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Numero do processo: 11065.003242/2003-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, somente a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Nada há o que conferir a este título quando todo o crédito pleiteado foi reconhecido na origem.
Numero da decisão: 9303-005.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado).
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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OPOSIÇÃO DE ATO ESTATAL. INEXISTÊNCIA. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Consoante já decidido pelo STJ no rito dos processos repetitivos, somente a oposição de ato estatal que restringe, indevidamente, o ressarcimento postulado justifica a incidência da taxa Selic sobre o montante indeferido. Nada há o que conferir a este título quando todo o crédito pleiteado foi reconhecido na origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 32 42 /2 00 3- 78 Fl. 334DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3403001.253, de 05 de outubro de 2011 (fls. 258 a 265 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI no período do 2º trimestre de 2003, em que requer o pagamento de crédito corresponde à atualização que deveria ter sido paga em pedidos de ressarcimento anteriores, cujo valor do principal foi reconhecido ao contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Novo Hamburgo/RS (DRF), por meio do Despacho Decisório negou o pedido do contribuinte. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que o seu direito "está amparado no art. 1°, da Lei n.°9.363/96, na Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001 e nos arts. 1° e 2° da Portaria do Ministério da Fazenda n° 38/97" e que a correção dos valores não representa um acréscimo, mas apenas a manutenção do poder aquisitivo da moeda, frisando que "que os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos fiscais outorgados a Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento em dinheiro. E esse ressarcimento deve corresponder a integralidade do direito pleiteado". Cita jurisprudência administrativa e judicial no sentido da aplicação da atualização no ressarcimento de créditos de IPI. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11065.003242/200378 Acórdão n.º 9303005.256 CSRFT3 Fl. 335 3 A DRJ em Porto alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário para reproduzindo o entendimento de mérito firmado em recurso repetitivo pelo STJ, reconhecer ao contribuinte o direito ao valor da atualização, correspondente à taxa Selic acumulada no período transcorrido entre o protocolo do pedido e a data (a) em que se concretizou o ressarcimento do principal ou (b) em que houve o aproveitamento por meio de compensação, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO ENTRE A DATA DO PEDIDO E A CONCRETIZAÇÃO DO RESSARCIMENTO. CABIMENTO. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO REPETITIVO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, QUE SE REPRODUZ POR FORÇA DO ART. 62A DO ANEXO II DO RICARF. Entende o Superior Tribunal de Justiça que, nada obstante os créditos de IPI não estejam sujeitos à atualização por sua própria natureza, ou em si mesmo considerados, o contribuinte tem direito à atualização no período compreendido entre a data do protocolo do pedido de ressarcimento e a data na qual se concretizar o seu pagamento, em razão da demora a que dá causa o Estado em reconhecer o direito do contribuinte. Tratase de entendimento judicial uniformizado pela Primeira Seção do STJ (EREsp 468926/SC, DJ 02/05/2005), o qual foi reiterado em recurso repetitivo (REsp 1035847/RS, DJe 03/08/2009; REsp 993164/MG, DJe 17/12/2010), de modo que tem de ser reproduzido no âmbito do CARF por força do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno. Recurso parcialmente provido. Fl. 336DF CARF MF 4 A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 268 a 271), sendo que estes foram rejeitados, nos termos do despacho de fls. 278 a 284. Inconformada com a decisão, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração (fls. 288 a 291) face ao acórdão nº 3403002.570, alegando omissão acerca da questão essencial à adequada apreciação da lide. Os segundos embargos foram rejeitados reiterando os fundamentos dos primeiros embargos, por entender o Colegiado que não há omissão no julgado, conforme se depreende pelo despacho de fls. 294 a 296. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 309 a 324) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento deferido (sem oposição ilegítima) de crédito presumido do IPI. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números CSRF/0203.718 e 3801002.304. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição integral das ementas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 326 a 328, sob o argumento que restou comprovada a divergência jurisprudencial, pois na decisão recorrida foi concedida a incidência da taxa Selic a partir da data da protocolização do pedido de ressarcimento até o efetivo ressarcimento ou compensação, incidência autorizada sobre a totalidade dos créditos deferidos originalmente pelo despacho decisório e reconhecidos pela unidade de origem, sem previsão legal ou oposição ilegítima. Por sua vez, nos paradigmas apresentados, por entenderse que não existe previsão legal, foi negada a incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento de créditos do IPI. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões, conforme se verifica às fls. 332 e 333 e não se manifestou. Voto Vencido Fl. 337DF CARF MF Processo nº 11065.003242/200378 Acórdão n.º 9303005.256 CSRFT3 Fl. 336 5 Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que devo conhecêlo, eis que observados os pressupostos para a admissibilidade do r. recurso. O acórdão recorrido, aplicando a decisão do Superior Tribunal de Justiça reconhecendo o direito da atualização do valor a ser ressarcido pela taxa Selic, e como marco inicial, o protocolo do pedido administrativo até a data da utilização por compensação ou, no caso de ressarcimento em espécie, até a sua efetivação. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, calculado pelo regime alternativo da Lei nº 10.276/01, referente ao 2º trimestre/2003, em que requer o pagamento de crédito corresponde à atualização que deveria ter sido paga em pedidos de ressarcimento anteriores, cujo valor do principal foi reconhecido ao contribuinte. Em Manifestação de Inconformidade o Contribuinte sustenta em síntese que o seu direito "está amparado no art. 1°, da Lei n°9.363/96, na Lei n° 10.276, de 10 de setembro de 2001 e nos arts. 1° e 2° da Portaria do Ministério da Fazenda n° 38/97" e que a correção dos valores não representa um acréscimo, mas apenas a manutenção do poder aquisitivo da moeda, frisando que "que os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos fiscais outorgados a Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento em dinheiro. E esse ressarcimento deve corresponder a integralidade do direito pleiteado". Cita jurisprudência administrativa e judicial no sentido da aplicação da atualização no ressarcimento de créditos de IPI. A decisão recorrida não merece reparos, pois, entendo haver o direito à incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos desde o protocolo de pedido, senão vejamos: Com relação à atualização do ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, pela taxa Selic, o Superior Tribunal de Justiça posicionouse no Fl. 338DF CARF MF 6 sentido de ser cabível a correção monetária, por meio do julgamento do recurso especial nº 1035847/RS, pela sistemática dos recursos repetitivos do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973 (correspondente ao art. 1.036 do Novo Código de Processo Civil), que recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro oLUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifouse) O caso julgado em sede de recursos repetitivos pelo Superior Tribunal de Justiça aplicase ao presente processo administrativo, uma vez que também tratou de pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI da Lei nº 9.363/96, decorrente de impedimento interposto por atos normativos infralegais para aproveitamento do benefício, pois traziam vedação à inclusão na base de cálculo do incentivo das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 11065.003242/200378 Acórdão n.º 9303005.256 CSRFT3 Fl. 337 7 Portanto haverá a incidência da Selic, desde o protocolo do pedido. Esta CSRF tem aplicado a referida decisão nas situações em que as Delegacias da Receita Federal indeferem o ressarcimento por alguma razão de direito que posteriormente venha a ser modificada no decorrer do trâmite do processo administrativo fiscal. Esta situação já foi reconhecida e não é objeto do recurso. A CSRF também entende que a concessão dos juros Selic somente se aplica na parte do ressarcimento em que houve uma oposição estatal ilegítima e esta oposição somente é verificada na parte não concedida originalmente e revertida posteriormente no âmbito do julgamento dos processos administrativos correspondentes. No entanto, meu entendimento é do reconhecimento da incidência dos juros Selic no ressarcimento do crédito presumido de IPI desde o protocolo do pedido utilizando uma interpretação um pouco mais abrangente da aplicação do que foi decidido no REsp nº 1.035.847/RS. Diante disto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda, mantendo a decisão a quo, que concedeu a incidência da Selic. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 340DF CARF MF 8 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Redator designado Discordamos da il. Relatora. Como é de todos conhecido, alteramos o nosso entendimento para adotar o que admite a incidência da taxa Selic somente quando há a oposição por ato estatal, administrativo ou normativo, obstando a fruição do crédito presumido de IPI. No caso em exame, conforme ressaltado no próprio Relatório, todos os valores objeto dos pedidos de ressarcimento foram integralmente deferidos à contribuinte, de forma que, sendo esse o contexto, nada mais há o que lhe reconhecer. A atualização monetária pela taxa Selic, cumpre ressaltar, não advém de expressa disposição legal, mas de construção pretoriana, que somente a prevê quando há efetiva oposição ao aproveitamento do crédito, o que, no caso, como vimos, inexistiu. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Procuradoria. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720896/2011-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FUNDAMENTOS.
Cabem Embargos Declaratórios, a fim de que seja sanada omissão, por meio da prolação de novo Acórdão, no qual se explicite os fundamentos da decisão embargada quanto a seu provimento integral, parcial ou sua negativa de provimento.
ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL; DATA ANTERIOR AO FATO GERADOR ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da área de reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR, independentemente da apresentação do ADA.
Numero da decisão: 2202-004.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão n° 2202-002.835, de 09/10/2014, fundamentar a decisão em relação à Área de Reserva Legal.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. FUNDAMENTOS. Cabem Embargos Declaratórios, a fim de que seja sanada omissão, por meio da prolação de novo Acórdão, no qual se explicite os fundamentos da decisão embargada quanto a seu provimento integral, parcial ou sua negativa de provimento. ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL; DATA ANTERIOR AO FATO GERADOR ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da área de reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR, independentemente da apresentação do ADA.
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OMISSÃO. FUNDAMENTOS. Cabem Embargos Declaratórios, a fim de que seja sanada omissão, por meio da prolação de novo Acórdão, no qual se explicite os fundamentos da decisão embargada quanto a seu provimento integral, parcial ou sua negativa de provimento. ITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. RESERVA LEGAL. CERTIDÃO DE REGISTRO OU CÓPIA DA MATRÍCULA DO IMÓVEL COM AVERBAÇÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL; DATA ANTERIOR AO FATO GERADOR ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da área de reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá suprimila da base de cálculo para apuração do ITR, independentemente da apresentação do ADA. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão n° 2202002.835, de 09/10/2014, fundamentar a decisão em relação à Área de Reserva Legal. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 08 96 /2 01 1- 72 Fl. 252DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório as considerações efetuadas por ocasião do despacho de admissibilidade dos embargos (fl. 250) que bem descrevem a presente lide: A Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fl. 247, em face do Acórdão n° 2202002.835, de 09/10/2014, com fundamento no artigo 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015. Os autos foram enviados à Fazenda Nacional em 05/03/2015 (Despacho de Encaminhamento de fl. 246). De acordo com o disposto no art. 79 da Portaria MF n° 343, de 2015, o Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN. Os Embargos foram opostos em 18/03/2015, conforme Despacho de Encaminhamento de fl. 248, portanto, tempestivamente. (destaquei) Alega a Embargante que o Acórdão n° 2202002.835, de 09/10/2014, não consta o voto vencedor, o que impediria qualquer manifestação, bem como a interposição de recurso especial pela Fazenda Nacional. Analisando detidamente o acórdão embargado, observase que não consta o voto vencedor, embora, relativamente à Área de Reserva Legal, o resultado do julgado tenha sido o seguinte: QUANTO À ÀREA DE RESERVA LEGAL: Por maioria de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer à Área de Reserva Legal. Vencido o conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ (Relator) que negava provimento nesta parte. Designado para redigir o voto vencedor nesta a conselheira DAYSE FERNANDES LEITE (suplente convocada). (grifei) Dessa forma, não é possível saber quais os fundamentos adotados pela turma julgadora em relação à Área de Reserva Legal, assim como se de fato o dispositivo do acórdão refletiu o que decidiu realmente o colegiado. Portanto, verificase que restou demonstrada a omissão apontada pela Fazenda Nacional. Diante do exposto, acolho os Embargos Declaratórios, a fim de que seja sanada a omissão, por meio da prolação de novo Acórdão, no qual se explicite os fundamentos da decisão quanto a seu provimento integral, parcial ou sua negativa de provimento, admitindose, se for o caso, efeitos infringentes aos embargos sob análise. (destaquei) Fl. 253DF CARF MF Processo nº 13971.720896/201172 Acórdão n.º 2202004.015 S2C2T2 Fl. 253 3 É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atende às demais condições legais. Cingese a controvérsia, neste momento, à questão da glosa integral da área de reserva legal, declarada pelo contribuinte como sendo de 1477,9 hectares, efetuada pela fiscalização (fl. 06). O motivo da glosa, segundo a Autoridade Fiscal autuante, foi a falta de apresentação de documentos comprobatórios de sua existência (fl. 04). Em 1ª instância, a DRJ entendeu que a área de reserva legal deve estar registrada em Ato Declaratório Ambiental ADA, para que o contribuinte possa gozar de isenção legalmente prevista sobre ela. Vejamos (fl. 139): Para comprovação das referidas áreas, não se pode prescindir do Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolado junto ao IBAMA, no prazo estipulado. Importante frisar que a necessidade de ADA e de averbação decorre de Lei (Leis 4.771/65 e 10.165/2000), não se podendo levantar quais questionamentos acerca das legalidades de referidas exigências. No voto vencido do Relator do acórdão aqui sob embargos, o mesmo compartilhou desse entendimento. Citese (fl. 241): Tenho para mim que para excluir as áreas de Interesse Ambiental de Preservação Permanente e as de Utilização Limitada da base de cálculo do ITR e anular a sua influência na determinação do Grau de Utilização, duas condições têm de ser atendidas. Uma é a sua averbação a margem da escritura no Cartório de Registro de Imóveis outra é a sua informação no Ato Declaratório Ambiental – ADA. Destaquese que ambas devem ser atendidas à época a que se refere a Declaração do ITR. (...) Desta forma, não tendo sido comprovada a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental — ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado, cabe manter as glosas efetuadas pela fiscalização em relação às áreas de preservação permanente e áreas de reserva legal. O contribuinte sustentou em sua defesa que havia a averbação da área de reserva legal, na matrícula do imóvel. No Laudo Técnico (acompanhado de ART), que consta das folhas 110, o Engenheiro responsável elabora um quadro onde atesta que: Floresta nativa primária e em estágios médio e avançado de regeneração com Reserva Legal AV 1 212 438,47 ha Fl. 254DF CARF MF 4 Floresta nativa primária e em estágios médio e avançado de regeneração com Reserva Legal AV 3 212 1.039,51 ha Na fl. 114/115, consta Certidão emitida pelo Registro de Imóveis, onde se verificam à margem da matrícula 212, as AV1 e AV3 que já desde 2004 havia a averbação do termo de responsabilidade de preservação de floresta e o termo de responsabilidade de averbação de reserva legal. Registro minha mudança de posicionamento em relação à questão da área de reserva legal – ARL, uma vez que também entendia que para o reconhecimento da isenção desta área, era necessário o registro em Ato Declaratório Ambiental – ADA, no órgão competente, nos prazos e condições estabelecidos na legislação de regência. Entretanto, curvo me aos entendimentos proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, deste CARF, no seguinte sentido: Acórdão 9202004.593, Sessão de 24/11/2016. Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. RESERVA LEGAL INTEMPESTIVIDADE DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO A Intempestividade do ADA pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo Recurso Especial Negado Acórdão 9202005.124, Sessão de 14/12/2016 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. AREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de área de preservação permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para área de reserva legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. (sublinhei) Acórdão 9202004.627, Sessão de de 24 de novembro de 2016 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13971.720896/201172 Acórdão n.º 2202004.015 S2C2T2 Fl. 254 5 ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador. (sublinhei) Cito e concordo com o que disse o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, no voto do Acórdão 9202005.121, sessão de 14 de dezembro de 2016: Ressaltese, todavia, que, aqui, no caso da área de Reserva Legal, diferentemente do caso das APPs, se está diante de área onde o proprietário ou possuidor a indica, em qualquer local do imóvel rural, de forma que fique vedado o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários, mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. Presente tal elemento volitivo definidor do contribuinte no caso em questão, entendo que a ausência do ADA, no caso específico da Reserva Legal, pode ser substituída pela formalização (pública) da indicação supra através da mencionada averbação, com o ADA possuindo, nesta hipótese, natureza declaratória. No caso das APPs, mandatória a comunicação ou manifestação do IBAMA ou Poder Público. Despicienda, porém, qualquer análise a respeito da apresentação ou protocolização do ADA no presente caso para a Reserva Legal, uma vez tendo sido cumprido o requisito de averbação. A questão de ser necessária e suficiente a averbação da reserva legal à margem da matrícula do imóvel para usufruir de isenção do ITR também já está tratada pelo STJ, no REsp 1.027.051SC. Vejamos no Informativo de Jurisprudência nº 0468, período de 28 de março a 8 de abril de 2011: ISENÇÃO. AVERBAÇÃO. RESERVA LEGAL. Trata a controvérsia de prescindibilidade da averbação da reserva legal para fins de gozo da isenção fiscal prevista no art. 10, II, a, da Lei n. 9.393/1986. A Turma, por maioria, entendeu que a imposição da averbação para efeito de concessão do benefício fiscal poderia funcionar a favor do meio ambiente, ou seja, como mecanismo de incentivo à averbação e, via transversa, impediria a degradação ambiental. Apenas a determinação prévia da averbação (e não da prévia comprovação) seria útil aos fins tributário e ambiental. A prova da averbação de reserva legal é dispensada no momento da declaração tributária, mas não a existência da averbação em si. Assim, a Turma, por maioria, deu provimento ao recurso. REsp 1.027.051SC, Rel. originário Min. Humberto Martins, Rel. para acórdão Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 7/4/2011. Fl. 256DF CARF MF 6 Dessa feita e pelas razões acima expostas, VOTO por acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão n° 2202 002.835, de 09/10/2014, fundamentar a decisão em relação à ARL, para entender que é incabível a manutenção da glosa, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador e assim fundamentar a decisão no sentido de dar provimento ao recurso para restabelecer à Área de Reserva Legal. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 257DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35569.004374/2004-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/04/2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação.
Numero da decisão: 2402-005.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 30/04/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
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LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 30/04/2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, desde que observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 56 9. 00 43 74 /2 00 4- 95 Fl. 513DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Mauricio Nogueira Righetti e Mário Pereira de Pinho Filho que negavam provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 35569.004374/200495 Acórdão n.º 2402005.910 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, tratase de requerimento de restituição de contribuições recolhidas sob a forma do percentual de 11% incidente sobre o valor de notas fiscais de prestação de serviços, em relação aos quais houve retenção por parte do tomador de serviços, nas competências 07/2004 a 04/2005. Conforme despacho de fls. 263, os documentos requeridos pela IN 03/05 para instruir o pedido de restituição foram devidamente apresentados pela contribuinte. Em um segundo momento, no entanto, a contribuinte foi intimada a corrigir alguns dados nas declarações acessórias e apresentar documentos adicionais conforme autorizado pelo art. 230 da IN acima mencionada. Tendo em vista que não foi apresentado, conforme requerido pela autoridade fiscalizadora o relatório de serviços praticados, foi o pedido indeferido e o respectivo processo arquivado (fl. 385). Tais relatórios eram tido como essenciais visto que mensurariam a mão de obra utilizada, critério imprescindível à analise do pleito na visão da unidade de fiscalização (fl.265) . Em manifestação de inconformidade ao despacho decisório de indeferimento, a contribuinte apresentou uma série de documentos, dentre eles o relatório de serviços praticados (fl. 400). Não obstante o acima, em sessão de julgamento de 08 de novembro de 2011, a autoridade de primeira instancia julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, cuja acórdão encontrase as fls. 462 e segs. e ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/04/2005 RESTITUIÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFORMAÇÕES NA GFIP. Constitui obrigação do contribuinte apresentar resumo da folha de pagamento como forma de demonstração da veracidade dos valores informados na GFIP, sob pena de indeferimento do pedido de restituição. RESTITUIÇÃO. MASSA SALARIAL. COMPROVAÇÃO. A distante incompatibilidade do volume de massa salarial utilizada pelo prestador de serviços em relação aos valores de retenção deve ser justificado mediante documentação idônea a este fim. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 515DF CARF MF 4 Direito Creditório Não Reconhecido Em resumo, a DRJ assim manifestou os fundamentos de sua decisão: "Muito embora o requerente apresente informações sobre a prestação de serviços, e ainda, traga aos autos o livro de registro de notas fiscais de serviços prestados, não há nos autos a demonstração dos efetivos serviços prestados. As notas fiscais juntadas aos autos além de elencarem várias parcelas de dedução, se limitam a descrever os serviços como “serviços de fisioterapia”." O contrato de Locação de Área e Bens Móveis é deficiente quanto à descrição dos serviços a serem prestados, não os descrevendo. A consideração que deve ser feita em relação à mãodeobra utilizada na prestação de serviços não se resume à mera consideração da folha de pagamento apresentada pelo requerente, pois não se pode conhecer qual o serviço efetivamente prestado. Se, por um lado, a descrição dos serviços de fisioterapia possa ser genérica, não há nos autos qualquer elemento que demonstre as alegações do requerente, no sentido de que os profissionais a ele vinculados conseguiram, por si só, efetuar os atendimentos no montante informado. A um, porque não se tem elementos que demonstrem o quantitativo de procedimentos realizados; a dois, porque os serviços não se encontram discriminados pelos documentos fiscais emitidos pelo requerente, tampouco discriminados em contrato; a três, porque o contrato é raso ao definir os serviços prestados, tendo por finalidade essencial o arrendamento da área física onde os serviços são prestados. Embora possa existir divergência entre o valor dos serviços prestados e o valor da mãodeobra utilizada na prestação de serviços, esta divergência deve ser demonstrada, no sentido de que os procedimentos realizados (quais?), foram supridos pelos profissionais indicados. Assim, o relatório dos serviços executados constitui elemento essencial à verificação da regularidade na prestação de serviços em face da mãodeobra declarada. A sua não apresentação impede que se reconheça como legítimo o volume de massa salarial declarado, e, dessa forma, impede seja a restituição deferida, pois além do valor de serviços ser consideravelmente elevado em relação à mãode obra utilizada ao tomador, há outras notas fiscais emitidas no período que indicam outras prestações de serviços. É dizer, em arremate, há flagrante distorção entre o valor dos serviços prestados e a mãodeobra declarada, distorção esta que poderia ser justificada mediante a demonstração dos procedimentos realizados. (...)Dessa maneira, enquanto obrigação contratual, de rigor entenderse que o requerente dispõe do efetivo controle dos atendimentos, razão pela qual, deveria ter apresentado tais relatórios à elucidação da distorção entre o valor dos serviços prestados e a mãodeobra declarada. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 35569.004374/200495 Acórdão n.º 2402005.910 S2C4T2 Fl. 4 5 Cientificado da decisão de primeira instancia em 10/02/2012, conforme comprovante às fls. 469 o contribuinte apresentou, fl. 473 e segs, em 05/03/2012, os seguintes documentos: Resumo da folha de pagamento como forma de demonstração da veracidade dos valores informados na GFIP. É o relatório. Fl. 517DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Bianca Felícia Rothschild Relatora O recurso voluntário é TEMPESTIVO, eis que intimado da decisão no dia 10/02/2012, o contribuinte interpôs o mesmo no dia 05/03/2012. Atendendo também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Tratase de processo de restituição de contribuições previdenciárias retidas em decorrência do disposto no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991, com redação vigente à época dos fatos geradores dada pela Lei nº 9.711, de 1998: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão de obra, observado o disposto no § 5o do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mãodeobra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). (grifamos) Conforme §2º acima transcrito, na hipótese de o valor retido superar o valor da contribuição devida cabe a restituição do saldo remanescente. O artigo 207 da Instrução Normativa 3/05, vigente à época da analise dos documentos pela unidade de atendimento que revisou os mesmos, determinava a lista de documentos de apresentação necessária para o deferimento do pleito, que, conforme relatado foi totalmente atendida pela contribuinte. Não obstante a apresentação de todos os documentos expressamente listados em lei, entendeu a autoridade de primeira instancia, que não foi possível conhecer: (i) qual o serviço efetivamente prestado pelo contribuinte, (ii) se os profissionais declarados conseguiriam efetuar os atendimentos no montante informado, (iii) a justificativa para a discrepância entre o valor dos serviços prestados e o valor de mão de obra utilizada. Para fins de elucidação de tais questões deveria o requerente ter apresentado relatório de serviços prestados conforme determina a clausula 10a do contrato apresentado. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 35569.004374/200495 Acórdão n.º 2402005.910 S2C4T2 Fl. 5 7 A despeito dos fundamentos do voto condutor da decisão de primeira instancia, a natureza dos serviços prestados é de fácil identificação, tendo em vista as notas fiscais emitidas (ex. fl. 28), o contrato social apresentado e o contrato firmado entre a requerente e sua tomadora. Ademais, pelas declarações de obrigações acessórias apresentadas é de fácil verificação quais os profissionais que faziam parte do quadro de funcionários, além da requerente ter juntado, ainda, folha de pagamento e contabilidade regular. Verificase à fl. 263 despacho em que são conferidos os documentos e atesta se que estão em conformidade com a legislação, vejamos: Entendo que tendo a contribuinte apresentado todos os documentos requeridos na legislação de regência para ver deferido seu pleito de restituição, não pode a autoridade julgadora condicionar o deferimento a um documento cuja elaboração tem cunho obrigacional contratual entre a contribuinte e sua tomadora de serviços. CONCLUSÃO Fl. 519DF CARF MF 8 Tendo em vista todo o acima, voto por CONHECER o Recurso Voluntário e DAR PROVIMENTO, a fim de que seja deferido o pedido de restituição, nos termos do voto acima. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726997/2011-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2007
CONTRATO DE MÚTUO. JUROS. CRÉDITO CONTÁBIL. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA ISOLADA. JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO MATERIAL.
