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Numero do processo: 10845.725121/2014-93
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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PERÍODO: 01/01/2010 a 31/01/2010 A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, consoante a Súmula CARF nº 49. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e Jose Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 72 51 21 /2 01 4- 93 Fl. 32DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra notificação de Lançamento de Multa por Atraso na Entrega da DCTF, do mês de JANEIRO de 2010, no valor de R$802,65 (com redução, pela entrega espontânea da Declaração). A DCTF do mês de JANEIRO de 2010 foi entregue em 17/09/2014, quando o prazo para entrega da referida declaração expirara em 19/03/2010. O contribuinte apresentou a impugnação do lançamento, tempestivamente, tendo a DRJ julgado improcedentes os argumentos, consoante o relatório, abaixo transcrito: A exclusão do contribuinte da sistemática do Simples Nacional se dá com efeito retroativo, razão pela qual são devidas as multas por atraso na entrega das declarações apresentadas fora do prazo legal previsto na legislação relativa ao tributo.. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformado, o recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade e, portanto, dele eu conheço. O recorrente alega, em sua defesa, que foi excluído do Simples Nacional, retroativamente, ou seja, à época da entrega da DCTF não estava obrigado a entregála. A alegação não procede, tendo em vista que, a exclusão do Simples Nacional tem efeitos retroativos, conforme a legislação em vigor, que reproduzo a seguir: LC 123/2006, no § 6º do art. 3º e art. 32, Art. 3º. (...) § 6º Na hipótese de a microempresa ou empresa de pequeno porte incorrerem alguma das situações previstas nos incisos do § 4º, será excluída do 3 tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, bem como do regime de que trata o art. 12, com efeitos a partir do mês seguinte ao que incorrida a situação impeditiva. Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10845.725121/201493 Acórdão n.º 1001000.058 S1C0T1 Fl. 3 3 Assim, no presente caso, uma vez excluído do Simples o recorrente passou a sujeitarse (efeito ex tunc) às regras aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive no que diz respeito às obrigações acessórias, observados os prazos legais originais. Portanto, considero irretocável a decisão da DRJ. Adicionalmente, no presente RV, o recorrente menciona o acórdão número 1803002.256, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que excluí multa por atraso na entrega da DCTF pela denúncia espontânea por parte da empresa, alegando ainda o artigo 138, do Código Tributário Nacional. O assunto já foi objeto de súmula por este egrégio Conselho, súmula n°49, como versa: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 34DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720186/2016-05
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO. BENEFICIÁRIO E CAUSA OCULTOS. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.891/1995. MULTA QUALIFICADA INCIDENTE SOBRE IRRF.
Aplica-se a multa qualificada de 150%, incidente sobre o IRRF de que trata o artigo 61 da Lei nº 8.891/1995, quando a fiscalizada não revela a causa ou o beneficiário de pagamento não contabilizado.
Numero da decisão: 9101-003.128
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Fla´vio Franco Corre^a - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente em exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO. BENEFICIÁRIO E CAUSA OCULTOS. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.891/1995. MULTA QUALIFICADA INCIDENTE SOBRE IRRF. Aplica-se a multa qualificada de 150%, incidente sobre o IRRF de que trata o artigo 61 da Lei nº 8.891/1995, quando a fiscalizada não revela a causa ou o beneficiário de pagamento não contabilizado.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BRUNO SEBASTIÃO GREGÓRIO E SUZANA PINTER GREGÓRIO (RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS DE BRUNO COMERCIAL E IMPORTADORA DE ALIMENTOS LTDA) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 PAGAMENTO NÃO CONTABILIZADO. BENEFICIÁRIO E CAUSA OCULTOS. ARTIGO 61 DA LEI Nº 8.891/1995. MULTA QUALIFICADA INCIDENTE SOBRE IRRF. Aplicase a multa qualificada de 150%, incidente sobre o IRRF de que trata o artigo 61 da Lei nº 8.891/1995, quando a fiscalizada não revela a causa ou o beneficiário de pagamento não contabilizado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Correâ. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 01 86 /2 01 6- 05 Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.460 2 (assinado digitalmente) Flávio Franco Correâ Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que são interessados BRUNO SEBASTIÃO GREGÓRIO e SUZANA PINTER GREGÓRIO (responsáveis tributários de BRUNO COMERCIAL E IMPORTADORA DE ALIMENTOS LTDA) (doravante “contribuinte” ou “recorrida”), em face do acórdão n. 1102001.101 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela 2a Turma Ordinária da 1a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido apresenta o seguinte relato quanto aos fatos, in verbis: “No relatório fiscal (fls. 269293), informa o agente autuante que a ação fiscal, inicialmente definida para a pessoa jurídica BRUNO COMERCIAL E IMPORTADORA DE ALIMENTOS LTDA, foi, ainda durante o procedimento investigativo, redirecionada para os seus sócios administradores, BRUNO SEBASTIÃO GREGÓRIO e SUZANA PINTER GREGÓRIO, tendo em vista o encerramento das atividades da empresa, conforme o Distrato Social registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP em 05/12/2008, sendo que a empresa já teria encerrado suas atividades comerciais em 31/12/2006, conforme consulta ao cadastro da Secretaria de Fazenda do mesmo estado. O relatório descreve suscintamente os diversos Termos de Intimação lavrados ao longo do procedimento, e as respostas recebidas e documentos apresentados. A autoridade fiscal observou que as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ apresentadas, relativas aos anos de 2007 e 2008, não informavam qualquer valor de receita operacional ou financeira auferidas, contudo, as informações prestadas pelas instituições financeiras à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB indicavam o auferimento de receitas de aplicações financeiras da ordem de R$ 1.979.047,74 em 2007 e de R$ 9.279.765,76 em 2008. Em face da não apresentação de esclarecimentos conclusivos e da apresentação dos extratos bancários de forma incompleta, foi expedida Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira – RMF para a obtenção dos dados diretamente das instituições financeiras. Foram apuradas pela fiscalização as seguintes infrações: Fl. 1460DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.461 3 1. Omissão de receitas de aplicações financeiras, nos valores e períodos já acima mencionados; 2. Omissão de receitas por depósitos bancários de origem não comprovada, no ano de 2007; 3. Glosa de despesas consideradas não necessárias à atividade, no ano de 2007; 4. Pagamentos sem causa: (i) aos sócios, no valor de R$ 36.337.734,00 em 14/10/2008, e (ii) à empresa Brumar Comercial e Importadora de Alimentos Ltda (BRUMAR), no valor de R$ 2.500.000,00 em 21/03/2007. Disto decorreu a lavratura de autos de infração de IRPJ e CSLL (infrações 1, 2 e 3 acima), PIS e COFINS (infrações 1 e 2 acima), e IRRF (infração 4 acima). As infrações 1 e 4 acima (omissão de receitas financeiras e pagamentos sem causa) foram apenadas com a multa de 150%, pelos motivos descritos no relatório fiscal, e as demais, com a multa de 75%.” O acórdão recorrido restou assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008 DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. REJEIÇAÕ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Diligências e perícias são instrumentos postos à disposição do julgador para auxiliálo na formação do seu livre convencimento, se entendêlas necessárias, e não se destinam a suprir prova que pode ser produzida pela parte interessada. A rejeição fundamentada do pedido não caracteriza cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. INOCORRÊNCIA Eventuais erros ou equívocos na apuração dos tributos, ou no enquadramento dos fatos à hipótese tributária prevista na norma, devem ser enfrentados como matéria de mérito, mas não importam a nulidade da autuação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2007, 2008 SIGILO BANCÁRIO. ACESSO ÀS INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos da Lei Complementar 105/2001, é lícito ao Fisco requisitar dados bancários, sem autorização judicial, sem que tal fato constitua violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei, não cabendo ao julgador administrativo afastar a sua aplicação. DIREITO DO FISCO DE REVISAR FATOS PASSADOS. DEVER DE GUARDA DE DOCUMENTOS. DECADÊNCIA. O transcurso do prazo decadencial, que conduz à perda do direito do fisco de praticar o ato de lançamento, não dispensa o contribuinte da guarda dos documentos que lastreiam os registros contábeis, de modo a comprovar a efetiva existência de fatos, ocorridos em períodos passados, que repercutem em exercícios futuros, ainda não atingidos pela caducidade. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. Os sócios respondem solidariamente com o contribuinte no caso de liquidação da sociedade, bem como nos casos em que demonstrado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Na condição de administradores da pessoa jurídica, são Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.462 4 também pessoal e solidariamente responsáveis pelos créditos tributários decorrentes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2007, 2008 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configuram omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO. Se a não compensação dos prejuízos fiscais de períodos anteriores com os valores lançados de ofício fundamentouse exclusivamente na falta de apresentação do livro LALUR, uma vez apresentado este em sede de recurso administrativo, e contendo dados congruentes com aqueles informados na DIPJ apresentada ao fisco, deve ser recomposta a base de cálculo da autuação, para permitir a compensação dos referidos prejuízos, observados os limites legais. DESPESAS OPERACIONAIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA SUA NECESSIDADE. O ato administrativo de lançamento exige prova segura da ocorrência do fato gerador, e adequada instrução probatória. Cabe ao fisco demonstrar de forma clara e fundamentada a suposta desnecessidade das despesas glosadas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. A conduta reiterada de apresentar declarações zeradas ou com valores significativamente inferiores aos reais, bem como o pagamento de vultosos recursos à margem da escrituração, caracterizam o inequívoco intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da Fazenda, da ocorrência do fato gerador. TRIBUTAÇÃO REFLEXA OU DECORRENTE. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido no principal, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2007, 2008 PAGAMENTOS SEM CAUSA A SÓCIOS OU TERCEIROS. Sujeitase à incidência do Imposto de Renda, exclusivamente na fonte, o pagamento efetuado por pessoa jurídica a terceiros, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, sem prejuízo de outras consequências tributárias que possam advir da não comprovação das operações que teriam ensejado os referidos pagamentos. Tal comando aplicase independentemente da forma de tributação a que estiver sujeita a pessoa jurídica que efetuar o pagamento. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. MULTA QUALIFICADA. A realização de pagamento sem a identificação da respectiva causa ou de seu beneficiário pelo contribuinte, ainda que ausente a contabilização respectiva, não se amolda às condutas previstas no art. 71 a 73 da Lei n. 4.506/64. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.463 5 Em face do aludido acórdão, foi interposto recurso especial pela PFN, requerendo seja restabelecida a qualificacã̧o da multa incidente sobre o IRRF devido sobre pagamentos sem causa (efls. 1.104 e seg.). Referido recurso foi admitido por despacho (efls. 1.245 e seg.) Foram apresentadas contrarrazões pelo contribuinte (efls. 1.277 e seg.), pugnando pelo não provimento do recurso especial. O contribuinte também apresentou recurso especial (efls. 1.287 e seg.), o qual, contudo, não foi admitido (efls. 1.403 e seg.; efls. 1.409 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. O recurso especial de divergência interposto pela PFN preenche os requisitos de admissibilidade, não merecendo reparos o despacho que o conheceu. A tributação de valores entregues aos sócios ou a terceiros, pela não comprovação de seu beneficiário ou de sua causa, é imposta pelo art. 674 do RIR/99 (TVF, e fls. 285 e seg.): Seção II Pagamento a Beneficiário não Identificado Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). A discussão neste recurso especial reside na multa imposta sobre o referido IRRF, que foi qualificada pela autoridade fiscal e reduzida para 75% pela Turma a quo. Destacamse os seguintes trechos do TVF (efls. 290291.): Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.464 6 A matriz legal prescrita pelo legislador ordinário prevê penalidades diferentes para hipóteses factuais distintas: multa de ofício de 75% (Lei n. 9.430/96, art. 44, I): cabível quando o sujeito passivo tributário deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido; multa de ofício de 150% (Lei n. 9.430/96, art. 44, II): cabível quando o contribuinte além de deixar de pagar ou recolher, declarar ou apresentar declaração inexata do tributo devido, o faz mediante conduta dolosa, isto é, quando ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64, notadamente fraude, sonegação ou conluio. O artigo 71 da Lei n. 4.502/64 prescreve a delimitação legal de “sonegação” a que a Lei n. 9.430/96 faz remissão, nos seguintes termos: Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.465 7 Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O voto vencedor restou assim formulado, in verbis: “Pedese vênia ao ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas conclusões quanto à majoração do percentual da multa de ofício sobre a exigência relativa ao imposto de renda na fonte decorrente de pagamento sem causa identificada, com fundamento no art. 61, da Lei no 8.981/1995 acima citado. Segundo o ilustre Relator, a qualificação da multa de ofício estaria justificada pelo fato de os vultosos pagamentos realizados em favor dos sócios da Contribuinte não terem sido por ela tempestivamente contabilizados, o que afastaria a possibilidade de ter havido mero erro do contribuinte na apuração dos tributos por ela devidos. Em que pese a motivação supra, a ausência de contabilização dos pagamentos realizados pela Contribuinte aos sócios não pode justificar a qualificação da multa de ofício nos lançamentos de IRRFonte de que trata o art. 61 da Lei n. 8.981/95, pois tal circunstância é inerente ao próprio fundamento da exigência, que versa sobre a ocultação da causa ou do beneficiário do pagamento pelo contribuinte. Estivessem adequadamente contabilizadas as importâncias, e demonstrada a respectiva causa, não haveria que se falar na exigência de IRRFonte, ao menos na modalidade em que foi lançada. O IRRFonte lançado contra a Contribuinte é tributo que não se confunde com o eventual IRRFonte que seria por ela devido na hipótese de pagamento de rendimentos tributáveis a terceiros, no caso a seus sócios. O primeiro, previsto na Lei n. 8.981/95, é tributo cujo contribuinte é a própria fonte pagadora e os valores arrecadados não podem ser aproveitados (como antecipação do tributo eventualmente devido pela fonte recebedora) em caso de ulterior identificação da causa ou beneficiário dos valores pagos. Já o segundo, previsto na Lei n. 7.713/88 e outras leis esparsas, é, via de regra, mera antecipação do tributo devido pelo beneficiário dos recursos e, também via de regra, sequer pode ser exigido da fonte pagadora após a entrega da declaração de rendimentos pelo beneficiário no exercício seguinte ao do respectivo pagamento. O primeiro tem alíquota real superior a 50% dos valores pagos (em virtude do Gross up da base de cálculo, na forma do art. 61, § 3o da Lei n. 8.981/95), enquanto o segundo têm alíquotas bastante inferiores, de acordo com a natureza do rendimento pago. A realização de pagamento sem a identificação da respectiva causa ou de seu beneficiário pelo contribuinte, ainda que ausente a contabilizacã̧o respectiva, não se amolda às condutas previstas no art. 71 a 73 da Lei n. 4.506/64. O IRRFonte eventualmente ocultado pela não identificação da causa ou do beneficiário do pagamento não se confunde com o IRRFonte lançado, conforme mencionado no parágrafo anterior. Não é legítimo justificar a qualificação da multa de ofício (sobre o IRRFonte do art. 61 da Lei n. 8.981/95) com base na alegação de que a Contribuinte pretendeu ocultar do Fisco o conhecimento a respeito do pagamento realizado aos seus sócios, mediante a não declaração e/ou não escrituração dos pagamentos em referência. No limite, fossem tributáveis os rendimentos respectivos, o pagamento realizado implicaria à Contribuinte fato gerador de Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.466 8 IRRFonte na modalidade “antecipação”. Esse foi o tributo ocultado, mas não lançado no caso. A conduta da Contribuinte tem conseqüência jurídica própria, que é a exigência do IRRFonte em alíquota majorada, na modalidade em que lançado. Por tais fundamentos, orientase voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário nessa parte, para reduzir o percentual da multa de ofício ao patamar regular de 75% (setenta e cinco por cento).” Por sua vez, o voto do relator, que restou vencido, foi assim formulado, in verbis: “A própria empresa reconhece que deixou de exercer qualquer atividade comercial ainda em 2006. Como se viu, declarou apenas ter incorrido em despesas, e nenhuma receita, durante os anos de 2007 e 2008. Não informou ao fisco tampouco a existência das aplicações financeiras cujos montantes possibilitaram o auferimento das receitas financeiras omitidas. Para se ter uma idéia, o ativo total informado, relativo ao ano de 2007, era de R$ 83.722,25 (do qual a conta “Bancos” representava R$ 311,73). Para um capital social informado de R$ 2.000.000,00, a empresa apresentava prejuízos acumulados no balanço de R$ 2.269.922,81. Ao encerrar formalmente a empresa em 2008 (distrato social datado de 27/11/2008), informou a empresa apenas o recebimento, pelos sócios, dos seus respectivos haveres, nas importâncias de R$1.800.000,00 para o sócio BRUNO SEBASTIÃO GREGÓRIO, e de R$ 200.000,00 para a sócia SUZANA PINTER GREGORIO. Entretanto, o fisco demonstrou que pouco mais de um mês antes do referido distrato a empresa repassara aos sócios o valor de R$ 36.337.734,00. Ora, dada a magnitude do referido pagamento, frente à situação de inatividade comercial expressamente reconhecida, e de atividade financeira claramente omitida, não há como admitirse a hipótese de simples equívoco ou esquecimento. Neste caso, o pagamento em questão tampouco foi registrado contabilmente, assim como já não haviam sido registradas as próprias aplicações que deram origem a este pagamento, e muito menos as receitas auferidas com aquelas aplicações, o que reforça a intenção de ocultar do fisco a ocorrência de fatos geradores de tributos. Com relação ao outro pagamento efetuado, em benefício da empresa BRUMAR, também ocorrido em momento em que a empresa alegadamente já nenhuma operação comercial teria, o mesmo tampouco foi objeto de qualquer registro contábil, uma vez mais claramente demonstrando a intenção de ocultar do fisco a sua ocorrência. Em face do acima exposto, plenamente justificada a imposição da multa qualificada, no percentual de 150%, às infrações em questão.” Sopesando ambas as posições, alinhome ao voto vencedor do acórdão recorrido, que compreendo não merecer reparos, adotando os seus fundamentos como razão de decidir do presente recurso. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o recurso especial e, no mérito, para NEGARLHE PROVIMENTO (assinatura digital) Luís Flávio Neto Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.467 9 Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa. Com a devida vênia, não há como acolher os argumentos do ilustre Relator. A pessoa jurídica fiscalizada encerrou suas atividades em 27/11/2008 (vide data do distrato), mas, em 14/10/2008, um mês e treze dias antes, transferiu a exorbitante quantia de R$ 36.337.734,00 para a conta corrente dos sócios Bruno Sebastião Gregório e/ou Suzana Pinter Gregório. Em resposta à intimação para prestar esclarecimentos sobre esse fato, a fiscalizada limitouse a dizer que se tratava da devolução de um empréstimo sem fazer prova dessa alegação. A Fiscalização realça que tal explicação não tem lastro em qualquer documento apto a evidenciála, como um contrato, por exemplo. Ademais, também não há o registro dessa transferência em livros contábeis nem o lançamento anterior, em conta de passivo, do valor correspondente à dívida da pessoa jurídica com os citados sócios. Aliás, vale sublinhar, sobre o mesmo assunto, que a DIPJ referente ao anocalendário de 2008 está “zerada” e que não existem referências ao alegado empréstimo, na DIPJ referente ao anocalendário de 2007. De acordo com o artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.981/1995, a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido está obrigada a manter escrituração contábil nos termos da legislação comercial. Todavia, o parágrafo único desse mesmo artigo da Lei nº 8.981/1995 libera a pessoa jurídica de manter a escrituração comercial, desde que, no decorrer do anocalendário, conserve o livro caixa, no qual deve ser escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária. O que se vê, portanto, é um pagamento cuja causa não foi explicada, afora o fato de não ter sido escrititurado nos livros obrigatórios. A Fiscalização ainda constatou uma transferência de R$ 2.500.000,00, em 21/03/2007, para a pessoa jurídica Brumar Comercial e Importadora de Alimentos Ltda, cujos sócios são Bruno Sebastião Gregório e Márcio Bruno Gregório. Aqui, cabe enfatizar que, a despeito de intimada a prestar esclarecimentos sobre a causa da transmissão do valor, com a entrega de documentos comprobatórios, a fiscalizada preferiu manter o silêncio. Assim, a causa do pagamento não está justificada, remanescendo sem comprovação documental, como também inexiste o obrigatório lançamento em livro da escrituração comercial. Mestres consagrados, como Geraldo Ataliba e Nelson Hungria, atestam que a ilicitude jurídica é uma só, do mesmo modo que um só, na sua essência, é o dever jurídico, pois as leis são divididas apenas por comodidade de distribuição. Dessa observação resulta que o ilícito tributário não se distancia ontologicamente do ilícito penal, mantendose uma fundamental identidade entre ambos: um e outro significam lesão efetiva ou potencial de um bem jurídico, razão de existir a pena, o mal infligido por lei, que serve de meio de intimidação ou coação psicológica, na prevenção do ilícito. As infrações não se distinguem, pois, pela natureza, que é única, e sim pela gradação da sanção, conforme a gravidade da violação, segundo a política legislativa. E se há a imposição de sanção estatal, no exercício do jus puniendi, mesmo que a gravidade da violação não tenha merecido o tratamento mais severo regulado pelo Direito Penal, conforme a valoração do legislador, como aqui, nas sanções tributárias, reiterase a importância do estudo do tipo para o alcance do direito de punir do Estado, cuja atuação está delimitada ao âmbito da norma que intenta proteger o bem jurídico Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.468 10 tutelado. Por isso, Sacha Calmon, em sua obra1, adverte quanto à necessidade de que as infrações fiscais também sejam estudadas segundo as determinações da teoria da tipicidade, asseverando, na oportunidade, a validade da aplicação de alguns princípios do Direito Penal às infrações meramente tributárias. É que o tipo conserva uma finalidade de garantia do indivíduo, ao mesmo tempo em que delimita a liberdade para sua conduta. Nele estão descritos os elementos precisos da ordem ou da proibição. Para a verificação da adequação entre o fato real e a hipótese descritiva, o intérprete, portanto, há de aterse a esses elementos componentes do tipo, que são de índole subjetiva – o dolo e um especial fim de agir – e objetiva – uma ação ou omissão revelada pelo núcleo verbal; os sujeitos ativo e passivo; o objeto da ação; o bem jurídico tutelado; o nexo causal; o resultado; circunstâncias de tempo, lugar, meio, modo de execução. Os primeiros pertencem ao campo psíquicoespiritual do autor; os últimos compõem o denominado “núcleo realmaterial” do ilícito. Os tipos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 se referem a práticas juridicamente reprovadas, mas não indicam as penas aplicáveis e nem por isso deixam de compor normas sancionantes. Geraldo Ataliba2 toma as palavras de Becker para esclarecer que “não existe regra jurídica para a hipótese de incidência, outra para a base de cálculo, outra para a alíquota etc; tudo isto integra a estrutura lógica de uma regra jurídica resultante de diversas leis ou artigos de lei (fórmula literal legislativa). É preciso não confundir regra jurídica com a lei; a regra jurídica é uma resultante da totalidade do sistema jurídico formado pelas leis”. Nesse sentido, o conteúdo proibitivo dos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64 se associa à sanção estipulada no artigo 44, inciso II, da Lei 9.430/96, para fatos geradores ocorridos até 14/06/2007, ou no artigo 44, § 1º, da mesma lei, para fatos geradores posteriores a partir de 15 de junho de 2007, para a formulação unitária de uma norma jurídica, que se pode dividir em duas partes: o preceito primário, preceptum juris, o comando, descrito nos tipos da Lei nº 4.502/64, e o preceito secundário, sanctio juris, a sanção repressiva, prevista na Lei nº 9.430/96. Partindo, agora, para o exame da sonegação, conforme a descrição típica do art. 71 da Lei nº 4.502/64: “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” Vêse, nos autos, a realização da conduta descrita nos núcleos verbais do tipo – impedir ou retardar. E impedir ou retardar o quê? Os demais elementos objetivos do tipo respondem: o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal ou das condições pessoais do contribuinte. Vamos aos fatos comprovados: a Fiscalização apurou a transferência de R$ 36.337.734,00, em 14/10/2008, para conta corrente dos sócios, mediante o exame de extratos bancários obtidos diretamente por intimação aos bancos. Também por meio de extratos bancários pôdese descobrir a movimentação da importância de R$ 2.500.000,00, em 1 Teoria e prática das multas tributárias, 2ª ed. Forense, p. 52. 2 Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed., Malheiros Editores, São Paulo, 1999, pág. 77. Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.469 11 21/03/2007, para pessoa jurídica interligada à fiscalizada (por terem sócio comum). Não há o registro dessas transferências em livros obrigatórios da escrituração comercial. Embora intimada, a fiscalizada optou pelo silêncio, deixando de revelar a causa da transmisão dos dois valores. Já mencionado que não se acham referências a essas transferências na DIPJ/2008 e na DIPJ/2009 (“zerada”), fato em relação ao qual a fiscalizada sequer cogitou de demonstrar o menor esforço para provar o contrário. In casu, tratase de ilícito omissivo impróprio, ou comissivo por omissão, que difere do ilícito omissivo próprio. O ilícito omissivo próprio se consuma com o simples descumprimento do mandamento legal, independentemente da produção de um resultado, exaurindose na mera omissão ao dever de agir imposto pelo ordenamento. Juarez Tavares3 exemplifica com o crime de omissão de socorro, “cuja consumação se dá desde que o sujeito não tenha prestado o socorro, ainda que outro o tenha feito e, assim, impedido a morte do acidentado”. Já nos ilícitos omissivos impróprios, segundo Regis Prado4, há uma omissão da ação mandada (uma inação) que dá lugar a um resultado típico, “não evitado por quem podia e devia fazêlo, ou seja, por aquele que, na situação concreta, tinha a capacidade de ação e o dever jurídico de agir para obstar a lesão ou o perigo de lesão ao bem jurídico tutelado”. É um ilícito especial, advertem Regis Prado e Tavares, pois tão somente se admite a autoria daquele que, estando anteriormente na posição de garantidor do bem jurídico, não evita o resultado típico, podendo fazêlo. Tal é o caso da sonegação, em sua modalidade omissiva, pois a adequação típica somente se verifica, conforme a estrutura da norma, se, além da inação, consumarse o resultado juridicamente indesejado, nos termos da combinação entre os artigos 71 da Lei nº 4.502/64 e 44 da Lei nº 9.430/1996. Quanto ao dolo, a ciência moderna do Direito o compreende como consciência e vontade de realizar os elementos objetivos do tipo, de acordo com as linhas tracejadas por Luis Regis Prado5. Ele é composto, então, de dois elementos, sendo um deles cognitivo conhecimento idôneo da situação fática retratada nos elementos objetivos e outro, volitivo – vontade de realizar a ação e o resultado típicos, a partir da cognição do agente sobre a situação típica. Contudo, Juarez Cirino dos Santos6 nos ensina que o dolo, nos ilícitos omissivos, não precisa ser constituído de consciência e vontade, como nos ilícitos de ação: “basta deixar as coisas correrem com conhecimento da situação de perigo para o bem jurídico e da capacidade de agir, mais o conhecimento da posição de garantidor”. Juarez Tavares7 segue trilha semelhante, ao mencionar que, em infrações omissivas, o dolo se revela com a decisão acerca da omissão da ação mandada, “com a consciência de que o sujeito poderia agir para evitar o resultado”, isto é, que “o sujeito inclua na sua decisão a não execução da ação possível”, quando dotado de possibilidade material de evitar o resultado. No caso concreto, a fiscalizada é o garantidor do Erário, o bem tutelado, desde o momento em que a legislação tributária lhe impôs o dever de escriturar o valor transferido, guardando a documentação comprobatória para permitir ao Fisco o conhecimento do potencial econômico daquele que efetua a movimentação, com o objetivo de possibilitar a inferência de sua capacidade contributiva, bem como, pelas mesmas razões, o conhecimento do 3 As controvérsias em torno dos crimes omissivos, Instituto latinoamericano de cooperação internacional, 1996, pág. 75. 4 Curso de direito penal brasileiro, vol. I, parte geral, Revista dos Tribunais, 3ª ed., p. 261. 5 Ob. cit. p. 297. 6 A moderna teoria do fato punível, Lúmen Júris, 4ª edição, págs. 139 e 140. 7 Ob. cit., p. 95. Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.470 12 beneficiário do recurso tranferido. Como reforço à garantia ao Erário, a legislação tributária lhe transferiu a sujeição passiva, por ocultar o beneficiário ou o motivo do pagamento. O imposto de renda a ser retido na fonte, na forma do artigo 61 da Lei n º 8.981/1985, não depende de prévio lançamento de ofício. A lei simplesmente determina a retenção desse tributo àquele que efetua o pagamento, quando este não quer revelar a causa ou o beneficiário da transferência. Não o fazendo, o Fisco tem o dever de cobrálo, antes constituindo o correspondente crédito mediante lançamento de ofício. Assim, o imposto de renda retido na fonte, nos termos do artigo 61 da Lei nº 8.981/1981, é o reforço à garantia que toma o lugar do crédito potencialmente sonegado a partir da ocultação do beneficiário ou da causa do pagamento. Ocorre que a fiscalizada omitiu os registros contábeis na escrituração comercial para impedir a descoberta das transferências financeiras efetuadas e os nomes dos respectivos beneficiários. Com efeito, a fiscalizada mostrase consciente de que poderia agir para evitar a lesão ao Erário, afinal seus sócios e uma pessoa jurídica interligada, beneficiários dessas transferências de recursos, foram ocultados por ela, o que impediu o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das condições pessoais desses contribuintes receptores dos créditos financeiros transferidos. Essas transferências financeiras eram suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal relativamente aos citados beneficiários. Além disso, esses recursos financeiros movimentados não contabilizados traduzem anterior omissão de receitas obtidas pela fiscalizada. Como a lei a colocou na posição de garante, deve responder pelo imposto de renda do artigo 61 da Lei nº 8;981/1995, que já deveria ter recolhido a partir de sua decisão de ocultar os beneficiários ou a causa dos pagamentos, com os acréscimos legais cabíveis. Nessas circunstâncias, a falta da retenção e, consequentemente, do recolhimento do imposto de renda de que trata o artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 implica consumação de um resultado juridicamente indesejado, que poderia ser evitado, se a fiscalizada houvesse efetuado a retenção e o recolhimento desse imposto, ou se, antes disso, hovesse contabilizado o pagamento e espontaneamente revelado os beneficiários e comprovado a causa. Em face do relatado, concluise que, nas circunstâncias dos autos, a conduta da fiscalizada se amolda ao artigo 71, inciso II, da Lei nº 4.502/1964, o que atrai a multa qualificada prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, para fatos geradores ocorridos até 14 de junho de 2007, ou no artigo 44, § 1º, da referida Lei nº 9.430/1996, para fatos geradores ocorridos a partir de 15 de junho de 2007, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Em suma, conheço do Recurso Especial da PGFN para, no mérito, dar provimento. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 13896.720186/201605 Acórdão n.º 9101003.128 CSRFT1 Fl. 1.471 13 Fl. 1471DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.903911/2008-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN.
