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Numero do processo: 13766.720420/2011-67
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543-B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento.
DEDUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL. PSS. DECISÃO JUDICIAL.
Os valores retidos a título de contribuição ao Plano de Seguridade do Servidor Público - PSS sobre valores pagos em decorrência de decisão judicial são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual do respectivo ano-calendário.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-003.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento em menor extensão.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC, não prosperando, assim, lançamento constituído em desacordo com tal entendimento. DEDUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA OFICIAL. PSS. DECISÃO JUDICIAL. Os valores retidos a título de contribuição ao Plano de Seguridade do Servidor Público PSS sobre valores pagos em decorrência de decisão judicial são dedutíveis na Declaração de Ajuste Anual do respectivo ano calendário. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que dava provimento em menor extensão. (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 72 04 20 /2 01 1- 67 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 2 (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente da Turma), Jaci de Assis Junior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado) e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 24.622,71, relativo ao anocalendário 2009. O lançamento decorreu da constatação de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ações judiciais no montante de R$ 75.249,34, e de dedução indevida de contribuição à previdência oficial na quantia de R$ 9.446,00, por falta de comprovação. Em sede de impugnação, o contribuinte aduziu, em síntese, que recebeu somente o valor declarado, que informou os rendimentos no campo "Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva na Fonte", como fizera em 2006 e que o valor da contribuição à previdência oficial referese aos precatórios recebidos. A primeira instância, após salientar que deveria o impugnante ter trazido os documentos necessários para respaldar suas afirmações, manteve o lançamento sob o entendimento consubstanciado no acórdão assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTO RECEBIDO DE PESSOA JURÍDICA DECORRENTE DE AÇÃO JUDICIAL. As verbas trabalhistas recebidas em decorrência de ação judicial constituem rendimentos tributáveis e devem ser oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual, excetuadas as verbas isentas e não tributáveis e as tributadas exclusivamente na fonte. DEDUÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. Mantémse a glosa efetuada quando os valores deduzidos na Declaração de Ajuste Anual não são comprovados por documentação hábil e idônea. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 16/11/2012, trazendo documentos tais como petição inicial, sentença, termo de acordo, planilha de cálculo, etc. relativos aos processos judiciais dos quais foram originárias as verbas percebidas, pleiteando, ao final, a "procedência da presente articulação". É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13766.720420/201167 Acórdão n.º 2802003.330 S2TE02 Fl. 42 3 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Com a apresentação dos documentos de fls. 42/78, comprova o contribuinte que percebeu no mês de abril de 2009 R$ 36.556,12 e R$ 36.693,22 em consequência das ações judiciais de nº 95.00085852 e nº 200034000006851, respectivamente. Ao contrário do mencionado no acórdão contestado, versavam as ações não sobre verbas trabalhistas, mas sim sobre diferenças salariais mensais devidas a servidor público federal estatutário (diferenças de gratificação e de 3,17%), pagas de forma acumulada, consoante observado na peça recursal e atestam as provas nela carreadas. De sua parte, a autoridade lançadora, para fins de mensuração do crédito tributário, aplicou as alíquotas e faixas de isenção vigentes no anocalendário 2009, em observância do disposto no art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização Essa opção do legislador, no sentido de que os rendimentos recebidos acumuladamente fossem tributados pelo regime de caixa, foi objeto de questionamento judicial por parte dos contribuintes por diversas razões, dentre as quais se destaca a possibilidade de a incidência de uma só vez, do imposto de renda sobre o somatório das prestações mensais devidas, causar violação aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, visto que se tivessem os beneficiários recebidos na época própria, poderiam estar dentro dos limites de legais de isenção do tributo. Estando a discussão desde 2005 na esfera do Superior Tribunal de Justiça (STJ), este, em sua missão constitucional de uniformizar a interpretação da lei federal, submeteu o tema ao rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), ensejando a prolação da seguinte decisão no REsp nº 1.118.429/SP, julgado pela 1ª Seção (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), cuja ementa transcrevo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 4 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por força do art. 62A do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010), tornouse obrigatória a reprodução dessa decisão no julgamento dos recursos na esfera do CARF. Persistiu dissenso no âmbito das Turmas componentes da 2ª Seção do CARF, contudo, no tocante à aplicação dessa decisão em recurso repetitivo nos litígios envolvendo lançamentos realizados com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Em linhas gerais e apertada síntese, podese dividir os entendimentos divergentes em duas vertentes principais, sendo que a primeira concedia parcial provimento aos recursos interpostos contra tais lançamentos, determinando que fossem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido originalmente pagos. Já a segunda corrente entendia que tal aplicação implicaria em alteração substancial do critério jurídico adotado no lançamento, o qual, consequentemente, deveria ser cancelado devido à não observância da norma fixada pelo STJ em recurso repetitivo, dando provimento integral ao recurso voluntário. Nesse prumo, anotese, se alinhava majoritariamente esta 2ª Turma Especial. Entrementes, e paralelamente, a controvérsia acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente assumiu contornos constitucionais, com o reconhecimento de sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 20/10/2010, no decorrer de julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, face à declaração da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em sede de controle difuso. Expliquese que na Arguição de Inconstitucionalidade nº 2002.72.05.000434 0/SC, a Corte Especial daquele e. Tribunal declarou em 22/10/2009 a "inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a Constituição" do art. 12 da Lei nº 7.718/88, "no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, como na situação vertente, recebidos a menor pelo contribuinte em cada mêscompetência e cujo recolhimento de alíquota prevista em lei se dê mês a mês ou em menor período". Interposto então o RE nº 614.406/RS pela União para afastar a aplicação dessa declaração de inconstitucionalidade em dado caso sob litígio (cujo processo de origem foi a ação ordinária de nº 2008.71.13.00016588/RS), formouse com base nesse leading case o Tema 368 "Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebido acumuladamente" de repercussão geral, o qual foi submetido ao rito regrado pelo art. 543B do CPC . O julgamento do recurso representativo da controvérsia restou findo em 23/10/2014, sendo que o Tribunal Pleno, por maioria, decidiu a matéria negando provimento ao recurso e exarando acórdão cuja ementa foi assim redigida: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13766.720420/201167 Acórdão n.º 2802003.330 S2TE02 Fl. 43 5 A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) No Informativo STF de nº 764, referente ao período compreendido entre 20 e 24 de outubro de 20101, consta o seguinte resumo da conclusão da votação em apreço: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles.RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Merecem transcrição, também, os seguintes excertos do voto condutor de lavra do Ministro Marco Aurélio e dos debates então verificados, cuja leitura permite melhor esclarecer o posicionamento do STF sobre o tema: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br//arquivo/informativo/documento/informativo764.htm>. Acesso em 30/01/2015. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 6 mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Mantenho o acórdão. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) Nega provimento? O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Porque, de outro modo, o contribuinte – como disse – será apenado, quer dizer, o devedor não satisfaz a parcela, compeleo a entrar em Juízo e, posteriormente, cobra o imposto pela alíquota maior. (grifei) O acórdão em comento transitou em julgado em 9/12/2014, sem interposição de recurso por qualquer das partes, ou atribuição de modulação aos efeitos dessa decisão. Destarte, restou assim consolidado o entendimento de que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas acumuladamente deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na época em que a verba deveria ter sido paga, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmandose, por conseguinte, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 quanto a esse aspecto. Nos termos do inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não se aplica a vedação aos órgãos de julgamento administrativo fiscal ao afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos de lei que tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF no mesmo passo, temse o disposto no art. 62 do RICARF. Cumpre observar, por oportuno, que as decisões do STF exaradas nos moldes do art. 543B do CPC possuem o caráter de palavra final e definitiva daquele tribunal sobre as questões jurídica nelas objetivamente decididas, conforme já alertava, com propriedade, o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011. E, nesse contexto, o art. 62A do RICARF dispõe a seguinte regra: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B do CPC deverá ser reproduzida por este Fl. 86DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON Processo nº 13766.720420/201167 Acórdão n.º 2802003.330 S2TE02 Fl. 44 7 colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. No caso concreto, a Notificação de Lançamento vergastada foi amparada na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido realizado o cálculo do imposto de renda consideradas as tabelas e alíquotas relativas aos períodos a que se referiam as parcelas devidas, mas sim as do anocalendário em que foram efetivamente percebidos os valores em questão. E, havendo sido reconhecida pelo STF a inconstitucionalidade da interpretação segundo a qual o imposto incide no mês do recebimento sobre o total de rendimentos, verificase vício material na constituição do lançamento que aflige tanto o aspecto temporal quanto o quantitativo da regramatriz de incidência tributária, em violação ao caput do art. 142 do Código Tributário Nacional. Não há como prosperar a exigência, dessa maneira, no particular. A outro giro, temse que a fiscalização considerou não ter havido comprovação de R$ 9.446,00 deduzidos na DIRPF/2010 como contribuição à previdência oficial, valor o qual corresponde ao somatório de R$ 4.725,37 e R$ 4.720,63, assinalados nos extratos bancários atinentes às ações nº 95.00085852 (fl. 7) e nº 200034000006851 (fl. 9), respectivamente, como "saldo de capital" e "capital bloqueado" sobre os montantes liberados nos precatórios. O contribuinte alega que tais valores correspondem à retenção relativa ao Plano Previdenciário do Servidor Público PSS, incidente sobre tais verbas. De fato, no documento de fl. 78, colacionado ao recurso voluntário, há menção explícita de que o valor bloqueado na ação de nº 200034000006851 referese à parcela revertida ao PSS. Tal proceder se coaduna com o estabelecido no art. 35 da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008 (convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009): Art.35. A Lei nº10.887, de 18 de junho de 2004, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 16A: "Art.16A. A contribuição do Plano de Seguridade do Servidor Público PSS, decorrente de valores pagos em cumprimento de decisão judicial, ainda que decorrente de homologação de acordo, será retida na fonte, no momento do pagamento ao beneficiário ou seu representante legal, pela instituição financeira responsável pelo pagamento, por intermédio da quitação da guia de recolhimento, remetida pelo setor de precatórios do Tribunal respectivo. Parágrafo único. O Tribunal respectivo, quando da remessa dos valores do precatório ou requisição de pequeno valor, emitirá guia de recolhimento devidamente preenchida, que será remetida à instituição financeira juntamente com o comprovante da transferência do numerário objeto da condenação." (NR) Também o montante denominado como "saldo de capital" encontra correspondência com a retenção na fonte prevista no acima transcrito enunciado legal. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON 8 Assiste razão, por conseguinte, ao contribuinte, devendo ser restabelecida a dedução glosada. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para fins de cancelar a exigência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 13/03/20 15 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por RONNIE SOARES ANDERSON
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Numero do processo: 10980.720449/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA.
