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Numero do processo: 19515.001036/2005-51
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jul 01 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1803-000.126
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
CARMEN FERREIRA SARAIVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK, CRISTIANE SILVA COSTA e RICARDO DIEFENTHAELER.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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(assinado digitalmente) CARMEN FERREIRA SARAIVA Presidente. (assinado digitalmente) ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), SÉRGIO RODRIGUES MENDES, ARTHUR JOSÉ ANDRÉ NETO, MEIGAN SACK, CRISTIANE SILVA COSTA e RICARDO DIEFENTHAELER. RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ALTRADE IND E COM E REPRESENTAÇÃO LTDA em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) que considerou improcedente em parte a impugnação apresentada pelo contribuinte. Segundo o auto de infração e o Termo de Verificação Fiscal (fls. 220/223) foram apuradas diferenças entre o valor declarado pela empresa e o IRPJ devido. Com isso, a partir das informações prestadas pelo contribuinte, referente aos anoscalendários de 2003 e 2004, levantamentos as planilhas Demonstrativo de situação fiscal apurada, onde os valores correspondentes às bases de cálculos foram obtidos a partir das RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 01 03 6/ 20 05 -5 1 Fl. 701DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001036/200551 Resolução nº 1803000.126 S1TE03 Fl. 3 2 informações prestadas pelo contribuinte, onde demonstramos as diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados/recolhidos, conforme o demonstrativo a seguir: Além disso, foram constatadas, também, diferenças com relação ao valor do IRPJ devido no ajuste e o valor do IRPJ declarado/recolhido, conforme o demonstrativo a seguir: Inconformada com o lançamento fiscal, a recorrente apresentou impugnação ao lançamento (fls. 487/504). No entanto, não obstante os argumentos trazidos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) julgou improcedente em parte a impugnação apresentada pela contribuinte, para exonerar as parcelas referentes a janeiro, abril, agosto, setembro e novembro. A decisão a quo (fls. 1215 a 1232) restou ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2000, 30/09/2000, 31/12/2000, 31/03/2001, 30/06/2001, 30/09/2001, 31/12/2001, 31/03/2002, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/07/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 30/04/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 PRELIMINAR. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente serão considerados nulos, aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nQ 70.235/1972. Ausentes, não há que se falar em nulidade do ato. Preliminar rejeitada. MÉRITO. ANTECIPAÇÕES. ESTIMATIVAS. APURAÇÃO ANUAL. IRPJ A PAGAR. Quando o contribuinte optar pela tributação do lucro real anual, deverá efetuar recolhimentos a título de estimativa; poderá, Fl. 702DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001036/200551 Resolução nº 1803000.126 S1TE03 Fl. 4 3 entretanto, levantar balanço ou balancete de suspensão ou redução. o valor do 1RPJ apurado ao final do anocalendário, quando o contribuinte tenha optado por balanço ou balancete de suspensão ou redução, deverá corresponder a somatória dos valores efetivamente antecipados pelo contribuinte, no decorrer daquele mesmo período; na hipótese de as antecipações não alcançarem aquele valor apurado, o valor a ser exigido corresponderá 6 diferença entre ambos, ou seja, entre o valor do IRPJ apurado e as antecipações recolhidas, estas em seu valor nominal, que servirão de dedução daquele. Em tendo o valor apurado ao final do anocalendário sido superior (ou igual) a somatória das parcelas apuradas (e recolhidas) mensalmente, não há que se falar em recolhimento daquele, até porque o valor apurado ao fim do período corresponde, em realidade, ao que seria devido por todo o anocalendário. IRRF. DEDUÇÃO DO IRPJ A PAGAR. Poderão ser permitidos a deduzir do IRPJ a pagar, os valores relativos ao IRRF, desde que embasados em comprovantes de rendimentos que contenham todos os requisitos necessários à sua forma, além de comprovado pelo contribuinte, que as receitas sobre as quais tenha incidido aquele tributo tenham sido objeto de escrituração e, conseqüentemente, oferecidas à tributação. ANTECIPAÇÕES (ESTIMATIVAS) RECOLHIDAS A MENOR. MULTAS EXIGIDAS ISOLADAMENTE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo o contribuinte, no decorrer do anocalendário, efetuado recolhimentos a título de antecipações (estimativas) a menor do que o devido, cabível a aplicação de multa isolada, incidente sobre as diferenças apuradas. Em razão de legislação posterior ter reduzido o percentual a ser aplicado, a título de multa isolada, sobre as parcelas que foram antecipadas a menor (ou não recolhidas), deve ser aplicada 'a denominada retroatividade benigna, prevista pelo art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional, reduzindoos ao percentual mais benéfico. ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. NÃO MANIFESTAÇÃO. Descabe a manifestação, por parte da autoridade administrativa, a respeito de alegações formuladas pela defesa apresentada, no sentido de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade, competência essa atribuída, de forma exclusiva, ao Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte. Cientificado da decisão em 18/02/2009, conforme AR de fl. 1171, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/03/202009 (fls. 1174/1189), o qual aduz, em síntese, o que segue: a) Suscita que o auditor fiscal teve acesso à verdade material dos fatos, no entanto, ignorouo por completo; b) Sustenta que o agente fiscal equivocouse ao não considerar a compensação do imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) nos anoscalendários; c) Defende que o agente fiscal também não se utilizou das bases de cálculo apropriadas para a apuração do Imposto de Renda devido, pois desconsiderou o imposto de Fl. 703DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001036/200551 Resolução nº 1803000.126 S1TE03 Fl. 5 4 Renda Retido na Fonte, que é direito da contribuinte deduzir o IRRF das antecipações efetuadas mensalmente; d) Argumenta que a base de cálculo considerada pela fiscalização, referente a apuração do Lucro Presumido no quarto trimestre do anocalendário de 2001, está incorreta, pois a mesma não considerou os valores de Base de Cálculo declarados pelo contribuinte na DIPJ. e) defende que a recorrente recolheu a totalidade o imposto em 2003, bem como apurou débitos a serem compensados em exercícios posteriores; f) defende que do mesmo modo o anocalendário de 2004 não corresponde à realidade fática, sendo por isso insubsistente; g) quanto a multa isolada defende a ilegitimidade da cobrança, quando aplicado em conjunto com a multa de ofício por incidir, sobre a mesma base; h) é improcedente a aplicação da penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante da contribuição devida apurada ao final do exercício, não incorrendo assim na capitulação imputada (art. 957, §1º, inciso IV do RIR/99). i) suscita a inconstitucionalidade da referida multa; Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. VOTO Conselheiro Arthur José André Neto DOS REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário é tempestivo e possui os demais requisitos de admissibilidade intrínsecos e extrínsecos, sendo imperioso o seu conhecimento. DA APURAÇÃO DOS FATOS E DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA O termo de verificação e constatação fiscal noticia a constatação de diferenças no cálculo do Imposto de Renda devido, entre os valores declarados e os valores escriturados, referente ao período de jun/2000 a dez/2004. Os argumentos trazidos pela recorrente em seu Recurso Voluntário são quase as mesmas apresentadas na impugnação e um dos seus argumentos principais é de que o agente fiscal teria se equivocada ao não considerar a compensação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) nos anos calendários de 2000, 2001 e 2002. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001036/200551 Resolução nº 1803000.126 S1TE03 Fl. 6 5 No mesmo sentido sustenta que o agente fiscal não se utilizou das bases de cálculo apropriadas pra apuração do imposto de renda devido, pois desconsiderou o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), conforme abaixo demonstrado: Além disso suscita outras (i) inconsistências na apuração da base de cálculo apurada pelo fisco (dezembro de 2001); (ii) exigência indevida no anocalendário de 2003, tendo em vista que a recorrente recolheu em 2003 a totalidade do tributo; e (iii) exigência indevida no anocalendário de 2004, acosta tabela que considera correta : Fl. 705DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001036/200551 Resolução nº 1803000.126 S1TE03 Fl. 7 6 O colegiado de primeira instância considerou que os comprovantes de recolhimento de IRRF apresentados pela contribuinte apresentavam características que traziam a sensação de que os mencionados comprovantes não teriam sido preenchidos pelas respectivas fontes pagadoras. Ocorre que tais comprovantes, em que pese constar haverem sido emitidos por fontes pagadoras distintas (quatro, ao todo), apresentam características absolutamente semelhantes, quais sejam: tipos (de máquinas datilográficas) utilizados por ocasião dos preenchimentos, forma utilizada nas colunas "Descrição do Rendimento", onde, inclusive, as próprias abreviaturas utilizadas são comuns a todos os comprovantes, ausência de assinaturas (carimbos) das fontes pagadoras, ausência de menção aos responsáveis pelas prestações das informações e, principalmente, ainda que se reportem a rendimentos auferidos em 2001, serem datadas (todas) de 28/02/2005. Tais semelhanças, em tese, trazem a sensação de que mencionados comprovantes não teriam sido preenchidos pelas respectivas fontes pagadoras. (fl. 1.159) Em outro trecho da decisão, até se admite que a recorrente tenha razão. Ao se analisar, inicialmente, a DIPJ/2001, ocasião em que a interessada apurara seu resultado com base no lucro presumido, nota se, às fls. 268 (Ficha 14A — "Apuração do IR sobre o Lucro Presumido" — 2º trimestre), que a mesma procedeu à dedução do IRPJ apurado, e a título de IRRF, da importância de R$ 2.868,40; o mesmo se fala em relação ao 3 2 trimestre/2000 (fls. 269), onde deduzida a importância de R$ 2.756,21. Tais valores foram os mesmos apurados pela ação fiscal (fls. 211), o que, em tese, poderia se atribuir razão interessada, em sua alegação da não consideração, por parte da fiscalização, do IRRF que a mesma teria direito a deduzir. O cerne tramita em torno do fato de o contribuinte não ter comprovado ou não o recolhimento do IRRF e o do IRPJ devidos no período. Fato que alega ter comprovado nos autos. Quanto a comprovação do primeiro, resta claro nos autos, que, não obstante aos documentos trazidos nos autos a instância a quo decidiu não levalos em consideração pelos motivos formais já mencionados. Posta a controvérsia dos autos, passo a justificar a conversão do julgamento em diligência. Nessa esteira, insta destacar que o Processo Administrativo Tributário tem como princípio a verdade material e a oficialidade como norteadores de seus atos. Pelo princípio da Fl. 706DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001036/200551 Resolução nº 1803000.126 S1TE03 Fl. 8 7 verdade material o julgador deve buscar, mesmo que além dos autos, investigar os fatos, ainda que não tenham sido alegados ou declarados. O autor Vitor Hugo Mota ao enfrentar o tema em tela, assim leciona: “Deve ser buscado no processo, desprezandose as presunções tributárias, ficções legais, arbitramentos ou outros procedimentos que procurem atender apenas à verdade formal, muitas vezes atentando contra a verdade objetiva, devendo a autoridade administrativa promover de ofício as investigações necessárias à elucidação da verdade material.” O julgador não pode se prestar ao papel de mero chancelador de teses apresentadas pela Receita Federal ou pelo Contribuinte, devendo diligenciar no sentido de encontrar a verdade dos fatos e, por consequência, obter maior segurança ao expor seu posicionamento. Observo que, diante dos argumentos trazidos pela recorrente, acredito que seria necessário uma análise um pouco mais pormenorizada dos documentos acostados aos autos, bem como a verificação do efetivo montante devido. Acredito que os julgamentos não devem ser prolatados na presença de dúvidas, sob pena que enriquecimento ilícito de uma das partes. Dessa forma, imperiosa se faz a conversão do julgamento em diligência, para que os valores sejam devidamente esclarecidos e para que a fundamentação do auto de infração reste devidamente consolidada. Assim, diante do que foi apresentado, determino que baixemse os autos em diligência, para que a DRF após a análise dos documentos apresentados esclareça de forma clara e inequívoca, (i) se os documentos que a recorrente alega comprovar o recolhimento de IRRF, são documentos hábeis como meio de prova de recolhimento. Se necessário, intimese as fontes pagadoras para que se manifestem sobre tais valores. Em qualquer das respostas, apresente argumentos que a fundamentem, seja pela aceitação dos documentos ou pela sua rejeição; (ii) se os valores constantes nos referidos comprovantes foram oferecidos à tributação; (iii) apurese detidamente, com elaboração de planilhas explicativas, o montante apurado após a decisão de primeira instância, esclarecendo a utilização, ou não, dos valores levantados pela contribuinte, em suas planilhas, a título de IRRF, e (iv) por fim, intimese o contribuinte para que se manifeste sobre o resultado da diligência. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 19515.001036/200551 Resolução nº 1803000.126 S1TE03 Fl. 9 8 CONCLUSÃO Dessa forma, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que sejam esclarecidos os quesitos aprontados supra. Arthur José André Neto Relator Fl. 708DF CARF MF Impresso em 01/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2015 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 31/03/20 15 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 02/04/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001822/2007-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
GLOSA DE EXCLUSÕES. Se o sujeito passivo apresenta demonstrativos vinculando a exclusão questionada a receitas tributadas em período anterior, sua glosa somente se sustenta quando a autoridade lançadora apresenta justificativas válidas para desconstituir os fatos alegados.
GLOSA DE DESPESAS. PROVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Somente são admissíveis como operacionais as despesas efetivamente comprovadas, não bastando como elemento probante a apresentação de notas fiscais emitidas pela prestadora dos serviços sem quaisquer outros documentos comprobatórios de sua efetiva prestação. SERVIÇOS DE PUBLICIDADE E DE INFORMÁTICA. A natureza do prestador, a descrição dos serviços na nota fiscal e a razoabilidade do gasto permitem concluir pela dedutibilidade da despesa. DESPESA DE PATROCÍNIO. É notória a publicidade em favor da pessoa jurídica resultante de contribuição ao Congresso Mundial de Petróleo. REPERCUSSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício e este, em razão do princípio da entidade, não pode ser afetado por despesas desnecessárias. Ademais, o art. 13 da Lei nº 9.249/95 expressamente estende as disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64 à apuração da CSLL.
Numero da decisão: 1101-001.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de exclusão, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 2) relativamente às glosas de despesas, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, restando a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, vencida na menor extensão que dava ao provimento parcial, especificamente em relação às despesas com patrocínio, e votando pelas conclusões os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Marcelo de Assis Guerra no que tange às glosas de despesas sob os títulos Skadden, Arps, Slate, Meagher & Florn, Estratégia & Valor Consultores Associados e Cognitiva Assessoria em Informática Ltda; e 3) relativamente à compensação de prejuízos e bases negativas, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo de Assis Guerra.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
(documento assinado digitalmente)
MARCELO DE ASSIS GUERRA - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Se o sujeito passivo apresenta demonstrativos vinculando a exclusão questionada a receitas tributadas em período anterior, sua glosa somente se sustenta quando a autoridade lançadora apresenta justificativas válidas para desconstituir os fatos alegados. GLOSA DE DESPESAS. PROVA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Somente são admissíveis como operacionais as despesas efetivamente comprovadas, não bastando como elemento probante a apresentação de notas fiscais emitidas pela prestadora dos serviços sem quaisquer outros documentos comprobatórios de sua efetiva prestação. SERVIÇOS DE PUBLICIDADE E DE INFORMÁTICA. A natureza do prestador, a descrição dos serviços na nota fiscal e a razoabilidade do gasto permitem concluir pela dedutibilidade da despesa. DESPESA DE PATROCÍNIO. É notória a publicidade em favor da pessoa jurídica resultante de contribuição ao Congresso Mundial de Petróleo. REPERCUSSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. A base de cálculo da CSLL é o resultado do exercício e este, em razão do princípio da entidade, não pode ser afetado por despesas desnecessárias. Ademais, o art. 13 da Lei nº 9.249/95 expressamente estende as disposições do art. 47 da Lei nº 4.506/64 à apuração da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) relativamente à glosa de exclusão, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário; 2) relativamente às glosas de despesas, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, restando a Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada pelo Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, vencida na menor extensão que dava ao provimento parcial, especificamente em relação às despesas com patrocínio, e votando pelas conclusões os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 22 /2 00 7- 10 Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 3 2 Marcelo de Assis Guerra no que tange às glosas de despesas sob os títulos “Skadden, Arps, Slate, Meagher & Florn”, “Estratégia & Valor Consultores Associados” e “Cognitiva Assessoria em Informática Ltda”; e 3) relativamente à compensação de prejuízos e bases negativas, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo de Assis Guerra. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora (documento assinado digitalmente) MARCELO DE ASSIS GUERRA Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra. Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório BG DO BRASIL LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ que, por voto de qualidade, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 06/12/2007, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 7.893.625,75. A exigência decorre das seguintes infrações apuradas na determinação do lucro real do anocalendário 2002: · Outras exclusões do lucro líquido deduzidas indevidamente, porque a contribuinte não logrou comprovar documentalmente a exclusão no montante de R$ 13.132.988,58, por ela vinculada a ajustes de receitas e de despesas que competiriam ao anocalendário 2001; · Despesas ativáveis referentes a serviços de informática para implantação de sistemas (OnSite Consultoria e Inf. Ltda), no valor total de R$ 92.720,00; · Despesas indedutíveis com brindes (MKM Brindes), no valor de R$ 8.481,53; · Despesas com patrocínio (Instituto Bras de Petróleo e Briam Wilson) sem comprovação de sua necessidade e da efetiva contraprestação dos serviços, no valor total de R$ 220.332,50; · Despesas com serviços de assessoria prestados por terceiros pessoa jurídica (Centro Bras de Infra Estrututra Ltda e Tower Perrin Forster & Croby Ltda) sem comprovação da necessidade e da efetiva contraprestação do serviço, no valor total de R$ 76.000,00; · Despesas com honorários de consultoria pagos a pessoas jurídicas (Clamar Ltda, Branco Consultores, PPF & Afonso Serv Consultoria e Passarelli Consultores) sem comprovação da necessidade e da efetiva prestação do serviço, no valor total de R$ 160.102,05; · Despesas com brindes (Transf Custo Comgas, Para brindes, MKM Serv, Jamer brindes e Montalcino) não comprovadas com documentação hábil e idônea e sem demonstração da efetiva contraprestação dos serviços ou de sua necessidade para a atividade da empresa, no valor total de R$ 27.162,45; · Despesas com serviços prestados de informática (Intranet Cons Info, Onsite Consultoria e Inf Ltda, Quantor Manutenção e Cognitiva Sistema Estrat Dados) não comprovados com documentação hábil e idônea e sem demonstração da efetiva contraprestação dos serviços ou Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 5 4 de sua necessidade para a atividade da empresa, no valor total de R$ 104.216,49; · Despesas com serviços prestados por terceiros pessoas jurídicas (SPS Com Ltda, MRS Professional e Samper) não comprovados com documentação hábil e idônea e sem demonstração da efetiva contraprestação dos serviços ou de sua necessidade para a atividade da empresa, no valor total de R$ 98.926,70; · Despesas de honorários com consultores (PPF Serv Prof Consultoria, Branco Consult Serv Cons Trib, Clamar Serv Prest Consultoria, Antonio Serv Prest Consultoria, Estrategia, CBIE Consultoria, Sandra Willians, Sandra Malo, PPS e Afonso Serv Consultoria, Passarelli, Linklaters, Kristall Org) não comprovados com documentação hábil e idônea e sem demonstração da efetiva contraprestação dos serviços ou de sua necessidade para a atividade da empresa, no valor total de R$ 718.775,42; e · Despesas com serviços prestados por terceiros pessoa física (Ronaldo Fiani e Skadden) não comprovados com documentação hábil e idônea e sem demonstração da efetiva contraprestação dos serviços ou de sua necessidade para a atividade da empresa, no valor total de R$ 85.896,07. Impugnando a exigência, a contribuinte requereu a compensação de prejuízos e bases negativas de períodos anteriores; defendeu a regularidade da exclusão procedida, reafirmando os esclarecimentos antes prestados e defendendo a desnecessidade de comprovação da efetividade de qualquer despesa, com o acréscimo de esclarecimentos acerca do período de competência à que se sujeitam as receitas; apresentou razões para a dedutibilidade das despesas glosadas, agrupando seus esclarecimentos em razão dos beneficiários; e asseverou que as despesas com brindes foram adicionadas ao lucro real e à base de cálculo da CSLL. Arrematou com considerações gerais acerca da dedutibilidade das despesas glosadas, enaltecendo o valor probatório de sua escrituração e discordando da glosa de despesas desnecessárias no âmbito da CSLL. A Turma Julgadora acolheu parcialmente estes argumentos fazendo considerações gerais acerca do ônus da prova e da forma de comprovação de despesas com prestações de serviços para concluir o que segue: · Foi demonstrada a necessidade e a efetividade dos serviços prestados por Ronaldo Fiani (R$ 20.106,10); Kristall Consulting Ltda (R$ 3.568,16, por serviços de organização de evento); CBIE (propostas e notas fiscais de serviços compatíveis com as despesas glosadas); e SPS Comunicação (proposta comercial associada a notas fiscais e comprovantes de pagamento); · Embora o Relator tenha admitido comprovada a despesa com serviços prestados por MRS Professional Acess S/C Ltda, mediante apresentação de nota fiscal e comprovantes de pagamentos por serviços para obtenção de visto para ingresso de funcionário no Brasil, a maioria qualificada da Turma entendeu que não houve prova da necessidade dos serviços, ou mesmo do vínculo do funcionário indicado com a autuada; Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 6 5 · Embora o Relator tenha admitido comprovadas as despesas com serviços prestados por Skadden , Arps, Slate, Meagher & Flom (R$ 65.790,97), a maioria qualificada da Turma vislumbrou descompassos temporais entre a prestação dos serviços e o registro da despesa; · Restaram incomprovadas as despesas vinculadas a Antônio Gilberto Bandeira de Carvalho (R$ 37.541,00 vinculados apenas a recibo); Clamar Ltda (vinculadas a notas fiscais e recibos insuficientes para provar que os serviços foram prestados), Linklaters (R$ 24.773,68 vinculados apenas a transferência bancária sem especificação do destinatário); Passarelli Consultores (vinculadas a notas fiscais e boletos bancários que não provam a efetivação prestação dos serviços); PPF Consultoria (vinculadas a relatório sem assinatura e notas fiscais com menção genérica a serviços, sem apresentação de contrato prévio); Sandra Willians/Maio (vinculadas a recibos que não evidenciam a efetividade do serviço prestado); Samper Gonçalves Publicidade (vinculadas notas fiscais e comprovantes de pagamento não provam a elaboração de campanhas publicitárias); Towers Perrin (vinculadas a nota fiscal sem descrição do serviço e sem demonstração da necessidade); Intranet Consultoria em Informática Ltda (vinculadas apenas a notas fiscais e comprovantes de pagamento, sem demonstração da efetividade da despesa); e Cognitiva Assessoria em Informática Ltda (vinculadas apenas a notas fiscais e comprovantes de pagamento, sem demonstração da efetividade da despesa); · Restou incomprovada a efetividade do serviço prestado por Branco Consultores S/C Ltda, mas foi demonstrado o estorno de parte da despesa no valor de R$ 17.110,00; · Embora o Relator tenha admitido provadas parcialmente as despesas em favor de Estratégia & Valor Consultores Associados, por meio de relatórios, notas fiscais e comprovantes de pagamentos, a maioria qualificada da Turma entendeu que mesmo para esta parcela não era possível vincular os relatórios aos serviços pagos; · A Fiscalização não provou que os serviços de consultoria de OnSite Consultoria de Informática corresponderiam a implantação de sistemas, para exigir sua ativação. Já em relação às despesas glosadas por falta de comprovação da efetiva contraprestação de serviços e de sua necessidade, a defesa somente juntou notas fiscais, comprovantes de pagamento e contrato em língua estrangeira, sem demonstrar a efetiva prestação de serviços; · A despesa paga a Quantor Engenharia Eletrônica Ltda foi indevidamente escriturada como prestação de serviços, pois se refere a aquisição de equipamento, como descrito em nota fiscal, não se justificando sua glosa; · Embora o Relator tenha entendido que as despesas com brindes foram adicionadas ao lucro real, a maioria qualificada da Turma apontou divergências nos demonstrativos apresentados que não permitiram concluir com certeza acerca da adição; · As despesas com patrocínio não foram vinculadas a contratos ou a demonstração dos eventos ou da forma de utilização dos recursos em favor da contribuinte. Além disso, há vedação a esta dedução no art. 18, §2o da Lei nº 8.383/91, na redação dada pelo art. 1o da Lei nº 9.784/99. Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 7 6 · A glosa de exclusão deve ser mantida porque a contribuinte foi intimada a comprovála documentalmente no curso do procedimento fiscal e não o fez, e as provas apresentadas em impugnação, por diversos aspectos, não confirmam os fatos alegados. Em declaração de voto outras inconsistências são apontadas para rejeitar a exclusão promovida pela contribuinte; · As glosas de despesas repercutem na apuração da base de cálculo da CSLL por força do art. 28 da Lei nº 9.430/96 e por interpretação exposta no Parecer Normativo COSIT nº 02/96; · Os prejuízos e bases negativas de períodos anteriores, comprovados em sistemas de controle interno, devem ser admitidos como redutores da base de cálculo autuada até o limite de 30%. O crédito tributário exonerado superou o limite fixado na Portaria MF nº 3/2008, razão pela qual a decisão foi submetida a reexame necessário. Cientificada da decisão de primeira instância em 17/08/2009 (fl. 735), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/09/2009 (fls. 738/771). Reitera que a exclusão glosada referese a receitas que, embora tenham sido levadas a resultados em 2002, competem a 2001, já tendo sido oferecidas à tributação do IR e da CSL naquele ano, descrevendo a contabilização destes valores, o efeito das despesas de tributos incidentes sobre aquelas receitas, a adição promovida no anocalendário 2001 correspondente àquele resultado e a sua exclusão das bases tributáveis no anocalendário 2002. Apresenta quadro decompondo as parcelas que resultam na exclusão líquida de R$ 13.146.702,30, reportase aos documentos juntados à impugnação e invoca o art. 6o do Decretolei nº 1.598/77 e os arts. 177 e 187 da Lei das S/A. Na seqüência, passa a esclarecer as divergências apontadas pela DRJ, anexando documentos adicionais que as embasam, estabelecendo a correspondência entre as notas de débito emitidas pela COMGAS e o acordo firmado entre esta e a recorrente cujos efeitos não foram reconhecidos contabilmente no ano calendário 2001, acrescentando receitas auferidas em face de BG TELECOM também não escrituradas no anocalendário 2001 e adicionadas ao lucro tributável juntamente com as parcelas auferidas em face de COMGAS, indicando erro na planilha apresentada à Fiscalização, defendendo que a prova de tributos incidentes sobre as receitas se faz com base na lei que os instituiu e observando que a exclusão das receitas no anocalendário 2002 seria válida ainda que nada tivesse sido adicionado no anocalendário 2001, em razão do que determina o regime de competência. Na seqüência, demonstra a contabilização a maior de receitas no anocalendário 2002, ressalta que o estorno das despesas de tributos correspondentes foi benéfica ao Fisco e discorda do condicionamento da exclusão à comprovação dos estornos e da adição das receitas no anocalendário 2001. Finaliza esclarecendo os registros na conta de prejuízos acumulados de exercícios anteriores. Defende a regularidade dos pagamentos a Skadden, Arps, Slate, Meagher & Flom em razão da compatibilidade da escrituração com os valores expressos nas provas apresentadas, e destacando que não houve registro anterior de despesa que pudesse desvinculá los dos serviços prestados em dezembro/2001 e janeiro/2002. Invoca o valor probante de sua escrituração e impõe ao Fisco o dever de prova de sua inveracidade, reportandose a julgados deste Conselho em reforço ao seu entendimento, e invocando o art. 112, II do CTN. Com referência às despesas com serviços prestados por Antonio Gilberto Bandeira de Carvalho, Branco Consultores S/C LTDA, Clamar Ltda., Linklaters, Passarelli Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 8 7 Consultores, Sandra Willians e Sandra Maio, SAMPERGOLÇALVES PUBLICIDADE, Towers, Perrin, Forsters & Crosby Ltda, Intranet Consultoria em Informática Ltda., Cognitiva Assessoria em Informática Ltda. e Despesas com patrocínio argumenta que recibos e notas fiscais comprovam a efetividade das despesas lançada, e invoca jurisprudência administrativa no sentido de que qualquer meio lícito de prova, que constitua vigoroso indício da efetividade do serviço, torna descabida a glosa da despesa. Destaca que os beneficiários dos pagamentos não tem qualquer relação com a recorrente, o que afasta a conclusão de que as despesas não foram efetivas ou que teriam sido incorridas por mera liberalidade. Por esta razão, os documentos apresentados são indícios da efetividade da despesa, sendo descabida sua glosa. Deduz argumentos semelhantes em face da glosa de despesas vinculadas a Estratégia & Valor Consultores Associados Ltda, reportandose aos relatórios de serviços prestados e reembolsos de despesas agregados à impugnação, e afirmando que a manutenção da glosa implica inobservância da regra de que os esclarecimentos prestados pelos contribuintes só podem ser desconsiderados com elementos seguros de prova. Até mesmo a glosa da parcela de R$ 50.224,75, vinculada a nota fiscal que não foi localizada, não se justiçaria porque ela se insere no mesmo contexto fático das demais, tendo sua efetividade comprovada pelos relatórios de tempo anexados à impugnação. Diz que os pagamentos a PPF & Afonso Outsourcing S/C Ltda decorrem a terceirização da escrituração contábil e fiscal, da sua folha de pagamento, do departamento de pessoal e da auditoria interna, reportase a relatório com descrição dos serviços a serem executados no ano de 2002 e descreve as notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços a partir da competência de julho/2002 e os correspondentes pagamentos efetuados, demonstrados na impugnação. Afirma, por tais razões, indevida a glosa promovida. Discorda da manutenção da glosa da despesa por serviços prestados por MRS Professional Acess S/C Ltda, reitera os esclarecimentos prestados, entende que a DRJ não pode alterar o fundamento da glosa para exigir a prova de que o beneficiário dos serviços era seu funcionário, vez que a glosa decorreu da falta de comprovação da efetividade da despesa. De toda sorte, defende que a glosa não subsistiria no âmbito da apuração da CSLL, pois os ajustes à sua base de cálculo estão previstos no art. 2o da Lei nº 7.689/88, e não se trata aqui de provisão. Reportase a julgados administrativos em favor de seu entendimento, e conclui que a indedutibilidade da despesa para fins de IRPJ fundada na falta de necessidade para as atividades da empresa não acarreta, por si só, a sua indedutibilidade para fins da CSL. Reitera que os pagamentos a OnSite Consultoria de Informática Ltda decorrem de contrato de suporte consultivo e operacional em tecnologia da informação, e que a exigência de relatórios dos serviços prestados para as despesas de julho e setembro a novembro/2002, para além das notas fiscais apresentadas, é contraditória com o cancelamento da glosa das despesas lançadas de janeiro a junho e agosto/2002. Por fim, discorda da manutenção da glosa de despesas com brindes na medida em que demonstrado que tais parcelas foram adicionadas na DIPJ correspondente, inexistindo qualquer diferença em relação à adição demonstrada no LALUR, como apontado na decisão recorrida. Em 13/06/2012 o julgamento dos recursos foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 1102000.091: Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 9 8 Tratase de Recursos de Ofício e Voluntário interpostos contra decisão que manteve glosa de parte das despesas tidas como dedutíveis pela Recorrente, por entenderem os julgadores como não comprovadas a efetividade e a necessidade exigidas pelo art. 299, do RIR/99 e que não acatou a exclusão do valor de R$ 13.132.988,58 da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, justificada pela Recorrente como relativa a receitas que, embora tenham sido levadas a resultado em 2002, seriam referentes a 2001. De acordo com a acusação fiscal, seria indevida a exclusão do Lucro Líquido, (Linha 35, Ficha 09A), da DIPJ do anocalendário de 2002, do valor “obtido por diferença entre ajustes de receitas e despesas de competência do anocalendário de 2001 e não contabilizadas no período, ficando sem identificação e sem comprovação a efetivação das despesas pleiteadas para dedução do Lucro Líquido no anocalendário de 2002”. Consoante prova documental trazida à colação, no anocalendário de 2002, a Recorrente auferiu receitas decorrentes de Contrato de Transferência de Tecnologia firmado com a COMGÁS em 15/12/2000 (fls. 281/316), no montante de R$ 11.346.254,42 (fl. 322 323), e R$ 885.163,27 (fl.), relativos a royalties e juros, respectivamente, contudo há o registro do valor de R$ 26.183.339,10 (conta 3.1.3.99.007), que alega seria referente a receitas de competência do ano calendário de 2001. O mesmo ocorreu em relação às despesas. Com base no regime de competência, a Recorrente alega ter feito uma exclusão de R$ 13.132.988,58, correspondente ao estorno da parcela da receita de 2001 (R$ 14.801.866,66) levada a resultado em 2002, ajustada pelo estorno das despesas com tributos incidentes sobre tais receitas, aduzindo que foi feita a imputação de receita contabilizada em 2002, mas referente a 2001, ao resultado, gerando diferenças de tributos a pagar e o registro de despesas a maior em 2002. De acordo com o contrato de transferência de tecnologia, notas de débito emitidas contra a COMGÁS e comprovantes de transferências bancárias, há pagamentos efetuados até o primeiro trimestre de 2003, no valor total de R$ 40.152.053,44, sendo que 2 parcelas teriam vencimento em 15/01/01 e 15/06/01 (cláusula 4.2.5, do contrato). Por outro lado, a DIPJ do anocalendário de 2001 evidencia que não foram contabilizadas as receitas decorrentes do contrato de transferência de tecnologia naquele ano e não há coincidência dos valores apresentados pela Recorrente, consoante registrado por julgador da DRJ, verbis: “Verificase, pela declaração retificadora DIPJ/2002 — anocalendário de 2001, que o interessado, de fato, efetuou uma adição de R$ 25.130.253,11 na apuração do lucro real (fl. 255), a qual supostamente decorreria da diferença das receitas (R$ 27.343.765,20) e das despesas (R$ 2.213.512,09). Ocorre que, analisando o Lalur juntado aos autos, às fls. 73/74, constatase que as receitas informadas perfazem um total de R$ 26.401.983,38 e as despesas um total de R$ 1.271.730,27. Apesar da diferença de R$ 25.130.253,11 (R$ 26.401.983,38 R$ 1.271.730,27) ser a mesma, o fato concreto é que o referido Lalur não suporta as alegações do interessado.” Apesar de provável a inclusão de receitas e despesas da competência de 2001 que tornariam adequado o ajuste levado a cabo pela Recorrente, diante da juntada aos autos do contrato de transferência de tecnologia, notas de débito e cópias das DIPJ’s, a própria Recorrente apresenta em seu recurso informações que evidenciam a inexatidão dos valores informados durante a sua defesa e não há nos autos demonstrativo de apropriação das receitas auferidas por exercício consoante fórmulas estipuladas no contrato. Assim, amparada no princípio da verdade material e diante dos fortes indícios de que de fato foram computados no anocalendário de 2002 receitas e despesas que Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 10 9 são referentes à competência de 2001, e, portanto, adequado o ajuste efetuado, proponho a conversão do julgamento em diligência. A diligência tem por fundamento a necessidade de constatação dos valores oriundos do contrato de transferência de tecnologia para o anocalendário de 2002 e aplicação do regime de competência para impedir que, a pretexto de impor tributação, seja atribuído efeito diverso daquele que seria obtido, na hipótese de lançamento na data correta. No que tange à glosa de despesas, sob o entendimento de que não demonstrada a efetividade e/ou necessidade, em prestígio a busca da verdade material e haja vista a necessidade de comprovação da efetiva prestação, através de contratos, relatórios, pareceres ou documentos que afastem a premissa da fiscalização, a diligência representará mais uma oportunidade para que sejam infirmados os fatos motivadores do lançamento. Em face do exposto, voto no sentido de converter o feito em diligência a fim de que: i) sejam identificados e individualizados os valores decorrentes do contrato de transferência de tecnologia referente ao anocalendário de 2002, de acordo com a sistemática prevista na Cláusula 4, do contrato (taxa de transferência), a fim de verificar as receitas que deveriam ser apropriadas pelo contribuinte em atenção ao princípio da competência; ii) seja intimada a Recorrente para que apresentados contratos, relatórios pareceres ou documentos capazes de comprovar a natureza e efetividade das despesas incorridas que foram alvo de glosa., A autoridade fiscal realizou os procedimentos evidenciados às fls. 805/860 e ao final da diligência lavrou o Termo de Conclusão de fls. 861/862, no qual relata a intimação lavrada, as prorrogações solicitadas e as respostas apresentadas, consistentes na juntada de documentos sem qualquer esclarecimento e apresentação posterior de esclarecimentos adicionais. Finaliza consignando que nada mais tendo sido apresentado e dando por concluída a diligência fiscal, a contribuinte é cientificada para, querendo, aditar novas razões a sua defesa em 30 (trinta) dias. A contribuinte manifestouse às fls. 878/888, reportandose aos documentos apresentados e consignando que, ao anexálos aos autos, a Fiscalização embora tenha tido a oportunidade, não contestou os argumentos de defesa apresentados pela RECORRENTE, tampouco questionou a materialidade e suficiência dos documentos juntados ao processo para comprovar a total improcedência dos AUTOS, de onde infere a concordância tácita com a tese da defesa. Na seqüência, novamente esclarece a origem da exclusão glosa, observa que a Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto reconheceu a existência de fortes indícios de que foram computadas no anocalendário de 2002 receitas e despesas referentes a período base anterior, e destaca que demonstrou estas ocorrências durante a diligência, sem qualquer questionamento pela autoridade fiscal. Discorre sobre os parâmetros da contratação firmada com COMGAS e conclui que foi dirimida a dúvida suscitada na resolução da 2a Turma da 1a Câmara desta 1a Seção, devendo ser reconhecida a procedência da exclusão promovida. Finaliza reiterando os argumentos deduzidos em recurso voluntário contra as despesas glosadas e pleiteando a declaração de sua improcedência. Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 11 10 Como a Relatora original não mais integra este Conselho, procedeuse a novo sorteio, resultando na atribuição da relatoria dos recursos presentes nestes autos a esta Conselheira. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 12 11 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Glosa de exclusão do lucro líquido Observase nos autos que, por meio da intimação de fls. 58, a contribuinte foi intimada a justificar e comprovar, com documentação hábil e idônea, a exclusão do Lucro Líquido em referência. Concedido o prazo de 10 (dez) dias, prorrogado por mais 15 (quinze) dias úteis a pedido da contribuinte (fl. 61), houve reintimação para apresentação imediata dos elementos exigidos (fl. 64), seguida da concessão de prorrogação por mais 30 (trinta) dias úteis para atendimento (fl. 65). Às fls. 66/72 constam os esclarecimentos acerca da retificação promovida na DIPJ do anocalendário 2001, da diferença demonstrada entre o prejuízo escriturado no Livro Diário e o novo resultado positivo apurado no anocalendário 2002, da origem e da repercussão dos ajustes nos montantes de receitas e despesas do anocalendário 2001, do cômputo contábil destas diferenças apenas no anocalendário 2002 e da conseqüente exclusão destes efeitos, além de outros aspectos, todos vinculados a planilhas anexadas à resposta. No curso da abordagem a contribuinte consigna que teve em conta a legislação pertinente ao LALUR conforme parecer normativo n° 2 de 28 de Agosto de 1996 da Coordenação Geral do Sistema de Tributação, item 5.2 — COSIT publicado no DOU na página 16648 em 29 de agosto de 1996, e resume as alterações promovidas na apuração dos anoscalendário 2001 e 2002 nos seguintes termos: Anocalendário 2001: [...] o) RESUMO: No anocalendário 2001 a BG do Brasil Ltda. apurou prejuízo contábil no valor de R$ 8.657.897,62, e após ajustes de RECEITAS e DESPESAS, cujos registros contábeis somente se efetivaram em 2002, provocou a reversão de PREJUÍZO CONTÁBIL para LUCRO FISCAL, com a liquidação total da dívida tributária apurada, via pagamento do imposto devido. Ressaltase que o valor preponderante para a virada de prejuízo para lucro foi de R$ 14.801.886,66, que referese a receita de TTA Royalties contra a COMGÁS de competência 2001, registrado contabilmente em 31 Dezembro 2002 como receita, inserido no lançamento contábil de R$ 26.183.339,10 (ver detalhes no item i acima). Anocalendário 2002: [...] bb) RESUMO: No anocalendário 2002 a BG do Brasil Ltda. apurou lucro contábil no valor de R$ 4.997.935,33, e após ajustes de RECEITAS e DESPESAS, sendo que parte destes ajustes os registros contábeis ocorreram em 2002 e são de competência de 2001, e neste ano de 2001 foram devidamente tributados, também por intermédio de ajustes ao prejuízo contábil apurado, provocou a reversão em 2002 de LUCRO CONTÁBIL para PREJUIZO FISCAL. cc) FINALIZAÇÃO: A justificativa para a exclusão do valor de R$ 13.132.988,58 no anocalendário 2002 como OUTRAS EXCLUSÕES, está diretamente associado à adição ao lucro real no anocalendário 2001, de receitas que foram contabilizadas Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 13 12 em 2002, cuja competência são de 2001 e foram tributadas em 2001 via ajustes ao prejuízo contábil do exercício de 2001. A contribuinte vinculou sua resposta a documentos enumerados de I a XI, mas apenas foi juntado aos autos os documento VI e XI (fl. 75/79), correspondentes aos ajustes escriturados no LALUR em 31/12/2001 e 31/12/2002. A autoridade lançadora assim se manifestou acerca destes esclarecimentos, já no Termo de Constatação de Infração, às fls. 134/135: Somente em 08/10/2007, em resposta a Intimação e a reIntimação Fiscal (fls. 65) juntando cópia das folhas do Lalur e demonstrativos, sem, todavia, apresentar qualquer comprovação das despesas, apresentou as suas alegações, declarando: a) Que nos anos calendário de 2001 e 2002, ajustou via Lalur as receitas de competência do ano calendário de 2001 e somente contabilizadas em 2002, apresentando declaração retificadora; b) Que os ajustes de receitas e despesas registrados na escrituração contábil do ano de 2002, de competência do ano de 2001, foram levados a débito ou a crédito contra o Patrimônio Líquido; c) Que, com relação as despesas, são representadas pelos Impostos, Contribuições e demais encargos sobre as receitas de competência dos anos calendário de 2001 e de 2002, sem que estas despesas fossem registradas na escrituração contábil; d) Que a justificativa para a exclusão do valor de R$ 13.132.988,58 no ano calendário de 2002 como Outras Exclusões, referese a ajustes de receitas no valor de R$ 15.259.798,80 e de despesas no valor de R$ 28.392.787,38 e está diretamente associado a adição ao Lucro Real no ano calendário de 2001, de receitas que foram contabilizadas em 2002, cuja competência são de 2001 e foram tributadas, via retificadora da DIPJ do ano calendário de 2001. Conforme se verifica, o valor excluído do Lucro Líquido foi obtido por diferença entre ajustes de receitas e de despesas de competência do ano calendário de 2001 e não contabilizadas no período, ficando sem identificação e sem comprovação a efetivação das despesas pleiteadas para dedução do Lucro Líquido no ano calendário de 2002. Constitui condição para a dedutibilidade que os dispêndios de custos ou despesas estejam docunentadamente comprovados, quanto a efetiva contraprestação do serviço e seu efetivo pagamento e, que guardem estrita conexão com a atividade explorada e com a manutenção da fonte de receita. Permitiuse assim, o contribuinte, de forma indevida, reduzir seus lucros, contábil e real, que resultou em insuficiência na apuração dos tributos devidos. Resta patente, nestes termos, que a autoridade lançadora não compreendeu os esclarecimentos prestados pela contribuinte, dado que a exclusão promovida não se presta a reduzir o lucro do período fiscalizado em razão de despesas não escrituradas, mas sim em razão de receita nele computada, mas já tributada no anocalendário anterior. Segundo os esclarecimentos juntados às fls. 66/72, a contribuinte teria apresentado à Fiscalização cópia de sua escrituração no anocalendário 2001, de modo a demonstrar que o resultado do período (prejuízo de R$ 8.657.897,62) era inferior ao resultado consignado por ocasião da retificação da DIPJ do anocalendário 2001 (lucro de R$ 16.472.355,49), inclusive comprovando o recolhimento do IRPJ incidente sobre este acréscimo. Juntara também demonstrativos e cópias do Livro Razão para evidenciar as receitas Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 14 13 auferidas em face de COMGAS e tardiamente reconhecidas no anocalendário 2002, bem como a contabilização das despesas de tributos incidentes sobre aquelas receitas, além de cópias do LALUR que integraram o Doc. VI, antes referido. Relativamente às apurações do anocalendário 2002, a contribuinte indica ter apresentado a DIPJ correspondente, cópia do Livro Diário para evidenciar o resultado apurado, demonstrativo dos ajustes que afetaram o resultado daquele período, descrição do tratamento dado a diferentes parcelas da receita auferida em face de COMGAS, detalhamento das despesas vinculadas e estornadas e a reprodução destes ajustes no LALUR, cuja cópia integra o Doc. IX antes referido. Por sua vez, o mencionado Parecer Normativo COSIT nº 2/96 prestase a esclarecer os procedimentos a serem adotados em face de postergação de pagamento do imposto em virtude de inobservância do regime de competência na escrituração de receitas, custos ou despesas e no item citado pela contribuinte diz: 5.2 O § 4º, transcrito, é um comando endereçado tanto ao contribuinte quanto ao fisco. Portanto, qualquer desses agentes, quando deparar com uma inexatidão quanto ao períodobase de reconhecimento de receita ou de apropriação de custo ou despesa deverá excluir a receita do lucro líquido correspondente ao período base indevido e adicionála ao lucro líquido do períodobase competente; em sentido contrário, deverá adicionar o custo ou a despesa ao lucro líquido do períodobase indevido e excluílo do lucro líquido do períodobase de competência. Frente a tais circunstâncias, os esclarecimentos prestados pela contribuinte deveriam ter sido confrontados com sua escrituração contábil e fiscal, de modo a confirmar a alegada correspondência da exclusão, no anocalendário 2002, com a adição, no anocalendário 2001, do resultado que ali deixou de ser reconhecido. A afirmação de que receitas e despesas não contabilizadas no anocalendário 2001 deixariam sem identificação e sem comprovação a efetivação das despesas pleiteadas para dedução do Lucro Líquido no ano calendário de 2002 é insuficiente para sustentar a glosa promovida. Por tais razões, são inócuas as referências produzidas, já em face de julgamento administrativo, acerca de inconsistências nos demonstrativos de cálculo elaborados pela defesa. Por certo uma exclusão pode ser glosada por falta de comprovação documental das operações a que se refere, porém uma vez demonstrado no curso do procedimento fiscal que sua origem é a exclusão de receitas que, ajustadas pelas despesas tributárias correspondentes, foi submetida a tributação em período anterior, a glosa deve necessariamente abordar eventuais irregularidades presentes na transposição destes valores. Em tais condições, discutir a validade da exclusão com base em questionamentos veiculados apenas na decisão de 1a instância representaria clara inovação do lançamento, vedada nesta fase processual. Isto porque a motivação é elemento essencial na constituição do crédito tributário, e sua deficiência pode ser interpretada como vício material, por ausência de adequada descrição dos fatos (art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/72), ou por falha na verificação da ocorrência do fato gerador e na determinação da matéria tributável (art. 142 do CTN). Em tais condições, é possível declarar a nulidade do lançamento por vício material ou mesmo a sua improcedência por deficiências de mérito. O fato, porém, é que em ambos os casos, depois da lavratura do auto de infração, não é mais possível a sua complementação, porque ausente uma das hipóteses previstas no art. 41, §1o, incisos I e II do Decreto nº 7.574/2001 (norma de natureza procedimental e assim de aplicação retroativa), ou mesmo a sua nova constituição na forma do art. 173, inciso II do CTN, por não se tratar de mero vício formal, e sim vício material, insuscetível de retificação mediante nova formalização do Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 15 14 lançamento, porque dependente do acréscimo de aspectos fáticos e jurídicos ausentes na formalização original. Impõese, assim, a conclusão de que a acusação fiscal não reúne argumentação suficiente para justificar a glosa da exclusão em referência, devendo ser anulado, por vício material, o lançamento referente a esta parcela. Por tais razões, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário neste ponto. Glosa de despesas Preambularmente cumpre refutar as reiteradas alegações da recorrente acerca do valor probatório de seus registros contábeis, com vistas a impor ao Fisco o dever de prova de sua inveracidade, dado que o próprio art. 9o do Decretolei nº 1.598/77, citado pela recorrente, atribui este valor probante à escrituração apenas se os fatos nela registrados estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais: Art 9º A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita a verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos da sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova. § 1º A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. § 2º Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no § 1º. § 3º O disposto no § 2º não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao contribuinte o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. Por sua vez, a dedutibilidade de despesas na apuração do lucro tributável submetese a requisitos legais específicos, bem expostos no voto vencido da decisão recorrida: O contribuinte alega que cabe ao Fisco comprovar os fatos que deram origem ao auto de infração. Neste contexto, impende ressaltar que o ônus da prova é daquele que pleiteia, nos termos do artigo 333 do Código do Processo Civil. Logo, uma vez que o Fisco glosou as despesas e fundamentou as razões do seu proceder, cabe ao contribuinte, na fase impugnatória, ilidir as causas apontadas pelo Fisco, para que possa ter restabelecido o seu direito à dedução. Importa destacar que as despesas têm o condão de reduzir o lucro líquido e, conseqüentemente, o crédito tributário, é ônus da contribuinte comproválas. Nesse sentido, podemos destacar o ensinamento doutrinário de Antônio da Silva Cabral (Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, 298), in verbis: “Uma das regras que regem as provas consiste no seguinte: toda afirmação de determinado fato deve ser provada. Dizse freqüentemente: 'a quem alega alguma coisa, compete provála'. (...) Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 16 15 Em processo fiscal predomina o princípio de que as afirmações sobre omissão de rendimentos devem ser provadas pelo fisco, enquanto as afirmações que importem redução, exclusão, suspensão ou extinção do crédito tributário competem ao contribuinte” (...).(grifei) O dispêndio para ser dedutível, deverá ser lícito, necessário, usual ou normal, efetivo e documentado, para atender ao conceito técnico de despesa. O dispêndio deverá, portanto, ser lícito, necessário, usual ou normal, efetivo e documentado, para atender ao conceito técnico de despesa, no especial sentido que lhe dá a legislação do Imposto de Renda. A ausência ou falha em qualquer dos requisitos impossibilita considerar o ato ou fato econômico como despesa dedutível, permanecendo como mero dispêndio, sem possibilidade de compor a determinação do lucro tributável. Cabe, ainda, a leitura do art. 299 do RIR/1999 (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º), que assim dispõe : “ 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa.” .... Por sua vez o Parecer Normativo CST nº 32, de 1981, esclarece ainda que “o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos”. Deste modo, a escrituração das despesas, nos termos do art. 251 do RIR/1999 (art. 7º do Decretolei nº 1.598/1977), tem de estar necessariamente apoiada em documentos idôneos, que sejam hábeis a demonstrar a sua existência, bem como a sua conexão com a atividade explorada e com a manutenção da fonte de receita. Nesse sentido, tais documentos, respeitadas as suas naturezas, devem trazer as informações necessárias, com o nível de detalhamento suficiente (com o nome das partes envolvidas, a data, o valor, a especificação do gasto etc.), para eventual exame pelo Fisco dos requisitos legais para a sua dedutibilidade. Especialmente devem comprovar que os dispêndios correspondem efetivamente à contrapartida de algo recebido, além de serem inerentes às operações da empresa, ou delas decorrerem ou com elas se relacionarem. Ainda quanto à prova a ser exibida pelo contribuinte, a mesma deve ser sopesada sob a ótica dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, previstos no art. 2º da Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. Maria Sylvia Zanella di Pietro, comentando a citada lei, em sua obra Direito Administrativo, 13ª edição, pág. 81, nos ensina que: “Embora a Lei nº 9.784/99 faça referência aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, separadamente, na realidade, o segundo constitui um dos aspectos contidos no primeiro. Isto porque o princípio da razoabilidade, entre outras coisas, exige proporcionalidade entre os meios de que se utiliza a Administração e os fins que ela tem que alcançar. E essa proporcionalidade deve ser medida não pelos critérios pessoais do administrador, mas segundo padrões comuns na sociedade em que vive; e não pode ser medida diante dos termos frios da lei, mas diante do caso concreto...” Conclusivamente, se o contribuinte não apresenta provas razoáveis que permitam considerar o ato ou fato econômico como despesa dedutível, estes permanecem como mero dispêndio, sem possibilidade de compor a determinação do lucro tributável. Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 17 16 Acrescentese que o simples fato de o beneficiário não ser pessoa ligada à contribuinte não autoriza a conclusão de que a despesa era necessária. Nos termos do art. 299 do RIR/99, a necessidade é avaliada tendo em conta a natureza do gasto e a sua conexão com a atividade da empresa ou com manutenção da respectiva fonte produtora. Assim, além do beneficiário deve ser identificada a causa do pagamento e demonstrada sua correlação com os resultados produzidos pela pessoa jurídica. Registrese, ainda, que ao contrário do que defende a recorrente especificamente em um dos itens a seguir abordados, a ausência de prova da necessidade da despesa autoriza a sua glosa, também, na apuração da base de cálculo da CSLL. A recorrente entende que os ajustes à sua base de cálculo estão previstos no art. 2o da Lei nº 7.689/88, e não sendo o caso de provisão, inexiste disposição legal que firme aquela indedutibilidade. Todavia, a Lei nº 9.249/95 claramente afirmou a aplicabilidade do art. 47 da Lei nº 4.506/64 à apuração da base de cálculo da CSLL ao assim dispor: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro liquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: [...] (destacouse) Por sua vez, o art. 47 da Lei nº 4.506/64 é a base legal do art. 299 do RIR/99, dispondo: Art 47, São operacionais a s despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1a São necessárias as despesas pagas ou incorridas paia a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2a As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, [...] De toda sorte, cumpre observar que mesmo tendo em conta apenas o art. 2o da Lei nº 7.689/88, está ali determinada a incidência da CSLL sobre o resultado do exercício e este, a teor da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade CFC nº 750/93, não pode ser afetado por operações que não guardem relação com a finalidade da pessoa jurídica: Art. 4º. O Princípio da Entidade reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por conseqüência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Parágrafo único. O Patrimônio pertence à Entidade, mas a recíproca não é verdadeira. A soma ou agregação contábil de patrimônio autônomo não resulta em nova Entidade, mas numa unidade de natureza econômicocontábil. O princípio assim enunciado firma que a entidade objeto de contabilização tem de estar completamente separada das entidades que formam o corpo de seus proprietários. Ausente prova documental dos motivos que ensejaram a contratação da despesa, subsiste a Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 18 17 possibilidade de que ela não tenha beneficiado diretamente as atividades da pessoa jurídica, restando injustificada a sua contabilização e, por consequência redução do lucro aqui tributado, quer pelo IRPJ, quer pela CSLL. Feitas estas considerações, passase à análise do recurso voluntário e ao reexame necessário na seqüência adotada na decisão de 1a instância. RONALDO FIANI A Turma Julgadora, por unanimidade de votos, cancelou a glosa ante a apresentação do parecer expedido em razão dos serviços contratados, espelho do cheque de pagamento e cópia do recibo (fls. 338/383), cujos valores e datas são coincidentes com a despesa glosada (21/03/2002, no valor de R$ 20.106,10). Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. SKADDEN, ARPS, SLATE, MEAGHER & FLORN Embora o Relator tenha admitido comprovadas as despesas com serviços prestados por Skadden , Arps, Slate, Meagher & Flom (R$ 65.790,97), a maioria qualificada da Turma vislumbrou descompassos temporais entre a prestação dos serviços e o registro da despesa. Segundo a acusação fiscal, a contribuinte teria apresentado apenas documentos internos de sua contabilidade para justificar os registros na conta 3.3.5.15.005.217 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros), nos valores de R$ 9.868,50 e R$ 55.921,47, em 30/12/2002. Observase nos autos que a Fiscalização intimou a contribuinte a comprovar documentalmente os valores consignados naquela conta contábil, no valor total de R$ 85.896,07 (fl. 92) e não há notícia de qualquer resposta apresentada. A glosa, assim, foi promovida por falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa. Tendo em conta os elementos juntados à impugnação (fls. 384/388) o voto condutor observa que os documentos apresentados referemse a serviços prestados nos meses de dezembro de 2001 e janeiro de 2002, conforme relatório de atividades, fls. 387, ao passo que a despesa glosada ocorreu em dezembro de 2002. Conclui, assim, que a despeito dos valores serem coincidentes, como constatouse no voto vencido, não seria razoável uma despesa incorrida ser paga um ano depois. Por sua vez, o voto vencido assim apreciou a questão: O contribuinte argumenta que em 2002, estava em negociações com o GRUPO VERDI para aquisição de ações de uma de suas empresas e, em decorrência, contratou o renomado escritório de advocacia SKADDEN, ARPS, SLATE, MEAGHER & FLOM (SKADEN) para auxiliála em assuntos relacionados à questão, inclusive na revisão dos contratos de compra e venda de ações e do acordo de acionistas. Sustenta ainda que os serviços prestados pelo SKADDEN foram cobrados com base no tempo despendido por seus associados, conforme descriminado em "timesheet" (DOC. 09 fls. 384/388), que houve também a cobrança de reembolso de despesas com viagem, reprodução de cópias e processamento de textos relacionada à prestação do serviço. Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 19 18 Quanto aos valores devidos, informa que totalizaram US$ 18.569,00, correspondentes a R$ 65.790,97 (taxa de câmbio de 19.11.2002 de R$ 3,543), sendo que desse montante R$ 9.868,50 correspondeu ao IRF devido sobre os valores remetidos ao exterior (15%) e R$ 55.921,47 ao valor líquido efetivamente remetido ao exterior (DOC.10 – fls. 389/398). Da análise dos documentos de fls. 384/388, verificase que os mesmos estão em inglês. A rigor, o art. 224 do Código Civil de 2002 (art. 140 do CC/1916) reza que “os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País.” De todo modo, como destaquei o princípio da razoabilidade, constato que os valores dos documentos de fls. 386/388 perfazem o total de US$ 18.569.00, justamente o valor apontado pelo contribuinte. Ao se aplicar o valor da cotação de R$ 3,543 indicado pelo contribuinte, encontrase o valor de R$ 65.970,97, cuja fonte corresponde a 9.868,50. Em relação à cotação do dólar, segundo o Banco Central o seu valor em 19/11/2002 era R$ 3,5539 e, de acordo com o Ato Declaratório Executivo COSIT nº 40, de 05/12/2.002, o seu valor para aquisição era de R$ 3,5764. Portanto a cotação utilizada pelo contribuinte foi inferior aos valores aceitos pelos agentes reguladores da matéria. Juntei ainda aos autos o extrato de pagamento no valor de R$ 9.868,50 (fl. 661), relativo à operação efetuada. Conclusivamente, restou demonstrada a necessidade e efetividade de despesa, devendo a glosa de despesas ser cancelada. Como se vê, além do descompasso entre as datas de contabilização da despesa e de formalização do acordo apresentado, este foi redigido em língua estrangeira, impedindo a avaliação da natureza dos serviços prestados e da sua real necessidade. Demais disso, a contribuinte teve a oportunidade de apresentar tais esclarecimentos no curso do procedimento fiscal, e ainda dispôs do prazo de defesa para produzila de forma consistente. Assim, ainda que a coincidência de valores acima mencionada permita correlacionar os pagamentos feitos à operação alegada, não é possível aferir sua necessidade, usualidade e normalidade. Em recurso voluntário, a interessada limitase a invocar a compatibilidade da escrituração com os valores expressos nas provas apresentadas, afirmando, mas sem a juntada de novas provas, que não houve registro anterior de despesa que pudesse desvinculálos dos serviços prestados em dezembro/2001 e janeiro/2002. No mais, defende o valor probante de sua escrituração e observa que o beneficiário não é pessoa ligada, argumentos inicialmente refutados, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, inclusive no que tange à exigência de CSLL. ANTÔNIO GILBERTO BANDEIRA DE CARVALHO A decisão recorrida manteve a glosa desta despesa porque a contribuinte apresentou apenas recibo emitido pelo beneficiário (fls. 401/402). A glosa foi justificada pela falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa, muito embora a contribuinte tenha sido intimada a justificar os registros na conta 3.3.5.16.004.564 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros Pessoas Jurídicas – Honorários com Consultores), no caso representados pela parcela de R$ 37.541,00. Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 20 19 Observase à fl. 402 que o recibo sequer está assinado e reportase a uma carta oferta e uma carta acordo referentes a análise do plano de negócios da Comgas, que não foram apresentadas. Em recurso voluntário, a interessada limitase a defender o valor probante de sua escrituração e observa que o beneficiário não é pessoa ligada, argumentos inicialmente refutados, motivo pelo qual, restando incomprovada a despesa, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. BRANCO CONSULTORES S/C LTDA A decisão recorrida manteve a glosa desta despesa porque a contribuinte apresentou apenas notas fiscais e recibos de pagamento que são insuficientes para comprovar a efetiva prestação de serviços (fls. 403/418). A glosa foi justificada pela falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa, muito embora a contribuinte tenha sido intimada a justificar os registros na conta 3.3.5.16.004.564 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros Pessoas Jurídicas – Honorários com Consultores), no caso representados pelas parcelas de R$ 2.900,00, R$ 17.110,00 (três parcelas), R$ 12.588,60, R$ 16.567,70, R$ 13.711,20. A contribuinte apresentou à Fiscalização apenas os documentos de fls. 101/105, com vistas a provar a parcela de R$ 26.370,00 escriturada em 26/06/2002, mas como bem observou a autoridade lançadora, na nota fiscal apresentada somente é possível identificar que foi prestado serviço de assessoria, inexistindo elementos para avaliação da necessidade do gasto. As notas fiscais anexadas à defesa, da mesma forma, descrevem a prestação de “Serviço de Consultoria Tributária – conforme anexo”, e seu pagamento por meio de boletos bancários opera em favor da efetividade da despesa. Porém, a sua necessidade somente é provada com evidências do serviço contratado e prestado, e neste sentido há apenas um documento, mas em língua estrangeira (fl. 412), que não se presta para aquele fim, nos termos das justificativas expostas neste voto. Em recurso voluntário, a interessada limitase a defender o valor probante de sua escrituração e observa que o beneficiário não é pessoa ligada, argumentos inicialmente refutados, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário inclusive no que tange à exigência de CSLL. Observese, ainda, que a autoridade lançadora cancelou a glosa relativa à despesa de R$ 17.110,00, datada de 30/09/2002, acolhendo a alegação da contribuinte de que fora estornado o correspondente lançamento como demonstrado à fl. 420. De fato, a contribuinte apresenta em defesa apenas duas notas fiscais naquele valor, emitidas em 30/08/2002 e 26/09/2002, e pagas em 13/09/2002 e 11/10/2002. E o estorno demonstrado à fl. 420 já constava do extrato do Livro Razão juntado pela Fiscalização à fl. 98. Correta, portanto, a exoneração do crédito tributário correspondente, devendo ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. CLAMAR LTDA A decisão recorrida manteve a glosa desta despesa porque a contribuinte apresentou apenas notas fiscais e depósitos bancários em favor da beneficiária, os quais são insuficientes para comprovar a efetiva prestação de serviços (fls. 403/418). A glosa foi Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 21 20 justificada pela falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa, muito embora a contribuinte tenha sido intimada a justificar os registros na conta 3.3.5.16.004.564 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros Pessoas Jurídicas – Honorários com Consultores), no caso representados por duas parcelas de R$ 13.536,37. A contribuinte apresentou à Fiscalização apenas os documentos de fls. 101/105, com vistas a provar a parcela de R$ 13.536,37 escriturada em 03/06/2002, mas como bem observou a autoridade lançadora, na nota fiscal apresentada somente é possível identificar que foi prestado serviço de assessoria, inexistindo elementos para avaliação da necessidade do gasto. A defesa alegara que os serviços consistiram na análise e gestão de riscos na estruturação de projetos negociais, elaboração e formatação de contratos, análise da viabilidade técnica e econômica de projetos visando a adoção de melhores práticas comerciais e operacionais. Todavia, as notas fiscais apresentadas enunciam, apenas, serviços prestados, impedindo a confirmação daquelas alegações e a avaliação acerca da necessidade da despesa. Em recurso voluntário, a interessada limitase defender o valor probante de sua escrituração e observa que o beneficiário não é pessoa ligada, argumentos inicialmente refutados, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário inclusive no que tange à exigência de CSLL. KRISTALL CONSULTING LTDA A Turma Julgadora decidiu, por unanimidade, cancelar a glosa das despesas vinculadas a este beneficiário pelas razões assim expostas no voto condutor: Informa o contribuinte que nos termos da Proposta de Prestação de Serviços, datada de 01.11.2002 (DOC. 15 – fls. 429/431), contratou a empresa KRISTALL CONSULTING LTDA (KRISTALL) para a prestação de serviços de organização e promoção de congressos, seminários, palestras e programas de treinamento e assessoria em serviços empresariais. Elucida ainda que após a efetivação dos serviços, a empresa emitiu a nota fiscal de serviço n° 379, de 02.12.2002, a qual especifica referirse a evento realizado no Hotel Excelsior (DOC. 16 –fls. 432/433, que foi paga juntamente com outra de R$ 1.834,71, conforme comprovado pelo Recibo de Depósito em Conta Corrente, emitido em nome da empresa KRISTALL CONSULTING LTDA, datado de 06.12.2002 (DOC. 17 – fls. 434/436). Neste caso, além da nota fiscal, nos valores de R$ 3.622,20 (fl. 433) e R$ 1.834,71 (fl. 436), o contribuinte juntou o comprovante de pagamento no valor de R$ 5.735,35 (fl. 435), que corresponde à soma dos dois valores deduzido o IR de 1,50%. Tais elementos aliados à proposta de fls. 430/431 são suficientes para comprovar a despesa glosada no valor de R$ 3.568,16 (3.622,00 – IR 1,5% 54,33). Comprovada a despesa a glosa deve ser cancelada. Os documentos juntados às fls. 429/431 evidenciam o que acima relatado e conferem materialidade à prestação de serviços indicada nas notas fiscais, razão pela qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. LINKLATERS Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 22 21 A despesa glosada por motivos semelhantes aos anteriores foi justificada em defesa apenas com a apresentação do extrato bancário de fl. 438, evidenciando que uma transferência foi promovida no valor glosado, sem sequer indicar seu beneficiário. Assim, a contribuinte pretende sustentar sua dedução apenas com base nas alegações de que nos dias atuais toda empresa, principalmente aquelas do seu porte, necessitam de serviços de consultoria jurídica nacional e internacional integrada e de alta qualidade, razão pela qual teria contratado os serviços jurídicos do beneficiário, que seria internacionalmente reconhecido como um dos mais importantes escritórios de advocacia globais, com atuação de primeira linha nas áreas societária, financeira e em outras áreas especializadas. Inexiste qualquer prova documental da efetividade ou da necessidade da despesa, bem como do beneficiário do pagamento. Assim sendo, e tendo em conta que os argumentos acerca do valor probante de sua escrituração foram inicialmente refutados, restando incomprovada a despesa, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. ESTRATÉGIA & VALOR CONSULTORES ASSOCIADOS A glosa foi justificada pela falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa, muito embora a contribuinte tenha sido intimada a justificar os registros na conta 3.3.5.16.004.564 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros Pessoas Jurídicas – Honorários com Consultores), no caso representados por cinco parcelas escrituradas de 19/09/2002 a 30/12/2002, no valor total de R$ 223.442,70. O Relator do acórdão recorrido restou vencido em sua decisão de admitir parcialmente provadas as despesas, nos seguintes termos: Informa o contribuinte que a fiscalização glosou despesas relativas à contratação de serviços de consultoria empresarial prestados pela empresa ESTRATÉGIA & VALOR CONSULTORES ASSOCIADOS LIMITADA por entender não haver comprovação dessas despesas, mas que contratou a empresa, que é referência do mercado de consultoria empresarial e conta com um quadro de consultores altamente especializados em avaliação de empresa, gestão de negócios, sustentabilidade corporativa e consultoria em negócios para lhe prestar serviços nesta área. Elucida ainda que em decorrência da prestação de serviços em 2002, a ESTRATÉGIA remeteu à IMPUGNANTE relatórios de tempo das horas trabalhadas por um de seus consultores, Sra. François Moreau, com a descrição dos serviços prestados, e emitiu notas fiscais de serviços e de reembolso de despesas, nos valores correspondentes às despesas glosadas, as quais foram pagas por meio de depósito bancário em nome da ESTRATÉGIA (DOC. 19 – fls. 439/454). [...] Como meio de prova o contribuinte juntou as seguintes notas fiscais: nº 003, de 19/09/2002, no valor de R$ 29.609,71 (fl. 440); nº 004, de 16/10/2002, no valor de R$ 31.960,69 (fl. 443); nº 0010, de 14/01/2003, no valor de R$ 24.674,40 (fl. 446); nº 006, de 20/11/2002, no valor de R$ 32.762,77 a nota fiscal nº 008, de 10/12/2002, no valor de R$ 50.749,58 e nº 009, no valor de R$ 4.286,33. Juntou ainda: comprovantes de pagamento às fls. 441, 449 e 454; demonstrativos de horas trabalhadas (em inglês), da Sra. François Moreau (fls. 442, 445 e 451), transferências bancárias via TED (fls. 444 e 447) e correspondência entre as empresas (fls. 450). Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 23 22 Ao examinarse as provas apresentadas, verificase que o contribuinte efetuou esforço probatório para comprovar aquilo que alega. Em que pese este esforço, considero que as despesas foram somente parcialmente comprovadas. As notas fiscais nº 003, de 19/09/2002, no valor de R$ 29.609,71 (fl. 440); nº 004, de 16/10/2002, no valor de R$ 31.960,69 (fl. 443), juntamente como os demais documentos juntados aos autos dão suporte à sua exclusão da autuação. Também resta comprovada a despesa no valor de R$ 4.222,04, cujo valor é obtido deduzindose da nota fiscal de fl. 453, no total de R$ 4.286,33 deduzido de 1,5% de imposto de renda retido na fonte, devendo também esta despesa ser excluída da autuação. Em relação à despesa de R$ 50.224,75 o contribuinte não juntou documentos para comprovação. Quanto às despesas nos valores de R$ 24.764,40, R$ 32.762,77 e R$ 49.988,34, apesar dos documentos não serem coincidentes quanto às datas, os valores guardam compatibilidade. Então, em virtude dos demais elementos juntados ao processo considero tais despesas comprovadas. Conclusivamente, deve ser mantida somente a glosa no valor de R$ 50.224,75. A glosa, porém, foi mantida integralmente nos termos do voto vencedor a seguir reproduzido: A interessada alega que contratou a Estratégia & Valor Consultores Associados Limitada por ser referência no mercado de consultoria empresarial, apresentando relatórios de tempo das horas trabalhadas por um de seus consultores, Sra. François Moreau, com a descrição dos serviços prestados. Assim, teria pago um total de despesas no montante de R$ 223.442,70. Os relatórios apresentados, discriminando os serviços prestados pela consultora Sra. François Moreau, fls. 442, 445 e 451, não guardam qualquer relação com a autuada, e nem com a empresa Estratégia & Valor Consultores Associados. No relatório, em algumas atividades, há apenas a menção da empresa BG, mas não restou claro que todos os eventos foram realizados por demanda da autuada, e nem que a consultora tivesse qualquer vínculo com a empresa contratada. Cabe ainda destacar que os relatórios apresentados são simples listagens, sem timbre de identificação da empresa contratada, e sem qualquer assinatura de modo que atestassem as atividades desenvolvidas. Considerando as despesas no montante de R$ 223.442,70, entende que deveria haver um maior controle ou rigor nos serviços prestados. Mas não é só. Até mesmo nas Notas Fiscais apresentadas, emitidas pela Estratégia & Valor Consultores Associados Limitada, não há qualquer menção que os serviços teriam sido prestados pela citada consultora, ou que seriam decorrentes dos relatórios supra mencionados. Logo, os documentos apresentados não se prestam para ilidir a glosa das despesas, devendo ser mantida em sua totalidade. Em recurso voluntário, a interessada defende o valor probante de sua escrituração e observa que o beneficiário não é pessoa ligada, argumentos refutados no início desta análise. Aduz também que a manutenção da glosa implica inobservância da regra de que os esclarecimentos prestados pelos contribuintes só podem ser desconsiderados com elementos seguros de prova e defende que até mesmo a glosa da parcela de R$ 50.224,75, vinculada a nota fiscal que não foi localizada, não se justiçaria porque ela se insere no mesmo contexto Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 24 23 fático das demais, tendo sua efetividade comprovada pelos relatórios de tempo anexados à impugnação. As notas fiscais apresentadas enunciam a prestação de serviços de consultoria empresarial ou reembolso de despesas. Há uma correspondência dirigida à autuada por François Moureau, em papel timbrado de Estratégia & Valor Consultores Associados, na qual consta referência a um contrato firmado em 13/06/2002, que não veio aos autos. Invocando este contrato, François Moureau informa que as 51,5 horas trabalhadas no mês de outubro seriam remuneradas pelo valor de US$ 9,270.00 e, como também apresentado para outros meses, há relatório que discrimina os dias trabalhados e as tarefas realizadas, mas em língua estrangeira. Por meio da mencionada correspondência é possível afirmar que François Moureau tem vínculo com Estratégia & Valor Consultores Associados e que seus serviços ensejaram ao menos parte dos pagamentos para os quais foi apresentado o mencionado relatório de horas trabalhadas, demonstrando a efetividade da despesa escriturada. Contudo, tais relatórios não se prestam como prova do conteúdo neles expresso por se apresentarem em língua estrangeira, e não foi apresentado o contrato que justificaria os serviços prestados e permitiria aferir a necessidade das despesas, bem como a compatibilidade dos valores pagos com o acordo entre as partes. Sem estas evidências, não é possível admitir a dedutibilidade das despesas com serviços prestados ou com reembolso de despesas, quer seja aquelas expressas em notas fiscais, quer seja aquela cuja nota fiscal não foi apresentada. Assim, também neste ponto deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, inclusive no que tange à exigência de CSLL. PASSARELLI CONSULTORES A decisão recorrida manteve a glosa desta despesa porque a contribuinte apresentou apenas notas fiscais e boletos bancários ou transferências em favor da beneficiária, os quais são insuficientes para comprovar a efetiva prestação de serviços (fls. 455/462). A glosa foi justificada pela falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa, muito embora a contribuinte tenha sido intimada a justificar os registros na conta 3.3.5.16.004.564 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros Pessoas Jurídicas – Honorários com Consultores), no caso representados por parcelas de R$ 6.864,00 e R$ 9.152,00. A contribuinte apresentou à Fiscalização apenas os documentos de fls. 101/105, com vistas a provar a parcela de R$ 9.152,00 escriturada em 16/12/2002, mas como bem observou a autoridade lançadora, na nota fiscal apresentada somente é possível identificar que foi prestado serviço de assessoria, inexistindo elementos para avaliação da necessidade do gasto. As notas fiscais apresentadas por ocasião da impugnação, de fato, somente contém a descrição serviços profissionais prestados, e estão acompanhadas de extrato bancário da fiscalizada com a indicação de cheques debitados e cópia interna do cheque correspondente, bem como de um boleto de pagamento em favor do beneficiário referido. Embora evidenciem a efetividade da despesa, não há qualquer demonstração do serviço prestado, sendo mera alegação da defesa a referência à contratação de consultores especializados no rastreamento e seleção de executivos. Em recurso voluntário, a interessada limitase a defender o valor probante de sua escrituração e observa que o beneficiário não é pessoa ligada, argumentos inicialmente Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 25 24 refutados, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário inclusive no que tange à exigência de CSLL. PPF CONSULTORIA A glosa foi justificada pela falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa, muito embora a contribuinte tenha sido intimada a justificar os registros na conta 3.3.5.16.004.564 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros Pessoas Jurídicas – Honorários com Consultores), no caso representados por parcelas de R$ 22.023,15, R$ 5.992,12, R$ 51.605,77, R$ 4.736,20, R$ 11.714,37, R$ 22.878,43, R$ 128.507,06, R$ 8.627,93. A contribuinte apresentou à Fiscalização apenas os documentos de fls. 101/105, com vistas a provar a parcela de R$ 97.507,31 escriturada em 10/09/2002, mas como bem observou a autoridade lançadora, na nota fiscal apresentada somente é possível identificar que foi prestado serviço de assessoria, inexistindo elementos para avaliação da necessidade do gasto. Os documentos apresentados em impugnação, por sua vez, são insuficientes para justificar a dedutibilidade das despesas, nos termos expostos no voto condutor da decisão recorrida: A empresa alega ser é tendência mundial a terceirização de serviços nas empresas, sejam eles quais forem e que por esta razão contratou a PPF & AFONSO OUTSOURCING S/C LTDA. (PPF) visando a terceirização da escrituração contábil e fiscal, da sua folha de pagamentos, do departamento de pessoal e da auditoria interna; Propugna que os serviços contratados estão resumidamente elencados no relatório encaminhado pela PPF à IMPUGNANTE, por meio do qual àquela descreve, por tópicos, os serviços a serem executados no ano de 2002 (DOC. 23 – fls. 463/465), juntando ainda notas fiscais, comprovantes de pagamento e correspondência à fl. 483, conforme relatado. Examinandose o relatório de fls. 464/465, verificase que nem mesmo assim pode ser qualificado. Tratase de um documento sem assinatura, com o timbre da PPF, onde constam uma série de serviços que supostamente seriam prestados à empresa. Também as notas fiscais fazem a menção genérica a serviços profissionais, em entretanto descrevêlos. Verificase ainda, por exemplo, em algumas delas, a menção a um contrato assinado em 04/07/2002 (vide fl. 467), que também não foi juntado aos autos.Notese ainda que na nota fiscal de fl. 475 a data que consta no contrato é 01/07/2007. Por tais razões e com base nos fundamentos já explicitado os elementos juntados aos autos são insuficientes para comprovar a efetiva prestação de serviços, devendo assim ser mantidas as glosas. Em recurso voluntário, a interessada defende o valor probante de sua escrituração e observa que o beneficiário não é pessoa ligada, argumentos inicialmente refutados. Diz também que os pagamentos decorrem a terceirização da escrituração contábil e fiscal, da sua folha de pagamento, do departamento de pessoal e da auditoria interna, reporta se a relatório com descrição dos serviços a serem executados no ano de 2002 e descreve as notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços a partir da competência de julho/2002 e os correspondentes pagamentos efetuados, demonstrados na impugnação. Na medida em que a decisão recorrida já demonstrou a insuficiência destes documentos especialmente para Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 26 25 comprovação da necessidade da despesa, e em recurso voluntário a contribuinte sequer apresentou o contrato que teria justificado os pagamentos promovidos, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, inclusive no que tange à exigência de CSLL. SANDRA WILLIANS E SANDRA MAIO A glosa foi justificada pela falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa, muito embora a contribuinte tenha sido intimada a justificar os registros na conta 3.3.5.16.004.564 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros Pessoas Jurídicas – Honorários com Consultores), no caso representados por parcelas de R$ 106.626,44 e R$ 17.750,00. Os documentos apresentados em impugnação, por sua vez, são insuficientes para justificar a dedutibilidade das despesas, nos termos expostos no voto condutor da decisão recorrida: A autuada inicialmente esclarece que tais despesas referemse aos serviços prestados pela mesma profissional autônoma, a Sra. Sandra Lynn Malone (SRA. SANDRA), que foi contratada como profissional autônoma para a prestação de serviços de análise de sistemas, para o qual cobrou a quantia de R$ 124.376,44. Defende ainda que inicialmente, a IMPUGNANTE efetuou um adiantamento à Sra. SANDRA no montante de R$ 17.750,00 e, após a efetivação dos serviços efetuou o pagamento da parcela restante do valor líquido do serviço, no montante de R$ 51.530,44 (o IRF retido pela IMPUGNANTE correspondeu a R$ 33.780,44), como se comprova pelo Recibo de Pagamento a Autônomo RPA, devidamente assinado pela SRA. SANDRA e pela GPRS Autônomos (DOC. 37 – fls. 498/502). As provas trazidas aos autos são similares às outras que foram refutadas, consistindo no recibo de fl. 499 e outros documentos que não servem para demonstrar a efetiva prestação do serviço. Portanto, a glosa deve ser mantida. O RPA e a declaração do débito de contribuição previdenciária decorrentes da operação somente evidenciam a atividade, mas não permitem aferir se os serviços prestados eram necessários para o desenvolvimento das operações da empresa. Em recurso voluntário, a interessada limitase a defender o valor probante de sua escrituração e observa que o beneficiário não é pessoa ligada, argumentos inicialmente refutados, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, inclusive no que tange à exigência de CSLL. CBIE CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA A Turma Julgadora decidiu, por unanimidade de votos, cancelar as exigências correspondentes à glosa das despesas vinculadas a este beneficiário, nos termos das razões assim expressas no voto condutor do julgado: Destaca a impugnante que a dinâmica atual do mercado global de energia, caracterizada pela sua desregulamentação e pela convergência de diferentes submercados, tornouse extremamente complexa e de difícil previsão e neste novo ambiente de negócios, celebrou contrato (DOC. 38 – fls. 503/508) com o Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CEIE), empresa de consultoria e informação em economia da indústria de energia, que oferece serviços de inteligência e gestão de negócios do mercado de energia. Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 27 26 Elucida ainda que nos termos do referido contrato, a CBIE assessoraria a IMPUGNANTE com vistas a uma maior participação desta em ações políticas, institucionais e regulatórias relacionadas ao processo de abertura da indústria do gás natural no Brasil e que o escopo dos trabalhos prestados pela CBIE consistiu, basicamente, no desenvolvimento de estratégias para a exploração de novas oportunidades de negócios e para a minimização de riscos negociais, entre outros. Informa ainda que de acordo com o contrato de prestação de serviços, obrigouse ao pagamento de seis parcelas mensais e sucessivas no valor de R$ 20.000,00 cada, e ainda segundo o contrato, a CBIE prestaria assessoria em tópicos regulatórios e elaboração de estudos, análises e pareceres sobre temas relativos à regulação, ao custo de R$ 10.000,00, tendo dessa maneira a CBIE emitido notas fiscal de serviços, as quais foram efetivamente pagas, pelo seu valor líquido (DOC. 39 – fls. 509/576). Esclarece que findo o mencionado contrato, e em razão da necessidade da continuação dos serviços de assessoria prestados pela CBIE, foi firmado um novo acordo em setembro de 2002 (DOC. 40 – fls. 517/523), com objeto idêntico ao do primeiro contrato e honorários totais no valor de R$ 77.004,00, a serem pagos em seis parcelas mensais e sucessivas de R$ 12.834,00. Em decorrência disto, a CBIE emitiu as notas ficais de serviços de n°s 0787, de 25.09.2002, 0791, de 07.10.2002, 0810, de 07.11.2002, e 0860, de 16.12.2002, todas no valor contratado de R$ 12.834,00 o que corresponde a um valor líquido individual de R$ 12.641,4, que foram pagas por meio de depósitos bancários realizados na conta corrente da CBIE nos dias 07.10.2002, 21.10.2002, 21.11.2002 e 20.12.2002, todos no valor líquido de R$ 12.641,49, como se pode comprovar pêlos demonstrativos de depósito em conta corrente (DOCS. 41 e 42 – fls. 524/532). As despesas glosadas foram as seguintes: DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS DATA EMPRESA VALOR DESCRIÇÃO 05/02/2002 CBIE Centro Brás de Infra Estrutura 20.000,00 NF 0728 05/03/2002 CBIE Centro Brás de Infra Estrutura 20.000,00 NF 0735 05/04/2002 CBIE Centro Brás de Infra Estrutura 10.000,00 NF0736 05/05/2002 CBIE Centro Brás de Infra Estrutura 20.000,00 NF 0744 TOTAL 70.000,00 DESPESAS INDEDUTÍVEIS FALTA DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO DATA EMPRESA VALOR DESCRIÇÃO 03/10/2002 CBIE consultoria econômica 12.834,00 33516004564 Desp. serv. prest. terc. PJ Hon. Consult. 11/11/2002 CBIE consultoria econômica 12.641,49 33516004564 Desp. serv. prest. terc. PJ Hon. Consult. 16/12/2002 CBIE consultoria econômica 12.641,49 33516004564 Desp. serv. prest. terc. PJ Hon. Consult. TOTAL 38.116,98 Diferentemente de outros itens, favorecem à comprovação das alegações da interessada a juntada de cópia das propostas de fls. 504/509 e 518/523. Por seu turno as notas fiscais são compatíveis com as despesas glosadas, além de haver razoabilidade na justificativa apresentada pela empresa para contratação dos serviços. Face ao exposto, considero comprovadas as despesas, devendo ser excluídas da autuação. O objeto das propostas comerciais guarda relação com as atividades da recorrente e os valores dos serviços ali fixados correspondem às despesas contabilizadas, Fl. 2044DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 28 27 refletidas em notas fiscais também apresentadas, acompanhadas dos correspondentes comprovantes de pagamento. Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. MRS PROFESSIONAL ACCESS S/C LTDA. A glosa foi justificada pela falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa, muito embora a contribuinte tenha sido intimada a justificar os registros na conta 3.3.5.16.004.565 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros Pessoas Jurídicas), no caso representados pela parcela de R$ 1.600,00 escriturada em 31/01/2002. O Relator do acórdão recorrido restou vencido em sua decisão de admitir provada as despesas, nos seguintes termos: Argumenta que no mês de fevereiro de 2002, necessitou para auxílio na consecução de suas atividades, dos serviços técnicos especializados do Sr. Guido Ignácio Entrambasaguas Subieta, funcionário da BG GROUP e para a obtenção do visto que permitisse sua entrada no país, contratou os serviços de assistência técnica da empresa MRS PROFESSIONAL ACCESS S/C LTDA. (MRS), no valor de R$ 1.600,00. Como prova junta a nota fiscal na 652 emitida pela MRS em 01.02.2002, no valor líquido de 1.576,00 (fl. 53), recibo (fl. 535) e o comprovante do depósito bancário realizado pela IMPUGNANTE na conta corrente da MRS (fls. 535). As provas documentais de fls. 533/537 são suficientes para cancelar a glosa no valor de R$ 1.600,00. Todavia, a maioria qualificada da Turma Julgadora entendeu que a glosa deveria ser mantida, pelas razões a seguir expostas: 3) MRS PROFESSIONAL ACCESS S/C LTDA. Alega que contratou os serviços da MRS PROFESSIONAL ACCESS S/C LTDA. (MRS), no valor de R$ 1.600,00, para obtenção do visto do Sr. Guido Ignácio Entrambasaguas Subieta, funcionário da BG GROUP, uma vez que necessitaria de seus serviços técnicos especializados. Para comprovação do que alega, apresenta recibo emitido pela firma contratada, onde a descrição do serviço prestado coaduna com sua defesa, fls. 535. No entanto, entendo que faltou a comprovação da necessidade da contratação dos serviços do Sr. Guido Ignácio Entrambasaguas Subieta, que deu origem a esta despesa. Não basta alegar que precisou contratar seus serviços. Deveria ser demonstrada a necessidade de sua contratação para os fins da atividade econômica da empresa, sob pena de parecer gasto de mera liberalidade, não cabendo a dedução do lucro. Sequer há a comprovação de que o Sr. Guido seria funcionário da BG GROUP. Portanto, entendo que deve ser mantida a glosa da despesa. A recorrente reitera os esclarecimentos prestados, entende que a DRJ não pode alterar o fundamento da glosa para exigir a prova de que o beneficiário dos serviços era seu funcionário, vez que a glosa decorreu da falta de comprovação da efetividade da despesa. Não tem razão a contribuinte porque a autoridade lançadora claramente expõe que a falta de atendimento à intimação lavrada no curso do procedimento fiscal impediu a comprovação não só da efetiva contraprestação dos serviços, como também da sua necessidade à atividade da Fl. 2045DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 29 28 empresa. Indispensável, portanto, a demonstração do vínculo de Guido Ignácio Entrambasaguas Subieta com a fiscalizada e , por conseqüência, da necessidade das despesas incorridas para obtenção de seu visto temporário para entrada no Brasil. Por tais razões, e tendo em conta os demais argumentos desenvolvidos no início desta abordagem, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, inclusive no que tange à exigência de CSLL. SAMPERGONÇALVES PUBLICIDADE A glosa foi justificada pela falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa, muito embora a contribuinte tenha sido intimada a justificar os registros na conta 3.3.5.16.004.565 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros Pessoas Jurídicas), no caso representados por parcelas de R$ 6.000,00 e R$ 10.000,00. Os documentos apresentados em impugnação foram considerados insuficientes para justificar a dedutibilidade das despesas, consoante exposto na decisão recorrida: A empresa alega que nos meses de setembro e dezembro de 2002, visando divulgar, fortalecer e aumentar a visibilidade de sua marca no mercado, contratou a empresa SAMPERGOLÇALVES PUBLICIDADE (SAMPER) para a elaboração de campanhas publicitárias, bem como todos os serviços necessários ao desenvolvimento das mesmas. Defende que em razão da efetivação dos serviços, a SAMPER emitiu as notas fiscais de n°s 12223, de 25.09.2002, no valor de R$ 6.000,00, e 12258, de 12.12.2002, no valor de R$ 10.000,00 (DOC. 44 – fls. 538/540), que foram quitadas por meio de dois depósitos bancários na conta corrente da SAMPER: o primeiro, datado de 04/10/2002, referente à nota fiscal nº 12223, no valor líquido de R$ 5.910,00, e o segundo, datado de 23.12.2002, no valor de R$ 10.000,00 (DOC. 45 – fls. 541/543). Somente a juntada das notas fiscais e dos comprovantes de pagamento não são suficientes para cancelar a glosa, devendo a mesma ser mantida. Ocorre que as notas fiscais apresentadas assim discriminam os serviços prestados: Projeto e desenvolvimento da campanha, bem como criação de textos/mensagens e layouts das peças Trabalho: CMA 5 Projeto e desenvolvimento da campanha Criação do nome e do logotipo “inside BG” Trabalho: “Serviço de Atendimento ao Funcionário” Tratandose de serviço de publicidade, em regra necessários à atividade das pessoas jurídicas, os quais foram prestados por empresa que, por sua razão social, atua no ramo, e estando descritos em nota fiscal os trabalhos realizados, em consonância com o que seria esperado em tais operações, remunerados de forma razoável (fls. 538/540), há evidências suficientes da efetividade e da necessidade das despesas glosadas, devendo ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 2046DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 30 29 SPS COMUNICAÇÃO A Turma Julgadora decidiu, por unanimidade de votos, cancelar as exigências correspondentes à glosa das despesas vinculadas a este beneficiário, nos termos das razões assim expressas no voto condutor do julgado: Propugna a interessada que celebrou com SPS COMUNICAÇÃO LTDA. (SPS) contrato de prestação de serviços de comunicação, pelo qual esta se obrigou a prestar os serviços de assessoria de imprensa, consultoria de comunicação e serviços eventuais de elaboração de palestras, publicações, manuais e textos para artigos palestras e publicações (DOC. 46 – fls. 544/548); Alega ainda que o referido contrato estabelece que, pela prestação de tais serviços, a SPS faz jus a uma remuneração mensal de R$ 9.000,00, atualizável pela variação do IGPM, a qual não inclui os custos de pessoal, encargos, provisões trabalhistas e impostos, com exceção do ISS, sobre eles incidente e que em razão da prestação de tais serviços, SPS emitiu contra a IMPUGNANTE, no ano de 2002, as notas fiscais, as quais foram devidamente pagas (DOCS. 47 e 48, fls. 549/565). Elucida ainda que a estratégia de comunicação proposta pela SPS, bem como a necessidade da sua contratação, estão demonstradas na proposta comercial apresentada por aquela em janeiro de 2001 (DOC. 49 – fls. 566/582). De fato o contrato de fls. 545/548 demonstra a relação existente entre ambas as empresas. No mesmo sentido labora em favor da empresa a proposta de fls. 567/582. Por seu turno, as notas fiscais, os comprovantes de pagamento e as correspondências entre as empresas (vide fls. 550/565), laboram no sentido da comprovação das despesas, devendo as glosas ser canceladas. As glosas alcançam duas parcelas de R$ 9.450,00 e seis parcelas de R$ 10.404,45, contabilizadas na conta nº 3.3.5.16.005.565 – Despesas com Serviços Prestados por Terceiros – Pessoas Jurídicas, e os elementos referenciados no excerto acima permitem delinear a natureza dos serviços prestados e confirmar a correspondência dos registros contábeis com as notas fiscais emitidas, evidenciando a regularidade das despesas contabilizadas, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. TOWERS PERRIN A Turma Julgadora não acolheu os argumentos deduzidos pela contribuinte em impugnação, assim se manifestando o Relator: A empresa defende que a despesa de R$ 6.000,00 relativa a pagamento efetuado ao escritório de advocacia Towers, Perrin, Forsters & Crosby Ltda. referese a serviço de consultoria prestado, conforme consignado na respectiva nota fiscal (DOC. 50 – fls. 583/585) e que a efetividade da referida despesa foi contestada pelo fiscal autuante, mas apenas a sua necessidade. Em primeiro lugar não é correto que apenas a necessidade da despesa tenha sido contestada. Na intimação de fls. 119/120 a empresa foi instada a comprovar a necessidade, o pagamento e a efetiva contraprestação do serviço. Também no Termo de Constatação de Infração o autuante justifica a glosa não somente em virtude da falta de comprovação da necessidade dos serviços, mas também na falta de comprovação da efetiva prestação dos serviços. Fl. 2047DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 31 30 É de notar que a nota fiscal de fl. 584 não descreve qual tipo de serviço de consultoria foi prestado, comprometendo a demonstração da necessidade dos serviços contratados. Além disso, somente as notas fiscais e o comprovante de pagamento não servem para ilidir a glosa, devendo a mesma ser mantida. De fato, a contribuinte foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores e demonstrando o efetivo pagamento, a contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa desta despesa e de outras registradas na conta 3.3.5.16.005.565 (Despesas com Serviços Prestados por Terceiros Pessoas Jurídicas) e limitouse a apresentar os documentos de fls. 125/129, dentre os quais observase a juntada, apenas, da nota fiscal emitida pelo beneficiário em epígrafe, discriminando os serviços prestados como serviços de consultoria prestados no mês. A autoridade lançadora, então, promoveu a glosa porque não ficou provada a necessidade e a efetiva contraprestação dos serviços. À impugnação, por sua vez, foi novamente juntada a nota fiscal antes referida, acompanhada apenas do comprovante de seu pagamento. Inviável, assim, aferir a natureza do serviço prestado e avaliar sua necessidade para as atividades da pessoa jurídica. Em recurso voluntário, a interessada limitase a defender o valor probante de sua escrituração e observa que o beneficiário não é pessoa ligada, argumentos inicialmente refutados, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, inclusive no que tange à exigência de CSLL. INTRANET CONSULTORIA EM INFORMÁTICA LIDA. A Turma Julgadora não acolheu os argumentos deduzidos pela contribuinte em impugnação, assim se manifestando o Relator: A empresa alega que as despesas de R$ 5.175,00 e R$ 4.863,44 pagas à Intranet Consultoria em Informática Ltda. referemse a serviços de informática prestados nos meses de maio e novembro de 2002 e estão respaldadas por notas fiscais e comprovantes de pagamento (DOC. 51 – fls. 586/590), razão por que sua efetividade não poderia ter sido contestada pelo fiscal autuante. Do mesmo modo, somente as notas fiscais e o comprovante de pagamento não servem para ilidir a glosa, devendo a mesma ser mantida. As notas fiscais apresentadas reportamse a serviços de informática prestados em períodos determinados (maio/2002 e novembro/2002), serviços estes que, à semelhança daqueles prestados por empresa de publicidade, são, em regra, necessários à atividade das pessoas jurídicas. Considerando que os serviços foram prestados por empresa que, por sua razão social, atua no ramo, e foram remunerados de forma razoável (fls. 587/589), há evidências suficientes da efetividade e da necessidade das despesas glosadas, devendo ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. COGNITIVA ASSESSORIA EM INFORMÁTICA LTDA. A Turma Julgadora não acolheu os argumentos deduzidos pela contribuinte em impugnação, assim se manifestando o Relator: Fl. 2048DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 32 31 Defende a empresa que os valores de R$ 4.200,00 e R$ 9.850,00 pagos à Cognitiva Assessoria em Informática Ltda. referemse a serviços de informática consistente na compatibilização das informações armazenadas no sistema "IDEAS", para que pudessem ser utilizadas pelos demais aplicativos da autuada e estão lastreadas em notas fiscais e comprovantes de pagamento (DOC. 52 – fls. 591/595), razão por que sua glosa é improcedente. Mais uma vez, repisese: somente as notas fiscais e o comprovante de pagamento não servem para ilidir a glosa, devendo a mesma ser mantida. As notas fiscais apresentadas reportamse a serviços de informática descritos como sistema de estratificação de dados, complemento interface de sistema “RM” contabilidade (geração scritps “SAL”), e sistema complementar IDEAS “MY IDEAS” (parcela 01/02). Como antes dito, serviços de informática, à semelhança daqueles prestados por empresa de publicidade, são, em regra, necessários à atividade das pessoas jurídicas. Considerando que os serviços foram prestados por empresa que, por sua razão social, atua no ramo, e foram remunerados de forma razoável (fls. 591/595), há evidências suficientes da efetividade e da necessidade das despesas glosadas, devendo ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. ONSITE CONSULTORIA DE INFORMÁTICA LIDA. A Turma Julgadora decidiu, por unanimidade de votos, cancelar parcialmente as exigências correspondentes à glosa das despesas vinculadas a este beneficiário, nos termos das razões assim expressas no voto condutor do julgado: O contribuinte sustenta que os valores pagos à ONSITE CONSULTORIA DE INFORMÁTICA LTDA. (ONSITE), contrariamente ao que afirma a fiscalização, não têm como causa a aquisição de equipamentos de informática ou outros bens ativáveis, mas sim prestação de serviços de suporte em informática. Adiciona ainda que em 01.11.2001, celebrou com a ONSITE o "Contrato de Suporte Consultivo e Operacional em Tecnologia da Informação", pelo qual esta se comprometeu a prestar consultoria e suporte operacional em assuntos de informática, incluindo suporte aos servidores e à utilização de softwares e help desk (DOC. 53 fls. 596/604) e que por conta do referido contrato, a ONSITE emitiu contra a IMPUGNANTE notas fiscais de serviço, as quais foram efetivamente pagas (DOC. 53 A – fls. 605/630). Conclui alegando que a natureza dos pagamentos efetuados à ONSITE é a de despesa operacional relacionada a serviços de suporte em informática, razão por que devem ser lançados a resultados e não ativados, devendo a glosa das também ser cancelada. Do procedimento fiscal se verifica que o contribuinte foi intimado em 19/09/2007 (fls. 106/107) a comprovar a dedutibilidade das despesas glosadas, tendo o contribuinte apresentado as notas fiscais de fls. 112/118. No Termo de Verificação de Constatação da Infração (fls. 134/144) o fiscal motiva a glosa nas seguintes razões: “DESPESAS ATIVÁVEIS valores apropriados em conta de despesas e declarados na rubrica de Despesas Operacionais, escriturado em sua contabilidade na conta 3.3.5.17.002.579 Serviços Prestados de Informática, referente aos pagamentos abaixo discriminados, onde fica demonstrado que se trata de serviços de informática para implantação de sistemas, ficando caracterizada a aquisição de bens de natureza permanente, quando deveriam ser ativados, para futura amortização/depreciação . .. R$ 92.720,00” ( grifei) Fl. 2049DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 33 32 Como se vê, a glosa é motivada pelo autuante em virtude caracterização da aquisição de bens de natureza permanente. Em que pese este embasamento, o autuante não juntou elementos de prova que sirvam para caracterizar esta aquisição, a qual presumese que tenham sido feitas com base nas provas juntadas pelo contribuinte em resposta à intimação. Cotejandose as notas fiscais de fls. 112/119, podese ver que estão discriminados como sendo de “consultoria técnica” ou “horas adicionais de consultoria técnica”. As notas fiscais não dão respaldo à afirmação de que os serviços prestados tenham servido para a implantação de sistemas e, por esta razão, sejam configurados como referentes à aquisição de bens do ativo permanente, e portando ativáveis. Deve ser ressaltado que o ônus da prova é atribuído a quem alega a existência de um fato: a prova das alegações, incumbe a parte que as faz. Assim, compete ao Fisco comprovar que os serviços prestados serviram para a implantação de sistemas, e por esta razão, deveriam ser ativados para amortização futura, para somente após esta comprovação exigir o tributo, com os acréscimos legais cabíveis. Neste sentido o artigo 924 do RIR/1999 é claro: “Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º).” Como visto, incumbe ao Fisco buscar a verdade material e produzir provas minimamente confiáveis para então exigir o tributo devido, o que não se observa na exigência em exame. Por tais razões não pode prosperar a exigência deste item da autuação, quanto às despesas ativáveis, que são as seguintes: DESPESAS ATIVÁVEIS VALOR DATA EMPRESA LANÇADO EXONERADO MANTIDO 07/01/2002 Onsite Consultoria 7.600,00 7.600,00 0,00 14/02/2002 Onsite Consultoria 11.200,00 11.200,00 0,00 07/03/2002 Onsite Consultoria 15.800,00 