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6760838 #
Numero do processo: 10680.918613/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência para que a Delegacia de origem constate se o crédito utilizado na PER/DCOMP em tela já foi utilizado em PER/DCOMP anterior Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti, José Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA

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3301­000.304  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  26 de abril de 2017  Assunto  COFINS  Recorrente  CEMIG GERAÇÃO E TRANMISSÃO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  processo  em  diligência  para  que  a  Delegacia  de  origem  constate  se  o  crédito  utilizado  na  PER/DCOMP em tela já foi utilizado em PER/DCOMP anterior  Luiz Augusto do Couto Chagas ­ Presidente  Liziane Angelotti Meira ­ Relatora    Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do  Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen,  Antônio Carlos  da Costa Cavalcanti,  José Henrique Mauri,  Liziane Angelotti Meira  e Maria  Eduarda Alencar Câmara Simões.    Relatório    Por economia processual, adoto o relatório da DRJ/BHE no Acórdão 02­46.467  ­ 1ª Turma da DRJ/BHE (fl. 111):  Contra a contribuinte precitada foi emitido o Despacho Decisório à fl.  97,  por  meio  do  qual  foi  parcialmente  homologada  a  compensação  efetuada por meio de PER/Dcomp.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 18 61 3/ 20 11 -1 6 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10680.918613/2011­16  Resolução nº  3301­000.304  S3­C3T1  Fl. 338          2 A  homologação  parcial  foi  motivada  pela  insuficiência  do  crédito  utilizado para compensar integralmente o débito informado. O crédito  utilizado se refere a pagamento indevido ou a maior de Cofins, código  de  receita  5856.  A  contribuinte  declarou  que  pretende  compensar  referido  crédito  com  débitos  de  Cofins,  código  de  receita  2172,  relativos aos meses de março a maio de 2005.  Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: arts.  165  e  170  da  Lei  n.º  5.172,  de  25  de  outubro  de  1966  (Código  Tributário Nacional – CTN) e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro  de 1996.  Cientificada  em  26/09/2011,  fl.  108,  em  25/10/2011  a  interessada  apresentou  a  manifestação  de  inconformidade  às  fls.  2  a  18,  acompanhada dos documentos às  fls. 19 a 107, alegando, em síntese,  que  a  administração  fazendária  incorreu  em  erro  ao  considerar  a  compensação  pleiteada  por  meio  da  PER/Dcomp  nº  26246.70269.281105.1.3.04­4201,  uma  vez  que  o  crédito  não  foi  utilizado para quitação do débito nela constante, e que a cobrança de  multa  de  mora  é  indevida,  posto  que  não  houve  ausências  de  recolhimento  mas  tão  somente  pagamento  em  modalidade  distinta.  Acrescenta que, ainda que assim não fosse, houve denúncia espontânea  da  infração  nos  termos  do  art.  138  do  CTN,  de  modo  que  o  débito  merece ser cancelado e transcreve doutrina, jurisprudência e julgados  administrativos que entende virem ao encontro de seus argumentos.  A  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte  (MG)  considerou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente  e  não  reconheceu  o  direito  creditório, com a seguinte Ementa:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Data  do  fato  gerador:  01/02/2005  PEDIDO  DE  COMPENSAÇÃO. CANCELAMENTO.  A  desistência  do  pedido  de  compensação  poderá  ser  requerida  pelo  sujeito  passivo mediante  pedido  de  cancelamento  gerado  a  partir  do  programa PER/Dcomp, o qual somente será deferida caso o pedido de  compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da  apresentação do pedido de cancelamento.  COMPENSAÇÃO E ACRÉSCIMOS LEGAIS.  A  compensação  total  ou parcial  de  tributo administrado pela Receita  Federal  do  Brasil  deverá  ser  acompanhada  da  compensação,  na  mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais.  Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não  Reconhecido  A  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário  (fls  126/145) e alegou em síntese que:  A  compensação  solicitada  não  teria  sido  homologada  integralmente  porque  inexistiria  crédito  suficiente  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PERD/COMP nº 08190.31710.031007.1.7.04­5790. A insuficiência se deveria principalmente  porque  se  considerou  que  o  crédito  havia  sido  utilizado  em  compensação  anterior,  na  PER/Dcomp nº 26246.70269.281105.1.3.04­4201.  Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10680.918613/2011­16  Resolução nº  3301­000.304  S3­C3T1  Fl. 339          3 No entanto, asseverou a embargante que foi comprovado que o referido crédito  não  foi  utilizado  para  quitação  do  débito  em  pauta,  ainda  que  não  tenha  sido  realizado  o  cancelamento formal da PER/Dcomp nº 26246.70269.281105.1.3.04­4201.  Argumentou  que  "não  seria  razoável  admitir  que  um  crédito  compensável  devidamente constituído fosse desconsiderado pela ausência de procedimento de cancelamento  de DCOMP, mera formalidade administrativa". (fl. 129)  Defende  também,  a  embargante,  a  impossibilidade  de  incidência  de  multa  de  mora em razão da inocorrência de mora e ocorrência da denúncia espontânea.  Os pedidos da embargante foram os seguintes (fls 144/145):  ­  seja  determinado  o  cancelamento  de  PER/Dcomp  nº  26246.70269.281105.1.3.04­4201, haja vista que o crédito reconhecido  não  foi  efetivamente  utilizado  pela  Recorrente  e  a  falta  de  seu  cancelamento  tem  gerado  dúvida  no  que  diz  respeito  aos  pedidos  de  compensação posteriores, bem como seja utilizado o montante integral  de seu crédito na compensação que ora se pleiteia;  ­ seja homologada integralmente a compensação pleiteada por meio da  PERD/COMP  nº  08190.31710.031007.1.7.04­5790,  de  03/10/2007,  haja  vista  a  suficiência  do  crédito  e  o  correto  enquadramento  do  procedimento realizado ao instituto da denúncia espontânea, de modo  a  autorizar  o  afastamento  da  aplicação  de  multa  aos  débitos  declarados, de acordo razões apontadas.  A  1ª  Turma  Ordinária  da  3ª  Câmara  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  negou  o  recurso  voluntário  com  a  seguinte  Ementa (fl. 305):  Data  do  fato  gerador:  15/04/2005,  15/05/2005,  15/06/2005DCTF.  RETIFICAÇÃO.  DÉBITO.  DCOMP.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  MULTA  DE  MORA.  INEXIGIBILIDADE.No  julgamento  do  REsp  1.149.022, sob o regime do art. 543­C do CPC, o Superior Tribunal de  Justiça  decidiu  que  o  pagamento  de  débito  tributário,  declarado  em  DCTF  retificadora,  em  data  anterior  e/  ou  na  mesma  data  de  transmissão da respectiva declaração, configura denúncia espontânea  nos  termos  da  legislação  tributária  e,  consequentemente,  afasta  a  incidência da multa moratória.  Recurso Voluntário Provido.  A embargante foi notificada da decisão e dos procedimentos fiscais pertinentes  (fl. 269 a 272) e apresentou em embargo de declaração (fls 275/283), alegando que:  2.  A  Embargante,  ao  apurar  a  COFINS,  incluiu  dentre  as  receitas  tributadas  pelo  regime  da  não  cumulatividade,  algumas  receitas  que  estariam  sujeitas  ao  regime  cumulativo,  o  que  implicou  erro  na  apuração  da  base  de  cálculo  da  contribuição,  acarretando  recolhimento a maior, no valor de R$ 5.940.968,79, de  forma que  foi  efetuada  a  retificação  da  DCTF  e  da  DACON  do  período  correspondente.  Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10680.918613/2011­16  Resolução nº  3301­000.304  S3­C3T1  Fl. 340          4 3.  A  Embargante  pleiteou  através  da  PER/Dcomp  nº  26246.70269.281105.1.3.04­4201  a  compensação  desses  valores  com  débitos de COFINS cujo fato gerador ocorreu em janeiro de 2005, no  valor original de R$ 3.964.671,02.  4. A despeito do referido pedido de compensação ter sido formalizado,  o crédito não foi utilizado para quitação do débito em questão, já que  foi  constatada  a  inexistência  de  indicação  em  DCTF  e  em  DACON.  Não  obstante,  tão  pouco  foi  cancelado  o  PERD/COM  conforme  se  constata dos documentos acostados aos autos.  5.  Deste  modo,  a  Embargante  pleiteou  a  compensação  do  referido  crédito  de  R$  5.940.968,79,  com  débitos  de  COFINS  na  modalidade  cumulativa,  referentes  à  competências  de  março  a  maio  de  2005,  formalizando o PERD/COMP nº 08190.31710.031007.1.7.04­5790.  6.  Em  despacho  decisório,  o  referido  pedido  de  compensação  foi  parcialmente  homologado,  por  entender  a  fiscalização  que,  não  obstante houvesse o direito creditório, parte dele já havia sido utilizado  para  compensação,  fruto  do  PER/Dcomp  nº  26246.70269.281105.1.3.04­4201,  pelo  que  imputou  aos  débitos  de  março  a  maio  de  2005.  Também  foi  aplicada  multa  por  atraso  no  pagamento.  7.  Diante  do  indeferimento  parcial  da  compensação,  a  Embargante  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  a  qual  foi  julgada  improcedente,  sob  o  entendimento  de  que  não  houve  cancelamento  formal  do  PER/Dcomp  nº  26246.70269.281105.1.3.04­4201  e  que  o  caso não permitia o benefício da denúncia espontânea.  8. A Embargante apresentou então Recurso Voluntário, a que foi dado  parcial provimento, apenas para afastar a exigência de multa de mora  sobre  os  débitos  cuja  compensação  foi  homologada  pela  autoridade  administrativa,  aplicando,  assim,  o  entendimento  firmado  pelo  E.  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  REsp  nº  1.149.022,  decidido  sob  o  regime do art. 543­C do CPC.  9. Todavia, com o devido respeito e acatamento, entende a Embargante  que o v. acórdão está eivado de omissão no que diz respeito à origem  do crédito, razão pela qual são opostos os presentes Embargos.  O  pedido  da  contribuinte  foi  pelo  "conhecimento  e  provimento  dos  presentes  Embargos  de Declaração,  para  que  seja  integrado  o  v.  acórdão  proferido  por  essa C. Turma  julgadora, em relação aos vícios supra apontados" (f. 282).  Considerando que foi  "verificada omissão do acórdão vergastado em relação a  ponto sobre o qual a  turma deveria haver se pronunciado", os embargos de declaração foram  admitidos pelo Despacho S/Nº – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (fls. 324/326).   É o relatório.    Voto  Conselheira Liziane Angelotti Meira.  Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10680.918613/2011­16  Resolução nº  3301­000.304  S3­C3T1  Fl. 341          5   Os  Embargos  de  Declaração  Voluntário  interpostos  pela  contribuinte  são  tempestivos e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual devem ser  conhecidos.  A Embargante alega ser titular de crédito no valor de R$ 5.940.968,79, e que a  origem  do  crédito  pode  ser  verificada  com  base  nos  documentos  acostados  ao  presente  processo,  especialmente  na  comprovada  não  utilização  da  PER/DCOMP  no  26246.70269.281105.1.3.04­4201,  uma  vez  que  esta  não  serviu  para  extinção  de  crédito  tributário. Este ponto especialmente não foi objeto do Acórdão embargado.   Nesse contexto, julgo relevante para a decisão verificar se o crédito alegado pela  Embargante  tem  respaldo e  também se  a PER/DCOMP no 26246.70269.281105.1.3.04­4201  efetivamente não teria sido utilizada.  Dessarte, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para  que  a  unidade  preparadora  possa  elaborar  relatório  para  esclarecer  os  pontos  indicados  Embargos  de  Declaração,  especificamente  no  que  concerne  à  existência  do  crédito  da  embargante e à utilização da PER/DCOMP no 26246.70269.281105.1.3.04­4201.  Deve, em seguida, ser ofertada ao Contribuinte, bem como à Fazenda Pública,  oportunidade para que possam contra arrazoar,  se entenderem necessário, acerca do  relatório  produzido.    Fl. 341DF CARF MF

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7375829 #
Numero do processo: 10380.729798/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.621
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em converter o julgamento em diligência,nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Trata-se o presente processo administrativo de autuação lavrada em face do Recorrente, Suzlon Energia Eólica do Brasil Ltda., em que o agente fiscal constituiu, de forma reflexa, créditos tributários de COFINS, depois de terem sido constadas supostas infrações à legislação tributária. O período de apuração objeto da autuação é de 01/01/2008 a 31/05/2010. Além deste processo, foram lavrados mais dois Autos de Infração em face do contribuinte em questão e que têm como base os mesmos fatos e fundamentos destes autos. O primeiro deles (processo nº 10380.729795/2013-91), cuja a discussão, inclusive já se encerrou no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constituiu créditos de IRPJ e CSLL em face do mesmo contribuinte. O outro processo lavrado é o de nº 10380.729799/2013-79 e constituiu créditos tributários referentes à contribuição ao PIS, sendo distribuído a este julgador para que fossem proferidas decisões conjuntas, evitando-se, assim, entendimentos diferentes sobre a mesma matéria em discussão. O processo de IRPJ e CSLL tramitou perante a 1ª Turma, 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, sendo negado provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício por aquele colegiado. O Recurso Especial apresentado pelo contribuinte teve o seu seguimento negado, nos termos de Despacho proferido em 23 de Novembro de 2017, sendo os autos remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. Como os fatos e fundamentos do presente processo são idênticos ao processo principal, pede-se venia para reproduzir o relatório do acórdão nº 1301-001.828, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, nos autos do processo de nº 10380.729795/2013-91, uma vez que sintetiza toda a discussão ora travada: Cuida-se de Recurso Voluntário e de Ofício, manuseados contra decisão proferida pela 13ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. De acordo com o que disposto no presente processo administrativo, em desfavor da contribuinte acima identificada foram lavrados Autos de Infração relativos aos anos-calendário de 2008, 2009 e 2010, atinentes ao IRPJ e demais reflexos, incluindose o principal, multa qualificada de 150% e juros de mora. Ainda de acordo com as peças do presente processo, a ação fiscal iniciou-se com o Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 318/325), requisitando-se a apresentação ou disponibilização dos Livros e documentos típicos, outros documentos requisitando diversos esclarecimentos acerca de sua escrituração, tudo devidamente suportado por documentos hábeis e idôneos. Segundo registrou-se, não havendo atendimento, lavraram-se novos Termos (fls. 326/327) e a partir de 13/09/2013 a fiscalizada passou a prestar as informações que entendia cabíveis (fls. 330 e 333/341), havendo, desta data e até o encerramento da Ação Fiscal em 24/10/2013 (fls. 1063/1064), com a lavratura dos autos de infração, diversos Termos de autoria do Fisco e respostas da contribuinte, acompanhadas de documentos (fls. 342/895). Anotou-se ainda (fls. 896/925) que o contribuinte juntou o LALUR (fls.926/1058), cópias das DIPJ do período fiscalizado (fls. 1059/1062), cópia do SAPLI que controla, em âmbito interno da Receita Federal, os valores dos prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas de CSLL. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 60/79), a Fiscalização relatou o resumo de todo o procedimento levado a efeito, inclusive as respostas e manifestações feitas pela fiscalizada, discorrendo sobre as irregularidades apuradas, descrevendo o objeto da ação fiscal e a atividade econômica da autuada, para explicitar que a contribuinte opera no setor de tecnologia de energia alternativa (eólica), fornecendo aerogeradores e que sua atividade operacional pode ser resumida em importação, venda e serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados por seus clientes, asseverando ainda que “à vista das dimensões dos equipamentos (...) as importações eram feitas sob encomenda prévia”, de tal modo que “não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças (...) que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas préacertadas”, e que, “diante dessas peculariedades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de “negócios de longo prazo”, com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício”. Ainda segundo a Fiscalização: i) que, “neste peculiar contexto de atividade operacional (...) o Fisco já vinha monitorando a evolução anual da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA”; que, “no monitoramento visualizado ano a ano, este órgão fiscal já vinha observando discrepâncias relevantes”; que, “enquanto de um lado, conservava-se ausente um nível condizente de recolhimento de tributos, comparando-se com a evolução de suas atividades operacionais, de outro lado, causava espécie o volume de créditos fiscais que o contribuinte indicava-se como titular”; que, “criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S (...) também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende”; que, “esta circunstância dupla de relação comercial deve ser muito bem compreendida, tratada e monitorada pelo Fisco”; que, “foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos (...) com seus Clientes (...) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes”, e que, “o total dos contratos (...) ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (...) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução”. Diz ter recebido, via Ouvidoria da RFB, denúncia anônima contra a fiscalizada relatando a ocorrência de irregularidades contábeis e fiscais, assevera que tal denúncia teve efeito apenas informativo daquilo que o Fisco já sabia sobre a empresa, que não fora utilizada como prova a fundamentar o lançamento de ofício, refere-se a entendimento da Corte Suprema acerca do assunto e prossegue: ii) que, “colocadas estas questões, (...) cabe descrever a realidade contábil e fiscal da empresa (...) encontrada por esta Fiscalização ao longo dos procedimentos de auditoria contábil-fiscal realizados nos seus arquivos e livros da escrituração”; iii) que, “ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades nas conduta da empresa (...) desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010)”; iv) que, “convinha averiguar (...) a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (...) pautou-se por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional”; v) que, “restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo (...) superior a um ano, a preço certo”, e que, “para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010”; vi) que, “como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração (....) restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo”. Ainda de acordo com a Fiscalização, referindo-se à legislação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS: vii) que, “em verdade, o que se viu (...) foi a utilização de um critério contábil-fiscal para registro dos custos totais dos Contratos de Longo Prazo e dos seus respectivos preços totais, sem qualquer autorização legal para tal”; viii) que, “a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anos-calendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o anocalendário de 2007, quando, de um lado, já incorria – inapelavelmente – em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes, e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos”; ix) que, “somente uma visão do planejamento tributário com natureza visível de evasão fiscal que a empresa tentou implantar com quase sucesso – note que o ano de 2007 já se encontra inapelavelmente decaído (...) pode explicar os detalhes dos resultados que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha em mente de auferir na realidade, de forma consciente e astuciosa” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 65). Após destacar que a contribuinte tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE (redução de 75% do IRPJ), prosseguiu: x) que, “no afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício da empresa”, e que, “a técnica para tal foi “fabricar” prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações”; xi) que, “como os contratos (...) datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos”; xii) que, “acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010”, e, “com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo “fabrica” prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que foi deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria a partir do anocalendário de 2010”. Na mesma toada, seguiu a Fiscalização afirmando que, com este procedimento, a autuada, “já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contrato de Longo Prazo (...) pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010”, pontua que a SUZLON tinha os benefícios do Programa REIDI, que concede suspensão de PIS e COFINS nos casos indicados e que, ainda assim, os preços originários que deveriam ser recebidos de seus Clientes mantinhamse com as referidas contribuições embutidas, sem que, entretanto, houvesse recolhimentos de mencionadas contribuições ao Tesouro Nacional. Asseverou que foi “diante desta realidade (...) que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação”; que, para esta providência, “tentou, por reiteradas vezes (...) obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional”, e que, mesmo com a conduta dificultosa da empresa, não fornecendo os dados requeridos pela Autoridade Tributária, ainda assim, “nada disso constituiuse em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados”, destacando que, “de posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010, pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 e 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI´s), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados)” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 67). Diz ainda que, “como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles”. Esclareceu a Fiscalização que as planilhas com os cálculos estão anexadas ao Termo de Verificação e continua discorrendo que, “como essa auditoria tinha como foco principal o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL e demais contribuições sociais, foi promovida uma averiguação geral na escrituração do contribuinte”, e que, diante de tal cenário, “esta fiscalização enveredou pela análise minuciosa do Passivo registrado como Empréstimo em 31.12.2009, lançado como Obrigação por Empréstimo contraído junto ao BANCO ABC BRASIL S/A.”. Expõe, a respeito, ser intrigante o fato de a fiscalizada não ter registros, em sua contabilidade, de conta corrente junto a tal instituição financeira. Na sequência, pontuou ter igualmente buscado esclarecimentos acerca da dedutibilidade do valor de R$ 1.500.000,00 levado a débito da Conta de Despesas Financeiras/Descontos Concedidos em 14.10.2009, que foi encerrada contra Resultado do Exercício, montante que, por ter sido escriturado pela autuada como “Desconto Concedido Condicionalmente”, deveria ser tido como “dedução da Receita Bruta para apuração da Receita Líquida, para posterior Adição ao Lucro Líquido para efeito de apuração do Lucro Real”; que, “por não ser desconto incondicional, essa adição obrigatória não pode ser neutralizada pela simples desalocação do valor em conta direta de Despesa Financeira”, e que, “se há a indedutibilidade legal, impossível a dedutibilidade por transposição de classificação contábil”. Seguiu na acusação tratando das “Multas Contratuais”, expondo: xiii) que, “desde o Termo de Início de Fiscalização (...) essa auditoria aborda a questão das MULTAS CONTRATUAIS debitadas pela SUZLON (...) à Conta de Custos e de Despesas Operacionais nos anos de 2009 (R$ 28.711.100,00, na Conta 012058/ 512090128000 CUSTOS GERAIS NA PRODUÇÃO/DESPESAS COM MULTAS CONTRATUAIS e R$ 39.787.086,85, na Conta 013455/ 531090163000 DESPESAS GERAIS/MULTAS CONTRATUAIS) e 2010 (R$ 6.795.197,50, na Conta 013455/ 531090166000 DESPESAS GERAIS/MULTAS CONTRATUAIS) e encerradas contra Resultados dos Exercícios respectivos”; xiv) que, “as indagações corriam por dois fundamentos (...): a) cumprimento dos requisitos para a dedutibilidade”, e , “b) caracterização de despesas operacionais possíveis , porém incursas no qualificativo de “Despesas Recuperáveis”, previstas na legislação do Imposto de Renda e dos demais tributos e contribuições sociais”; xv) que, “a dialética processual instaurada junto ao contribuinte permitiu ao Fisco conhecer o “fato gerador específico” dessas multas contratuais”, e que, segundo a SUZLON, sua origem adviria de cláusula prevista nos Contratos assinados com seus Clientes e que “as multas eram mensuradas conforme os montantes diários de atraso na entrega dos bens e serviços”. Após afirmar que “os documentos que totalizam as MULTAS CONTRATUAIS dos anos de 2009 e 2010 não foram fornecidos ao Fisco pela SUZLON”, prosseguiu a Autoridade Tributária (Termo de Verificação Fiscal – fl. 70), fazendo as devidas ponderações. Na sequência, a Fiscalização tratou da apuração dos resultados dos Contratos de Longo Prazo, “efetivados conforme os preceitos do artigo 407 do RIR/99 e IN SRF nº 021/79”, explicitando que “a empresa resolveu quedarse silente sobre a conduta adotada”, tendo ignorado os pedidos da Fiscalização para apresentar “as Planilhas de apuração dos custos incorridos ano a ano, das receitas reconhecidas ano a ano e de todos os demais dados necessários para a construção das tabelas indicativas referentes ao Lucro Bruto de cada período de apuração”. Adiante, depois de destacar que “os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de nº 03”; que, “na metodologia apresentada pela SUZLON (...) não há apuração de resultado em 2007 e em 2008”, e que, “em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a “fabricar” o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo”, a Fiscalização enfatiza (Termo de Verificação Fiscal – fls. 73). Aditivamente assinalou que, “cabe deixar registrado que a estratégia da SUZLON (...) para cumular os valores em 2009 e 2010 necessitou a contabilização de todo o custo incorrido nos anos de 2007 e 2008 em conta de ESTOQUE, o que constitui irregularidade na sistemática de apuração dos resultados com contratos de longo prazo”; que, “em 2009, essa prática se repetiu quase que integralmente”, e “já em 2010, os ESTOQUES são “esvaziados”. Para acrescentar que, “com estas explicações o Fisco desnuda a conduta da empresa e a caracteriza como prática concernente à presença do evidente intuito de fraude, dado o conjunto de circunstâncias já enumeradas”. E prosseguir acusando que “como consequência de todos estes cálculos de ofício que levaram aos Quadros de nº 01 a 03, foi necessário refazer as DRE´s dos anos calendário de 2008, 2009 e 2010, de modo que restassem individualizados o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL em cada um deles”, registrando a não apresentação do LALUR relativo ao anocalendário 2010. Passou a Fiscalização a tratar das irregularidades que entendeu presentes relativamente ao PIS e à COFINS, destacando, em síntese, que a autuada “deveria ter apurado as bases as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos”, e que, “como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes”. Comentou sobre o Programa de Benefícios do REIDI e encerra afirmando ser imperativo o lançamento de ofício para constituição dos créditos tributários do PIS e da COFINS, com observância do regime da NãoCumulatividade, procedimento que deve ser adotado também em relação a eventuais créditos legitimamente escriturados, observada a legislação de regência. Detalhou as razões de fato e direito que levaram à qualificação da multa de ofício, elevandoa ao patamar de 150%, reportase aos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, faz retrospectiva do procedimento fiscalizatório. Os autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram lavrados (fls. 2 a 57), com Termo de Encerramento (fls. 1063/1064). A ciência da contribuinte está encartada às fls. 58 a 59, tendo apresentado Impugnação (fls. 1069/1145), juntando documentos apensados às fls. 1156 a 3764. Posteriormente, após o término do prazo de impugnação, juntou novos documentos em 22/01/2014 (fls. 3821/4200) e em 03/02/2014 (fls. 4203/4244). Na sua peça de defesa, depois de fazer um breve resumo dos fatos, referirse às irregularidades apontadas pelo Fisco, clamar pela nulidade do processo administrativo “por não conter (...) os requisitos mínimos indispensáveis para a validade de uma acusação”, rebater o teor do Termo de Verificação Fiscal de que não teria apresentado documentos, que a Fiscalização não observou “procedimentos primários” durante a ação fiscal, que a Autoridade Tributária reportouse diretamente a seus clientes, o que implicaria em cerceamento do direito de defesa, que houve violação às disposições do artigo 142, do CTN, “em razão da ausência completa de critérios objetivos e previstos em lei na determinação das exigências tributárias (...) especialmente, no que tange a forma utilizada de alocação dos custos incorridos em cada ano, utilizado (...) para fins de apurar o lucro bruto relativo aos contratos “supostamente” de longo prazo”, que não se deduziram os créditos de PIS e COFINS quando dos lançamentos de tais exações e que houve inobservância dos benefícios do REIDI e dos recolhimentos efetuados pela impugnante, a defesa discorreu longamente sobre cada item apontado como irregular pelo Fisco, destacando, preambularmente que a Fiscalização “resolveu de forma absolutamente discricionária “criar” a sua própria planilha de apuração de resultados, desconsiderando as demonstrações contábeis da Impugnante, pois as entendeu como ilegais (...)”; que, “se de fato não foi entregue a documentação suficiente para apurar de forma correta o crédito tributário em questão, não cabia à administração criar um procedimento único e sob encomenda para a impugnante (...)”, e que, “portanto, se os registros contábeis fossem imprestáveis conforme relatado pela douta fiscalização, o único procedimento cabível a ser adotado seria o arbitramento, o que de fato não aconteceu” (impugnação – fls. 1076/1077). A seguir, pontuou que informações que deram suporte aos lançamentos foram obtidas junto a terceiros, muitas das quais não foram juntadas aos autos, em desrespeito ao artigo 9º do PAF (que transcreve), assenta que o “desconhecimento da documentação utilizada pela autoridade para motivar os seus fundamentos (...) “obriga” a Impugnante a fazer um exercício de “adivinhação” (...) incabível num processo administrativo onde a busca da verdade material é princípio”, concluindo ter havido cerceamento ao seu legítimo direito de defesa, sendo, “portanto, inquestionável a NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM TELA” (transcreve jurisprudência a respeito). Pontuou, após reproduzir o artigo 142, do CTN, que “a fiscalização claramente olvidouse de determinar de forma diligente, legítima e dentro dos parâmetros legais o montante dos tributos lançados (...) na medida em que os valores apurados (...) não contemplam os requisitos de certeza e liquide , indispensáveis ao lançamento de um tributo”, e que, “adotou critérios subjetivos e discricionários, sem qualquer embasamento legal, para identificar a “suposta” alocação dos custos (...) para fins de apurar o lucro bruto dos contratos firmados (...) e não considerou (...) valores já recolhidos a título de estimativas mensais (...) assim como (...) ignorou o direito à utilização do benefício fiscal concedido pela SUDENE no exercício de 2010”. Diz que em relação à apuração do PIS e da COFINS a Fiscalização adotou a apuração “com base no regime de caixa, NÃO PREVISTO EM LEI, uma vez que a base de cálculo destas contribuições é a receita auferida e, não, o simples recebimento a título de adiantamentos de clientes”, além de ter havido “desconsideração de créditos apurados com base na sistemática das Leis nº 10.632/2002 e 10.833/2003”. No mais, sustentou que o Fisco, sem previsão legal e em uma segregação subjetiva, alocou os custos incorridos da impugnante para “inferir o montante do lucro bruto do período”, tomando como base os “principais custos de importação informados nas Declarações de Importação (DI)”, o que seria inadmissível posto que “estes valores não podem ser considerados como custos em consentâneo com as melhores práticas contábeis”, quando “o custo somente é reconhecido (...) no momento da venda do bem, enquanto isto trata se meramente de ativo, ou melhor, estoque”. Pontua que seus custos só são reconhecidos nas suas contas contábeis “quando da venda dos fatos geradores”, momento em que “é observado o princípio do confronto das receitas com as despesas correspondentes”. Critica a forma de apuração adotada pelo Fisco, que diz ter sido “realizada com base em critérios subjetivos, definidos de forma unilateral e sem qualquer embasamento em lei”, ignorando os documentos da empresa e registrando valores em duplicidade. Traz quadros com os quais pretende demonstrar a impropriedade do trabalho fiscal (impugnação – fls. 1083/1084) e prossegue discursando que os lançamentos não trazem qualquer método que permita identificar a composição do crédito tributário, e que teria havido afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade, violando, por conseguinte, os artigos 2º e 50, da Lei nº 9.784/1999 (que reproduz). Reportouse à doutrina e segue afirmando que, mediante um exercício de apuração estimada, demonstrará “de forma definitiva a completa insubsistência do cálculo feito (...) para apuração de IRPJ e CSLL, através do procedimento comumente conhecido como “método POC (Percentage of Completion)” aplicável aos contratos de longo prazo”, documento que nominou de “Doc. 07”, insurgindose contra a ação do Fisco que teria desconsiderado os valores recolhidos a título de estimativa mensal nos anos de 2009 e 2010, sendo R$ 31.935.165,19 como IRPJ e R$ 11.829.990,42 de CSLL. Alegou não ter ocorrido dedução nos lançamentos de IRPJ, dos valores referentes ao IRRF constantes nos balancetes de 2009 e 2010, somando R$ 883.553,98 (Doc. 12), reproduz jurisprudência do CARF e finaliza o tópico ponderando que a Fiscalização não levou em conta na apuração do IRPJ 2010, o benefício fiscal da SUDENE (Doc. 10), ao tempo que incluiu indevidamente nos lançamentos montantes relativos a provisões realizadas a título de garantia (R$ 8.841.581,81) e outras despesas (R$ 18.808.294,20), já oferecidas à tributação, como demonstrará na sequência. Destacou o regime de apuração das contribuições do PIS e da COFINS (não cumulativo) e afirma que o Fisco desprezou os créditos a que teria direito, maculando os lançamentos. Ressalta possuir créditos acumulados de R$ 50.531.577,04 de COFINS e R$ 10.970.577,04 de PIS (Doc. 11), conforme informado nos balancetes mensais e DACON´s (Docs. 12 e 13), valores que, se considerados pela Fiscalização, reduziriam substancialmente os lançamentos (junta demonstrativo – Doc. 14). Acentua que tal procedimento leva à nulidade dos autos de infração, reportase a jurisprudência, legislação e doutrina e finaliza (impugnação– fl. 1092). Quanto ao mérito, dividiu sua Impugnação para tratar inicialmente acerca da “legalidade e legitimidade da operação de