A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-004.041
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcelo Vasconcelos de Almeida
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NULIDADE. MÉRITO FAVORÁVEL AO SUJEITO PASSIVO. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. APURAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. A incidência do imposto de renda pela regra do regime de caixa, como prevista na redação do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora do devedor, mas também por uma alíquota maior. A incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. Não é razoável, nem proporcional, a incidência da alíquota máxima sobre o valor global pago fora do prazo. Inteligência daquilo que foi decidido pelo STF no Recurso Extraordinário nº 614406, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 04 49 /2 00 8- 11 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.720449/200811 Acórdão n.º 2801004.041 S2TE01 Fl. 157 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Eivanice Canário da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 93.402,31, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), multa de mora e juros de mora. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 9/10 deste processo digital, que foram verificadas as seguintes infrações na declaração de ajuste anual do contribuinte: omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 79.309,60; e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, no valor de R$ 22.754,78. Após ser intimado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2/5, que foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 31/37. Entenderam os julgadores da instância de piso que o IRRF deveria ser restabelecido e que a omissão de rendimentos deveria ser ajustada de R$ 79.309,60 para R$ 98.701,83. Cientificado da decisão de primeira instância, o Interessado interpôs, em 29/09/2011, o recurso de fls. 43/57. Na peça recursal aduz, dentre outras alegações, que o STJ já pacificou o entendimento de que o imposto de renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Admissibilidade do recurso O aviso de recebimento de fl. 42 não permite afirmar, com precisão, a data em que o Recorrente foi intimado da decisão da instância de piso. Nada obstante, por meio dele Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.720449/200811 Acórdão n.º 2801004.041 S2TE01 Fl. 158 3 se verifica que houve três tentativas infrutíferas de intimação, sendo a última delas em 29/08/2011. Ora, se a última tentativa infrutífera ocorreu em 29/08/2011 é porque o Interessado tomou ciência da decisão recorrida após a referida data, vale dizer, a partir de 30/08/2011. O recurso foi apresentado em 29/09/2011, sendo, portanto, tempestivo. À fl. 60 foi juntada procuração outorgando poderes aos patronos do contribuinte para representálo neste processo administrativo. Nesse contexto, conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Mérito da controvérsia Cingese a controvérsia à infração de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de processo judicial trabalhista, uma vez que a infração de compensação indevida de imposto de renda na fonte foi cancelada pela decisão recorrida. Observo, por primeiro, que os julgadores de 1ª instância atuaram como se Autoridade lançadora fossem, porquanto ajustaram a omissão de rendimentos de R$ 79.309,60 para R$ 98.701,83, agravando a situação do Interessado. Este fato, por si só, é suficiente, em meu entendimento, para anulação da decisão da instância de piso. Anoto, no entanto, que a nulidade não será por mim proposta, pelos motivos que passo a expor. O “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” (fl. 11), bem como o cálculo levado a cabo pelos julgadores a quo (fl. 36), evidenciam que a base de cálculo do imposto de renda apurado foi calculada com fundamento na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, ou seja, a base de cálculo foi apurada mediante a utilização do denominado “regime de caixa”. No julgamento do Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado em 24/03/2010, o Superior Tribunal de Justiça – STJ havia decidido, sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC (recurso repetitivo), que “O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente”. Por entender que a ratio decidendi da tese repetitiva estava fundada em ato ilícito praticado pela Administração e que o pagamento decorrente de ato ilegal não poderia constituir fato gerador de tributo, posto que inadmissível que o Fisco se aproveitasse da própria torpeza em detrimento do segurado da previdência social, este julgador vinha aplicando o entendimento do STJ no sentido de dar provimento parcial aos recursos dos contribuintes para que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente fosse apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Em outras palavras: a tese fixada como “repetitiva”, no entendimento deste Relator, limitavase ao pagamento acumulado de benefícios previdenciários, não se aplicando a Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.720449/200811 Acórdão n.º 2801004.041 S2TE01 Fl. 159 4 rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de litígios outros que não versasse a concessão/revisão de benefícios previdenciários, a exemplo de reclamatórias trabalhistas envolvendo somente particulares, haja vista que, nestas hipóteses, o pagamento a destempo não decorria de ato ilegal da administração. Assim, em relação aos processos de rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de ação trabalhista o entendimento deste julgador era no sentido da aplicabilidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988. Nos casos de verbas adimplidas em reclamatória trabalhista, portanto, meu entendimento era no sentido de se observar a natureza dos rendimentos recebidos, fazendo incidir o imposto de renda sobre verbas que resultassem em acréscimo patrimonial e não incidir sobre verbas isentas e não tributáveis. Ocorre que a situação jurídica relativa ao tema se alterou. Sabiase que a controvérsia relativa à (in) constitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 teve a repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal STF em 20/10/2010, no julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário nº 614406, em razão da declaração de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal, proferida em controle difuso pela Corte Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Em 23 de outubro de 2014 o STF, finalmente, concluiu o julgamento relativo à forma de incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente. A Corte entendeu que a alíquota do imposto deve ser aplicada ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez. Naquela assentada veiculouse, no sítio eletrônico do STF, notícia com o seguinte teor, na parte que interessa: Foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) caso relativo à forma de incidência do Imposto de Renda (IR) sobre rendimentos recebidos acumuladamente, como ocorre no caso de disputas previdenciárias e trabalhistas. A Corte entendeu que a alíquota do IR deve ser a correspondente ao rendimento recebido mês a mês, e não aquela que incidiria sobre valor total pago de uma única vez, e, portanto, mais alta. (...) O julgamento do caso foi retomado hoje com votovista da ministra Cármen Lúcia, para quem, em observância aos princípios da capacidade contributiva e da isonomia, a incidência do IR deve considerar as alíquotas vigentes na data em que a verba deveria ter sido paga, observada a renda auferida mês a mês. “Não é nem razoável nem proporcional a incidência da alíquota máxima sobre o valor global, pago fora do prazo, como ocorre no caso examinado”, afirmou. A ministra citou o voto do ministro Marco Aurélio, proferido em sessão de maio de 2011, segundo o qual a incidência do imposto pela regra do regime de caixa, como prevista na redação original do artigo 12 da Lei 7.713/1988, gera um tratamento desigual entre os contribuintes. Aquele que entrou em juízo para Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.720449/200811 Acórdão n.º 2801004.041 S2TE01 Fl. 160 5 exigir diferenças na remuneração seria atingido não só pela mora, mas por uma alíquota maior. Em seu voto, a ministra mencionou ainda argumento apresentado pelo ministro Dias Toffoli, que já havia votado anteriormente, segundo o qual a própria União reconheceu a ilegalidade da regra do texto original da Lei 7.713/1988, ao editar a Medida Provisória 497/2010, disciplinando que a partir dessa data passaria a utilizar o regime de competência (mês a mês). A norma, sustenta, veio para corrigir a distorção do IR para os valores recebidos depois do tempo devido. Em 04 de novembro de 2014 a decisão foi noticiada no Informativo nº 764 do STF, ostentando a seguinte redação: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles. RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Sobreveio a publicação do acórdão do STF, cujo “Extrato de Ata” resume o resultado do julgamento da seguinte forma: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.720449/200811 Acórdão n.º 2801004.041 S2TE01 Fl. 161 6 Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, decidindo o tema 368 da Repercussão Geral, negou provimento ao recurso, vencida a Ministra Ellen Gracie (Relatora), que lhe dava provimento. Ausente, neste julgamento, o Ministro Gilmar Mendes. Não votou a Ministra Rosa Weber por suceder à Ministra Ellen Gracie (Relatora). Redigirá o acórdão o Ministro Marco Aurélio. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 23.10.2014. Colhese, no voto condutor vencedor redigido pelo Ministro Marco Aurélio, as seguintes passagens: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Verificase, portanto, que o voto condutor do acórdão negou provimento ao recurso da União e afastou a aplicabilidade da regra prevista no art. 12 da Lei nº 7.713/1998, declarandoa inconstitucional, em controle difuso, com julgamento submetido ao rito da repercussão geral (CPC, art. 543B). O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, assim descrito: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, impõese a aplicação do entendimento externado pelo STF em julgamento realizado na sistemática da repercussão geral ao caso concreto, reconhecendo que Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.720449/200811 Acórdão n.º 2801004.041 S2TE01 Fl. 162 7 houve um vício material no lançamento (apuração indevida da base de cálculo do tributo com repercussão na alíquota aplicável), haja vista que, embora os valores recebidos pelo Recorrente não se refiram a benefícios previdenciários, foram apurados com fundamento no famigerado art. 12 da Lei nº 7.713/1998. Conclusão Embora entenda que a decisão recorrida seja nula, pelo motivo explicitado no início deste voto, penso que o caso é de aplicação do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a infração de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 26/03/2015 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15983.001138/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2301-000.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator.
EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR e WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA - Relator. EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR e WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator. EDITADO EM: 13/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, ANDREA BROSE ADOLFO, NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR e WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 01 13 8/ 20 09 -2 3 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15983.001138/200923 Resolução nº 2301000.507 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de lavratura de auto de infração por infringência ao disposto no artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, por ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias. A Recorrente declarou em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social –GFIP, relativa aos estabelecimentos CNPJ 58.198.521/000119 e CNPJ 58.198.524/000623, o código FPAS 639 indevidamente pois teve seu Ato Declaratório 21.635/006/1994 cancelado mediante o Ato Cancelatório de Isenção nº 02/2008, datado de 16/10/2008, com efeitos a partir de 01/01/1997, conforme consta do relatório fiscal. O levantamento GFP referese às contribuições incidentes sobre a base de cálculo declarada em GFIP com inserção de informação que tem como conseqüência a supressão de contribuições pagas aos segurados empregados, considerada não declarada, sem redução de multa. A multa de mora foi aplicada integralmente em razão das contribuições não terem sido declaradas em GFIP. Após ciência, impugnou o lançamento com suas razões, todavia infrutífera, eis que a DRJ/Campinas/SP, manteve incólume o lançamento. Em 05 de junho de 2013 aviou o presente remédio recursivo, tendo sido noticiada da decisão de piso no dia 06 de maio do mesmo ano. É a síntese do necessário. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15983.001138/200923 Resolução nº 2301000.507 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator O presente Recurso Voluntário foi aviado dentro do trintídio e acode os demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo analise dos argumentos expendidos para, afinal, julgamento deles. DA CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE Há nos autos informação da concessão de liminar concedida nos autos do processo judicial sob n° 000518909.2010.403.6104, que tramita ou tramitava pela 3ª Região do TRF, cujas noticias que temos são de mais de 3 anos passados. A sentença do processo acima importa nestes autos, pois há de saber se houve logrado êxito a Recorrente, ou não, com trânsito em julgado. E, como não há noticia mais recente do processo judicial supramencionado, há de a Unidade Preparadora informar sobre o andamento do feito. Assim, vejo necessidade de realizar diligência para verificar se há ou não decisão definitiva nos autos do processo judicial sob n° 000518909.2010.403.6104, e, sobretudo, qual o teor da sentença. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, estando o presente Recurso Voluntário em pleno ajuste com a legislação, dele conheço para, antes de julgar o mérito, convertêlo em diligência para que a Unidade Preparadora informe nos autos se há decisão definitiva, em havendo qual o teor dela e se há trânsito em julgado, ou em caso de não haver o trânsito em julgado, qual estágio hodierno. Devendo, para tanto, juntar ainda ‘certidão de inteiro teor’ do autos do processo sob nº 000518909.2010.403.6104. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Fl. 388DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 15983.001138/200923 Resolução nº 2301000.507 S2C3T1 Fl. 5 4 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 13/02/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por MARCELO OLIVE IRA
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Numero do processo: 13962.000774/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2401-000.460
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Relatório
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo – Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 62 .0 00 77 4/ 20 08 -7 0 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13962.000774/200870 Resolução nº 2401000.460 S2C4T1 Fl. 626 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07 27.564 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.204.7238. O crédito em questão referese à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento do benefício concedido em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT. De acordo com o relatório fiscal de fls. 282/285 os fatos geradores que deram ensejo à lavratura foram agrupados nos seguintes levantamentos: a) FP Folha de Pagamento: remunerações dos segurados empregados constantes em folhas de pagamento, cujas contribuições não foram recolhidas nem declaradas em GFIP em razão da indevida informação de opção ao Simples; b) FP1 Folha de Pagamento de Prólabore remunerações de segurados empregados (sic!) relacionadas em folhas de pagamento, cujas contribuições não foram recolhidas nem declaradas em GFIP em razão da indevida informação de opção ao Simples; c) FP3 Folha de Pagamento SAT/GILRAT remunerações de segurados expostos a agentes nocivos de forma permanente relacionadas nas folhas de pagamento (05/2005 a 02/2008), cujos valores da contribuição adicional ao SAT/GILRAT não foram recolhidos nem declarados em GFIP em razão da indevida informação de opção ao Simples. Informa que em 27/11/2008 a autuada foi excluída do Simples Federal pelo Ato Declaratório n.º 59 (processo n.º 13962.000731/200894) e do Simples Nacional pelo Ato Declaratório n.º 60 (processo n.º 13962.000732/200839), ambos por constituição de pessoa jurídica por meio de interpostas pessoas, conforme cópias dos citados Atos Declaratórios e das correspondentes Representações Administrativas juntadas ao AI. Os efeitos da exclusão da empresa do Simples retroagiram a 01/01/2004. Foi lavrado o Termo de Sujeição Passiva Solidária n.º 01, fl. 280, arrolando como devedora solidária pelo crédito lançado a empresa Kaekós Confecções Ltda, posto que esta supostamente efetuaria o controle gerencial, financeiro e administrativo do grupo econômico de fato denominado Grupo Pedrini, composto também pela autuada e pela empresa Olga Betinelli Pedrini ME. Acerca da existência do grupo econômico, a autoridade lançadora concluiu: "Definindose grupo econômico como sociedades juridicamente independentes submetidas unidade de direção e compondo um conjunto de interesses comuns, é fato que os elementos encontrados em ação fiscal nas empresas mencionadas fornecem provas de que a administração da representada é exercida pelos empregados e dirigentes da KAEKÓS CONFECÇÕES LTDA." Fl. 626DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13962.000774/200870 Resolução nº 2401000.460 S2C4T1 Fl. 627 3 Cientificada do lançamento em 15/12/2008, a autuada apresentou impugnação, fls. 286/318, na qual alegou inicialmente que a auditoria extrapolou os limites materiais do MPF, haja vista que este apenas autorizava a verificação das obrigações relacionadas às contribuições previdenciárias, jamais a averiguação da sua regularidade perante o Simples. Asseverou ainda que a sua exclusão do sistema simplificado com data retroativa fere a segurança jurídica e prejudica a continuidade da empresa, o que inadmissível, até porque sequer houve trânsito administrativo dos feitos em que se discute as exclusões do Simples. Depois apresenta vários argumentos para afastar a solidariedade imputada a empresa Kaekós, a qual também apresentou defesa com argumentos semelhantes aqueles apresentados pela autuada. A DRJ exarou acórdão que carregou a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 29/02/2008 AI nº 37.204.7238, de 15/12/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação pelo órgão de julgamento administrativo de matéria distinta da constante do processo judicial. PRELIMINAR DE NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é mero instrumento de controle gerencial interno da SRF, não influenciando na legitimidade do Ato de Exclusão do Simples. Não representa extrapolação aos limites do MPF que ordena auditoria para verificação de contribuições previdenciárias a elaboração de representação administrativa noticiando autoridade competente a respeito de fatos que, em tese, ocasionariam à exclusão da fiscalizada do Simples. SOLIDARIEDADE. PESSOAS EXPRESSAMENTE DESIGNADAS EM LEI. Na hipótese de haver indicação expressa em lei das pessoas que devem responder solidariamente pelo crédito tributário, não há que falar em demonstração de interesse comum da responsável solidária na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. SIMPLES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. Considerase a existência de grupo econômico de fato quando duas ou mais empresas encontramse sob a direção, o controle ou a administração de uma delas. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS IMPUGNAÇÃO. Fl. 627DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13962.000774/200870 Resolução nº 2401000.460 S2C4T1 Fl. 628 4 Transcorrido o prazo de impugnação, somente é permitida a produção de provas se o impugnante demonstrar o atendimento das condições estabelecidas no Decreto nº 70.235/1972 para sua aceitação. Impugnação Improcedente Apenas a empresa autuada interpôs recurso, fls. 612/620, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) a autoridade de fiscalização se excedeu no seu ofício, porquanto procedeu à fiscalização de atos que não estavam previstos no MPF, o que nulifica todo o procedimento; b) ao contrário do que restou decidido pela DRJ, a nulidade que há sobre o MPF é capaz de nulificar todo o ato administrativo, por haver vício na origem, fulminando todos os atos subsequentes, em especial, o lançamento tributário; c) os critérios norteadores da obrigação solidária, em sede de direito tributário, são aqueles previstos no Código Tributário Nacional, e não aqueles previstos no art. 30 da Lei 8.212/1991; d) as pessoas jurídicas Olga Betinelli Pedrini, Lavanderia Pedrini e Kaekós militam em ramos de atuação diversos, possuem pessoas diversas em seus quadros societários, bem como, contam com autonomia administrativa, financeira e contábil; e) assim, a recorrente nunca almejou qualquer interesse na ocorrência de fatos geradores tributáveis perante as demais pessoas jurídicas, principalmente no tocante às contribuições devidas ao INSS; f) nesse caso, não havendo interesse comum na situação que configura o fato gerador, deve ser afastada por completo a pretendida solidariedade; g) o art. 981 do Código Civil tem como requisito para existência de grupo econômico a existência de sociedades, o que não se verifica na espécie posto que a recorrente é uma empresa individual (sic!); h) ademais não há a demonstração da existência de interesse comum entre as empresas, haja vista que cada uma cuida apenas de seu faturamento e correspondente lucro; i) por outro lado, não há qualquer compartilhamento de informações, tecnologia ou material humano entre as pessoas jurídicas, tampouco há pessoa jurídica controlada, controladora ou de simples participação; j) a bem da verdade, a única coincidência que há é o grau de parentesco entre os sócios das pessoas jurídicas, cujo fato não é vedado por lei; k) as pessoas jurídicas sob enfoque possuem pessoal próprio e suficiente para o desenvolvimento de suas atividades, não se verificando trabalhadores prestando serviço a mais de uma empresa; l) demais disso, possuem maquinário e bens próprios para atender às demandas de sua clientela, não havendo espaço para se falar em conluio para fraudar o fisco; Fl. 628DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13962.000774/200870 Resolução nº 2401000.460 S2C4T1 Fl. 629 5 m) a recorrente é uma empresa de grande porte, prestando serviços de beneficiamento a várias empresas da cidade e região, conforme amplamente demonstrado nos documentos juntados aos autos; n) como se pode constatar nos livros contábeis e fiscais acostados nas manifestações de inconformidade, as empresas possuem plena autonomia, não havendo como se identificar o suposto grupo econômico; o) enquanto a Kaekós é empresa que atua no mercado de confecções de tecidos planos, na sua maioria jeans, a Tinturaria Pedrini, explora além da lavação, o tingimento de malhas e moletom em rolo, serviços estes prestados para diversas industrias de malhas da região. Por fim, requer o provimento integral do recurso, com reforma da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 629DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 13962.000774/200870 Resolução nº 2401000.460 S2C4T1 Fl. 630 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Necessidade de conversão em diligência O AR colacionado à fl. 611 não permite a visualização da data do recebimento da decisão de primeira instância pelo sujeito passivo. Também não há nos autos qualquer manifestação acerca da tempestividade do recurso. Por outro lado, não é possível visualizar a data de protocolização do recurso, ver fl. 612. Assim, não sendo possível aferir a tempestividade do recurso, devemos converter o julgamento em diligência, para que os autos remetidos retornem à origem, de forma a se dirimir a dúvida em questão. Em adição a isto, verifico na espécie que o deslinde da presente contenda reclama a solução de dois outros processos administrativos que sabemos ainda não foram concluídos. Tratase dos processos n.º 13962.000731/200894 e n.º 13962.000732/200839, que se referem à discussão acerca da exclusão do sujeito passivo do Simples Federal e Simples Nacional, respectivamente. Assim, tendose em conta o caráter de prejudicialidade dos mencionados processos de exclusão do Simples frente à lavratura sob apreciação, deve o presente julgamento ser convertido em diligência, para que os autos retornem à origem e somente subam para apreciação por esse Colegiado, quando se tenha o trânsito em julgado dos processos em que se discute a situação da recorrente perante os regimes simplificados de recolhimento. Facultese aos interessados o prazo legal para manifestação acerca do resultado da diligência. Conclusão Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que: a) emitase informação conclusiva sobre a tempestividade do recurso; b) os autos fiquem sobrestados na origem até que se tenha uma decisão definitiva sobre os processos de exclusão do Simples acima mencionados. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 630DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 18/03 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 13227.000413/2002-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:1997
COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. AÇÃO JUDICIAL. ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE.
Não obstante tenha sido reconhecido o direito a crédito em ação judicial, a utilização destes créditos para compensação somente poderão ocorrer a pós o trânsito em julgado da decisão, inteligência do art. 170-A do CTN.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. LEI Nº 11.457/07. INAPLICABLIDADE.
O prazo estabelecido na Lei nº 11.457/07 para os julgamentos dos processos administrativos não prevê sanção com prescrição intercorrente para seu descumprimento. Diante da existência da Súmula nº 11 do CARF, não se opera a prescrição intercorrente nos processos administrativos.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de acordo com o relatório e voto que integral o presente. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:1997 COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. AÇÃO JUDICIAL. ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. Não obstante tenha sido reconhecido o direito a crédito em ação judicial, a utilização destes créditos para compensação somente poderão ocorrer a pós o trânsito em julgado da decisão, inteligência do art. 170A do CTN. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. LEI Nº 11.457/07. INAPLICABLIDADE. O prazo estabelecido na Lei nº 11.457/07 para os julgamentos dos processos administrativos não prevê sanção com prescrição intercorrente para seu descumprimento. Diante da existência da Súmula nº 11 do CARF, não se opera a prescrição intercorrente nos processos administrativos. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário de acordo com o relatório e voto que integral o presente. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 00 04 13 /2 00 2- 51 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13227.000413/200251 Acórdão n.º 3801005.011 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13227.000413/200251 Acórdão n.º 3801005.011 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo nº 13227.000413/200251, contra o acórdão n° 0120.227, julgado na sessão 16 de dezembro de 2010, pela 1ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Belém (DRJ/BEL), em que foi julgada improcedente a impugnação do contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Consoante Auto de Infração de fls. 05/14,o Interessado foi autuado por recolhimento a menor do PIS declarado em DCT Freferenteaoexercíciode1997. A exigência foi impugnada nos Termos da petição de fls. 01/31 e documentos juntados, onde basicamente alega a existência de Ação Judicial Transitada em julgado e que os valores lançados no Auto de Infração são aqueles que foram compensados no pagamento. O processo foi encaminhado a esta DRJ/Belém para apreciação, no entanto, foi instruído com peças insuficientes para formar a convicção do Julgador. Diante do Exposto, retomo os autos ao Órgão de origem, para que seja procedida diligência com o fito de: 1.Juntar ao processo Certidão de Justiça Federal de Pé e Objeto e o inteiro teor do processo judicial; 2.No caso de o Contribuinte estar judicialmente autorizado a realizar a compensaçãoadministrativaverificarseasentençapermitealiquida çãoantesdaexecução; 3. Apurar através da verificação na Contabilidade o valor a compensar líquido e certo; e, 4. Elaborar Demonstrativo de Débitos e Créditos compensados pelo Contribuinte e apurar a existência ou não de débito/crédito remanescente. A unidade preparadora do procedeu ao disposto na solicitação de diligência e, ao fim, elaborou, à f1. 133, demonstrativo de compensação do PIS referente ao processo judicial 9600013829, no qual relacionamse os créditos tributários cobrados neste auto de infração. O Contribuinte fora cientificado do resultado desta diligência e reaberto o prazo de 30 (trinta) dias para que pudesse aditar a impugnação, em respeito ao princípio da ampla defesa, conforme Decreto n° 70.235/72. Em resposta, o contribuinte afirmou não pretender nenhum aditamento a suas considerações.” A DRJ de Belém (DRJ/BEL) decidiu pela improcedência da impugnação, conforme ementa: Fl. 228DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13227.000413/200251 Acórdão n.º 3801005.011 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com o resultado do julgamento, às fl.160/172 , interpôs Recurso Voluntário, no qual expõem: a) A prescrição intercorrente teria incidido no caso dos autos, tendo em vista o período de 8 anos de inércia do processo administrativo entre a impugnação e seu julgamento, devendo ser aplicado o prazo de julgamento estabelecidos na lei. 11.457; b) Entende que teria ocorrido prescrição real, tendo em vista que a DRJ não teria julgado o mérito do caso, portanto o crédito estaria constituído a mais de 5 anos e teria havido oportunidade de cobrança por parte da receita. c) Alega que desde maio de 1997 possuía crédito tributário o qual foi ratificado em acórdão exarado nos autos da apelação cível 1997.01.00.0472890/RO, já transitado em julgado, portanto de agosto a outubro de 1997 a recorrente apenas exercia o direito de compensar, muito embora naquele momento não se tivesse certeza absoluta do reconhecimento do crédito; d) Afirma que a decisão da DRJ está equivocada ao compreender que a recorrente compensou os créditos antes do transito em julgado da ação judicial, uma vez que o seu direito a compensação seria decorrente do art. 66 da lei nº 8.383/91; É o sucinto relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13227.000413/200251 Acórdão n.º 3801005.011 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Relator Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, a recorrente a firma possuir crédito no valor de mais de 349.924,00 UFIR’S, referente ao período de apuração de dezembro de 1989 a maio de 1994, advindo do processo judicial nº 96.00013829, ajuizado em 28 de maio de 1996. A partir do mês de fevereiro de 1997, competência mês de janeiro/98, a contribuinte, ora impugnante, começou a compensar o referido crédito com débitos de 02/1997 a 01/1998. Ocorre que conforme cópia do processo judicial trazida aos autos, o trânsito em julgado da demanda, com a perfectibilizarão do direito ao crédito tributário se deu apenas em 19/04/1999, dessa forma a recorrente procedeu com as compensações, conforme fl. 39 e planilha de fl. 151/153, resultante da diligência praticada pelo fisco nos livros da empresa, de forma a infringir o art. 170A do CTN, em que está estabelecida a vedação da compensação de créditos cujas decisões não transitaram em julgado, diante da incerteza e iliquidez do crédito neste estágio do processo judicial. A recorrente alegou que o seu direito a compensação seria decorrente de lei, não obstante o ajuizamento da ação para a declaração deste direito, conforme art. 66 da Lei nº 8.383/91. Não há como defenderse a aplicac ão retroativa do artigo 170A do Código Tributário Nacional. A limitação imposta somente vigora para as compensac ões realizadas com fundamento em processos judiciais a partir da alterac ão promovida pela Lei Complementar no 104/01 (LC no 104/01). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS. INAPLICABILIDADE DO DIREITO SUPERVENIENTE. ART. 170A DO CTN, ACRESCENTADO PELA LC No 104/2001. COMPENSAC ÃO ANTES DO TRA NSITO EM JULGADO. POSSIBILIDADE. I A Egrégia Primeira Sec ão consolidou o entendimento de que, em matéria de compensac ão tributária, deve ser observada a legislac ão vigente à eṕoca do ajuizamento da ac ão, não podendo ser julgada a causa à luz do direito superveniente. II Nesse contexto, tendo a demanda sido ajuizada em 03/02/99, não há como se aplicar o teor do art. 170A do CTN, acrescido pela Lei Complementar no 104/2001, Fl. 230DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13227.000413/200251 Acórdão n.º 3801005.011 S3TE01 Fl. 7 6 inexistindo vedac ão legal à compensac ão antes do tra nsito em julgado. Precedentes: REsp no 694.211/PR, Rel.Min. DENISE ARRUDA, DJ de 02/10/2006; AgRg no REsp no 770.939/SP,Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 19/12/2005 e REsp no 611.099/SC,Rel. Min. FRANCISCO PEC ANHA MARTINS, DJ de 13/02/2006.III Agravo regimental improvido." (STJ, AgRg no REsp 872972 / SP; Agravo Regimental no Recurso Especial 2006/01697530, Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 01.02.2007 p. 441 – destaquei) “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANC AMENTO POR HOMOLOGAC ÃO. PRESCRIC ÃO. ORIENTAC ÃO FIRMADA PELA 1a SEC ÃO DO STJ, NA APRECIAC ÃO DO ERESP 435.835/SC. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3o. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4o, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAC ÃO RETROATIVA. ENTENDIMENTO CONSIGNADO NO VOTO DO ERESP 327.043/DF. PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE ÀS AC ÕES AJUIZADAS NO PERIÓDO ANTERIOR À LC 104/2001. PRECEDENTES. 1. A 1a Sec ão do STJ, no julgamento do ERESP 435.835/SC, Rel. p/ o acórdão Min. José Delgado, sessão de 24.03.2004, consagrou o entendimento segundo o qual o prazo prescricional para pleitear a restituic ão de tributos sujeitos a lanc amento por homologac ão e ́ de cinco anos, contados da data da homologac ão do lanc amento, que, se for tácita, ocorre após cinco anos da realizac ão do fato gerador — sendo irrelevante, para fins de co mputo do prazo prescricional, a causa do indébito. Adotase o entendimento firmado pela Sec ão, com ressalva do ponto de vista pessoal, no sentido da subordinac ão do termo a quo do prazo ao universal princípio da actio nata (votovista proferido nos autos do ERESP 423.994/SC, 1a Sec ão, Min. Pec anha Martins, sessão de 08.10.2003). 2. O art. 3o da LC 118/2005, a pretexto de interpretar os arts. 150, § 1o, 160, I, do CTN, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a “interpretac ão” dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposic ões interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislac ão federal. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13227.000413/200251 Acórdão n.º 3801005.011 S3TE01 Fl. 8 7 Portanto, o art. 3o da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situac ões que venham a ocorrer a partir da sua vige ncia. 3. No julgamento do EREsp 327.043/DF, a 1a Sec ão entendeu que o art. 4o, segunda parte, da LC 118/2005 não é aplicável às ac ões propostas a partir da data da sua vige ncia, mas apenas às demais, ainda não propostas. Assim, por considerar que a ilegitimidade da norma restringese a algumas hipóteses de aplicac ão e não a outras, considerouse dispensável a instaurac ão do incidente de inconstitucionalidade de que trata o art. 97 da CF. Ressalva, no particular, do ponto de vista pessoal do relator. 4. É orientac ão assentada na 1a Sec ão, desde o julgamento do RESP 144.708/RS, aquela segundo a qual o parágrafo único do art. 6o da LC 7/70 estabelece a base de cálculo do PIS, que e ́o faturamento do sexto me s anterior ao do recolhimento. 5. A compensac ão pode ser realizada independentemente do tra nsito em julgado, pois à época da propositura da ac ão (2000), não estava em vigor a Lei Complementar 104/2001, que introduziu no Código Tributário o art. 170A, segundo o qual ‘é vedada a compensac ão mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contes ac ão judicial pelo sujeito passivo, antes do tra nsito em julgado da respectiva decisão judicial’. 6. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido e recurso especial da autora parcialmente provido.” (STJ, REsp 876663 / SP ; Recurso Especial 2006/01799570; Relator Ministro Teori Albino Zavascki; Primeira Turma, julgamento 12/12/2006; DJ 08.02.2007 p. 302 – destaquei) O REsp n. 1164452 foi julgado sob o regime dos recursos repetitivos obrigando a sua reprodução nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. No que se refere à alegação de prescrição real, carece de razão o contribuinte, tendo em vista que, a partir do momento em que se instaura o processo administrativo, com as devidas defesas apresentadas pelo contribuinte, fica suspensa a cobrança do crédito por parte a receita, bem como a prescrição fica interrompida. Nestes termos, tanto o fisco não pode proceder meios de cobrança do tributo durante o devido processo administrativo, quanto o seu direito de cobrança posterior a dissolução da contradição fica resguardado. Por fim, quanto à alegação de prescrição intercorrente evocando o cumprimento do prazo de 360 dias para os julgamento administrativos conforme art. 24 da Lei nº 11.457/07, carece de razão o contribuinte, tendo em vista que o referido artigo tem a Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13227.000413/200251 Acórdão n.º 3801005.011 S3TE01 Fl. 9 8 finalidade de provocar a celeridade do tramite administrativo, não prevendo sanção com a aplicação da prescrição intercorrente para o seu descumprimento. Inclusive, a referida lei autoriza a utilização de medidas judiciais de urgência para que seja garantido o direito. Citase: Art.24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. Em adição, conforme a Súmula nº 11 do CARF, não se opera a prescrição intercorrente nos processos administrativos, in verbis: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Isto posto, encaminho meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO no sentido de cancelar o lançamento. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 26/03/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 01/0 4/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11634.000914/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
INFRAÇÃO. PROVA.
