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Numero do processo: 10850.900092/2006-76
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS. PAGAMENTOS A CLÍNICAS, HOSPITAIS E ASSEMELHADOS. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO.
Os pagamentos efetivados por operadoras de plano de saúde definidos comos custos assistencias, entendido como serviços médicos, clínicas e hospitais, podem ser deduzidos da contribuição.
Numero da decisão: 3001-000.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
1.0 = *:*
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS. PAGAMENTOS A CLÍNICAS, HOSPITAIS E ASSEMELHADOS. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Os pagamentos efetivados por operadoras de plano de saúde definidos comos custos assistencias, entendido como serviços médicos, clínicas e hospitais, podem ser deduzidos da contribuição.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS. PAGAMENTOS A CLÍNICAS, HOSPITAIS E ASSEMELHADOS. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. Os pagamentos efetivados por operadoras de plano de saúde definidos comos custos assistencias, entendido como serviços médicos, clínicas e hospitais, podem ser deduzidos da contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 00 92 /2 00 6- 76 Fl. 102DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Pedido de Compensação Tratase de declaração de compensação n. 08476.78401.130803.1.3.045526, retificada pela de n. 15239.38216.020408.1.7.041973 de créditos de PIS do período de outubro de 2002, no valor de R$ 622,82 (seiscentos e vinte e dois reais e oitenta e dois centavos). Despacho Decisório A autoridade fiscal concluiu por não estar comprovado o direito creditório de PIS relativo a outubro de 2002, afirmando que os pagamentos realizados foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, portanto, indeferiu o pedido de compensação. Ademais, a DRF/SJR entendeu que houve exclusão indevida da base de cálculo da contribuição em relação a valores pagos a prestadores de serviços, clínicas, hospitais e etc, sendo despesas inerentes à atividade do contribuinte de plano de saúde, havendo, portanto, débito de PIS a ser recolhido. Manifestação de Inconformidade Em sede de sua manifestação de inconformidade, o recorrente alega, em suma, que houve equívoco na conclusão da autoridade fiscal quanto ao direito creditório de PIS e à compensação pleiteada. Base de cálculo do PIS Alega o manifestante que as exclusões por ele realizadas da base de cálculo estão corretas, uma vez que o PIS incide sobre o faturamento da pessoa jurídica, que, no presente caso, não engloba as receitas obtidas com prestadores de serviços, hospitais e etc, mas apenas as contraprestações dos usuários de seus planos de assistência à saúde. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 1430.904 – 1ª Turma da DRJ/RPO Sessão de 20 de setembro de 2010 Processo 10850.900092/200676 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10850.900092/200676 Acórdão n.º 3001000.680 S3C0T1 Fl. 103 3 Interessado SÃO DOMINGOS SAUDE ASSISTÊNCIA MÉDICA S/C LTDA CNPJ/CPF 00.636.975/000100 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXCLUSÃO. LEGISLAÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. Interpretase literalmente a legislação que trata da exclusão do crédito tributário, nos termos do disposto no art. 111, do CTN. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. CONDIÇÃO ESSENCIAL. Nos termos do disposto no art, 170, do CTN, a condição essencial para a compensação tributária é a comprovação da liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Não efetuada essa comprovação, não é de se homologar a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o presente de Declaração de Compensação apresentada pelo interessado utilizando o como crédito pagamento indevido do PIS referente ao período de apuração outubro de 2002, relacionado no Despacho Decisório, fls. 45. Através do Despacho Decisório de fls. 43/46, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas em virtude da verificação da inexistência do crédito apresentado para a compensação. Verificouse que o interessado excluiu da base de cálculo das contribuições para a Cofins, a título de “Outras Exclusões” valores pagos a prestadores de serviço, clinicas, hospitais, etc. Essas exclusões não foram aceitas, pois não autorizadas legalmente e, refeita a base de cálculo, verificouse que o valor devido do PIS e da Cofins, nos referidos períodos de apuração, era até superior aos valores efetivamente pagos. Assim pela inexistência de pagamento indevido ou a maior, ou seja, de crédito, não homologou as compensações e determinou a cobrança do crédito tributário não compensado. Cientificado da decisão, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, fls. 55/62, alegando, em breve síntese, o seguinte: a) No mérito, alega que é operadora de planos de saúde, nos termos da Lei n° 9.656, de 1998, discorre sobre o conceito de faturamento, concluindo que, no seu caso, adstringese ao resultado das receitas decorrentes do serviço que presta, consubstanciado nas contraprestações auferidas dos beneficiários dos planos de assistência à saúde que opera. Fl. 104DF CARF MF 4 b) Conclui que não há de se falar em exclusão indevida da base de cálculo da Cofins relativamente aos valores pagos a prestadores de serviço, clínicas, hospitais e outros assemelhados, uma vez que sequer tais valores fazem parte da base de cálculo do tributo. Ao final, requer o reconhecimento do seu direito creditório e a homologação da compensação declarada. A DRJ considerou não haver previsão legal para as exclusões da base de cálculo do PIS realizadas pelo impugnante, bem como que inexiste comprovação da liquidez e certeza do crédito da contribuição. Isso posto, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, o recorrente repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, quais sejam: Base de cálculo do PIS Aduz o recorrente que as exclusões à base de cálculo do PIS estão corretas, uma vez que a contribuição incide sobre o faturamento da pessoa jurídica e, no presente caso, deveria desconsiderar os gastos com prestadores de serviços, hospitais e etc, computandose tão somente as contraprestações dos usuários de seus planos de assistência à saúde. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente o pedido de compensação de créditos de PIS. Admissibilidade do Recurso O contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 07.10.2010, conforme Aviso de Recebimento AR de fl. 79, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10850.900092/200676 Acórdão n.º 3001000.680 S3C0T1 Fl. 104 5 Verificase, pois, que o recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 03.11.2010, conforme comprova o carimbo de protocolo da ARF/CATANDUVA/SP à fl. 80, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de compensação de créditos de PIS do período de outubro de 2002 no valor de R$ 622,82. O pedido está lastreado no suposto recolhimento a maior de PIS, que teria o condão de conferir direito à compensação de débitos da contribuição social em questão e que estaria evidenciado na DCTF do 2º trimestre de 2003, tendo em vista a exclusão de despesas com prestadores de serviço, hospitais e etc da base de cálculo do tributo. MÉRITO O assunto posto em evidência referese à correta formação da base de cálculo do pis e da cofins. A contribuinte, consoante se infere da PER DCOMP acostada em fls. 07 e 08, permite a conclusão por estar submetida ao Cofins sob regime cumulativo previsto na Lei 9.718/98. Nesta legislação, a contribuinte encontra a base de cálculo previsa no artigo 2 e 3, consoante se destaca a seguir: DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento Art. 3o O faturamento a que se refere o art. 2o compreende a receita bruta Existem exceções, neste mesmo artigo, a respeito de exclusões possíveis de serem realizadas pela contribuinte, mas não se encontra, neste tópico, a exclusão aventada pela recorrente § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: Fl. 106DF CARF MF 6 § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) I coresponsabilidades cedidas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde Do auto de infração, especificamente em fls. 36, encontrase, como fundamento da glosa do crédito, o fato de haver conta contábil com nomenclatura "eventos conhecidos de assistência Médica" relativas as pagamentos efetuados pela contribuinte a prestadores de serviço como clínicas, hospitais e outros assemelhados, vejase: Analisando o demonstrativo em questão, observamos que o contriubuitne deduz como despesas assinstenciais o valor a título de Eventos Conhecidos de Assistêmcia Medica cujo valor é a somadas despesas detalhadas neste demonstrativo (fls.50 a 53). Verificamos que essas despesas são originárias de pagamentos, efetuados pelo contribuinte em questão, a prestadores de serviços, clinicas, hospitais, e outros assemelhados, que são despesas e custos próprios e inerentes à atividade de Plano de Saúde, ramo de atividade essa declarada pelo contribuinte em DCTF (fl.07) e confirmada no sistema CNPJ como CNAE 6550200 Planos de Saúde (fI.57). Logo após, concluiu pela impossibilidade da dedução. Assim, concluímos não ser possível a dedução da base de cálculo efetuada pelo contribuinte a titulo de "Eventos Conhecidos de Assist. Médicas" motivo pelo qual glosamos o correspondente valor em R$543.773,47 e recalculamos o valor da COFINS de Julho/2002 conforme planilha 4 abaixo: Contudo, tal entendimento exposto no Despacho Decisório em questão, contraria o entendimento exposto, inclusive, no próprio parágrafo 9.º A, de caráter explicativo acima mencionado, uma vez que as verbas pagas a clínicas e hospitais, estão inseridos na dedução do parágrafo nono acima mencionado. E desta forma vem decidindo este CARF: Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10850.900092/200676 Acórdão n.º 3001000.680 S3C0T1 Fl. 105 7 Acórdão nº 3402005.381 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 COFINS. BASE DE CÁLCULO. OPERADORAS DE PLANO SAÚDE. CUSTOS ASSISTENCIAIS. SERVIÇOS MÉDICOS PRESTADOS. ATOS COOPERATIVOS PRÓPRIOS (ACP). EXCLUSÕES.GLOSAS. DILIGÊNCIA Diante da repercussão da interpretação legal fixada pelo §9ºA, art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, acrescido à redação original pelo artigo 19 da Lei nº 12.873, de 2013, admitese as exclusões na base de cálculo, de todos os custos com atendimento de beneficiários da própria operadora, e dos beneficiários de outra operadora, o que resulta na inexistência de saldo a serem cobrados no presente processo. Os valores contestados pela empresa foi ratificado pelo Fisco em atendimento à solicitação de diligência. Recurso de Ofício Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido. xxxxx Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.906164/2011-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO
Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1402-003.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
assinado digitalmente
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 EXCLUSÃO- COMPENSAÇÃO Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone - Presidente. assinado digitalmente Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1333; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.111 1 1.110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.906164/201175 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.630 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de dezembro de 2018 Matéria SIMPLES Recorrente LICEU LEONARDO DA VINCI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002, 2003, 2004 EXCLUSÃO COMPENSAÇÃO Após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos do computado pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. assinado digitalmente Paulo Mateus Ciccone Presidente. assinado digitalmente Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 61 64 /2 01 1- 75 Fl. 154DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente feito de retorno de diligência dos autos do processo administrativo em epígrafe. Na sessão ocorrida em 26 de janeiro deste ano, esta turma deliberou e decidiu por converter o feito em diligência, nos termos do voto do Conselheiro Demetrius Nichele Macei. Adoto o relatório encartado naquele voto como ponto de referência, complementandoo ao final: Tratase o presente processo de Pedido de Compensação (PER/DCOMP), com base em créditos do SIMPLES e débitos apurados pela sistemática do Lucro Presumido (PIS/PASEP e COFINS). O Despacho Decisório não homologou a pretensa compensação sob a justificativa da ausente apresentação de Declaração (obrigação acessória) relativa ao período correspondente ao crédito original informado na DCOMP, o que impossibilitou a confirmação sobre a existência do crédito pleiteado. Inconformada com a decisão acima resumida, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, apenas alegando que efetuou os pagamentos de tributos em 2003 e 2004 ainda como optante do SIMPLES, mas que efetuou a entrega de suas obrigações acessórias (DIPJ), pela apuração do Lucro Presumido. Em primeira instância o pedido da contribuinte foi julgado totalmente improcedente sob a fundamentação de não ter restado comprovado suficientemente nos autos a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado. Irresignada com tal decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, repisando seus argumentos, mas também trazendo algumas inovações em suas alegações, as quais resumo a seguir: a) Explica que sua exclusão do SIMPLES ocorreu por ato de ofício, qual seja: Ato Declaratório Executivo nº 76, de 29/11/2005; b) Afirma que foi comunicada do supracitado ato por edital SACAT/DRF/POR nº 01/2006 em 02 de janeiro de 2006 e que os efeitos de tal exclusão retroagiram a 2002; c) Acrescenta que não pode juntar cópia de tal ato aos autos pelo fato de a comunicação ter ocorrido por edital; d) Alega que só entregou a DIPJ em momento posterior, devido a equívoco da contabilidade da empresa e que tal declaração possui os valores pelo presumido; Por fim, registrese, ainda, que junto de seu Recurso Voluntário a Recorrente anexa novos documentos: a) parte de um Termo de Encerramento de Ação Fiscal de outro processo que está registrado sob o MPF nº 08.1.09.002006009198 (efls. 9198); b) mais especificamente, cabe ainda relatar que no retromencionado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, consta que no início da fiscalização a Recorrente não se encontrava no domicílio fiscal por ela indicado. Confirmam os auditores fiscais que no local operava a empresa Organização Educacional Barão de Mauá, CNPJ 56.001.480/000836. Além disso, os funcionários do local afirmaram desconhecer a empresa Liceu Leonardo da Vinci LTDA e, menos ainda, o representante desta, o Sr. João Ângelo Everaldo Mucke. Os auditores localizaram, então, o endereço do escritório de contabilidade da fiscalizada. Lá, foram atendidos pelo Sr. Newton Figueira de Mello, proprietário da empresa, que entrou em contato com os sócios da fiscalizada, que compareceram no local tomando ciência do Termo de Início de Fiscalização e respectivo MPFF. c) apresenta um Demonstrativo de receitas elaborado pela fiscalização, cujos valores foram extraídos das notas fiscais de prestação de serviços do contribuinte; d) sob MPF nº 0810900/00910/06, há Autos de Infração de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP, apurados pela sistemática do Lucro Arbitrado, haja vista a fiscalização ter considerado a escrituração da autuada como imprestável e ter entendido como configurada a infração de omissão de receita. Tal glosa pertencente ao processo administrativo sob o nº 15956.000077/200742, cujo acórdão de impugnação a Recorrente anexa logo em seguida, o que se deduz pela correlação evidente entre os fatos narrados em tal acórdão e os dados presentes em tais autos de infração. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.906164/201175 Acórdão n.º 1402003.630 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Na sessão de 21 de janeiro de 2018, baixaramse os autos em diligência para: a) a autoridade preparadora, considerando que os pagamentos realizados a titulo de Simples são incontroversos neste processo, depure tais recolhimentos de acordo com a legislação do Simples vigente a época dos pagamentos informados, especificando quais os tributos e respectivos valores compõem cada recolhimento realizado pelo contribuinte, ou seja, depure cada um dos tributos e contribuições sociais que compõe o valor recolhido (IRPJ, PIS, INSS, ISS, etc). b) uma vez depurados, que seja apresentado em tabela, onde se possa identificálos por competência. c) uma vez identificados, elabore um ultimo demonstrativo apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, excluindose portanto eventuais recolhimentos a titulo de Contribuições Previdenciárias INSS ou tributos não federais (ISS, p. ex.). Ao final, que tais valores compensáveis sejam somados e o valor resultante seja destacado ao final do demonstrativo. d) Observase que as efolhas onde se encontram os valores apontados não estão sendo aqui especificados pois este julgamento segue o sistema de julgamento de recursos repetitivos. e) ao contribuinte seja dada a oportunidade de, cientificado da diligência, manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias (parágrafo único, do art. 35, do Decreto 7.574/2011) sobre o resultado da mesma. Foi então proferido o despacho de diligência de fls., em que o AFRFB responsável elaborou tabela constante dos autos apenas com os valores dos tributos federais compensáveis, ou seja, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para a competência discutida nos presentes autos. É o relatório do essencial. Voto Fl. 156DF CARF MF 4 Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira 1. DA ADMISSIBILIDADE: O Recurso é tempestivo e interposto por parte competente, posto que o admito. 2. MÉRITO: A exclusão do sujeito passível, por meio da ADE n.76, DE 29/11/2005, da sistemática do simples torna indevidos os recolhimentos naquela sistemática, contudo, a compensação por meio de DCOMP exlcui as contribuições previdenciárias Aplicase ao caso o entendimento de que após a exclusão do Simples são passíveis de compensação os eventuais recolhimentos nos termos da resolução transcrita no relatório da presente decisão. Depurados os recolhimentos realizados na sistemática do Simples pela Receita Federal, sem contestação do contribuinte, este deve ser o valor compensável nos termos do apurado em sede do relatório da diligência fiscal. Diante do exposto voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.003252/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente
(assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra –Presidente (assinado digitalmente) Pedro Sousa BispoRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .0 03 25 2/ 20 07 -1 8 Fl. 2182DF CARF MF Processo nº 10850.003252/200718 Resolução nº 3402001.709 S3C4T2 Fl. 2.183 2 Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fl. 076/077, em face do Despacho Decisório resultante da apreciação do Pedido de Restituição em papel e não numerado (fls. 003), protocolado em 26/12/2007, por meio do qual a contribuinte pretende ter restituído o valor total de R$ 33.745,19. A solicitante esclarece em seu pedido que se utilizou do formulário em papel devido à impossibilidade de se utilizar do programa PER/DCOMP (art. 3º, §1º, da IN SRF nº 600/2005), por este não possuir os campos adequados. Conforme informado pela contribuinte em seu pedido, o valor a ser restituído seria correspondente à compensação a maior de valor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins por meio da Declaração de Compensação original (fls. 005/006) entregue em 15/05/2003 utilizando crédito oriundo de restituição solicitada no processo nº 13804.000951/200164, que teria sido indevidamente apurado a maior sob o fundamento de inconstitucionalidade da parcela da receita que não se enquadra no conceito de faturamento incluída na base de cálculo. A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 15/04/2009, emitiu Despacho Decisório em papel (fls. 058/064), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base nos seguintes fundamentos: não confirmação da existência do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e impossibilidade de considerar exclusão da base de cálculo além das expressamente previstas nas normas aplicáveis, apenas em face de inconstitucionalidade não ampliável à contribuinte. Cientificada do Despacho Decisório, em 30/04/2009 (fl. 065), a contribuinte ingressou, em 01/06/2009, com a manifestação de inconformidade de fls. 066/075 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Preliminarmente pede a suspensão do presente processo até o julgamento do processo administrativo nº 13804.000951/200164, cujo objeto é a compensação que daria causa à presente restituição. Esclarece que aquele processo já teve o indeferimento proferido em Despacho Decisório, e que tal indeferimento foi anulado pelo CARF, resultando em novo Despacho Decisório que deferiu parcialmente o pedido, decisão que atualmente encontrase pendente de julgamento de manifestação de inconformidade apresentada. Em face dessa pendência de decisão definitiva em relação àquele processo, cuja matéria seria prejudicial em relação à presente, é que a contribuinte solicita a suspensão do presente processo, com fundamento no art. 265, inciso IV, alínea a, do Código de Processo Civil. Acrescenta ainda que não poderia aguardar o desfecho daquele processo para apresentar novo pedido de restituição, em virtude do prazo decadencial para apresentação desse novo pedido, estabelecido pela Lei Complementar nº 118, que seria de cinco anos a partir da extinção do crédito tributário. 2. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e à posição da 2ª instância administrativa, trazendo exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em especial o entendimento daquele órgão de que a posição Fl. 2183DF CARF MF Processo nº 10850.003252/200718 Resolução nº 3402001.709 S3C4T2 Fl. 2.184 3 do STF nos recursos extraordinários deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, o débito total de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins apurado no período de abril de 2003, no valor de R$ 36.147,06, conforme cópia da DCTF do 2ºT/2003 anexada aos autos, seria indevido o valor de R$ 33.745,19, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas financeiras, conforme comprovado por cópias do balancete, do Livro Razão e de planilha de cálculos, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. Ato contínuo, a DRJRIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 PAF. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento do processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis e somente pode afastar as normas declaradas inconstitucionais nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. QUITAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTO ESSENCIAL. A préexistência inequívoca de quitação líquida e certa é pressuposto essencial à restituição do valor eventualmente quitado indevidamente ou a maior e a ausência ou incerteza dessa quitação torna improcedente o pedido nela fundado. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Fl. 2184DF CARF MF Processo nº 10850.003252/200718 Resolução nº 3402001.709 S3C4T2 Fl. 2.185 4 Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Em seguida, devidamente notificada, a Empresa interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. No Recurso Voluntário, a Empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na manifestação de inconformidade. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos quanto a natureza das receitas auferidas pela empresa, bem como que fosse informado quais delas deveriam ser excluídas da base de cálculo das contribuições por força do RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral. Cumprida a solicitação do Colegiado, o processo foi a mim distribuído por sorteio, tendo em vista que o Conselheiro Relator originário, (Carlos Daniel) neste ínterim, foi nomeado Conselheiro de outra Seção de julgamento do CARF. É o relatório. VOTO O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. A matéria aqui discutida é costumeira aqui neste Colegiado, visto que todos aqueles que recolheram contribuições sociais ao PIS e a COFINS com a base de cálculo ampliada pelo §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98 passaram a ingressar administrativamente, dentro do interregno legal do direito à restituição, buscando reaver os valores pagos indevidamente. Visando comprovar o seu direito creditório, o contribuinte juntou ao seu Recurso Voluntário planilhas que indicam, supostamente, a existência de receitas financeiras na apuração da base de cálculo das contribuições sociais. Este Colegiado, em sessão realizado no dia 21 de fevereiro de 2017, resolveu converter o julgamento em diligência por entender que o processo não se encontrava maduro para julgamento pois necessitava dos esclarecimentos a seguir indicados: I) Que a DRF intime o contribuinte a apresentar os livros contábeis e a documentação fiscal necessária à identificação da natureza das receitas que compuseram a base de cálculo das contribuições sociais do período cuja restituição pleiteia o Recorrente. Fl. 2185DF CARF MF Processo nº 10850.003252/200718 Resolução nº 3402001.709 S3C4T2 Fl. 2.186 5 II) Após o recebimento e análise da documentação a ser entregue pelo Recorrente, a autoridade fiscalizadora deverá elaborar relatório discriminando a parcela da base de cálculo correspondente às receitas excluídas por força do Recurso Extraordinário RE 585.235, julgado sob sistemática de Repercussão Geral, calculando o valor do tributo correspondente. A DRF de origem analisou detalhadamente cada rubrica contábil reivindicada pela Recorrente que supostamente não comporia a base de cálculo das contribuições por força da declaração de inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9718/98. Em suma, concluiu que dentre todas as rubricas analisadas, as referentes as contas contábeis 37201.00002 – ENTRADA DE PEÇAS P/ ESTOQUE, 37201.00003 – VENDA INTERNA, 3620100014 – REMUNERAÇÃO S/ CONSÓRCIO, 37201.00006 – RECEITAS DE INVEST. EM CONSÓRCIO e 37201.00007 – OUTRAS RECEITAS deveriam compor o faturamento para efeito de incidência das contribuições. Em seguida, foram refeitos os cálculos do período em análise, com base no demonstrativo e registros contábeis que lhes foram apresentados, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, onde apurouse Cofins a pagar do período de apuração de abril/03 no valor de R$ 34.556,33, fls. 2048. Por fim, concluiu que não houve compensação a maior, na comparação entre a Cofins a pagar apurada na diligência com a compensação apontada como pagamento a maior (não homologada, permanece em discussão no CARF processo nº13.804.000951/200164), no Pedido de Restituição em análise. No entanto, a Recorrente, em sua manifestação sobre os resultados da diligência fiscal, afirma que, por equívoco seu e da Fiscalização, não foram considerados na apuração da COFINS devida a dedução os custos dos veículos usados vendidos (planilha de apuração de apuração da COFINS, fls. 2.048), nos termos da IN SRF nº247/2002. Informa, ainda, que os documentos contábeis comprovantes dos custos de veículos usados foram juntados anteriormente ao processo. Como se sabe, a determinação da receita tributável na venda de veículos usados adquiridos para revenda se dá pela diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição, de acordo com os §§ 4º e 5º do art.10, da IN SRF nº247/02, in verbis: Art.10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas. (...) § 4º A pessoa jurídica que tenha como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores deve apurar o valor da base de cálculo nas operações de venda de veículos usados adquiridos para revenda, inclusive quando recebidos como parte do pagamento do preço de venda de veículos novos ou usados, segundo o regime aplicável às operações de consignação. § 5º Na determinação da base de cálculo de que trata o § 4º será computada a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado houver Fl. 2186DF CARF MF Processo nº 10850.003252/200718 Resolução nº 3402001.709 S3C4T2 Fl. 2.187 6 sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. Tendo em vista a legislação citada e uma vez que constam nos autos documentos que sugerem a existência do direito a dedução dos custos de veículos usados na apuração da COFINS devida, com reflexos no pedido de restituição ora analisado, entendo que há necessidade da conversão do processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem confirme a procedência da dedução proposta na apuração da COFINS. Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem (Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto/SP) realize os seguintes procedimentos: I) Que a DRF analise a documentação contábil já juntada aos autos para verificar se é suficiente para comprovar os custos na aquisição de veículos usados revendidos. Caso a referida documentação não seja suficiente, intimar a empresa a apresentar outros elementos necessários a comprovação dos custos citados. II) Após a análise da documentação, a Autoridade Fiscalizadora deverá elaborar relatório e refazer as planilhas constantes das fls.2048 a 2050, levando em consideração a dedução do custo na aquisição dos veículos usados revendidos, por ventura apurados; e III) Elaborado o relatório, devese dar ciência ao contribuinte para manifestação sobre o teor do relatório da diligência, retornando então o processo a este Colegiado para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 2187DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.732548/2011-18
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
É POSSÍVEL A RETIFICAÇÃO DE MATÉRIA QUE NÃO CONSTA DO LANÇAMENTO. É possível a retificação de valores da declaração após o contribuinte ter sido cientificado da apuração de ofício, desde que a matéria que pretenda alterar não conste das infrações apuradas. Todas alterações na declaração que não tenham sido objeto de lançamento são passíveis de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte.