15.800,00 0,00 08/04/2002 Onsite Consultoria 17.500,00 17.500,00 0,00 07/05/2002 Onsite Consultoria 9.400,00 9.400,00 0,00 14/06/2002 Onsite Consultoria 10.840,00 10.840,00 0,00 05/08/2002 Onsite Consultoria 20.380,00 20.380,00 0,00 TOTAL 92.720,00 92.720,00 0,00 Ocorre que empresa também teve glosadas as despesas referentes a serviços prestados pela Onsite por falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade para a atividade da empresa (fls. 139/140). Em relação a tais despesas, a empresa apresentou notas fiscais, comprovantes de pagamento e contrato em língua inglesa. Para demonstrar a efetiva prestação do serviços poderia ter juntado aos autos, por exemplo, comprovantes das horas trabalhadas, correspondências trocadas entre as empresas, ou outros elementos que servissem para elucidar a que se referiram os serviços de “consultoria técnica” ou “horas adicionais de consultoria técnica”. Em virtude da falta de comprovação da efetiva prestação do serviço tais glosas devem ser mantidas. São elas: Fl. 2050DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 34 33 DESPESAS INDEDUTÍVEIS FALTA DE COMPROVAÇÃO COM DOCUMENTAÇÃO DATA EMPRESA VALOR LANÇADO EXONERADO MANTIDO 08/07/2002 Onsite Consultoria 9.580,00 0,00 9.580,00 06/09/2002 Onsite Consultoria 11.740,00 0,00 11.740,00 08/10/2002 Onsite Consultoria 14.980,00 0,00 14.980,00 01/11/2002 Onsite Consultoria 25.393,30 0,00 25.393,30 26/12/2002 Onsite Consultoria 16.488,75 0,00 16.488,75 TOTAL 78.182,05 0,00 78.182,05 Observase que no curso do procedimento fiscal a contribuinte apresentara à Fiscalização as notas fiscais de fls. 112/118, nas quais está descrita a prestação de serviços de consultoria técnica, e a partir daí a autoridade lançadora inferiu que se trataram de serviços a serem ativados, promovendo a glosa sob este fundamento. Demonstrada a fragilidade da acusação, e não sendo possível aperfeiçoála em julgamento sem prejuízo à defesa do interessado, mostrase correta a exoneração do crédito tributário correspondente, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. Quanto às demais despesas, sua glosa teve outra motivação, razão pela qual a manutenção parcial não se mostra incongruente com a decisão favorável à contribuinte em relação à outra parcela glosada, como alega a recorrente. Nesta segunda parte, a contribuinte não atendeu à intimação para comprovação destes registros com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores de modo a demonstrar o efetivo pagamento, a contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa. Assim, a glosa foi motivada pela comprovação da natureza, da necessidade e da efetividade da contraprestação dos serviços. Por sua vez, a comprovação apresentada consiste em contrato em língua estrangeira, e notas fiscais que discriminam os serviços como de consultoria técnica. Em tais condições, ainda que os serviços sejam prestados por empresa que atua no ramo de informática, é essencial a demonstração da natureza da consultoria prestada para que se possa aferir a sua necessidade para a atividade da pessoa jurídica. Por tais razões, a glosa subsiste, devendo ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, inclusive no que tange à exigência de CSLL. QUANTOR ENGENHARIA ELETRÔNICA LIDA. A Turma Julgadora decidiu, por unanimidade de votos, cancelar as exigências correspondentes à glosa das despesas vinculadas a este beneficiário, nos termos das razões assim expressas no voto condutor do julgado: O contribuinte sustenta que embora registrado em conta contábil relativa à despesas com prestação de serviços o valor de R$ 1.946,00 pago à Quantor Engenharia Eletrônica Ltda. referese à aquisição de KIT MANUTENÇÃO HP 4000/4050, o que é facilmente constatado a partir da respectiva nota fiscal (DOC. 54 fls. 631/633), que especifica a natureza da operação como sendo "venda" e faz o destaque do valor do ICMS sobre ela incidente. Pelo que se vê da autuação, o contribuinte escriturou equivocadamente na conta 3.3.5.17.002.579 Despesas com Serviços Prestados de Informática, deduzidas do Lucro Líquido, o valor referente à aquisição do KIT MANUTENÇÃO HP 4000/4050, o se comprova pela respectiva nota fiscal (DOC. 54 fls. 631/633). Fl. 2051DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 35 34 Além disso, ainda que tenha registrado como equivocadamente como despesa de prestação de serviços, à fl. 110 está registrada a aquisição do KIT MANUTENÇÃO HP 4000/4050, na conta 3.3.5.17.001 578 – peças e suprimentos para computadores e não na conta 3.3.5.17.002.579 Despesas com Serviços Prestados de Informática, como consta no auto de infração. Comprovada que se trata de aquisição de bens, não pode ser mantida a glosa com fundamento na falta de comprovação da prestação de serviços. Os documentos juntados aos autos evidenciam precisamente o que indicado na decisão sob reexame, inclusive no que tange à escrituração do item como peças e suprim. p/ computadores, e não na conta 3.3.5.17.002.579 (Serviços prestados informática), como dito pela autoridade lançadora. Assim, a contribuinte deveria ter sido questionada acerca da possibilidade de dedução, como despesa, de bem cujo valor unitário supera o previsto no art. 301 do RIR/99. Como não foi este o procedimento adotado, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício. DESPESAS COM BRINDES As glosas foram justificadas pela falta de comprovação da efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade à atividade da empresa. Embora todos os itens tenham sido registrados na conta 3.3.5.18.008.589 (Despesas com Brindes), apenas a operação registrada em 02/09/2002, no valor de R$ 8.481,53, foi glosada com fundamento na indedutibilidade prevista no art. 13, inciso VII da Lei nº 9.249/95, e conseqüente sujeição à adição ao lucro líquido. O Relator do acórdão recorrido restou vencido em sua decisão de admitir provada a adição das despesas, nos seguintes termos: A empresa informa que segundo se verifica da planilha da autuação foram glosadas as seguintes despesas, relativa à aquisição de brindes: 31/01/2002 Transf. Custo Comgás 5.417,28 33518008589 Despesas com brindes 02/09/2002 MKM Brindes 8.481,53 33518008589 Despesas com brindes 20/09/2002 11.212,07 33518008589 Despesas com brindes 04/09/2002 Parra brindes canetas p/Rio Oil &Gas 8.131,20 33518008589 Despesas com brindes 30/09/2002 Jamer brindes livros p/dia secretárias 1.120,00 33518008589 Despesas com brindes 17/10/2002 Montalcino presente H. Ewards 1.281,90 33518008589 Despesas com brindes Total 35.643,68 Sustenta que a glosa não pode prosperar em virtude das referidas despesas terem sido adicionadas ao seu lucro líquido, para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSL, juntando como meio de prova o LALUR relativo ao ano de 2.002 (fls. 634/637), cópia do livro razão relativo à conta brindes – 3.3.5.18.008 589 (fls. 639/640), notas fiscais e comprovantes de depósito (fls. 641/657). De fato, observandose o razão de fls. 639/640, contatase que as despesas glosadas foram devidamente escrituradas na conta brindes. Além disso, o total das despesas como brindes da empresa no ano de 2.002 foi de R$ 37.006,48, sendo que em janeiro foi transferido o valor de R$ 40,00 da referida conta e em julho o valor de R$ 795,00, resultando assim no saldo no valor de R$ 36.171,48. Como o valor excluído via LALUR engloba a totalidade das despesas glosadas a mesma não pode prosperar. Fl. 2052DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 36 35 Ademais, na ficha na Ficha 09A da DIPJ relativa ao anocalendário de 2002, segundo elucida o contribuinte, verificase que foi feita adição de R$ 3.262.591,54, no qual estão inclusas as despesas como brindes, que assim se decompõe: Despesas indedutíveis 566.997,02 Gratificações 1.792.283,64 Benefícios a diretores 790.435,63 Multas 63.604,77 Brindes 37.006,48 Doações 12.264,00 Total 3.262.591,54 Portanto, como o valor das despesas com brindes foi adicionada ao lucro real, descabe a glosa imposta ao contribuinte. A maioria qualificada da Turma Julgadora entendeu que a glosa deveria ser mantida, pelas razões a seguir expostas: Foram glosadas as seguintes despesas, relativas à aquisição de brindes: 31/01/2002 Transf. Custo Comgás 5.417,28 33518008589 Despesas com brindes 02/09/2002 MKM Brindes 8.481,53 33518008589 Despesas com brindes 20/09/2002 MKM Serv. Evento Rio Oil & Gas 11.212,07 04/09/2002 Parra brindes canetas p/Rio Oil &Gas 8.131,20 33518008589 Despesas com brindes 30/09/2002 Jamer brindes livros p/dia secretárias 1.120,00 33518008589 Despesas com brindes 17/10/2002 Montalcino presente H. Ewards 1.281,90 33518008589 Despesas com brindes Total 35.643,68 Em sua defesa, a autuada informa que as despesas foram adicionadas ao lucro líquido, não cabendo a glosa das despesas. Para comprovação, apresenta o LALUR relativo ao anocalendário de 2002 (fls. 634/637), cópia do livro razão relativo à conta brindes – 3.3.5.18.008 589 (fls. 639/640), notas fiscais e comprovantes de depósito (fls. 641/657). Alega, ainda, que o total das despesas como brindes da empresa no ano de 2002 foi de R$ 37.006,48, sendo que em janeiro foi transferido o valor de R$ 40,00 da referida conta e em julho o valor de R$ 795,00, resultando assim no saldo no valor de R$ 36.171,48. Além disso, aduz que na ficha na Ficha 09A da DIPJ relativa ao anocalendário de 2002, foi feita adição de R$ 3.262.591,54, no qual estão inclusas as despesas como brindes, que assim se decompõe: Despesas indedutíveis 566.997,02 Gratificações 1.792.283,64 Benefícios a diretores 790.435,63 Multas 63.604,77 Brindes 37.006,48 Doações 12.264,00 Total 3.262.591,54 Da análise dos documentos apresentados, verificase que os valores lançados no Livro LALUR, a título de Adições, estão de acordo com suas alegações. Entretanto, discordo quanto à afirmação de que a adição de R$ 3.262.591,54, registrada na DIPJ/2003, seria o somatório dos valores apresentados em sua impugnação, como veremos a seguir. Considerando a DIPJ/2003, fls. 4/52, constatase que a adição de R$ 3.262.591,54 é composta dos seguintes valores: Fl. 2053DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 37 36 Ficha 04A Custo dos Bens e Serviços Vendidos Parcela não dedutíveis Linha 26 Remuneração de Dirigentes de Produção dos Serviços R$ 634.288,46 Linha 37 Outros Custos R$ 145.053,61 Total R$ 779.342,07 Ficha 05A Despesas Operacionais Linha 01 Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração R$ 1.922.594,65 Linha 02 Ordenados, Salários, Gratif. e Outras Remun. a Empreg R$ 170.635,89 Linha 09 Outras Contribuições e Doações R$ 12.264,00 Linha 19 – Multas R$ 63.604,77 Linha 30 Outras Despesas Operacionais R$ 314.150,16 Total R$ 2.483.249,47 Ficha 09A Demonstração do Lucro Real Adições Linha 02 Custos Soma da Parcelas Não Dedutíveis 779.342,07 Linha 03 Despesas Operacionais Soma Parcela Não Dedutíveis 2.483.249,47 Linha 23 Soma das Adições 3.262.591,54 Assim, cotejando os valores constantes no LALUR, e aqueles informados em sua DIPJ/2003, os únicos coincidentes são as despesas com Doações, no valor de R$ 12.264,00, e despesas com Multas, no valor de R$ 63.604,77. Do cotejo dos demais valores, não há como se possa concluir, com total certeza, que as despesas com os brindes, no montante de R$ 37.006,48, comporiam a Adição ao lucro líquido. A defesa apresentada parece mais uma tentativa de comprovar sua adição, apresentando valores que somam o total de R$ 3.262.591,54, mas com várias inconsistências. Até mesmo as despesas com ordenados, remuneração, gratificação e outros, no LALUR somam R$ 2.582.719,27 (Gratificações – R$ 1.792.283,64 e Benefícios a Diretores – R$ 790.435,63), enquanto que na DIPJ/2003 totaliza R$ 2.727.519,00 (Remuneração de Dirigentes de Produção dos Serviços – R$ 634.288,46, Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração – R$ 1.922.594,65, Ordenados, Salários, Gratif. e Outras Remun. a Empreg – R$ 170.635,89). Portanto, entendo que não houve a comprovação de que as despesas com brindes, no valor de R$ 37.006,48, teria sido adicionada ao lucro líquido, devendo ser mantida a glosa. Ocorre que a glosa das despesas foi promovida sem qualquer investigação acerca da sua eventual adição, muito embora a própria autoridade lançadora tenha consignado que este seria o procedimento adequado. Por sua vez, a cópia do LALUR apresentada por ocasião da impugnação (fl. 695) é idêntica àquela apresentada no curso do procedimento fiscal para demonstração dos procedimentos correlatos à exclusão inicialmente abordada neste voto (fl. 75), e traz expressa a adição do saldo contábil da conta nº 3.3.5.18.008, no valor de R$ 37.006,48. Frente a tais circunstâncias, resta fragilizada a acusação fiscal, motivo pelo qual deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário. DESPESAS COM PATROCÍNIO Fl. 2054DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 38 37 As glosas tratadas sob este tópico foram mantidas pela decisão de 1a instância com base nos seguintes fundamentos: Segundo a impugnante, o Fisco glosou despesas nos valores de R$ 215.332,00 e R$ 5.000,00, lançadas em 09.07.2002 e 28.08.2002, pagas ao Instituto Brasileiro de Petróleo e à Britcham em razão do patrocínio do 17° Congresso Mundial de Petróleo e Evento Brian Wilson, respectivamente, sem que houvesse questionamentos relativos à efetiva realização e tampouco dúvida quanto à comprovação das despesas realizadas, mas apenas quanto à necessidade da referida despesa às suas atividade. Sustenta ser pacífica a jurisprudência favorável à dedutibilidade de despesas com a promoção de eventos e propaganda em situações semelhantes, e que as despesa estão devidamente comprovadas por meio de nota fiscal, recibo e comprovantes de pagamento (DOCS. 57 e 58 – fls. 652/657), não podendo prosperar a glosa. Mais uma vez, é equivocada a afirmação do contribuinte de que a efetividade da prestação de serviços não tenha sido contestada. Para maior clareza transcrevese o descrição dos fatos que motivou a glosa (fl. 136): “DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS valores apropriados em conta de despesas e declarados na rubrica de Outras Despesas Operacionais, escriturados em sua contabilidade na conta 3.3.5.18.017.598 Despesas com Patrocínio, referente aos valores abaixo discriminados, sem que ficasse comprovada a necessidade e a efetiva contraprestação dos serviços, indedutíveis, por serem desnecessárias a atividade da empresa no valor total de ... R$ 220.332,50;”(grifei) Portanto, não há suporte fático para a afirmação do contribuinte não tenha sido questionado quanto à efetiva prestação dos serviços glosados. No início deste voto foi destacado que: a escrituração das despesas tem de estar necessariamente apoiada em documentos idôneos, que sejam hábeis a demonstrar a sua existência, bem como a sua conexão com a atividade explorada e com a manutenção da fonte de receita; os documentos devem trazer as informações necessárias, com o nível de detalhamento suficiente, para eventual exame pelo Fisco dos requisitos legais para a sua dedutibilidade, e, especialmente devem comprovar que os dispêndios correspondem efetivamente à contrapartida de algo recebido, além de serem inerentes às operações da empresa, ou delas decorrerem ou com elas se relacionarem. Feita esta referência observase que a documentação apresentada pelo contribuinte não de mostra suficiente para demonstrar a contrapartida recebida pela empresa em função do patrocínio. A empresa alega que a jurisprudência é favorável à dedução com a promoção de eventos e propaganda em situações semelhantes à constante dos autos. Pois bem. Normalmente, o patrocínio decorre de um contrato, onde devem constar minimamente: as partes (contratante e contratado), o objeto (no caso o evento a ser patrocinado), o local e a data do evento, o valor do patrocínio e as obrigações das partes. O contrato contudo não foi juntado aos autos. A juntada do contrato permitiria demonstrar os benefícios a serem percebidos pela empresa em função do patrocínio(como por exemplo, a divulgação da empresa, a exposição na mídia, etc..). O contribuinte não informa onde os evento foram realizados, nem a forma de utilização dos recursos (o que serviria para demonstrar o nexo com atividade da empresa e os benefícios recebidos. Fl. 2055DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 39 38 Ademais, de acordo com o parágrafo 2º do artigo 18 da Lei 8.383, com a redação pelo artigo 1º da Lei 9.784, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real não poderão deduzir o valor da doação ou do patrocínio como despesa operacional. Por restar incomprovada a necessidade das despesa glosadas e que tais dispêndios corresponderam efetivamente à contrapartida de algo recebido e por expressa vedação legal, a glosa de despesas com patrocínio deve ser mantida. Os documentos juntados à impugnação (fls. 652/657) são praticamente idênticos àqueles apresentados à autoridade fiscal (fls. 86/87), e apenas estão acompanhados dos comprovantes de pagamento das despesas. Examinandoos, a autoridade lançadora entendeu que não ficou comprovada a efetiva contraprestação dos serviços e a sua necessidade a atividade da empresa, ressaltando que os pagamentos por mera liberalidade não estão contemplados no conceito de despesas necessárias à atividade da empresa. De fato, a nota fiscal emitida por Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, informada como instituição isenta de I.R. – Ato Declaratório 19708/77, diz que o valor pago de R$ 215.332,50 referese a patrocínio para 17 Congresso Mundial de Petróleo – 1 a 5 de Setembro de 2002 – RJ. Por sua vez, o recibo emitido por Britcham Brasil apenas se refere a cota de patrocínio do Evento Briam Wilson a realizarse em 3.9.2002. Tais elementos permitem pressupor que duas situações distintas podem ter ocorrido: a recorrente pode ter promovido doações para viabilizar a realização dos eventos, ou efetuou contribuições para ter em retorno a divulgação de sua marca ou de suas atividades. Ocorre que nesta segunda hipótese é razoável supor que algum acordo seja firmado com vistas a estabelecer as obrigações da beneficiária. Ausente tal documento, subsiste a possibilidade de as despesas configurarem mera liberalidade, como consignado no lançamento, razão pela qual não há reparos à decisão recorrida. Em recurso voluntário, a interessada limitase a defender o valor probante de sua escrituração e observa que o beneficiário não é pessoa ligada, argumentos inicialmente refutados, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, inclusive no que tange à exigência de CSLL. Compensação de prejuízos fiscais e bases negativas A Turma Julgadora de 1a instância corretamente admitiu a dedução de prejuízos e bases negativas de períodos anteriores para apuração da base tributável, observando que: Neste ponto lhe assiste razão, uma vez que no ano calendário de 2002 apurou um resultado negativo tanto de IRPJ como da CSLL, não poderia se utilizar, respectivamente, de prejuízos ou bases negativas de períodos anteriores. Em virtude da reversão de tais resultados pelo lançamento de ofício, o prejuízo e a base negativa de períodos anteriores, inclusive constante dos sistemas de controle interno da RFB (fls. 663/667), devem ser reconhecidos, com base no artigo 510 do RIR/1999. A compensação de prejuízos e bases negativas é direito do contribuinte e pode ser manifestado em defesa administrativa. Uma vez confirmada a existência de saldos disponíveis nos sistemas de controle interno, é admissível a redução das bases tributáveis até o limite legal de 30%, consoante promovido pela autoridade julgadora de 1a instância. Fl. 2056DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 40 39 Apenas que, em razão da desconstituição de outra parte das infrações aqui veiculadas, as bases tributáveis remanescentes se mostraram inferiores ao prejuízo e à base negativa originalmente apurados pelo sujeito passivo, não subsistindo lucros a serem reduzidos pela compensação com prejuízos e bases negativas de períodos anteriores. Assim, embora deva ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso de ofício neste ponto, os prejuízos e bases negativas de períodos anteriores utilizados na decisão de 1a instância devem ser novamente disponibilizados à contribuinte nos sistemas de controle interno da Receita Federal, como abaixo demonstrado, mediante recomposição dos cálculos elaborados pela autoridade julgadora de 1a instância, já considerando os efeitos do entendimento predominante, deste Colegiado, em favor da dedução de parte das despesas com patrocínio glosadas: IRPJ EXONERADO Discriminação LANÇADO DRJ CARF MANTIDO Despesas ativáveis 92.720,00 92.720,00 Despesas com brindes indedutíveis 8.481,53 8.481,53 Despesas não necessárias 220.332,50 215.332,50 5.000,00 Despesas não necessárias 76.000,00 70.000,00 6.000,00 Despesas não necessárias 160.102,05 160.102,05 Despesas sem comprovação 27.162,45 27.162,45 Despesas sem comprovação 104.216,49 1.946,00 24.088,44 78.182,05 Despesas sem comprovação 98.926,70 81.326,70 16.000,00 1.600,00 Despesas sem comprovação 718.775,42 71.629,14 647.146,28 Despesas sem comprovação 85.896,07 20.106,10 65.789,97 Total despesas 1.592.613,21 337.727,94 963.820,35 Exclusões indevidas 13.132.988,58 13.132.988,58 Total autuação 14.725.601,79 963.820,35 prejuízo no período (4.872.461,71) (4.872.461,71) valor tributável 9.853.140,08 (3.908.641,36) compensação de prejuízos 30% valor tributável após compensação 9.853.140,08 alíquota 15% 15% IRPJ devido 1.477.971,01 Base de cálculo adicional 9.613.140,08 alíquota adicional 10% 10% adicional devido 961.314,01 total IRPJ 2.439.285,02 798.087,90 1.641.197,12 Fl. 2057DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 41 40 CSLL EXONERADO Discriminação LANÇADO DRJ CARF MANTIDO Despesas ativáveis 92.720,00 92.720,00 Despesas com brindes indedutíveis 8.481,53 8.481,53 Despesas não necessárias 220.332,50 215.332,50 5.000,00 Despesas não necessárias 76.000,00 70.000,00 6.000,00 Despesas não necessárias 160.102,05 160.102,05 Despesas sem comprovação 27.162,45 27.162,45 Despesas sem comprovação 104.216,49 1.946,00 24.088,44 78.182,05 Despesas sem comprovação 98.926,70 81.326,70 16.000,00 1.600,00 Despesas sem comprovação 718.775,42 71.629,14 647.146,28 Despesas sem comprovação 85.896,07 20.106,10 65.789,97 Total despesas 1.592.613,21 337.727,94 963.820,35 Exclusões indevidas 13.132.988,58 13.132.988,58 Total autuação 14.725.601,79 963.820,35 Base negativa do período (6.945.519,44) (6.945.519,44) valor tributável 7.780.082,35 (5.981.699,09) compensação de prejuízos 30% valor tributável após compensação 7.780.082,35 alíquota 8% 8% CSLL devida 622.406,59 Base de cálculo adicional 7.780.082,35 alíquota adicional 1% 1% adicional devido 77.800,82 total CSLL 700.207,41 231.339,08 468.868,33 Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para manter parcialmente as infrações imputadas à contribuinte e reduzir o prejuízo e a base de cálculo da CSLL declarados no anocalendário 2002. No entendimento exposto no presente voto, o prejuízo fiscal seria reduzido a R$ 3.693.308,86 e a base de calculo negativa a R$ 5.766.366,59, porém os quadros acima já refletem a redução considerando a parcela na qual esta Relatora restou vencida. De toda sorte, em ambos os casos é exonerado integralmente o crédito tributário lançado. Os controles internos de prejuízos fiscais e bases negativas deverão ser alterados para desconstituir parcialmente a redução promovida, pelo lançamento, nos valores declarados para o anocalendário 2002 (fls. 149 e 155), e restabelecer os prejuízos e bases negativas de períodos anteriores utilizados para reduzir as bases tributáveis mantidas na decisão de 1a instância (fls. 729/733). (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 2058DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA Processo nº 18471.001822/200710 Acórdão n.º 1101001.175 S1C1T1 Fl. 42 41 Voto Vencedor Conselheiro MARCELO DE ASSIS GUERRA DESPESA DE PATROCÍNIO Apesar da detalhada e precisa análise que sustenta o voto da Relatora, neste item voto no sentido de acolher as argumentações e provas trazidas pela Recorrente no que tange à comprovação da efetividade, usualidade e necessidade da despesa no valor de R$ 215.332,00 , relativa ao patrocínio do denominado “17° Congresso Mundial de Petróleo”. Isto porque entendo ser notória a necessidade de tal pagamento visando a publicidade das atividades empresarias o que, per si, justifica e autoriza a sua dedutibilidade fiscal. (documento assinado digitalmente) MARCELO DE ASSIS GUERRA – Redator designado Fl. 2059DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 21/09/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 08/06/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Ass inado digitalmente em 02/06/2015 por MARCELO DE ASSIS GUERRA
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Numero do processo: 13971.720624/2007-96
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2078; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 167 1 166 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.720624/200796 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2801000.350 – 1ª Turma Especial Data 11 de março de 2015 Assunto IRPF Recorrente IRMÃOS BONA AGROPECUÁRIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Em desfavor do contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Propriedade territorial Rural, exercício de 2004, relativo ao imóvel denominado Irmãos Bona Agropecuária Ltda Rio Bonito, cadastrado na Receita Federal sob o nº 1.981.5787 e localizado no Município de Rio dos Cedros/SC, onde foi exigido o montante de R$ 60.612,48 a título de imposto, acrescido de multa de ofício proporcional, no percentual de 75% e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na "descrição dos fatos" narra a Autoridade Fiscal responsável pelo feito que procedeu à glosa da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal declaradas, porque o contribuinte, regularmente intimado, não comprovara o direito à isenção pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .7 20 62 4/ 20 07 -9 6 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13971.720624/200796 Resolução nº 2801000.350 S2TE01 Fl. 168 2 Além disso, alterou o Valor da Terra Nua declarado, arbitrandoo com base no Sistema de Preços de Terras SIPT, haja vista a não apresentação de Laudo competente, nos termos que especificou. Complementa ainda que apesar do contribuinte ter apresentado cópia das matrículas de registro do imóvel onde constam as averbações que "efetivamente comprovam o valor declarado", como tendo sido gravado como Reserva Legal, efetuou a glosa pela não apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA. E, em relação ao VTN, registrou que o Laudo apresentado referirseia a 2002, portanto "sem valor" para o exercício de 2004, "motivo pelo qual adotou o SIPT para efeito de valoração do imóvel". Inconformado com o lançamento, o Contribuinte apresentou Impugnação onde alega que o direito à isenção das áreas em apreço independe da apresentação do ADA, citando legislação, jurisprudência do STJ e Acórdão da CSRF do antigo Conselho de Contribuintes. Disse ainda que o Laudo apresentado foi confeccionado no ano de 2002, mas que o mesmo "já fora aceito pela própria Receita Federal em outro processo de análise de ITR", transcrevendo em parte despacho proferido por Auditor Fiscal. Ao julgar a manifestação do contribuinte, a DRJ em Campo Grande/MS entendeu pela procedência do lançamento, defendendo a exigência do ADA como requisito para o gozo da isenção das áreas debatidas, em face da introdução em lei de dispositivo específico, nesse sentido, e dizendo que de fato o Laudo apresentado "era ineficaz para o exercício em análise, pois...tal documento é relativo a exercício diferente ao do lançamento." Cientificado dessa decisão em 01/07/2009 (AR na folha 97), o Contribuinte apresentou recurso voluntário em 31/07/2009 (protocolo na folha 98) onde em suma repisa as mesmas alegações da Impugnação, aduzindo, em síntese, não estar obrigado a apresentar ADA para justificar a exclusão de áreas da base de cálculo do ITR, em função de alteração promovida no artigo 10 da Lei nº 9.393/1996. Disse ser esse o entendimento do STJ, transcrevendo decisões. Trouxe ainda a mesma decisão do antigo Conselho de Contribuintes, proferida em 1998. Citou doutrina. Em relação ao VTN, repetiu o argumento de que o Laudo, apesar de feito em 2002, já fora aceito pela receita Federal em outro processo e diz que o imóvel não poderia ter se valorizado tanto em 2 anos. Diz que caso se entenda necessário, seja enviado Agente Fiscal para verificação "in loco". PEDE a "total procedência" de seu recurso, para manter o VTN conforme declarado e aceitar as isenções das áreas também declaradas. Na folha 161, observo que consta documento com o seguinte teor: "... requerer a juntada aos autos de decisões que julgaram procedentes os embargos à execução ... bem como o recurso de apelação/reexame necessário do TRF4, com trânsito em julgado da decisão. A matéria de mérito é a mesma que está sendo contestada no presente recurso administrativo, sendo também as mesmas partes. Da mesma forma, já houve decisão administrativa sobre a mesma matéria nos autos dos processos administrativos nº. 13975.000161/0029 e 13971.002243/200641, em fase recursal administrativa". (grifei) Encontrase anexada pesquisa no sítio eletrônico do Tribunal Federal, folhas 162164. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13971.720624/200796 Resolução nº 2801000.350 S2TE01 Fl. 169 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é aquela verificada após a digitalização do processo, transformado em arquivo digital (formato .pdf). Antes de partir para análise do mérito das questões envolvidas, entendo ser necessário tratar de dois pontos específicos, que constam destes autos. Em primeiro lugar, no lançamento, a Autoridade Fiscal afirmou que a não apresentação do Laudo, nos moldes em que especificara no Termo de Intimação, ensejou o arbitramento do Valor da Terra Nua com base no SIPT (sistema de preços de terras instituído pela RFB). Entretanto, não discriminou qual seria este valor e não encontro nos autos a tela do sistema, para demonstrar o parâmetro utilizado. Isso é importante porque sabemos que existem dois critérios no sistema SIPT. Um leva em conta levantamentos efetuados pelas Secretarias de Agricultura Estaduais ou Órgãos Municipais equivalentes e considera os diversos tipos de solo/terras existentes, estabelecendo valores discriminados, e outro leva em conta apenas a média nos valores encontrados a partir da média das DITR apresentadas por outros contribuintes, para a mesma região/município. O artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, estabelece que a exigência fiscal deverá estar instruída com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Em segundo lugar, observo a manifestação do Contribuinte, acima relatada, que consta da folha 161. Cada exercício do ITR, que enseja um fato gerador diferente, que ocorre em 1º de janeiro de cada ano, como previsto na Lei nº 9.393, de 1996, deve ser analisado separadamente. Isso porque aplicase ao lançamento a legislação vigente na data de ocorrência do fato gerador, como determina o Código Tributário Nacional, e a legislação pode mudar, de uma exercício para outro, ensejando inclusive novos entendimentos jurisprudenciais. Assim, uma decisão proferida pelo antigo Conselho de Contribuintes, relativa ao ITR/1997, nos autos do processo 13975.000161/0029, pouco serve para defender o ponto que se propõe nestes autos, porque em 2000 houve alteração legislativa, como o Recorrente demonstra estar ciente, na peça recursal, que deve ser observada nos lançamentos ocorridos a partir de 2001. Também, a decisão proferia por uma Câmara ou Turma, não vincula as demais, que poderão proferir entendimento diverso, sendo inclusive previsto regimentalmente o recurso especial de divergência. Foi o que aconteceu nos autos nº 13971.720233/200852, que tratam Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13971.720624/200796 Resolução nº 2801000.350 S2TE01 Fl. 170 4 também do ITR desse Contribuinte, porém no exercício de 2006, onde a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs esta espécie recursal, ainda pendente de julgamento. Já nos autos número 13971.002243/200641, também citados pelo Recorrente na manifestação de que aqui se trata, observo que não houve lançamento em relação ao VTN, porque alude ao exercício de 2002, para o qual foi apresentado o Laudo técnico. Dizer, portanto, que em outros processos, que tratam de exercícios diversos e foram julgados em momentos diferentes por outras Turmas/Câmaras deste CARF houve decisões a seu favor, não inibe que aqui se faça a análise pormenorizada dos autos nem indica que decisão se deva tomar. Em relação à decisão proferida pelo Tribunal Federal da 4ª Região, não consegui verificar, a partir da pesquisa anexada aos autos, se trata do mesmo objeto aqui envolvido, ou seja, o mesmo imóvel no mesmo exercício do ITR. O Contribuinte aponta que seriam "as mesmas partes e a mesma matéria de mérito", mas pelas considerações aqui expostas, entendo que devese individualizar o objeto, mesmo porque, nestes autos, além da glosa da área de preservação permanente e de reserva legal declaradas, há a alteração de ofício no VTN, que aparentemente não foi tratada na decisão judicial mencionada. Assim, não é "a mesma questão de mérito." Isso é importante de ser verificado para aplicação da Súmula CARF nº 1: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assim, o Contribuinte deve indicar, especificamente, se recorreu ao Judiciário, em relação a este litígio, ou seja, o lançamento de ofício do ITR do exercício de 2004, do imóvel em questão, descrito na Notificação de Lançamento, questionandoa. Anoto ainda, ad argumentandum, para demonstrar a dinâmica dos entendimentos jurisprudenciais no tempo, que em relação à necessidade de averbação da reserva legal na matrícula do imóvel, também tratada na decisão do TRF4, o STJ já se manifestou nos Embargos de Divergência nº 1.027.051/SC, julgados em 28/08/2013, onde estabeleceu, no referido julgamento, o entendimento de que a averbação da área de reserva legal é dever que incumbe diretamente ao proprietário do imóvel, não fazendo sentido que este se valha da isenção legal quando em mora com o cumprimento de tal dever. Pelo exposto, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de origem providencie: a) anexação de cópia da tela do sistema SIPT, relativa ao exercício de 2004 e ao município de localização deste imóvel, evidenciando que critério foi utilizado para se chegar ao valor arbitrado no lançamento aqui em debate; b) intimação do Contribuinte, indicando a ele qual foi o critério utilizado no arbitramento com base no SIPT para, querendo, manifestarse e para que ele informe, explicitamente, se recorreu ao Poder Judiciário para questionar este lançamento aqui em causa, Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13971.720624/200796 Resolução nº 2801000.350 S2TE01 Fl. 171 5 o que importaria em renúncia à instância administrativa. Neste caso, apresentando cópias das peças do processo judicial para demonstrar tratarse do mesmo objeto destes autos. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08 /04/2015 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 08/04/2015 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918940/2012-72
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 25/05/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 25/05/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 89 40 /2 01 2- 72 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918940/201272 Acórdão n.º 3801005.123 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918940/201272 Acórdão n.º 3801005.123 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918940/201272 Acórdão n.º 3801005.123 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918940/201272 Acórdão n.º 3801005.123 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918940/201272 Acórdão n.º 3801005.123 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918940/201272 Acórdão n.º 3801005.123 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918940/201272 Acórdão n.º 3801005.123 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.918940/201272 Acórdão n.º 3801005.123 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10711.005086/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3102-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
[assinado digitalmente]
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé Relatora
Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, José Luiz Feistauer de Oliveira e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz.
