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Numero do processo: 10070.001784/2007-06
Data da sessão: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2006
DCTF, SEMESTRAL, MENSAL. ALTERAÇÃO. VEDAÇÃO LEGAL. MULTA. PERÍODO.
Havendo impedimento legal para retificação de DCTF semestral em mensal à época, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrado do contribuinte a multa por atraso na entrega no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-000.161
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relatar. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, relatar, Judith do Amaral Marcondes Armando, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Designado o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ALTERAÇÃO. VEDAÇÃO LEGAL. MULTA. PERÍODO. Havendo impedimento legal para retificação de DCTF semestral em mensal à época, sendo necessário procedimento administrativo para tal, não pode ser cobrado do contribuinte a multa por atraso na entrega no período entre o protocolo do pedido de cancelamento e a ciência daquela decisão, Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relatar. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira, relatar, .Tudith do Amaral Marcondes Armando, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Designado o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes para redigir o voto vencedor, r9a Helena TrajanoilD'amorim - Presidente / CkÀ)02-E,, ld} areei° Ribeiro 1/11,C1 UjA,O.J. ogueira Relator EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatório O contribuinte, ora recorrente, foi autuado para a exigência de multa pela entrega fora do prazo legal da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, relativa ao mês de fevereiro de 2006. Alega que apresentou a DOU semestral tempestivamente por erro, já que reconhece que deveria ter apresentado a declaração mensalmente, mas aponta que estaria impedido de apresentar a declaração correta enquanto a Receita Federal do Brasil não homologasse o seu pedido de cancelamento da DCTF anteriormente apresentada, por tratar-se de caso de mudança de periodicidade, na forma do §8 0 do art, 12 da IN/SRF n° 583/05. Ademais, argumenta que o termo final para a aplicação da referida multa deveria ser afastada posto que o atraso decorre da morosidade do próprio serviço público. Requer ainda a aplicação retroativa do disposto na parte final do art. 13 da IN/SRF n0 695, de 14 de dezembro de 2006, que trata das DCTF's apresentadas com periodicidade semestral quando o contribuinte estivesse obrigado a apresentar mensalmente tal declaração. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa.' Assunto: Obrigações Acessórias, Ano-calendário: 2006 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Deve ser mantida a utilização do termo final de incidência contido no § 1" do art. 7" da Lei n" 10.426/2002, por inexistente qualquer previsão legal ou normativa que permita a utilização de outro termo. Lançamento procedente O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado corno relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 2 Processo IV 10070 001784/2007-06 Acórdão r "3102-00J61 S3-C/T2 Fl. 71 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator Conheço do recurso por ser tempestivo e atender aos requisitos de admissibilidade, Quanto aos argumentos de impedimento de apresentação da DCTF formulados pelo ora recorrente, entendo que os mesmos não são suficientes para diferir o prazo para o cumprimento da obrigação tributária acessória, posto que na dúvida sobre o procedimento adequado e para preservar seu direito o mesmo dispunha do instrumento da consulta. Igualmente entendo que não tem razão o contribuinte no que se refere ao termo final adotado para a aplicação da multa, já que o mesmo foi aquele previsto expressamente na lei, sendo impossível novamente alegar-se a impossibilidade de apresentação, quando não foi apresentada a respectiva consulta fiscal para resguardar o direito alegado. Reforça este meu entendimento o teor do parágrafo único do art, 1.3 da IN SRF n° 695/06, indicado pelo próprio recorrente em seu recurso, cujo texto é o seguinte: Art. 13. A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo ano-calendário não produzirá efeitos, salvo nos casos de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal. Parágrafo único. Em se tratando de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal, será devida a multa pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, (grifos acrescidos ao original) Observo que o mesmo comando, no que se refere à multa, está praticamente repetido no parágrafo único do art. 12 da IN RFB n° 90.3, de dezembro de 2008, que regulamenta a matéria atualmente. Pessoalmente, entendo que a entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF, espontaneamente, ou seja, antes do início de qualquer procedimento fiscal que vise exigir do contribuinte o cumprimento da mencionada obrigação acessória, configura a exclusão da responsabilidade prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, contudo, curvo-me à jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça, da Câmara Superior de Recursos Fiscais e desta Egrégia Câmara, que não reconhecem esta exclusão. Observo, entretanto, um novo argumento, que margeia as jurisprudências citadas, e merece ser analisado, pois, acredito, reduz a multa aplicada pela fiscalização. Senão vejamos: 3 A multa proporcional deve ser afastada por incidência do comando descrito no artigo 138 do Código Tributário Nacional, cujo texto transcrevo: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se . for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo (mico Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A multa foi aplicada na forma descrita no artigo 7° da Lei n° 10,426/02, verbis: Art. 7" O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributárias Federais - DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte - DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, nos prazos .fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não- apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, e sujeitar-se-á às seguintes multas .• (Redação dada pela Lei n" 11.051, de 2004). 1- de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na D1PJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3; lI - de 2%(dois por cento) ao mês-calendário ou fiação, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na DIRF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a 20%(vinte por cento), observado o disposto no § 3"; III - de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez intim-mações incorretas ou omitidas. III - de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fiação, incidente sobre o montante da Co fins, ou, na sua . falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de .falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no 3" deste artigo; (Redação dada pela Lei n°11 051, de 2004). IV - de R$ 20,00 (vinte reais) paia cada grupo de 10 (dez) intim-mações incorretas ou omitidas (Incluído pela Lei n°11051, de 2004). 4 Processo nü 10070 001784/2007-06 Acórdão n 3102-00,161 S3-C112 Fi 72 § 1" Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos 1 e II do capta, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente ,fixado para a entrega da declaração e como termo . final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura do auto de ii!fração. § 1" Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao iétlni110 do prazo originahnentefixado para a entrega da declaração e como termo . final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, da lavratura auto de infração. (Redação dada pela Lei n" 11.051, de .2004). § 2" Observado o disposto no § 3", as multas serão reduzidas: 1- à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II - a 75%(setenta e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3°A multa mínima a ser aplicada será de: I - R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n" 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II - R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos., § 4" Considerar-se-á não entregue a declaração que não atendei- às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal_ § .5" Na hipótese do ,sç 4", o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de 10(dez) dias, contados da ciência da intimação, e sujeitar-se-á à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos ,g 1" a 3". Corno já dito acima, a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça desautoriza este argumento para afastar a multa pelo atraso na entrega da DCTF, entretanto, nenhuma decisão que conheço trata da quantificação da referida multa e da incidência do comando acima transcrito sobre esta quantificação. Sempre defendi que a aplicação de multa por des cumprimento de obrigação acessória não poderia ser feita por percentual do tributo ou de qualquer outro valor a que esta estivesse relacionada, por gerar distorções enormes e injustificáveis, ferindo diversos princípios constitucionais. Não entrarei no debate da matéria constitucional, por ser vedado este na via estreita do processo administrativo fiscal. Porém entendo que este debate constitucional é desnecessário, pois o mencionado artigo 138 já afasta a possibilidade de aplicação da multa mencionada, na forma aplicada pela fiscalização no presente feito Isto porque a multa foi calculada como percentual dos créditos tributários apurados nos respectivos períodos relacionados no auto de infração, ou seja, foi atribuída 5 responsabilidade ao contribuinte e, logo, aplicada a respectiva multa por mora de sua obrigação, tendo por base de cálculo o tributo (pago ou não) devido no período. Se o contribuinte cumpriu os requisitos previstos para a denúncia espontânea ou se cumpriu regularmente a obrigação principal, estabelece a legislação que nenhuma multa de mora lhe deve ser cobrada. Entretanto, se interpretarmos que é possível aplicar, nestas mesmas hipóteses, a multa prevista no artigo no art, 7° da Lei n° 10.426, de 24/04/2002 estaríamos criando um novo caminho para exigir novamente a multa de mora da obrigação principal, que foi afastada pela denúncia espontânea ou pelo recolhimento regular do tributo. Em verdade, as duas multas se misturam, sendo impossível separar uma da outral e ambas devem ser afastadas em obediência ao disposto no artigo 138 do CTN. O instituto da denúncia espontânea visa impedir a punição indevida do contribuinte de boa fé, que tendo observado seu equívoco na apuração do tributo devido, corrige de forma eficaz tal equívoco ou se arrepende, também de forma eficaz, do procedimento errado que adotou. Assim, não deve tal contribuinte pagar a multa punitiva por seu atraso. Ora, a legislação tributária federal e a jurisprudência reforçada pela recente Súmula n° 360 1 do STJ, afirmam (na minha opinião, de forma equivocada, inconstitucional e ilegal) que a DCTF, documento eletrônico que formaliza a apuração pelo contribuinte do quantum tributável no período, deve ser considerada como confissão do débito e afasta a própria denúncia espontânea. Logo, caso tenha declarado o tributo devido na DCTF, o contribuinte perde o direito de usar sua prerrogativa prevista no artigo 138 do CTN, segundo este entendimento. Se, entretanto, deixar de apresentar a DCTF no prazo legal e pagar o tributo antes de sua apresentação, terá direito à denúncia espontânea, já que não haveria a confissão (neste sentido, é interessante e reveladora a inclusão do qualificativo "regularmente" no texto da referida Súmula n° 360). Contudo, ao fixar uma multa proporcional ao valor do "montante dos tributos e contribuições informados" pelo atraso na entrega da DCTF, a legislação cria uma nova multa punitiva, que resvala o disposto do CTN, dando um "jeitinho" para aplicar uma multa que o sistema jurídico tributário não aceita como devida.. O contribuinte, ao invés de ter o afastamento completo da multa, teria na realidade somente um desconto, posto que a multa pelo atraso da DM será menor que aquela aplicável pelo atraso no pagamento do imposto. Isto é inaceitável! Acrescente-se a isto, a clara violação ao princípio da razoabilidade2, pois leva à punição de uma mesma infração, praticada pelo mesmo contribuinte, pelos mesmos motivos, com valores totalmente distintos. Vejamos o exemplo: Súmula n°360 do ST J: "O beneficio da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" 2 Não se argumente a impossibilidade de aplicação do princípio da razoabilidade, pois há lei específica determinando sua aplicação ao processo administrativo, qual seja, a Lei n" 9874, de 29 de janeiro de 1999, em seu artigo 2", que por seu artigo primeiro é considerada norma básica a todo procedimento administrativo. 6 Processo n° 10070.001784/2007-06 S3-C1 Acórdão n ° 3102-00.161 Fl 73 Um contribuinte deixa de apresentar as quatro DCTFs trimestrais em um determinado ano, por imperícia de seu contador ou por decisão de seu administrador, ou por qualquer motivo, e vem a ser autuado pelo atraso nesta apresentação. Este mesmo contribuinte informou tributos e contribuições no total de R$ 10.000.000,00 em determinado período de apuração e R$ 100.000,00, R$ 150.000,00 e zero nos seguintes, logo, estando sujeito à multa máxima, pagaria R$ 200.000,00, R$ 2,000,00, R$ .3,000,00 e R$ 500,00, tudo pela mesmíssima infração. É evidente que não é possível tal procedimento. A punição da prática adotada pelo contribuinte não pode variar em razão de um fator que nada tem com esta mesma prática, com o eventual dano sofrido pela administração ou com o eventual beneficio usufruído pelo infrator. Não se argumente aqui que o dano/beneficio é o não recolhimento dos valores devidos à União Federal, já que, conforme verificamos acima, o recolhimento dos tributos não depende ou está vinculado necessariamente à apresentação da DCTF, logo, mesmo não tendo apresentado a DCTF, o contribuinte pode ter pago integral e regularmente os tributos devidos. A multa em questão somente é possível de se aplicar, se for fixada num valor fixo. Sua aplicação por percentual dos tributos é, repita-se, claramente violadora do principio da razoabilidade, que deve ser observado, por força do disposto no artigo segundo da Lei n° 9.784/99. Também fere eqüidade, a aplicação da multa acima, quando se aplica ao mesmo exemplo acima, mas a contribuintes distintos. Ou seja, na hipótese de termos, dois contribuintes distintos, que tem a mesma capacidade contributiva (ou seja, com o mesmo patrimônio e receitas anuais), deixaram de entregar a DCTF no prazo legal pelos mesmos motivos, contudo tiveram no período faturamentos distintos e, portanto, montantes a recolher de tributos e contribuições distintas. Deste modo, imaginemos dois contribuintes com o mesmo faturamento anual, que deixaram de apresentar a DCTF do primeiro trimestre de um determinado ano, sendo que um tinha naquele trimestre R$ 10,000,000,00 a recolher de tributos e contribuições e o outro, R$ 100.000,00, logo, estando ambos sujeitos à multa máxima, o primeiro pagaria R$ 200.000,00, e o segundo somente, R$ 2.000,00. Parece-me evidente o tratamento desigual injustificável. Ressalto ainda que a aplicação da multa proporcional porque esta fere a capacidade contributiva, quando ignora o referencial ofensivo para a aplicação da multa e utiliza critério que desconsidera a real situação financeira do contribuinte, já que o alto recolhimento de tributo num determinado período não significa um alto resultado ou uma alta capacidade contributiva nos demais períodos. Por fim, viola também a legalidade estrita, posto que a legislação ordinária não pode criar novas incidências sobre os mesmos fatos geradores de tributos já existentes e ao fazer a multa incidir sobre os créditos tributários apurados no período, a Lei n° 10.426/02 indiretamente está novamente tributando os seus respectivos fatos geradores ou criando um adicional a estes tributos; dentre outros. 7 , leira Le o•--) Marcelo RibeiroRibeiro No Outro argumento que merece análise para afastar a incidência da multa é o comando legal do parágrafo terceiro do artigo 113, verbis: Art 11.3. A obrigação tributária é principal ou acessória.. § 3" A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Como o termo final para o cálculo da multa proporcional é o inadimplemento da obrigação acessória pelo contribuinte (com atraso), logo a aplicação da multa de mora fica afastada, pois, neste caso, não existe mais a pretensa inobservância da obrigação. Melhor explicando, como a multa foi, no presente caso, aplicada depois de sanada a inobservância, ou seja, após a efetiva apresentação da DCTF, no momento da lavratura do auto de infração não havia a inobservância da norma legal, pois a obrigação acessória havia sido adimplida, sendo impossível a aplicação de multa. A multa somente poderia ser aplicada antes da apresentação e a redução prevista no parágrafo segundo, inciso 1 do artigo do artigo 7' da Lei n° 10.426 é de observância obrigatória em todos os casos. Por todo o exposto acima, conheço do recurso e dou-lhe provimento para afastar a aplicação da multa por atraso na entrega das DCT.Fs pelo contribuinte, calculadas sobre o crédito o montante dos tributos e contribuições informados nas mesmas, É como voto. Voto Vencedor Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Redator Designado Discute-se nos autos o lançamento de multa por atraso na entrega de DCTF. A peculiaridade neste caso é que a DCTF originariamente entregue foi semestral, quando o correto seria mensal. Em face desta situação, a recorrente ingressou com pedido administrativo para cancelamento da DCTF enviada equivocadamente, já que a IN n." 583/2005 expressamente vedava tal mudança: Art. 12. A alteração das infbrmações pres. tadas em DM' será efetuada mediante apresentação de DCTE retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificado. § .1 2 A DCTF" retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar .' ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. 8 Nocesso n° 10070 001784/2007-06 S3-C1T2 Acórdão n " 3102-00.161 F I 74 § 22- A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições.' I -- cujos saldos a pagar .já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União, nos casos em que importe alteração desses saldos; II — urjas valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; ou III— em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 32 A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração: § 42 A pessoa . jurídica que apresentar declaração retificado/a, relativa ao ano-calendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 32, que resulte em redução da receita bruta auferida ou do valor do somatório dos débitos declarados nas DCTF, poderá apresentar pedido de dispensa de apresentação da DCTF Mensal, mediante a formalização de processo administrativo.. § 52 O pedido de dispensa de que trata o § 42 será formalizado pela pessoa jurídica, perante a unidade da SRF de seu domicílio tributário, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento da condição de obrigada à apresentação da DCTF Mensal.. § 62 A pessoa jurídica que apresentar DCTF retfficadora, alterando valores que tenham sido informados: — na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; II — no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon regficador. § 72 Verificando-se a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 82 A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Das Disposições Finais 9 Ali, 13. A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo ano-calendário não produzirá efeitos. Somente passou a ser possível a referida alteração a partir de dezembro de 2006, através da IN 695/2006: At 13, A DCTF apresentada com periodicidade diversa da primeira declaração entregue relativa ao mesmo ano-calendário não produzirá efeitos, salvo nos casos de entrega indevida da DCTF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal. Parágrafo único Em se tratando de entrega indevida da DCIF Semestral por pessoas jurídicas que se enquadrem nas hipóteses de obrigatoriedade de entrega da DCTF Mensal, será devida a multa pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado. O que se verifica, então, é que para que a recorrente, à época dos fatos, pudesse alterar e entregar a DCTF mensal, mesmo que em atraso, se fazia necessário o cancelamento pela RIS da DCTF semestral anteriormente entregue. Assim, entendo não possa a recorrente ser penalizada pelo atraso na entrega da declaração no período do protocolo do pedido de cancelamento da DCTF semestral até a ciência do deferimento daquele. Entendo assim porque neste ínterim, a recorrente se encontrava a mercê da fiscalização, não podendo ser prejudicada por eventual demora na apreciação de seu pleito. Devemos lembrar que o art. 13 supra não explicita como se dará a cobrança da multa nestes casos, somente especificando a expressão "período considerado". Assim, entendo devamos interpretar a referida norma em conjunto com a Lei n.° 9.784/99, que regula o Processo Administrativo Federal, e assim preceitua: Art. 2a A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único: Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: 1 - atuação conforme a lei e o Direito; 11 - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV- atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa- fé; V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na constituição; 10 Processo n0 / 0070 001784/2007-06 S3-C1T2 Acórdão ri •° 3102-00i61 El 75 VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão,. VIII — observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações . finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII - impulsão, de oficio, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII - intopretação da norma administrativa da .fbrma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação Assim, sopesando direitos e deveres da administração e dos administrados, entendo que a melhor solução para o caso é o afastamento da multa por atraso na entrega da DCTF somente para o período entre o protocolo do pedido de cancelamento da DCTF semestral e o primeiro dia útil seguinte ao da ciência daquela decisão, procedimento necessário para que o contribuinte pudesse sanar sua falha Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos Luciano Lopes d "Almeida Moraes I
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Numero do processo: 10805.003897/89-81
Data da sessão: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PIS FATURAMENTO - EX. 1986 - Decorrência - Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no processo matriz é aplicável ao julgamento do processo matriz é aplicável ao julgamento do processo decorrente, dada a relação de causa e efeito que vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-29.977
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para ajustar a exigência do decidido no processo principal, através do acórdão n° 102-27.157, de 08/07/92, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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Numero do processo: 35013.000507/2007-83
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 08/08/2006
ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ARTIGO 55, INCISOS III E V, DA LEI N° 8.212/91.
