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Numero do processo: 10830.003172/2003-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA.
Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se as provas coligidas demonstram que não houve a efetiva prestação de serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social.
Numero da decisão: 9101-003.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento
Rodrigo Costa Pôssas- Presidente em exercício.
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para a exclusão da pessoa jurídica do regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se as provas coligidas demonstram que não houve a efetiva prestação de serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento Rodrigo Costa Pôssas Presidente em exercício. Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 1182/1187) interposto em face do acórdão nº 180200.871 (efls. 1167/1175), assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 31 72 /2 00 3- 77 Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 9101003.265 CSRFT1 Fl. 1.240 2 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. SIMPLES. Anocalendário:2002 SIMPLES REPRESENTAÇÃO COMERCIAL – ATIVIDADE IMPEDITIVA QUE NÃO É EFETIVAMENTE EXERCIDA PELA EMPRESA INCLUSÃO RETROATIVA Quando o objeto social da empresa é composto por diversas atividades e uma delas é vedada ao Simples, restando comprovado que as receitas auferidas decorreram exclusivamente das atividades compatíveis com o Simples, inexiste óbice legal para o enquadramento do contribuinte nesse regime de tributação. Verificado que a empresa, de forma inequívoca, quis se enquadrar no Simples, apresentando as declarações nesse regime de tributação e pagando os tributos também nessa modalidade, deve ser admitido o seu enquadramento de forma retroativa.” De acordo com o respectivo voto condutor, as notas fiscais emitidas ao longo de três anos consecutivos (2002 a 2004) demonstraram que a recorrida “não auferiu receitas com a atividade de "analista de sistema", mas sim com locação e manutenção de equipamentos, serviços de geração de bilhetes indutivos, vendas de bilhetes indutivos (que é a principal fonte de receitas), vendas de peças e equipamentos (placas, unidades leitoras, sensores, etc.), e algumas taxas de instalação de software, mas nada que caracterize o exercício da profissão de analista de sistemas”. Acrescentouse, ainda, que “a legislação do Simples, que 'se encontrava detalhada nos manuais de orientação chamados "perguntas e respostas", admitia a opção mesmo que constasse do Contrato Social alguma atividade impeditiva, desde que o Contribuinte efetivamente não exercesse essa atividade, fato que ficou comprovado nos autos.” Conforme o disposto no artigo 79, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação da Portaria MF nº 39/2016, a intimação pessoal do Procurador da Fazenda Nacional ocorreu em 06/07/2011 (efls. 1176). Recurso Especial da PGFN (efls. 1182/1187) interposto no dia 07/07/2011 (vide RM datada de 07/07/2011, efl. 1180). Nessa oportunidade, a recorrente aduz que o contrato social da recorrida prevê a realização de atividade econômica (análise de sistemas) vedada pela Lei do Simples. Nesse ponto, sustenta que “o argumento levado a efeito pelo acórdão recorrido é manifestamente frágil, já que tal circunstância não assegura que, futuramente, a empresa não venha a desenvolver qualquer daquelas atividades impeditivas à opção pelo Simples e, mesmo assim, permanecer nessa modalidade.” Tal diretriz permeia o acórdão paradigmático. Confirase: “SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PERMITIDA – I A caracterização da atividade econômica da pessoa jurídica, primordialmente, dáse pela verificação do registro de seu objeto social. II — A previsão no objeto social da pessoa jurídica ou o exercício das atividades de publicidade e propaganda, ou de atividades assemelhadas a uma delas, ainda que não esteja ela exercendo, efetivamente, por estarem relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96, constituem impedimento à opção ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Recurso que se nega provimento. (2ºCC, 2ª Câmara, Acórdão nº 20212.341, de 07/07/2000) Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 9101003.265 CSRFT1 Fl. 1.241 3 Segundo o respectivo voto condutor, deve preponderar na análise, ao contrário do que se fixou no acórdão recorrido, a atividade que consta do contrato social, não o seu efetivo exercício: “(...) Por fim, é oportuno ressaltar que o que deve preponderar no caso não é o efetivo exercício da atividade da pessoa jurídica, mas sim, sua capacidade, demonstrada em seu objeto social, de prestar um dos serviços elencados (sic) na norma restritiva.” (Acórdão nº 20212.341). Consoante o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial (efls. 1192/1194), o cotejo entre as ementas e os votos condutores dos arestos, recorrido e paradigma, permite deduzir que tais decisões são divergentes, uma vez que, no recorrido, assentouse que o objeto social da pessoa jurídica, quando composto por diversas atividades, sendo uma delas vedada ao ingresso no Simples, não impede seu enquadramento no aludido regime, contanto resulte comprovado que as receitas auferidas decorreram exclusivamente das atividades compatíveis com o Simples. Nessa linha de raciocínio, se efetivada a entrega das declarações e efetuado o pagamento dos tributos apurados em conformidade com as regras do Simples, o enquadramento da pessoa jurídica no precitado regime deve ser retroativo. Já o acórdão paradigma nº 20212.341, acolheu a tese de que a previsão no objeto social da pessoa jurídica de qualquer das atividades vedadas pela Lei nº 9.317/96, ainda que a pessoa jurídica não as exerça efetivamente, é o que basta para excluíla do Simples. Contrarrazões às efls. 1205/1209. É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo e reúne os demais requisitos para seu conhecimento. Dele conheço. Os acórdãos recorrido e paradigma são divergentes no tocante à interpretação dada ao artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996, já revogada, in verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000)." Todavia, consoante o acórdão recorrido, as provas documentais acostadas aos autos explicitam que, no decorrer de três anos consecutivos (2002 a 2004), “a contribuinte não auferiu receitas com a atividade de “analista de sistema”, mas sim com locação e manutenção Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 9101003.265 CSRFT1 Fl. 1.242 4 de equipamentos, serviços de geração de bilhetes indutivos, vendas de bilhetes indutivos (que é a principal fonte de receitas), vendas de peças e equipamentos (placas, unidades leitoras, sensores, etc.), e algumas taxas de instalação de software, mas nada que caracterize o exercício da profissão de analista de sistemas.” Portanto, pelo prisma do acórdão recorrido, a vedação à opção pelo Simples só poderia incidir, a teor da norma legal em referência, sobre a pessoa jurídica que efetivamente prestasse os serviços constantes do rol previsto no texto que a veiculava. Por essa óptica, o objeto social consignado no contrato social, por si só, é insuficiente para atrair a restrição do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Aqui está o centro da discórdia, postos os dois acórdãos face a face, uma vez que o acórdão ofertado como paradigma revela que o exame do contrato social é o bastante ao julgador, liberado, imerso em tal cenário, do encargo de cientificarse da atividade concretamente exercida. A Fazenda Nacional não tem razão. Para o deslinde da controvérsia, não se deve submeter o caso concreto ao rigor exclusivo do preceito normativo insculpido no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, porquanto a norma jurídica que se avulta de tal dispositivo impedia a opção pelo regime do Simples. Tratandose de exclusão, como efetivamente se trata, é imprescindível que se dirijam os olhos para a norma jurídica consubstanciada na conjugação dos artigos 9º; 13, inciso II, "a"1; e 14, inciso I2, todos da Lei nº 9.317/1996. Como se pode ver, o artigo 13, inciso II, "a", da Lei nº 9.317/1996 determinava à pessoa jurídica a comunicação ao órgão fiscal da ocorrência de qualquer situação arrolada no artigo 9º da mesma Lei, com vistas à exclusão do Simples. Se a pessoa jurídica descurasse do dever de comunicar essa ocorrência, o órgão fiscal deveria promover sua exclusão de ofício, consoante o artigo 14, inciso I, da referida Lei nº 9.317/1996. É certo, pois, que o serviço prestado em dissonância com o artigo 9º da antedita Lei implica exclusão do regime do Simples. Entretanto, a recorrida ponderou (efl. 193) que, malgrado a existência de efetiva anotação, em seus atos constitutivos, da possibilidade de exercício de atividade que acarretava vedação à adesão ao regime do Simples, é fato verdadeiro e inconteste que jamais prestou ou faturou qualquer serviço direta ou indiretamente afeto à analise de sistemas. Por sua vez, atesta o relator do acórdão recorrido que as notas fiscais emitidas ao longo de três anos consecutivos (2002 a 2004) demonstram que a Contribuinte não auferiu receitas com a atividade de "analista de sistema", mas sim com locação e manutenção de equipamentos, serviços de geração de bilhetes indutivos, vendas de bilhetes indutivos (que é a principal fonte de receitas), vendas de peças e equipamentos (placas, unidades leitoras, sensores, etc.), e algumas taxas de instalação de software, mas nada que caracterize o exercício da profissão de analista de sistemas”. O cerne da questão se situa no verbo "prestar" ao qual se associa o objeto "serviços profissionais", ambos inscritos no tipo legal do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Diante disso, é lícito concluir que a efetiva prestação de serviço fixado no texto 1 Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; 2 Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 10830.003172/200377 Acórdão n.º 9101003.265 CSRFT1 Fl. 1.243 5 desse dispositivo legal é determinante da exclusão do regime do Simples, considerando as disposições adicionais dos artigos 13, inciso II, "a", e 14, inciso I, da Lei nº 9.317/1996. No entanto, as provas coligidas confirmam que a recorrida não se subsome à regra da exclusão de ofício, pelo simples fato de não ter prestado os serviços apontados pela Fiscalização que se amoldavam a tal previsão normativa, motivo por que se deve negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1243DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.722012/2015-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013
CRÉDITOS DE IPI. PROVA DOS FATOS. NÃO APRESENTAÇÃO
É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório nos autos. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamentar uma solução que atenda ao pedido feito. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, a apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRIGENTES. ATO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI. NÃO COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO.
Na linha da consagrada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do dirigente com base no artigo 135 do CTN (REsp 1.101.728/SP). Tal conclusão não se modifica em razão do lançamento ter sido efetuado com base no artigo 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010) - realocação do artigo 8º do Decreto-Lei n. 1.736/1979 -, uma vez que se trata de norma veiculada por meio de legislação ordinária, em dissonância com o que prescreve a legislação complementar, e que portanto não merece aplicação, também de acordo com a jurisprudência do STJ (REsp 1.641.491).
REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC.
No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno.
CARÁTER CONFISCATÓRIO. MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MATÉRIA SUMULADA. CARF
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2
MULTA APLICADA. PREVISÃO EXPRESSA DE LEI. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA DE RESERVA LEGAL
É incabível a redução de multa aplicada, cujo percentual está expresso em lei, ante a situação fática demonstrada nos autos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial aos recursos apenas para excluir a responsabilidade solidária de todos os sócios. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Relator, e Jorge Olmiro Lock Freire, que negaram provimento. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 CRÉDITOS DE IPI. PROVA DOS FATOS. NÃO APRESENTAÇÃO É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório nos autos. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamentar uma solução que atenda ao pedido feito. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, a apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRIGENTES. ATO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI. NÃO COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO. Na linha da consagrada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do dirigente com base no artigo 135 do CTN (REsp 1.101.728/SP). Tal conclusão não se modifica em razão do lançamento ter sido efetuado com base no artigo 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010) - realocação do artigo 8º do Decreto-Lei n. 1.736/1979 -, uma vez que se trata de norma veiculada por meio de legislação ordinária, em dissonância com o que prescreve a legislação complementar, e que portanto não merece aplicação, também de acordo com a jurisprudência do STJ (REsp 1.641.491). REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543-C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MATÉRIA SUMULADA. CARF O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2 MULTA APLICADA. PREVISÃO EXPRESSA DE LEI. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA DE RESERVA LEGAL É incabível a redução de multa aplicada, cujo percentual está expresso em lei, ante a situação fática demonstrada nos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PROVA DOS FATOS. NÃO APRESENTAÇÃO É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório nos autos. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamentar uma solução que atenda ao pedido feito. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, a apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS DIRIGENTES. ATO COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO À LEI. NÃO COMPROVAÇÃO. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO. Na linha da consagrada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do dirigente com base no artigo 135 do CTN (REsp 1.101.728/SP). Tal conclusão não se modifica em razão do lançamento ter sido efetuado com base no artigo 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010) realocação do artigo 8º do DecretoLei n. 1.736/1979 , uma vez que se trata de norma veiculada por meio de legislação ordinária, em dissonância com o que prescreve a legislação complementar, e que portanto não merece aplicação, também de acordo com a jurisprudência do STJ (REsp 1.641.491). REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 20 12 /2 01 5- 67 Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 624 2 Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. CARÁTER CONFISCATÓRIO. MULTA APLICADA. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE QUESTÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. MATÉRIA SUMULADA. CARF O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2 MULTA APLICADA. PREVISÃO EXPRESSA DE LEI. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA DE RESERVA LEGAL É incabível a redução de multa aplicada, cujo percentual está expresso em lei, ante a situação fática demonstrada nos autos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial aos recursos apenas para excluir a responsabilidade solidária de todos os sócios. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Relator, e Jorge Olmiro Lock Freire, que negaram provimento. Designada redatora para o voto vencedor a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 8/26) lavrado contra a empresa INDUSTRIA METALOQUÍMICA KELS LTDA, por meio do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor total de R$ 2.480.571,25 (imposto (IPI), juros de mora e multa proporcional), referente ao Período de Apuração (PA) relativo a janeiro de 2011 a dezembro de 2013. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 625 3 A ação fiscal foi iniciada em 05/05/2015 e conforme consta do Relatório Fiscal de fls. 2/6, a Recorrente escriturou em seu Livro de Registro de Apuração do IPI RAIPI sob a rubrica "Outros Créditos", valores que, intimada a justificar, respondeu com alegação de que “não foi possível identificarmos os documentos e as origens dos lançamentos efetuados como outros créditos no RAIPI Registro de Apuração de IPI / Quadro Demonstrativo de Créditos, sob a rubrica (Outros Créditos)”. A tabela que retrata os valores declarados a menor em DCTF e consequentemente não recolhidos decorrentes desta conduta, se encontra à fls. 3 e 15. A conduta adotada pela Recorrente foi identificada pela fiscalização como "artifício doloso (inserção de elementos inexatos em livro exigido pela lei fiscal RAIPI) com o único e inequívoco propósito de reduzir o tributo (o valor do saldo devedor do IPI a recolher)." A Autuação foi lavrada contra a Recorrente (Indústria METALOQUIMICA KELS Ltda), entretanto, ao qualificar a empresa como sujeito passivo do Auto de Infração, os seus sócios também foram arrolados como responsáveis solidários por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, sendo eles: a Sra. MARIA APARECIDA CONCEICAO KELM, espólio de LINO KELM, CPF: 021.836.81861; o Sr. MARCIO ROBERTO KELEN, CPF: 028.811.45825; o Sr. MARIO RUBENS KELEN, CPF: 760.690.44800 e o Sr. MARCELO RENATO KELEN, CPF 112.079.92879, com base no art. 135 do Código Tributário Nacional CTN e no art. 28 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (RIPI, fls. 5), em relação ao Auto de Infração controlado nestes autos. Às fls. 309/313 constam as ciências dos sujeitos passivos, datadas de 21/01/2016. Por trazer uma clara síntese do processo até o julgamento da Impugnação Administrativa, peço vênia para transcrever principais trechos do relatório do Acórdão 14 61.196, da 8ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto (SP), ora recorrido (fls. 475/491): "(...) Em decorrência da infração relativa a rubrica "outros créditos" foi lavrado auto de infração no valor original de R$ 985.525,54, com aplicação de multa majorada em 50% em razão da circunstância agravante evidenciada nos itens a seguir transcritos: "2.1.2 Em resposta à referida intimação, o sujeito passivo apresentou a declaração (em anexo) onde confessa literalmente que “não foi possível identificarmos os documentos e as origens dos lançamentos efetuados como outros créditos no RAIPI Registro de Apuração de IPI / Quadro Demonstrativo de Créditos, sob a rubrica (Outros Créditos)”, demonstrando a verdade de que não existia nenhum documento hábil ou idôneo que pudesse justificar e/ou respaldar os referidos valores dos créditos registrados e aproveitados pelo sujeito passivo, configurandose, por consequência, absoluta e inquestionavelmente indevidos tais créditos, para todos os efeitos. 2.1.3 O ato acima descrito praticado pelo sujeito passivo, ou seja, o registro no RAIPI com o consequente aproveitamento de crédito (inexistente) do IPI sem os necessários documentos para justificar ou respaldar os referidos valores dos créditos, Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 626 4 constituiuse, conforme demonstrado, num artifício doloso (inserção de elementos inexatos em livro exigido pela lei fiscal RAIPI) com o único e inequívoco propósito de reduzir o tributo (o valor do saldo devedor do IPI a recolher)." Ainda, em decorrência do erro nas informações sobre o IPI devido informado nas DCTFs da interessada decorrente da inserção de "outros créditos", foi lavrada multa nos seguintes termos: "3.1.2 – Em decorrência das constatações apontadas no item “2.2 – DCTF's Transmitidas com Erro”, foi lavrado o Auto de Infração no montante de R$ 15.026,19, conforme a seguir demonstrado: => R$ 7.500,00 => aplicado o valor mínimo de R$ 500,00 para cada ocorrência, relativamente à multa regulamentar por erro em 15 DCTF's (até dez/2012), conforme dispõe o art. 593, §3º, inciso II, do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010. => R$ 7.526,19 => aplicado 0,2% sobre o valor total do faturamento de mês anterior (maio/2013) ao da entrega (jun/2013) da DCTF relativa ao mês de abril/2013, correspondentes ao CFOP 5101 (R$ 1.860.370,21), 5124 (R$ 6.927,04), 6101 (R$ 1.093.651,41) e 7101 (R$ 802.147,48), conforme determina o Art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001 (inciso III), alterado pela Lei nº 12.766, de 2012." Por fim, no processo digital 10865.723262/201514, em razão da descoberta créditos decorrentes de aquisições de mercadorias cujos códigos de NCM apresentavam alíquota zero na TIPI foi lavrando auto de infração no montante original de R$ 8.138,85. Foram indicados como responsáveis solidários MARIA APARECIDA CONCEICAO KELM ESPÓLIO DE LINO KELM, CPF: 021.836.81861; MARCIO ROBERTO KELEN, CPF: 028.811.45825; MARIO RUBENS KELEN, CPF: 760.690.44800 e MARCELO RENATO KELEN, CPF 112.079.92879, com fundamento em " Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto", com base no art. 135 do Código Tributário Nacional CTN e no art. 28 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (RIPI, fls. 5), em relação a ambos os autos de infração controlados nestes autos. Às fls. 309 a 313 constam as ciências dos sujeitos passivos, datadas de 21/01/2016. Impugnação de MARCELO RENATO KELEN juntada às fls. 318 a 335, protocolo em 22/02/2016, contestando apenas a sua responsabilidade tributária, alegando não ter praticado atos dolosos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto. Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 627 5 Requer a nulidade do auto de infração, vez que a fiscalização não teria demonstrado a conduta do responsável, bem como o dolo que seria necessário na conduta. Alega que a suposta conduta estaria relacionada à atividade da empresa, não tendo concorrido para tanto, bem como que a fiscalização deveria ter constituído o crédito tributário perante a sociedade e, posteriormente, averiguando o dolo do sócio administrador, atribuílo a responsabilidade tributária. Aduz que a mera alegação de que o responsável teria praticado meios artificiosos e dolosos não possui amparo no direito positivo, face à garantia constitucional da ampla defesa, acarretando nulidade da autuação por falta de motivação. Argumenta que o fato de constar como sócio no contrato social não seria suficiente para ensejar sua responsabilização, não restando provado que provocou intencionalmente o ilícito e se beneficiou do resultado. Cita as disposições do art. 158 da Lei n° 6.404/1976, entendendo que os seus preceitos não foram atendidos. Contesta a possibilidade de sua inclusão como solidário pela fiscalização tributária na fase administrativa, entendendo ser tal providência de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional, após a constituição do crédito tributário. Culmina requerendo seja observada a busca pela verdade material, dado que não teria efetivamente ocorrido a conduta dolosa necessária para a responsabilização levada a cabo, bem como seja julgada totalmente procedente a impugnação com o cancelamento do lançamento tributário, requerendo que todas as publicações sejam efetuadas exclusivamente em nome do advogado DANIEL MARCELINO, OAB/SP 149.354. As impugnações dos demais responsabilizados solidariamente, MARIO RUBENS KELEN, fls. 339 a 356; MARCIO ROBERTO KELEN, fls. 360 a 377; MARIA APARECIDA CONCEIÇÃO KELM ESPÓLIO DE LINO KELM, fls. 381 a 398 trouxeram argumentos idênticos, atacando a responsabilidade tributária que lhes foi atribuída. Às fls. 402 a 428 foi juntada a impugnação da contribuinte, alegando que os valores creditados no RAIPI com o título de "outros créditos" tinham amparo como crédito presumido do IPI, na forma preceituada pela Lei n° 9.363/1996 e legislação correlata, afirmando que o contador responsável pela escrituração da empresa no período da autuação não se encontrava mais trabalhando quando da fiscalização, razão pela qual teria respondido à fiscalização não saber a que se referiam os "outros créditos" escriturados no RAIPI. Afirma que seria responsabilidade da fiscalização verificar se tais valores não poderiam se tratar de crédito presumido do IPI, não obstante a contribuinte tenha se manifestado no sentido de Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 628 6 não ter sido possível identificar os documentos e as origens dos lançamentos efetuados a título de outros créditos no RAIPI. Requer o cancelamento da autuação e da multa de ofício, afirmando que os "outros créditos" são relativos a créditos presumidos decorrentes de exportações por ela efetuadas nos anos de 2011 a 2013. Quanto à multa de ofício, traz fundamentação relacionandoa com as multas penais, razão pela qual seria necessário o elemento subjetivo do tipo para aplicação da penalidade, qual seja, culpabilidade, configurada pela presença de dolo ou fraude. Traz considerações sobre a mitigação das disposições no art. 136 do CTN, com aplicação dos artigos 112 e 108, IV, do mesmo diploma legal, aduzindo que a resposta honesta da contribuinte a respeito dos lançamentos como "outros créditos" seria prova da ausência de dolo, requerendo o cancelamento das multas aplicadas. Quanto à autuação por transmissão das DCTFs com informações inexatas, incompletas ou omitidas, afirma não ter se configurado, dado que as informações retratavam o que constava de seus livros fiscais, especificamente o RAIPI quanto ao IPI, os quais entende estarem corretos. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 CRÉDITOS DE IPI. PROVA DE FATOS. É imprescindível que as alegações contraditórias a questões de fato tenham o devido acompanhamento probatório. Quem não prova o que afirma, não pode pretender ser tida como verdade a existência do fato alegado, para fundamentar uma solução que atenda ao pedido feito. Nos termos do Decreto n° 70.235/1972, a apresentação de prova documental deve ser feita no momento da impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 8º DO DECRETOLEI Nº 1.736, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1979 (ARTIGO 28 DO DECRETO N° 7.212/2010). Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 629 7 São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal. OBRIGAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que no exercício de sua administração praticaram os sócios gerentes ou representantes da pessoa jurídica atos com excesso de poderes ou infração de lei, tipificada estará a sua responsabilidade solidária prescrita pelo art. 135 do Código Tributário Nacional. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício, inclusive em suas formas majoradas, decorre de expressa determinação legal, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. MULTA DE OFÍCIO MAJORADA. DOLO NA PRÁTICA DA INFRAÇÃO. CABIMENTO. A falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser recolhido, percentual aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante. É considerada agravante qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a inexistência de previsão legal, há que ser indeferido o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 630 8 DCTF. MULTA. INCORREÇÕES. ORIENTAÇÕES DO PROGRAMA. Demonstrado que as DCTFs foram transmitidas conforme orientações do programa gerador de tais declarações, as quais se enquadram no art. 100 do CTN, afastase a aplicação da multa isolada por declarações incorretas ou com omissões. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A empresa METALOQUIMICA KELS, tomou ciência do Acórdão em 18/07/2016, via postal CORREIO AR (fl. 499). Em 16/08/2016 (SVA fl. 614), a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário de fls. 577/613. Todos os responsáveis solidários, foram devidamente intimados da decisão e em 15/08/2016, protocolaram os seus respectivos recursos: Marcelo Renato Kelen (fls. 501/514); o Sr. Mario Rubens Kelen (fls. 520/533); a Sra. Maria Aparecida Conceição Kelm Espólio de Lino Kelm (fls. 539/552) e o Sr. Marcio Roberto Kelen (fls. 558/571). Em seu Recurso Voluntário, a empresa METALOQUIMICA KELS, em apertada síntese, alega as seguintes razões: 1) Nulidade do Auto de Infração: aduz que a responsabilidade atribuída aos sócios deve ser afastada, uma vez que deve ser sim demonstrado pelo Fisco que houve dolo e beneficio próprio para imputação de responsabilidade. Para que um auto de infração seja sustentado deve estar veementemente de acordo com os seguintes elementos: (i) elemento pessoal sujeito responsável pelo crédito tributário ou obrigação acessória; e (ii) elemento fático referese às condutas da infração que exija dolo: excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. o que se constata é que o Fisco, incorretamente, responsabilizou os sócios sem observar a realidade dos fatos e se realmente a mesma incorreu em conduta dolosa que ocasionou o suposto ilícito. 2) Da Legalidade do Registro de Aproveitamento de Créditos de IPI Lançados no Campo "Outros Créditos" no RAIPI Inexistência de Infração Tributária: que a Lei n° 9.363/1996 instituiu em nosso ordenamento jurídico o benefício fiscal de crédito presumido do IPI incidente sobre as aquisições no mercado interno de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) empregados na fabricação de produtos a serem exportados, como forma de ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins (regulamentada pela IN SRF nº 419/2004); como se observa, o direito ao crédito presumido aplicase, inclusive, ao produto industrializado sujeito a alíquota zero e às vendas a empresa comercial exportadora (ECE), com o fim específico de exportação; salienta que a convicção da fiscalização se formou, única e exclusivamente, com base em mera declaração da Recorrente (itens 2.1.1; 2.1.2 e 2.1.3 do Relatório Fiscal) no curso do procedimento fiscal. Ocorre, que o contador responsável pela escrituração fiscal da Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 631 9 empresa nos períodos citados no AIIM não mais se encontrava trabalhando na sociedade empresária na época da fiscalização. O teor da resposta prestada pela Recorrente ao Termo de Intimação n° 02 foi decorrente de desconhecimento, naquele momento, da sistemática empreendida pelo profissional anterior. Conclui que, pelas razões acima, não restam dúvidas que os registros e conseqüente aproveitamento dos créditos de IPI no RAIPI Registro de Apuração de IPI / Quadro Demonstrativo de Créditos, sob a rubrica (Outros Créditos), originouse das operações de exportações realizadas durante os anos de 2011 e 2013, não havendo que se falar em infração tributária decorrente de aproveitamento de créditos "inexistentes"; 3) Inocorrência Hipótese Sancionatória aplicação da Multa de Ofício considerando os argumentos elencados no recurso, conclui que a Recorrente não cometeu infração alguma, vez que se aproveitou de crédito presumido de IPI oriundo das operações de exportações. Mesmo que assim não se entenda, verificase, à luz do demonstrado que a este contribuinte deve ser outorgado o benefício da dúvida, razão pela qual as multas aplicadas devem ser canceladas. 4) Da Violação ao Princípio do Não Confisco de Multa de 75% a multa aplicada de 75% e 112,50% aplicada pela violação referida no auto de infração, padece de caráter meramente confiscatório, sendo, portanto, inconstitucional. À vista de todo o exposto, requer que seja acolhido o presente recurso para, declarar a inteira nulidade do auto de infração, como medida de inteira e salutar justiça fiscal. Todos os responsáveis solidários arrolados pelo Fisco (Sr. Marcelo Renato Kelen, o Sr. Mario Rubens Kelen a Sra. Maria Aparecida Conceição Kelm Espólio de Lino Kelm e o Sr. Marcio Roberto Kelen), apresentaram os mesmos argumentos em seus recursos, quais sejam, em resumo: requerendo a nulidade do Auto de Infração; da impossibilidade de inclusão dos sócios como responsáveis; que inclusão de sócios no polo passivo no auto de infração, contém vícios que ocasionam a sua nulidade de plano; que a fiscalização, acrescentou os sócios da empresa como responsáveis solidários por supor que houve "artifício doloso (inserção de elementos inexatos em livro exigido pela lei fiscal RAIPI) com o único e inequívoco propósito de reduzir o tributo (o valor do saldo devedor do IPI a recolher)"; a inclusão como sujeito passivo de maneira solidária deve observar o artigo 135, do Código Tributário Nacional, que dispõe sobre a necessidade do administrador ter praticado atos com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto, fato que não foi provado pela fiscalização, somente descreveu que houve "artifício doloso" na escrituração dos créditos de IPI. para que um auto de infração seja sustentado deve estar veementemente de acordo com os seguintes elementos: (i) elemento pessoal sujeito responsável pelo crédito tributário ou obrigação acessória; e (ii) elemento fático referese às condutas da infração que exija dolo: excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 632 10 Por fim, requer a insubsistência e improcedência da ação fiscal, e que seja excluída as responsabilidades por vício na constituição do processo administrativo. O processo, então, foi encaminhado a este CARF, e foi distribuído para este Conselheiro dar prosseguimento ao julgamento. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. 1. Da admissibilidade dos recursos Os Recursos Voluntários são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser todos conhecidos. 2. Objeto da lide Em sua decisão, a DRJ afastou a aplicação das multas por incorreções nas DCTFs transmitidas, no montante de R$ 15.026,19, conforme item 3.1.2 do Relatório Fiscal. O que restou em discussão no recurso voluntário apresentado é a procedência do lançamento, ou seja, o creditamento de IPI, no montante de R$ 985.525,54, referente às competências de janeiro/2011 a dezembro/2013, efetuado sem amparo em documentação que pudesse justificar os valores dos créditos registrados e aproveitados no RAIPI e, ainda o arrolamento dos seus sócios como responsáveis solidários por excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto. 3. Da responsabilidade Solidária dos Sócios Considerando que os sócios responsabilizados (conforme Termos de Sujeição Passiva de fls. 284/290), apresentaram recursos de idêntico teor, atacando apenas o vínculo de responsabilidade, passaremos a análise de tais teses em conjunto, dado que a situação fática e jurídica é a mesma para todos. Argumentam os Recorrentes em seus recursos que, "(...) Ao passo que lavrou o auto de infração, a fiscalização, acrescentou os sócios da empresa como responsáveis solidários por supor que houve "artifício doloso (inserção de elementos inexatos em livro exigido pela lei fiscal RAIPI) com o único e inequívoco propósito de reduzir o tributo (o valor do saldo devedor do IPI a recolher)". "(...) Somente constar no auto de infração palavras não são suficientes para que sejam incluídos como responsáveis solidários. É cediço que a fiscalização deve respaldar suas alegações em provas cabais de que houve a pratica dos atos ilícitos tributários". Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 633 11 Pois bem. Consta dos autos que foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva, atribuída a responsabilidade solidária aos sócios administradores, conforme dispõe o art. 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010, que diz (fls. 284/290): “Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (DecretoLei no 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Isto ocorreu porque, conforme consignou o Fisco no Relatório Fiscal, que em resposta ao Termo de Intimação nº 2 (fl. 306), a Recorrente apresentou a Declaração assinada em 27/07/2015, pelo sócio e proprietário Sr. Marcelo Renato Kelen (doc. fl. 308), afirmando literalmente que “(...) não foi possível identificarmos os documentos e as origens dos lançamentos efetuados como Outros Créditos no RAIPI Registro de Apuração de IPI / Quadro Demonstrativo de Créditos, sob a rubrica (Outros Créditos), pois ocorreram substituição de pessoas responsáveis pela contabilidade da empresa em 01/06/2015 e não localizamos documentação hábil para justificar os referidos valores", deixando claro que na verdade que não existia nenhum documento hábil ou idôneo que pudesse justificar e/ou respaldar os referidos valores dos créditos registrados e aproveitados pelo sujeito passivo, configurandose, por consequência, absoluta e inquestionavelmente indevidos tais créditos, para todos os efeitos. Conclui a fiscalização, que o procedimento adotado pela Recorrente, qual seja, o registro no RAIPI com o consequente aproveitamento de crédito (inexistente) do IPI sem os necessários documentos para justificar ou respaldar os referidos valores dos créditos, constituiuse, conforme demonstrado, num artifício doloso (inserção de elementos inexatos em livro exigido pela Lei fiscal RAIPI) com o único e inequívoco propósito de reduzir o tributo (o valor do saldo devedor do IPI a recolher). Em decorrência das constatações acima apontadas, foi lavrado o Auto de Infração no montante original de R$ 985.525,54, sendo que, em razão da circunstância agravante, foram adotadas as seguintes providências fiscais adicionais: (i) majoração em 50% a multa básica de ofício de 75% passando, consequentemente, para 112,50%, conforme dispõe o art. 80, caput e § 6º inciso I da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07; e (ii) elaborada a Representação Fiscal para Fins Penais para envio ao Ministério Público Federal, com base no inciso II do art. 1º e no inciso II do art. 2º da Lei nº 8.137/90: “Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas" I (...): II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I (...). II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos;” Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 634 12 Por sua vez, conforme se verifica na cópia do Contrato Social Consolidado juntado às fls. 292/297, verificase em sua cláusula oitava que compete a todos os sócios, isolada ou conjuntamente, a administração da sociedade. Vejase: A Recorrente, no entanto, argumenta que "(...) no caso em tela, tratase de averiguar se ocorreu a conduta dolosa a permitir a inclusão do Recorrente como responsável da suposta infração tributária praticada pela empresa a qual é sócia antes de ingressálos no pólo passivo do auto de infração". Percebese que a fiscalização delimitou a responsabilidade dos sócios gerentes de maneira clara, em decorrência do não recolhimento do IPI apurado em razão da conduta de escriturar como "Outros Créditos" valores que, intimada, a Recorrente informou não saber explicar a que se referiam. Por força da Portaria RFB nº 2.284/2010, é obrigação dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil caracterizar a responsabilidade tributária nos autos de infração, quando identificarem suas hipóteses legais. Por isso, entendo correto o procedimento fiscal e a decisão recorrida, não havendo que se falar em cerceamento de defesa, dado que os motivos de fato e de direito que levaram à responsabilização dos sócios gerentes estão claramente indicados no Auto de Infração e no Relatório Fiscal, bem como a violação à lei, dado que a autoridade fiscalizadora reputou, no termo lavrado, a ocorrência, em tese, de violação à lei penal ensejadora de representação ao órgão ministerial competente. E, conclui a Recorrente aduzindo que, "(...) o que se constata é que o Fisco, incorretamente, responsabilizou os sócios sem observar a realidade dos fatos e se realmente a mesma incorreu em conduta dolosa que ocasionou o suposto ilícito". Já quanto a conduta dolosa dos sócios, entendo que a mesma restou caracterizada, a qual, embora a Recorrente seja dotada de personalidade jurídica própria, por não se tratar de pessoa natural necessariamente tem sua atuação pautada pela vontade de seus sócios administradores, razão pela qual é pertinente, como o fez a fiscalização, a tipificação nas disposições do art. 135, III, do CTN, uma vez que caracterizada a conduta ilícita dolosa de inserir créditos inexistentes no Livro Registro de Apuração do IPI, a fim de reduzir o imposto apurado. Tanto foi que, o fisco decidiu por elaborar a Representação Fiscal para Fins Penais, pois em tese, pode, implicar em violação de legislação penal. Posto isto, entendo correta a manutenção da responsabilização dos sócios administradores levada a efeito pelo Fisco, com fundamento no art. 135 do CTN e no art. 28 do Decreto n° 7.212/2010, dado que caracterizada a ocorrência de ilícito, configurado na inserção indevida de valores como "Outros Créditos" sem demonstração de documentação idônea para Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 635 13 lastreálos, incidindo em violação, em tese e dentre outros, do art. 1º, inciso II e do art. 2°, inciso II, ambos da Lei n° 8.137/1990, consoante disposto na decisão a quo. Conforme os sobreditos dispositivos do estatuto tributário material, há justificativa para a lavratura do termo de sujeição passiva, que, aliás, foi impugnado por todos os sócios arrolados e também no recurso do sujeito passivo, contribuinte da espécie tributária. Os apontados responsáveis solidários, na qualidade de sócios administradores, destacamos um dos sócios e proprietário Sr. Marcelo Renato Kelen (doc. fl. 308), quem respondeu à fiscalização, afirmando que “(...) não foi possível identificarmos os documentos e as origens dos lançamentos efetuados como Outros Créditos no RAIPI Registro de Apuração de IPI. Portanto, eles tinham plena ciência e consciência do ato praticado pela empresa sob sua gestão e devem ser mantida a imputação solidária a todos os sócios arrolados. Afastada, portanto, a nulidade suscitada, dado que não presentes as hipóteses do art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. 