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Numero do processo: 16327.903462/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
IPRJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INDEDUTIBILIDADE
Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece-se o direito de crédito correspondente.
IRPJ. SALDO NEGATIVO. GLOSA DE IRRF SOBRE REMESSAS AO EXTERIOR.
Quando demonstrado de forma cabal por meio de documentos carreados aos autos que os lucros auferidos por filial localizada em pais com tributação favorecida foi tributado pela sua matriz no Brasil, deve se reconhecer o crédito e homologar a compensação do IRRF sobre os pagamentos efetuados à empresa no exterior.
Numero da decisão: 1402-002.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$1.054.592.441,94 e homologar as compensações pleiteadas, até esse limite. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito de R$1.046.307.902,84, relativo às estimativas pagas mediante compensação não homologada nos autos do processo administrativo nº 16327.000190/2011-83. Designado o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Relator.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 IPRJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INDEDUTIBILIDADE Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece-se o direito de crédito correspondente. IRPJ. SALDO NEGATIVO. GLOSA DE IRRF SOBRE REMESSAS AO EXTERIOR. Quando demonstrado de forma cabal por meio de documentos carreados aos autos que os lucros auferidos por filial localizada em pais com tributação favorecida foi tributado pela sua matriz no Brasil, deve se reconhecer o crédito e homologar a compensação do IRRF sobre os pagamentos efetuados à empresa no exterior.
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SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INDEDUTIBILIDADE Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhece se o direito de crédito correspondente. IRPJ. SALDO NEGATIVO. GLOSA DE IRRF SOBRE REMESSAS AO EXTERIOR. Quando demonstrado de forma cabal por meio de documentos carreados aos autos que os lucros auferidos por filial localizada em pais com tributação favorecida foi tributado pela sua matriz no Brasil, deve se reconhecer o crédito e homologar a compensação do IRRF sobre os pagamentos efetuados à empresa no exterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$1.054.592.441,94 e homologar as compensações pleiteadas, até esse limite. Vencidos os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves e Paulo Mateus Ciccone que votaram por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito de R$1.046.307.902,84, relativo às estimativas pagas mediante compensação não homologada nos autos do processo administrativo nº 16327.000190/201183. Designado o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 34 62 /2 01 4- 41 Fl. 1766DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.767 2 Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Ausente justificadamente o Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira. Fl. 1767DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.768 3 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, protocolada sob o nº 34917.97683.200213.1.2.022338 e transmitido em 20/02/2013, em que é pleiteado crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2011, no valor original de R$ 1.632.862.454,65. Ao crédito requerido foram vinculados os débitos constantes das DCOMPs abaixo: A Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo – DEINF/SP, em despacho decisório datado de 04/09/2014, v. efls. 331/359, reconheceu apenas parcialmente o direito creditório, no montante de R$463.861.711,09 do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2011, homologando a compensação dos débitos declarados até o limite de crédito reconhecido. O referido Despacho Decisório foi fundamentado na Informação Fiscal de efls. 1.261/1.271. Em seu pedido de restituição, o contribuinte informou que o saldo negativo pleiteado seria composto de R$ 8.291.275,90 a título de imposto de renda retido sobre rendimentos pagos ao exterior, de R$ 424.619.767,72 de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), de R$ 460.127.864,96 a título de estimativas pagas e de R$ 1.080.795.952,18 a título de estimativas compensadas. Tais valores, deduzidos do IRPJ devido, apurado no montante de R$ 62.299.918,97, gerariam o crédito pleiteado. Todavia, após a análise detalhada na Informação Fiscal de efls. 1.261/1.271, a autoridade administrativa decidiu por confirmar apenas os valores constantes do demonstrativo abaixo: Em razão das glosas acima apontadas, restou confirmado apenas o montante de R$533.161.630,06, o que resultou na validação de um saldo negativo de R$ 463.861.711,09 (R$ 62.299.918,97 – R$ 533.161.630,06), insuficiente para liquidar a totalidade dos débitos declarados nas DCOMPs vinculadas ao PER. Segundo a autoridade fiscal, a glosa teria sido realizada pelos seguintes motivos (reproduzidos abaixo em apertada síntese): 5. Imposto de Renda no exterior – Foram apresentados os contratos de câmbio e documentos de arrecadação dos tributos federais – DARF de duas operações: uma relativa ao pagamento de juros e comissões (código de recolhimento 0481) à filial domiciliada nas Ilhas Cayman e outra referente a despesa de prépagamento de Fl. 1768DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.769 4 exportação (código 0473) também para a filial domiciliada nas ilhas Cayman. Para a primeira operação há previsão legal de aproveitamento do IR pago no Brasil a título de juros e comissões decorrentes de operações com empresas ligadas no exterior, desde que haja comprovação por meio documental (demonstrações financeiras e razões contábeis) de que a pessoa jurídica estabelecida em país que não tribute a renda tenha incluído a receita sobre a qual incidiu o tributo na apuração do lucro. Deve ser comprovado também que o lucro foi oferecido à tributação no Brasil. Assim, a apresentação dos contratos e dos DARF embora façam parte do rol de documentos previstos pela legislação, não possuem o condão de, por si só, comprovar a existência do direito líquido e certo. Importante registrar que o contribuinte foi intimado a apresentar diversos documentos que segundo a legislação são indispensáveis ao reconhecimento do crédito, porém não o fez. A segunda ocorrência está relacionada a Retenção do Imposto de Renda sob o código 0473 Renda e Proventos de Qualquer Natureza FATO GERADOR Rendimentos de qualquer natureza como os provenientes de pensões e aposentadoria, de prêmios conquistados no Brasil em concursos, comissões por intermediação em operações em bolsa de mercadorias e ganho de capital, inclusive os obtidos em investimentos em moeda estrangeira pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior. " Rendimentos do trabalho e da prestação de serviços sem vínculo de emprego, auferidos por residentes no exterior. (IR/1999, art. 682; IN SRF nº 208, de 2002, art. 2º). BENEFICIÁRIO Pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior – O regime de tributação previsto pela legislação para essa operação é de exclusividade na fonte, ou seja, não poderá ser utilizado como antecipação do devido. Essa regra, diferentemente da adotada para o pagamento de juros e comissões a filial, sucursal domiciliada em país que não tribute a renda, não foi alterada pelo art. 395 do RIR. Assim, em relação ao Imposto de Renda incidente nas operações com o exterior deverá ocorrer a glosa do montante declarado na DCOMP. 32. Imposto de Renda Retido na Fonte – O contribuinte logrou comprovar parcialmente os valores do Imposto de Renda Retido na Fonte não confirmados pelos sistemas da RFB e solicitados no termo de intimação n° 92 de 2014 (a parcela relativa a retenção sobre Juros sobre o Capital Próprio – cód. 5706 – será tratada em tópico específico, embora conste do demonstrativo das demais retenções): Fl. 1769DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.770 5 33. Estimavas Compensadas Pretendendo a restituição de crédito tributário de COFINS reconhecido judicialmente nos autos do processo n° 2006.61.00.0034220, o contribuinte após habilitação do crédito nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, apresentou a RFB por meio da internet, em 31.08.11, o pedido de restituição recepcionado sob o n° 19280.58460.310811.1.2.575250, nele informando como crédito o valor de R$ 2.329.581.885,64. Atrelado a este pedido apresentou diversas declarações de compensações visando à extinção de dívida própria. 34. A RFB/DEINF/DIORT analisou a pretensão do interessado nos autos do processo administrativo n° 16327.000190/201183 e concluiu pelo reconhecimento parcial do crédito tributário no valor de R$ 4.995.008,14 suficiente para promover a extinção parcial das dívidas declaradas nas declarações de compensação conforme abaixo: DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO TRIBUTO VALOR DECLARADO VALOR EXTINTO DO CRÉDITO 17649.74571.3108.11.1.3.577279 jul/11 IRPJ 104.643.097,58 10.434.128,85 jul/11 CSLL 49.417.560,81 0,00 00564.88884.190911.1.3.575788 ago/11 COFINS 24.102.751,02 0,00 ago/11 PIS 9.118.596,58 0,00 18798.38284.270911.1.3.573784 ago/11 IRPJ 67.810.735,91 0,00 ago/11 CSLL 32.420.768,06 0,00 28212.51974.201011.1.3.576374 set/11 COFINS 23.862.411,57 0,00 23102.87463.171111.1.3.570560 out/11 PIS 41.140.982,00 0,00 out/11 COFINS 23.047.111,23 0,00 06985.73203.291111.1.3.574450 out/11 IRPJ 884.288.198,00 0,00 out/11 CSLL 575.121.339,29 0,00 35. Inconformado com a decisão proferida pela RFB o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade junto à DRJ, que houve por bem manter a decisão da DEINF/DIORT. Foi interposto Recurso Voluntário e atualmente o processo aguarda julgamento pelo CARF. 36. Na declaração de compensação que ora se analisa (SN IRPJ), o contribuinte informou como antecipação do IRPJ as parcelas de estimativas dos meses de janeiro, agosto e outubro, declaradas nas DCOMP acima assinaladas. Ocorre, que dessas parcelas apenas a do mês de janeiro foi homologada parcialmente, as demais foram não homologadas, ou seja, não extinguiram totalmente as dívidas por compensação. Fl. 1770DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.771 6 Logo, as parcelas não extintas das dívidas não poderão ser aceitas como antecipação do devido pois não gozam dos atributos da liquidez e certeza, condições estabelecidos pelo artigo 170 do Código Tributário Nacional – CTN e ainda, pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96, in verbis: 37. Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Juros de Capital (JCP) – Verificouse que no decorrer do anocalendário de 2011 o contribuinte sofreu a retenção de Imposto de Renda sobre a Receita de JCP no montante de R$ 414.520.375,39, conforme abaixo: DADOS ANÁLISE DA DCOMP DE SALDO NEGATIVO CNPJ MES DA RETENÇÃO RECEITA DE JCP IRRF 00.000.000/000191 1.422,89 01.525.922/000185 36,45 02.558.154/000129 67,38 02.558.154/000129 11.610,61 02.558.154/000129 463,69 02.558.154/000129 38,94 03.847.461/000192 280,73 05.300.484/000108 19,71 07.207.996/000150 setembro 1.060.000.000,00 159.000.000,00 09.346.601/000125 616,21 09.358.105/000125 8.534,56 33.000.167/000101 192.277,72 33.009.911/000139 456,51 33.042.730/000104 135,81 33.592.510/000154 1.742.341,15 33.611.500/000154 1.985,85 33.870.163/000184 setembro 979.925.817,0 146.928.872,56 34.111.187/000112 750.000,00 47.509.120/000182 setembro 390.000.000,00 58.500.000,00 59.438.325/000101 setembro 115.000.000,00 17.250.000,00 60.872.504/000123 4.578,55 60.894.730/000105 1.325,68 61.024.352/000171 75,77 61.092.037/000181 273,43 61.532.644/000115 26,21 61.585.865/000151 50,08 71.673.990/000177 369,37 74.552.142/000106 30.000.000,00 84.429.695/000111 438,17 84.882.141/000175 31,37 88.611.835/000142 123.208,23 90.400.888/000142 33,18 92.754.738/000162 507,65 97.837.181/000147 296,93 TOTAL 414.520.375,39 38. Pretendendo a utilização do crédito tributário oriundo da retenção de JCP, nos termos da legislação, o contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação n° 25293.71911.180412.1.7.068276 no montante de R$ 381.678.872,56, conforme abaixo: DADOS ANÁLISE DA DCOMP CNPJ MES DA RETENÇÃO RECEITA DE JCP IRRF Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.772 7 07.207.996/000150 setembro 1.060.000.000,00 159.000.000,00 33.870.162/000184 setembro 979.925.817,05 146.928.872,56 47.509.120/000182 setembro 390.000.000,00 58.500.000,00 59.438.325/000101 setembro 115.000.000,00 17.250.000,00 TOTAL 2.544.925.817,05 381.678.872,56 39. Utilizou também o crédito oriundo da Retenção de JCP como antecipação do devido na DIPJ no valor de R$ 414.520.375,39. Esse valor foi informado como crédito na DCOMP, que ora se analisa (saldo Negativo de IRPJ). 40. Quando da análise da Declaração de Compensação de JCP n° 25293.71911.180412.1.7.068276, se concluiu pelo direito líquido e certo do valor R$ 381.678.872,56 a ser aproveitado para extinção por compensação da dívida própria declarada pelo contribuinte. Naquela oportunidade, foi constatada a utilização em duplicidade desse montante, optandose pela glosa do mesmo, quando da análise da DCOMP de Saldo Negativo de IRPJ. Assim, pode o contribuinte utilizar a antecipação decorrente da retenção de IR sobre JCP no montante de R$ 32.841.502,83, tendo em vista a utilização no decorrer do anocalendário de 2011 do valor de R$ 381.678.872,56. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório da DEINF/SP, a Recorrente alega o seguinte: 1) Estimativas compensadas a autoridade administrativa não confirmou as estimativas de julho, agosto e outubro de 2011, porque as respectivas compensações foram homologadas apenas parcialmente, no caso de julho, e na sua integralidade em relação a agosto e outubro. Porém, tais estimativas já são objeto de cobrança no processo nº 16327.000190/201183, sendo certo que, com a oportuna homologação daquelas compensações, ou o seu pagamento, restará convalidado o saldo negativo pleiteado no presente feito, de forma que sua desconsideração representa cobrança em duplicidade. Tal medida ofende a Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 2006, a qual tem caráter vinculante nos termos do art. 9º da Instrução Normativa (IN) RFBnº 1.396, de 2013, com redação dada pela IN RFB nº 1.434, de 2013. Afastado o presente argumento, é necessário ao menos o sobrestamento do presente processo até a decisão final a ser proferida naquele, face à ocorrência da prejudicialidade, nos termos do art. 265, IV, "a", do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, ou ao menos a suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário sob pena de cobrança indevida; 2) Imposto de Renda Retido na Fonte inexistência de duplicidade na utilização do crédito de IRRF no montante de R$ 381.678.872,56, relativo ao código de receita 5706 – dos R$ 386.074.051,96 glosados a título de IRRF, grande parte, R$ 381.678.872,56, referese a parcela de IRRF recolhida no código 5706 relativa a receitas de JCP em razão de pagamentos recebidos das empresas Banco Bradesco Financiamentos (CNPJ 07.207.996/0001 50), Banco Alvorada S.A. (CNPJ 33.870.163/000184), Bradesco Leasing S.A. Arrendamento Mercantil (CNPJ 47.509.120/000182) e Banco Bradesco Cartões S.A. (CNPJ 59.438.325/000101). A autoridade fiscal argumentou que tais retenções no código 5706 teria sido utilizada em Dcomp de JCP (processo 10010.009462/071472 com documentos de análise). Contudo, conforme tal processo, a utilização foi apenas de parte do seu crédito, remanescendo um saldo de R$ 152.272.731,67 que compôs o saldo negativo em sua DIPJ. Recebeu a título de JCP o montante de R$ 2.763.469.567,91, tendo sido retido na fonte IR no montante R$ 414.520.446,27. Toda a receita foi oferecida à tributação conforme Ficha 06B, Linha 37 da DIPJ (fl. 204 do referido processo); Fl. 1772DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.773 8 3) Imposto de Renda pago no exterior – equivocouse a autoridade fiscal ao afirmar que, no caso das despesas de prépagamento de exportação, o regime seria de tributação exclusiva, sem possibilidade de considerar o IRRF respectivo no ajuste anual. Ora, o art. 395 do RIR não faz qualquer diferença entre a natureza dos rendimentos pagos a filial estrangeira localizada em paraíso fiscal, a ensejar a distinção de tratamento preconizada pela autoridade. De fato, o §8º do referido artigo é claro ao prever que o IRRF por ocasião da remessa de quaisquer rendimento a filial estrangeira localizada em paraíso fiscal é passível de compensação com o