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Numero do processo: 19515.720262/2015-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
MULTA DE NATUREZA SANCIONATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO.
O contribuinte deduziu de modo indevido valores de multas de natureza sancionatória aplicadas por outro ente federativo.
MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Lançamento procedente em parte.
Numero da decisão: 1401-001.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a exigência de multa isolada do IRPJ e CSLL. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que votaram pelo não provimento do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. O contribuinte deduziu de modo indevido valores de multas de natureza sancionatória aplicadas por outro ente federativo. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Lançamento procedente em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a exigência de multa isolada do IRPJ e CSLL. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves que votaram pelo não provimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 62 /2 01 5- 15 Fl. 1347DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR), que manteve o auto de infração lavrado (fls. 881896) em decorrência supostas infrações à legislação tributária, referente ao ano calendário de 2010, por meio dos quais são exigidos do Recorrente, pessoa jurídica tributada pelo regime do Lucro Real anual, crédito tributário de R$ 26.472.762,30 referente ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ – e de R$ 9.553.131,03 de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL –, acrescidos de juros de mora, e de multas proporcional (75%) e isolada (50%), em razão da glosa de despesas operacionais indedutíveis – multas por infrações fiscais – incluídas na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2011, Anocalendário 2010, com fundamento artigo 344, §5° do RIR de 1999. 2. Nos termos do Termo de Verificação Fiscal – TVF, às fls. 897910, a fiscalização teve início em 20/09/2013, restou comprovado que a contribuinte escriturou na conta 4.4.3.8.1.9.9.0.0.1.1.0.1 DÉBITOS EXTEMPORÂNEOS, o valor de R$ 382.513.200,52, em virtude de sua adesão a um programa de parcelamento de dívidas tributárias do ISS – tributo municipal – e da contribuição federal Cofins. 3. Posteriormente, esse montante “entrou na composição da linha 32. Outras Despesas Operacionais como parcela dedutível”, da Ficha 05A – Despesas Operacionais – PJ em Geral da DIPJ 2011, A/C 2010.4. 4. Do total escriturado como Outras Despesas Operacionais R$ 47.705.454,96 referemse à redução das multas indicadas na tabela abaixo, retirada da fl. 899, decorrente da adesão da autuada a programas de parcelamentos de débitos tributários, estatuídos pela Lei Federal nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e pela Lei Municipal de São PauloSP nº 14.129, de 11 de janeiro de 2006: Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 19515.720262/201515 Acórdão n.º 1401001.990 S1C4T1 Fl. 1.435 3 5. Segundo a Autoridade Fiscal, a contrapartida dos lançamentos contábeis referidos encontrase na conta de receita: 3.3.4.9.1.9.9.0.0.2.0.06 CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. 6. No caso em tela, UNIMED PAULISTANA computou na DIPJ do ano calendário de 2010, os valores das referidas multas como despesas dedutíveis e os benefícios fiscais auferidos como receitas na linha 39. OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS da Ficha 06A da mesma declaração. 7. Nos termos da decisão recorrida, a situação em exame enquadrarseia, portanto, na hipótese tratada pela Solução de Consulta nº 21 – Cosit, de 06/11/2013, segundo a qual as receitas oriundas de reduções de multas de ofício decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1°, § 3°, inciso I, da referida Lei n° 11.941, de 2009, não devem ser computadas na apuração do lucro real, porque envolvem multas indedutíveis, haja vista que não fizeram parte da apuração dos períodos anteriores. 8. Segundo a decisão recorrida, o art. 4°, §2°, I, da Lei municipal estabelece que o débito a ser constituído corresponderia a 50% do valor da multa; nessas circunstâncias o benefício auferido deveria ser, como de fato o foi, lançado como receita – em 39.OUTRAS RECEITAS OPERACIONAIS da Ficha 06A da DIPJ 2011 – enquanto as despesas correspondentes deveriam ser computadas como despesas não dedutíveis, uma vez que se enquadram na situação descrita no parágrafo 5° do artigo 344 do RIR de 1999. 9. De acordo com as conclusões da autoridade fiscal, com a qual se coadunou o julgador a quo, na apuração do lucro real, portanto, a regra básica – argumenta a Autoridade Fiscal – é a da indedutibilidade das multas fiscais, entre elas as multas lançadas de ofício. São dedutíveis, de outra parte, as multas de natureza compensatória, vale dizer as que visam compensar o sujeito ativo por eventuais prejuízos incorridos em virtude do atraso no pagamento do que era devido, por se caracterizarem como penalidades de natureza civil, por exemplo: a multa de mora (cf. art. 61, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430, de 1996) e os juros de mora (cf. arts. 5°, § 3°, e 61, § 3°, da Lei n° 9.430, de 1996). 10. O Acórdão ora Recorrido (0653.511 1ª Turma da DRJ/CTA) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 MULTA DE NATUREZA SANCIONATÓRIA. IMPOSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO. A Autoridade Fiscal a quo demonstrou sem ser contraditada que a contribuinte deduziu de modo indevido valores de multas de natureza sancionatória aplicadas por outro ente federativo, lançamento procedente. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. É cabível a aplicação simultânea da multa isolada por falta ou insuficiência do recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre a base de cálculo estimada e da multa proporcional ao tributo exigido no auto de infração. Fl. 1349DF CARF MF 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 5. Em seu Recurso (fls. 1139 1179) que é praticamente uma repetição da sua Impugnação, alega em resumo que: i) O Lançamento seria Nulo já que a Fiscalização não atentou para o fato de que no anocalendário de 2010, a cooperativa apurou saldo negativo de IRPJ e de CSLL, declarados na DIPJ retificadora apresentada em 30.01.2012 – cf. cópia juntada às fls. 1.039 1.069 – que era de conhecimento da Fiscalização. Na ficha 12A daquela DIPJ verificase a existência de um saldo negativo de R$ 7.666.498,48 de IRPJ, enquanto na ficha 17, referente à CSLL, consta um saldo negativo de R$ 1.887.098,95. Nessas condições, afirma: considerando a existência de saldo negativo em favor da impugnante e constatando supostas ausências de pagamentos de IRPJ e CSLL, caberia à Fiscalização primeiramente recompor toda a apuração do período de 2010 para reajustar os saldos negativos, e, se ainda sim constatasse falta de recolhimentos de IRPJ e CSLL, exigir da Impugnante apenas a diferença destes valores. ii) A Fiscalização ao analisar a apuração do IRPJ e da CSLL relativa ao ano base de 2010, não se ateve às especificidades da metodologia de contabilização dispostas na IN/ANS n. 20/2008, e incorreu em equívoco no lançamento tributário ao glosar todo o valor do benefício relativo às multas de ofício obtidas pela Recorrente na anistia municipal e que supostamente teriam sido lançadas como despesas dedutíveis na apuração do lucro real no montante de R$ .39.984.141,47. iii) A fiscalização interpretou incorretamente o RIR de 1999 e a Solução de Consulta COSIT n° 21 de 2013; e, por fim, iv) A fiscalização aplicou multa isolada em concomitância com a multa de ofício, em contrariedade a entendimento majoritário do Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Inicialmente cumpre ressaltar que o Recurso objeto do presente julgamento, em quase sua totalidade é uma repetição dos argumentos aduzidos em Impugnação (fls. 927 958), até mesmo no seu total de páginas. Todas as suas argumentações foram absolutamente enfrentadas no julgamento de piso e, em seu recurso, o contribuinte não as ataca, simplesmente repete os argumentos e razões de impugnação, insurgindose basicamente contra a fiscalização. Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 19515.720262/201515 Acórdão n.º 1401001.990 S1C4T1 Fl. 1.436 5 No que se refere à preliminar suscitada pelo Recorrente, como bem observado pelo julgador a quo , todo o montante declarado como saldo negativo foi reconhecido pela Autoridade Fiscal competente e empregado para compensar débitos apresentados voluntariamente pela contribuinte. Assim, o crédito tributário decorrente de deduções indevidas, no caso concreto, não foram levadas em conta para diminuir os respectivos saldos negativos que vieram, por fim, a ser compensados pela contribuinte. Desta feita, não subsiste a razão que fundamenta o pedido de nulidade manejado pelo Recorrente, razão pela qual não acolho a preliminar. No mérito, como bem asseverado na decisão recorrida, o fato de a recorrente obedecer às regras de escrituração estabelecidas pelos órgãos reguladores não afeta a natureza do lançamento em questão O fato é que a contribuinte não contestou a inclusão entre as despesas dedutíveis declaradas à Receita Federal no anocalendário de 2010 o montante de R$ 39.984.141,47 oriundo de multas de ofício aplicadas pelo Fisco Municipal, cuja comprovação igualmente não foi contestada. O descumprimento da legislação tributária a meu ver está absolutamente demonstrada e confessada pelo Recorrente que defende a legalidade da sua conduta. Por sua vez, a Solução COSIT nº 21, de 2013 é bastante clara e determina que: LUCRO REAL. REDUÇÃO DE MULTA E JUROS. LEI N° 11.941, DE 2009. A receita oriunda da redução de multa de mora e juros de mora decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1°, § 3°, inciso I, da Lei n° 11.941, de 2009, pode ser excluída do lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real, nos termos do art. 4°, parágrafo único, da Lei n° 11.941, de 2009. Em razão de as multas de ofício serem indedutíveis na apuração do lucro real, a receita oriunda da redução de multa de ofício decorrente da fruição do benefício previsto no art. 1°, § 3°, inciso I, da Lei n° 11.941, de 2009, não é computada no lucro real, pois ela não terá sido deduzida em períodos de apuração anteriores. É inócuo, neste ponto, o comando do art. 4°, parágrafo único, da Lei n° 11.941, de 2009. A referida solução se fundamenta na interpretação lógica das disposições do art. 344 do RIR de 1999 sobre a indedutibilidade desse tipo despesa e as da Lei nº 8.981, de 1995: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei n° 8.981, de 1995, art. 41). Fl. 1351DF CARF MF 6 (...) § 5° Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei n° 8.981, de 1995, art. 41, § 5°). Lei nº 8.981, de 1995, Art. 41. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência. (...) § 5° Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo. Como bem ressalvado pela autoridade fiscalizadora e ratificado pela julgadora, o benefício auferido na esfera municipal foi escriturado corretamente como receita operacional, enquanto as despesas respectivas deveriam ter sido computadas como despesas não dedutíveis, uma vez que se enquadram na situação descrita no parágrafo 5° do artigo 344 do RIR de 1999. Ocorre que as despesas indedutíveis (R$ 45.781.549,91), não contemplaram as despesas advindas dos benefícios auferidos em razão da negociação com o Fisco municipal, razão pela qual restou comprovado que todo seu montante foi indevidamente computado como despesa dedutível pela Recorrente, em ofensa à legislação de regência da matéria, dado que se tratava de multas de ofício e, por isso, foram corretamente glosadas. Ademais, coaduno da conclusão do julgador a quo no sentiudo de que o raciocínio da contribuinte que pugna que se dê ao benefício obtido na esfera municipal tratamento equivalente ao concedido pela Lei nº 11.941/2009 (neutralidade do tratamento tributário) não pode face à impossibilidade de estender a abrangência do dispositivo legal, dada a necessária interpretação restritiva a ser aplicada nesse tipo de matéria. Desta feita, não há como acolher tais razões de mérito do Recorrente, razão pela qual entendo que a decisão recorrida não merece reparo neste particular. Entretanto, no que se refere à alegação de impossibilidade da duplicidade da multa isolada e de ofício, concordo com as razões do Recorrente. Isto porque, sigo o entendimento acerca da impossibilidade da aplicação simultânea sobre a mesma infração da multa isolada pelo não pagamento de estimativas apuradas no curso do anocalendário e da multa proporcional concernente à falta de pagamento do tributo devido apurado no balanço final do mesmo anocalendário. Tal fato se deve à conclusão de que o não pagamento das estimativas é apenas uma etapa preparatória da execução da infração. Uma vez que as estimativas são meras antecipações dos tributos devidos, a concomitância significa dupla imposição de penalidade sobre o mesmo fato. Neste ponto entendo assistir razão ao Recorrente e me permito valer dos fundamentos aduzidos pelo Conselheiro Guilherme Adolfo Mendes no Acórdão 120100.235: Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 19515.720262/201515 Acórdão n.º 1401001.990 S1C4T1 Fl. 1.437 7 As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da nonna punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3" A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não Fl. 1353DF CARF MF 8 fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. No mesmo sentido são as conclusões da colega Conselheira Luciana Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin (Acórdão 1401001.421): Destarte, há concomitância se multas isolada e proporcional forem aplicadas como consequência da não antecipação de parcela do tributo devido que também não foi paga no ajuste. Isso ocorre, por exemplo, quando se verifica uma omissão de receita. A receita excluída no cálculo da estimativa é uma etapa preparatória do não pagamento do tributo devido no balanço final do mesmo anocalendário. O mesmo fenômeno ocorre quando se efetua uma glosa de despesa que havia sido incluída no cálculo da estimativa apurada em balanço de suspensão ou redução. O impacto que a não antecipação causa na apuração do tributo devido é devidamente penalizado pela multa proporcional. Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 19515.720262/201515 Acórdão n.º 1401001.990 S1C4T1 Fl. 1.438 9 Digase ainda que a questão é objeto de Súmula do CARF nº 105, que entendo permanecer aplicável aos fatos geradores posteriores à edição da Lei nº 11.488/07 in verbis: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Outrossim, tal posição encontra guarida em diversas decisões deste Conselho, incluindose esta mesma Turma Ordinária. Assim, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir os lançamentos de multa isolada de IRPJ e multa isolada de CSLL. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 1355DF CARF MF
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Numero do processo: 35600.007080/2006-43
Data da sessão: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 206-00.134
Decisão: RESOLVEM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em converter o Julgamento do recurso em diligência.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 35600.007080/2006-43 Recurso n° 146.888 Assunto Solicitação de Diligência Resolução n° 206.00.134 Data 03 de junho' de 2008 .Recorrente TRACTEBEL ENERGIA S/A Recorrida SECRE'TAluA DA RECEITA PREVIDENCIARIA' , Vi~tos, r~latados e.discutidos os presentes autos. .~ CC02/C06 Fls. 346 RESOLVEM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO . DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos em converter o Julgamento do recurso em diligência. Sala das Sessões, ein 03 de junho de 2008. (\ ~ \\ I . . ~ ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ~EffiA Relatora Participaram, ainda, da presente resolução, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bema<Jete de Oliveira Barr0s, Daniel Ayres Kalume Reis, CleusaVieira de Souza eRyciudo Henrique Magalhães de Oliveira. I J Processo n.o 35600.007080/2006-43 Resolução n.O 206.00.134 2° C IM"'. - Sexta Câmara CONFERE COM O ORIGINAL. Brasília ;23 I O I og,-- Maria de Fatima ~ rreira de Ca Matr. Siape 751683 CC02/C06 Fls. 347 I Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa e as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidênCia de incapacidad~ laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. o Relatório Fiscal (fls. 18/19) informa que a Traetebel Energiá S/A - TRACTEBEL, anteriormente denominada Centrais Geradoras do Sul do Brasil S/A GERASUL, originou-se da cisão parcial da Centrais. Elétricas do Sul do Brasil S/A - ELETROSUL. Após o processo de cisão, a sociedade que manteve a qualidade de empresa . estatal passou a denominar-se Empresa Transmissora de Energia Elétrica do Sul do Brasil S/A -.ELETROSUL. A nova empresa resultante da cisão, GERASUL,foi posteriormente adquirida pela TRACTEBEL, em, processo de privatização. As contribuições insertas na presente notificação correspondem à parte do lançamento efetuado anterionnente à cisão contra a Empresa Transmissora de Energia Elétrica do Sul do Brasil S/A - ELETROSUL, por meio da NFLD 35.218.259-8. Quando do julgamento da notificação acima citada, os argumentos apresentados pela ELETROSUL em sua defesa, na qual cita decisões já proferidas anteriormente, bem como o Parecer n° 20.200.1/175/00 de 14/06/2000, da Seção de Consultoria da Procuradoria da Previdência Social, foram submetidos à Procuradoria Federal Especializada-INSS. em Florianópolis, a qual reiterou a opinião técnica do parecer no sentido de que os ..débitos correspondentes ao período anterior à cisão seriam de responsabilidade da empresa Centrais Geradoras do Sul do Brasil S/A - GERASUL, atualmente a TRACTEBEL. Desse modo, as contribuições correspondentes ao período anterior à cisão foram .- -excluídas da notificação lavrada contra a. EL"ETROSUL e foram .. lançadas. contra .a TRACTEBEL. A Procuradoria concluiu, tendo por base os termos do documento denominado Justificação de Cisão, o qual prevê que a responsabilidade fiscal pelos débitos pré-existentes seria da GER.A.SUL, que esta aceitou as condiçõe~ impostas para aquisição de parcela do patrimônio da ELETROSUL. In casu, o débito corresponde às contribuições previdenciárias atribuídas à notificada pelo instituto da solidariedade, uma vez que a empresa cindida, ELETROSUL, contratou a empresa ConstlUtora Duatte FerreiraLtda para prestação de serviços de limpeza e não apresentou documentação necessária à elisão de tal responsabilidade ... o lançamento foi mantido em sua integralidade no julgamento de primeira instância e após ciência da decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo. É o Relatório. 2 I 1 Processo h.o 35600.00708012006-43 Resolução n.o 206.00.134 20CC/MF - sexta Cên'HU'a CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, J.3j~ 09 Maria de Fétima ~~o Matr. Siape 751683 CC02/C06 Fls. 348 Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora Após breve relato a respeito do lançamento e análise prévia das peças' que compõem os autos, entendo que existe questão a ser esclarecida para _que se proceda ao julgamento do recurso. o lançamento (oi efetuado com base na responsabilidade solidária em razão da notificada não haver apresentado a documentação necessária e suficiente para ~omprovar a . elisão de tal responsabilidade. Corretamente a Secretaria intimou a prestadora, integrante do pólo passivo, para apresentação.de defesa. Esta, porém, não apresentou qualquer manifestação. Cumpre lembrar que nos casos de responsabilidade solidária em que a empresa não apresentada guias de recolhimento e. folhas de pagamento específicas, essa câmara tem decidido que comprovada qualquer das situações abaixo, considera-se elididaa responsabilidade solidária dó contratante. São elas: - Fiscalização com cobertura contábil no período do lançamento. - A contratada. haver aderido aos parcelamentos REFIS ou PAES abrangendo as competências objeto do lançamento. Assim,. entendo necessário -que se esclareça se a contratada sofreu ação fiscal com cObertura total ou efetuou adesão a qualquer 'dos parcelamentos REFIS ou PAES e solicitou a inclusão de créditos relativos às cOlupetêricias ora lançadas. Diante do exposto, manifesto-me pelo retomo dos autos à origeIll, em diligência, para que sejam esclarecidas as questõessusdtadas. --- . Saladas Sessões, emOJ dejunho de 2008 ,~ &frrZ.RIA ,BAN,P'ÉIRA 3 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720377/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Voluntário apresentado após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do acórdão da DRJ não deve ser conhecido, por ser intempestivo.