empréstimo bancário firmando com o Banco ABC, iniciando ao afirmar que a omissão de receitas considerada pelo Fisco no valor de R$ 19.643.545,00, relativa à obrigação por empréstimo junto ao Banco ABC Brasil S/A e que seria suportada pelo artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, é incabível, como incabíveis seriam as glosas das despesas de IOF e financeiras vinculadas a tal operação. Para comprovar o alegado, depois de lembrar que “os auditores fiscais não demonstraram nenhum interesse em compreender uma simples operação de empréstimo, comumente praticada pelas empresas”, a defesa passou a descrever detalhadamente a operação. Segue referindose a dispositivos do Código Civil, trata da validade dos atos jurídicos, diz inexistir proibição a que se faça empréstimo junto a instituição financeira na qual não mantenha conta corrente, socorrese de doutrina, acrescenta que a prova que traz aos autos demonstra a correta e efetiva realização da operação (Cédula de Crédito Bancário nº 517709 e outros – Doc. 22), que, conseguintemente, o IOF e despesas vinculadas à referida operação são necessárias e úteis, portanto dedutíveis. Ponderou ser impossível compreender a sentença formulada pelo Fisco acerca do tema “Desconto Concedido Condicionalmente”, visto que a Autoridade Fiscal parece desconhecer o termo da locução “desalocar”, implicando em conclusões indevidas, especialmente em relação a uma suposta não apresentação de documentos por parte da impugnante, o que não ocorreu. Reportase aos anexos nominados de “Doc. 23”, descreve as operações que realizou com clientes seus (impugnação – fls. 1098/1099) e que as partes “comprometeramse a aceitar uma redução no preço final de cada contrato”, estandose diante de uma situação em que o desconto registrado seria decorrência apenas de redução da garantia oferecida pela vendedora (autuada), do tipo conhecido como “performance bond”, isto é, surgiu “única e exclusivamente de acordo comercial, em circunstâncias negociais, sem vinculação a qualquer procedimento ou obrigação posterior do seu cliente para garantilo”, como, por exemplo, “desconto pelo pagamento antecipado de fatura”. Concluiu, após registrar a legislação sobre a matéria (RIR/1999 e IN – SRF nº 390/2004) e jurisprudência do CARF, que “se o débito da despesa ocorreu em uma conta incorreta, continua sendo um débito a conta de resultado, o que reduz consequentemente o Lucro Real e a base de cálculo da CSLL”, e que, “uma mera classificação incorreta não tipifica a infração do art. 299 do RIR, muito menos a sua glosa, por isso, não tendo havido a efetiva motivação da glosa, ou a comprovação da inexistência da necessidade, utilidade, ou mesmo da documentação de suporte, não restará ao d. Julgador outra alternativa senão cancelar essa glosa, o que desde já requer a Impugnante”. Na sequência tratou da “inexigibilidade dos tributos sobre despesas não recuperadas”, comentando sobre a indevida conclusão do Fisco no sentido de não ter havido contabilização, como recuperação de custos, das multas contratuais que originalmente a impugnante arcou perante seus clientes e em relação às quais não teria buscado se ressarcir junto à sua única fornecedora de equipamentos no exterior e que é sua controladora. Aduz que “a divergência apontada pelo Fisco reside apenas na suposição, ilação de que – por se tratar de multa pelo atraso da entrega dos bens – esse descumprimento seria de responsabilidade exclusiva da sua fornecedora, a Suzlon Wind Energy S/A, contra a qual deveria a Impugnante pleitear o ressarcimento”, tendo havido, ainda na opinião dos Agentes Fiscais, “omissão no agir e negligência na conduta da SULZLON (...) BRASIL em buscar junto a sua fornecedora/controladora, a recuperação dos encargos sofridos por força das multas contratuais devidas aos Clientes no Brasil”. Mencionou ainda, que: “à exaustão, a fiscalização foi clara ao reconhecer que a Impugnante NÃO recebeu (recuperou) os valores das multas contratuais pagas em razão do atraso na sua execução”, e que, “se a Impugnante NUNCA recuperou os encargos sofridos por força das multas contratuais, NUNCA houve o ingresso de receitas, o que pó si só afasta a imprópria conclusão de que houvera OMISSÃO DE RECEITAS”. Pontua que o artigo 392, II, do RIR/1999 (que transcreve) define que “deverão ser computadas na determinação do lucro operacional as recuperações e devoluções de custos, sendo silente sobre uma tal expectativa de recuperação de custos”. Destaca que as multas assumidas decorreram não em razão de atrasos nos equipamentos, como pensou a Autoridade Fiscal, mas por razões de execução do projeto no Brasil, por diversos fatores, inerentes à própria atividade empresarial e que, ainda que assim não fosse, o prazo para buscar eventual ressarcimento não se expirou (Código Civil, art. 206, § 5º, inciso I), acrescentando que o Fisco tentou desconsiderar as operações em razão de serem estranhas, mas, questiona a defesa, “ser “estranha” é motivo para desconsideração de ato ou negócio jurídico”? Na sequência, depois de rebater as conclusões do Fisco de que as atividades da impugnante enquadrarseiam na forma de tributação dos “Contratos de Longo Prazo”, superiores a um ano, a preço certo, e afirmar que seu procedimento contábil esta consentâneo com as normas brasileiras sobre a matéria (“procedimento “corroborado por empresa de auditoria independente”), que lhe permite reconhecer a sua receita e seus custos tão somente no final dos contratos, após a emissão da respectiva nota fiscal (Doc. 25), o que afastaria ilações a respeito de eventual ação insidiosa de sua parte e que teria levado ao agravamento das multas, passa a discorrer sobre o que chama de “três tópicos que se correlacionam ao final”, sendo o primeiro, a “apresentação das normas contábeis aplicáveis à venda de bens cuja transferência somente ocorre no final do contrato”, o segundo, “os aspectos fundamentais (...) previstos nos Contratos de Fornecimento e Instalação de Turbinas Eólicas”, e o terceiro, a “natureza jurídica das operações realizadas (...) e (...) legislação tributária aplicável”. Passou então a discorrer sobre o que chamou “princípio da realização da receita”, discorrendo longamente sobre o tema, diz que, na forma do que dispõe o Código Civil, o lançamento das receitas exige a efetiva transferência do produto ou serviço ao cliente, referese a ensinamentos doutrinários e aos pronunciamentos e interpretações do CPC, CFC, CVM e organismos contábeis internacionais, que o Pronunciamento Técnico CPC nº 30 trata da forma e momento do reconhecimento das receitas e que, “desde Luca Pacioli, a receita e as despesas relacionadas à mesma transação devem ser reconhecidas no mesmo momento –simultaneamente – em cumprimento ao princípio da confrontação das despesas com as receitas (princípio de competência)”. Volta a referirse ao Pronunciamento Técnico CPC nº 30 e conclui não bastar que a receita, para fins de reconhecimento, seja conhecida, mensurável, impondose o adimplemento de outras condições, tais como a transferência ao comprador dos riscos e benefícios oriundos da propriedade dos bens, a possibilidade de determinar a despesa e a fruição dos benefícios econômicos da operação. Acerca do “contrato de fornecimento de turbinas eólicas firmados com os seus clientes” a contribuinte descreveu sua atividade e os Contratos de Fornecimento e Instalação de Turbinas Eólicas, “para execução em prazo inferior a 360 (...) dias”, firmados com seus clientes, reproduzindo alguns segmentos de contratos firmados com seus clientes, sustentando, em última análise, serem dois, basicamente, os tipos de aerogeradores que seu fornecedor disponibiliza, cabendo ao comprador definir qual deles desejaria adquirir e que a este cabia adotar as providências necessárias para preparação do parque eólico para fins de instalação das turbinas eólicas, “de modo que a Impugnante não participa do planejamento e definições gerais do projeto; limitandose a comprar e a instalar os aerogeradores de acordo com a planta fornecida”. A seguir apresenta, a título exemplificativo, um cronograma de execução, realçando que a finalização será sempre em prazo inferior a 360 dias (impugnação – fls. 1115/1116). Diz mais, que, “nos termos do contrato firmado de boa fé pelas partes integrantes, nas hipóteses de atraso do prazo previsto inferior a 01 (um) ano para a execução do fornecimento e instalação de turbinas eólicas pela Impugnante, ou das obras necessárias realizadas pelo cliente, há a previsão de aplicação de multa (cujo percentual varia de acordo com o cliente)”. E prossegue ser “óbvia a aplicação da multa: o parque eólico não está a ser construído por mero diletantismo dos contratantes da Impugnante, mas porquê essas empresas têm obrigação de fornecer energia no dia D do mês M do Ano A, sob pena de comprometer o suprimento de energia necessário ao abastecimento da nação”, e que, “é fundamental perceber que, como a instalação os aerogeradores, ocorre em etapas, somente após a conclusão de todo o projeto, é que efetivamente, há a entrega do bem ao cliente e, portanto, a transferência de sua respectiva titularidade, com a emissão das respectivas notas fiscais”. Acrescentou que “apenas neste momento os recebimentos das parcelas que compunham o preço tornamse certos (...); os custos diretos e indiretos e as despesas totais tornamse possíveis de mensurar e os riscos são de fato transferidos ao cliente, tudo em respeito à dinâmica prevista nos contratos” e acentua estar demonstrada “a natureza jurídica das operações realizadas e a legislação tributária aplicável viaavis a adequação do tratamento contábil adotado”, que a Fiscalização “esmerouse em utilizarse de estilo de redação realísticofantástico para por meio dele suportar o lançamento, buscando converter suposições e ilações em verdade material”, sendo, ainda no dizer da defesa, “uma verdadeira obra literária”, que a “Impugnante recomenda a leitura na íntegra”, desprovida de qualquer método em sua análise, sem fatos concretos que fundamentem suas conclusões. Depois de ressaltar possuir auditoria independente que audita sua escrituração, que seus contratos são do tipo “EPC – Engineering, Procurement and Comissioning”, modalidade em que “o contratado obrigase a adquirir bens e instalálos de acordo com as especificações requeridas pelo contratante e mediante o exercício da sua competência técnica, para entregálos ao final em condições plenas de operação pelo contratante, que então os receberá, os bens, em seu patrimônio”, lembrar que o contrato de compra e venda é “por definição, bilateral, oneroso e consensual” (reproduz artigos 481 e 482 do Código Civil), tratar da transferência de propriedade de bens móveis (transcreve art. 1267 do mesmo diploma legal e doutrina de J. X. Carvalho de Mendonça), acrescenta que a “materialização da operação de compra e venda, para fins jurídicos, comerciais e fiscais é a fatura, que configura a representação mercantil do pleno atendimento ao contrato de compra e venda, realizado de maneira tácita, eis que vendedor e comprador já concordaram com preço e produto”. Aditando: “ou seja, o instrumento que exterioriza o contrato de compra e venda é a nota fiscal, que deve acompanhar a mercadoria para fins fiscais e comerciais e que contabilmente é demonstrada pela figura do faturamento” (impugnação – fl. 1121). Na mesma linha, afirma que, “transferida a propriedade para o comprador, materializada a operação pela forma do faturamento, surge aí a obrigação fiscal de promover o reconhecimento e destaque dos tributos incidentes sobre as operações de venda, haja vista a ocorrência dos fatos geradores ensejadores destes tributos (notadamente PIS, COFINS e, de forma indireta, em decorrência da circulação e saída das mercadorias, o ICMS e o IPI”, e que, “as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (...) devem reconhecer o resultado de suas receitas pelo regime de competência”. Faz referência ao artigo 187, da Lei das S/A, comenta sobre as alterações trazidas ao mencionado diploma legal pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, particulariza que nestes dois últimos atos legislativos está disciplinado que “a escrituração fiscal sustentarseá na escrituração contábil e valerseá de livros auxiliares para a demonstração e (re)conciliação entre as eventuais divergências entre os preceitos e regras contábeis e fiscais” e que, “através da análise dos termos dos referidos contratos de compra e venda é possível conhecer a extensão e o alcance das suas disposições quanto à quintessência da operação econômica da Impugnante”. Apresenta um sumário das operações realizadas e voltase, novamente, à doutrina, para utilizar conceitos de contratos bilaterais e à jurisprudência e decisões da RFB para apoio da sua tese sobre faturamento antecipado e reconhecimento da receita. Destaca que apesar dos contratos preverem que as obras para instalação das torres, importações de peças e partes para utilização nas torres, importação de lâminas e equipamentos relacionados às turbinas, instalação das turbinas eólicas e comissionamento seriam implementadas em prazo inferior a 360 dias, “em alguns contratos surgiram controvérsias entre as partes envolvidas (...) resultando na sua suspensão, uma vez que houve incertezas quanto ao cumprimento dos seus termos, inclusive quanto ao adimplemento das parcelas acordadas”. Que teria sofrido “diversas constrições, alheias à sua vontade”, mas que os atrasos ocorridos “de forma alguma” implicariam no alongamento do período de instalação, e que, “tais prorrogações não têm o condão de modificar a cláusula contratual de prazo de execução”. Diz mais, que mesmo que a execução do objeto do contrato fosse superior a 360 dias, “este fato, por si só, nunca seria suficiente para obrigar a Impugnante a alterar a forma de reconhecimento de suas receitas”, posto que, no seu entender, “o fator determinante para a definição do momento deste reconhecimento (...) é o momento da efetiva tradição do bem”. Sustenta que o artigo 10, do Decretolei nº 1.598, de 1977, é inaplicável, visto que trata de situações “em que o bem é produzido pelo contratado, O QUE DEFINITIVAMENTO NÃO É O CASO”, diz que “produzir” significa “criar”, “fabricar”, (segundo Dicionário Michaelis), o que impediria a utilização do mencionado dispositivo legal. Concluiu o tópico (impugnação – fls. 1127), afirmando que “considerando que a Impugnante não produz aerogeradores, mas tão somente os importa e instala nos termos contratuais, é inaplicável, por todos os ângulos em que se analisar a questão, a possibilidade de aplicação da previsão do artigo 10 do Decretolei nº 1.598/78 (sic) no caso concreto”, razão pela qual “deve ser afastado o lançamento também quanto ao anteriormente exposto”. Afirmou a ilegalidade na constituição do crédito tributário, aduzindo que a autuação “abarca uma suposta falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre provisões a título de (i) garantia (R$ 8.841.581,81 na Conta 015840/ 51201690000) e (ii) outras despesas (R$ 18.808.294,20 na Conta 004441/ 511010101000) que, de acordo com o alegado pela fiscalização não teriam sido adicionados ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social”, rebate o entendimento fiscal trazendo informações e demonstrativos com os quais pretende mostrar o equívoco do Fisco, que há, inclusive, erro nos números apontados pela Autoridade Tributária e que os montantes foram oferecidos à tributação no anocalendário 2010, pelo que “insubsistente referido auto de infração também no que tange ao lançamento sobre provisões”. Defendeu ainda, que “quando da lavratura do presente auto de infração”, ignorado os valores recolhidos a título de estimativa e os montantes de IRRF, implicando na “equivocada, ilegal, dupla e majorada apuração dos débitos de IRPJ e CSLL para o período”. Que, mencionados valores importariam em R$ 31.935.165,19 e R$ 11.829.990,42, estimativas de IRPJ e CSLL, respectivamente, montantes recolhidos “seja mediante pagamento ou compensação”, além de R$ 883.553,98, “relativos aos exercícios de 2009 e 2010”. Aduz não ter o Fisco observado os benefícios da SUDENE a que faz jus desde 01/01/2010 e que os lançamentos estariam maculados, impondo sua anulação ou revisão. Trata dos lançamentos de PIS e COFINS reclamando a não concessão, pelo Fisco, dos créditos a que teria direito pelo regime da não cumulatividade. E arremata que, “por amor à argumentação, na remota hipótese desses julgadores admitirem que houvera omissão de receitas durante os anos calendários de 2009 e 2010, tal autuação fiscal nunca poderia prevalecer, uma vez que a Impugnante tinha direito a compensar integralmente as (i) estimativas pagas a título de IRPJ e CSLL e (ii) do crédito de PIS e COFINS, devendo, este direito ser reconhecido por esta Administração quando da apuração de eventual crédito tributário, ou no mínimo determinar diligência para apurálos caso dúvidas acerca dos seus valores ainda existam”. Relativamente à multa qualificada defendeu que sua aplicação exige que a Administração Tributária apresente provas, “e não simples “suspeitas”, “elocubrações”, análise panorâmica” e que a fraude “implica necessariamente em violação grave e frontal de deveres tributários principais e acessórios, tais como falsificar documentos, livros, etc.”. Traz jurisprudência, aduz que “a fraude à lei deve ser compreendida como uma ação ilícita que vise ludibriar a Administração”, reproduz mais jurisprudência do CARF, diz que a multa no patamar de 150% é “absolutamente desproporcional e confiscatória, conforme recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5511” e encerra ponderando que “em que pese a costumeira diligência que acreditamos caracterizar os procedimentos desta fiscalização, no caso em concreto, a fiscalização quedouse inerte na busca desta almejada verdade”. Concluídos os argumentos, faz um resumo do que expôs, apresenta seus pedidos (impugnação – fls. 1143/1144), protesta pela apresentação de novos documentos, pareceres e realização de diligência e requer, finalmente, que as intimações sejam direcionadas ao endereço do patrono da impugnante. A douta delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou como parcialmente procedente a Impugnação do Recorrente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, após relatar de forma detalhada as motivações que levaram à autuação e discorrer sobre a tempestividade do apelo, alega, em síntese, (i) a decadência do direito de lançar os créditos tributários relativos ao período compreendido entre Janeiro e Agosto de 2008; (ii) a nulidade da autuação, por descumprimento ao artigo 142 do CTN e aos princípios da legalidade e da tipicidade; (iii) a improcedência da autuação, tendo em vista a legitimidade e legalidade da contabilização dos contrato de fornecimento de turbinas eólicas (contrato de longo prazo); e (iv) da necessidade de reconhecimento de créditos de COFINS, devidamente escriturados e denominados como sendo "crédito usado como desconto da contribuição apurada na DACON". Como houve exoneração de parte do crédito tributário pelo DRJ, o acórdão também foi objeto de Recurso de Ofício. Este é o relatório.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em converter o julgamento em diligência,nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Trata-se o presente processo administrativo de autuação lavrada em face do Recorrente, Suzlon Energia Eólica do Brasil Ltda., em que o agente fiscal constituiu, de forma reflexa, créditos tributários de COFINS, depois de terem sido constadas supostas infrações à legislação tributária. O período de apuração objeto da autuação é de 01/01/2008 a 31/05/2010. Além deste processo, foram lavrados mais dois Autos de Infração em face do contribuinte em questão e que têm como base os mesmos fatos e fundamentos destes autos. O primeiro deles (processo nº 10380.729795/2013-91), cuja a discussão, inclusive já se encerrou no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constituiu créditos de IRPJ e CSLL em face do mesmo contribuinte. O outro processo lavrado é o de nº 10380.729799/2013-79 e constituiu créditos tributários referentes à contribuição ao PIS, sendo distribuído a este julgador para que fossem proferidas decisões conjuntas, evitando-se, assim, entendimentos diferentes sobre a mesma matéria em discussão. O processo de IRPJ e CSLL tramitou perante a 1ª Turma, 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, sendo negado provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício por aquele colegiado. O Recurso Especial apresentado pelo contribuinte teve o seu seguimento negado, nos termos de Despacho proferido em 23 de Novembro de 2017, sendo os autos remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. Como os fatos e fundamentos do presente processo são idênticos ao processo principal, pede-se venia para reproduzir o relatório do acórdão nº 1301-001.828, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, nos autos do processo de nº 10380.729795/2013-91, uma vez que sintetiza toda a discussão ora travada: Cuida-se de Recurso Voluntário e de Ofício, manuseados contra decisão proferida pela 13ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. De acordo com o que disposto no presente processo administrativo, em desfavor da contribuinte acima identificada foram lavrados Autos de Infração relativos aos anos-calendário de 2008, 2009 e 2010, atinentes ao IRPJ e demais reflexos, incluindose o principal, multa qualificada de 150% e juros de mora. Ainda de acordo com as peças do presente processo, a ação fiscal iniciou-se com o Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 318/325), requisitando-se a apresentação ou disponibilização dos Livros e documentos típicos, outros documentos requisitando diversos esclarecimentos acerca de sua escrituração, tudo devidamente suportado por documentos hábeis e idôneos. Segundo registrou-se, não havendo atendimento, lavraram-se novos Termos (fls. 326/327) e a partir de 13/09/2013 a fiscalizada passou a prestar as informações que entendia cabíveis (fls. 330 e 333/341), havendo, desta data e até o encerramento da Ação Fiscal em 24/10/2013 (fls. 1063/1064), com a lavratura dos autos de infração, diversos Termos de autoria do Fisco e respostas da contribuinte, acompanhadas de documentos (fls. 342/895). Anotou-se ainda (fls. 896/925) que o contribuinte juntou o LALUR (fls.926/1058), cópias das DIPJ do período fiscalizado (fls. 1059/1062), cópia do SAPLI que controla, em âmbito interno da Receita Federal, os valores dos prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas de CSLL. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 60/79), a Fiscalização relatou o resumo de todo o procedimento levado a efeito, inclusive as respostas e manifestações feitas pela fiscalizada, discorrendo sobre as irregularidades apuradas, descrevendo o objeto da ação fiscal e a atividade econômica da autuada, para explicitar que a contribuinte opera no setor de tecnologia de energia alternativa (eólica), fornecendo aerogeradores e que sua atividade operacional pode ser resumida em importação, venda e serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados por seus clientes, asseverando ainda que “à vista das dimensões dos equipamentos (...) as importações eram feitas sob encomenda prévia”, de tal modo que “não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças (...) que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas préacertadas”, e que, “diante dessas peculariedades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de “negócios de longo prazo”, com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício”. Ainda segundo a Fiscalização: i) que, “neste peculiar contexto de atividade operacional (...) o Fisco já vinha monitorando a evolução anual da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA”; que, “no monitoramento visualizado ano a ano, este órgão fiscal já vinha observando discrepâncias relevantes”; que, “enquanto de um lado, conservava-se ausente um nível condizente de recolhimento de tributos, comparando-se com a evolução de suas atividades operacionais, de outro lado, causava espécie o volume de créditos fiscais que o contribuinte indicava-se como titular”; que, “criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S (...) também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende”; que, “esta circunstância dupla de relação comercial deve ser muito bem compreendida, tratada e monitorada pelo Fisco”; que, “foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos (...) com seus Clientes (...) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes”, e que, “o total dos contratos (...) ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (...) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução”. Diz ter recebido, via Ouvidoria da RFB, denúncia anônima contra a fiscalizada relatando a ocorrência de irregularidades contábeis e fiscais, assevera que tal denúncia teve efeito apenas informativo daquilo que o Fisco já sabia sobre a empresa, que não fora utilizada como prova a fundamentar o lançamento de ofício, refere-se a entendimento da Corte Suprema acerca do assunto e prossegue: ii) que, “colocadas estas questões, (...) cabe descrever a realidade contábil e fiscal da empresa (...) encontrada por esta Fiscalização ao longo dos procedimentos de auditoria contábil-fiscal realizados nos seus arquivos e livros da escrituração”; iii) que, “ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades nas conduta da empresa (...) desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010)”; iv) que, “convinha averiguar (...) a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (...) pautou-se por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional”; v) que, “restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo (...) superior a um ano, a preço certo”, e que, “para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010”; vi) que, “como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração (....) restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo”. Ainda de acordo com a Fiscalização, referindo-se à legislação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS: vii) que, “em verdade, o que se viu (...) foi a utilização de um critério contábil-fiscal para registro dos custos totais dos Contratos de Longo Prazo e dos seus respectivos preços totais, sem qualquer autorização legal para tal”; viii) que, “a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anos-calendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o anocalendário de 2007, quando, de um lado, já incorria – inapelavelmente – em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes, e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos”; ix) que, “somente uma visão do planejamento tributário com natureza visível de evasão fiscal que a empresa tentou implantar com quase sucesso – note que o ano de 2007 já se encontra inapelavelmente decaído (...) pode explicar os detalhes dos resultados que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha em mente de auferir na realidade, de forma consciente e astuciosa” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 65). Após destacar que a contribuinte tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE (redução de 75% do IRPJ), prosseguiu: x) que, “no afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício da empresa”, e que, “a técnica para tal foi “fabricar” prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações”; xi) que, “como os contratos (...) datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos”; xii) que, “acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010”, e, “com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo “fabrica” prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que foi deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria a partir do anocalendário de 2010”. Na mesma toada, seguiu a Fiscalização afirmando que, com este procedimento, a autuada, “já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contrato de Longo Prazo (...) pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010”, pontua que a SUZLON tinha os benefícios do Programa REIDI, que concede suspensão de PIS e COFINS nos casos indicados e que, ainda assim, os preços originários que deveriam ser recebidos de seus Clientes mantinhamse com as referidas contribuições embutidas, sem que, entretanto, houvesse recolhimentos de mencionadas contribuições ao Tesouro Nacional. Asseverou que foi “diante desta realidade (...) que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação”; que, para esta providência, “tentou, por reiteradas vezes (...) obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional”, e que, mesmo com a conduta dificultosa da empresa, não fornecendo os dados requeridos pela Autoridade Tributária, ainda assim, “nada disso constituiuse em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados”, destacando que, “de posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010, pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 e 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI´s), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados)” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 67). Diz ainda que, “como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles”. Esclareceu a Fiscalização que as planilhas com os cálculos estão anexadas ao Termo de Verificação e continua discorrendo que, “como essa auditoria tinha como foco principal o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL e demais contribuições sociais, foi promovida uma averiguação geral na escrituração do contribuinte”, e que, diante de tal cenário, “esta fiscalização enveredou pela análise minuciosa do Passivo registrado como Empréstimo em 31.12.2009, lançado como Obrigação por Empréstimo contraído junto ao BANCO ABC BRASIL S/A.”. Expõe, a respeito, ser intrigante o fato de a fiscalizada não ter registros, em sua contabilidade, de conta corrente junto a tal instituição financeira. Na sequência, pontuou ter igualmente buscado esclarecimentos acerca da dedutibilidade do valor de R$ 1.500.000,00 levado a débito da Conta de Despesas Financeiras/Descontos Concedidos em 14.10.2009, que foi encerrada contra Resultado do Exercício, montante que, por ter sido escriturado pela autuada como “Desconto Concedido Condicionalmente”, deveria ser tido como “dedução da Receita Bruta para apuração da Receita Líquida, para posterior Adição ao Lucro Líquido para efeito de apuração do Lucro Real”; que, “por não ser desconto incondicional, essa adição obrigatória não pode ser neutralizada pela simples desalocação do valor em conta direta de Despesa Financeira”, e que, “se há a indedutibilidade legal, impossível a dedutibilidade por transposição de classificação contábil”. Seguiu na acusação tratando das “Multas Contratuais”, expondo: xiii) que, “desde o Termo de Início de Fiscalização (...) essa auditoria aborda a questão das MULTAS CONTRATUAIS debitadas pela SUZLON (...) à Conta de Custos e de Despesas Operacionais nos anos de 2009 (R$ 28.711.100,00, na Conta 012058/ 512090128000 CUSTOS GERAIS NA PRODUÇÃO/DESPESAS COM MULTAS CONTRATUAIS e R$ 39.787.086,85, na Conta 013455/ 531090163000 DESPESAS GERAIS/MULTAS CONTRATUAIS) e 2010 (R$ 6.795.197,50, na Conta 013455/ 531090166000 DESPESAS GERAIS/MULTAS CONTRATUAIS) e encerradas contra Resultados dos Exercícios respectivos”; xiv) que, “as indagações corriam por dois fundamentos (...): a) cumprimento dos requisitos para a dedutibilidade”, e , “b) caracterização de despesas operacionais possíveis , porém incursas no qualificativo de “Despesas Recuperáveis”, previstas na legislação do Imposto de Renda e dos demais tributos e contribuições sociais”; xv) que, “a dialética processual instaurada junto ao contribuinte permitiu ao Fisco conhecer o “fato gerador específico” dessas multas contratuais”, e que, segundo a SUZLON, sua origem adviria de cláusula prevista nos Contratos assinados com seus Clientes e que “as multas eram mensuradas conforme os montantes diários de atraso na entrega dos bens e serviços”. Após afirmar que “os documentos que totalizam as MULTAS CONTRATUAIS dos anos de 2009 e 2010 não foram fornecidos ao Fisco pela SUZLON”, prosseguiu a Autoridade Tributária (Termo de Verificação Fiscal – fl. 70), fazendo as devidas ponderações. Na sequência, a Fiscalização tratou da apuração dos resultados dos Contratos de Longo Prazo, “efetivados conforme os preceitos do artigo 407 do RIR/99 e IN SRF nº 021/79”, explicitando que “a empresa resolveu quedarse silente sobre a conduta adotada”, tendo ignorado os pedidos da Fiscalização para apresentar “as Planilhas de apuração dos custos incorridos ano a ano, das receitas reconhecidas ano a ano e de todos os demais dados necessários para a construção das tabelas indicativas referentes ao Lucro Bruto de cada período de apuração”. Adiante, depois de destacar que “os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de nº 03”; que, “na metodologia apresentada pela SUZLON (...) não há apuração de resultado em 2007 e em 2008”, e que, “em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a “fabricar” o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo”, a Fiscalização enfatiza (Termo de Verificação Fiscal – fls. 73). Aditivamente assinalou que, “cabe deixar registrado que a estratégia da SUZLON (...) para cumular os valores em 2009 e 2010 necessitou a contabilização de todo o custo incorrido nos anos de 2007 e 2008 em conta de ESTOQUE, o que constitui irregularidade na sistemática de apuração dos resultados com contratos de longo prazo”; que, “em 2009, essa prática se repetiu quase que integralmente”, e “já em 2010, os ESTOQUES são “esvaziados”. Para acrescentar que, “com estas explicações o Fisco desnuda a conduta da empresa e a caracteriza como prática concernente à presença do evidente intuito de fraude, dado o conjunto de circunstâncias já enumeradas”. E prosseguir acusando que “como consequência de todos estes cálculos de ofício que levaram aos Quadros de nº 01 a 03, foi necessário refazer as DRE´s dos anos calendário de 2008, 2009 e 2010, de modo que restassem individualizados o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL em cada um deles”, registrando a não apresentação do LALUR relativo ao anocalendário 2010. Passou a Fiscalização a tratar das irregularidades que entendeu presentes relativamente ao PIS e à COFINS, destacando, em síntese, que a autuada “deveria ter apurado as bases as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos”, e que, “como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes”. Comentou sobre o Programa de Benefícios do REIDI e encerra afirmando ser imperativo o lançamento de ofício para constituição dos créditos tributários do PIS e da COFINS, com observância do regime da NãoCumulatividade, procedimento que deve ser adotado também em relação a eventuais créditos legitimamente escriturados, observada a legislação de regência. Detalhou as razões de fato e direito que levaram à qualificação da multa de ofício, elevandoa ao patamar de 150%, reportase aos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, faz retrospectiva do procedimento fiscalizatório. Os autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram lavrados (fls. 2 a 57), com Termo de Encerramento (fls. 1063/1064). A ciência da contribuinte está encartada às fls. 58 a 59, tendo apresentado Impugnação (fls. 1069/1145), juntando documentos apensados às fls. 1156 a 3764. Posteriormente, após o término do prazo de impugnação, juntou novos documentos em 22/01/2014 (fls. 3821/4200) e em 03/02/2014 (fls. 4203/4244). Na sua peça de defesa, depois de fazer um breve resumo dos fatos, referirse às