imposto devido sobre o lucro real da matriz brasileira, desde que os resultados da filial estrangeira que contenham os referidos rendimentos integrem o lucro rela da pessoa jurídica residente no Brasil. Na verdade, a remessa ao exterior de rendimentos de qualquer natureza está sempre sujeita ao regime de tributação exclusiva na fonte, como se pode ver no MAFON juntado a essa peça defensiva, como é o caso dos códigos de receita 0473 e 0481. Porém, se os resultados das filiais localizadas alhures forem computados no da empresa brasileira, faz ela jus ao IRRF, sendo certo, assim, no caso vertente, que o contribuinte tem direito à integralidade do IRRF de R$ 8.291.275,90, pois computou os resultados obtidos pelas filiais das Ilhas Cayman e de Nova Iorque em seu resultado no Brasil, como se vê na DIPJ e documentação contábil juntada aos autos. Conforme comprovam os documentos juntados no processo 10010.009462/071472 e as Fichas 34 e 35 da DIPJ, também presentes no referido processo, os resultados das filiais foram devidamente adicionados ao resultado do impugnante, conforme Linha 07 da Ficha 09B da DIPJ. Especificamente quanto às operações de empréstimo realizadas entre o impugnante e a filial nas Ilhas Cayman, estas estão registradas no Ativo (1.6.1.20.008 – Empréstimos). Os juros, por sua vez, são apropriados mediante o registro a débito da conta do Ativo 1.6.1.20.008 e a crédito da conta de receita 7.1.1.05.006 (Rendas de Empréstimos). O resultado da filial de R$ 197.734.187,81 foi escriturado na DIPJ do Bradesco na Ficha 35 e oferecido à tributação de IRPJ (Ficha 09B) e de CSLL (Ficha 17), sendo que na composição deste valor está incluída a receita de empréstimos. Os autos foram então encaminhados à DRJ de Recife para a análise da manifestação de inconformidade. Em 15 de abril de 2016 foi proferida a decisão da DRJ/REC, que adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INDEDUTIBILIDADE. Estimativa cuja compensação não foi homologada não pode compor o saldo negativo pretendido como crédito em compensação/restituição, ainda que instaurado contencioso administrativo pendente de julgamento no Carf. pois até este momento não terá havido o indébito representado pelo pagamento indevido ou a maior, requisito essencial estabelecido em lei complementar. Não há que se falar em excedente de pagamento e, por conseguinte, de existência de crédito, se aquele nem ocorreu. SALDO NEGATIVO. GLOSA DE IRRF SOBRE JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. NÃO UTILIZAÇÃO EM DCOMP. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO NO AJUSTE. Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.774 9 Devida a dedução no ajuste anual de IRRF sobre juros sobre o capital próprio quando este não tenha sido utilizado em Dcomp. SALDO NEGATIVO. GLOSA DE IRRF NOS CÓDIGOS 1708,3426 E 5273. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Relativamente à glosa das retenções nos códigos de receita 1708, 3426 e 5273, o contribuinte não apresentou qualquer contestação, razão pela qual deve ser considerada matéria não impugnada. SALDO NEGATIVO. GLOSA DE IRRF SOBRE REMESSAS AO EXTERIOR. É permitida a "compensação" (dedução) no ajuste anual da pessoa jurídica situada no Brasil do imposto retido na fonte sobre rendimentos remetidos a filial, sucursal, controlada ou coligaga desde que: (1º) a remessa seja para país com tributação favorecida; (2º) os resultados (lucro) desta (filial, etc.) sejam computados na determinação do lucro real daquela; (3º) seja obedecido o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referido lucro. Para comprovar que o lucro da filial, sucursal,controlada ou coligada foi tributado pelo contribuinte, necessária a apresentação de demonstrações contábeis suficientes para verificar a apuração do referido lucro e se o rendimento remetido está inserido neste lucro. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Contra tal decisão, a Recorrente protocolou o recurso voluntário de efls. 1.564/1.598, através do qual repisa os argumentos já expendidos em sua manifestação de inconformidade, em especial os seguintes pontos: 1) Pagamentos de estimativas objeto de compensação não homologada no processo administrativo nº 16327.000190/201183 Argumenta a recorrente que, apesar de as estimativas de julho, agosto e outubro de 2011 não terem tido sua compensação homologada por completo no âmbito do processo administrativo nº 16327.000190/201183, não haveria razão para sua desconsideração no cômputo do Saldo Negativo de IRPJ de 2011, haja vista os seguintes aspectos: a) tais valores já estariam sendo cobrados no processo de execução fiscal nº 000601663.2015.4.03.6130; b) referida execução fiscal está devidamente garantida por segurogarantia, aceito pelo respectivo Juízo; c) desconsiderar tais valores implicaria em duplicidade na sua cobrança, de um lado, mediante a redução do saldo negativo e, de outro, pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) argui a aplicação da Solução de Consulta Interna da COSIT nº 18/2006; Fl. 1774DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.775 10 e) subsidiariamente, propugna pelo sobrestamento do feito até o julgamento final do processo de execução fiscal. 2) Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos efetuados ao exterior a) Reitera que, quanto ao imposto de renda recolhido sobre juros de empréstimos e despesas de prépagamento de exportação pagos à sua filial nas Ilhas Cayman (R$8.284.539,10 – oito milhões, duzentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e trinta e nove Reais e dez centavos), cumpriu com todas as formalidades exigidas pela legislação para o seu aproveitamento/compensação. Apresenta laudo da PriceWaterhouseCoopers para comprovar seu direito ao crédito. b) com relação às remessas feitas à sua filial de Nova Iorque a título de pré pagamento de exportações, pelo seu valor diminuto (R$6.736,80 – seis mil, setecentos e trinta e seis Reais e oitenta centavos), "não irá tecer maiores considerações específicas em face da r. decisão recorrida", razão pela qual entendemos que tal matéria não foi objeto de impugnação por esse recurso. É o relatório. Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.776 11 Voto Vencido Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Conforme constou do Relatório, duas são as matérias objeto de análise a partir do recurso voluntário. 1) Pagamentos de estimativas objeto de compensação não homologada no processo administrativo nº 16327.000190/201183; 2) Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos efetuados ao exterior. A primeira diz respeito a pagamentos de estimativa de IRPJ que compuseram a apuração do saldo negativo desse tributo no ano calendário de 2011, porém não foram confirmadas pelas instâncias administrativas que nos antecederam. Referemse a pagamentos de estimativa dos períodos de apuração de julho, agosto e outubro de 2011 e que teriam sido quitados pela Recorrente mediante compensação com crédito apurado no processo administrativo nº 16327.000190/201183. Ocorre, que tal compensação não foi homologada por completo no âmbito do referido processo administrativo, razão pela qual, tanto a DEINF/SP quanto a DRJ/REC desconsideraram os respectivos valores para efeito de composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2011. O processo administrativo nº 16327.000190/201183 encontrase definitivamente julgado na esfera administrativa, com solução desfavorável à Recorrente. Os débitos objeto de compensação no referido processo, incluindo as estimativas a que se refere este feito, ora em análise, foram inscritos em dívida ativa e estão sendo objeto de cobrança executiva na Justiça Federal de Osasco, em São Paulo. O processo de execução recebeu o nº 000601663.2015.4.03.6130, já os respectivos embargos receberam o nº 0007715 89.2015.4.03.6130. Assim, a controvérsia a ser analisada resumese à decisão acerca da possibilidade de se considerar, para efeito de apuração de saldo negativo de IRPJ, as estimativas pagas via compensação não homologada em outro processo, mas já objeto de cobrança judicial, via execução fiscal. Confesso que não me sinto totalmente confortável em admitir tal situação, haja vista que, na prática, as estimativas que estão a compor o saldo negativo do IRPJ não foram pagas, carecendo o respectivo crédito de liquidez e certeza quanto à sua realização. Entretanto, no caso em tela, verifico que nos autos dos Embargos à Execução nº 0007715 89.2015.4.03.6130, os débitos estão garantidos por seguro oferecido pela Recorrente ao Juízo (v. efls. 1.633/1.651). Em seu despacho, o juiz recebeu os embargos à execução e lhe conferiu efeito suspensivo, haja vista a garantia total do feito (v. efls. 1.660). Fl. 1776DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.777 12 Portanto, ao término da execução fiscal, as estimativas poderão vir a ser consideradas quitadas (por homologação judicial), em caso de sucesso por parte da Recorrente, ou, a contrário senso, serão extintas por pagamento, ainda que mediante a liquidação do seguro garantia que guarnece o processo executivo. Essa solução também previne qualquer tipo de tumulto processual, na medida que a resolvese este processo independentemente do resultado advindo da execução fiscal. Somente por esses motivos as estimativas que compõem o saldo negativo ora em análise devem ser reconhecidas. No mesmo sentido deste entendimento, colacionamos abaixo duas recentes decisões proferidas pelo CARF. A primeira, cujo Acórdão recebeu o nº 1402002.330, foi emanada desta mesma Turma, em 04 de outubro de 2016, de relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. A segunda, proferida em 23 de novembro de 2016, recebeu o nº 9101 002.493, e tem origem na CSRF, de relatoria do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Acórdão nº 1402002.330: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO DÉBITO. Constatado que as estimativas compensadas não foram homologadas, mas que o respectivo crédito tributário foi inscrito em dívida ativa, e posteriormente objeto de execução fiscal devidamente garantida, reconhecese o direito de crédito correspondente. Recurso Voluntário Provido. Acórdão nº 9101002.493: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.778 13 Deste segundo Acórdão, extraio a parte do voto que trata da aplicação da Solução de Consulta Interna nº 18/2006, da COSIT, e do Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014: A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese ao cabimento, ou não, da glosa de estimativas cobradas em Declaração de Compensação na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Tratase de matéria atualmente pacificada tanto no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), como segue: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Assim, não procedem eventuais insurgências da recorrente contra o teor do contido na Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 2006. Da mesma forma, é este o entendimento desta CSRF, conforme se observa a seguir: Acórdão CSRF nº 9101002.093, de 21 de janeiro de 2015: IRPJ SALDO NEGATIVO ESTIMATIVA APURADA PARCELAMENTO COMPENSAÇÃO CABIMENTO. Descabe a glosa na composição do saldo negativo de IRPJ de estimativa mensal quitada por compensação, posteriormente não homologada e cujo valor foi incluído em parcelamento especial. Do referido aresto, transcrevo o trecho a seguir (destaque do original): A situação é análoga à das estimativas quitadas por compensação declarada após a vigência da MP 135/2003 (com caráter de confissão de dívida) e não homologadas. Para esses casos, exatamente em razão de as estimativas quitadas por compensações não homologadas estarem confessadas, a Secretaria da Receita Federal expediu orientação no sentido de não caber a glosa na apuração do saldo negativo apurado na DIPJ. Esclarece a Solução de Consulta Interna nº 18/2006: “(...) Fl. 1778DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.779 14 Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” A incerteza sobre essa orientação, gerada pelos pronunciamentos da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio dos Pareceres PGFN/CAT nº 1658/2011 e 193/2013, no sentido de impossibilidade de inscrição na dívida ativa dos débitos correspondentes às estimativas não pagas, foi superada com o Parecer PGFN/CAT/nº 88/2014, no sentido de, verbis: “(...) legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo a substituição da estimativa pelo imposto de renda.” Portanto, é induvidoso que, em se tratando de estimativas objeto de compensação não homologada, mas que se encontram confessadas, quer por Declarações de Compensação efetuadas a partir da vigência da Medida Provisória nº 135/2003 (31/10/2003), quer por parcelamento, os respectivos valores devem ser computados no saldo negativo do anocalendário, porque serão cobrados através do instrumento de confissão de dívida. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário neste ponto. A segunda matéria objeto do recurso voluntário diz respeito ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos de juros incidentes sobre empréstimos tomados pela Recorrente de sua filial nas Ilhas Cayman. Neste ponto, a decisão recorrida não teria acolhido as argumentações da recorrente, pois não encontrou nos autos elementos que comprovassem que o beneficiário dos rendimentos no exterior incluiu na apuração do seu lucro a receita sobre a qual incidiu o imposto de renda; também não constariam dos autos a comprovação de que o referido lucro foi oferecido à tributação no Brasil, pela Recorrente. Abaixo, reproduzo excerto da decisão recorrida que trata da referida glosa: 26. No que se refere às remessas de juros para a filial nas Ilhas Cayman, não obstante a documentação carreada aos autos, balancete da filial (antes mencionado) e DIPJ, não é possível aferir se tais rendimentos foram tributados pelo contribuinte no Brasil e se a dedução foi limitada ao imposto de renda incidente no Brasil sobre o rendimento. Isto porque: 26.1. conforme tabela antes elaborada, foram remetidos a título de juros sobre empréstimos à filial nas Ilhas Cayman o montante de R$ 24.763.127,38, com retenção de R$ 8.274.133,77. Consta no balancete, na conta 7.1.1.05.00.6 ("Rendas de Empréstimos"), registrado um valor de 325.255.135,91, superior ao rendimento mencionado. A princípio, poderseia alegar que o valor é superior às remessas do contribuinte, cabendo aceitar a comprovação da sua inclusão no resultado da filial. Contudo, tal registro não permite verificar se efetivamente as remessas aqui tratadas estão incluídas na referida conta, pois, por óbvio, a filial realizou muitos outros empréstimos para possuir uma renda escriturada naquele importe. Seria necessário verificar os registros efetuados na conta individualizadamente, o que não é possível; Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.780 15 26.2. consta nas Fichas 34 e 35 da DIPJ2012 anexada aos autos que o resultado disponibilizado pela filial, que teria sido tributado pelo contribuinte na Ficha 09B para ser possível a dedução da retenção realizada, foi de R$ 197.734.187,81. A partir do balancete anexado é possível verificar o registro de lucros ou prejuízos acumulados no valor de R$ 197.318.598,44, valor próximo ao informado na DIPJ. Contudo, com base nas contas de resultado registradas no balancete, apurase, s.m.j., um lucro contábil para o período de R$ de R$ 423.039.741,19 (R$ 1.535.234.411,43 R$ 1.112.194.670,24), o que põe em dúvida se o montante levado para a DIPJ representa o resultado da filial e, por conseguinte, se as remessas aqui tratadas, se incluídas em conta de receitas, foram computadas pelo contribuinte. Seria necessário que o contribuinte houvesse trazido um demonstrativo de apuração do lucro de sua filial que permitisse verificar o porquê de tamanha diferença. O balanecete apresentado não se presta, por si só, para tanto; Para comprovar o seu direito ao referido crédito e combater a decisão recorrida neste ponto, a Recorrente solicitou à empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers que elaborasse um laudo pericial de natureza contábilfiscal, juntado aos autos às efls. 1.674/1.687. Abaixo colaciono os quesitos formulados à auditoria contratada, com as respectivas respostas após as análises realizadas: A autoridade julgadora a quo, ao proferir a decisão recorrida, utilizou na sua análise o balancete de efls. 324/329. Com base neste balancete, a decisão recorrida chegou à conclusão de que o lucro disponibilizado à matriz no Brasil (a Recorrente), e declarado na DIPJ, no montante de R$197.734.187,81, seria bastante inferior àquele apurado no referido demonstrativo contábil (da ordem de R$423.039.741,19). Assim, como a contribuinte não havia carreado aos autos nenhum demonstrativo de apuração do lucro de sua filial que permitisse verificar o porquê dessa diferença, a decisão recorrida houve por bem indeferir o pleito da Recorrente neste ponto. Anexos ao laudo da PriceWaterhouseCoopers, constam os balancetes e razões das contas de resultado das duas filiais da Recorrente nas Ilhas Cayman, a Agência Fl. 1780DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.781 16 Cayman e Agência Cayman II. Tais documentos estão na língua nativa (inglês), desacompanhados de qualquer tradução. Apesar do esforço da auditoria contratada em procurar demonstrar que o lucro das filiais nas Ilhas Cayman foram tributados pela recorrente no Brasil, nenhuma linha se encontra no laudo, nem tampouco no Recurso Voluntário, para rebater a conclusão a que chegou a DRJ/REC, mais precisamente em relação às discrepâncias existentes entre o balancete de efls. 324/329 e a DIPJ. Analisando detidamente o referido balancete (efls. 324/329), verificase que ele se refere a apenas uma das filiais, a Agência Cayman, o que revela a falta de cuidado da Recorrente em atender à Fiscalização, haja vista que são duas as filiais naquele país. Mas, nem esse detalhe foi abordado pela Recorrente, nem tampouco pela auditoria, que foi contratada justamente para desconstituir as bases da decisão recorrida. São fatos como esses, aliado à apresentação de um laudo lastreado em documentos que estão em desacordo com a legislação processual tributária, eis que desacompanhadas da devida tradução e, em certa medida, até ilegíveis, que sou forçado a manter a decisão recorrida, negando provimento ao recurso neste ponto. Por todo exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer tão somente o direito creditório relativo aos pagamentos de estimativas objeto de compensação não homologada no processo administrativo nº 16327.000190/201183, no importe de R$1.046.307.902,84 (Hum milhão, quarenta e seis milhões, trezentos e sete mil, novecentos e dois Reais e oitenta e quatro centavos). É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator. Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.782 17 Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Redator Designado. Inicialmente, insta ressaltar que em relação ao direito creditório dos pagamentos de estimativas objeto de compensação não homologada no processo administrativo nº 16327.000190/201183, o C. Colegiado acompanhou o D. Relator que votou por dar provimento a esta parte do Recurso Voluntário. Assim, o D. Relator restou vencido apenas em relação ao segundo ponto, relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos efetuados ao exterior. A controversa é relativa ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos efetuados ao exterior, no importe de R$ 8.291.275,90, onde diferentemente do D. Relator a C. Turma entendeu que restou comprovado e reconhecido o crédito que compôs o saldo negativo do IRPJ do anobase de 2011, utilizado em compensações. O Imposto de Renda pago no exterior decorre: 1) de operações de pagamento de juros e comissões no importe de R$ 6.736,80 e R$ 8.274.133,77. 2) de despesas de prépagamento de exportação no importe de R$ 10.405,33. Em relação a este item 2 relativo as despesas de prépagamento de exportação, o v. acórdão recorrido deu provimento a alegação da Recorrente no sentido de que o artigo 395 do RIR/99 não faz qualquer distinção entre a natureza e o destino dos rendimentos pagos a filial estrangeira a ensejar a diferença de tratamento pretendida pelo r. Despacho Decisório; entretanto, decidiu manter o não reconhecimento de tais créditos por entender que não restou comprovado em que conta estaria escriturada tal receita, não sendo possível apurar se esta foi incluída no lucro da filial, bem como, por conseguinte, se foi inserida na apuração do lucro real do contribuinte no Brasil. Vejamos o trecho do acórdão que acolheu esta alegação: 24. No que concerne ao enquadramento da operação de remessa de despesas de prépagamento de exportações, não vislumbro motivo para que não se considere incluída nas operações previstas no art. 9º da MPv nº 2.15835, vez que tal dispositivo é bem abrangente ao mencionar "rendimentos", sem qualquer especificação ou limitação quanto ao tipo de rendimentos a que se refere. Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.783 18 Segundo esta C. Turma, o fundamento do v. acórdão 'a quo' para o não reconhecimento do crédito, foi afastado pela apresentação do Laudo Técnico que será analisado mais detidamente a seguir. Vejamos. O IRRF no valor de R$ 8.291.275,90 que não foi reconhecido pela instância 'a quo' é relativo as operações com as filiais situadas nas Ilhas Cayman e operações de remessas para a filial situada nos Estados Unidos. (IRRF no valor de R$ 6.736,80 que está incluído no valor acima). Em relação aos valores acima indicados e que não foram reconhecidos, a Recorrente, no intuito de responder os questionamentos feitos pela Fiscalização, juntou aos autos durante a tramitação do processo, contratos de cambio com os respectivos DARFs e balancetes acompanhados de Laudo Pericial de natureza contábil elaborado pela Pricewaterhouse Cooper, onde restou consignado e demonstrado na resposta dos quesitos o seguinte: a) as receitas de juros de empréstimo foram contabilizadas pelas filiais na conta contábil 43070150000 (para fins de consolidação no Brasil, correspondente ao COSIF 7.1.1.05.006) e desse modo, compuseram os lucros auferidos pelas filiais. b) os lucros auferidos pelas filiais foram oferecidos à tributação pela Recorrente na Linha 06 da Ficha 09B da DIPJ 2012. c) a dedução do IRRF respeitou os limites do imposto de renda sobre o rendimento no Brasil. A parte em que o D. Relator foi vencido e que prevaleceu o entendimento da C. Turma, foi no sentido de que a apresentação dos balancetes, acompanhados do conjunto probatório carreados aos autos pela Recorrente (documentos acima indicados DARFs, Contratos de Cambio e principalmente Laudo Técnico em língua portuguesa), foi suficiente para comprovar que o beneficiário residente no exterior incluiu na apuração do lucro a receita sobre a qual incidiu o imposto de renda, bem como que referido lucro foi oferecido à tributação no Brasil, mesmo sem a respectiva tradução. (A obrigatoriedade da tradução dos documentos juntados em processos administrativos está prevista no artigo 22, § 1º, da Lei nº 9.784/1999, artigo 18 do Decreto nº 13.609/1943, artigo 157 do antigo CPC e no artigo 192 do novo CPC.) Para a C. Turma, o conjunto probatório foi suficiente para demonstrar e comprovar o pagamento do imposto de renda, não sendo necessário se apegar a formalidade extrema de ter que se traduzir os respectivos balancetes, eis que tanto o Laudo Técnico (elaborado em idioma oficial) como os demais documentos carreados aos autos comprovaram de forma cabal, que o beneficiário residente no exterior incluiu na apuração do lucro a receita sobre a qual incidiu o imposto de renda, bem como que referido lucro foi oferecido à tributação no Brasil. Assim, para o Colegiado, mesmo que os balancetes não estejam traduzidos, o Laudo Técnico em idioma oficial, juntamente com os outros documentos carreados aos autos, foram suficientes para comprovar a regularidade do crédito ora em discussão neste preâmbulo. (Foi aplicado o principio da busca da verdade material e do livre convencimento motivado do Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.784 19 juiz, quando a Turma considerou o Laudo como a prova principal e os outros documentos foram utilizados para dar suporte a fundamentação do entendimento 1). A DRJ, não reconheceu o crédito relativo ao imposto de renda pago no exterior por entender o seguinte: 19. Não resta dúvida de que as Ilhas Cayman é país com tributação favorecida, pois consta da IN RFB nº 1037, de 2010, em seu art. 1º (vigente à época). Esta primeira condição para a dedução do IR retido na fonte considerase atendida para as remessas à filial situada nesse país.. Por outro lado, mesma sorte não têm as remessas para a filial dos Estados Unidos, vez que este país consta apenas da relação de países com regime fiscal privilegiado (previsto no art. 25 da Lei nº 9.430, de 1996). Assim, em relação às remessas efetuadas para os Estados Unidos da (Nova york), no código 0481, há que se considerar indevida a dedução do IRRF no valor de R$ 6.736,80. [...] 21. Em relação às remessas para as Ilhas Cayman, necessário diferenciar as modalidades realizadas, quais sejam: de juros sobre empréstimos, e de despesas com prépagamento de exportação. 22. Quanto à possibilidade de exclusão das remessas relativas aos juros não houve qualquer questionamento por parte da autoridade fiscal, ressalvado o fato que entendeu não ter havido comprovação por meio documental (demonstrações financeiras e razões contábeis), o que será analisado mais adiante. 23. Já para as remessas na modalidade de despesas com pré pagamento de exportação, a autoridade fiscal entendeu que o regime de tributação previsto na legislação para este tipo de operação (código 0473) é de exclusividade na fonte, não podendo ser utilizado como antecipação do devido. Considerou que essa regra, diferentemente da adotada para o pagamento de juros e comissões à filial domiciliada com tributação favorecida, não foi alterada pelo art. 395 do RIR/99 (cuja base legal é a MPv antes mencionada). 24. No que concerne ao enquadramento da operação de remessa de despesas de prépagamento de exportações, não vislumbro motivo para que não se considere incluída nas operações previstas no art. 9º da MPv nº 2.15835, vez que tal dispositivo é bem abrangente ao mencionar "rendimentos", sem qualquer especificação ou limitação quanto ao tipo de rendimentos a que se refere. 1 Também conhecido como o princípio da livre convicção motivada, temse que o magistrado forma o seu convencimento livremente (PORTANOVA, 1999, p. 244). Ensinam Cintra, Grinover e Dinamarco (2008, p. 73) que o princípio do livre convencimento, abordado em sua obra como princípio da persuasão racional, “regula a apreciação e avaliação das provas existentes nos autos, indicando que o juiz deve formar livremente sua convicção. Situase entre o sistema da prova legal e o julgamento secundum conscientiam”. Com relação à prova legal, ao juiz cabe aplicála de forma automática, sendo que a esta é atribuído valor estável e prefixado. De acordo com o julgamento secundum conscientiam, o juiz pode decidir com base na prova dos autos, mas também sem prova ou até mesmo contra a prova (CINTRA, GRINOVER e DINAMARCO, 2008, p. 73). Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.785 20 25. Contudo, mesmo assim considerando, entendo que glosa das retenções relativas a este tipo de remessa deve ser mantida, vez que o contribuinte não indicou em sua manifestação de inconformidade em que conta estaria escriturada tal receita, não sendo possível, assim, apurar se esta foi incluída no lucro da filial (a partir do balancete anexado às fls. 324 a 329), bem como, por conseguinte, se foi inserida na apuração do lucro real do contribuinte no Brasil. 26. No que se refere às remessas de juros para a filial nas Ilhas Cayman, não obstante a documentação carreada aos autos, balancete da filial (antes mencionado) e DIPJ, não é possível aferir se tais rendimentos foram tributados pelo contribuinte no Brasil e se a dedução foi limitada ao imposto de renda incidente no Brasil sobre o rendimento. Isto porque: 26.1. conforme tabela antes elaborada, foram remetidos a título de juros sobre empréstimos à filial nas Ilhas Cayman o montante de R$ 24.763.127,38, com retenção de R$ 8.274.133,77. Consta no balancete, na conta 7.1.1.05.00.6 ("Rendas de Empréstimos"), registrado um valor de 325.255.135,91, superior ao rendimento mencionado. A princípio, poderseia alegar que o valor é superior às remessas do contribuinte, cabendo aceitar a comprovação da sua inclusão no resultado da filial. Contudo, tal registro não permite verificar se efetivamente as remessas aqui tratadas estão incluídas na referida conta, pois, por óbvio, a filial realizou muitos outros empréstimos para possuir uma renda escriturada naquele importe. Seria necessário verificar os registros efetuados na conta individualizadamente, o que não é possível; 26.2. consta nas Fichas 34 e 35 da DIPJ2012 anexada aos autos que o resultado disponibilizado pela filial, que teria sido tributado pelo contribuinte na Ficha 09B para ser possível a dedução da retenção realizada, foi de R$ 197.734.187,81. A partir do balancete anexado é possível verificar o registro de lucros ou prejuízos acumulados no valor de R$ 197.318.598,44, valor próximo ao informado na DIPJ. Contudo, com base nas contas de resultado registradas no balancete, apurase, s.m.j., um lucro contábil para o período de R$ de R$ 423.039.741,19 (R$ 1.535.234.411,43 R$ 1.112.194.670,24), o que põe em dúvida se o montante levado para a DIPJ representa o resultado da filial e, por conseguinte, se as remessas aqui tratadas, se incluídas em conta de receitas, foram computadas pelo contribuinte. Seria necessário que o contribuinte houvesse trazido um demonstrativo de apuração do lucro de sua filial que permitisse verificar o porquê de tamanha diferença. O balanecete apresentado não se presta, por si só, para tanto; 27. Logo, devida também a manutenção da glosa do IRRF sobre as remessas de juros para a filial nas Ilhas Cayman. Tais fundamentações/questionamentos constantes no v. acórdão para o não reconhecimento do crédito, foram respondidos pelo Laudo Técnico acostado ao Recurso Voluntário da Recorrente e acolhido por esta C. Turma que ao analisar o trabalho técnico juntamente com os demais documentos constantes nos autos, entendeu que restou comprovado o direito creditório. (Obs: o Colegiado acolheu o Laudo Técnico juntado no Recurso Voluntário nos termos das alíneas "a" e "c" do parágrafo quarto, inciso V, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, bem como em respeito ao princípio da busca da verdade material) Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.786 21 Ademais, corroborando com o entendimento da C. Turma e para afastar qualquer dúvida de que restou comprovado nos autos tais pontos, colaciono partes do Laudo Técnico onde demonstra de forma cabal que foram respondidos os questionamentos da Fiscalização relativos aos juros/comissões e as despesas de prépagamento de exportação que serviram para fundamentar o não reconhecimento do crédito relativo ao imposto de renda pago no exterior. Vejamos: Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.787 22 Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.788 23 Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.789 24 Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.790 25 Fl. 1790DF CARF MF Processo nº 16327.903462/201441 Acórdão n.º 1402002.430 S1C4T2 Fl. 1.791 26 Conforme pode se verificar nos trechos do Laudo Técnico acima colacionados, restou comprovado nos autos que o beneficiário residente no exterior incluiu na apuração do lucro a receita sobre a qual incidiu o imposto de renda, bem como que referido lucro foi oferecido à tributação no Brasil. Assim, face ao demonstrado acima, peço vênia ao D. Relator, mas devido aos documentos carreados aos autos pela Recorrente, tanto na Impugnação, como em sede de Recurso Voluntário, entendo que restou cabalmente comprovado o direito à dedução do imposto de renda pago no exterior, devendo também ser reformado o v. acórdão 'a quo' neste ponto para reconhecer o crédito pleiteado decorrente do imposto de renda pago no exterior, no importe de R$ 8.291.275,90, homologandose as compensações realizadas. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou integral provimento. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 1791DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.722523/2013-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. PORTARIA SRF Nº 913, DE 2002. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA.
A DCTF é o instrumento adequado à confissão do débito tributário. Em caso de omissão ou de inexatidão no seu preenchimento cabe à autoridade fiscal realizar o lançamento de ofício com a penalidade prescrita pela legislação de regência.
A Portaria SRF nº 913, de 2002, não autoriza a quitação de tributos federais com créditos da dívida pública.
