Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10074.722383/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 19/10/2011, 03/11/2011, 22/11/2011, 02/12/2011, 13/12/2011, 09/01/2012, 01/02/2012, 17/02/2012, 27/02/2012
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.CABIMENTO.
A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida.
DESPROPORCIONALIDADE DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA 2 DO CARF.
A apreciação de desproporcionalidade da multa, implicaria em verificar eventual ocorrência de confisco, o que seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que prevê de forma expressa a sua incidência, o que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 3201-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que ficou de apresentar declaração de voto.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/10/2011, 03/11/2011, 22/11/2011, 02/12/2011, 13/12/2011, 09/01/2012, 01/02/2012, 17/02/2012, 27/02/2012 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.CABIMENTO. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. DESPROPORCIONALIDADE DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA 2 DO CARF. A apreciação de desproporcionalidade da multa, implicaria em verificar eventual ocorrência de confisco, o que seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que prevê de forma expressa a sua incidência, o que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10074.722383/2013-93
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5796651
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3201-003.142
nome_arquivo_s : Decisao_10074722383201393.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
nome_arquivo_pdf_s : 10074722383201393_5796651.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que ficou de apresentar declaração de voto. Winderley Morais Pereira - Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
dt_sessao_tdt : Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6999508
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737316270080
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1780; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10074.722383/201393 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.142 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2017 Matéria MULTA PERDIMENTO Recorrente EXCELENTE MUNDO PARA FESTA E COMÉRCIO DE ARTIGOS PARA PRESENTES LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/10/2011, 03/11/2011, 22/11/2011, 02/12/2011, 13/12/2011, 09/01/2012, 01/02/2012, 17/02/2012, 27/02/2012 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o amparam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivação para se decretar sua nulidade. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.CABIMENTO. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. DESPROPORCIONALIDADE DA MULTA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA 2 DO CARF. A apreciação de desproporcionalidade da multa, implicaria em verificar eventual ocorrência de confisco, o que seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que prevê de forma expressa a sua incidência, o que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 23 83 /2 01 3- 93 Fl. 523DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que ficou de apresentar declaração de voto. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de lançamento no valor de R$ 338.153,04 (trezentos e trinta e oito mil, cento e cinquenta e três reais e quatro centavos), relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias já comercializadas importadas através das Declarações de Importação (DI) analisadas, as quais foram identificadas como praticadas mediante ocultação do real adquirente em operações de comércio exterior. Foi interposta impugnação. Em sede preliminar, foi arguida nulidade dos lançamentos por vício relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Aduziu a defesa que o MPF delimitava o objeto da fiscalização ao exercício 2012 e ao tributo IRPJ. Prosseguiu afirmando que, uma vez tendo sido objeto dos lançamentos as contribuições PIS e COFINS, não haveria outra solução senão a anulação do MPF e, consequentemente, do auto de infração. No mérito, a impugnante aduziu a ausência de provas e que a autoridade fiscal lançou com base em presunção, sem qualquer amparo legal. Ainda, postulou a inexistência de solidariedade com base no art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Segundo a defesa, todas as operações se caracterizam simplesmente como aquisição de mercadorias no mercado interno. Também foi alegado desproporcionalidade das multas aplicadas e caráter confiscatório, tendo a defesa afirmado que: “A MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO SOMENTE PODE SER APLICADA QUANDO A MERCADORIA AINDA NÃO TIVER SIDO DESEMBARAÇADA” (fl. 386). Outro pleito trazido pela impugnante é o da aplicação da retroatividade benéfica da multa aplicada com o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, mormente por seu art. 33, que prevê multa de 10% do valor da operação por cessão de nome para a realização de Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 3 3 operações de comércio exterior. Em suas considerações finais, a ora impugnante pleiteou juntada posterior de outros elementos probatórios, dilação de prazo para impugnação e realização de diligência. É o relatório." A decisão recorrida apresenta e seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 19/10/2011, 03/11/2011, 22/11/2011, 02/12/2011, 13/12/2011, 09/01/2012, 01/02/2012, 17/02/2012, 27/02/2012 IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A ocultação do real adquirente e a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) que a fiscalização partiu de pressuposto equivocado para deduzir de forma sofística que uma empresa relativamente pequena não poderia realizar operações de importação, quando não há requisito de tamanho mínimo para a realização destas operações; (ii) que é nula a autuação, no qual não se operou apenas exigência de tributo não previsto no bojo do MPF, mas a própria atuação fiscal não encontrase legitimada pelo instrumento hábil a tanto; (iii) que os atos eivados de nulidade devem ser revistos de ofício; (iv) que o processo administrativo pautase pelos princípios da informalidade e da verdade material; (v) que não foi dada ciência à recorrente das modificações realizadas no MPF n°0815500/00481/13 (vi) que há ofensa ao disposto no art. 9° da Portaria RFB n° 11.371/2007; Fl. 525DF CARF MF 4 (vii) que o Auto de Infração é nulo, pois é desprovido de dados essenciais, bem como é incerto o seu contexto, o que caracteriza cerceamento do direito de defesa; (viii) que existe nulidade dos Autos de Infração que cobram multas do valor aduaneiro em razão da conversão das penas de perdimento, pois estes foram lavrados contra a empresa OKSN, não diretamente contra a recorrente, constando o seu nome como responsável solidário; (ix) que não é possível a autuação em multa de perdimento e conjuntamente por suposta ocultação do real adquirente em revisão aduaneira; (x) que inexistiu procedimento precedente para a apuração de dano ao erário e de verificação da hipótese de conversão da pena de perdimento em multa; (xi) que as presunções e alegações da autoridade autuante não foram provadas; (xii) que foi violado o princípio da legalidade; (xiii) que há presunção de adiantamento de recursos da recorrente à importadora; (xiv) que obedeceu a legislação tributária e aduaneira, não podendo ser aplicada qualquer penalidade, pois procedeu de acordo com o entendimento externado pelas autoridades administrativas; (xv) que não se justificam as penas de perdimento e a imposição da pena prevista no artigo 33, da Lei 11488/07, devendo ser desconstituídas tais penalidades; (xvi) que é inaplicável a multa substitutiva a pena de perdimento de mercadorias em sede de revisão aduaneira; (xvii) que não é possível aplicar a pena de perdimento convertida em multa em face da recorrente em razão da derrogação ocorrida desde a Lei 11.488/07; (xviii) que o ônus da prova é do fisco e que este, em nenhum momento se desincumbiu de seu ônus; (xix) que não foi caracterizada hipótese de importação por encomenda; (xx) que não há comprovação dos requisitos exigidos pelas DRJs e pelo CARF para manter a autuação; (xxi) que as multas aplicadas são desproporcionais e ofendem decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça; (xxii) que não é possível aplicar a multa à recorrente, pois o descumprimento de instrução do despacho aduaneiro somente deve penalizar o contribuinteimportador; (xxiii) que há necessidade de prova robusta, e não mera suposição, para vencer a presunção de boafé do importador; (xxiv) ausência de correta motivação administrativa a causar a nulidade da precária autuação fiscal, e Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 4 5 (xxv) que há necessidade de se dar ciência à recorrente dos termos defensivos eventualmente apresentados pelo contribuinte OKSN / PRINCIPAL / ASIAMEX. Requer a recorrente ao final, o afastamento " in totum" ao Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Das nulidades arguidas No que tange as nulidades arguidas, entendo que não estão configuradas. O presente processo preenche todos os requisitos de validade, estando instruído corretamente, não havendo que se falar em cerceamento do direito de defesa. As situações passíveis de nulidade estão elencadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." As informações necessárias para a formalização do Auto de Infração constam do art. 10 do Decreto nº 70.235/72. "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." O Auto de Infração contém todas as informações imprescindíveis a constituição do lançamento, estando identificados (i) o fato gerador, (ii) a base legal para exigência fiscal e (iii) o valor apurado da base de cálculo e do tributo devido, bem como o demonstrativo da multa e dos juros. Fl. 527DF CARF MF 6 Ainda, entendo que estão cumpridos os requisitos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, a seguir transcrito: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Também não prospera o argumento de nulidade do Mandado de Procedimento Fiscal, pois preencheu todos os requisitos de validade. A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é uníssona no sentido de que o mandado de procedimento fiscal é mecanismo de controle administrativo e em não havendo nenhuma irregularidade, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte, é hígido referido procedimento, conforme decisões a seguir elencadas: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. NULIDADE. MPF. O MPF é mecanismo de controle administrativo e nenhuma irregularidade houve em relação ao mandado, uma vez que regularmente emitido e cientificado à Contribuinte. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. (...)" (Processo 15540.000551/201013; Acórdão 1402002.522; Relator Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar) "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 5 7 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. CONTENCIOSO. NULIDADE. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa, com a impugnação ao lançamento. (...)" (Processo 10830.722095/201168; Acórdão 2401004.899; Relatora Conselheira MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI; Sessão de 08/06/2017) No caso dos autos não se vislumbra qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas nos citados dispositivos que regem a matéria, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, bem como, não se vislumbra qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Com efeito, o contribuinte tem que apresentar sua defesa dos fatos retratados na autuação, pois ali estão de forma pormenorizadamente descritos, de forma clara e precisa, estando evidenciado no presente caso que não houve nenhum prejuízo à defesa. Corrobora tal fato que a recorrente apresentou extensa peça recursal (78 laudas) o que demonstra que teve pleno conhecimento de todos os fatos e aspectos inerentes ao lançamento com condições de elaborar as peças impugnatória e recursal. A jurisprudência administrativa assim entende: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 08/05/2009 a 31/08/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no CTN ou Decreto 70.235, de 1972. (...)" (Processo 10950.723159/201343; Acórdão 3301003.872; Relator Conselheiro ;LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS; Sessão de 27/06/2017) "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/10/2007 NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA HIGIDEZ DO LANÇAMENTO FISCAL INOCORRÊNCIA Fl. 529DF CARF MF 8 Não se verifica cerceamento do direito de defesa diante da constatação da higidez do lançamento fiscal, cumpridor dos requisitos legais exigidos para a sua validade, que identifica claramente os fatos geradores e sua origem, as contribuições devidas e os períodos a que se referem, reportando a apuração da base de cálculo. Se as cópias dos documentos que fundamentaram o lançamento foram entregues pelo contribuinte, não é imperioso que estas estejam necessariamente acostadas nos autos do processo administrativo, pois o próprio contribuinte as detém e, assim, lhe conferem condições de averiguação da higidez do lançamento fiscal, o que não causa prejuízo ao contraditório e ao seu direito de defesa. (...)" (Processo 10803.000156/200864; Acórdão 2201003.657; Relator Conselheiro MARCELO MILTON DA SILVA RISSO; Sessão de 06/06/2017). Diante do exposto, entendo não estar configurada nenhuma nulidade apta a resultar no refazimento do processo administrativo fiscal ou no seu cancelamento, razão pela qual não acolho as preliminares arguidas. Do mérito Em relação ao mérito recursal, melhor sorte não assiste à recorrente. O presente processo versa sobre a constituição de crédito tributário referente à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias já comercializadas importadas através das Declarações de Importação (DI) analisadas, as quais foram identificadas como praticadas mediante ocultação do real adquirente em operações de comércio exterior. A decisão recorrida assim anota: "De acordo com o Relatório de Fiscalização (fls. 1128), restou patente nos autos que a empresa Excelente, ora impugnante, foi a real adquirente das mercadorias objeto das DI apresentadas no quadro anterior. E não como compradora no mercado interno, mas utilizandose das empresas OKSN, Asiamex e Principal em operações irregulares de comércio exterior mediante interposição fraudulenta, permanecendo oculta ao Fisco. Contra tais empresas inclusive existem processos administrativos específicos tratando de sua responsabilidade em tais operações: 11762.720069/201381 (Principal), 10074.721603/201287 (Asiamex) e 10074.721681/201285 (OKSN). " E prossegue: "Em diligência à sede da OKSN, verificouse que se tratava de uma mera sala comercial e contava com apenas um funcionário (secretária), o que inviabiliza sua atuação no comércio exterior por conta própria, uma vez ausentes infraestrutura humana e física para tal. Extraio do Relatório de Fiscalização (fl. 18): Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 6 9 Tendo em conta tais circunstâncias e demais analisadas no curso do processo nº 10074.721681/201285, foi lavrada autuação com base no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por cessão de seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. " Novamente a sistemática operacional caracterizadora da infração é destacada na decisão recorrida: "PRINCIPAL / ASIAMEX As demais operações de importação tinham como importador a empresa Principal, por conta e ordem de Asiamex, suposta real adquirente. Entretanto, a movimentação da mercadorias recém desembaraçadas evidenciava situação que não se coadunava como importações a elas destinadas, ou seja, a totalidade das mercadorias era integralmente revendida imediatamente após o desembaraço a uma única empresa (em cada caso) e geralmente através de uma única nota fiscal. Apresento no quadro abaixo as notas fiscais7 (fls. 75247) que acobertaram a saída (venda para a ora impugnante) das mercadorias importadas, evidenciando que toda a operação fora previamente contratada e caracterizando a utilização de fraude mediante interposição: Fl. 531DF CARF MF 10 Extraio do Relatório de Fiscalização acerca da Asiamex (fls. 1819): Tendo em conta tais circunstâncias e demais analisadas no curso do processo nº 10074.721603/201281, foi lavrada autuação em desfavor da Asiamex, com base no art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários." Entendo que o conjunto probatório apresentado pela fiscalização é satisfatório para a caracterização da infração. Durante todo o transcurso processual, a recorrente não logrou êxito em provar suas afirmações, não colacionando aos autos nenhuma prova documental hábil a desconstituir as razões consignadas no lançamento. Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 7 11 Vejase, ainda, que há o reconhecimento da infração na própria peça impugnatória (fl. 371): “A importação era realizada na modalidade de importação direta, somente pelo fato de a adquirente não estar devidamente habilitada no Radar e demais sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal." Assim, podese afirmar, inclusive, que há a ocorrência de fato incontroverso com a confissão e reconhecimento da infração, o que implica na aplicação subsidiária dos arts. 374 e 389 do Código de Processo Civil, a seguir transcritos: "Art. 374. Não dependem de prova os fatos: I notórios; II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos no processo como incontroversos;" "Art. 389. Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário." Como consignado durante o transcurso processual, a recorrente foi a real adquirente das mercadorias objeto das DI que instruem o presente processo e não como compradora no mercado interno, mas utilizandose das empresas OKSN, Asiamex e Principal. Merece ser destacado que no processo administrativo 10074.721681/201285 envolvendo a empresa OKSN BRASIL COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO EIRELI, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, recentemente, por unanimidade de votos, decidiu pela procedência da autuação com o não provimento do recurso interposto (Acórdão 3401003.312). Tal decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 03/07/2008 a 25/04/2012 INFRAÇÕES ADUANEIRAS. PENALIDADES. OCULTAÇÃO/ACOBERTAMENTO. Quando se comprova ocultação/acobertamento em uma operação de importação, aplicase a pena de perdimento à mercadoria (ou a multa que a substitui), com fundamento no art. 23, V do DecretoLei no 1.455/1976 (e em seu § 3o). A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (e o acobertante, de forma conjunta ou isolada, conforme estabelece o art. 95 do DecretoLei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”, quando identificado o acobertado. Fl. 533DF CARF MF 12 IMPORTAÇÃO. MULTA POR ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTE. MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. A penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007, por acobertamento de reais intervenientes ou beneficiários em operações de importação, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias relativas à operação." Do voto do relator, Conselheiro Rosaldo Trevisan destaco os seguintes excertos: "No caso em análise, o fisco, após verificar o fluxo financeiro da empresa, e mapeálo, percebeu aportes diversos não identificados que tornaram claro que a empresa não detinha, por si, recursos para financiar as importações declaradas como próprias. Tratavamse, assim, de operações de terceiros. Isso resta provado pela simples impossibilidade de a empresa revelar objetivamente a origem e a disponibilidade dos valores empregados na operação (associada à presunção estabelecida no do art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976). Mas a fiscalização seguiu adiante em seus trabalhos, buscando evidenciar de que forma as operações de venda se relacionavam às declarações de importação da OKSN, percebendo, com cruzamento de informações, que a cada importação correspondia uma venda integral a diferentes compradores, conforme planilhas de fls. 2174 a 2629. E colacionou ainda exemplos, retirados das planilhas, às fls. 9600 a 9602. Tomemos um deles (fl. 9600), no qual a OKSN importou (DI no 12/00976993) exatamente 200 pastas de notebook, 5000 minilanternas, e 52.100 fones de ouvido, de 7 modelos diferentes, sendo tais itens integralmente vendidos na data do desembaraço da mercadoria à "CH Comércio de Presentes LTDAEPP", conforme nota fiscal no 794. Ou outro, relacionado à fl. 9601: Prossegue o relator: "E quem presta informações que atentam contra a própria lógica ou razoabilidade tem o dever de trazer consistentes argumentos, calcados em documentos, não na simples alegação de "eficiência", ou de visão de "homem de negócios". Nessa seara, até se aceitaria, por irrazoável que fosse, a argumentação da recorrente, se acompanhada de um mínimo de amparo documental. Mas nenhum esforço faz a recorrente nesse sentido. Da mesma forma, nenhum esforço faz a defesa para Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 8 13 contrapor objetivamente a conclusão fiscal, demonstrando, em contraposição ao fluxo financeiro delineado pela fiscalização, exatamente quem efetuou cada depósito em sua contacorrente, financiando as operações de importação. Com os elementos acostados nos autos, que vinculam objetiva e detalhadamente cada uma das 341 importações efetuadas pela recorrente a notas fiscais de venda integral de múltiplas mercadorias, quase que forma imediata, no mercado interno, aliado à depósitos na contacorrente indicados como "recebimento de clientes", mas não identificados (tudo isso incontroverso), entendemos reunidas as condições para que se vislumbre nos autos um caso clássico de interposição fraudulenta comprovada, estando a OKSN, em verdade, a acobertar os reais adquirentes das mercadorias importadas. E tal conduta é tipificada no artigo 23, V do DecretoLei no 1.455/1976, em contraposição à interposição fraudulenta presumida (fruto da presunção estabelecida no artigo 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976, e que seria aplicável ao presente caso se tivesse a fiscalização se contentado com a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência, tendo em vista a não identificação dos depósitos em conta corrente indicados como "recebimento de fornecedores", e parado por aí seus trabalhos). A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser, assim, comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Diante de tal quadro, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição fraudulenta e aplica se o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada, por sua vez, é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado, como nos autos (nos quais resta evidente que o acobertante é a OKSN e os acobertados são as empresas relacionadas nas planilhas de fls. 2174 a 2629). Nesse caso, a penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. Essa distinção fica bem explicada a partir da simples leitura do parágrafo único do art. 33 da Lei no 11.488/2007." Consignese, ainda, que com relação a empresa ASIAMEX, o recurso voluntário interposto no processo 10074.721603/201281 foi recentemente julgado e não conhecido dada a sua intempestividade. Em tal processo, pelo fato de a empresa estar inapta perante a Receita Federal, foi intimada por edital, tendo interposta a peça recursal intempestivamente, conforme ementa a seguir: Fl. 535DF CARF MF 14 "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/01/2011 a 14/10/2011 INSCRIÇÃO NO CNPJ INAPTA. EDITAL DE INTIMAÇÃO. REGULARIDADE. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. Cabível a intimação por edital quando o sujeito passivo tiver sua inscrição perante o cadastro fiscal declarada inapta conforme expressamente disposto no art. 23, §1º do Decreto nº 70.235/72. Nessa situação não se exige a prévia tentativa de intimação infrutífera em alguma das outras modalidades de intimação. O prazo legal para interposição do recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Não se conhece de recurso intempestivo. Recurso Voluntário não conhecido." (Acórdão 3402003.871 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) A jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é pacífica em relação a matéria de que em sendo caracterizada a ocultação do real adquirente a multa substitutiva a de perdimento tem plena aplicação, conforme precedentes a seguir transcritos: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/08/2012 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.CABIMENTO. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, consistem em infrações puníveis com a pena de perdimento, devendo ser substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido" (Processo 10983.721149/201477; Acórdão 3302004.440; Relator Conselheiro WALKER ARAÚJO; Sessão de 29/06/2017) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/09/2010, 13/12/2010, 21/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 17/02/2011, 25/02/2011 Ementa: DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. Considerase dano ao Erário a ocultação do real responsável Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 9 15 pela operação de importação, infração punível com a pena de perdimento, que é substituída por multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido." (Processo 10111.721278/201424; Acórdão 3302004.290; Relator Conselheiro PAULO GUILHERME DEROULEDE; Sessão de 24/05/2017) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 11/04/2012 a 24/01/2014 OCULTAÇÃO DO REAL INTERESSADO NAS OPERAÇÕES DE MERCADO EXTERNO. Configura infração e presume interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem dos recursos empregados, autoriza aplicação da pena de perdimento de mercadorias, não localizadas, impõe conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro ou preço de venda. Ementa: SOLIDARIEDADE. PROVA. Demonstrado o interesse direto nas operações por meio de fornecimento de recursos financeiros resta caracterizado interposição fraudulenta, impondo a solidariedade. SOLIDARIEDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Constatado existência de prova robusta em relação a uma das empresas apontadas na sujeição passiva, impõe em manter solidariedade atribuída. Recurso Voluntário Negado." (Processo 11128.720679/201521; Acórdão 3302004.147; Relator Conselheiro DOMINGOS DE SÁ FILHO; Sessão de 27/04/2017) Com relação ao argumento de desproporcionalidade das multas, sua apreciação, implicaria em verificar eventual ocorrência de confisco, o que seria equivalente a reconhecer a inconstitucionalidade da norma legal que prevê de forma expressa a incidência da multa, o que é vedado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Neste sentido, assim dispõe a Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, em relação a tal argumento maiores digressões se tornam desnecessárias. Fl. 537DF CARF MF 16 No que tange ao argumento de retroatividade benéfica da multa aplicada, adoto como razões de decidir, o contido na decisão recorrida, conforme a seguir: "Uma das teses defensivas é o da aplicação da retroatividade benéfica da multa aplicada com o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, mormente por seu art. 33, que prevê multa de 10% do valor da operação por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior. Ora, em primeiro lugar tratase de situações diferentes, ou seja, OKSN, Principal e Asiamex em processo autônomo foram penalizadas com base no art. 33 retro aludido. Entretanto, o atual lançamento referese à ocultação do real adquirente e não à cessão do nome. Ademais, não haveria de se cogitar em retroatividade benéfica, haja vista o dispositivo legal datar do ano de 2007, enquanto os fatos ora analisados ocorreram entre 2008 e 2012. Pareceme ter sido esse mais um dos argumentos apresentados resultantes da prática “copiar – colar”, descontextualizado no presente processo, não só pelos fatos em si, mas principalmente pelo elemento temporal." Adicionalmente, destaco a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre o tema: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 23/08/2006 a 20/03/2007 CUMULATIVIDADE DA MULTA DO ART. 33 DA LEI Nº 11.488/07 E DO PERDIMENTO DA MERCADORIA. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI Nº 11.488/2007. IMPOSSIBILIDADE A multa do art. 33 da Lei nº 11.488/07 veio para substituir a pena de inaptidão do CNPJ da pessoa jurídica, quando houver cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, e não prejudica a incidência da hipótese de dano ao erário, por ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, prevista no art. 23, V, do DL nº 1.455/76, apenada com perdimento da mercadoria. Desta maneira, descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas." (Processo 10142.000539/200782; Acórdão 9303004.714; Relatora Conselheira ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN, sessão de 21/03/2017) Diante do exposto, voto pelo desprovimento do recurso interposto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 10 17 Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta declaração de voto Com respeito ao voto do nobre colega Relator, serve esta declaração de voto para registrar a divergência de entendimento com relação aos fatos e à matéria de fundo desta lide administrativa fiscal. De início, diferentemente da cessão de nome (tipo legal previsto no Art. 33 da Lei 11.488/07), verificase que tratase de um lançamento de ofício para a aplicação da pena de perdimento convertida em multa proporcional ao valor aduaneiro, por suposta ocorrência do crime tributário previsto no inciso V, do Art. 23 do Decreto Lei 1.455/76, transcrito a seguir: "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)." Acima os negritos destacam alguns elementos do tipo deste crime fiscal de dano ao erário nas importações, como a ocultação do comprador mediante fraude ou simulação. Esta é a clássica tipologia do crime tributário de interposição fraudulenta que deve ser comprovada e jamais presumida. A interposição fraudulenta presumida tem previsão legal expressa em outro parágrafo, o §2.º, do mesmo diploma legal. Assim, não há como considerar que houve a interposição fraudulenta nas importações deste processo por presunção, uma vez que o lançamento não utilizou deste fundamento legal assim como não descreveu e, portanto, não lançou esta hipótese normativa. Pois bem, para que a interposição fraudulenta comprovada possa permitir a constituição da obrigação tributária acessória (pena de perdimento), conforme enunciado taxativo do Art. 113 do Código Tributário Nacional, é necessário que ocorra a subsunção dos fatos à todos os elementos do tipo legal, negritados acima. De forma concreta nestes autos, a fiscalização se limitou a afirmar, conforme Relatório Fiscal, que a empresa Excelente Mundo seria a encomendante e as empresas Asiamex e OKSN as interpostas. Fl. 539DF CARF MF 18 Fato que confronta diretamente o lançamento conexo, consubstanciado no processo de n.º 11762.720071/201350, oportunidade em que a fiscalização acusou a empresa YANG GUOXIANG ME de ser a encomendante, e as mesmas empresas Asiamex e OKSN as interpostas. Ora, no julgamento deste mencionado processo, eu formalizei a seguinte Declaração de Voto: "Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta declaração de voto Com respeito e admiração ao voto do nobre colega Relator, serve esta declaração de voto para registrar divergência de entendimento com relação aos fatos e à matéria de fundo desta lide administrativa fiscal. Ao analisar os autos é possível constatar que o lançamento utilizou a seguinte fundamentação legal, conforme exposto no Auto de Infração de fls. 513 e seguintes: Mais adiante, em fls. 526 encontrase o Relatório Fiscal, com a seguinte introdução à descrição da suposta ocorrência de interposição fraudulenta: De início, diferentemente da cessão de nome (tipo legal previsto no Art. 33 da Lei 11.488/07), verificase que tratase de um lançamento de ofício para a aplicação da pena de perdimento convertida em multa proporcional ao valor aduaneiro, por suposta ocorrência do crime tributário previsto no §3.º, do inciso V, do Art. 23 do Decreto Lei 1.455/76, transcrito a seguir: "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)." Acima os negritos destacam alguns elementos do tipo deste crime fiscal de dano ao erário nas importações, como a ocultação do comprador mediante fraude ou simulação. Esta é a clássica tipologia do crime tributário de interposição fraudulenta que deve ser comprovada e jamais presumida. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 11 19 A interposição fraudulenta presumida tem previsão legal expressa em outro parágrafo, o §2.º, do mesmo diploma legal. Assim, não há como considerar que houve a interposição fraudulenta nas importações deste processo por presunção, uma vez que o lançamento não utilizou deste fundamento legal assim como não descreveu e, portanto, não lançou esta hipótese normativa. Pois bem, para que a interposição fraudulenta comprovada possa permitir a constituição da obrigação tributária acessória (pena de perdimento), conforme enunciado taxativo do Art. 113 do Código Tributário Nacional, é necessário que ocorra a subsunção dos fatos à todos os elementos do tipo legal, negritados acima. De forma concreta nestes autos, a fiscalização se limitou a afirmar, conforme Relatório Fiscal de fls. 526, que a empresa Guoxiang seria a encomendante e as empresas Asiamex e OKSN as interpostas. Como suposta prova material, a fiscalização apontou somente a proximidade das vendas das mercadorias importadas com o desembaraço das DIs, por meio da análise das Notas Fiscais e das DIs. Informou sem comprovar que as empresas Asiamex e OKSN não possuíam capacidade financeira para importar e concluiu que as importações não foram importações diretas, mas importações encomendadas pela Guoxiang. Ora, meros débitos e créditos ou utilização incorreta da modalidade de importação não são fatos que compõem a integralidade dos fatos que são exigidos para que o crime tributário de interposição fraudulenta seja comprovado. Na seqüência dos autos, verificase que a própria Delegacia Regional de Julgamento confundiu o lançamento e inseriu a presunção na Ementa, assim como na razão de decidir, conforme fls. 636, reproduzida a seguir: "IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A ocultação do real adquirente e a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, são consideradas dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas." Fl. 541DF CARF MF 20 Como salientou o contribuinte em sua peça de defesa de fls. 654, as presunções não podem ser aplicadas neste caso, visto que o ônus da prova é da fiscalização conforme Art. 142 do Código Tributário Nacional, assim como mero indício não configura o grave crime tributário de interposição fraudulenta na importação. O rápido giro no estoque é uma característica desejada e comum em qualquer mercado, o que causa verossimilhança à proximidade das notas. Além disto, nada comprovou que a Asiamex e a OKSN são meras prestadoras de serviços e interpostas de uma operação fraudulenta internacional, assim como nada nos autos desmerece os recursos financeiros utilizados por estas empresas nas importações. O lançamento não faz qualquer menção à repasses de dinheiro ou pagamento triangular de contratos de câmbio, negociações com o exportador, definição dos produtos a serem importados pela Guoxiang ou qualquer prova ou indício de que a operação foi fraudulenta. Na verdade, os documentos e informações constantes nos autos não diferem de uma importação direta, realizada pelas empresas Asiamex e OKSN, razão que por si justificaria a aplicação do Art. 112 do Código Tributário Nacional. Mas este não é sequer o caso dos autos, visto que não existe uma junção de indícios, assim como não existem provas da fraude e, portanto, os fatos não subsumem ao tipo elencado no lançamento. É importante destacar que esta Turma de julgamento, em casos mais relevantes e com mais fatos e indícios (Acórdãos de n.º 3201002.580, 3201002.581, 3201002.578, 3201002.579), deu provimento aos Recursos Voluntários dos contribuintes e registrou o entendimento de que a interposição fraudulenta não presumida (aquela do §3, V, Art. 23 do Decreto Lei 1.455/76, precisa ser comprovada. Ainda que óbvia a afirmação acima, é um desafio constante na atuação da atividade de julgamento administrativo fiscal valorar e distinguir os fatos dos tipos legais. A burocracia, a alta carga tributária, as exigências e requisitos, as responsabilidades e as conseqüências tributárias e criminais atribuídas solidariamente a todos os envolvidos nas operações legais de importação por conta e ordem de terceiro, conforme DL 37/96, IN SRF 225/02 e 247/02 e 634/06 e 650/06, levaram muitas empresas a ocultar o sujeito passivo real adquirente das mercadorias. A fraude no setor é uma realidade, principalmente porque a legislação ou não corresponde aos formatos comerciais de negócios internacionais ou propositadamente, foram criadas para determinar limitações de cunho protetivo à indústria nacional. Esquemas fraudulentos de cessão de nome e interposição de terceiros atingiram diversos países e se tornaram operações Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 12 21 nocivas ao erário público uma vez que menos tributos são recolhidos, além de interferir e criar competitividade desleal com os produtos internos (nacionais). Por muitos motivos se justifica a atuação das fiscalizações em casos aduaneiros, mas é importante lembrar que a livre iniciativa é direito consagrado e pilar de um Estado Democrático de Direito, sob o regime Capitalista e, em observação a esta regra, assim como em preservação da segurança jurídica do contribuinte, toda situação apresentada como fraude ou crime tributário deve ser analisada de forma concreta e individualizada. CONCLUSÃO. Em face do exposto, com fundamento no Art. 113 e 142 do Código Tributário Nacional, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, restando improcedente o lançamento. Declaração de Voto proferida." Da mesma forma como no processo conexo mencionado, como suposta prova material, a fiscalização apontou somente a proximidade das vendas das mercadorias importadas com o desembaraço das DIs, por meio da análise das Notas Fiscais e das DIs. O rápido giro no estoque é uma característica desejada e comum em qualquer mercado, o que causa verossimilhança à proximidade das notas. Informou sem comprovar que as empresas Asiamex e OKSN não possuíam capacidade financeira para importar e concluiu que as importações não foram importações diretas, mas importações encomendadas pela Excelente Mundo. Continuo firme na posição de que meros débitos e créditos ou utilização incorreta da modalidade de importação não são fatos que compõem a integralidade dos fatos que são exigidos para que o crime tributário de interposição fraudulenta seja comprovado. A própria fiscalização, no outro processo conexo acusa a empresa Guoxiang de ser a encomendante da Asiamex e OKSN e, neste processo acusa a empresa Excelente Mundo. Esta incongruência, que leva a questionar por qual razão a fiscalização não cingiu estes fatos em uma só acusação, demonstra a fragilidade do lançamento e a reforça a possibilidade da Asiamex e OKSN, simplesmente terem comercializados, de forma lícita, seus produtos para diferentes clientes, como a Excelente Mundo ou a Guoxiang. Em fls. 13 do Relatório Fiscal verificase que a própria fiscalização utiliza expressões contraditórias com a acusação e expressões de incerteza, com relação ao cometimento do crime tributário de Interposição Fraudulenta, ao afirmar que "não seria razoável crer que as operações foram lícitas" ou "que a empresa não financiou nenhuma operação". Fl. 543DF CARF MF 22 Assim, com o objetivo de proporcionar a melhor solução para a presente lide administrativa fiscal, é temerário afirmar que as operações dos contribuintes em questão foram operações fraudulentas, nos moldes do lançamento. Além disto, nada comprovou que a Asiamex e a OKSN são meras prestadoras de serviços e interpostas de uma operação fraudulenta internacional, assim como nada nos autos desmerece os recursos financeiros utilizados por estas empresas nas importações. O lançamento afirma não terem ocorridos os financiamentos das operações e não faz qualquer menção ou comprovação à repasses de dinheiro ou pagamento triangular de contratos de câmbio, negociações com o exportador, definição dos produtos a serem importados pela Excelente Mundo ou qualquer prova ou indício de que a operação foi fraudulenta. Na verdade, os documentos e informações constantes nos autos não diferem de uma importação direta, realizada pelas empresas Asiamex e OKSN, razão que por si justificaria a aplicação do Art. 112 do Código Tributário Nacional. Mas este não é sequer o caso dos autos, visto que não existe uma junção de indícios, assim como não existem provas da fraude e, portanto, os fatos não subsumem ao tipo elencado no lançamento. É importante destacar que esta Turma de julgamento, em casos mais relevantes e com mais fatos e indícios (Acórdãos de n.º 3201002.580, 3201002.581, 3201002.578, 3201002.579), deu provimento aos Recursos Voluntários dos contribuintes e registrou o entendimento de que a interposição fraudulenta não presumida (aquela do §3, V, Art. 23 do Decreto Lei 1.455/76), precisa ser comprovada. Ainda que óbvia a afirmação acima, é um desafio constante na atuação da atividade de julgamento administrativo fiscal valorar e distinguir os fatos dos tipos legais. A burocracia, a alta carga tributária, as exigências e requisitos, as responsabilidades e as conseqüências tributárias e criminais atribuídas solidariamente a todos os envolvidos nas operações legais de importação por conta e ordem de terceiro, conforme DL 37/96, IN SRF 225/02 e 247/02 e 634/06 e 650/06, levaram muitas empresas a ocultar o sujeito passivo real adquirente das mercadorias. A fraude no setor é uma realidade, principalmente porque a legislação ou não corresponde aos formatos comerciais de negócios internacionais ou propositadamente, foram criadas para determinar limitações de cunho protetivo à indústria nacional. Esquemas fraudulentos de cessão de nome e interposição de terceiros atingiram diversos países e se tornaram operações nocivas ao erário público uma vez que menos tributos são recolhidos, além de interferir e criar competitividade desleal com os produtos internos (nacionais). Por muitos motivos se justifica a atuação das fiscalizações em casos aduaneiros, mas é importante lembrar que a livre iniciativa é direito consagrado e pilar de um Estado Democrático de Direito, sob o regime Capitalista e, em observação a esta regra, assim como em preservação da segurança jurídica do contribuinte, toda situação apresentada como fraude ou crime tributário deve ser analisada de forma concreta e individualizada. Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10074.722383/201393 Acórdão n.º 3201003.142 S3C2T1 Fl. 13 23 CONCLUSÃO. Em face do exposto, com fundamento no Art. 113 e 142 do Código Tributário Nacional, votase para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, restando improcedente o lançamento. Declaração de Voto proferida. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 545DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100352/2006-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL.
Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo.
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento.