Se a entidade promoveu a assistência social beneficente, nos tenuos do inciso III, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91, bem como se não restou demonstrado que o resultado operacional da entidade teve aplicação diversa da destinada ao desenvolvimento dos seus objetivos institucionais, tal qual previsto pelo
inciso V, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91, é improcedente a pretensão da Fazenda Nacional quanto à impossibilidade de reconhecimento do direito à isenção pleiteada.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.666
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Gonçalo Bonet Allage
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 08/08/2006 ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - ARTIGO 55, INCISOS III E V, DA LEI N° 8.212/91. Se a entidade promoveu a assistência social beneficente, nos tenuos do inciso III, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91, bem como se não restou demonstrado que o resultado operacional da entidade teve aplicação diversa da destinada ao desenvolvimento dos seus objetivos institucionais, tal qual previsto pelo inciso V, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91, é improcedente a pretensão da Fazenda Nacional quanto à impossibilidade de reconhecimento do direito à isenção pleiteada. Recurso especial negado.
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Se a entidade promoveu a assistência social beneficente, nos tenuos do inciso III, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91, bem como se não restou demonstrado que o resultado operacional da entidade teve aplicação diversa da destinada ao desenvolvimento dos seus objetivos institucionais, tal qual previsto pelo inciso V, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91, é improcedente a pretensão da Fazenda Nacional quanto à impossibilidade de reconhecimento do direito à isenção pleiteada. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do olegiado, or unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. CARLOS ALBER O F I TAS jk/ RETO- Presidente 01/P.011.%4,4av GONÇALO BONE ALL GE — Relator Processo n°35013.000507/2007-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.666 Fl. 2 1 4 MAIO 2010 EDITADO EM: Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior e Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Relatório Centro Espirita Cavaleiros da Luz, entidade sem fins lucrativos, inscrita no CNPJ sob n° 15.679.384/0001-98, protocolou em 08/2006 pedido de isenção de encargos previdenciários às fls. 01, anexando os documentos de fls. 02-93. A Delegacia da Receita Previdenciária em Salvador (BA) indeferiu o pleito (fls. 322-325). Por sua vez, a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso voluntário interposto, proferiu o acórdão n° 206-00.543, que se encontra às fls. 337-351 (Volume II), cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 08/08/2006 PEDIDO DE ISENÇÃO. Não houve constatação de violação ao inciso IV do art. 55 da Lei n° 8.212/91, que veda a remuneração de dirigentes de entidades isentas. A entidade cumpre o requisito contido no inciso III do art. 55 da Lei n° 8.212/91, que exige a promoção de assistência social a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes. Quanto ao requisito constante no inciso V do art. 55 da Lei n° 8.212/91, não houve nenhuma demonstração de que o resultado operacional da entidade tenha tido aplicação diversa da destinada ao desenvolvimento dos seus objetivos institucionais. Recurso Voluntário Provido. A decisão recorrida, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (Relatora), Ana Maria Bandeira e Bernadete de Oliveira Barros, que negaram provimento, sendo Redator Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Intimada do acórdão em 03/12/2008 (fls. 351, Volume II), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, combinado com o artigo 15, ambos 2 Processo n°35013.000507/2007-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.666 Fl. 3 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 355-358, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) A decisão recorrida viola o artigo 55, inciso III, da Lei n° 8.212/91; b) A fiscalização apurou que apenas 8% dos recursos empregados em assistência social no ano de 2005 eram próprios da entidade. Todo o restante proveio de convênios com órgãos públicos; c) Os gastos com assistência social devem representar um desembolso de recursos financeiros da entidade e não um mero repasse de recursos públicos. O beneficio fiscal visa justamente desonerar a entidade que amealha recursos de quem em tese não possui obrigação de prestar assistência aos necessitados, para fazê-lo; d) Também foi violado o inciso V do mesmo artigo, tendo em vista que a entidade não aplicou "integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais", durante pelo menos dois anos consecutivos, com superávit acumulado de mais de 150 mil reais, não demonstrando que tal acumulação teria um objetivo relacionado a suas finalidades institucionais; e) A recorrida alega que os resultados operacionais foram levados à conta de patrimônio da entidade, sendo de se questionar o porquê desses valores não terem sido revertidos em ampliação da assistência prestada, em face do quanto dispõe o violado inciso V mencionado, no sentido de que a integralidade do resultado operacional deveria ser investida nos objetivos institucionais; f) Como bem observado no voto-vencido, ante a acumulação de riqueza observada, incomum diante de seus objetivos sociais, seria necessário à entidade justificar a finalidade de tal atitude, finalidade esta que deve ser invariavelmente na manutenção e desenvolvimento dos objetivos a que se propõe; g) Por tais motivos, deve ser reformado o acórdão recorrido, restabelecendo- se a decisão de primeira instância. Admitido o recurso por meio do Despacho n° 027/2009 (fls. 359-360, Volume II), a entidade foi intimada e apresentou contra-razões às fls. 393-396, onde alegou, em apertada síntese, que: 1. Os convênios, que são acordos filmados para realização de atividades de interesse coincidentes entre o ente público e as organizações particulares, têm as suas verbas contabilizadas nas contas de passivo da Entidade, não transitando em contas de resultado; 2. O próprio tratamento contábil caracteriza o atendimento ao requisito do inciso III, pois o recorrido assume o ônus da prestação da assistência social pela vinculação dos recursos à execução do objeto do convênio; 3 Processo n° 35013.000507/2007-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.666 Fl. 4 3. Está caracterizada a promoção de assistência social beneficente exigida pelo inciso III do artigo 55, além do que os relatórios anteriormente apresentados demonstram que 23% dos recursos próprios da entidade foram aplicados na assistência social; 4. Ainda, se a entidade aufere mais receitas do que despesas e esse lucro não é distribuído pela natureza da entidade, como comprovado anteriormente, as Normas Brasileiras de Contabilidade determinam a contabilização destes valores na conta de Patrimônio Social, ocasionando o resultado questionado; 5. É o que dispõe a NBC T-10, item 10.19.2.7: "O valor do superávit ou déficit do exercício deve ser registrado na conta Superávit ou Déficit do Exercício enquanto não aprovado pela assembléia dos associados e após a sua aprovação, deve ser transferido para a Conta Patrimônio Social."; 6. Deve, pois, ser mantido o acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, reconhecendo à entidade o direito à isenção de contribuições previdenciárias. Segundo a recorrente, a interessada não cumpriu os requisitos previstos no artigo 55, incisos III e V, da Lei n° 8.212/91, motivo pelo qual deve ser restabelecida a decisão de primeira instância, que indeferiu a pretensão. Eis a matéria em litígio. Pois bem, nos termos do § 7 0 , do artigo 195, da Constituição Federal, "3S' 70. São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." Para este feito, releva destacar as exigências previstas no artigo 55, incisos III e V, da Lei n° 8.212/1991, cuja redação ao tempo dos fatos em apreço era a seguinte: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: 4 Processo n° 35013.000507/2007-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.666 Fl. 5 III - promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; (.) V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). Portanto, estava isenta da contribuições previstas nos artigos 22 e 23 da Lei n° 8.212/91 a entidade que promovesse a assistência social beneficente e aplicasse integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Assistência Social, segundo De Plácido e Silva', "Consiste na política social que prevê o atendimento das necessidades básicas da população em relação à família, à adolescência, à velhice e à deficiência, independentemente de contribuição à seguridade social." Sobre a questão, enfocando especificamente a Política Pública de Assistência Social, no voto-condutor do acórdão recorrido o Conselheiro Elias Sampaio Freire asseverou que (fls. 344-345): Para melhor compreensão da POLÍTICA PÚBLICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, e de quem são seus usuários, transcrevo trecho da POLITICA NACIONAL DE ASSISTêNCIA SOCIAL — PNAS, que aborda a questão: "2 POLÍTICA PÚBLICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL De acordo com o artigo primeiro da LOAS, "a assistência social, direito do cidadão e dever do Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que provê o mínimos sociais, realizada através de um conjunto integrado de iniciativa pública e da sociedade, para garantir o atendimento às necessidades básicas". A Constituição Federal de 1988 traz uma nova concepção para a Assistência Social brasileira. Incluída no âmbito da Seguridade Social e regulamentada pela Lei Orgânica da Assistência Social — LOAS — em dezembro de 1993, como política social pública, a assistência social inicia seu trânsito para um campo novo: o campo dos direitos, da universalização dos acessos e da responsabilidade estatal. A LOAS cria uma nova matriz para a política de assistência social, inserindo-a no sistema de bem-estar social brasileiro concebido como campo de Seguridade Social, configurando o triângulo juntamente com a saúde ea previdência social. A inserção na Seguridade Social aponta, também, para seu caráter de política de Proteção Social articulada a outras políticas do campo sociais, voltadas à garantia de direitos e de condições dignas de vida. 1 Segundo Di Giovanni (1998:10), entende-se por Proteção Social as formas "às vezes mais, às vezes menos institucionalizadas que as sociedades constituem para proteger parte ou o conjunto 1 Na obra Vocabulário Jurídico, 27. ed., atualizadores Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho, Forense, Rio de Janeiro, 2008, p. 151. Processo n° 35013.000507/2007-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.666 Fl. 6 de seus membros. Tais sistemas decorrem de certas vicissitudes da vida natural ou social, tais como a velhice, a doença, o infortúnio, as privações. Incluo neste conceito, também, tanto as formas seletivas de distribuição e redistribuição de bens materiais (como a comida e o dinheiro), quanto os bens culturais (como os saberes), que permitirão a sobrevivência e a integração, sob várias fornias na vida social. Incluo, ainda, os princípios reguladores e as noimas que, com intuito de proteção, fazem parte da vida das coletividades". Desse modo, a assistência social configura- se como possibilidade de reconhecimento público da legitimidade das demandas de seus usuários e espaço de ampliação de seu protagonismo. Nesse sentido, a Política Pública de Assistência Social marca sua especificidade no campo das políticas sociais, pois configura responsabilidades d.e Estado próprias a serem asseguradas aos cidadãos brasileiros. Marcada pelo caráter civilizatório presente na consagração de direitos sociais, a LOAS exige que as provisões assistenciais sejam prioritariamente pensadas no âmbito das garantias de cidadania sob vigilância do Estado, cabendo a este a universalização da cobertura e a garantia de direitos e acesso para serviços, programas e projetos sob sua responsabilidade. (—) 2.4. Usuários Constitui o público usuário da política de Assistência Social, cidadãos e grupos que se encontram em situações de vulnerabilidade e riscos, tais conto: famílias e indivíduos com perda ou fragilidade de vínculos de afetividade, pertencimento e sociabilidade; ciclos de vida; identidades estigmatizadas em termos étnico, cultural e sexual; desvantagem pessoal resultante de deficiências; exclusão pela pobreza e, ou, no acesso às demais políticas públicas; uso de substâncias psicoativas; diferentes foimas de violência advinda do núcleo familiar, grupos e indivíduos; inserção precária ou não inserção no mercado de trabalho founal e informal; estratégias e alternativas diferenciadas de sobrevivência que podem representar risco pessoal e social." Da declaração de voto proferida pela Conselheira Ana Maria Bandeira consta a afirmação no sentido de que (fls. 349) "Nesse sentido, da assistência social apresentada como realizada pela recorrente, verifica-se que aquelas prestadas com recursos próprios resumem-se à distribuição de cestas básicas, lanches, agasalhos, enxovais a gestantes e sopa em comunidades carentes, bem como a feitura de curativos." Salvo melhor juízo, é inquestionável e, quiçá, incontroversa, a promoção de assistência social beneficente pela interessada. Por que motivo, então, a entidade não teria atendido a regra do inciso III, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91? Está expresso na declaração de voto da Conselheira Ana Maria Bandeira que seria imprescindível demonstrar a situação de hipossuficiência dos atendidos (fls. 350). Já para a recorrente, a fiscalização apurou que apenas 8% dos recursos empregados em assistência social no ano de 2005 eram próprios da entidade, ou seja, o ônus da assistência não recai sobre ela. 6 Processo n° 35013.000507/2007-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.666 Fl. 7 Segundo penso, com todo o respeito, tais considerações não permitem concluir que a interessada descumpriu a previsão do inciso III, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91. Devo trazer à colação, adotando-as como razões de decidir, as colocações feitas pelo Redator Designado do acórdão recorrido, Conselheiro Elias Sampaio Freire (fls. 346-347): No que é pertinente ao descumprimento do inciso III do art. 55 da Lei n° 8.212/91, que exige a promoção de assistência social a menores, idosos, excepcionais ou, pessoas carentes, ora transcrevo trecho da r. decisão que demonstra as razões que levaram a conclusão do descumprimento do referido dispositivo: "Verificamos, então, que o valor empregado em assistência social, custeado com recursos próprios, monta apenas, no valor de R$ 64.318,27, conforme acima, valor ínfimo se considerarmos que a receita total do ano de 2005 foi de 795.568,07 (conf. Balanço/DRE), e que representa apenas 8% (oito por cento) desta e, ainda, que este valor é inferior ao próprio beneficio fiscal pleiteado, de R$ 70.931,61 (sem incluir Cotins e CSLL), para 2005" (.) Outrossim, custa-me crer que o fornecimento sopas, cestas básicas e lanches para pessoas carentes, a concessão de enxovias e, ainda, a realização de curativos, também para pessoas carentes não possam ser consideradas como atividades de assistência social destinadas aos usuários desta política pública. A ponto de se exigir a comprovação de hipossuficiência daqueles que se encontram em uma fila para tomar um prato de sopa. Ressalte-se que a própria decisão recorrida entendeu que estas atividades deveriam ser consideradas como assistência social, apesar de considerá-las insuficientes, em termos quantitativos, para a obtenção do beneficio previsto no art. 55 da Lei n° 8.212/91. Por sinal, a exigência de percentual mínimo de gratuidade, ainda, a exigência de que a gratuidade praticada seja superior ao valor da isenção concedida é exigência para a concessão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, constante no art. 30, VI do Decreto n° 2.536/98, in verbis: "Ar: 3 0 . Faz jus ao Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos a entidade beneficente de assistência social que demonstre, nos três anos imediatamente anteriores ao requerimento, cumulativamente: (--) VI - aplicar anualmente, em gratuidade, pelo menos vinte por cento da receita bruta proveniente da venda de serviços, acrescida da receita decorrente de aplicações financeiras, de locação de bens, de venda de bens não integrantes do ativo imobilizado e de doações particulares, cujo montante nunca será inferior à isenção de contribuições sociais usufruída:" 4r 7 Processo n° 35013.000507/2007-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.666 Fl. 8 Não é de hoje que o fisco previdenciário tem adotado a conduta de não conceder ou cancelar a isenção em virtude de entender que a entidade beneficente não cumpre, a ser ver, os requisitos para a obtenção e manutenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Tanto é verdade, que para dirimir este conflito de competência existente entre o INSS, então detentor da competência referente à fiscalização previdenciária, e o CNAS, o Ministério da Previdência e Assistência Social emitiu o Parecer n° 2.272/2000, que resolveu a questão nos seguintes termos: "EMENTA: CONFLITO DE COMPETÊNCIA ENTRE INSS E CNAS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. CERTIFICADO DE ENTIDADE DE FINS FILANTRÓPICOS E PEDIDO DE ISENÇÃO. Ao CNAS compete, com exclusividade, verificar se a entidade cumpre os requisitos do Decreto n° 2.536, de 6 de abril de 1998, para obtenção ou manutenção do certificado de entidade de fins filantrópicos. Ao INSS compete verificar se a entidade cumpre os requisitos do art. 55 da Lei 110 8.212, de 24 de julho de 1991, para obter a isenção das contribuições." Isto posto, verifica-se que a exigência de percentual mínimo de gratuidade, no caso 20%, e ainda, se a gratuidade praticada é superior ao valor da isenção de contribuições sociais usufruídas é requisito constante tão somente no Decreto n° 2.536/98, cuja verificação compete ao CNAS. Assim sendo constata-se que a entidade cumpre o requisito contido no inciso III do art. 55 da Lei n° 8.212/91, que exige a promoção de assistência social a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes. Sob minha ótica, a entidade Centro Espírita Cavaleiros da Luz promoveu a assistência social beneficente, nos termos do artigo 55, inciso III, da Lei n° 8.212/91, devendo ser mantido o acórdão recorrido. Também discordo da Fazenda Nacional quanto à alegação de que a decisão de segunda instância teria violado o inciso V, do artigo 55, da Lei n° 8.212/91, pois a interessada não teria aplicado integralmente os superávits acumulados em dois anos consecutivos, em valor superior a R$ 150.000,00, na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais. De acordo com a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T-10, item 10.19.2.7, "O valor do superávit ou déficit do exercício deve ser registrado na conta Superávit ou Déficit do Exercício enquanto não aprovado pela assembléia dos associados e após a sua aprovação, deve ser transferido para a conta Patrimônio Social." Salvo melhor juízo, foi isso que aconteceu no caso. Quanto à matéria, socorro-me novamente das considerações feitas pelo Conselheiro Elias Sampaio Freire, no voto-condutor do acórdão recorrido (fls. 347): Quanto ao requisito constante no inciso V do art. 55 da Lei n° 8.212/91, que exige aplicação do resultado operacional no dl" 3 Processo n° 35013.000507/2007-83 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.666 Fl. 9 desenvolvimento dos objetivos institucionais da entidade, há de se salientar que não houve nenhuma demonstração de que o resultado de R$ 84.500,58 e R$ 71.143,16, respectivamente nos exercícios de 2004 e 2005, tenha tido aplicação diversa da destinada ao desenvolvimento dos seus objetivos institucionais, até mesmo porque estes resultados operacionais foram levados à conta de Patrimônio Social da entidade. Saliente-se, ainda, que por ser o resultado operacional o resultado das operações da entidade que, na busca da assistência social, acaba por auferir rendimentos que devem, necessariamente, ser reinvestidos na atividade essencial da instituição e que no presente caso não houve sequer a indicação de ter havido a referida aplicação em atividades diversas das constantes dos objetivos institucionais da entidade. Filiando-me a este posicionamento, entendo que não restou comprovado o descumprimento por parte da interessada dos mandamentos expressos no artigo 55, inciso V, da Lei n° 8.212/91. Em nenhum momento se demonstrou que a entidade deixou de aplicar integralmente o resultado operacional obtido na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Segundo penso, a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. 4,70 Gonçalo Bone Allage - Relator 9
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Numero do processo: 11817.000133/2002-78
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3201-000.108
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Câmara/lª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM
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RESOLVEM os membros da 2' Câmara/l a. Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o Julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Id/01/ kÁ lir _ 014_, 0 JUDIT AMARAL MARCONDES • i • DO Presiden e 2 () ,; /' --)'‘, ,L,,‘_/- ..1Vc-- M RCIA ELENA ik(AJANO D'ÁMuIC ' Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Ricardo Paulo Rosa e Marcelo Ribeiro Nogueira. 1 Processo n° 11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n ° 3201 -00.108 Fl. 169 Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, às fls. 117/124, que transcrevo, a seguir: "Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 31/05/2002, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa do controle administrativo das importações e multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor total de R$ 23.637,78, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. As infrações apuradas pela fiscalização e relatadas na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 05 e no Relatório de Auditoria às fls. 10/27, foram, em síntese, as seguintes: Importação Desamparada de Guia de Importação ou Documento Equivalente: VER RELATÓRIO DE AUDITORIA ANEXO E PARTE INTEGRANTE DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. ANO/Dl/ADIÇÃO Base de Cálculo 02/0144769-4/001 R$ 82.702,54 Enquadramento Legal: Artigo 432 combinado com o Artigo 526 inciso lido Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n°91.030/85, mais os Atos Declarató rios COSIT n°5, de 09/01/97 e n°12, de 21/01/97; Portarias Secex n°21 e 22 de 12.12.96. Classificação Fiscal Incorreta (Um Por Cento do Valor Aduaneiro): VER RELATÓRIO DE AUDITORIA ANEXO E PARTE INTEGRANTE DO PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO. Fato Gerador Valor (R$) 31/05/2002 827,02 Enquadramento Legal: Artigo 84 inciso I - da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. O Relatório de Auditoria às fls. 10/27 está assim redigido: "A Indústria Farmacêutica Medley S.A. importou da Indústria Farmacêutica Cipla Ltd. um lote de 240 Kgs de um determinado insumo farmacêutico denominado "Lansoprazol", submetendo-o a Despacho de Importação para Consumo através da DI n° 02/0144769-4, registrada em 19/02/2002, classificando tal mercadoria na posição 2933. 39.19. 2 Processo n° 11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.108 Fl. 170 Referida classificação estaria correta caso a mercadoria importada fosse o produto químico "Lansoprazol" apresentado isoladamente, ou seja, sem qualquer outro produto misturado a ele. Acontece que o "insumo farmacêutico" em questão é apresentado na forma de -pellets", possuindo apenas 8,5 % de Lansoprazol em sua composição, sendo os outros 91,5% constituído de substância(s) não identificada(s) quimicamente. Ressalta-se que tanto na Fatura Comercial quanto nos demais documentos instrutivos da Declaração encontramos a expressão "harmless medicine" para a mercadoria importada, que em livre tradução significa medicamento inofensivo. Realizamos pesquisas nos sistemas LINCE e SISCOMEX, onde pudemos constatar que a quase totalidade dos importadores (empresas farmacêuticas concorrentes da Medley) que trazem insumos farmacêuticos em "pellets m, o fazem classificando essas mercadorias na posição 3003. Conforme tabela abaixo. Tendo em vista o acima exposto, concluímos que o enquadramento mais - apropriado da mercadoria ora importada, na NCM/TEC, é dentro do Capítulo 30 - PRODUTOS FARMACÊUTICOS, na posição 3003.90.79 - • OUTROS MEDICAMENTOS CONSTITUIDOS POR PRODUTOS MISTURADOS ENTRE SI, PREPARADOS PARA FINS TERAPÊUTICOS OU PROFILÁTICOS, MAS NÃO APRESENTADOS EM DOSES NEM ACONDICIONADOS PARA VENDA A RETALHO, CONTENDO PRODUTOS DA POSIÇÃO 2933, MAS NÃO CONTENDO PRODUTOS DOS ITENS 3003.90.1 A 3003.90.6. Com referência a Licença de Importação, a Portaria SVS no 772/98 dispõe que: "O Secretário de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, no uso de suas atribuições e, considerando: (.) A necessidade de exercer controle sanitário de toda a cadeia do produto, desde a fabricação ou importação, até o consumo, de forma a prevenir os riscos à saúde pública (grifo nosso), fiscalizando os produtos nacionais ou importados para que os mesmos sejam produzidos, importados, distribuídos, conservados, transportados e manipulados em atendimento às exigências constantes na legislação pertinente; a necessidade de agilizar e uniformizar os procedimentos relativos à liberação das importações de mercadorias/ submetidas ao regime de vigilância sanitária; A necessidade de orientar os interessados quanto às exigências sanitárias previstas na legislação no tocante a autorização prévia à importação de determinadas categorias de produtos, bem com a fiscalização sanitária a ser realizada com vistas ao desembaraço aduaneiro das referidas mercadorias 3 Processo n° 11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.108 Fl. 171 em Entrepostos, Terminais Alfândegários e Estações Aduaneiras de Interior (Eadz), resolve: . Art. 1° - Aprovar os procedimentos a serem adotados nas importações dos produtos e matérias-primas sujeitos a controle sanitário previstos no Anexo 1 desta Portaria. § 1°- Os produtos e matérias-primas de que trata o caput deste artigo ficam sujeitos a prévia e expressa manifestação favorável (grifo nosso) do Ministério da Saúde para sua importação. (.)" Observamos, também, que no sistema SISCOMEX IMPORTADOR - módulo CONSULTA TRATAMENTO ADMINISTRATIVO, é exigida a anuência do Ministério da Saúde para todas as mercadorias importadas classificadas dentro da posição 3003. Considerando que o importador declarou erroneamente a classificação fiscal da mercadoria, bem como não providenciou a devida Licença de Importação para a mercadoria em questão, lavro o devido Auto de infração, do qual este Relatório é parte integrante, para aplicação das multas correspondentes." Inconformado com a autuação acima descrita, cuja ciência ocorreu em 04/07/2002 (Aviso de Recepção às fls. 35), o contribuinte, através de seus procuradores (instrumento às fls. 47), em 03/07/2002, apresenta impugnação (fls. 37/46), alegando o seguinte: "MEDLEY S/A INDÚSTRIA FARMACÊUTICA, pessoa jurídica de direito privado com sede em Campinas, SP, na Rua Macedo Costa, 55, Jd. Santa Genebra, CEP 13080-180, devidamente inscrita no CNPJ sob o n° 50.929.710/0001-79, e filial em Brasília, DF, na Q1 15, Lote, 49, Parte A, Setor Industrial, Taguatinga, inscrita no CNPJ sob n° 50.929.710/0003-30, por seu advogado e bastante procurador (doc. 01 e 02), vem, respeitosamente, à presença de V.Sa, com fundamento no artigo 14 e seguintes, do Decreto 70.235/72 e alterações, propor a competente IMPUGNAÇÃO ao Auto de Infração - Multa de Controle Administrativo e Multa do II exigida isoladamente, o que o faz com base nas razões de fato e de direito a seguir expostas: I - DO AUTO DE INFRAÇÃO O Ilustre Auditor Fiscal da Receita Federal lavrou o Auto de Infração em questão como reflexo da alteração na classificação fiscal de mercadoria importada pela Impugnante sob a DI n° 02/0144769-4, de 19/02/2002. j A conclusão da autoridade fiscal pela reclassificaçã o decorre do seu entendimento, exposto no "Relatório de Auditoria" que acompanha o Auto de Infração, de que o produto químico "Lamzoprazol" importado possui outros 4 Processo n°11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.108 Fl. 172 elementos químicos em sua composição que o qualificam a ser um medicamento e não um insumo, como classificou a Impugnante, devendo ser enquadrado na posição 3003.90.79, dentro do capítulo de produtos farmacêuticos da NCM/TEC. Com base nesse entendimento, a autoridade fiscal lavrou o auto de infrtação ora impugnado, atribuindo uma nova classificaçã o da mercadoria na TEC e, conseqüentemente, aplicando a multa de controle administrativo e multa por classificação fiscal incorreta. II — DOS FATOS Cumpre ressaltar primeiramente que a Impugnante é renomada empresa do setor farmacêutico, notoriamente idônea e fiel cumpridora de suas obrigações tributárias. Como faculta a legislação em vigor, a Impugnante importou através da DI n° 02/0144769-4, de 19/02/2002, cuja cópia já instrui o Auto de Infração, 240 Kg de Lansoprazol, classificando-o no sub item 2933.39.19 da NCM, insumo esse utilizado na fabricação de medicamentos. A classificação adotada se fundamentou nas características técnico-químicas do produto, bem como nos laudos emitidos por respeitáveis laboratórios farmacêuticos como o da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo em São Paulo - Capital, bem como em declarações emitidas pela fabricante do produto CIPLA Ltd. e do Ministério da Saúde. através da Agência de Vigilância Sanitária. Todos esses documentos instruem a presente impugnação. Ou seja, a classificação tarifária decorreu de critérios objetivos e mundialmente conhecidos para a denominação do produto, bem como em dados provenientes e registrados no Ministério da Saúde. Este os fatos. III- DO DIREITO a) DA IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA IMPORTADA O Auto de Infração ora atacado tem como sustentação basilar o entendimento da fiscalização de que a mercadoria importada através da DI n° 02/0144769-4 não estaria classificada de forma correta, pois seria um • medicamento e não um insumo para a fabricação de medicamentos, como declarou a Impugnante. O Lansoprazol é uma matéria prima para medicamentos muito higroscópica e instável, que necessita do processo de "pelletizaçã o" para que se consiga / sua estabilidade para a armazenagem, transporte, distribuição e I administração do produto final. Tal condição do medicamento e eci necessidade da npefletizaçã'o" foram melhor expostos no parecer da 5 Processo n° 11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.108 Fl. 173 Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto: "O lanzoprazol na forma de pós-simples é muito higroscópico e instável, sendo que na forma de pellets ele se encontra disperso em um excipiente e "pelletizado", o que garante sua estabilidade a a obtenção, armazenagem, distribuição e administração do medicamento final. A forma "pelletizada" garante ainda a uniformidade de enchimento nas cápsulas de gelatina, bem como diminuição da friabilidade durante o processo industrial." Nesse mesmo sentido concluiu a Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo - Capital: "No caso particular dos agentes derivados do benzimidazol, recorrese, comumente, à produção de pellets, nos quais o fármaco (notadamente onteprazol e lanzoprazol) é revestido com material adequado, originando pequenos grânulos esféricos recobertos com uma película protetora, garantindo maior estabilidade e permitindo sua posterior transformação em formas farmacêuticas adequadamente estáveis, especialmente cápsulas." Fica evidente, pois, ao contrário do que afirmou a fiscalização, que a apresentação na forma de pellets não toma o produto químico um medicamento, mas sim estável para que possa atender suas finalidades, principalmente a de ser um insumo para a produção de medicamentos. Ademais, o produto importado não se enquadra no conceito de medicamento, pois não atende as especificações contidas no Decreto n° 79.094/77, Art. 3°, II: "II - Medicamento - Produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico." Ou seja, o medicamento é o produto acabado e pronto para ser ministrado ao paciente e apto a combater a enfermidade. Esse entendimento foi suficientemente exposto nos laudos anexos, bem como na declaração do fabricante e do Ministério da Saúde. O produto importado pela Impugnante, na forma em que se encontra, não pode ser ministrado a um ser humano, pois não passa de um insumo para a fabricação de medicamento. Para melhor entender o conceito de insumo, recorremos novamente ao Decreto n° 79.094/77, Art. 3°: "III - Insumo Farmacêutico - Droga ou matéria-prima aditiva ou complementar de qualquer natureza, destinada a emprego em medicamentos, quando for o caso, ou em seus recipientes." Há de se concluir, pois, que a fiscalização interpretou de forma equivocada 1 conteúdo e a classificaçã o da mercadoria, pois como resta evidentementeemonstrado, o produto importado não é um medicamento, mas sim um 6 Processo n° 11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.108 Fl. 174 insumo. Este fato será melhor demonstrado através de perícia técnica elaborada pelo órgão competente. b)DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DA MERCADORIA Dada a composição química do insumo importado, verificamos que a TEC dispõe da seguinte maneira sobre o produto Lansoprazol: 2933.39 —Outros 2933.39.1 Cuja estrutura contém flúor, bromo ou ambos, em ligação covalente 2933.39.11 Bromazepam 2933.39.12 Droperidol 2933.39.13 Ácido niflúmico 2933.39.14 Haloxifop (ácido (RS)-244-(3-cloro-5-trifluormetil-2- piridiloxi)fenoxilpropitinico) 2933.39.15 Haloperidol 2933.39.19 Outros Ora, a composição química do produto importado corresponde exatamente ao enquadramento dado da TEC, ou seja, no item 2933.39.19, que compreende outros compostos heterocklicos cuja estrutura contém flúor, bromo ou ambos, em ligação covalente. Obviamente, a classificação da mercadoria na TEC dependerá da conclusão da perícia a ser feita, todavia, é preciso ressaltar que, de acordo com a composição do medicamento, a Impugnante agiu corretamente ao classificar no sub item 2933.39.19, pois é um insumo para a fabricação de medicamentos, como já ressaltou o Ministério da Saúde: "O composto Lansoprazol em pellets, na opinião desta Gerência Geral de Medicamentos, é um insumo farmacêutico pois trata-se de uma associação de substâncias, de forma transitória, destinada a elaboração técnica de um medicamento visando a obtenção de um produto registrado na ANFIMA com nome de Prazol, n° de registro 1.0181.0214. A forma farmacêutica registrada e final do produto junto a ANVISA trata-se de uma cápsula gelatinosa com microgrânulos, necessária para a administração e posologia adequada da substância ativa, e não de pó, ou pellet, ou grânulos que estariam em desacordo com as indicações registradas do mesmo." (grifamos) Afirmar que a composição química não é aquela declarada pela Impugnante ou que a classificação adotada está errada é o mesmo que afirmar que o Ministério da Saúde errou ao registrar o medicamento e prestar essas informações. Com todo respeito que a opinião da autoridade fiscal merece, cumpre-nos ressaltar que o Ministério da Saúde é um órgão muito mais capacitado para analisar e qualificar um insumo farmacêutico e medicamento. Dessa forma, a Impugnante acredita, com base em laudos e declarações do Ministério da Saúde e do fabricante do produto, que não errou ao proceder a classificação tarifária no item 2933.39.19, algo que restará cabalmente' demonstrado quando da perícia técnica. c) DA MULTA DE CONTROLE ADMINISTRATIVO 7 Processo n°11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.108 Fl. 175 O Auditor Fiscal que lavrou o Auto de Infração ora impugnado entendeu que a mercadoria importada pela impugnante sob a DI n° 02/0144769-4 teria sido erroneamente classificada, (o que não procede, como já demonstrado acima), dessa forma, a mercadoria efetivamente importada seria outra acobertada pela DI, e necessitaria de uma Licença de Importação própria, o que ensejaria. a aplicação da multa prevista nos artigos 432 e 526, II do Regulamento Aduaneiro. Em suma, o Ilustre Auditor Fiscal entendeu que a mercadoria deve ser reclassificada e que, pela nova classificação, a mercadoria deveria ter Licença de Importação, como determina a legislação em vigor, entendimento esse totalmente equivocado, como restará demonstrado. O Regulamento Aduaneiro dispõe: "Art. 526 - Constituem infrações administrativas ao controle das importações, sujeitas às seguintes penas: II - importar mercadoria do exterior sem a guia de importação ou documento equivalente, que implique a falta de depósito ou a falta de pagamento de quaisquer ônus financeiros ou cambiais: multa de 30 por cento (30%) do valor da mercadoria; (.)" Dessa forma, a conduta passível de multa é "importar mercadoria do exterior sem a guia de importação", devendo implicar, ainda, na falta de pagamento de ônus financeiro, ou seja, deve haver cumulativamente a importação se guia de importação e a falta de pagamento de ônus financeiro. No presente caso, a mercadoria não estava acompanhada de Licença de Importação por estar inserida na modalidade de licenciamento automático SISCOMEX - Módulo de Importação. Dada a reclassificaç'ã o, seria presumidamente exigível a Licença de Importação. Verifica-se pela manifestação da ANVISA que o entendimento do Ilustre Auditor Fiscal está equivocado, pois o Ministério da Saúde trata o produto importado como uma matéria prima de medicamento sujeita ao licenciamento automático SISCOMEX - Módulo de Importação. Dessa forma, a aplicação da multa pela inexistência de Licença de Importação com base no art. 526, lido Regulamento Aduaneiro é totalmente descabida. Não se pode aplicar uma multa pela falta de Licença de Importação se esse documento não é exigível, já que se trata de licenciamento automático. d) DA MULTA PREVISTA NA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158-35/2001 8 Processo n° 11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.108 Fl. 176 Quando da importação da mercadoria ora discutida, vigorava na Constituição Federal o seguinte texto: "Art. 62 - Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submete-Ias de imediato ao Congresso Nacional, que, estando em recesso, será convocado extraordinariamente para se reunir no prazo de 5 dias. Parágrafo único - As medida provisórias perderão a eficácia, desde a edição, se não foram convertidas em lei no prazo de trinta dias, a partir de sua publicação, devendo o Congresso Nacional disciplinar as relações jurídicas delas decorrentes." Sob a égide dessa norma Constitucional, o Presidente da República editou em 24.08.01 a 35 a versão da Medida Provisória n° 2.158, que serviu de fundamento para a lavratura do Auto de Infração ora impugnado. O enquadramento legal adotado pela fiscalização é o artigo 84, I, dessa MP, que possui a seguinte redação: "Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I - classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (.)" Pois bem, a conduta sujeita à aplicação de multa é a classificação de mercadorias em desacordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul, que segundo a fiscalizaçã o não foi adotada pela Impugnante. Ora, como já dito anteriormente, a Impugnante adotou a descrição do produto de acordo com suas características técnicas, não sendo cabível a simples presunção de que essa descrição da mercadoria não seja a mais conveniente. A nomenclatura é aquela extraída das características do produto importado de acordo com pareceres e declarações de autoridades no ramo da ciência farmacêutica. Não faz sentido adotar qualquer outra nomenclatura senão aquela que o maior órgão de saúde do país, o Ministério da Saúde, admite como sendo a mais correta. Sendo assim, a multa aplicada não deve prosperar, pois a nomenclatura adotada pela autuada é aquela que melhor descreve o produto e guarda correspondência com suas características. IV - DO PEDIDO Isto posto, requer a produção de prova pericial, que deverá ser feita pelo Instituto Nacional de Tecnologia, com sede no Rio de Janeiro, RJ, na Av. Venezuela, 82, CEP 20081-310, para identificação da mercadoria importada Processo n°11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201 -00.108 Fl. 177 através da DI n° 02/0144769-4, de 19/02/2002, cujos quesitos serão indicados no momento oportuno. Requer, ainda, que se julgue totalmente procedente a presente impugnação declarando nulo o referido Auto de Infração que originou o presente processo administrativo, com base nos fundamentos já expostos. Requer, por último, que todas as demais notificações e intimações sejam dirigidas ao subscritor da presente no seguinte endereço: Rua José Inocêncio de Campos, 153, 9° andar, Campinas, SP, CEP 13024.230." A Delegacia de Julgamento em São Paulo II, através da Resolução n° 630, de 07/02/2007, encaminhou os autos à Alfândega do Aeroporto Internacional de Brasília para as seguintes providências: "(.) Em razão do que preceitua o art. 16 do Dec. 70235/72, com alterações da Lei 8748/93, relativamente ao pedido de perícia, e também em razão da complexidade do produto analisado, deferimos a perícia requerida junto ao INT para que seja identificada a mercadoria constante da Declaração de Importação 02/0144769-4. Em atendimento ao acima solicitado a Alfândega de Brasília respondeu o seguinte: "Deferida a perícia técnica, junto ao Instituto Nacional de Tecnologia - 11517, pela DRI-SPO II, em 02/07/2007 e convertido o julgamento em diligência na mesma data, este processo retomou a esta Seção em 14/03/2007 para atendimento das medidas solicitadas. Elaborou-se, pois, a intimação n° 40/2007, em 21/03/2007, para, dentre outros fins, a empresa "informar como poderia ser feita a retirada de amostra da mercadoria importada por meio da DI 02/144769-4, em 19/02/2002, para posterior envio àquele instituto." — (excerto da intimação). Em resposta à intimação supracitada, desta Seção Aduaneira, a empresa em questão enviou-nos documento expondo as razões da amostra não mais existir. A empresa cita a Resolução da Anvisa RDC n° 210, de 04 de agosto de 2003, anexo I, item 16.5.3 que preceitua: "as amostras de substâncias ativas devem ser retidas por, pelo menos, um ano após o vencimento dos prazos de validade dos produtos finais aos quais tenham dado origem". Os produtos foram importados em 2002, com validade de dois anos, portanto até 2004. Então, a obrigatoriedade de retenção das amostras se deu até 2005, tendo sido, após esta data, descartadas. Restando prejudicada a diligência, motivo do retorno do processo a esta Seção de Fiscalização Aduaneira, proponho encaminhamento à DRJ de origem." O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do ,...afórdão DRJ/FOR n' 08-13.936, de 28/08/2008, às fls. 116/130, proferida pelos membros da 3' 10 Processo n°11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.108 Fl. 178 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO — Ano-calendário: 2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. PENALIDADES Mercadoria identificada como sendo um medicamento constituído de lansoprazol e excipientes, como lactose, sacarose e substâncias inorgânicas à base de sílica e magnésio, classifica-se no código TEC/NCM 3003.90.79, conforme entendeu a fiscalização. Cabível a multa do controle administrativo das Importações, capitulada no art. 633, inciso II, alínea "a" do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543/02, com fulcro na alínea "h" do inciso I do art. 169 do Decreto-Lei n° 37/66, alterado pelo art. 2° da Lei n° 6.562/78, por falta de Licença de Importação, quando a mercadoria não é corretamente descrita na declaração de importação, conforme Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12/97. Cabível também a multa por erro na classificação fiscal da mercadoria, prevista no inciso Ido artigo 84 da MP 2.158, de 24/08/2001. LANÇAMENTO PROCEDENTE." O julgamento foi no sentido de que como o contribuinte declarou de forma incompleta a descrição da mercadoria importada, gerando uma nova classificação na NCM/TEC, e em consequência uma nova exigência de licenciamento pela Secex, do que resultou a tipificação da infração prevista no art.169 do Dl n° 37/66, alterado pela redação do art. 2° da Lei n° 6.562/78, e regulamentado pelo art. 526, inciso II, do Decreto n 91.030/85, do Regulamento Aduaneiro. Bem como, aplicação da multa decorrente da classificação incorreta, de acordo com o inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24/08/2001, logo, julgando procedente o lançamento. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, às fls. 136/165, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até a fl. 167. É o relatóriõ. 11 Processo n° 11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.108 Fl. 179 Voto Conselheira MÉRCIA HELENA TRAJANO D'AMORIM, Relatora O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. • Trata o presente processo de exigência de crédito tributário resultante de aplicação de multa do controle administrativo das importações e multa por classificação fiscal incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul. A recorrente submeteu a despacho aduaneiro mercadoria descrita como — "Lansoprazol", por meio da declaração de importação n° 02/0144769-4/001, registrada em 19/02/2002 (cópia de fls. 28 a 30), classificando-a no código TEC/NCM 2933.39.19. A autoridade fiscal concluiu que a correta classificação fiscal da mercadoria é no código TEC/NCM 3003.90.79, que compreende os "Outros medicamentos contendo produtos da posição 2933, mas não contendo produtos dos itens 3003.90.1 a 3003.90.6" da posição 3003, que abrange os Medicamentos (exceto os Produtos das Posições 3002, 3005 ou 3006) Constituídos Por Produtos Misturados Entre Si, Preparados Para Fins Terapêuticos ou Profiláticos, Mas não Apresentados Em Doses Nem Acondicionados Para Venda a Retalho." O julgamento foi no sentido de que como o contribuinte declarou de forma incompleta a descrição da mercadoria importada, gerando uma nova classificação na NCM/TEC, e em consequência uma nova exigência de licenciamento pela Secex, do que resultou a tipificação da infração prevista no art.169 do Dl n° 37/66, alterado pela redação do art. 2° da Lei n° 6.562/78, e regulamentado pelo art. 526, inciso II, do Decreto n 91.030/85, do Regulamento Aduaneiro. Bem como, aplicação da multa decorrente da classificação incorreta, de acordo com o inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24/08/2001, logo, julgando procedente o lançamento. Ressalto que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, quando instada a se J\ manifestar nos autos do Mandado de Segurança impetrado para a liberação da mercadoria, declarou que: "As importações de matérias prima 'Diclofenato Resinato e Lansoplasol' que integrarão formulações de medicamentos acabados para venda, estão sujeitas a modalidade de licenciamento automático SISCOMEX - Módulo de Importação." 12 Processo n° 11817.000133/2002-78 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.108 Fl. 180 Tendo em vista que o litígio refere-se à desclassificação fiscal dos produtos importados, e consequente exigência da Multa ao Controle Administrativo das Importações; sugiro que baixe em diligência, pelo motivos abaixos: -anexar Portaria de Serviço de Vigilância Sanitária (SVS) 772/98 referida na descrição dos fatos e enquadramento legal do Auto de Infração; -se, à época, com a nova reclassificação fiscal, de fato, a importação estava sujeita a licenciamento não-automático, sob a égide da Portaria Secex n° 21/96 de forma automática ou não-automática. Após a efetivação da diligência, retornem os autos para prosseguimento no julgamento. Sala de Sessões, em 21 de maio de 2009. ÉRCIA HELENA TR4JANO D'AMORIM - Relatora 13
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002117/2007-19
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PAGAMENTO ANTECIPADO - DECADÊNCIA.