Compete à fiscalização o ônus de provar que o sujeito passivo cometeu as infrações elencadas no auto de infração. Ademais, a prova produzida deve ser capaz de convencer a autoridade julgadora de que as infrações ocorreram.
Numero da decisão: 1201-001.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário e em NEGAR provimento ao recurso de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, e André Almeida Blanco, em substituição a João Carlos de Lima Júnior.
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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PROVA. Compete à fiscalização o ônus de provar que o sujeito passivo cometeu as infrações elencadas no auto de infração. Ademais, a prova produzida deve ser capaz de convencer a autoridade julgadora de que as infrações ocorreram. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário e em NEGAR provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, e André Almeida Blanco, em substituição a João Carlos de Lima Júnior. Relatório Tratase de recursos voluntário e de ofício interpostos nos termos do art. 33 e 34, I, do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0629.283, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Curitiba PR. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 09 14 /2 01 0- 11 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11634.000914/201011 Acórdão n.º 1201001.105 S1C2T1 Fl. 3 2 Por bem descrever os fatos litigiosos objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de 1º grau (fl. 754 e ss.): Os presentes autos referemse ao processo administrativo em que foram lavrados autos de infração contra o contribuinte AGRICOLA JANDELLE S/A, de agora em diante designado simplesmente como “contribuinte”, referentes ao IRPJ Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica, no valor total de R$ 2.585.598,63; à CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor total de R$ 930.815,51; à COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor total de R$ 809.851,28; e ao PIS Contribuição para o Programa de Integração Social, no valor total de R$ 175.822,83; e ao IRRF Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, no valor total de R$ 2.828.445,10. Os valores totais englobam o tributo (principal), as multas e os juros estabelecidos. Todos os valores somados resultam em R$ 7.330.533,35 de exigência. 2. No “Termo de Verificação Fiscal”, fls. 597/621, a autoridade lançadora descreve a apuração das irregularidades e fornece a fundamentação da autuação, também complementada no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)” e nos campos e planilhas auxiliares constantes dos autos. Desses elementos, extraise a seguinte síntese dos fundamentos da autuação. 2.1. Anterior encerramento parcial: a fiscalização que resultou nos presentes autos de infração foi encerrada parcialmente em 22/12/2008, com relação aos anoscalendário 2003 e 2004, tendo sido lavrados autos de infração de IRPJ e reflexos, ficando configurada a prática de operações de mútuo com a empresa Big Frango Indústria e Comércio de Alimentos Ltda (Big Frango), cujas transferências entre essas não estava comprovada. 2.2. Em 2005, continuou a prática de lançamentos de empréstimos entre o contribuinte e sua interligada Big Frango, objeto também de outra fiscalização, de maneira que o procedimento fiscal recaiu tanto no recebimento quanto no pagamento, em ambas. 2.3 Auditoria realizada na Big Frango constatou que os lançamentos eram feitos da seguinte forma: ingresso de numerário a título de empréstimos, a débito na conta 1101010001 CAIXA MATRIZ e a crédito da conta 2201031370 EMPRÉSTIMOS DE AGRÍCOLA JANDELLE LTDA. 2.4. Os registros contábeis apontaram remessa de recursos por empréstimo, em 2005, no valor de R$ 2.283.966,78, e deste valor foi comprovado o valor de R$ 387.500,00. Foi constatada a existência de cheques compensados que em seu verso indica ser destinados a pagamentos diversos ou destinado a depósito em contas não pertencentes à empresa, conforme amostragem de fl. 602. A auditoria na recebedora conclui que os cheques não foram destinados à ela, e que 98,53% do faturamento Fl. 836DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11634.000914/201011 Acórdão n.º 1201001.105 S1C2T1 Fl. 4 3 (praticamente tudo) foi oriundo de operações com o contribuinte. 2.6. Procedimentos junto à Big Frango: 2.6.1. Podese concluir que a totalidade das operações (98,53%) de Big Frango foram realizadas com o contribuinte, e que procedeu gradativamente à transferência das suas atividades e dos bens do ativo imobilizado para o contribuinte. 2.6.2. Os valores recebidos por meio de cheques (empréstimos) e objeto de intimação foram sacados no caixa do Banco do Brasil e transformados em moeda corrente naquele ato. Contabilização: débito 1101010001 CAIXA MATRIZ, e crédito 2201031370 EMPRÉSTIMOS DE AGRÍCOLA JANDELLE LTDA, no valor de R$ 2.283.966,78. Contatouse que os depósitos efetuados nas instituições financeiras mantidas pela Big Frango foram com cheques de terceiros não pertencentes às empresas adquirentes de seus produtos (Jandelle). Da conciliação, concluise que mesmo considerando que todos os recebimentos de vendas tenham ocorrido com cheques de terceiros, foram insuficientes para dar suporte aos depósitos efetivados também com cheques de terceiros, não emitidos pela Jandelle. Assim, os registros de empréstimos por caixa com emissão de cheques pela interligada, transformados em moeda, não pode ser considerado para dar cobertura a depósitos com cheques de terceiros alheios ao relacionamento da empresa. 2.6.3. Em 2005, Big Frango emitiu R$ 2.234.969,75 em cheques do Banco do Brasil, R$ 38.630,00 em cheques do Bradesco, R$ 1.190.735,82 em pagamento por caixa, totalizando R$ 3.453.335,57, valores que foram transferidos para a Jandelle. Neste, os valores foram depositados com cheques de terceiros, no fluxo de caixa de Big Frango constatouse que não possuía disponibilidade em cheques de terceiros para fazer face aos seus depósitos próprios, da mesma forma não havia para transferir para sua interligada. 2.7. Inconsistência entre recebimentos e pagamentos: Em análise por amostragem de cheques emitidos pela Big Frango, constatamse cheques compensados cujo verso indica ter destino diversos do informado pelo sujeito (de compor o caixa da empresa recebedora). Auditoria no extrato bancário apresentado em meio digital constatou que os depósitos foram efetivados com cheques de terceiros (fls. 516/517 e 520). Auditoria na Big Frango constou que não possuía em seu caixa cheques de terceiros suficientes para fazer jus aos depósitos próprios, da mesma forma não possuía para transferir para sua interligada. Assim, concluímos que os valores retromencionados, registrados a título de empréstimos na contabilidade da empresa Agrícola Jandelle, efetivamente não ocorreram, servindo apenas para acobertar receitas omitidas. 2.8. Do valor tributável final e da recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL e da tributação reflexa: Diante do exposto, e considerando que o contribuinte foi exaustivamente Fl. 837DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11634.000914/201011 Acórdão n.º 1201001.105 S1C2T1 Fl. 5 4 intimado para esclarecer os fatos, decorreu que os ingressos não foram comprovados com documentos hábeis, especialmente no que diz respeito à conta CAIXA. Considerando ainda que 98,53% das operações da Big Frango foram com o contribuinte; que os cheques foram assinados, em ambas as empresas, pela mesma pessoa física; que o escritório centralizador das operações situase no mesmo endereço e as respostas foram feitas pelo mesmo procurador; concluímos que os valores registrados a título de empréstimos não tiveram a finalidade pretendida pelas empresas, o objetivo foi de acobertar outros valores registrados naquela conta. Determinou que o valor de R$ 1.040.735,82 depositado no Banco do Brasil, relatado nos itens 4.2 e 6 do Termo, e o valor de R$ 2.412.599,75, do item 4.2, será considerado para efeito de tributação como omissão de receitas operacionais, relacionados na planilha EMPRÉSTIMOS ENTRE INTERLIGADAS (RECEBIMENTOS) EM 2005 (fls. 541/552), totalizando o valor de R$ 3.453.335,57. Além de IRPJ e CSLL, a infração também tem reflexos de COFINS e PIS. 2.9. Pagamentos a beneficiários sem causa: Em que pese a emissão pela empresa de cheques nominais do sujeito passivo para sua interligada, ficou demonstrado que esses créditos destinaramse a terceiros, não identificados nesse documento. As manobras contábeis realizadas objetivaram acobertar os efetivos destinatários dos pagamentos sem a justificativa de sua causa, bem como acobertar depósitos de cheques de terceiros em sua interligada. Assim, os valores dos respectivos cheques discriminados na planilha EMPRÉSTIMOS ENTRE INTERLIGADAS (PAGAMENTOS) EM 2005 (fls. 553/561) ficam sujeitos ao IRRF, haja vista que ficou comprovado que os cheques não se destinaram a compor o caixa e empréstimo para sua interligada BIG FRANGO. 2.10. Acréscimos e demais cominações legais: A realização de operações dissimuladas de empréstimos valendose de uma empresa interligada denota seu intuito de impedir o conhecimento do Fisco da ocorrência do fato gerador. Diante do evidente intuito de fraude, qualificase a multa, pelas seguintes razões: a) procedimento contábil por caixa, sem as contrapartidas casadas, o que dificulta a auditoria; b) efetuou saques de valores significativos na boca do caixa quando a prática (senso do homem médio) é evitar o trânsito com altas quantias para evitar roubos e furtos; c) as compras de sua interligada representaram 98,53% do faturamento; d) escriturou recebimentos como entrega de valores a título de empréstimos quando na conciliação foi constatada a entrada de cheques de terceiros, o que evidencia ingresso de recursos de origem não identificada; e) as manobras de recebimento a título de empréstimos com emissão de cheques nominativos ao sujeito passivo, com saque na boca do caixa da instituição financeira induzindo que os depósitos foram originados dos empréstimos; f) a assinatura nos cheques das duas empresas é da mesma pessoa natural; g) a emissão de cheques nominativos à sua interligada, com saque no caixa, não destinou a compor o caixa da Big Fl. 838DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11634.000914/201011 Acórdão n.º 1201001.105 S1C2T1 Fl. 6 5 Frango. Tudo isso não decorre de erro, mas de intenção, nos termos dos arts. 71/73 da Lei n° 4.502/64. 3. A ciência dos autos de infração aconteceu em 09/07/2010. O contribuinte apresentou impugnação em 29/07/2010, em que se insurge contra a exação, expendendo os seguintes argumentos, em síntese. 3.1. A suposta omissão de receita foi apurada pelo Fisco tendo em vista que as transferências de numerário da Big Frango para a impugnante no montante de R$ 3.453.335,57, sendo R$ 2.412.599,75 por meio da conta CAIXAMATRIZ e R$ 1.040.735,82 pela conta 1101020482 BANCO DO BRASIL. Sustenta o Fisco que este valor, embora depositado em banco, não o foi em dinheiro e sim em cheques de terceiros nos montantes de R$ 294.615,39, R$ 313.528,18 e R$ 432.594,25. Além disso o autuante sustenta que em auditoria na empresa Big Frango constatou que em seu caixa não havia cheques de terceiros. Faz tal afirmação como se pudesse transportarse ao passado e, ali, verificar se no caixa havia ou não havia cheques de terceiros. Tal afirmação é inverossimílima por ser totalmente absurda. De outra banda, o autuante tributou o montante de R$ 2.412.599,75 simplesmente porque tal valor foi lançado através do CAIXA MATRIZ. 3.2. Contabilização: a) diversas vendas de mercadorias se deram “por caixa”, bastando para tanto se verificar as contrapartidas da conta FATURAMENTO para a conta CAIXA; b) quando dera emitido um cheque de um banco para eventual pagamento ou depósito especialmente em conta da impugnante em outro banco, o mesmo passava pela conta CAIXA; c) os cheques de valores diversos recebidos pelas vendas efetuadas, mesmo os pré datados ou recebidos em razão do contrato de mútuo também passavam pela conta CAIXA. 3.3. O contrato de mútuo entre a Jandelle e a Big Frango é de abertura de crédito em contacorrente, podendo os contratantes transferir numerários de uma para outra por depósito em conta corrente bancária, quer mediante a entrega de cheque ou numerário, como se pode ver em suas cláusulas, bem como, em decorrência da compra de matériaprima, quando o valor desta é considerado como empréstimo da vendedora, no caso a Agrícola Jandelle Ltda, para a compradora, a Big Frango. 3.4. Tais lançamentos contábeis se prendem ao fato de que (a) a impugnante compra matériaprima (vísceras, penas, etc.) da Agrícola Jandelle (matriz em Rolândia) e (b) após o seu processamento, revende este subproduto para a filial da Agrícola Jandelle em Arapongas, que é a fábrica de ração do grupo. Portanto, é perfeitamente possível que uma compra de matériaprima resulte em empréstimo da Agrícola Jandelle Ltda para a Big Frango e que esta tenha uma comercialização de seus produtos com a Agrícola Jandelle Ltda em torno de 98,53% de suas receitas, o que não é nada estranho. Tanto isso é verdade que o próprio autuante constatou que do total das Duplicatas a Fl. 839DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11634.000914/201011 Acórdão n.º 1201001.105 S1C2T1 Fl. 7 6 Receber, no montante de R$ 3.077.745,19, “o valor de R$ 1.815.168,91 foi transferido para a conta de empréstimos com a interligada”. Bastaria que o autuante se inteirasse das atividades desenvolvidas pela Jandelle com sua interligada Big Frango para que concluísse que a comercialização de 98,53% entre as duas não é nada de mais, nada de estranho ou de misterioso. 