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Numero do processo: 00768.015571/82-41
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 1983
Ementa: CÉDULA C - RENDIMENTOS - PROVENTOS ACUMULADOS DE APOSENTADORIA - Admissível a distribuição, pelos respectivos exercícios, na forma do art. 88 do RIR/80, de proventos acumulados de aposentadoria
percebidos em virtude de mandado judicial.
Numero da decisão: 104-04.102
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Conselho,de Contribuintes, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Mário Rodrigues Teixeira e Tereso de Jesus Torres.
Nome do relator: Sergio Gomes Velloso
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ACORDÃO N° .1.o..4:::.4..~JQ.~ Recorrente: ESMERALDa ALVES DA SILVA Recorrido : DELEGADO DA RECEITA FEDERAL NO RIO DE JANEIRO - RJ l \ I'Ç~DUL:A .,_C '- 'RENDIMENTOS''-''PRO:V..EJ~TOS'ACUMULADOS_DE AP'()S'ENT1\'D'ÔR!,/\:u":-A"'ãmissiveL,a dI.stri'5"uTcao~; pelos--respect.lvos exercícios, na fOr~él,do 'art. 88 do RIR/80; ,de proventos acumulados de -apo- sentadoria percebidos em virtude de mandado judicial. Vistos, relatados edi,scutidos os presentes autos de recurso interposto por ESMERALDa ALVES DA SILVA, ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Primeiro Con- selho,de Contribuintes, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Mário Rodrigues Teixeira e Tereso de lJesus Torres. Sala das Sessões, em 10 de novembro de'1983. PRESIDENTE - RELATOR PROCURADOR DAFA ZENDA NACIONAL. VISTO EM SESSÃO DE: RECURSO DA FAZENDA NACIONAL: RPjl04-0.124. Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- ros: Carlos Walberto Chaves Rosas, Eugênio Botinelly Soares, Helena Cristina Lana de Paula e Luiz Miranda. .~. () ~:i ~;ue;o /t- ~,f~6I'D ~ /1=>/1-- I!.M CSR-F/01- o. 450.) ~. <9Ú~ <9Ú ?-j=;"';t. xUrt-: 4"" «-~ 'lU. :w..,. -4££- ~ vo:f4!,} jl/ € 6" I?- fw '-'< ~ "'" /'-'-C<A-V>-O;> ~ i",-~<>? £O ;ddo;u" L vot:o r ~ Q.. ~~,(~ .~ ~7i ~.eo. ~.'. .~----'.. \: .-:' . SERViÇO POBLlCO FEDERAL PROCESSO N<? RECURSO N9: 41.611 ACÓRDÃO N9: 104-4.102 RECORRENTE: ESMERALDO ALVES DA SILVA 0768/015.571/82-41 R E L A T O R I O Esmeraldo Alves da Silva, jurisdicionado da DRF no Rio de Janeiro-R,T, requereu a distribuição por cinco exercí- cios da importância de Cr$ 989.220,00, demonstrados às fls. 2,pe.£ cebidos por.força do Acórdão de 19.12.80 da 2a. Turma do TFR que regularizou seu enquadramento assegurando-lhe maiores proventos de aposentadoria a partir do exercício de 1976 a 1980. Apreciando a,matéria a,'autoridade de.primeiro grau decidiu por indeferir a pretensão do recorrente, com base na in- formação fiscal de fls. 52-v, do seguinte teor: "O interessado indica o art. 88 do RIR/80 para suporte legal à sci~~retensão. Ocorre, porém, que o citado art9 88 não prevª a distribuição por v~rios exerci cios de ren dimentos oriundos de revisão deaponsentadori'a,em anos anteriores. '. Pr090mos,'considerando-se o exposto,oin deferimento do pedido, atribuindo-se ao exercí=- cio de 1982, ano-base de 1981, os rendimentos de Cr$ 9.89.220,00, por terem sido auferidos no ano-base de 1981, conforme constado documento de fls. L Para esse fim preenchemos a presente mi- nuta de c~lcul0 que evidencia o imposto suplemen- tar de-Cr$ 403.7j9,00." - Tomando ciªncia da decisão supra em 15•01. 83 e nao se conformando apresentou recurso a este Conselho em 02.02.~~----- DMF. DF/1' c.c . S,,,,,f .:l)5 SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0768/015.571/82-41 Acórdão n9 104-4.102 as~im se manifestando: 2. "O requerente não sofreu revisão de apo- sent~doria,muito pelo contrário,foi barbaramen- te violentado em seu lídimos direitos; face não ter recebido os seus proventos, na época oportu- na, nos exatos valores a que fazia jus, por força do art. 197 da constituição Federal e demais le- gislação complementar. a requerente postulou perante a Justiça Federal C doc. de fls. ) e obteve ganho de causa, quer seja em primeira instância, bem como, por unanimidadeno'Egrégio Tribunal de Recurso. assegurando-lhe perceber, em inatividade,como se em atividade permanecesse, matéria esta mansa e pacífica, e,-acolhida por todos os Tribunais Na- cionaise Estrangeiros no caso de Ex-Combatentes da ,11 Guerra MundiaLCdoc. em anexo) • O que o requerente recebeu,foi Cr$ 989.220,00 Cnovecentose oitenta e nove mil e du- zentos e vinte cruzeiros), concernentes ao exercí oio de 1976 a 1980, e, que o Poder Estatal ne= gou-se a pagar-lhe à época, o que era de seu de- ver fazer, pois o requerente é Ex-Combatente da Força Expedicionária Brasileira no Teatro de Ope- rações na Itália, bem como onde sofreu ferimentos na frente de combates. o l~çamento, como,veio -por .,'" ."inteiro não é admissível, porque engloba períodos de exe~ cícios sucessivos recebidos por força de decisão judicial, razão pela quml, encontra amparo o re- querente no art. 88 - I - :letra b do R.I.R. ,Dec. 85.450 de 04.12.80 e m.ais conforme Ac. ,104-1.456, 4a~ Câmara la. CC. 2404/80 CEFIR 158/80 ,pág. 123. Isto posto, requer o cancelamento da No tificação expedida,face ao consignado às fls. 102 datada de 07.01.83 e determinar a locação dos re- feridos rendimentos nos exercício que lhe são pertinentes, em. razão de que os mencionados paga- mentos decorrem de Decisão Judicial - Administra tivCl,;'que impôs ao Governo observar o capituladõ no dispositivo constitucional, acima citado por ser ato de inteira e salutar " :t;o relatório. v O T O Conselheiro S:t;RGIOGOMES VELLOSO Rel.ator O recurso é te~pestivo, eis que protocolizado na ~ .~., SERViÇO PÚBLICO FEDERAL Processo n9 0768/015.571/82-41 3. Acórdão n9 104-4.102 guarda do prazo regulamentar (art. 33 do Dec. 70.235/72), por isso dele tomo conhecimento. Anat~ria em litigio restringe-se ~ pret~nsão do recorrénte em distribuir'porcincoexercícios a parcela de Cr$ 989.220,00 percebida por força de decisão judicial (ACóE dão da 2a. Turma do TFR de 19.12.80). A C!l.utoridadede primeiro. grau indeferiu o pedi...; do do recorrente, entendendo que a parcelaper:bebida refere-se a revisão de aposentadoria e como.tal não estaria enquadrada no art. 88 do RIR/80. Analisando-se as peças que instruem o presente processo chega-se a conclusão de que" decisão de primeiro grau deve ser reformada. Z\nosso ver, assiste razao.ào recorrente em ver distribuída a importMcia percebida,. uma vez que,enquadra'"'"se perfei.tamente no preceito do art. 88, I letra b do RIR/80.Enten- demos que os proventos de aposentadoria por serem provenientes: éb trabalho efeti vamenteprestado., tamb~m se enquadram naquele dis- positivo legal. Pelo exposto, voto no sentido ,de dar provimento ao recurso. BraSíli/l{ j;J :veml>rode 1983c Sf'.f:frk.S.VELLOSO . RELATOR • 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001565/2002-11
Data da sessão: Thu Apr 15 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1999
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO
FINANCEIRA. POSSIBILIDADE.
Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão
requisitar, às instituições financeiras, registros e informações relativos a
contas de depósitos e dê investimentos de contribuinte sob fiscalização,
sempre que essa providência for considerada indispensável por autoridade
administrativa competente.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei
tributária.
APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI N°
10.174, de 2001.
O art. 11, § 3°, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N°
10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição
do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula
CARF n° 35)
DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os
valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado,
não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos
utilizados em tais operações.
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.623
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito,negar provimento recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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materia_s : IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar, às instituições financeiras, registros e informações relativos a contas de depósitos e dê investimentos de contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência for considerada indispensável por autoridade administrativa competente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001. O art. 11, § 3°, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF n° 35) DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Preliminares rejeitadas. Recurso negado.
