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Numero do processo: 11060.001878/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos.
SAT/RAT. INEXISTÊNCIA RE-ENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO.
Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte.
MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA.
Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-005.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os embargos de declaração para rerratificar a ementa e o voto do Relator do Acórdão nº 2803-001.856, para que conste que não houve re-enquadramento da alíquota de SAT/RAT pela fiscalização, de forma que a ementa, o item II e a conclusão do voto ficarão com as seguintes redações: Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 SAT/RAT. INEXISTÊNCIA RE-ENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte". Voto: "(...) II - Quanto à aplicação das alíquotas do Seguro de Acidente do Trabalho - SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, considerando que não houve desenquadramento ou reenquadramento das alíquotas no Auto de Infração, tendo sido observado o enquadramento original feito pelo contribuinte, o lançamento deve ser mantido." "V - Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de (a) que a multa moratória sobre os créditos constituídos com base em fatos geradores registrados em GFIP seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32-A e art. 35-A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. (b) que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores não registrados em GFIP seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.212-1991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35-A da Lei n. 8.2121-1991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.430-1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo".
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
EDITADO EM: 08/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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Na existência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão proferido os embargos devem ser acolhidos. SAT/RAT. INEXISTÊNCIA REENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acolher os embargos de declaração para rerratificar a ementa e o voto do Relator do Acórdão nº 2803 001.856, para que conste que não houve reenquadramento da alíquota de SAT/RAT pela fiscalização, de forma que a ementa, o item II e a conclusão do voto ficarão com as seguintes redações: Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 SAT/RAT. INEXISTÊNCIA REENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 18 78 /2 00 9- 11 Fl. 243DF CARF MF 2 Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte". Voto: "(...) II Quanto à aplicação das alíquotas do Seguro de Acidente do Trabalho SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, considerando que não houve desenquadramento ou reenquadramento das alíquotas no Auto de Infração, tendo sido observado o enquadramento original feito pelo contribuinte, o lançamento deve ser mantido." "V Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de (a) que a multa moratória sobre os créditos constituídos com base em fatos geradores registrados em GFIP seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32A e art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. (b) que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores não registrados em GFIP seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao sujeito passivo". (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator EDITADO EM: 08/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Tratamse de Embargos de Declaração da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria(RS) opostos contra o Acórdão nº 2803001.856 (fls. 212 a 221), proferido em 16/10/2012, pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2º Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 SAT/RAT. REENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. ATIVIDADE PREPONDERANTE PELO NÚMERO DE FUNCIONÁRIOS. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO FÁTICA. O reenquadramento de alíquota do SAT/RAT realizada pela fiscalização deve ser motivada com demonstração fática da Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11060.001878/200911 Acórdão n.º 2301005.101 S2C3T1 Fl. 3 3 atividade preponderante dos estabelecimentos na correspondência do número dos seus funcionários em cada atividade. A ausência de análise in loco é causa de nulidade por vício material. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte". A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria(RS)apresentou os presentes Embargos de Declaração (fls. 234 a 235) sustentando a conformidade do lançamento com a legislação de regência, o lançamento deve ser mantido integralmente, de forma que o acórdão merece reparo, uma vez que apesar de ter sido considerada como nula a alteração de alíquotas do SAT/RAT, a mesma não seria objeto do lançamento, mas sim apenas diferenças de folha de pagamentos e recolhimentos de contribuições, conforme pode ser observado abaixo: O voto do conselheiro Gustavo Vettorato (voto vencedor) considera ter havido no procedimento de lançamento o reenquadramento da atividade preponderante da empresa e a consequente alteração do grau de risco e alíquota da contribuição SAT/RAT, sem a necessária demonstração dos fatos que a motivaram. Diante do exposto, a turma decretou a parcial nulidade do crédito lançado a esse título, mantendo a contribuição em sua alíquota mínima, de 1%. A decisão , nesse particular, como a seguir será demonstrado, é estranha ao procedimento de lançamento, e, como tal, não deve repercutir no crédito tributário. No caso, a turma se pronunciou sobre situação diversa da qual devia se manifestar, de forma a justificar, pelos fatos omitidos, a interposição do presente Embargos de Declaração, nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256/2009. A questão do prazo para interposição já foi apreciada no despacho da folha 229, e, por este instrumento, atendida a questão formal reclamada na folha 232. O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e feita mensalmente. É o que dispõe o §5º do art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3048/99. Na sua parte final, o dispositivo regulamentar esclarece que cabe à Receita Federal do Brasil rever o autoenquadramento a qualquer tempo. Acontece que a fiscalização não desenquadrou e/ou reenquadrou a empresa quanto a sua atividade preponderante, razão pela qual nada nesse sentido foi noticiado no Relatório Fiscal, isto é, a atividade da empresa considerada para fins de grau de risco é aquela por ela informada mensalmente em GFIP. A alíquota aplicada é decorrência natural do autoenquadramento na atividade. Fl. 245DF CARF MF 4 O anexo V do RPS previa alíquota de 2% para as empresas enquadradas no código CNAE 22.217 – impressão de jornais revistas e livros. Com a edição do Decreto nº 6.042, de 12/02/2007 – DOU 12/02/2007, que alterou o Anexo V do regulamento da previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, a atividade de impressão de jornais, revistas e livros, foi classificada no mínimo, de 1%. A reivindicada “justiça” na alíquota do SAT/RAT, a considerar o desempenho da empresa no risco da atividade exercida, aferido pelo fator Acidentário de Prevenção – FAP, que no entender da recorrente justificaria a redução, passou a vigorar a partir de 01/2010, seja para redução ou acréscimo na alíquota SAT. Assim, considerando o período do crédito previdenciário, não há de se considerar o FAP. Nas competências de 01/2005 a 05/2007 foi aplicado o percentual de 2% e no período seguinte 1%, de acordo com a alíquota prevista para a atividade do auto enquadramento. Isso posto, verificada, no tocante à contribuição do SAT/RAT, a conformidade do lançamento com a legislação de regência, o lançamento deve ser mantido integralmente, de forma que o acórdão merece reparo. Em 23/12/2014, o relator do Acórdão embargado emitiu "Informação em Embargos" no qual assinala que "na análise do acórdão proferido verificamos que há parcial razão na oposição dos embargos e em seus fundamentos". É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Os embargos de declaração são tempestivos e, por cumprir com as demais formalidades legais, deles conheço. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 65, nos seguintes termos: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Conforme pode ser depreendido do próprio auto de infração (fls. 8 a 11), verificase que o próprio contribuinte declarou o seu enquadramento pela alíquota de 2% até o período de maio de 2007, sendo que a partir de junho de 2007, passa a se enquadrar na alíquota de 1% em virtude da edição do Decreto nº 6.042/07. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11060.001878/200911 Acórdão n.º 2301005.101 S2C3T1 Fl. 4 5 Dessa forma, não houve desenquadramento ou reenquadramento da alíquota do SAT/RAT pela fiscalização. Ocorre que o Acórdão embargado foi decidido com base na premissa de que a fiscalização tinha desenquadrado ou reenquadrado a alíquota do SAT, conforme pode ser observado abaixo: Em adição de tais argumentos, da mesma forma que está ratificado pelo PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120/2011 (ATO DECLARATÓRIO Nº 11 /2011), observando a necessidade de uma fiscalização em loco exigida ao caso, verificase uma afronta ao que dispõe os artigos 142 e 147 do CTN, bem como dos artigos 33, §§ 3º e 6º, da Lei n. 8.212/1991, que exigem a demonstração pela fiscalização dos fatos precisos que motivaram o desenquadramento da situação anterior do SAT/RAT, bem como afeta diretamente a constituição da norma de incidência tributária na formação de sua alíquota (elemento quantitativo), sob pena de nulidade por vício material. Por esse motivo, os créditos lançados com base às contribuições ao SAT, devem ser julgadas improcedentes, restando as demais alegações prejudicadas quanto a esses aspectos. Tal decisão acabou sendo induzida pelas alegações da Recorrente tanto na Impugnação (fls. 141 a 142), quanto no Recurso Voluntário (fls. 197 a 198), visto que em ambas as petições o Recorrente apresentou o seguinte trecho Ocorre que a atividade preponderante desenvolvida pela empresa não é caracterizada como grau alto e sim, o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho é leve devendo incidir a alíquota de 1%, forte no artigo 22, II, 'a' da Lei 8112/91. Não pode a fiscalização ao seu livre arbítrio atribuir o grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sendo totalmente ilegal a cobrança da contribuição ao SAT no percentual de 2%, devendo ser reduzida para 1% (grau leve). (...) Ocorre que, passados mais de 5 anos após a sua promulgação, a possibilidade de redução ainda não foi implementada por inoperância da Previdência Social. Atualmente, a sua aplicação foi novamente adiada para setembro de 2009 (Decreto n° 6.577, de 25 de setembro de 20 082), prejudicando mais uma vez os bons empregadores. Logo, estando ciente de que não é merecedora da alíquota máxima, resta agora à Embargante, em processo judicial, demonstrar o seu direito a recolher o percentual menor a título de SAT. Assim, em que pese haja tal argumentação pelo Recorrente, tratase de matéria não constante no auto de infração, de forma que fica comprovada contradição no Acórdão, de modo que o Acórdão merece ser reformado. Fl. 247DF CARF MF 6 Com base no exposto, voto por acolher os embargos de declaração para rerratificar a ementa e o voto do Relator do Acórdão nº 2803001.856, para que conste que não houve reenquadramento da alíquota de SAT/RAT pela fiscalização, de forma que a ementa, o item II e a conclusão do voto ficarão com as seguintes redações: Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2004 a 30/06/2008 SAT/RAT. INEXISTÊNCIA REENQUADRAMENTO DE ALÍQUOTA PELA FISCALIZAÇÃO. Diante da inexistência de reenquadramento de alíquota do SAT/RAT pela fiscalização, deverá ser mantido o enquadramento realizado pelo contribuinte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte". Voto: "(...) II Quanto à aplicação das alíquotas do Seguro de Acidente do Trabalho SAT, conforme o art. 22, II, da Lei n. 8.212/1991, considerando que não houve desenquadramento ou reenquadramento das alíquotas no Auto de Infração, tendo sido observado o enquadramento original feito pelo contribuinte, o lançamento deve ser mantido." "V Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de (a) que a multa moratória sobre os créditos constituídos com base em fatos geradores registrados em GFIP seja aplicada em conformidade com o disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela Lei n. 11.941/2009, combinado com o art. 61, da Lei n. 9.430/1996, desde que mais favorável ao sujeito passivo, não devendo ser realizada qualquer comparação conjunta com as sanções dos arts. 32A e art. 35A, da Lei n. 8.212/1991, com a redação dada pela MP n. 449/2008 ou pela Lei n. 11.941/2009. (b) que a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos com base a fatos geradores não registrados em GFIP seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35A da Lei n. 8.21211991 (atual redação) combinado com o art. 44, I, da Lei n. 9.4301996, desde que mais favorável ao sujeito passivo". É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11060.001878/200911 Acórdão n.º 2301005.101 S2C3T1 Fl. 5 7 Fl. 249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.979300/2009-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE PERÍCIA.
No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1201-001.722
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as provas documentais devem ser apresentadas na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972. O pedido de realização de perícia é uma faculdade da autoridade julgadora, que deve assim proceder apenas se entender imprescindível à solução da lide. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e liquidez do crédito são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de prova da sua origem, não autoriza a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Gustavo Guimarães da Fonseca (Suplente) e José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 93 00 /2 00 9- 55 Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10880.979300/200955 Acórdão n.º 1201001.722 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de pedido de compensação de crédito tributário com determinado débito de responsabilidade do próprio contribuinte. A DCOMP, após análise eletrônica, gerou a emissão de Despacho Decisório que não homologou o pleito do contribuinte, sob a alegação de inexistência de crédito. Segundo o despacho, o pagamento indicado pelo contribuinte não possuiria saldo disponível para compensação, uma vez que já foi integralmente utilizado para quitação de outro débito tributário apurado pelo contribuinte. Inconformada com a exigência, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que o crédito é sim legítimo, pois decorrente de pagamento de tributo indevido. Tramitado o feito, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, sob o entendimento de que a contribuinte não teria comprovado o seu direito creditório. Intimada da decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs recurso voluntário. Reitera os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e pede perícia para verificar o crédito. É o relatório. Voto Roberto Caparroz de Almeida, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201001.692, de 17.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.691176/200907, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201001.692): De acordo com o despacho decisório, o crédito pleiteado pela Recorrente não existiria, uma vez que teria sido utilizado para quitar outros débitos de sua responsabilidade. Também por esse mesmo motivo, e adotada a premissa de que a Recorrente não comprovou o direito líquido e certo do direito creditório, a decisão de primeiro grau não homologou a compensação. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.979300/200955 Acórdão n.º 1201001.722 S1C2T1 Fl. 4 3 Por ocasião do recurso voluntário, a Recorrente não apresenta nenhum esclarecimento ou prova complementar ou adicional, requerendo que seja feita perícia a fim de comprovar a origem do crédito alegado. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, a produção de prova pericial deve ser determinada pela autoridade julgadora quando imprescindível à solução da lide. Tratase de medida que busca esclarecer eventuais dúvidas dos julgadores, que possuem a faculdade, e não a obrigatoriedade, de se valerem ou não de tal expediente. Nessa situação particular, a solução da presente demanda não requer uma perícia em sentido técnico, limitando se a análise ou não do direito creditório na forma pela qual o processo está instruído. Isso porque as autoridades julgadoras devem apreciar as provas conforme produzidas no processo. E no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, como se sabe, a produção de provas documentais deve ser feita na impugnação, a não ser que isso seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: “Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior”. Nesse sentido, entendo que o pedido de perícia requerido pela interessada não merece ser acolhido. A interessada, na verdade, ao requerer uma perícia, busca, de forma indevida, livrarse de seu ônus de prova o direito creditório alegado. Com efeito, a comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da contribuinte, conforme prescreve o artigo 170 do CTN, in verbis: “Artigo 170 A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei. Resta patente, portanto, que a Recorrente já deveria ter trazido aos autos os documentos comprobatórios do pretenso crédito Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.979300/200955 Acórdão n.º 1201001.722 S1C2T1 Fl. 5 4 tributário, não podendo valerse de um pedido de perícia para afastar este ônus. Ademais, convém assinalar que alegações genéricas sobre a origem do direito creditório, desacompanhadas de documentos hábeis, são incapazes de fazer prova acerca da liquidez e certeza do crédito. Nesse caso concreto, a Recorrente não apresentou sua escrituração contábil, apurações fiscais, cópia de pedido de restituição, relatório de auditoria independente ou qualquer outra documentação pertinente a fazer prova do crédito que pleiteia. Pelo contrário, as alegações e documentos trazidos aos autos não são capazes de provar o direito creditório que o contribuinte busca ser reconhecido. O que se tem no caso, pois, é uma compensação cujo crédito não restou efetivamente comprovado, prejudicando o direito correlato de compensação. Vale assinalar que a jurisprudência do CARF admite a possibilidade de compensação de indébito, mas desde que haja comprovação cabal quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o que se verifica dos julgados abaixo: “RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado no Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.” (Ac. 1102000.890. Sessão de 14/08/2013). “DESPACHO DECISÓRIO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São válidos o despacho decisório e a decisão que apresentam todas as informações necessárias para o entendimento do contribuinte quanto aos motivos da nãohomologação da compensação declarada. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte”. (Ac. 3302 002.383. Sessão de 02/11/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação” (Ac. 3802002.076. Sessão de 14/08/2013). Nesse sentido, e em face do que foi exposto, CONHEÇO do Recurso para NEGARLHE provimento. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.979300/200955 Acórdão n.º 1201001.722 S1C2T1 Fl. 6 5 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 64DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.005016/2007-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 VALORES RETIDOS. AUSÊNCIA DE VALORES RECOLHIDOS. Comprovado nos autos que o contribuinte informou a retenção de tributos em DIRF, consoante exigido na norma tributária, mas não procedeu ao repasse dos valores aos cofres da União, correto o procedimento fiscal de exigir tais valores ex officio, pela lavratura de Auto de Infração. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa o indeferimento motivado do pedido de juntada de provas pela turma julgadora a quo, quando incongruente com o ilícito tributário apurado. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF)
Numero da decisão: 1801-000.699
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2004 VALORES RETIDOS. AUSÊNCIA DE VALORES RECOLHIDOS. Comprovado nos autos que o contribuinte informou a retenção de tributos em DIRF, consoante exigido na norma tributária, mas não procedeu ao repasse dos valores aos cofres da União, correto o procedimento fiscal de exigir tais valores ex officio, pela lavratura de Auto de Infração. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa o indeferimento motivado do pedido de juntada de provas pela turma julgadora a quo, quando incongruente com o ilícito tributário apurado. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF)