irregularidades apontadas pelo Fisco, clamar pela nulidade do processo administrativo “por não conter (...) os requisitos mínimos indispensáveis para a validade de uma acusação”, rebater o teor do Termo de Verificação Fiscal de que não teria apresentado documentos, que a Fiscalização não observou “procedimentos primários” durante a ação fiscal, que a Autoridade Tributária reportouse diretamente a seus clientes, o que implicaria em cerceamento do direito de defesa, que houve violação às disposições do artigo 142, do CTN, “em razão da ausência completa de critérios objetivos e previstos em lei na determinação das exigências tributárias (...) especialmente, no que tange a forma utilizada de alocação dos custos incorridos em cada ano, utilizado (...) para fins de apurar o lucro bruto relativo aos contratos “supostamente” de longo prazo”, que não se deduziram os créditos de PIS e COFINS quando dos lançamentos de tais exações e que houve inobservância dos benefícios do REIDI e dos recolhimentos efetuados pela impugnante, a defesa discorreu longamente sobre cada item apontado como irregular pelo Fisco, destacando, preambularmente que a Fiscalização “resolveu de forma absolutamente discricionária “criar” a sua própria planilha de apuração de resultados, desconsiderando as demonstrações contábeis da Impugnante, pois as entendeu como ilegais (...)”; que, “se de fato não foi entregue a documentação suficiente para apurar de forma correta o crédito tributário em questão, não cabia à administração criar um procedimento único e sob encomenda para a impugnante (...)”, e que, “portanto, se os registros contábeis fossem imprestáveis conforme relatado pela douta fiscalização, o único procedimento cabível a ser adotado seria o arbitramento, o que de fato não aconteceu” (impugnação – fls. 1076/1077). A seguir, pontuou que informações que deram suporte aos lançamentos foram obtidas junto a terceiros, muitas das quais não foram juntadas aos autos, em desrespeito ao artigo 9º do PAF (que transcreve), assenta que o “desconhecimento da documentação utilizada pela autoridade para motivar os seus fundamentos (...) “obriga” a Impugnante a fazer um exercício de “adivinhação” (...) incabível num processo administrativo onde a busca da verdade material é princípio”, concluindo ter havido cerceamento ao seu legítimo direito de defesa, sendo, “portanto, inquestionável a NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM TELA” (transcreve jurisprudência a respeito). Pontuou, após reproduzir o artigo 142, do CTN, que “a fiscalização claramente olvidouse de determinar de forma diligente, legítima e dentro dos parâmetros legais o montante dos tributos lançados (...) na medida em que os valores apurados (...) não contemplam os requisitos de certeza e liquide , indispensáveis ao lançamento de um tributo”, e que, “adotou critérios subjetivos e discricionários, sem qualquer embasamento legal, para identificar a “suposta” alocação dos custos (...) para fins de apurar o lucro bruto dos contratos firmados (...) e não considerou (...) valores já recolhidos a título de estimativas mensais (...) assim como (...) ignorou o direito à utilização do benefício fiscal concedido pela SUDENE no exercício de 2010”. Diz que em relação à apuração do PIS e da COFINS a Fiscalização adotou a apuração “com base no regime de caixa, NÃO PREVISTO EM LEI, uma vez que a base de cálculo destas contribuições é a receita auferida e, não, o simples recebimento a título de adiantamentos de clientes”, além de ter havido “desconsideração de créditos apurados com base na sistemática das Leis nº 10.632/2002 e 10.833/2003”. No mais, sustentou que o Fisco, sem previsão legal e em uma segregação subjetiva, alocou os custos incorridos da impugnante para “inferir o montante do lucro bruto do período”, tomando como base os “principais custos de importação informados nas Declarações de Importação (DI)”, o que seria inadmissível posto que “estes valores não podem ser considerados como custos em consentâneo com as melhores práticas contábeis”, quando “o custo somente é reconhecido (...) no momento da venda do bem, enquanto isto trata se meramente de ativo, ou melhor, estoque”. Pontua que seus custos só são reconhecidos nas suas contas contábeis “quando da venda dos fatos geradores”, momento em que “é observado o princípio do confronto das receitas com as despesas correspondentes”. Critica a forma de apuração adotada pelo Fisco, que diz ter sido “realizada com base em critérios subjetivos, definidos de forma unilateral e sem qualquer embasamento em lei”, ignorando os documentos da empresa e registrando valores em duplicidade. Traz quadros com os quais pretende demonstrar a impropriedade do trabalho fiscal (impugnação – fls. 1083/1084) e prossegue discursando que os lançamentos não trazem qualquer método que permita identificar a composição do crédito tributário, e que teria havido afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade, violando, por conseguinte, os artigos 2º e 50, da Lei nº 9.784/1999 (que reproduz). Reportouse à doutrina e segue afirmando que, mediante um exercício de apuração estimada, demonstrará “de forma definitiva a completa insubsistência do cálculo feito (...) para apuração de IRPJ e CSLL, através do procedimento comumente conhecido como “método POC (Percentage of Completion)” aplicável aos contratos de longo prazo”, documento que nominou de “Doc. 07”, insurgindose contra a ação do Fisco que teria desconsiderado os valores recolhidos a título de estimativa mensal nos anos de 2009 e 2010, sendo R$ 31.935.165,19 como IRPJ e R$ 11.829.990,42 de CSLL. Alegou não ter ocorrido dedução nos lançamentos de IRPJ, dos valores referentes ao IRRF constantes nos balancetes de 2009 e 2010, somando R$ 883.553,98 (Doc. 12), reproduz jurisprudência do CARF e finaliza o tópico ponderando que a Fiscalização não levou em conta na apuração do IRPJ 2010, o benefício fiscal da SUDENE (Doc. 10), ao tempo que incluiu indevidamente nos lançamentos montantes relativos a provisões realizadas a título de garantia (R$ 8.841.581,81) e outras despesas (R$ 18.808.294,20), já oferecidas à tributação, como demonstrará na sequência. Destacou o regime de apuração das contribuições do PIS e da COFINS (não cumulativo) e afirma que o Fisco desprezou os créditos a que teria direito, maculando os lançamentos. Ressalta possuir créditos acumulados de R$ 50.531.577,04 de COFINS e R$ 10.970.577,04 de PIS (Doc. 11), conforme informado nos balancetes mensais e DACON´s (Docs. 12 e 13), valores que, se considerados pela Fiscalização, reduziriam substancialmente os lançamentos (junta demonstrativo – Doc. 14). Acentua que tal procedimento leva à nulidade dos autos de infração, reportase a jurisprudência, legislação e doutrina e finaliza (impugnação– fl. 1092). Quanto ao mérito, dividiu sua Impugnação para tratar inicialmente acerca da “legalidade e legitimidade da operação de empréstimo bancário firmando com o Banco ABC, iniciando ao afirmar que a omissão de receitas considerada pelo Fisco no valor de R$ 19.643.545,00, relativa à obrigação por empréstimo junto ao Banco ABC Brasil S/A e que seria suportada pelo artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, é incabível, como incabíveis seriam as glosas das despesas de IOF e financeiras vinculadas a tal operação. Para comprovar o alegado, depois de lembrar que “os auditores fiscais não demonstraram nenhum interesse em compreender uma simples operação de empréstimo, comumente praticada pelas empresas”, a defesa passou a descrever detalhadamente a operação. Segue referindose a dispositivos do Código Civil, trata da validade dos atos jurídicos, diz inexistir proibição a que se faça empréstimo junto a instituição financeira na qual não mantenha conta corrente, socorrese de doutrina, acrescenta que a prova que traz aos autos demonstra a correta e efetiva realização da operação (Cédula de Crédito Bancário nº 517709 e outros – Doc. 22), que, conseguintemente, o IOF e despesas vinculadas à referida operação são necessárias e úteis, portanto dedutíveis. Ponderou ser impossível compreender a sentença formulada pelo Fisco acerca do tema “Desconto Concedido Condicionalmente”, visto que a Autoridade Fiscal parece desconhecer o termo da locução “desalocar”, implicando em conclusões indevidas, especialmente em relação a uma suposta não apresentação de documentos por parte da impugnante, o que não ocorreu. Reportase aos anexos nominados de “Doc. 23”, descreve as operações que realizou com clientes seus (impugnação – fls. 1098/1099) e que as partes “comprometeramse a aceitar uma redução no preço final de cada contrato”, estandose diante de uma situação em que o desconto registrado seria decorrência apenas de redução da garantia oferecida pela vendedora (autuada), do tipo conhecido como “performance bond”, isto é, surgiu “única e exclusivamente de acordo comercial, em circunstâncias negociais, sem vinculação a qualquer procedimento ou obrigação posterior do seu cliente para garantilo”, como, por exemplo, “desconto pelo pagamento antecipado de fatura”. Concluiu, após registrar a legislação sobre a matéria (RIR/1999 e IN – SRF nº 390/2004) e jurisprudência do CARF, que “se o débito da despesa ocorreu em uma conta incorreta, continua sendo um débito a conta de resultado, o que reduz consequentemente o Lucro Real e a base de cálculo da CSLL”, e que, “uma mera classificação incorreta não tipifica a infração do art. 299 do RIR, muito menos a sua glosa, por isso, não tendo havido a efetiva motivação da glosa, ou a comprovação da inexistência da necessidade, utilidade, ou mesmo da documentação de suporte, não restará ao d. Julgador outra alternativa senão cancelar essa glosa, o que desde já requer a Impugnante”. Na sequência tratou da “inexigibilidade dos tributos sobre despesas não recuperadas”, comentando sobre a indevida conclusão do Fisco no sentido de não ter havido contabilização, como recuperação de custos, das multas contratuais que originalmente a impugnante arcou perante seus clientes e em relação às quais não teria buscado se ressarcir junto à sua única fornecedora de equipamentos no exterior e que é sua controladora. Aduz que “a divergência apontada pelo Fisco reside apenas na suposição, ilação de que – por se tratar de multa pelo atraso da entrega dos bens – esse descumprimento seria de responsabilidade exclusiva da sua fornecedora, a Suzlon Wind Energy S/A, contra a qual deveria a Impugnante pleitear o ressarcimento”, tendo havido, ainda na opinião dos Agentes Fiscais, “omissão no agir e negligência na conduta da SULZLON (...) BRASIL em buscar junto a sua fornecedora/controladora, a recuperação dos encargos sofridos por força das multas contratuais devidas aos Clientes no Brasil”. Mencionou ainda, que: “à exaustão, a fiscalização foi clara ao reconhecer que a Impugnante NÃO recebeu (recuperou) os valores das multas contratuais pagas em razão do atraso na sua execução”, e que, “se a Impugnante NUNCA recuperou os encargos sofridos por força das multas contratuais, NUNCA houve o ingresso de receitas, o que pó si só afasta a imprópria conclusão de que houvera OMISSÃO DE RECEITAS”. Pontua que o artigo 392, II, do RIR/1999 (que transcreve) define que “deverão ser computadas na determinação do lucro operacional as recuperações e devoluções de custos, sendo silente sobre uma tal expectativa de recuperação de custos”. Destaca que as multas assumidas decorreram não em razão de atrasos nos equipamentos, como pensou a Autoridade Fiscal, mas por razões de execução do projeto no Brasil, por diversos fatores, inerentes à própria atividade empresarial e que, ainda que assim não fosse, o prazo para buscar eventual ressarcimento não se expirou (Código Civil, art. 206, § 5º, inciso I), acrescentando que o Fisco tentou desconsiderar as operações em razão de serem estranhas, mas, questiona a defesa, “ser “estranha” é motivo para desconsideração de ato ou negócio jurídico”? Na sequência, depois de rebater as conclusões do Fisco de que as atividades da impugnante enquadrarseiam na forma de tributação dos “Contratos de Longo Prazo”, superiores a um ano, a preço certo, e afirmar que seu procedimento contábil esta consentâneo com as normas brasileiras sobre a matéria (“procedimento “corroborado por empresa de auditoria independente”), que lhe permite reconhecer a sua receita e seus custos tão somente no final dos contratos, após a emissão da respectiva nota fiscal (Doc. 25), o que afastaria ilações a respeito de eventual ação insidiosa de sua parte e que teria levado ao agravamento das multas, passa a discorrer sobre o que chama de “três tópicos que se correlacionam ao final”, sendo o primeiro, a “apresentação das normas contábeis aplicáveis à venda de bens cuja transferência somente ocorre no final do contrato”, o segundo, “os aspectos fundamentais (...) previstos nos Contratos de Fornecimento e Instalação de Turbinas Eólicas”, e o terceiro, a “natureza jurídica das operações realizadas (...) e (...) legislação tributária aplicável”. Passou então a discorrer sobre o que chamou “princípio da realização da receita”, discorrendo longamente sobre o tema, diz que, na forma do que dispõe o Código Civil, o lançamento das receitas exige a efetiva transferência do produto ou serviço ao cliente, referese a ensinamentos doutrinários e aos pronunciamentos e interpretações do CPC, CFC, CVM e organismos contábeis internacionais, que o Pronunciamento Técnico CPC nº 30 trata da forma e momento do reconhecimento das receitas e que, “desde Luca Pacioli, a receita e as despesas relacionadas à mesma transação devem ser reconhecidas no mesmo momento –simultaneamente – em cumprimento ao princípio da confrontação das despesas com as receitas (princípio de competência)”. Volta a referirse ao Pronunciamento Técnico CPC nº 30 e conclui não bastar que a receita, para fins de reconhecimento, seja conhecida, mensurável, impondose o adimplemento de outras condições, tais como a transferência ao comprador dos riscos e benefícios oriundos da propriedade dos bens, a possibilidade de determinar a despesa e a fruição dos benefícios econômicos da operação. Acerca do “contrato de fornecimento de turbinas eólicas firmados com os seus clientes” a contribuinte descreveu sua atividade e os Contratos de Fornecimento e Instalação de Turbinas Eólicas, “para execução em prazo inferior a 360 (...) dias”, firmados com seus clientes, reproduzindo alguns segmentos de contratos firmados com seus clientes, sustentando, em última análise, serem dois, basicamente, os tipos de aerogeradores que seu fornecedor disponibiliza, cabendo ao comprador definir qual deles desejaria adquirir e que a este cabia adotar as providências necessárias para preparação do parque eólico para fins de instalação das turbinas eólicas, “de modo que a Impugnante não participa do planejamento e definições gerais do projeto; limitandose a comprar e a instalar os aerogeradores de acordo com a planta fornecida”. A seguir apresenta, a título exemplificativo, um cronograma de execução, realçando que a finalização será sempre em prazo inferior a 360 dias (impugnação – fls. 1115/1116). Diz mais, que, “nos termos do contrato firmado de boa fé pelas partes integrantes, nas hipóteses de atraso do prazo previsto inferior a 01 (um) ano para a execução do fornecimento e instalação de turbinas eólicas pela Impugnante, ou das obras necessárias realizadas pelo cliente, há a previsão de aplicação de multa (cujo percentual varia de acordo com o cliente)”. E prossegue ser “óbvia a aplicação da multa: o parque eólico não está a ser construído por mero diletantismo dos contratantes da Impugnante, mas porquê essas empresas têm obrigação de fornecer energia no dia D do mês M do Ano A, sob pena de comprometer o suprimento de energia necessário ao abastecimento da nação”, e que, “é fundamental perceber que, como a instalação os aerogeradores, ocorre em etapas, somente após a conclusão de todo o projeto, é que efetivamente, há a entrega do bem ao cliente e, portanto, a transferência de sua respectiva titularidade, com a emissão das respectivas notas fiscais”. Acrescentou que “apenas neste momento os recebimentos das parcelas que compunham o preço tornamse certos (...); os custos diretos e indiretos e as despesas totais tornamse possíveis de mensurar e os riscos são de fato transferidos ao cliente, tudo em respeito à dinâmica prevista nos contratos” e acentua estar demonstrada “a natureza jurídica das operações realizadas e a legislação tributária aplicável viaavis a adequação do tratamento contábil adotado”, que a Fiscalização “esmerouse em utilizarse de estilo de redação realísticofantástico para por meio dele suportar o lançamento, buscando converter suposições e ilações em verdade material”, sendo, ainda no dizer da defesa, “uma verdadeira obra literária”, que a “Impugnante recomenda a leitura na íntegra”, desprovida de qualquer método em sua análise, sem fatos concretos que fundamentem suas conclusões. Depois de ressaltar possuir auditoria independente que audita sua escrituração, que seus contratos são do tipo “EPC – Engineering, Procurement and Comissioning”, modalidade em que “o contratado obrigase a adquirir bens e instalálos de acordo com as especificações requeridas pelo contratante e mediante o exercício da sua competência técnica, para entregálos ao final em condições plenas de operação pelo contratante, que então os receberá, os bens, em seu patrimônio”, lembrar que o contrato de compra e venda é “por definição, bilateral, oneroso e consensual” (reproduz artigos 481 e 482 do Código Civil), tratar da transferência de propriedade de bens móveis (transcreve art. 1267 do mesmo diploma legal e doutrina de J. X. Carvalho de Mendonça), acrescenta que a “materialização da operação de compra e venda, para fins jurídicos, comerciais e fiscais é a fatura, que configura a representação mercantil do pleno atendimento ao contrato de compra e venda, realizado de maneira tácita, eis que vendedor e comprador já concordaram com preço e produto”. Aditando: “ou seja, o instrumento que exterioriza o contrato de compra e venda é a nota fiscal, que deve acompanhar a mercadoria para fins fiscais e comerciais e que contabilmente é demonstrada pela figura do faturamento” (impugnação – fl. 1121). Na mesma linha, afirma que, “transferida a propriedade para o comprador, materializada a operação pela forma do faturamento, surge aí a obrigação fiscal de promover o reconhecimento e destaque dos tributos incidentes sobre as operações de venda, haja vista a ocorrência dos fatos geradores ensejadores destes tributos (notadamente PIS, COFINS e, de forma indireta, em decorrência da circulação e saída das mercadorias, o ICMS e o IPI”, e que, “as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (...) devem reconhecer o resultado de suas receitas pelo regime de competência”. Faz referência ao artigo 187, da Lei das S/A, comenta sobre as alterações trazidas ao mencionado diploma legal pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, particulariza que nestes dois últimos atos legislativos está disciplinado que “a escrituração fiscal sustentarseá na escrituração contábil e valerseá de livros auxiliares para a demonstração e (re)conciliação entre as eventuais divergências entre os preceitos e regras contábeis e fiscais” e que, “através da análise dos termos dos referidos contratos de compra e venda é possível conhecer a extensão e o alcance das suas disposições quanto à quintessência da operação econômica da Impugnante”. Apresenta um sumário das operações realizadas e voltase, novamente, à doutrina, para utilizar conceitos de contratos bilaterais e à jurisprudência e decisões da RFB para apoio da sua tese sobre faturamento antecipado e reconhecimento da receita. Destaca que apesar dos contratos preverem que as obras para instalação das torres, importações de peças e partes para utilização nas torres, importação de lâminas e equipamentos relacionados às turbinas, instalação das turbinas eólicas e comissionamento seriam implementadas em prazo inferior a 360 dias, “em alguns contratos surgiram controvérsias entre as partes envolvidas (...) resultando na sua suspensão, uma vez que houve incertezas quanto ao cumprimento dos seus termos, inclusive quanto ao adimplemento das parcelas acordadas”. Que teria sofrido “diversas constrições, alheias à sua vontade”, mas que os atrasos ocorridos “de forma alguma” implicariam no alongamento do período de instalação, e que, “tais prorrogações não têm o condão de modificar a cláusula contratual de prazo de execução”. Diz mais, que mesmo que a execução do objeto do contrato fosse superior a 360 dias, “este fato, por si só, nunca seria suficiente para obrigar a Impugnante a alterar a forma de reconhecimento de suas receitas”, posto que, no seu entender, “o fator determinante para a definição do momento deste reconhecimento (...) é o momento da efetiva tradição do bem”. Sustenta que o artigo 10, do Decretolei nº 1.598, de 1977, é inaplicável, visto que trata de situações “em que o bem é produzido pelo contratado, O QUE DEFINITIVAMENTO NÃO É O CASO”, diz que “produzir” significa “criar”, “fabricar”, (segundo Dicionário Michaelis), o que impediria a utilização do mencionado dispositivo legal. Concluiu o tópico (impugnação – fls. 1127), afirmando que “considerando que a Impugnante não produz aerogeradores, mas tão somente os importa e instala nos termos contratuais, é inaplicável, por todos os ângulos em que se analisar a questão, a possibilidade de aplicação da previsão do artigo 10 do Decretolei nº 1.598/78 (sic) no caso concreto”, razão pela qual “deve ser afastado o lançamento também quanto ao anteriormente exposto”. Afirmou a ilegalidade na constituição do crédito tributário, aduzindo que a autuação “abarca uma suposta falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre provisões a título de (i) garantia (R$ 8.841.581,81 na Conta 015840/ 51201690000) e (ii) outras despesas (R$ 18.808.294,20 na Conta 004441/ 511010101000) que, de acordo com o alegado pela fiscalização não teriam sido adicionados ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social”, rebate o entendimento fiscal trazendo informações e demonstrativos com os quais pretende mostrar o equívoco do Fisco, que há, inclusive, erro nos números apontados pela Autoridade Tributária e que os montantes foram oferecidos à tributação no anocalendário 2010, pelo que “insubsistente referido auto de infração também no que tange ao lançamento sobre provisões”. Defendeu ainda, que “quando da lavratura do presente auto de infração”, ignorado os valores recolhidos a título de estimativa e os montantes de IRRF, implicando na “equivocada, ilegal, dupla e majorada apuração dos débitos de IRPJ e CSLL para o período”. Que, mencionados valores importariam em R$ 31.935.165,19 e R$ 11.829.990,42, estimativas de IRPJ e CSLL, respectivamente, montantes recolhidos “seja mediante pagamento ou compensação”, além de R$ 883.553,98, “relativos aos exercícios de 2009 e 2010”. Aduz não ter o Fisco observado os benefícios da SUDENE a que faz jus desde 01/01/2010 e que os lançamentos estariam maculados, impondo sua anulação ou revisão. Trata dos lançamentos de PIS e COFINS reclamando a não concessão, pelo Fisco, dos créditos a que teria direito pelo regime da não cumulatividade. E arremata que, “por amor à argumentação, na remota hipótese desses julgadores admitirem que houvera omissão de receitas durante os anos calendários de 2009 e 2010, tal autuação fiscal nunca poderia prevalecer, uma vez que a Impugnante tinha direito a compensar integralmente as (i) estimativas pagas a título de IRPJ e CSLL e (ii) do crédito de PIS e COFINS, devendo, este direito ser reconhecido por esta Administração quando da apuração de eventual crédito tributário, ou no mínimo determinar diligência para apurálos caso dúvidas acerca dos seus valores ainda existam”. Relativamente à multa qualificada defendeu que sua aplicação exige que a Administração Tributária apresente provas, “e não simples “suspeitas”, “elocubrações”, análise panorâmica” e que a fraude “implica necessariamente em violação grave e frontal de deveres tributários principais e acessórios, tais como falsificar documentos, livros, etc.”. Traz jurisprudência, aduz que “a fraude à lei deve ser compreendida como uma ação ilícita que vise ludibriar a Administração”, reproduz mais jurisprudência do CARF, diz que a multa no patamar de 150% é “absolutamente desproporcional e confiscatória, conforme recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5511” e encerra ponderando que “em que pese a costumeira diligência que acreditamos caracterizar os procedimentos desta fiscalização, no caso em concreto, a fiscalização quedouse inerte na busca desta almejada verdade”. Concluídos os argumentos, faz um resumo do que expôs, apresenta seus pedidos (impugnação – fls. 1143/1144), protesta pela apresentação de novos documentos, pareceres e realização de diligência e requer, finalmente, que as intimações sejam direcionadas ao endereço do patrono da impugnante. A douta delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou como parcialmente procedente a Impugnação do Recorrente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, após relatar de forma detalhada as motivações que levaram à autuação e discorrer sobre a tempestividade do apelo, alega, em síntese, (i) a decadência do direito de lançar os créditos tributários relativos ao período compreendido entre Janeiro e Agosto de 2008; (ii) a nulidade da autuação, por descumprimento ao artigo 142 do CTN e aos princípios da legalidade e da tipicidade; (iii) a improcedência da autuação, tendo em vista a legitimidade e legalidade da contabilização dos contrato de fornecimento de turbinas eólicas (contrato de longo prazo); e (iv) da necessidade de reconhecimento de créditos de COFINS, devidamente escriturados e denominados como sendo "crédito usado como desconto da contribuição apurada na DACON". Como houve exoneração de parte do crédito tributário pelo DRJ, o acórdão também foi objeto de Recurso de Ofício. Este é o relatório.

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1302­000.621  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  12 de junho de 2018  Assunto  COFINS  Recorrentes  SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA.              FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em converter o  julgamento em diligência,nos termos do relatório e voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  César  Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado  Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.  Relatório  Trata­se  o  presente  processo  administrativo  de  autuação  lavrada  em  face  do  Recorrente, Suzlon Energia Eólica do Brasil Ltda., em que o agente fiscal constituiu, de forma  reflexa, créditos  tributários de COFINS, depois de  terem sido  constadas  supostas  infrações à  legislação tributária. O período de apuração objeto da autuação é de 01/01/2008 a 31/05/2010.  Além deste processo,  foram  lavrados mais dois Autos de  Infração em  face do  contribuinte em questão e que têm como base os mesmos fatos e fundamentos destes autos.   O  primeiro  deles  (processo  nº  10380.729795/2013­91),  cuja  a  discussão,  inclusive  já  se  encerrou  no  âmbito  desse  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  constituiu créditos de IRPJ e CSLL em face do mesmo contribuinte.      RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 29 79 8/ 20 13 -2 4 Fl. 3782DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.783          2 O outro processo lavrado é o de nº 10380.729799/2013­79 e constituiu créditos  tributários referentes à contribuição ao PIS, sendo distribuído a este julgador para que fossem  proferidas  decisões  conjuntas,  evitando­se,  assim,  entendimentos  diferentes  sobre  a  mesma  matéria em discussão.  O processo de IRPJ e CSLL tramitou perante a 1ª Turma, 3ª Câmara da 1ª Seção  de  Julgamento,  sendo  negado  provimento  aos  Recursos  Voluntário  e  de  Ofício  por  aquele  colegiado. O Recurso Especial  apresentado  pelo  contribuinte  teve o  seu  seguimento  negado,  nos  termos de Despacho proferido em 23 de Novembro de 2017, sendo os autos  remetidos à  Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem.   Como  os  fatos  e  fundamentos  do  presente  processo  são  idênticos  ao  processo  principal, pede­se venia para reproduzir o relatório do acórdão nº 1301­001.828, proferido pela  1ª  Turma  Ordinária,  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  do  CARF,  nos  autos  do  processo  de  nº  10380.729795/2013­91, uma vez que sintetiza toda a discussão ora travada:  Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  e  de  Ofício,  manuseados  contra  decisão proferida pela 13ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP.  De acordo com o que disposto no presente processo administrativo, em  desfavor  da  contribuinte  acima  identificada  foram  lavrados  Autos  de  Infração relativos aos anos­calendário de 2008, 2009 e 2010, atinentes  ao  IRPJ e demais  reflexos,  incluindose o principal, multa qualificada  de 150% e juros de mora.  Ainda  de  acordo  com  as  peças  do  presente  processo,  a  ação  fiscal  iniciou­se  com  o  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal  (fls.  318/325),  requisitando­se  a  apresentação  ou  disponibilização  dos  Livros e documentos  típicos, outros documentos requisitando diversos  esclarecimentos  acerca  de  sua  escrituração,  tudo  devidamente  suportado por documentos hábeis e idôneos.  Segundo  registrou­se,  não  havendo  atendimento,  lavraram­se  novos  Termos (fls. 326/327) e a partir de 13/09/2013 a fiscalizada passou a  prestar  as  informações  que  entendia  cabíveis  (fls.  330  e  333/341),  havendo,  desta  data  e  até  o  encerramento  da  Ação  Fiscal  em  24/10/2013  (fls.  1063/1064),  com  a  lavratura  dos  autos  de  infração,  diversos  Termos  de  autoria  do  Fisco  e  respostas  da  contribuinte,  acompanhadas de documentos (fls. 342/895).  Anotou­se  ainda  (fls.  896/925)  que  o  contribuinte  juntou  o  LALUR  (fls.926/1058), cópias das DIPJ do período fiscalizado (fls. 1059/1062),  cópia do SAPLI que controla, em âmbito interno da Receita Federal, os  valores dos prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas de CSLL.  De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  60/79),  a  Fiscalização relatou o resumo de todo o procedimento levado a efeito,  inclusive  as  respostas  e  manifestações  feitas  pela  fiscalizada,  discorrendo  sobre as  irregularidades apuradas,  descrevendo o objeto  da ação fiscal e a atividade econômica da autuada, para explicitar que  a  contribuinte  opera  no  setor  de  tecnologia  de  energia  alternativa  (eólica),  fornecendo  aerogeradores  e  que  sua  atividade  operacional  pode ser resumida em importação, venda e serviços de instalação dos  equipamentos  nos  parques  eólicos  indicados  por  seus  clientes,  Fl. 3783DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.784          3 asseverando ainda que “à vista das dimensões dos equipamentos  (...)  as  importações  eram  feitas  sob  encomenda prévia”,  de  tal modo que  “não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação  de partes e peças (...) que compusessem estoques descompromissados,  fora  das  encomendas  préacertadas”,  e  que,  “diante  dessas  peculariedades  restou  fácil  concluir  que  as  operações  de  venda  e  instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela  legislação  tributária  de  “negócios  de  longo  prazo”,  com  prazos  de  execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício”.  Ainda  segundo  a  Fiscalização:  i)  que,  “neste  peculiar  contexto  de  atividade  operacional  (...)  o  Fisco  já  vinha  monitorando  a  evolução  anual  da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL  LTDA”;  que,  “no monitoramento  visualizado  ano  a ano,  este  órgão  fiscal  já  vinha  observando  discrepâncias  relevantes”;  que,  “enquanto  de  um  lado,  conservava­se ausente um nível condizente de recolhimento de tributos,  comparando­se  com  a  evolução  de  suas  atividades  operacionais,  de  outro  lado,  causava  espécie  o  volume  de  créditos  fiscais  que  o  contribuinte  indicava­se  como  titular”;  que,  “criada  em  2006,  a  empresa  é  integralmente  controlada  por  grupo  estrangeiro  indicado  como SUZLON WIND ENERGY A/S (...)   também  e  simultaneamente,  sua  própria  e  única  fornecedora  dos  aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende”;  que,  “esta  circunstância  dupla  de  relação  comercial  deve  ser  muito  bem compreendida, tratada e monitorada pelo Fisco”; que, “foi nessa  concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL  LTDA  assina  Contratos  (...)  com  seus  Clientes  (...)  para  venda  e  instalação  de  quase  duas  centenas  de  máquinas  Aerogeradoras  nos  diversos parques eólicos designados pelos adquirentes”, e que, “o total  dos  contratos  (...)  ultrapassava a  cifra de R$ 1.300.000.000,00  (...)  a  serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso  da execução”.  Diz  ter  recebido,  via Ouvidoria  da RFB,  denúncia  anônima  contra  a  fiscalizada  relatando  a  ocorrência  de  irregularidades  contábeis  e  fiscais,  assevera  que  tal  denúncia  teve  efeito  apenas  informativo  daquilo que o Fisco já sabia sobre a empresa, que não  fora utilizada  como  prova  a  fundamentar  o  lançamento  de  ofício,  refere­se  a  entendimento  da  Corte  Suprema  acerca  do  assunto  e  prossegue:  ii)  que,  “colocadas  estas  questões,  (...)  cabe  descrever  a  realidade  contábil e  fiscal da empresa (...) encontrada por esta Fiscalização ao  longo  dos  procedimentos  de  auditoria  contábil­fiscal  realizados  nos  seus  arquivos  e  livros  da  escrituração”;  iii)  que,  “ao  adentrar  no  corpo  orgânico  da  contabilidade  da  SUZLON  esta  auditoria  se  certificou  do  fato  de  que  era  evidente  a  presença  de  graves  anormalidades nas conduta da empresa (...) desde o ano de 2006 até o  último  ano  do  período  fiscalizado  (2010)”;  iv)  que,  “convinha  averiguar (...) a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado  evidentes prejuízos à Fazenda Pública; b)  se o proceder contábil  da  SUZLON ao longo dos anos considerados (...) pautou­se por conduta  voluntária  e  consciente,  no  sentido  de  auferir  vantagens  ilícitas  em  prejuízo  do  Tesouro  Nacional”;  v)  que,  “restou  claro,  de  imediato,  que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina  legal de  tributação dos Contratos de Longo Prazo  (...)  superior a um  Fl. 3784DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.785          4 ano, a preço certo”, e que, “para tal conclusão foram solicitados todos  os  contratos  assinados  com  os  Clientes,  que  envolvessem  o  fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e  2010”; vi) que, “como os contratos dessa natureza se enquadram em  uma regra própria de apuração (....)  restou  constatada  uma  conduta  desidiosa  e  de  absoluto  abandono  voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração  de Resultados dos Contratos de Longo Prazo”.  