3.5. Os cheques emitidos pela Agrícola Jandelle eram endossados pela Big Frango e poderiam ser (a) sacados no banco; (b) depositados; ou (c) destinados ao pagamento de suas contas (da Big Frango). O inverso era também verdadeiro. Sendo assim, se sacado e destinado o dinheiro ao atendimento de suas atividades ou se destinado a pagamento de suas contas mediante endosso, ou mesmo se descontado com terceiros, ou, ainda, se emitidos diretamente pela Agrícola Jandelle Ltda para terceiros credores da impugnante, a mesma não poderia atender às exigências do AuditorFiscal de que todos os cheques recebidos fossem depositados em banco, o que é um verdadeiro absurdo, mormente em se tratando de empresas interligadas. Ora, se uma empresa deve para outra, ela não pode pagar esta dívida com o faturamento de mercadoria? Ou se uma firma compra matériaprima de uma interligada e credita este valor como empréstimo em contacorrente, debita a conta caixamatriz para corresponder à compra como se fosse venda à vista é proibido? É claro que não. 3.6. As autuações se deram porque o Fiscal não aceitou os suprimentos de caixa da Jandelle feitos por sua interligada Big Frango. Jamais poderseia glosar essas entradas de caixa e para tributar a totalidade destes valores ingressados sem apurar diariamente a possibilidade do surgimento de um pseudo “saldo credor de caixa”. Acrescentese que a tributação do maior saldo credor de caixa implica a regularização deste caixa no período tributado. 3.7. Invalidade dos lançamentos tomandose por base a presunção pessoal sem base legal de “omissão de receitas” decorrente da “não aceitação pelo Fisco das entradas de caixa oriundas da Big Frango Ltda”: 3.7.1. A atividade de lançamento é vinculada e regida pela estrita legalidade, logo, se a lei não estabelece que o Fiscal pode presumir algo como omissão de receitas, o Fiscal não poderá fazêlo. 3.7.2. O autuante não faz menção de que a tributação tomou por base os suprimentos de caixa efetuados pela Big Frango em pagamento de empréstimo, ou por venda de subproduto para a fábrica de ração, lançando como enquadramento legal “omissão de receita por falta de emissão de nota fiscal” não provada sequer por outros levantamentos (arts. 284/286 do RIR/99), limitando tal enquadramento aos arts. 251, 278/280, 283 e 288 do RIR/99. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11634.000914/201011 Acórdão n.º 1201001.105 S1C2T1 Fl. 8 7 3.7.3. O art. 282 do RIR/99, que trata da presunção de omissão de receitas em caso de suprimentos de caixa não comprovados pelo contribuinte, feitos por administradores, sócios, empresário individual ou acionista controlador, não pode ser aplicado ao caso da espécie, porque o suprimento foi feito por pessoa diversa das elencadas. 3.7.4. O autuante também não comprovou a falta de emissão de nota fiscal, não arbitrou a receita nem fez levantamento de produção. 3.7.5. Não poderia também se adequar à presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/96, porque os depósitos bancários sempre foram feitos em contas contabilizadas e, também, a soma dos depósitos (R$ 7.331.695,46) é menor que a receita bruta contabilizada (R$ 8.146.050,53). 3.8. Invalidade do lançamento em vista que os suprimentos estão comprovados por cheques emitidos pela supridora nominalmente à suprida e por esta endossados. 3.9. Invalidade do lançamento de IRRF: 3.9.1. O grave desarrazoado da questão que o ilustre Fiscal extrai da sua mente, de sua presunção pessoal e sectária, que tais “manobras objetivaram acobertar os efetivos destinatários dos pagamentos sem a justificativa de sua causa”. Tal procedimento utilizase do chamado desvio de poder. Atualmente, nem os lucros distribuídos normalmente, nem aqueles considerados distribuídos e decorrentes de omissão de receita, estão sujeitos à tributação. Assim, o Fisco “achou uma brecha” para tributar tais valores como se fossem pagamentos a não identificados, ou sem comprovação da origem, ou sem causa, por terem sido depositados em contas de terceiros sem indicação do destino. 3.9.2. Ora, a indicação do destino é obrigação do banco sacado ou deveria ter sido providenciada pelo banco recebedor do depósito ou pagador do saque em dinheiro, não pela impugnante. Ocorre que tal imposição está eivada de desvio de poder por dois motivos. O primeiro é que os beneficiários dos pagamentos podem ser a própria impugnante, vez que a maioria dos cheques estão endossados por ela mesma para saque e outros foram dados em pagamentos diversos a fornecedores e o banco que não identificou tais cheques. De outra parte, a presunção legal é que, ocorrendo omissão de receitas em face dos suprimentos de caixa da Agrícola Jandelle Ltda, estes valores foram distribuídos aos sócios em sua totalidade, não importando o seu destino posterior. Supondo que tenha acontecido uma presunção de receitas, tais valores poderão ser distribuídos aos sócios ou a quem quer que seja por pertencerem aos sócios sem qualquer tributação, seja na fonte, seja na pessoa física dos sócios. 3.9.3. Do exposto, diante da impossibilidade de tributar os valores da receita omitida assim considerada pelo próprio Fisco, Fl. 841DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11634.000914/201011 Acórdão n.º 1201001.105 S1C2T1 Fl. 9 8 também ao Fisco não será possível a tributação na fonte desses valores com base no §1° do art. 674 do RIR/99, pois: a) os beneficiários ditos não identificados presumivelmente seriam os próprios sócios; e b) a origem e a causa de tais pagamentos é exatamente a omissão de receita assim considerada pelo próprio Fisco. De outra parte, se os cheques são nominais e endossados pela destinatária dos mesmos, a Big Frango, ela foi a beneficiada identificada, não cabendo à impugnante ser autuada, visto que a destinatária foi quem assim procedeu e, talvez lá tais destinos sejam justificados. Com efeito, os “pagamentos a beneficiários não identificados”, na realidade, seriam aqueles oriundos de cheques emitidos pela Big Frango, nominais à impugnante, e por ela endossados, e não os emitidos pela impugnante nominalmente à Big Frango, a que, por sua vez, coube proceder ao respectivo endosso. 3.10. Invalidade da qualificação da multa: 3.10.1. Conforme o art. 112 do CTN, in dubío pro reo. 3.10.2. A impugnante nunca se furtou ao encaminhamento de caudalosa documentação. Suas contas bancárias estão devidamente contabilizadas e foram abertas e vasculhadas. Quando muito, poderia se verificar uma impropriedade na contabilização dos fatos comerciais ao promover, a impugnante, diversos lançamentos de vendas efetuadas ou de pagamento de empréstimos (suprimentos) através da conta “caixamatriz” ou mesmo quando dos depósitos de um banco para outro dela própria também fazer passar tais lançamentos pela conta “caixamatriz” quando o Fiscal queria que assim não tivesse acontecido. Não se demonstrou a existência de dolo específico. 3.10.3. A súmula do CARF n° 25, com efeitos vinculantes, estabelece que a presunção legal de omissão de receita não autoriza, por si só, a qualificação da multa de ofício. 3.10.4. Quanto ao lançamento de IRRF, a multa também deve ser reduzida, pois o lançamento foi feito com base em presunção sem a demonstração do dolo específico. 3.11. Ao final, requer a reforma do lançamento, julgandoo improcedente. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou parcialmente procedente a impugnação para afastar a exigência do IRRF. Em virtude de haver eximido o sujeito passivo de tributo e encargos de multa em montante superior ao limite de sua alçada, o órgão a quo submeteu seu julgado à reapreciação por este Conselho. Por sua vez, inconformada com a parcela da exigência mantida, a contribuinte interpôs recurso voluntário onde reitera os argumentos aduzidos na impugnação ao lançamento, bem como pede seja reconhecida a decadência dos créditos tributários do PIS/Cofins referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro a junho de 2005 (fl. 774 e ss.). Fl. 842DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11634.000914/201011 Acórdão n.º 1201001.105 S1C2T1 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. Os recursos atendem aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, deles devese tomar conhecimento. Embora o termo de verificação fiscal seja confuso, é possível concluir que a autoridade afirma haver constatado o seguinte: a) a contribuinte realizou vendas no ano de 2005, mas não as registrou em sua contabilidade; b) ao invés disso, registrou os ingressos de recursos oriundos dessas vendas como sendo fruto de empréstimos concedidos pela empresa Big Frango Ltda., a qual faz parte do grupo econômico da autuada; c) a empresa Big Frango Ltda. emitiu cheques nominais à autuada, bem como registrou saídas de numerário de seu caixa também com destino a autuada. Ocorre que os recursos ingressados no caixa e nas contascorrentes bancárias da autuada pertenciam a terceiros, e não à Big Frango; d) por sua vez, os cheques emitidos e o numerário que saíram do caixa de Big Frango tiveram como destinatários terceiros não identificados; e) mesmo modus operandi era adotado na empresa Big Frango Ltda, (vide processo nº 11634.000693/201081), ou seja, os ingressos de recursos provenientes de suas vendas eram registrados não como receita, mas como empréstimos concedidos pela autuada. Em razão dos fatos acima apontados o auditor acusa tanto a autuada quanto a empresa Big Frango Ltda. (esta última no âmbito do já referido processo nº 11634.000693/201081) de haver omitido receitas bem como de terem realizado pagamentos a beneficiários não identificados. De ver que a fiscalização, com base nos mesmos fatos, mas relativamente aos anos de 2003 e 2004, realizou lançamento de ofício em face da contribuinte e da empresa Big Frango Ltda. Referido lançamento foi julgado improcedente pela DRJ de origem, sendo que a 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF negou provimento ao respectivo recurso de ofício (vide processo nº 11634.001057/200851). Quanto ao ano de 2005, objeto do presente processo, a DRJ acolheu a acusação de omissão de receita, nos seguintes termos (fl. 758): 12. Ao proceder ao lançamento relativo a 2005, objeto do presente processo, e já ciente da decisão desta 1º Turma acima mencionada, o AuditorFiscal alterou a maneira pela qual procedeu à autuação, porém, não fundamentou a omissão de receitas detectada em saldo credor de caixa. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11634.000914/201011 Acórdão n.º 1201001.105 S1C2T1 Fl. 11 10 13. Conforme compulsado nos autos, a autoridade fiscal detectou a existência de omissão de receitas por meio de prova direta, não se valendo de presunção legal ou simples. 14. A prova direta da ocorrência de omissão de receitas que foi encontrada pode ser sintetizada no seguinte excerto (conforme já relatado no item 2.8, supra): Diante do exposto, e considerando que o contribuinte foi exaustivamente intimado para esclarecer os fatos, decorreu que os ingressos não foram comprovados com documentos hábeis, especialmente no que diz respeito à conta CAIXA. Considerando ainda que 98,53% das operações da Big Frango foram com o contribuinte; que os cheques foram assinados, em ambas as empresas, pela mesma pessoa física; que o escritório centralizador das operações situase no mesmo endereço e as respostas foram feitas pelo mesmo procurador; concluímos que os valores registrados a título de empréstimos não tiveram a finalidade pretendida pelas empresas, o objetivo foi de acobertar outros valores registrados naquela conta. Determinou que o valor de R$ 1.040.735,82 depositado no Banco do Brasil, relatado nos itens 4.2 e 6 do Termo, e o valor de R$ 2.412.599,75, do item 4.2, será considerado para efeito de tributação como omissão de receitas operacionais, relacionados na planilha EMPRÉSTIMOS ENTRE INTERLIGADAS (RECEBIMENTOS) EM 2005 (fls. 541/552), totalizando o valor de R$ 3.453.335,57. 15. O raciocínio é bastante simples: os cheques emitidos pela sua interligada, Big Frango, e que são contabilizados como pagamentos a título de empréstimo realizado entre as empresas, foram sacados em espécie no caixa da instituição financeira, de maneira que não podem esses valores corresponderem aos valores que foram depositados na conta do contribuinte. 16. Eis a prova direta evocada pelo AuditorFiscal para a constatação de que houve omissão de receitas. De fato, não se trata de mera presunção. Comprovado o saque em espécie dos cheques emitidos a título de empréstimo, e simultaneamente demonstrado que os depósitos na conta corrente do contribuinte aconteceram por meio de cheques emitidos por terceiros, evidenciase a omissão de receitas. Não prosperam as alegações feitas em contrário pelo contribuinte em sua impugnação, como será adiante visto em maior detalhe. Entretanto, em que pese ser plausível que a ora recorrente tenha cometido as infrações descritas pela fiscalização, o fato é que a autoridade não logrou êxito em correlacionar sua narrativa às provas presentes nos autos. Em outras palavras, os elementos juntados aos autos, a meu juízo, não sustentam a acusação fiscal, relativamente ao ano de 2005. Em relação à omissão de receita, ainda que a DRJ tenha afirmado que o lançamento se pautou em provas diretas, o fato é que o julgado não faz alusão às páginas dos autos onde se encontrariam tais provas. Ao contrário o órgão de primeiro grau apenas reproduz o que foi afirmado pelo auditor em seu TVF. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 11634.000914/201011 Acórdão n.º 1201001.105 S1C2T1 Fl. 12 11 Quanto ao IRRF, cuja exigência já havia sido afastada pela decisão de primeiro grau, objeto de recurso de ofício, igualmente não há prova nos autos de pagamentos a beneficiários não identificados. Tendo em vista todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 845DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 09/03/2015 p or RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10825.002066/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/11/2003, 20/11/2003, 30/11/2003, 10/12/2003, 20/12/2003, 10/01/2004, 20/01/2004, 31/01/2004, 10/03/2004, 20/03/2004, 31/03/2004, 10/05/2004, 20/05/2004, 20/07/2004, 31/07/2004, 10/08/2004, 20/08/2004, 10/09/2004
PLANO DE EXPORTAÇÃO. DRAWBACK VERDE AMARELO
Não se sustenta Auto de Infração, quando verificado o cumprimento do Plano de Exportação nos termos do art. 3º da Lei n. 8.402/92, do Decreto n 2637/98
da IN DPRF n. 84/92.