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AUSÊNCIA DE VALORES RECOLHIDOS. Comprovado nos autos que o contribuinte informou a retenção de tributos em DIRF, consoante exigido na norma tributária, mas não procedeu ao repasse dos valores aos cofres da União, correto o procedimento fiscal de exigir tais valores ex officio, pela lavratura de Auto de Infração. NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não constitui cerceamento de defesa o indeferimento motivado do pedido de juntada de provas pela turma julgadora a quo, quando incongruente com o ilícito tributário apurado. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A turma julgadora é livre para forma sua convicção quanto à necessidade ou não da realização de provas para dirimir o litígio administrativo fiscal, podendo indeferir o pedido formulado pelo contribuinte (art. 18, caput, PAF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Fl. 167DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 0618.344/08 exarado pela Segunda Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba/PR, fls. 139 e ss, que manteve o lançamento tributário, consubstanciado no Auto de Infração lavrado para a exigência fiscal de CSLL relativas ao ano calendário de 2004, cujos valores foram retidos de terceiros, mas não recolhidos, perfazendo o total de R$ 59.012,67, incluídos os juros e a multa de ofício qualificada, pela apropriação indevida dos valores – fls. 115 e ss. Aproveito trechos do relatório do aresto vergastado para historiar os fatos: “O lançamento resultou de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias da interessada, em que foram apuradas as seguintes infrações, relatadas no Termo de Verificação Fiscal, de fls. 109/114: Falta de recolhimento da CSLL: no período de 02/2004 a 12/2004. Enquadramento legal no art. 841, incisos I, III e IV do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99; arts. 30, 32, 36 e 93, inciso II da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003; art. 5o, art. 17, inciso II, "c" da Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Multa de 150%; 4. Cientificada em 21/09/2007, conforme AR de fl.126, tempestivamente, em 04/10/2007, a interessada apresentou impugnação aos lançamentos, às fls. 129/135, através de seu representante legal, procuração à fl. 137, que se resume a seguir: a. Afirma que, no período em que se iniciou o procedimento de fiscalização, a entidade foi submetida a intervenção judicial, momento em que não era possível identificar pessoa responsável pelo atendimento das intimações; b. Explica que, em 19/05/2006, foi declarada a insolvência da entidade, por meio de sentença judicial e, desde então a instituição está impossibilitada de apresentar quaisquer documentos contábeis, já que estes se encontram num depósito da entidade e, sem um contador responsável para a realização da diligência, não há possibilidade de localizálos; c. Frisa que, durante o procedimento fiscal, o contribuinte se manifestou demonstrando a impossibilidade de acesso aos documentos que perdura até hoje, por motivos alheios à sua vontade, tendo em vista que foi realizada a arrecadação dos documentos contábeis pelo juízo, porém, eles não foram descriminados, de modo que é praticamente impossível a localização sem a realização de uma auditoria por um contador responsável, autorizado pelo juízo do processo judicial; d. Justifica que, apesar de o administrador da massa insolvente estar em fase final de negociação com escritório contábil para a realização de tal trabalho, ainda não foi possível o acesso ao acervo da entidade, estando impossibilitado de atender às intimações e fazer prova do pagamento do tributo cobrado por meio deste auto de infração; e. Entende que, pelo fato de a apuração do valor cobrado ter sido feito por amostragem, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, o auto de Fl. 168DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.005016/200787 Acórdão n.º 180100.699 S1TE01 Fl. 165 3 infração deverá ser desconsiderado, para que seja feita apuração do real débito tributário, caso ele exista, após a análise dos documentos contábeis da empresa; f. Aponta os princípios do procedimento tributário: ampla defesa, ampla instrução probatória, audiência do interessado, dever de investigação da Administração Pública, formalismo moderado, simplicidade, busca da verdade material, dentre outros, para que seja concedido a oportunidade de defesa sem formalismos exacerbados, de modo a ser verificada a verdade material dos fatos; Cita o art. 16 do decreto n° 70.235/72, que excepciona a apresentação da prova na impugnação, pela demonstração da impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; h. Cita doutrina e jurisprudência do Conselho de Contribuintes; i. Ao final, pede seja dada a oportunidade para apresentação de prova documental e aberto novo prazo para impugnação de eventual auto de infração que venha a ser lavrado, bem como seja julgado improcedente o presente auto de infração, nos termos do art. 16 do decreto n° 70.235/72. Requer ainda a concessão do prazo de dez dias para a juntada do original do instrumento de procuração. 5. Acompanha o presente o processo de Representação Fiscal n° 10945.005625/200736. [...] 7. Trata o processo de autos de infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, referentes ao ano calendário de 2004, decorrente de auditoria do programa DIRF x DARF.” Após breve histórico do procedimento fiscal (intimações, solicitações de prorrogações de fatos, termos judiciais etc), o aresto assim justificou o indeferimento de apresentação de provas após o prazo de impugnação: “A cronologia dos fatos indica que inexistiu força maior a impedir a apresentação de eventuais provas documentais tendentes a afastar o lançamento ora impugnado. Considerando o período compreendido entre 14/08/2006, data da ciência da primeira intimação após definido o administrador da entidade, e 21/11/2006, prazo final concedido pelo auditor fiscal, foi concedido ao contribuinte um prazo de cem dias para apresentar documentos e livros fiscais obrigatórios. Além disso, após o prazo final dado pelo autuante, o contribuinte insistiu com novo pedido de prorrogação por mais 60 dias, sendo que, entre a data deste pedido (22/11/2006) e o recebimento do auto de infração (21/09/2007), a interessada ainda dispôs de um período de dez meses para atender à solicitação. Dessa forma, não é razoável que, na impugnação, seja pedido mais tempo para apresentar provas, que deveriam ter sido encaminhada durante o procedimento de fiscalização, em que o contribuinte dispôs de 404 (quatrocentos e quatro) dias para providenciar. E ademais, não se pode aceitar a ausência de contador como justificativa da falta de atendimento do solicitado pela fiscalização, uma vez que é inadmissível que uma empresa demande tanto tempo para a contratação desse profissional. Nesse sentido, à fl. 51, consta Mandado de Intimação, exarado pelo Juízo de Direito da Comarca de Foz do Iguaçu, em que a Juíza de Direito determina à Irmandade Santa Casa Monsenhor Guilherme, na pessoa de seu representante legal, que indique o nome do contador encarregado da escrituração dos livros obrigatórios e deposite em cartório esses livros, no prazo de 24 horas, para que sejam entregues ao administrador Fl. 169DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 judicial. À fl. 52, consta declaração do Oficial de Justiça, dando conta de que não pôde cumprir o mandado, pelo fato de o representante legal da entidade não mais residir em Foz do Iguaçu. Ora, se a Juíza da causa, que acompanha diretamente os fatos, julga suficiente o prazo de um dia para o contribuinte arrumar um contador e apresentar os livros contábeis, é evidente que a justificativa de força maior é totalmente protelatória, e por isso mesmo deve ser rejeitado o pleito de juntada de novas provas. A respeito da argumentação de a autuação foi realizada com base em amostragem e sem verificação da contabilidade da empresa, esclareceu a turma julgadora: Responsabilidade da fonte pagadora “22. Antes de examinar a exatidão da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, convém ressaltar os fundamentos da responsabilidade da fonte pagadora com relação a essa contribuição. Essa responsabilidade foi introduzida pelo art. 30 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que instituiu a retenção na fonte da CSLL, PIS e Cofins sobre os pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas de direito privado a outras pessoas jurídicas de direito privado, pela prestação de uma série de serviços relacionadas naquele dispositivo, abaixo transcrito: [cita atos normativos que regulamentam a norma] Cumprindo o acima disposto, a impugnante, efetivamente, em relação ao ano calendário de 2004, informou retenção da CSLL na DIRF, em relação a uma série de pessoas jurídicas ligadas à área de saúde, conforme fls. 68/85, ramo este que se encontra abrangido pela definição de "serviços profissionais" de que trata o art. 647, §1° do RIR/99, e que se inserem dentro dos serviços sujeitos a retenção na fonte da CSLL, conforme previsão do art. 30 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003. Há que se destacar ainda que os dados que serviram de lastro para o lançamento foram informados pelo próprio contribuinte, em documento oficial e obrigatório, condição esta que autoriza a presunção de veracidade das informações. Caberia ao contribuinte alegar e comprovar eventual descompasso com a realidade, o que não foi sequer aventado. A responsabilidade pela retenção da CSLL, nos moldes descritos na lei acima citada, é reconhecida administrativamente, conforme solução de consulta proferida pela Superintendência da 9a Região Fiscal: [...] 29. Dessa forma, resta incólume a condição de responsável pela contribuição social sobre o lucro líquido incidente sobre a prestação de serviços mencionados no art. 30 da Lei n° 10.8333/2003, devendo a CSLL ser exigida da impugnante. Base de cálculo A autoridade fiscal partiu das informações constantes nas DIRFs do ano calendário de 2004, às fls. 68/85, confrontados com os registros de pagamentos obtidos no banco de dados da SRF, às fls. 86/102. Às fls. 103/104, consta tabela de valores declarados nas DIRF do ano calendário 2004, por período mensal, sob o código 5952 (retenção de Cofins, CSLL, e PIS/Pasep sobre pagamento efetuado por pessoa jurídica de direito privado), e por beneficiário, pessoa jurídica. Os pagamentos foram consolidados por período, conforme tabelas de fls. 105/106. E a partir dessas tabelas, foram montadas as Fl. 170DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.005016/200787 Acórdão n.º 180100.699 S1TE01 Fl. 166 5 planilhas de fls. 107/108, que demonstram as diferenças entre valores declarados de retenção na fonte de PIS, Cofins e CSLL e respectivos pagamentos, por período.” A base de cálculo do imposto foi composta pelas diferenças positivas entre o valor declarado na DIRF e o respectivo recolhimento no período. Assim, não prospera a alegação da impugnante, que afirma que o lançamento foi realizado com base em amostragem. Na realidade, a CSLL foi apurada, em cada período, a partir de valores que o próprio contribuinte declarou em suas DIRFs, como sendo por ele retidas do beneficiário. Na condição de documento oficial e obrigatório, presumemse verdadeiros os dados nele constantes, cabendo à própria fonte pagadora a prova de eventual discrepância com a realidade, o que não foi feito.” (grifos não pertencem ao original) No que concerne à manutenção da multa qualificada: 34. Apesar de inexistir impugnação específica da multa aplicada, impõese o seu exame. A autoridade fiscal aplicou a multa qualificada de 150%, justificando que o contribuinte reteve a contribuição para recolher aos cofres públicos, mas não o fez, apoderandose de valores que não lhe pertencia. A previsão legal da multa qualificada de 150% encontrase no art. 44, II da Lei n° 9.430, de 1996, e Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, a seguir transcritos: [...] Os fatos explanados caracterizam a figura da sonegação. Pelas tabelas consolidadas de fls. 118/121, verificase que a soma de todos os valores retidos, objeto do presente processo, corresponde a R$ 93.358,69, dos quais R$ 227,28 foram recolhidos, o que representa somente irrisórios 0,24%. Isso significa que a entidade se apropriou indevidamente de praticamente toda a CSLL por ela retida, fato este que não pode ser creditado a simples erro contábil, ou esquecimento. Essa circunstância demonstra o elemento dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta de sonegação descrita no art. 71 da Lei n° 4.502/64.” (grifos não pertencem ao original) Pelos fundamentos expostos o retro mencionado aresto manteve integralmente o lançamento tributário realizado para que a “massa insolvente da Irmandade” proceda aos valores efetivamente retidos a título de CSLL, incidente sobre pagamentos efetuados a terceiros, e não repassados aos cofres públicos. Tempestivamente, a massa insolvente da Irmandade Santa Casa Monsenhor Guilherme interpôs o Recurso de fls. 157 e ss argumentando, preliminarmente, que continua aguardando autorização do juízo pertinente para a arrecadação dos bens da massa e nomeação de um contador (dispor dos bens que foram remetidos a depósito por ordem judicial, inclusive os documentos de contabilidades) – processo de insolvência nº 229/06. Argumenta veemente que a não apresentação de documentação e impossibilidade de se defender da autuação imposta decorre de motivo alheio à sua vontade, sendo incabível o indeferimento do pedido de juntada de documentos posteriormente à impugnação, reprisando os termos da defesa exordial. Fl. 171DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Caso não seja anulado o acórdão prolatado, requer a realização de diligência em observância ao princípio da verdade material. Requer, por fim, a intimação pela imprensa oficial dos atos de julgamento seja feita de forma exclusiva na pessoa dos procuradores da massa insolvente. É o relatório. Passo à análise das razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. I) Da preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento de defesa. Cumpre esclarecer à recorrente, reiterando o explicitado no aresto vergastado, que a autuação presente não está fundamentada nos registros contábeis da massa insolvente, sendo, portanto, desnecessária a apresentação de livros contábeis ou fiscais. A fiscalização, em vista da impossibilidade da apresentação dos livros e documentos fiscais, restringiu o procedimento de auditoria a verificar os valores informados em DIRF pela própria “Irmandade” (como fonte pagadora) e confrontálos com os pagamentos efetivamente efetuados, tudo pertinente ao anocalendário de 2004. Daí que a juntada de livros fiscais ou documentos que fundamentaram a escrituração não são hábeis para desconstituir a autuação fiscal. Somente o pagamento de tais valores, espontaneamente informados como devidamente retidos de terceiros, teria o condão de ilidir a tributação ora discutida. Por outro lado, impraticável, para a Fazenda Nacional, a providência solicitada pela recorrente de ficar estanque o processo até que a ordem de arrecadação dos bens da massa insolvente seja proferida em favor do administrador desta, se até a data de hoje nenhuma resposta foi obtida – já se passaram praticamente quatro anos completos da ciência do Auto de Infração. Aliás, a recorrente não junta à defesa ou ao recurso qualquer certidão de objeto de pé para comprovar o que alega, ou seja, que até esta data o representante responsável pela “Irmandade” ainda não fora encontrado, que a arrecadação dos bens não foi realizada, que o contador não pode ser nomeado, enfim, a impossibilidade ou acesso aos documentos contábeis da empresa. Mas, considerando ser possível que tais documentos e livros contábeis sequer sejam encontrados, dadas as circunstâncias delicadas que envolveram a intervenção judicial na “Irmandade”, como esclarece a própria advogada na petição judicial de fls. 65, 66 e 67, preocupada inclusive com o sumiço do acervo de documentos, repito, a apresentação ou não desta contabilidade não modificaria o fato oponível à autuada nesta fiscalização: a falta do repasse aos cofres da União dos valores que reteve, como responsável tributário, dos valores pagos a terceiros e informados em DIRF (grifei) Fl. 172DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10945.005016/200787 Acórdão n.º 180100.699 S1TE01 Fl. 167 7 Apenas para acrescer ao voto, esta conduta em direito penal tributário, em tese, constitui crime de mera conduta, consoante artigo 2º, inciso II, da Lei nº 8.137/90, tal sua gravidade (razão pela qual foi formulada a Representação Fiscal para Fins Penais): Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) [...] II deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; Por conseguinte, o indeferimento da posterior juntada de provas não constitui cerceamento de defesa, pois desconexo o pedido formulado com o ilícito tributário constatado pela fiscalização. Ademais, não existe qualquer previsão legal no direito processual tributário para sobrestar o julgamento do processo administrativo fiscal em face de fato superveniente, que sequer sabese se acontecerá. Nem há possibilidade, atualmente, de suspender a exigibilidade do crédito tributário ora exigido, em vista das hipóteses taxativas enunciadas no artigo 151 do Código Tributário Nacional, após o julgamento do processo estar findo na esfera administrativa, exceto se a recorrente obter liminar (ou antecipação de tutela) em seu favor. A despeito dos contribuintes terem o direito processual potestativo de solicitar perícias ou realização de diligências, estas podem, diante das circunstâncias de cada caso, serem consideradas desnecessárias para formar a convicção do julgador, sem que isto signifique ofensa ou prejudique a sua defesa. O § único, inciso II, do art. 420 do CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF), assim dispõe: Parágrafo único. 0 juiz indeferirá a perícia quando: I aprova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; II for desnecessária em vista de outras provas produzidas. (grifos não pertencem ao original) E sobre o indeferimento do pedido de provas o artigo 18, caput, do PAF reza: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993). Fl. 173DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 (grifos não pertencem ao original) Destarte, a decisão de primeira instância não padece de qualquer vício que possa lhe imputar a nulidade aventada, sobretudo por cerceamento de defesa. Afasto a nulidade suscitada pela recorrente, e, em sequência, indefiro o pedido de realização de diligência formulado pela recorrente, por desnecessária em vista dos documentos que consta dos autos – DIRF entregues pela “Irmandade” à época de seu funcionamento e relatório dos pagamentos efetuados pela mesma (sistema Sinal – DARF). No que respeita ao requerimento de que as intimações processuais sejam realizadas exclusivamente ou conjuntamente nas pessoas dos procuradores da recorrente (ou do administrador da massa insolvente), não há previsão legal no Decreto nº 70.235/72 – PAF para este procedimento, nem no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09), pelo que deve ser indeferido. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade suscitada pela recorrente, em indeferir o pedido de realização de diligências, e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos deste voto. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 174DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10620.000647/2005-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/06/2000, 30/09/2000
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Data do fato gerador: 30/09/2000
REQUISITOSDA IMPUGNAÇÃO
A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento e deve explicitar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
Numero da decisão: 1801-000.399
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a decadência dos lançamentos de IRPJ relativos aos 1 o. e 2 o. trimestres de 2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exigência em relação ao 3 o. trimestre de 2000, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2000, 30/06/2000, 30/09/2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o. do artigo 150 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2000 REQUISITOSDA IMPUGNAÇÃO A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento e deve explicitar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado, ainda que parcial do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4 o . do artigo 150 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2000 REQUISITOS DA IMPUGNAÇÃO A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento e deve explicitar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declarar a decadência dos lançamentos de IRPJ relativos aos 1 o . e 2 o . trimestres de 2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exigência em relação ao 3 o . trimestre de 2000, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Editado em 10/11/2010. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, André Ricardo Lemes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de auto de infração à legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, que exige da empresa acima qualificada o crédito tributário no valor total de R$ 140.673,85, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros demora devidos até a data da lavratura. Da folha de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do auto de infração (fls. 04 a 11), na qual foram relatadas as irregularidades apuradas nos anos-calendário, são extraídos os seguintes trechos: ... Foi constatado que a 1NONIBRÁS, ao apurar o valor do IRPJ referente ao 1°, 2o. e 3o. trimestres do ano-calendário de 2000, relativamente à redução do IRPJ e adicionais não restituíveis de que trata o art. 14 da Lei n°4.239/63, utilizou o fator de 50% no cálculo da redução do referido tributo [..], contrariando a alteração efetuada pela Lei 9.532 de 1997, que, em seu artigo 3°, parag. 2°, inciso I, determinou que este favor passaria de 50% [..] para 37,5% [..], a partir de 1° de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003. [..] foi publicado pela DRF/Montes Claros [...] o Ato Declaratório 0054/2000 [..] reconhecendo ao contribuinte o direito à redução de 50% de 1RPJ e Adicionais não restituíveis [..] contrariamente ao disposto na Lei 9532 de 1997[...]. [...] a DRF/Curvelo emitiu o Ato Declaratório Executivo 007 de 31 de dezembro de 2001 [..], anulando o Ato 0054/2000 e reconhecendo que a INONIBRÁS faz jus à redução de 37,5% [...]. Cientificada do conteúdo do mencionado Ato Declaratório Executivo (ADE), em 7 de dezembro de 2001, e, inconformada, peticionou junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, sem sucesso. Não tendo sido paga a diferença devida em face da adoção errônea de percentual de redução, lavrou-se o presente Auto de Infração, do qual a interessada tomou conhecimento em 21 de setembro de 2005 , como atesta o A.R à fl. 82. Fl. 248DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10620.000647/2005-19 Acórdão n.º 1801-00.399 S1-TE01 Fl. 232 3 Também apresentou, em 5/10/2005, a impugnação de fls. 87/88, limitando-se a afirmar que o imposto cobrado no presente auto de infração estaria totalmente quitado via declaração de compensação – PERDCOM – cuja cópia foi juntada às fls. 100 a 105. A DRJ em Belo Horizonte converteu o julgamento em diligência para que fosse confirmada a autenticidade do PERDCOMP de fls. 100 a 105, bem como fosse informada a origem dos débitos nela declarados, ou seja, se haviam sido ou não incluídos em DCTF e se corresponderiam aos valores integrantes do auto de infração. Em resposta, aquela Repartição informou (fl. 154) - a [..] Dcomp de fls. 100/105 foi transmitida e se encontra nas bases de nossos sistemas de controle [..]; - os valores relativos aos tributos do mesmo período de apuração declarados em DCTF diferem dos valores informados na citada Dcomp. As compensações em análise não foram mencionadas em DCTF, fls. 13 a 15; - a referida compensação não foi homologada conforme cópia do Despacho Decisório do processo n° 13683.000271/2005-98, fls. 135 a 141, e Acórdão n° 02-13.339 da DRJ/BHE, 142/153. Cientificada do resultado desta diligência, a interessada apresentou a peça de fls. 157 a 165, na qual alegou, em resumo, a ocorrência de cobrança em duplicidade de IRPJ, aduzindo que ... tais valores já foram objeto de outra autuação, contra a qual foi apresentada impugnação tempestiva e fundamentada, e, recurso contra a primeira decisão, como confirmam os documentos em anexo, processo 13.683.000.271/2005-98 [...] ... Trata-se, pois de novo processo, cobrando-se, novamente, valores relativos processo tributário-administrativo ainda não julgado. ... A fim de não deixar qualquer margem a dúvida, a Impugnante, Recorrente, manifesta-se, nesta oportunidade, dentro do prazo concedido, reiterando, em todos os termos o recurso anterior, inconformada com a decisão proferida também no r. despacho, requerendo a sua apreciação pelo Colegiado [....] Seguem-se argumentos alusivos ao instituto da compensação. À fl. 196, encontra-se cópia de requerimento da interessada, o qual faz menção a recurso a ser encaminhado ao Conselho de Contribuintes, em razão de seu inconformismo com Acórdão prolatado no processo 13683.000271/2005-98. Apreciando o litígio a 4 a . Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou o lançamento procedente ao argumento de que, limitando-se a contribuinte a afirmar, na impugnação contra a exigência, que o débito exigido nestes autos encontrava-se quitado por via Fl. 249DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 de compensação, teria conformado-se com o lançamento em toda linha. Entretanto, o referido débito não fora declarado em DCTF, tampouco fora compensado via Pedido de Ressarcimento/Declaração de Compensação em data anterior à formalização da presente exigência. Assim, uma vez que a DCOMP de fl. 100 a 105 não foi homologada por inexistência do direito creditório reivindicado, manteve a exigência. Intimada da Acórdão da DRJ em Belo Horizonte/MG em 22/08/2008 (fls. 210, verso e 211), apresentou a interessada o Recurso Voluntário de fls. 212 a 228, em 29/08/2008. Nas razões de defesa a recorrente alega, uma vez mais, que o presente lançamento exige crédito tributário em duplicidade, posto que já objeto de outro procedimento e que o débito aqui exigido teria sido objeto de quitação, via declaração de compensação que, apesar de não homologada, ainda não se encontraria definitivamente julgada. Os demais argumentos referem-se, exclusivamente, ao seu inconformismo contra a não homologação das compensações veiculadas em DCOMP. Ao final requer: ... o total acolhimento e provimento do presente Recurso Especial, para que seja reconsiderado e anulado o acórdão, bem como o despacho denegatório relativo ao processo em questão 10620.000647/2005-19 e, via de conseqüência, seja acolhido o requerimento de retificação do pedido de homologação de compensação de créditos, objeto deste processo. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE. Cumpre reconhecer, preliminarmente, a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores ocorridos nos 1 o . e 2 o . trimestres de 2000. O prazo decadencial para lançamento de tributos a favor da Fazenda Nacional encontra-se previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Assim, como regra geral, o prazo estabelecido pelo mencionado artigo é de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como exceção a essa regra o Código Tributário Nacional dispôs, no artigo 150, parágrafo 4 o ., prazo decadencial distinto para os tributos sujeitos ao chamado lançamento por homologação, determinando que este será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Fl. 250DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10620.000647/2005-19 Acórdão n.º 1801-00.399 S1-TE01 Fl. 233 5 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No entendimento da recorrente o IRPJ é tributo sujeito ao lançamento por homologação, devendo ser observada a regra de contagem de prazo decadencial estabelecida pelo art. 150, parágrafo 4 o . do CTN, a partir do fato gerador, que em sua opinião, ocorre mensalmente, à medida em que os rendimentos vão sendo auferidos. Assim, tendo-se em conta que a ciência do lançamento relativo ao IRPJ ocorreu em 30/05/2005, estariam decaídos os fatos geradores ocorridos de janeiro de 1999 a abril de 2000. A autoridade lançadora e a autoridade julgadora de 1ª Instância entendem que o IRPJ seria, de fato, tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, mas a homologação recairia sobre a atividade praticada pelo sujeito passivo, consistente essa na apuração, no sentido literal do termo (levantamento de balanços, demonstrações financeiras, etc.) e pagamento antecipado do IRPJ calculado com base na apuração efetuada. Assim, no presente caso, como não teria havido apuração e pagamento de imposto sobre as receitas omitidas, não haveria atividade praticada pelo sujeito passivo a ser homologada pela autoridade fiscal. Esta relatora comunga do entendimento de que o IRPJ, dentre outros tributos, está sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN. Entendo, também, que não basta que a legislação tenha atribuído ao sujeito passivo o dever de apurar e pagar o tributo competente, antes de qualquer procedimento de verificação pelo Fisco; é necessário que o sujeito passivo tenha, de fato, efetuado apuração e pagamento de tributo. Não se pode perder de vista que a regra de contagem de prazo decadencial para constituição de créditos tributários é dirigida justamente à autoridade administrativa fiscal, impondo-lhe limites temporais para exercer seu dever de ofício, no sentido de desestimular a inércia na prática dessa atividade. É por essa razão que a Lei prevê determinadas regras. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Nesse contexto, a atividade de homologação da Fazenda Pública deve incidir sobre o pagamento efetuado, não sendo possível a incidência da norma nos casos em que o sujeito passivo não apura IRPJ devido e nos casos em que apesar de apurar IRPJ devido, não efetua qualquer pagamento correspondente. Nesse sentido, o pagamento, enquanto modalidade de extinção de crédito tributário configura-se imprescindível para a antecipação da contagem do prazo decadencial do lançamento, nos moldes previstos no art. 150, §4º do CTN. Assim, ao efetuar a apuração e pagamento, ainda que parcial do tributo, o sujeito passivo já fornece as informações necessárias para que a administração tributária exerça o seu dever de ofício e proceda a homologação da atividade praticada pelo sujeito passivo ou, ao contrário, caso não a homologue, promova a competente constituição do crédito tributário que deixou de ser apurado e recolhido pelo sujeito passivo. Dada a grande divergência doutrinária e jurisprudencial acerca do tema, esclareço que a interpretação aqui adotada encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Cito, a título de exemplo, a ementa do Recurso Especial nº 695.045 - RS (2004/0145619-0), julgado em 16 de fevereiro de 2006, no acórdão de relatado pelo Exmo. Ministro Teori Albino Zavascki, de seguinte teor: “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual ‘o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, ‘ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa’ e ‘opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa’ —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; ERESP 278.727/DF, Min. Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10620.000647/2005-19 Acórdão n.º 1801-00.399 S1-TE01 Fl. 234 7 3. Tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, mas ausente a antecipação do pagamento, ainda que parcial, há de se aplicar a norma prevista no art. 173, I, do CTN, contando-se o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador (1989). Portanto, a contagem do prazo teve início em 01.01.1991 e, em junho/96, já havia decaído o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário. 4. Recurso especial a que se nega provimento.” No mesmo sentido, registre-se ainda os recentes julgados da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça: Processo AgRg nos EREsp 1061128 / SC AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL 2008/0221524-2 Relator(a) Ministro FRANCISCO FALCÃO (1116) Órgão Julgador S1 - PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 13/05/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 25/05/2009 Ementa TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. DECADÊNCIA. PRAZO. REGRA GERAL. CTN, ART. 173, I. I - A jurisprudência desta Corte está orientada no entendimento de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo contribuinte, deve ser aplicado o prazo qüinqüenal estabelecido no art. 173, I, do CTN. Precedentes: REsp nº 439.133/SC, Rel. Minª DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 22/09/2008; AgRg no Ag nº 973.807/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe de 03/11/2008; REsp nº 757.922/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, DJ de 11/10/2007; RESP nº 811.243/CE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, DJ de 02/05/2006. II - Agravo regimental improvido. Processo EREsp 413265 / SC EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL 2004/0160983-7 Relator(a) Ministra DENISE ARRUDA (1126) Órgão Julgador S1 - PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 11/10/2006 Data da Publicação/Fonte DJ 30/10/2006 p. 229 Ementa TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO DECLARADO E NÃO-PAGO. CORRETA APLICAÇÃO DO Fl. 253DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 ART. 173, I, DO CTN. PRECEDENTES. RECURSO DESPROVIDO. 1. Esta Corte tem-se pronunciado no sentido de que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: (a) em regra, segue-se o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos contados ‘do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’; (b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos contados do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. 2. No caso dos autos, não houve antecipação do pagamento pela contribuinte, razão pela qual se aplica a orientação no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação cujo pagamento não foi antecipado pelo devedor, incide a regra do art. 173, I, do CTN. 3. Desse modo, conforme bem salientado no acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, mantido pelo aresto embargado, ‘declarado o débito e não pago, em dezembro/91, o Fisco tinha cinco anos, contados a partir de 1º.01.92 para constituir o crédito; não o fazendo, configurada está a decadência’. 4. Embargos de divergência desprovidos. Assim, na ausência dos pagamentos mensais dos tributos devidos, na sistemática do SIMPLES, no ano-calendário de 2003, a contagem deve ser feita conforme a regra geral prevista no art. 173, I, do CTN, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. In casu, relativamente aos fatos geradores ocorridos de janeiro a novembro de 2003, como o lançamento já poderia ter sido efetuado no próprio ano-calendário de 2003, o primeiro dia do exercício seguinte seria 01/01/2004, tendo por termo final o dia 31/12/2008, estando regularmente formalizado o lançamento cientificado ao contribuinte em 05/11/2008. “TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL: (A) PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE AO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, SE NÃO HOUVE ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO (CTN, ART. 173, I); (B) FATO GERADOR, CASO TENHA OCORRIDO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL (CTN, ART. 150, § 4º). PRECEDENTES DA 1ª SEÇÃO. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual ‘o direito de a Fazenda Pública consti tuir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’. Fl. 254DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10620.000647/2005-19 Acórdão n.º 1801-00.399 S1-TE01 Fl. 235 9 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação — que, segundo o art. 150 do CTN, ‘ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa’ e ‘opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa’ —, há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador , conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes da 1ª Seção: ERESP 101.407/SP, Min. Ari Pargendler, DJ de 08.05.2000; ERESP 279.473/SP, Min. Teori Zavascki, DJ de 11.10.2004; ERESP 278.727/DF, Min. Franciulli Netto, DJ de 28.10.2003. 3. Tratando-se de tributo sujeito a lançamento por homologação, mas ausente a antecipação do pagamento, ainda que parcial, há de se aplicar a norma prevista no art. 173, I, do CTN, contando-se o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador (1989). Portanto, a contagem do prazo teve início em 01.01.1991 e, em junho/96, já havia decaído o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário. 4. Recurso especial a que se nega provimento” E, ainda, o Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), com efeitos de Recurso Repetitivo, julgado em 12 de agosto de 2009, no acórdão de relatado pelo Exmo. Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Fl. 255DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No presente caso a recorrente optou pela apuração de seus resultados e pagamento do IRPJ devido com base nas regras do lucro real trimestral. Assim, os fatos geradores do IRPJ, com base nessa regra, ocorrem trimestralmente. Verifica-se, pela cópia da DIPJ, acostada às fls. 40 a 65, que nos 1 o ., 2 o . e 3 o . trimestres de 2000 foi apurado saldo de IRPJ a pagar. Às fls. 13 a 15 encontram-se cópias das DCTFs dos 1 o ., 2 o . e 3 o . trimestres de 2000 nas quais foram declarados os valores do IRPJ devido em cada um dos trimestres mencionados e as quitações a eles vinculadas. Portanto, diante da existência de apuração e do pagamento (DCTF), ainda que parcial do IRPJ, a regra de contagem de prazo decadencial a ser aplicada é aquela prevista Fl. 256DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10620.000647/2005-19 Acórdão n.º 1801-00.399 S1-TE01 Fl. 236 11 no artigo 150, §4º do CTN, ou seja, cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador. Dado que a ciência dos lançamentos se deu em 21/09/2005, os fatos geradores ocorridos em 31/03/2000, 30/06/2000, foram alcançados pela decadência, permanecendo, integro, apenas o lançamento relativo ao fato gerador ocorrido em 30/09/2000. MÉRITO. Tendo em conta o teor das alegações de defesa apresentadas no Recurso Voluntário, unicamente voltadas em protesto contra a não homologação das compensações veiculadas no processo no. 13683.000271/2005-98, cumpre esclarecer, inicialmente, que o presente processo não trata de declaração de compensação, e sim de constituição de crédito tributário por meio de auto de infração, razão pela qual não há como acolher alegações a respeito de matéria alheia, discutida em sede de outro processo administrativo. Cumpre ressaltar, inclusive, que como afirmou a própria recorrente, já houve interposição de recurso voluntário nos autos do processo no. 13683.000271/2005-98, julgado pela 4 a . Câmara do então Conselho de Contribuintes, pelo Acórdão no. 02-18.519, que também negou provimento ao recurso da contribuinte, ou seja, também indeferiu o pleito e não homologou a compensação. Assim, s.m.j., a matéria somente poderá ser discutida novamente naqueles autos em sede de Recurso Especial, se cabível. Entretanto, tudo o quanto posto até este momento se fez a título de esclarecimento pois, como consignado, o presente processo não trata de declaração de compensação e sim de auto de infração para exigência de IRPJ pago a menor em decorrência de utilização de percentual de redução de IRPJ e adicionais superior ao permitido pela legislação de regência. Nesse contexto a recorrente aduziu, na instância “a quo”, que o crédito tributário exigido nestes autos já teria sido objeto de pagamento, via compensação veiculada no processo no. 13683.000271/2005-98. Examinando a cópia da DCOMP de fls. 100/105, acostada a estes autos e objeto da não homologação no processo no. 13683.000271/2005-98, verificou a autoridade julgadora da DRJ que o débito de IRPJ relativo ao 3 o . trimestre de 2000, nela declarado não corresponde àquele exigido nos presentes autos. Com efeito, compulsando as cópias da DIPJ (fls. 40/65), DCTF (fls. 13/15) e DCOMP (fls. 100/105) anexadas neste processo verifica-se que a contribuinte declarou os seguintes valores: Débito de IRPJ – 3 o . Trimestre/2000: Declarado DCTF Declarado DIPJ Declarado DCOMP 42.607,68 42.607,68 21.443,50 (Vinculação Compensação Pgto Indevido ou a Maior) 42.607,68 O auto de infração, a seu turno, exige o crédito tributário de IRPJ, relativo ao 3 o . trimestre de 2000, no valor de R$ 18.232,49, valor este que não guarda qualquer relação com os valores acima indicados. Fl. 257DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 Assim, diante da ausência total de argumentos de defesa contra a exigência, já que, repita-se, limitou-se a recorrente a argumentações contra a não homologação da compensação veiculada no processo no. 13683.000271/2005-98, cuja cópia encontra-se às fls. 100/105, considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada, razão pela qual o lançamento deve ser mantido. Por todo o exposto voto no sentido de declarar a decadência dos lançamentos de IRPJ relativos aos 1 o . e 2 o . trimestres de 2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exigência em relação ao 3 o . trimestre de 2000. Sala de Sessões, 10 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) ________________________ Maria de Lourdes Ramirez Relatora Fl. 258DF CARF MF Emitido em 24/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 17/11/2010 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 17/11/2010 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 12045.000134/2007-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2001 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91.
Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 2401-004.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que a multa seja recalculada nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse recalculada nos termos da Lei 8.212/91, art. 32-A. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente e Redatora Designada.
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. 32, INCISO IV, § 5º, LEI Nº 8.212/91. Constitui fato gerador de multa, por descumprimento de obrigação acessória, apresentar o contribuinte à fiscalização Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com omissão de fatos geradores de todas contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de informação em GFIP de fatos geradores lançados em autuação fiscal por descumprimento da obrigação tributária principal correspondente, declarada, no mérito, procedente, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 04 5. 00 01 34 /2 00 7- 78 Fl. 332DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para que a multa seja recalculada nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Vencidos o relator e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que a multa fosse recalculada nos termos da Lei 8.212/91, art. 32A. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente e Redatora Designada. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 332 3 Relatório GOIASA GOIATUBA ÁLCOOL LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da DecisãoNotificação (DN) n° 08.401.4/0020/2007 da antiga Delegacia de Goiânia, às efls. 161/165, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente a constatação de que a autuada apresentou GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, relativas às competências 11/2001 a 07/2005, com informações incorretas ou omissas, quais sejam, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme Auto de Infração, à efl.03, e demais documentos que instruem o processo. Inconformada com a Decisão recorrida a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 172/203, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, sustenta ser indevida a inclusão do ICMS e do IPI na base de cálculo da contribuição previdenciária, tratando de evidente excesso de tributação. Explica que no caso em questão o ICMS e o IPI não devem ser incluídos na receita bruta da contribuinte, posto que necessária a sua contabilização em conta específica, por integrarem receita própria do fisco. Argumenta não ser possível incluir o ICMS como receita, posto que seu recolhimento dáse por substituição tributária. Esclarece quanto ao IPI ser o valor destacado na nota fiscal, tendo em vista ter o vendedor a obrigação de transferir o valor arrecadado. Insurgese quanto a multa imputada por ser exacerbada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração Principal e consectários legais decorrentes, tornandoos sem efeitos. Não houve apresentação de contrarrazões. Após, regular processamento do feito, em 22 de novembro de 2007, foi proposta resolução pela Nobre Conselheira Relatora Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, acatada pela unanimidade do Colegiado, às efls 237/241, in verbis: Fl. 334DF CARF MF 4 Em resposta a diligência encimada, a autoridade administrativa elaborou uma manifestação fiscal às efls. 252/253, informando o seguinte: [...] 4. Com base no DAD – Discriminativo Analítico de Débito, constante às fl. 7/16 do processo nº 12045.000128/200711, constatase que a NFLD conexa ao Auto de Infração acima é a NFLD nº 35.844.5752, que tem base de cálculo idêntica à dos fatos geradores usados para lavratura do AIOA (vide Mapa de Valores Não Declarados em GFIP – AI Nº 35.844.5779 , fls. 10 do presente processo). 5.O AIOA e a NFLD sob análise tem como matéria a exclusão da parcela relativa ao IPI e ICMS por substituição tributária da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta da comercialização da produção rural devida pela agroindústria. 6.Às fls. 1131/1142 do processo nº 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752) consta o Acórdão 20600.852, do Conselho de Contribuintes, de 09/05/2008, que teve como resultado “Recurso Voluntário Negado”. 7.Às fls. 1207/1210 do processo nº 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752) consta o Despacho 029/2009, do CARF, de 26/03/2009, que negou seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. 8.Às fls. 1340 do processo nº 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752) consta o Despacho 2400003/2011, do CARF, de 18/11/2011, que decidiu “REJEITAR o pedido formulado” no Agravo interposto contra a decisão que negou seguimento ao Recurso Especial. 9.Não consta no processo nº 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752) a ciência pelo sujeito passivo do Despacho 2400 003/2011, do CARF, de 18/11/2011, que rejeitou o pedido formulado no Agravo. Tal ciência definiria o término do contencioso administrativo fiscal e o “trânsito em julgado” administrativo, o que remeteria ao prosseguimento da cobrança do AIOA sob análise. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 333 5 10.Porém, verificase que as NFLDs acima descritas encontram se na situação “Suspenso por Ação Judicial/Dep. Integral” do Sistema de Cobrança – Sicob. 11.A propositura de ação judicial implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria levada à apreciação do Poder Judiciário, conforme ampla jurisprudência. Essa propositura caracterizou, portanto, o “trânsito em julgado” administrativo da NFLD conexa ao AIOA. 12.Às fls. 1353/1356 do processo nº 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752) consta decisão judicial da Ação Cautelar nº 10336.88.2011.4.01.3500 que determina a “suspensão da exigibilidade dos créditos abrangidos pelo depósito”. 13.Assim, é necessário que a Equipe Subjudice deste Secat esclareça se o AIOA nº 35.844.5779 está com sua exigibilidade suspensa pela decisão judicial citada. 