Numero da decisão: 1401-002.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer recurso voluntário por sua intempestividade.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário apresentado após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do acórdão da DRJ não deve ser conhecido, por ser intempestivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer recurso voluntário por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 77 /2 01 2- 45 Fl. 872DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (DRJ/CTA), que, por meio do Acórdão 0649.719, de 24 de outubro de 2014, julgou improcedente a impugnação. O crédito tributário lançado se refere à exigência do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) IR e CS pelo lucro arbitrado e Pis e Cofins pelo regime cumulativo devidos nos anoscalendário 2008 e 2009, em decorrência de movimentação financeira incompatível com a receita declarada, cujo montante, na época dos fatos, atingiu a R$ 10.328.269,09, incluídos multa de ofício agravada de 112,5% e juros de mora. Por economia processual e por bem delineado, reproduzo relatório do acórdão da DRJ/CTA: (início da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ/CTA) Em decorrência de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte identificada, autorizada pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização nº 08.1.24.00201101226, foram lavrados os autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição Para o PIS/Pasep e Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social. Autos de infração de IRPJ e lançamentos reflexos 2. O auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 362 390) exige o recolhimento de R$ 2.470.596,78 de imposto, R$ 2.779.061,38 a título de multas de lançamento de ofício de 75% e 112,5%, previstas no art. 44, I e § 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, e R$ 844.940,05 de juros de mora. 3. O lançamento fiscal, efetuado nos termos dos arts. 904 e 926 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), decorre das seguintes infrações: 3.1. arbitramento do lucro levado a efeito, em face da falta de apresentação dos livros e documentos de sua escrituração, sobre a omissão de receitas caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada, conforme descrito no Relatório de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 306309) e detalhado nos Anexos 1 e 2 (fls. 310361), com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e arts. 519, 530, III, 532 e 537 do RIR de 1999: . 1º trimestre/2008 .......................................................R$ 2.681.343,07 . 2º trimestre/2008 .......................................................R$ 2.146.597,65 . 3º trimestre/2008 .......................................................R$ 2.630.645,14 . 4º trimestre/2008 .......................................................R$ 3.497.784,30 . 1º trimestre/2009 .......................................................R$ 2.839.398,88 . 2º trimestre/2009 .......................................................R$ 2.923.260,71 . 3º trimestre/2009 .......................................................R$ 3.113.068,64 Fl. 873DF CARF MF Processo nº 19311.720377/201245 Acórdão n.º 1401002.030 S1C4T1 Fl. 873 3 . 4º trimestre/2009 .......................................................R$ 6.398.284,58 3.2. arbitramento do lucro sobre a receita bruta da prestação de serviços declarada pela contribuinte nas DIPJ’s 2009 e 2010 (fls. 242269), com base no lucro presumido, com infração ao disposto no art. 3º da Lei nº 9.249, de 1995, e art. 532 do RIR de 1999: . 1º trimestre/2008 .......................................................R$ 10.000,00 4. O auto de infração de Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL (fls. 391414) exige o recolhimento de R$ 755.435,04 de contribuição, R$ 849.756,43 a título de multas de lançamento de ofício de 75% e 112,5% e R$ 258.560,76 de juros de mora. O lançamento fiscal, com base no lucro arbitrado, decorre da mesma infração que deu causa à exigência de IRPJ, com infração ao disposto nos arts. 2º e 3º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988 (com a redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034, de 12 de abril de 1990, e art. 17 da Lei nº 11.727, de 2008), arts. 2º e 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 (com as alterações da Medida Provisória nº 449, de 2008), art. 29, I, da Lei nº 9.430, de 1996, art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002, e art. 22 da Lei nº 10.684, de 2003. 5. O auto de infração de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 415423) exige o recolhimento de R$ 170.497,48 de contribuição, R$ 191.809,67 de multa de ofício de 112,5% e R$ 59.872,03 de juros de mora. A insuficiência do recolhimento da contribuição foi apurada em decorrência da omissão de receitas caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada. Tem fundamento no art. 1º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995 (com as alterações do art. 29 da Lei nº 11.941, de 2009), arts. 2º, I, 8º e 9º da Lei nº 9.715, de 1998, arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 1998 (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 41 da Lei nº 11.196, de 2005, e art. 15 da Lei nº 11.941, de 2009) e art. 79 da Lei nº 11.941, de 2009. 6. O auto de infração de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins (fls. 424433) exige R$ 786.611,47 de contribuição, R$ 884.937,88 de multa de ofício de 112,5% e R$ 276.190,12 de juros de mora. O lançamento decorre da omissão de receitas caracterizada por créditos bancários de origem não comprovada e tem como fundamento o art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1971, arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 1998 (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 41 da Lei nº 11.196, de 2005, e art. 15 da Lei nº 11.945, de 2009), art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249, de 1995 (com as alterações introduzidas pelo art. 29 da Lei nº 11.941, de 2009), e arts. 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 1998 (com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 41 da Lei nº 11.196, de 2005, e art. 15 da Lei nº 11.945, de 2009). Relatório de Encerramento de Ação Fiscal 7. A omissão de receitas caracterizada com base em créditos bancários de origem não comprovada foi assim descrita no Termo de Encerramento de Ação Fiscal (fls. 306309): 4. A ação fiscal compreende os períodos dos anos de 2008 e 2009 sendo, portanto, os fatos e documentos restritos a este intervalo temporal, registrado no Termo de Início da Ação Fiscal que fora regularmente cientificado. Contudo, constatamos que os extratos bancários que, de fato, foram apresentados à Fl. 874DF CARF MF 4 fiscalização compreendiam os períodos de 2007 e 2008. Dessa forma, os extratos bancários do ano de 2009 estariam pendentes e os do ano de 2007 foram fornecidos equivocadamente. Os fatos foram registrados no Termo de Reintimação Fiscal datado de 22/03/2012, onde o contribuinte é reintimado a apresentar os extratos bancários do ano de 2009 bem como retirar os referentes ao ano de 2007. 5. Na presente persecução fiscal, é fato que, ao contribuinte, foram concedidas todas as oportunidades para atender às demandas, o que ocorreu até um primeiro momento. A partir das exigências quanto à apresentação da escrituração comercial e, também dos fatos preconizados no item precedente, o fiscalizado adotou uma postura indiferente frente às exigências levadas a efeito pela autoridade fiscal. Os documentos, sobretudo os extratos bancários não fornecidos, referentes ao ano de 2009, possuem um caráter essencial para o desenvolvimento dos trabalhos. Neste sentido e considerando que o contribuinte, regularmente intimado, permaneceu silente, a fiscalização requisitou os extratos bancários diretamente às Instituições Financeiras. 6. Após a recepção dos documentos enviados pelas Instituições Financeiras, a fiscalização procedeu à análise da movimentação financeira excluindo, quando encontrados, as transferências entra contas, cheques devolvidos, estornos, além de outros créditos/depósitos cuja leitura do histórico permitiu concluir que não representavam, efetivamente, ingresso de recursos. Em consequencia, os depósitos/créditos foram relacionados de forma individualizada, com discriminação de data, valor e histórico, e anexados ao Termo de Constatação/Intimação Fiscal, datado de 13/06/2012, cientificado em 19/06/2012, por meio do qual a empresa fiscalizada é intimada a comprovar a origem dos recursos, com base no Art. 42 da Lei nº 9.430/96. O referido Termo de Constatação ressaltou, ainda, que caso a origem dos recursos correspondentes aos créditos/depósitos relacionados pela ação fiscal não fosse comprovada, poderia acarretar a presunção legal de omissão de receitas, nos termos da citada norma. A intimação também reitera a exigência quanto à escrituração contábil/fiscal. 7. Em que pesem todas as tentativas por parte da ação fiscal, ficou caracterizado que o contribuinte preferiu o silêncio, pois até a apresente data não apresentou qualquer manifestação de forma a dirimir as questões suscitadas. Neste contexto, os depósitos relacionados pela fiscalização foram consolidados mês a mês, conforme anexos 1 e 2 ao presente Relatório, de forma a apurar a base de cálculo do imposto devido. (...) 10. Dessa forma, o contribuinte terá suas receitas tributadas com base no Lucro Arbitrado, porquanto deixou de apresentar, mesmo após diversas intimações, os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Assim, a fiscalização procederá ao arbitramento do lucro com base na receita conhecida que, no caso concreto, corresponde aos depósitos bancários de origem não comprovada, que constituem presunção legal de omissão de Fl. 875DF CARF MF Processo nº 19311.720377/201245 Acórdão n.º 1401002.030 S1C4T1 Fl. 874 5 receita, e à receita bruta declarada nas Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anoscalendário de 2008 e 2009. 11. No caso das receitas omitidas com base nos depósitos bancários de origem não comprovada, a base de cálculo corresponderá à aplicação do percentual de presunção do lucro ao total dos créditos/depósitos realizados em cada mês, especificados nos Anexos 1 e 2, ao presente Relatório, e consolidado abaixo: Mês/Ano Instituição Financeira Total Mensal Consolidado Bradesco Itaú Jan/2008 516.819,20 749.810,86 1.266.630,06 Fev/2008 489.227,18 366.442,57 855.669,75 Mar/2008 407.622,20 151.421,06 559.043,26 Abr/2008 498.532,97 248.235,34 746.768,31 Mai/2008 352.215,16 449.078,85 801.294,01 Jun/2008 181.186,52 417.348,81 598.535,33 Jul/2008 381.775,43 367.655,10 749.430,53 Ago/2008 501.771,22 338.748,92 840.520,14 Set/2008 616.107,85 424.586,62 1.040.694,47 Out/2008 445.337,51 373.717,63 819.055,14 Nov/2008 689.114,70 582.106,70 1.271.221,40 Dez/2009 618.763,15 788.744,61 1.407.507,76 Jan/2009 414.960,24 1.173.017,90 1.587.978,14 Fev/2009 185.543,07 257.479,32 443.022,39 Mar/2009 548.247,14 260.151,21 808.398,35 Abr/2009 340.839,25 429.743,03 770.582,28 Mai/2009 604.157,76 421.674,16 1.025.831,92 Jun/2009 498.569,22 628.277,29 1.126.846,51 Jul/2009 481.601,78 530.504,84 1.012.106,62 Ago/2009 456.608,43 461.822,01 918.430,44 Set/2009 794.850,56 387.681,02 1.182.531,58 Out/2009 931.411,99 1.321.220,82 2.252.632,81 Nov/2009 1.423.518,11 1.235.874,92 2.659.393,03 Dez/2009 758.690,76 727.567,98 1.486.258,74 (...) (Grifouse) Termo de Devolução de Documentos e Termo de Arrolamento de Bens e Direitos 8. À fl. 436, o Termo de Devolução de Documentos, atestando que a interessada recebeu em devolução os extratos bancários dos anoscalendário de 2007 a 2009 da conta corrente nº 00791679, agência 0627, do Banco Bradesco S/A e da conta corrente e de investimento nº 003168, agência 4053, do Banco Itaú S/A. 9. As fls. 437438, o Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Impugnação 10. Regularmente intimada pessoalmente em 04/10/2012, a interessada, por intermédio de seus representantes legais (mandato às fls. 474475), apresentou, em 05/11/2012, a tempestiva impugnação de fls. 443472, instruída com os documentos de fls. 473766, cujas alegações são sintetizadas a seguir: Fl. 876DF CARF MF 6 a) no tópico “Dos fatos” alega que, no decorrer de suas atividades, a impugnante se especializou na intermediação de compra e venda de mercadorias entre diferentes empresas, tendo em diversas ocasiões ficado responsável pela transação financeira dos acordos comerciais realizados, movimentando em suas contas bancárias quantias que não eram suas; que a atividade de representação comercial está prevista na Lei nº 4.886, de 1965; b) que a fiscalização deveria ter aprofundado sua atuação para verificar que as movimentações nas contas mantidas nos Bancos Bradesco e Itaú nunca constituíram receita própria da impugnante, mas representavam mera movimentação de numerário pertencente a clientes; apesar de ter entrado em contato com os mesmos, não obteve os contratos que provam que ela tinha autonomia de atuação e movimentava em nome deles enormes quantias nas suas contas bancárias; c) diante da disposição contida no art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999, bem como em razão do princípio da verdade material, requer autorização para juntada dos referidos contratos, bem como outros documentos que comprovem que os valores movimentados não pertenciam à impugnante; d) no tópico “Da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário” aduz que o artigo 5º da Constituição Federal de 1988 garantiu, dentre outros direitos e garantias fundamentais, o sigilo e inviolabilidade da pessoa, dentre as quais se encontra o sigilo bancário; o art. 145, § 1º, da Carta Magna delimitou a atuação da administração tributária aos termos da lei e em respeito aos direitos individuais; que, não pode um ente da administração pública, sob a égide do interesse público, ignorar o sistema legal vigente; o poder de polícia do fisco deve sempre obedecer ao devido processo legal e respeitar os direitos individuais; e) o ato por parte do auditorfiscal de requerer a quebra dos sigilos bancários da impugnante sem o arbítrio do Poder Judiciário configurase inconstitucional e ilegal; não existe nem a possibilidade de se alegar que seus atos foram pautados na Lei Complementar nº 105, de 2001, justamente em razão do STF ter declarado esta lei inconstitucional, conforme RE’s nºs 389.808 e 387.604; nesse contexto, não podem os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins serem referenciados após terem se originados de um procedimento feito às margens da inconstitucionalidade; f) no tópico “Da incompetência em relação à CSLL, Cofins e PIS/Pasep” argumenta que os autos de infração de CSLL, PIS e Cofins devem ser cancelados em razão da plena incompetência do auditorfiscal, que ignorou as limitações impostas pelo MPF; conforme se verifica do termo de início do procedimento fiscal, o objeto do procedimento fiscalizatório compreendia apenas e tão somente o IRPJ; g) ao mesmo tempo em que o MPF concede ao auditorfiscal poderes fiscalizatórios, também delimita o âmbito de sua autuação e sua competência para agir em nome do Estado; a Portaria RFB nº 3.041, de 2011, é clara ao determinar no art. 7º, § 1º, que o mandato em questão determinará o tributo objeto do procedimento fiscal, sendo no seu art. 9º disposto que qualquer alteração relativa aos tributos a serem examinados deve ser comunicada ao contribuinte mediante registro eletrônico pela respectiva autoridade emitente; h) destaca que, conforme determina o art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, é dever do servidor público “observar as normas legais e regulamentares”, enquanto o art. 6º, § 3º, da Lei nº 10.593, de 2002, afirma que cabe ao Poder Executivo regulamentar os limites de atribuições do auditorfiscal; que não há como se afirmar que o MPF é mero ato de controle interno, já que é um ato administrativo que tem a função de dar início ao procedimento fiscal, atribuindo competências e delimitando seu campo de atuação; Fl. 877DF CARF MF Processo nº 19311.720377/201245 Acórdão n.