Numero da decisão: 3301-002.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Fábia Regina Freitas - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora).
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.002066/200515 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.264 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de março de 2014 Matéria IPI Recorrente OMI DO BRASIL TÊXTIL S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/11/2003, 20/11/2003, 30/11/2003, 10/12/2003, 20/12/2003, 10/01/2004, 20/01/2004, 31/01/2004, 10/03/2004, 20/03/2004, 31/03/2004, 10/05/2004, 20/05/2004, 20/07/2004, 31/07/2004, 10/08/2004, 20/08/2004, 10/09/2004 PLANO DE EXPORTAÇÃO. DRAWBACK VERDE AMARELO Não se sustenta Auto de Infração, quando verificado o cumprimento do Plano de Exportação nos termos do art. 3º da Lei n. 8.402/92, do Decreto n 2637/98 da IN DPRF n. 84/92. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fábia Regina Freitas Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Marcio Canuto Natal, Maria Teresa Martinez Lopez e Fábia Regina Freitas (Relatora). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 20 66 /2 00 5- 15 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.80/87), interposto por OMI do BRASIL TÊXTIL S.A contra acórdão n. 0123.568 – 3ª Turma da DRJ/BEL de 22 de novembro de 2011 (fls. 69 74) que manteve o auto de infração de fls. 5/ 15 e, em consequência, a exigência do IPI, que havia sido suspenso na aquisição de insumos destinados à industrialização de produtos exportados sob o benefício de Drawback verde amarelo (Art. 3º da Lei n. 8.402/92 e IN DpRF n. 84/92). A exigência em questionamento teve por fundamento suposto “inadimplemento” parcial do plano de exportação do qual a contribuinte era beneficiário. A Delegacia de Julgamento, analisando a questão posta, analisando a legislação e os fatos expostos nos autos concluiu que o contribuinte teria deixado de observar o prazo para a aquisição dos materiais de embalagem adquiridos para utilização na exportação das mercadorias. Segundo o entendimento a quo, a empresa teria prazo de dois anos contados da concessão do benefício (em 04/09/2000 – data em que foi cientificado do deferimento) para adquirir as embalagens utilizadas nas mercadorias beneficiadas pelo drawback, o que se encerraria em 03/09/2002. Nada obstante, continuou sua aquisição pelo regime até outubro de 2004. Eis a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/11/2003, 20/11/2003, 30/11/2003, 10/12/2003, 20/12/2003, 10/01/2004, 20/01/2004, 31/01/2004, 10/03/2004, 20/03/2004, 31/03/2004, 10/05/2004, 20/05/2004, 20/07/2004, 31/07/2004, 10/08/2004, 20/08/2004, 10/09/2004 Ementa: PLANO DE EXPORTAÇÃO. EXTRAPOLAÇÃO DO PRAZO. EXAÇÃO DA INTEGRALIDADE DO IPI SUSPENSO. O descumprimento de algum dos requisitos ou condições estabelecidos no plano de exportação obriga ao exportador o imediato recolhimento da integralidade do IPI suspenso, com os consectários legais devidos. Se a Fiscalização, em procedimento de ofício, detecta o descumprimento de tal obrigação, competelhe constituir e exigir o crédito tributário respectivo por meio do lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ao assim decidir a D. DRJ julgou improcedentes os fundamentos trazidos pela empresa, resumidos da seguinte forma: 1 – A empresa, inferindo que não seria possível exportar as mercadorias no prazo estabelecido pelo benefício, requereu, na forma do que lhe autorizava o art. 8º, parágrafos 1 e 2 da IN DRPF 84/1992, a prorrogação de seu Plano de Exportação. O pedido foi feito dentro do prazo estabelecido na legislação, ou seja, dois meses antes de findo o prazo regulamentar da exportação (de um ano contado da concessão do benefício, o qual, segundo a própria fiscalização se deu em 04/09/2000, com a ciência do contribuinte da Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10825.002066/200515 Acórdão n.º 3301002.264 S3C3T1 Fl. 3 3 decisão do Superintendente da Receita Federal em São Paulo, na forma do art. 2º. do Decreto 541/92) 2 – O pedido de prorrogação foi analisado, tendo sido deferido por meio de decisão do Superintendente da Receita Federal em São Paulo em 26/06/2003. Tal decisão teve como fundamento parecer fundamentado do Delegado da origem. 3 – A contribuinte teve ciência da decisão atinente à prorrogação apenas em 31/10/2003 (fl. 69), donde começaria, a partir daí, a extensão de seu prazo, requerido e autorizado. Isso porque, conforme disposto na legislação, para a efetivação da prorrogação do prazo deve haver a prévia autorização do Superintendente da Secretaria da Receita Federal (art. 6º. c/c art. 2º. da Instrução Normativa n° 84 de 03/07/1992), com a competente ciência e entrega de cópia da decisão ao contribuinte (par. 1º. do art. 6º. da Instrução Normativa n° 84 de 03/07/1992). Intimado do acórdão da DRJ, em 01 de março de 2012 (fl. 79), o interessado apresentou Recurso Voluntário em 27 de marco de 2012 (fls. 8087) pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. A questão dos autos resumese no seguinte: No caso de deferimento de pedido de prorrogação do “Drawback VerdeAmarelo” a partir de quando se inicia a contagem do prazo adicional? Da data da concessão do benefício, que é anterior ao próprio pleito de prorrogação, ou da data da ciência do Exportador quanto ao deferimento do seu pedido de prorrogação? Notese que não houve questionamento, no caso em tela, quanto ao cumprimento das metas de exportação, tampouco quanto à vinculação dos insumos (embalagens), adquiridas com suspensão do IPI, com aquelas utilizadas na exportação. No tocante a essas questões não resta dúvida de que o contribuinte atingiu os objetivos da concessão do benefício, sendo, sob esse aspecto, legítima a desoneração perpetrada. Ultrapassada a mencionada limitação da lide, fazse necessário narrar os acontecimentos perpetrados, essenciais para a interpretação legal, os quais estão descritos na seguinte linha do tempo: Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 · 04/05/2000 – o pedido de plano de exportação foi apresentado nos termos do art. 3º da Lei n. 8.402/92, do Decreto n. 2.637/98 e da IN DPRF n. 84/92; · 31/07/2000 – o referido plano é aprovado, dandose ciência em 04/09/2000 (processado sob n. 13828.000028/00 48); · com a aprovação do Plano, passouse a adquirir insumos com suspensão do IPI em 11/09/2000 até 16/11/2000 e que foi exportado de 14/09/2000 até 30/08/2001; · 10/07/2001 foi solicitada prorrogação do prazo de execução do Plano nos termos do artigo 8º, § 1º e 2º da I.N. DPRF n. 84/92; · 26/06/2003 – pedido de prorrogação foi deferido com ciência da aprovação em 31/10/2003 (2 anos e 3 meses após o pedido renovação); · 09/11/2003 a 02/09/2004 – após a aprovação da prorrogação, houve aquisições de insumos com suspensão de IPI; · 06/11/2003 a 15/10/2004 – foram realizadas exportações, cumprindo o plano de exportação, onde foi apresentado um Relatório de Comprovação Final de Plano de Exportação; · 18/08/2005 – lavratura do Auto de Infração, fundamentado no §3º do Art. 8º da IN DPRF n. 84/92 (extrapolação do prazo de execução do plano de exportação). Entendo, desde já, que assiste razão ao contribuinte e passo a explanar as razões de forma pontual: O pedido de benefício foi concedido por meio de decisão de fls. 27, cientificada ao contribuinte em 04/09/2000. A partir desse momento é que o benefício começou a surtir os efeitos fiscais aguardados, pois, segundo reconhecido pela própria fiscalização, por força do que reza o art. 6º, parágrafo 1º. da IN 84/92, o processo com deferimento ou indeferimento do Superintendente da receita Federal, será remetido pela Unidade Preparadora à unidade de origem, quando o caso, para ciência do Exportador e entrega de cópia da decisão. O § 2º do art. 8º da IN n. 84/92 assevera que “O pedido de prorrogação será formalizado mediante requerimento que contenha a justificativa sucinta para o pleito e seguirá os trâmites previstos nos arts. 4º e 6º desta Instrução Normativa, devendo ser apresentado até trinta dias antes do término do prazo original do Plano de Exportação”. Tal exigência foi atendida pelo contribuinte, que solicitou a prorrogação do seu benefício em 10/07/2001, mais de trinta dias do final do prazo original. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10825.002066/200515 Acórdão n.º 3301002.264 S3C3T1 Fl. 4 5 Também a fiscalização atendeu ao procedimento estabelecido pela IN. Nesse passo, analisando o pedido de prorrogação, o Delegado de origem emitiu parecer pelo deferimento e submeteu o mesmo ao Superintendente da Receita que, em 26/06/2003 (fl.34), deferiu o pedido de prorrogação. Tal decisão, conforme estabelecido pelo parágrafo 1º do art. 6º da já referida IN, foi encaminhada para a origem para a efetiva ciência da aprovação por parte do Exportador, o que ocorreu em 31/10/2003 (fl. 34). Note que entre o pedido de prorrogação e a efetiva ciência do deferimento, decorreu período bastante extenso. Nesse interstício o contribuinte, nada obstante incerto quanto ao deferimento de seu pedido, mas fiado na certeza de que os procedimentos seriam adotados e de que eventual decisão deferindo ou não seu pedido lhe seria notificada, seja por força do mencionado dispositivo legal, seja em virtude do princípio da segurança jurídica, permaneceu no seu ofício, cumprindo o objetivo maior do benefício fiscal, qual seja, o de implemento das exportações. A decisão, como já mencionado, foi cientificada ao contribuinte apenas em 30 de outubro de 2003. O que cabia ao contribuinte a partir daquele momento, em vista dos princípios gerais do direito? Retroagir os efeitos da decisão para o momento da concessão do benefício ou, ciente da decisão naquele momento, passar, a partir dali (30/10/2003) a colocála em prática? Não parece lógica a primeira alternativa, seja porque contraria a própria vigência dos atos processuais, que só passam a ter efeito mediante outorga de publicidade, que, no caso, se deu com a ciência do contribuinte, seja porque a própria IN estabeleceu que o procedimento para o pedido de prorrogação do prazo do benefício deve ser o mesmo que o de sua concessão. Nesse passo, aplicarseia o disposto no par. 1º do art. 6º da IN 84, sendo imperiosa a ciência do Exportador quanto à decisão tomada para que a mesma passe a surtir os efeitos. A demora na conclusão quanto ao pleito de prorrogação não se deu em razão de eventual descumprimento de norma por parte do contribuinte, mas por desídia da Administração. Atribuir eventual penalidade ao Exportador no caso é deixar que a Administração utilizese da própria morosidade (torpeza) para se beneficiar. Não é moral esse procedimento. Ademais, o contribuinte, no caso concreto, agiu de boafé e concluiu todas as suas operações relacionadas ao benefício até outubro de 2004, exatos um ano após a sua ciência da decisão, que prorrogou o benefício por mais um ano. O fundamento da autuação e da DRJ para deixar de reconhecer o atendimento ao benefício por parte do contribuinte é o de que o caput do art. 8º. da IN DpRF n. 84/1992 dispõe que a empresa tem o prazo de um ano para efetivar a exportação dos produtos, contado da ciência da aprovação do Plano de Exportação, podendo esse prazo ser prorrogado, por uma única vez por idêntico período. Na interpretação da fiscalização, o termo inicial para a contagem do prazo para o cumprimento do benefício, seja em relação ao pedido de concessão do mesmo, seja o de prorrogação, se dá a partir do momento em que lhe foi concedido (ciência da concessão do benefício ao Exportador). Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Ora, como já exposto, o art. 8º. da mencionada IN 84 não expressa entendimento no sentido de que o prazo atinente à prorrogação contase a partir do momento em que deferido o benefício. O que o dispositivo menciona, em seu caput é que a exportação dos produtos deverá ser efetivada no prazo de até um ano, contado da ciência da aprovação do Plano de Exportação. O dispositivo que trata especificamente do pedido de prorrogação do prazo do benefício é o parágrafo 2º do mesmo art. 8º, que estabelece que esse pedido deve atender aos procedimentos previstos nos arts. 4º e 6º da mesma IN. Tais dispositivos, por sua vez, determinam que o pedido de concessão (e consequentemente de prorrogação) depende (i) de prévio deferimento do Superintendente da Receita Federal por meio de decisão fundamentada, (ii) a qual deve ser cientificada ao Exportador. Ora, diante de todo o exposto, entendo que está inconsistente a alegação da fiscalização, já que ausente o fundamento jurídico. Ademais, no caso concreto, se a própria fiscalização adota como premissa que o prazo inicial do benefício é contado da ciência do Exportador a respeito da sua concessão, não há razão para se alterar tal critério quanto ao pedido de prorrogação do mesmo. A interpretação deve ser feita não de forma literal, mas de forma pragmática. Assim, o critério que se aplica a uma (concessão) ou outra situação (prorrogação) deve ser o mesmo, naquilo que lhes aproveita. Por fim, de se destacar que no caso concreto o que houve foi excessivo formalismo, com interpretação deveras restrita e literal da norma. Formalismo esse excessivo, até mesmo porque a Receita Federal não teve qualquer prejuízo. Sendo assim, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao pleito do contribuinte, para julgar e declarar improcedente o Auto de Infração lavrado contra a empresa. Conclusão: Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário para julgar improcedente o Auto de Infração. Sala das Sessões, em 26 de março de 2014. Fábia Regina Freitas Relatora. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10825.002066/200515 Acórdão n.º 3301002.264 S3C3T1 Fl. 5 7 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 25/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16095.000649/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
Ementa:
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99.