REP Negado e REC Negado
Numero da decisão: 9303-005.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201707
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 NÃO-CUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da não-incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. REP Negado e REC Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11065.100352/2006-20
anomes_publicacao_s : 201801
conteudo_id_s : 5824829
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9303-005.303
nome_arquivo_s : Decisao_11065100352200620.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11065100352200620_5824829.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
id : 7098087
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737323610112
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-12-21T18:58:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-12-21T18:58:20Z; Last-Modified: 2017-12-21T18:58:20Z; dcterms:modified: 2017-12-21T18:58:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2017-12-21T18:58:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.0e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-12-21T18:58:20Z; meta:save-date: 2017-12-21T18:58:20Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-12-21T18:58:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-12-21T18:58:20Z; created: 2017-12-21T18:58:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-12-21T18:58:20Z; pdf:charsPerPage: 1966; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-12-21T18:58:20Z | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 319 1 318 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.100352/200620 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303005.303 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria PIS/COFINS. INCIDÊNCIA DA SELIC NO RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS Recorrentes CALÇADOS MALU LTDA. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. REP Negado e REC Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 03 52 /2 00 6- 20 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11065.100352/200620 Acórdão n.º 9303005.303 CSRFT3 Fl. 320 2 Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência interpostos pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte contra o Acórdão 20403.443, cuja ementa transcrevo abaixo: PREJUDICIAL DE MÉRITO SUSCITADA DE OFÍCIO PELO CONSELHEIRO RELATOR. Não se tratando de matéria de ordem pública, nem havendo expressa autorização legal para que seja conhecida de oficio, a prejudicial de mérito, não argüida pela contribuinte, não deve ser conhecida por este Colegiado. Prejudicial rejeitada. PIS. NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DO ICMS A TERCEIROS. FATURAMENTO. BASE DE CALCULO. Não incide PIS e Cofins na cessão de créditos de ICMS, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Em face de expressa vedação legal, não é permitida a atualização dos créditos de PIS e Cofins apurados sob o regime não cumulativo. (arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003) Recurso voluntário provido em parte. A Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão no que tange à cessão onerosa de créditos do ICMS ao argumento de que se trata de operação que se equipara à verdadeira alienação de direitos a título oneroso, originando receita tributável, devendo compor a base de cálculo de PIS/Cofins, conforme dispõe o art. 1°, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.637/2002, bem como o art. 1° da Lei nº 10.833/2003. Já a divergência suscitada pelo contribuinte diz respeito ao direito à atualização monetária dos créditos das contribuições sociais apuradas sob a sistemática não cumulativa. Requer conhecimento e provimento ao apelo para o fim de se reconhecer o direito de atualização pela variação da taxa Selic de seus ressarcimentos de créditos de PIS e Cofins, Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11065.100352/200620 Acórdão n.º 9303005.303 CSRFT3 Fl. 321 3 desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento até aquela em que o respectivo numerário foi ou será disponibilizado. Os apelos fazendário e do contribuinte foram admitidos, respectivamente, por meio dos despachos do Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de fls. 253 e 309/310. Contrarrazões às fls. 261/273 e 312/316. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Os requisitos para se admitir os Recursos Especiais foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. A matéria tratada no recurso interposto pela PGFN referese ao fato de se as receitas decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, em razão de exportação para o exterior, devem, ou não, ser excluídas da base de cálculo das Contribuição para o PIS e da Cofins. O tema não é mais passível de discussão no CARF haja vista que o Supremo Tribunal Federal já decidiu a questão posta, com a devida declaração de repercussão geral, nos termos do artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, antigo Código de Processo Civil. O Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que considerou inconstitucional a inclusão, na base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas, dos valores dos créditos do ICMS provenientes de exportação que fossem cedidos onerosamente a terceiros. Em julgamento realizado pelo pleno do STF, em 22/05/2013, sob a relatoria da Ministra Rosa Weber, foi julgado o mérito, na seguinte decisão: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. (...) VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11065.100352/200620 Acórdão n.º 9303005.303 CSRFT3 Fl. 322 4 de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. (...) Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. O acórdão foi publicado em 25/11/2013 e o trânsito em julgado deuse em 05/12/2013. Por força da disposição, a seguir transcrita, do § 2º do art. 62 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, a mencionada decisão do STF deve ser reproduzida por este relator: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Registrese ainda, a título de observação, que, na forma da Lei nº 10.522/2002, art. 19, § 5º, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 12.844/2013, também estão vinculadas a este entendimento as Delegacias de Julgamento e as Unidades de Origem da RFB, com a manifestação da PGFN na Nota transcrita parcialmente a seguir, no que interessa a esta discussão: Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11065.100352/200620 Acórdão n.º 9303005.303 CSRFT3 Fl. 323 5 NOTA /PGFN/CRJ/Nº 1.486/2013 (...) 2. Em razão de os referidos julgados terem repercussão na esfera administrativa e requerer atuação efetiva da RFB, e em observância do que foi definido na Nota PGFN/CRJ nº 1114/2012, que cumpre o disposto no Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011, estas CRJ examina, infra, os itens referidos no parágrafo anterior, realizando a delimitação do tema ali tratado, nos seguintes termos: (...) 98 – RE 606.107/RS (...) Resumo: não incide PIS e COFINS sobre a cessão a terceiros do crédito presumido do ICMS decorrente de exportação. Data da inclusão:13/12/2013 DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: as verbas referentes à cessão a terceiro de crédito presumido do ICMS decorrente de exportação não constituem base para incidência do PIS e da COFINS. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda. Em relação ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte a divergência jurisprudencial é de rápido deslinde. É que há expressa disposição legal sobre a matéria no art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º, inciso II do § 4ºe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. O art. 15, inc. VI, da lei acima citada estendeu a vedação de atualização monetária aos valores ressarcidos a título de PIS. Assim, em estrita observância ao princípio da legalidade, regente da atividade administrativa, é de se ratificar a decisão recorrida, que manteve o indeferimento ao pedido de atualização monetária do ressarcimento, e negar provimento ao recurso especial do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.901527/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.286
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao ano-calendário de 2004.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10530.901527/2009-65
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5799630
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-000.286
nome_arquivo_s : Decisao_10530901527200965.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 10530901527200965_5799630.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao ano-calendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
id : 7015659
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737336193024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1682; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.901527/200965 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.286 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de setembro de 2017 Assunto PER/DCOMP Recorrente COMPERAÇO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FERRO E ACO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa. Relatório Trata o processo da Declaração de Compensação PER/DComp, em que o COMPERAÇO COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE FERRO E ACO LTDA., CNPJ 00.363.548/000104 requer crédito de pagamento indevido ou a maior da estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório não reconheceu o crédito e não homologou as compensações declaradas; o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade que a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador DRJ/SDR considerou improcedente. Cientificado, o contribuinte apresentou, recurso voluntário, tempestivo, reclamando da impossibilidade/desarrazoabilidade/desproporcionalidade de se evitar a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 01 52 7/ 20 09 -6 5 Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10530.901527/200965 Resolução nº 1201000.286 S1C2T1 Fl. 3 2 compensação dos prejuízos por mero erro de preenchimento da declaração nas Fichas 12A e 17 da DIPJ apresentada, a qual deveria ser retificada; contudo, dado o lapso de tempo decorrido, tal retificação se fez inviável, pela Recorrente. Contudo, o crédito existe, o que comprova mediante a juntada do Balanço Patrimonial em que apurou o prejuízo de R$()675.524,73; pleiteia que a verdade material seja reconhecida, consoante precedentes do CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.273, de 20.09.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10530.901191/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.273): O contribuinte apresentou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do anocalendário 2004, no regime de apuração anual com estimativas mensais com base na receita bruta e acréscimos; na Ficha 09A Demonstração do Lucro Real, apurou lucro real R$() 675.524,73, isto é, prejuízo fiscal; na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa apurou Imposto de Renda a Pagar nos meses de 01 a 12/2004, que pagou nos prazos, via DARF; e na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, todos os campos estão zerados, não estando demonstrada a existência de eventual Saldo Negativo de IRPJ; já no caso das estimativas mensais de CSLL, demonstrou na Ficha 16 Calculo da CSLL Mensal por Estimativa, os valores de CSLL a pagar nos meses de 01 a 12/2004, os quais recolheu nos prazos via DARF; mas na da Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, o contribuinte informou na linha 36. Base de Cálculo da CSLL, o valor de R$() 675.524,73, porém os demais campos como a linha 43. () CSLL Mensal Paga por Estimativa, restaram zerados, e deixou de demonstrar eventual o Saldo Negativo de Base de Cálculo da CSLL, passível de reconhecimento como direito creditório. Requereu crédito de pagamento indevido da estimativa de IRPJ de 08/2017, no mesmo valor recolhido via DARF, no PER/Dcomp objeto deste processo. O Despacho Decisório indeferiu o pleito porque o valor recolhido correspondia ao débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, portanto tal pagamento foi alocado ao correspondente débito confessado, não restando saldo para compensar outros débitos. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10530.901527/200965 Resolução nº 1201000.286 S1C2T1 Fl. 4 3 Por sua vez, a DRJ, em relação às estimativas mensais de IRPJ, esclareceu que, como o contribuinte apurou prejuízo fiscal no ajuste anual do anocalendário de 2004 e os pagamentos efetuados por estimativa referentes ao IRPJ/CSLL deveriam compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL, respectivamente do anocalendário de 2004, que deveria ter sido apurado na forma do art. 2º, §4º, I a IV, da Lei n° 9.430, de 1996, e passível de ser restituído ou compensado com débitos do contribuinte, a partir do mês de janeiro de 2005, conforme disposto no art. 5º combinado com o art. 26, da Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, vigente à época da transmissão do PER/Dcomp; em outras palavras, a estimativa mensal paga somente poderá compor eventual crédito de saldo negativo, na apuração anual, sendo a sua data base 31/12/2004, no caso; por isso, a apuração anual do IRPJ/CSLL deveria ter sido demonstrada, para comprovar eventual crédito de Saldo Negativo de IRPJ/CSLL. No presente caso, verificase que constam os seguintes valores, informados/confessados/pagos pelo contribuinte: IRPJ DIPJ original Ficha 11 DCTF original cód 5993 Darf pago CSLL DIPJ original Ficha 16 DCTF original cód 2484 Darf pago jan/04 11.405,68 11.405,68 11.405,66 jan/04 7.239,06 7.239,06 7.239,06 fev/04 15.272,70 15.272,70 15.272,70 fev/04 9.327,26 9.327,26 mar/04 23.478,90 23.478,90 23.478,88 mar/04 13.758,60 13.758,60 13.758,60 abr/04 18.582,76 18.582,75 18.585,75 abr/04 11.114,69 11.114,69 11.114,69 mai/04 26.483,23 26.483,23 26.483,23 mai/04 15.380,95 15.380,95 15.380,95 jun/04 31.322,78 31.322,78 31.322,78 jun/04 17.994,30 17.994,30 17.994,30 jul/04 20.592,38 20.592,38 20.592,38 jul/04 12.199,89 12.199,89 12.199,89 ago/04 23.701,60 23.701,60 23.701,60 ago/04 13.878,86 13.878,86 13.878,86 set/04 20.732,09 20.732,08 20.732,08 set/04 12.275,33 12.275,33 12.275,33 out/04 20.230,82 20.230,82 20.230,82 out/04 12.004,64 12.004,64 12.004,64 nov/04 24.363,07 24.363,06 24.363,07 nov/04 14.236,08 14.236,08 14.236,06 dez/04 26.126,33 26.126,33 26.126,33 dez/04 15.188,22 15.188,22 15.188,22 Total 262.292,34 262.292,31 262.295,28 Total 154.597,88 145.270,62 154.597,86 E na apuração anual: Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 0,00 ()CSLL Mensal pago por estimativa 0,00 (=) IR a pagar 0,00 (=)CSLL a pagar 0,00 O contribuinte juntou também Demonstrativo de Resultados do Exercício, data de encerramento 31/12/2004, em que apurou Lucro Líquido R$() 675.524,73. Observase na DIPJ do anocalendário 2004 que o contribuinte, para uma receita líquida de R$11.148.363,19, informou R$11.130.026,04 de custo das mercadorias revendidas, e apurou prejuízo fiscal e lucro líquido negativo de R$()675.524,73; e sua DIPJ foi aceita e regularmente processada. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10530.901527/200965 Resolução nº 1201000.286 S1C2T1 Fl. 5 4 À vista destes dados, adoto entendimento prevalente no CARF, expresso no Acórdão nº 9101002.913, da 1ª Turma da CSRF, em 8 de junho de 2017, cujos excertos transcrevo e que se aplicam tanto a estimativas mensais de IRPJ, como de CSLL: Ementa: ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO COMO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE ESTIMATIVA MENSAL OU COMO SALDO NEGATIVO. POSSIBILIDADE. Até a edição da Súmula CARF nº 84, a questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), e embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de outubro/2002, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2002) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a concluir que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. (Grifei.) Relatório: Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial em relação a duas matérias: a) possibilidade de deferimento da Per/DComp, cujo pretenso direito creditório se refere ao pagamento de estimativa em valor indevido; e b) ser possível a formação de indébito de saldo negativo de CSLL no ano calendário de 2002, quando na Dcomp apresentada constou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido da estimativa mensal de CSLL. No voto, foi adotado entendimento de recurso repetitivo, nos seguintes termos, e com os quais esta Relatora concorda: "O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1o e 2°; do RICARF. aprovado pela Portaria MF 343. de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.903. de 08/06/2017 proferido no julgamento do processo 10166.901000/2009 36. paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese. como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101 002.903): Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10530.901527/200965 Resolução nº 1201000.286 S1C2T1 Fl. 6 5 "A PGFN pretende reverter a decisão recorrida, sustentando que a lei não permite a restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal (primeira divergência); e também que, após a Delegacia de origem ter indeferido o Per/Dcomp, não seria mais possível alterar o direito creditório, de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal para saldo negativo de IRPJ (segunda divergência). A matéria tratada na primeira divergência está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF n° 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. De acordo com o art. 5o da Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3° do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] []§ 3o Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativa mensal. Quanto à segunda divergência, o recurso merece mesmo ser conhecido, conforme o despacho de admissibilidade exarado, e adoto as suas razões de decidir. Em primeiro lugar, cabe registrar que as estimativas mensais "normalmente" não configuram mesmo objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa, via de regra, é o saldo negativo, a menos que o recolhimento da própria estimativa se caracterize, desde aquele primeiro momento, como um pagamento indevido ou a maior que o devido, levando em conta o valor que seria devido a título da própria estimativa, conforme o regime adotado pelo contribuinte para o seu cálculo (receita bruta ou balancete de suspensão/redução). Essa questão sobre a possibilidade de restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia. Contudo, conforme mencionado acima, a matéria foi definitivamente solucionada pelo CARF, nos termos da Súmula CARF n° 84. Mas a questão que deve ser agora analisada é se o acórdão recorrido realmente admitiu uma inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, caracterizadora de ilegalidade. Conforme o despacho de admissibilidade do recurso, contrariamente ao acórdão paradigma, o acórdão recorrido admitiu indiretamente tal situação na medida em que reconheceu a possibilidade de apuração de Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10530.901527/200965 Resolução nº 1201000.286 S1C2T1 Fl. 7 6 indébito de saldo negativo da IRPJ com base em Dcomp cujo direito creditório indicado foi pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de IRPJ. Para o exame da alegada divergência, vale observar que não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte ou IRPJ/estimativa são examinados (inclusive pelas DRF e DRJ da Receita Federal) na ótica de sua repercussão no resultado final do período, como elementos que contribuem para a formação de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado (ainda que somente a partir do ajuste). Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e que embora a contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de dezembro/2004, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2004) e ao mesmo tributo (IRPJ) do saldo negativo que seria restituível/compensável. Há que se considerar ainda que em muitos outros casos com contextos fáticos semelhantes ao presente, os contribuintes, na pretensão de melhor demonstrar a origem e a liquidez e certeza do indébito, indicavam como direito creditório o próprio pagamento (DARF) das estimativas que geravam o excedente anual, em vez de indicarem o saldo negativo constante da DIPJ. Tais considerações levam a perceber que a indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, não pode ser obstáculo ao pleito da contribuinte. O que houve no presente caso não foi mudança de direito creditório, mas sim indicação da parte, e não do todo, o que não pode prejudicar a caracterização do indébito, porque mesmo no caso de se verificar direito creditório decorrente da estimativa em si (parte), caberia examinar aspectos da apuração do ajuste anual (todo). É que mesmo havendo excesso mensal no pagamento de uma determinada estimativa, esse excedente pode ser necessário para a quitação de ajuste, e isso resulta na sua indisponibilidade para fins de restituição/compensação. Uma estimativa e o saldo negativo formado por ela guardam relação de parte e todo, com elementos constitutivos comuns. Como mencionado, a questão sobre a possibilidade de restituição/ compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal foi objeto de longa controvérsia, até a edição da Súmula CARF n° 84. Inicialmente, a linha de interpretação da Receita Federal, e que foi adotada nestes autos, era de que a lei não permitia a Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10530.901527/200965 Resolução nº 1201000.286 S1C2T1 Fl. 8 7 restituição/compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativas mensais, mas apenas do saldo negativo formado por elas. Em vista disso, os contribuintes, também como ocorreu nestes autos, procuravam demonstrar que as estimativas (com seus excedentes) eram suficientes para a formação de saldo negativo. Para o indeferimento do pleito, então, buscavase outro fundamento, que era a impossibilidade de modificar o direito creditório. Ocorre que essa modificação era motivada justamente porque a Receita Federal se recusava a restituir/compensar pagamentos indevidos ou a maior a título de estimativa, o que restou afastado pela referida Súmula CARF n° 84. É diante de todo esse contexto que o acórdão recorrido, corretamente, admitiu a possibilidade de formação de indébito, passível de restituição/compensação, pelo pagamento indevido ou a maior a título da estimativa mensal referente ao mês de dezembro/2004, ao mesmo tempo em que também reconheceu a possibilidade de formação de indébito de saldo negativo neste mesmo ano, e determinou o retomo dos autos à unidade de origem para que ela se pronunciasse sobre o valor do direito creditório pleiteado e sobre os pedidos de compensação dos débitos. Se a Delegacia de origem constatar que houve pagamento indevido ou a maior, seja como excedente mensal disponível (estimativa), seja como excedente anual que engloba a estimativa (saldo negativo), a compensação deverá ser homologada, no limite do crédito que assim for reconhecido. Assim, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN quanto à primeira divergência, suscitada em relação ao fato de o crédito indicado no Per/Comp decorrer de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal, e de NEGAR PROVIMENTO ao recurso quanto à segunda divergência, relativa à questão da inovação/ mudança do direito creditório no curso do processo administrativo, mantendo o que restou decidido no acórdão recorrido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1o e 2o do art. 47 do RICARF. conheço parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à questão da inovação/mudança do direito creditório no curso do processo administrativo e. no mérito, na parte conhecida, negolhe provimento para manter o que foi decidido no acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto" Conclusão. Recomposição da apuração anual. 2004. Apuração anual Ficha 12A Apuração anual Ficha 17 36. BC da CSLL 675.524,73 IRPJ 0,00 CSLL 0,00 () IR Mensal pago por estimativa 262.295,28 ()CSLL Mensal pago por estimativa 154.597,86 (=) IR a pagar ()262.295,28 (=)CSLL a pagar () 154.597,86 Evidenciase o direito creditório até o limite do Saldo Negativo de IRPJ em 31/12/2004, de R$()262.295,28, a ser observado para o conjunto de todos as PER/Dcomp deste contribuinte que requerem Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10530.901527/200965 Resolução nº 1201000.286 S1C2T1 Fl. 9 8 créditos de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais de IRPJ, ou de Saldo Negativo de IRPJ deste anocalendário; e analogamente, até o limite de R$() 154.597,86, de Saldo Negativo da CSLL em 31/12/2004. Diligência. Constam para julgamento nesta Turma do CARF, 19 (dezenove) processos requerendo créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004; contudo, não se dispõe de informação se estes esgotam todos os pedidos de restituição/compensação, pelo contribuinte, relativos ao anocalendário 2004. A fim de se evitar dar provimento a créditos, em duplicidade, fazse necessária diligência que: a) efetue um levantamento e informe todas as PER/Dcomp apresentadas pelo contribuinte, em que este requereu créditos de recolhimentos indevidos ou a maior de estimativas mensais de IRPJ e de CSLL do anocalendário 2004 e crédito de Saldo Negativo de IRPJ e de CSLL, relativamente ao anocalendário 2004, com o seguinte detalhamento, para cada PER/Dcomp: 1 nº da PER/DComp 2 nº do processo administrativo 3 informar se o crédito requerido é de recolhimento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, ou de CSLL, e o mês 4 informar se crédito requerido é de Saldo Negativo de IRPJ ou de CSLL 5 valor do crédito requerido 6 valor do crédito já reconhecido e consumido em compensação de débitos 7 localização do processo. b) Elaborar os demonstrativos de compensação dos Saldos Negativos de IRPJ e CSLL reconhecidos, co m os débitos declarados em todas PER/Dcomp. Conclusão. À vista do exposto, voto por efetuar a diligência nos termos descritos. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pagamento indevido de estimativa mensal de CSLL com apuração de base de cálculo negativa ao final do exercício. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, para que sejam informadas todas as PER/DCOMP que requerem créditos relativos ao anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.720149/2014-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
Ementa
OMISSÃO DE RECEITA. CONTRATOS DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS.
Na hipótese em que a exigência fiscal é constituída por presunção de omissão de receita em razão da falta de comprovação da efetividade de contratos de mútuo entre empresas ligadas, o lançamento deve ser cancelado quando a Contribuinte autuada consegue demonstrar que as operações de fato ocorreram, principalmente no caso em que fica demonstrado o caráter de absoluta neutralidade dessas movimentações financeiras em relação ao saldo de caixa da empresa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
Ementa:
PEDIDO DE PARCELAMENTO FORMULADO APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. INEFICÁCIA.
Na hipótese em que o pedido de parcelamento é formulado após o início da fiscalização e, portanto, quando já se encontrava excluída a espontaneidade da Contribuinte, o lançamento fiscal deve prevalecer.
SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelada a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios administradores no caso em que resta absolutamente clara a inocorrência da única infração utilizada na motivação apresentada pela Autoridade Fiscal.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estende-se aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e Cofins) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ).
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para prestar esclarecimentos quanto aos suprimentos de caixa, já que esta omissão tem conseqüência específica prevista na legislação, que é a autorização para a presunção de omissão de receitas.
