado em idioma oficial) como os demais documentos carreados aos autos comprovaram  de forma cabal, que o beneficiário residente no exterior incluiu na apuração do lucro a receita  sobre a qual incidiu o imposto de renda, bem como que referido lucro foi oferecido à tributação  no Brasil.  Assim, para o Colegiado, mesmo que os balancetes não estejam traduzidos, o  Laudo Técnico em idioma oficial, juntamente com os outros documentos carreados aos autos,  foram suficientes para comprovar a regularidade do crédito ora em discussão neste preâmbulo.  (Foi aplicado o principio da busca da verdade material e do livre convencimento motivado do  Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.784          19 juiz,  quando  a  Turma  considerou  o  Laudo  como  a  prova  principal  e  os  outros  documentos  foram utilizados para dar suporte a fundamentação do entendimento 1).  A  DRJ,  não  reconheceu  o  crédito  relativo  ao  imposto  de  renda  pago  no  exterior por entender o seguinte:    19. Não  resta  dúvida  de  que  as  Ilhas Cayman  é  país  com  tributação  favorecida,  pois  consta  da  IN  RFB  nº  1037,  de  2010,  em  seu  art.  1º  (vigente à época). Esta primeira condição para a dedução do IR retido  na fonte considera­se atendida para as remessas à filial situada nesse  país.. Por  outro  lado, mesma  sorte não  têm as  remessas  para a  filial  dos  Estados  Unidos,  vez  que  este  país  consta  apenas  da  relação  de  países  com  regime  fiscal  privilegiado  (previsto  no  art.  25  da  Lei  nº  9.430,  de  1996).  Assim,  em  relação  às  remessas  efetuadas  para  os  Estados Unidos da (Nova york), no código 0481, há que se considerar  indevida a dedução do IRRF no valor de R$ 6.736,80.  [...]  21.  Em  relação  às  remessas  para  as  Ilhas  Cayman,  necessário  diferenciar  as  modalidades  realizadas,  quais  sejam:  de  juros  sobre  empréstimos, e de despesas com pré­pagamento de exportação.  22.  Quanto  à  possibilidade  de  exclusão  das  remessas  relativas  aos  juros  não  houve  qualquer  questionamento  por  parte  da  autoridade  fiscal, ressalvado o fato que entendeu não ter havido comprovação por  meio documental (demonstrações financeiras e razões contábeis), o que  será analisado mais adiante.  23.  Já  para  as  remessas  na  modalidade  de  despesas  com  pré­ pagamento de  exportação, a autoridade  fiscal  entendeu  que o  regime  de tributação previsto na legislação para este tipo de operação (código  0473)  é  de  exclusividade  na  fonte,  não  podendo  ser  utilizado  como  antecipação do devido. Considerou que essa regra, diferentemente da  adotada  para  o  pagamento  de  juros  e  comissões  à  filial  domiciliada  com  tributação  favorecida,  não  foi  alterada  pelo  art.  395  do  RIR/99  (cuja base legal é a MPv antes mencionada).  24.  No  que  concerne  ao  enquadramento  da  operação  de  remessa  de  despesas de pré­pagamento de exportações, não vislumbro motivo para  que  não  se  considere  incluída  nas  operações  previstas  no  art.  9º  da  MPv  nº  2.158­35,  vez  que  tal  dispositivo  é  bem  abrangente  ao  mencionar  "rendimentos",  sem  qualquer  especificação  ou  limitação  quanto ao tipo de rendimentos a que se refere.                                                              1  Também  conhecido  como  o  princípio  da  livre  convicção  motivada,  tem­se  que  o  magistrado  forma  o  seu  convencimento livremente (PORTANOVA, 1999, p. 244).    Ensinam Cintra, Grinover e Dinamarco (2008, p. 73) que o princípio do  livre convencimento, abordado em sua  obra  como  princípio  da  persuasão  racional,  “regula  a  apreciação  e  avaliação  das  provas  existentes  nos  autos,  indicando que o juiz deve formar livremente sua convicção. Situa­se entre o sistema da prova legal e o julgamento  secundum conscientiam”.    Com relação à prova legal, ao juiz cabe aplicá­la de forma automática, sendo que a esta é atribuído valor estável e  prefixado. De acordo com o julgamento secundum conscientiam, o juiz pode decidir com base na prova dos autos,  mas também sem prova ou até mesmo contra a prova (CINTRA, GRINOVER e DINAMARCO, 2008, p. 73).  Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.785          20 25.  Contudo,  mesmo  assim  considerando,  entendo  que  glosa  das  retenções relativas a este tipo de remessa deve ser mantida, vez que o  contribuinte  não  indicou  em  sua manifestação  de  inconformidade  em  que  conta  estaria  escriturada  tal  receita,  não  sendo  possível,  assim,  apurar  se  esta  foi  incluída  no  lucro  da  filial  (a  partir  do  balancete  anexado às fls. 324 a 329), bem como, por conseguinte, se foi inserida  na apuração do lucro real do contribuinte no Brasil.  26.  No  que  se  refere  às  remessas  de  juros  para  a  filial  nas  Ilhas  Cayman, não obstante a documentação carreada aos autos, balancete  da  filial  (antes  mencionado)  e  DIPJ,  não  é  possível  aferir  se  tais  rendimentos  foram  tributados  pelo  contribuinte  no  Brasil  e  se  a  dedução  foi  limitada ao  imposto de renda  incidente no Brasil sobre o  rendimento. Isto porque:  26.1.  conforme  tabela  antes  elaborada,  foram  remetidos  a  título  de  juros  sobre  empréstimos  à  filial  nas  Ilhas Cayman  o montante  de R$  24.763.127,38, com retenção de R$ 8.274.133,77. Consta no balancete,  na conta 7.1.1.05.00.6 ("Rendas de Empréstimos"), registrado um valor  de  325.255.135,91,  superior  ao  rendimento mencionado.  A  princípio,  poder­se­ia alegar que o valor é superior às remessas do contribuinte,  cabendo aceitar a comprovação da sua inclusão no resultado da filial.  Contudo, tal registro não permite verificar se efetivamente as remessas  aqui tratadas estão incluídas na referida conta, pois, por óbvio, a filial  realizou  muitos  outros  empréstimos  para  possuir  uma  renda  escriturada naquele importe.  Seria  necessário  verificar  os  registros  efetuados  na  conta  individualizadamente, o que não é possível;  26.2. consta nas Fichas 34 e 35 da DIPJ2012 anexada aos autos que o  resultado  disponibilizado  pela  filial,  que  teria  sido  tributado  pelo  contribuinte  na  Ficha  09B  para  ser  possível  a  dedução  da  retenção  realizada,  foi  de R$ 197.734.187,81. A partir do balancete anexado é  possível verificar o registro de lucros ou prejuízos acumulados no valor  de R$ 197.318.598,44, valor próximo ao informado na DIPJ. Contudo,  com base nas  contas de  resultado registradas no balancete, apura­se,  s.m.j.,  um  lucro  contábil  para  o  período de R$ de R$ 423.039.741,19  (R$ 1.535.234.411,43 ­ R$ 1.112.194.670,24), o que põe em dúvida se o  montante  levado  para  a  DIPJ  representa  o  resultado  da  filial  e,  por  conseguinte,  se  as  remessas  aqui  tratadas,  se  incluídas  em  conta  de  receitas,  foram  computadas  pelo  contribuinte.  Seria  necessário  que  o  contribuinte houvesse  trazido um demonstrativo de apuração do lucro  de sua filial que permitisse verificar o porquê de tamanha diferença. O  balanecete apresentado não se presta, por si só, para tanto;  27.  Logo,  devida  também  a  manutenção  da  glosa  do  IRRF  sobre  as  remessas de juros para a filial nas Ilhas Cayman.    Tais  fundamentações/questionamentos  constantes  no  v.  acórdão  para  o  não  reconhecimento  do  crédito,  foram  respondidos  pelo  Laudo  Técnico  acostado  ao  Recurso  Voluntário  da  Recorrente  e  acolhido  por  esta  C.  Turma  que  ao  analisar  o  trabalho  técnico  juntamente com os demais documentos constantes nos autos, entendeu que restou comprovado  o  direito  creditório.  (Obs:  o  Colegiado  acolheu  o  Laudo  Técnico  juntado  no  Recurso  Voluntário  nos  termos  das  alíneas  "a"  e  "c"  do  parágrafo  quarto,  inciso V,  do  artigo  16,  do  Decreto 70.235/72, bem como em respeito ao princípio da busca da verdade material)  Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.786          21 Ademais,  corroborando  com  o  entendimento  da  C.  Turma  e  para  afastar  qualquer dúvida de que  restou comprovado nos autos  tais pontos, colaciono partes do Laudo  Técnico  onde  demonstra  de  forma  cabal  que  foram  respondidos  os  questionamentos  da  Fiscalização relativos aos juros/comissões e as despesas de pré­pagamento de exportação que  serviram para fundamentar o não reconhecimento do crédito relativo ao imposto de renda pago  no exterior.   Vejamos:                   Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.787          22     Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.788          23           Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.789          24               Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.790          25   Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 16327.903462/2014­41  Acórdão n.º 1402­002.430  S1­C4T2  Fl. 1.791          26     Conforme  pode  se  verificar  nos  trechos  do  Laudo  Técnico  acima  colacionados, restou comprovado nos autos que o beneficiário residente no exterior incluiu na  apuração do  lucro a  receita  sobre a qual  incidiu o  imposto de renda, bem como que  referido  lucro foi oferecido à tributação no Brasil.  Assim, face ao demonstrado acima, peço vênia ao D. Relator, mas devido aos  documentos  carreados  aos  autos  pela  Recorrente,  tanto  na  Impugnação,  como  em  sede  de  Recurso  Voluntário,  entendo  que  restou  cabalmente  comprovado  o  direito  à  dedução  do  imposto de renda pago no exterior, devendo também ser reformado o v. acórdão  'a quo' neste  ponto para reconhecer o crédito pleiteado decorrente do imposto de renda pago no exterior, no  importe de R$ 8.291.275,90, homologando­se as compensações realizadas.   Pelo  exposto  e  por  tudo  que  consta  processado  nos  autos,  conheço  do  Recurso Voluntário e dou integral provimento.                          (assinado digitalmente)  Leonardo Luis Pagano Gonçalves                    Fl. 1791DF CARF MF

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Numero do processo: 10980.722523/2013-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. PORTARIA SRF Nº 913, DE 2002. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. A DCTF é o instrumento adequado à confissão do débito tributário. Em caso de omissão ou de inexatidão no seu preenchimento cabe à autoridade fiscal realizar o lançamento de ofício com a penalidade prescrita pela legislação de regência. A Portaria SRF nº 913, de 2002, não autoriza a quitação de tributos federais com créditos da dívida pública.
Numero da decisão: 2201-003.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI

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2201­003.645  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de maio de 2017  Matéria  IRRF  Recorrente  RACING AUTOMOTIVE LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­ IRRF  Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012  DCTF.  CONFISSÃO  DE  DÍVIDA.  AUSÊNCIA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  MULTA.  PORTARIA  SRF  Nº  913,  DE  2002.  TÍTULOS  DA  DÍVIDA PÚBLICA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA.  A DCTF é o instrumento adequado à confissão do débito tributário. Em caso  de omissão ou de  inexatidão no seu preenchimento cabe à autoridade  fiscal  realizar o lançamento de ofício com a penalidade prescrita pela legislação de  regência.  A Portaria SRF nº 913, de 2002, não autoriza a quitação de tributos federais  com créditos da dívida pública.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado,  por unanimidade de votos, em conhecer  do recurso voluntário e, no mérito, negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)  Carlos Henrique de Oliveira ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora.    EDITADO EM: 22/05/2017     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 25 23 /2 01 3- 09 Fl. 103DF CARF MF     2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho,  Marcelo  Milton  da  Silva  Risso,  Carlos  Alberto  do  Amaral  Azeredo,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra e  Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.    Relatório  Trata­se de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão 12­68.172, da  3ª Turma da DRJ/RJI, que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo ao  auto  de  infração  de  Imposto  sobre  a  Renda  Retido  na  Fonte  ­  IRRF,  no  total  de  R$  3.058.085,77, referente a fatos geradores do ano­calendário 2012.  O  lançamento  teve  por  base  a  verificação  da  falta  de  recolhimento  ou  confissão  em  DCTF  do  IRRF  incidente  sobre  rendimentos  do  trabalho  assalariado  e  sobre  aluguéis  e  royalties.  A  omissão  foi  identificada  através  do  cruzamento  das  informações  nos  programas DIRF X DARF e na DCTF.  O Acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE  ­ IRRF  Ano­calendário: 2012  IRRF  SOBRE  TRABALHO ASSALARIADO.  IRRF  SOBRE  ALUGUÉIS E ROYALTIES. FALTA DE PAGAMENTO.  Cabível  o  lançamento  de  ofício  sobre  parcelas  de  IRRF  devidas, não confessadas e nem pagas.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  MULTA  DE  SETENTA  E  CINCO POR CENTO.  Decorre  de  lei  a  aplicação  da  multa  de  75%  (setenta  e  cinco por cento) em caso de lançamento de ofício.  De  acordo  com  o  documento  de  fl  70,  o  contribuinte  tomou  conhecimento  desta decisão em 22/09/2014.  O  recurso  voluntário  (fls  72/83)  foi  juntado  ao  processo  em 14/10/2014  (fl  71), tempestivamente, portanto.  Em suas razões de recorrer, a empresa aduz, em síntese, que:  ­ Os  valores  objeto  do  presente  lançamento  de  ofício  foram pagos/quitados  através  de  processo  de  resgate  de  Título  da  Dívida  Pública  Externa,  junto  à  Secretaria  do  Tesouro  Nacional  através  dos  processos  administrativos  que  identifica  pelo  número  de  Comprot;  ­ Este procedimento está amparado no art. 1º e parágrafo único da Portaria da  Secretaria da Receita Federal nº 913, de 25 de julho de 2002;  Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.722523/2013­09  Acórdão n.º 2201­003.645  S2­C2T1  Fl. 104          3 ­ O auto de infração deve ser cancelado e os débitos lançados extintos porque  foram  pagos  com  créditos  gerados  no  comprot  pelo  resgate  de  Títulos  da  Dívida  Externa,  conforme preceituaria a Lei nº 12.595, de 2012,  com seus efeitos  liberatórios de quitação de  tributos federais, previstos e amparados pela Lei nº 10.179, de 2001, cuja extinção se dá através  do Sistema de Pagamentos Brasileiro;  ­  Caso  a  RFB/PGFN  não  concorde  com  a  modalidade  de  lançamento  e  pagamento  utilizada  pela Empresa Contribuinte  ou  com  as  informações  prestadas  através  da  abertura do comprot, deveria ter iniciado um processo administrativo de acordo com a Lei nº  9.784, de 1999, e Decreto nº 70.235, de 1972;  ­  Os  valores  foram  confessados  no  processo  administrativo  nº  13811.726457/2012­97, o que torna a lavratura do auto de infração inócua, arbitrária e abusiva;  ­  A  declaração  em DCTF  é  mera  obrigação  acessória  mas  não  constitui  o  crédito tributário, já que sua constituição é ato privativo a autoridade administrativa;  ­ Não há na legislação aplicável à espécie previsão legal para fundamentar a  lavratura  de  auto  de  infração  aplicando  multa  com  valores  que  fogem  dos  parâmetros  estabelecidos pelo art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002;  ­  Defende  que  houve  a  confissão  do  crédito  tributário  e  o  posterior  pagamento na modalidade descrita, motivo pelo qual seria ilegal a multa de 75%, com base no  art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996;  ­  Se  fosse  cabível  a  aplicação  de  multa,  esta  seria  da  multa  por  falta  de  entrega de DCTF, prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002.  É o relatório.    Voto             Conselheira Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora  O  recurso  apresentado  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade  e  dele  conheço.  Inicialmente,  deve­se  registrar  que,  em  seu  recurso  voluntário,  a  recorrente  não questiona a ocorrência do fato gerador do IRRF e nem os valores lançados, concentrando  seus argumentos em defender o procedimento por ela adotado como apto à confissão de dívida  e ao pagamento dos tributos devidos.  A  confissão  de  dívida  é  um  procedimento  que  se  encontra  regulado  por  legislação específica, não havendo liberdade de escolha pelo contribuinte quanto ao meio a ser  empregado.  Neste  caso,  ou  se  adotou  o  procedimento  fixado  na  norma  e  os  débitos  foram  confessados, ou não se adotou e esse efeito não ocorreu.  Quanto  a  esse  aspecto,  o  Decreto­Lei  nº  2.124,  de  13  de  junho  de  1984,  autorizou  a  Secretaria  da  Receita  Federal  a  instituir  a  DCTF,  como  força  de  confissão  de  dívida:  Fl. 105DF CARF MF     4 Art.  5º  O  Ministro  da  Fazenda  poderá  eliminar  ou  instituir  obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados  pela Secretaria da Receita Federal.  § 1º O documento que  formalizar o  cumprimento de obrigação  acessória,  comunicando  a  existência  de  crédito  tributário,  constituirá  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para a exigência do referido crédito.  § 2º Não pago no prazo estabelecido pela  legislação o crédito,  corrigido  monetariamente  e  acrescido  da  multa  de  vinte  por  cento  e  dos  juros  de  mora  devidos,  poderá  ser  imediatamente  inscrito  em  dívida  ativa,  para  efeito  de  cobrança  executiva,  observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decreto­lei nº 2.065,  de 26 de outubro de 1983.  § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância  da  obrigação  principal,  o  não  cumprimento  da  obrigação  acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de  que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decreto­lei nº 1.968,  de  23  de  novembro  de  1982,  com  a  redação  que  lhe  foi  dada  pelo Decreto­lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.  Esse dispositivo  legal permitiu que os valores confessados em DCTF e não  pagos ou  com exigibilidade suspensa  fossem  imediatamente  inscritos  em dívida ativa,  sem a  necessidade de lançamento de ofício.  Nesse diapasão, a DCTF é o instrumento adequado à comunicar a ocorrência  do  fato  gerador  e  confessar  a  dívida  tributária.  Essa  matéria  já  se  encontra  mais  do  que  pacificada na jurisprudência administrativa, conforme evidenciam os seguintes excertos:  Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL  Ano­calendário:2004  DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS  EM  DCTF./LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  CABIMENTO.  A  partir  do  ano  calendário  1999,  a  DIPJ  possui  caráter  meramente  informativo.  Não  tendo  os  débitos  sido  recolhidos  ou  compensados,  nem  tampouco  declarados em DCTF, que possui caráter de confissão  de  dívida,  mas  tão  somente  informados  em  DIPJ,  procedente  o  lançamento  de  ofício  das  parcelas  não  confessadas.  (...)  Pois  bem.  É  cediço  que  o  crédito  tributário  é  constituído  pelo  lançamento  [notificação  do  lançamento]  ou  pela  confissão  de  dívida mediante o cumprimento do dever instrumental de entrega  da DCTF reproduzindo o resultado e a verdade da escrita fiscal,  quanto  à  apuração  dos  tributos  devidos.  Se  não  há  reprodução  fidedigna  dos  valores  devidos  na  DCTF,  informá­los  na  DIPJ  não  supre  a  inexatidão,  esta  constitui  mero  instrumento  de  prestação  de  informações, não se constituindo em instrumento apto  para  confissão de  dívida, mas,  no quanto  se mostrar  Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.722523/2013­09  Acórdão n.º 2201­003.645  S2­C2T1  Fl. 105          5 insuficiente a declaração (DCTF) do contribuinte, legal  é o procedimento do lançamento de ofício.  (...)  Como  visto  a  autoridade  exigiu  o  demonstrativo  e  a  documentação  de  suporte  dos  lançamentos  escriturados  em  algumas contas selecionadas, não  tendo sido atendida glosou a  dedução destes valores na apuração do lucro tributável porque a  contribuinte  não  apresentou  a  documentação  que  suporta  os  lançamentos."  (Processo  n.º  10580.727077/200947.  Sessão  20/01/2016  Relator  Paulo  Jakson  da  Silva  Lucas.  Acórdão  n.º  1301001.903)  Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social Cofins  Período de apuração: 01/10/1999 a 01/01/2007  DIPJ.  DCTF.  CONFISSÃO  DE  DÍVIDA.  NECESSIDADE  DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  A teor do Decreto­Lei nº 2.124/84 e das IN SRF 126/98 e  127/98,  é  legítimo  o  lançamento  de  ofício  para  a  constituição  de  crédito  tributário  não  declarado  em  DCTF, ainda que tenha sido informado na DIPJ.  (...)  Recurso  provido  em  parte."  (Processo  n.º  10930.000387/200731  Relator Antonio Carlos Atulim Acórdão n.º 3403003.003)  Na  hipótese  em  questão,  a  empresa  deixou  de  realizar  os  procedimentos  ditados  pela  legislação  de  regência  e  isso  produz  dois  efeitos:  a  penalização  quanto  ao  descumprimento da obrigação acessória, que corresponde à previsão da Lei nº 10.426, de 24 de  abril de 2002, e os efeitos de direito material, uma vez que o crédito tributário deixou de ser  constituído  por  procedimento  do  sujeito  passivo,  o  que  implica  a  atuação  supletiva  da  administração com as conseqüências inerentes a esse proceder.   Neste caso, o lançamento de ofício deve ser realizado nos termos do art. 44, I,  da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  (...)  Fl. 107DF CARF MF     6 Por  outro  lado,  há  que  se  registrar  que  o  procedimento  adotado  pela  recorrente, ao protocolar pedido de resgate de créditos junto à Secretaria do Tesouro Nacional,  não encontra amparo na Portaria SRF nº 913, de 25 de julho de 2002. Esta Portaria estabelece  meios  alternativos  de  quitação  de  DARF  e  GPS  para  os  operadores  do  sistema  Siafi,  em  pagamento que é realizado através de moeda e sem a intervenção de agentes credenciados.  Não parece que a recorrente seja operadora do sistema Siafi e ela também não  demonstrou ser conveniada para isso. Em qualquer hipótese, a prova da quitação dos tributos se  daria pela apresentação de DARF quitados e não por protocolo de petições.  Portanto,  também  em  relação  a  esse  procedimento,  o  comportamento  da  empresa recorrente carece de qualquer amparo legal.  A  recorrente  protesta  também  pelo  início  de  processo  administrativo  com  base no Decreto  nº  70.235,  de 1972,  e  da Lei  nº  9.784,  de  1999. É  exatamente  isso  que  foi  franqueado a ela através do processo em questão, onde está tendo oportunidade de se defender  contra  a  imputação  realizada  pelo  agente  fiscal,  em  procedimento  que  suspendeu  a  exigibilidade do crédito tributário.  Conclusão  Com  base  no  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  voluntário  para,  no  mérito, negar­lhe provimento.  (assinado digitalmente)   Dione Jesabel Wasilewski ­ Relatora                                Fl. 108DF CARF MF