A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84.
BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA.
A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-002.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologando-se as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 39 11 /2 00 8- 30 Fl. 1120DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.121 2 acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologandose as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório constante da Resolução nº 1301000.325, proferida por esta Turma na sessão realizada em 06/04/2016, complementando o ao final: "Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão n° 1433.107, às fls. 47 a 55: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.122 3 Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n.° 28623.05598.250804.1.3.017067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, seriam, respectivamente, R$ 1.959,26, R$ 17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam no despacho decisório; que haveria saldo suficiente para compensação do tributo informado em PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00; Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência". Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS Fl. 1122DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.123 4 dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em "valores exatos" (R$ 800.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora quitado da seguinte forma: • R$ 56.470,37 Darf recolhido em 30/05/2003, com multa e juros, totalizando R$ 70.390,31; • R$ 10.711,46 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; • R$ 76.208,64 mediante compensação por meio do DComp 16895.65143.21050.31304.8488; • R$ 19.116,06 mediante compensação por meio do DComp 17482.92249.03110.31304.8560 (já homologada). desta forma, se verifica que o valor integral da guia embatida não foi utilizado para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003, e este montante, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando várias outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5a Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a não homologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao "Tipo do Crédito" a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.124 5 ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior" defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção "Saldo Negativo do IRPJ" (anocalendário de 2003); todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao "tipo de crédito" informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e distorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; a incorreção foi ratificada pela 5a Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o "Tipo do Crédito" como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; Fl. 1124DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.125 6 outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo "tipo do crédito"; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores "pagos a maior" (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a "renda" ou contribuição social sobre o "lucro líquido", o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a "decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização", considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório." Na sessão de julgamento realizada em 06/04/2016, esta Turma julgadora reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo entendeu a Turma que a solução do presente processo ainda demandaria instrução complementar, e converteu o julgamento em diligência, através da Resolução nº 1301000.325, para: Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.126 7 "Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 1.111 a 1.114, tendo concluído que: A base de cálculo das estimativas em janeiro/2003 é de R$ 658.028,25, e o valor do IRPJ devido de R$ 162.507,06; O débito de IRPJ relativo à estimativa de janeiro/2003 foi integralmente liquidado com pagamento e compensações já homologadas; A soma dos débitos de estimativas devidos no anocalendário de 2003, deduzida dos pagamentos em DARF para extinção das estimativas no anocalendário de 2003, dos valores das estimativas extintas por compensação e do IRRF utilizado na quitação do débito de estimativa apurada no mês de agosto/2003, resulta em sobra de R$ 800.000,00, valor este idêntico ao DARF recolhido em 19/03/2003; Parte das estimativas dos meses de fevereiro/2003, março/2003 e abril/2003 foram incluídas em compensações analisadas no processo nº 10865.720313/200827, ainda pendente de decisão administrativa. Assim, caso a decisão seja favorável à contribuinte, do montante de R$ 858.160,00 (principal de R$ 800.000,00 + multa de 50.160,00 + juros de R$ 8.000,00) recolhido a maior em 19/03/2003, estaria disponível para compensação o valor total de R$ 844.453,02 para compensações com outros débitos ou mesmo débitos de outros períodos diferente do anocalendário de 2003. Devidamente cientificada da Intimação Fiscal nº 100/2016, em 20/09/2016, a recorrente não apresentou manifestação. É o relatório. Fl. 1126DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.127 8 Voto Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora. O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINAR Alega a recorrente que a fiscalização não homologou a compensação sob o fundamento de que o crédito seria insuficiente pois teria sido utilizado para o pagamento de outros débitos, entretanto, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto afastou o óbice apontado pela fiscalização no Despacho Decisório e decidiu pela nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização. Fundamentouse no fato de que os recolhimentos por estimativa, por se tratarem de mera antecipação do tributo devido no final do ano, não se caracterizam como pagamento indevido ou a maior passível de restituição. Entende a recorrente que já tendo transcorrido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, o Fiscal não poderia proferir novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento. Assim, requereu, a reforma do acórdão, para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade. Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Dessa forma, procedeu corretamente o julgador de primeira instância que, após superar o motivo inicialmente apontado pela fiscalização para indeferimento do crédito, prosseguiu na verificação da certeza e liquidez do crédito e identificou situação, a seu juízo, igualmente capaz de retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez. Com relação às alegações de que teria transcorrido o prazo decadencial de 5 anos para que o Fisco pudesse não homologar a compensação por novo fundamento, não assiste razão à recorrente. O prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150,§ 4º do CTN é aplicável aos lançamentos de ofício realizados para constituição de créditos tributários. A análise de direito creditório não está sujeita a prazo decadencial mas apenas ao prazo de cinco anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para homologação tácita das compensações, o que não ocorreu no presente caso. A declaração de compensação objeto de análise foi enviada em 15/12/2003 e o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 17/11/2008 (fls. 43 a 46), portanto, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.128 9 Diante do exposto não merece ser acolhido o pedido do recorrente para que sejam afastadas as decisões de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização e após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos. MÉRITO Relativamente ao mérito, a recorrente requereu a análise da documentação contábil anexada ao recurso voluntário, a qual demonstra a existência do crédito informado, afirmando que eventual equívoco quanto ao tipo do crédito não poderia ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito. Na sessão de julgamento realizada em 06/04/2016, esta Turma julgadora reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Entretanto, entendeu pela necessidade de conversão em diligência do presente processo, em virtude da existência de outras compensações que afetariam o presente processo, dentre elas a quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, estaria vinculada a outras compensações. Assim, foi determinada a realização de diligência fiscal para que a unidade de origem, à luz da documentação contábil e fiscal da contribuinte: "1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 1.111 a 1.114, tendo prestado as seguintes informações: "Pelas informações analisadas foi confirmado o valor de R$ 658.028,25 correspondente à base de cálculo do IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003, que apresentou o valor de R$ 162.507,06. De acordo com as informações declaradas na DCTF e demais informações constantes nos bancos de dados da RFB, foram apurados os pagamentos em DARF realizados para liquidação de débitos de IRPJ no período (fls. 1.081a 1.083) e créditos utilizados em compensações, alocados para a liquidação do débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003, como segue: DISCRIMINATIVO VALOR A Pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003 valor principal 800.000,00 Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.129 10 B Pagamento n° 3928679608, realizado em 30/05/2003 valor principal 56.470,37 C Compensação formalizada pela DCOMP n° 16895.65143.210503.1.3.048488. 76.208,64 D Compensação formalizada pela DCOMP n° 21298.07778.210503.1.3.049740. 10.711,46 E Compensação formalizada pela DCOMP n° 17482.92249.031103.1.3.048560. 19.116,60 F Débito de IRPJ apurado por estimativa no mês de janeiro/2003 162.507,06 (A + B + C + D + E F) 800.000,01 Por fim, conferindo todos pagamentos em DARF realizados para extinção de débito de IRPJ apurado no ano calendário 2003, somados aos valores dos débitos de IRPJ apurados por estimativas extintos por compensação no mesmo período, mais a dedução de IRRF sobre o débito de estimativa apurado no mês de agosto/2003 e, desta soma, deduzindose o valor do IRPJ mensal pago por estimativa levado ao cálculo do IRPJ a pagar pela apuração anual declarada na DIPJ, teríamos como sobra valor idêntico ao valor principal do pagamento em DARF realizado em 19/03/2003 (fls. 1.082), pois vejam: Período Discriminativo Valor Janeiro/2003 Pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003 valor principal 800.000,00 Janeiro/2003 Pagamento n° 3928679608, realizado em 30/05/2003 valor principal 56.470,37 Janeiro/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 16895.65143.210503.1.3.048488. 76.208,64 Janeiro/2003 Compensação foramlizada pela DCOMP n° 21298.07778.210503.1.3.049740. 10.711,46 Janeiro/2003 Compensação foramlizada pela DCOMP n° 17482.92249.031103.1.3.048560. 19.116,60 Fevereiro/20 03 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 2.000,00 Fevereiro/200 3 Compensação formalizada pela DCOMP n° 09485.96361.041103.1.3.045595. 47.357,43 Março/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 3.999,99 Março/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 12702.93357.041103.1.3.043072. 13.095,16 Abril/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488. 6.000,00 Abril/2003 Compensação formalizada pela DCOMP n° 22780.66384.041103.1.3.045184. 15.162,43 Agosto/2003 Imposto de renda retido na fonte 72.068,49 IRPJ mensal pago por estimativa 322.190,57 Pagamentos + Compensações + Dedução de IRRF IRPJ mensal pago por estimativa 800.000,00 Ocorre que, o crédito utilizado nas compensações de débitos de estimativas do período, formalizadas pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488, teve origem neste pagamento. Cabe esclarecer que esta DCOMP foi analisada no processo nº 10865.720313/200827 e não foi homologada. As extinções dos débitos informados em compensação encontramse pendentes de decisão administrativa (fls. 1.095 a 1.099). Com base nas informações acima, é possível afirmar que, caso a decisão administrativa sobre as compensações formalizadas pela DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488 seja favorável à contribuinte, o crédito formado pelo pagamento n° 3828142258, realizado em 19/03/2003, pelo valor principal de R$ 800.000,00 e valor total de R$ 858.160,00, estaria parcialmente disponível, pelo valor total de R$ 844.453,02 (fls. 1.110), para ser utilizado em compensações com Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.130 11 outros débitos ou mesmos débitos de outros períodos diferentes do ano calendário 2003. Parte do pagamento, face as compensações com débitos de estimativas no período, estaria vinculada no ajuste anual. É preciso deixar claro que, antes da formalização das compensações pela DCOMP acima, o pagamento já havia dado suporte a créditos utilizados em compensações formalizadas por outras DCOMP. Pelo quadro a seguir, dá para visualizar que o pagamento em questão é suficiente para as extinções dos débitos compensados na DCOMP n° 35863.47312.240604.1.3.043488: Verificase, portanto, que apesar do relatório de diligência ter concluído que o valor total de R$ 858.160,00 estaria parcialmente disponível pelo valor de R$ 844.453,02 para utilização em compensações com outros débitos ou mesmos débitos de outros períodos, como as estimativas objeto da compensação nº 35863.47312.240604.1.3.043488 estão sendo analisadas no processo nº 10865.720313/200827, que também utiliza o mesmo direito creditório ora apreciado, seria necessário o reconhecimento integral do crédito. Por outro lado, no Relatório de Diligência Fiscal anexado às fls. 666 a 672 do processo nº 10865.903917/200815, que trata de compensação com utilização do mesmo direito creditório ora analisado, a unidade preparadora chegou a conclusão diversa acerca do valor da estimativa devida em janeiro/2003: "O contribuinte foi intimado para cumprirmos a diligência solicitada pelo CARF e apresentou o Livro Razão e o Diário da época, juntamente com outros documentos, entre eles a apuração da base de cálculo do IRPJ. Na DIPJ/2004 retificadora foi assinalado que a base de cálculo foi apurada com base na receita bruta e acréscimos. As receitas informadas no demonstrativo da base de cálculo foram confirmadas no Livro Razão e, nos termos do artigo 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta é de oito por cento: "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. " Conta Receita Valor 3.1.11.1 Vendas Produção Própria 8.093.340,95 3.1.12.1 Receita Exportação 18.093,60 3.1.31.1 Receita Vendas não Agrícolas 3.601,50 3.3.91 Outras Receitas Operacionais 3.885,67 Receita Bruta 8.118.921,72 Percentual 8% Base de Cálculo Operacional 649.513,74 3.3.61.1.1 Variações Cambiais Realiz. 51.687,09 3.3.61.3.2 Outros Ganhos Financeiros 4.294,02 3.5.11.2 Ganho Venda Bens do Imobilizado 3.478,53 3.5.21.3.1.001 Ganho c/Arrendamento Al 1.742,18 Base de Cálculo do Imposto de Renda 710.715,56 A Alíquota de 15% 106.607,33 Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.131 12 Adicional 69.071,56 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 175.678,89 Há divergência entre o valor apurado nesta diligência e o informado pelo contribuinte, porque ele aplicou oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta." O Relatório de Diligência Fiscal anexado às fls. 666 a 672 do processo nº 10865.903917/200815, elaborado pela unidade de origem identificou divergência entre o valor da estimativa de janeiro/2003 apurado na diligência (R$ 175.678,89) e o valor informado pelo contribuinte (R$ 162.507,07). A diferença decorre da aplicação indevida pela recorrente do percentual de oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta definido pelo art. 224 do RIR/99, contrariamente ao disposto no art. 225 do RIR/99 que determina a adição integral das receitas nele relacionadas: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial(Lei nº 8.981,de 1995, art. 32§ 1º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 2º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). Considerando que a recorrente foi regularmente cientificada às fls. 673 a 675 do processo nº 10865.903917/200815 sobre as conclusões do referido relatório que apurou divergência entre a estimativa de janeiro/2003 apurado em diligência no valor de R$ 175.678,89 e o valor informado pelo contribuinte de R$ 162.507,07, entretanto, não apresentou manifestação quanto à diferença apurada, tenho como correto o valor apurado na diligência fiscal. Dessa forma, entendo que a diferença a menor da base de cálculo apurada pela recorrente na estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 13.171,82, deve ser reduzida do crédito pleiteado sobre o recolhimento a maior, consubstanciado no DARF pago em 19/03/2003, com valor principal de R$ 800.000,00 acrescido de multa e juros de mora. Assim, deve ser reconhecido o direito creditório no montante de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa e juros de mora. Importante ressaltar que parte do valor reconhecido de R$ 786.828,18, foi utilizado nas compensações já homologadas, a seguir relacionadas, conforme Informação Fiscal prestada em procedimento de diligência fiscal às fls. 1.113 do presente processo: Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10865.903911/200830 Acórdão n.º 1301002.681 S1C3T1 Fl. 1.132 13 PER/DCOMP Valor Débito Data Situação Atual Situação da Declaração Motivo da Situação da Declaração Processo Nº 39035.35092.280704. 1.7.044892 12.676,68 11/07/2012 HOMOLOGAÇÃO TOTAL AGUARDANDO PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO 28623.05598.250804. 1.3.047067 2.453,78 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903912/200884 22743.16824.020904. 1.3.040251 22.331,36 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903913/200829 08891.60465.080904. 1.3.045809 35.110,22 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903914/200873 30276.47095.140904. 1.3.049480 19.478,48 06/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903915/200818 15738.53242.210906. 1.7.045707 2.558,50 23/09/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.902975/200813 Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por reconhecer o direito creditório sobre o valor de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa de mora, devendo as compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. Na apuração do saldo disponível para as compensações ainda não homologadas devem ser considerados também os juros de mora recolhidos e excluídos os valores das compensações já homologadas que utilizaram o mesmo crédito ora reconhecido. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 1132DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.000247/2010-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA.