Nome do relator: Não se aplica
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ADUANA Recorrente PERNOD RICARD BRASIL IND E COM LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé – Relatora Participaram ainda da sessão de julgamento os Conselheiros Nanci Gama, José Fernandes do Nascimento, José Luiz Feistauer de Oliveira e Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz. Relatório Trata o presente processo de AI lavrado para a exigência de credito tributário no valor de 668.614,00 referente a Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, multa de ofício e juros de mora em função de enquadramento em “ex” tarifário de mercadoria importada. Depreendese da descrição dos fatos do AI que a empresa em epígrafe submeteu a despacho de importação, por meio de DI n.º 01/03436936 mercadorias descritas como “63189 Bulk litros de destilado alcoólico chamado de malte uísque (MALT WHISKY) com graduação alcoólico de 59,5% Gay Lussac obtido de cevada maltada com mínimo de 3 anos de envelhecimento”, e classificoua no código NCM 2208.30.10 , enquadrando as mesmas em seu “ex” tarifário 001. Durante o procedimento de verificação física, a autoridade preparadora retrou amostra do produto e encaminhou ao Labor, que emitiu o Laudo nº 2372/01, bem como a informação técnica 040/05. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 11 .0 05 08 6/ 20 05 -1 7 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.005086/200517 Resolução nº 3102000.304 S3C1T2 Fl. 11 2 Tal Laudo e informação técnica foram conclusivos no sentido de que a mercadoriase referia a “MATÉRIAPRIMA OBTIDA DE CEREAL DESTINADA À PRODUÇÃO DE UÍSQUE”, não se tratando de MALT WHISKY ou GRAIN WHISKY, tampouco de cereal não maltado, Acrescentou ainda que a graduação alcoólica era igual a 63,9%,. Em conseqüência, as mercadorias forma reenquadradas no “ex” tarifário 003 da mesma NCM 2208.30.10, sendo lavrado auto de infração para cobrança da diferença do IPI, bem como da multa prevista no art. 80, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 da Lei n.º 9.430/96 e juros moratórios. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, anexado os documentos de fls. 53 a 104. Alega que, embora resultado do laudo técnico que embasou a autuação tenha constatado uma graduação alcoólica superior à que foi efetivamente utilizada na mercadoria importada, é de ser considerado que tal mercadoria constitui produto controlado pelo Ministério da Agricultura que aprovou a sua importação através da LI n.º 01/08332095. Aduz que o resultado de análise laboratorial da mercadoria em questão indica que a graduação alcoólica do produto corresponde a 59,5% GayLussac, com no mínimo 3 anos de envelhecimento, o que levou o Ministério da Agricultura a autorizar a importação e a expedir o certificado de inspeção vegetal n.º 258/2001, relativo à DI sob apreço. Neste passo, argumenta que referido certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e a comercialização da mercadoria, após ter realizado a análise de seu conteúdo, comprova que a graduação alcoólica utilizada foi aquela declarada pelo importador, razão pela qual faz jus à aplicação da alíquota de IPI prevista no “ex” tarifário 001. Reclama que a fiscalização inobservou o princípio da verdade material ao desconsiderar a existência de certificado que, expedido por ente público, autorizou a importação sob apreço, presumindo, sem a devida comprovação, que o produto importado possuía graduação alcoólica superior a 59,5%. Em outra vertente, aduz que no caso em comento não houve prejuízo ao Erário, haja vista que, em razão do princípio da nãocomulatividade que rege o IPI e acaso houvesse pago o imposto à alíquota de 70%, teria direito ao crédito consistente do valor do imposto recolhido, quando da saída da mercadoria de seu estabelecimento. Reclama também que, uma vez apurada a legalidade das importações em causa, a multa lançada de ofício é totalmente indevida e configura excesso de exação, nos termos do art. 316, § 1º, do Código Penal. Finalmente, em face do que foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração ora hostilizado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: EX TARIFÁRIO. ENQUDRAMENTO. O enquadramento de mercadoria em ex tarifário exige que a mesma possua todas as características prevista no mesmo. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, basicamente reafirmando os argumentos da Impugnação ao Lançamento. Alegou que “o certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e comercialização da mercadoria, após a análise de seu respectivo conteúdo, comprova o teor de graduação alcoólica do mesmo, cuja classificação corresponde à utilizada pela RECORRENTE, não incorrendo em qualquer utilização indevida como sustentado no lançamento tributário”. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.005086/200517 Resolução nº 3102000.304 S3C1T2 Fl. 12 3 Que “todos os Certificados acostados aos autos (de origem, inspeção vegetale de análise) comprovam que a graduação alcoólica corresponde à que fora utilizada pela RECORRENTE”. Que a decisão de primeira instância desconsiderou “o CERTIFICADO DE INSPEÇÃO VEGETAL que somente foi expedido, considerando as informações constantes no CERTIFICADO DE ANALISE, onde está comprovado que o produto tratase de malte uísque, com graduação alcoólica de 59,5% (...)”. Citou decisão tomada no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil em outro Processo Administrativo Fiscal. Referiuse, mais uma vez, à verdade material. Requereu a realização de diligência para esclarecimento dos fatos. Relembrou tratarse de tributo nãocumulativo, razão pela qual não haveria prejuízo ao Erário. Ao final, asseverou “que a aplicação de qualquer tipo de multa é totalmente indevida, e por isso mesmo, passível de excesso de exação”. De uma primeira análise, considerouse que os elementos constantes no processo não eram suficientes para o julgamento da lide. Naquela oportunidade esta E. Turma determinou a CONVERSÃO DO JULGAMENTO em diligência, para que a Unidade de Origem providenciasse a confecção de laudo complementar a ser elaborado pelo INT ou por congênere para esclarecer os seguintes quesitos: 1) se o produto tratase de destilado alcoólico chamado Malt Whisky? 2) se o produto tratase de destilado alcoólico chamado de uísque de cereais (Grain Whisky)? 3) se o produto tratase de preparação própria para elaboração de uísque? 4) qual o teor alcoolico em volume de produto. Intimado do resultado do julgamento, o contribuinte apresentou quesitos complementares. O INT, por sua vez, manifestase por meio do ofício nº 019/INT informando que não é acreditado para realizar a presente diligencia e, por conta disso, procedeu a devolução da amostra das contraprovas. Diante disso, elas foram encaminhadas para o Labor. Posteriormente, a SECAD entendeu em manter a diligencia, reenviando as amostras ao INT, o qual solicitou o pagamento de custas para a elaboração do Parecer Técnico no importe de R$ 2.000,00, o que foi feito pelo contribuinte. O INT apresenta seu parecer técnico de fls. 354/359. Intimado do resultado da diligencia, o contribuinte se manifesta alegando que, de acordo com o LAQAM, o produto (‘malt whisky’) então examinado (i) tinha graduação alcoólica de 54,87% vol. e que (ii) não se tratava de produto acabado, assim entendido como aquele que esteja pronto para consumo. Acrescenta que o que se pode extrair do quanto está sendo verificado nos autos da presente disputa é que, até o momento, o MAPA, a d. fiscalização e o INT apresentaram conclusões divergentes sobre a graduação alcoólica do mesmo “malt whisky” importado pela Recorrente, pois: para o MAPA, referido produto teria graduação alcoólica de 59,50% vol; para a d. fiscalização, referido produto teria graduação alcoólica de 63,5% vol; para o LAQAM, o mesmo produto teria graduação de 54,87% vol. Considera que a dúvida é, por si só, razão Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.005086/200517 Resolução nº 3102000.304 S3C1T2 Fl. 13 4 suficiente para o cancelamento do Auto de Infração. Por fim, acrescenta que “não há divergência quanto ao fato de que o ‘malt whisky’ importado pela Recorrente tratase de matéria prima para produção da bebida ‘whisky de malte’”, que a própria legislação confirma que a bebida pronta para consumo não pode ter graduação alcoólica acima de 54% vol. É o relatório. Conselheira Andréa Medrado Darzé. Voto A presente controvérsia já foi submetida à análise da presente Turma, inclusive no que se refere às supostas divergências entre os laudos apresentados e o possível negligenciamento nas respostas dadas aos quesitos formulados na decisão que determinou a elaboração de laudo complementar. Naquela oportunidade, decidimos converter, mais uma vez, o julgamento em diligência, justamente por entender que as dúvidas existentes no processo não haviam sido sanadas. E o mesmo problema se verifica no presente processo. Assim, adoto, na íntegra, o voto proferido no Processo 10711.001012/200692 como razão para decidir converter este processo novamente em diligência: Conforme o já mencionado no corpo do Voto que determinou a conversão do julgamento em diligência, duas razões podiam ser extraídas do Laudo Pericial original para que o Produto importado não pudesse ser enquadrado nem no “Ex 001”, indicado na Declaração de Importação, nem no “Ex 002”, de mesma alíquota, quais fossem, o teor alcoólico identificado nos Laudo requisitado pela Fiscalização Aduaneira, 63,5%, e o fato de a mercadoria não ser nem um uísque de malte (“malt whisky”), nem um uísque de cereais (“grain whisky”). Rememorando, além da questão relacionada ao teor alcoólico do Produto, foram essas as informações prestadas pela Perícia à Fiscalização e que ensejaram a lavratura do Auto de Infração controvertido: Pergunta 1: Tratase de Malt Whisky? (...) Resposta: Não. Pergunta 2: Tratase de Grain Whisky? (...) Resposta: Não. Com efeito, o enquadramento de mercadoria em “Ex” Tarifário exige perfeita identidade entre o texto correspondente e a descrição do produto. No caso concreto, à luz das informações prestadas pela Perícia à Fiscalização, fácil perceber que isso não acontece, se não vejamos. Mais uma vez, o texto dos “Ex”, EX 001 – Destilado alcoólico chamado uísque de malte (“malt whisky”) com teor alcoólico em volume de 59,5% +/ 1,5% (59,5% +/ 1,5% GayLussac), obtido de cevada maltada. (grifos acrescidos) EX 002 Destilado alcoólico chamado uísque de cereais (“grain whisky”) com teor alcoólico em volume de 59,5% +/ 1,5% (59,5% +/ 1,5% GayLussac), obtido de cereal não maltado adicionado ou não de cevada maltada. (grifos acrescidos) Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.005086/200517 Resolução nº 3102000.304 S3C1T2 Fl. 14 5 EX 003 – Outras preparações próprias para elaboração de uísque Por outro lado, uma vez que diversos documentos e informações encontradas nos autos remetessem à especificação informada pela Recorrente na Declaração de Importação, como é o caso do Certificado de Inspeção Vegetal, o Certificado de Análise, Invoice, Certificate of Age, Certificate of Analysis Of Sample as Received, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, para que fossem aproveitados os esclarecimentos já providenciados nos autos do Processo nº 10711.005086/200517, no qual, por força de circunstâncias idênticas as que foram identificadas na vertente lide, determinouse a elaboração de nova Perícia. Mais uma vez, agora por iniciativa do Relator daquele Processo, foram feitas os seguintes questionamentos, obtendose as seguintes respostas (folha 299 e Proc): I. se o produto tratase de destilado alcoólico chamado uísque de malte (“Malt Whisky”); Resposta: Não. Conforme explicado no primeiro quesito formulado pelo interessado, o produto não se classifica como destilado alcoólico chamado uísque de malte. II. se o produto tratase de destilado alcoólico chamado uísque de cereais (“Grain Whisky”); Resposta: Não. Conforme explicado no primeiro quesito formulado pelo interessado, o produto não se classifica como destilado alcoólico chamado uísque de cereais. III. se o produto tratase de uma preparação própria para elaboração de uísque; Resposta: Sim. Conforme resposta ao segundo quesito formulado pelo interessado, o produto se classifica como matéria prima para a produção de uísque, uma vez que o resultado da análise de graduação alcoólica foi de 54,87%. O valor encontrado situase no intervalo estabelecido de 54% a 95%, a 20 ºC. IV. teor alcoólico em volume do produto. Resposta: Já respondido no quesito anterior. Ainda que assista certa razão à Recorrente no que se refere à imprecisão das informações técnicas obtidas com vistas à determinação da graduação alcoólica do Produto importado, o fato é que, a teor da resposta dada pela Perícia, ele não atenderia à outra condição de enquadramento nos “Ex” 001 ou 002; respectivamente, ser identificado como Malt Whisky ou Grand Whisky. De fato, de uma primeira observação, chegase à conclusão de que a resposta da Perícia Técnica demandada no Processo nº 10711.005086/200517 não poderia ser mais taxativa a esse respeito. Embora isso, refletindo melhor sobre a insistência da Parte em alegar que não existe divergência quanto ao fato de que o Malt Whisky importado tratase de uma matériaprima para produção da bebida Whisky de Malte; assim como a reiterada afirmação de que os percentuais indicativos do teor alcoólico revelam tratarse de matériaprima para a produção local de ‘whisky’ e não do produto Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10711.005086/200517 Resolução nº 3102000.304 S3C1T2 Fl. 15 6 acabado, terminei por me convencer de que talvez um importante equívoco esteja sendo cometido na avalição das informações carreadas aos autos. Por mais do que uma vez perguntouse à Perícia sobre a possibilidade de o produto ser identificado como um destilado alcoólico chamado uísque de malte (“Malt Whisky”) ou uísque de cereais (“Grain Whisky”), sem que, contudo, tenha sido questionada a possibilidade de enquadramento da mercadoria importada como uma matériaprima destinada à fabricação de destilado alcoólico chamado uísque de malte (“Malt Whisky”) ou de uísque de cereais (“Grain Whisky”). Há evidências na documentação de instrução do Processo de que essa particularidade possa ter sido negligenciada. Conforme definido pelo Decreto nº 2.314/97, artigo 88, destilado alcoólico simples de origem agrícola é o produto com graduação alcoólica superior a 54% e inferior a 95%, destinado a elaboração de bebidas alcoólicas. Tratase de uma definição de cunho legal e que pode, perfeitamente, não ter sido levada em consideração pela Perícia. Uma vez que me pareça incontroverso que a graduação alcoólica do Produto importado seja superior a 54%, fato que, conforme Tabela de folha 260 (297 do eProc) do Relatório Técnico nº 113/11do Instituto Nacional de Tecnologia – INT, determina tratarse de matériaprima, não vejo outra solução, se não a nova conversão do julgamento em diligência, para que o Laudo seja complementado com resposta aos seguintes quesitos: 1 A mercadoria importada pode ser identificada como matériaprima para elaboração do chamado uísque de malte (“malt whisky”)? 2 A mercadoria importada pode ser identificada como matériaprima para elaboração do chamado uísque de cereais (“grain whisky”)? 3 – Outras considerações que julgar pertinentes. Neste contexto, considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que determine que o INT proceda a complementação do laudo apresentado com resposta aos quesitos acima elaborados e negritados. Antes disso, intime o contribuinte para que, se desejar, apresente quesitos complementares. Emitido o lado, abrase novamente prazo de trinta dias para o contribuinte manifestarse sobre a resposta. Após retorne para decisão final. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé – Relatora Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13804.002594/2003-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
NULIDADE. BAIXA EM DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA.
Não é cabível a baixa em diligência quando a prova poderá ser apresentada ou produzida pelo contribuinte e a complexidade de sua produção não exige a intervenção de um perito.
ANOS-CALENDÁRIO DE 1995 E 1996. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. NECESSÁRIO REGISTRO CONTÁBIL DE TAIS ENCONTROS DE CONTAS.
A comprovação dos encontros de contas empreendidos entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional, efetuados com base na disciplina veiculada no art. 66 da Lei n°. 8.383/91, condiciona-se à apresentação dos competentes e oportunos registros contábeis, bem como à efetiva comprovação do direito creditório.