O LÍTIGIO SE VINCULA A TODA A APURAÇÃO FEITA NA DECLARAÇÃO DO IRPF.
Diante da vinculação de toda declaração ao litígio, pois só nos recursos é possível retificar, e diante de princípios da Administração Pública, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, não há objeção ao julgador dar seguimento à alteração na apuração solicitada pelo contribuinte. Além de não existir óbice, é a única maneira de se alcançar a base de cálculo do imposto de renda, valor sobre o qual vai incidir a alíquota devida, matéria de lei, conforme art. 97 do CTN.
Numero da decisão: 2001-000.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 É POSSÍVEL A RETIFICAÇÃO DE MATÉRIA QUE NÃO CONSTA DO LANÇAMENTO. É possível a retificação de valores da declaração após o contribuinte ter sido cientificado da apuração de ofício, desde que a matéria que pretenda alterar não conste das infrações apuradas. Todas alterações na declaração que não tenham sido objeto de lançamento são passíveis de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte. O LÍTIGIO SE VINCULA A TODA A APURAÇÃO FEITA NA DECLARAÇÃO DO IRPF. Diante da vinculação de toda declaração ao litígio, pois só nos recursos é possível retificar, e diante de princípios da Administração Pública, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, não há objeção ao julgador dar seguimento à alteração na apuração solicitada pelo contribuinte. Além de não existir óbice, é a única maneira de se alcançar a base de cálculo do imposto de renda, valor sobre o qual vai incidir a alíquota devida, matéria de lei, conforme art. 97 do CTN.
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É possível a retificação de valores da declaração após o contribuinte ter sido cientificado da apuração de ofício, desde que a matéria que pretenda alterar não conste das infrações apuradas. Todas alterações na declaração que não tenham sido objeto de lançamento são passíveis de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte. O LÍTIGIO SE VINCULA A TODA A APURAÇÃO FEITA NA DECLARAÇÃO DO IRPF. Diante da vinculação de toda declaração ao litígio, pois só nos recursos é possível retificar, e diante de princípios da Administração Pública, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, não há objeção ao julgador dar seguimento à alteração na apuração solicitada pelo contribuinte. Além de não existir óbice, é a única maneira de se alcançar a base de cálculo do imposto de renda, valor sobre o qual vai incidir a alíquota devida, matéria de lei, conforme art. 97 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 25 48 /2 01 1- 18 Fl. 73DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. E o acórdão da DRJ votou pelo não conhecimento: A impugnação é tempestiva e atende aos pressupostos legais de admissibilidade previstos no Decreto nº 7.574/2011, razão pela qual é conhecida. O contribuinte, ora impugnante, concorda expressamente com a totalidade da infração lavrada, Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$16.258,56. Esse fato, como conseqüência, dá nova feição à matéria, que passará a ser considerada como não impugnada, conforme prescreve o art. 58, do Decreto 7.574/2011 (redação dada pela Lei 9.532/97, art. 67). Cumpre prelecionar ao impugnante que o julgamento cingese a questões relacionadas à Notificação de Lançamento e, na espécie, à infração lavrada de Dedução Indevida de Despesas Médicas, ou seja, questões outras não contidas no Lançamento, como a solicitação de exclusão de rendimentos supostamente informados a maior, ultrapassam o litígio e, portanto, não serão objeto de análise. O impugnante poderá pedir orientação junto ao órgão de origem acerca dos procedimentos eventualmente cabíveis para atingir o objetivo almejado. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10380.732548/201118 Acórdão n.º 2001000.873 S2C0T1 Fl. 3 3 Ante o exposto, voto para NÃO CONHECER da impugnação, por falta de objeto, resultando na manutenção integral do Lançamento. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Discordo da decisão da DRJ em relação à retificação da declaração. Ao fazer o lançamento a autoridade fiscal bloqueia a possibilidade de ser retificada a parte da declaração que não tem relação com a infração. Assim, coloca todo o lançamento dentro do litígio, pois a única maneira de retificar, alterar o que não é infração, é apresentando impugnação ou recursos ao lançamento. No IRPF, de acordo com as disposições legais, o contribuinte tem a obrigação de apresentar declaração de rendimentos, calcular e antecipar o pagamento do imposto. O contribuinte, enquanto não iniciado procedimento fiscal (inexistência de intimação), pode retificar a declaração, ou apresentála, caso não o tenha feito. O direito de o contribuinte de retificar, de pleitear restituição do IRPF, em declaração de ajuste anual, extinguese com o decurso de 5 anos a contar da ocorrência do fato gerador (31 de dezembro do anocalendário em questão). Tratase de prazo idêntico ao de que dispõe a Fazenda Pública para constituir o crédito tributário. Parecer Normativo Cosit Nº 6, de 04 de agosto de 2014 dispõe: “ Com efeito, como bem foi enfatizado no Parecer Cosit nº 48, de 1999, considerando que a Fazenda Pública tem prazo fixado para proceder ao lançamento, o contribuinte deve dispor de igual prazo para retificar a declaração de rendimentos, por se tratar de situações equivalentes.” Erros, omissões, deduções e compensações indevidas, na declaração, são apontadas mediante auto de infração ou notificação de lançamento. O lançamento também pode ocorrer quando não foi entregue declaração. O lançamento aponta as infrações, as práticas do contribuinte, omissivas ou indevidas, que ocasionaram diminuição no imposto a pagar (vinculado à obrigação tributária principal) ou infração aos dispositivos legais passíveis de multa. Desde o seu início, o procedimento administrativo pode ser parcial, tratar de parte da declaração. Por exemplo, na intimação para que o contribuinte preste esclarecimentos pode ser solicitada só a apresentação dos recibos médicos. O lançamento não se constitui em revisão automática de todas as informações que existam em uma declaração, pois ele intervém, como não poderia deixar de ser, apenas no que dispõe, no que investiga, e apenas nas infrações que identifica. É refeito o cálculo do imposto, considerando as informações e apuração do contribuinte, com as alterações indicadas no lançamento. Pode haver alterações de limites, de Fl. 75DF CARF MF 4 faixas, de alíquotas; a declaração é novamente processada, há novo cálculo, novo imposto apurado. Assim, no cálculo de auto de infração ou notificação de lançamento, há itens informados na declaração do contribuinte e itens lançados, alterados pelo fisco. Sujeito ativo e passivo concorrem para o resultado. A matéria lançada não pode mais ser alterada pelo contribuinte. Quanto à parte da declaração não tratada pelo lançamento, pode ocorrer retificação. Não há disposições legais vedando essa ação, nem há lógica que assim ocorra. O impedimento a retificar é específico às infrações apuradas. O art. 5º da IN SRF nº 958 de 2009 reportase apenas à “matéria tributável objeto de lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo”, como causa impeditiva da apresentação de declaração retificadora: Art. 5º A declaração retificadora não será aceita quando: I for apresentada durante o procedimento fiscal, nos termos do inciso I e § 1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972; II alterar matéria tributável objeto de lançamento regularmente cientificado ao sujeito passivo, com vistas a reduzir seu valor, nos termos do art. 145 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN); Em matéria correlata, a perda de espontaneidade, prevista no art. 138 do CTN, também está relacionada somente à infração apurada e não à existência de procedimento fiscal: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O art. 63, § 4º, do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943, que é anterior aos dispositivos vigentes sobre a matéria, traz entendimento contrário à retificação, o que permite concluir que o mesmo estaria tacitamente revogado: Art. 63 (...) § 4º É vedado ao contribuinte, depois de notificado do lançamento do imposto ou do início do processo de lançamento exofficio requerer a retificação de sua declaração, para o fim de incluir deduções e abatimentos que, anteriormente àqueles atos, não pleiteara. Importante também observar que o ADI SRF nº 5, de 17 de maio de 2002, especificou que a perda de espontaneidade do sujeito passivo ocorre somente em relação ao Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10380.732548/201118 Acórdão n.º 2001000.873 S2C0T1 Fl. 4 5 início do procedimento fiscal referente ao tributo, período e matéria nele expressamente inseridos: Art. 1º O ato que determinar o início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do contribuinte em relação ao tributo, ao período e à matéria nele expressamente inseridos e, independente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Essa também é a conclusão da SCI Cosit nº 18, de 11 de julho de 2003, que trata da espontaneidade referente a MPF: Em face do exposto é de se concluir que: (...) b) a espontaneidade é afastada somente em relação aos tributos, períodos e matérias que constarem expressamente do ato, praticado e assinado pelo AFRF designado no MPF, que caracterizar o início do procedimento fiscal. Não há qualquer óbice para que o contribuinte, após ter sido cientificado do lançamento, retifique sua declaração de ajuste, frisese, em relação às matérias que não foram objeto do lançamento. Como bem se observa examinando os dispositivos legais sobre a retificação, não há restrição a que ela seja feita em relação à parte não infracional. Além disso, pelo princípio da isonomia, não pode existir tratamento diverso entre os contribuintes. O lançamento, ato da administração, não pode ser fator de discrímen entre contribuintes. Não há justificativa lógica para utilizarse a existência de lançamento ocorrido em uma parte da declaração para impedir retificação de outras. Não há legitimidade em que contribuinte sem lançamento possa retificar, contribuinte autuado não. A doutrina também indica que a interpretação da legislação sobre isonomia deve privilegiar o tratamento isonômico. Se a legislação não dispôs expressamente vedações a retificar (e não o fez), a retificação deve ser franqueada a todos contribuintes. Um exemplo dessa situação: dois colegas de trabalho: um tem, por lançamento, glosa de despesas médicas, o outro não. Suponhamos uma mudança do valor dos rendimentos tributáveis em erro do empregador. Perguntase: um pode retificar, e acertar a apuração, o outro não? Ou ambos descobrem despesas com instrução que não haviam declarado: um pode retificar, e acertar a apuração, o outro não? Ocorrendo na declaração de imposto de renda uma apuração, um ajuste onde se contrapõem rendimentos, deduções, compensações, e sendo o lançamento de ofício efetuado por meio da alteração de apenas determinados campos, a abrangência da matéria objeto do lançamento anteriormente apurado pela autoridade lançadora, de que trata o art. 5º, II, da IN nº 958, de 2009, no caso do IRPF, estaria restrita aos campos específicos das infrações apuradas, ou matéria investigada, não atingindo, por conseguinte, as demais informações prestadas pelo contribuinte na declaração e que não foram alteradas pela autoridade lançadora. Fl. 77DF CARF MF 6 Entendese que a inclusão de deduções da base de cálculo do IR e de retirada de rendimentos estariam dentro da abrangência de erro passível de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte. Erros ou equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Ac. 1º C.C. n.º 104 17249, Sessão de 10/11/1999). Na apuração complexa do IRPF, com vários itens, adições, subtrações, qualquer elemento que conduza a diferença no imposto apurado é passível de ser retificado. A quantificação do imposto apurado segue determinações de lei. É a base de cálculo de que fala o art. 97 do CTN. Todos elementos desse cálculo devem ser seguir as disposições legais, sendo erros todos os desvios dessas determinações. É importante destacar observações do Parecer Normativo CST 67, de 1986, que tratam da obrigação de se seguir as disposições legais ao se proceder o cálculo do imposto: 4. O fundamento jurídico do direito à restituição do indébito tributário, assim como dos demais institutos que ensejam a alteração, direta ou indireta, do crédito tributário, é a restauração da licitude do ato praticado sem causa legal, e não o simples erro cometido pelo sujeito passivo. 4.1 A própria administração tributária tem o dever de reconhecer os atos ilícitos, representados pelo pagamento sem título, aceito ou exigido. (...) 6. Em face da amplitude dos termos do art. 165 do CTN, a repetição do indébito tributário pode ser pleiteada pelo sujeito passivo, sendo irrelevante se o pagamento do imposto tiver sido precedido de instauração da fase contenciosa, bastando fique demonstrada a ocorrência de uma das hipóteses previstas no referido artigo.” Com isso, a vedação de retificar declaração por iniciativa do contribuinte, quando visasse a reduzir ou a excluir tributo, após ter sido notificado do lançamento, não prejudicaria o seu direito de pagar somente o que seria devido, pois eventuais erros em sua declaração poderiam ser sanados: pela impugnação tempestiva, em relação à matéria lançada; pela retificação, nas demais matérias. Observese que não houve apreciação pela DRJ dos rendimentos que o contribuinte pleiteia reduzir. Entendo não haver nulidade dessa decisão, e sim a opção de não acatar aquilo que estava fora do litígio. De toda forma, mesmo que assim fosse, entendo que se aplica o disposto no Código de Processo Civil artigo 249 § 1.º e no artigo 250. “Art. 249. O juiz, ao pronunciar a nulidade, declarará que atos são atingidos, ordenando as providências necessárias, a fim de que sejam repetidos, ou retificados. § 1o O ato não se repetirá nem se Ihe suprirá a falta quando não prejudicar a parte. § 2o Quando puder decidir do mérito a favor da parte a quem aproveite a declaração da nulidade, o juiz não a pronunciará nem mandará repetir o ato, ou suprirlhe a falta.” Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10380.732548/201118 Acórdão n.º 2001000.873 S2C0T1 Fl. 5 7 “Art. 250. O erro de forma do processo acarreta unicamente a anulação dos atos que não possam ser aproveitados, devendo praticarse os que forem necessários, a fim de se observarem, quanto possível, as prescrições legais. Parágrafo único. Darseá o aproveitamento dos atos praticados, desde que não resulte prejuízo à defesa.” Concluise: primeiramente, é possível a retificação de valores da declaração após o contribuinte ter sido cientificado da apuração de ofício, desde que a matéria que pretenda alterar não conste das infrações apuradas. Todas alterações na declaração que não tenham sido objeto de lançamento são passíveis de retificação de declaração por iniciativa do próprio contribuinte; e em segundo lugar, diante da vinculação de toda declaração ao litígio, pois só nos recursos é possível retificar, e diante de princípios da Administração Pública, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência, conforme o disposto no art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, não se vê objeção ao julgador dar seguimento à alteração na apuração solicitada pelo contribuinte. Além de não existir óbice, é a única maneira de se alcançar a base de cálculo do imposto de renda, valor sobre o qual vai incidir a alíquota devida, matéria de lei, conforme art. 97 do CTN. Pelas razões explicadas mais acima, por não haver outra possibilidade de alterar a apuração para estabelecer o valor efetivo da base de cálculo, entendo pela aceitação da retificação nessa instância, retirandose da base de cálculos rendimentos não provados. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.910149/2012-55
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 20/04/2012
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Presidente.
(assinado digitalmente)
Márcio Robson Costa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges - Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Presidente. (assinado digitalmente) Márcio Robson Costa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 01 49 /2 01 2- 55 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 210 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) nº 19072.50638.200412.1.3.042409 com aproveitamento de suposto pagamento a maior do PIS no valor de R$ 9.316,00, referente ao período de apuração (PA) de ago/08. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformada com o despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, argumentando que é prestadora de serviços no ramo de engenharia, tendo como tomadora o Grupo Petrobrás, acumulando créditos com as aquisições de bens e serviços utilizados como insumos nas atividades exercidas. Aduz que a sistemática nãocumulativa da COFINS e do PIS pretendeu desonerar a cadeia produtiva, ao permitir que sejam descontados créditos referentes às aquisições, efetuadas no mês, de bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, conforme dispõe o artigo 3º da Lei 10.833/03. Para comprovar a regularidade dos créditos, anexa o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais retificador, Declaração de Débitos e Créditos retificada e Pedido de Compensação – Per/Dcomp. A 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu decisão, acórdão nº. 09 47.508, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/04/2012 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA, DEVIDAMENTE ESCRITURADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 211 3 não há que se falar em pagamento indevido. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e não constitui elemento de prova suficiente para justificar a retificação dos valores dos tributos devidos constantes de DCTF as informações declaradas pelo Contribuinte por meio do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, quando desacompanhada dos documentos e demonstrativos contábeis aptos a lhe darem sustentação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. MOMENTO PARA APRESENTAÇÃO. Ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c”, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, argumentando, em síntese: 1 que a compensação se deu com créditos existentes, demonstrados pela retificação dos DACON´s; 2 que houve apenas erro material nas informações em DCTF, fato que pode ser comprovado pelas informações apresentadas nos DACON´s, devendose observar o princípio da verdade material; 3 que a natureza do crédito pleiteado está comprovada em "todos os documentos contábeis, fiscais, relatórios, planilhas demonstrativas, balancetes" que trouxe aos autos com o recurso voluntário. A recorrente aduz, ainda, que "todos os documentos contábeis e fiscais poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa". É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 212 4 O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No presente caso o contribuinte transmitiu a DCOMP descrita no relatório acima e indicou a existência de crédito em razão de pagamento a maior. A auditoria fiscal ao analisar a DCOMP transmitida, verificou que não havia o saldo pretendido, uma vez que o pagamento indicado na DCOMP já havia sido utilizado para quitação de outro débito, diante desse fato foi publicado o Despacho Decisório que não homologou a compensação dos débitos confessados. Importa observar que a retificação da DCOMP foi em data posterior ao despacho decisório. Tal procedimento foi validado pelo Parecer Normativo COSIT Nº 2, de 28 de agosto de 20151, contudo, a produção da prova relacionada a essa retificação deve ser realizada de forma minuciosa, como veremos no decorrer deste voto. A impugnação sustentou erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito informado foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de contribuição social a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação, infirmando as declarações originais. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração 1 Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 213 5 contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a contribuição devida era realmente menor do que o valor constante nas declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalou a decisão a quo, para que os dados declarados em DACON fossem tidos como corretos, infirmando aqueles informados em DCTF e demonstrando a certeza e liquidez do crédito a compensar, deveria a recorrente ter apresentado documentos que corroborassem a apuração do tributo declarado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos originalmente apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 214 6 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material, conforme bem evocado no Recurso Voluntário, e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação os quais podem representar, de certo modo, uma forma de contrapor as razões consignadas na decisão recorrida, aplicandose, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.235/722. Compulsando os documentos apresentados, observase que apesar de ter trazido aos autos diversas notas fiscais, a recorrente deixou de apresentar escrituração contábilfiscal e demonstrativos de apuração a fim de justificar a retificação do DACON e DCTF e assim não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. No caso dos autos, ocorreu simples juntada de notas fiscais avulsas, desacompanhadas de escrituração contábilfiscal e de esclarecimentos analíticos para demonstrar seu eventual impacto na apuração do tributo devido. A recorrente deveria ter apresentado descrição minuciosa da apuração da contribuição social, estabelecendo conexões entre os diversos elementos que devem compor a prova do direito creditório alegado: notas fiscais, escrituração contábilfiscal, demonstrativo de apuração do tributo devido. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito3, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequências do próprio raciocínio do 2 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. 3 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 215 7 homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções. No dizer de Giuseppe Chiovenda4: São aquelas de que o juiz, como homem, se utiliza no correr da lide para formar sua convicção, exatamente como faria qualquer raciocinador fora do processo. Quando, segundo a experiência que temos da ordem normal das coisas, um ato constitui causa ou efeito de outro, ou de outro se acompanha, nós, conhecida a existência de um dos dois, presumimos a existência do outro. A presunção equivale, pois, a uma convicção fundada sobre a ordem normal das coisas. (grifei) Ocorre que, das notas fiscais acostadas não se pode presumir a causa do que deu consequência a retificação, fato que prejudica o acolhimento dos fundamentos recursais. Ainda sobre a importância das provas na retificação da DCTF o Parecer Normativo COSIT Nº. 2 de 2015 assim resolve: 1 Após a transmissão do PER/DCOMP, pode a DCTF ser retificada com o intuito de formalizar o indébito objeto de compensação?Sim. Essa é a diretriz adotada pela RFB na análise eletrônica dos PER/DCOMP. Tal diretriz está ainda mais evidente com a implantação da autorregularização. 2 Em caso positivo, a retificação da DCTF, sozinha, é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior? Se a retificação da DCTF for suficiente, há um limite temporal para que ela produza os efeitos de uma declaração original (antes da ciência do despacho decisório, a qualquer tempo ou antes de 5 anos do fato gerador)? a. Não, a DCTF por si só não é suficiente para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. É necessário que os valores informados na DCTF estejam coerentes com outras declarações enviadas à RFB, a exemplo da DIPJ, Dacon, DIRF, em cada caso, ou confirmados por documentos fiscais ou contábeis acostados aos autos. Isso porque a existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF em relação a outras declarações não elidida por provas, afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação.(grifei) Em seu recurso, a recorrente aduz que "disponibiliza todos os documentos contábeis e fiscais", os quais "poderão ser retirados a qualquer momento no arquivo central da empresa", sendo conveniente dizer que do mesmo modo os poderia ter juntado aos autos no momento oportuno, mas não o fez, ocorrendo a preclusão. Por fim, no tocante ao pedido de sustentação oral, deduzido no recurso voluntário, há que se lembrar o que dispõe o art. 61A, §2º., do Anexo II do Regimento do Interno do CARF (RICARF): 4 CHIOVENDA, Giuseppe. Instituições de direito processual civil Trad.J. Guimarães Menegale. São Paulo: 1969. v. III.p. 139 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13896.910149/201255 Acórdão n.º 3003000.078 S3C0T3 Fl. 216 8 Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 1º Os processos serão pautados em reunião composta por sessões não presenciais virtuais. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Márcio Robson Costa Relator Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.010391/99-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995
INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS RECONHECIDA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO CONEXO JÁ JULGADO.