Ainda  de  acordo  com  a  Fiscalização,  referindo­se  à  legislação  do  IRPJ, CSLL, PIS e COFINS: vii) que, “em verdade, o que se viu (...) foi  a  utilização  de  um  critério  contábil­fiscal  para  registro  dos  custos  totais  dos  Contratos  de  Longo  Prazo  e  dos  seus  respectivos  preços  totais, sem qualquer autorização legal para tal”; viii) que, “a empresa  ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo  de seus  resultados e na  forma de conceber  suas bases de cálculo das  contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral  apenas  nos  anos­calendário  de  2009  e  2010,  ignorando  de  forma  voluntária  e  consciente,  os  impactos  que  deveria  reconhecer  desde  o  anocalendário  de  2007,  quando,  de  um  lado,  já  incorria  –  inapelavelmente –  em custos apropriados  relativos a  fornecimento de  bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados  com  seus  Clientes,  e,  de  outro,  em  faturamento  por  conta  do  igual  cumprimento  desses  contratos”;  ix)  que,  “somente  uma  visão  do  planejamento  tributário  com  natureza  visível  de  evasão  fiscal  que  a  empresa tentou implantar com quase sucesso – note que o ano de 2007  já se encontra inapelavelmente decaído (...) pode explicar os detalhes  dos  resultados  que  a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  tinha em mente de auferir na realidade, de  forma consciente e  astuciosa” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 65).  Após  destacar  que  a  contribuinte  tinha  solicitado  sua  incursão  como  titular  de  benefício  fiscal  na  área  da  SUDENE  (redução  de  75%  do  IRPJ),  prosseguiu:  x)  que,  “no  afã  de  nada  recolher  ao  Tesouro  Nacional,  restava  a  busca  de  estratégia  para  neutralizar  qualquer  incidência  de  tributo  sobre  os  25%  remanescentes  do  benefício  da  empresa”, e que, “a técnica para tal foi “fabricar” prejuízos fiscais de  modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas  exações”; xi) que, “como os contratos (...) datam de setembro de 2006  e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as  apurações parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de  ignorar  igualmente os  faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao  longo  da  execução  dos  projetos”;  xii)  que,  “acumulou  o  resultado  geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos  de  2009  e  2010”,  e,  “com  dois  detalhes  cruciais:  a)  em  2009,  reconhecendo  parte  da  receita  total  dos  Contratos  de  Longo  Prazo  “fabrica” prejuízo  fiscal,  já  com olho no que  viria a  fazer  (de  forma  irregular)  no  ano  seguinte,  ao  mesmo  tempo  em  que  não  reconhece  qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já  em 2010, ano em que  foi deferido o Ato Declaratório de Redução de  75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos  de  Longo  Prazo,  de  forma  que  se  fizesse  incluir  essa  receita  no  incentivo, que apenas vigeria a partir do anocalendário de 2010”.  Fl. 3785DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.786          5 Na  mesma  toada,  seguiu  a  Fiscalização  afirmando  que,  com  este  procedimento,  a  autuada,  “já  tendo  até  31.12.2009,  recebido  e  cumprido cerca de 99,99% de  todos os Contrato de Longo Prazo (...)  pretendeu  dar  efeito  retroativo  indevido  ao  incentivo  fiscal,  cujo  direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010”, pontua que a SUZLON  tinha os benefícios do Programa REIDI, que concede suspensão de PIS  e  COFINS  nos  casos  indicados  e  que,  ainda  assim,  os  preços  originários que deveriam ser recebidos de seus Clientes mantinhamse  com  as  referidas  contribuições  embutidas,  sem  que,  entretanto,  houvesse  recolhimentos  de  mencionadas  contribuições  ao  Tesouro  Nacional.  Asseverou  que  foi  “diante  desta  realidade  (...)  que  esta  auditoria  promove todos os lançamentos de acerto da situação”; que, para esta  providência,  “tentou,  por  reiteradas  vezes  (...)  obter  os  dados  necessários  para  que  pudesse  fazer  os  cálculos  das  apurações  e  discriminação  das  bases  de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições  não  recolhidos  ao  Tesouro  Nacional”,  e  que,  mesmo  com  a  conduta  dificultosa  da  empresa,  não  fornecendo  os  dados  requeridos  pela  Autoridade  Tributária,  ainda  assim,  “nada  disso  constituiuse  em  obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais  expostos  nos  Autos  de  Infração  ora  lavrados”,  destacando  que,  “de  posse  dos  dois  dados  fundamentais  (o  preço  total  dos  Contratos  de  Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos  de 2009 e 2010, pela própria  empresa, com seus próprios números  e  cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos  anos de 2007 e 2010  (com base nos principais custos de  importação,  conforme DI´s), de modo que pudesse montar, com base na legislação  específica que rege a matéria,  sua própria Planilha de Apuração dos  Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o  início  do  ano  de  2010,  quando  os  projetos  foram  definitivamente  entregues e encerrados)” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 67).  Diz  ainda  que,  “como  há  recebimentos  dos  Clientes  desde  o  ano  de  2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram  retiradas  da  escrituração  da  SUZLON  em  batimento  com  os  valores  informados  pelos  Clientes,  através  das  diversas  diligências  empreendidas em cada um deles”.  Esclareceu  a  Fiscalização  que  as  planilhas  com  os  cálculos  estão  anexadas ao Termo de Verificação e continua discorrendo que, “como  essa  auditoria  tinha  como  foco  principal  o  cumprimento  das  obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL e demais contribuições  sociais,  foi  promovida  uma  averiguação  geral  na  escrituração  do  contribuinte”,  e  que,  diante  de  tal  cenário,  “esta  fiscalização  enveredou  pela  análise  minuciosa  do  Passivo  registrado  como  Empréstimo em 31.12.2009, lançado como Obrigação por Empréstimo  contraído junto ao BANCO ABC BRASIL S/A.”. Expõe, a respeito, ser  intrigante  o  fato  de  a  fiscalizada  não  ter  registros,  em  sua  contabilidade, de conta corrente junto a tal instituição financeira.  Na sequência, pontuou ter igualmente buscado esclarecimentos acerca  da  dedutibilidade  do  valor  de  R$  1.500.000,00  levado  a  débito  da  Conta de Despesas Financeiras/Descontos Concedidos em 14.10.2009,  que foi encerrada contra Resultado do Exercício, montante que, por ter  Fl. 3786DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.787          6 sido  escriturado  pela  autuada  como  “Desconto  Concedido  Condicionalmente”, deveria ser tido como “dedução da Receita Bruta  para  apuração  da  Receita  Líquida,  para  posterior  Adição  ao  Lucro  Líquido  para  efeito  de  apuração  do  Lucro  Real”;  que,  “por  não  ser  desconto  incondicional,  essa  adição  obrigatória  não  pode  ser  neutralizada  pela  simples  desalocação  do  valor  em  conta  direta  de  Despesa  Financeira”,  e  que,  “se  há  a  indedutibilidade  legal,  impossível  a  dedutibilidade  por  transposição  de  classificação  contábil”.  Seguiu na acusação tratando das “Multas Contratuais”, expondo: xiii)  que,  “desde  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização  (...)  essa  auditoria  aborda  a  questão  das  MULTAS  CONTRATUAIS  debitadas  pela  SUZLON (...) à Conta de Custos e de Despesas Operacionais nos anos  de  2009  (R$  28.711.100,00,  na  Conta  012058/  512090128000  CUSTOS  GERAIS  NA  PRODUÇÃO/DESPESAS  COM  MULTAS  CONTRATUAIS  e  R$  39.787.086,85,  na  Conta  013455/  531090163000  DESPESAS  GERAIS/MULTAS  CONTRATUAIS)  e  2010 (R$ 6.795.197,50, na Conta 013455/ 531090166000 DESPESAS  GERAIS/MULTAS CONTRATUAIS) e encerradas contra Resultados  dos Exercícios respectivos”; xiv) que, “as indagações corriam por dois  fundamentos  (...):  a)  cumprimento  dos  requisitos  para  a  dedutibilidade”,  e  ,  “b)  caracterização  de  despesas  operacionais  possíveis  ,  porém  incursas  no  qualificativo  de  “Despesas  Recuperáveis”,  previstas  na  legislação  do  Imposto  de  Renda  e  dos  demais  tributos  e  contribuições  sociais”;  xv)  que,  “a  dialética  processual  instaurada  junto  ao  contribuinte  permitiu  ao  Fisco  conhecer  o  “fato  gerador  específico”  dessas  multas  contratuais”,  e  que, segundo a SUZLON, sua origem adviria de cláusula prevista nos  Contratos  assinados  com  seus  Clientes  e  que  “as  multas  eram  mensuradas  conforme os montantes  diários  de  atraso  na  entrega  dos  bens e serviços”.  Após  afirmar  que  “os  documentos  que  totalizam  as  MULTAS  CONTRATUAIS  dos  anos  de  2009  e  2010  não  foram  fornecidos  ao  Fisco pela SUZLON”, prosseguiu a Autoridade Tributária (Termo de  Verificação Fiscal – fl. 70), fazendo as devidas ponderações.  Na  sequência,  a  Fiscalização  tratou  da  apuração  dos  resultados  dos  Contratos de Longo Prazo, “efetivados conforme os preceitos do artigo  407  do  RIR/99  e  IN  SRF  nº  021/79”,  explicitando  que  “a  empresa  resolveu quedarse silente sobre a conduta adotada”, tendo ignorado os  pedidos  da  Fiscalização  para  apresentar  “as  Planilhas  de  apuração  dos custos incorridos ano a ano, das receitas reconhecidas ano a ano e  de  todos  os  demais  dados  necessários  para  a  construção das  tabelas  indicativas referentes ao Lucro Bruto de cada período de apuração”.  Adiante, depois de destacar que “os valores do Lucro Bruto levados à  tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última  coluna do Quadro de nº 03”; que, “na metodologia apresentada pela  SUZLON (...) não há apuração de resultado em 2007 e em 2008”, e  que,  “em  2009  ela  resolve  levantar  DRE  de  modo  a  “fabricar”  o  prejuízo  fiscal  e  a  base  de  cálculo  da  CSLL  para  usufruto  desses  valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo  Fl. 3787DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.788          7 o  valor  total  dos  contratos  de  longo  prazo”,  a  Fiscalização  enfatiza  (Termo de Verificação Fiscal – fls. 73).  Aditivamente assinalou que, “cabe deixar  registrado que a estratégia  da SUZLON (...) para cumular os valores em 2009 e 2010 necessitou a  contabilização de todo o custo incorrido nos anos de 2007 e 2008 em  conta de ESTOQUE, o que constitui irregularidade na sistemática de  apuração  dos  resultados  com  contratos  de  longo  prazo”;  que,  “em  2009, essa prática se repetiu quase que integralmente”, e “já em 2010,  os  ESTOQUES  são  “esvaziados”.  Para  acrescentar  que,  “com  estas  explicações  o  Fisco  desnuda  a  conduta  da  empresa  e  a  caracteriza  como  prática  concernente  à  presença  do  evidente  intuito  de  fraude,  dado  o  conjunto  de  circunstâncias  já  enumeradas”.  E  prosseguir  acusando  que  “como  consequência  de  todos  estes  cálculos  de  ofício  que  levaram  aos  Quadros  de  nº  01  a  03,  foi  necessário  refazer  as  DRE´s  dos  anos  calendário  de  2008,  2009  e  2010,  de  modo  que  restassem individualizados o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL  em  cada  um  deles”,  registrando  a  não  apresentação  do  LALUR  relativo ao anocalendário 2010.  Passou  a  Fiscalização  a  tratar  das  irregularidades  que  entendeu  presentes  relativamente  ao PIS  e  à  COFINS,  destacando,  em  síntese,  que a autuada “deveria ter apurado as bases as bases de cálculo das  referidas contribuições  e  recolhido nas datas próprias os valores das  exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de  custos  incorridos”,  e  que, “como desde  o  ano calendário de  2007  já  havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes  das  usinas  eólicas  foram  tomados  como  faturamento  no mês  em  que  percebidos,  dado  que  representativos  de  receitas  pela  execução  progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos  assinados pelas partes”.  Comentou  sobre  o  Programa  de  Benefícios  do  REIDI  e  encerra  afirmando ser imperativo o lançamento de ofício para constituição dos  créditos tributários do PIS e da COFINS, com observância do regime  da  NãoCumulatividade,  procedimento  que  deve  ser  adotado  também  em relação a eventuais créditos legitimamente escriturados, observada  a  legislação  de  regência.  Detalhou  as  razões  de  fato  e  direito  que  levaram  à  qualificação  da multa  de  ofício,  elevandoa  ao  patamar  de  150%,  reportase  aos  artigos  71,  72  e  73,  da  Lei  nº  4.502/64,  faz  retrospectiva do procedimento fiscalizatório.  Os  autos de  infração  relativos  ao  IRPJ, CSLL, PIS  e COFINS  foram  lavrados (fls. 2 a 57), com Termo de Encerramento (fls. 1063/1064). A  ciência  da  contribuinte  está  encartada  às  fls.  58  a  59,  tendo  apresentado  Impugnação  (fls.  1069/1145),  juntando  documentos  apensados às fls. 1156 a 3764.  Posteriormente, após o término do prazo de impugnação, juntou novos  documentos  em  22/01/2014  (fls.  3821/4200)  e  em  03/02/2014  (fls.  4203/4244). Na sua peça de defesa, depois de  fazer um breve resumo  dos  fatos,  referirse  às  irregularidades  apontadas  pelo  Fisco,  clamar  pela  nulidade  do  processo  administrativo  “por  não  conter  (...)  os  requisitos mínimos indispensáveis para a validade de uma acusação”,  rebater  o  teor  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  que  não  teria  Fl. 3788DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.789          8 apresentado  documentos,  que  a  Fiscalização  não  observou  “procedimentos  primários”  durante  a  ação  fiscal,  que  a  Autoridade  Tributária reportouse diretamente a seus clientes, o que implicaria em  cerceamento do direito de defesa, que houve violação às disposições do  artigo  142,  do  CTN,  “em  razão  da  ausência  completa  de  critérios  objetivos e previstos em lei na determinação das exigências tributárias  (...)  especialmente,  no  que  tange  a  forma  utilizada  de  alocação  dos  custos  incorridos  em  cada  ano,  utilizado  (...)  para  fins  de  apurar  o  lucro  bruto  relativo  aos  contratos  “supostamente”  de  longo  prazo”,  que  não  se  deduziram  os  créditos  de  PIS  e  COFINS  quando  dos  lançamentos de tais exações e que houve inobservância dos benefícios  do  REIDI  e  dos  recolhimentos  efetuados  pela  impugnante,  a  defesa  discorreu  longamente  sobre  cada  item  apontado  como  irregular  pelo  Fisco, destacando, preambularmente que a Fiscalização “resolveu de  forma absolutamente discricionária “criar” a sua própria planilha de  apuração de resultados, desconsiderando as demonstrações contábeis  da  Impugnante, pois as entendeu como ilegais  (...)”; que, “se de  fato  não  foi  entregue  a  documentação  suficiente  para  apurar  de  forma  correta  o  crédito  tributário  em  questão,  não  cabia  à  administração  criar  um  procedimento  único  e  sob  encomenda  para  a  impugnante  (...)”,  e que, “portanto,  se os  registros  contábeis  fossem  imprestáveis  conforme  relatado  pela  douta  fiscalização,  o  único  procedimento  cabível  a  ser  adotado  seria  o  arbitramento,  o  que  de  fato  não  aconteceu” (impugnação – fls. 1076/1077).  A seguir, pontuou que informações que deram suporte aos lançamentos  foram obtidas  junto a  terceiros, muitas das quais não  foram juntadas  aos  autos,  em  desrespeito  ao  artigo  9º  do  PAF  (que  transcreve),  assenta  que  o  “desconhecimento  da  documentação  utilizada  pela  autoridade  para  motivar  os  seus  fundamentos  (...)  “obriga”  a  Impugnante a fazer um exercício de “adivinhação” (...) incabível num  processo  administrativo  onde  a  busca  da  verdade  material  é  princípio”, concluindo ter havido cerceamento ao seu legítimo direito  de defesa, sendo, “portanto, inquestionável a NULIDADE DO AUTO  DE INFRAÇÃO EM TELA” (transcreve jurisprudência a respeito).  Pontuou,  após  reproduzir  o  artigo  142,  do CTN,  que  “a  fiscalização  claramente  olvidouse  de  determinar  de  forma  diligente,  legítima  e  dentro dos parâmetros legais o montante dos tributos lançados (...) na  medida em que os valores apurados (...) não contemplam os requisitos  de certeza e  liquide  ,  indispensáveis ao  lançamento de um  tributo”, e  que,  “adotou  critérios  subjetivos  e  discricionários,  sem  qualquer  embasamento legal, para identificar a “suposta” alocação dos custos  (...) para fins de apurar o lucro bruto dos contratos firmados (...) e não  considerou  (...)  valores  já  recolhidos  a  título  de  estimativas  mensais  (...) assim como  (...)  ignorou o direito à utilização do benefício  fiscal  concedido pela SUDENE no exercício de 2010”. Diz que em relação à  apuração  do  PIS  e  da  COFINS  a  Fiscalização  adotou  a  apuração  “com base  no  regime de  caixa, NÃO PREVISTO EM LEI,  uma  vez  que a base de cálculo destas contribuições é a receita auferida e, não,  o simples recebimento a título de adiantamentos de clientes”, além de  ter  havido  “desconsideração  de  créditos  apurados  com  base  na  sistemática das Leis nº 10.632/2002 e 10.833/2003”.  Fl. 3789DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.790          9 No  mais,  sustentou  que  o  Fisco,  sem  previsão  legal  e  em  uma  segregação subjetiva, alocou os custos incorridos da impugnante para  “inferir o montante do lucro bruto do período”, tomando como base os  “principais  custos  de  importação  informados  nas  Declarações  de  Importação  (DI)”,  o  que  seria  inadmissível  posto  que  “estes  valores  não  podem  ser  considerados  como  custos  em  consentâneo  com  as  melhores práticas contábeis”, quando “o custo somente é reconhecido  (...) no momento da venda do bem, enquanto isto trata se meramente de  ativo, ou melhor, estoque”. Pontua que seus custos só são reconhecidos  nas  suas  contas  contábeis  “quando  da  venda  dos  fatos  geradores”,  momento  em  que  “é  observado  o  princípio  do  confronto  das  receitas  com  as  despesas  correspondentes”.  Critica  a  forma  de  apuração  adotada pelo Fisco, que diz  ter sido “realizada com base em critérios  subjetivos, definidos de forma unilateral e sem qualquer embasamento  em  lei”,  ignorando  os  documentos  da  empresa  e  registrando  valores  em  duplicidade.  Traz  quadros  com  os  quais  pretende  demonstrar  a  impropriedade  do  trabalho  fiscal  (impugnação  –  fls.  1083/1084)  e  prossegue  discursando  que  os  lançamentos  não  trazem  qualquer  método que  permita  identificar  a  composição  do  crédito  tributário,  e  que teria havido afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade,  violando, por conseguinte, os artigos 2º e 50, da Lei nº 9.784/1999 (que  reproduz).  Reportouse à doutrina e segue afirmando que, mediante um exercício  de  apuração  estimada,  demonstrará  “de  forma  definitiva  a  completa  insubsistência  do  cálculo  feito  (...)  para  apuração  de  IRPJ  e  CSLL,  através  do  procedimento  comumente  conhecido  como  “método  POC  (Percentage of Completion)”  aplicável  aos  contratos de  longo prazo”,  documento que nominou de “Doc. 07”, insurgindose contra a ação do  Fisco  que  teria  desconsiderado  os  valores  recolhidos  a  título  de  estimativa mensal  nos  anos  de  2009  e  2010,  sendo R$ 31.935.165,19  como IRPJ e R$ 11.829.990,42 de CSLL.  Alegou não ter ocorrido dedução nos lançamentos de IRPJ, dos valores  referentes ao IRRF constantes nos balancetes de 2009 e 2010, somando  R$ 883.553,98 (Doc.  12), reproduz jurisprudência do CARF e finaliza o tópico ponderando  que a Fiscalização não levou em conta na apuração do IRPJ 2010, o  benefício  fiscal  da  SUDENE  (Doc.  10),  ao  tempo  que  incluiu  indevidamente  nos  lançamentos  montantes  relativos  a  provisões  realizadas a título de garantia (R$ 8.841.581,81) e outras despesas (R$  18.808.294,20),  já  oferecidas  à  tributação,  como  demonstrará  na  sequência.  Destacou o regime de apuração das contribuições do PIS e da COFINS  (não  cumulativo)  e  afirma  que  o  Fisco  desprezou  os  créditos  a  que  teria  direito,  maculando  os  lançamentos.  Ressalta  possuir  créditos  acumulados  de R$  50.531.577,04  de COFINS  e R$ 10.970.577,04  de  PIS  (Doc.  11),  conforme  informado  nos  balancetes  mensais  e  DACON´s  (Docs.  12  e  13),  valores  que,  se  considerados  pela  Fiscalização,  reduziriam  substancialmente  os  lançamentos  (junta  demonstrativo  –  Doc.  14).  Acentua  que  tal  procedimento  leva  à  nulidade dos autos de infração, reportase a jurisprudência, legislação  e doutrina e finaliza (impugnação– fl. 1092).  Fl. 3790DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.791          10 Quanto  ao  mérito,  dividiu  sua  Impugnação  para  tratar  inicialmente  acerca  da  “legalidade  e  legitimidade  da  operação  de  empréstimo  bancário  firmando  com  o  Banco  ABC,  iniciando  ao  afirmar  que  a  omissão  de  receitas  considerada  pelo  Fisco  no  valor  de  R$  19.643.545,00,  relativa  à  obrigação  por  empréstimo  junto  ao  Banco  ABC  Brasil  S/A  e  que  seria  suportada  pelo  artigo  42,  da  Lei  nº  9.430/1996, é incabível, como incabíveis seriam as glosas das despesas  de  IOF  e  financeiras  vinculadas  a  tal  operação.  Para  comprovar  o  alegado, depois de lembrar que “os auditores fiscais não demonstraram  nenhum  interesse  em  compreender  uma  simples  operação  de  empréstimo, comumente praticada pelas empresas”, a defesa passou a  descrever detalhadamente a operação.  Segue referindose a dispositivos do Código Civil, trata da validade dos  atos jurídicos, diz inexistir proibição a que se faça empréstimo junto a  instituição financeira na qual não mantenha conta corrente, socorrese  de  doutrina,  acrescenta  que  a  prova  que  traz  aos  autos  demonstra  a  correta e efetiva realização da operação (Cédula de Crédito Bancário  nº  517709  e  outros  –  Doc.  22),  que,  conseguintemente,  o  IOF  e  despesas  vinculadas  à  referida  operação  são  necessárias  e  úteis,  portanto dedutíveis.  Ponderou ser impossível compreender a sentença formulada pelo Fisco  acerca do tema “Desconto Concedido Condicionalmente”, visto que a  Autoridade  Fiscal  parece  desconhecer  o  termo  da  locução  “desalocar”,  implicando  em  conclusões  indevidas,  especialmente  em  relação a uma suposta não apresentação de documentos por parte da  impugnante, o que não ocorreu.  Reportase aos anexos nominados de “Doc. 23”, descreve as operações  que realizou com clientes seus (impugnação – fls. 1098/1099) e que as  partes  “comprometeramse  a  aceitar  uma  redução  no  preço  final  de  cada contrato”, estandose diante de uma situação em que o desconto  registrado seria decorrência apenas de redução da garantia oferecida  pela  vendedora  (autuada),  do  tipo  conhecido  como  “performance  bond”,  isto  é,  surgiu  “única  e  exclusivamente  de  acordo  comercial,  em  circunstâncias  negociais,  sem  vinculação  a  qualquer  procedimento ou obrigação posterior do seu cliente para garantilo”,  como, por exemplo, “desconto pelo pagamento antecipado de fatura”.  Concluiu, após registrar a legislação sobre a matéria (RIR/1999 e IN –  SRF  nº  390/2004)  e  jurisprudência  do  CARF,  que  “se  o  débito  da  despesa ocorreu em uma conta incorreta, continua sendo um débito a  conta  de  resultado,  o  que  reduz  consequentemente  o  Lucro  Real  e  a  base de cálculo da CSLL”, e que, “uma mera classificação  incorreta  não  tipifica a  infração do art. 299 do RIR, muito menos  a sua glosa,  por  isso,  não  tendo  havido  a  efetiva  motivação  da  glosa,  ou  a  comprovação da  inexistência da necessidade, utilidade, ou mesmo da  documentação de suporte, não restará ao d. Julgador outra alternativa  senão cancelar essa glosa, o que desde já requer a Impugnante”.  Na  sequência  tratou  da  “inexigibilidade  dos  tributos  sobre  despesas  não  recuperadas”,  comentando  sobre  a  indevida  conclusão  do  Fisco  no  sentido  de  não  ter  havido  contabilização,  como  recuperação  de  custos, das multas contratuais que originalmente a  impugnante arcou  Fl. 3791DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.792          11 perante  seus  clientes  e  em  relação  às  quais  não  teria  buscado  se  ressarcir junto à sua única fornecedora de equipamentos no exterior e  que é sua controladora.  Aduz  que  “a  divergência  apontada  pelo  Fisco  reside  apenas  na  suposição,  ilação  de  que  –  por  se  tratar  de  multa  pelo  atraso  da  entrega  dos  bens  –  esse  descumprimento  seria  de  responsabilidade  exclusiva da sua fornecedora, a Suzlon Wind Energy S/A, contra a qual  deveria a  Impugnante  pleitear  o  ressarcimento”,  tendo havido, ainda  na  opinião  dos  Agentes  Fiscais,  “omissão  no  agir  e  negligência  na  conduta  da  SULZLON  (...)  BRASIL  em  buscar  junto  a  sua  fornecedora/controladora,  a  recuperação  dos  encargos  sofridos  por  força das multas contratuais devidas aos Clientes no Brasil”.  Mencionou  ainda,  que:  “à  exaustão,  a  fiscalização  foi  clara  ao  reconhecer que a Impugnante NÃO recebeu (recuperou) os valores das  multas contratuais pagas em razão do atraso na sua execução”, e que,  “se a  Impugnante NUNCA  recuperou os encargos  sofridos por  força  das multas contratuais, NUNCA houve o ingresso de receitas, o que pó  si  só  afasta  a  imprópria  conclusão  de  que  houvera  OMISSÃO  DE  RECEITAS”.  Pontua que o artigo 392, II, do RIR/1999 (que  transcreve) define que  “deverão  ser  computadas  na  determinação  do  lucro  operacional  as  recuperações  e  devoluções  de  custos,  sendo  silente  sobre  uma  tal  expectativa de recuperação de custos”.  Destaca que as multas assumidas decorreram não em razão de atrasos  nos  equipamentos,  como pensou a Autoridade Fiscal, mas por  razões  de  execução  do  projeto  no  Brasil,  por  diversos  fatores,  inerentes  à  própria  atividade  empresarial  e  que,  ainda  que  assim  não  fosse,  o  prazo  para  buscar  eventual  ressarcimento  não  se  expirou  (Código  Civil,  art.  206,  §  5º,  inciso  I),  acrescentando  que  o  Fisco  tentou  desconsiderar  as  operações  em  razão  de  serem  estranhas,  mas,  questiona a defesa, “ser “estranha” é motivo para desconsideração de  ato ou negócio jurídico”?  Na  sequência,  depois  de  rebater  as  conclusões  do  Fisco  de  que  as  atividades da impugnante enquadrarseiam na forma de tributação dos  “Contratos  de  Longo  Prazo”,  superiores  a  um  ano,  a  preço  certo,  e  afirmar  que  seu  procedimento  contábil  esta  consentâneo  com  as  normas brasileiras sobre a matéria (“procedimento “corroborado por  empresa  de  auditoria  independente”),  que  lhe  permite  reconhecer  a  sua  receita  e  seus  custos  tão  somente  no  final  dos  contratos,  após  a  emissão da respectiva nota  fiscal (Doc. 25), o que afastaria  ilações a  respeito de eventual ação insidiosa de sua parte e que teria levado ao  agravamento das multas, passa a discorrer sobre o que chama de “três  tópicos  que  se  correlacionam  ao  final”,  sendo  o  primeiro,  a  “apresentação das normas contábeis aplicáveis à venda de bens cuja  transferência  somente  ocorre  no  final  do  contrato”,  o  segundo,  “os  aspectos fundamentais (...) previstos nos Contratos de Fornecimento e  Instalação de Turbinas Eólicas”, e o terceiro, a “natureza jurídica das  operações realizadas (...) e (...) legislação tributária aplicável”.  Passou então a discorrer sobre o que chamou “princípio da realização  da receita”, discorrendo  longamente  sobre o  tema, diz que, na  forma  Fl. 3792DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.793          12 do que dispõe o Código Civil, o lançamento das receitas exige a efetiva  transferência do produto ou serviço ao cliente, referese a ensinamentos  doutrinários  e  aos  pronunciamentos  e  interpretações  do  CPC,  CFC,  CVM  e  organismos  contábeis  internacionais,  que  o  Pronunciamento  Técnico CPC nº 30 trata da forma e momento do reconhecimento das  receitas  e  que,  “desde  Luca  Pacioli,  a  receita  e  as  despesas  relacionadas  à  mesma  transação  devem  ser  reconhecidas  no  mesmo  momento  –simultaneamente  –  em  cumprimento  ao  princípio  da  confrontação  das  despesas  com  as  receitas  (princípio  de  competência)”.  Volta a referirse ao Pronunciamento Técnico CPC nº 30 e conclui não  bastar  que  a  receita,  para  fins  de  reconhecimento,  seja  conhecida,  mensurável, impondose o adimplemento de outras condições, tais como  a  transferência  ao  comprador  dos  riscos  e  benefícios  oriundos  da  propriedade  dos  bens,  a  possibilidade  de  determinar  a  despesa  e  a  fruição dos benefícios econômicos da operação.  Acerca do “contrato de fornecimento de turbinas eólicas firmados com  os seus clientes” a contribuinte descreveu sua atividade e os Contratos  de Fornecimento e Instalação de Turbinas Eólicas, “para execução em  prazo  inferior  a  360  (...)  dias”,  firmados  com  seus  clientes,  reproduzindo  alguns  segmentos  de  contratos  firmados  com  seus  clientes,  sustentando,  em  última  análise,  serem  dois,  basicamente,  os  tipos  de  aerogeradores  que  seu  fornecedor  disponibiliza,  cabendo  ao  comprador  definir  qual  deles  desejaria  adquirir  e  que  a  este  cabia  adotar as providências necessárias para preparação do parque eólico  para  fins  de  instalação  das  turbinas  eólicas,  “de  modo  que  a  Impugnante  não  participa  do  planejamento  e  definições  gerais  do  projeto;  limitandose  a  comprar  e  a  instalar  os  aerogeradores  de  acordo com a planta fornecida”.  A  seguir  apresenta,  a  título  exemplificativo,  um  cronograma  de  execução, realçando que a finalização será sempre em prazo inferior a  360 dias (impugnação – fls. 1115/1116). Diz mais, que, “nos termos do  contrato  firmado de boa  fé pelas partes  integrantes,  nas hipóteses de  atraso  do  prazo  previsto  inferior  a  01  (um)  ano  para  a  execução  do  fornecimento e instalação de turbinas eólicas pela Impugnante, ou das  obras necessárias  realizadas pelo cliente, há a previsão de aplicação  de multa (cujo percentual varia de acordo com o cliente)”. E prossegue  ser  “óbvia  a  aplicação  da  multa:  o  parque  eólico  não  está  a  ser  construído  por  mero  diletantismo  dos  contratantes  da  Impugnante,  mas porquê essas empresas têm obrigação de fornecer energia no dia  D  do  mês  M  do  Ano  A,  sob  pena  de  comprometer  o  suprimento  de  energia necessário ao abastecimento da nação”, e que, “é fundamental  perceber que, como a instalação os aerogeradores, ocorre em etapas,  somente após a conclusão de todo o projeto, é que efetivamente, há a  entrega do bem ao cliente e, portanto, a transferência de sua respectiva  titularidade, com a emissão das respectivas notas fiscais”.  Acrescentou que “apenas neste momento os recebimentos das parcelas  que  compunham  o  preço  tornamse  certos  (...);  os  custos  diretos  e  indiretos  e  as  despesas  totais  tornamse  possíveis  de  mensurar  e  os  riscos são de fato transferidos ao cliente, tudo em respeito à dinâmica  prevista  nos  contratos”  e  acentua  estar  demonstrada  “a  natureza  Fl. 3793DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.794          13 jurídica  das  operações  realizadas  e  a  legislação  tributária  aplicável  viaavis  a  adequação  do  tratamento  contábil  adotado”,  que  a  Fiscalização  “esmerouse  em  utilizarse  de  estilo  de  redação  realísticofantástico  para  por  meio  dele  suportar  o  lançamento,  buscando converter suposições e ilações em verdade material”, sendo,  ainda  no  dizer  da  defesa,  “uma  verdadeira  obra  literária”,  que  a  “Impugnante recomenda a leitura na íntegra”, desprovida de qualquer  método  em  sua  análise,  sem  fatos  concretos  que  fundamentem  suas  conclusões.  Depois  de  ressaltar  possuir  auditoria  independente  que  audita  sua  escrituração,  que  seus  contratos  são  do  tipo  “EPC  –  Engineering,  Procurement  and  Comissioning”,  modalidade  em  que  “o  contratado  obrigase a adquirir bens e instalálos de acordo com as especificações  requeridas pelo contratante e mediante o exercício da sua competência  técnica, para entregálos ao final em condições plenas de operação pelo  contratante,  que  então  os  receberá,  os  bens,  em  seu  patrimônio”,  lembrar que o contrato de compra e venda é “por definição, bilateral,  oneroso e consensual” (reproduz artigos 481 e 482 do Código Civil),  tratar da transferência de propriedade de bens móveis (transcreve art.  1267  do  mesmo  diploma  legal  e  doutrina  de  J.  X.  Carvalho  de  Mendonça), acrescenta que a “materialização da operação de compra  e  venda,  para  fins  jurídicos,  comerciais  e  fiscais  é  a  fatura,  que  configura a representação mercantil do pleno atendimento ao contrato  de  compra  e  venda,  realizado  de maneira  tácita,  eis  que  vendedor  e  comprador já concordaram com preço e produto”. Aditando: “ou seja,  o  instrumento que exterioriza o contrato de compra e venda é a nota  fiscal,  que  deve  acompanhar  a  mercadoria  para  fins  fiscais  e  comerciais  e  que  contabilmente  é  demonstrada  pela  figura  do  faturamento” (impugnação – fl. 1121).  Na  mesma  linha,  afirma  que,  “transferida  a  propriedade  para  o  comprador,  materializada  a  operação  pela  forma  do  faturamento,  surge aí a obrigação fiscal de promover o reconhecimento e destaque  dos  tributos  incidentes  sobre  as  operações  de  venda,  haja  vista  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  ensejadores  destes  tributos  (notadamente  PIS,  COFINS  e,  de  forma  indireta,  em  decorrência  da  circulação  e  saída  das  mercadorias,  o  ICMS  e  o  IPI”,  e  que,  “as  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real  (...)  devem  reconhecer o resultado de suas receitas pelo regime de competência”.  Faz  referência  ao  artigo  187,  da  Lei  das  S/A,  comenta  sobre  as  alterações  trazidas  ao  mencionado  diploma  legal  pelas  Leis  nº  11.638/2007 e 11.941/2009, particulariza que nestes dois últimos atos  legislativos está disciplinado que “a escrituração fiscal sustentarseá na  escrituração  contábil  e  valerseá  de  livros  auxiliares  para  a  demonstração  e  (re)conciliação  entre  as  eventuais  divergências  entre  os  preceitos  e  regras  contábeis  e  fiscais”  e  que,  “através  da  análise  dos  termos  dos  referidos  contratos  de  compra  e  venda  é  possível  conhecer  a  extensão  e  o  alcance  das  suas  disposições  quanto  à  quintessência da operação econômica da Impugnante”.  Apresenta um sumário das operações realizadas e voltase, novamente,  à  doutrina,  para  utilizar  conceitos  de  contratos  bilaterais  e  à  jurisprudência  e  decisões  da  RFB  para  apoio  da  sua  tese  sobre  faturamento  antecipado  e  reconhecimento  da  receita.  Destaca  que  Fl. 3794DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.795          14 apesar dos contratos preverem que as obras para instalação das torres,  importações de peças e partes para utilização nas  torres,  importação  de  lâminas  e  equipamentos  relacionados  às  turbinas,  instalação  das  turbinas  eólicas  e  comissionamento  seriam  implementadas  em  prazo  inferior  a  360  dias,  “em  alguns  contratos  surgiram  controvérsias  entre as partes envolvidas (...) resultando na sua suspensão, uma vez  que  houve  incertezas  quanto  ao  cumprimento  dos  seus  termos,  inclusive quanto ao adimplemento das parcelas acordadas”.  Que  teria  sofrido “diversas  constrições,  alheias  à  sua  vontade”, mas  que  os  atrasos  ocorridos  “de  forma  alguma”  implicariam  no  alongamento do período de instalação, e que, “tais prorrogações não  têm  o  condão  de  modificar  a  cláusula  contratual  de  prazo  de  execução”.  