A pessoa jurídica mutuária deverá reter, no ato do pagamento à mutuante, o imposto sobre a renda na fonte incidente sobre os juros nas operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, inclusive empresas coligadas.
Verificada a falta de retenção do imposto após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados.
É nulo o lançamento, por vício material, que adota como marco temporal para a retenção do imposto e, consequentemente, para a aplicação da multa isolada, o momento do crédito contábil na escrituração da mutuária, quando não comprovada a ocorrência do efetivo pagamento dos rendimentos ao mutuante na mesma data.
Numero da decisão: 2401-005.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento para tornar nulo o lançamento por vício material.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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MULTA E JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE Recorrente BIL BAHIA IMPORTADORA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 CONTRATO DE MÚTUO. JUROS. CRÉDITO CONTÁBIL. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA ISOLADA. JUROS EXIGIDOS ISOLADAMENTE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. VÍCIO MATERIAL. A pessoa jurídica mutuária deverá reter, no ato do pagamento à mutuante, o imposto sobre a renda na fonte incidente sobre os juros nas operações de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, inclusive empresas coligadas. Verificada a falta de retenção do imposto após a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, serão exigidos da fonte pagadora a multa de ofício e os juros de mora isolados. É nulo o lançamento, por vício material, que adota como marco temporal para a retenção do imposto e, consequentemente, para a aplicação da multa isolada, o momento do crédito contábil na escrituração da mutuária, quando não comprovada a ocorrência do efetivo pagamento dos rendimentos ao mutuante na mesma data. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 97 /2 01 1- 62 Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10580.726997/201162 Acórdão n.º 2401005.015 S2C4T1 Fl. 359 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento para tornar nulo o lançamento por vício material. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente). Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10580.726997/201162 Acórdão n.º 2401005.015 S2C4T1 Fl. 360 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR), cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 1532.520 (fls. 338/340): Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2007 IRRF. FALTA DE RETENÇÃO. LANÇAMENTO. A falta de retenção de IRRF apurada após o prazo de entrega da DCTF da pessoa jurídica beneficiária dos rendimentos autoriza o lançamento da multa e juros isolados contra a fonte pagadora que estava obrigada a efetuar a retenção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 9/14, que o processo administrativo é composto da multa isolada e dos juros exigidos isoladamente, com fatos geradores no anocalendário 2007, decorrentes da falta de retenção pela fonte pagadora do Imposto sobre a Renda incidente sobre crédito de juros a empresa coligada, devidos pela celebração de contrato de mútuo. 2.1 De acordo com a fiscalização, a falta de retenção do Imposto sobre a Renda, com natureza de antecipação, foi verificada após a data do encerramento do período de apuração em que o rendimento deveria ser submetido à tributação. O Auto de Infração lavrado está juntado às fls. 3/7. 3. A ciência da autuação se deu em 28/06/2011, por meio de procurador da pessoa jurídica, tendo o sujeito passivo apresentado impugnação no prazo legal (fls. 309/314). 4. Intimada da decisão de piso por via postal em 10/07/2013, segundo as fls. 342/345, a recorrente apresentou recurso voluntário em 06/08/2013 (fls. 347/354). 4.1 Requer, em síntese, o provimento integral do apelo recursal com base no acolhimento da alegação de que o mero creditamento contábil dos juros, devidos em virtude do contrato de mútuo firmado entre a recorrente e a empresa coligada Paes Mendonça S/A, não é fato gerador do Imposto sobre a Renda na fonte. Adicionalmente, a multa isolada é desproporcional e desarrazoada, em total dissonância com o princípio constitucional da vedação ao confisco. É o relatório. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10580.726997/201162 Acórdão n.º 2401005.015 S2C4T1 Fl. 361 4 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 6. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, houve celebração de mútuo entre a empresa fiscalizada, na condição de mutuária, e a empresa coligada Paes Mendonça S/A, como mutuante, havendo previsão de incidência de juros mensais (fls. 33/40). 6.1 A escrituração contábil da mutuária revelou o creditamento mensal à mutuante dos juros contratuais devidos, calculados sobre os saldos diários do empréstimo concedido. Nada obstante, a mutuária deixou de reter o Imposto sobre a Renda no momento em que os juros foram creditados à empresa Paes Mendonça (mutuante coligada). 6.2 À vista disso, conforme resume a autoridade fiscal, o lançamento de ofício decorre da falta de retenção do imposto na fonte por ocasião em que creditados os juros à empresa coligada (fls. 10): (...) Esta infração foi decorrente da não retenção na fonte do Imposto de Renda, no momento em que foram creditados os juros à empresa coligada, devidos em virtude de contrato de mútuo firmado entre o contribuinte e a referida coligada, conforme relato a seguir: (...) 7. A retenção do imposto é feita a título de antecipação, uma vez que os rendimentos integrarão o lucro da pessoa jurídica beneficiária, podendo o imposto retido ser deduzido do devido no encerramento do período de apuração (art. 770, § 2º, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, veiculado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999). 8. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa isolada pela falta de retenção ou de recolhimento, além dos juros exigidos isoladamente, tendo como termo final a data do encerramento do período de apuração. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10580.726997/201162 Acórdão n.º 2401005.015 S2C4T1 Fl. 362 5 9. Pois bem. Na linha defendida pela recorrente, não me parece que o agente lançador adotou a melhor interpretação da legislação aplicável ao caso sob exame. 10. Os juros auferidos nos contratos de mútuo entre pessoas jurídicas, inclusive empresas coligadas, são equiparados pela lei a rendimentos produzidos por aplicação financeira de renda fixa, sujeitandose à incidência do Imposto sobre a Renda na fonte, por ocasião do pagamento dos rendimentos, cuja responsabilidade pela retenção cabe à pessoa jurídica que efetua o pagamento. 10.1 Para melhor compreensão da matéria, eis o que diz o art. 65 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: Art. 65. O rendimento produzido por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, a partir de 1º de janeiro de 1995, sujeitase à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento. (...) § 4º O disposto neste artigo aplicase também: (...) c) aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. (...) § 7º O imposto de que trata este artigo será retido: (...) b) por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do título ou da aplicação, nos demais casos. § 8º É responsável pela retenção do imposto a pessoa jurídica que receber os recursos, no caso de operações de transferência de dívidas, e a pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, nos demais casos. (DESTAQUEI) 11. Como se observa, a Lei nº 8.981, de 1995, estabeleceu a retenção na hipótese de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas tão somente quando do pagamento dos rendimentos, com extinção da obrigação civil, inexistindo previsão de retenção no momento do crédito contábil. 12. Também assinala a autoridade fiscal como fundamento para o lançamento o prescrito no art. 70 da mesma Lei nº 8.981, de 1995, que prevê, no caso de operações de mútuo, o pagamento ou crédito do rendimento ao mutuante como fato gerador da retenção do imposto: Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10580.726997/201162 Acórdão n.º 2401005.015 S2C4T1 Fl. 363 6 Art. 70. As operações de mútuo e de compra vinculada à revenda, no mercado secundário, tendo por objeto ouro, ativo financeiro, continuam equiparadas às operações de renda fixa para fins de incidência do Imposto de Renda na fonte. § 1º Constitui fato gerador do imposto: a) na operação de mútuo, o pagamento ou crédito do rendimento ao mutuante; b) na operação de compra vinculada à revenda, a operação de revenda do ouro. (...) (DESTAQUEI) 12.1 Em que pese corroborado o ponto de vista fiscal pela decisão de primeira instância, tal dispositivo de lei não possui campo de aplicação aos autos, visto que diz respeito à hipótese específica de rendimentos obtidos nas operações de mútuo e de compra vinculada à revenda tendo por objeto ouro, ativo financeiro. 13. Por seu turno, a efetiva transferência de recursos financeiros do mutuário para o mutuante, como deixou consignado o agente fiscal, não dá contornos de conformidade ao lançamento de ofício. 13.1 É que o Termo de Verificação Fiscal, assim com os demais documentos que instruem os autos, não permitem aferir com segurança que a data do crédito contábil é a mesma da extinção da obrigação com a mutuante, quando em razão do pagamento deveria operarse a retenção do imposto pela mutuária. 14. Por esse motivo, o procedimento fiscal provoca indeterminação sobre as próprias datas dos fatos geradores vinculados à multa isolada e aos juros exigidos isoladamente, dada a relação necessária com as datas nas quais o imposto sobre a renda deveria ter sido retido pela mutuária, segundo a legislação. 15. Incorreu o agente lançador, portanto, em erro no cotejo entre o fato jurídico tributário e a hipótese de incidência da norma de retenção do Imposto sobre a Renda na fonte. O ato administrativo do lançamento é revelador da existência de vício intrínseco na sua formulação, cuja validade somente será aceitável por meio da edição de um novo ato com conteúdo alterado (motivação). 16. Destarte, é ato inconvalidável, ainda que possível, em tese, a sua reedição com uma nova descrição dos fatos. Tratase, portanto, de defeito do lançamento calcado em vício material. 17. Exposto assim, cabe tornar nulo o lançamento tributário realizado, por vício material. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10580.726997/201162 Acórdão n.º 2401005.015 S2C4T1 Fl. 364 7 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, DOULHE PROVIMENTO para tornar nulo o lançamento tributário, por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 364DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.724138/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO
A existência de Tratado para Evitar Bitributação, entre o Brasil e outro Estado, não impede a autuação de lucros provenientes do exterior, provenientes desse Estado, pois a partir da fração dos lucros da controlada no exterior a que a controladora tem direito antes de descontado o imposto pago naquele Estado, efetua-se a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela controladora no Brasil; dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduz-se o valor do imposto pago pela controlada no exterior; dessa forma, a controlada, é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago no exterior até o limite do devido no Brasil do total de IRPJ mais CSLL.
PREJUÍZOS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO.
Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada.
RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA.
A controlada no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária.
RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. NÃO CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA.
Procede a autuação exigindo IRPJ sobre lucros auferidos no exterior por meio de controladas indiretas, se a controlada direta no exterior deixou de consolidar os resultados daquelas e tais lucros não foram adicionados ao lucro real da controladora no Brasil.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007, 2008
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento decorrente, o decido no principal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Numero da decisão: 1201-001.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o pagamento do imposto de renda da WEG Scandinavia, no ano de 2008, no valor de R$ 518.348,11.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Eduardo Morgado Rodrigues; ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO A existência de Tratado para Evitar Bitributação, entre o Brasil e outro Estado, não impede a autuação de lucros provenientes do exterior, provenientes desse Estado, pois a partir da fração dos lucros da controlada no exterior a que a controladora tem direito antes de descontado o imposto pago naquele Estado, efetua-se a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela controladora no Brasil; dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduz-se o valor do imposto pago pela controlada no exterior; dessa forma, a controlada, é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago no exterior até o limite do devido no Brasil do total de IRPJ mais CSLL. PREJUÍZOS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA. A controlada no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. NÃO CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA. Procede a autuação exigindo IRPJ sobre lucros auferidos no exterior por meio de controladas indiretas, se a controlada direta no exterior deixou de consolidar os resultados daquelas e tais lucros não foram adicionados ao lucro real da controladora no Brasil. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento decorrente, o decido no principal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
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PREJUÍZOS DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. COMPENSAÇÃO. Os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada ou coligada. RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA. A controlada no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. NÃO CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA. Procede a autuação exigindo IRPJ sobre lucros auferidos no exterior por meio de controladas indiretas, se a controlada direta no exterior deixou de consolidar os resultados daquelas e tais lucros não foram adicionados ao lucro real da controladora no Brasil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 72 41 38 /2 01 2- 11 Fl. 2320DF CARF MF Processo nº 10920.724138/201211 Acórdão n.º 1201001.847 S1C2T1 Fl. 3 2 Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente, o decido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para reconhecer o pagamento do imposto de renda da WEG Scandinavia, no ano de 2008, no valor de R$ 518.348,11. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Eduardo Morgado Rodrigues; ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte, em face do Acórdão nº 1201001.490 de 14 de setembro de 2016, proferido por esta Turma. Os Embargos foram admitidos em parte, nos seguintes termos: Por fim, aduz a embargante ("em quinto lugar") que o acórdão embargado aparenta outra possível contradição, na medida em que. embora tenha concluído que teriam sido cancelados os lançamentos da WEG Scandinavia. o valor remanescente consignado pelo Acórdão como devido, às fls. 34 do Acórdão, continuaria exigindo valores advindos daquela controlada indireta. Neste aspecto, assiste razão à embargante. De fato. o voto registra a seguinte conclusão, verbis: 44. Voto: Fl. 2321DF CARF MF Processo nº 10920.724138/201211 Acórdão n.º 1201001.847 S1C2T1 Fl. 4 3 a. considerando a compensação dos prejuízos de cada controlada indireta, restaram cancelados os lançamentos relativos às WEG México. WEG Europe. Weg Electric Motos (UK) e WEG Índia; considerando a compensação de impostos pagos no exterior, restaram cancelados os da WEG Scandinavia. b. Resultaram mantidos os lançamentos sobre os lucros da controlada direta WEG Ibéria e da controlada indireta WEG Chile." Entretanto, na tabela que consta imediatamente acima ao parágrafo 44 do voto, acima reproduzido, é fácil perceber que o voto condutor adotou, para solução do caso, exatamente aquilo que fora apurado na diligência fiscal realizada ("IDEM RESPOSTA À DILIGÊNCIA", conforme ali consta). E, de fato, os valores totais de R$ 9.015.716,00 de IRPJ e de R$ 3.790.358,00 de CSLL mencionados correspondem exatamente aos valores que foram apurados na diligência fiscal, que a própria tabela informa encontrarse às fls. 1.933/1.934 dos autos. Contudo, ao se pesquisar na diligência efetuada, nas páginas dos autos ao norte mencionadas, é possível verificar que a conclusão do voto, antes transcrita, somente estaria em consonância com o contido na diligência se fosse analisada apenas a primeira tabela daquela diligência (relativa ao IRPJ de 2007). Entretanto, se consideradas todas as demais tabelas contidas naquela diligência (relativas ao IRPJ de 2008. à CSLL de 2007. e à CSLL de 2008), até chegarse ao valor total mantido pelo voto, temse que, de fato, as conclusões expressas no parágrafo 44 do voto, acima reproduzido, apresentamse contraditórias com o resultado da diligência, posto que não apenas os lançamentos sobre os lucros da controlada direta WEG Ibéria e da controlada indireta WEG Chile teriam sido mantidos, mas também os da controlada indireta WEG Scandinavia (com relação ao IRPJ de 2008, à CSLL de 2007, e à CSLL de 2008). Portanto, efetivamente constatase, neste caso, a existência da contradição apontada pela embargante, a qual merece ser sanada. Em síntese e conclusão, por todo o exposto, e com fulcro no art. 65, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), ADMITO PARCIALMENTE os embargos de declaração interpostos, para que seja sanada a contradição acima apontada. O patrono da Embargante, na sustentação oral apresentada, apontou adicionalemnte um erro material, cuja correção requereu. Fl. 2322DF CARF MF Processo nº 10920.724138/201211 Acórdão n.º 1201001.847 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 1 Valor mantido no voto da Relatora. 42. Resumindo: 2007 2008 Total IRPJ CSLL IRPJ CSLL IRPJ CSLL Obs. Auto de Infração, págs. 1.334 e 1.346 8.035.894,00 3.209.651,68 5.441.932,75 2.337.766,31 13.477.826,75 5.547.417,99 Sem compensar prejuízos anteriores das controladas indiretas; compensando impostos recolhidos no exterior pelas controladas indiretas; sem compensar impostos no exterior da WEG Ibéria Resposta à Diligência págs. 1.933/ 1.934 4.726.402,00 1.942.884,00 4.289.314,00 1.847.474,00 9.015.716,00 3.790.358,00 Compensando prejuízos anteriores das controladas indiretas; compensando impostos recolhidos no exterior pelas controladas indiretas; sem compensar impostos no exterior da WEG Ibéria Acórdão DRJ/FNS, págs. 2.035/ 2.036 4.670.997,33 1.998.289,88 4.233.909,29 1.902.877,86 8.904.906,62 3.901.167,74 Revisão valores: Compensando preju ízos anteriores das controladas indiretas; compensando impostos recolhidos no exterior pelas controladas indiretas; cancelando controladas indiretas que entendeu consolidadas pela WEG Ibéria; sem compensar impostos no exterior da WEG Ibéria Voto CARF 4.726.402,00 1.942.884,00 4.289.314,00 1.847.474,00 9.015.716,00 3.790.358,00 IDEM RESPOSTA À DILIGÊNCIA A Resposta à Diligência, págs. 1.933/1.934, aponta nos quadros de apuração do IRPJ e CSLL que restam a exigir da controlada WEG Scandinávia os seguintes: a) foi totalmente compensado o IRPJ ano calendário 2007; b) foi parcialmente compensado a CSLL anocalendário 2007, restando ainda R$42.354 a pagar; c) foi parcialmente compensado o IRPJ anocalendário 2008, restando ainda R$151.165,00 a pagar; d) não houve compensação da CSLL anocalendário 2008, restando R$158.715,00 a pagar. Dessa forma, cabe razão à Embargante, pela contradição entre a constatação supra e o Voto. No que tange ao erro material apontado na sustentação oral, verificouse que consta do Voto proferido no Acórdão nº 1201001.490 de 14 de setembro de 2016, embargado, a seguinte constatação: Fl. 2323DF CARF MF Processo nº 10920.724138/201211 Acórdão n.º 1201001.847 S1C2T1 Fl. 6 5 "20. Os resultados antes dos impostos, no anocalendário 2007, informados, foram: (...) f. pág. 190. WEG Scandinavia A.B R$976.657.00 (IR R$289.709.00): pág. 216. pago R$277.173.96 comprovantes em sueco. págs. 541 569. atestados por consulado brasileiro: (...) 21. Os resultados antes dos impostos, no anocalendário 2008 informados, foram: (...) f. pág. 206. WEG Scandinavia A.B R$1.763.496.00 (IR R$494.344.00): pág. 580. pago R$518.348.11: comprovantes em sueco . págs. 865 878" Compulsandose os dados supra com a Resposta à Diligência págs. 1.933/1.934, com a qual o Acórdão concordou, verificase que na apuração do anocalendário 2008, à pág. 1.934 dos autos, o valor na linha "EG Scandinavia A.B", coluna "IRPJ Pago no Exterior", consta o valor R$289.709, quando o correto, conforme o próprio voto é R$518.348,11. Dessa forma, o valor da coluna "IRPJ (25%)" de R$440.874,00 resta totalmente compensado, restando um saldo de imposto pago no exterior de R$(518.348,11() 440.874,00)= 77.474,11, que compensará parte da CSLL de R$158.715,00 apurada na coluna "CSLL (09%) ", pág. 1.935; assim restará para ser exigido, relativamente à WEG Scandinávia, CSLL do anocalendário 2008 no valor de R$(158.715,00() 77.474,11)=81.240,89. Restaram em síntese, a exigir da WEG Scandinavia: a) foi totalmente compensado o IRPJ ano calendário 2007; b) foi parcialmente compensada a CSLL anocalendário 2007, restando ainda R$42.354 a pagar; c) foi total compensado o IRPJ anocalendário 2008; d) foi parcialmente compensada a CSLL anocalendário 2008, restando R$81.240,89 a pagar. 2 Conclusão Voto por DAR PROVIMENTO aos Embargos de Declaração, COM EFEITOS INFRINGENTES, para retificar o parágrafo 44 do Voto, alterando a redação para: 44. Voto: a. considerando a compensação dos prejuízos de cada controlada indireta, restaram cancelados os lançamentos relativos às WEG México. WEG Europe. Weg Electric Fl. 2324DF CARF MF Processo nº 10920.724138/201211 Acórdão n.º 1201001.847 S1C2T1 Fl. 7 6 Motos (UK) e WEG Índia; considerando a compensação de impostos pagos no exterior, restaram mantidos em parte os da WEG Scandinavia. b. Resultaram mantidos os lançamentos sobre os lucros da controlada direta WEG Ibéria e da controlada indireta WEG Chile." (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 2325DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720483/2014-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/09/2010
AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01).