Não resta controvérsia que o período abrangido pelo presente contencioso já fora objeto de análise e julgamento definitivo com a respectiva liquidação conforme informado em retorno de diligência; de maneira que, ao se aplicar as conclusões exaradas no processo conexo, já com trânsito em julgado administrativo, inexiste débito pendente a ser mantido no lançamento ora impugnado.
Numero da decisão: 3401-005.686
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Não resta controvérsia que o período abrangido pelo presente contencioso já fora objeto de análise e julgamento definitivo com a respectiva liquidação conforme informado em retorno de diligência; de maneira que, ao se aplicar as conclusões exaradas no processo conexo, já com trânsito em julgado administrativo, inexiste débito pendente a ser mantido no lançamento ora impugnado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, acolhendo o resultado da diligência. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 01 03 91 /9 9- 22 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 170 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 89 e seguintes) contra decisão da DRJ — São Paulo/SP, em 05.10.2000, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração, referente aos valores de recolhimento insuficiente da Contribuição para o PIS, no período de apuração compreendido entre agosto de 1994 a setembro de 1995. Do Lançamento (fls.44 e seguintes) Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário total de R$254.313,49 (duzentos e cinquenta e quatro mil, trezentos e treze reais e quarenta e nove centavos). Em síntese, as razões que levaram ao lançamento de ofício foram: A empresa em referência foi autuada e notificada, em ação fiscal direta, a recolher crédito tributário no valor de R$254.313,49 incluindo PISFaturamento, multa de oficio e juros calculados até 30/07/99, sobre fatos geradores ocorridos de 31/08/94 a 30/09/95, por insuficiência de recolhimento, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal de fls.29 e 30 dos autos, utilizando a requerente a alíquota de 0,65% quando o correto, pela fiscalização, seria 0,75%. Foi lavrado o Auto de Infração de PISFaturamento (fls.38 ), no dia 30/08/99, com fulcro no art. 9°, § 1° do Decreto n°70235/1972, com o seguinte enquadramento legal: art. 3°, alínea "b", da Lei Complementar n°07/1970, c/c art. 1° § único da Lei Complementar n°17/73, c/c art. 53, inciso IV da Lei n°8383/91, c/c art. 83, inciso III da Lei n°8981/95. Da Impugnação (fls. 51 e seguintes) A Contribuinte apresentou Impugnação , em 27.09.1999, alegando, em síntese: Em sede preliminar, alega nulidade do Auto de Infração, já que o período autuado e a matéria jurídica envolvida estão compreendidos no Processo Administrativo n°10.880.000517/9925, em que a Recorrente entende possuir direito creditório referente ao PIS. Alega litispendência em relação àquele Processo Administrativo, de modo que sua Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 171 3 exigibilidade estaria inegavelmente suspensa, do contrário estaria ferindo o direito de ampla defesa; No mérito, alegou que o lançamento fora efetuado em virtude dos Decretos n°2445/88 e 2449/88 terem sido considerados inconstitucionais, passando a ser devida a contribuição ao PIS da alíquota de 0,75% sobre o faturamento, nos termos da Lei Complementar n°07/70, combinado com a Lei Complementar 17/73. E, ainda, que: · O valor da contribuição ao PIS, nos termos do parágrafo único do artigo 6° da Lei Complementar 07/70, deve ser calculado com base na aplicação do percentual de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior; · Aplicandose a sistemática de cálculo da Lei Complementar n°07/70, os valores apurados seriam totalmente diversos dos apontados no Auto de Infração; · Mesmo que em alguns meses do período não abrangido pela decadência, viessem a ser apurados créditos em favor do FISCO, não se pode esquecer que já vigia o artigo 66 da Lei n°8383/91, permitindo ao contribuinte a compensação de valores pagos a maior nos meses anteriores, com débitos vincendos da própria contribuição ao PIS; · fez os recolhimentos das contribuições ao PIS com base na legislação vigente em cada época, inclusive na vigência dos Decretoslei tidos posteriormente como inconstitucionais. Da Decisão de 1ª Instância (fls 74 e seguintes) Sobreveio Acórdão 003704, exarado pela DRJ/SP, através do qual foi mantido integralmente o crédito tributário lançado nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/08/1994 a 30/09/1995 Ementa: CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA A compensação é modalidade de extinção do crédito tributário, completamente distinta de lançamento que é modalidade de constituição de crédito tributário, não caracterizando cerceamento de direito de defesa com concomitância. COMPENSAÇÃO O pedido de compensação de crédito tributário com créditos líquidos e certos tem rito próprio e deve ser dirigido à autoridade competente. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 172 4 DECADÊNCIA. O direito da Administração de constituir o crédito relativo ao PIS decai em dez anos. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A retirada do mundo jurídico de atos inquinados de ilegalidade e de inconstitucionalidade restabelece a aplicação da norma indevidamente alterada. Destarte, mantémse a exigência do PIS relativa à diferença entre as alíquotas de 0,65% e 0,75%. LANÇAMENTO PROCEDENTE Dessa decisão, importante destacar: Assim sendo, não procede o entendimento esposado pela defendente quanto aos meses da autuação, que foram recolhidos em valores insuficientes, caracterizandose como cristalino descumprimento ao disposto nas Leis Complementares n's 7/1970 e 17/1973, assim como nas Leis n's 8.383/1991 e 8.981/1995 que regem o período em análise. Portanto, obrou bem o agente fiscal ao autuar a recorrente por tal feito, em que a impugnante não logrou comprovar a inveracidade das afirmações do fisco. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. Da Resolução 20300.503 O Recurso foi distribuído no extinto Segundo Conselho de Contribuintes e, em 12.05.2004, foi prolatada a Resolução 20300.503 pela Terceira Câmara, nos termos abaixo: O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. De proêmio, com respeito à preliminar suscitada, de nulidade do Auto de Infração, entendo não merecer guarida, pois, efetivamente, não há identidade de objeto, uma vez que o processo administrativo a que a Recorrente se reporta diz respeito ao pedido de compensação de créditos tributários apurados, enquanto o presente processo discute o auto de infração lavrado contra a contribuinte, em razão de insuficiência no recolhimento da Contribuição ao PIS, no período de 08/94 a 09/95. Entretanto, com o objetivo de constatar a efetividade da compensação efetivada pela Recorrente, por intermédio do Processo n° 10.880.000517/9925, Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 173 5 voto pela conversão deste processo em diligência para que o Órgão de origem verifique a existência de crédito da Fazenda Nacional, remanescente dessa compensação que justifique o lançamento do qual se cuida neste processo. Em cumprimento à diligência solicitada, em 12.06.2017, a DERAT SPO/DIORT prestou as seguintes informações acerca do processo 10880.000517/9925: 20. Analisandose a documentação constante do processo n° 13807.010391/9922, verificase que se trata de auto de infração lavrado para exigência da diferença decorrente da aplicação da alíquota da contribuição para o PIS, dos períodos de apuração de agosto/1994 a setembro/1995, uma vez que o interessado procedeu ao recolhimento da referida contribuição com a aplicação de 0,65% sobre a base de cálculo, quando o correto seria 0,75%. 21. Como se pode observar, o interessado já na impugnação ao auto de infração, relatou que os débitos constituídos estavam sendo discutidos no presente processo. 22. Entretanto, como neste o que se busca é a compensação de débitos, no entendimento do ConselheiroRelator do Segundo Conselho de Contribuintes não haveria identidade de objeto já que o auto de infração foi lavrado em virtude da insuficiência do recolhimento do PIS. Desta forma, o processo do auto foi baixado para diligência para verificação da existência de crédito remanescente na compensação. 23. De fato, o auto de infração abrange débitos de PIS que estão sendo analisados no presente processo. Ocorre que no momento da lavratura do auto, para o cálculo do débito devido, foi utilizado como base de cálculo o faturamento do mês da ocorrência do fato gerador. 24. Ocorre que no presente processo, a decisão do CARF foi clara no sentido da utilização do faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, como base de cálculo do PIS, e a aplicação da alíquota de 0,75. Logo, considerando a decisão em comento e procedidos os cálculos nestes temos, quando da vinculação dos novos valores apurados como devidos para os períodos de julho/1989 a abril/1992 e outubro/1992 a outubro/1995 com os pagamentos efetuados, constatouse a suficiência dos mesmos, restando ainda um crédito no valor de R$ 2.298.432,68 (dois milhões, duzentos e noventa e oito mil, quatrocentos e trinta e dois reais e sessenta e oito centavos), calculado para 31/12/1995. Com essas informações, os autos foram encaminhados ao CARF para prosseguir ao seu julgamento definitivo. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 174 6 Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Preliminar No caso em questão não restaram evidentes quaisquer indícios de cerceamento de defesa, e assim, estando presentes os requisitos fundamentais previstos no artigo 59, do Decreto 70.235/1972, não é possível acolher os argumentos da Recorrente quanto à nulidade do lançamento. No caso, resta presente tãosomente litispendência administrativa que veio a ser sanada com a conversão em diligência, não existindo qualquer prejuízo à defesa do contribuinte. Do Mérito Restando esclarecido, no retorno da diligência, que: 1. O processo 10880.000517/9925 – que discute a compensação de crédito de PISsemestralidade com o PIS devido pela Recorrente em período de mesma abrangência (01/01/1989 a 31/10/1995) que o presente processo (01/08/1994 a 30/09/1995) – teve trânsito em julgado administrativo parcialmente favorável ao contribuinte nos termos do Acórdão 3403002.492, de 25.09.2013, conforme abaixo transcrito: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 JULGAMENTO EM SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. QUESTÃO DEFINITIVAMENTE DECIDIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. Decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal com repercussão geral tem efeito vinculante no julgamento de igual matéria nos recursos interpostos perante o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 175 7 No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, prevalece o prazo jurisprudencialmente fixado de 5 anos para a homologação, a partir da ocorrência do fato gerador, acrescido de outros 5 anos para o sujeito passivo pleitear a repetição do indébito. Precedente do Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1989 a 31/10/1995 BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo da contribuição é o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, sem correção monetária (Súmula CARF nº 15) Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Na parte dispositiva da decisão, restou assentado que: Com essas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso, determinandose à autoridade fiscal incumbida da execução deste acórdão que apure o direito creditório a que faz jus o recorrente, cotejando os pagamentos efetuados, devidamente comprovados nos autos, com o que for devido segundo as normas da LC nº 7, de 1970, considerando como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador, à alíquota de 0,75%, sem correção monetária, e tomando como faturamento, exclusivamente, as receitas de venda de bens e/ou prestação de serviços. 2. Na liquidação do acórdão daquele processo, conforme foi destacado nas informações fiscais de fls. 151, foram considerados quitados os montantes de PIS devido referentes aos períodos de julho/1989 a abril/1992 e outubro/1992 a outubro/1995, após conciliação dos créditos de PISSemestralidade apurados e dos pagamentos efetuados com os valores apurados pela fiscalização, de modo que ainda teria restado crédito no valor de R$ 2.298.432,68 (dois milhões, duzentos e noventa e oito mil, quatrocentos e trinta e dois reais e sessenta e oito centavos) Diante desses fatos, há de se acolher o resultado da diligência. Pelo exposto, conheço do Recurso, e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13807.010391/9922 Acórdão n.º 3401005.686 S3C4T1 Fl. 176 8 Fl. 177DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.006248/2009-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.635
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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G. FREIRES GESTÃO EMPRESARIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 06 24 8/ 20 09 -5 9 Fl. 8386DF CARF MF Processo nº 19515.006248/200959 Resolução nº 1301000.635 S1C3T1 Fl. 8.387 2 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então Trata o presente processo de Autos de Infração relativos a tributos apurados pela sistemática do Simples Federal, referente a fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2005. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls. 785/798) que: 1. O Termo de Início de Fiscalização, datado de 10/04/2008, solicitando a apresentação de documentos, encaminhado à contribuinte por via postal, foi devolvido com a informação “MUDOUSE” aposta pelos correios, e, realizada em 05/05/2008 diligência no endereço constante dos sistemas da RFB, o zelador informou desconhecer a empresa em comento e que o condomínio era estritamente residencial, não havendo qualquer empresa operando no local; 2. Em visita ao novo endereço obtido em pesquisa na internet, constatouse tratarse de uma residência completamente fechada, tendo sido, então, afixado no mural da Defis/SPO, entre 07/05/2008 e 23/05/2008, edital para ciência do Termo de Início, sem resposta; 3. Posteriormente foi encaminhado Termo de Intimação reiterando o disposto no Termo de Início de Fiscalização e advertindo quanto ao fato de caracterizar “Embaraço à Fiscalização” o não atendimento à intimação, o que permitiria o acesso às informações relacionadas com operações e serviços das instituições financeiras; 4. Em 30/05/2008 a contribuinte entregou a DIPJ/2008 informando o mesmo endereço para o qual foi encaminhado o Termo de Início, que, assim, foi encaminhado para o domicílio dos sócios, sem que tenha havido qualquer manifestação, o que motivou a lavratura em 31/07/2008 do Termo de Embaraço à Fiscalização, cuja ciência da contribuinte ocorreu por meio de edital; 5. Constatouse que a movimentação financeira da contribuinte no ano calendário de 2005 correspondeu a R$20.534.535,77, de acordo com a DCPMF entregue pelo Banco Bradesco S/A, cerca de trinta vezes maior que a receita bruta declarada (R$672.232,07); 6. Assim, as Requisições de Movimentação Financeira foram solicitadas à instituição bancária, e em 26/09/2008 e em 16/10/2008 foram lavrados, respectivamente, o Termo de Intimação nº 02 e o Termo de Intimação nº 03 reiterando os termos anteriores, mas sem atendimento por parte da contribuinte; 7. Em 12/12/2008 constatouse nos sistemas da RFB a mudança de endereço da empresa, e assim novamente foi lavrado o Termo de Intimação nº 03, tendo sido apresentados, em resposta, a procuração, alguns documentos e a solicitação de ampliação do prazo para atendimento à intimação; Fl. 8387DF CARF MF Processo nº 19515.006248/200959 Resolução nº 1301000.635 S1C3T1 Fl. 8.388 3 8. Esgotado o prazo solicitado, em 02/02/2009 foi lavrado o Termo de Intimação nº 04 solicitando a disponibilização dos livros comerciais e fiscais obrigatórios e acessórios, bem como a comprovação da origem dos recursos creditados nas contas bancárias; 9. Em 02/03/2009 a contribuinte encaminhou esclarecimentos acompanhados de cópia dos livros Diário e Razão do ano de 2005, com registro somente em cartório de Registro de Títulos e Documentos, solicitando nova dilação de prazo; 10. Não foi identificada a comprovação, nem mesmo indícios, de que o Livro Diário tenha sido submetido à autenticação no órgão competente do Registro do Comércio; 11. Transcorridos mais de 280 dias do início dos questionamentos sem apresentação de documentos hábeis e idôneos que comprovassem individualizadamente a origem dos créditos ocorridos na conta bancária da empresa, apesar de reiterada a solicitação por meio do Termo de Intimação nº 05, a fiscalização prosseguiu levando em consideração os elementos apresentados pela contribuinte e aqueles obtidos em função dos trabalhos realizados; 12. Embora a contribuinte não tenha identificado a quais créditos bancários os lançamentos existentes nos livros contábeis se referiam, constatouse o registro do recebimento de pagamentos realizados por supostos clientes em valores médios de aproximadamente R$1.776.000,00 mensais, sem correspondência direta aos créditos havidos na conta bancária analisada, o que poderia indicar a adoção de escrituração resumida, mas não foram apresentados livros auxiliares, conforme estabelecido pelo DecretoLei nº 486, de 1969, art. 5°, § 3º e pelo RIR/99, art. 258, § 1°, que determinam que se admita a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, desde que utilizados livros auxiliares para o registro individualizado, e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação; 13. Quanto às justificativas apresentadas pela contribuinte, verificase que as receitas escrituradas informam como contrapartida a conta Caixa (1.1.1.1.01), sem que fosse apresentado qualquer elemento que indicasse a transferência desses valores às contas Banco Conta Movimento (1.1.1.2.01, 1.1.1.2.02, 1.1.1.2.03), tanto pela escrituração como pela apresentação de comprovantes bancários, e por esse motivo os valores declarados como receita não têm valor probante como origem da movimentação bancária realizada; 14. Por meio de dois esclarecimentos, datados de 30/07/2009 e 11/08/2009, foram encaminhados pelo sujeito passivo Contratos de Prestação de Serviços visando demonstrar que os créditos bancários seriam oriundos de cobranças realizadas para terceiros, e teriam sido destinados ao pagamento de despesas decorrentes desses contratos, não se constituindo, assim, em receitas da pessoa jurídica fiscalizada; 15. Porém, tal alegação carece de prova documental que a ampare, pois a justificativa de que os valores creditados seriam meros adiantamentos teria que ser provada com a apresentação de documentação hábil e idônea, e aceitar essa hipótese seria admitir que houvesse a possibilidade de suprimir todo e qualquer controle contábil das operações comerciais de uma empresa, respaldado apenas por um contrato de prestação de serviços, desobrigandoo de comprovar documental e escrituralmente os pagamentos e recebimentos realizados; 16. Logo, os elementos apresentados pelo sujeito passivo no curso da ação fiscal indicam que os recursos creditados na conta bancária analisada caracterizamse como receita pela prestação de serviços, conforme termos do próprio contrato, que confirmam Fl. 8388DF CARF MF Processo nº 19515.006248/200959 Resolução nº 1301000.635 S1C3T1 Fl. 8.389 4 ser essa a origem dos créditos bancários ocorridos em conta de sua titularidade, que assim serão tributados como receita operacional omitida, seja pelos motivos relatados, seja pela presunção de omissão de receita; No Quadro I estão demonstrados os depósitos efetuados no ano de 2005, subtraídos dos valores relativos a cheques devolvidos e estornos de créditos, apurando se, assim, o total da receita omitida. Por sua vez, no Quadro II estão relacionadas as alíquotas progressivas aplicáveis, decorrentes do somatório entre os valores omitidos apurados no curso da ação fiscal e aqueles informados pela contribuinte em sua DIPJ. Desta forma, foi constituído de ofício, por diferença de base de cálculo, o crédito tributário relativo às receitas omitidas (Quadro I), bem como relativo à insuficiência de recolhimento, considerandose os valores declarados pela contribuinte e as alíquotas aplicáveis apuradas no Quadro II. Cientificada do lançamento, a autuada apresenta impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. Durante toda a fiscalização, procurou atender – e atendeu – às intimações do auditor fiscal, apresentando toda a documentação requerida, mas consta do Termo de Verificação Fiscal que os documentos apresentados não eram hábeis e idôneos para servir como prova, sem que tenha o agente do Fisco apresentado qualquer motivação para tal afirmação, o que demonstra a falta de critério na valoração da prova, ao desconsiderar as manifestações da impugnante, lavrando o auto de infração de forma completamente insubsistente; 2. Consta no Termo de Verificação Fiscal que em 31/07/2008 foi lavrado o Termo de Embaraço à Fiscalização em decorrência do não atendimento aos Termos de Intimações anteriormente exigidos, mas a impugnante somente dele teve conhecimento com o recebimento do auto de infração já devidamente lavrado, bem como da conseqüente exclusão do Simples Nacional, causando, portanto, lesão ao princípio constitucional do contraditório e da ampla defesa; 3. A exclusão do Simples Nacional sem ao menos se ater ao devido processo legal para fazêlo, ou seja, sem seguir os procedimentos e ditames previstos em lei para tanto, torna tal procedimento nulo de pleno direito; 4. O fato de simplesmente alegar que a documentação não é hábil e idônea não caracteriza a motivação eficaz e clara que se exige no ato administrativo perfeito, ao contrário, demonstra que a Autoridade Fiscal agiu de forma arbitrária e sem qualquer fundamentação nas suas análises, até porque considerou, para fins da própria lavratura, a movimentação bancária, os livros contábeis e o contrato de prestação de serviços firmado entre a impugnante e a Editora Pesquisa e Indústria Ltda., sem, contudo, ao menos lêlos; 5. Os valores que meramente transitaram pela contacorrente da impugnante por força de contrato de prestação de serviços jamais poderiam a ela ser atribuídos como acréscimo patrimonial, porque não são, nem nunca foram, de sua propriedade ou titularidade, pois sua destinação já estava previamente determinada, conforme contrato e orientação da contratante, para pagamentos de despesas e custos operacionais da Editora Pesquisa e Indústria Ltda.; 6. Conforme cláusula primeira do instrumento particular de prestação de serviços, a relação jurídica e comercial havida entre a impugnante e a Editora Pesquisa e Indústria Ltda. consiste na prestação de serviços de administração de créditos (de propriedade exclusiva da Editora Pesquisa e Indústria Ltda), de despesas e custos Fl. 8389DF CARF MF Processo nº 19515.006248/200959 Resolução nº 1301000.635 S1C3T1 Fl. 8.390 5 operacionais da contratante, para os quais foi aberta a conta corrente levantada pelo agente do Fisco, de forma que não houvesse (como nunca houve) confusão patrimonial entre ambas; 7. Os serviços anteriormente descritos eram remunerados mediante pagamento à contratada de 1% sobre os valores creditados na conta corrente e de 0,5% sobre os valores relativos aos pagamentos efetuados (despesas e custos operacionais da contratante); 8. Deste modo, todos os valores movimentados, considerados equivocadamente pela Fiscalização como receita, nada mais são que valores recebidos e destinados para os pagamentos de despesas e custos operacionais da Editora Pesquisa e Indústria Ltda, empresa contratante dos serviços prestados pela impugnante; 9. O principio da busca pela verdade material é corolário lógico dos princípios da legalidade e vedação ao confisco na tributação, na medida em que somente pode ser tributado o fato descrito em lei, que efetivamente tenha ocorrido no mundo social, conforme doutrina e jurisprudência que transcreve; 10. A sociedade Editora Pesquisa e Indústria Ltda, é responsável por publicação de listas telefônicas e contratou os serviços da impugnante para que administrasse os seus direitos e custos e despesas operacionais, sendo tal serviço desenvolvido da seguinte forma: (A) a Editora Pesquisa e Indústria Ltda vende determinado espaço publicitário de sua lista telefônica a determinado assinante, firmando tais comercializações através de contratos; (B) os valores das vendas geralmente são parcelados e pagos através de boletos bancários ou cheques prédatados, que são negociados com entidades que integram o Sistema Financeiro Nacional; (C) tais entidades do Sistema Financeiro Nacional, por sua vez, e por ordem expressa da contratante, repassam determinados valores para a impugnante, exclusivamente para pagamentos dos custos e despesas operacionais da própria Editora, e previamente por ela determinados, quais sejam, folha de salário, tributos, papel, fornecedores, serviço de distribuição das listas telefônicas, contas de consumo, aluguéis, combustíveis e todas as demais despesas e custos operacionais; 11. O presente caso revela verdadeira lesão ao princípio da capacidade contributiva, na medida em que o agente fiscal atribuiu à impugnante valores que não são de sua