Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16682.720163/2012-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade intime o contribuinte para em 30 dias, prorrogável por mais 30 dias, apresentar a documentação necessária que comprove a existência de seu alegado crédito extemporâneo no período de setembro de 2010 a março de 2011, incluídos no PER do 2º trimestre de 2011 e produza relatório circunstanciado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16682.720163/2012-62
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940567
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.991
nome_arquivo_s : Decisao_16682720163201262.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : VALCIR GASSEN
nome_arquivo_pdf_s : 16682720163201262_5940567.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade intime o contribuinte para em 30 dias, prorrogável por mais 30 dias, apresentar a documentação necessária que comprove a existência de seu alegado crédito extemporâneo no período de setembro de 2010 a março de 2011, incluídos no PER do 2º trimestre de 2011 e produza relatório circunstanciado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7552469
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:51 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145879945216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 18.802 1 18.801 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720163/201262 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.991 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de outubro de 2018 Assunto PIS/PASEP Recorrente THYSSENKRUPP COMPANHIA SIDERURGICA DO ATLANTICO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade intime o contribuinte para em 30 dias, prorrogável por mais 30 dias, apresentar a documentação necessária que comprove a existência de seu alegado crédito extemporâneo no período de setembro de 2010 a março de 2011, incluídos no PER do 2º trimestre de 2011 e produza relatório circunstanciado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 18763 a 18798) interposto pelo Contribuinte, em 1º de julho de 2016, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1273.825 (fls. 18714 a 18756), de 11 de março de 2015, proferido pela 16ª Turma da Delegacia da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 16 3/ 20 12 -6 2 Fl. 18802DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.803 2 Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) – DRJ/RJO – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a Manifestação de Inconformidade (fls. 18107 a 18161). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, PER no 24079.57102.141111.1.1.089235, no montante de R$ 28.994.759,02 referente a créditos de PIS não cumulativo Exportação, apurados no segundo trimestre de 2011, vinculados à Receita de Exportação. A DEMAC por meio do Parecer 094/2013 e despacho decisório (fls. 18.070/18.093) deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito no valor de R$ 12.571.361,55. A ciência ocorreu em 18/04/2013 (fls. 18.094) Apensado ao presente processo encontrase o processo de no 16682.721182/201125 que deferiu o adiantamento de 50% do ressarcimento, conforme previsto na Portaria MF de no 348 de 16/06/2010. De acordo com o despacho de fls. 18.325 o valor pago que superou o valor reconhecido foi compensado de ofício. Segundo o Parecer (fls. 18.069/18.092) a possibilidade de apuração de créditos de PIS e COFINS deverá ser analisada caso a caso, considerandose a essencialidade do bem na produção e/ou venda e na geração de receita da empresa. Cita o voto da Conselheira Nanci Gama, que concluiu que serão dedutíveis todos os dispêndios “relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições do PIS e da COFINS”, bastando verificar “se o dispêndio é indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS e COFINS não cumulativos”. Foram efetuadas glosas nos itens a seguir: 1. Serviços utilizados como insumos Foram glosados as seguintes Notas: Notas fiscais de serviços de frete e transporte; análise técnica; transferência de máquinas; serviços de despachante; serviços genéricos de manutenção; serviços de consultoria; serviço de almoxarifado; serviço “diário e semanal”; abastecimento; comboio; serviços portuários; terraplanagem de porto; drenagem; dragagem; uso de sistema de transmissão entre outros, por não possuírem inerência com a produção de placas de aço (anexo 12). 2. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos de PJ Foram glosados: aluguéis de containeres; equipamentos de rádio e telecomunicações; caminhões pipa; tendas; logística; galpões; embarcações; terraplanagem e transportes; sistemas de segurança, entre outros. As glosas podem ser observadas no Anexo 14. 3. Bens do Ativo Imobilizado Fl. 18803DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.804 3 Com base no Anexo 17, que é a composição de todo o Ativo Imobilizado que reflete as bases de cálculo das DACON, verificamos que alguns itens não podem ter seu creditamento aceito posto que não possuem inerência direta com a produção de chapas que é o assunto aqui tratado. Os itens glosados de plano são, entre outros, referentes a construção de prédio alheio à produção (RH); píer; pontes; ruas; esgotos; avenidas; iluminação; ar condicionado; equipamento náutico e drenagem, entre outros (Anexo 18). 4. Outras Operações com direito a crédito As glosas referemse a serviços de oceanografia; urbanização e paisagismo; telefonia; terraplanagem; apoio técnico; alambrados e portas; serviços de medição; fornecimentos de guindastes; pavimentação; instalação de ar condicionado; movimentação interna de cargas, balizamento; sinalização náutica e manutenção de áreas verdes, entre outros. As glosas estão no Anexo 23. 5. Divergência DACON X PER Outra questão a ser anotada é o fato de que, o montante correto a ser alvo de ressarcimento, que deveria constar no PER aqui analisado, seria o de R$ 14.099.503,28 e não o de R$ 28.994.759,92. Essa discrepância devese ao fato de que a fiscalizada juntou todos os créditos dos períodos de setembro de 2010 a março de 2011 aos créditos do trimestre do presente PER. Esse procedimento por parte da fiscalizada, em total descompasso com a legislação vigente, foi rechaçado, conforme Despacho à fls. 09 a 25 do presente processo. Para dedução dos débitos de PIS do 2º trimestre de 2011 foi utilizado saldo de crédito de períodos anteriores. Os saldos de débitos remanescentes foram extintos com parte do crédito de exportação apurado de ofício. O despacho decisório reconheceu crédito de PIS não cumulativa – Exportação, do 2º trimestre de 2011, no valor de R$ 12.571.361,55. Cientificada em 18/04/2013 (fls. 18.094) a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 18.107/18.161 em 20/05/2013 alegando em síntese: Os pedidos de Ressarcimento do 2º trimestre de 2011 incluíram créditos do período de setembro/2010 a março/2011. Alega que registrou suas operações de PIS e COFINS detalhando os respectivos créditos do período de setembro/2010 a março/2011 na EFD de abril/2011 e, como consequência lógica no PER/DCOMP referente ao 2o trimestre de 2011. Alega que seguiu a orientação da própria receita nas perguntas 54 e 55 nas perguntas e respostas da EFD e que se trata de mero aspecto formal. Em 10/08/2012 efetuou requerimento esclarecendo o procedimento adotado, bem como pleiteando a retificação, por meio do desmembramento dos dois PER do 2º trimestre de 2011. Cita legislação que entende ser a base legal para tal pedido. O art. 7º da IN RFB Nº 1.060/2010 permite a retificação quanto a aspectos formais. O art. 3º da Portaria MF 348/2010 estabelece a necessidade da fiscalização aterse à análise da certeza e liquidez dos créditos pleiteados nos Pedidos Especiais de Ressarcimento, definindo sua validade, ou seja, determina que a autoridade analise os aspectos materiais do crédito tributário pleiteado, que nada mais são do que os dados objetivos do fato gerador. Fl. 18804DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.805 4 Com base na argumentação acima, o Delegado poderia autorizar a retificação dos Pedidos de Ressarcimento de modo a desmembrálos em outros Pedidos do 3º trimestre de 2010, do 4º trimestre de 2010, e do 1º trimestre de 2011, sem qualquer alteração do valor total solicitado pela impugnante. O indeferimento do PER não observou o próprio exercício regular do direito e a boa fé do contribuinte e a segurança das normas jurídicas. Cabe ao fisco analisar os processos observando os princípios da finalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, como também, a adequação entre os meios e fins adotados e a interpretação da norma da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, sob pena de violação aos artigos art. 2o, caput e parágrafo único, incisos I, VI, IX e XIII e art. 69 da Lei no 9.784/99. Cita o art. 112 do CTN e o acórdão do CARF no processo 11516.000636/200823 que entendeu pela possibilidade de reconhecimento do crédito extemporâneo. A legislação não define insumo para fins de creditamento das contribuições. Na definição de insumos se enquadraria tudo aquilo que está relacionado com a produção do bens e serviços. O objetivo da não cumulatividade é evitar a incidência em cascata de tributos e este somente será alcançado se os créditos abrangerem as despesas necessárias à consecução das atividades do contribuinte. Cita os acórdãos no 930301.035 e 320200266 do CARF com entendimento de que em relação ao creditamento da não cumulatividade o legislador considera insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. A fiscalização equivocouse ao partir da premissa de que a contribuinte somente teria atividade de produção de chapas de aço. Especificamente quanto às glosas efetuadas a interessada afirma que: a) Glosa relativa a serviços utilizados como insumos (anexo 12) A contribuinte reconhece que os seguintes serviços não atendem aos requisitos para gerar crédito: fornecimento de mãodeobra; operação de almoxarifado; diário e semanal, pintura, reforma controle de acesso, transferência/movimentação de máquinas, terraplanagem, pavimentação concreto, frete interestadual, abastecimento, comboio, consultoria e assessoria, drenagem execução e finalização. Glosa da análise técnica esta se relaciona com a produção de semiacabados de aço. A interessada descreve a necessidade dos itens glosados por fornecedor. Glosa de soldador tratase de manutenção da coqueria. Glosa de dragagem o serviço tem o objetivo de proporcionar o desassoreamento do leito marinho para a manutenção da profundidade do porto por onde é recebida grande parte da matériaprima da contribuinte. Glosa de serviços portuários este insumo está ligado à questão ambiental, no que tange à logística de transporte de resíduos e esgoto do porto, bem como análise da água. Glosa de serviços pagos à Stahlog Soluções tratase de serviço que contempla o planejamento e as operações de descarga de graneis sólidos importados por via Fl. 18805DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.806 5 marítima, principalmente carvão, e o carregamento para navio das placas de aço destinadas à exportação. Glosa de manutenção são imprescindíveis à atividade da contribuinte. Glosa de frete decorrem do fornecimento de matériasprimas para a produção de aço. Glosa de serviço especializado de corte/montagem de chapas, este é parte da produção. Glosa de escória sintética, tratase de serviço de transporte de escória para o distribuidor. Glosa de gerenciamento e transporte de escória, tratase de operação dos equipamentos que granulam e tratam a escória do altoforno para envio à Votorantim. Glosa de Contrato de Uso do Sistema de transmissão tratase de tarifa para custeio do sistema de transmissão da rede elétrica, necessário na aquisição e venda de energia elétrica e não repassado ao consumidor. A administração, operação e exploração de uma usina termoelétrica, bem como a geração, transmissão, distribuição, comercialização de energia elétrica são atividades da contribuinte, presente em seu objeto social. b) Glosa relativa a despesas de alugueis de máquinas e de equipamentos de pessoa jurídica (anexo 14) A contribuinte reconhece que o aluguel de container, não atende aos requisitos para configuração como insumo por pertencer ao setor administrativo. Glosa de locação de máquina/equipamento – máquinas e equipamentos são alugados diariamente, para a realização de diversos serviços. A fiscalização não esclarece a razão da glosa. Glosa de locação de tenda – objetiva evitar a exposição da matériaprima a intempéries. Glosa de locação de caminhão – podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos o a via do KIROW (carro das panelas do gusa) e na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. Glosa de leasing de computador – destinamse a realização de tarefas produtivas. Glosa de locação de meio de transporte – os caminhões podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos o a via do KIROW (carro das panelas do gusa) e na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. Glosa de locação de caminhão pipa os caminhões podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos o a via do KIROW (carro das panelas do gusa) Glosa de locação de caminhão vácuo os caminhões são utilizados na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. São essenciais para a remoção de Fl. 18806DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.807 6 fluidos que se acumulam na tubulação e diretamente ligados à atividade da contribuinte. Glosa de locação de caminhão Hidrojet – tratase de aluguel de caminhões utilizados na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. c) Glosa relativa a Bens do Ativo Imobilizado (anexo 18) A Planta do RH é o local em que ocorre o processo físico da lenta liberação de gases quando presos, de materiais congelados, absorventes ou adsorventes. Em relação aos demais itens glosados, o conceito de insumo abrange o bem ou serviço ter sido utilizado ainda que de forma indireta na atividade de fabricação do produto. d) Glosa relativa a Outras Operações com Direito a Crédito (anexo 23) A interessada reconhece que os serviços de instalação e montagem, serviços de construção civil, serviços de consultoria/inspeção, manutenção, instalações/reformas e supervisão, montagem e mecânica, não atendem aos requisitos para gerar crédito. Glosa de manutenção de máquinas e equipamentos visam evitar a interrupção da produção. Glosa de manutenção preventiva das bolas de sinalização do porto que indicam a zona de manobra – grande parte da matériaprima chegam pelo porto, e também, a produção é escoada pelo porto. Glosa de massa rubinit vk 3 e de argamassa refratária – tratase de insumo refratário, material capaz de suportar altas temperaturas sem deformar. Encerra a manifestação tratando do princípio da verdade material e requerendo o apensamento dos 4 processos administrativos que originaram os despachos decisórios, e a suspensão do crédito tributário. Verificando não se acharem ainda reunidos todos os elementos necessários para formação da convicção acerca da matéria descrita nos autos, a fim de dirimir a controvérsia e preservar o contraditório e a ampla defesa, com fundamento no artigo 29 do Decreto no 70.235/1972, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 12.000.274 (fls. 18.326/18.333) para que, com base na escrituração contábil/fiscal e documentação comprobatória, a unidade de origem prestasse as informações e documentação lá citadas. Em resposta a fiscalização elaborou termo de diligência (fls. 18.609/18.624) nos seguintes termos: 1. Atividade exercida pela interessada Verificar se a interessada exerce, de fato, atividade de administração, operação e exploração de uma usina termoelétrica, bem como a geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e se auferiu receitas desta atividade; Informar se a interessada também utiliza a energia adquirida/produzida em sua atividade; Fl. 18807DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.808 7 Com base na resposta da interessada, fica claro que ela, efetivamente, possui uma usina termoelétrica e se vale de toda a sua produção energética a fim de conseguir a sua meta que é a produção de chapas de aço. Em fato, quando se trata do ramo de siderurgia, via de regra, há que se ter no parque industrial, a presença de dispositivos de geração de energia própria e autônoma. Sem essa geração energética independente, a produção se torna praticamente impossível de ser alcançada a preços competitivos no mercado (nacional e/ou internacional). 