14.Caso não esteja suspenso o débito, o presente processo deverá ser remetido para a ARF Itumbiara para prosseguimento da cobrança. Em complemento a informação fiscal acima transcrita, em 04 de fevereiro de 2016, foi proferido despacho de fl. 255 nos seguintes termos: Em resposta ao questionamento efetuado às fls. 252 a 253, informo que a NFLD n°35.844.5779 não está com a exigibilidade suspensa em decorrência de ação cautelar n°10336.88.2011.4.01.3500, apenas a NFLD n°35.844.5752 está com exigibilidade suspensa em decorrência de depósito judicial do montante integral. Não há depósito judicial para o AIOA n°35.844.5779. Portanto, embora sejam conexos o AIOA n°35.844.5779 e a NFLD n°35.844.5752, devese prosseguir na cobrança do AIOA n°35.844.5779 porquanto não há qualquer previsão acerca da decisão judicial quanto à NFLD n°35.844.5752. Ante o exposto, encaminhase o processo à ARF de Itumbiara para prosseguimento da cobrança do AIOA n°35.844.577 9 e demais providências a seu cargo. A contribuinte em 22 de setembro de 2016 solicitou a juntada de petição contendo as seguintes explanações: Primeiramente faz um breve relato das fases processuais, bem como do despacho informativo sobre a não suspensão da exigibilidade do presente crédito, motivo pelo qual, em 18/02/2016, foi expedida carta cobrança para que a requerente. efetuasse o recolhimento dos débitos ora exigidos, no valor de R$ 151.258,39, sob pena de “adoção das medidas legais cabíveis, sendo uma delas a inclusão do devedor no CADIN (Cadastro de Inadimplentes)” (fls. 258), sendo certo que, em 13/06/2016, a multa exigida no presente feito foi inscrita na dívida ativa da União. Afirmar que, ao contrário do entendimento constante no despacho de fls. 255, o débito relativo ao auto de infração nº 35.844.5779 vinculado ao presente feito não poderia Fl. 336DF CARF MF 6 ter sido inscrito na dívida ativa da União. Isto porque, ainda que tenha havido o encerramento da discussão administrativa travada com relação à NFLD conexa ao presente feito (35.844.575 2), tal fato, por si só, não poderia acarretar no prosseguimento da cobrança do presente auto de infração, motivo pelo qual foi impetrado mandado de segurança pela contribuinte objetivando o cancelamento da inscrição do débito na dívida ativa e, conseqüentemente, o retorno do presente feito para julgamento perante o CARF. Esclarece já ter demonstrado em seu recurso voluntário a inaplicabilidade da multa que lhe foi imposta, a sua desproporcionalidade e ausência de razoabilidade, além de seu evidente intuito confiscatório, impende ressaltar, ainda, que a cobrança da referida multa não é mais admitida no ordenamento jurídico. Aduz existir uma alteração legislativa através da revogação do dispositivo legal que amparava a multa exigida, o que acarretou em substancial redução no valor do tipo de multa que foi aplicada à Reqte., quando então, por força do princípio da retroatividade benigna, que colhe os casos que ainda estão em julgamento, como é o caso vertente, a multa aplicada no percentual de 100% do valor das contribuições tidas como omitidas deve, quando menos, ser reduzida aos novos patamares previstos na legislação na continuidade do julgamento do Recurso Voluntário apresentado. Isto demonstra que, independentemente de terem sido mantidas as exigências das contribuições previdenciárias postas no auto de infração da NFLD conexa 35.844.5752, na remota hipótese de manutenção da penalidade que foi aplicada à Reqte. é certo que o seu valor deverá ser reduzido por este Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força da retroatividade benigna agasalhada expressamente no artigo 106, II do CTN, colacionando jurisprudência da Câmara Superior a respeito do tema. Por fim reitera o pedido de improcedência do lançamento, e, caso não seja acolhido, requer a redução da multa em razão da revogação do §5° do artigo 32 da Lei 8.212/91 pelo artigo 79 da Lei n° 11.941/09 e, conseqüentemente, a aplicação do 32A ao presente feito. Após retorno ao Egrégio Conselho, os autos foram sorteados para minha relatoria e conseguinte inclusão em pauta. É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 334 7 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. Em suas razões de recurso, pretende a contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, sustentando ser indevida a inclusão do ICMS e do IPI na base de cálculo da contribuição previdenciária, tratando de evidente excesso de tributação. Explica que no caso em questão o ICMS e o IPI não devem ser incluídos na receita bruta da contribuinte, posto que necessária a sua contabilização em conta específica, por integrarem receita própria do fisco. Argumenta não ser possível incluir o ICMS como receita, posto que seu recolhimento dáse por substituição tributária. Esclarece quanto ao IPI ser o o valor destacado na nota fiscal, tendo em vista ter o vendedor a obrigação de transferir o valor arrecadado. Insurgese quanto a multa imputada por ser exacerbada. Não obstante o esforço da contribuinte, mais uma vez, seu insurgimento não é capaz de macular a exigência fiscal em comento. Da análise dos autos, concluise que a autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, agiram da melhor forma, com estrita observância da legislação de regência, senão vejamos. Inicialmente devese frisar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os argumentos da recorrente estão ligados basicamente à procedência da exigência fiscal consubstanciada na NFLD nº 35.844.5752 – Processo n° 12045.000128/200711 (Auto de Obrigação Principal), onde o Fisco promoveu os lançamentos tendo como matéria a exclusão da parcela relativa ao IPI e ICMS por substituição tributária da base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a receita bruta da comercialização da produção rural devida pela agroindústria. Registrese, que em nenhum momento a contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a questionar o mérito da autuação fiscal correlata acima mencionada, apenas mencionando ser exacerbada a referida multa. Em verdade, a contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação Fl. 338DF CARF MF 8 acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento a contribuinte deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Com efeito, restou explicitado pela autoridade lançadora, que a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude da contribuinte ter deixado de informar em GFIP’s a integralidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, contrariando o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, ensejando a aplicação da penalidade calculada com arrimo no artigo 284, inciso II, do RPS. Ocorre que, a antiga 6° Câmara do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes achou por bem negar provimento ao recurso voluntário interposto nos autos do processo n° 12045.000128/200711 (NFLD nº 35.844.5752), mantendo em sua integralidade o crédito tributário da Obrigação Principal, o fazendo sob o manto dos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/07/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. AGROINDUSTRIA. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO IPI E ICMS POR SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. 1. A contribuição previdenciária da agroindústria tem como base de cálculo a receita bruta proveniente da comercialização da produção, nos termos do artigo 22A, da Lei n. 8.212/91. 2. Não há determinação legal para excluir a parcela relativa ao IPI e ICMS por substituição tributária da base de cálculo do INSS, para efeito da apuração da receita bruta da comercialização da produção rural devida pela agroindústria. Recurso Voluntário Negado. Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito na autuação retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que os fatos geradores pretensamente não informados em GFIP foram caracterizados/lançados naquele lançamento principal. Na esteira desse entendimento, no mérito, uma vez mantida a exigência fiscal incidente da contribuição previdenciária sobre a receita bruta da comercialização da produção rural devida pela agroindústria, não há que se falar na improcedência da autuação sob análise, na forma que pretende fazer crer a recorrente, impondo seja mantida a exigência na forma lançada. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 335 9 DO CÁLCULO DA MULTA – LEI Nº 11.941/2009 RETROATIVIDADE A contribuinte na sua manifestação acerca da diligência, aduz existir uma alteração legislativa através da revogação do dispositivo legal que amparava a multa exigida, o que acarretou em substancial redução no valor do tipo de multa que foi aplicada à Reqte., quando então, por força do princípio da retroatividade benigna, que colhe os casos que ainda estão em julgamento, como é o caso vertente, a multa aplicada no percentual de 100% do valor das contribuições tidas como omitidas deve, quando menos, ser reduzida aos novos patamares previstos na legislação na continuidade do julgamento do Recurso Voluntário apresentado. Isto demonstra que, independentemente de terem sido mantidas as exigências das contribuições previdenciárias postas no auto de infração da NFLD conexa 35.844.5752, na remota hipótese de manutenção da penalidade que foi aplicada à Reqte. é certo que o seu valor deverá ser reduzido por este Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por força da retroatividade benigna agasalhada expressamente no artigo 106, II do CTN, colacionando jurisprudência da Câmara Superior a respeito do tema. Por derradeiro, em que pese à procedência do lançamento em seu mérito, destacase que posteriormente à lavratura do Auto de Infração fora publicada a Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, trazendo nova redação ao artigo 32 da Lei nº 8.212/91, acrescentando, ainda, o artigo 32A aquele Diploma Legal, estabelecendo nova forma do cálculo da multa ora exigida e, bem assim, determinando a exclusão da multa de mora do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, com a consequente aplicação das multas constantes da Lei nº 9.430/96, senão vejamos: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III – prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 340DF CARF MF 10 § 2o A declaração de que trata o inciso IV do caput deste artigo constitui instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 7o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 8o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV do caput deste artigo impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 341DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 336 11 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).” Partindo dessa premissa, em face da legislação posterior contemplando penalidades mais benéficas para o mesmo fato gerador, impõese à aplicação desse novo calculo da multa, em observância ao disposto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que assim prescreve: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” (grifamos) Antes mesmo de contemplar as razões meritórias, mister analisarmos o disposto no artigo 113 do Código Tributário Nacional, o qual determina que as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Fl. 342DF CARF MF 12 Por outro lado, a obrigação acessória relacionase às prestações positivas ou negativas constantes da legislação de regência, de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento deixar a contribuinte de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Como se observa, a nova legislação, de fato, contemplou inédita formula de cálculo de aludidas multas que, em suma, vem sendo conduzida pelo Fisco, da seguinte forma: 1) Na hipótese do descumprimento de obrigações acessórias ocorrer de maneira isolada (p.ex. tão somente deixar de informar a totalidade dos fatos geradores em GFIP), com a ocorrência da observância da obrigação principal (pagamento do tributo devido), aplicarseá para o cálculo da multa o artigo 32A da Lei n° 8.212/91; 2) Por seu turno, quando o contribuinte, além de inobservar as obrigações acessórias, também deixar de recolher o tributo correspondente, a multa a ser aplicada deverá obedecer aos ditames do artigo 35A da Lei n° 8.212/91, que remete ao artigo 44 da Lei n° 9.430/96, determinando a aplicação de multa de ofício de 75%; Não obstante parecer simples, aludida matéria encontrase distante de remansoso desfecho. Isto porque, a legislação anterior apartava as autuações por descumprimento de obrigações acessórias das notificações fiscais (NFLD) decorrentes de inobservância das obrigações principais, levando a efeito multas distintas, inclusive, no segundo caso, com aplicação de multa de mora variável no decorrer do tempo (fases processuais). Assim, com a introdução de novas formas de cálculo da multa, nos casos de descumprimento de obrigações tributárias (principal e acessória), os lançamentos pretéritos, bem como aqueles mais recentes que abarcam fatos geradores relacionados a período anterior a referida alteração, tiveram que ser reanalisados com a finalidade de se verificar a melhor modalidade do cálculo da penalidade e, se mais benéfico, aplicálo. A propósito da matéria, o ilustre Conselheiro Júlio César Vieira Gomes se manifestou com muita propriedade, conforme se depreende do excerto do Voto condutor do Acórdão n° 2402001.895, exarado nos autos do processo n° 15983.000199/200892, de onde peço vênia para transcrever e adotar como razões de decidir: [...] O recorrente já se beneficiou do direito à relevação de parte da multa aplicada pela correção parcial da falta, mas ainda não quanto à retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao exame desse direito. Seguem transcrições: [...] Fl. 343DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 337 13 Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 344DF CARF MF 14 Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparando com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara em DCTF R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa de ofício a ser aplicada? Nenhuma. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de fraude) sobre a diferença de R$ 20.000,00. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a DCTF já teria constituiria o crédito tributário sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Seguem transcrições: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de Fl. 345DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 338 15 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como Fl. 346DF CARF MF 16 lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. [...] Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: [...] De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 339 17 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazê lo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: Fl. 348DF CARF MF 18 ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ressaltase que a verificação da regra mais benéfica deve ser em relação ao valor da multa aplicada no autode infração, anteriormente à qualquer outra redução em face da correção parcial da falta ou outro motivo. Isto porque a retroatividade benéfica do artigo 106 do CTN se opera no plano da subsunção do fato à nova regra jurídica. A relevação de parte da multa pela correção parcial da falta do decorrer do processo deve ser realizada após a incidência da nova regra. Melhor explicando: devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32A, inciso II da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor; após, a relevação de parte da multa remanescente na proporção da correção parcial da infração. [...] Na esteira desse entendimento, em que pese à procedência do lançamento em relação ao mérito, impõese determinar o recálculo da multa, com fulcro no artigo 32A da Lei n° 8212/91, na forma prescrita na legislação hodierna mais benéfica, retroagindo, portanto, para alcançar fatos pretéritos. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine parcialmente em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, somente para recalcular a multa nos termos do artigo 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991, se mais benéfico ao contribuinte, pelas razões de fato e de direito encimadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 349DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 340 19 Voto Vencedor Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, redatora designada. INFRAÇÃO E MULTA APLICADA Discordo do relator que entende que deve ser aplicado ao caso em análise o disposto na Lei 8.212/91, art. 32A. Quanto ao dispositivo legal da infração e da multa aplicada, devese observar os seguintes artigos do CTN: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 350DF CARF MF 20 Assim, a princípio, devese observar a lei vigente à época de ocorrência do fato gerador. Entretanto, em matéria de penalidades, deverá ser considerada a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. A falta praticada, que foi objeto da presente autuação, apesar de ter sua capitulação legal alterada, continua definida como infração: entrega de GFIP com omissões/incorreções relacionadas a fatos geradores. Sobre a multa aplicada, a partir de 4/12/08, com a publicação da MP 449/08, convertida na Lei 11.941/09, o auditor, ao emitir Auto de Infração por descumprimento de Obrigação Acessória – AIOA relacionado à GFIP, deve considerar a retroatividade da lei mais benéfica, de acordo com o CTN, artigo 106, inciso II. Para tanto, deve comparar as penalidades cabíveis consoante a legislação vigente antes e depois da referida MP, aplicando a multa mais favorável ao sujeito passivo. Contudo, a presente autuação foi lavrada antes de referida mudança, não tendo o auditor fiscal autuante, por óbvio, efetuado referido comparativo, que deverá ser feito por ocasião do pagamento. A multa aplicada tendo em vista as alterações introduzidas pela Lei 11.941/09, é explicada a seguir: Em 4/12/08, foi publicada a Medida Provisória no 449, de 3/12/08, convertida na Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, que modificou a sistemática do cálculo das multas de mora, de ofício e daquelas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias relacionadas à Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, anteriormente previstas nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, acrescentando os artigos 32A e 35A. Assim, a partir da publicação da MP 449, de 3/12/2008, para os fatos geradores de contribuições previdenciárias anteriores a esta data, deverá ser avaliado o caso concreto e a norma atual deverá retroagir, se mais benéfica, pois em matéria de penalidades deve ser observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea ‘c’. Desta feita, devem ser vinculados os processos de contribuições não declaradas em GFIP, somandose as multas aplicadas aos lançamentos de obrigação principal com as multas pelo descumprimento de obrigação acessória, e comparando com a nova multa de ofício prevista no artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescida, se for o caso, da nova multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 (relativa a contribuição recolhida e não declarada em GFIP). Assim, a multa deve resultar do comparativo entre os valores que seriam lançados considerando a lei vigente à época do fato gerador (percentual de multa previsto na redação original do artigo 35 da Lei 8.212/91 somado ao valor de multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32, §§ 4º, 5o e 6º da Lei 8.212/91) com o valor da multa de ofício que teria sido aplicada considerando a redação atual, conforme artigo 44 da Lei 9.430/96 (percentual de 75%) somado, se for o caso, ao valor da multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91. Ocorre, contudo, que os percentuais da multa tanto do artigo 35 da Lei 8.212/91, quanto do artigo 44 da Lei 9.430/96, sofrem variação de acordo com o prazo do pagamento do crédito. Logo, temse que a comparação entre uma e outra modalidade somente Fl. 351DF CARF MF Processo nº 12045.000134/200778 Acórdão n.º 2401004.949 S2C4T1 Fl. 341 21 poderá ser ratificada por ocasião do pagamento, devendo o valor da multa ser revisto, se for o caso, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 14, de 4/12/09. Os dispositivos legais ora atacados encontravamse em vigor na época da ocorrência dos fatos geradores ou tiveram sua aplicação em razão do princípio da retroatividade benigna de que trata o Código Tributário Nacional, artigo 106, inciso II, alínea “c”. CONCLUSÃO Pelo exposto, no mérito, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a multa seja recalculada, se for o caso, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14/09. Por ocasião do pagamento ou execução do crédito tributário remanescente, deverá ser calculada a multa mais benéfica, considerando o auto de infração conexo (processo n° 12045.000128/200711), em razão da alteração na legislação previdenciária promovida pela Lei 11.941/09, nos termos da Portaria conjunta PGFN/RFB nº 14, de 4/12/09. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.001754/2008-94
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Ano-calendário: 2007 INCLUSÃO DO SIMPLES. A empresa em início de atividade tem o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo SIMPLES. Não existe previsão legal para inclusão retroativa no Simples Nacional se a empresa não comprova ter tomado alguma iniciativa no prazo legal.
Numero da decisão: 1802-001.125
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Gustavo Junqueira Carneiro Leão
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A empresa em início de atividade tem o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo SIMPLES. Não existe previsão legal para inclusão retroativa no Simples Nacional se a empresa não comprova ter tomado alguma iniciativa no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.001754/200894 Acórdão n.º 1802001.125 S1TE02 Fl. 37 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que considerou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte (fls. 15/16), mantendo o Despacho Decisório DRF/BHE n° 523/09, que indefere o pedido da contribuinte, sob o fundamento da solicitação ter sido efetuada fora do prazo. A Requerente, de acordo com o seu pedido de inclusão (fl. 1), entendeu que ao proceder com sua inscrição no cadastro sincronizado, havia solicitado o ingresso no SIMPLES, por ter informado sua condição de Microempresa. Visto que não havia sido processada sua opção, e estando dentro do prazo de 180 dias decorridos de sua inscrição no CNPJ, requereu sua inclusão de ofício. Informou ainda que estruturou seu negócio para funcionar neste modelo tributário de tributação simplificada, e que sua inadmissão ocasionará o fechamento de suas portas. Por fim informou que até o momento do pedido não havia efetuado nenhum faturamento e nem movimento no ano de 2007. Tendo ciência do despacho decisório em 19/03/2009 (fls. 15), em 15/04/2009 apresentou sua impugnação (fls. 15 e 16), onde argumentou que: a) as obrigações acessórias foram cumpridas tempestivamente, levandose em consideração a opção pelo Simples Nacional; b) por se tratar de empresa em implantação e que o processo de opção pelo Simples Nacional na abertura de empresa havia sido alterado naquela época, causando grandes transtornos e confusão aos contribuintes. c) por fim reitera o pedido de inclusão de ofício. A DRJ de Belo Horizonte considerou improcedente a inclusão, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 Simples Nacional Não existe previsão legal para inclusão retroativa no Simples Nacional se a empresa não comprova ter tomado alguma iniciativa no prazo legal. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio” Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.001754/200894 Acórdão n.º 1802001.125 S1TE02 Fl. 38 3 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 10/12/2009, a Contribuinte apresentou o presente recurso, reiterando as alegações da inicial. Este é o Relatório. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.001754/200894 Acórdão n.º 1802001.125 S1TE02 Fl. 39 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Primeiramente cumpreme destacar que o tratamento simplificado, aplicável às microempresas e as empresas de pequeno porte, no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, está regulado na Lei Complementar nº 123/06, in verbis: “Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. E nesse ponto o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) expediu a Resolução CGSN n° 4/07. “Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição estadual e municipal, caso exigíveis, terá o prazo de até 10 (dez) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional;” No presente caso verificase à fl. 01 que não foi formalizada a opção de inclusão no Simples Nacional no prazo determinado pela legislação. A empresa apresentou Contrato Social com registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais e comprovante de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica em 08/11/2007. Considerando que nenhum outro documento consta desse processo, considero que o prazo para opção venceu em 18/11/2007. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.001754/200894 Acórdão n.º 1802001.125 S1TE02 Fl. 40 5 A Recorrente alega que solicitou a inclusão antes do início efetivo das suas atividades e que não havia efetuado nenhum faturamento até aquela data, contudo esse não era o prazo estipulado para usufruto da opção pelo SIMPLES. Carece de fundamento as seguintes argumentações: “que todos os impostos e obrigações acessórias foram cumpridos tempestivamente, levandose em consideração a opção pelo Simples Nacional”; “por se tratar de empresa em implantação e que o processo de opção pelo Simples Nacional na abertura de empresa havia sido alterado naquela época, causando grandes transtornos e confusão aos contribuintes”; e ainda “que o pedido de inclusão de oficio, cuja decisão ora é impugnada foi protocolado antes de início efetivo das atividades da empresa”, tendo em vista que o prazo para o exercício da opção pela legislação regulamentadora é de 10 (dez) dias contados do último deferimento de inscrição. Por todo o exposto, considerando que o prazo da Recorrente encerrouse em 18/11/2007 e que o pedido somente foi apresentado em 15/02/2008, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEA, Assinado digitalmente em 15/03/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000444/2001-25
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000
O CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DEPENDE DO PREQUESTIONAMENTO OBJETIVO DA MATÉRIA RECORRIDA.
Infere-se no presente caso que, além de o sujeito passivo não ter arguído em qualquer peça processual a impossibilidade de concomitância das multas de ofício e isolada pelo não pagamento das estimativas mensais de CSLL, a decisão recorrida se limitou a manter as penalidades, sem fazer qualquer menção à tese defendida, não se prestando a dedução de que assim estaria compreendendo possível a cumulação das multas para fins do prequestionamento exigido regimentalmente, que deve ser pontual e analítico, sob pena de também obstar o cotejo necessário à comprovação da divergência.