4. Dos Créditos de IPI Lançados no Campo "Outros Créditos" no RAIPI A Recorrente em seu recurso informa que, "(...) a Lei n° 9.363/1996 instituiu em nosso ordenamento jurídico o benefício fiscal de crédito presumido do IPI incidente sobre as aquisições no mercado interno de insumos (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem) empregados na fabricação de produtos a serem exportados, como forma de ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins (regulamentada pela IN SRF nº 419/2004)." Como pode ser verificado, a Recorrente aduz que os valores lançados como "Outros Créditos" no RAIPI referemse, em verdade, a valores apurados a título de crédito presumido em razão das exportações efetuadas pela interessada. Informa que, na época, quando Intimado pela fiscalização, não teria respondido à intimação relativa a natureza de tais valores, em razão de alteração do responsável por sua escrituração fiscal, o que a impediu de identificar a natureza do crédito. "Ocorre, que o contador responsável pela escrituração fiscal da empresa nos períodos citados no AIIM não mais se encontrava trabalhando na sociedade empresária na época da fiscalização. O teor da resposta prestada pela Recorrente ao Termo de Intimação n° 02 foi decorrente de desconhecimento, naquele momento, da sistemática empreendida pelo profissional anterior". No entanto, tanto quando de sua Impugnação como nesta fase de Recurso, tais alegações não foram acompanhadas de qualquer prova, ainda que indiciária, que pudesse corroborar a versão apresentada pela empresa. Neste contexto, subscrevo as considerações tecidas na decisão recorrida, adotandoas como razão de decidir (forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto, faço algumas adaptações. A respeito, o Decreto n° 70.235/1972 aborda a questão no seu art. 16 e parágrafos: Fl. 635DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 636 14 Art. 16. A impugnação mencionará: I (...); III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) . § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997). Grifei (...). § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. No caso sob exame, o ônus da prova de tais fatos competiria, ao contrário do que faz crer em sua defesa, à Recorrente, dado que não seria lícito atribuir à fiscalização o controle que as normas de escrituração contábil e fiscal exigem das sociedades empresárias. E, conforme legislação citada, as provas documentais deveriam ser juntadas com a impugnação, sob pena de preclusão. Muito embora tratase de Auto de Infração, por envolver a fruição de créditos de IPI, cabe à postulante o ônus da comprovação da sua existência. Tratase de postulado do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), adotado de forma subsidiária na esfera administrativotributária: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...)" Em seu recurso, alega que "a fim de regular o direito à utilização ao crédito presumido, neste sentido, a Instrução Normativa SRF n° 419/2004 assim dispõe": Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. Iº a pessoa jurídica produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. § Iº O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: 1 a produto industrializado sujeito a alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. (...) Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 637 15 Art. 18. A utilização do crédito presumido darseá: I primeiramente, pela dedução do valor do IPI devido pelas operações no mercado interno do estabelecimento matriz da pessoa jurídica; (...) Por outro lado, neste mesmo sentido a Instrução Normativa SRF n° 419/2004 estipula, que: Art. 9º A apuração do crédito presumido será efetuada com base em sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial da pessoa jurídica que permita, ao final de cada mês, a determinação das quantidades e dos valores de MP, de PI e de ME relativos à industrialização durante o período. Parágrafo único. O sistema de que trata o caput deverá permitir a identificação de MP, de PI e de ME sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (...) Art. 15. A empresa deverá manter em boa guarda as memórias de cálculo dos créditos presumidos e, se não mantiver sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, as relações de quantidades e valores de MP, de PI e de ME em estoque no final de cada período de apuração. (...) Art. 22. A pessoa jurídica produtora e exportadora que apure crédito presumido deverá apresentar trimestralmente, de forma centralizada, pela matriz, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) referente à fruição do benefício nos trimestres encerrados, respectivamente, nos meses de março, junho, setembro e dezembro, imediatamente anteriores, em que deverá constar: (...). Grifei Ou seja, a legislação de regência especificamente obriga a manutenção em boa guarda das memórias de cálculo dos créditos presumidos, bem como a entrega de Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) quando da utilização (inclusive por aproveitamento na escrita fiscal) de tais créditos, não sendo lícito à interessada alegar o desconhecimento de tais obrigações. Não obstante, foi elaborada a pesquisa no Sistema da RFB e não constam DCPs transmitidos pela interessada (fls. 474), o que não corrobora as alegações da interessada de que os valores escriturados como "Outros Créditos" são relativos a créditos presumidos regularmente utilizados. Sendo assim, cabe ao contribuinte o ônus da prova de comprovar que os valores lançados como "Outros Créditos" no RAIPI, referemse, em verdade, a valores apurados a título de crédito presumido em razão das exportações efetuadas pela interessada, a teor do previsto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Assim, de rigor a manutenção das glosas efetivadas pela fiscalização, dado que não infirmada a premissa pela qual os valores escriturados como "Outros Créditos" no RAIPI da interessada o foram de maneira indevida, com o intuito de reduzir indevidamente os Fl. 637DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 638 16 montantes devidos a título de IPI, conforme constante do Relatório Fiscal. 5. Da Hipótese sancionatória para aplicação das Multas A Recorrente aduz que em face de seus "(...) argumentos elencados no recurso, conclui que não cometeu infração alguma, vez que se aproveitou de crédito presumido de IPI oriundo das operações de exportações. Mesmo que assim não se entenda, verificase, à luz do demonstrado que a este contribuinte deve ser outorgado o benefício da dúvida, razão pela qual as multas aplicadas devem ser canceladas". Quanto ao cancelamento das multas pretendida pela Recorrente, cabe ressaltar que a cominação de uma penalidade, é matéria adstrita à reserva legal, conforme art. 97, V, do Código Tributário Nacional CTN, devendo haver em decorrência do princípio da estrita legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese legal. Com efeito, em decorrência da situação fática dos autos, conforme relatado, constatando a fiscalização que o procedimento adotado pela Recorrente do registro no RAIPI com o consequente aproveitamento de crédito (inexistente) do IPI sem os necessários documentos para justificar ou respaldar os referidos valores dos créditos, constituiuse, conforme demonstrado, num artifício doloso (inserção de elementos inexatos em livro exigido pela Lei fiscal RAIPI) com o único e inequívoco propósito de reduzir o tributo (o valor do saldo devedor do IPI a recolher). Em decorrência dessas constatações, foi lavrado o Auto de Infração com a majoração em 50% a multa básica de ofício de 75% passando, consequentemente, para 112,50%, conforme dispõe o art. 80, caput e § 6º inciso I da Lei 4.502/64, com a redação dada pelo art. 13 da Lei 11.488/07 (parágrafo 2°, do art. 44 da Lei 9.430, de 1996). Vejase que a circunstância agravante descrita no Relatório Fiscal guarda perfeita correlação com a redação do art. 558, inciso IV, do Regulamento do IPI: Art. 558. São circunstâncias agravantes (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º,alteração 18a): (...) IV qualquer circunstância, não compreendida no art. 559, que demonstre artifício doloso na prática da infração (Lei nº 4.502, de 1964, art. 68, § 1º, inciso IV, e DecretoLei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 18a); e (...) Também, ao tentar implicar que por ter respondido ao Termo de Intimação n° 02, teria demonstrado sua ausência de dolo, impedindo a aplicação das multas legalmente previstas, a contribuinte confunde institutos do direito penal, tais como a confissão enquanto causa de redução da pena, que não encontram paralelo no direito tributário. Assim, conforme já assinalado, estando a aplicação de uma penalidade submetida à reserva legal e dispondo a lei acima destacada sobre a hipótese legal aplicável ao caso, ante a situação fática retratada, sendo o atividade de lançamento vinculada e obrigatória, foi efetuado em observância às disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, sendo portanto incabível a redução ou dispensa da multa pleiteada. Portanto, correta a imposição da multa agravada. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 639 17 6. Da Violação ao Princípio do Não Confisco inconstitucionalidade A Recorrente alega que "a multa de 75% e 112,50% aplicada pela violação referida no auto de infração, padece de caráter meramente confiscatório, sendo, portanto, inconstitucional". Como se vê, a Recorrente argumenta sobre o caráter confiscatório da multa aplicada. Todavia, no que concerne aos órgãos julgadores administrativos de litígios fiscais, na área federal, estes estão jungidos à observância do contido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº. 11.941, de 2009, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, a autoridade administrativa não tem competência legal para decidir acerca de inconstitucionalidade de normas legais, matéria reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de inconstitucionalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo daquele Poder. Desta forma, tratase de matéria que, como se sabe, não pode ser apreciada no âmbito administrativo, consoante entendimento consolidado pela Súmula CARF nº 2, segundo o qual o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para a declaração de inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno (RICARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Conclusão Diante dos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, mantendose a decisão recorrida em TODOS os seus termos e fundamentos. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 639DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 640 18 Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowiz Com a devida vênia, ouso divergir do Ilustre Relator no que tange à responsabilidade tributária dos sócios da empresa autuada, conforme procurarei explicitar abaixo. No Relatório Fiscal constam as seguintes informações a respeito da atribuição da solidariedade aos sócios da empresa autuada: 3.1.1.3 – Foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva (atribuída a responsabilidade solidária aos sócios administradores), conforme dispõe o 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010, que diz: “Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (DecretoLei n. 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8) Por sua vez, os termos de sujeição passiva foram singelamente lavrados nos seguintes termos: Tendo encerrado a ação fiscal junto ao sujeito passivo INDUSTRIA METALOQUIMICA KELS LTDA. – CNPJ nº 47.362.751/000111 e constatado a situação que se enquadra na hipótese de responsabilidade solidária, lavrei o presente Termo de Sujeição Passiva, conforme segue: 1 SALDOS DEVEDORES DE IPI NÃO RECOLHIDOS => Conforme consta do item 2.1 do Relatório Fiscal da referida ação fiscal (processo digital completo em anexo), o sujeito passivo deixou de recolher débitos de IPI no montante original de R$ 985.525,54: 1.1 – O imposto foi lançado nas notas fiscais emitidas mas não foram recolhidos, razão pela qual foi lavrado este Termo, conforme determina o disposto no art. 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010), que diz: “Art. 28. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo, no período de sua administração, gestão ou representação, os acionistas controladores, e os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos tributários decorrentes do não recolhimento do imposto no prazo legal (DecretoLei no 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º).” Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 641 19 Ou seja, a autoridade fiscal entendeu por bem lavrar o auto de infração com responsabilização solidária dos Srs. MARCELO RENATO KELEN, MÁRCIO ROBERTO KELEN, MARIA APARECIDA DA CONCEIÇÃO KELM e MÁRIO RUBENS KELEN unicamente com base no artigo 28 do Decreto nº 7.212, de 15/06/2010 (RIPI/2010), que nada mais é do que a realocação do artigo 8º do DecretoLei n. 1.736/1979.1 Ambos os dispositivos previam a responsabilidade de pessoas físicas (diretores, gerentes ou sócios) pelo simples inadimplemento da obrigação tributária pela pessoa jurídica, em hialina afronta ao que dispõe o artigo 135, inciso III do Código Tributário2 Nacional, dentro do limite de competência que lhe foi conferido pelo artigo 146, inciso III da Constituição Federal. Sobre tal sorte de situação, o Poder Judiciário já se manifestou em diversas oportunidades, sendo que atualmente os recursos especiais da Fazenda Nacional tentando fazer prevalecer tais despropositados dispositivos legais com status de lei ordinária, em dissonância com a legislação complementar sobre o tema (artigo 135, inciso III do CTN) têm seus seguimentos monocraticamente negados pelos ministros do Superior Tribunal de Justiça ("STJ"). Como exemplo, destaco abaixo a recentíssima decisão3 da lavra da Ministra Regina Helena Costa, proferida no REsp 1.641.491: DECISÃO Vistos. Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL, contra acórdão prolatado, por unanimidade, pela 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, no julgamento de agravo legal em agravo de instrumento, assim ementado (fls. 115/118e): (...) Com amparo no art. 105, III, a, da Constituição da República, apontase ofensa ao art. 8º do DecretoLei n. 1.736/79, alegandose, em síntese, que a responsabilidade dos sócios, em caso de débitos relativos a IPI e ao IRRF é solidária, não havendo a necessidade de se comprovar a infração à lei; por outro lado, chegase à conclusão de que devem ser responsabilizados tanto os administradores da época do fato gerador do tributo não pago, bem como aqueles que assumiram esta condição em momento posterior. Sem contrarrazões (fl. 128e), o recurso foi admitido (fls. 132/133e). Feito breve relato, decido. 1 Art 8º São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte. 2 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 3 Data da Publicação 08/02/2017 Fl. 641DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 642 20 Por primeiro, consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 1973. Nos termos do art. 557, caput, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 34, XVIII, do Regimento Interno desta Corte, o Relator está autorizado, por meio de decisão monocrática, a negar seguimento a recurso ou a pedido manifestamente inadmissível, improcedente, prejudicado ou em confronto com súmula ou jurisprudência dominante da respectiva Corte ou Tribunal Superior. Ao tratar da aplicação do art. 8º do DecretoLei n. 1.736/79, o Tribunal de origem adotou fundamento constitucional suficiente para sustentar o acórdão recorrido, nos seguintes termos (fls. 111/114e): Como se observa, a imposição de responsabilidade tributária, com solidariedade, para além do que dispõe o artigo 135, III, do Código Tributário Nacional, configura não apenas ilegalidade, no plano infraconstitucional, o que já seria suficiente para repelir a pretensão fazendária, mas ainda violação da reserva constitucional estabelecida pelo artigo 146, III, da Constituição Federal, em favor da materialidade consagrada no Código Tributário Nacional. A alegação de que o artigo 124, II, do CTN ("São solidariamente obrigadas: (...) as pessoas expressamente designadas por lei") ampara o artigo 8º do Decretolei 1.736/1979 ("São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte") foi rejeitada pelo Supremo Tribunal Federal quando se destacou, no mesmo julgamento, que: "3. O preceito do art. 124, II, no sentido de que são solidariamente obrigadas "as pessoas expressamente designadas por lei", não autoriza o legislador a criar novos casos de responsabilidade tributária sem a observância dos requisitos exigidos pelo art. 128 do CTN, tampouco a desconsiderar as regras matrizes de responsabilidade de terceiros estabelecidas em caráter geral pelos arts. 134 e 135 do mesmo diploma. A previsão legal de solidariedade entre devedores de modo que o pagamento efetuado por um aproveite aos demais, que a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, também lhes tenha efeitos comuns e que a isenção ou remissão de crédito exonere a todos os obrigados quando não seja pessoal (art. 125 do CTN) pressupõe que a própria condição de devedor tenha sido estabelecida validamente." Assim, aplicando a jurisprudência suprema e superior, evidenciase que não é válida a solidariedade ("São Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 643 21 solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado") se a própria responsabilidade tributária, tal como prevista na lei ordinária ("pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte"), não se sustenta diante do artigo 135, III, do CTN, do qual se extrai o entendimento de que mera inadimplência no pagamento dos tributos não se insere, para efeito de redirecionamento a administradores, na hipótese normativa de "atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos". (...). Como se observa, as questões deduzidas no agravo inominado são mera reiteração do que constou das razões do agravo de instrumento,inclusive no tocante ao artigo 8o do Decretolei 1.736 /79 ("São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto sobre produtos industrializados e do imposto sobre a renda descontado na fonte"), cujo afastamento não caberia, segundo a agravante, sem observância do artigo 97 da Constituição e SV 10/STF. Todavia, não procede a tese, em específico, seja porque o conflito entre o artigo 8o do Decretolei 1.736/79 foi estabelecido em relação ao artigo 135, III, do CTN, e não com o artigo 146, III, b, da Constituição Federal, daí porque sequer necessário adentrar no juízo de inconstitucionalidade para efeito de aplicação do princípio da reserva de Plenário (artigo 97, CF), conforme tem sido decidido no âmbito, inclusive, do Superior Tribunal de Justiça (AGRESP n° 1.039.289, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJE de 05/06/2008); seja porque, ainda que se queira ampliar a discussão para o foco constitucional, a existência de precedente da Suprema Corte, firmado no RE 562.276, dispensa, nos termos do parágrafo único do artigo 481 do Código de Processo Civil, a reserva de Plenário. De fato, a questão jurídica da atribuição, por lei ordinária, de responsabilidade tributária solidária pela mera condição de sócio, contrariando os termos do art. 135, III, do CTN, é inconstitucional, conforme já declarado pelo Supremo Tribunal Federal. Ante o exposto, nego provimento ao agravo inominado. (destaques meus) Apesar disso, a matéria não foi impugnada por meio de recurso extraordinário, circunstância que atrai o óbice da Súmula n. 126 desta Corte, segundo a qual "é inadmissível recurso especial, quando o acórdão recorrido assenta em fundamentos constitucional e infraconstitucional, qualquer deles suficiente, por si só, para mantêlo, e a parte vencida não manifesta recurso extraordinário". (...) Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 644 22 Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. publiquese e intimemse. Brasília (DF), 1º de fevereiro de 2017. MINISTRA REGINA HELENA COSTA Relatora Tratase de decisão irretocável, cujo conteúdo adoto com razão de decidir no presente processo, para excluir a responsabilidade solidária dos sócios supra citados, uma vez que inexiste nos presentes autos qualquer elemento trazido pela fiscalização no sentido de que os mesmos tenham agido com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Nesse sentido, há de se aplicar o entendimento consagrado em sede de julgamento por meio de recursos repetitivos pelo E. STJ no REsp 1.101.728/SP TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do ST3 no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, ore vista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, Ia Seção, 03 de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolucão STJ 08/08. (Min. Rel. Teori Albino Zavascki; D3 23.3.2009; sem grifos no original) Portanto, entendo que os Srs. MARCELO RENATO KELEN, MÁRCIO ROBERTO KELEN, MARIA APARECIDA DA CONCEIÇÃO KELM e MÁRIO RUBENS KELEN devem ser excluídos do polo passivo do presente processo administrativo tributário. 4. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a responsabilidade solidária dos Srs. MARCELO RENATO KELEN, MÁRCIO ROBERTO KELEN, MARIA APARECIDA DA CONCEIÇÃO KELM e MÁRIO RUBENS KELEN. (assinado digitalmente) Conselheira Thais De Laurentiis Galkowiz Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10865.722012/201567 Acórdão n.º 3402004.695 S3C4T2 Fl. 645 23 Fl. 645DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.002303/2006-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2004
COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. LEI 5.764/71. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. Recursos Especiais nºs 1.164.716 e 1.141.667. Precedentes STJ.