As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN.
Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
No caso, relativamente ao período em apreço, a autuada efetuou pagamentos de contribuições previdenciárias, pois a própria autoridade lançadora informa que analisou comprovantes de recolhimento, sendo que inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação, ou seja, tem aplicação a este feito a regra do artigo 150, § 4°, do CTN.
Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos ocorridos até a competência 11/2001.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Gonçalo Bonet Allage Relator
EDITADO EM: 13/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PAGAMENTO ANTECIPADO - DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62-A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. No caso, relativamente ao período em apreço, a autuada efetuou pagamentos de contribuições previdenciárias, pois a própria autoridade lançadora informa que analisou comprovantes de recolhimento, sendo que inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação, ou seja, tem aplicação a este feito a regra do artigo 150, § 4°, do CTN. Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos ocorridos até a competência 11/2001. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Relator EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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As contribuições previdenciárias são tributos sujeitos ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que, na visão deste julgador, exceto para as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, operase a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Contudo, por força do artigo 62A do RICARF, este Colegiado deve reproduzir a decisão proferida pelo Egrégio STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, ou seja, “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” No caso, relativamente ao período em apreço, a autuada efetuou pagamentos de contribuições previdenciárias, pois a própria autoridade lançadora informa que analisou comprovantes de recolhimento, sendo que inexiste a acusação pela fiscalização de dolo, fraude ou simulação, ou seja, tem aplicação a este feito a regra do artigo 150, § 4°, do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 21 17 /2 00 7- 19 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 312 2 Lançamento atingido pela decadência quanto aos fatos ocorridos até a competência 11/2001. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 13/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face do Município de Tijucas – Prefeitura Municipal, CNPJ n° 82.577.636/000165, foi lavrada a notificação fiscal de lançamento de débito n° 37.002.5725 (fls. 0171), para a exigência de contribuição previdenciária destinada ao financiamento das aposentadorias especiais, incidente sobre remunerações dos segurados empregados que receberam o adicional de insalubridade, relativamente a fatos ocorridos entre as competências 04/1999 e 08/2005. Segundo a autoridade lançadora (fls. 90): 1 Este relatório é parte integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) de contribuições devidas à Seguridade Social, a cargo da empresa, referente à alíquota adicional prevista no parágrafo 6° do artigo 57 da Lei n° 8.213, de 24 de julho de 1,991 e alterações posteriores, destinada ao financiamento das aposentadorias especiais e incidentes, exclusivamente, sobre as remunerações dos segurados empregados da Prefeitura Municipal que receberam o Adicional de Insalubridade, no período de 04/1999 a 08/2005. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 313 3 A ciência do lançamento se deu em 22/12/2006 (fls. 221). A Delegacia da Receita Previdenciária em Florianópolis (SC) considerou o lançamento procedente (fls. 233243). Por sua vez, a Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes proferiu o acórdão n° 20601.182, que se encontra às fls. 258270, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/2005 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas "a" e "b", da Lei n° 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações e recolher o produto até o dia dez do mês seguinte ao da competência. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nos 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. AFERIÇÃO INDIRETA ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29, do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 314 4 A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária ou protelatória, com fulcro no § 2°, do artigo 38 da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte. Eis a anotação do resultado do julgamento: “I) Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para acolher a preliminar de decadência; II) Por maioria de votos, em declarar a decadência das contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2001. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bernadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por declarar a decadência das contribuições referentes aos fatos geradores ocorridos até 11/2000; III) Por unanimidade de votos: a) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso.” Intimada do acórdão em 27/04/2008 (fls. 271), a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, os quais foram acolhidos, sem alteração do resultado do julgamento, conforme acórdão n° 240100.631 (fls. 280285), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 31/08/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. COMPROVAÇÃO. ACOLHIMENTO. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração tão somente para suprir a omissão apontada, re ratificando o resultado do julgamento levado a efeito por ocasião do primeiro julgamento. EMBARGOS ACOLHIDOS. Cientificada desta decisão em 09/12/2009 (fls. 285), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial por contrariedade à lei às fls. 289299, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Tratase de lançamento da contribuição previdenciária adicional fixada no art. 57, § 6°, da Lei n° 8.213, de 1991, destinada ao custeio da aposentadoria especial devida ao trabalhador sujeito a condições especiais que prejudiquem sua saúde ou integridade física; b) A NFLD data de 8 de dezembro de 2006 (data de ciência do Contribuinte), e abrange fatos geradores ocorridos entre abril de 1999 a agosto de 2005; c) Por meio do Acórdão n° 20601.182 (fls. 258 a 270), a Sexta Câmara do antigo Segundo Conselho de Contribuintes, em Sessão realizada no dia 7 de agosto de 2008, entendeu, por maioria de votos, que o prazo decadencial a ser aplicado ao caso em tela seria o do art. 150, § 4°, do CTN, e não o do art. 173, I, do mesmo Diploma Legal, razão pela qual terminou por reconhecer a decadência dos valores correspondentes a fatos geradores ocorridos até novembro de 2001; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 315 5 d) No entanto, referido Acórdão se omitiu a respeito da razão que o teria levado a aplicar o art. 150, § 4°, em detrimento do art. 173, I, ambos do CTN. Tal decisão limitouse a dizer, apenas, que às contribuições previdenciárias devem ser aplicadas as regras decadenciais do CTN, e não o prazo de 10 (dez) anos previsto na Lei n° 8.212, de 1991, ante sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal; e) Tal omissão levou a Fazenda Nacional a interpor Embargos de Declaração (fls. 275 e 276), os quais foram conhecidos e providos pela 1ª Turma Ordinária dessa 4ª Câmara; f) O motivo que levou o Acórdão embargado a, por maioria de votos, aplicar o prazo decadencial do art. 150, § 4°, do CTN, foi a discussão, travada na ocasião, sobre se houve ou não recolhimento parcial no caso em tela: uns entendem que, por tratarse de lançamento do adicional referente ao SAT, tal se trata de tributo autônomo, não tendo havido, portanto, recolhimento parcial; outros, por sua vez, defendem que o SAT integra a contribuição previdenciária normal, assim, se essa foi paga, houve recolhimento parcial; g) É consenso na doutrina e jurisprudência pátrias que, em sede de tributo sujeito a lançamento por homologação, a aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, somente é possível quando o contribuinte, reconhecendo a ocorrência do fato gerador de determinado tributo, efetua o pagamento, ainda que parcial, possibilitando ao Fisco a conferência posterior dos valores recolhidos, contrapondoos com os efetivamente devidos, efetuando o lançamento de ofício de eventuais diferenças; h) Concluise, pois, que o pressuposto primordial para a aplicação da regra de decadência constante do art. 150, §4°, do CTN, é o pagamento antecipado parcial do tributo exigido; i) Noutro passo, diante da inexistência de qualquer pagamento, o prazo decadencial para a cobrança dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é aquele constante do art. 173, I, do CTN. Essa concepção, aliás, encontrase cristalizada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que, em recente Sessão de Julgamento, ocorrida em 12 de agosto de 2008, ao julgar o Recurso Especial n° 973.733 SC, na sistemática dos recursos repetitivos estampada no art. 543C do Código de Processo Civil, definiu que, no caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, nas hipóteses em que o contribuinte não declarar, nem efetuar o pagamento antecipado do tributo; j) Isso posto, cumpre analisar se, no caso em tela, houve ou não pagamento parcial, de modo a se identificar qual o artigo do CTN a ser aplicado: se o art. 150, §4°, ou se o art. 173, I; Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 316 6 k) Para tanto, impende verificar se o Contribuinte pagou parte do débito tributário objeto da presente cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos geradores; l) No processo em epígrafe, discutese sobre o custeio da Seguridade Social pelo empregador por meio das contribuições previdenciárias insculpidas no art. 22, II, da Lei n°8.121, de 1991; m) Vêse que, além da contribuição previdenciária regular, incidente sobre a folha de pagamento do empregador, será devida uma contribuição adicional, destinada a financiar a aposentadoria especial instituída pelo art. 57 da Lei n° 8.213, de 1991; n) Assim, temse que toda e qualquer empresa deverá recolher aos cofres da Seguridade Social a contribuição previdenciária a cargo da empresa no percentual de 20% (vinte por cento) sobre o total das remunerações pagas. Além dessa, a empresa cujos empregados, ao longo do desempenho de suas funções, sejam expostos a riscos ambientais de trabalho passíveis de gerarem incapacidade laborativa, deverá recolher, sobre a mesma base de cálculo da contribuição regular, uma contribuição adicional, chamada de SAT (seguro de acidente de trabalho) ou RAT (risco ambiental do trabalho); o) Assim, claro está que o fato gerador de ambas as contribuições é absolutamente distinto. A contribuição previdenciária comum tem como fato gerador o mero pagamento de remuneração a um prestador de serviço, seja esse empregado ou não. Por sua vez, o SAT tem como fato gerador a exposição desses mesmos prestadores de serviço a riscos ambientais de trabalho; p) O fato de ambas as contribuições em comento terem a mesma base de cálculo não as iguala ao ponto de o recolhimento de uma (contribuição previdenciária regular) importar no recolhimento parcial da outra (SAT). Tratamse de contribuições distintas, com fatos geradores distintos, alíquotas distintas, e destinações, também, distintas (a contribuição previdenciária destinase ao custeio dos benefícios previdenciários regulares, enquanto que o SAT se destina, exclusivamente, ao custeio da aposentadoria especial); q) Isso posto, de todo equivocado o entendimento segundo o qual o recolhimento da contribuição previdenciária ordinária importa em recolhimento parcial do SAT. Se o Contribuinte não recolheu a contribuição referente ao SAT, ainda que tenha recolhido a contribuição previdenciária comum, não há que se falar em pagamento parcial apto a dar ensejo a aplicação do art. 150, § 4°, do CTN. Se não houve pagamento de nenhum valor à titulo de SAT, deve ser a esse aplicado o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN; r) Requer seja admitido o presente Recurso Especial e dadolhe provimento, para que seja aplicado ao lançamento objeto deste processo o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 317 7 Admitido o recurso através do despacho n° 2400119/2010 (fls. 300301), a contribuinte foi intimada e deixou de se manifestar, conforme informou a repartição de origem às fls. 310. É o Relatório. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 318 8 Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do lançamento quanto aos fatos ocorridos até a competência 11/2001, sendo que os Conselheiros vencidos acolheram a decadência até a competência 11/2000. A recorrente insurgese quanto a tal conclusão e sua pretensão é no sentido de que se aplique ao caso da regra do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, em razão da alegada ausência de pagamento antecipado dos débitos objeto do lançamento. Eis a matéria em litígio. Segundo a legislação e de acordo com a jurisprudência pacífica desta Corte Administrativa, as contribuições previdenciárias em apreço são tributos sujeitos ao regime do chamado lançamento por homologação, já que cabe aos contribuintes a apuração de suas bases de cálculo e o recolhimento dos montantes devidos, submetendo, posteriormente, esse procedimento à autoridade administrativa, que deverá, homologar ou não, expressa ou tacitamente, a atividade exercida pelo obrigado. A homologação expressa, para os tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, deve se dar no prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, que ocorre em cada competência. Ultrapassado esse prazo, sem ter sido lavrado lançamento de ofício pela autoridade administrativa, considerase homologada tacitamente a atividade exercida pelo contribuinte e extinto o crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, que prevê: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4°. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 319 9 O decurso do prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, implica na homologação tácita da atividade exercida pelo contribuinte e, em razão do instituto da decadência, previsto no artigo 156, inciso V, do CTN, extingue o crédito tributário. Considerando que o caso em apreço envolve fatos geradores ocorridos nas competências compreendidas entre 04/1999 e 08/2005 e diante do fato de que o sujeito passivo da obrigação tributária tomou ciência da notificação fiscal de lançamento de débito em 22/12/2006 (fls. 221), concluo que a decisão recorrida deve ser confirmada, pois a decadência impede a manutenção do lançamento quanto aos fatos ocorridos até a competência 11/2001. Na visão deste julgador, como não se imputou à empresa as condutas de dolo, fraude ou simulação, inexiste fundamento legal que justifique a contagem do prazo decadencial da forma prevista no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Entendo que para o início da contagem do prazo decadencial relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a existência ou não de pagamento antecipado é irrelevante. A homologação é da atividade e não do pagamento. Esta é a minha posição a respeito da matéria. Contudo, por força do que determina o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, não posso deixar de reproduzir aqui o julgamento proferido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça – STJ nos autos do REsp n° 973.733/SC, cuja ementa tem o seguinte teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 320 10 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp n° 973.733/SC, Relator Ministro Luiz Fux, DJE de 18/09/2009) Portanto, segundo o Egrégio STJ, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando inexistir pagamento antecipado o prazo decadencial qüinqüenal contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo que “O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ...”. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 321 11 Dessa forma, tornase importante analisar a comprovação quanto à existência ou não de pagamento de contribuições previdenciárias (não apenas dos débitos que constituem objeto do lançamento) no período em apreço. No Termo de Encerramento de Ação Fiscal – TEAF de fls. 88 a autoridade lançadora informa que examinou comprovantes de recolhimento. Assim, tenho como inquestionável a existência de pagamento antecipado. Compartilho da conclusão do Relator do acórdão recorrido, Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, quando consignou que (fls. 285): Divergiam eles, porém, o que seria considerado antecipação de pagamento. Com efeito, para as Conselheiras Elaine Cristina M. S. Vieira, Bernadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira, não houve recolhimento parcial. Por outro lado, os Conselheiros Elias Sampaio Freire e Cleusa Vieira de Souza entenderam ter havido antecipação de pagamento por tratarse de contribuições destinadas ao Adicional do SAT, decorrente da exposição de alguns empregados a agentes nocivos a saúde, onde a contribuinte promoveu o pagamento dos tributos devidos relativos à alíquota normal e/ou adotada, só não o tendo feito em relação ao adicional do SAT, ora lançado (diferenças, portanto). Em decorrência desses fatos, acompanharam as conclusões do voto condutor do Acórdão Embargado quanto a aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, não concordando, porém, com os seus fundamentos. Ademais, ainda que assim não fosse, entendo que o deslocamento da regra geral dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação do artigo 150, § 4°, do CTN para o mandamento do artigo 173, inciso I, do CTN exige da autoridade lançadora o ônus da prova de que o contribuinte não efetuou nenhum recolhimento de contribuições previdenciárias. E isso não ocorreu. Não se pode presumir a ausência de pagamento. Portanto, o ensinamento jurisprudencial do Egrégio STJ não socorre a tese defendida pela recorrente, de modo que a decisão recorrida merece ser confirmada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002117/200719 Acórdão n.º 9202002.959 CSRFT2 Fl. 322 12 Fl. 12DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2 013 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 15374.903551/2008-11
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Embargos.