Numero da decisão: 9101-002.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1998, 1999, 2000 O CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL DEPENDE DO PREQUESTIONAMENTO OBJETIVO DA MATÉRIA RECORRIDA. Inferese no presente caso que, além de o sujeito passivo não ter arguído em qualquer peça processual a impossibilidade de concomitância das multas de ofício e isolada pelo não pagamento das estimativas mensais de CSLL, a decisão recorrida se limitou a manter as penalidades, sem fazer qualquer menção à tese defendida, não se prestando a dedução de que assim estaria compreendendo possível a cumulação das multas para fins do prequestionamento exigido regimentalmente, que deve ser pontual e analítico, sob pena de também obstar o cotejo necessário à comprovação da divergência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 44 /2 00 1- 25 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 548 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela SANSUY S.A. em face do Acórdão n. 1402001.292, proferido pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento, que por unanimidade de votos negou provimento ao seu recurso voluntário, mantendo a exigência da CSLL e multas de ofício e isolada. A exigência em questão decorre de autuação fiscal referente aos anos calendários 1998 a 2000, pautada em exclusões indevidas de despesas denominadas “créditos tributários” e insuficiência da base de cálculo negativa da CSLL, pelo que, conjuntamente à multa de ofício pelo não pagamento do tributo, aplicouse a multa isolada prevista no artigo 44, parágrafo 1o, IV, da Lei n. 9430/96. Insurgindose contra o lançamento, a Recorrida apresentou Impugnação, alegando, objetivamente, que (a) os valores questionados se tratavam de compensações de tributos efetuados pela empresa cuja validação dos créditos ainda aguardava decisão judicial, (b) as despesas com o pagamento de tributos “devem ser debitadas a ‘perdas’ logo que incorridas, pelo principio de que toda despesa intrinsecamente necessária, a qual a pessoa jurídica obrigatoriamente deverá incorrer, deve ser deduzida da [sic] para efeito de apuração do resultado do exercício”, (c) deve se aplicar por analogia a jurisprudência que considera que a recuperação de créditos de ICMS não configura receita para CSLL e IRPJ, porque consiste em fonte do direito, (d) necessidade de compensação de um terço da COFINS com a CSLL no exercício de 1999, (e) impossibilidade de aplicação de juros superiores a taxa de 1% ao mês, (f) ilegalidade da Taxa Selic, (g) conduta de boa fé e (h) necessidade de perícia para apurar o débito sob pena de cerceamento de defesa. O posicionamento da Administração Tributária foi mantido pela decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, que por unanimidade de votos considerou não formulado o pedido de perícia e procedente o lançamento da CSLL, em decisão que restou assim ementada: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: APLICAÇÃO DA TAXA SELIC AOS JUROS MORATÓRIOS. INAPLICABILIDADE DA LEGISLAÇÃO CIVIL E COMERCIAL. O Código Civil, Comercial e a Lei de Usura regulam a cobrança de juros vinculadas a acordos de vontades na esfera privada, sendo inaplicáveis às Fl. 443DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 549 3 relações do Estado com o contribuinte quando aquele atua com poder de império, incidindo, neste caso, as leis próprias do direito público. LIMITAÇÃO DOS JUROS MORATÓRIOS A UM POR CENTO AO MÊS PELO CTN. LEI ORDINÁRIA QUE ESTABELECE TAXA MAIOR. O Código Tributário nacional estabelece o limite de 1% ao mês como taxa de juros moratórios a menos que lei determine de forma diversa, podendo, esta, elevála ou diminuíla. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para ensejarem a compensação como forma de extinção da obrigação tributária, devem estar revestidos de liquidez e certeza. COMPENSAÇÃO. NATUREZA DO CRÉDITO COMPENSÁVEL. O crédito compensável nasce com o pagamento indevido ou a maior de tributo ou contribuição, em nada se relacionando com o regime de competência ou com a despesa contabilmente incorrida. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES DE DIFERENTES ESPÉCIES A compensação de tributos ou contribuições de diferentes espécies ocorre em procedimento de ofício, quando requerida a restituição ou o ressarcimento, ou a requerimento do interessado, sujeitandose à análise e autorização prévias da Secretaria da Receita Federal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO SUB JUDICE. A propositura de ação judicial não dá direito a crédito compensàvel, por ausência de liquidez e certeza, sendo indispensável a decisão judicial transitada em julgado. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1998, 1999, 2000 Ementa: ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA DE FORO. O foro administrativotributário não detém a competência para o julgamento de constitucionalidade de norma jurídica, uma vez que a própria Constituição a atribui ao Poder Judiciário. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulado o pedido de perícia que não apresente os motivos que o justifiquem, a formulação de quesitos e a qualificação do perito do sujeito passivo. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL Anocalendário: 1999 Ementa: COMPENSAÇÃO DE UM TERÇO DA COFINS. É defesa a compensação de um terço da Cofins com a CSLL quando aquela não foi efetivamente paga. Lançamento Procedente” Em face dessa decisão que manteve o posicionamento fiscal, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, informando preliminarmente que não teria juntado a efetivação do depósito ou prestação de garantia em valor correspondente à quantia mínima de 30% do débito, porque estaria discutindo a ilegalidade de sua exigência Fl. 444DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 550 4 no Mandado de Segurança n. 200133000240967, em trâmite perante a Justiça Federal de Salvador, e deduziu os mesmos argumentos relacionados em sua impuganção. Ao recurso foi negado seguimento em 25.01.2002, por despacho do Sr. Delegado da Delegacia da Receita Federal de Camaçari, porque o contribuinte não teria apresentado prova administrativa do depósito recursal (Fl. 268), seguido de termo de perempção pela não apresentação de recurso contra esse ato decisório (Fl. 271), respectiva carta cobrança (Fl. 272), inscrição em dívida ativa do débito e novo despacho que manteve o procedimento, independentemente do resultado de ação judicial sobre a CSLL. Em 01.08.2008 foi proferido despacho sobre o cancelamento da inscrição em dívida ativa e a remessa do processo ao antigo Conselho de Contribuintes por determinação judicial no Mandado de Segurança n. 2001.33.00.0240967 (Fl. 361), que entendeu indevida a exigência de depósito recursal ou arrolamento de bens, como também consta no ofício da PGFN na Fl. 372. O recurso voluntário do contribuinte foi então julgado e, por unanimidade de votos, foilhe negado provimento, em acórdão que considerou que a parte apenas repisou os argumentos de sua impugnação administrativa, sem qualquer insurgência contra a decisão recorrida, que por sua vez não mereceria reforma, sendo assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 1998, 1999, 2000 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Os créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, para ensejarem a compensação como forma de extinção da obrigação tributária, devem estar revestidos de liquidez e certeza. A propositura de ação judicial não dá direito a crédito compensável, por ausência de liquidez e certeza, sendo indispensável a decisão judicial transitada em julgado. COMPENSAÇÃO DE UM TERÇO DA COFINS. É defesa a compensação de um terço da Cofins com a CSLL quando aquela não foi efetivamente paga. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. ARTIGO 44, INCISO II, E 61 DA LEI 9.430/1996. Comprovada a falta de declaração e recolhimento dos tributos, correto a exigência mediante auto de infração aplicandose a multa de ofício de 75%, incidindo, ainda, juros de mora à taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que passa a integrar o presente julgado. Ausentes os Conselheiros Carlos Pelá e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 551 5 (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.” A contribuinte apresentou Recurso Especial defendendo – unicamente – o suposto prequestionamento da matéria relativa à impossibilidade de cumulação das multas de ofício e isoalda pela falta de recolhimento de estimativas pelo acórdão recorrido ao manter as duas penalidades, na passagem em que as considera previstas no ordenamento, ao lado da apresentação de razões para o conhecimento da divergência com o acórdão paradigma n. 110300.360 e argumentos favoráveis a essa tese, no sentido de que ambas incidiriam sobre um mesmo fato. As “demais” matérias objeto do acórdão recorrido (como se a cumulatividade de multas nele constasse) não foram mencionadas pelo Recurso Especial, tornandose não recorridas. O Recurso Especial foi recepcionado por Despacho de Admissibilidade que analisou, face à decisão recorrida, esse único acórdão paradigma apresentado considerandoo suficiente a demonstrar a divergência. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional manifestouse nos autos para informar que não apresentaria recurso, também não juntando aos autos contrarrazões. Passase, então, à apreciação do recurso. Voto Conselheira DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO Relatora PRELIMINARES Tempestividade do Recurso Especial Fl. 446DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 552 6 Anteriormente à análise do mérito, verificarseá a tempestividade do recurso e o preenchimento dos requisitos para o seu conhecimento. A respeito do primeiro ponto, identificase que a contribuinte foi intimada do acórdão que julgou o recurso voluntário em 06.02.2013 (AR à efl. 403) e protocolizou Recurso Especial no dia 21.02.2013 (Efl. 404), portanto, dentro do prazo de 15 dias definido pelo caput do artigo 68 do Regimento Interno do CARF, que assim dispõem: “Art. 68. O recurso especial, da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contado da data da ciência da decisão.” Por essas razões, considerase o Recurso Especial interposto pela SANSUY S.A. tempestivo. Conhecimento do Recurso Especial O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Pois bem, voltandose ao caso concreto, antes que se verifique a existência da demonstração da divergência apontada sobre a vedação à concomitância das multas de ofício e isolada, um ponto que se destaca e deve ser analisado é o seu prequestionamento. Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 553 7 Inferese que o referido tema em nenhuma peça do processo foi tratado pela contribuinte, sendo apenas suscitado no próprio Recurso Especial, em que esta se vale da manutenção de ambas as multas pelo colegiado a quo para se deduzir que na decisão recorrida então se considerou – subliminarmente – a possibilidade de cumulação das penalidades, sendo possível assim fazer seu cotejo com os paradigmas apresentados, para fins de demonstração da divergência exigida para o conhecimento do recurso. Ocorre que, embora quando se posicione pelo cabimento da aplicação simultânea das penas o resultado seja o mesmo quanto à sua manutenção, não se pode presumir peremptoriamente que o julgador o tenha feito com base na tese defendida, sobretudo para efeitos de prequestionamento do tema para demonstração da divergência objeto do recurso especial, que deve regimentalmente ser feita de maneira analítica, inclusive com o apontamento das devidas peças processuais em que realizado. No presente caso, compreendese o esforço da Recorrente em utilizar essa inferência para configurar o acórdão recorrido como a peça em que presente o prequestionamento, mas não se consegue considerálo suficiente para tal fim. O Recurso Especial possui natureza de recurso de revisão; revisase, até mesmo pelo espectro delimitado de seu efeito devolutivo, aquilo que já decido na decisão a quo, especialmente numa busca pela formação da jurisprudência do Órgão, a partir da solução de divergência, sobre as teses levadas à sua apreciação. Tem o prequestionamento, portanto, função de trazer à Câmara Superior, em regra por meio da manifestação na decisão recorrida, os temas a serem debatidos. Há entendimento inclusive que o qualifica somente se verificada a provocação da parte no processo, ainda que seja por meio da oposição de embargos declaratórios exclusivamente com esse fim, conforme artigo 1022 do novo Código de Processo Civil e Súmula 98 do Superior Tribunal de Justiça. Aqui, porém, a SANSUY S.A. não suscitou o tema em nenhuma peça processual e o colegiado a quo, naturalmente porque não provocado, mantevese silente quanto à matéria em questão. A parte também não embargou, o que também demandaria algum esforço, afinal, como seria alegar omissão de algo não suscitado ou a obrigatoriedade de o julgador se manifestar particularmente sobre essa tese específica para configurar uma omissão interna à própria decisão? Diferente seria se a parte tivesse levado o tema e o julgador a quo não houvesse se manifestado no acórdão recorrido. Ainda que fosse possível o levantamento da tese de que não estaria vinculado a se posicionar sobre todos os fundamentos colocados, nesse caso poderia se apontar a necessidade de apreciação de todos as questões centrais recorridas e também o cabimento dos embargos de declaração apenas para fins de prequestionamento, mesmo que não viesse a ter uma resposta positiva do colegiado. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 554 8 É que aí se poderia defender o cabimento dos embargos para o chamado prequestionamento ficto, que não deixaria a parte ao talante do tribunal, na orientação do Superior Tribunal Federal (Súmula n. 536), chancelada pelo novo Código de Processo Civil em seu artigo 1025, que assim dispõe: “Consideramse incluídos no acórdão os elementos que o embargante suscitou, para fins de préquestionamento, ainda que os embargos de declaração sejam inadmitidos ou rejeitados, caso o tribunal superior considere existentes erro, omissão, contradição ou obscuridade.” Portanto, diante das linhas sobre a necessidade de provocação da parte e/ou de constar o tema prequestionado do acórdão recorrido, entendese minimamente que a metéria deva ter sido apreciada para que se consiga comprovar a divergência entre tal decisão e os acórdão paradigmas, como exige o artigo 67 do Regimento Interno do CARF, mesmo que em decisão resultante da oposição de embargos de declaração, exceção aberta apenas no caso de prequestionamento ficto. A verdade é que, na leitura feita do caso concreto, seja por qual dessas orientações se adotar, a matéria da impossibilidade de concomitância das multas de ofício e isolada não foi prequestionada no presente processo, não bastando a manutenção das duas penalidades pelo acórdão recorrido para se deduzir o acolhimento da tese para fins de prequestionamento. Dandose mais um passo, se a matéria objeto da divergência não se encontra presente na decisão recorrida, resta prejudicada a possibilidade de cotejo analítico entre esta e o acórdão apresentado como paradigma. É verdade que a contribuinte envidou esforço no sentido de demonstrar tanto o prequestionamento da tese em questão, já iniciando seu recurso para dizer que este haveria ocorrido, como os trechos que supostamente tratariam do tema na decisão. Para tanto, recortou os poucos textos que fazem menção à simples aplicação de multa, como adiantado, sem qualquer referencia à concomitância. O primeiro deles, apontado pela recorrente para demonstrar a similitude fáctica dos casos, foi inclusive retirado do relatório dos fatos da decisão da DRJ, tomado emprestado como relatório do acórdão recorrido. Segue transcrito: “O processo trata de lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente aos anos calendáriode 1998, 1999 e 2000 e multa cobrada isoladamente sobre o valor da contribuição calculada por estimativa não recolhidanos meses de setembro a dezembro de 1998; janeiro e setembro a dezembro de 1999; e agosto a novembro de 2000.” Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 555 9 Além deste, que nada diz sobre a tese da cumulatividade de multas, a não ser indicar a aplicação da isolada no auto de infração, o outro excerto utilizado no cotejo analítico, como reconhecido pela própria recorrente, que o chama de “singelo fundamento” (Efl. 411), se limita a afirmar que a exigência das duas penalidades estão de acordo com a legislação e foram fundamentadas no auto de infração. Leiase a passagem do Recurso Especial, antes de concluir que assim estaria demonstrada a divergência: “Realmente, as soluções dadas pelos julgados ora conforntados à matéria foram diametralmente opostas. De um lado o v. Acórdão recorrido entendeu pela manutenção das multas aplicadas, sob o singelo fundamento de que ‘tais exigências estão de acordo com a legislação, e foram fundamentas no auto de infração’”. (grifos do original) Se olhado no seu contexto, o trecho citado ainda se refere exclusivamente à multa de ofício. Vejase (Efl, 395): “(…) A contribuinte alega, ainda, que a exigência da multa de oficio 75% e dos juros de mora a taxa Selic são confiscatórios. Todavia, tais exigências estão de acordo com a legislação, e foram fundamentadas no auto de infração.” A apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de ofício de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de ofício, caso dos autos. (…)” Nesse sentido, até se compreende que a contribuinte buscou fazer um cotejo analítico entre a decisão recorrida e o único paradigma apresentado, acórdão n. 110300.360, e que este se prestaria como tal – porque trata, sim, favoravelmente, da impossibilidade de cumulação das multas de ofício e isolada. Ocorre que aquela decisão não se manifestou positiva e expressamente sobre a possibilidade de cumulação das penalidades e não se entende que se possa fazer tal inferência, não só para fins de prequestionamento, como também de cotejo da decisão recorrida com o paradigma para a demonstração de divergência. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 13502.000444/200125 Acórdão n.º 9101002.865 CSRFT1 Fl. 556 10 Assim sendo, diante da ausência do preenchimento dos requisitos formais previstos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, VOTASE POR NÃO CONHECER do Recurso Especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Fl. 451DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.000636/2005-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano calendário: 2003
Ementa: INCOMPETÊNCIA FUNCIONAL DO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL E DA NÃO ASSINATURA DO AUDITOR FISCAL. O lançamento de ofício do crédito tributário compete a Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil ou ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendendo-se como tal o Delegado da Receita Federal.
Inexiste qualquer óbice legal que a assinatura aposta no auto de infração seja por meio de chancela eletrônica.
DISPENSA DE MPF O inciso IV do artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 dispensa expressamente o MPF no procedimento fiscal na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso de apresentação de declaração (malhas fiscais).
PRECLUSÃO DO JULGAMENTO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a
prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF Caracterizado o atraso
na entrega da Declaração (DCTF), dos quatro trimestres do ano calendário de 2003 é de se exigir a multa prevista em lei pela inobservância do prazo regulamentar prescrito para o cumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 1802-001.230
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Ano calendário: 2003 Ementa: INCOMPETÊNCIA FUNCIONAL DO DELEGADO DA RECEITA FEDERAL E DA NÃO ASSINATURA DO AUDITOR FISCAL. O lançamento de ofício do crédito tributário compete a Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil ou ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendendo-se como tal o Delegado da Receita Federal. Inexiste qualquer óbice legal que a assinatura aposta no auto de infração seja por meio de chancela eletrônica. DISPENSA DE MPF O inciso IV do artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 dispensa expressamente o MPF no procedimento fiscal na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso de apresentação de declaração (malhas fiscais). PRECLUSÃO DO JULGAMENTO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF Caracterizado o atraso na entrega da Declaração (DCTF), dos quatro trimestres do ano calendário de 2003 é de se exigir a multa prevista em lei pela inobservância do prazo regulamentar prescrito para o cumprimento da obrigação acessória.
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O lançamento de ofício do crédito tributário compete a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil ou ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendendose como tal o Delegado da Receita Federal. Inexiste qualquer óbice legal que a assinatura aposta no auto de infração seja por meio de chancela eletrônica. DISPENSA DE MPF O inciso IV do artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 dispensa expressamente o MPF no procedimento fiscal na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso de apresentação de declaração (malhas fiscais). PRECLUSÃO DO JULGAMENTO. Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. MULTA POR ATRASO DA ENTREGA DA DCTF Caracterizado o atraso na entrega da Declaração (DCTF), dos quatro trimestres do ano calendário de 2003 é de se exigir a multa prevista em lei pela inobservância do prazo regulamentar prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Marco Antonio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.000636/200526 Acórdão n.º 1802001.230 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório LUCIO SILVEIRA & FILHOS, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), recorre a este Conselho Administrativo contra a decisão proferida pela DRJ/Recife/PE em primeira instância, mediante o Acórdão nº 1122.239, de 15 de maio de 2008, fls.47/51, que julgou procedente a exigência tributária. Por bem resumir os fatos adoto o relatório da decisão recorrida (fl.48) que a seguir transcrevo: Contra a empresa acima identificada, foi lavrado o auto de infração, fl. 20, no valor de R$ 64.938,76, para a cobrança das multas por atraso na entrega das DCTF, dos quatro trimestres do anocalendário de 2003, entregues em 12/11/2004, posterior mente, portanto, ao encerramento do prazo legal de entrega, ocorrido em 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003 e 13/02/2004, respectivamente. 0 enquadramento legal consta da descrição dos fatos como artigo 113, § 3° e 160 da Lei n° 5.172/1966 (CTN); artigo 4° combinado com o artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 73/98; artigo 2° e 5° da Instrução Normativa SRF n° 126/98 combinado com o item I da Portaria MF n° 118/84; artigo 5° do DL 2124/84 e artigo 7° da MP n° 16/01 convertida na Lei n° 10.426/2002. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls.01/19, solicitando o cancelamento das multas. Como preliminares de nulidade, alega em síntese: a) a inexistência de processo protocolado, o que afeta o principio da publicidade e prejudica o contraditório ao impedir o direito de vista; b) a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal; c) a incompetência da autoridade autuante, que foi o próprio Delegado da Receita Federal em Mossoró; d) a falta de assinatura no auto de infração. No mérito, argumenta: a) a falta de base legal para a exigência de declarações por parte da Receita Federal, em face da perda de validade do DecretoLei n° 2.124/84, cuja eficácia foi retirada pelo art. 25, I do ADCT, da Constituição Federal de 1988, e também da insuficiência do art. 16 da Lei n° 9.779/99 para instituir obrigações acessórias; Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 b) a falta da prévia intimação para a apresentação das DCTF, conforme estabelecida no art. 7° da lei n° 10.426/2002; c) a desproporção da pena aplicada; d) o caráter confiscatório das multas. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Confirmada a apresentação da DCTF intempestivamente, procedente é o auto de infração lavrado para a cobrança da multa pelo atraso na entrega da mesma. INSTITUIÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRAVÉS DE NORMAS COMPLEMENTARES A instituição de obrigação acessória não está submetida ao principio da estrita legalidade conforme se depreende da interpretação conjunta dos art. 113 § 2º, 96 e 100, inciso I da Lei n° 5.172/66 (CTN). Lançamento Procedente A empresa interessada foi cientificada da decisão mencionada, conforme Aviso de Recebimento (AR), de 16/06/2008, e, inconformada, interpôs recurso voluntário ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF , em 03/07/2008. Essencialmente, a recorrente alega as mesmas razões expendidas na impugnação, e, finalmente requer o provimento do recurso voluntário, pelos motivos a seguir relacionados, em síntese, (fl.70): • 1a Preliminar da inexistência processual, falta de número de protocolo, o que impossibilitou a publicidade aos interessados, bem como o direito de vista; • 2a Preliminar da inexistência de MPF; • 3a Preliminar da incompetência funcional do Delegado da Receita Federal: • 4a Preliminar da nãoassinatura do Auditor; • 5a Preliminar da preclusão do julgamento, art. 24 da Lei da SuperReceita, e . No mérito, porque lavrado ao arrepio do principio da reserva legal, uma vez que o artigo 7º da lei 10.426 exige como pré requisito das multas o "será intimado", que jamais o foi; É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.000636/200526 Acórdão n.º 1802001.230 S1TE02 Fl. 3 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço e passo a analisálo na mesma ordem dos tópicos apresentados pela defesa. 1) Preliminar da inexistência processual, falta de número de protocolo, o que impossibilitou a publicidade aos interessados, bem como o direito de vista. Sobre a questão em epígrafe, verifico que a decisão de 1ª.instância não merece qualquer reparo, pelo que peço vênia para adotar seus fundamentos, haja vista que o contribuinte repisa as mesmas alegações da peça impugnatória. (...) Não procede a alegação preliminar quanto à existência de processo administrativo como condição obrigatória para a validade do auto de infração. 0 art. 10 do PAF trata do conteúdo obrigatório para a formalização do citado ato administrativo e entre os sete incisos nada consta sobre formalização de processo. Obviamente, a partir da impugnação do auto, instaurase o contencioso administrativo e toda a documentação relativa a tal procedimento fica reunida num processo, como este que ora se analisa. Lavrado o auto de infração e regularmente cientificado ao contribuinte, cabe a este instaurar a fase contenciosa com a protocolização da defesa se inconformado com a autuação sofrida. Quanto a protocolização do auto de infração, a defesa trata de rito processual, no âmbito de uma realidade que não se adapta ao processo eletrônico. Depreendese da defesa um ato mecânico, em que o autuante elabora o auto de infração em três (03) vias, uma para o contribuinte, outra para a formalização do processo administrativo e ainda outra, se for o caso, para um arquivo geral. Ora, na dinâmica do moderado formalismo do processo eletrônico o rito processual administrativo acima, pretendido pelo interessado, encontrase ultrapassado na hodierna administração tributária. Inadmissível, pois, a protocolização do auto de infração eletrônico. É incontroverso que, o contribuinte tomou ciência do Auto de Infração (eletrônico) ou “de computador” como se expressa a defesa, e fez a impugnação no prazo legal. Desse modo,estando o contribuinte regularmente cientificado do Auto de Infração, em comento, tem conhecimento da pretensão do Estado e resistida pela impugnação a qual de acordo com o artigo 14 do Decreto nº 70.235/72, instaura a fase litigiosa do procedimento. Por Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 óbvio, não há falar em protocolização processual e “direito de vista” do processo, antes da formalização da impugnação. Preliminar afastada. 2) Preliminar da inexistência de MPF. O artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011, que dispõe sobre o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, assim prescreve, verbis: Art. 10. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, nos casos de formalização de exigência de crédito tributário constituído em termo de responsabilidade ou pelo descumprimento de regime aduaneiro especial, lançamento de multas isoladas, revisão aduaneira e formalização de abandono ou apreensão de mercadorias realizada por outros órgãos; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho realizado em operação ostensiva; IV relativo à revisão interna de declaração, inclusive na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso em sua apresentação (malhas fiscais); V destinado, exclusivamente, à aplicação de multa por não atendimento à intimação efetuada por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil em procedimento de diligência realizado mediante a utilização de MPFD; VI destinado à aplicação de multa por não atendimento à Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), nos termos do art. 4º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001; e VII destinado à verificação de ocorrência de avaria ou extravio de mercadorias sob controle aduaneiro. (grifei) Como se vê, o inciso IV do artigo 10 da Portaria RFB nº 3.014, de 29/06/2011 dispensa expressamente o MPF no procedimento fiscal na hipótese de aplicação de penalidade por falta ou atraso de apresentação de declaração (malhas fiscais). Com efeito, o caso presente é de aplicação de penalidade por atraso na apresentação das DCTF, dos quatro trimestres do anocalendário de 2003, entregues em 12/11/2004, posteriormente ao encerramento do prazo legal de entrega, ocorrido em 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003 e 13/02/2004, respectivamente, razão pela qual não se exige a expedição do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Ainda que não fosse ressalvado o caso de aplicação de penalidade por atraso na apresentação das DCTF , considero correto o entendimento da decisão recorrida no sentido de que o MPF é um controle administrativo interno da relação fiscocontribuinte e não uma formalidade processual cujo cumprimento seja legalmente exigido, ao ponto de na sua falta anular, por si só, o auto de infração. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.000636/200526 Acórdão n.º 1802001.230 S1TE02 Fl. 4 7 Preliminar rejeitada. 3) Preliminar da incompetência funcional do Delegado da Receita Federal e da nãoassinatura do Auditor. Quanto a tais argumentos, melhor sorte não tem a defesa. Do Auto de Infração, fl.20 , consta a assinatura da autoridade autuante devidamente identificada, no caso o Auditor Fiscal da Receita Federal JORGE LUIZ DA COSTA – matrícula SIPE/SIAPE:60423. Não consta que o mesmo seja o Delegado da Receita Federal. Vale ressaltar que inexiste qualquer óbice legal que a assinatura aposta no auto de infração seja por meio de chancela eletrônica. Ademais o lançamento de ofício do crédito tributário compete a AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil ou ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, entendendose como tal o Delegado da Receita Federal. Vejamos o artigo 31 do Decreto 7.574, de 29/09/2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, o processo de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal e outros processos administrativos relativos às matérias de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil, ipsis litteris: Art.31. O lançamento de ofício do crédito tributário compete: Ia AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em auto de infração (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 7º e 10; Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002, arts. 5o e 6º, com a redação dada pela Lei no 11.457, de 2007, art. 9o); ou IIao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil encarregado da formalização da exigência ou ao Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil por ele designado, mediante delegação de competência, quando a exigência do crédito tributário for formalizada em notificação de lançamento (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 11; Lei nº 10.593, de 2002, art. 6º). ... Portanto, sendo o autuante, Auditor – Fiscal e/ou chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil, é competente para a formalização da exigência fiscal. Preliminar afastada. 4) Preclusão do julgamento A Recorrente alega que a Lei nº 11.457, DOU.19.3.2007, estabeleceu, a partir de sua publicação, um lapso de tempo (anualidade) de 360 dias para o julgamento obrigatório. Diz que, para os processos em andamento, o prazo cumpriuse em 19/03/2008, portanto, fulminando com a preclusão o julgado de primeira instância, fls. 47/51. Sobre o assunto existe a Súmula nº 11/CARF, verbis: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Assim, por se tratar de matéria sumulada não comporta mais discussão no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Preliminar também rejeitada. Finalmente, no mérito, o Recorrente alega que o Auto de Infração viola o artigo 7º da Lei 10.426, de 24/04/2002, porque lavrado ao arrepio do principio da reserva legal, uma vez que o mencionado dispositivo legal exige como prérequisito das multas o "será intimado", que jamais o foi. Para melhor compreensão do assunto, vale transcrever o aludido dispositivo legal, vejamos: Lei 10.426, de 24/04/2002 Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos (Grifei) Do mencionado dispositivo legal extraise que o sujeito passivo deve ser intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação. Por óbvio, não é o caso dos autos. O sujeito passivo apresentou com atraso as DCTFs, dos quatro trimestres do ano calendário de 2003, entregues em 12/11/2004, portanto, fora do prazo legal, ocorrido em 15/05/2003, 15/08/2003, 14/11/2003 e 13/02/2004, respectivamente. Eis, o motivo da aplicação da penalidade prevista em lei. Não vislumbro qual o objeto da intimação pretendida pelo Recorrente, para declarações já apresentadas ainda que extemporâneas. Com a entrega das DCTFs, em atraso, o Fisco detinha todos os elementos suficientes para a lavratura do Auto de Infração independente de esclarecimentos do sujeito passivo, portanto, desnecessária a intimação prévia ao contribuinte. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13433.000636/200526 Acórdão n.º 1802001.230 S1TE02 Fl. 5 9 Nesse mesmo sentido, é o entendimento expresso na Súmula CARF nº 46 desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), vejamos: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário O atraso na entrega da DCTF revela o descumprimento, do prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra de conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), nem com as multas decorrentes por tal procedimento. Com efeito, cumpre à autoridade administrativa aplicar a multa prevista pela inobservância do prazo legal prescrito para o cumprimento da obrigação acessória. Diante do exposto, voto no sentido de afastar as preliminares suscitadas pelo Recorrente, e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10640.004415/2008-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/10/2008
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. FATO NÃO CONHECIDO PELA TURMA JULGADORA.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS.