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6797506 #
Numero do processo: 11444.001124/2010-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008 Multa de Conversão do Perdimento. Irregularidade Associada à Exportação. Aplicabilidade. Valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com o valor aduaneiro propriamente dito. Assim, não havia, à época da vigência da primeira redação do § 3º do art. 23 do Decreto-lei nº 1455, de 1976, acrescido pela Lei nº 10.637/2002, qualquer obstáculo para a imposição de multa relativa à conversão do perdimento em pecúnia quando se identificasse irregularidade na exportação. Deveras, a mercadoria exportada, se considerada a origem, é a mesma importada, se considerado o destino. Da mesma forma, o contrato de compra e venda é uno, com dois pólos diversos. Consequentemente, é perfeitamente possível identificar o valor pelo qual a mercadoria foi comercializada (valor de transação) e definir o quantum da multa relativa à conversão da pena de perdimento. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008 Recurso Especial de Divergência. Prequestionamento. Necessidade A matéria que não tenha sido alvo de análise pela instância recorrida não será enfrentada pela instância especial, salvo se apresentados embargos para efeito de prequestionamento. Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que votaram por não conhecer o recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello , que lhe negaram provimento. Os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal, Valcir Gassen (Suplente convocado) e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito. Conforme Portaria CARF Nº 107, de 04 de Agosto de 2016, designado pelo presidente da Turma de Julgamento, como redator ad hoc, o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Julgamento iniciado na reunião de 08/06/16 e concluído na reunião de 10/08/16, no período da tarde, na qual foram mantidos os votos, quanto ao conhecimento, já proferidos na reunião de Junho. Rodrigo da Costa Pôsssas - Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Camargos Autran, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas. Os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen (Suplente convocado) e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito. Julgamento iniciado na sessão de 08/06/16, quando todos votaram quanto ao conhecimento e, no mérito, votara o relator. O julgamento foi concluído na sessão de 10/08/16, no período da tarde, na qual foram mantidos os votos, quanto ao conhecimento, já proferidos na reunião de Junho.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1844; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 2          1 1  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  11444.001124/2010­90  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­004.220  –  3ª Turma   Sessão de  10 de agosto de 2016  Matéria  MULTA DECORRENTE DA CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO  Recorrente  PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL  Interessado  PIRELLI PNEUS LTDA.    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008  MULTA DE CONVERSÃO DO PERDIMENTO. IRREGULARIDADE ASSOCIADA À  EXPORTAÇÃO. APLICABILIDADE.  Valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com o valor aduaneiro  propriamente dito.   Assim, não havia, à época da vigência da primeira redação do § 3º do art. 23  do Decreto­lei nº 1455, de 1976, acrescido pela Lei nº 10.637/2002, qualquer  obstáculo para a imposição de multa relativa à conversão do perdimento em  pecúnia quando se identificasse irregularidade na exportação.   Deveras,  a  mercadoria  exportada,  se  considerada  a  origem,  é  a  mesma  importada, se considerado o destino. Da mesma forma, o contrato de compra  e venda é uno, com dois pólos diversos.  Consequentemente,  é  perfeitamente  possível  identificar  o  valor  pelo  qual  a  mercadoria  foi  comercializada  (valor  de  transação)  e  definir  o  quantum  da  multa relativa à conversão da pena de perdimento.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA.  PREQUESTIONAMENTO.  NECESSIDADE  A matéria que não tenha sido alvo de análise pela instância recorrida não será  enfrentada pela instância especial, salvo se apresentados embargos para efeito  de prequestionamento.  Recurso Especial do Procurador Provido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 11 24 /2 01 0- 90 Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 11444.001124/2010­90  Acórdão n.º 9303­004.220  CSRF­T3  Fl. 3          2 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  conhecer  o  Recurso  Especial  da  Fazenda Nacional,  vencidas  as  conselheiras  Tatiana Midori Migiyama,  Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini  Cecconello  e Maria Teresa Martinez  López,  que  votaram  por  não  conhecer  o  recurso  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  dar­lhe  provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões do recurso  voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini  Cecconello  ,  que  lhe  negaram  provimento.  Os  conselheiros  Andrada  Marcio  Canuto  Natal,  Valcir Gassen (Suplente convocado) e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado)  votaram apenas quanto ao mérito. Conforme Portaria CARF Nº 107, de 04 de Agosto de 2016,  designado pelo presidente da Turma de Julgamento, como redator ad hoc, o conselheiro Júlio  César Alves Ramos.  Julgamento  iniciado  na  reunião  de  08/06/16  e  concluído  na  reunião  de  10/08/16, no período da  tarde, na qual  foram mantidos os votos, quanto ao conhecimento,  já  proferidos na reunião de Junho.     Rodrigo da Costa Pôsssas ­ Presidente em exercício    Júlio César Alves Ramos ­ Redator designado   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Júlio  César  Alves  Ramos,  Tatiana  Midori  Migiyama,  Andrada  Márcio  Canuto  Natal,  Demes  Brito,  Charles  Mayer de Castro Souza, Erika Camargos Autran, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas. Os  conselheiros  Andrada Márcio  Canuto  Natal,  Valcir  Gassen  (Suplente  convocado)  e  Charles  Mayer de Castro Souza  (Suplente convocado) votaram  apenas quanto  ao mérito.  Julgamento  iniciado na sessão de 08/06/16, quando  todos votaram quanto ao conhecimento e, no mérito,  votara o  relator. O  julgamento  foi  concluído  na  sessão  de  10/08/16,  no  período  da  tarde,  na  qual foram mantidos os votos, quanto ao conhecimento, já proferidos na reunião de Junho.   Relatório  Designou­me a Presidência para redigir o acórdão, visto que o relator deixou  a condição de conselheiro após o início da votação. Faço­o adotando ementa, relatório e voto  elaborados por ele, e lidos na primeira sessão em que o recurso foi por ele colocado em pauta,  de cujas conclusões partilho por inteiro.   Assim, foi por ele relatado o recurso:   Trata­se de recurso especial de divergência, por meio do qual a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  pleiteia  a  reforma  do  Acórdão  3403­002.435.  Eis  a  sua  ementa,  transcrita  na  fração  que interessa ao presente julgamento.  PERDIMENTO.  “CONVERSÃO”.  INAPLICABILIDADE  NA  EXPORTAÇÃO.  A multa resultante da “conversão” do perdimento, referida no §  3º do art. 23 do Decreto­Lei nº 1.455/1976, com a redação dada  pela Lei nº 10.637/2002,  é  inaplicável à exportação, por  trazer  Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 11444.001124/2010­90  Acórdão n.º 9303­004.220  CSRF­T3  Fl. 4          3 base  imponível  relacionada  estritamente  à  importação  (valor  aduaneiro). A multa pela não localização de mercadoria à qual  se  aplique  o  perdimento  passa  a  ser  devida  na  exportação  somente a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida  Provisória  nº  497/2010,  posteriormente  convertida  na  Lei  nº  12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º.  O acórdão recorrido, como é possível verificar, considerou que  a multa de conversão do perdimento só passou a ser aplicável a  irregularidades relacionadas à exportação a partir da edição da  Medida Provisória nº 497 de 2010, convertida na Lei nº 12.350,  de 2010.  Aduz  a  recorrente,  em  síntese,  que  antes  do  ato  novel  a  jurisprudência  administrativa  já  referendava  a  multa  de  conversão  da  pena  de  perdimento  nas  hipóteses  em  que  o  exportador praticou infração punida com a pena de perdimento.  Acrescenta,  noutro  giro,  que  o  descumprimento  de  obrigação  acessória e a punição correspondente não se confundem com a  obrigação  principal  e  que,  portanto  a  inovação  legislativa,  de  fato, instituiu novo critério para a apuração da multa, a par do  já existente.  A matéria teve seguimento por força do despacho às fls. 2973 a  2974.  Em  suas  contrarrazões,  o  Contribuinte  aduz  que  os  acórdãos  paradigmas  não  teriam  enfrentado  a  discussão  aqui  travada  e,  consequentemente, pleiteia que o recurso não seja admitido.  No  mérito,  resumidamente,  reitera  os  argumentos  do  acórdão  recorrido  e  pleiteia,  subsidiariamente,  caso  seja  provido  o  recurso, o retorno do processo ao Colegiado a quo, para análise  de razões apresentadas em sede de recurso voluntário.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator  Segue o voto proferido pelo dr. Henrique:  O  recurso  preenche  as  condições  de  admissibilidade  e,  consequentemente, deve ser conhecido.  De  fato,  inobstante  a  recorrente  argumente  ausência  de  identidade  fática  e  de  prequestionamento,  tais  alegações  não  podem prosperar. Os paradigmas enfrentam multa idêntica, cujo  perdimento  decorreria  de  infração  idêntica.  Peço  licença  para  transcrever o seguinte excerto do Acórdão 303­35.828:  Neste diapasão, concluo que o autor do feito (o Fisco) encontra­ se  acobertado  por  prova  do  fato  constitutivo  de  seu  direito,  Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 11444.001124/2010­90  Acórdão n.º 9303­004.220  CSRF­T3  Fl. 5          4 concernente  na  documentação  trazida  aos  autos,  devidamente  expostas anteriormente.  Quanto a penalidade aplicada (multa regulamentar), insta citar o  art. 23 do Decreto­Lei nº 1.455/76:  “Art. 23 – Consideram­se dano ao erário as infrações relativas às  mercadorias:  (...)  IV – enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do  parágrafo único do art. 104 e nos incisos I a XIX do art. 105, do  Decreto­Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966:  (...)  §1º ­ O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput  deste  artigo,  será  punido  com  a  pena  de  perdimento  das  mercadorias.  (...)  §3º ­ A pena prevista no §1º converte­se em multa equivalente ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria  que  não  seja  localizada  ou  que  tenha  sido  transferida  a  terceiro  ou  consumida.  (acrescido  pela  Lei nº 10.637/2002, decorrente da conversão da MP nº 66/2002).  E mais. Traz o artigo 105 do Decreto­Lei nº 37/66:  “Art. 105 – Aplica­se a pena de perda da mercadoria:  (...)  VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se  qualquer  documento  necessário  ao  seu  embarque  ou  desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado”.  Ora, a acusação do Fisco é exatamente a mesma, a contribuinte  instruíra  seus  despachos  de  exportação  com  documentos  falsificados  e,  como  tal,  deveria  se  sujeitar  à  pena  de  perdimento,  convertida  em  pecúnia,  face  a  não  localização  da  mercadoria.  Acrescente­se,  por  óbvio,  que  o  fato  dos  acórdãos  paradigmas  não terem discutido o ato novel em nada altera a caracterização  da  divergência:  o  acórdão  recorrido  considerou  que,  na  sua  redação original,  o § 3º do art.  23 do Decreto­lei  nº 1.455, de  1976,  transcrito  acima,  era  inaplicável  à  irregularidades  associadas  à  exportação  e  os,  paradigmas,  em  sentido  oposto,  ratificaram  a  aplicação  da  penalidade  desde  aquele  primeiro  momento.  Passo ao mérito.  Em  síntese  apertada,  decidiu  o  aresto  que  multas  relativas  a  irregularidades na exportação, ainda que não  tenham qualquer  relação com a arrecadação do imposto de exportação, deveriam  Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 11444.001124/2010­90  Acórdão n.º 9303­004.220  CSRF­T3  Fl. 6          5 ser  calculadas  em  razão  da  base  de  cálculo  daquele  imposto  e  que multas  relativas a  irregularidades na  importação deveriam  ser  calculadas  em  razão  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  importação.  Assim  sendo,  concluiu,  o  legislador  equivocara­se  ao  prever  a  aplicação de multa por irregularidade na exportação, calculada  sobre  o  valor  aduaneiro,  já  que  tal  valor  corresponderia a  um  conceito inerente à importação.  Ouso discordar.  A  primeira  condição  para  se  empreender  uma  interpretação  sistemática é a coerência do Ordenamento Jurídico.  Ou seja, há, com efeito, antinomias que devem ser solucionadas  pelos  já  conhecidos  critérios  hierárquico,  temporal  ou  de  especificidade,  mas  a  solução  sempre  resultará  na  adoção  de  uma das normas aparentemente antinômicas (posterior ou mais  específica),  conforme  previsto  nos  parágrafos  do  art.  2º  do  Decreto­Lei  nº  4.657,  de  1942,  ou  mediante  o  correspondente  controle  formal, mediante a aplicação, por  exemplo, do art.  97  do CTN.   Ocorre que, no caso concreto, afastou­se a aplicação da lei em  razão de critério exclusivamente didático.  Deveras, o comando cuja aplicação foi afastada pelo colegiado  recorrido  emana de  lei  em  sentido  formal,  que  não  foi  alvo  de  decretação  de  inconstitucionalidade,  trata  de  matéria  para  a  qual não há uma lei mais específica e, como apontado pelo voto­ condutor, não se sujeitava à lei posteriormente editada.  Também  não  vejo  como  pretender  rejeitar  a  lei  vigente  sob  a  alegação  de  que  deveria  haver  uma  que  se  apresentasse  mais  específica, mas que à época dos  fatos, ainda não vigia. Seria o  mesmo que uma antinomia de lege ferenda (face à lei que viria a  ser criada).  Isto posto, diferentemente do que afirmou o acórdão recorrido,  não  vejo  como  invalidar  a  opção  do  legislador  por  definir  o  valor  da  multa  relativa  a  irregularidade  na  exportação  em  montante equivalente ao valor aduaneiro. A lei definiu uma base  e tal base é perfeitamente apurável.  Com efeito. inobstante seja natural tomar como sinônimos valor  aduaneiro  e  base  de  cálculo  do  imposto  de  importação,  tais  institutos possuem vida própria.   Ou seja, é fato que, nos termos do art. 75, I do Decreto nº 4.543,  de 2002, vigente à época das operações aqui debatidas, a base  de  cálculo do  imposto do  importação, quando a mercadoria  se  sujeitasse  à  alíquota  ad  valorem,  seria  o  valor  aduaneiro,  observadas  as  normas  do  Artigo  VII  do  Acordo  Geral  sobre  Tarifas e Comércio ­ GATT 1994(AVA), mas a recíproca não é  verdadeira. Uma mercadoria imune, por exemplo, está excluída  Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 11444.001124/2010­90  Acórdão n.º 9303­004.220  CSRF­T3  Fl. 7          6 da  incidência do  Imposto de  Importação e, ainda assim, possui  valor aduaneiro.  De fato, Valor Aduaneiro é um instituto jurídico distinto da base  de cálculo do imposto de importação (ou direitos aduaneiros, se  adotada  a  nomenclatura  do  AVA),  criado  com  o  objetivo  de  viabilizar  a  uniformidade  do  controle  aduaneiro.  Ou  seja,  o  legislador  pátrio  adotou  o  Valor  Aduaneiro  como  base  de  cálculo, mas este instituto, repita­se, tem existência autônoma.  Assim  sendo,  não  há  qualquer  obstáculo  para que  o  legislador  aproveite  o  conceito  de  valor  aduaneiro  para  outros  aspectos  inerentes  ao  controle  aduaneiro,  salvo  o  combate  ao dumping,  expressamente  afastado  pelo  AVA.  Aliás,  não  há  obstáculo  sequer  a  que  tal  instituto  jurídico  seja  empregado  em  outra  finalidade,  como  ocorre,  por  exemplo,  na  fixação  da  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins,  que,  embora  cobradas  no  registro  da DI,  não  se  confundem com os  direitos  aduaneiros.  Muito pelo contrário, se o objetivo almejado é a uniformização,  quanto maior  for  o  aproveitamento  dos  conceitos  do AVA pelo  Ordenamento  Jurídico  Nacional,  maior  será  o  atingimento  daquele objetivo.   Confira­se,  a  propósito,  o  texto  introdutório  do  AVA,  que  delimita os princípios que nortearam a sua edição (GN):   Os Membros,   Tendo  em  vista  as  negociações  comerciais  Multilaterais;  Desejando promover a consecução dos objetivos do GATT 1994  e  assegurar  vantagens  adicionais  para  o  comércio  internacional  dos países em desenvolvimento;   Reconhecendo  a  importância  das  disposições  do Artigo VII  do  GATT 1994 e desejando elaborar normas para sua aplicação com  vistas  a  assegurar  maior  uniformidade  e  precisão  na  sua  implementação;   Reconhecendo a necessidade de um sistema eqüitativo, uniforme  e  neutro  para  a  valoração  de mercadorias  para  fins  aduaneiros,  que  exclua  a  utilização  de  valores  aduaneiros  arbitrários  ou  fictícios;   Reconhecendo  que a base de  valoração de mercadorias  para  fins  aduaneiros  deve  ser  tanto  quanto  possível  o  valor  de  transação das mercadorias a serem valoradas;   Reconhecendo que o valor aduaneiro deve basear­se em critérios  simples  e  eqüitativos  condizentes  com  as  práticas  comerciais  e  que os procedimentos de valoração devem ser de aplicação geral,  sem distinção entre fontes de suprimento;  Reconhecendo que os procedimentos de valoração não devem ser  utilizados para combater o dumping;   Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 11444.001124/2010­90  Acórdão n.º 9303­004.220  CSRF­T3  Fl. 8          7 Acordam o seguinte:  (...)  Por  outro  lado,  não  se  pode  olvidar  que  o  legislador  não  determinou a  imputação  de multa  no  valor  aduaneiro, mas  em  valor  equivalente  ao  que  seria  aquele  valor.  Confira­se  a  redação do § 3º do art. 23 do Decreto nº 1.455, de 1976, vigente  à época dos fatos (destaquei):  § 3o A pena prevista no § 1o converte­se em multa equivalente ao  valor  aduaneiro  da  mercadoria  que  não  seja  localizada  ou  que  tenha sido consumida.  Ora, valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com  o  valor  aduaneiro  propriamente  dito.  O  legislador,  repita­se,  elegeu  um  critério  objetivo  e  apurável,  como  será  melhor  exposto  a  seguir,  pouco  importando  se,  tradicionalmente,  esse  critério  é  empregado para  o  cálculo  de  direitos  aduaneiros  ou  contribuições  devidas  na  importação. Trata­se  de  lei  vigente  e  cuja inconstitucionalidade, até o momento, não foi declarada.  Dito isto, passa­se à segunda premissa que orienta este voto: o  Fisco,  efetivamente,  calculou  um  valor  equivalente  ao  valor  aduaneiro nos termos do art. 1 do AVA­GATT e a recorrente não  se  insurgiu  contra  esse  critério.  Eis  a  redação  do  dispositivo  (destaquei)  O  valor  aduaneiro  de  mercadorias  importadas  será  o  valor  de  transação,  isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas  mercadorias  em uma venda para exportação para o país de  importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8,  desde que:  (...)    De  fato,  a  multa  foi  calculada  sobre  o  valor  constante  dos  documentos de exportação e,  como tal,  sobre o preço de venda  da mercadoria.  E  não  se  alegue  que  não  haveria  como  se  proceder  a  tal  apuração  em  razão  de  que  a  mercadoria  destinava­se  à  exportação.  Deveras,  não  me  parece  razoável  concluir  que  a  mercadoria  exportada,  se  considerada  a  origem,  também  não  seja  importada, se considerado o destino. Como é cediço, importação  e  exportação  são  duas  faces  da  mesma  moeda:  a  mesma  mercadoria que é vendida pelo exportador nacional é adquirida  pelo  importador  estrangeiro.  Trata­se  de  pólos  distintos  do  mesmo contrato de compra e venda.   Nessa  esteira,  revela­se  evidente  que  o  valor  da  venda  pelo  exportador  é  o  mesmo  valor  da  compra  pelo  importador  e,  Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 11444.001124/2010­90  Acórdão n.º 9303­004.220  CSRF­T3  Fl. 9          8 consequentemente,  o  valor  equivalente  ao  valor  aduaneiro  da  operação, valorada segundo o primeiro método.  Assim,  como  bem  apontou  a  d.  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  em  seu  Recurso  Especial  de  divergência,  a  partir  do  ato novel, o legislador definiu um novo critério para aferição da  base de cálculo da multa, mas isso, evidentemente, não invalida  o procedimento realizado sob a égide da redação anterior.  Aliás, não atrai sequer a retroatividade benigna prevista no art.  106,  II,  "c"  do CTN,  já  que  o Fisco,  para  cálculo  do  valor  de  transação,  utilizou  exatamente  os  valores  constantes  dos  documentos  previstos  na  nova  redação  do  §  3º  do  art.  23  (destaquei):  §  3º  As  infrações  previstas  no  caput  serão  punidas  com  multa  equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou  ao  preço  constante  da  respectiva  nota  fiscal  ou  documento  equivalente,  na  exportação,  quando  a  mercadoria  não  for  localizada,  ou  tiver  sido  consumida ou  revendida,  observados o  rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6  de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)  Finalmente,  considerando  que  não  houve  prequestionamento  acerca das demais questões recursais ou mesmo a apresentação  de  embargos  de  declaração,  para  efeito  de  prequestionamento,  julgo  que  não  há  espaço  para  debater  pedido  subsidiário,  apresentado em sede de contrarrazões.  Ante  o  exposto,  dou  provimento  ao  recurso  especial  da  Procuradoria da Fazenda Nacional.  HENRIQUE PINHEIRO TORRES ­ Relator  Em adição  a  essas  judiciosas  observações,  apenas  aduzi  em  sessão  que,  no  meu entender, tem razão o dr. Trevisan quando afirma que a redação que foi posta na lei não  foi, certamente, a melhor. Apesar disso, para mim, não é dado ao colegiado ignorar a letra da  lei;  se  ela  estabelece  penalidade  relacionada  à  exportação  cujo  valor  "equivale  ao  valor  aduaneiro", é porque o legislador considera possível fazer essa equiparação, mesmo não sendo  este último um conceito próprio daquelas operações. Nesse sentido, caso o aplicador do direito  divirja desse entendimento,  isto  é,  no  caso  concreto,  ache  impossível  essa  equiparação, deve  guardar para si essa posição e dobrar­se ao império da lei, como qualquer um num Estado de  Direito.  Ou  seja,  a  despeito  de  seu  entendimento  pessoal  divergente,  limitar­se  a  buscar  a  melhor  forma  de  dar  efetividade  ao  comando  legal.  Em  suma,  não  é  papel  do  aplicador  do  direito  "auditar"  a  lei  posta,  nela  buscando  eventuais  inconformidades  que  impeçam  sua  aplicação, mas apenas dar a ela fiel cumprimento, ainda que discorde dos seus termos.  Com  base  nessas  considerações,  votou  a  maioria  do  colegiado  por  dar  provimento ao recurso da Fazenda Nacional.  E esse é o acórdão que me coube redigir.  Conselheiro Júlio César Alves Ramos ­ redator designado  Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 11444.001124/2010­90  Acórdão n.º 9303­004.220  CSRF­T3  Fl. 10          9                             Fl. 3035DF CARF MF