2. Serviços utilizados como insumos a) Quanto aos itens soldador e manutenção Informar se os itens acima estão relacionados à manutenção da coqueria e das máquinas diretamente utilizadas no processo produtivo ou na prestação de serviços de energia elétrica (se for o caso). Esclarecimentos transcritos da documentação apresentada “O item de soldador está relacionado ao processo de soldagem de arco elétrico, sobre a qual se faz o acréscimo ou não de um metal de adição. No que se refere à manutenção, a mesma está relacionada à coqueria, máquinas e tubulações diretamente utilizadas no processo produtivo. Os serviços de manutenção prestados pela Bosch são utilizados para consertos e instalações e troca de peças de reposição em máquinas, enquanto que os prestados pela Mec In Service servem para manutenção mecânica e eletromagnética, essenciais para geração de energia elétrica.” b) Quanto aos itens fretes, escoria sintética para o distribuidor, gerenciamento e transporte de escoria A interessada informa que os itens acima são relativos a frete. Esclarecer se os itens glosados referemse a transporte interno, à frete na operação de venda, suportado pela empresa vendedora ou a frete pago na aquisição de matéria prima, suportado pelo comprador. Caso se refira à última hipótese, informar se o frete integrou o valor do custo de aquisição para fins de apuração do crédito de nãocumulatividade. Caso, os itens glosados não se enquadrem em nenhuma das hipóteses citadas, esclarecer sua aplicação; Esclarecimentos transcritos da documentação apresentada “Os fretes que resultaram em tomada de crédito são os pagos, quando decorrentes exclusivamente para a aquisição de matériaprima. A escória sintética para o distribuidor é uma cobertura refratária aplicada no distribuidor para que o mesmo aguente a carga metálica de aço fundido sem danos, bem como para manter a temperatura e qualidade do aço neste ponto final do processo. Fl. 18808DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.809 8 O distribuidor é parte do maquinário de lingotamento contínuo, que transforma o aço líquido em uma placa de aço, produto final da TKCSA. O gerenciamento e transporte de escória é o serviço de adequação da escória que sai do altoforno para o uso por parte da Votorantim, possibilitando a venda desta escória. Exclusivamente nos fretes pagos na aquisição da matériaprima, o frete integra o valor de custo de aquisição para fins de apuração do crédito de não cumulatividade.” c) Quanto ao item Contrato de Uso do Sistema de Transmissão Anexar cópia do Contrato de Uso do Sistema de Transmissão; Caso tais despesas estejam relacionadas tanto à prestação de serviço de energia quanto ao uso da energia pela interessada, discriminar e quantificar as parcelas respectivas; Esclarecimentos transcritos da documentação apresentada “Os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão e Termos Aditivos, bem como planilha de despesas relacionadas tanto à prestação de serviço de energia quanto ao uso da energia pela interessada, se encontram discriminadas e com quantificação das parcelas respectivas, com os encargos devidos, conforme abaixo: Os contratos CUST 011/2010 e CUST 038/2010 referemse à exportação de energia para a rede, cujos valores pagos encontramse na tabela a seguir. Os contratos CUST 016/2011 e CUST RC 010/2011 referemse ao atendimento à carga da TKCSA pela rede, cujos valores pagos encontramse na tabela a seguir .” Caso a interessada comercialize energia, discriminar e quantificar mensalmente as parcelas, que compõem os encargos devidos tais como: a. Pagamento às CONCESSIONÁRIAS DE TRANSMISSÃO pela prestação dos SERVIÇOS DE TRANSMISSÃO, mediante controle e supervisão do ONS, especificados nos CONTRA TOS DE PREST AÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSMISSÃO CPST; Fl. 18809DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.810 9 b. Pagamento ao ONS pelos serviços por ele prestados, c. Pagamento às CONCESSIONÁRIAS DE TRANSMISSÃO por eventuais ultrapassagens do MONTANTE DE USO contratado; Os valores referemse à ultrapassagem de demanda para suprimento à carga da TKCSA pela rede no ano de 2011. Não houve ultrapassagem de demanda para exportação de energia para a rede:” d. Pagamento às CONCESSIONÁRIAS DE TRANSMISSÃO por eventuais SOBRECARGAS em suas instalações e equipamentos. Fl. 18810DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.811 10 “Não foram verificadas sobrecargas nos equipamentos associados à conexão da TKCSA com a rede.” e. Pagamento por eventuais reduções onerosas dos MONTANTES DE USO contratados. “Não houve pagamento por reduções onerosas no montante de uso contratado no período.” f. Recolhimento à CONCESSIONÁRIA DE TRANSMISSÃO à qual está conectada das quotas de rateio da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis – CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE e das quotas de custeio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica – PROINFA. “Os pagamentos com encargos setoriais foram efetuados em 2011 e estão discriminados na tabela abaixo. O pagamento das quotas da CCC, CDE e PROINFA é realizado para a Eletrobrás Furnas (concessionária acessada pela rede).” g. Pagamento da parcela de ineficiência por sobrecontratação, esta apurada mensalmente e paga anualmente. O pagamento desta parcela não se aplica aos contratos da TKCSA. Conclusão desta fiscalização: Cópias dos contratos foram apresentadas e juntadas ao presente processo, entretanto, os comprovantes dos pagamentos efetuados, que constam das diversas planilhas, simplesmente não foram apresentados pela interessada. 3. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos de PJ Considerando que a legislação permite a apuração de crédito de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa esclarecer a razão da glosa dos itens relacionados no ANEXO 14, discriminando por fornecedor o serviço prestado e o fundamento da glosa. A fiscalização informa que: As glosas ocorreram em função das notas terem descrições superficiais e não tinham correlação e/ou necessidade direta com a atividade da empresa (produção de chapas de aço para exportação). Fl. 18811DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.812 11 No intuito de esclarecer mais a situação, a fiscalização elaborou uma planilha de amostragem composta das notas fiscais de maiores valores de cada um dos trinta fornecedores de equipamentos e máquinas de locação. A fiscalizada apresentou cópias de todas as notas da supracitada amostragem. Tais cópias também foram anexadas ao presente processo. Da análise das referidas cópias de notas podemos constatar que inúmeras delas referemse a aluguel de veículos e tal creditação não é permitida. Elaboramos um quadro discriminando, por trimestre, as notas a terem as suas glosas mantidas e o juntamos ao presente processo. Ali verificamos que no segundo trimestre de 2011, esta fiscalização propõe que sejam mantidos R$ 3.106.113,79 em glosas e, no terceiro trimestre de 2011, sejam mantidas R$ 3.342.743,00. Nos dois trimestres, o somatório de glosas que propomos a manutenção é o de R$ 6.448.856,79. Juntamos ainda um outro quadro que discrimina, por empresa locadora, as glosas às quais propomos a sua manutenção. Nessa toada, propomos que, revertendo as glosas anteriormente praticadas, sejam consideradas as locações praticadas pela interessada, no montante de R$ 1.679.159,54. Conforme notas fiscais solicitadas, tratamse efetivamente de máquinas e equipamentos (previsão legal). Juntamos ainda um quadro que, a juízo desta fiscalização, resume as notas fiscais passíveis de creditação. Ali verificamos os montantes de R$ 1.188.463,25 e de R$ 490.696,29 que correspondem, respectivamente, ao segundo e ao terceiro trimestres de 2011. A situação se resume no seguinte: 4. Bens do Ativo Imobilizado Considerando que a lei permite a apuração de crédito calculado em relação a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, esclarecer a razão da glosa dos itens relacionados no anexo 18 e informar se os itens estão relacionados à atividade da empresa, independentemente de estar vinculado à produção. Listar os itens edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros separadamente dos itens máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. A fiscalização esclarece que os itens glosados podem estar relacionados à empresa, entretanto, não se acham vinculados à sua atividade (produção de chapas de aço) Apresenta lista às fls. 18.621/18.622 Fl. 18812DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.813 12 5. Outras Operações com direito a crédito Em relação ao item Manutenção de máquinas e equipamentos Informar se o item acima está relacionado à manutenção das máquinas e equipamentos diretamente utilizadas no processo produtivo ou na prestação de serviços; O contribuinte informou em relação ao item manutenção de máquinas e equipamentos deste tópico, que insta esclarecer que os mesmos estão relacionados com o processo produtivo, conforme explicações detalhadamente expostas na manifestação de inconformidade. Informar se os itens massa rubunit VK 3 e de argamassa refratária foram diretamente utilizadas no processo produtivo ou na prestação de serviços. Por fim, convém informar que o insumo de refratário foi utilizado diretamente no alto forno, ou seja, no processo produtivo da TKCSA. A interessada foi cientificada do resultado de diligência para, se quiser, aditar a defesa e apresentou o aditamento (fls. 18.679/18.706), alegando em síntese: A DRJ deve analisar o indeferimento parcial dos créditos sob dois aspectos: Aspecto Formal e Aspecto Material. Quanto ao aspecto formal, a manifestante incluiu no PER do 2º trimestre de 2011, dos créditos apurados no período de setembro/2010 a março/2011, foi legal vez que a transmissão da EFD ocorreu somente em abril/2011. Antes do indeferimento parcial, a manifestante ingressou com pedido de desmembramento do PER do 2º trimestre de 2011. Não foi analisado o pedido de desmembramento protocolado na DEMAC em 10/08/2012 esclarecendo a legalidade do procedimento e pleiteando retificação por meio do desmembramento do PER do 2º trimestre de 2011 que incluiu créditos do período de setembro/2010 a março/2011. A administração pública deve observar os princípios previstos no art. 2º §único, incisos I, VI, IX, XIII e art. 69 da Lei no 9.784/99. O art. 7º, caput da IN 1060/2020 que regulamentou a Portaria MF 348/2010 que a dispõe que a retificação do PER é possível após análise da admissibilidade da retificação pela autoridade competente. A intenção da Portaria MF nº 348/2010 é direcionar a fiscalização para o aspecto material dos Pedidos Especiais de Ressarcimento, estabelecendo como parâmetro para eventual indeferimento do pedido, apenas a irregularidade quanto aos créditos solicitados. Por aplicação do princípio da verdade material é saber se os créditos existem ou não, analisando os aspectos materiais. Apenas se detectada eventual irregularidade apenas em seu aspecto material é que caberá a adoção dos dispositivos previstos no §2o, incisos I e II do art. 3o da Portaria MF no 348/2010, que visam restringir o pagamento do restante dos valores pleiteados. Fl. 18813DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.814 13 O indeferimento do PER não observou o próprio exercício regular do direito e a boafé do contribuinte e a segurança das normas jurídicas. Cita o art. 112 do CTN e o acórdão do CARF no processo 11516.000636/200823 que entendeu pela possibilidade de reconhecimento do crédito extemporâneo. Em relação ao aspecto material, notase que após a diligência, o fiscal concorda com diversas premissas equivocadas em seu relatório inicial. Tanto o exercício da atividade de administração, operação e exploração de uma usina termoelétrica, bem como a geração, transmissão, distribuição, comercialização de energia elétrica quanto à utilização da energia adquirida foram verificados e comprovados pelo Auditor Fiscal, nos termos descritos na página 5 do Relatório de Diligência. No que concerne ao item 2c contrariamente à afirmação da fiscalização contida na página 8 do relatório de diligência no sentido de ter deixado de apresentar os comprovantes de pagamentos efetuados reitera a manifestante que cumpriu a risca os termos previstos no Termo de Intimação 2, e prestou todas as informações solicitadas. O Auditor Fiscal confirma que os itens massa rubunit VK3 e de argamassa refratária foram diretamente utilizados no processo produtivo. Em relação ao item aluguel de máquinas e equipamentos, a Solução de Consulta citada trata de não creditamento de veículos por pessoa jurídica que possui atividade de comercialização de eletrônicos. Os caminhões da Costa Verde, por exemplo, possuem diversas funções. Podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos ou a via do Kirow (carro das panelas do gusa). Alguns são inclusive utilizados na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. No que tange aos bens do ativo imobilizado glosados, a interessada esclarece o item planta do RH e alega que todas as glosas são despesas necessárias às atividades da manifestante, ainda que não estejam diretamente ligadas à produção de aço. Em relação às outras operações com direito ao creditamento, insta ressaltar que o auditor ignorou tal ponto, razão pela qual reiteramos as alegações da manifestação de inconformidade. Tendo em vista a decisão da DRJ o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário visando reformar a referida. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1273.825 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. Fl. 18814DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.815 14 O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. DIVERSOS PERÍODOS. IMPOSSIBILIDADE O pedido de ressarcimento deverá referirse a um único trimestrecalendário; e ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestrecalendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. PER. DECISÃO DEFINITIVA. É definitiva a decisão da autoridade administrativa que indeferir pedido de retificação ou cancelamento. INSUMOS. CREDITO. CONCEITO. NÃO CUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Somente são considerados como insumo, gerando direito a crédito, observados os demais requisitos normativos e legais, os serviços de manutenção realizados em máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo, assim entendida, a atividade de prestação de serviço e de produção ou fabricação de bens destinados à venda. FRETE. AQUISIÇÃO INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. O frete na aquisição de insumos para produção gera credito uma vez que integra o custo de aquisição do bem. TRANSPORTE INTERNO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não gera crédito de não cumulatividade o transporte interno de insumos ou equipamentos da produção, por não se configurar como insumo na produção. ENERGIA ELETRICA. TUST. CREDITO. IMPOSSIBILIDADE – A tarifa paga pela utilização do sistema de transmissão para as produtoras independentes de Fl. 18815DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.816 15 energia não geram crédito de energia elétrica porque não insumos aplicados na produção de energia. ENERGIA ELETRICA. TUST. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A tarifa paga pela utilização do sistema de transmissão para as autoprodutoras de energia geram crédito de energia elétrica em relação à energia consumida porque compõe o seu custo. ALUGUEL DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO E VEÍCULOS. Os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa geram crédito de nãocumulatividade, não havendo restrição a que o aluguel se refira a bens utilizados no processo produtivo. Não há previsão legal para cálculo do crédito em relação ao aluguel de veículos por não se incluírem no conceito de máquinas e equipamentos. LEASING. DIREITO A CRÉDITO Gera direito a crédito de nãocumulatividade o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. Geram direito a crédito a despesa de depreciação ou amortização de edificações e benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, inclusive abrangendo os bens da área administrativa e comercial. APROPRIAÇÃO ACELERADA DE CRÉDITOS. As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. MAQUINAS EQUIPAMENTOS IMOBILIZADO Pode ser apurado crédito em relação à amortização e depreciação de maquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acórdão Acordam os membros da 16ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte manifestação de inconformidade, para: não conhecer quanto ao pedido de retificação do Pedido de Ressarcimento; reconhecer o direito creditório no valor de R$ 82.327,79, DEFERIR parcialmente o pedido de ressarcimento. Como já visto no Relatório o presente processo trata de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) referente a créditos de PIS nãocumulativo – Exportação, apurados 2º trimestre de 2011, vinculados à Receita de Exportação (art. 5º da Lei nº 10.637/2002), fundado em Procedimento Especial de Ressarcimento, instituído por meio da Portaria MF nº 348/2010 e Fl. 18816DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.817 16 alterada pela Portaria MF nº 260/2011 e Portaria MF nº 131 /2012 e regulamentada pela IN RFB nº 1.060/2010. Do valor total de R$ 28.994.759,02, do PER nº 24079.57102.141111.1.1.08 9235, deferiuse a antecipação do pagamento de 50% no montante de R$ 14.497.379,96 constante no processo nº 16682.721182/201125, apenso ao presente. No presente processo, a DEMAC por intermédio do Parecer 094/2013, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento com o reconhecimento de crédito no valor de R$ 12.571.361,55, tendo o valor pago antecipadamente compensado de ofício e a diferença com a exigibilidade suspensa pela interposição da Manifestação de Inconformidade. Percebese assim, com o deferimento parcial do pedido de ressarcimento, uma diferença no valor de R$ 1.926.018,41, parte indeferida resultante das glosas efetuadas pela Autoridade Administrativa Fiscal. Salientase que a 16ª Turma da DRJ/RJO, antes do julgado ora recorrido, converteu o julgamento em diligência à DEMAC/RJO para que se verificasse a atividade exercida pelo Contribuinte, os serviços utilizados como insumos, as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos, os bens do ativo imobilizado e outras operações com direito a crédito. No Termo de Diligência verificase que algumas glosas inicialmente feitas foram retificadas com o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 82.327,79. No Recurso Voluntário o Contribuinte aduz, em preliminar, a questão do aspecto formal e material de inclusão de créditos no PER de créditos extemporâneos. Assim expõe (fls. 18771 a 18779): QUESTÃO PRELIMINAR ASPECTO FORMAL DE INCLUSÃO DE CRÉDITOS NO PER 19. Como já destacado ao longo do processo, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER n.o 24079.57102.141111.1.1.089235), no montante de R$ 28.994.759,02, referente a créditos de PIS não cumulativo – Exportação, apurados no 2o Trimestre de 2011, se dividiu em duas partes: (i) Créditos Tributários Extemporâneos de PIS, referentes ao período de set/2010 a mar/2011; (ii) Créditos Tributários de PIS, referentes ao período de abr/2011 a jun/2011, conforme o quadro abaixo: Crédito Abril/11 (R$) Maio/11 (R$) Junho/11(R$) Total PIS Exportação 19.485.471,93 14.895.256,64 (Set/10 a Mar/11) 4.429.453,86 (Abr/11) 4.789.097,76 5.226.72,15 4.880.951,66 (Jun/11) 29.501.301,84 Fl. 18817DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.818 17 PIS Dedução 160.761,43 345.780,49 28.994.759,02 20. Em outras palavras, do montante de R$ 28.994.759,02 (incluído no PER), o valor de R$ 14.099.503,28 (R$ 4.429.453,86 + R$ 4.789.097,76 + R$ 4.880.951,66) se referiu ao 2o trimestre de 2011, enquanto que o valor de R$ 14.895.256,64 se referiu a créditos extemporâneos do período de set/2010 a mar/2011. 