O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões proferidas, por meio de embargos.
Numero da decisão: 2202-004.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.250, de 08/03/2016, alterar a decisão original para não conhecer do recurso, por desistência.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/10/2008 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. FATO NÃO CONHECIDO PELA TURMA JULGADORA. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS. O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões proferidas, por meio de embargos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202-003.250, de 08/03/2016, alterar a decisão original para não conhecer do recurso, por desistência. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
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LAPSO MANIFESTO. FATO NÃO CONHECIDO PELA TURMA JULGADORA. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS. O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões proferidas, por meio de embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.250, de 08/03/2016, alterar a decisão original para não conhecer do recurso, por desistência. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 44 15 /2 00 8- 36 Fl. 291DF CARF MF 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, por bem descrever a questão, as considerações efetuadas por ocasião do despacho de admissibilidade dos embargos, datado de 9 de novembro de 2016 (fl. 288): Tratase de embargos inominados em face do Acórdão nº 2202 003.250, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 264 a 272), julgado na sessão plenária de 08/03/2016, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/10/2008 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FALTA DE DECLARAÇÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. LEI NOVA QUE CONCEDE ANÍSTIA À INFRAÇÃO. APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO. Recurso Voluntário Provido. O dispositivo do acórdão foi assim redigido: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negavam provimento. O Relator do referido acórdão, Eduardo de Oliveira, não mais integra o CARF, tendo em vista a extinção do seu mandato. A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs os Embargos de Declaração de fls. 274 a 279. A DRF/JFA, em 22/09/2016, solicitou a juntada de documentos, os quais correspondem à solicitação de devolução do processo, em virtude da inclusão do DEBCAD nº 371475279, objeto do litígio, na consolidação do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 (fls. 283 a 286). É o relatório. Examinandose os documentos juntados ao processo pela DRF de origem após a decisão do colegiado (fls. 283 a 286), verifica se que, de fato, o Contribuinte, em 27/10/2009, havia Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10640.004415/200836 Acórdão n.º 2202004.012 S2C2T2 Fl. 292 3 consolidado o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, tendo incluído o DEBCAD nº 371475279, objeto do presente litígio, o que implica desistência do recurso interposto, importando em renúncia a qualquer alegação de direito, conforme disposto no § 3º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2011 e no § 2º do art. 78 do Regimento Interno do CARF (RICARF). Assim, concluise que ocorreu efetivamente uma inexatidão material, devida a lapso manifesto, quando da decisão ora embargada, pois o colegiado não tinha conhecimento da desistência do recurso, uma vez que não existia nenhuma referência a ela no processo naquela ocasião. (...) Dessa forma, com a constatação de que ocorreu desistência do Recurso Voluntário pelo Contribuinte, em virtude de adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, antes do julgamento pelo Colegiado, resta evidente a ocorrência de lapso manifesto, o qual merece ser reparado. Ante o exposto, recepciono a informação prestada pela DRF de origem como embargos inominados, acolhendoos para que se corrija o lapso apontado. Os embargos foram assim admitidos pelo ilustre Presidente desta Turma Ordinária, no uso de sua competência regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso interposto atende as condições legais, conforme analisado no despacho de admissibilidade. Como foi dito no despacho de admissibilidade: Examinandose os documentos juntados ao processo pela DRF de origem após a decisão do colegiado (fls. 283 a 286), verifica se que, de fato, o Contribuinte, em 27/10/2009, havia consolidado o parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, tendo incluído o DEBCAD nº 371475279, objeto do presente litígio, o que implica desistência do recurso interposto, importando em renúncia a qualquer alegação de direito, conforme disposto no § 3º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 2/2011 e no § 2º do art. 78 do Regimento Interno do CARF (RICARF). (destaquei) Citese a jurisprudência desta Turma Ordinária: Acórdão 2202003.802, Sessão de 06/04/2017 Fl. 293DF CARF MF 4 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 EMBARGOS INOMINADOS. ADMISSIBILIDADE. Constatado que existe desistência total do recurso interposto pelo Contribuinte, abrangendo a integralidade dos débitos lançados, inclusive com expressa renúncia das alegações de direito em que se funda, para efeitos de inclusão do débito em parcelamento, da qual o colegiado não tinha conhecimento ao proferir o acórdão embargado, verificase a ocorrência de omissão que merece ser sanada. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO, ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS. O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões favoráveis proferidas posteriormente, por meio de embargos de declaração. Embargos acolhidos com efeitos infringentes. (destaquei) Bem como de outras Turmas desta Seção: Acórdão 2402005.545, Sessão de 18/01/2017 EMBARGOS INOMINADOS. Constatada erro material no aresto embargado, cabível o acolhimento dos embargos para saneamento da erronia. PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. Constatandose no CARF a existência de pedido de parcelamento do crédito tributário objeto da discussão administrativa, declarase a desistência do recurso interposto. Embargos Acolhidos. Acórdão 2301004.898, Sessão de 20/01/2017 PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS. O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões favoráveis proferidas posteriormente, por meio de embargos de declaração. (sublinhei) Ainda, o Regimento Interno do CARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10640.004415/200836 Acórdão n.º 2202004.012 S2C2T2 Fl. 293 5 § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. Assim, constatado o pedido de parcelamento, com a inclusão do DEBCAD que foi objeto do Acórdão embargado, a solução correta é reconhecer que houve desistência do recurso voluntário, tendo como efeito a anulação da decisão proferida posteriormente ao parcelamento. Dessa feita, perde também o objeto o recurso oferecido pela Fazenda Nacional, na folha 274 (Embargos de Declaração em face da omissão existente no acórdão proferido por essa Turma, no processo administrativo em epígrafe). CONCLUSÃO Em face do exposto, VOTO por acolher os embargos inominados com efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 2202003.250, de 08/03/2016, alterar a decisão original para não conhecer do recurso, por desistência. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11131.000969/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Ano-calendário: 2003
VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBVALORAÇÃO. SUBFATURAMENTO. MULTA 100%, MP 2.158-35/2001. MATERIALIDADE NÃO COMPROVADA. DESCABIMENTO.
Há, em relação à valoração aduaneira, duas espécies infracionais: Subvaloração e Subfaturamento, cada qual com sua particularidade, destacando-se o fato de que, diversamente do subfaturamento, na subvaloração não se verifica a presença de fraude, sonegação ou conluio, sujeitas, portanto, a sanções distintas.
Não se configura o subfaturamento do valor da transação quando a fiscalização deixa de aduzir aos autos provas de que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas.
Para a aplicação da multa do art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, há que se ter configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, isto é, há que se caracterizar o subfaturamento (diferente de subvaloração), o que não se identifica nos autos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003
VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESQUALIFICAÇÃO DO 1º MÉTODO DO AVA. INDÍCIOS. NÃO CONFIGURADOS
Para a desqualificação do 1º método de valoração previsto do Acordo de Valoração Aduaneira - AVA, não aceitando o valor de transação declarado pelo importador, a fiscalização deve demonstrar os indícios previstos no art. 82, incisos I e II, do Decreto nº 4.543/02 (RA).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-003.980
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer o 1º método do Acordo de Valoração Aduaneira - AVA aplicando-se, por conseguinte, o valor de transação para representar o valor aduaneiro das operações de importação autuadas.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Ano-calendário: 2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. SUBVALORAÇÃO. SUBFATURAMENTO. MULTA 100%, MP 2.158-35/2001. MATERIALIDADE NÃO COMPROVADA. DESCABIMENTO. Há, em relação à valoração aduaneira, duas espécies infracionais: Subvaloração e Subfaturamento, cada qual com sua particularidade, destacando-se o fato de que, diversamente do subfaturamento, na subvaloração não se verifica a presença de fraude, sonegação ou conluio, sujeitas, portanto, a sanções distintas. Não se configura o subfaturamento do valor da transação quando a fiscalização deixa de aduzir aos autos provas de que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas. Para a aplicação da multa do art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001, há que se ter configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, isto é, há que se caracterizar o subfaturamento (diferente de subvaloração), o que não se identifica nos autos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESQUALIFICAÇÃO DO 1º MÉTODO DO AVA. INDÍCIOS. NÃO CONFIGURADOS Para a desqualificação do 1º método de valoração previsto do Acordo de Valoração Aduaneira - AVA, não aceitando o valor de transação declarado pelo importador, a fiscalização deve demonstrar os indícios previstos no art. 82, incisos I e II, do Decreto nº 4.543/02 (RA). Recurso Voluntário Provido.
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SUBVALORAÇÃO. SUBFATURAMENTO. MULTA 100%, MP 2.15835/2001. MATERIALIDADE NÃO COMPROVADA. DESCABIMENTO. Há, em relação à valoração aduaneira, duas espécies infracionais: Subvaloração e Subfaturamento, cada qual com sua particularidade, destacandose o fato de que, diversamente do subfaturamento, na subvaloração não se verifica a presença de fraude, sonegação ou conluio, sujeitas, portanto, a sanções distintas. Não se configura o subfaturamento do valor da transação quando a fiscalização deixa de aduzir aos autos provas de que o valor aduaneiro indicado na fatura e declarado ao órgão aduaneiro não representa o preço efetivamente pago pelas mercadorias importadas. Para a aplicação da multa do art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, há que se ter configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, isto é, há que se caracterizar o subfaturamento (diferente de subvaloração), o que não se identifica nos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESQUALIFICAÇÃO DO 1º MÉTODO DO AVA. INDÍCIOS. NÃO CONFIGURADOS Para a desqualificação do 1º método de valoração previsto do Acordo de Valoração Aduaneira AVA, não aceitando o valor de transação declarado pelo importador, a fiscalização deve demonstrar os indícios previstos no art. 82, incisos I e II, do Decreto nº 4.543/02 (RA). Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 13 1. 00 09 69 /2 00 6- 13 Fl. 773DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer o 1º método do Acordo de Valoração Aduaneira AVA aplicandose, por conseguinte, o valor de transação para representar o valor aduaneiro das operações de importação autuadas. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto e Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.. Fl. 774DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 774 3 Relatório José Henrique Mauri Relator Contra a Recorrente foi lavrado o auto de infração em decorrência de procedimento de valoração aduaneira, através do qual foi desqualificado o valor aduaneiro com base no valor de transação e arbitrado de novo valor, com lançamento dos tributos incidentes sobre a diferença de valor aduaneiro inicialmente declarado e o valor arbitrado, acompanhado de seus consectários legais e da multa administrativa prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Segundo a fiscalização (Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira, fls. 26 ss.), com base nos incisos I e II do art. 82 dp Regulamento Aduaneiro, não foi possível apurar o valor aduaneiro pelo valor de transação em decorrência de: (i) Descrição incompleta das mercadorias, (ii) Divergência de assinaturas apostas em faturas e (iii) Não comprovação do valor comercial. Em síntese, alega a fiscalização: A) Que a Recorrente teria realizado 37 (trinta e sete) importações do produto têxtil classificado no código tarifário NCM 5407.5210, de diferentes produtores e fornecedores, sendo objeto dessa fiscalização as 18 importações dos fornecedores estrangeiros SHAOXING NANGUANG TEXTILE e DAMIN SORTEX; B) Que concluiu pela impossibilidade de apuração do valor aduaneiro pelo valor de transação declarado nas importações objeto desta ação fiscal em decorrência das mercadorias não terem sido suficientemente descrita nos documentos instrutivos das Declarações de Importação DI e, por conseguinte, nas próprias declarações de importação, acrescido de divergência entre assinaturas do mesmo signatário nas faturas da DAMIN SORTEX e da não apresentação de correspondência comercial capaz de comprovar o valor de transação nas operações, na forma prevista no art. 82 do Decreto 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro – RA); C) Que em 14 (catorze) das declarações objeto da ação fiscal a descrição da mercadoria importada é realizada apenas de forma genérica, sem detalhar especificações próprias e comerciais do produto, indispensáveis à sua perfeita identificação, na forma prevista no art. 497 do RA; D) Que nenhuma das faturas comerciais instrutivas das declarações objeto da ação fiscal informa as dimensões (largura) e gramatura dos tecidos importados, situação que não se verifica nas importações de outras empresas provenientes dos mesmos fornecedores das importações objeto da ação fiscal, nas quais descrevem a mercadoria de forma detalhada; E) Que a insuficiência na descrição dos produtos importados observase igualmente na escrituração contábil e comercial da d. Impugnante, sendo destacado nas notas fiscais de entrada e saída apenas “tecido 100% poliéster”; Fl. 775DF CARF MF 4 F) Que, haja vista acentuada divergência na assinatura da fatura comercial nº DPM 230 em relação às demais do mesmo exportador DAMIN SORTEX CO. LTD, intimou a d. Impugnante a identificar o signatário daquelas faturas divergentes, sendo informado serem do Sr. Hyung Rark Ju, presidente da empresa coreana exportadora; G) Que intimados a apresentar documentos no interesse da ação fiscal, a Recorrente teria deixado de apresentar quaisquer documentos comprobatório da negociação comercial, como correspondências facsímiles ou eletrônicas, contratos particulares, etc; H) Que, a fim de esclarecer as dúvidas existentes quanto ao efetivo preço declarado para as mercadorias, intimou a d. Impugnante, na forma prevista no artigo 30, inciso II, combinado com o item 4 do Anexo III da Instrução Normativa no 327/2003, a apresentar os documentos oficiais de exportação da mercadoria no país exportador, ao que, após seguidas respostas evasivas do intimado, considerou como não atendido tal pedido de esclarecimento; I) Que, em relação ao exportador estrangeiro SHAOXING NANGUANG TEXTILE, a Recorrente realizou 13 (treze) importações em 2003, ao valor médio de US$ 3.20/Kg para o produto “tecido 100% poliéster”, sendo este o menor valor declarado para as demais 44 (quarenta e quatro) importações no país do mesmo exportador em 2003, com as ressalvas que destaca na fl. 31; J) Que para as 05 (cinco) importações realizadas em 2003 pela Recorrente de tecido 100% poliéster do exportador estrangeiro DAMIN SORTEX, também declaradas ao preço de 3,20 US$/kg, apenas uma outra empresa registrou importação do mesmo exportador, cujo menor preço declarado foi de US$ 3,66/Kg para o mesmo produto, conforme destaca no quadro 4 (fl. 32); K) Que dentre as 65 (sessenta e cinco) importações registradas em 2003, de produtos classificados no código tarifário NCM 5407.52.10, originários da Coréia do Sul, em apenas três delas consta preço unitário inferior a 3,20 US$/kg, com 42 (quarenta e duas) outras com preço unitário declarado superior a US$ 3.20; L) Que na aplicação dos métodos substitutivos de valoração, os 2º e 3º métodos não foram aplicados em razão da não identificação de importações de mercadorias idênticas ou semelhantes que tenham sido objeto de valoração aduaneira; M) Que a aplicação dos 4º e 5º métodos de valoração também não foi possível em razão da não disponibilidade de documentos que permitam fazêlo, ressaltando que tal deficiência poderia ter sido sanada pelo importador, caso julgasse conveniente, restando a aplicação do 6º método, artigo 7 do AVA GATT; N) Que para as importações realizadas do exportador SHAOXING NANGUANG TEXTILE, utilizouse a importação paradigma DI nº 03/03423964, adição 01, registrada em 30/08/2003, em razão da maior semelhança de descrição da mercadoria com aquelas objeto da ação fiscal (tecido 100% poliéster oxf. HC ND), proveniente do mesmo fornecedor e produtor, do mesmo pais de origem, mesmo nível comercial e substancialmente na mesma quantidade, com valor declarado de US$ 3,60 US$/kg, na condição FOB; O) Que para as importações realizadas do exportador DAMIN SORTEX, utilizouse a importação paradigma DI nº 03/00354546, adição 01, registrada em 15/01/2003, em razão da maior semelhança de descrição da mercadoria com aquelas objeto Fl. 776DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 775 5 da ação fiscal, maior proximidade da data de registro das importações, do mesmo pais de origem, e com preço declarado de US$ 3,80 US$/kg, na condição FOB; P) Que o importador foi intimado a apresentar contestação à desqualificação do primeiro método de valoração, no prazo de 30 (trinta) dias; Q) Que a contestação apresentada pela d. Impugnante não foi aceita, em razão do reconhecimento que a assinatura aposta na fatura comercial DMP230 não pertenceria à pessoa indicada, da deficiência na descrição dos produtos e da ausência de apresentação de quaisquer outros documentos comprobatórios da transação comercial, além daqueles de instrução do despacho; De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pela d. Impugnante podem ser sinteticamente descritas como seguem (fls. 664 a 674). (A) Arguiu a d. Impugnante que no decorrer desses 12 anos promoveu parcerias com empresas estabelecidas no continente asiático, mais precisamente nos países da China, Taiwan, Hong Kong e Coréia, com o intuito de adquirir para revenda produtos têxteis de grande aceitação no mercado nacional e internacional, além de excelente qualidade e melhor preço; (B) Que a maioria de suas operações comerciais no exterior é negociada e estabelecida verbalmente, através de viagens efetuadas pelo sócio da empresa ao exterior, Sr. Vicente de Castro Barbosa, ou de visitas semestrais ou anuais dos diretores das empresas exportadoras, ocasião na qual o preço e forma de pagamento são pactuados; (C) Que, atendendo intimação para contestar a desqualificação do primeiro método de valoração, prestou os devidos esclarecimentos sobre os fatos, tendo mesmo assim sido lavrado o auto de infração em questão; (D) Que a assinatura aposta na fatura comercial DMP230 não corresponde com as das demais faturas assinadas pelo Sr. Hyung Rark Ju, presidente da companhia, por se tratar da assinatura de seu preposto, apenas por isto querendo a fiscalização considerar inidônea todas as demais faturas da mesma empresa exportadora; (E) Que pelo mesmo critério acima utilizado para considerar inidôneas todas as faturas do mesmo exportador, a fatura DMC3033/3034 apresentada pela fiscalização como paradigma para composição do método de valoração também o seria, uma vez que apresenta assinatura divergente das encontradas nas faturas assinadas pelo Sr. Hyung Rark Ju; (F) Que por ocasião do registro de importação, as mercadorias foram discriminadas obedecendo a forma em que eram negociadas na época, onde eram comercializadas com sua descrição de forma simplificada, uma vez que o próprio comércio de tecidos era realizado por peso, com tecidos embalados em rolos de largura média de 150 cm, dispensandose a gramatura do mesmo, motivo pelo qual consta em toda a contabilidade da empresa a simples descrição como Tecido 100% Poliéster; Fl. 777DF CARF MF 6 (G) Que o próprio fisco não encontrou elementos para desclassificar a NCM utilizada, por considerar que a descrição tem elementos suficientes para confirmar a classificação fiscal utilizada; (H) Que a classificação utilizada para as mercadorias importadas tratase da posição NCM 5407.52.10, ou seja, outros tecidos contendo pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados, tintos, sem fios de borracha e que o fato da mercadoria ter sido descrida apenas como “Tecido 100% poliéster ou Tecido 100% poliéster, OXF. HC, ou ainda, Tecido 100% poliéster OXF. OS” não desqualifica a NCM ou mesmo a descrição a mercadoria, uma vez que caracteriza o tecido como 100% de filamentos de poliéster; (I) Que o acima destacado fica bem evidenciado na própria relação apresentada pela fiscalização ao lavrar o Termo de Desqualificação do Método Aduaneiro, onde todos os importadores selecionados apresentam descrição sucinta da mercadoria, sem informar composição do produto têxtil; (J) Que entendimento pacifico do Conselho de Contribuintes aceita que produtos divergentes quanto ao teor de concentração, sem no entanto modificar sua estrutura molecular, não podem ser considerados diferentes para efeitos de imposição da penalidade prevista no art. 526, II do antigo Regulamento Aduaneiro; (K) Que em relação às empresas denominadas "BETA" E "ALFA", citadas no quadro comparativo utilizado pela fiscalização, destaca que a primeira não identificou o percentual de poliéster e a segunda importou mercadoria diferente daquela importada pela mesma (Koshibo, Georgette e Chameuse), sendo inaceitável utilizarse de tais descrições como referências às importações objeto da ação fiscal; (L) Que todas as importações objeto da ação fiscal foram amparadas por Licença de importação emitidas pela SECEX, a qual, dentre outras atribuições, verifica a descrição dos bens importados e preço praticado; (M) Que em relação à fatura comercial NGO3Y2084, houve quebra do sigilo fiscal por parte do auditor ao identificar o nome do adquirente da mercadoria, no caso, TEXTIL SUÍÇA LTDA, Av. Cel. Nogueira Padilha, 1.635, CEP 18020003, Sorocaba/SP, CNPJ 05.003.162/000105, burlando assim o que determina o art. 25, da Instrução Normativa 327/03; (N) Que em consultas ao Sistema ALICE WEB do Ministério da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior, a média de preço praticado no Brasil no período fiscalizado (2003) foi de FOB USD 2,88/kg, sendo no Ceará de FOB USD 3,17/kg, demonstrando, assim, por si só, que a d. Impugnante não subfaturou preços, como sugere a fiscalização; (O) Que a fiscalização alega que o preço de USD 3,20/KG praticado pela empresa GAMA não serve de parâmetro para as importações da d. Impugnante, sob o argumento que esta última importou quantidades superiores a sua, o que reconhece como certo, o que não impede, porém, a comparação de preços por se tratar do mesmo produto, sendo mera especulação a premissa tomada pela fiscalização que o volume comprometeria o preço pago, uma vez que a mesma não comprova tal vinculação; (P) Que a negociação com os fornecedores é realizada através de telefonemas, emails, fax, contato com representantes e/ou fornecedor, os quais não foram disponibilizados à fiscalização por não terem sido arquivados; Fl. 778DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 776 7 (Q) Que os documentos do exportador não foram apresentados à fiscalização pelo fato da d. Impugnante não ter acesso aos mesmos, uma vez se tratar de documentos emitidos por outrem e de domínio junto ao país exportador, não tendo a mesma meios para obrigálo a dispor, ressaltando não se tratar de obrigação acessória às importações no Brasil, motivo pelo qual se encontra dispensado a apresentalos, tendo sido, porém, comprovada a transação comercial através da fatura comercial e conhecimento de transporte apresentados, cabendo à Aduana Brasileira, na forma dos acordos e legislação vigente, solicitar as devidas informações junto à administração aduaneira do país exportador. Na seqüência, os membros da 6ª Turma de Julgamento da DRJ de Recife/PE, por unanimidade de votos, por meio do Acórdão 14044.571, fls 702 ss., decidem por manter íntegro o lançamento, mantendose o crédito exigido, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário: 2003 VALORAÇÃO ADUANEIRA. DESCARACTERIZAÇÃO DE APURAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO PELO VALOR DE TRANSAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DO VALOR DE TRANSAÇÃO. O valor de transação é a base principal de valoração em conformidade com o Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT 1994. A Administração Aduaneira, deparandose com casos em que tenha motivo para duvidar da veracidade ou exatidão das informações ou dos documentos apresentados pelos negociantes para justificar um valor declarado, em conformidade com o Artigo 17 do Acordo, parágrafo 6º do Anexo III do Acordo e Decisões do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, poderá solicitar ao importador o fornecimento de explicação adicional, bem assim documentos ou outras provas, de que o valor declarado representa o montante efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas, com possível descaracterização do primeiro método de valoração, caso ainda permaneça dúvidas razoáveis sobre a veracidade ou exatidão do valor declarado, mantido o contraditório. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acordo da DRJ em 23/6/2014, fl. 727. Fl. 779DF CARF MF 8 Lavrado Termo de Perempção, fl. 729. Em 5/8/2014, fls. 734 e 751, foi recepcionado, no eprocesso, o Recurso Voluntário, fls. 735 ss, que ora se aprecia. Na peça recursal, além de ratificar os argumetnos apresentados em sede de Impugnação, a Recorrente assim se manifestou, em síntese: · A manutenção da autuação pela DRJ deuse de forma simplista, fundamentando se, genericamente, pelo fato de ter, a fiscalização, procedido corretamente, cumprindo as regras legais e procedimentais. · alega que as descrições das mercadorias utilizadas nas DI são completas e suficientes para descreverlas, cita ex.: "Tecido 100% polilester", "Tecido 100% polilester OXF.HC"; ou "Tecido 100% polilester OXF.OS, sendo todas amparadas por Lincenças de Importação (LI). · A fiscalização utiliza como "descrição completa" para descaracterizar a descrição das Declarações de Importação (DI), paradigmas que são tão, ou mais, "incompletas" do que as informadas pela Recorrente, ou são transcrições reduzidas da descrição da própria NCM. Apresenta alguns exemplos. · afirma que as descrições da mercadorias, constantes das DI, são comumente utilizadas pelos importadores de tecidos em sua comercialização, tanto na importação, como na venda no mercado interno. · A fiscalização considerou inidônea uma fatura pelo simples fato de que a assinatura constante era de preposto, e ainda, pior, invalidou todas as outras faturas, por constarem o mesmo preço. · Juntou aos autos documentos que comprovam que o preposto estava autorizado a assinar pelo exportador e que o preço efetivamente praticado foi o de US$ 3,20 por quilo. · Quanto a não apresentação de correspondência comercial, alega que, v.r., as negociações se dão por meio de telefonemas ou de forma presencial, a validação dos termos (tecido, quantidade, preço) são espelhados nas faturas proformas. · Em relação à divergência entre o preço declarado pela Recorrente e outras importações, sustenta que a fiscalização trouxe como paradigmas para comparação importações de mercadorias de variam de preço para mais ou para menos, bem assim não são idênticas às importações realizadas pela Recorrente. · Sustenta que só poderiam ser utilizadas como paradigmas as importações de tecidos 100% poliéster, dispensandose as demais. · Se a descrição utilizada pela Recorrente não forem suficientes para identificar corretamente os psrodutos importador, aquelas Fl. 780DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 777 9 apresentadas pela fiscalização também não o permitem. Portanto, afirma a recorrente, estas últimas não podem balizar a valoração pretendida pela fiscalização. · A própria decisão recorrida corrobora no sentida de afastar dois dos quatro itens utilizados pela fiscalização para justificar a valoração: a descrião da mercadorias e divergênica de assinaturas nas faturas. · O subfaturamento deve ser comprovado pela fiscalização, o que não se vê nos autos, sequer uma prova. Em primeira assentada esse colegiado, por meio da Resolução nº 3301000.261 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, fls. 753 ss, converteu o julgamento em diligência em dirimir dúvidas para fins de atestar a tempestividade do recurso. Nos termos regimental, foime distribuído o feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua necessária síntese. Fl. 781DF CARF MF 10 Voto Conselheiro José Henrique Mauri 1 Dos Pressupostos de Admissibilidade Por meio da Resolução 3301000.261, o presente processo foi encaminhado à Unidade de Origem com vistas a confirmar a autenticidade do carimbo com assinatura aposto à fl. 736 e, conseqüentemente, manifestarse acerca do Termo de Perempção de fl. 729. Considerando os documentos e informações acostados aos autos em face do atendimento à Diligência, decido por descaracterizar o Termo de Perempção de fl. 729, declarar tempestiva a apresentação do Recurso Voluntário e, preenchidos os demais requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. 2 Da Valoração Aduaneira 2.1 LEGISLAÇÃO APLICÁVEL No âmbito do direito positivo brasileiro, a valoração aduaneira encontrase disciplinada pelo Regulamento Aduaneiro (RA), artigos 75 a 83 (Decreto 4.543/02, revogado pelo Decreto nº 6.759/09, mantidos os dispositivos), que consolidam a aplicação das regras do Artigo VII do Acordo Geral de Tarifas e Comércio – Gatt (Acordo de Valoração Aduaneira AVA), aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30/1994 e promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994. O valor aduaneiro deve ser apurado por meio da aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira AVA, conforme previsto no art. 75 do RA. Incluemse ainda na base normativa de valor aduaneiro, as Notas explicativas, Comentários, Opiniões Consultivas, Estudos e Estudos de Caso, emanados do Comitê Técnico de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Aduanas (OMA) aprovados, conforme previsto pela Instrução Normativas SRF nº 318, de 4 de abril de 2003. Pelas regras estabelecidas no AVA/Gatt, a valoração aduaneira pode ser apurada consubstanciada em seis Métodos, sendo que o 1º Método, o valor de transação, representa o princípio basilar a ser perseguido e observado prioritariamente, no entanto, na impossibilidade de aplicálo, adotase um dos outros cinco, aplicados sucessivamente: o método do valor de transação de mercadorias idênticas; o de mercadorias similares; o do valor de revenda (ou do valor dedutivo do custo de produção); o do valor computado e, o método do último recurso, o arbitramento, moldado pelo critério da razoabilidade. Fl. 782DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 778 11 No caso específico, a fiscalização, desqualificando o valor de transação, arbitrou o valor aduaneiro consubstanciada no Termo de Desqualificação de fls. 26 ss, aplicandose em conseqüência a multa ao controle administrativo das importações, nos termos do art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, disciplinado pelo art. 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/02 (RA): Art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) de acordo com o método previsto no Artigo 7 do Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT/1994, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 15 de dezembro de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 30 de dezembro de 1994, observados os dados disponíveis e o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. Decreto nº 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro) Art. 633, inciso I Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); ............................................................... Ainda sobre a matéria, temos, no interesse do presente processo, os dizeres do Regulamento Aduaneiro, Decreto 4.543/02, artigos 76 a 89, que cuidou, à época, da valoração aduaneira, especialmente o art. 82, incisos I e II, fundamentos da desconsideração do valor de transação, por parte da fiscalização: Fl. 783DF CARF MF 12 Do Valor Aduaneiro Art. 76. Toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Parágrafo único. O controle a que se refere o caput consiste na verificação da conformidade do valor aduaneiro declarado pelo importador com as regras estabelecidas no Acordo de Valoração Aduaneira. [...] Art. 82. A autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 17, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 1994): I houver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor; e II as explicações, documentos ou provas complementares apresentados pelo importador, para justificar o valor declarado, não forem suficientes para esclarecer a dúvida existente. Parágrafo único. Nos casos previstos no caput, a autoridade aduaneira poderá solicitar informações à administração aduaneira do país exportador, inclusive o fornecimento do valor declarado na exportação da mercadoria. [...] Art. 84. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos ou contribuições e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88): I preço de exportação para o País, de mercadoria idêntica ou similar; ou II preço no mercado internacional, apurado: a) em cotação de bolsa de mercadoria ou em publicação especializada; b) mediante método substitutivo ao do valor de transação, observado ainda o princípio da razoabilidade; ou c) mediante laudo expedido por entidade ou técnico especializado. [...] Quanto a Base de cálculo do Imposto de Importação, dispõe o DecretoLei nº 37/66, art. 2º: Art.2º A base de cálculo do imposto é: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) I quando a alíquota for específica, [...] Fl. 784DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 779 13 II quando a alíquota for "ad valorem", o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art.7º do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio GATT. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Complementarmente, a Receita Federal do Brasil (RFB) editou diversas Instruções Normativas, especialmente a IN 80/96 que instituiu a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE) e a IN 327/2003, que estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada. 2.2 VALORAÇÃO ADUANEIRA BREVES CONSIDERAÇÕES O valor aduaneiro é o instituto que identifica a base de cálculo do Imposto de Importação e, por conseqüência, irá refletir, ainda que indiretamente, em toda a cadeia tributária subseqüente. Por essa razão, à primeira vista vislumbrase tratar de matéria de natureza aduaneira/arrecadatória, entretanto, a espécie deve ser caracterizada especialmente como de natureza aduaneira/econômica, vinculada ao controle do comércio exterior. conforme se segue. É notória a relevância, no Controle Aduaneiro, da correta valoração aduaneira. A manipulação artificial desse valor pode gerar prejuízos incalculáveis e imensuráveis, em quantidade e qualidade, aos pares da indústria nacional, em relação aos importadores, equiparados a industrial, com conseqüências danosas à toda a sociedade, especialmente pela potencial possibilidade da concorrência desleal que poderá advir de uma eventual subvaloração ou um subfaturamento. Afinal, o Controle Aduaneiro pode, analógica e didaticamente, ser entendido como um "sistema governamental" que monitora diuturnamente um "mega complexo Industrial" compreendendo todos os recintos alfandegados, de zona primário e secundária, responsável pela "produção virtual" de todos os produtos, acabado ou não, que ingressem no território aduaneiro, por meio de operações de importação. Portanto, antes de se atribuir relevância ao aspecto arrecadatório da valoração aduaneira (ainda que tenha sua importância), deve se atentar que a burla desse instituto é extremamente nocivo à economia do país, propiciando uma concorrência desleal em relação ao produtor nacional, afetando diretamente o parque industrial, comercial e agroindustrial brasileiros. Feitas essas breves considerações iniciais, retornemos ao caso concreto. Fl. 785DF CARF MF 14 3 Do Mérito Conforme relatado, contra a Recorrente foi lavrado auto de infração em decorrência de procedimento de valoração aduaneira com lançamento dos tributos incidentes sobre a diferença de valor aduaneiro inicialmente declarado e o valor apurado pela fiscalização, acompanhado de seus consectários legais e da multa administrativa prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158 35/2001, disciplinado pelo art. 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro), vigente à época da ocorrência dos fatos. O valor aduaneiro deve ser apurado por meio da aplicação do Acordo de Valoração Aduaneira AVA. Assim dispõe o artigo 1º do AVA: 1. O valor aduaneiro de mercadorias importadas será o valor de transação, isto é, o preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias em uma venda para exportação para o país de importação, ajustado de acordo com as disposições do Artigo 8, desde que: [...] Segundo tal dispositivo, que estabelece o primeiro e preferencial método de valoração aduaneira, adotase como valor aduaneiro o valor efetivo da transação das mercadorias, ou seja, o preço efetivamente pago pela mercadoria importada. Conforme já explicitada em tópico precedente, caso não seja possível a apuração do valor real da transação, utilizase os demais métodos previstos no AVA, que devem ser aplicados de forma seqüencial e sucessiva. A fiscalização, por meio do Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira, fls 26 ss, desqualificou o 1º método de valoração, utilizado pelo importador, ora recorrente, não aceitando, portanto, o valor de transação declarado em 18 Declarações de Importação (DI). Por conseqüência, lavrouse o Auto de Infração, ora apreciado, tendo por objeto os seguintes lançamentos tributários: 1. Multa administrativa do art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, disciplinado pelo art. 633, inciso I, do Decreto nº 4.543/02. 2. Imposto de Importação relativo à diferença entre o valor aduaneiro inicialmente declarado e o valor arbitrado pela fiscalização, com os acréscimos legais. e 3. Multa de Ofício de 75%, Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303/06. 3.1 DA MULTA ADMINISTRATIVA DO ART. 88, PARÁGRAFO ÚNICO, DA MP Nº 2.15835/2001, DISCIPLINADO PELO ART. 633, INCISO I, DO DECRETO Nº 4.543/02. De imediato, vislumbro incabível a multa aplicada. Fl. 786DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 780 15 Eis o disposto no referido art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e no art. 633, inciso I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02): Art. 88. No caso de fraude, sonegação ou conluio, em que não seja possível a apuração do preço efetivamente praticado na importação, a base de cálculo dos tributos e demais direitos incidentes será determinada mediante arbitramento do preço da mercadoria, em conformidade com um dos seguintes critérios, observada a ordem seqüencial: [...] Parágrafo único. Aplicase a multa administrativa de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado, sem prejuízo da exigência dos impostos, da multa de ofício prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e dos acréscimos legais cabíveis. xxx Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no 37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (Medida Provisória no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); Depreendese que para a aplicação da multa do art. 88, parágrafo único, há que se ter configurada a ocorrência de fraude, sonegação ou conluio, isto é, há que se caracterizar o subfaturamento (diferente de subvaloração), o que não se identifica nos autos. Vejamos. Regra geral, o controle de valoração aduaneira consiste em procedimento de fiscalização, no curso do despacho aduaneiro de importação, objetivandose verificar se o valor aduaneiro declarado pelo importador encontrase adequado com o Acordo de Valoração Aduaneira, bem assim com as normas aduaneiras brasileiras que versam sobre essas valorações. Desse procedimento fiscal pode resultar que o Auditor Fiscal identifique apenas subvaloração, por discordar do preço declarado na DI, sem contudo identificar ocorrência de fraude, simulação ou conluio, aplicandose, nestes casos, um dos métodos substitutivos, com exigência da diferença do tributo acrescida de juros de mora e, em caso de lançamento de ofício, de multa de 75% (Lei nº 9.430/1996, art. 42, I). Fl. 787DF CARF MF 16 Sobre a matéria, assim se manifestou o relator Solon Sehn, em seu voto proferido no Acórdão nº 38020004.098: 1 “É nesse contexto que se opera com o conceito de subvaloração, que nada mais é do que a aplicação indevida de um dos métodos de valoração aduaneira pelo importador, sem a ocorrência de fraude de valor.” Entretanto, em se constatando a manipulação dolosa, para menos, do valor aduaneiro, mediante fraude, simulação ou conluio, não haverá subvaloração, mas subfaturamento, que se diferencia da primeira justamente em razão da ilicitude da conduta do importador. É o que se extrai ainda, daquele voto do Relator Solon Sehn: Portanto, o subfaturamento ocorre quando o importador registra a declaração de importação (DI) tendo por base um fatura comercial que não reflete o preço realmente pago pelo produto importado. Essa discrepância pode resultar da falsificação da fatura, mediante apresentação de versão não verdadeira substitutiva da fatura genuína ou por alteração do documento verdadeiro (falsidade material). Também pode ocorrer quando, mediante conluio entre importador e exportação, emitese uma fatura verdadeira, porém, com valores menores que os efetivamente praticados (falsidade ideológica) 2 . [...] Nos casos de subfaturamento, devem ser adotadas as providência do art. 88 da Medida Provisória nº 2.158/2001. [...] Sobre o tema, eis o que ensina Rodrigo Mineiro Fernandes, Ex Conselheiro da Terceira Seção de Julgamento do CARF, em estudo doutrinário: É importante, mais uma vez, separar as operações lícitas das operações ilícitas para conceituarmos o subfaturamento, diferenciandoo de outra prática aparentemente similar: a subvaloração. Esta, uma irregularidade dentro do campo da licitude. Aquela, através da prática de um ato ilícito. O subfaturamento é realizado mediante o registro da Declaração de Importação com declaração de preço inferior ao efetivamente praticado, com base numa fatura comercial falsa (ideológica ou material) 3. Assim, temos que há, em relação à valoração aduaneira, duas espécies infracionais: Subvaloração e Subfaturamento,4 cada qual com sua particularidade, destacandose o fato de que, diversamente do subfaturamento, na 1 Acórdão 3802004.098 2ª Turma Especial da 3ª Seção, 25 de fevereiro de 2015, Relator Solon Sehn. 2 COSTA JUNIOR, Paulo José. "Comentários ao Código Penal". 7. ed. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 926927 3 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Valoração aduaneira e subfaturamento. In: DOMINGO et.al., Tributação..., op. cit., p. 250251. 