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Numero do processo: 11543.005940/2002-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9303-000.104
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o contribuinte do despacho de admissibilidade do recurso especial, com abertura de prazo para interposição de contrarrazões e posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata-se de Recurso Especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão nº 204-02.270, proferido pela 4º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, a empresa produtora e exportadora de produtos não tributados pelo IPI, bem assim, admitiu a correção monetária do valor a ressarcir com base na taxa selic, desde o protocolo do pedido. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Versa o presente processo sobre apreciação de pedido da interessada em epígrafe acerca de ressarcimento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, protocolado em 30/12/2002 (fls. 01) e formalizado pelo pedido de fl. 80 (original), no valor de R$ 13.559.060,31, tendo como referência os 1°, 2°, 3° e 4° trimestres-calendários de 1997. Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal (DRF) em Vitória-ES; tend, em vista o disposto no Parecer SEFIS n° 024/2003 de fls. 82/90, proferiu, em 16/09/2003, o Despacho Decisório de fl. 91, no qual indeferiu integralmente o ressarcimento pleiteado". O Acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA — RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O prazo para requerer o ressarcimento de crédito presumido de IPI decai após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da data da apuração dos créditos. IPI — RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO — LEI N° 9.363/96 — PRODUTOS DERIVADOS DE MINÉRIO NÃO TRIBUTADOS — IMUNIDADE CONSTITUCIONAL — EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. O direito ao crédito presumido do IPI de que trata a lei em referência deve ser reconhecido à empresa produtora e exportadora de produtos, ainda que não tributados por 1PI em razão de imunidade constitucional. IPI— RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO — LEI N° 9.363/96 — PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram crédito presumido de IPI as aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário, assim entendidos os que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, nos termos do PN CST n° 65/79. Energia elétrica não tem ação direta no processo produtivo, razão que impede a sua inclusão no cômputo do valor dos ressarcimento do crédito presumido do IPI. Precedentes da Câmara Superior. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, aplicando-se a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, fls. 338/341, para que o colegiado se manifesta-se sobre a omissão quanto ao resultado do julgamento da preliminar de mérito de prescrição/decadência e, ainda, que se pronuncie quanto à questão fática relacionada a esta preliminar que havia sido suscitada pela DRJ -Juiz de Fora-MG, para declarar a decadência/prescrição do período de apuração dezembro/97. Os embargos de declaração foram acolhidos parcialmente, fls. 344/347, com efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no acórdão vergastado, acrescentando ao "decisum" a expressão: reconhecer a prescrição dos créditos pertinentes ao período compreendido entre janeiro e novembro de 1997. Não satisfeita, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso defendendo que houve violação à lei Federal cometida pelo acórdão recorrido, fundamenta o cabimento do especial, com fundamento das modificações realizadas pela lei nº 11.941/09. E que o recurso interposto se assenta no entendimento consignado na Súmula CARF nº 20. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 408/409. Com fundamento de que: "Muito embora não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF), em respeito ao princípio tempus regit actum. Nesta senda, verifica-se que o aresto foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal, e, respeitante à violação de disposições legais, a peça interposta arrola uma série de atos legais, em tese, inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto de contrariedade à lei exigido para seu cabimento". JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente da Quarta Câmara É o relatório.
Nome do relator: DEMES BRITO

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Relatório Trata-se de Recurso Especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão nº 204-02.270, proferido pela 4º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, a empresa produtora e exportadora de produtos não tributados pelo IPI, bem assim, admitiu a correção monetária do valor a ressarcir com base na taxa selic, desde o protocolo do pedido. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Versa o presente processo sobre apreciação de pedido da interessada em epígrafe acerca de ressarcimento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, protocolado em 30/12/2002 (fls. 01) e formalizado pelo pedido de fl. 80 (original), no valor de R$ 13.559.060,31, tendo como referência os 1°, 2°, 3° e 4° trimestres-calendários de 1997. Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal (DRF) em Vitória-ES; tend, em vista o disposto no Parecer SEFIS n° 024/2003 de fls. 82/90, proferiu, em 16/09/2003, o Despacho Decisório de fl. 91, no qual indeferiu integralmente o ressarcimento pleiteado". O Acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA — RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O prazo para requerer o ressarcimento de crédito presumido de IPI decai após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da data da apuração dos créditos. IPI — RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO — LEI N° 9.363/96 — PRODUTOS DERIVADOS DE MINÉRIO NÃO TRIBUTADOS — IMUNIDADE CONSTITUCIONAL — EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. O direito ao crédito presumido do IPI de que trata a lei em referência deve ser reconhecido à empresa produtora e exportadora de produtos, ainda que não tributados por 1PI em razão de imunidade constitucional. IPI— RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO — LEI N° 9.363/96 — PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram crédito presumido de IPI as aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário, assim entendidos os que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, nos termos do PN CST n° 65/79. Energia elétrica não tem ação direta no processo produtivo, razão que impede a sua inclusão no cômputo do valor dos ressarcimento do crédito presumido do IPI. Precedentes da Câmara Superior. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, aplicando-se a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, fls. 338/341, para que o colegiado se manifesta-se sobre a omissão quanto ao resultado do julgamento da preliminar de mérito de prescrição/decadência e, ainda, que se pronuncie quanto à questão fática relacionada a esta preliminar que havia sido suscitada pela DRJ -Juiz de Fora-MG, para declarar a decadência/prescrição do período de apuração dezembro/97. Os embargos de declaração foram acolhidos parcialmente, fls. 344/347, com efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no acórdão vergastado, acrescentando ao "decisum" a expressão: reconhecer a prescrição dos créditos pertinentes ao período compreendido entre janeiro e novembro de 1997. Não satisfeita, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso defendendo que houve violação à lei Federal cometida pelo acórdão recorrido, fundamenta o cabimento do especial, com fundamento das modificações realizadas pela lei nº 11.941/09. E que o recurso interposto se assenta no entendimento consignado na Súmula CARF nº 20. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 408/409. Com fundamento de que: "Muito embora não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF), em respeito ao princípio tempus regit actum. Nesta senda, verifica-se que o aresto foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal, e, respeitante à violação de disposições legais, a peça interposta arrola uma série de atos legais, em tese, inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto de contrariedade à lei exigido para seu cabimento". JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente da Quarta Câmara É o relatório.

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9303­000.104  –  3ª Turma  Data  11 de abril de 2017  Assunto  Prazo para  interposição de contrarrazões   Recorrente  FAZENDA NACIONAL   Interessado  CIA NIPO­BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO ­ NIBRASCO    Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  Unidade  de  Origem,  para  cientificar  o  contribuinte  do  despacho  de  admissibilidade  do  recurso  especial,  com  abertura  de  prazo  para  interposição  de  contrarrazões e posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento.  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício   (assinado digitalmente)  Demes Brito ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  :  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal,  Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini  Cecconello.                   RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 05 94 0/ 20 02 -4 4 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 11543.005940/2002­44  Resolução nº  9303­000.104  CSRF­T3  Fl. 463          2 Relatório   Trata­se  de  Recurso  Especial  por  contrariedade  à  lei  interposto  pela  Fazenda  Nacional,  contra  acórdão  nº  204­02.270,  proferido  pela  4º  Câmara  do  2º  Conselho  de  Contribuintes,  que,  por maioria  de  votos,  deu  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  o  direito  ao  crédito  presumido de  IPI,  de  que  trata  a Lei  nº  9.363/96,  a  empresa  produtora  e  exportadora  de produtos  não  tributados  pelo  IPI,  bem assim,  admitiu  a  correção  monetária do valor a ressarcir com base na taxa selic, desde o protocolo do pedido.  Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau:  "Versa  o  presente  processo  sobre  apreciação  de  pedido  da  interessada  em  epígrafe acerca de ressarcimento do crédito presumido do IPI de que trata a  Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, protocolado em 30/12/2002  (fls.  01)  e  formalizado  pelo  pedido  de  fl.  80  (original),  no  valor  de  R$  13.559.060,31,  tendo  como  referência  os  1°,  2°,  3°  e  4°  trimestres­ calendários de 1997.  Em  análise  de  legitimidade,  a  Delegacia  da  Receita  Federal  (DRF)  em  Vitória­ES; tend, em vista o disposto no Parecer SEFIS n° 024/2003 de fls.  82/90,  proferiu,  em  16/09/2003,  o  Despacho  Decisório  de  fl.  91,  no  qual  indeferiu integralmente o ressarcimento pleiteado".  O Acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado:  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997  DECADÊNCIA — RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI.  O  prazo  para  requerer  o  ressarcimento  de  crédito  presumido  de  IPI  decai  após  o  transcurso  do  prazo  de  5  (cinco)  anos  da  data  da  apuração  dos  créditos.  IPI — RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO — LEI N° 9.363/96  —  PRODUTOS  DERIVADOS  DE  MINÉRIO  NÃO  TRIBUTADOS  —  IMUNIDADE  CONSTITUCIONAL  —  EMPRESA  PRODUTORA  E  EXPORTADORA. O direito ao  crédito presumido do  IPI de que  trata a  lei  em referência deve ser  reconhecido à  empresa produtora e exportadora de  produtos,  ainda  que  não  tributados  por  1PI  em  razão  de  imunidade  constitucional.  IPI— RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO — LEI N° 9.363/96  — PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram crédito presumido de IPI as  aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de matéria­prima,  material  de  embalagem  e  produto  intermediário,  assim  entendidos  os  que  sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades  físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto  em fabricação,  salvo se  compreendidos  entre os bens do ativo permanente,  nos  termos  do PN CST  n°  65/79.  Energia  elétrica  não  tem  ação  direta  no  processo produtivo,  razão que  impede a  sua  inclusão no cômputo do  valor  Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11543.005940/2002­44  Resolução nº  9303­000.104  CSRF­T3  Fl. 464          3 dos  ressarcimento  do  crédito  presumido  do  IPI.  Precedentes  da  Câmara  Superior.   RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero  restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais  (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39,  § 4° da Lei n° 9.250/95, aplicando­se a Taxa Selic a partir do protocolo do  pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte  Não  conformada  com  tal  decisão,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  Embargos  de  Declaração,  fls.  338/341,  para  que  o  colegiado  se  manifesta­se  sobre  a  omissão  quanto  ao  resultado  do  julgamento  da  preliminar  de  mérito  de  prescrição/decadência  e,  ainda,  que  se  pronuncie quanto à questão fática relacionada a esta preliminar que havia sido suscitada pela  DRJ  ­Juiz  de  Fora­MG,  para  declarar  a  decadência/prescrição  do  período  de  apuração  dezembro/97.  Os  embargos  de  declaração  foram  acolhidos  parcialmente,  fls.  344/347,  com  efeitos  infringentes,  para  sanar a omissão  apontada no  acórdão vergastado,  acrescentando  ao  "decisum"  a  expressão:  reconhecer  a  prescrição  dos  créditos  pertinentes  ao  período  compreendido entre janeiro e novembro de 1997.   Não satisfeita, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso defendendo que  houve  violação  à  lei  Federal  cometida  pelo  acórdão  recorrido,  fundamenta  o  cabimento  do  especial, com fundamento das modificações realizadas pela lei nº 11.941/09. E que o recurso  interposto se assenta no entendimento consignado na Súmula CARF nº 20.   O  recurso  teve  seguimento  nos  termos  do  Despacho  de  Admissibilidade,  fls.  408/409. Com fundamento de que:  "Muito  embora  não  previsto  no  atual  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais  (RICARF), aprovado pela Portaria MF  nº  256,  de  22/06/2009,  o  recurso  especial  por  contrariedade  à  lei  ou  à  evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento  ocorrida  até  30/06/2009,  será,  nos  termos  do  artigo  4°  do  RICARF,  processado  de  acordo  com  o  rito  previsto  no  Regimento  Interno  da CSRF  aprovado  pela  Portaria  nº  147,  de  25/06/2007  (RICSRF),  em  respeito  ao  princípio tempus regit actum.  Nesta senda, verifica­se que o aresto foi decidido por maioria de votos, um  dos  requisitos  desta  modalidade  recursal,  e,  respeitante  à  violação  de  disposições legais, a peça interposta arrola uma série de atos legais, em tese,  inobservados  no  julgado  sob  vergasta,  atendendo,  também,  ao  pressuposto  de contrariedade à lei exigido para seu cabimento".  JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS  Presidente da Quarta Câmara  É o relatório.     Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11543.005940/2002­44  Resolução nº  9303­000.104  CSRF­T3  Fl. 465          4   Voto   Conselheiro Demes Brito ­ Relator   Versa o presente processo sobre apreciação de pedido da Contribuinte acerca de  ressarcimento do crédito presumido do IPI (NT) de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro  de 1996, protocolado em 30/12/2002  (fls. 01) e  formalizado pelo pedido de  fl. 80  (original),  tendo como referência os 1°, 2°, 3° e 4° trimestres­calendários de 1997.  Conforme acima relatado, a controvérsia se restringe ao direito de se usufruir ou  não do crédito presumido de IPI na hipótese de exportação de produtos não tributados pelo IPI  (NT).  Com  efeito,  compulsando  os  autos,  verifico  que  em  20/07/10,  a  Fazenda  Nacional interpôs Recurso Especial em face do acórdão que julgou parcialmente o recurso da  Contribuinte, ora Recorrido.  Após  exame  de  admissibilidade  do  Recurso,  foi  proferida  decisão,  de  fls.408/409, que admitiu o Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinando que:  "por força do disposto no art. 69 do Regimento Interno do CARF, determino o  encaminhamento  à  Unidade  local  da  RFB  para  ciência  ao  contribuinte  do  acórdão recorrido e deste despacho para, querendo, apresentar contrarrazões e  recurso especial na parte que lhe foi desfavorável, se cabível".  Após  a  decisão  exarada,  os  autos  foram  remetidos  para  Divisão  da  Receita  Federal  de  Vitória/ES,  para  o  cumprimento  do  decisum,  contudo,  não  consta  nos  autos  intimação  da  decisão  que  admitiu  o  Recurso  Especial  para  que  a  Contribuinte  pudesse  apresentar contrarrazões ao Recurso.   Nada obstante, observo despacho, de fls. 444, o qual afirma que a Contribuinte  apresentou  contrarrazões,  no  entanto,  tal manifestação  não  condiz  com  as  peças  processuais  dos autos, não se trata de contrarrazões da Contribuinte,  foi protocolado  julgados da Câmara  Superior de Recursos Fiscais ­CSRF, requerendo a juntada dos mencionados acórdãos.   Neste sentido, o artigo 69, do RICARF, dispõe que:  "admitido o recurso especial pelo Procurador da Fazenda Nacional, dele será  dada ciência ao sujeito passivo, assegurando­lhe prazo de 15( quinze) dias para  oferecer contrarrazões e,  se  for o caso, apresentar  recurso especial  relativa à  parte do acórdão que lhe foi desfavorável".   Dessa  forma,  o  presente  julgamento  dever  ser  convertido  em  diligência  à  Unidade de Origem, para cientificar a Contribuinte do despacho de admissibilidade do recurso  especial, com abertura de prazo para interposição de contrarrazões e posterior retorno dos autos  ao relator, para prosseguimento.    Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11543.005940/2002­44  Resolução nº  9303­000.104  CSRF­T3  Fl. 466          5 (assinado digitalmente)  Demes Brito      Fl. 466DF CARF MF