O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 9101-003.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, quanto (i) aos juros sobre a multa, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) quanto à Ilegalidade da IN/SRF 243/2002, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, quanto (i) aos juros sobre a multa, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) quanto à Ilegalidade da IN/SRF 243/2002, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. PREÇO PARÂMETRO. IN SRF Nº 243, de 2002. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. O princípio da legalidade tributária, albergado no art. 150, I, da Constituição da República e no art. 9º, I, do Código Tributário Nacional, estabelece que nenhum tributo poderá ser instituído ou aumentado senão por intermédio de lei. O preço parâmetro PRL60 calculado segundo o disposto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, resulta em valores de IRPJ e CSLL sempre em montantes iguais ou inferiores àqueles calculados segundo a correta interpretação da Lei nº 9.430, de 1996. Noutros termos, a referida Instrução Normativa, em hipótese alguma, majorou tributo em face da Lei por ela regulamentada, daí porque não há que se falar em violação ao princípio da legalidade tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 02 47 /2 01 0- 81 Fl. 3880DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, quanto (i) aos juros sobre a multa, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) quanto à Ilegalidade da IN/SRF 243/2002, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flavio Franco Correa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rego (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência tempestivamente interposto pelo sujeito passivo a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), com fulcro no art. 64, inciso II (Anexo II), do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RI/CARF) aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, em face do Acórdão nº 1201001.446, proferido pela Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de julgamento de 9 de junho de 2016, e que foi parcialmente admitido pela presidência substituta da mesma Seção. Referido acórdão está assim ementado e decidido, na parte admitida: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE COM BASE NA IN/SRF 243/2002. LEGALIDADE. É legítima a utilização da metodologia prevista na IN SRF nº 243/2002 para proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. A margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que permite maior exatidão na apuração do preço parâmetro, conforme os objetivos legais. [...]. Fl. 3881DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 4 3 Na esteira do raciocínio apresentado, entendo que não há qualquer ilegalidade na utilização dos critérios de cálculo definidos pela Instrução Normativa SRF 243/2002. [...]. Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Foram tempestivamente interpostos Embargos de Declaração pelo sujeito passivo, rejeitados pela presidência da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF. Em seu Recurso Especial, o sujeito passivo argumentou, em síntese, na parte admitida: a) que a IN SRF nº 243, de 2002 inovou no ordenamento jurídico com relação ao cálculo do método PRL 60, trazendo regras mais gravosas aos contribuintes sem o devido amparo legal; b) que é ilegal a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício; e c) que existe evidente dúvida objetiva em relação à tese central em discussão (ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, que tem sido decidida pelo voto de qualidade nos julgados mais recentes da CSRF), pelo que a multa e os juros, em especial, os juros sobre a multa, deverão ser afastados por essa Câmara, como decorrência lógica da aplicação do art. 112 do CTN ao caso dos autos. Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional, oportunamente, apresentou Contrarrazões, a seguir resumidas: a) que sistemática do PRL 60, definida pela IN SRF nº 243, de 2002, concretiza devidamente o objetivo do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, na medida em que: (i) viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado aplicado na produção, considerado por si só; (ii) observa a margem de lucro bruto estabelecida pela lei; (iii) reduz a margem de manipulação dos preços que era conferida pela IN SRF nº 32, de 2001, às partes vinculadas; e, por essas razões, (iv) dificulta a transferência de lucros ao exterior, consubstanciandose em instrumento eficaz para a proteção da base tributável nacional; e b) que merece ser mantida a exigência de juros moratórios sobre a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 3882DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator As matérias postas à apreciação desta Câmara Superior referemse à: a) ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002; e b) incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Procedo, inicialmente, ao reexame dos pressupostos de admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, na parte admitida. Para caracterizar a divergência jurisprudencial apta à admissão do Recurso Especial, o sujeito passivo apontou os seguintes acórdãos paradigmas: Acórdão paradigma nº 1101000.864, de 2013: FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI Nº 9.430. IN SRF Nº 32. IN SRF Nº 243. A IN SRF nº 32, de 2001, propõe fórmula idêntica à posta pela Lei nº 9.430, de 1996. A IN SRF nº 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não cogitadas pela lei. Acórdão paradigma nº 1202000.971, de 2013: CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL 60, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. Acórdão paradigma nº 9202002.600, de 2013: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Fl. 3883DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 6 5 Os juros de mora à taxa SELIC só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada proporcionalmente. Acórdão paradigma nº 1202001.096, de 2014: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada. Considero comprovado o dissenso jurisprudencial na interpretação da legislação tributária, pelo que conheço do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, na parte admitida. Passo ao mérito. a) ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 1) O PRL60 e a Lei nº 9.430, de 1996 Antes mesmo de examinarmos a alegada ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face da Lei nº 9.430, de 1996, questão essa que será objeto do item seguinte deste voto, é imprescindível identificarmos o que realmente estabelece a própria Lei nº 9.430, de 1996, acerca do PRL60. Isso porque, para verificarmos a existência, ou não, de violação da Lei nº 9.430, de 1996, pela IN SRF nº 243, de 2002, é necessário que antes determinemos exatamente o que aquela Lei prescreve. Partamos, então, do texto legal: Art.18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: [...]; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Fl. 3884DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 7 6 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...]. No caso, duas interpretações bem distintas acerca do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, vêm sendo defendidas no presente processo. A seguir encontrase a representação matemática dessas duas interpretações: (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA (3B) PParam = 40%*PLV – VA onde: • PParam é o preço parâmetro do bem importado junto a pessoa vinculada residente no exterior • PLV é o preço líquido de venda de um determinado produto produzido no Brasil, em cuja fabricação foi empregado o bem importado. • VA é o valor agregado no país. A equação (3A) representa a interpretação defendida pelo sujeito passivo para o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, enquanto a equação (3B) representa a interpretação da Fazenda Nacional para a mesma norma. A demonstração matemática das equações (3A) e (3B) encontrase, respectivamente, nos anexos 1 e 2 deste voto. No anexo 3 demonstrase matematicamente que a interpretação proposta pelo sujeito passivo (3A) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas derivadas da interpretação defendida pela Fazenda Nacional (3B). A interpretação (3A), advogada pela Recorrente, também vinha sendo adotada pelo próprio Fisco, inicialmente por meio da Instrução Normativa SRF nº 38, de 1997, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 113, de 2000, posteriormente revogada pela Instrução Normativa SRF nº 32, de 2001, a qual manteve o mesmo entendimento sobre o assunto. Com o advento da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, o Fisco passou a refutar essa interpretação. A interpretação (3B), sustentada pela Fazenda Nacional, é aquela que, a meu juízo, corretamente reproduz as exigências contidas no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. São ao menos dois os argumentos que sustentam essa afirmação, a saber: Argumento Linguístico Fl. 3885DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 8 7 Para melhor compreendermos o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, sob o ponto de vista meramente linguístico é necessário recordarmos que, em sua redação original, essa norma não albergava o PRL60, mas tãosomente os métodos de cálculo do preço parâmetro PIC (inciso I), PRL com margem de 20% (inciso II) e CPL (inciso III), senão vejamos: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC: definido como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes; II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL: definido como o custo médio de produção de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, no país onde tiverem sido originariamente produzidos, acrescido dos impostos e taxas cobrados pelo referido país na exportação e de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o custo apurado. [...]. O cálculo do preço parâmetro PRL com margem de 60% só passou a ter existência jurídica a partir do advento da Lei nº 9.959, de 2000, que deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Reconheçase inicialmente que o texto legal em sua nova redação, acaso lido apressadamente, conduz à interpretação ora defendida pela Recorrente, segundo a qual o valor agregado no país compõe a margem de lucro. Ocorre que uma leitura atenta do texto legal revela que o valor agregado no país não compõe a margem de lucro. Os trechos da norma abaixo negritados deixam clara essa afirmação: II Método do Preço de Revenda menos LucroPRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: Fl. 3886DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 9 8 a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...]. De fato, se o valor agregado compusesse a margem de lucro, a expressão “valor agregado no País”, contida no texto legal, deveria estar precedida do artigo “o”, como abaixo simulado, e não da preposição “do”, como visto acima. II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e o valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) [...]. Argumento LógicoEconômico Mas se sob a ótica linguística o equívoco da interpretação defendida pelo sujeito passivo só pode ser constatado através de uma leitura mais atenta do texto legal, sob o ponto de vista lógico essa mesma interpretação revelase manifestamente equivocada. Veja que o art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelece as regras para apuração do preço parâmetro, o qual pode ser definido como sendo o preço presumivelmente praticado na importação de um bem acaso essa operação seja realizada entre pessoas não vinculadas. No caso do PRL60, o preço parâmetro do bem importado é apurado a partir do preço de venda de um determinado produto produzido no Brasil a pessoa não vinculada, produto, esse, em cujo processo produtivo foi empregado o referido bem importado. Fl. 3887DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 10 9 Em outras palavras, no preço de venda do produto produzido no país logicamente estará incluído o custo de aquisição do bem importado (CIF + Trib. s/imp.), o valor agregado no país e a margem de lucro do empresário (Preço de Venda = Custo do Prod. Imp. + Valor Agreg. + Margem de Lucro). É uma lógica econômica do modelo capitalista que, na formação do preço de venda de um produto qualquer, o empresário embuta ali todos os custos incorridos, mais uma margem de lucro. Isso posto, é economicamente lógico que, para apurarse o preçoparâmetro do bem importado pelo PRL60 é necessário que, do preço de venda do produto produzido no país sejam subtraídas as parcelas referentes ao valor agregado no país e à margem de lucro, tal como representado na equação (3B). Ocorre que no cálculo do preço parâmetro PRL60 defendido pelo sujeito passivo o valor agregado no país, ao invés de ser subtraído do preço de venda do bem produzido no país, é a ele adicionado, conforme demonstra a equação (3A). Tal interpretação, evidentemente, subverte a lógica econômica, daí porque não pode ser admitida. Isso posto, seja com base no argumento linguístico, seja com fundamento no argumento lógicoeconômico, a correta interpretação do cálculo do preço parâmetro PRL60 previsto na Lei nº 9.430, de 1996, é aquela sustentada pela Fazenda Nacional, e representada matematicamente pela equação (3B), e não aquela defendida pelo sujeito passivo e representada matematicamente pela equação (3A). 2) Da Legalidade da IN SRF 243, de 2002 Como dito anteriormente, a partir do advento da Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, o Fisco abandonou a interpretação que até então vinha emprestando ao art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, no que toca ao cálculo do preçoparâmetro PRL60, passando a adotar uma nova interpretação. Alega a Recorrente que essa nova interpretação é incompatível com os ditames art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, devendo, portanto, ser declarada ilegal. Vejamos, então, o que prescreve o art. 12 da IN SRF 243, de 2002: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; Fl. 3888DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 11 10 b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. [...]. § 10. O método de que trata a alínea “b” do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da “participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido”, calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. A representação matemática do cálculo do preçoparâmetro PRL60, segundo a Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002, encontrase no anexo 5 a este voto. Pois bem, conforme dito anteriormente, a questão da legalidade, ou não, do art. 12 da IN SRF 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 somente pode ser apropriadamente examinada tomandose por base a correta interpretação desta última norma, qual seja, aquela matematicamente representada na já referida equação (3B). Isso posto, em primeiro lugar, cabe destacar que o cálculo do preço parâmetro PRL60, conforme estabelecido na IN SRF 243, de 2002, resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas exigidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 corretamente interpretado, conforme demonstrado no anexo 6. Fl. 3889DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 12 11 Em segundo lugar é necessário recordar que o princípio da legalidade tributária contido no art. 150, I, da Constituição, abaixo transcrito, veda a exigência ou o aumento de tributo sem lei que o estabeleça, mas não veda a redução de tributo já instituído por lei: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) E esse é exatamente o caso em questão, pois, como a aplicação do PRL60, conforme estabelecido pela IN SRF 243, de 2002, resulta em exigência de IRPJ e CSLL sempre igual ou inferior àquela decorrente da correta interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em aumento de tributo, daí porque também não há violação ao princípio da legalidade. Portanto, ainda que seja verdadeira a afirmação da Recorrente segundo a qual a fórmula para o cálculo do preço parâmetro PRL60 prevista no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 é distinta daquela determinada no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, é falsa a conclusão de que os ajustes ao lucro líquido resultantes da IN são superiores àqueles resultantes da Lei, pois, conforme matematicamente demonstrado no anexo 6, tais ajustes são sempre iguais ou inferiores. Por fim, poderseia alegar que o posterior advento da Medida Provisória nº 478, de 2008, que perdeu eficácia por não ter sido convertida em lei, e da Lei nº 12.715, de 2012, que acabou por legalizar a fórmula prevista no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002, demonstrariam a ilegalidade anterior desse ato normativo. Entendo, todavia, de outro modo. A meu ver, o fato de a fórmula contida no art. 12 da IN SRF nº 243, de 2002 ter sido posteriormente acolhida pela MP nº 478, de 2008 (sem eficácia) e pela Lei nº 12.715, de 2012, por si só não autoriza a conclusão de ilegalidade daquela Instrução Normativa, da mesma forma que uma norma legal posteriormente constitucionalizada por meio de Emenda ao Texto Magno não autoriza, por si só, a conclusão de que tal norma era anteriormente inconstitucional. Nego provimento ao recurso. b) incidência de juros de mora sobre multa de ofício A cobrança de juros de mora sobre os créditos não pagos até a data de vencimento é prevista no art. 161 do CTN, nos seguintes termos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 13 12 § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A expressão “crédito”, utilizada no caput do artigo reproduzido, obviamente se refere ao crédito tributário, pela própria natureza do diploma legal que habita. Para se definir o alcance de tal expressão, recorrese a outro dispositivo do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Já a definição de “obrigação principal”, mencionada no art. 139 do CTN, é trazida pelo § 1º do art. 113 do mesmo Código. Tal obrigação tem por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. In verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O critério utilizado pelo CTN para enquadrar determinada obrigação tributária como principal é, portanto, seu conteúdo pecuniário. Uma vez que a multa de ofício tem a característica de penalidade pecuniária, fica claro que ela integra a obrigação principal, ao lado dos tributos. Interpretando em conjunto os dispositivos reproduzidos, concluise que incidem juros de mora sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento (art. 161) e que tais créditos decorrem da obrigação principal (art. 139), englobando o tributo e a multa de ofício (art. 113, § 1º). Assim, a conclusão construída é a de que o CTN prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional. Os defensores da tese da ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício argumentam que a interpretação literal do caput do art. 161 do CTN impossibilitaria tal incidência em razão da presença da expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis”. Se a penalidade referente à multa de ofício já estiver contemplada na expressão “crédito não integralmente pago no vencimento”, a que outras penalidades cabíveis estaria se referindo o legislador? — indagam. Fl. 3891DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 14 13 Ocorre que, frequentemente, a interpretação de uma norma tributária demanda a consideração da realidade jurídica e fática a que se aplica. Mais do que isso, a norma deve ser interpretada sistematicamente, levandose em conta todo o sistema tributário pátrio. A este respeito, examinese a interessante argumentação da Ilustre Conselheira Viviane Vidal Wagner, designada para redigir o voto vencedor do Acórdão CSRF nº 910100.539, de 11/03/2010: Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p. 70), “interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito.” Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: “Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que, ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados, ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação.” (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema.” Sendo assim, a melhor interpretação a ser dada ao art. 161 do CTN é, sem dúvida, aquela que guarda harmonia com os demais dispositivos daquele Código que tratam do tema sob análise, quais sejam, os arts. 113 e 139. Além do CTN, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 61, caput e § 3º, também dispõe sobre o cabimento de juros de mora sobre multa de ofício: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...]. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do Fl. 3892DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 15 14 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Depreendese do artigo reproduzido que incidem juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica. A multa de ofício se amolda perfeitamente a tal definição, já que sua cobrança decorre, entre outras hipóteses, da falta de pagamento de imposto ou contribuição, nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Sendo assim, a exemplo do que ocorre com o art. 161 do CTN, também o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, fundamenta a possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Corrobora ainda tal entendimento o art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996, que, em seu parágrafo único, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. Assim, vêse que a legislação não enxerga incompatibilidade entre os juros de mora e uma multa pecuniária de caráter punitivo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se pronunciou a respeito da legalidade da cobrança de juros de mora nos moldes praticados no presente processo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (STJ, 1ª T., AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, dez/2012) Fl. 3893DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 16 15 Por fim, tanto o § 3º do art. 61 quanto o parágrafo único do art. 43, ambos da Lei nº 9.430, de 1996, fazem alusão à taxa aplicável a título de juros de mora: taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais. Quanto a este ponto, a matéria já foi inclusive pacificada por meio da edição da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acerca do pleito de afastamento da multa e dos juros, em especial, dos juros sobre a multa, “como decorrência lógica da aplicação do art. 112 do CTN ao caso dos autos”, tratase de questão que não foi objeto de análise por parte da decisão recorrida, o que, por si só, inviabiliza o seu conhecimento por esta Câmara. Nego provimento ao recurso. Do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do sujeito passivo, na parte admitida, e, no mérito, por negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Relator Fl. 3894DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 17 16 Anexo 1 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo (1A) PParam = PLV – ML, onde: PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. (2A) ML = 60%*(PLV VA), onde: VA é o “valor agregado no País” Substituindose ML contido na equação (1A) por ML conforme descrito na equação (2A) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*(PLV VA) PParam = PLV – 60%*PLV + 60%*VA (3A) PParam = 40%*PLV + 60%*VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL será: (4A) Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3A) por PParam conforme descrito na equação (4A), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV + 60%*VA) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA Fl. 3895DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 18 17 Anexo 2 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Interpretação “Correta” (1B) PParam = PLV – ML VA PParam é o preço parâmetro, definido como sendo o preço que presumivelmente seria praticado na importação de um bem acaso a importadora no Brasil e a exportadora no exterior fossem pessoas não vinculadas. PLV é o preço líquido de venda do produto produzido pela pessoa jurídica no Brasil, e em cujo processo produtivo foi empregado o bem importado de pessoa vinculada no exterior. O PLV é igual ao preço bruto de venda produto produzido no país, deduzidos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições incidentes sobre a vendas, das comissões e corretagens pagas. ML é a margem de lucro do empresário com a venda do produto produzido no país. VA é o “valor agregado no País” (2B) ML = 60%*PLV Substituindose ML contido na equação (1B) por ML conforme descrito na equação (2B) temse o seguinte: PParam = PLV – 60%*PLV – VA (3B) PParam = 40%*PLV VA A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: (4B) Adição = PPrat – PParam Adição, quando positiva, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativa, não haverá adição ou exclusão. PPrat é o preço de aquisição do bem importado, acrescido dos valores incorridos a título de frete, seguro e tributos incidentes na importação. Por fim, substituindose PParam contido na equação (3B) por PParam conforme descrito na equação (4B), temse: Adição = PPrat – (40%*PLV – VA) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA Fl. 3896DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 19 18 Anexo 3 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação “Correta” O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, segundo a interpretação defendida pelo sujeito passivo (anexo 1), resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da “correta” interpretação da mesma norma (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5A) e (5B) presentes nos anexos 1 e 2, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5A), no lado esquerdo, e a equação (5B), no lado direito. (5A) <> (5B) (5A) Adição = PPrat – 40%*PLV 60%*VA (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA PPrat – 40%*PLV 60%*VA <> PPrat – 40%*PLV + VA Ora, como a parcela (PPrat – 40%*PLVenB) é igual em ambos os lados da relação, fica claro que, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitirse valor agregado negativo), a adição em (5A) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (5A) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (5A) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (5A) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que nem (5A) nem (5B) resultarão em adição. Comprovado, então, que o PRL60 segundo a interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, defendida pelo sujeito passivo (5A), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da interpretação “correta” da mesma norma (5B). No anexo 4, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 3897DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 20 19 Anexo 4 Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 PRL60 Tabela Exemplificativa Interpretação do Sujeito Passivo vs. Interpretação “Correta” O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro líquido entre a interpretação do sujeito passivo acerca do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (5A), e a interpretação “correta” sobre a mesma norma (5B). Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem produzido no país a pessoa não vinculada, em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado adquirido junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o bem produzido no país é o mesmo, e a transação ocorre entre pessoas não vinculadas, o preço de venda do produto produzido no país foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, também permanece constante o valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem, seu preço pode ser livremente ajustado entre as pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro do bem importado (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 1 e 2, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que, nos cenários D e E, a soma do preço praticado na importação do bem junto a pessoa vinculada com o valor agregado no país se aproxima ou supera o preço líquido de venda do bem produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. Lei 9.430, de 1996 – Interp. do Contrib. – Anexo 1 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*(PLV VA) 570,00 570,00 570,00 570,00 570,00 PParam = PLV ML 430,00 430,00 430,00 430,00 430,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 170,00 470,00 770,00 Lei 9.430, de 1996 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 Fl. 3898DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 21 20 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 3899DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 22 21 Anexo 5 Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 PRL60 O objetivo do presente anexo é representar matematicamente o cálculo do PRL60 previsto no art. 12 da Instrução Normativa nº 243, de 2002 (1C) PParam = PartBI®PP – ML, conforme art. 12, § 10, V, da IN SRF 243, de 2002. (2C) ML = 60%* PartBI®PP, conforme art. 12, § 10, IV, da IN SRF 243, de 2002. Substituindose ML contido na equação (1C) por ML conforme descrito na equação (2C), temse: PParam = PartBI®PP 60%*PartBI®PP (3C) PParam = 40%* PartBI®PP, onde: PartBI®PP é a participação do bem importado junto à pessoa vinculada, no preço de venda do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, III, da IN SRF 243, de 2002, ou seja: (4C) PartBI®PP = %PartBI>PP*PLV, onde: %PartBI>PP é o percentual de participação do custo do bem importado junto à pessoa vinculada, no custo do produto produzido no país, conforme art. 12, § 10, II, da IN SRF 243, de 2002, ou seja: (5C) %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) Substituindo (5C) e (4C) em (3C), teremos: (6C) PParam = 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) A adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real será: Adição = PPrat – PParam, onde: Adição, quando positivo, é o valor que deverá ser adicionado ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Quando negativo, não haverá adição. (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) Fl. 3900DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 23 22 Anexo 6 PRL60 Adição ao Lucro Real IN SRF 243, de 2002 vs. “Correta” Interpretação do Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 O objetivo do presente anexo é demonstrar matematicamente que o PRL60 previsto na Instrução Normativa SRF nº 243, de 2002 (anexo 5) resulta em adições ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da “correta” interpretação do 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (anexo 2). Para tanto, partiremos das equações (5B) e (7C) presentes nos anexos 2 e 5, respectivamente. O símbolo <>, abaixo empregado, representa a relação entre a equação (5B), no lado esquerdo, e a equação (7C), no lado direito. (5B) <> (7C) (5B) Adição = PPrat – 40%*PLV + VA (7C) Adição = PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) PPrat – 40%*PLV + VA <> PPrat – 40%*PLV*PPrat/(PPrat + VA) O exame da relação acima requer um pouco mais de atenção. Repare que na equação (5B), se multiplicarmos o termo (40%*PLV) por 1 não a alteraremos em nada (40%*PLV = 40%*PLV*1). Veja também que na equação (7C) o mesmo termo (40%*PLV) está multiplicado pelo termo (PPrat/(PPrat + VA)). É fácil ver que o termo (PPrat/(PPrat + VA)) será sempre um número maior que zero e menor ou igual a 1. Assim, para todos os valores positivos de VA (e seria absurdo admitir valor agregado no país negativo), a adição em (7C) será sempre inferior à adição em (5B). Ademais, a adição em (7C) será igual à adição em (5B) em apenas duas hipóteses. A primeira quando tanto (7C) como (5B) resultarem em valores negativos, caso em que a adição será igual a zero, conforme art. 18, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. A segunda quando VA for igual a zero, caso em que tanto (7C) como (5B) resultarão em adição de (PPrat – 40%*PLVenB), desde que esse valor não seja negativo, caso em que também não haverá adição nem em (7C) nem em (5B). Comprovado, então, que o PRL60 segundo a IN SRF 243, de 2002 (7C), resultará em adições sempre iguais ou inferiores àquelas decorrentes da aplicação “correta” da Lei nº 9.430, de 1996 (5B). Ou seja: (7C) <= (5B), onde o símbolo <= significa menor ou igual. No anexo 7, a seguir, é apresentado um exemplo numérico para ilustrar as diferenças de adição aqui demonstradas. Fl. 3901DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 24 23 Anexo 7 PRL60 Adição ao Lucro Real Tabela Exemplificativa IN SRF 243, de 2002 vs. Art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 O presente anexo tem como objetivo ilustrar, por meio de um exemplo numérico, as diferenças de adição ao lucro real entre a aplicação do PRL60 segundo a IN SRF 243, de 2002, e a aplicação do mesmo método segundo a “correta” interpretação do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Foram simulados cinco cenários (A, B, C, D e E) de operações de venda do bem BP, produzido no país, a pessoa não vinculada, e em cujo processo produtivo foi empregado: (i) o bem importado junto a pessoa vinculada no exterior, e; (ii) outros bens e serviços adquiridos no país junto a pessoas não vinculadas – valor agregado. Como o produto produzido no país é o mesmo em todos os cenários, e a venda é feita a pessoa não vinculada, seu preço foi mantido constante em todos os cenários (PLV = R$ 1.000,00). Pelas mesmas razões, o mesmo se diga em relação ao valor agregado no país (VA = R$ 50,00). A única variável é o preço praticado na aquisição do bem importado junto à pessoa vinculada no exterior (PPrat). Isso porque, apesar de ser o mesmo bem em todos os cenários, seu preço pode ser livremente ajustado pelas pessoas vinculadas, independentemente de seu real valor econômico. A margem de lucro (ML), o preço parâmetro na importação do bem importado junto à pessoa vinculada (PParam) e a adição ao lucro líquido, para fins de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Adição), decorrem das fórmulas presentes nos anexos 2 e 5, aplicadas aos valores acima referidos. Recordese também que Adição será igual a zero quando PPrat for menor do que PParam, já que a lei proíbe adições negativas. Por fim, registrese que nos cenários D e E a soma do preço praticado na importação do bem junto à pessoa vinculada, com o valor agregado no país, se aproxima ou supera o preço líquido de venda do produto produzido no país. São cenários impensáveis em situações de mercado, mas possíveis quando a intenção da empresa no Brasil é transferir lucro à sua vinculada no exterior. IN SRF 243, de 2002 – Anexo 5 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 %PartBI>PP = PPrat/(PPrat + VA) 66,67% 85,71% 92,31% 94,74% 96,00% PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 PartBI>PP = %PartBI>PP*PLV 666,67 857,14 923,08 947,37 960,00 ML = 60%*PartBI>PP 400,00 514,29 553,85 568,42 576,00 PParam = PartBI>PP ML 266,67 342,86 369,23 378,95 384,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 230,77 521,05 816,00 Lei 9.430, de 1996 – Interp. Correta – Anexo 2 A B C D E PPrat 100,00 300,00 600,00 900,00 1.200,00 VA 50,00 50,00 50,00 50,00 50,00 PLV 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 Fl. 3902DF CARF MF Processo nº 16643.000247/201081 Acórdão n.º 9101003.204 CSRFT1 Fl. 25 24 ML = 60%*PLV 600,00 600,00 600,00 600,00 600,00 PParam = PLV ML VA 350,00 350,00 350,00 350,00 350,00 Adição = PPrat PParam 0,00 0,00 250,00 550,00 850,00 Fl. 3903DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13739.002344/2007-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 30/04/1992 a 26/02/1999
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA.
