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Numero do processo: 13116.001653/2003-10
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL, - ITR
EXERCÍCIO: 1999
Ilegitimidade passiva. No incidência_
Constatada a imissão prévia do INCRA na posse do imóvel, é de
ser reconhecer a ilegitimidade passiva da contribuinte, bem assim
a não incidência do ITR.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 301-34.756
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: ITR - ação fiscal (AF) - valoração da terra nua
Nome do relator: JOÃO LUIZ FREGONAZZI
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Processo no 13116.001653/2003-10 Recurso n° 132.238 Voluntário Matéria IMPOSTO TER_RITORIAL Acórdão n° 301-34.756 Sessão de 12 de setembro de 2008 Recorrente ALDA. N4A RIA. 1\4 IINOTTO Recorrida DRJ/BRASILLAJE,F .A.ssurviro: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL, - ITR EXERCÍCIO: 1999 Ilegitimidade passiva. No incidência_ Constatada a imissão prévia do INCRA na posse do imóvel, é de ser reconhecer a ilegitimidade passiva da contribuinte, bem assim a não incidência do ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. OTACÍLIO DAC::—.\1n1 CARTAXO - Presidente --1104•— JOÃO LUIZ F7119r GONAZZI - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Cardozo Miranda., Valdete Aparecida Marinheiro e Priscila Taveira Crisóstomo (Suplente). Ausente as Conselheiras Irene Souza da 'Trindade Torres e Susy Gomes Ho ffmainn. . . Processo n" 13116.001653/2003-10 CCO3/C01 Acórdão n .° 301-34.756 Fls. 121 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da autoridade julgadora de primeira instância, abaixo transcrito. Contra a contribuinte interessada foi lavrado, em 05/12/2003, o Auto de Infração/anexos, de fls. 01/07, através do qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 196.934,80, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, do exercício de 1.999, mais multa de oficio (75,0%) e juros legais, calculados até 28/11/2003, em relação ao imóvel rural denominado "Fazenda Lagoa das Pedras" (N1RF 1.449.978-9), com 1.270,0 ha, localizado no município de 1111 Cabeceinã= GO. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR11999 incidentes em malha valor, iniciou-se com a intimação de .fls. 12, recepcionada em 05/05/2003 ("AR" de fls. 11), exigindo-se, no prazo de 20 (vinte) dias, a apresentação dos seguintes documentos: * Certidão ou Matríc. Atualizada do Registro Imobiliário; *Laudo de Avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel conforme NBR 8799, sob pena de alteração VTN declarado com base no VTN/ha constante no Sistema de Preços de Terras da SRF. Por não ter sido apresentado qualquer documento de prova, foi lavrado o presente Auto de Infração, glosando integralmente a área informada como sendo de utilização limitada (1.270,0 lia), e alterando o Valor da Terra Nua de R$ 0,01 para R$ 924.560,00, com conseqüentes aumentos da área tributável/área aproveitável e alíquota • aplicada no lançamento, disto resultando o imposto suplementar de R$ 79.502,16 conforme demonstrado pelo autuante às fls. 02. A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de ofício e dos juros de mora, encontram-se descritos às folhas 06 e 03, respectivamente. Cientificado do lançamento em 16/12/2003 (fls. 15), a interessada, por meio de procurador legalmente constituído, protocolizou em 15/01/2004, a impugnação de fls. 17/19, apoiada nos documentos de fls. 20 a 23. Em síntese, alega e solicita que: • o imóvel rural foi desapropriado pelo INCRA em 17/02/1997 por meio da competente ação judicial perante a I" Vara da Justiça Federal de Goiânia, processo 97.35.116-8, conforme demonstra a cópia da Certidão do Cartório do Registro de Imóveis de Cabeceiras - GO; • por ocasião do despacho da M.M. Juíza titular daquela vara, em 17/02/97, o INCRA foi imitido na posse da Fazenda Lagoa das Pedras; 2 . . Processo n° 13116.001653/2003-10 CCO3,t01 Acórdão n°301-34.756 Fls. 122 • em razão da imissão da posse é indevido o imposto por força do que determina o § I" do art. 1" da Lei n°9.393/96; • inobstante o CRI de Cabeceiras não ter mencionado nas certidões a imissão de posse é certo que a mesma foi concedida ao INCRA, que a partir daquela data concedeu a posse aos trabalhadores rurais; • cita duas jurisprudências para embasar seus argumentos; • segundo determina a Lei n" 8.171/91 o proprietário de imóvel rural tem prazo, a partir do ano seguinte à publicação da lei, mediante o plantio, em cada ano, de 1/30 da área total para complementar a referida reserva legal, razão pela qual é improcedente a multa exigida; • requer o prazo de 30 dias para a apresentação de cópia da decácio que concedeu a imissão de posse ao INCRA na data mencionada; 111 • diante de todo o exposto, requer seja julgada procedente a presente impugnação, declarando-se inexigível o imposto e os acessórios de multa, juros e correção monetária e via de conseqüência seja anulado o auto de infração, como medida da mais inteira Justiça. Posteriormente, em 20 de janeiro de 2004, junta aos autos os documentos de .fls. 26 e 27, informando que trata-se de cópia da decisão que imitiu o INCRA na posse do imóvel. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, considerando não impugnadas as questões concernentes à área de utilização limitada e valor da terra nua tributado. No que tange à sujeição passiva, não acolheu as razões da impugnante. Inconformada, a querelante interpôs recurso voluntário, questionando tão somente o fato de não ser mais a proprietária do imóvel, desapropriado e com imissão da posse em favor do INCRA. 1110 Consoante Resolução n.° 301-1.678, desta Colenda Primeira Câmara, fls. 99 e seguintes, o julgamento foi convertido em diligência para que o Instituto de Colonização e Reforma Agrária — INCRA se pronunciasse acerca da desapropriação e possível imissão da posse do imóvel. É o relatório. 3 . . • Processo n° 13116.001653/2003-10 CCO3 'CO1 Acórdão n°301-34.756 Fls. 123 Voto Conselheiro João Luiz Fregonazzi, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A questão que se discute é tão somente a sujeição passiva, em razão da recorrente alegar não ser mais a proprietária do imóvel. O artigo 29 do CTN assim dispõe sobre o fato gerador do ITR: • "Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município." Já os contribuintes do ITR estão elencados no artigo 31, verbis: "Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título." Nesse diapasão, a Lei n° 9.393, de 19/12/96, artigo 1 .°, que regulou a matéria, estabelece como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel, considerando ainda como contribuinte do ITR o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, in verbis: Art. I" - O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em I" de janeiro de cada ano. sç 1" O ITR incide inclusive sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária, enquanto não transferido a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. Art.4" - Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título. Tem razão o Nobre Relator a quo ao afirmar que a Lei elencou os contribuintes sem fazer distinção entre o proprietário e o possuidor da terra, bem como não estabeleceu ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. Ocorre que, em atendimento à Resolução n.° 301-1.678, desta Colenda Primeira Câmara, O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária — INCRA informou, conforme documento de fls. 118, que foi imitido na posse do imóvel e é o atual detentor do imóvel. A data da imissão da posse, segundo o conceituado órgão, é 21 de fevereiro de 1997. . .. • A Processo n° 13116.001653/2003-10 CCO3/C01 Acórdão n°301-34.756 Fls. 124 A teor da norma contida no artigo 1. 0, parágrafo primeiro, da Lei n° 9.393, de 19/12/96, a imissão prévia na posse é hipótese de não incidência tributária. In casu, a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel desapropriado, com imissão prévia do INCRA na posse do imóvel, não constitui fato gerador do ITR, por expressa disposição legal. Ou seja, a lei exclui do campo de incidência a referida hipótese, cabendo à autoridade administrativa reconhecer a não-incidência. Outrossim, uma vez que o detentor do imóvel é o INCRA, imitido em sua posse conforme documento acostado às fls. 62, tendo sido o mesmo objeto de desapropriação, a recorrente não é mais proprietária do imóvel, não tendo legitimidade para figurar no pólo passivo da relação jurídico-tributária. Há jurisprudência farta do Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes nesse sentido: Número do Recurso: 129665 GO Câmara: TERCEIRA CÂMARA Número do Processo: 10865.000438/2001-61 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IMPOSTO TERRITORIAL RURAL Recorrida/Interessado: DRJ-CAMPO GRANDE/MS Data da Sessão: 26/04/2006 09:00:00 Relator: MARCIEL EDER COSTA Decisão: Acórdão 303-33065 Resultado: DPU - DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário. Presente o Procurador da Fazenda Nacional Leandro Felipe Bueno Tierno Acórdão 303-33065. Ementa: ITR. ILEGITIMIDADE DO SUJEITO PASSIVO O Auto de Imissão de Posse Prévia é documento suficiente para afastar a sujeição passiva de contribuinte do ITR cuja propriedade fora declarada de utilidade pública para fins de reforma agrária. Recurso voluntário provido Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário, para considerar que a 41. recorrente não reveste a condição de sujeito passivo em razão da imissão prévia do INCRA na posse do imóvel. É como voto Sala das Sessões, em 12 de setembro de 2008 (21c_ ( n , C-17_ r JOÃO LU EG • N ' ZZI - Ltor \ 5
score : 1.0
Numero do processo: 18239.002292/2008-52
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO.