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA.
O artigo 170-A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-003.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 31/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2009 a 30/09/2010 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. O artigo 170-A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. EDITADO EM: 31/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim
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RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. MATÉRIA SUMULADA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Súmula CARF nº 01). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. O artigo 170A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 83 /2 01 4- 09 Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 703 2 inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 31/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 546/607), interpostos contra decisão da DRJ em Ribeirão Preto/SP, de fls. 507/535, que julgou procedente o lançamento de contribuições patronais devidas à Seguridade Social decorrente da glosa de compensação, supostamente objeto de contestação judicial, sem que a respectiva decisão judicial tenha transitado em julgado. A compensação indevida foi relativa às competências de 11/2009 a 09/2010, e originou o crédito tributário da contribuição previdenciária objeto do DEBCAD 51.068.9108 no valor total de R$ 10.232.047,68, já inclusos juros e multa de mora (até o mês da lavratura), apurado com base nos valores efetivamente compensados pelo contribuinte, por meio de declaração em GFIP. Além disso, foi efetuado o lançamento da multa isolada de 150%, com base no art. 89, §10, da Lei nº 8.212/91, por falsidade na declaração nas competências de 12/2009, 01/2010 a 10/2010, objeto do DEBCAD 51.068.9094, cujo valor é de R$ 9.407.552,03. Os autos de infração encontramse acostados às fls. 283/301, com ciência da RECORRENTE em 28/11/2014 (fl. 294 e 301). Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 704 3 De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 307/311, “as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, levantadas neste AI (...), correspondem ao valor da glosa das compensações efetuadas nas competências 11/2009 a 10/2010, uma vez que a empresa efetuou as compensações sem possuir o respectivo crédito originário”. A autoridade lançadora acrescenta ainda que “o contribuinte efetuou compensação de créditos inexistentes, uma vez que considerou o pagamento de diversas parcelas incidentes de contribuição previdenciária como recolhimento indevido. A planilha de compensação apresentada pelo contribuinte demonstra que este se compensou de valores referente a férias gozadas e 1/3 das férias gozadas, sem esperar o trâmite definitivo da sentença conforme previsto no art 170A CTN”. A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 314/388 em 18/12/2014. Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 507/535, dos autos, julgou procedente o lançamento. Tal decisão contém o seguinte relatório, que adoto, por sua clareza e precisão: Fundamentos dos lançamentos fiscais Resultaram da ação fiscal os seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 51.068.9094 – objeto: a imposição de multa isolada em razão da realização de compensações consideradas irregulares pela Fiscalização. 2. DEBCAD 51.068.9108 – objeto: glosa das compensações realizadas. O Relatório Fiscal se reporta à legislação que trata da compensação das contribuições previdenciárias e destaca que o Contribuinte, ao realizar as compensações, deixou de observar a exigência legal contida no artigo 170A do CTN. A incidência da multa isolada foi assim justificada pela Fiscalização: 11. A Empresa não retificou e nem recolheu, embora intimada pela EQMACO (conforme consta em peça anexada aos presentes autos e que deu inicio a esta Fiscalização), as GFIPs referentes ao período objeto de glosa, mesmo após ciência da r. sentença que citou o art 170A do CTN e da intimação EQMACO e SEORT/MNS, todas anexas ao eprocesso. Dessa forma, como não houve declaração em GFIP da retenção sofrida pela empresa nessas competências, não há que se falar em crédito no valor de RS 6.271.701,35, merecendo este ser glosado combinada com multa isolada, tendo em vista a inserção de informações não verdadeiras em GFIP. Fundamentos da Impugnação O Contribuinte apresenta sua Impugnação, acompanhada de cópias de documentos diversos, com as seguintes razões e respectivos requerimentos: 1. Protesta pela tempestividade da Impugnação. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 705 4 2. Segue, afirmando que a compensação glosada foi feita com base em mandado de segurança que patrocina; que o procedimento fiscal estaria em desacordo com a legislação atinente e que teriam sido ignorados os documentos apresentados, documentos esses que seriam suficientes para determinar a homologação do procedimento realizado. 3. Sustenta que, por não haver “correlação lógica entre os valores lançados e a base de cálculo utilizada para a apuração dos supostos créditos tributários” a autuação estaria eivada por “vício insanável”. 4. Assim descreve o objeto e fundamentos da medida judicial intentada, bem como as razões que justificariam a compensação realizada: Aliás, as parcelas compensadas pela impugnante, referemse às contribuições sociais providenciarias incidentes nos quinze (15) primeiros dias de afastamento da atividade laboral, antes da concessão do auxíliodoença e do auxílioacidente, bem como sobre as verbas pagas a título de adicional de 1/3 de férias, férias gozadas e salário maternidade. Em sendo tais valores pagos em circunstâncias em que não há, indubitavelmente, prestação de serviço por parte de seus colaboradores, temse que não configurada, por consequência, a hipótese de incidência prevista no inciso I do artigo 22, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1.991. 5. Ressalva a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários lançados, em face das disposições do artigo 15 do Decreto 70.235/1972 e artigo 151 do CTN. E acrescenta que, em razão do trâmite da medida judicial intentada, seriam nulas as medidas adotadas pela Fiscalização, ao que se acrescentariam os efeitos da liminar obtida: Assim, enquanto houver decisão e acórdão que assegure a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não há como a Autoridade administrativa autuar a ora Impugnante, devendo o presente auto ser considerado nulo. Nesse sentido, corrobora a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que durante a vigência da liminar, caracterizada pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ocorre o afastamento dos juros e multa de mora em relação ao aludido período da vigência da suspensão, qual seja: (...). Desse modo, é inequívoco o entendimento dos tribunais superiores que, enquanto houver a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a Fazenda, ora Impugnada, não pode utilizar nenhum meio de cobrança das exações vinculadas à aludida suspensão, principalmente, porque não há o decurso da decadência ou prescrição, bem como, não há a incidência de multa e juros moratórios durante o referido período. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 706 5 6. Sobre a mesma questão – efeitos da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários – aduz: Observase assim claramente a insubsistência dos lançamentos, uma vez que ao menos parte dos débitos nele englobados encontrase com exigibilidade suspensa. Portanto, imperioso o provimento da Impugnação, para CANCELAR a cobrança das fixações, haja vista a ausência de liquidez, certeza e mesmo executoriedade quanto aos valores lançados. Subsidiariamente, requer a Impugnante seja o julgamento do presente processo convertido em diligência, para que se apure e exclua no cômputo total do suposto débito a parcela inegavelmente suspensa da Contribuição Previdenciária. 7. Discorre sobre o que considera inconstitucionalidade de contribuições previdenciárias sobre as seguintes rubricas: Remuneração devida ao segurado doente ou acidentado nos primeiros quinze dias de afastamento. Saláriomaternidade. Férias e respectivo terço constitucional. 8. Transcreve jurisprudência e invoca a “aplicação do recurso representativo da controvérsia – repetitivo – art. 543C do CPC”. 9. Defende a viabilidade jurídica da compensação na forma e condições realizadas, com fundamento no artigo 66 da Lei 8.383/1991, na medida em que o procedimento não demandaria prévia “outorga judicial”. E, quanto, à exigência contida no artigo 170A do CTN, assim se posiciona: Por outro lado, também não houve violação ao artigo 170A do CTN, uma vez que esta é uma regra que o Legislador dirigiu ao Poder Judiciário e não ao contribuinte. O Juiz, ante a imposição do artigo 170A do CTN, está impedido de autorizar a compensação antes do trânsito em julgado, mas o dispositivo não proíbe que o contribuinte faça seu regular pedido de compensação. (...). Como se não bastasse, a Lei n° 8.383/91, em seu art. 66, trata de uma modalidade de compensação passível de ser realizada pelo contribuinte no âmbito do lançamento por homologação, sujeita a posterior fiscalização. O art. 170 do Código Tributário – e seu apêndice, o artigo 170A – cuidam de outra modalidade de compensação, realizada diretamente pelos agentes fiscais a pedido do contribuinte, e que extingue o credito tributário (já constituído, portanto), nos termos do art. 156, II, do CTN. 10. Ainda quanto à possibilidade legal de seu procedimento, acrescenta: Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 707 6 Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça assentou, em sede de embargos de divergência, que, na hipótese de tributos lançados por homologação, o contribuinte pode realizar a compensação independente de qualquer procedimento administrativo preparatório, a qual estará, naturalmente, apenas sujeita à posterior homologação pelo Fisco: (...) Ao invés de antecipar o pagamento do tributo, o contribuinte registra na escrita fiscal o credito oponível à Fazenda Pública, recolhendo apenas o saldo eventualmente devido. A homologação subsequente, se for o caso, correspondente à constituição do crédito tributário que, nessa modalidade de lançamento fiscal, se extingue concomitantemente pelo efeito de pagamento que isso implica (STJ, 1a Seção, Embargos de Divergência no REsp n° 78.301/BA, j. em 11.12.1997, RSTJ 96/46). Dessa forma, temse claro que não há nenhuma ilegalidade no procedimento levado a efeito pela Impugnante, bem como não foi utilizado nenhum ardil com o objetivo do fraudar a arrecadação. Antes, tratase de compensação perfeitamente autorizada pelo Ordenamento Jurídico, efetivada por meio de expedientes contábeis próprios. 11. Nega que a compensação, na forma de inclusão de crédito em GFIP, constitua irregularidade: A conduta de informar em GFIP ao órgão da administração pública nada mais é do que uma obrigação acessória do contribuinte, não sendo apta a substituir o lançamento tributário, função primordialmente atribuída ao Fisco. 12. Quanto à incidência da multa isolada, discorre sobre as premissas legais da sua incidência; sobre as presentes circunstâncias e transcreve jurisprudência. E, enfim, assim se manifesta: Ademais, ainda que se entenda por indevidas as compensações, a multa isolada deve ser afastada, seja por inexistência de indícios de falsidade, seja por se tratar de multa confiscatória, desproporcional e desarrazoada. Conforme já esclarecido acima, resta consignado que os valores lançados pela Impugnante nas suas GFIP's, refletem a apurações de recolhimentos indevidos e amparados por sentença parcialmente procedente, e que a impugnante comprova a sua INDUBITÁVEL BOAFÉ, submetendo todas as informações, procedimentos e documentos ao crivo do Judiciário e do próprio Fisco, o que se materializou nos autos do Mandado de Segurança acima mencionado. A realização de compensação em qualquer uma das hipóteses autorizada pela Lei, não caracteriza fraude fiscal e, tampouco, o dolo, já que não há que se falar em fraude se não houver dolo. Sonegação, fraude e conluio são formas diversas de evasão fiscal, e em todas essas hipóteses deverá estar presente o dolo. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 708 7 (...). Assim, não poderá haver presunção de fraude para fins de aplicação da multa isolada aqui confrontada, visto que esta deverá ser provada e caberá prova em contrário. Dentro deste contexto, em razão de tudo o que foi demonstrado, não há, em absoluto, que se falar em máfé ou em indícios de falsidade, devendo ser afastada não só a absurda, desproporcional, desarrazoada e confiscatória (CF, art. 150, inciso IV) multa isolada, julgandose o Al TOTALMENTE IMPROCEDENTE. 13. Além do mais, defende que a multa aplicada afrontaria princípios constitucionais (isonomia tributária, moralidade da “administração pública fiscal”, capacidade contributiva, da estrita legalidade, não confisco), concluindo a respeito: Impõese, portanto, caso Vossa Senhoria entenda pela legitimidade total do auto ora atacado, seja afastado o parâmetro estabelecido a título de multa aplicada, ante seu evidente caráter confiscatório, a fim de que seja adotado patamar condizente com a realidade dos fatos. 14. Ainda, quanto à aplicação da multa isolada, ressalva e requer: Fora reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal a repercussão geral acerca do caráter confiscatório de multas estabelecidas sem atendimento aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade no Recurso Extraordinário n° 640.452/RO, atualmente de relatoria do Ministro Roberto Barroso, conforme se depreende da manifestação apresentada pelo relator, Ministro Joaquim Barbosa, e levada a apreciação no plenário eletrônico: (...). Sendo assim, como a impugnação trata do caráter confiscatório da multa, é imperioso que o trâmite do presente processo administrativo seja sobrestado até que se tenha a apreciação do tema pelo Pretório Excelso, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e conforme já decidiu este egrégio Conselho no acórdão n° 230102.448, proferido nos autos do processo n° 13888.002355/200721 em 01 de dezembro de 2011: (...). Nestes termos, deve o Processo Administrativo permanecer sobrestado até que se resolva a questão incidente em sede de Recurso Extraordinário. 15. Formula seus requerimentos: Anulação dos lançamentos fiscais, em razão de “preterição do direito de defesa, ou violação da motivação dos atos administrativos, do contraditório e da ampla defesa”. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 709 8 Pleiteia “que o presente seja suspenso devido à repercussão geral”. Quanto “ao mérito”, a anulação dos débitos, em face da sua “insubsistência”, sendo “convalidada” a compensação realizada. Requer a “descaracterização” da multa isolada. Requer, também, a realização de “sustentação oral”, “quando do julgamento da referida Impugnação”; “a realização de diligências necessárias para o real deslinde do feito e regularização da fiscalização realizada”. Finalmente, pede que as publicações e intimações “referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono...”, sob pena de nulidade. Conforme já exposto, a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/09/2010 JUÍZO DE INCONSTITUCIONALIDADE INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É vedado à instância administrativa de julgamento proferir decisões acerca da inconstitucionalidade das leis (artigo 26A do Decreto 70.235/1972). CONCOMITÂNCIA DE DISCUSSÕES NOS ÂMBITOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. As normas que disciplinam o Processo Administrativo Fiscal não prevêem seu sobrestamento até o deslinde de ação judicial que verse sobre a mesma matéria, não obstante a impossibilidade da discussão na esfera administrativa das questões submetidas à discussão judicial. ACRÉSCIMOS LEGAIS. PERCENTUAIS E VALORES DAS MULTAS APLICADAS. No âmbito do processo administrativo fiscal, atendidos os limites e parâmetros legais pertinentes, não há o que considerar, em relação à multa aplicada, quanto às alegações de inobservância de princípios administrativos e constitucionais (tais como razoabilidade ou vedação ao confisco). COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ATRAVÉS DE GFIP. HIPÓTESES LEGAIS. No âmbito das contribuições previdenciárias, admitese a compensação nos casos de pagamento ou recolhimento indevido ou a maior, assim como nos casos de retenção em razão de prestação de serviços de cessão de mãodeobra ou empreitada Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 710 9 (Lei 8.212/1991), sujeitandose, entretanto, mesmo nessas hipóteses, às condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, inclusive a operacionalização por GFIP e de acordo com as respectivas regras pertinentes. GFIP. INOBSERVÂNCIA DAS REGRAS APLICÁVEIS. A prestação de informações através de GFIP está sujeita às correspondentes determinações legais, inclusive, as regras constantes do respectivo Manual, sujeitandose o declarante à multa quando deixa de observar as respectivas regras, especialmente ao transmitir dados incorretos ou omissos. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS. A suspensão da exigibilidade dos créditos tributários se sujeita às respectivas regras legais (CTN, artigo 151). PRODUÇÃO DE PROVAS. Quanto à produção de provas, o processo administrativo fiscal está sujeito a regras próprias (Decreto 70.235/1972), estando, por isso, a sua realização condicionada a prérequisitos legais específicos, aqui não cumpridos. SUSTENTAÇÃO ORAL. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. O pedido de sustentação oral deve ser indeferido, no âmbito do processo administrativo fiscal, em julgamento de primeira instância, por falta de previsão legal. INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A intimação do Contribuinte, quanto aos atos relativos ao processo administrativo fiscal, deve se dar nos termos e condições do Decreto 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO VOLUNTÁRIO A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 24/05/2016, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 543, apresentou o recurso voluntário de fls. 546/607 em 22/06/2016. Em suas razões, praticamente reiterou os argumentos da Impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 711 10 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Em princípio, passo a analisar as questões preliminares arguidas pela RECORRENTE. PRELIMINARES Nulidade por violação da motivação dos atos administrativos Alega a RECORRENTE que o modo superficial como a questão foi tratada nos autos tornou impossível compreender as infrações imputadas contra ela. Assim, ante a ausência de motivação explícita, clara e congruente, restou prejudicada o seu direito à ampla defesa. No entanto, entendo que não merece prosperar a alegação da RECORRENTE. Verificase que os Autos de Infração de fls. 283/301, aliado ao Relatório Fiscal de fls. 307/311, trazem todos os fatos e embasamento legal que envolvem o presente caso, não deixando margem para dúvidas de que o lançamento se originou da glosa de compensação informada em GFIP pela RECORRENTE no período de 11/2009 a 09/2010. A autoridade lançadora deixa claro que, mediante análise ada documentação apresentada pela RECORRENTE, esta utilizou créditos inexistentes para efetuar a compensação, pois “considerou o pagamento de diversas parcelas incidentes de contribuição previdenciária como recolhimento indevido” sem esperar o trânsito em julgado de sentença judicial, conforme determina o art. 170A do CTN. A autoridade fiscal apontou o crédito discriminado por competência, conforme tabela abaixo extraído do Relatório Fiscal (fl. 308), e alegou que a base de cálculo foi apurada de acordo com os valores efetivamente compensados pelo contribuinte, por meio de declaração em GFIP (R$ 6.271.701,35): Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 712 11 Sendo assim, entendo que não deve prosperar tal alegação de nulidade, na medida em que não foram apontados vícios relacionados ao ato de constituição do crédito tributário especificados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, nem qualquer afronta ao art. 142 do CTN, quais sejam: Decreto nº 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Conforme acima exposto, o lançamento não se encontra eivado de vícios. Tanto que a RECORRENTE, em sua defesa, rebateu os fatos descritos pela autoridade lançadora, inclusive discute sobre a legitimidade do crédito utilizado na compensação das contribuições previdenciárias, demonstrando entender perfeitamente as acusações que lhes foram imputadas. Suspensão da exigibilidade do crédito ante a apresentação de defesa administrativa A RECORRENTE afirma que deve ser suspensa a exigibilidade dos créditos ora discutidos uma vez que houve a apresentação de Recurso Voluntário. Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 713 12 Tal questão não comporta maiores digressões, eis que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, em discussão administrativa, independe de qualquer requerimento por parte da contribuinte, uma vez que decorre de expressa previsão do art. 151, III, do CTN. Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Face ao exposto, não conheço a preliminar. MÉRITO Em seu apelo, a RECORRENTE alega que os créditos por ela utilizados na compensação são absolutamente legais. Em suma, afirma que não merecer prosperar a glosa da compensação, haja vista que utilizou créditos provenientes do Mandado de Segurança nº 2008.32.00.0069621 (NPU 000683476.2008.4.01.3200), cujo objeto é afastar a exigibilidade da contribuição previdenciária sobre as seguintes rubricas: (i) auxílio acidente e auxílio doença (nos primeiros 15 dias); (ii) férias gozadas; (iii) adicional de férias; e (iv) salário maternidade. Alega que houve sentença proferida no referido processo judicial determinando a suspensão da “exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre o valor pago pela impetrante referente aos 15 primeiros dias de afastamento do empregado em gozo de auxíliodoença e auxílioacidente, bem como reconhecer o direito à compensação, nos termos da legislação aplicável à matéria, de valores pagos pela impetrante, em razão do referido dispositivo legal, até a vigência das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, corrigidos pela taxa SELIC, nos termos do artigo 39, §4º, da Lei nº 9.250/95”. Assim, afirmou que era legítimo o seu direito à compensação, mesmo reconhecendo que estava pendente de julgamento o recurso extraordinário interposto nos autos do mencionado Mandado de Segurança. Nos autos do presente processo administrativo, a RECORRENTE faz um relato acerca da competência para instituir a contribuição previdenciária patronal, prevista no art. 195, I, da Constituição, e concluiu que sua hipótese de incidência é o pagamento destinado a retribuir o trabalho efetivo ou potencial, nos termos do art. 22, I, da Lei nº 8.212/91. Neste sentido, em ofensa ao princípio da legalidade estrita, a autoridade fiscal estaria cobrando da RECORRENTE as contribuições previdenciárias “sobre valores pagos em situações em que não há remuneração por serviços prestados”, quais sejam: Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 714 13 (i) importâncias pagas nos 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente; (ii) valores pagos a título de salário maternidade; (iii) importâncias pagas a título de férias gozadas e adicional de férias de 1/3; (iv) aviso prévio indenizado; Alega que todas as verbas acima teriam caráter indenizatório e, portanto, “não se inserem na hipótese de incidência prevista no artigo 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91”, haja vista que não são remunerações devidas em razão de trabalho prestado. Neste sentido, a RECORRENTE expõe em seu recurso voluntário as razões pelas quais entende ser indevida a exigência da contribuição previdenciária sobre as verbas acima mencionadas. Feitas essas considerações, passo a analisar a delimitação do litígio objeto do presente processo administrativo. Da delimitação do litígio: processo judicial e questões de inconstitucionalidades A RECORRENTE afirma que ajuizou a ação nº 2008.32.00.0069621 (NPU 000683476.2008.4.01.3200) para suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária prevista no art. 22, I, da Lei nº 8.212/91 sobre verbas que considera ser de caráter indenizatório, conforme já exposto acima. Neste ponto, alega que a autoridade fiscal “lançou tais valores relativos à parte suspensa da Contribuição Previdenciária”, o que denota a insubsistência do lançamento, pois “ao menos parte dos débitos nele englobados encontramse com exigibilidade suspensa”. Assim, requereu o cancelamento da autuação ou, subsidiariamente, a conversão em diligência para apurar e excluir do lançamento a parcela inegavelmente suspensa da contribuição previdenciária. A cópia do processo judicial nº 2008.32.00.0069621 encontrase acostada às fls. 665/689 dos autos. Neste ponto, importante trazer dois aspectos afim de delimitar o que pode ser objeto do presente processo: O primeiro aspecto diz respeito ao fato de a RECORRENTE ter levado ao judiciário a discussão da incidência de contribuição previdenciária acerca das seguintes verbas: (i) 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente; (ii) salário maternidade; e (iii) férias gozadas e adicional de férias de 1/3. Neste sentido, colaciono parte do pedido apresentado no mandado de segurança nº 2008.32.00.0069621 (fl. 687): Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 715 14 Portanto, uma vez que tal pleito está sendo discutido na ação judicial nº 2008.32.00.0069621 (NPU 000683476.2008.4.01.3200), é inviável o conhecimento das alegações da RECORRENTE por parte deste Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº 1, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Não pode o CARF se debruçar sobre tais questões na medida em que a matéria se encontra sub judice. Ademais, as alegações de inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre as várias verbas mencionadas pela RECORRENTE (importâncias pagas nos 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado antes da obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente; salário maternidade; férias gozadas e adicional de férias de 1/3; e aviso prévio indenizado) também não podem ser objeto de apreciação pelo CARF, nos termos da Súmula 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O segundo aspecto importante para delimitar o litígio concerne no fato de que o lançamento ocorreu em decorrência da glosa de compensação acusada como indevida pela autoridade fiscal, ao passo que em diversas passagens de sua defesa a RECORRENTE acusa que estaria sendo lançada a contribuição previdenciária sobre verbas de natureza indenizatórias e, inclusive, parcelas cuja exigibilidade encontrase suspensa por força de decisão judicial. Importante esclarecer que, se a RECORRENTE, a partir de determinada competência, não incluiu tais verbas em GFIP e, consequentemente, deixou de recolher a respectiva contribuição previdenciária, este fato não é objeto do presente processo. A discussão nesses autos é a “glosa das compensações efetuadas nas competências 11/2009 a 10/2010, uma vez que a empresa efetuou as compensações sem possuir o respectivo crédito originário” Ou Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 716 15 seja, o que se discute é a utilização de crédito inexistente no valor de R$ 6.271.701,35 para compensar contribuições previdenciárias devidas no período de 11/2009 a 10/2010. Durante a fiscalização, após intimação da RECORRENTE para prestar esclarecimentos acerca da compensação realizada, a RECORRENTE afirmou que o crédito por ela utilizado era decorrente “do processo judicial que afastou do campo de incidência da contribuição previdenciária determinados valores” (fl. 168). Também em resposta ao Termo de Intimação de fls. 160/161, a RECORRENTE apresentou planilha identificando a origem dos valores compensados (fls. 189/191). Da análise da referida planilha, é possível observar que o crédito apurado pela RECORRENTE tem origem na contribuição previdenciária sobre as seguintes verbas: (i) 15 primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da eventual obtenção do auxíliodoença ou auxílioacidente; (ii) salário maternidade; e (iii) férias gozadas e adicional de férias de 1/3. Ou seja, é exatamente o objeto do mandado de segurança nº 2008.32.00.0069621, por ela impetrado. E o período do suposto crédito é de janeiro/1999 a agosto/2008 (mês anterior à impetração do mandamus). Sendo assim, as alegações a respeito da incidência de contribuições previdenciárias sobre o aviso prévio indenizado não guardam qualquer pertinência com o presente caso. Ou seja, o que está em jogo é a glosa da compensação, e não eventual lançamento sobre verbas porventura não declaradas em GFIP. Neste sentido, os argumentos da RECORRENTE não a socorrem, pois o que interessa é observar a razão de o crédito não ter sido aceito. Segundo a autoridade fiscal, o crédito não foi aceito pois anda estava em litigio judicial a questão. Portanto, a lide se resume a discussão acerca da possibilidade de a RECORRENTE aplicar o art. 66 da Lei nº 8.383/91 para efetuar a compensação, ou deveria ter ela observado o disposto no art. 170A do CTN. Do dispositivo legal aplicável às compensações Conforme acima exposto, a totalidade do crédito que a RECORRENTE alega possuir, e que foi por ela utilizado para compensar débitos de contribuições previdenciárias, é objeto de ação judicial. Sendo assim, não cabe neste processo reconhecer a legitimidade de tais créditos, haja vista que é do Poder Judiciário a palavra final sobre a possibilidade ou não de não incidência de contribuições sobre as verbas que a RECORRENTE entende serem indenizatórias. No entanto, é preciso saber se foi correta a atitude da RECORRENTE de tratar como legítimos os créditos pleiteados em ação judicial, mesmo antes do trânsito em julgado. Em sua defesa, a contribuinte afirma que o art. 66 da Lei nº 8.383/91 possibilita a utilização de créditos de tributos pagos a maior ou indevidamente para compensar débitos vincendos, “independentemente de autorização da Administração Pública ou de sentença transitada em julgado”: Fl. 740DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 717 16 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. Argumenta ainda que o STJ, em sede de embargos de divergência em Recurso Especial nº 78.301/BA, já definiu que, na hipótese de tributos lançados por homologação, o contribuinte pode realizar a compensação independente de qualquer procedimento administrativo preparatório, e que tal compensação estará apenas sujeita a posterior homologação pelo Fisco. No entanto, entendo que não merece prosperar as argumentações da RECORRENTE, pois, no presente caso, a contribuinte considerou como existentes os créditos que ela mesma está discutindo a legitimidade em ação judicial. Ora, é evidente que a orientação do STJ é válida em relação ao procedimento de compensação de tributos. No entanto, a questão objeto deste processo diz respeito a utilização de crédito objeto de ação judicial movida pela RECORRENTE antes de ter ocorrido o trânsito em julgado da ação. Quando a compensação é realizada mediante a utilização de créditos incontroversos, o Fisco simplesmente homologa tal ato e extingue o débito compensado. Por outro lado, quando for verificada a utilização de créditos ilegítimos, o Fisco não homologa a compensação e, ato continuo, realiza o procedimento previsto em lei para cobrar o crédito indevidamente compensado. Assim, entendo que não podem ser considerados incontroversos os créditos tributários cuja legitimidade está sendo discutida em ação judicial movida pelo próprio contribuinte, pendente de trânsito em julgado da decisão final. Existe no ordenamento jurídico disposição expressa neste sentido, conforme art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Ao levar para o Judiciário a discussão acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre determinadas regras e, consequentemente, da existência de créditos relativos aos respectivos valores recolhidos nos últimos anos, o contribuinte deve Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 718 17 aguardar a decisão final de seu pleito. E isto devese em homenagem ao princípio da segurança jurídica, a fim de evitar contradição entre a ordem judicial e o ato de compensação levado ao conhecimento do Fisco. Maior exemplo disso é a própria sentença proferida nos autos do mandado de segurança impetrado pela RECORRENTE (fls. 217/225), oportunidade em que foi concedida parcialmente a segurança postulada, “para suspender a exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre o valor pago pela impetrante referente aos 15 primeiros dias de afastamento do empregado em gozo de auxíliodoença e auxílioacidente, bem como reconhecer o direito à compensação, nos termos da legislação aplicável à matéria, de valores pagos pela impetrante, em razão do referido dispositivo legal, até a vigência das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002, corrigidos pela taxa SELIC, nos termos do artigo 39, §4º, da Lei nº 9.250/95, contado do recolhimento indevido, sem descurar do disposto no artigo 170A, do Código Tributário Nacional”. Ou seja, a sentença reconheceu que são devidas as contribuições previdenciárias sobre o salário maternidade, as férias e o adicional de 1/3, pois considerou tais verbas como de natureza remuneraria e, portanto, base de cálculo da contribuição. Ora, se o próprio Poder Judiciário não está reconhecendo a legitimidade de parte dos créditos pleiteados pela RECORRENTE, embasado em que a contribuinte efetuou a compensação utilizando tais créditos? Reitero que as decisões judiciais não podem ser revistas pela autoridade julgadora administrativa. Importante destacar que caso a RECORRENTE efetuasse a compensação sem levar o caso ao Poder Judiciário, estaria se discutindo na esfera administrativa a legitimidade de tais créditos. No entanto, como o contribuinte levou a questão para apreciação do Judiciário, não cabe mais no processo administrativo fazer análise acerca da existência do crédito. Portanto, deve o contribuinte respeitar a regra insculpida no art. 170A do CTN, qual seja, aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial para apurar o crédito considerado legítimo e efetuar a compensação com os débitos que possuir. Neste sentido, cito vasta jurisprudência do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011 (...) COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. O artigo 170A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado. (...) (acórdão nº 2201003.369; 2ª Seção / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; julgado em 18/01/2017) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 719 18 Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2012 (...) COMPENSAÇÃO. CONTESTAÇÃO JUDICIAL De acordo com o artigo 170A do Código Tributário Nacional " é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (...) (acórdão nº 2202003.768; 2ª Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; julgado em 04/04/2017) Ademais, a sentença é expressa ao afirmar que a RECORRENTE deveria aguardar o trânsito em julgado da decisão judicial para realizar a compensação dos tributos pagos a maior, ante a impossibilidade de provimento jurisdicional de imediato em relação a um direito condicionado a uma decisão cujo resultado futuro ainda era incerto. Colaciono a parte da sentença que trata sobre o tema (fl. 223): Esclareçase que o acórdão proferido no processo judicial (fls. 253/267) não conheceu da Apelação interposta pela RECORRENTE (pois intempestiva) e deu parcial provimento ao apelo da Fazenda Nacional apenas para limitar a compensação dos créditos com débitos de contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 720 19 Foram interpostos Recursos Extraordinários, mas que se encontram sobrestados, aguardando julgamento de recurso representativo da controvérsia no STF, conforme tela do extrato de acompanhamento processual: A decisão de sobrestamento encontrase acostada às fls. 268/271. Aqui, acredito ser importante apontar exemplo da importância de se aguardar o transito em julgado de decisão judicial para realizar a compensação de tributos, conforme determina o art. 170A do CTN. O acórdão de fls. 253/267 aplicou ao caso a prescrição decenal para pleitear a compensação e, assim, reconheceu tãosomente a prescrição das parcelas recolhidas anteriormente a 02/10/1998 (10 anos antes da impetração do mandado de segurança). No entanto, a decisão de sobrestamento do feito (fls. 268/271) já reconheceu que tal questão encontrase superada pela jurisprudência do STF, que reconheceu válida a aplicação do prazo de 05 anos para pleitear a restituição/compensação para as ações ajuizadas a partir de 09/06/2005 (após decurso da vacatio legis da Lei Complementar nº 118/2005). Sendo assim, como o mandado de segurança foi impetrado pela RECORRENTE em 02/10/2008, a decisão judicial foi expressa ao afirmar que o acórdão recorrido deverá, no momento oportuno, ser submetido ao juízo de retratação. No entanto, no presente caso, além de utilizar créditos não reconhecidos por sentença judicial, a RECORRENTE ainda apura o suposto crédito no período de janeiro/1999 a agosto/2008, por entender que teria direito ao prazo prescricional de 10 anos para pleitear compensação. No entanto, já há expresso reconhecimento de que, caso subsista o direito creditório da RECORRENTE, este deve se limitar aos 05 anos anteriores ao ajuizamento do mandado de segurança. Esta é a segurança jurídica que se almeja e que deve ser observada. Portanto, não há qualquer conflito entre a norma do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e aquela disposta no art. 170A do CTN, devendo esta última ser aplicada ao caso concreto. Multa isolada. Não cabimento. Caráter confiscatório Como consequência do lançamento pela compensação indevida, são também aplicadas as sanções previstas em lei pela utilização de crédito inexistente, haja vista que a compensação é ato que extingue o crédito tributário, nos termos do art. 156, II, do CTN. Ou Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 721 20 seja, ao contrário do pedido de restituição, na compensação o contribuinte extingue um débito que tinha com o Fisco. Assim, caso a autoridade fiscal detecte que a compensação foi realizada com créditos inexistentes, não incontroversos, deve aplicar a correspondente multa isolada de 150% prevista no art. 89, §10, da Lei nº 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Por sua vez, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 possui a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Neste sentido, a declaração falsa prestada pelo contribuinte no sentido de alegar a existência de créditos em seu favor autoriza a lavratura da multa isolada de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. No presente caso, o Relatório Fiscal afirma que “a empresa efetuou as compensações sem possuir o respectivo crédito originário. O contribuinte efetuou compensação de créditos inexistentes, uma vez que considerou o pagamento de diversas parcelas incidentes de contribuição previdenciária como recolhimento indevido (...) sem esperar o trâmite definitivo da sentença conforme previsto no art 170A CTN”. Tais compensações foram consideradas indevidas porque a Lei não prevê a compensação de valores que estão em discussão judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, muito menos antes de obter decisão favorável. Ademais, a RECORRENTE utilizou créditos já prescritos, portanto, inexistentes. Sobre o tema, transcrevo as já mencionadas ementas dos julgados proferidos pelo CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 722 21 Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA. OCORRÊNCIA A Lei de Custeio da Previdência Social determina a aplicação da multa isolada no caso de compensação indevida em que se verifique falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo. É falsa a informação que diverge daquela constante da sentença que possibilita a compensação efetuada. (...) (acórdão nº 2201003.369; 2ª Seção / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária; julgado em 18/01/2017) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2012 (...) COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos inexistentes, de fato ou de direito, seja por utilizar créditos prescritos, seja pela compensação antes do trânsito em julgado de ação judicial. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da Lei nº 8.212/1991, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" à compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. (acórdão nº 2202003.768; 2ª Seção / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; julgado em 04/04/2017) Deste modo, entendo correta a aplicação da multa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado, haja vista que a RECORRENTE não possuía o direito líquido e certo para utilizar tais créditos na compensação de tributos, restando evidenciada a falsidade da declaração em GFIP. Sobre eventual caráter confiscatório da penalidade, esclareço que o art. 142 do CTN dispõe sobre o dever da autoridade lançadora de aplicar a penalidade cabível quando do lançamento do crédito tributário, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória. Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento, devem ser aplicadas as correspondentes multas (de ofício e/ou isoladas) envolvendo os fatos constatados, por estrita determinação legal. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 723 22 Portanto, é insubsistente o argumento da RECORRENTE, de que a multa possui caráter confiscatório, haja vista a previsão legal para a incidência da multa não pode deixar de ser observada. Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pela RECORRENTE, esclareçase, novamente, que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à sua competência. Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise do caráter confiscatório é reservada ao STF, a quem competente a guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Importante esclarecer que as decisões judiciais apontadas pela RECORRENTE em seu recurso voluntário apenas produzem efeitos entre as partes dos processos nos quais as mesmas foram proferidas, não estendendo seus efeitos ao presente caso. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquele objeto da decisão. Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa isolada de 150%. Taxa Selic A RECORRENTES alega ser indevida a aplicação da correção pela SELIC. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, sobre os créditos tributários, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, sendo a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Portanto, não se pode requerer que a autoridade lançadora afaste a aplicação da lei, na medida em que não há permissão ou exceção que autorize o afastamento dos juros moratórios. A aplicação de tal índice de correção e juros moratórios é dever funcional do Fisco. CONCLUSÃO Por todo o exposto, conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10283.720483/201409 Acórdão n.º 2201003.731 S2C2T1 Fl. 724 23 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 748DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000064/2006-39
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000 TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PRÉVIO PAGAMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário tem como termo inicial: (i) em regra, o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (ii) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando existir prévio pagamento, o prazo é de cinco anos contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, deixar de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.