Ausentes os fundamentos do artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho, os Embargos de Declaração opostos, conquanto tempestivos, não merecem ser conhecidos ante a absoluta ausência da omissão reputada.
Numero da decisão: 1301-001.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade não conhecer dos embargos.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente FUNDAÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL BRASLIGHT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Embargos. Ausentes os fundamentos do artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho, os Embargos de Declaração opostos, conquanto tempestivos, não merecem ser conhecidos ante a absoluta ausência da omissão reputada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade não conhecer dos embargos. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 35 51 /2 00 8- 11 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte acima identificada. A contribuinte, após relembrar os fatos sucedidos, passou a reputar o denominou de omissões no acórdão, fazendoos nos seguintes termos: (...) Fl. 297DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15374.903551/200811 Acórdão n.º 1301001.238 S1C3T1 Fl. 3 3 Após articular estas razões, reputando o acórdão omisso, a Embargante formulou os seguintes requerimentos: É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Os Embargos de Declaração opostos, conquanto tempestivos, não merecem ser conhecidos ante a absoluta ausência da omissão reputada, porquanto aduziu que o relatório, sobremodo sucinto, do acórdão impugnado não fez menção a todos os seus argumentos, deixando de apreciar a questão alusiva ao fato de a decisão judicial ter enfrentado a matéria em questão. Seguramente a Embargante pretende, na estreita via dos Embargos Declaratórios, a reapreciação dos seus argumentos. Com efeito, a decisão que se reputa omissa, conquanto desfavorável ao que sustentava a contribuinte, não omitiu a questão alusiva aos efeitos concretos da decisão judicial, contrário disso, marcou a partir deles os limites do seu enfretamento, confirase os trechos abaixo: Cuidase como visto, de apresentação de DCOMPs cujo crédito seria oriundo de pagamentos efetivados indevidamente porquanto a recorrente, na qualidade de ente imune, pagou impostos à União. Argumentou a recorrente que a referida imunidade teria sido reconhecida por provimento jurisdicional transitado em julgado, decorrendo daí, diante de pagamento espontâneo de impostos, o seu direito creditório. (...) A recorrente, por seu turno, insiste que tem reconhecida a imunidade por decisão judicial transitada em julgado, e diante disso, ainda que tenha efetivado os recolhimentos, esses se revestiriam de caráter de “tributo pago indevidamente”. Temse, portanto, que o deslinde do caso concreto passa necessariamente pelo cotejo dos efeitos da norma individual e concreta obtida pela recorrente. Inegavelmente (“vide” documentos de folhas 35 a 52 – cópias do processa judicial, incluindo certidão de trânsito em julgado), a recorrente obteve do Poder Judiciário, posicionamento no qual se assinalou que entidades fechadas de previdência privada (como seu caso), embora cobrando dos seus associados contribuições mensais a título de remuneração pelos serviços prestados, gozam de imunidade tributária. Por essa razão é que se reafirma que o enfrentamento da questão da recorrente deve ser realizado à luz da eficácia das decisões do Poder Judiciário, já que não se discute a efetividade dos pagamentos, como também não se discute o mandamento legal que impôs a superveniente obrigação à recorrente, tampouco, a mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal acerca das entidades fechadas de previdência. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15374.903551/200811 Acórdão n.º 1301001.238 S1C3T1 Fl. 4 5 Relembrese, portanto, que o óbice encontrado pela decisão recorrida consiste no fato de o Supremo Tribunal Federal, em caso alheio ao processo da ora recorrente, ter decidido que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF (sendo este o fundamento da imunidade da recorrente), e que a lei inovadora não encontra limites na sua eficácia em razão de decisão judicial anterior, evitando eternizarse os efeitos da coisa julgada. Tem razão a decisão recorrida. Por óbvio não se olvida que em determinado período, cotejando a legislação e a jurisprudência que vigoravam, a recorrente obteve do Poder Judiciário declaração de ser ente imune, ocorre, que também na se pode olvidar, que o quadro normativo vigente, as leis que regem a matéria e o posicionamento do Poder Judiciário, evoluíram para os fins de obrigar a recorrente, ao pagamento do imposto tido por ela como indevido. (...) Como bem observou a decisão recorrida, a recorrente gozou incontinente da reconhecida imunidade, até que sobreveio alteração no sistema jurídico vigente, fato que a obrigou ao pagamento do imposto, como de fato o fez nos recolhimentos por ela considerados, posteriormente, como se indevidos fossem. Ademais, é ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. (...) Diante disso, se a Embargante entende que a decisão administrativa negou eficácia à norma individual e concreta de que dispunha, é fato que não se confunde com omissão do acórdão embargado, que analisou a questão alusiva ao transito em julgado e a despeito disso, concluiu na esteira dos precedentes, que não havia certeza e liquidez nos créditos pleiteados. Ausentes os fundamentos do artigo 65 do Regimento Interno deste CARF, não conheço do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 13 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 6 Fl. 301DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10410.721627/2013-52
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2015
GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. CRÉDITOS DE TERCEIROS, CONFIGURAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA.
Na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, prevista expressamente no art. 89, §10º da lei 8212/91, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, não fazendo qualquer referência a exigência de comprovação de dolo, fraude ou simulação.
Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, bem como a imputação de multa isolada de 150%, quando o contribuinte insere informação falsa na GFIP, declarando créditos de terceiros sem qualquer amparo legal, o que demonstra não possuir direito líquido e certo à compensação.
Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos-NFLD/Auto de Infração.
A transferência de créditos mediante Escritura Pública não tem o condão de deslocar para a recorrente o ônus suportado por ocasião do pagamento indevido, de maneira a vincular o crédito de outrem ao adquirente, ou seja, o fato jurídico (crédito) com o fato gerador do exigência fiscal (débito), notadamente em face dos preceitos contidos no artigo 123 do Código Tributário Nacional, o qual afasta os efeitos de convenções particulares perante as obrigações tributárias.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2015 GLOSA DOS VALORES COMPENSADOS INDEVIDAMENTE. CRÉDITOS DE TERCEIROS, CONFIGURAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, prevista expressamente no art. 89, §10º da lei 8212/91, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, não fazendo qualquer referência a exigência de comprovação de dolo, fraude ou simulação. Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, bem como a imputação de multa isolada de 150%, quando o contribuinte insere informação falsa na GFIP, declarando créditos de terceiros sem qualquer amparo legal, o que demonstra não possuir direito líquido e certo à compensação. Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos-NFLD/Auto de Infração. A transferência de créditos mediante Escritura Pública não tem o condão de deslocar para a recorrente o ônus suportado por ocasião do pagamento indevido, de maneira a vincular o crédito de outrem ao adquirente, ou seja, o fato jurídico (crédito) com o fato gerador do exigência fiscal (débito), notadamente em face dos preceitos contidos no artigo 123 do Código Tributário Nacional, o qual afasta os efeitos de convenções particulares perante as obrigações tributárias. Recurso Especial do Procurador Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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CRÉDITOS DE TERCEIROS, CONFIGURAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. Na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, prevista expressamente no art. 89, §10º da lei 8212/91, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, não fazendo qualquer referência a exigência de comprovação de dolo, fraude ou simulação. Correta a glosa dos valores compensados indevidamente, bem como a imputação de multa isolada de 150%, quando o contribuinte insere informação falsa na GFIP, declarando créditos de terceiros sem qualquer amparo legal, o que demonstra não possuir direito líquido e certo à compensação. Somente as compensações procedidas pela contribuinte com estrita observância da legislação previdenciária, especialmente o artigo 89 da Lei n° 8.212/91, bem como pagamentos e/ou recolhimentos de contribuições efetivamente comprovados, deverão ser considerados pelo fisco quando da lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de DébitosNFLD/Auto de Infração. A transferência de créditos mediante Escritura Pública não tem o condão de deslocar para a recorrente o ônus suportado por ocasião do pagamento indevido, de maneira a vincular o crédito de outrem ao adquirente, ou seja, o fato jurídico (crédito) com o fato gerador do exigência fiscal (débito), notadamente em face dos preceitos contidos no artigo 123 do Código AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 16 27 /2 01 3- 52 Fl. 836DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Tributário Nacional, o qual afasta os efeitos de convenções particulares perante as obrigações tributárias. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Ana Paula Fernandes e Heitor de Souza Lima Junior. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 837DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202003.725 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase dos Autos de Infração identificados pelos DEBCAD nº 51.038.9856 e 51.038.9864, lavrados em nome da Indústria de Laticínios Palmeira dos Índios S/A ILPISA para a constituição do crédito tributário relativo aos seguintes valores: a) AI (DEBCAD nº 51.038.9856): Glosa da compensação declarada em GFIP no período de janeiro de 2009 a abril de 2011; e b) AI (DEBCAD nº 51.038.9856): Multa isolada de 150% devida em razão de falsidade na declaração. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte declarou nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, no período de janeiro de 2009 a abril de 2011, a compensação de uma parte dos valores devidos a título de contribuição previdenciária. Assim, descreveu o auditor: Foram constatadas diversas compensações efetuadas pelo contribuinte através de GFIP. Destarte, foi o contribuinte intimado a justificar a origem do crédito compensado e a base legal para efetuar tais compensações. 3.3 Conforme intimado através do TIF nº 03, o contribuinte informa que a origem do crédito é o “pagamento indevido de recolhimento de contribuições sociais, na base de 20%, sobre os pagamentos efetuados a trabalhadores avulsos, autônomos, e seus administradores.” Conforme se pode verificar nos esclarecimentos prestados pelo contribuinte anexo a 1ª via deste processo. Neste mesmo esclarecimento o contribuinte informa que: 3.3.1 O período que originou o crédito é de março de 1990 a junho de 1996. 3.3.2 Os créditos federais utilizados para a compensação dos tributos foram adquiridos da Empresa Lagoa Agencia Marítima e Transportes Ltda, CNPJ 36.205.508/000173. 3.3.3 Informa, ainda, que o crédito em questão é homologado, conforme consta de sentença do M. M. Juiz Federal Sr. Leopoldo Muylaert com data de 12.07.1996. 3.3.4 A Procuradora Federal Sra. Carla Cristina Pinto da Silva vem confirmar a homologação, confirmar o pagamento indevido e confirmar o crédito, com oficio datado de 23.12.2009. 3.4 O sujeito passivo apresentou Instrumento Particular de Cessão (anexo a 1ª via deste processo) firmado pela contribuinte ora fiscalizado e a Empresa Lagoa Agencia Marítima e Transportes Ltda. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 3.4.1 No item referente ao Objeto do Instrumento Particular de Cessão temse “O presente tem por objeto a Cessão dos Direitos, até o limite de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais) relativos ao processo nº 95.00564912, que tramitou perante a 2ª Vara Federal de Niterói, em face do INSS – INSTITUTO NACIONAL DE SEGURIDADE SOCIAL. 3.4.2 O item 2. “DO PREÇO” informa que o “valor monetário da presente cessão será acordado posteriormente entre as partes, quando então irão firmar instrumento de confissão de dívida o qual será parte constante do presente.” 3.5 Como se pode verificar, o contribuinte utiliza supostos créditos de terceiros para ompensar contribuições previdenciárias próprias. 3.12 Aos 23/12/2009 a PFN (Procuradoria da Fazenda Nacional) informa que “... Ainda tendo o acórdão declarado a inexistência de relação jurídica entre o Autor e o INSS em relação a contribuição incidente sobre a remuneração paga aos segurados administradores, autônomos e avulsos, caberá ao autor identificar os recolhimentos feitos por ele próprio. Como não houve pedido de restituição, não cabe a União apresentar quaisquer cálculos. Entretanto, caso Vossa Excelência assim não entenda, para que a união apresente quaisquer cálculos, fazse necessária a comprovação efetiva, pelo Autor, do recolhimento feito por ele, apresentando os documentos originais de arrecadação (guias de recolhimentos de contribuição previdenciária), feitos dentro do período em que alegou inclusas as rubricas indevidamente pagas.” (cópia anexa a 1ª via deste processo). 3.13 A 2ª Vara Federal de Niterói concede prazo de 10 (dez) dias a parte autora sobre o informado pela União Federal no item 3.12 (cópia anexa a 1ª via deste processo). 3.14 Emitida Certidão sobre a não manifestação da parte autora em atenção ao despacho do item 3.13 (cópia anexa a 1ª via deste processo). 3.15 É disponibilizado no D. E. J.F. 2ª R (Diário eletrônico da Justiça Federal 2ª região)em 22/04/2010 conclusão “Considerando o silêncio da autora em relação ao despacho de fl 135, arquivemse com baixa” (cópia anexa a 1ª via deste processo). 3.16 Como se pode verificar a Justiça Federal, através do processo nº 95.00564912, não concede crédito e/ou direito de compensar supostos créditos previdenciários, como alega o sujeito passivo nos itens 3.3.3 e 3.3.4. Vejamos: 3.16.1 No item 3.3.3 o sujeito passivo informa que o crédito em questão é homologado, conforme consta de sentença do M. M. Juiz Federal Sr. Leopoldo Muylaert com data de 12.07.1996. Como se verifica no item 3.6.1, o M. M. Juiz Federal Sr. Leopoldo Muylaert declara o direito de a autora “compensar os valores pagos a titulo de contribuição social sobre empresários e Fl. 839DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202003.725 CSRFT2 Fl. 4 5 autônomos, nos cinco anos anteriores a data da propositura desta ação, com os da própria contribuição incidente, contudo, sobre a folha de salários, reconhecendo ainda o direito a correção monetária oficial dos créditos anteriores a janeiro de 1992, respeitado o limite de 30% do valor a ser recolhido em cada competência.” Contudo, conforme se verifica no item 3.6.3, como a autora não pleiteou na inicial o direito a efetuar a compensação, o TRF 2ª região concluiu que a sentença recorrida pela a autora era ultra petita, pois conferiu à apelante o direito de efetuar a compensação sem que esse pleito contasse na inicial. Ainda conforme o relatório, em decorrência deste procedimento, o valor das contribuições previdenciárias que o contribuinte deveria pagar em cada um destes meses foi reduzido, uma vez que uma parte dos valores devidos teria sido quitada por meio da compensação realizada. Em sessão plenária de 02/12/2014, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301004.234 (fls. 786 a 797), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 30/04/2011 GLOSA DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Demonstrado nos autos que faleciam aos créditos utilizados na compensação os requisitos de liquidez e certeza exigidos pela legislação, mostrase correta a glosa a respectiva exigência das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO. UTILIZAÇÃO DE PRECATÓRIOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal autorizando a compensação de contribuições sociais com créditos de precatórios adquirido de terceiros. MULTA ISOLADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE FRAUDE NO PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a multa isolada de 150% nos casos em que o fisco fundamente a sua imposição apenas na incorreta declaração da GFIP. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Fl. 840DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O processo foi encaminhado à PGFN em 05/02/2015 (Despacho de Encaminhamento de fls. 798) e, em 09/03/2015, foi interposto o Recurso Especial de fls. 799 a 807 (Despacho de Encaminhamento de fls. 808), com fundamento no artigo 67, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 810 a 815. Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega, em síntese: · A aplicação da penalidade em questão está prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/91 c/c art. 44, I da Lei nº. 9.430/96. · A análise desses dispositivos deixa claro que, na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese à aplicação da multa isolada no percentual de 150%. · No caso, o contribuinte compensou créditos que, dada a sua natureza controvertida, não cumprem os requisitos legais de liquidez e certeza. Nessa perspectiva, constatase que a compensação se fundamenta em declaração falsa, ante a inexistência de seus pressupostos legais. Uma vez verificada a falsidade, temse configurada a hipótese de incidência prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, que, repita se, não exige dolo do agente. · Ressaltese que o Código Tributário Nacional prevê, em seu art. 97, o seguinte, verbis: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...)VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades”. (Grifos nossos) · Assim, ao afastar a multa isolada diante da ausência de dolo do agente, o julgado recorrido terminou por criar hipótese de redução de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade. · Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que seja conhecido e provido o presente recurso especial, para reformar o r. acórdão no ponto impugnado, restabelecendose a exigência da multa isolada. Foram apresentados contrarrazões, fls. 820 a 827, onde, em síntese o contribuinte argumenta: A Lei 8.212/91, em seu artigo 89, S100, prevê que na hipótese de Fl. 841DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202003.725 CSRFT2 Fl. 5 7 compensação indevida, quando se comprove a falsidade da declaração apresentada, o contribuinte estará sujeito à multa isolada no percentual previsto no inciso I, do caput do artigo 44 da Lei 9.430/96, porém, somente nos casos de evidente intuito de fraude, previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n º4.502/64(...) No entanto, para que ocorra a incidência de tal penalidade, é completamente indispensável que exista a comprovação da fraude. Ora Excelência, não pode a Recorrente simplesmente alegar a existência de dolo por parte da Recorrida, sem se quer, fazer prova do que alega. O paradigma juntado pela recorrente (Acórdão nO 2403 001.294, proferido pela 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF) é imprestável para comprovar o que alega, haja visto que a decisão trazida diz que "COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INIDONEIDADE DA DECLARAÇÃO 00 SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez constatada a inidoneidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese à aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Recurso Voluntário Negado." Ora, não há qualquer constatação de inidoneidade no processo como um todo. Além do mais, em sede de recurso especial não se discute matéria de fato, mas apenas tema de direito, pelo que a matéria se encontra preclusa quanto a esse ponto, o que fulmina a pretensão da recorrente quanto ao pedido. Logo, resta claramente comprovado que não há qualquer falsidade nas declarações prestadas pela Recorrida, uma vez que, o crédito utilizado pelo contribuinte, apesar de não aceito pela Receita Federal do Brasil, não se origina de fraude ou simulação, mas sim de sentença judicial. Ao final, pede que seja negado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda. E o relatório. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. DO MÉRITO DAS COMPENSAÇÕES MULTA ISOLADA Embora o alvo do Recurso Especial da Fazenda não seja a procedência das compensações, fazse necessário a apreciação da questão, considerando que a aplicação da multa isolada, partiu da premissa de falsidade de declaração em GFIP de valores compensados. Conforme o relatório fiscal, constatouse pela análise das GFIP e documentos apresentados, que o contribuinte realizou compensações mediante aproveitamento de tributo pautado nos valores adquiridos junto a terceiros, contudo sem estar amparado legalmente ou mesmo judicialmente para tanto. Aliás esse foi o entendimento descrito pelo julgador, fls. 790, no sentido que como não havia decisão transitada em julgado, considerouse que não havia crédito líquido e certo em favor do contribuinte, portanto, as compensações foram consideradas indevidas, restando à auditoria fiscal o levantamento do crédito tributário pelo total indevidamente compensado (Glosa de Compensações Indevidas) com base nos artigos 170A e 170 do CTN e artigo 89 da Lei 8.212/1991, combinada com o artigo 70 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 31/12/2008. Vejamos o dispositivo legal que disciplina a matéria: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafo único. Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 1º Admitirseá apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c”, do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) Fl. 843DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202003.725 CSRFT2 Fl. 6 9 acrescenta o artigo “o” antes da expressão “valor”; 3) coloca virgula antes da expressão “do parágrafo”) § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei nº 9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras “compensadas” e “atualizadas”) § 5º Observado o disposto no § 3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) § 6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei nº 9.129, de 20/11/95) A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 somente a lei pode estabelecer: VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Conforme prevê o art. 89, § 2º da Lei n ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valerse do instituto da compensação. Conforme previsto no art. 170A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes, não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art.170/A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Com relação ao argumento de realização de compensação nos limites legais, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Na hipótese dos autos, não se vislumbra essa condição para as compensações efetuadas pela contribuinte. A uma, os créditos utilizados para fins de compensação da contribuinte são de terceiros, adquiridos mediante Escritura Pública de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, o que inviabiliza a pretensão da recorrente, uma vez que a legislação de regência acima transcrita não possibilita a compensação com créditos de terceiros. Ademais, o artigo 239A da Instrução Normativa SRP n° 03/2005, vigente à época, vedava expressamente essa modalidade de compensação, senão vejamos: “Art. 239A . É vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos às contribuições administradas pela SRP, com créditos de terceiros. (Incluído pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007)” A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, consoante se positiva dos Acórdãos com suas ementas abaixo transcritas: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2008 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIROS DECORRENTES DE PRECATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. Ausentes disposições legais que autorizem a compensação de créditos previdenciários de terceiros. Instrução Normativa n° 03/2005, vigente à época das compensações, vedava expressamente a compensação nestes termos. Recurso Voluntário Negado.” (Processo n° 11020.724643/201101 – Acórdão n° 2402003.931) “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2010 a 30/09/2011 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITOS OBJETO DE CESSÃO. MANTIDA NATUREZA DE TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE DE USO NOS PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO. Os créditos referentes a obrigações tributárias oriundas de fatos geradores praticados por sujeito distinto daquele que os adquiriu por meio de cessão, por continuarem sendo de terceiros, não podem ser utilizados nos procedimentos de compensação tributária. A cessão de crédito, nos termos do Código Civil, não descaracteriza o crédito como sendo de terceiros para fins de compensação. Deve haver identidade subjetiva entre o contribuinte que deu causa ao fato gerador originário da obrigação tributário e aquele que pleiteia a compensação junto ao Fisco. O art. 74 da Lei nº 9.430/1996 veda expressamente a utilização de créditos de terceiros. [...]” (Processo n° 10166.729014/201131 – Acórdão n° 2302 003.058) Os precedentes encimados contemplam precisamente a hipótese tratada nos presentes autos, onde a contribuinte promoveu compensações com créditos de terceiros, transferidos mediante Escritura Pública de Cessão e Transferência de Direitos Creditórios, a Fl. 845DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202003.725 CSRFT2 Fl. 7 11 qual, digase de passagem, não tem o condão de deslocar para a recorrente o ônus suportado por ocasião do pagamento indevido, de maneira a vincular o crédito de outrem ao adquirente, ou seja, o fato jurídico (crédito) com o fato gerador do exigência fiscal (débito). Convém registrar, ainda, que o fato de a cessão de aludidos créditos ter sido realizada mediante Escritura Pública não é capaz de macular a exigência fiscal, tendo em vista que, nos termos do artigo 123 do Código Tributário Nacional, as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública, in verbis: “Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.” Não bastasse isso, consoante restou circunstanciadamente demonstrado pela fiscalização, em seu relatório fiscal: 3.12 Aos 23/12/2009 a PFN (Procuradoria da Fazenda Nacional) informa que “... Ainda tendo o acórdão declarado a inexistência de relação jurídica entre o Autor e o INSS em relação a contribuição incidente sobre a remuneração paga aos segurados administradores, autônomos e avulsos, caberá ao autor identificar os recolhimentos feitos por ele próprio. Como não houve pedido de restituição, não cabe a União apresentar quaisquer cálculos. Entretanto, caso Vossa Excelência assim não entenda, para que a união apresente quaisquer cálculos, fazse necessária a comprovação efetiva, pelo Autor, do recolhimento feito por ele, apresentando os documentos originais de arrecadação (guias de recolhimentos de contribuição previdenciária), feitos dentro do período em que alegou inclusas as rubricas indevidamente pagas.” (cópia anexa a 1ª via deste processo). 3.13 A 2ª Vara Federal de Niterói concede prazo de 10 (dez) dias a parte autora sobre o informado pela União Federal no item 3.12 (cópia anexa a 1ª via deste processo). 3.14 Emitida Certidão sobre a não manifestação da parte autora em atenção ao despacho do item 3.13 (cópia anexa a 1ª via deste processo). 3.15 É disponibilizado no D. E. J.F. 2ª R (Diário eletrônico da Justiça Federal 2ª região)em 22/04/2010 conclusão “Considerando o silêncio da autora em relação ao despacho de fl 135, arquivemse com baixa” (cópia anexa a 1ª via deste processo). 3.16 Como se pode verificar a Justiça Federal, através do processo nº 95.00564912, não concede crédito e/ou direito de compensar supostos créditos previdenciários, como alega o sujeito passivo nos itens 3.3.3 e 3.3.4. Vejamos: 3.16.1 No item 3.3.3 o sujeito passivo informa que o crédito em questão é homologado, conforme consta de sentença do M. M. Juiz Federal Sr. Leopoldo Muylaert com data de 12.07.1996. Como se verifica no item 3.6.1, o M. M. Juiz Federal Sr. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Leopoldo Muylaert declara o direito de a autora “compensar os valores pagos a titulo de contribuição social sobre empresários e autônomos, nos cinco anos anteriores a data da propositura desta ação, com os da própria contribuição incidente, contudo, sobre a folha de salários, reconhecendo ainda o direito a correção monetária oficial dos créditos anteriores a janeiro de 1992, respeitado o limite de 30% do valor a ser recolhido em cada competência.” Contudo, conforme se verifica no item 3.6.3, como a autora não pleiteou na inicial o direito a efetuar a compensação, o TRF 2ª região concluiu que a sentença recorrida pela a autora era ultra petita, pois conferiu à apelante o direito de efetuar a compensação sem que esse pleito contasse na inicial. Registrese, que ao admitir a compensação na forma pretendida pela contribuinte, estaríamos não só malferindo o disposto no artigo 89 da Lei nº 8.212/91, mas também interpretando àquela norma de forma extensiva, o que vai de encontro com a legislação de regência, como acima demonstrado, sobretudo em face da impossibilidade de compensação com créditos de terceiros, bem como evidente ausência de liquidez e certeza do crédito utilizado pela contribuinte para promover as compensações. Ou melhor, pela absoluta falta de comprovação da existência de créditos oriundos de pagamentos indevidos/indébitos realizados pela própria contribuinte. Nesse sentido, não há como se acolher a pretensão da contribuinte, de maneira a homologar as compensações pleiteadas, tendo a autoridade recorrida agido da melhor forma, com estrita observância à legislação previdenciária. DA MULTA ISOLADA Quanto ao questionamento acerca da multa isolada, base do presente recurso, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal, considerando que informação em GFIP de compensações realizadas, sem que a empresa encontrese exercendo direito líquido e certo, leva sim, a uma falsa declaração capaz de ensejar a aplicação da multa prevista no § 10 da lei 8212/91, no patamar de 150%. Ao contrário de outros processos de compensação, onde a empresa promove as compensações, amparada em decisão judicial, no presente caso, mesmo que se argumente a existência de jurisprudência que poderia levar ao entendimento do recorrente, não há como afastar o fato que a empresa realizou as compensações ao seu “bel prazer”, sem qualquer amparo, ou seja, não buscou judicialmente o seu direito a compensação. Não falo com isso que a empresa deva sempre buscar seu direito perante o judiciário, pelo contrário, a própria lei autoriza a compensação direta do tributo recolhido indevidamente, porém essa definição de recolhimento indevido estará sujeita a posterior homologação, por parte da DRFB. Dessa forma, entendo que a compensação realizada com títulos de terceiros, ainda mais na condição como descrita no relatório fiscal, caracteriza falsidade de declaração do direito líquido e certo de compensar, razão pela qual deve persistir a multa isolada. Deve a fiscalização, analisando pontualmente cada caso concreto, identificar a verba compensada, para só então definir a existência de falsidade de declaração. Notese que aqui, não exigiu o legislador a demonstração da fraude por parte do agente fiscal, como muito argumentado pelo recorrente, nem mesmo dolo, mas a indicação de informação falsa na GFIP. Convém apreciar, inicialmente o dispositivo legal utilizado pela autoridade fiscal para imposição da multa isolada, o § 10 do art. 89 da Lei n.º 8.212/1991: Fl. 847DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202003.725 CSRFT2 Fl. 8 13 Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) Entendo que o dispositivo em questão retrata multa diversa da comumente aplicada nos lançamentos de ofício, consubstanciada no art. 44, § 1, qual seja, multa qualificada. Acredito ter o próprio contribuinte se confundido, quando em sede de contrarrazões, faz referência a necessidade de demonstração do intuito de fraude, ou mesmo caracterização do dolo ou simulação. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 848DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limiar entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita. Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições adquiridas de terceiros, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito líquido e certo "seu", na verdade inexistente; indicando nítida falsidade de declaração. Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: “s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.” Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriodecontribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal. Fl. 849DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10410.721627/201352 Acórdão n.º 9202003.725 CSRFT2 Fl. 9 15 Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996. Apenas para efeitos de esclarecimentos, observase que essa mesma fórmula legislativa foi utilizada na redação atual do art. 18 da Lei n. 10.833/2003, a qual trata da imposição de multa isolada em razão da não homologação da compensação dos outros tributos administrados pela RFB. Eis o dispositivo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) De se concluir que na imposição da multa isolada, relativa à compensação indevida de contribuições previdenciárias, prevista expressamente no art. 89, §10º da lei 8212/91, a única demonstração que se exige do fisco é a ocorrência de falsidade na GFIP apresentada pelo sujeito passivo, o que restou demonstrado no presente caso. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo provimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, restabelecendo a multa isolada. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 850DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/02/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15165.003460/2008-40
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
LUIZ ROBERTO DOMINGO - Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente)
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 10.177 1 10.176 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15165.003460/200840 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3101000.295 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de setembro de 2013 Assunto Diligência Recorrente OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA. e Outros Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Henrique Pinheiro Torres Presidente. LUIZ ROBERTO DOMINGO Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra (Suplente), Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres (Presidente) RELATÓRIO Por bem tratar dos temas relacionados à lide, adoto o relatório da decisão recorrida (fls. 4326/4338): – Do Crédito Tributário O processo iniciase com o Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 09.1.52.002008004245 que amparou a verificação do valor aduaneiro das RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 51 65 .0 03 46 0/ 20 08 -4 0 Fl. 14007DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.178 2 mercadorias submetidas a despacho por meio das declarações de importação (DI's) n° 04/12817238, 04/13286856, 05/02711986, 05/03214757 e 05/03427572, registradas na • IRF/Curitiba e na DRF/Maringá, entre 15.12.2004 a 05.04.2005, que culminou na lavratura dos Autos de Infração de fls. 02 a 84, integrados pelo "Relatório Fiscalização NETWORK 1" de fls. 85 a 247. Nos referidos Autos de Infração formam lavrados para a cobrança do (i) Imposto de Importação (II), acrescido de multa de lançamento de oficio qualificada e de juros de mora, calculados até 30.11.2008; (h) da Multa do Controle Administrativo das Importações devida sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado; (iii) do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI vinculado), acrescido de multa de lançamento de oficio qualificada e de juros de mora, calculados até 30.11.2008; (iv) da Multa Regulamentar do IPI, proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria; (v) da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINSImportação), acrescida de multa de lançamento de oficio qualificada e de juros de mora, calculados até 30.11.2008; e (vi) da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP Importação), acrescida de multa de lançamento de oficio qualificada e de juros de mora, calculados até 30.11.2008; totalizando um montante de crédito tributário apurado de R$ 6.703.896,91 (fl. 84). Dos Fundamentos dos Lançamentos As autoridades lançadoras aduzem que as exigências fiscais em trato decorreram da ocorrência de subfaturamento nas importações processadas com o registro das DI's acima listadas, cuja materialidade se deu com o uso de faturas comerciais falsas ocasionando a declaração inexata dos valores de transação e, por conseguinte, a insuficiência de recolhimento dos tributos aduaneiros. Reportandonos ao "Relatório Fiscalização NETWORK 1", convém salientar que, por ora, evidenciaremos seus principais tópicos com vista a demonstrar, sinteticamente, os fatos que ensejaram à autuação em trato, visto que a abordagem analítica dos fundamentos da ação fiscal e, por conseguinte, dos respectivos lançamentos tributários será especificamente tratada quando da análise pormenorizada dos argumentos de defesa apresentados pela contribuinte e demais responsáveis solidários. Nesse passo, a fiscalização prontamente informa que o relatório, além subsidiar a presente ação fiscal, serviu de fundamento para as ações efetuadas em desfavor das seguintes empresas: (i) Tumiza Importação e Exportação Ltda. (PAF n° 15165.000119/2009 13), (h) Mercotex do Brasil Ltda. (PAF n° 15165.003462/2008 39), (iii) Intersmart Comércio, Importação e Exportação de Produtos Eletrônicos Ltda. (PAF n° 15165.000120/200948), (iv) Muchmore Comercial Ltda. (PAF n° 15165.003455/200837), (v) Cotia Trading S/A (PAF n° 15165.003461/200894), (vi) Proxim Importadora e Exportadora Ltda. (PAF n° 15165.003459/200815) e (vii) Iacex Importação e Exportação Ltda. (PAF n° 15165.003458/200871). Os autuantes esclarecem também que instruem os autos, além dos dossiês cadastrais de todas as pessoas jurídicas e físicas indicadas na investigação e das cópias das declarações de importação analisadas, os documentos extraídos do inquérito instaurado pela Polícia Federal na denominada operação "DILÚVIO" (IPL 0 009/2008 DPF/PGAPR), extração estas devidamente permitida pela autoridade judicial (processo n° 2006.70.00.00224356, em tramitação à época na 3' Vara Criminal de Curitiba), bem assim, as cópias dos Autos de Apreensão efetuados também pela Polícia Federal, Fl. 14008DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.179 3 relativamente às empresas Mercotex e Opus e ao contribuinte Marcelo Ralo e do Memorando n° 1.411/07 SETEC/SR/DRP/PR. Prosseguindo, a fiscalização apresenta um resumo das declarações de importação registradas pelas empresas mencionadas nas ações fiscais deflagradas na "Operação Dilúvio", esclarecendo que os valores apresentados referemse tãosomente àqueles declarados pelas empresas autuadas para as mercadorias importadoras. A fiscalização também descreve os fatos que ensejaram a acusação de fraude do valor declarado das mercadorias importadas, evidenciado pela confrontação da verdade formal consignada nos documentos que instruíram respectivos despachos com a verdade material efetivamente verificada, evidenciando Grupo de forma inelutável a (i) vinculação existente entre as empresas exportadoras e o Network 1; (h) os reais proprietários e controladores das empresas exportadoras; (iii) a efetiva composição societária do Grupo Network 1; (iv) o modo de agir adotado para o cometimento dos ilícitos fiscais perpetrados; (v) a falsidade dos valores declarados pelos importadores; (vi) os valores de transação efetivamente praticados; (vii) o real destino dos bens importados; (viii) os responsáveis pela prática das infrações tributárias; (Lx) o montante de tributos sonegados; (x) os contribuintes e demais responsáveis solidários; e (xi) as infrações e penalidades cometidas. Relativamente às empresas exportadoras, a fiscalização informa que do total de 216 DI's analisadas, somente 04 (quatro) referemse à empresa Ali Tradelogistic Corporation, sendo que as demais dizem tinham como interessadas as empresas Shellton Inc., Nations Inc., Ali Network Inc., Neils Trading Corporation. Com referência ao funcionamento do Grupo Network 1, a fiscalização esclarece que da análise dos documentos e das provas que se encontram acostadas aos autos foi possível mostrar que: (i) o grupo é controlado por Marcelo Adorno e William Haddad Uzum, sendo, por conseguinte, os reais proprietários das empresas que o integram; (h) Marcelo Ralo é quem o administra, respondendo de fato pelo controle financeiro do grupo, notadamente, naquelas operações fraudulentas; (li) Sílvia Helena Disperatti é responsável pelo controle administrativo, auxiliando, por conseguinte, Marcelo Ralo em sua atividade. Quanto à exportadora Neils Trading Corporation, as autoridades fiscais esclarecem, com base nos documentos acostados "que a NEILS é que detém o poder de controle sobre todas as pretensas exportadoras e sobre o destino