propriedade, causando exigência fiscal descabida e exacerbada e lesão ao princípio da vedação ao confisco; 12. Ao final, requer a realização de perícia, formulando quesitos e indicando o nome do seu perito. Em atendimento ao despacho exarado à folha 8175, em 17/03/2010 foi efetuada a Representação Fiscal para Exclusão do Simples Federal, anexada às folhas 8176/8178, que motivou a emissão do Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO/DIORT/EQPIR nº 32/2010 (fl. 8181), por meio do qual a contribuinte foi excluída de ofício do Simples a partir de 01/01/2006. Cientificada do ADE em 27/07/2010, a contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade (fls. 8189/8206) alegando, em síntese que: 1. Houve erro na fundamentação legal do ADE, pois os dispositivos legais citados são genéricos e não oferecem uma motivação jurídica especifica para a prática do ato impugnado; Fl. 8390DF CARF MF Processo nº 19515.006248/200959 Resolução nº 1301000.635 S1C3T1 Fl. 8.391 6 2. O ADE viola os princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa, do devido processo legal e direito a petição, da legalidade, finalidade, motivação, publicidade, razoabilidade, proporcionalidade e busca da verdade material; 3. A exclusão pautada no fato de a receita bruta ter ultrapassado o limite legal no ano calendário de 2005 não deve prosperar, principalmente quando tal argumento encontrase pendente de julgamento perante a Delegacia de Julgamento, estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Em 02/09/2010 o presente processo foi encaminhado à DRJ/SPO para julgamento, e em 19/05/2014 a esta DRJ. A autoridade de primeira instancia julgou improcedente a impugnação da contribuinte, cuja acórdão encontrase as fls. 2.917 e segs. e ementa encontrase abaixo transcrita: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizase omissão de receitas ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. RECEITA BRUTA. LIMITE ULTRAPASSADO. EFEITOS DA EXCLUSÃO. A exclusão do Simples surtirá efeito a partir do anocalendário subseqüente, quando a empresa incidir na hipótese de receita bruta superior ao limite legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instancia em 30/03/2016, o contribuinte apresentou, fl. 8.279 e segs, em 29/04/2016, recurso voluntário, repisando os argumentos levantados em sede de impugnação e levantando novos argumentos sobre a decisão de primeira instancia. É o relatório. Fl. 8391DF CARF MF Processo nº 19515.006248/200959 Resolução nº 1301000.635 S1C3T1 Fl. 8.392 7 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fatos Trata o presente processo de Autos de Infração relativos a tributos apurados pela sistemática do Simples Federal, referente a fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2005. A autoridade fiscal constatou que a movimentação financeira da contribuinte no ano calendário de 2005 correspondeu a R$20.534.535,77, de acordo com a DCPMF entregue pelo Banco Bradesco S/A, cerca de trinta vezes maior que a receita bruta declarada (R$672.232,07). A autoridade fiscalizadora entendeu que a movimentação bancária não teve sua origem comprovada e lavrou auto de infração por omissão de receita cuja lançamento abarcou IRPJ, PIS, CSLL, COFINS e Contribuição para Seguridade Social (INSS) tendo em vista que a empresa estava inscrita no SIMPLES. Desta forma, foi constituído de ofício, por diferença de base de cálculo, o crédito tributário relativo às receitas omitidas, bem como relativo à insuficiência de recolhimento, considerandose os valores declarados pela contribuinte e as alíquotas aplicáveis. Foi realizada ainda exclusão da empresa do Sistema simplificado através do Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO/DIORT/EQPIR nº 32/2010 (fl. 8181). Mérito Alega a Recorrente que, conforme documento constitutivo da sociedade, a Recorrente tem por objeto social da empresa é prestação de serviços de gestão administrativa e econômico financeira, gestão de ativos e passivos, intermediação de negócios, conforme cláusula quarta do contrato social (fls. 924). Dado o objeto social, a Recorrente firmou então contrato de prestação (doc. de fls. 1.015/1.019) com a empresa Editora Pesquisa e Indústria Ltda. (EPIL). Denotase pelo teor da redação da cláusula que a Contratada, ora Recorrente, promoveria o recebimento de valores junto aos credores da EPIL e promoveria a destinação de tais valores ao pagamento de compromissos e despesas da Contratante, inclusive pagamento de funcionários. Para o alcance da finalidade contratual a Contratada procedeu com abertura de conta, objeto da autuação fiscal, aberta exclusivamente para os fins do presente contrato. Fl. 8392DF CARF MF Processo nº 19515.006248/200959 Resolução nº 1301000.635 S1C3T1 Fl. 8.393 8 Não há duvidas, conforme detalhado no Termo de Verificação fiscal, que o contribuinte não apresentou escrituração contábil que ampare sua movimentação bancária, no entanto, em nome do principio da verdade material e considerando que foi apresentada vasta documentação comprobatória (mais de 6 mil documentos) em sede de impugnação entendo que tal documentação deve ser analisada pela autoridade de origem de forma a garantir os princípios constitucionais do direito a defesa e contraditório. Vejamos a fundamentação da decisão de primeira instancia: Porém, a despeito do alegado, nenhum documento foi anexado à impugnação comprovando que os valores creditados na conta corrente não lhe pertenciam. A contribuinte não identificou sequer a quais créditos bancários os lançamentos existentes nos seus livros contábeis se referiam. (...) Os Anexos II (fls. 1033/1043), III (fls. 1054/1212), IV (fls. 1213/1232) e V (fls. 1233/1252) tratam das despesas administradas da EPIL que teriam sido pagas pela autuada com recursos existentes na conta corrente objeto deste litígio. No Anexo I (fls. 7418/8082), por sua vez, estão reproduzidos os extratos bancários. (...) Foi anexada à impugnação farta documentação, mas todos os documentos apresentados referemse apenas a algumas despesas que seriam da empresa EPIL. Destaquese, por exemplo, mais de 6.000 (seis mil) folhas anexadas ao presente processo (fls. 2038/8082) referentes exclusivamente a contas telefônicas em nome da EPIL. (...) Não havendo a comprovação da individualização dos valores creditados, inexistem elementos comprobatórios da alegação de que a conta corrente destinavase exclusivamente à prestação dos serviços à EPIL, nem que não houvesse qualquer confusão patrimonial. Verificase pela transcrição dos trechos acima da decisão de primeira instancia que, de fato, conforme argumentado pela Recorrente, não houve analise da documentação acostada aos autos pela Recorrente. Compulsandose os autos, verificase que foram apresentados quadros analíticos das despesas que seriam da EPIL com identificação individualizada dos lançamentos dos extratos bancários dos quais destacase as fls a seguir : a) 1.054/1.212 total das despesas administrativas do período; b) 1.213/1.252 despesas administrativas identificadas por grupos de despesas; c) 1.253/1.380 Comprovantes de pagamento de Darfs. e GPS; d) 1.381/1529 Relação de totais líquidos dos funcionários; e) 1.530/1.548 despesas de água; f) 1.550/1569 boletos de aluguel; g) 1.570/1606 despesas com a energia elétrica; h) 1.607/1.966 pagamento de boletos bancários; e por fim i) as diversas contas de tel. Cito como exemplo o DARF abaixo que demonstra claramente que a conta foi utilizada para pagamento em nome e CPNJ da EPIL: Fl. 8393DF CARF MF Processo nº 19515.006248/200959 Resolução nº 1301000.635 S1C3T1 Fl. 8.394 9 Tendo em vista o acima, voto por converter em diligencia o presente processo para que, em nome do principio da verdade material, para que os autos voltem a autoridade de origem que consubstancie em relatório de diligencia fiscal resultado da analise de toda documentação acostada aos autos pela Recorrente. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de converter em diligencia o presente processo para que, em nome do principio da verdade material, para que os autos voltem a autoridade de origem que consubstancie em relatório de diligencia fiscal resultado da analise de toda documentação acostada aos autos pela Recorrente. Em nome do principio da ampla defesa e do contraditório que o resultado da diligencia seja informado ao contribuinte para que possa, dentro do prazo legal, apresentar sua manifestação caso julgue oportuno. Findadas as providencias acima mencionadas, sejam os autos retornados a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 8394DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.903462/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Numero da decisão: 3201-004.557
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente TOYOTA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar o provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 34 62 /2 00 8- 73 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 13819.903462/200873 Acórdão n.º 3201004.557 S3C2T1 Fl. 3 2 convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Despacho Decisório que não homologou Declaração de Compensação eletrônica. Na fundamentação do ato, consta: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (.) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: (...) transmitiu o (...) PER/DCOMP (...) pelo qual pleiteou a homologação de compensação, valendose de créditos de contribuições recolhidas a maior em decorrência da não dedução de vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Em termos práticos, a decisão ora combatida afirma que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente usado para quitação de débitos do contribuinte. Não é o que mostra, contudo, a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, (...), apresentada pela Manifestante (...). Da análise de tal documento, podese concluir, em absoluto, que há crédito suficiente para a compensação formalizada na PER/DCOMP em questão (.). Ante o exposto, a não homologação da compensação não merece prosperar em hipótese alguma, eis que comprovada a existência do crédito da Manifestante. Caso V. Sas. não entendam dessa forma, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Manifestante, desde já, esclarece a legalidade, regularidade e tempestividade das informações prestadas a esta Secretaria. Ao encaminhar, originalmente, o PER/DCOMP em questão, todos os valores informados pela Manifestante já eram Fl. 73DF CARF MF Processo nº 13819.903462/200873 Acórdão n.º 3201004.557 S3C2T1 Fl. 4 3 absolutamente condizentes com a realidade, ou seja, a Manifestante, àquela altura, já detinha todos os créditos pleiteados. Os créditos da Manifestante, decorrentes de pagamento a maior por não dedução em vendas para a Zona Franca de Manaus, SEMPRE existiu (sic) e, agora, ainda mais, resta plenamente demonstrado na DCTF da Manifestante, ora anexada. A Manifestante, portanto, jamais causou qualquer prejuízo ao erário público, ao compensar valores com créditos dos quais dispunha integralmente. Assim, não bastasse a regularidade da compensação, que deve ser plenamente homologada, nunca houve mora ou infração da Manifestante, motivo pelo qual a cobrança de multa e juros apresentada no despacho decisório é igualmente descabida. Caso entendam V. Sas. que há alguma irregularidade no caso, nem mesmo mero erro de fato poderia ser cogitado, entendimento que, aliás, ocasionaria verdadeiro enriquecimento ilícito da Unido Federal. A DRJ/Campinas/SP, por meio do Acórdão 0529.647, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 EMENTA: DESPACHO ELETRÔNICO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA POSTERIOR. O despacho decisório eletrônico fundase nas informações prestadas pela interessada nas declarações apresentadas à Administração Tributária. A inexistência do crédito informado nas declarações justifica a nãohomologação, sendo que a retificação de tais declarações posteriormente à emissão do despacho eletrônico não o invalidam. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. No Recurso Voluntário, a empresa reforça a invocação do princípio da verdade material, e reitera que a DCTF retratava a condição de liberação do pagamento indevido. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13819.903462/200873 Acórdão n.º 3201004.557 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.544, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 13819.903407/200883, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.544): "O recurso é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, devendo ser conhecido. O Despacho Decisório foi cientificado ao contribuinte em 21/08/2008, e a DCTF retificadora foi transmitida em 08/09/2008, portanto, depois da ciência do Despacho Decisório. Portanto, o débito no valor integral do Darf foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído, passível de posterior homologação. A DCTF retificadora apresentada antes de qualquer procedimento de ofício tem o mesmo valor da original, e a substitui integralmente, porque a motivação da alteração é espontânea. Todavia, após qualquer procedimento de ofício, a retificação da DCTF incide em ausência de espontaneidade, caracterizando vício de motivação, e por isso, exige comprovação material. Vigia, então, a Instrução Normativa RFB 786/2007: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action?idArquiv oBinario=0 II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13819.903462/200873 Acórdão n.º 3201004.557 S3C2T1 Fl. 6 5 III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. § 4º Na hipótese do inciso III do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 9º. § 5º A pessoa jurídica que apresentar declaração retificadora, relativa ao ano calendário utilizado como referência para o enquadramento no disposto no art. 3º, nos casos em que a retificação implicar seu desenquadramento dessa condição, poderá pedir dispensa de apresentação da DCTF Mensal. § 6º O pedido de dispensa de que trata o § 5º será formalizado, mediante processo administrativo, perante a unidade da RFB do domicílio tributário da pessoa jurídica. § 7º Em caso de deferimento do pedido de que trata o § 5º, a pessoa jurídica estará dispensada da apresentação da DCTF Mensal a partir do anocalendário em que ocorreu o enquadramento com base na declaração retificada, desde que não se enquadre, novamente, na condição de obrigada à DCTF Mensal. § 8º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. § 9º A retificação de declarações, cuja alteração de valores resulte no enquadramento da pessoa jurídica segundo as hipóteses do art. 3º, obriga a apresentação da DCTF Mensal desde o início do anocalendário a que estaria obrigada com base na declaração retificada, sendo devidas as multas pelo atraso na entrega das DCTF Mensais relativas ao período considerado, calculadas na forma do art. 9º. § 10. Verificandose a existência de imposto de renda postergado, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 11. A retificação de DCTF não será admitida quando resultar em alteração da periodicidade, mensal ou semestral, de declaração anteriormente apresentada. Estando o crédito tributário formalmente constituído pela DCTF original, e o Fisco agindo em consonância com o que foi formalmente constituído, para que se pudesse retificálo – o crédito tributário após o procedimento de ofício, seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova, e respectivos lastros documentais (nfs, contratos, etc). Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I do CPC2). 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13819.903462/200873 Acórdão n.º 3201004.557 S3C2T1 Fl. 7 6 Esses aspectos da força probante dos documentos são tratados nos artigos 219 e 226 do Código Civil: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. (...) Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Parágrafo único. A prova resultante dos livros e fichas não é bastante nos casos em que a lei exige escritura pública, ou escrito particular revestido de requisitos especiais, e pode ser ilidida pela comprovação da falsidade ou inexatidão dos lançamentos. A obrigação de conservar os registros até que prescrevam os direitos reclamados com base neles, consta do Código Tributário Nacional, §único do artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Temse ainda o DecretoLei 486/69, art. 4º: Art 4º O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Fechando o arcabouço legal pertinente, temse ainda que, em se tratando de pedido de restituição e consequente compensação, o ônus da prova é do contribuinte, conforme art. 36 da Lei 9.784/993, art. 373, I do CPC4. Caso a DCTF ativa (original ou retificadora) estivesse com os valores que alega a recorrente, a compensação poderia ser sido auditada, para eventual prova de sua inconsistência, e para conferir o crédito. Em outras palavras, o Fisco tem o dever de averiguar I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 4 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13819.903462/200873 Acórdão n.º 3201004.557 S3C2T1 Fl. 8 7 e comprovar apenas o que for diferente daquilo que foi declarado pelo contribuinte. Após o procedimento de ofício, que agiu em conformidade com o que estava declarado, a contraprova, o ônus probatório, no caso de restituição/compensação, passa ao contribuinte. Dado que a DCTF ativa tinha o valor total do Darf de pagamento, a compensação foi negada por comparativo eletrônico. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1705 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 5 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.729115/2014-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
Ementa:
PRELIMINAR DE NULIDADE.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal são causas de nulidade apenas os atos expedidos por agente incompetente ou com cerceamento de direito de defesa.
IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DE IMUNIDADE. CARACTERIZAÇÃO.
Tratando-se de suspensão dos benefícios de imunidade/isenção de tributos faz-se necessário ao beneficiário o cumprimento de todos requisitos para manutenção do benefício. Verificando-se o descumprimento dos requisitos de aplicação de recursos e de desenvolvimento de atividades vinculadas ao caráter incentivo é de suspender-se o benefício no exercício em que constatado o descumprimento
Numero da decisão: 1401-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin- Relatora.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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No âmbito do Processo Administrativo Fiscal são causas de nulidade apenas os atos expedidos por agente incompetente ou com cerceamento de direito de defesa. IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DE IMUNIDADE. CARACTERIZAÇÃO. Tratandose de suspensão dos benefícios de imunidade/isenção de tributos fazse necessário ao beneficiário o cumprimento de todos requisitos para manutenção do benefício. Verificandose o descumprimento dos requisitos de aplicação de recursos e de desenvolvimento de atividades vinculadas ao caráter incentivo é de suspenderse o benefício no exercício em que constatado o descumprimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 91 15 /2 01 4- 11 Fl. 1108DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia de Carli Germano, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão n. 0274.441 10ª Turma da DRJ/BHE, que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Por bem descrito no Relatório do Acórdão recorrido, os fatos ocorridos até aquele momento, o adoto em parte, naquilo que interessa para a solução do litígio: Contra o Contribuinte em epígrafe foi expedido o Ato Declaratório Executivo nº 51, de 17 de dezembro de 2014, que declarou suspenso o gozo da imunidade tributária do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e de isenção das seguintes Contribuições Sociais: Contribuição sobre o lucro líquido – CSLL, PIS, Cofins e Contribuições Previdenciárias. A suspensão decorreu da inobservância dos requisitos legais de que trata o art. 14, incisos Ie II da Lei nº 5.172/1966, conforme dispõe o § 3º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. A referida suspensão foi decorrente procedimento fiscal, cujo termo de início foi o contribuinte cientificado em 12 de agosto de 2013, em razão do MPF nº 08.1.90.00201306680. Em meio ao procedimento, foram publicadas as Portarias MF nº 512, de 02/10/2013 e RFB nº 1.403, de 03/10/2013, referentes à reestruturação das unidades da RFB no Município de São Paulo, com a criação da Delegacia Especial de Fiscalização de Comércio Exterior e Indústria – DELEX. Com isso, o mencionado MPF foi substituído pelo MPF nº 08.1.65.00201400384 4, cuja ciência ocorreu em 25/03/2014. Em 01/10/2014, a Autoridade Fiscal elaborou “Notificação Fiscal de Suspensão da Imunidade” onde expôs as razões de fato e de direito que ensejaram a suspensão do benefício fiscal, cuja ciência pelo contribuinte ocorreu em 10/10/2014, por via postal. Em 06/11/2014, a Fundação Carlos Chagas protocolou sua manifestação sob o título Alegações e Provas (DOC.02), cujos itens foram analisados pela autoridade fiscal, conforme fls. 33 a 35, que concluiu que a sua conduta operacional não corresponde às das entidades sem fins lucrativos e que não desenvolve majoritariametne a função social de pesquisa e educação, que descumpriu, durante o anocalendário de 2010, o disposto no art. 14, incisos I e II da Lei nº 5.172, de 1966 Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.647 3 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo aplicável a suspensão do gozo da imunidade tributário do IRPJ, nos termos do art. 14, § 1º do CTN combinado com o art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996 e a suspensão da isenção das seguintes contribuições Cofins, CSLL, Pis e Contribuições Previdenciárias. Assim, propôs o encaminhamento do processo ao Sr. Delegado da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior – DELEX, em São Paulo, com recomendação de decisão e publicação de Ato Declaratório Executivo para suspensão da imunidade do IRPJ e da isenção das seguintes contribuições Cofins, CSLL, Pis e Contribuições Previdenciárias. A Autoridade Fiscal elaborou “Termo de Informação Fiscal – Suspensão de Imunidade”, datado em 10/12/2014, processo controlado pelo COMPROT nº 10.314.729.115/201411, onde expôs os fatos que ensejaram a proposta de suspensão do gozo da imunidade tributária e da isenção da CSLL, PIS e Cofins, com base no art. 170 do RIR/99, §§1º e 2º, e que se relacionam com a distribuição disfarçada identificada por meio da remuneração de diversas empresas, cujo sócio de uma delas era a cônjuge do exDiretor Presidente e Fundador da Fundação Carlos Chagas, Senhor Rubens Murillo Marques. O sócio da outra empresa era cunhado do exDiretor, que também era Diretor de Tecnologia da Informação da Fundação Carlos Chagas. A terceira empresa identificada tinha como sócio o próprio Diretor Presidente da entidade, Senhor Fernando Calza de Salles. A Autoridade Fiscal, relatou, ainda, que as atividades desempenhadas pelo contribuinte não se coadunavam com aquelas relativas às entidades beneficentes de assistência social e educação. Constatou que a quase totalidade dos gastos foram destinados para atividades não relacionadas com as finalidades imunes da entidade, que as contas de receita demonstram superávit infimamente destinados às suas finalidades de pesquisa e educação, que o valor de R$ 79.220.380,74 era proveniente de rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras no Brasil e no exterior de renda fixa ou de renda variável ou rendimentos com dollar/outro; que o valor da conta 3.3.01.01.00041 – Rendimentos Dollar/Outro somaram R$ 8.768.818,97; que de um Ativo de R$ 1.113.319.794,20 a contribuinte destinou, em 2010, R$ 977.829.988,78 para Aplicações Financeiras; que a Fundação apresentou R$ 12.681.719,68 de receita de locação de imóveis e R$ 1.043.253,86 como receitas eventuais e que sua receita operacional somou R$ 45.089.988,67 proveniente de receita de concursos, gráfica e recuperação de despesas e que o valor da receita de pesquisa educacional e educação, que seria atividade imune, soma R$ 2.472.137,00; que sua atividade operacional é a aplicação de concursos e vestibulares, com fins lucrativos e que o destino do seu superávit é o mercado financeiro e a compra de imobilizado para locação. Consignou, ainda: Que a entidade não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos institucionais, pois tudo é reinvestido em mercado financeiro, com menos de 1% de seus ativos aplicados nas atividades classificadas como imunes. Que em 2010 a Fundação tinha como atividades principais a gestão de aplicações financeiras (inclusive no exterior), a locação de imóveis e venda de preparação de concursos. O Delegado da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização de Comércio Exterior – DELEX, em São Paulo, expediu o Ato Declaratório Executivo nº 51, de 17 de dezembro de 2014, conforme proposta da autoridade fiscal. Fl. 1110DF CARF MF 4 O contribuinte apresentou impugnação, em 21/01/2015, contra o Ato Declaratório Executivo nº 51, de 2014, alegando, em síntese: 1. Que o ADE nº 51/2014 é nulo, por falta de fundamentação, pois considerou que o mesmo não possuía fundamentação ou motivação e que estava em desacordo com os arts. 48 e 50, I e VII da Lei nº 9.784, de 1999. Acrescenta que a motivação deve ser explícita, clara e congruente, não podendo ser considerada válida a concordância com fundamentos de anteriores informações quando elas sejam insuficientes e/ou omissas para embasar a penalidade, conforme art. 51, § 1º, do art. 51 da Lei nº 9.784/1999; 2. Que o ADE nº 51/2014 é nulo, por inobservância do contraditório, sob o argumento de que a impugnante não teve oportunidade de manifestarse sobre a análise da autoridade fiscal realizada nas “Alegações e provas” apresentadas pela contribuinte, apos a lavratura da Notificação de Suspensão de Imunidade; 3. Que o ADE nº 51/2014 é nulo, por ter sido praticado por autoridade incompetente. Argumenta que as atribuições da DELEX estão definidas no art. 302, inciso VII da Portaria MF nº 203, de 14/05/2012 e que a fiscalização realizada não envolve questões de Comércio Exterior e nem de Indústria. Alega, ainda, que a referida portaria é de duvidosa legalidade por não estabelecer com clareza as atribuições da DELEX, em seu art. 227; 4. Que o ADE nº 51/2014 é nulo, por inobservância do devido processo legal, sob a alegação de que o art. 14 da Lei nº 9.532, de 1997, que dá embasamento à ação fiscal está com sua eficácia suspensa por determinação do Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 18023DF. Por consequência, o art. 32 da Lei nº 9.460, de 1996. 