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Numero do processo: 10850.908570/2011-53
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente. Substituto
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente. Substituto (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e José Luiz Feistauer de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 08 57 0/ 20 11 -5 3 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908570/201153 Resolução nº 3801000.662 S3TE01 Fl. 143 2 Relatório Trata o presente de Pedido de Restituição apresentado pelo contribuinte, com a finalidade de ter restituído valores supostamente recolhidos indevidamente, no valor total de R$ 2.029,93. Devidamente processado o pedido de restituição do contribuinte foi proferido despacho decisório que indeferiu o pedido formulado sob a justificativa de que existe um débito confessado pelo contribuinte por meio de DCTF, no valor igual do recolhimento objeto do pedido de restituição, inexistindo, portanto, crédito a ser restituído. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde requereu a reunião do presente processo a outros por ele relacionados, justificando que tratam da mesma matéria e possuem os mesmos fundamentos e em sede de preliminar alegou, em síntese, que não foi intimado para prestar quaisquer esclarecimentos quanto o direito ao seu crédito, bem como que a fiscalização não teria tomando conhecimento das razões que justificassem o pedido de restituição. No mérito aduziu que o crédito a que pretende a restituição fora indevidamente recolhido conforme ficou evidenciado na declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998 pelo STF. Em sede se julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ houve por bem julgála improcedente nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2001 AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. A inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, não gera efeitos erga omnes, sendo incabível sua aplicação a contribuintes que não façam parte da respectiva ação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2001 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908570/201153 Resolução nº 3801000.662 S3TE01 Fl. 144 3 Intimado do acórdão proferido pela DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, juntando nova documentação e alegando, além dos argumentos de sua Impugnação, que a DCTF não é o único meio de prova da existência do crédito passível de restituição, bem como que os artigos 165 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96 não condicionam o reconhecimento do crédito a quaisquer retificações de declarações. Ademais, alega que os documentos apresentados em sua Impugnação (planilha de cálculo e livro diário e os respectivos termos de abertura e encerramento) são suficientes para comprovar o seu crédito e que a DRF teria inovado no processo trazendo tais argumentos novos à lide, o que permitiria, inclusive, a apresentação de provas adicionais ao presente processo ao contrário do que esposado no acórdão recorrido, sob pena de afronta ao princípio da verdade material. É o que importa relatar, Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908570/201153 Resolução nº 3801000.662 S3TE01 Fl. 145 4 Voto O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Examino preliminarmente o pedido de reunião dos processos, e tenho que assiste razão ao acórdão recorrido que entendeu pela impossibilidade de reunião dos processos. Tomo a decisão com base no artigo 1º da Portaria n.º 666/2008 da RFB, cuja redação abaixo se transcreve: “Art. 1 º Serão objeto de um único processo administrativo: I as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes: (...) II a suspensão de imunidade ou de isenção ou a nãohomologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes; III as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples que tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de ofício de crédito tributário dela decorrente; IV os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas; V as multas isoladas aplicadas em decorrência de compensação considerada não declarada.” Para a reunião dos processos, de acordo com o dispositivo normativo, o pedido de restituição ou de ressarcimento deve ter por base o mesmo crédito, o que não ocorre nos casos dos processos administrativos relacionados pela Recorrente, pois se tratam de crédito cujos período de apuração são distintos, muito embora a argumento para afastar o não reconhecimento do crédito seja o mesmo, ou seja, a inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º da Lei n.º 9.718/1998. Portanto, rejeito o pedido de reunião dos processos formulado pela Recorrente. Quanto ao mérito, entretanto, apesar da tese esposada no acórdão da DRJ tenho que o presente processo deve seguir caminho diverso. O Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908570/201153 Resolução nº 3801000.662 S3TE01 Fl. 146 5 sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908570/201153 Resolução nº 3801000.662 S3TE01 Fl. 147 6 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Não considerar tais documentos e negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 10850.908570/201153 Resolução nº 3801000.662 S3TE01 Fl. 148 7 constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação às compensações requeridas apurando se estão corretos os valores inicialmente pleiteados correspondentes á indevida ampliação da base de cálculo do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 19/07/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10480.720880/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.323
Decisão: Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Ausentes momentaneamente os Conselheiros WALDIR VEIGA ROCHA e GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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decisao_txt : Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Ausentes momentaneamente os Conselheiros WALDIR VEIGA ROCHA e GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Ausentes momentaneamente os Conselheiros WALDIR VEIGA ROCHA e GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 20 88 0/ 20 10 -1 2 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.720880/201012 Resolução nº 1302000.323 S1C3T2 Fl. 285 2 Relatório: Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado autos de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 16 a 19) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 23 a 25), lavrados para formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$ 347.504,53 (trezentos e quarenta e sete mil quinhentos e quatro reais e cinquenta e três centavos), corrigidos até 30/04/2010. Valor Principal Juros Multa Total IRPJ R$ 129.520,72 R$ 33.530,83 R$ 97.170,53 R$ 260.263, 08 CSLL R$ 43.401, 64 R$ 11.289,59 R$ 32.551,22 R$ 87.242,45 De acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 04 a 07), o lançamento decorreu da aplicação de percentuais incorretos na determinação das bases de cálculos dos referidos tributos (no ano objeto da autuação, apurouse lucro presumido). Ainda nos do Termo de Verificação e Constatação Fiscal, o AFRFB constatou que a recorrente, durante o anocalendário de 2007, prestou serviços de construção civil, “como faz prova cópias das Notas Fiscais de Serviços (amostragem) anexas”, aplicando indevidamente o percentual de 16% sobre a receita bruta, para efeito de cálculo do lucro presumido, quando deveria ter aplicado o percentual de 32%. Assim, refezse o cálculo dos tributos adotandose como bases de cálculo os valores resultantes da aplicação do percentual de 32% sobre os valores de receita bruta informados na DIPJ. Foram considerados na apuração o IRRF e a CSLL retidos por órgãos públicos constantes em DIRF’s, os pagamentos verificados no Sistema Sinal 04 e os débitos informados em DCTF. Nesse passo, intimada a ora recorrente, apresentouse impugnação (fl. 175) contrapondose, em síntese, o percentual de 16%, por ela informado na DIPJ de 2007, pois alegou que em verdade, “o percentual correto seria de 8% (oito por cento) para os contratos de Construção com emprego de materiais próprios e de 32% (trinta e dois por cento) quando não houver emprego de materiais”, assim como, juntos documentos (fls. 182/257 contratos de empreitada e notas fiscais) que comprovariam que houve o emprego de materiais próprios nos serviços realizados em regime de empreita. Na sequência, sobreveio julgamento por parte da Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) Recife/PE, a qual julgou parcialmente procedente a defesa da recorrente, nos termos do r. acórdão (fls. 260/264) ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 SERVIÇOS DE ENGENHARIA COM EMISSÃO DENOTA FISCAL DE SERVIÇOS. NÃO DISCRIMINAÇÃO DE MATERIAIS. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. Não havendo discriminação dos materiais empregados na nota fiscal de serviços, temse caracterizado unicamente o emprego de mão de obra, o que implica não aplicação do percentual de 8% (oito por cento) para apuração da base de cálculo de IRPJ pelo lucro presumido. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.720880/201012 Resolução nº 1302000.323 S1C3T2 Fl. 286 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 SERVIÇOS DE ENGENHARIA COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL DE SERVIÇOS. NÃO DISCRIMINAÇÃO DE MATERIAIS. PERCENTUAL DE LUCRO PRESUMIDO. Não havendo discriminação dos materiais empregados na nota fiscal de serviços, temse caracterizado unicamente o emprego de mão de obra, o que implica não aplicação do percentual de 12% (oito por cento) para apuração da base de cálculo da CSLL pelo lucro presumido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada da decisão supratranscrita em 25/02/2013 (fl. 270), a recorrente apresentou recurso voluntário 25/03/2013 (fl. 272/278), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) É questão fulcral ao exame do mérito da controversia, sobremodo pelo fundamento acolhido pela E. Turma a quo, a natureza das atividades realizadas pela DHF, vale dizer, se é possível afirmar qu suas receitas por obras de construção civil remuneram exclusivamente o emprego de mãodeobra, ou se contêm elemento remuneratório referente ao emprego de materiais próprios. Nesse sentido, também fulcral é saberse se a prova produzida foi suficiente para acarretar a conclusão e emprego de materiais próprios, ao menos como indícios para a necessidade de complementação da autoria; (ii) A Constituição Federal quanto a LPA preconizam o princípio da garantia à ampla defesa seja no processo administrativo, de modo geral, seja no âmbito partivular do processo administrativo fiscal, tendose mira, também, o princípio da busca pela verdade material. Não foi isso que se observou no PAF ora questionado, pois à DHF foi negado o direito à produção de pericia fiscal, sendolhe ainda impingida a derrota com força em um suposto ônus probatório não satisfeito; (iii)Cabe observar que a técnica na apuração do suposto tributo devido, qual seja, a verificação de contratos por amoostragem, é evidente técnica presuntiva, pois presumiu a modalidade contratual (se empreitada “de materiais” ou se “por administração”) por meio da verificação de alguns dos instrumentos contratuais da DHF, consoante mencionado no “termo de verificação”; (iv) A presunção de que todos os contratos se executaram “por administração”, para fazer incidir o coeficiente de 32% (trinta e dois por cento) sobre todas as receitas deles advindas, sem qualquer indício autorizador, sem maiores motivações, em um universo relativamente reduzido de operações (e que poderia facilmente ser examinados de modo detalhado) revelase ofensa ao princípio da estrita legalidade tributária, nos termos dos artigos 37, caput, e 150, inciso I, da Constituição Federal; (v)O processo, portanto, há de ser anulado, uma vez que não se determinou a perícia fiscal, concluindose, ao menos, pelo retorno dos autos à primeira instancia e pela realização da perícia fiscal contábil. É o que se requer desde logo, reiterandose o pleito de perícia/diligência fiscal contábil, devendo ainda ser garantido à DHF, por ocasião da produção da prova, o prazo para indicação de assistentes técnicos e quesitos. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.720880/201012 Resolução nº 1302000.323 S1C3T2 Fl. 287 4 (vi) Por absurdo, caso venha a ser mantido o v. Acórdão Recorrido, é imperioso que esse C. Órgão Julgador Recursal dignese de afastar a penalidade aplicada, ou ao menos reduzirlhe o gravoso valor de 75% (setenta e cinco por cento) sobre o muntante dos tributos supostamente devidos e não pagos. Ainda que o recurso à equidade, fere qualquer sentimento de justiça, diante das circunstâncias concretas, que se mantenha penalidade tão gravosa, mormente porque não se proporcionou à empresa de pequeno porte condições para que pudesse oferecer defesa ampla. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.720880/201012 Resolução nº 1302000.323 S1C3T2 Fl. 288 5 Voto: Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo. O recurso voluntário apresentado é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. 1. Do Recurso Voluntário A presente lide tem como ponto fundamental saber se nas atividades de construção por empreitadas realizadas pela ora recorrente, foi ou não empregada com o uso de materiais, pois, conforme dispõe o Ato Declaratório Cosit nº 6, de 13 de janeiro de 1997 abaixo, o percentual aplicado terá uma variação 8% (oito por cento) para 32% (trinta e dois por cento): I – na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. Para que seja aplicada a presunção de 8% para cálculo do IRPJ no lucro presumido, fazse necessário que a atividade de construção civil por empreitada seja realizada com o fornecimento de materiais necessários à consecução do projeto. Assim, o fornecimento de materiais é imprescindível para diferenciar uma prestação de serviços com utilização exclusiva de mãodeobra, o que acarretaria em um valor agregado maior (até por isso o percentual de presunção é maior, de 32%), de uma prestação de serviços com fornecimento de materiais. A mãodeobra com fornecimento de materiais possui, via de regra, um lucro menor, justamente pelo montante global cobrado estar incluído boa parte do custo com o material utilizado e incorporado à obra. Nesse passo, é importante que este material seja incorporado à obra, como tijolo, cimento, tinta, estrutura metálica, etc., não sendo apenas acessório para o cumprimento do serviço contratado. Conforme relatado acima, o AFRFB juntou apenas por amostragem os contratos de empreitadas firmados pelo recorrente, mesmo estando na posse de todos os contratos da recorrente, ou seja, o AFRFB a partir somente dos contratos juntados por amostragem considerou que os contratos do recorrente eram apenas por administração, logo, incidiria o coeficiente de 32% (trinta e dois por cento). No entanto, o recorrente juntou ao PAF contratos de empreitada (fls. 197/257) em que constam em seus teores que o recorrente deveria realizar o fornecimento de materiais, ou seja, os contratos foram firmados com a obrigatoriedade de se fornecer os materiais, conforme notase do exemplo da cláusula destacada abaixo: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10480.720880/201012 Resolução nº 1302000.323 S1C3T2 Fl. 289 6 3.6. fornecer e utilizar na execução das obras e dos serviços, equipamentos e mãodeobra adequados e materiais novos e de primeira qualidade; (Contrato entre a recorrente e Empresa de Urbanização do Recife – fls. 199). Não se pode ignorar, contudo, que o recorrente em suas notas fiscais, não especificou se houve ou não o fornecimento de materiais. Em face dessas considerações, a fim de prestigiar o princípio da verdade material, bem como para não ofender o interesse público na correta aplicação da legislação tributária, entendo cabível converter o julgamento em diligência para que: a) Sejam intimadas todas as empresas que firmaram contrato de empreitada com o recorrente no período de apuração deste PAF, a fim de que estas prestem as seguintes informações: a.1) Se houve o emprego de materiais nas obras realizadas pelo recorrente, se sim, se foi a totalidade do material utilizado nos serviços contratados; a.2) Requerer cópia dos contratos e notas fiscais referente as operações com a autuada, em especial, as seguintes empresas: i) Empresa de Urbanização do Recife – CNPJ nº 09.945.741/000164; ii) Empresa de Manutenção e Limpeza Urbana CNPJ nº 11.497.013/000134; iii) Prefeitura Municipal de Abreu e Lima CNPJ nº 08.637.373/000180; iv) Ministério da Fazenda CNPJ nº 08.637.373/000180; v) Universidade Federal de Pernambuco CNPJ nº 08.637.373/000180; vi) Escola Agrotécnica Federal de Belo Jardim CNPJ nº 35.672.054/000175; b) Intimar a requerente a juntada da totalidade dos contratos pactuados no período em que houve a autuação. Dessa forma, voto por converter o julgamento em diligência. Após, peço que o AFRFB, por favor, lavre relatório da diligência e dê ciência à Recorrente de suas conclusões, facultandolhe a manifestação em 30 dias. Após, voltem os autos a este Conselho. 2. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 289DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000122/2002-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Não se considera produtor, para fins fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. A condição sine qua non para a fruição do crédito presumido de IPI é ser, para efeitos legais, produtor de produtos industrializados destinados ao exterior. Não comprovada a industrialização descabe o benefício.
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
A discussão sobre a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições junto a pessoas físicas encontra-se prejudicada, visto que a exportação de produtos NT não geram direito a crédito, sendo totalmente irrelevante decidir sobre qual base de cálculo incidiria o benefício fiscal.
Recurso Especial do Procurador Provido e do Sujeito Passivo Negado.
Numero da decisão: 9303-002.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e por negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que negava provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e dava provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
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Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/1998 a 30/09/1998 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Não se considera produtor, para fins fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. A condição sine qua non para a fruição do crédito presumido de IPI é ser, para efeitos legais, produtor de produtos industrializados destinados ao exterior. Não comprovada a industrialização descabe o benefício. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A discussão sobre a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições junto a pessoas físicas encontra-se prejudicada, visto que a exportação de produtos NT não geram direito a crédito, sendo totalmente irrelevante decidir sobre qual base de cálculo incidiria o benefício fiscal. Recurso Especial do Procurador Provido e do Sujeito Passivo Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e por negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que negava provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e dava provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto Henrique Pinheiro Torres - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. .
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CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. Não se considera produtor, para fins fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. A condição sine qua non para a fruição do crédito presumido de IPI é ser, para efeitos legais, produtor de produtos industrializados destinados ao exterior. Não comprovada a industrialização descabe o benefício. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A discussão sobre a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições junto a pessoas físicas encontrase prejudicada, visto que a exportação de produtos NT não geram direito a crédito, sendo totalmente irrelevante decidir sobre qual base de cálculo incidiria o benefício fiscal. Recurso Especial do Procurador Provido e do Sujeito Passivo Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e por negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Rodrigo Cardozo Miranda votaram pelas conclusões. Vencida a Conselheira Nanci Gama, que negava provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e dava provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 90 9. 00 01 22 /2 00 2- 94 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. . Relatório Cuidamse de recursos especiais interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 159 a 168, autos em papel) e pelo sujeito passivo (fls.191 a 204, autos em papel). O acórdão recorrido foi assim ementado: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. INCIDÊNCIA DO IPI. A Lei n° 9.363/96, em seu artigo 1°, estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido referente ao PIS e a Cofins é a produção e exportação de mercadorias nacionais, sendo irrelevante, se cumpridos estes requisitos, que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS. O art. 1° da Lei n° 9.363/96 não condicionou o gozo do crédito presumido apenas aos insumos adquiridos de pessoas jurídicas, ou seja contribuintes do PIS e da Cofins, portanto é legítimo o aproveitamento quanto aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. Somente integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento das contribuições para o PIS e Cofins as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem segundo as definições que lhes dá a legislação do IPI, a teor do art. 3° da Lei n° 9.363/96. A energia elétrica não cumpre os requisitos do Parecer Normativo CST n° 65/79. TAXA SELIC NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Incidindo a Taxa Selic sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 40 da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso provido em parte. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 13909.000122/200294 Acórdão n.º 9303002.888 CSRFT3 Fl. 251 3 O apelo fazendário versa exclusivamente sobre a questão do direito ao crédito presumido de IPI em relação à exportação de produtos não tributados por esse imposto (NT). Já o especial do sujeito passivo insurgese contra a não inclusão, na base de cálculo do benefício fiscal, das aquisições de matériasprimas junto a pessoas físicas. Os recursos foram admitidos e, as partes, quando intimadas do despacho de admissibilidade do especial da oponente, apresentaram as respectivas contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator Os recursos são tempestivos e atendem aos pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A teor do relatado, a questão que se apresenta a debate cingese à controvérsia a respeito do direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de produtos (café cru) anotados como NT na TIPI recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional e a inclusão, na base de cálculo do benefício fiscal, das aquisições de matériasprimas junto a pessoas físicas recurso especial do sujeito passivo. Esta questão, envolvendo o direito de crédito presumido de IPI, no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. Na Câmara Superior de Recursos Fiscais ora prevalece a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição da Turma. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. De fato, as sociedades empresárias que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Assim, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semi elaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto crédito prêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória (MP nº 1.50816), consistente em incluirse no campo de incidência do IPI os galináceos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos criadores e exportadores de frangos, que não tinham direito ao crédito quando tais produtos eram NT e passaram a usufruir do benefício com a mudança para a alíquota zero. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos constantes da TIPI como NT não geram crédito presumido de IPI. No tocante ao recurso do sujeito passivo, entendo que a discussão encontrase prejudicada, visto que a exportação de produtos NT, como visto linhas acima, não geram direito a crédito e, por conseguinte, é totalmente irrelevante decidir sobre qual base de cálculo incidiria o benefício fiscal. Em outras palavras, se não há direito ao crédito, não há se falar em base de cálculo. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional e em negar provimento ao recurso do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 253DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 17/04/ 2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000554/2008-09
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Cerceamento do Direito de Defesa. Retenção de Provas pelo Agente Fiscal
Os atos praticados por agentes públicos, legalmente investidos e no exercício de suas funções, gozam de fé-pública e, por conseqüência, possuem presunção júris tantum de veracidade, havendo necessidade, desta forma, de prova cabal, idônea e inequívoca em sentido contrário para afastar a veracidade do ato certificado, hipótese que não se vislumbra nos autos, pois a defesa se limita a tecer meras alegações e conjecturas no sentido de que foi impedida de produzir a prova requerida, pois os elementos probatórios foram retidos e estariam em poder, até a presente data, da auditoria fiscal.