Numero da decisão: 1301-002.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, em relação ao recurso voluntário, rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. Os Conselheiros Ângelo Abrantes Nunes e Milene de Araújo Macedo, no que diz respeito ao recurso voluntário, acompanharam o voto do relator por suas conclusões.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 Ementa OMISSÃO DE RECEITA. CONTRATOS DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. Na hipótese em que a exigência fiscal é constituída por presunção de omissão de receita em razão da falta de comprovação da efetividade de contratos de mútuo entre empresas ligadas, o lançamento deve ser cancelado quando a Contribuinte autuada consegue demonstrar que as operações de fato ocorreram, principalmente no caso em que fica demonstrado o caráter de absoluta neutralidade dessas movimentações financeiras em relação ao saldo de caixa da empresa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 Ementa: PEDIDO DE PARCELAMENTO FORMULADO APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. INEFICÁCIA. Na hipótese em que o pedido de parcelamento é formulado após o início da fiscalização e, portanto, quando já se encontrava excluída a espontaneidade da Contribuinte, o lançamento fiscal deve prevalecer. SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelada a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios administradores no caso em que resta absolutamente clara a inocorrência da única infração utilizada na motivação apresentada pela Autoridade Fiscal. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estende-se aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e Cofins) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ). MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para prestar esclarecimentos quanto aos suprimentos de caixa, já que esta omissão tem conseqüência específica prevista na legislação, que é a autorização para a presunção de omissão de receitas.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15983.720149/2014-73
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801103
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.667
nome_arquivo_s : Decisao_15983720149201473.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 15983720149201473_5801103.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, em relação ao recurso voluntário, rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. Os Conselheiros Ângelo Abrantes Nunes e Milene de Araújo Macedo, no que diz respeito ao recurso voluntário, acompanharam o voto do relator por suas conclusões. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
id : 7024000
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737352970240
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-11-17T19:44:09Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2017-11-17T19:44:09Z; Last-Modified: 2017-11-17T19:44:09Z; dcterms:modified: 2017-11-17T19:44:09Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:e45203af-a1f3-4114-9a5c-07deb47131fc; Last-Save-Date: 2017-11-17T19:44:09Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-11-17T19:44:09Z; meta:save-date: 2017-11-17T19:44:09Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-11-17T19:44:09Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2017-11-17T19:44:09Z; created: 2017-11-17T19:44:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2017-11-17T19:44:09Z; pdf:charsPerPage: 1819; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2017-11-17T19:44:09Z | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.670 1 2.669 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.720149/201473 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301002.667 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de outubro de 2017 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRATOS DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS Recorrentes MARVIN SEGURANÇA PATRIMONIAL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 Ementa OMISSÃO DE RECEITA. CONTRATOS DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. Na hipótese em que a exigência fiscal é constituída por presunção de omissão de receita em razão da falta de comprovação da efetividade de contratos de mútuo entre empresas ligadas, o lançamento deve ser cancelado quando a Contribuinte autuada consegue demonstrar que as operações de fato ocorreram, principalmente no caso em que fica demonstrado o caráter de absoluta neutralidade dessas movimentações financeiras em relação ao saldo de caixa da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 Ementa: PEDIDO DE PARCELAMENTO FORMULADO APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. INEFICÁCIA. Na hipótese em que o pedido de parcelamento é formulado após o início da fiscalização e, portanto, quando já se encontrava excluída a espontaneidade da Contribuinte, o lançamento fiscal deve prevalecer. SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelada a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios administradores no caso em que resta absolutamente clara a inocorrência da única infração utilizada na motivação apresentada pela Autoridade Fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 72 01 49 /2 01 4- 73 Fl. 2670DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.671 2 Anocalendário: 2011 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estendese aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e Cofins) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ). MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para prestar esclarecimentos quanto aos suprimentos de caixa, já que esta omissão tem conseqüência específica prevista na legislação, que é a autorização para a presunção de omissão de receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, em relação ao recurso voluntário, rejeitar as argüições de nulidade, e, no mérito, darlhe provimento parcial para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%. Os Conselheiros Ângelo Abrantes Nunes e Milene de Araújo Macedo, no que diz respeito ao recurso voluntário, acompanharam o voto do relator por suas conclusões. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário contra o acórdão nº 0738.315, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, que, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte as impugnações apresentadas, para: 1. exonerar em parte a exigência fiscal, nos seguintes termos: Fl. 2671DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.672 3 2. cancelar a atribuição de responsabilidade tributária às senhoras LETÍCIA DE CARVALHO (CPF nº 271.731.96892) e ANA BEATRIZ RODRIGUES MENDES (CPF nº 044.169.99879). Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Trata o presente processo de Impugnação contra os Autos de Infração de fls. 3 a 55, por meio dos quais a Contribuinte acima identificada é compelida a recolher à Fazenda Nacional as seguintes importâncias: As exigências acima demonstradas se referem a fatos geradores ocorridos ao longo do anocalendário de 2011, e a elas serão acrescidos os juros de mora legais devidos à época do pagamento. O lançamento de IRPJ decorre da constatação de que a Contribuinte teria omitido receitas no período fiscalizado. A matéria tributável foi apurada sob o fundamento da presunção legal prevista no art. 282 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR), denominada ‘Suprimentos de Caixa’: Fl. 2672DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.673 4 Muito embora a matéria tributável tenha sido discriminada mês a mês, o lançamento de IRPJ foi efetivamente realizado considerando o fato gerador anual, ocorrido em 31/12/2011. A omissão de receitas foi apurada por presunção legal, em razão de a Autoridade Fiscal entender que não restou comprovada a efetividade de operações de mútuo com empresas ligadas, e nem de diversas operações registradas na contabilidade como sendo referentes a transferências de Bancos para o Caixa Geral. Em relação à infração acima indicada, a multa de ofício ordinária (de 75%) foi agravada em 50%, passando ao patamar de 112,5%, nos termos do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Segundo a Autoridade Fiscal, o agravamento se deve em razão de a Interessada não ter atendido as intimações para prestar esclarecimentos, no prazo que lhe foi concedido. O lançamento de CSLL é reflexo das infrações relativas ao IRPJ. Quanto à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, além do lançamento reflexo, a Autoridade Fiscal também constatou insuficiência de recolhimento e lançou os seguintes valores: Fl. 2673DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.674 5 A Autoridade Fiscal atribuiu responsabilidade tributária solidária às senhoras LETÍCIA DE CARVALHO, CPF nº 271.731.96892 e ANA BEATRIZ RODRIGUES MENDES, CPF nº 044.169.99879, sócias administradoras da FISCALIZADA, com fundamento nos arts. 124 e 135 do CTN. As irregularidades apuradas estão descritas no Termo de Verificação e Encerramento de Fiscalização (TVF) de fls. 56 a 76, parte integrante dos Autos de Infração. Do lançamento fiscal a Contribuinte e as responsáveis solidárias tiveram ciência em 06/09/2014 (fls. 601, 603 e 605). Inconformada, em 04/10/2014, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 617 a 650, em que suscita, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). No mérito, alega: (i) que houve um erro no preenchimento do Dacon, no tocante à receita auferida; (ii) a impossibilidade de cobrar tributos já parcelados; (iii) que os contratos de mútuo foram efetivamente realizados; (iv) que não se admite a presunção de omissão de receitas em razão da simples ausência de registro dos contratos de mútuo; (v) que os valores relativos aos contratos de mútuo foram levados à base de cálculo do lançamento em duplicidade; Fl. 2674DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.675 6 (vi) que o valor das receitas omitidas não poderia ser integralmente considerado como base de cálculo do IRPJ e da CSLL, havendo a necessidade de se aplicar os percentuais de arbitramento do lucro; (vii) que não cabe qualificação da multa de ofício no caso de lançamento realizado por presunção, sem qualquer prova ou mesmo indício de fraude ou máfé; e (viii) a desproporcionalidade das multas aplicadas. De seu lado, as sócias arroladas como responsáveis solidárias apresentaram a Impugnação de fls. 651 a 677, na qual apresentam os mesmos argumentos contidos na impugnação da Contribuinte autuada e, especificamente quanto à sujeição passiva que lhes foi atribuída, alegam o seguinte: (i) que a elas foi atribuída responsabilidade tributária sem que ao menos tivessem sido cientificadas para se defender ou acompanhar a fiscalização; e (ii) que não existe motivação para aplicação do art. 135 do CTN. Na sessão realizada por esta Terceira Turma em 17/04/2015, por maioria de votos foi aprovada a Resolução nº 65 (fls. 2232 a 2235), por meio da qual o julgamento foi convertido em diligência, pelos motivos ali expostos. Em atendimento à intimação contida no Termo de Diligência de fl. 2236, a Contribuinte apresentou a resposta de fls. 2239 a 2240, mais anexos. Por fim, impende esclarecer que, em razão da diligência requerida em abril de 2015, o processo somente retornou a esta DRJ em 2016. Também cabe esclarecer que o Julgador para o qual se encontrava distribuído o presente processo encontrase licenciado, com notícia de que irá se aposentar tão logo termine sua licença. Por conta dessas circunstâncias e, principalmente, tendo em vista que se trata de um processo incluído na lista de prioridades da Administração Central, ele foi redistribuído a este Relator. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0738.315, pela 3ª Turma da DRJ/FNS, que julgou procedente em parte as impugnações apresentadas, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITA. CONTRATOS DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. Na hipótese em que a exigência fiscal é constituída por presunção de omissão de receita em razão da falta de comprovação da efetividade de contratos de mútuo entre empresas ligadas, o lançamento deve ser cancelado quando a Contribuinte autuada consegue demonstrar que as operações de fato ocorreram, principalmente no caso em que fica demonstrado o caráter de absoluta neutralidade dessas movimentações financeiras em relação ao saldo de caixa da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 Fl. 2675DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.676 7 PEDIDO DE PARCELAMENTO FORMULADO APÓS O INÍCIO DA FISCALIZAÇÃO. INEFICÁCIA. Na hipótese em que o pedido de parcelamento é formulado após o início da fiscalização e, portanto, quando já se encontrava excluída a espontaneidade da Contribuinte, o lançamento fiscal deve prevalecer. SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. CANCELAMENTO. Deve ser cancelada a atribuição de responsabilidade tributária aos sócios administradores no caso em que resta absolutamente clara a inocorrência da única infração utilizada na motivação apresentada pela Autoridade Fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 LANÇAMENTOS DECORRENTES. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Tratandose da mesma matéria fática e não havendo questões de direito específicas a serem apreciadas, estendese aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS/Pasep e Cofins) a decisão proferida em relação ao lançamento principal (IRPJ). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após realizadas as respectivas intimações, a empresa autuada apresenta, tempestivamente, recurso voluntário pugnando por seu provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. As coobrigadas não apresentaram recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO EMPRESA AUTUADA Da preliminar A recorrente alega preliminarmente a inaplicabilidade da multa agravada, pugnando pelo seu afastamento. Esta alegação não é causa de nulidade e sim de questão de mérito, que será apreciada adiante. Assim, rejeitase esta preliminar. Do mérito Tratase de exigência de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) em decorrência de presunção legal de omissão de receitas por "suprimento de caixa" por sócios, administradores e empresas vinculadas, relativo ao anocalendário de 2011, com multa agravada de 112,5%, e reflexos de Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. Em relação à Contribuição para o PIS/Pasep e à Fl. 2676DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.677 8 COFINS, a exigência decorre também de que teria havido insuficiência de recolhimento. Atribuiuse ainda responsabilidade solidária às Sras. Letícia de Carvalho e Ana Beatriz Rodrigues Mendes. Com relação à primeira infração, a fiscalização entendeu que não restou comprovada a efetividade de operações de mútuo com empresas ligadas, e nem de diversas operações registradas na contabilidade como sendo referentes a transferências de Bancos para o Caixa Geral, concluindo, com respaldo na presunção legal prevista no art. 282 do RIR, ter ocorrido omissão de receita tributável. Ao analisar os argumentos de mérito apresentados pela então impugnante, a DRJ reconheceu a improcedência do lançamento em análise relativamente à parcela dos "Contratos de Mútuo", após chegar a conclusão de que as operações de mútuo efetivamente ocorreram. No que tange à transferências entre Bancos e a conta Caixa Geral, considerandose inexistir impugnação desta matéria, manteve as conclusões da Autoridade Fiscal nesse sentido. Com referência à multa aplicada, também manteve o agravamento. Irresignado, o contribuinte apresenta suas razões recursais, discordando da assertiva de que não impugnou o item referente às citadas transferências, aduzindo que não citou as folhas correspondentes às provas juntadas por que a cópia integral obtida no site da Receita Federal não possibilitou sua identificação, renovando, no mais, as alegações de sua peça de impugnação. Pois bem. Não há reparos a fazer à decisão recorrida quanto ao item, pois de fato, o contribuinte não fez referência em sua defesa inicial às transferências entre Bancos e a conta Caixa Geral. A fiscalização considerou que estas transferências caracterizariamse em receitas omitidas em face da presunção legal prevista no art. 288 do RIR, havendo necessidade, por isso, de expressa discordância dos fatos e conclusões, o que não foi feito. O próprio contribuinte, em sua peça recursal não discorda de que não há alegação em sua peça de impugnação, apenas discorda de que a matéria não foi impugnada porque, em sua ótica, o simples fato de terem sido juntados documentos aos autos, considerariase controversa a matéria, inocorrendo preclusão. Ora, provar algo, como explica Fabiana Del Padre Tomé, "não significa simplesmente juntar um documentos aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provas, fazendoo com o animus de convencimento." ( A prova no direito tributário, Editora Noeses, 2005). Portanto, ainda que fosse alegado genericamente (no caso nem alegado foi!!) e juntar papéis, mesmo assim, entendo que os documentos juntados não se revestem de provas. Conforme bem delimita o colega Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: “a prova não se confunde com os elementos probatórios, ela é constituída a partir deles. Uma nota fiscal, um contrato, uma página da escrituração contábil não são prova, mas sim elementos de prova. A prova corresponde à articulação lingüística que relacione os documentos apresentados com o objeto da refrega jurídica no sentido de confirmar o que se alega” (Acórdão 10323.534 agosto de 2008). (G.N) Não cabe a autoridade julgadora diante de determinados documentos existentes no processo, identificar e demonstrar a licitude e regularidade das transferências a título de suprimento de caixa, cabendo à defesa constituir a prova pela precisa articulação dos elementos e não o contrário. Fl. 2677DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.678 9 Assim, tratandose de matéria incontroversa, pois não alegada em sede de impugnação, mantenho as conclusões da Autoridade Fiscal em relação às transferências entre Bancos e a conta Caixa Geral, que totalizaram R$ 1.767.940,47. Com referência à multa de ofício, conforme relatado, a fiscalização a agravou em 50%, passando de 75% para 112,5%, por entender que se tratava da hipótese prevista no art. 44, I, do parágrafo 2º, da Lei 9.430/96. O referido dispositivo prevê que o percentual de multa 75% será aumentado pela metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos. A DRJ manteve o agravamento da multa de ofício, e por isso, neste ponto, merece reparos a decisão recorrida. Conforme se depreende do trecho do TVF abaixo transcrito, as intimações não atendidas pelo contribuinte deram causa à presunção de omissão de rendimentos, e por isso, não deve o mesmo fato ser utilizado, também, para o agravamento da multa: Intimada a manifestarse, POR ESCRITO, a empresa nada disse. Isto posto, entendemos que na ausência de documentos hábeis e idôneos e sem os necessários esclarecimentos, a luz dos entendimentos da Receita Federal, o tratamento fiscal dado a estes “suprimentos de caixas” é de omissão de receitas A impossibilidade de uma mesma conduta servir de base tanto à presunção de omissão quanto à sua penalização encontra paralelo com a situação já pacificada neste CARF, por meio da Súmula 96: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Não é o caso da aplicação da súmula acima transcrita, que trata de situação diversa da presente (arbitramento de lucros), porém, entendo ser possível traçar um paralelo entre as situações, ou seja, da mesma forma que a falta de apresentação de livros e documentos não pode dar causa, por si só, ao arbitramento e ao agravamento da multa, também a omissão em prestar esclarecimentos não pode gerar tanto a presunção de omissão de rendimentos quanto a multa agravada. É que falta de explicação quanto aos suprimentos de caixa já tem conseqüência específica que é a autorização para a presunção de omissão de receitas. Ademais, o agravamento da multa é hipótese severa que apenas pode ocorrer quando houver prejuízo efetivo à fiscalização, o que não se dá nos casos de presunção de omissão de receitas já que, como hipóteses de presunção que são, invertem o ônus da prova, fazendo com que as autoridades fiscais possam tributar com base apenas no fatobase da presunção (o fato auxiliar, o indício), dispensandoas de provar o fato presumido. Neste ponto, trago decisão do ilustre Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, nos autos do Processo n. 15563.720068/201333, assim ementada: MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que o contribuinte não tenha apresentado todos os dados solicitados pela fiscalização, devese afastar a multa agravada quando constatado que tal circunstância não obstaculizou nem prejudicou, de forma incisiva, a definição da base de cálculo dos tributos lançados. Fl. 2678DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.679 10 Assim, inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento às intimações fiscal para apresentar documentos e/ou esclarecimentos de suprimentos de caixa, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi a presunção de receita omitida. Portanto, impõese o desagravamento da multa de ofício aplicada. Por fim, no tange à sua alegação de impossibilidade de cobrar PIS/COFINS já parcelados, como bem ressaltado pela decisão recorrida, não há divergência em relação aos valores que foram lançados a título de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS, pois o contribuinte apenas alega que já havia formulado pedido de parcelamento desses valores antes de ser lavrado o Auto de Infração e, sob esse fundamento, requer a anulação dessa exigência. Não há como atender ao pleito do contribuinte, pois o pedido de parcelamento foi formulado apenas em 22/08/2014, após o início da fiscalização, que ocorreu em 19/11/2013 e, portanto, quando já se encontrava excluída sua espontaneidade. Porém, isso não significa ocorrer duplicidade de cobrança, cabendo ao contribuinte demonstrar à sua Unidade de Origem a compatibilidade entre valores lançados e aqueles que compuseram o pedido de parcelamento, com escopo de evitar eventual duplicidade. Dessa forma, dáse parcial provimento ao recurso voluntário, apenas para reduzir a multa de ofício de 112,5% para 75%. DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar que a Portaria MF nº 63, de 2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Confirase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em tela, somandose os valores exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, conheço do recurso de ofício. Quanto ao exame de mérito deste recurso, verificase que a DRJ acolheu o argumento de que os contratos de mútuo foram efetivamente realizados, subtraindo o valor de R$ 26.396.362,81 (=13.323.439,58 + R$ 13.072.923,23), bem como cancelou a atribuição de responsabilidade tributária às senhoras Letícia de Carvalho (CPF: nº 271.731.96892) e Ana Beatriz Rodrigues Mendes (CPF nº 044.169.99879). Entendo que ambos entendimentos não merecem reparos. Como visto, os valores que resultaram da presunção de omissão de receitas por suprimentos de caixa foram obtidos a partir de três origens: "Mútuos Ativos", "Mútuos Passivos" e "Suprimentos de Caixa". Porém, os lançamentos correspondentes a "suprimentos Fl. 2679DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.680 11 de caixa", foram objeto de recurso voluntário, já apreciado, prevalecendo o entendimento fiscal de que os valores referentes a diversas operações registradas na contabilidade do contribuinte, referentes a transferências de Bancos para a conta Caixa Geral, são receitas omitidas, em consonância com a previsão do art. 282 do RIR. Com referência aos contratos de mútuo, o contribuinte juntou à sua Impugnação extratos bancários e cópias de folhas do Livro Razão das empresas envolvidas no presente caso (fls. 1232 a 2229), sendo proposta uma diligência, no âmbito da DRJ, para esclarecer dúvidas surgidas em sessão de julgamento, acerca da duplicidade na apuração da base de cálculo. Nesse sentido, foram elaborados quesitos a seguir reproduzidos: Nesse sentido, resta implícita na argumentação da Impugnante a tese de que não haveria dois conjuntos de operações (mútuos ativos e mútuos passivos), mas tão somente duas pontas relativas às mesmas operações. De fato, a totalização dos valores levados à base de cálculo do lançamento a título de recebimentos não comprovados de empréstimos anteriormente concedidos (mútuo ativo) tem a mesma ordem de grandeza (R$ 13 milhões) da base de cálculo relativa aos ingressos registrados a título de empréstimos contraídos (mútuo passivo), e que a autoridade fiscal também considerou não comprovados. Resta, portanto, configurada uma divergência importante, e que não pode ser esclarecida apenas com os elementos juntados ao processo. Qual seja: • a autoridade fiscal entendeu que se tratava de operações autônomas de mútuo ativo e de mútuo passivo, e levou à base de cálculo do lançamento os valores que na contabilidade representam a baixa dos empréstimos concedidos e o registro dos empréstimos contraídos; • por outro lado, a Contribuinte alega que os lançamentos contábeis destacados pela autoridade fiscal na verdade correspondem a desdobramentos das mesmas operações. Diante do exposto, para encontrar a melhor solução para o presente caso, há que se verificar com maior profundidade os registros contábeis efetuados pela Contribuinte, razão pela qual se faz necessária a presente diligência. Nesse sentido, o processo deve ser encaminhado para a Unidade de Origem a fim de que seja identificado o procedimento adotado pela Impugnante relativamente às operações sob análise. Com esse objetivo, em relação a uma situação que pode muito bem ser representativa da divergência acima identificada, requerse o seguinte: • a identificação das contrapartidas a débito dos seguintes registros a crédito, extraídos da planilha de “mútuos passivos”: Fl. 2680DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.681 12 • a identificação completa, mediante lançamento(s) contábil(eis) com partidas dobradas, da baixa das obrigações indicadas no item acima; • a identificação completa, mediante lançamento contábil com partidas dobradas, do registro inicial do ativo baixado em 31/01/2011 segundo a seguinte informação extraída da planilha de “mútuos ativos”: • a identificação da contrapartida a débito do registro a crédito indicado no item acima. Além disso, requerse a juntada ao processo cópia das folhas do Livro Razão do ano de 2011, relativas às contas contábeis dedicadas ao Caixa e a Bancos, bem como das folhas relativas às contas 15201000300000006, 15201000100000006, 1520100020000006, 2230100030000006, 22301000100000006 e 22301000200000006. Em decorrência da citada diligência, foi elaborada uma planilha, que se encontra às fls. 2.246 dos autos, onde o contribuinte destaca as contrapartidas dos lançamentos destacados na Resolução que converteu o julgamento em diligência: Fl. 2681DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.682 13 Destacase que a planilha acima reproduzida foi apresentada juntamente com os extratos bancários de fls. 2276, 2277, 2280, 2281, 2283, 2284, 2285, 2293 e 2295, além das cópias do Livro Razão das contas representativas das operações de mútuo e da movimentação bancária, acostadas às fls. 2256 a 2275, que lhe conferem fidedignidade. Em vista desses documentos, além dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte em razão da diligência, a DRJ concluiu que as operações de mútuo efetivamente ocorreram. De fato, da análise dos citados documentos e planilha, concluise que a movimentação financeira registrada nas contas representativas dos "Mútuos Ativos" é efetiva, e que o lançamento a crédito nessas contas não corresponde a um suprimento de caixa. Corresponde, na verdade, a um lançamento de ajuste que o contribuinte registra após o efetivo retorno dos recursos financeiros. Ressaltese o caráter absolutamente neutro do fluxo financeiro registrado na contabilidade da empresa em decorrência dessa relação com as demais empresas do grupo, razão pela qual, em face dos Contratos de Mútuo identificados pela Autoridade Fiscal, não há que se falar em suprimento de caixa como forma de ocultar omissão de receitas. Desta forma, mostrase improcedente a parcela relativa aos Contratos de Mútuo, tal como decidida pela DRJ. Com referência ao tema "responsabilidade tributária", conforme visto, atribuise responsabilidade solidária às Sras. Letícia de Carvalho e Ana Beatriz Rodrigues Mendes. Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.683 14 Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 15983.720149/201473 Acórdão n.º 1301002.667 S1C3T1 Fl. 2.684 15 Conforme se vê, a atribuição de responsabilidade tributária às citadas sócias se fundamentou, unicamente, na existência de operações de mútuo entre as empresas ligadas e que, no entendimento da Autoridade Fiscal, não restaram comprovadas e que serviram apenas como mecanismo de suprimento de caixa. Confirase: Assim, considero acertada a decisão de cancelou a atribuição de responsabilidade tributária às senhoras LETÍCIA DE CARVALHO (CPF nº 271.731.96892) e ANA BEATRIZ RODRIGUES MENDES (CPF nº 044.169.99879), por motivo de ter sido demonstrada a inocorrência da infração relacionada aos Contratos de Mútuo. Dessa forma, negase provimento ao recurso de ofício. CONCLUSÃO Assim, diante do exposto, voto por: dar provimento parcial ao recurso voluntário da empresa autuada, para rejeitar as argüições de nulidades, e no mérito, tão somente para reduzir a multa de ofício de 112,5% para 75%. negar provimento ao recurso de ofício (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 2684DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15463.720016/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS A TÍTULO DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS.