º 1401002.030 S1C4T1 Fl. 875 7 i) no mérito, no tópico “Da necessidade de acréscimo patrimonial” argúi que ao aplicar o percentual de presunção de lucratividade apenas sobre os créditos/depósitos das contas correntes da impugnante, sem descontar os débitos e as respectivas saídas de numerários, o auditor fiscal ignorou de sobremaneira a materialidade do IRPJ e da CSLL, quais sejam, a tributação sobre o acréscimo patrimonial, conforme previsto no art. 153, III, da Constituição Federal e no art. 43 do CTN; j) a metodologia utilizada pelo auditorfiscal é claramente ilegal, pois desvirtuou a materialidade do IRPJ e da CSLL apenas para aumentar de maneira irreal a base de cálculo dos tributos em questão, com ofensa ao princípio constitucional da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, da Constituição Federal); k) que o correto teria sido o auditorfiscal ter oferecido à tributação apenas os valores abaixo discriminados, conforme demonstram os extratos bancários das contas correntes nº 003168, agência 4053, do Banco Itaú e nº 791679, agência 0627, do Banco Bradesco: Período Itaú Bradesco Total 1º trim/2008 109.483,08 36.937,65 146.420,73 2º trim/2008 99.189,87 115.839,72 215.029,59 3º trim/2008 29.474,20 95.585,07 125.059,27 4º trim/2008 6.921,92 81.512,55 88.434,47 1º trim/2009 19.307,71 22.725,12 42.032,83 2º trim/2009 35.906,25 49.863,02 85.769,27 3º trim/2009 1.278,50 9.463,86 8.185,36 4º trim/2009 37.263,87 53.819,57 91.083,44 l) observando os valores que efetivamente transitaram pelas contas correntes da impugnante percebese o quão absurdo é o valor dos lançamentos de IRPJ e CSLL apurados pela fiscalização; não há o que se tributar haja vista a impugnante operar em prejuízo na maioria dos períodos em questão; m) no tópico “Da majoração da alíquota como sanção” assevera a aplicação da alíquota de 38,4% de determinação do lucro arbitrado mostrase ilegal uma vez que confere caráter de sanção ao tributo, o que é defeso nos termos do CTN; se a intenção fosse punir a contribuinte, existem multas pecuniárias que serem para tal propósito; logo, deveria ser aplicado o mesmo percentual de determinação do lucro presumido, pois em ambos os casos o propósito é estabelecer a base de cálculo do IRPJ, não havendo por que se presumir uma lucratividade maior em casos de arbitramento se a receita bruta é conhecida nas duas hipóteses; a única explicação possível seria a punição do contribuinte, majorandose o percentual de presunção de lucratividade em 20%; n) no tópico “Da ausência de faturamento” alega que a autoridade fiscal também ignorou a materialidade do PIS e da Cofins ao utilizar como base de cálculo dessas contribuições valores que não se configuram como faturamento; que, de todos os valores que transitaram em suas contas bancárias, apenas uma ínfima parcela a título de comissão por seus serviços realmente constituíam a remuneração da impugnante; que, ademais, vários valores considerados pelo auditorfiscal como sendo receita da impugnante são na verdade transferências entre contas correntes e de investimentos da própria impugnante; o) após diversas discussões acerca do conceito de faturamento, foi definido pelo STF, por ocasião do julgamento da constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que o termo compreende apenas e tão somente a receita obtida com a venda de mercadorias ou com a prestação de serviços; que o art. 279 do RIR Fl. 878DF CARF MF 8 define que a receita bruta, sinônimo de faturamento, como sendo o produto da venda de bens e serviços nas operações em conta próprio, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas contas próprias; p) comprovado através dos acordos comerciais firmados entre a impugnante e seus clientes (a serem juntados oportunamente, antes do julgamento de primeira instância administrativa), devem ser cancelados os autos de infração de PIS e Cofins, já que nem todos os créditos em suas contas bancárias representam seu faturamento; q) no tópico “Da inaplicabilidade da multa agravada” argumenta que, conforme depreendese da leitura do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, o agravamento da multa constituise em sanção ao sujeito passivo, aplicáveis nas hipóteses em que o contribuinte deixe de prestar informações e esclarecimento ao trabalho da autoridade fiscal; mais do que isso, devese registrar que tais esclarecimentos devem ser indispensáveis e essenciais à ação fiscal; r) indaga como pode ser cabível o agravamento da multa em situações em que a autoridade fiscal já dispunha de todos os elementos necessários ao lançamento, pois o lançamento se baseou exclusivamente nos extratos bancários obtidos junto às instituições financeiras; apesar de ter deixado de atender às intimações por algumas vezes, em momento algum a fiscalização foi prejudicada para proceder ao lançamento; s) ao final, no tópico “Do pedido” requer o cancelamento dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins; alternativamente pede a redução da multa aplicada para o percentual de 75%, uma vez que mostrase desarrazoada a aplicação da multa agravada; também requer a juntada posterior de documentos que comprovam sua condição de representante comercial e provar que os valores que transitaram em suas contas bancárias pertencem a terceiros, e não só não foram juntados na presente data por motivos de força maior, alheios à vontade da impugnante. (término da transcrição do relatório constante no acórdão da DRJ/CTA) Em julgamento, a DRJ/CTA, por meio do Acórdão 0649.719, de 24 de outubro de 2014, julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não se tratar de caso de inobservância dos pressupostos legais para lavratura do auto de infração, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. O fornecimento de informações pelas instituições financeiras sobre a movimentação do sujeito passivo, na forma da Lei Complementar nº 105, de 2001, não constitui quebra de sigilo; tratase de medida que prescinde de autorização judicial quando promovida nos termos da lei, durante Fl. 879DF CARF MF Processo nº 19311.720377/201245 Acórdão n.º 1401002.030 S1C4T1 Fl. 876 9 procedimento fiscal no qual a autoridade tributária constate ser indispensável o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADE. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. É descabida a alegação de nulidade dos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins, ao argumento de que o MPF autorizaria apenas o procedimento fiscalizatório do IRPJ, porquanto verificação específica alguma foi efetuada nas bases de cálculo dessas contribuições, mas o § 2º do artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995, determina expressamente que a omissão de receitas apurada na fiscalização do IRPJ deve ser também considerada na base de cálculo dessas contribuições; ademais, eventual irregularidade na utilização do MPF poderá vir a ser objeto de repreensão disciplinar, mas jamais implicará nulidade dos atos praticados pelo auditorfiscal no pleno exercício das atribuições a ele conferidas por lei, de fiscalização e de lançamento de tributos e contribuições. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. CRÉDITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. A falta de apresentação dos arquivos digitais com a escrituração contábil e da documentação técnica correspondente justifica o agravamento da multa de ofício. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, ao PIS e à Cofins. Impugnação Improcedente Fl. 880DF CARF MF 10 Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão da DRJ em 13/11/2014, por meio da Intimação SECAT 957/2014 via ARECF (efl. 816) , a recorrente não apresentou o recurso voluntário tempestivamente. Assim, foi lavrado Termo de Perempção pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Jundiaí juntado e autenticado em 30/12/2014 e assinado digitalmente em 02/01/2015 , conforme trecho do termo e informações extraídas da página de autenticação anexo ao termo, abaixo (efl. 817): Trecho do Termo de Perempção Ref.: Termo de Perempção Transcorrido o prazo regulamentar de 30 (trinta) dias (Decreto nº 70.235/1972, art. 33) e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, lavrase este termo de perempção na forma da legislação vigente. Esgotado o prazo da cobrança amigável, sem que tenha sido cumprida a exigência fiscal, o processo será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional para cobrança executiva (art. 21, § 3º do Decreto 70.235/1972). Informações da Página de Autenticação Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUIS FILIPE ALVES DA COSTA em 30/12/2014 16:07:00. Documento autenticado digitalmente por LUIS FILIPE ALVES DA COSTA em 30/12/2014. Documento assinado digitalmente por: ANDERSON FELIX DE OLIVEIRA em 02/01/2015 Na data de 08/01/2015 (cf. efl. 819) a empresa apresentou Recurso Voluntário conforme razões ali destacadas. A recorrente informou que havia sido intimada na data de 10/12/2014, alegando que o recurso seria tempestivo. Entretanto, não apresentou nenhum documento que fizesse prova de que a intimação do resultado do julgamento da DRJ havia se dado em 10/12/2014. No CARF, o processo foi distribuído, cabendo a mim sua relatoria. É o Relatório. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 19311.720377/201245 Acórdão n.º 1401002.030 S1C4T1 Fl. 877 11 Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Intempestividade do Recurso Voluntário Como visto no relatório deste acórdão, o recurso voluntário foi apresentado intempestivamente. A ciência do acórdão da DRJ à recorrente se deu via ARECF (efl. 816) na data de 13/11/2014 (quintafeira), por meio da Intimação SECAT 957/2014. Logo, o início do prazo para interposição de recurso voluntário se deu em 14/11/2014 (sextafeira dia útil). O caput do art. 33 determina o prazo para interposição de recurso voluntário: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Da redação do dispositivo acima, vêse que o recurso voluntário deveria ter sido protocolado até a data de 15/12/2014 (segundafeira), pois seria o primeiro dia útil após o encerramento do prazo de 30 (trinta) dias, que seria em 13/12/2014 (sábado). Uma vez que o recurso voluntário proposto pela recorrente foi apresentado em 08/01/2015 (cf. protocolo de efl. 819), temse que o recurso voluntário foi proposto intempestivamente. A recorrente alegou em seu recurso voluntário que havia sido intimada da intimação da DRJ na data de 10/12/2014, informando que o recurso seria tempestivo. Entretanto, não apresentou nenhum documento que fizesse prova de que a intimação do resultado do julgamento da DRJ havia se dado em 10/12/2014. Assim, a decisão a quo deve ser mantida na íntegra. Conclusão Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 882DF CARF MF 12 Fl. 883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000860/2002-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 9101-000.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para saneamento do despacho de admissibilidade do Recurso Especial e para nova intimação dos interessados, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS S.A. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à câmara recorrida, para saneamento do despacho de admissibilidade do Recurso Especial e para nova intimação dos interessados, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 20 .0 00 86 0/ 20 02 -1 0 Fl. 2220DF CARF MF Processo nº 13820.000860/200210 Resolução nº 9101000.027 CSRFT1 Fl. 1.139 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela FAZENDA NACIONAL em face do Acórdão n. 10197.021 (Efls. 1933 ss.), proferido pela 1a. Turma do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, em que, por unanimidade de votos, acordou rejeitar a preliminar de homologação tácita de parte das DECOMP, por maioria de votos, se decidiu rejeitar a preliminar de impossibilidade da redução do IRPJ a restituir, por inexistência de lançamento de oficio para esse fim e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento ao recurso da contribuinte para reconhecer o seu direito creditório e homologar as compensações em litígio, em decisão assim ementada: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ HOMOLOGAÇÃO TÁCITA IMPOSSIBILIDADE. Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ, a serem regularmente comprovados, quando objeto de pedido de restituição ou compensação. IRPJ REVISÃO DE OFÍCIO É cabível a revisão de oficio imposto de renda apurado pelo contribuinte e informado na DIPJ, realizada pela autoridade tributária competente, mediante despacho decisório, cientificada antes do transcurso do prazo decadencial, sendo discipienda a lavratura de auto de infração. IRPJ REMUNERAÇÕES DE DEBENTURES DEDUTIBILIDADE LIMITES A legislação societária e fiscal prevê a possibilidade de a debênture assegurar participação no lucro da companhia, sem contudo impor um limite percentual do lucro. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO Para que se considere distribuição disfarçada de lucros, deve ficar suficientemente demonstrado que houve favorecimento por descontos maiores, sendo que a parcela tributável deve corresponder apenas à diferença entre o desconto dado a terceiros e o desconto dado à controladora. CSLL LANÇAMENTO REFLEXO Tratandose de lançamento reflexo, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que o vincula. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido.” A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (Efls. 1992 ss.) salientando a (i) indedutibilidade das despesas com remuneração das debêntures; (ii) inaplicabilidade do artigo 462 do RIR/99 ao presente caso; (iii) atipicidade da operação em comparação ao mercado; e (iv) ausência de comprovação do IRRF para efeito de compensação. Fl. 2221DF CARF MF Processo nº 13820.000860/200210 Resolução nº 9101000.027 CSRFT1 Fl. 1.140 3 O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade (Efls. 2046 ss.) que entendeu cumpridos os requisitos para o seguimento do recurso por divergência, tomando o acórdão n. 10321.543, citado pela Fazenda em suas razões, como paradigma para tal finalidade. Por último, a contribuinte ofereceu contrarrazões (Efls. 2061 ss.) ao recurso especial, alegando (i) sua intempestividade, (ii) a falta de demonstração de ofensa à lei ou à evidência de prova, (iii) preclusão quanto à matéria da distribuição disfarçada de lucros, (iv) inexistência de divergência e, então, tratou da operação em si e a regularidade da emissão de debêntures; (v) aplicabilidade do referido artigo 462; (vi) necessidade, normalidade e usualidade das despesas; (vi) excesso de glosas e necessidade de redução do crédito e (vii) homologação tácita das compensações. É o relatório. Voto Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora Uma preliminar que se coloca e se pensa determinante à análise do conhecimento do recurso especial diz respeito, objetivamente, à circunstância de haver sido interposto com base em contrariedade à lei ou evidência de prova, enquanto o despacho de admissibilidade procedeu à verificação de divergência e, nesses termos, o conheceu. Vejase, primeiramente, os trechos do recurso especial da Fazenda Nacional, que indicam o fundamento de sua interposição: “(…) A FAZENDA NACIONAL, com fundamento no artigo 7o. inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria MF no. 147, de 25/06/07), vem, interpor RECURSO ESPECIAL contra o acórdão de fIs.1851/1864, proferido por esta Câmara no processo administrativo em epígrafe, requerendo seu regular processamento e posterior remessa à egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. (...) II DO CABIMENTO Cumpre registrar que é aplicável, no caso em apreço, o artigo 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria n. 147 de 25/06/2007), para fins de interposição de recurso especial (por maioria). A superveniência do Regimento Interno do ConseIho Administrativo de Recursos Fiscais CARF (Portaria 256, de 22/06/2009), que extinguiu o recurso nessa modalidade somente opera efeitos em relação aos acórdãos proferidos após 01/07/2009. Feita essa observação, temos que, de acordo com o art. 7°, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, caberá, privativamente ao Fl. 2222DF CARF MF Processo nº 13820.000860/200210 Resolução nº 9101000.027 CSRFT1 Fl. 1.141 4 Procurador da Fazenda Nacional, interpor recurso especial de “decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”. Como será demonstrado, o acórdão violou os artigos 464, inciso VI, artigo 467, inciso V do RIR/99 e o artigo 47 da Lei 4.506/64. Houve, também, inobservância à evidência das provas contidas nos autos, conforme será demonstrado nos tópicos seguintes. (…)” Por seu turno, leiase as transcrições do Despacho de Admissibilidade que disseram se referir ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n. 10197.021, o mesmo indicado pelo recurso mencionado acima – embora as páginas citadas no recurso não correspondam à da digitalização obtida – que tratou durante todo o tempo de divergência, inclusive com a análise do acórdão n. 10321.543 supostamente como paradigma, que se compreende não ter sido indicado como tal no recurso especial, mas apenas utilizado como jurisprudência a sustentar as razões desenvolvidas, assim como o foi o acórdão 101 94986, que desta vez não foi apreciado: “(...) (...) Fl. 2223DF CARF MF Processo nº 13820.000860/200210 Resolução nº 9101000.027 CSRFT1 Fl. 1.142 5 (...) (...) Assim sendo, entendese que há um descasamento entre o despacho de admissibilidade e o recurso especial, que além de ter mencionado pautarse na contrariedade à evidência de lei ou prova, não trabalhou divergência, nem indicou acórdão paradigma. E, como o despacho não fez qualquer menção expressa ao afastamento daquela fundamentação, propõe se o retorno dos autos à autoridade competente para o seu saneamento, intimandose novamente os interessados, pois essa questão impede o prosseguimento do julgamento do recurso, sobretudo no que tange ao seu conhecimento. Por essas razões, VOTASE PELO RETORNO DOS AUTOS À AUTORIDADE COMPETENTE PELA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO PARA SANEAMENTO E NOVA INTIMAÇÃO DOS INTERESSADOS, COM RETORNO DOS AUTOS A ESTA RELATORA PARA CONTINUIDADE DO JULGAMENTO. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 2224DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.001954/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. APARENTE VÍCIO DE OMISSÃO. INCONFORMISMO PARTE RECORRENTE
A exigência de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, trata-se de exigência prevista em lei, mais especificamente nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96.
LEX MITIOR. OMISSÃO (IN)EXISTENTE. APLICAÇÃO DA LEI VIGENTE A ÉPOCA.