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POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar, às instituições financeiras, registros e informações relativos a contas de depósitos e dê investimentos de contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência for considerada indispensável por autoridade administrativa competente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DA NORMA NO TEMPO. RETROATIVIDADE DA LEI N° 10.174, de 2001. O art. 11, § 3°, da Lei N° 9.311/96, com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. (Súmula CARF n° 35) DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em contas bancárias, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados em tais operações. Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam es membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, egar pr. ento recurso, nos termos do voto do Relator. í) ranci co Assis de Oliveira Júnior — Presidente à j(-,) • 1,74",u,Ail\--, , e edr. Pau o Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 2 ij 20A, Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Janaina Mesquita Lourenço de Souza, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. 2 Processo n° 19515.001565/2002-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201--00.623 Fl. 2 Relatório RAIMUNDO MOREIRA CÂNDIDO interpôs recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 56/67. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 184.745,58, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 433.099,05. A infração que ensejou o lançamento e que está detalhadamente descrita no Tetino de Verificação Fiscal de fls. 56/62 foi a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano-calendário de 1998. Na impugnação de fls. 73/82 o Contribuinte arguiu a nulidade do lançamento por alegada quebra irregular do seu sigilo bancário; insurgiu-se contra a Lei Complementar n° 105, de 2001, que seria, segundo seu entendimento, inconstitucional; também se rebelou contra o que chamou de aplicação retroativa da Lei n° 10.174, de 2001. A Delegacia de Julgamento - DRJ julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Considerou regular o acesso pelos agentes do Fisco ás infolinações sobre a movimentação financeira do Contribuinte, ressaltando que há previsão legal neste sentido e destacando que as informações prestadas ao Fisco são protegidas pelo sigilo fiscal. E sobre a alegada inconstitucionalidade da LC n° 105, a DRJ enfatizou que não é competente para apreciar este tipo de manifestação. Quanto à retroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, anotou a decisão de primeira instância que o dispositivo impugnado tem natureza procedimental, aplicando-se o disposto no art. 144, § 1° do erN e, portanto, não houve qualquer irregularidade no lançamento também quanto a este aspecto. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 14/11/2007 (fls. 100v) e, em 04/12/2007, interpôs o recurso de fls. 103/105, que ora se examina e no qual reitera as manifestações da impugnação e acrescenta que o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 é contrário à Constituição. E o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Sobre a quebra do sigilo bancário, entendo, acompanhando a jurisprudência já pacificada neste Conselho no sentido de que, atendidas as condições fixadas na lei, o Fisco pode ter acesso às infolinações sobre a movimentação financeira dos contribuintes e utilizá-las como base para o lançamento tributário. É verdade que o art. 5 0, inciso X, da Constituição Federal garante o direito à privacidade, no qual se inclui o sigilo bancário, mas esse direito não é absoluto e ilimitado, a ponto de se opor aos próprios agentes do Estado, na sua atividade de controle, por exemplo, do cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes. Isto é, não se pode pretender, por exemplo, que o sigilo bancário se preste ¡para acobertar irregularidades passíveis de apuração pelos agentes do Fisco. O ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, embora sempre reconhecendo o sigilo das informações bancárias, tem uma larga tradição em franquear o acesso a essas informações aos agentes do Fisco. Assim, a Lei n° 4.595, de 1964, já prescrevia no seu art. 38, verbis: Lei n°4.595, de 1964: Art. 38 — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (.) § 5' Os agentes .fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6' O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. O próprio Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 1966, recepcionado pela Constituição de 1988 como lei complementar, expressamente determina que as instituições financeiras devem prestar informações sobre negócios de terceiros, o que, obviamente, inclui as operações financeiras, silenciando, inclusive, sobre a exigência de prévio processo administrativo instaurado: G' Processo n° 19515.001565/2002-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201--00.623 Fl. 3 Lei n° 5.172, de 1966: Art. 197 Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (.) II — os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Ainda nesse mesmo sentido, foi editada, posteriormente, a Lei n° 8.021, de 1990, ampliando, inclusive, o rol das instituições obrigadas a prestar informações ao Fisco: Lei n°8.021, de 1990: Art. 7° - A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8' - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n°4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único — As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicando-se, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1" do art. 7". Finalmente, a Lei complementar n° 105, de 2001, a qual versa expressamente sobre o dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações financeiras de seus clientes, fez a ressalva quanto ao acesso a essas informações pelos agentes do Fisco, a saber: Lei Complementar n° 105, de 2001: Art. 1° — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (-) § 3' Não constitui violação do dever de sigilo: (.) VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2", 3°, 4", 5', 6', 7° e 9° desta Lei • Complementar. (.) Art. 6" As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como se vê, o ordenamento jurídico brasileiro de há muito vem estabelecendo, em caráter sempre excepcional e em detelininadas condições previamente estabelecidas, o acesso a informações bancárias dos contribuintes pelos agentes do Fisco. Assim, a legislação brasileira tem, insistentemente, se inclinado no sentido da relativização do alcance do sigilo bancário, prevendo expressamente as situações excepcionais em que se admite a abertura daquelas informações. - Por outro lado, não se deve esquecer que os agentes do Fisco, assim como os auditores do Banco Central do Brasil, e as próprias instituições financeiras, estão sujeitos ao dever de manter sigilo das informações a que tenham acesso em função de suas atividades. Desse modo, a rigor, sequer se pode falar em quebra de sigilo, mas em mera transferência deste. Finalmente, cumpre ressaltar que os dispositivos legais acima transcritos são normas válidas e, portanto, plenamente aplicáveis, eis que não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Não há falar, portanto, em violação ilegal ou ilegítima de sigilo bancário, razão pela qual rejeito esta preliminar. Quanto à utilização dos dados da CPMF com base na Lei n° 10.174, de 2001, a matéria já está pacificada no âmbito deste Conselho com a edição da súmula n° 35 de aplicação obrigatória e cuja ementa a seguir reproduzo: O art. 11, áç 3", da Lei N" 9.311/96, com a redação dada pela Lei 1\7"" 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito ti,ibutário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Não há qualquer irregularidade no lançamento, portanto, quanto a este aspecto. Como se disse no início deste voto, trata-se aqui de lançamento com base em presunção legal de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários tem previsão em disposição expressa de lei a qual prevê como conseqüência para a verificação de depósitos bancários cuja origem, regularmente intimado, o Contribuinte não logre comprovar como documentos hábeis e idôneos, a de se presumir que se trata de rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, autorizando o Fisco a exigir o imposto correspondente. e Processo n° 19515.001565/2002-11 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201--00.623 Fl. 4 - Cuida-se do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei n° 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, a saber: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II -no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4" Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6' Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, é a própria lei que considera como rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada, instituindo, assim, uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tip9- d \ / situações que sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3' Ed. — São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As preSunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidos pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificam-se em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (lúris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidos senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o ;áual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseando-se no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina foi feito com base em presunção . legal do tipo juris tanturn, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. E, no caso, como relatado, o autuado não trouxe aos autos nenhum elemento que demonstrasse a origem dos depósitos. Paira incólume, pois, a presunção de omissão de rendimentos. Quanto à retroatividade da Lei n° 10.174, de 2001, já está consolidado neste Colegiado o entendimento de que a referida Lei se aplica aos fatos pretéritos no que se refere à utilização dos dados da CPMF, conforme Súmula CARF n° 35, a saber: O art. I I , áç' 3 0, da Lei N" 9.311/96,-com a redação dada pela Lei N° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Sobre as alegadas inconstitucionalidades da Lei Complementar n° 105, de 2001 e do art. 42 da lei n° 9.430, de 1996, trata-se de alegação cujo exame refoge à competência deste Conselho, conforme entendimento consolidado na sumula CARF n° 02, segundo a qual, "O CAR_F não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. I,1 ÃI' ÕL.API/tA214:5 ' il c.ik,-, e ro Pau or Pereira ?arbo7a . 8
score : 1.0
Numero do processo: 10980.900297/2008-38
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Ano-calendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES CONTIDOS NA DCOMP E NA DIPJ. REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO INDICADO. Certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência do instituto da compensação tributária se aferem no tocante à materialidade dos créditos e não apenas pelos aspectos formais de manuseio do sistema de formulação da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1301-000.648
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES CONTIDOS NA DCOMP E NA DIPJ. REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO INDICADO. Certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência do instituto da compensação tributária se aferem no tocante à materialidade dos créditos e não apenas pelos aspectos formais de manuseio do sistema de formulação da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Fl. 284DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Curitiba/PR. Em análise da declaração de compensação emitida pela recorrente foi proferido despacho decisório (n° de rastreamento 749313184 fls. 01 03), que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 10283.24053.281103.1.3.021735 (fls. 111 117), assentando em síntese, que analisadas as informações prestadas constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Devidamente notificada (fls. 05), a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fl. 06 – 18), alegando em resumo, que o crédito indicado se trata de saldo negativo de IRPJ apurado por empresa que incorporou, sustentando assim, que o despacho decisório se encontra eivado de nulidade em razão da superficialidade da busca de informações necessárias para adequada decisão o que feriria o princípio da verdade material. Argumentou ainda, que o despacho foi proferido eletronicamente, sem assinatura da autoridade fiscal, e que as autoridades não procederam às diligências para apurar o que de fato ocorreu quanto à gênese do saldo negativo pleiteado, assegurando que não foi intimada a apresentar explicação acerca da situação e que, caso isto tivesse sido feito pelo Fisco, terseia constatado a legitimidade do saldo negativo, evitandose a instauração do presente contraditório. Seguiu arrazoando que é dever de estrita obediência, pelo Fisco, aos princípios que regem a Administração Pública, com ênfase para o da motivação e o da legalidade, o que impediria a fiscalização de desconsiderar direitos creditórios sem o levantamento completo de toda a documentação contábil e fiscal. Quanto ao mérito, argumentou a recorrente acerca da formação do saldo negativo na empresa incorporada, para ao final, concluir tratarse de mero erro material, que deve ser retificado de ofício, afirmando ainda, que uma vez reconhecida a integral legitimidade do saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 13.102,30, devendose afastar a utilização, pelas autoridades fiscais, do método de imputação proporcional para compensar seu crédito com o débito cuja compensação declarou e que a imputação deve ser feita na forma prevista no artigo 354 do Código Civil, ou seja, deve se fazer a imputação primeiramente nos juros e depois no principal. Também requereu a realização de perícia, que se justificaria pela complexidade da matéria, para o quanto nomeia seu perito e formula os quesitos que pretende ver respondidos sendo juntados os documentos de folhas 19 a 117. A 1ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 132 a 134, indeferiu a solicitação, fundamentando em síntese, que os saldos negativos de IRPJ e CSLL, para que sejam oponíveis à Administração em compensações, devem ser apurados pelos contribuintes e informados em suas DIPJ, de sorte que não reuniria condições de ser Fl. 285DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10980.900297/200838 Acórdão n.º 1301000.648 S1C3T1 Fl. 2 3 homologada a compensação, quando a DIPJ acusa inexistência de saldo negativo e a contribuinte, intimada a promover as retificações cabíveis, abstémse de qualquer providência. Quanto ao pedido de perícia, assentou a decisão recorrida que ao submeter a homologação da Administração a compensação que declarar, o interessado deveria ser detentor do crédito líquido e certo, não gozando o crédito alegado de tais atributos, a compensação deve ser não homologada, não sendo cabível no curso do processo respectivo a realização de perícia para aferir e mensurar o crédito alegado, mormente se já foi, no curso do processo intimado a promover as retificações que lhe competiam. Devidamente cientificada (fl. 137), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 138 – 161), insistindo na nulidade do despacho decisório e da DRJ, porquanto não teria investigado a existência efetiva do crédito utilizado, pertencente à empresa incorporada, alegando nessa toada, que em vista do princípio da verdade material o enfrentamento da matéria posta à análise da autoridade de julgamento em sede de processo administrativo fiscal é um direito do contribuinte, inclusive em duplo grau de jurisdição, sob pena de nulidade da decisão e como não houve o empenho necessário para a busca da verdade Material por parte da Turma Julgadora, no que tange à necessária análise dos argumentos da Recorrente e indispensável verificação da liquidez e certeza de seu crédito, o feito estaria maculado de nulidade por cerceamento do direito de defesa da Recorrente, devendose reconhecer a tal nulidade. Quanto ao mérito, argumentou a recorrente que ao analisar a DCOMP, entenderam as Autoridades Fiscais, que a empresa Parisul (incorporada pela recorrente) não teria apurado saldo negativo de IRPJ no ano calendário de 1999, no valor original de R$ 13.102,30, todavia, não mereceria guarida este entendimento, uma vez que a Parisul legitimamente apurou o referido saldo negativo de IRPJ, porquanto no ano calendário 1999, apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 15.504,13, desconsiderandose as antecipações (estimativas mensais e retenções na fonte), como se pode constatar pela DIPJ, ocorrendo que naquele ano calendário, a Parisul detinha autorização judicial, concedida nos autos do Mandado de Segurança n° 95.00516764, para proceder à compensação de seus prejuízos fiscais em até 100% do lucro real apurado, ao invés da limitação de 30% estatuída pela legislação de regência e desse modo, ao realizar tal compensação de 100% de seu lucro real, a recorrente teria ficado com um IRPJ a pagar de R$ 0,00 (zero). Argumentou na sequência que justamente por esta razão, não fez consignar em sua DIPJ, qualquer Imposto de Renda a pagar e para confirmar esta informação, bastaria analisar a DCTF do 4º trimestre de 1999, na qual se declarou, para o mês de dezembro, o valor de IRPJ por estimativa mensal com base em balanço de redução de R$ 15.504,13, com a exigibilidade suspensa por força do aludido mandado de segurança. Ademais, afirmou que não tendo apurado qualquer valor de IRPJ a pagar, todos os valores antecipados a título deste imposto tornaramse saldo negativo, passível de restituição ou compensação e que no ano calendário de 1999, a Parisul antecipou aos cofres públicos a quantia de R$ 13.102,30, coincidente àquela pleiteada. Demonstrando a formação do indicado crédito, assentou a recorrente que se pode constatar pela DIPJ, que a Parisul apurou o montante de R$ 9.351,88 como IRPJ devido por estimativa mensal, o qual foi compensado com saldo negativo de períodos anteriores e que naquele ano, a Parisul sofreu retenções na fonte no valor total de R$ 3.750,42, dos quais R$ 3.587,61 5 foram retidos pela empresa HSBC INVESTMENT BANK BRASIL S/A, CNPJ n° Fl. 286DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 33.254.319/000100 e os R$ 162,81 restantes pelo Banco CCF S.A., de sorte que somandose os R$ 9.351,88 pagos a título de estimativa e os R$ 3.750,42 de retenções sofridas na fonte, chegase ao referido valor de R$ 13.102,30, que compõe o saldo negativo de IRPJ utilizado no presente processo. Consignou ainda, que conforme os acórdãos do Tribunal Regional Federal da 3ª Região comprovariam, a Parisul, em 29.03.2006, teve a segurança definitivamente negada nos autos do mandado de segurança n° 95.00516764, razão pela qual o valor de R$ 15.504,13 (IRPJ a pagar no anocalendário de 1999, sem considerar as antecipações) passou a ser exigível e tendo isso em vista, assinalou que a Parisul procedeu, em 28.06.2006, ao recolhimento de tal montante, acrescido de multa de mora e juros de mora desde o vencimento, consoante a anexa guia DARF (doc. 10 do recurso voluntário). Destacou assim, que o recolhimento do valor de R$ 15.504,13, com os devidos acréscimos legais, implicou, evidentemente, na manutenção do direito ao saldo negativo apurado no ano calendário de 1999, uma vez que se trata, repitase, de valor devido no ano calendário sem considerar as antecipações e caso estas tivessem sido compensadas com tal valor, de modo a reduzilo, a Parisul realmente não teria direito ao saldo negativo, porém, como visto, não foi isso o que ocorreu. No mais, teceu outros tantos argumentos no mesmo sentido, pugnou pela realização de perícia e pelo provimento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10980.900297/200838 Acórdão n.º 1301000.648 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Abstraio as alegações de nulidade do primitivo Despacho Decisório bem como da decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, porquanto o mérito, ao meu sentir, resolvese em favor do contribuinte. Cumpre destacar que o óbice imposto para reconhecerse o crédito indicado pela recorrente consistiuse no fato não se ter verificado a indicação na respectiva DIPJ de imposto a pagar no ano calendário em que reputou ter crédito. Entretanto, ao analisar os argumentos da recorrente, bem como os documentos por ela encartados, observase que a empresa Parisul (incorporada pela recorrente), no ano calendário 1999, apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 15.504,13, desconsiderandose as antecipações (estimativas mensais e retenções na fonte), como se pode constatar pela Ficha 13 da anexa DIPJ de folha 195. A partir daí, o caso dos autos reclama detida atenção, porquanto afirma a recorrente que naquele ano, dispunha de autorização judicial, concedida nos autos do mandado de segurança n° 95.00516764, para compensar integralmente, em vez da limitação de 30%, e que diante de tal fato, ao realizar a compensação de 100% de seu lucro real, ficou com um IRPJ a pagar equivalente a zero e que por tal fato deixou de consignar, em sua DIPJ, qualquer Imposto de Renda a pagar. Afirmei acima que o presente processo merece detida atenção, precisamente porque a despeito de a DIPJ de fato não informar qualquer IRPJ a apagar, obstando assim a o reconhecimento do direito creditório por via de uma análise eletrônica tal como efetivada no Despacho Decisório e, verificando o argumento da autorização para compensação integral dos prejuízos fiscais, a própria recorrente assinala que perdeu a ação judicial que lhe conferiu tal possibilidade, mas, recolheu espontaneamente, vide DARF de folha 273, o coincidente tributo. Sendo assim, o apontado crédito, sem prejuízo de não ter constado na DIPJ original, demonstrase satisfatoriamente comprovado, sendo certo afirmar que a certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência do instituto da compensação tributária, se aferem no tocante à materialidade dos créditos e não apenas pelos aspectos formais de manuseio do sistema de formulação da declaração de compensação. Voto no sentido de Dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 04 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 6 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
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Numero do processo: 10240.001284/2006-86
Data da sessão: Fri May 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2002
AREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL.
OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de areas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA
Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter panes e não erga onmes.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-000.636
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: RUBENS MAURÍCIO CARVALHO
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OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de areas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. JURISPRUDÊNCIA ARGUIDA Não sendo parte nos litígios objetos da jurisprudência trazida aos autos, não pode o sujeito passivo beneficiar-se dos efeitos das sentenças ali prolatadas, uma vez que tais efeitos são inter panes e não owl onmes. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discu .65§-"Iresentes autos. ACORDAM os Mtmbros do NEGAR provimento ao recurso, no's termos do v • Giovanni/Christian N / Colegiada, por unanimidade de votos, em to do Relator. esidente 1. Não concordando com a exigência, o contribuint apresentou impugnação em 08/11/2006, Es. 34/51, alegando, em síntese: 2 EDITADO EM: 30/11/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Niabia Matos Moura, Carlos Andre Rodrigues Pereira, Rubens Mauricio Carvalho e Ewan Teles Aguiar. Relatório Trata o presente processo de autuação do ITR decorrente de retificações de oficio. Os valores declarados, retificados de oficio e julgados na DRJ seguiram o seguinte histórico: ITR 2002 Declarado, fl. 25 Retificação de oficio Acórdão DRJ Area de Preservação Permanente 29.973,4 ha 0,0 ha 0,0 ha Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (PRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 56 a 64 da instância a quo, in verbis: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 21/28, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2002, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Escalerita", localizado no município de Porto Velho - RO, com Area total de 29.973,4 ha, cadastrado na SU' sob o n° 5.368.842-2, no valor de R$ 409.498,40 (quatrocentos e nove mil quatrocentos e noventa e oito reais e quarenta centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados ate 31/08/2006, perfazendo um crédito tributário total de R$ 998.193,29 (novecentos e noventa e oito mil cento e noventa e três reais e vinte e nove centavos).. 2. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITR/2002 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme Demonstrativo de Apuração do ITR, E. 25, a fiscalização apurou a seguinte infração: a) exclusão, indevida, da tributação de 29.973,4 ha de Area de preservação permanente. 3. 0 Contribuinte foi intimado a apresentar comprovação de que as Areas de preservação permanente atendiam aos requisitos legais para serem consideradas áreas não tributáveis pelo FIR, fl. 07, com ciência em 31/07/2006 através do AR de E. 08. 4. Em resposta o Intimado apresentou esclarecimentos e documentos, fls. 09/13 5. Dando prosseguimento a ação fiscal, o auditor emitiu novo Termo de Intimação Fiscal — TIP, fl. 14, com ciência em 25/08/2006, fl. 15. 6. Em resposta o Intimado apresentou esclarecimentos e documentos, fls. 16/18. 7. 0 Auto de' Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 09/10/2006, conforme fl. 29. Processo n° 10240.001284/2006-86 S2-C1T2 Acórdão n ° 2102-00.636 Fl 12 I — que pela Lei de Zoneamento Ecológico do Estado de Rondônia a Fazenda Brasileira está incluída em área totalmente de preserva cão permanente; II — que o auto de infração decorreu tão somente porque um papelzinho chamado ADA não foi exibido oportunamente ao .fisco federal,' III — que a multa é indevida e inexeqiifvel, porque fadada ao fracasso processual se levada para o judiciário analisá-la sob a ótica dos princípios constitucionais. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que a ausência do ADA tempestivo, impedem a reforma do lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao protocolo delas no Ibtuna ou em órgão estadual competente do Ato Declaratório Anzbiental - ADA, no . prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2002 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve -ser interpretada liteiahnente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 68 a 78, alegando em síntese que a ausência do ADA tempestivo não pode ser óbice para o reconhecimento das areas de preservação permanente, requerendo ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Apresenta vários julgados para fundamentar as suas razões. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o para julgamento de segunda instância administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. 3 ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto e 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AID DECLARAT ORLO AMBIENTAL (ADA). No recurso, os recorrentes afirmam que as existências das referidas Areas estão devidamente comprovadas de sorte que a glosa da Area de Preservação Permanente foi desconsiderada somente em razão da não-apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Verifica-se, portanto, que o que se discute no presente feito não e a existência ou não das referidas Areas, mas a obrigatoriedade da utilização dos documentos exigidos em lei para a concessão da isenção, em contraposição à admissibilidade de outros meios de prova capazes de comprovar a existência das Areas de preservação. Afirmam, ainda, os recorrentes que a apresentação do ADA estaria dispensada em razão do disposto no parágrafo 7° do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, incluído pela Medida Provisória 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, nos seguintes termos: § 7" A declaragiio para ,fim de isenção do IT.!? relativa ás áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II,§ 1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto con espondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Medida Provisória na 2.166-67, de 24 de agosto de 2001) A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN) assim se refere à responsabilidade de fazer prova para concessão da isenção de tributos: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado face pm ova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifei) ) Por outro lado, o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a autoridade fiscal obtivesse, pelos seus próprios meios, as informações especificadas no artigo 142 . Art, 142 - Compete privativamente it autoridade administrative constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a ver ificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação penalidade cabível.. ( ) 4 Processo n° 10240001284/2006-86 S2-C1T2 Acórdão n,° 2102-00.636 Fl. 13 Art. 147 - O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legisla çâo tributária, presta a autoridade administrativa informa cães sobre matéria de fato, indispensáveis a sua efetiva cão § 1 0 - A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só admissivel mediante comprovação do erro em que se . funde, e antes de notificado o lançamento, ,§ 2" - Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de oficio pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. No mesmo sentido, o artigo 150 estabeleceu as regras que norteiam o lançamento realizado por homologação. Art, 150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1° - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição re,solutória da ulterior homologação do lançamento. § 2" - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores a homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando ei extinção total ou parcial do crédito. § 3°- Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porénz, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Dos artigos acima transcritos, verifica-se que o CTN, visando à simplificação da estrutura necessária b. fiscalização e arrecadação de tributos, previu as hipóteses em que o sujeito passivo prestaria à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e anteciparia o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, hodiemamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto Territorial Rural. Foi, sem dúvida, com base nesses preceitàs legais que o legislador atribuiu ao contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8° e 10° da Lei n°9.393, de 1996, in verbis: Art. 8" 0 contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR - MAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1" 0 contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua - VTN correspondente ao imóvel. 5 § 2" 0 IITN refletirá o prego de »zeroed° de terras, apurado em I" de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado auto-avaliação da term nua a preço de mercado. § 3" 0 contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 20 e 3°, fica dispensado da apresenta cão do DIA T. Art 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. Corn efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a isenção de caráter especial, impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição do tratamento diferenciado. Esta claro que o parágrafo 70 apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, no caso o ADA, como necessários à fruição da isenção do ITR quanto as areas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Contudo, inarreddvel é a competência da autoridade fiscal para solicitá-lo posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando a verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte. No que diz respeito à obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar, tem-se que, a partir da vigência da Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação a Lei n°6.938, de 31 de agosto de 1981, tal exigência passou a ter expressa disposição legal. • "Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, coin base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei le 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo de Taxa de Vistoria, (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000) § A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez pot cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA(Incluido pela Lei n" 10,165, de 2000) 1 2 A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagai. do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10,165, de 2000)" (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA 6 condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do 1TR quanto as areas de Preservação Permanente e Reserva Legal. Convém citar, aqui, entendimento jurisdicional que confirma este entendimento. Em sentença denegatória de segurança, datada de 15 de dezembro de 2005, no âmbito do MS no 2005.36.00.008725-0, impetrado pela Federação da Agricultura Pecuária do 6 Processo if 10240.001284/2006-86 SI-CIT2 Acórdfio n.° 2102-00,636 Fl. 14 Estado de Mato Grosso — FAMATO, o Dr. Jeferson Schneider, Juiz da 2" Vara Federal de Mato Grosso, asseverou pela legalidade da exigência do ADA: "(..) Seguem os dois artigos para perfeita análise da questão controvertida: (transcreve art. 17-0 da Lei no 6.938/81 e art. 10, § 7", da Lei n° 9.393/96 ) Os ibis dispositivos acima colacionados são perfeitamente compativeis, ao contrário do que sustenta a impetrante.. A Receita Federal em nenhum momento está exigindo previamente a declaração, para fins de isenção do ITR, a comprova cão dessa declaração por meio do ADA — Ato Declaratório Ambiental Como es/alui a Lei n° 9.393/96, que trata do Imposto Territorial Rural — ITR, com a redação da Medida Provisória n° 2_166-67/01, a apuração e o pagamento do ITR são efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento administrativo. Assim, nenhum óbice há em que a administração exija do contribuinte o ADA, »o prazo razoável de até em seis meses após o pagamento do tributo, pois é a partir desse Ato que poderá definir a exata dimensão da área tributada, assim como o acerto do valor pago. 0 que a impetrante pretende é que seja permitido aos substituidos reduzirei?: as áreas de tributação, mediante a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal do total da área, sem que a administração tenha qualquer espécie de controle sobre essa redução. Ora, qual o problema que existe para o contribuinte em declarar ao IBAMA a dimensão da lima de preservação permanente e a área de reserva legal mediante o ADA. Nenhum. (...) Dai a necessidade de apresentação do Ato Declaratório Ambiental para verificação posterior pelo Fisco, por tratar-se de lançamento por homologação („)" (grzfamos) Nestes Autos, não foi apresentado qualquer ADA. Assim, a não-apresentação deste documento implica em descumprimento de requisito necessário para a concessão da isenção, de tal forma que o lançamento deve prosperar nos termos em que foi consubstanciado no Auto de Infração. Registro que julgados administrativos ou judiciais somente tem efeito vinculantes As partes e não vinculam o presente processo, especialmente, pelo fato que estamos diante de análise de provas que são distintas em cada caso. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Ruben/Mauricio Carvalho - Relator 7
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000193/00-77
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP e RE 410.054 - AgR/MG. (sob a sistemática do art. 543-B do CPC). Vencido o Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Sergio Luiz Bezerra Presta, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10670.720060/2005-26
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. DÉBITO VENCIDO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, não há que se falar em realização de compensação enquanto não apresentada a correspondente DCOMP. É precisamente na data da transmissão da DCOMP que se dá o encontro de contas, e se o débito estiver vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros Selic sobre o crédito até esta mesma data. O dia de transmissão da DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Totalmente irrelevante que os fatos geradores relativos ao crédito e ao débito tenham ocorrido antes da vigência da IN SRF 323/2003, porque esta IN não criou nenhuma regra nova, mas apenas explicitou o que já constava da Lei. Se o débito venceu em 31/01/2003 e sua quitação somente ocorreu em 29/07/2003, é o art. 61 da Lei 9.430/1996 que prevê a exigência de acréscimos moratórios, e não a IN SRF 323/2003, até porque ela não poderia fazê-lo sem que a Lei primeiramente o fizesse.