Não tendo sido comprovado o suposto erro do locatário, há que ser mantida a omissão com base na Dirf apresentada pela fonte pagadora. Os contratos de aluguéis serviram apenas para justificar a autuação.
Numero da decisão: 2402-006.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS A TÍTULO DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Não tendo sido comprovado o suposto erro do locatário, há que ser mantida a omissão com base na Dirf apresentada pela fonte pagadora. Os contratos de aluguéis serviram apenas para justificar a autuação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 15463.720016/2013-95
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5798365
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-006.022
nome_arquivo_s : Decisao_15463720016201395.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
nome_arquivo_pdf_s : 15463720016201395_5798365.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
id : 7011365
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737357164544
conteudo_txt : Metadados => date: 2017-11-03T15:32:44Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2017-11-03T15:32:44Z; dcterms:modified: 2017-11-03T15:32:44Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2017-11-03T15:32:44Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2017-11-03T15:32:44Z; meta:save-date: 2017-11-03T15:32:44Z; pdf:encrypted: true; modified: 2017-11-03T15:32:44Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; pdf:charsPerPage: 898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 89 1 88 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15463.720016/201395 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.022 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente MARIA YLMAR RIBEIRO GUIMARÃES DE MORAES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS A TÍTULO DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS. Não tendo sido comprovado o suposto erro do locatário, há que ser mantida a omissão com base na Dirf apresentada pela fonte pagadora. Os contratos de aluguéis serviram apenas para justificar a autuação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 3. 72 00 16 /2 01 3- 95 Fl. 89DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira de Pinho Filho Presidente. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal, Joao Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 15463.720016/201395 Acórdão n.º 2402006.022 S2C4T2 Fl. 90 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, de fls. 68 usque 69, lançado contra Acórdão da 18ª Turma de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação de fls. 2/3, mantendo o crédito lançado. O relatório da d. Decisão recorrida está assim lançado: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento do anocalendário de 2010, tendo sido apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (aluguéis) no total de R$ 15.155,71. O crédito tributário e o enquadramento legal constam na notificação de lançamento. Por meio da impugnação de fls. 02 e 03, o contribuinte contesta o lançamento, alegando, em síntese, que a empresa MR Trading teria adicionado o valor correspondente à empresa Top Consult. Junta documentação como contratos de aluguéis e planilhas e pede que as empresas sejam intimadas a retificar a Dirf. Por fim requer o cancelamento do lançamento. A SRL foi deferida parcialmente. Em sua peça recursal, primeiramente, aduz a recorrente que, devido à instauração do presente processo fiscal, ficou impossibilitada de retificar seu Imposto de Renda de 2011, anocalendário 2010, onde informaria sua isenção por moléstia grave, da qual estaria acometida desde 2008, conforme laudo que junta às fls. 70. Giza que tentou, através do Centro de Atendimento ao Contribuinte se sua localidade, a juntada de novos documentos ao processo, mas a tentativa restou infrutífera. Apresenta que, em realidade, haveria direito à devolução no montante de R$ 38.966,00 em seu favor, uma vez que feita a Declaração Retificadora de fls. 72. Portanto, propugna pelo cancelamento do lançamento em testilha, bem como a devolução do valor à conta corrente da suplicante. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O Relatório Fiscal (fls. 7 a 11) dá conta de que houve omissão de rendimentos referentes aos alugueres pagos de Mr. Trading (CNPJ nº 07.343.695/000118) à Recorrente no valor de R$ 15.155,71, sendo, assim, omissos R$ 3.579,18. A d. DRJ limitou sua análise no sentido de que a documentação junta aos autos estão apócrifas e, portanto, não poderiam afastar o lançamento ora em debate, mantendo a omissão de rendimentos da forma como apurado pela d. Fiscalização. Em sede recursal a Recorrente junta documentos e inova em sua argumentação, alegando isenção por ser portadora de moléstia grave, argumentação sobre a qual não tomaremos conhecimento sob pena de supressão de instância e aceitação de inovação na lide. Entretanto, deste documento, se tomasse conhecimento, a origem do Rendimento em lide não seria a de proventos de aposentadoria, portanto, não estariam abrangidos pela norma isentiva. Quanto ao mérito, as alegações da impugnação persistem, dentre as quais a alegação de que a origem da omissão de rendimentos decorrente de aluguel pago pela MR Trading Com Imp e Exp Eireli. Segundo argumenta, tratouse de erro em declaração da empresa. Entretanto, em nosso sentir, nenhuma das provas juntadas aos autos reflete sua tese. Ao contrário, o que de fato restou provado é que a recorrente aluga imóvel através da Promenade Consultoria Imobiliária S/C Ltda. A Recorrente poderia ter apresentado recibos de aluguel, extratos bancários, declaração da Promenade, Retificadora da DIMOB ou qualquer outro meio de prova que lhe possibilitasse sustentar sua tese, mas não o fez. Os contratos e documentos denotam a subsistência do lançamento não sendo possível, em nosso sentir, acolher a pretensão recursal. Conclusão Ante ao exposto votamos por conhecer do recurso e no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 92DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.903718/2009-86
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/09/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.245
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10660.903718/2009-86
anomes_publicacao_s : 201710
conteudo_id_s : 5796704
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.245
nome_arquivo_s : Decisao_10660903718200986.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 10660903718200986_5796704.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
id : 6999899
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737361358848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2022; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10660.903718/200986 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.245 – 3ª Turma Sessão de 20 de junho de 2017 Matéria PER/DCOMP. PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 37 18 /2 00 9- 86 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10660.903718/200986 Acórdão n.º 9303005.245 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.082, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2001 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.903718/200986 Acórdão n.º 9303005.245 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.903718/200986 Acórdão n.º 9303005.245 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10660.903718/200986 Acórdão n.º 9303005.245 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10660.903718/200986 Acórdão n.º 9303005.245 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10660.903718/200986 Acórdão n.º 9303005.245 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 171DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720985/2015-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS.
A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999
DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica-se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, converte-se tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação.
SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PELA AUTORIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE.
O STF, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, julgado com repercussão geral, reconheceu a legalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes, pelas instituições financeiras ao fisco, para fins de apuração de créditos tributários.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE.
Cabe ao sócio indicado no Termo de Sujeição Passiva a apresentação, em seu nome, dos argumentos de defesa, revelando ilegitimidade passiva a insurgência da pessoa jurídica contra o referido feito.
SONEGAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA.
Aplica-se a multa qualificada de 150 % , prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, em caso de prática de sonegação, capitulada no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964.
DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO PARA LANÇAMENTO. PRESENÇA DO DOLO NA CONDUTA.
Em face da prática dolosa de sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, a contagem do prazo decadencial para o lançamento de ofício do tributo é regida pelo artigo 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 1301-002.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: (i) em rejeitar a argüição de decadência, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que votaram por reconhecer a decadência relativa ao crédito tributário de PIS e de Cofins referente ao mês de janeiro de 2010; (ii) no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que votaram por reduzir a penalidade para o percentual de 75%. A Conselheira Bianca Felicia Rothschild votou por reduzir a penalidade para o percentual de 75% somente em relação aos créditos em contas bancárias decorrentes de depósitos. Conselheiro Flávio Franco Corrêa designado redator do voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201708
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999 DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica-se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, converte-se tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação. SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PELA AUTORIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE. O STF, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, julgado com repercussão geral, reconheceu a legalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes, pelas instituições financeiras ao fisco, para fins de apuração de créditos tributários. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE. Cabe ao sócio indicado no Termo de Sujeição Passiva a apresentação, em seu nome, dos argumentos de defesa, revelando ilegitimidade passiva a insurgência da pessoa jurídica contra o referido feito. SONEGAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA. Aplica-se a multa qualificada de 150 % , prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, em caso de prática de sonegação, capitulada no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO PARA LANÇAMENTO. PRESENÇA DO DOLO NA CONDUTA. Em face da prática dolosa de sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, a contagem do prazo decadencial para o lançamento de ofício do tributo é regida pelo artigo 173, inciso I, do CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.720985/2015-14
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801106
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1301-002.577
nome_arquivo_s : Decisao_19515720985201514.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 19515720985201514_5801106.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: (i) em rejeitar a argüição de decadência, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que votaram por reconhecer a decadência relativa ao crédito tributário de PIS e de Cofins referente ao mês de janeiro de 2010; (ii) no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que votaram por reduzir a penalidade para o percentual de 75%. A Conselheira Bianca Felicia Rothschild votou por reduzir a penalidade para o percentual de 75% somente em relação aos créditos em contas bancárias decorrentes de depósitos. Conselheiro Flávio Franco Corrêa designado redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza - Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
id : 7024003
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:09:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737367650304
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2028; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 861 1 860 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.720985/201514 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301002.577 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de agosto de 2017 Matéria OMISSÃO DE RECEITA Recorrente IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar o arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999 DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplica se a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, convertese tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação. SIGILO BANCÁRIO. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS PELA AUTORIDADE FISCAL. POSSIBILIDADE. O STF, por meio do Recurso Extraordinário nº 601.314, julgado com repercussão geral, reconheceu a legalidade do fornecimento de informações sobre movimentação bancária dos contribuintes, pelas instituições financeiras ao fisco, para fins de apuração de créditos tributários. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ILEGITIMIDADE. Cabe ao sócio indicado no Termo de Sujeição Passiva a apresentação, em seu nome, dos argumentos de defesa, revelando ilegitimidade passiva a insurgência da pessoa jurídica contra o referido feito. SONEGAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA. Aplicase a multa qualificada de 150 % , prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, em caso de prática de sonegação, capitulada no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO PARA LANÇAMENTO. PRESENÇA DO DOLO NA CONDUTA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 85 /2 01 5- 14 Fl. 861DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 862 2 Em face da prática dolosa de sonegação prevista no artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, a contagem do prazo decadencial para o lançamento de ofício do tributo é regida pelo artigo 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: (i) em rejeitar a argüição de decadência, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que votaram por reconhecer a decadência relativa ao crédito tributário de PIS e de Cofins referente ao mês de janeiro de 2010; (ii) no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que votaram por reduzir a penalidade para o percentual de 75%. A Conselheira Bianca Felicia Rothschild votou por reduzir a penalidade para o percentual de 75% somente em relação aos créditos em contas bancárias decorrentes de depósitos. Conselheiro Flávio Franco Corrêa designado redator do voto vencedor. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felicia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0267.924, proferido pela 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, entendeu julgar improcedente a impugnação para manter o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração, fls. 503 a 560, lavrado contra o sujeito passivo, Import Express Comercial Importadora Ltda, e o responsáveis Eduardo Asmar, Marcelo Asmar, Silvana de Araújo e Gilberto Asmar. O citado auto combinado com o Termo de Verificação Fiscal, fls. 503 a 560 , exigem o recolhimento do crédito tributário no montante de R$ 15.109.779,74, assim discriminados: Fl. 862DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 863 3 Fl. 863DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 864 4 No Termo de Verificação Fiscal, fls. 503 a 560, a autoridade fiscal apresenta a motivação dos lançamentos. Dele extraemse as observações e argumentos resumidos adiante: Durante o procedimento fiscal, para o ano calendário de 2010, verificouse que a empresa não apresentou DIPJ, Livro Diário e Razão ou Caixa, apresentou Dacon com receita bruta zerada para o período de 02/2010 a 12/2010, para 01/2010 foi informado receita bruta no valor de R$ 1.189.082,94 e DCTF não informando débitos referentes ao IRPJ e a CSLL, já quanto ao PIS e Cofins, a empresa declarou no mês de janeiro, R$ 7.729,04 e R$ 35.672,49, respectivamente. A partir da omissão de valores nessas declarações, foram apuradas, por meio da Decred e Dimof, extratos de operações com cartão de crédito e débito e extratos bancários, receita bruta que totaliza R$ 71.395.895,78, conforme quadro abaixo. Em decorrência disso, o lucro da empresa foi arbitrado, com base no art. 530, inciso III, e art. 532 do Decreto nº. 3.000/99 e a empresa autuada por omissão de receita conforme art. 537 do mesmo decreto. Houve representação fiscal para fins penais, nos termos do art. 1º, inciso I e II, e art. 2º, inciso I da Lei nº. 8137/90, anexado ao processo nº. 19515.721020/2015 31. Diante da prática reiterada de omissão de receitas, 2008, 2009, 2010 e 2011, processos administrativos nº. 19515.721620/201337, 19515.722772/201276, 19515.720985/201514 e 19515.721015/201528, respectivamente, a Autoridade Fiscal qualificou a multa nos termos do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, enquadrando a prática reiterada da empresa como dolosa, intencional e consciente para impedir o conhecimento da ocorrência dos fatos geradores. Com o agravamento citado e as reiteradas condutas da empresa fiscalizada, justificouse a responsabilização direta e pessoal dos sóciosadministradores nos termos do art. 135 do Código Tributário Nacional, com arrolamento dos bens do sujeito passivo e dos responsáveis solidários, anexados aos processos administrativos nº. 19515.001519/201013, 19515.721636/201340, 19515.721638/201339, 19515.721637/201394 e 19515.721628/201301. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 865 5 Irresignado com o lançamento do Auto de Infração, o sujeito passivo e os responsáveis solidários apresentaram impugnações, fl. 619 a 747. O sujeito passivo, Import Express Com e Imp Ltda, defende sua atuação com os argumentos sucintamente resumidos a seguir. Ao iniciar a impugnação, o contribuinte, com base no art. 150, §4º do Código Tributário Nacional, alega que houve decadência para as competências de janeiro a setembro de 2010, uma vez que ele foi cientificado da autuação em outubro de 2015. Em relação a responsabilidade solidária, o impugnante afirma que não existe um crédito tributário constituído e, em decorrência disso, não poderia haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Já quanto ao embaraço a fiscalização, informa que não houve qualquer prejuízo ao trabalho fiscal desenvolvido, até porque o Auto de Infração foi lançado com base em documentos obtidos diretamente pelo Fiscal. Alega que o fiscal não esclareceu como foram extraídas as informações de cartão de crédito impossibilitando sua defesa quanto a esse item e que a obtenção unilateral dos extratos bancários é ilegal No tópico seguinte da impugnação, a empresa alega que a Autoridade Fiscal não levou em consideração as vendas canceladas e que cabe ao auditor verificar, por meio de diligências, os livros fiscais, por exemplo, para comprovar que o contribuinte de fato recebeu os aludidos créditos, conforme previsto no art. 333 do Código do Processo Civil, Lei nº. 5.869/73, e no art. 9º do Decreto 70.235/72. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja reconhecida a decadência do Auto de Infração (ii) seja diminuída a multa aplicada em razão da inexistência de qualquer embaraço à fiscalização; (iii) seja declarada nulidade das provas utilizadas na autuação fiscal; e (iv) no mérito, seja declarada a improcedência da ação fiscal, em razão da ausência de provas. Os responsáveis tributários, Gilberto, Marcelo e Eduardo Asmar e Silvana de Araújo, se defendem com os mesmos argumentos sucintamente resumidos a seguir. Em relação à responsabilidade solidária, os impugnantes afirmam que não existe um crédito tributário constituído, e por isso, não pode haver responsabilidade solidária, embasando seu entendimento em julgados do CARF, STJ e no novo Código de Processo Civil. Finaliza a impugnação requerendo que: (i) seja declarada a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária lavrada, com a conseqüente nulidade do Termo de Arrolamento de Bens. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0267.924, pela 2ª Turma da DRJ/BHE, julgando improcedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 866 6 A autoridade administrativa é incompetente para decidir sobre a constitucionalidade dos atos baixados pelo Poder Legislativo. MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada quando ficar evidenciado que o contribuinte adotou práticas que, segundo a autoridade fiscal, se enquadraram nas situações previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações resultantes de atos praticados com infração de lei, os mandatários, prepostos, empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. DECORRÊNCIAS. CSLL PIS COFINS. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Ciente do acórdão recorrido e com ele inconformado, o sujeito passivo apresenta, tempestivamente, Recurso Voluntário, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. Os responsáveis solidários, apesar de intimados (fls. 811; 812; 813 e 814), não apresentaram Recurso Voluntário. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. O recurso voluntário apresentado pela empresa autuada é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Os responsáveis tributários não apresentaram recurso voluntário contra a decisão recorrida, apesar de regularmente intimados. Dessa forma, as exigências fiscais tornamse definitivamente constituídas, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações (PAF). DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO EMPRESA AUTUADA Da decadência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação Como preliminar de mérito, a recorrente requer a decadência para fatos geradores ocorridos em janeiro a setembro de 2010, com base no art. 150, § 4º, do CTN, vez que tomou ciência da lavratura do auto de infração em outubro de 2015. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 867 7 Para a apreciação deste tópico, requerse a verificação da ocorrência, ou não, de dolo na conduta da interessada. Assim, a matéria será examinada após o item referente à qualificação da multa aplicada. Da nulidade dos termos da sujeição passiva solidária Ainda como preliminar de mérito, a recorrente requer nulidade dos termos de sujeição passiva solidária lavrados. Alega que apenas com o esgotamento da fase administrativa podese se falar em existência de crédito tributário definitivamente constituído e que a responsabilidade dos sócios de uma empresa pelo pagamento de um imposto e seus reflexos só ocorre após tal constituição. Em seguida, cita jurisprudência do CARF que analisa caso concreto. Ocorre que os sócios, conforme antes dito, não ingressaram os respectivos recursos, sendo, portanto, objeto de apreciação apenas o recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. Nesses termos, não há como afastar a responsabilidade tributária dos sócios, pois a pessoa jurídica não tem legitimidade para interpor recurso no interesse do sócio. Assim, somente os coresponsáveis tributários são detentoras de legítimo interesse processual para discutir questões relacionadas às suas inclusões na presente ação. E isso porque, consoante vedação expressa do art. 6º do CPC, a pessoa jurídica não possui legitimidade para recorrer em nome próprio, na defesa de direito alheio. Na verdade, tal entendimento já foi consolidado pelo STJ em sede de julgamento de recurso repetitivo, quando da prolação do Acórdão nº 1347627/SP, cuja orientação é obrigatória para os membros deste Conselho. Confirase seus termos: PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DO DEVEDOR. A pessoa jurídica não tem legitimidade para interpor recurso no interesse do sócio. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (STJ, RESP 1347627, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Órgão Julgador: PRIMEIRA SEÇÃO, DJE: 21/10/2013) Com essas considerações, nego provimento ao recurso, quanto a este item. Do embaraço à Fiscalização e da Multa Qualificada Aduz a recorrente que não é verdade que as diversas solicitações de documentos não foram atendidas pelo contribuinte, não havendo qualquer medida protelatória por parte do contribuinte e, por isso, pugna pelo descabimento do agravamento (sic.) da multa aplicada. Salienta ainda que não houve qualquer prejuízo ao trabalho fiscal desenvolvido, até porque o Auto foi lançado com base em documentos obtidos diretamente pelo Fiscal. Ocorre que a multa de ofício aplicada, no percentual de 150%, não está relacionada ao embaraço e sim à constatação fiscal de ocorrência de sonegação pela prática de infrações no anocalendário fiscalizado. Da análise do Termo de Verificação Fiscal (fls. 323 a 353), em especial no item "7" do referido termo, verifico que a multa qualificada tem como amparo o artigo 44, Fl. 867DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 868 8 inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/1996, sob o entendimento de que a empresa recorrente impediu o conhecimento da autoridade fiscal da ocorrência dos fatos geradores, sua natureza e circunstâncias materiais. Para comprovação do dolo, servese a fiscalização das provas de omissão de receita, seja por meio de cobrança de títulos, operações com cartão de crédito e débito, depósitos em contacorrentes, no anocalendário 2010, seja pela ausência de informação de tais receitas em Dacon, DCTF e DIPJ. Confirase trecho do TVF sobre o tópico: 7.4. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado), e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública. 7.5. Ora como vimos, os valores recebidos pela FISCALIZADA, quer seja por meio de cobrança de títulos, operações com cartão de crédito e débito, depósitos em contascorrentes, no anocalendário 2010, constituem prova cabal de omissão de receitas a ser tributado, sendo que os mesmos não foram informados em DACON e nem os tributos devidos declarados em DCTF. 7.6. Vimos ainda que a DIPJ sequer foi entregue pela IMPORT EXPRESS. Ademais, a declaração de imposto de renda é documento exigido pela lei fiscal, como se verifica pela leitura do art. 43 da Lei 8.383, de 30/12/1991, o qual estabelece que as pessoas jurídicas deverão apresentar, em cada ano, declaração de ajuste anual consolidando os resultados mensais auferidos nos meses de janeiro a dezembro do ano anterior. 7.7. Ressaltase que a DIPJ, DACON e a DCTF são declarações de apresentação obrigatória, as quais, além de servir para o auto lançamento dos tributos pelo contribuinte, são também os principais instrumentos de controle da Receita Federal do Brasil que, por intermédio das informações nelas prestadas, possibilita a análise do crédito tributário e a cobrança dos valores ali declarados e não recolhidos na forma e no prazo regulamentar. 7.8. Dessa forma, a falta de recolhimento dos tributos e a omissão reiterada de informações não só na DIPJ e DACON, mas também nas DCTF, indica o intuito de ocultar da autoridade fiscal a ocorrência do fato gerador e os montantes dos tributos e contribuições federais devidos, cujos valores somente puderam ser quantificados e apurados com a intervenção desta fiscalização. 7.9. Restando configurada a sonegação definida no art. 71 da Lei nº 4.502/1964, a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996 deve ser aplicada em dobro, nos termos do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/1996. 7.10. Assim sendo, as infrações apuradas ensejaram a aplicação de multa de ofício 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre os valores lançados. Quando da análise do tópico, a DRJ mantém a multa no percentual de 150%, por entender demonstrado o intuito de sonegação, pela prática reiterada das infrações por anos consecutivos, 2008, 2009, 2010 e 2011, e acrescenta que tal exasperação da multa aplicada, decorre da omissão consciente da escrituração e das declarações DIPJ, Dacon e DCTF, pelos referidos anos consecutivos, vez que teve por escopo suprimir ou reduzir indevidamente os tributos devidos. Pois bem. Nos termos da Sumula CARF nº 25, a presunção legal de omissão de receitas não autoriza, de per si, a aplicação da multa qualificada, ou seja, de que houve Fl. 868DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 869 9 concurso de dolo no comportamento infracional. Também a detecção de omissão de receitas, por si só, não atrai a conclusão de que houve o elemento subjetivo do tipo. É a Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Entendo que várias são as circunstâncias que devem ser ponderadas, analisadas e consideradas para efeito de se ter como comprovado o requisito legal exigido, qual seja, que a recorrente tenha agido como dolo, na prática de sonegação. No caso sob exame, o que se vê, é que o contribuinte ofereceu à tributação seus resultados por meio do lucro presumido (fls. 336 5.14 do TVF), tendo a autoridade autuante procedido o lançamento tributário sob a acusação de omissão de receita com base em depósitos bancários e informações em cartão de crédito. Nesses termos, para que a multa de lançamento de ofício seja transformada de 75% para 150%, é imprescindível o evidente intuito de fraude, pois "fraude não se presume", "se prova". Ou seja, há que se ter provas sobre o evidente intuito de fraude praticado pela empresa. Entendo não razoável querer simplesmente presumir a ocorrência de fraude, ainda mais que se trata de exigências constituídas a partir de presunção legal. Para que fosse provada a intenção de fraudar o fisco, seria necessário, antes de tudo, provar que os depósitos bancários são de fato, receitas omitidas. Pois, antes disso, a simples existência de depósitos bancários não escriturados são simples indícios de omissão de receitas. A norma legal estabelece que, no caso da existência de indício de omissão de receitas pela falta de escrituração de depósitos bancários, presumese omissão de receitas, sendo possível o lançamento do tributo. Essa presunção, de fato, tem respaldo na Lei, porém, não se pode provar, por via indireta, o evidente intuito de fraude. Essa prova tem de ser direta, como se pode dar por exemplo, o caso da utilização de documentos inidôneos, ou notas fiscais frias, ou mesmo notas fiscais calçadas, ou ainda, contacorrente bancária em nome de interposta pessoa, entre tantos outros. Nessas situações, não existe a necessidade de outra prova da intenção de sonegar, pois a comprovação se dá pela ocorrência do fato irregular e pela utilização dos citados documentos, os quais já fazem prova da fraude. No mesmo sentido, têmse os acórdãos no 10419.384, de 11/6/03, e 10419.806, de 18/2/04). Vejamos as respectivas ementas: “MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa de 150% seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A falta de inclusão na Declaração de Ajuste Anual, como rendimentos, de valores que transitaram a crédito em conta corrente bancária pertencente ao contribuinte, cuja origem não comprove, caracterizam falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do artigo Fl. 869DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 870 10 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994.” “SANÇÕES TRIBUTÁRIAS MULTA QUALIFICADA — JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO — EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE — Qualquer circunstância que autorize a exasperação da multa de lançamento de oficio de 75%, prevista como regra geral, deverá ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Além disso, para que a multa qualificada seja aplicada, exigese que o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. A não inclusão como rendimentos tributáveis, na Declaração de Imposto de Renda, de valores depositados em contas correntes ou de investimentos pertencentes ao contribuinte fiscalizado, sem comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações, caracteriza falta simples de presunção de omissão de rendimentos, porém, não caracteriza evidente intuito de fraude, nos termos do art. 992, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 1.041, de 1994.” Assim, concluo não ser devida a qualificação da penalidade aplicada à Recorrente, a qual deve ser reduzida para o patamar de 75%. Passo ao exame da alegação de decadência: Da decadência dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação Retomo, então, a análise da preliminar de mérito, na qual a recorrente requer a decadência para fatos geradores ocorridos em janeiro a setembro de 2010, com base no art. 150, § 4º, do CTN, vez que tomou ciência da lavratura do auto de infração em outubro de 2015. A decisão recorrida afastou a alegação de decadência, ao aplicar ao caso a regra prevista no artigo 173, I, CTN, por entender que houve a qualificação da multa, nos termos do artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, pelos motivos circunstanciados no Termo de Verificação Fiscal, que evidenciou a prática de sonegação. Afastada, como se viu, a qualificação da multa, passo a examinar os demais fatos determinantes, para fins de determinar qual regra deve ser aplicada ao caso concreto, se o art. 150, § 4º, do CTN, ou o artigo 173, I, do mesmo diploma legal, com o objetivo de verificar se ocorreu no caso em apreço a suscitada decadência. Depois de longo debate jurisprudencial, o Superior Tribunal de Justiça consolidou seu entendimento no Recurso Especial nº 973.733, de 12/08/2009, julgado sob o regime dos recursos repetitivos. Assim, nos termos da jurisprudência atual, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência em relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação será: I em caso de dolo, fraude ou simulação: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN); II nas demais situações: a) se houve pagamento antecipado ou declaração de débito: data do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN); Fl. 870DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 871 11 b) se não houve pagamento antecipado ou declaração de débito: 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN)." (fls. 766 e 767) (g.n.) Aliás, sobre a questão, em dezembro de 2015, o STJ fez publicar a súmula 555, nos seguintes termos: Súmula STJ nº 555 “Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa”. Observese que a referida súmula pautouse na premissa de o débito ter sido declarado ou não pelo contribuinte para fins de aplicação do artigo 173 do CTN, nas hipóteses de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Ou seja, se o débito não foi declarado pelo contribuinte, pelo seu teor, aplicase o prazo decadencial do artigo 173 e, por outro lado, se o débito foi declarado, aplicase a regra do artigo 150, ambos do CTN. No caso concreto, no período sob fiscalização, verificase que o contribuinte adotou como regime de tributação o lucro presumido, conforme prova nos autos (fls. 336 5.14 do TVF), não entregou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ/2011 – anocalendário 2010, nem declarou em DCTF os impostos e contribuições devidas, exceção feita no mês de janeiro onde houve declaração parcial relativo ao PIS e à COFINS. Além disso, não encontro comprovação de pagamento antecipado, para quaisquer dos tributos em discussão. Assim, no caso de IRPJ e CSLL, aplicase o art. 173, I, do CTN; temse que não se operou a decadência. Com relação ao PIS e COFINS, para a competência janeiro/2010, aplicase o artigo 150, § 4º, do CTN; sendo a ciência do auto de infração realizada em outubro de 2015, reconhecese a decadência neste mês de competência (janeiro/2010). Para os meses seguintes, considerando que não há declaração e nem pagamento, aplicase o artigo 173, I do CTN, e assim, temse que não se operou a decadência. Portanto, reconheço parcialmente a alegação de decadência, para excluir tão somente o PIS e COFINS, mês de janeiro/2010, do lançamento aqui em discussão, afastando dita alegação para os demais períodos, em relação a todos os tributos. Das informações de cartão de crédito e de extratos bancários obtidas Aduz a interessada que a fiscalização não explica a forma pela qual obteve informações acerca das vendas efetuadas e pagas com o uso de cartão de crédito e afirma ser ilícita a obtenção dos dados bancários pelo fisco. Sobre o este reclame, transcrevese parte do trecho do TVF (fls. 327)\; 4.18. Como não houve qualquer justificativa por parte da empresa IMPORT EXPRESS e não tendo sido apresentados quaisquer dos elementos solicitados no Termo de Reintimação Fiscal n° 01939/02 e do Termo de Intimação Fiscal n° 01938/03, impedindo os trabalhos de auditoria que se pretendia desenvolver, foi Fl. 871DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 872 12 lavrado em 08/12/2014, o Termo de Embaraço à Ação Fiscal, documento esse que foi enviado via Correios, com AR recepcionado em 09/12/2014 pela FISCALIZADA. 4.19. Desse modo, foi solicitado em 15/12/2014, a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, conforme previsto no inciso VII, do artigo 3°, do Decreto n°3.724/2001, junto às seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil S/A, Itaú Unibanco S/A, Banco ABC Brasil S/A, Banco Industrial do Brasil S/A, Banco Intercap S.A., Banco Fibra S.A, Banco Indusval S.A e Banco Santander Brasil S/A. Além das instituições financeira citadas, foi solicitada emissão de RMF junto às administradoras de cartão de crédito a seguir discriminadas: Cielo S/A, Redecard S/A, Hipercard S/A, Banco Bankpar S/A, e Cetelem Brasil S/A – Crédito Financiamento e Investimento. 4.20. Recebidos os extratos das contascorrentes das instituições financeiras e das administradoras de cartão de crédito supracitadas, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, foram elaboradas planilhas a partir da seleção de valores creditados em contas correntes nas instituições financeiras relativo à “cobrança de títulos”, e valores referente a “operações com cartão de crédito e de débito”, estas últimas obtidas das administradoras de cartão de crédito, relativo ao anocalendário de 2010. Logo, não subsiste razão a contribuinte, pois a simples leitura do TVF quanto ao item informa a forma pela qual o fisco obteve informações acerca das vendas efetuadas e pagas com o uso de cartão, não havendo que se imputar qualquer ilicitude em sua obtenção. Ademais, no que toca a este assunto, consignese que o Plenário do STF finalizou, em 24/02/2016, o julgamento do RE nº 601.314/SP, com repercussão geral reconhecida, e das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) nºs 2.390, 2.386, 2.397 e 2.859, ressaltando o entendimento de desnecessidade de prévia autorização judicial para que a Receita Federal obtenha dados bancários de contribuintes. No julgamento de mérito, foi confirmada a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, tendo a ementa da decisão sido formalizada nos termos abaixo transcritos: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item "a" do tema em questão, a seguinte tese: "O art. 6°da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal"; e, quanto ao item "b", a tese: "A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1°, do CTN", vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Ausente, justificadamente, a Ministra Cármen Lúcia. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 24.02.2016. Desta forma, a partir deste julgamento, restou superada a controvérsia acerca dos dispositivos da LC 105, de 2001, que autorizam a instituição financeira a fornecer dados bancários de contribuintes à Receita Federal, sem prévia autorização judicial. Logo, o acesso do fisco nas instituições financeiras aos dados bancários dos contribuintes prescinde de Fl. 872DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 873 13 autorização judicial e não configura quebra de sigilo, e por isso, não se reconhece ato ilegal eventualmente praticado pela autoridade fiscal, sendo válidas as provas assim obtidas sob todos os aspectos. Do Mérito Infração e do ônus da prova: Quanto ao mérito, aduz a recorrente ausência de análise dos documentos apresentados e que o arbitramento do lucro do contribuinte foi irregular, pois não considerou os diversos cancelamentos de pedidos, que em meses posteriores são estornados e devolvidos aos consumidores. Sustenta que cerca de 30% dos pedidos faturados são cancelados posteriormente por razões diversas, e que a falta de análise destes documentos faz com que a fiscalização não alcance o valor real de receita recebida pela empresa. Alega ainda que cabia ao fisco provar nos autos que o contribuinte de fato recebeu as receitas que afirma omissas, e que elas compõem a base de cálculo do IRPJ, em conformidade com o que dispõe o artigo 333 do Código de Processo Civil, e que deveria ter diligenciado e verificado os livros e documentos fiscais visando demonstrar a existência de eventual infração tributária. Sobre o tópico, aduz a DRJ que embora o contribuinte tenha apresentado seu descontentamento em relação ao Auto de Infração, não trouxe aos autos suporte probatório para comprovar que contabilizou e recolheu corretamente todas as receitas devidas ou justificativa plausível para as divergências. Por essa razão, entende que os valores discriminados nas Decred apresentadas pelas administradoras e cartão de crédito, assim como os extratos bancários, não contabilizados, constituem prova cabal de omissão de receitas a ser tributada. Esclarece que durante a fiscalização, a empresa recorrente foi intimada a indicar operações que porventura foram canceladas, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 01939/07, quedandose inerte, pois não comprovou nenhuma operação nessas condições, apenas ratificou que os valores, anexo I ao XIII desta intimação, se referem a recebimentos diários, tanto de boletos de cobrança como de cartão de crédito de suas vendas, fazendo prova inequívoca, segundo sua ótica, de que tais receitas são originárias da atividade comercial da empresa recorrente. Aduz ainda que as planilhas apresentadas pela recorrente, “cancelamento 2010”, “vendas com jurídico 2010” e “vendas inadimplentes 2010” não foram consideradas pela fiscalização, por duas razões distintas: as duas últimas, “vendas com jurídico 2010” e “vendas inadimplentes 2010”, por falta de previsão legal, e a primeira, “cancelamentos 2010”, por não apresentar documentação hábil e idônea que comprove tal fato e por serem valores efetivamente já recebidos, uma vez que a base de cálculo da autuação são os extratos bancários e de cartão de crédito. Pois bem. Entendo que não merece reparos a decisão recorrida no tópico, cujas razões de decidir adoto, em conformidade com o que prevê o §1º do art. 50 da Lei 9784/99. Ora, de posse de extratos bancários e comprovantes de operações com cartão de crédito e débito, e na ausência de livros e declarações obrigatórias, o lucro foi arbitrado, nos termos do art. 530, inciso III, do RIR, Decreto nº 3.000/99, sob a premissa de que os valores recebidos pelo contribuinte, discriminados nas Decred apresentadas pelas administradoras de cartão de crédito e nas Dimof, assim como os extratos bancários, não contabilizados, constituem prova cabal de omissão de receitas a ser tributada. Fl. 873DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 874 14 Além do mais, a presunção de omissão de receitas proveniente de depósitos bancários de origem não comprovada, e sua forma de tributação, está assim prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 875 15 Assim, é fato que o legislador conferiu ao Fisco uma presunção válida e legal, incumbindo ao contribuinte, provar, através de documentação hábil e idônea, que a referida presunção não possa subsistir. No caso concreto destes autos, o interessado não logrou comprovar, com documentação adequada, a ausência de omissão de receita e/ou a origem dos valores considerados omissos, registrados tanto nos extratos bancários como de cartão de crédito, sendo suas alegações genéricas e desguarnecidas de provas. Assim, não restam dúvidas quanto à correção do procedimento adotado pela fiscalização, considerando os recursos registrados como receita omitida, por presunção legal, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430/96. Por esta, razão não merece nenhum reparo a autuação neste aspecto, combinado com o fato de que o interessado não apresentou qualquer tipo de prova que pudesse afastar a referida presunção de omissão de receitas. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para reconhecer parcialmente a decadência do período fiscalizado, afastandose tãosomente o lançamento de PIS e COFINS, no mês de janeiro/2010, além de reduzir a multa aplicada para 75%. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Voto Vencedor Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Redator Designado. Coubeme o voto vencedor em relação à aplicação da multa qualificada de 150 % e ao afastamento da decadência do PIS/PASEP e da COFINS, relativamente aos fatos geradores ocorridos no mês de janeiro de 2010. Com as devidas vênias ao ilustre Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, não há que se falar em presunção de omissão de receitas, mas, sim, na existência de prova direta da sonegação de receitas, a acarretar a supressão no recolhimento de tributos. Reparese no seguinte trecho do TVF, às fls. "4.19. Desse modo, foi solicitado em 15/12/2014, a emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, conforme previsto no inciso VII, do artigo 3°, do Decreto nº 3.724/2001, junto às seguintes instituições financeiras: Banco do Brasil S/A, Itaú Unibanco S/A, Banco ABC Brasil S/A, Banco Industrial do Brasil S/A, Banco Intercap S.A., Banco Fibra S.A, Banco Indusval S.A e Banco Santander Brasil S/A. Além das instituições financeira citadas, foi solicitada emissão de RMF junto às administradoras de cartão de crédito a seguir Fl. 875DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 876 16 discriminadas: Cielo S/A, Redecard S/A, Hipercard S/A, Banco Bankpar S/A, e Cetelem Brasil S/A – Crédito Financiamento e Investimento. 4.20. Recebidos os extratos das contascorrentes das instituições financeiras e das administradoras de cartão de crédito supracitadas, em atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira, foram elaboradas planilhas a partir da seleção de valores creditados em contascorrentes nas instituições financeiras relativo à “cobrança de títulos”, e valores referente a “operações com cartão de crédito e de débito”, estas últimas obtidas das administradoras de cartão de crédito, relativo ao anocalendário de 2010. 4.21. Considerando que os valores referentes à “cobrança de títulos” e “operações com cartão de crédito e de débito” correspondem de forma inequívoca à receita originária da atividade da empresa IMPORT EXPRESS, intimamos a mesma a identificar as operações canceladas que porventura houver, apresentando a documentação comprobatória hábil e idônea, conforme se vê pelo Termo de Intimação Fiscal n° 01939/07, datado de 15/04/2015, ciência por via postal em 22/04/2015. 4.22. Com base também nos extratos de movimentação financeira obtidos das instituições financeiras, intimamos a IMPORT EXPRESS a comprovar a origem dos demais valores creditados/depositados efetuados em suas contascorrentes/investimentos, relativo ao anocalendário de 2010, conforme demonstrado nas planilhas anexas ao Termo de Intimação Fiscal nº 01939/08, datado de 15/04/2015, com ciência por via postal em 22/04/2015. Cabe observar que, os valores creditados/depositados em suas contas corrente/investimentos que tiveram lançamentos de estornos/devolução, já foram excluídos quando da elaboração das planilhas anexas à referida intimação. Também foram expurgados dessas planilhas valores como transferências da mesma titularidade, e outras que não demonstravam tratarse de receitas da empresa. No termo lavrado, o sujeito passivo foi cientificado de que a não comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de créditos relacionados no Termo de Intimação Fiscal n º01939/08, no prazo determinado, ensejaria lançamento de ofício, a título de omissão de receita ou de rendimento, nos termos do artigo 849 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, sem prejuízo de outras sanções legais que couberem. 4.23. É importante salientar que a IMPORT EXPRESS é uma empresa que realiza vendas de produtos por meio dos sites www.importexpress.com.br ou www.tecnomania.com.br, e ainda por uma central telefônica da empresa, sendo que a forma de pagamento é feita por cartão de crédito, boleto bancário ou depósito bancário. 4.24. Em 14/05/2015, a empresa IMPORT EXPRESS solicitou dilação do prazo de 20 (vinte) dias para atendimento dos Termos de Intimação Fiscal n° 01939/07 e n° 01939/08, tendo sido autorizada tal prorrogação. 4.25. Em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal n° 01939/07, a empresa IMPORT EXPRESS declarou o seguinte: “A empresa acima, esclarece que desde 2008 até a presente data, vem sofrendo os efeitos da crise econômica que o mercado mundial e principalmente o BRASIL sofreu e continua sofrendo. Ainda não conseguimos evitar a queda drástica em nossa movimentação financeira e administrativa. Portanto, conforme solicitação ao termo acima, é impossível atender todas as exigências ora descritas em pauta devido aos milhares de lançamentos a serem auditados e devido à falta de mão de obra para este fim (redução drástica no quadro de funcionários) e estrutura física. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 877 17 Mas, mencionamos em NOTAS EXPLICATIVAS o que ocorreu em cada anexo, o fato ocorrido, conforme abaixo: ANEXO I – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 EXTRATO BANCÁRIO – ITAÚ – AG. 390 –Cc. 165405 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: MOV TIT COBRANÇA MOV TIT DISP NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DIÁRIO DE BOLETOS DE COBRANÇA. ANEXO II – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 EXTRATO BANCÁRIO – ITAÚ – AG. 390 –Cc. 511632 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: MOV TIT COBRANÇA MOV TIT DISP NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DIÁRIO DE BOLETOS DE COBRANÇA. ANEXO III – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 EXTRATO BANCÁRIO – ITAÚ – AG. 390 –Cc. 518042 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: MOV TIT COBRANÇA MOV TIT DISP NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DIÁRIO DE BOLETOS DE COBRANÇA. ANEXO IV – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 EXTRATO BANCÁRIO – ITAÚ – AG. 390 –Cc. 655009 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: MOV TIT COBRANÇA MOV TIT DISP NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DIÁRIO DE BOLETOS DE COBRANÇA. ANEXO V – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 EXTRATO BANCÁRIO – SANTANDER – AG. 2004 –Cc. 130000352 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: CR COB BLOQ COMP CONF. RECEBIMENTO CR COBRANÇA DISPONÍVEL AGRUPADO NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DIÁRIO DE BOLETO DE COBRANÇA. ANEXO VI – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 EXTRATO BANCÁRIO – BANCO DO BRASIL S/A – AG. 3347 –Cc. 380059 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: COBRANÇA NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DIÁRIO DE BOLETO DE COBRANÇA. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 878 18 ANEXO VII – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 EXTRATO BANCÁRIO – BANCO DO BRASIL S/A – AG. 3347 –Cc. 380075 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: COBRANÇA NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DIÁRIO DE BOLETO DE COBRANÇA. ANEXO VIII – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 EXTRATO BANCÁRIO – BANCO DO BRASIL S/A – AG. 3347 –Cc. 380040 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: COBRANÇA NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DIÁRIO DE BOLETO DE COBRANÇA. ANEXO IX – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 REDECARD S/A – CNPJ 01.425.787/000104 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: PONTO DE VENDAS – 004835484 (NÚMERO DO ESTABELECIMENTO) NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DE CARTÃO DE CRÉDITO PARCELADO E À VISTA. ANEXO X – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 BANCO BANKPAR S/A – CNPJ 60.419.645/000195 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: ESTABELECIMENTO DE SUBMISSÃO 9916706732 NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DE CARTÃO DE CRÉDITO PARCELADO E À VISTA AMEX. ANEXO XI – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 CIELO S/A – CNPJ 01.027.058/000191 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: CARTÃO DE CRÉDITO (11) E CARTÃO DE DÉBITO (21) NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DE CARTÃO DE CRÉDITO PARCELADO E À VISTA. ANEXO XII – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 BANCO CETELEM S/A – CNPJ 00.558.456/000171 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: VALOR DA OPERAÇÃO NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DE CARTÃO DE CRÉDITO PARCELADO E À VISTA AURA. ANEXO XIII – DO TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL – NR 1939/07 HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO S/A – CNPJ 03.012.230/000169 NÚMERO DO ESTABELECIMENTO: 6604771 NOME: IMPORT EXPRESS COMERCIAL IMPORTADORA LTDA HISTÓRICO: Fl. 878DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 879 19 VALOR DA OPERAÇÃO NOTA EXPLICATIVA: TRATASE DE RECEBIMENTO DE CARTÃO DE CRÉDITO PARCELADO E À VISTA – HIPERCARD.” 4.26. Como se vê pela declaração acima transcrita, a empresa IMPORT EXPRESS apenas esclarece que os anexos I a VIII do Termo de Intimação Fiscal n° 01939/07, referemse a recebimentos diários de boletos de cobrança, e que os anexos IX a XIII desse termo, são relativos a recebimentos de cartão de crédito parcelado e à vista. A empresa FISCALIZADA não indicou nenhuma operação cancelada constante da relação dos anexos I a XIII do Termo de Intimação Fiscal n° 01939/07, conforme solicitado no referido termo. Dessa forma, considerando que os valores creditados em suas contascorrentes das instituições financeiras relativo à “cobrança de títulos” (anexos I a VIII do Termo de Intimação Fiscal n° 01 939/07), e os valores referente a “operações com cartão de crédito e de débito” (anexos IX a XIII do Termo de Intimação Fiscal n° 01939/07), correspondem de form a inequívoca à receita originária da atividade da empresa IMPORT EXPRESS, e não havendo informação de operação cancelada, todos esses valores foram lançados de ofício nesta ação fiscal, conforme demonstrado adiante no item “5” deste termo. 4.27. Em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 0 1939/08, a empresa FISCALIZADA alegou o que segue: “A empresa acima, esclarece que desde 2008 até a presente data, vem sofrendo os efeitos da crise econômica que o mercado mundial e principalmente o BRASIL sofreu e continua sofrendo. Ainda não conseguimos evitar a queda drástica em nossa movimentação financeira e administrativa. Portanto, conforme solicitação ao termo acima, é impossível atender todas as exigências ora descritas em pauta devido aos milhares de lançamentos a serem auditados e devido à falta de mão de obra para este fim (redução drástica no quadro de funcionários) e estrutura física. Mas, conseguimos criar uma coluna de esclarecimento pelo que consta no nosso Sistema interno, descrevendo o fato ocorrido em cada lançamento ora solicitado, demonstrado em CD, anexo.” 4.28. Cumpre salientar que nos esclarecimentos em planilha demonstrado em CD acima mencionados, a FISCALIZADA apenas informa a “origem/finalidade” de cada lançamento constante dos anexos do Termo de Intimação Fiscal n° 01939/08, indicando tratars e de “recebimento diário de venda de loja”, “recebimento de parcela”,“recebimento parcela inadimplente”, “empréstimo”, “reembolso” e outros. 4.29. De acordo com as referidas planilhas apresentadas pela IMPORT EXPRESS, verificase que a mesma considera como receita de vendas de produtos os lançamentos indicados como “recebimento diário de venda de loja” e “recebimento de parcela”. Esses valores serão lançados de ofício nesta ação fiscal conforme demonstrado no próximo item “5”. 4.30. No caso dos demais lançamentos constantes em planilha, estes não foram considerados como receita de vendas pela IMPORT EXPRESS, informando tratarse apenas de “recebimento parcela inadimplente”, “empréstimo”, “reembolso” e outros. No entanto, a empresa IMPORT EXPRESS não apresentou NENHUM documento a fim de comprovar tais informações, com a alegação de falta de mãodeobra e inúmeros lançamentos a serem auditados. 4.31. Desse modo, não há como constatar a veracidade das informações contidas nas planilhas do CD apresentadas pela empresa FISCALIZADA. Assim sendo, como a IMPORT EXPRESS não comprovou a origem dos demais valores Fl. 879DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 880 20 creditados/depositados efetuados em suas contas correntes/investimentos, relativo ao anocalendário de 2010, conforme demonstrado nas planilhas anexas ao Termo de Intimação Fiscal nº01939/08, os mesmos foram lançados de ofício nesta ação fiscal conforme demonstrado adiante no item “5” deste termo." Portanto, percebese que a Fiscalização descobriu a movimentação financeira derivada de créditos exigidos em boletos de pagamentos ou decorrentes de negócios celebrados mediante cartões de débito e de crédito. A própria pessoa jurídica confessou que as importâncias arroladas nos anexos I a XIII do Termo de Intimação Fiscal n° 01939/07 são originárias de recebimentos de valores cobrados em boletos bancários ou de pagamentos efetuados por terceiros, em razão de operações com cartões de débito ou crédito. Além disso, a Fiscalização verificou que a pessoa jurídica: a) não apresentou DIPJ, Livro Diário e Razão ou Caixa, com referência aos fatos ocorridos em 2010; b) apresentou Dacon para o anocalendário 2010, informando: b.1) receita bruta de R$ 1.189.082,94, para o mês de janeiro desse ano; b.2) receita bruta igual a zero para o período entre fevereiro e dezembro de 2010; c) apresentou DCTF para o anocalendário 2010: c.1) não informando débitos referentes ao IRPJ e a CSLL; c.2) apenas informando débitos de PIS/PASEP e de COFINS de R$ 7.729,04 e R$ 35.672,49, respectivamente, com relação ao mês de janeiro desse ano. Assim, remonta dos autos um arcabouço probatório que se consolidou não apenas calcado em extratos de movimentação financeira, emitidos por bancos e administradoras de cartões de crédito, e na falta de comprovação da origem desses valores movimentados. Isso porque também se assomam, em todo o contexto, a inexistência de registro de tais valores nos livros contábeis da fiscalizada e a declaração por esta prestada, confessando que essas importâncias eram provenientes de práticas comerciais geradoras de créditos financeiros. Nessas circunstâncias, a presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 é superada pelo suporte probatório que tem apoio na falta de registros contábeis obrigatórios1 e na confissão da recorrente. Em face do exposto, não há dúvida da prática de omissão de receitas. Reiterese, pois, que esta asserção não é suportada pela mera presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, mas em arcabouço probatório consistente. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 44, § 1º2, seleciona os casos em que o contribuinte merece punição mais severa, isto é, quando o Fisco constata a prática de fraude, 1 O contribuinte estava sujeito à apuração do lucro real. Nesses termos, devia manter escrituração comercial, conforme artigo 251 do RIR/99. 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos Fl. 880DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 881 21 em sentido amplo, cujas espécies são referidas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64: a sonegação, a fraude em sentido estrito e o conluio. Partindo, agora, ao exame da sonegação, em conformidade com a descrição do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964: "Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente." Para a justa adequação do precitado tipo à realidade fática, é necessária a presença do dolo do agente na ação ou omissão de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco a respeito (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, bem como (ii) da natureza ou (iii) circunstâncias materiais desse fato. A incidência da norma jurídica prevista no citado tipo legal também deve ocorrer quando, dolosamente, por ação ou omissão, o agente impede ou retarda o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, daquelas condições pessoais do contribuinte que são suscetíveis de afetar (i) a obrigação tributária principal ou (ii) o crédito tributário correspondente a tal obrigação. Vamos aos fatos apurados: o Fisco constatou que a recorrente omitiu, na escrituração, todas as receitas recebidas por meio de pagamentos de boletos bancários e de negócios celebrados com cartões de débito e de crédito. Mas o ponto fulcral da acusação se situa na omissão ao dever instrumental de declarar ao Fisco federal os tributos devidos, derivados daquelas receitas não escrituradas. A recorrente é uma sociedade empresária limitada, cujo objeto social é a “importação, exportação e o comércio por atacado e varejo de eletrodomésticos e utensílios, inclusive telemarket de produtos eletrônicos, elétricos, produtos de uso pessoal, aparelhos/instrumentos/ equipamentos para exercícios físicos e para ginástica em geral, de uso comercial ou residencial, produtos do vestuário (fitness) para fins de exercícios físicos de ginástica, e prestação de serviços como, assistência técnica, conserto de eletrodomésticos, eletrônicos e aviamentos em geral”, de acordo com o contrato social e alterações posteriores. Explica a Fiscalização que, mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal, intimouse a fiscalizada a apresentar "extratos bancários relativos às movimentações financeiras efetuadas junto às instituições financeiras com as quais mantém contas correntes e/ou investimentos, extratos de recebimentos por conta de operações com cartões de crédito e débito, e Livro Diário/Razão e/ou Livro Caixa, referentes ao período de 01/01/2010 a 31/12/2011". Transcorrido o prazo para apresentação dos documentos, a fiscalizada limitouse a entregar à Fiscalização "cópia do contrato social e alterações posteriores, cópia do RG e CPF dos sóciosadministradores, comprovante de endereço do sócioadministrador Sr. Marcelo Asmar, cópia de emails solicitando extratos para as administradoras de cartões casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 881DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 882 22 de crédito referente à “Rede de Estabelecimentos American Express” e “Use Rede”, e cópia dos extratos bancários em meio papel do Banco Itaú S/A – Agência 0390 – contacorrente n° 165405 (período 01/2010 a 07/2011, e 09/2011 a 12/2011), e do Banco do Brasil S/A – Agência 33472 – contascorrentes n°s 380008 e 380016 (período d e 01/2010 a 12/2011)." A Fiscalização aduz que confrontou as informações da DIMOF – Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira, relativas ao Banco Itaú e ao Banco do Brasil, com os extratos dessas instituições financeiras apresentados pela recorrente. Nessa oportunidade, verificouse que esses últimos explicitavam um montante de crédito inferior ao informado pela DIMOF. Essa mesma declaração ainda revelou a existência de movimentação financeira em outras instituições financeiras, a saber: Banco ABC Brasil, Banco Industrial do Brasil, Banco Intercap, Banco Fibra, Banco Indusval e Banco Santander Brasil. A Fiscalização ainda apurou, com base em informações constantes na DECRED – Declaração de Operações com Cartões de Crédito, relativas aos anoscalendário de 2010 e 201, que a fiscalizada também auferiu valores por conta de operações com cartões de crédito e débito com outras administradoras, além das indicadas nos emails anteriormente citados. Todo esse relato expõe que a fiscalizada intencionalmente ocultou da Fiscalização informações relevantes à aferição de sua efetiva capacidade contributiva. A resistência à prestação de informações à Fiscalização sobre os depósitos bancários e as operações com cartões de débito e de crédito põe às claras que a recorrente assim agira para o fim de assegurar a dolosa ocultação de sua condição de contribuinte, concretizada na omissão ao cumprimento da obrigação legal de entregar ao Fisco as declarações criadas pela legislação tributária para a prestação das informações sobre os tributos que devia apurar. As omissões dolosas na prestação de informações sobre os tributos devidos, ao deixar de preencher a DCTF e a DACON e de entregar a DIPJ, correspondem, por adequação típica, à moldura do inciso II do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, afinal a recorrente, manifestando vontade livre e consciência da conduta e dos objetivos almejados, escondeu do Fisco sua condição de contribuinte dos tributos cujas bases de cálculo decorreram das receitas auferidas. Ademais, as informações sonegadas na DCTF referiamse às próprias obrigações tributárias incorridas. Também é inevitável a percepção de que a recorrente deliberadamente ocultara da Administração Tributária, com consciência do que fazia e dos fins planejados, a ocorrência dos fatos geradores do IRPJ, da CSLL, do PIS/PASEP e da COFINS, ao descumprir a obrigação de preencher e entregar a DIPJ, uma vez que tal instrumento possibilita ao Fisco o conhecimento do lucro real, da base de cálculo da CSLL e das receitas sujeitas à tributação do PIS/PASEP e da Cofins. Nesses termos, vislumbrase a conduta tipificada no artigo 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. Que fique claro que a omissão à obrigação de efetuar a escrituração comercial constitui ato praticado com vistas à futura consumação da sonegação tributária. Mas, de uma forma abrangente, o cenário fático que se avulta dos autos está envolto em um conjunto de práticas que se articulavam dolosamente para causar prejuízo ao Erário. Enfim, em face do exposto, nego provimento à redução da multa para 75%, uma vez que a sonegação do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964 enseja a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme prevê o § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 4.502/1964. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 19515.720985/201514 Acórdão n.º 1301002.577 S1C3T1 Fl. 883 23 Considerando as omissões dolosas antes indicadas, não há como acolher o pleito de decadência, porquanto aos períodos de apuração dos tributos apurados nestes autos devese aplicar a regra do artigo 173, inciso I, do CTN, na linha do decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 973.733, julgado do sistemática dos recursos repetitivos. Nesse raciocínio, as diferenças de PIS/PASEP e de Cofins referentes a janeiro de 2010, aqui lançadas de ofício, poderiam ser constituídos mediante lançamento de ofício até 31 de dezembro de 2015. Como a ciência dos respectivos autos de infração data de outubro de 2015, não cabe o reconhecimento da decadência requerida. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.722527/2012-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2007
ALTERAÇÃO DA COMPETÊNCIA. NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O art. 87 do CPC/73 determina que, havendo alteração da competência em relação à matéria, haverá alteração do juízo competente. O artigo 2º, IV, do Anexo II do novo RICARF excluiu da competência da Primeira Seção o julgamento do IPI, ainda que reflexo ao IRPJ, razão pela qual essa matéria passou a ser da competência exclusiva da Terceira Seção.