Glosa de Despesas
Despesas registradas em apontamentos contábeis e fiscais mas não comprovadas em documentos de suporte que lhes dêem lastro, devem ser glosadas
Tributação Reflexa. CSLL.
O entendimento adotado no respectivo lançamento reflexo acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-002.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Cerceamento do Direito de Defesa. Retenção de Provas pelo Agente Fiscal Os atos praticados por agentes públicos, legalmente investidos e no exercício de suas funções, gozam de fé-pública e, por conseqüência, possuem presunção júris tantum de veracidade, havendo necessidade, desta forma, de prova cabal, idônea e inequívoca em sentido contrário para afastar a veracidade do ato certificado, hipótese que não se vislumbra nos autos, pois a defesa se limita a tecer meras alegações e conjecturas no sentido de que foi impedida de produzir a prova requerida, pois os elementos probatórios foram retidos e estariam em poder, até a presente data, da auditoria fiscal. Glosa de Despesas Despesas registradas em apontamentos contábeis e fiscais mas não comprovadas em documentos de suporte que lhes dêem lastro, devem ser glosadas Tributação Reflexa. CSLL. O entendimento adotado no respectivo lançamento reflexo acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. RETENÇÃO DE PROVAS PELO AGENTE FISCAL Os atos praticados por agentes públicos, legalmente investidos e no exercício de suas funções, gozam de fépública e, por conseqüência, possuem presunção júris tantum de veracidade, havendo necessidade, desta forma, de prova cabal, idônea e inequívoca em sentido contrário para afastar a veracidade do ato certificado, hipótese que não se vislumbra nos autos, pois a defesa se limita a tecer meras alegações e conjecturas no sentido de que foi impedida de produzir a prova requerida, pois os elementos probatórios foram retidos e estariam em poder, até a presente data, da auditoria fiscal. GLOSA DE DESPESAS Despesas registradas em apontamentos contábeis e fiscais mas não comprovadas em documentos de suporte que lhes dêem lastro, devem ser glosadas TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O entendimento adotado no respectivo lançamento reflexo acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 05 54 /2 00 8- 09 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Construtora Coccaro Ltda., recorre a este Conselho de acórdão proferido pela 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada contra os lançamentos de IRPJ e CSLL consubstanciados nos autos. Contra a pessoa jurídica foram lavrados autos de infração impondo a cobrança de IRPJ e de CSLL, no valor total de R$ 46.943,22, aí incluídos os valores principais, a multa de ofício e os juros de mora, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas no anocalendário 2003. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 168 e ss), a empresa deixou de comprovar, com documentação hábil e idônea, despesas da ordem R$ 175.378,36, realizadas com a contratação de serviços de pessoas físicas e outras pessoas jurídicas, levando a glosa do valor não comprovado. O valor glosado implicou na redução de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, e na exigência de crédito tributário que remanesceu dos ajustes efetuados. Na impugnação tempestivamente apresentada aduziu a pessoa jurídica, em preliminares, que a auditoria fiscal teria deixado de capitular corretamente as infrações pois os artigos 247 e 248 do RIR/99 tratariam, apenas, de conceituar Lucro Real e Lucro Líquido. Invocou o cerceamento do direito de defesa, vez que a fiscalização teria retido documentos vitais para a devida instrução probatória, devendolhe ser concedido novo prazo para a juntada dos documentos retidos; Consignou que próprio autuante teria admitido a prestabilidade dos registros contábeis repousando as supostas irregularidades sobre a documentação que embasou os referidos registros. Assinalou que as despesas operacionais lançadas em seus livros como dedutíveis foram devidamente comprovadas através de notas fiscais, mapas de medição, cheques, etc, e que os elementos apontados como insatisfatórios pelo autuante não se encontrariam acostadas em virtude de terem sido retidas. A Turma Julgadora de 1a. Instância afastou as preliminares suscitadas e, no mérito, resumidamente, registrou que não fora apresentada a comprovação dos valores glosados, mantendo, assim, as exigências. Cientificada da decisão, em 12/06/2013, apresentou a interessada, em 02/07/2013, recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alega que o excessivo formalismo Fl. 375DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 19515.000554/200809 Acórdão n.º 1801002.044 S1TE01 Fl. 3 3 da Fazenda Pública como pretexto para não aceitar apenas os registros contábeis como prova das despesas glosadas não deveria ensejar a cobrança de tributo indevido, eis que o ente público já se encontraria em posição privilegiada em relação aos contribuintes, pedindo, ao final, pelo acolhimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Em regular procedimento de auditoria fiscal a recorrente foi intimada, em 15/10/2007 – fl. 79, e reintimada, em 13/12/2007– fl. 85, a comprovar os valores contabilizados nas Rubricas Custos e/ou Despesas Operacionais. A comprovação deveria ser feita com todos os documentos que lastrearam os apontamentos contábeis, como notas fiscais, mapas de medição das obras com o objetivo de demonstrar a parcela construída, e, especificamente, contratos e relatórios relacionados a serviços de assessorias em projetos. Os valores das despesas auditadas foram relacionados nos demonstrativos elaborados pela fiscalização e anexados às fls. 78/84. Os valores foram comprovados, em sua maioria, pela recorrente que apresentou ao agente fiscal os documentos solicitados, mas parte dos valores permaneceu sem comprovação, o que implicou na glosa do montante de R$ 175.378,36. Nas alegações deduzidas contra as exigências a recorrente insiste em afirmar que teria apresentado todos os documentos comprobatórios de todas as despesas, como demonstraria o termo de retenção, e – ainda que por via transversa que o agente fiscal, agindo de máfé, não teria restituído parte dessa documentação necessária à comprovação da parcela glosada dos valores auditados, prejudicando seu legítimo direito de defesa. Inadmissível tal assertiva. Constou, de forma expressa, do Termo de Encerramento da Ação Fiscal lavrado pela fiscalização e devidamente assinado em 12/02/2008 pelo preposto da recorrente: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Devolvemos nesta data todos os livros e documentos utilizados na presente fiscalização, no estado em que foram recebidos. Ademais, os atos praticados por agentes públicos, legalmente investidos e no exercício de suas funções, gozam de fépública e, por conseqüência, possuem presunção júris tantum de veracidade, havendo necessidade, desta forma, de prova cabal, idônea e inequívoca em sentido contrário para afastar a veracidade do ato certificado. E essa não é a hipótese dos autos, já que a recorrente se limita a tecer meras alegações e conjecturas no sentido de que foi impedida de produzir a prova requerida, pois os elementos probatórios foram retidos e estariam em poder, até a presente data, da auditoria fiscal. Fato é que os valores glosados permanecem sem comprovação. Diante disso, devem ser mantidas as exigências. O entendimento adotado no respectivo lançamento reflexo de CSLL acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 377DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10073.902013/2009-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: null
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Numero da decisão: 3802-003.071
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. Bem como o contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário o qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 20 13 /2 00 9- 61 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho de Contribuintes, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ. Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica, cujo suposto crédito pleiteado é oriundo de pagamento a maior, a título de PIS/COFINS, referente ao período de apuração indicado. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente, a DRF Volta Redonda, não homologou a compensação declarada, alegando não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Interessada alega em sede de manifestação de inconformidade que: A Empresa apurou créditos de tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior a qual se utilizou dos benefícios legais e que no momento do procedimento das compensações — PER/DCOMP informou corretamente todos os dados constantes no DARF como também o crédito, já identificado no despacho decisório. Tratase então, de apenas proceder as retificações das respectivas DCTFs — Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o que não invalida o direito de proceder a compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, ou seja, o julgamento foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, no sentido de manter a não homologação da compensação, por falta de direito creditório, nos seguintes termos: INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 ÔNUS DA PROVA. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA.PRECLUSÃO. A prova do crédito, que suporta Declaração de Compensação, cabe à contribuinte, devendo ser apresentada até o momento da Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, salvo em casos excepcionais legalmente previstos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902013/200961 Acórdão n.º 3802003.071 S3TE02 Fl. 125 3 Portanto, o julgamento foi no sentido de não acolher a pretensão pela falta de liquidez e certeza do aludido crédito de compensação. Consta a informação que tendo em vista a greve dos correiosETC, não foi possível precisar data do AR, pois o mesmo foi extraviado, dessa forma fica o recurso voluntário aceito. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, a recorrente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente da não conformidade pela não homologação da compensação do débito declarado, por falta de direito creditório contra a Fazenda Nacional, já que o alegado recolhimento indevido não fora suficiente. O cerne da questão é a comprovação ou não do direito creditório para fins da compensação/restituição. No caso da compensação, o marco inicial do contencioso é declaração produzida pelo próprio contribuinte, que constitui a relação de indébito do Fisco (pagamento indevido) e promove atos para a extinção da obrigação tributária, nos termos do art. 156, II do CTN, que fica sujeita a posterior homologação, ou seja, submetese ao poderdever da Administração de verificação de sua regularidade. A não homologação, não obstante, localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada pelo próprio contribuinte e na qual o pagamento apontado na DCOMP é utilizado totalmente para a quitação do débito indicado. Portanto, a análise das declarações prestadas à Receita Federal mostra que o crédito utilizado na compensação declarada não é suficiente. Não havendo saldo disponível para suporte de uma nova extinção, por meio de compensação. Não há a disponibilidade, tampouco suficiência de tal direito creditório, muito menos a efetividade e regularidade da compensação alegada, por meio da apresentação da escrituração contábil e fiscal. Observase, portanto, que a Receita Federal em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Assim sendo, o Despacho Decisório foi lançado perfeitamente, com base nas informações disponíveis à Receita Federal. Como sabido, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição e compensação poderão ser utilizados na compensação tributária. Quanto à retificação da DCTF, como argumenta a recorrente, mesmo que tivesse sido efetuada, não dispensa o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp. Este dever está vinculado a quem solicita, inclusive com prova contábilfiscal robusta para suportar sua alegação, o que não ocorreu ao caso. Esta turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, desde que acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. São exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, dentre outros. Assim sendo, é ônus do recorrente de comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art.170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência, e, por conseguinte, o erro em que se fundou a não – homologação dos créditos. A recorrente não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Para que o alegado direito a crédito fosse comprovado, a contribuinte deveria ter trazido aos autos o demonstrativo de apuração das contribuições acompanhado da escrituração contábil e fiscal que pudesse lastrear as informações nele contidas. Em face do exposto, observase que a inércia da recorrente, que detém o ônus da prova para comprovar a liquidez e certeza do direito creditório é determinante pelo não reconhecimento do direito creditório reivindicado. No que tange à prova, é de se observar o esclarecimento de Paulo Celso B. Bonilha (Da Prova no Processo Administrativo Tributário, 2ª Edição, Dialética, São Paulo, 1997): “Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Essa conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos , mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter Fl. 126DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10073.902013/200961 Acórdão n.º 3802003.071 S3TE02 Fl. 126 5 oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Grifado) Por essa razão, não se pode aceitar a compensação em discussão, com base nas alegações da recorrente sem documentação necessária à comprovação da consistência dos créditos, que pretende compensar. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 0 9/07/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10665.720404/2006-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3201-000.337
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Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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FALTA DE RECOLHIMENTO. Recorrente MINASBEB COMÉRCIO DE BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2001 a 31/01/2004 Não há que se conhecer do recurso voluntário diante de manifesta falta de interesse em recorrer demonstrada pela contribuinte, em razão da apresentação de pedido de desistência total do recurso interposto. Recurso Voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Lavrouse contra o contribuinte acima identificado os Autos de Infração de fls. 03/14 relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 04 04 /2 00 6- 57 Fl. 396DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 valor de R$ 48.291,59 incluindo multa de ofício e juros de mora, correspondente aos períodos de 01/2001 a 01/2004 (fls. 05/06). A autuação ocorreu em virtude de insuficiência no recolhimento da contribuição, no regime cumulativo, até o ano de 2002, e no regime nãocumulativo, a partir de 2003, originada de divergências verificadas do cotejo entre os valores escriturados nos livros contábeis e os valores declarados em DCTF da contribuição, nos períodos acima identificados, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 15/27, cuja apuração encontrase discriminada nos demonstrativos de fls. 44/45. Como enquadramento legal, citaramse os artigos 1° e 3°, da Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970; artigos 2°, inciso 1, 3°, 8°, inciso 1, e 9°, Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; arts. 1°, 3º e 4°da Lei n° 10.637, de 2002. Irresignado, tendo sido "cientificado em 22/12/2006 (fl. 04), o autuado apresentou, em 24/01/2007, acompanha das dos documentos de fls. 188/216, as suas razões de discordância (fls. 180/187), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo, argúi preliminarmente a ocorrência de cerceamento do direito de defesa pelo fato de o processo não contemplar todos os anexos e documentos aos quais a suposta infração estaria relacionada, além de haver exigência em duplicidade, porquanto as supostas diferenças já teriam sido objeto de lançamento de oficio em processo deste distinto. Prosseguindo em seu arrazoado, argúi a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, para os fatos geradores correspondentes a 2001, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. No mérito, aduz que a fiscalização glosou indevidamente a exclusão da base de cálculo da contribuição referente ao valor relativo ao ICMS cobrado na condição de substituto tributário, tendo este sido incluído na vala comum correspondente às diferenças de base de cálculo. Destaca que algumas diferenças encontradas entre as receitas de venda contabilizadas e as informadas como base de cálculo, verificadas em processo deste distinto, ocorreram não só para menos, como também para mais, conforme se pode constatar naquele processo, sendo que as diferenças a maior sequer foram mencionadas pela fiscalização no presente processo. Por fim, em face dos argumentos expostos, propugna pelo cancelamento da exigência.” A DRJBelo Horizonte/MG julgou o lançamento procedente em parte, por entender que, quando da ciência do Auto de Infração, em 22/12/2006, já teria decaído o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário referente ao período de apuração de 31/01/2001 a 30/11/2001. O julgado proferido por aquele órgão restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2001 a 31/01/2004 São suscetíveis de nulidade apenas os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10665.720404/200657 Acórdão n.º 3202001.227 S3C2T2 Fl. 397 3 Extingue o crédito tributário a homologação do lançamento, nos termos do art. 156, VII do CTN. Lançamento Procedente em Parte Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (efls. 355/366), alegando, em síntese: a) Preliminarmente, alega a existência de cerceamento do seu direito de defesa. Afirma que a forma como foram descritos os fatos na peça de autuação, fazendo remissões aos seus anexos, não lhe permitiu compreender a real natureza da infração apontada. Aduz que não há como identificar a razão da constituição do crédito tributário relativo ao PIS, uma vez que a descrição dos fatos constante do Auto de Infração aponta unicamente a falta de recolhimento da contribuição. Entende que, haveria nulidade do lançamento tributário, em razão da ausência da correta descrição do fato apontado como contrário à legislação tributária. b) No mérito, afirma: que se algumas diferenças foram encontradas entre as receitas de vendas contabilizadas e as informadas como base de cálculo nas declarações do imposto de renda, essas diferenças ocorreram não só a menor, mas também a maior. Afirma que a decisão recorrida, quanto a tais alegações, entendeu tratarse de matéria estranha à lide, que deveria ser discutida no competente processo administrativa, mas tal entendimento se mostra incorreto, vez que essas inconsistências, decorrentes de erros nos critérios de contabilização, influenciaram diretamente nas diferenças do PIS apuradas e discutidas nestes autos; como exemplo das tais inconsistências decorrentes de erros de contabilização, aponta o fato de que, no ano calendário de 2002, à exceção do mês de agosto, contabilizou devolução de vendas tanto em relação ao estabelecimento matriz quanto à filial, tendo restado zerado o valor a título de devolução de vendas da matriz. Afirma que, pelo histórico da conta de devoluções, não há qualquer possibilidade de, no mês de agosto de 2002, não ter ocorrido qualquer devolução de venda na matriz. Alega, que essa inconsistência poderia ter sido facilmente verificada com a análise dos balancetes mensais de verificação, em confronto com a declaração de imposto de renda que, relativamente ao mês de agosto de 2002, informou o valor de R$231.378,93 a título de devolução;e que, conforme demonstrado pelas declarações de imposto de renda, a contribuinte ainda excluía, da base de cálculo da contribuição, os valores pagos a título de ICMS que lhe era cobrado na condição de substituto tributário. Afirma que a glosa de tais valores, efetuada pela Fiscalização, é indevida, pois o procedimento encontra guarida no artigo 3°, §2°, I, da Lei n°9.718/98. Ao final, requereu o cancelamento da exigência tributária. Em 29/11/2011, a contribuinte protocolizou pedido de desistência total do recurso voluntário interposto, para fins para efeito do que dispõe o artigo 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 06/2009 e artigo 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2011 (efls. 388/389). Em sessão realizada em 21/08/2012, por meio da Resolução nº. 3201 000.337, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF determinou o sobrestamento dos autos, em cumprimento do comando normativo posto no §1º do art. 62A Fl. 398DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, àquela época vigente, em razão de tratarem os autos de discussão referente à inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Em face da desistência total do recurso voluntário interposto, apresentado pela contribuinte às efls. 388/389, temse que, dessa forma, não mais há qualquer lide a ser dirimida, razão pela qual NÃO CONHEÇO do recurso voluntário interposto, devendo os autos retornar à unidade de origem. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 399DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 30/07/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10805.000237/2004-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA
Decorrido cinco anos da data da ocorrência o fato gerador do IRPF sobre omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos bancário de origem não comprovada (Súmula Carf 38), extinto está o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 173, I, do CTN.
Numero da decisão: 2101-000.993
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente na data da formalização do Acórdão.