A penalidade prevista no § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 somente foi alterada com a Lei nº 13.137/2015, portanto, o acórdão que o recorrente pretende integrar foi proferido justamente de acordo com a lei vigente a época- tempus regict actum.
Numero da decisão: 1402-002.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 01/06/2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. APARENTE VÍCIO DE OMISSÃO. INCONFORMISMO PARTE RECORRENTE A exigência de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, trata-se de exigência prevista em lei, mais especificamente nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. LEX MITIOR. OMISSÃO (IN)EXISTENTE. APLICAÇÃO DA LEI VIGENTE A ÉPOCA. A penalidade prevista no § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 somente foi alterada com a Lei nº 13.137/2015, portanto, o acórdão que o recorrente pretende integrar foi proferido justamente de acordo com a lei vigente a época- tempus regict actum.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos de declaração. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
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APARENTE VÍCIO DE OMISSÃO. INCONFORMISMO PARTE RECORRENTE A exigência de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, tratase de exigência prevista em lei, mais especificamente nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. LEX MITIOR. OMISSÃO (IN)EXISTENTE. APLICAÇÃO DA LEI VIGENTE A ÉPOCA. A penalidade prevista no § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 somente foi alterada com a Lei nº 13.137/2015, portanto, o acórdão que o recorrente pretende integrar foi proferido justamente de acordo com a lei vigente a época tempus regict actum. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento aos embargos de declaração. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio César Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luís Pagano AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 19 54 /2 00 9- 17 Fl. 1100DF CARF MF 2 Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10320.001954/200917 Acórdão n.º 1402002.624 S1C4T2 Fl. 1.112 3 Tratase de embargos de declaração opostos em 27 de maio de 2016 por LOJAS GABRYELLA LTDA. em face do acórdão nº 1402001.817, julgado na sessão de 23 de setembro de 2014. A matéria de fundo do presente Recurso Voluntário é a imposição de multa isolada qualificada (art.18, Lei n.10833) sobre os débitos não compensados. Em sede do Recurso Voluntário alegou o contribuinte em suma que não restou comprovada a falsidade nem mesmo demonstrado o dolo do contribuinte a permitirse a aplicação de multa qualificada e, subsidiariamente, seu caráter confiscatório. Esta Eg.2ºT.O., da 4ªCâmara, da 1ªSecção, entendeu pela improcedência do recurso restando o acórdão assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/06/2008 RECURSO DE OFÍCIO MULTA DE OFÍCIO ISOLADA QUALIFICADA SOBRE OS DÉBITOS NÃO COMPENSADOS.COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DA CONDUTA DOLOSA. INAPLICABILIDADE. Incabível a imposição da multa isolada qualificada em virtude de débitos indevidamente compensados quando não comprovada a conduta dolosa por parte da pessoa jurídica nos termos do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pelo art. 18 da Lei nº 11.488, de 2007. RECURSO VOLUNTÁRIO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. PARCELAMENTO. EFEITO. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. O pedido de parcelamento envolvendo débitos incluídos em Declaração de Compensação somente inibe a aplicação da penalidade prevista no § 4º do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003 se realizado antes da expedição do Despacho Decisório que considerou não declarada a compensação. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. DECADÊNCIA. Considerase ocorrida a infração prevista no § 4º do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2001, na data da decisão administrativa que considerou não declarada a compensação. O direito de a fazenda pública aplicar a multa decai em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência da infração. Fl. 1102DF CARF MF 4 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA VEDADA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITO DE TERCEIROS. APLICAÇÃO. CABIMENTO. Tem cabimento que a multa de ofício isolada decorrente de compensação não declarada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) seja aplicada sobre o montante dos débitos indevidamente compensados, em face de DCOMPs consideradas não declaradas, por veicularem a utilização de créditos de terceiros. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO ISOLADA. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício isolada é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso de Ofício Negado. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Negado. Alega a embargante que o acórdão padece de contradição e omissão sob a alegação, respectivamente, de que presente impropriedade na imposição da multa isolada e impossibilidade de aplicação simultânea multa isolada e de ofício. Alega, também, que a decisão é omissa na medida em que deixa de aplicar a lei mais benigna retroativamente. Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10320.001954/200917 Acórdão n.º 1402002.624 S1C4T2 Fl. 1.113 5 Voto Conselheiro Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Conforme juízo de admissibilidade realizado pela Presidência desta turma, a partir das informações antes prestadas, somos pela admissibilidade dos presentes embargos na medida em que tempestivamente opostos. Sustenta a embargante que a não homologação de sua pretensão de compensação deuse exclusivamente em função da ausência de direitos creditórios não restando demonstrada falsidade de documento algum a permitir a aplicação de multa isolada qualificada. Os embargos tiveram seu processamento admitidos dada aparente omissão quanto a possibilidade de cumulação de multa de oficio com multa isolada e, subsidiariamente, quanto a aplicação retroativa da lex mitior. No que respeita a eventual impossibilidade de cumulação de multa de ofício com multa isolada suscitada como omissa no acórdão temse que a exigência de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, tratase de exigência prevista em lei, mais especificamente nos §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, cuja redação, à época da transmissão da declaração de compensação era a seguinte:: Art. 74. [...] 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. [...] § 17. Aplicase a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo Portanto, a autoridade fiscal autuante, ao cominar tal penalidade, tão somente aplicou expresso dispositivo de lei em vigência. Fl. 1104DF CARF MF 6 No que tange às questões que envolvem os princípios constitucionais e inconstitucionalidade de leis apontadas pela Recorrente, seu mérito não pode ser analisado por este Colegiado. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Portanto, voto por manter a exigência da penalidade. Do exposto, subsistente a multa passase a analisar a omissão aventada quanto a inaplicação retroativa da lei mais benéfica nos termos do art.106, III, do CTN (lex mitior). Muito embora, os argumentos expendidos pelo contribuinte ao pretender aplicação da lex mitior, temse que a penalidade prevista no § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 somente foi alterada com a Lei nº 13.137/2015 ao que o acórdão que o recorrente pretende integrar foi proferido justamente de acordo com a lei vigente a época, portanto, ausente omissão a ser apreciada nesta instância julgadora. Isso posto, voto por rejeitar os Embargos Declaratórios opostos. (assinado digitalmente) Relator Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 1105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900728/2013-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2011
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 28 /2 01 3- 54 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10805.900728/201354 Acórdão n.º 3201003.104 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.967, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10805.900728/201354 Acórdão n.º 3201003.104 S3C2T1 Fl. 4 3 no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10805.900728/201354 Acórdão n.º 3201003.104 S3C2T1 Fl. 5 4 demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10805.900728/201354 Acórdão n.º 3201003.104 S3C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 80DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.905444/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2008
CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE.
O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3201-002.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Foi proposto diligência pelo Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que foi afastado por voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade que votaram pela diligência.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Foi proposto diligência pelo Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que foi afastado por voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade que votaram pela diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
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ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. O pagamento indevido, assim como a certeza e liquidez do crédito, precisam ser comprovados pelo contribuinte nos casos de solicitações de restituições e/ou compensações. Fundamento: Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Foi proposto diligência pelo Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, que foi afastado por voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade que votaram pela diligência. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 54 44 /2 01 2- 69 Fl. 98DF CARF MF 2 Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 41 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 31 que manteve o despacho decisório de fls. 5, que não reconheceu os créditos de Cofins por não estarem comprovados. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. apontadas acima: "DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 38110629 emitido eletronicamente em 01/10/2012, referente ao PER/DCOMP nº 17434.06274.210708.1.2.040350. O Pedido de Restituição gerado pelo programa PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório correspondente a COFINS – Código de Receita 2172, tendo sido pleiteado crédito no valor de R$5.542,97, correspondente a Darf recolhido em 19/02/2008. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi INDEFERIDO. Como enquadramento legal citouse: art. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 22/10/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 07/11/2012, alegando que o valor correto da Cofins no período é aquele especificado, conforme DCTF retificadora, apresentada na oportunidade; que a diferença apurada referese à Cofins calculada indevidamente sobre a venda de Tubo de Escapamento, conforme § 2º, I, do art. 3º, da Lei nº 10.485, de 03.07.2002, que determina que ficam reduzidas a 0% as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; que o período entre o pagamento e a transmissão do PER em litigio é menor que 5 anos, portanto dentro do prazo com direito à restituição. Assim solicita que seja recebida a DCTF retificadora e reconhecido o crédito pleiteado." Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 31 foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10865.905444/201269 Acórdão n.º 3201002.880 S3C2T1 Fl. 98 3 Data do fato gerador: 31/01/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Após o protocolo do Recurso Voluntário, que reforçou as argumentações da Manifestação de Inconformidade de fls. 7, os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes estabelecidos no regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, merece conhecimento o tempestivo Recurso Voluntário. Verificase nos autos que o contribuinte solicitou a restituição e compensação de suposto crédito de Cofins, do período de apuração de 31/01/08, que teria sido pago de forma indevida, porque o Cofins teria sido pago sobre a receita decorrente de operação de venda do produto "Silencioso", para carros, que possui alíquota zero, conforme disposto na Lei 10.485/02, Art. 3.º, §2.º, I. Ou seja, se o produto "silencioso", de NCM 87.08, consta no Anexo I da Lei 10.485/02 e possui alíquota zero para o Cofins, o contribuinte teria pagado de forma indevida o tributo. Para comprovar o pagamento indevido o contribuinte juntou com sua peça de defesa planilhas elaboradas por contador, apuração do ICMS e Notas Fiscais para comprovar que comercializou os "silenciosos", assim como comprovou que pagou o Cofins no período de 31/01/08. Mas apesar da comprovação do pagamento do Cofins no período em que solicitou o crédito, é possível verificar que as Notas Fiscais juntadas são de 2005 e, portanto, não correspondem ao período de 31/01/08, de forma que continuou sem comprovação a origem do crédito. Fl. 100DF CARF MF 4 Por fim, para comprovar o crédito e configurar o pagamento indevido, o contribuinte teria de comprovar que comercializou os "silenciosos" no período em que solicitou o crédito, mas os documentos juntados no autos não comprovam. CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, com fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional e Art. 16 do Decreto 70.235/72, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001102/2005-04
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário:2002
DECISÃO DE 1A. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE
DEFESA. NULIDADE.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem
aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.
ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E
CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. SERVIÇOS DE FABRICAÇÃO E MANUTENÇÃO
DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS PARA REFRIGERAÇÃO.
A fabricação e a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos de refrigeração e ventilação de uso industrial não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
Numero da decisão: 1801-000.631
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. SERVIÇOS DE FABRICAÇÃO E MANUTENÇÃO DE MAQUINAS E EQUIPAMENTOS PARA REFRIGERAÇÃO. A fabricação e a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos de refrigeração e ventilação de uso industrial não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fl. 123DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade da interessada apresentada contra o indeferimento da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples. Consta dos autos que a empresa foi excluída do Simples, com efeitos a partir de 01/02/2002, pelo ADE 566.818, de 02/08/2004, da Delegacia da Receita Federal em Presidente Prudente/SP (fls. 16), por praticar atividade vedada para ingresso e permanência na sistemática, qual seja, a atividade de “instalação, reparação e manutenção de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação de uso industrial” – Código CNAEFiscal no. 2924/602. Cientificada da exclusão a interessada protocolizou a SRS de fls. 18/19, na qual afirma, em suas palavras, que “mantém a sua atividade de fabricação de balcões e câmaras frigoríficos e pequenos reparos na manutenção desses bens, sendo esta atividade desempenhada pelo próprio contribuinte, com experiência adquirida empiricamente, sem a necessidade de requerer mão de obra especializada (engenheiro mecânico). porém quando da classificação do CNAE foi classificado como 29246/02 e o correto é 29246/00”. A SRS foi indeferida e cientificada à contribuinte que interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 01/09 na qual argumenta que não haveria, na legislação que rege a matéria, qualquer referência à atividade praticada pela empresa, de fabricação e manutenção de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação, como sendo vedada para ingresso no Simples, ou que tais atividades se assemelhariam a qualquer uma que necessite de profissionais legalmente habilitados. Contestou os efeitos retroativos da exclusão em respeito ao princípio do direito adquirido. Apreciando o litígio a 1a. Turma de Julgamento, indeferiu o pleito ao argumento de que as atividades desenvolvidas pela empresa seriam privativas do profissional da engenharia, regulamentadas pela Lei no. 5.194, de 1966 e pela Resolução no. 218, de 1973, do CONFEA. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10835.001102/200504 Acórdão n.º 180100.631 S1TE01 Fl. 112 3 Cientificada, em 17/07/2008, do indeferimento de sua solicitação, como comprova o Termo de Vista ao Processo de fl. 104, apresentou, a contribuinte, em 22/07/2008, o recurso voluntário de fls. 107 a 28. Afirma inicialmente que, não obstante as razões declinadas anteriormente, durante o lapso de aguardo para a apreciação do recurso, acabou por ter reconhecida legalmente a sua permanência no SIMPLES, conforme os termos da Lei Complementar n° 123/2006 (Art. 17, § 1°, XI). Assim, persistiria a lide em relação ao período anterior, iniciado quando da comunicação do desenquadramento, datada de agosto/2004, com efeito retroativo a janeiro/1997 (data da opção), consoante expressa menção feita no acórdão ora recorrido, o que não poderia subsistir por não ter sido apreciada a questão no seu todo, especialmente o aspecto formal do desenquadramento; e ainda, porque naquilo que se referiria ao mérito do recurso o desenquadramento teria sido efetivado à mingua de previsão expressa de lei, decorrendo de mera ilação da autoridade que o determinou. Assim, o acórdão recorrido nada teria apreciado acerca da retroatividade combatida e sua violação aos princípios constitucionais mencionados. Pugnou pela improcedência do ato de exclusão do simples. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminarmente. Inicialmente verifico que os argumentos de defesa contra os efeitos retroativos da exclusão do Simples apresentados pela recorrente na manifestação de inconformidade não foram objeto de apreciação pela autoridade da DRJ em Ribeirão Preto, o que poderia acarretar a nulidade daquela decisão, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do inciso II do artigo 59 do Decreto n o. 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal – PAF. Entretanto, deixo de pronunciar tal nulidade, em respeito ao disposto no § 3º do mesmo dispositivo legal, com a redação dada pela Lei n o. 8.748, de 1993, 8o, que determina que, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta, razão pela qual passo a apreciação do mérito. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 Mérito O cerne do litígio diz respeito às atividades exercidas pela empresa excluída da sistemática simplificada de pagamento de impostos e contribuições federais – Simples Federal – se seriam vedadas para ingresso e permanência nesse sistema ou, ao contrário, se estariam entre as vedações impostas pelo inciso XIII do artigo 9o. da Lei no. 9.317, de 1996. Compulsando os autos verifico que foram juntadas, às fls. 34 e seguintes, a pedido da própria autoridade julgadora de 1a. instância, cópias de notas fiscais de emissão da empresa recorrente. Tendo em conta que o presente processo foi analisado, nesta instância de julgamento, por meio de mídia eletrônica – digitalização e/ou escaneamento – as cópias de algumas das notas fiscais não se encontram inteiramente legíveis. Naquelas que puderam ser visualizadas constam, invariavelmente, a seguinte descrição: 1) bebedouros em aço inox; 2) cubas de aço inox; 3) mesas em aço inox, No resultado da análise da SRS – fl. 13 – o agente encarregado da análise do pedido de revisão da exclusão afirmou: Em atendimento à Intimação n° 220/2005, de 15.04.2.005, a solicitante apresentou os talões de vendas utilizados a partir de fevereiro de 2.002, dos quais tiramos cópia de 14 notas fiscais relativas à prestação de serviços, e 46 notas referentes à fabricação de produtos, que juntamos ao presente dossiê. Verificase que a requerente fabrica e comercializa, bebedouros em aço inox, cubas de aço inox, mesas em aço inox, bebedouro em chapa branca, mesa para sorvete, fabricador de gelo, geladeira comercial 4 portas em aço inox, sorveteira para picolé e massa, caixa térmica e chapa galvanizada, geladeira comercial para cozinha, e presta serviços de reparos e manutenção dos produtos citados, inclusive em balcões frigoríficos e Unidades resfriadoras de água. Assim, a partir dos elementos constantes dos autos não se pode afirmar que a empresa pratica atividades típicas ou privativas dos profissionais de engenharia ou, ainda, que os serviços por ela prestados se assemelham aqueles serviços prestados por engenheiros ou por qualquer outro profissional cujo exercício da profissão dependa de regulamentação. No que toca, especificamente, às atividades descritas pelo código CNAE Fiscal 2924/602, “instalação, reparação e manutenção de máquinas e aparelhos de refrigeração e ventilação de uso industrial”, este órgão colegiado já pacificou seu entendimento, expressado na súmula CARF n o. 57: Súmula CARF no. 57. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10835.001102/200504 Acórdão n.º 180100.631 S1TE01 Fl. 113 5 (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 127DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 05/07/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 05/07/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
score : 1.0
Numero do processo: 16004.720375/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
REEXAME PERÍODO FISCALIZADO E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS.