5. Que o ADE nº 51/2014 é nulo, por ausência de lei complementar regulando a matéria, pois argumenta que o art. 146, inciso II da CF/88 dispõe que cabe a lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar e no inciso III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária; Mérito Quanto ao mérito, a impugnante contesta os seguintes motivos apontados pela Autoridade Fiscal: 1 – Distribuição disfarçada de lucro (DDL): alega que não ficou caracterizada a DDL, pois esta pressupõe a realização, com pessoa ligada, de negócio em condições de favorecimento. Defende que no caso os negócios foram realizados em condições comutativas e que somente um exame técnico judicial poderia embasar a acusação. Argumenta que pela natureza da entidade (sem fins lucrativos) não há que se falar em lucro e o superávit, quando ocorrer, será revertido em sua conta patrimonial ou fundo específico para a manutenção e desenvolvimento de seus objetivos estatutários. Nesse sentido, afirma que a caracterização da DDL se deu por mera presunção, pois “as pessoas "ligadas" à pessoa jurídica são: o cônjuge e o parentesco até 3o grau, inclusive afins. As hipóteses, dentre outras, expressamente, previstas no RIR (art.464), são: i) pagamentos de serviços de assistência técnica no montante que excede notoriamente o valor de mercado; ii) realização de negócios em condições de favorecimento como condições mais vantajosas do que com outras do mercado.” Ocorre que, nas hipóteses apontadas na Notificação Fiscal, ficou provado que todo esse relacionamento operacional da Fundação Carlos Chagas com essas pessoas jurídicas foi realizado, exclusivamente, e por imprescindível necessidade, no interesse da própria Fundação, em condições estritamente comutativas, ou ainda em que esta Entidade contrataria com terceiros. Enfim, tudo em conformidade com o § 3º, do art. 464, do Regulamento do Imposto^ de Renda (Decreto N° 3.000 de 26/03/1999). Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.648 5 Para cada uma das sociedades com negócios com a impugnante, foram apresentados os seguintes argumentos: b) IMPRESS CAPTAÇÃO DE IMPRESSÕES DIGITAIS IMP.EXP. LTDA Afirma que a autoridade fiscal confundiu a Presidência da Fundação, dotada de funções típicas de direção, com a Presidência de Honra, esta sem qualquer atribuição diretiva, mas apenas, e estritamente, honorífica. Nesse sentido, defende que não importa que o Prof. Rubens Murillo Marques tivesse sido Presidente da Fundação no período do contrato com a IMPRESS (anos de 1995 a 2010), uma vez que a apuração está focada no ano calendário 2010 e o Prof. Rubens afastouse da presidência da entidade no ano de 2009. Dessa forma, não haveria qualquer impedimento de que a sócia da IMPRESS e esposa do Presidente de Honra, Sra. Vera Lúcia Richter, preste serviços à Fundação e que: essa empresa presta relevantes serviços à Entidade fundacional, especialmente, na captação de impressões digitais dos candidatos aos concursos públicos, assegurando idoneidade e segurança dos certames e a garantia de que não ocorram fraudes. Referido contrato teve início no ano de 1995 (doc. 07), tendo sido renovado em 2008, em vigor no ano de 2010 (doc. 08). Tratase de serviço prestado de natureza única, gozando de notoriedade na atuação em concursos públicos em geral, e com exclusividade, tendo em vista o sigilo imprescindível a esses certames (doc. 08). Ademais, é irrelevante ser irmã do Diretor de Tecnologia da Informação da Fundação Carlos Chagas, visto serem a IMPRESS e a W.G. empresas independentes, com atuações imprescindíveis nas atividades da Fundação, notadamente o sigilo e a confiança, próprios dos concursos. Por fim, a IMPRESS é: prestadora de serviços que detém direitos de exclusividade sobre a utilização dos kits:1 prestadora de serviços contratuais com diversas empresas que não a Fundação Carlos Chagas; o curriculum vitae da sócia da IMPRESS demonstra, seja pela sua formação acadêmica, seja pelos cargos exercidos, liame de misteres relacionados à atividade de prestadora de serviços; não há ligação tributária entre a Fundação e a IMPRESS. o serviço não foi prestado por preço superior ao valor de mercado. Alega, ainda, que: Os documentos apresentados com a defesa retiraram o caráter de sequencialidade das notas fiscais, uma vez que foram também emitidas para outras entidades que não a Fundação Carlos Chagas. Ademais, a quantidade de notas em relação à Fundação Carlos Chagas explicase pelo maior volume de concursos públicos executados por essa entidade durante o ano calendário 2010. Fl. 1112DF CARF MF 6 Anotese, também, que a relação de notas fiscais da IMPRESS juntada com a defesa (doc. 09) demonstra que o preço do serviço é perfeitamente razoável e compatível com o do mercado, e ainda, ter ocorrido comprovada e efetiva prestação de serviços à Fundação Carlos Chagas por parte da IMPRESS. É importante reiterar que, nesse ano de 2010, as notas fiscais destinadas a IMPRESS, ocorreram em grande número tendo em vista a quantidade de concursos públicos realizados pela Fundação nesse período. Mesmo assim, ficou provado que os preços cobrados pela IMPRESS são perfeitamente compatíveis com os do mercado ou em que a Fundação contrataria com terceiros. E mais, o contrato demonstra inexistirem quaisquer condições vantajosas à referida empresa ou a pessoa eventualmente considerada ligada. C) W.G. SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA. Tratase de empresa prestadora de serviços de informática que desde o mês de novembro do ano de 1998 vem atuando junto à Fundação Carlos Chagas, como se verifica dos documentos anexados com a defesa (doc. 10), através de contratos com objetos diversos dentro do sistema de modernização e informatização da Fundação Carlos Chagas (doc. 11). A W.G. foi assim contratada porque não havia técnicos especializados nessa área, e, especialmente, de total confiança, em razão do processamento de considerável número de concursos públicos. O programa objeto desse contrato deveria ser implantado em módulos no prazo de vinte e quatro meses (de 01.08.2008 até 31.07.2010), sendo que a empresa W.G., além de ser imprescindível à FCC, é remunerada a preços compatíveis com os do mercado como se observa dos documentos juntados (doc. 14 e 15). Por outro lado, o Sr. Luis Octávio Richten tomou posse das funções de Diretor de Tecnologia da Informação da Fundação Carlos Chagas apenas em 31.05.2011. em razão desse cargo ter sido criado em 2.010, sendo que, atualmente, não faz mais parte da Diretoria, em razão de seu afastamento definitivo da Fundação. E bem de ver, ainda, que como foi documentalmente comprovado, os preços cobrados pela W.G. são compatíveis com os do mercado ou em que a Fundação contrataria com terceiros, sendo que o contrato demonstra inexistirem quaisquer condições vantajosas à referida empresa ou a pessoa eventualmente considerada ligada. Ademais, não importa que sua irmã seja sócia proprietária da IMPRESS, porquanto, repitase, são empresas independentes atuando em áreas completamente diferentes. Vejase que não foi efetuado nenhum pagamento pela WG, quer em relação à pessoa física Sra. Vera Lúcia Richter, quer à pessoa jurídica IMPRESS, o que, por si só, descaracterizaria qualquer distribuição disfarçada de lucros. Deve ser consignado que, objetivando a segurança e o sigilo do processamento dos concursos públicos, os empregados da WG prestam os respectivos serviços somente nas dependências da Fui dação e estando impedidos de trabalhar para outras empresas. Anotese, também, não haver qualquer exclusividade por parte da WG, podendo a Fundação Carlos Chagas negociar e/ou contratar com outras empresas serviços similares ao objeto desse contrato. É necessário lembrar que a seqüencialidade de notas fiscais de ns. 73 a 91 referemse ao grande número de concursos públicos realizados pela Fundação Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.649 7 Carlos Chagas naquele período, e, especialmente, a atividade dessa empresa da qual se exige confiança total e sigilo absoluto em razão do processamento desses concursos. D) FREIRE E ADVOGADOS ASSOCIADOS Os serviços prestados pelo escritório de advocacia Freire e Advogados Associados, agora sob a razão social Calza e Salles Advogados Associados, para a Fundação Carlos Chagas, aliás, de há muitos anos, caracterizamse como de liberdade profissional, independentes e de acordo com uma profissão regulamentada por lei. Não havia qualquer impedimento para que o Diretor Presidente da Fundação Carlos Chagas, Sr. Fernando Calza de Salles Freire, no ano calendário de 2010, fosse integrante daquele escritório de advocacia, ainda que com simbólica ou por ser titular de apenas 1 (uma) quota, no valor de R$ 1,00 (um real). No mesmo ano de 2010, a sociedade foi alterada para que a administração dos negócios sociais coubesse exclusivamente ao sócio Sr Luis Salles Freire. Ademais, há clara diferença entre as funções próprias de Diretor Presidente da Fundação com a advocacia. O que a norma legal veda é a remuneração daquele que exerce as atividades de diretor dessa pessoa jurídica por sua natureza em razão das atribuições inerentes a esse cargo de direção. Entretanto, não é vedada a atividade profissional, embora exercida no desempenho da função de Diretor Presidente, que exija habilitação profissional, conhecimento específico e titulação necessária para essa finalidade, na forma das leis que regem, por exemplo, a profissão de advogado. Confirase a respeito o Código de Ética e Disciplina da Ordem dos Advogados do Brasil, ao dispor no seu art.2°. Parágrafo Único, inc. VIII que o advogado deve absterse de: a) utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente; b) patrocinar interesses ligados a outras atividades estranhas à advocacia, em que também atue; c) vincular o seu nome a empreendimentos de cunho manifestamente duvidoso; d) emprestar concurso aos que atentem contra a ética, a moral, a honestidade e a dignidade da pessoa humana; e) entenderse diretamente com a parte adversa que tenha patrono constituído, sem o assentimento deste. Nada foi mencionado sobre o exercício de Diretor Presidente de uma entidade e sua atuação como advogado. No art. 4o desse mesmo Estatuto consta que: "O advogado vinculado ao cliente ou constituinte, mediante relação impregatícia ou por contrato de prestação permanente de serviços, integrante de departamento jurídico, ou órgão de assessoria jurídica, público ou privado, deve zelar pela sua liberdade e independência ". Portanto, o Código de Ética não limita o Advogado em seu múnus publico em situações como as mencionadas neste processo administrativo, ou seja, o exercício também do cargo de Diretor Presidente da Fundação, em razão da enorme diferença de funções. Além disso, os pagamentos feitos pela Fundação a esse escritório de advocacia são compatíveis com parâmetros fixados pelas tabelas de honorários da Fl. 1114DF CARF MF 8 Ordem dos Advogados Brasil e foram realizados para uma pessoa jurídica Freire e Advogados Associados, inexistindo qualquer associação ou ligação com a Fundação Carlos Chagas. Por outro lado ficou demonstrado que não só este escritório de advocacia (especializado em questões tributarias e trabalhistas) prestou serviços à Fundação Carlos Chagas, mas inúmeros outros, inclusive de vários Estados da Federação. Portanto, também aqui não a falar em distribuição disfarçada de lucros. E) Atividades estatutárias da Fundação Carlos Chagas e as entidades beneficentes de Assistência Social Alega que a autoridade fiscal equivocouse quando considerou que as aplicações financeiras não se coadunariam com atividades de entidades beneficentes e de assistência social, pois de acordo com o art.7°, letras "a" a "d" do Estatuto fundacional, os recursos da Fundação Carlos Chagas são constituídos por: a) doações, legados, subvenções, auxílios, contribuições de qualquer origem ou espécie; b) produto de operações de crédito com títulos públicos ou particulares; c) rendas advindas de seu patrimônio; e d) rendas que, sob qualquer rubrica ou título venham a ser auferidas por ela ou pelas entidades mantidas. Nessa linha, considera que não teria sentido o patrimônio líquido da entidade ficar imobilizado e ser corroído pela inflação, sendo, imprescindível a gestão financeira realizada, para que possa atender seus objetivos e em consonância com a eficiência, que é um dos princípios constitucionais que regem a Administração Pública. F) Rendimentos e ganhos de capital Contra a alegação da autoridade fiscal de que grande parte dos recursos da entidade viriam de “rendimentos e ganhos de capital”, decorrentes de aplicações financeiras no Brasil e no exterior, e da atividade operacional de aplicação de concursos com fins lucrativos, defende, a impugnante, que o estatuto assegura a possibilidade de se obter rendimentos do produto de aplicações financeiras, também respaldado pela jurisprudência dos Tribunais e cita trecho da decisão do Ag. Reg. no Agravo de Instrumento 749.009São Paulo, do Ministro LUIZ Fux, verbis: "4 imposição tributária também estaria tributando o patrimônio da entidade, o que é vedado pela Constituição Federal, porquanto as aplicações financeiras não têm a finalidade de auferir lucros, mas sim de resguardar o patrimônio dos efeitos corrosivos da inflação" Alega, ainda, que “sendo um dos objetivos da Fundação Carlos Chagas a organização e execução de concursos públicos e de outros processos seletivos para instituições públicas ou particulares, a Fundação está cumprindo, regularmente, mais uma de suas finalidades, como se verifica do art. 2o, letra "f" do estatuto, cuja receita sempre retornou à conta patrimonial da Entidade para o cumprimento dos demais objetivos fundacionais e para as despesas operacionais (material e pessoal), aliás, significativas como demonstram o balanço patrimonial da Entidade e os documentos já enviados à Receita Federal.” Segue argumentando que a autoridade fiscal confunde atividade meio com atividade fim ao considerar que a atividade operacional da entidade é a aplicação de concursos e vestibulares, com fins lucrativos e que tal conclusão contraria o Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.650 9 Relatório da Superintendência de Educação e Pesquisa (doc. 22), chamando a atenção para o fato de que o ativo e o patrimônio da entidade foi amealhado ao longo de 50 anos. Sobre as atividades desenvolvidas, esclarece: Com efeito, no ano de 2010, essa Superintendência deu continuidade ao processo de consolidação da reforma administrativa iniciada no ano anterior. Os Projetos Especiais e de Formação foram voltados mais para a ação e intervenção social. Nesse ano foram concluídos vários projetos de grande porte, resultando em seminários, divulgação de relatórios de pesquisa, produção de artigos, lançamento de livro e coletâneas. Além disso, iniciaramse novos projetos em tema relevantes na área educacional. A mesma Superintendência de Educação e Pesquisa teve um aumento da procura de estágios pósdoutorais. Implantou o Núcleo Edu@SciELO destinado à divulgação de periódicos qualificados na área de Educação em sistema online. Dentre os projetos especiais destacase: o Programa Internacional de Bolsas de PósGraduação (IFP), realizado com a Fundação Ford. Foi criado o Núcleo de Estudos em Avaliação – NEA, cuja meta é o campo da avaliação educacional. Nos demais eixos, a atividade de pesquisa foi destinada ao desenvolvimento de projetos de vulto, com abrangência nacional. Em razão desse aumento na área de pesquisa foi necessária a contratação de pesquisadores. Os projetos mais abrangentes contaram com a parceria e apoios significativos como o Ministério da Educação, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), FAPESP, CNPq, Fundação Ford, Fundação Victor Civita, UNESCO, Instituto Ayrton Senna, Grupo Positivo, Intel, SICREDI (Sistema de Crédito Cooperativo), entre outros. Outras parcerias com a avaliação do Programa "A União Faz a Vida". E mais, assuntos relevantes sobre a formação de professores, bem como os resultados dos estudos sobre a qualidade da educação infantil. G) Patrimônio da Fundação e a Aplicação de seus recursos Contra a constatação da autoridade fiscal de que o superávit não foi investido "integralmente" nas finalidades estatutárias da FCC, mas sim em aplicações financeiras e em imóveis, defende, a impugnante, que a entidade é pessoa jurídica caracterizada pela destinação de um patrimônio ao alcance de específicos objetivos de interesse social e que é essencial que as fundações adotem meios que visem à preservação de seu patrimônio, sendo recomendável que se constitua um fundo patrimonial e um fundo de reserva técnica para que atenda a essa finalidade principal, que é a preservação e mantença da própria fundação, por meio da preservação de seu patrimônio. Cita doutrina nesse sentido: "A preservação do patrimônio fundacional, por meio desses fundos, é compromisso dos administradores com a longevidade e perenidade das ações da fundação". Nesse sentido, JOSÉ EDUARDO SABÓ PAES, in "Fundação, Associações e Entidades de Interesse Social, Ed. Forense, 8a. Edição, 2013, págs. 354, que anota outros entendimentos de consagrados tributaristas, abaixo descritos (cf. op. Cit. pág.825). Fl. 1116DF CARF MF 10 "Não ter fins lucrativos não significa, de modo nenhum, ter receitas limitadas aos custos operacionais. Elas na verdade podem e devem ter sobras financeiras, até para que possam progredir, modernizando e ampliando suas instalações. O que não podem é distribuir lucros. São obrigadas a aplicar todas as suas disponibilidades na manutenção de seus objetivos institucionais", Nesse sentido, HUGO DE BRITO MACHADO, IN "Curso de Direito Tributário, 13ea. Ed. Ed. Malheiros, 1998, p. 199. "Havendo sobras financeiras, cabe ao bom administrador tomar todas as medidas necessárias para a sua multiplicação, empregandoas em aplicações financeiras ou investimentos correlatos até que se obtenham recursos suficientes para que possa progredir, ampliandose suas instalações, sem os quais, defendese, não haveria como formar as reservas capazes de manter o equilíbrio financeiro das entidades de educação, facilitando assim o pleno atingimento de seus fins". Nesse sentido, ROQUE ANTONIO CARRVA, In "Curso de Direito Constitucional Tributário", Ed. Malhein s, 5a. Ed. S.P. pág. 742745. Argumenta, ainda, que “em relação à aplicação de seus recursos em imóveis, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que "a imunidade constitucional deve abranger os imóveis relacionados a sua finalidade e funcionamento. Além, disso, o Supremo Tribunal Federal vem flexibilizando as regras atinente à imunidade, de modo a estender o alcance axiológico dos dispositivos imunitórios, em homenagem aos intentos protetivos pretendidos pelo constituinte originário" (AG.REG. no Agravo de Instrumento 746.263 Minas Gerais Ministro DIAS TOFFOLI).” Defende que “no que diz respeito um imóvel rural, pertencente à Fundação Carlos Chagas, tratase de ativo imobilizado que, embora arrendado, se apresenta em potencial para oportunas atividades da Entidade, sendo também lastro de segurança para a sua conta patrimonial.” Cita jurisprudência do STF no sentido de que o fato de imóvel estar alugado não retira o caráter de bem destinado à filantropia, desde que os aluguéis sejam aplicados nas atividades essenciais de tais entidades. Assim, conclui “que os recursos da Fundação sempre foram aplicados na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais como pode ser verificado nos Relatórios das Atividades Financeiras e da Superintendência das Atividades de Pesquisa (doe. 22 e 23) e sempre com ciência e prestando contas ao Ministério Público por sua Promotoria de Justiça de Fundações, a qual nunca teve qualquer dúvida ou questionamento a respeito da conta patrimonial da Fundação Carlos Chagas.” H) O superávit da fundação e sua destinação A impugnante afirma que segundo autoridade fiscal o superávit da Fundação teria sido aplicado apenas em aplicações financeiras, imóveis e venda da preparação de concursos, mas que houve equívoco por parte do fisco, que confunde a atividade fim com a atividade meio. Alega que: Ocorre que o superávit da Fundação sempre foi destinado integralmente à manutenção de desenvolvimento de seus objetivos como demonstra o balanço patrimonial, seja na despesa operacional ou em suas finalidades, sendo irrelevante a eventual desproporção apontada pela Sra. Auditora. A par disso, não pode o Fisco procurar assumir ou interferir na gestão patrimonial da Fundação Carlos Chagas com críticas a respeito de suas atividades. É por demais danosa a interferência da Receita Federal a respeito da aplicação dos recursos da Fundação, uma vez que se trata de uma situação interna corporis da entidade e porque restou comprovado ser uma gestão patrimonial saudável quanto à Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.651 11 proteção desse patrimônio, aliás, adquirido num extenso período de cinquenta anos, e não da noite para o dia, e que será, sem dúvida revertido para os serviços e finalidades estatutárias, colocandoos, como sempre o fez, à disposição da população em geral, e em caráter complementar às atividades do Estado, despida assim de fins lucrativos. Argumenta que o art. 170, § 3º, inciso II do RIR, de 1999, inova ao exigir a aplicação integral dos recursos na manutenção dos seus objetivos sociais, pois o CTN apresenta redação diversa em seu art. 14, inciso II, ou seja, de aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais. Desenvolve: O termo "integralmente", do CTN tem por objetivo que os recursos sejam aplicados integralmente no país, vedandose a aplicação desses recursos no Exterior. Entretanto o RIR inovou esse dispositivo do CTN utilizando o termo "integralmente", não para o País, mas para que os recursos sejam aplicados em sua totalidade na manutenção dos seus objetivos sociais. É certo que os recursos da Fundação, objeto de sua conta patrimonial (v. art. 6o do Estatuto da Fundação) serão aplicados em sua totalidade na manutenção dos seus objetivos sociais, porém no momento adequado ou conveniente para a Entidade, em consonância com sua gestão patrimonial e projetos futuros, especialmente o eventual expansão e/ou modernização do órgão. O RIR criou figuras ou situações que o CTN e nem Constituição previram, especialmente quanto à aplicação integral dos recursos, não ficando claro se seria no ano calendário, nos exercícios subsequentes ou em data indeterminada. A criação de situações novas e limitativas ao poder de tributar, como se encontra no imposto de renda devem ser objeto, repitase se lei complementar e não de decreto, como ficou consignado no início dessa impugnação. Mesmo assim, e apenas para argumentar, a Fundação Carlos Chagas não aplicou integralmente seus recursos no ano calendário porque não era prioridade ou conveniência da Instituição utilizar sua conta patrimonial naquele momento. Estava e está constituindo caixa e acumulando recursos para serem empregados em suas finalidades educacionais, através de pro^ to de considerável relevância envolvendo sua expansão, modernização e criação de uma universidade, ou até projeto correlato 1e grande envergadura. Assim, além de ser totalmente ilegal e descabida a pretensão do FISCO de interferir nas questões interna corporis da Fundação, ilegal e descabida também é a afirmativa de que a entidade deve, no exercício, investir em suas finalidades tudo que arrecada. Se até a aquisição da casa própria pela pessoa física exige economia, poupança e constituição de patrimônio, que dirá um empreendimento de vulto na área educacional, por parte de entidade sem fins lucrativos e que há décadas se dedica às atividades sociais para as quais foi criada, com administração austera e eficiente, que gerou, ao longo dos anos, expressivo patrimônio, do qual a sociedade como um todo será a destinatária. A criação de uma universidade, instituto, entidade de pósgraduação ou de outro empreendimento correlato exige, além