21. No que se refere ao montante de R$ 14.895.256,64, relativo aos créditos extemporâneos, a DRJ manteve a glosa feita pela fiscalização da DEMAC, por entender que o Pedido Eletrônico de Ressarcimento deveria se referir a um único trimestrecalendário, por força do art. 28, §2o, I da IN RFB n.o 900/2008, não adentrando na validade ou não dos créditos do período de set/2010 a mar/2011, ou seja, o indeferimento desta parte no PER se deu apenas em relação ao seu Aspecto Formal. EQUIVOCADA APLICAÇÃO DA NORMA GERAL EM DETRIMENTO DE NORMAS ESPECÍFICAS 22. Importante destacar que a 16a Turma da DRJ apesar de ter aplicado a norma geral disposta na IN RFB n.o 900/2008, não observou norma mais específica, na qual o processamento do PER deveria observar a ordem cronológica da Escrituração Fiscal Digital EFD PIS/COFINS, instituída pela Instrução Normativa RFB n.o 1.052, de 05 de julho de 2010, verbis: INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB o 1.052/2010. PIS Apurado 4.367.628,71 4.555.350,19 4.467.643,46 PIS Desconto 386.237,89 350.695,14 PIS Ressarcido 3.981.390,82 4.204.655,05 4.467.643,46 12.653.689 ,34 Fl. 18818DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.819 18 Art.5º A O processamento das PER/DCOMP, relativas a créditos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, observará a ordem cronológica de entrega das EFDPIS/COFINS, transmitidas antes do prazo estabelecido no §1o do art. 5o. (incluído pela Instrução Normativa RFB n.o 1.161, de 31 de maio de 2011) Art. 6º A apresentação da EFDPIS/COFINS, nos termos desta Instrução Normativa, e do Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), definido em Ato Declaratório Executivo (ADE), editado com base no art. 9o, dispensa, em relação aos arquivos correspondentes, a exigência contida na Instrução Normativa SRF n.o 86, de 22 de outubro de 2011 (redação dada pela Instrução Normativa RFB n.o 1.161, de 31 de maio de 2011). Art. 9º Incumbe ao CoordenadorGeral de Fiscalização estabelecer em relação à EFDPIS/COFINS, mediante Ato Declaratório Executivo (ADE): I – a forma de apresentação, documentação de acompanhamento e especificações técnicas do arquivo digital; II – as tabelas de códigos internas, referenciadas no leiaute da escrituração; e III – as regras de validação, aplicáveis aos campos e registros do arquivo digital. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO COFIS N.o 34/2010. Art. 1 o Fica aprovado o Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) – EFD PIS/COFINS, nos termos do Anexo Único. Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) – EFD PIS/COFINS 54. O que é uma operação extemporânea? Operação extemporânea corresponde a um fato gerador de crédito que está sendo escriturado em período posterior ao de referência do crédito. A definição ou classificação quanto à extemporaneidade tem correlação com a data de competência do crédito e não com a data da aquisição ou da emissão de nota fiscal. Por exemplo: caso uma empresa que adote o método da apropriação direta adquira um insumo em janeiro e o produto adquirido só venha a configurar o direito á crédito, pelo método da apropriação direta, em abril, deve ser regularmente informada a aquisição na escrituração de abril, no Bloco C, com o CST representativo de crédito do período (50 a 56). Agora, se o crédito da aquisição de janeiro é de competência de abril, mas a empresa não escriturou em abril e sim em maio, estaria então configurada a situação de extemporaneidade. Fl. 18819DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.820 19 55. Como informar um crédito extemporâneo na EFD PIS/COFINS? O crédito extemporâneo deverá ser informado, preferencialmente, mediante a retificação da escrituração cujo período se refere o crédito. No entanto, se a retificação não for possível, devido ao prazo previsto na Instrução Normativa n.o 1.052, de 2010, a PJ deverá detalhar suas operações através dos registros 1100/1101 (PIS) e 1500/1501 (COFINS). 23. Tratase, portanto, de conflito aparente de normas (art. 28, §2o, I da IN RFB n.o 900/2008 x artigos 5oA, 6o e 9o, inciso III, da IN RFB n.o 1.052, de 05 de julho de 2010 c/c art. 1o do Ato Declaratório Executivo COFIS n.o 34/2010 c/c itens 54 e 55 do Manual de Orientação do Leiaute da Escrituração Fiscal Digital da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) – EFD PIS/COFINS), no qual o CARF deverá se pronunciar para o caso em tela. 24. Isto porque, a Recorrente antecipou sua obrigação fiscal, registrou seus dados fiscais por meio da Escrituração Fiscal Digital EFD PIS/COFINS e entregoua em abril/2011 e, como consequência cronológica e óbvia, especialmente em obrigatoriedade às normas específicas acima citadas, entregou o PER/DCOMP na mesma ordem cronológica sequencial, ou seja, referente ao 2o Trimestre de 2011, registrando os créditos extemporâneos do período de setembro/2010 a março/2011, na EFD PIS/COFINS de abril/2011, e, como consequência lógica, no PER/DCOMP referente ao 2o trimestre de 2011 (abril/junho), conforme orientação da própria Receita Federal do Brasil. 25. E mais. O próprio Ministério da Fazenda, ao editar a Portaria MF n.o 348/2010, permitiu a inclusão de créditos de operação extemporânea, apurados a partir de abril/2010, por força do disposto no art. 5o da Portaria MF n.o 348/2010 (depois alterado pela Portaria MF n.o 260, de 24 de maio de 2011, que permitiu que os créditos apurados fossem a partir de janeiro/2009), verbis: PORTARIA MF o 348, DE 16 DE JUNHO DE 2010. Art. 5 o O disposto nesta Portaria aplicase aos Pedidos de Ressarcimento relativos aos créditos apurados a partir de 1o de abril de 2010. PORTARIA MF o 260, DE 24 DE MAIO DE 2011. Art. 5 o O disposto nesta Portaria aplicase aos Pedidos de Ressarcimento relativos aos créditos apurados a partir de 1o de janeiro de 2009, ressalvados aqueles pedidos cujos períodos de apuração estejam incluídos em procedimento fiscal para identificação e apuração de créditos de ressarcimento (redação dada pela Portaria MF n.o 260, de 24 de maio de 2011). 26. Ao se manter o entendimento adotado pela 16a Turma da DRJ, a Receita Federal do Brasil não só deixará de observar as normas mais específicas do Procedimento Especial de Ressarcimento, como também não trará nenhum sentido à possibilidade de se pleitear créditos extemporâneos (apurados a partir de 2009 que são permitidos pela Portaria MF n.o 348/2010, alterada pela Portaria MF n.o 260/2011), já que os PER, segundo a lógica equivocada do acórdão, não seguiriam a mesma ordem cronológica da Entrega da EFD PIS COFINS. Fl. 18820DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.821 20 FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO COM BASE NAS ORIENTAÇÕES RECENTES DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INTERPRETAÇÃO MAIS FAVORÁVEL E BOAFÉ DO CONTRIBUINTE SEGURANÇA JURÍDICA E PROTEÇÃO DA CONFIANÇA LEGÍTIMA 27. Além disso, convém esclarecer que a fundamentação utilizada no acórdão, acerca da orientação de como se proceder para informar um crédito extemporâneo, especialmente retificando a DACON, não pode ser aplicada ao caso em concreto, já que tais orientações são bem mais recentes (sob a vigência da IN RFB n.o 1.252/2012 – EFD Contribuições), ou seja, com o passar do tempo e após o caso concreto, a Receita Federal do Brasil aprimorouas, razão pela qual foi pleiteada a aplicação da interpretação mais favorável ao contribuinte (art. 112 do CTN), rechaçada equivocadamente pela DRJ. 28. Ademais, tratase do primeiro Procedimento Especial de Ressarcimento analisado pela Delegacia Especial de Maiores Contribuintes do Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, onde as normas específicas sobre tal procedimento ainda estavam sendo amadurecidas pela própria fiscalização, quiçá pelos contribuintes, devendo ser aplicado ao caso concreto também os princípios tributários da boafé, da segurança das normas jurídicas e da proteção da confiança legítima. DECISÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS POSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS NO PEDIDO DE RESSARCIMENTO RELATIVO A UM ÚNICO TRIMESTRE 29. Por fim, apesar da DRJ absurdamente constatar que em caso semelhante (processo n.o 11516.000636/200823 – Conselheiro Relator: Flávio de Castro Pontes – Julgamento: 20/03/2013) o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, através da 1a Turma Especial da 3a Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, acertadamente admitiu a possibilidade de inclusão de créditos extemporâneos no Pedido de Ressarcimento relativo a um único trimestre, destacando que o mero erro formal não inviabiliza o direito do contribuinte de ter os seus créditos extemporâneos reconhecidos pela administração fazendária, inclusive, alertando que a Fazenda Nacional não pode enriquecer ilicitamente, preferiu sair pela tangente no caso em tela, apenas esclarecendo que as decisões do CARF não vinculam a Administração. 30. Todavia, como bem ressaltou o CARF, na referida decisão, “a limitação do Pedido de Ressarcimento a um único trimestre é inválida, pois os atos normativos do Poder Público não podem restringir os direitos legalmente garantidos, excedendo o conteúdo legal, ainda mais quando não haja um motivo razoável para tanto.” 31. Dessa forma, seja pela aplicação da norma jurídica mais específica, seja pela interpretação mais favorável ao contribuinte, seja pela aplicação dos princípios tributários, seja pelo posicionamento do CARF, totalmente insubsistente o indeferimento do PER, no valor de R$ 14.895.256,64 que se referiu a créditos extemporâneos do período de set/2010 a mar/2011. PEDIDO DE DESMEMBRAMENTO DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS 32. Diante de todo o exposto, insta ressaltar que apesar da 16a Turma da DRJ destacar que não é possível em sede de manifestação de inconformidade a análise do pedido de desmembramento/retificação do PER, especialmente, na parte relativa aos créditos extemporâneos, por força do atual art. 78 da IN RFB n.o 1.300/2012 (antigo Fl. 18821DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.822 21 art. 67 da IN RFB n.o 900/2008), o mesmo era perfeitamente viável à época, já que o pedido não analisado pela DEMAC, foi protocolado em 10/08/2012, antes, portanto, da decisão definitiva de indeferimento parcial do PER, pela aplicação da interpretação lógicosistemática dos dispositivos legais supra citados cumulados com artigos 57, 77 e 95 da IN RFB n.o 900/2008 (atuais artigos 69, 88 e 107 da IN RFB n.o 1300/2012) c/c artigos 2o, caput, Parágrafo Único, incisos I, VI, IX e XIII e 69 da Lei Federal n.o 9.784/99. 33. Isto porque, como tais créditos sequer foram analisados em seu mérito, ou seja, se são válidos ou não em seu aspecto material, jamais a RFB poderia se opor a tal análise, especialmente diante da aplicação do princípio tributário da verdade material, razão pela qual o mais adequado seria o afastamento do indeferimento do PER (no que se refere aos créditos extemporâneos = R$ 14.895.256,64), permitindo que a DEMAC/RJ verifique a procedência de tais créditos, reconhecendoos ou não. 34. Nunca é demais ressaltar que a inclusão do crédito extemporâneo foi um procedimento legal, vez que a transmissão da EFD PIS/COFINS (requisito obrigatório previsto no art. 2o, inciso III da Portaria MF n.o 348/2010) ocorreu somente em abril/2011, seguindo as regras dispostas nos artigos 5oA, 6o e 9o, inciso III, da Instrução Normativa RFB n.o 1.052, de 05 de julho de 2010 (em vigor à época), bem como o Ato Declaratório Executivo COFIS n.o n.o 34, de 28 de setembro de 2010 (alterado pelo ADE COFIS n.o 37/2010, pelo ADE COFIS n.o 11/2011, pelo ADE COFIS n.o 24/2011 e, posteriormente revogado pelo ADE COFIS n.o 20/2012), que, inclusive, permitia a inclusão dos créditos apurados a partir de janeiro/2009, conforme disposto no art. 1o, §1o, inciso II; art. art. 2o, inciso III; art. 3o, caput; 5o, todos da Portaria MF n.o 348/2010 (alterado pela Portaria MF n.o 260/2011) c/c artigos 7o, caput e 10 da IN RFB n.o 1.060/2010. 35. Assim, caberá ao CARF solucionar o conflito aparente de normas referente a divergência atinente unicamente a aspecto formal, para atendimento à interpretação literal e subsidiária do artigo 28, §2o, inciso I, da Instrução Normativa n.o 900/2008 (atualmente disposta no artigo 32, §2o da Instrução Normativa n.o 1.300/2012) entendida pela fiscalização, em ponderação à interpretação lógicosistemática e também subsidiária, ao disposto nos artigos 5oA, 6o e 9o, inciso III, da Instrução Normativa RFB n.o 1.052, de 05 de julho de 2010 e do Ato Declaratório Executivo COFIS n.o n.o 34, de 28 de setembro de 2010), além da aplicação do art. 1o, §1o, inciso II; art. art. 2o, inciso III; art. 3o, caput; 5o, todos da Portaria MF n.o 348/2010 (alterada pela Portaria MF n.o 260/2011) c/c artigos 7o, caput e 10 da IN RFB n.o 1.060/2010 c/c artigos 57, 77 e 95 da IN RFB n.o 900/2008 (atuais artigos 69, 88 e 107 da IN 1300/2012) c/c artigos 2o, caput, Parágrafo Único, incisos I, VI, IX e XIII e 69 da Lei Federal n.o 9.784/99 para análise dos aspectos materiais dos créditos extemporâneos contidos no PER. OBRIGATORIEDADE DE ANÁLISE DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL 36. Não bastasse o acima exposto, importante destacar que caberá à autoridade competente, VERIFICAR A PROCEDÊNCIA DA TOTALIDADE DO CRÉDITO SOLICITADO NO PERÍODO, ou seja, caberia à DEMAC analisar todo o crédito solicitado e não apenas rechaçálo em seu aspecto formal, até porque vige no direito tributário, o princípio da verdade material, que sob a ótica da Recorrente, se encontra em outras palavras, disposto no art. 3o, caput, da Portaria MF n.o 348/2010, verbis: Fl. 18822DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.823 22 Art. 3o Para efeito do pagamento do restante do valor solicitado no Pedido de Ressarcimento, a autoridade competente deverá verificar a procedência da totalidade do crédito solicitado no período. 37. Tratase, portanto, de norma que estabelece a necessidade da fiscalização aterse à análise da certeza e liquidez dos créditos pleiteados nos Pedidos Especiais de Ressarcimento, definindo sua validade, ou seja, determina que a autoridade fiscal analise os aspectos materiais do crédito tributário pleiteado, que nada mais são do que os dados objetivos do fato gerador. 38. A análise dos dispositivos acima mencionados deixa bem clara a intenção da Portaria MF n.o 348/2010 em direcionar a fiscalização para o aspecto material dos Pedidos Especiais de Ressarcimento, estabelecendo como parâmetro para eventual indeferimento do pedido, apenas a irregularidade quanto aos créditos solicitados. 39. Isto porque, questão primordial de interesse da fiscalização, até por aplicação do princípio da verdade material, é se saber se os créditos de PIS/COFINS existem ou não, ou seja, se o contribuinte tem ou não direito ao ressarcimento, analisando seus aspectos materiais e não buscar um eventual aspecto formal para fundamentar glosas. 40. Dessa forma, detectada eventual irregularidade apenas em seu aspecto material (invalidade e/ou não reconhecimento dos créditos pleiteados), é que caberá a adoção dos dispositivos previstos no §2o, incisos I e II do art. 3o da Portaria MF n.o 348/2010, que visam restringir o pagamento do restante dos valores pleiteados. 41. Isto porque, repitase, a ratio legis da Portaria MF n.o 348/2010, regulamentada pela Instrução Normativa RFB n.o 1060/2010, não foi outra senão estabelecer um procedimento de caráter especial e prioritário visando o incentivo, desoneração e estímulo das companhias exportadoras domiciliadas em nosso país, com o claro intuito de conferir competitividade às mesmas e auxiliálas nas enormes dificuldades enfrentadas no cenário de crise mundial e de taxa de câmbio extremamente desfavorável, pois que o setor de exportação foi o mais afetado pela valorização do Real. 42. Ultrapassada a questão preliminar da não análise pela DEMAC acerca do aspecto material dos créditos extemporâneos incluídos no PER do 2o Trimestre de 2011, referente ao período de set/2010 a março/2011, adentrase na glosa/indeferimento dos créditos temporâneos (abr/11 a jun/11). Com esses argumentos acima expostos sobre a questão dos créditos extemporâneos o Contribuinte requer na parte final do seu recurso: (ii) preliminarmente, seja cancelado o indeferimento parcial do PER, no valor de R$ 14.895.256,64, para nesta parte, converter o julgamento em diligência para que a DEMAC analise o Aspecto Material dos Créditos Extemporâneos do período de set/2010 a mar/2011, incluídos no PER do 2º Trimestre de 2011; (...) (iv) Por fim, requerse, por eventualidade, que seja deferida a realização diligência fiscal mesmo na sede deste Egrégio CARF, para que seja possibilitada a Fl. 18823DF CARF MF Processo nº 16682.720163/201262 Resolução nº 3301000.991 S3C3T1 Fl. 18.824 23 comprovação em questão diretamente em segundo grau, por apreço à economia processual e celeridade. Há que se notar que para o correto julgamento do presente processo, com o enfrentamento posterior da questão relacionadas às glosas, para evitar decisão ilíquida, voto por converter o julgamento em diligência para que: a) a autoridade de origem intime o Contribuinte para em 30 dias, prorrogável por mais 30 dias, apresentar a documentação necessária que comprove a existência de seu alegado crédito extemporâneo no período de setembro de 2010 a março de 2011 incluídos no PER do 2º trimestre de 2011; b) diante da análise da documentação, produza relatório circunstanciado; c) oferte ao contribuinte prazo de 30 dias para se manifestar acerca do relatório; e, d) devolva ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 18824DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.018698/2003-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS.
A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental
interesse para o desenvolvimento do Estado da Bahia consubstancia
subvenção para investimento, uma vez que: (i) a concessão de dilação de prazo para pagamento do ICMS, bem como de desconto na antecipação da parcela do ICMS incentivado, por meio da Lei nº 7.980/2001 e do Decreto nº 8.205/2002, tem o intuito de incrementar o investimento na indústria do Estado; (ii) o Decreto nº 8.205/2002 instituiu obrigações acessórias, de maneira a garantir que os recursos estatais fossem transferidos apenas às
pessoas jurídicas que investissem em seu parque industrial; (iii) consiste na contraprestação do contribuinte ao benefício concedido, pois o próprio investimento deve ser efetuado pelos beneficiários, e sua exigência de comprovação pode ser identificada no artigo 16 do Decreto nº 8.205/2002; e
diante (iv) da correta contabilização dos benefícios fiscais concedidos, não havendo qualquer menção ao descumprimento deste requisito pela própria Fiscalização.