O REEXAME de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN.
DECADÊNCIA - INCORRÊNCIA.
Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
NULIDADE DA DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE.
O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 - DJe 15/06/2016).
CREDITAMENTO DO IPI. PRECLUSÃO.
O valor da exigência do IPI corresponde à diferenças de imposto decorrentes da falta de recolhimento do imposto lançado em não escriturado e falta de recolhimento do IPI em virtude de utilização de créditos indevidos não pode ser conhecida face das alegações apresentadas somente na fase recurso, respeito a impossibilidade de supressão de instancia, nos limites do que determina o art. 17 do Decreto 70.235/72.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO.
A completa omissão no atendimento das solicitações fiscais, sem qualquer resposta, positiva ou negativa, quanto aos questionamentos feitos pelo Auditor-Fiscal, dificulta o bom e célere andamento da auditoria, caracterizando embaraço à fiscalização, justificando o agravamento da penalidade.
MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA E TAXA SELIC.
Súmula CARF 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS
Uma vez comprovado que as condutas dolosas não foram adstritas apenas a alguns fatos isolados, mas sim ao próprio modo de operação da empresa, é legal a atribuição de responsabilidade tributária a todos os sócios administradores.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONTADOR.
Cabível a atribuição da responsabilidade solidária aos mandatários, prepostos e administradores de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de ofício decorram de atos daqueles, praticados com infração dolosa à lei.
Numero da decisão: 1401-001.852
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade relacionada ao reexame de período já fiscalizado. Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin (Relatora) e Lívia De Carli Germano e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da empresa, mantendo a qualificação da multa. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor; e II) Por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos recursos voluntários do Sr. He Xing e do Contador, Sr. Luiz Carlos Monacci, mantendo as respectivas responsabilidades tributárias.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino Da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes De Oliveira Neto e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
Nome do relator: Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 REEXAME PERÍODO FISCALIZADO E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. O REEXAME de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN. DECADÊNCIA - INCORRÊNCIA. Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. NULIDADE DA DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 - DJe 15/06/2016). CREDITAMENTO DO IPI. PRECLUSÃO. O valor da exigência do IPI corresponde à diferenças de imposto decorrentes da falta de recolhimento do imposto lançado em não escriturado e falta de recolhimento do IPI em virtude de utilização de créditos indevidos não pode ser conhecida face das alegações apresentadas somente na fase recurso, respeito a impossibilidade de supressão de instancia, nos limites do que determina o art. 17 do Decreto 70.235/72. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. A completa omissão no atendimento das solicitações fiscais, sem qualquer resposta, positiva ou negativa, quanto aos questionamentos feitos pelo Auditor-Fiscal, dificulta o bom e célere andamento da auditoria, caracterizando embaraço à fiscalização, justificando o agravamento da penalidade. MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA E TAXA SELIC. Súmula CARF 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS Uma vez comprovado que as condutas dolosas não foram adstritas apenas a alguns fatos isolados, mas sim ao próprio modo de operação da empresa, é legal a atribuição de responsabilidade tributária a todos os sócios administradores. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONTADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária aos mandatários, prepostos e administradores de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de ofício decorram de atos daqueles, praticados com infração dolosa à lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade relacionada ao reexame de período já fiscalizado. Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin (Relatora) e Lívia De Carli Germano e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da empresa, mantendo a qualificação da multa. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor; e II) Por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos recursos voluntários do Sr. He Xing e do Contador, Sr. Luiz Carlos Monacci, mantendo as respectivas responsabilidades tributárias. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino Da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes De Oliveira Neto e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 REEXAME PERÍODO FISCALIZADO E REVISÃO DE LANÇAMENTO. PROCEDIMENTOS DISTINTOS. O REEXAME de período já fiscalizado, na circunstância em que cuida tão somente de complementação de constituição de crédito tributário em relação a matérias diversas das alcançadas pelo procedimento fiscal anterior, não se confunde com REVISÃO DE LANÇAMENTO, não se submetendo, assim, às disposições do art. 149 do CTN. DECADÊNCIA INCORRÊNCIA. Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. NULIDADE DA DECISÃO DE 1a. INSTÂNCIA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 DJe 15/06/2016). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 03 75 /2 01 3- 12 Fl. 8807DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.808 2 CREDITAMENTO DO IPI. PRECLUSÃO. O valor da exigência do IPI corresponde à diferenças de imposto decorrentes da falta de recolhimento do imposto lançado em não escriturado e falta de recolhimento do IPI em virtude de utilização de créditos indevidos não pode ser conhecida face das alegações apresentadas somente na fase recurso, respeito a impossibilidade de supressão de instancia, nos limites do que determina o art. 17 do Decreto 70.235/72. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO. A completa omissão no atendimento das solicitações fiscais, sem qualquer resposta, positiva ou negativa, quanto aos questionamentos feitos pelo AuditorFiscal, dificulta o bom e célere andamento da auditoria, caracterizando embaraço à fiscalização, justificando o agravamento da penalidade. MULTA. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA E TAXA SELIC. Súmula CARF 03: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SÓCIOS Uma vez comprovado que as condutas dolosas não foram adstritas apenas a alguns fatos isolados, mas sim ao próprio modo de operação da empresa, é legal a atribuição de responsabilidade tributária a todos os sócios administradores. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONTADOR. Cabível a atribuição da responsabilidade solidária aos mandatários, prepostos e administradores de fato da pessoa jurídica, quando os créditos tributários exigidos no lançamento de ofício decorram de atos daqueles, praticados com infração dolosa à lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 8808DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.809 3 Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade relacionada ao reexame de período já fiscalizado. Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin (Relatora) e Lívia De Carli Germano e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário da empresa, mantendo a qualificação da multa. Designado o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes para redigir o voto vencedor; e II) Por unanimidade de votos, negar provimento em relação aos recursos voluntários do Sr. He Xing e do Contador, Sr. Luiz Carlos Monacci, mantendo as respectivas responsabilidades tributárias. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino Da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes De Oliveira Neto e Luiz Rodrigo De Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 1050.577 3ª Turma da DRJ/POA que manteve o lançamento de IPI, quando por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares de nulidade e de decadência para no mérito julgar improcedente a impugnação para manter a exigência do IPI, no valor de R$ 9.786.577,30 e respectivos juros de mora e multa de ofício no percentual de R$ 150%, contra a autuada e os responsáveis solidários He Xing e Luiz Carlos Monacci. Os autos foram remetidos para julgamento nesta turma em razão da Resolução 3402000.841 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, que por unanimidade votou pelo não conhecimento dos presentes recursos voluntários, devendo o processo ser direcionado ao Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, 1ª Turma, 4ª Câmara, 1ª Seção do CARF, para julgamento conjunto com Processo o principal de n. 16004.720366/201321, que lhe foi distribuído em 05/05/2016. Na Resolução 3402000.841, restou consignado que: Compulsando as informações trazidas aos autos, constatase a Autoridade Administrativa, levantando que haveria por parte da HBuster sonegação de tributos federais, em 17 de outubro de 2013 lavrou dois autos de infração contra a empresa, dando origem aos processos administrativos n. 16004.720366/201321 e 16004.720375/201312. Fl. 8809DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.810 4 No primeiro, promoveu a cobrança de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, enquanto no segundo, ora em julgamento, lançou o IPI entendido como devido. Tratase, claramente, de processos reflexos (vide fls 8434 do Termo de Verificação Fiscal), com base no que dispõe o artigo 6º, §1º, inciso III do Registro que o Regimento Interno do CARF (“RICARF”). No que tange à competência para julgamento de processos reflexos, o RICARF sofreu reforma com o advento da Portaria n. 343, de 09 de junho de 2015, de modo que passou à 3ª Seção do Conselho a competência para julgamento dos processos que versam sobre o IPI, mesmo se reflexos de processos principais de competência da 1ª Seção, quando o lançamento tributário não constasse do mesmo processo fiscal que o lançamento do tributo principal (artigo 2º, inciso IV). Em razão da término do mandato do Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, o processo principal 16004.720366/201321 e este a ele reflexo foram a mim redistribuidos. Feitos esses esclarecimentos, por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso: Tratase de impugnação tempestiva contra auto de infração lavrado pela DRF em São José do Rio Preto/SP, para exigir Imposto sobre Produtos Industrializados, no valor de R$ 9.786.577,30, acrescido de juros de mora no valor de R$ 4.719.216,53 e multa de ofício de R$ 14.679.865,97, no percentual de 150%, o que totalizou crédito tributário de R$ 29.185.659,80, na data da autuação. As infrações apontadas no auto de infração foram: falta de recolhimento do IPI lançado e não escriturado –o estabelecimento industrial escriturou em seus Livros Registro de Saídas valores de IPI inferiores aos destacados nas respectivas notas fiscais e declarou/recolheu apenas os saldos devedores apurados a partir dos valores assim escriturados; crédito básico indevido – o estabelecimento recolheu imposto a menor em decorrência da utilização de crédito não lastreado em documentação hábil e idônea. Fazem parte do auto de infração os demonstrativos de apuração do crédito e devida fundamentação legal, bem como a planilha de reconstituição da escrita de IPI. O Termo de Verificação Fiscal – TVF consta na fl. 8.434 em diante e a seguir será sintetizado. A ação fiscal foi realizada a partir de constatações de auditoria no estabelecimento matriz da empresa, que culminou com lavratura de autos de infração relativos aos tributos IRPJ, CSLL, PIS e Cofins cujos fatos geradores ocorreram durante o ano calendário 2008. De acordo com o contrato social, ambos estabelecimentos tem por objeto as atividades de produzir, industrializar, comercializar, importar e exportar alto falantes, auto rádio, auto rádio com CD player, auto rádio com MP3, auto rádio DVD player, alarmes, módulos de potência, telas LCD, aparelhos eletroeletrônicos para uso em veículos em geral; DVD player, televisores do tipo LCD, monitores do tipo LCD, aparelhos eletroeletrônicos para uso residencial em geral; aparelhos de telefonia móvel, telefonia fixa, equipamentos de telecomunicação em geral; aparelhos de informática e acessórios, bem como prestar assistência técnica desses produtos. Todavia, o procurador da empresa, Sr. Luiz Carlos Monacci esclarece que a matriz é apenas um escritório, sendo toda a comercialização realizada pela filial. Fl. 8810DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.811 5 No anocalendário 2008 a empresa apurou o IRPJ pela sistemática do Lucro Real Trimestral. A DIPJ 2009 (Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica) transmitida antes do início da ação fiscal aponta saldos devedores de IPI na ficha 20 (Apuração do Saldo do IPI), cujos pagamentos constam nos bancos de dados da RFB, exceto quanto ao mês de dezembro, quando foi recolhido valor inferior ao declarado na DIPJ, porém coincidente com o declarado em DCTF. Foram apresentados o Livro Registro de Entradas e Livro Registro de Saídas, notas fiscais referentes a janeiro de 2008 e 01 CD contendo arquivos em excell referentes a 2008. Com base nestes dados e a partir de informações dos arquivos mensais de notas fiscais relativos ao anocalendário de 2008, apresentados/transmitidos durante ações fiscais anteriores (arquivos do SINTEGRA), por critério de amostragem (maiores valores e CFOP Códigos Fiscais de Operação que compõem a receita bruta), foram selecionados 59 (cinqüenta e nove) contribuintes, entre clientes e fornecedores da HBUSTER, que foram circularizados. Os fornecedores foram intimados a apresentar demonstrativo de todas as vendas efetuadas para o estabelecimento filial da HBUSTER, no período compreendido na auditoria, bem como cópia digitalizada dos comprovantes de recebimento e das notas fiscais emitidas, enquanto os clientes do estabelecimento foram intimados a apresentar demonstrativo de todas as aquisições efetuadas no período e cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento e das notas fiscais correspondentes. De acordo com as respostas obtidas, o autuante constatou que a escrituração, nos Livros Registro de Saídas, foi feita em valores inferiores aos constantes nas notas fiscais de saída emitidas pela empresa, sendo que alguns clientes apresentaram comprovantes de pagamento de tais diferenças. A consolidação desses valores está no Demonstrativo das Diferenças Mensais (folhas 8425 a 8433), anexo ao auto de infração, que decorre da infração descrita no TVF como falta de recolhimento do IPI lançado e não escriturado. Com relação aos créditos informados em DIPJ, a fiscalização apontou que, apesar de reiteradas intimações, a autuada não comprovou os pagamentos efetuados aos fornecedores emitentes das notas fiscais que geraram os créditos de IPI escriturados, bem como o efetivo recebimento das mercadorias, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, ou, no caso de devoluções ou retorno, a apresentação de documentação comprobatória dos requisitos previstos no art. 169, II, do Decreto nº 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI – RIPI/2002). Também não foi apresentado o Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI, nem o Diário e o Razão. Assim, os créditos informados em DIPJ foram considerados indevidos, diante da falta de comprovação. Da mesma forma, a autuada não justificou a diferença de R$ 67.983,38 entre o débito de IPI no mês de dezembro de 2008 informado em DIPJ e o efetivamente recolhido e declarado em DCTF. Refeita a escrita fiscal do IPI, foi dada ciência ao contribuinte das conclusões dos autuantes através do Termo de Constatação e Intimação nº 08 (fl. 6.774 a 6.778), concomitante à concessão de prazo de 20 dias para manifestarse a respeito, o que não foi atendido. Considerando a existência de evidente intuito de fraude, conforme definido nos artigos 71, 72 e 73 da lei 4.502, de 1964 (sonegação, fraude e conluio), foi Fl. 8811DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.812 6 exigida multa de ofício qualificada (150%) prevista no art. 80, § 6º, inciso II da Lei n° 4.502, de 1964, incluído pela Lei n° 11.488, de 2007. APURAÇÃO DE RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA Foram lavrados Termos de Sujeição Passiva Solidária(fls. 8453 e 8454) para atribuir aos Senhores HE XING e LUIZ CARLOS MONACCI a responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído de ofício, em razão da prática de escriturar nos livros fiscais e contábeis da HBUSTER valores inferiores aos constantes nas suas notas fiscais de saída, inclusive informando em DIPJ e DACON e declarando em DCTF valores de receitas e de tributos inferiores aos efetivamente auferidos e devidos. Também foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, em cumprimento ao disposto no artigo 1º do Decreto n° 2.730/1998 e Portaria RFB n° 2.439/2010. A empresa autuada e os sujeitos passivos solidários apresentaram impugnações tempestivas. Apreciadas as impugnações, o lançamento foi julgado mantido por unanimidade. A preliminar de carência de liquidez e certeza em relação ao lançamento foi afastada com base nos seguintes fundamentos: Termo de Constatação e Intimação nº 08 (fl. 6.774 a 6.778) dá conta de que a fiscalização solicitou, em diversas oportunidades, todas sem sucesso, que o contribuinte apresentasse o Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI – e demais documentos relacionados nos itens 1 a 11 do Termo de Início de Procedimento Fiscal, de 30/11/2012 (fl. 6482 a 6570). Antes da lavratura do auto de infração, foi dada ciência das conclusões do procedimento fiscal referentes ao IPI, com a concessão de prazo de 20 dias para que o contribuinte se manifestasse, apresentando documentos hábeis