Numero da decisão: 1802-001.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que dava provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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MOMENTO DO ENCONTRO DE CONTAS. DÉBITO VENCIDO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS A partir de 1º de outubro de 2002, em razão das modificações introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996, não há que se falar em realização de compensação enquanto não apresentada a correspondente DCOMP. É precisamente na data da transmissão da DCOMP que se dá o encontro de contas, e se o débito estiver vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros Selic sobre o crédito até esta mesma data. O dia de transmissão da DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Totalmente irrelevante que os fatos geradores relativos ao crédito e ao débito tenham ocorrido antes da vigência da IN SRF 323/2003, porque esta IN não criou nenhuma regra nova, mas apenas explicitou o que já constava da Lei. Se o débito venceu em 31/01/2003 e sua quitação somente ocorreu em 29/07/2003, é o art. 61 da Lei 9.430/1996 que prevê a exigência de acréscimos moratórios, e não a IN SRF 323/2003, até porque ela não poderia fazêlo sem que a Lei primeiramente o fizesse. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro relator Gustavo Junqueira Carneiro Leão, que dava provimento integral ao recurso. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 189 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Corrêa e Nelso Kichel. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 190 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG), que conheceu apenas em parte a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo a totalidade do direito creditório pleiteado. A Recorrente transmitiu a PER/DCOMP n° 32319.59399.290703.1.3.04 0986, visando compensar os débitos nela declarados, com crédito oriundo de pagamento indevido de sua incorporada TOALIA SA INDUSTRIA TÊXTIL. Essa declaração foi selecionada para tratamento manual por meio do presente processo. A SAORT/DRF Montes Claros/MG emitiu Despacho Decisório, no qual reconheceu o direito creditório no valor de R$ 452.073,82 e, posteriormente, concluiu pela não homologação parcial da compensação pleiteada (fls. 51/55 e 66/67), tendo por base o disposto no art. 28 da IN SRF n° 210/02, alterada pela IN SRF n° 323/03, a qual estabelece que na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, ou seja, na forma estabelecida pelo art. 61 da Lei n° 9.430/96, até a data de transmissão da DCOMP. A DCOMP foi transmitida em 29/07/2003, portanto, na vigência da IN SRF n° 323/03, sendo aplicadas as regras de compensação mencionadas no artigo 28. Em razão disso, o valor do crédito utilizado, que foi totalmente reconhecido, não foi suficiente para quitar o débito confessado na DCOMP, o que causou apenas a homologação parcial. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alega (fls. 70 e seguintes), em síntese, o seguinte: a) em relação ao débito de IRPJ, no valor de R$ 380.000,00, compensado em 30/08/2002, declara que o procedimento utilizado para compensação do crédito pago a maior foi a compensação sem requerimento, sendo que, desnecessariamente, entregou a DCOMP em 29/07/2003, fazendo referência ao mesmo débito e crédito tributários da referida compensação. Assim, como a compensação ocorreu em 30/08/2002, resta configurado que a requerente incorreu em erro material, isto é, tanto o débito quanto o crédito restaram em duplicidade de informação, 1ª informação evidenciada na DCTF do 3º trimestre/02 e a segunda, na referida DCOMP, devendo prevalecer a 1ª informação, nos termos da IN SRF n° 21/97. E, em se tratando de erro material, de acordo com diversos julgados do CC, entende que este poderá ser corrigido a qualquer tempo; b) em relação ao débito de IRPJ, no valor de R$ 150.355,38, compensado em 31/01/2003, a impugnante questiona, tão somente, a aplicação retroativa da IN SRF n° 323/03, que deu nova redação ao art. 28 da IN SRF n° 210/02, no qual estabelece a incidência de encargos moratórios sobre o débito a compensar, caso a entrega da DCOMP tenha ocorrido após o vencimento do tributo a compensar, mesmo que os fatos geradores das obrigações tributárias a compensar tenham ocorrido anteriormente à publicação da referida IN, ou seja, aplicouse a IN SRF n° 323/03 a fatos geradores de obrigações tributárias perfeitamente constituídas e acabadas, antes de sua entrada em vigor pela publicação no DOU, donde se Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 191 4 conclui que os encargos cobrados são insubsistentes, vez que não havia lei prevendo a exigência de multa e juros quando da ocorrência do fato gerador, o que, estarseia, ferindo o principio da Legalidade. Cita, nessa linha de raciocínio, o inciso I do art. 103, o art. 106 e o inciso II do art 116, todos do CTN. Para finalizar, faz referência ao julgado do STJ, REsp 520760, que entende que o principio da informalidade e o prejuízo estão intrinsecamente ligados. A DRJ de Juiz de Fora (MG) deferiu em parte a manifestação da Recorrente, determinando a exclusão dos juros e multa inseridos pela Fiscalização na homologação da compensação referente ao primeiro débito. Isso por ter reconhecido que a inclusão dessa compensação na DCOMP teria sido desnecessária e em nada afetava a extinção do débito verificada já quando da entrega da DCTF referente ao 3º trimestre de 2002. No que se refere ao segundo débito, entendeu a decisão recorrida que seria efetivamente o caso de aplicação dos acréscimos moratórios introduzidos pela IN/SRF n° 323/03, uma vez que a DCOMP em análise fora transmitida pela Recorrente já sob a sua vigência. Assim está transcrita a ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. Compensação efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie, declarada em DCTF, é considerada como efetuada na data de vencimento do débito, nos termos da IN SRF n° 21/97, e não necessitava de requerimento do interessado. Pedido de compensação apresentado posteriormente, não altera a data de sua efetivação. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não se trata de aplicação do principio da irretroatividade das normas. Na data de transmissão da DCOMP, encontravase em pleno vigor a IN SRF n° 323/03, preconizando que os débitos a serem compensados sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Solicitação Deferida em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 25/03/2009, a Contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 24/04/2009, onde basicamente reitera as mesmas alegações de forma mais detalhada. Este é o Relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 192 5 Voto Vencido Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Tratase da análise de compensação de dois débitos de IRPJ apurados pela Recorrente (vencimentos em 30.08.2002 e 31.01.2003), com crédito daquele mesmo tributo, decorrente de recolhimento indevido verificado em 28.09.2001. As duas compensações foram declaradas pela Recorrente na DCOMP n.° 32319.59399.290703.1.3.040986, cuja análise pela Fiscalização deu origem ao presente processo administrativo. Por meio do Despacho Decisório n° 180/2005, a DRF de Montes Claros reconheceu o direito creditório pleiteado pela Recorrente no valor de R$ 452.073,82, parcela do recolhimento a maior no valor de R$ 575.170,15, requerida na DCOMP. Reconhecida a existência do crédito pleiteado pela Recorrente, a Fiscalização passou à análise das compensações declaradas, reconhecendo a extinção total do débito com vencimento em 30.08.2002, no valor de R$ 380.000,00, mas indicando saldo devedor para o segundo débito indicado na DCOMP e que apresentava o valor total de R$ 150.355,38. Pelo que pudemos depreender do Despacho Decisório n° 180/2005 esse saldo devedor, em sua totalidade, deriva da aplicação dos acréscimos moratórios previstos no art. 28 da IN SRF n° 210/2002, após as alterações promovidas pela IN SRF n° 323/2003. Assim, o crédito pleiteado pela Recorrente foi deferido em sua totalidade, mas em face da aplicação de juros e multa de mora entre a data de vencimento dos débitos e a data da entrega da DCOMP (29.07.2003), aquele crédito não foi suficiente para liquidar a totalidade dos débitos apontados na declaração. Na Manifestação de Inconformidade a Recorrente demonstrou que se não fosse a aplicação da IN SRF n.° 323/2003 suas compensações seriam integralmente homologadas. E indicou que a aplicação daquela norma seria indevida, em síntese, pelas seguintes razões: a) em relação ao débito de R$ 380.000,00, a compensação já havia sido promovida por meio da DCTF referente ao 3° trimestre de 2002, sendo que a legislação vigente à época reputava como suficiente esse procedimento, de modo que a DCOMP entregue em julho de 2003 não alterava em nada a extinção anterior do débito, não havendo como se falar em inclusão de acréscimos moratórios, b) no que se refere ao débito de R$ 150.355,38, também não seria o caso de aplicação de juros e multa moratórios entre a data do vencimento do débito e a entrega da DCOMP, haja vista que o débito e o crédito já se encontravam perfeitamente constituídos em momento anterior ao advento da IN SRF n° 323/03, de modo que ela não poderia gerar efeitos retroativos. A DRJ de Montes Claros (MG) acatou o primeiro pleito da Recorrente, excluindo a parcela de multa e juros sobre o débito de R$ 380.000,00, frente a legislação Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 193 6 original, contudo entendeu que a segunda parte deveria prosperar. Isto porque, no que se refere ao segundo débito, entendeu que cabia a aplicação dos acréscimos moratórios introduzidos pela IN SRF n° 323/03, uma vez que a DCOMP em análise fora transmitida pela Recorrente já sob a sua vigência. A compensação de tributos está disciplinada pela CTN, art. 165, I in verbis: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” No caso dos tributos administrados pela Receita Federal do Brasil há regulamentação específica na Lei nº 9.430/96, art. 74: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.” O direito do contribuinte nasceu com o recolhimento a maior do tributo, em 29/01/2001, e, com base no CTN, art. 165, I, e foi efetivado com a entrega da DCTF, onde manifestou a compensação. Considerando que o recolhimento a maior ocorreu em 28/09/2001, tendo sido devidamente comprovado pela Secretaria da Receita Federal; que o débito em questão ocorreu em 31/01/2003, à época declarado em DCTF; que embora na visão desse julgador fosse irrelevante, mas que ambos tiveram fatos geradores em datas anteriores à alteração promovida no art. 28 da IN nº 210/02, entendo que ocorreu um mero atraso na entrega da DCOMP, não podendo gerar tamanha onerosidade à Recorrente que desse causa a não homologação total da declaração. Cabe salientar que não houve qualquer procedimento fiscalizatório entre a data da constituição do crédito tributário e a entrega da DCOMP, de modo que o procedimento adotado pelo contribuinte deve ser configurado como denúncia espontânea, prevista no CTN, art. 138, sendo afastada assim a multa imposta pela autoridade administrativa. Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 194 7 O procedimento sugerido pela autoridade fiscal e mantido pela DRJ de atualizar o valor do crédito tributário até a data da compensação e do débito até o momento da entrega da DCOMP, com fulcro na IN 210/02, art. 28, com alterações da IN nº 323/03 tem natureza ilegal, pois também afronta o CTN, art. 165, I, com regulamentação na Lei nº 9.430/96, art. 74, § 14. Resta claro no diploma legal que a autorização dada pela norma ordinária à Secretaria da Receita Federal é de disciplinar os procedimentos para compensação dos créditos e débitos, mas nunca de estabelecer onerosidades que confiscam o crédito do contribuinte. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para determinar a reforma parcial da decisão recorrida e a homologação integral das compensações indicadas. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 198DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 195 8 Voto Vencedor Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Redator designado. Em que pesem as razões de decidir do eminente relator, peço vênia para dele divergir quanto ao critério adotado para compensação realizada após 1º de outubro de 2002, ou seja, já na vigência das normas introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996. Conforme relatado, o presente processo surgiu em razão da compensação de dois débitos de IRPJ, vencidos respectivamente em 30/08/2002 e 31/01/2003, com crédito deste mesmo tributo, decorrente de recolhimento indevido verificado em 28/09/2001. Estas duas compensações foram declaradas pela Recorrente na DCOMP n.° 32319.59399.290703.1.3.040986, transmitida em 29/07/2003. A Delegacia de origem reconheceu o direito creditório pleiteado, mas como a DCOMP foi transmitida na vigência da IN SRF n° 323/03, o valor do crédito acabou não sendo suficiente para quitar integralmente os débitos, porque estes sofreram incidência de acréscimos moratórios até a data do envio da DCOMP. A compensação, portanto, foi homologada parcialmente. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, deferiu em parte a manifestação de inconformidade da Contribuinte, para afastar os acréscimos moratórios em relação ao primeiro débito, vencido em 30/08/2002, entendendo que a inclusão deste débito na DCOMP foi desnecessária, porque ele já estava extinto por compensação desde a data de seu vencimento, conforme as regras vigentes àquela época. Deste modo, a controvérsia que remanesceu para análise do CARF diz respeito apenas à compensação do segundo débito, vencido em 31/01/2003. Primeiramente, é preciso registrar que a Lei 10.637/2002 introduziu profundas modificações para os procedimentos de compensação realizados a partir de 1º de outubro de 2002. As novas regras foram inseridas no art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 196 9 § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação:(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) Não há dúvidas de que até setembro de 2002, os contribuintes podiam realizar compensações entre tributos de mesma espécie na sua própria contabilidade, a chamada autocompensação, independentemente de apresentação de pedido de compensação, de instauração de processo administrativo, etc., enfim, independentemente de maiores formalidades, com base no art. 66 da Lei 8.383/1991. Este, inclusive, foi o fundamento utilizado pela Delegacia de Julgamento para afastar os acréscimos moratórios em relação ao primeiro débito, vencido em 30/08/2002, por considerar que sua quitação por compensação ocorreu nesta mesma data, de acordo com as regras então vigentes. Contudo, este tipo de procedimento não foi mais admitido a partir de 1º de outubro de 2002. Desde então, todos os procedimentos de compensação junto à Receita Federal devem seguir as regras introduzidas no art. 74 da Lei 9.430/1996 (acima transcritas), especialmente aquela prevista em seu § 1º, segundo a qual, a compensação “deverá ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados”. A Declaração mencionada no referido dispositivo legal é justamente a DCOMP, e não qualquer outra. Portanto, a compensação do segundo débito, vencido em 31/01/2003, somente ocorreu em 29/07/2003, com o envio da DCOMP. Diferentemente do entendimento manifestado pelo Conselheiro relator, não considero que esta compensação poderia ter ocorrido antes disso, seja por meio do registro em contabilidade ou apresentação de DCTF, porque em 31/01/2003, data de vencimento do débito, não mais havia essa possibilidade. Com as referidas modificações na Lei 9.430/1996, a Declaração de Compensação DCOMP configurou um instrumento totalmente novo no Direito Tributário, porque a ela foi conferido o efeito de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (§2º do art. 74 da Lei 9.430/1996). A compensação deixou de ser um mero procedimento de encontro de contas a ser homologado pelo Fisco, e se tornou equivalente à quitação por moeda, com efeitos semelhantes àqueles previstos no art. 150 do Código Tributário Nacional (lançamento por homologação). Fl. 200DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 197 10 No novo e atual contexto, enquanto não apresentada a DCOMP, não há que se falar em realização de compensação. Por conseqüência, é precisamente na data da transmissão da DCOMP que se dá o encontro de contas, e se o débito estiver vencido, sobre ele deverão incidir os acréscimos moratórios previstos em lei, da mesma forma que incidirão juros selic sobre o crédito até esta mesma data. O dia de transmissão da DCOMP corresponde à data da utilização do crédito e também à data da quitação do débito. Totalmente irrelevante que os fatos geradores relativos ao crédito e ao débito tenham ocorrido antes da vigência da IN SRF 323/2003, porque esta IN não criou nenhuma regra nova, mas apenas explicitou o que já constava da Lei. Com efeito, a referida IN não poderia instituir acréscimos moratórios, como sugere a Recorrente. Os acréscimo moratórios para débitos vencidos já estavam previstos muito antes dessa instrução normativa, precisamente no art. 61 da mencionada Lei 9.430/1996, em sua redação original. Se o débito venceu em 31/01/2003 e sua quitação ocorreu em 29/07/2003, é o próprio art. 61 da Lei 9.430/1996 que prevê a exigência de acréscimos moratórios, e não a IN SRF 323/2003, até porque ela não poderia fazêlo sem que a Lei primeiramente o fizesse. De acordo com o art. 170 do Código Tributário Nacional, “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, (....) autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública”, e estas foram as condições definidas pela Lei 9.430/1996, após as alterações da Lei 10.637/2002. Portanto, não há reparos a serem feitos na decisão recorrida quanto à incidência dos acréscimos moratórios no momento do encontro de contas. Sobre os acréscimos moratórios propriamente ditos, o Conselheiro relator, ao mesmo tempo em que informa que o débito foi declarado em DCTF, suscita a espontaneidade para afastar a multa moratória pelo atraso no pagamento (compensação). Mas o Superior Tribunal de Justiça, ao editar a Súmula 360, em 27/08/2008, consolidou o entendimento de que o instituto da denúncia espontânea não se aplica à mera inadimplência, para fins de afastar a multa de mora: Súmula STJ nº 360: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Sendo assim, também nesse caso divirjo das conclusões do Conselheiro relator. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10670.720060/200526 Acórdão n.º 180201.140 S1TE02 Fl. 198 11 Deste modo, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 202DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por GUSTAVO JUNQU EIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.009337/00-16
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1992, 1993 e 1994 ANTECIPAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PRAZO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09 DE JUNHO DE 2005. Pedidos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005 estão sujeitos a “tese dos cinco mais cinco”, conforme precedente do STJ, com repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005.
Numero da decisão: 1802-001.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e devolver a DRF para que proceda com a análise do mérito alegado pela Recorrente.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 1992, 1993 e 1994 ANTECIPAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. PRAZO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09 DE JUNHO DE 2005. Pedidos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005 estão sujeitos a “tese dos cinco mais cinco”, conforme precedente do STJ, com repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005.
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PRAZO. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO ANTERIOR A 09 DE JUNHO DE 2005. Pedidos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005 estão sujeitos a “tese dos cinco mais cinco”, conforme precedente do STJ, com repercussão geral, que declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em dar provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e devolver a DRF para que proceda com a análise do mérito alegado pela Recorrente. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.009337/0016 Acórdão n.º 1802001.153 S1TE02 Fl. 37 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.009337/0016 Acórdão n.º 1802001.153 S1TE02 Fl. 38 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que manteve o indeferimento do pedido efetuado pela Recorrente. O processo tem por escopo, pedido de compensação de débitos de responsabilidade da Recorrente com saldo a restituir relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte correspondente aos anos calendários de 1992, 1993 e 1994, no valor total de 103.051,66 UFIR (cento e três mil, cinqu enta e um inteiros e sessenta e seis centésimos de Unidades Fiscais de Referência), constituído na forma a seguir: Exercício Anocalendário Valor (UFIR) 1993 1992 20.569.52 1994 1993 37.274,46 1995 1994 45.205,71 Foram anexados na instrução do processo os Pedidos de Compensação (fls. 04/05, 74, 81/182 e 86/87), onde figuram os débitos a serem compensados; os demonstrativos de atualização monetária do crédito pleiteado elaborados pela empresa (fls. 06/08, 76/80 e 83/85), e as cópias das declarações de rendimentos dos exercícios de 1993 a 1995 (fls. 14/58). Às fls. 02/03 a Recorrente alega ser detentora de crédito relativo ao imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos auferidos durante os anos calendários de 1992 a 1994 e que tal fato já havia sido comunicado à Receita Federal em petição datada de 29/10/98 através da qual postulou a revisão de oficio de débitos referentes ao IRPJ do ano calendário de 1996, inscritos em Divida Ativa da União no processo n° 10580.243621/9842 (fls. 09/13). Tendo recebido o pleito, a DRF em Salvador (BA) proferiu o despacho decisório n° 19, de 25 de janeiro de 2006 (fls. 94/97), indeferindo o pedido sob a justificativa de ter ocorrido a decadência do direito de solicitar a compensação/restituição, com base nos artigos 165 e 168 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional), com a previsão do prazo máximo de 5 anos para interposição da petição. Por tal motivo, não foram apreciadas as demais razões de mérito. Inconformada com a solução dada ao seu pedido, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade tempestiva de fls. 103/108, argumentando, em síntese, o seguinte: 1) o IRRF arrolase entre aquelas exações apuradas e recolhidas diretamente pelo próprio contribuinte sujeitandose ao posterior lançamento homologatório, ocasião em que ocorre a extinção do crédito tributário, nos termos do artigo 142 c/c artigo 150 do CTN; Fl. 192DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.009337/0016 Acórdão n.º 1802001.153 S1TE02 Fl. 39 4 2) no lançamento por homologação, a extinção somente ocorre após a homologação, que, se tácita, reputase ocorrida em cinco anos a contar do fato gerador; 3) transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça favorável à sua tese; 4) a nova interpretação à questão do prazo para os contribuintes requererem a restituição/compensação de créditos relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação trazida pela Lei Complementar 118/2005 entrou em vigor apenas em 09 de junho de 2005, citando julgado do STJ com esse entendimento. A DRJ de Salvador (BA) manteve o indeferimento da solicitação efetuada pelo contribuinte, expressando suas conclusões na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1992, 1993, 1994 Ementa: RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Extinguese em cinco anos, contados da data do recolhimento, o prazo para pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte, recolhido indevidamente ou em valor maior que o devido. Solicitação Indeferida” Ciente da decisão em 29/12/2006, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo a este Conselho, reiterando as alegações inciais e rebatendo os pontos alegados pela DRJ de Salvador (BA) que indeferiu o seu pleito. O processo em 14/06/2007 foi encaminhado para o Primeiro Conselho de Contribuintes que declinou da competência por entender que não se tratava de Imposto Retido na Fonte (IRRF), mas de Saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). O despacho assim está instruído: “No entanto, entendo que falece competência a este Colegiado para o julgamento da questão, pois, salvo melhor juizo, a hipótese dos autos está relacionada a pedido de restituição de saldo negativo do IRPJ, relativo aos exercícios 1993, 1994 e 1995. Isso porque nos termos do § 1°, do artigo 23, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, "§ 1°. A competência para o julgamento de recurso voluntário em processo administrativo de apreciação de compensação é definida pelo crédito alegado." O crédito, reitero, referese a saldo negativo de IRPJ.” Este é o Relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.009337/0016 Acórdão n.º 1802001.153 S1TE02 Fl. 40 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Como já relatado, tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que manteve o indeferimento do pedido efetuado pela Recorrente, que almeja compensar débitos de responsabilidade da Recorrente com saldo a restituir relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) correspondente aos anos calendários de 1992, 1993 e 1994, no valor total de 103.051,66 UFIR (cento e três mil, cinqu enta e um inteiros e sessenta e seis centésimos de Unidades Fiscais de Referência). A argumentação dada para o indeferimento do pedido pela DRJ de Salvador (BA) sob a justificativa de ter ocorrido a decadência do direito de solicitar a compensação/restituição, não deve prosperar, senão vejamos. As retenções de IRRF durante os anoscalendários em questão foram meras antecipações do imposto devido, sendo certo que naquelas ocasiões não houve qualquer extinção de crédito tributário, eis que o lançamento sequer havia sido constituido. Tanto essa premissa é verdadeira que os valores retidos são classificados nas contas do ativo da empresa, permanecendo nessa rubrica até que seja feita a declaração final de ajuste. Assim, em se tratando de recolhimento por estimativa, o fato gerador do tributo ocorre em 31 de dezembro do anocalendário de correspondência, conforme já decidiu por unanimidade a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0106.000, de 12/8/2008, Relator Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes). Sobre o tema da repetição de indébito tributário, dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; [...] Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Fl. 194DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.009337/0016 Acórdão n.º 1802001.153 S1TE02 Fl. 41 6 Diante dos textos legais acima transcritos, concluise que o dia 31 de dezembro de 1992, 1993 e 1994 efetivamente deve ser considerado como o termo inicial para contagem do prazo decadencial para pleitear restituição, sendo que o Pedido de Restituição/ Compensação no dia 31 de outubro de 2000 (fl. 1). A principal razão das negativas, tanto da DRF, quanto da DRJ foi o esgotamento do prazo para a apresentação do pedido de restituição, conforme interpretação que era adotada à época pela Administração Tributária, relativamente aos dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam dessa matéria. Entretanto, na Sessão Plenária de 04/08/2011, ao julgar o RE 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, matéria de repercussão geral, o STF por maioria de votos declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, validando, deste modo, a chamada “tese dos cinco mais cinco” do STJ, a ser aplicada aos procedimentos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR provimento parcial ao recurso para afastar a prescrição e devolver a DRF para que proceda com a análise do mérito alegado pela Recorrente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 195DF CARF MF Impresso em 16/04/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 10/04/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/04/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720132/2007-39