Numero da decisão: 2201-003.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. PORTARIA SRF Nº 913, DE 2002. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. A DCTF é o instrumento adequado à confissão do débito tributário. Em caso de omissão ou de inexatidão no seu preenchimento cabe à autoridade fiscal realizar o lançamento de ofício com a penalidade prescrita pela legislação de regência. A Portaria SRF nº 913, de 2002, não autoriza a quitação de tributos federais com créditos da dívida pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. AUSÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. PORTARIA SRF Nº 913, DE 2002. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. A DCTF é o instrumento adequado à confissão do débito tributário. Em caso de omissão ou de inexatidão no seu preenchimento cabe à autoridade fiscal realizar o lançamento de ofício com a penalidade prescrita pela legislação de regência. A Portaria SRF nº 913, de 2002, não autoriza a quitação de tributos federais com créditos da dívida pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/05/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 25 23 /2 01 3- 09 Fl. 103DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, Jose Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado em face do Acórdão 1268.172, da 3ª Turma da DRJ/RJI, que negou provimento à impugnação apresentada pelo sujeito passivo ao auto de infração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF, no total de R$ 3.058.085,77, referente a fatos geradores do anocalendário 2012. O lançamento teve por base a verificação da falta de recolhimento ou confissão em DCTF do IRRF incidente sobre rendimentos do trabalho assalariado e sobre aluguéis e royalties. A omissão foi identificada através do cruzamento das informações nos programas DIRF X DARF e na DCTF. O Acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2012 IRRF SOBRE TRABALHO ASSALARIADO. IRRF SOBRE ALUGUÉIS E ROYALTIES. FALTA DE PAGAMENTO. Cabível o lançamento de ofício sobre parcelas de IRRF devidas, não confessadas e nem pagas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA DE SETENTA E CINCO POR CENTO. Decorre de lei a aplicação da multa de 75% (setenta e cinco por cento) em caso de lançamento de ofício. De acordo com o documento de fl 70, o contribuinte tomou conhecimento desta decisão em 22/09/2014. O recurso voluntário (fls 72/83) foi juntado ao processo em 14/10/2014 (fl 71), tempestivamente, portanto. Em suas razões de recorrer, a empresa aduz, em síntese, que: Os valores objeto do presente lançamento de ofício foram pagos/quitados através de processo de resgate de Título da Dívida Pública Externa, junto à Secretaria do Tesouro Nacional através dos processos administrativos que identifica pelo número de Comprot; Este procedimento está amparado no art. 1º e parágrafo único da Portaria da Secretaria da Receita Federal nº 913, de 25 de julho de 2002; Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.722523/201309 Acórdão n.º 2201003.645 S2C2T1 Fl. 104 3 O auto de infração deve ser cancelado e os débitos lançados extintos porque foram pagos com créditos gerados no comprot pelo resgate de Títulos da Dívida Externa, conforme preceituaria a Lei nº 12.595, de 2012, com seus efeitos liberatórios de quitação de tributos federais, previstos e amparados pela Lei nº 10.179, de 2001, cuja extinção se dá através do Sistema de Pagamentos Brasileiro; Caso a RFB/PGFN não concorde com a modalidade de lançamento e pagamento utilizada pela Empresa Contribuinte ou com as informações prestadas através da abertura do comprot, deveria ter iniciado um processo administrativo de acordo com a Lei nº 9.784, de 1999, e Decreto nº 70.235, de 1972; Os valores foram confessados no processo administrativo nº 13811.726457/201297, o que torna a lavratura do auto de infração inócua, arbitrária e abusiva; A declaração em DCTF é mera obrigação acessória mas não constitui o crédito tributário, já que sua constituição é ato privativo a autoridade administrativa; Não há na legislação aplicável à espécie previsão legal para fundamentar a lavratura de auto de infração aplicando multa com valores que fogem dos parâmetros estabelecidos pelo art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002; Defende que houve a confissão do crédito tributário e o posterior pagamento na modalidade descrita, motivo pelo qual seria ilegal a multa de 75%, com base no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996; Se fosse cabível a aplicação de multa, esta seria da multa por falta de entrega de DCTF, prevista no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002. É o relatório. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e dele conheço. Inicialmente, devese registrar que, em seu recurso voluntário, a recorrente não questiona a ocorrência do fato gerador do IRRF e nem os valores lançados, concentrando seus argumentos em defender o procedimento por ela adotado como apto à confissão de dívida e ao pagamento dos tributos devidos. A confissão de dívida é um procedimento que se encontra regulado por legislação específica, não havendo liberdade de escolha pelo contribuinte quanto ao meio a ser empregado. Neste caso, ou se adotou o procedimento fixado na norma e os débitos foram confessados, ou não se adotou e esse efeito não ocorreu. Quanto a esse aspecto, o DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, autorizou a Secretaria da Receita Federal a instituir a DCTF, como força de confissão de dívida: Fl. 105DF CARF MF 4 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Esse dispositivo legal permitiu que os valores confessados em DCTF e não pagos ou com exigibilidade suspensa fossem imediatamente inscritos em dívida ativa, sem a necessidade de lançamento de ofício. Nesse diapasão, a DCTF é o instrumento adequado à comunicar a ocorrência do fato gerador e confessar a dívida tributária. Essa matéria já se encontra mais do que pacificada na jurisprudência administrativa, conforme evidenciam os seguintes excertos: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário:2004 DÉBITOS INFORMADOS EM DIPJ, MAS NÃO DECLARADOS EM DCTF./LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do ano calendário 1999, a DIPJ possui caráter meramente informativo. Não tendo os débitos sido recolhidos ou compensados, nem tampouco declarados em DCTF, que possui caráter de confissão de dívida, mas tão somente informados em DIPJ, procedente o lançamento de ofício das parcelas não confessadas. (...) Pois bem. É cediço que o crédito tributário é constituído pelo lançamento [notificação do lançamento] ou pela confissão de dívida mediante o cumprimento do dever instrumental de entrega da DCTF reproduzindo o resultado e a verdade da escrita fiscal, quanto à apuração dos tributos devidos. Se não há reprodução fidedigna dos valores devidos na DCTF, informálos na DIPJ não supre a inexatidão, esta constitui mero instrumento de prestação de informações, não se constituindo em instrumento apto para confissão de dívida, mas, no quanto se mostrar Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.722523/201309 Acórdão n.º 2201003.645 S2C2T1 Fl. 105 5 insuficiente a declaração (DCTF) do contribuinte, legal é o procedimento do lançamento de ofício. (...) Como visto a autoridade exigiu o demonstrativo e a documentação de suporte dos lançamentos escriturados em algumas contas selecionadas, não tendo sido atendida glosou a dedução destes valores na apuração do lucro tributável porque a contribuinte não apresentou a documentação que suporta os lançamentos." (Processo n.º 10580.727077/200947. Sessão 20/01/2016 Relator Paulo Jakson da Silva Lucas. Acórdão n.º 1301001.903) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 01/01/2007 DIPJ. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A teor do DecretoLei nº 2.124/84 e das IN SRF 126/98 e 127/98, é legítimo o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário não declarado em DCTF, ainda que tenha sido informado na DIPJ. (...) Recurso provido em parte." (Processo n.º 10930.000387/200731 Relator Antonio Carlos Atulim Acórdão n.º 3403003.003) Na hipótese em questão, a empresa deixou de realizar os procedimentos ditados pela legislação de regência e isso produz dois efeitos: a penalização quanto ao descumprimento da obrigação acessória, que corresponde à previsão da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, e os efeitos de direito material, uma vez que o crédito tributário deixou de ser constituído por procedimento do sujeito passivo, o que implica a atuação supletiva da administração com as conseqüências inerentes a esse proceder. Neste caso, o lançamento de ofício deve ser realizado nos termos do art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 107DF CARF MF 6 Por outro lado, há que se registrar que o procedimento adotado pela recorrente, ao protocolar pedido de resgate de créditos junto à Secretaria do Tesouro Nacional, não encontra amparo na Portaria SRF nº 913, de 25 de julho de 2002. Esta Portaria estabelece meios alternativos de quitação de DARF e GPS para os operadores do sistema Siafi, em pagamento que é realizado através de moeda e sem a intervenção de agentes credenciados. Não parece que a recorrente seja operadora do sistema Siafi e ela também não demonstrou ser conveniada para isso. Em qualquer hipótese, a prova da quitação dos tributos se daria pela apresentação de DARF quitados e não por protocolo de petições. Portanto, também em relação a esse procedimento, o comportamento da empresa recorrente carece de qualquer amparo legal. A recorrente protesta também pelo início de processo administrativo com base no Decreto nº 70.235, de 1972, e da Lei nº 9.784, de 1999. É exatamente isso que foi franqueado a ela através do processo em questão, onde está tendo oportunidade de se defender contra a imputação realizada pelo agente fiscal, em procedimento que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 108DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.001124/2010-90
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008
Multa de Conversão do Perdimento. Irregularidade Associada à Exportação. Aplicabilidade.
Valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com o valor aduaneiro propriamente dito.
Assim, não havia, à época da vigência da primeira redação do § 3º do art. 23 do Decreto-lei nº 1455, de 1976, acrescido pela Lei nº 10.637/2002, qualquer obstáculo para a imposição de multa relativa à conversão do perdimento em pecúnia quando se identificasse irregularidade na exportação.
Deveras, a mercadoria exportada, se considerada a origem, é a mesma importada, se considerado o destino. Da mesma forma, o contrato de compra e venda é uno, com dois pólos diversos.
Consequentemente, é perfeitamente possível identificar o valor pelo qual a mercadoria foi comercializada (valor de transação) e definir o quantum da multa relativa à conversão da pena de perdimento.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008
Recurso Especial de Divergência. Prequestionamento. Necessidade
A matéria que não tenha sido alvo de análise pela instância recorrida não será enfrentada pela instância especial, salvo se apresentados embargos para efeito de prequestionamento.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que votaram por não conhecer o recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello , que lhe negaram provimento. Os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal, Valcir Gassen (Suplente convocado) e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito. Conforme Portaria CARF Nº 107, de 04 de Agosto de 2016, designado pelo presidente da Turma de Julgamento, como redator ad hoc, o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Julgamento iniciado na reunião de 08/06/16 e concluído na reunião de 10/08/16, no período da tarde, na qual foram mantidos os votos, quanto ao conhecimento, já proferidos na reunião de Junho.
Rodrigo da Costa Pôsssas - Presidente em exercício
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Camargos Autran, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas. Os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen (Suplente convocado) e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito. Julgamento iniciado na sessão de 08/06/16, quando todos votaram quanto ao conhecimento e, no mérito, votara o relator. O julgamento foi concluído na sessão de 10/08/16, no período da tarde, na qual foram mantidos os votos, quanto ao conhecimento, já proferidos na reunião de Junho.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008 MULTA DE CONVERSÃO DO PERDIMENTO. IRREGULARIDADE ASSOCIADA À EXPORTAÇÃO. APLICABILIDADE. Valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com o valor aduaneiro propriamente dito. Assim, não havia, à época da vigência da primeira redação do § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1455, de 1976, acrescido pela Lei nº 10.637/2002, qualquer obstáculo para a imposição de multa relativa à conversão do perdimento em pecúnia quando se identificasse irregularidade na exportação. Deveras, a mercadoria exportada, se considerada a origem, é a mesma importada, se considerado o destino. Da mesma forma, o contrato de compra e venda é uno, com dois pólos diversos. Consequentemente, é perfeitamente possível identificar o valor pelo qual a mercadoria foi comercializada (valor de transação) e definir o quantum da multa relativa à conversão da pena de perdimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. NECESSIDADE A matéria que não tenha sido alvo de análise pela instância recorrida não será enfrentada pela instância especial, salvo se apresentados embargos para efeito de prequestionamento. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 11 24 /2 01 0- 90 Fl. 3027DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 9303004.220 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López, que votaram por não conhecer o recurso e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões do recurso voluntário, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello , que lhe negaram provimento. Os conselheiros Andrada Marcio Canuto Natal, Valcir Gassen (Suplente convocado) e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito. Conforme Portaria CARF Nº 107, de 04 de Agosto de 2016, designado pelo presidente da Turma de Julgamento, como redator ad hoc, o conselheiro Júlio César Alves Ramos. Julgamento iniciado na reunião de 08/06/16 e concluído na reunião de 10/08/16, no período da tarde, na qual foram mantidos os votos, quanto ao conhecimento, já proferidos na reunião de Junho. Rodrigo da Costa Pôsssas Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza, Erika Camargos Autran, Valcir Gassen e Rodrigo da Costa Pôssas. Os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Valcir Gassen (Suplente convocado) e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado) votaram apenas quanto ao mérito. Julgamento iniciado na sessão de 08/06/16, quando todos votaram quanto ao conhecimento e, no mérito, votara o relator. O julgamento foi concluído na sessão de 10/08/16, no período da tarde, na qual foram mantidos os votos, quanto ao conhecimento, já proferidos na reunião de Junho. Relatório Designoume a Presidência para redigir o acórdão, visto que o relator deixou a condição de conselheiro após o início da votação. Façoo adotando ementa, relatório e voto elaborados por ele, e lidos na primeira sessão em que o recurso foi por ele colocado em pauta, de cujas conclusões partilho por inteiro. Assim, foi por ele relatado o recurso: Tratase de recurso especial de divergência, por meio do qual a Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia a reforma do Acórdão 3403002.435. Eis a sua ementa, transcrita na fração que interessa ao presente julgamento. PERDIMENTO. “CONVERSÃO”. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO. A multa resultante da “conversão” do perdimento, referida no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer Fl. 3028DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 9303004.220 CSRFT3 Fl. 4 3 base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa pela não localização de mercadoria à qual se aplique o perdimento passa a ser devida na exportação somente a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º. O acórdão recorrido, como é possível verificar, considerou que a multa de conversão do perdimento só passou a ser aplicável a irregularidades relacionadas à exportação a partir da edição da Medida Provisória nº 497 de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 2010. Aduz a recorrente, em síntese, que antes do ato novel a jurisprudência administrativa já referendava a multa de conversão da pena de perdimento nas hipóteses em que o exportador praticou infração punida com a pena de perdimento. Acrescenta, noutro giro, que o descumprimento de obrigação acessória e a punição correspondente não se confundem com a obrigação principal e que, portanto a inovação legislativa, de fato, instituiu novo critério para a apuração da multa, a par do já existente. A matéria teve seguimento por força do despacho às fls. 2973 a 2974. Em suas contrarrazões, o Contribuinte aduz que os acórdãos paradigmas não teriam enfrentado a discussão aqui travada e, consequentemente, pleiteia que o recurso não seja admitido. No mérito, resumidamente, reitera os argumentos do acórdão recorrido e pleiteia, subsidiariamente, caso seja provido o recurso, o retorno do processo ao Colegiado a quo, para análise de razões apresentadas em sede de recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator Segue o voto proferido pelo dr. Henrique: O recurso preenche as condições de admissibilidade e, consequentemente, deve ser conhecido. De fato, inobstante a recorrente argumente ausência de identidade fática e de prequestionamento, tais alegações não podem prosperar. Os paradigmas enfrentam multa idêntica, cujo perdimento decorreria de infração idêntica. Peço licença para transcrever o seguinte excerto do Acórdão 30335.828: Neste diapasão, concluo que o autor do feito (o Fisco) encontra se acobertado por prova do fato constitutivo de seu direito, Fl. 3029DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 9303004.220 CSRFT3 Fl. 5 4 concernente na documentação trazida aos autos, devidamente expostas anteriormente. Quanto a penalidade aplicada (multa regulamentar), insta citar o art. 23 do DecretoLei nº 1.455/76: “Art. 23 – Consideramse dano ao erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV – enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do parágrafo único do art. 104 e nos incisos I a XIX do art. 105, do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966: (...) §1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo, será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (...) §3º A pena prevista no §1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida. (acrescido pela Lei nº 10.637/2002, decorrente da conversão da MP nº 66/2002). E mais. Traz o artigo 105 do DecretoLei nº 37/66: “Art. 105 – Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI – estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado”. Ora, a acusação do Fisco é exatamente a mesma, a contribuinte instruíra seus despachos de exportação com documentos falsificados e, como tal, deveria se sujeitar à pena de perdimento, convertida em pecúnia, face a não localização da mercadoria. Acrescentese, por óbvio, que o fato dos acórdãos paradigmas não terem discutido o ato novel em nada altera a caracterização da divergência: o acórdão recorrido considerou que, na sua redação original, o § 3º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, transcrito acima, era inaplicável à irregularidades associadas à exportação e os, paradigmas, em sentido oposto, ratificaram a aplicação da penalidade desde aquele primeiro momento. Passo ao mérito. Em síntese apertada, decidiu o aresto que multas relativas a irregularidades na exportação, ainda que não tenham qualquer relação com a arrecadação do imposto de exportação, deveriam Fl. 3030DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 9303004.220 CSRFT3 