Numero da decisão: 1201-000.616
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Guilherme Adolfo dos Santos Memndes
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado da Bahia consubstancia subvenção para investimento, uma vez que: (i) a concessão de dilação de prazo para pagamento do ICMS, bem como de desconto na antecipação da parcela do ICMS incentivado, por meio da Lei nº 7.980/2001 e do Decreto nº 8.205/2002, tem o intuito de incrementar o investimento na indústria do Estado; (ii) o Decreto nº 8.205/2002 instituiu obrigações acessórias, de maneira a garantir que os recursos estatais fossem transferidos apenas às pessoas jurídicas que investissem em seu parque industrial; (iii) consiste na contraprestação do contribuinte ao benefício concedido, pois o próprio investimento deve ser efetuado pelos beneficiários, e sua exigência de comprovação pode ser identificada no artigo 16 do Decreto nº 8.205/2002; e diante (iv) da correta contabilização dos benefícios fiscais concedidos, não havendo qualquer menção ao descumprimento deste requisito pela própria Fiscalização.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 19679.018698/2003-26
conteudo_id_s : 6056508
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1201-000.616
nome_arquivo_s : 120200616_10530723952200915_201110.pdf
nome_relator_s : Guilherme Adolfo dos Santos Memndes
nome_arquivo_pdf_s : 19679018698200326_6056508.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
id : 7539239
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145887285248
conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-31T13:52:12Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - AVP1202_10530723952200915; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: MVA; dcterms:created: 2011-10-31T13:52:12Z; Last-Modified: 2011-10-31T13:52:12Z; dcterms:modified: 2011-10-31T13:52:12Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - AVP1202_10530723952200915; Last-Save-Date: 2011-10-31T13:52:12Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-10-31T13:52:12Z; meta:save-date: 2011-10-31T13:52:12Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - AVP1202_10530723952200915; modified: 2011-10-31T13:52:12Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: MVA; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: MVA; meta:author: MVA; meta:creation-date: 2011-10-31T13:52:12Z; created: 2011-10-31T13:52:12Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2011-10-31T13:52:12Z; pdf:charsPerPage: 2183; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: MVA; producer: GPL Ghostscript 8.15; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 8.15; pdf:docinfo:created: 2011-10-31T13:52:12Z | Conteúdo => S1-C2T2 Fl. 2.954 1 2.953 S1-C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10530.723952/2009-15 Recurso nº 883.837 De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1202-000.616 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2011 Matéria IRPJ Recorrentes BELGO BEKAERT NORDESTE S/A FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado da Bahia consubstancia subvenção para investimento, uma vez que: (i) a concessão de dilação de prazo para pagamento do ICMS, bem como de desconto na antecipação da parcela do ICMS incentivado, por meio da Lei nº 7.980/2001 e do Decreto nº 8.205/2002, tem o intuito de incrementar o investimento na indústria do Estado; (ii) o Decreto nº 8.205/2002 instituiu obrigações acessórias, de maneira a garantir que os recursos estatais fossem transferidos apenas às pessoas jurídicas que investissem em seu parque industrial; (iii) consiste na contraprestação do contribuinte ao benefício concedido, pois o próprio investimento deve ser efetuado pelos beneficiários, e sua exigência de comprovação pode ser identificada no artigo 16 do Decreto nº 8.205/2002; e diante (iv) da correta contabilização dos benefícios fiscais concedidos, não havendo qualquer menção ao descumprimento deste requisito pela própria Fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho - Presidente Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.955 2 (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.956 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (“DRJ/SDR”), que julgou parcialmente procedente a Impugnação da Contribuinte, bem como de Recurso de Ofício que cancelou parte do Auto de Infração lavrado. Verifica-se dos autos (fls. 41/42) que, em 23/04/2009, a contribuinte recorrente foi intimada da lavratura do Termo de Início de Fiscalização, que requisitou a apresentação dos seguintes documentos relativos ao ano-calendário de 2006: Cópias de Resoluções emitidas pelo Governo do Estado da Bahia que tenham concedido o benefício fiscal referente ao ICMS instituído pelo Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia (DESENVOLVE) à Matriz e Filiais; - Livros de Apuração do ICMS; - Planilha explicativa com a apuração do ICMS, apuração do DESENVOLVE (diferimento), a antecipação do pagamento, desconto obtido pelo pagamento, indicando as respectivas contas contábeis utilizadas e as suas datas de realização; - Esclarecimentos sobre a razão do lançamento “reclassificação” da conta “Descontos Obtidos” para a conta “Subvenção para Investimentos”, situados no Livro Razão; - Esclarecimentos, em conjunto com planilha indicando Origem e Natureza de cada lançamento a crédito da conta “Subvenção para Investimentos” do Livro Razão; - Estatuto Social e suas alterações; - Cópias de ações judiciais pertinentes a tributos federais, e suas respectivas certidões de objeto e pé; - Procuração de representante da Recorrente para representá-la perante a RFB. Em 30/04/2009, a contribuinte recorrente solicitou prazo suplementar para apresentação de Certidão de Objeto e Pé de algumas demandas em que figurava como parte, apresentando os demais documentos requisitados (fls. 59/232). Em 12/05/2009 foi intimada pelo Termo de Intimação Fiscal (“TIF”) nº 01 (fls. 44/46) a apresentar Livro Caixa e Razão, em meio magnético ou ótico (CD-Rom), referentes ao ano-calendário de 2006, intimação esta atendida em 14/05/2009 (fls. 346/583). Em 21/05/2009 e 26/05/2009 apresentou as Certidões de Objeto e Pé faltantes à Fiscalização (fls. 233/234). Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.957 4 Em 03/06/2009, a contribuinte recorrente foi intimada, pelo TIF nº 02 (fls. 47/48), a apresentar: - Cópia do LALUR; - Planilha explicativa de apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, contendo, dentre outras informações, Receita Bruta, Base de Cálculo, Alíquota aplicável; - Cópias dos comprovantes de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Em 05/06/2009, a contribuinte recorrente atendeu ao TIF nº 02 (fls. 235). Em 17/06/2009 foi intimada, pelo TIF nº 03 (fls. 49/50), a apresentar, com relação aos anos-calendário de 2004 a 2007: - Livro Caixa e Razão, em meio magnético ou ótico (CD-Rom); - Livros de Apuração do ICMS; - Indicar contas do Livro Razão onde foram escriturados os lançamentos contábeis referentes ao programa DESENVOLVE, indicando a sequência de escrituração; - Planilha explicativa com a apuração do ICMS, apuração do DESENVOLVE (diferimento), a antecipação do pagamento, desconto obtido pelo pagamento, indicando as respectivas contas contábeis utilizadas e as suas datas de realização; - LALUR; - Planilha explicativa de apuração do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, contendo, dentre outras informações, Receita Bruta, Base de Cálculo, Alíquota aplicável; - Cópias dos comprovantes de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Em 29/06/2009, a contribuinte recorrente atendeu parcialmente ao TIF nº 03 (fls. 236/237), solicitando prazo suplementar para apresentação da planilha explicativa. Em 08/07/2009 apresentou a referida planilha (fls. 273/345). Em 16/09/2009, a contribuinte recorrente foi intimada, pelo TIF nº 04 (fls. 53), a apresentar cópia dos comprovantes de pagamento referentes ao incentivo DESENVOLVE, nos anos-calendário de 2004 a 2006, intimação esta atendida em 17/09/2009 (fls. 238). Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.958 5 Em 15/10/2009, a contribuinte recorrente foi intimada, pelo TIF nº 05 (fls. 54), a apresentar: - Memória de Cálculo do Programa DESENVOLVE e cópias dos Documentos de Arrecadação Estadual (“DAE”), cujos pagamentos tenham sido efetivados entre julho e dezembro de 2006, conforme planilha a ele anexa; - Esclarecimentos relativos às memórias de cálculo do DESENVOLVE e seus DAE, cuja apuração foi referenciada em 2005, com antecipação de pagamento no ano de 2006. Em 16/10/2009, a contribuinte recorrente apresentou resposta a este TIF (fls. 302/315). Após finalização das verificações, a Fiscalização lavrou Auto de Infração em que promoveu o lançamento de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS e COFINS sobre os valores mensais auferidos pela contribuinte recorrente com o benefício fiscal do DESENVOLVE, aplicando multa isolada de 50% e multa de ofício de 75% sobre os valores lançados, assim como juros de mora à Taxa Selic (fls. 02/40). Devidamente intimada em 04/11/2009, a contribuinte recorrente apresentou em 04/12/2009, a competente Impugnação (fls. 2697/2716) na qual contesta a classificação da subvenção em questão (DESENVOLVE) como subvenção para custeio, argumentando que se trata de subvenção para investimento. Contesta, ainda, a aplicação da multa isolada após o encerramento do ano-calendário em que apurada a insuficiência de recolhimentos, concomitante à multa de ofício. A 1ª Turma da DRJ/SDR julgou (fls. 2874/2891) a Impugnação improcedente, em decisão com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano-calendário: 2006 SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. FALTA DE RECONHECIMENTO DA RECEITA. Os recursos fornecidos às pessoas jurídicas pela Administração Pública, quando não atrelados ao investimento na implantação ou expansão do empreendimento projetado, é estímulo fiscal que se reveste das características próprias das subvenções para Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.959 6 custeio, não se confundindo com as subvenções para investimento, e deve ser computado no lucro operacional das pessoas jurídicas, sujeitando-se, portanto, à incidência do imposto sobre a renda. LUCRO REAL ANUAL. IMPOSSIBILIDADE DO LANÇAMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS NÃO RECOLHIDAS. Improcede o lançamento de ofício de estimativas mensais não recolhidas integralmente, cabendo, nesse caso, unicamente, o lançamento da multa isolada decorrente da insuficiência do recolhimento. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. A insuficiência de recolhimento das estimativas mensais do imposto de renda autoriza o lançamento de ofício da multa isolada, ainda que coexistindo com a multa de ofício incidente sobre o imposto anual apurado em decorrência da constatação de infrações à legislação fiscal, sendo irrelevante que o lançamento se realize após o encerramento do ano calendário correspondente. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Multa de Ofício Isolada pela Insuficiência de Recolhimento das Estimativas Mensais da CSLL Tratando-se de lançamentos decorrentes, mantidos parcialmente os valores tributáveis que lhes deram causa, deve-se dar a estes o mesmo destino. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte.” Ciente da decisão em 16/03/2010, a contribuinte recorrente protocolou Recurso Voluntário em 14/04/2010, no qual repete os argumentos defendidos na Impugnação. Recebi também Recurso de Ofício no que tange ao crédito exonerado. Oportunamente, os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.960 7 Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o Recurso Voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão apresentada – qual seja, definição da natureza da subvenção (se para custeio ou investimento) consistente na concessão, por Estado-Membro, de créditos de ICMS ao contribuinte -, já foi analisada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento do Recurso Especial nº 141.268, de 17 de maio de 2010. Vejamos: “Recurso n° 141.268 – Especial do Contribuinte Acórdão n° 9101-00.566 —1a Turma Sessão de 17 de maio de 2010 Matéria IRPJ E OUTRO Recorrente COMPAZ COMPONENTES DA AMAZÔNIA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Amazonas, dentre eles a restituição total ou parcial do ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da pessoa jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos no seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. O conjunto de obrigações assumidas pela beneficiária, em contrapartida ao Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.961 8 favor fiscal, não configura aplicação obrigatória dos recursos transferidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso do contribuinte, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” (grifos nossos) Verifica-se da leitura da ementa acima que a Câmara Superior de Recursos Fiscais considerou que a aplicação dos valores recebidos, por conta do benefício fiscal, na efetiva implantação do empreendimento, ao contrário do quanto disposto no PN/CST 112/1978, não é obrigatória para a caracterização da subvenção na categoria “para investimento”. Este também foi o entendimento do antigo Conselho de Contribuintes (atual CARF), como pode se verificar na leitura da ementa do Acórdão nº 108-09.767, da 8ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, de 13 de novembro de 2008 (vide também no mesmo sentido Acórdão 107-09.492, da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, publicado no D.O.U. em 02 de março de 2009), in verbis: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ – Exercício: 2003, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE - Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta (Decr. 70.235/72, art. 59, § 3º). IRPJ - REDUÇÃO DO ICMS A RECOLHER - SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO - NÃO- CARACTERIZAÇÃO - Os incentivos concedidos pelo estado da Bahia, consistentes em redução do ICMS a recolher pela via do crédito presumido, cujos valores são mantidos em contas de reserva no patrimônio líquido, não se caracterizam como subvenção para custeio a que se refere a art. 392 do RIR/99. O Parecer Normativo CST 112/78 faz interpretação em desacordo com o art. 38 do Decreto-lei nº 1.598/77, na redação que lhe foi dada pelo Decreto-lei nº 1.730/79. LANÇAMENTOS DECORRENTES E MULTAS ISOLADAS - Aplica-se aos lançamentos decorrentes (CSLL) as mesmas razões de decidir aplicáveis ao litígio principal. Afastadas as exigências de IRPJ e CSLL, os ajustes nas bases de cálculo das estimativas tornam-se indevidos e, portanto, são indevidas as Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.962 9 multas isoladas aplicadas por insuficiência de recolhimentos mensais. Recurso Voluntário Provido.” (grifos nossos) Com efeito, é bastante claro o voto do Conselheiro Relator Claudemir Rodrigues Malaquias nos autos do Acórdão 9101-00.566, transcrito anteriormente e acolhido por unanimidade pelos demais Conselheiros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao consignar o seguinte: “Concluindo esta análise, em resumo resta claro o entendimento de que: a) as transferências de recursos do Estado do Amazonas, realizadas com base na Lei Estadual nº 1.939/1989, constituem subvenção para investimento, pois visam essencialmente o incremento e a consolidação da atividade econômica na região; b) a concessão do beneficio, conforme o Decreto Estadual nº 12.814-A/1990, está condicionada a determinadas exigências documentais que indicam a intenção do Estado em assegurar que os recursos transferidos para o setor privado alcancem os objetivos estabelecidos pela lei; c) as exigências legais, traduzidas pelos benefícios sociais, nada mais representam que a contraprestação do favor fiscal, pois não possuem o condão de fixar o destino ou a aplicação obrigatória dos recursos; e d) os recursos decorrentes da restituição do ICMS, devidamente contabilizados em conta de Reserva de Capital, estão de acordo com a condição estabelecida pelo referido § 22 do art. 38 do Decreto-lei nº 1.598/77”. (págs. 11/12, grifos nossos) O caso ora analisado possui as mesmas características que foram examinadas e julgadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais nos autos do referido Acórdão 9101- 00.566. Como no item “a” acima transcrito, a concessão de dilação de prazo para pagamento do ICMS, bem como de desconto na antecipação da parcela do ICMS incentivado, por meio da Lei nº 7.980/2001 e do Decreto nº 8.205/2002, teve o intuito de incrementar o investimento na indústria do Estado. Esta intenção está expressamente declarada no artigo 3º da Lei e 1º do Decreto, in verbis: Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.963 10 Lei nº 7.980/2001 “Art. 3º Os incentivos a que se refere o artigo anterior têm por finalidade estimular a instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos ou processos já existentes. § 1º Para os efeitos deste Programa, considera-se: I - nova indústria, a que não resulte de transferência de ativos de outro estabelecimento da mesma empresa ou de terceiros, oriundos da Região Nordeste; II - expansão industrial, o aumento resultante de investimentos permanentes de, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) na produção física em relação à produção obtida nos 12 meses anteriores ao pedido; III - reativação, a retomada de produção de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais de 12 meses; IV - modernização, a incorporação de novos métodos e processos de produção ou inovação tecnológica dos quais resultem aumento significativo da competitividade do produto final e melhoria da relação insumo/produto ou menor impacto ambiental. § 2º Considera-se, também, expansão, o aumento da transformação industrial que objetive ganhos de escala ou de competitividade, ou a conquista de novos mercados ou que implique em aumento real no valor da produção total do empreendimento.” Decreto nº 8.205/2002 Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.964 11 “Art. 1º O Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia - DESENVOLVE, instituído pela Lei nº 7.980, de 12 de dezembro de 2001, tem por objetivos de longo prazo complementar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial do Estado, mediante diretrizes que tenham como foco: I - o fomento à instalação de novos empreendimentos industriais ou agro-industriais e à expansão, reativação ou modernização de empreendimentos industriais ou agro-industriais já instalados; II - a desconcentração espacial dos adensamentos industriais e formação de adensamentos industriais nas regiões com menor desenvolvimento econômico e social; III - a integração e a verticalização das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado; IV - o desenvolvimento tecnológico dos processos produtivos e assimilação de novas tecnologias; V - a interação da empresa com a comunidade em que pretenda atuar; VI - a geração de novos produtos ou processos e redução de custos de produtos ou processos já existentes; VII - prevenção dos impactos ambientais dos projetos e o relacionamento da empresa com o ambiente. § 1º Para os efeitos deste Programa, considera-se: I - novo empreendimento, a implantação de projeto que não resulte de transferência de ativos de outro estabelecimento da mesma empresa ou de terceiros, oriundos da Região Nordeste; II - expansão, o aumento projetado, resultante de investimentos permanentes, de, no mínimo, 35% (trinta e cinco por cento) na produção física anual em relação à produção obtida nos 12 meses anteriores ao pedido; Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.965 12 III - reativação, a retomada de produção de estabelecimento industrial cujas atividades estejam paralisadas há mais de 12 meses; IV - modernização, a incorporação de novos métodos e processos de produção ou inovação tecnológica que resulte, cumulativa ou alternativamente, em: a) aumento significativo da competitividade do produto final; b) melhoria da relação insumo/produto; c) menor impacto ambiental. § 2º Considera-se, também, expansão, o aumento da transformação industrial que implique em acréscimo no valor real da produção total do empreendimento ou que objetive ganhos de escala, elevação da competitividade ou conquista de novos mercados.” (grifos nossos) Da mesma forma que no item “b” acima transcrito, o Decreto nº 8.205/2002 instituiu obrigações acessórias, de maneira a garantir que os recursos estatais fossem transferidos apenas às pessoas jurídicas que investissem em seu parque industrial, alcançando os objetivos estabelecidos pela Lei nº 7.980/2001. Vejamos a redação dos artigos 7º a 9º do referido Decreto: “Art. 7º O Conselho Deliberativo, órgão de orientação e deliberação superior do DESENVOLVE, terá as seguintes atribuições: I - examinar e aprovar os projetos propostos, estabelecendo as condições de enquadramento para fins de fruição dos benefícios, observando a conveniência e a oportunidade do projeto para o desenvolvimento econômico, social ou tecnológico do Estado, bem assim sua compatibilidade com os objetivos fundamentais do programa e o cumprimento de todas as suas exigências; II - acompanhar, por sua Secretaria Executiva, a execução do cronograma de implantação, expansão, reativação ou dos investimentos em pesquisa e tecnologia, a evolução dos níveis Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.966 13 de produção e do seu respectivo nível de emprego, até o fim do prazo de fruição dos benefícios concedidos; III - aprovar o Regimento Interno do Conselho Deliberativo do Programa e suas normas operacionais; IV - acompanhar, controlar e avaliar o desempenho das atividades do Programa, submetendo ao Governador do Estado relatório semestral de desempenho do Programa; V - exercer outras atribuições necessárias ao cumprimento dos objetivos do Programa. Parágrafo único. A Secretaria Executiva do Conselho Deliberativo do DESENVOLVE será exercida pela Superintendência de Indústria e Mineração - SIM, da Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração a quem competirá fazer a análise prévia dos protocolos de intenção de investimentos celebrados entre o Governo deste Estado e empresas ou empreendedores. Art. 8º Preliminarmente a empresa apresentará Carta Consulta de Investimento à Secretaria Executiva do Conselho, com as informações básicas do projeto e de acordo com modelo a ser aprovado pelo Conselho Deliberativo. Art. 9º Após a resposta à Carta-Consulta de Investimento, a empresa que pretenda habilitar-se aos benefícios do Programa deverá apresentar à Secretaria Executiva do Conselho Deliberativo do DESENVOLVE: I - requerimento dirigido ao Presidente do Conselho, solicitando a sua habilitação; II - projeto completo do empreendimento; III - certidão de arquivamento, na Junta Comercial, dos atos constitutivos da empresa, bem como da sua última alteração; Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.967 14 § 1º O projeto de que trata o inciso II desde artigo, a ser apresentado pela empresa, deverá obedecer às especificações técnicas do roteiro aprovado por esse Conselho. § 2º A empresa que apresentar certidão, ou documentação equivalente, que comprove ter sido o projeto aprovado por banco de desenvolvimento, poderá optar por modelo simplificado de projeto, como for definido em Resolução do Conselho Deliberativo. O cumprimento do item “c” acima transcrito consiste na contraprestação do contribuinte ao benefício concedido, pois o próprio investimento deve ser realizado pelos beneficiários, e sua exigência de comprovação pode ser facilmente identificada no artigo 16 do Decreto nº 8.205/2002, in verbis: “Art. 16. A manutenção dos incentivos é condicionada à comprovação contábil e física da integral realização do investimento projetado, comprovada por laudo de inspeção emitido pela Secretaria Executiva do DESENVOLVE, e, quando necessária, com assistência do DESENBAHIA.” (grifos nossos) No que tange ao item “d” acima descrito, é importante mencionar que os benefícios concedidos foram corretamente registrados em conta de reserva de capital no patrimônio líquido da Recorrente, não tendo sido distribuídos aos sócios. Além disso, vale notar que a própria Fiscalização faz referência à correta contabilização dos benefícios fiscais concedidos, conforme indicado no item 7 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 33), não havendo qualquer menção a eventual descumprimento deste requisito. Assim, os documentos apresentados pela Recorrente no decorrer deste processo demonstram que a totalidade dos investimentos decorrentes de referida subvenção vem sendo integralmente aplicada como investimento para a ampliação do empreendimento econômico exercido pela Recorrente no Estado, razão pela qual deve ser caracterizada como subvenção para investimento, nos termos já decididos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e pelo próprio CARF (vide, neste sentido, Acórdão 1802-00.565, da 1ª Seção de Julgamento, de 02 de agosto de 2010). Tendo em vista o acolhimento do argumento principal de mérito da Recorrente, fica prejudicada a análise das demais alegações acerca da inaplicabilidade da multa isolada, em concomitância com a multa de ofício, sobre as estimativas após encerrado o ano calendário, até porque referidas alegações refletem o posicionamento deste E. Conselho (vide, neste sentido, Acórdãos 103-20.572, 103-21.030, 103-20475, 107-09.493, entre outros). Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.968 15 Por fim, com relação ao Recurso de Ofício, em que a DRJ/SDR determinou corretamente a impossibilidade de lançamento de ofício de estimativas mensais não recolhidas integralmente, caso em que caberia apenas o lançamento da multa isolada decorrente da insuficiência do recolhimento (fls. 2888), voto no sentido de ser mantida a decisão da DRJ/SDR. Referida exigência, não aceita pela DRJ/SDR, baseou-se no entendimento de que as subvenções concedidas à Recorrente seriam supostamente para custeio, razão pela qual teria havido, no entendimento da Fiscalização, uma omissão de valores relativos a todos os meses do ano-calendário de 2006. Todavia, como bem apontou a DRJ/SDR (fls. 2888), “tratando-se de pessoa jurídica submetida ao lucro real anual e, portanto, sujeita aos recolhimentos mensais por estimativa, o lançamento de ofício decorrente da verificação de infração à legislação do imposto de renda deveria referir-se ao período de apuração anual, correspondente ao balanço encerrado em 31/12/2006.” Cabe citar, neste particular, o artigo 2°, parágrafo 3°, da Lei n° 9.430/96, que expressamente prevê a apuração do lucro real em 31 de dezembro para as pessoas jurídicas sujeitas aos recolhimentos mensais por estimativa. Vejamos: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior.” (grifos nossos) São oportunos, também, a esse respeito, os ensinamentos do Professor Marco Aurélio Greco: Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.969 16 “Mensalmente, o que se dá é apenas o “pagamento do imposto determinado sobre base de cálculo estimada” (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (§ 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo ao período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisória de um recolhimento, em complementação de fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em complementação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei nº 8.981/95). E mais, o valor do recolhimento por estimativa é deduzido do valor do imposto e da contribuição devida ao final do período (art. 2º, § 4º, IV da Lei nº 9.430/96)” (In “Multa Agravada e em Duplicidade”, Revista Dialética de Direito Tributário nº 76, p. 159) (grifos nossos) Constata-se, assim, que uma vez encerrado o ano-calendário, não há que se falar em estimativa. O imposto apurado é o final e as estimativas perdem a sua eficácia. Portanto, a formalização do lançamento de diferenças de estimativas “não é possível à luz da legislação de regência, visto que esta apenas permite o lançamento do imposto de renda definitivo – após ocorrido o fato gerador – apurado quando do ajuste anual” (fls. 2888). Vejam que este também é o posicionamento deste E. Conselho, que assim se manifestou: “Encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real.” (Acórdão 10320572. Vide, no mesmo sentido, Acórdão 10321030 e Acórdão 10516691 deste E. Conselho) Verifico, de tal sorte, que a pretensão formulada pela D. Fiscalização no AI ora guerreado se faz incabível, sendo inteiramente procedentes os argumentos trazidos à baila pela Recorrente, razão pela qual deve ser mantida a decisão da DRJ/SDR neste aspecto. Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10530.723952/2009-15 Acórdão n.º 1202-000.616 S1-C2T2 Fl. 2.970 17 Portanto, em razão do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando o lançamento efetuado e as multas aplicadas. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 31/10/201 1 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 01/11/2011 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005528/2006-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sem texto de Ementa
Numero da decisão: 1202-000.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para suprir a omissão apontada, para indicar que trata-se de vício formal o causador da nulidade do ADE 06/2007 sem alterar, contudo, a decisão consubstanciada no Acórdão
120200.444, de 14 de dezembro de 2010, da 2ª TO da 2ª Câmara desta 1ª Seção do CARF.