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL, RURAL - ITR
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO, INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2102-000.660
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÂO
CONHECER do recurso, por perempto, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: NÚBIA MATOS MOURA
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS.-e.M,p.,.,A., • SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13609.720132/2007-39 Recurso n" 344.457 Voluntário Acórdão n" 2:1.02-00.660 — 1" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 17 de . junho de 2010 Matéria ITR - Áreas de preservação permanente e de utilização limitada e arbitramento do VTN Recorrente WA.LTER MACLIA DO DE VASCONCELOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TE,RRITORIAI, RURAL - ITR Exercício: 2005 RECURSO VOLUNTÁRIO, IN'IRMPESTIVIDADF. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados ed . . cutidos os :rescritos autos.. Acordam os n - mbros do cole,iado, por unanimidade de votos, em. ..NÂO CONHECER do recurso, por p- rempto, no • cru .--)s ío voto da Relato - : ,. i/f 1 ./ Giovand Christian - ls ' a . . pos — esidente irillNübia Matos Mouri ;, atora f .. EDITADO EM: 2 .. )7/2010 i Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Rodrigues Pereira de 'Lima, Ewan Teles Aguiar, Giovanni Cliristian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Feneira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho, Relatório Contra WALTER MACHADO DE VASCONCELOS, foi lavrada .Notilica.ção de Lançamento, lis.. 01/06, para formalização cie exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ( .1 IR), relativo ao imóvel denominado Fazenda Buritis, com área de 9.475,5 ha (NIRF 6.906.467-9), exercício 2005, no valor de R$ 788,572,86, incluindo multa de oficio e juros de mora, calculados até 28/09/2007. As inflações apuradas pela autoridade fiscal lbrana as a seguir descritas, conforme Notificação de Lançamento: glosa total da área de preservação permanente (4.735,0ha); (ii) glosa total da área de utilização limitada (1.895,1 ha); e (iii) arbitramento do Valor da Terra Nua (VTN) para R$ 1.959.963,20, conforme laudo de avaliação apresentado pela contribuinte, inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, que foi devidamente apreciada .pela autoridade julgadora de .primeira instância, conforme acórdão DRI/BSA n" 03-26.878, de 17/09/2008, fls. 91/103. Naquela oportunidade, decidiu-se pela procedência do lançamento. Cientificada da decisão de primeira instância em 28/10/2008, fls. 106, a contribuinte apresentou, em 28/11/2008, recurso voluntário, fls. 107/110, onde solicita a alteração da álea e do município de localização do imóvel e esclarece que a propriedade encontra-se dentro dos limites do Parque Nacional Grande Sertão Veredas. É o Relatório.. Voto Conselheira Núbia Matos Moura O prazo estipulado na legislação para apresentação de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão de primeira instância, conforme disposição expressa do art.. 33 do Decreto n" 70,235, de -1972, in verbis: Ari 33 Da decisão caberá recurSo voluntário, total ou parcial, com efi.Uto .suspensivo, dentro do.s 30 (trinta) dias .segliilliCS ciência da decisc.'io Corno se colhe dos autos, a contribuinte tomou ciência da decisão de primeira • instância em 28/0/2008, conforme Aviso de Recebimento (AR), lis. 106.. Por sua vez, o recurso fo.i apresentado em 28/11/2008, lis. 107, depois de já ultrapassado o .prazo de 30 dias do recebimento da decisão de primeira instância. 2 Processo n" 13609 720132/2007-39 S2-C112 Acórdão ri 2102-00.660 H. 143 É forçoso concluir, portanto, pela intempestividade do recurso o que torna definitiva, na esfera administrativa, a decisão de primeira instância, nos termos do art. 42, I do Decreto n" 70.235, de 1972, in verbis: Art.. 42 São definitivas as decisões: — de primeira instância, esgotado o prazo para recurso voluntário sem que esie tenha sido interposto,. Ante o ex ost voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo.. Núbia atos Moura. - Relatora 3
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000678/00-95
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1995, 1997, 1998, 1999
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Não entregue a declaração de rendimentos dentro do respectivo exercício, o termo
inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento deveria ter ocorrido.
PAF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Se o auto de infração possui
todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de ofício.
PAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Só há nulidade do
lançamento por preterição de direito de defesa quando reste efetivamente demonstrado pelo contribuinte o prejuízo lhe causado. Assim, ao contestar o mérito, o contribuinte demonstra conhecer todos os fatos relativos ao lançamento, está a indicar, pelo contrário, que teve ampla possibilidade de defender-se
das infrações a ele imputadas e que os fatos alegados não lhe
trouxeram prejuízos na defesa.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os
dispêndios e aplicações.
GANHO DE CAPITAL. Tendo a Fiscalização apurado ganho de capital e
não havendo nos autos qualquer elemento capaz de descaracterizá-lo, é de ser mantida a exigência.
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO A
multa isolada do carnê-leão (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996) não é afastada quando incide sobre base de cálculo distinta da multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-000.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e, no mérito dar provimento parcial ao recurso para afastar a infração de acréscimo patrimonial a descoberto, exercício 1995.
Nome do relator: Rayana Alves de Oliveira França
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1995, 1997, 1998, 1999 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Não entregue a declaração de rendimentos dentro do respectivo exercício, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento deveria ter ocorrido. PAF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de ofício. PAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Só há nulidade do lançamento por preterição de direito de defesa quando reste efetivamente demonstrado pelo contribuinte o prejuízo lhe causado. Assim, ao contestar o mérito, o contribuinte demonstra conhecer todos os fatos relativos ao lançamento, está a indicar, pelo contrário, que teve ampla possibilidade de defender-se das infrações a ele imputadas e que os fatos alegados não lhe trouxeram prejuízos na defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações. GANHO DE CAPITAL. Tendo a Fiscalização apurado ganho de capital e não havendo nos autos qualquer elemento capaz de descaracterizá-lo, é de ser mantida a exigência. MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO A multa isolada do carnê-leão (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996) não é afastada quando incide sobre base de cálculo distinta da multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13808.000678/0095 Recurso nº 166.218 Voluntário Acórdão nº 220100.971 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente ANDRÉA GOULART ISSA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1995, 1997, 1998, 1999 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Não entregue a declaração de rendimentos dentro do respectivo exercício, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é o primeiro dia útil do exercício seguinte àquele em que o lançamento deveria ter ocorrido. PAF. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de ofício. PAF. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Só há nulidade do lançamento por preterição de direito de defesa quando reste efetivamente demonstrado pelo contribuinte o prejuízo lhe causado. Assim, ao contestar o mérito, o contribuinte demonstra conhecer todos os fatos relativos ao lançamento, está a indicar, pelo contrário, que teve ampla possibilidade de defenderse das infrações a ele imputadas e que os fatos alegados não lhe trouxeram prejuízos na defesa. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CRITÉRIO DE APURAÇÃO. De acordo com a Lei 7.713/88, o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado através de demonstrativo de evolução patrimonial que indique, mensalmente, tanto as origens e recursos, como os dispêndios e aplicações. GANHO DE CAPITAL. Tendo a Fiscalização apurado ganho de capital e não havendo nos autos qualquer elemento capaz de descaracterizálo, é de ser mantida a exigência. MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO A multa isolada do carnêleão (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº 9.430, de 1996) não é afastada quando incide sobre base de cálculo distinta da multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal). Fl. 1DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos rejeitar as preliminares e, no mérito dar provimento parcial ao recurso para afastar a infração de acréscimo patrimonial a descoberto, exercício 1995. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora. EDITADO EM: 28/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 37/41), acompanhado de Termo de Verificação (fls.24/25) lavrado contra a contribuinte acima identificado, para exigir crédito tributário de IRPF no montante total de R$ 265.431,16, calculado até 30/05/2000, originado das seguintes infrações: 001 Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoa física (carnê leão); 002 Acréscimo patrimonial a descoberto; 003 –Falta de recolhimento do imposto sobre ganho de capital na alienação de bens e direitos; 004 – Aplicação da multa isolada sobre a falta de recolhimento do IRPF devido a título de carne leão. Durante a fiscalização em resposta ao Termo de Intimação (fls.19), datado de 14/02/2000, a contribuinte apresentou relações dos aluguéis recebidos nos anoscalendário de 1995, 1996 e 1997. A contribuinte foi cientificada pessoalmente desse lançamento em 07/06/2000 (fls.38), contra o qual foi apresentada impugnação em 07/07/2000 (fls.51/58), cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte (fl.71/72): 6.1 Ao apresentar a Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício de 1995, ano calendário 1994, entregue fora de prazo em 11/01/1998, informou no tópico de bens e direitos a título de “Moeda corrente e Bancos”, na coluna relativa a 31/12/1993, o valor equivalente a 364.754,59 Ufir, obtido pela divisão de CR$ 50.106.338,03 pelo índice de CR$ 137,37; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 13808.000678/0095 Acórdão n.º 220100.971 S2C2T1 Fl. 2 3 6.2 Informou na coluna relativa a 31/12/94, atendendo à determinação da Receita Federal inseridas em manuais de preenchimento, a título de “Moeda corrente e Bancos”, o montante de 365.237,12 Ufir; 6.3 Verificase, portanto, que houve um acréscimo real na ordem de 482,52 Ufir, que é a diferença entre 365.237,12 Ufir e 364.754,59 Ufir; 6.4 O agente fiscal aplicou índice de julho de 1994 em quantia de dezembro de 1993, com uma imensa defasagem, querendo com esta ardilosa manobra comprovar acréscimo patrimonial; 6.5 No mesmo diapasão, houve outra manobra para produzir um valor de aluguel recebido a maior do que o declarado, pois conseguiu, com a utilização de manobra coercitiva, forjar mais um documento para embasar sua posição; 6.6 “Os dois últimos itens não merecem reparos pois um já declarado não foi ainda possível continuar recolhendo o chamado “Carnê Leão” e sobre a venda de imóvel incidindo aí imposto a ser pago, entretanto, vale informar que trata de valores bem mais baixos do que está sendo apontado pelo engenhoso e combativo fiscal de rendas” (sic). 7. Finaliza requerendo a insubsistência e improcedência do auto de infração. Após analisar a matéria, os Membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão n° 06.839, de 16/09/2005, fls. 68/75, em decisão assim ementada: “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. A variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados ou comprovados, está sujeita a lançamento de ofício por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de ilidir a presunção legal de omissão de rendimentos, invocada pela autoridade lançadora. Lançamento Procedente.” Ao tomar ciência dessa decisão em 16/01/2008, (“AR” fls. 84), a contribuinte interpôs, na data de 15/02/2008, o Recurso Voluntário de fls. 89/102, acompanhado de transcrição de conversas entre ela e o auditor fiscal, acostada às fls.103/122. Em seus argumentos utilizase dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória apresentada. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 124 (última). É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Fl. 3DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 4 O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente, a contribuinte insurgese contra a exigibilidade do depósito, ponto incontroverso que não requer maiores considerações. Ademais, a contribuinte alega a insubsistência do enquadramento legal que apesar de extenso, é genérico e não aborda às exigências específicas tratadas nas infrações apontadas contra a recorrente: não correspondendo às exigências da conversão de valores declarados em UFIR; não aponta a documentação necessária para a comprovação das transações efetuadas com seus inquilinos à época e de supostos valores em poder da recorrente. No seu entender, o enquadramento legal não indica as provas que devem ser apresentadas para comprovar o pagamento, tampouco a forma dos cálculos Verificando ao auto de infração, observo que os dispositivos legais citados estão corretos, não tendo havido qualquer prejuízo ao amplo direito de defesa da recorrente, que, aliás, se defendeu exaustivamente, demonstrando ter entendido perfeitamente a razão de ser da presente exigência. Além disso, a própria descrição dos fatos, constantes do auto de infração, não deixa margem a qualquer eventual dúvida que pudesse comprometer a compreensão dos fatos. Acolher a tese da Recorrente seria admitir que inexiste dispositivo legal a amparar a tributação do ganho de capital e do acréscimo patrimonial a descoberto, o que não tem consistência. Valhome da jurisprudência consolidada deste Egrégio Conselho para rejeitar essa preliminar: “ERRO NA CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO INOCORRÊNCIA Estando a descrição dos fatos e enquadramento legal, constantes no Auto de Infração, em perfeita consonância com a infração constatada, não há que se falar em erro na capitulação da infração.” (Acórdão nº 10420.812, de 06.07.2005, Relator Conselheiro Nelson Mallmann) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em nulidade da autuação, por erro no enquadramento legal, quando o dispositivo de lei especificado retrata efetivamente a infração descrita.” (Acórdão nº 10421.760, de 27.07.2006, Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADES AUTO DE INFRAÇÃO/DECISÃO Não há que se alegar cerceamento de defesa por erro de enquadramento legal no Auto de Infração, quando este está mencionado de forma satisfatória.”(Acórdão nº 10612693, de 19.02.2002, Relator Conselheiro Luiz Antonio de Paula) Portanto, deixo de acolher essa preliminar. Por fim, analisemos a decadência dos fatos geradores ocorridos no ano calendário de 1994. A partir da Lei nº7.713/88, o lançamento do imposto de renda das pessoas físicas, passou a ser efetuado na modalidade de lançamento por homologação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 13808.000678/0095 Acórdão n.º 220100.971 S2C2T1 Fl. 3 5 Essa efetivamente é a regra geral, através do qual apenas considerase válido o lançamento que se debruce sobre o anocalendário de 1994, quando ocorre até 31/12/1999. Não obstante, a regra geral não se aplica ao caso em tela, pois a contribuinte apresentou sua declaração de imposto de renda, relativa a 1994, apenas em 1998, deslocando assim a homologação dos fatos geradores ocorridos naquele anocalendário. Ao atrasar a entrega da declaração, a contribuinte não efetuou os procedimentos necessários ao lançamento por homologação, o que faz com que a regra aplicável ao caso concreto se deslocasse do §4, do art. 150, para o inciso I, do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, que assim preceituam: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4. Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I — do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” (Grifei.) Assim, como a DIPF/95 não foi apresentada dentro do prazo legal, o prazo decadencial para lançamento se deslocou de 31/12/1999 para 31/12/2000. Tendo o lançamento ocorrido 06/06/2000, está dentro do prazo legal. Deste modo, não há também como acolher essa preliminar argüida pela recorrente. Para a análise do mérito, passemos ao exame individualizado das infrações. 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA (CARNÊ LEÃO) A contribuinte através de declaração acostadas aos autos à fl. 21 declarou seus rendimentos de alugueis: Ano Calendário Exercício Totais Aluguéis Fl. 5DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 6 1995 1996 R$ 1996 1997 R$ 11.800,00 1997 1998 R$ 27.800,00 Confrontando com suas declarações para o mesmo período, verificase que o valor declarado na DIPF/1997 (fl.07) e DIPF/1998 (fl.10) foram respectivamente R$9.600,00 e R$12.421,06. Para justificar essa divergência, a contribuinte afirma que a declaração de fls.21 foi assinada por pressão do fiscal Luiz Kanashiro que a elaborou e arbitrou os valores. Para fazer prova apresenta transcrição de conversa que fora gravada com o mesmo. Malgrado, esses argumentos a contribuinte não apresenta nenhuma outra prova, tais como contrato de locação, declaração dos locatários ou qualquer outro documento que possa respaldar o convencimento dessa julgadora sobre os reais valores recebidos de aluguel. Assim, nesse ponto, a pretensão da recorrente não pode prosperar. 002 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Conforme indicado na decisão de primeira instância: “A omissão de rendimentos devido à variação cambial patrimonial a descoberto foi apurada de acordo com os fatos descritos às fls.24/25.” Conforme se depreende do referido Termo de Verificação Fiscal, a contribuinte entregou a DIPF/95, apenas em 11/08/1998. No tocante as informações constantes nas colunas de saldo do item “Moeda corrente e Bancos”, temos a seguinte situação. Em 31/12/1993, consta um saldo no valor de 364.754,59 UFIRs, correspondente a CR$50.106.338,03 que devido a mudança da moeda em 01/07/1994, correspondia nessa data a R$18.220,48 e 31/12/1994, o saldo é de 365.237,12UFIRs, correspondente a R$241.713.92, apresentando um acréscimo patrimonial de R$241.713.92 R$18.220,48 = R$223.493,44. Subtraindo desse valor, as rendas declaradas foi calculado um montante de rendimento omitido de R$218.036,65. Partindo dessa análise, concluise que o Acréscimo Patrimonial a Descoberto foi apurado pela fiscalização, através da análise por fluxo de caixa anual, considerando as origens e as aplicações de recursos informadas pelo seu montante anual. Antes de qualquer análise e apesar deste critério não ter sido diretamente contestado pela recorrente, entendo que tal procedimento agride frontalmente os dispositivos legais que regem a matéria, devendo, portanto ser levantado de ofício A Lei nº 7.713, de 27 de dezembro de 1988, trouxe a mais significativa alteração para a sistemática de incidência e apuração do imposto de renda pessoa física – IRPF, ao dispor, em seus artigos 2º e 3º, que este seria devido, mensalmente, à medida que os rendimentos e ganhos de capital fossem percebidos: “ Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 13808.000678/0095 Acórdão n.º 220100.971 S2C2T1 Fl. 4 7 Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei.” Verificase, então, a utilização de forma indevida para presumir a renda auferida, pois o feito não exprime a verdade material das situações concretas motivadoras da incidência tributária, não se amoldando aos ditames das Leis nºs 7.713/88, 8.134/90, 8.383/91 e 9.250/95, nem atendendo às determinações do artigo 142 do CTN, a seguir transcrito: “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Aplicável à situação as considerações de José Souto Maior Borges em Lançamento Tributário, 2.ª Ed. Malheiros, 1999, p. 246, sobre os feitos portadores de vícios de elaboração: “ O lançamento vicioso é, nesses termos considerado, aquele que apresenta deficiências jurídicas. Mas a conversão do lançamento num ato defeituoso não é decorrência de sua injustiça ou inconveniência. Apenas se liga a razões de ilegalidade ou, mais amplamente, de antijuridicidade. Defeito do lançamento significa, por um lado, que ele se encontra em contradição com um requisito qualquer, contemplado pela norma que lhe fundamenta a validade; não, porém, com toda a norma de sua produção. Mas, por outro lado, há de significar que o lançamento estará de acordo com o mínimo de determinação por essa norma, ou seja, com alguns critérios que lhe estão supraordenados, porque, do contrário, sequer existiria o lançamento como norma individual e concreta, ou seja, o lançamento não teria nenhuma validade. O lançamento defeituoso e, portanto, aquele que se encontra, sob um ângulo Fl. 7DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 8 qualquer– ou seja, parcialmente –, em desacordo com as normas que regulam sua produção. Vale dizer: com as normas administrativas tributárias postas no Código Tributário Nacional e outros atos normativos de caráter geral e abstrato” . Neste sentido é pacífica a jurisprudência deste Colegiado: “IRPF EX: 1998 e 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PRESUNÇÃO LEGAL A presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimos patrimoniais a descoberto somente pode ser aceita se o respectivo levantamento for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento da percepção dos valores correspondentes. Recurso de ofício negado”.(Acórdão nº 102 45.853 de 05 de dezembro de 2002) “IRPF – EXS.: 1991 a 1993 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – APURAÇÃO ANUAL DESCABIMENTO Na vigência da Lei n. 7.713, de 1988, não pode prosperar o Auto de Infração que apura acréscimo patrimonial a descoberto em base anual. Recurso provido.” (Acórdão nº: 10246.708 de 13 de abril de 2005) “IRPF Exs.: 1992, 1994 e 1995 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO GASTOS INCOMPATÍVEIS COM A RENDA DISPONÍVEL BASE DE CÁLCULO PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL FLUXO DE CAIXA. O Imposto de Renda das pessoas físicas, a partir de 01/01/89, será apurado, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, incluindo se, quando comprovada pelo Fisco, a omissão de rendimentos apurada através de planilhamento financeiro ("fluxo de caixa"), onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês pelo contribuinte. Desta forma, somente é correto apurar a omissão de rendimentos, através de "fluxo de caixa", quando esta apuração for mensal. Não se mantém o lançamento apurado incorretamente.”(Acórdão nº: 10611.427, de 15 de agosto de 2000.) “IRPF – ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO – COMPROVAÇÃO DE ORIGEM – Com o advento da Lei n° 7.713, de 1988, o acréscimo patrimonial há de ser apurado mensalmente, competindo ao sujeito passivo a comprovação de recursos disponíveis no mês da constatação do acréscimo. Admitese, como recurso, os valores comprovadamente recebidos, no próprio anobase, até o mês da apuração do acréscimo, pelo valor líquido. Não é de ser aceito documento relativo a aplicações financeiras há mais de um ano do fato gerador, mormente quando, mesmo intimada, a contribuinte não logra comprovar ter sacado essas disponibilidades para compra do bem.” (Acórdão nº 0103.104, da CSRF de 12 de setembro de 2000.) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 13808.000678/0095 Acórdão n.º 220100.971 S2C2T1 Fl. 5 9 Nas condições em que foi feito o levantamento, a infração de Acréscimo Patrimonial a descoberto não merece prosperar. 003 – DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO SOBRE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS A contribuinte não recolheu o imposto de renda devido sobre o ganho de capital relativo a venda a Daniela Farina Severo de Castro. No seu recurso a contribuinte alega que não há nos autos sequer o aludido instrumento de transmissão de propriedade, realizada em 22 de julho de 1998, fato gerador do apontado ganho de capital. Afirma ainda, para que não paire dúvida, essa venda está informada na DIPF/1999, acompanhada do respectivo cálculo do imposto de renda. Efetivamente, na linha 06 da Declaração de Bens e Direitos da DIPF/1999, às fls.15, consta indicação de referida venda, com um saldo em 1997 de R$78.500,00 e em 1998, igual a zero. No demonstrativo da Apuração dos Ganhos de Capital, às fls.17, o imposto foi devidamente calculado e transportado para o campo 35 da DIPF/1999, fl.13. Entretanto, esse rendimento entra no campo das “Outras Informações” e não no compito do imposto de renda a pagar. Sobre o ganho de capital, assim dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n°. 3.000, de 26/03/1999: "Art. 117 Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Titulo à pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Leis n's 7.713, art. 30, § 2°, e Lei n°. 8.981, de 1995, art. 21). § 1° O disposto neste artigo aplicase, inclusive, ao ganho de capital auferido em operações com ouro não considerado ativo financeiro (Lei n°.7.766, de 1989, art. 13, parágrafo único). § 2° Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Leis n°s 8.134, de 1990, art. 18, § 2°, e Lei n°. 8.981, de 1995, art. 21, § 2°)." Do texto legal, acima transcrito, concluise que o imposto sobre os ganhos de capital está sujeito à tributação definitiva no mês em que for apurado, cabendo a pessoa física que auferir ganhos de capital, apurar e recolher de forma definitiva o respectivo imposto de renda no mês da ocorrência do fato gerador (alienação). Logo, tratase de tributação definitiva, cujo fato gerador ocorre na data da alienação, ocasião em que deve ser apurada a base de cálculo e o tributo devido, ainda que possa ser diferido. Assim, nesse ponto não cabe razão a recorrente. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI 10 004 – DEMAIS INFRAÇÕES SUJEITAS A MULTA ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TÍTULO DE CARNE LEÃO. A contribuinte deixou de cumprir sua obrigação de recolher o carnêleão relativo aos aluguéis recebido durante ao ano de 1998, sendo aplicada a multa isolada. Ressaltese que a multa isolada foi aplicada no ano de 1998 e a omissão de rendimentos de alugueis em 1996 e 1997. Portanto sobre fatos geradores distintos. Essa infração não é atacada diretamente pela recorrente que tampouco trás provas do recolhimento do carnêleão ou qualquer informação que possa vir a afastar essa exigência. Não havendo, portanto qualquer reparo a fazer. Diante do exposto, rejeito as preliminares argüidas e no mérito, dou provimento parcial ao recurso para afastar a infração de acréscimo patrimonial a descoberto. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI Processo nº 13808.000678/0095 Acórdão n.º 220100.971 S2C2T1 Fl. 6 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 28/07/2011 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 11DF CARF MF Emitido em 09/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, 29/07/2011 por FRANCISCO AS SIS DE OLIVEIRA JUNI
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Numero do processo: 10245.000115/2009-21
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF
Anocalendário:
2000,2001,2002,2003,2004,2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA. VÍCIO ORA SANADO, SEM EMPRÉSTIMO DE EFEITOS INFRINGENTES.