Nos termos do item 1 da Exposição de Motivos n° 197 do Ministério da Justiça, de 08/12/2003, a isenção do IRPF dos anistiados políticos independe da análise do requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica pelo Ministério da Justiça.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-001.599
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ISENÇÃO. Nos termos do item 1 da Exposição de Motivos n° 197 do Ministério da Justiça, de 08/12/2003, a isenção do IRPF dos anistiados políticos independe da análise do requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica pelo Ministério da Justiça. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Sandro Machado dos Reis, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Antônio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin. Fl. 50DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 18239.002292/200852 Acórdão n.º 280101.599 S2TE01 Fl. 43 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela 7ª Turma da DRJ/RJ2 na decisão recorrida (Fls.30 a 32 verso), que transcrevo abaixo: “Tratase de impugnação apresentada pela pessoa física em epígrafe em 17/04/2008, contra a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física que apurou o crédito tributário de R$ 4.682,75, resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2004, anocalendário de 2003. Por meio do procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA foi constatada a omissão do seguinte rendimento: Fonte Pagadora CNPJ Rendimentos 1 Fundação Petrobras de Seguridade Social Petros 34.053.942/000150 R$ 42.770,93 Cientificado do Lançamento em 11/04/2008, o sujeito passivo trouxe em sua impugnação as seguintes alegações, em síntese: No dia 10/04/2004, transmitiu declaração do IRPF, ano calendário 2003, na qual informou ter recebido da Petros rendimentos tributáveis de R$ 42.770,93. Na mesma declaração foram informados o Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF de R$ 7.733,83, bem como a importância de R$ 53.434,67 a título de rendimentos isentos e não tributáveis. Por meio do Decreto n° 4.897/2003, foi determinado que os rendimentos provenientes de anistia política, a partir de agosto de 2002, não estavam mais sujeitos ao pagamento do imposto de renda. A Petros, em correspondência de 10/09/2007 (fls. 12), informou que, por determinação da Receita Federal, a critério do respectivo anistiado, os valores pagos a cada anistiado da Petrobrás, relativos aos exercícios de 2002 e 2003, deveriam ser retificados em Declaração Retificadora, transferindose a importância informada no título "Rendimentos Tributáveis Recebidos de PJ pelo Titular" para o título "Rendimentos Isentos e não Tributáveis", por serem provenientes de anistia política. Assim, foi encaminhada Declaração Retificadora em 08/04/2006. Tem a receber da Receita Federal, como restituição, a importância que pagou a mais, face o Decreto Presidencial. A multa a título de omissão de rendimento tratase de um erro, pois a importância de R$ 42.770,83 está corretamente declarada. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 18239.002292/200852 Acórdão n.º 280101.599 S2TE01 Fl. 44 3 Em 27/07/2009, conforme fls. 27, o Interessado solicitou urgência no julgamento da Impugnação, por contar com a idade de 74 anos. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Passo adiante, a 7ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANISTIA POLÍTICA. MULTA DE OFÍCIO Os rendimentos percebidos a partir de agosto de 2002, em decorrência de anistia política, sobre os quais houve retenção de imposto de renda na fonte, deverão ser informados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, enquanto não verificada a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei n 10.559, de 2002. Considerase omissão de rendimentos tributáveis a classificação na Declaração de Ajuste Anual de rendimentos tributáveis como sendo isentos e não tributáveis, sendo devida a multa de oficio incidente sobre o valor do respectivo imposto suplementar Cabe destacar o argumento central da decisão recorrida: No caso concreto, por tratarse de pedido de restituição de imposto retido via Declaração de Ajuste Anual, há que se observar se já houve deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei n° 10.559, de 2002. Como inexiste nos autos comprovação de que houve o aludido deferimento, condição prevista no parágrafo único do art. 2 do Decreto n° 4.897, de 2003, para restituição do imposto de renda já pago, os rendimentos recebidos devem ser considerados tributáveis na Declaração de Ajuste Anual. Cientificado da decisão de primeira instância em 14/05/2010 (fls. 34 verso), o contribuinte apresentou, em 01/07/2010, o Recurso de fls. 37 e 38, solicitando, em apertada síntese, que: • O Acórdão está em clara contradição com as determinações legais, particularmente, com o Decreto N° 4.897, de 25 de novembro de 2003. • A não comprovação da mudança de regime, pelo requerente, conforme determinações do Plano Nacional de Desburocratização, leis e normas dele derivadas, não cabe a quem pleiteia direitos ao Serviço Público comprovar o que obrigatoriamente deve ser de conhecimento das autoridades públicas, como é o caso das determinações legais. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 18239.002292/200852 Acórdão n.º 280101.599 S2TE01 Fl. 45 4 • O Acórdão está em contradição, com decisões anteriores da própria Receita Federal que, em retificações semelhantes, onde acolheu a solicitação de restituição, conforme os PER/DCOMP 2.2 n° s 42262.82367.111206.2.2.04 1008; 04275.48762.111206.2.2.041768 e outros. • Exigir do requerente novo recolhimento de imposto se incorre em bitributação, o que é inconstitucional. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até as fls. 41, que trata do envio ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo, e com condições de admissibilidade. Em primeiro plano, cabe salientar que o acórdão recorrido fundamentou sua decisão apenas no fato de não existir a comprovação, pelo contribuinte, da mudança de regime prevista no art. 19 da Lei n° 10.559, de 2002. Deste modo, o recorrente, supostamente entendendo que não havia dúvidas na sua condição de anistiado político, fundamentou o seu recurso apenas na necessidade, ou não, da mudança de regime para gozar da isenção pleiteada. Assim, já que a 7ª Turma da DRJ/RJ2 entendeu que o único empecilho a isenção pleiteada pelo contribuinte, na condição de anistiado político, seria a inexistência de mudança de regime, a discussão aqui tratada não se refere a condição de anistiado político do recorrente, mas sim, tão somente, a necessidade de comprovação de mudança de regime do recorrente. Esclarecido o cerne do recurso, passo a análise de mérito do mesmo. Com o advento da Lei IV 10.559, de 2002, que regulamenta o art. 8° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, estabelecendo o Regime do Anistiado Político, foi garantido ao anistiado político, entre outros direitos, o da reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou em prestação mensal, permanente e continuada (art. 1°, II), bem assim, dispôs que os valores pagos a título de indenização são isentos do imposto de renda (art. 9°, parágrafo único). O Decreto número 4.897, de 25 de novembro de 2003, regulamentou o parágrafo único do art. 9° da Lei n° 10.559, de 2002, determinando expressamente que a isenção do imposto de renda alcança as aposentadorias, pensões ou proventos pagos aos já anistiados políticos. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 18239.002292/200852 Acórdão n.º 280101.599 S2TE01 Fl. 46 5 O mesmo Decreto, em seu art. 2°, determina que essas aposentadorias, pensões ou proventos pagos aos já anistiados políticos são isentos a partir de 29 de agosto de 2002. Já, nos termos do item 1 da Exposição de Motivos n° 197 do Ministério da Justiça, de 08/12/2003, essa isenção independe da análise do requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica pelo Ministério da Justiça. Ora, no presente caso, como o pleito do contribuinte foi negado pela DRJ apenas pela inexistência de substituição do regime, e já que o Ministério da Justiça entendeu, conforme esclarecido acima, que a isenção independe da análise desta mudança de regime, é de se entender que o recorrente tem direito à isenção pleiteada. Assim, ante tudo acima exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 54DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10980.000234/2008-80
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO.
Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-001.662
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO. Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, correto está o lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente ANTONIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES Presidente. Assinado digitalmente CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre Fl. 62DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.000234/200880 Acórdão n.º 280101.662 S2TE01 Fl. 52 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de lançamento suplementar de imposto de renda da pessoa física (código 2904) no valor R$ 2.144,05 , com multa de oficio de 75% no valor de R$ 1.608,03 e acréscimos legais, em decorrência da revisão da declaração de rendimentos correspondente ao exercício 2005, anocalendário 2004 e, efetuado por meio da Notificação de Lançamento de fls. 09/10, lavrada em 26/11/2007. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 09 verso a fiscalização constatou omissão de rendimentos tributáveis, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 13.385,95 , recebidos da fonte pagadora Curitiba Prefeitura Municipal, CNPJ 76.417.005/000186, por Marcus Vinicius de Machado Feltrin, CPF 008.677.35937, dependente pleiteado pelo impugnante na declaração de ajuste anual do exercício de 2005. Regularmente cientificado do lançamento em 12/12/2007 por meio de aviso de recebimento (cópia do AR de fl. 16), o interessado ingressou em 10/01/2008 com a impugnação de fls. 01/02. Alega que a omissão de rendimentos do dependente Marcus Vinicius de Machado Feltrin foi um erro e não "um ato lesivo ao Fisco"; ressaltando que o Fisco omite que a inclusão dos rendimentos do dependente torna muito mais onerosa a declaração de rendimentos do contribuinte. Pondera que o Fisco deveria orientar que a declaração em separado de seu dependente, "não apenas é possível como é mais econômica.". Entende que seu "direito adquirido foi prejudicado" para requerer que seja cancelada a autuação e aceita pelo Fisco uma nova declaração de ajuste anual completa excluindo o seu dependente. Passo adiante, a 4a Turma da DRJ/CTA entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. RENDIMENTOS DE DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO EFETUADO. Comprovado nos autos que os rendimentos tributáveis omitidos objeto da autuação foram auferidos por dependente que não Fl. 63DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.000234/200880 Acórdão n.º 280101.662 S2TE01 Fl. 53 3 apresentou declaração de ajuste anual do imposto de renda, impõese reconhecer a procedência do lançamento efetuado. Cientificado em 02/11/2010 (Fls.48 verso), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 03/11/2010 (fls.27 e 28), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Alega o recorrente que não teve intenção de lesar o fisco, e que não sabia que teria de ofertar a tributação os rendimentos auferidos por seu dependente. Deste modo, não houve qualquer contestação quando ao efetivo recebimento dos valores pelo dependente do Recorrente. Assim, como bem explanado no Acórdão recorrido: No caso em exame, em pesquisas nos sistemas internos da Receita Federal do Brasil, pela Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf) retificadora entregue em 05/03/2008 por esta fonte pagadora (tela de fl. 18), con firmase que o filho do contribuinte impugnante, Marcus Vinicius de Machado Feltrin, CPF 008.677.35937, dependente pleiteado como dedução da base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste do exercício de 2005, auferiu no anocalendário de 2004 rendimentos tributáveis no montante total de R$13.385,95. Atestase ainda, também em pesquisas nos sistemas internos da Receita Federal do Brasil, que seu filho não apresentou em separado declaração de ajuste anual do imposto de renda para o mesmo exercício de 2005, anocalendário de 2004 (tela de fl. 19). É de se concluir que, comprovado que o dependente do recorrente auferiu rendimentos no ano base 2004, e que tais rendimentos não foram ofertados para a tributação pelo recorrente, ou por seu dependente em declaração própria, correto está o lançamento. Não há como acatar o argumento do contribuinte de que desconhecia o fato de que seria mais econômico não incluir seu dependente na declaração, ou que desconhecia a lei que obrigava a apresentar tais rendimentos à tributação; posto que o contribuinte tem a sua disposição ampla gama de informações sobre as formas de declarações, e todas as leis são publicadas em Diário Oficial para conhecimento público obrigatório. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 10980.000234/200880 Acórdão n.º 280101.662 S2TE01 Fl. 54 4 Ante tudo acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 65DF CARF MF Emitido em 14/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 15/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 17/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10805.001651/2007-90
Data da sessão: Thu May 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
EXERCÍCIO: 2003, 2004
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - CONFECÇÃO DE DECLARAÇÃO POR TERCEIRO -
AUTORIZAÇÃO DADA PELO CONTRIBUINTE - INCLUSÃO DE DESPESAS INEXISTENTES - PROPÓSITO DE REDUZIR O VALOR DO IMPOSTO DEVIDO - PROCEDÊNCIA - A confecção das Declarações de Ajuste Anual, com a inclusão de deduções inexistentes, tão-somente com o propósito de aumentar o saldo de imposto a restituir, ainda que efetuada por terceiro, porém com a autorização do contribuinte, caracteriza o evidente intuito de fraude, justificando a imposição da multa de ofício qualificada.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3804-000.065
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial da Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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Numero do processo: 10283.004773/00-27
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 301-01.674
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10945.002053/2007-33
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO VIA EDITAL.