Numero da decisão: 9303-005.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. LEI 5.764/71. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, no julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. Recursos Especiais nºs 1.164.716 e 1.141.667. Precedentes STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 03 /2 00 6- 72 Fl. 649DF CARF MF Processo nº 11060.002303/200672 Acórdão n.º 9303005.786 CSRFT3 Fl. 650 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67, e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra o acórdão nº 3201001.140, proferido pela 2º Câmara/1º Turma Ordinária da 3ª Seção de julgamento, que decidiu por unanimidade de votos em dar provimento ao Recurso da Contribuinte, reconhecendo a impossibilidade de tributação pelo PIS/COFINS dos atos cooperados praticados pela Contribuinte. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "A contribuinte supra identificada foi autuada por ter a fiscalização apontado falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e da contribuição para o Programa de Integração Social PIS/ Pasep em relação aos períodos de apuração ocorridos entre 01/01/2002 e 31/12/2004, conforme constou do Relatório da Ação Fiscal que se encontra às fls. 185 a 187 e dos Autos de Infração e seus anexos, que se encontram às fls. 156 a 182. A contribuinte apresentou as impugnações aos dois lançamentos, que se encontram às fls. 194 a 275, ambas com os mesmos argumentos de defesa, que podem ser assim resumidos: A impugnante é uma sociedade cooperativa regrada pela Lei n° 5.764, de 1971, Lei n° 4.595, de 1964 e atos normativos do Banco Central do Brasil, em especial a Resolução CMN/BACEN n° 3.321, de 2005. As sociedades cooperativas de crédito! são constituídas com a finalidade de estimular a formação de poupança e prestar assistência financeira aos associados, sem objetivo de lucro, sendo que a cobrança de taxas e demais custos dos associados são destinadas à cobertura das despesas da sociedade. O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2004 PIS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. LEI N.º 5.764∕ 71. ATO COOPERADO. TRIBUTAÇÃO. O ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por conseqüência, não há base imponível para o PIS. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 11060.002303/200672 Acórdão n.º 9303005.786 CSRFT3 Fl. 651 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/12/2004 COFINS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. LEI N.º 5.764∕ 71. ATO COOPERADO. TRIBUTAÇÃO. O ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por conseqüência, não há base imponível para a COFINS. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, requerendo que seja conhecido e provido o apelo, para reformar o r. acórdão recorrido no sentido de restabelecer o lançamento em sua integralidade. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, a Fazenda Nacional colaciona como paradigma o acórdão nº 20310414. O recurso teve seguimento nos termos do Despacho de Admissibilidade, fls. 532/533, sob o fundamento de que: "assiste razão à Recorrente quando afirma existir divergência entre a tese adotada na decisão recorrida, que entendeu que a realização de ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade, e a adota na decisão paradigma, segundo a qual as sociedades cooperativas de crédito, a partir da Emenda Constitucional de Revisão n° 1/94, sendo também instituições financeiras, devem contribuir para o PIS com base em sua receita operacional bruta, sendo irrelevante a distinção entre atos cooperados e nãocooperados". Devidamente cientificada, a Contribuinte apresentou contrarrazões. fls.540/545. É o relatório. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 11060.002303/200672 Acórdão n.º 9303005.786 CSRFT3 Fl. 652 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Com efeito, quanto esta matéria, registro meu posicionamento e desta E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme decisão consubstanciada no Acórdão nº 9303005.043, de minha Relatoria, pronunciada na sessão de julgamento de 17 de abril de 2017, a qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica: "Tratase de Auto de Infração em razão da fiscalização ter apontado falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins e da contribuição para o Programa de Integração Social — PIS/Pasep em relação aos períodos de apuração ocorridos entre 01/01/2002 e 31/12/2004. Com efeito, verifico que a Contribuinte é sociedade cooperativa regrada pela Lei nº 5.764/71 (Lei Cooperativista), Lei nº 4.595/64 e normativos do Banco Central do Brasil, em especial a Resolução CMN/BACEN nº 3.442/07, conforme se infere dos Estatutos Sociais, é uma sociedade COOPERATIVA de crédito (ou instituição financeira cooperativa), não se confundindo, todavia, com um banco ou sociedade de crédito, financiamento e investimento, com vedação expressa de utilização do vocábulo "BANCO" na denominação, nos termos do parágrafo único do art. 50 da Lei n o. 5.764, de 161271 (Lei cooperativista/reguladora). O Acórdão recorrido por unanimidade de votos cancelou a exigência fiscal por entender que ato cooperativo não gera faturamento para a sociedade. O resultado positivo decorrente desses atos pertence, proporcionalmente, a cada um dos cooperados. Inexiste, portanto, receita que possa ser titularizada pela cooperativa e, por consequência, não há base imponível para o PIS e para COFINS. Quanto esta matéria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), por meio da 1ª Seção da Corte entenderam que não são tributados pelo PIS e pela Cofins os chamados atos cooperativos. O entendimento foi tomado de forma unânime nos julgamentos dos Recursos Especiais nºs 1.164.716 e 1.141.667, na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: "RECURSO ESPECIAL Nº 1.164.716 MG (2009/02107185) VOTO VOGAL MINISTRA ASSUSETE MAGALHÃES: Fl. 652DF CARF MF Processo nº 11060.002303/200672 Acórdão n.º 9303005.786 CSRFT3 Fl. 653 5 O presente Recurso Especial, interposto pela FAZENDA NACIONAL, trata da incidência de PIS e COFINS sobre atos cooperativos típicos, definidos no art. 79 da Lei 5.764/71, nos seguintes termos: "Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais.Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria". A não incidência dos citados tributos sobre os atos cooperativos típicos tem por fundamento o supratranscrito parágrafo único do art. 79 da Lei 5.764/71. Explicase: se tais atos não implicam operação de mercado, ou contrato de compra e venda, não geram receita ou lucro, situação que impossibilita a incidência das contribuições ao PIS e da COFINS. Quanto ao tema, é certo que o Superior Tribunal de Justiça tem entendimento firmado no sentido de que sobre atos cooperativos típicos não incidem as contribuições ao PIS e COFINS: "TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COOPERATIVA. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA. PIS E COFINS. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. No caso sub judice, o Tribunal de origem, soberano na análise dos fatos e das provas, concluiu que os atos praticados pela cooperativa constituem atos não cooperados, decorrentes de contratos de prestação de serviços firmados com terceiros a serem realizados pelos seus médicos cooperados. Rever tal entendimento encontra óbice na Súmula 7/STJ. 6. Agravo Regimental não provido" (STJ, AgRg no AREsp 573.423/AL, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 16/12/2014). "DIREITO TRIBUTÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. COFINS. VIOLAÇÃO DO ART. 110 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. COOPERATIVA. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. HIERARQUIA DAS LEIS. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. ATOS COOPERATIVOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. INAPLICABILIDADE DO ART. 79 DA LEI Nº 5.764/71. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. PRECEDENTES. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 11060.002303/200672 Acórdão n.º 9303005.786 CSRFT3 Fl. 654 6 1. A alegada contrariedade ao art. 110 do Código Tributário Nacional não pode ser conhecida, uma vez que o tema regulado em tal dispositivo não foi objeto de juízo de valor por parte do Tribunal recorrido, a caracterizar a ausência de prequestionamento, circunstância processual que atrai o óbice das Súmulas 282 e 356/STF. 2. A análise de conflito entre lei complementar e lei ordinária como é o caso da revogação da LC nº 70/91 pela Medida Provisória nº 1.85810/99 é de cunho constitucional, inviabilizando a análise desse ponto por esta Corte, sob pena de usurparse da competência do Supremo Tribunal Federal. 3. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa estabelece uma relação jurídica com os seus cooperados ou com outras cooperativas, sendo esse o conceito que se extrai da interpretação do art. 79 da Lei nº 5.764/71, normativo que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, sobre os quais incide a isenção. 4. Da análise dos autos, depreendese que os atos nãocooperativos, que são aqueles praticados pela cooperativa ou por seus associados com terceiros, devem ser tributados normalmente, sendo este exatamente o caso dos autos, uma vez que os contratos firmados entre a recorrente (cooperativa) e a empresa (tomadora de serviços), não se amoldam ao conceito de atos cooperativos, caracterizandose como atos prestados a terceiros, motivo pelo qual tais operações devem ser tributadas sem o benefício isencional pleiteado na causa. 5. Recurso especial não conhecido" (STJ, REsp 1.151.573/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 24/06/2013). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SOCIEDADES COOPERATIVAS. PIS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. 1. Os embargos de declaração são meio próprios para reconhecimento de omissão do acórdão que não aferiu a existência de fundamento infraconstitucional no aresto de segundo grau. 2. Os atos cooperativos não geram faturamento ou receita para a sociedade cooperativa. Ausência de base imponível para o PIS. Nãoincidência pura e simples. Já os atos não cooperativos revestemse de nítida feição mercantil e geram receita à sociedade, razão pela qual devem ser tributados. 3. Toda a movimentação financeira das sociedades cooperativas de crédito constitui ato cooperativo. 4. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. Recurso especial provido" (STJ, EDcl nos EDcl no REsp 718.001/MG, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/05/2009). "RECURSO ESPECIAL. COFINS. LEI COMPLEMENTAR 70/91. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO PELA LEI 9.430/96. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE POR ESTA CORTE. ORIENTAÇÃO Fl. 654DF CARF MF Processo nº 11060.002303/200672 Acórdão n.º 9303005.786 CSRFT3 Fl. 655 7 FIRMADA NO JULGAMENTO DO AGRG NO RESP 728.754/SP. ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. NÃOINCIDÊNCIA. LEI 5.764/71. 1. Na assentada do dia 26.4.2006, a Primeira Seção, julgando o AgRg no REsp 728.754/SP, de relatoria da Exma. Min. Eliana Calmon, em votação unânime, deu nova interpretação à Súmula 276/STJ, para limitar sua aplicação aos casos em que se discuta a questão do regime do Imposto de Renda adotado pelas empresas prestadoras de serviços, afastando a possibilidade de este Superior Tribunal de Justiça emitir qualquer juízo de valor acerca da legitimidade da revogação da isenção prevista na Lei Complementar 70/91 pela Lei 9.430/96, à consideração de que se trata de matéria constitucional, cuja análise compete ao Supremo Tribunal Federal. 2. A Primeira Seção desta Corte, a partir do julgamento do REsp 616.219/MG, julgado em 27.10.2004, de relatoria do Ministro Luiz Fux, manifestou o entendimento de que, dos atos cooperativos típicos, praticados pelas entidades albergadas na Lei 5.764/71, não decorrem receita, ou receita bruta, ou, ainda, faturamento. 3. Recurso especial provido" (STJ, REsp 748.370/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJU de 24/05/2007). Confirmando o posicionamento desta Corte sobre o tema, podem ser citados, ainda, os seguintes precedentes, para os quais a prática de atos pela cooperativa com terceiros devem ser tributados, o que, a contrario sensu, implica afirmar que os atos tipicamente cooperativos – praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si, para a consecução dos objetivos sociais – não podem sofrer incidência de PIS e COFINS: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. COOPERATIVA DETRABALHO MÉDICO. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS. RECEITAS AUFERIDAS. PIS/COFINS. INCIDÊNCIA. SÚMULA N. 83/STJ. I A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. II É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual os atos praticados pela cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos e, portanto, estão no campo de incidência de contribuição ao PIS e à COFINS. III O recurso especial, interposto pela alínea a e/ou pela alínea c, do inciso III, do art. 105, da Constituição da República, não merece prosperar quando o acórdão recorrido encontrase em sintonia com a jurisprudência dessa Corte, a teor da Súmula n. 83/STJ. IV A Agravante não apresenta, no Fl. 655DF CARF MF Processo nº 11060.002303/200672 Acórdão n.º 9303005.786 CSRFT3 Fl. 656 8 regimental, argumentos suficientes para desconstituir a decisão agravada.V Agravo Regimental improvido" (STJ, AgRg no Ag 1.418.104/MG,Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, DJe de14/09/2015). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SOCIEDADE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. PIS/COFINS. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO CONSTITUCIONAL. REFORMA EM RECURSO ESPECIAL. INVIABILIDADE. ATO COOPERATIVO PRATICADO COM TERCEIRO NÃO ASSOCIADO. RECEITA AUFERIDA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. ENTENDIMENTO FIRMADO EM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. OBSERVÂNCIA PELAS DEMAIS INSTÂNCIAS JUDICIAIS. NECESSIDADE. 1. Não ocorre ofensa ao art. 535 do CPC, quando o Tribunal de origem dirime, fundamentadamente, as questões que lhe são submetidas, apreciando integralmente a controvérsia posta nos presentes autos. 2. O acórdão recorrido ancorouse em fundamentação eminentemente constitucional para solucionar a questão relativa à alteração da base de cálculo da COFINS e à revogação da isenção conferida por lei complementar por lei ordinária, cabendo ao Supremo Tribunal Federal, no ponto, dirimir a contenda por meio do recurso extraordinário stricto sensu já admitido na origem. 3. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o mérito da repercussão geral reconhecida no RE 598085/RJ e no RE 599362/RJ, sedimentou posicionamento no sentido de que 'Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável', concluindo ser 'tributáveis pela COFINS as receitas auferidas pelas cooperativas quando prestarem serviços a terceiros não associados (não cooperados), tornando, com isso, imperiosa a observância de tal entendimento pelas demais instâncias judiciárias, a teor dos arts. 543A e 543B do CPC. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido" (STJ, REsp 600.458/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 17/04/2015). "TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ATOS PRATICADOS COM TERCEIROS QUE GERAM RECEITA E LUCRO. ATOS NÃO COOPERATIVOS. INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. PRECEDENTES. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. Segundo orientação do Superior Tribunal de Justiça, 'os atos praticados pela cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos e, portanto, estão no campo de incidência da contribuição ao PIS e à COFINS. Ato cooperativo é aquele que a cooperativa realiza com os seus cooperados ou com outras cooperativas. Esse é o conceito que se Fl. 656DF CARF MF Processo nº 11060.002303/200672 Acórdão n.º 9303005.786 CSRFT3 Fl. 657 9 depreende do disposto no art. 79 da lei que institui o regime jurídico das sociedades cooperativas Lei nº 5.764/71 (REsp 1.192.187/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJe 17/8/10). 2. Agravo regimental não provido" (STJ, AgRg no AREsp 170.608/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 16/10/2012). Nesse contexto, correto o entendimento de que não devem incidir PIS e COFINS sobre atos cooperativos típicos, pelo que acompanho o voto proferido pelo Ministro Relator, no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o voto". Nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, é de observância obrigatória dos Conselheiros as decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça proferidas em sede de julgamento realizado nos termos dos artigos 543B e 543C. Vejamos Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 657DF CARF MF Processo nº 11060.002303/200672 Acórdão n.º 9303005.786 CSRFT3 Fl. 658 10 Fl. 658DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.910617/2011-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 10/01/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.506
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 10/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 06 17 /2 01 1- 53 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910617/201153 Acórdão n.º 3402004.506 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.751, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 10/01/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 93DF CARF MF Processo nº 16327.910617/201153 Acórdão n.º 3402004.506 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 94DF CARF MF Processo nº 16327.910617/201153 Acórdão n.º 3402004.506 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 95DF CARF MF Processo nº 16327.910617/201153 Acórdão n.º 3402004.506 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.721410/2013-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
AUTOS DE INFRAÇÃO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Os Autos de Infração encontram-se revestido das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei.
INTIMAÇÃO. PREVISÃO LEGAL.
A legislação vigente determina que as intimações devem ser endereçadas ao domicílio eleito pelo sujeito passivo. Artigo 10 do Decreto 7.574/2011.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
SÚMULA CARF nº 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO.
Em matéria previdenciária, compete à União legislar sobre normas gerais, e aos Estados-Membros somente complementá-las.
ÓRGÃOS PÚBLICOS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA. EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresas em relação aos segurados abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS), ficando sujeitos, em relação a estes, ao cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO DE JETON A CONSELHEIROS DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA.
Jeton pago a Conselheiro pela presença em sessões deliberativas de Conselho de Contribuintes, não tem natureza jurídica indenizatória quando a presença demanda a execução de atividades com natureza de prestação de serviços ao órgão deliberativo, constituindo hipótese de incidência de contribuição previdenciária.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAL DE UM TERÇO DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA.
De acordo com a jurisprudência do STJ, o adicional de 1/3 de férias detém natureza indenizatória por não se incorporar à remuneração do trabalhador para fins de aposentadoria, afastando-se, por tais razões, a incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRÊMIO POR PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA.
Somente os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da sociedade empresária, na forma da Lei nº 10.101/2000, não sofrem incidência de contribuições sociais previdenciárias.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. AIOA - CFL 30. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO.
Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo RFB, constitui infração à legislação previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2202-004.126
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito: I) Quanto ao levantamento do adicional de 1/3 de férias, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a tributação, vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias e Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que negaram provimento ao recurso nessa parte; II) Quanto ao levantamento dos jetons, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Virgílio Cansino Gil, que deram provimento ao recurso nessa parte; III) Quanto às demais infrações, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Foi designada a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada proferiu seu voto na sessão de 08/08/2017, razão pela qual o Conselheiro Waltir de Carvalho que o substitui, não participou do presente julgamento (art. 58, § 5º, do Anexo II do RICARF).
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Redatora designada
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. O Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada proferiu seu voto na sessão de 08/08/2017, razão pela qual o Conselheiro Waltir de Carvalho que o substitui, não participou do presente julgamento (art. 58, § 5º, do Anexo II do RICARF).