O acórdão embargado não analisou, de fato, pleito deduzido pela ora Embargante em seu Recurso Voluntário que, se acolhido, acarretaria a anulação da decisão de primeira instância administrativa. A análise da questão, contudo, demonstra a inexistência do vício que consubstancia a premissa do pleito que não foi apreciado por esse Colegiado num primeiro momento, devendo a negativa de provimento do Recurso Voluntário ser
mantida em sua integralidade, com os acréscimos ora levados a efeito. Embargos de Declaração acolhidos, sem efeitos modificativos.
Numero da decisão: 1101-000.872
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER
os embargos sem a atribuição de feitos infringentes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituida pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra, bem como
ausente, temporariamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro José Sérgio Gomes e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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OMISSÃO. EXISTÊNCIA. VÍCIO ORA SANADO, SEM EMPRÉSTIMO DE EFEITOS INFRINGENTES. O acórdão embargado não analisou, de fato, pleito deduzido pela ora Embargante em seu Recurso Voluntário que, se acolhido, acarretaria a anulação da decisão de primeira instância administrativa. A análise da questão, contudo, demonstra a inexistência do vício que consubstancia a premissa do pleito que não foi apreciado por esse Colegiado num primeiro momento, devendo a negativa de provimento do Recurso Voluntário ser mantida em sua integralidade, com os acréscimos ora levados a efeito. Embargos de Declaração acolhidos, sem efeitos modificativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os embargos sem a atribuição de feitos infringentes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, substituida pelo Conselheiro Marcelo de Assis Guerra, bem como ausente, temporariamente, o Presidente Valmar Fonseca de Menezes, substituído no colegiado pelo Conselheiro José Sérgio Gomes e na presidência pela Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 01 15 /2 00 9- 21 Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR 2 BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente Substituta), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Mônica Sionara Schpallir Calijuri, Benedicto Celso Benicio Júnior, José Sérgio Gomes (Conselheiro substituto) e Marcelo de Assis Guerra (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão n. 1101 00623, desta relatoria, aresto esse que negou provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo ora Embargante e que restou assim ementado, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Anoscalendários: 2000 a 2005 Ementa: NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Somente a inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. (Acórdão nº 110100.172/09). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. As diligências devem ter condão de fazer a prova necessária à caracterização da afirmação que pretende provar, bem como esclarecer aquilo que já fora afirmado no momento processual oportuno: a fiscalização ou a impugnação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE DILIGÊNCIA. Não há impedimento de ação fiscal ter inicio através de Mandado de Procedimento Fiscal de diligência (MPFD), sendo este destinado à coleta de informações. DOCUMENTO INIDÔNEO. Existem outras formas autorizativas da declaração de inidoneidade de documentos, além das descritas no art. 48 da IN SRF 748/2007. PAGAMENTO SEM CAUSA. É necessário individualizar os pagamentos dando certeza e liquidez à obrigação descrita, ou indicar outros elementos com Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 1101000.872 S1C1T1 Fl. 3 3 força de prova, para considerar recibos ou notas fiscais aptos a provar a causa do pagamento nestes documentos descritos. DÉBITOS NÃO GARANTIDOS. As certidões negativas ou positivas com efeito de negativa provam regularidade fiscal, mas não a garantia de débitos vencidos e não quitados. FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. A prova do ânimo do autuado em reduzir tributos, mediante condutas tipificadas como fraude, conluio ou sonegação, é essencial para a aplicação da multa qualificada do artigo 44 da lei 9.430/96, independentemente da ocorrência e das demais exações exigidas no procedimento fiscal. Em seus declaratórios, afirma o Embargante que o v. aresto embargado teria sido omisso porquanto não examinara ponto suscitado no Recurso Voluntário, a saber, a suposta alteração na motivação do ato administrativo do lançamento perpetrada pela decisão da colenda instância a qua. O seguinte trecho é extraído dos declaratórios ora em exame, litteris: Não há dúvidas sobre a motivação da autoridade administrativa para praticar o lançamento. Tendo como critérios a capacidade operacional e financeira da empresa prestadora, o seu faturamento, a sua regularidade cadastral e a sua regularidade fiscal, ela obteve suas conclusões a respeito da efetiva prestação de serviços. Critérios completamente opostos aos invocados pela autoridade julgadora! No seu entender, o que deveria ser provado é a individualização dos serviços prestados pelas empresas, já que é irrelevante saber se, de fato, prestaram lhe serviços. (fls. 17791780) Pede seja sanada a omissão, de modo que sejam os Embargos de Declaração acolhidos com efeitos infringentes, com a anulação da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço dos declaratórios. A questão atinente à suposta alteração da motivação do lançamento perpetrada pela D. DRJ foi, de fato, ventilada em sede de Recurso Voluntário, o que se depreende da leitura dos fólios de n. 1721 e 1722 dessa irresignação. Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR 4 Como esse ponto efetivamente não foi objeto da análise encerrada no Acórdão n. 110100623, cabe a esse Colegiado sanar a omissão, de modo que seja verificada a existência da suposta modificação, pela instância a qua, da motivação da autuação que se encontra na origem deste processo administrativo. Percebese que essa alteração apontada em Recurso Voluntário e não apreciada pelo v. acórdão embargado não teve lugar. De fato, a respeito do ponto em exame, temse que a motivação do lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte por pagamento sem causa – art. 61, §1o da Lei n. 8.981/95 repousa no fato de que não foram comprovados um sem número de serviços que alegadamente teriam sido prestados por fornecedores diversos e que supostamente teriam ensejado substancial redução no caixa da autuada. O seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal, excerto esse que consta inclusive dos aclaratórios ora analisados, ratifica as assertivas deduzidas no parágrafo anterior, verbis: Conforme já mencionado, é significativa a redução do saldo da conta Caixa no ano 2005, passando de um saldo no início do período de R$ 13.273.410,02, para R$2.657.379,32 em 31/12/2005. Analisando as possíveis causas dessa redução, além da distribuição de lucros aos sócios que totalizou R$5.186.445,42 em 2005, verificamos a existência de diversos pagamentos a fornecedores. No decorrer do procedimento, intimamos a fiscalizada a comprovar as saídas de Caixa/Banco no período de 2004 a 2005, para as quais apresentou como prova tão somente cópias de notas fiscais de prestação de serviços ou fornecimento de materiais, relativos a pagamentos em valores vultosos para alguns fornecedores, sem trânsito pelo sistema financeiro. Desta feita, realizamos procedimentos de diligência nos fornecedores mais relevantes, onde pudemos constatar algumas inconsistências que nos permitiram concluir que os produtos / serviços descritos nas notas fiscais não foram de fato entregues, e os repasses financeiros não foram efetivamente efetuados, tais como: • Incapacidade operacional e financeira do suposto fornecedor • Incompatibilidade entre o faturamento da empresa e o patrimônio de seus sócios • Pessoa jurídica declarada inativa • Negativa de emissão do documento fiscal • Indisponibilidade em estoque dos produtos para os quais foi dada saída (fls. 660661) A toda evidência, pois, o lançamento por pagamentos sem causa deuse pela circunstância de não terem sido comprovados uma série de serviços supostamente tomados pela ora Embargante e que seriam a causa da considerável redução no saldo do seu Caixa: essa a motivação do auto de infração de que se aqui se cuida. Averiguandose, agora, as razões pelas quais o lançamento foi integralmente mantido em primeira instância administrativa, percebese que o não acolhimento da Impugnação deuse justamente pelo fato de que os tantas vezes mencionados serviços alegadamente tomados pelo sujeito passivo não foram demonstrados pela ora Embargante, é dizer, jamais teve lugar qualquer alteração da motivação do ato administrativo do lançamento. Confirase os seguintes trechos da decisão da Colenda DRJ, verbis: Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Processo nº 10245.000115/200921 Acórdão n.º 1101000.872 S1C1T1 Fl. 4 5 A descrição do tipo legal não consiste em demonstrar que as empresas ditas prestadoras de serviço não existem, e nem que não prestam ser viços a outras empresas, mas, sim, que os serviços descritos, motivadores dos pagamentos ora fiscalizados, não estão provados em sua liquidez e certeza,qualidades inerentes aos serviços que se desejam provar. Argumentar que as empresas possuíam funcionários, que prestavam serviços a outras empresas em Roraima, não prova os serviços que são apresentados como motivadores dos pagamentos; não há individualização, unitização e quantificação dos serviços prestados; não são apresentados relatórios dos serviços, não se diz onde e quando os serviços foram prestados. È custosa a crença de que uma organização: mobilizadora de vultosos recursos originários de pessoas que lhe confiaram seus recursos em outros países; que, em uma região inóspita e de economia incipiente, movimente recursos materiais, humanos e sociais dignos de importância relativa e cultural, não tenha, em suas atividades quotidianas, sequer a especificação dos serviços que lhe são prestados. Para que não fique qualquer dúvida acerca do teor deste comentário, deve se explicar que não se está em análise a empresa, sua atividade econômica, a origem de seus recursos, sua importância econômica e social, mas, sim, os pagamentos às empresas e a prova de sua causa. A autuação é legítima! (fls. 16911692; sem negritos no original) Inconteste, portanto, que a motivação do lançamento jamais foi alterada pela decisão da Colenda DRJ de Belém/PA. Frisese que a não demonstração dos serviços em apreço também foi a pedra de toque para que o v. acórdão embargado mantivesse a autuação neste ponto, o que se depreende da leitura das fls. 1757 e SS. Por todo o exposto, acolho os Embargos de Declaração, com o saneamento da omissão apontada, sem a atribuição de efeitos infringentes, de modo que mantido o dispositivo do v. acórdão embargado. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 04/11/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/11/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 31/10/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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