A decadência do direito de pleitear restituição de tributo pago a maior ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13739.002344/200755 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.065 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de outubro de 2017 Matéria Decadência do direito de restituição Recorrente HOSPITAL DO CORAÇÃO SANCORDIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/04/1992 a 26/02/1999 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear restituição de tributo pago a maior ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Cássio Schappo. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto o relatório produzido pela 4ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro (efl. 157 e ss): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 23 44 /2 00 7- 55 Fl. 187DF CARF MF 2 Trata o presente processo de apreciação de Declaração de Compensação apresentada em formulário A fl. 01, nos termos do parágrafo 1°, do art. 26 da IN SRF n° 600/2005, em processo protocolizado em 17/12/2007, de crédito referente a valores que teriam sido recolhidos a maior ou indevidamente, no período de 04/1992 a 02/1999, objetivando compensar débito de Cofins, código 2172, do período de apuração de 11/2007, no valor originário de R$ 46.547,15. Por meio do Parecer Seort/DRF/Niterói n° 1838/2008, de fls 79 a 81, e do Despacho Decisório de fl. 82, o Delegado da DRF/Niterói, não reconheceu o direito creditório do contribuinte pelo fato de que por ocasião da apresentação da Declaração de Compensação , já se encontrava extinto o direito do contribuinte de pleitear a restituição. Conseqüentemente não homologou a compensação declarada. Cientificada da decisão em 24/03/2009 (fl. 85), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 86/93) em 20/04/2009, alegando, em síntese, que: . Não ocorreu a prescrição do seu direito. . Os créditos foram fornecidos pela Receita Federal em procedimento de habeas data, conforme informado em anexo A declaração de compensação. E que somente após o conhecimento da existência deles é que se iniciou o prazo prescricional. . A jurisprudência é no sentido de que o termo inicial é a data em que se tornou possível ao autor tomar conhecimento da violação de que se originou a ação. Ao final requer seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, determinadose o cancelamento da cobrança do débito de Cofins e homologandose a compensação efetuada. A DRJ/Rio de Janeiro, então, apresentou a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/04/1992 a 26/02/1999 Ementa:RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear restituição de indébito fiscal ocorre em cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento, não assistindo razão ao contribuinte quando afirma que seria da data que tomou conhecimento do suposto pagamento indevido ou a maior, via decisão judicial de caráter provisório. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No Recurso Voluntário (efls. 170 e ss.), a Recorrente, em suma, repete a argumentação já trazida ao processo. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 13739.002344/200755 Acórdão n.º 3001000.065 S3C0T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 937,00, segundo a Lei nº 13.152, de 2015. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 56.220,00. Como o valor em litígio é de R$ R$ 1.228,28 (efl. 48), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. A Recorrente alega, em suma, que não houve a prescrição do seu direito porque somente após o conhecimento da existência dos créditos é que se inicia o prazo prescricional. Não cabe razão à Recorrente. A Lei é muito clara quanto a essa questão. O CTN informa que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para repetição do indébito é a data da extinção do crédito tributário, conforme o previsto no art. 168, inciso I, c/c art. 165, inciso I, do CTN. In verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005. Fl. 189DF CARF MF 4 Por sua vez, o pagamento é um das modalidades de extinção do crédito tributário, segundo o art. 156 do próprio Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172, de 1966. Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; Assim, pelo exposto, voto em NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.721262/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN.
A multa por descumprimento da obrigação acessória de preencher as GFIPs com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme dever estabelecido no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91, submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I, do CTN.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE PENALIDADES.
Tendo por pressupostos fatos e fundamentação jurídica distintos, não há falar em cumulação de penalidades na coexistência de infrações relativas a obrigação principal e acessórias.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COTEJO REALIZADO PELA FISCALIZAÇÃO. SUBSISTÊNCIA PARCIAL DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
Em decorrência das alterações promovidas pela MP nº 449/08, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco efetuou o devido cotejo entre a soma das multas aplicadas quando do lançamento, e a penalidade prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte.
Restando reconhecida a decadência parcial da obrigação principal, deve ser, para os períodos atingidos, aplicado o inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 para o cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória.
Numero da decisão: 2402-006.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para fins de que a multa, nos períodos em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência, esteja limitada ao valor resultante da aplicação do art. 32-A da Lei nº 8.212/1991.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 68. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preencher as GFIPs com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme dever estabelecido no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91, submete-se a lançamento de ofício, sendo-lhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I, do CTN. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE PENALIDADES. Tendo por pressupostos fatos e fundamentação jurídica distintos, não há falar em cumulação de penalidades na coexistência de infrações relativas a obrigação principal e acessórias. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COTEJO REALIZADO PELA FISCALIZAÇÃO. SUBSISTÊNCIA PARCIAL DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Em decorrência das alterações promovidas pela MP nº 449/08, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco efetuou o devido cotejo entre a soma das multas aplicadas quando do lançamento, e a penalidade prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte. Restando reconhecida a decadência parcial da obrigação principal, deve ser, para os períodos atingidos, aplicado o inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 para o cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória.
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CFL 68. DECADÊNCIA SUJEITA AO REGIME DO ART. 173, I, DO CTN. A multa por descumprimento da obrigação acessória de preencher as GFIPs com os dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme dever estabelecido no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n° 8.212/91, submetese a lançamento de ofício, sendolhe aplicável o regime decadencial do art. 173, I, do CTN. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE PENALIDADES. Tendo por pressupostos fatos e fundamentação jurídica distintos, não há falar em cumulação de penalidades na coexistência de infrações relativas a obrigação principal e acessórias. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. COTEJO REALIZADO PELA FISCALIZAÇÃO. SUBSISTÊNCIA PARCIAL DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Em decorrência das alterações promovidas pela MP nº 449/08, quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco efetuou o devido cotejo entre a soma das multas aplicadas quando do lançamento, e a penalidade prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, de modo a aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte. Restando reconhecida a decadência parcial da obrigação principal, deve ser, para os períodos atingidos, aplicado o inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 para o cálculo da multa por descumprimento de obrigação acessória. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 12 62 /2 00 9- 19 Fl. 1510DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, para fins de que a multa, nos períodos em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência, esteja limitada ao valor resultante da aplicação do art. 32 A da Lei nº 8.212/1991. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 10166.721262/200919 Acórdão n.º 2402006.043 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que julgou procedente auto de infração de obrigação acessória nº 37.225.4268 (fls. 2/25), visto que o autuado nas competências 01/2004 a 12/2004, apresentou as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias, infringindo assim o art. 32, inciso IV e § 5º da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. A instância recorrida assim descreveu os termos da aplicação da multa (fl. 1474): Em decorrência da infração ao art. 32, inciso IV, §5º, da Lei nº 8.212/91, com a alteração da Lei nº 9.528/97, foi aplicada a multa no valor de R$ 159.501,60, que equivale a cem por cento do valor devido, relativo à contribuição não declarada, limitada a um multiplicador sobre o valor mínimo, em função do número de segurados, nos termos do art. 32, inciso IV e §5º, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528/97, combinado com o art. 284, inciso II, do RPS, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS/MF nº 48, publicada em 13/02/2009. Para fins de aplicação da multa foi verificado, em decorrência das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, qual seria a multa mais benéfica a ser aplicada, em atendimento ao disposto no artigo 106, II, “c”, do CTN. Após a comparação verificouse que em todas as competências, a multa mais benéfica para o contribuinte foi a legislação à época do fato gerador, o que resultou na aplicação do Auto de Infração no valor de R$ 159.501,60, tudo conforme planilhas constantes do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. Por seu turno o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1442/1470), alegando, conforme sintetizado pela instância de origem, que: o presente crédito deve ser extinto, em razão da decadência/prescrição, conforme determinação da Súmula Vinculante n. 08 do Supremo Tribunal Federal; o parágrafo 5º, do art. 32, da Lei n. 8.212/91, foi revogado, não podendo ser aplicado ao case em tela; a autoridade fiscal aponta que dentre os elementos supostamente não declarados estariam os valores pagos aos segurados empregados, a título de Bolsa de Estudo, porém tal fundamento já foi objeto de aplicação de penalidade (DEBCAD n. 37.225.4241); caso houvesse qualquer tipo de erro no preenchimento das GFIPs, não há que se falar em aplicação de outra penalidade por diversos supostos erros de preenchimento, sob pena de bis in idem; após a revogação dos dispositivos insertos no artigo 32 da Lei n. 8.212/91, resta totalmente descabida a cobrança de multa por cada item do preenchimento; Fl. 1512DF CARF MF 4 a multa aplicada no presente auto foi fixada em premissa errônea e excessiva, não respeitando o previsto no art. 32A da Lei n. 8.212/91. No julgamento de primeiro grau foi mantida a exigência (1472/1481), o que deu ensejo à interposição de recurso voluntário em 12/8/2010 (fls. 1485/1503), no qual foram reiterados os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 10166.721262/200919 Acórdão n.º 2402006.043 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Quanto à alegação de decadência ("prescrição"), merece ser observado não prosperar no caso a alegação de observância à Súmula Vinculante STF nº 8, visto que a multa em comento é apurada, necessariamente, mediante procedimento de ofício, em nada se confundindo com tributo sujeito a lançamento por homologação. Dessa feita, submetese ao prazo de cinco anos contados nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. Nesse compasso, verificado que o contribuinte foi cientificado dos termos do lançamento em 28/5/2009, não há falar em decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário, pois os fatos que embasaram a multa aplicada referemse a períodos compreendidos entre janeiro e dezembro de 2004. Já os argumentos relativos ao levantamento bolsas de estudo dizem respeito aos autos de infração atinentes à obrigação principal, sendo que foi julgada nesta sessão e mantida pelo Colegiado a constante do processo nº 10166.721252/200983, estando as demais autuações atinentes a obrigações de natureza principal consolidadas na esfera administrativa, vide respectivos processos de nº 10166.721254/200972, nº 10166.721255/200917, e nº 10166.721256/200961. Não cabe, assim, o seu enfrentamento nesta oportunidade, devendo ser registrado, aliás, que as postulações de nulidade aduzidas pelo recorrente versam, na realidade, sobre questões de mérito, e como tal serão tratadas. De qualquer modo, considerando a manutenção em linhas gerais dos lançamentos efetuados, salvo o reconhecimento de decadência de parte das competências, o que poderia ser admitido seria eventual ajuste no cálculo da infração de multa ora examinada, matéria a ser enfrentada logo a seguir, e não o seu cancelamento por completo, como parece pretender o recorrente. Cumpre referir, por outra via, que não há falar em incompatibilidade de penalidades, como alude o contribuinte. Na realidade, foi efetuada aferição indireta das contribuições previdenciárias devidas quando da lavratura do lançamento das obrigações principais, aferição essa que se constitui em método de apuração das obrigações principais previsto no art. 33, § 3º da Lei nº 8.212/91, quando da ocorrência das situações ali discriminadas, e que não tem fito punitivo. A par disso, foram lavrados diversos autos de infração de multas por descumprimento de obrigação acessória, a qual, a teor do que disciplina o art. 113, § 2º, do CTN, decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. No caso, o Fl. 1514DF CARF MF 6 atendimento ao dever de preencher as GFIPs com todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, o que restou descumprido. Cada uma das infrações, destaquese, possui embasamento legal próprio, correspondendo a fatos diferentes previstos nas respectivas hipóteses de incidência, sendo descabido, daí, cogitar de bis in idem. Por fim, no que diz respeito à multa aplicada, observese que o contribuinte requer seja aplicada ao particular o art. 32A da Lei nº 8.212/91, relativa ao descumprimento de obrigação acessória de deixar de apresentar ou apresentar com incorreções/omissões a GFIP ("declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32"), o que se adequa a situação de fato analisada. Conforme já manifestei em ocasiões anteriores perante este Colegiado vide, nesse sentido, o Acórdão nº 2402005.649, j. 8/2/2017 tenho certas restrições quanto à possibilidade de aplicação de retroatividade benigna, nos termos previstos no art. 106, inciso II, alínea 'c' do CTN, a contextos similares. Sem embargo, cabe considerar que se trata de matéria cuja exegese traz dificuldades, suscitando variadas correntes interpretativas. Nessa senda, tendo em vista a função precípua dos tribunais administrativos de pacificar conflitos e firmar orientação sólida acerca das lides entre Fisco e contribuintes, bem como os princípios consagrados da duração razoável do processo e da eficiência, curvo me, ressalvas à parte, às recentes decisões da CSRF, que vem uniformizando seu entendimento quanto à matéria. À guisa de exemplo, cito os recentes Acórdãos nº 9202003.997 (j. 11/5/2016) e 9202005.373 (j. 26/4/2017). Segundo tais decisões, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, havendo lançamento conjunto de obrigação principal e acessória, devem ser somadas a multa relativa à obrigação principal (art. 35, inciso II da Lei nº 8.212/91) com a multa por descumprimento da obrigação acessória conexa (art. 32, inciso IV, §§ 4º, 5º ou 6º da Lei nº 8.212/91), conforme previstas antes da vigência da MP nº 449/08, sendo o resultado comparado com a multa regrada no art. 44 da Lei nº 9.430/96, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício, de acordo com o disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91 (correspondente ao percentual de 75%). Registrese que tal entendimento está em harmonia com o regrado na IN RFB nº 971/09 e com os termos da Portaria PGFN/RFB nº 14/09. Na espécie, temse que, consoante Relatório Fiscal às fls. 20/25, foi esse, precisamente, o procedimento da fiscalização, que apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa mais benéfica ao contribuinte. Não obstante, deve ser observado terem sido os autos de infração de obrigação principal (processos de nos 10166.721252/200983, 10166.721254/200972, 10166.721255/200917 e 10166.721256/200961) objeto de reforma, por ter sido reconhecida a decadência do lançamento no que tange às competências janeiro a abril de 2004. Para esses períodos, não há sentido falar em comparativo, pois excluída a obrigação principal, cai consequentemente a multa de ofício associada. Então, deve ser comparado o critério aplicado na autuação com o previsto no art. 32A da Lei nº 8.212/91, definindose qual o mais favorável ao sujeito passivo. Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 10166.721262/200919 Acórdão n.º 2402006.043 S2C4T2 Fl. 110 7 Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para fins de que a multa, nos períodos em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência, esteja limitada ao valor resultante da aplicação do art. 32A da Lei nº 8.212/91. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 1516DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.904284/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 30/06/2008
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 84 /2 01 2- 15 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10825.904284/201215 Acórdão n.º 1302002.431 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 21157.58544.081111.1.3.042784, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 30/06/2008. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 13/06/2013 (AR de fls. 67/68), tendo interposto o seu recurso voluntário em 26/06/2013 (doc. de fl. 70). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10825.904284/201215 Acórdão n.º 1302002.431 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 30/06/2008. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10825.904284/201215 Acórdão n.º 1302002.431 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904284/201215 Acórdão n.º 1302002.431 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904284/201215 Acórdão n.º 1302002.431 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904284/201215 Acórdão n.º 1302002.431 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904284/201215 Acórdão n.º 1302002.431 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15956.720171/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA.
O Imposto sobre a Renda é pago mensalmente e, com isso, o seu regime é de caixa. Se o fato gerador é mensal e o pagamento deve ser feito até o último dia útil da primeira quinzena do mês subsequente ao da percepção do rendimento, nessa linha de entendimento, o presente lançamento esta fulminado pela decadência.
IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE.
Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê-leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas.
Numero da decisão: 2401-005.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado diretamente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. O Imposto sobre a Renda é pago mensalmente e, com isso, o seu regime é de caixa. Se o fato gerador é mensal e o pagamento deve ser feito até o último dia útil da primeira quinzena do mês subsequente ao da percepção do rendimento, nessa linha de entendimento, o presente lançamento esta fulminado pela decadência. IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. MESMA BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE. Improcedente a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF devido a título de carnê leão, quando cumulada com a multa de ofício, uma vez possuírem bases de cálculo idênticas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 72 01 71 /2 01 2- 89 Fl. 259DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado diretamente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 260DF CARF MF Processo nº 15956.720171/201289 Acórdão n.º 2401005.021 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 3/6, relativo ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário de 2007, em que foram constatadas (i) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física sujeitos a carnêleão, referente a honorários advocatícios recebidos em bens imóveis, em forma de dação em pagamento, transcritos através de escritura pública registrada no 1º Cartório de Registro de Imóveis de Ribeirão Preto – SP em 13/02/2007, conforme relatório circunstanciado em Termo de Conclusão de Ação Fiscal que faz parte do Termo de Encerramento, com aplicação da multa de 75%, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal à fl. 5 e (ii) multa isolada por falta de recolhimento de carnêleão, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 5/6. No Termo de Conclusão de Ação Fiscal (fls. 81/84), a fiscalização relata os atos praticados no curso do procedimento fiscalizatório e a conclusão a que chegou nos seguintes termos: “I INTRODUÇÃO: Tratase de fiscalização aberta em função de recebimentos de honorários advocatícios e não declarados no ano calendário de 2.007, decorrentes da sucumbência em processo de execução 2071/97/1, com base no acordo celebrado em 08 de Novembro de 2.006, (executado Electro Bonini), a ser pago em bens imóveis equivalente à R$.150.000,00, (Cento e cinquenta mil reais), efetivamente recebidos em 13/02/2007, transmitidos a título de dação em pagamento, como segue abaixo: a) Apartamento, sito à Rua Rui Barbosa, 261, apto 71 em Ribeirão Preto, no valor de R$.136.000,00, Matrícula 87.792, 1 o Cartório de Registro de Imóveis de Ribeirão Preto SP. b) Vaga de Garagem, sito à Rua Rui Barbosa, 261 Vaga n° 14 em Ribeirão Preto, no valor de R$.7.000,00, Matrícula 87.819, 1 o Cartório de Registro de Imóveis de Ribeirão Preto SP. c) Vaga de Garagem, sito à Rua Rui Barbosa, 262 Vaga n° 15 em Ribeirão Preto, no valor de R$.7.000,00, Matrícula 87.820, 1 o Cartório de Registro de Imóveis de Ribeirão Preto – SP. Valor Total dos Bens transmitidos a título de dação em pagamento, R$.150.000,00. II INTIMAÇÕES: a) Intimação: Em 06/06/2012, através de um Termo de Início do Procedimento Fiscal, intimamos o fiscalizado a esclarecer os recebimentos de honorários advocatícios em forma de bens imóveis, transmitidos a título de dação em pagamento por escritura pública em 13 de Fl. 261DF CARF MF 4 Fevereiro de 2.007, no valor de R$.150.000,00. Foram anexadas a este termo cópia do processo 2071/97/1 e respectivas matrículas dos imóveis registrados por escritura pública em 13/02/2007, no 1º Cartório de Registro de Imóveis. b) Resposta do contribuinte O mesmo nos informa que: "recebeu esse bem imóvel, como dação em pagamento de seus honorários, no ano calendário de 2.006, como prova a petição de transação judicial celebrada em 08.11.2006 nos próprios autos do processo n° 2.071/971, que tramita perante a 10ª Vara Cível do Fórum da Justiça Estadual de São Paulo na Comarca de Ribeirão Preto”. O contribuinte, em sua tese, nos informa ainda que; "o bem imóvel foi percebido e recebido pelo Suplicado em 08.11.2006, (anocalendário 2.006) e, consequentemente, o rendimento decorrente dele ocorreu, como fato gerador, em 08.11.2006 (anocalendário de 2.006". c) Observações Declaração de Bens: 1) Ponderando os esclarecimentos do fiscalizado para o ano calendário de 2.006, constatamos que o fiscalizado tenha anotado o recebimento deste imóvel em sua Declaração de Ajuste Anual Declaração de Bens redigindo incorretamente o seguinte histórico: Um apartamento à Rua Rui Barbosa, n° 261, apto 71, Edif. Fontana diTrevi, em Ribeirão Preto SP, adquirido através de contrato de Kattyana Franca Bonini Camilo, CPF 156.251.64851, valor de R$.150.000,00. 2) Esta aquisição deveria ter sido anotada de forma compreensível e correta de seu recebimento, ou seja, "apartamento e 2(duas) vagas de garagem à Rua Rui Barbosa, n° 261, apto 71, Edif. Fontana diTrevi, em Ribeirão Preto SP. transmitidos por Katyana França Bonini Camilo, CPF 156.251.64851, a título de dação em pagamento por serviços advocatícios prestados, nos autos do processo 2071/97/1 da 10a Vara Cível de Ribeirão Preto", valor de R$ 150.000,00. d) Termo de Constatação Em 28/09/2012 enviamos um Termo de Constatação relatando Omissão de Rendimentos Tributáveis recebidos de pessoas físicas sujeitos ao carne leão referente à honorários advocatícios recebidos em definitivo em forma de bens transmitidos a título de dação em pagamento em 13/02/2007, por translado registrado no I o Cartório de Registro de Imóveis de Ribeirão Preto SP. (Matrículas, 87.792, 87.819 e 87.820). Em resposta, o Sr. Jose Sebastião reafirma que: "recebeu o imóvel em 08/11/2006" e quanto ao fato da Omissão de Rendimentos e recolhimento do Carne Leão em 2.007, não procede, "uma vez que todos os fatos ocorreram em 2.006” e que recebeu o referido bem em "dação de pagamento e imediatamente tomou posse do mesmo", e, finalmente o mesmo concluiu que o acordo judicial em seu item 3 determina que o imóvel "está sendo transferido diretamente aos patronos do exeqüente...., estando a partir de então apenas o registro da escritura". Fl. 262DF CARF MF Processo nº 15956.720171/201289 Acórdão n.