e idôneos que corroborassem suas afirmações, o que também não foi atendido. O Termo de Arrolamento (processo nº 16004.720400/201368) foi lavrado em 17/09/2013, e encaminhado ao contribuinte por via postal, sendo recebido no dia 19/09/2014. No dia 18/09/2013 o auto de infração foi encaminhado para os Correios, com seus anexos, dentre os quais estão os demonstrativos de apuração do crédito tributário e as planilhas de reconstituição da escrita fiscal. Diante da negativa do contribuinte em receber o respectivo envelope, foi feita intimação por edital (fl. 8458), fixado em 26/09/2013. O processo permaneceu na repartição do domicílio fiscal do contribuinte, no prazo regulamentar, disponível para vista e para obtenção de certidões ou cópias reprográficas dos dados e documentos que o integram, de acordo com o art. 38, § 2º, da Lei nº 9.250/1995 e art. 46 da Lei nº 9.784/1999, e ainda, aguardando o pagamento dos valores lançados ou a impugnação. Incabível, portanto, a alegação de nulidade, sob o pretexto de cerceamento de defesa. Quanto à alegação de que o lançamento careceria de liquidez e certeza, pois não teriam sido considerados os pagamentos efetuados, devese referir sua total improcedência, pois referidos pagamentos foram sim computados. Com efeito, o valor da exigência do IPI no presente auto de infração corresponde ao somatório das seguintes parcelas: Fl. 8812DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.813 7 (1) diferenças entre o valor destacado em notas fiscais apresentadas por adquirentes da autuada e as informações do Livro Registro de Saídas, no qual tais operações, lançadas a menor, serviram para apuração dos saldos devedores informados em DIPJ, objeto dos pagamentos efetuados; (2) diferença entre o saldo devedor declarado no mês de dezembro de 2008 e o pagamento efetuado, que foi a menor; e, (3) créditos de IPI utilizados na escrita para compensação de débitos do período, glosados por falta de comprovação. Dessa forma, estando o lançamento devidamente delimitado quanto a seu valor e corretamente calculado, com relação à base legal, o que lhe confere características de liquidez e certeza, são igualmente descabidas as alegações de nulidade, com base na suposta ausência desses requisitos. Restou também afastada a preliminar de decadência, nos seguintes termos: No presente caso, os saldos devedores efetivos são superiores ao que foi declarado pelo contribuinte e além disso, os créditos utilizados para abater tais débitos foram glosados, o que resultou na existência de saldos devedores em todos os períodos, como se verifica na “Planilha de Reconstituição de Escrita do IPI”, que integra o auto de infração, pelo que os recolhimentos do imposto nesses mesmos períodos foram inferiores ao devido, não configurando pagamentos do IPI, para fins de aperfeiçoar o lançamento por homologação, motivo pelo qual a contagem do prazo decadencial de cinco anos não ocorre a partir da data dofato gerador (regra específica do lançamento por homologação) e, sim, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, que é a regra geral do art. 173, I, do CTN (art. 129, II, do RIPI/2002). A par disso, os autuantes apontaram evidente intuito de fraude nos atos do contribuinte, o que, por si só, já afasta a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Dessa forma, em relação aos períodos compreendidos na autuação (janeiro a dezembro de 2008), o prazo decadencial iniciou em 1o de janeiro de 2009 e findou cinco anos depois, em 1o de janeiro de 2014, o que afasta a alegação de decadência, considerando a ciência do auto de infração em setembro de 2013. No mérito, considerando que a impugnação apresentada pela empresa limitouse às alegações de decadência e argumentos relativos à nulidade, arguidas em preliminar, bem como o caráter confiscatório da multa de ofício, a inaplicabilidade da Taxa Selic como juros de mora, e a necessidade de redução da multa de ofício para o percentual de 75%, sem, no entanto, contestar exigência do IPI, o lançamento foi julgado procedente, por considerar tal matéria não impugnada, conforme art. 17 do Decreto70.235/72. Em relação as arguições acerca do caráter confiscatório da multa de oficio, foi aplicado o entendimento da Súm. Carf n. 02 e quando a inaplicabilidade da Taxa Selic como juros de mora, restou reconhecida sua legitimidade com base na Súm. Carf n. 03 e 04. A multa qualificada foi mantida considerando ter a empresa agido com ânimo de fraudar ao do fato de o contribuinte ter registrado nos livros fiscais que foram apresentados à fiscalização, valores inferiores aos constantes nas notas fiscais de saída emitidas, informando em DIPJ os mesmos valores registrados na contabilidade, fato evidenciado na circularização efetuada pelos autuantes, descrita no item VI do TVF e que resultou na apuração dos valores consolidados no Demonstrativo das Diferenças Mensais (fls. 8425 a 8433). Mantida a responsabilidade solidária do sócio He Xing, administrador da H Buster conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 8452/8453, pelo imposto não recolhido em virtude dos fatos relatados no TVF, com base nos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional. Fl. 8813DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.814 8 Responsabilizado também o contador da HBuster, o Sr. Luiz Carlos Monacci, tendo em vista que ele representou a autuada no curso da ação fiscal, em decorrência de procuração para este fim. Além disso, teve participação nas condutas que culminaram com a autuação e qualificação da multa, assinando livros, termos, gerando arquivos de contabilidade e contribuindo para a prática apontada pelos autuantes como dolosa. A ciência do resultado do julgamento da DRJ pela empresa HBuster deuse através do domicílio eletrônico em 18/09/2014 (fl.8606) e pelo solidários He Xing e Luiz Carlos Monaci, via AR 09/09/2014, sendo os Recursos Voluntários protocolizados tempestivamente em 22/09/2014 (fl. 8773), 25/09/2014 (fl. 8622) e 17/09/2014 (fl.8609) respectivamente, repisando em suma os argumentos apresentados em sede de impugnação. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir Voto Vencido Conselheira Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Os recursos reúnem as condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminares: NULIDADE POR OFENSA AOS ARTS. 145 E 149 DO CTN. Alega a Recorrente que o período autuado já tinha sido fiscalizado e, uma vez que esse reexame não teria sido motivado, estarseia ofendendo aos artigos 145 e 149 do CTN. Isto porque, logo na introdução do Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal admite que aqui tratamos de reexame de período já fiscalizado com relação ao ano de 2008. A fiscalização primitiva teria sido realizada com base no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) 08.1.1.13.002010000615, sendo que este supostamente envolveria os tributos IPI, PIS e COFINS. No entanto, como não juntou cópia do referido MPF original, a fiscalização impediu que o recorrente apresentasse argumentos sobre a veracidade de tais informações, causando cerceamento de defesa. Segue argumentando que caso a nulidade suscitada não seja declarada, o lançamento baseado em reexame de período já fiscalizado foi realizado em ofensa aos arts. 145 e 149 do CTN e ao art. 50, inciso VI da Lei 9.784/99, pois a autoridade fiscal consignou a existência de autorização para reexame de período já fiscalizado conforme documento que consta dos autos. Porém, tal documento não apontou qualquer motivação para justificar o reexame autorizado, limitandose a citar dispositivos da legislação que exigem a autorização. Tratandose de ato administrativo sem motivação, tal autorização é nula. Neste seguir, entendo que assiste razão à recorrente, pois autorização para reexame de período já fiscalizado (fl.2) limitouse aos seguintes dizeres: Fl. 8814DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.815 9 Também não foi aposta aos autos cópia do MPF 08.1.13.002010000615, que permitisse à Recorrente conhecer os motivos da primeira fiscalização, a causa do encerramento dela, o porquê não resultou autuação naquele momento ou tampouco saber a razão pela qual voltou a ser fiscalizada, embora dessa segunda fiscalização tenha resultado a autuação em questão. Realmente, o Termo de Constatação e Intimação nº 08 (fl. 6.774 a 6.778) dá conta de que a fiscalização solicitou, em diversas oportunidades, todas sem sucesso, que o contribuinte apresentasse o Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI – e demais documentos relacionados nos itens 1 a 11 do Termo de Início de Procedimento Fiscal, de 30/11/2012 (fl. 6482 a 6570), contudo, não supre a carência de motivação em relação a causa do reexame do período já fiscalizado. Não há como negar que a inexistência de motivação para a revisão de lançamento procedida pelo fiscal autuante, de fato contrariou o disposto no artigo 149, caput, incisos IV e VIII, do CTN, os quais determinam, respectivamente, que o fisco poderá revisar de oficio lançamento anterior na hipótese de existência de fato novo ou não provado, ou mesmo quando se comprovar erro ou omissão na autuação pretérita. Determina o art. 145 do CTN: “Art. 145, O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: [...] III — iniciativa de oficio da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. " Por sua vez, temos o conteúdo do art. 149 do CTN, in verbis: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: 10 I quando a lei assim o determine; Fl. 8815DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.816 10 II guando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar ã aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior: IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial. A definitividade do lançamento e a necessidade de justificar um novo reexame em uma das hipóteses do art. 149 do CTN, já foi apreciada pela 2a. Câmara da CSRF em voto de relatoria do Conselheiro Rycardo Magalhaes de Oliveira em junho de 2008, conforme precedente trazido pela Recorrente em seu Voluntário: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1999 a 30/11/2002 Ementa: NORMAS PROCEDIMENTAIS. REFISCALIZAÇÃO. ARTIGO 149, CTN. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO DOS FATOS ENSEJADORES DA REVISÃO DE LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA AUTUAÇÃO. A revisão de lançamento fiscal somente poderá ser levada a efeito quando devidamente enquadrada no artigo 149, e incisos, do CTN, impondo, ainda, ao fiscal autuante a devida comprovação da ocorrência de uma ou mais hipóteses permissivas constantes daquele dispositivo legal, em observância à segurança jurídica dos atos administrativos, bem como à ampla defesa e contraditório do contribuinte, sob pena de improcedência da autuação. REVISÃO DE LANÇAMENTO. TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL OMISSO. O Termo de Verificação Fiscal tem por finalidade demonstrar/explicitar de forma clara e precisa todos os procedimentos e critérios utilizados pela fiscalização na constituição do crédito tributário, possibilitando ao contribuinte o pleno direito da Fl. 8816DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.817 11 ampla defesa e contraditório, sobretudo quando decorrente de revisão de lançamento, com fulcro no artigo 149, do CTN. CONCOMITÂNCIA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. DESISTÊNCIA VIA ADMINISTRATIVA. A existência de discussão judicial de matéria idêntica a objeto de exame na esfera administrativa implica na desistência tácita deste último contencioso a propósito de referido tema, conforme preceitos contidos no artigo 47, § 2º, do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. REP negado e REC não conhecido Além do precedente apontado pela Recorrente, há julgado mais recente, proferido pela 3a Câmara da CSRF em 08/11/2016, de Relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos mantendo esse mesmo entendimento: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2000 a 31/05/2000 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Recurso Especial do Procurador negado. Ademais, interpretando os artigos 145 e 149 do CTN, ao analisar a possibilidade de revisão de lançamento pela autoridade fiscal, já se manifestou o STJ em recurso submetido à sistemática do art. 543C do CPC/1973. Dessa decisão, é de se destacar: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IPTU. RETIFICAÇÃO DOS DADOS CADASTRAIS DO IMÓVEL. FATO NÃO CONHECIDO POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO ANTERIOR (DIFERENÇA DA METRAGEM DO IMÓVEL CONSTANTE DO CADASTRO). RECADASTRAMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. 1. A retificação de dados cadastrais do imóvel, após a constituição do crédito tributário, autoriza a revisão do Fl. 8817DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.818 12 lançamento pela autoridade administrativa (desde que não extinto o direito potestativo da Fazenda Pública pelo decurso do prazo decadencial), quando decorrer da apreciação de fato não conhecido por ocasião do lançamento anterior, ex vi do disposto no artigo 149, inciso VIII, do CTN. 2. O ato administrativo do lançamento tributário, devidamente notificado ao contribuinte, somente pode ser revisto nas hipóteses enumeradas no artigo 145, do CTN, verbis: "Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149." 3. O artigo 149, do Codex Tributário, elenca os casos em que se revela possível a revisão de ofício do lançamento tributário, quais sejam: "Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública." 4. Destarte, a revisão do lançamento tributário, como consectário do poderdever de autotutela da Administração Tributária, somente pode ser exercido nas hipóteses do artigo 149, do CTN, observado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 5. Assim é que a revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário. Fl. 8818DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.819 13 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estarconsignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) "O comando dispõe sobre a apreciação Fl. 8819DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.820 14 de fato não conhecido ou não provado à época do lançamento anterior. Dizse que este lançamento teria sido perpetrado com erro de fato, ou seja, defeito que não depende de interpretação normativa para sua verificação. Frisese que não se trata de qualquer 'fato', mas aquele que não foi considerado por puro desconhecimento de sua existência. Não é, portanto, aquele fato, já de conhecimento do Fisco, em sua inteireza, e, por reputálo despido de relevância, tenhao deixado de lado, no momento do lançamento. Se o Fisco passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento anterior, com fulcro no artigo 146, do CTN, (...). Neste art. 146, do CTN, prevêse um 'erro' de valoração jurídica do fato (o tal 'erro de direito'), que impõe a modificação quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua ocorrência. Não perca de vista, aliás, que inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior." (Eduardo Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707) 9. In casu, restou assente na origem que: "Com relação a declaração de inexigibilidade da cobrança de IPTU progressivo relativo ao exercício de 1998, em decorrência de recadastramento, o bom direito conspira a favor dos contribuintes por duas fortes razões. Primeira, a dívida de IPTU do exercício de 1998 para com o fisco municipal se encontra quitada, subsumindose na moldura de ato jurídico perfeito e acabado, desde 13.10.1998, situação não desconstituída, até o momento, por nenhuma decisão judicial. Segunda, afigurase impossível a revisão do lançamento no ano de 2003, ao argumento de que o imóvel em 1998 teve os dados cadastrais alterados em função do Projeto de Recadastramento Predial, depois de quitada a obrigação tributária no vencimento e dentro do exercício de 1998, pelo contribuinte, por ofensa ao disposto nos artigos 145 e 149, do Código Tribunal Nacional. Considerando que a revisão do lançamento não se deu por erro de fato, mas, por erro de direito, visto que o recadastramento no imóvel foi posterior ao primeiro lançamento no ano de 1998, tendo baseado em dados corretos constantes do cadastro de imóveis do Município, estando o contribuinte notificado e tendo quitado, tempestivamente, o tributo, não se verifica justa causa para a pretensa cobrança de diferença referente a esse exercício." 