(Assinado digitalmente)
Odmir Fernandes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente na data da formalização do Acórdão. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência do direito de a Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente na data da formalização do Acórdão. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 02 37 /2 00 4- 11 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES 2 Tratase de Recurso Voluntário da decisão da DRF de Julgamento de São Paulo II/SP, que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, ano base de 1998, sobre omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos bancários de origem não comprovada. A decisão recorrida manteve a autuação e possui a seguinte ementa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAFÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não há que se cogitar em nulidade processual nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, nos termos do artigo 144, § 1°, do Código Tributário Nacional. Lançamento Procedente No Recurso Voluntário sustenta a decadência do direito de a Fazenda realizar o lançamento por se tratar de imposto de renda da pessoa física do ano base de 1998 e a notificação em 07.02.2004 (fls. 244). No mérito, aduz que os depósitos decorrem da compra, venda e consignação de veículos em feiras livres, sem constituir rendimento tributável, por representar mera entrada e repasse de valores depositados em sua conta corrente. É o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes – Relator. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10805.000237/200411 Acórdão n.º 2101000.993 S2C1T1 Fl. 3 3 Cuidase de Recurso em autuado do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, ano base de 1998, sobre omissão de rendimentos apurada por meio de depósitos bancários de origem não comprovada. Sustenta inicialmente decadência da autuação. Aprecio a preliminar de mérito, relativa decadência. Essa matéria – decadência não foi suscitada na fase da impugnação e assim a decisão recorrida dela não tomou conhecimento. Pois bem é exigência do IRPF do anobase 1998, com isso o prazo para realizar o lançamento teve início em 01.01.1999, na forma da Sumula 38 deste Conselho. Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário A notificação do lançamento – autuação ocorreu em 07.02.2004 (fls. 244). Entre 01.01.1999 e 07.02.2004, transcorreu lapso temporal superior aos cinco anos, operando, por consequência, em 01.01.2004 a decadência, com extinção do direito de o fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 173, I, do CTN. Ante do exposto, pelo meu voto, reconheço e dou provimento ao recurso para reconhecer a decadência, com a extinção do direito de a Fazenda constituir o crédito tributário pelo lançamento, na forma do art. 173, I, do CTN, com a reforma da decisão recorrida e cancelamento da autuação. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 408DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/03/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/03/2014 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004314/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.448
Decisão: Vistas, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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decisao_txt : Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Spindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 04 31 4/ 20 09 -5 6 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004314/200956 Resolução nº 2402000.448 S2C4T2 Fl. 127 2 RELATÓRIO Tratase de recurso de voluntário interposto por START SERVIÇOS TEMPORÁRIOS, em face do acórdão de fls. 83, por meio do qual foi mantida parcialmente a multa lançada no Auto de Infração n. 37.235.7857, por ter a recorrente deixou de arrecadar as contribuições previdenciárias mediante desconto das remunerações dos segurados Contribuintes Individuais. O lançamento compreende as competências de 01/2004 a 12/2004, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 27/10/2009 (fls. 01). Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, foi interposto o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. a decadência do direito de o fisco efetuar o lançamento, com arrimo no art. 150, 4o do CTN; 2. que o Auto de Infração deve ser anulado pelo cerceamento de direito da recorrente em razão de não haver clareza quanto aos elementos constantes do lançamento fiscal; Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.004314/200956 Resolução nº 2402000.448 S2C4T2 Fl. 128 3 VOTO Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator Antes mesmo de adentrar ao mérito das alegações de recurso, tenho que outra providência seja necessária antes do julgamento. É que, conforme resultado de diligência juntado às fls. 157, os lançamentos principais relativamente ao presente Auto de Infração foram incluídos no parcelamento da Lei 11.941/09. Confirase a informação trazida aos autos. ▪ Conforme observado no TEAF de fls. 30, os AIOPs foram lançados através dos processos nº 19515.004317/200990 (Debcad 37.190.913 9), nº 19515.004318/200934 (Debcad 37.235.7814) e nº 19515.004310/200978 (Debcad 37.235.7822), sendo que estes processos permaneceram na situação “em papel”; ▪ Os débitos lançados nos respectivos Autos supracitados, encontram se incluídos na sua totalidade no parcelamento instituído pela Lei 11.941/2011, vide fls.152 a 155 (numeração eprocesso). No entanto, no resultado da diligência não foi apontado se o débito objeto deste Auto de Infração também fora ou não incluído no parcelamento, até mesmo porque, a época da determinação daquela diligência, tal requerimento não fora formulado. Assim sendo, voto no sentido de que o presente julgamento seja CONVERTIDO EM DILIGÊNCIA, para que os autos do presente processo retornem à origem, para que se informe se o débito relativo ao presente processo foi ou não incluído em programa de parcelamento de débitos. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10907.720350/2012-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 01/01/2008 a 30/05/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO. JURISDIÇÃO.
A formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer, ainda que realizada por servidor competente de jurisdição diversa da relativa ao domicílio tributário do sujeito passivo.
Numero da decisão: 3403-003.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela Barley Malting Importadora Ltda a Dra. Gabriella de Paula Almeida, OAB/DF no 30.316. Presenciaram o julgamento os Drs. Guilherme Macedo Soares, OAB/DF no 35.220 e Alessandro Barreto Borges, OAB/SP no 196.401, advogados dos responsáveis solidários
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 01/01/2008 a 30/05/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO. JURISDIÇÃO. A formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer, ainda que realizada por servidor competente de jurisdição diversa da relativa ao domicílio tributário do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela Barley Malting Importadora Ltda a Dra. Gabriella de Paula Almeida, OAB/DF no 30.316. Presenciaram o julgamento os Drs. Guilherme Macedo Soares, OAB/DF no 35.220 e Alessandro Barreto Borges, OAB/SP no 196.401, advogados dos responsáveis solidários ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2008 a 30/05/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. COMPETÊNCIA. PREVENÇÃO. JURISDIÇÃO. A formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer, ainda que realizada por servidor competente de jurisdição diversa da relativa ao domicílio tributário do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. O Conselheiro Helder Massaaki Kanamaru participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Domingos de Sá Filho. Sustentou pela Barley Malting Importadora Ltda a Dra. Gabriella de Paula Almeida, OAB/DF no 30.316. Presenciaram o julgamento os Drs. Guilherme Macedo Soares, OAB/DF no 35.220 e Alessandro Barreto Borges, OAB/SP no 196.401, advogados dos responsáveis solidários ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 72 03 50 /2 01 2- 88 Fl. 8965DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 08/03/2012 (fls. 2 a 16, com ciência via Módulo eCAC à empresa “BARLEY” Malting Importadora LTDA, em 27/03/2012 fls. 4844 a 48651), para exigência de multa por diferença entre o preço declarado e o efetivamente praticado (prevista no art. 88 da Medida Provisória no 2.158 35/2001, no valor de R$ 141.332.415,14) em relação a 25 declarações de importação relacionadas à fl. 4, e multa substitutiva de perdimento (prevista no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976, no valor de R$ 267.647.199,46) para mercadorias amparadas pelas 34 declarações de importação listadas às fls. 5/6. No Relatório Fiscal de fls. 17 a 222, narrase que: (a) a filial da “BARLEY” (0003) em Paranaguá desembaraçou, de 01/2008 a 05/2011, 34 declarações de importação DI (fl. 17), referentes a mercadoria classificada na Nomenclatura Comum do MERCOSUL NCM como 1107.10.10 (malte inteiro ou partido, não torrado); (b) tendo por base elementos da “Operação Vulcano”, deflagrada em 11/2008, a unidade jurisdicionante da matriz instaurou procedimento especial de fiscalização para verificar a origem dos recursos aplicados nas operações de comércio exterior (nas citadas DI e ainda em outras); (c) como consequência, foi lavrada autuação no processo administrativo no 10730.003034/201126, com a conclusão de que houve ocultação de pessoas nas importações (cópia do AI às fls. 224 a 1696 doc.1); (d) da análise daquela autuação, verificouse que apenas 13 das DI listadas à fl. 17 foram incluídas no lançamento, e que foram lançadas apenas as multas por acobertamento, e não as substitutivas do perdimento; (e) em virtude da lacuna, foi instaurada nova ação pela fiscalização aduaneira em Paranaguá, apurandose, além da ocultação, que para determinadas operações de importação, o preço declarado na exportação era substancialmente inferior ao declarado nas DI; 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 8966DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.966 3 (f) a “BARLEY” tem matriz em Arraial do Cabo/RJ, e uma única filial em Paranaguá/PR, sendo seu quadro societário composto pelo Sr. Luiz Carlos Faccin (sócio administrador0,01%) e pela empresa Zuchetti International LTD (offshore constituída nas Ilhas Virgens Britânicas 99,9%); (g) até 2006, 90% das importações da mercadoria classificada na NCM 1107.10.10 (malte, matéria prima usada predominantemente na indústria