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Numero do processo: 16832.000663/2009-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE LANCHES E REFEIÇÕES. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011 Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deu-se na modalidade "in natura", o lançamento enquadra-se na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, sob a forma de utilidades. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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   Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9202­005.257  –  2ª Turma   Sessão de  28 de março de 2017  Matéria  CS ­ AIOP ­ PATRONAL ­ ALIMENTAÇÃO IN NATURA ­  RETROATIVIDADE BENIGNA  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL              RAVA ADMINISTRAÇÃO DE EVENTOS LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005  PREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  FORNECIMENTO  DE  LANCHES  E  REFEIÇÕES.  ALIMENTAÇÃO FORNECIDA  IN NATURA. AUSÊNCIA DE ADESÃO  AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011  Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deu­se na  modalidade  "in  natura",  o  lançamento  enquadra­se  na  exclusão  prevista  no  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2117/2011  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional,  aprovado  pelo  Senhor  Ministro  de  Estado  da  Fazenda  que  ensejou  a  publicação  do  Ato  Declaratório  03/2011,  posto  que  a  alimentação  mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual  seja: com a fornecida “in natura”, sob a forma de utilidades.   APLICAÇÃO  DE  PENALIDADE.  PRINCÍPIO  DA  RETROATIVIDADE  BENIGNA.  LEI  Nº  8.212/1991,  COM  A  REDAÇÃO  DADA  PELA  MP  449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB  Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.   Na aferição  acerca  da  aplicabilidade  da  retroatividade  benigna,  não  basta  a  verificação  da  denominação  atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre dispositivos,  percentuais  e  limites. É necessário,  antes  de  tudo,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.  O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria  PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito  passivo.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 63 /2 00 9- 18 Fl. 765DF CARF MF     2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar­lhe provimento. Acordam, ainda, por  unanimidade de votos,  em  conhecer do Recurso Especial  da Fazenda Nacional  e,  no mérito,  por maioria  de  votos,  em  dar­lhe  provimento,  vencido  o  conselheiro  Fábio  Piovesan  Bozza  (suplente convocado), que lhe negou provimento.      (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  (Presidente  em  exercício),  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patricia  da  Silva,  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior,  Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.  Fl. 766DF CARF MF Processo nº 16832.000663/2009­18  Acórdão n.º 9202­005.257  CSRF­T2  Fl. 3          3 Relatório  Trata­se  de  auto  de  infração,  DEBCAD:  37.240.443­0,  lavrado  contra  o  contribuinte  identificado  acima,  consolidado  em  06/08/2009,  no  valor  de  R$  377.956,51,  acrescidos de juros e multa de mora, referentes às contribuições devidas à Seguridade Social,  correspondentes  à  parte  da  empresa  e  às  destinadas  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrentes  de  riscos  ambientais do  trabalho e das  contribuições  adicionais para o  financiamento de  aposentadoria  especial, no período de 01/2005 a 09/2005.  Conforme  informações  contidas  no  relatório  fiscal,  o  lançamento  teve  por  fatos geradores: a) as diferenças apuradas entre os valores constantes das folhas de pagamento  apresentadas e os valores declarados em GFIP, nas competências 06/2005 a 09/2005, das filiais  0010­05,  0012­69  e  0013­40;  b)  os  valores  de  despesa  com  alimentação  fornecida  aos  funcionários, apurada no Livro Diário 155 e 156, conta contábil 4.1.2.02.01.00808 – DESP. De  lanches e refeições, eis que não foi apresentado o comprovante de adesão ao PAT – Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador;  c)  os  pagamentos  referentes  às  verbas  trabalhistas  contabilizadas  na  conta  contábil  4.1.2.02.01.00256  –  Indenizações  Trabalhistas  e  constantes  dos Termos de Acertamento e Conciliação Trabalhistas realizadas no Núcleo Intersindical de  Conciliação trabalhista no estado do Rio de Janeiro.  A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do  Brasil  de  Julgamento  no  Rio  de  Janeiro  I/RJ  julgado  a  impugnação  procedente  em  parte,  mantendo em parte o crédito tributário apurado.   Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados  ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 20/06/2013, foi dado provimento  parcial  ao  Recurso  Voluntário,  prolatando­se  o  Acórdão  nº  2403­002.108,  com  o  seguinte  resultado: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento  parcial  ao  recurso,  para  que  se  recalcule  o  valor  da  multa  de  mora,  se  mais  benéfico  ao  contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela  Lei 11.941/2009”. O acórdão encontra­se assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS   Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005  PREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  IRREGULARIDADE  NA  LAVRATURA DO AIOP. INOCORRÊNCIA.  Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os  fatos  que  suportaram  o  lançamento,  oportunizando  ao  contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em  observância  aos  pressupostos  formais  e  materiais  do  ato  administrativo,  nos  termos  da  legislação  de  regência,  especialmente  artigo  142  do  CTN,  não  há  que  se  falar  em  nulidade do lançamento.    PREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  PAGAMENTO  EM  ESPÉCIE.  ALIMENTAÇÃO. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA  Fl. 767DF CARF MF     4 DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR – PAT. INCIDÊNCIA  DE CONTRIBUIÇÃO.  O  pagamento,  em  espécie,  de  alimentação  aos  segurados  empregados  por  empresa  não  inscrita  no  PAT  –  Programa  de  Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e  se  constitui  em  fato  gerador  de  contribuições  sociais  previdenciárias.  PREVIDENCIÁRIO.  CUSTEIO.  NOTIFICAÇÃO  FISCAL  DE  LANÇAMENTO DE DÉBITO. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E  MULTA  DE  MORA.  ALTERAÇÕES  DADAS  PELA  LEI  11.941/2009. RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART.  106, II, C, CTN  Até  a  edição  da  Lei  11.941/2009,  os  acréscimos  legais  previdenciários  eram  distintos  dos  demais  tributos  federais,  conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei  11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de  juros  moratórios),  alterou  a  redação  do  art.  35  (que  versava  sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35­A, para disciplinar a  multa de ofício.    Visto  que  o  artigo  106,  II,  c  do  CTN  determina  a  aplicação  retroativa da lei quando, tratando­se de ato não definitivamente  julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na  lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade  benigna, impõe­se o cálculo da multa com base no artigo 61 da  Lei  9.430/96  para  compará­la  com  a multa  aplicada  com  base  na  redação anterior  do  artigo  35  da Lei  8.212/91  (presente no  crédito  lançado  neste  processo)  para  determinação  e  prevalência da multa de mora mais benéfica.  Ressalva­se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma,  na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na  forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c  art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da  multa de ofício  (com base no art. 35­A, Lei 8.212/1991 c/c art.  44  Lei  9.430/1996),  com  a  prevalência  dos  acréscimos  legais  mais benéficos ao contribuinte.  Recurso Voluntário Provido em Parte  O  processo  foi  encaminhado  para  ciência  da  Fazenda  Nacional,  em  20/09/2013  para  cientificação  em  até  30  dias,  nos  termos  da  Portaria  MF  nº  527/2010.  A  Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 07/10/2013, o presente Recurso Especial. Em  seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica  ao contribuinte ­ retroatividade benigna.    Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o  Despacho nº 2400­1129/2013, da 4ª Câmara, de 08/11/2013.  O  recorrente,  em  suas  alegações,  requer  seja  dado  total  provimento  ao  presente  recurso, para  reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação  do art. 32­A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35­A, do mesmo diploma legal, para que  seja esposada a  tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do  julgado,  qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma  revogada) ou a do art. 35­A da MP nº 449/2008.   Fl. 768DF CARF MF Processo nº 16832.000663/2009­18  Acórdão n.º 9202­005.257  CSRF­T2  Fl. 4          5 Cientificado do Acórdão nº 2403­002.108, do Recurso Especial da Fazenda  Nacional  e  do Despacho de Admissibilidade  admitindo  o Resp  da PGFN,  em 16/06/2014,  o  contribuinte apresentou, tempestivamente, em 01/07/2014, contrarrazões e Recurso Especial da  parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido.  Ao  Recurso  Especial  do  contribuinte  foi  dado  seguimento,  conforme  Despacho nº 2400­0/2015, da 4ª Câmara, de 06/11/2015.  · Em seu recurso, o contribuinte, preliminarmente, registra a ocorrência  de  relevante  erro  material  no  acórdão  recorrido,  consistente  da  afirmação  de  que  o  fornecimento  de  alimentação,  no  presente  caso,  teria sido feito em espécie e não in natura.  · Argumenta  que  uma  vez  corrigido  o  erro  existente,  o  acórdão  recorrido  deve  ser  reformado  para  que  se  aplique  o  entendimento  adotado  por  outra  Turma  do  CARF  (acórdão  2402­003.308)  que  reconheceu  a  desnecessidade  de  inscrição  no  PAT,  inclusive  com  a  aplicação do Ato Declaratório nº 03/2011 da PGFN.  · Acrescenta  que,  mesmo  que  se  entenda  que  o  fornecimento  de  alimentos ocorreu em espécie – o que contraria a verdade material –  ainda  assim  deve  ser  reconhecida  a  não  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  esses  valores,  independentemente  de  adesão  da  recorrente  ao  PAT,  uma  vez  que,  nos  termos  do  art.  62­A  do  RICARF,  deve  ser  aplicada  a  jurisprudência  consolidada  do  STJ,  já  decidida  sobre  a  sistemática  do  recurso  repetitivo  (art.  543­C,  do  CPC),  que  entendeu  que  o  fornecimento  de  alimentos  pelo  empregador  aos  seus  empregados,  seja  in  natura  ou  através  de  pagamento  em  espécie,  não  enseja  o  recolhimento  de  contribuição  previdenciária, independentemente de a empresa ter ou não aderido ao  PAT – Programa de Alimentação ao Trabalhador.  Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que:  · ­  apesar  de  os  precedentes  invocados  pela  Fazenda  Nacional  como  paradigmas  referirem­se  à aplicação das multas estabelecidas no art.  44 da Lei nº 9.430/96, da leitura do inteiro teor de ambos os acórdãos,  verifica­se  que  cada  um  dá  uma  solução  distinta  à  aplicação  da  retroatividade  benigna,  além  de  tratarem  de  casos  diferentes  do  tratado no presente processo.  · ­ no presente caso, o acórdão recorrido determinou “que se recalcule  a multa de mora com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao  art.  35  da  Lei  8.212/91,  com  a  prevalência  da  mais  benéfica  ao  contribuinte”;  enquanto  que  no  primeiro  paradigma  apresentado  restou  consignado  que  a  autoridade  fiscal  deveria  comparar  a multa  prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, com redação vigente à época do  fato gerador, com a multa prevista no art. 35­A da Lei 8.212/91, com  redação  dada  pela  Lei  11.941/2009;  e  no  segundo  paradigma  invocado,  o  caso  trata  da  divergência  entre  a  aplicação  da  multa  prevista nos artigos 32­A e 35­A, ambos com redação dada pela Lei  11.941/2009.  Fl. 769DF CARF MF     6 · ­  a  tese  sustentada pela Fazenda Nacional  está  em desacordo com o  entendimento  do  primeiro  paradigma  invocado  ­,  uma  vez  que  a  recorrente sustenta que a aferição da penalidade mais benéfica deveria  ser verificada da seguinte forma: “se as duas multas anteriores (art.  35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35­A da Lei 8.212/91,  introduzida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009”  e o paradigma determinou que se compare a multa prevista no art. 35,  da Lei 8.212/91, com redação vigente à época do fato gerador, com a  multa  prevista  no  art.  35­A,  da  Lei  8.212/91  –  o  que  por  si  só  já  demonstra a improcedência do recurso especial.  · ­ o pedido formulado pela Fazenda Nacional não corresponde ao que  restou  consignado nos  acórdãos  paradigmas. Em  seu  pedido  final,  a  Fazenda  não  requer  seja  aplicado  o  entendimento  consignado  no  primeiro paradigma – aplicação do art. 35­A, da Lei 8.212/91, se mais  benéfico que a multa prevista o antigo art. 35 da mesma lei – e nem o  entendimento do segundo paradigma – aplicação do art. 35­A, da Lei  8.212/91 se mais benéfico que o art. 32­A, da Lei 8.212/91; e sim, que  “seja dado total provimento ao presente recurso com a conseqüente  reforma  do  acórdão  recorrido,  a  fim  de  que  prevaleça  a  forma  de  cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais  benéfica  ao  contribuinte,  em  conformidade  com  o  que  dispõe  a  IN  SRF nº 1.027/2010”,  afirmando,  equivocadamente,  que  a  autoridade  fiscal teria efetuado os lançamentos nos exatos termos da IN citada –  que determina o somatório das multas aplicadas por descumprimento  de obrigação principal e das multas aplicadas por descumprimento de  obrigação acessória e  sua comparação com a multa do art. 35­A, da  Lei 8.212/91 – razão pela qual deveria ser mantida a multa na forma  constante no auto de infração de obrigação principal.  · ­ não foi isso que ocorreu no presente caso, já que além da lavratura  de três autos de infração por descumprimento de obrigação principal  (DEBCAD 37.256.654­5,  37.240.444­8  e  37.240.445­6),  foi  lavrado  um auto de  infração para cobrança de multa por descumprimento de  obrigação  acessória  (DEBCAD  27.240.446­4),  e  que  tal  fato  demonstra o equívoco da tese da Fazenda Nacional, pois caso tivesse  a  autoridade  fiscal  observado  a  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica, não  teria  sido  lavrado o auto de  infração para cobrança da  multa por descumprimento de obrigação acessória, mas  tão  somente  os autos de infração por descumprimento de obrigação principal.  · ­  o  acórdão  recorrido,  ao  determinar  o  recálculo  da multa  de mora,  com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº  8.212/91, a fim de prevalecer a mais benéfica ao contribuinte, apenas  aplicou o princípio da retroatividade benigna, insculpido no art. 106,  II,  “c”,  do  CTN,  princípio  esse  que,  ao  contrário  do  que  afirma  a  Fazenda Nacional, não foi observado pela autoridade fiscal quando da  lavratura dos autos de infração.  Cientificada do Recurso Especial do Contribuinte em 11/11/2015, a Fazenda  Nacional  apresentou  em  20/11/2015,  portanto,  tempestivamente,  contrarrazões,  onde  alega  o  seguinte:  Fl. 770DF CARF MF Processo nº 16832.000663/2009­18  Acórdão n.º 9202­005.257  CSRF­T2  Fl. 5          7 · ­  que  os  valores  fornecidos  aos  empregados  a  título  de  auxílio­ alimentação  integram  o  salário­de­contribuição  quando  pagos  em  desacordo  com o Programa de Alimentação  do Trabalhador – PAT,  ou  seja,  os  valores  fornecidos  em  forma  de  pecúnia,  inclusive  desconto em folha, vale­refeição e  ticket aos empregados a  título de  auxílio­alimentação integram o salário­de­contribuição, já que não se  enquadram como prestação in natura.  · ­  que,  ainda  que  o  contribuinte  alegue  que  os  empregados  foram  descontados dos valores pagos a título de alimentação, e por isso não  incidiria  contribuição  previdenciária,  essa  tese  deve  ser  rechaçada,  pois,  conforme  o  Relatório  Fiscal,  tais  valores  de  despesa  de  alimentação foram apurados com base nos lançamentos contábeis da  própria  empresa,  na  conta  contábil  4.1.2.02.01.00808  ­  Desp.  De  lanches  e  refeições,  ou  seja,  eram  despesas  habituais  com  os  empregados em retribuição ao contrato de trabalho.  · ­  que o  art.  28 da Lei n  ° 8.212/91, determina que, para o  segurado  empregado  entende­se  por  salário­de­contribuição  a  totalidade  dos  rendimentos  destinados  a  retribuir  o  trabalho,  incluindo  nesse  conceito  os  ganhos  habituais  sob  a  forma  de  utilidades,  nestas  palavras:   · ­  que  a  recompensa  em  virtude  de  um  contrato  de  trabalho  está  no  campo  de  incidência  de  contribuições  sociais,  mas  que  existem  parcelas  que,  apesar  de  estarem  no  campo  de  incidência,  não  se  sujeitam  às  contribuições  previdenciárias,  seja  por  sua  natureza  indenizatória ou assistencial, e que tais verbas estão arroladas no art.  28,  §  9º  da  Lei  n  °  8.212/1991,  que  na  alínea  “c”  determina  que  a  parcela  in  natura  recebida  de  acordo  com  os  programas  de  alimentação aprovadas pelo Ministério do Trabalho e da Previdência  Social,  nos  termos  da  Lei  nº  6.321,  de  14  de  abril  de  1976  não  integram o salário­de­contribuição. Portanto, para a não incidência da  Contribuição  Previdenciária  é  imprescindível  que  o  pagamento  seja  feito “in natura”, o que não abrange desconto em folha, ticket, vale­ refeição ou espécie.  · ­  que  o  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  não  admite  o  fornecimento  do  auxílio­alimentação  em  pecúnia,  consoante  se  depreende  do  art.  4º  do  decreto  nº  5/1991  que  regulamenta  o  programa:  · ­  que  a  alimentação  em  pecúnia  não  constitui  qualquer  das  modalidades de  fornecimento  estabelecida no PAT,  independente de  estar a empresa inscrita ou não no Programa.  É o relatório.        Fl. 771DF CARF MF     8   Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Relatora  Recurso Especial do Sujeito Passivo   O Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo é tempestivo e atende aos  demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de  Exame  de  Admissibilidade  de  Recurso  Especial,  fls.  738.  Assim,  não  havendo  qualquer  questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido,  passo a apreciar o mérito da questão.   Do Mérito  Para  que  possamos  apreciar  o  mérito  da  incidência  de  contribuições  previdenciárias  sobre  o  fornecimento  de  lanches  e  refeições,  convém  trazer  a  baila  a  argumentação do relatório fiscal :  O  acórdão  recorrido  utilizou  como  fundamento  para  negar  provimento  ao  recurso voluntário:  Ademais,  ainda  que  a  Recorrente  alegue  que  os  empregados  foram  descontados  dos  valores  pagos  a  título  de  alimentação,  afastase  tal  alegação  pois,  conforme  o  Relatório  Fiscal,  os  valores de despesa de alimentação foram apurados com base nos  lançamentos  da  conta  contábil  4.1.2.02.01.00808  Desp.  De  lanches e refeições.  Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a  legislação  aponta  expressamente  a  incidência  de  contribuição  previdenciária  na  verba  paga  a  título  de  alimentação  recebida  em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência  Social  Programa  de  Alimentação do Trabalhador.  Quanto ao mérito toda a argumentação do recorrente funda­se em um único  ponto.  Ocorrência  de  erro  material,  j  A  alimentação  in  natura,  mesmo  que  fornecida  sem  adesão ao PAT não constitui salário de contribuição.  Assim, argumentou o recorrente:  · registra a ocorrência de relevante erro material no acórdão recorrido,  consistente  da  afirmação  de  que  o  fornecimento  de  alimentação,  no  presente caso, teria sido feito em espécie e não in natura.  · Argumenta  que  uma  vez  corrigido  o  erro  existente,  o  acórdão  recorrido  deve  ser  reformado  para  que  se  aplique  o  entendimento  adotado  por  outra  Turma  do  CARF  (acórdão  2402­003.308)  que  reconheceu  a  desnecessidade  de  inscrição  no  PAT,  inclusive  com  a  aplicação do Ato Declaratório nº 03/2011 da PGFN.  · Acrescenta  que,  mesmo  que  se  entenda  que  o  fornecimento  de  alimentos ocorreu em espécie – o que contraria a verdade material –  ainda  assim  deve  ser  reconhecida  a  não  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  esses  valores,  independentemente  de  adesão  da  recorrente  ao  PAT,  uma  vez  que,  nos  termos  do  art.  62­A  do  Fl. 772DF CARF MF Processo nº 16832.000663/2009­18  Acórdão n.º 9202­005.257  CSRF­T2  Fl. 6          9 RICARF,  deve  ser  aplicada  a  jurisprudência  consolidada  do  STJ,  já  decidida  sobre  a  sistemática  do  recurso  repetitivo  (art.  543­C,  do  CPC),  que  entendeu  que  o  fornecimento  de  alimentos  pelo  empregador  aos  seus  empregados,  seja  in  natura  ou  através  de  pagamento  em  espécie,  não  enseja  o  recolhimento  de  contribuição  previdenciária, independentemente de a empresa ter ou não aderido ao  PAT – Programa de Alimentação ao Trabalhador.  O  art.  28,  §  9º  da  Lei  n  °  8.212/1991,  assim  específica  as  condições  para  exclusão  do  valor  da  alimentação  fornecida  ao  empregado  da  conceito  de  salário  de  contribuição.  Art. 28 (...)  § 9º Não  integram o salário­de­contribuição para os  fins desta  Lei,  exclusivamente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de  1976;  m)  os  valores  correspondentes  a  transporte,  alimentação  e  habitação  fornecidos  pela  empresa  ao  empregado  contratado  para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em  canteiro  de  obras  ou  local  que,  por  força  da  atividade,  exija  deslocamento  e  estada,  observadas  as  normas  de  proteção  estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada  pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso  No que  tange ao  auxílio alimentação, o dispositivo que  trata do mesmo é a  alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita.  Embora  tenha  a  autoridade  fiscal  seguido  a  estrita  observância  legal,  que  define claramente nos limites da lei 6.321/76, quanto a inscrição da empresa no PAT, convém  analisar a questão de forma, um pouco mais aprofundada, inclusive quanto aos atos emanados  da Procuradoria da Fazenda Nacional, seguindo o entendimento  jurisprudencial a  respeito do  tema.  A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário  de  contribuição  a  parcela  paga  in  natura,  pela  empresa,  nos  programas  de  alimentação  aprovados pelo Ministério do Trabalho.”  Por  sua  vez  o  Decreto  nº  05/1991  que  regulamentou  a  Lei  nº  6.321/1976,  define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do  Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis:   “§  4°  Para  os  efeitos  deste  Decreto,  entende­se  como  prévia  aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social,  a  apresentação de  documento  hábil  a  ser  definido  em Portaria  dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia,  Fazenda e Planejamento e da Saúde”  Art.  4º  Para  a  execução  dos  programas  de  alimentação  do  trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço  próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com  Fl. 773DF CARF MF     10 entidades  fornecedoras  de  alimentação  coletiva,  sociedades  civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado  pelo Dec. 2.101, de 23.12.96)  Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável  por  quaisquer  irregularidades  resultantes  dos  programas  executados na forma deste artigo.  Contudo,  entendo  que  outra  questão  deve  ser  trazida  a  julgamento  antes  desses  outros  pontos. Acredito  que  o  lançamento  ora  sob  enfoque,  se  enquadra  na  exclusão  prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado  pelo  Senhor Ministro  de  Estado  da  Fazenda  que  ensejou  a  publicação  do  Ato  Declaratório  03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste  lançamento,  qual  seja:  com  a  fornecida  “in  natura”,  ou  seja,  sob  a  forma  de  utilidades.  Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade.  ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011  A PROCURADORA­GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso  da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso  II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º  do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/Nº  2117  /2011,  desta  Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro  de Estado  da Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no DOU  de  24.11.2011,  DECLARA  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem  como a desistência dos  já  interpostos,  desde que  inexista outro  fundamento  relevante:  nas  ações  judiciais  que  visem  obter  a  declaração  de  que  sobre  o  pagamento  in  natura  do  auxílio­ alimentação não há incidência de contribuição previdenciária.  JURISPRUDÊNCIA:  Resp  nº  1.119.787­SP  (DJe  13/05/2010),  Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ  01.08.2005),  Resp  nº  719.714/PR  (DJ  24/04/2006),  Resp  nº  333.001/RS  (DJ  17/11/2008),  Resp  nº  977.238/RS  (DJ  29/11/2007).  Brasília, 20 de dezembro de 2011.  ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO  Procuradora­Geral da Fazenda Nacional  Destaco,  por  fim,  que  ao  contrário  do  entendimento  traçado  pelo  acórdão  recorrido e pela PGFN em sede de contrarrazões, não vislumbro o pagamento em pecúnia no  presente  lançamento,  já  que  a  única  informação  contida  nos  autos  que  poderia  levar  a  esse  raciocínio é que os valores foram apurados na conta Despesas com Lanches e refeições.   A leitura da decisão de primeira instância também reforça essa idéia, já que  enfatizou o julgador que o fundamento para a manutenção foi o descumprimento da adesão ao  PAT. Senão vejamos:  Do Fornecimento de Refeições e Lanches   14. Consoante Relatório Fiscal, a empresa forneceu Refeição e  Lanches  aos  seus  empregados,  não  tendo  providenciado  sua  inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador ­ PAT.  14.1.  Afirma  a  interessada  que  a  auditoria  está  a  confundir  o  fornecimento de lanches e refeições com salário in natura e que  para o caso concreto a adesão ao Programa de Alimentação ao  Fl. 774DF CARF MF Processo nº 16832.000663/2009­18  Acórdão n.º 9202­005.257  CSRF­T2  Fl. 7          11 Trabalhador ­ PAT, não é compulsória, mas facultativa, vez que  os  empregados  não  recebiam  gratuitamente  essas  refeições  e  lanches.  15.  A  legislação  previdenciária  ao  expressar  o  conceito  de  salário­decontribuição, destacou: "... os ganhos habituais sob a  forma de utilidades", adequando­se ao texto constitucional, que  diz: "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão  incorporados  ao  salário  para  efeito  de  contribuição  previdenciária  e  conseqüente  repercussão  em  benefícios,  nos  casos e na forma da lei" (CF/88, art. 201, § 4o).  16. No  caso  em  tela,  a  empresa  efetuou  pagamento  a  título  de  "Refeições  e  Lanches"  aos  seus  segurados  sem  que  estivesse  inscrita  no  PAT,  caracterizando­se  este  uma  vantagem  econômica,  benefício  para  o  empregado,  integrando­o  ao  salário­de­contribuição por não estar abrangido pelas hipóteses  legais de exclusão da  incidência previdenciária  (§ 9o, do artigo  28, da Lei n° 8.212/1991).  17.  O  artigo  214  do  Decreto  n°  3.048/1999,  em  seu  §  10,  determina a  incidência de contribuição previdenciária  sobre os  valores pagos a título de refeições e lanches, quando pagos em  desacordo com a legislação de regência.  18. Da mesma  forma,  o  artigo  28,  §  9o  ,  alínea  "c"  da  Lei  n°  8.212/1991,  excluiu  do  salário  de  contribuição  somente  a  parcela  in  natura  recebida  de  acordo  com  os  programas  de  alimentação  aprovados  pelo  Ministério  do  Trabalho  e  da  Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de  1976;  (Atualmente Ministério  do  Trabalho  e  Emprego  ­  MTE,  conforme  a  MP  n°  103,  de  01/01/2003,  convertida  na  Lei  n°  10.683, de 28/05/2003).  19. A Lei n° 6.321/1976 regula o Programa de Alimentação do  Trabalhador ­ PAT e estabelece em seu artigo 3o:  Art.  3o  Não  se  inclui  como  salário  de  contribuição  a  parcela  paga  in  natura  pela  empresa,  nos  programas  de  alimentação  aprovados pelo Ministério do Trabalho, (grifei)  20.  Portanto,  a  Lei  n°  6.321/1976,  estabeleceu  verdadeira  isenção  de  contribuições  previdenciárias  sobre  a  parcela  de  alimentação  in  natura  concedida  aos  trabalhadores,  condicionada,  entretanto,  à  participação  da  empresa  no  mencionado Programa, com prévia aprovação do Ministério do  Trabalho,  assim entendida  a  apresentação pelo participante de  documento  hábil  a  ser  definido  em  Portaria  Ministerial,  conforme § 4o , do artigo Io , do Decreto n° 5/1991.  21. A referida adesão passou a ser feita por prazo indeterminado  para  os  formulários  apresentados,  via  postal,  a  partir  de  03/12/1999,  data  da  publicação  da  Portaria  MTE/MF/MS  n°  05/1999, posteriormente, modificados pela Portaria MTE n° 66  de 19/12/2003, que assim, dispõe:  Fl. 775DF CARF MF     12 Art.  Io  As  pessoas  jurídicas  beneficiárias  do  Programa  de  Alimentação  do  Trabalhador  (PAT)  deverão  recadastrar­se,  no  período de 1" de março a 30 de maio de 2004.  Art  3a O  não­recadastramento  no  Programa  de Alimentação  do  Trabalhador  no  prazo  estipulado  implicará  o  cancelamento  automático do registro ou inscrição.  Art. 4" A cópia do comprovante de  recadastramento deverá  ser  mantida  nas  dependências  da  empresa,  à  disposição  da  Fiscalização Federal.  22.  Trata­se,  por  conseguinte,  de  isenção  que  exige  para  sua  concessão  procedimento  formal  perante  a  autoridade  administrativa,  por  meio  do  qual  0  interessado  atesta  o  preenchimento  das  condições  e  o  cumprimento  dos  requisitos  exigidos  pelo  PAT,  devendo  ser  interpretada  de  forma  não  extensiva, a teor do disposto no artigo 111, do Código Tributário  Nacional (Lei n° 5.172/1966):  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:  I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;  II ­ outorga de isenção;  III  ­  dispensa  do  cumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias.  23. Portanto, somente goza da isenção, a que se refere o artigo 3  o , da Lei n° 6.321/1976, a empresa que comprove sua filiação ao  PAT. De  acordo  com  o  item  4  do Relatório Fiscal,  o  autuante  esclarece  que  o  contribuinte  não  é  inscrito  no  Programa  de  Alimentação do Trabalhador ­ PAT, a partir de 01/2004.  24. Considerando,  que  a  interessada  não  comprovou  a  adesão  ao  PAT  no  período  correspondente  aos  fatos  geradores,  resta,  evidenciada  a  regularidade  do  lançamento  das  contribuições  previdenciárias sobre a vantagem patrimonial representada pelo  fornecimento  de  alimentação,  apurado  mensalmente,  eis  que,  não  houve  o  cumprimento  integral  das  condições  estabelecidas  na  legislação  de  regência  para  a  sua  exclusão  do  campo  de  incidência do tributo em comento.  Considerando restar demonstrado que a alimentação foi  fornecida  in natura,  na forma de fornecimento de lanches e refeições, assiste razão ao recorrente quanto a exclusão  da rubrica “lanches” razão pela qual DOU PROVIMENTO AO RECURSO.    Recurso Especial da Fazenda Nacional  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho  de  Exame  de  Admissibilidade  de  Recurso  Especial,  fls.  580.  Contudo,  considerando  a  argumentação pela ausência de similitude fática, convém analisar um pouco melhor a questão.  Ao contrário do argumentado pelo sujeito passivo, o recurso da procuradoria  visa demonstrar que o acórdão recorrido aplicou a tese da retroatividade de forma isolada, sem  considerar  a  natureza  da  multa  aplicada,  determinando  o  cálculo  de  acordo  com  a  nova  sistemárica  do  art.  35  enquanto  os  acórdãos  paradigmas  entendem  pela  aplicação  da  tese  a  Fl. 776DF CARF MF Processo nº 16832.000663/2009­18  Acórdão n.º 9202­005.257  CSRF­T2  Fl. 8          13 retroatividade  benigna  previsto  no  artigo  106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  CTN,  em  face  das  penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal  e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as  alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ou seja, segundo  a tese prevista na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 não há como aplicar as  teses  isoladamente,  como  proposto  no  acórdão  recorrido, mas  sua  análise,  para  apuração  da  norma mais  benéfica,  presume  o  somatório  das multas  decorrentes  de  obrigação  principal  e  acessória (pela não informação em GFIP) em confronto com o novo dispositivo do art. 35_A.  Dessa  forma,  entendo  que  existe  similitude  fática  e  conseqüentemente  interpretações  distintas,  o  que  enseja  o  cumprimento  dos  pressupostos  para  conhecimento  o  Resp.  Do mérito  Aplicação da multa ­ retroatividade benigna   Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente  ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32­A, da  Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente.  Cinge­se  a  controvérsia  às  penalidades  aplicadas  às  contribuições  previdenciárias,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  nº  449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo.  A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do  CTN, a seguir transcrito:   Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito:  I ­ em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,  excluída  a  aplicação de  penalidade  à  infração dos dispositivos  interpretados;   II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado:  a) quando deixe de defini­lo como infração;  b) quando deixe de tratá­lo como contrário a qualquer exigência  de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não  tenha implicado em falta de pagamento de tributo;  c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos)  De  inicio,  cumpre  registrar  que  a  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  (CSRF),  de  forma  unânime  pacificou  o  entendimento  de  que  na  aferição  acerca  da  aplicabilidade da  retroatividade benigna, não basta  a verificação da denominação atribuída  à  penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  dispositivos,  percentuais  e  limites.  É  necessário,  basicamente,  que  as  penalidades  sopesadas  tenham  a  mesma  natureza  material,  portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art.  61  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  é  aplicável  quando  realizado  o  lançamento  de  ofício,  conforme  consta  do  Acórdão nº 9202­004.262  (Sessão  de 23 de junho de 2016),  cuja  ementa  transcreve­se:  AUTO DE INFRAÇÃO ­ OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ­ MULTA ­  APLICAÇÃO  NOS  LIMITES  DA  LEI  8.212/91  C/C  LEI  11.941/08  ­  APLICAÇÃO  DA  MULTA  MAIS  FAVORÁVEL  ­  Fl. 777DF CARF MF     14 RETROATIVIDADE  BENIGNA  NATUREZA  DA  MULTA  APLICADA.  A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal  lavrados  após  a MP  449/2008,  convertida  na  lei  11.941/2009,  mesmo que referente a  fatos geradores anteriores a publicação  da referida lei, é de ofício.   AUTO  DE  INFRAÇÃO  DE  OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  E  ACESSÓRIA  ­  COMPARATIVO  DE  MULTAS  ­  APLICAÇÃO  DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna,  não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade,  tampouco  a  simples  comparação  entre  percentuais  e  limites.  É  necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a  mesma  natureza material,  portanto  sejam  aplicáveis  ao mesmo  tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações  acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício,  ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art.  32­A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35­ A, penalidade única combinando as duas condutas.  A  legislação  vigente  anteriormente  à  Medida  Provisória  n°  449,  de  2008,  determinava, para  a  situação em que ocorresse  (a)  recolhimento  insuficiente do  tributo  e  (b)  falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício,  acrescido  das multas  previstas  nos  arts.  35,  II,  e  32,  §  5o,  ambos  da Lei  n°  8.212,  de  1991,  respectivamente.  Posteriormente,  foi  determinada,  para  essa  mesma  situação  (falta  de  pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz  remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996.  Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar  (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991,  e (b) a multa prevista no art. 35­A da Lei n° 8.212, de 1991.   A  comparação  de  que  trata  o  item  anterior  tem  por  fim  a  aplicação  da  retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores  no  sistema  de  cobrança,  a  fim  de  que,  em  cada  competência,  o  valor  da multa  aplicada  no  AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%.   Prosseguindo  na  análise  do  tema,  também  é  entendimento  pacífico  deste  Colegiado  que  na  hipótese  de  lançamento  apenas  de  obrigação  principal,  a  retroatividade  benigna  será  aplicada  se,  na  liquidação  do  acórdão,  a  penalidade  anterior  à  vigência  da MP  449,  de  2008,  ultrapassar  a multa  do  art.  35­A da Lei  n°  8.212/91,  correspondente  aos  75%  previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei  nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de  2009),  tenham  sido  aplicadas  isoladamente  ­  descumprimento  de  obrigação  acessória  sem  a  imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal ­ deverão ser  comparadas com as penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no  caso  de  competências  em  que  o  lançamento  da  obrigação  principal  tenha  sido  atingida  pela  decadência.  Neste  sentido,  transcreve­se  excerto  do  voto  unânime  proferido  no  Acórdão nº 9202­004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016):  Até  a  edição  da  MP  449/2008,  quando  realizado  um  procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos  previdenciários,  lavrava­se  em  relação  ao  montante  da  contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito ­  Fl. 778DF CARF MF Processo nº 16832.000663/2009­18  Acórdão n.º 9202­005.257  CSRF­T2  Fl. 9          15 NFLD.  Caso  constatado  que,  além  do  montante  devido,  descumprira  o  contribuinte  obrigação  acessória,  ou  seja,  obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem  correlação  direta  com o  fato  gerador),  a  empresa  era  autuada  também por descumprimento de obrigação acessória.  Nessa  época os dispositivos  legais aplicáveis  eram multa  ­  art.  35  para  a  NFLD  (24%,  que  sofria  acréscimos  dependendo  da  fase  processual  do  débito)  e  art.  32  (100%  da  contribuição  devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o  Auto de infração de obrigação acessória.  Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu  o art. 32­A, o qual dispõe o seguinte:  “Art.  32­A.  O  contribuinte  que  deixar  de  apresentar  a  declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei  no  prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado  a  apresentá­la  ou  a  prestar  esclarecimentos e sujeitar­se­á às seguintes multas:   I  –  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações incorretas ou omitidas; e   II  –  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.   § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no  inciso  II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação de lançamento.   § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas:   I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou   II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação  da declaração no prazo fixado em intimação.   § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:   I  –  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e   II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.”   Entretanto,  a MP 449,  Lei  11.941/2009,  também acrescentou  o  art. 35­A que dispõe o seguinte,   “Art.  35­A.  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica­se o disposto  no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.”   Fl. 779DF CARF MF     16 O  inciso  I  do  art.  44  da  Lei  9.430/96,  por  sua  vez,  dispõe  o  seguinte:  “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata “  Com  a  alteração  acima,  em  caso  de  atraso,  cujo  recolhimento  não ocorrer de  forma espontânea pelo contribuinte,  levando ao  lançamento  de  ofício,  a  multa  a  ser  aplicada  passa  a  ser  a  estabelecida  no  dispositivo  acima  citado,  ou  seja,  em  havendo  lançamento  da  obrigação principal  (a  antiga NFLD),  aplica­se  multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão leva­nos ao  raciocínio  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  existe  lançamento,  refere­se a multa de ofício  e não a multa de mora  referida no antigo art. 35 da lei 8212/91.  Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de  "multa de ofício" não podemos  isoladamente aplicar 75% para  as  Notificações  Fiscais  ­  NFLD  ou  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  ­  AIOP,  pois  estaríamos  na  verdade  retroagindo para agravar a penalidade aplicada.  Por  outro  lado,  com  base  nas  alterações  legislativas  não mais  caberia,  nos  patamares  anteriormente  existentes,  aplicação  de  NFLD  +  AIOA  (Auto  de  Infração  de  Obrigação  Acessória)  cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa  passa a ser exclusivamente de 75%.  Tendo  identificado  que  a  natureza  da  multa,  sempre  que  há  lançamento,  é  de multa  de  ofício,  considerando  o  princípio  da  retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”,  do Código  Tributário Nacional,  há  que  se  verificar  a  situação  mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  No presente caso, foi  lavrado AIOA julgada, e alvo do presente  recurso  especial,  prevaleceu  o  valor  de  multa  aplicado  nos  moldes do art. 32­A.  No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito  no  relatório  a  multa  aplicada  ocorreu  nos  termos  do  art.  32,  inciso  IV, § 5º,  da Lei nº 8.212/1991  também revogado, o qual  previa  uma  multa  no  valor  de  100%  (cem  por  cento)  da  contribuição não declarada,  limitada aos  limites previstos no §  4º do mesmo artigo.  Face essas considerações para efeitos da apuração da situação  mais  favorável,  entendo  que  há  que  se  observar  qual  das  seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte:  ∙ Norma anterior,  pela  soma da multa  aplicada nos moldes  do  art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º,  observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou   ∙ Norma atual,  pela  aplicação da multa  de  setenta  e  cinco  por  cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação,  excluído o valor de multa mantido na notificação.  Fl. 780DF CARF MF Processo nº 16832.000663/2009­18  Acórdão n.º 9202­005.257  CSRF­T2  Fl. 10          17 Levando  em  consideração  a  legislação  mais  benéfica  ao  contribuinte,  conforme  dispõe  o  art.  106  do Código  Tributário  Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão  deve,  quando  do  trânsito  em  julgado  administrativo,  efetuar  o  cálculo  da  multa,  em  cada  competência,  somando  o  valor  da  multa  aplicada  no  AI  de  obrigação  acessória  com  a  multa  aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de  75%,  previsto  no  art.  44,  I  da  Lei  n°  9.430/1996.  Da  mesma  forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das  multa  de  ofício  não  pode  exceder  75%.  No  AI  de  obrigação  acessória,  isoladamente,  o  percentual  não  pode  exceder  as  penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991.  Observe­se  que,  no  caso  de  competências  em  que  a  obrigação  principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação  do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a  obrigação  acessória,  isoladamente,  relativa  às  mesmas  competências, não atingidas pela decadência posto que regidas  pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade  limitada  ao  valor  previsto  no  artigo  32­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991.  Cumpre  ressaltar  que  o  entendimento  acima  está  em  consonância  com  o  que  dispõe  a  Instrução  Normativa  RFB  nº  971,  de  13  de  novembro  de  2009,  alterada  pela  Instrução  Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão  do  que  estabelece  a  Portaria  PGFN/RFB  nº  14  de  04  de  dezembro  de  2009,  que  contempla  tanto  os  lançamentos  de  obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto  ou isoladamente.  Neste passo, para os  fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade  responsável pela execução do acórdão, quando do  trânsito em julgado administrativo, deverá  observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 ­ que se reporta à aplicação  do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em  face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação  principal  e  de  obrigação  acessória,  em  conjunto  ou  isoladamente,  previstas  na  Lei  nº  8.212/1991,  com  as  alterações  promovidas  pela  MP  449/2008,  convertida  na  Lei  nº  11.941/2009.  De  fato,  as  disposições  da  referida  Portaria,  a  seguir  transcritas,  estão  em  consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema:  Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009  Art.  1º  A  aplicação  do  disposto  nos  arts.  35  e  35­A  da  Lei  nº  8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº  11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e  aos  demais  débitos  não  pagos  até  3  de  dezembro  de  2008,  inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo  ainda  não  definitivamente  julgado,  observará  o  disposto  nesta  Portaria.  Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito  pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e  os  lançamentos,  se  necessário,  serão  retificados,  para  fins  de  aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c"  Fl. 781DF CARF MF     18 do  inciso  II  do  art.  106  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966 ­ Código Tributário Nacional (CTN).  §  1º  Caso  não  haja  pagamento  ou  parcelamento  do  débito,  a  análise do valor das multas referidas no caput será realizada no  momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria­ Geral da Fazenda Nacional (PGFN).  § 2º A análise a que se refere o caput dar­se­á por competência.  §  3º  A  aplicação  da  penalidade  mais  benéfica  na  forma  deste  artigo dar­se­á:  I  ­  mediante  requerimento  do  sujeito  passivo,  dirigido  à  autoridade  administrativa  competente,  informando  e  comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou  II ­ de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a  possibilidade de aplicação.  §  4º  Se  o  processo  encontrar­se  em  trâmite  no  contencioso  administrativo  de  primeira  instância,  a  autoridade  julgadora  fará  constar  de  sua  decisão  que  a  análise  do  valor das multas  para  verificação e aplicação daquela que  for mais benéfica,  se  cabível,  será  realizada  no  momento  do  pagamento  ou  do  parcelamento.  Art.  3º A  análise  da  penalidade mais  benéfica,  a  que  se  refere  esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos  valores  das  multas  aplicadas  nos  lançamentos  por  descumprimento  de  obrigação  principal,  conforme  o art.  35  da  Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei  nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e  5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à  dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada  na  forma  do art.  35­A  da  Lei  nº  8.212,  de  1991,  acrescido  pela Lei nº 11.941, de 2009.  § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº  8.212,  de  1991,  em  sua  redação  anterior  à  dada  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  tenham  sido  aplicadas  isoladamente,  sem  a  imposição  de  penalidade  pecuniária  pelo  descumprimento  de  obrigação  principal,  deverão  ser  comparadas  com  as  penalidades previstas no art. 32­A da Lei nº 8.212, de 1991, com  a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.  §  2º A  comparação na  forma do  caput deverá  ser  efetuada em  relação  aos  processos  conexos,  devendo  ser  considerados,  inclusive,  os débitos pagos,  os parcelados,  os não­impugnados,  os  inscritos  em  Dívida  Ativa  da  União  e  os  ajuizados  após  a  publicação  da Medida Provisória  nº  449,  de  3  de  dezembro  de  2008.  Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei  nº 8.212, de 1991,  em sua redação anterior à dada pela Lei nº  11.941,  de  2009,  sobre  as  contribuições  devidas  a  terceiros,  assim  entendidas  outras  entidades  e  fundos,  deverá  ser  comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35­ A daquela  Lei,  acrescido  pela Lei  nº  11.941,  de  2009,  e,  caso  resulte  mais  benéfico  ao  sujeito  passivo,  será  reduzido  àquele  patamar.  Fl. 782DF CARF MF Processo nº 16832.000663/2009­18  Acórdão n.º 9202­005.257  CSRF­T2  Fl. 11          19 Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a  contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP),  a  multa  aplicada  limitar­se­á  àquela  prevista  no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei  nº 11.941, de 2009.  Em  face  ao  exposto,  DOU  PROVIMENTO  AO  RECURSO  para  que  a  retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04  de dezembro de 2009.  Conclusão  Face o exposto, voto no sentido de CONHECER dos  recursos Especiais do  Sujeito passivo e da Fazenda Nacional, para, no mérito, DAR­LHES PROVIMENTO.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira                              Fl. 783DF CARF MF