10. Consectariamente, verificase que o lançamento original reportouse à área menor do imóvel objeto da tributação, por desconhecimento de sua real metragem, o que ensejou a posterior retificação dos dados cadastrais (e não o recadastramento do imóvel), hipótese que se enquadra no disposto no inciso VIII, do artigo 149, do Codex Tributário, razão pela qual se impõe a reforma do acórdão regional, ante a higidez da revisão do lançamento tributário. Fl. 8820DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.821 15 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (sem grifo no original). REsp 1130545 / RJ RECURSO ESPECIAL 2009/00568067 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 09/08/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 22/02/2011 Seguindo as balizas estabelecidas por esse acórdão, que vincula os membros das turmas de julgamento deste Conselho (art. 62, § 2º, do Regimento Interno do Carf Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), e limitando essa análise ao que foi alegado pelo contribuinte em seu recurso voluntário não identifico fato novo que possa justificar a revisão de ofício, até mesmo porque não consta na "Autorização de Reexame de Período Já Fiscalizado" de fl. 02, nenhum esclarecimento nesse sentido. Nesse contexto, nos termos da legislação referida, demonstrado que as omissões incorridas pelo fisco contaminam a exigência fiscal decorrente de procedimento de revisão de lançamento, tornandoa precária, não lhe oferecendo certeza ou liquidez, principalmente pelo fato de se mostrar insanável e ferir o princípio da segurança jurídica. Neste seguir, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a nulidade do lançamento face à ausência comprovação dos fatos ensejadores da revisão de lançamento, conforme arts. 145 e 149 do CTN. Tendo sido vencida em relação à primeira preliminar, passo a análise dos demais pontos do recurso. DECADÊNCIA. Os Recorrentes se insurge em relação à regra para contagem do prazo decadencial, arguindo em seu favor a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o. do CTN, segundo a qual segundo ele chegariase a conclusão de que o lançamento cientificado em 09/2013 não poderia alcançar fatos geradores anteriores a 09/08, o que torna o lançamento parcialmente improcedente, posto que conforme essa regra, os fatos geradores ocorridos até 08/2008 estariam todos atingidos pelo prazo decadencial. Contudo, milita em desfavor da tese aventada pelo Recorrente o conteúdo da Súmula CARF nº 72, pela qual: "Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN". Verificase nos autos a presença de multa qualificada em razão de fraude, apontado conduta do contribuinte no sentido de não apresentar livros auxiliares e documentos de sua escrituração objetivou esconder da fiscalização tributária a omissão tributária, demonstrando sua consciência da utilização do artifício doloso de registrar contábil e fiscalmente receitas de vendas em valores menores àqueles constantes das respectivas notas fiscais emitidas, caracterizando a circunstância qualificadora do ilícito tributário a merecer a duplicação da multa básica. Nesse seguir, mantenho a decisão recorrida em relação ao não reconhecimento da decadência, ainda que parcial do período autuado. Fl. 8821DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.822 16 CERCEAMENTO DE DEFESA A recorrente alega cerceamento de defesa por não ter tido acesso aos documentos que instruíram a autuação, posto que todas as vezes que compareceu a repartição fiscal foi informada que os autos estavam indisponíveis por conta de providencias a serem implementadas pelo fiscal lançador. Observo que para reconhecimento da nulidade, era imperioso o apontamento preciso, com comprovação do prejuízo sofrido por esse motivo, não a mera alegação genérica quando à dificuldade de elaboração da defesa em razão de dificuldades em relação ao acesso aos autos. Ademais não consta dos autos qualquer documento que ateste que a impugnante teria comparecido “por diversas vezes” à repartição fiscal e que, em todos esses momentos, o acesso aos autos do processo lhe fora negado, motivo pelo qual não é possível se aceitar tal alegação por falta de provas. De toda forma, o autuante consignou em seu relatório fiscal e nos formulários próprios do auto de infração, os fundamentos fáticos e legais que o levaram a concluir pela ocorrência da infração fiscal, tendo a contribuinte tomado regular ciência de tais documentos. Além disso, no relatório, os autuantes explicaram detalhadamente a maneira como apuraram a base de cálculo que, associados aos demonstrativos de cálculos dos formulários do auto de infração, permitiram a contribuinte ter ciência da maneira pela qual os tributos exigidos foram determinados. Portanto, os documentos essenciais para que a fiscalizada tivesse exercido sua ampla defesa em relação â acusação fiscal lhe foram entregues, devendo ser também rejeitada esta alegação de nulidade. NULIDADE DA DECISÃO DE 1A INSTÂNCIA. A Recorrente reclama nulidade da Decisão de 1a Instancia pela falta de análise de todos os argumentos apostos na impugnação. Contudo na decisão recorrida se vê que a turma não foi omissa na análise do que era relevante para a questão, ao concluir pela legitimidade do lançamento uma vez que foram apreciados os pontos necessários à formação do livre convencimento do julgador. Ademais, conforme jurisprudência pacífica, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos suscitados pelas partes quando já tenha encontrado motivo suficiente para sustentar sua decisão. É nessa linha que o STJ vem mantendo seu entendimento, reiterado recentemente, já na vigência do novo CPC: (...) O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida (STJ, EDcl no MS 21315 / DF, S1 – DJe 15/06/2016). Fl. 8822DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.823 17 Assim, ainda que a Turma tenha se exaurido na análise de todas as questões veiculadas, não há no julgado nenhuma nulidade que implique em seu cancelamento. MÉRITO Conforme relatado, a impugnação apresentada pela empresa limitouse às alegações de decadência e argumentos relativos à nulidade, arguidas em preliminar, bem como o caráter confiscatório da multa de ofício, a inaplicabilidade da Taxa Selic como juros de mora, e a necessidade de redução da multa de ofício para o percentual de 75%, sem, no entanto, contestar o mérito da exigência do IPI. De acordo com o art. 17 do Decreto 70.235/1972, com a redação dada pela Lei 9.532/1997, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que resulta, no presente caso, na manutenção integral da exigência do imposto. Desta forma, na falta de impugnação em relação ao valor da exigência do IPI corresponde à diferenças de imposto decorrentes da falta de recolhimento do imposto lançado em não escriturado e falta de recolhimento do IPI em virtude de utilização de créditos indevidos, nesta fase, resta preclusa qualquer análise em relação a essa matéria. DA MULTA QUALIFICADA Argui a Recorrente que inexiste conjunto probatório suficiente à ocorrência de fraude. Na decisão de piso, restou suficientemente demonstrado que ficou evidenciado e provado nos autos, conforme a descrição da ação fiscal relatada no TVF. A conclusão de que haveria fraude contábil e fiscal decorre, em síntese, do fato de o contribuinte ter registrado nos livros fiscais que foram apresentados à fiscalização, valores inferiores aos constantes nas notas fiscais de saída emitidas, informando em DIPJ os mesmos valores registrados na contabilidade, fato evidenciado na circularização efetuada pelos autuantes, descrita no item VI do TVF e que resultou na apuração dos valores consolidados no Demonstrativo das Diferenças Mensais (fls. 8425 a 8433). Com tal conduta HBUSTER teve por objetivo elidir o fisco, pois embora de acordo com a contabilidade, referidos valores, que não representam os valores reais das operações, foram adotados para apuração e recolhimento do IPI, exceto no mês de dezembro de 2008, resultando, na prática, em falta de recolhimento do imposto efetivamente devido nessas operações. Tal constatação pode também ser sintetizada nas seguintes afirmações, colhidas do item VIII– DA FRAUDE CONSTATADA, do TVF: “Ou seja, a contabilidade foi feita de modo a apresentar apenas os valores escriturados em seus livros fiscais, os quais estão de acordo com os valores informados na DIPJ. ... Não há como afastar o evidente intuito de fraude contábil e fiscal de um contribuinte que emite diversas notas fiscais de saída por um determinado valor e que registra em seus livros valores inferiores aos verdadeiros.” A propósito ressaltase que é no livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8 o qual não foi apresentado que deverão ser registrados os totais dos valores contábeis e dos valores fiscais das operações de entrada e saída, extraídos dos livros Fl. 8823DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.824 18 próprios, atendido o CFOP, os débitos e os créditos do imposto, os saldos apurados e outros elementos que venham a ser exigidos, de acordo com o art. 399 do RIPI/2002. O art. 312 do mesmo Regulamento também prevê a necessidade de conservação do documentário fiscal para fins de exibição aos agentes do Fisco, até que cesse o direito de constituir o crédito tributário. A falta de apresentação dos livros e documentos fiscais comprobatórios que foram solicitados no decorrer da auditoria corrobora a intenção, apontada no TVF, de dificultar o conhecimento, de forma individualizada, das pessoas e dos valores envolvidos, em especial, na atividade de venda de suas mercadorias e na comprovação dos créditos utilizados para abater dos débitos declarados, evidenciando conduta dolosa. O conjunto dos fatos verificados no caso sob exame colocam em evidência o propósito de construção de uma pretensa realidade formal destinada a reduzir recolhimentos do IPI, seja mascarando, senão ocultando, a sua base de cálculo, e também reduzindo o saldo devedor a ser recolhido, pela utilização de créditos não comprovados. Residem aí os fundamentos para a qualificação da multa de ofício, cujos fundamentos legais foram antes referidos. No Demonstrativo das Diferenças Mensais (fls. 8425 a 8433) realmente é possível constatar a escrituração a menor efetivada pela contribuinte, que culminou nas infrações de IPI em julgamento, que sequer foram impugnadas quanto ao seu mérito. Razão pela qual, mantenho a qualificação da multa. DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. Em relação as outras arguições de natureza constitucional, destacase o conteúdo da súmula CARF nº 2, segundo a qual: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC COMO JUROS DE MORA Os juros de mora, incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, são equivalentes à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo, até o mês anterior ao do pagamento, e de um por cento no mês do pagamento. Ressaltese que esse entendimento consta, inclusive, da Súmula nº 3, segundo a qual: Súmula CARF 03: "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Juízo esse que veio a ser mantido pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Fl. 8824DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.825 19 pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.”, RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SÓCIO DIRETOR. Contra He Xing, administrador da HBuster foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 8452/8453, pelo imposto não recolhido em virtude dos fatos relatados no TVF, com base nos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, Como mencionado no item anterior, a fraude à lei esta presente quando se verifica a presença de notas fiscais escrituradas a menor com vistas a obtenção de vantagem tributária, independentemente do volume de notas escriturado. O Demonstrativo de Diferenças Mensais (fls. 8425 a 8433) é composto por um relatório de várias laudas apontando que apontam a escrituração a menor identificada pela autoridade autuante, que demonstram a prática de ato doloso em infração à lei. Anoto que tal demonstrativo só foi possível após a circularização feita aos fornecedores para que a autoridade fiscal pudesse ter acesso às notas fiscais para confrontálas com os registros contábeis lançados nos Livros de Entrada e Saída de IPI, quando ficou demonstrada a escrituração a menor. Assim, mantenho a responsabilidade tributária do Sr. He Xing. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO CONTADOR. Assevera o Sr. Luiz Carlos Monacci que é contador há muitos anos e presta serviços para diversas empresas da capital e região, por meio de seu escritório de contabilidade e em relação a empresa HBuster sua acessoria contábil foi sempre externa, por meio de funcionarios de seu escritório responsáveis pela escrituração de documentos contábeis que eram encaminhados pela cliente. não tinha autonomia nem poder de decisão em relação ao cumprimento das obrigações tributárias da empresa contribuinte, só escriturava os documentos que recebia, sem qualquer poder de gestão. a procuração que detinha lhe conferia poderes gerais necessários apenas a execução de seu trabalho. Não tinha e não teve nenhuma relação direta com a situação que constituiu os fatos geradores das obrigações tributárias. Por outro lado, a acusação fiscal responsabilizao sob fundamento de que: "o Sr. Luiz Carlos Monacci, representou a autuada no curso da ação fiscal, em decorrência de procuração para este fim. Além disso, teve participação nas condutas que culminaram com a autuação e qualificação da multa, assinando livros, termos, gerando arquivos de contabilidade e contribuindo para a prática apontada pelos autuantes como dolosa". As condutas consistentes em acompanhamento de fiscalização ou assinatura de livros contábeis, fazem parte do cotidiano do profissional contábil, e não bastam por si só para responsabilizálo solidariamente pelo pagamento de tributos que eventualmente possam a vir a ser devidos por seus clientes em razão de fraude por eles cometida, contudo no caso em questão, temse clara a participação do Recorrente no cometimento do ilícito quando ele promove, ou no mínimo se responsabiliza pela a escrituração contábil a menor de notas fiscais nos livros de registro da empresa, nos moldes do art. 135, inciso II, do CTN. Fl. 8825DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.826 20 Ante o exposto, voto no sentido de negar procedência ao recurso para manter a responsabilidade solidária do contador Luiz Carlos Monacci. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 8826DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.827 21 Voto Vencedor Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Redator Designado. A ilustre Conselheira Relatora acolheu as preliminares de nulidade do lançamento com base em três razões: (i) violação do direito de defesa, uma vez que a fiscalização aduziu que se trata de reexame de período já fiscalizado, mas não juntou cópia do Mandado de Procedimento Fiscal; (ii) ofensa aos artigos 145 e 149 do CTN; e (iii) inexistência de motivação para reexame de período já fiscalizado. Pois bem, com as devidas vênias, discordamos do seu posicionamento em relação às três questões. Com relação à não apresentação pela autoridade do MPF anterior, não havia tal ônus. Afinal, não podemos perder de vista que a autoridade fiscal tem competência para lançar inclusive sem a emissão de MPF, como já assentado na jurisprudência administrativa. A título exemplificativo, transcrevo a ementa do Acórdão 1201001.574, de 02/03/2017: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária, não podendo dar causa à nulidade do lançamento eventual irregularidade na sua emissão ou prorrogação. Se a autoridade tivesse simplesmente realizado o lançamento, sem qualquer menção a um MPF anterior, cuja emissão nem sequer é essencial para a validade da constituição do crédito tributário, caberia ao recorrente provar que já havia sido fiscalizado anteriormente no período e que o requisito da autorização para o reexame não havia sido cumprida. Em segundo lugar, deve ficar caracterizado um efetivo prejuízo para o administrado, o que não se caracterizou no presente feito pela razão que apontamos acima e porque o reexame é ato discricionário do Delegado da Receita Federal de forma similar ao ato de início de uma fiscalização. Aliás, é por isso que também não deve prosperar a alegação de ausência de motivação do ato de reexame. Da mesma forma que a autoridade fiscal não precisa explicitar as razões que a levaram a fiscalizar uma empresa, o delegado não é obrigado a tornar público os motivos que o levaram a autorizar uma nova fiscalização. Apontar tais motivos implicaria revelar quais são os critérios adotados pelas autoridades para selecionar os contribuintes a serem fiscalizados e, com base nessas informações, poderiam os contribuinte burlar os critérios de seleção e a própria fiscalização. É por essa razão que o Código Tributário Nacional, em seu art. 3º, estabelece como vinculada apenas a atividade de cobrar, pois a fiscalização é tipicamente discricionária. Por fim, não houve violação dos artigos 145 e 149 do CTN pelo simples fato de que tais dispositivos se aplicam a situação diversa, qual seja, à retificação do lançamento. Fl. 8827DF CARF MF Processo nº 16004.720375/201312 Acórdão n.º 1401001.852 S1C4T1 Fl. 8.828 22 Retificar corresponde a alterar um lançamento anterior. Já reexame corresponde a uma nova verificação de um determinado período com a realização de um ou mais lançamentos diversos de eventuais outros que possam ter sido realizados no exame anterior. A defesa confunde ato com procedimento. Retificação é a alteração de um ato, no caso, o lançamento; reexame é a repetição de um procedimento, qual seja, o de auditoria das atividades do contribuinte num determinado período de tempo. Os art. 145 e 149 do CTN estabelecem requisitos para a retificação do lançamento, não para o reexame de período já fiscalizado. Ademais, cumpreme consignar que já tive oportunidade de tratar dessas mesmas matérias no Acórdão 1401001.768, de 25/01/2017, da minha relatoria. Lá consignei: A autorização para novo exame foi empreendida em razão do lançamento realizado no processo administrativo nº 16682.721105/201175. Tratase de matéria diversa, apesar de haver identificação do mesmo período de apuração. Nesse caso, não há que se falar em revisão do lançamento. Os procedimentos fiscais não tem por objetivo analisar por completo a apuração empreendida pelo sujeito passivo. Dada a complexidade de apuração desse tributo, seu objeto é específico. A revisão, nos termos do art. 149, para o IRPJ, deve ser empreendida apenas em relação à matéria efetivamente examinada, não em relação a todos os itens que compõe a apuração do IRPJ. Desse modo, voto para rejeitar as preliminares suscitadas; no mais sigo o voto da ilustre relatora. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 8828DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.001942/96-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1992
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO
Admitida pela legislação a compensação sem processo entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional, não se pode indeferir o pedido de reconhecimento de indébito tributário, tendo em conta os limites do direito creditório pleiteado. Os valores de ILL pagos a maior em períodos anteriores e compensados com o ILL devido por estimativa no 1o semestre de 1992, converteram-se em ILL pago/compensado deste período.
INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA
Para a configuração do indébito tributário não basta comprovar o pagamento. Cumpre fazer a prova hábil e suficiente da correta determinação da base de cálculo do tributo.