Numero da decisão: 1802-000.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Nelso Kichel
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INEXISTÊNCIA DE PRÉVIO PAGAMENTO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário tem como termo inicial: (i) em regra, o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (ii) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, quando existir prévio pagamento, o prazo é de cinco anos contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL (LEI Nº 9.430/96, ART. 42). INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, deixar de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 2 ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL IMPRESTÁVEL. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO ESCRITURADA. ARBITRAMENTO DO LUCRO. NATUREZA INCONDICIONAL. Cabível o arbitramento do lucro quando, além da não escrituração do livro Registro de Inventário, a escrituração contábil dos livros apresentados é imprestável para apuração do lucro real, em face da falta de escrituração da movimentação financeira bancária, a qual representa a imensa maioria da receita bruta da empresa dos períodos de apuração fiscalizados. O regime de arbitramento do lucro é incondicional. A eventual disponibilização da documentação posteriormente, cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Após ciência do início do procedimento de fiscalização, o contribuinte perde a espontaneidade fiscal e a falta de pagamento espontâneo dos tributos, em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da fiscalização, implica na exigência do principal com multa de ofício mínima de 75% (setenta e cinco por cento), desde que não seja hipótese de agravamento por embaraço à fiscalização ou de qualificação por conduta dolosa (fraude fiscal), quando a multa será ainda maior. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS. A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marcelo Baeta Ippolito e Marco Antonio Nunes Castilho. Ausente justificadamente o Conselheiro André Almeida Blanco. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 397/404 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (fls. 386/391verso) que julgou procedente, em parte, o lançamento do crédito tributário do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) do anocalendário 2000, pelo reconhecimento de decadência parcial. Quanto aos fatos, consta do auto de infração do IRPJ que houve arbitramento do lucro, quanto ao anocalendário 2000 (fls.11/13), in verbis: (...) Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2000 06/2000 09/2000 12/2000 Arbitramento do lucro tributável (IRPJ) e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação, com segurança, do lucro real em razão de omitir parcela de 83 % (oitenta e três por cento), igual a R$ 3.425.020,21, do total das vendas brutas conhecidas, igual R$ 4.112.091,50, na respectiva declaração de informações econômicofiscais (DIPJ) e de apurar prejuízo fiscal nos 4(quatro) trimestres do anocalendário (erro insanável). Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso II, do RIR/99. (...) 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS (...) No curso de procedimento de fiscalização do IRPJ desenvolvido, iniciado em 300404, constatamos que o contribuinte DEIXOU DE INCLUIR em seus livros Diário e Razão, bem como na respectiva declaração de informações econômico fiscais (DIPJ), créditos efetuados em suas contascorrentes bancárias, no ano calendário 2000, no valor total anual de R$ 3.425.020,21, cujas origens de que não se tratam de recursos oriundos das atividades comerciais (vendas de mercadorias) deixou de ser comprovado, inequivocamente. A falta de escrituração e de inclusão na declaração DIPJ dos referidos créditos bancários caracteriza omissão de registro de receitas operacionais em igual valor, de acordo com o disposto no artigo 287 do RIR/99. Com base nos extratos bancários apresentados pelo próprio contribuinte, elaboramos o Demonstrativo dos Créditos em Fl. 430DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 4 ContasCorrentes e os Extratos da Movimentação Financeira, em anexo, que passam a ser partes integrantes e inseparáveis deste Auto de Infração. (...) 002 RECEITAS OPERACIONAIS (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) DESCLASSIFICAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO (VENDAS DE PRODUTOS) (...) Também foi constatada a falta de escrituração do livro Registro de Inventário, com os saldos dos estoques de mercadorias apurados em 311299, em 310300, em 310600, em 300900 e em 311200. Assim sendo, por erro insanável, desclassificamos a escrituração dos livros diário e razão e os respectivos resultados apresentados pelo contribuinte, para ARBITRAR o lucro tributável e a base cálculo da Contribuição Social com base nas receitas brutas declaradas, no total anual de R$ 687.071,29, conforme Demonstrativo dos Créditos em ContasCorrentes, em anexo, que passam a ser partes integrantes e inseparáveis deste Auto de Infração. (...) Infrações imputadas: 1) – Receitas omitidas – presunção legal depósitos bancários não contabilizados e de origem não comprovada, no valor de R$ 3.425.020,21 (RIR/99, art. 287; Lei nº 9.430/96, art. 42). Exigência do IRPJ e Reflexos (CSLL, PIS e Cofins); 2) – Receita bruta operacional declarada R$ 687.071,29 (também submetida ao arbitramento do lucro, em face da desclassificação da escrituração contábil/fiscal). Exigência de IRPJ e CSLL. Obs: a autuada no anocalendário 2000, no regime de apuração do lucro real trimestral, apurou prejuízos fiscais nos 4 (quatro) trimestres, ou seja, não apurou IRPJ e CSLL, conforme cópia da DIPJ (fls. 333/338 e 339/342). A contribuinte forneceu os extratos bancários do anocalendário 2000, objeto do lançamento fiscal. Foi aplicado, pela fiscalização, o coeficiente de arbitramento do lucro de 9,6% sobre a receita bruta. O crédito tributário, lançado de ofício, totaliza a quantia de R$ 645.882,63, incluindo o principal (IRPJ, PIS, Cofins e CSLL), a multa de oficio e os juros de mora atualizados até 30/11/2005. A contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 30/12/2005 (fls. 10, 18, 25 e 32), oferecendo impungnação na primeira instância, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 3 5 Decadência: que os créditos tributários dos fatos geradores até 30/11/2000 estão atingidos pela decadência, na forma do art. 150, § 4º, do CTN; Omissão de receitas: a) que da receita omitida devem ser excluídos os valores dos créditos oriundos de transferências bancárias, incluídos nos Extratos da Movimentação Financeira das três contascorrentes (Banco Rural — conta n° 0016414; Banco do Brasil — conta n° 14842 e Banco Sudameris —conta n° 26018496), na forma do art. 287, do RIR/99; b) que os créditos efetuados nas contas bancárias têm origem legal e comprovada; c) que os créditos bancários apontados para fins de tributação não se prestam como prova irrefutável do controle paralelo das receitas; d) que cabe ao fisco demonstrar que as operações que deram origem aos depósitos bancários derivam de vendas; e) que, nos termos do art. 333, I, do CPC, o ônus da prova cabe ao autor da alegação quanto ao fato constitutivo de seu direito, no caso a Receita Federal do Brasil; f) que eventual falta de contabilização de parte dos depósitos bancários deve ser analisada em conjunto com a escrituração dos gastos relacionados; g) que coloca à disposição da RFB seus livros e documentos contábeis para, se for o caso, realizar perícias ou um novo procedimento fiscal. Arbitramento do lucro: a) que somente caberia a desclassificação da escrituração contábil se os livros não tivessem sido apresentados durante a fiscalização; b) que o livro Registro de Inventário não foi apresentado à fiscalização por ter sido extraviado, porém, em caso de imprescindibilidade, poderia ainda ser refeito; c) que art. 288 do RIR determina a manutenção do regime de tributação adotado pelo contribuinte autuado. A decisão recorrida, como já mencionado, manteve o lançamento fiscal em parte, reconhecendo a decadência quanto apenas aos períodos de apuração que, antes do início da fiscalização, havia comprovadamente prévio pagamento parcial (aplicação do art. 150, § 4º, do CTN). Por outro lado, em relação aos períodos de apuração, sem prévio pagamento parcial, aplicou o prazo decadencial do art. 173, I, também, do CTN. A propósito, a decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl. 386): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 6 IRPJ. PIS. COFINS. CSLL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos lançamento cuja exação se faz por homologação, havendo pagamento antecipado do imposto, ou da contribuição, e ausentes o dolo, fraude ou simulação, realizase a contagem do prazo decadencial pelo disposto no § 4° do art. 150 do CTN. De outra forma, aplicase a regra ordinária da decadência estampada no art. 173, inciso I, do CTN. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM. INVERSÃO DO ONUS DA PROVA. FATO INDICIÁRIO. FATO JURÍDICO TRIBUTÁRIO. A presunção legal juris tantum inverte o ônus da prova. Nesse caso, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário não comprovado (fato indiciário) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos (fato jurídico tributário), nos termos do art. 334, IV, do Código de Processo Civil. Cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existiu na situação concreta. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Os vícios, erros e deficiências encontrados na escrituração, que a torne imprestável para indicar a movimentação bancária ou determinar o lucro real, são motivos suficientes para arbitramento do lucro. PIS. COFINS. CSLL Aplicase às contribuições sociais reflexas, no que couber, o que foi decido em relação ao lançamento matriz, dada a intima relação de causa e efeito que os une. Lançamento Procedente em Parte (...) Irresignada com a decisão a quo da qual tomou ciência em 06/04/2009 (fl. 392verso), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 06/05/2009 de fls. 397/404, cujas razões, em síntese, são as seguintes: que para os fatos geradores do anocalendário 2000, ocorridos até o dia 30/11/2000, decaiu o direito de lançamento de ofício a partir de 01/12/2005 para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, independentemente da existência, ou não, de prévio pagamento parcial; que, se vencida na preliminar suscitada, ainda assim, os lançamentos não devem prosperar, pois: a) quanto aos depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada: não há que se falar em inversão do ônus da prova, mas sim fazer a correta apreciação dos livros escriturados e documentos apresentados; b) em relação ao arbitramento do lucro: a eventual falta de escrituração de parte dos depósitos bancários do anocalendário 2000 deve ser analisada em conjunto com a escrituração, ou seja, com os gastos ou despesas relacionados à produção dessas receitas; que o fisco não levou em consideração os livros contábeis da empresa, para efeito de dedução dos Fl. 433DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 4 7 custos/despesas; que o fisco tem a obrigação legal de fazer a correta apuração, sob pena de enriquecimento ilícito; que não cabe a alegação de que os livros contábeis e fiscais são imprestáveis; que os lançamentos devem ser feitos por homologação e não por arbitramento. c) deve ser afastada a multa de 75% pela ausência de dolo, fraude ou simulação, e pela inexistência de diferenças a serem exigidas; d) devese considerar os valores pagos a título do IRPJ e excluir da base de cálculo as receitas de vendas não recebidas; e) devem as exigências reflexas seguir a sorte do IRPJ. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu provimento ao recurso. É o relatório. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, tratam os autos de crédito tributário do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins) do anocalendário 2000, em face das seguintes infrações imputadas: a) omissão de receitas – presunção legal – depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada. Exigência do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e Cofins); b) receitas declaradas na DIPJ (também submetidas ao lucro arbitrado em face da desclassificação da escrituração contábil/fiscal). Nesse anocalendário, no regime de apuração do lucro real trimestral, a contribuinte apurou prejuízos fiscais nos quatro trimestres, ou seja, não apurou IRPJ e CSLL, conforme cópia da DIPJ (fls. 333/338 e 339/342). Exigência do IRPJ e da CSLL. A decisão recorrida, com base no art. 150, § 4º, do CTN, reconheceu a decadência parcial do crédito tributário apenas quanto aoss períodos de apuração que houve, comprovadamente, prévio pagamento parcial, ou seja: a) CSLL, período de apuração/2º trimestre 2000; b) Cofins, períodos de apuração: janeiro, fevereiro e junho/2000; c) PIS, períodos de apuração: janeiro, fevereiro, junho e julho/2000. Para os demais períodos de apuração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, que não houve prévio pagamento parcial, a decisão recorrida aplicou o prazo de decadência do art. 173, I, do CTN. DIREITO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA A recorrente irresignada com a decisão a quo, reitera que o prazo para lançamento do crédito tributário, nos tributos sujeitos à lançamento por homologação, contase a partir do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), independentemente da existência de prévio pagamento parcial. Não tem razão a recorrente. Quanto aos períodos de apuração que houve, comprovadamente, prévio pagamento de imposto e contribuições, a decisão recorrida já reconheceu a decadência parcial da diferença de crédito tributário lançada de ofício. Desde o início, convém frisar que, em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ, o entendendimento deste Égregio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e desta Turma também, é no sentido de que inexistindo prévio pagamento da respectiva exação fiscal submetida a lançamento por homologação, há Fl. 435DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 5 9 deslocamento da contagem do prazo decadencial do art. 150, § 4º, para o inciso I do art. 173, ambos, dispositivos legais, do CTN. Nesse sentido, trascrevo precedente do STJ, in verbis: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO E NÃO PAGO. CORRETA APLICAÇÃO DO ART. 173, I, DO CTN. PRECEDENTES. RECURSO DESPROVIDO. 1. Esta Corte temse pronunciado no sentido de que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. (REsp nº 413.265). Como demonstrado, o STJ adota duas regras distintas para definir o prazo decadencial para exercício do lançamento: uma geral, contida no artigo 173, I, do CTN; outra específica, do artigo 150, § 4º, aplicável aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, desde que relativo ao período de apuração tenha havido prévio pagamento parcial. Ou seja: havendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial é de 5 (cinco) anos, para o lançamento de eventuais diferenças, contado o prazo a partir do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Por outro lado, inexistindo prévio pagamento, o termo inicial do prazo é o do art. 173, I, do mesmo diploma legal citado. No mesmo sentido, também os precedentes jurisprudenciais deste CARF: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL ANOCALENDÁRIO: 1991 DECADÊNCIA A partir da Súmula 8 do STF, a contagem do prazo decadencial para o lançamento da CSLL deve orientarse pelos dispositivos do CTN, e não mais pelo art. 45 da Lei 8.212/1991. A extinção definitiva do crédito tributário pelo § 4º do art. 150 do CTN, e a conseqüente decadência a ela atrelada, só ocorre se, antes disso, a situação sob exame configurar, a partir de um juízo de tipicidade, a hipótese prevista no caput deste mesmo artigo. Não havendo antecipação de pagamento, a contagem do prazo decadencial é feita pelo art. 173 do CTN, e não pelo art. 150. (Acórdão 19800.074, sessão de 09/12/2008, Relator José de Oliveira Ferraz Corrêa). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS. Período de apuração: 01/01/1998 a 30/09/1998. COFINS. DECADÊNCIA. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 10 Uma vez que o STF, por meio da Súmula Vinculante nº 8, considerou inconstitucional o art. 45 da Lei n2 8.212/91, há que se reconhecer a decadência, em conformidade com o disposto no Código Tributário Nacional. Assim, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao PIS decai no prazo de cinco anos fixado pelo CTN, sendo, com fulcro no art. 150, § 4º, caso tenha havido antecipação de pagamento, inerente aos lançamentos por homologação, ou art. 173, I, em caso contrário. (Acórdão 20181.461, sessão de 08/10/2008, Relator Maurício Taveira e Silva). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Data do fato gerador: 12/03/1997. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. O prazo decadencial é de cinco anos, contados do exercício seguinte àquele em que o lançamento do crédito poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I do CTN, para os tributos cuja lei prevê o lançamento por homologação, nos casos em que o contribuinte não tenha efetuado o pagamento. (Ac. 30134.676, sessão de 12/08/2008, Relatora Irene Sousa da Trindade Torres). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2002. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. DECADÊNCIA. PRAZO. INCONS TITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 556.664, 559.882, 559.943 e 560.626, em 11/06/2008, e ao fixar os efeitos modulatórios da referida decisão, o pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Assim, a teor do disposto no art. 4º, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, havendo pagamento parcial, o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente às eventuais diferenças de Cofins e do PIS extinguese em cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN. (Acórdão 20219.214, sessão de 05/08/2008, Relator Antonio Zomer). Como demonstrado, não há reparo a fazer na decisão recorrida. Por conseguinte, rejeito a preliminar de decadência. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS E DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS . PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA . ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. ANOCALENDÁRIO 2000 A recorrente, intimada pelo fisco, forneceu cópias dos extratos bancários de suas contas correntes do anocalendário 2000; intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários não escriturados, não conseguiu desencumbirse desse ônus. Nesta instância de julgamento, mais uma vez, a recorrente não produziu prova para afastar a presunção legal de omissão de receitas. Do total de receita bruta conhecida, anocalendário 2000, ou seja, R$ 4.112.091,50, a recorrente deixou de registrar na sua escrituração contábil 83% de suas receitas, ou seja, R$ 3.425.020,21 (depósitos bancários a crédito não registrados na sua escrituração contábil e de origem não comprovada, configurando, por presunção legal, omissão de receitas – art. 287 do RIR/99 e art. 42 da Lei nº 9.430/96). Fl. 437DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 6 11 O fisco pode sim, por presunção legal, imputar omissão de receitas, no caso de depósitos bancários de origem não comprovada com documentos hábeis e idôneos, uma vez que não mais se aplica a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e, também, não se aplicam os precedentes jurisprudenciais invocados, administrativos ou judiciais, pois calcados em legislação revogada. Isto porque existem duas realidades distintas no que se refere ao uso da movimentação financeira para a caracterização da omissão de receitas, sendo uma com base no art. 6°, § 5°, da Lei nº 8.021/1990 (dispositivo legal revogado pela Lei n. 9.430/96), e a outra com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, vejamos: Lei n° 8.021/1990 "Art. 6º. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, farse á arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações."[revogado] Lei n°9.430/1996 "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Com base nos dispositivos acima transcritos, verificase que o que distingue uma realidade da outra é que a partir de 01/01/1997 — entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 , a existência de depósitos não escriturados ou de origem não comprovada tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio a se juntar as outras já existentes no ordenamento jurídico, sendo que, a partir daí, atenuouse a carga probatória atribuída ao fisco, que precisa apenas demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. Antes, tal previsão para depósitos bancários inexistia e, com isso, o fisco necessitava, nos estritos termos do art. 6°, caput, e § 5°, da Lei n° 8.021/1990, não apenas constatar a existência dos depósitos bancários, mas estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre tais depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse dar ensejo à omissão de receitas. O fato é que, após a edição da Lei n° 9.430/1996, a movimentação bancária mantida ao largo da escrituração contábil da empresa ou sem comprovação da origem, presumese realizada com valores omitidos à tributação, salvo prova em contrário, não mais se aplicando, portanto, o entendimento exarado na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 12 Para fatos geradores a partir de 1°/01/1997, no tocante à omissão de rendimentos/receitas, com base em depósitos bancários com origem não comprovada, tem vigência única e plenamente o art. 42 da Lei n° 9.430196. Esse diploma legal encerra presunção legal que implica inversão do ônus da prova. O ônus da prova de que não houve omissão de receitas/rendimentos, por conseguinte, é da contribuinte. Não há que se falar em sinais exteriores de riqueza ou prova do consumo da renda para tributar depósitos bancários com origem não comprovada pelo contribuinte, conforme matéria já sumulada: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. O depósito bancário de origem não comprovada é rendimento tributável pelo imposto de renda, por presunção legal. Esse entendimento encontrase pacificado, inclusive, no âmbito do Conselho de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Nesse sentido, transcrevo precedentes jurispruencias deste Egrégio Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidos junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10809.836, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza). ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano calendário: 2002 a 2004 Ementa: IRPJ — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — OMISSÃO DE RECEITAS PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.(Acórdão nº 10197.116, sessão de 05 de fevereiro de 2009, Relator Valmir Sandri). ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE — SIMPLES Exercício: 2003, 2004 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA —PROCEDÊNCIA Caracterizam omissão de receita os valores Fl. 439DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 7 13 creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA PRESUNÇÃO LEGAL Em se tratando de presunção legal, cabe ao Fisco a prova do fato indiciário. Ao contribuinte incumbe provar que o fato indiciário não leva, em seu caso concreto, ao fato presumido por lei. Esse ônus não pode ser transferido pelo contribuinte à Administração Tributária.(Acórdão nº 10517.369, sessão de 17 de dezembro de 2008, Relator Waldir Veiga Rocha). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício. 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI N° 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÓNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.(Acórdão nº 10249.393, sessão de 06 de novembro de 2008. Relatora Núbia Matos Moura). Assunto: SIMPLES NACIONAL EXERCÍCIO: 2004, 2005 Ementa: PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.(Acórdão nº 195 0.088, sessão 09 de dezembro de 2008, Relator Benedicto Celso Benicio Junior). OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS: Caracterizase como omissão de receita os depósitos bancários feitos em nome de interposta pessoa quando as pessoas envolvidas devidamente intimadas não comprovem a origem em Fl. 440DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 14 renda ou receita. A proporcionalização de acordo com a receita declarada de cada pessoa jurídica que movimentou recursos nas contas não macula o lançamento, pois demonstra a aplicação da prudência da lógica e coerência por parte da fiscalização. (AC. CSRF nº 0105.643, sessão de 27 de março de 2007, Redator designado José Cóvis Alves). Em relação a utilização dos dados de movimentação financeira bancária para lançamento de tributos (sigilo bancário), prejudicada qualquer discussão, pois a recorrente espontaneamente forneceu os extratos bancários de suas contas correntes. Portanto, quanto à infração omissão de receitas por presunção legal (depósitos bancários, a crédito, não escriturados e de origem não comprovada), não há reparo a fazer na decisão recorrida. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL IMPRESTÁVEL. ARBITRAMENTO DO LUCRO A recorrente rebelase contra o ato de arbitramento do lucro do ano calendário 2000, em face da desclassificação de sua escrituração contábil/fiscal que implicou não aproveitamento das despesas/custos escriturados. Aqui, também, não tem melhor sorte a recorrente. No anocalendário 2000, a recorrente escriturou os custos e despesas, porém deixou de registrar na sua escrituração contábil/fiscal 83% de sua receita bruta (omissão de receitas). Em face disso, com base no regime de apuração do lucro real trimestral, a contribuinte apurou prejuízos fiscais nos 4 (quatro trimestres) desse ano, não apurando IRPJ e CSLL. Nesse contexto, a recorrente foi submetida a procedimento de fiscalização pela RFB, culminando na desclassificação de sua escituração contábil/fiscal, por ser imprestável para apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real. A desclassificação da sua escrituração contábil/fiscal deuse à luz do art. 47 da Lei n° 8.981/95, que assim dispõe, verbis: Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I – o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei n°2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. (...) Fl. 441DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 8 15 Do total de receita bruta conhecida, anocalendário 2000, ou seja, R$ 4.112.091,50, a recorrente deixou de registrar na sua escrituração contábil 83% de suas receitas, ou seja, R$ 3.425.020,21 (depósitos bancários a crédito não registrados na sua escrituração contábil e de origem não comprovada). No caso, como demonstrado, o arbitramento do lucro de ofício, diversamente do entendimento da recorrente, foi imprescindível. Na verdade, o regime do arbitramento do lucro foi a única solução possível em face da imprestabilidade de sua escrituração contábil e fiscal, e por ser, nesse caso, o regime de tributação menos oneroso à recorrente. Senão vejamos: Se a fiscalização, simplesmente, adicionasse o montante das receitas omitidas às receitas declaradas e apurasse o IRPJ e a CSLL com base no lucro real trimestral (regime de apuração da recorrente até então), subtraindo os valores dos tributos já declarados com base na receita declarada, a carga tributária dessas exações fiscais seria maior (muito maior), por duas razões: (i) as despesas/custos seriam apenas os já registrados na escrituração contábil imprestável; (ii) não havia, além disso, IRPJ e CSLL recolhidos para o anocalendário com base na receita declarada, pois a contribuite apurou prejuízos fiscais no ano (em face da omissão de receitas). Já, pela aplicação de ofício do regime do lucro arbitrado, a base de cálculo do IRPJ foi de apenas 9,6% (coeficiente de presunção do lucro) e da CSLL foi de 12% (coeficiente de presunção) sobre o montante da receita bruta apurada pelo fisco (receita escriturada + receita omitida). Ou seja, para o IRPJ foram considerados 90,4% de custos/despesas presumidos e para a CSLL foram considerados custos/despesas presumidos de 88%. Nesse caso, realmente a jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo, e da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, é firme no sentido de fazer prevalecer o arbitramento do lucro, pois a manutenção do regime do lucro real, sem despesas/custos a deduzir em relação às receitas omitidas, seria demasiadamente oneroso para a contribuinte. Nesse sentido, transcrevo ementas de decisões deste Egrégio Conselho (precedentes) que, mutatis mutandis, reconhecem e justificam a aplicação do arbitramento do lucro, quando a escrituração contábil/fiscal é imprestável para apuração do lucro real, como no caso: IRPJ GLOSA DE DESPESAS PRESERVAÇÃO DA APURAÇÃO PELO LUCRO REAL Incabível a preservação da tributação pelo lucro real quando a autoridade fiscal procede à glosa da quase totalidade das despesas operacionais lançadas. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe a existência de escrituração regular, assim entendida aquela que tem seus lançamentos lastreados por documentos hábeis e idôneos, registrados em livros comerciais e fiscais, tendo como ponto de partida o lucro liquido, que é a soma algébrica de receitas, Fl. 442DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 16 custos e despesas. Recurso de ofício negado.(1º CC/Acórdão nº 10808.184). IRPJ GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS Incabível a preservação da tributação pelo real, quando a autoridade fiscal procede à glosa de 100% dos custos e 99,97% das despesas operacionais da pessoa jurídica, em razão da não apresentação dos documentos comprobatórios reiteradamente solicitados. Nesse caso, deve o Fisco arbitrar o lucro da pessoa jurídica, pois a tributação pelo lucro real pressupõe escrituração regular, assim entendida, aquela que tem seus lançamentos lastreados em documentos hábeis e idôneos. Recurso voluntário provido.(Acórdão CSRF 0102.554). Como demonstrado, o arbitramento de lucro não é penalidade; é regime de apuração do imposto, em face da imprestabilidade da escrituração contábil e fiscal. Tanto não é penalidade que, sua aplicação, dáse, como no caso, quando a maior parte da receita bruta é omitida (contabilidade imprestável), afastando a aplicação do regime de tributação mais gravoso (Lucro Real), pela inexistência de despesas/custos escriturados atinentes às receitas omitidas. Além disso, o arbitramento é sempre definitivo ou incondicional, sendo incabível reapreciação posterior da escrituração da contribuinte, conforme os seguintes precedentes deste Égrégio Conselho: IRPJ ANO CALENDÁRIO 1997— LUCRO ARBITRADO — SUJEITO PASSIVO REGULARMENTE INTIMADO DEIXA DE APRESENTAR DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO ADOTADO — ARBITRAMENTO CONDICIONAL — INEXISTÊNCIA — Cabível o arbitramento do lucro quando a pessoa jurídica deixa de exibir ao Fisco, após reiteradas intimações, os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, comprobatórios do regime de tributação conforme as regras do lucro real (art. 47, inciso III da Lei n° 8.981/1995). O Regime de arbitramento é incondicional. A eventual disponibilização da documentação cuja falta ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de modificar o ato administrativo do lançamento.(Acórdão CC nº 10194.411, sessão de 04/11/2003, Relator Raul Pimentel). OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO ARBITRADO. Inexistente a escrituração regular e não atendidos os requisitos para tributação pelo lucro presumido ou real, impõese o regime do lucro arbitrado, que será aplicado sobre as receitas declaradas e omitidas, compensandose o imposto já recolhido. (...) LUCRO ARBITRADO. PERÍCIA CONTÁBIL. O arbitramento do lucro não é condicional, sendo defeso a apresentação posterior de escrituração contábil, indeferindose o pedido de perícia formulado sem atender os requisitos do art. 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. (Acórdão CARF nº 1803 –00.764, sessão de 26/01/2011, Relator Walter Adolfo Maresch). ESCRITURAÇÃO COMERCIAL. DEFICIÊNCIAS. LUCRO ARBITRADO. A apresentação de escrituração incompleta, impedindo a devida apuração dos tributos por parte da Fiscalização, enseja o arbitramento dos lucros auferidos pela Fl. 443DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.000064/200639 Acórdão n.º 180200.956 S1TE02 Fl. 9 17 pessoa jurídica. LUCRO ARBITRADO. ESCRITURAÇÃO APRESENTADA POSTERIORMENTE. Tendo em vista a não existência de arbitramento condicional, o ato administrativo do lançamento não é modificável pela apresentação posterior da escrituração, cuja inexistência ou não apresentação foi a causa do arbitramento. (Acórdão CARF nº 130200.458, sessão de 26/01/2011, Relator Marcos Rodrigues de Mello). ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DOS LIVROS. Comprovada a falta de apresentação dos livros que amparariam a tributação com base no lucro real, cabível é o arbitramento do lucro. Atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do ato administrativo de lançamento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos cru lei (CTN, art. 141). Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pelo posterior oferecimento do documentário cuja falta de apresentação foi a causa do arbitramento. (Acórdão CARF nº 1801 – 00.075, sessão de 25/08/2009, Relator Marcos Vinícius Barros Ottoni). ARBITRAMENTO DO LUCRO LEGITIMIDADE É legítimo o arbitramento do lucro fundado na não apresentação dos livros e documentos fiscais e contábeis, sendo inócua a sua apresentação posterior à fase de instrução, eis que não existe arbitramento condicional.(Acórdão CC nº 10517.385, sessão de 04/02/2009, Relator Paulo Jacinto do Nascimento). ARBITRAMENTO. APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS EM FASE DE JULGAMENTO. Não se conhece da apresentação dos livros que não foram exibidos durante o procedimento fiscal, ensejando o arbitramento do lucro, tendo sido a empresa regularmente intimada a apresentálos, por diversas vezes. Não existe arbitramento condicional.(Acórdão CC nº 19100.045, sessão de 11/12/2008, Relatora Ana de Barros Fernandes). A recorrente alegou, ainda, que fosse retirado da receita bruta pretensas receitas de vendas não recebidas. Tratase de alegação sem nexo, inoportuna, pois, em relação às receitas escrituradas, foram computadas e consideradas as receitas declaradas ao fisco pela própria contribuinte (oferecidas à tributação pela própria contribuinte). E, em relação às receitas não escrituradas (depósitos bancários, a crédito, de origem não comprovada), não há que se falar em valores não recebidos, pois foram utilizados os valores recebidos (depósitos a crédito em suas contas correntes bancárias). Por conseguinte, quanto ao Lucro Arbitrado, não há reparo a fazer na decisão recorrida. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. Após ciência do início do procedimento de fiscalização, o contribuinte perde a espontaneidade fiscal e a falta de pagamento espontâneo dos tributos, em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da fiscalização, implica na exigência do principal com multa de ofício mínima de 75%, desde que não seja hipótese de agravamento por embaraço à Fl. 444DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL 18 fiscalização ou de qualificação por conduta dolosa (fraude fiscal), quando a multa será ainda maior. Configuradas as infrações imputadas, não há como afastar a multa de ofício de 75%, que é a multa mínima para lançamento de ofício (Lei nº 9.430/96, art. 44, I). Se houvesse dolo na conduta das infrações (omissão de receitas falta de pagamento dos tributos), a multa, em tese, não seria essa, mas sim qualificada, ou seja, de 150%. Logo, pela não configuração do elemento dolo, foi aplicada, por conseguinte, corretamente a multa mínima de 75%, cuja penalidade deve ser mantida, por ser a cominada legalmente. Não há reparo a fazer na decisão recorrida. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL, PIS E COFINS. A decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, por força da relação de causa e efeito que os vincula. Por tudo que foi exposto, voto para AFASTAR a preliminar suscitada e, no mérito, para NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 445DF CARF MF Impresso em 28/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/2011 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10980.007316/00-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995
PIS. PEDIDO ADMINISTRATIVO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91
Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para restituição/compensação é de 10 anos contado do fato gerador quanto aos pedidos apresentados antes de 9 de junho de 2005.