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Sem texto de Ementa
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10410.005528/2006-09
conteudo_id_s : 5942212
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1202-000.641
nome_arquivo_s : Decisao_10410005528200609.pdf
nome_relator_s : Orlando José Gonçalves Bueno
nome_arquivo_pdf_s : 10410005528200609_5942212.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para suprir a omissão apontada, para indicar que trata-se de vício formal o causador da nulidade do ADE 06/2007 sem alterar, contudo, a decisão consubstanciada no Acórdão 120200.444, de 14 de dezembro de 2010, da 2ª TO da 2ª Câmara desta 1ª Seção do CARF.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
id : 7553421
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145906159616
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1710; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10410.005528/200609 Recurso nº 0.000.001 Embargos Acórdão nº 120200.641 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2011 Matéria Embargos Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado SPORT CLUB CORINTHIANS ALAGOANO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para suprir a omissão apontada, para indicar que tratase de vício formal o causador da nulidade do ADE 06/2007 sem alterar, contudo, a decisão consubstanciada no Acórdão 120200.444, de 14 de dezembro de 2010, da 2ª TO da 2ª Câmara desta 1ª Seção do CARF. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO (fls.666/667) em que a Fazenda Nacional alega OMISSÃO no Acórdão nº 120200.444, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara (fls.655/672), relativamente às seguintes matérias: Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.641 S1C2T2 Fl. 2 2 omissão quanto ao pronunciamento da nulidade se tratar de vício formal ou material., como se pode ler nas razões dos embargos, a fls. 666/667 destes autos; Da análise dos autos, entendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Presente o pressuposto de admissibilidade recursal, como consta no despacho supra, considerando que o aludido acórdão não se pronuncia sobre a natureza do vício que maculou o ato declaratório, o qual cassou a isenção tributária da contribuinte, é de se admitir os presentes embargos, para suprir a omissão apontada. Assim, com razão a embargante, Fazenda Nacional, quando assevera que a decisão embargada não faz qualquer qualificação quanto ao vício que justificou o acolhimento da preliminar de nulidade nos presentes autos. Portanto, pela leitura do acórdão embargado, seja o relatório, seja o voto condutor, não se verifica que tipo de vício, ou seja,se formal, se material. Contudo assim seja, em se tratando de reconhecimento da nulidade de ato administrativo, podese inferir do quanto decidido pelo voto condutor , a fls. 670, in verbis: Razão assiste a recorrente uma vez que não se verifica nos autos em análise a observância do procedimento acima descrito. Nos presentes autos não há qualquer menção por parte da autoridade fiscalizadora do fato de que a recorrente é beneficiária da isenção do IR e CSLL, apesar de tal informação constar das DIPJ' s juntadas (fls. 290 a 381). Nas palavras da recorrente: A inobservância por parte do fisco do dispositivo transcrito é vicio insanável que contamina o auto de infração tornandoo nulo, tendo ern vista que o processo administrativo fiscal é regido pelo principio da legalidade restrita, o que significa dizer que os atos administrativos são obrigatoriamente vinculados, ou seja, aquilo que está na lei. (fl. 616) É sabido que a Lei n° 9.784/99, que rege o Processo Administrativo Federal, é de aplicação subsidiária ao Decreto n o 70.235/72. Em seu art. 53, há previsão expressa de anulação, por parte da Administração, dos próprios atos, quando eivados de vicio de legalidade. Assim sendo, constatado no presente caso a inobservância da legislação, fazse necessária a anulação do auto de infração em razão da constatação de vicio insanável (descumprimento do devido processo legal). Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O Processo nº 10410.005528/200609 Acórdão n.º 120200.641 S1C2T2 Fl. 3 3 O que deixa patente o vício procedimental cometido pela autoridade de origem, como a relatora confirma na parte transcrita de seu voto, ou que vale dizer, que se trata de vício formal, com efeito, deixandose de proceder regra formal de comunicação da interessada, ora embargada, em detrimento do amplo direito de defesa, o que fatalmente maculou como insanável o vício formal do ato aqui questionado. Assim, a fim de suprir a omissão descrita pela Fazenda Nacional, tratase de vício formal que contaminou o procedimento fiscalizatório, ensejando sua nulidade e acolhimento da preliminar do presente processo. Portanto, sou por acolher os presentes embargos, para suprir a omissão apontada, afirmando tratarse de vício formal que causou a nulidade do ato administrativo questionado, sem alterar, contudo, a decisão consubstanciada no Acórdão 120200.444, de 14 de dezembro de 2010, da 2ª TO da 2ª Câmara desta 1ª Seção do CARF. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 11 /02/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 25/01/2012 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUEN O
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000622/2005-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL VERIFICADA.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente a inexatidão material alegada pela embargante.
Numero da decisão: 3302-006.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar as inexatidões materiais, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL VERIFICADA. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente a inexatidão material alegada pela embargante.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13005.000622/2005-52
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5945177
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.138
nome_arquivo_s : Decisao_13005000622200552.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
nome_arquivo_pdf_s : 13005000622200552_5945177.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar as inexatidões materiais, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7561566
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:34:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051145910353920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1338; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13005.000622/200552 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3302006.138 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO IPI Embargante CALÇADOS ANDREZA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL VERIFICADA. Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando presente a inexatidão material alegada pela embargante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para sanar as inexatidões materiais, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 06 22 /2 00 5- 52 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13005.000622/200552 Acórdão n.º 3302006.138 S3C3T2 Fl. 3 2 Tratase de Embargos de declaração opostos pelo contribuinte recorrente em face do acórdão nº 3302005.229, proferido pela 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento do CARF, em 26/02/2018. Referido acórdão recebeu a seguinte emenda: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO IPI. REGIME NORMAL. BASE DE CÁLCULO. Não integram a base de cálculo do crédilo presumido da Lei n 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário. Súmula CARF n 19. Os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, com remessa dos insumos e retorno do produto com suspensão do IPI, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido, porque não são aquisições de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. Faz parte ainda do acórdão a descrição da decisão, nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. A embargante entende que o acórdão embargado estaria eivado de vícios de omissão, fato esse que, nos termos do art. 65, do anexo II, RICARF, lhe conferiria o direito de oposição dos embargos de declaração. Protocolados tempestivamente os embargos da contribuinte, feita a analise de admissibilidade, entendeuse por haver a obscuridade/omissão e inexatidão material, na medida em que a recorrente, em momento algum, no bojo do presente processo administrativo, pleiteou o reconhecimento de crédito presumido de IPI/Exportação sobre aquisição de combustíveis, mas sim, apenas e tão somente, em relação aos custos dos serviços prestados por terceiros e de energia elétrica do período compreendido entre janeiro de 2000 a setembro de 2001 e não de janeiro a setembro de 2000, como constou na decisão ora embargada. Promovido o juízo de admissibilidade, os embargos foram admitidos e distribuídos para relatoria. É o relatório. Voto Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13005.000622/200552 Acórdão n.º 3302006.138 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: Os Embargos são tempestivos, tratam de matéria da competência deste Colegiado e atendem aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, submeto à esta Turma para julgamento. No entendimento da embargante na decisão embargada haveria a obscuridade/omissão e da inexatidão material, na medida em que em momento algum, no bojo do presente processo administrativo, pleiteou o reconhecimento de crédito presumido de IPI/Exportação sobre aquisição de combustíveis, mas sim, apenas e tão somente, em relação aos custos dos serviços prestados por terceiros e de energia elétrica do período compreendido entre janeiro de 2000 a setembro de 2001 e não de janeiro a setembro de 2000, como constou na decisão ora embargada. Analisando o acórdão embargado verificase que realmente houve a inexatidão apontada, sendo certo que deve ser sanada. Assim, o trecho da decisão embargada que foi redigido: Desta forma, por falta de previsão legal quanto a possibilidade de aproveitamento dos créditos sobre as aquisições de combustíveis, energia elétrica e à prestação de serviços de industrialização por encomenda, bem como pela determinação regimentar de obrigatória observância quanto a aplicação das Súmulas deste E. Tribunal, voto pela manutenção das glosas dos créditos lançados pela contribuinte recorrente dos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2000. Passa a ser redigido da seguinte forma: Desta forma, por falta de previsão legal quanto a possibilidade de aproveitamento dos créditos sobre as aquisições de energia elétrica e à prestação de serviços de industrialização por encomenda, bem como pela determinação regimentar de obrigatória observância quanto a aplicação das Súmulas deste E. Tribunal, voto pela manutenção das glosas dos créditos lançados pela contribuinte recorrente dos períodos de apuração de janeiro de 2000 a setembro de 2001. A mesma providência deve ser tomada quanto ao dispositivo do acórdão, antes redigido: Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e, manter as glosas de créditos sobre as aquisições de combustíveis, energia elétrica e à prestação de serviços de industrialização por encomenda, lançados pela contribuinte recorrente nos períodos de apuração de janeiro a setembro de 2000. Passando a ser redigido da seguinte forma: Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário e, manter as glosas de créditos sobre as aquisições de energia elétrica e à prestação de serviços de industrialização Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13005.000622/200552 Acórdão n.º 3302006.138 S3C3T2 Fl. 5 4 por encomenda, lançados pela contribuinte recorrente nos períodos de apuração de janeiro de 2000 a setembro de 2001. II Conclusão Por todo o exposto, voto por acolher os Embargos opostos pela contribuinte para sanar a inexatidão apontada, sem efeitos infringentes. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 225DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15196.000018/2008-02
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003, 2004
MULTA POR FALTA DE ENTREGA/ATRASO DE DCTF. EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
O contribuinte não inscrito no SIMPLES, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar a DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista na legislação pelo atraso da entrega da declaração.
Numero da decisão: 1003-000.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003, 2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA/ATRASO DE DCTF. EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. O contribuinte não inscrito no SIMPLES, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar a DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista na legislação pelo atraso da entrega da declaração.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15196.000018/2008-02
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940298
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.334
nome_arquivo_s : Decisao_15196000018200802.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 15196000018200802_5940298.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7551127
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146124263424
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 142 1 141 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15196.000018/200802 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.334 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria MULTA ATRASO NA ENTREGA DE DCTF Recorrente OFFIMAR REPAROS INDUSTRIAIS E USINAGEM DE CAMPO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003, 2004 MULTA POR FALTA DE ENTREGA/ATRASO DE DCTF. EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES. OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA. O contribuinte não inscrito no SIMPLES, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar a DCTF, sujeitandose à aplicação da multa prevista na legislação pelo atraso da entrega da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 19 6. 00 00 18 /2 00 8- 02 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15196.000018/200802 Acórdão n.º 1003000.334 S1C0T3 Fl. 143 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto visando a reforma do Acórdão 05 30.397, proferido pela 1ªTurma da DRJ/CPS, em 09 de setembro de 2010 (fls 41/42), que julgou procedente os lançamentos efetuados (fls.0508 ), relativos à exigência de multa por atraso na entrega das DCTF períodos de apuração de 2003 (3º e 4º trimestres) e de 2004 (1º a 4º trimestres), nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003, 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declaração fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator às penalidades legais. O atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com tal decisão, a Recorrente, às folhas 44/46, apresentou recurso voluntário, praticamente, reproduzindo os argumentos trazidos quando da impugnação, destacando, em síntese, que: (i) através do Ato Declaratório Executivo DRS/STS n° 568957, de 02 de agosto de 2.004, fora excluída do SIMPLES com efeitos retroativos a 04/04/2003 (fls. 50), sob a alegação de exercer atividades vedadas para tal benefício, cuja exclusão fora impugnada; (ii) em época anterior ao noticiado Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES, sempre cumpriu, regularmente, todas as suas obrigações tributárias e acessórias; (iii) após decisão desfavorável no julgamento do pedido de revisão da exclusão do sistema simplificado, mantendoa, a Recorrente, em cumprimento à determinação de fls. 51) apresentou novas as declarações relativas aos períodos de apuração de 2003 (3º e 4º trimestres) e de 2004 (1º a 4º trimestres), as quais já haviam sido enviadas antes da referida exclusão; (iv) deve, assim, ser cancelados os lançamentos impugnados, ante a demonstração de sua boa fé. É o relatório. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 15196.000018/200802 Acórdão n.º 1003000.334 S1C0T3 Fl. 144 3 Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão Acórdão 0530.397, proferida pela 1ªTurma da DRJ/CPS em 04/10/10 (fls. 46) e apresentou o recurso competente em 05/10/2010 (fls. 4749). O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Inicialmente, cabe ressaltar que a Recorrente nada trouxe de novo autos que pudesse comprovar a necessidade de reforma da decisão a quo. Sabese que o Simples Nacional, instituído pela Lei Complementar nº 123/2006, concede tratamento diferenciado e, no mais das vezes, privilegiado às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, conforme determinam dispositivos da Constituição Federal, a saber: Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuições previstas no art. 195, I e §§ 12 e 13, e da contribuição a que se refere o art. 239. Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) IX tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País. A apuração de tributos por meio do Simples Nacional proporciona às microempresas e as empresas de pequeno porte tratamento diferenciado, tais como redução da base de cálculo e de alíquotas e isenções e benefícios fiscais. Contudo, uma vez excluída desse sistema simplificado, exclusão essa, in casu, ratificada pela autoridade administrativa competente (fl.10) e com efeitos retroativos 04/04/2003 (fls. 50), a pessoa jurídica sujeitase às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 15196.000018/200802 Acórdão n.º 1003000.334 S1C0T3 Fl. 145 4 Dentre tais obrigações, de acordo com a sistemática normativa, está a de apresentação de DCTF e, como a entrega, em todos os trimestres, foi a extemporânea, conforme demonstrado nos autos e não questionada pela Recorrente, tem cabimento a imposição das penalidades. Cabe ressaltar, todavia, que a entrega das declarações no período indicado na comunicação informativa da manutenção da exclusão e intimação para apresentação (fl. 51), implicou, conforme demonstrado nos autos de infração (fl. 0508), a redução da penalidade em 50% (cinquenta por certo). Por fim, quanto à alegação de boafé por parte da Recorrente, cabe ressaltar que "a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (art. 136 do Código Tributário Nacional). A afirmação suscitada na peça recursal, destarte, não demonstra plausibilidade. Temse, pois, que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, não merecendo reforma a decisão recorrida. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso e manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 145DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.721779/2014-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010
NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA.
Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM ORIGEM COMPROVADA.
Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-004.851
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adota-se a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 - RICARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13603.721779/2014-67
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940282
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.851
nome_arquivo_s : Decisao_13603721779201467.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 13603721779201467_5940282.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7551088
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146367533056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 780 1 779 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.721779/201467 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.851 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de dezembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente CLOVIS DE RESENDE ANDRADE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009, 2010 NÃO APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA PERANTE A SEGUNDA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. CONFIRMAÇÃO DA DECISÃO RECORRIDA. Não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, adotase a decisão recorrida, mediante transcrição de seu inteiro teor. § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 RICARF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO SEM ORIGEM COMPROVADA. Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, , por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 17 79 /2 01 4- 67 Fl. 780DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Andrea de Moraes Chieregatto, Wilderson Botto (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou procedente lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo aos exercício 2010 e 2011 (fls. 2/22), face à apuração de omissão de rendimentos, caracterizados por depósitos de origem não comprovada. De se ressaltar que as razões trazidas no recurso voluntário (fls. 728/775) são absolutamente idênticas àquelas que constam da peça impugnatória (fls. 465/546), à exceção da retirada de tópico relativo a arrolamento de bens, razão pela qual transcrevese o relatório da decisão a quo, o qual se mostra suficiente para compreensão do contexto em que o litígio encontrase inserido: De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fl. 14/22, que é parte integrante do auto de infração, a ação fiscal foi realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 06.1.10.002013002367, e teve início em 30/05/2013, quando o contribuinte tomou ciência (fl. 40) do Termo de Início do Procedimento Fiscal de fl. 37/39, por intermédio do qual foi intimado a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. O lançamento de ofício foi formalizado em decorrência da apuração de omissão de rendimentos da pessoa física de R$ 2.242.757,70 em 2009 e de R$ 2.488.063,14 em 2010, correspondes ao montante dos valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, dos quais o fiscalizado, regularmente intimado, deixou de comprovar a origem dos recursos, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificado do lançamento na data de 01/09/2014 (fl. 460), o fiscalizado impugnou a exigência em 30/09/2014, por intermédio do instrumento de fl. 465/507, apresentado por procuradores regularmente constituídos (procuração à fl. 508). A impugnação se baseou, em síntese, nas seguintes razões de fato e de direito apresentadas pela defesa: a) em sede preliminar, o arrolamento de bens seria indevido, pois a fiscalização arrolou imóveis cuja propriedade ainda não era do impugnante, já que compõem o espólio de sua exesposa Wilma Teixeira de Resende Andrade, CPF 132.138.22604, cujo processo de inventário (nº 008448374.2005.8.13.0090) tramita perante a 1ª Vara Cível da Comarca de Brumadinho MG; a defesa requer a exclusão dos imóveis em questão do rol de bens arrolados; Fl. 781DF CARF MF Processo nº 13603.721779/201467 Acórdão n.º 2202004.851 S2C2T2 Fl. 781 3 b) no mérito, o lançamento tem por base exclusivamente o emprego da presunção, pois a fiscalização não comprovou que os depósitos bancários nas contas do impugnante tiveram por origem rendimentos tributáveis; c) porém, a legislação fiscal não obriga o contribuinte pessoa física a manter escrituração contábil de todas as suas movimentações financeiras, e segundo a Constituição Federal de 1988, ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei. d) a considerar a exigência absurda da autoridade administrativa para que as pessoas físicas justifiquem documentalmente cada depósito bancário efetuado em suas respectivas contas correntes, nenhum contribuinte estará aparelhado para cumprir tal desiderato; e) foram juntadas cópia das declarações de imposto de renda do impugnante relativas aos anoscalendário de 2009 e 2010, nas quais resta evidenciado a inexistência de aumento patrimonial incompatível com a renda bruta declarada, sendo que os simples depósitos bancários em contas correntes não evidenciam aumento patrimonial e, por conseguinte, não podem ser considerados como rendimentos omitidos; f) a jurisprudência dominante é no sentido de que os depósitos bancários não podem ser considerados como renda, sem a evidenciação dos sinais exteriores de riqueza caracterizados por aumento patrimonial sem cobertura de renda declarada; g) isso se dá exatamente porque, se de um lado haveria a presunção de que os depósitos incomprovados representariam rendimentos omitidos, de outro também há a presunção de que os rendimentos lançados nas respectivas declarações, sejam eles tributáveis, isentos ou não tributáveis, são suficientes para justificaram a movimentação financeira promovida pelo contribuinte; h) o imposto de renda possui como fato gerador, única e exclusivamente, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional; i) descabe, por conseguinte, cogitarse da aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda ou de proventos de qualquer natureza pela simples constatação da realização de depósito em conta bancária pertencente ao contribuinte; j) os depósitos bancários, quando muito, podem, em determinadas circunstâncias, configurar meros indícios da existência de rendas ou de proventos de qualquer natureza; é inconcebível, entrementes, que tais depósitos, à falta da necessária análise e da indispensável e convincente prova por parte do fisco, sejam, por si só, presumidos como renda ou proventos para efeito de exigência de imposto de renda; k) a realização de depósito bancário pode advir de incontáveis fontes, sem que qualquer delas represente aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos, como sobejamente provado nos autos; l) ausente o substrato legal, de há muito vêm sendo anulado pelo Poder Judiciário procedimentos que se baseiam única e exclusivamente em extratos bancários, originando a Súmula 182 do extinto TRF, que inclusive resultou na promulgação do Decreto Lei nº 2.471, de 19/88, que, em seu art. 9º, prevê o cancelamento e arquivamento de procedimentos administrativos que tomaram como base valores constantes de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários m) Fl. 782DF CARF MF 4 assim, no procedimento fiscal tributário, para haver a autuação com base em depósito bancário, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não basta a simples presunção legal de que os depósitos constituem renda tributável, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos; n) a lei que institui em favor do fisco uma presunção, autorizandoo a demonstrar apenas a existência do fato índice, só se justifica em face de interesse qualificado constitucionalmente; sendo nítida exceção à regra constitucional, é de ser interpretada restritamente; o) no caso presente, a presunção relativa a rendimentos tributados não exonerava a administração do encargo de provar; bem ao contrário, na espécie do lançamento, prevalece por inteiro o princípio da verdade material e encargo de prova por parte do fisco; p) o lançamento de ofício é manifestação administrativa plenamente vinculada, só autorizada nos casos previstos em lei e ante as circunstâncias típicas nela previstas; q) à fiscalização, portanto, competia demonstrar que os depósitos bancários questionados realmente constituem rendimentos tributáveis, como o exige o princípio da verdade material; r) o fato tributável – rendimento tributável – deveria ter sido demoradamente comprovado pela fiscalização; cabialhe demonstrar que os depósitos bancários espelham rendimento suscetível de incidência tributária; s) depósitos bancários, por si só, não revelam a existência de rendimentos tributáveis; a presença dos depósitos bancários é um fato que em si mesmo não tem outra significação senão a de motivar o fisco para a averiguação se eles traduzem rendimentos tributáveis omitidos; t) verificada a existência dos depósitos bancários em nome do contribuinte, tem o fisco o poderdever de investigar sua origem, isto é, se significam rendimentos tributáveis; provado que denotam rendimento tributável, efetuará a administração o lançamento suplementar correspondente, apurandose o imposto devido na forma da lei; u) o fundamental é que se prove a circunstância de se tratar de rendimento tributável, ônus probatório que é do fisco e somente dele; v) toda e qualquer atuação administrativa no quadro do Estado Democrático de Direito há de ter esteio na legalidade motivada, ou seja, não basta apenas ter fundamento formal em lei, deve necessariamente estar acompanhada da efetiva demonstração da ocorrência dos fatos previstos em lei como indispensáveis à sua materialização; w) a interpretação do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deverá ser realizada de acordo com o preconizado no Código Tributário Nacional, se o mesmo está consentâneo com o art. 5º, parágrafo 4º, da Lei Complementar nº 105, de 2001, e demais princípios e postulados de nosso ordenamento jurídico e, também, ao encontro com a finalidade do procedimento administrativo de lançamento, qual seja, a busca da verdade material; x) a presunção gerada pelo art. 42 da lei nº 9.430, de 1996, deverá estar de acordo com os sinais externos de riqueza, caso contrário, além de não estar de Fl. 783DF CARF MF Processo nº 13603.721779/201467 Acórdão n.º 2202004.851 S2C2T2 Fl. 782 5 acordo com a verdade material dos fatos, contraria, outrossim, o postulado da razoabilidade; y) no tocante às pessoas físicas, existe uma inadequação na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, pois entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura; vale dizer, nem sempre o volume de depósitos injustificado leva ao rendimento omitido correlato; z) a observação da experiência cotidiana demonstra que não há uma correlação natural entre depósitos e rendimentos omitidos: o fato desconhecido pode ser aa) além disso, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, foi revogado tacitamente pelo art. 5º, § 4º, da Lei Complementar nº 105, de 2001, não podendo ser aplicada a presunção nele prevista, sem os demais requisitos que demonstram ter ocorrido omissão de receita através dos depósitos bancários, passível de incidência do imposto de renda; bb) para o julgamento da presente impugnação, há que se considerar os seguintes fatos: a norma do caput do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não destoa daquela antes constante do enunciado do art. 6º, parágrafo 5º da Lei nº 8.021, de 1990, revogado pela própria Lei 9.430; é absolutamente equivocado pretender retirar do art. 42 da Lei 9.430, de 1996, uma suposta presunção juris tantum em favor do fisco, que o autorizasse a exigir imposto de renda sobre meros créditos bancários, sem maiores aprofundamentos investigatórios relativamente à presença de renda consumida ou à demonstração de outros elementos fáticos vinculados à movimentação da renda; o art. 42 da Lei 9.430, de 1996, assim como antes já o fazia o art. 6º, parágrafo 5º, da Lei 8.021, de 1990, não trouxe qualquer inversão do ônus quanto à prova da ocorrência do suporte fáticotributário, porque, como já demonstrado, o dever de lançar não envolve um ônus, mas um dever, de natureza constitucional; cc) exigir que uma pessoa física apresente documentação comprobatória da origem de todas as operações bancárias praticadas durante anos inteiros equivale a imporlhe o dever de escriturar em livros todas estas operações, tal como se exige de uma pessoa jurídica, o que, a claras luzes, não se coaduna com as limitações jurídicas impostas pelos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Ao final, com base nas razões alegadas, a defesa requereu fosse reconhecida no julgamento a improcedência do lançamento formalizada por meio do auto de infração guerreado. Em 04/04/2017, foram juntados a estes autos documentos encaminhados pelo Ministério Público Federal, extraídos do Inquérito Policial nº 0679/2015, instaurado para apurar a prática de crime capitulado nos art. 1º, I, da Lei nº 8.137, de 1990, e art. 1º da Lei nº 9.613, de 1998, em face de indícios de que o impugnante teria praticado agiotagem (fl. 689). No despacho de fl. 689/691 informase que, no procedimento investigatório em questão, foi procedida a oitiva do impugnante, o qual declarou, entre outras coisas, ter oferecido sua conta bancária para que seu sobrinho ANTÔNIO AUGUSTO SAMPAIO ANDRADE, que seria proprietário de uma empresa chamada SAMPA BRASIL, que atuava no comércio de roupa, pudesse movimentar cheques advindo Fl. 784DF CARF MF 6 dessa atividade. A versão foi confirmada na oitiva de ANTÔNIO AUGUSTO SAMPAIO ANDRADE. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 695/706), sendo o recurso voluntário interposto em 24/05/2017 (fls. 728/775), reproduzindo, literalmente, os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em vista do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF, não tendo sido apresentadas novas razões de defesa perante a segunda instância administrativa, conforme já relatado, adoto os fundamentos da decisão recorrida, mediante transcrição do inteiro teor de seu voto condutor, dele retirandose, apenas, o enfrentamento do arrolamento, o qual não foi renovado em sede de recurso voluntário: Da Presunção de Omissão de Rendimentos Considerando que os autos tratam da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, é importante fazer um breve histórico da legislação que trata do assunto, antes de passar à análise da lide. A lei que primeiramente autorizou a utilização de depósitos bancários injustificados para arbitramento de omissão de rendimentos foi a Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, que assim dispõe em seu art. 6º e parágrafos: Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2º Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3º Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4º No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados Fl. 785DF CARF MF Processo nº 13603.721779/201467 Acórdão n.º 2202004.851 S2C2T2 Fl. 783 7 índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6º Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. O texto legal, portanto, permitiu o arbitramento dos rendimentos omitidos utilizandose depósitos bancários injustificados desde que demonstrados os sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível, e desde que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. Percebese claramente que, na vigência da Lei nº 8.021, de 1990, o fator que permitia presumir a renda omitida eram os sinais exteriores de riqueza, que deviam ser comprovados pela fiscalização, e não os depósitos bancários injustificados, mero instrumento de arbitramento. Porém, a partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021, de 1990, com a entrada em vigor da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cujo art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...) Art. 88. Revogamse: (...) Fl. 786DF CARF MF 8 XVIII o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990; Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Como regra, para alegar a ocorrência de fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Porém, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, a produção de tais provas é dispensada. Sobre a questão, estabelece o Código de Processo Civil, nos seus artigos 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. No texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas (Justec, RJ, 1979, pg. 806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é presunção relativa (juris tantum), a qual admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte, a sua produção. No caso em tela, a fiscalização, de posse dos valores movimentados nas contas do contribuinte mantidas junto às instituições financeiras, intimouo a comprovar e justificar documentalmente a origem dos depósitos nelas efetuados. Por comprovação de origem, entendese a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder identificar a natureza da transação, se tributável ou não. Fazse necessário esclarecer que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 13603.721779/201467 Acórdão n.º 2202004.851 S2C2T2 Fl. 784 9 Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Assim sendo, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente fiscal tão somente a inquestionável observância do diploma legal. À vista do exposto, concluise que não cabe razão ao impugnante ao defender a impossibilidade de efetuar o lançamento do IRPF exclusivamente com base nos dados de depósitos bancários, sob a alegação de que os simples aportes financeiros em conta não representam disponibilidade econômica de renda e proventos de qualquer natureza. A defesa afirma que não há uma correlação natural entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos que pudesse dar suporta a considerálos como fato gerador do imposto de renda de pessoa física. Vai alem, ao alegar que existiria uma inadequação na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, pois entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura. Segundo a tese da defesa, a presunção estabelecida na legislação não eximiria a administração tributária de comprovar o auferimento da renda, fato gerador do imposto. Deduzse dessas considerações que a defesa questiona os próprios dispositivos da Lei nº 9.430, de 1996, que tratam da tributação com base em presunção. A esse respeito, é preciso ressaltar que aos julgadores do processo administrativo fiscal não foi dada a competência para decidir sobre a validade das leis ou negar eficácia à legislação em vigor, seja a que pretexto for, estando a eles vinculados por dever de ofício. Mesmo a alegação de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo é passível de acolhimento pela DRJ somente na hipótese deste terem sido declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal em via direta (Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, art. 1º, § 1º) ou indireta, com ou sem suspensão de execução da norma pelo Senado Federal (Decreto nº 2.346, de 1997, art. 1º, §§ 2º e 3º, e art. 4º, parágrafo único), consoante entendimento exarado no Parecer PGFN/CREN nº 948, de 1° de julho de 1998. De qualquer forma, equivocase a defesa ao afirmar não haver nenhuma correlação natural entre os recebimentos de depósitos bancários e a omissão de rendimentos que constituam o fato gerador do imposto de renda de pessoa física. Pelo contrário, a existência de depósitos bancários em grande monta, cuja origem não tenha o contribuinte logrado comprovar, é um indício forte de que tenha havido omissão de rendimentos. Não é por outro motivo que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, erigiu esse indício à condição de presunção legal, que, todavia, é relativa, pois admite prova em contrário. Fl. 788DF CARF MF 10 Quanto à Súmula nº 182, de 1985, do extinto TRF, invocada pelo impugnante (“É ilegítimo o lançamento de imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos bancários”), é preciso salientar que ela se refere a fatos ocorridos anteriormente ao advento da Lei nº 9.430, de 1996, de modo que, a exemplo do restante da jurisprudência mencionada pelo impugnante, não se aplica aos fatos geradores alcançados pelo novo disciplinamento legal dado à matéria. Rejeito igualmente a tese da defesa de que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, teria sido revogado pelo art. 5º, parágrafo 4º, da Lei Complementar nº 105, de 2001, que dispõe sobre o sigilo das operações de instituições financeiras. Assim dispõe o referido artigo (os destaques foram acrescidos): Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (...) § 2º As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. (...) § 4º Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. Como se nota, o artigo 5º trata do fornecimento de informações pelas instituições financeiras, à administração tributária da União, relativas às operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Essas informações se restringem à identificação dos titulares das operações e aos montantes globais mensalmente movimentados, sendo vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados (parágrafo 2º). O que o parágrafo 4º supramencionado prevê é que, de posse das informações assim prestadas pela instituição financeira, a autoridade interessada pode requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para apuração dos fatos, quando detectar indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal. E essa fiscalização é feita, inclusive, com base legal no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. É forçoso concluir, portanto, que o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não foi revogado de forma alguma pelo art. 5º, parágrafo 4º, da Lei Complementar nº 105, de 2001, seja por que nele não consta a revogação expressa, seja por que sequer regulou a matéria a que se refere o dispositivo supostamente revogado. A alegação não procede de forma alguma. Então, de tudo que consta destes autos, sou do parecer de que o lançamento foi efetuado em consonância com a legislação nele apontada. Os diversos argumentos apresentados pela defesa para refutar a presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 – como, por exemplo, i) que as disposições do referido Fl. 789DF CARF MF Processo nº 13603.721779/201467 Acórdão n.º 2202004.851 S2C2T2 Fl. 785 11 artigo não destoariam do enunciado do art. 6º, parágrafo 5º, da Lei nº 8.021, de 1990, revogado pela própria Lei 9.430; ii) que seria equivocado pretender retirar do dispositivo em questão uma suposta presunção juris tantum em favor do fisco, que o autorizasse a exigir imposto de renda sobre meros créditos bancários, sem maiores aprofundamentos investigatórios relativamente à presença de renda consumida ou à demonstração de outros elementos fáticos vinculados à movimentação da renda; ou iii) que aquele artigo, assim como antes já o fazia o art. 6º, parágrafo 5º, da Lei 8.021, de 1990, não trouxe qualquer inversão do ônus quanto à prova da ocorrência do suporte fático tributário, porque o dever de lançar não envolve um ônus, mas um dever de natureza constitucional; etc. – não procedem e não têm o condão de afastar a exigência fiscal regularmente formalizada. Finalmente, no tocante ao despacho de fl. 689/691, encaminhados pelo Ministério Público Federal, no qual se noticia a oitiva do interessado em inquérito policial instaurado para apurar a prática de crime capitulado nos art. 1º, I, da Lei nº 8.137, de 1990, e art. 1º da Lei nº 9.613, de 1998, é mister registrar que as alegações apresentadas naquela ocasião não têm reflexo no presente contencioso. De fato, segundo a procuradora federal que assina o documento em questão, o impugnante afirmou no inquérito policial, entre outras coisas, ter oferecido sua conta bancária para que seu sobrinho ANTÔNIO AUGUSTO SAMPAIO ANDRADE, que seria proprietário de uma empresa chamada SAMPA BRASIL, atuando no comércio de roupa, pudesse movimentar cheques advindo dessa atividade. A versão foi confirmada na oitiva de ANTÔNIO AUGUSTO SAMPAIO ANDRADE. Ocorre que o impugnante não apresentou tais fatos nem para a fiscalização nem na sua impugnação. E mesmo que o tivesse feito, meras alegações desacompanhadas dos documentos hábeis e idôneos a comprovar a origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários não são suficientes para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Os únicos documentos que instruem a impugnação são cópias de cheques devolvidos, que a autoridade fiscal não computou na apuração dos rendimentos omitidos. Assim, não tendo o contribuinte comprovado com documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nas operações de crédito em suas contas, seja quando foi intimado pela fiscalização, seja agora, na impugnação, comprovada está a omissão de rendimentos apontada no lançamento, que por isso deve ser mantida. Da Conclusão Isso posto, voto no sentido de julgar IMPROCEDENTE a impugnação, a fim de que seja mantido o crédito tributário constituído no lançamento de ofício. Como remate, vale mencionar, já que não abordado especificamente pela decisão de piso, que, ao contrário do que insinuado na peça recursal, a fiscalização já procedeu ao expurgo dos rendimentos que haviam sido informados nas DIRPFs, bem como dos créditos associados a estornos, resgate de investimentos, etc. Fl. 790DF CARF MF 12 Tal fato está devidamente circunstanciado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 14/22), havendo inclusive o contribuinte recebido, via intimação datada de 20/03/2014, "Demonstrativo dos Valores Creditados em Contas Não Sujeitos à Comprovação de Origem, constituídos de 16 (dezesseis) folhas, decorrentes de estorno de lançamentos, cheques devolvidos, movimentação entre contas de investimentos, transferências entre contas corrente do titular, benefícios de aposentadoria, etc". Não assiste razão ao recorrente, portanto, também por essa via. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 791DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.964575/2009-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição não-cumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15374.964575/2009-28