Recurso conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RAFAEL CORREIA FUSO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 NULIDADE. BAIXA EM DILIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não é cabível a baixa em diligência quando a prova poderá ser apresentada ou produzida pelo contribuinte e a complexidade de sua produção não exige a intervenção de um perito. ANOSCALENDÁRIO DE 1995 E 1996. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS. NECESSÁRIO REGISTRO CONTÁBIL DE TAIS ENCONTROS DE CONTAS. A comprovação dos encontros de contas empreendidos entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional, efetuados com base na disciplina veiculada no art. 66 da Lei n°. 8.383/91, condicionase à apresentação dos competentes e oportunos registros contábeis, bem como à efetiva comprovação do direito creditório. Recurso conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 25 94 /2 00 3- 31 Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 2 RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Vejamos os fatos segundo o relato da DRJ: 2. A Declaração de Compensação — DCOMP foi recepcionado em 14/05/2003 (fls. 01) e veiculava direito creditório relativo a saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 (R$ 2.017.174,58 — dois milhões, dezessete mil, cento e setenta e quatro Reais e cinqüenta e oito centavos) e aos saldos negativos de CSLL dos exercícios de 2001 (R$ 933.057,35 — novecentos e trinta e três mil, cinqüenta e sete Reais e trinta e cinco centavos) e 2002 (R$ 1.082.558,37 — um milhão, oitenta e dois mil, quinhentos e cinqüenta e oito Reais e trinta e sete centavos). Nesta DCOMP, foi pleiteada a homologação dos seguintes débitos: (...) 3. Ainda foram localizadas as DCOMP eletrônicas arroladas às fls. 420 do DespachoDecisório, vinculadas aos direitos creditórios veiculadas na DCOMP mencionada no parágrafo anterior. As compensações pleiteadas nestas declarações foram as seguintes: (...) 4. Analisando o pleito, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (DIORT) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SPO) proferiu o DespachoDecisório de fls. 415/449, por meio do qual foram homologadas as compensações pleiteadas até_ o limite do direito creditório reconhecido (saldo negativo de IRPJ — AC 2001: R$ 1.537.559,20 ; saldo negativo de CSLL — AC 2000: R$ 648.155,48; saldo negativo de CSLL — AC 2001: R$ 142.742,43) . Na análise dos direitos creditórios em foco, a DIORT teve que retroceder a análise ao anocalendário de 1995, sendo pertinente a transcrição dos seguintes excertos desta decisão: "(..) 5. Avaliando a apuração do saldo negativo de CSLL do ano calendário 1995, no montante de R$ 571.829, 00, declarado na ficha 11 da DIRPJ 1996 (fl. 121), verificase que: O contribuinte apurou CSLL devida, antes de descontar as antecipações e incentivos, no valor de R$ 197.929,04 (fl. 121); Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.002594/200331 Acórdão n.º 1201001.127 S1C2T1 Fl. 3 3 Foi apurada CSLL estimativa a pagar, de acordo com a tabela a seguir, na ficha 09 da DIRPJ 1996 (fl. 120). Analisando as informações prestadas pelo contribuinte em DCTF fls. 122/131), notase que o mesmo só efetuou recolhimento para as estimativas dos três primeiros meses. De acordo com o sistema Sincor/Contacorpj, cujo relatório encontrase à fl. 132, as estimativas declaradas em DCTF como pagas foram devidamente liquidadas. Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo da CSLL do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas —A C 1995 Valor CSLL do período 197.929, 04 CSLL estimativa (204.772, 71) Saldo credor de CSLL (6.843,67) O saldo negativo apurado neste item foi completamente utilizado para extinguir parte dos débitos de CSLL estimativa do anocalendário 1996, conforme a apropriação indicada no relatório do sistema SAPO à fl. 408. 6. Avaliando a apuração do saldo negativo de CSLL do ano calendário 1996, no montante de R$ 727.474,81, declarado na ficha 11 da DIRPJ1997 (fls. 150/151), verificase que: O contribuinte não apurou CSLL devida por ter uma base negativa de CSLL no montante de R$ 2.689.714, 35 (fl. 150); Foi apurada CSLL estimativa a pagar, de acordo com a tabela a seguir, na ficha 09 da DIRPJ 1997 (fls. 1381149). O total de CSLL estimativa informado na ficha 09 (R$ 727.474,81) confere com o valor informado na ficha 11. Analisando as informações prestadas pelo contribuinte em DCTF (fls. 152/157), notase que o mesmo só efetuou recolhimento para as estimativas dos meses de janeiro a março, outubro e novembro. As demais estimativas foram compensadas, conforme declarado na DIRPJ, com crédito de CSLL do exercício anterior. De acordo com o sistema Sincor/Contacorpj, cujo relatório encontrase à fl. 158, as estimativas declaradas em DCTF como pagas foram devidamente liquidadas. De acordo com o relatório de alocação de crédito emitido pelo sistema SAPO à fl. 408, o saldo negativo de CSLL do ano calendário 1995 foi suficiente apenas para liquidar parte da estimativa de abril (R$ 7.543, 09). Portanto, o débito em aberto de abril (R$ 31.803, 00) e as demais estimativas não podem ser consideradas na apuração de CSLL do exercício. O crédito utilizado teve sua certeza e liquidez comprovada no item anterior deste despacho. Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 4 Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo da CSLL do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas —AC 1996 Valor CSLL do período 0,00 CSLL estimativa (241.892,29) Saldo credor de CSLL (241.892,29) O saldo negativo apurado neste item foi completamente utilizado para extinguir os débitos de CSLL estimativa do ano calendário 1997, conforme a apropriação dos débitos indicada no relatório do sistema SAPO às fls. 193/194. 7. Avaliando a apuração do saldo negativo de CSLL do ano calendário 1997, no montante de R$ 913.154,81, declarado na ficha 11 da DIRPJ 1998 (fls. 183/184), verificase que: O contribuinte não apurou CSLL devida por ter uma base negativa de CSLL no montante de R$ 6.843.255,32 (fl. 183); Foi apurada CSLL estimativa a pagar, de acordo com a tabela a seguir, na ficha 09 da DIRPJ 1998 (fls. 165/182). O total de CSLL estimativa informado na ficha 09 (R$ 913.154,81) confere com o valor informado na fìcha 11. Analisando as informações prestadas pelo contribuinte em DCTF (fl. 185) e a situação dos débitos de estimativa de CSLL no sistema Sief/Fiscel (fls. 1861192), notase que as estimativas dos três primeiros meses foram pagas e as demais foram compensadas conforme o artigo 66 da Lei 8.383191, isto é, registrouse na contabilidade a compensação com crédito de CSLL do exercício anterior. Embora o contribuinte tenha informado na DIPJ o pagamento de parte da estimativa do mês de abril, o total desta estimativa consta no sistema Sief/Fiscel como compensada com crédito de saldo negativo de CSLL do exercício anterior, conforme fl. 188. De acordo com o relatório de alocação de crédito emitido pelo sistema SAPO às fls. 193/194, o saldo negativo de CSLL do ano calendário 1996 foi suficiente apenas para liquidar as estimativas de abril a junho e parte da de julho (R$ 16.254,42). Portanto, o débito em aberto de julho (R$ 45.452,22) e as estimativas de agosto a dezembro não podem ser consideradas na apuração de CSLL do exercício. O crédito utilizado teve sua certeza e liquidez comprovada no item anterior deste despacho. Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo da CSLL do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas — AC 1997 Valor CSLL do período 0,00 CSLL estimativa (487.955, 72) Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.002594/200331 Acórdão n.º 1201001.127 S1C2T1 Fl. 4 5 Saldo credor de CSLL (487.955, 72) O saldo negativo apurado neste item foi completamente utilizado para extinguir os débitos de CSLL estimativa do ano calendário 1998, conforme a apropriação dos débitos indicada no relatório do sistema SAPO às fls. 2231224. 8. Avaliando a apuração do saldo negativo de CSLL do ano calendário 1998, no montante de R$ 1.006.277,79, declarado na ficha 30 da DIPJ 1999 (fl. 211), verificase que: O contribuinte não apurou CSLL devida por ter uma base negativa de CSLL no montante de R$ 3.668.980,89 (fl. 211); Foi apurada CSLL estimativa a pagar, de acordo com a tabela a seguir, na ficha 29 da DIPI 1999 (fls. 205/210). O total de CSLL estimativa informado na ficha 29 (R$ 1.006.277,79) confere com o valor informado na ficha 30. Analisando as informações prestadas pelo contribuinte em DCTF (fl. 212) e a situação dos débitos de estimativa de CSLL no sistema Sief/Fiscel, notase que o contribuinte pagou parte das estimativas de CSLL dos três primeiros meses do ano, conforme tabela abaixo. Os recolhimentos oram realmente efetuados e alocados aos respectivos débitos, conforme relatório do sistema Sief/Pagamentos (fls. 220/222) e Sief/Fiscel fls. 213/219). Parte das estimativas de janeiro a março e o total das estimativas dos meses restantes forma compensadas com crédito de CSLL de períodos anteriores, de acordo com o mandamento do artigo 66 da Lei 8.383191, isto é, registrouse na contabilidade a compensação com crédito de CSLL do exercício anterior. De acordo com o relatório de alocação de crédito emitido pelo sistema SAPO às fls. 223/224, tais estimativas foram parcialmente validadas. Não foi validada parte da estimativa de outubro (R$ 51.895,72) e as estimativas de novembro e dezembro. Portanto, esta parte não validada não pode compor o cálculo da CSLL do exercício. O crédito utilizado teve sua certeza e liquidez comprovada no item anterior deste despacho. Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo da CSLL do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas —AC 1998 Valor CSLL do período 0,00 CSLL estimativa (733.870, 70) Saldo credor de CSLL (733.870, 70) O saldo negativo apurado neste item foi completamente utilizado para extinguir os débitos de CSLL estimativa do ano Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 6 calendário 1999, conforme a apropriação dos débitos indicada no relatório do sistema SAPO às fls. 259/260. 9. Avaliando a apuração do saldo negativo de CSLL do ano calendário 1999, no montante de R$ 1.822.911,40, declarado na ficha 30 da DIPJ 2000 (fl. 239), verificase que: O contribuinte abateu da base de cálculo de CSLL parte do saldo de base de cálculo negativa. Procedeu dentro do limite de 30% e possuía saldo conforme demonstrativo do sistema Sapli à fls. 2861288; O contribuinte apurou CSLL devida, antes de descontar as antecipações e incentivos, no valor de R$ 19.174,41 (fl. 239); Foi apurada CSLL estimativa a pagar, de acordo com a tabela a seguir, na ficha 29 da DIPJ 2000 (fls. 233/238). O total de CSLL estimativa informado na ficha 29 (R$ 1.842.085,81) confere com o valor informado na ficha 30. Analisando as informações prestadas pelo contribuinte em DCTF (fls. 240/253), notase que o contribuinte pagou parte da estimativa de CSLL do mês de janeiro (R$ 58.921,18) e compensou as demais estimativas. O pagamento foi devidamente recolhido e alocado ao débito, conforme telas do sistema Sief/Fiscel às fls. 254/255. Parte das compensações foi feita com crédito de CSLL do ano calendário 1997 estimativas de janeiro a julho, sendo esta última apenas no valor de R$ 7.823,47. Entretanto, o crédito de CSLL do ano calendário 1997 foi totalmente utilizado para compensar as estimativas do anocalendário 1998, conforme detalhado no item anterior deste despacho. Portanto, as estimativas em questão não tiveram suas compensações validadas e não podem ser consideradas na apuração da CSLL do exercício. O restante das estimativas compensadas com crédito de CSLL do ano calendário 1998 foi devidamente validado, excetuando a estimativa de dezembro, que foi validada apenas a parcela de R$ 183.765,52, conforme relatório do sistema SAPO às fls. 2591260. O crédito em questão teve sua certeza e liquidez avaliada no item anterior deste despacho. Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo da CSLL do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas — AC 1999 Valor CSLL do período 19.174,41 CSLL estimativa (944.331,99) Saldo credor de CSLL (925.157,58) O saldo negativo apurado neste item foi utilizado parcialmente para extinguir os débitos de CSLL estimativa do anocalendário 2000. De acordo com a apropriação dos débitos indicada no Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.002594/200331 Acórdão n.º 1201001.127 S1C2T1 Fl. 5 7 relatório do sistema SAPO às fls. 289/290, remanesceu um saldo negativo de CSLL no montante de R$ 210.634,28. Este saldo foi utilizado para compensar parte das estimativas de CSLL do ano calendário 2001, conforme o relatório do sistema SAPO às fls. 3161318. Após tais compensações, o saldo deste crédito foi totalmente utilizado. 10. Avaliando a apuração do saldo negativo de CSLL do ano calendário 2000, no montante de R$ 933.057,35, declarado na ficha 17 da DIPJ 2001 (fl. 271), verificase que: O contribuinte abateu da base de cálculo de CSLL parte do saldo de base de cálculo negativa. Procedeu dentro do limite de 30% e possuía saldo conforme demonstrativo do sistema Sapli à fls. 286/288; O contribuinte apurou CSLL devida, antes de descontar as antecipações e incentivos, no valor de R$ 155.843,59 (fl. 271); Foi apurada CSLL estimativa a pagar, de acordo com a tabela a seguir, na ficha 16 da DIPJ 2001 (fls. 267/270). O total de CSLL estimativa informado na ficha 16 (R$ 1.088.900, 94) confere com o valor informado na ficha 17. Analisando as informações prestadas pelo contribuinte em DCTF (fls. 272/285), notase que o contribuinte compensou todas as estimativas. As estimativas de janeiro a março e o valor de R$.8.659, 02 de abril foram compensadas, conforme declaração do contribuinte, com crédito de CSLL do anocalendário 1998. Entretanto, este crédito foi totalmente utilizado para compensar parte das estimativas do ano calendário 1999, conforme descrito no item anterior deste despacho. Portanto, tais estimativas não podem ser consideradas na apuração de CSLL do exercício. As estimativas restantes foram compensadas com crédito de CSLL do ano calendário 1999, o qual teve sua certeza e liquidez avaliada no item anterior deste despacho. Conforme relatório do sistema SAPO às fls. 289/290, tais estimativas foram corretamente compensadas. Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo da CSLL do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas —A C 2000 Valor CSLL do período 155.843, 59 CSLL estimativa (803.999, 07) Saldo credor de CSLL (648.155,48) Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 8 11. Avaliando a apuração do saldo negativo de CSLL do anocalendário 2001, no montante de R$ 1.082.558,37, declarado na ficha 17 da DIPI 2002 (fl. 301), verificase que: O contribuinte abateu da base de cálculo de CSLL parte do saldo de base de cálculo negativa. Procedeu dentro do limite de 30% e possuía saldo conforme demonstrativo do sistema Sapli à fls. 2861288; O contribuinte apurou CSLL devida, antes de descontar as antecipações e incentivos, no valor de R$ 108.450, 57 (fl. 301); Foi apurada CSLL estimativa a pagar, de acordo com a tabela a seguir, na ficha 16 da DIPJ 2002 (fls. 2971300). O total de CSLL estimativa informado na ficha 16 (R$ 1. 191.008,94) confere com o valor informado na ficha 17. Analisando as informações prestadas pelo contribuinte em DCTF (fls. 3021315), notase que o contribuinte compensou todas as estimativas com crédito de CSLL do anocalendário 1999. Este crédito também foi utilizado para compensar parte das estimativas do anocalendário 2000. Entretanto, restou um saldo de crédito de R$ 210.634,28 após tais compensações. Este saldo foi suficiente para compensar apenas as estimativas de janeiro, fevereiro e R$ 30.895, 05 da de março, conforme relatório do sistema SAPO às fls. 3161318. As demais estimativas não podem ser consideras na apuração de CSLL do exercício. Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo da CSLL do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas — AC 2001 Valor CSLL do período 108.450, 57 CSLL estimativa (251.193, 00) Saldo credor de CSLL (142.742,43) 12. Avaliando a apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1995, no montante de R$ 885.540,29, declarado na ficha 08 da DIRPJ 1996 (fl. 119), verificase que: O contribuinte apurou IRPJ a pagar, antes de descontar as antecipações e incentivos, no valor de R$ 172.611, 36 (fl. 119); Foi apurado IRPJ estimativa a pagar, de acordo com o quadro a seguir, na ficha 09 da DIRPJ 1996 (fl. 120). Verificando as informações de IR estimativa declaradas em DCTF (fls. 122/131), constatase que o contribuinte efetuou pagamento conforme quadro abaixo. Tais recolhimentos foram comprovados através de consulta ao sistema ContaCorPJ, estando todas as estimativas liquidadas (fl. 320). Como tais recolhimentos divergem dos valores declarados na DIRPJ, eles que devem ser considerados para apuração do IRPJ do exercício. Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.002594/200331 Acórdão n.º 1201001.127 S1C2T1 Fl. 6 9 Não consta informação de compensação de estimativa na DIRPJ, DCTF e no sistema Sief/Fiscel (fl. 321). Na apuração do IRPJ do exercício (fl. 119), o contribuinte abateu o valor de R$ 10.497,00 a título de valetransporte. Tal valor respeitou o limite de 8% do valor de IRPJ apurado nas linhas 01 a 03 da ficha 08 da DIRPJ 1996. Também utilizou, na apuração do IRPJ, IRRF no montante de R$ 15.849, 09. De acordo com a consulta ao sistema IBM/IRF/Consulta (fls. 322 e 4091414), foi comprovada a fonte no total de R$ 15.730, 65 a qual, corrigida monetariamente, conforme artigo. 19 da IN 51/1995 e detalhamento em quadro a seguir, representa, ao fim do ano calendário, o montante de R$ 16.202,78. Portanto, tal valor é suficiente para comprovar o valor declarado na apuração anual em DIPJ. A receita correspondente à fonte apurada, no montante de R$ 167.304, 79, foi devidamente oferecida à tributação, conforme ficha 06 da DIRPJ 1996 à fl. 319. Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo do IRPJ do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas — AC 1995 Valor IRPJ 172.611,36 Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo IRPJ do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas — AC 1996 Valor IRPJ do período 0,00 IRPJ estimativa (1.135.219, 64) IRRF (6.548, 95) Saldo credor de IRPJ (1.141.768,59) O saldo negativo apurado neste item foi utilizado totalmente para extinguir os débitos de IR estimativa do anocalendário 1997, conforme relatório do sistema SAPO à fls. 333/334. 14. Avaliando a apuração do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1997, no montante de R$ 2.041.478,11, declarado na ficha 08 da DIPJ 1998 (fls. 1631164), verificase que: O contribuinte não apurou IRPJ a pagar, antes de descontar as antecipações e incentivos, por ter tido um prejuízo fiscal no montante de R$ 4.009.933, 66, conforme ficha 07 da DIPJ 1998 (fls. 161/162); Foi apurado IRPJ estimativa a pagar, de acordo com o quadro a seguir, na ficha 09 da DIPJ 1998 (fls. 1651182). Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 10 De acordo com as informações prestadas pelo contribuinte em DIPJ (fls. 165/181), DCTF 329) e o controle efetuado pelo sistema Sief/Fiscel (fls. 3301332), as estimativas de janeiro a março foram pagas e a demais compensadas com crédito de IRPJ do exercício anterior. De acordo com a apuração do sistema Sief/Fiscel, os recolhimentos de janeiro a março foram efetivamente efetuados. De acordo com a alocação efetuada pelo sistema SAPO (fls. 333/334), o crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1996 foi o IN bastante para compensar as estimativas de abril a novembro e parte de dezembro (R$ 73.602, 44). Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo do IRPJ do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas — AC 1997 Valor IRPJ do período 0,00 IRPJ estimativa (1.802.388, 88) Saldo credor de IRPJ (1.802.388,88) O saldo negativo apurado neste item foi utilizado parcialmente para extinguir os débitos de IRPJ estimativa do anocalendário 1998. De acordo com a apropriação dos débitos indicada no relatório do sistema SAPO às fls. 339, remanesceu um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 129.605,61. Este saldo foi utilizado para compensar parte das estimativas de IRPJ do ano calendário 1999, conforme o relatório do sistema SAPO às fls. 358/360. Após tais compensações, o saldo deste crédito foi totalmente utilizado. 15. Avaliando a apuração do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1998, no montante de R$ 2.317.546,76, declarado na ficha 13 da DIPJ 1999 (fl. 204), verificase que: O contribuinte não apurou IRPJ a pagar, antes de descontar as antecipações e incentivos, por ter tido um prejuízo fiscal no montante de R$ 3.638.469, 75, conforme ficha 10 da DIPJ 1999 (fl. 197); Foi apurado IRPJ estimativa a pagar, de acordo com o quadro a seguir, na ficha 12 da DIPJ 1999 (fls. 198/203). Verificando as informações de IR estimativa declaradas em DIPJ (198/203), DCTF (fls. 152/157) e o controle efetuado pelo sistema Sief/Fiscel (336/338), o contribuinte pagou parte das estimativas de janeiro a março. Tais pagamentos, conforme detalhamento na tabela abaixo, foram comprovados pelo sistema Sief/Fiscel (336/338). Já as estimativas de abril a dezembro, e o restante não pago para os três primeiros meses, foram compensadas com crédito de IRPJ do exercício anterior. De acordo com a alocação efetuada pelo sistema SAPO (fls. 339/340), o crédito em questão foi o bastante. Para compensar todas as estimativas. O crédito Fl. 1664DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.002594/200331 Acórdão n.º 1201001.127 S1C2T1 Fl. 7 11 utilizado teve sua certeza e liquidez apurada no item anterior deste despacho. Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo do IRPJ do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas — AC 1998 Valor IRPJ do período 0,00 IRPJ estimativa (2.317.546, 76) Saldo credor de IRPJ (2.317.546, 76) O saldo negativo apurado neste item foi utilizado totalmente para extinguir os débitos de IR estimativa do anocalendário 1999, conforme relatório do sistema SAPO à fls. 3611362. 16. Avaliando a apuração do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 1999, no montante de R$ 3.370.251,55, declarado na ficha 13A da DIPJ2000 (fl. 232), verificase que: O contribuinte apurou IRPJ a pagar, antes de descontar as antecipações e incentivos, no valor de R$ 138.576,58 (fl. 232); Foi apurado IRPJ estimativa a pagar, de acordo com o quadro a seguir, na ficha 12 da DIPJ de 2000 (fls. 226/231). Verificando as informações de IR estimativa declaradas em DCTF fls. 341/354), o contribuinte efetuou pagamento de parte da estimativa de janeiro (R$ 119.439,95). Tal recolhimento foi comprovado através de consulta ao sistema Sief/Fiscel (fls. 355/356). O restante da estimativa de janeiro (R$ 277.780,72) e parte da estimativa de fevereiro (R$ 265.768, 36) foram compensadas com crédito de IRPJ do anocalendário 1997, conforme declarado em DCTF (fls. 341/354). Verificando a alocação do saldo restante do crédito de IRPJ do anocalendário em questão, após as compensações das estimativas de IRPJ do ano calendário 1998, tal saldo só foi suficiente para compensar parte da estimativa de janeiro (R$ 167.230,12), conforme relatório emitido pelo sistema SAPO às fls. 3581360). Portanto, o restante da estimativa de janeiro (R$ 110.550,60) e parte da estimativa de fevereiro (R$ 265.768,36) não podem ser consideradas na apuração do IRPJ do anocalendário 1999 por se encontrarem com débito em aberto. O restante da estimativa de fevereiro (R$ 93.489,87) e o total das estimativas de março a dezembro foram compensadas com crédito de IRPJ do anocalendário 1998, conforme declarado em DCTF (fls. 341/354). De acordo com a alocação efetuada pelo sistema SAPO (fls. 361/362), o crédito em questão foi o bastante para compensar todas as estimativas, excetuando parte da de dezembro. Desta forma, permaneceu em aberto um débito de R$ 116.519,06 da estimativa de dezembro, o qual não pode ser Fl. 1665DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 12 considerado na apuração do IRPJ do exercício. O crédito utilizado teve sua certeza e liquidez apurada no item anterior deste despacho. Também utilizou na apuração do IRPJ o IRRF no montante de R$ 28.122,08 (fl. 232). De acordo com a consulta ao sistema Sief/DIRF (fl. 363), foi comprovado IRRF, declarado pelas fontes pagadoras, suficiente para comprovar o montante utilizado pelo contribuinte na apuração do IRPJ do exercício. A receita correspondente à fonte apurada, no montante de R$ 145.445,18, foi devidamente oferecida à tributação, conforme ficha 07A da DIPJ 2000 à fl. 357. Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo do IRPJ do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas —A C 1999 Valor IRPJ do período 138.576, 58 IRPJ estimativa (2.987.8683, 03) IRRF (28.122, 08) Saldo credor de IRPJ (2.877.413,53) O saldo negativo apurado neste item foi utilizado parcialmente para extinguir os débitos de IRPJ estimativa do anocalendário 2000. De acordo com a apropriação dos débitos indicada no relatório do sistema SAPO às fls. 378/379 remanesceu um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 902.388,01. Este saldo foi utilizado para compensar parte das estimativas de IRPJ do ano calendário 2001, conforme o relatório do sistema SAPO às fls. 394/396. Após tais compensações, o saldo deste crédito foi totalmente utilizado. 17. Avaliando a apuração do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2000, no montante de R$ 1.673.043,81, declarado na ficha 12A da DIPJ2001 (fl. 266), verificase que: O contribuinte apurou IRPJ a pagar, antes de descontar as antecipações e incentivos, no valor de R$ 503.679, 57 (fl. 266); Foi apurado IRPJ estimativa a pagar, de acordo com o quadro a seguir, na ficha 11 da DIPJ2001 (fls. 262/265). Verificando as informações de IR estimativa declaradas em DCTF (fls. 364/377), o contribuinte compensou todas as estimativas com crédito de IRPJ do anocalendário 1999. De acordo com a alocação efetuada pelo sistema SAPO (fls. 378/379), o crédito em questão foi o bastante para compensar todas as estimativas. O crédito utilizado teve sua certeza e liquidez apurada no item anterior deste despacho. (...) Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo do IRPJ do período os valores efetivamente comprovados, temos: Fl. 1666DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.002594/200331 Acórdão n.º 1201001.127 S1C2T1 Fl. 8 13 Descrição das parcelas comprovadas —A C 2000 Valor IRPJ do período 503.679, 57 IRPJ estimativa (2.176.723, 38) Saldo credor de IRPJ (1.673.043,81) O saldo negativo apurado neste item foi utilizado parcialmente para extinguir os débitos de IRPJ estimativa do anocalendário 2001. De acordo com a apropriação dos débitos indicada no relatório do sistema SAPO às fl. 397, remanesceu um saldo negativo de IRPJ no montante de R$ 960.026,80. 18. Avaliando a apuração do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, no montante de R$ 2.017.174,58, declarado na ficha 12A da DIPJ2002 (fl. 296), verificase que: O contribuinte apurou IRPJ a pagar, antes de descontar as antecipações e incentivos, no valor de R$ 382.632,83 (fl. 296); Foi apurado IRPJ estimativa a pagar, de acordo com o quadro a seguir, na ficha 11 da DIPJ 2002 (fls. 292/295). Verificando as informações de IR estimativa declaradas em DCTF (fls. 380/393), o contribuinte compensou as estimativas de janeiro a agosto e parte da estimativa de setembro (R$ 99.264,85) com crédito de IRPJ do anocalendário 1999. De acordo com a alocação efetuada pelo sistema SAPO fls. 394/396), o crédito em questão foi o bastante para compensar apenas as estimativas de janeiro a maio e parte da estimativa de junho (R$ 163.099,20). Portanto, o débito em aberto da estimativa de junho (R$ 45.599,84), as estimativas de julho e agosto e parte da estimativa de setembro (R$ 99.264,85) não podem ser consideradas na apuração do IRPJ do exercício. O crédito utilizado teve sua certeza e liquidez apurada neste despacho. O restante da estimativa de setembro (R$ 50.589,83) e as estimativas de outubro a dezembro foram compensadas com crédito de IRPJ do ano calendário 2000, conforme declarado em DCTF (fls. 380/393). De acordo com a alocação efetuada pelo sistema SAPO (fl. 397), o crédito em questão foi o bastante para compensar todas as estimativas. O crédito utilizado teve sua certeza e liquidez apurada no item anterior deste despacho. Portanto, efetuando os ajustes necessários para refletir no cálculo do IRPJ do período os valores efetivamente comprovados, temos: Descrição das parcelas comprovadas — AC 2001 Valor IRPJ do período 382.632,83 IRPJ estimativa (1.920.192, 03) Saldo credor de IRPJ (1.53 7,559,20) Fl. 1667DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 14 29. PROPONHO o RECONHECIMENTO do direito creditório contra a Fazenda Nacional a Magazine Pelicano Ltda, CNPJ 43.440.6431000169, nas importâncias de: R$ 1.537.559,20 (um milhão, quinhentos e trinta e sete mil, quinhentos e cinqüenta e nove reais e vinte centavos), referente a saldo credor de IRPJ apurado em 31/12/2001; R$ 648.155,48 (seiscentos e quarenta e oito mil, cento e cinqüenta e cinco reais e quarenta e oito centavos), referente a saldo credor de CSLL apurado em 31/12/2000; R$ 142.742,43 (cento e quarenta e dois mil, setecentos e quarenta e dois reais e quarenta e três centavos), referente a saldo credor de CSLL apurado em 31/12/2001; (..)" 5. Inconformada com a decisão da Autoridade Administrativa, da qual tomou ciência em 03/06/2008 (fls. 450), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na data de 02/07/2008, com as seguintes alegações, em síntese: 5.1. No anocalendário de 1995, a DIORT teria incorrido em impropriedade ao apurar o saldo negativo de CSLL, pois foram desconsideradas as compensações das estimativas de CSLL dos meses de abril a dezembro de 1995 com o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1994. Ressaltase que estes encontros de contas teriam sido regularmente informados na DIPJ 1996. 5.2. Em relação ao saldo negativo de IRPJ do anobase de 1995, a DIORT não considerou a extinção das estimativas de IRPJ dos meses de abril e maio com o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1994. Estas compensações também teriam sido informadas na DIPJ 1995, frisandose que os erros supostamente cometidos pela DIORT ao desconsiderar as compensações em foco refletiram nos anos subseqüentes. 5.3. A omissão da DIORT em analisar as compensações empreendidas com os saldos negativos de IRPJ e de CSLL, ambos apurados no anocalendário de 1994, deveria ser sanada, em respeito à norma veiculada no art. 60 do Decreto n°. 70.235/72, vez que causou prejuízo ao sujeito passivo. Logo, os autos deveriam retornar à DIORT para a prolação de novo despachodecisório. 5.4. A omissão da autoridade administrativa em analisar os direitos creditórios relativos ao anobase de 1994, bem como a ausência de intimação para esclarecer eventuais dúvidas, implicaria em cerceamento ao exercício de ampla defesa, preconizado no art. 5% inciso LV, da Constituição Federal. Frisase que as normas veiculadas no art. 2°, caput, e parágrafo único, incisos VIII, X e XII, e art. 29, todos da Lei n°. 9.784/99, seriam claras ao determinar que a autoridade administrativa deveria franquear ao cidadão o direito de apresentar provas para corroborar o pleito formulado perante o Estado, notadamente em cumprimento ao princípio da eficiência. Relembrase, ademais, que o art. 4° da IN SRF n°. 600/2005 dispõe textualmente que "A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento Fl. 1668DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.002594/200331 Acórdão n.º 1201001.127 S1C2T1 Fl. 9 15 do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo afim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". 5.5. Teria havido homologação tácita de todas as compensações efetuadas no curso dos anoscalendário de 1995 a 2001, tendo em vista que a ciência do despachodecisório proferido em 28/05/2008 foi empreendida em 03/06/2008. Assim, em decorrência do princípio da legalidade determinar o necessário cumprimento às normas previstas no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, e no art. 74, §5°, da Lei n°. 9.430/96, seria imperioso o reconhecimento da homologação tácita dos encontros de contas em comento. Algumas ementas de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuinte são transcritas em reforço à argumentação. 5.6. A DIORT teria desconsiderado indevidamente a compensação de parte da estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 1996 (R$ 103.490,34 — cento e três mil, quatrocentos e noventa Reais e trinta e quatro centavos), bem como os seguintes pagamentos efetuados pelo contribuinte: TRIBUTO PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR Estimativa de CSLL 09/1996 R$ 42.450,10 Estimativa de IRPJ 12/1996 R$ 46.543,66 5.7. O pedido é pela anulação do despachodecisório. Em caráter alternativo, requerse a homologação de todas as compensações pleiteadas, com o acolhimento integral dos pagamentos realizados. Por fim, requer a produção de provas por todos os meios legalmente admitidos e a reabertura de novos prazos para que a Requerente se manifeste sobre os documentos supervenientes a serem juntados pela DIORT. A DRJ decidiu parcialmente favorável à contribuinte, conforme abaixo transcrito: 15.1. pelo reconhecimento da homologação tácita das compensações deduzidas na DCOMP protocolizada em 14/05/2003 (fls. 01/03), até o limite do crédito pleiteado e com a absorção na mesma proporção do correspondente direito creditório; 15.2. pela manutenção dos saldos negativos de CSLL dos anos calendários de 2000 e 2001 deferidos no Despacho Decisório (saldo negativo de CSLL – ano – calendário 2000, R$ 648.155,48; saldo negativo de CSLL, ano calendário 2001, R$ 142.742,43); 15.3. pela retificação do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2001 deferido no Despacho Decisório (R$ Fl. 1669DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 16 1.537.559,20), reconhecendose que tal direito creditório remota efetivamente a R$ 1.620.798,97; 15.4. pela conseqüente homologação dos débitos encartados nos autos, no limite do direito creditório reconhecido nos itens 15.2 e 15.3 supra (saldo negativo de CSLL – anocalendário 2000: R$ 648.155,48, saldo negativo de CSLL – anocalendário 2001: R$ 142.742,43; saldo negativo de IRPJ – anocalendário 2001: R$ 1.620.798,97, ressaltandose que a compensação deve ser empreendida na ordem indicada pelo contribuinte, considerandose, inclusive, os débitos insertos na DCOMP protocolizada em 14/05/2003. Intimada da decisão da DRJ em 05 de agosto de 2009, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 04 de setembro de 2009, alegando em síntese que: Afirma que a DRJ se descuidou em não analisar o crédito do ano de 1994, o que refletiu nos anos seguintes, especialmente no ano de 1995, acarretando uma redução considerável do crédito postulado nestes autos; Afirma que a Delegacia de Julgamento entendeu que os documentos apresentados no aludido recurso não foram suficientes para comprovar a efetivação do encontro de contas, contudo, esse argumento não condiz com a realidade comprovada pelos documentos contábeis apresentados no recurso administrativo, razão pela qual foi requerida a anulação do r. despacho decisório para que o processo fosse devolvido à Delegacia de origem para nova análise; Além disso, afirma que houve total desconsideração das compensações realizadas no ano de 1995, com o crédito apurado no ano anterior, ao passo que nos demais anos, a compensação realizada nos mesmos moldes que a noticiada acima foi analisada e acatada, o que denota claramente o descuido na análise; Destaca que o crédito de CSLL do exercício de 1995 pleiteado pela Requerente foi no valor de R$ 571.829,00 e o valor deferido foi de R$ 6.843,73. A diferença de R$ 564.985,33 glosada do crédito corresponde exatamente ao período de abril a dezembro de 1995, corrigido; No r. despacho decisório, afirma que não há qualquer menção acerca das compensações realizadas para o período de abril a dezembro de 1995, com crédito apurado em 1994 que, digase, não foi objeto de verificação pelo Sr. Auditor Fiscal; Menciona que este crédito que foi glosado influencia todos os períodos subseqüentes, acarretando glosa de crédito em praticamente todos eles, já que a Requerente se aproveita de créditos do ano anterior para compensar débitos do ano posterior, tal como consta do relatório do r. despacho decisório; Importante ressaltar que as compensações realizadas constam da declaração DIPJ de 1995. A D. Delegacia de Julgamento entendeu que não foram apresentados documentos hábeis para a comprovação desta compensação, contudo, num exame mais apurado destes autos, verificase claramente que houve sim omissão da autoridade administrativa; Isto porque, as demais compensações realizadas nos anos posteriores, foram feitas da mesma forma, vale dizer, diretamente na contabilidade da empresa, com fundamento no artigo 66 da Lei n.° 8.383/91; Fl. 1670DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.002594/200331 Acórdão n.