cervejeira) eram feitas por 4 empresas tradicionais do ramo de cervejas, sendo que a partir daí a empresa “BARLEY” e a empresa “PRAIAMAR” Indústria, Comércio & Distribuição LTDA passam a ocupara ano a ano percentual significativo do mercado (a partir de 2009 a empresa “BARLEY” passa a ser a segunda maior importadora do produto; (h) com a deflagração da “Operação Vulcano” (que objetivava desmontar esquema criminosos envolvendo empresas dos setores de pneus e cerveja, e acabou resultando em diversas prisões, inclusive de agentes do fisco), em 11/2008, foi lavrada a já citada autuação, na qual são identificadas como ocultadas pela “BARLEY” as empresas “PRAIAMAR” e Cervejaria “PETRÓPOLIS” S.A.; (i) na referida autuação, das 23 DI para as quais foi lançada a multa por acobertamento, apenas 10 se referiam a importações efetuadas pelo estabelecimento matriz, sendo 13 relativas a DI da filial Paranaguá (0003), tendo havido, em virtude do procedimento especial, exigência de garantia (fiança bancária) em 7 DI (doc. 2 fls. 1698 a 1780); (j) foi então iniciada fiscalização em relação aos despachos da filial Paranaguá, com Termo cientificado à representante da empresa em 23/05/2011 (doc. 3 fls. 1781 a 1790); (k) após o início e ciência da ação fiscal, a unidade de jurisdição da matriz, “de forma até atípica e inesperada”, deu início a novo procedimento, aparentemente complementar, concluído em 02/2011 com a lavratura de novo Auto de Infração, controlado pelo processo administrativo no 10730.722104/201220, que somente estendeu a multa por acobertamento a outras operações (entre as quais as 13 DI registradas pela filial Paranaguá); Fl. 8967DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 (l) reafirmando a competência da ALF/Paranaguá para a ação fiscal em relação à filial importadora sob sua jurisdição, teve prosseguimento a ação fiscal iniciada; (m) do pedido de habilitação da empresa “BARLEY” (no processo administrativo no 10730.011994/200783, apenso ao presente auto), notase que: 1. a sede, em Arraial do Cabo, opera em imóvel alugado (por valor mensal de R$ 350,00, com área de 27 m2, que parece não comportar os 8 funcionários), não possui depósito e indica como cliente unicamente a Cervejaria “PETRÓPOLIS”, e como maior fornecedor a sócia majoritária da “BARLEY”, a “Zucchetti International LTD” (para a qual indicase ser o contato o Sr. Luiz Carlos Faccin, sócio administrador da “BARLEY”, o que se confirma pelo documento de fl. 158); 2. na diligência efetuada pela DRF Niterói, em 15/01/2008, a sala da empresa “BARLEY” foi encontrada fechada, e em confronto com as GFIP apresentadas pela empresa, mostrouse inverídica a informação da existência de 8 funcionários, não havendo sequer um vínculo empregatício registrado; 3. a Cervejaria “PETRÓPOLIS”, uma das maiores do país, jamais importou malte em nome próprio, e efetuou adiantamentos para pagamento de compras à “BARLEY” (cf. documentos de fls. 66 a 69); 4. os silos, que à época ainda estavam em fase de construção, eram administrados por antigo funcionário da Cervejaria “PETRÓPOLIS”, o Sr. Dirceu Bispo, e pertenciam à “PRAIAMAR” (cabe registrar que a última importação da “PRAIAMAR”, que atuou nos anos 2007 e 2008, antecede em alguns dias o primeiro registro de DI pela “BARLEY”, que passou a atuar desde então), cabendo destacar que a exportadora Zuchetti International Ltd. Tinha como únicos clientes a “PRAIAMAR” e “BARLEY”; 5. o contato da “PRAIAMAR” (cf. doc. de fl. 77) durante a construção do silo, em 2007, era o Sr. Luiz Carlos Faccin, que viria a ser tornar sócio administrador da “BARLEY”; 6. na análise da contabilidade da empresa “BARLEY”, percebese que os aluguéis dos silos jamais foram pagos/escriturados, e que contrapartidas de arrendamento ocorriam em conta anômala denominada “transferência de numerários”, com lançamentos diários a crédito e a débito que, na maioria dos casos compensavamse dentro Fl. 8968DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.967 5 do mesmo dia, registrando a circulação de mais de um bilhão (de fato, R$ 1.160.908.966,47) em 2009/2010; 7. conforme expresso na conclusão do procedimento de habilitação, restou demonstrado (destaque à fl. 88) que o cliente final da operação é a Cervejaria “PETRÓPOLIS” (que não poderia importar diretamente pois perderia incentivos fiscais estaduais), e que existe uma empresa em São Gonçalo/RJ, a Zuquete Empreendimentos e Participações LTDA (tendo como sócio majoritário Walter Faria, também sócio da Cervejaria “PETRÓPOLIS”, e preso na “Operação Cevada”) holding da Zuchetti International Ltd. (que indica como conselheiro o mesmo Walter Faria), e que a ela remete recursos, sendo o capital repassado à “BARLEY”; e 8. ainda assim a empresa foi habilitada a título precário pela unidade da RFB; (n) a filial de Paranaguá, constituída posteriormente à habilitação, foi responsável pelo registro de 34 DI, transportadas em 25 viagens de navios graneleiros afretados exclusivamente para isso, representando volume de importações superior à própria matriz (23 DI 12 navios), mas suas modestas instalações (fotos às fls. 111/112), gratuitamente cedidas em comodato pela AGTL Armazéns Gerais (que também prestava serviços de armazenagem à “BARLEY”; (o) a empresa alegou, no bojo da autuação lavrada no Rio de Janeiro, que efetuaria operação de industrialização do malte, em suas instalações, por meio de transilagem e beneficiamento (em que pese não estar prevista tal operação pelo contrato celebrado com a operadora portuária em Paranaguá fls. 120 a 122), e a alegação foi tomada em conta pelo julgador de piso naquela autuação, que cancelou o crédito lançado; (p) ao contrário do que alegou a empresa na impugnação àquela autuação, há cabais elementos que comprovam a ocultação dos responsáveis pela operação de importação, mediante simulações em diversos níveis (fls. 134 a 136); (q) a Zuchetti International Ltd., responsável por mais de 99% das importações da “BARLEY” em 2009, depois sucedida pela “Grenntag Investment LLP” (como confirma o documento de fl. 161), exportaram a ela praticamente um navio de malte por mês, de forma contínua, o que parece tornar pouco crível a informação Fl. 8969DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 da “BARLEY” de que não detém maiores informações sobre os exportadores (nem o nome completo e a designação das pessoas que conduziram as negociações), cabendo destacar que há faturas comerciais emitidas pela Zuchetti International Ltd. (v.g. fl. 144), que indicam como contato o Sr. Luis Carlos Faccin (sócio administrador da “BARLEY”), assim como faturas da Grenntag indicandoo igualmente como contato (v.g. fl. 167); (r) o gráfico de fl. 149 (que aponta diferenças da ordem de mais de 200% em relação aos preços da mercadoria) levanta dúvidas sobre a exatidão do valor aduaneiro declarado; (s) para mercadorias importadas no mesmo navio (iguais em tudo e estocadas nos mesmos porões) e registradas em diferentes DI, sendo diferentes apenas os exportadores declarados (“Zuchetti/Grenntag” e “Cargill”), a mesma discrepância absurda de preços declarados se verificou (fl. 150); (t) não se pode, com base no exposto, admitir os valores indicados nas importações como provas da ocorrência efetiva de uma venda entre os ali indicados como comprador e vendedor; (u) com base no Sistema de Intercâmbio de Informações dos Registros Aduaneiros no MERCOSUL (INDIRA), oficial e de uso restrito do fisco, é possível acessar dados das declarações de importação/exportação registradas em todos os países do bloco, e, tendo em vista que a quase totalidade (excepcionandose somente 3 DI) das mercadorias era procedente da Argentina, foi possível verificar os preços das mercadorias constantes nas declarações de exportação argentinas; (v) as mercadorias constantes da tabela de fl. 174, vindas da Argentina no navio Apisara Naree, exportadas por US$ 4.893.635,81 (conforme dados da declaração de exportação argentina extraídos do INDIRA) foram declaradas na importação e faturadas por US$ 9.059.492,40 (diferença de 85,13%), ocorrendo o mesmo fenômeno em praticamente todas as outras DI que tenham como exportadores a Zuchetti e a Grenntag (das 30 DI vindas da Argentina, somente uma apresentou os mesmos valores na exportação e na importação), como se comprova na tabela de fls. 176/177; (w) apesar de o produtor ser sempre a Cargill da Argentina, nas exportações em que tal empresa atua também como Fl. 8970DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.968 7 exportador (ao invés da Zuchetti ou da Grenntag) não há diferenças de preços na exportação e na importação; (x) com base nos valores efetivamente praticados nas vendas, declarados no país de origem, e tomando em conta os acréscimos ao valor aduaneiro, bem como as quantidades efetivamente desembarcadas em Paranaguá, chegouse aos valores aduaneiros na importação (tabela de fl. 178); (y) a “BARLEY”, como se percebe das tabelas de fls. 179 a 181, não possuía capacidade econômica para a realização das importações, só conseguindo efetiválas com recursos externos; (z) a “BARLEY” não mantém arquivos de correspondências trocadas na importação das mercadorias, e nem utiliza carta de crédito ou documentos de saque para garantia das operações, afirmando ainda não efetuar empréstimos ou financiamentos (quando as próprias declarações de importação registram “financ. fornec.” na ficha câmbio, v.g. tabela de fls. 184/185, e a contabilidade da empresa explicitamente reconhece expressivos valores de financiamento do exportador “Zuchetti / Grenntag” e da Cervejaria “PETRÓPOLIS” (fls. 185/186); (aa) o esquema fraudulento objetivou fornecer matéria prima à Cervejaria “PETRÓPOLIS”, ocultandoa na importação, e enviar recursos ilicitamente ao exterior; (bb) ao serem solicitadas as notas fiscais de saída das mercadorias, a “BARLEY” apresentou cópias digitalizadas de notas em papel manuscritas, e alegou que não poderia vincular tais notas às DI em virtude da fungibilidade das mercadorias; e (cc) a fiscalização, diante da falta de colaboração da empresa, utilizouse do repositório eletrônico de informações das Notas Fiscais Eletrônicas (NFe), disponível para a filial a partir de 02/09/2009 (em um total de 7.049 documentos), elaborando quadro comparativo de entradas e saídas (fls. 193/194). São indicados como responsáveis solidários a Cervejaria “PETRÓPOLIS” S.A. e a empresa “PRAIAMAR” Indústria, Comércio & Distribuição LTDA, conforme Termos de fls. 4834/4835 e 4836/4837), esta cientificada da autuação em 16/03/2012 (cf. AR de fl. 4866) e aquela, em 30/03/2012 (cf. documento