de inúmeras outras providências, a aquisição ou locação de prédios, instalações adequadas, mobiliário, informatização, laboratório, contratação de professores e de pessoal especializado. Fl. 1118DF CARF MF 12 Tal empreendimento jamais será exequível se todos os recursos amealhados pela entidade fossem gastos no mesmo exercício, como quer a Douta Auditora Fiscal. Há manifesta e evidente necessidade de capitalização, de formo ã He poupança, de constituição de patrimônio compatível com a grandiosidade do empreendimento. (...) Não há qualquer problema em adiar a aplicação dos recursos da Fundação uma vez que se trata de uma conta patrimonial que não pode ser utilizada, senão para suas finalidades e para o aumento de seu patrimônio, objetivando propostas sociais e educacionais arrojadas, que requerem, como já se demonstrou, consideráveis recursos financeiros. Do pedido Requer que: 1 – as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência do crédito tributário sejam reunidas em um único processo; 2 – seja tornado sem efeito o ADE nº 51/2014, com o restabelecimento da Imunidade Constitucional Tributária; Da Diligência Por meio da Resolução nº 02001.994, de 21 de dezembro de 2015, (fls. 19429 a 19434) a 10ª Turma da DRJ Belo Horizonte converteu em diligência o julgamento do processo em razão de não terem sido identificados nos autos dos processos nº 10314.720043/201510 e 10314.729115/201011, os elementos que levaram a Autoridade Fiscal a concluir que os valores praticados pelas empresas citadas eram superiores ao de mercado e por não terem sido identificadas as provas do exercício da gerência do Senhor Rubens Murillo Marques, Presidente de Honra da entidade, no anocalendário 2010. Assim, os autos retornaram à DRF de origem, no intuito de que a Autoridade Fiscal esclarecer tais fatos, indicando os elementos comprobatórios. Com relação ao crédito tributário constituído, a diligência foi determinada para: 1 – que a autoridade fiscal confirme se a não dedução da Cofins, na apuração do lucro real, observou o disposto na Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 1º; 2 – que a autoridade fiscal esclareça os motivos para não ter concedido os créditos na apuração do PIS e da Cofins e analise os créditos devidos ao contribuinte, reapurando a base de cálculo das referidas contribuições; 3 – intime a impugnante para justificar as diferenças das contas de nº 3.3, 3.4, 5.1 e 5.2, no mês de dezembro de 2010, por meio de relatório descritivo dos fatos que as ensejaram, acompanhado das provas, se for o caso, as quais deverão estar relacionadas no relatório com indicação dos números das folhas/documentos do processo. As considerações apresentadas pelo contribuinte deverão ser analisadas pela autoridade fiscal; 4 – intime a impugnante para apresentar o “projeto de considerável relevância envolvendo sua expansão, modernização e criação de uma universidade, ou até projeto correlato de grande envergadura”, que foi citado para justificar a constituição Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.652 13 de caixa e acumulo de recursos para serem empregados em suas finalidades educacionais. Nas fls. 833 a 914 foram anexadas as principais peças relacionadas com a diligência mencionada e que também relacionamse com este processo. As demais peçam podem ser consultadas no processo 10314.720043/201510, que segue apenso a este. Quanto às provas do exercício da gerência pelo Senhor Rubens Murillo Marques, Presidente de Honra da entidade, no anocalendário 2010, pontuou que ele é “fundador da Fundação Carlos Chagas, sendo parte da gerência da instituição desde então, com cargos de Diretor Presidente até 2009, período já de vigência do contrato com a IMPRESS desde a abertura desta empresa. O faturamento da IMPRESS foi, em 2010 e sempre, quase que suportado pela Carlos Chagas. Confirmo também que as Notas Fiscais da IMPRESS são sequenciais durante todo o ano de 2010 indo do número 54 a 158, totalizando o montante de R$ 1.774.957,95.” O Dr. Rubens Murilo Marques é um dos proprietários de fato desta empresa nomeada como fundação; sendo membro do Conselho no ano em questão, por conseguinte influindo na sua gerencia e recendo seus lucros como qualquer sócio de empresa lucrativa, sendo ele gerente ou não. Repito que: os contratos da IMPRESS foram firmados ainda no decorrer de sua gestão. 3. Somada a IMPRESS temos outra empresa da Carlos Chagas, a CONSTAT CONSULTORIA SC LTDA CNJP 62.281.829/000167, recebendo valores da Fundação Carlos Chagas, em 2010. Em pesquisa aos sistemas da SRP, comprovou se que a citada empresa pertence ao próprio Sr. Rubens Murillo Marques, assim mais uma prestadora, também, representa forma de distribuição de lucros da Fundação Carlos Chagas. 4. Acrescento que, o relatório da Suspensão, apresenta os outros dirigentes formalmente constantes dos Estatutos de 2010, proprietários de empresas prestadoras que recebiam remuneração/distribuição de lucros através destas. 5. Para comprovação final e facilitação de entendimento das relações entre os fundadores, os dirigentes e as empresas prestadoras procedi com seu mapeamento no Grafo de Relacionamento da Fundação Carlos Chagas (DOC.I) e do Grafo de Relacionamento do Sr. Rubens Murillo Marques/Sr.Ricardo IglesiasDiretor da Fundação Carlos Chagas (DOC.II) 6. Estes grafos seguem amparados do resumo das relações/participações que espelham serem as grandes prestadoras da fundação pertencentes de fato, ou através de parentes, aos seus gestores. 7. Como no caso da IMPRESS, os diretores da Carlos Chagas ou pessoas ligadas, que é o ramo a eles criam empresas para serem fornecedoras da instituição, com a contratação desses serviços recebem suas remunerações. A proprietária da IMPRESS tem seu currículo na área de Linguística, Letras e Artes, em nada atuando em tecnologia que é o ramo da IMPRESS. A diligência fiscal foi encerrada no dia 29/06/2017, e a impugnante foi cientificada do seu conteúdo no mesmo dia. No dia 27/07/2017, por meio de solicitação de juntada, a impugnante se manifestou sobre o Relatório Fiscal da diligência, cuja síntese apresentase a seguir: Dos valores praticados pelas empresas compatíveis com os do mercado Fl. 1120DF CARF MF 14 A impugnante pontuou que a Autoridade Fiscal deixou de ser manifestar sobre a letra “a” da diligência, ou seja, sobre os elementos que levaram a Autoridade Fiscal a concluir que os valores praticados pelas empresas citadas eram superiores ao de mercado. Informou que, apesar disso, demonstrou que os valores praticados pelas empresas lmpress Captação de Impressões Digitais Ltda., W.G. Serviços de Informática Ltda. e Freire Advogados Associados sempre foram compatíveis com os praticados pelo mercado, sendo que as atividades da lmpress eram de tecnologia e metodologia próprias e entende que ficou excluída a presunção da distribuição disfarçada de lucros, por força do art. 464, § 3° do RIR/99. Das funções do Sr. Rubens Murillo Marques na Fundação Carlos Chagas Alega que ficou amplamente provado na impugnação da contribuinte, o Sr. Rubens Murillo Marques, afastouse do cargo de DiretorPresidente no final do ano de 2009 e que não mais exerceu qualquer função diretiva, de gestão ou decisória no ano de 201 O e nos períodos subsequentes, até a presente data. Da análise dos dados Da Impress Captação de Impressões Digitais Ltda Entende que não há que se falar em remuneração disfarçada pelo fato da Sra. Vera Lucia Richter ter sido sóciaproprietária dessa empresa, cônjuge do Sr. Rubens Murillo Marques, uma vez que ele não mais exercia qualquer cargo executivo na Fundação e que o título de Presidente de Honra não se confunde com as funções de DiretorPresidente da entidade ou de qualquer outra Direção. Refuta a afirmação da Autoridade Autuante de que o Senhor Rubens Murillo Marques seria um dos proprietários de fato da Impress Ltda e argumenta que é irrelevante o fato de que os contratos da lmpress tivessem sido firmados no decorrer de sua gestão como DiretorPresidente da Fundação, mesmo porque eram imprescindíveis para o serviço prestado e, ainda, com valores compatíveis aos do mercado. Da Constat Consultoria S/C Ltda Sustenta que é uma alegação irreal da Autoridade Autuante a afirmação de que a Constat tivesse recebido valores da Fundação Carlos Chagas. Como pode ser observado pela documentação já juntada, a Fundação nunca teve qualquer contrato com a Constat, que jamais recebeu qualquer valor da Fundação. Pontua que os documentos acostados na impugnação demonstraram que a Constat nunca prestou serviços para a Fundação, desde sua criação em 1990 e nem recebeu, a qualquer título, valores da Fundação, somado ao fato de que as atividades daquela empresa foram encerradas, conforme se e verifica dos documentos constante da impugnação ao DRJ, aguardandose apenas a baixa do CNPJ, já solicitada à Receita Federal. Dos grafos de relacionamento da fundação Carlos Chagas e dos exdiretores senhores Rubens Murillo Marques e Ricardo Iglesias Alega, em preliminar, que a Autoridade Fiscal está inovando sua ação fiscal ao adicionar fatos novos nesta Diligência Fiscal, que não foram objeto da impugnação ao DRJ, violando o direito de ampla defesa da contribuinte. A Fundação está sendo intimada, apenas nesta oportunidade, sobre tais fatos, o que certamente implicará manifesta nulidade procedimental. Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.653 15 Argumenta que os Grafos de Relacionamento apresentados não se mostram aptos a concluir por qualquer recebimento irregular de valores por parte das referidas pessoas e/ou empresas, conforme documento 5 que junta. Sustenta que os Srs. Gerhard Malnic, Magid Lunes, Nelson Fontana Margarido, Catharina Maria Vilma Brandi Niggi, Rubens Murillo Marques, Luís OctavioRichter, Fernando Calza de Salles Freire, Fernando Luiz Bassetto, Frederico Bassetto Junior , Rosana Battagini lglesias, Maria Panzera Iglesias, Sonia Maria Aparecida Mesquita Ribeiro, Sílvio Perissinoti, Flavio da Costa Viellas, Luís Eduardo de Sampaio Dória Martins Ribeiro, Francisco de Toledo lglesias, Juliana Toledo lglesias e Vera Lúcia Richter, NUNCA prestaram serviços à Fundação Carlos Chagas e tampouco receberam remuneração dessa Entidade . Em relação à Sra. Gloria Maria Santos Pereira Lima, Sr. Ricardo lglesias, Sra. Ana Maria Olivan e Sr. Agnaldo Antonio Moreira, defende que prestaram serviços para a Fundação, porém na qualidade de empregados dessa Entidade, ocupando cargos próprios e previstos no organograma, respectivamente, como Superintendente Administrativo, Superintendente de Operações Externas , Chefe do Departamento Administrativo, até 27 de abril de 201 O, e Gerente Operacional de Informática e Superintendente Operacional e Tecnologia da lnformação, até 05 de abril de 2011. Pontua que o Estatuto fundacional, com vigência a partir de 16/09/2004, inclusive no ano de 2010, permitia que um funcionário pudesse exercer mandato na Diretoria desde que: a) estivesse regularmente trabalhando na Fundação há pelo menos 1 O (dez) anos; b) sem receber quaisquer reenquadramentos ou promoções salariais, exceto os expressamente propostos e aprovados, por unanimidade pelo Conselho Curador; e) continuasse a exercer suas funções normais. Os empregados acima referidos reuniam todas essas condições, motivo pelo qual exerceram mandatos de diretores sem qualquer óbice legal, e sem qualquer remuneração por tais cargos de direção, anotando que o Sr. Agnaldo Antonio Moreira já fora excluído da empresa WG. de Informática Ltda. em 05/05/2008 (doc.6). Por outro lado, as empresas: Panzera Empreendimentos Imobiliários SIS Ltda., Virtus Serviços Administrativos SIS, Arbor Altius Empreendimentos Imobiliários Ltda, Associação Cultural Filantrópica Cedros do Líbano li, Fundação Beneficente Elijass Gliksmanis, Crater Administradora e Corretora de Seguros, Ssaia Participações Ltda, Omega Print Comercial Ltda, Environmetal Power Piracicaba Participações, Lipman do Brasil Comercio de Eletronicos Ltda. e Lipman do Brasil Serviços para Equipamentos não prestaram serviços de qualquer natureza para a Fundação Carlos Chagas especialmente no exercício de 201 O, como também não receberam remuneração paga pela Fundação neste período (doc.5). As empresas lmpress Captação de Impressões Digitais Ltda. E W.G. Serviços de Informática Ltda. prestaram serviços a Fundação Carlos Chagas, recebendo a remuneração devida, porém estritamente compatível a do mercado. Enquanto que, Freire Advogados Associados ocorreu a mesma situação, apenas que a remuneração, também compatível. referiuse a honorários advocatícios. Os detalhes pertinentes a essas empresas constam da impugnação apresentada pela contribuinte Fundação Carlos Chagas (docs. 7, 8 e 9) Deve ser salientado que, a empresa SCM Prestação de Serviços Postais Ltda. recebeu uma irrisória remuneração no exercício de 201 O, no montante de R$1.954, 15, (doc. 10) sendo que o Sr. Rubens Murillo Marques foi excluído desta empresa em 02.09.2008, enquanto que a empresa Papirus Informática SIC Ltda. prestou Fl. 1122DF CARF MF 16 serviços para a Fundação bem como recebeu a respectiva remuneração somente até o ano de 2002, o que não ocorreu nos anos subsequentes (doc. 5). A Constat Consultoria SIC Ltda. já foi objeto de considerações no inicio da manifestação da Fundação Carlos Chagas sobre apresente Diligência Fiscal, sendo que, como ressaltado, nunca teve qualquer contrato e jamais recebeu qualquer valor desta Fundação. Logo, tais Grafos, ora contestados e impugnados pela Fundação, não permitem dizer que "são os grandes prestadores da Fundação pertencentes de fato, ou através de parentes, aos seus gestores" como pretende a Sra. Auditora Fiscal. A par disso, a documentação juntada pela Fundação Carlos Chagas em sua impugnação ao DRJ afasta, de forma cabal, a alegação de que essas empresas foram criadas para serem fornecedores dessa instituição uma vez que nunca prestaram serviço e nem receberam qualquer valor dessa entidade fundacional, salvo a lmpress e a WG.,que receberam pagamentos pelos imprescindíveis serviços prestados, em valores, perfeitamente, compatíveis com os do mercado. Ainda em relação à lmpress, mencionada pela Sra. Auditora Fiscal no item 7 de sua manifestação, deve ser acrescentado que sua exsócia, Sra. Vera Lúcia Richter, dentre outros títulos, apresenta relevantes serviços na área de Estatística. Formada pela UNICAMP SP, Mestre em Saúde Pública, Especialista em Psicologia Clínica, Professora no Departamento de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da UNICAMP, Analista Senior da Coordenadoria de Análise de Dados da Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo, Chefe da Diretoria de Processamento da Fundação SEADE. Além disso, é Artista Plástica com diversas exposições, agraciadas com medalhas (doc. 11) e não da área de Linguística, Letras e Artes como consta na Diligência Fiscal – tudo indicando que a ilustre auditora confundiua com uma homônima, ou quase homônima, de nome Vera Lúcia Richter de Souza, como se vê do site www.escavadorlcom. De resto, nada impedia a atuação em tecnologia ou em qualquer outra área, visto ser pessoa com excelentes dotes intelectuais, lembrando, ainda, que pediu afastamento definitivo dessa empresa em 18.08.2015. 6. Portanto, inexistem motivos para a suspensão da imunidade da Fundação Carlos Chagas, mesmo por que não se demostrou quaisquer recebimentos por parte do Sr. Rubens Murillo Marques, ainda mais com valores "significativos e comprovados", como insinua a Sra. Auditora Fiscal. 5.5. Além disso, a proibição de remuneração dos diretores de fundações foi excluída pela Lei nº 13.151 de 28.07 .2015 e a Lei 13.204 de 14.12.2015. Das atividades estatutárias da Fundação Carlos Chagas 6.1. Como demonstrado, detalhadamente, na impugnação da contribuinte, as atividades da Fundação Carlos Chagas coadunam se, também, com aquelas relativas às entidades beneficentes de assistência social e educação. Como se sabe, os recursos obtidos pela Fundação são destinados ao cumprimento de suas finalidades estatutárias, rigorosa obediência a seu estatuto, motivo pelo qual gozam do beneficio da imunidade, o que tem sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal, inclusive em julgamento recentíssimo no ARE 1010225 Recurso Ordinario com Agravo, julgado em 20.06.2017, onde negou se, por unanimidade provimento ao agravo interposto pela Prefeitura Municipal de São Paulo questionando a imunidade da Fundação em relação ao imposto ISS. Assim o STF, negou provimento ao agravo acima referido com fixação de honorários recursais nos termos do voto do Relator (doc.12). Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.654 17 6.2. A destinação dos recursos financeiros sempre foi dirigida para as finalidades estatutárias a exemplo da Pesquisa Educacional como se verifica da publicação "Memória lnstitucionaf' 1964Maio 2017, da Fundação Carlos Chagas ( doc.13), bem como os demais documentos existentes na impugnação da contribuinte junto ao DRJ. 6.3. Por outro lado, parte do superávit da Fundação é mantido em aplicações financeiras, tornando a entidade fundacional um órgão seguro, idôneo e forte para que possa atender com mais vigor, as demais atividades fundacionais. É certo que sem, ou com poucos recursos financeiros, de nada vale a existência de uma Fundação pela total impossibilidade de exercer seus objetivos. 6.4. E mais, o Poder Judiciário tem reconhecido a perfeita regularidade e imunidade quantos às aplicações financeiras e a aquisição e locação de imóveis, tudo para fortalecimento da conta patrimonial da entidade e oportuna aplicação integral nas demais atividades fundacionais. Repitase que tais recursos fazem parte de uma conta patrimonial, exclusiva e absolutamente restrita as suas finalidades estatutárias. 6.5. Ao contrário do que alega a Sra. Auditora Fiscal, ficou evidente que a contribuinte não é "empresa prestadora de serviços para exame vestibulares e concurso de seleção de profissionais para entidades privadas e públicas", visto que os resultados, obtidos com os recursos patrimoniais, são destinados, obrigatoriamente, aos objetivos estatutários. Tais fatos denotam desconhecimento do funcionamento de uma fundação, uma vez que não há perigo de desvio de recursos decorrentes de aplicações financeiras ou da execução de concursos públicos, não só por motivos legais, como também porque ocorre rigorosa fiscalização por parte da Promotoria de Justiça de Fundações, órgão do Ministério Público Estadual. Isso porque, repitase, todos os recursos de sua conta patrimonial somente podem ser aplicadas nas finalidades estatutárias ou legais. 6.6. E mais, a Sra. Auditora Fiscal menciona em suas justificativas, objeto da presente diligência fiscal (fls.234), que, para o gozo da imunidade as instituições de educação e assistência social estão obrigadas a atender dentre outros requisitos "não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados". Entretanto, tal situação foi revogada pela Lei nº 13.151 de 28.07.2015 e Lei 13.204 de 14.12.2015. 6.7. Concluise que, nas alegações objeto dessa Diligência Fiscal, a Sra. Auditora , além de trazer fatos novos, estranhos a essa diligência, vem aduzindo menções essencialmente subjetivas, sem amparo legal ou administrativo no sentido de descaracterizar a imunidade da Fundação Carlos Chagas, o que não pode ser admitido. Por tudo o mais, reiterase as alegações da contribuinte Fundação já constantes de sua impugnação junto á DRJ. (...) Apreciados os argumentos da impugnação e o resultado da diligência, afastada a preliminar de nulidade no que diz respeito a incompetência do Delegado da Delex, que assinou o ADE nº 51, de 2014, e da inexistência de nulidade do ADE nº 51/2014, Fl. 1124DF CARF MF 18 reconhecendo a presença de motivação suficiente para sua existência, no mérito, restou demonstrada a descaracterização do aspecto sem fins lucrativos da entidade e do não desenvolvimento majoritário da função social de pesquisa e educação, posto que a imunidade das instituições de educação e de assistência social é subjetiva e condicionada. No sentido finalístico é atribuído por se tratar de substituição ou acréscimo à atividade estatal — o interesse público que reveste o ensino e a assistência social em todos os níveis — sendo, assim, imunizada, pois, em tese, todo o seu patrimônio, renda e serviços está voltada a um fim que também é interesse, atribuição ou dever do Estado. Destarte, conforme entendimento da decisão recorrida, a prática habitual de atos de natureza econômicofinanceira por entidade de educação e de assistência social caracteriza desvio de seus objetivos essenciais, uma vez que estabelece concorrência com organizações que não gozam do mesmo tipo de favor, acarretando perda ao direito de tratamento privilegiado. Assim, prevaleceu à unanimidade o posicionamento de que não basta que a entidade tenha, em tese, alguma função social. É necessário que essa função exista na prática e, nesse contexto, que não haja fins lucrativos, ou seja, que não apresente superávit ou, em caso de apresentação, que destine o resultado integralmente à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, do contrário as condições do gozo da imunidade não serão atendidas. Nem se alegue, novamente, a suspensão da Lei nº 9.532, de 1997, pela nº 18023DF, pois, conforme decidido nas preliminares, ainda que se declare inconstitucional o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, os comandos do Código Tributário Nacional têm caráter normativo pleno, visto que fora recepcionado como Lei Complementar. Nessa linha, a Autoridade Autuante, também fundamentou a suspensão da imunidade no descumprimento do disposto no art. 14, inciso I e II do CTN. Inconformada, interpôs Recurso Voluntário, com vistas a obter a reforma do julgado para que seja reconhecida a correta aplicação do superávit da recorrente na manutenção de seus objetivos sociais e restabelecida a imunidade tributária da recorrente no exercício de 2010 e declarada a insubsistência dos autos de infração em relacão ao IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Contribuições Previdenciárias, que são objeto deste processo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos de admissibilidade, portanto passo a analisálo. Quanto a questão preliminar de nulidade do ADE 51/2014, por inscontitucionalidade, anoto que os acórdãos citados pela Recorrente em seu Recurso Voluntpario que já decidiram que a fundação não tem fins lucrativos, dizem respeito a períodos diferentes do que está sendo questionado neste processo, razão pela qual sua razão de decidir não tem aplicação direta a este caso. Ademais, quanto ao argumento de que a exigência das contrapartidas são inconstitucionais, por invadir campo reservado a lei complementar de que trata o art. 146, II, da CF: (i) a alínea f do§ 2º do art. 12, por criar uma contrapartida que interfere diretamente na atuação da entidade; art. 13, caput, e o art. 14, ao prever a pena se suspensão do gozo da Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.655 19 imunidade nas hipóteses que enumera, anoto que a análise do argumento encontra obíce na Sum. 02 CARF, que impede o Colegiado do conhecimento de matéria constitucional. Anoto ainda que a DRJ analisou as questões relacionadas a distribuição disfarçada de lucros e afastou por falta de provas. Feitas essas considerações, passo análise do ADE 51/2014. DO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE SUSPENSÃO DA IMUNIDADE E DA ISENÇÃO A Recorrente contesta o Ato Declaratório Executivo nº 51, de 2014, repetindo os mesmos argumentos já apresentados na impugnação contra esse ato, no sentido que ao contrário do alegado pela autoridade fiscal, é evidente que as finalidades estatutárias da recorrente e as aplicações financeiras se coadunam com as entidades beneficentes e de assistência social, sendo imprescindível para tanto uma adequada gestão financeira dos recursos da entidade para que ela se capitalize e possa ampliar as suas atividades não fazendo sentido gastar de imediato todo o superávit do exercício na atividade fim, nem pretender que o patrimônio da Fundação fique imobilizado e seja corroído pela inflação considerando tributáveis a renda desse patrimônio. Argumentou que sendo um dos objetivos da Recorrente as atividades na área de avaliação e de medidas educacionais, consistentes na organização e execução de concursos públicos e de outros processos seletivos para instituições públicas e particulares, ela esta cumprindo regularmente suas finalidades, cuja receita sempre retornou à conta patrimonial da entidade para cumprimento dos demais objetivos fundacionais e para as despesas operacionais (material e pessoal), bastante significativas. Considerados estes argumentos, anoto que a decisão recorrida manteve a atuação sob o fundamento de que a Autoridade Fiscal concluiu que a atividade operacional da Recorrente é a aplicação de concursos e vestibulares com fins lucrativos e que o destino do superávit é o mercado financeiro e a compra de imobilizado. Constatou que houve obtenção de renda não relacionada com as finalidades da entidade, já que as contas de receita demonstram que grande parte da renda não provém de atividades relacionadas com as suas finalidades essenciais, conforme art. 150, § 4º da CF/1988 e art. 171 do RIR/1999, descrevendo como fatos principais para esta conclusão o seguintes: "O valor