º 1201001.127 S1C2T1 Fl. 10 17 Relativamente ao IRPJ de 1995, o crédito pleiteado é composto de pagamentos e compensações somente nos meses de abril e maio de 1995, com crédito do mesmo tributo apurado no ano de 1994, conforme comprovantes já acostados aos autos; Neste caso, foram glosados do crédito essas compensações realizadas nos meses de abril e maio/ 1995; O crédito pleiteado para o ano de 1995 foi de R$ 885.540,29 e o deferido foi de R$ 724.923,66. A diferença glosada no valor de R$ 160.624,63 corresponde exatamente aos meses de abril e maio/ 1995; Estas compensações também foram desconsideradas pelo Sr. Auditor Fiscal, apesar de constar declarada na DIPJ da Requerente e, assim como ocorre com o caso da CSLL, a sua desconsideração também reflete nos períodos subseqüentes; Das informações acima apresentadas, verificase que houve glosa de crédito em praticamente todos os períodos, e isto ocorreu porque para o período de 1995, não foram considerados na análise do crédito, os meses em que a estimativa foi recolhida através de compensação; Logo, a não consideração do crédito de 1994 que foi utilizado para compensar débito de 1995, reduziu o valor do crédito deste período e, consequentemente, nos períodos posteriores, já que o postulado nestes autos é decorrente de crédito acumulado; Desta forma, considerando que o crédito de 1995 foi utilizado para compensar débitos de 1996, este período também sofreu influência da desconsideração do crédito de 1994, e assim sucessivamente. Diante do erro notório cometido no r. despacho decisório, de não analisar as compensações realizadas no período de 1995, baseadas no crédito apurado no ano de 1994, necessária a imediata revisão do r. despacho decisório, assim como o v. acórdão que confirmou esta parte da decisão, posto que está eivado de vício formal, capaz de causar prejuízos de elevada monta à Requerente; Por fim, alega a busca da verdade material e que houve cerceamento do direito de defesa quando não se autorizou a realização de baixa dos autos em diligência. Destacase que a Recorrente não apresentou nenhum documento ou planilha ou prova nova nos autos que pudesse corroborar com seus argumentos. Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Fl. 1671DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 18 Inicialmente, cumpre destacar que não houve qualquer cerceamento do direito de defesa da contribuinte, visto que a determinação de diligência é uma prerrogativa da autoridade julgadora para a formação da sua convicção quanto às provas ou dúvidas existentes nos autos. No caso dos autos, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que não seria necessária a diligência, visto que a contribuinte poderia ter juntado por si só provas suficientes que pudesse refutar ou gerar alguma dúvida quanto ao trabalho de auditoria da fiscalização. Como a contribuinte juntou apenas folhas do Livro Diário do anocalendário de 1995 anexadas à defesa (fls. 635/698), que para a autoridade julgadora não são suficientes para comprovar a efetivação dos encontros de constas em testilha, entendeu pela negativa da diligência. O problema que se vislumbra em relação ao caso não está na formação do crédito de 1994, mas demonstração das compensações em termos de registros contábeis e fiscais. Nesse sentido, não vejo nenhuma nulidade que possa ser reconhecida nos autos. Ademais, cumpre destacar que a fiscalização e a DRJ analisaram sim a formação do crédito de 1994 quanto ao IRPJ e a CSLL, utilizado em compensações em 1995, chegando ao entendimento de que a contribuinte não apresentou provas suficientes para atestar a ocorrência da compensação de débitos de estimativa de IRPJ nos meses de abril e maio de 1995 com o saldo negativo de IRPJ de 1994 e de débitos de estimativa da CSLL de abril a dezembro de 1995 com o saldo negativo da CSLL de 1994. Vejamos: 11. O Manifestante alega que a DIORT não observou que as estimativas de CSLL dos meses de abril a dezembro de 1995 teriam sido extintas mediante compensação com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1994. Ademais, também não teriam sido consideradas as extinções das estimativas de IRPJ dos meses de abril e maio de 1995 com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1994. O contribuinte alega, ainda, que estes encontros de contas foram informados na DIRPJ 1996. 11.1. Inicialmente, verificase que não consta da DIRPJ 1996 acostada aos autos às fls. 699/715 qualquer informação relativa às compensações aduzidas pelo contribuinte. De fato, as estimativas de IRPJ e de CSLL eram informadas nesta declaração (Ficha 09 IR E CSL DEVIDOS COM BASE NA RECEITA BRUTA) pelos valores efetivamente devidos, não havendo qualquer informação relativa à modalidade de extinção das mesmas. Logo, não é verídica a asserção de que as aventadas compensações realizadas no curso do anocalendário de 1995 teriam sido informadas na DIRPJ 1996. 11.2. Ademais, é induvidoso que os encontros de contas em foco deveriam ser comprovados por meio da apresentação dos competentes e oportunos registros contábeis, pois estas compensações deveriam ter sido registradas na escrituração do contribuinte, vez que realizadas na sistemática prevista no art. 66 da Lei n°. 8.383, de 30 de dezembro de 1991, in verbis: Fl. 1672DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.002594/200331 Acórdão n.º 1201001.127 S1C2T1 Fl. 11 19 "Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória ,o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei n° 9.069, de 29.6.1995) " (g.n.) 11.3. Com base nesta disciplina legal, é induvidoso que a comprovação da regularidade da compensação dos valores devidos das estimativas de IRPJ dos meses de abril e maio de 1995 com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1994, bem como das estimativas de CSLL dos meses de abril a dezembro de 1995 com o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1994, restaria condicionada à apresentação da escrituração contábil que lhe conferisse suporte. 11.3.1. Ressaltese que a conclusão deduzida acima decorre diretamente da legislação em foco, vez que a compensação entre tributos de mesma espécie e destinação constitucional era efetuada na própria escrituração comercial da empresa, independentemente de prévia autorização pela autoridade fiscal competente, nos termos dos arts. 2° e 10 da Instrução Normativa DIRF n° 67, de 26/05/1992. Neste diapasão, somente a partir da análise de tais registros seria possível a validação da supostas compensações efetuadas pelo contribuinte no curso do anocalendário de 1995, restando a mesma condicionada, por óbvio, à confirmação do direito creditório utilizado. 11.4. O contribuinte não acostou aos autos os registros contábeis comprobatórios destas compensações, que eram passíveis de realização apenas após a materialização da hipótese de incidência de cada débito compensado. De fato, as folhas do Livro Diário do anocalendário de 1995 anexadas à defesa (fls. 635/698) não são suficientes para comprovar a efetivação dos encontros de constas em testilha, senão, vejamos. 11.4.1. Inicialmente, arrolaremos no quadro infra os lançamentos contábeis ressaltados pelo contribuinte que supostamente comprovariam as compensações aduzidas em sua manifestação de inconformidade: (....) 11.4.2. Os lançamentos contábeis comprobatórios da extinção, mediante compensação, das estimativas de IRPJ e de CSLL devidas no curso do anocalendário de 1995 residiriam em crédito na conta representativa do direito creditório utilizado nestes encontros de contas (saldos negativos de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 1994) e em débito na conta do passivo representativa das estimativas a pagar de IRPJ e de CSLL. Fl. 1673DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 20 11.4.3. Destarte, analisando os lançamentos contábeis arrolados no quadro supra, resta evidenciado que os mesmos não são suficientes para comprovar, nos termos explicitados no parágrafo anterior, as compensações deduzidas na defesa. 11.4.3.1. De fato, no curso do anocalendário de 1995, os lançamentos dos valores devidos a título de estimativa de IRPJ e de CSLL foram registrados a crédito das contas do passivo n°. 2.1.04.010 e 2.1.04.011, respectivamente. A contrapartida destes lançamentos foi registrada em contas do ativo representativas das estimativas suportadas no curso do ano calendário de 1995, quais sejam: IRPJ — conta n° 1.1.07.012; CSLL — conta n° 1.1.07.013. No entanto, não foram apresentados quaisquer lançamentos contábeis referentes à extinção, mediante compensação, das estimativas de IRPJ e de CSLL a pagar registradas nas contas do passivo n°. 2.1.04.010 e 2.1.04.011, sendo que os quadros elaborados pelo contribuinte acerca das compensações das estimativas de CSLL do anocalendário de 1995 sequer indicam a existência de lançamentos contábeis com tal conteúdo (fls. 1442/1443). Destarte, resta prejudicado o deferimento das compensações sob análise. 11.4.3.2. Frisese que os lançamentos registrados no encerramento do ano calendário de 1995, devidamente transcritos no quadro supra, também não evidenciam as compensações em comento, vez que apenas se referem ao registro da provisão anual do IRPJ e da CSLL (lançamentos a débito da conta n°. 2.4.03.999) e às transferências relativas à dedução do IRRF na apuração anual (lançamentos a débito da conta n°. 2.1.11.001). 11.5. Deste modo, resta evidente que o contribuinte não acostou aos autos os registros contábeis relativos à compensação das estimativas de IRPJ dos meses de abril e maio de 1995, bem como das estimativas de CSLL dos meses de abril a dezembro de 1995. Ressaltese, por fim, que a convalidação das compensações das estimativas de IRPJ e CSLL em comento ainda se condicionaria à comprovação da efetiva existência do direito creditório aventado pelo contribuinte. 11.6. Destarte, não há qualquer reparo a ser realizado no DespachoDecisório em relação a este ponto, sendo descabido o pleito de retorno dos autos à DIORT para a prolação de nova decisão. Destacase que no Recurso Voluntário a contribuinte não traz nenhuma outra prova que pudesse permitir ou que atestasse que a fiscalização e a DRJ não estão com a razão, como meio de refutar a negativa do reconhecimento das compensações. Diante disso, entendo pela manutenção da decisão da DRJ nessa parte. Em relação ao anocalendário de 1996, a contribuinte contesta de forma indireta, afirmando que se houvesse sido atestada a compensação em 1995, os reflexos seriam vistos em 1996. Tal afirmação é perfeitamente pertinente. Contudo, novamente as provas trazidas pela contribuinte quanto ao encontro de contas para atestar as compensações foram consideradas insuficientes. Vejamos: Fl. 1674DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 13804.002594/200331 Acórdão n.º 1201001.127 S1C2T1 Fl. 12 21 12. No mesmo esteio das considerações tecidas no tópico 11 retro, o contribuinte aduz que a DIORT teria desconsiderado a compensação de parte da estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 1996 (R$ 103.490,34 — cento e três mil, quatrocentos e noventa Reais e trinta e quatro centavos) com saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1995. 12.1. Verificase da DIPJ 1997 acostada aos autos, que o contribuinte não informou o encontro de contas mencionado no parágrafo anterior (fls. 792). De fato, o valor da estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 1996, que remontou a R$ 150.914,90 (cento e cinqüenta mil novecentos e quatorze Reais e noventa centavos), foi informado na DIPJ 1997 como imposto de renda mensal a pagar, sem qualquer compensação de saldos negativos de períodos anteriores. 12.2. Ademais, os lançamentos contábeis acostados aos autos não evidenciam a efetiva realização da compensação em comento, pois o único registro do imposto de renda estimado do mês de dezembro de 1996 residiu no registro do valor devido a tal título, sendo pertinente transcrevermos o referido lançamento contábil: (...) 12.3. Logo, como o lançamento contábil comprobatório da extinção, mediante compensação, da estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 1996 residiria em crédito na conta representativa do direito creditório utilizado neste encontro de contas (saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1995) e em débito na conta do passivo representativa da estimativa a pagar de IRPJ do mês de dezembro de 1996, é evidente que o registro contábil mencionado no quadro supra não se presta a tal mister. Frisese, por relevância, que a convalidação da compensação da estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 1996 ainda se condicionaria à comprovação da efetiva existência do direito creditório aventado pelo contribuinte. 12.4. Do exposto, defluise que o contribuinte não comprovou a efetiva materialização da compensação parcial da estimativa de IRPJ do mês de dezembro de 1996 com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1995, não havendo reparos a serem feitos no DespachoDecisório em relação a esta alegação. Com isso, da mesma forma que o item anterior, a Recorrente também não apresentou nenhuma prova em seu Recurso Voluntário que pudesse refutar o Despacho Decisório e o acórdão recorrido da DRJ, como forma de demonstrar a efetiva compensação parcial da estimativa do IRPJ do mês de dezembro de 1996 com o saldo negativo de IRPJ do ano de 1995, sendo que os registros contábeis feitos são insuficientes para demonstrar a compensação. Destacase que a verdade material somente pode ser considerada no Direito Tributário se traduzida em linguagem competente por meio das provas. Se as provas não atestam o que foi pleiteado pela contribuinte, não há como esse julgador reconhecer as compensações por falta de linguagem. Fl. 1675DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO 22 Para o direito tributário somente existe a verdade material se traduzida em linguagem no processo. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, e no mérito, NEGOLHE provimento, mantendo a decisão da DRJ. É como voto! (assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 1676DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por RAFAEL CORREIA FUSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901073/2008-50
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jun 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL.
Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÃO. PROVA. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A extinção de débitos mediante compensação declarada pelo sujeito passivo condicionase a ulterior comprovação da certeza do crédito utilizado. A ausência da prova da existência do pagamento impossibilita o conhecimento do recurso. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. INEFICÁCIA DO DISPOSITIVO LEGAL. Os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, previsto pela Lei nº 9.718/98, para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, não pode ser utilizado como argumento de defesa para reivindicar crédito no bojo de suposto pagamento efetuado anteriormente à vigência do dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 10 73 /2 00 8- 50 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, Paulo Renato Mothes de Moraes, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Carolina Gladyer Rabelo. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o acórdão da DRJ/Porto Alegre que considerou improcedente a manifestação de inconformidade Despacho decisório da DRF/Porto Alegre não homologou a compensação declarada pela Contribuinte por inexistência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep perante a Fazenda Nacional, não tendo o órgão de origem localizado o DARF indicado na DComp. Em manifestação de inconformidade a Interessada alegou que o crédito utilizado era decorrente de pagamento indevido sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável, com base no art. 3°, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/1998. Também foi alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração. Em julgamento da lide, a DRJ Porto Alegre considerou que o dispositivo legal invocado não atuou em sua eficácia, dada a falta de sua regulamentação pela RFB, tendo sido revogado em julho de 2000. Aduziu também que a Contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento comprobatório dos repasses, e, portanto, do direito alegado. A decisão foi ementada com segue: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/1996 a 31/12/1996 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada Cientificada da decisão em 24 de outubro de 2008, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário em 24 de novembro de 2008, em que reitera os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, sustentando, adicionalmente, o seu direito com base na vacatio legis resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98). É o Relatório. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.901073/200850 Acórdão n.º 3803006.877 S3TE03 Fl. 106 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Tenhase que somente no recurso voluntário foi apresentado o fundamento da ocorrência de vacatio legis, resultante da declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 15, in fine, da MP nº 1.212/95 (art. 18, in fine, da Lei nº 9.715/98), para sustentar a legitimidade do crédito utilizado na DComp. Esta matéria não foi prequestionada perante a primeira instância, não se tendo instaurado quanto a ela o litígio. Portanto, não pode ser conhecida. Na parte que se conhece, gizese que passou ao largo da observação do d. Julgador a quo que o motivo da não homologação da compensação declarada foi o DARF originador do crédito indicado na DComp não ter sido localizado. O DARF é referente ao PA dezembro de 1996. Consta na DComp ter sido pago em 15 de fevereiro de 2004. Improvável que seja fato esta declaração. Daí o sistema não têlo localizado. Assim, apresentavase para a Manifestante, primeiramente, a necessidade de provar o seu recolhimento, ainda que tivesse ocorrido em janeiro de 1996. Esta prova haveria de estar presente para que a Manifestante pudesse sustentar qualquer argumento de pagamento a maior relativo a ele, além da demonstração contábil/fiscal do alegado indébito Em vista desse lapso, a manifestação de inconformidade poderia ter sido declarada inepta, podendo a decisão de primeira instância ter sido produzida apenas em torno desta prejudicial de mérito, na medida em que a mera prova da existência do pagamento, para contraporse ao resultado da busca feita pelos sistemas da RFB, estava ausente na peça. Entretanto, adentrou no mérito quanto ao fundamento jurídico do pretendido crédito, o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei nº 9.718/98. No recurso voluntário, novamente não há prova de que o DARF indicado existe. Sendo ele referente ao período de apuração fevereiro de 1997, o teor da defesa pela exclusão, da base de cálculo, dos valores transferidos a terceiros computados como receitas, uma vez prevista por um uma lei promulgada e publicada anos após, 1998, não se coaduna com a pretensão da Recorrente. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003656/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
IPI. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, I, CTN. STJ. RECURSO REPETITIVO.
O prazo decadencial para a formalização de auto de infração de IPI, nos casos em que não houve pagamento ainda que parcial do tributo, é regido pela art. 173, I, do CTN.
GLOSA DE CRÉDITO BÁSICO
Exigência afastada por estar presente o processo industrial de transformação e montagem ao qual foram submetidos os produtos, de cuja entrada os créditos foram glosados, porém, com a saída tributada do novo produto. Respeito ao princípio da não cumulatividade e da verdade material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-005.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 IPI. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, I, CTN. STJ. RECURSO REPETITIVO. O prazo decadencial para a formalização de auto de infração de IPI, nos casos em que não houve pagamento ainda que parcial do tributo, é regido pela art. 173, I, do CTN. GLOSA DE CRÉDITO BÁSICO Exigência afastada por estar presente o processo industrial de transformação e montagem ao qual foram submetidos os produtos, de cuja entrada os créditos foram glosados, porém, com a saída tributada do novo produto. Respeito ao princípio da não cumulatividade e da verdade material. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2186; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.003656/200910 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801005.227 – 1ª Turma Especial Sessão de 26 de fevereiro de 2015 Matéria IPI AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BENTELER COMPONENTES AUTOMOTIVOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 IPI. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FALTA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, I, CTN. STJ. RECURSO REPETITIVO. O prazo decadencial para a formalização de auto de infração de IPI, nos casos em que não houve pagamento ainda que parcial do tributo, é regido pela art. 173, I, do CTN. GLOSA DE CRÉDITO BÁSICO Exigência afastada por estar presente o processo industrial de transformação e montagem ao qual foram submetidos os produtos, de cuja entrada os créditos foram glosados, porém, com a saída tributada do novo produto. Respeito ao princípio da não cumulatividade e da verdade material. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Pelo voto de qualidade, não acatar a preliminar de decadência. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo (Relator) e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. II) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Daniel Borges Costa, OAB/SP 250.118. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 36 56 /2 00 9- 10 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Em sucinto relatório a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, narra com precisão os fatos, o qual adoto em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de impugnação a Auto de Infração de IPI, em virtude de a autoridade fiscal ter glosado créditos que entendeu indevidos, escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI, sob a rubrica “outros créditos”, conforme discriminado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 03/17. A glosa se funda no entendimento de que os produtos entrados no estabelecimento da interessada não atendem ao conceito de insumo. A interessada tomou ciência do Auto de Infração lavrado em 22/04/09, e irresignada apresentou, em 25/05/2009, sua impugnação às fls. 133/142, deduzindo em sua defesa, em síntese o seguinte: 1. Preliminarmente, a interessada alega a decadência do direito de fiscalizar o primeiro trimestre de 2004, com as consequências decorrentes; 2. Que houve a alteração da destinação dos produtos adquiridos no mercado interno e no mercado externo, posto que vendidos de uma forma conjunta para cumprimento de uma finalidade que isoladamente não seria possível a eles dar cumprimento; 3. Que a prova de que a Impugnante efetuou uma operação de industrialização nos produtos adquiridos e glosados sobressaem da própria leitura dos quadros de fls 4 e 5 e 6 e 7 do TVF; 4. Que eventual equívoco na elaboração dos documentos fiscais da Impugnante, não pode, em hipótese alguma, sobreporse à realidade dos fatos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 Fl. 313DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 5 4 DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA Não havendo pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial deslocase do § 4º do Art. 150 , para o Art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional. GLOSA DE CRÉDITO BÁSICO Correta a glosa fiscal, se o contribuinte não apresenta comprovação de que os produtos entrados em seu estabelecimento submeteramse a nova operação de industrialização cuja saída foi tributada pelo imposto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual alegam em preliminares dois fatos: 1º DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – DO LANÇAMENTO COMPLEMENTAR NÃO AUTORIZADO – ERRO NO PROCEDIMENTO DO LANÇAMENTO. Considerandose que o presente Auto de Infração decorre da análise das DCOMPs (tratamento manual), que por sua vez originaram os Processos Administrativos nºs 10830.720183/200749, 10830.720182/200702 e 10830.720174/20010, e que o presente Auto de Infração, lavrado em 20.04.2009, versa justamente sobre o lançamento de ofício do IPI e demais reflexos do refazimento de sua escrituração fiscal, oriundo da glosa de créditos determinada pelos mencionados processos administrativos, denotase que a presente autuação fiscal nada mais é do que um lançamento complementar àquele anterior, realizado quando da análise da autoridade administrativa acerca das compensações objeto de tais DCOMPs. 2º DA DECADÊNCIA. Ainda preliminarmente, e acaso não seja reconhecida a nulidade do lançamento, mister se faz reconhecer ao menos o transcurso do prazo decadencial para que o Fisco possa rever as operações relativas ao primeiro trimestre de 2004 e respectiva apuração do saldo credor e que, consequentemente, resultaram na cobrança do lançamento fiscal ora discutido. Isso porque, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, como o IPI, a contagem do prazo decadencial é regida pelo artigo 150, §4°, do Código Tributário Fl. 314DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 6 5 Nacional, isto é, no âmbito do IPI, a fiscalização tem o prazo de ,5 (cinco) anos para analisar os procedimentos adotados pelo contribuinte e efetuar, nesse ínterim, o lançamento de saldo de tributos entendido como devido, sendo homologados tacitamente os procedimentos adotados caso não haja manifestação da autoridade competente. Nesse sentido, tendo em vista que o período de apuração do Auto de Infração em combate se refere aos meses de março e abril de 2004, e a ciência do contribuinte acerca do Auto de Infração lavrado ocorre somente em 22.04.2009, temse que o ajuste resultante da glosa de R$ 80.047,48, relativo ao primeiro trimestre de 2004, deve ser prontamente excluído do lançamento fiscal. Quanto ao mérito entende incontroverso o direito ao crédito de IPI, pois demonstrada a efetiva ocorrência da industrialização e apela ao Princípio da Verdade Material, norteador do processo administrativo fiscal. Destaca ainda, em seu recurso: A lide versa sobre a aquisição, pela Recorrente, de máquinas, aparelhos e ferramentas intercambiáveis, que, após sofrer processo de industrialização, forma outro e novo produto denominado "Conjunto de Ferramentas de Estampagem". Vale destacar que após a aquisição das máquinas, aparelhos e ferramentas que foram posteriormente industrializados, a Recorrente não tomou nenhum crédito de IPI, haja vista que não ocorreu qualquer evento que, à luz da legislação do IPI (especialmente o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados "RIPI", Decreto nº 7.212/2010), legitimasse tal recuperação. Por outro lado, com a saída a título de venda do "Conjunto de Ferramentas de Estampagem", isto é, as máquinas, equipamentos e ferramentas já modificados, agrupados e estruturados o que por si só já caracteriza um produto absolutamente diferente dos originais adquiridos e pelo fato dessa operação de venda ser onerada pelo IPI, a Recorrente se valeu do crédito de IPI a ela devido e previsto nos termos da legislação do referido tributo. Além disso, importante salientar que parte dos produtos adquiridos pela Requerente, e que integram o novo produto, o "Conjunto de Ferramentas de Estampagem", são produtos importados. Ora, por mais que a Autoridade Fiscal questione a possibilidade de industrialização dos produtos, em uma simples análise da descrição contida nos documentos Fl. 315DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 7 6 fiscais é possível concluir que houve alteração da destinação dos produtos adquiridos no mercado interno e no mercado externo, posto que vendidos de uma forma conjunta para cumprimento de uma determinada finalidade, o que isoladamente não seria possível a tais produtos dar cumprimento. Concluise, portanto, que a saída do Conjunto tem de ser tributada pelo IPI, e, consequentemente, assegurado o direito à tomada de créditos pela Recorrente. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Cássio Schappo, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Conforme firmado pela autoridade lançadora, o Termo de Verificação Fiscal teve como escopo, apenas, os fatos apurados e os procedimentos adotados relativamente às Declarações de Compensação apresentadas pelo contribuinte e que originaram os processos administrativos nºs 10830720.183/200749 e 10830720.182/200702. Por meio das Declarações de Compensação – DCOMP, tratadas manualmente e que deram origem aos Processos Administrativos antes mencionados, o contribuinte utilizou saldo credor do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, apurado no 1º, 2º e 3º trimestre de 2004, para compensar débitos tributários do estabelecimento, conforme tabela a seguir: N° da DCOMP Tributo P.A. Vencimento Valor (R$) COFINS (58561) Mar/2004 15/04/2004 115.155,90 08884.81393.140404.1.3.013020 PIS/PASEP (69121) Mar/2004 15/04/2004 33.949,59 COFINS (58561) Jun/2004 15/07/2004 2.571,88 27462.68719.150704.1.3.015070 PIS/PASEP (69121) Jun/2004 15/07/2004 12.795,40 19304.61508.200704.1.3.017480 IRPJ (23621) Jun/2004 31/07/2004 43.091,69 03490.94894.151004.1.3.014213 IRPJ (23621) Set/2004 29/10/2004 73.908,22 Diante da utilização pelo contribuinte de saldo credor do IPI, o fisco passou a analisálo e constatou que havia créditos lançados extemporaneamente sob a rubrica “OUTROS CRÉDITOS”. Foi então, intimado o contribuinte a apresentar toda a documentação que deu origem aos lançamentos efetuados no Livro Registro de Apuração do IPI sob esta rubrica, sendo a exigência atendida pelo intimado, inclusive, referente ao registro de saídas com incidência do IPI, no intuito de comprovar a legitimidade dos lançamentos praticados. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 8 7 Relativamente ao 1º trimestre de 2004, do total de R$ 116.699,45 lançados a título de “Outros Créditos”, o fisco convalidou apenas R$ 36.651,97 e glosou a diferença no valor de R$ 80.047,48 por falta de comprovação de legitimidade, “pois, das notas fiscais apresentadas, algumas se referem à aquisição de máquinas, aparelhos e ferramentas intercambiáveis para máquinas ferramentas, que não são considerados como insumos utilizados ou consumidos no processo industrial”. No entendimento da autoridade lançadora, a mesma situação ocorreu no 2º trimestre de 2004, que por falta de comprovação de legitimidade dos créditos lançados a título de “Outros Créditos”, o fisco glosou o valor de R$ 65.629,41. Às fls. 6 e 7 foram relacionados conforme tabela os lançamentos indevidos de “Outros Créditos” no 1º e 2º trimestre de 2004. Já às fls. 25 o fisco apresentou “DEMONSTRATIVO DE RECONSTITUIÇÃO DA ESCRITA FISCAL” do sujeito passivo, onde ficou evidenciado que: deduzidos do saldo credor existente na escrita fiscal do contribuinte o valor do IPI indevidamente lançado na 2ª quinzena do mês de março de 2004, no valor de R$ 80.047,48 e na 2ª quinzena do mês de abril de 2004, no valor de R$ 65.629,41 o saldo da escrita fiscal reconstituída no final do período de apuração 30/04/2004 passou para devedor no valor de R$ 26.098,98, sendo este o valor de IPI devido, acrescido de multa e juros que compõe o auto de infração objeto do presente litígio. Porém, antes de adentrarmos na análise e discussão de mérito, primeiramente trataremos das preliminares arguidas no recurso voluntário. 1ª PRELIMINAR – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Diz o contribuinte que o presente lançamento é complementar, não autorizado e, portanto, acarretando erro no procedimento do lançamento. Isso por que: Considerandose que o presente Auto de Infração decorre da análise das DCOMPs (tratamento manual), que por sua vez originaram os Processos Administrativos nºs 10830.720183/200749, 10830.720182/200702 e 10830.720174/20010, e que o presente Auto de Infração, lavrado em 20.04.2009, versa justamente sobre o lançamento de ofício do IPI e demais reflexos do refazimento de sua escrituração fiscal, oriundo da glosa de créditos determinada pelos mencionados processos administrativos, denotase que a presente autuação fiscal nada mais é do que um lançamento complementar àquele anterior, realizado quando da análise da autoridade administrativa acerca das compensações objeto de tais DCOMPs. Logo, concluise que não há justificativa/motivação para realização de revisão do lançamento anterior, de modo a inovar e complementar pelo mesmo agente fiscal em relação aos processos administrativos anteriores. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 9 8 Em conclusão, verificase que o presente lançamento é nulo, seja pela falta de autorização legal para revisão do lançamento anteriormente efetuado com relação aos mesmos fatos, seja pela não observância do procedimento legal para lavratura de lançamento complementar. Com relação a esta preliminar houve inovação pela recorrente, pois a mesma não foi arguida na impugnação, estando, portanto, preclusa, não podendo dela ser conhecida sob pena de incorrer em supressão de instância. Ademais, o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 (redação dada pela Lei nº 9.532/1997) estabelece que: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. 