de fl. 4892). A empresa “BARLEY” apresenta impugnação em 25/04/2012 (fls. 5512 a 5640), sustentando que: Fl. 8971DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 (a) a administração pública (Acórdão no 0726.752, da DRJ/Florianópolis) já se pronunciou sobre as operações da empresa, afirmando que observaram todos os requisitos legais e caracterizaram importação por conta própria, em ofensa à definitividade das decisões administrativas e à hierarquia; (b) há dupla penalização pelo mesmo fato e período, já que a empresa foi fiscalizada e autuada, por duas vezes, pela DRF/Niterói (sede da matriz), em ofensa ao bis in idem processos administrativos: · no 10730.003034/201126, com período fiscalizado de 07/2008 a 04/2010 parcialmente juntado aos autos, que teve o lançamento cancelado pela DRJ/Florianópolis, que reconheceu ter havido importação direta; e · no 10730.722104/201220, com período fiscalizado de 03/2010 a 06/2011 não juntado aos autos, sob os mesmos fundamentos do anterior, ainda aguardando julgamento na DRJ); (c) houve nulidade por cerceamento do direito de defesa (negandose a juntada aos autos de três petições da empresa, instruídas com documentos), e falta de apresentação de provas materiais (derivadas dos procedimentos fiscais já em julgamento, e da chamada “Operação Vulcano”), em ofensa ao contraditório, ao devido processo legal, e à legalidade; (d) não se poderia proceder ao segundo exame da escrita, em relação ao mesmo período fiscalizado, sem a autorização escrita a que se refere o art. 42 do Decreto no 7.574/2011 (a própria autoridade fiscal autuante afirma que estava a preencher “lacunas” das autuações anteriores), como vem retiradamente decidindo o CARF (Acórdãos no 10418939 e no 101 94297) ; (e) houve usurpação de competência legal e invasão de jurisdição, tendo a autoridade autuante, de Paranaguá, revisado e emendado dois lançamentos efetuados pela DRF/Niterói, em violação ao art. 38, § 4o do Decreto no 7.574/2011; (f) o lançamento foi fundamentado em documentos estrangeiros sem a devida tradução juramentada, e obtidos com desprezo total às formalidades legais (v.g. documentos societários pertinentes às empresas Zuchetti e Grenntag, obtidos em sítio web da Inglaterra ao preço de uma libra esterlina cada um, sem indicação da fonte pagadora nos autos, destacandose ainda que o próprio sito web não se responsabiliza pela autenticidade e exatidão dos documentos arquivados); (g) foram juntados diversos excertos de documentos pela fiscalização, sem a transcrição integral de seus teores; (h) a empresa demonstrou sua capacidade financeira (v.g. extratos indicados à fl. 5561, e prestações de garantia com fiança, para desembaraço de mercadorias) e técnica (vendendo inclusive para outras conhecidas marcas de cerveja e uísque, além das indicadas na autuação) para a Fl. 8972DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.969 9 realização de operações por conta própria, cumprindo com todas as obrigações inerentes às importações (como já havia atestado anteriormente a DRF/Florianópolis); (i) não foi demonstrada a ocorrência de fraude, não tendo havido interposição fraudulenta, cessão de nome, dano ao Erário (tendo o próprio fisco constatado que teria havido “recolhimento a maior de cerca de 24 milhões em tributos) ou qualquer outras espécie de ilícito ligada ao comércio exterior; (j) a empresa assumiu por conta e risco as importações de malte, principalmente porque (1) mantém estoque regular do produto em grande quantidade (cf. demonstrativo de fls. 5571 a 5573), (2) verificouse perda e deterioração do produto em estoque (cf. tabelas de fls. 5574 a 5576), numa clara demonstração de que era a efetiva proprietária dos produtos; e (3) ocorreu a transformação do produto importado em operação industrial que não foi considerada pelo fisco (“transilagem e beneficiamento”, mediante recepção por correia que leva o malte até os silos; armazenagem; transilagem/”blendagem”, de acordo com as especificações exigidas pelos clientes; beneficiamento, classificandose os grãos, e separando impurezas por corrente de ar; aspiração do pó de malte, eliminando a poeira produzida no beneficiamento e na “blendagem”; e expedição, mediante descarga dos silos em transportadores); e (k) não é possível aplicar a pena de perdimento da mercadoria a quem não é seu proprietário; (l) não se pode efetuar arbitramento de valor aduaneiro a partir de dados do sistema INDIRA (reconhecidamente precários), ainda mais quando o próprio autuante afirma que alguns dados essenciais não puderam ser recuperados em tal sistema, de sorte que se adotaria “valor aproximado”, em flagrante violação ao acordado no âmbito do GATT; (m) a empresa possui silos tanto em Arraial do Cabo/RJ quanto em Paranaguá/PR (fotos às fls. 5614/5615), tendo ainda havido erro por parte da RFB ao identificar o escritório da empresa em Paranaguá, que fica quase ao lado da própria Receita Federal (foto à fl. 5616), tendo ainda sido equivocada a interpretação efetuada pelo fisco da situação em relação aos funcionários, aos pagamentos de aluguel, à existência de grupo econômico, à ausência de prestação de informações, à prestação de informações falsas e à irregularidade na escrituração contábil; e (n) são manifestas na autuação expressões injuriosas lançadas pelo agente fiscal, que devem ser riscadas dos autos (v.g. “garoto de recado” e “sorrateira”). As impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários trazem argumentos comuns aos apresentados pela “BARLEY” (que serão no quadro abaixo designados apenas pelas letras correspondentes aos itens da impugnação da “BARLEY”, Fl. 8973DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 adotadas acima) e argumentos diversos (a serem relacionados sinteticamente no quadro abaixo): Pessoa Razões/argumentos da Impugnação síntese (no caso de repetição, relacionase somente a letra correspondente, entre aspas) folhas “PRAIAMAR” Indústria, Comércio & Distribuição LTDA “(c)”, “(f)” e “(g)” em relação à juntada de excertos de documentos e de documentos estrangeiros; “(d)”; “(e)”; “(l)”; (o) é ilegal a utilização de prova emprestada de outros autos administrativos; (p) não há previsão legal para a RFB imputar responsabilidade solidária a terceiros; (q) a empresa deve ter reconhecido o direito de impugnar não só a responsabilidade solidária, mas a própria autuação, no mérito; (r) há violação à moralidade por abuso de poder; (s) houve violação ao devido processo legal e à segurança jurídica por revisão de lançamento por mudança de critério jurídico (art. 146 do CTN) em relação às duas autuações anteriores; (t) as ilações sobre os vínculos empregatícios de funcionários (nunca simultâneos) entre as empresas não gera a presunção de existência de grupo econômico, ou de interesse comum na prática de ilícitos, chegando ainda a fiscalização a diversas conclusões equivocadas sobre o contrato de arrendamento de silos e pagamentos decorrentes; e (u) não houve conduta específica da empresa que ensejasse a imputação de responsabilidade solidária (ausência de tipicidade). 4900 a 4964 Cervejaria “PETRÓPOLIS” S.A. “(c)”, “(d)”; “(e)”; “(f)”, “(g)”, inclusive no que se refere à documentação obtida junto a sítio web inglês; “(h)”; “(i)”; “(j)”; “(k)”, no que se refere à impossibilidade de cumulação da multa de 10% pelo acobertamento com o perdimento, defendendo a ilegalidade do art. 727, § 3o do Regulamento Aduaneiro; “(l)”; “(p)”; “(r)”, tendo o abuso de poder ainda sido detectado na violação de sigilo de pessoas física (Walter Faria); “(s)”; “(t)”, sobre a inexistência de grupo econômico; (v) nenhuma pena pode passar da pessoa do infrator, conforme assegura a Constituição Federal; e (x) foram utilizadas bases de cálculo diferentes nas duas multas aplicadas. 5165 a 5240 A decisão de primeira instância é proferida em17/04/2013 (fls. 8911 a 8931), no sentido de que houve nulidade por vício formal (reexame de mesmo exercício sem ordem específica da autoridade competente), e por incompetência da autoridade autuante (visto que a formalização da exigência previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer, ainda que realizada por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do contribuinte). Diante da nulidade formal, não foi analisado o mérito. E, em virtude do valor exonerado, houve recurso de ofício ao CARF. A DRJ informa ainda que nos dois processos anteriores (no 10730.003034/201126 e no 10730.722104/2012 20), referentes a autuações lavradas pela DRF/Niterói, estas foram consideradas improcedentes, tendo sido exonerado o crédito tributário e interposto recurso de ofício ao CARF. É o relatório. Voto Fl. 8974DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.970 11 Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Diante do recurso de ofício apresentado, de acordo com o Decreto no 70.235/1972, cabe avaliar as causas de nulidade apontadas pela DRJ. É incontroverso nos autos que a DRF/Niterói já havia lavrado a autuação constante no processo no 10730.003034/201126, em relação a acobertamento perpetrado pela “BARLEY” em diversas declarações de importação (algumas delas registradas pela filial de Paranaguá). E que em tal autuação exigiuse somente a multa por acobertamento (10%), havendo silencia em relação a sua cumulatividade com a pena de perdimento (ou a multa substitutiva de tal pena). Verificando, em nome da verdade material, no sistema ‘eprocessos’, aqueles autos, percebese que o lançamento se refere a operações efetuadas de 11/07/2008 a 23/04/2010 (na autuação não consta relação discriminando as DI, nem no relatório fiscal anexo fls. 15 a 25). Uma relação de 48 DI aparece às fls. 685/687, e, depois, às fls. 1392/1394 (aí já indicando, de forma manuscrita, nas laterais, a sigla do Estado onde foram registradas PR ou RJ, ainda que tal indicação seja efetuada somente até a metade da relação), sendo perceptível que havia declarações registradas de 04/07/2008 a 25/11/2010, sem uma clara individualização das condutas em relação às DI, ou aos estabelecimentos (matriz ou filial). Em tal processo, a DRJ julgou improcedente a autuação, por “ausência de comprovação de que as importações declaradas como sendo ‘por conta própria’ foram realizadas na modalidade ‘para revenda a encomendante predeterminado’”. E com esta mesma motivação a Primeira Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção deste CARF negou unanimemente provimento ao recurso de ofício pelo Acórdão no 3201001.254, de 19/03/2013. Cientificada a União em 12/06/2013, não houve interposição de Recurso Especial, tendo o