Diz  mais,  que  mesmo  que  a  execução  do  objeto  do  contrato  fosse  superior a 360 dias, “este  fato, por  si  só, nunca seria  suficiente para  obrigar  a  Impugnante  a  alterar  a  forma  de  reconhecimento  de  suas  receitas”,  posto  que,  no  seu  entender,  “o  fator  determinante  para  a  definição  do  momento  deste  reconhecimento  (...)  é  o  momento  da  efetiva  tradição do  bem”. Sustenta  que o  artigo  10, do Decretolei  nº  1.598, de 1977,  é  inaplicável,  visto que  trata de  situações “em que o  bem  é  produzido  pelo  contratado,  O  QUE  DEFINITIVAMENTO  NÃO É O CASO”, diz que “produzir”  significa “criar”, “fabricar”,  (segundo  Dicionário  Michaelis),  o  que  impediria  a  utilização  do  mencionado  dispositivo  legal.  Concluiu  o  tópico  (impugnação  –  fls.  1127),  afirmando  que  “considerando  que  a  Impugnante  não  produz  aerogeradores,  mas  tão  somente  os  importa  e  instala  nos  termos  contratuais,  é  inaplicável, por  todos os ângulos  em que  se analisar a  questão,  a  possibilidade  de  aplicação  da  previsão  do  artigo  10  do  Decretolei nº 1.598/78 (sic) no caso concreto”, razão pela qual “deve  ser afastado o lançamento também quanto ao anteriormente exposto”.  Afirmou a  ilegalidade  na  constituição  do  crédito  tributário,  aduzindo  que a autuação “abarca uma suposta falta de recolhimento de IRPJ e  CSLL  sobre  provisões  a  título  de  (i)  garantia  (R$  8.841.581,81  na  Conta 015840/ 51201690000) e (ii) outras despesas (R$ 18.808.294,20  na Conta 004441/ 511010101000) que, de acordo com o alegado pela  fiscalização não  teriam  sido adicionados ao  lucro  líquido para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  contribuição  social”,  rebate  o  entendimento  fiscal  trazendo  informações  e  demonstrativos  com  os  quais  pretende  mostrar  o  equívoco  do  Fisco,  que  há,  inclusive,  erro  nos  números  apontados  pela  Autoridade  Tributária  e  que  os  montantes  foram  oferecidos  à  tributação  no  anocalendário 2010, pelo que “insubsistente referido auto de infração  também no que tange ao lançamento sobre provisões”.  Defendeu  ainda,  que  “quando  da  lavratura  do  presente  auto  de  infração”,  ignorado  os  valores  recolhidos  a  título  de  estimativa  e  os  montantes  de  IRRF,  implicando  na  “equivocada,  ilegal,  dupla  e  majorada apuração dos débitos de IRPJ e CSLL para o período”.  Que,  mencionados  valores  importariam  em  R$  31.935.165,19  e  R$  11.829.990,42,  estimativas  de  IRPJ  e  CSLL,  respectivamente,  Fl. 3795DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.796          15 montantes  recolhidos  “seja  mediante  pagamento  ou  compensação”,  além de R$ 883.553,98, “relativos aos exercícios de 2009 e 2010”.  Aduz não ter o Fisco observado os benefícios da SUDENE a que faz jus  desde 01/01/2010 e que os lançamentos estariam maculados, impondo  sua anulação ou revisão.  Trata dos lançamentos de PIS e COFINS reclamando a não concessão,  pelo  Fisco,  dos  créditos  a  que  teria  direito  pelo  regime  da  não  cumulatividade.  E  arremata  que,  “por  amor  à  argumentação,  na  remota hipótese desses  julgadores admitirem que houvera omissão de  receitas  durante  os  anos  calendários  de  2009  e  2010,  tal  autuação  fiscal  nunca  poderia  prevalecer,  uma  vez  que  a  Impugnante  tinha  direito a compensar integralmente as (i)  estimativas  pagas  a  título  de  IRPJ  e CSLL  e  (ii)  do  crédito  de PIS  e  COFINS, devendo, este direito ser reconhecido por esta Administração  quando  da  apuração  de  eventual  crédito  tributário,  ou  no  mínimo  determinar  diligência  para  apurálos  caso  dúvidas  acerca  dos  seus  valores ainda existam”.  Relativamente  à  multa  qualificada  defendeu  que  sua  aplicação  exige  que  a  Administração  Tributária  apresente  provas,  “e  não  simples  “suspeitas”,  “elocubrações”,  análise  panorâmica”  e  que  a  fraude  “implica  necessariamente  em  violação  grave  e  frontal  de  deveres  tributários  principais  e  acessórios,  tais  como  falsificar  documentos,  livros, etc.”.  Traz  jurisprudência, aduz que “a  fraude à  lei deve  ser compreendida  como uma ação  ilícita que vise  ludibriar a Administração”,  reproduz  mais jurisprudência do CARF, diz que a multa no patamar de 150% é  “absolutamente  desproporcional  e  confiscatória,  conforme  recente  decisão  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  no  julgamento  da  Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5511” e encerra ponderando  que  “em  que  pese  a  costumeira  diligência  que  acreditamos  caracterizar os procedimentos desta fiscalização, no caso em concreto,  a fiscalização quedouse inerte na busca desta almejada verdade”.  Concluídos  os  argumentos,  faz  um  resumo  do  que  expôs,  apresenta  seus  pedidos  (impugnação  –  fls.  1143/1144),  protesta  pela  apresentação  de  novos  documentos,  pareceres  e  realização  de  diligência e requer,  finalmente, que as  intimações sejam direcionadas  ao endereço do patrono da impugnante.  A  douta  delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto (SP) julgou como parcialmente procedente a Impugnação do Recorrente, tendo o acórdão  recebido a seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Período  de  apuração:  01/01/2008  a  31/05/2010  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  PRAZO  DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Afastado,  por  inconstitucional,  o  prazo  de  dez  anos  para  o  lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a  Fl. 3796DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.797          16 contagem do prazo decadencial rege­se pelo disposto no Código  Tributário.  Na  hipótese  em  que  o  recolhimento  não  ocorre  ou  ocorre  em  desconformidade  com  a  legislação  aplicável  e,  por  conseguinte,  procede­se  ao  lançamento  de  ofício,  o  prazo  decadencial  de  cinco  anos  tem  início  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  esse  lançamento  de  ofício  poderia haver sido realizado.  CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS  RECEITAS.  A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de  execução  superior  a  um  ano  de  fornecimento,  a  preço  predeterminado,  de  bens  ou  serviços  será  calculada  sobre  a  receita apurada na proporção dos custos incorridos.  CRÉDITOS  NÃO  CUMULATIVOS.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO. APROVEITAMENTO.  No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto  da  contribuição  apuradas,  os  créditos  não  cumulativos  detidos  pelo sujeito passivo.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período  de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA.  IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA.  Não  comprovados  os  elementos  caracterizadores  de  fraude,  sonegação e conluio, afasta­se a qualificação da multa de ofício,  reduzindo­se seu percentual.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Devidamente  intimado,  o  Recorrente  apresentou Recurso Voluntário,  no  qual,  após  relatar  de  forma  detalhada  as  motivações  que  levaram  à  autuação  e  discorrer  sobre  a  tempestividade  do  apelo,  alega,  em  síntese,  (i)  a  decadência do  direito  de  lançar  os  créditos  tributários relativos ao período compreendido entre Janeiro e Agosto de 2008; (ii) a nulidade da  autuação,  por  descumprimento  ao  artigo  142  do  CTN  e  aos  princípios  da  legalidade  e  da  tipicidade;  (iii)  a  improcedência  da  autuação,  tendo  em  vista  a  legitimidade  e  legalidade  da  contabilização  dos  contrato  de  fornecimento  de  turbinas  eólicas  (contrato  de  longo prazo);  e  (iv)  da  necessidade  de  reconhecimento  de  créditos  de  COFINS,  devidamente  escriturados  e  denominados como sendo "crédito usado como desconto da contribuição apurada na DACON".   Como  houve  exoneração  de  parte  do  crédito  tributário  pelo  DRJ,  o  acórdão  também foi objeto de Recurso de Ofício.   Este é o relatório.     Fl. 3797DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.798          17 Voto  Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.  Como  se  denota  dos  autos,  o  Recorrente  foi  intimado  do  teor  do  acórdão  recorrido em 08/05/2014, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 22/05/2014,  ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos  termos do que determina o  artigo 33 do Decreto nº  70.235/72.   Portanto,  sem  maiores  delongas,  é  tempestivo  o  Recurso  Voluntário  apresentado, devendo ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma  vez que cumpre os demais requisitos de admissibilidade.  DA DECADÊNCIA  Como  sabido,  a  Constituição  Federal  de  1988,  em  seu  artigo  146,  inciso  III,  alínea  b),  determina  que  cabe  ao  legislador  complementar  estabelecer  normas  gerais  em  matéria tributária, inclusive aquelas que tratam da prescrição e decadência.   No ordenamento jurídico pátrio, o Código Tributário Nacional é a norma geral a  qual faz menção o Texto Constitucional. Mesmo tendo sido publicado antes da Constituição de  1988, o referido código foi recepcionado como Lei Complementar em matéria tributária e, por  isso,  é  nele  que  se  encontram  as  regras  para  contagem  do  prazo  decadencial  no  Direito  Tributário.   Assim,  para  os  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  em  que  o  contribuinte  declara,  calcula  e  recolhe  os  valores  que  entende  devidos  ao  erário,  o  CTN  determina que o fisco possui 05 anos, contados do fato gerador, para homologar a declaração e  o pagamento realizado pelo contribuinte. Eis a sua redação:   Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos  tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar  o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.  §  1º O pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue o crédito,  sob condição resolutória da ulterior homologação  ao lançamento.  §  2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por  terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  §  3º  Os  atos  a  que  se  refere  o  parágrafo  anterior  serão,  porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso,  na imposição de penalidade, ou sua graduação.  § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a  contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a  Fazenda Pública  se  tenha pronunciado,  considera­se homologado o  lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a  ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (destacou­se)  Fl. 3798DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.799          18 Contudo,  nos  termos  já  decido  pelo  STJ,  no  caso  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  caso  não  haja  pagamento  (com  ou  sem  declaração  do  contribuinte) aplica­se a regra geral para contagem do prazo decadencial, que está prevista no  artigo 173, I do Código Tributário Nacional, que tem a seguinte redação:   Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário  extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I ­ do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia ter sido efetuado;  II ­ da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,  por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo  único.  O  direito  a  que  se  refere  este  artigo  extingue­se  definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida  preparatória  indispensável ao lançamento.  A aplicabilidade do art. 150, § 4º ou do art. 173, I, ambos do CTN, foi objeto de  decisão  definitiva,  como  mencionado,  proferida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  sistemática dos recursos repetitivos (art. 543­C do CPC), no Recurso Especial nº 973.733/SC,  tendo o julgado recebido a seguinte ementa:  PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado, nos casos em que a  lei não prevê o pagamento antecipado  da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,  importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas  gerais  e  abstratas,  entre as quais  figura a  regra da decadência do direito de  lançar nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  em  que  o  Fl. 3799DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.800          19 contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz  de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  quinquenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se  trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando­se  inadmissível  a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos  nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio  de  Janeiro,  2005,  págs..  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Brasileiro",  10ª  ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs..  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199).  5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo sujeito  a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento  antecipado  das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no que concerne aos  fatos  imponíveis ocorridos no  período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição  dos créditos tributários respectivos deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o  Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp  973.733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacou­se)  Em  seu  recurso  voluntário,  o Recorrente,  refutando  a  aplicação  do  precedente  citado acima ao caso em análise, argumenta que para a contribuição ao PIS e para a COFINS  "não havia apuração de base de cálculo para recolhimento no período de janeiro a agosto de  2008", e, por isso, "não havia tributo a ser antecipado", o que imporia a aplicação do disposto  no § 4º do artigo 150 do CTN e não da regra constante do artigo 173.   Este argumento acaba por se confundir com o mérito da discussão, uma vez que,  mantendo­se o entendimento da fiscalização quanto à apuração dos resultados nos contrato de  longo prazo, a falta de recolhimento será patente. E, como se demonstrará a seguir, a princípio,  não assiste razão ao recorrente na forma em que aqueles contrato foram contabilizados.  Assim, deve­se afastar desde já a argumentação quanto a decadência do direito  de a Fazenda Nacional constituir o crédito  tributário,  relativo ao período compreendido entre  Janeiro e Agosto de 2008.  Neste  ponto,  portanto,  rejeito  a  preliminar  de  decadência  lançada  no  Recurso  Voluntário.  Fl. 3800DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.801          20 DA AUSÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO  Ainda em sede preliminar, o Recorrente alega que o Auto de Infração seria nulo,  um vez que, em síntese, a fiscalização teria incorrido em erro na apuração da matéria tributável  e  que,  em  flagrante  ofensa  ao  artigo  10  do Decreto  nº  70.235/72,  no Auto  de  Infração  não  houve a "correta determinação da exigência".   Contudo,  os  argumentos  do  Recorrente  para  defender  a  nulidade  do  Auto  de  Infração,  mais  uma  vez  se  confundem  com  o  mérito  da  discussão.  Nas  bem  articuladas  argumentações,  o Recorrente  demonstra  que  a  forma  de  apuração  para  os  contrato  de  longo  prazo não estariam corretas e que, por  isso, a  fiscalização  lavrou Auto de  Infração eivado de  nulidade, uma vez que não teria identificado de forma correta a matéria passível de tributação.  Entretanto, as hipóteses de nulidades das autuações estão elencadas no Decreto  nº  70.235/72,  mais  especificamente  no  artigo  59  deste  diploma  legal,  e  nenhuma  delas  foi  aventada pelo Recorrente. Cita­se o dispositivo em questão:  Art. 59. São nulos:   I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou com preterição do direito de defesa.   § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.  Por outro lado, o Recorrente não demonstrou nenhum vício do Auto de Infração,  no que se refere aos seus requisitos mínimos, nos termos delineados pelo artigo 10 do mesmo  Decreto. Confira­se a sua redação:  Art. 10. O auto de  infração será  lavrado por servidor competente, no  local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a  determinação  da  exigência  e  a  intimação  para  cumpri­la  ou  impugná­la no prazo de trinta dias;  VI ­ a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o  n úmero de matrícula.  Desta  forma,  não  havendo,  no Recurso Voluntário,  qualquer  demonstração  de  nulidade  legal  do Auto  de  Infração, deve­se  afastar,  neste ponto,  a preliminar  invocada pelo  Recorrente neste sentido.  DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Fl. 3801DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.802          21 Antes  de  se  adentrar  na  análise  das  questões  de mérito  da  presente  autuação,  entende­se pela necessidade de realização de diligência pela Delegacia da Receita Federal onde  tem  domicílio  o  contribuinte,  para  que  esta  possa  confirmar,  em  síntese,  se  houve  o  recolhimento da COFINS sobre as mesmas bases apuradas pela fiscalização, mesmo que esse  recolhimento  tenha sido posterior ao período autuado. Por outro  lado,  é  imprescindível, para  análise do Recurso de Ofício, se os créditos reconhecidos pela DRJ não foram utilizados pelo  contribuinte em suas apurações.  É  que,  em  argumento  subsidiário  ao  mérito,  o  Recorrente  alega  que,  em  que  pese o acerto da decisão recorrida ao reconhecer o "direito ao aproveitamento do desconto dos  créditos da não cumulatividade que foram declarados na DACON", devem ser reconhecidas os  créditos  recolhidos  sobre  receitas  tributáveis  apuradas  pela  Recorrente  em  períodos  subsequentes (2009 e 2010).   Neste  ponto,  deve­se  pontuar,  primeiramente,  que  a  DRJ,  como  mencionado,  reconheceu que, tendo em vista a sistemática de apuração não­cumulativa da COFINS, houve  um erro da  fiscalização na apuração da contribuição devida, uma vez que não considerou os  créditos  declarados  (e  não  contestados)  em  DACON  pelo  contribuinte.  Ou  seja,  teria  o  contribuinte o direito de ver reconhecido o seu direito creditório, sob pena de ferir a sistemática  de recolhimento não­cumulativo daquela contribuição.   E, no Recurso Voluntário, o Recorrente alega que este mesmo raciocínio deve  ser  considerado  no  que  tange  aos  valores  já  recolhidos  pelo  contribuinte,  mesmo  que  em  períodos subsequentes, sobre as mesmas receitas tributáveis.  Contudo,  pela  análise  da  documentação  acostada  aos  autos,  não  tem,  este  julgador, elementos suficientes para confirmar se houve, de fato, o  recolhimento da COFINS  nos  períodos  posteriores  e,  se  houve  o  recolhimento,  se  seriam  sobre  as  mesmas  bases  levantadas pela fiscalização.   No  que  tange  a  este  último  ponto,  a  princípio,  por  dedução  lógica,  não  há  dúvidas  quanto  ao  reconhecimento  das  receitas,  pelo  contribuinte,  em momento  posterior  ao  que entendia a fiscalização como sendo a data correta para este reconhecimento.  Como a autuação se motivou exatamente no argumento de que as receitas foram  reconhecidas  em  momento  indevido,  pode­se  afirmar  que  houve  este  reconhecimento  em  momento  posterior.  Contudo,  não  se  pode  afirmar  que  os  recolhimentos  foram  de  fato  realizados,  o  que  tornaria  temerária  qualquer  decisão  deste  Conselho,  que  reconhece  a  possibilidade de compensação dos valores  recolhidos com os créditos  tributários constituídos  de ofício pelo agente fiscal.   Assim, é  imprescindível a  realização de diligência, para que a d. Delegacia da  Receita Federal, onde o contribuinte tem domicílio, com base nas declarações e recolhimentos  feitos por este, responda aos seguintes questionamentos:  1)  Os  créditos  tributários  relativos  à  COFINS  recolhidos  posteriormente  ao  período  autuado  são  vinculados  à  receita  não  reconhecida  pelo  contribuinte  quando do recebimento dos valores (objeto da autuação)?  2)  Pode­se  afirmar  que  o  contribuinte  constituiu,  via  declaração,  TODOS  os  créditos tributários de COFINS relativos às receitas objeto da presente autuação?  Fl. 3802DF CARF MF Processo nº 10380.729798/2013­24  Resolução nº  1302­000.621  S1­C3T2  Fl. 3.803          22 3)  Se  efetivamente  constituídos,  os  créditos  tributários  foram  quitados  na  integralidade, compensados ou parcelados? Discriminar e quantificar.  4) Algum dos pagamentos vinculados a estes créditos tributários foi considerado  indevido  ou  pagamento  a maior,  ou,  por  qualquer outro  fundamento,  utilizado  para fins de restituição ou compensação pelo contribuinte? Caso positivo, deve­ se discriminar como se deu o aproveitamento pelo contribuinte e o estado atual  de eventual PER/DComp.  5)  Ainda,  para  análise  do  Recurso  de  Ofício,  os  créditos  decorrentes  da  não­ cumulatividade  indicados em DACON, deferidos pela DRJ e não utilizados na  diminuição dos débitos de Cofins, foram utilizados pelo contribuinte em pedidos  de restituição/compensação?  O contribuinte deve ser intimado para apresentar à fiscalização a documentação  comprobatória do seu direito creditório, e, após a confirmação nos sistemas da RFB, bem como  a  obtenção  de  outras  provas  requeridas  e/ou  necessárias,  a  autoridade  responsável  deve  elaborar relatório conclusivo.  O  contribuinte  deve  ser  cientificado  do  citado  relatório  e  sobre  ele  poderá  manifestar­se no prazo de 30 dias, após o qual deve o processo retornar para julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator  Fl. 3803DF CARF MF

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8969766 #
Numero do processo: 11516.723089/2013-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-001.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402-000.717, de 27 de janeiro de 2015, in verbis: Contra o interessado foram lavrados autos de infração de PIS/Pasep não cumulativo no valor total de R$ 5.265.572,58 e de Cofins não cumulativa no valor total de R$ 24.253.558,67 relativo ao ano de 2009 (fls. 2.411/2.431), em função das irregularidades que se encontram descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 2.346/2.356; A empresa apresenta impugnação na qual alega, em síntese: a) DA NÃO CUMULATIVIDADE DO PIS E DA COFINS E O CONCEITO DE INSUMO PARA FINS DE CREDITAMENTO, INTERPRETADO À LUZ DA LEGISLAÇÃO E JURISPRUDÊNCIA; b) DO DIREITO AOS CRÉDITOS APURADOS SOBRE BENS ADQUIRIDOS PARA REVENDA; c) DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE PRODUTOS PARA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS E EMBALAGENS PARA TRANSPORTE; d) DAS DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETE; e) DO DIREITO AO CRÉDITO PRESUMIDO DA LEI Nº 10.925/2004 QUANTO AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS/COOPERATIVAS COM RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 23 08 9/ 20 13 -1 5 Fl. 2768DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 3302-001.831 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.723089/2013-15 ALÍQUOTA ZERO E QUANTO AO PERCENTUAL CONFORME O INSUMO ADQUIRIDO – ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS; f) DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM ALÍQUOTA ZERO; g) DO DIREITO AO CRÉDITO PELA AQUISIÇÃO DE BENS COM SUSPENSÃO DAS CONTRIBUIÇÕES; h) DO CRÉDITO DECORRENTE DE CUSTOS HAVIDOS COM SERVIÇOS NECESSÁRIOS À ATIVIDADE DA RECORRENTE; i) DA EXCLUSÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES; j) DO DIREITO AOS CRÉDITOS APURADOS SOBRE INSUMOS IMPORTADOS; k) DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE PERÍCIA; l) DA INEXIGIBILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO LANÇADA;; A 2ª Turma da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 09.49790, de 19 de fevereiro de 2014, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano- calendário: 2009 INSUMOS O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5º do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar créditos presumidos relativos às aquisições feitas de pessoas físicas, considerados os percentuais de redução da alíquota básica de acordo com a classificação dos insumos adquiridos e não dos produtos produzidos. PIS/PASEP COFINS. CRÉDITO SOBRE FRETE Somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes, desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que podem gerar direito a créditos a serem descontados das Contribuições. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. A incorporadora responde pelo pagamento da multa de ofício decorrente de operações da sucedida. Impugnação Improcedente. O sujeito passivo teve ciência da decisão e apresentou recurso voluntário onde repisa os argumentos apresentados na impugnação O julgamento foi convertido em diligência. A Autoridade Fiscal devolveu os autos ao CARF. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise. Como relatado, essa Turma havia convertido o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem fizesse uma análise das informações contidas no laudo apresentado Fl. 2769DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 3302-001.831 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.723089/2013-15 pela recorrente e elaborasse um parecer conclusivo sobre a participação de cada serviço/bem no processo produtivo da empresa. Ocorre que a Unidade de Origem não emitiu um parecer sobre os dados contidos no Laudo apresentado pela recorrente, conforme se pode constatar do trecho da informação fiscal abaixo transcrita: Foi determinado na citada Resolução que fosse elaborado parecer conclusivo, de modo a identificar cada custo/despesa quanto à participação no processo produtivo da empresa. O laudo apresentado de folhas 2.625 e seguintes e o Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF, juntado à folha 2.720, assim como as respostas ao Termo de Intimação Fiscal Seort nº 1588/2015, a partir da folha 2.693, ainda não são suficientes para completar a informação solicitada, de modo que nova intimação seria necessária. Ocorre que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.221.170/PR, com rito de recurso repetitivo, vinculante a todas as instâncias administrativas, considerou ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004, da Secretaria da Receita Federal, e definiu novos critérios a serem adotados na aferição de crédito relativos ao conceito de insumo, baseados na essencialidade ou relevância, rechaçando os critérios do imposto de renda, do IPI, do contato direto com o produto e outros. Foi editada a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF com o objetivo de delimitar a extensão e o alcance do julgado, viabilizando a adequada observância da tese por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Em consequência, foi editado o PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2018. Para dar notícia a este colegiado, estes documentos estão anexados neste processo imediatamente antes desta informação fiscal. Desta forma, foi totalmente alterado o conceito de insumo no âmbito da RFB a fim de dar cumprimento à decisão do STJ. É nossa opinião que deve ser realizada nova análise dos itens glosados com base no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2018, por ser de natureza interpretativa, e, das glosas que ainda restarem, seja realizada ciência ao contribuinte e à PFN para manifestação. Porém, orientação por mensagem Notes, emanada da DISIT/RF09 em 25/01/2019, estabelece que os processos nesta situação sejam retornados ao CARF para que, a par das modificações da legislação informadas, decorrentes de julgamento do STJ, determine quais os critérios a observar para esclarecer as possíveis dúvidas remanescentes do colegiado. Diante do quadro formado, determino que a Unidade de Origem analise a veracidade das informações constantes no Laudo de fls. 2.625 e seguintes, em especial, quanto a participação no processo produtivo dos serviços de frete, carreto, de abate e processamento, de inspeção sanitária, de carga e descarga, de lavagem de uniformes, de transporte interno e de reforma de “paletes”. Apenas para responder à Informação Fiscal, peço que sejam observados os critérios cravados na decisão do STJ em Recurso Especial nº 1.221.170/PR, combinado com a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF e com o PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, DE 17 DE DEZEMBRO DE 2018. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindo-lhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciar-se sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 2770DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 3302-001.831 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11516.723089/2013-15 Fl. 2771DF CARF MF Documento nato-digital

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7406629 #
Numero do processo: 13971.723959/2015-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição a conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Carmen Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição a conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Ester Marques Lins de Sousa.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1577; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T1  Fl. 16.938          1 16.937  S1­C2T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.723959/2015­76  Recurso nº            De Ofício e Voluntário  Resolução nº  1201­000.520  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  25 de julho de 2018  Assunto  Solicitação de diligência   Recorrentes  BUNGE ALIMENTOS S/A              FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.  (assinado digitalmente)  Eva Maria Los ­ Presidente em Exercício  (assinado digitalmente)  José Carlos de Assis Guimarães ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Jose  Carlos  de  Assis  Guimarães, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello  Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Carmen Ferreira Saraiva  (suplente  convocada  em  substituição  a  conselheira  Ester  Marques  Lins  de  Sousa  )  e  Eva  Maria  Los  (Presidente  em  Exercício).  Ausente,  justificadamente,  a  conselheira  Ester  Marques  Lins  de  Sousa.   RELATÓRIO  BUNGE ALIMENTOS S/A  recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do  Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 02­71.096, de 20/01/2017, da  2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que julgou  procedente em parte a impugnação apresentada, para:  REJEITAR a preliminar de decadência;     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 23 95 9/ 20 15 -7 6 Fl. 16938DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.939          2 REJEITAR as arguições de nulidade do procedimento fiscal;  EXONERAR  integralmente a exigência do  IRPJ e CSLL pertinente aos anos­ calendário de 2010, 2011 e 2012, relativa à infração do item "Ágio Soceppar/Soccepart;  EXONERAR  parcialmente  a  exigência  do  IRPJ  e  CSLL  pertinente  ao  ano­ calendário  de  2012,  relativa  à  infração  do  item  "Despesas  não  comprovadas  ­  Créditos  de  PIS/Cofins”;  EXONERAR  integralmente  a  exigência  do  IRPJ  pertinente  ao  ano­calendário  de 2011 e 2012, relativa à infração do item “Compensação indevida de prejuízos de períodos  anteriores”;  EXONERAR  parcialmente  a exigência de CSLL pertinente  ao  ano­calendário  de 2011, relativa à infração do item “Compensação indevida de base de cálculo negativa”;  MANTER  integralmente  todas  as  demais  exigências  do  IRPJ  e  da  CSLL  acrescidas de multa de ofício e dos juros de mora cabíveis;  EXONERAR  integralmente  as multas  de  arquivo magnético  relativas  à  ECD  2010 ­ informação inexata e ECD 2012 ­ erro de forma;  MANTER integralmente a multa de arquivo magnético relativa ao Fcont 2010 ­  omissão de informação;  DECLARAR  DEFINITIVA  a  exigência  do  crédito  tributário  pertinente  as  multas  por  apresentação  extemporânea  de  escrituração  digital,  objeto  de  lançamento  nos  respectivos autos de infração, por se tratar de matéria não impugnada.  Como  o  sujeito  passivo  foi  exonerado  de  crédito  tributário  (principal  mais  multas) em valor superior ao limite de alçada (R$ 1.000.000,00), a Turma Julgadora recorreu  de  ofício  a  este  Colegiado,  nos  termos  da  Portaria  MF  nº  3,  de  03  de  janeiro  de  2008,  posteriormente revogada pela Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017.  Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão de primeira  instância, completando­o ao final:  "Em  01/12/2015,  autos  de  infração  de  Imposto  de  Renda  Pessoa  Jurídica ­IRPJ (fls. 12109/12131) no valor total de R$ 224.997.867,44,  Contribuição Social sobre o Lucro Liquido ­ CSLL no valor total de R$  80.999.232,28  (fls.  12132/12152),  e  de Multa Regulamentar  no  valor  total  de  R$  151.489.149,31  foram  lavrados  contra  o  sujeito  passivo,  Bunge Alimentos S/A, em função de Omissão de receitas – Créditos de  PIS/Cofins;  de  Despesas  não  necessárias  –  Ágio  Soceppar;  de  Despesas  não  comprovadas  –  Depreciação;  de  Despesas  não  comprovadas  – Créditos  de  PIS/Cofins;  de Despesas  financeiras  não  dedutíveis  –  Despesas  com  Hedge;  de  Contabilização  imprópria  de  subvenções;  de  Compensação  indevida  de  prejuízo  operacional  com  resultado da atividade geral; de Falta de recolhimento de IRPJ sobre  base  de  cálculo  estimada;  de  seus  reflexos  em  CSLL;  e  Multa  regulamentar  por  apresentação  incorreta  dos  dados  fornecidos  em  meio magnético, por apresentação de escrituração digital, arquivos ou  sistemas  com  informações  inexatas,  incompletas  ou  omitidas  e  por  Fl. 16939DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.940          3 apresentação  extemporânea  de  escrituração  digital,  arquivos  ou  sistemas. Houve exigência da Multa de Ofício no percentual de 75%.    Para  facilitar  a  compreensão,  o  relatório  será  dividido  em  itens,  Omissão  de  receitas  –  Créditos  de  PIS/Cofins;  Despesas  não  necessárias  –  Ágio  Soceppar;  Despesas  não  comprovadas  –  Depreciação;  Despesas  não  comprovadas  –  Créditos  de  PIS/Cofins;  Despesas  financeiras  não  dedutíveis  –  Despesas  com  Hedge;  Contabilização  imprópria  de  subvenções;  Compensação  indevida  de  prejuízo  operacional  com  resultado  da  atividade  geral;  Falta  de  recolhimento  de  IRPJ  sobre  base  de  cálculo  estimada;  Multa  regulamentar.  Cada  item  será  dividido  em  Relatório  Fiscal  e  Impugnação.  Farei apenas um breve resumo sobre os temas. As acusações fiscais e a  defesa do contribuinte serão apresentadas com maior detalhe no voto.  Relatório Fiscal – Item 3.1, fls. 12166, Ágio Soceppar e Soceppart  A fiscalização glosou as despesas com a amortização fiscal de ágio por  considerá­las desnecessárias em virtude de problemas no laudo. Foram  três os problemas apontados: o fato do laudo de avaliação econômica  da  Soceppar  ser  posterior  à  data  da  operação  de  aquisição  pela  Bunge; a ausência de laudo de avaliação econômica para a Soceppart  e inconsistências intrínsecas do laudo de avaliação.  Fl. 16940DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.941          4 Impugnação – Item 3.1, fls. 12442, Ágio Soceppar e Soceppart.  A  autuada  informa  que  o  laudo  de  avaliação  econômica  que  fundamentou  os  ágios  em  discussão  encontram­se  nas  páginas  747  a  842 dos autos.  