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Numero do processo: 10140.902304/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.823
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA

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3302­003.823  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de março de 2017  Matéria  CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO.  INCIDÊNCIA CONCENTRADA.  Recorrente  COMERCIAL FAYAD LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006  CRÉDITO  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  BENS  PARA  REVENDA  ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS  DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE  TRATAM OS  §1º  E  1º­A DO ARTIGO  2º  DAS  LEIS  Nº  10.637/2002  E  10.833/2002.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  IMPOSSIBILIDADE.  INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.  É  vedado  o  creditamento  na  aquisição  de  bens  para  revenda  dos  produtos  referidos nos §1º e §1­A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003,  nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal  disposição não foi  revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que  não versa  sobre hipóteses de creditamento, mas apenas  sobre a manutenção  de créditos, apurados conforme a legislação específica.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Paulo  Guilherme  Déroulède, Domingos  de Sá Filho,  José Fernandes  do Nascimento,  Lenisa Rodrigues Prado,  Maria  do  Socorro  Ferreira Aguiar,  Sarah Maria  Linhares  de Araújo  Paes  de  Souza, Walker  Araújo e Ricardo Paulo Rosa.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 23 04 /2 01 1- 23 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902304/2011­23  Acórdão n.º 3302­003.823  S3­C3T2  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se  de  Pedido  Eletrônico  de  Restituição  e  Ressarcimento  –  PER,  formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o  ressarcimento  em espécie do  saldo  credor  acumulado de PIS/PASEP  incidência não  cumulativa – mercado  interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado,  devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de  produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada.  A DRJ  indeferiu a manifestação de  inconformidade nos  termos do Acórdão  06­052.254. O  fundamento  adotado,  em  síntese,  foi  o  de  que o  art.  17  da Lei  nº  11.033,  de  2004, não ampara o  creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS,  com base na  sistemática  da  não  cumulatividade,  pelas  revendedoras  de  veículos  automotores,  em  decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas  à incidência monofásica.  Inconformada,  a  recorrente  interpôs  recurso  voluntário,  reiterando  as  alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas:  1. Que a recorrente se sujeita à incidência não­cumulativa;  2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º,  I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003;  3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se  trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia;  4.  Que  a  não­cumulatividade  foi  aperfeiçoada  com  o  artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO;  5. Que  o  artigo  16  da Lei  11.116/2005  robusteceu  o  caráter  abrangente  do  artigo 17 da Lei nº 11.033/2004;  6.  Ambas  as  leis  não  ressalvaram  quais  os  casos  permaneceriam  na  regra  antiga  e  que  o  direito  ao  creditamento  é  coerente  à  técnica  da  não­cumulatividade  das  contribuições (método subtrativo indireto);  7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que  havia vedação ao creditamento;  8. Que pretendeu­se mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004  com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não  foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias;  9  Que  a  não­cumulatividade  das  contribuições  não  guarda  relação  com  o  arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva.  É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902304/2011­23  Acórdão n.º 3302­003.823  S3­C3T2  Fl. 4          3 Voto             Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3302­003.750, de  29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/2011­45, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­003.750):  "O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  dele  tomo  conhecimento.  O  pedido  de  ressarcimento  foi  efetuado  com  fulcro  no  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos:  Lei nº 11.116/2005:  Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da  Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de  dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do  art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao  final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto  no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá  ser objeto de:   I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica  aplicável à matéria; ou  II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação  específica aplicável à matéria.  Lei nº 11.033/2004:  Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0  (zero)  ou  não  incidência  da Contribuição  para  o PIS/PASEP e  da  COFINS  não  impedem  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.  O  fundamento  da  recorrente  recai  essencialmente  na  possibilidade  de  se  tomar créditos da não­cumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17  da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei  nº 11.116/2005.  A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante  e  importadores  de  determinados  veículos  e  autopeças,  dispondo  no  §2º  que  os  comerciantes atacadistas  e  varejistas  ficassem sujeitos à alíquota  zero  sobre  suas  receitas de revendas:  Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902304/2011­23  Acórdão n.º 3302­003.823  S3­C3T2  Fl. 5          4 §  2o  Ficam  reduzidas  a  0%  (zero  por  cento)  as  alíquotas  da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS,  relativamente à  receita  bruta  auferida  por  comerciante  atacadista  ou  varejista,  com  a  venda  dos  produtos  de  que  trata:  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865, de 2004)  I ­ o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)  II  ­  o caput  do  art.  1o  desta Lei,  exceto quando auferida  pelas  pessoas  jurídicas  a  que  se  refere  o  art.  17,  §  5o,  da  Medida  Provisória no 2.189­49, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada  pela Lei nº 10.925, de 2004)  Com base,  nesta  receita  sujeita à alíquota  zero,  é que a  recorrente  entende  possível  a  aplicação  do  artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004,  isto  é,  a  tomada  de  créditos  sobre a  revenda de máquinas e  veículos  constantes das posições da TIPI  constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos  I e II da referida lei.  Ocorre  que,  não  obstante  estar  sujeita  ao  regime  não­cumulativo  das  contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e  10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para  revenda  pelas  pessoas  jurídicas  que  comercializam  os  produtos  referidos  nos  artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcreve­se a seguir:  Art.  2o  Para  determinação  do  valor  da  COFINS  aplicar­se­á,  sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o,  a  alíquota  de  7,6%  (sete  inteiros  e  seis  décimos  por  cento).  (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010)   § 1o Excetua­se do disposto no caput deste artigo a receita bruta  auferida  pelos  produtores  ou  importadores,  que  devem  aplicar  as  alíquotas  previstas:  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865,  de  2004)  (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010)   [...]   III  ­  no  art.  1o  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  e  alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  84.32.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI;  (Incluído pela Lei nº 10.865, de  2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)  IV  ­  no  inciso  II  do  art.  3o  da  Lei  no  10.485,  de  3  de  julho  de  2002,  no  caso  de  vendas,  para  comerciante  atacadista  ou  varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos  Anexos  I  e  II  da  mesma  Lei;  (Incluído  pela  Lei  nº  10.865,  de  2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005)  [...]  Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa  jurídica  poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de  efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide  Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento)  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902304/2011­23  Acórdão n.º 3302­003.823  S3­C3T2  Fl. 6          5 I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos:  (Redação dada pela Lei  nº 10.865, de 2004)  a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela  Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos)  b) nos §§ 1o e 1o­A do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei  nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998)  Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos  vinculados a essas operações.  Ora,  este  artigo  não  traz  nenhuma  hipótese  de  creditamento,  mas  apenas  esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são  mantidos. E tais créditos são,  justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao  contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas,  o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses  de creditamento.  O  item  191  da  exposição  de  motivos  da  MP  nº  206/2004,  cuja  conversão  resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs  que  a  redação  do  artigo  16,  convertido  no  artigo  17  acima  referido,  visava  "esclarecer  dúvidas  relativas  à  interpretação  da  legislação  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS."  Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a  possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas  mencionadas no artigo 17, vinculando­os à forma de apuração do artigo 3º das Leis  nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo,  por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo  17  inovara  toda a  legislação,  revogando o artigo 3º e  redefinindo as hipóteses de  creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente.  Ressalta­se,  porém,  que  o  artigo  17  não  proibiu  a  tomada  de  créditos  vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de  que  tratam  este  processo  em  relação  às  demais  hipóteses  previstas  no  artigo  3º,  proibição  esta  que  foi,  conforme  mencionado  pela  recorrente,  objeto  de  duas  tentativas  propostas  pelo  Executivo  Federal  nas  MPs  nº  413/2008  e  451/2008.  Ocorre  que,  como  também  já mencionado  na  peça  recursal,  tais  dispositivos  não  foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendo­se a possibilidade de  creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado  na Solução de Consulta nº 218/2014.  Assim,  referidas  MP´s  pretenderam  impedir  o  creditamento  das  demais  hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas  foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso  I  do  artigo  3º,  que  se  destina  justamente  à  vedação do  creditamento  relativo  aos  bens  adquiridos  para  revenda  de  que  tratam  os  §§1º  e  1º­A  do  artigo  2º  das  referidas leis.                                                              1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas  relativas à  interpretação da  legislação da Contribuição  para o PIS/PASEP e da COFINS  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10140.902304/2011­23  Acórdão n.º 3302­003.823  S3­C3T2  Fl. 7          6 Neste diapasão, cita­se o Acórdão nº 3403­01.566:  Ementa:  COFINS  –  REGIME  MONOFÁSICO  –  IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS  O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do  crédito às vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota 0  (zero)  ou  não  incidência  da Contribuição  para  o PIS/PASEP e  da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime  não­cumulativo,  não  se  aplicando  aos  produtos  sujeitos  ao  regime monofásico.  Portanto,  diante  do  exposto,  voto  para  negar  provimento  ao  recurso voluntário."  Nos  termos  do  entendimento  exarado  no  paradigma,  a  impossibilidade  de  creditamento,  no  regime  não­cumulativo,  na  aquisição  de  bens  para  revenda  adquiridos  por  comerciantes  atacadistas  e  varejistas  de  produtos  sujeitos  à  tributação  concentrada  referidos  nos §1º e §1­A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b"  dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep  quanto à COFINS.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa                              Fl. 99DF CARF MF

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Numero do processo: 16327.903533/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA

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Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 33 /2 01 0- 82 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16327.903533/2010­82  Acórdão n.º 1301­002.359  S1­C3T1  Fl. 3          2  BANCO  VOLKSWAGEN  S.A.,  já  devidamente  qualificada  nestes  autos,  recorre  a  este  Conselho  contra  a  decisão  prolatada  pela  4ª  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em São Paulo  I  /  SP,  que  indeferiu  os  pedidos  veiculados  através  de  manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP.  Trata  a  lide  de  Pedido  de  Restituição  (PER/DCOMP),  no  qual  o  alegado  direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre  o Lucro Líquido (CSLL).  Posteriormente,  o  contribuinte  usou  esse  alegado  direito  creditório  para  a  compensação  com  débito  de  sua  titularidade,  mediante  a  Declaração  Eletrônica  de  Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008.  Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele  especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instando­o à regularização. Não  consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte.  A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela  empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do  DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade  contra  o  Despacho  Decisório,  a  interessada,  inicialmente,  junta  comprovante  de  arrecadação  obtido  no  sítio  eletrônico  da  Receita Federal. Na sequência, esclarece:  Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que  ele  dispunha  de  decisão  judicial  definitiva,  proferida  nos  autos  do  Mandado  de  Segurança  n°  89.0011205­8,  que  o  exonerava  do  recolhimento  da  Contribuição  Social  sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997  (data do  trânsito em  julgado da decisão judicial).  Nem se alegue que o pagamento  foi efetuado após o  trânsito em julgado da  decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo  em  vista  que,  além  desses  fatos  não  servirem  de  fundamento  para  a  negativa  do  pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita  Federal,  mesmo  em  face  da  decisão  judicial  favorável  ao  Recorrente,  insistia  na  cobrança  de  tais  valores,  ao  argumento  de  que  os  efeitos  da  decisão  judicial  alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989.  Apenas  com  a  decisão  do  1º  Conselho  de  Contribuintes  (acórdão  n°  101­ 93.610),  proferida  em  19/09/01,  com  acórdão  formalizado  em  11/12/01,  que  reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no  Mandado de Segurança  n°  89.0011205­8,  de  não  recolher  a CSLL,  no  período  de  1990  a  1997,  ou  seja,  desde  a  propositura  da  medida  judicial  até  o  trânsito  em  julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a  comprovação  de  que  também estava  desobrigado  do  recolhimento da CSLL nesse  período  e  que,  portanto,  tinha  direito  de  reaver  os  montantes  indevidamente  recolhidos:  "Ementa:  IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial.  Trânsito em Julgado. Efeitos.  A  sentença  judicial  reconhecendo  a  inconstitucionalidade  dos  artigos  1º,  2º,  3º  e  8º,  da  Lei  n°  7689,  de  1988,  e,  de  consequência,  desobrigando  a  pessoa  jurídica  do  recolhimento  da  CSLL,  irradia  seus  efeitos  jurídicos  até  o  período  no  qual  tenha ocorrido seu trânsito em julgado.  Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16327.903533/2010­82  Acórdão n.º 1301­002.359  S1­C3T1  Fl. 4          3  Recurso conhecido e provido.  Trecho do Voto  do Conselheiro  Sebastião Rodrigues Cabral —  Relator:  Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso:  i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no  sentido de desobrigá­la do recolhimento da Contribuição Social  sobre  o  Lucro  Líquido  instituída  pela  Lei  n°  7689,  de  1988,  transitou  em  julgado  em  02  de  setembro  de  1997,  tal  qual  atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos  autos às fls.;  ii)  O  Mandado  de  Segurança  interposto  pela  Recorrente,  em  1989,  objetivou  a  dispensa  do  recolhimento  da  referida  Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a  instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido  pela referida sentença transitada em julgado;   iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende  exigir  da  Recorrente  a  Contribuição  Social  relativa  aos  períodos­base  de  1990 a  1994,  portanto,  anteriores ao  trânsito  em  julgado  da  sentença  judicial;  só  nos  resta  concluir  que  referidos  períodos  estão  albergados  pela  'coisa  julgada',  sendo  defeso  ao  Fisco  exigir  a  Contribuição  em  causa  relativamente  àqueles períodos­base."  Assim, deve ser prontamente revisto o despacho­decisório, ora recorrido, ante  a  comprovação  do  recolhimento  indevido,  a  ensejar  o  direito  à  restituição,  nos  termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional.  A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I /  SP  analisou  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte  e  indeferiu  a  solicitação.  Ciente  da  decisão  de  primeira  instância  e  com  ela  inconformada,  a  interessada  apresentou  recurso  voluntário,  mediante  o  qual  oferece,  em  apertada  síntese,  os  seguintes argumentos:  Acerca  do  prazo  para pleitear  o  indébito,  a  recorrente  se  reporta  ao Pedido  Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria  plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do  CTN.  A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº  89.0011205­8,  em  que  foi  proferida  a  decisão  transitada  em  julgado  que  a  exonerava  do  recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma,  anexa  documentos  que  comprovam  ser  a  recorrente  a  sucessora  de  Autolatina  Financiadora  S/A, que foi parte no processo judicial.  A  interessada  reitera,  ainda,  os  argumentos  trazidos  na  Manifestação  de  Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001.  Conclui  com  o  pedido  de  provimento  de  seu  recurso  e  homologação  da  compensação declarada.  É o Relatório.  Voto             Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.903533/2010­82  Acórdão n.º 1301­002.359  S1­C3T1  Fl. 5          4  Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 1301­002.287, de  12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/2012­48, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301­002.287):  O  recurso  voluntário  e  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade. Dele conheço.  Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com  declaração de compensação.   No  atual  estágio  da  discussão  administrativa,  o  alegado  direito  creditório  não  foi  reconhecido  por  dois  fundamentos  autônomos,  ou  seja,  cada  um  deles  é  suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório.  O  primeiro  fundamento  adotado  pelo  julgador  de  primeira  instância,  de  caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito.  Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido  entre  a  data  do  recolhimento,  em  1999,  e  a  data  do  protocolo  do  pedido  de  restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata  o art. 168, I, do CTN.  Examinando  a  decisão  recorrida,  constata­se  que,  efetivamente,  houve  um  equívoco  do  julgador  ao  não  considerar  o  pedido  de  restituição  originalmente  formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observa­se que  somente em 2008 veio pleitear compensação do  referido crédito, ou seja,  cerca de  sete  anos  após  ‘obter  a  comprovação’,  e  nove  após  a  extinção  do  débito,  pelo  pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reporta­se  ao anterior pedido de  restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para  fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a  seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão.  Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos  inicial  e  final  para  a  contagem,  já  foram  objeto  de  acirrados  debates,  tanto  no  âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei  Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as  divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais.  Finalmente,  a  questão  foi  pacificada  pelo  Poder  Judiciário.  De  especial  interesse,  o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no  regime do art. 543­C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321,  de  04/08/2011,  proferido  pelo  STF  no  regime  do  art.  543­B  do  mesmo  diploma  legal.  A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação,  em  09/12/2013,  pelo  Pleno  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais,  da  súmula  CARF nº 91, a seguir reproduzida.  Súmula  CARF  nº  91:  Ao  pedido  de  restituição  pleiteado  administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  aplica­se  o  prazo  prescricional  de  10  (dez)  anos,  contado  do  fato  gerador.  Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.903533/2010­82  Acórdão n.º 1301­002.359  S1­C3T1  Fl. 6          5  As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão  administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela  Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes.  No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da  data limite prevista na súmula, aplicando­se, portanto, o prazo prescricional de dez  anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato  gerador.  O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição.  Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo  prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição.  Observe­se  que  a  data  do  recolhimento  não  é  considerada  para  este  fim,  muito  menos  a  circunstância  alegada  pela  interessada  acerca  do  julgamento  administrativo  de  um  auto  de  infração  no  qual  o  sujeito  passivo  seria  um  dos  litisconsortes  na  ação  judicial.  Não  se  vislumbra  qual  a  relação  entre  aquele  julgamento  administrativo  e  o  prazo  para  a  formulação  do  pedido  de  restituição  aqui discutido.  A  constatação  que  se  impõe  é  de  que  o  decurso  do  prazo  prescricional  impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer  considerações de mérito, negando­se provimento ao recurso voluntário.  O segundo  fundamento adotado pelo  julgador de primeira  instância para o  indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do  voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo:  Observe­se que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça  do processo judicial que afirma ampara­la, de forma a se poder verificar  a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado  acima, seria ônus da empresa.  E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizando­se do número de  processo  judicial  fornecido  pela  Interessada,  na  opção  “Consulta  Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte,  mas  sim  as  seguintes  empresas:  Consórcio  Nacional  Ford  Ltda.,  Autolatina  S/A,  Autolatina  Financiadora  S/A  Crédito  Financiamento  e  Investimentos e Ford Brasil S/A.  Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do  processo  judicial,  e documentos que,  segundo ela, comprovariam ser a  recorrente  sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial.  Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de  Segurança nº 89.11205­8, constato que a impetrante  foi Consórcio Nacional Ford  Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A;  (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e  Investimentos;  e  (iii)  Ford Brasil S/A.   Prosseguindo  na  análise,  encontro  Ata  da  AGE  de  31/05/1996  de  Banco  Autolatina  S.A.,  na  qual  se  registra  a  cisão  parcial  dessa  pessoa  jurídica,  com  a  versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome  da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen  S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão  do patrimônio.  No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da  ação  judicial.  No  documento  datado  de  17/02/2004,  dirigido  à  DEINF/SP,  a  interessada  se  identifica  como “BANCO VOLKSWAGEN S/A.,  atual  denominação  de  BANCO  AUTOLATINA  S.A.,  anteriormente  denominado  AUTOLATINA  Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.903533/2010­82  Acórdão n.º 1301­002.359  S1­C3T1  Fl. 7          6  FINANCIADORA S.A., ...”. Mas trata­se de mera afirmação, da qual não encontro  prova documental nos autos.  Apesar  de  saber  que  esse  ponto  foi  um  dos  fundamentos  adotado  pelo  julgador  de  primeira  instância  para  negar  seu  pedido,  a  interessada  apresentou  apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança  de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando  em  rastrear  e  comprovar  os  eventos  societários  desde  a  litisconsorte  na  ação  judicial  (Autolatina  Financiadora  S/A  –  Crédito,  Financiamento  e  Investimentos)  até a atual pessoa  jurídica, nem os direitos que  teriam sido  transmitidos em cada  um desses eventos.  Em  se  tratando  de  pedido  de  restituição,  é  ônus  de  quem  alega  o  direito  creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa  jurídica  que  efetuou  o  recolhimento  seria  a  sucessora  em  todos  os  direitos  e  obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar  nos autos essa comprovação,  também por esse motivo o recurso voluntário há que  ser negado.  Os dois  fundamentos autônomos anteriormente discutidos  já  seriam  (e  são)  suficientes  para  que  o  recurso  voluntário  seja  desprovido.  Penso,  entretanto,  que  uma consideração adicional há de ser feita.   É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei  nº 9.779/1999. Confira­se seu teor (grifos não constam do original):  Art.17.Fica  concedido  ao  contribuinte  ou  responsável  exonerado  do  pagamento  de  tributo  ou  contribuição  por  decisão  judicial  proferida,  em  qualquer  grau  de  jurisdição,  com  fundamento  em  inconstitucionalidade  de  lei,  que  houver  sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal,  em  ação  direta  de  constitucionalidade  ou  inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de  janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de  mora,  da  exação  alcançada  pela  decisão  declaratória,  cujo  fato  gerador  tenha  ocorrido  posteriormente  à  data  de  publicação  do  pertinente  acórdão  do  Supremo  Tribunal  Federal.(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Vide  Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  §1oO disposto neste artigo estende­se:(Vide Medida Provisória  nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­ 35, de 2001)  I­aos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha  sido  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal,  em  recurso  extraordinário;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­a  contribuinte  ou  responsável  favorecido  por  decisão  judicial  definitiva  em  matéria  tributária,  proferida  sob  qualquer  fundamento,  em  qualquer  grau  de  jurisdição;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  III­aos  processos  judiciais  ajuizados  até  31  de  dezembro  de  1998,  exceto  os  relativos  à  execução  da  Dívida  Ativa  da  União.(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.903533/2010­82  Acórdão n.º 1301­002.359  S1­C3T1  Fl. 8          7  §2oO  pagamento  na  forma  do  caput  deste  artigo  aplica­se  à  exação  relativa  a  fato  gerador:(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35,  de 2001)  I­ocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão  do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese  do  inciso  I  do  §  1o;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­ocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial,  na  hipótese  do  inciso  II  do  §  1o;(Vide Medida  Provisória  nº  1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158­35,  de 2001)  III­alcançado  pelo  pedido,  na  hipótese  do  inciso  III  do  §  1o.(Vide Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida Provisória nº 2158­35, de 2001)  §3oO  pagamento  referido  neste  artigo:(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  I­importa  em  confissão  irretratável  da  dívida;(Vide Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  II­constitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348,  353  e  354  do  Código  de  Processo  Civil;(Vide  Medida  Provisória  nº  1.807,  de  1999)(Incluído  pela  Medida  Provisória nº 2158­35, de 2001)  [...]  Insisto: os pagamentos nesses  termos são confissão  irretratável da dívida e  confissão  extrajudicial.  Ou  seja,  ainda  que  pudessem  ser  superados  os  dois  fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo  inarredável  na  disposição  expressa  da  lei  acima  transcrita.  Supondo­se,  como  hipótese  argumentativa,  que  a  interessada  fosse,  como  afirma,  sucessora  da  litisconsorte na ação  judicial, o  fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do  direito  conquistado  na  ação  judicial  (possivelmente  por  vê­lo  ameaçado  por  reiteradas  manifestações  do  STF  no  sentido  da  inconstitucionalidade  da  CSLL  apenas  para  o  primeiro  ano  de  sua  vigência)  e  parcelar  o  valor  da  contribuição  para os anos subsequentes.  A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal  insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse  era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto  pelo  sucesso  obtido  em  ações  rescisórias  diversas  propostas  perante  o  Poder  Judiciário,  quanto  por  Pareceres  da  douta  PGFN.  Se  a  interessada  tivesse  plena  convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e  discuti­lo  administrativa  e  judicialmente,  nunca  o  de  se  antecipar,  confessando  a  dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo.  A  recorrente  reclama,  ainda,  que  esse  aspecto  não  teria  sido  fundamento  para  a  negativa  do  pedido  de  restituição,  pelo  que  não  poderia,  agora,  ser  abordado.  Observe­se  que  a  DEINF/SP  originalmente  negou  o  pedido  porque  o  pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a  interessada  não  se  preocupou  em  trazer  aos  autos  os  esclarecimentos  que  Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.903533/2010­82  Acórdão n.º 1301­002.359  S1­C3T1  Fl. 9          8  permitissem  essa  correta  identificação.  Essa  questão  foi  plenamente  superada  em  primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos,  a  saber,  o  prazo  para  pleitear  o  indébito  e  a  comprovação  do  direito  alegado.  Quanto  a  este  último  aspecto,  o  julgador  a  quo  se  deteve  na  falta  das  peças  do  processo  judicial  e  na  falta  de  comprovação  de  que  a  interessada  no  processo  administrativo  fosse  também  uma  das  partes  do  processo  judicial.  Penso  que  as  considerações  aqui  tecidas  sobre  esse  ponto  nada  mais  são  do  que  um  aprofundamento  acerca  da  análise  de  mérito  do  pedido.  Seriam,  talvez,  dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a  conclusão.  Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  [assinado digitalmente]  Waldir Veiga Rocha                              Fl. 179DF CARF MF

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Numero do processo: 10283.006160/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Numero da decisão: 3302-004.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­004.143  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de abril de 2017  Matéria  Cofins­Importação  Recorrente  IGB ELETRÔNICA S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2005  PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA  Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  Ricardo Paulo Rosa  Presidente    (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède  Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Ricardo  Paulo Rosa  (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo,  Jose  Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme  Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.  Relatório  Trata o presente de Auto de Infração de Cofins­Importação, cientificado em  05/11/2009,  por  falta  de  prova  do  emprego  das  mercadorias  importadas  em  processo  de     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 61 60 /2 00 9- 33 Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10283.006160/2009­33  Acórdão n.º 3302­004.143  S3­C3T2  Fl. 844          2 industrialização,  requisito  para  usufruir  da  suspensão  prevista  no  artigo  14­A  da  Lei  nº  10.854/2004.  Apresentada a impugnação, a Segunda Turma da DRJ em Fortaleza julgou­a  improcedente, nos termos da ementa abaixo:  ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA  Período de apuração: 01/02/2005 a 29/12/2005  PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO.  Desnecessária  é  a  realização  de  diligência  quando  não  restar  demonstrada sua imprescindibilidade ao julgamento.  ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS  Período de apuração: 01/02/2005 a 29/12/2005  ZONA  FRANCA  DE  MANAUS.  NÃO  COMPROVAÇÃO  DE  CUMPRIMENTO DO REGIME. PERDA DO BENEFÍCIO.  A  empresa  que  não  comprove  o  cumprimento  do  regime  aduaneiro especial da Zona Franca de Manaus não  faz  jus aos  benefícios a este inerentes.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido  Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando que:  1.  Estava  impossibilitada  de  atender  às  intimações  fiscais  por  motivos  de  força  maior,  qual  sejam,  a  grave  crise  financeira  que  se  iniciou  em  meados  de  2007,  que  culminou  na  paralisação  das  atividades  e  dispensa/demissão  em  massa  de  boa  parte  dos  funcionários,  dentre  eles  os  do  setor  de  informática,  responsáveis  por  gerar  os  arquivos  magnéticos solicitados em intimação;  2.  O  princípio  da  verdade  material  deve  nortear  o  processo  administrativo  fiscal,  sendo  imperiosa  a  realização de diligência para  certificar a comprovação da aplicação  das mercadorias importadas no processo produtivo, e, com isso, comprovar a regularidade das  operações e o direito ao benefício do artigo 14­A da Lei nº 10.865/2004.  Ao  final,  reitera  o  pedido  de  diligência  e,  caso  não  seja  este  deferido,  o  cancelamento da autuação por ser as operações realizadas abarcadas pelo benefício.  Em 11/01/2016, e­fls. 790/791 junta CD­ROM aos autos, contendo arquivos  digitais e documentos objeto das intimações realizadas, reiterando a necessidade de realização  de diligência, em homenagem ao princípio da verdade material.  Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator.  É o relatório.  Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10283.006160/2009­33  Acórdão n.º 3302­004.143  S3­C3T2  Fl. 845          3 Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.  O  recurso  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  e  dele  tomo  conhecimento.  A  autuação  ocorreu  por  falta  de  prova  do  emprego  das  mercadorias  importadas  em processo de  industrialização,  requisito para usufruir  da  suspensão prevista no  artigo 14­A da Lei nº 10.854/2004, a seguir transcrito:  Art.  14­A.  Fica  suspensa  a  exigência  das  contribuições  de  que  trata o art. 1o desta Lei nas importações efetuadas por empresas  localizadas  na  Zona  Franca  de  Manaus  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem  para  emprego  em  processo  de  industrialização  por  estabelecimentos  industriais  instalados  na  Zona  Franca  de Manaus  e  consoante  projetos  aprovados  pelo  Conselho  de  Administração  da  Superintendência  da  Zona  Franca  de  Manaus  ­  SUFRAMA.     (Incluído pela Lei nº 10.925, 2004)   (Vigência)  A questão  central  diz  respeito  à  aplicação do princípio da verdade material  versus a preclusão processual. O momento processual para apresentação de todas as provas e  razões  do  contribuinte  é  a  impugnação,  conforme  artigo  16  do  Decreto  nº  70.235/1972,  ressalvadas as exceções previstas no §4º:  Art. 16. A impugnação mencionará:  [...]  III  ­  os motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir;  (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  [...]  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo o direito de o impugnante fazê­lo em outro momento  processual,  a menos  que:  (Redação dada pela Lei  nº  9.532,  de  1997)  (Produção de efeito)  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº  9.532, de 1997)  (Produção de efeito)  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;    (Redação  dada  pela Lei nº 9.532, de 1997)  (Produção de efeito)  c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas  aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)  (Produção  de efeito)  Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10283.006160/2009­33  Acórdão n.º 3302­004.143  S3­C3T2  Fl. 846          4 Entendo, porém, que, mesmo não ocorrendo  tais  circunstâncias,  poder­se­ia  admitir a produção probatória em recurso voluntário, desde que tais provas não demandassem  nova  dilação  de  prazo,  nem  certificação  ou  verificação,  ou  seja,  por  si  só  demonstrassem  cabalmente  o  direito  da  recorrente,  em  homenagem  ao  princípio  da  verdade  material.  No  entanto,  a  aplicação  deste  princípio  não  é  irrestrita,  nem  uniforme,  de modo  que  há  que  se  sopesar  a  aplicação  do  princípio  da  verdade  material  com  a  preclusão  processual,  no  caso  concreto.  Analisando  o  caso  concreto,  tem­se  que  a  fiscalização  iniciou­se  em  28/08/2008, com a intimação para apresentação de arquivos digitais contábeis e fiscais, Livro  de Controle de Produção e Estoque, Registro de  Inventário, Registro de Saída e de Entrada,  Registro de Apuração de IPI, atos de reconhecimento do benefício fiscal de isenção ou redução  expedidos  pela  SUDENE/SUDAM/SUFRAMA,  acompanhados  dos  laudos,  pareceres  e  projetos, tudo relativo ao ano­calendário de 2005.  A recorrente pediu trinta dias de prazo para atender à intimação, em razão de  dificuldades  do  setor  de  tecnologia  da  informação  estava  com  dificuldades  de  recuperar  os  dados do sistema operacional denominado MAGNUS, utilizado no período de janeiro a maio  de 2005, em resposta de 15/09/2008.  Após esta comunicação, em 10/06/2009 (quase nove meses após o pedido de  prorrogação  de  trinta  dias),  a  fiscalização  reitera  o  conteúdo  intimado  no  termo  de  início  mediante  nova  intimação,  à  qual  a  recorrente  responde  que  os  arquivos  pedidos  estão  no  sistema  informático  denominado  DATASUL,  que  fora  substituído  pelo  SAP.  Após  esta  resposta, lavrou­se o Auto de Infração.  Verifica­se que a recorrente não apresentou qualquer documentação exigida,  seja em papel, seja em arquivo digital.  Em  impugnação,  a  recorrente  alegou  que  a  falta  de  apresentação  da  documentação resultou de força maior, caracterizada pela grave crise financeira e consequente  processo de reestruturação das atividades econômico­financeiras, até então motivo não alegado  nas  respostas  às  intimações,  que  relataram  dificuldades  de  ordem  técnica  em  relação  aos  sistemas MAGUNS e DATASUL.  Por  outro  lado,  não  há  qualquer  nexo  causal  entre  uma  crise  financeira  e  processo de  reestruturação  iniciados em meados de 2007 e a  falta de entrega de documentos  fiscais, principalmente livros fiscais, laudos, pareceres e atos expedidos pela SUFRAMA, que  se  referiam  ao  ano  de  2005  e  que,  portanto,  deveriam  estar  prontos  e  arquivados  nas  dependências da recorrente, cuja providência seria apenas de desarquivamento e não de criação  ou  geração  de  tais  livros,  os  quais  deveriam  ser mantidos  à  disposição  da  fiscalização,  nos  termos do artigo 18 do Decreto nº 4.543/2002:  Art.  18. As pessoas  físicas ou  jurídicas  exibirão aos Auditores­ Fiscais  da  Receita  Federal,  sempre  que  exigidos,  as  mercadorias,  livros  das  escritas  fiscal  e  geral,  documentos  mantidos  em  arquivos magnéticos  ou  assemelhados,  e  todos  os  documentos,  em  uso  ou  já  arquivados,  que  forem  julgados  necessários  à  fiscalização,  e  lhes  franquearão  os  seus  estabelecimentos, depósitos e dependências, bem assim veículos,  cofres e outros móveis, a qualquer hora do dia, ou da noite, se à  noite  os  estabelecimentos  estiverem  funcionando  (Lei  no  4.502,  Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10283.006160/2009­33  Acórdão n.º 3302­004.143  S3­C3T2  Fl. 847          5 de 30 de novembro de 1964, art. 94 e parágrafo único, e Lei no  9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 34).      Parágrafo único. As pessoas físicas ou jurídicas, usuárias de  sistema  de  processamento  de  dados,  deverão  manter  documentação  técnica  completa  e  atualizada  do  sistema,  suficiente  para  possibilitar  a  sua  auditoria,  facultada  a  manutenção  em  meio  magnético,  sem  prejuízo  da  sua  emissão  gráfica, quando solicitada (Lei no 9.430, de 1996, art. 38).  Já  em  relação  aos  arquivos  digitais,  ressalta­se  que  a  recorrente  utilizava  sistemas  de  processamento  de  dados  para  registrar  seus  dados  contábeis  e  fiscais,  devendo  manter  tais  arquivos disponíveis  à  fiscalização pelo prazo decadencial  previsto na  legislação  tributária, conforme disposto no artigo 11 da Lei nº 8.218, de 1991, abaixo transcrito:  Art. 11.  As  pessoas  jurídicas  que  utilizarem  sistemas  de  processamento  eletrônico  de  dados  para  registrar  negócios  e  atividades  econômicas  ou  financeiras,  escriturar  livros  ou  elaborar  documentos  de  natureza  contábil  ou  fiscal,  ficam  obrigadas  a  manter,  à  disposição  da  Secretaria  da  Receita  Federal, os  respectivos arquivos digitais e  sistemas, pelo prazo  decadencial  previsto  na  legislação  tributária.  .(Redação  dada  pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  (Vide Mpv nº 303,  de 2006)  § 1º  A  Secretaria  da Receita Federal  poderá  estabelecer  prazo  inferior  ao  previsto  no  caput  deste  artigo,  que  poderá  ser  diferenciado  segundo  o  porte  da  pessoa  jurídica.  .(Redação  dada pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)   § 2º  Ficam  dispensadas  do  cumprimento  da  obrigação  de  que  trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de  Pagamento  de  Impostos  e  Contribuições  das  Microempresas  e  Empresas  de Pequeno Porte  ­  SIMPLES,  de  que  trata  a Lei  nº  9.317, de 5 de dezembro de 1996.  .(Redação dada pela Medida  Provisória nº 2.158­35, de 2001)   § 3º  A  Secretaria  da  Receita  Federal  expedirá  os  atos  necessários  para  estabelecer  a  forma  e  o  prazo  em  que  os  arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído  pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  § 4º Os  atos  a  que  se  refere  o  §  3o  poderão  ser  expedidos  por  autoridade  designada  pelo  Secretário  da  Receita  Federal.  .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.158­35, de 2001)  Parece­me inconcebível a alegação de tamanha dificuldade, já que se tratam  de meros arquivos em formato texto, de simples leiautes, previstos na IN SRF nº 86/2001 e no  ADE Cofins nº 15/2001. A bem da verdade,  tais arquivos já estavam previstos na IN SRF nº  68/1995 e, de forma alguma, poderiam representar novidade capaz de gerar dificuldades quanto  à sua geração.  Entretanto,  todas  estas  dificuldades,  aparentemente,  foram  resolvidas  pela  recorrente na fase de impugnação, quando afirmou na peça recursal que contratara a IBM para  recuperar as  informações,  impugnando  todos os cálculos efetuados pelo auditor e  solicitando  Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10283.006160/2009­33  Acórdão n.º 3302­004.143  S3­C3T2  Fl. 848          6 noventa dias para a apresentação dos arquivos, pedido este superado na petição de 22/04/2010,  na qual reitera o pedido de diligência, afirmando estarem disponíveis os arquivos digitais e os  documentos físicos. Todavia,  inexplicavelmente, não anexou qualquer documentos aos autos,  que,  ainda,  estavam pendentes de  julgamento pela DRJ  (ocorrido  apenas  em  julho/2010),  no  sentido  de  se  demonstrar,  ainda,  por  amostragem,  a  aplicação  dos  principais,  de  modo  a  infirmar a acusação fiscal de falta de comprovação da aplicação dos insumos importados nos  processos de industrialização aprovados pela SUFRAMA.  Apenas  em  recurso  voluntário,  em 24/09/2010,  junta  parte  dos  documentos  solicitados  em  28/08/2008,  como  laudo  técnico  de  inspeção,  parte  do  Livro  Registro  de  Inventário, parte do Registro de Apuração do IPI, parte do Registro de Saída, parte do Registro  de Entradas, parte dos balancetes de verificação, documentos relativos a importações, relativos  a novembro e dezembro/2005.  Seguindo  na  apresentação  de  documentação,  somente  em  11/01/2016,  sete  anos e quatro meses após o Termo de Início de Fiscalização, cinco anos e cinco meses após a  decisão  da DRJ,  a  recorrente  apresentou  o Registro  de  Inventário  de  janeiro  a maio/2005  e  dezembro de 2005, Registro de Controle de Produção e Estoque de janeiro a maio/2005, Razão  do estoque de maio/2005, Registro de Saídas de maio/2005, e parte dos arquivos digitais, sem,  entretanto,  ter  demonstrado  qualquer  análise  que  comprovasse  a  aplicação,  ainda  que  por  amostragem, de algum insumo no processo de industrialização.  Constata­se, ao final, que a recorrente não se desincumbiu do ônus processual  que  lhe  cabia  de  apresentar  as  provas  na  fase  de  impugnação,  nos  termos  do  artigo  16  do  Decreto nº 70.235/10972, ou de demonstrar inequivocamente seu direito no recurso voluntário.  Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário.          (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                              Fl. 848DF CARF MF