Fl. 6 5 ser calculadas em razão da base de cálculo daquele imposto e que multas relativas a irregularidades na importação deveriam ser calculadas em razão da base de cálculo do imposto de importação. Assim sendo, concluiu, o legislador equivocarase ao prever a aplicação de multa por irregularidade na exportação, calculada sobre o valor aduaneiro, já que tal valor corresponderia a um conceito inerente à importação. Ouso discordar. A primeira condição para se empreender uma interpretação sistemática é a coerência do Ordenamento Jurídico. Ou seja, há, com efeito, antinomias que devem ser solucionadas pelos já conhecidos critérios hierárquico, temporal ou de especificidade, mas a solução sempre resultará na adoção de uma das normas aparentemente antinômicas (posterior ou mais específica), conforme previsto nos parágrafos do art. 2º do DecretoLei nº 4.657, de 1942, ou mediante o correspondente controle formal, mediante a aplicação, por exemplo, do art. 97 do CTN. Ocorre que, no caso concreto, afastouse a aplicação da lei em razão de critério exclusivamente didático. Deveras, o comando cuja aplicação foi afastada pelo colegiado recorrido emana de lei em sentido formal, que não foi alvo de decretação de inconstitucionalidade, trata de matéria para a qual não há uma lei mais específica e, como apontado pelo voto condutor, não se sujeitava à lei posteriormente editada. Também não vejo como pretender rejeitar a lei vigente sob a alegação de que deveria haver uma que se apresentasse mais específica, mas que à época dos fatos, ainda não vigia. Seria o mesmo que uma antinomia de lege ferenda (face à lei que viria a ser criada). Isto posto, diferentemente do que afirmou o acórdão recorrido, não vejo como invalidar a opção do legislador por definir o valor da multa relativa a irregularidade na exportação em montante equivalente ao valor aduaneiro. A lei definiu uma base e tal base é perfeitamente apurável. Com efeito. inobstante seja natural tomar como sinônimos valor aduaneiro e base de cálculo do imposto de importação, tais institutos possuem vida própria. Ou seja, é fato que, nos termos do art. 75, I do Decreto nº 4.543, de 2002, vigente à época das operações aqui debatidas, a base de cálculo do imposto do importação, quando a mercadoria se sujeitasse à alíquota ad valorem, seria o valor aduaneiro, observadas as normas do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio GATT 1994(AVA), mas a recíproca não é verdadeira. Uma mercadoria imune, por exemplo, está excluída Fl. 3031DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 9303004.220 CSRFT3 Fl. 7 6 da incidência do Imposto de Importação e, ainda assim, possui valor aduaneiro. De fato, Valor Aduaneiro é um instituto jurídico distinto da base de cálculo do imposto de importação (ou direitos aduaneiros, se adotada a nomenclatura do AVA), criado com o objetivo de viabilizar a uniformidade do controle aduaneiro. Ou seja, o legislador pátrio adotou o Valor Aduaneiro como base de cálculo, mas este instituto, repitase, tem existência autônoma. Assim sendo, não há qualquer obstáculo para que o legislador aproveite o conceito de valor aduaneiro para outros aspectos inerentes ao controle aduaneiro, salvo o combate ao dumping, expressamente afastado pelo AVA. Aliás, não há obstáculo sequer a que tal instituto jurídico seja empregado em outra finalidade, como ocorre, por exemplo, na fixação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins, que, embora cobradas no registro da DI, não se confundem com os direitos aduaneiros. Muito pelo contrário, se o objetivo almejado é a uniformização, quanto maior for o aproveitamento dos conceitos do AVA pelo Ordenamento Jurídico Nacional, maior será o atingimento daquele objetivo. Confirase, a propósito, o texto introdutório do AVA, que delimita os princípios que nortearam a sua edição (GN): Os Membros, Tendo em vista as negociações comerciais Multilaterais; Desejando promover a consecução dos objetivos do GATT 1994 e assegurar vantagens adicionais para o comércio internacional dos países em desenvolvimento; Reconhecendo a importância das disposições do Artigo VII do GATT 1994 e desejando elaborar normas para sua aplicação com vistas a assegurar maior uniformidade e precisão na sua implementação; Reconhecendo a necessidade de um sistema eqüitativo, uniforme e neutro para a valoração de mercadorias para fins aduaneiros, que exclua a utilização de valores aduaneiros arbitrários ou fictícios; Reconhecendo que a base de valoração de mercadorias para fins aduaneiros deve ser tanto quanto possível o valor de transação das mercadorias a serem valoradas; Reconhecendo que o valor aduaneiro deve basearse em critérios simples e eqüitativos condizentes com as práticas comerciais e que os procedimentos de valoração devem ser de aplicação geral, sem distinção entre fontes de suprimento; Reconhecendo que os procedimentos de valoração não devem ser utilizados para combater o dumping; Fl. 3032DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 9303004.220 CSRFT3 Fl. 8 7 Acordam o seguinte: (...) Por outro lado, não se pode olvidar que o legislador não determinou a imputação de multa no valor aduaneiro, mas em valor equivalente ao que seria aquele valor. Confirase a redação do § 3º do art. 23 do Decreto nº 1.455, de 1976, vigente à época dos fatos (destaquei): § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Ora, valor equivalente ao valor aduaneiro não se confunde com o valor aduaneiro propriamente dito. O legislador, repitase, elegeu um critério objetivo e apurável, como será melhor exposto a seguir, pouco importando se, tradicionalmente, esse critério é empregado para o cálculo de direitos aduaneiros ou contribuições devidas na importação. Tratase de lei vigente e cuja inconstitucionalidade, até o momento, não foi declarada. Dito isto, passase à segunda premissa que orienta este voto: o Fisco, efetivamente, calculou um valor equivalente ao valor aduaneiro nos termos do art. 1 do AVAGATT e a recorrente não se insurgiu contra esse critério. Eis a redação do dispositivo (destaquei) O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: (...) De fato, a multa foi calculada sobre o valor constante dos documentos de exportação e, como tal, sobre o preço de venda da mercadoria. E não se alegue que não haveria como se proceder a tal apuração em razão de que a mercadoria destinavase à exportação. Deveras, não me parece razoável concluir que a mercadoria exportada, se considerada a origem, também não seja importada, se considerado o destino. Como é cediço, importação e exportação são duas faces da mesma moeda: a mesma mercadoria que é vendida pelo exportador nacional é adquirida pelo importador estrangeiro. Tratase de pólos distintos do mesmo contrato de compra e venda. Nessa esteira, revelase evidente que o valor da venda pelo exportador é o mesmo valor da compra pelo importador e, Fl. 3033DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 9303004.220 CSRFT3 Fl. 9 8 consequentemente, o valor equivalente ao valor aduaneiro da operação, valorada segundo o primeiro método. Assim, como bem apontou a d. Procuradoria da Fazenda Nacional em seu Recurso Especial de divergência, a partir do ato novel, o legislador definiu um novo critério para aferição da base de cálculo da multa, mas isso, evidentemente, não invalida o procedimento realizado sob a égide da redação anterior. Aliás, não atrai sequer a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, "c" do CTN, já que o Fisco, para cálculo do valor de transação, utilizou exatamente os valores constantes dos documentos previstos na nova redação do § 3º do art. 23 (destaquei): § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Finalmente, considerando que não houve prequestionamento acerca das demais questões recursais ou mesmo a apresentação de embargos de declaração, para efeito de prequestionamento, julgo que não há espaço para debater pedido subsidiário, apresentado em sede de contrarrazões. Ante o exposto, dou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Em adição a essas judiciosas observações, apenas aduzi em sessão que, no meu entender, tem razão o dr. Trevisan quando afirma que a redação que foi posta na lei não foi, certamente, a melhor. Apesar disso, para mim, não é dado ao colegiado ignorar a letra da lei; se ela estabelece penalidade relacionada à exportação cujo valor "equivale ao valor aduaneiro", é porque o legislador considera possível fazer essa equiparação, mesmo não sendo este último um conceito próprio daquelas operações. Nesse sentido, caso o aplicador do direito divirja desse entendimento, isto é, no caso concreto, ache impossível essa equiparação, deve guardar para si essa posição e dobrarse ao império da lei, como qualquer um num Estado de Direito. Ou seja, a despeito de seu entendimento pessoal divergente, limitarse a buscar a melhor forma de dar efetividade ao comando legal. Em suma, não é papel do aplicador do direito "auditar" a lei posta, nela buscando eventuais inconformidades que impeçam sua aplicação, mas apenas dar a ela fiel cumprimento, ainda que discorde dos seus termos. Com base nessas considerações, votou a maioria do colegiado por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. E esse é o acórdão que me coube redigir. Conselheiro Júlio César Alves Ramos redator designado Fl. 3034DF CARF MF Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 9303004.220 CSRFT3 Fl. 10 9 Fl. 3035DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.005940/2002-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9303-000.104
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o contribuinte do despacho de admissibilidade do recurso especial, com abertura de prazo para interposição de contrarrazões e posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Relatório
Trata-se de Recurso Especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão nº 204-02.270, proferido pela 4º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, a empresa produtora e exportadora de produtos não tributados pelo IPI, bem assim, admitiu a correção monetária do valor a ressarcir com base na taxa selic, desde o protocolo do pedido.
Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau:
"Versa o presente processo sobre apreciação de pedido da interessada em epígrafe acerca de ressarcimento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, protocolado em 30/12/2002 (fls. 01) e formalizado pelo pedido de fl. 80 (original), no valor de R$ 13.559.060,31, tendo como referência os 1°, 2°, 3° e 4° trimestres-calendários de 1997.
Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal (DRF) em Vitória-ES; tend, em vista o disposto no Parecer SEFIS n° 024/2003 de fls. 82/90, proferiu, em 16/09/2003, o Despacho Decisório de fl. 91, no qual indeferiu integralmente o ressarcimento pleiteado".
O Acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado:
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
DECADÊNCIA RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O prazo para requerer o ressarcimento de crédito presumido de IPI decai após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da data da apuração dos créditos.
IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO LEI N° 9.363/96 PRODUTOS DERIVADOS DE MINÉRIO NÃO TRIBUTADOS IMUNIDADE CONSTITUCIONAL EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. O direito ao crédito presumido do IPI de que trata a lei em referência deve ser reconhecido à empresa produtora e exportadora de produtos, ainda que não tributados por 1PI em razão de imunidade constitucional.
IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO LEI N° 9.363/96 PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram crédito presumido de IPI as aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário, assim entendidos os que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, nos termos do PN CST n° 65/79. Energia elétrica não tem ação direta no processo produtivo, razão que impede a sua inclusão no cômputo do valor dos ressarcimento do crédito presumido do IPI. Precedentes da Câmara Superior.
RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, aplicando-se a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte
Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, fls. 338/341, para que o colegiado se manifesta-se sobre a omissão quanto ao resultado do julgamento da preliminar de mérito de prescrição/decadência e, ainda, que se pronuncie quanto à questão fática relacionada a esta preliminar que havia sido suscitada pela DRJ -Juiz de Fora-MG, para declarar a decadência/prescrição do período de apuração dezembro/97.
Os embargos de declaração foram acolhidos parcialmente, fls. 344/347, com efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no acórdão vergastado, acrescentando ao "decisum" a expressão: reconhecer a prescrição dos créditos pertinentes ao período compreendido entre janeiro e novembro de 1997.
Não satisfeita, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso defendendo que houve violação à lei Federal cometida pelo acórdão recorrido, fundamenta o cabimento do especial, com fundamento das modificações realizadas pela lei nº 11.941/09. E que o recurso interposto se assenta no entendimento consignado na Súmula CARF nº 20.
O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 408/409. Com fundamento de que:
"Muito embora não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF), em respeito ao princípio tempus regit actum.
Nesta senda, verifica-se que o aresto foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal, e, respeitante à violação de disposições legais, a peça interposta arrola uma série de atos legais, em tese, inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto de contrariedade à lei exigido para seu cabimento".
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS
Presidente da Quarta Câmara
É o relatório.
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Relatório Trata-se de Recurso Especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão nº 204-02.270, proferido pela 4º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, a empresa produtora e exportadora de produtos não tributados pelo IPI, bem assim, admitiu a correção monetária do valor a ressarcir com base na taxa selic, desde o protocolo do pedido. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Versa o presente processo sobre apreciação de pedido da interessada em epígrafe acerca de ressarcimento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, protocolado em 30/12/2002 (fls. 01) e formalizado pelo pedido de fl. 80 (original), no valor de R$ 13.559.060,31, tendo como referência os 1°, 2°, 3° e 4° trimestres-calendários de 1997. Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal (DRF) em Vitória-ES; tend, em vista o disposto no Parecer SEFIS n° 024/2003 de fls. 82/90, proferiu, em 16/09/2003, o Despacho Decisório de fl. 91, no qual indeferiu integralmente o ressarcimento pleiteado". O Acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O prazo para requerer o ressarcimento de crédito presumido de IPI decai após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da data da apuração dos créditos. IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO LEI N° 9.363/96 PRODUTOS DERIVADOS DE MINÉRIO NÃO TRIBUTADOS IMUNIDADE CONSTITUCIONAL EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. O direito ao crédito presumido do IPI de que trata a lei em referência deve ser reconhecido à empresa produtora e exportadora de produtos, ainda que não tributados por 1PI em razão de imunidade constitucional. IPI RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO LEI N° 9.363/96 PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram crédito presumido de IPI as aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de matéria-prima, material de embalagem e produto intermediário, assim entendidos os que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, nos termos do PN CST n° 65/79. Energia elétrica não tem ação direta no processo produtivo, razão que impede a sua inclusão no cômputo do valor dos ressarcimento do crédito presumido do IPI. Precedentes da Câmara Superior. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, aplicando-se a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, fls. 338/341, para que o colegiado se manifesta-se sobre a omissão quanto ao resultado do julgamento da preliminar de mérito de prescrição/decadência e, ainda, que se pronuncie quanto à questão fática relacionada a esta preliminar que havia sido suscitada pela DRJ -Juiz de Fora-MG, para declarar a decadência/prescrição do período de apuração dezembro/97. Os embargos de declaração foram acolhidos parcialmente, fls. 344/347, com efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no acórdão vergastado, acrescentando ao "decisum" a expressão: reconhecer a prescrição dos créditos pertinentes ao período compreendido entre janeiro e novembro de 1997. Não satisfeita, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso defendendo que houve violação à lei Federal cometida pelo acórdão recorrido, fundamenta o cabimento do especial, com fundamento das modificações realizadas pela lei nº 11.941/09. E que o recurso interposto se assenta no entendimento consignado na Súmula CARF nº 20. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 408/409. Com fundamento de que: "Muito embora não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF), em respeito ao princípio tempus regit actum. Nesta senda, verifica-se que o aresto foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal, e, respeitante à violação de disposições legais, a peça interposta arrola uma série de atos legais, em tese, inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto de contrariedade à lei exigido para seu cabimento". JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente da Quarta Câmara É o relatório.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1212; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 462 1 461 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11543.005940/200244 Recurso nº Especial do Procurador Resolução nº 9303000.104 – 3ª Turma Data 11 de abril de 2017 Assunto Prazo para interposição de contrarrazões Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CIA NIPOBRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO NIBRASCO Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para cientificar o contribuinte do despacho de admissibilidade do recurso especial, com abertura de prazo para interposição de contrarrazões e posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer De Castro Souza, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 05 94 0/ 20 02 -4 4 Fl. 462DF CARF MF Processo nº 11543.005940/200244 Resolução nº 9303000.104 CSRFT3 Fl. 463 2 Relatório Tratase de Recurso Especial por contrariedade à lei interposto pela Fazenda Nacional, contra acórdão nº 20402.270, proferido pela 4º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, a empresa produtora e exportadora de produtos não tributados pelo IPI, bem assim, admitiu a correção monetária do valor a ressarcir com base na taxa selic, desde o protocolo do pedido. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Versa o presente processo sobre apreciação de pedido da interessada em epígrafe acerca de ressarcimento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, protocolado em 30/12/2002 (fls. 01) e formalizado pelo pedido de fl. 80 (original), no valor de R$ 13.559.060,31, tendo como referência os 1°, 2°, 3° e 4° trimestres calendários de 1997. Em análise de legitimidade, a Delegacia da Receita Federal (DRF) em VitóriaES; tend, em vista o disposto no Parecer SEFIS n° 024/2003 de fls. 82/90, proferiu, em 16/09/2003, o Despacho Decisório de fl. 91, no qual indeferiu integralmente o ressarcimento pleiteado". O Acórdão da decisão recorrida, restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA — RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O prazo para requerer o ressarcimento de crédito presumido de IPI decai após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos da data da apuração dos créditos. IPI — RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO — LEI N° 9.363/96 — PRODUTOS DERIVADOS DE MINÉRIO NÃO TRIBUTADOS — IMUNIDADE CONSTITUCIONAL — EMPRESA PRODUTORA E EXPORTADORA. O direito ao crédito presumido do IPI de que trata a lei em referência deve ser reconhecido à empresa produtora e exportadora de produtos, ainda que não tributados por 1PI em razão de imunidade constitucional. IPI— RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO — LEI N° 9.363/96 — PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Não geram crédito presumido de IPI as aquisições de produtos que não se enquadrem no conceito de matériaprima, material de embalagem e produto intermediário, assim entendidos os que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, nos termos do PN CST n° 65/79. Energia elétrica não tem ação direta no processo produtivo, razão que impede a sua inclusão no cômputo do valor Fl. 463DF CARF MF Processo nº 11543.005940/200244 Resolução nº 9303000.104 CSRFT3 Fl. 464 3 dos ressarcimento do crédito presumido do IPI. Precedentes da Câmara Superior. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. O ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, conforme já decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/02.0.708), pelo que deve ser aplicado o disposto no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250/95, aplicandose a Taxa Selic a partir do protocolo do pedido. Recurso Voluntário Provido em Parte Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Embargos de Declaração, fls. 338/341, para que o colegiado se manifestase sobre a omissão quanto ao resultado do julgamento da preliminar de mérito de prescrição/decadência e, ainda, que se pronuncie quanto à questão fática relacionada a esta preliminar que havia sido suscitada pela DRJ Juiz de ForaMG, para declarar a decadência/prescrição do período de apuração dezembro/97. Os embargos de declaração foram acolhidos parcialmente, fls. 344/347, com efeitos infringentes, para sanar a omissão apontada no acórdão vergastado, acrescentando ao "decisum" a expressão: reconhecer a prescrição dos créditos pertinentes ao período compreendido entre janeiro e novembro de 1997. Não satisfeita, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso defendendo que houve violação à lei Federal cometida pelo acórdão recorrido, fundamenta o cabimento do especial, com fundamento das modificações realizadas pela lei nº 11.941/09. E que o recurso interposto se assenta no entendimento consignado na Súmula CARF nº 20. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 408/409. Com fundamento de que: "Muito embora não previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova, referente a acórdão prolatado em sessão de julgamento ocorrida até 30/06/2009, será, nos termos do artigo 4° do RICARF, processado de acordo com o rito previsto no Regimento Interno da CSRF aprovado pela Portaria nº 147, de 25/06/2007 (RICSRF), em respeito ao princípio tempus regit actum. Nesta senda, verificase que o aresto foi decidido por maioria de votos, um dos requisitos desta modalidade recursal, e, respeitante à violação de disposições legais, a peça interposta arrola uma série de atos legais, em tese, inobservados no julgado sob vergasta, atendendo, também, ao pressuposto de contrariedade à lei exigido para seu cabimento". JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente da Quarta Câmara É o relatório. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 11543.005940/200244 Resolução nº 9303000.104 CSRFT3 Fl. 465 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator Versa o presente processo sobre apreciação de pedido da Contribuinte acerca de ressarcimento do crédito presumido do IPI (NT) de que trata a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, protocolado em 30/12/2002 (fls. 01) e formalizado pelo pedido de fl. 80 (original), tendo como referência os 1°, 2°, 3° e 4° trimestrescalendários de 1997. Conforme acima relatado, a controvérsia se restringe ao direito de se usufruir ou não do crédito presumido de IPI na hipótese de exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT). Com efeito, compulsando os autos, verifico que em 20/07/10, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial em face do acórdão que julgou parcialmente o recurso da Contribuinte, ora Recorrido. Após exame de admissibilidade do Recurso, foi proferida decisão, de fls.408/409, que admitiu o Recurso Especial da Fazenda Nacional, determinando que: "por força do disposto no art. 69 do Regimento Interno do CARF, determino o encaminhamento à Unidade local da RFB para ciência ao contribuinte do acórdão recorrido e deste despacho para, querendo, apresentar contrarrazões e recurso especial na parte que lhe foi desfavorável, se cabível". Após a decisão exarada, os autos foram remetidos para Divisão da Receita Federal de Vitória/ES, para o cumprimento do decisum, contudo, não consta nos autos intimação da decisão que admitiu o Recurso Especial para que a Contribuinte pudesse apresentar contrarrazões ao Recurso. Nada obstante, observo despacho, de fls. 444, o qual afirma que a Contribuinte apresentou contrarrazões, no entanto, tal manifestação não condiz com as peças processuais dos autos, não se trata de contrarrazões da Contribuinte, foi protocolado julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, requerendo a juntada dos mencionados acórdãos. Neste sentido, o artigo 69, do RICARF, dispõe que: "admitido o recurso especial pelo Procurador da Fazenda Nacional, dele será dada ciência ao sujeito passivo, assegurandolhe prazo de 15( quinze) dias para oferecer contrarrazões e, se for o caso, apresentar recurso especial relativa à parte do acórdão que lhe foi desfavorável". Dessa forma, o presente julgamento dever ser convertido em diligência à Unidade de Origem, para cientificar a Contribuinte do despacho de admissibilidade do recurso especial, com abertura de prazo para interposição de contrarrazões e posterior retorno dos autos ao relator, para prosseguimento. Fl. 465DF CARF MF Processo nº 11543.005940/200244 Resolução nº 9303000.104 CSRFT3 Fl. 466 5 (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 466DF CARF MF
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Numero do processo: 16832.000663/2009-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE LANCHES E REFEIÇÕES. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011
Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deu-se na modalidade "in natura", o lançamento enquadra-se na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida in natura, sob a forma de utilidades.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. FORNECIMENTO DE LANCHES E REFEIÇÕES. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA IN NATURA. AUSÊNCIA DE ADESÃO AO PAT. ATO DECLARATÓRIO Nº 03/2011 Restando demonstrado que o fornecimento de lanches e refeições, deuse na modalidade "in natura", o lançamento enquadrase na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, sob a forma de utilidades. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 63 /2 00 9- 18 Fl. 765DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Fábio Piovesan Bozza (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 766DF CARF MF Processo nº 16832.000663/200918 Acórdão n.º 9202005.257 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.240.4430, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 06/08/2009, no valor de R$ 377.956,51, acrescidos de juros e multa de mora, referentes às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes de riscos ambientais do trabalho e das contribuições adicionais para o financiamento de aposentadoria especial, no período de 01/2005 a 09/2005. Conforme informações contidas no relatório fiscal, o lançamento teve por fatos geradores: a) as diferenças apuradas entre os valores constantes das folhas de pagamento apresentadas e os valores declarados em GFIP, nas competências 06/2005 a 09/2005, das filiais 001005, 001269 e 001340; b) os valores de despesa com alimentação fornecida aos funcionários, apurada no Livro Diário 155 e 156, conta contábil 4.1.2.02.01.00808 – DESP. De lanches e refeições, eis que não foi apresentado o comprovante de adesão ao PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador; c) os pagamentos referentes às verbas trabalhistas contabilizadas na conta contábil 4.1.2.02.01.00256 – Indenizações Trabalhistas e constantes dos Termos de Acertamento e Conciliação Trabalhistas realizadas no Núcleo Intersindical de Conciliação trabalhista no estado do Rio de Janeiro. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário apurado. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 20/06/2013, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.108, com o seguinte resultado: "Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/09/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. PAGAMENTO EM ESPÉCIE. ALIMENTAÇÃO. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA Fl. 767DF CARF MF 4 DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR – PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA. ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009. RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 20/09/2013 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 07/10/2013, o presente Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 24001129/2013, da 4ª Câmara, de 08/11/2013. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 16832.000663/200918 Acórdão n.º 9202005.257 CSRFT2 Fl. 4 5 Cientificado do Acórdão nº 2403002.108, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 16/06/2014, o contribuinte apresentou, tempestivamente, em 01/07/2014, contrarrazões e Recurso Especial da parte que lhe foi desfavorável no acórdão recorrido. Ao Recurso Especial do contribuinte foi dado seguimento, conforme Despacho nº 24000/2015, da 4ª Câmara, de 06/11/2015. · Em seu recurso, o contribuinte, preliminarmente, registra a ocorrência de relevante erro material no acórdão recorrido, consistente da afirmação de que o fornecimento de alimentação, no presente caso, teria sido feito em espécie e não in natura. · Argumenta que uma vez corrigido o erro existente, o acórdão recorrido deve ser reformado para que se aplique o entendimento adotado por outra Turma do CARF (acórdão 2402003.308) que reconheceu a desnecessidade de inscrição no PAT, inclusive com a aplicação do Ato Declaratório nº 03/2011 da PGFN. · Acrescenta que, mesmo que se entenda que o fornecimento de alimentos ocorreu em espécie – o que contraria a verdade material – ainda assim deve ser reconhecida a não incidência da contribuição previdenciária sobre esses valores, independentemente de adesão da recorrente ao PAT, uma vez que, nos termos do art. 62A do RICARF, deve ser aplicada a jurisprudência consolidada do STJ, já decidida sobre a sistemática do recurso repetitivo (art. 543C, do CPC), que entendeu que o fornecimento de alimentos pelo empregador aos seus empregados, seja in natura ou através de pagamento em espécie, não enseja o recolhimento de contribuição previdenciária, independentemente de a empresa ter ou não aderido ao PAT – Programa de Alimentação ao Trabalhador. Em suas contrarrazões, o contribuinte alega que: · apesar de os precedentes invocados pela Fazenda Nacional como paradigmas referiremse à aplicação das multas estabelecidas no art. 44 da Lei nº 9.430/96, da leitura do inteiro teor de ambos os acórdãos, verificase que cada um dá uma solução distinta à aplicação da retroatividade benigna, além de tratarem de casos diferentes do tratado no presente processo. · no presente caso, o acórdão recorrido determinou “que se recalcule a multa de mora com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte”; enquanto que no primeiro paradigma apresentado restou consignado que a autoridade fiscal deveria comparar a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/91, com redação vigente à época do fato gerador, com a multa prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 11.941/2009; e no segundo paradigma invocado, o caso trata da divergência entre a aplicação da multa prevista nos artigos 32A e 35A, ambos com redação dada pela Lei 11.941/2009. Fl. 769DF CARF MF 6 · a tese sustentada pela Fazenda Nacional está em desacordo com o entendimento do primeiro paradigma invocado , uma vez que a recorrente sustenta que a aferição da penalidade mais benéfica deveria ser verificada da seguinte forma: “se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35A da Lei 8.212/91, introduzida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009” e o paradigma determinou que se compare a multa prevista no art. 35, da Lei 8.212/91, com redação vigente à época do fato gerador, com a multa prevista no art. 35A, da Lei 8.212/91 – o que por si só já demonstra a improcedência do recurso especial. · o pedido formulado pela Fazenda Nacional não corresponde ao que restou consignado nos acórdãos paradigmas. Em seu pedido final, a Fazenda não requer seja aplicado o entendimento consignado no primeiro paradigma – aplicação do art. 35A, da Lei 8.212/91, se mais benéfico que a multa prevista o antigo art. 35 da mesma lei – e nem o entendimento do segundo paradigma – aplicação do art. 35A, da Lei 8.212/91 se mais benéfico que o art. 32A, da Lei 8.212/91; e sim, que “seja dado total provimento ao presente recurso com a conseqüente reforma do acórdão recorrido, a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com o que dispõe a IN SRF nº 1.027/2010”, afirmando, equivocadamente, que a autoridade fiscal teria efetuado os lançamentos nos exatos termos da IN citada – que determina o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal e das multas aplicadas por descumprimento de obrigação acessória e sua comparação com a multa do art. 35A, da Lei 8.212/91 – razão pela qual deveria ser mantida a multa na forma constante no auto de infração de obrigação principal. · não foi isso que ocorreu no presente caso, já que além da lavratura de três autos de infração por descumprimento de obrigação principal (DEBCAD 37.256.6545, 37.240.4448 e 37.240.4456), foi lavrado um auto de infração para cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória (DEBCAD 27.240.4464), e que tal fato demonstra o equívoco da tese da Fazenda Nacional, pois caso tivesse a autoridade fiscal observado a aplicação da penalidade mais benéfica, não teria sido lavrado o auto de infração para cobrança da multa por descumprimento de obrigação acessória, mas tão somente os autos de infração por descumprimento de obrigação principal. · o acórdão recorrido, ao determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, a fim de prevalecer a mais benéfica ao contribuinte, apenas aplicou o princípio da retroatividade benigna, insculpido no art. 106, II, “c”, do CTN, princípio esse que, ao contrário do que afirma a Fazenda Nacional, não foi observado pela autoridade fiscal quando da lavratura dos autos de infração. Cientificada do Recurso Especial do Contribuinte em 11/11/2015, a Fazenda Nacional apresentou em 20/11/2015, portanto, tempestivamente, contrarrazões, onde alega o seguinte: Fl. 770DF CARF MF Processo nº 16832.000663/200918 Acórdão n.º 9202005.257 CSRFT2 Fl. 5 7 · que os valores fornecidos aos empregados a título de auxílio alimentação integram o saláriodecontribuição quando pagos em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, ou seja, os valores fornecidos em forma de pecúnia, inclusive desconto em folha, valerefeição e ticket aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriodecontribuição, já que não se enquadram como prestação in natura. · que, ainda que o contribuinte alegue que os empregados foram descontados dos valores pagos a título de alimentação, e por isso não incidiria contribuição previdenciária, essa tese deve ser rechaçada, pois, conforme o Relatório Fiscal, tais valores de despesa de alimentação foram apurados com base nos lançamentos contábeis da própria empresa, na conta contábil 4.1.2.02.01.00808 Desp. De lanches e refeições, ou seja, eram despesas habituais com os empregados em retribuição ao contrato de trabalho. · que o art. 28 da Lei n ° 8.212/91, determina que, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: · que a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, mas que existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, e que tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, que na alínea “c” determina que a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovadas pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976 não integram o saláriodecontribuição. Portanto, para a não incidência da Contribuição Previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura”, o que não abrange desconto em folha, ticket, vale refeição ou espécie. · que o Programa de Alimentação do Trabalhador não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia, consoante se depreende do art. 4º do decreto nº 5/1991 que regulamenta o programa: · que a alimentação em pecúnia não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT, independente de estar a empresa inscrita ou não no Programa. É o relatório. Fl. 771DF CARF MF 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Recurso Especial do Sujeito Passivo O Recurso Especial interposto pelo Sujeito Passivo é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 738. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do Mérito Para que possamos apreciar o mérito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o fornecimento de lanches e refeições, convém trazer a baila a argumentação do relatório fiscal : O acórdão recorrido utilizou como fundamento para negar provimento ao recurso voluntário: Ademais, ainda que a Recorrente alegue que os empregados foram descontados dos valores pagos a título de alimentação, afastase tal alegação pois, conforme o Relatório Fiscal, os valores de despesa de alimentação foram apurados com base nos lançamentos da conta contábil 4.1.2.02.01.00808 Desp. De lanches e refeições. Desta forma, não prospera a argumentação da Recorrente pois a legislação aponta expressamente a incidência de contribuição previdenciária na verba paga a título de alimentação recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social Programa de Alimentação do Trabalhador. Quanto ao mérito toda a argumentação do recorrente fundase em um único ponto. Ocorrência de erro material, j A alimentação in natura, mesmo que fornecida sem adesão ao PAT não constitui salário de contribuição. Assim, argumentou o recorrente: · registra a ocorrência de relevante erro material no acórdão recorrido, consistente da afirmação de que o fornecimento de alimentação, no presente caso, teria sido feito em espécie e não in natura. · Argumenta que uma vez corrigido o erro existente, o acórdão recorrido deve ser reformado para que se aplique o entendimento adotado por outra Turma do CARF (acórdão 2402003.308) que reconheceu a desnecessidade de inscrição no PAT, inclusive com a aplicação do Ato Declaratório nº 03/2011 da PGFN. · Acrescenta que, mesmo que se entenda que o fornecimento de alimentos ocorreu em espécie – o que contraria a verdade material – ainda assim deve ser reconhecida a não incidência da contribuição previdenciária sobre esses valores, independentemente de adesão da recorrente ao PAT, uma vez que, nos termos do art. 62A do Fl. 772DF CARF MF Processo nº 16832.000663/200918 Acórdão n.º 9202005.257 CSRFT2 Fl. 6 9 RICARF, deve ser aplicada a jurisprudência consolidada do STJ, já decidida sobre a sistemática do recurso repetitivo (art. 543C, do CPC), que entendeu que o fornecimento de alimentos pelo empregador aos seus empregados, seja in natura ou através de pagamento em espécie, não enseja o recolhimento de contribuição previdenciária, independentemente de a empresa ter ou não aderido ao PAT – Programa de Alimentação ao Trabalhador. O art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, assim específica as condições para exclusão do valor da alimentação fornecida ao empregado da conceito de salário de contribuição. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)Grifo nosso No que tange ao auxílio alimentação, o dispositivo que trata do mesmo é a alíneas “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, acima transcrita. Embora tenha a autoridade fiscal seguido a estrita observância legal, que define claramente nos limites da lei 6.321/76, quanto a inscrição da empresa no PAT, convém analisar a questão de forma, um pouco mais aprofundada, inclusive quanto aos atos emanados da Procuradoria da Fazenda Nacional, seguindo o entendimento jurisprudencial a respeito do tema. A Lei nº 6.321/1976 em seu artigo 3º dispõe que “ não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho.” Por sua vez o Decreto nº 05/1991 que regulamentou a Lei nº 6.321/1976, define com precisão como se dá a aprovação dos programas de alimentação pelo Ministério do Trabalho, conforme de verifica no § do art. 1º, in verbis: “§ 4° Para os efeitos deste Decreto, entendese como prévia aprovação pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, a apresentação de documento hábil a ser definido em Portaria dos Ministros do Trabalho e Previdência Social; da Economia, Fazenda e Planejamento e da Saúde” Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador, a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com Fl. 773DF CARF MF 10 entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis, sociedades comerciais e sociedades cooperativas. (alterado pelo Dec. 2.101, de 23.12.96) Parágrafo único. A pessoa jurídica beneficiária será responsável por quaisquer irregularidades resultantes dos programas executados na forma deste artigo. Contudo, entendo que outra questão deve ser trazida a julgamento antes desses outros pontos. Acredito que o lançamento ora sob enfoque, se enquadra na exclusão prevista no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011 da Procuradoria da Fazenda Nacional, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda que ensejou a publicação do Ato Declaratório 03/2011, posto que a alimentação mencionada no dito Parecer se coaduna com a objeto deste lançamento, qual seja: com a fornecida “in natura”, ou seja, sob a forma de utilidades. Transcrevo abaixo, o referido parecer para esclarecimentos da sua aplicabilidade. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Destaco, por fim, que ao contrário do entendimento traçado pelo acórdão recorrido e pela PGFN em sede de contrarrazões, não vislumbro o pagamento em pecúnia no presente lançamento, já que a única informação contida nos autos que poderia levar a esse raciocínio é que os valores foram apurados na conta Despesas com Lanches e refeições. A leitura da decisão de primeira instância também reforça essa idéia, já que enfatizou o julgador que o fundamento para a manutenção foi o descumprimento da adesão ao PAT. Senão vejamos: Do Fornecimento de Refeições e Lanches 14. Consoante Relatório Fiscal, a empresa forneceu Refeição e Lanches aos seus empregados, não tendo providenciado sua inscrição no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 14.1. Afirma a interessada que a auditoria está a confundir o fornecimento de lanches e refeições com salário in natura e que para o caso concreto a adesão ao Programa de Alimentação ao Fl. 774DF CARF MF Processo nº 16832.000663/200918 Acórdão n.º 9202005.257 CSRFT2 Fl. 7 11 Trabalhador PAT, não é compulsória, mas facultativa, vez que os empregados não recebiam gratuitamente essas refeições e lanches. 15. A legislação previdenciária ao expressar o conceito de saláriodecontribuição, destacou: "... os ganhos habituais sob a forma de utilidades", adequandose ao texto constitucional, que diz: "os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei" (CF/88, art. 201, § 4o). 16. No caso em tela, a empresa efetuou pagamento a título de "Refeições e Lanches" aos seus segurados sem que estivesse inscrita no PAT, caracterizandose este uma vantagem econômica, benefício para o empregado, integrandoo ao saláriodecontribuição por não estar abrangido pelas hipóteses legais de exclusão da incidência previdenciária (§ 9o, do artigo 28, da Lei n° 8.212/1991). 17. O artigo 214 do Decreto n° 3.048/1999, em seu § 10, determina a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de refeições e lanches, quando pagos em desacordo com a legislação de regência. 18. Da mesma forma, o artigo 28, § 9o , alínea "c" da Lei n° 8.212/1991, excluiu do salário de contribuição somente a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; (Atualmente Ministério do Trabalho e Emprego MTE, conforme a MP n° 103, de 01/01/2003, convertida na Lei n° 10.683, de 28/05/2003). 19. A Lei n° 6.321/1976 regula o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT e estabelece em seu artigo 3o: Art. 3o Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho, (grifei) 20. Portanto, a Lei n° 6.321/1976, estabeleceu verdadeira isenção de contribuições previdenciárias sobre a parcela de alimentação in natura concedida aos trabalhadores, condicionada, entretanto, à participação da empresa no mencionado Programa, com prévia aprovação do Ministério do Trabalho, assim entendida a apresentação pelo participante de documento hábil a ser definido em Portaria Ministerial, conforme § 4o , do artigo Io , do Decreto n° 5/1991. 21. A referida adesão passou a ser feita por prazo indeterminado para os formulários apresentados, via postal, a partir de 03/12/1999, data da publicação da Portaria MTE/MF/MS n° 05/1999, posteriormente, modificados pela Portaria MTE n° 66 de 19/12/2003, que assim, dispõe: Fl. 775DF CARF MF 12 Art. Io As pessoas jurídicas beneficiárias do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) deverão recadastrarse, no período de 1" de março a 30 de maio de 2004. Art 3a O nãorecadastramento no Programa de Alimentação do Trabalhador no prazo estipulado implicará o cancelamento automático do registro ou inscrição. Art. 4" A cópia do comprovante de recadastramento deverá ser mantida nas dependências da empresa, à disposição da Fiscalização Federal. 22. Tratase, por conseguinte, de isenção que exige para sua concessão procedimento formal perante a autoridade administrativa, por meio do qual 0 interessado atesta o preenchimento das condições e o cumprimento dos requisitos exigidos pelo PAT, devendo ser interpretada de forma não extensiva, a teor do disposto no artigo 111, do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966): Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 23. Portanto, somente goza da isenção, a que se refere o artigo 3 o , da Lei n° 6.321/1976, a empresa que comprove sua filiação ao PAT. De acordo com o item 4 do Relatório Fiscal, o autuante esclarece que o contribuinte não é inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, a partir de 01/2004. 24. Considerando, que a interessada não comprovou a adesão ao PAT no período correspondente aos fatos geradores, resta, evidenciada a regularidade do lançamento das contribuições previdenciárias sobre a vantagem patrimonial representada pelo fornecimento de alimentação, apurado mensalmente, eis que, não houve o cumprimento integral das condições estabelecidas na legislação de regência para a sua exclusão do campo de incidência do tributo em comento. Considerando restar demonstrado que a alimentação foi fornecida in natura, na forma de fornecimento de lanches e refeições, assiste razão ao recorrente quanto a exclusão da rubrica “lanches” razão pela qual DOU PROVIMENTO AO RECURSO. Recurso Especial da Fazenda Nacional O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 580. Contudo, considerando a argumentação pela ausência de similitude fática, convém analisar um pouco melhor a questão. Ao contrário do argumentado pelo sujeito passivo, o recurso da procuradoria visa demonstrar que o acórdão recorrido aplicou a tese da retroatividade de forma isolada, sem considerar a natureza da multa aplicada, determinando o cálculo de acordo com a nova sistemárica do art. 35 enquanto os acórdãos paradigmas entendem pela aplicação da tese a Fl. 776DF CARF MF Processo nº 16832.000663/200918 Acórdão n.º 9202005.257 CSRFT2 Fl. 8 13 retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Ou seja, segundo a tese prevista na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 não há como aplicar as teses isoladamente, como proposto no acórdão recorrido, mas sua análise, para apuração da norma mais benéfica, presume o somatório das multas decorrentes de obrigação principal e acessória (pela não informação em GFIP) em confronto com o novo dispositivo do art. 35_A. Dessa forma, entendo que existe similitude fática e conseqüentemente interpretações distintas, o que enseja o cumprimento dos pressupostos para conhecimento o Resp. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 777DF CARF MF 14 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito Fl. 778DF CARF MF Processo nº 16832.000663/200918 Acórdão n.º 9202005.257 CSRFT2 Fl. 9 15 NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 779DF CARF MF 16 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 780DF CARF MF Processo nº 16832.000663/200918 Acórdão n.º 9202005.257 CSRFT2 Fl. 10 17 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" Fl. 781DF CARF MF 18 do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 16832.000663/200918 Acórdão n.º 9202005.257 CSRFT2 Fl. 11 19 Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, DOU PROVIMENTO AO RECURSO para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER dos recursos Especiais do Sujeito passivo e da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHES PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 783DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.902304/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.823
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 23 04 /2 01 1- 23 Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902304/201123 Acórdão n.º 3302003.823 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.254. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902304/201123 Acórdão n.º 3302003.823 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902304/201123 Acórdão n.º 3302003.823 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902304/201123 Acórdão n.º 3302003.823 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10140.902304/201123 Acórdão n.º 3302003.823 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903533/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 33 /2 01 0- 82 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16327.903533/201082 Acórdão n.º 1301002.359 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 16327.903533/201082 Acórdão n.º 1301002.359 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 174DF CARF MF Processo nº 16327.903533/201082 Acórdão n.º 1301002.359 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 16327.903533/201082 Acórdão n.º 1301002.359 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 176DF CARF MF Processo nº 16327.903533/201082 Acórdão n.º 1301002.359 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 177DF CARF MF Processo nº 16327.903533/201082 Acórdão n.º 1301002.359 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 178DF CARF MF Processo nº 16327.903533/201082 Acórdão n.º 1301002.359 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006160/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA
Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido.
Numero da decisão: 3302-004.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA Incumbe à interessada o ônus processual de provar o direito resistido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração de CofinsImportação, cientificado em 05/11/2009, por falta de prova do emprego das mercadorias importadas em processo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 61 60 /2 00 9- 33 Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10283.006160/200933 Acórdão n.º 3302004.143 S3C3T2 Fl. 844 2 industrialização, requisito para usufruir da suspensão prevista no artigo 14A da Lei nº 10.854/2004. Apresentada a impugnação, a Segunda Turma da DRJ em Fortaleza julgoua improcedente, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2005 a 29/12/2005 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Desnecessária é a realização de diligência quando não restar demonstrada sua imprescindibilidade ao julgamento. ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/02/2005 a 29/12/2005 ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO COMPROVAÇÃO DE CUMPRIMENTO DO REGIME. PERDA DO BENEFÍCIO. A empresa que não comprove o cumprimento do regime aduaneiro especial da Zona Franca de Manaus não faz jus aos benefícios a este inerentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando que: 1. Estava impossibilitada de atender às intimações fiscais por motivos de força maior, qual sejam, a grave crise financeira que se iniciou em meados de 2007, que culminou na paralisação das atividades e dispensa/demissão em massa de boa parte dos funcionários, dentre eles os do setor de informática, responsáveis por gerar os arquivos magnéticos solicitados em intimação; 2. O princípio da verdade material deve nortear o processo administrativo fiscal, sendo imperiosa a realização de diligência para certificar a comprovação da aplicação das mercadorias importadas no processo produtivo, e, com isso, comprovar a regularidade das operações e o direito ao benefício do artigo 14A da Lei nº 10.865/2004. Ao final, reitera o pedido de diligência e, caso não seja este deferido, o cancelamento da autuação por ser as operações realizadas abarcadas pelo benefício. Em 11/01/2016, efls. 790/791 junta CDROM aos autos, contendo arquivos digitais e documentos objeto das intimações realizadas, reiterando a necessidade de realização de diligência, em homenagem ao princípio da verdade material. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Fl. 844DF CARF MF Processo nº 10283.006160/200933 Acórdão n.º 3302004.143 S3C3T2 Fl. 845 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autuação ocorreu por falta de prova do emprego das mercadorias importadas em processo de industrialização, requisito para usufruir da suspensão prevista no artigo 14A da Lei nº 10.854/2004, a seguir transcrito: Art. 14A. Fica suspensa a exigência das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei nas importações efetuadas por empresas localizadas na Zona Franca de Manaus de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para emprego em processo de industrialização por estabelecimentos industriais instalados na Zona Franca de Manaus e consoante projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA. (Incluído pela Lei nº 10.925, 2004) (Vigência) A questão central diz respeito à aplicação do princípio da verdade material versus a preclusão processual. O momento processual para apresentação de todas as provas e razões do contribuinte é a impugnação, conforme artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972, ressalvadas as exceções previstas no §4º: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10283.006160/200933 Acórdão n.º 3302004.143 S3C3T2 Fl. 846 4 Entendo, porém, que, mesmo não ocorrendo tais circunstâncias, poderseia admitir a produção probatória em recurso voluntário, desde que tais provas não demandassem nova dilação de prazo, nem certificação ou verificação, ou seja, por si só demonstrassem cabalmente o direito da recorrente, em homenagem ao princípio da verdade material. No entanto, a aplicação deste princípio não é irrestrita, nem uniforme, de modo que há que se sopesar a aplicação do princípio da verdade material com a preclusão processual, no caso concreto. Analisando o caso concreto, temse que a fiscalização iniciouse em 28/08/2008, com a intimação para apresentação de arquivos digitais contábeis e fiscais, Livro de Controle de Produção e Estoque, Registro de Inventário, Registro de Saída e de Entrada, Registro de Apuração de IPI, atos de reconhecimento do benefício fiscal de isenção ou redução expedidos pela SUDENE/SUDAM/SUFRAMA, acompanhados dos laudos, pareceres e projetos, tudo relativo ao anocalendário de 2005. A recorrente pediu trinta dias de prazo para atender à intimação, em razão de dificuldades do setor de tecnologia da informação estava com dificuldades de recuperar os dados do sistema operacional denominado MAGNUS, utilizado no período de janeiro a maio de 2005, em resposta de 15/09/2008. Após esta comunicação, em 10/06/2009 (quase nove meses após o pedido de prorrogação de trinta dias), a fiscalização reitera o conteúdo intimado no termo de início mediante nova intimação, à qual a recorrente responde que os arquivos pedidos estão no sistema informático denominado DATASUL, que fora substituído pelo SAP. Após esta resposta, lavrouse o Auto de Infração. Verificase que a recorrente não apresentou qualquer documentação exigida, seja em papel, seja em arquivo digital. Em impugnação, a recorrente alegou que a falta de apresentação da documentação resultou de força maior, caracterizada pela grave crise financeira e consequente processo de reestruturação das atividades econômicofinanceiras, até então motivo não alegado nas respostas às intimações, que relataram dificuldades de ordem técnica em relação aos sistemas MAGUNS e DATASUL. Por outro lado, não há qualquer nexo causal entre uma crise financeira e processo de reestruturação iniciados em meados de 2007 e a falta de entrega de documentos fiscais, principalmente livros fiscais, laudos, pareceres e atos expedidos pela SUFRAMA, que se referiam ao ano de 2005 e que, portanto, deveriam estar prontos e arquivados nas dependências da recorrente, cuja providência seria apenas de desarquivamento e não de criação ou geração de tais livros, os quais deveriam ser mantidos à disposição da fiscalização, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 4.543/2002: Art. 18. As pessoas físicas ou jurídicas exibirão aos Auditores Fiscais da Receita Federal, sempre que exigidos, as mercadorias, livros das escritas fiscal e geral, documentos mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, e todos os documentos, em uso ou já arquivados, que forem julgados necessários à fiscalização, e lhes franquearão os seus estabelecimentos, depósitos e dependências, bem assim veículos, cofres e outros móveis, a qualquer hora do dia, ou da noite, se à noite os estabelecimentos estiverem funcionando (Lei no 4.502, Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10283.006160/200933 Acórdão n.º 3302004.143 S3C3T2 Fl. 847 5 de 30 de novembro de 1964, art. 94 e parágrafo único, e Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 34). Parágrafo único. As pessoas físicas ou jurídicas, usuárias de sistema de processamento de dados, deverão manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada (Lei no 9.430, de 1996, art. 38). Já em relação aos arquivos digitais, ressaltase que a recorrente utilizava sistemas de processamento de dados para registrar seus dados contábeis e fiscais, devendo manter tais arquivos disponíveis à fiscalização pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária, conforme disposto no artigo 11 da Lei nº 8.218, de 1991, abaixo transcrito: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) § 1º A Secretaria da Receita Federal poderá estabelecer prazo inferior ao previsto no caput deste artigo, que poderá ser diferenciado segundo o porte da pessoa jurídica. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 2º Ficam dispensadas do cumprimento da obrigação de que trata este artigo as empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 3º A Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para estabelecer a forma e o prazo em que os arquivos digitais e sistemas deverão ser apresentados. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 4º Os atos a que se refere o § 3o poderão ser expedidos por autoridade designada pelo Secretário da Receita Federal. .(Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Pareceme inconcebível a alegação de tamanha dificuldade, já que se tratam de meros arquivos em formato texto, de simples leiautes, previstos na IN SRF nº 86/2001 e no ADE Cofins nº 15/2001. A bem da verdade, tais arquivos já estavam previstos na IN SRF nº 68/1995 e, de forma alguma, poderiam representar novidade capaz de gerar dificuldades quanto à sua geração. Entretanto, todas estas dificuldades, aparentemente, foram resolvidas pela recorrente na fase de impugnação, quando afirmou na peça recursal que contratara a IBM para recuperar as informações, impugnando todos os cálculos efetuados pelo auditor e solicitando Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10283.006160/200933 Acórdão n.º 3302004.143 S3C3T2 Fl. 848 6 noventa dias para a apresentação dos arquivos, pedido este superado na petição de 22/04/2010, na qual reitera o pedido de diligência, afirmando estarem disponíveis os arquivos digitais e os documentos físicos. Todavia, inexplicavelmente, não anexou qualquer documentos aos autos, que, ainda, estavam pendentes de julgamento pela DRJ (ocorrido apenas em julho/2010), no sentido de se demonstrar, ainda, por amostragem, a aplicação dos principais, de modo a infirmar a acusação fiscal de falta de comprovação da aplicação dos insumos importados nos processos de industrialização aprovados pela SUFRAMA. Apenas em recurso voluntário, em 24/09/2010, junta parte dos documentos solicitados em 28/08/2008, como laudo técnico de inspeção, parte do Livro Registro de Inventário, parte do Registro de Apuração do IPI, parte do Registro de Saída, parte do Registro de Entradas, parte dos balancetes de verificação, documentos relativos a importações, relativos a novembro e dezembro/2005. Seguindo na apresentação de documentação, somente em 11/01/2016, sete anos e quatro meses após o Termo de Início de Fiscalização, cinco anos e cinco meses após a decisão da DRJ, a recorrente apresentou o Registro de Inventário de janeiro a maio/2005 e dezembro de 2005, Registro de Controle de Produção e Estoque de janeiro a maio/2005, Razão do estoque de maio/2005, Registro de Saídas de maio/2005, e parte dos arquivos digitais, sem, entretanto, ter demonstrado qualquer análise que comprovasse a aplicação, ainda que por amostragem, de algum insumo no processo de industrialização. Constatase, ao final, que a recorrente não se desincumbiu do ônus processual que lhe cabia de apresentar as provas na fase de impugnação, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235/10972, ou de demonstrar inequivocamente seu direito no recurso voluntário. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 848DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.904990/2012-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 20/02/2008