processo sido arquivado em 06/08/2013. Também é incontroverso que a RFB em Paranaguá, identificando que foram registradas 34 DI pela filial parnanguara da “BARLEY” (fl. 17), de 18/09/2008 a 16/05/2011, tendo havido autuação pela DRF/Niterói somente em relação 13 DI, e, ainda assim, sem as multas substitutivas de perdimento, e sem a verificação do preço declarado na operação, iniciou procedimento de fiscalização, cientificado à filial em 23/05/2011, para eventualmente preencher o que designou por “lacunas” (fl. 22) daquela autuação. E, conforme narrou o autuante (fl. 37), após a ciência do início da ação fiscal por Paranaguá, a unidade de jurisdição da matriz (DRF/Niterói), “de forma até atípica e inesperada”, deu início a novo procedimento de fiscalização em 26/07/2011, “aparentemente complementar ao anterior por ela conduzido”, estendendo o lançamento a outras operações, aí incluídas outras 13 DI registradas pela filial Paranaguá que não constavam do procedimento anterior, chegando à lavratura de novo auto de infração (cientificado em 01/02/2012), no processo no 10730.722104/201220. A tabela de fl. 38 permite identificar as 13 DI da filial constantes da primeira autuação, as 13 DI constantes da segunda autuação, e outras 8 que sequer foram objeto de autuação. Ainda norteado pela verdade material, verificase no sistema ‘eprocessos’ que a segunda autuação indica operação efetuada na data de 19/04/2010, e que não há detalhamento por DI no relatório fiscal (fls. 9 a 12), encontrandose a listagem de DI (e datas de registro) somente nas planilhas de fls. 234 e 235 (nesta segunda figurando as 13 DI da filial Paranaguá, registradas de 19/04/2010 a 16/05/2011). O julgador de piso julga improcedente também a segunda autuação, deixando claro que estava ainda pior (em termos probatórios) que a primeira, como se percebe do seguinte excerto: Fl. 8975DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 “No processo administrativo fiscal no 10730.003034/201126, anteriormente julgado por esta Turma de Julgamento e formalizado sob a mesma acusação em relação a outras importações da interessada havia ao menos planilhas demonstrativas do fluxo financeiro e documentos que procuravam comprovar as alegações da fiscalização. No presente processo os autos foram instruídos unicamente com cópias de extratos bancários da interessada e de termo de depoimento do sóciodiretor. Tais documentos, por si sós, desamparados de uma análise demonstrativa específica não são suficientes para a comprovação das infrações apontadas. Nesse sentido, cumpre observar que é competência da fiscalização demonstrar e comprovar com suficiência a ocorrência das infrações de que acusa a interessada. Por outro lado, não cabe à autoridade julgadora perscrutar os autos à busca de elementos que não foram especificadamente indicados ou demonstrados pela acusação, sob pena de a inovação cercear o direito à defesa da impugnante. (grifo nosso) E o recurso de ofício interposto é negado unanimemente por esta Turma do CARF em 27/11/2013 (Acórdão no 3403002.630), sob o mesmo fundamento de carência probatória na autuação. Em 10/12/2013 a PGFN toma ciência do acórdão e informa que não haveria interposição de Recurso de Ofício. Assim, também a segunda decisão é definitiva na esfera administrativa. Não se tem dúvidas, assim, de que a unidade da RFB em Paranaguá está, efetivamente, a revisar procedimento de lançamento que sua congênere, a DRF Niterói, efetuou, assim como não resta qualquer dúvida de que o período analisado é o mesmo das autuações anteriores. Ambas as informações são expressamente admitidas na própria autuação. A diferença é que se discute a aplicação de outras penalidades para as mesmas condutas de ocultação e ainda a conduta de declarar preço diferente do praticado nas operações. Por isso, antes de analisar o mérito da autuação a DRJ verificou a possibilidade de a unidade de Paranaguá levar a cabo a tarefa, detectando dois impedimentos: um referente à competência e outro à necessidade de autorização para reexame. A nulidade encontrada pela DRJ em relação à necessidade de autorização específica para reexame não encontra guarida legal, mas de disposição regulamentar contida no art. 42 do Decreto no 7.574/2011: “Subseção V Do Segundo Exame da Escrita Art. 42. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal do Brasil (Lei no 2.354, de 1954, art. 7o, § 2o; Lei no 3.470, de 1958, art. 34).” (grifo nosso) Tal disposição nitidamente tem como base legal dois comandos legais afetos ao imposto de renda: "Art. 7o Os agentes fiscais do imposto de renda procederão ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes e realizarão as diligências e investigações necessárias para apurar a exatidão das declarações, balanços e Fl. 8976DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.971 13 documentos apresentados, e das informações prestadas e verificar o cumprimento das obrigações. § 1o Iniciada a perícia contábil, nos termos deste artigo, os agentes fiscais do imposto de renda ficam obrigados a fazer a necessária comunicação à repartição a que estiverem jurisdicionados dentro do prazo de 10 (dez) dias. § 2o Em relação ao mesmo exercício só é possível um segundo exame da escrita mediante ordem escrita dos delegados seccional ou regional ou do diretor da Divisão do Imposto de Renda.” (grifo nosso) “Art 34. Os inspetores chefes das Inspetorias do Imposto de Renda poderão: I designar os agentes fiscais do Imposto de Renda para procederem ao exame dos livros e documentos de contabilidade dos contribuintes; II aplicar as multas previstas na legislação do imposto de renda; e III determinar o lançamento ‘ex officio’.” Tal comando regulamentar é corretamente repetido no Regulamento do Imposto de Renda (RIR), em seu art. 906. Contudo, é inexistente no Regulamento Aduaneiro, que não está a tratar de “segundo exame da escrita”, ou mesmo de “exercício”, mas de revisão aduaneira, amparado por base legal diversa (o art. 54 do DecretoLei no 37/1966). A utilização inadequada de institutos tributários em matéria aduaneira é fruto da pouca maturidade com que se analisa a temática de comércio exterior no Brasil, com o vetusto viés tributário da década de 1960. Nenhuma das multas lançadas na autuação tem relação direta com tributos. A multa substitutiva do perdimento, por exemplo, é pela ocultação em operação de comércio exterior (e a comprovação de ocultação prescinde da discussão em relação a tributos devidos). Ademais, se a mercadoria ainda estivesse disponível para apreensão, sequer teria sido seguido o rito processual do Decreto no 70.235, referente a crédito tributário, mas sim o do DecretoLei no 1.455/1976, referente a perdimento. E a multa em relação à diferença de preço, como se destaca na própria autuação, não objetiva perscrutar fraude tributária, nem é fundada na escrita fiscal. Veja que a impossibilidade de apreensão de mercadoria, por exemplo, não transforma o crédito em tributário. Aliás, a própria norma que trata da multa substitutiva, em sua redação atual (art. 23, § 3o do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 12.350/2010), esclarece adequadamente que devem apenas ser seguidos o rito e as competências do Decreto no 70.235/1972 (e não que o crédito é de natureza tributária): “§ 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o Fl. 8977DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. O comando é muito parecido com o do art. 7o, § 3o da Lei no 9.019/1995, que trata de direitos antidumping e compensatórios, que não possuem natureza tributária: “§ 5o A exigência de ofício de direitos antidumping ou de direitos compensatórios e decorrentes acréscimos moratórios e penalidades será formalizada em auto de infração lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e o prazo de 5 (cinco) anos contados da data de registro da declaração de importação.” (grifo nosso) As penalidades aduaneiras possuem disciplina própria também, v.g., em relação a denúncia espontânea (art. 102 do DecretoLei no 37/1966), e a decadência (art. 139 do DecretoLei no 37/1966). Assim, entendemos inaplicável ao caso em análise o comando da legislação do imposto de renda, transcrito nos decretos no 3.000/1999 (RIR art. 906) e no 7.574/2011 (art. 42 na parte referente a crédito tributário). Mas o segundo obstáculo à procedência da autuação apontado pela DRJ é, em nosso entendimento, correto. Estabelece o art. 9o do Decreto no 70.235/1972, em seus §§ 2o e 3o: “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 2o Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7o, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3o A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993)” (grifo nosso) Assim, a unidade da RFB em Paranaguá, ao detectar “lacunas” na autuação efetuada pela DRF/Niterói, deveria, ao invés de iniciar procedimento fiscal e se revelar surpresa com pela forma “atípica e inesperada” com que aquela DRF carioca conduziu célere fiscalização complementar (rechaçada de forma ainda mais veemente pela DRJ, diante da precariedade), colaborar com a nova autuação levada a cabo no Rio de Janeiro, fornecendo elementos para que fosse mais consistente, o que poderia até ter eventualmente afastado a improcedência da segunda autuação. Restou nítida na presente autuação a falta de colaboração entre as unidades da RFB, que chegou a beirar a desconfiança de uma em relação a outra, em procedimento que Fl. 8978DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10907.720350/201288 Acórdão n.º 3403003.049 S3C4T3 Fl. 8.972 15 nada contribui para o nome que a instituição passou a utilizar a partir de sua última reforma, em maio de 2007: Receita Federal do Brasil. Sendo a jurisdição da DRF/Niterói, por prevenção, devese reconhecer a existência de causa de nulidade relacionada no art. 59, I do Decreto no 70.235/1972, por incompetência da unidade que lavrou o auto de infração em apreciação nestes autos. Identificada motivação suficiente para negativa do recurso de ofício, desnecessário se faz prosseguir com a análise do mérito. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan Fl. 8979DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10510.900487/2012-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 87 /2 01 2- 78 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 08/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900487/201278 Acórdão n.º 3803006.187 S3TE03 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 19/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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