dos bens, vez que a ela compete formular as ordens e compra, determinar os embarcadores/exportadores, efetuar o pagamento dos bens e, ainda, fixar o preço aviltado pelo qual serão refaturados". Com relação às exportadoras Shellton Inc., Nations Inc., Ali Network Inc., Neils Trading Corporation, a fiscalização demonstra que seu controle financeiro e bancário é exercido pelo Grupo Network 1, sob o comando de Marcelo Adorno e William Haddad Uzum (reais proprietários); ou de Marcelo Ralo, Sílvia Helena Disperatti e Gladys Blézio (prepostos destes últimos). Nesse passo, a fiscalização afirma que os documentos constantes dos autos, notadamente inúmeras Cartas de Fianças e Acordos firmados entre distribuidores e fabricantes, além de reforçar a acusação anteriormente citada, confirmam a vinculação das empresas exportadoras com as sociedades empresariais que integram o Grupo Network 1 no Brasil. Com vista a demonstrar o padrão de comportamento adotado na quase totalidade das operações de importação realizadas por empresas do próprio Grupo Network 1 ou por meio de terceiros importadores (Grupo MAM), que resultou no subfaturamento do Valor Aduaneiro das mercadorias, as autoridades lançadoras trouxeram como exemplo Fl. 14009DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.180 4 a operação de venda de produtos da marca Juniper para a Petrobrás ("PO#JUNO21/05 Petrobras Case"), cujo memorial, além de trazer informações sobre o Grupo Network 1, informa a logística da operação, prazos, fluxo de caixa, etc, indicando que a importação foi formalizada através da ora autuada (Opus), ressaltando o modus operandi empregado pelo grupo para reduzir dolosamente a base de cálculo dos tributos aduaneiros em percentuais que variaram entre 30% (trinta por cento) e 85% (oitenta e cinco por cento) do valor efetivamente negociado. Pelo fato de o "Relatório Fiscalização NETWORK 1", referirse a diversas autuações, no Tópico que trata da metodologia de apuração do Valor Aduaneiro, a fiscalização esclarece assim se pronuncia: "Considerando a existência de centenas de ordens de compra (PO), não há meios ou necessidade de se repetir individualmente a demonstração de subfaturamento apontada no tópico anterior. Por essa razão, os cálculos que serão exibidos posteriormente farão menção apenas aos valores declarados pelo importador e aos fixados com base nas POs utilizadas como paradigma, que serão devidamente anexadas para comprovação. Ressaltamos, ainda, que não nos valemos apenas de POs para definição dos valores aduaneiros, haja vista termos localizado outros documentos, de idêntico conteúdo, que, a exemplo das ordens de compra, atestam o valor real de transação. Como exemplo podese citar a planilha "resumo de compras 1999 ate hoje.xls", que discrimina todos os pagamentos efetuados para o fornecedor JUNIPER, contendo indicação sobre os bens, valor FOB, quantidades, números de invoice, datas de embarque, adquirentes, etc. Outro ponto que necessita ser explicitado diz respeito aos critérios de arquivamento dos documentos comprobatórios do valor aduaneiro, que foram ordenados por fabricante (e não por importador). A decisão em questão se pauta no princípio da economia processual, tendo presente o fato de que bens constantes de uma mesma PO, por vezes, foram enviados de forma fracionada, o que significa dizer que uma única PO pode se referir a mais de uma declaração de importação e, não raro, a mais de um importador. Assim, evitase a inserção repetida de documentos no processo. Em termos práticos, suponhamos que a IACEX tenha importado bens de diversos fabricantes, dentre os quais a JUNIPER. No tópico referente à IACEX haverá uma planilha, ordenada por DI, detalhando todos os itens pertinentes à valoração, dentre os quais os fabricantes. Para localizar a PO em questão, devese procurar a pasta do fabricante JUNIPER, onde haverá também uma planilha, ordenada por importador, estabelecendose assim uma referência cruzada. Eventuais esclarecimentos sobre os critérios de valoraç'ão serão informados nesta pasta. Informamos, ainda, que em razão da limitação do campo da planilha destinado à descrição dos bens, alguns deles não se mostram completos. Nessas hipóteses, em caso de dúvidas, deverão ser consultadas as declarações de importação em anexo, onde se poderá comprovar que se tratam dos mesmos bens descritos nas ordens de compra ou documento de efeito equivalente". Destaca o Fisco que identificados os valores reais de transação, conforme consignados nas PO's (ordens de compra), além de outros documentos trazidos aos Fl. 14010DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.181 5 autos, deixou de utilizar os preços de referência apurados preliminarmente no "Relatório de Triagem", uma vez que se mostraram inferiores aos efetivamente praticados, importando, inclusive, na não consideração, como espontânea, a denuncia oferecida pela empresa EBIS, conforme se depreende do item 3.7.1 do "Relatório Fiscalização Network 1". A fiscalização, com vista a demonstrar mais amiúde o conluio existente entre os autuados, pontifica algumas circunstâncias que vieram a baila durante os procedimentos investigatórios. Especificamente em relação à contribuinte ora autuada (OPUS), esclarece que os bens importados formalmente pela adquirente LANSARET, participe do Grupo MAM, juntamente com as empresas MEGA e CONTROL, deram entrada na EBIS, ou seja, a real adquirente, que se ocultou para não deixar transparecer a simulação perpetrada. No item 4.5 do Relatório de Fiscalização (fls. 174 a 179 dos autos) a fiscalização procura demonstrar atuação dos responsáveis solidários, evidenciando a condição de gerente destes, vejamos: 4.5 Das Importadoras do GRUPO MAM Antes de detalharmos as operações realizadas por meio da OPUS e MERCOTEX; evidenciaremos o papel desempenhado pelos senhores MARCO AlVTONIO MANSUR FILHO, MARCIO BUENO MORIKOSHI e FERNANDO MARQUES DA COSTA no tocante ao cometimento dos atos ilícitos praticados em nome dessas sociedades. MARCO ANTÔNIO MANSUR FLHO (MAR QUITO), coordena as operações de importação do GRUPO MAM realizadas nos portos e aeroportos do estado do Paraná e Santa Catarina. É o elo de ligação entre clientes, MARCO AlVTONIO MANSUR seu pai, as importadoras e o pessoal administrativo e operacional destas empresas. Coordena as atividades por meio de três gerentes principais, que atuam segundo suas instruções. Na importadora MERCOTEX (Maringá/PR), atua ROSILENE SIQUEIRA FERREIRA DA SILVA, gerente operacional; Na importadora OPUS TRADING (Maringá/PR), temos MARCIO BUENO MORIKOSHI; Na importadora MERCOTEC (Itajaí/SC), atua seu sócio JAIME DE AZEVEDO LIMA FILHO. MÁRCIO BUENO MORIKOSHL como dito, é gerente do departamento operacional da Opus Trading, atuando nas operações de comércio exterior da empresa, tendo pleno conhecimento e controle das operações efetuadas pela trading. Exerceu as mesmas funções na LANSARET. Verificase pela documentação acostada ao RELATÓRIO DE TRIAGEM de fls.1144 a 1284, mencionado no item 3.4 desta Parte IV, que as operações da MERCOTEX aqui analisadas também foram conduzidas pelo senhor MÁRCIO. Transcrevemos parte dos emaus juntados ao referido relatório para comprovação do alegado. No primeiro, verificase que MÁRCIO tinha o controle das operações, mas MAR QUITO é que tomava as decisões finais, principalmente no que se refere ao subfaturamento: [...] Fl. 14011DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.182 6 No tocante ao Sr. FERNANDO MARQUES DA COSTA, como informamos, é o responsável pelo agenciamento das operações M13. No email abaixo se verifica a vinculaçã o desse senhor com MAR QUITO e MÁRCIO, onde se discute sobre a emissão de faturas falsas da ALL NETWORK e sobre a elaboração de duas faturas, uma com valores reais e outra com valores subfaturados. [...] Alem dos emaus juntados ao RELATÓRIO DE TRIAGEM, outras mensagens concernentes ao Sr. FERNANDO foram localizadas (lis. 1464 a 1482). Elas comprovam: Que ele agenciou as operações da M13 e com esse fim manteve contatos com MAR QUITO e MÁCRIO MORIKOSHI; Que o Sr. FERNANDO se utilizava os domínios "rcil ", "rci2", "rci3" e "rc4", todos @terra.com.br, através dos quais ele próprio e suas funcionárias MARIANE (Campos) e WALKIRIA contatavam MAR QUITO e MÁRCIO MORIKOSHI, ocasião em que se definia o valor do subfaturamento. Que o Sr. FERNANDO está intimamente ligado ao Sr. MARCELO ADORNO, que afirma tratarse de um primo seu, conhecido pelo codinome 'MOITA". [...] Contudo a atuação de FERNANDO "MOITA" vai muito além dos fatos aqui narrados. O documento intitulado "empresas fernando.xls", de jls. 1483 a 1505, discrimina, na pasta "Tabela" quais empresas eram operadas por ele e qual o montante adquirido pelo GRUPO NETWORK 1. Vejamos o seu teor: [...] Outra pasta desse mesmo documento, "dados", discrimina todos os detalhes dessas operações, indicando numero das notas fiscais, valores, datas de emissão, nome dos fornecedores, número dos pedidos e principalmente, o nome das empresas do GRUPO NETWORK 1 para as quais foram enviadas as mercadorias importadas pelas empresas do FERNANDO. Não se pode olvidar que são essas as MESMAS EMPRESAS constantes do documento "diversos.xls", mencionado no tópico 4.3 desta Parte IV, que informa sobre as fraudes cambiais. Confirmase, assim, que as sociedades operadas por FERNANDO "MOITA" foram largamente utilizadas pelo GRUPO NETWORK 1, que delas se valeu para se apropriar de notas fiscais frias (triangulação), para realizar remessas irregulares de divisas e para realizar importações fraudulentas com o fito de acobertar a sua condição de real adquirente das mercadorias introduzidas no País. Importante destacar que um passivo tributário gigantesco foi "enterrado" com essas empresas, tendo presente o fato de que parte expressiva dos créditos tributários devidos se perdeu em face do instituto da decadência. Consignamos, por fim, que MARCELO RALO faltou com a verdade ao afirmar às autoridades policiais que desconhecia a pessoa de FERNANDO. O e Fl. 14012DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.183 7 mail em anexo (fls.1506), por ele enviado, comprova o contrário. Na ocasião se negociava alguns embarques realizados via OPUS e MERCOTEX. Entendemos como inequívocas as provas relativas à responsabilidade dos senhores MARCO ANTONIO MANSUR FILHO, MARCIO BUENO MORIKOSHI e FERNANDO MARQUES DA COSTA, razão pela qual foram arrolados como solidários pelos créditos devidos pelas sociedades OPUS e MERCOTEX, nos termos definidos nos itens 3.1 e 3.3 desta Parte IV. Particularmente, em relação à autuada (OPUS TRADING AMÉRICA DO SUL LTDA.), as autoridades lançadoras constataram o cometimento de irregularidades em 05 (cinco) declarações de importação subfaturadas, cujos bens se destinam à empresa M13 Tecnologia, participe do Grupo Network 1, apontada como cliente do Grupo MAM, é o que se depreende do subitem 4.5.2 do referido Relatório de Fiscalização (fl. 185 dos autos), vejamos: 4.5.2 OPUS Em nome da empresa OPUS foram registradas 05 (cinco) declarações de importação subfaturadas cujos bens se destinaram ao GRUPO NETWORK 1. Logicamente, tratase aqui do que foi apurado, de sorte que outras operações poderão vir a ser identificadas. Ressaltamos que o Sr. MARCELO RALO reconheceu que os bens deram entrada na EBIS, fato comprovado também pelos emaus elencados no caput do tópico 4.5 retro e através dos documentos apreendidos junto à OPUS (lis. 1522 a 1531). De igual modo, os sócios dessa empresa SÍLVIO PARADISO e ROBERTO WAGNER DUS concorrem com seus atos ou omissões para realização das operações fraudulentas realizadas em nome da sociedade OPUS, acobertando seus reais proprietários, em particular, MARCO ANTÔNIO MANSUR FILHO, e os clientes dessa empresa. Objetivando demonstrar sinteticamente o valor aduaneiro apurado no procedimento fiscal sob exame, as autoridades lançadoras elaboraram o demonstrativo acostado às fls. 185 a 190 do "RELATÓRIO DE FISCALIZAÇÃO NETWORK 1". Sintetizando, as autoridades lançadoras demonstram a cessão da Opus para acobertar operações fraudulentas realizadas por terceiros, reais interessados, razão por que a fiscalização arrola com responsáveis pelos créditos devidos os sócios de direito e de fato, pelo fato de se beneficiarem da respectiva prática delituosa (Ebis Empresa Brasileira de Comércio, Integração e Serviços de Tecnologia Ltda., Marcelo Adorno, William Haddad Uzum, Marcelo Ralo, Sílvio Paradiso, Roberto Wagner Dus, Marco Antônio Mansur Filho, Márcio Bueno Marikoshi e Fernando Marques da Costa). Na primeira tabela são informados o número da declaração de importação e respectiva adição, a data de seu registro, o importador, o exportador, a descrição da mercadoria, sua quantidade, valor unitário e valor total, expresso em dólar estadunidense e em real, apurando o montante declarado de R$ 318.018,60. Na segunda tabela, contrapondo as informações declaradas pela autuada, a fiscalização apresenta o valor efetivo das referidas transações, para tanto, utiliza como paradigma às "Ordens de Compra P0 's", documento que tornou possível verificar o verdadeiro valor da mercadoria importada, informandoos tanto em dólar estadunidense como em real, apurando, por conseguinte, um montante de R$ 2.066.132,32 (fl. 110 do Relatório de Fiscalização). Fl. 14013DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.184 8 A fiscalização esclarece, também, que as mencionadas Ordens de Compra (PO's) e demais documentos de efeito equivalentes utilizados como subsídio à identificação do valor de transação praticado pelas empresas que registraram as declarações de importação elencadas no relatório em apreço encontramse juntados às fls. 1.593 a 2.270, sendo que, para uma melhor visualização, foram ordenadas pelos respectivos fabricantes das mercadorias importadas. Nesse diapasão, a fiscalização concluiu que as operações de importação realizadas em favor do Grupo Network 1 foram efetivadas de forma irregular e fraudulenta, pelos motivos a seguir sintetizados: (i) As declarações de importação e os correspondentes documentos instrutivos dos despachos foram produzidos no intuito de burlar os controles exercidos pela Aduana brasileira, logo são ideologicamente falsos; (h) As notas fiscais referentes à venda no mercado interno são inidôneas, não servindo de elementos de prova em favor das empresas importadoras de direito, uma vez que foram fraudulentamente emitidas para "esquentar" o valor das mercadorias e ocultar os reais adquirentes (importadores de fato); e (iii) A entrega a consumo dos bens irregularmente importados constituiu prática predatória que transgride a livre concorrência e o mercado interno. Das Impugnações Intimados das presentes exações, ingressaram com impugnação: Marcelo Adorno (fls. 2.296 a 2.352), William Haddad Uzum (fls. 2.443 a 2.499). Marcelo Ralo (fls. 2.588 a 2.631), Ebis Empresa Brasileira de Comércios Integração e Serviços de Tecnologia Ltda. (fls. 2.721 a 2.765), e Fernando Marques da Costa (fls. 4.163 a 4.177), conforme se sintetiza o documento de fl. 4.275. Síntese das alegações apresentadas pelos sujeitos passivos indicados como responsáveis solidários De esclarecer que perscrutando as impugnações apresentadas pelos autuados William Haddad Uzum, Marcelo Ralo, Marcelo Adorno e Ebis Empresa Brasileira de Comércio, Integração e Serviços de Tecnologia Ltda., indicados como responsáveis solidários pelo crédito tributário lançado em desfavor da empresa Opus, depreendese que os argumentos de defesa são idênticos, razão por que serão tratados conjuntamente. De início, em sede de preliminar, alegam a nulidade dos lançamentos porquanto não participaram dos procedimentos concernentes à investigação fiscal que culminou com a lavratura dos Autos de Infração em apreço, o que caracteriza o cerceamento do direito de defesa (o art. 5 0, LV, da CF/88 e art. 7 0, I, do Decreto n° 70.235/72 PAF); nessa linha de argumentação, reclamam também da exigüidade do prazo concedido para apresentar defesa consistente, tendo em vista a amplitude e complexidade da matéria tratada; bem assim, que lhe foram sonegado conhecerem a defesa apresentada pela autuada (Opus). Noutra preliminar, aduzem a ilegitimidade e ilegalidade para compor o pólo passivo da presente relação jurídica, na condição de responsáveis solidários. Com arrimo nos arts. 121 e 129 a 134 do CTN, alegam a impossibilidade de serem incluídos como responsáveis, independentemente da modalidade atribuída, ou seja, por substituição, transferência ou sucessão. Não obstante concordarem que o artigo 128 do CTN admite à atribuição da responsabilidade tributária à terceira pessoa vinculada ao fato gerador, aduzem que mencionada condição não ocorreu no caso presente, pois não registraram qualquer declaração de importação, não adquiriram ou comercializaram no mercado interno as mercadorias importadas e bem assim em dezembro de 2002 deixaram de manter vínculo com a EBIS, conforme evidencia a DIRPF 2002, Exercício 2003. Fl. 14014DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.185 9 No mérito, alegam que a fiscalização não efetuou o procedimento de valoração aduaneira para o fim de imputar o subfaturamento para as mercadorias importadas pela Opus, contrariando o disposto nos artigos 20 e 148 do CTN; nos artigos 76 a 82 do Decreto n° 4.543/02 (RA/02); na IN/SRF n° 327/03, bem assim o regulamento estatuído pelo AVA/GATT, padecendo o lançamento de vício insanável, devendo ser decretada sua nulidade. Ainda com relação ao procedimento de valoração aduaneira, não reconhecem as imputações que lhes são feitas por meio do "Relatório Fiscalização NETWORK 1", pois do item 002 da descrição dos fatos constante nos Autos de Infração depreendese que é inconsistente o subfaturamento do valor das mercadorias importadas pela Opus, pois referese a fatos ocorridos em outubro de 2005, quando a acusação está fundamentada em circunstâncias supervenientes àquelas narradas na autuação, pois os fatos imponíveis ocorreram em 15 e 30 de dezembro de 2004 e em 16 e 31 de março de 2005, devendo, por conseguinte, ser a aplicada norma do artigo 112 do CIN. Prosseguindo, afirmam que não obstante sempre terem atendido os pleitos formulados pelo Fisco, em momento algum foram cientificados dos procedimentos fiscais que precederam a autuação. Logo, entendem ser incabível o agravamento da multa prevista no artigo 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96. Demais disso, alegam que a fraude deve ser provada, pois a legislação de regência não admite sua ocorrência por meio da presunção, razão por que não reconhecem as imputações levadas a efeito na autuação. Por fim, alegam que é inadequado o uso taxa Selic na apuração do juros de mora, pois na espécie de ser aplicada a taxa de juros em percentual de 1% ao mês, acrescida de correção monetária, por se tratar do indexador de débitos de natureza tributária, pois a referida taxa Selic contraria o princípio da legalidade, uma vez que é fixada por ato normativo do Banco Central do Brasil (BCB) ao invés de lei. Em face de todo o exposto, requerem a insubsistência dos lançamentos. Síntese das alegações apresentadas pelo responsável solidário Fernando Marques da Costa De imediato, o Impugnante requer o reconhecimento da ilegitimidade para figurar no pólo passivo da presente demanda fiscal, posto que nunca participou dos contratos sociais, da administração ou negócios das empresas autuadas, desconhecendo inteiramente os fatos apontados na autuação. Salienta que sua relação com referidas pessoas se restringe única e exclusivamente ao seu parentesco com o sr. Marcelo Adorno, seu primo, portanto, de natureza meramente familiar; que sua participação se restringiu à simples indicação, contato e apresentação de pessoas para aquele, além da realização de uma cotação referente á venda de rádios, para posterior intermediação, circunstância corroborada pela absoluta falta de prova de qualquer participação sua nos fatos imputados na respectiva ação fiscalizadora. Adverte que sua trazida para o pólo passivo dessa relação jurídica, está calcada em indícios vagos e imprecisos, uma vez que fundado em trocas de emaus por pessoas que desconhece, documentos que são passíveis de ser enviados por qualquer pessoa, posto se tratar de correspondência de domínio público. Ademais, acrescenta que dos autos constatase a absoluta falta de documento apontando ter usufruído qualquer beneficio econômico ou praticado atos no intuito de lesar o Fisco. Nesse sentido, como já pacificado na doutrina e na jurisprudência, a responsabilidade é subjetiva, importando, por conseguinte, a demonstração cabal da intenção do agente com o objetivo de suprimir o pagamento de tributos, conforme dispõe o inciso III, do artigo 135 do CTN. Fl. 14015DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.186 10 De outra parte, alega que não obstante desconhecer os fatos imputados na presente autuação e, por conseguinte, não tem condições de discutir o mérito da exação, os autos contêm elementos visivelmente precários e incorretos, decorrentes de simples erros aritméticos, como se observa da planilha intitulada "IMPORTADOR: MERCOTEX — Valor de Transação Efetivamente Praticado" (fl. 97 do Relatório de Fiscalização Network 1), onde a somatória do montante em moeda nacional indica quase o triplo do valor correto, qual seja, R$ 3.616.927,83, quando a soma das adições indica que o valor é R$ 1.290.289,50. Outro exemplo de erro, na planilha intitulada "IMPORTADOR: OPUS Valores Declarados Subfaturados" (fl. 103 do Relatório de Fiscalização Network 1), o valor total em reais indicado é R$ 318.018,60, quando a soma correta é R$ 25.230,64. Já na planilha intitulada "IMPORTADOR: OPUS Valores de Transação Efetivamente Praticado" ( também à fl. 103 do Relatório de Fiscalização Network 1), o valor total em reais indicado é R$ 2.066.132,32, quando a soma correta é R$ 155.497,51. Portanto, alega o Impugnante que tais erros matemáticos compromete a liquidez e certeza do Auto de Infração, requisito necessário à sua validade. Por fim, entende o autuado que a manutenção dos Autos de Infração acarretalhe prejuízo, vez que não cometeu nenhuma infração a justificar a imposição fiscal em tela, e que, portanto, não sendo cancelado a respectiva exação recorrerá ao Poder Judiciário para pleitear o ressarcimento do aventado prejuízo, conforme consagrado nos artigos 5°, inciso XXXV e 37, § 6°, da Constituição Federal. Nesse sentido, requer a acolhida da impugnação para o fim de determinar a improcedência dos lançamentos. Submetidas as impugnação à apreciação a Turma de Julgamento da DRJ Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0718.020, de 06/11/2009 (fls. 4326/4373), julgouas improcedentes, com base nos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 15/12/2004 a 05/04/2005 NULIDADES Em sede de processo fiscal tributário são nulos sOmente os atos e termos lavrados por agente incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa ou ainda poderão ser cominados com nulidade os lançamentos que contenham vícios formais relevantes à matéria deduzida na autuação, logo, demais óbices são considerados irregularidades que deverão ser saneadas se causarem efetivamente prejuízo ao interessado. . RESPONSABILIDADE. SUJEIÇÃO PASSIVA. ADMINISTRADORES DE FATO E DE DIREITO. São responsáveis pelos créditos decorrentes de obrigações tributárias não adimplidas, os administradores que tenham pleno domínio dos atos imputados como fraudulentos e praticam atos comi excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, ainda que não figurem formalmente nos documentos constitutivos das sociedades empresariais. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. FRAUDE. O descumprimento de obrigação aduaneira pertinente à importação por conta e ordem e a conduta dolosa que resulta no fornecimento de Fl. 14016DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.187 11 informações falsas nas declarações de importação caracteriza fraude e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas.. FATURA COMERCIAL. FRAUDE. SUBFATURAMENTO. Caracteriza evidente intuito de fraude o desembaraço aduaneiro de mercadorias importadas instruído com faturas cOmerciais inidôneas. A comprovação da existência do subfaturamento do preço das mercadorias importadas, bem assim a vinculação entre exportadores e importadores ocultos caracteriza a falsidade ideológica desses documentos. VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCARACTERIZAÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. FRAUDE. Em regra, a valoração aduaneira de mercadorias importadas se rege pelas normas do Acordo de Valoração Aduaneira, implementado pelo GATT; porém, na hipótese de fraude do valor aduaneiro os procedimentos de valoração são regulados por regras especificas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO CONFIGURAÇÃO. O lançamento é ato no qual a Fazenda deduz sua pretensão quanto ao crédito tributário apurado em procedimento de oficio, cujo aperfeiçoamento ocorre com a ciência do sujeito passivo, hipótese em que encerra a fase denominada inquisitória. Por sua vez, a apresentação de impugnação pelo contribuinte, dá inicio à fase seguinte, denominada litigiosa, momento em que o acusado deve exercer seu direito de defesa. Desta feita, a não participação do investigado na fase inquisitorial não contraria o principio constitucional do contraditório e ampla defesa. PENALIDADES APLICADAS. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO. As multas administrativas e/ou fiscais não têm natureza confiscatória, pois alcançam somente os infratores, notadamente, com maior intensidade os que agiram com fraude. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A cobrança dos juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic está conforme a legislação de regência da matéria. Impugnação Improcedente Inconformados os Recorrentes apresentaram seus Recursos Voluntários Ebis Empresa Brasileira de Comércio, Integração e Serviços de Tecnologia Ltda. (fls. 4359/4386), Fernando Marques da Costa (fls. 4454/4475), Silvio Paradiso (fls. 4487/4500), Marcelo Adorno (fls. 4507/4534), Marcelo Ralo (fls. 4539/4560), William Haddad Uzum (fls. 4565/4595), Marco Antonio Mansur Filho (fls. 4604/4631), apresentaram Recurso Voluntário repisando os argumentos apresentados na inicial. Às fls. 9957 e seguintes foram trazidas cópias do HC n° 142.045/PR, julgado no STJ, em 15.04.2010, cuja 6° Turma ao analisar conceder a ordem de habeas corpus para declarar a nulidade das provas obtidas por meio das Fl. 14017DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.188 12 interceptações telefônicas e meios telemáticos da Operação Dilúvio realizada pela Policia Federal, que foi a base para a ação fiscal deste autos. Informa que o Acórdão decidiu que: "Comunicações telefônicas (interceptação). Investigação criminal/instrução processual penal (prova). Limitação temporal (prazo). Lei ordinária (interpretação). Principio da razoabilidade (violação). 1. É inviolável o sigilo das comunicações telefônicas, admitindose, porém, a interceptação "nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer". 2. A Lei n° 9.296, de 1996, regulamentou o texto constitucional especialmente em dois pontos: primeiro, quanto ao prazo de quinze dias; segundo, quanto à renovação, admitindoa por igual período, "uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova". 3. Inexistindo, na Lei n° 9.296/96, previsão de renovações sucessivas, não há como admitilas. Se não de trinta dias, embora seja exatamente esse o prazo da Lei n° 9.296/96 (art. 5°), que sejam, então, os sessenta dias do estado de defesa (Constituição, art. 136, § 2°) e que haja decisão exaustivamente fundamentada. Há, neste caso, se não explicita ou implícita violação do art. 5° da Lei n° 9.296/96, evidente violação do principio da razoabilidade. 4. Ordem concedida a fim de se reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas, devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito." Diante disso requer, em face da novel decisão, “a declaração da nulidade do auto de infração em relação ao peticionário, dado que foi reconhecida a nulidade de todas as provas obtidas no IP n° 009/2006, as embasaram a presente ação fiscal e a responsabilização imputada ao peticionário.”. Junta cópias das decisões do Eg. STJ. É o relatório. VOTO Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator. Preliminarmente à apreciação das questões postas por cada um dos recorrentes, é relevante verificar em que medida a decisão prolatada pelo Eg. Superior Tribunal de Justiça alcança o presente lançamento, haja vista que a conclusão da ordem concedida no Habeas Corpus considera ilegal a renovação das escutas pelos prazos superiores aos trinta dias previstos pela Lei nº 9.296/96. A ação fiscal que originou o auto de infração em questão foi resultante da denominada Operação Dilúvio, implementada pela Polícia Federal que concluiu haver um complexo esquema fraudulento administrado pelo Grupo MAM, através de operações de importação tidas como simuladas, com o objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, sob a alegada prática de utilização de documentos ideológica e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas. Apesar de ter havido fiscalização no âmbito da zona primária, o procedimento fiscal tratou das entregas a consumo de produtos de procedência estrangeira, importados de forma fraudulenta. Fl. 14018DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 15165.003460/200840 Resolução nº 3101000.295 S3C1T1 Fl. 10.189 13 Conforme documentação trazida aos autos, o Poder Judiciário no HC 142.045/PR declarou ilícitas provas colhidas via prorrogações de interceptação telefônica na Operação Dilúvio. Destacase que não foram anuladas todas as provas produzidas durante o inquérito policial, mas sim todas aquelas que de alguma forma decorrem das escutas e interceptações irregulares, havidas das prorrogações consideradas ilegais. Pois bem. O HC nº 142.045 – PR foi impetrado pelo advogado René Ariel Dotti, em benefício de Marco Antonio Mansur e Marco Antonio Mansur Filho, apontando como autoridade coatora o Eg. TRF da 4ª Região. O ato de coação ilegal consistiu na decisão que julgou regular a interceptação telefônica e suas sucessivas prorrogações realizadas para a apuração de conduta criminosa dos pacientes, nos autos do inquérito policial n° 2006.70.00.0224356. A decisão final do STJ, apontada na conclusão do i. Relator designado para redigir o voto vencedor foi a seguinte: “Voto, pois, pela concessão da ordem com o intuito de, à vista do precedente, a saber, do estatuído no HC76.686 (6ª Turma, sessão de 9.9.08), reputar ilícita a prova resultante de tantos e tantos e tantos dias de interceptação das comunicações telefônicas; consequentemente, a fim de que ‘toda a prova produzida ilegalmente a partir das interceptações telefônicas’ seja, também, considerada ilícita (tal o pedido formulado na impetração), devendo os autos retornar às mãos do Juiz originário para determinações de direito”. Portanto, o STJ declarou por via de consequência a ilegalidade de todas provas produzida no inquérito policial consideradas “frutos da árvore envenenada”, cujo “sopro de vida” – origem – tenha sido a interceptação telefônica após o lapso lega de 30 dias. Dessa forma, tornase imprescindível que sejam identificadas, as provas coletadas pela fiscalização que tiveram origem nas interceptações telefônicas após o prazo legal de 30 dias. Diante do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência, para o retorno dos autos à repartição de origem para que a autoridade competente: (i) Identifique as provas utilizadas para o lançamento que tenham sido direta ou indiretamente, originadas das interceptações ocorridas após o transcurso do prazo legal de 30 (trinta) dias, ou seja, aquelas que efetivamente foram consideradas ilícitas pelo STJ, segregandoas das outras que não foram contaminadas; (ii) Identifique as provas que derivaram do primeiro período de trinta dias da interceptação telefônica; (iii) Anexe as transcrições das escutas telefônicas referentes ao período de interceptação validado pelo STJ (os primeiros trinta dias);e (iv) Elabore relatório fiscal pormenorizado acerca das provas não decorrem, direta ou indiretamente, do quanto conhecido a partir das interceptações realizadas ilegalmente, justificandoas. Após a conclusão da diligência, os contribuintes e responsáveis solidários deverão ser intimados do inteiro teor do resultado da diligência, para, querendo, manifestemse no prazo de trinta dias para pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, os autos devem ser devolvidos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 14019DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 28/03/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002500/91-66
Data da sessão: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 1995
Ementa: FINSOCIAL FATURAMENTO - Exs 1988 a 1990
DECORRÊNCIA
Tratando-se de lançamento reflexivo, a.
decisão proferida no processo matriz se
aplica ao julgamento do processo decorrente,
dada a intima relação de causa e efeito que
vincula um ao outro.
Numero da decisão: 102-30.405
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para ajustar a exigência ao decidido no processo principal, através do Acórdão n° 102-27.758, de 27/01/93, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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RECORRIDA DRF em BELO HORIZONTE, MG "MAL FÂTURAMFNIO - a DECORRÊNCIA Tratando-se de lançamento reflexivo, a. decisão proferida no processo matáz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a intima relação de causa e efeito que vincula um ao outro. V14to4 , te.eatado)s e, dí6 cutído,s o4 pite)s ente. auto de te c.un o íntetpo4to poit BOUTIQUE NELL.V LTDA. ACORDAM o4 Membto4 da Segunda Camata do Ptímeíno Conelho de ContiuLbuínte , poit unanímídade de voto, dax pitovímento patcíal ao ite.cun4o, parta ajutart a eulgexcía ao decídído no lo,toceo piuLne.,Lpa£ atitav j.. do Acõtdão N9 102-27.758, de. 27/01/93, no tenmois do ,zelatei. fui.° e. voto que pa44am a íntegitan o pte,sente ju.egado. Sala da. Se -cj e.., em 10 de novembto de 1995 A ANTONIO DE YREITAS DUTRA - PRESIDENTE URS LILA -HANS EN - RELATOU 08 n rc7 1995— P p atam , °Lívida, do pitu ente julgamento, o eguín.te3 Conelheí- ,L03: Waldevan A.e.ve,s de Olíveíta, MaiLía Cedia de Andtade Fígueítedo Jos Clõví keveA , Sie.. E“g -enía MendeA de Bitítto, Jia-to Ce-,4an Go- me.A da Sí.eva e Jo)3E Cait.oz Pa/34t,te.elo. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIR.0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a 10680/002,500/91-66 RECURSO n. 89.869 ACÓRDÃO n. 102- 3 O . 4 0 5 RECORRENTE BOUTIQUE NELLY LTDA. RELATÓRIO Versa o presente processo do Auto de Infração de .fis. 03 e anexos, lavrado contra BOUTIQUE NELLY LTDA., CGC n. 21.108.816/0001-03, jurisclicionada a. Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte, MG, formalizando a exigência de FINSOCIAL Faturamento, relativa aos exercícios de 1988 a 1990, no valor de Cr$ 76.753,34 e correspondentes gravames legais. O lançamento, com base no artigo do Decreto Lei 1940/82, item I "c"da Portaria MF 119/82 e Re gfflarnento do FINSOCIAL, decorreu de procedimento de fiscalização sendo apuradas irregularidades - omissão de receita operacional, ocasionando insuficiência na determinação da base de cálculo da Contribuição, e lançado Imposto de Renda - Pessoa Jurídica, conforme demonstrado no processo 10680/002.496191-91. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte apresentou, dentro do prazo dilatado, em 15/06/91, sua impugnação de fis. 14/15, e anexos, fundamentando suas ale gações nas razões apresentadas no processo matriz.. A decisão de primeira instância, de número 01422/91, foi proferida às fis. 31/32 e, em consonância com o decidido no processo matriz, o lançamento foi julgado procedente. Ciente da decisão singular em 13/09/91 (fis. 14), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 08/10/91, reiterando, em suas Razões, juntadas às fis. 35/36, com os anexos de fis. 37/41, os argumentos formulados na fase impugnatória, e insurgindo-se contra a utilização de prova tomada emprestada do fisco estadual. O recurso é lido integralmente em Plenário. É o relatória. , 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO a 106SO/002.500/91-66 ACÓRDÃO n. 102-3 0 . 405 VOTO Conselheira Ursula Hansen - Relatora Estando o recurso revestido de todas as formalidades legais, dele tomo conhecimento. A exigência fiscal constante deste processo é decorrente da que foi apurada no processo matriz de n. 10680/002.496/91-91. Considerando que o recurso referente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, ao ser apreciado por esta Câmara em sessão realizada em 27 de janeiro de 1993, foi julgado parcialmente procedente, conforme faz certo o Acórdão n. 102-27.758, por entender ser admissivel o lançamento do imposto mediante prova emprestada pelo fisco de outro poder tributante, devendo, no entanto, restar comprovados os reflexos das irregularidades apontadas na apuração do resultado das atividades da contribuinte; Considerando que o auto estadual se constitue em indicio que requer provas; Considerando que, nas Razões de recurso voluntário acostadas aos presentes autos, a Recorrente revela seu reconhecinento de que a exigência fiscal decorre daquela formalizada no processo principal, não tendo apresentado qualquer nova razão ou prova; Considerando o princípio adotado neste Conselho de Contribuintes, de que o decidido no processo matriz constitue relação de causa e efeito que vincula um ao outro; Voto no sentido de dar-se provimento parcial ao recurso, adequando a matéria tributável ao decidido no processo principal. BRASÍyA, DF, 10 de, novembito de 1995 URSULA/HANSEN Relatora 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10909.000435/2007-69
Data da sessão: Wed Jun 17 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3102-000.052A
Decisão: Resolvem os Membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os Membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. P /04-nset. Iqércia Helen rajano D'Amorim - Presidente erissimo De Sena - Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Verissimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Processo n° 10909.000435/2007-69 S3-C2T1 Resolução n.° 3102-00.052A Fl. 2 RELATÓRIO 0 presente processo administrativo fiscal trata de Auto de Infração à fl. 3-63, lavrado contra a empresa Nova Importação e Exportação Ltda., constando como responsável solidário PH Arcangeli Cosméticos Ltda., para lançamento de diferenças de Imposto de Importação, com multa de oficio agravada do art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, e multa do art. 88. parágrafo único, da Medida Provisória n°2.158-35/2001. De acordo com o auto de infração, em razão de fraude impetrada pelos Recorrentes na fase de comercialização e de nacionalização dos produtos, fez-se necessário a determinação do valor aduaneiro das DI's ora revisadas. A fraude, em resumo, resumiria-se na importação de mercadorias por meio da empresa Nova Importação, com preços subfaturados, que vendia h. empresa Bertra Trading que, por sua vez, vendia h empresa PH Arcangeli, essa considerada a real importadora das mercadorias e responsável pelas operaOes. A decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC foi assim ementada: IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. OCULPAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor adianeiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. ALCANCE. A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciar-se a respeito da conformidade da lei, validamente editada, com demais preceitos emanados pela Constituição Federal. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A DRJ tem competência para afastar a aplicação de dispositivo legal apenas quando tenha sido declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. A apreciação da constitucional ou não e da legalidade das normas vigentes é da competência privativa do Poder Judiciário. Ao julgador administrativo cabe, ent face do Poder Regrado, somente aplicar a legislação vigente. MEIOS DE PROVA. PROVA A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, podendo ser direta ou indireta, 2 Processo n° 10909.00043512007-69 S3-C2T1 Resolução n.° 3102-00.052A Fl. 3 assimconceituada aquela que se apóia em conjunto de indícios capazes de demonstrar a ocorrência da infração e de fundamentar o convencimento do julgador, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. Lançamento procedente. (17. 693) o Relatório. VOTO Conselheira Beatriz Verissimo De Sena, Relatora A empresa Nova Importação e Exportação Ltda. requer em seu recurso voluntário a nulidade de sua intimação sobre o acórdão proferido pela da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Florianópolis/SC. A fl. 712 verifico que a empresa Nova Importação e Exportação Ltda. foi intimada por via postal no endereço Rua Fiúza Lima, 25, sala 04, Vila Operária, CEP 88303-240. No entanto, na impugnação, o endereço informado pela empresa é Avenida Jerônimo Monteiro n° 1000, sala 807, Centro, Vitória, CEP 29.010-004. Por isso, a intimação enviada ao primeiro endereço, conforme AR à fl. 712, não chegou à empresa. A intimação foi realizada, então, por edital (fl. 713). Data venha, a intimação do r. acórdão proferido pela r. DRJ não poderia ter sido realizada por edital, uma vez que a intimação por via postal foi frustrada porque realizada de forma incorreta. Nula, portanto, a intimação. Isso posto, converto o julgamento de diligência para que a empresa Nova Importação e Exportação Ltda. seja intimada do acórdão de fls. 693-707, por via postal, no endereço informado nos autos, qual seja, Avenida Jerônimo Monteiro n° 1000, sala 807, Centro, Vitória, CEP 29.010-004, concedendo-lhe vista dos autos pelo prazo legal. Determino, por conseguinte, a devolução do prazo para esse contribuinte apresentar recurso voluntário, se assim entender cabível. eatriz Verissimo de Sena 3
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