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Os Autos de Infração encontramse revestido das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. INTIMAÇÃO. PREVISÃO LEGAL. A legislação vigente determina que as intimações devem ser endereçadas ao domicílio eleito pelo sujeito passivo. Artigo 10 do Decreto 7.574/2011. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. SÚMULA CARF nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 14 10 /2 01 3- 17 Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.237 2 COMPETÊNCIA LEGISLATIVA DA UNIÃO. Em matéria previdenciária, compete à União legislar sobre normas gerais, e aos EstadosMembros somente complementálas. ÓRGÃOS PÚBLICOS. EQUIPARAÇÃO A EMPRESA. EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional são considerados empresas em relação aos segurados abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS), ficando sujeitos, em relação a estes, ao cumprimento das obrigações previstas na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PAGAMENTO DE JETON A CONSELHEIROS DO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INCIDÊNCIA. Jeton pago a Conselheiro pela presença em sessões deliberativas de Conselho de Contribuintes, não tem natureza jurídica indenizatória quando a presença demanda a execução de atividades com natureza de prestação de serviços ao órgão deliberativo, constituindo hipótese de incidência de contribuição previdenciária. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADICIONAL DE UM TERÇO DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. De acordo com a jurisprudência do STJ, o adicional de 1/3 de férias detém natureza indenizatória por não se incorporar à remuneração do trabalhador para fins de aposentadoria, afastandose, por tais razões, a incidência de contribuição previdenciária sobre o terço constitucional de férias. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRÊMIO POR PRODUTIVIDADE. INCIDÊNCIA. Somente os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados da sociedade empresária, na forma da Lei nº 10.101/2000, não sofrem incidência de contribuições sociais previdenciárias. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. AIOA CFL 30. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo RFB, constitui infração à legislação previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito: I) Quanto ao levantamento do adicional de 1/3 de férias, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para afastar a tributação, vencidos os Conselheiros Marco Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.238 3 Aurélio de Oliveira Barbosa, Rosy Adriane da Silva Dias e Fábia Marcília Ferreira Campêlo, que negaram provimento ao recurso nessa parte; II) Quanto ao levantamento dos jetons, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso; vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Virgílio Cansino Gil, que deram provimento ao recurso nessa parte; III) Quanto às demais infrações, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Foi designada a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias para redigir o voto vencedor. O Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada proferiu seu voto na sessão de 08/08/2017, razão pela qual o Conselheiro Waltir de Carvalho que o substitui, não participou do presente julgamento (art. 58, § 5º, do Anexo II do RICARF). (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. O Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada proferiu seu voto na sessão de 08/08/2017, razão pela qual o Conselheiro Waltir de Carvalho que o substitui, não participou do presente julgamento (art. 58, § 5º, do Anexo II do RICARF). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15504.721410/201317, em face do Acórdão nº 1657.045, julgado pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO), na sessão de julgamento de 15 de abril de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "DA AUTUAÇÃO 1. O presente processo administrativo, lavrado pela Fiscalização contra o Contribuinte empresa em epígrafe, é constituído pelos Autos de Infração (AI´s) a seguir descritos, formalizados com base nos mesmos elementos de prova: Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.239 4 • AIOP DEBCAD nº 51.030.3927: Auto de Infração de Obrigação Principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, da parte da empresa, e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos servidores não vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, e a segurados contribuintes individuais, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, no montante de R$ 92.014,97 (noventa e dois mil e quatorze reais e noventa e sete centavos), incluindo juros e multa, abrangendo o período de 01/2009 a 12/2009, consolidado em 01/03/2013; • AIOA DEBCAD nº 51.030.3935: Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado por infração ao artigo 32, inciso I da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, e artigo 225, inciso I e parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, código de fundamento legal (CFL) 30, no montante de R$ 1.717,38 (um mil e setecentos e dezessete reais e trinta e oito centavos), abrangendo o período de 01/2009 a 12/2009, consolidado em 01/03/2013. 1.1. O Relatório Fiscal de fls. 15 a 26, comum aos dois Autos de Infração, informa, em síntese, que: 1.1.1 O procedimento fiscal teve início com o Termo de Início de Procedimento Fiscal cuja ciência se deu, pessoalmente, em 21/05/2012; 1.1.2 O “Tópico III – Das Requisições de Documentos e Informações (DOC. 01)” do Relatório Fiscal apresenta todo o histórico dos termos de intimação e ciência e documentos, solicitados pela Fiscalização, bem como os ofícios e documentos apresentados pelo Contribuinte; 1.1.3 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 1.1.3.1 Rubricas da Folha de Pagamento não Consideradas como Base de Cálculo, não Declaradas em GFIP e Pagas a Servidores não Vinculados a Regime Próprio de Previdência Social, Ocupantes de Cargo de Recrutamento, e a Agentes Políticos • A Fiscalizada deixou de considerar como base de cálculo em sua Folha de Pagamento as seguintes verbas de natureza remuneratória, pagas a servidores ocupantes de cargo de recrutamento amplo e a agentes políticos: 0399 – Prêmio por produtividade, levantamento PP; 0187 – Acerto Décimo Terceiro Salário, levantamento DA; Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.240 5 0152 – Gratificação de 1/3 Férias Regulamentares, levantamento GR. 1.1.3.2 Pessoas Físicas – Contribuinte Individuais, Cujas Remunerações não Foram Consideradas como Base de Cálculo e não Foram Declaradas em GFIP • Foram identificados pagamentos a pessoas físicas com o código 0081 – Jetons; • Quando intimado, o Contribuinte informou que “o pagamento de Jetons, que é a retribuição pecuniária devida aos membros do Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais, por sessão a que comparecerem, está disciplinado pelo Decreto 44.451/2007”; • A Fiscalização apurou, então os valores dos jetons, pagos a pessoas físicas enquadradas como contribuintes individuais (membros do Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais), demonstrados no Anexo 1, como base de cálculo, levantamento JT; 1.1.4 A Fiscalizada elaborou a folha de pagamento do período fiscalizado no CNPJ do estabelecimento 18.715.615/000160, incluindo os servidores ocupantes de cargo de recrutamento amplo, agentes políticos e parte dos contribuintes individuais (categoria 13). Entretanto, nos estabelecimentos 18.715.615/001999, 18.715.615/002103, 18.715.615/002294, 18.715.615/002375, 18.715.615/002618, 18.715.615/002707 e 18.715.615/002880, efetuou pagamento a contribuintes individuais, emitiu as respectivas GFIPs, efetuou os recolhimentos previdenciários devidos mas deixou de incluir tais segurados obrigatórios da Previdência Social, vinculados ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, em sua respectiva folha de pagamento. Deste modo, foi lavrado o Auto de Infração DEBCAD nº 51.030.3935. 1.1.4.1 O Tópico 9.3 do Relatório Fiscal informa a legislação da infração e da multa aplicada; 1.1.5 Os elementos que serviram de base para a constituição do crédito tributário foram: as Folhas de Pagamento e a Execução Orçamentária da Despesa, dos exercícios 2008 e 2009, entregues em meio digital; os atos de posse/dispensa para os cargos de recrutamento amplo; os atos de efetivação dos servidores detentores de função pública; os atos de nomeação dos servidores empossados em cargos efetivos; as GFIP´s; e os Relatórios Analíticos de Vantagens e Descontos (anos de 2008/2009); 1.1.6 Foram lavrados, ainda, os Autos de Infração DEBCAD´s 37.334.5763 e 37.334.5771, integrantes do processo administrativo nº 15504.721409/201392; Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.241 6 1.1.7 Os procedimentos de auditoria foram acompanhados pelos servidores Marize Maria Gabriel de Almeida Pereira da Cunha, e José Henrique Righi Rodrigues, aos quais foram prestados todos os esclarecimentos necessários. 1.2 Integram o presente processo administrativo: Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fl. 02); IPC – Instruções para o Contribuinte (fls. 13/14); Relatório de Vínculos (fl. 27); DOC. 01 – Termos Emitidos, Pedidos de Prorrogação de Prazo Apresentados pelo Sujeito Passivo e Informações Prestadas em Atendimento às Requisições Constantes dos Termos Emitidos na Auditoria Fiscal (fls. 28/910); udoDOC. 02 – Devolução de Cópias de Documentos Recebidos pela RFB no Curso da Auditoria Fiscal (fls. 911/915); DOC. 03 – Recibos de Arquivos Digitais (fls. 916/937); TEPF – Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (fl. 945); Telas de Extrato do Devedor (fls. 946/1.068); Tela de Dados dos Governadores (fls. 1.069/1.072). 1.3 Além do Relatório Fiscal, integram os Autos de Infração (fls. 03, 12) os seguintes documentos: DD – Discriminativos do Débito (fls. 04/09); FLD – Fundamentos Legais do Débito (fls. 10/11); DOC. 04 –Anexos do Relatório Fiscal – Planilhas Demonstrativas da Apuração do Crédito Previdenciário Lançado (fls. 938/944). 1.4 A Fiscalização também fez juntada dos documentos de identidade dos representantes legais e contadores (fls. 1.073/1.087). DAS IMPUGNAÇÕES 2. Tendo sido efetuada a ciência dos Autos de Infração em 11/03/2013, conforme AR´s – Avisos de Recebimento de fls. 1.089/1.090, o Estado de Minas Gerais, por intermédio do Procurador do Estado, em 10/04/2013, tempestivamente, a teor do despacho de fl. 1.136: • a impugnação de fls. 1.092/1.112, contra o AI DEBCAD 51.030.3927, com juntada da Resolução AGE nº 112, de 12/04/2004, fl. 1.113; • a impugnação de fls. 1.114/1.134, contra o AI DEBCAD 51.030.3935, com juntada da Resolução AGE nº 112, de 12/04/2004, fl. 1.135. 2.1 As alegações apresentadas são, basicamente, as mesmas, cabendo observar que o Sujeito Passivo destaca, em relação ao AI DEBCAD 51.030.3935, que “não sendo exigível a obrigação principal, também não é a obrigação acessória”. Preliminarmente Nulidade da Intimação 2.2 A intimação foi realizada ao Secretário de Estado responsável pela Pasta, entretanto a Secretaria de Estado não Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.242 7 tem personalidade jurídica própria. O Estado de Minas Gerais é que é dotado de personalidade jurídica, sendo representado pelo AdvogadoGeral do Estado nos termos do artigo 128 da Constituição do Estado de Minas Gerais, a quem a intimação deveria ter sido direcionada. 2.3 Afirma que a exigência da intimação pessoal do Advogado Geral Do Estado decorre do artigo 23, inciso I, do Decreto 70235/72. 2.4 Assim, deve ser declarada nula a intimação, e procedida a intimação na pessoa do AdvogadoGeral do Estado de Minas Gerais. Se diverso o entendimento, as futuras intimações deverão também ser encaminhadas a ele. Acordo Judicial – Parcelamento de Débito – Impossibilidade de Exigência por Meio Deste Lançamento 2.5 A Impugnante alega que em relação às contribuições de servidores ocupantes de cargo em comissão, de recrutamento amplo ou de contrato temporário, ou seja, servidores não efetivos, existe Acordo Judicial entre o Estado de Minas Gerais e a União, nos autos do Recurso Especial nº 1.135.162, em cujas cláusulas há previsão de pagamento dos débitos em parcelas, conforme Lei nº 11941/2009, além do decote do período decaído. 2.6 No mesmo acordo há previsão expressa de encerramento desse feito administrativo. O Estado de Minas Gerais tem peticionado neste sentido em todos os processos administrativos. Referido Acordo e a decisão que o homologou no STJ seguem em anexo. 2.7 Conforme anexos, o referido débito foi indicado ao parcelamento e está sendo pago efetivamente. 2.8 Portanto, deve ser extinto o lançamento fiscal relativo ao Auto de Infração DEBCAD 51.030.3927. Perícia 2.9 Requer a realização de perícia contábil para aferição dos valores lançados, nos termos do artigo 16, IV, do Decreto nº 70235/72. 2.10 Alega que a produção de prova pericial é indispensável por envolver interesses e recursos públicos, e pelos princípio da indisponibilidade do interesse público, e do contraditório e ampla defesa. Reproduz eminente jurista. 2.11 Formula os quesitos a serem respondidos (fls. 1.095/1.096 e 1.117/1/118), requer a produção de quesitos suplementares e indica como assistente técnico o Sr. João Alberto Visoto, brasileiro, servidor público do Estado de Minas Gerais, com endereço à Av. Afonso Pena, nº 1901, 3º andar, Bairro Funcionário, Belo Horizonte/MG. Mérito Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.243 8 Do Erro na Composição da Base de Cálculo das Contribuições Previdenciárias 2.12 Transcreve as alíneas “d” e “h”, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei nº 8212/91, cita as alíneas “c” e “f” do mesmo dispositivo legal, e alega que devem ser retificados os valores apurados, a fim de serem excluídas as parcelas de natureza indenizatória, que não compõem a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 2.13 Alega que desde 1988, nos termos do artigo 149, parágrafo 1º, da CF/88, o Estado tem competência para reger a disciplina previdenciária de seus servidores, nos quais se incluem os designados para o exercício de função pública, regidos pela Lei 10.254/90, que instituiu o regime jurídico único no Estado de Minas Gerais. Transcreve os artigos 1º e 4º da referida lei, bem como os artigos 1º, parágrafo 1º, 4º e 15 do Decreto Estadual nº 31930/90. 2.14 Aduz que aos servidores não efetivos aplicamse os dispositivos da Lei Estadual 869/52, do Decreto Estadual 31.930/90 e da Lei 9.380/86, em cujos artigos prevêem os benefícios previdenciários aos servidores estaduais, incluindo aposentadoria nas diversas modalidades e pensão aos seus dependentes. 2.15 Assim, existia o RPPS para os servidores não efetivos, o que afasta a competência da RFB para questionálo em face do princípio constitucional da paridade federativa entre os entes federados (CF, art. 19, II). Tratase de aplicação do disposto no art. 13 da Lei 8.212/91. 2.16 Cita o artigo 12 da Orientação Normativa nº 2, de 31/03/2009, do Ministério da Previdência Social, e destaca que estes servidores continuam vinculados ao Regime Próprio. 2.17 Argumenta que após a Emenda Constitucional 49, de 13/06/2001, os servidores públicos estaduais detentores de função pública passaram a ter os mesmos direitos inerentes ao exercício do cargo efetivo. Reproduz os artigos 105 a 108 do Ato das Disposições Transitórias da Constituição do Estado de Minas Gerais de 1989 inseridos na EC 49. 2.18 Conclui que ainda que antes da EC 49/01, os detentores de função pública fossem considerados não efetivos, após referida emenda passaram a ter os mesmos direitos dos servidores que titularizam cargo efetivo, o que significa que passaram a pertencer (se já não pertenciam) ao regime próprio de previdência dos servidores do Estado de Minas Gerais, competindo a esse ente federativo arrecadar contribuições e efetuar o pagamento dos benefícios previdenciários em relação a estes servidores. 2.19 Destaca que a EC 49/01 foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI/STF 2578/MG, cujo resultado foi o Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.244 9 seu não conhecimento. Cita trecho do voto do Ministro Celso de Mello. 2.20 Diz que as normas de regência dos detentores de função pública no âmbito do Poder Executivo estadual é a Lei 10.254/90 e no âmbito do Poder Legislativo estadual é a Resolução AL EMG 463/90, sendo que reconhecem o regime previdenciário nos mesmos moldes dos demais servidores titulares de cargo efetivo. Não foi a EC 49/01 que disciplinou a situação de tais servidores, mas as normas editadas desde 1990, tendo a citada emenda fortalecido o entendimento já consagrado na federação brasileira. 2.21 Argumenta que a Lei Complementar nº 100/2007 também consagra a aplicação do Regime de Previdência Próprio do Estado aos ocupantes de função pública permanente, dandolhes tratamento previdenciário idêntico aos ocupantes de cargo efetivo. 2.22 Informa que estas circunstâncias foram reconhecidas no Acordo Judicial celebrado nos autos do Recurso Especial nº 1.135.162 entre o Estado de Minas Gerais e a União, onde a União e o INSS reconheceram expressamente que os servidores efetivados nos termos da legislação mineira, especialmente os referidos na Lc 100/2007, estão vinculados ao Regime Próprio do Estado, não sendo devidas as contribuições ao RGPS. 2.23 Assim, falece competência à Receita Federal do Brasil para cobrar contribuições previdenciárias dos servidores estaduais não efetivos. Argumento de Natureza Tributária – Capacidade Estadual para Instituir Tributo – Ausência de Competência da União para Tributar 2.25 Apoiandose no parágrafo 1º, do artigo 149, e parágrafo 1º, do artigo 195, ambos da Constituição Federal, bem como artigos 12 e 15 da Lei nº 8212/91, alega que o tributo em tela – contribuição previdenciária dos servidores públicos não efetivos – não foi instituído pela União, falecendo à mesma capacidade para cobralo. Destaca que inexistindo amparo para o crédito principal, também não há amparo para se exigir que o Estado cumpra com as obrigações acessórias decorrentes do principal. Do Direito aos Servidores não Efetivos a Permanecerem Vinculados ao RPPS após o Advento da EC 20/98 2.26 Argumenta que até 1998 a Constituição Federal nada mencionou sobre o custeio da aposentadoria dos servidores estaduais, distritais e municipais. Somente com a EC 20/98, previuse o caráter contributivo do regime de previdência dos servidores estaduais e exigiuse o requisito de tempo de contribuição para a concessão da aposentadoria. Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.245 10 2.27 Assim, não há que se falar em contribuição de servidores públicos estaduais de qualquer categoria vinculados ao Estado de Minas Gerais, para custeio de aposentadoria antes da EC 20/98. Conclusão 3. Requer o recebimento da impugnação para suspender a exigibilidade do crédito tributário, o acolhimento das preliminares e dos fundamentos de mérito, com a improcedência do lançamento. 3.1 Ressalta a necessidade de intimação pessoal do Advogado Geral do Estado de todos os atos do processo, a nulidade do AI em virtude do acordo judicial, e a necessária realização de perícia." A 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) entendeu por manter o crédito tributário exigido. Inconformado, o contribuinte apresentou dois Recursos Voluntários, um em relação ao DEBCAD n° 51.030.3935, às fls. 1196/1213 e outro, às fls. 1216/1233, em relação ao DEBCAD n° 51.030.3927, onde reitera as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator Conforme relatado, o contribuinte apresentou dois Recursos Voluntários, um em relação ao DEBCAD n° 51.030.3935, às fls. 1196/1213 e outro, às fls. 1216/1233, em relação ao DEBCAD n° 51.030.3927, os quais serão analisados em conjunto, como se um só fosse. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. PRELIMINARES 1. Nulidade de intimação O contribuinte alega nulidade de intimação, todavia, diante da apresentação tempestiva do presente recurso pelo sujeito passivo, entendo por superada tal questão. Ademais, a legislação vigente determina que as intimações devem ser endereçadas ao domicílio eleito pelo sujeito passivo, conforme artigo 10 do Decreto 7.574/2011. Diante disso, rejeito a preliminar suscitada. 2. Nulidade da autuação Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.246 11 Argumenta o contribuinte a nulidade da autuação, por ela não ser precisa e exata, de modo a oferecer a condições de defesa. Assim, refere que a mesma foi imprecisa, vaga e exagerada, colocando o contribuinte em desvantagem exagerada, constituindose em arbítrio estatal. Pela análise dos autos, não verifico que os autos de infração ora impugnados sejam imprecisos, vagos e/ou exagerados. Tampouco haveria nulidade do acórdão, que segundo o contribuinte teria deixado de analisar tal questão, consoante se verifica em trecho do voto, do o qual acompanho neste tocante, que segue abaixo reproduzido: "Nulidade. Inocorrência 5.16 Pelo exposto, em relação ao Auto de Infração de Obrigação Principal DEBCAD nº 51.030.3927, os atos administrativos nele consubstanciados possuem motivo legal, tendo sido praticados em conformidade ao legalmente estipulado, e estando os seus fundamentos legais discriminados no Relatório Fiscal, de fls. 15 a 26, e no anexo “FLD – Fundamentos Legais do Débito”, de fls. 10 a 11, onde consta toda a legislação que embasa os lançamentos, por rubrica e por competência. 5.17 Possui também motivo de fato, tendo havido, pela Fiscalização, a verificação concreta da situação fática para a qual a lei previu o cabimento do ato, sendo que o Relatório Fiscal e anexos possibilitam a compreensão da origem das exigências lançadas. 5.18 Quanto ao AI DEBCAD nº 51.030.3935, lavrado por descumprimento de obrigação acessória, ao constatar a ocorrência de infração à legislação da Seguridade Social, o Auditor Fiscal cumpriu com o dever de lavrar o competente termo – Auto de Infração de Obrigação Acessória – nele consignando: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula, possuindo, também, os elementos essenciais para se reputar válido. 5.19 Ante o exposto, os Autos de Infração em tela encontramse revestidos das formalidades legais, estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457, de 16/03/2007, e no artigo 293 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3048/99, tendo sido formulados de modo que a Autuada tivesse pleno conhecimento de seu conteúdo, para que pudesse exercer seu direito à ampla defesa, observados os princípios da motivação e da legalidade dos atos administrativos. 5.20 Portanto, não se verifica nulidade nas exigências de que trata o presente processo nº 15504.721410/201317." Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.247 12 Assim, verifico que os Autos de Infração encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando, assim, adequada motivação jurídica e fática, bem como os pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigidos nos termos da Lei. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Ademais, não houve qualquer forma de cerceamento de defesa, pois presente nos autos de infração todos elementos para que o contribuinte pudesse impugnar o lançamento. Portanto, rejeito a referida preliminar de nulidade. 3. Acordo judicial realizado no Recurso Especial nº 1.135.162 A contribuinte reitera em recurso voluntário a alegação de que em relação às contribuições de servidores ocupantes de cargo em comissão, de recrutamento amplo ou de contrato temporário, ou seja, servidores não efetivos, existe Acordo Judicial entre o Estado de Minas Gerais e a União, nos autos do Recurso Especial nº 1.135.162, em cujas cláusulas há previsão de pagamento dos débitos em parcelas, conforme Lei nº 11941/2009, além do desconto do período decaído. Afirma que no mesmo acordo há previsão expressa de encerramento desse feito administrativo, e que o referido Acordo, e a decisão que o homologou no STJ, está sendo pago efetivamente. A DRJ de origem, ao apreciar o referido argumento, assim se pronunciou: "5.9 Inicialmente, cumpre destacar que não foi anexado às impugnações o referido Acordo, nem quaisquer peças processuais. 5.10 Entretanto, a Fiscalização fez juntada, às fls. 660/665, da Petição de Acordo formulada pelo Estado de Minas Gerais, a União e o INSS, protocolada em 09/07/2010. 5.11 Na referida petição o Estado de Minas Gerais, incluindo suas autarquias e fundações públicas, reconheceu que os servidores listados à fl. 668, dentre eles os servidores detentores exclusivamente de cargo em comissão, declarado em lei de livre nomeação e exoneração, são contribuintes do Regime Geral da Previdência Social desde a promulgação da Emenda Constitucional nº 20/1998. Consequentemente, a União é credora de todas as contribuições previdenciárias relativamente a estes servidores, observada a decadência e prescrição, nos termos da Súmula Vinculante nº 08 do STF. 5.12 Com efeito, pelo que se verifica da movimentação do RESP, nesses mesmos autos foi homologada a Transação entre o Estado de Minas Gerais, a União e o INSS, nos seguintes termos: Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.248 13 Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.249 14 5.13 Como os presentes autos versam acerca das contribuições devidas ao Regime Geral de Previdência Social, tendo como servidores ocupantes de cargo de recrutamento amplo e a agentes políticos, e já tendo o Estado de Minas Gerais, autarquias e fundações, reconhecido a filiação destes ao regime geral, deve ser mantida a autuação. 5.14 Além disso, reforcese que em consulta aos sistemas informatizados da RFB, confirmase que os segurados alcançados pelos levantamentos PP, GR, DA (Anexos II a IV DOC. 04), foram todos informados como segurados obrigatórios Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.250 15 na GFIP pelo próprio Contribuinte no código “20 Servidor Público ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão, Servidor Público ocupante de cargo temporário”. Ou seja, resta comprovado que são filiados do RGPS. 5.15 Finalmente, no que se refere à alegação de que os lançamentos de crédito em análise, AI´s DEBCAD´s 51.030.392 7 e 51.030.3935 foram objeto de parcelamento da Lei nº 11941/2009, cumpre salientar que: 5.15.1 Em nenhum momento a Impugnante informa que desistiu das impugnações apresentadas; 5.15.2 Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as diferenças entre as Bases de Cálculo declaradas nas Folhas de Pagamento e as declaradas nas GFIP´s, bem como Jetons pagos aos membros do Conselho de Contribuintes, ou seja, fatos geradores não declarados em GFIP." Compartilho do entendimento da DRJ de origem, acima reproduzidos, pelos próprios fundamentos. Ocorre que, consoante referido, os presentes autos versam acerca das contribuições devidas ao Regime Geral de Previdência Social, tendo como servidores ocupantes de cargo de recrutamento amplo e a agentes políticos, e já tendo o Estado de Minas Gerais, autarquias e fundações, reconhecido a filiação destes ao regime geral, não há como afastar o lançamento por força do referido acordo judicial. Prova pericial Preliminarmente, no que concerne à produção de prova pericial é oportuno ressaltar que o art. 18 do Decreto n.° 70.235, de 1972, com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 1993, permite a autoridade julgadora indeferir a perícia eventualmente solicitada, quando entendêla prescindível, sem que se configure tal fato cerceamento do direito de defesa. A perícia revestese das características de atividade de apoio ao julgamento e serve à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa. Reservase a perícia à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para o deslinde de questão controversa, não se justificando a sua realização quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Desse modo, descabe o pedido de realização de prova pericial, uma vez que não há necessidade de conhecimentos específicos e os documentos contábeis necessários para demonstrar as alegações da defesa devem ser apresentados pela contribuinte Ademais, cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Logo, deveria o contribuinte, se assim entendesse, apresentar aos autos laudo pericial para análise, o que não o fez. Diante do exposto, rejeito a preliminar suscitada. MÉRITO Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.251 16 Ao tratar dos lançamentos referentes a rubricas da folha de pagamento, que a Fiscalização entendeu como tributáveis (levantamentos PP, DA e GR, além dos jetons – levantamento JT), o Contribuinte aduz que foram incluídas verbas que não poderiam compor a base de cálculo, a teor do disposto no parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei nº 8212/91. Remuneração Paga a Servidores Ocupantes de Cargo de Recrutamento. Da Sujeição dos Servidores Não Efetivos ao Regime Geral da Previdência Social RGPS O contribuinte alega que no exercício da competência atribuída pela Constituição Federal, legislou acerca do regime previdenciário de seus servidores, efetivos ou não. Alega, ainda, que as leis estaduais são suficientes para incluir os servidores não efetivos e aqueles que se tornaram efetivos em razão de emenda à constituição estadual no Regime Próprio do Estado. Entretanto, não merecem guarida estas alegações, como restará demonstrado. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37, dispõe: Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) II a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; (...) Art. 40. Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (...) § 12 Além do disposto neste artigo, o regime de previdência dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) (...) § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.252 17 se o regime geral de previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) (...) § 20. Fica vedada a existência de mais de um regime próprio de previdência social para os servidores titulares de cargos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do respectivo regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 142, § 3º, X. Nos termos do texto constitucional, aos Estados é concedida a possibilidade de criação de Regime Próprio de Previdência com alcance expressamente limitado aos servidores ocupantes de cargos efetivos, excluindose, portanto, todos os ocupantes de cargos em comissão (§ 13 do art. 40), os não efetivos e os celetistas. E conforme as disposições contidas no artigo 24, inciso XII da Constituição Federal, a autonomia para legislar sobre previdência social conferida aos Estados e Municípios encontra limites nas normas gerais baixadas pela União. Assim, partindose da premissa constitucional, temse que a CF/88, complementada por suas emendas constitucionais, atribuiu aos entes da federação a competência para legislar em matéria previdenciária, limitando, entretanto, tal competência às diretrizes estabelecidas pelo próprio texto constitucional e legislação Federal específica. A Lei n° 8.212/91 que trata do custeio da Seguridade Social estabelece: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) g) o servidor público ocupante de cargo em comissão, sem vínculo efetivo com a União, Autarquias, inclusive em regime especial, e Fundações Públicas Federais; (…) Art. 13. O servidor civil ocupante de cargo efetivo ou o militar da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, bem como o das respectivas autarquias e fundações, são excluídos do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta Lei, desde que amparados por regime próprio de previdência social. (Redação dada pela Lei nº9.876, de 1999). Ou seja, nos termos da Lei Federal, a exclusão do servidor público, do RGPS, desde que existente um regime próprio, está limitada aos servidores ocupantes de cargo efetivo, não restando margem à disposições em contrário por lei estadual. No que diz respeito às alegações no sentido de que com a Emenda Constitucional Estadual n° 49/01 os detentores de função pública passaram a ter os mesmos direitos dos servidores ocupantes de cargo efetivo e, portanto, passaram a compor o RPPS, não merecem prosperar. Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.253 18 A Constituição Federal, em seu art. 37, II, é expressa no sentido de que somente mediante aprovação em concurso público alguém poderá ser investido em cargo ou emprego público. Assim, ainda que a Constituição Estadual preveja, mediante Emenda Constitucional, a efetivação de determinados servidores, seria necessária a comprovação pela Impugnante da realização de concurso público e posterior aprovação daqueles que se pretende efetivar. No caso em tela, entretanto, a Impugnante não comprovou que os servidores entendidos por ela como efetivados via EC n° 49/01 tenham sido submetidos a concurso nos moldes da CF/88. E diante da ausência de comprovação de que os servidores ocupantes de Cargos em Comissão de Recrutamento Amplo são efetivos, tornase desnecessária a análise da legislação estadual com vistas à constatação da existência de RPPS no Estado de Minas Gerais e do início de sua vigência, porque a já é suficiente para concluir pela obrigatoriedade de filiação ao RGPS. Prêmio por produtividade Levantamento PP 5.35 A única hipótese em que os valores pagos a empregados a título de participação nos lucros ou resultados (PLR) deixam de sofrer a incidência de contribuições sociais previdenciárias é a prevista na alínea “j”, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/1991, ou seja, quando tais valores são pagos/creditados de acordo com a lei específica, no caso, a Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Verificase na legislação estadual pertinente, citada no Relatório Fiscal: Constituição Estadual Art. 14 Administração pública direta é a que compete a órgão de qualquer dos Poderes do Estado. § 10 A autonomia gerencial, orçamentária e financeira dos órgãos e das entidades da administração direta e indireta poderá ser ampliada mediante instrumento específico que tenha por objetivo a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade.(Parágrafo acrescentado pelo art. 2º da Emenda à Constituição nº 49, de 13/6/2001.)(Vide Lei nº 15.275, de 31/7/2004.)(Parágrafo regulamentado pela Lei nº 17600, de 1/7/2008.) § 11 A lei disporá sobre a natureza jurídica do instrumento a que se refere o § 10 deste artigo e, entre outros requisitos, sobre: Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.254 19 I o seu prazo de duração; II o controle e o critério de avaliação de desempenho; III os direitos, as obrigações e as responsabilidades dos dirigentes; IV a remuneração do pessoal; V alteração do quantitativo e da distribuição dos cargos de provimento em comissão e das funções gratificadas, observados os valores de retribuição correspondentes e desde que não altere as unidades orgânicas estabelecidas em lei e não acarrete aumento de despesa.(Inciso acrescentado pelo art. 1º da Emenda à Constituição nº 57, de 15/7/2003.)(Parágrafo acrescentado pelo art. 2º da Emenda à Constituição nº 49, de 13/6/2001.)(Parágrafo regulamentado pela Lei nº 17.600, de 1/7/2008.) Lei Estadual 17.600, de 2008 CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º Esta Lei disciplina o Acordo de Resultados e a autonomia gerencial, orçamentária e financeira previstos nos §§ 10 e 11 do art. 14 da Constituição do Estado e a concessão do Prêmio por Produtividade, no âmbito da administração direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo do Estado. Art. 2º Para os fins desta Lei, entendese por: I Acordo de Resultados o instrumento de contratualização de resultados celebrado entre dirigentes de órgãos e entidades do Poder Executivo e as autoridades que sobre eles tenham poder hierárquico ou de supervisão; II acordante o órgão, a entidade ou a unidade administrativa do Poder Executivo hierarquicamente superior ao acordado, responsável pelo acompanhamento, pela avaliação e pelo controle dos resultados e, no que couber, pelo provimento dos recursos e meios necessários ao atingi mento das metas pactuadas no Acordo de Resultados; III acordado o órgão, a entidade ou a unidade administrativa do Poder Executivo hierarquicamente subordinado ou vinculado ao acordante, comprometido com a obtenção dos resultados pactuados e responsável pela execução das ações e medidas necessárias para sua obtenção; IV interveniente o órgão, a entidade ou a unidade administrativa signatário do Acordo de Resultados responsável pelo suporte necessário ao acordante ou ao acordado, para o cumprimento das metas estabelecidas; V período avaliatório o intervalo de tempo concedido ao acordado para o cumprimento de um conjunto predefinido de metas e ações, pelo qual será avaliado ao final do período; Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.255 20 VI desempenho grau de cumprimento, objetivamente aferido, das ações propostas, de atingimento das metas estabelecidas e de obtenção dos resultados pactuados, em um período avaliatório predeterminado; VII indicador a medida, relativa ou absoluta, utilizada para mensurar a eficiência, a eficácia e aefetividade do desempenho do acordado; VIII meta o nível desejado de desempenho para cada indicador, em um determinado período, definida de formaobjetiva e quantificável; IX Avaliação de Desempenho institucional o processo de apuração do grau de obtenção dos resultados pactuados no Acordo de Resultados, realizada por Comissão de Acompanhamento e Avaliação, nos termos desta lei e do seu regulamento; e X período de referência o intervalo de tempo adotado como base de cálculo do montante a ser distribuído, a título de Prêmio por Produtividade, para o órgão ou a entidade que cumprir os requisitos legais. §1º O início e o término do período avaliatório de que trata o inciso v ocorrerão no mesmo exercício financeiro. §2° Cada período de referência de que trata o inciso x corresponderá, no mínimo, a um período avaliatório e, no máximo, aos períodos avaliatórios de um dado exercício financeiro. (...) Art. 4° são objetivos fundamentais do Acordo de Resultados: I viabilizar a estratégia de governo, por meio de mecanismos de incentivo e gestão por resultados; II alinhar o planejamento e as ações do acordado com o planejamento estratégico do governo, com as políticas públicas instituídas e com os programas governamentais; [...] IV melhorar a utilização dos recursos públicos; V dar transparência às ações das instituições públicas envolvidas e facilitar o controle social sobre a atividade administrativa estadual; e VI estimular, valorizar e destacar servidores, dirigentes e órgãos ou entidades que cumpram suas metas e atinjam os resultados previstos. (...) Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.256 21 Art. 24. Farão jus ao Prêmio por Produtividade os servidores em atividade, ocupantes de cargo de provimento efetivo ou de provimento em comissão ou detentores de função pública de que trata a Lei nº 10.254, de 20 de julho de 1990, inclusive os dirigentes de órgãos e entidades e seus respectivos adjuntos e vices, que no período de referência estiveram em efetivo exercício, nos termos de ato formal, em órgão ou entidade com Acordo de Resultados vigente, por período mínimo definido em regulamento: (Caput com redação dada pelo art. 30 da Lei n° 19.553, de 9/8/2011.) I esteve em efetivo exercício, nos termos de ato formal, por período mínimo definido em regulamento; e II (Revogado pelo art. 8o da Lei n° 18.017, de 8/1/2009.) § 1° Não fará jus ao Prêmio por Produtividade o servidor designado para o exercício de função pública de que trata o art. 10 da Lei n° 10.254, de 20 de julho de 1990. § 2º A forma de cálculo do valor do Prêmio por Produtividade a ser percebido por cada servidor será definida em decreto e considerará, no mínimo: I o resultado obtido na avaliação de produtividade por equipe, nos termos definidos em decreto; II (Vetado); III os dias efetivamente trabalhados durante o período de referência. (...) Art. 25. O Prêmio por produtividade poderá ser pago com recursos provenientes da receita corrente líquida, nos termos da Seção II deste Capítulo, ou da ampliação real de receitas, nos termos da Seção III deste Capítulo. Portanto, em conformidade com a análise promovida pela Fiscalização, o prêmio por produtividade é um valor acrescido à remuneração do servidor, vinculado a fator de ordem pessoal, pelo trabalho, concedido em caráter habitual, vez que é prorrogável nos termos estabelecidos em lei. É uma forma de remuneração variável, e integra o salário de contribuição nos termos do artigo 28, inciso I, da Lei nº 8212/91. Deste modo, não carece da razão o contribuinte. Acerto de Décimo Terceiro Salário DA Consoante o parágrafo 7º, do artigo 28, da Lei nº 8212/91, o décimo terceiro salário integra o salário de contribuição: § 7º O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.257 22 forma estabelecida em regulamento.(Redação dada pela Lei n° 8.870, de 15.4.94) Portanto, improcede o argumento do contribuinte quanto a não incidência de contribuição previdenciária sobre tal rubrica. Ainda, aduz o contribuinte que não há prova de que o recolhimento da contribuição previdenciária sobre tal rubrica não ocorreu à época. Ora, a prova do recolhimento do tributo é ônus do contribuinte, devendo ele trazêlas aos autos, ao invés de limitarse a pedir perícia. Carece razão o contribuinte também quanto a este argumento. Gratificação de 1/3 Férias Regulamentares Levantamento GR Consoante se infere da alínea “d” do parágrafo 9º do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT não se sujeitam a incidência de contribuição previdenciária. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente:(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). No entanto, a rubrica gratificação adicional de férias alcançada pelo lançamento constituiu base de cálculo da contribuição previdenciária. Ocorre, contudo, que em relação ao adicional de 1/3, de acordo com a jurisprudência do STJ (neste sentido, o julgado REsp nº 1678173, entre outros), a referida verba detém natureza indenizatória por não se incorporar à remuneração do servidor para fins de aposentadoria, afastandose, por tais razões, a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional terço constitucional de férias. Desde modo, deve ser afastada a contribuição previdenciária sobre a rubrica em questão. Jetons Levantamento JT De acordo com a Fiscalização, foram solicitados esclarecimentos e documentos à ora Autuada através dos TIF´s 004/2012 e 007/2012, acerca do pagamento da rubrica 0081 – Jetons, constante da Folha de Pagamento do período auditado. O contribuinte, por meio dos Ofícios nº 005/2013/DAPE/SRH e nº 021/2013/DAPE/SRH, apresentou as informações e documentação pertinente, tendo sido verificado que em conformidade com o Decreto 44.451/2007, é devida retribuição pecuniária correspondente a R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) por reunião, aos conselheiros – Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.258 23 representantes de classe de contribuintes, do Conselho de Contribuintes do Estado de Minas Gerais. A DRJ de origem compreendeu que "o pagamento pela participação em órgão colegiado, seja qual for a denominação que a rubrica receba, caracteriza pagamento por prestação de serviços, portanto, constitui base de cálculo de contribuições previdenciárias" , tendo assim concluído o relator do referido acórdão em seu voto: "5.44 Tendo em vista que os segurados em relação aos quais se verificou o pagamento de jetons não são vinculados a RPPS, e não sendo identificados nessa prestação de serviços os pressupostos da relação de emprego, temos que, relativamente à remuneração recebida pela participação nas reuniões do conselho, o membro do órgão colegiado filiase ao RGPS na condição de contribuinte individual, nos termos do artigo 12, inciso V, alínea “g”, da Lei nº 8212/91. 5.45 Portanto, o valor pago a título de jeton integra a base de cálculo do seu salário de contribuição, a teor do inciso III do artigo 28, da Lei nº 8212/91." Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Ocorre que somente seria possível a incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento de jetons caso se verificasse a natureza remuneratória destes. Ocorre que jeton é gratificação de presença. Gratificase, por meio de uma indenização, a presença daquele que participou de reuniões de órgãos de deliberação. No caso, a participação era no Conselho de Contribuintes/MG, no valor correspondente a R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) por reunião, nos termos do Decreto estadual nº 44.451/07. Importa salientar que o Superior Tribunal de Justiça proferiu decisão tratando verba "Indenização pelo Comparecimento a Sessões Extraordinárias" como de caráter indenizatório. Segue abaixo a ementa do referido acórdão: TRIBUTÁRIO. DEPUTADOS ESTADUAIS. IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE VERBAS PRECEBIDAS A TÍTULO DE AJUDA DE CUSTO E INDENIZAÇÃO PELO COMPARECIMENTO A SESSÕES LEGISLATIVAS EXTRAORDINÁRIAS. 1. As verbas "Ajuda de Custo" e "Indenização pelo Comparecimento a Sessões Extraordinárias", que visam, respectivamente, restituir custos de transporte e a recomposição do prejuízo sofrido por parlamentar em razão de labor em períodos considerados pela lei como de descanso, não estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda Pessoa Física. 2. O responsável tributário, quando não cumpre com sua obrigação de recolher na fonte o imposto devido, deve efetuar o pagamento do imposto. 3. Desservem a demonstrar divergência jurisprudencial acórdãos paradigmas e paragonado do mesmo tribunal. Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.259 24 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 641.243/PE, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2004, DJ 27/09/2004, p. 348) Ainda, a 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4a. Região, em decisão unânime, em caso similar ao caso ora em exame, entendeu pela não incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos de jetons. Segue abaixo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PAGAMENTO DE JETON SOBRE OS PROVENTOS DE CONSELHEIROS. FIESC. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NATUREZA JURÍDICA INDENIZATÓRIA. AUSÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA TRIBUTÁRIA. 1. A natureza jurídica do jeton é indenizatória, transitória, circunstancial, não possuindo caráter salarial e que tem como objetivo exclusivo retribuir pecuniariamente os Diretores e Conselheiros da FIESC pelo comparecimento e participação em reuniões deliberativas e custear as despesas geradas pelo exercício de tal atividade a que estão sujeitos em decorrência do previsto no Estatuto Social da entidade impetrante enquanto detiverem o mandato que, no caso, é de três anos. 2. Disso decorre a conclusão no sentido de que sobre os pagamentos efetuados pela FIESC a título de despesas com "jetons" de Conselheiros não deve incidir a contribuição previdenciária de que trata o artigo 22, III, da Lei nº 8.212/91. 3. Assim, uma vez reconhecida a ausência de relação jurídico tributária que justifique a incidência da contribuição previdenciária patronal sobre a referida rubrica, tornase insubsistente o que decidido administrativamente pela 3ª Turma do CARF/MF nos acórdãos nº 2803003.294 e nº 2803003.293, referentes aos processos nº 11516.721868/201114 e 11.516.721869/201169. (TRF4, APELREEX 502326282.2014.404.7200, SEGUNDA TURMA, Relator JAIRO GILBERTO SCHAFER, juntado aos autos em 06/05/2015) Em igual sentido, a 1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, compreendeu que os vogais de Junta Comercial são agentes honoríficos, de modo que os serviços por eles prestados não geram obrigações previdenciárias entre o tomador e prestador, não se caracterizando, portanto, como segurados obrigatórios do RGPS. Em razão disso, os jetons percebidos pelos vogais têm natureza indenizatória, transitória e circunstancial, não apresentando caráter salarial. Vejamos a ementa do referido julgado: TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO DE LANÇAMENTO FISCAL. INSS. ILEGITIMIDADE PASSIVA. VOGAIS. AGENTES HONORÍFICOS. VÍNCULO PREVIDENCIÁRIO. INEXISTÊNCIA. JETONS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.260 25 INCORPORAÇÃO AOS PROVENTOS DE APOSENTADORIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. 1. O INSS não tem legitimidade passiva para ações envolvendo o recolhimento de contribuições previdenciárias, pois de acordo com o art. 2º da Lei n.º 11.457/07, as contribuições previdenciárias serão geridas pela Secretaria da Receita Federal, e a representação judicial da União nos feitos que contestem tais tributos compete à Procuradoria da Fazenda Nacional (art. 16 da Lei n.º 11.457/07). 2. Os vogais de Junta Comercial são agentes honoríficos, de modo que os serviços por eles prestados não geram obrigações previdenciárias entre o tomador e prestador, não se caracterizando, portanto, como segurados obrigatórios do RGPS. 3. Os jetons percebidos pelos vogais têm natureza indenizatória, transitória e circunstancial, não apresentando caráter salarial. Ademais, não são incorporados aos proventos de aposentadoria. Assim, sobre tal verba501650não incidem contribuições previdenciárias. (TRF4, APELAÇÃO/REMESSA NECESSÁRIA Nº 5016237 81.2015.4.04.7200/SC, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, julgado em 18/05/2016, grifouse) Deste modo, afasto a incidência da contribuição previdenciária sobre jetons. Do Descumprimento de Obrigação Acessória AI nº 51.030.393 5 Deixar de preparar Folhas de Pagamento, das Remunerações Pagas ou Creditadas a Todos os Segurados, de Acordo com as Normas Legais A Fiscalização também verificou que as folhas de pagamento dos estabelecimentos 18.715.615/001999, 18.715.615/002103, 18.715.615/002294, 18.715.615/002375, 18.715.615/002618, 18.715.615/002707 e 18.715.615/002880 deixaram de incluir contribuintes individuais, para os quais foram efetuados pagamentos, emitidas as respectivas GFIPs, e efetuados os recolhimentos previdenciários devidos. Deste modo, o Contribuinte incorreu em infração ao artigo 32, inciso I da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, c/c artigo 225, inciso I e parágrafo 9º do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Lei 8.212/91 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (...) RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 Art. 225. A empresa é também obrigada a: Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.261 26 I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; II agrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. (...) Diante desta conduta, a Fiscalização não podia se abster da lavratura do referido Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, com a aplicação das multas correspondentes, sob pena de responsabilidade funcional, consoante o disposto no artigo 293, caput do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999, bem como do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN): RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99 Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto n.º 6.103, de 2007) Deste modo, deve ser mantido o lançamento por descumprimento de obrigação acessória. Alegações de inconstitucionalidade Quanto a alegação da recorrente contrariedade a Constituição e a princípios constitucionais, deixo de analisálo pois este Conselho não possui competência para ser pronunciar a respeito, nos termos da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.262 27 Conclusão Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre jetons e Gratificação de 1/3 Férias Regulamentares. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Voto Vencedor Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Peço vênia ao nobre Relator, Conselheiro Martin da Silva Gesto, para divergir quanto à parte que trata do pagamento de jeton a Conselheiros do Conselho de Contribuintes/MG. Colho de seu voto: Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Ocorre que somente seria possível a incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento de jetons caso se verificasse a natureza remuneratória destes. Ocorre que jeton é gratificação de presença. Gratificase, por meio de uma indenização, a presença daquele que participou de reuniões de órgãos de deliberação. No caso, a participação era no Conselho de Contribuintes/MG, no valor correspondente a R$ 150,00 (cento e cinquenta reais) por reunião, nos termos do Decreto estadual nº 44.451/07. Para início de debate importante trazer alguns conceitos sobre a verba em comento: Novo Dicionário Aurélio: je.tom. [Do fr. jeton] S.m. 1. Em jogos, ficha, tento. 2. Pequena ficha que se entrega a cada um dos membros presentes de certas corporações, e que lhes serve para cobrarem determinada remuneração. 3. Remuneração recebida por membros de órgãos colegiados (parlamentos, conselhos diretores, academias de letras, etc.) pelo comparecimento às suas sessões ou reuniões. 1 (grifei) Portal da Transparência 7) Honorários (Jetons): É a remuneração percebida por servidores públicos federais em razão da participação como representantes da União em Conselhos de Administração e 1 Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Aurélio de língua portuguesa 3. ed. Curitiba: Positivo, 2004. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.263 28 Fiscal ou órgãos equivalentes de empresas controladas direta ou indiretamente pela União. Tratase de honorário fixo e mensal, conforme determinado pelo artigo 1º da Lei nº 9.292/1996. 2 (grifei) Lei nº 9.292, de 12 de julho de 1996 Art. 1º A remuneração mensal devida aos membros dos conselhos de administração e fiscal das empresas públicas e das sociedades de economia mista federais, bem como das demais entidades controladas direta ou indiretamente pela União, não excederá, em nenhuma hipótese, a dez por cento da remuneração mensal média dos diretores das respectivas empresas. § 1º A remuneração só será devida ao membro suplente do conselho fiscal no mês em que comparecer a reuniões do conselho a que pertencer, conforme registro em ata, no livro próprio. § 2º A prestação anual de contas das entidades de que trata este artigo será acompanhada de demonstrativo da remuneração paga aos respectivos conselheiros, bem como das atas das reuniões realizadas durante o exercício. (grifei) Pelos conceitos e dispositivos acima mencionados, verificase que essa verba é tratada como remuneração pelo comparecimento em reuniões deliberativas. Sendo assim, o fato de ser um pagamento pela presença nas sessões de julgamento, não retira a natureza de pagamento pela execução de determinada atividade, pois no caso dos conselheiros do Conselho de Contribuintes/MG, nos dias de sessão eles estão a serviço daquele órgão. Analisando as atividades exercidas pelos conselheiros nessas sessões deliberativas, eles não estão sendo remunerados apenas por estarem presentes, mas por uma série de atividades que decorrem dessa presença, tais como: relato dos processos para os quais foram designados responsáveis, e nos quais despenderam tempo elaborando o respectivo acórdão a ser apresentado nessas sessões; análise dos votos dos demais conselheiros, com pronunciamento sobre eles, inclusive elaborando votos vencedores para os quais foram designados redatores. Além disso, a participação demanda a execução de uma série de responsabilidades, senão, vejamos o que diz o Regimento Interno do Conselho de Contribuintes/MG: Art. 25. Compete ao Conselheiro: I permanecer na sessão até o encerramento, salvo por motivo relevante, justificado perante o Presidente da Câmara; II comunicar ao Presidente do Conselho de Contribuintes, por escrito e com antecedência mínima de cinco dias úteis, salvo motivo relevante, plenamente justificável, a sua impossibilidade de comparecimento à sessão de julgamento; III declararse impedido ou suspeito, quando for o caso; 2 http://www.portaltransparencia.gov.br/servidores/SAIBA%20MAIS.pdf Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.264 29 IV relatar, revisar e devolver o PTA que lhe for distribuído, na forma e prazo estabelecidos no RPTA e neste Regimento; V discutir e votar nos processos em julgamento, justificando seu voto, podendo modificálo sempre que julgar necessário desde que antes de proclamado o resultado; VI solicitar, com a devida fundamentação, esclarecimentos, vista, diligência e, quando conveniente, prioridade para julgamento de PTA constante da pauta; VII proferir o voto na ordem estabelecida; VIII assinar as atas das sessões, na forma e prazos estabelecidos neste Regimento; IX redigir e assinar os acórdãos sob sua responsabilidade; X fundamentar o voto vencedor, quando designado redator do acórdão, tendo sido vencido o Relator; XI redigir e apresentar o voto vencido, com a devida fundamentação, quando for o caso; XII formular e apresentar o voto divergente, quando no mesmo sentido do julgado, se manifestada a opção na sessão de julgamento; XIII requerer ao Presidente do Conselho de Contribuintes sua licença ou afastamento; e XIV zelar sempre pelo bom nome e decoro do Conselho de Contribuintes. Parágrafo único. Ao suplente em exercício serão atribuídas as mesmas competências e obrigações previstas para o Conselheiro efetivo. (grifei) Portanto, todas as atividades acima enumeradas, demonstram a prestação de serviço efetuada durante a presença dos conselheiros nas sessões deliberativas do Conselho de Contribuintes/MG. Assim, não é apenas pela denominação da rubrica que se estabelece ou não a incidência da contribuição previdenciária, mas pela natureza circunstancial que determina o pagamento dela. Ademais, observo que a decisão do Superior Tribunal de Justiça (Resp nº 641.243/PE), transcrita pelo nobre Relator, trata o jeton, naquele caso, apenas em relação às sessões extraordinárias, por entender que o Deputado Estadual estaria sendo indenizado para recompor o prejuízo sofrido por ele em razão de labor em períodos considerados pela lei como de descanso, e a justificativa utilizada na decisão foi que essa verba já é tratada como indenização pela Constituição Federal de 1988: Quanto à verba Indenização por Comparecimento a Sessões Extraordinárias, verifico, assim como fez S.Exa em outra parte do voto que mencionei acima, que a própria Constituição Federal, no §7o do art. 57, encarregouse de qualificála como indenizatória. Vejase: Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.265 30 “ Na sessão legislativa extraordinária, o Congresso Nacional somente deliberará sobre a matéria para a qual foi convocado, ressalvada a hipótese do § 8 o , vedado o pagamento de parcela indenizatória em valor superior ao subsídio mensa” (sem grifo no original). Constatase que a Constituição Federal estabeleceu o dever de se pagar o parlamentar pelo comparecimento em sessão legislativa extraordinária e determinou que esse pagamento é indenizatório. Assim, a abordagem da questão sob a ótica infraconstitucional, em face do que dispõe o art. 43 do Código Tribunal Nacional, deve seguir a mesma linha interpretativa constitucional. (REsp 641.243/PE, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2004, DJ 27/09/2004, p. 348) (grifei) Com relação às decisões das 2ª e 1ª turmas do Tribunal Regional Federal da 4a. Região (TRF/4ª), vêse que também se tratam de situações diferentes, pois no primeiro caso a decisão entendeu que o jeton remunerava não apenas a presença, mas também o custeio das despesas geradas pelo exercício das atividades decorrentes do Estatuto Social. Incluase que a fundamentação para a decisão foi a ementa do Resp 641.243/PE, que como já vimos aplicase a situação diferente da apresentada no presente processo. No segundo caso, a razão principal do afastamento da incidência de contribuição previdenciária pelo TRF/4ª disse respeito à natureza do recebedor e não da verba, conforme resumiu o nobre relator: "1ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, compreendeu que os vogais de Junta Comercial são agentes honoríficos, de modo que os serviços por eles prestados não geram obrigações previdenciárias entre o tomador e prestador, não se caracterizando, portanto, como segurados obrigatórios do RGPS." (grifei). Ou seja, os vogais da Junta Comercial não foram considerados como contribuintes individuais pela 1ª Turma do TRF/4ª. Assim, considerando que os conselheiros do Conselho de Contribuintes/MG são contribuintes individuais, nos termos do art. 12, inciso V, alínea "g" da Lei nº 8.212/91, c/c art. 22, inciso III da mesma Lei, a decisão de primeira instância foi acertada, não merecendo reforma, nessa parte. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso quanto ao levantamento dos jetons. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Redatora designada Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 15504.721410/201317 Acórdão n.º 2202004.126 S2C2T2 Fl. 1.266 31 Fl. 1266DF CARF MF
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Numero do processo: 10860.100009/2007-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 20/02/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/2007-64, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº: 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 10 00 09 /2 00 7- 28 Fl. 691DF CARF MF Processo nº 10860.100009/200728 Acórdão n.º 9202006.087 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10552.000174/200764. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.065, de 25/10/2017, proferido no julgamento do processo 10552.000174/200764, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.065): Quanto ao conhecimento Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Quanto ao mérito O presente tema, objeto do presente julgamento repetitivo de recursos, tem entendimento já pacificado no âmbito desta Turma da CSRF, o qual é brilhantemente delineado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no âmbito do Acórdão 920205.782, de 26 de setembro de 2017, e, assim, adotase Fl. 692DF CARF MF Processo nº 10860.100009/200728 Acórdão n.º 9202006.087 CSRFT2 Fl. 4 3 excerto do teor do voto condutor daquele Acórdão, a seguir transcrito, como razões de decidir, verbis: (...) Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 693DF CARF MF Processo nº 10860.100009/200728 Acórdão n.º 9202006.087 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): "Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Fl. 694DF CARF MF Processo nº 10860.100009/200728 Acórdão n.º 9202006.087 CSRFT2 Fl. 6 5 Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 695DF CARF MF Processo nº 10860.100009/200728 Acórdão n.º 9202006.087 CSRFT2 Fl. 7 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada Fl. 696DF CARF MF Processo nº 10860.100009/200728 Acórdão n.º 9202006.087 CSRFT2 Fl. 8 7 competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor da multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente."(grifos não presentes no original) Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: (...) Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. (grifos não presentes no original). (...)" Fl. 697DF CARF MF Processo nº 10860.100009/200728 Acórdão n.º 9202006.087 CSRFT2 Fl. 9 8 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Em face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 698DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.987791/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA
Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
Numero da decisão: 1401-001.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia D Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO DE DEFESA - AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito.
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DIREITO DE DEFESA AVALIAÇÃO CONCRETA Alegações genéricas de violação do direito de defesa, sem respaldo concreto nas decisões e despachos decisórios atacados, não dão azo à anulação dessas manifestações administrativas. Ainda que o despacho decisório fosse nulo, o reconhecimento da nulidade não ensejaria a homologação da compensação sem a apreciação de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia D Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 77 91 /2 01 2- 11 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.987791/201211 Acórdão n.º 1401001.973 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento que indeferiu manifestação de inconformidade apresentada contra despacho não homologatório de compensação declarada. No referido recurso, o contribuinte alega que a decisão recorrida: 1) não considerou os princípios constitucionais da motivação e da ampla defesa, o que impediu o particular de apresentar defesa e de demonstrar a existência do crédito; 2) o princípio da motivação foi violado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação da compensação sob o fundamento de inexistência do crédito, sem qualquer outro esclarecimento, enquanto a decisão de primeiro grau aduziu que havia fundamentação fazendo menção genérica a artigos genéricos da legislação tributária; 3) essas decisões impediram a recorrente de apresentar uma defesa concreta. Com base nesses fundamentos, o recorrente pede a nulidade do despacho decisório e a homologação da compensação. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401001.937, de 22.06.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.658691/201272. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401001.937): Evidentemente, os princípios constitucionais concretizadores do devido processo legal, como a fundamentação dos atos e decisões, a ampla defesa e o contraditório, devem ser atendidos também nos processos administrativos. Os particulares devem ser capazes de identificar as razões que motivaram as prescrições veiculadas nas manifestações das autoridades administrativas que se refiram a seus direitos. Nesse sentido, diferentemente do alegado pela recorrente, tanto o despacho decisório, quanto à decisão de primeira instância ofereceram com especificidade os elementos aptos ao particular Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.987791/201211 Acórdão n.º 1401001.973 S1C4T1 Fl. 4 3 identificar com precisão as razões concretas para não ter a compensação homologada. Em primeiro lugar, a Delegacia de Julgamento não fundamenta a sua decisão com base em menção genérica a dispositivos legais. Pelo contrário, sua análise é fática e específica. A decisão recorrida aponta de forma minuciosa as razões de fato que ensejaram o despacho decisório denegatório da homologação, as quais, com efeito, constam do referido despacho. Para haver compensação, é necessário o reconhecimento do indébito tributário, o qual, uma vez indeferido, corresponde ao próprio fundamento da não homologação. Claro que o indeferimento do crédito ao qual o contribuinte considera fazer jus também deve ser motivado, mas foi e em quadro próprio que compõe o despacho decisório atacado. O despacho decisório são se restringiu, diferentemente do alegado pelo recorrente, a apontar genericamente a inexistência do indébito. Em quadro próprio, apresenta as razões fáticas para o não reconhecimento do crédito alegado. Já a Delegacia de Julgamento discorre com minúcias acerca dessas razões fáticas. Reiteramos: sua decisão acerca da motivação do despacho decisório não se restringiu a alegações genéricas calcadas em dispositivos da legislação tributário, como indevidamente o recorrente afirma em sua peça recursal. Tal estratégia é que pode ser imputada ao contribuinte, pois, ao revés de buscar demonstrar concretamente o seu direito creditório, apegase exclusivamente, tanto na manifestação de inconformidade, quanto no recurso voluntário, na tentativa de anular os atos decisórios administrativos e na esperança de que uma decisão desse jaez tivesse também a consequência de homologar as compensações declaradas. Claro que nem um, nem o outro pedido pode ser deferido. Não podemos deixar de consignar que cabe ao particular comprovar o seu direito de crédito contra o Fisco, o que poderia ter sido realizado, em face do princípio da eventualidade, até em sede recursal. Afinal, a nulidade da despacho decisório, diferentemente do pretendido pelo recorrente, não pode ter por efeitos imediatos o reconhecimento do indébito tributário. A consequência natural é a necessidade de refazer os atos nulos, o que pode ser superada com o provimento de mérito a favor do particular, nos termos do art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235/72: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Nada obstante, o contribuinte postouse numa cômoda, mas absolutamente indevida, condição de tecer alegações genéricas Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.987791/201211 Acórdão n.º 1401001.973 S1C4T1 Fl. 5 4 contra o despacho decisório sem envidar qualquer esforço concreto para demonstrar, no mérito, o seu direito de crédito contra o Fazenda Pública. É importante reiterar. Ainda que considerássemos nulo o despacho decisório e, conseguintemente, a decisão da Delegacia de Julgamento, tal nulidade não acarretaria o reconhecimento de indébito tributário e, conseguintemente, a homologação da compensação pretendida. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902222/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO
O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN.
DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92
A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DCTF - PRAZO PARA RETIFICAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinala-se o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1747; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.902222/200936 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1302002.527 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SUNFLOWER SCHOOL ESCOLA DE IDIOMAS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DCTF PRAZO PARA RETIFICAÇÃO HOMOLOGAÇÃO O prazo para o contribuinte retificar sua declaração de débitos e créditos federais coincide com o prazo homologatório atribuído à Fazenda Nacional e sendo tributo sujeito à homologação, assinalase o prazo previsto no §4° do artigo 150 do CTN. DIPJ. CONFISSÃO DE DÍVIDA. SÚMULA CARF N.º 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 22 22 /2 00 9- 36 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13851.902222/200936 Acórdão n.º 1302002.527 S1C3T2 Fl. 3 2 Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, justificadamente o Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do indeferimento da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito(s) (COFINS e PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que se equivocou no preenchimento da DCTF e que a existência do crédito tem fundamento na Solução de Divergência n° 14, de 07/08/2003, que reduziu o percentual de 32% para 16% sobre a receita bruta, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, bastandose comparar os valores apresentados na DIPJ retificadora (Declaração de Informações EconômicoFiscais) com a guia de recolhimento do tributo. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. [...] Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com o decisum, a recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que é dever do Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13851.902222/200936 Acórdão n.º 1302002.527 S1C3T2 Fl. 4 3 Fisco analisar os pedidos de compensação, quer pela garantia que a RFB deve ter em relação a valores, quer em relação a defesa do interesse público envolvido, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP e DIPJ, as quais apresentam presunção de legitimidade, valendose apenas e tão somente da informação prestada em DCTF para promover a cobrança. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. A controvérsia instaurada devese a pedido de compensação de débito(s) de responsabilidade da interessada com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.403, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 13851.902171/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.403): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No caso em tela, a contribuinte restringe a controvérsia à existência do crédito reportado na DCOMP, buscando comprovar suas alegações, essencialmente, por intermédio de sua DIPJretificadora e cópia do documento de arrecadação federal. Salientese que a contribuinte não apresentou qualquer retificação em sua DCTForiginal, nem prova documental que abrigue a alegada alteração dos importes que foram levados a efeito para fins de constituição definitiva do imposto, sob a modalidade de lançamento por homologação, cuja informação confessada na declaração original serviu de base para certificação da inexistência de crédito tipificado na modalidade de pagamento indevido ou a maior. Nesse sentido, cumpre observar que a DIPJ, desde o ano calendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto é, as informações nela prestadas não configuram confissão de dívida a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13851.902222/200936 Acórdão n.º 1302002.527 S1C3T2 Fl. 5 4 1998, que extinguiu, em seu art. 6°, inciso I, a DIRPJ Declaração .de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 10, a DIPJ — Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência à confissão de tributos ou contribuições a pagar, cabendo apenas a DCTF está função. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 92: “A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado.” Feitas essas considerações, passaremos a análise do presente caso. O documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. O Decreto nº 70.235/72 (art. 32) que regula o Processo Administrativo Fiscal Federal fala o seguinte sobre as inexatidões materiais: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Logo, por inexatidões materiais, no preenchimento dos PER/DCOMP primitivos ou originais, entendese serem os lapsos manifestos que se percebem primo ictu oculi; que, de plano, se verifica não traduzirem o pensamento ou vontade do contribuinte; consistem, em suma, em pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade, cuja correção não inova o teor do ato objeto de correção. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13851.902222/200936 Acórdão n.º 1302002.527 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, são exemplos de inexatidões materiais: inversão ou troca da ordem dos dígitos, equívoco de datas, erros ortográficos de digitação, troca de campos no preenchimento etc. A pretensão da recorrente, como já dito, não se trata de mera correção de inexatidão material, mas, sim, de inovação (retificação de DCTF para disponibilização do seu direito creditório almejado), exigindose, quanto à compensação dos débitos em aberto, a apresentação de DCTF retificador, situação que não ocorreu no presente caso. Como bem defendido no acórdão recorrido, é vedada a retificação de DCTF após o decurso do prazo de 5 anos, sendo este o prazo que tem direito o contribuinte para proceder à retificação da DCTF, no que se refere às alterações e retificações pertinentes aos impostos e contribuições federais. Dessa forma, evidenciase que a DCTForiginal, reportada na manifestação de inconformidade da contribuinte, fora transmitida em 13/11/2001. Portanto já transcorrido 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador correlato ao IRPJ, código de receita: 2089, inerente ao 3° trimestre de 2001, encontrase formalmente homologada e definitivamente extinta perante a Fazenda Nacional, em conformidade com os termos do art. 150, § 4° do CTN. Noutra senda, tomando por substrato os atributos essenciais pertinentes ao crédito para sua restituição/compensação (certeza e liquidez), o reconhecimento de um direito creditório e a consequente homologação (total ou parcial) ou não de uma compensação estão condicionados à perfeita identificação do crédito pela postulante (origem e valor), haja vista ser o instituto da compensação eletrônica procedimento efetuado por conta e risco tanto da Administração Federal quanto do contribuinte, correndo contra a primeira o prazo de homologação, que uma vez decorrido impede a recuperação de eventuais valores compensados indevidamente, e de outro lado, sobre o contribuinte, que tem o dever de evidenciar o crédito em todos os seus atributos, visto que, uma vez analisado o PER/DCOMP, não é mais admitida qualquer alteração do seu conteúdo por imposição legal. Assim, à luz dos elementos constantes no pedido (DCOMP), não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a recorrente, haja vista a não identificação correta da origem do crédito pleiteado e que o crédito aludido pelo contribuinte já foi totalmente alocado para quitação de outro débito, não havendo saldo disponível para pleitear o pagamento indevido ou a maior. Por fim, verificase que a recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a prolação do despacho decisório, bem como em relação a decisão proferida em primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13851.902222/200936 Acórdão n.º 1302002.527 S1C3T2 Fl. 7 6 Para esse Relator, fica claro que a recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão n.°2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 47DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10240.000520/2004-85
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1999
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO.
Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR informado na declaração.
Numero da decisão: 9202-006.047
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR informado na declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 05 20 /2 00 4- 85 Fl. 139DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, contra o Acórdão nº 2201002.188, de 20/06/2013, prolatado pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 74/77), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR informado na declaração. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que a multa por atraso na entrega da declaração seja calculada com base no imposto apurado na DITR, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00. O processo foi encaminhado à PGFN em 11/10/2013 (Despacho de Encaminhamento de efls. 79). De acordo com o disposto no art. 7º, §§ 3º e 5º, da Portaria MF nº 527, de 2010, a intimação presumida da Fazenda Nacional ocorre 30 dias após esta data. Em 21/10/2013, tempestivamente, foi interposto o Recurso Especial de efls. 80/85 (Despacho de Encaminhamento de efls. 86), com base no art. 67, inciso II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 2009, contudo, o Regimento Interno do CARF RICARF ora em vigor é o que foi aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, de forma que é com base nesse último que o recurso será analisado. O apelo suscita a seguinte matéria: base de cálculo da multa por atraso na entrega da Declaração do ITR. Para demonstrar a divergência, a Fazenda Nacional indica como paradigma o Acórdão 30333.334, que foi reformado pelo Acórdão nº 9202000.920, de 18/08/2010. Adotando o relatório do acórdão recorrido esclareço que: Cumpre informar, inicialmente, que a multa por atraso na entrega da DITR do exercício de 1999, objeto do lançamento em discussão (fls. 04), teve por base de cálculo o imposto devido apurado no Auto de Infração no valor de R$ 62.637,93, consolidado no processo administrativo nº 10240.000871/200313, decorrente da glosa de área de preservação permanente relativa à DITR/99 do mesmo imóvel rural. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, em síntese: 1) que o valor da multa aplicada é oriundo de “suposto e imaginado imposto de ITR pelo fisco federal na importância de R$ 62.637,93”, que este débito é objeto de processo administrativo junto ao Conselho de Contribuintes; Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10240.000520/200485 Acórdão n.º 9202006.047 CSRFT2 Fl. 140 3 2) que referida multa é acessória e deve seguir o principal, ou seja, o valor do ITR que está sendo discutido administrativamente; 3) que somente será devida a penalidade se a administração “ganhar” o processo em trâmite, caso contrário, seria devida apenas o equivalente a R$ 50,00, nos termos da Lei. 9.393/1996. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (fls. 26/28) proferiu acórdão julgando o lançamento procedente, pois restou comprovada a entrega da DITR/1999 fora do prazo. E, quanto à alegação de que o acessório segue o principal, entendeu que não merece prosperar uma vez que o processo principal ((10240.000871/200313), após contestado pelo contribuinte, teve lançamento mantido pela DRJ de Recife. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 35/43) reiterando praticamente os mesmos argumentos trazidos com a impugnação, apresentando relação de bens arrolados como garantia do recurso, às fls. 45/46. Por intermédio da Resolução no 3010.281 (fls. 50/52), de 13/11/2008, o julgamento foi convertido em diligência para que estes autos fossem apensados ao processo administrativo nº 10240.000871/200313, todavia essa decisão não foi implementada. Conforme “Termo de Juntada de Documentos” de fls. 61, foram anexados aos autos os documentos de fls. 56 a 59, contendo informações acerca do resultado do processo administrativo nº 10240.000871/200313. Intimado do presente Recurso, quedouse silente o Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Da delimitação da lide: Tratase, exclusivamente de Recurso quanto à base de cálculo da multa por apresentação intempestiva de DITR. Do conhecimento: O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do mérito: Entendo irrepreensíveis as razões do acórdão a quo, pelo que colaciono: Cumpre informar, inicialmente, que a multa por atraso na entrega da DITR do exercício de 1999, objeto do lançamento em discussão (fls. 04), teve por base de cálculo o imposto devido Fl. 141DF CARF MF 4 apurado no Auto de Infração no valor de R$ 62.637,93, consolidado no processo administrativo nº 10240.000871/200313, decorrente da glosa de área de preservação permanente relativa à DITR/99 do mesmo imóvel rural. Entretanto, a jurisprudência deste Conselho, da qual compartilho, entende que a base de cálculo da multa por atraso é o valor do imposto devido apurado na DITR, não havendo fundamento legal para exigila com base no imposto lançado de ofício. Confirase alguns julgados nesse sentido: “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de ofício, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração.” (Acórdão CSRF nº 920200.280, de 22/09/2009) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A realização de perícia não é direito subjetivo da defesa e não se presta à produção de prova que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor à acusação fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a sua realização se entender que tal medida é necessária para a apreciação das provas apresentadas, cuja compreensão exija conhecimento técnico especializado, fora do seu campo de atuação. O indeferimento fundamentado para a sua realização descaracteriza o alegado cerceamento do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Falta previsão legal para a imposição da multa por atraso na entrega da DIAC/DIAT sobre o valor lançado de ofício. Tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido apurado na declaração intempestiva, sobre a qual incidirá o percentual de 1% (um por cento) ao mês ou fração, não podendo ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). Recurso Voluntário Provido em Parte.”(Acórdão nº 210101.847, de 18/09/2012) “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10240.000520/200485 Acórdão n.º 9202006.047 CSRFT2 Fl. 141 5 TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 ITR. ILEGITIMIDADE PASSIVA , SUJEITO PASSIVO. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Assim, está enquadrado no pólo passivo da relação tributária como contribuinte do Imposto Territorial Rural a pessoa física ou jurídica que tenha registro de terras em seu nome, enquanto não cancelado o registro imobiliário, nos termos da Lei de Registros Públicos. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega de DIAC/DIAT sobre o valor lançado de oficio, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração, devendo ser respeitado o valor mínimo de penalidade, R$50,00. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido.” (Acórdão nº 220201.760, de 15/05/2012) Assim, é irrelevante para o julgamento dessa lide o resultado do julgamento do Auto de Infração referente ao processo administrativo nº 10240.000871/200313. A multa em questão está prevista nos arts. 7o e 9o da Lei nº 9.393, de 1996, que assim dispõe: “Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. (...) Art. 9º A entrega do DIAT fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de que trata o art. 7º, sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota.” No mesmo sentido dispõe o artigo 4º da Instrução Normativa SRF nº 88, de 1999: “Art. 4º A apresentação da DITR fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de: Fl. 143DF CARF MF 6 I 1% (um por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o imposto devido, não podendo seu valor ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), tratandose de imóveis sujeitos à apuração do ITR; II R$ 50, 00 (cinqüenta reais), nos casos de imóveis imunes ou isentos do ITR. Parágrafo único. A multa será lançada de oficio.” Diante do exposto voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para que a multa por atraso na entrega da declaração seja calculada com base no imposto apurado na DITR, respeitado o valor mínimo de R$ 50,00. Outrossim, NEGO provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.727865/2012-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DOCUMENTOS AUTENTICADOS JUNTADOS TEMPESTIVAMENTE. IMPROCEDÊNCIA DO ACÓRDÃO QUE DELES NÃO O CONHECEU.
Em razão da fé publica que reveste os atos estatais, sempre que o documento for produzido por funcionário público lato sensu, haverá uma presunção de veracidade quanto à sua formação e quanto aos fatos que tenham ocorrido na presença do oficial público. A cópia autenticada de um documento é aquela que o tabelião atesta ser cópia fiel ao documento original.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA
O recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79, declaradas pelo Contribuinte, por referirem-se à verbas trabalhistas de FGTS, multas, ticket alimentação, dentre outros nos termos, são isentos de tributação, nos termos da legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 2401-005.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencido o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho que votou pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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IMPROCEDÊNCIA DO ACÓRDÃO QUE DELES NÃO O CONHECEU. Em razão da fé publica que reveste os atos estatais, sempre que o documento for produzido por funcionário público lato sensu, haverá uma presunção de veracidade quanto à sua formação e quanto aos fatos que tenham ocorrido na presença do oficial público. A cópia autenticada de um documento é aquela que o tabelião atesta ser cópia fiel ao documento original. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO TRABALHISTA O recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79, declaradas pelo Contribuinte, por referiremse à verbas trabalhistas de FGTS, multas, ticket alimentação, dentre outros nos termos, são isentos de tributação, nos termos da legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 78 65 /2 01 2- 32 Fl. 125DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencido o conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho que votou pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.727865/201232 Acórdão n.º 2401005.022 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o Contribuinte acima qualificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento do anocalendário de 2010 às fls. 04/08, na qual foi apurada a infração de Omissão de Rendimentos decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 74.499,40 (fl. 6). Inconformado, o contribuinte, após a ciência em 21/06/2012 (fl. 58), apresentou na mesma data a impugnação de fl. 2, alegando que a omissão apontada referese à rendimentos isentos da fonte pagadora ITAÚ Seguros, que aponta o recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79. Alega que recebeu verbas de FGTS, multas, ticket alimentação etc. Às fls. 70, solicita a celeridade do processo com base no Estatuto do Idoso. Em 14/05/2015, foi procedida a diligência pela fiscalização que reafirmou a exigência da apresentação das planilhas de cálculos homologadas pelo judiciário bem assim o acordo homologado judicialmente, conforme solicitado anteriormente por meio de intimação (fl. 79). O Recorrente foi cientificado da diligência de fls. 80 e 81, em 21/05/2015 (AR de fl. 83). Em seguida, requereu prazo para legitimar as planilhas de cálculos bem assim a ata de comunicação do acordo junto ao poder Judiciário, entretanto, não apresentou a documentação dentro do prazo por ele indicado. Em 24/06/2015, a 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), lavrou o Acórdão nº 1277.234, o qual julgou improcedente a impugnação, nos seguintes termos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF AnoCalendário: 2010 AÇÃO TRABALHISTA.OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Restando constatado nos autos que o contribuinte auferiu rendimentos tributáveis provenientes de ação trabalhista e não levou ao ajuste anual é de se manter a omissão de rendimentos apurada pela fiscalização. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A impugnação deve ser instruída com as provas em que se fundamentam cabendo ao contribuinte comprovar os fatos que alega por meio de documentação hábil e idônea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Fl. 127DF CARF MF 4 Em seguida, no dia 26 de junho de 2015, o contribuinte colacionou aos autos os documentos referentes acordo firmado na Reclamação Trabalhista nº 0013000 42.2007.5.04.0016, anteriormente solicitado. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto Recurso Voluntário (fl. 116), cujas razões, em síntese, alega que cometeu erro material na sua solicitação de prazo de fl. 85, pois, segundo ele, o TRT da 4ª Região disponibilizaria os documentos solicitados a partir do dia 22/06/2015, entretanto, por equívoco, requereu à Delegacia da Receita Federal prazo de 10 (dez) dias para juntar referida documentação a contar do dia 22/05/2015. Informa que não teria razão para requerer prazo com data anterior ao protocolo realizado no dia 03/06/2015. Nesse sentido, requer que a documentação seja apreciada no intuito de elucidar a restituição do imposto e o provimento do recurso para afastar a infração a ele imputada. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11080.727865/201232 Acórdão n.º 2401005.022 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Pressupostos De Admissibilidade O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 06/07/2015, conforme AR à fl. 114, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 10/07/2015 (fl.116) Do mérito Conforme relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 6, o lançamento foi motivado pela constatação de omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 74.499,40. O contribuinte se defende ao argumento de que a omissão apontada referese à rendimentos isentos da fonte pagadora ITAÚ Seguros, que aponta o recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79. Alega que recebeu verbas de FGTS, multas, ticket alimentação etc. O acórdão hostilizado julgou improcedente a impugnação apresentada com as seguintes considerações: “[...] O contribuinte juntou à colação a mesma documentação que apresentou à fiscalização em resposta ao Termo de Intimação que foi considerada inapta por não conter a chancela do TRT. Foi efetuada a diligência de fls. 80 e 81, na qual a fiscalização reitera a necessidade da apresentação de documentação homologada pelo judiciário a fim de discriminar o “quantum” e a “natureza tributária” dos rendimentos auferidos, quais sejam: rendimentos sujeitos à tributação do imposto sobre a renda, à tributação exclusiva de fonte e rendimentos isentos de tributação segundo a legislação do imposto de renda. O interessado, devidamente cientificado, não apresentou documentação probante de modo a contrapor o feito fiscal em tempo hábil”. Em que pese as argumentações lançadas no acórdão recorrido, entendo que a respeitável decisão não merece prevalecer. Compulsando os autos, verifico que os documentos citados pela DRJ de origem e considerados inaptos por não conter a chancela do TRT, já haviam sido juntados pelo interessado conforme se depreende dos documentos de fls. 16/30, inclusive com carimbo de autenticação do 1º Tabelionato de Notas de Porto Alegre. Ora, a cópia autenticada de um documento é aquela que o tabelião atesta Fl. 129DF CARF MF 6 ser cópia fiel ao documento original. Para fins probatórios o legislador equipara ao documento público original a cópia autenticada, a certidão e traslados fornecidos pelo escrivão ou por oficial público. Impende destacar que o Código de Processo Civil trata da força probante dos documentos públicos nos arts. 405 a 429. Prescreve o art. 405 do CPC que: “O documento público faz prova não só da sua formação, mas também dos fatos que o escrivão, o tabelião, ou o funcionário declarar que ocorreram em sua presença.” Isso significa que se funcionário consignar haver sido efetuado uma assinatura em sua presença, ou que alguém prestou determinada declaração, há de terse como verdadeiro. Como se denota do dispositivo legal em questão, em razão da fé publica que reveste os atos estatais, sempre que o documento for produzido por funcionário público lato sensu, haverá uma presunção de veracidade quanto à sua formação e quanto aos fatos que tenham ocorrido na presença do oficial público. Logo, tenho como inexigível a conduta adotada pela instância inferior ao considerar inaptos os documentos autenticados em Cartório, apresentados pelo contribuinte, por não conter a chancela do TRT; por essa razão pela recebo a documentação anexada ao Recurso Voluntário, ora em análise. No mérito, após análise da documentação ora em debate, verificase que os rendimentos objeto do presente lançamento são isentos da incidência de IRPF, estando correta a informação lançada pelo Contribuinte que aponta o recebimento de rendimentos não tributáveis no valor de R$ 84.224,79, por referiremse a verbas trabalhistas de FGTS, multas, ticket alimentação etc, conforme documentação ora recepcionada e analisada, nos termos da legislação que rege a matéria. Firme nessas razões, considero improcedente o lançamento fiscal realizado. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 130DF CARF MF
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