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5939927
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-000.974
nome_arquivo_s : Decisao_15374964575200928.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 15374964575200928_5939927.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição não-cumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7550426
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146423107584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.964575/200928 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3301000.974 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 23 de outubro de 2018 Assunto COMPENSAÇÃO Recorrente ETEO EMPRESA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA DO OESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição nãocumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 64 57 5/ 20 09 -2 8 Fl. 670DF CARF MF Processo nº 15374.964575/200928 Resolução nº 3301000.974 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem que indeferira o pedido de restituição e não homologara a compensação declarada, relativamente a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a homologação da compensação ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, alegando que haviam ocorrido meros equívocos no preenchimento da DCTF, posteriormente retificada, e que deveria ser observado o princípio da verdade material, conforme jurisprudência correlata. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que apenas os créditos líquidos e certos eram passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, arguiu a sua tempestividade e requereu a reforma da decisão de piso, por contrariar o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 2/2015 e os princípios da verdade material, ampla defesa e legalidade, dada a efetiva existência do crédito pleiteado, conforme cálculos e documentos carreados aos autos. É o relatório. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 15374.964575/200928 Resolução nº 3301000.974 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3301000.965, de 23/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 15374.964566/200937, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301000.965): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Tempestividade A Recorrente sustenta a tempestividade do recurso, nos seguintes termos: Em 03.07.2015, foi certificada nos presentes autos, equivocadamente, a ciência eletrônica da Requerente dos termos do Acórdão acerca da Manifestação de Inconformidade apresentada, por decurso de prazo de 15 dias contados da disponibilização do documento na sua Caixa Postal do eCAC. Ocorre que, conforme exigência constante do art. 23, III, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, intimação por meio eletrônico depende, necessariamente, de que o contribuinte tenha realizado a efetiva e expressa opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), mediante envio, à RFB, de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendo, portanto, inválida a intimação eletrônica realizada no presente feito em 03.07.2015. Isto porque, em 03.07.2015 (data da certidão de ciência eletrônica nos presentes autos), a ora Requerente ainda não havia feito a opção pelo DTE, conforme se verifica do Termo de Opção/Autorização em anexo, datado de 22.10.2015 (Doc. 01). Cumpre registrar que esse equívoco da RFB em realizar/considerar a intimação eletrônica de decisão administrativa sem que o contribuinte tivesse feito opção pelo DTE vinha ocorrendo de forma reiterada, o que forçou a Requerente a ajuizar, em 17.12.2014, ação declaratória para que fosse declarada a inexistência de relação jurídica que autorizasse a União Federal a proceder intimações/ciências de atos/decisões processuais por meio eletrônico, eis que inexistente autorização/opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, e dos §§ 1º e 2º, do artigo 4º, da Portaria SRF nº 259/2006, devendo serem as intimações/cientificações dos atos/termos processuais realizados tão somente de forma pessoal ou via postal, enquanto não realizada a aludida opção/autorização mediante Termo de opção ao DTE (Doc. 02). Assim, em 27.01.2015, foi proferida decisão liminar, em sede de Agravo de Instrumento (processo nº 000040349.2015.4.02.0000), assegurando o direito da ora Requerente de não ser intimada de decisões administrativas por meio eletrônico (DTE) até a realização da opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (Doc. 03), o que, frisese, só ocorreu em 22.10.2015 (v. doc. 3). Em manifestação sobre a questão, no despacho de efls. 365 a 370, a DICAT DEMACRJO: Fl. 672DF CARF MF Processo nº 15374.964575/200928 Resolução nº 3301000.974 S3C3T1 Fl. 5 4 6. Argumenta o contribuinte que a sua opção ao DTE foi efetivada no dia 22/10/2015, mediante certificação digital no Portal e–CAC, bem assim que tivera acesso à intimação/ciência n° 969/2015 e documentos instrutivos, à fl. 192, somente no dia 20/02/2017, aproximadamente 16 (dezesseis) meses depois da disponibilização do documento. No comunicado denominado “Ciência Eletrônica por Decurso de Prazo”, o contribuinte foi considerado cientificado no dia 03/7/2015, 15 (quinze) dias contados a partir da data de disponibilização dos documentos na sua caixa postal, conforme documento à fl. 195, data que, de fato, é anterior à sua adesão ao DTE, lapso temporal que “espelha” o cerne da discussão, que compreende basicamente as consequências advindas do fato de a opção ao DTE ter sido efetivada em data posterior à data de “postagem” (disponibilização) da comunicação/intimação. (..) 11. No momento em que a correspondência/mensagem é aberta, considerase perfeita a intimação realizada mediante envio de documento digital à caixa postal de contribuinte, porque dada a ciência do teor da intimação e dos documentos instrutivos. Nesse sentido, encontrase a jurisprudência, há muito, sedimentada no que se refere ao reconhecimento da validade de correspondência, considerando requisitos indispensáveis ao aperfeiçoamento da ciência que a intimação tenha sido (i) enviada ao endereço constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) do contribuinte e (ii) assinada por funcionário da empresa, o que torna irrelevante o fato de o documento recebido ter sido ou não entregue ao responsável por sua análise, sendo bastante e suficiente que tenha sido entregue no endereço certo e recebido por pessoa autorizada a fazêlo. 12. Por essa razão, e respeitadas as devidas peculiaridades de cada modalidade de intimação, não seria razoável aceitar a alegação do contribuinte de que somente teve efetivamente acesso ao documento no dia 20/02/2017, quando tomou ciência dos documentos digitais relativos à cobrança amigável pelo eCAC, situação que se assemelharia à hipótese (remota) na qual um contribuinte recebe uma correspondência em sua residência ou estabelecimento comercial, assina o aviso de recebimento (AR) e decide não abrir o envelope, simplesmente porque acredita ser uma faculdade/liberalidade fazêlo apenas quando lhe for conveniente, bem assim que a data de ciência da intimação seria a data de abertura do envelope, em vez da data de recebimento da correspondência. 13. Faz tanto sentido a assertiva anterior que, mediante consulta ao sistema CXPOSTALRFB, constatamos que a primeira leitura da “comunicação simples” ora discutida foi realizada no dia 24/6/2016, existindo 62 (sessenta e duas) outras mensagens (comunicação simples/ato oficial) efetivamente “lidas” pela TAESA de 22/10/2015 até 17/02/2017, período compreendido entre a data de adesão ao DTE e o dia anterior à (suposta) ciência do acórdão combatido. 14. Em que pese a implementação da condição estabelecida pelo Relator do agravo de instrumento, mediante adesão ao DTE no dia 22/10/2015, data a partir da qual (i) a intimação tornouse válida, eficaz e exequível e (ii) passou a ser obrigatório o cumprimento do compromisso assumido no termo de opção, mais precisamente o acesso regular da sua caixa postal com a correspondente ciência de comunicações/ato oficial que porventura tenham sido enviados pela RFB, constata se que a TAESA “renunciou” ao seu direito de defesa, seja no tocante à apresentação de recurso contra o Acórdão n° 1449.935, de 24/4/2014, ou ainda, apenas por amor ao debate, à reclamação da nulidade da intimação, decidindo agir tão somente quando julgou ser mais “conveniente”, precisamente 16 (dezesseis) meses depois de ter formalizado o termo de opção pelo DTE. Em suma, para a DICAT, desde 22/10/2015, data da efetiva opção pelo DTE, o contribuinte deveria ter regularmente acessado a comunicação/intimação discutida que fora enviada para a caixa postal correspondente à sua disposição Fl. 673DF CARF MF Processo nº 15374.964575/200928 Resolução nº 3301000.974 S3C3T1 Fl. 6 5 no Portal eCAC, praticando, ato contínuo, os atos de defesa pertinentes, mas preferiu, entretanto, manterse “inerte” até o dia 20/02/2017. Todavia, a prescrição do art. 23, III, § 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72, é clara de que a adesão ao DTE depende de expresso consentimento do sujeito passivo. A empresa optou pelo Domicílio Tributário Eletrônico somente em 22/10/2015 e tomou ciência do Acórdão de Julgamento apenas em 20/02/2017, quando acessou eletronicamente os autos do presente processo em razão da mensagem enviada para a caixa postal para a intimação da cobrança amigável. Concordo com a Recorrente no sentido de que a ciência certificada nos autos em 03/07/2015 não operou efeitos, eis que anterior à efetiva opção pelo DTE em 22/10/2015. A unidade de origem deveria ter intimado o contribuinte de outra forma prescrita no art. 23 diante de sua falta de opção pelo DTE ou, após a opção, deveria têlo cientificado novamente. A administração tributária se manteve inerte diante desse lapso cometido. Dessa forma, entendo como plausível que se tenha como data da intimação da decisão de piso, a data de acesso aos autos, nos termos do art. 23, § 2°, III, “c”, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, voto pela tempestividade do recurso voluntário, motivo pelo qual analisoo a seguir. Ônus da prova – recolhimento indevido A Recorrente pleiteia a compensação de pagamento indevido de PIS, não cumulativo, referente ao fato gerador de 31/08/2004, no valor de R$ 39.937,14 (e DCOMP nº 08629.35740.300507.1.3.044200). O despacho decisório indicou que o DARF relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado para extinguir o próprio tributo, não restando crédito a restituir. Em impugnação, a empresa alegou ter havido erros no preenchimento da DCTF, que foi posteriormente retificada. A DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade, com as seguintes razões: a A Recorrente deveria ter retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/DCOMP; b A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório não confere reforma do ato administrativo, pois no momento de sua expedição, a motivação estava correta. Neste sentido, a contribuinte anexou à peça recursal a DCTF retificadora, alterada em 17/11/2009, e fora cientificada do despacho decisório em 21/10/2009; c Não houve prova do suposto recolhimento a maior. Em defesa, não juntou qualquer documento que comprovasse os valores recolhidos indevidamente ou maior que o devido; Fl. 674DF CARF MF Processo nº 15374.964575/200928 Resolução nº 3301000.974 S3C3T1 Fl. 7 6 d Não basta a retificação da DCTF, deveriam ser apresentados os livros contábeis e fiscais revestidos das formalidades legais, a natureza da receita, bem assim o seu valor, além da documentação probatória pertinente. De fato, a restituição ou compensação demanda suporte documental mínimo comprobatório dos direitos creditórios requeridos, para atestar a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte, nos termos do art. 170 do CTN. Dessa forma, o contribuinte deve comprovar a efetividade do recolhimento e das bases de cálculo sobre as quais foram realizados os recolhimentos a maior. Em regra geral, considerase que o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito (art. 373, CPC/2015), consequentemente, é do próprio contribuinte o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao ressarcimento. A prova a favor do contribuinte perante o Fisco, quanto à existência de direito pretendido, deve estar calcada em documentos fiscais hábeis e idôneos. A liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através do DARF, da comprovação das bases de cálculo sobre as quais incidiram o tributo e, através de outros documentos. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente anexou os documentos que entende comprovarem seu direito ao creditamento, decorrente de PIS pago indevidamente na sistemática nãocumulativa, (cód. 6912), no mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14. E, tece as seguintes justificativas: (i) A Recorrente é sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e, em 2000, celebrou com a União, por intermédio da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL, o Contrato de Concessão nº 040/2000, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão TaquaruçuAssis, pelo prazo de 30 (trinta) anos. (ii) As suas receitas decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, são tributadas pelo PIS e COFINS no regime cumulativo, nos termos do art. 10, da Lei nº 10.833/2003; (iii) Apurou e recolheu o PIS na sistemática nãocumulativa (código de receita nº 6912), calculado sobre suas receitas decorrentes dos serviços de transmissão de energia elétrica, de 2004 até 2006; (iv) Por intermédio da Lei nº 11.196/2005, da Instrução Normativa SRF nº 658/2006 e da Nota Técnica de nº 224/2006 SFF/ANEEL, a empresa recompôs a base imponível do PIS, do mês de agosto de 2004, apurando, com base no regime cumulativo, o débito a pagar no valor de R$ 39.894,73, nascendo aí o pagamento indevido a título de PIS não cumulativo (código 6912) no valor total de R$ 111.576,654 (R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51), recolhidos nas datas de 15/09/2004 e 10/06/2005, respectivamente; (v) Resume a apuração correta da contribuição para o PIS, calculada com base no regime cumulativo (para a receita da atividade) e nãocumulativo (para as receitas financeiras), após a recomposição de sua base imponível para o mês de agosto de 2004, dessa forma: Fl. 675DF CARF MF Processo nº 15374.964575/200928 Resolução nº 3301000.974 S3C3T1 Fl. 8 7 Adiante acrescenta: Como o regime de PIS/COFINS a que se submete a receita de prestação de serviços de transmissão de energia elétrica auferido pela Recorrente é o cumulativo, conforme esclarecido acima, foi necessário retificar a DCTF do 3º trimestre de 2004 para declarar somente o débito de PIS cumulativo (código 8109) e não mais o débito de PIS com base no regime nãocumulativo (código 6912). Para tanto, a Recorrente procedeu à retificação dessa DCTF em 12.07.2007, ou seja, bem antes da ciência do Despacho Decisório (em 21.10.2009). Nessa DCTF retificadora do 3º trimestre de 2004 (recibo nº 26.443.892.6560 doc. 10), a Recorrente já declarava o débito do PIS cumulativo (código 8109) do mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14, bem como a sua quitação através de compensação (PER/DCOMP nº 38114.19893.300507.1.3.046124). Nesse documento não foi declarado nenhum valor de débito de PIS pelo regime não cumulativo (código 6912), seja porque as receitas de sua operação não mais se enquadravam nesse regime, seja porque as demais receitas auferidas no período eram de natureza financeira e sujeitavamse à alíquota zero por força do Decreto nº 5.164/2004, conforme se pode notar pelo DACON retificador (doc. 11) e pela DIPJ 2005, retificadora, página 36 (doc. 12). Esses foram os motivos que tornaram indevidos todos os pagamentos de PIS (código 6912) efetuados por meio de DARF, do período de apuração agosto de 2004. Ocorre que a Recorrente quando do preenchimento da DCTF retificadora do 3º trimestre de 2004, apresentada em 12.07.2007, não demonstrou os créditos de PIS nãocumulativo, eis que não devia nenhum débito desta contribuição neste regime. Mas certo que a Receita Federal do Brasil – RFB mantinha em seus cofres o valor desta contribuição outrora recolhido, indevidamente, pela Recorrente, via DARF, no valor total de R$ 111.576,65 (incluído principal, juros e multa). Reiterese que o pagamento do PIS no regime nãocumulativo (cod. 6912) foi feito indevidamente e não a maior. Logo, os DARF´s recolhidos inapropriadamente, a rigor, não precisariam ter sido indicados em DCTF, pois desvinculados de qualquer débito e impropriamente recolhidos. Desta feita, de pronto, revelam crédito a favor do contribuinte. Esta foi a situação exteriorizada através da retificação tempestiva da DCTF de 12.07.2007, mas, no entanto, o direito creditório não foi reconhecido pela fiscalização. Por essa razão, no momento em que a Recorrente teve seu pedido de compensação denegado (objeto do Despacho Decisório nº 848597880), visando uma forma de a RFB ‘enxergar’ o crédito fiscal a seu favor, foi que a Recorrente optou por retificar novamente a DCTF do 3º trimestre de 2004 (em 17.11.2009 – recibo 10.95.50.79.0608 – doc. 13), ratificando os créditos de PIS cumulativo (8109) e incluindo como débito a título de PIS nãocumulativo do mês de agosto de 2004 o valor simbólico de R$ 0,016 para viabilizar a vinculação dos pagamentos, realizados, via DARF, com o código de receita nº 6912, no valor total de R$ 111.576,65 (R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51, respectivamente – v. doc. 7). Frisese que o crédito requerido consta (e já constava anteriormente ao citado Despacho Decisório) evidenciado também no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON retificador (v. doc. 11) e na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2005 retificadora (v. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 15374.964575/200928 Resolução nº 3301000.974 S3C3T1 Fl. 9 8 doc. 12), nos quais foram indicados: i) a base de cálculo do PIS do mês de agosto de 2004; ii) o valor a pagar com incidência cumulativa (R$ 39.937,14); iii) o valor a pagar com incidência nãocumulativa (R$ 0,00). (...) O crédito relativamente ao pagamento indevido do PIS não foi reconhecido com a apresentação tempestiva da DCTF retificadora em 12.07.2007 e, por essa razão, em 17.11.2009, a contribuinte apresentou uma nova declaração retificadora, tentando deixar claro para a autoridade fiscal o indébito fiscal. Então, em seu recurso voluntário, objetivando comprovar as suas alegações, anexou: Contrato de concessão nº 040/2000 DARFs PIS (código 6912) 08/2004 R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51 DOC. 8 LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 6.1.1.01.0001 BALANCETE DE VERIFICAÇÃO Ago/2004 DCTF 3º TRIM/04 RETIFICADORA Nº 26.44.38.92.6560 DACON RETIFICADOR 3º TRIMESTRE DE 2004 DIPJ 2005, RETIFICADORA, PÁGINA 36 DCTF RETIFICADORA Nº 10.95.50.79.0608 DIPJ 2005, ORIGINAL, PÁGINA 36 LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 6.1.1.02.0001 (PIS) LIVRO RAZÃO 2004 CONTA 1.2.1.01.0035 Anteriormente, em manifestação de inconformidade, juntou: A DCTF retificadora de 17/11/2009 com o intuito de exteriorizar o crédito fiscal A primeira DCTF retificadora processada pela Receita Federal do Brasil em 12/07/2007 os DARFs de R$ 39.937,14 e R$ 71.639,51 (comprobatórios dos recolhimentos indevidos de PIS nãocumulativo código 6912) do mês de agosto de 2004 o DACON retificador do 3º trimestre de 2004, e a DIPJ 2005, retificadora Diante disso, a interessada não mais se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do PAF. Logo, entendo que deve ser analisada a legitimidade de seu crédito. Com isso, assiste razão à Recorrente quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Fl. 677DF CARF MF Processo nº 15374.964575/200928 Resolução nº 3301000.974 S3C3T1 Fl. 10 9 O indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “constitui” o direito de crédito. Logo, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove documentalmente o seu crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Precedente. Recurso provido. 3802003.956, 2ª Turma Especial: PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO DEVIDAMENTE EFETUADA. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito ausência de retificação da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, sempre que apresentada prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Direito de crédito comprovado. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Fl. 678DF CARF MF Processo nº 15374.964575/200928 Resolução nº 3301000.974 S3C3T1 Fl. 11 10 Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Por conseguinte, é necessária a realização de diligência para que a autoridade fiscal proceda à análise da documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito de PIS, nãocumulativo, (cód. 6912), no mês de agosto de 2004, no valor de R$ 39.937,14. Para tanto: a) Analise a documentação acostada nas efls. 566 a 625 e 631 a 657, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado nas efls. 394 a 397, para se aferir Fl. 679DF CARF MF Processo nº 15374.964575/200928 Resolução nº 3301000.974 S3C3T1 Fl. 12 11 a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; d) Elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dar vista à empresa recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem verifique a existência do crédito da contribuição não cumulativa (PIS/Cofins), no período e valor sob comento neste processo. Para tanto: a) analise a documentação acostada aos autos, bem como o demonstrativo de cálculo apresentado, para se aferir a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informe se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclareça se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. Em seguida, dar vista ao Recorrente para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 680DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13709.000810/2002-19