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS.
A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal.
Numero da decisão: 9303-005.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1569; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 414 1 413 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.007316/0027 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303005.479 – 3ª Turma Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria PIS/PASEP Recorrentes FAZENDA NACIONAL E AUTO POSTO SOCIAL LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 PIS. PEDIDO ADMINISTRATIVO. DECADÊNCIA/PRESCRIÇÃO. UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. PEDIDO FORMULADO ANTES DE 09/06/2005. SÚMULA CARF 91 Nos termos de decisão Plenária do STF e da Súmula CARF 91, o prazo para restituição/compensação é de 10 anos contado do fato gerador quanto aos pedidos apresentados antes de 9 de junho de 2005. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. EXPURGOS INFLACIONÁRIOS. A partir da edição do Ato Declaratório PGFN n.º 10/2008, é cabível a aplicação nos pedidos de restituição/compensação, objeto de deferimento na via administrativa, dos índices de atualização monetária (expurgos inflacionários) previstos na Resolução do Conselho da Justiça Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para aplicar a Súmula CARF nº 91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 73 16 /0 0- 27 Fl. 414DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e sujeito passivo contra Acórdão nº 20216.952, da 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, consignando a seguinte ementa: “PIS. RESTITUIÇÃO. NORMA INCONSTITUCIONAL. PRAZO DECADENCIAL. O prazo para requerer a restituição dos pagamentos da Contribuição para o PIS, efetuados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88, é de 5 (cinco) anos, iniciandose a contagem no momento em que eles foram considerados indevidos com efeitos erga omnes, o que só ocorreu com a publicação da Resolução n2 49, do Senado Federal, em 10/10/1995. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS, até a entrada em vigor da MP nº 1.212/95, corresponde ao faturamento do sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. CORREÇÃO MONETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjunta SRF/Cosit/Cosar n 2 8, de 27/06/97, Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10980.007316/0027 Acórdão n.º 9303005.479 CSRFT3 Fl. 415 3 devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/96, nos termos do art. 39, § 4 2, da Lei nº 9.250/95.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que afastou a prescrição do direito de pleitear a restituição do indébito tributário oriundo de pagamentos indevidos ou a maior realizados com base nos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, trazendo, entre outros, que o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data do pagamento do tributo indevido, conforme inteligência dos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, e 156, inciso I, do CTN. Em Despacho às fls. 369 a 371, foi dado seguimento ao Recurso Especial. Insatisfeito também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, eis que a decisão não considerou os expurgos inflacionários no período de 1988 a 1992. Em Despacho às fls. 402 a 405, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao Recurso Especial do sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que: · A alegação do sujeito passivo é exemplo de desbordamento dos limites impostos ao julgamento administrativo pelo princípio da imutabilidade da coisa julgada, assim como o princípio da legalidade, e não pode ser mantido por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais; · Isso porque não se pode admitir, na instância administrativa, a correção monetária de tributos recolhidos indevidamente que não obedeça aos expressos contornos do título judicial; É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 416DF CARF MF 4 Depreendendose da análise dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que concordo com os exames de admissibilidade constantes dos Despachos às fls. 369 a 371 e 402 a 405. No que tange à discussão trazida em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional – qual seja, prazo para a contagem do prazo prescricional/decadencial, importante trazer que, com a alteração promovida pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, determinando que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (dispositivo atual – art. 62, § 2º, Anexo I, do RICARF/15 – Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015)), essa questão não mais comportaria debates. Vêse que tal matéria foi objeto de decisão do STJ sem sede de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 1110578/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux (data do julgamento 12/05/2010). Não obstante ao termo inicial, vêse que há outra questão sob lide, qual seja, qual seja, o prazo para se pleitear a repetição de indébito – que, por sua vez, também tratou da definição do termo a quo para a aplicação do prazo decadencial – na discussão acerca do prazo de 5 anos ou 10 anos. Nesse ponto, a matéria também foi decidida pelo STJ, inclusive definindo de forma clara o termo inicial a ser considerado, sob procedimento de recursos repetitivos, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932 SP, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05. Após apreciação da matéria, o STJ firmou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permaneceria regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10980.007316/0027 Acórdão n.º 9303005.479 CSRFT3 Fl. 416 5 O Supremo Tribunal Federal, por conseguinte, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser aplicável o novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Ou seja, para os pedidos de repetição de indébito apresentados anteriormente a 9 de junho de 2005, poderseia considerar o prazo prescricional/decadencial de 10 anos. Para melhor compreensão, transcrevo a ementa do referido acórdão: “PLENÁRIO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621 Rio GRANDE DO Sul. RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE '9 DE JUNHO DE 2005. O que resta reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Em vista de todo o exposto, temse que no caso vertente, o pedido foi protocolado em 10.10.00 e abrangia recolhimentos efetuados no período de julho de 1988 a dezembro de 1995. Sendo assim, considerando que os pedidos foram apresentados antes de 9.6.05, devese, em respeito ao art. 62, § 2º, Anexo I, da Portaria 343/2015, afastar a prescrição do período correspondente aos fatos geradores ocorridos a partir de 10.10.90. Isto posto, conheço o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, dandolhe provimento parcial. Fl. 418DF CARF MF 6 Quanto à discussão trazida em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo – qual seja, direito à inclusão dos expurgos inflacionários em compensação/restituição de créditos tributários, ainda quando a decisão judicial não tenha se manifestado expressamente neste sentido, utilizo como fundamento em minhas razões de decidir o Acórdão nº 9303004.202, sessão de julgamento realizada em 07 de julho de 2016, da lavra da nobre colega Conselheira Érika Costa Camargos Autran: "A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, referese à aplicação de índices de correção monetária que contemplem os denominados expurgos inflacionários. Em virtude das decisões prolatadas no AgRg no RESP 935594/SP (DJ 23.04.2008); EDcl no REsp 773.265/SP (DJ 21.05.2008); EDcl nos EREsp 912.359/MG (DJ 27.22.2008); EREsp 912.359/MG (DJ 03.12.2007), foi pacificado o entendimento de que na repetição de indébito tributário, a correção monetária será calculada segundo os índices indicados para os Cálculos da Justiça Federal, aprovado pela Resolução n.º 561 do Conselho da Justiça Federal. Cumpre destacar que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional através do Parecer PGFN/CRJ n.º 2.601/2008 foi dispensada de interpor recursos nas ações que requeiram a inclusão dos índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários, conforme ementa e conclusão abaixo transcritas (grifos meus): "PARECER PGFN/CRJ/Nº 2601/2008Tributário. Correção Monetária. Inclusão de índices expurgados de planos econômicos para atualização dos créditos tributários. Jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Decreto n.º 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões judiciais que entendem pela inclusão dos índices expurgados de planos econômicos no cálculo da correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos. Fl. 419DF CARF MF Processo nº 10980.007316/0027 Acórdão n.º 9303005.479 CSRFT3 Fl. 417 7 2. Tal Parecer, em face da alteração trazida pela Lei nº 11.033, de 2004, à Lei nº 10.522/2002, terá também o condão de dispensar a apresentação de contestação pelos Procuradores da Fazenda Nacional sobre a matéria. 3. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas no Superior Tribunal de Justiça – STJ, no sentido de que é devida a aplicação dos índices de inflação expurgados pelos planos econômicos governamentais, como fator de atualização monetária de débitos judiciais. 4. O entendimento reiteradamente invocado pela Fazenda Nacional em sua defesa sempre foi no sentido de ser descabida a aplicação dos índices. expurgados para fins de correção monetária de valores recolhidos indevidamente a serem compensados ou restituídos, somente sendo possível, para este fim, a aplicação dos índices legalmente estatuídos. 5. Ocorre que o Poder Judiciário entendeu diversamente, tendo sido pacificado no âmbito do STJ o entendimento no sentido de que devem ser incluídos, para cálculo da correção monetária de débitos judiciais, os percentuais dos expurgos inflacionários verificados na implantação dos planos governamentais, sendo esta incidência decorrente de lei (Lei 6.899/81), pelo que se faz desnecessária a expressa menção no pedido formulado em juízo, a teor do que dispõe o art. 293 do CPC. 6. No que atine ao critério a ser utilizado para cálculo da correção monetária, firmouse orientação no sentido de que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução n. 561 do Conselho da Justiça Federal, de 2.7.2007, a saber: (...)" Por fim, em vista a aprovação do parecer acima, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, através do Ato Declaratório n.º 10/2008 determina que é cabível a aplicação dos expurgos inflacionários constantes na Tabela Única da Justiça Federal aprovada pela Resolução n.º 561, de 02/07/2007, do Conselho da Justiça Federal, senão vejamos: “ATO DECLARATÓRIO Nº 10, DE 1ºDE DEZEMBRO DE 2008 Fl. 420DF CARF MF 8 O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2601/2008, desta Procuradoria – Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 8/12/2008, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem a obter declaração de que é devida, como fator de atualização monetária de débitos judiciais, a aplicação dos índices de inflação expurgados pelo planos econômicos governamentais constantes na Tabela Única da Justiça Federal, aprovada pela Resolução nº 561 do Conselho da Justiça Federal, de 02 de julho de 2007.” Portanto, cotejando os atos normativos acima transcritos, é possível afirmar que os índices a serem aplicados na compensação ou repetição do indébito tributário são os constantes na Tabela Única da Justiça Federal. Assim, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que sejam aplicados os índices do Conselho da Justiça Federal". Concordando com o exposto transcrito, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Sendo assim, conheço dos recursos interpostos: · Dando provimento parcial ao recurso da Fazenda Nacional para aplicar a Súmula CARF 91; · Dando provimento ao recurso do sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 421DF CARF MF Processo nº 10980.007316/0027 Acórdão n.º 9303005.479 CSRFT3 Fl. 418 9 Fl. 422DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.721239/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008
ATIVIDADE GRÁFICA EM ENVELOPES, PASTAS, BLOCOS, CALENDÁRIOS E SACOLAS. NÃO INDUSTRIALIZAÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA SOMENTE DO ISS. PREVISÃO ESPECÍFICA E EXPRESSA.
A atividade gráfica personalizada e por encomenda em envelopes, pastas, blocos, calendários e sacolas, caracteriza prestação de serviço e não beneficiamento e industrialização.
Apesar de não se enquadrar nas hipóteses de exclusão de incidência do IPI previstas no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02, a incidência do ISS tem previsão expressa e taxativa no item 13.05 e Art. 1.º, §2.º da Lei Complementar 116/03, assim como o Decreto Lei 2471/88, Art. 9.º, determinou o cancelamento dos processo administrativos de cobrança de IPI sobre produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráfica.
Assim, além da incidência do ISS observar o principio da legalidade estrita, ter previsão expressa e mais específica, está em consonância com a previsão do Art. 146, I, da CF/88, que determina que cabe à Lei Complementar regular os conflitos de competência no poder de tributar. Logo, se a Lei Complementar define de forma expressa e específica a incidência do ISS nas exatas atividades gráficas exercidas pelo contribuinte, a incidência do IPI deve ser afastada, em respeito ao princípio da Segurança Jurídica, para evitar conflito de competência no poder de tributar entre a União e o Município.
CAIXAS. PREVISÃO EXPRESSA DE NÃO INCIDÊNCIA DO ISS. INCIDÊNCIA DO IPI.
Em conformidade com o previsto no ítem 13.05 da Lei Complementar de n.º 116/03, não incide ISS sobre as "caixas" que contenham impressões gráficas, seja por encomenda ou não, destinadas a posterior operação de comercialização ou industrialização, ainda que incorporadas, de qualquer forma, a outra mercadoria que deva ser objeto de posterior circulação.
Não sendo hipótese de exclusão de incidência do IPI prevista no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02 e não sendo hipótese de incidência do ISS, a incidência do IPI não pode ser afastada no âmbito deste Conselho administrativo.
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização, quando a empresa não possui contabilidade de custos que permita a segregação dos insumos empregados, indistintamente em produtos não tributados NT, conforme Súmula 20 do CARF e IN SRF 33/99.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CAIXAS. INCIDÊNCIA DO IPI.
Diante da correta reclassificação das "caixas" por parte da fiscalização, cabe a exigência das diferenças de alíquotas sobre as saídas das "caixas" personalizadas, hipótese de incidência do IPI.
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.
Na ausência de prova nos autos que permita confirmar a legitimidade e a liquidez do crédito, este deve ser glosado, cabendo a exigência dos valores apurados de IPI não lançados e não recolhidos.