Numero da decisão: 1302-002.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ILL Recorrente SANTANDER S.A. SERVIÇOS TÉCNICOS E ADMINISTRATIVOS E DE CORRETAGEM DE SEGUROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1992 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO Admitida pela legislação a compensação sem processo entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional, não se pode indeferir o pedido de reconhecimento de indébito tributário, tendo em conta os limites do direito creditório pleiteado. Os valores de ILL pagos a maior em períodos anteriores e compensados com o ILL devido por estimativa no 1o semestre de 1992, converteramse em ILL pago/compensado deste período. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA Para a configuração do indébito tributário não basta comprovar o pagamento. Cumpre fazer a prova hábil e suficiente da correta determinação da base de cálculo do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 19 42 /9 6- 69 Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 13808.001942/9669 Acórdão n.º 1302002.288 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0519.279, de 17 de setembro de 2007, da 2ª Turma da DRJ de Campinas SP que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o direito creditório em litígio, deferindo em parte o pedido de restituição, conforme a seguir exposto. O ponto central, referese ao pedido do compensação de 26/09/1996, sob a alegação de existência dos seguintes indébitos tributários: (i) CSLL relativa ao anocalendário de 1989; (ii) ILL relativo ao anocalendário de 1992; (iii) IRPJ e CSLL a restituir apurados na DIRPJ 1996 (anocalendário 1995). A Recorrente requer a compensação dos créditos de IRPJ e ILL com débitos de mesma espécie, com as parcelas vincendas de parcelamento deferido em 02/01/1996, nos termos da Lei n° 8.383/91, 9.250/95 e da Instrução Normativa n° 67/92. Junta documentação de fls.03/125. Às fls. 127, 129, 130, 131, 132, 134, 135, 136, 137, 139, 140, foram juntadas as petições de inclusão dos seguintes débitos na compensação com o direito creditório invocado: Fls. Data do Pedido Data de Protocolo Tributo Per. Apur. Vencimento Valor 127 30/01/1998 30/01/1998 CSLL 31/12/1997 31/01/1998 372.792,82 129 23/03/1998 N/C CSLL 28/02/1998 31/03/1998 92.965,17 130 23/03/1998 N/C IRPJ 28/02/1998 31/03/1998 43.628,36 131 28/02/1998 N/C CSLL 31/01/1998 28/02/1998 24.340,53 133 06/05/1998 N/C IRPJ 31/01/1997 28/02/1997 2.022,73 134 06/05/1998 N/C CSLL 31/01/1997 28/02/1997 7.325,28 Fls. Data do Pedido Data de Protocolo Tributo Per. Apur. Vencimento Valor 135 06/05/1998 N/C CSLL 31/03/1998 30/04/1998 30.825,37 136 23/07/1998 N/C CSLL 30/04/1998 31/05/1998 79.673,19 137 23/07/1998 N/C CSLL 31/05/1998 30/06/1998 192.602,27 138 28/09/1998 N/C CSLL 31/07/1998 31/08/1998 51.713,97 139 28/09/1998 N/C CSLL 31/08/1998 30/09/1998 64.807,63 140 02/03/1999 14/04/1999 CSLL 30/09/1998 31/10/1998 31/10/1998 30/11/1998 30/11/1998 31/12/1998 31/12/1998 31/01/1999 68.308,40 145 26/05/1999 28/05/1999 CSLL 31/03/1999 30/04/1999 64.331,19 146 26/05/1999 28/05/1999 CSLL 31/01/1999 28/02/1999 262.430,38 147 26/05/1999 28/05/1999 IRPJ 31/01/1999 28/02/1999 502.370,09 148 26/05/1999 28/05/1999 CSLL 28/02/1999 31/03/1999 15.958,75 149 14/01/2000 N/C CSLL 30/09/1999 31/10/1999 73.815,96 150 14/01/2000 17/01/2000 CSLL 30/11/1999 31/12/1999 740.855,59 151 14/01/2000 17/01/2000 CSLL 31/07/1999 31/08/1999 25.312,32 160 06/10/2000 10/10/2000 CSLL 31/12/1999 31/01/2000 10.585,55 Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 13808.001942/9669 Acórdão n.º 1302002.288 S1C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente requereu a desistência (fl. 132) da compensação solicitada nas fls. 127, tendo em conta a superveniente apuração de IRPJ e CSLL a restituir no anocalendário de 1997. Requereu compensação, em 10/10/2000 (fl. 159), da estimativa de CSLL devida no mês de dezembro de 1999, no valor de R$ 10.585,55. Em resposta à intimação de 18/12/2000 (AR, fl. 161v), a contribuinte foi intimada a demonstrar os valores dos pagamentos indevidos de CSLL e ILL, respectivamente, dos anoscalendário de 1989 e 1992. Da mesma forma, dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no anocalendário de 1995, em relação aos quais deveria justificar o porquê de os pagamentos terem sido efetuados somente até maio de 1995. Consta do mesmo ato, intimação específica para que a empresa elucidasse o valor efetivamente pleiteado no presente processo de restituição/compensação. A Recorrente foi instada também a demonstrar as compensações das parcelas vincendas do parcelamento deferido com o direito creditório relativo à CSLL e ao ILL. E ainda, como teria chegado aos valores de IRPJ de janeiro e dezembro de 1993; e qual a relação entre os Darf ali mencionados com as DIRPJ dos anosbase de 1989 e 1990. A Recorrente pediu prorrogação de prazo para resposta (fl. 162). Posteriormente, em resposta (fl. 164), a Recorrente esclareceu que não houve compensação dos créditos, em questão, com os débitos do parcelamento deferido, que era debitado automaticamente em conta corrente da empresa e se extinguiu com o pagamento da parcela n° 60/60 em 28/12/2000. Para as demais solicitações, procede à juntada da documentação de fls. 165/296. Em 11/03/2002 (AR, fl. 163v) a Recorrente foi intimada (fls. 163) a comparecer na DRF Santo André/SP para apresentar esclarecimentos a respeito do presente processo. Novamente em 13/08/2002 (AR, fl. 297v), a contribuinte teria sido intimada a demonstrar: (i) as compensações em DCTF dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados no anocalendário de 1995, e o saldo a compensar ainda disponível; (ii) o saldo atualizado do ILL, com demonstrativos das compensações já efetuadas; (iii) os valores que compõem o valor de R$ 4.941.195,59, consignado na DIRPJ 1996 (Ficha 17 Linha 08) como Impostos a Recuperar; (iv) as receitas financeiras e o IRRF constante da DIRPJ 1996. Em resposta, a contribuinte juntou a documentação de fls. 298/408. No Despacho Decisório de 02/09/2005, de fls. 459/461, a DRF Santo André/SP, reconheceu o direito creditório, relativo ao saldo remanescente de ILL pago em 1992 no valor de R$65.291,50, em 31/12/1995. Salientouse, ainda que os débitos relativos à CSLL de julho, setembro e novembro de 1999 teriam sido compensados com fundamento na prerrogativa do art. 66 da Lei n° 8.383/91, art. 14 da IN SRF n° 21/97, não remanescendo cobrança a ser feita no âmbito dos presentes autos. A Manifestação de Inconformidade apresentada foi apreciada pela DRJ, cujo Acórdão registrou a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 13808.001942/9669 Acórdão n.º 1302002.288 S1C3T2 Fl. 5 4 Admitida, pela legislação, a compensação sem processo entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional, não se pode indeferir o pedido de reconhecimento de indébito tributário, tendo em conta os limites do direito creditório pleiteado. Os valores de ILL pagos a maior em períodos anteriores e compensados com o ILL devido por estimativa no 1o semestre de 1992, converteramse em ILL pago/compensado deste período. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA Para a configuração do indébito tributário não basta comprovar o pagamento. Cumpre fazer a prova hábil e suficiente da correta determinação da base de cálculo do tributo. A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido (fls. 535/539), em 25/08/2009 (fl. 3576), via AR. Interpôs recurso voluntário (fls. 549/565), em 19/11/2007 (fl. 1068). Reitera o valor do pedido de indébito tributário relativo ao ILL, apurado no 1 semestre de 1992, atualizado até 31/12/1995, de R$69.894,36. Procede à demonstração dos valores pagos da seguinte forma: Per. Apur. Vencimento Valor devido UFIR Valor recolhido Darf UFIR Valor Comp UFIR jan/fev 1992 31/07/1992 78.522,52 72.968,20 5.554,32 mar/abr 1992 31/08/1992 78.522,52 78.522,52 mai/jun 1992 30/09/1992 78.522,52 78.522,52 Totais 235.567,56 230.013,24 5.554,32 Informa que, posteriormente, procedeu à utilização do crédito de 235.567,56 UFIR para compensar o ILL devido no 2o semestre de 1992 de 131.117,30 UFIR e o IRPJ devido de dezembro de 1993 de 20.108,08 UFIR, tendo remanescido para utilizações futuras o valor de 84.342,18 UFIR (ou R$ 69.894,36), valor este cujo reconhecimento teria requerido no presente pedido de restituição/compensação sob apreciação. Contesta a decisão recorrida, que ratificou o entendimento da DRF Santo André/SP, quanto ao deferimento apenas parcial do direito creditório no valor de R$65.291,50 (equivalente a 78.787,86 UFIR), por entender que o valor de 5.554,32 UFIR já teria sido compensado. Tal seria a matéria em litígio. A respeito, esclarece que este valor não teria sido utilizado para extinguir parte do crédito tributário de ILL de janeiro e fevereiro de 1992, mas pelo contrário, corresponderia à parcela que teria deixado de ser paga, porque quitada por compensação. Em suas palavras: "No entanto, se foi reconhecido o crédito atinente ao recolhimento a maior do ILL do 1o semestre de 2002, e o montante de 5.554,32 UFIR foi utilizado para extinguir parte da primeira parcela (jan/fev de 1992) do imposto devido, não há que se falar em indeferimento da pretensão da Requerente. Ao contrário do que a decisão combatida assevera, o direito creditório deve contemplar os valores pagos (230.013,24 UFIR) Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 13808.001942/9669 Acórdão n.º 1302002.288 S1C3T2 Fl. 6 5 e o valor compensado (5.554,32 UFIR). Essa é a tônica do direito de reaver os valores indevidamente recolhidos aos cofres públicos". Explica que, nos períodos de apuração de 1989 e 1990, teria apurado crédito de ILL, decorrente de pagamentos a maior, no valor de 5.554,32 UFIR, utilizado para compensar parte do valor devido de ILL no período de janeiro e fevereiro de 1992. Após o encerramento do anocalendário de 1992, ao apurar o ILL devido, verificou que todas as antecipações efetuadas no 1o semestre de 1992 seriam indébitos tributários. Requer o reconhecimento do indébito tributário no valor de 5.554,32 UFIR. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e os recorrentes estão regularmente representados. Conheço do recurso. Inicialmente, verifico que inserese entre as matérias de competência desta 2a. Turma Ordinária, as questões postas sobre o ILL (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. RICARF, "Art. 2º. À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: VII tributos, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções." Na forma relatada, o presente litígio referese ao direito creditório decorrente de pagamentos indevidos de estimativas de ILL, 1o semestre de 1992, face à apuração de prejuízo contábil, no encerramento daquele período de apuração. A Recorrente teria requerido o reconhecimento do indébito tributário no valor de 84.342,18 UFIR (R$ 69.894,36) e a DRF teria reconhecido apenas 78.787,86 UFIR (R$ 65.291,50), redundando no valor em litígio de 5.554,32 UFIR (R$ 4.602,86). Os valores foram atualizados, segundo as prescrições do art. 53 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005 (DOU de 30/12/2005), pelo valor da UFIR vigente em 1º de janeiro de 1996, correspondente a R$ 0,8287. Ressaltese que o valor do direito creditório em litígio de 5.554,32 UFIR, relativo à estimativa de ILL, devida nos meses de janeiro e fevereiro de 1992, não foi recolhido em 31/07/1992, mas compensado com suposto valor indevido de ILL dos períodos de apuração de 1989 e 1990. Verificase, portanto, conforme destacado pela DRJ, que houve equívoco na decisão da DRF, quanto ao deferimento do suposto direito creditório, tendo em vista que, o valor teria sido compensado e não pago. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 13808.001942/9669 Acórdão n.º 1302002.288 S1C3T2 Fl. 7 6 À época, considerandose que, a legislação admitia a compensação sem processo e, consequentemente, sem prévio pedido, entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional, não se poderia indeferir o pedido, à vista dos limites do direito creditório pleiteado, qual seja: o saldo negativo de ILL do 1º semestre de 1992. Admitida legalmente a compensação sem processo, não haveria que se falar, por tanto, em ausência de pedido em relação aos supostos indébitos de ILL de períodos anteriores, na medida que os valores de ILL, pagos a maior, em períodos anteriores e compensados com o ILL, devido por estimativa no 1º semestre de 1992, converteramse em ILL pago/compensado deste período. Para comprovar os indébitos tributários de ILL relativos aos Exercícios de 1990 e 1991 (anosbase de 1989 e 1990), juntaramse os seguintes documentos: 1. original do Darf de fls. 66, no qual se verifica a compensação de 5.554,32 UFIR, com os valores devidos de estimativa de ILL em janeiro e fevereiro de 1992, sendo que 2.416,13 UFIR se referem ao ILL do Ex. 1990 (anobase 1989) e 3.138,19 UFIR se referem ao ILL do Ex. 1991 (anobase 1990); 2. original do Darf de fls. 83, no qual se verifica o pagamento do ILL apurado em 31/12/1989, em 30/04/1990, no valor de Cr$ 4.344.157,58 (104.092,00 BTN); 3. original do Darf de fls. 100, no qual se verifica o pagamento do ILL apurado em 31/12/1990, em 30/04/1991, no valor de 126.101.670,66; 4. cópia do Darf de fls. 168, no qual se verifica o pagamento do ILL apurado em 31/12/1991, em 30/04/1992, no valor de 194.678.936,70 (Exercício 1992); 5. cópias da Declaração de Rendimentos do IRPJ Ex. 1990 (anobase 1989), original e retificadora esta última com recibo de entrega em 28/12/1990, de fls. 24/30, na qual não consta um campo específico para determinação da base de cálculo e do ILL devido; 6. cópias da Declaração de Rendimentos do IRPJ Ex. 1991 (anobase 1990), original e retificadora, com recibos de entregas datados, respectivamente, de 31/05/1991 e 19/12/1991 fls. 84/91 e 92/99, sendo que na retificadora no Anexo 4 Quadro 5 consta a Demonstração da Base de Cálculo do Imposto sobre o Lucro Líquido, no valor de Cr$ 997.613.290,00; 7. demonstrativo de fls. 295 que ratifica a determinação da base de cálculo do ILL informada na DIRPJ 1991 (anobase 1990), no valor de Cr$ 997.613.289,99, com a apuração do ILL no valor de Cr$ 79.809.063,20; 8. demonstrativo de registros do Razão Auxiliar em UFIR conta: Valores a Recuperar, subconta: ILL Recolhido por Estimativa, a partir de 31/12/1992, com saldo inicial de 235.597,56 UFIR (fls. 212/218); 9. resposta de intimação de fl. 277 de seguinte teror: Exercício 1990 Períodobase 1989 ILL Imposto criado pela Lei n° 7.713/88, porém não foi previsto na Declaração de Rendimentos de Exercício, Anexo específico para informação do referido imposto. Na Declaração de Rendimentos, este imposto está sendo informado no Passivo a Recolher, e no Patrimônio Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 13808.001942/9669 Acórdão n.º 1302002.288 S1C3T2 Fl. 8 7 Líquido (lucro acumulado), como redução do Lucro Líquido do Exercício. Exercício 1991 Períodobase 1990 ILL Base de Cálculo do Imposto, informado no Campo 5, Linha 16 do Anexo 4. Segue cópia do Darf recolhido, com demonstrativo de apuração e declaração de rendimentos. Recolhimento efetuado no vencimento conf. Darf no valor de Cr$ 126.101.670,66, quando o valor devido era de Cr$ 123.209.072,67, sendo a diferença posteriormente compensada no Darf de código 2511, PA janeiro e fevereiro/92, vencimento 31/07/92, no valor de Cr$ 184.747.455,90". 10. cópias dos Darf pagos em 30/04/1990 e 30/04/1991 do ILL devido em 31/12/1989 e 31/12/1990, com os seguintes demonstrativos (fls. 339/340): 11. às fls. 471 foi apresentado demonstrativo do ILL recolhido a maior referente aos anosbase de 1989 e 1990 abaixo reproduzido: Valor Devido em Cr$ Valor do BTN 31/12/1989 Valor Devido em BTN Valor do BTN Pagamento Valor Recolhido 1.015.455,07 10,9518 92.720,38 30/04/1990 Valor Recolhido 1.139.990,01 10,9518 104.091,57 41,734 4.344.157,41 Saldo a Compensar 11.371,18 126,8621 597,06 2.416,13 Valor Devido em Cr$ Valor do BTNf 31/12/1990 Valor Devido em BTNf Valor do BTNf Pagamento Valor Recolhido 79.809.063,20 103,5081 771.041,72 30/04/1991 Valor Recolhido 81.682.751,83 103,5081 789.143,57 159,7956 126.101.670,67 Saldo a Compensar 18.101,86 126,8621 597,06 3.846,25 Per. Apur. Base de Cálculo Apurada Recolhida 12.693.188,38 14.249.875,69 ILL Apurado ILL Recolhido 1.015.455,07 1.139.990,06 Valor da BTN 10,9518 Em BTN Em BTN 92.720,38 104.091,57 Valor a Compensar Em BTN 11.371,19 Já compensado 8.955,06 AnoBase 1989 Saldo a Compensar 2.416,13* Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 13808.001942/9669 Acórdão n.º 1302002.288 S1C3T2 Fl. 9 8 No tocante ao indébito tributário relativo ao pagamento a maior de ILL período de apuração encerrado em 31/12/1989 há pagamento efetuado em 30/04/1990, no valor de Cr$ 4.344.157,58, que correspondiam a 104.091,57 BTN. Todavia, não há qualquer prova hábil e suficiente nos autos acerca da correta determinação da base de cálculo do ILL naquele período. Conforme assinalado pela própria Recorrente, não havia campo na DIRPJ 1990 para informação da base de cálculo deste tributo, o que não a impediria de apresentar a escrituração contábil e comercial a validar a arguição de indébito tributário naquele período. O demonstrativo de registros do Razão Auxiliar em UFIR da Conta "Valores a Recuperar", Subconta "ILL Recolhido por Estimativa", a partir de 31/12/1992, com saldo inicial de 235.597,56 UFIR (fls. 212/218), também não se configura hábil porque tem como ponto de partida a existência, não comprovada, de saldo de ELL a recuperar de períodos anteriores. Da mesma forma, os demonstrativos contidos no Darf e nas fls. 471 somente são hábeis para a liquidação, mas não comprovam a certeza do indébito tributário requerido, fato que depende necessariamente da demonstração da base de cálculo do tributo naquele período. Já no que diz respeito ao indébito tributário, relativo ao pagamento a maior de ILL período de apuração encerrado em 31/12/1990 além da prova do pagamento efetuado em 30/04/1991, no valor de Cr$ 126.101.670,66, que correspondiam a 789.143,57 BTN (atualizadas pela TRD de 04/02/1991 até o dia anterior ao do pagamento), a Requerente junta cópia da DIRPJ 1991, na qual consta campo específico para a determinação da base de cálculo do ILL. Confirmouse (fl. 99) a base de cálculo de ILL, em 31/12/1990, de Cr$997.613.290,00, que teria redundado num ILL devido de Cr$ 79.809.063,20, ou seja, 771.041,72 BTNF, valor inferior ao recolhimento de ILL efetuado em 30/04/1991 de 789.143,57 BTNF, configurandose indébito tributário o valor de 18.101,85 BTNF, equivalente a 3.846,24 UFIR ou R$ 3.187,38. Notase, portanto, que está demonstrado o direito creditório da Recorrente de 3.846,24 UFIR, ou R$3.187,38, em 01/01/1996, conforme certificado pela DRJ. Não foi . Per. Apur Base de Cálculo Apurada Recolhida 997.613.289,99 1.021.009.673,00 ILL Apurado ILL Recolhido 79.809.063,20 81.680.773,84 Valor da BTNf 103,5081 AnoBase 1990 Em BTN Em BTN 771.041,72 789.143,57 Valor a Compensar Em BTN 18.101,85 Em UFIR 3.138,19* Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 13808.001942/9669 Acórdão n.º 1302002.288 S1C3T2 Fl. 10 9 possível, reconhecer o valor integral, requerido pela Recorrente (em litígio de 5.554,32 UFIR (R$ 4.602,86). Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1115DF CARF MF
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