4 abstraindose, propositadamente, das correlacionadas infrações relativas à supervaloração e superfaturamento, que são igualmente sujeitas às sanções legais. Fl. 788DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 781 17 subvaloração não se verifica a presença de fraude, sonegação ou conluio, sujeitas portanto a sanções distintas. Aos casos subvaloração, além da diferença de tributo e juros, aplica se multa de ofício, conquanto para os casos de subfaturamento, aplicase também a multa de controle administrativo de 100%, prevista no art. art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.158/2001. Outrossim, tornase imprescindível que a fiscalização promova no Auto de Infração a subsunção dos fatos ao adequado enquadramento da infração, especialmente quanto a identificar tratarse de subvaloração ou subfaturamento, em face de reportaremse a diferentes dispositivos normativos. Analisandose os elementos trazidos aos autos, pela fiscalização, especialmente no Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira, não se verifica configurado fraude, simulação ou conluio, em relação à quaisquer dos motivos que fundamentam o referido Termo, sequer em relação à declaração de inidoneidade à fatura comercial, a meu ver também equivocadamente caracterizada pela fiscalização, conforme veremos oportunamente. Todavia, ainda que se entendesse inidônea a fatura, nos termos preconizados pela fiscalização, ainda assim não vejo caracterizado o subfaturamento, mormente não haver a fiscalização acostado aos autos nenhuma informação, ato ou fato que apontasse uma atitude dolosa por parte da recorrente, de forma que se caracterizasse o subfaturamento, seja por meio de fraude, simulação ou conluio, que, em se configurado, ensejaria aplicação da multa do art. 88, parágrafo único. Ademais, o importador apresentou, conforme intimado, documentos que procuram demonstram a lisura das operações, em sua plenitude, notadamente Nota fiscal de entrada, comprovante de pagamento do Frete internacional e contrato de câmbio, não se verificando contestação dos mesmos, por parte da fiscalização, tampouco indicação de existência da falsidade, seja ideológica ou material. Com o exposto, entendo que os fatos apontados pela fiscalização não se subsumem ao disposto no art. 88, parágrafo único, da MP 2.15835/2001, assistindo razão o contribuinte, nesse pormenor. 3.2 DO TERMO DE DESQUALIFICAÇÃO DE MÉTODO DE VALORAÇÃO ADUANEIRA Por meio do Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira, fls. 26 ss., a fiscalização, com base no art. 82, incisos I e II, do Decreto nº 4.543/02 (RA), desqualificou o 1º método de valoração, não aceitando o valor de transação declarado em 18 Declarações de Importação (DI), referentes a operações de importações realizadas pela Recorrente. Art. 82. A autoridade aduaneira poderá decidir, com base em parecer fundamentado, pela impossibilidade da aplicação do método do valor de transação quando (Acordo de Valoração Aduaneira, Artigo 17, aprovado pelo Decreto Legislativo no 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto no 1.355, de 1994): Fl. 789DF CARF MF 18 I houver motivos para duvidar da veracidade ou exatidão dos dados ou documentos apresentados como prova de uma declaração de valor; e II as explicações, documentos ou provas complementares apresentados pelo importador, para justificar o valor declarado, não forem suficientes para esclarecer a dúvida existente. Em conseqüência apurouse o valor aduaneiro pela aplicação do 6º Método, artigo 7 do Acordo de Valoração Aduaneira (AVA), utilizandose de critérios razoáveis, assim entendido pela autoridade aduaneira. A não aceitação do 1º método de valoração aduaneira e a conseqüente aplicação de método substitutivo deuse em razão de três fundamentos: (i) descrição incompleta das mercadorias, (ii) divergência de assinaturas apostas em fatura, (iii) não apresentação de correspondência comercial. Além disso, segunda a fiscalização, os preços declarados das mercadorias importadas ao amparo das DI fiscalizadas foram significativamente inferiores aos de outras importações de mercadorias similares. Analisareios, na seqüência. 3.2.1 Descrição Incompleta das Mercadorias Segundo o Auditor Fiscal que as mercadorias importadas não foram suficientemente identificadas na fatura comercial e, por conseguinte, nas próprias DI, nos termos do art. 497, inciso III, do Regulamento Adauneiro (RA), de 2002. Vejamos o requisitos que obrigatoriamente devem constar da fatura comercial para sua validade formal ou material, consoante dispõe o art. 497 do RA/2002 (também disponível no antigo RA/2009): Art. 497. A fatura comercial deverá conter as seguintes indicações: I nome e endereço, completos, do exportador; II nome e endereço, completos, do importador III especificação das mercadorias em português ou em idioma oficial do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio, ou, se em outro idioma, acompanhada de tradução em língua portuguesa, a critério da autoridade aduaneira, contendo as denominações próprias e comerciais, com a indicação dos elementos indispensáveis a sua perfeita identificação; IV marca, numeração e, se houver, número de referência dos volumes; V quantidade e espécie dos volumes; VI peso bruto dos volumes, entendendose, como tal, o da mercadoria com todos os seus recipientes, embalagens e demais envoltórios; VII peso líquido, assim considerado o da mercadoria livre de todo e qualquer envoltório; VIII país de origem, como tal entendido aquele onde houver sido produzida a mercadoria ou onde tiver ocorrido a última transformação substancial; IX país de aquisição, assim considerado aquele do qual a mercadoria foi adquirida para ser exportada para o Brasil, independentemente do país de origem da mercadoria ou de seus insumos; X país de procedência, assim considerado aquele onde se encontrava a mercadoria no momento de sua aquisição; Fl. 790DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 782 19 XI preço unitário e total de cada espécie de mercadoria e, se houver, o montante e a natureza das reduções e dos descontos concedidos; XII custo de transporte a que se refere o inciso I do art. 77 e demais despesas relativas às mercadorias especificadas na fatura; XIII condições e moeda de pagamento; e XIV termo da condição de venda (INCOTERM). Vêse que pelo teor do inciso III, a mercadoria deve conter as denominações próprias e comerciais, com a indicação dos elementos indispensáveis a sua perfeita identificação. Aduz que quatorze das DI fiscalizadas, de um total de dezoito, informam apenas descrição genérica "tecido 100% poliester", As outras quatro DI conteriam também referências do produto: TECIDO 100% POLIESTER, OXF. HC e TECIDO 100% POLI ESTER, OXF.OS. Nesse contexto a fiscalização considerou para completar a descrição das demais quatorze DI “uma dessas referências, para fins de assinalação da DI paradigma”. Em contrapartida, sustenta a recorrente que as expressões "TECIDO 100% POLIESTER", com ou sem os sufixos "OXF. HC" ou "OXF.OS", vinculadas à NCM 5407.52.10 (outros tecidos contendo pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados tintos, sem fios de borrachas), são completas o suficientes para descrever as mercadorias importadas, até porque foram amparadas por Licenças de Importação (LI). Traz à luz as expressões consideradas pela fiscalização como "descrições completas", quais sejam: · Tecido de filamento sintético de poliéster texturizado sem fios de borracha. · Tecido de filamento sintético de poliéster texturizado sem fios de borracha (OXFORD). · OXF. N/S P/D. · OXF. TWS P/D. · OXF. HC P/D. · Tecido 100% poliéster OXF. HC P/D · OXF. JC PRT · Tecido 100% polyster Koshibo P/D · Tecido 100% polyster Chameuse P/D · Tecido 100% polyster chiffon P/D · Tecido 100% polyster tinto 58 Assiste razão a recorrente. Das descrições de mercadorias acima relacionadas, confrontandoas com a descrição utilizada pela recorrente, "Tecido 100% poliéster", vislumbro apenas duas conclusões plausíveis: (i) que todas as descrições são incompletas ou (ii) se houver alguma descrição completa, a utilizada pela recorrente também o será. Isso porque para fins de classificação fiscal da NCM 5407.52.10 (outros tecidos contendo pelo menos 85%, em peso, de filamentos de poliéster texturizados tintos, sem fios de borrachas), por óbvio, o percentual de poliéster é Fl. 791DF CARF MF 20 parâmetro relevante e imprescindível. Outrossim, os textos de descrições de mercadorias quem indicam conterem 100% de poliéster indica estar correta a NCM, pelo menos quanto a esse parâmetro. É o que ocorre com as DI da recorrente e em mais quatro DI de terceiros, utilizadas como parâmetros para o trabalho fiscal de valoração. Quanto às demais DI, todas igualmente utilizadas como parâmetros, por parte da fiscalização, para descaracterização do valor de transação, não há indicação do percentual de poliéster, o que as invalidam, de pronto, para classificar as respectivas mercadorias, na NCM utilizada. A fiscalização, corroborada pelo Acórdão recorrido, entendeu que a inclusão do termo "OXF" (considerada como redução do termo OXFORD) à descrição, representa mais especificidade ao produto. Essa afirmação não procede. É fato que o termo OXFORD indica que o tecido é composto de poliéster, entretanto essa denominação identifica igualmente pelo menos três diferentes composições:5 (i) 100% poliéster, (ii) 48% de poliéster com 52% de viscose e (iii) 97% de poliéster com 3% de viscose. Portanto a denominação OXFORD também não supre a necessidade de se indicar o percentual de poliéster, pois para manterse na NCM 5407.52.10 o tecido deve conter um percentual igual ou superior a 85%, caso contrário será classificado em outra NCM. Ressaltese que a sucinta descrição da mercadoria na fatura comercial, na forma utilizada pela recorrente, era uma das formas usualmente utilizada no seio comercial brasileiro, à época, conforme se verifica nos paradigmas que a própria fiscalização trouxe à luz. Ademais, tal inconsistência, se assim fosse entendida, mostrarseia irrelevante juridicamente, haja vista tratarse de um, dentre quatorze indicações que devem conter a fatura comercial, nos termos do art. 497, do RA, e, ainda assim, tem se que a mercadoria foi descrita, frisese, em melhores, ou igual, condições que os paradigmas utilizados pela fiscalização. Portanto, considerando o contexto em que a autuação se consubstanciou, vislumbro que a descrição utilizada pela recorrente na identificação das mercadorias constantes das DI fiscalizadas, não obstante sucinta, não se presta como parâmetro hábil à descaracterizar o 1º método de valoração aduaneira, nos termos do AVA. 3.2.2 Da Divergência entre Assinaturas Apostas em Comercial Invoices Dentre as DI fiscalizadas existem cinco faturas comerciais, referentes ao exportador Damin Sortex CO. LTD., a fiscalização detectou que a fatura DMP230, instrutiva da DI nº 03/00250074, apesar de constar ter sido emitida pelo mesmo signatário das demais, Sr. HyungRark, Ju, presidente da empresa, foi assinada por uma terceira pessoa. 5 tabela de composição textil dos tecidos disponível em: http://www.luagrupo.com/index.php/luapedia/textil/107tabeladecomposicaotextildostecidos [consultado em julho/2017] Fl. 792DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 783 21 A recorrente, intimada, informou tratarse de preposto do exportador, porém, à época do procedimento fiscal, não logrou êxito em identificar a referida pessoa. Entretanto, apresentou documentos demonstrando que havia solicitado esclarecimentos junto ao exportador asiático. Em face dessa divergência na assinatura da fatura comercial, o Auditor Fiscal entendeu por declarar inidônea a referida fatura, estendendo os efeitos dessa decisão às demais faturas fiscalizadas, nos seguintes termos: Na mencionada fatura (doc.07 fls. 117) consta a identificação do signatário HyungRark Ju, portanto, a assinatura de pessoa diversa à signatária, caracteriza a inidoneidade da mesma. O fato dessa fatura inidônea trazer preço unitário (FOB) da mercadoria igual ao das demais importações fiscalizada configura veemente indicio de que o preço declarado das mercadorias importadas ao amparo dessas DI também não seja o efetivamente praticado. Vêse que o Auditor Fiscal, além de declarar a inidoneidade da fatura com a divergência de assinatura, estendeu os efeitos dessa inidoneidade às faturas instrutivas das demais DI fiscalizadas, para fins de descaracterizar o preço declarado, no todo. Nesse pormenor, a DRJ entendeu não haver situação de fato ou de direito capaz de inferir inidoneidade de todas as demais faturas do mesmo exportador, nos seguintes termos: De fato, a assinatura em punho deve ser daquele que se declara subscrever o documento, 6 eivando de nulidade 7 plena o documento subscrito por outrem, como se assinado não estivesse, situação que bem poderia se aplicar exclusivamente à fatura em questão, inclusive para efeito de penalidade relacionada à não apresentação do documento. Porém, não consigo perceber de que forma tal ocorrência (restrita à fatura citada) contamina ou expõe os preços declarados em relação àquele exportador, além daquelas evidências anteriormente já citadas. 6 O art. 371 do Código de Processo Civil (CPC) dispõe sobre a assinatura de documento, nos seguintes termos: Art.371. Reputase autor do documento particular: I aquele que o fez e o assinou; II aquele, por conta de quem foi feito, estando assinado; III aquele que, mandando compôlo, não o firmou, porque, conforme a experiência comum, não se costuma assinar, como livros comerciais e assentos domésticos. 7 Decisões dos Tribunais Superiores referentes à assinatura de próprio punho, também, corroboram o entendimento de que a assinatura é um requisito de validade do documento. No acórdão ao RMS 24257 AgRED/ DF, dentre outros de igual teor, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu negar admissão ao embargo de declaração apresentado sem assinatura de próprio punho, afirmando: “Não é possível em sede de embargos de declaração rediscutir matéria de fundo a pretexto de existência de equívoco material. Assinatura digitalizada não é assinatura de próprio punho. Só será admitida, em peças processuais, depois de regulamentada. (...)”. Igual entendimento verificase nas decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ): “o agravo regimental é intempestivo, já que protocolada a peça assinada fora do prazo legal, não surtindo qualquer efeito petição sem assinatura e sem comprovação adequada de que recebida nesta Corte por ‘email’ mediante assinatura eletrônica, ausente, ainda, regulamentação interna a respeito desta forma de protocolar (...)”.(AGRESP 437258/RS – 2002/00604606). Fl. 793DF CARF MF 22 Muito embora a justificativa da d. Impugnante não sane o vício formal em relação àquela fatura, a mesma se mostra perfeitamente razoável à realidade do comércio exterior, onde uma cadeia de funcionários da área comercial e de logística se envolvem na subscrição de faturas comerciais. [Destaquei] Com esses fundamentos o julgador de primeiro grau limitouse em desconsiderar a "divergência de assinaturas na fatura" como elemento motivador da descaracterização do 1º método do AVA, sem conhecer, por entender desnecessários, os documentos acostados, pela recorrente, às fls. 681/700, referentes à cópias autenticadas de declarações do exportador DAMIN SORTEX CO., LTD., e respectivas traduções juramentadas, identificadas pelos nº 004/07 (em relação As assinaturas do exportador nas faturas comercial) e 005/07(em relação ao preço praticado pelo exportador), da lavra do Tradutor Público Sr. Gilberto Fábio Egypto da Silva, datadas de 09/01/2007. Assim textualizou o relator: [...] os documentos integrantes dos autos revelaramse suficientes para a formação de convicção e julgamento do feito, demonstrandose despicienda e meramente procrastinatória a providência solicitada pela defendente na juntada posterior de outros documentos que se façam necessários à sua defesa, sem se quer mencionálos, fundamentar sua importância ou motivar sua apresentação em momento posterior ao prazo de impugnação. Nesse ponto, concordo com o colegiado a quo, exclusivamente quanto à desconsiderar a divergência de assinaturas como parâmetro para a descaracterização do valor de transação, contudo divirjo quanto ao tratamento dado aos documentos oriundos do exportador estrangeiro, em face de sua relevância na apreciação da lide. A uma porque houve petição específica, fls. 681 e ss., onde, diversamente do que externou o julgador primário, constam os fundamentos e respaldo legal para sua apreciação pelo colegiado a quo, a duas porque os documentos acostado, advindos do exportador asiático, além de identificar o preposto que assinou a fatura questionada, traz autenticidade a ela, convalidando o preço praticado de US$ 3,20, contrariamente aos indícios originariamente detectados pela fiscalização, que, ressaltese, irradiaramse às demais faturas, por força de decisão do Auditor Fiscal. Portanto, nesse pormenor, sou pelo conhecimento dos documentos de fls 681/700 para considerar idôneas todas as dezoito faturas fiscalizadas e desconsiderar a divergência de assinaturas como parâmetro para a descaracterização do valor de transação. 3.2.3 Da Não Apresentação da Correspondência Comercial Aduz a fiscalização que a recorrente atendeu parcialmente à intimação, em razão da não apresentação de documentos relacionados à negociação das mercadorias, tais como facsímiles, correspondências eletrônicas e contratos particulares. Contrapondose a recorrente alega que as negociações com os fornecedores, usualmente, se dão através de telefonemas, ou mesmo, de forma presencial nas indústrias exportadoras. Sendo os termos (tecido, quantidade, preço) Fl. 794DF CARF MF Processo nº 11131.000969/200613 Acórdão n.º 3301003.980 S3C3T1 Fl. 784 23 das negociações espelhados nas faturas proforma, para fins de obter as licenças de importação, sendo posteriormente substituídas pelas invoices. Nessa seara, assim se manifestou a recorrente, em resposta à intimação da fiscalização: Condições gerais do negócio? Os Tecidos 100% Poliéster constantes nas DI'S de Ws., 03/02386364, 03/02368380, 03/02386372, 03/02903318, 03/00250074, 03/11094966, 03/08926913, 03/08926883 e a 03/08926840 nos foi ofertado pelo exportador a Us 3,20 o kilo, com o pagamento podendo ocorrer em até 180 dias contados da data do embarque. Os Tecido 100% Poliéster constantes nas DI'S de Ws., 03/02386356, 03/11095024, 03/11095008, 03/04156366, 03/03380793, 03/00627720, 03/00333620 e 03/00250104 nos foi ofertado pelo exportador lt U$ 3,20 o kilo, porém com condição de pagamento 100% CAD, ou seja, à vista. Após ser efetuada verbalmente a compra dos Tecidos entre o Sr. Vicente de Castro Barbosa e os Dirigentes das empresas exportadoras, os produtos levam em média de 30 a 45 dias para serem produzidos e após, mais 60 dias de viagem da origem até o destino final que é o Porto de Fortaleza, sendo formalizado toda a negociação através da Commercial Invoice. As aquisições dos produtos importados, também podem ocorrer por meio de comunicação via telefone, intemet ou fax, onde é discutido livremente com os nossos fornecedores, as condições gerais do objeto de compra, tais como quantidades, preços, prazos para embarque, condições de pagamento, etc. De fato a recorrente não apresentou, à época do procedimento fiscal, elementos que demonstrassem cabalmente as negociações realizadas. Em resumo a recorrente entende que a não apresentação de outros documentos, além daqueles já entregues à fiscalização, deuse pela impossibilidade de fazêlo, seja por não deter meios coercitivos para obtêlos, p. ex.,documentos de exportação, ou seja pelo fato da própria inexistência do documento, p.ex, contrato de compra e venda. Embora não seja razoável, é possível que transações comerciais, no âmbito de comércio exterior, se materialize sem que ocorra a formalização por escrito das negociações, sendo, nesses casos, realizadas por meio da internet, telefone ou reuniões presenciais, conforme alega a recorrente. Por certo, a ausência desses elementos não socorre a recorrente. Para a fiscalização esses fatos representam indícios de irregularidades que, inseridos em um conjunto de outros elementos indiciários, acaba por corroborar na materialização da infração. Representará mais um elemento na fundamentação da autuação. Todavia, no presente caso, considerandose que os demais elementos indiciários (inidoneidade de invoices, divergências de assinaturas, descrição incompleta) foram descaracterizados, conforme constatase nos tópicos precedentes, há que se reconhecer a fragilidade do presente indício, visto isoladamente, especialmente conhecendose o conjunto de documentos que a recorrente apresentou à fiscalização, no curso do procedimento fiscal, contendo, v.r. para cada operação de importação: Notas fiscais de entrada, Packing list, Invoice, Bill of Lading, Recibo de transporte internacional, Licença de Importação, Contrato de câmbio e Notas fiscais de vendas, bem assim cópias de passaportes, com vistos entre os anos de 1999 a 2004, na pretensa comprovação das viagens negociais feitas por seus representantes. Fl. 795DF CARF MF 24 Ademais, o objetivo de se exigir tais documentos era a comprovação do preço praticado pela recorrente em suas operações, o que se mostrou atendido, ainda que parcialmente, pela anexação posterior dos documentos de fls. 696/700, já tratados no tópico "3.3.2 Da divergência entre assinaturas apostas em Comercial Invoices", oportunizados pelo atendimento, por parte do exportador estrangeiro, de solicitação da recorrente. Por meio de referidos documentos, ficou demonstrado que o preço de UR$ 3,20/Kg, constante da comercial invoice, foi o preço efetivamente praticado na transação comercial, representando, portanto, o valor de transação do 1º método do AVA. Com o exposto, vislumbrase que o "Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira", lavrado pela autoridade aduaneira, não deve prosperar, conquanto não preenche o disposto no art. 82, incisos I e II do Regulamento Aduaneiro, Decreto nº 4.543/02. 4 Do Imposto de Importação e da Multa de Ofício A fiscalização formalizou o lançamento do Imposto de Importação relativo à diferença entre o valor aduaneiro inicialmente declarado pela recorrente e o valor arbitrado pela fiscalização, com os acréscimos legais e Multa de Ofício de 75%, Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303/06, consubstanciado no Termo de Desqualificação de Método de Valoração Aduaneira. Conforme explicitado, referido Termo não deve prosperar, perdendo sua força mandatária, em face de inexistem, nos autos, elementos que caracterizem subfaturamento ou subvaloração nas operações de importação autuadas, restando insubsistente os lançamentos realizados, por falta de fundamentos que os respaldem. 5 Dispositivo Ante os fundamentos expostos, voto por Dar Provimento ao Recurso Voluntário, para restabelecer o 1º método do Acordo de Valoração Aduaneira AVA aplicandose, por conseguinte, o valor de transação para representar o valor aduaneiro das operações de importação autuadas. É como voto. José Henrique Mauri relator Fl. 796DF CARF MF
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