O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No caso em tela, todas as competências que foram apuradas estão compreendidas no período entre janeiro de 01/2004 até 11/2004. Ressalta-se que o lançamento cientificado em 11/12/2009, conforme fls. 01, e existindo recolhimento parcial [fl. 104/107], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 11/2004.
Numero da decisão: 2301-004.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2004, anteriores a 12/2004, com retorno dos autos à DRJ de origem, a fim de analisar as demais questões constantes da impugnação, já que há competência não atingida pelos efeitos da decadência nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator.
EDITADO EM: 14/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No caso em tela, todas as competências que foram apuradas estão compreendidas no período entre janeiro de 01/2004 até 11/2004. Ressalta-se que o lançamento cientificado em 11/12/2009, conforme fls. 01, e existindo recolhimento parcial [fl. 104/107], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 11/2004.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. ENUNCIADO DA SÚMULA CARF N. 99. O art. 62ª do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No caso em tela, todas as competências que foram apuradas estão compreendidas no período entre janeiro de 01/2004 até 11/2004. Ressaltase que o lançamento cientificado em 11/12/2009, conforme fls. 01, e existindo recolhimento parcial [fl. 104/107], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 11/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2004, anteriores a 12/2004, com retorno dos autos à DRJ de origem, a fim de analisar as demais questões constantes da impugnação, já que há competência não atingida pelos efeitos da decadência nos termos do voto do(a) Relator(a). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 06 49 /2 00 9- 03 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 MARCELO OLIVEIRA Presidente. MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR – Relator. EDITADO EM: 14/01/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, MAURO JOSE SILVA, ADRIANO GONZALES SILVÉRIO. Relatório Adoto o relatório constante das folhas 310 e ss: Nos termos do relatório de fls. 104 a 107 do processo n° 16095.000649/200903, o Auto de Infração n° 37.020.7866 foi lavrado para a constituição dos créditos relativos às contribuições de que tratam os incisos I e II do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, incidentes sobre valores pagos pela VISA CLEAN PORTARIA E HIGIENIZAÇÃO LTDA. a segurados empregados a título de remuneração, no período de janeiro a dezembro de 2004. Ainda conforme o citado relatório: a) a empresa entregou suas GFIP Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com omissões e não recolheu parte das contribuições devidas, referentes à remuneração da mão de obra de seus empregados da matriz CNPJ n° 02.907.432/000106; b) os valores que serviram de base para o lançamento foram aferidos indiretamente, conforme os §§ 3o e 6o do art. 33 da Lei n° 8.212/91, com base na média trimestral do faturamento da empresa (demonstrativo à fl. 106), constante das DIPJ anexas; c) a aferição indireta de remuneração da mãodeobra corresponde ao percentual mínimo de 40% do valor dos serviços constantes da nota fiscal, conforme o art. 450, inciso I, da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13/11/2009; d) na competência 13/2004 foi utilizado o mesmo valor de aferição indireta da remuneração relativa à mão de obra da competência 12/2004; e) sobre as bases de cálculo aferidas indiretamente foi aplicada a alíquota de 20% e, relativamente à contribuição devida para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos Fl. 351DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16095.000649/200903 Acórdão n.º 2301004.010 S2C3T1 Fl. 351 3 ambientais do trabalho, a alíquota utilizada foi de 2%; e f) em obediência ao disposto no art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, na competência 06/2004 foi aplicada a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, tendo em vista ser ela mais benéfica do que a vigente à época do fato gerador. Inconformada com o lançamento, a empresa impugnouo por meio do expediente juntado às fls. 132 a 152, em que postula o cancelamento do auto de infração mediante as seguintes alegações, em síntese: Ia ) os valores lançados não foram recolhidos em virtude de terem sido objeto da compensação a que alude o § I o do art. 31 da Lei n° 8.212/91; 2a) é inconstitucional a contribuição de que trata o inciso II do art. 22 da referida lei, tendo em vista que o significado das palavras "risco" e "atividade preponderante", contidas nesse dispositivo, somente veio a ser explicitado por meio de regulamento, o que ofende o princípio da legalidade tributária; 3a ) na medida em que a multa aplicada pela fiscalização atinge mais de 25% do valor do débito, sua exigência configura verdadeiro confisco, o que é igualmente vedado pela Constituição Federal brasileira; 4a ) os juros de mora devem ser reduzidos para o percentual de 1% ao mês, tendo em vista que, conforme posição de nossos Tribunais Superiores, o cálculo desse acréscimo com base na taxa SELIC também se afigura inconstitucional; 5a) é admissível a não aplicação, pela Administração Pública, de ato ou norma ilegal, sem que isto represente desrespeito à divisão de poderes entre o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, até mesmo porque sempre haverá a possibilidade de ajuizarse ação para questionar decisão administrativa considerada contrária à lei. A 6º. Turma de Julgamento do DRJ através do acórdão nº. 0529.246 de fls. 309 e ss proferido em 06.07.2010, por unanimidade de votos, julgou procedente a impugnação, excluindo o crédito tributário exigido: A AS S U N T O : C O N T R I B U I Ç Õ E S SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. CONSTITUIÇÃO. PRAZO. DECADÊNCIA. É de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contado, no caso de recolhimento de parte das contribuições devidas e não tendo o sujeito passivo agido com dolo, fraude ou simulação, da data da ocorrência dos respectivos fatos geradores. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Diante do valor do crédito, foi interposto Recurso de Ofício. É relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior Por ser tempestivo conheço o recurso interposto. De fato, o Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “ São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103ª da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16095.000649/200903 Acórdão n.º 2301004.010 S2C3T1 Fl. 352 5 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerasse homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O Superior Tribunal de Justiça (STJ), julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contasse do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrasse regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o Fl. 354DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; Extrai se do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Tal entendimento restou consignado no Enunciado da Súmula CARF n. 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No caso em tela, todas as competências que foram apuradas estão compreendidas no período entre janeiro de 01/2004 até 11/2004. Ressaltase que o lançamento cientificado em 11/12/2009, conforme fls. 01, e existindo recolhimento parcial [fl. 104/107], aplico a regra do §4º, do art. 150, do CTN, restando, por conseguinte, fulminadas pela decadência as competências até 11/2004. CONCLUSÃO Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/2004, anteriores a 12/2004, com retorno dos autos à DRJ de origem, a fim de analisar as demais questões constantes da impugnação, já que há competência não atingida pelos efeitos da decadência. É o voto. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16095.000649/200903 Acórdão n.º 2301004.010 S2C3T1 Fl. 353 7 Manoel Coelho Arruda Júnior Relator Fl. 356DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/ 01/2015 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10660.721032/2013-55
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. GFIP. NÃO DECLARAÇÃO. RECOLHIMENTOS ANTES E DEPOIS DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. APROPRIAÇÃO DE VALORES. COMPETÊNCIA.
A empresa foi autuada por não declarar em GFIP as contribuições de segurados (e as patronais) relativamente a contribuintes individuais que lhes prestaram serviços nos períodos de 01/2009 a 12/2011.
Como houve recolhimento antes do início do procedimento fiscal promoveu-se a retificação do lançamento apropriando-se tais valores.
O pedido de apropriação deve ser realizado na DRF de origem.