Numero da decisão: 3201-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência do IPI para os produtos considerados tributados pelo ISS. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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NÃO INDUSTRIALIZAÇÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA SOMENTE DO ISS. PREVISÃO ESPECÍFICA E EXPRESSA. A atividade gráfica personalizada e por encomenda em envelopes, pastas, blocos, calendários e sacolas, caracteriza prestação de serviço e não beneficiamento e industrialização. Apesar de não se enquadrar nas hipóteses de exclusão de incidência do IPI previstas no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02, a incidência do ISS tem previsão expressa e taxativa no item 13.05 e Art. 1.º, §2.º da Lei Complementar 116/03, assim como o Decreto Lei 2471/88, Art. 9.º, determinou o cancelamento dos processo administrativos de cobrança de IPI sobre produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráfica. Assim, além da incidência do ISS observar o principio da legalidade estrita, ter previsão expressa e mais específica, está em consonância com a previsão do Art. 146, I, da CF/88, que determina que cabe à Lei Complementar regular os conflitos de competência no poder de tributar. Logo, se a Lei Complementar define de forma expressa e específica a incidência do ISS nas exatas atividades gráficas exercidas pelo contribuinte, a incidência do IPI deve ser afastada, em respeito ao princípio da Segurança Jurídica, para evitar conflito de competência no poder de tributar entre a União e o Município. CAIXAS. PREVISÃO EXPRESSA DE NÃO INCIDÊNCIA DO ISS. INCIDÊNCIA DO IPI. Em conformidade com o previsto no ítem 13.05 da Lei Complementar de n.º 116/03, não incide ISS sobre as "caixas" que contenham impressões gráficas, seja por encomenda ou não, destinadas a posterior operação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 12 39 /2 01 2- 67 Fl. 244DF CARF MF 2 comercialização ou industrialização, ainda que incorporadas, de qualquer forma, a outra mercadoria que deva ser objeto de posterior circulação. Não sendo hipótese de exclusão de incidência do IPI prevista no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02 e não sendo hipótese de incidência do ISS, a incidência do IPI não pode ser afastada no âmbito deste Conselho administrativo. CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização, quando a empresa não possui contabilidade de custos que permita a segregação dos insumos empregados, indistintamente em produtos não tributados “NT”, conforme Súmula 20 do CARF e IN SRF 33/99. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CAIXAS. INCIDÊNCIA DO IPI. Diante da correta reclassificação das "caixas" por parte da fiscalização, cabe a exigência das diferenças de alíquotas sobre as saídas das "caixas" personalizadas, hipótese de incidência do IPI. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Na ausência de prova nos autos que permita confirmar a legitimidade e a liquidez do crédito, este deve ser glosado, cabendo a exigência dos valores apurados de IPI não lançados e não recolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a exigência do IPI para os produtos considerados tributados pelo ISS. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira, Renato Vieira de Avila. Relatório Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 245 3 Tratase de Recurso Voluntário de fls. 204 em face da decisão de primeira instância da DRJ/BA de fls. 180 que manteve o lançamento de IPI, diante de indícios de produto saído com Nota Fiscal sem o devido lançamento do IPI, inobservância de classificação fiscal e crédito básico indevido. A autoridade lavrou o Auto de Infração de IPI às fls. 03. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. 180 apontadas acima: “Tratase de Auto de Infração e Demonstrativos (fls. 03/12), lavrado contra o contribuinte acima identificado, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor de R$23.180,21, acrescido de juros de mora e da multa de ofício, pertinente ao período compreendido entre 01/07/2007 a 30/09/2008, em razão de ter sido constatada a falta de lançamento do IPI, por inobservância de classificação fiscal e alíquota específica do IPI, e glosa de créditos apropriados indevidamente. O enquadramento legal dada a falta de lançamento do IPI na saída de produtos tributados quanto ao período de 01/07/2007 a 30/09/2008, quanto aos créditos indevidos e a falta de estorno de crédito no período de 31/07/2007 a 30/09/2008 e a não comprovação da origem dos créditos apropriados está discriminado às fls. 05/08. Tratase também da multa regulamentar sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito no valor de R$25.208,62, conforme demonstrativo de apuração do IPI e reconstituição da escrita fiscal (fls.13 e 14 e 17/19). O enquadramento legal se encontra discriminado à fl.14. Segundo o autuante, verificouse que o contribuinte protocolou diversos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação, todos baseados em saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprima, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados e tributados, à alíquota zero. O auditor fiscal que realizou diligência informou no Termo de Informação Fiscal de fls. 23/29 que a empresa solicitou ressarcimento de créditos em relação aos insumos tributados adquiridos para utilização em produtos que industrializa, desde o período relativo ao 3º trimestrecalendário até o 3º trimestre calendário de 2008. Após conferência dos livros e escrituração fiscais e contábeis descreve a auditoria que a empresa industrializa produtos não tributados e tributados à alíquota zero, mas não os segregava, tendo se creditado indistintamente de todos os insumos adquiridos pra industrialização dos seus produtos, inclusive, por conseguinte, em atendimento o art.3º da IN SRF nº 33, de 1999, procedeu ao estorno dos créditos do período em questão com base nas saídas das mercadorias do trimestre anterior. Fl. 246DF CARF MF 4 Consta ainda no relatório fiscal que, após intimação para apresentação das notas fiscais de entrada com crédito do IPI informado no PER/DCOMP a empresa informou que não foram encontradas as notas fiscais solicitadas, tendo sido efetuado o estorno do crédito relativo a estas notas. Além disso, efetuou lançamento de débitos de IPI em razão divergências na classificação e alíquotas aplicadas pelo contribuinte, com base nas Notas Explicativas da posição. Segundo a nota da posição classificada, resta o entendimento de que o produto continua a ser o mesmo, ainda que apresentem dizeres impressos, desde que estes não sejam suficientes para dar um caráter essencial ao produtos e sim um caráter acessório relativamente à utilização do produto. Assim, classificou os seguintes produtos: blocos com folhas impressos, classificado para a posição 4820.10.00, alíquota 15%; pastas impressas, código 4820.90.00, alíquota 15%; envelopes impressos, classificação fiscal 4817.10.00, alíquota 5%; calendários, posição 4910.00.00, alíquota 10%; caixas, código 4819.10.00, alíquota 15% e sacolas, classificação fiscal 4819.40.00, alíquota 15%. Cientificado do lançamento em 30/01/2012, fl.04, o interessado apresentou a impugnação de fls.124/134, alegando em síntese que: • industrializa produtos gráficos personalizados e sob encomenda, é contribuinte do Imposto sobre Serviços ISS, nos termos do item 13.05 da Lista de Serviços anexa à Lei Complementar nº116, de 31/07/2003; • adquire insumos (matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem), tributados pelo IPI (lonas, adesivos, papel, chapa, tinta, etc), na sua maioria classificados nos Capítulos 39 e 43 da TIPI, e os utiliza na produção dos sus impressos personalizados, classificados no Capítulo 49 da TIPI, de diversos produtos gráficos, todos tributados pelo IPI sob à alíquota "zero" ou imunes; • nas disposições contidas no item 2 das Notas Explicativas, que transcreve, faz jus ao crédito em total consonância com o art. 11, da Lei n° 9.779, de 19.01.1999 e na IN/SRF n.° 33/99; • protocolou perante a Secretaria da Receita Federal SRF, o Pedido de Ressarcimento dos saldos credores acumulados trimestralmente do IPI, sem considerar qualquer débito do IPI, o que fez com que fosse requerido ressarcimento da integralidade dos seus créditos escriturais relativos aos 3º Trimestre/2007 ao 3° Trimestre/2008; • o auditor fiscal da Receita Federal ao apurar os créditos passíveis de ressarcimento considerou que seus produtos eram tributados: PASTAS DE PAPEL PERSONALIZAOS E FEITAS SOB ENCOMENDA dá ensejo à tributação do IPI mediante a aplicação do percentual de 15% (quinze por cento), por enquadrar o produto no NCM 4820.90.00; ENVELOPES DE PAPEL PERSONALIZADOS E FEITOS SOB ENCOMENDA dão ensejo à tributação do IPI mediante a aplicação do percentual de 5% (cinco por cento), por enquadrar o produto no NCM 4817.10.00; BLOCOS COM FOLHAS IMPRESSAS Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 246 5 PERSONALIZADAS E FEITAS SOB ENCOMENDA dão ensejo à tributação do IPI mediante a aplicação do percentual de 15% (quinze por cento), por enquadrar o produto no NCM 4820.90.00; CAIXAS DE PAPEL E PERSONALIZADAS dão ensejo à tributação do IPI mediante a aplicação do percentual de 15% (quinze por cento), por enquadrar o produto no NCM 4819.10.00; as SACOLAS DE PAPEL E PERSONALIZADAS, dão ensejo à tributação do IPI mediante a aplicação do percentual de 15% (quinze por cento), por enquadrar o produto no NCM 4819.40.00; CALENDÁRIOS PERSONALIZADOS E FEITOS SOB ENCOMENDA, dão ensejo à tributação do IPI diante a aplicação do percentual de 10% (dez por cento), por enquadrar o produto no NCM 4910.00.00; • o Auditor Fiscal terminou por recompor a escrita fiscal, donde decorreu no deferimento parcial dos créditos do IPI, sob o fundamento de que a atividade de IMPRESSÃO GRÁFICA PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA, passível de tributação pelo IPI; • analisando o relatório da auditora fiscal verificase que esta concluiu que não há direito ao creditamento do IPI calculado sobre os insumos destinados à fabricação de livros, jornais e revistas; deveria haver o estorno proporcional, previsto no art. 3º da IN/SRF n.° 33/99; • a empresa apropriou seus créditos partindo do entendimento da própria Receita Federal, através do art. 4º da IN/SRF n.° 33/99, e também diversas Soluções de Consulta, que transcreve, ao admitir o crédito decorrente das aquisições de insumos (MP, PI e ME) tributados pelo IPI utilizados na fabricação de produtos IMUNES, assim sendo faz jus ao crédito; • a auditoria desconsiderou algumas notas fiscais cujos créditos foram apropriados pela recorrente. Mas, isto aconteceu por um breve espaço de tempo. Algumas notas foram localizadas e pelo Princípio da Verdade Material devem ser observadas, doc.05; • outras notas fiscais não foram localizadas e por isso protesta pela realização de diligência no sentido de intimar os seus fornecedores a apresentar os documentos relacionados no anexo, doc.06, onde consta número da nota fiscal, período, emitente, CFOP, NCM dos produtos, valor das notas fiscais e o IPI destacado; • os serviços gráficos só devem sofrer incidência do ISS e não do IPI. O IPI só é devido quando ocorrer o fato de um produto, sendo industrializado, sair do estabelecimento produtor, em razão de um negócio jurídico translativo de sua posse ou propriedade, consubstanciado numa obrigação de "dar".; • o ISS só é devido quando ocorrer uma prestação de serviço, compreendendo um negócio jurídico pertinente a uma obrigação de "fazer", de conformidade com os postulados e diretrizes do direito privado; Fl. 248DF CARF MF 6 • é necessário estabelecer o critério jurídico para distinguir o campo de incidência do IPI e do ISS. O IPI não se distingue do ISS pela qualificação, dificuldade, grandeza ou espécie de esforço humano, mas fundamentalmente pela prática de negócios jurídicos, implicando obrigação de "dar" um bem. Sem a concretização de tal negócio jurídico que implique no nascimento de uma relação jurídica consubstanciada numa obrigação de "dar", não há o que se falar em exigibilidade do IPI; • dúvidas não podem restar de que (a) os negócios jurídicos envolvendo os produtos industrializados, sujeitos à tributação do IPI, e (b) a prestação de serviços, sujeitos à tributação do ISS, são juridicamente inconfundíveis, configurando cada qual, um tipo distinto de obrigação, qual seja, o primeiro (a) obrigação de "dar" e o segundo (b) obrigação de "fazer"; • a Recorrente produziu diversos produtos gráficos PERSONALIZADOS E SOB ENCOMENDA para os seus clientes, sujeitos ao ISS, o que faz com que a alíquota do IPI seja reduzida a 0%; • apesar de parecer, à primeira vista, uma aquisição de produtos industrializados, a atividade de composição gráfica é impulsionada por uma obrigação de fazer, o que, para fins tributários, enseja a tributação do Imposto sobre Serviços de competência municipal, e não do Imposto sobre Produtos Industrializados de competência federal, conforme bem indica o item 774 da lista de serviços anexa a Lei Complementar n° 56/87, reproduzido no item 13.055 da lista de serviços anexa à Lei Complementar n.° 116/2003. Assim, também se posiciona a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal como se vê no RE n° 106.069/SP in RTJ 115/1419; • assim também se pronunciava o Tribunal Federal de Recursos, taxativo quanto à incidência do ISS nas atividades das empresas gráficas, conforme se pode observar na Súmula n° 143, bem como Superior Tribunal de Justiça STJ, tendo o STJ assentado a Súmula de n° 156, in DJU 1 de 29.03.96, p. 9.546; • presente caso já foi levado à apreciação do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que assim decidiu "IPI INCIDÊNCIA Serviço de Composição Gráfica. Estando a operação incluída na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei nr. 406/68, sobre ela ocorre a incidência, apenas, do ISS, com exclusão, pois, da do IPI. Recurso provido."; • assim, dúvidas não restam de que a aquisição, por parte da Recorrente, de os produtos frutos da composição gráfica PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA, enquadrase como prestação de serviços, devendo, então, sofrer a incidência tão somente do ISS, o que faz com que a alíquota do IPI seja reduzida a 0%; • os produtos que fornece aos seus clientes não devem ser onerados pelo IPI, mas sim pelo ISS. Conforme consta nos Autos, o Ilustre Auditor Fiscal classificou as atividades de IMPRESSÃO PERSONALIZADA E SOB ENCOMENDA DE PASTAS DE PAPEL, ENVELOPES, BLOCOS, CAIXAS, Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 247 7 SACOLAS e CALENDÁRIOS, como sendo produtos tributados pelo IPI; • mas, conforme amplamente demonstrado, a atividade da Recorrente é a INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS GRÁFICOS PERSONALIZADOS também chamados de COMPOSIÇÃO GRÁFICA. Diante disso, adquire os seus insumos, dentre os quais se destacam o papel e os adesivos lisos, isto é, sem qualquer impressão, para poder fazer a impressão sobre esses insumos e fornecer aos seus clientes; • a atividade da recorrente é a IMPRESSÃO sobre papéis, o que daria ensejo no Capítulo 49 da TIPI, especialmente nas disposições contidas no item 2 das Notas Explicativas que assim prescreve: "2. Na acepção do Capítulo 49, o termo impresso significa também reproduzido mediante duplicador, obtido por processo comandado por uma maquina automática para processamento de dados, por estampagem, fotografia, fotocópia, termocópia ou datilografia."; • os produtos feitos pela Recorrente não são utilizadas como insumo em um processo produtivo e, nem tampouco, são utilizadas para revenda, como se mercadorias fossem. Os impressos personalizados, como os calendários feitos pela Recorrente aos seus clientes, servem para fazer propaganda destes últimos e são, via de regra, distribuídas gratuitamente aos seus clientes; • o mesmo acontece com os blocos de papel, pastas e envelopes. • diferentemente seria se esses produtos: não fossem feitos sob encomenda e personalizados, o que fatalmente constituiria mercadorias para revenda; fossem lisas, ou seja, sem impressão que identificasse o seu cliente, posto que aí sim poderiam ser vendidas a qualquer consumidor, e ainda, poderiam ser revendidas para qualquer usuário. Neste caso, terseia um calendário, pasta, bloco de papel como sendo uma MERCADORIA. Este entendimento foi adotado pelo Supremo Tribunal Federal STF, conforme se depreende da leitura do Informativo/STF n.° 614, de 2001; • requer diligência para que fique demonstrado que os insumos que adquire são tributados e são utilizados para elaborar sua atividade, que consiste na prestação de serviços; como se dá a saída dos produtos na venda e se os adquirentes os revende; • superada preliminar, requer provimento da presente impugnação, para que seja realizada uma nova apuração dos saldos devedores de IPI, considerando que os produtos elaborados pela interessada estão sujeitos a tributação da alíquota 0%, por se tratar de atividade industrial de impressão gráfica e não da produção de papéis, adesivos, etc, como determinado pela auditor fiscal da RFB, o que faz com que o auto de infração questionado seja anulado e o respectivo processo administrativo arquivado. Fl. 250DF CARF MF 8 Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº453, de 11 de abril de 2013, e no art.2º da Portaria RFB nº1.006, de 24 de julho de 2013, e conforme definição da Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o processo foi encaminhado para esta DRJ/Salvador para julgamento, conforme despacho de fl.179.” Este Acórdão de primeira instância da DRJ/BA de fls. 180 foi publicado com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2008 ATIVIDADE GRÁFICA. INDUSTRIALIZAÇÃO. INCIDÊNCIA. A atividade gráfica caracterizase como industrialização, salvo se realizada por encomenda direta do consumidor ou usuário, na residência do preparador ou em oficina, desde que preponderante o trabalho profissional. Configurada a operação como industrial, estará sujeita à incidência do IPI quando da saída do produto do estabelecimento. DIREITO AO CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias prima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização, quando a empresa não possui contabilidade de custos que permita a segregação dos insumos empregados, indistintamente em produtos tributados e não tributados “NT”. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Na ausência de prova nos autos que permita confirmar a legitimidade e a liquidez do crédito, este deve ser glosado, cabendo a exigência dos valores apurados de IPI não lançados e não recolhidos.” Os autos foram distribuídos para este Conselheiro e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 248 9 atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. CRÉDITO INDEVIDO – BÁSICO. Verificouse que após intimação para apresentação das notas fiscais de entrada com crédito do IPI informado no PER/DCOMP a empresa informou que não foram encontradas as notas fiscais solicitadas, tendo sido efetuado o estorno do crédito relativo a estas notas. Em sede de impugnação, o contribuinte apresentou tais Notas Fiscais, mas como constatou a DRJ/BA, tais Notas Fiscais estão ilegíveis, o que poder ser confirmado com a visualização das fls 157 e seguintes. Logo, ainda que tratase de crédito básico de IPI, não há como reconhecer tais créditos porque não são líquidos e certos e não estão comprovados. Merece ser mantido o lançamento neste tópico. CRÉDITO INDEVIDO – FALTA DE ESTORNO – PRODUTOS NT E ALÍQUOTA ZERO. Foi constatado que o contribuinte protocolou diversos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados e tributados, à alíquota zero. Após conferência dos livros e escrituração fiscal e contábil, descreveu a fiscalização que a empresa industrializa produtos não tributados e tributados à alíquota zero, mas não os segregava, tendo se creditado indistintamente de todos os insumos adquiridos pra industrialização dos seus produtos. Em observação ao disposto no art.3º da IN SRF nº 33/99, procedeu ao estorno dos créditos do período em questão com base nas saídas das mercadorias do trimestre anterior. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações, oportunidade em que o contribuinte deveria ter estornado os créditos (vide §3.º, Art. 2.º da mencionada IN). Portanto, não merece provimento o presente tópico do Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do Fl. 252DF CARF MF 10 CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. INOBSERVÂNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Foram lançados débitos de IPI em razão de divergências na classificação e alíquotas aplicadas pelo contribuinte, com base nas Notas Explicativas da posição. A fiscalização reclassificou os seguintes produtos: blocos com folhas impressos, classificado para a posição 4820.10.00, alíquota 15%; pastas impressas, código 4820.90.00, alíquota 15%; envelopes impressos, classificação fiscal 4817.10.00, alíquota 5%; calendários, posição 4910.00.00, alíquota 10%; caixas, código 4819.10.00, alíquota 15% e sacolas, classificação fiscal 4819.40.00, alíquota 15% e cobrou a diferença do IPI não recolhido. Verificase no capítulo do Recurso Voluntário que trata da “natureza jurídica do estabelecimento da recorrente – da maioria dos produtos industrializados pela recorrente”, que o contribuinte alega que atua no ramo de serviços de impressões em produtos gráficos personalizados, que são feitos sob encomenda e que seus produtos são imunes (conforme CF). Em seguida o contribuinte alegou pela impossibilidade de incidência do IPI sobre os impressos gráficos feitos personalizadamente e sob encomenda (fato incontroverso nos autos), uma vez que os produtos estão sujeitos ao ISS. Finaliza seu recurso alegando que a classificação correta de seus produtos é “outros impresso gráficos”, posição 49.11 da TIPI, mas especificamente nas NCMs 49.11.10, 49.11.10.90 e 49.11.99.00, todos tributados pela alíquota 0% ou imunes (livros, jornais e revistas). Segue texto da posição: “49.11 Outros impressos, incluindo as estampas, gravuras e fotografias.” Em oposição, a fiscalização reclassificou os produtos de forma discriminada e individualizada, conforme segue: Envelope impresso: “48.17 Envelopes, aerogramas, bilhetespostais não ilustrados e cartões para correspondência, de papel ou cartão; caixas, sacos e semelhantes, de papel ou cartão, que contenham um sortido de artigos para correspondência.” Pastas impressas: “48.20 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes, cadernos, pastas para documentos, classificadores, capas para encadernação (de folhas soltas ou outras), capas de processos e outros artigos escolares, de escritório ou de papelaria, incluindo os formulários em blocos tipo manifold, mesmo com folhas intercaladas de papelcarbono, de papel ou cartão; álbuns para amostras ou para coleções e capas para livros, de papel ou cartão. 4820.90.00 – Outros.” Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 249 11 Bloco com folhas impressos: “4820.10.00 Livros de registro e de contabilidade, blocos de notas, de encomendas, de recibos, de apontamentos, de papel para cartas, agendas e artigos semelhantes.” Calendários: “4910.00.00 Calendários de qualquer espécie, impressos, incluindo os blocoscalendários para desfolhar.” Caixas e sacolas: “48.19 Caixas, sacos, bolsas, cartuchos e outras embalagens, de papel, cartão, pasta (ouate) de celulose ou de mantas de fibras de celulose; cartonagens para escritórios, lojas e estabelecimentos semelhantes. 4819.10.00 Caixas de papel ou cartão, ondulados 4819.40.00 Outros sacos; bolsas e cartuchos” Verificase, pela simples comparação entre os textos das posições, que todas as mercadorias foram reclassificadas corretamente, portanto, merece prosperar a reclassificação realizada pela fiscalização. Porém, para que a reclassificação permita a cobrança das diferenças de IPI, é preciso analisar se a própria incidência do IPI é possível ou não neste caso em concreto. De pronto, é possível constatar que nenhum dos produtos reclassificados são livros, jornais ou periódicos, nos moldes do Art. 150, VI, d, da CF. Tais produtos não são imunes nem em sentido lato, conforme bem tratou com doutrinador Heleno Torres sobre o tema. 1 Sobre a alegação de que a incidência do ISS “remove” a incidência do IPI, assim como sobre a possibilidade de diligência na produção do contribuinte para verificar a sua real atividade (restrita à impressão), é importante considerar que as informações constantes nos autos são suficientes para verificar a possibilidade ou não da incidência do IPI. A partir desta premissa, é possível concluir que a diligência não é necessária, uma vez que, mesmo que no Contrato Social do contribuinte conste que suas atividades são mesmo restritas à impressão (fls. 222 e 230), não há qualquer dúvida ou contestação de que os produtos em questão foram comercializados e, portanto, cobrados dos consumidores os valores dos produtos somados ao valor da impressão, o que configuraria o beneficiamento de produto conforme Art. 46 do CTN. Somado a isto, a situação não se enquadra nas hipóteses de exclusão de incidência do IPI, conforme Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02, porque não se trata de atividade preponderante do trabalho profissional (acima de 60% da industrialização do produto). 1 http://www.conjur.com.br/2012ago15/consultortributariotributacaoservicosimpressaoembalagens Fl. 254DF CARF MF 12 Logo, não sendo situação de exclusão de incidência de IPI e ocorrido o beneficiamento, o IPI poderia incidir sobre o beneficiamento dos produtos em questão. Ao menos, esta foi a lógica do lançamento. Contudo, a atividade gráfica personalizada e por encomenda (fato incontroverso nos autos) em envelopes, pastas, blocos, calendários e sacolas, caracteriza prestação de serviço e não beneficiamento e industrialização. Porque, apesar de não se enquadrar nas hipóteses de exclusão de incidência do IPI previstas no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02, a incidência do ISS tem previsão expressa e taxativa no item 13.05 e Art. 1.º, §2.º da Lei Complementar 116/03, assim como o Decreto Lei 2471/88, Art. 9.