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Edgar Bragança Bazhuni.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s :
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13709.000810/2002-19
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5924908
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1001-000.823
nome_arquivo_s : Decisao_13709000810200219.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13709000810200219_5924908.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA- Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
dt_sessao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
id : 7506920
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:59 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146454564864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1414; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 2 1 1 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13709.000810/200219 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.823 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 2 de outubro de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Recorrente SWISSPORT BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COMPENSAÇÃO ANOSCALENDÁRIO 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora, consoante artigo 80, da IN 900/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa e Edgar Bragança Bazhuni. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 9. 00 08 10 /2 00 2- 19 Fl. 387DF CARF MF 2 Tratase Recurso Voluntário contra o acórdão, número 1641.001, da 7ª Turma da DRJ/SP1, o qual homologou parcialmente os pedidos de compensação efetuados pela recorrente. O processo versa acerca pedidos de restituição cumulados com pedido de compensação e DCOMP eletrônicas formalizados pelo requerente com a finalidade a quitação dos débitos abaixo discriminados com crédito proveniente de saldo negativo de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) atinente aos anoscalendário de 1997 a 2002. No curso da análise da matéria, observouse que os pedidos de compensação e a declaração de compensação (formulário em papel) revelavam, originalmente, que a pretensão do contribuinte objetivava compensar os débitos neles veiculados com pretenso crédito oriundo de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa (IRRF – Cód. Rec. 3426) e IRRF sobre Remuneração de Serviços Prestados por Pessoa Jurídica (IRRF– Cód. Rec. 1708). Salientouse, porém, que em 24/11/2005 ocorreu a transmissão do PER/DCOMP nº 39368.36051.241105.1.3.020170, através do qual se consignou o número do processo em referência e a indicação de que o crédito originavase de saldo negativo de IRPJ apurado no anobase de 2001, no valor total de R$ 164.803,74. Particularmente em relação à DCOMP eletrônica supracitada, certificou também que ela mencionava parte dos débitos noticiados nos pedidos de compensação, com exceção àquele constante do pleito instruído à fl. 39, cujo valor compensado foi reduzido de R$23.290,59 para R$ 11.033,34, visando seu ajustamento ao montante do crédito pleiteado anteriormente. Assim sendo, inferiu que a DCOMP eletrônica constituise em retificação de parcela dos pedidos de compensação formulados pelo contribuinte, cuja transmissão objetivou a correção de inexatidão material da origem do crédito, portanto, encontrando respaldo nos termos do art. 57 e 58 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 18/10/2004. Outrossim, enfatiza que a aludida PER/DCOMP transferiu para aquela data o termo inicial de contagem do prazo de homologação dos pedidos de compensação convertidos para declaração de compensação, consoante disposto no art. 59 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28/12/2005. Conquanto tais assertivas, diante da alteração do endereço da pessoa jurídica para o município de São Paulo/SP, promoveuse a remessa dos processos correlatos (raiz e apensado) para a DERAT/SP, em 11/11/2009, objetivando a apreciação das compensações pleiteadas (fls. 224/225). A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório EQPIR/PJ, de 19/05/2010 (fls. 278/285), segundo o qual restou decidido: (I) RECONHECER INTEGRALMENTE os créditos pleiteados a título de saldo negativo de IRPJ apurados nos anoscalendário de 1997 a 1999. (II) RECONHECER PARCIALMENTE o direito creditório proveniente dos saldos negativos de IRPJ apurados nos anosbase de 2000 a 2002, Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13709.000810/200219 Acórdão n.º 1001000.823 S1C0T1 Fl. 3 3 (III) HOMOLOGAR as compensações declaradas até o limite dos créditos reconhecidos pela autoridade administrativa Cientificada em 27/05/2013, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 25/06/2013. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente: Preliminar de decadência – o despacho decisório foi recebido em 14/06/2010, ou seja mais de 5 anos da data em que a fiscalização poderia rever a compensação, portanto, homologação tácita; · a DRJ alegou a inexistência da decadência, para o crédito em discussão, uma vez que a recorrente apresentou uma PER/DCOMP retificadora em 25/11/2005 e que tratava somente do mês de abril de 2002; · o prazo decadencial deve ser contado do dia seguinte ao da compensação, cita decisão judicial; · se não houve alteração dos créditos lançados pela autoridade fiscal relativamente à retificadora entregue, não há o que dizer sobre novo prazo para contagem de prazo de decadência; Existência do pagamento e compensação como forma de extinção da obrigação tributária · o julgador determinou a alteração do crédito fiscal de R$25.426,29 para R$43.790,00, ou seja com um incremento de R$18.364,21; · afirma que ambos os valores foram quitados, seja pela homologação de R$18.364,21 ou pelo pagamento de R$25.426,29, portanto, devem ser cancelados; · ressalta que os créditos podem ser cancelados a qualquer tempo nos termos do artigo 52, da Lei 9.784/1999; Fl. 389DF CARF MF 4 · ad argumenta que, caso os elementos não sejam suficientes para o integral cancelamento do débito, que seja reaberta diligência de forma a restar claro a inexistência de qualquer dívida; e · culmina requerendo que o recurso voluntário seja acolhido e julgado improcedente o lançamento de ofício da COFINS. Em seu relatório, a DRJ menciona que: Preambularmente, cumpre instar que o exame dos autos certificou que os termos do despacho decisório objeto do litígio alcançam a análise de pedidos de declaração e DCOMP transmitidos em formulário papel, cujas datas de entrega extrapolam o limite temporal conferido à autoridade competente para lavratura de decisão administrativa que ateste a admissibilidade ou não da homologação das compensações. Nesse sentido, embora não suscitado na defesa interposta pelo interessado, cumpre manifestarse quanto à eficácia do despacho decisório em relação às compensação veiculadas naqueles pedidos e DCOMP, sobretudo quanto a ocorrência da homologação tácita das compensações em face do decurso de prazo para que a DERAT/SP promovesse a lavratura da competente decisão administrativa. Vale inaugurar o exame da questão retomando que o advento do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, alterada pelas redações dadas pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30/12/2002, e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, instituiuse a matriz legal que preceitua as condições e garantias concernentes à compensação de créditos do sujeito passivo com débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), cujos excertos, abaixo reproduzidos, norteiam as formalidades e prazos de homologação da compensação declarada: ... Neste contexto, considerando que a ciência do despacho decisório em litígio ocorreu em 14/06/2010 (fls. 286/287), seguro inferir a ocorrência da homologação tácita em relação aos pedidos de compensação e DCOMP supracitados, conforme se pode constatar pela observância das informações reproduzidas no quadro abaixo: ... Conquanto as inferências acima reportadas, é importante acentuar que a caracterização da homologação tácita em nada prejudica o resultado do exame da certeza e liquidez dos créditos postulados, bem como o aproveitamento dos valores dos débitos compensados para efeito de determinação dos saldos remanescentes associados aos pedidos de restituição formalizados pelo contribuinte. Destarte, impõese reformar parcialmente os termos do despacho decisório e reconhecer de ofício a homologação tácita das compensações vinculadas aos pedidos de compensação e DCOMP supracitados. DO MÉRITO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO PARA EXTINÇÃO DA INTEGRALIDADE DOS DÉBITOS DECLARADOS. Encerrada a análise da questão incidental supracitada, cumpre examinar a situação da DCOMP eletrônicas remanescentes, abaixo especificadas, cujas respectivas transmissões visaram a compensação dos débitos neles reportadas com Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13709.000810/200219 Acórdão n.º 1001000.823 S1C0T1 Fl. 4 5 os créditos de saldo negativo de IRPJ apurados nos anosbase de 2000 e 2002, quais sejam: PER/DCOMP: 39368.36051.241105.1.3.020170 Transmitida em: 24/11/2005 (fls 211/216) Credito original utilizado na DCOMP: R$164.803,74 Valor total de débitos na DCOMP: R$202.791,00 PER/DCOMP: 35144.90518.290906.1.7.029200 (*) Transmitida em: 29/06/2006 (fls 269/273) Credito original utilizado na DCOMP: R$45.389,63 Valor total de débitos na DCOMP: R$60.531,61 (*) Retificadora da PER/DCOMP nº 26785.89847.131004.1.3.022085. De acordo com os termos do despacho decisório, todavia, constatase que a autoridade administrativa proferiu decisão reconhecendo parcialmente os direitos creditórios provenientes dos saldos negativos de IRPJ apurados nos anosbase de 2000 e 2002, conforme abaixo: Valor do saldo negativo R$ Anocalendário declarado reconhecido 2000 40.221,59 38.403,18 2002 45.389,62 44.584,43 Importante repisar que os valores confirmados na decisão administrativa não foram objeto de qualquer manifestação em sentido contrário. Embora reconhecida a existência parcial dos valores originalmente postulados pelo contribuinte, a execução dos cálculos atrelados aos procedimentos de valoração e efetivação das compensações declaradas, certificou a insuficiência dos aludidos créditos para extinção de todas as importâncias veiculadas nas DCOMP correspondentes, conforme se visualiza, em síntese, por intermédio dos demonstrativos acostados às fls. 335/342. Sem embargo das inferências supracitadas, importa ressaltar que em relação à DCOMP eletrônica nº 39368.36051.241105.1.3.020170, notase que a declaração foi elevada à condição de retificadora dos pedidos de compensação formulados originalmente 18/03/2002 (fls. 2/3), 19/04/2002 (fls. 34 e 36) e 24/05/2002 (fls. 39/40), cujos pleitos pretendiam a compensação com créditos postulados nos pedidos de restituição carreados aos autos, circunstância esta que deve ser observada e analisada antes da remessa da cobrança de eventual saldo devedor remanescente. Ante o posto à mostra, particularmente em relação às DCOMP eletrônicas analisadas no mérito do presente acórdão, impõese manter inalterado os efeitos da decisão circunstanciada no despacho decisório, cabendo à autoridade preparadora examinar, todavia, a admissibilidade de prévia realização dos procedimentos de Fl. 391DF CARF MF 6 compensação de ofício dos saldos devedores remanescentes com os valores disponíveis dos créditos dos pedidos de restituição analisados no presente processo. Por fim, decidiu: 1) reconhecer de ofício a homologação tácita das DCOMP listadas (fl 354); 2) HOMOLOGA PARCIALMENTE as compensações vinculadas à DCOMP eletrônica nº 39368.36051.241105.1.3.020170, nos moldes do Relatório Analítico de Compensação de fl. 335/338, abaixo sintetizado, haja vista a insuficiência de crédito para extinção integral dos débitos reportados na declaração (fl 355); 3) HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação vinculada à DCOMP eletrônica nº 35144.90518.290906.1.7.029200, nos moldes do Relatório Analítico de Compensação de fl. 339/342, abaixo sintetizado, tendo em conta a insuficiência de crédito para extinção integral do débito associado à declaração; De todo o exposto, em relação ao pedido da recorrente no sentido de que sejam cancelados os débitos que já foram quitados, seja pela homologação de R$18.364,21 ou pelo pagamento de R$25.426,29, portanto, devem ser cancelados. Face às provas apresentadas nas folhas 382 e 383, onde temos um relatório de compensação e um DARF quitado nos valores respectivos, entendo que a unidade de origem deva proceder à correspondente análise para, se for o caso, cancelar os débitos lançados ou executar a cobrança.. Quanto à preliminar de decadência, suscitada pela recorrente, entendo que não lhe assiste razão, na medida em que a declaração (PER/DCOMP) retificadora substitui integralmente à originalmente entregue. De acordo com o artigo 80, da Instrução Normativa 900/2008: Art. 80. Admitida a retificação da Declaração de Compensação, o termo inicial da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 37 será a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora. Portanto, rejeito a preliminar suscitada, para, no mérito, negar provimento ao presente recurso e determinar que a unidade de origem proceda à devida análise para, se for o caso, cancelar os débitos ou executar a sua cobrança. Esta turma decidiu, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, não concordando, no entanto, por maioria qualificada de votos, com a parte final do voto: determinar que a unidade de origem proceda à devida análise para, se for o caso, cancelar os débitos ou executar a sua cobrança É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13709.000810/200219 Acórdão n.º 1001000.823 S1C0T1 Fl. 5 7 Fl. 393DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.722003/2012-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe negaram provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10840.722003/2012-10
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5929136
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2001-000.524
nome_arquivo_s : Decisao_10840722003201210.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 10840722003201210_5929136.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe negaram provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7521621
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146473439232
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1613; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.722003/201210 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.524 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 20 de junho de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente JOSE ADALBERTO RODRIGUES BRAGHETTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora), que lhe negaram provimento.Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 20 03 /2 01 2- 10 Fl. 62DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2010, anocalendário de 2009, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 30.182,79, por falta de previsão legal (despesas de não dependentes), gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$ 8.300,27, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação e juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que as despesas glosadas se referem a despesas próprias e de sua esposa. Por fim, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que não há previsão legal para dedução de despesas médicas que não sejam próprias ou de seus dependentes. Em sede de Recurso Voluntário, repisa os mesmos argumentos e repisa a suposta possibilidade de deduzir despesas de sua esposa, já que não foi utilizada na declaração própria. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10840.722003/201210 Acórdão n.º 2001000.524 S2C0T1 Fl. 3 3 ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os todos os documentos necessários a comprovar as despesas médicas incorridas por ele, no entanto não logrou êxito em comprovar a dependência de sua esposa para fins de dedução do imposto de renda. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou a situação de dependência da esposa , nos seguintes termos: “[...] A regra estabelecida na legislação acima exposta deixa claro que as deduções de despesas médicas se limitam às despesas do próprio contribuinte e de seus dependentes, cabendo ao outro cônjuge informar as despesas próprias quando apresentar declaração em separado. Excepcionalmente, no exercício de 2008, anocalendário de 2007, foi aberta a possibilidade de que um dos cônjuges declarasse a totalidade das despesas com plano de saúde quando o outro cônjuge apresentasse declaração no modelo completo e não aproveitasse a despesa. Possibilidade que não foi aceita para os exercícios subsequentes. O livro de perguntas e respostas do exercício de 2010, que orienta o preenchimento da declaração de ajuste do exercício não deixa margem a dúvidas: 359 — O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? E a pessoa física que constou como dependente em plano de saúde de outra poderá deduzir as suas despesas? O contribuinte, titular de plano de saúde, não pode deduzir os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado, pois somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas Fl. 64DF CARF MF 4 dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. A pessoa física que constou como beneficiário em plano de saúde de outra poderá deduzir as suas despesas com esse plano desde que fique comprovado o seu ônus financeiro, mediante documentação hábil e idônea (por exemplo: contrato de prestações de serviços do plano de saúde ou declaração do plano, além da comprovação da transferência de recursos ao titular do plano). Contudo, não há a necessidade de comprovação do ônus financeiro quando os beneficiários do plano de saúde também possam ser considerados dependentes, perante a legislação tributária, do titular do plano e que componham a unidade familiar, como por exemplo, entre cônjuges e entre pais e filhos, ainda que apresentem Declaração de Ajuste Anual em separado. Apesar dos argumentos da defesa no sentido de que o fato de o contribuinte informar o total das despesas não causaria prejuízos ao erário, tendo em vista os motivos já expostos nesta Decisão, não é possível aceitar as despesas de sua esposa como dedutíveis em sua declaração de ajuste, no exercício 2010. Em resumo, VOTO por julgar improcedente a impugnação, para manter, integralmente, o lançamento. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não ha permissão legal para tal a legislação apenas acata como dedutíveis as despesas médicas relativas ao interessado e a seus dependentes. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10840.722003/201210 Acórdão n.º 2001000.524 S2C0T1 Fl. 4 5 daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação da DRJ de que a contribuinte não atendeu ao quanto exigido por lei, voto pelo não acolhimento do recurso voluntário e manutenção do lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a glosa das despesas médicas acima mencionadas. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, Redator Designado. . Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros Fl. 66DF CARF MF 6 elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10840.722003/201210 Acórdão n.º 2001000.524 S2C0T1 Fl. 5 7 Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10940.000005/2006-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002, 2003
MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA.
Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
Numero da decisão: 9101-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/2006-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em exercício
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002, 2003 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplica-se a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10940.000005/2006-70
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928826
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.773
nome_arquivo_s : Decisao_10940000005200670.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10940000005200670_5928826.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/2006-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
id : 7519724
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051146568859648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1811; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10940.000005/200670 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.773 – 1ª Turma Sessão de 13 de setembro de 2018 Matéria ESTIMATIVA MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IBEMA COMPANHIA BRASILEIRA DE PAPEL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003 MULTA ISOLADA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. IMPUTAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO. MATÉRIA SUMULADA. Imputação de multa isolada por insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, e lançamento de multa de ofício. Sendo os fatos geradores anteriores ao ano de 2007, aplicase a Súmula nº 105 do CARF, sedimentada com precedentes da antiga redação do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que foi alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, para afastar a multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase aqui o decidido no julgamento do processo 10508.000384/200615, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator e Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 00 05 /2 00 6- 70 Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10940.000005/200670 Acórdão n.º 9101003.773 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face de decisão recorrida, para devolver a apreciação da matéria "afastamento da multa isolada de estimativas mensais aplicada ao mesmo tempo que a multa de ofício", relativamente ao(s) ano(s)calendário(s) de 2002, 2003. Despacho de exame de admissibilidade deu seguimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para decisão, idênticas àquelas verificadas no processo 10508.000384/200615, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.762, exarado em 13 de setembro de 2018, no âmbito do referido processo 10508.000384/200615. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, trechos do voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.762: (...) Quanto ao mérito, como já dito, a matéria devolvida, multa isolada por insuficiência de recolhimento estimativa mensal com imputação ao mesmo tempo que a multa de ofício, em ano calendário anterior a 2007, encontrase resolvida pela Súmula nº 105 do CARF: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (...) Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10940.000005/200670 Acórdão n.º 9101003.773 CSRFT1 Fl. 4 3 Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 561DF CARF MF
score : 1.0