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Numero do processo: 10865.904990/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 20/02/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.546
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.904990/2012­82  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­003.546  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de abril de 2017  Matéria  DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE  CREDITO.  Recorrente  O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do Fato Gerador: 20/02/2008  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  DCTF  RETIFICADORA.  PRAZO. NÃO COMPROVADO.  Verifica­se  no  presente  caso  que  o  contribuinte  não  logrou  comprovar  o  crédito  que  alega  fazer  jus,  pelo  que  deve  ser  indeferida  a  compensação  realizada.  Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o  prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Luiz  Augusto  do  Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen,  Antonio Carlos  da Costa  Cavalcanti  Filho,  Jose Henrique Mauri,  Liziane Angelotti Meira  e  Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.    Relatório  Trata  o  presente  processo  de  Manifestação  de  Inconformidade  contra  Despacho  Decisório  que  não  homologou  a  compensação  declarada  em  PER/DCOMP  pela  contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF  descrito  no  PerDcomp,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  mas  integralmente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 90 /2 01 2- 82 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10865.904990/2012­82  Acórdão n.º 3301­003.546  S3­C3T1  Fl. 3          2 utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação dos débitos informados no PerDcomp.  Inconformada  com  a  não  homologação  de  sua  compensação,  interpôs  a  contribuinte  manifestação  de  inconformidade,  conforme  relatado  na  decisão  recorrida,  alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o  período  em  discussão  e  solicitou  futura  compensação,  na  qual  a  empresa  se  beneficia  de  tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não  ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na  DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se  fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório.  Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação  de inconformidade, nos termos do Acórdão 06­044.002. O fundamento adotado, em síntese, foi  a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido.  Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual  alega,  resumidamente:  (i)  que  o  crédito  pleiteado  decorre  do  pagamento  indevido  da  contribuição  sobre  receitas  decorrentes  de  produtos  tributados  pelo  regime  monofásico  (alíquota  de  0%);  (ii)  que  o  indébito  em  questão  estaria  comprovado  por  meio  da  documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se  entenda  necessário);  (iii)  que  a  verdade  material  deve  prevalecer  sobre  a  verdade  formal.  Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância,  culminando  com  o  reconhecimento  do  direito  creditório  e  a  consequente  homologação  das  compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos,  através  da  qual  requereu  a  juntada  de  notas  fiscais,  no  intuito  de  comprovar  o  seu  direito  creditório.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 3301­003.443, de  27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/2012­01, paradigma  ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301­003.443):  "O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  reúne  os  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto, dele conheço.  Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10865.904990/2012­82  Acórdão n.º 3301­003.546  S3­C3T1  Fl. 4          3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte  fora  indeferida  por  ausência  de  comprovação  do  crédito  pleiteado.  Os  fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir:   No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação,  é  o  contribuinte  quem  toma  a  iniciativa  de  viabilizar  seu  direito  ao  aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp.  No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato  constitutivo do seu direito  (Código do Processo Civil – CPC, art. 333).  No  Processo  Administrativo  Fiscal  não  há  uma  regra  própria,  por  isso  utiliza­se a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar  a existência do crédito pretendido.  A  existência  de  crédito  líquido  e  certo  é  requisito  legal  para  a  concessão  da  compensação  (CTN,  art.  170).  Pelo  princípio  da  Indisponibilidade  do  Interesse  Público  e  pela  vinculação  da  função  pública,  é  inadmissível  que  a  RFB  aceite  a  extinção  do  tributo  por  compensação  com  crédito  que  não  seja  comprovadamente  certo  nem  possa ser quantificado.  Esse entendimento aplica­se também à restituição.  Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de  um  tributo  declarado  pelo  próprio  contribuinte,  a  decisão  da  RFB  de  indeferir  o  pedido  de  restituição  ou  de  não  homologar  a  compensação  está correta.  Assim,  para  modificar  o  fundamento  desse  ato  administrativo,  cabe  ao  recorrente  demonstrar  erro  no  valor  declarado  ou  nos  cálculos  efetuados  pela  RFB.  Se  não  o  fizer,  o  motivo  do  indeferimento  permanece.  Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de  inconformidade.  RETIFICAÇÃO  DA  DCTF  APÓS  5  ANOS  DO  FATO  GERADOR  A  DCTF  retificada  após  a  ciência  do  despacho  decisório  não  constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser  considerada  como  argumento  de  impugnação,  não  produzindo  efeitos  quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento  de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c).  A  declaração  apresentada  presume­se  verdadeira  em  relação  ao  declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente  transmitida,  faz prova do valor do débito contra o  sujeito passivo  e em  favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindo­se prova  em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade  da  declaração  entregue.  Limita­se  a  informar  que  se  beneficia  de  tributação monofásica  de  “alguns  produtos”  que  comercializa, mas  não  informa  quais  são  os  produtos.  Além  disso,  não  apresenta  nenhum  documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos.  Ademais,  o  prazo  estabelecido  pela  legislação  para  o  direito  de  constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda  Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10865.904990/2012­82  Acórdão n.º 3301­003.546  S3­C3T1  Fl. 5          4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi  adotado  pelo  Parecer  Cosit  nº  48,  de  7  de  julho  de  1999,  que  trata  da  declaração  de  rendimentos,  mas  que  se  aplica  por  analogia  à  presente  situação:  “Dos comandos legais citados, temos que extingue­se no prazo de  cinco  anos,  contado  da  data  da  apresentação  da  declaração  de  rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que  anulou, por vício formal, o  lançamento anteriormente efetuado, o  direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim,  da  mesma  forma  que  a  Fazenda  Pública  submete­se  a  um  prazo  final  para  rever  de  ofício  seu  lançamento  ou  para  constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente  dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros  cometidos  quando  da  elaboração  de  sua  declaração  de  rendimentos.” (grifou­se)  O  Conselho  de  Contribuintes  (atual  Conselho Administrativo  de  Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido:  “DECLARAÇÃO  DE  CONTRIBUIÇÕES  E  TRIBUTOS  FEDERAIS  DCTF  RETIFICAÇÃO  PRELIMINAR  DE  DECADÊNCIA  Nos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação  das DCTF trimestrais extingue­se após 5 (cinco) anos contados  da  data  da  ocorrência  dos  correspondentes  fatos  geradores,  como  analogamente  ao  Fisco  seria  vedado  o  direito  de  proceder à sua revisão.  IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO   A compensação de  tributos em face de  seu alegado pagamento a  maior  condiciona­se  à  demonstração  efetiva  da  ocorrência  do  pagamento em excesso, mediante documentação hábil  (1º CC; 8ª  Câmara;  processo  13707.001451/0087;  Acórdão  nº  10808913;  data da sessão: 23/06/2006). (grifou­se)  Diante disso, verifica­se que já decaíra o direito de o contribuinte  proceder à retificação da DCTF.  APURAÇÃO DO TRIBUTO  A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de  Apuração  de  Contribuições  Sociais  (Dacon).  O  valor  apurado  no  demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não  evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior.  As  verificações  efetuadas  nos  sistemas  da  Secretaria  da  Receita  Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos  relatados e podem ser assim consolidadas:  (...).  Em  face  do  exposto,  voto  por  julgar  IMPROCEDENTE  a  manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório  postulado e não homologar as compensações em litígio.  Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.904990/2012­82  Acórdão n.º 3301­003.546  S3­C3T1  Fl. 6          5 Concordo  com  os  termos  da  decisão  recorrida,  a  qual  entendo  não  merecer reparos.  Como  é  cediço,  é  do  contribuinte  o  ônus  da  prova  do  seu  direito  creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de  comprovação  do  seu  direito  creditório  nas  fases  anteriores  do  presente  processo.  Pleiteia,  contudo,  que  a  documentação  apresentada  quando  do  Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para  fins  de  reconhecimento  do  crédito  pleiteado,  seja  para  fins  de,  ao  menos,  determinar  diligência  para  fins  de  confirmação  do  direito  requerido.  Alega,  para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal.  É  importante que se  esclareça,  em princípio,  que  esta  turma  julgadora  tem,  em  determinadas  situações,  admitido  a  análise  de  documentos  anexados  pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado,  em atenção ao princípio da verdade material.  Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste  caso  concreto.  Isso  porque,  consoante  bem  assinalou  a  decisão  recorrida,  o  contribuinte  apresentou  DCOMP  indicando  um  suposto  crédito  oriundo  de  DARF  já  integralmente  utilizado  para  fins  de  quitação  de  outro  débito  do  contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por  ausência de direito creditório.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade,  o  contribuinte  limitou­se  a  alegar  que  o  seu  direito  creditório  decorreria  do  recolhimento  indevido  realizado  em  razão  de  tributação  monofásica  de  alguns  produtos  que  comercializa,  e  que  o  indeferimento  teria  se  dado  em  razão  da  ausência  de  retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida  retificação.  Neste  ponto,  entendeu  corretamente  a  decisão  recorrida  no  sentido  de  que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos  contados do fato gerador.   Verifica­se  no  caso  concreto  aqui  analisado  que  o  período  que  o  contribuinte pretende retificar reporta­se ao 2º semestre de 2005, ao passo que a  primeira manifestação de que haveria  informação  incorreta na referida DCTF  outrora  apresentada  reporta­se  a  setembro  de  2012,  quando  o  contribuinte  apresentou  a  sua  manifestação  de  inconformidade,  já  comunicando  a  impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora.  Sendo assim, não havia mais  tempo hábil para se admitir a retificação  da  DCTF  pretendida  pelo  contribuinte,  ou  mesmo  para  se  reanalisar  as  informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte.   Nesse  sentido,  inclusive,  traz­se  à  colação  decisões  deste  Conselho,  proferidas à unanimidade de votos:  Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep  Data do fato gerador: 30/09/2003  COMPENSAÇÃO.  DCTF  RETIFICADORA.  INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA.  Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.904990/2012­82  Acórdão n.º 3301­003.546  S3­C3T1  Fl. 7          6 É  ineficaz  a DCTF  retificadora  transmitida  após  o  decurso  do  prazo  de  5  anos  contados  do  fato  gerador  ou  da  entrega  da  declaração  para  fins  de  comprovação  de  pagamento  indevido  passível de compensação. O prazo para constituição do crédito  tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte.  Também  ineficaz  a  DCTF  retificadora  se  desacompanhada  de  documentação  comprobatória  hábil  e  idônea  que  comprove  a  existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n.  3802­001.464).          ***  Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário  Data do fato gerador: 31/05/2003  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  ÔNUS  DA  PROVA.  CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO  Compete  àquele  quem  pleiteia  o  direito  o  ônus  de  sua  comprovação,  devendo  ser  indeferido  pedido  de  compensação  que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova  de sua liquidez e certeza.  DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL.  Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas  informações  trazidas  em DCTF  retificadora  somente  produzem  efeito  se  a  retificação  ocorrer  dentro  do  prazo  de  cinco  anos,  contados da data da ocorrência do fato gerador.  Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202­000.862).  É  importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que  dormem. Nesse  contexto,  da mesma  forma que a Fazenda possui prazos para  fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações,  no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância  de  tais  prazos  legais,  inclusive,  precisam  ser  observadas  em  benefício  da  sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica.   É  importante  que  se  esclareça  que  não  se  está  aqui  dispondo  que  a  verdade  material  não  deve  prevalecer  sobre  a  verdade  formal.  Contudo,  a  aplicação  do  princípio  da  verdade  material  possui  limites  que  precisam  ser  observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem  ser  observados  sem  distinção,  às  vezes  a  favor,  às  vezes  contra  o  contribuinte/Fisco.  E,  uma  vez  encerrado  o  prazo  legal  para  retificação  da  DCTF,  resta  forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu  Recurso  Voluntário  não  o  socorre  em  seu  pleito.  Ainda  que  tivesse  o  contribuinte  direito  ao  crédito  pleiteado  em  razão  do  pagamento  indevido  da  contribuição  sobre  receitas  decorrentes  de  produtos  tributados  pelo  regime  monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad  eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação  de  documentos  comprobatórios  quando  já  decorrido  tal  prazo  não  deve  ser  considerada.  Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.904990/2012­82  Acórdão n.º 3301­003.546  S3­C3T1  Fl. 8          7 É  a  mesma  situação  que  ocorre  quando  um  crédito  tributário  resta  fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal  tenha provas cabais  de  que  determinado montante  é  devido,  não  pode  exigi­lo  após  o  decurso  do  prazo quinquenal previsto na legislação.   Diante  das  razões  acima  expostas,  entendo  que  deverá  ser  negado  provimento  ao  Recurso  Voluntário  interposto  pelo  contribuinte,  mantendo  a  decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos."  Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o  contribuinte  não  logrou  comprovar  o  crédito  que  alega  fazer  jus,  em  razão  do  pagamento  indevido  da  contribuição  sobre  receitas  decorrentes  de  produtos  tributados  pelo  regime  monofásico  (alíquota  de  0%),  não  se  admitindo  a  DCTF  retificadora  e  a  documentação  comprobatória apresentados a destempo.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  nego  provimento  ao  recurso  voluntário.  (assinado digitalmente)  Luiz Augusto do Couto Chagas                                  Fl. 153DF CARF MF

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Numero do processo: 10380.014885/2001-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-004.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.