º, determinou o cancelamento dos processo administrativos de cobrança de IPI sobre produtos personalizados, resultantes de serviços de composição e impressão gráfica. Assim, além da incidência do ISS observar o principio da legalidade estrita, ter previsão expressa e mais específica, está em consonância com a previsão do Art. 146, I, da CF/88, que determina que cabe à Lei Complementar regular os conflitos de competência do poder de tributar. Logo, se a Lei Complementar define de forma expressa e específica a incidência do ISS nas exatas atividades gráficas (personalizadas e por encomenda) exercidas pelo contribuinte, a incidência do IPI deve ser afastada, em respeito ao princípio da Segurança Jurídica, para evitar conflito de competência no poder de tributar entre a União e o Município. Inclusive, este é o entendimento da Câmara Superior desta Seção, deste Conselho, que acompanhou o brilhante voto da Conselheira Tatiana Midori, publicado com a seguinte Ementa no Acórdão 9303004.394: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 CONFLITOS DE COMPETÊNCIA. UNIÃO, ESTADOS E MUNICÍPIOS. IPI. PRINCÍPIO DA EFICÁCIA VINCULANTE DOS PRECEDENTES JURISPRUDENCIAIS. Em respeito ao Princípio da Eficácia Vinculante dos Precedentes, emanado explicitamente pelo Novo Código de Processo Civil, cabe no processo administrativo, quando houver similitude fática dos casos tratados e jurisprudência pacificada, a observância dos precedentes jurisprudenciais fluidos pelos Tribunais, conforme arts. 15, 926 e 927 da Lei 13.105/15. Ressurgindo à competência tributária trazida pela Constituição Federal, quando se tratar de atividades relacionadas aos serviços gráficos personalizados passíveis de tributação pelo ISS, é de se afastar a incidência de IPI, conforme inteligência promovida pelo art. art. 1º, § 2º, da LC 116/03." Verificase que a Turma da Câmara Superior acompanhou entendimento ainda mais extensivo, porque considerou as disposições dos Art. 926 e 927 do novo CPC, que tratam da eficácia vinculante dos precedentes. Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 250 13 Realmente, no âmbito do Poder Judiciário, considerados os inúmeros precedentes (Resp 437.324/RS, Resp 966.184/RJ e Resp 103409/RS), assim como as Súmulas 156 do STJ e 143 do TRF, é possível concluir que a incidência do IPI sobre as atividades gráficas personalizadas não deve ocorrer, dentro do Sistema Tributário Brasileiro. Por exemplo, dentro de um raciocínio lógico, é possível fazer um paralelo com o ICMS, de forma que, se a Súmula 156 do STJ confirma o entendimento de que não há a circulação de uma mercadoria, mas sim a prestação de serviços (gráfica), logicamente, o IPI não poderia incidir sobre um serviço. Diante do exposto, o IPI não deve incidir sobre os envelopes, pastas, blocos, calendários e sacolas, neste caso em concreto. Com relação às caixas, em conformidade com o previsto no ítem 13.05 da Lei Complementar de n.º 116/03, não incide ISS sobre as "caixas" que contenham impressões gráficas, seja por encomenda ou não, destinadas a posterior operação de comercialização ou industrialização, ainda que incorporadas, de qualquer forma, a outra mercadoria que deva ser objeto de posterior circulação. Não sendo hipótese de exclusão de incidência do IPI prevista no Art. 5.º, IV e V e 7.º, II, a e b, do RIPI/02 e não sendo hipótese de incidência do ISS, a incidência do IPI sobre as "caixas" não pode ser afastada no âmbito deste Conselho administrativo. Logo, o lançamento do IPI sobre as "caixas", assim como a cobrança da diferença das alíquotas de reclassificação fiscal, devem ser mantidos. CONCLUSÃO Devem ser canceladas as multas e juros nas hipóteses em que esta Turma de julgamento votou por afastar a cobrança do IPI no tópico do lançamento que tratou de "produto saído com Nota Fiscal sem o devido lançamento do IPI". O inverso é igualmente válido, de forma que devem ser mantidas as multas e juros sobre os tópicos em que o lançamento foi mantido. Já com relação ao tópico do lançamento que tratou do crédito indevido, é importante registrar que nos casos em que foi decidido pela não incidência do ipi, também não há direito ao crédito, porque são produtos NT. Diante de todo o exposto, votase para dar PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 256DF CARF MF 14 Declaração de Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Utilizo desta declaração de voto para externar posicionamento contrário ao relator quanto às matérias: 1. Atividade gráfica na produção de envelopes, pastas, blocos, calendários e sacolas, caracterizandose prestação de serviços, não sujeitos à incidência do IPI. 2. A tomada de crédito do IPI sobre as aquisições de insumos para a produção de artigos "impressos", com fundamento na Súmula CARF nº 16. A recorrente alega que sua atividade é de impressão gráfica e por isso seus produtos são considerados impressos, classificados nos códigos 4911.10.10.90 e 49.11.99.00, cuja alíquota é zero, e, nessa condição (alíquota 0%), tem direito ao ressarcimento do IPI à luz do art. 11 da Lei nº 9799/99 nas aquisições tributadas de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Produção e classificação na TIPI de artigos considerados da atividade gráfica. Divirjo da posição externada pelo relator, e acompanhada pelos demais conselheiros da Turma, de que os artigos confeccionados pela recorrente caracterizamse atividade gráfica, sujeitas à incidência do ISS. Sustenta a recorrente que não industrializa produtos mas exerce a atividade de prestação de serviços. Justamente por esse fato a classificação fiscal dos produtos é, conforme seu entendimento, no Capítulo 49 da TIPI, como impressos. Fundamenta seu entendimento com a menção da nota 2 do Capítulo 49: 2.Na acepção do Capítulo 49, o termo “impresso” significa também reproduzido mediante duplicador, obtido por processo comandado por uma máquina automática para processamento de dados, por estampagem, fotografia, fotocópia, termocópia ou datilografia. Verificase que a Nota 2 não se refere à atividade impressão, mas ao produto sobre o qual houve uma atividade que o tornou um impresso. A diferença é sutil, contudo, primordial para caracterizar a classificação fiscal na TIPI sob o código 49.11.10 Impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes tratase efetivamente de um produto, não um serviço. Ademais, impresso é apenas um predicado do produto que teve o acréscimo de um elemento gráfico, permanecendo com sua natureza e característica original. Ou seja, temse blocos com folhas, pastas e envelopes que por intermédio de técnicas gráficas tiveram em seu corpo impressões, tornandose blocos com folhas impressos, pastas impressas e envelopes impressos, que não sofreram modificações em sua natureza, e assim, mantiveramse Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 251 15 em suas classificações originais na TIPI (Capítulo 48), como se não fossem alterados pela impressão. O argumento da recorrente leva ao seguinte raciocínio: os produtos que realiza atividade de impressão tem sua classificação alterada para o código 49.11.10 impressos. Ou seja, utiliza dos códigos da TIPI que classificam produtos industrializados para dizer que a atividade exercida altera a natureza do produto final; exemplificando: um bloco de folha classificado na TIPI no código 4820.10.00 (IPI = 15%) ao se submeter a um processo de impressão passa a ser classificado no código 4911.10.90 (IPI = 0%) Todavia, os produtos não deixam de ser classificados nos códigos originais pelo fato de receber uma impressão; é o que diz as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH e os textos das posições 48.20 e 48.17 Desse, modo e por aplicação das NESHs e das notas correspondentes às posições 48.20 e 48.17, resta o entendimento de que o produto continua a ser o mesmo, ainda que apresentem dizeres impressos, desde que estes não sejam suficientes para dar um caráter essencial ao produtos e sim acessório relativamente à utilização do produto. Passo às considerações acerca da atividade de industrialização e de prestação de serviços. Tenho por fundamento que os requisitos para uma atividade gráfica situarse no campo de incidência do ISS e não do IPI são: o produto deve ser encomendado pelo cliente, com impressão personalizada e customizada , destinada ao seu consumo. Customizar um produto é adequálo à forma requerida pelo cliente. Personalizar, é identificar o cliente no produto. Temse pois que a atividade de customização e personalização do produto encomendado, que identifica uma prestação de serviço, é aquela em que o produto deverá destinarse ao consumo do encomendante e que não caracteriza uma simples venda do prestador ao clienteencomendante. A peculiaridade da customização e personalização é que o produto com essas características atenderá somente aos fins do encomendante e não de qualquer outro e que ainda seja para o seu consumo, não uma revenda. Em síntese, o produto é útil tãosó ao encomendante, a ele não é bem de comércio. O estabelecimento que se dedica às atividades de impressão poderá comportar serviços da indústria gráfica e fabricação/comercialização de produtos de escritório/papelaria. Nessa situação será contribuinte do ISS na prestação de serviços e contribuinte do IPI e ICMS na industrialização/operações de circulação de artigos de escritório/papelaria. Produtos fabricados pela industria gráfica que podem ser estocados, expostos à venda e vendidos pela gráficafabricante para qualquer cliente, ainda que por encomenda, tendo ou não contrato de exclusividade em relação ao impresso produzido, não impede a tributação pelo IPI. Estará, contudo, sujeito à incidência do ISS o produto fabricado conforme especificações expressas de customização e personalização e se destine exclusivamente ao consumo do encomendante. Fl. 258DF CARF MF 16 Retornando ao caso dos autos, não há informação que permite inferir que os produtos sejam encomendas de cliente, com impressão personalizada e customizada, destinada ao seu consumo final. A recorrente não juntou contrato, notas fiscais de serviço que demonstre ser customização, personalização de forma a apontar que se destina ao consumo do cliente Tomada do crédito do IPI na aquisição de insumos da atividade gráfica Divirjo na matéria em relação ao voto do relator. Assevera a recorrente que seus produtos resultantes da atividade gráfica de impressão, e classificados no capítulo 49 da TIPI, cujas alíquotas do IPI é zero, caracterizamse prestação de serviços, sujeitos à incidência do ISS e não do IPI; contudo, a aquisição de seus insumos permitem a manutenção do crédito do IPI pois que o produto final é tributado à alíquota zero, pelo IPI. Separemos as operações e sujeição ao tributo. Na entrada do insumo a recorrente se diz contribuinte do IPI e, portanto, tem o direito ao crédito do imposto nos termos do art. 11 da Lei nº 9.799/99, que prescreve: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Na saída do "impresso", entende a recorrente não se sujeitar ao IPI vez que o produto não é resultado de operação de industrialização, mas de uma prestação de serviço que altera sua classificação para um dos códigos do capítulo 49 da TIPI, cujas alíquotas do IPI são zero, o que lhe permite, inclusive, manter o crédito do imposto na entrada no insumo. Em síntese, na saída é contribuinte do ISS. Pois bem, tratase de um raciocínio incongruente e ilógico. Pretende a recorrente obter o benefício do crédito do IPI na entrada, fazendose contribuinte do imposto; contudo, ignora essa condição (contribuinte do IPI) na saída, pois que se considera então contribuinte do ISS. Tal raciocínio não prevalece. Acaso não se considera contribuinte do IPI não poderá se creditar nas entradas. O crédito autorizado no art. 11 da Lei nº 9.799/99 somente pode ser tomado por contribuinte do Imposto, o que a recorrente alega não ser. De outra banda, se de fato os produtos saídos não são tributados pelo IPI, mas apenas pelo ISS, não serão tributados à alíquota zero como pretende, pois se encontram fora do campo de incidência. Tal situação impede a tomada do crédito ou a manutenção do saldo credor, e a Súmula CARF nº 16 bem como o art. 11 da Lei nº 9.799/99, não se aplica à operação, eis que concernente tãosomente aos contribuintes do IPI cujas saídas se dão à alíquota zero ou sob o manto da isenção. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10480.721239/201267 Acórdão n.º 3201003.009 S3C2T1 Fl. 252 17 Aplicase à saída não tributada as regras de cancelamento ou estorno do crédito previsto no art. 2º da IN SRF 33/99 e no art. 193 do RIPI, todos com supedâneo legal: IN SRF 33/99 Art. 2o Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: (..) § 3o Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). Decreto 4.544/2002 RIPI Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (...) Conclusão De tudo ante exposto, entendo que as atividades da recorrente são próprias das operações de industrialização, tributadas na saída pelo IPI e, portanto, passíveis de aproveitar crédito na entrada, na hipótese de se possuir contabilidade de custos que permita a segregação dos insumos empregados, o que de fato a recorrente não possui. Assim, votei para negar provimento ao recurso voluntário. Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.004738/2009-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. CTN, ART. 173, I. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. CPC/1973, ART. 543-C, REPETITIVO. RICARF/2015, ART. 62, §2º.
Da falta de comprovação de pagamento do tributo decorre a aplicação do artigo 173, I, do CTN, rejeitando-se a alegação de decadência. Reprodução do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543-C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º).
Numero da decisão: 9101-002.851
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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CTN, ART. 173, I. INOCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. CPC/1973, ART. 543C, REPETITIVO. RICARF/2015, ART. 62, §2º. Da falta de comprovação de pagamento do tributo decorre a aplicação do artigo 173, I, do CTN, rejeitandose a alegação de decadência. Reprodução do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973, nos termos do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 343/2015, artigo 62, §2º). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra, que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 47 38 /2 00 9- 11 Fl. 391DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência (fls. 276 a 327) interposto pelo Contribuinte em epígrafe contra o Acórdão de nº 1103000.866, (fls. 256 a 265), mediante o qual, por unanimidade de votos, rejeitouse a preliminar de decadência e, no mérito, negouse provimento ao recurso voluntário. O recorrente defende a decadência contada com base no art. 150, §4º, do CTN, quando não há pagamento stricto sensu, mas há a declaração dos tributos. Na origem, tratase de Auto de Infração lavrado para cobrança de IRPJ e CSLL diante da glosa de custo do primeiro trimestre de 2004, pela aquisição de matérias de fornecedor inidôneo. a ciência da lavratura se deu em 01/12/2009. Por bem resumir o ocorrido, vale aqui transcrição de parte do TVF: "Para o ressarcimento dc IPI, relativo ao crédito de compra dc insumos, o contribuinte foi intimado a apresentar a Relagdo*de MatériasPrima e Produtos de Embalagens, juntamente com as Notas Fiscais de Aquisição, que deram „origem ao crédito pleiteado, além das verificações nos livros fiscais, onde estão registradas essas notas fiscais de aquisição mod. 01) e o devido estorno do crédito de IPI no Livro de Apuração de IPI (mod. 08). Com base nessa Relação de Matérias rima ;L" Produtos de Embalagens Fornecedores, relativos ãs compras efetuadas nos anoscalendáricrde 2003 e 2004: constamos que os produtos de maior valor foram adquiridas do fornecedor INDUSTRIA E COMERCIO DE BEBIDAS NUVEM DE PRATA LTDA — ME — CNPJ no 52.593.084/000118 —%cjue, segundo pesquisas aos sistemas informatizados na SRF, verificouse que o referido fornecedor ,se;encontra com situação cadastral perante a SRF como INAPTA, com motivo de situação cadastral INEXISTENTE DE FATO, desde 01/01/2003. A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS NUVEM DE PRATA LTDA — ME — CNPJ n° 52.593.084/000118, foi declarada INAPTA, por INEXISTENTE DE FATO, por meio do Ato Declaratório Executivo n° 25/2007, cujo procedimento consta nos autos do Processo Administrativo Fiscal n° 15889.000341/200799, de 28/08/2007, produzindo os efeitos a partir de 01/01/2003. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 19515.004738/200911 Acórdão n.º 9101002.851 CSRFT1 Fl. 368 3 Acrescentase que, com o intuito de verificar a efetiva realização da operação comercial/financeira, já que os valores das aquisições de matériasprimas são de grande monta e que o fornecedor consta como MICROEMPRESA, solicitamos ao adquirente da matériaprima que fornecesse o documentário fiscal de aquisição da matéria prima fornecida pela INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS NUVEM DE PRATA LTDA — ME — CNPJ no 52.593.084/000118, bem como os comprovantes de pagamentos feitos àquela empresa. De posse do documentário fiscal, procedemos a análise dos mesmos e constatamos as notas fiscais de venda foram preenchidas à máquina de datilograr elétrica, estando em branco os dados relativos empresa transportadora e o recebimento dos produtos (campoconstante no rodapé da nota fiscal), com o agravante que a maioria das duplicatas quitadas apresentadas, embora de valores elevados, não foram pagas junto à rede bancária e sim, através de cheques ' pagos diretamente empresa fornecedora sendo esses procedimentos passíveis de irregularidades. Com estes argumentos, lavramos Autos de Infrações pela glosa dos valores lançados como custo na apuração de IRPJ.e CSLL (reflexo); assim como pela glosa dos créditos de PIS e Cofins 'não Cumulativo de 2004 referentes às compras acima mencionadas." o Auto de Infração foi regularmente impugnado, momento em que o Contribuinte arguiu a decadência pela aplicação do artigo 150, §4º, dentre outras questões. A DRJ, entretanto, julgou procedente o lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF, reiterando suas razões de impugnação. No julgamento do Recurso a 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 1ª Seção de Julgamento rejeitou a preliminar de decadência negou provimento ao Recurso, conforme ementa e decisão abaixo transcritas: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. DIVERGÊNCIA ENTRE A RECEITA INFORMADA NOS LIVROS CONTÁBEIS E A DECLARADA AO FISCO FEDERAL (DIPJ). Fl. 393DF CARF MF 4 Não logrando o contribuinte justificar a diferença dos valores dos faturamentos consignados, em relação a idêntico período, nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ versus Livros Diários, procede o lançamento com base nos valores efetivamente levantados pela fiscalização. TRIBUTAÇÃO REFLEXA: CSLL. PIS. COFINS. Aplicase as exigência ditas decorrentes o que foi decido em relação à exigência matriz nos casos de íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Improcedente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª. Câmara da Primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Cientificado da decisão o Contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, objetivando rediscutir a decadência. Para demonstração da divergência a Fazenda apresenta como paradigma o Acórdão 3202001.605, argumentando que o entendimento foi totalmente oposto àquele contido no recorrido, no sentido de que, existindo a declaração de débito, ainda que sem o pagamento antecipado, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN, operandose a decadência em cinco anos, contados da data do fato gerador. Nesse contexto, o Contribuinte requer o conhecimento de seu Recurso Especial. Em suas razões, alega, em suma: ü A DIPJ juntada aos autos comprova a declaração e pagamento do IRPJ e CSLL relativos ao 1º trimestre de 2004; ü O próprio STJ, no julgamento do Resp 973.733, representativo de controvérsia, trata a declaração de débito como equivalente ao pagamento; ü Assim, como o IRPJ e CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação e que não há nos autos a prova de dolo, fraude ou simulação, aplicase a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN; ü Há que se observar, ainda que no presente caso ocorreu efetivamente o pagamento dos tributos, tendo em vista que a glosa de custos efetuada apenas alterou o resultado tributável do período, elevando o valor dos tributos apurados e pagos à época dos fatos. A Autoridade competente deu seguimento ao Recurso Especial, nos seguintes termos: “Passandose à averiguação da alegada divergência jurisprudencial, destacase que, diante situações fáticas Fl. 394DF CARF MF Processo nº 19515.004738/200911 Acórdão n.º 9101002.851 CSRFT1 Fl. 369 5 semelhantes, o Colegiado a quo entendeu que, para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração. Por sua vez, o entendimento do acórdão paradigma foi no sentido de que, se houve declaração de débito, a contagem do prazo se dá pela regra do art. 150, § 4º, do mesmo Diploma. Ante o exposto, resta configurada divergência de interpretações entre o acórdão recorrido e o paradigma apresentado.” Regularmente intimada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, alegando e requerendo, em suma: ü Impende destacar que não se operou lançamento por homologação algum, pois o contribuinte não antecipou o pagamento do tributo lançado nessas competências. É por conta disto que se procedeu ao lançamento de ofício da exação, na linha preconizada pelo art. 173, I, do CTN; ü O Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN; ü Assim, em respeito à jurisprudência majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do Superior Tribunal de Justiça, e diante da inexistência de pagamento parcial, não se deve admitir na hipótese destes autos a contagem do prazo decadencial a partir do fato gerador, como previsto no §4º do art. 150 do CTN, mas sim a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que lançamento poderia ter sido efetuado, tal como previsto no art. 173, I, do CTN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Não há reparos a se fazer na análise da admissibilidade do presente Recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade. Assim, passo à análise do mérito da questão. O lançamento por homologação, regulado pelo artigo 150 do CTN, tem como principal característica a atribuição ao contribuinte do dever de antecipar o pagamento do tributo, ficando a autoridade administrativa com o dever de posteriormente chancelar ou não o valor do recolhimento efetuado e, sendo o caso, efetuar cobrança de diferença, verbis: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de Fl. 395DF CARF MF 6 antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. A regra da decadência do direito do fisco de lançar o tributo por homologação é regra especial, contida no §4º, do artigo 150 em questão, que estabelece o prazo de cinco anos contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, caso não comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, verbis: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do Recurso Especial repetitivo 973.733/SC, firmou o seguinte entendimento em relação a questão em debate: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Ao se posicionar sobre o tema a 1ª Turma da CSRF, por maioria, se manifestou que a aplicação do artigo 173, I, do CTN na constituição de crédito relativo a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, apenas pode ocorrer na hipótese de não haver pagamento, nem declaração do tributo, conforme trecho do voto vencedor do Acórdão 9101002.021, abaixo transcrito: A interpretação do texto transcrito nos leva à conclusão de que devemos nos dirigir ao artigo 173, I, do CTN quando, a despeito da previsão legal de pagamento antecipado da exação, o mesmo inocorre e inexiste declaração prévia do débito que constitua o crédito tributário. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 19515.004738/200911 Acórdão n.º 9101002.851 CSRFT1 Fl. 370 7 Assim, encontraríamos duas condições para sairmos do artigo 150, §4º: 1) não haver o pagamento e 2) não haver declaração prévia constitutiva do crédito. Assim, mesmo não existindo o pagamento, a declaração prévia constitutiva do crédito bastaria para mantermos a contagem do prazo a partir do fato gerador. Entendo pertinente essa última colocação, no sentido de que a declaração prévia basta para manutenção da contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador. Isso porque, não pago o tributo a União já possui informação suficiente para efetivação de seu lançamento. Nesse contexto o próprio STJ, no fim do ano de 2015, editou a Súmula 555, que possui a seguinte redação: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Nesse contexto, a meu ver, para fins de contagem do prazo decadencial a declaração do débito na competente obrigação acessória se equivale ao pagamento. Assim, para a aplicação do §4º, do artigo 150, do CTN exigese a ocorrência dos seguintes situações: 1. A lei deve estabelecer que o lançamento do tributo é realizado na modalidade homologação; 2. Não ocorra a comprovação de dolo, fraude ou simulação pelo ente tributante; 3. Haja pagamento e/ou declaração do tributo. Passo, então, a verificar a aplicação da decisão representativa de controvérsia do Recurso Especial nº 973.733 ao caso ora sob análise. Compulsando os autos foi possível verificar a existência de declaração (DIPJ), donde se pode detectar que o contribuinte apurou Lucro tributável (fl. 20 Ficha 9A Demonstração do Lucro Real PJ em Geral) e CSLL a pagar (fl. 26 Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) no período do lançamento (1º trimestre de 2004). Logo, vislumbro o cumprimento dos requisitos constantes da decisão do STJ anteriormente citada, qual seja, a declaração dos tributos. Nesse contexto, como o lançamento apenas foi efetivado em 09/12/2009, e que o contribuinte era optante pelo regime de lucro real trimestral, operouse a decadência contida no artigo 150, §4º, do CTN. Nesse contexto, voto DAR provimento ao recurso do Contribuinte, para reformar o quanto decidido pela Turma a quo em relação à decadência. Fl. 397DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa, Redatora Com a devida vênia, divirjo do entendimento do Ilustre Relator com relação à decadência alegada nos autos. Com efeito, ausente comprovação de pagamento dos tributos em análise, há que se aplicar o prazo decadencial estabelecido pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; A divergência com o voto do Ilustre Relator é a respeito da interpretação dos artigos 150, §4º e 173, alinhandose ao acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, nos autos do Recurso Especial nº 973.733, decidido sob o regime do artigo 543C, do Código de Processo Civil/1973 e, portanto, de aplicação obrigatória por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Regimento Interno vigente (Portaria nº 343/2015, em seu artigo 62, §2º). Destaco trechos da ementa do acórdão em julgamento daquele Recurso Especial nº 973.733: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (...) 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 398DF CARF MF Processo nº 19515.004738/200911 Acórdão n.º 9101002.851 CSRFT1 Fl. 371 9 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.(Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 12/08/2009) A falta de pagamento comprovado nos autos impõe a aplicação do artigo 173, I, do CTN, em observância ao repetitivo acima citado. Nesse sentido, a mera declaração de rendimentos (DIPJ) não é suficiente para aplicação do artigo 150, §4º, do CTN, conforme entendimento da maioria deste Colegiado. Por tais razões, nego provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 399DF CARF MF 10 Fl. 400DF CARF MF
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