º 2401005.021 S2C4T1 Fl. 4 5 III DAS CONCLUSÕES: Os recebimentos foram auferidos em caráter definitivo em 13/02/2007 em forma bens imóveis devidamente registrados no 1 o Cartório de Registro de Imóveis de Ribeirão Preto. (Matrículas, 87.792, 87.819 e 87.820), transmitidos a título de dação em pagamento por serviços advocatícios prestados, equivalente à R$ 150.000,00, (Cento e cinquenta mil reais). Observamos que não foram encontradas referências destes recebimentos de honorários no anocalendário de 2.006, ou qualquer outro ano até a presente data. A falta de declaração dos rendimentos de honorários recebidos caracterizase; "Omissão de Rendimentos", no ano calendário do efetivo recebimento, ou seja, em 2.007. Sob o título de Legislação, o autuante cita o Regulamento do Imposto de Renda/1999, artigos 38 e 994, e como normas complementares a IN SRF nº 15/2001, art. 2º, §§ 2º e 3º.” Cientificado do lançamento por via postal em 10/11/2012 (cópia de AR à fl. 86), o interessado apresentou a impugnação de fls. 89/114, por procurador (documento de fls. 115/116), em 06/12/2012, à qual anexa os documentos de fls. 115/169, aduzindo as razões sintetizadas a seguir: Não concordando absolutamente com nenhum dos termos do Auto de Infração em epígrafe, Mandado de Procedimento Fiscal e demais documentos correlacionados, o contribuinte apresenta a presente impugnação reivindicando os efeitos concessivos da lei referente a suspensão da exigibilidade do referido crédito tributário, fundado no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. Voltando à origem do percebimento do bem como dação em pagamento dos honorários de sucumbência, o requerente relembra os detalhes dessa transação e de sua homologação pelo juiz da causa, no anocalendário de 2006, como segue: Foi ajuizada em 1997 uma execução pelo Sr. Geraldo Alberto Borges de Oliveira em face do Sr. Electro Bonini, cujos autos do processo recebeu o n° de ordem de 2.071/97 e tramita perante a 10ª Vara Cível do Fórum da Justiça Estadual de São Paulo na Comarca de Ribeirão Preto. Ocorre que, anos mais tarde, nos autos suplementares dessa execução, em 08.11.2006, foi celebrada uma transação judicial acordando pôr fim a essa execução, em que o Executado (Sr. Electro Bonini) confessa o débito com o Exequente (Sr. Geraldo Alberto) no valor de R$ 11.750.928,99, atualizado até 31.09.2006, já incluídos os honorários de sucumbência, e resolve pagar: a) a título de crédito exequendo ao Exequente (Sr. Geraldo Alberto) o valor de R$ 9.000.000,00 na forma que convencionou na petição em seu item "2", o que dispensa comentários pois não é objeto dessa fiscalização e prestação de esclarecimentos; b) a título de crédito sucumbencial o valor de R$ 900.000,00, constante da petição no seu item "3", sendo uma parte ao advogado do Exequente Dr. José Sebastião Martins, ora Suplicado, no valor de "R$150.000,00, através de um apartamento situado nesta cidade, na rua Rui Barbosa, 261, no Edifício Fontana Di Trevi, apartamento 71, localizado no Fl. 263DF CARF MF 6 10º Pavimento ou 7º Andar, e mais um Box n.A14 localizado no 1º Subsolo e duas garagens números 14 e 15, localizadas no 1º subsolo, conforme matrículas respectivas anexas ns. 186.451, 186.478 e 186.479, que deste fica fazendo parte integrante, o qual se encontram em nome de Katyana França Bonini Camilo, que quando solteira assinava Katyana França Bonini, brasileira, farmacêutica, portadora do RG nº 22.596.9592SSPSP e do CPF n° 156.251.648 51, residente e domiciliada no Condomínio Residencial Santa Helena, Rodovia SP Km 328, na unidade autônoma residencial n° 5, quadra D, e que neste ato está sendo transferido diretamente aos patronos do Exequente, sendo este imóvel a JOSÉ SEBASTIÃO MARTINS RG 3.446.852 SSP/ SP, CPF 158.847.08815, brasileiro, casado no regime da comunhão universal de bens anteriormente à Lei 6.515, com MARIA HELENA MORGADO MARTINS, RG 5.319.091 SSP/ SP, CPF 149.527.40803, brasileira, do lar, residentes e domiciliados nesta cidade, na rua Rui Barbosa, 175, apto.81". No item "4" da referida petição firmada em 08.11.2006, consignouse nova e claramente que esse imóvel estava sendo entregue justamente naquela data ao ora Impugnante, e consequentemente ele passou a perceber os respectivos direitos sobre ele, como segue: "... (item 3), são entregues a eles livre e desembaraçado de quaisquer ônus, se comprometendo o Executado e os Fiadores, caso venha a surgir algum débito de qualquer origem até a presente data, liquidálo de imediato, sendo que, todas as taxas que vierem a incidir sobre os mesmos a partir desta data ficarão por conta do Exequente e de seus advogados, porque estão recebendo imóveis como parte de pagamento dos honorários, conforme previsto no item anterior." O impugnante salienta que a posse lhe foi transferida imediatamente no dia 08.11.2006, até mesmo ficando consignado que qualquer taxa já era de responsabilidade dele, e que o verbo está no presente e não no futuro. Esse acordo passou pelo crivo do Poder Judiciário e foi homologado em 04.12.2006. Assim, o bem imóvel foi percebido e recebido pelo suplicado em 08.11.2006 e, consequentemente, o rendimento decorrente dele ocorreu, como fato gerador, em 08.11.2006. Portanto, o recebimento e a percepção, seja econômica ou jurídica, do bem ao contribuinte/impugnante ocorreu no ato da celebração desse acordo judicial, ou seja, em 08.11.2006. Isso porque, se a própria legislação prevê que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, bem como a forma de percepção das rendas, bastando para a incidência do imposto o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título, não há qualquer dúvida que o contribuinte percebeu sua renda, ao título e forma de dação de pagamento, em 08.11.2006. E, por fim, se o próprio Sr. Auditor Fiscal traz a transcrição de uma Instrução Normativa de que os recebimentos em bens são avaliados em dinheiro pelo valor de mercado que tiverem na data do recebimento, veja que o imóvel foi dado em pagamento em 08.11.2006 pelo valor de R$ 15.000,00 (sic), e, por óbvio que se tivesse o contribuinte recebido o imóvel em 28.02.2007 ele valeria mais que R$ 150.000,00. O próprio Sr. Auditor mencionou essa petição no Termo de Início de Procedimento Fiscal e no Auto de Infração, demonstrando que a origem desse imóvel e fato gerador foi em 2006 , então ele próprio reconhece essa data! Porém, como ele não pode analisar mais o anocalendário de 2006, pois está fulminado pela decadência, passou a fiscalizar o anocalendário de 2007, criando uma história que não corresponde à realidade e insistindo em forçar sua afirmação de que o imóvel foi recebido pelo impugnante em 28.02.2007. Fl. 264DF CARF MF Processo nº 15956.720171/201289 Acórdão n.º 2401005.021 S2C4T1 Fl. 5 7 No anocalendário de 2006/exercício de 2007, o impugnante declarou a percepção e recebimento desse imóvel dentre a "Declaração de Bens e Direitos", na coluna "situação em 31/12/2006", talvez até por engano. No entanto, se estava certo ou errado o campo, isso não pode ser objeto de fiscalização, pois pesa a decadência sobre esse período. No anocalendário de 2007, esse bem imóvel percebido em 08.11.2006 já estava patrimonializado entre os bens do Impugnante e, com isso, está correta sua inclusão no campo "Declaração de Bens e Direitos", na coluna "situação em 31/12/2006", e o faz com o valor de R$ 0,00 dentre os bens na "Situação em 31/12/2007", da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2007/exercício de 2008. O Sr. Auditor autuou, através do lançamento de ofício, o Impugnante por omissão de rendimento, com multa isolada, por entender que este indicou o imóvel que recebeu como dação em pagamento à verba honorária no campo "Declaração de Bens e Direitos ", sendo que para o Sr. Fiscal o correto seria que tal imóvel fosse indicado nesse anocalendário de 2007 no campo "Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Físicas ". Ou seja, para o Sr. Auditor, quando o Impugnante indicou o referido bem imóvel no campo "Declaração de Bens e Direitos", ele não o ofereceu a tributação. O ponto principal da questão é se o ora Impugnante declarou ou não o recebimento dos honorários, não é? Ou será a aquisição de um imóvel? A resposta é simples: o fato gerador é o recebimento dos honorários, que se deu em 2006, pelo acordo celebrado nos próprios autos, homologado pelo juiz da causa, tudo em 2006. Prova de que o Sr. Auditor quer mesmo é tentar, de todas as formas, autuar e penalizar o Impugnante, é que ele indica a data de 28.02.2007 como fato gerador sendo que, frisese bem agora esse detalhe, em 16.02.2007 foi lavrada a Escritura Pública de Venda e Compra desse apartamento que o Impugnante recebeu em 2006 como quitação de seus honorários, ou seja, Escritura lavrada perante o 2º Ofício de Notas de Uberaba, MG, em que consta como vendedores o impugnante e sua esposa e como compradores o Sr. GuimermeDefilippi Júnior e sua esposa a Sra. Theresa Maria Gonçalves Dias Defilippi. Nesse caso não foi celebrado Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda anteriormente e, portanto, o fato gerador foi só a referida Escritura. Se houve algum equívoco, isso envolve o anocalendário de 2006, o que não pode mais ser reavivado por estar fulminado pela decadência. Em seguida, o requerente faz menção ao direito que entende aplicável ao caso, sobre o qual discorre: CTN, art. 43; Lei nº 7.713/88, com as alterações da Lei nº 9.250/95, arts. 1º, 2º, 3º, 7º, 8º e 12; Lei nº 8.383/91, com as alterações das Leis nº 10.192/01 e 10.522/02, arts. 4º a 6º, 10 a 13 e 15 a 17; Decreto nº 3.000/1999, arts. 2º, 37, 38, 45, 56, 106, 107, 109 a 112 e 852. Cita jurisprudência administrativa que julga pertinente. Apenas a título de argumentação, o suplicado vem esclarecer que o ano calendário de 2006 não poderá ser objeto de análise, uma vez que já está sob o mando da decadência, porque, como já exposto e por toda a legislação que foi transcrita, o Imposto sobre a Renda é pago mensalmente e, com isso, o seu regime é de caixa. Se o fato gerador é mensal e o pagamento deve ser feito até o último dia útil da primeira quinzena do mês subsequente ao da percepção do rendimento, no caso em tela, como o suplicado percebeu o rendimento, através Fl. 265DF CARF MF 8 do recebimento de imóvel em dação de pagamento, no dia 08.11.2006 (quartafeira), teve ele até o dia 15.12.2006 (sextafeira) para pagar o Imposto de Renda respectivo. Como consequência dessa previsão legal, nasceu para o Fisco, no dia 18.12.2006 (segundafeira) o direito dele proceder qualquer fiscalização ou lançamento de ofício sobre esse fato gerador e, não o fazendo, o prazo venceu em 18.12.2011. Cita jurisprudência administrativa. Caso se queira percorrer outro caminho, que não é o correto, considerandose o início do prazo a data da Declaração de Ajuste Anual, em 31 de abril de 2007, ainda assim caducou o direito de análise sobre os rendimentos e Declaração referente ao anocalendário de 2006, porque seria a partir de 01.05.2007 que o Fisco poderia fazer o lançamento tributário e, com isso, o prazo venceria em 01.05.2012. Cita julgados. Para arrematar, então, não se aplica ao caso o disposto no art. 173 do Código Tributário Nacional, mas sim o regramento do seu art. 150, §4°. Ad argumentandum tantum, cumpre impugnar também a cobrança da multa isolada ao Impugnante. Já de plano verificase o "bis in idem” na cobrança na duplicidade da multa. Não importa o nome e denominação que a multa receba ou a lei lhe impõe, pois será inconstitucional do mesmo jeito. Também, a cobrança dessa multa significa nítido efeito de confisco, vedado pela Constituição Federal de 1988. Assim, a multa isolada deve ser excluída do valor total imputado ao Impugnante, caso seja mantido o Auto de Infração. Requer ainda provar o alegado por todos os meios e provas em direito admitidos, mormente pela oitiva de testemunhas, juntada de documentos e realização de perícia técnica contábil, observando a tese alegada nessa defesa, entre outras que se fizerem necessárias. Juntar a estes autos e processo administrativo que se forma os Termos e Mandado de Procedimento Fiscal n° 0810900/00690/12 e outros Termos, Mandados, Esclarecimentos feitos pelo ora Impugnante etc. Outrossim, sob pena de nulidade, requer sejam todas as intimações, publicações, notificações, entre outros, feitas em nome do advogado André Luis Martins, inscrito na OAB/SP sob o nº 178.356 e OAB/GO sob o nº 30.743A. A 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP) lavrou o Acórdão nº 1644.217 e manteve procedente o lançamento, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Confirmada a omissão de rendimentos no anocalendário 2007 e uma vez que o contribuinte apurou saldo de imposto a pagar na declaração do IRPF/2008 (anocalendário 2007) apresentada, caracterizouse o lançamento por homologação, devendo ser aplicadas as regras atinentes a esta modalidade de lançamento, observandose que, no caso de apuração de omissão de rendimentos, o fato gerador do imposto de renda é complexivo, de período anual. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 15956.720171/201289 Acórdão n.º 2401005.021 S2C4T1 Fl. 6 9 Restando comprovada nos autos a percepção de rendimentos não devidamente declarados pelo interessado, a autoridade administrativa tem o poderdever de efetuar o lançamento de ofício do imposto de renda sobre os rendimentos omitidos. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA PELA FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNÊLEÃO. SIMULTANEIDADE. É cabível a simultaneidade da aplicação de multa de ofício e de multa isolada, na medida em que, além de terem sido lançadas em estrita observância da legislação que rege a matéria, referemse a diferentes infrações apuradas e possuem bases de cálculos distintas. MULTA ISOLADA. ALEGAÇÃO DE CONFISCO. A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fls. 194/222), no qual o Sujeito Passivo, não concordando com nenhum dos termos do Auto de Infração em epígrafe, bem como da r. decisão ora recorrida, nas suas razões de inconformismo, reivindica os efeitos concessivos da lei referente a suspensão da exigibilidade do referido crédito tributário, e, em síntese, alega que a autuação e o Lançamento são improcedentes, bem como a decisão de 1ª Instância administrativa pela DRJ não agiu nos termos da lei e Justiça devendo ser reformada para dar provimento ao recurso, julgar procedente a Defesa e improcedente a autuação, arquivando definitivamente o processo. Ademais, repisa os mesmos argumentos lançados em sua peça impugnatória e colaciona as mesmas jurisprudências anteriormente lançadas. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF 10 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 13/03/2013, conforme AR às fls. 192, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 12/04/2013 (fls.194/222) Do mérito Da Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Física. O Recorrente discorda do entendimento adotado pela decisão de primeira instância que concluiu que a transferência de propriedade do apartamento e das vagas de garagem em tela ao interessado ocorreu por ocasião do registro da escritura pública, em 13/02/2007. Inconformado, repisa os argumentos de que o recebimento e a percepção, seja econômica ou jurídica, do bem ao sujeito passivo ocorreram no ato da celebração do acordo judicial, ou seja, em 08/11/2006, homologado pelo juiz também em 2006. Deste modo, entende que o fato gerador da omissão de rendimentos teria ocorrido no anocalendário de 2006, aduzindo que, se houve algum equívoco, isso envolve o anocalendário 2006, o que não pode mais ser reavivado por estar fulminado pela decadência. Para corroborar sua tese, argumenta que a posse lhe foi transferida imediatamente no dia 08/11/2006, até mesmo ficando consignado que qualquer taxa já era de sua responsabilidade, e que o verbo está no presente e não no futuro. Assevera que prova que a fiscalização quer mesmo é tentar, de todas as formas, autuar e penalizar o Recorrente, é o fato de que ela indica a data de 28/02/2007 como fato gerador, sendo que, em 16/02/2007, foi lavrada Escritura Pública de Venda e Compra desse apartamento em que constam como vendedores o Recorrente e sua esposa e como compradores o Sr. GuimermeDefilippi Júnior e sua esposa Sra. Theresa Maria Gonçalves Dias Defilippi. Centrase a controvérsia na averiguação da data de ocorrência do fato gerador da omissão de rendimentos. Constatase que, nos autos do processo judicial nº 2.071/971, que tramitou perante a 10ª Vara Cível de Ribeirão Preto, foi celebrada entre as partes transação visando pôr fim à execução, conforme petição (fls. 12/19) datada de 08/11/2006. Referido documento, no que se refere aos honorários decorrentes da sucumbência, as partes acertaram o pagamento, pelo executado ao Recorrente, a importância de R$ 150.000,00, através do apartamento nº 71 do Edifício Fontana Di Trevi, situado à Rua Rui Barbosa, 261, em Ribeirão Preto, e de duas vagas de garagem no mesmo condomínio, de números 14 e 15 (fls. 14/15). Fl. 268DF CARF MF Processo nº 15956.720171/201289 Acórdão n.º 2401005.021 S2C4T1 Fl. 7 11 O acordo foi homologado por sentença do juízo em 04/12/2006, conforme documento por cópia às fls. 146/148. Segundo certidões de matrículas daqueles bens, por cópias às fls. 22/26, 27/30 e 31/34, foram eles transmitidos, por escritura pública de 1º/02/2007, a título de dação em pagamento ao contribuinte Jose Sebastião Martins, com registro em 13/02/2007 conforme Averbação 9/87.792 (fl. 24). Como consta do Termo de Conclusão de Ação Fiscal, às fls. 81/84, a Fiscalização verificou que o fiscalizado anotou o recebimento do imóvel em sua Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2006, na Declaração de Bens, redigindo incorretamente o seguinte histórico: “Um apartamento à Rua Rui Barbosa, n° 261, apto 71, Edif. Fontana Di Trevi, em Ribeirão Preto SP, adquirido através de contrato de Kattyana Franca Bonini Camilo, CPF 156.251.64851, valor de R$.150.000,00”, a qual entende que deveria ter sido anotada, de forma compreensível e correta, da seguinte forma: “apartamento e 2(duas) vagas de garagem à Rua Rui Barbosa, n° 261, apto 71, Edif. Fontana diTrevi, em Ribeirão Preto SP transmitidos por Katyana França Bonini Camilo, CPF 156.251.64851, a título de dação em pagamento por serviços advocatícios prestados, nos autos do processo 2071/97/1 da 10ª Vara Cível de Ribeirão Preto", valor de R$ 150.000,00”. Conclui a fiscalização, que os recebimentos foram auferidos em caráter definitivo em 13/02/2007, na forma de bens imóveis devidamente registrados no 1º Cartório de Registro de Imóveis de Ribeirão Preto (Matrículas 87.792, 87.819 e 87.820), transmitidos a título de dação em pagamento por serviços advocatícios prestados, equivalente a R$ 150.000,00. Observa que não foram encontradas referências destes recebimentos de honorários no anocalendário de 2006 ou em qualquer outro ano até aquela data, caracterizando, a falta de declaração dos rendimentos de honorários recebidos "Omissão de Rendimentos", no ano calendário do efetivo recebimento, ou seja, em 2007. No presente caso, entendo que a decisão de piso deve ser modificadapelas razões a seguir expostas. Após a análise dos autos, verificase que o anocalendário de 2006 não poderá ser objeto de análise, uma vez que já está sob o mando da decadência, tendo em vista que o Imposto sobre a Renda é pago mensalmente e, com isso, o seu regime é de caixa. Se o fato gerador é mensal e o pagamento deve ser feito até o último dia útil da primeira quinzena do mês subsequente ao da percepção do rendimento, no caso em tela, como o Recorrente percebeu o rendimento, através do recebimento de imóvel em dação de pagamento, no dia 08.11.2006 (quartafeira), teve ele até o dia 15.12.2006 (sextafeira) para pagar o Imposto de Renda respectivo. Como consequência dessa previsão legal, nasceu para o Fisco, no dia 18.12.2006 (segundafeira) o direito de proceder qualquer fiscalização ou lançamento de ofício sobre esse fato gerador e, não o fazendo, o prazo venceu em 18.12.2011. Dessa forma, entendo que a decisão recorrida merece reparo, razão pela qual dou provimento ao recurso nesse ponto. Das multas de ofício e isolada Sustenta o recorrente a inaplicabilidade da concomitância da multa isolada e a multa de ofício ao argumento de restar caracterizado verdadeiro bis in iden. Mais uma vez razão assiste ao Recorrente. Fl. 269DF CARF MF 12 Com efeito, a Colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou em diversas ocasiões a propósito da matéria, decidindo pela inaplicabilidade da concomitância das multas de ofício e isolada, conforme se extrai dos Acórdãos nº 9202003.163; 9202 003.552; 920200.883, entre outros, e da mesma forma nas Turmas Ordinárias, conforme se extrai do excerto do voto do Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, acolhido de forma unânime, exarado nos autos do Processo nº 10.830.0006853/200630, ao qual me filio e peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: “[...] Concomitância na aplicação da multa isolada com a multa de ofício Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinadas condutas, tornase importante investigar se a penalidade prevista para punir uma delas pode absorver a outra. No caso em exame, o não recolhimento mensal devido a título de carnêleão pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto ao final do anocalendário. A primeira conduta, é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é, sem dúvida, a efetividade da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do imposto devido a título de carnêleão. Em se tratando de aplicação de penalidades, aplicase, aqui, a lógica do princípio penal da consunção. Pelo critério da consunção, ao se violar uma pluralidade de normas, passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, como sucede no caso em análise, prevalece a norma relativa à penalidade mais grave. Nessa linha de raciocínio, descabe a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento mensal do imposto de renda devido a título de carnêleão concomitantemente com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior. Cobrase apenas esta última, no percentual de 75% sobre o imposto devido. Acrescento que a cobrança da multa isolada referente aos rendimentos sujeitos ao carnêleão, concomitantemente com a multa de ofício de 75%, penaliza o contribuinte duplamente, em face da identidade das bases de cálculo de ambas. A jurisprudência desse Conselho é pacifica em relação a não imputação de dupla penalidade pecuniária ao contribuinte em decorrência da omissão de rendimentos. Nesse sentido, oportuna é a transcrição de excerto do voto condutor vencedor do Acórdão nº 9202002.073, proferido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, na sessão de 22 de março de 2012, por intermédio do qual se negou provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 15956.720171/201289 Acórdão n.º 2401005.021 S2C4T1 Fl. 8 13 ‘O entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de ofício juntamente com o tributo (multa de ofício normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do carnêleão, deve ser lançada a multa isolada, e somente ela’. Na mesma linha: Acórdão nº 9202001.976 do CSRF. Em resumo: a denominada ‘multa isolada’ do artigo 44, II, ‘a’ da Lei nº 9.430/1996 apenas deve ser aplicadas aos casos em que não possa ser a multa exigida em conjunto com o tributo devido (Lei nº 9.430/1996, I), não havendo que se cogitar do cabimento concomitante das multas de ofício e isolada”. Assim, em face dos substanciosos fundamentos acima transcritos, impõese afastar a multa isolada por aplicação concomitante com a multa de ofício. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO para dar provimento ao recurso também nesse particular. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de direito acima expostas. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.902151/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 02 15 1/ 20 08 -2 1 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 11065.902151/200821 Resolução nº 1201000.298 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11065.902151/200821 Resolução nº 1201000.298 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.723180/2014-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO.
Inicia-se a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco.
ÁGIO INTERNO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES EXCLUSIVAMENTE INTRAGRUPO. CONDIÇÕES DE MERCADO (ARM'S LENGTH). CONTEÚDO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. APROVEITAMENTO FISCAL INDEVIDO.
Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos legais, econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos.
Até a edição da Lei nº 12.973/2014 (MP nº 627/2013) não havia proibição expressa e objetiva da amortização fiscal do ágio gerado em operações entre partes relacionadas.
Para o aproveitamento legítimo do ágio interno deve ser demonstrado e comprovado que as operações que lhe deram origem, ainda que procedidas entre partes relacionadas, ocorreram dentro de plenas condições de mercado, como se efetuadas com terceiro alheio à cadeia societária (arm's length), assim como o efetivo e palpável sacrifício econômico na aquisição procedida.
O ágio percebido em mera reorganização societária, procedida exclusivamente entre partes do mesmo grupo empresarial, sem alteração de controle ou a influência de elementos externos, exclusivamente decorrente de variações de valores escriturais, não pode ser aproveitado na apuração do Lucro Real.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA.
Se a decisão administrativa que promove a revisão do lançamento de ofício respeita a delimitação da motivação, dos critério e dos fundamentos empregados pela Autoridade Fiscal, não se valendo de novos argumentos para sustentar a manutenção da exigência fiscal, não pode se cogitar a ocorrência de modificação dos critérios jurídicos, vedada no art. 146 do CTN.
MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS.
O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA.
As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Numero da decisão: 1402-002.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Negar provimento ao recurso voluntário: i) por maioria de votos, quanto às preliminares suscitadas, Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por acolher a preliminar de reunião dos autos com o processo de CSLL para julgamento em conjunto, ii) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência; e iii) por voto de qualidade quanto à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar essa penalidade. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO. Inicia-se a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ÁGIO INTERNO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES EXCLUSIVAMENTE INTRAGRUPO. CONDIÇÕES DE MERCADO (ARM'S LENGTH). CONTEÚDO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. APROVEITAMENTO FISCAL INDEVIDO. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos legais, econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. Até a edição da Lei nº 12.973/2014 (MP nº 627/2013) não havia proibição expressa e objetiva da amortização fiscal do ágio gerado em operações entre partes relacionadas. Para o aproveitamento legítimo do ágio interno deve ser demonstrado e comprovado que as operações que lhe deram origem, ainda que procedidas entre partes relacionadas, ocorreram dentro de plenas condições de mercado, como se efetuadas com terceiro alheio à cadeia societária (arm's length), assim como o efetivo e palpável sacrifício econômico na aquisição procedida. O ágio percebido em mera reorganização societária, procedida exclusivamente entre partes do mesmo grupo empresarial, sem alteração de controle ou a influência de elementos externos, exclusivamente decorrente de variações de valores escriturais, não pode ser aproveitado na apuração do Lucro Real. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013 MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. Se a decisão administrativa que promove a revisão do lançamento de ofício respeita a delimitação da motivação, dos critério e dos fundamentos empregados pela Autoridade Fiscal, não se valendo de novos argumentos para sustentar a manutenção da exigência fiscal, não pode se cogitar a ocorrência de modificação dos critérios jurídicos, vedada no art. 146 do CTN. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, b, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o ano-calendário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Negar provimento ao recurso voluntário: i) por maioria de votos, quanto às preliminares suscitadas, Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por acolher a preliminar de reunião dos autos com o processo de CSLL para julgamento em conjunto, ii) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência; e iii) por voto de qualidade quanto à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar essa penalidade. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias.