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9303­004.958  –  3ª Turma   Sessão de  11 de abril de 2017  Matéria  IPI. CRÉDITO PRESUMIDO  Recorrente  IRMÃOS FONTENELE S/A INDÚSTRIA, COMÉRCIO E AGRICULTURA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002  CRÉDITO PRESUMIDO DE  IPI.  PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA  TIPI. IMPOSSIBILIDADE.  Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96,  as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do  IPI ­ TIPI.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do  Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar­lhe provimento,  vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes  Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para  redigir o voto  vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.    (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício.      (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello ­ Relatora.    (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Redator designado.    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Júlio  César  Alves  Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 48 85 /2 00 1- 40 Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 3          2 Camargos  Autran,  Charles  Mayer  de  Castro  Souza  (Suplente  convocado),  Vanessa  Marini  Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.       Relatório      Trata­se  de  recurso  especial  de  divergência  interposto  por  IRMÃOS  FONTENELE S/A (fls. 1.296 a 1.318) com fulcro nos artigos 64,  inciso II e 67, ambos do  Regimento  Interno  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  – RICARF,  aprovado  pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3403­01.671 (fls. 1237 a  1247) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em  28/06/2012,  no  sentido  de  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  O  acórdão  foi  assim  ementado:     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002  Ementa:  RESSARCIMENTO.  CRÉDITO  CONTROVERTIDO  EM  JUÍZO.  TRÂNSITO  EM  JULGADO  NO  CURSO  DO  PROCESSO  ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.  A teor do artigo 17 da IN/SRF nº 21/97 (art. 70 da atual IN/RFB 900/08), é  vedado  o  ressarcimento  de  crédito  objeto  de  litígio  judicial  ainda  não­ transitado em julgado na data de realização do pedido, e o encerramento  do  processo  judicial  durante  o  trâmite  do  processo  administrativo  não  convalida este vício.  CRÉDITO PRESUMIDO. CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IPI.  Somente  estabelecimentos  industriais,  contribuintes  do  IPI,  fazem  jus  ao  crédito presumido instituído na Lei nº 9.363/96.  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE  MERCADORIAS  NÃO  SUBMETIDAS  A  PROCESSO  INDUSTRIAL.  DESCABIMENTO.  O  chamado  “crédito  presumido  de  IPI”,  concedido  e  disciplinado  pelas  Leis  nºs  9.363/96  e  10.276/01,  beneficia  tão­somente  o  produtor  exportador, assim compreendida a pessoa jurídica que realiza operação de  industrialização segundo os conceitos definidos pela legislação do IPI.   Recurso voluntário negado.  Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 4          3   Para retratar o desenrolar dos fatos, ocorridos nos presentes autos, adota­se o  relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis:    [...]  Trata­se  de  pedidos  de  ressarcimento  de  crédito  presumido  de  IPI,  referentes aos anos­calendários 1999 (fls. 01/03), 2000 (fls. 19/21, 37/39, 55/57,  73/75), 2001 (fls. 90/92) e 1º trimestre de 2002.  Ato  contínuo,  pretendeu  o  recorrente  utilizar  os  créditos  para  adimplir  débitos fiscais seus, para tanto, apresentando uma série de pedidos e declarações  de  compensação,  listados  nos  itens  7  a  9  do  Termo  de  Informação  Fiscal  (fls.  652/654).  Conforme  apurou  a  auditoria,  o  crédito  presumido  pretendido  decorre  da  aquisição de diversos insumos, listados às fls. 439 e 452/456 – o principal deles, a  “castanha  de  caju”,  adquirida  de  agricultores  pessoas  físicas  –,  utilizados  na  produção  de  “amêndoas  de  castanha  de  caju”  e  “líquido  de  castanha  de  caju”,  exportados pela recorrente.  Relativamente  às  amêndoas  de  castanha  de  caju,  apurou­se  ainda  que  a  recorrente  as  exportava  em  três  tipos  distintos  de  embalagens:  sacos  laminados  lisos, latas metálicas lisas e latas metálicas litigrafadas.   A DRF indeferiu o ressarcimento aos seguintes argumentos:  (a)  o  crédito  presumido  não  pode  ser  apurado  em  aquisições  junto  a  fornecedores pessoas físicas, a teor do art. 2º, §2º da IN/SRF nº 23/97;  (b) as amêndoas de castanha de caju são classificadas na TIPI como “NT” –  código 0801.32.00 –, o que impede o desfrute do crédito presumido; e  (c)  as  latas  litigrafadas  caracterizam  embalagem  de  apresentação,  deslocando a classificação do produto para a “Ex. 01” do código 0801.32.00 da  TIPI,  com  previsão  de  alíquota  zero,  o  que  permitiria  a  apropriação  do  crédito  presumido. A recorrente, contudo, não logrou fazer prova de quais produtos e em  quais quantidades foram exportados com esta embalagem.  O recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1.005/1.023)  para sustentar que:  (a) obtivera decisão judicial nos autos do processo nº 2001.05.00.0316769  (fls.  1046/1060),  assegurando­lhe  o  direito  ao  crédito  presumido  de  IPI  nas  aquisições de insumos de pessoas físicas;  (b)  já  obtivera  decisão  favorável  no  processo  administrativo  nº  10380.001367/9990, que tratava de situação fática idêntica, razão pela qual, com  fundamento  no  art.  146  do  CTN,  a  mudança  de  critério  jurídico  da  autoridade  lançadora somente poderia se aplicar a fatos geradores posteriores a 24 de agosto  de  2007,  data  em  que  o  recorrente  foi  intimado  da  decisão  da  DRF  que  lhe  indeferiu, neste processo, o ressarcimento requerido;  Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 5          4 (c) a dúvida na apuração de quais exportações foram feitas com embalagens  litigrafadas deveria resolver­se em seu favor, a teor do art. 112 do CTN;  (d) não há relação necessária entre o campo de incidência do IPI e o direito  ao  crédito  presumido,  pois  a  Lei  nº  9.363/96  não  limitou  este  benefício  aos  “produtores  e  exportadores  de  produtos  industrializados”,  mas,  sim,  mais  amplamente, aos “produtores e exportadores de mercadorias”;  (e) ainda que assim não  fosse, classifica­se, ele  recorrente,  como empresa  industrial  porque  exerce  beneficiamento  das  castanhas  de  caju,  a  despeito  de  a  TIPI catalogar seu produto final como NT.  Em  05.08.2009,  a  DRJ/Belém­PA  negou  provimento  à  manifestação  de  inconformidade (fls. 1.084/1.086), aderindo à fundamentação da DRF. Sobreveio,  então,  recurso voluntário  (fls. 1.091/1.116),  aliás muito bem  redigido,  repisando  os argumentos acima sintetizados.  Eis o relato.  [...]     O resultado do julgamento do recurso voluntário interposto pela Contribuinte,  nos termos do Acórdão nº 3403­01.671 (fls. 1237 a 1247), ora recorrido, foi no sentido de  negar  provimento  para:  (a)  indeferir  o  pedido  de  ressarcimento  da  totalidade dos  créditos  decorrentes  de  aquisições  de  fornecedores  pessoas  físicas,  decorrentes  do  reconhecimento  por  meio  de  ações  judiciais,  por  terem  sido  protocolados  anteriormente  ao  trânsito  em  julgado; (b) rejeitar a alegação de violação ao art. 146 do CTN por inovação e modificação  de critério jurídico no lançamento, pois no processo administrativo de nº 10380.001367/99­ 90 obtivera a contribuinte decisão favorável quanto à apuração do crédito presumido de IPI;  (c) reconhecer que somente os contribuintes do IPI (estabelecimentos industriais) fazem jus  ao  benefício  do  crédito  presumido  deste  imposto;  e  (d)  os  produtos  classificados  na  TIPI  como NT não concedem o direito ao crédito presumido do IPI da Lei nº 9.363/96, por não  sofrerem processo de industrialização.   Em  face  da  referida  decisão,  foram  opostos  pela  Contribuinte  embargos  de  declaração (fls. 1.253 a 1.279), com pedido de efeitos infringentes, alegando a existência de  vícios  de  obscuridade,  contradição  e  omissão  no  julgado.  Em  sede  de  julgamento,  foram  rejeitados os embargos de declaração, conforme acórdão nº 3403­002.999 (fl. 1289 a 1292).  No  ensejo,  a  Contribuinte  interpôs  recurso  especial  (fls.  1.296  a  1.318),  alegando divergência jurisprudencial quanto à (a) modificação de critério jurídico e violação  ao  art.  146  do  CTN;  e  (b)  não  reconhecimento  do  crédito  presumido  de  IPI  da  Lei  nº  9.363/96 para os produtos não­tributados pelo  IPI  (estabelecimento  industrial  fabricante de  castanhas de caju classificadas como não­tributadas). Para embasar o dissenso interpretativo,  colacionou como paradigmas os  acórdãos nºs 1402­00.828;  9303­001.544 e 9303­001.551,  respectivamente.   Foi  admitido  parcialmente  o  recurso  especial  da  Contribuinte,  por meio  do  despacho s/nº, de 21 de abril de 2015 (fls. 1.363 a 1.367), proferido pelo ilustre Presidente da  4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada  a divergência jurisprudencial com relação à apuração do crédito presumido de IPI instituído  Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 6          5 pela Lei  nº  9.363/96  quando  os  produtos  exportados  são  considerados  não  tributados  pelo  IPI.    Devidamente  intimada,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  (fls.  1.381 a 1.389), requerendo a negativa de provimento ao recurso especial da Contribuinte.   O  presente  processo  foi  distribuído  a  essa  Relatora  por  meio  de  sorteio  regularmente  realizado,  estando  apto  o  feito  a  ser  relatado  e  submetido  à  análise  desta  Colenda  3ª  Turma  da  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  ­  3ª  Seção  de  Julgamento  do  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ CARF.    É o Relatório.   Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 7          6 Voto Vencido  Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora.    O  recurso  especial  interposto  pela  Contribuinte  atende  aos  pressupostos  de  admissibilidade  constantes  no  art.  67  do  Regimento  Interno  do  Conselho Administrativo  de  Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época de sua  interposição,  e  reproduzido  no  RICARF  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  343/2015,  com  alterações posteriores, devendo, assim, ser conhecido.  No mérito, cinge­se a controvérsia à possibilidade de ser  reconhecido o direito  ao crédito presumido do IPI estabelecido pela Lei nº 9.363/96 para os produtos exportados não­ tributados (NT) pelo IPI.   Por meio  da Lei  nº  9.363/96,  foi  instituído  benefício  fiscal  com o  objetivo  de  desonerar  as  exportações  de  produtos  manufaturados  brasileiros,  com  o  ressarcimento,  na  forma  de  crédito  presumido  de  IPI,  das  contribuições  para  o  PIS/Pasep  e  para  a  COFINS  incidentes sobre os insumos adquiridos empregados na produção de bens nacionais destinados  ao mercado externo. Dispõe o art. 1º do referido diploma legal:    Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento das contribuições de que  tratam as Leis Complementares nos  7,  de 7 de  setembro de 1970, 8,  de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de  dezembro  de  1991,  incidentes  sobre  as  respectivas  aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem, para utilização no processo produtivo.  Parágrafo  único. O  disposto  neste  artigo  aplica­se,  inclusive,  nos  casos  de  venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação  para o exterior.     Conforme se depreende da norma, a benesse fiscal garante o direito ao crédito  sobre mercadorias nacionais,  tributadas ou não­tributadas pelo  IPI, mediante o  ressarcimento  do  valor  do  PIS  e  da  COFINS  das  empresas  produtoras  e  exportadoras  de  mercadorias  nacionais. Não há  restrição  ao  aproveitamento do  crédito presumido do  IPI,  não  cabendo ao  intérprete fazê­lo.   O  crédito  presumido  do  IPI  instituído  pela  Lei  nº  9.363/96  tem  por  escopo  o  ressarcimento das contribuições para o PIS e a COFINS que incidem nas etapas anteriores da  cadeira produtiva, não sendo relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na saída. Além  Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 8          7 disso,  a  legislação  do  IPI  foi  utilizada  de  forma  subsidiária  para  os  conceitos  de  produção,  matéria­prima, produtos intermediários e material de embalagem.     Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a  aplicação,  sobre  o  valor  total  das  aquisições  de matérias­primas, produtos  intermediários  e  material  de  embalagem  referidos  no  artigo  anterior,  do  percentual  correspondente  à  relação  entre  a  receita  de  exportação  e  a  receita operacional bruta do produtor exportador.  § 1º O crédito fiscal  será o  resultado da aplicação do percentual de 5,37%  sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002)  §  2º  No  caso  de  empresa  com  mais  de  um  estabelecimento  produtor  exportador,  a  apuração  do  crédito  presumido  poderá  ser  centralizada  na  matriz.  § 3º O crédito presumido, apurado na  forma do parágrafo anterior, poderá  ser  transferido  para  qualquer  estabelecimento  da  empresa  para  efeito  de  compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as  normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal.  § 4º A empresa comercial exportadora que, no prazo de 180 dias, contado da  data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver  efetuado  a  exportação  dos  produtos  para  o  exterior,  fica  obrigada  ao  pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS relativamente aos  produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor correspondente ao  do crédito presumido atribuído à empresa produtora vendedora.  § 5o Na hipótese do parágrafo anterior, o valor a ser pago, correspondente  ao crédito presumido, será determinado mediante a aplicação do percentual  de  5,37%  sobre  sessenta  por  cento  do  preço  de  aquisição  dos  produtos  adquiridos e não exportados.  § 6º Se a  empresa  comercial  exportadora  revender, no mercado  interno, os  produtos adquiridos para exportação, sobre o valor de revenda serão devidas  as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, sem prejuízo do disposto no §  4o.  § 7º O pagamento dos valores referidos nos §§ 4o e 5o deverá ser efetuado  até o décimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo estabelecido para a  efetivação da exportação, acrescido de multa de mora e de juros equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação  e  Custódia  ­  SELIC,  para  títulos  federais,  acumulada  mensalmente,  calculados  a  partir  do  primeiro dia do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal de venda dos  produtos  para  a  empresa  comercial  exportadora  até  o  último  dia  do  mês  anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.  Art.  3º  Para  os  efeitos  desta  Lei,  a  apuração  do  montante  da  receita  operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias­primas,  produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos  das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o,  tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida  pelo fornecedor ao produtor exportador.  Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 9          8 Parágrafo único. Utilizar­se­á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de  Renda  e  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  para  o  estabelecimento,  respectivamente,  dos  conceitos  de  receita  operacional  bruta e de produção, matéria­prima, produtos intermediários e material de  embalagem.     Portanto,  dos  argumentos  expendidos,  a  Recorrente  tem  o  direito  ao  crédito  presumido de IPI de que  trata a Lei nº 9.363/96, mediante o  ressarcimento das contribuições  incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, o PIS e a COFINS, não importando  se o produto sofrerá ou não a incidência do IPI na saída do estabelecimento.  Além disso, embora a Lei nº 9.363/96 faça remissão à utilização da legislação  do Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI como subsídio ao conceito de produção, não o  é em caráter restritivo do benefício do crédito presumido de IPI. A interpretação da norma deve  dar­se em consonância com o objetivo para o qual  foi criada, no caso,  incentivar o comércio  internacional de mercadorias brasileiras, para cuja produção tenham sido empregados insumos  e matérias­primas e materiais de embalagem, submetidos à incidência das contribuições sociais  do PIS e da COFINS. Não há,  no  texto  legal,  exigência de que o produto nacional deva ser  tributado pelo IPI.   Por  fim, embora não seja exigência da  lei  instituidora do benefício em exame,  corrobora o direito da Contribuinte ao crédito presumido de IPI o processo de industrialização  a que é submetida a mercadoria nacional objeto de exportação ­ castanha de caju ­ conforme  descrito em laudo juntado às fls. 512 e 513, in verbis:    2. DESCRIÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO  O conhecimento,  em  linhas gerais,  do processo de produção em  todas  suas  etapas  é  fundamental  para  se  conseguir  um  produto  padronizado  e  de  boa  qualidade.   A  descrição  a  seguir  mostra  as  principais  etapas  envolvidas  no  beneficiamento da castanha de caju.   2.1 Redução da Umidade ( SECADOR)  As castanhas de caju ao chegarem à fábrica são analisadas pelo controle de  qualidade e, de acordo com o  teor da umidade, são expostas em um galpão  apropriado para perda de umidade. O tempo de permanência varia de acordo  com a umidade de cada lote recebido.  2.2 Classificação  Após  a  redução  da  umidade  as  castanhas  de  caju  são  classificadas  mecanicamente por tamanho e em seguida ensacadas em sacos devidamente  identificados.  2.3 Umidificação  Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 10          9 As castanhas de caju classificadas são conduzidas através de transportadores  helicoidais até os silos onde são lavadas. A umidificação tem por finalidade  facilitar  a  operação  subseqüente  (cozimento  e  extração  do  LCC).  As  castanhas  de  caju  são  imersas  em  águas  seguindo­se  de  um  período  de  repouso, até atingir de 14 a 16% de umidade.  2.4 Cozinhamento  Após  a  umidificação  as  castanhas  de  caju  são  transportadas  para  os  cozinhadores que funcionam com LCC aquecido de 200 a 220°C. A imersão  das castanhas de caju no banho de LCC cozinha as mesmas e retira boa parte  do óleo que é transferido por gravidade para os tanques de estocagem( silos  de resfriamento).  2.5 Decorticagem  A  castanha  assada  quando  chega  a  uma  temperatura  de  45°C  estai  pronta  para ser  cortada. O corte das  castanhas  é  feito através de discos  rotativos,  que tem como princípio a força centrífuga ,separando a amêndoa da casca,  Após  o  corte  a  amêndoa  com  a  casca  são  direcionada  para  um  ventilador  pneumático,  onde  é  feita  a  separação.  A  casca  é  usada  como  combustível  para as fornalhas e a amêndoa vai para o setor de secagem.  2.6 Estufagem  As amêndoas com alto teor de umidade seguem para as estufas em carrinhos  equipados com bandejas, onde permanecem por 14 a 15H, numa temperatura  de 80°C. Após esse tempo as amêndoas saem com 4% de umidade e seguem  para retirada da película.  2.7 Despeliculagem  A despeliculagem é feita através do insuflamento de ar comprimido.  As amêndoas não despeliculadas seguem novamente para estufa e desta para  uma câmara fria para forçar um choque térmico; com o objetivo de facilitar a  retirada da película.  2.8 Seleção eletrônica e manual  A seleção é feita por cor e tamanho.  A cor é selecionada através de uma máquina que compara a cor da amêndoa  com padrões pré­estabelecidos na máquina, ocorrendo, assim, a separação. A  separação  pôr  tamanho  é  feita  manualmente  ,  onde  as  amêndoas  passam  numa esteira e as mulheres selecionam dentro de um padrão normatizado.  2.9 Revisão  As  amêndoas  selecionadas  são  transportadas  para  a mesa  de  classificação  onde  passam  por  uma  revisão  final,  sendo  retiradas  as  que  estão  fora  dos  padrões.  2.10 Embalagens  Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 11          10 As amêndoas são embaladas em latas litografadas e lisa de capac. 11.34 kg e  caixas  de  papelão  B2  K50  36  x  250g,  caixas  de  papelão  p/  latas  475x238x350g  e  caixas  de  papelão  ondulado  p/  saco  de  1  a  50  Lbs.  Internamente a embalagem é de saco laminado PET/NY/PE 50 Lbs, fechada a  vácuo  e  preservada  por  dióxido  de  carbono  para  evitar  a  deterioração  (possível infestação por eventuais ovos de insetos) do produto.  2.11 Armazém de P.A.  Finalmente  as  caixas  são  armazenadas  sobre  estrados  e  organizadas  pôr  tipos e em pilhas de 20 caixas cada.  [...]    Diante do  exposto,  dá­se provimento  ao  recurso  especial  da Contribuinte  para  reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96.   É o Voto.    (assinado digitalmente)  Vanessa Marini Cecconello    Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 12          11 Voto Vencedor  Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado.    Com  todo  respeito  ao  voto  da  ilustre  relatora,  mas  tenho  entendimento  diferente a respeito do assunto.  Trata­se  de  matéria  antiga  no  âmbito  do  contencioso  administrativo  e  a  controvérsia resume­se em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido  de  IPI,  de  que  trata  o  art.  1º  da  Lei  nº  9.363/96,  na  produção  e  exportação  de  produtos  classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados).  Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido  de  IPI,  de  que  trata  o  art.  1º  da  Lei  nº  9.363/96,  é  um  benefício  fiscal  concedido  aos  produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõe­se a interpretação  literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN.  Art.  111.  Interpreta­se  literalmente  a  legislação  tributária  que  disponha sobre:   I ­ suspensão ou exclusão do crédito tributário;   II ­ outorga de isenção;   III  ­  dispensa  do  cumprimento  de  obrigações  tributárias  acessórias.  Na  verdade  a  concessão  de  isenção,  anistia,  incentivos  e  benefícios  fiscais  decorrem de normas que  têm caráter de exceção. Fogem às  regras do que seria o  tratamento  normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag:  (...)  Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal  dispositivo  disciplina  hipóteses  de  “exceção”,  devendo  sua  interpretação  ser  literal[44].  Na  verdade,  consagra  um  postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico,  isto é,  “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso  em lei”.  Com  efeito,  a  regra  não  é  o  descumprimento  de  obrigações  acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão  ou  suspensão  do  crédito  tributário,  mas,  respectivamente,  o  cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção  do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva.  Assim,  o  direito  excepcional[45]  deve  ser  interpretado  literalmente,  razão pela qual  se  impõe o artigo ora em estudo.  Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a  regra do  parágrafo  único  do  art.  175,  pela  qual  “a  exclusão  do  crédito  tributário  não  dispensa  o  cumprimento  das  obrigações  Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 13          12 acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja  excluído, ou dela consequente”.  (...)  (Trecho  extraído  da  internet  no  seguinte  endereço:  https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacao­e­integracao­da­legislacao­tributaria)  Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício  do crédito presumido:  Art.  1º  ­ A  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento  das  contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7  de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30  de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo produtivo.  (...)  Art. 3º ....  Parágrafo  único.  Utilizar­se­á,  subsidiariamente,  a  legislação  do  Imposto  de  Renda  e  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  para  o  estabelecimento,  respectivamente,  dos  conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria­ prima, produtos intermediários e material de embalagem.  Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a  empresa  produtora  e  exportadora  de  mercadorias  nacionais.  Se  quisesse  abarcar  todos  os  exportadores,  não  necessitaria  de  incluir  a  palavra  produtora.  Seria  inócuo.  E  ao  incluir  a  palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação  do IPI para a busca da definição do que se entende por produção.   Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou  produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de  incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcreve­se abaixo artigos  do RIPI/98 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no  atual regulamento:  Art.  2º  O  imposto  incide  sobre  produtos  industrializados,  nacionais  e  estrangeiros,  obedecidas  as  especificações  constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos  Industrializados  ­  TIPI  (Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964, art. 1º, e Decreto­Lei nº 34, de 18 de novembro de 1966,  art. 1º).  Parágrafo  único.  O  campo  de  incidência  do  imposto  abrange  todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na  TIPI,  observadas  as  disposições  contidas  nas  respectivas  notas  complementares,  excluídos  aqueles  a  que  corresponde  a  Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 14          13 notação "NT" (não­tributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro  de 1997, art. 13).  (...)  Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das  operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado,  ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art.  3º).  Do  conjunto  dessa  leitura,  conclui­se  que  os  produtos  "NT"  (NÃO  TRIBUTADOS)  estão  fora  do  conceito  de  produtos  industrializados  estabelecidos  pela  legislação do  IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos  industriais  para fins dessa legislação.   Assim  vem  decidindo  este  colegiado.  Para  um  melhor  entendimento  transcrevo abaixo trecho de um voto do ex­Conselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no  Acórdão nº 202­16.066:  (...)  A meu  sentir,  a posição mais  consentânea  com a norma  legal  é  aquela pela  exclusão  dos  valores  correspondentes  às  exportações  dos  produtos  não  tributados  (NT)  pelo  IPI,  já  que,  nos  termos  do  caput  do  art.  1º  da  Lei  n°  9.363/1996,  instituidora desse  incentivo  fiscal, o  crédito  é destinado,  tão­somente,  às empresas  que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora;  b) ser exportadora.  Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT  não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor.  Isso ocorre porque,  as empresas que  fazem produtos não  sujeitos ao  IPI,  de  acordo  com  a  legislação  fiscal,  em  relação  a  eles,  não  são  consideradas  como  estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera­ se  estabelecimento  produtor  todo  aquele  que  industrializar  produtos  sujeitos  ao  imposto.  Ora,  como  é  de  todos  sabido,  os  produtos  constantes  da  Tabela  de  Incidência  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  ­  TIPI  com  a  notação  NT  (Não  Tributados)  estão  fora  do  campo  de  incidência  desse  tributo  federal.  Por  conseguinte, não estão sujeitos ao imposto.  Ora, se nas operações relativas aos produtos não  tributados a empresa não é  considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a  que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora.  Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o  de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou  semi­elaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores,  aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores­exportadores,  nenhum  outro  tipo  de  empresa  foi  agraciada  com  tal  beneficio,  nem  mesmo  as  trading  companies,  reforçando­se  assim,  o  entendimento  de  que  o  favor  fiscal  em  foco destina­se, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados.  Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários  outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo  IPI  (ainda que sujeitos  à  aliquota  zero ou  isentos). Como exemplo pode­se  citar o  extinto  crédito­prêmio  de  IPI  conferido  ao  industrial  exportador,  e  o  direito  à  manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de  Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10380.014885/2001­40  Acórdão n.º 9303­004.958  CSRF­T3  Fl. 15          14 produtos  exportados. Neste  caso, a  regra geral é que o beneficio alcança apenas  a  exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá  direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como  previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982.  Outro  ponto  a  corroborar  o  posicionamento  aqui  defendido  é  a  mudança  trazida  pela  Medida  Provisória  nº  1.508­16,  consistente  na  inclusão  de  diversos  produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e  embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio  justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir  do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos.  Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados  pela  reclamante, por não  estarem  incluídos no  campo de  incidência do  IPI,  já que  constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI.  (...)  Cumpre  lembrar  também  recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303­ 003.462,  de  23/02/2016,  relatoria  do  Presidente  da  3ª  Seção  de  Julgamento,  Conselheiro  Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS IPI  Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999  IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT).  A  exportação  de  produtos  NT  não  gera  direito  ao  aproveitamento  do  crédito  presumido  do  IPI,  Lei  nº  9.363/96,  por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do  imposto.  Recurso Especial do Contribuinte Negado.  Diante  do  exposto,  voto  por  negar  provimento  ao  recurso  especial  apresentado pelo contribuinte.    (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal                  Fl. 1406DF CARF MF

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