de R$ 79.220.380,74 provém de rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras no Brasil e no exterior de renda fixa ou de renda variável ou rendimentos com dollar/ouro. Nesse contexto, verificou que o valor da receita de pesquisa educacional, que seria atividade imune, totalizou somente R$ 2.472.137,00. Por outro lado, a Fundação apresentou R$ 12.681.719,68 de receita de locação de imóveis e R$ 1.043.253,86 como receitas eventuais. Sua receita operacional somou R$ 45.089.988,67 proveniente de receita de concursos, gráfica e recuperação de despesas. Ainda, de um Ativo de R$ 1.113.319.794,20 a empresa destinou, em 2010, R$ 977.829.988,78 deste ativo em aplicações financeiras. Essas informações foram confirmadas com os elementos de provas anexados aos autos. Fl. 1126DF CARF MF 20 Dessa forma, é evidente que a atividade desenvolvida pela Fundação Carlos Chagas tem sido majoritariamente a realização de concursos públicos, desvirtuando se da finalidade típica de entidades sem fins lucrativos. Foi nesse sentido que a Autoridade Fiscal considerou que a entidade não aplicou integralmente seus recursos na manutenção ou desenvolvimento dos seus objetivos institucionais, objetivos esses relacionados com entidades que gozam de benefícios fiscais. De fato, quando se constata que 98% dos recursos do superávit são destinados ao mercado financeiro e imóveis é de se concluir que os recursos não estão sendo integralmente aplicados na manutenção dos seus objetivos institucionais. É que essa desproporção entre as atividades desenvolvidas (com e sem fins lucrativos ou mercantis e estatais) acaba por evidenciar que a entidade está voltada para realização de atividades típicas de mercado, com fins lucrativos. Não se está afirmando que o patrimônio líquido da entidade deve ficar imobilizado e ser corroído pela situação inflacionária do País, tampouco que a gestão financeira não deve ser realizada. Pelo contrário, deve haver atenção com a saúde financeira da entidade, o que é diferente de direcionar as atividades desenvolvidas para a realização de concursos, aplicando os recursos no mercado financeiro e imobiliário, em detrimento da aplicação em atividades de assistência social. O fato de o estatuto social da Fundação Carlos Chagas elencar entre seus objetivos a organização e execução de concursos públicos e outros processos seletivos para instituições públicas ou particulares e prever como origem de recursos rendas que, sobqualquer rubrica ou título, venham a ser auferidas por ela ou pelas entidades mantidas, não caracteriza, por si só, a realização de atividades de assistência social, visto que tais atividades não são essenciais do Estado. São fontes de recursos, mas devem ter como objetivo o financiamento de atividades típicas de Estado que justificam a imunidade e a isenção. Assim, se os esforços da entidade estiverem direcionados para a realização dessas atividades, perdese a finalidade da imunidade e isenção. No entanto, a impugnante contesta a conclusão de que a atividade operacional da Fundação Carlos Chagas é a aplicação de concursos e vestibulares, com fins lucrativos e fundamenta sua oposição no Relatório da Superintendência de Educação e Pesquisa (doc 22) que relata as atividades e projetos desenvolvidos pela entidade em 2010. A impugnante defende que é essencial que as fundações adotem meios que visem à preservação de seu patrimônio e, nesse sentido, cita doutrina e jurisprudência que consideram que receitas de aluguel e aplicações financeiras não retiram o carater de filantropia da entidade. Afirma que os recursos da Fundação sempre foram aplicados na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais, conforme Relatórios das Atividades Financeiras e da Superintendência das Atividades de Pesquisa (doc 22 e 23). Analisandose o Relatório da Superintendência de Educação e Pesquisa, de fato, identificamse vários projetos relacionados com a área de educação e pesquisa e essa situação não foi negada pela Autoridade Fiscal, porém não faz menção aos valores investidos nesses projetos. Por outro lado, ao se analisar as Demonstrações Financeiras da Entidade, especialmente as Demonstrações de Resultado dos Exercícios Findos em 31 de dezembro de 2010 e 2009, verificase um superávit financeiro de R$ 108.011.423 e Receitas Financeiras Líquidas no valor de R$ 92.439.527,00. Nas notas explicativas das Demonstrações Contábeis dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2010 e 2009, verificase, no item “Receitas diferidas” as quais se relacionam com receitas de projetos de pesquisas educacionais e Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.656 21 realização de concursos não concluídos até 31 de dezembro, que a apropriação das receitas foi proporcional aos respectivos custos incorridos. Nesse contexto, em 2010, as receitas foram assim apropriadas: Pesquisas e projetos educacionais R$ 1.159.163,00 Concursos diversos R$ 11.705.779,00 Recursos de Entidades 248.984,00 Como se verifica, os custos incorridos em concursos diversos são proporcionalmente muito mais elevados que os de pesquisas e projetos educacionais. Assim é de se confirmar que os recursos da entidade não estão sendo integralmente aplicados na manutenção dos seus objetivos institucionais (de educação e assistência social)". Em contraposição a motivação da decisão, a Recorrente argumenta que no ano de 2010 a Superintendência de Educação iniciou vários processos relevantes na área, destacando como principais o Programa Internacional de Bolsas de Pós Graduação (IFP), realizado com a Fundação FORD. Foi criado o Núcleo de Estudos em Avalização NFA, cuja meta era no campo de avaliação educacional e demais eixos de pesquisas destinadas ao desenvolvimento de abrangência nacional, com contratação de novos pesquisadores. Demonstra que os projetos mais abrangentes contaram com a parceria e apoio do Ministéiro da Educação, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), FAPESP, CNPq, Fundação Ford, Fundação Victor Civita, UNESCO, Instituto Ayrton Senna, Grupo Positivo, Intel, Sicred e outras parcerias em programas de formação de professores e estudos sobre a qualidade da educação infantil. Assim, sustenta que era questão de responsabilidade com a eficiência da instituição a preservação de seu patrimônio, não podendo permitir a sua descapitalização, razão pela qual a aplicação do superavit de deu da maneira constatada pela autoridade fiscal. Sustenta também que a lei não diz a proporção nem o período em que o superávit deve ser aplicado, não constituindo qualquer irregularidade na conduta da Recorrente em amealhar superávit para aplicações futuras. Portanto, entendo assistir razão à Recorrente quando aduz que a preservação do patrimônio fundacional é compromisso dos administradores e que a inexistência de fins lucrativos não implica necessariamente em ter receitas limitadas a suportar apenas os custos operacionais, devendo ter sobras financeiras, bem geridas, até para evoluir e se modernizar, aprimorando seus objetivos institucionais e cumprir com sua finalidade, tendo sido o superávit da Recorrente sempre mantido em seu patrimônio, no desenvolvimento e manutenção das suas atividades dentro do país. Ate o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Fl. 1128DF CARF MF 22 Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Inicio parabenizando a ilustre relatora pelo consistente voto. Entretanto, discordo do entendimento apresentado no que tange a considerar que não foram descumpridos os requisitos para a manutenção da isenção de tributos por parte da Fundação Carlos Chagas. Analisando as informações apresentadas pela fiscalização no TVF e em resposta à diligência solicitada pela Delegacia de Julgamento, vemos que a suspensão dos benefícios à recorrente decorreu, no entendimento da fiscalização, em síntese, de dois aspectos essenciais: 1 Fruição da majoritária parte dos rendimento de receitas que não decorrem de sua atividade principal, mas sim de outras atividades com fins lucrativos; Não aplicação integral dos seus rendimentos no desenvolvimento de suas atividades; Aplicação majoritária do superávit de suas atividades no mercado financeiro. 2 Distribuição de lucros à empresas de propriedade de diretores da fundação. Quanto ao segundo item, este já foi afastado pela própria Delegacia de Julgamento quando da prolação do acórdão da impugnação tendo em vista que não restaram comprovados os requisitos para a caracterização da infração. Assim à análise da manutenção ou não do ato de suspensão deve recair sobre as alegações de descumprimento, por parte da recorrente, dos requisitos de aplicação de recursos e exercício das atividades consideradas como de interesse e beneficiadas pela isenção. Neste sentido, comungando do entendimento apresentado pela Delegacia de Julgamento neste particular, transcrevo os trechos do Acórdão da Decisão de Piso no que toca a análise deste item que provocou a suspensão da imunidade. IV Da descaracterização do aspecto sem fins lucrativos da entidade e do não desenvolvimento majoritário da função social de pesquisa e educação A Autoridade Fiscal considerou que a conduta operacional da impugnante não corresponde às das entidades sem fins lucrativos e não desenvolve majoritariamente a função social de pesquisa e educação. Assim, a entidade não reuniu condições, no ano de 2010, para o gozo do benefício de imunidade, por não atender às definições do art. 170, §§ 1º e 2º do RIR/1999, e tampouco para gozo do beneficio de isenção, definidas no art. 174 do RIR/1999. Suspenso o gozo da imunidade, foi suspenso também: 1 – a isenção relativa à Cofins, de que trata o art. 13 e o art. 14, X, da MP nº 2.15835/ 2001, em face do § 10 do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996; 2 – a isenção da CSLL de que trata o art. 57 da Lei nº 8.981/91, em face do disposto no § 10 do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996; Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.657 23 3 – a isenção das Contribuições Previdenciárias de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.21, de 1991, em face do disposto no art. 32, caput e parágrafos, da Lei nº 12.101, de 2009; A conclusão da Autoridade Autuante, em suma, decorreu de sua constatação de que “a atividade operacional é a aplicação de concursos e vestibulares com fins lucrativos” e “o destino do seu superávit é o mercado financeiro e a compra de imobilizado para locação”. A Impugnante, por outro lado, contesta a conclusão da Autoridade Fiscal e afirma que não tem cabimento o patrimônio líquido da entidade ficar imobilizado e ser corroído pela situação inflacionário do País e que é imprescindível a gestão financeira da entidade. Alega que é pessoa jurídica de direito privado, “sem fins lucrativos” e pontua que entre as finalidades primordiais da Fundação Carlos Chagas consta a de desenvolver atividades primordialmente “técnicas e científicas”, a exemplo de realizar pesquisas e estudos que possam promover o desenvolvimento educacional e social; desenvolver estudos e atividades na área de avaliação e de medidas educacionais; organizar e executar concursos públicos e outros processos seletivos para instituições públicas ou particulares; prestar assessoria e outros serviços a instituições direta ou indiretamente relacionadas à Educação, à Pesquisa Científica e ao Planejamento, e outras correlatas, mas sem que tais atividades visem lucro ou situações de caráter especulativo. Ainda, é reconhecida como entidade de utilidade pública na esfera Federal (Decreto nº 87.122/82), Estadual (Decreto nº 4.500/74) e Municipal (Decreto nº 14.250/77). Afirma que a entidade está voltada à assistência social a exemplo da concessão de bolsas de pesquisa, dos projetos especiais e de formação voltados mais para a ação e intervenção social, dos estudos qualificados sobre a educação infantil, das pesquisas referentes à socialização, relações de gênero, raça e política da educação básica e muitos outros projetos e/ou pesquisas correlatas, como demonstraria o Relatório da Superintendência de Pesquisa (doc. 22). Importa salientar que a imunidade das instituições de educação e de assistência social é subjetiva e condicionada. No sentido finalístico é atribuído por se tratar de substituição ou acréscimo à atividade estatal — o interesse público que reveste o ensino e a assistência social em todos os níveis — sendo, assim, imunizada, pois, em tese, todo o seu patrimônio, renda e serviços está voltada a um fim que também é interesse, atribuição ou dever do Estado. O essencial é que atuem sem fins lucrativos e satisfaçam as condições legais já citadas. Irrelevante a cobrança pelos serviços prestados, desde que os valores recebidos não sejam distribuídos como lucros e sejam aplicados, no País, na manutenção de sua atividade precípua. A condição de não distribuir lucros e aplicar toda a receita na manutenção dos seus objetivos, visa impedir que os valores que deixam de ser recolhidos sob forma de tributos sejam, ao final, utilizados em benefício próprio, ou que a receita seja destinada para outros objetivos que não sejam típicos de atividade imunizada, sem fins lucrativos. Neste último ponto, admitir a aplicação de receitas em outros objetivos seria estabelecer uma concorrência desleal com atividades desenvolvidas pelas empresas com fins lucrativos, que tenham o mesmo objeto e que pagam os tributos. Nesse sentido, vejase o que dispõe o Parecer Normativo CST nº 162, de 11 de setembro de 1974: Fl. 1130DF CARF MF 24 2. Para o exato alcance da norma consubstanciada no artigo citado, devese atentar para o fato de que embora a natureza das atividades e o caráter dos recursos e condições em que são obtidos não estejam mencionados no dispositivo como determinantes da perda ou suspensão do beneficio, é indiscutível constituírem eles elementos a serem levados em consideração pela autoridade fiscal que reconhece a isenção (Regulamento do Imposto de Renda/66, art. 31, c, III e IV). Tendo em vista, ainda, que as isenções são outorgadas para facilitar atividades que ao estado interessa proteger e que, no caso em exame, adquire relevo a finalidade social e a diminuta significação econômica das entidades favorecidas, é de se concluir que não seria logicamente razoável que elas se servissem da exceção tributária, para, em condições privilegiadas e extravasando a órbita de seus objetivos, praticar atos de natureza econômico financeiro, concorrendo com organizações que não gozem da isenção. 3. Recorre daí que, por serem as isenções do art. 25 do Regulamento do Imposto de Renda/66 de caráter subjetivo, não podem elas, na ausência de disposição legal, abranger alguns rendimentos e deixar de fazêlo em relação a outros da mesma beneficiária. Concluise que, desvirtuada a natureza das atividades ou tornados diversos o caráter dos recursos e condições de sua obtenção, elementos nos quais se lastreou a autoridade para reconhecer o direito ao gozo da isenção, deixa de atuar o favor legal. (negritouse) Embora o parecer tenha sido proferido no contexto do Decreto nº 58.400, de 1966 Regulamento do Imposto de Renda/1966, a finalidade da imunidade é exatamente a mesma. Destarte, a prática habitual de atos de natureza econômico financeira por entidade de educação e de assistência social caracteriza desvio de seus objetivos essenciais, uma vez que estabelece concorrência com organizações que não gozam do mesmo tipo de favor, acarretando perda ao direito de tratamento privilegiado. Nesse contexto, vejase um dos dispositivos legais citado pela Autoridade Fiscal para afastar a imunidade. RIR/1999: Art.170.Não estão sujeitas ao imposto as instituições de educação e as de assistência social, sem fins lucrativos (CF, art. 150, inciso VI, alínea "c"). §1ºPara os efeitos deste artigo, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos (Lei nº 9.532, de 1997, art. 12). §2ºConsiderase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine o resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais (Lei nº 9.532, de 1997, art. 12, §2º,e Lei n º 9.718, de 1998, art. 10). (negritouse) Portanto, é clara a norma no sentido de que a imunidade se dirige a instituição de educação ou de assistência social sem fins lucrativos. Essa condição deve ser respeitada para que seja possível o gozo da imunidade. Não basta que a entidade tenha, em tese, alguma função social. É necessário que essa função exista na prática e, nesse contexto, que não haja fins lucrativos, ou seja, que não apresente superávit ou, em caso de apresentação, que destine o Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.658 25 resultado integralmente à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, do contrário as condições do gozo da imunidade não serão atendidas. Nem se alegue, novamente, a suspensão da Lei nº 9.532, de 1997, pela nº 18023DF, pois, conforme decidido nas preliminares, ainda que se declare inconstitucional o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, os comandos do Código tributário Nacional têm caráter normativo pleno, visto que fora recepcionado como Lei Complementar. Nessa linha, a Autoridade Autuante, também fundamentou a suspensão da imunidade no descumprimento do disposto no art. 14, inciso I e II do CTN, verbis: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; Portanto, se ficar caracterizado que houve distribuição de parcela do seu patrimônio e de suas rendas a qualquer título ou se os seus recursos não tiverem sido aplicados integralmente na manutenção dos seus objetivos institucionais, a entidade perde o direito à imunidade. Nesse contexto, a motivação para a conclusão da Autoridade Fiscal foi apresentada na Notificação Fiscal de Suspensão da Imunidade e no Termo de Informação Fiscal – Suspensão de Imunidade e baseiase: 1. nas características de distribuição disfarçada de lucros por intermédio de remuneração das empresas IMPRESS CAPTAÇÃO DE IMPRESSÕES DIGITAIS IMP. EXP. LTDA, W.G. SERVIÇOS DE INFORMÁTICA LTDA, FREIRE E ADVOGADOS ASSOCIADOS E CONSTAT CONSULTORIA SC LTDA; 2. na constatação de obtenção de renda não relacionada com as finalidades da entidade, já que as contas de receita demonstram que grande parte da renda não provém de atividades relacionadas com as suas finalidades essenciais, conforme art. 150, § 4º da CF/88 e art. 171 do RIR/171. O valor de R$ 79.220.380,74 provém de rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras no Brasil e no exterior de renda fica ou de renda variável ou rendimentos com dollar/ouro. 3. O valor da receita de pesquisa educacional e educação, que seria atividade imune, totalizou somente R$ 2.472.137,00. Tendo um Ativo de R$ 1.113.319.794,20 a empresa destinou, em 2010, R$ 977.829.988,78 deste ativo em aplicações financeiras. A Fundação apresentou R$ 12.681.719,68 de receita de locação de imóveis e R$ 1.043.253,86 receitas eventuais. Sua receita operacional somou R$ 45.089.988,67 proveniente de receita de concursos, gráfica e recuperação de despesas. 4. A entidade não aplicou integralmente seus recursos na manutenção ou desenvolvimento dos seus objetivos institucionais. Tudo é reinvestido em mercado financeiro. É uma empresa de fato, com fins lucrativos, rentável que despende menos de 1% de seus ativos nas atividades classificadas como imunes. 5. 98% dos recursos do superávit são destinados ao mercado financeiro e imóveis. O superávit operacional e financeiro tem mínima destinação para pesquisa e educação filantrópicas, como no balancete de 2010. Fl. 1132DF CARF MF 26 Destarte, para analisar se a conduta operacional da impugnante corresponde ou não às das entidades sem fins lucrativos, é necessário enfrentar todos os aspectos que levaram a Autoridade Fiscal a sua conclusão, o que se fará nos itens seguintes. ...........(Item da Distribuição Disfarçada de Lucros que deixo de transcrever) IV.2 Da não aplicação integral dos seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais No que se refere ao inciso II do art. 14 do CTN, a Autoridade Fiscal considerou que “a entidade não aplicou integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos institucionais. Tudo é reinvestido em mercado financeiro. É uma empresa de fato, com fins lucrativos, rentável que despende menos de 1% de seus ativos nas atividades classificadas como imunes”. Verificou que 98% dos recursos do superávit são destinados ao mercado financeiro e imóveis. Que o superávit operacional e financeiro tem mínima destinação para pesquisa e educação filantrópicas, conforme balancete de 2010. A impugnante, por outro lado, faz uma diferenciação entre a redação do inciso II do art. 14 do CTN e do inciso II, § 3º, art. 170 do RIR/1999. Para a impugnante, o elenco das pessoas imunes conforme a Constituição Federal é subordinado à observância de vários pressupostos pelas referidas entidades, entre eles, o de aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, não prevendo que deva ser aplicado integralmente nas finalidades da fundação. O termo “integralmente” do CTN teria por objetivo que os recursos sejam aplicados integralmente no país, vedandose a aplicação desses recursos no Exterior. O RIR teria inovado o CTN utilizando o termo “integralmente” não para o País, mas para que os recursos sejam aplicados em sua totalidade na manutenção dos seus objetivos sociais. Vejamse ambos dispositivos: CTN Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; RIR/1999 Art.170.Não estão sujeitas ao imposto as instituições de educação e as de assistência social, sem fins lucrativos (CF, art. 150, inciso VI, alínea "c"). (...) §3ºPara o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos (Lei nº 9.532, de 1997, art. 12, §2º): (...) II aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.659 27 (...) De acordo com a redação do CTN, anteriormente transcrita, a vírgula entre a expressão “no País” indica que se trata de locução adverbial deslocada, exigindo a aposição dessa pontuação. Reposicionando a referida expressão para o final do comando legal, terseia a seguinte redação: aplicarem integralmente os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais no País. Ou seja, os recursos devem ser integralmente aplicados na manutenção dos seus objetivos institucionais e o devem ser feitos no País. Essa interpretação vai ao encontro do objetivo por trás da concessão da imunidade/isenção. Primeiro porque não faria sentido deixar de tributar parcela destinada a objetivos distintos da instituição, pois isso acarretaria a concorrência desleal com outras sociedades, além de não se relacionarem com as funções do Estado compartilhadas com a iniciativa privada. Segundo porque essa aplicação, ainda que relacionada com os objetivos institucionais da entidade, deve ser feita no País, pois se deixou de arrecadar tributos em determinada localidade é nela que os benefícios devem ser aferidos. Assim, seja pela interpretação gramatical da norma disposta no CTN, seja pela teleológica, não resta dúvida de que o termo “integralmente” relacionase com a aplicação dos recursos em seus objetivos sociais. Ainda, a redação do art. 150, inciso VI, alínea “c” da CF/1988 deixa muito claro que imunidade, no tocante ao IRPJ, será concedida às instituições de educação e assistência social, sem fins lucrativos, desde que atendidos os requisitos da lei. Nesse sentido, existe um dever para este tipo de instituição (essencial para o gozo da imunidade), qual seja, o atendimento dos requisitos da lei, que estão definidos tanto no art. 14 do CTN quanto no art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997, que é a base legal do art. 170 do RIR/1999. Portanto, não há inovação neste dispositivo legal. IV.3 Das atividades realizadas pela entidade A Autoridade Fiscal concluiu que a atividade operacional da impugnante é a aplicação de concursos e vestibulares com fins lucrativos e que o destino do superávit é o mercado financeiro e a compra de imobilizado. Constatou que houve obtenção de renda não relacionada com as finalidades da entidade, já que as contas de receita demonstram que grande parte da renda não provém de atividades relacionadas com as suas finalidades essenciais, conforme art. 150, § 4º da CF/1988 e art. 171 do RIR/1999, in verbis: CF/1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) (...) Fl. 1134DF CARF MF 28 c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; (...) § 4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. RIR/1999: Art.171. A imunidade de que trata esta Seção é restrita aos resultados relacionados com as finalidades essenciais das entidades nela mencionadas (CF, art. 150, §4º). §1ºNão estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável pelas instituições de educação ou de assistência social referidas no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 12, §1º). §2ºO disposto no arts. 169 e 170 é extensivo às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados à suas finalidades essenciais ou às dela decorrentes, não se aplicando ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário (CF, art. 150, §§2ºe3º). O valor de R$ 79.220.380,74 provém de rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras no Brasil e no exterior de renda fixa ou de renda variável ou rendimentos com dollar/ouro. Nesse contexto, verificou que o valor da receita de pesquisa educacional, que seria atividade imune, totalizou somente R$ 2.472.137,00. Por outro lado, a Fundação apresentou R$ 12.681.719,68 de receita de locação de imóveis e R$ 1.043.253,86 como receitas eventuais. Sua receita operacional somou R$ 45.089.988,67 proveniente de receita de concursos, gráfica e recuperação de despesas. Ainda, de um Ativo de R$ 1.113.319.794,20 a empresa destinou, em 2010, R$ 977.829.988,78 deste ativo em aplicações financeiras. Essas informações foram confirmadas com os elementos de provas anexados aos autos. Dessa forma, é evidente que a atividade desenvolvida pela Fundação Carlos Chagas tem sido majoritariamente a realização de concursos públicos, desvirtuando se da finalidade típica de entidades sem fins lucrativos. Foi nesse sentido que a Autoridade Fiscal considerou que a entidade não aplicou integralmente seus recursos na manutenção ou desenvolvimento dos seus objetivos institucionais, objetivos esses relacionados com entidades que gozam de benefícios fiscais. De fato, quando se constata que 98% dos recursos do superávit são destinados ao mercado financeiro e imóveis é de se concluir que os recursos não estão sendo integralmente aplicados na manutenção dos seus objetivos institucionais. É que essa desproporção entre as atividades desenvolvidas (com e sem fins lucrativos ou mercantis e estatais) acaba por evidenciar que a entidade está voltada para realização de atividades típicas de mercado, com fins lucrativos. Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.660 29 Não se está afirmando que o patrimônio líquido da entidade deve ficar imobilizado e ser corroído pela situação inflacionária do País, tampouco que a gestão financeira não deve ser realizada. Pelo contrário, deve haver atenção com a saúde financeira da entidade, o que é diferente de direcionar as atividades desenvolvidas para a realização de concursos, aplicando os recursos no mercado financeiro e imobiliário, em detrimento da aplicação em atividades de assistência social. O fato de o estatuto social da Fundação Carlos Chagas elencar entre seus objetivos a organização e execução de concursos públicos e outros processos seletivos para instituições públicas ou particulares e prever como origem de recursos rendas que, sob qualquer rubrica ou título, venham a ser auferidas por ela ou pelas entidades mantidas, não caracteriza, por si só, a realização de atividades de assistência social, visto que tais atividades não são essenciais do Estado. São fontes de recursos, mas devem ter como objetivo o financiamento de atividades típicas de Estado que justificam a imunidade e a isenção. Assim, se os esforços da entidade estiverem direcionados para a realização dessas atividades, perdese a finalidade da imunidade e isenção. No entanto, a impugnante contesta a conclusão de que a atividade operacional da Fundação Carlos Chagas é a aplicação de concursos e vestibulares, com fins lucrativos e fundamenta sua oposição no Relatório da Superintendência de Educação e Pesquisa (doc 22) que relata as atividades e projetos desenvolvidos pela entidade em 2010. A impugnante defende que é essencial que as fundações adotem meios que visem à preservação de seu patrimônio e, nesse sentido, cita doutrina e jurisprudência que consideram que receitas de aluguel e aplicações financeiras não retiram o caráter de filantropia da entidade. Afirma que os recursos da Fundação sempre foram aplicados na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais, conforme Relatórios das Atividades Financeiras e da Superintendência das Atividades de Pesquisa (doc 22 e 23). Analisandose o Relatório da Superintendência de Educação e Pesquisa, de fato, identificamse vários projetos relacionados com a área de educação e pesquisa e essa situação não foi negada pela Autoridade Fiscal, porém não faz menção aos valores investidos nesses projetos. Por outro lado, ao se analisar as Demonstrações Financeiras da Entidade, especialmente as Demonstrações de Resultado dos Exercícios Findos em 31 de dezembro de 2010 e 2009, verificase um superávit financeiro de R$ 108.011.423 e Receitas Financeiras Líquidas no valor de R$ 92.439.527,00. Nas notas explicativas das Demonstrações Contábeis dos exercícios findos em 31 de dezembro de 2010 e 2009, verificase, no item “Receitas diferidas” as quais se relacionam com receitas de projetos de pesquisas educacionais e realização de concursos não concluídos até 31 de dezembro, que a apropriação das receitas foi proporcional aos respectivos custos incorridos. Nesse contexto, em 2010, as receitas foram assim apropriadas: Pesquisas e projetos educacionais R$ 1.159.163,00 Concursos diversos R$ 11.705.779,00 Recursos de Entidades R$ 248.984,00 Como se verifica, os custos incorridos em concursos diversos são proporcionalmente muito mais elevados que os de pesquisas e projetos educacionais. Fl. 1136DF CARF MF 30 Assim é de se confirmar que os recursos da entidade não estão sendo integralmente aplicados na manutenção dos seus objetivos institucionais (de educação e assistência social). Por todo o exposto, é de se manter o Ato Declaratório Executivo que suspendeu a imunidade/isenção da Fundação Carlos Chagas, em razão do descumprimento do art. 14, II, do CTN. Vejase, conforme expressado no acórdão recorrido, que o problema maior decorre da constatação que a Fundação Carlos Chagas entidade que deveria estar voltada ao ensino e pesquisa como requisitos garantidores de seu benefício de imunidade, passou, com o passar do tempo a despender a majoritária parte de seus recursos e receber a maior parte de seus rendimentos de outras atividades que não diretamente ligadas ao ensino e pesquisa. Ora, se as normas que permitiam a manutenção do benefício estabeleciam a aplicação integral dos recursos e superávit no desenvolvimento de suas atividades, quando se verificam os números acima que demonstram que a maior parte da aplicação de seu patrimônio ocorria no mercado financeiro, a maior parte de suas receitas decorre de realização de concursos, recebimento de alugueis e de rendimentos de aplicações temos que o objetivo prioritário da fundação foi deixado de lado. Não quero dizer, neste ponto, que 100% de tudo deveria ser recebido ou aplicado em atividades diretamente ligadas ao ensino e pesquisa. Por óbvio que isso seria uma insanidade. Mas acontece que a recorrente, assim agindo inverteu a lógica da fruição dos benefícios. Estes são concedidos justamente para atividades de interesse do estado e, sabendose de antemão que tais atividades, não sendo exercidas com caráter lucrativo, muitas vezes são deficitárias, os benefícios de imunidade/isenção são concedidos para que estas entidades, não sendo lucrativas e sendo mais difícil a manutenção normal de suas atividades, fiquem livres dos encargos tributários para que seja facilitada a sua manutenção e, em consequência, a continuidade da prestação de serviços essenciais ao Estado. A partir do momento em que o desenvolvimento das atividades deixa de se direcionar aos objetivos originais, passando, conforme visto neste processo, a se direcionar precipuamente a atividades diversas que não envolvem o desenvolvimento do ensino e pesquisa, não mais faz sentido a manutenção do benefício de isenção/imunidade, posto que deixado de atender aos requisitos normativos. Importa salientar, como foi por este redator afirmado durante os debates deste processo que nem ao menos a recorrente consegue explicar a razão da manutenção de quase 1 bilhão em patrimônio aplicado no mercado financeiro ano após ano. Existiria justificativa para tanto? Haveriam investimentos que demandariam tantos recurso? Nada foi apresentado neste processo. Tais explicações militariam em benefício do recorrente se tivessem sido apresentadas no processo. A manutenção de aplicações financeiras para formação de patrimônio para investimento em atividade futuras a serem realizadas seria uma justificativa plausível. O aluguel de imóveis para formação de lastro para, por exemplo, a construção de um prédio novo e adequado a novas atividades também seria uma alegação plausível. No entanto, as justificativas do recorrente correram sempre no sentido de descaracterizar a distribuição disfarçada de lucros, mas não a da não aplicação dos recursos em suas atividades, nem a do percebimento de recursos de atividades outras. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 10314.729115/201411 Acórdão n.º 1401003.038 S1C4T1 Fl. 20.661 31 Há de se salientar que os recursos que deixam de ser aplicados na atividade essencial da fundação são recursos públicos, oriundos de renúncia de receitas e que fazem parte do orçamento fiscal da União na forma do art. 165, da Constituição Federal de 1988. Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: I o plano plurianual; II as diretrizes orçamentárias; III os orçamentos anuais. ............. § 5º A lei orçamentária anual compreenderá: I o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; III o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder Público. ............. § 6º O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. Assim, não cabe ao particular fazer o que bem lhe aprouver com os recursos oriundos das isenções/imunidades, mas sim cumprir as normas legais de aplicação e desenvolvimento de atividades sob pena de suspensão do benefício. É o que ocorre, no entender deste Redator, no presente caso. O não cumprimento das normas de aplicação dos recursos e a realização de atividades que não de ensino e pesquisa em proporções muito maiores do que os objetivos principais da entidade caracterizam o descumprimento dos requisitos e, com isso, validam a suspensão dos benefícios realizada por meio do ato declaratório questionado. Assim, por consequência, voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendo o ato declaratório de suspensão da imunidade/isenção. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado. Fl. 1138DF CARF MF 32 Fl. 1139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.966339/2009-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MANUTENÇÃO.
Mantém-se a não homologação da compensação pleiteada por meio de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) quando o contribuinte não apresenta a documentação necessária a comprovação do crédito objeto da compensação.
ALEGAÇÃO SEM PROVA. AFASTAMENTO.
Afasta-se a alegação de erro no recolhimento de tributo (IRRF) se ela não é devidamente comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos.
Numero da decisão: 2402-006.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta para conversão do julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza (autor da proposta), Luís Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. FALTA DE APRESENTAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. MANUTENÇÃO. Mantémse a não homologação da compensação pleiteada por meio de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) quando o contribuinte não apresenta a documentação necessária a comprovação do crédito objeto da compensação. ALEGAÇÃO SEM PROVA. AFASTAMENTO. Afastase a alegação de erro no recolhimento de tributo (IRRF) se ela não é devidamente comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta para conversão do julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Jamed Abdul Nasser Feitoza (autor da proposta), Luís Henrique Dias Lima e Renata Toratti Cassini. Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mauricio Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 63 39 /2 00 9- 46 Fl. 647DF CARF MF Processo nº 15374.966339/200946 Acórdão n.º 2402006.882 S2C4T2 Fl. 648 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, transcreveremos o relatório constante do Acórdão nº 1268.548, da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ, fls. 76 a 85: Trata o presente processo do PerDComp 32352.45865. 230109.1.3.043681, fls. 65/69, através do qual o Interessado aproveita crédito de “Pagamento Indevido ou a Maior” de IRRF (cód. 3426), para quitar por compensação débito de COFINS (cód. 2172), conforme tabela abaixo: 2. A compensação não foi homologada, conforme despacho decisório proferido em 07/10/2009, fl. 70, por terem sido localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação. 3. O interessado tomou ciência da decisão, via AR, em 21/10/2009 (fl. 71) e, em 19/11/2009, apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 02/15, e anexos de fls. 16/62, alegando, em suma, o seguinte: ORIGEM DO CRÉDITO 3.1 O crédito aproveitado na compensação decorre de pagamento indevido de IRRF, juros relacionados à emissão de debêntures. Contudo, conforme determina a legislação, a obrigação de reter o IRRF sobre os títulos emitidos é da instituição financeira que faz a custódia da operação, de modo que não cabia à requerente – na condição de emissora das debêntures – efetuar tal recolhimento. 3.2 Como é cediço, quem aufere lucro na operação com debêntures são os investidores que as adquirem, sendo que sobre esse lucro há incidência de imposto de renda, que, por questões Fl. 648DF CARF MF Processo nº 15374.966339/200946 Acórdão n.º 2402006.882 S2C4T2 Fl. 649 3 de praticidade, a lei transfere a responsabilidade da retenção e recolhimento à fonte pagadora do rendimento. Vejase o que determina a Lei nº 8.981/95: [...] Nesse sentido, colaciona o contribuinte ementa da Solução de Consulta nº 185/06 da 7ª RF, fl. 04 [...]. 3.4 Entretanto, a empresa, por equívoco, acabou efetuando tal recolhimento, razão pela qual passou a dispor dos créditos decorrentes deste pagamento indevido, já que, como emissora dos títulos, não era a responsável tributária, tampouco era a contribuinte do imposto. 3.5 Vejase que a DCTF do período (doc. 06) declara a existência de débito no montante de R$ 2.263.023,14, quitado por meio dos seguintes pagamentos: DARF de R$ 238.179,74 e DARF de R$ 2.024.843,40 (informados na DCTF, conforme fl. 05). 3.6 Ocorre que, do montante de R$ 2.263.023,14 (referente ao IRRF apurado para o PA 31/12/2008), R$ 2.024.843,40 decorrem exclusivamente da operação envolvendo a emissão de debêntures (exatamente o valor recolhido em DARF apartado). 3.7 A excluir esse montante decorrente da emissão das debêntures, o valor do IRRF apurado pela empresa para o período foi de apenas R$ 238.179,74, decorrentes de IRRF devido sobre os juros incidentes nos contratos de mútuo informados às fls. 05/06 da Manifestação de Inconformidade. 3.8 Por tais razões, o recolhimento adicional feito pela requerente (R$ 2.024.843,40) tem natureza de pagamento indevido ou a maior, gerando crédito em favor da empresa. 3.9 Apesar de demonstrada a existência do crédito, o fato é que a Requerente não retificou sua DCTF de modo a retratar a existência do pagamento indevido ou a maior. Contudo, em que pese o erro no preenchimento da DCTF, temse que o direito creditório – devidamente comprovado acima – deve ser reconhecido, vez que o equívoco cometido não deve prejudicar o direito material que possui a Recorrente. Apresenta entendimento doutrinário e jurisprudencial acerca de reconhecimento de indébitos em casos de erros no preenchimento de declarações. DA PERÍCIA 3.10 Além dos documentos já anexados, a Requerente entende ser necessária a produção de prova pericial contábil, a fim de que seja esclarecido o seguinte: Diante das informações prestadas pela Requerente, qual é o valor devido a título de IRRF (342602), para o 3º decêndio de dezembro de 2008? Fl. 649DF CARF MF Processo nº 15374.966339/200946 Acórdão n.º 2402006.882 S2C4T2 Fl. 650 4 3.11 A Recorrente faz a indicação de profissional perito (conforme fl. 11). DO PEDIDO 3.12 Requer a procedência da presente Manifestação de Inconformidade, a fim de que seja reconhecida a insubsistência do Despacho Decisório, com a consequente homologação da compensação declarada e extinção do débito fiscal nela compensado. 3.13 Requer a juntada posterior de documentos que eventualmente se façam necessário, haja vista a impossibilidade de se obter toda a documentação necessária em tempo hábil, em face do porte da empresa, do período, e por se tratar de crédito de sociedade incorporada pela Requerente. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 9ª Turma da DRJ, no Rio de Janeiro/RJ, por unanimidade de votos, conclui pela sua improcedência, sob o argumento de que o direito creditório pleiteado não teria sido devidamente comprovado, em especial pela falta de comprovação: i) da emissão dos referidos títulos de crédito (debêntures); ii) do montante dos juros havidos sobre os quais teria incidido o IRRF cód. 3426; e, iii) da prova de que o valor de R$ 2.024.843,40 foi recolhido em duplicidade, uma vez pela Interessada, diretamente, e outra pela instituição financeira custodiante. Cientificada da decisão de primeira instância, em 9/2/15, segundo o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 90, a Contribuinte, por meio de seus advogados (procuração de fls. 111 a 115), interpôs o recurso voluntário de fls. 93 a 104, em 11/3/15, alegando, em síntese, que: Em relação aos dois primeiros pontos (prova da emissão dos debêntures e memória de cálculo dos juros que geraram a retenção de IRRF cód. 3426), a Recorrente entende que tal exigência importa em inversão indevida do ônus da prova. Ora, uma vez que a contabilidade afirma que a retenção de IRRF se deu sobre rendimentos (juros) de debêntures, caberia ao Fisco comprovar sua inveracidade, e não exigir novos documentos da Recorrente para acatála. Quando muito poderia baixar os autos em diligência, mas nunca negar provimento ao recurso com base nesse fundamento. De todo modo, e para que não restem dúvidas sobre a origem do crédito, a Recorrente traz aos autos documentos societários (DFP, IAN, ata de assembleia, etc.) comprovação da emissão de debêntures na ordem de até 3,5 bilhões (doc. Nº 05). Como se comprova dos documentos anexados, a Recorrente emitiu 35.000 debêntures no período de forma válida e legal. Desse total, R$ 1,5 bilhão foram imediatamente subscritos pela Fl. 650DF CARF MF Processo nº 15374.966339/200946 Acórdão n.º 2402006.882 S2C4T2 Fl. 651 5 controladora Tele Norte Leste Participações S/A, conforme fl. 174 do Relatório de Informações Anuais – IAN: [...] Por outro lado, a memória de cálculo dos juros calculados corrobora com os valores registrados no IAN, e indica o cálculo do IRRF em linha com o DARF utilizado no presente PER/DCOMP (doc. Nº 06) A memória de cálculo [...] demonstra que os juros devidos desde a emissão dos debêntures a alíquota aplicável de 22,5%, restaria IR a reter na ordem de R$ 20.248.434,00. (sic) Entretanto, ocorreu um novo equívoco no cálculo do IRRF, e foi incluída uma casa decimal a mais, levando ao valor de R$ 2.024.843,40 (alíquota efetiva de 2,25%). [...] De todo modo, esse equívoco na fórmula utilizada para cálculo da alíquota do IRRF é absolutamente irrelevante uma vez que, como visto, a Recorrente não tinha a obrigação de realizar o recolhimento do imposto. A DRJ também considerou que caberia à Recorrente apresentar “prova de que o valor de R$ 2.024.843,40 foi recolhido em duplicidade, uma vez pela interessada, diretamente, e outra vez pela instituição financeira”. Com a devida vênia, neste ponto a decisão é absurda e não pode prevalecer. O que o acórdão recorrido pretende é simplesmente exigir de um contribuinte a prova de que um terceiro adimpliu com suas obrigações tributárias. É o relatório. Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72. Assim, dele tomo conhecimento. Das alegações recursais Como visto no relatório acima, a Recorrente busca compensar débitos de Cofins com crédito de pagamento indevido de IRRF, no valor de R$ 2.024.843,40. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 15374.966339/200946 Acórdão n.º 2402006.882 S2C4T2 Fl. 652 6 Pois bem, sobre a extinção do crédito tributário por meio da compensação, assim dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), Lei 5.172, de 25/10/66: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifo nosso) Conforme se observa no dispositivo transcrito acima, a compensação exige que os créditos do sujeito passivo, contra a Fazenda pública, sejam líquidos e certos. Sendo assim, para que a autoridade fazendária possa homologar a compensação pleiteada, o contribuinte deve fazer a devida comprovação do crédito que alega ter e que pretende utilizar na compensação, em especial no caso em análise, pois a Recorrente sequer retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Em sua manifestação de inconformidade, buscando sustentar a alegação de que o pagamento indevido diz respeito a recolhimento de IRRF sobre juros de debêntures, cuja obrigação pelo recolhimento seria da instituição financeira e não sua, a Recorrente apresentou alguns recortes de seu Livro Razão, cópia do Estatuto Social da empresa e cópia de extrato dos itens 2 e 4 da ata da 116ª Reunião Ordinária do Conselho de Administração, porém, como bem asseverado pelo órgão julgador de primeiro grau, tais documentos não se mostraram suficientes a comprovar o alegado. E decisão recorrida acrescenta, ainda, que deveria ter sido comprovada a emissão dos referidos títulos de crédito (debêntures), o montante dos juros havidos sobre os quais teria incidido o IRRF (cód. 3426) e o recolhimento em duplicidade do montante de R$ 2.024.843,40, realizado pela Recorrente e pela instituição financeira. Em seu Recurso voluntário, a Recorrente alega que seus registros contábeis seriam suficientes a comprovar a retenção de Imposto de Renda sobre rendimentos (juros) de debêntures e que caberia ao Fisco comprovar a sua inveracidade, e não exigir novos documentos para acatála. E também traz aos autos Demonstrações Financeiras Patronizadas (DFP), Informações Anuais (IAN), ata de assembleia, planilha com valores, etc., que, em seu entendimento, comprovariam da emissão de debêntures na ordem de até 3,5 bilhões. Primeiramente, há que se esclarecer que a contabilidade da empresa não faz prova suficiente a seu favor, mas sim contra, ou, em outras palavras, informações contábeis preparadas pela própria Recorrente não têm o condão, por si só, de comprovar os registros nela consignados. Essa é a razão pela qual a DRJ entendeu pela necessidade de outros documentos comprobatórios, o que está correto. Dessa forma, se a Recorrente comprova que emitiu debentures, comprova o valor do IRRF sobre os juros pagos e comprova que tal imposto já foi recolhido pela instituição financeira, restará plenamente comprovada a existência do crédito a ser utilizado na compensação. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 15374.966339/200946 Acórdão n.º 2402006.882 S2C4T2 Fl. 653 7 Pois bem, à luz da Lei 6.385, de 7/12/76, e da Instrução CVM nº 400, de 29/12/03, a emissão e oferta pública de debêntures depende de prévio registro da operação na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sendo necessária, inclusive, a apresentação de vários documentos para tal registro, tais como a ata da assembleia que aprovou a emissão de debêntures, demonstrativos financeiros e contábeis e a minuta da escritura de emissão, que são exatamente os documentos que acompanham o recurso voluntário e que se encontram nas fls. 173 a 639. Todavia, não localizamos, nos autos, o comprovante de registro na CVM e nem a escritura de emissão registrada em cartório, que são documentos necessários para comprovar a emissão das debêntures. Quanto ao montante de juros sobre os quais teria incidido o IRRF, a Recorrente busca fazer a demonstração com a planilha de fl. 643, porém, compulsando essa planilha, notase que o total de juros acumulados no mês de dezembro de 2008 resultaria num montante de IRRF dez vezes maior que ao valor recolhido pela Recorrente. A esse respeito, a Recorrente alega ter ocorrido um equívoco no cálculo do IRRF com a inclusão de uma casa decimal a mais, mas que tal erro seria “absolutamente irrelevante”, uma vez que não teria a obrigação de realizar o recolhimento. De qualquer forma, resta claro que que essa planilha, produzida pela própria Recorrente e com suposto erro de cálculo, não se encontra apta a comprovar o montante dos juros que teriam sido pagos e sobre os quais teria incidido o IRRF. Quanto à comprovação do recolhimento em duplicidade, a Recorrente alega que a DRJ estaria a exigir a comprovação da adimplência das obrigações tributárias de um terceiro (da instituição financeira), porém, a ideia não é essa. Certamente, se emitiu e ofertou debêntures, a Recorrente deve ter celebrado um contrato com uma instituição financeira e não parece crível imaginar que esta instituição não tenha repassado à Recorrente demonstrativos, comprovantes, relatórios, extratos, etc. das operações realizadas. São esses, pois, os documentos que poderiam ter sido trazidos à baila, os quais seriam elementos consistentes de prova a demonstrar que o valor recolhido pela Recorrente corresponde ao mesmo valor, ao mesmo mês e à mesma operação realizada pela instituição financeira, porém, em que pese o seu grande valor probatório, nenhum documento nesse sentido foi apresentado. Ponderese que a não homologação da compensação goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, e, portanto, cumpria à Recorrente o ônus de afastar, mediante prova robusta e inequívoca em contrário, essa presunção (vide art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972), o que não ocorreu. Conclusão Sendo assim, diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 653DF CARF MF
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