Numero da decisão: 1201-001.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário, declinando a competência para a Terceira Seção, nos termos do relatório e voto do Relator que integram o presente julgado.
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator.
EDITADO EM: 23/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Pentado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2007 ALTERAÇÃO DA COMPETÊNCIA. NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O art. 87 do CPC/73 determina que, havendo alteração da competência em relação à matéria, haverá alteração do juízo competente. O artigo 2º, IV, do Anexo II do novo RICARF excluiu da competência da Primeira Seção o julgamento do IPI, ainda que reflexo ao IRPJ, razão pela qual essa matéria passou a ser da competência exclusiva da Terceira Seção.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13896.722527/2012-45
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5801524
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1201-001.252
nome_arquivo_s : Decisao_13896722527201245.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 13896722527201245_5801524.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário, declinando a competência para a Terceira Seção, nos termos do relatório e voto do Relator que integram o presente julgado. MARCELO CUBA NETTO - Presidente. JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator. EDITADO EM: 23/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Pentado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
id : 7026934
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737376038912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1363; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 6 1 5 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.722527/201245 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1201001.252 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de janeiro de 2016 Matéria Declínio de competência. IPI Recorrentes PLASFAN INDUSTRIA E COMERCIO DE PLASTICOS LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2007 ALTERAÇÃO DA COMPETÊNCIA. NOVO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O art. 87 do CPC/73 determina que, havendo alteração da competência em relação à matéria, haverá alteração do juízo competente. O artigo 2º, IV, do Anexo II do novo RICARF excluiu da competência da Primeira Seção o julgamento do IPI, ainda que reflexo ao IRPJ, razão pela qual essa matéria passou a ser da competência exclusiva da Terceira Seção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário, declinando a competência para a Terceira Seção, nos termos do relatório e voto do Relator que integram o presente julgado. MARCELO CUBA NETTO Presidente. JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Relator. EDITADO EM: 23/02/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 25 27 /2 01 2- 45 Fl. 1468DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Pentado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto. Relatório Por meio de um sucinto resumo, podese dizer que a Contribuinte foi intimada para esclarecer a origem dos valores depositados em sua conta bancária relativamente ao anocalendário de 2007, mas deixou de cumprir com a intimação, o que fez com que a Fiscalização considerasse tais valores como receitas omitidas, nos termos do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, e exigisse IRPJ, CSL, PIS, COFINS e multa regulamentar, os quais estão sendo discutidos no Processo nº 13896.722525/2012561, bem como IPI, o qual está sendo tratado nos presentes autos. Após a explanação do quanto ocorrido acima no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fls. 1089/1099 e anexos – fls. 1100/1188), em 24/10/2012, a Representação Fazendária lavrou auto de infração (fls. 1221/1228), para a exigência de IPI, no valor de R$ 8.488.578,87, relativo ao anocalendário de 2007, acrescido de multa de oficio no valor de R$ 6.366.434,17. Cientificada da lavratura do Auto de Infração em 29/10/2012 (fl. 1219), a Contribuinte, em 28/11/2012, protocolou Impugnação (fls. 1242/1250 e anexo – fls. 1251/1332), requerendo o sobrestamento do presente feito até o julgamento do Processo Administrativo nº 13896.722525/201256, o reconhecimento da decadência de janeiro a outubro de 2007 e a realização de diligência para identificar a alíquota efetiva aplicada a cada produto em relação às operações de novembro e dezembro. Em 23/05/2013, a 3ª Turma da DRJ/RPO, por meio do acórdão de nº 14 42.121 (fls. 1363/1372), decidiu, por unanimidade de votos, “acolher a preliminar de decadência quanto ao IPI referente aos fatos geradores ocorridos até 30/09/2007, para reduzilo para o valor de R$ 2.198.418,25” – fl. 1364. Diante do reconhecimento da decadência de parte do crédito tributário, foi formalizado Recurso de Ofício (fl. 1364). 1 Em 07/05/2014, foi proferido o acórdão nº 1402001.681, pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, com relatoria do e. Cons. Fernando Brasil, que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade, de solicitação de diligência e de arguição de decadência e, no mérito, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para cancelar a exigência de multa regulamentar. Quanto à omissão de receita, a e. Turma entendeu que deveria ser mantida, pois tal infração não foi atacada pela interessada. Atualmente, aguardase julgamento do Recurso Especial interposto. Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1201001.252 S1C2T1 Fl. 7 3 Cientificada em 10/07/2013 (fls. 1409/1410), a Contribuinte, em 06/08/2013, interpôs Recurso Voluntário (fls. 1379/1393 e anexos – fls. 1394/1425), no qual, reiterando os argumentos de sua Impugnação, sustentou ainda (i) que apenas nos casos de impossibilidade de apuração do produto final é que o art. 448, § 2º, do RIPI permite a utilização da alíquota mais elevada; (ii) que, para aplicar a multa do artigo 12 da Lei nº 8.218/91, é preciso que a omissão tenha impossibilitado a lavratura do Auto de Infração; e (iii) a inaplicabilidade dos juros sobre a multa. Após sorteado o processo para o Conselheiro Carlos Cassuli Junior, da C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fl. 1430), foi proferido, em 26/02/2014, o acórdão nº 3402002.336 (fls. 1431/1437), que, por unanimidade de votos, declinou a competência para a Primeira Seção. Como a Fazenda Nacional, em 26/03/2014, informou que não iria interpor recurso a Câmara Superior de Recursos Fiscais (fl. 1439), em 07/04/2014, o processo foi encaminhado para a Primeira Seção e redistribuído (fls. 1444/1445). É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Um dos pressupostos e requisitos de admissibilidade determinados pelo Decreto n° 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF não se faz presente, qual seja, a competência, razão pela qual nenhum dos recursos deve ser conhecido. Conforme exposto no relatório, em 26/02/2014, a C. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF proferiu o acórdão nº 3402002.336 (fls. 1431/1437), que, por unanimidade de votos, declinou a competência para a Primeira Seção, vez que “as exigências trazidas pelo auto de infração ora sob análise são oriundas da omissão de receitas atinente a IRPJ discutido nos autos do PAF nº 13896.722525/201256” – fl. 1435. Realmente, o art. 2º, IV, do Anexo II do antigo RICARF dispunha que: Fl. 1470DF CARF MF 4 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Contudo, o artigo 2º, IV, do Anexo II do atual RICARF (Portaria nº 343, de 09/06/2015) dispõe que: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; Observase que a redação foi alterada em relação à anterior. Conforme o novo artigo 2º, IV, do Anexo II do RICARF, a Primeira Seção deixou de ser competente para julgar todos os outros tributos, ainda que reflexos, que não sejam a CSL, o IRRF, o PIS e a COFINS, como por exemplo, o IPI e as contribuições previdenciárias. Diante da modificação da competência desta Primeira Seção, devese aplicar o disposto no artigo 87 do CPC, o qual, excepcionando a regra da perpetuatio jurisdictionis, determina que, independentemente do estado do julgamento, deve ser observada a nova competência quando a alteração ocorrer em razão da matéria, in verbis: Art. 87. Determinase a competência no momento em que a ação é proposta. São irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia. Nesse sentido, o C. Superior Tribunal de Justiça deixou consignado, nos autos do Agravo Regimental no Agravo nº 1.385.555/BA2, que a criação de Vara Especializada 2 AgRg no Ag 1385555/BA, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, TERCEIRA TURMA, julgado em 14/06/2011, DJe 29/06/2011. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 13896.722527/201245 Acórdão n.º 1201001.252 S1C2T1 Fl. 8 5 faz com que o processo em andamento seja remetido para esta, a fim de que seja julgado por ela, com base nos seguintes argumentos: “Vejase que o Estado da Bahia, diante de sua competência para determinar a criação de órgãos judiciários e definir seu conteúdo, de acordo com as necessidades locais, criou a Vara Especializada em Direito do Consumidor. Ressaltese, por oportuno, que "a competência de juízo em razão da matéria e, pois, a competência das varas especializadas é de caráter absoluto " (CARNEIRO, Athos Gusmão. Jurisdição e Competência. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 81). Dessa forma, restou configurada a alteração da competência do juízo em razão da matéria, de modo que, nos termos do artigo 87, 2ª parte, do Código de Processo Civil, os autos foram remetidos a uma das Varas especializadas, in verbis: "Art. 87. Determinase a competência no momento em que a ação é proposta. São irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a competência em razão da matéria ou da hierarquia". Alterada a competência absoluta, afastase a regra da perpetuatio jurisdictionis, que visa conferir estabilidade ao processo. Nesse sentido, impende colacionar, mais uma vez, a lição de Athos Gusmão Carneiro: "Por exceção, não se aplica a 'perpetuatio jurisdictionis' se o órgão judiciário for suprimido, ou quando alterada sua competência em razão da matéria ou da hierarquia." (idem, p. 84). Nesse sentido também, a jurisprudência, desta e. Corte superior: CC 57.838/MS, Relatora Ministra Laurita Vaz, DJ 15/05/2006.” O presente caso enquadrase exatamente na situação acima descrita. Isso porque, o auto de infração, ora tratado nos presentes autos, versa sobre IPI e é reflexo ao IRPJ, CSL, PIS, COFINS e multa regulamentar, os quais estão sendo tratados nos autos do Processo nº 13896.722525/201256. Como consequência, em virtude da modificação da competência promovida pela alteração do disposto no artigo 2º, IV, do Anexo II do RICARF, concluise que, a despeito do fato de que a Primeira Seção era competente para o julgamento do presente caso (IPI reflexo ao IRPJ) quando de sua distribuição, ela deixou de sêlo. Nem se alegue que o fato de o presente processo ser reflexo aos autos do Processo nº 13896.722525/201256 modificaria, por força do artigo 6º3 do Anexo II do 3 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: Fl. 1472DF CARF MF 6 RICARF, a competência, vez que o § 2º4 do mencionado artigo expressamente destaca que deve ser observada a competência das Seções para haver a reunião entre os processos. Assim, tendo em vista que a alteração promovida no artigo 2º, IV, do Anexo II do RICARF mudou a competência de julgamento do IPI, incabível esta Primeira Seção apreciar o presente caso, devendo declinar sua competência para a Terceira Seção, conforme artigo 4º, III, do Anexo II do novo RICARF5. Portanto, não conheço do recurso de ofício e do recurso voluntário, declinando a competência para a Terceira Seção, nos termos dos artigos 2º, IV e 4º, III, do Anexo II do novo RICARF. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. 4 Art. 6º. (...) § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. 5 Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: (...) III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); Fl. 1473DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900673/2010-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2005
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2005
ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA.
Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.205
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201710
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais não-cumulativas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como Rendas de Garantias Prestadas e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.900673/2010-07
anomes_publicacao_s : 201712
conteudo_id_s : 5806358
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 08 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-004.205
nome_arquivo_s : Decisao_16327900673201007.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 16327900673201007_5806358.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
id : 7054908
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:11:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737379184640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1655; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900673/201007 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.205 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2017 Matéria DCOMP Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. (sucessora por incorporação de ABN AMRO ADMINISTRADORA DE CARTÕES DE CRÉDITO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RECEITA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. INCIDÊNCIA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” são receitas provenientes da prestação de serviços e devem ser incluídas na base de cálculo das contribuições sociais nãocumulativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2005 ADMINISTRADORAS DE CARTÕES DE CRÉDITOS. RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS. RENDAS DE EMPRÉSTIMOS. RECLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os valores contabilizados pelas empresas administradoras de cartões de créditos como “Rendas de Garantias Prestadas” e reclassificados posteriormente, devem ser segregados, demonstrados e provados pelo interessado, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 73 /2 01 0- 07 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 16327.900673/201007 Acórdão n.º 3401004.205 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O interessado transmitiu Per/Dcomp visando compensar débitos declarados com suposto crédito oriundo de pagamento a maior de 61 PIS nãocumulativa. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento informado fora integralmente utilizado na quitação de débitos da requerente, não restando saldo a ser utilizado. Irresignado com o indeferimento de seu pedido, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade onde alega, em síntese que: (a) não havia considerado na base de cálculo da contribuição as regras do Decreto nº 5.164/2004, revogado pelo Decreto nº 5.442/2005, que em seu artigo 1º reduziu a zero as alíquotas da contribuição sobre receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas a incidência nãocumulativa; (b) face ao alegado no item anterior, procedeu aos ajustes na base de cálculo das contribuições, evidenciando assim o recolhimento a maior; (c) os valores na DIPJ estão corretos, acordes com a nova apuração; (d) olvidouse de proceder à retificação na DCTF, solicitando que esta seja retificada de ofício. A decisão de primeira instância, foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, concluindose que as receitas contabilizadas como “Rendas de Garantias Prestadas” não se caracterizam como receitas financeiras, sujeitas a redução à zero das alíquotas, nos termos do Decreto nº 5.164/2004, e não podem ser excluídas da base de cálculo do PIS e da Cofins apurada pelo contribuinte, indeferindo a solicitação do interessado, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário onde essencialmente reitera a argumentação expressa na manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.187, de Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16327.900673/201007 Acórdão n.º 3401004.205 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.900662/201019, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.187): "O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, visando a compensar débitos nele declarados, com créditos oriundos de pagamentos a maior de contribuições sociais nãocumulativas. A ora recorrente, impugnou o não reconhecimento o direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, por não haver considerado nas bases de cálculo os ditames do art. 1º, do Decreto n° 5.164/04, que reduziu à zero a alíquota das contribuições sociais nãocumulativas, incidentes sobre receitas financeiras, conforme planilha (doc n° 4) apontando a conta COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) e cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida que os valores contabilizados como “Rendas de Garantias Prestadas” não poderiam ser considerados receitas financeiras, pelas empresas prestadoras de serviços de administração de cartões de créditos, mas sim receitas provenientes da prestação de serviços. Destaca a recorrente, somente agora em recurso voluntário, que o crédito pleiteado é oriundo da reclassificação de valores das contas COSIF 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) para 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), informação inserida na planilha (doc n° 4), apresentada junto com a impugnação, porém, não constando a conta 7.1.1.05.006, destino da reclassificação contábil alegada, na cópia da página do balancete mensal, onde constariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5), também, apresentada junto com a impugnação. Pois bem, entendo, sejam RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS ou RENDAS DE EMPRÉSTIMOS, as receitas em discussão fazem parte do objeto social da recorrente, empresa administradora de cartões de créditos, em razão disso, não enquadrandose como receita financeira e não fazendo jus à redução à zero das alíquotas ou à exclusão das bases de cálculo das contribuições sociais. Seguindo a mesma linha de abordagem da decisão recorrida, cujo voto condutor promoveu minuciosa analise da conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), segundo o Cosif, a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), que faz parte do subgrupo 7.1.1.00.001 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 16327.900673/201007 Acórdão n.º 3401004.205 S3C4T1 Fl. 5 4 Rendas de Operações de Crédito, o qual pertence ao grupo 7.1.0.00.008 Receitas Operacionais, tem como função “Registrar as rendas de empréstimos, que constituam receita efetiva da instituição, no período. Base Normativa: (Circular BCB 1273)”. Notar que a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS), a qual alegase ter sido reclassificados os valores originalmente registrados na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS), vinculase diretamente ao objeto social da recorrente, ambas, fazendo parte do bojo das suas receitas operacionais, subagrupadas em rendas de operações de crédito e outras receitas operacionais, respectivamente, constituindo receitas decorrentes do exercício da atividade empresarial das administradoras de cartões de crédito, que não se confundem com as oriundas de remuneração do capital nas operações financeiras. A incidência das contribuições sociais sobre as RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS foi mantida, por entender a decisão recorrida que, sendo cobrado do cliente da ora recorrente determinada importância, em contrapartida pela fiança/aval prestado, estaria caracterizada prestação de serviço próprio das administradoras de cartões de crédito. Ainda que seja feita uma divisão das receitas provenientes da atividade desempenhada pela recorrente, entre a prestação de fiança/aval e à concessão de empréstimos correlatos, ambas atividades, sujeitamse à incidência das contribuições sociais, mesmo que, na segunda hipótese, possa ser considerada uma atividade financeira, exclusivamente sujeita ao IOF, para fins de não ser tributável pelo ISS. Portanto, ainda que reclassificadas as rendas de empréstimos para a subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF), estamos nitidamente diante de receitas provenientes de operações de crédito, oriundas do exercício das atividades empresariais típicas da recorrente, que não se confundem com as receitas de remuneração do capital em operações financeiras dissociadas do objeto social da empresa. Ressaltase que essas operações são consideradas autônomas e possuem regras próprias de contabilização no Cosif. As rendas das garantias prestadas são contabilizadas na subconta 7.1.9.70.004 (sujeita ao ISS), e as rendas de empréstimos são lançadas na subconta 7.1.1.05.006 (sujeita ao IOF). Determinante no presente caso, se da contabilização na conta 7.1.9.70.004 (RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS) o resultado foi a inclusão das receitas de empréstimos, fato timidamente ressaltado pela interessada e somente agora em recurso voluntário, é certo que deveria haver a demonstração destas ocorrências, acompanhada da documentação comprobatória pertinente, o que não foi o caso, nem no momento oportuno da manifestação de inconformidade (art. 16, do PAF), Fl. 110DF CARF MF Processo nº 16327.900673/201007 Acórdão n.º 3401004.205 S3C4T1 Fl. 6 5 nem agora em recurso voluntário, cabendo ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, nos termos do art. 36, da Lei nº 9.784/99, ainda mais, quando objetivarem respaldar alegação de direito creditório. Por certo, a conta de RENDAS DE GARANTIAS PRESTADAS, abarca prestação de serviços tributáveis pelas contribuições sociais nãocumulativas, em discussão, incidência demonstrada pela fiscalização, mantida pela decisão recorrida e ora convalidada, pelos mesmos fundamentos, não havendo, por parte do interessado, demonstração adequada, apenas, simples planilha apresentada (doc n° 4), além da inexistência de documento de prova no sentido da inclusão de RENDAS DE EMPRÉSTIMOS nesta conta, cabendo ao contribuinte segregar e provar a possível natureza distinta de tais receitas, não constando nem mesmo a conta 7.1.1.05.006 (RENDAS DE EMPRÉSTIMOS) na cópia da página do balancete mensal, onde estariam as receitas financeiras que teriam tido as alíquotas reduzidas a zero (doc n° 5). Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o não reconhecendo do direito creditório pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10860.722008/2011-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201709
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10860.722008/2011-15
anomes_publicacao_s : 201711
conteudo_id_s : 5804846
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9202-005.818
nome_arquivo_s : Decisao_10860722008201115.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10860722008201115_5804846.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
id : 7035876
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:10:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049737382330368
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1598; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10860.722008/201115 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202005.818 – 2ª Turma Sessão de 26 de setembro de 2017 Matéria CSP RETROATIVIDADE BENIGNA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RODOVIARIO E TURISMO SAO JOSE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 72 20 08 /2 01 1- 15 Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 9202005.818 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 9202005.818 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 9202005.818 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 9202005.818 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 9202005.818 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 606DF CARF MF Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 9202005.818 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 9202005.818 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 608DF CARF MF Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 9202005.818 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10860.722008/201115 Acórdão n.º 9202005.818 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 610DF CARF MF
score : 1.0