2ª PRELIMINAR – DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE ANALISAR AS OPERAÇÕES RELATIVAS AO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2004. A recorrente busca através dessa premissa, ver o lançamento fiscal discutido extinto, como também, revisto a apuração do saldo credor de sua conta gráfica com retorno do crédito glosado no valor de R$ 80.047,48 relativo ao 1º trimestre de 2004. Com isso, “não há que se falar em saldo devedor de R$ 26.098,98 relativamente a 2ª quinzena do mês de abril de 2004”. Fundamenta seu entendimento no fato de que o IPI é um tributo sujeito a lançamento por homologação, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, limitando a ação do fisco ao prazo decadencial de 5 (cinco) anos contados da data do fato gerador. Tendo em vista que o período de apuração do Auto de Infração ora discutido se refere aos meses de março e abril de 2004 e a ciência do contribuinte ocorreu somente em 22/04/2009, temse que o ajuste resultante da glosa de R$ 80.047,48 relativo ao 1º trimestre de 2004, deve ser prontamente excluído do lançamento fiscal. Apesar de que o julgamento de 1ª instância ter rejeitado a preliminar de decadência, por entender que no caso em tela não houve pagamento antecipado do IPI para justificar a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, devendo prevalecer a contagem do prazo decadencial a partir do 1º dia do ano seguinte, nos termos do art. 173, inciso I, do mesmo diploma legal (CTN), há que ser melhor analisado sob pena de incorrer em tratamento diferenciado para casos idênticos envolvendo o mesmo tributo. Se não vejamos: Em excelente comentário sobre decadência, da lavra de José Oleskovicz, ExConselheiro do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, destaca o seguinte: As disposições do § 4º do art. 150 do CTN, têm sido utilizadas para considerar que a data de início do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento iniciar seia, ao contrário do que dispõe o art. 173 do CTN, a contar da data da ocorrência do fato gerador do tributo. Esse entendimento, entretanto, não encontra respaldo legal, como se pode constatar do § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, que, literalmente, não trata de decadência, mas tãosomente de constituição e extinção do crédito tributário pela modalidade de lançamento por homologação tácita: Fl. 318DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 10 9 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa" "§ 4o Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.". O prazo de 5 anos contado da data do fato gerador foi estabelecido pelo § 4º do art. 150 do CTN para delimitar o período de tempo em que a Administração Tributária deve constituir o crédito tributário, mediante homologação expressa da atividade apuratória do tributo informada pelo contribuinte, mesmo na hipótese de falta, total ou parcial, de pagamento. Se nesse prazo o Fisco não homologar expressamente a referida atividade, esta se considerará tacitamente homologada e, automaticamente, efetuado o lançamento, ou seja, constituído o crédito tributário, bem como extinto este, integral ou parcialmente, na proporção do que houver sido pago antecipadamente, pois o que se homologa é a atividade, não o pagamento, conforme farta doutrina e jurisprudência. Desse ensinamento, concluise que existe uma clara distinção entre o prazo à homologação da atividade apuratória do tributo, devidamente declarada ao fisco pelo contribuinte, art. 150, § 4º do CTN e o prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo, art. 173, I do CTN. No primeiro caso, transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador sem que houvesse pronunciamento pelo fisco, a atividade do contribuinte fica automática e tacitamente homologada, tornandose definitivos os valores declarados. No segundo caso, do prazo decadencial para lançamento de ofício do tributo, este se extingue após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ai considerados, inclusive, as ocorrências comprovadas de dolo, fraude ou simulação, passíveis de aplicação de multa qualificada. Evidente que a atividade tacitamente homologada não mais estaria sujeita ao lançamento, este só poderia atingir fatos não declarados. A jurisprudência assente no STJ faz referência ao fato de haver pagamento, mesmo que parcial, com relação à atividade declarada ao fisco pelo contribuinte, onde a contagem do prazo decadencial se dá na forma prevista no art. 150, § 4º do CTN. O entendimento firmado pelo STJ, de haver pagamento mesmo que parcial, está relacionado ao fato de existir débito apurado e declarado, diferentemente do aqui exposto que trata da existência de saldo credor no final do período declarado. Do contrário recairíamos em um tratamento desigual para casos essencialmente idênticos. Basta compararmos dois contribuintes com atividade industrial que apuram e declaram ao fisco o tributo de um mesmo Fl. 319DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 11 10 período, só que um apresentou saldo credor e outro um saldo devedor de apenas R$ 10,00 recolhendoos rigorosamente em seu vencimento. Depois de transcorridos 5 (cinco) anos o primeiro estaria sob a égide do art. 173, I do CTN e o segundo contribuinte estaria amparado pela decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Se a homologação tácita recai sobre a atividade de um determinado período de apuração declarado ao fisco, logo, não se homologa apenas o pagamento que chegou aos cofres públicos, após passados 5 (cinco) anos do fato gerador, mas todo o credito apurado fica extinto e a administração tributária está impedida de questionar os fatos que contribuíram para a atividade declarada pelo contribuinte, salvo os casos comprovados de dolo, fraude ou simulação (art. 150, § 4º do CTN). Nos casos de lançamento por homologação, que se aplica ao IPI, em que o contribuinte tem a obrigação de fazer os registros fiscais de entrada, de saída e apurar o imposto devido por períodos determinados (ao tempo do auto de infração era quinzenal), declarando essa atividade ao fisco, não só preenche inicialmente o princípio constitucional da não cumulatividade do imposto, como também, define a data inicial de contagem do prazo para que a administração tributária a homologue, expressamente ou tacitamente, decorridos o período quinquenal do fato gerador. O dever de antecipar o pagamento, quando da existência de tributo a recolher, sem prévio exame da autoridade administrativa é inerente ao processo do lançamento por homologação. Caso contrário recairia na hipótese da homologação apenas do pagamento e não é essa a melhor exegese do art. 150, § 4º do CTN. Diante desses fatos, acolho a preliminar, considerando tacitamente homologado a atividade do contribuinte para o período referente ao 1º trimestre de 2004, com base no art. 150, § 4º do CTN e por consequência reabilitado o crédito de IPI glosado no valor de R$ 80.047,48. MÉRITO As questões de mérito dizem respeito, especificamente, aos lançamentos extemporâneos de IPI na rubrica “OUTROS CRÉDITOS”, referentes a produtos máquinas, aparelhos e ferramentas intercambiáveis para máquinas ferramentas, que no entender do notificante não se tratam de insumos. O auditor fiscal em seu procedimento de verificação lavrou Termos de Intimação para que o contribuinte, ao final, informasse e comprovasse o porque da escrituração dos créditos extemporâneos e qual a fundamentação legal utilizada, a vinculação, ou não, das notas fiscais de aquisição dos produtos com duas notas fiscais de venda registradas no período, 1º e 2º trimestre de 2004, no que diz respeito a conferir legitimidade aos créditos escriturados. O contribuinte presta informações (fls. 91 e seguintes), apresentando considerações técnicas detalhadas, devidamente ilustradas que, no seu entendimento, justificam a incidência do IPI nas operações de saída, bem como o direito creditório no que tange a entrada das notas fiscais utilizados como insumo. 1º com relação a operação de venda de conjunto de ferramental para a General Motors do Brasil, justifica: Fl. 320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 12 11 A Benteler adquiriu no mercado interno do fornecedor Industria Mecânica Abril Ltda com a nota fiscal 12851 Ferramentas de Estampar .Dispositivos e Base de Conjunto; adquiriu do fornecedor Exata Master Ind. E Com. Ltda com a nota fiscal 13731 Conjunto de Ferramentas e do fornecedor Metalúrgica Tecnometal Ltda com a nota fiscal 11877 adquiriu Ferramenta. Porem ressaltamos que esses ferramentais de estampagem embora adquiridos de terceiros, não estão prontas para uso e submetemse a vários processos internos de modificação como lixamento, perfuração, colocação de buchas e molas , soldas, e vários ajustes necessários para aperfeiçoar a sua utilização, que são realizados em nossa seção de Ferramentaria. [...] No caso dos Ferramentais adquiridos da Industria Mecânica Abril Ltda com a nota fiscal 12851 e da Exata Master Ind. E Com. Ltda com a nota fiscal 13731 , consideramos" Conjunto de Ferramental", pois após a união das varias operações de estampar feita internamente pelo seção de ferramentaria gera uma nova ferramenta conforme ilustrado abaixo: [...] Também foi adquirido com a nota fiscal 2146 um Conjunto de Bases para Robôs, do fornecedor Americanweld Ind. Com. Imp. E Exp. Ltda com a nota fiscal 2762 Dispositivo de solda por projeção; com a nota fiscal 2761 outros dispositivos de Solda por projeção; adquiriu no mercado externo do fornecedor Fronius com a nota fiscal 491 uma solução de limpeza e um equipamento de solda ; do fornecedor Albany com a nota fiscal 509 adquiriu Portas de Segurança.Neste caso se adquiriu partes de uma linha de solda, tais como robôs, portas automáticas, separadores, cabos entre outros, onde toda a montagem, regulagem, programação foi feita por nossa seção de Manutenção Mecânica e Elétrica. Quanto à fundamentação legal entende que: Conforme previsto no artigo 3o do Regulamento do IPI, "produto industrializado" é o resultante de qualquer operação definida no Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. Para os casos acima relatados, nosso entendimento é que se caracterizou a industrialização conforme artigo 4 o do Regulamento do IPI nas modalidades: Beneficiamento (Ferramentas) e Montagem (Dispositivos de Solda) conforme abaixo: Fl. 321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 13 12 II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento) III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); Diz ainda que, após o término da confecção deste “Conjunto de Ferramental p/ prod. pç 93360323S4300”, o mesmo foi vendido para General Motors do Brasil como venda de produção própria, com incidência do IPI, através da NF nº 109.390 de 26/03/2004; que conforme demonstrado nos registros de entrada a classificação foi de insumo, tanto fiscal quanto contábil, o que justifica, mesmo que extemporaneamente, o crédito do IPI. 2º com relação a operação de venda de conjunto de ferramental para a Volkswagen do Brasil, justifica: A Benteler adquiriu no mercado interno com a nota fiscal 51027 do fornecedor Metalúrgica Mardel Ltda, um Ferramental para confecção da peça (5Z0.612.407.A), bem como outro Ferramental também adquirido no mercado interno com a nota fiscal 51028 do mesmo fornecedor acima citado para produção da peça (5Z0.611.847.A ) onde ambas são utilizadas como partes de um produto final denominado "EIXO TRASEIRO VW 249" Porem ressaltamos que tais ferramentais embora adquiridos de terceiros, não estão pronta para o uso e submetemse a vários processos internos de modificação como lixamento, perfuração, colocação de buchas e molas, soldas, e vários ajustes necessários para aperfeiçoar a sua utilização , que são realizados em nossa seção de Ferramentaria , conforme especificado no Exemplo dos Ferramentais utilizado para produção do Eixo para General Motors. Também foi adquirido no mercado interno com a nota fiscal 16451 do fornecedor Thyssen Production System Ltda uma linha de solda utilizada para unir os componentes ora fabricado com as ferramentas adquiridas acima.Neste caso embora a descriminação dos produtos seja "Linha de Solda", o que de fato se adquiriu foi todas as partes de uma linha de solda, tais como robôs, portas automáticas, separadores, cabos entre outros, onde toda a montagem, regulagem, programação foi feita por nossa seção de Manutenção Mecânica e Elétrica. Este procedimento tem as mesmas características do 1º, que após o término da confecção deste “Conjunto de Ferramental”, onde “Os insumos acima adquiridos, após terem passados por processos de industrialização, são unidos a um único "Conjunto de Ferramental" constituindo assim um ferramental para produção da peça "EIXO TRASEIRO VW 249" caracterizado como industrialização na modalidade transformação”. O mesmo foi vendido para Volkswagen do Brasil como venda de produção própria, com incidência do IPI, através da NF nº 112.403 de Fl. 322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 14 13 30/04/2004; que conforme demonstrado nos registros de entrada a classificação foi de insumo, tanto fiscal quanto contábil, o que justifica, mesmo que extemporaneamente o crédito do IPI. Quanto ao aspecto formal, da legalidade do IPI lançado tanto a crédito quanto a débito, não há divergência, a não ser no aspecto material da classificação dos produtos adquiridos como insumos. Inclusive, como bem observado no julgamento de 1º grau, os cálculos e a metodologia adotada no procedimento fiscal não foram questionados, tendoos como verdadeiros. A autoridade lançadora deixa evidente de que: “A questão central reside em verificar se, de fato, as aquisições apresentadas pelo contribuinte caracterizamse, ou não, como insumos do produto descrito como “Ferramental p/prod. Pç 93360323S4300”, definição da qual depende a legitimidade da apropriação dos créditos do IPI”. Idem, para o produto descrito como “Ferramental p/ prod. Cj. Eixo Tras. VW249”, cujas saídas se deram através das Notas Fiscais nº 109.390 e nº 112.403, respectivamente. A contrariedade apresentada pelo notificante com relação a classificação de insumo dada pelo contribuinte, está resumida em suas conclusões, nos seguintes termos: Tendo em vista os elementos que compõem o processo analisado, concluiuse pela impossibilidade dos produtos descritos nas notas fiscais de aquisição apresentadas pelo contribuinte (relacionadas nas tabelas acima) caracterizaremse como insumos na fabricação das ferramentas intercambiáveis para máquinas ferramentas, cujas saídas foram amparadas pelas notas fiscais n°s 112403 e l09390, por serem, os primeiros, produtos prontos e acabados, próprios à utilização na linha de produção da empresa, enquadrados como ativo imobilizado. Referidas aquisições não dão direito ao crédito do IPI. Apesar de o contribuinte ter indicado que houve uma falha na descrição do produto vendido “Ferramental p/prod. Pç 93360323S4300” e “ Ferramental p/prod.Cj.Eixo Tras. VW249”, nas notas fiscais de saída, por não ter detalhado a composição dos mesmos, veio a fazer como relacionado pelo notificante às fls. 9/10 e 12. A autoridade lançadora utiliza como principal contra argumento às explicações do sujeito passivo, o fato de que os produtos adquiridos não possuíam a classificação original (CFOP) de insumos; que eram produtos acabados e prontos para serem utilizados na linha de produção – ferramentas intercambiáveis para máquinas ferramentas. Fez parte do escopo de trabalho do Procedimento de Fiscalização (fls. 5) – item b) “Constatação, mediante exame local, do funcionamento do estabelecimento”; Também, era de conhecimento da autoridade lançadora que os equipamentos vendidos, tanto para a General Motors como para a Volkswagen do Brasil, permaneceram no estabelecimento da própria empresa (Benteler), em comodato, para produção de itens fornecidos aos mesmos clientes; porém, nenhuma informação veio aos autos de que estes dois equipamentos – Conjunto Ferramental, não existiam e que não produziam as peças para o qual foram destinados. As operações de venda conforme notas fiscais de saída nº 112.403 e 109.390 existiram, das quais integraram os produtos conforme relacionados às fls. 9/10 e 12, com classificação na TIPI 8207.70.90 e 8207.30.00 e sujeitas à incidência do IPI conforme destacado nos respectivos documentos fiscais. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 15 14 Atendose ainda as conclusões da autoridade fiscal, da impossibilidade dos produtos adquiridos pela notificada conforme notas fiscais de aquisição relacionadas, caracterizarem insumos na fabricação das ferramentas intercambiáveis para máquinas ferramentas, cujas saídas foram amparadas pelas notas fiscais já mencionadas, os quais são enquadrados como ativo imobilizado, perguntase: por que foi mantido o IPI incidente nestas duas operações de venda? Por determinação fiscal a escrita do contribuinte foi reconstituída, para que fossem estornados os créditos glosados, com alteração do saldo credor acumulado e a diferença a cobrar através do lançamento ora discutido. Não houve qualquer manifestação pelo fisco com relação ao IPI incidente nas operações de saída. Houve uma desclassificação indireta do fisco da operação de venda realizada pelo sujeito passivo, de que não se tratava de uma venda de produção do estabelecimento, mas sim, de revenda de mercadoria, sem direito à crédito do IPI, porém, mantendo a exigência do IPI lançado a débito por ocasião da saída. O princípio constitucional da não cumulatividade do imposto ficou totalmente comprometido no presente lançamento, ao reclassificar a operação praticada de venda de produção do estabelecimento (CFOP 5.101), para venda de bens enquadrados como ativo imobilizado, próprios à utilização na linha de produção da empresa. A recorrente demonstrou que ocorreu a montagem do Conjunto de Ferramentas, o que ocorre após sua industrialização, quando é possível o cumprimento de sua real função, função essa que é absolutamente diferente das funções individuais de cada um dos produtos quando adquiridos. Os fundamentos desse entendimento estão expressos no Regulamento do IPI, extraindose o que segue: Art. 3o Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º) Art. 4o Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 5.172, de 1966, art. 46, parágrafo único, e Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 16 15 III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Com relação ao crédito extemporâneo, esse está amparado pelo art. 251 da TIPI, inciso III, que define a data da redestinação dos insumos para fins do registro do crédito do IPI: Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: [...] III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e Já a não cumulatividade concernente ao IPI está positivada no artigo 153, § 3º, II, da Constituição Federal, segundo o qual o IPI “será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores”. O princípio constitucional da não cumulatividade, que somado ao princípio da verdade material, norteador do Processo Administrativo Fiscal e do livre convencimento motivado do julgador pelas provas carreadas aos autos, conferem o direito do contribuinte pela manutenção do crédito glosado, pondo fim ao presente litígio. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Ouso discordar do voto do Conselheiro Relator em relação à tese de homologação tácita, defendida com base no argumento de que se aplicaria ao caso o art.150 do CTN, apesar de não ter havido recolhimento ainda que parcial de tributo em relação ao período de apuração. O STJ, em sede de recurso repetitivo1, logo, em decisão que deve ser reproduzida pelos membros do CARF, por força do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, assentou o entendimento de que em se tratando de tributo com lançamento por homologação, aplicase o prazo conforme o art. 150 do CTN apenas se houve recolhimento total ou parcial do tributo. Se não houve recolhimento, o prazo a se aplicar é o do art. 173, I, do CTN. No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação (IPI) e não houve recolhimento, o que é evidenciado pelo saldo credor no período em discussão, primeiro trimestre de 2004. Logo, o prazo de decadência começou a contar a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da apuração, ou seja, a partir de 1º/1/2005. Uma vez que a ciência do auto de infração ocorreu em 22/4/2009, antes do término do prazo de cinco anos, não há que se falar em decadência do direito de constituição do crédito tributário nem de homologação tácita de saldo credor apurado em relação ao período de apuração. Cito o CTN: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. 1 REsp nº 973.733/SC , Relator Ministro Luiz Fux. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.003656/200910 Acórdão n.º 3801005.227 S3TE01 Fl. 18 17 § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por estas razões, voto por não reconhecer a decadência do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário em litígio, o que significa não acatar a tese de homologação tácita suscitada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por CASSIO SCHAPPO, Assinado digitalmen te em 29/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001314/2008-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2006
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADA INTEGRALMENTE.
Não comprovadas, integralmente, com documentação hábil e idônea, as despesas médicas glosadas pela fiscalização, deve-se manter a glosa relativa às deduções indevidas de despesas médicas. Afastamento das glosas cuja comprovação se fazia possível.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor R$ 6.540,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: FLAVIO ARAUJO RODRIGUES TORRES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício:2006 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADA INTEGRALMENTE. Não comprovadas, integralmente, com documentação hábil e idônea, as despesas médicas glosadas pela fiscalização, deve-se manter a glosa relativa às deduções indevidas de despesas médicas. Afastamento das glosas cuja comprovação se fazia possível. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor R$ 6.540,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS NÃO COMPROVADA INTEGRALMENTE. Não comprovadas, integralmente, com documentação hábil e idônea, as despesas médicas glosadas pela fiscalização, devese manter a glosa relativa às deduções indevidas de despesas médicas. Afastamento das glosas cuja comprovação se fazia possível. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor R$ 6.540,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (29/05/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 13 14 /2 00 8- 25 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.001314/200825 Acórdão n.º 2801003.986 S2TE01 Fl. 168 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela 6ª Turma da DRJ/BHE (acórdão nº 0234.670), em processo administrativo envolvendo a contribuinte Vera Lúcia Soares Prado. Em sede de revisão da Declaração de Ajuste Anual da contribuinte, procedeuse ao lançamento de ofício do Imposto de Renda que resultou da glosa de despesas médicas no valor de R$ 18.500,00, por falta de efetiva comprovação. Também foi glosado o valor de R$449,00 por dedução indevida de despesas de instrução Assim, apurou o Fisco um imposto suplementar no valor de R$ 5.210,97, conforme fl. 08 dos autos. As despesas médicas glosadas são relativas aos profissionais: Anderson Soares Souza (R$3.000,00), Juliana Cristina Tourino (R$1.500,00), Ana Paula Soares Prado (R$2.500,00), Luciano Cardoso Rabelo (R$5.000,00), Ana Paula C M Oliveira (R$5.000,00) e Márcio Pifano Soares Ferreira (R$1.500,00). A DRJ/BHE demandou a realização de diligência para fins de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas. A contribuinte juntou apenas recibos das despesas médicas. Alega ainda que não foram juntados os extratos bancários porque, na ocasião, o Delegado Substituto teria dispensado sua apresentação. Em sua impugnação, aduziu que a documentação completa não foi juntada porque seguiu as orientações dos funcionários da Delegacia de Belo Horizonte, tendo sido prejudicada neste ponto. Em primeiro lugar, em relação à suposta dispensa de apresentação dos extratos bancários, o acórdão entendeu que a situação escapa ao conteúdo do processo, visto que os atos processuais devem ser produzidos por escrito, nos termos do art. 22, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Desta forma, o lançamento foi mantido pela instância recorrida, a qual entendeu, em síntese, que, diante dos altos valores envolvidos, é lícito ao fisco exigir prova incontestável da efetividade dos pagamentos, e que as afirmações constantes de documentos não podem ser opostas, incontinenti, à Fazenda Pública. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS.. NÃO COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa de dedução a titulo de despesas médicas quando na fase impugnatória não forem apresentados documentos hábeis que comprovem pagamentos com as referidas despesas. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Além disso, juntou novamente recibos expedidos pelos Fl. 168DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.001314/200825 Acórdão n.º 2801003.986 S2TE01 Fl. 169 3 profissionais, os quais atestariam a efetivação do serviço prestado, bem como os extratos bancários de suas contascorrentes. Por fim, juntou jurisprudência deste Conselho que admite a simples apresentação de recibo para comprovação de despesas médicas. É o relatório. Voto Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres, relator. Conheço do recurso voluntário, visto que tempestivo e reunindo todas as condições de admissibilidade. Preliminarmente, na esteira da jurisprudência deste Conselho (Acórdão 2802 002.837 – 2ª Turma Especial) e com base no princípio do formalismo moderado, conheço dos documentos trazidos aos autos com o recurso voluntário, às fls. 101/156. A questão posta nos autos diz respeito à necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas glosadas pelo Fisco. Em sede de recurso, foram juntados aos autos novos recibos das despesas, bem como todos os extratos das contas bancárias da contribuinte. Conforme a notificação recebida pela contribuinte, os recibos apresentados foram rejeitados pela fiscalização tendo em vista que esta deixou de apresentar comprovação da efetividade de alguns dos serviços, bem como, dos pagamentos correspondentes, por meio de cópias de cheques ou extratos bancários que atestassem as despesas realizadas. Sobre as deduções da base de cálculo na declaração de ajuste anual, o decreto nº 3.000/99, em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estarão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.001314/200825 Acórdão n.º 2801003.986 S2TE01 Fl. 170 4 Desta forma, neste caso específico, não basta a simples apresentação de recibo. Fazse necessário verificar se, nos extratos bancários juntados pela contribuinte, constam indicativos de pagamento das despesas médicas efetuadas. Contrariamente, portanto, ao que entendeu a contribuinte em seu recurso voluntário, não há exigências descabidas ou absurdas. Há o exercício de uma faculdade que cabe à fiscalização de exigir mais informações acerca do efetivo pagamento das despesas médicas declaradas. Importante observar que a recorrente procedia, no anocalendário de 2005, à quasetotalidade de seus pagamentos mediante a utilização de cheques. Curiosamente, contudo, nenhum cheque tem valor ou data semelhante aos constantes dos recibos apresentados pelo profissionais e utilizados para fins de dedução do IRPF. Foram juntados extratos de contas na Caixa Econômica Federal e Banco Itaú. Ocorre que não é possível visualizar, nos extratos juntados, qualquer cheque compensado nos valores exatos dos recibos emitidos pelos profissionais cujas despesas foram declaradas como dedutíveis. Em relação aos saques realizados pela contribuinte de sua conta bancária, elaborei uma tabela na qual constam todos os recibos juntados pela recorrente, com valores e datas. Nas colunas da direita, há a tentativa de identificar saques bancários que poderiam guardar relação com os pagamentos declarados pela contribuinte: PROFISSIONAL DATA VALOR FOLHA DOS AUTOS IDENTIFICAÇÃO NO EXTRATO BANCÁRIO CEF IDENTIFICAÇÃO NO EXTRATO BANCÁRIO BANCO ITAÚ ANA PAULA SOARES PRADO JAN/05 R$ 450,00 150 ‐ ‐ ANA PAULA CAMPOS MARINHO 31/01/2005 R$475,00 155 ‐ ‐ ANA PAULA SOARES PRADO FEV/05 R$ 470,00 150 ‐ ‐ ANA PAULA CAMPOS MARINHO 28/02/2005 R$ 380,00 155 ‐ ‐ ANDERSON SOARES SOUZA 10/03/2005 R$ 600,00 08 ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 30/03/2005 R$475,00 155 ‐ ‐ ANA PAULA SOARES PRADO ABRIL/05 R$360,00 150 FL.104 SAQUE R$500,00 (14/04) ‐ Fl. 170DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.001314/200825 Acórdão n.º 2801003.986 S2TE01 Fl. 171 5 ANDERSON SOARES SOUZA 10/04/2005 R$ 600,00 154 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 25/04/2005 R$380,00 155 ‐ ‐ ANDERSON SOARES SOUZA 10/05/2005 R$600,00 154 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 30/05/2005 R$475,00 155 ‐ ‐ ANDERSON SOARES SOUZA 10/06/2005 R$ 600,00 154 ‐ ‐ ANA PAULA SOARES PRADO JUN/05 R$ 225,00 150 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 27/06/2005 R$ 380,00 155 ‐ ‐ ANDERSON SOARES SOUZA 10/07/2005 R$ 600,00 154 ‐ ANA PAULA SOARES PRADO JULHO/05 R$ 180,00 150 FL.107 SAQUE R$400,00 28/07 ‐ LUCIANO CARDOSO RABELO 06/07/2005 R$1.000,00 152 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 25/07/2005 R$ 380,00 155 FL.107 SAQUE R$400,00 22/07‐ ‐ ANDERSON SOARES SOUZA 10/08/2005 R$600,00 154 FL.109 SAQUE R$800,00 10/08 ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 29/08/2005 R$ 475,00 155 FL.111 SAQUE R$800,00 25/08 ‐ ANA PAULA SOARES PRADO AGO/2005 R$ 490,00 150 FL.110 SAQUE R$1.000,00 – 16/08 LUCIANO CARDOSO RABELO 08/08/2005 R$1.000,00 152 ‐ MÁRCIO PIFANO SOARES FERREIRA 10/08/2005 R$500,00 151 FL.109 CHEQUE COMPENSADO R$500,00 – 11/08 MÁRCIO PIFANO SOARES FERREIRA 10/09/2005 R$ 500,00 151 FL.115 SAQUE R$1.000,00 – 09/09 ‐ Fl. 171DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.001314/200825 Acórdão n.º 2801003.986 S2TE01 Fl. 172 6 LUCIANO CARDOSO RABELO 06/09/2005 R$1.000,00 152 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 26/09/2005 R$380,00 155 FL.118 SAQUE R$1.000,00 23/09 ‐ JULINA CRISTINA TOURINO PRADO 16/09/2005 R$450,00 153 FL.116 SAQUE R$500,00 13/09‐ ‐ MÁRCIO PIFANO SOARES FERREIRA 10/10/2005 R$500,00 151 ‐ ‐ LUCIANO CARDOSO RABELO 06/10/2005 R$1.000,00 152 ‐ ‐ JULINA CRISTINA TOURINO PRADO 18/10/2005 R$250,00 153 ‐ ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 31/10/2005 R$475,00 155 FL.124 SAQUE R$1.000,00 – 31/10 ‐ ANA PAULA SOARES PRADO NOV/2005 R$225,00 150 FL.129 SAQUE R$1.000,00 24/11 LUCIANO CARDOSO RABELO 08/11/2005 R$ 1000,00 152 JULINA CRISTINA TOURINO PRADO 16/11/2005 R$ 390,00 153 FL.128 SAQUE R$1.000,00 16/11 ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 28/11/2005 R$380,00 155 FL.130 SAQUE R$400,00 28/11 ‐ JULINA CRISTINA TOURINO PRADO 17/12/2005 410,00 153 FL.133 SAQUE R$1.000,00 15/12 ‐ ANA PAULA C. MARINHO DE OLIVEIRA 27/12/2005 R$345,00 155 FL.135 SAQUE R$1.000,00 26/12 ‐ Entendo que os saques arrolados nas colunas “5”, acima, são condizentes com os valores declarados para fins de dedução de despesas médicas, ainda que nenhum valor tenha correspondência idêntica entre o recibo e os extratos bancários. Não vejo como seja necessária a identidade entre datas e valores de saques nas contas bancárias, por parte do contribuinte. Havendo proximidade entre datas/valores dos Fl. 172DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10665.001314/200825 Acórdão n.º 2801003.986 S2TE01 Fl. 173 7 recibos e dos saques em espécie, é possível presumir a ocorrência do efetivo pagamento, não sendo possível afirmar, com segurança, que os valores foram utilizados para outra finalidade. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para o fim de restabelecer as glosas nos valores de R$ 1.250,00 referente às despesas com Juliana Cristina Tourino, o valor de R$ 1.255,00 dos recibos de Ana Paula Soares Prado e de R$ 600,00 de Anderson Souza. Ainda, a quantia de R$ 2.435,00 de Ana Paula C M Oliveira e, por fim, o valor de R$ 1.000,00 relativo às despesas com Márcio Pifano Soares Ferreira, totalizando o valor de R$ 6.540,00. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Flavio Araujo Rodrigues Torres. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 31/05/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720874/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
DATA DO FATO GERADOR: 31/12/2004, 31/12/2005
CONCOMITÂNCIA. EFEITOS
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, sob qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
DATA DO FATO GERADOR: 31/12/2004, 31/12/2005
DÉBITOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. JUROS
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Aplicação da Súmula CARF nº 5
TAXA SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC.
Aplicação da Súmula CARF nº 4.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.031
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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EFEITOS Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial, sob qualquer modalidade processual, com o mesmo objeto do processo administrativo. Aplicação da Súmula CARF nº 1. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DATA DO FATO GERADOR: 31/12/2004, 31/12/2005 DÉBITOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. JUROS São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Aplicação da Súmula CARF nº 5 TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Aplicação da Súmula CARF nº 4. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Fl. 357DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10580.720874/200901 Acórdão n.º 3102001.031 S3C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Almeida Filho, Paulo Sergio Celani, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada (fls. 02/13), que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativas aos períodos de apuração de dezembro de 2004 e dezembro de 2005. Segundo o autuante, a contribuinte, inconformada com a incidência do PIS e da Cofins sobre o capital próprio, ingressou judicialmente para se eximir da obrigação. Assim, tendo em vista que o PIS e a Cofins não foram informados em DCTF, os valores devidos, apurados com base nos balancetes mensais, conforme demonstrativos constantes do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 16/03/2009 (fls. 185/219), foram, então, objeto dos Autos de Infração, sem incidência da multa de ofício. Consta do campo “intimação” dos Autos de Infração que a exigibilidade do crédito tributário encontrase suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo nº 2005.33.00.0006046, em tramitação na 16ª Vara Federal, nos termos dos incisos II e IV do Código Tributário Nacional – CTN. Ao presente processo foram ainda anexados os seguintes documentos: Termo de Início de Fiscalização (fls. 14/18); outros termos lavrados durante a fiscalização e esclarecimentos prestados pela contribuinte (fls. 19/184 e 220/222); Livro Diário (fls. 223/249); Livro Razão (fls. 250/256). Cientificada dos lançamentos em 31/03/2009, a contribuinte apresenta em 30/04/2009 a impugnação de folhas 258/262, alegando em sua defesa, em síntese: 1. Uma vez que as autuações ora em litígio visaram apenas prevenir os efeitos da decadência, o crédito tributário em questão não pode prosperar, pois os juros sobre o capital próprio consubstanciam instituto de direito privado desde muito antes da edição da Lei nº 9.249/95, tendo sido sempre considerados como distribuição de resultados, vindo o art. 9º da referida lei apenas estabelecer um regime tributário específico do imposto de renda; 2. Ademais, no presente caso jamais poderiam ser exigidos juros de mora, posto que a impugnante não incorreu em mora, por estar amparada por decisão judicial, e, ainda que devidos os Fl. 358DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10580.720874/200901 Acórdão n.º 3102001.031 S3C1T2 Fl. 3 3 juros, jamais poderiam ter sido calculados com base em percentual equivalente à taxa SELIC. Ponderando as razões aduzidas pela autuada, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão de piso pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/12/2005 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL Tratandose de matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, não se conhece da impugnação administrativa, quanto ao mérito, por ter o mesmo objeto da ação judicial, em respeito ao princípio da unicidade de jurisdição contemplado na Carta Política, cabendo, entretanto, análise relativamente à matéria não submetida à apreciação do Poder Judiciário. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Sobre o tributo não pago no prazo de vencimento incide juros de mora, qualquer que seja o motivo determinante do inadimplemento da obrigação. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, no mérito, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Em sede de preliminar, aduz que, diferentemente do alegado, não se verifica, no presente processo, a alegada renúncia à via administrativa, na medida em que tal fenômeno só se caracteriza na hipótese em que o processo administrativo precede o judicial. Somente em tal hipótese, portanto, se justificaria o não conhecimento do mérito, uma vez que restaria evitada a atividade administrativa supérflua, sempre suplantada ou arredada pelo pronunciamento judicial. De maneira inversa, o que se verificaria no presente processo é o ajuizamento de uma ação anterior à lavratura do auto de infração: o processo judicial teve início em 12/01/2005 e a autuação em 31/03/2009, enquanto o primeiro ainda se encontrava pendente. Fl. 359DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10580.720874/200901 Acórdão n.º 3102001.031 S3C1T2 Fl. 4 4 Evidenciarseia, assim, o direito da Recorrente à apreciação também na esfera administrativa da questão relativa ao mérito da exigência. Cita precedente do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes nesse sentido. É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Antes de adentrar no mérito do litígio, entretanto, entendo que é dever deste Colegiado enfrentar questão preliminar que, se atendida, prejudicará a análise do mérito, qual seja, a caracterização ou não da concomitância entre o presente litígio e o Mandado de Segurança nº 2005.33.000006046, ajuizado perante a Justiça Federal, Subseção Judiciária de Salvador. De fato, se verificado que o objeto daquele processo é idêntico ao do presente litígio, há que se aplicar a Súmula CARF nº 1, que reza (original não destacado): Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(destaquei) A fim de facilitar tal cotejamento, transcrevo trecho da sentença de primeira instância onde se descreve o objeto da ação: As demandantes impetraram o presente writ insurgindose contra a sistemática de recolhimento das contribuições do PIS e COFINS, no que se refere à inclusão na base de cálculo da parcela intitulada de "juros sobre o capital próprio". Dizem que o tratamento estabelecido pela Lei n° 9.249/95 para fins de IR e CSLL não interfere na natureza jurídica de dividendos dos pagamentos em questão. A vexata quaestio é, desse modo, a incidência ou não da COFINS e da contribuição para o PIS sobre a aludida parcela. Ora, comparando tal descrição com os fundamentos do auto de infração, forçoso é concluir pela identidade de objeto e como tal, não há como conhecer da discussão acerca da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre a parcela da receita denominada juros sobre capital próprio, independentemente da ordem de instauração dos processos, conforme destacado pela Súmula CARF nº 1. Restaria então debater a incidência de juros sobre os créditos tributários debatidos em juízo, bem assim a aplicação da taxa Selic para cálculo desses juros. Fl. 360DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10580.720874/200901 Acórdão n.º 3102001.031 S3C1T2 Fl. 5 5 Mais uma vez, tratamse de matérias cuja jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais está inteiramente pacificada, sendo alvo inclusive das súmulas CARF nº 4 e nº 5, que transcrevo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Não constando dos autos qualquer demonstrativo de depósito do montante debatido em juízo, forçoso é reconhecer a incidência de juros, calculados de acordo com a taxa Selic. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 1º de junho de 2011 (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 361DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 3/08/2011 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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