Em preliminar, a autuada alega a decadência do direito de questionar  a  formação  dos  ágios  porque  a  data  de  aquisição  das  ações  da  Soceppart  e  da  Soceppar  foi  06/10/2006  e  que  as  incorporações  que  justificaram  o  início  das  amortizações  fiscais  ocorreram  em  28/02/2007.  A impugnante alega que não há qualquer exigência ou requisito quanto  à demonstração que o contribuinte deverá arquivar como comprovante  da escrituração.  Relatório Fiscal – Item 3.2, fls. 12189, Despesas com depreciação  De acordo com a fiscalização, a Bunge inseriu, na apuração do IRPJ e  da  CSLL,  despesas  de  depreciação,  exaustão  e  amortização,  em  relação  às  quais,  ou  não  possuía  a  documentação  comprobatória  de  aquisição, ou deduziu a despesa em desacordo com a permissão legal.  Impugnação – Item 3.2, fls. 12467, Despesas com depreciação  Em  preliminar,  há  a  alegação  de  decadência  do  direito  do  Fisco  de  lançar.  A  impugnante  alega  que  as  glosas  de  despesas  de  depreciação,  amortização  e  exaustão  de  bens  ou  direitos  do  ativo  não­circulante,  não  se  sustentam,  em  razão  da  decadência  e  da  falta  de  aprofundamento  da  fiscalização  na  investigação  dos  fatos,  e  também  pelo  fato de a  impugnante possuir documentos hábeis e  idôneos para  justificar  a  composição  do  valor  dos  bens  e  direitos  que  geraram  as  despesas glosadas pela fiscalização.  Relatório Fiscal – Item 3.3, fls. 12208, Receitas de subvenções para  investimentos  De  acordo  com  a  fiscalização,  a  fiscalizada  enquadrou  benefícios  fiscais  do  ICMS  concedidos  pelos  Estados  da  Bahia,  Goiás,  Mato  Grosso,  Mato  Grosso  do  Sul,  Piauí  e  Pernambuco,  por  força  de  Programas de Desenvolvimento firmados entre as unidades federadas e  a  contribuinte,  como  subvenção  para  investimentos,  quando  se  tratariam,  na  realidade,  de  subvenções  para  custeio,  as  quais  devem  integrar o resultado fiscal da empresa.  Impugnação – Item 3.3, fls. 12489, Receitas de subvenções para  investimentos  A  autuada  alega  que  o  entendimento  da  fiscalização  não  é  correto  e  não se coaduna com a jurisprudência administrativa estando baseado  no Parecer Normativo CST 112 que criou requisito sem base legal.  Afirma que não há na lei qualquer regra no sentido de que a subvenção  para investimento dependa, para sua não tributação, da aplicação em  bens do ativo não circulante e que a lei não requer perfeita e absoluta  Fl. 16941DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.942          5 simetria entre a vantagem percebida pela pessoa jurídica e a aplicação  desta  vantagem  nos  investimentos  atinentes  ao  empreendimento  econômico.  Relatório Fiscal – Item 3.4, fls. 12233, Despesas com Hedge  De  acordo  com  a  fiscalização,  foram  glosadas  as  despesas  relacionadas  com  as  operações  de  cobertura  (hedge)  efetivadas  pela  empresa, em função da desnecessidade de operações de cobertura para  empréstimos vinculados a contratos de pré­pagamento de exportações  (PPE).  Impugnação – Item 3.4, fls. 12532, Despesas com Hedge  A impugnante alega que o principal equívoco da fiscalização reside em  considerar  que  a  impugnante  realiza  o  hedge  das  operações  de PPE  quando, na  realidade, o gerenciamento de  riscos  é  feito  com base na  exposição  de  seus  ativos  e  passivos,  por  meio  de  elaboração  de  análises periódicas do  risco  cambial;  que a  impugnante não  realizou  operações  com  instrumentos  derivativos  para  proteger  o  passivo  relativo  ao  PPE  especificamente,  mas  sim,  para  a  proteção  da  exposição cambial dos itens do seu balanço patrimonial.  Relatório Fiscal – Item 3.5, fls. 12268, Créditos de PIS/Cofins  As  infrações  detalhadas  neste  tópico  são  resultado  da  glosa  de  despesas relativas à baixa de créditos reconhecidos judicialmente sem  comprovação do reconhecimento como receita destes créditos.  Impugnação – Item 3.5, fls. 12553, Créditos de PIS/Cofins  Em  preliminar,  há  a  alegação  de  decadência  do  direito  do  Fisco  de  lançar.   A impugnante alega que contabilizou as receitas relativas aos créditos  judiciais e junta documentação para comprovar.  Relatório Fiscal – Item 3.6, fls. 12277, Multas de arquivos digitais   Nesse  ponto  são  aplicadas  multas  relativas  às  declarações  ECD  e  Fcont:  por  atraso  na  entrega;  por  informação  omitida,  inexata  ou  incompleta e por erro na forma.  Impugnação – Item 3.6, fls. 12561, Multas de arquivos digitais  A interessada não impugna as multas por atraso e informa que pagou.  Defende que a fiscalização aplicou multa sobre uma situação que não  configura inexatidão nos termos do art. 57 da MP 2158­35. Argumenta  que  a  inexatidão  passível  de  penalidade  é  aquela  identificada  na  comparação  entre  os  fatos  informados  em  relação  aos  fatos  efetivamente ocorridos e deve ser comprovada mediante o cotejamento  da  informação  contida  na  obrigação  acessória  analisada  com  outros  elementos, como dados contábeis, por exemplo.  Alega  que  o  procedimento  adotado  no  auto  de  infração  para  fins  de  determinação  da  base  de  cálculo  da  referida  multa  lavrada  é  Fl. 16942DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.943          6 inadequado,  pois  o  dispositivo  legal  que  respalda  o  enquadramento  legal menciona como base o valor das “transações comerciais ou das  operações  financeiras,  próprias  da  pessoa  jurídica  no  caso  de  informação omitida, inexata ou incompleta”.  A impugnante alega erro no enquadramento legal da multa por erro de  forma afirmando que os dispositivos invocados no auto de infração são  absolutamente inaplicáveis ao caso em espécie.  Outras questões  Também foi aplicada multa isolada sobre estimativas do IRPJ e CSLL.  Em  função  de  Procedimentos  Fiscais  anteriores  que  resultaram  em  glosas, houve alteração nos saldos de prejuízos fiscais. A fiscalização,  utilizou  os  saldos  constantes  dos  controles  da  RFB  para  os  lançamentos de ofício constituídos nos autos.  A  impugnante,  por  sua  vez,  pediu  a  suspensão  do  processo,  dada  a  relação  de  prejudicialidade  de  ambos,  com  o  objetivo  de  evitar  decisões  contraditórias,  além  de  injustiças  contra  seu  direito  à  compensação de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL.  Foi aplicada multas de ofício de 75%.  Ao final, a impugnante pede que seja afastada a incidência dos juros de  mora sobre os valores das multas de ofício, alegando que a lei somente  prescreve a aplicação do referido encargo sobre as multas isoladas.  Protesta pela juntada posterior de provas e por diligências.  Ciente  do  Acórdão  de  primeira  instância  em  17/02/2017  (fls.  16.661),  a  contribuinte interpôs recurso voluntário em 20/03/2017 (fls. 16.664/16.805), com a juntada da  documentação  de  fls.  16.806/16.851,  alegando  praticamente  as  mesmas  razões  daquelas  apresentadas em sede de impugnação.  Às  fls. 16.869/16.915 dos autos,  a Fazenda Nacional apresenta  as  suas contra­ razões ao recurso voluntário assim como razões ao recurso de ofício.  Às  fls.  16.920/16.928  e  16.929/16.937,  consta  a  juntada,  em  08/11/2017,  de  petições da recorrente no sentido de:  "(...)  desmembramento  do  presente  processo  de  acordo  com  a  autonomia das matérias proporcionando às partes a efetivação de seu  direito  de  defesa  em  segregados  processos  que  tenham  pr  objeto  parcelas  temáticas  decorrentes  dos  autos  de  infração  ora  em  debate.  Esse  pedido  também  tem  o  intuito  de  facilitar  o  trabalho  da  Turma  Julgadora,  que,  na  hipótese  de  desmembramento,  terá  mais  tempo  hábil para analisar as controvérsias em questão. Outrossim, o mesmo  pedido  conforma­se  ao  princípio  da  eficiência  e  ao  interesse  da  arrecadação  tributária,  já que a demora na solução da  totalidade do  litígio, em razão de dúvidas ou controvérsias pontuais em relação a um  ou  a  parte  dos  itens  autuados,  pode  retardar  o  desfecho  das  demais  matérias,  seja  para  cancelá­las  em  definitivo,  seja  para  promover  a  correspondente cobrança."  Fl. 16943DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.944          7 É o relatório.  VOTO  Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator.  Observando  o  que  determinam  os  arts.  5º  e  33,  ambos  do  Decreto  nº.  70.235/1972  conheço  a  tempestividade  do  recurso  voluntário  apresentado,  preenchendo  os  demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento.  Em  razão  da  proposta  de  resolução,  é  necessário  me  ater  apenas  à  parte  da  autuação atinente às subvenções para investimento em razão da necessidade de sobrestamento  do feito e remessa dos autos à unidade de origem.  A matéria  em  análise  refere­se  à  concessão  de  benefícios  fiscais  do  ICMS  pelos  Estados  da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso  do  Sul,  Piauí  e  Pernambuco,  por  força  de  Programas de Desenvolvimento firmados entre as unidades federadas e a contribuinte. Segundo a  Fiscalização a contribuinte enquadrou estes benefícios como subvenção para investimentos, quando  se tratam, na realidade, de subvenções para custeio, as quais devem integrar o resultado fiscal da  empresa.  Ocorre  que  toda  a  legislação  utilizada  pela  Fiscalização  é  anterior  à  Lei  Complementar  nº  160/2017  que  tem  efeitos  retroativos  para  aplicação  aos  processos  administrativos pendentes, para que se considerem subvenções para investimento os benefícios  concedidos  pelos  Estados  e  Distrito  Federal,  na  forma  do  artigo  155,  II,  da  Constituição  Federal, sem a exigência de requisitos não previstos no artigo 30 da Lei 12.973/2014.  Assim se posicionou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme podemos  verificar pela Resolução nº 9101­000.039 – 1ª Turma, de 18 de janeiro de 2018:  Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o  julgamento  do  recurso  na  Unidade  de  Origem  até  29/12/2018,  nos  termos  do  voto  da  relatora,  vencidos  os  conselheiros  Flávio  Franco  Corrêa  e  Adriana  Gomes  Rêgo,  que  não  concordaram  com  o  sobrestamento. Após esse prazo, os autos devem retornar ao Carf para  julgamento.  Abaixo, transcrevo a parte do voto que conduziu a resolução:  Proposta de resolução:  O  recurso  especial  trata  da  identificação de  benefício  fiscal  estadual  (Bahia,  "Desenvolve")  como  subvenção  para  investimento,  quando  o  acórdão recorrido tratou como subvenção para custeio.  O  benefício  fiscal  foi  assim  tratado  pelo  voto  vencedor  no  acórdão  recorrido:  "Merece destaque o item 2.12 do Parecer Normativo CST nº 112/1978,  ao dispor sobre a necessidade de que na subvenção para investimento  ocorra  uma  perfeita  sincronia  da  intenção  do  subvencionador  com  a  ação  do  subvencionado,  e  que  reste  demonstrada  a  "efetiva  e  específica"  aplicação  da  subvenção,  por  parte  do  beneficiário,  nos  Fl. 16944DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.945          8 investimentos  previstos  na  implantação  ou  expansão  do  empreendimento econômico projetado.  Ao  contrário  do  que  considerou  o  ilustre  Conselheiro  Relator,  não  basta  que  a  lei  estadual  ou  os  correspondentes  atos  regulamentares  demonstrem a intenção de subvencionar do Estado.  Mera  menção  nos  atos  normativos  estaduais  de  que  o  desconto  do  saldo devedor estaria vinculado ao investimento no setor industrial sob  forma de expansão ou implantação de novo empreendimento, por si só,  não  caracteriza  a  subvenção  para  investimento.  Busca  o  impugnante  situação bastante cômoda, ao entender que poderia dispor do prazo de  vinte  anos  para  prestar  satisfações  sobre  a  destinação  dos  recursos  obtidos pela liquidação antecipada do financiamento.  Em nenhum momento restou demonstrado nos autos a efetiva aplicação  dos recursos para atender às condições estabelecidas em lei."  A  subvenção  para  investimento  é  regrada  pelo  artigo  443,  do  Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999):  "Art.  443.  Não  serão  computadas  na  determinação  do  lucro  real  as  subvenções para  investimento,  inclusive mediante  isenção ou  redução  de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de  empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público,  desde que (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e Decreto­Lei  nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII):  I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada  para  absorver  prejuízos  ou  ser  incorporada  ao  capital  social,  observado  o  disposto  no  art.  545  e  seus  parágrafos;  ou  II  feitas  em  cumprimento  de  obrigação  de  garantir  a  exatidão  do  balanço  do  contribuinte  e  utilizadas  para  absorver  superveniências  passivas  ou  insuficiências ativas."  No  caso  destes  autos,  trata­se  de  benefício  do  Estado  da  Bahia,  regulado pelo Decreto nº 8.205/2002, que estabeleceu o “Regulamento  do Programa Estadual de Desenvolvimento Industrial e de Integração  Econômica do Estado da Bahia Desenvolve”. Este Decreto previa em  seus artigos 2º e 3º. :  "Art.  2º  Ficam  diferidos  o  lançamento  e  o  pagamento  do  ICMS  relativo:  I  às  aquisições  de  bens  destinados  ao  ativo  fixo,  efetuadas  por  contribuintes habilitados mediante resolução do Conselho Deliberativo  do  DESENVOLVE,  para  o  momento  de  sua  desincorporação,  nas  seguintes hipóteses:  a) nas operações de importação de bens do exterior;  b) nas  operações  internas  relativas  às  aquisições  de bens  produzidos  neste Estado;  c)  nas  aquisições  de  bens  em  outra  unidade  da  Federação,  relativamente ao diferencial de alíquotas;  Fl. 16945DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.946          9 II  às  operações  internas  referentes  ao  fornecimento  de  insumos  de  origem agropecuária  e  extrativa mineral,  indicados  em Resolução do  Conselho do Programa, a contribuintes habilitados ao DESENVOLVE,  para  o  momento  da  saída  subseqüente  dos  produtos  resultantes  da  industrialização.  §  1º  Os  contribuintes  destinatários  das  mercadorias  cujas  operações  estejam  sujeitas  ao  regime  de  diferimento  do  imposto  deverão  providenciar junto a Secretaria da Fazenda habilitação específica para  operar com o referido regime.  §  2º  Aplica­se  ao  diferimento  de  que  trata  este  Decreto  as  regras  previstas no Regulamento do ICMS que com ele não conflitarem.  Art.  3º O Conselho Deliberativo  do DESENVOLVE  poderá  conceder  dilação de prazo de até 72 (setenta e dois) meses para o pagamento de  até  90%  (noventa  por  cento)  do  saldo  devedor  mensal  do  ICMS,  relativo  às  operações  próprias  gerado  em  razão  dos  investimentos  constantes dos projetos aprovados pelo Conselho Deliberativo."  Em  precedentes  desta  Turma  (acórdão  nº  9101003.163,  processo  nº  13502.001153/200740),  manifestei  meu  entendimento  a  respeito  do  Programa “Desenvolve” do Estado da Bahia. À ocasião mencionei que  o  reconhecimento  de  subvenção  para  investimento,  que  não  é  computada  no  lucro  real,  depende  de:  (i)  intenção do Poder Público  (ente  subvencionador)  em  estimular  a  implantação  ou  expansão  de  empreendimentos econômicos; (ii) registro como reserva de capital da  subvenção para investimentos; (iii) efetiva implantação e expansão de  empreendimentos econômicos.  Ocorre  que  foi  recentemente  aprovada  a  Lei  Complementar  nº  160/2017, que alterou a Lei nº 12.973/2014, inserindo os §4º e §5º ao  artigo 30. O artigo 30 restou assim expresso em sua integralidade:  "Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção  ou redução de  impostos,  concedidas como estímulo à  implantação ou  expansão  de  empreendimentos  econômicos  e  as  doações  feitas  pelo  poder  público  não  serão  computadas  na  determinação  do  lucro  real,  desde que seja registrada em reserva de  lucros a que se  refere o art.  195­A  da  Lei  no  6.404,  de  15  de  dezembro  de  1976,  que  somente  poderá ser utilizada para:  I  absorção  de  prejuízos,  desde  que  anteriormente  já  tenham  sido  totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da  Reserva Legal; ou II aumento do capital social.  §  1º  Na  hipótese  do  inciso  I  do  caput,  a  pessoa  jurídica  deverá  recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos  subsequentes.  §  2º  As  doações  e  subvenções  de  que  trata  o  caput  serão  tributadas  caso  não  seja  observado o  disposto  no  §  1º  ou  seja  dada destinação  diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de:  I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou  ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base  Fl. 16946DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.947          10 para  a  incidência  será  o  valor  restituído,  limitado  ao  valor  total  das  exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para  investimentos;  II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do  capital  social,  nos 5  (cinco) anos anteriores à data da doação ou da  subvenção,  com  posterior  capitalização  do  valor  da  doação  ou  da  subvenção,  hipótese  em  que  a  base  para  a  incidência  será  o  valor  restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações  ou  de  subvenções  governamentais  para  investimentos;  ou  III  integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios.  §  3º  Se,  no  período  de  apuração,  a  pessoa  jurídica  apurar  prejuízo  contábil  ou  lucro  líquido  contábil  inferior  à  parcela  decorrente  de  doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser  constituída  como parcela  de  lucros  nos  termos  do  caput,  esta  deverá  ocorrer  à  medida  que  forem  apurados  lucros  nos  períodos  subsequentes.  §  4º  Os  incentivos  e  os  benefícios  fiscais  ou  financeiro­fiscais  relativos  ao  imposto  previsto  no  inciso  II  do  caput  do  art.  155  da  Constituição  Federal,  concedidos  pelos  Estados  e  pelo  Distrito  Federal,  são  considerados  subvenções  para  investimento,  vedada  a  exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo.  (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017)   § 5º O disposto no § 4º deste artigo aplica­se inclusive aos processos  administrativos  e  judiciais  ainda  não  definitivamente  julgados.  (Incluído pela Lei Complementar nº 160, de 2017)"  (grifamos)  As  novas  regras,  estabelecidas  pela  Lei  Complementar  nº  160,  portanto,  tem  efeitos  retroativos  para  aplicação  aos  processos  administrativos  pendentes,  para  que  se  considerem  subvenções  para  investimento os benefícios concedidos pelos Estados e Distrito Federal,  na forma do artigo 155, II, da Constituição Federal, sem a exigência de  requisitos não previstos no próprio artigo 30.  Remanesce, quando concedido benefício na forma do artigo 155, II, a  exigência de cumprimento dos requisitos do caput do artigo 30, quais  sejam:  (i)  intenção  do  Estado  da  em  estimular  a  implantação  e  expansão de empreendimentos (ii) registro em reserva de lucros.  Vale lembrar, ainda, a previsão do artigo 155, II, §2º, inciso XII, alínea  g, da Constituição Federal:  "Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos  sobre: (...)  II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações  de  serviços  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal  e  de  comunicação,  ainda  que  as  operações  e  as  prestações  se  iniciem  no  exterior; (...)  § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: (...)  Fl. 16947DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.948          11 XII cabe à lei complementar: (...)  g)  regular  a  forma  como,  mediante  deliberação  dos  Estados  e  do  Distrito  Federal,  isenções,  incentivos  e  benefícios  fiscais  serão  concedidos e revogados."  Ademais, a Lei Complementar estabeleceu a aplicação das regras dos  §§ 4º e 5º, do artigo 30, aos benefícios anteriormente concedidos, em  desacordo  com  o  artigo  155,  desde  que  atendidas  exigências  de  registro e depósito de novo Convênio entre os Estados, nos termos dos  artigos 10 e 3º:  "Art. 10. O disposto nos §§ 4º e 5º do art. 30 da Lei nº 12.973, de 13 de  maio de 2014, aplica­se inclusive aos incentivos e aos benefícios fiscais  ou financeiro­fiscais de ICMS instituídos em desacordo com o disposto  na alínea ‘g’ do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal  por legislação estadual publicada até a data de início de produção de  efeitos  desta  Lei  Complementar,  desde  que  atendidas  as  respectivas  exigências  de  registro  e  depósito,  nos  termos  do  art.  3º  desta  Lei  Complementar.”  Art.  3º  O  convênio  de  que  trata  o  art.  1º  desta  Lei  Complementar  atenderá, no mínimo, às seguintes condicionantes, a serem observadas  pelas unidades federadas:  I  publicar,  em  seus  respectivos  diários  oficiais,  relação  com  a  identificação  de  todos  os  atos  normativos  relativos  às  isenções,  aos  incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro­fiscais abrangidos pelo  art. 1º desta Lei Complementar;  II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho  Nacional  de  Política  Fazendária  (Confaz),  da  documentação  comprobatória correspondente aos atos concessivos das  isenções, dos  incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro­fiscais mencionados no  inciso  I  deste  artigo,  que  serão  publicados  no  Portal  Nacional  da  Transparência  Tributária,  que  será  instituído  pelo  Confaz  e  disponibilizado em seu sítio eletrônico.  § 1º O disposto no art. 1º desta Lei Complementar não se aplica aos  atos  relativos  às  isenções,  aos  incentivos  e  aos  benefícios  fiscais  ou  financeiro­fiscais vinculados ao  Imposto  sobre Operações Relativas à  Circulação  de  Mercadorias  e  sobre  Prestações  de  Serviços  de  Transporte  Interestadual  e  Intermunicipal  e  de Comunicação  (ICMS)  cujas  exigências  de  publicação,  registro  e  depósito,  nos  termos  deste  artigo,  não  tenham  sido  atendidas,  devendo  ser  revogados  os  respectivos atos concessivos.  §  2º  A  unidade  federada  que  editou  o  ato  concessivo  relativo  às  isenções,  aos  incentivos  e  aos  benefícios  fiscais  ou  financeiro­fiscais  vinculados  ao  ICMS  de  que  trata  o  art.  1º  desta  Lei  Complementar  cujas  exigências  de  publicação,  registro  e  depósito,  nos  termos  deste  artigo,  foram atendidas  é  autorizada  a  concedê­los  e  a  prorrogá­los,  nos  termos  do  ato  vigente  na  data  de  publicação  do  respectivo  convênio, não podendo seu prazo de fruição ultrapassar:  Fl. 16948DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.949          12 I 31 de dezembro do décimo quinto ano posterior à produção de efeitos  do  respectivo  convênio,  quanto  àqueles  destinados  ao  fomento  das  atividades  agropecuária  e  industrial,  inclusive  agroindustrial,  e  ao  investimento  em  infraestrutura  rodoviária,  aquaviária,  ferroviária,  portuária, aeroportuária e de transporte urbano;  II  31  de  dezembro  do  oitavo  ano  posterior  à  produção  de  efeitos  do  respectivo  convênio,  quanto  àqueles  destinados  à  manutenção  ou  ao  incremento  das  atividades  portuária  e  aeroportuária  vinculadas  ao  comércio  internacional,  incluída  a  operação  subsequente  à  da  importação, praticada pelo contribuinte importador;  III 31 de dezembro do quinto ano posterior  à produção de  efeitos do  respectivo  convênio,  quanto  àqueles  destinados  à  manutenção  ou  ao  incremento das atividades comerciais, desde que o beneficiário seja o  real remetente da mercadoria;  IV 31 de dezembro do terceiro ano posterior à produção de efeitos do  respectivo  convênio,  quanto  àqueles  destinados  às  operações  e  prestações  interestaduais  com  produtos  agropecuários  e  extrativos  vegetais in natura;  V 31 de dezembro do primeiro ano posterior à produção de efeitos do  respectivo convênio, quanto aos demais.  §  3º  Os  atos  concessivos  cujas  exigências  de  publicação,  registro  e  depósito,  nos  termos  deste  artigo,  foram  atendidas  permanecerão  vigentes  e  produzindo  efeitos  como  normas  regulamentadoras  nas  respectivas  unidades  federadas  concedentes  das  isenções,  dos  incentivos  e  dos  benefícios  fiscais  ou  financeiro­fiscais  vinculados  ao  ICMS, nos termos do § 2º deste artigo.  § 4º A unidade federada concedente poderá revogar ou modificar o ato  concessivo ou  reduzir o  seu alcance ou o montante das  isenções, dos  incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro­fiscais antes do termo  final de fruição.  § 5º O disposto no § 4º deste artigo não poderá resultar em isenções,  incentivos ou benefícios fiscais ou financeiro­fiscais em valor superior  ao  que  o  contribuinte  podia  usufruir  antes  da  modificação  do  ato  concessivo.  §  6º  As  unidades  federadas  deverão  prestar  informações  sobre  as  isenções,  os  incentivos  e  os  benefícios  fiscais  ou  financeiro­fiscais  vinculados  ao  ICMS  e  mantê­las  atualizadas  no  Portal  Nacional  da  Transparência  Tributária  a  que  se  refere  o  inciso  II  do  caput  deste  artigo.  § 7º As unidades federadas poderão estender a concessão das isenções,  dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro­fiscais referidos no  § 2º deste artigo a outros contribuintes estabelecidos em seu território,  sob as mesmas condições e nos prazos­limites de fruição.  § 8º As unidades federadas poderão aderir às isenções, aos incentivos e  aos benefícios fiscais ou financeiro­fiscais concedidos ou prorrogados  Fl. 16949DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.950          13 por  outra  unidade  federada  da  mesma  região  na  forma  do  §  2º,  enquanto vigentes."  Diante de tais exigências, foi editado o Convênio ICMS 190, de 15 de  dezembro  de  2017,  que  estabelece  procedimento  para  a  remissão,  a  anistia e a re­instituição regrada pelo convênio:  "Cláusula  segunda  As  unidades  federadas,  para  a  remissão,  para  a  anistia  e  para  a  re­instituição  de  que  trata  este  convênio,  devem  atender as seguintes condicionantes:  I  publicar,  em  seus  respectivos  diários  oficiais,  relação  com  a  identificação de todos os atos normativos, conforme modelo constante  no  Anexo  Único,  relativos  aos  benefícios  fiscais,  instituídos  por  legislação estadual ou distrital publicada até 8 de agosto de 2017, em  desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art.  155 da Constituição Federal;  II efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho  Nacional  de  Política  Fazendária  CONFAZ,  da  documentação  comprobatória  correspondente  aos  atos  concessivos  dos  benefícios  fiscais mencionados  no  inciso  I  do  caput  desta  cláusula,  inclusive  os  correspondentes atos normativos, que devem ser publicados no Portal  Nacional  da  Transparência  Tributária  instituído  nos  termos  da  cláusula sétima e disponibilizado no sítio eletrônico do CONFAZ.  § 1º O disposto nos incisos I e II do caput estendem­se aos atos que não  se  encontrem  mais  em  vigor,  observando  quanto  à  re­instituição  o  disposto na cláusula nona.  §  2º  Na  hipótese  de  um  ato  ser,  cumulativamente,  de  natureza  normativa e concessiva, deve­se atender ao disposto nos incisos I e II  do caput desta cláusula.  § 3º A Secretaria Executiva do CONFAZ responsabiliza­se pela guarda  da relação e da documentação comprobatória de que trata o inciso III  do § 2º da cláusula primeira e deve certificar o registro e o depósito."  O prazo para o atendimento aos requisitos está tratado pela Cláusula  Terceira do Convênio:  "Cláusula  terceira  A  publicação  no  Diário  Oficial  do  Estado  ou  do  Distrito  Federal  da  relação  com  a  identificação  de  todos  os  atos  normativos de que trata o inciso I do caput da cláusula segunda deve  ser feita até as seguintes datas:  I 29 de março de 2018, para os atos vigentes em 8 de agosto de 2017;  II 30 de setembro de 2018, para os atos não vigentes em 8 de agosto de  2017.  Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o  quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência  prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018,  devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar  da identificação dos atos normativos objeto da solicitação, na forma do  modelo constante no Anexo Único.  Fl. 16950DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.951          14 Cláusula  quarta O  registro  e  o  depósito  na  Secretaria Executiva  do  CONFAZ  da  documentação  comprobatória  correspondente  aos  atos  concessivos dos benefícios fiscais de que trata o inciso II do caput da  cláusula segunda, devem ser feitas até as seguintes datas:  I 29 de junho de 2018, para os atos vigentes na data do registro e do  depósito;  II  28  de  dezembro  de  2018,  para  os  atos  não  vigentes  na  data  do  registro e do depósito.  Parágrafo único. O CONFAZ pode, em casos específicos, observado o  quórum de maioria simples, autorizar que o cumprimento da exigência  prevista no caput desta cláusula seja feita até 28 de dezembro de 2018,  devendo o pedido da unidade federada requerente se fazer acompanhar  da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos  dos benefícios fiscais."  Após  a  publicação  dos  atos  normativos  no  diário  oficial  do  Estado,  como prevê o inciso I, da Cláusula Segunda, e o registro destas normas  perante  o  CONFAZ,  como  estabelece  o  inciso  II,  a  publicação  será  disponibilizada  pelo  próprio  Portal  Nacional  da  Transparência  Tributária no prazo de 30 dias, como estabelece a Cláusula Quinta:  "Cláusula  quinta A  publicação  no Portal Nacional  da  Transparência  Tributária de que trata o inciso II do caput da cláusula segunda deve  ser  realizada  pela  Secretaria  Executiva  do  CONFAZ  até  30  (trinta)  dias após o respectivo registro e depósito."  Os  citados  prazos  ainda  não  decorreram  com  relação  ao  benefício  fiscal  ora  analisado  (Desenvolve).  Ademais,  pondero  que  não  há  notícias  de  registro  e  disponibilização  das  normas  relacionadas  ao  citado benefício fiscal no sítio do CONFAZ.  Não  obstante  isso,  há  regras  claras  sobre  a  aplicação  da  Lei  Complementar aos processos em curso e, ainda, definidora de prazos  para  publicação  das  normas  (pelo  Estado)  e  registro  perante  o  CONFAZ até 28/12/2018.  Nesse  contexto,  após  debates  entre  os  componentes  do  Colegiado,  a  maioria ponderou pelo sobrestamento do processo até 29/12/2018, dia  seguinte ao prazo para registro referido.  Com  efeito,  a  providência  revela­se  cautelosa,  na  medida  em  que  a  própria  Lei  Complementar  nº  160/2017  prevê  a  sua  aplicação  aos  processos em curso. Assim, é razoável aguardar as providências pelos  Estados  da  Federação  para,  desta  forma,  assegurar  a  aplicação  regular das disposições da Lei Complementar e Convênio ICMS acima  citados,  A  despeito  da  falta  de  previsão  expressa  para  suspensão  do  processo  administrativo  no  Decreto  nº  70.235/1972  e  RICARF  (Portaria MF 343/2015), o sobrestamento é autorizado pelo Código de  Processo Civil, verbis:  "Art. 313. Suspende­se o processo: (...)  V quando a sentença de mérito:  Fl. 16951DF CARF MF Processo nº 13971.723959/2015­76  Resolução nº  1201­000.520  S1­C2T1  Fl. 16.952          15 a)  depender  do  julgamento  de  outra  causa  ou  da  declaração  de  existência ou de inexistência de relação jurídica que constitua o objeto  principal de outro processo pendente;  b)  tiver  de  ser  proferida  somente  após  a  verificação  de  determinado  fato ou a produção de certa prova, requisitada a outro juízo;"  Diante disso, voto pelo sobrestamento do processo e remessa dos autos  à  unidade de  origem,  que deve  intimar  o  contribuinte  em 29/12/2018  para  que  comprove  o  cumprimento  dos  requisitos  tratados  pelas  Cláusulas  2ª,  3ª  e  4ª  do Convênio  ICMS  190,  de  15  de  dezembro  de  2017.  No  presente  feito,  como  registrado  neste  voto,  há  também  subvenção  para  investimento do programa da Bahia. Ademais,  aos programas dos outros  estados, aplica­se a  mesma  razão  de  decidir,  pois  estão  submetidos  ao  mesmo  comando  previsto  em  Lei  Complementar e Convênio CONFAZ.  For  fim,  na  sessão  de  20  de  fevereiro  de  2018,  a  1ª  Turma  Ordinária  da  4ª  Câmara  da  1ª  Seção  de  Julgamento,  por  meio  das  Resoluções  nºs  1401­000.499  e  1401­ 000.500,  utilizando­se  da  mesma  razão  de  decidir  da  Resolução  da  CSRF  ao  norte  transcrita, resolveu sobrestar o julgamento do recurso da BUNGE ALIMENTOS S/A contra a  infração "contabilização imprópria de subvenções" para fatos geradores de 2005, 2006 e 2007  (processo  nº  13971.005344/2010­50)  e  2008  e  2009  (processo  nº  13971.724030/2013­01)  na  Unidade de origem até 29/12/2018.  CONCLUSÃO  Isso posto, voto pela remessa dos autos à unidade de origem para:  a) sobrestamento do feito até 29/12/2018;  b) após essa data, intimar a contribuinte para que comprove o cumprimento dos  requisitos  tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS 190, de 15 de dezembro de  2017;  c) elaborar relatório fiscal conclusivo sobre novos fatos ou documentos juntados  ao processo;  d)  cientificar  o  sujeito  passivo  do  resultado  da  diligência,  concedendo­lhe  um  prazo de 30 dias para a sua manifestação.  É como voto.  (assinado digitalmente)  José Carlos de Assis Guimarães  Fl. 16952DF CARF MF

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8934851 #
Numero do processo: 10380.727690/2016-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Aug 20 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. REVERSÃO DE GLOSA. CANCELAMENTO PROPORCIONAL DA PENALIDADE. A multa isolada de 50%, aplicada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, deve ser cancelada na mesma proporção das glosas revertidas no processo que trata da homologação da declaração de compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURAÇÃO. A multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e a multa de ofício isolada, prevista no § 17 do art. 74 da mesma Lei, são aplicadas em razão da ocorrência de infrações distintas. Enquanto a primeira pune o recolhimento em atraso, a segunda pune a compensação indevida. Não há, portanto, a caracterização de bis in idem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento de pedido para juntada de documentos posteriormente à apresentação da manifestação de inconformidade ou pelo indeferimento de pedido genérico de perícia. Dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, que a apresentação de prova documental, com as exceções ali listadas, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade e que se considera não formulado o pedido de perícia quando não atendidos os requisitos exigidos em lei.
Numero da decisão: 3201-008.857
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a multa na mesma proporção da homologação da compensação decorrente da reversão de glosa de crédito da contribuição não cumulativa que restar definitiva. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.851, de 29 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10380.727684/2016-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente).