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.546
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 20/02/2008 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 49 90 /2 01 2- 82 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10865.904990/201282 Acórdão n.º 3301003.546 S3C3T1 Fl. 3 2 utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 06044.002. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10865.904990/201282 Acórdão n.º 3301003.546 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10865.904990/201282 Acórdão n.º 3301003.546 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10865.904990/201282 Acórdão n.º 3301003.546 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10865.904990/201282 Acórdão n.º 3301003.546 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10865.904990/201282 Acórdão n.º 3301003.546 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.014885/2001-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
Numero da decisão: 9303-004.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente IRMÃOS FONTENELE S/A INDÚSTRIA, COMÉRCIO E AGRICULTURA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 48 85 /2 00 1- 40 Fl. 1393DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 3 2 Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto por IRMÃOS FONTENELE S/A (fls. 1.296 a 1.318) com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, ambos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 340301.671 (fls. 1237 a 1247) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 28/06/2012, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2002 Ementa: RESSARCIMENTO. CRÉDITO CONTROVERTIDO EM JUÍZO. TRÂNSITO EM JULGADO NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. A teor do artigo 17 da IN/SRF nº 21/97 (art. 70 da atual IN/RFB 900/08), é vedado o ressarcimento de crédito objeto de litígio judicial ainda não transitado em julgado na data de realização do pedido, e o encerramento do processo judicial durante o trâmite do processo administrativo não convalida este vício. CRÉDITO PRESUMIDO. CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IPI. Somente estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI, fazem jus ao crédito presumido instituído na Lei nº 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO SUBMETIDAS A PROCESSO INDUSTRIAL. DESCABIMENTO. O chamado “crédito presumido de IPI”, concedido e disciplinado pelas Leis nºs 9.363/96 e 10.276/01, beneficia tãosomente o produtor exportador, assim compreendida a pessoa jurídica que realiza operação de industrialização segundo os conceitos definidos pela legislação do IPI. Recurso voluntário negado. Fl. 1394DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 4 3 Para retratar o desenrolar dos fatos, ocorridos nos presentes autos, adotase o relatório constante da decisão recorrida, com os acréscimos devidos, in verbis: [...] Tratase de pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referentes aos anoscalendários 1999 (fls. 01/03), 2000 (fls. 19/21, 37/39, 55/57, 73/75), 2001 (fls. 90/92) e 1º trimestre de 2002. Ato contínuo, pretendeu o recorrente utilizar os créditos para adimplir débitos fiscais seus, para tanto, apresentando uma série de pedidos e declarações de compensação, listados nos itens 7 a 9 do Termo de Informação Fiscal (fls. 652/654). Conforme apurou a auditoria, o crédito presumido pretendido decorre da aquisição de diversos insumos, listados às fls. 439 e 452/456 – o principal deles, a “castanha de caju”, adquirida de agricultores pessoas físicas –, utilizados na produção de “amêndoas de castanha de caju” e “líquido de castanha de caju”, exportados pela recorrente. Relativamente às amêndoas de castanha de caju, apurouse ainda que a recorrente as exportava em três tipos distintos de embalagens: sacos laminados lisos, latas metálicas lisas e latas metálicas litigrafadas. A DRF indeferiu o ressarcimento aos seguintes argumentos: (a) o crédito presumido não pode ser apurado em aquisições junto a fornecedores pessoas físicas, a teor do art. 2º, §2º da IN/SRF nº 23/97; (b) as amêndoas de castanha de caju são classificadas na TIPI como “NT” – código 0801.32.00 –, o que impede o desfrute do crédito presumido; e (c) as latas litigrafadas caracterizam embalagem de apresentação, deslocando a classificação do produto para a “Ex. 01” do código 0801.32.00 da TIPI, com previsão de alíquota zero, o que permitiria a apropriação do crédito presumido. A recorrente, contudo, não logrou fazer prova de quais produtos e em quais quantidades foram exportados com esta embalagem. O recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 1.005/1.023) para sustentar que: (a) obtivera decisão judicial nos autos do processo nº 2001.05.00.0316769 (fls. 1046/1060), assegurandolhe o direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições de insumos de pessoas físicas; (b) já obtivera decisão favorável no processo administrativo nº 10380.001367/9990, que tratava de situação fática idêntica, razão pela qual, com fundamento no art. 146 do CTN, a mudança de critério jurídico da autoridade lançadora somente poderia se aplicar a fatos geradores posteriores a 24 de agosto de 2007, data em que o recorrente foi intimado da decisão da DRF que lhe indeferiu, neste processo, o ressarcimento requerido; Fl. 1395DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 5 4 (c) a dúvida na apuração de quais exportações foram feitas com embalagens litigrafadas deveria resolverse em seu favor, a teor do art. 112 do CTN; (d) não há relação necessária entre o campo de incidência do IPI e o direito ao crédito presumido, pois a Lei nº 9.363/96 não limitou este benefício aos “produtores e exportadores de produtos industrializados”, mas, sim, mais amplamente, aos “produtores e exportadores de mercadorias”; (e) ainda que assim não fosse, classificase, ele recorrente, como empresa industrial porque exerce beneficiamento das castanhas de caju, a despeito de a TIPI catalogar seu produto final como NT. Em 05.08.2009, a DRJ/BelémPA negou provimento à manifestação de inconformidade (fls. 1.084/1.086), aderindo à fundamentação da DRF. Sobreveio, então, recurso voluntário (fls. 1.091/1.116), aliás muito bem redigido, repisando os argumentos acima sintetizados. Eis o relato. [...] O resultado do julgamento do recurso voluntário interposto pela Contribuinte, nos termos do Acórdão nº 340301.671 (fls. 1237 a 1247), ora recorrido, foi no sentido de negar provimento para: (a) indeferir o pedido de ressarcimento da totalidade dos créditos decorrentes de aquisições de fornecedores pessoas físicas, decorrentes do reconhecimento por meio de ações judiciais, por terem sido protocolados anteriormente ao trânsito em julgado; (b) rejeitar a alegação de violação ao art. 146 do CTN por inovação e modificação de critério jurídico no lançamento, pois no processo administrativo de nº 10380.001367/99 90 obtivera a contribuinte decisão favorável quanto à apuração do crédito presumido de IPI; (c) reconhecer que somente os contribuintes do IPI (estabelecimentos industriais) fazem jus ao benefício do crédito presumido deste imposto; e (d) os produtos classificados na TIPI como NT não concedem o direito ao crédito presumido do IPI da Lei nº 9.363/96, por não sofrerem processo de industrialização. Em face da referida decisão, foram opostos pela Contribuinte embargos de declaração (fls. 1.253 a 1.279), com pedido de efeitos infringentes, alegando a existência de vícios de obscuridade, contradição e omissão no julgado. Em sede de julgamento, foram rejeitados os embargos de declaração, conforme acórdão nº 3403002.999 (fl. 1289 a 1292). No ensejo, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 1.296 a 1.318), alegando divergência jurisprudencial quanto à (a) modificação de critério jurídico e violação ao art. 146 do CTN; e (b) não reconhecimento do crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96 para os produtos nãotributados pelo IPI (estabelecimento industrial fabricante de castanhas de caju classificadas como nãotributadas). Para embasar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 140200.828; 9303001.544 e 9303001.551, respectivamente. Foi admitido parcialmente o recurso especial da Contribuinte, por meio do despacho s/nº, de 21 de abril de 2015 (fls. 1.363 a 1.367), proferido pelo ilustre Presidente da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial com relação à apuração do crédito presumido de IPI instituído Fl. 1396DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 6 5 pela Lei nº 9.363/96 quando os produtos exportados são considerados não tributados pelo IPI. Devidamente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 1.381 a 1.389), requerendo a negativa de provimento ao recurso especial da Contribuinte. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Fl. 1397DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. O recurso especial interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época de sua interposição, e reproduzido no RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com alterações posteriores, devendo, assim, ser conhecido. No mérito, cingese a controvérsia à possibilidade de ser reconhecido o direito ao crédito presumido do IPI estabelecido pela Lei nº 9.363/96 para os produtos exportados não tributados (NT) pelo IPI. Por meio da Lei nº 9.363/96, foi instituído benefício fiscal com o objetivo de desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, com o ressarcimento, na forma de crédito presumido de IPI, das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS incidentes sobre os insumos adquiridos empregados na produção de bens nacionais destinados ao mercado externo. Dispõe o art. 1º do referido diploma legal: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Conforme se depreende da norma, a benesse fiscal garante o direito ao crédito sobre mercadorias nacionais, tributadas ou nãotributadas pelo IPI, mediante o ressarcimento do valor do PIS e da COFINS das empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Não há restrição ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, não cabendo ao intérprete fazêlo. O crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96 tem por escopo o ressarcimento das contribuições para o PIS e a COFINS que incidem nas etapas anteriores da cadeira produtiva, não sendo relevante se o produto é ou não tributado pelo IPI na saída. Além Fl. 1398DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 8 7 disso, a legislação do IPI foi utilizada de forma subsidiária para os conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2º No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. § 4º A empresa comercial exportadora que, no prazo de 180 dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigada ao pagamento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS relativamente aos produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor correspondente ao do crédito presumido atribuído à empresa produtora vendedora. § 5o Na hipótese do parágrafo anterior, o valor a ser pago, correspondente ao crédito presumido, será determinado mediante a aplicação do percentual de 5,37% sobre sessenta por cento do preço de aquisição dos produtos adquiridos e não exportados. § 6º Se a empresa comercial exportadora revender, no mercado interno, os produtos adquiridos para exportação, sobre o valor de revenda serão devidas as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, sem prejuízo do disposto no § 4o. § 7º O pagamento dos valores referidos nos §§ 4o e 5o deverá ser efetuado até o décimo dia subseqüente ao do vencimento do prazo estabelecido para a efetivação da exportação, acrescido de multa de mora e de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal de venda dos produtos para a empresa comercial exportadora até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 9 8 Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Portanto, dos argumentos expendidos, a Recorrente tem o direito ao crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, mediante o ressarcimento das contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, o PIS e a COFINS, não importando se o produto sofrerá ou não a incidência do IPI na saída do estabelecimento. Além disso, embora a Lei nº 9.363/96 faça remissão à utilização da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI como subsídio ao conceito de produção, não o é em caráter restritivo do benefício do crédito presumido de IPI. A interpretação da norma deve darse em consonância com o objetivo para o qual foi criada, no caso, incentivar o comércio internacional de mercadorias brasileiras, para cuja produção tenham sido empregados insumos e matériasprimas e materiais de embalagem, submetidos à incidência das contribuições sociais do PIS e da COFINS. Não há, no texto legal, exigência de que o produto nacional deva ser tributado pelo IPI. Por fim, embora não seja exigência da lei instituidora do benefício em exame, corrobora o direito da Contribuinte ao crédito presumido de IPI o processo de industrialização a que é submetida a mercadoria nacional objeto de exportação castanha de caju conforme descrito em laudo juntado às fls. 512 e 513, in verbis: 2. DESCRIÇÃO DO PROCESSO PRODUTIVO O conhecimento, em linhas gerais, do processo de produção em todas suas etapas é fundamental para se conseguir um produto padronizado e de boa qualidade. A descrição a seguir mostra as principais etapas envolvidas no beneficiamento da castanha de caju. 2.1 Redução da Umidade ( SECADOR) As castanhas de caju ao chegarem à fábrica são analisadas pelo controle de qualidade e, de acordo com o teor da umidade, são expostas em um galpão apropriado para perda de umidade. O tempo de permanência varia de acordo com a umidade de cada lote recebido. 2.2 Classificação Após a redução da umidade as castanhas de caju são classificadas mecanicamente por tamanho e em seguida ensacadas em sacos devidamente identificados. 2.3 Umidificação Fl. 1400DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 10 9 As castanhas de caju classificadas são conduzidas através de transportadores helicoidais até os silos onde são lavadas. A umidificação tem por finalidade facilitar a operação subseqüente (cozimento e extração do LCC). As castanhas de caju são imersas em águas seguindose de um período de repouso, até atingir de 14 a 16% de umidade. 2.4 Cozinhamento Após a umidificação as castanhas de caju são transportadas para os cozinhadores que funcionam com LCC aquecido de 200 a 220°C. A imersão das castanhas de caju no banho de LCC cozinha as mesmas e retira boa parte do óleo que é transferido por gravidade para os tanques de estocagem( silos de resfriamento). 2.5 Decorticagem A castanha assada quando chega a uma temperatura de 45°C estai pronta para ser cortada. O corte das castanhas é feito através de discos rotativos, que tem como princípio a força centrífuga ,separando a amêndoa da casca, Após o corte a amêndoa com a casca são direcionada para um ventilador pneumático, onde é feita a separação. A casca é usada como combustível para as fornalhas e a amêndoa vai para o setor de secagem. 2.6 Estufagem As amêndoas com alto teor de umidade seguem para as estufas em carrinhos equipados com bandejas, onde permanecem por 14 a 15H, numa temperatura de 80°C. Após esse tempo as amêndoas saem com 4% de umidade e seguem para retirada da película. 2.7 Despeliculagem A despeliculagem é feita através do insuflamento de ar comprimido. As amêndoas não despeliculadas seguem novamente para estufa e desta para uma câmara fria para forçar um choque térmico; com o objetivo de facilitar a retirada da película. 2.8 Seleção eletrônica e manual A seleção é feita por cor e tamanho. A cor é selecionada através de uma máquina que compara a cor da amêndoa com padrões préestabelecidos na máquina, ocorrendo, assim, a separação. A separação pôr tamanho é feita manualmente , onde as amêndoas passam numa esteira e as mulheres selecionam dentro de um padrão normatizado. 2.9 Revisão As amêndoas selecionadas são transportadas para a mesa de classificação onde passam por uma revisão final, sendo retiradas as que estão fora dos padrões. 2.10 Embalagens Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 11 10 As amêndoas são embaladas em latas litografadas e lisa de capac. 11.34 kg e caixas de papelão B2 K50 36 x 250g, caixas de papelão p/ latas 475x238x350g e caixas de papelão ondulado p/ saco de 1 a 50 Lbs. Internamente a embalagem é de saco laminado PET/NY/PE 50 Lbs, fechada a vácuo e preservada por dióxido de carbono para evitar a deterioração (possível infestação por eventuais ovos de insetos) do produto. 2.11 Armazém de P.A. Finalmente as caixas são armazenadas sobre estrados e organizadas pôr tipos e em pilhas de 20 caixas cada. [...] Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte para reconhecer o direito ao crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1402DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho entendimento diferente a respeito do assunto. Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 13 12 acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/98 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto no atual regulamento: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a Fl. 1404DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 14 13 notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10380.014885/200140 Acórdão n.º 9303004.958 CSRFT3 Fl. 15 14 produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1406DF CARF MF
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