Comprovado nos autos que resultou improfícua a tentativa de intimação por meio postal, é válida a intimação por edital publicado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-001.488
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE
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INTIMAÇÃO VIA EDITAL. Comprovado nos autos que resultou improfícua a tentativa de intimação por meio postal, é válida a intimação por edital publicado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e José Evande Carvalho Araujo. Fl. 397DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES 2 Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 312 a 315, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003 a 2006, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$478.904,68, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários efetuados em contas de titularidade do contribuinte em relação aos quais o interessado regularmente intimado não logrou esclarecer e comprovar a origem dos recursos utilizados. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 359 a 380), acatada como tempestiva. Alegou, em apertada síntese, que simples depósitos bancários não representam fato gerador do imposto de renda. Assevera que os valores declarados a título de lucros distribuídos são perfeitamente aceitáveis diante da atividade empresarial desenvolvida pela empresa do contribuinte e a receita declarada na pessoa jurídica, motivo pelo qual espera que sejam aceitos como tal. Contesta a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 9430, de 1996. Invoca declarações retificadoras que teria apresentado espontaneamente, em 15/01/2007, e não teriam sido consideradas pela autoridade lançadora. Afirma que, após a ciência do Auto de Infração, teria recebido DARFs de cobrança referentes às retificadoras, o que demonstra que foi aceita a denúncia espontânea. Aduz que o saldo de imposto de renda já pago em virtude da apresentação de declarações (originárias) não foi contemplado no demonstrativo de apuração de fls. 307 a 310. pleiteia o direito de beneficiarse da faixa de isenção relativa ao cônjuge, pois a autuação ultrapassaria a pessoa do contribuinte e envolveria, ainda, sua esposa e a pessoa jurídica da qual é sócio. Solicita que a apreciação destes autos seja suspensa até o final do julgamento do auto de infração n° 0910600/00299/06, de interessa de N. W. Soares & Soares Ltda., eis que poderá haver impacto no montante dos lucros distribuídos ao contribuinte, em decorrência de reconhecimento de receita bruta superior à declarada. Protesta contra a utilização da taxa Selic para fins de cálculo de juros de mora. Afirma que a conta nº 6.636, do Banco do Brasil, é poupança e os depósitos aí efetuados têm origem em recursos advindos de suas contas correntes, inclusive nº 7.713, também do Banco do Brasil, de sua titularidade, e contas nº 8.4972, agência 6416, do Banco do Brasil e nº 789 7, agência 0722 da Caixa Econômica Federal S. A, ambas de titularidade da empresa de que é sócio. Assim, conforme planilhas que elabora, teria recebido lucros distribuídos nos montantes de R$ 17.120,00, R$ 30.500,00 e R$ 11.860,00, nos anos de 2003 a 2005, respectivamente. Invoca empréstimos contraídos (R$ 34.675,00, depósito em 29/05/2002, conta 7.731, R$ 47.430,00, em 07/08/2002, conta 10.164, e R$ 81.500,00, em 10/11/2004, conta 7.731). Argumenta, ainda, que o depósito de R$ 100.000,00, na conta corrente 7.731, é de titularidade da Pessoa Jurídica (referente à nota fiscal 006, emitida para Anésio Horácio Ferreira) e deveu se a confusão entre a pessoa física e a jurídica, o que é costumeiro entre os pequenos empresários. Ao longo de sua impugnação, cita decisões administrativas e judiciais para sustentar o seu entendimento. Fl. 398DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Processo nº 10945.002053/200733 Acórdão n.º 280101.488 S2TE01 Fl. 570 3 ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A 4ª Turma DRJ Curitiba/PR, conforme Acórdão de fls. 503 a 520, julgou procedente o lançamento. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 26/12/2007 (Edital às fls. 524), o contribuinte, por intermédio de representante (Procuração às fls. 550) apresentou, em 01/07/2008, o Recurso de fls. 541 a 548, solicitando, preliminarmente, que seja reconsiderado o prazo para a interposição de recurso voluntário. Pondera que esteve viajando no período de 25 de novembro a 5 de dezembro de 2007, exatamente quando os Correios o procuraram para a entrega do acórdão da DRJ. Argumenta que deveria ter sido procurado pelo carteiro em dias e horários interecalados, o que não ocorreu, pois sempre foi procurado na parte da manhã (invoca cópia do AR de fls. 549). Em seguida, discorre detalhadamente acerca dos prejuízos que decorrem da não apreciação de um processo administrativo quando o contribuinte é considerado revel. Assim, pleiteia que seja aceito o pedido de reconsideração do prazo para apresentar o recurso ao Conselho de Contribuinte, que seja declarada a nulidade absoluta da execução fiscal, bem como especificados os atos que serão afetados pela nulidade, a fim de que sejam repetidos sem os vícios que os maculou. Consta, ainda, dos autos cópia de Ofício da Justiça Federal do Paraná, 1ª VF de Umuarama, datado de 04/02/2010, solicitando ser informado da constituição definitiva do crédito tributário, tão logo isso se verifique (fls. 568). O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 568. É o Relatório. Voto Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Relatora. Preliminarmente, deve ser analisada a tempestividade do recurso apresentado. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 399DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES 4 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso, a correspondência contendo o Acórdão da 4ª Turma DRJ Curitiba/PR, foi enviada para o endereço residencial do contribuinte (fls. 523) e, embora os Correios buscassem entregála por três vezes (em 27/11/2007, 04/12/2007 e 05/12/2007), não logrou êxito. Assim, a correspondência foi devolvida à repartição preparadora que cuidou de expedir o Edital de fls. 524, em 10/12/2007, que ficou afixado no Quadro de Editais da Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Guaíra/PR até 26/12/2007. Vêse , portanto, que não há nenhum vício na intimação por edital nos moldes em que foi efetuada, sendo improcedente o pedido de reconsideração do prazo para a interposição do recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Amarylles Reinaldi e Henriques Resende Fl. 400DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Processo nº 10945.002053/200733 Acórdão n.º 280101.488 S2TE01 Fl. 571 5 Fl. 401DF CARF MF Emitido em 29/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES Assinado digitalmente em 26/04/2011 por AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES
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Numero do processo: 18336.001125/2004-62
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 24/11/1999
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. ALADI. TRIANGULAÇÃO.
A preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica - ACE depende do transporte direto do país de origem até o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro país, associado ou não à ALADI.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 301-34.250
Decisão: ACORDAM os membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda declarou-se impedido.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/11/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. ALADI. TRIANGULAÇÃO. A preferência tarifária fundamentada em Acordo de Complementação Econômica - ACE depende do transporte direto do país de origem até o Brasil, podendo ser faturada por operador de terceiro país, associado ou não à ALADI. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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Numero do processo: 11618.003794/2006-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE.
Todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão-somente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à
dedução pleiteada.
PERÍCIAS. DILIGÊNCIAS. REALIZAÇÃO.
A realização de perícias e diligências depende do livre convencimento da autoridade julgadora acerca de suas necessidades.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2801-001.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre que davam provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: WALTER REINALDO FALCÃO LIMA
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materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tão-somente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. PERÍCIAS. DILIGÊNCIAS. REALIZAÇÃO. A realização de perícias e diligências depende do livre convencimento da autoridade julgadora acerca de suas necessidades. Recurso negado.