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA

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NÃO HOMOLOGAÇÃO. MULTA ISOLADA. REVERSÃO DE GLOSA. CANCELAMENTO PROPORCIONAL DA PENALIDADE. A multa isolada de 50%, aplicada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, deve ser cancelada na mesma proporção das glosas revertidas no processo que trata da homologação da declaração de compensação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURAÇÃO. A multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e a multa de ofício isolada, prevista no § 17 do art. 74 da mesma Lei, são aplicadas em razão da ocorrência de infrações distintas. Enquanto a primeira pune o recolhimento em atraso, a segunda pune a compensação indevida. Não há, portanto, a caracterização de bis in idem. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PRODUÇÃO DE PROVAS. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa pelo indeferimento de pedido para juntada de documentos posteriormente à apresentação da manifestação de inconformidade ou pelo indeferimento de pedido genérico de perícia. Dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, que a apresentação de prova documental, com as exceções ali listadas, deve ser feita no momento da manifestação de inconformidade e que se considera não formulado o pedido de perícia quando não atendidos os requisitos exigidos em lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 76 90 /2 01 6- 40 Fl. 203DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-008.857 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.727690/2016-40 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a multa na mesma proporção da homologação da compensação decorrente da reversão de glosa de crédito da contribuição não cumulativa que restar definitiva. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-008.851, de 29 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 10380.727684/2016-92, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Helcio Lafeta Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Mara Cristina Sifuentes, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, Laercio Cruz Uliana Junior, Marcio Robson Costa, Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo de Auto de Infração para aplicação da multa isolada prevista no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015, tendo em vista a não homologação da declaração de compensação apresentada pela ora recorrente. O motivo que constou no Despacho Decisório que não homologou a declaração de compensação foi a inexistência do direito ao crédito pleiteado no PER a ela associado, ocasionada pelas glosas promovidas pela fiscalização em relação às aquisições de ferramentas e de embalagens para transporte e aos custos com os fretes de transferência do produto acabado do estabelecimento industrial aos pontos de venda da mesma empresa, declarados pela ora recorrente como insumos para fins de aproveitamento de créditos da não cumulatividade. Cientificada do Auto de Infração, a ora recorrente apresentou, de forma tempestiva, Impugnação ao Auto de Infração, onde alega: a) a ausência de dolo, dado que o ato que ensejou a aplicação da multa foi praticado pela autoridade administrativa, não cabendo puni- la por tal ação. Entende que a interpretação da norma do § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 é aquela que sanciona o contribuinte somente quando estiver caracterizado ato anterior ilícito de sua parte, não sendo este o caso da presente exação; b) a provisoriedade da não homologação, certo de que o ato decisório não é definitivo, já que atacado pela manifestação de inconformidade cabível e aguardando o pronunciamento da Delegacia de Julgamento sobre o acerto da compensação. Sendo assim, crê que apenas após o trânsito em julgado sobre a não homologação da compensação é que poderia ser exigida a multa regulamentar isolada; c) a Fl. 204DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-008.857 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.727690/2016-40 legitimidade e o acerto da compensação, em que relata que os créditos da não-cumulatividade decorreram da aquisição de insumos aplicados na produção, acondicionamento e transporte das mercadorias vendidas, na forma das razões apresentadas na manifestação de inconformidade, cujos argumentos pede que sejam considerados escritos na Impugnação; d) o bis in idem, já que a não homologação da declaração de compensação ensejaria, tão somente, a aplicação de multa de mora sobre o débito declarado espontaneamente e cujo lançamento com ele se completa. Exigir a multa regulamentar isolada, portanto, causaria a dupla penalização pelo mesmo fato, sem respaldo na Constituição Federal e na legislação de regência. Aponta ainda que a exação foi aplicada sobre parte do mesmo saldo credor da contribuição que já serviu de base de cálculo para a imposição da multa de ofício em outro processo administrativo; e) que a inversão do ônus de dizer o quantum a pagar, ocasionada pela adoção da sistemática do lançamento por homologação, não pode implicar em punição ao contribuinte em caso de erro; Reafirma que, nesta condição, falhas cometidas no processo de apuração e pagamento dos tributos somente podem ser punidas em caso de dolo, e que o Fisco Federal está sujeito aos riscos da própria delegação ao contribuinte de sua competência constitucional. Invoca ainda os princípios constitucionais da boa-fé, moralidade, eficiência, razoabilidade e proporcionalidade, além de mencionar a complexidade da legislação tributária e o descumprimento do disposto no art. 212 do Código Tributário Nacional. O julgamento em primeira instância resultou em uma decisão de improcedência da Impugnação, ancorando-se nos seguintes fundamentos: (a) que a multa está prevista em lei e é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sem perquirir acerca dos efeitos gerados; (b) que a aplicação da multa não está vinculada à existência de dolo ou má-fé; (c) que a aplicação da multa não está condicionada ao julgamento de manifestações de inconformidade ou recursos aos despachos decisórios que não homologaram as compensações; (d) que o processo relativo à legitimidade da compensação já foi julgado pela DRJ que, por unanimidade, considerou a manifestação de inconformidade como improcedente, não reconhecendo o direito creditório; (e) que a multa tem hipótese de incidência distinta da multa de mora, não caracterizando o bis in idem; (f) a multa isolada não se confunde com a multa de ofício do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996; (g) que a multa isolada não incidiu sobre o saldo credor da contribuição, mas sim sobre a totalidade dos débitos informados em declaração de compensação não homologada; (h) que o saldo credor não serviu de base para a aplicação da multa de ofício do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996; (i) que o deslocamento do dever de apurar e recolher o tributo devido no lançamento por homologação, a complexidade da legislação tributária, seus casuísmos, exceções e alterações frequentes e a inexistência de um regulamento sistemático anual, como exigido por parte do art. 212 do CTN, não são argumentos aptos a desconstituir a infração que decorre da lei; que eventual afronta a princípios constitucionais não é oponível na esfera administrativa de julgamento; (j) que as alegações acerca de eventual afronta a princípios constitucionais não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento; (k) que a prova documental deve ser apresentada conjuntamente com a defesa, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses excepcionadas; e (l) que o pedido de perícia apresentado foi genérico, sem a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados e apresentação do nome, endereço e da qualificação profissional do seu perito. Cientificada da decisão da DRJ, a empresa interpôs Recurso Voluntário, argumentando, em síntese, que: (a) não pode haver pena (multa) quando a conduta não constituir infração; (b) que a apresentação da declaração de compensação é ato lícito e necessário ao exercício de direito assegurado por lei; (c) o ato que deu origem à aplicação da multa (não Fl. 205DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-008.857 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.727690/2016-40 homologação da compensação) foi praticado pela autoridade administrativa; (d) a multa somente pode ser aplicada quando houver anterior cometimento de algum ato ilícito por parte do contribuinte; (e) o Despacho Decisório de não homologação da compensação não é definitivo; (f) a compensação é legítima e acertada; (g) que tanto a multa de ofício isolada quanto a multa de mora decorrem do mesmo fato – não homologação de um crédito objeto de um pedido de compensação, o que caracteriza o bis in idem; (h) as falhas cometidas em um lançamento por homologação somente podem ser punidas em caso de dolo; (i) os princípios constitucionais da boa-fé, da moralidade e da eficiência da administração pública, assim como o da razoabilidade e da proporcionalidade, afastam a interpretação dada à lei para tentar motivar a aplicação da multa em causa, que deve decorrer, necessariamente, de prática de uma conduta dolosa; e (j) o indeferimento dos pedidos de produção de prova documental e técnico-pericial não se coaduna com o princípio da busca da verdade real, bem como a garantia constitucional do devido processo legal. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos formais de admissibilidade, razão pela qual dele se toma conhecimento. Da ausência de dolo Sustenta a recorrente que não pode haver a aplicação de pena, aí incluídas as multas, quando a conduta imputada ao contribuinte não constituir infração. Diz que ao apresentar a declaração de compensação, agiu de boa-fé no exercício do seu direito de petição, o que lhe é constitucionalmente assegurado. Imputa à autoridade administrativa a prática do ato que teria dado origem à aplicação da pena de multa (não homologação da compensação), não cabendo, portanto, punir o contribuinte por tal ação. Tenta convencer que a interpretação razoável da norma punitiva só permitiria a aplicação da multa quando houvesse anterior cometimento de algum ato ilícito por parte do contribuinte. Mas não tem razão a recorrente. Primeiro porque a declaração de compensação não é simplesmente um pedido feito pelo contribuinte, a ser submetido à autoridade fiscal. Trata-se, efetivamente, de um lançamento por homologação, onde o sujeito passivo apura o tributo devido, apresenta a declaração e realiza o pagamento por meio de um crédito que possui junto ao ente tributante. E por ser um lançamento por homologação, ele estará tacitamente homologado se a autoridade fiscal não proceder à sua análise no prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração, conforme dispõe o § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Vê-se, portanto, que a apresentação de uma declaração de compensação não pode ser confundida com um mero exercício do direito de petição. Fl. 206DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-008.857 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.727690/2016-40 Segundo porque o ato que gerou a aplicação da multa não foi um ato praticado pela autoridade fiscal, como quer fazer crer a recorrente, mas sim um ato praticado por ela própria, qual seja, de solicitar a compensação de débitos tributários em face de créditos que, segundo a fiscalização, não existiam. Terceiro porque o § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é mais do que claro no sentido de que a multa isolada de 50% será aplicada sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, sendo certo que o caso tratado nos autos se subsome a essa hipótese à perfeição. Da provisoriedade da não homologação Argumenta a recorrente que a compensação é legítima e acertada, e que a multa isolada de que trata o presente processo tem por fundamento a não homologação de declaração de compensação, cuja definitividade encontra-se pendente de decisão final na esfera administrativa, e que, por isso, o Despacho Decisório referido no Auto de Infração não pode ser invocado com substrato para aplicação da multa em questão. Tem razão a recorrente em apontar a vinculação do presente processo àquele onde se discute a homologação da declaração de compensação. É de se ressaltar, no entanto, que o Recurso Voluntário apresentado pela recorrente naquele processo foi julgado neste Colegiado em sessão realizada virtualmente no dia 29 de abril de 2021, onde restou decidido, por maioria de votos, que deveriam ser revertidas as glosas de créditos relativas: 1) à aquisição de embalagens para transporte não incorporadas aos produtos durante o processo de fabricação; e 2) aos custos com fretes para transferência de produtos acabados do estabelecimento industrial aos pontos de venda da mesma empresa. Dessa forma, a decisão proferida naquele processo deve ser aqui replicada, para que a multa seja cancelada na mesma proporção das glosas lá revertidas. Do bis in idem Reclama a recorrente que tanto a multa de ofício isolada quanto a multa de mora decorrem do mesmo fato – não homologação de um crédito objeto de um pedido de compensação, o que caracteriza o bis in idem. Também aqui não assiste razão à recorrente. A multa de mora, prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e a multa de ofício isolada, prevista no § 17 do art. 74 da mesma Lei, são aplicadas em razão da ocorrência de infrações distintas. Enquanto a primeira pune o recolhimento em atraso, a segunda pune a compensação indevida. Não há, portanto, o alegado bis in idem. É nesse sentido que este Conselho vem decidindo de forma reiterada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 23/02/2012 MULTA ISOLADA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURADO A multa de sobre mora aplicada o imposto não recolhido não tem o mesmo fato gerador da multa isolada aplicada sobre a compensação considerada não homologada, não configurando bis in idem. (Acórdão 3301-006.453, de 19/06/2019 – Processo nº 16682.722578/2016-02 – Relator: Salvador Cândido Brandão Junior) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 207DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-008.857 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.727690/2016-40 Data do fato gerador: 25/11/2010 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ART. 74, §17, DA LEI N° 9.430/96. CABIMENTO. O §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 prevê a aplicação da multa isolada calculada no percentual de 50% sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada. CUMULAÇÃO DE MULTA ISOLADA E MULTA DE MORA. AUSÊNCIA DE CONFIGURAÇÃO DE BIS IN IDEM. Não se configura o bis in idem, por se tratar de condutas infracionais distintas: a compensação indevida e o atraso no pagamento, sobre as quais incidem multas díspares capituladas em dispositivos legais também diferentes. Assim, a multa isolada apena a utilização da Declaração de Compensação para a extinção de débitos sem a existência de créditos correspondentes, ao passo que a multa de mora é devida sobre o valor do débito não pago na data de vencimento. (Acórdão 3301-006.211, de 23/05/2019 – Processo nº 16692.729966/2015-14 – Relatora: Semíramis de Oliveira Duro) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 MULTA ISOLADA. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM Não ocorreu o "Bis in Idem". São condutas infracionais distintas (compensação indevida e atraso no pagamento), sobre as quais incidem multas distintas (Acórdão 3301-004.901, de 26/07/2018 – Processo nº 11516.723930/2013-74 – Relator: Marcelo Costa Marques d’Oliveira) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2019 MULTA ISOLADA. BIS IN IDEM. NÃO CONFIGURADO A multa de sobre mora aplicada o imposto não recolhido não tem o mesmo fato gerador da multa isolada aplicada sobre a compensação considerada não homologada, não configurando bis in idem. (Acórdão 1002-001.969, de 09/03/2021 – Processo nº 11080.729886/2018-88 – Relator: Rafael Zedral) Da interpretação à luz dos princípios constitucionais A recorrente defende que a interpretação da norma contida no § 17 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser feita à luz dos princípios constitucionais da boa-fé, da moralidade e da eficiência da administração pública, assim como o da razoabilidade e da proporcionalidade, o que exige, para a aplicação da multa ali prevista, que a compensação não homologada decorra, necessariamente, de prática de uma conduta dolosa. Acrescenta que entender de forma contrária representa afronta ao direito de peticionar, estabelecido na alínea “a” do inciso XXXIV do art. 5º da Constituição Federal. Em que pesem os argumento trazidos pela recorrente, não há como considerá-los para afastar a aplicação da multa isolada pela não homologação da compensação. Fl. 208DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-008.857 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.727690/2016-40 Já tivemos a oportunidade de discorrer que a declaração de compensação é, em verdade, um lançamento por homologação, de responsabilidade do contribuinte declarante, não se encontrando abrigado sob o manto do direito de petição. Além disso, o tipo infracional é por demais explícito em relação à sua hipótese de aplicação, qual seja, pela não homologação da compensação declarada, não havendo qualquer indicação de que a sua aplicação esteja condicionada à caracterização do intuito doloso. Do cerceamento do direito de defesa Alega a recorrente que, em nome do princípio da busca da verdade real e da garantia constitucional do devido processo legal, merece reforma o indeferimento da DRJ para a produção de novas provas, bem como para a produção de prova pericial. Reclama que entender que há um momento certo para a produção de provas no processo administrativo tributário significa relativizar a busca pela verdade real, em prol de formalismos que podem ser prejudiciais ao princípio da legalidade. Mais uma vez, sem razão a recorrente. Como se percebe na Impugnação ao Auto de Infração, o pedido de produção de provas e, especialmente, o pedido de realização de perícia, são genéricos e protocolares. O pedido de perícia, por exemplo, não indica sequer a motivação, e muito menos o objeto e o alcance desejado. Ao analisar a Impugnação apresentada, a DRJ indeferiu, de forma justificada, tanto o pedido para a juntada posterior de novas provas quanto o pedido para realização de perícia. E o fez porque a lei expressamente o determina. Quanto à possibilidade de apresentação de novas provas no processo administrativo fiscal, o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, é taxativo ao dispor que a prova documental, com as exceções ali listadas, deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de se fazer a apresentação em outro momento processual: Art. 16. ... ... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira­se a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) É interessante também notar que, não obstante a irresignação da recorrente, não há qualquer pedido no processo para a juntada de novas provas após a apresentação da manifestação de inconformidade, o que poderia ter sido feito com base no § 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, acima reproduzido. Fl. 209DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-008.857 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.727690/2016-40 No que diz respeito à perícia, o inciso IV do art. 16. do Decreto nº 70.235, de 1972, traz de forma expressa os requisitos necessários para que o pedido formulado possa ser apreciado pela autoridade julgadora, que decidirá, de forma justificada, nos termos do art. 18 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972, pelo seu deferimento ou indeferimento. A falta de atendimento a esses requisitos prejudica, ou até mesmo impede, a tomada de decisão da autoridade julgadora, uma vez que afeta sua análise sobre a necessidade, prescindibilidade ou impraticabilidade da realização da perícia. É por essa razão que o § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, dispõe que o pedido de perícia feito sem o atendimento aos requisitos do inciso IV do art. 16 é considerado não formulado: Art. 16. A impugnação mencionará: ... IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) ... Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º Os prazos para realização de diligência ou perícia poderão ser prorrogados, a juízo da autoridade.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) No caso em exame, o pedido de perícia foi por demais genérico, não atendendo a qualquer dos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e, por isso, nos termos do § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, deve ser considerado não formulado. Correta, portanto, a posição da DRJ ao indeferir os pedidos para a produção de novas provas e para a realização de perícia. Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-008.857 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10380.727690/2016-40 Conclusão Diante do exposto, considerando que no processo administrativo em que se discute a homologação da declaração de compensação foi dado, em sessão de julgamento realizada virtualmente no dia 29 de abril de 2021, por maioria de votos, parcial provimento ao Recurso Voluntário, voto, neste processo, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar a multa na mesma proporção da homologação da compensação decorrente da reversão de glosa de crédito da contribuição não cumulativa que restar definitiva. Destaque-se que, por se tratar de processos vinculados por decorrência, nos termos do inciso II do § 1º do art. 6º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o presente processo deverá tramitar na esfera administrativa juntamente com o processo onde se discute a homologação da declaração de compensação, até a prolação de decisão final nesse último, observando-se a suspensão da exigibilidade da multa prevista no § 18 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para cancelar a multa na mesma proporção da homologação da compensação decorrente da reversão de glosa de crédito da contribuição não cumulativa que restar definitiva. (documento assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira – Presidente Redator Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10880.992472/2011-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. A comprovação parcial da liquidez e certeza de direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ impõe a homologação das compensações até o limite do crédito ora reconhecido
Numero da decisão: 1402-005.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório no valor de R$ 75.458,22, relativo ao saldo negativo de CSLL do 4º trimestre/2004, e homologar as compensações até o limite do crédito. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPROVAÇÃO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. A comprovação parcial da liquidez e certeza de direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ impõe a homologação das compensações até o limite do crédito ora reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer parcialmente o direito creditório no valor de R$ 75.458,22, relativo ao saldo negativo de CSLL do 4º trimestre/2004, e homologar as compensações até o limite do crédito. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 24 72 /2 01 1- 39 Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.992472/2011-39 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (RJ). Ao final, farei as complementações necessárias. O presente processo versa sobre os Per/Dcomp 00222.87080.020407.1.7.03-3406, 05857.00507.250610.1.7.03-8609 e 11930.06920.240809.1.3.03-9830. Segundo o que consta na Dcomp 00222.87080.020407.1.7.03-3406, o crédito original na data da transmissão, no valor de R$ 97.936,01 (fl. 3), se refere ao saldo negativo de CSLL do 4º trimestre do ano-calendário de 2004. No Despacho Decisório (fl.7), consta a não homologação das Dcomp, sob alegação de que o não foi confirmado o valor da CSRF Na fl.9, consta planilha contendo o valor da CSRF não confirmada. A interessada se insurgiu, em 13/01/2012, contra o disposto no Despacho Decisório, através da manifestação de inconformidade (fl. 11 a 14), do qual tomou ciência em 20/12/2011 (fl.50), apresentando os argumentos que se seguem: recursos humanos. As retenções de tributos incidentes são realizadas por seus clientes. ue seus clientes descontaram o valor dos tributos que entrou nos cofres do Fisco Federal. A exigência da Secretaria da Receita Federal pode ser interpretada como bis in idem, além do enriquecimento ilícito. faltantes de forma a corrigir a identificação dos clientes da contribuinte. CNPJ e valores das retenções realizadas , bem como xerox do comprovante de recolhimento dos DARF, no qual ápós apuração realizada, não recolhemos estes tributos na época devida:, Código 6912 —per.de apuração 31/12/2004- valor total- de R$ 18.457,80 —recolhido em 06/01/12; Código 0561- período de apuração 30/09/2008. - valor total de R$ 11.311 ,46 - recolhido em 06/01/2012; Código 1150, período de apuração 28/02/2005 — valor total de R$ 1.051,63 — recolhido em 05/01/2012. tomadores dos serviços quepagaram as faturas da contribuinte com o valor líquido. contribuintes que efetuaram a retenção de tributos,. analisado e verificado novamente, assim como a multa, juros e correção monetária. Fl. 192DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.992472/2011-39 Em 16 de abriu de 2015, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) negou provimento, por maioria de votos, à manifestação de inconformidade. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. NÃO COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Verificado a ausência de comprovação do crédito registrado na Dcomp, deve ser não homologada a compensação declarada. Cientificada (fls. 61), a contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 63/76, no qual reitera as alegações já suscitadas. Requer a juntada, em fase recursal, do laudo contábil de fls.77/78 que atestaria a existência do crédito por ela pretendido. É o relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora. O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Conforme exposto no relatório, trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório eletrônico indeferiu a compensação relativo ao crédito de CSLL relativo ao 4º trimestre de 2005, por ausência de comprovação da retenção da CSRF. Na manifestação de inconformidade a interessada alega que se faz necessário uma averiguação dos dados faltantes de forma a corrigir a identificação dos clientes e que foram identificados todos os contribuintes que deveriam efetuar a retenção de tributos. Requer também a juntada do laudo contábil de fls. 77/78 que, segundo ela, reconhecia a existência do crédito pleiteado. O voto vencedor da decisão recorrida negou provimento à manifestação de inconformidade por considerar que a PER/DCOMP retificadora não pode ser corrigida nesse momento processual e que a comprovação do CSLL só poderia ser feita por meio dos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras. Confira-se: Na manifestação de inconformidade a interessada alega que se faz necessário uma averiguação dos dados faltantes de forma a corrigir a identificação dos clientes. Informa as retenções de CSLL que seriam as corretas e anexa uma Dcomp não transmitida e que seria retificadora. Tais alegações não podem ser aceitas, os supostos erros nas Dcomp não podem ser corrigidos neste momento processual, seria uma retificação delas que só poderiam ser feitas antes do Despacho Decisório (art.77 da IN SRF900/2008). Ressalte-se que os valores retidos na fonte podem ser deduzidos do imposto devido, desde que a interessada possua os comprovantes de retenção, emitidos pela fonte Fl. 193DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.992472/2011-39 pagadora (art. 55 da Lei nº 7.450/85, e do § 2º do art. 943 do Regulamento do Imposto de Renda/1999), e que os rendimentos sejam computados para a determinação do lucro real (inciso III do §4º do Art. 2º da Lei 9.430/96).Tal documentação não foi apresentada. (grifos nossos e no original) Em seu recurso voluntário a Recorrente alegou que não pode ser responsabilizada pelos erros cometidos pelas fontes pagadoras e que a negativa do crédito equivaleria a uma dupla tributação. Quanto a impossibilidade da retificação do PER/DCOMP após a emissão do despacho decisório, verifica-se, pelas decisões abaixo transcritas, que o CARF vem reconhecendo a competências das instâncias de julgamento administrativo para reconhecer erro material no preenchimento das DCOMPs. Confira-se: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. (Acórdão 1402.000.578) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE NO PREENCHIMENTO DAS INFORMAÇÕES DO CRÉDITO PLEITEADO. POSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de retificar a DCOMP, mas sem homologar a compensação, por ausência de certeza e liquidez do crédito invocado. (Acórdão nº 1301-004.333) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO MATERIAL. ADEQUAÇÃO NO ÂMBITO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. Inexatidão material cometida no preenchimento da Declaração de Compensação pode ser retificada após o Despacho Decisório que indeferiu a compensação. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. A homologação da compensação, uma vez superada premissa equivocada de pagamento inexistente, depende da análise do crédito pela Delegacia da Receita Federal que originalmente proferiu o Despacho Decisório. (Acórdão nº 1001-001.491) Quanto a alegação da decisão recorrida no sentido de que a comprovação do IRRF deveria ser efetuada exclusivamente pelos comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes Fl. 194DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.992472/2011-39 pagadoras, verifica-se que tal conclusão também encontra-se superada pela jurisprudência do CARF, conforme se verifica pela Súmula nº 143 abaixo transcrita: Súmula CARF 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. (grifamos) Além da ausência dos comprovantes de retenção, outra forma hábil a comprovar os valores retidos seria pelos dados constantes das DIRF´s das fontes pagadoras. No entanto, como bem pondera a recorrente, trata-se de declaração realizada por terceiros cujo eventual erro ela não tem o poder de corrigir. Nesse ponto, entendo aplicável o artigo 373 do Novo Código de Processo Civil, o qual estabelece, em seu parágrafo primeiro, a denominada “distribuição dinâmica do ônus da prova”, nos seguintes termos: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. (grifamos) Sobre esse ponto (distribuição dinâmica do ônus da prova, importante a transcrição da declaração de voto da Auditora Fiscal Maria Lucia Miceli, que, por ter acesso às DIRF constantes do sistema da receita federal realizou o cotejo entre estas e os valores declarados na PER/DCOMP retificadora. Confira-se: Em que pese o excelente voto do nobre relator, peço vênia para discordar por entender que o pleito é procedente em parte. De fato, constato que o próprio contribuinte deu causa para que o direito creditório não fosse reconhecido, pois não retificou as informações da DCOMP antes da emissão do Despacho Decisório. No entanto, verifico que a DCOMP retificadora, apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, reflete as informações constantes na DIPJ/2006, no que concerne à Ficha 50 - Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte. Ressalto que a DIPJ/2006 original foi apresentada 20/06/2006, e já continha todas as informações acerca dos valores retidos na fonte. Esclareço que concordo com o nobre julgador quando afirma que os valores retidos na fonte podem ser deduzidos do imposto devido, desde que a interessada possua os comprovantes de retenção, emitidos pela fonte pagadora (art. 55 da Lei nº 7.450/85, e do § 2º do art. 943 do Regulamento do Imposto de Renda/1999), e que os rendimentos sejam computados para a determinação do lucro real (inciso III do §4º do Art. 2º da Lei 9.430/96). No entanto, entendo que exigência da apresentação do Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-005.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.992472/2011-39 comprovante de retenção pode ser afastada quando a Administração detém, em seus sistemas, a DIRF apresentada pela fonte pagadora. Quanto ao oferecimento dos rendimentos na determinação do lucro real, é possível buscar esta informação na DIPJ/2006. Se os rendimentos, assim como os valores retidos, constarem na Ficha 50, é de se presumir que os mesmos foram tributados. Entendo que, para afastar esta conclusão, caberia à Administração, em procedimento de diligência ou fiscalização, comprovar que, apesar de informados na Ficha 50 da DIPJ/2006, não foram computados na determinação do lucro real. Isto não ocorreu. Por fim, com base na DIPJ/2006, o total de receitas decorrentes de prestação de serviços no ano-calendário de 2005 é de cerca de R$ 51 milhões, enquanto que o total desta receitas informadas pelas fontes pagadoras em DIRF é de R$ 47 milhões. Este fato fortalece minha convicção que os rendimentos constantes na Ficha 50 foram tributados. Logo, uma vez que a Administração possui meios de verificar a procedência ou não do pleito, já que possui informações em outras declarações, como a DIPJ e DIRF, em nome do Princípio da Verdade Material, e da economia processual, creio que este procedimento deve ser feito, apesar de não ser possível mais a retificação da DCOMP. (grifos nossos e no original) Feitas as considerações, passo a análise do direito creditório, relativo ao saldo negativo de CSLL do 4º trimestre do ano-calendário de 2004. De acordo com a DIPJ/2005, o saldo negativo seria formado somente de valores retidos na fonte. Compulsando os valores informados na DCOMP apresentada juntamente com a manifestação de inconformidade, com os valores constantes na DIPJ/2005 e com a DIRF, elaborei a tabela a seguir: Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-005.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.992472/2011-39 Os valores confirmados totalizam R$ 75.458,22. Como o contribuinte apurou prejuízo para este trimestre, voto por reconhecer parcialmente o direito creditório no valor de R$ 75.458,22, relativo ao saldo negativo de CSLL do 4º trimestre/2004, e homologar as compensações até o limite do crédito. Diante da análise já efetuada no voto vencido constante da decisão decorrida, desnecessário proceder a baixa do processo em diligência na hipótese dos autos. Além disso, o recurso voluntário não contestou a diferença entre o valor reconhecido no voto vencido e aquele por ela pretendido. Da mesma forma, a simples juntada da planilha e do laudo de contábil de fls. 77/78 é insuficiente para reformar a decisão. Isso porque o mencionado laudo se limita a afirmar genericamente, sem qualquer demonstração, o montante do crédito era aquele pleiteado pela Recorrente. Isso porque, diferentemente dos processos decorrentes de autos de infração, nos processos que versam sobre compensação, o ônus probatório quanto ao crédito pleiteado recai sobre o contribuinte, devendo apresentar elementos fáticos aptos a comprovar seu alegado direito. Esse é também o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pela ementa do Acórdão nº 9101-002.548: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2007 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. Tratando-se de fato constitutivo de direito, cujo ônus da prova incumbe ao autor, em conformidade com o art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil CPC (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), e tendo em vista que a existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado são requisitos essenciais ao deferimento da restituição/compensação requerida, na forma do art. 170 do Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), compete ao sujeito passivo, que dele pretende se beneficiar, a efetiva comprovação daquele crédito, não cabendo opor a esse ônus alegações de decadência ou de homologação tácita por parte do Fisco. (grifamos) Sendo assim, juntamente à retificação da DCTF, o Carf tem reconhecido em diversos precedentes que surge para o contribuinte um ônus probatório específico em sua defesa, qual seja a comprovação do crédito pleiteado ou do erro em que se funda a correção do Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-005.769 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.992472/2011-39 declarado. No Acórdão CSRF 9101-003.156 pontuou-se que a DCTF tem natureza de confissão de dívida, de modo que não basta a sua retificação simplesmente com base nos dados da escrita fiscal, sendo necessária a apresentação de documentação apta a lastrear os registros contábeis. Por fim, não é possível conhecer dos argumentos da Recorrente relativos ao caráter confiscatório da multa. Isso porque, conforme determina a Súmula 2 deste tribunal: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para reconhecer parcialmente o direito creditório no valor de R$ 75.458,22, relativo ao saldo negativo de CSLL do 4º trimestre/2004, e homologar as compensações até o limite do crédito. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13888.910754/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.301
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a unidade local da RFB: (a) aferir a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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3401­001.301  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  24 de outubro de 2017  Assunto  Declaração de Compensação  Recorrente  WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A (Nova denominação social de RKM  EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS S/A)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em  diligência,  para  a  unidade  local  da  RFB:  (a)  aferir  a  procedência  e  a  quantificação  do  direito  creditório  indicado  pelo  contribuinte,  empregado  sob  forma  de  compensação;  (b)  informar  se,  de  fato,  o  crédito  foi  utilizado  para  outra  compensação,  restituição  ou  forma  diversa  de  extinção  do  crédito  tributário,  como  registrado  no  despacho  decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada;  e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e  conclusões alcançadas.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Rosaldo  Trevisan,  Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique  Lemos,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Tiago  Guerra  Machado  e  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo Branco.  Relatório  Cuida­se, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de  compensação,  cujo  fundamento  foi  a  integral  vinculação  do  crédito  indicado  em  outro(s)  débito(s) de titularidade do contribuinte.  Em  manifestação  de  inconformidade  o  contribuinte  aduziu  ser  fornecedor  da  pessoa jurídica CATERPILLAR BRASIL LTDA., detentora de Ato Declaratório Executivo –  ADE homologatório  do  RECOF,  o  que  lhe  confere  a  suspensão  do  IPI,  PIS/Pasep  e Cofins  sobre as compras nacionais, mas que, por equívoco, não excluíra as vendas correspondentes da  apuração  das  contribuições  em  comento,  o  que  ensejou  indébito  objeto  de  compensação.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 10 75 4/ 20 12 -2 5 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 13888.910754/2012­25  Resolução nº  3401­001.301  S3­C4T1  Fl. 3          2 Ocorre que,  também por lapso, não providenciou a retificação prévia da DCTF e DACON, o  que motivou a não homologação da compensação aviada.  Na oportunidade, demonstrou a apuração do recolhimento a maior, defendeu o  direito à repetição da quantia indevida, a impossibilidade de simples erro no cumprimento de  obrigações acessórias obstaculizar o seu exercício, invocou a ausência de prejuízo ao erário, a  prevalência da verdade material e a vedação ao enriquecimento ilícito.  Foram  juntados  comprovantes  de  arrecadação,  PERDCOMP,  notas  fiscais  de  saída e DCTF.  A DRJ Ribeirão Preto/SP julgou o recurso improcedente ao argumento que não  havia  prova  exaustiva  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  vindicado,  pois  não  fora  juntados  os  registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido.  O recurso voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa  fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos  autos  à  unidade  de  origem  para  revisão  do  despacho  eletrônico,  por  força  do  PN  Cosit  nº  02/2015; e, por fim, ratificou as alegações já deduzidas com reafirmação do direito pleiteado.  Foram  anexados  a  esta  peça  o  ADE  nº  53/06  (CARTEPILLAR  BRASIL  LTDA., admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº 3401­001.275,  de  24  de  outubro  de  2017,  proferida  no  julgamento  do  processo  13888.910728/2012­05,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu na Resolução 3401­001.275:  "O  recurso  protocolado  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos de admissibilidade.  Registro,  inicialmente,  que  a  singela  retificação  de  declaração,  isoladamente considerada, da mesma forma que não ampara o direito  à restituição de indébito, também não pode, por si só, ser obstáculo à  sua devolução.  Fixada  a  premissa,  observo  que  o  fundamento  inicial  da  não  homologação  da  compensação  realizada  se  lastreou  em  uma  suposta  utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de  forma  tal  que  não  haveria  saldo  disponível  para  a  compensação  realizada.  Fl. 196DF CARF MF Processo nº 13888.910754/2012­25  Resolução nº  3401­001.301  S3­C4T1  Fl. 4          3 Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento  da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria  a  demonstração  cabal  dos  argumentos  deduzidos,  através  de  documentação hábil suficiente a ampará­los.  Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de  qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as  expectativas do julgador administrativo.  É  inconteste  que,  tratando­se  de  restituição  de  tributos,  é  do  contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36  da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de  tal  sorte que deveria haver uma prova mínima das  razões aventadas,  não  sendo  suficiente  a  tal  desiderato  a mera  juntada  de  declarações  retificadoras,  pois,  como  adrede  exposto,  não  amparam  direito  à  restituição de tributo pago indevidamente.  No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos  autos,  ainda  na  manifestação  de  inconformidade,  cópias  das  notas  fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e,  por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins  em  suas  aquisições  no  mercado  interno,  com  discriminação  dos  documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram  a base de cálculo daquelas exações.  Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo  traga,  de  imediato,  toda  a  documentação,  que  reputa  o  julgador  necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de  predição.  Nessa  toada,  à  luz  dos  termos  do  despacho  decisório  eletrônico,  parecia­lhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos  cálculos e as notas fiscais respectivas, agregando­se, após decisão de  primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas.  Poder­se­ia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da  prova  documental  complementar,  à  luz  do  art.  16  do  Decreto  nº  70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar  que  o  despacho  decisório  contestado  é  fruto  de  verificações  automáticas  de  sistema,  realizadas  a  partir  de  declarações  prestadas  pelo  contribuinte,  sem  qualquer  participação  das  autoridades  administrativas,  que  sequer  assinam  o  despacho  decisório,  pois  validado por meio de chancela eletrônica.  Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações  tecnológicas,  porém,  não  se  pode  perder  de  vista  os  princípios  norteadores  do  processo  administrativo  fiscal,  valendo  registrar  que  esta  Terceira  Seção  de  Julgamento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em  situações  como  a  deste  processo,  onde  há  um  robusto  princípio  de  prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente  retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise  da procedência do direito postulado.  Fl. 197DF CARF MF Processo nº 13888.910754/2012­25  Resolução nº  3401­001.301  S3­C4T1  Fl. 5          4 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições  de  julgamento,  proponho  sua  conversão  em  diligência  para  que  seja  informado e providenciado o seguinte:  · Aferição  da  procedência  e  quantificação  do  direito  creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma  de compensação;  · Informação  se,  de  fato,  o  crédito  foi  utilizado  para  outra  compensação,  restituição ou  forma diversa de  extinção do  crédito tributário, como registrado no despacho decisório;  · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar  a compensação realizada; e,  · Elaboração  de  relatório  circunstanciado  e  conclusivo  a  respeito  dos  procedimentos  realizados  e  conclusões  alcançadas.  Em seguida,  abra­se  vista  ao  recorrente pelo  prazo de  30  (trinta)  dias, para, querendo, manifestar­se,  findos os quais deverão os autos  retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento."  Importante  frisar  que  os  documentos  juntados  pela  contribuinte  no  processo  paradigma,  como  prova  do  direito  creditório,  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência  no caso do paradigma também a justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o  julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte:  · Aferição  da  procedência  e  quantificação  do  direito  creditório  indicado  pelo  contribuinte,  empregado  sob  forma  de  compensação;  · Informação  se,  de  fato,  o  crédito  foi  utilizado  para  outra  compensação,  restituição  ou  forma  diversa  de  extinção  do  crédito tributário, como registrado no despacho decisório;  · Informação  se  o  crédito  apurado  é  suficiente  para  liquidar  a  compensação realizada; e,   · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito  dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.  Após  a manifestação  fiscal,  conceda­se vista  ao  contribuinte  pelo  prazo de  30  (trinta dias), para, querendo, manifestar­se acerca das conclusões.  Concluídas estas providências, retornem­se os autos para julgamento.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan  Fl. 198DF CARF MF

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Numero do processo: 10530.900964/2014-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/12/2009 Ementa: PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.