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ÁGIO. CONTAGEM DO PRAZO. AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO. Iniciase a contagem do prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários referentes a glosa do aproveitamento de ágio a partir da sua efetiva amortização pelo contribuinte, antes disso não há como se cogitar a inércia do Fisco. ÁGIO INTERNO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. OPERAÇÕES EXCLUSIVAMENTE INTRAGRUPO. CONDIÇÕES DE MERCADO (ARM'S LENGTH). CONTEÚDO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. APROVEITAMENTO FISCAL INDEVIDO. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos legais, econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. Até a edição da Lei nº 12.973/2014 (MP nº 627/2013) não havia proibição expressa e objetiva da amortização fiscal do ágio gerado em operações entre partes relacionadas. Para o aproveitamento legítimo do ágio interno deve ser demonstrado e comprovado que as operações que lhe deram origem, ainda que procedidas entre partes relacionadas, ocorreram dentro de plenas condições de mercado, como se efetuadas com terceiro alheio à cadeia societária (arm's length), assim como o efetivo e palpável sacrifício econômico na aquisição procedida. O ágio percebido em mera reorganização societária, procedida exclusivamente entre partes do mesmo grupo empresarial, sem alteração de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 31 80 /2 01 4- 81 Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.667 2 controle ou a influência de elementos externos, exclusivamente decorrente de variações de valores escriturais, não pode ser aproveitado na apuração do Lucro Real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 MODIFICAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS DO LANÇAMENTO. DECISÃO ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. Se a decisão administrativa que promove a revisão do lançamento de ofício respeita a delimitação da motivação, dos critério e dos fundamentos empregados pela Autoridade Fiscal, não se valendo de novos argumentos para sustentar a manutenção da exigência fiscal, não pode se cogitar a ocorrência de modificação dos critérios jurídicos, vedada no art. 146 do CTN. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LÍCITA. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Negar provimento ao recurso voluntário: i) por maioria de votos, quanto às preliminares suscitadas, Vencido o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa que votou por acolher a preliminar de reunião dos autos com o processo de CSLL para julgamento em conjunto, ii) por unanimidade de votos, quanto ao mérito da exigência; e iii) por voto de qualidade quanto à exigência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar essa penalidade. Designado o Conselheiro Paulo Mateus Ciccone para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.668 3 Caio Cesar Nader Quintella Relator. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro, Evandro Correa Dias. Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.669 4 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário (fls. 1544 a 1614), interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Curitiba/PR (fls. 1434 a 14688) que manteve parcialmente a Autuação sofrida pelo Contribuinte (fls. 435 a 456), reduzindo o valor das multas isoladas aplicadas, provendo apenas em parte a Impugnação apresentada (fls. 520 a 744). O processo versa sobre exação apenas de IRPJ, (créditos de CSLL são objeto de outro processo administrativo), acompanhada de multa de ofício (75%) e multas isoladas referentes ao adiantamento de estimativas do tributo do período, lançada em face da empresa GE POWER & WATER EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS DE ENERGIA E TRATAMENTO DE AGUA LTDA, diante da glosa de dedução de ágio percebido em reorganização societária do Grupo empresarial a que pertence. A acusação fiscal que sustenta a Autuação se resume à constatação de indedutibilidade do ágio amortizado pela Companhia entre dezembro de 2010 e dezembro de 2013 (originado em operações do Grupo empresarial, ocorrida em julho de 2008), por ter sido este gerado internamente, em ambiente de controle societário direto e comum, não preenchendo os requisitos da legislação tributária para o seu aproveitamento, além de desatender às regras contábeis. No vasto e completo TFV (fls. 465 a 499), a Fiscalização inicialmente esclarece os fatos e os termos da lavratura da Autuação, passando a fazer uma análise abstrata da legislação contábil, societária e tributária sobre o registro e a amortização do ágio, abordando posteriormente a jurisprudência administrativa e judicial recente sobre o tema. Após tais considerações, passa a descrever e analisar as operações que deram origem ao ágio, abordando na sequência os laudos de avaliação econômica, que teriam fundamentando esse goodwill, a ausência de pagamento e de tributação sobre ganho de capital correspondente e o efetivo registro e aproveitamento do valor pela Recorrente, fazendo ao final a conclusão dos efeitos tributários concretos na demanda, condenando, por diversos motivos e fundamentos, o aproveitamento desse dispêndio. As operações societárias do Grupo GE que deram origem ao ágio são resumidas da seguinte forma: Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.670 5 83. Tendo já abordado todo o aspecto legal e a jurisprudência que envolve o goodwill, passemos agora à análise do aproveitamento fiscal do ágio no contribuinte sob fiscalização. 84. A GE Water surgiu de sucessivas operações de reorganização societária do grupo GE, a partir de três empresas nacionais, originalmente pertencentes à norteamericana GE Water LLC em janeiro de 2008: GE Betz do Brasil LTDA, Ecolochem LTDA e Zenon Tratamento de Águas LTDA. Essas operações poderão ser melhor visualizadas nos gráficos elaborados pelo contribuinte e apresentados abaixo. 85. Em julho de 2008 houve a passagem de controle acionário das três empresas para a GE do Brasil Participacoes LTDA., CNPJ 01.821.234/000162, doravante GE Participações, quando então surgiu a figura do ágio por expectativa de rentabilidade futura – goodwill. Tal ágio se deu pela transferência das três empresas da matriz GE Lux (após extinção da GE Water LLC) por valor acima de seu valor patrimonial, a partir de laudos de avaliação econômico financeira produzidos pela Ernst & Young Assessoria Empresarial LTDA, internamente ao grupo econômico. 86. No ano seguinte, as três empresas originais foram incorporadas à GE Betz, sob o controle quase que exclusivo da GE Participacoes (99,99% das ações), resultando em uma única controlada, ainda sob a denominação de GE Betz do Brasil LTDA. 87. Finalmente, em 2010, após a mudança do nome GE Betz para GE Water & Process Technologies do Brasil LTDA em junho, houve a cisão parcial da GE Participacoes em favor da GE Water em dezembro, com versão do acervo líquido no montante desse investimento e a provisão do ágio. 88. Nesse momento, estando ambas GE Participacoes e GE Water sob o controle de matriz estrangeira GE Brazil Holding – foi dado início à amortização fiscal do ágio gerado internamente em 2008, à razão de 1/120 (portanto, em 10 anos). 89. A partir das avaliações elaboradas pela consultoria Ernst & Young, houve em julho de 2008 a passagem das três empresas do grupo GE Betz do Brasil LTDA, Ecolochem LTDA e Zenon Tratamento de Águas LTDA para o controle direto da GE Participacoes, conforme gráficos abaixo, fornecidos pelo contribuinte no atendimento à primeira intimação (a linha pontilhada horizontal delimita a fronteira nacional, ficando abaixo as empresas que operam em território e sob as leis brasileiros): 90. Situação inicial do grupo GE, em Janeiro de 2008: Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.671 6 91. Situação do grupo em Junho de 2008: 92. Situação em Julho de 2008, após a mudança de controle para a GE do Brasil: Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.672 7 2.2.2. Incorporação das três empresas originais na GE Betz Ltda 93. Posteriormente, as três empresas foram concentradas por incorporação na GE Betz: 94. Resultando na GE Betz LTDA como controlada única da GE participacoes, em julho de 2009: Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.673 8 2.2.3. Cisão parcial da GE Participações em favor da GE Water 95. Após diversas reorganizações do grupo no exterior, a situação da GE Betz, então renomeada para GE Water & Process Technologies do Brasil LTDA em junho de 2010, era a seguinte: 96. E, finalmente, em dezembro de 2010 houve a operação de cisão parcial de parte da GE Participações, que deu início à amortização do goodwill pela GE Water: Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.674 9 2.3. O goodwill na GE Water 97. A seguir, serão analisadas as características do ágio amortizado pela GE Water. Considerando tanto doutrina e legislação aplicáveis, vemos que as operações que culminaram com a amortização do goodwill são características do ágio interno ao grupo econômico, sem os pressupostos da livre negociação entre partes independentes e também sem a tributação sobre o ganho de capital na venda valorizada. 98. Em primeiro lugar, serão analisados os laudos de avaliação econômica, que forneceram os valores da operação para o surgimento do ágio interno, e que explicitam o caráter intragrupo da operação. 99. Depois serão apresentados os registros da operação de constituição e amortização do goodwill. (fls. 481 a 485) Sobre os laudos de avaliação e a ausência de ganho de capital, a Autoridade Fiscal faz as seguintes análises: 2.3.1.1.1 Laudo de avaliação econômica GE Betz 106.O primeiro laudo, qualificado “Relatório de avaliação econômicofinanceira – GE Betz do Brasil LTDA”, apresenta em seu início o objetivo do trabalho executado, de cunho estritamente interno ao grupo econômico: Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.675 10 107.E, em seguida, apontamse os resultados obtidos por meio dessa avaliação: (fls. 486 com exceção de valores e idioma, os 3 Laudos utilizados pela Empresa, elaborados pelos mesmos Auditores, tem conteúdo praticamente idêntico) (...) 112.Assim, todos os laudos de avaliação elaborados pela consultoria Ernst & Young tinham a única finalidade de reestruturação interna do grupo econômico GE. E, de fato, o que se seguiu à essa avaliação foi a passagem das três empresas avaliadas de uma empresa do grupo GE GE Lux para outra empresa do mesmo grupo GE Participações. 2.3.1.2 Ausência de pagamento e de tributação sobre ganho de capital 113.Adicionalmente à ausência de negociação entre partes independentes, na operação que passou o controle das três empresas avaliadas da GE Water LLC para a GE Participações, não houve pagamento pelo ágio, apenas uma alegada emissão de quotas como contrapartida à GE Lux. Conseqüentemente, não houve também tributação sobre o ganho de capital da venda vantajosa. 114.É o que se lê na resposta à intimação de 20 de junho de 2014, com data de 28 de julho, o contribuinte assim se exprimiu à acerca do item 1.4 da intimação, que demandava a “demonstração do efetivo pagamento pela aquisição das participações societárias” na transação que deu origem ao ágio por expectativa de rentabilidade futura: 115.Na mesma resposta, em relação à “demonstração do efetivo recolhimento dos tributos sobre o ganho de capital decorrente da venda sobrevalorizada”, o contribuinte afirmou: Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.676 11 116.O fato é importante se considerado em conjunto com a operação intragrupo, pois dele concluise que as sucessivas reorganizações societárias, que se alega tenham criado riqueza, nunca foram tributadas, no caso do ganho de capital na origem da operação, e além disso foram posteriormente utilizadas para redução do tributo na amortização desse ágio sem existência real. 117.Assim, reforçase uma vez mais o fato de que não houve o surgimento de nenhuma riqueza a partir dessas operações meramente internas ao grupo econômico, tanto pela falta de reconhecimento contábil do ativo intangível, quanto pela ausência de recolhimento de tributos sobre a riqueza supostamente gerada. (fls. 487 a 488) Cientificado da Autuação, o Contribuinte ofereceu Impugnação, robustamente instruída (fls 520 a 774), trazendo as seguintes alegações: 5. Destaca que a impugnação se refere ao auto de infração que exige IRPJ, dado que foi também lavrado auto de infração relativo à mesma matéria, exigindo Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e objeto de outro processo de nº 10882.7211447/201586. 6. Requer que ambos processos sejam julgados concomitantemente. 7. Sendo o cerne da autuação o entendimento fiscal de que a despesa de amortização de ágio não poderia ser amortizada, por ter sido gerada internamente por não possuir substância econômica e indispensável independência entre as partes, necessários para registro, mensuração e evidenciação do ágio pela contabilidade, e por conseguinte, carecendo de fundamentação legal e que violou as normas contábeis vigentes, argumenta que, ao contrário do quanto pretendeu fazer crer a Autoridade Lançadora, o sistema contábil permite o reconhecimento do ágio nos moldes efetuados, bem como o ordenamento jurídico permite a amortização fiscal do ágio, nos exatos termos dos artigos 385 e 386 do RIR de 1999 e, portanto, a autuação é improcedente. 8. Descreve as transações que geraram o direito à amortização fiscal do ágio: que é pessoa jurídica sociedade limitada, tendo por objeto social, dentre outras atividades, o tratamento de água e efluentes e sistemas de processamento (doc. 01); nos anos calendário de 2008 a 2011, o grupo econômico do qual faz parte Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.677 12 efetuou reorganização societária, tanto no Brasil quanto no exterior, e os passos realizados pela Impugnante e por seu grupo econômico para tanto foram explicados ao longo da fiscalização e, portanto, fazem parte do presente processo administrativo. O próprio Agente Fiscal reconhece no item 130, página 27 do TVF que os motivos das reorganizações societárias do grupo não foram questionados, ou seja, a validade da reorganização é tema incontroverso nesses autos. 9. A GE Holdings Luxembourg & CO S.à.r.l. ("GE Lux") contribuiu a valor de custo (ou seja, utilizouse dos mesmos valores contábeis das participações registradas nos livros da GE Lux) em aumento de capital para a GE Participações, empresa pertence ao Grupo GE há muitos anos, as participações societárias detidas na GE Betz LTDA ("GE Betz"). Ecolochem LTDA ("Ecolochem") e Zenon Water LTDA ("Zenon Water") em julho de 2008. Depois de diversas reorganizações societárias e exercício pleno de suas atividades econômicas, todas atreladas ao tratamento de água e efluentes e sistemas de processamento, as três empresas (i.e., GE Betz, Ecolochem e Zenon Water) foram incorporadas, formando uma única entidade (i.e., GE Water) e, finalmente, em dezembro de 2010, a GE Participações foi cindida, sendo a que a parcela cindida foi incorporada pela GE Water. No aumento de capital efetuado em julho de 2008, houve necessário e obrigatório registro das contas de investimento e ágio, esse último fundamentado com base em expectativa de rentabilidade futura, conforme disposto pelas normas contábeis e fiscais. 10. Em preliminar pleiteia que este processo e o nº 10882.721.447/201586, relativo à CSLL do mesmo período devem ser julgados em conjunto. 11. Ainda em preliminar, advoga a decadência do direito de o Fisco questionar a reestruturação societária efetuada e autuar os eventos relacionados à formação do ágio amortizado pela Impugnante. 12. Reclama que o contribuinte, já obrigado a estudar a legislação tributária e a produzir documentos contábeis e fiscais, não pode ficar à mercê da Fiscalização por um período indeterminado, o que causaria o insegurança jurídica; nesse contexto, o termo inicial do prazo decadencial deve ser contado a partir da ocorrência do fato que obrigou o contribuinte a interpretar a legislação tributária e a adotar os procedimentos necessários ao fornecimento de documentos contábeis e fiscais, de tal modo que o Fisco tenha o prazo de 5 anos (nos termos do art. 150, § 4o do CTN), contado a partir daquela ocorrência, para que possa eventualmente constituir o crédito tributário, evitandose, assim que o contribuinte fique eternamente sujeito â revisão do lançamento; afirma que é inconteste que o ágio decorrente das operações societárias realizadas, surgiu da passagem do controle acionário das três sociedades do grupo GE Betz, Ecolochem EE Zenon para a GE Participações em julho de 2008. Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.678 13 13. Dessa maneira, sendo o IRPJ e a CSLL tributos sujeitos ao lançamento por homologação e, portanto, ao prazo decadencial de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, o termo final para a sua revisão se deu, respectivamente, em 2013 e o Auto de Infração foi lavrado em agosto de 2015; e que não se alegue que a autuação estaria se referindo à glosa das despesas com ágio aproveitadas pela Impugnante nos períodos de 2010 a 2013; a Impugnante está convicta de que a tentativa de glosa das despesas de ágio no lançamento em discussão não passa de uma tentativa de rever os fatos ocorridos e as informações prestadas há mais de cinco anos, as quais já foram homologadas pela incidência da regra contida do artigo 150, §4° do CTN. 14. Se fosse possível rever atos praticados há mais de 7 anos, o que impediria a Administração de se julgar na prerrogativa de rever atos praticados há 15, 20, 30 ou 100 anos? A homologação tácita do ágio registrado nas aquisições aqui discutidas alcança, por certo, os procedimentos relacionados à formação do ágio, o que inclui necessariamente os fatos ocorridos e as informações prestadas pelo contribuinte; Cita textos de autores e manifestação do CARF de glosa de despesa, na apuração de período atingido pela decadência 15. Acerca do suposto descumprimento dos requisitos legais para a amortização fiscal do ágio no caso presente historia os motivos pelos quais surgiu a legislação autorizativa da dedução do ágio na incorporação e que por isso, a norma a ser observada, tanto pelo Fisco quanto pelos contribuintes, é aquela constante dos artigos 7º e 8o da Lei n° 9.532, de 1997, a qual se limitou a estabelecer um tratamento fiscal especifico a ser aplicado às aquisições de participações societárias com ágio tratamento este que foi inteiramente observado pela Impugnante. 16. Acusa que a postura adotada pelo Fisco em relação à matéria é incongruente com os atos praticados pelo Governo Federal, que, quando teve oportunidade de extinguir a dedução fiscal da amortização do ágio por meio da Lei n° 12.973, de 2014, não o fez; e à época dos fatos, os atos condenados pela Autoridade Lançadora não eram apenas válidos, como representavam condutas induzidas e positivamente autorizadas pelo ordenamento. Portanto, a posição da Autoridade Fiscal caminha em sentido contrário à intenção do legislador ordinário, instituidor do mecanismo de amortização fiscal do ágio; atendidos os requisitos da legislação, os contribuintes devem ser livres para organizar suas atividades e gozar o direito assegurado em lei. 17. No mérito, afirma que há dois erros cometidos pelo Sr. Agente Fiscal (erro na aplicação das normas contábeis e erro na aplicação da legislação fiscal) 18. Que o principal argumento da Autoridade Fiscal para a glosa de amortização do ágio é a premissa de que para haver a amortização fiscal do ágio é necessário que este seja reconhecido primeiramente na contabilidade; que, em sendo Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.679 14 incorreto o reconhecimento contábil do ágio, não seria possível usufruir da amortização fiscal do ágio. Nessa linha de raciocínio, portanto, se o registro contábil do ágio é feito corretamente, não haveria motivos para sua desconsideração. Para o Agente Fiscal a legislação fiscal é secundária, uma segunda condição a ser preenchida. 19. O primeiro erro é supor que os registros contábeis da Impugnante estão incorretos. O segundo erro é concluir que a legislação fiscal é secundária. 20. Afirma que demonstrará que os registros contábeis atrelados ao ágio em discussão foram efetuados corretamente e que a legislação fiscal não é secundária, já que os sistemas contábeis e fiscais coexistem de forma concomitante e independente. Por esse motivo, mesmo na hipótese em que o ágio não pudesse ter sido reconhecido à luz das normas contábeis, ainda assim Impugnante não poderia ter agido de forma diferente em razão dos preceitos cogentes da legislação fiscal, em especial, os artigos 384 e 385 do RIR de 1999. 21. Aponta erro contábil do Autuante; Da inaplicabilidade das normas contábeis utilizadas pelo mesmo – diz que a interpretação da Autoridade Fiscal é que as regras contábeis aplicáveis ao caso, não permitiriam o registro contábil do ágio nas operações que envolveram a Impugnante; mas que este incorreu em erro, pois utilizou normas contábeis que sequer existiam a época dos fatos: em julho de 2008, não havia qualquer restrição contábil ou fiscal às práticas adotadas pela Impugnante em relação à contabilização do ágio em questão. 22. Que a Autoridade Fiscal baseou todos os seus argumentos sobre a vedação ao registro do ágio nos pronunciamentos contábeis que foram positivados pelo Conselho Federal de Contabilidade ("CFC") e pelo CPC após a publicação da Lei n° 11.638, de 2007, em especial o CPC 15, de 2010 (Combinação de Negócios), publicado em 02/12/2010, e o CPC 04, de 2011 (Ativo Intangível), publicado em 04/08/2011. 23. E ainda a Interpretação Técnica ICPC 09, publicada em outubro de 2012 (posteriormente revogada), deixou claro que as disposições do CPC 15 sobre ágio interno só seriam aplicadas para as transações ocorridas a partir do anocalendário de 2009; o CPC 15, além de não ser aplicável aos registros contábeis aqui tratados, posto que editado posteriormente, determina a sua inaplicabilidade às transações envolvendo empresas sob controle em comum. Ou seja, mesmo que se pudesse aplicar normas editadas em período posterior aos registros contábeis aqui analisados, ainda assim o CPC 15 não poderia ajudar a tese desenvolvida pelo Fiscal. 24. Afirma que até a publicação da Lei n° 11.638, de 2007, e dos CPCs citados, as regras contábeis de mensuração e amortização para o ágio apurados nas aquisições dc investimentos eram baseadas na legislação tributária, especificamente o art. 20 do Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.680 15 DecretoLei nº 1.598, de 1977 e arts. 7a e 8o da Lei n° 8.541 /92; nesse sentido, a Resolução CFC n° 732, de 1992, vigente à época, determinava que o profissional contábil deveria priorizar as disposições contidas em leis, em detrimento de quaisquer outras orientações ou pronunciamentos contábeis. 25. Assim, resta comprovado que a base contábil citada pela Autoridade Fiscal no TVF, para sustentar que não seria possível o registro do ágio, não era aplicável à época da reestruturação mencionada acima, que gerou, posteriormente, o aproveitamento fiscal do ágio. 26. Ao pretender aplicar regras contábeis, especificamente o CPCs n°s 04 e 15, a autoridade lançadora incorreu cm flagrante erro de direito Temse, portanto, que, identificado erro de aplicação de direito, ferese a substância da exigência. Ferida a substância, surge a necessidade do cancelamento do auto de infração nos lermos do artigo 149 do CTN. 27. Outro erro contábil se refere à inaplicabilidade do conceito de ágio interno ao caso; o termo "ágio interno", além de ser ambíguo, sequer existia á época dos fatos e continua não existindo na legislação. O termo "ágio interno", em sua forma usualmente empregada, não reflete a natureza real do ágio registrado nos livros da GE Participações; o "ágio interno" surge quando há uma reavaliação de investimento societário em transações envolvendo partes relacionadas. Dito de outra forma, o ágio interno objeto de controvérsias surge quando se cria um acréscimo patrimonial decorrente de transações envolvendo empresas de um mesmo grupo econômico. 28. Destaca que, à época dos fatos não havia vedação contábil expressa para esse tipo de ágio interno (i.e., ágio interno com reavaliação espontânea) e o caso da Impugnante não se encaixa nesse cenário fático. 29. As participações detidas nas empresas brasileiras GE Betz Ltda., Ecolohem Ltda. e Zenon Tratamento de Aguas Ltda., então detidas pela GE Lux, localizada em Luxemburgo, foram entregues a título de pagamento do aumento de capital da GE Participações. A entrega das participações foi efetuada a valor de custo, ou seja, com base no mesmo valor dessas participações então registradas nos livros da GE Lux. 30. No momento da entrega das participações nas três empresas em pagamento do aumento do capital social da GE Participações a GE Lux não auferiu nenhum ganho ou criou qualquer riqueza. Dessa forma, não há que se falar em acréscimo patrimonial ou ganho não realizado na transação cm análise; e a menção pelo Sr. Agente Fiscal de que haveria uma suposta ausência dc tributação do ganho capital não se sustenta, sendo um raciocínio incorreto. 31. A expressão "ágio interno" popularizouse em razão de reorganizações internas efetuadas com reavaliação espontânea do valor de investimento em sociedades controladas ou Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.681 16 coligadas, que passaram a ocorrer com frequência na vigência do artigo 36 da Lei nº 10.637, de 2002, resultante da conversão do artigo 39 da Medida Provisória n° 66, de 2002; o caso em concreto não se aproxima do controverso "ágio interno". O Agente Fiscal não percebeu a diferença entre o ágio existente nos livros da GE Participações e o controverso "ágio interno". No curso da reorganização societária legítima empreendida, a GE I.ux contribuiu as participações societárias nas três empresas para a GE Participações pelo mesmo valor registrado em seus livros. Essas participações estavam registradas por valor superior ao valor patrimonial das participações das três empresas. Foi esse fato, e não uma reavaliação espontânea, que deu origem ao ágio registrado na contabilidade da GE Participações. Dessa forma, o ágio reconhecido nos livros da GE Participações não embute uma riqueza ou ganho não realizado. 32. Ao adquirir as participações societárias, em obediência às normas contábeis, reconheceu um ágio com base no critério de rentabilidade futura, devidamente comprovado por meio dos relatórios emitidos pela firma de renome internacional Ernst & Young, entregues no curso da fiscalização. 33. Outro erro erro contábil: O reconhecimentoo do ágio interno com reavaliação espontânea nas demonstrações financeiros individuais é permitido até mesmo pelas normas contábeis atuais; nos termos da Lei n° 6.404, de 1976 (Lei das S.A.), mesmo que uma sociedade faça parte de um grupo econômico, essa sociedade ainda assim deverá levantar balanços de forma individualizada, demonstrando os seus resultados à luz das efetivas operações por ela realizadas. Esses balanços individuais, são o ponto dc partida para o cálculo do lucro real e da base de cálculo da CSLL, conforme determina o artigo 248 do RIR'. 34. As demonstrações financeiras consolidadas têm apenas efeitos acessórios às demonstrações financeiras individuais da sociedade, sem implicar quaisquer efeitos contábeis e societários. 35. Diferentemente, do sistema adotado no Brasil, muitos países não visualizam as diversas pessoas jurídicas pertencentes a um grupo econômico individualmente, mas consideram o grupo econômico como uma entidade única, que deve apurar seus ganhos e perdas de forma consolidada; nesses países é compreensível não se aceitar o reconhecimento de ágios internos com reavaliação espontânea gerados em transações realizadas entre empresas integrantes de um mesmo grupo econômico, já que isso representaria a criação de um ágio a partir de operações realizadas por uma entidade consigo mesma; no entanto, para os fins de apresentação das demonstrações financeiras individuais, o ágio interno com reavaliação espontânea sempre foi aceito pelas regras contábeis; cita texto dos professores Eliseu Martins e Sérgio Iudícibus. Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.682 17 36. Conclui que as normas contábeis que vedam o registro do ágio interno com reavaliação espontânea estão direcionadas às demonstrações consolidadas e não às individuais, e devem ser aplicadas com o objetivo de se eliminar o lucro da transação e não o ágio propriamente dito. Nessas demonstrações financeiras individuais, o ágio pode ser registrado e mantido como um ativo; cita que a CVM manifestouse nesse sentido, no processo administrativo CVM n° RJ 2010/16665 37. Sobre os erros na aplicação da legislacão fiscal, diz que o primeiro é ausência de previsão legal tributária que vede operações com partes relacionadas, pois os arts. 385 e 386 do RIR, de 1999, tratam do registro de ágio fiscal na aquisição de participação societária e sobre a possibilidade de amortizálo. Têm como base o próprio art. 20 do Decreto n° 1.598, de 1977, e os arts. 7a e 8o da Lei n° 9.532, de 1997 e de acordo com os esses dispositivos, não há qualquer restrição à amortização de ágio reconhecido em operações envolvendo partes relacionada Muito pelo contrário, essas normas são claramente aplicáveis a todas as situações que importam na aquisição de participação societária e a circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo e aquele surgido em operações entre empresas sem vínculo, não é relevante para fins fiscais; a lei fiscal em nenhum momento veda o reconhecimento e a utilização do ágio gerado dentro do mesmo grupo econômico. Cita acórdãos do CARF. 38. Diz que tanto não havia vedação ao ágio entre pessoas ligadas que as próprias Autoridades Fazendárias publicaram a MP n° 627, em 11 de novembro de 2013, convertida na Lei n° 12.973/2014, art. 22, vedando o seu aproveitamento fiscal entre empresas dependentes, sendo que as operações em discussão são de 2008; tanto as novas disposições não podem retroagir que o art. 98 da MP dispôs expressamente sobre sua vigência apenas a partir de 1o de janeiro de 2015; foi a MP nº 627, de 2013 que trouxe, pela primeira vez, a restrição ao ágio interno, conforme se observa do.seu artigo 21; a lei inovou ao incluir o termo "partes não dependentes", o qual não constava antes em qualquer norma legal tributária. 106. Está demonstrado, então, que antes do advento da MP n° 627, não havia vedação legal para o reconhecimento de ágio em operações intragrupo. 39. Outro erro fiscal se refere às regras fiscais de desdobramento das contas de investimento e ágio são normas cogentes. 40. A Impugnante se inclui na regra geral da legislação brasileira, preparando apenas balanços individuais e não balanços consolidados com suas controladas ou com sua controladora e também por esse aspecto, não há que se falar em proibição do registro do ágio na operação de aquisição da GE Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.683 18 Belz, Ecolochem e Zenon Water; não houve uma reavaliacao de ativos já detidos pela última ou um ágio de si mesma. Ocorreu de fato uma aquisição de participação societária pertencente à GE Lux por parte da GE Participações. A GE Lux conferiu a participação que até então detinha na GE Betz, Ecolochem e Zenon Water em aumento de capital na GE Participações, que pagou pelas participações então transferidas com a emissão dc novas quotas; a emissão de novas quotas configurase indubitavelmente como forma de pagamento. 41. Houve aquisição de um novo ativo pela GE Participações, pelo valor de custo então registrado na GE Lux, aquisição essa que gerou o ágio questionado no presente processo administrativo, baseado na rentabilidade futura dos investimentos adquiridos. 42. Diante das normas fiscais em vigor à época dos fatos, já explicadas acima, não restava à GE Participações nenhuma outra alternativa para o registro do investimento adquirido. Nos termos do artigo 385 do RIR, a sociedade deveria dividir o valor pago em custo de aquisição e ágio. A norma fiscal não admite procedimento diferente daquele efetuada pela GE Participações. Não é uma norma optativa. Tratase dc uma norma cogente. E assim foi feito; o verbo "deverá" utilizado no caput do artigo 385 é de clareza hialina. O valor de aquisição da participação adquirida pela GE Participações nas três empresas tinha que ser, obrigatoriamente registrado em conta avaliada com base no método de patrimônio líquido e o excedente cm conta de ágio. Tivesse a Impugnante efetuado seus registros de forma diferente certamente teria sido questionada por essa mesma autoridade fiscal, cm razão da sua desobediência ao artigo 385. A situação como se verifica, é absurda. A autoridade fiscal demanda no presente processo administrativo que a Impugnante desobedeça a lei!!! 43. Dessa forma não há como se sustentar a alegação feita no Auto de Infração, sendo necessário dc forma incontestável — seu cancelamento. 44. O fiscal também errou: Existe independência do conceito de ágio para fins contábeis e fiscais; o termo ágio possui raízes na economia e nas ciências contábeis. Nesse contexto, o ágio sempre foi definido como a diferença a maior entre o preço de aquisição do investimento e o seu valor patrimonial; desde a edição da Lei n° 6.404, de 1976, o ordenamento jurídico nacional adotou a obrigatoriedade do método de equivalência patrimonial na avaliação dos investimentos em sociedades controladas ou coligadas, porém não se preocupou em definir como deveria ser contabilizado o valor excedente na hipótese de o custo de aquisição do investimento ser superior ao valor patrimonial contabilizado (ou seja, o ágio); com isso, o legislador tributário optou por definir um conceito legal próprio do ágio; assim, o aproveitamento do benefício fiscal do ágio na aquisição de participações societárias é assegurado ao contribuinte desde que cumpridos os requisitos e formalidades Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.684 19 previstos no Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977; a legislação tributária não faz qualquer remissão ou referência à Lei n° 6.404, de 1976, ou a qualquer outro normativo contábil, de modo que, se pode afirmar que desde o princípio, aquela não se utilizou de um conceito contábil de ágio; a divisão de fundamentos econômicos do ágio prevista neste artigo é criticada severamente pela doutrina contábil, uma vez que não haveria o que se falar em critério isolado de ágio baseado na rentabilidade futura, eis que, conceitualmente, tal numerário seria a própria "maisvalia". O ágio propriamente dito corresponderia exatamente à expectativa de rentabilidade futura; para a Contabilidade, a segregação tripla promovida pelo artigo 20 do Decreto n° 1.598. de 1977, não reflete a melhor prática contábil. Isso porque, um dos métodos de mensuração do valor dos ativos tangíveis e intangíveis é o próprio estudo da expectativa de rentabilidade futura. Ou seja, a lei se refere a maisvalia em dois grupos de ativos (alínea "a" e "c") e a um método para avaliação desses próprios ativos (alínea "b"); para que possa haver sentido na classificação disposta no artigo 20 do Decreto n° 1.598, de 1977, a analise não pode estar relacionada a teorias contábeis. Como a lei se refere a fundamento econômico do ágio, as significações devem ser buscadas na ciência econômica, mas especificamente na análise das razões que levam o capitalista a investir na aquisição da participação societária. 45. São duas perspectivas diferentes: uma relacionada a motivação econômica do investidor e outra visando a evidenciaçào de ativos conforme a metodología de registro contábil; o registro do ágio para fins fiscais passou a depender de requisitos previstos em lei, que nem sempre são aceitos no mundo contábil já que não representam propriamente sua substância econômica dc acordo com o mercado; portanto, não há que se falar em dependência entre a legislação tributária e a contábil, já que o legislador se preocupou em redefinir os conceitos contábeis preexistentes ao utilizálos para fins fiscais. Dessa forma, no presente caso, a conduta da Impugnante deve ser analisada tão somente segundo as regras fiscais sobre a matéria, não havendo o que se falar cm critérios contábeis para o registro do ágio; cita que o CARF reconheceu a plena independência entre escrituração contábil e fiscal. 46. Desta forma, a circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos decorrem da legislação fiscal que, como visto acima, não impõe nenhuma restrição ao registro e amortização fiscal do ágio gerado entre partes relacionadas; por isso, posteriormente à incorporação da GE Participações, a Impugnante passou a amortizar o ágio conforme autorizado pela legislação aplicável à época dos fatos (artigo 386, inciso III, do RIR) que não trazia qualquer vedação ao referido ágio, conforme já exposto. 47. Cita analogia com as regras fiscais para precificações de operações entre partes relacionadas; que a própria fiscal Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.685 20 determina que partes relacionadas devam negociar em bases comutativas mediante a adoção de valores de mercado ou at arm's lengt; também as regras de distribuição disfarçada de lucros ("DDL"), preços de transferência (Lei n° 9.430/96), empréstimos efetuados entre empresas de um mesmo grupo (Lei na 12.249/2010), dentre outras limitações pontuais impostas pela legislação tributária para operações realizadas entre partes relacionadas. 48. Tendo em vista que a transferência de participação societária no caso em análise se deu entre sociedades residentes em Luxemburgo (GE Lux) e no Brasil (GE Participações), cabe mencionar também o Tratado para Evitar a Bitributaçâo assinado entre os dois países; que o art. 9 do mencionado Tratado também determina que as operações entre sociedades residentes em cada um dos Estados Contratantes devem ser realizadas a valor de mercado. 49. Assim, diante da existência de três relatórios de avaliação econômicofínanceira para cada uma das sociedades que foram contribuídas para o capital da GE Participações pela GE Lux Zenon Water (em setembro de 2006), GE Betz (em setembro de 2007) e Ecolochcm (em setembro de 2007), não haveria alternativa que não o registro do custo de aquisição e do ágio de acordo com tais relatórios, pois esses relatórios demonstram a observância na transferência do princípio arm's lenght. 50. Alerta sobre a total falta de liberdade da GE Participações em adquirir as participações societárias por valor diferente daquele registrado nos livros da GE Lux em julho de 2008. Nos termos do artigo 464, incisos I e II do RIR/99, a GE Lux e a GE Participações não poderiam adotar procedimento diferente do efetivamente adotado. 51. Tratamento diverso do acima prescrito geraria conclusões por parte da Autoridade Fiscal que utilizariam dois pesos e duas medidas. Ora, se a legislação fiscal e o próprio Fisco exigem que transações entre partes relacionadas observem obrigatoriamente o princípio arm's lenght, também haverá que reconhecer como válido o registro de ágio para o adquirente de participação societária de parte relacionada, desde que respaldado em valores e operações legítimas, como se verifica no caso presente. Essa situação foi bem observada pelo acórdão n° 1301001.299 ("Caso EMS"): 52. Em outras palavras, embora tenha a Autoridade Lançadora questionado o registro e amortização do ágio no caso sob exame, essa mesma Autoridade não titubearia questionar a falta de observância do princípio arms lenght, se o mesmo não tivesse sido observado pela GE Lux e GE Participações. 53. Pelo exposto, também pelo prisma de que as operações entre partes relacionadas devem obedecer os padrões de mercado, não podem prosperar as alegações fiscais, sendo imperioso o cancelamento do Auto de Infração. Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.686 21 54. Acerca da comprovação do pagamento do ágio, disse a Autoridade Fiscal que não houve o efetivo pagamento do ágio pela GE Participações quando da aquisição das três empresas do grupo GE GE Betz do Brasil, Fcolochem c Zenon. 55. O entendimento da Autoridade Fiscal reflete uma interpretação equivocada em relação ao pagamento do ágio gerado na aquisição das três empresas, especificamente no tocante ao artigo 385 do RIR de 1999, o qual não impõe qualquer restrição à forma de aquisição do investimento ou quanto à maneira escolhida pelas partes para a quitação do pagamento pelo investimento adquirido. 56. Em suma, para haver o ágio é necessário que haja uma aquisição, a qual título for, isto é, por qualquer meio legal (qualquer ato ou negócio) que tenha por efeito a transmissão da propriedade de participação cm coligada ou controlada. Ou seja, para fins de amortização fiscal do ágio, a existência, ou não, do pagamento em moeda é irrelevante, pois mesmo nos casos de subscrição/integralização de capital, como no caso ora analisado, há um legítimo custo de aquisição, que corresponde ao valor das novas quotas emitidas em aumento de capital (o pagamento pelas participações adquiridas ocorre com a entrega das quotas emitidas em aumento de capital). 57. Diz que o recebimento de quotas de outra empresa em ato de integralização de capital nada mais é do que uma aquisição de participação societária com recebimento do pagamento em ações da empresa investidora. E foi essa a operação que ocorreu entre a GE Lux e a GE Participações. A GE Lux contribuiu as participações societárias que detinha na GE Betz, Ecolochem e Zenon Water em aumento de capital na GE Participações, recebendo em troca quotas dessa sociedade; em linha com essa posição, o custo de um bem não pode ser interpretado como sinônimo de pagamento em pecúnia, uma vez que não há na teoria ou normalização contábil ou mesmo na legislação em geral, dispositivo que assim determine. Dessa forma, o custo deve ser entendido como, além de eventuais desembolsos de caixa, as obrigações assumidas, desde que entendidas como obrigações prováveis de serem incorridas; e que nesse sentido, recentemente a CSRF se manifestou favoravelmente ao contribuinte ao decidir que a subscrição de ações equiparase à uma aquisição. 58. Diante o exposto, não há como se sustentar a alegação da Fiscalização no sentido de que não houve pagamento pelo ágio, uma vez que não ocorreu dispêndio monetário e sim uma emissão de quotas. A subscrição de novas ações é inequivocamente forma de pagamento de aquisição societária e do ágio, gerando custo de aquisição para a adquirente; resta então demonstrado que, na operação de aquisição da participação societária das três empresas do grupo GE GE Betz, Ecolochem e Zenon pela GE Participações, houve sim pagamento pelo ágio, realizado mediante a subscrição de novas quotas. Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.687 22 59. Reclama da impossibilidade da Cobrança da Multa Isolada em Razão da Falta de Recolhimento do IRPJ por estimativa e aponta erros da Fiscalização no cálculo da multa isoladagerando um valor a maior de multa isolada de aproximadamente RS 25 milhões, poque os valores relativos à multa isolada não foram calculados de acordo com o que dispõe o artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430, pois a Fiscalização não contemplou em seu cálculo, realizado de forma acumulada, as estimativas de IRPJ apuradas, devidas e recolhidas em meses anteriores dos mesmos anoscalendário. 60. Apresenta as planilhas em anexo (doc. 4), que detalham como deveria ter sido realizado o cálculo correto da multa isolada. 61. Aponta a inaplicabilidade da multa isolada em razão do encerramento do anobase quando da lavratura dos autos de infração, pois, de acordo com o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, é considerada uma infração sujeita à aplicação de multa isolada de 50% calculada sobre o valor do pagamento mensal a falta de recolhimento do tributo, ainda que tenha sido apurado prejuízo recai ou base de cálculo negativa no anocalendário correspondente; contudo, esta norma não se aplica ao caso dada a impossibilidade de se exigir multa isolada pela falta de recolhimento de estimativa após o encerramento do ano calendário; mas é aplicável quando verificada a falta de recolhimento das estimativas mensais antes do encerramento do anocalendário, pois fato jurídico tributário que enseja o nascimento da obrigação tributária de pagar o IRPJ é o ato da pessoa jurídica de auferir lucro (ou renda, nos termos exatos da disposição do art. 43 do CTN); o lucro é apurado levandose em conta não um único ato, mas uma série deles que, em certo período de tempo predeterminado (períodobase), constituem fatos jurídica c economicamente relevantes para a incidência da norma tributária; mas, na sistemática imposta pela Lei n° 9.430, de 1996, o IRPJ é calculado em sistema antecipado de recolhimento, ou seja, mensalmente, na medida em que os fatos econômicos integrantes do fato gerador ocorrem; quantificase a cada mês a base de cálculo dos tributos, recolhendo o IRPJ devido, que é o regime de recolhimento por estimativa; os recolhimentos com base na estimativa nada mais são do que uma antecipação do IRPJ devido no encerramento do períodobase, isto é, no fim do anocalendário (31 de dezembro de cada ano). 62. Deste modo, a multa isolada é cabível sempre que o Fisco verificar a falta de recolhimento do imposto ou recolhimento insuficiente das estimativas mensais durante o curso do ano calendário, ou seja, antes do término do anobase. 63. Portanto, como o Auto de Infração, objeto do presente processo, foi lavrado após o encerramento dos anosbase de 2010 a 2013, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ não mais poderão ser punidas pela exigência da multa isolada, conforme já decidiu reiteradas vezes pelo CARF. Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.688 23 64. E reclama de duplicidade de cobrança e da impossibilidade de cumulação da multa isolada com a multa de ofício, pois a suposta insuficiência de recolhimento do IRPJ ensejou a aplicação de duas penalidades, quais sejam, a multa isolada de 50%, combatida no tópico anterior, e a multa de ofício de 75%, resultando em uma penalidade no percentual total de 125%; tratase, no presente caso, de dupla incidência sobre a mesma materialidade, uma vez que os valores adicionados pela Fiscalização nas bases mensais, para cálculo da multa isolada pela suposta falta de recolhimento das estimativas de IRPJ, foram os mesmos incluídos no cálculo do ajuste anual para a cobrança da multa de ofício sobre os valores supostamente não recolhidos desses tributos; que não há qualquer lógica jurídica em exigir pelo suposto não recolhimento do tributo multa de ofício de 75% e multa isolada de 50%, sob pena de caracterizar bis in idem. 65. Acusa de ilegal a cobrança de juros sobre a multa, afirmando que a multa tem nítido caráter de sanção, penalidade, pelo inadimplemento de obrigação e na seara tributária, há espaço somente para a incidência de juros de natureza moratória; pois o Estado, no exercício de sua competência tributária, não empresta dinheiro ao contribuinte, não havendo, portanto, como cobrarlhe juros compensatórios; em se tratando de dívida, os juros existem para indenizar o credor pela inexecução da obrigação no prazo estipulado. Não é por outra razão que não existe limite temporal para a incidência de juros. Vale dizer, enquanto a obrigação não for cumprida, os juros serão computados; mas o mesmo não ocorre com a multa, porquanto sua natureza é diversa. Sua incidência não se presta para repor ou indenizar o capital alheio, mas para punir a inexecução da obrigação; assim, não há como pretender a incidência de juros sobre a muita de ofício, na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir somente sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal, e não foi; fora dessa hipótese, qualquer incidência de juros se mostra abusiva c arbitrária. 66. Por isso é que não há previsão legal para a incidência de juros sobre multa. O § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, determina que sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3] do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento; a expressão "sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora", diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento; basta, para isso, notar que o art.61, caput, da Lei n° 9.430, de 1996 está assim redigido; essa constatação fica ainda mais evidente se atentar para o fato de que, quando o legislador ordinário pretendeu autorizar a incidência de juros sobre a multa decorrente de lançamento de ofício, fêlo expressamente, art. 43 da Lei 9.430, de 1996, cujo parágrafo único determina a incidência de juros moratórios Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.689 24 sobre as multas e os juros exigidos isoladamente; destaca que esse entendimento já foi anteriormente emanado pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 67. Por cautela, em que pese a juntada da documentação anexa, protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos adicionais que possam comprovar tudo o quanto foi alegado na presente Impugnação e também pela sustentação oral de suas razões de defesa em sede recursal. (trecho extraído do Relatório do v. Acórdão recorrido). Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CTA, que julgou parcialmente procedente o lançamento, excluindo apenas os excessos percebidos no cálculo das multas isoladas. Confirase a ementa daquele r. Julgado a quo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO EFETIVAMENTE PAGO NA AQUISIÇÃO SOCIETÁRIA. PREMISSAS. As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7º, III, e 8º da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura; nesse contexto, não há espaço para a dedutibilidade do chamado “ágio de si mesmo”, cuja amortização é vedada para fins fiscais. AGIO. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA SEM MUDANÇA DE CONTROLE ACIONÁRIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. INEXISTÊNCIA. O ágio na aquisição de participação da sociedade realizada por empresa do mesmo grupo empresarial e posteriormente incorporada pela autuada, sem alteração da composição do controle acionário da mesma e sem fundamento econômico. LUCRO REAL. NORMAS CONTÁBEIS E TRIBUTÁRIAS. As apurações do lucro real e da base de cálculo da CSLL partem do lucro contábil, ajustado de acordo com determinações da legislação tributária; para verificar se o ágio que a autuada está amortizando é dedutível como despesa na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, devese avaliar à luz da legislação tributária; e as regras da Lei das SA, do CPC e CVM e legislação societária são subsidiárias, mas não determinantes. IRPJ. CSLL. ESTIMATIVA MENSAL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS. Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.690 25 Inexiste previsão para compensação de prejuízos de exercícios passados, na apuração da estimativa mensal do mês de dezembro, mas apenas na apuração anual. IRPJ. CSLL. ESTIMATIVA MENSAL. BALANÇO/BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. A apuração da base de cálculo de estimativa mensal, com base em balanço/balancete de suspensão/redução, deve levar em conta o valor do IRPJ/CSLL devido nos meses anteriores do mesmo anocalendário, abrangidos pelo período em curso compreendido na demonstração. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, isto é, na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência; essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. IRPJ. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. FORMAÇÃO DE AGIO EM PERÍODOS ANTERIORES AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Somente se pode falar em contagem do prazo decadencial após a data de ocorrência dos fatos geradores, não importando a data da contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. IRPJ. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. Sendo o IRPJ e CSLL, lançados por homologação, aplicase a contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º do CTN, e o lançamento fiscal de glosa de ágio indevidamente deduzido a partir do anocalendário 2010, cientificado em 10/08/2015, não foi atingido pela decadência. ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. É aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que o contribuinte, optante pelo regime do lucro real anual com Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.691 26 recolhimentos de estimativas mensais com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, tenha apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no anocalendário correspondente. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM COM A MULTA DE OFÍCIO SOBRE O VALOR DA APURAÇÃO ANUAL. Após o encerramento do período de apuração, é devida multa isolada pelo não recolhimento de parcelas mensais de estimativas no curso do referido período; a aplicação conjunta de multa de ofício no mesmo lançamento tributário, referente a tributo e contribuição devidos ao final do período, não tem o condão de excluir a multa isolada sobre as parcelas mensais de estimativas não recolhidas, haja vista trataremse de infrações distintas, possuidoras de tipificação legal específicas a cada uma delas. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS, CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO POR FALTA DE PAGAMENTO DE IRPJ APURADO NO AJUSTE ANUAL. INAPLICABILIDADE DA SÚMULA CARF Nº 105. Com o advento da Medida Provisória n° 351, de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, tornase cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais e ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ajuste anual. (Inaplicabilidade da Súmula CARF nº 105). JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Diante de tal revés parcial, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1544 a 1614), repisando os argumentos de sua Impugnação e fazendo alusão específica aos termos do v. Acórdão recorrido, apontando as razões da necessidade de sua reforma. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.692 27 É o relatório. Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.693 28 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. O Recurso de Ofício atende às hipóteses de cabimento trazidas na Portaria MF nº 63/2017. Recurso Voluntário Preliminarmente, alega a Recorrente que o presente processo, que lhe exige apenas créditos de IRPJ e penalidades correspondentes, deve ser formalmente vinculado e julgado concomitante com o de nº 10882.7211447/201586, que versa sobre exações de CSLL e multas, de origem factual idêntica à presente. Ainda que possa ser defendida a existência de relação e até a vinculação dos processos, não se apresenta necessário o apensamento dos feitos e seu julgamento concomitante. Nesse sentido, existe entendimento, até defendido por este Conselheiro, que as regras para o aproveitamento ágio como elemento redutor das base tributável do IRPJ são distintas daquelas aplicáveis à da CSLL, sendo inquestionável possuírem bases de cálculo distintas. Assim, ainda que derivem ambas as demandas do mesmo conjunto fático probatório, o julgamento simultâneo não é mandatório, vez que pode ser resolvida a causa por argumentos e fundamentos legais distintos. Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.694 29 Também alega a mudança do crédito jurídico do lançamento, supostamente promovido pela DRJ a quo, em conflito com a vedação carregada no art. 146 do CTN. Para a Recorrente, a Fiscalização, quando do lançamento de ofício, teria se valido apenas de argumentos contábeis para o lançamento, e, por sua vez, aquele Órgão Julgador, tentou "consertar" a acusação fiscal, fundamentando seu v. Acórdão em dispositivos de Lei tributária (art. 7º e 8ª da Lei nº 9.532/97), promovendo a famigerada alteração da motivação jurídica da cobrança fiscal. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. Realmente, a Autoridade Fiscal dedicou parte da vasta fundamentação aduzida no TVF para apontar supostos vícios e inadequações contábeis na conduta do Contribuinte. Porém, a Fiscalização expressamente lista, aponta, analisa, comenta e aplica aos fatos envolvidos, como fundamento e motivação do lançamento, os arts. 385, 386, 391 e 426 do RIR/99 (que na sua correspondência legislativa abarcam a fundamentação legal invocada pela DRJ), deixando claro que, no seu entender, o ágio percebido nas reestruturações societárias, de caráter interno, não encontra respaldo nessa legislação fiscal específica para ser gozado. Não só é improcedente a afirmação que o lançamento baseouse em fundamentos contábeis, como a Fiscalização construiu linha argumentativa e demonstrativa da invalidade do aproveitamento do ágio por diversos motivos, como o próprio relatório do presente julgado atesta. A DRJ, ao seu turno, respeitou precisamente a delimitação dos critérios jurídicos e da motivação para exarar seu v. Acórdão, ainda que tenha lançado mão de enfoque dissertativo que privilegiou a fundamentação da invalidade do ágio pelo seu confronto analítico com as disposições da Lei nº 9.532/97. Não se verifica, então, o conflito com o art. 146 do CTN e nem outra nulidade no r. decisum recorrido. Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.695 30 Ainda como preliminar, a Recorrente alega a ocorrência da decadência dos créditos tributários sob exigência, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, por terem as operações que deram origem ao ágio apurado (2008) ocorrido mais de 5 anos antes da ciência do lançamento em tela (2015). Igualmente, não assiste razão à Recorrente nesse ponto. O objeto dessa modalidade de caducidade é a limitação temporal para a constituição do crédito tributário, a contar do nascimento da obrigação tributária, e não a prerrogativa fazendária de análise de eventos e fatos envolvidos na formação dessa obrigação, não havendo base para tal suposta vedação cronológica. A infração tributária descrita no lançamento se reveste de glosa de amortizações da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário de 2010 a 2013, supostamente culminando na redução indevida do montante das obrigações tributárias deste exato período. O fato jurídico tributário colhido pela Fiscalização não é, propriamente, as operações que deram origem a essa despesa, mas seu aproveitamento fiscal, em momento ulterior. Atualmente, existe forte corrente jurisprudencial administrativa nesse sentido, inclusive adotada por unanimidade nesta C. 2ª Turma, restando certo que se inicia a contagem do prazo decadencial a partir da dedução/amortização da despesa, podendo livremente o Fisco colher fatos e remeter a operações anteriores a tal ocorrência. Ilustrando tal posição, confirase trecho do recente Acórdão nº 9101.002.387, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de relatoria do I. Conselheiro Luís Flávio Neto, publicado em 14/09/2106: Ocorre que o prazo de decadência em questão apenas começa a fluir a partir do momento em que o contribuinte realiza a amortização do ágio, pois somente a partir daí é possível cogitar inércia do fisco: a partir da dedução das despesas de ágio da base de cálculo do tributo, caso o fisco discorde, deverá lavrar AIIM para a glosa correspondente, o que não seria possível antes da efetiva amortização ter sido levada a termo pelo contribuinte. Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.696 31 Desse modo, fica afastada a ocorrência da decadência do crédito tributária sob exame. No que tange ao mérito, o processo versa sobre a glosa do aproveitamento de ágio, rotulado de interno, por ter sido, reconhecidamente, gerado em operação de reestruturação societária do Grupo GE, entendendose que não teria ocorrido transação entre partes independentes, normalmente com pagamento e tributação do ganho de capital no alienante, configurando o legítimo surgimento de um ativo intangível capaz de gerar benefícios futuros à organização, e não um suposto ativo, criado artificialmente em operações intragrupo. Igualmente apontase no TVF estarem ausentes nas operações os pressupostos da livre negociação entre partes independentes. Como se observa, inicialmente questionase a substância econômica do valor registrado como ágio (no sentido desse ser fruto apenas de manobras internas, de expressão apenas escritural), posteriormente questionando a dependência das partes (fato este incontroverso nos autos). Também acrescentou a Fiscalização que os Laudos de avaliação tinham a única finalidade de reestruturação interna do grupo econômico, não se prestando para uma mensuração válida para outros fins, que não corporativos. Ainda afirma e demonstra que o próprio Contribuinte entendeu, expressamente, não ter, das mesmas operações que deram margem ao ágio registrado, surgido fato ensejador de ganho de capital. Como mencionado antes nas preliminares, a Autoridade Fiscal também demonstra a vedação do ágio interno pelas normas contábeis e societárias, e a inadequação dos procedimentos do Contribuinte, à luz de tal legislação. Inicialmente quanto à questão contábil da demanda (que, como já esclarecido anteriormente, é apenas parte da fundamentação da exação em tela, aduzida digase até preliminarmente pela Autoridade Fiscal), da mesma forma que lançamento de ofício não é válido se basearse somente em afronta ou desacordo puramente contábil, a demonstração pelo Contribuinte de sua lisura meramente contábil, isoladamente não é capaz de elidir o crédito tributário devidamente constituído. Mesmo certo que o Direito Tributário remete, comumente, a conceitos e mecanismos contábeis, sem modificar ou redimencionar seu conteúdo, respeitada a dinâmica Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.697 32 estabelecida pelos arts. 109 e 110 do CTN, a ciência contábil não poderia, jamais, ser singularmente responsável por constituir uma obrigação tributária. Posto isso, a concepção e as normas específicas sobre o ágio do universo contábil e até os normativos exarados pela CVM não podem, per si, restringir ou mesmo ampliar o conceito e a disciplina legal do aproveitamento do ágio, por estar este expressamente contido na legislação tributária, de maneira própria. Assim, postergase a análise dos argumentos fazendários e do Contribuinte, puramente contábeis e sem reflexos diretos, materiais, na validade fiscal da amortização glosada, podendo até restarem prejudicados por outras conclusões meritórias alcançadas, capazes de dirimir o conflito (o que não se confunde com omissão no julgamento). Delimitada a matéria a ser agora enfrentada, a principal acusação fiscal é de ser o ágio interno, não possuindo expressão econômica, por ter ocorrido em ambiente de controle societário comum, sem o efetivo dispêndio de recursos na sua geração. A matéria guarda certa controversa, podendo ser observado neste E. CARF a evolução jurisprudencial do tema na última década, partindo de um cenário mais abstrato e permissivo em relação a tais operações, caminhando para uma jurisprudência mais analítica das circunstâncias da geração do ágio, apresentandose um entendimento tecnicamente exigente quanto à presença de elementos validadores da amortização de tal dispêndio, extraídos da interpretação das normas tributárias que regulam a sua dedução das bases tributáveis do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido, primeiro cabe relembrar que é incontroverso na demanda que o ágio tem origem exclusiva em operações entre parte relacionadas, de controle totalmente convergente às mesmas pessoas jurídicas, sem a participação de qualquer companhia alheia ao Grupo GE, assim como desvinculadas de qualquer outra transação externa, anterior ou simultânea. Conforme entendimento adotado e aplicado por este Relator no Acórdão nº 1402.002.373, de votação unânime, publicado em 14/02/2017, para a análise de validade do ágio aproveitado, os seguintes elementos devem ser analisados: (...) é plenamente seguro afirmar que se entende relevante e necessário para a verificação objetiva da formação lícita do ágio, nos moldes das prescrições do art. 385 e 386 do RIR/99, a Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.698 33 presença dos seguintes elementos: 1) o efetivo sacrifício econômico no momento do investimento que lhe originou; 2) realizado entre partes não relacionadas; 3) arrimado em laudo válido, contemporâneo, exarado por terceiro competente e; 4) nas operações em que há a extinção de pessoa jurídica, a absorção do patrimônio da investida pela investidora (ou vice versa). Tratandose de operações que se deram intragrupo, em ambiente de dependência societária, a verificação de alguns requisitos ganha outra importância, relatividade e especificidades, como por exemplo a relação entre as partes e o sacrifício econômico. Isso porque, ainda que condenável o ágio gerado artificialmente, em operação interna de grupo empresarial (como acusa o TFV e entendeuse no v. Acórdão), existe a possibilidade deste, mesmo assim, satisfazer os critérios legais vigentes, à época dos fatos, para a sua amortização. Confirase o comentário do jurista Ricardo Mariz de Oliveira1: Do mesmo modo que existem abusos por parte de contribuintes na tentativa de criação artificial de ágios internos a grupos empresariais, e às vezes até onde não exista um grupo de empresas, mas apenas uma única pessoa jurídica, também há exagerada acusação, pela fiscalização, em casos nos quais não se materializa infração desse tipo. Posto isso, o art. 385 do RIR/99 (correspondente ao art. 20 do DecretoLei nº 1.59877, que, para a maior parte da doutrina jurídica recente, traz consigo a definição do ágio para fins tributários) faz a seguinte previsão: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. (destacamos) 1 In Controvérsias JurídicoContábeis (aproximações e distanciamento), 2º Vol., São Paulo : Dialética, 2011. pp. 228229. Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.699 34 Fica claro, então, que precede o ágio a ocorrência de aquisição de participação societária. Mas, não há, na legislação vigente à época dos fatos colhidos, vedação objetiva e expressa ao aproveitamento do ágio gerado em operações internas dos grupos empresariais. Nesse ponto, o requisito partes não relacionadas, deve ser relativizado, por meio de demonstração e comprovação cabal de que a operação de aquisição intragrupo possuiu as mesmas características econômicas e financeiras de que se realizada externamente, com terceiros não pertencente ao grupo. Ainda, o critério sacrifício econômico é intimamente relacionado com tal aferição, seja em termos da efetiva ocorrência de dispêndio, economicamente oneroso, para a parte adquirente, como se de terceiro adquirisse, seja também em relação à mensuração dos valores envolvidos (devendo adequaremse àqueles praticados em ambiente mercadológico livre). Em outras palavras, nestas operações intragrupo, para a validade de seus efeitos, fica exigido o critério arm's length, que há muito está presente em inúmeras normas do sistema jurídico nacional, inclusive em legislação fiscal, visando evitar e mitigar artificialidades e abusos. Tanto assim é que o artigo 245 da Lei das S/A2, quando determina a adoção de condições estritamente comutativas em transações entre empresas relacionadas societariamente, exprime o claro intuito de desconsiderar a dependência entre as sociedades no contexto da prática de operações entre elas, como defendem os professores André Mendes Moreira e Eduardo Lopes de Almeida Campos3, em obra específica sobre a validade do ágio decorrente de operações entre empresas do mesmo grupo. Não obstante, o professor Luís Eduardo Schoueri4 também rechaça o aproveitamento fiscal do ágio gerado em operações intragrupo, fora da observância das condições de mercado: Também não merecem prosperar as operações que se afastam dos parâmetros daquelas ocorridas entre partes independentes. 2 Art. 245. Os administradores não podem, em prejuízo da companhia, favorecer sociedade coligada, controladora ou controlada, cumprindolhes zelar para que as operações entre as sociedades, se houver, observem condições estritamente comutativas, ou com pagamento compensatório adequado; e respondem perante a companhia pelas perdas e danos resultantes de atos praticados com infração ao disposto neste artigo. 3 In O Ágio no Direito Tributário e Societário: Questões Atuais. São Paulo : Quartir Latin, 2015. pp. 392393. 4 Ágio em Reorganizações Societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012. p. 115. Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.700 35 O ágio deve ser pago como resultado de longas negociações entre as partes e, como tal, deve refletir preços de mercado, que seriam pagos em transações entre partes independentes. O preço e as demais condições de uma aquisição de participação societária entre partes ligadas, desta forma, devem ser arm's length, aproximandose dos preços e das condições verificados em operações ocorridas no mercado. Dito isso, analisando os fatos por trás da presente demanda, temos que o ágio foi gerado em transação na qual a GE do Brasil Participações Ltda. (GE Participações) recebeu em contrapartida (contribuição para o aumento de capital) da emissão de suas novas quotas as participações societárias que a GE Holdings Luxembourg & CO SARL (GE Lux) possuía das empresas GE Betz LTDA (GE Betz), Ecolochem LTDA (Ecolochem) e Zenon Water LTDA (Zenon Water). Por sua vez, quando do recebimento de tais participações, para o seu devido registro, como determina a legislação, a GE Participações desdobrou seu custo de aquisição (precisamente no mesmo valor das quotas que acabara de emitir e entregar ao seu novo sócio) em patrimônio líquido e o ágio percebido em relação a tal valoração patrimonial. Pois bem, ainda que posteriormente tenham ocorrido outras operações e rearranjos societários antes da amortização do ágio, esta operação interessa à verificação de validade da gênese de tal dispêndio. No que tange ao respeito ao arm's length, a própria Recorrente, em sua técnica e profunda defesa, aponta os relatórios, exarados por Auditores externos quando de tal integralização de participações, como o preciso elemento validador (fls. 1590) das condições da transação interna: Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.701 36 Observando o conteúdo de tais documentos, uma ressalva inicial dos Auditores saltas aos olhos (como observado no TVF) e guarda profunda pertinência para a análise do caso, qual seja: a delimitação do objetivo, da finalidade e do uso de tais documentos, escrita em preâmbulo de considerações, pessoalmente subscrito por sócio e gerentes seniors da companhia de Auditoria: Ecolochem (fls. 226): GE Betz (fls. 270) Zenon Water (fls. 316) Igualmente, anos depois, quando da cisão da GE Participações (que carregava o registro do ágio, sendo a última operação societária antes de seu aproveitamento pelo Contribuinte) os mesmos Auditores fizeram a mesma ressalva do objetivo de sua avaliação (fls. 95): Como se observa, a própria autoridade técnica que mensura e promove a classificação dos valores envolvidos na transação, que deu respaldo para o custo de aquisição e a Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.702 37 quantificação do ágio dele extraído, expressamente, limita o objetivo e o emprego de seu trabalho, afirmando que tais estudos prestamse apenas para auxiliar reestruturação societária e veda sua utilização para nenhum outro fim. Se a sua finalidade era, sem margem para qualquer dúvida, interna (auxiliar reestruturação societária) de que forma poderia, então, tais documentos serem utilizados como prova de realização de transação em condições de livre mercado? Na verdade, o que se extrai desses laudos é exatamente o oposto, no sentido de que as suas conclusão e atestes são apenas válido em contexto empresarial intragrupo. Não obstante, a expressa vedação de utilização para outro fim também demonstra sua imprestabilidade para a demonstração de respeito ao arm's length e, principalmente, como registro confiável da mensuração do ágio a ser efetivamente deduzido de bases tributáveis. A limitação expressa, pessoal e diretamente incluída pelos seus Autores (autoridades técnicas), de sua finalidade ao auxilio para reestruturação societária, não permite a sua oponibilidade eficaz contra o Fisco, principalmente quando dá margem para reflexos efetivamente redutores de arrecadação. Diante do exposto até aqui, tendo em vista que, além de tais documentos, não existe qualquer elemento ou referência externa na condução das operações e na mensuração dos valores envolvidos, estando as companhias submetidas ao mesmo controle societário do Grupo GE durante o período inicial e final da reorganização procedida, concluise, seguramente, que não há demonstração ou prova de que a operação que deu origem ao ágio respeitou as condições de livre mercado. Em acréscimo, quanto ao sacrifício econômico efetivamente envolvido, observa se que as 3 empresas (GE Betz, Ecolochem e Zenon Water), logo após o registro do ágio na GE Participações, por meio de incorporações, foram concentradas na GE Betz, cambiando posteriormente seu nome para GE Water & Process Technologies do Brasil LTDA (GE Water Autuada). Na sequência, a GE Participações, que detinha o ágio até então, promove uma cisão e versão da parcela cindida para a GE Water, precisamente transferindo para o patrimônio desta, a titulo contábil de intangível, o Ágio por rentabilidade futura da GE Betz do Brasil Ltda. Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.703 38 Logo depois disso, em dezembro de 2010, a Recorrente (GE Water) passou a amortizar tal valor para fins fiscais. Como se observa, confirmando as constatações do TVF, houve uma movimentação circular entre as empresas do Grupo GE, criando circunstância final em que o Contribuinte passou a se valer de ágio oriundo da sua própria aquisição (ainda que processado por inúmeros rearranjos internos). Claramente, nessas operações internas não pode se falar em efetivo sacrifício econômico, pois o ágio é extraído das variações de valorações meramente escriturais, sem fluxo financeiro. O próprio Contribuinte afirma que não houve geração de riqueza qualquer em tais operações (fls. 1570): Naturalmente, em livre ambiente mercantil, o dispêndio utilizado na aquisição de participações com ágio tem clara expressão econômica, no sentido de efetivamente gerar e movimentar riquezas pelas partes celebrantes da transação. Nessa mesma lógica, a inocorrência de ganho de capital, que realmente se verifica, é forte indício confirmador da ausência de sacrifício econômico na operação. Assim, resta indubitável a presença de artificialidade na geração intragrupo desses valores de ágio, a qual, como já demonstrada, é rechaçada e não se adequa à permissão normativa de dedução das bases tributáveis do IRPJ. Posto isso, para que não haja omissão, frisese que restam prejudicadas e inertes as alegações de cunho meramente contábil, aduzidas pela Recorrente em relação a erros contábeis cometidos pela Fiscalização (emprego no TVF de normas contábeis não aplicáveis aos fatos colhidos, conceituação de ágio interno apenas como aquele decorrente de reavaliação de ativos e autorização contábil do reconhecimento desse ágio interno). As alegações de mérito referentes aos erros fiscais, supostamente presentes na Autuação (independência do conceito de ágio para fins tributários e contábeis, ausência de proibição legal expressa do aproveitamento do ágio gerado entre parte relacionadas, cogência das normas fiscais de registro do desdobramento do ágio, precificação entre partes relacionas e comprovação do pagamento do ágio), foram devidamente enfrentadas e afastadas ou logicamente prejudicadas, em face dos termos antes expostos e a conclusão alcançada. Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.704 39 Em relação à cumulação da multa de ofício com as multas isoladas, entende este Conselheiro que não podem coexistir no mesmo lançamento, independentemente da alteração legislativa que se procedeu no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96, que teria invalidado a aplicação da Súmula CARF nº 1055. Isso pois, a alteração promovida pela Lei nº 11.488/2007 não modificou o teor jurídico da prescrição das penalidades do art. 44 da Lei nº 9.430/96, apenas vindo para cambiar a percentagem da multa isolada (de 75% para 50%) e afastar a sua possibilidade de agravamento ou qualificação. A dinâmica de aplicação e a coexistência de ambas penalidades não foi alterada e, por sua vez, o cenário de possibilidade de dupla penalização do contribuinte prevaleceu. Frisese que tal ocorrência é tema que vem sendo abordado já há alguns anos por este E. CARF, havendo forte corrente que rechaça a aplicação concomitante de tais multas. Comprovando tal afirmativa, inicialmente, confirase a clara e didática redação da ementa do Acórdão nº 180301.263, proferido pela 3ª Turma Especial da 3ª Câmara dessa mesma 1ª Seção, em julgamento de 10/04/2012: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A garantia constitucional de ampla defesa, no processo administrativo fiscal, está assegurada pelo direito de o contribuinte ter vista dos autos, apresentar impugnação, interpor recursos administrativos, apresentar todas as provas admitidas em direito e solicitar diligência ou perícia. Não caracteriza cerceamento do direito de defesa o indeferimento de perícia, eis que a sua realização é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora, ex vi do disposto no art. 18, do Decreto 70.235, de 1972. OMISSÃO DE RECEITAS. NOTAS FISCAIS DE SAÍDA E CUPONS FISCAIS. AUSÊNCIA DE CORRELAÇÃO. 5 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.705 40 Não comprovado que as notas fiscais de saída e cupons fiscais correspondem a uma mesma operação, resta configurada a omissão de receitas. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (destacamos) Como se observa, o cerne decisório foi a dupla penalização do contribuinte pelo mesmo ilicito tributário. Ao passo que as estimativas representam o simples adiantamento de tributo que tem seu fato gerador ocorrido apenas uma vez, no término do período de apuração anual, a falta dessa antecipação mensal é elemento apenas concorrente para a efetiva infração de não recolhêlo, ou recolhêlo a menor, após o vencimento da obrigação tributária efetivamente aperfeiçoada a qual já é objeto penalização com a multa de ofício. E tratandose de ferramentas punitivas do Estado, compondo o ius puniendi (ainda que formalmente contidas no sistema jurídico tributário), estão sujeitas aos mecanismos, princípios e institutos próprios que regulam essa prerrogativa do Poder Público. Assim, um único ilícito tributário e seu correspondente singular dano ao Erário (do ponto de vista material), não pode ensejar duas punições distintas, devendo ser aplicado o princípio da absorção ou da consunção, visando repelir esse bis in idem, como explica Fabio Brun Goldschmitd em sua obra6. 6 Teoria da Proibição de Bis in Idem no Direito Tributário e Sancionador Tributário. São Paulo: Noeses, 2014, p. 462. Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.706 41 Frisese que, per si, a coexistência jurídica das multas não implica em qualquer ilegalidade, abuso ou violação de garantia. Na verdade, cada uma prestase a punir uma conduta diferente. A patologia surge na sua cumulação, em autuações que colheram tanto a falta de pagamento dos tributos apurados no anocalendário e, por suposta e equivocada consequência, também ensejaria a situação de pagamento a menor (ou não recolhimento) de estimativas daquele mesmo período de apuração, já encerrado. Tal bis in idem, caracterizado pelo duplo sancionamento administrativo do contribuinte, não deve ser tolerado. O mesmo entendimento estampa o Acórdão nº 1401001.886, proferido pela C. 1ª Turma Ordinária dessa mesma 4ª Câmara, com voto vencedor sobre o tema da I. Conselheira Livia de Carli Germano, publicado muito recentemente, em 09/06/2017: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 (...) MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratandose de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. Posto isso, devem ser canceladas a multas isoladas, lançadas em referência e proporção às exigências tributárias mantidas. Tendo em vista que o Recurso de Ofício versa sobre cancelamento parcial das multas de ofício, por erro no cálculo de seu montante, fica o seu julgamento prejudicado. Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.707 42 Quanto à alegações da ilegalidade de incidência de juros sobre multa, está C. 2ª Turma acompanha o atual entendimentos da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entende ser devida a incidência de juros sobre as penalidades, bem como pela correta eleição da taxa SELIC. O Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra esse posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821,CSRF 2ª Turma) Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.708 43 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Recurso de Ofício Caso não se entenda pelo afastamento completo das multas isolada, passo a analisar a matéria do Recurso de Ofício. Como relatado, no v. Acórdão recorrido entendeuse haver equívoco no cálculo das multas isoladas sofridas pela Recorrente, procedendo à C. Turma Julgadora a quo a sua devida quantificação, retificando o lançamento. Uma vez já identificado o equívoco da Fiscalização pela Instância a quo, tratandose de matéria eminentemente de cálculo e concordando esse Conselheiro com a sua retificação, adoto tudo aquilo decido pela DRJ, nos termos do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, passando a reproduzir tais razões de decidir na íntegra: 3.3.3 Multa isolada. Erro de Cálculo. 120. O litigante reclama que os valores relativos às multas isoladas não foram calculados de acordo com o que dispõe o artigo 44, II, b, da Lei n° 9.430/96, pois a Fiscalização não contemplou em seu cálculo, realizado de forma acumulada, as estimativas de IRPJ apuradas, devidas e recolhidas em meses anteriores dos mesmos anoscalendário; apresenta o Doc 4, págs. 737/742, com a apuração que considera correta. 121. Verificase às págs. 495/498, no Termo de Verificação Fiscal, a demonstração, pelo autuante, dos valores de multa isolada, por período de apuração: a. 12/2010: o valor da despesa de ágio glosada foi somada à base de cálculo acumulada informada pelo contribuinte em DIPJ; sobre o total, apurou o IRPJ e AIR e subtraiu as exclusões informadas também em DIPJ, resultando na estimativa mensal a pagar de R$61.567,75, em relação à qual a multa isolada de Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.709 44 50% perfaz R$30.783,88, valor contante do auto de infração A apuração está correta, sendo que o litigante, em sua apuração à pág. 739 (doc. 04), reduziu a 3.3.3 base de cálculo do IRPJ, mediante compensação de “PF”, aparentemente, prejuízos fiscais; contudo, não há previsão para esta compensação na apuração da estimativa mensal do mês de dezembro, mas apenas na apuração anual. b. 01/2011 a 12/2013: verificouse que o autuante deixou de considerar o valor do saldo acumulado anterior, na apuração das estimativas mensais com base em balanços/balancetes de verificação/exclusão, conforme se demonstra a seguir, cabendo razão ao contribuinte; o Manual de Preenchimento determina, na apuração da estimativa mensal de IRPJ apurado com base em balanço/balancete de suspensão redução: Informar o somatório do imposto de renda devido nos meses anteriores do mesmo anocalendário, abrangidos pelo período em curso compreendido na demonstração. Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.710 45 Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.711 46 Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.712 47 Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.713 48 Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares alegadas e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, exclusivamente para cancelar integralmente as multas isoladas aplicadas ao Contribuinte. Caso vencido, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 1713DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.714 49 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Redator Designado Divirjo do brilhante voto exarado pelo Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella unicamente em relação à imposição da chamada “multa isolada” nos casos de ausência ou insuficiência de recolhimentos a título de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL, por fazer uma leitura diferente da que fez o I. Relator sobre a matéria. A respeito de uma possível concomitância dos lançamentos de multas isoladas com a multa de ofício presente nos autos de infração, de minha parte sempre perfilei com os que entendem estarse diante de imposições diferentes, com fatos geradores diferentes, tipificações legais diferentes e motivações fáticas diferentes, ou seja, da leitura artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com suas alterações, inferese que, uma vez constatada falta ou insuficiência de pagamento de estimativa, será exigida a multa isolada. Se, além disso, tiver ocorrido falta de recolhimento do imposto devido com base no lucro real anual, o lançamento abrangerá também o valor do imposto, acompanhado de multa de ofício e juros, pois a determinação legal de imposição de tal penalidade, quando aplicada isoladamente, prescinde da apuração de lucro ou prejuízo no final do período anual, inexistindo, portanto, a cumulação de penalidades para uma mesma conduta, como argúem os contribuintes. Em síntese, não tendo as referidas multas a mesma hipótese de incidência, nada há a barrar a imposição concomitante da multa isolada com a multa de ofício devida pela apuração e recolhimento a menor do imposto e contribuição devidos na apuração anual. Posição plenamente avalizada a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (destaquei) Registrese, essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa; simplesmente tornou mais clara a intenção do legislador. Fl. 1714DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.715 50 Por pertinentes, faço minhas as palavras do ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES deste CARF que, de forma precisa, analisou o tema no Acórdão nº 10323.370, Sessão de 24/01/2008: “Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a Fl. 1715DF CARF MF Processo nº 10882.723180/201481 Acórdão n.º 1402002.692 S1C4T2 Fl. 1.716 51 garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte”. Aduzase ainda, mesmo abstraindo questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, que a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo, de modo que, sob esta ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou norma abstrata plenamente vigente no mundo jurídico a caso concreto que se estampou. Salientese, por fim, ser inaplicável no caso a Súmula nº 105 do CARF, posto que ali se cuida de lançamentos referentes a períodos anteriores a 2007. Pelos motivos elencados, entendo devam ser mantidas integralmente as multas isoladas impostas e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário neste aspecto. No mais, acompanho integralmente o I. Relator em relação às demais matérias tratadas nestes autos. É como voto. Brasília (DF), em 26 de julho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 1716DF CARF MF
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