A função do CARF é de analisar o conteúdo da decisão recorrida, notadamente no que concerne às informações oriundas do lançamento realizado pela autoridade administrativa competente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-004.190
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. GFIP. NÃO DECLARAÇÃO. RECOLHIMENTOS ANTES E DEPOIS DO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. APROPRIAÇÃO DE VALORES. COMPETÊNCIA. 1. A empresa foi autuada por não declarar em GFIP as contribuições de segurados (e as patronais) relativamente a contribuintes individuais que lhes prestaram serviços nos períodos de 01/2009 a 12/2011. 2. Como houve recolhimento antes do início do procedimento fiscal promoveuse a retificação do lançamento apropriandose tais valores. 3. O pedido de apropriação deve ser realizado na DRF de origem. 4. A função do CARF é de analisar o conteúdo da decisão recorrida, notadamente no que concerne às informações oriundas do lançamento realizado pela autoridade administrativa competente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 10 32 /2 01 3- 55 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721032/201355 Acórdão n.º 2803004.190 S2TE03 Fl. 3 2 Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721032/201355 Acórdão n.º 2803004.190 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente às contribuições previdenciárias dos segurados e as patronais, incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais que prestaram serviços à empresa, não declarados em GFIP, apuradas em recibos de pagamentos nos períodos de 01/2009 a 12/2011, conforme discriminativo no Anexo I (fls. 41/43). O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 06 de novembro de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS. A empresa deve reter e recolher, mediante desconto da remuneração, as contribuições dos segurados a seu serviço. RECOLHIMENTOS REALIZADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Devem ser apropriados ao lançamento os recolhimentos efetuados antes do início da ação fiscal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Finalizado o procedimento fiscal, apurouse que os valores referentes à contribuições previdenciárias dos segurados, de retenção e recolhimentos obrigatórios pelo tomador do serviço, foram, em tese, descontados dos segurados e não recolhidos à Previdência Social em época própria, sendo assim passíveis de juros e multa de ofício, bem como configurar o crime de apropriação indébita, previsto no art. 168A do Código Penal. A 5ª Turma de julgamento julgou procedente, em parte, a impugnação da recorrente, considerando as retificações feitas e juntadas à impugnação, porém, mantendo a condenação das demais penalidades referente aos recolhimentos não retificados, em tese. Após todas as retificações efetuadas, juntase ao presente recurso todas as guias de recolhimento da Previdência Social, devidamente retificadas, comprovando o recolhimento à sua época, antes do início da ação fiscal, das retenções previdenciárias de obrigação do tomador de serviço, inclusive dos segurados Marcos Luciano Viera de Matos, Caetano Eustáquio Diogo e Giovani Marques Comin, que foram os últimos a serem retificados. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721032/201355 Acórdão n.º 2803004.190 S2TE03 Fl. 5 4 Além das obrigações de retificar as Guias de recolhimento da Previdência Social, a recorrente providenciou as retificações das GFIPs, onde constam as prestações de serviços dos autônomos contratados (doc. j). Inexiste crime de apropriação indébita previdenciária. Ex positis, requer a recorrente seja dado provimento ao presente recurso voluntário, ampliando a decisão da 5ª Turma de julgamento, considerando as retificações das GFP`s apresentadas até aquela decisão, que já foi o entendimento daquela Colenda Turma, como também as demais retificações e GFIP`s juntadas no presente Recurso Voluntário. E ainda, requer seja determinado ao auditorFiscal, se abstenha de qualquer ato para efetivar a Representação Fiscal para Fins Penais, pois regular o recolhimento da contribuição previdenciária dos prestadores de serviço, e consequente ausência de dolo específico no evento objeto do presente processo. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721032/201355 Acórdão n.º 2803004.190 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A empresa foi autuada por não declarar em GFIP as contribuições de segurados (e as patronais) relativamente a contribuintes individuais que lhes prestaram serviços nos períodos de 01/2009 a 12/2011. Como houve recolhimento antes do início do procedimento fiscal promoveu se a retificação do lançamento apropriandose tais valores. No ponto, assim pronunciaram os julgadores da primeira instância administrativa: Da análise dos documentos juntados à impugnação, verificouse terem sido retificadas guias de recolhimento relativas aos segurados Marcos de Paiva Magalhães, fls. 181/183, Darcy Freire Filho, Priscila Alves Ilgenfritz, fls. 193/194, e Tatiane de Francesco, fls. 197/2006, à exceção das guias dos segurados Darcy Freire Filho, nas competências 05/2009, 04/2010 e 06/2010, e Tatiane de Francesco, na competência 06/2010. Além disso, não foi comprovado o recolhimento e ou retificação das guias de recolhimentos dos segurados Marcos Luciano Vieira de Matos, Caetano Eustáquio Diogo e Giovani Marques Comin. Verificouse ainda que as GFIP juntadas, relativas às competências 01 e 02/2009, nas quais foi declarado apenas o segurado Marcos de Paiva Magalhães, foram entregues no período de impugnação, em 05/06/2013 e 07/06/2013, fls. 128/133. Consoante o disposto no art. 156, I, do CTN e considerando que os recolhimentos foram efetuados antes do início da ação fiscal, não obstante as retificações das guias de recolhimento terem sido efetuadas após o lançamento, os referidos valores devem ser apropriados ao presente lançamento, o qual deve ser retificado, conforme discriminado no quadro abaixo, sem prejuízo de nova autuação pelo descumprimento da obrigação acessória de declaração das referidas contribuições em GFIP. No recurso apresentado o contribuinte faz referência às retificações efetuadas que comprovam o recolhimento à sua época, antes do início da ação fiscal e junta novas guias, Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10660.721032/201355 Acórdão n.º 2803004.190 S2TE03 Fl. 7 6 inclusive dos segurados Marcos Luciano Vieira de Matos, Caetano Eustáquio Diogo e Giovani Marques Comin, que foram os últimos que tiveram retificações em suas primitivas guias de recolhimento. O contribuinte aduz ainda que além da obrigação de retificar as GPS`s, providenciou as retificações das GFIP`s, onde constam as prestações de serviços dos autônomos (fls. 265 e seguintes). Compulsando os autos notase que efetivamente constam os documentos referenciados pelo contribuinte. Contudo, não vislumbro a possibilidade de acatar o pleito formulado pela empresa, tendo em vista que não incumbe ao CARF, a realização das apropriações requeridas. O pedido de apropriação deve ser realizado na DRF de origem. A função do CARF é de analisar o conteúdo da decisão recorrida, notadamente no que concerne às informações oriundas do lançamento realizado pela autoridade administrativa competente. Neste ponto, não pairou nenhuma dúvida de que a empresa, em parte daquilo que foi lançado, estava em desconformidade com a legislação tributária, ou seja, devedora de contribuições previdenciárias. Por isso, considerando que apropriações devem ser feitas em outra esfera que não o CARF, o lançamento deve ser mantido pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 6/03/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 11065.721415/2011-43
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos , em converter o julgamento em DILIGÊNCIA.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros:Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixot e Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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RESOLVEM os membros do Colegiado por unanimidade de votos , em converter o julgamento em DILIGÊNCIA. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros:Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Julio de Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro Marcelo Magalhães Peixot e Jhonatas Ribeiro da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .7 21 41 5/ 20 11 -4 3 Fl. 332DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721415/201143 Resolução nº 2403000.289 S2C4T3 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de crédito constituído pelos DEBCAD's abaixo descritos : AI n° 37.303.4245, referente à contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, inclusive aquela destinada para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados; 2) n° 37.303.4253, referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (no caso, para o SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e FNDE Salário Educação) incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados; : e 3) n° 37.303.4261, relativo ao descumprimento de obrigação acessória de apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. DA DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO Informa o Relatório Fiscal RF que os fatos geradores decorrem das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais declaradas nas GFIPs da empresa Milan Beneficiamento de Componentes para Calçados Ltda, CNPJ 09.136.057/000197, apuradas com base nas suas respectivas folhas de pagamento, em razão dos segurados empregados e contribuintes individuais da empresa Milan Beneficiamento de Componentes para Calçados Ltda terem sido considerados pela fiscalização como trabalhadores da empresa Vercelli Indústria e Comercio de Calçados Ltda. DA IMPUGNAÇÃO Do Relatório a quo, que lí e compulsei com os autos, aproveito a integralidade e, com grifos de minha autoria, abaixo o transcrevo: "Regularmente cientificada dos Autos de Infração em 31/03/2011, a empresa autuada, por intermédio de seu representante legal, apresentou, em 02/05/2011, impugnação tempestiva, alegando que não houve a utilização de interposta empresa como subterfúgio para reduzir a incidência de tributos. O que existiu de fato foi a prestação de serviços realizada por àquela empresa, o que é plenamente jurídico e legal. Afirma que a Fiscalização laborou em equívoco ao concluir que teria havido uma simulação entre a Impugnante e a empresa Milan, mormente porque o fato de dividirem um prédio, que sequer possui abertura ou qualquer ligação física, não autoriza a deduzir que estivessem em conluio para reduzir a incidência de tributos. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721415/201143 Resolução nº 2403000.289 S2C4T3 Fl. 4 3 Aduz que, além disso, o fato de haver cedido gratuitamente, por comodato, alguns de seus equipamentos, de igual forma é irrelevante e não pode servir de suporte para a conclusão feita pela Fiscalização da ocorrência de sonegação de contribuição previdenciária, uma vez que isso, in casu, nunca ocorreu. Refuta as autuações em tela, porquanto em nenhum momento cometeu qualquer tipo de omissão ou de irregularidade capaz de ilegalmente reduzir a incidência de tributos, não havendo que se falar em débitos de qualquer natureza e muito menos previdenciário, conforme pode ser comprovado pela documentação anexa. Alega que mesmo admitindo, por força de argumento, que tivesse sido beneficiada com a contratação de serviços de mão de obra, a sua conduta não constituiria poderia, em tese, caracterizar a elisão fiscal. Refere doutrina segundo a qual a "diferença entre elisão fiscal e a evasão fiscal consiste em que a elisão expressa ato formal e substancialmente legítimo e lícito praticado antes do surgimento do fato gerador, com o fim de evitar a incidência tributária plena ou diminuir o tributo, e a evasão é o ato de omissão praticado após a ocorrência do fato gerador, com o fim de evitar, reduzir ou retardar o pagamento do título". Com base em tal distinção, entende que a única compreensão possível sobre o caso seria de verdadeira elisão fiscal, em vista do ocorrido, o que é plenamente legal e jurídico. Argumenta, quanto às multas aplicadas, que sobre o valor apurado como devido, a título de tributos, além dos juros, há a incidência de dois encargos denominados por "multa de ofício" e "multa de mora" abusiva, constituindose bis in idem, o que igualmente tornaria insubsistente o aludido auto de infração, constituindose por verdadeiro confisco, que é vedado pela legislação constitucional. Acrescenta, ainda, que mesmo fosse legal e constitucional a cobrança de multa, na forma como procedida pela Fiscalização, deveria ser reduzido para o percentual máximo de 20%. Assim, em que pese a existência de previsão legal para aplicação de multa, a dualidade de tal encargo estabelecido pela Fiscalização não atende ao Princípio Constitucional do nãoconfisco, posto que arbitradas de forma excessiva e desproporcional, impondose, em tal caso, o afastamento de uma delas, bem como a redução do valor arbitrado. No que se refere à Taxa SELIC, apresenta diversos argumentos acerca da inconstitucionalidade de sua aplicação, referindo, ao final, que a legislação complementar já estabelece em seu artigo 161, parágrafo 1º do CTN, a previsão da incidência de juros moratórios de 1% (um por cento); e não havendo lei que autorize a utilização da Taxa Selic como indexador para fins tributário, permanece válida a regra constante do CTN no que tangeaos juros a serem aplicados, afastando se, de conseguinte, a utilização da taxa SELIC para fins tributários, uma vez que totalmente inconstitucional. Requer seja a impugnação recebida e juntada aos respectivos autos do procedimento administrativo em epígrafe; determinada a realização de perícia técnica especializada, nos termos do que estabelece a legislação pertinente, facultada à Impugnante a indicação de assistente Fl. 334DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721415/201143 Resolução nº 2403000.289 S2C4T3 Fl. 5 4 técnico; julgada procedente a impugnação, declarandose insubsistentes os autos de infração e respectivas multas levadas a efeito contra a ora Impugnante, em face das ponderações supracitadas. É o relatório." DA PRIMEIRA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A impugnação foi julgada improcedente e mantidos os créditos tributários exigidos, nos termos do Acórdão nº 1033449, de 09 de agosto de 2011, da 7ª Turma da DRJ/POA, fls. 237/248. A empresa recorreu ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme fls. 251/258. DO PRIMEIRO RECURSO VOLUNTÁRIO. Irresignada, na forma do documento de fls.251, a Recorrente, em 29/09/2011, interpôs Recurso Voluntário. DA ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA O recurso voluntário interposto foi apreciado pela Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, cujos membros de sua 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, por meio do Acórdão n.º 2401002.619, fls. 277/282, em sessão havida em 15/08/2012, por unanimidade de votos, anulou a decisão de 1ª instância, por motivo de cerceamento do direito de defesa, considerando que a DRJ não se pronunciou a contento acerca da “aplicação da multa em duplicidade que foi questionada pelo sujeito passivo, quando se contrapôs a exigência” de multa de mora e multa de ofício num mesmo levantamento. ( transcrito do relatório a quo com grifos de minha autoria) DA SEGUNDA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Reanalisando o processo, conforme documento colacionado às fls 292, a 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre DRJ/POA, em 31/10/2012, exarou novo Acórdão sob o n° 1041.053 e, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação. DO SEGUNDO RECURSO VOLUNTÁRIO. Ainda irresignada, a Recorrente, em 19/12/2012, interpôs novo Recurso Voluntário às fls.306, onde reiterou as alegações que alhures fizera e guerreou a autuação como um todo inclusive a aplicação das multas. É o Relatório. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721415/201143 Resolução nº 2403000.289 S2C4T3 Fl. 6 5 VOTO Conforme o descrito no item 2.3 Relatório Fiscal às fls. 30, além da autuada, a empresa Milan Beneficiamento de Componentes para Calçados Ltda, foi intimada a apresentar documentos conforme Termos de Início de Procedimento Fiscal TIPF, ambos datados de 03/01/2011. No item 2.2 do referido Relatório Fiscal, aduz que : "o fato gerador do presente crédito previdenciário constituise nas remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP da empresa MILAN BENEFICIAMENTO DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA CNPJ 09.136.057/000197, apuradas por aferição indireta com base nas suas respectivas folhas de pagamento e considerados por esta fiscalização como segurados da VERCELLI INDÚSTRIA E COMERCIO DE CALÇADOS LTDA, doravante denominada VERCELLI, pelas razões expostas no decorrer do presente relatório." Do encimado, resta evidente que ocorreram simultâneas ações fiscais que resultou na desconsideração de negócio jurídico. Às fls. 15, no Relatório de Fundamentos Legais FLD , item 703.01, consta que aplicaramse multa em dobro em razão de sonegação, Lei 9430/96, art. 44, parágrafo 1º: fraude ou conluio e dos crimes previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502 : "Aplicar em dobro por sonegação, fraude ou conluio Lei 9430/96, art. 44, parágrafo 1º: § 1o . O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis." As sobre ditas multas referemse aos levantamentos LEV 05 e LEV 06 descritos nas fls. 08/12. Sem adentrar no mérito, verificase que nos autos não constam registros dos documentos da segunda empresa envolvida tais como MPF, relatório fiscal, Termo de Encerramento , informe de eventual autuação, fundamentos legais, se interpôs impugnação, se o fez, qual o número do processo, em que fase se encontra. E também , se houve Informação fiscal IF para cancelar seu cadastro no SIMPLES em razão dos crimes cometidos. No Relatório Fiscal constam os registros o AI n° 37.303.4245, referente à contribuição previdenciária da empresa; n° 37.303.4253, referente às contribuições destinadas a outras entidades e fundos (no caso, para o SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e FNDE Salário Educação) e n° 37.303.4261 e o de n° 37.303.4261, relativo ao descumprimento de obrigação acessória. Não obstante, insta saber se no presente lançamento a recorrente fora autuada para recolher a parte do empregado. Se o foi em qual processo isto estaria consolidado. e Fl. 336DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.721415/201143 Resolução nº 2403000.289 S2C4T3 Fl. 7 6 ainda se foram apropriados na autuação em tela os valores recolhidos pela empresa MILAN BENEFICIAMENTO DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA. CONCLUSÃO Diante do que foi exposto, determino o retorno dos autos às origens para sejam providenciadas as informações abaixo : DA AUTUADA saber se no presente lançamento a recorrente fora autuada para recolher a parte do empregado; em qual processo isto estaria consolidada a exigência supra; e . se foram apropriados na autuação em tela os valores recolhidos pela empresa Milan Beneficiamento de Componentes para Calçados Ltda. DA EMPRESA MILAN BENEFICIAMENTO DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA Juntar : MPF, Relatório Fiscal, Termo de Encerramento, informe de eventual autuação, fundamentos legais, se interpôs impugnação, se o fez, qual o número do processo, em que fase se encontra. e também , juntar registro de eventual Informação fiscal IF para cancelar seu cadastro no SIMPLES em razão dos crimes cometidos. É como voto Ivacir Júlio de Souza Relator. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/02/2015 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 16/02/201 5 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 02/03/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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