Numero da decisão: 3302-011.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/12/2009 Ementa: PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 09 64 /2 01 4- 29 Fl. 614DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900964/2014-29 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP nº 18434.07070.030414.1.7.04-0476. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/01/2010, no valor de R$2.457.354,37. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do Despacho Decisório em 26/06/2014, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 28/07/2014, tratando, inicialmente, sobre a tempestividade e a suspensão da exigibilidade. Afirma que, na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do período especificado apurou um débito de COFINS no montante de R$ 2.457.357,37, tendo efetuado pagamento em Darf. Tendo percebido que os valores declarados como devidos não correspondiam à realidade, apresentou a retificação do Dacon, apurando um débito de COFINS de R$ 2.134.971,60. Com isso, identificou a existência de indébito tributário, que deveria ser objeto de pedido de restituição/compensação. Ato contínuo, apresentou o PER/DCOMP nº 18434.07070.030414.1.7.04-0476, objetivando utilizar o crédito apurado para quitação de débitos. Na parte que trata da comprovação das parcelas não homologadas, o manifestante alega que incorreu em erro formal ao manter a identificação na sua DCTF do valor originalmente devido, realizando as compensações por meio de PER/DCOMP com base no Dacon retificador, bem como nos pagamentos efetivamente realizados por meio de Darf. Assevera que os Darf que constituem o direito ao crédito do requerente foram efetivamente pagos e já se encontravam registrados nos sistemas da própria Receita Federal, sendo, portanto, plenamente possível a correção da omissão apresentada. Ao que parece, apegou-se a fiscalização ao erro formal do requerente, que não retificou a DCTF. Contudo, a falta de retificação da DCTF não é motivo hábil a justificar a não homologação da compensação, posto que o Dacon retificador e também os Darf pagos confirmam a existência do crédito. Acrescenta que, antes de decidir acerca da inexistência do crédito, o julgador poderia ter decidido pela conversão do julgamento em diligência. O manifestante faz ainda referência à legislação pertinente e jurisprudência a respeito do assunto em pauta, para destacar que, havendo a comprovada apuração do crédito (diferença entre o valor apurado no Dacon original e no retificador) decorrente de pagamento a maior que o devido (Darf), não há que se falar em negativa na compensação por erro formal, facilmente identificado documentalmente. Ademais, há previsão legal específica que garante o direito à utilização de créditos de PIS/Cofins, motivo pelo qual não podem ser criadas barreiras formais por instrumentos infra-legais, o que só afirma a prevalência da verdade material sobre a forma. É por isso que não se pode exigir a retificação das declarações fiscais do contribuinte para que se possa fazer jus ao seu direito creditório. Ressalta que, no caso em análise, Fl. 615DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900964/2014-29 houve inclusive a retificação do Dacon do período, não havendo, todavia, por erro formal, a retificação da correlata DCTF. Observa ainda que as atuais instruções normativas da Receita Federal, quanto ao recolhimento de PIS e Cofins na EFD-Contribuições (que substituiu o Dacon), deixam assente que apenas "preferencialmente" os créditos precisam ser reconhecidos na escrituração fiscal do contribuinte. Faz também referência à jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Ao final, requer o manifestante a suspensão da exigibilidade do crédito cuja compensação não foi homologada até o julgamento definitivo do processo em tela, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, requer seja determinada a homologação da compensação pretendida, tendo em vista a comprovação do crédito tributário utilizado, ensejando a extinção do suposto débito, em atenção ao disposto no art. 156, II, do CTN. Protesta ainda pela realização de perícia ou diligência fiscal, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, caso entendido como necessária à apuração do quanto alegado e confirmação do crédito tributário utilizado pelo requerente devidamente declarado em sua DIPJ.. A 2ª Turma da DRJ em Belém (PA) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 02-66.453, de 18 de agosto de 2015, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 31/12/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual repisa boa parte da manifestação de inconformidade, inovando apenas nos seguintes pontos: a) Que o Despacho Decisório pautou-se na suposta utilização dos créditos indicados pela ora Recorrente na PER/DCOMP para quitação de outros débitos ("motivo"). Restando demonstrado que há créditos em valores superiores aos débitos, não há motivos para manutenção do Despacho Decisório, devendo este ser reformado, por perda da sua validade. Sendo inviável a modificação do "motivo" para sua manutenção. Entretanto, conforme se observa do Acórdão guerreado, decidiu-se por manter a não homologação da compensação pretendida sob o fundamento de que o indébito alegado pela ora Recorrente apenas poderia ser comprovado mediante análise dos documentos pertinentes ao erro ocorrido no levantamento do tributo apurado originalmente e que deu origem à retificação da DACON. Em outras palavras, a DRJ/BHE inovou nos presentes autos, sustentando, quando do julgamento da Manifestação de Inconformidade, que seria imprescindível à homologação da compensação que a Recorrente apresentasse provas dos créditos posteriormente considerados que deram ensejo à retificação da DACON; Fl. 616DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900964/2014-29 b) Possibilidade de utilização de créditos de PIS/Cofins, com base nas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Que os créditos tomados pela Recorrente decorrem, em sua grande maioria, de serviços essenciais à manutenção de sua produção, tais como Serviços de transporte de ácido sulfúrico e demais componentes químicos, britagem, calderaria e solda, bem como de produtos como tirante, resina, rolamento, dentre outros. Termina petição requerendo o acolhimento do recurso para fins de reconhecer a existência de créditos em favor da recorrente e a consequente homologação da declarações apresentadas. Alternativamente, requer a realização de perícia para a confirmação do direito alegado. É o breve relatório. Voto O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Diligência O pedido de diligência deve ser indeferido, pois como já se pronunciou a decisão de piso, o ônus da prova, nas situações em que temos o requerimento de restituição e compensação de créditos supostamente indevidos, recai sobre o sujeito passivo, sendo certo que, não há que se falar em obrigatoriedade de diligência por parte da autoridade fiscal, uma vez que toadas as provas documentais deveriam ter sido apresentadas junto com a manifestação de inconformidade da recorrente. Devemos ter em mente que não é cabível a realização de diligência para suprir prova que deveria ter sido apresentada em manifestação de inconformidade, vale dizer, o procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir a injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus do prova. Certo é que não podemos deixar de observar que existem regras processuais claras, que regem o contencioso administrativo, regulando a instrução probatória, não cabendo ao julgador afastar tais regras em face de aplicação indevida de eventuais princípios. Assim, a aplicação de princípios como aquele do formalismo moderado ou da verdade material não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem para a concretização de outros princípios jurídicos, sobretudo, os processuais. Pelo exposto nego a diligência pleiteada. Mérito A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. A retificação de Dacon, sem que se aponte objetivamente o erro ocorrido no levantamento do tributo apurado originalmente, fazendo-se acompanhar dos Fl. 617DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900964/2014-29 documentos comprobatórios pertinentes, não é capaz de evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado. Também o Darf, por si só, não constitui prova de pagamento indevido ou a maior; antes atesta tão somente o pagamento de débito originalmente declarado. Ainda que tivesse sido transmitida a DCTF retificadora, a mera retificação, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se prestaria para comprovação do pagamento indevido ou a maior. É bom lembrar que a retificação da DCTF não produzirá efeitos quando tiver como objetivo reduzir débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (art. 9º, § 2o, I, c, da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24/12/2010). A retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado. Registre-se ainda que a legislação citada pelo manifestante no tocante ao PIS e à Cofins está inserida no contexto da regulação de aproveitamento de créditos para fins de observância das regras do regime de não-cumulatividade, não operando qualquer efeito no tratamento de indébito tributário, sem que seja demonstrado inequivocamente erro na apuração original do tributo. Convém mencionar que a recorrente em sua manifestação de inconformidade não identificou o motivo do erro no preenchimento do DACON, e acostou apenas cópias do DARF, do DACON retificador e da Per/Dcomp. Em sede de recurso voluntário, a recorrente alegou que o erro no valor a recolher da contribuição se deu pela desconsideração dos créditos referentes a não-cumulatividade das contribuições. Buscou demonstrar os créditos que teria direito por intermédio de planilhas e cópias de notas fiscais. Contudo, não há um demonstrativo da apuração da base de cálculo da contribuição e dos créditos a serem descontados, somente planilhas que consolidam as notas fiscais e os possíveis créditos. Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual - no do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Analisando os autos, verifica-se que a situação fática não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas acima. De outro lado, não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Fl. 618DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.616 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10530.900964/2014-29 Noutro giro, que o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não pode nem deve servir de salvo conduto para que se desvirtue o caminhar para frente, o ordenamento e a concatenação dos procedimentos processuais - essência de qualquer processo administrativo ou judicial. Na realidade, a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Diante do exposto, e como não foram acostados, no momento processual previsto na legislação, elementos probatórios que identificassem e provassem o recolhimento indevido, nego provimento ao recurso. Conclusão Ex positis, afasto o pedido de diligência e nego provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 619DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13890.000602/2004-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1999 TÉCNICA DA AMOSTRAGEM. ÔNUS PROBATÓRIO. Autoriza-se a técnica da amostragem para cumprimento do ônus probatório da fiscalização, em especial quando o contribuinte é intimado para prestar informações, colaborando com a ação e diligência fiscal, todavia, mantendo-se inerte.
Numero da decisão: 2301-009.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Lacerda de Castro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: LETICIA LACERDA DE CASTRO

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ÔNUS PROBATÓRIO. Autoriza-se a técnica da amostragem para cumprimento do ônus probatório da fiscalização, em especial quando o contribuinte é intimado para prestar informações, colaborando com a ação e diligência fiscal, todavia, mantendo-se inerte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar e negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Letícia Lacerda de Castro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocado(a)), Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face do acórdão que manteve o lançamento tributário, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física, ano-calendário de 1999, materializado no Auto de Infração de fls 55 a 58. Nos termos do “termo de constatação e encerramento da ação fiscal” (fl. 49), fora constatado o que se segue pela fiscalização: 1)Deu-se início ao presente procedimento de fiscalização em razão de ter sido verificado que diversos contribuintes pessoas físicas haviam declarado que efetuaram AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 06 02 /2 00 4- 63 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.491 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13890.000602/2004-63 pagamento ao contribuinte fiscalizado, durante os anos-calendários de 1999, 2000, 2001 e 2002, e em valores muito superiores ao informado pelo contribuinte fiscalizado, nas respectivas declarações de ajuste anual correspondentes àqueles períodos, a título de rendimentos recebidos de pessoa física, sem vínculo empregatício, segundo informação extraída dos arquivos da SRF. 2)-Referido profissional exerce a atividade odontologia no município de Rio Claro (CRO-SP n° 19.021), com consultório situado na Rua 7, n° 640, Centro. 3)-Segue, abaixo, quadro ilustrativo dos fatos mencionados no item anterior, no qual estão discriminados os valores declarados pelo contribuinte fiscalizado, pelos contribuinte pessoas físicas e o total desses declarantes por período de apuração: Período Declarada Contribuinte Declarado/Pessoas Físicas Quantidade 1999 R$ 20.515,47 R$ 67.280,85 82 2000 R$ 26.907,59 RS 76.293,84 97 2001 R$ 22.391,47 RS 69.927,22 89 2002 R$ 45.023,35 R$ 140.839,12 94 4)-O contribuinte foi intimado, por via postal, em 19/04/2004, do início do presente trabalho, sendo-lhe solicitada a apresentação da documentação concernente à sua atividade profissional, bem como de relatório contendo todos os valores recebidos de pessoas físicas, durante os períodos sob fiscalização, a título de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. 5)-Em 06/05/2004, o contribuinte, por meio de procurador devidamente habilitado, foi intimado a prestar esclarecimentos sobre o relatório, contendo os valores declarados por 82 (oitenta e duas) pessoas físicas, as quais informaram que efetuaram pagamento ao contribuinte fiscalizado, durante o ano-calendário de 1999. Após, em 14/07/2004, nova listagem lhe foi encaminhada, por via postal, contendo a relação de pessoas fisicas que também informaram pagamento ao contribuinte fiscalizado, durante os anos-calendários de/ 2000 a 2002, conforme mencionado no item 3. 6)-Em 29/06/2004 foi protocolizado relatório contendo parte dos contribuintes que informaram pagamento ao contribuinte fiscalizado, durante o ano de 2002. Na mesma oportunidade foi requerida a prorrogação de prazo, para apresentação das demais informações. Foi concedida a dilação de prazo até 22/07/2004, data em que o contribuinte apresentou novo relatório, mas, de forma incompleta, em razão de estarem faltando informações sobre diversos contribuintes. 7)-Entretanto, até o momento, não foi apresentada qualquer outra manifestação, além das mencionadas acima, que pudesse esclarecer, de forma efetiva, os valores que foram recebidos pelo contribuinte fiscalizado, com o respectivo detalhamento mensal. 8)-Devido à falta de comprovação, por parte do contribuinte, das quantias efetivamente recebidas de pessoas físicas, os valores declarados como pagos, durante o ano- calendário de 1999, no montante de R$ 67.280,85, serão atribuídos ao contribuinte fiscalizado, sendo que, nesse total, já está considerada a quantia informada como base de cálculo dos rendimentos recebidos sob esse título, na declaração de ajuste de anual do exercicio de 2000, de no valor de RS 19.502,68. Também, por essa razão, será exigida a multa, devida a título de carnê-leão, decorrente da falta de recolhimento mensal do imposto de renda incidente sobre tais rendimentos. 9)-Tendo em vista o exposto acima, encerra-se parcialmente o presente trabalho de fiscalização, com o esclarecimento que será lavrado auto de infração, especificamente para o ano-calendário de 1999, para exigência da multa de carnê-leão, conforme mencionado no item anterior, e, também, do imposto de renda decorrente da inclusão dos rendimentos omitidos, resultante da diferença entre as 2 importâncias citadas no item anterior, a qual será rateada em valores iguais (R5 5.606,74), para os 12 meses de 1999, com o acréscimo dos juros moratórios e da multa de ofício. Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.491 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13890.000602/2004-63 Apresentada a Impugnação, o julgamento foi convertido em diligência. Eis o comando decisório da DRJ (fls. 84/86): 8. Em vista das argumentações apresentadas na impugnação e considerando que não há nos autos nenhuma prova de que o autuado tenha de fato recebido os valores imputados pela fiscalização como tendo sido pagos por pessoas físicas em retribuição pelos serviços odontológicos por ele prestados, entendo ser necessária a baixa do processo em diligência, a fim de que sejam carreadas aos autos provas da efetiva omissão de rendimentos por parte do contribuinte. 8.1 Não é possível a mantença do lançamento com base apenas em presunções. É obrigação do fisco comprovar, ainda que a titulo de amostragem, os efetivos pagamentos efetuados pelas pessoas fisicas listadas às fls. 12 a l4 - supostos pacientes do impugnante em retribuição pelos serviços odontológicos supostamente prestados pelo contribuinte. Termo de diligência fiscal de fls. 89, para prestar os seguintes esclarecimentos: Esclarecimentos solicitados: 1)-Esclarecer, de forma inequívoca, se reconhece como tendo sido seus pacientes as pessoas físicas e/ou seu familiares, durante o ano-calendário 1999, constantes da listagem anexa. 2)-Em caso afirmativo, esclarecer se estão corretos os valores mencionados na referida listagem, os quais foram declarados como pagos a Vossa Senhoria, durante o mesmo período, decorrentes da prestação de seus serviços profissionais de odontologia. Resposta do Recorrente, à fl. 95, no seguinte sentido: - a principal e indispensável prova, pela natureza da acusação e para fins de confronto de dados havidos como divergentes em relação a 82 clientes do requerente, seria, no mínimo, DECLARAÇÕES dessas pessoas, devidamente notificadas para tal, manifestando-se expressamente quanto à veracidade das suas informações, juntando comprovante(s), nos mesmos moldes em que o notificado o autuado, sem se mencionar quebra de sigilo de dados por estarem as pessoas em questão já devidamente identificadas e listadas no processo, passando, assim, a fazer parte integrante dele; III - o processo não esclarece, também. até, se o autuante teria ou não entrado em contato com essas listadas 82 pessoas-contribuintes, notificando-as para prestarem esclarecimentos, mantendo e/ou retificando seus dados originais, juntando comprovantes em seu poder; se tais diligências foram na ocasião realizadas, a não juntada oportuna dos documentos (provas) obtidos. não autoriza a juntada agora, a destempo. IV- decorrido esse tempo, o autuado recebe, surpreso, o termo de início para procedimento de diligência fiscal ora respondido (MPF n° 0812500.2009.00066), solicitando os mesmíssimos esclarecimentos outrora solicitados, sendo certo que pessoas consultadas. pelo decurso do tempo (1999), não se lembram dos dados e inutilizaram os respectivos documentos. Juntada, também, a planilha de fl. 97, com indicação de determinadas pessoas, com o campo discriminado valor declarado versus valor recebido. Coligidos alguns recibos às fls. 113/130. Termo de encerramento de diligência às fls. 131. Descrevo algumas de suas conclusões: Na fase inicial do procedimento de fiscalização, o contribuinte apresentou relação contendo informações sobre 27 pessoas físicas (fl. 22), das quais 25 constavam dos relatórios citados no parágrafo anterior. Os nomes de outras 2 pessoas foram incluídos na sua relação. Porém, desses 25 nomes, o contribuinte fiscalizado alegou que a quantia Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.491 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13890.000602/2004-63 informada por 17 deles foi superior àquela reconhecida por ele; relativamente as 8 pessoas restantes, disse o contribuinte que não havia recebido quaisquer importâncias delas durante o ano-calendário 1999. Tais fatos haviam sido verificados no decorrer do procedimento fiscal. Comparando as 2 situações descritas acima, a listagem inicial, contendo o nome de 82 pessoas fisicas, somou a quantia de RS 67.280,85, enquanto que a listagem apresentada pelo contribuinte fiscalizado, contendo apenas os nomes de 19 daqueles que foram reconhecidos como seus clientes, a quantia recebida por ele teria somado R$ 10.667,31, embora ele tivesse declarado que recebeu a quantia de R$ 20.515,47. (...) Relativamente ao ano-calendário 1999, foram obtidos recibos fornecidos pelo referido dentista, sendo anexada, por amostragem, a cópia dos documentos apresentados por 6 pessoas físicas, conforme fls. 113 à 130, cujos nomes, curiosamente, não constaram do relatório de fl. 22. A soma daqueles documentos resultou a quantia de R$ 7.889,50. A cópia daqueles documentos foi encaminhada ao contribuinte, juntamente com o Termo de Encerramento da Diligência Fiscal. Os fatos descritos nos parágrafos anteriores demonstraram, a principio, que os registros de controle de clientes do contribuinte se mostraram deficientes, pois, claramente, muitos deles não estavam incluídos nas listagens apresentadas por ele na ocasião inicial, seja para o ano-calendário 1999, seja para os demais períodos de apuração. Além disso, apurou-se que, nas declarações de ajuste anual correspondentes aos exercícios 2000, 2001 e 2002, o contribuinte não havia preenchido o campo destinado ao livro-caixa de sua atividade profissional nem apresentou quaisquer documentos durante o trabalho fiscal, muito embora fosse esperada a existência e consequente aproveitamento de despesas, tais como gastos com o fornecimento de água, energia elétrica, telefone, aquisição de materiais odontológicos e outros, com encargos trabalhistas e sociais do pessoal de seu consultório etc. Somam-se àquelas despesas os gastos do próprio contribuinte e de seus familiares, os quais, por sua natureza, não são informados em declaração de ajuste. No entanto, se comparados os rendimentos declarados como recebidos em 1999 com todos os gastos declarados naquele mesmo período, inclusive com o acréscimo dos tributos pagos naquele ano, no valor de R$ 3.378,47, apurar-se-ia saldo negativo, no valor de R$ 303,00. Se incluída quantia que possivelmente seria informada em livro-caixa, resultaria, então, saldo negativo muito superior. Situação que não seria esperada nem razoável. Tais fatos acarretaram necessariamente a existência de recursos, cuja origem fica evidentemente demonstrada pela omissão dos rendimentos citados na presente manifestação. O acórdão recorrido foi assim ementado: CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA Tendo sido concedido ao contribuinte prazo para a apresentação de documentos que pudessem demonstrar a insubsistência do lançamento, incabível a alegação de cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Constatada a omissão de rendimentos auferidos pelo contribuinte, impõe- se sua tributação. MULTA ISOLADA. A omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas detectada em procedimento de oficio enseja a aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento de carnê-leão. O Recurso Voluntário sustenta, em síntese: (i) Nulidade, pois o processo desrespeitou o sistema tributário nacional, e em especial os princípios da legalidade, ampla defesa, contraditório e devido processo legal; Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.491 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13890.000602/2004-63 (ii) Destaca o lançamento. Cita o art. 142, destacando os verbos da norma; (iii) É “legalmente impossível falar-se em "amostragem" em fiscalização parcial de um(s) com extensão ao(s) outro(s) envolvido(s) nas mesmas operações, criando situação, além de ilegal e ineficaz, anômala, paradoxal e nula de pleno direito; (iv) No ano-calendário de 1999, indicou-se 82 pessoas, sendo que foram citadas apenas cinco delas. Sustenta que o fora com dados obtidos a destempo (fls. 131, ato datado de 05.11.09) e ainda por força de determinação da DRJ; (v) “Tanto que a fiscalização, dada sua inércia, irresponsabilidade e incompetência, de 82 pessoas-contribuintes, só obteve alguns dados de apenas cinco, referidas na r. decisão recorrida, não cabendo, na hipótese, mera "amostragem", mas exame comparativo de documentos!!! E sobre os dados dos cinco, pretende-se validar dados não examinados e não juntados dos demais. E não foi aberta vista ao recorrente (princípio do contraditório)!”; (vi) Ser incabível no caso a amostragem, já que a administração foi “omissa, negligente, displicente, irresponsável por não ter entrado em contato em tempo hábil com as 82 pessoas”; (vii) Sustenta a ausência de provas, não podendo ser mantido o lançamento com base em presunção; (viii) Que resultou da diligência apenas papeis de fls 113 a 130 que não servem de prova. Que num passe de mágica, o nada vira prova de lançamento. Voto Conselheiro Letícia Lacerda de Castro, Relator. Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Não se sustenta a tese de nulidade do lançamento tributário, em especial por o procedimento não se encontrar em consonância com os princípios da legalidade, ampla defesa, contraditório e devido processo legal. Tendo em vista que a preliminar de nulidade acaba por corresponder à tese de mérito recursal, passo a demonstrar a regularidade do procedimento administrativo tributário, desenvolvido com a garantia do contraditório do Recorrente, que em seu curso, aliás, fora chamado a contribuir com informações sobre os fatos imponíveis, possibilitando a construção participada do provimento, consoante se passa a demonstrar. Antes, registro que o contribuinte tem o dever (e direito, também, numa concepção contemporânea do processo) de colaborar com a fiscalização no procedimento de fiscalização tributária. Por sua vez, quanto aos meios de prova conferido à fiscalização: Todos os meios, da forma mais ampla, devem ser dados ao fisco para desempenhar a atividade de fiscalização. O controle das atividades dos contribuintes, o conhecimento Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.491 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13890.000602/2004-63 dos fatos que se ligam direta ou indiretamente à ocorrência dos fatos imponíveis, o acompanhamento de todos os fatos que dão ensejo a qualquer das revelações de capacidade contributiva, assim qualificados pela lei, tudo isto requer plena liberdade para o fisco, agilidade e presteza de movimentos, possibilidade de ampla liberdade de indagação e investigação” (ATALIBA, Geraldo. Lançamento – Procedimento regrado: discricionariedade na investigação e levantamento de dados. Esclarecimentos e informações do contribuinte. Impossibilidade jurídica de presunção quando a lei requer prova, pp. 330-332). Aliado ao dever de pagar tributos, está o dever de colaboração do contribuinte com a fiscalização tributária. Tratam-se dos deveres instrumentais, decorrentes dos impositivos deveres de colaboração com a Administração Pública. Aliás, com a participação, efetiva, da parte no procedimento administrativo, possibilita-se a construção da verdade processual, no caso, na verificação e conhecimento da hipótese de incidência tributária. No presente caso, 82 (oitenta e duas) pessoas declararam, em suas correspondentes DIRPF, que no ano-calendário de 1999 pagaram ao Recorrente determinadas importâncias por serviços odontológicos. Esse, por sua vez, apresentou uma planilha com o nome de vinte e sete pessoas físicas que teria prestado serviço, das quais vinte e cinco constavam do relatório fiscal. Entendo que a DRJ, ao converter o feito em diligência, fê-lo com fundamento no necessário ônus probatório do fisco, em apresentar provas do lançamento. Ora, apenas as informações contidas em declarações dessas oitenta e duas pessoas não se afigurariam em prova conclusiva do fato gerador do tributo. Por sua vez, no âmbito da diligência fiscal, foi requisitado ao Recorrente o esclarecimento, “de forma inequívoca, se reconhece como tendo sido seus pacientes as pessoas físicas e/ou seu familiares, durante o ano-calendário 1999, constantes da listagem anexa”. Mais uma vez o Recorrente apresenta apenas a planilha das vinte e sete pessoas (vinte e cinco delas incluídas na planilha do fisco). Nada menciona sobre as demais. Se as conhece, ou se já as tivera como pacientes. Em sua resposta aponta que a única prova que deve ser feita é pelo Fisco, com a intimação de todas as pessoas constantes em sua lista (resposta transcrita no relatório deste voto). A DRJ, ao decidir pela conversão em diligência, indicou ao menos a realização de amostragem dos pagamentos de algumas das pessoas listadas pela fiscalização, para cumprir seu ônus probatório. E assim fez o Fisco, conforme nota-se do relatório da diligência, em que foram juntados recibos de fls. 113/130, não impugnados, em sua veracidade, pelo Recorrente. Quanto à técnica da amostragem, tem-se que a mesma se afigura legítima como fundamento probatório, em especial quando inerte a parte em seu ônus de colaborar com a Administração, como ocorreu no presente caso. Nesse sentido, cito jurisprudência do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2003 a 30/09/2003 AMOSTRAGEM. Fl. 169DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.491 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13890.000602/2004-63 A técnica da amostragem é idônea para verificação das informações prestadas pelo sujeito passivo, cabendo a este, especificar as provas que contrariem aquelas que formaram a convicção da autoridade lançadora. (...) (PTA 10850.001772/2004-43, julgado em 30/07/2020) Não prospera a alegação do Recorrente de que não tivera ciência desses documentos e do termo de encerramento, eis que conforme o relatório, “a cópia daqueles documentos foi encaminhada ao contribuinte, juntamente com o Termo de Encerramento da Diligência Fiscal”. Portanto, entendo que a diligência cumpriu o necessário ônus probatório para legitimar o lançamento tributário, ao buscar, por amostragem, recibos de pessoas aleatórias, as quais juntaram o correspondente recibo de pagamento pelos serviços odontológicos. Assim, sigo a lógica do acórdão recorrido, que assim decidiu: 8.2 A fiscalização, ao diligenciar junto ao contribuinte, concedeu a ele mais uma oportunidade para que se manifestasse acerca dos valores apurados junto aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na ocasião o contribuinte simplesmente ratificou os termos da impugnação oportunamente apresentada e alegou que o processo não esclarecia se a fiscalização teria ou não entrado em contato com as 82 pessoas listadas, notificando-as para prestarem esclarecimentos. 8.3 Em análise aos elementos trazidos aos autos: listagem elaborada pela fiscalização contendo os nomes de 82 pessoas físicas (fls. 12/14); lista apresentada pelo contribuinte contendo os nomes de 27 pessoas (fls. 22); comprovantes de pagamentos efetuados ao contribuinte - amostragem (fls. ll3 a 130) e levando-se em conta os esclarecimentos prestados pela fiscalização quando da realização da diligência (resumo no item 5.6 do presente Acórdão), é de se concluir que: - agiu bem a fiscalização ao proceder ao levantamento em decorrência da constatação da omissão de rendimentos recebidos de pessoas fisicas; - os documentos juntados aos autos pela fiscalização após a realização da diligência - recibos carimbados e assinados pelo impugnante - comprovam que o mesmo recebeu valores de pessoas físicas. Esses valores documentalmente comprovados não foram contemplados na tabela elaborada pelo contribuinte - fls. 22 (vide recibos referentes aos seguintes pacientes: Luiz Gonzaga Barbosa de Farias; José Aparecido Ribeiro; Sergio Sidnei Penteado de Moraes; Victor José Mendes Cardoso e Wlademir V arlei Cagnin). Por todos esses fundamentos é que não existe qualquer nulidade no procedimento, eis que garantido ao Recorrente a efetiva participação, colaborativa, inclusive, na construção do provimento. Além disso, possibilitou-se o exercício de todos os atos defensivos. Ante ao exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Letícia Lacerda de Castro Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-009.491 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13890.000602/2004-63 Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 35217.000158/2006-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sat Sep 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 148. APLICAÇÃO No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. MULTA. CONFISCO. SÚMULA CARF N. 2. Não se toma conhecimento da alegação de caráter confiscatório da multa, eis que verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Observância da Súmula CARF nº 2. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009.
Numero da decisão: 2401-009.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) declarar a decadência da competência 11/1999; e b) determinar o recálculo da multa em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico ao sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo
Nome do relator: RODRIGO LOPES ARAUJO

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INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 148. APLICAÇÃO No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. MULTA. CONFISCO. SÚMULA CARF N. 2. Não se toma conhecimento da alegação de caráter confiscatório da multa, eis que verificar a eventual existência de confisco seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma que prevê a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo. Observância da Súmula CARF nº 2. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 21 7. 00 01 58 /2 00 6- 22 Fl. 372DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.794 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35217.000158/2006-22 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) declarar a decadência da competência 11/1999; e b) determinar o recálculo da multa em conformidade com a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, se mais benéfico ao sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Andrea Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo Relatório Trata-se, na origem, de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. A infração constatada foi descrita como “Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212. de 24.07.91, art. 32, inciso IV e paragrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528. de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91. art. 32, IV e paragrafo 5., também acrescentado pela Lei n. 9.528. de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e paragrafo 4., do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048. de 06.05.99. (Fundamento Legal 68)” De acordo com o relatório fiscal: Em auditoria fiscal, constatou-se que a empresa deixou de declarar fatos geradores de contribuição previdenciária na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, segundo lançamentos contábeis, constantes nos anexos abaixo relacionados nos quais estão inseridos, as competências, o número e o titulo das contas, os históricos, os nomes dos segurados e os valores das remunerações ou da comercialização da produção rural: • anexo I - serviços prestados por contribribuintes individuais; • anexo II- comercialização da produção rural; • anexo III- aquisição de produto rural (cana-de-açúcar). Os fatos geradores que deram origem aos anexos supracitados foram escriturados nos Livros Diários n°s: 03 e 04/1995, 05,06 e 07/1996,08 e 09/1997, 10 e 11/1998, 12 e 13/1999, 14 e 15/2000, 16 e 17/2001, 18 e 19/2002 e 20/2003. Os créditos previdenciários em questão, não declarados em GFIP, foram constituídos através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n°35.737.998-5. Impugnação na qual a autuada alega que:  O lançamento é nulo, por falta de hora da lavratura e intimação para cumprir a exigência;  A multa é confiscatória; Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.794 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35217.000158/2006-22 O serviço de análise de defesas e recursos detectou que, considerando os valores das contribuições não declaradas, o valor total da multa seria de R$ 96.392,75 e não de R$ 86.702,34, conforme o auto de infração. O valor de R$ 96.392,75 foi ratificado pela fiscalização. Lançamento mantido parcialmente em primeira instância. Decisão-notificação com a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO. AUTO-DE-INFRAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE GFIP SEM A TOTALIDADE DOS FATOS GERADORES. MULTA A MENOR. RETIFICAÇÃO. 1. Todos os requisitos constante no art. 10, incisos II e V, do Decreto 70.235/72, foram atendidos. 2. Foram descortinados, na análise deste Al, equívocos no cálculo do valor da multa, tendo estes como termo inicial a competência 04/2001, a partir da qual não foram somados os valores das contribuições relativas ao pagamento de remuneração a contribuintes individuais. 3. A multa para este Al fica retificada de R$ 86.702,34 (oitenta e seis mil, setecentos e dois reais e trinta e quatro centavos) para R$ 86.575,43 (oitenta e seis mil, quinhentos e setenta e cinco reais e quarenta e três centavos), sendo excluídas do mesmo as multas relativas às infrações nas competências 01/2003 a 10/2003 e 12/2003, as quais deverão ser novamente apreciadas em posterior ação fiscal. O serviço de contencioso administrativo da então Delegacia da Receita Previdenciária constatou equívocos no cálculo do valor da multa, novamente a reduzindo para o valor de R$ 86.575,43. Ciência da decisão de primeira instância em 09/03/2006, por via postal. Recurso voluntário apresentado em 07/04/2006, no qual a recorrente reitera as razões da impugnação. O processo foi instruído com os seguintes documentos: Documento e-fl. Relatório fiscal 43 Aviso de recebimento (AR) do auto de infração 120 Impugnação 121 Informação fiscal 239 Decisão de 1ª instância 257 Aviso de Recebimento (AR) da decisão de 1ª instância 266 Recurso Voluntário 272 É o relatório. Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.794 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35217.000158/2006-22 Voto Conselheiro Rodrigo Lopes Araújo, Relator. Análise de admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de modo que deve ser conhecido. Nulidades Em seu recurso voluntário, a recorrente tece diversas considerações acerca das hipóteses de anulação do auto de infração, citando como exemplos os defeitos relativos à intimação do contribuinte, incompetência do servidor, domicílio tributário diverso do sujeito passivo, falta de determinação da matéria tributável ou do fundamento legal, falta de hora da lavratura, falta de intimação para cumprir a exigência. Todavia, não é apontada nenhuma causa específica de nulidade. Posto isso, resta consignar que o documento de e-fl. 2 apresenta o local, data e hora da lavratura, a determinação da exigência, o prazo para impugnação e a assinatura da autoridade administrativa competente. O mesmo documento contém ainda a descrição da infração, o dispositivo legal infringido e a fundamentação legal da multa. Ainda, a recorrente foi intimada por via postal, conforme comprovante de entrega da correspondência juntado a e-fl. 120. Portanto, não que não se constata nenhum vício na autuação: Lançamento das obrigações principais - Decadência No mérito, a recorrente não traz argumentos relacionados à apresentação da GFIP, limitando-se a alegar genericamente que inexistiu infração e sustentar o caráter confiscatório da multa. Contudo, cumpre observar que o julgamento foi convertido em diligência para juntada das informações referentes à notificação de lançamento das obrigações principais (conforme despacho de e-fl. 346, formalizada no processo 13404.000179/2008-60, Debcad 35.737.998-5). Por esse motivo, cabe pontuar que as instâncias julgadoras mantiveram o entendimento da fiscalização quanto às questões relativas à ocorrência dos fatos geradores. Por meio do Acórdão 2301-003.949 (e-fl. 359), o CARF excluiu somente o crédito das contribuições alcançado pela decadência: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em darprovimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decaden cial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 01/ 2000, anteriores a 02/2000, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar proviment o ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que s eja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorr ente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Olive ira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.794 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35217.000158/2006-22 Já no presente processo é necessário atentar para a Súmula CARF nº 148, com o seguinte enunciado: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Considerando que a infração apurada é alusiva às GFIPs do período de 11/1999 a 12/2003 e que o lançamento foi efetuado em 02/04/2005 (conforme AR de e-fl. 120 e despacho de e-fl. 234), a aplicação do art. 173, I, do CTN requer que seja reconhecida a decadência da competência 11/1999. Multa – Confisco – Retroatividade benigna A recorrente entende que o valor da multa configura confisco. O parágrafo único do art. 142 do CTN prevê que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por essa razão, constatada a hipótese legal da aplicação da multa, a autoridade fiscal está obrigada a efetuar ao lançamento de ofício da multa. A previsão constitucional de vedação ao confisco é, portanto, direcionada ao legislador. Discussão quanto ao efeito confiscatório de multa legalmente prevista implicaria controle de constitucionalidade, o que é vedado a este Conselho. Observância da Súmula nº 02, do CARF, com o seguinte enunciado: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Embora a defesa da recorrente se refira unicamente ao caráter confiscatório da penalidade, cumpre observar que, antes da MP 449/08, a Lei 8.212/91 previa, no seu art. 35, II, para casos de lançamento de ofício das contribuições sociais previdenciárias, uma penalidade denominada multa de mora – eis que dependente do tempo entre a notificação e o pagamento. Em seu art. 32, §§4º e 5º, essa lei trazia também, para a falta de declaração ou declaração incorreta em GFIP dos fatos geradores, penalidade distinta, independentemente do recolhimento da contribuição. A MP 449/08 – posteriormente convertida na Lei 11.941/2009 -, por meio da inclusão do art. 35-A na Lei 8.212/91, substituiu essas duas penalidades por uma só: a do art. 44 da Lei 9.430/96. Assim, por força da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional é necessário verificar, a partir das infrações previstas, a penalidade menos gravosa. Essa comparação, consoante entendimento consolidado desse Conselho, deve se dar na sistemática da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.794 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 35217.000158/2006-22 Pelo exposto, voto por:  CONHECER do Recurso Voluntário;  Rejeitar as preliminares de nulidade; e  No mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, para a) declarar a decadência da competência 11/1999 e b) determinar, se mais benéfico ao sujeito passivo, o recálculo da multa conforme a sistemática da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009 (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lopes Araújo Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital

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