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APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. POSSIBILIDADE. Todas as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova dos respectivos pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. PERÍCIAS. DILIGÊNCIAS. REALIZAÇÃO. A realização de perícias e diligências depende do livre convencimento da autoridade julgadora acerca de suas necessidades. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Sandro Machado dos Reis, Luiz Cláudio Farina Ventrilho e Carlos César Quadros Pierre que davam provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima Relator. Fl. 44DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 42 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Carlos César Quadros Pierre, Walter Reinaldo Falcão Lima, Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, e Sandro Machado dos Reis. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 03/05 e 27, relativa à Declaração de Ajuste AnualDAA do Imposto de Renda Pessoa Física do exercício 2005, anocalendário 2004, decorrente de glosa do valor de R$ 14.000,00, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação do efetivo pagamento, conforme exigido em Termo de Intimação Fiscal (fls. 17), conforme Complementação da Descrição dos Fatos de fls. 27. Foi apurado um imposto suplementar de R$ 0,40 mais acréscimos legais. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o interessado apresentou a impugnação de fls. 01, juntamente com os documentos de fls. 02/23, acatada como tempestiva, alegando, conforme relatório do acórdão de primeira instância (fls. 42), que: 3.1. comprovou documentalmente, cumprindo o devido processo legal, conforme o art. 5º, inciso LIV da CF, a realização dos serviços de saúde e o seu efetivo pagamento, quando fez a juntada dos recibos firmados, corretamente, pelos profissionais de saúde que o atenderam, conforme solicitado pela auditoria; 3.2. estranha a exigência, a posteriori, da comprovação do pagamento ter sido efetuado por meio da rede bancária, isto porque fez os pagamentos em dinheiro, o que não é proibido, e os recibos dos profissionais confirmam de modo claro a exata prestação registrada na declaração em comento; 3.3. fez uma operação de antecipação de restituição do imposto de renda, tendo sido compelido a liquidar o contrato com custos diferenciados dos que são bancados pela Receita, contabilizando um prejuízo. 4. Conclui, solicitando a restituição do imposto de renda a que tem direito e informando que fica à disposição para, se necessário for, ser submetido à inspeção médica, o que confirmará a verdadeira realização dos tratamentos. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/Recife julgou o lançamento procedente (fls. 28/34), nos termos do voto da relatora, abaixo reproduzido: Fl. 45DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 43 3 A impugnação é tempestiva e dotada dos pressupostos legais de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06/03/1972. Portanto, dela deve se tomar conhecimento. 8. De acordo com a descrição dos fatos de fl. 27, a fiscalização lançou a dedução indevida a título de despesas médicas, tendo em vista que apesar de terem sido entregues recibos, não foi comprovado o efetivo pagamento, conforme exigido no Termo de Intimação Fiscal. 9. Em relação à dedução com despesas médicas, verifique se o art. 8º da Lei 9.250/95, abaixo transcrito: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 46DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 44 4 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (...) 10. Foi glosado o valor de R$ 14.000,00 relativo às despesas médicas declaradas pelo contribuinte, sendo R$ 5.000,00 declarados como pagos a Érika Brasileiro de Holanda Fernandes, R$ 4.000,00 a Mirlene Maria da Silva e R$ 5.000,00 a Izabela Álvares Nóbrega. 11. Na impugnação, o contribuinte não apresentou nenhum documento comprobatório, limitandose a alegar que comprovou documentalmente a realização dos serviços de saúde e o seu efetivo pagamento, quando fez a juntada dos recibos firmados, corretamente, pelos profissionais de saúde que o atenderam, conforme solicitado pela auditoria e que estranha a exigência , a posteriori, da comprovação do pagamento ter sido efetuado por meio da rede bancária, isto porque fez os pagamentos em dinheiro, o que não é proibido, e os recibos dos profissionais confirmam de modo claro a exata prestação registrada na declaração em comento. 12. Atendendo às intimações da fiscalização, foram apresentados os documentos de fls. 18 a 23, que passo a analisar a partir de agora. 13. O recibo de fl. 19, emitido por Érika Brasileiro de Holanda Fernandes, , informa o valor de R$ 5.000,00, recebido do contribuinte, referente a tratamento dentário de gengivoplastia e prótese removível inferior e superior. Na correspondência de fl. 18, a prestadora de serviços detalha os procedimentos efetuados, informando que o tratamento foi realizado no consultório odontológico situado na Rua Floriano Peixoto, 414, Ed. Dona Milindra, Centro, Patos, PB, com duração de dois meses no segundo semestre de 20004. Acrescenta que foi pago de entrada o valor de R$ 1.000,00 e o restante dividido em 02 pagamentos mensais de R$ 2.000,00, sempre em moeda corrente. Anexa ficha odontológica na fl. 20, porém não foi anexado orçamento detalhando os valores dos serviços realizados e nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Fl. 47DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 45 5 14. O recibo de fl. 22, emitido por Christiane Isabella Á. Nóbrega Arnaud, informa o valor de R$ 5.000,00, relativo a tratamento fisioterapeutico durante o ano de 2004. A declaração de fl. 21, detalha que o tratamento é relativo ao CID S 837 (traumatismo de estrutura múltiplas do joelho) no ano de 2004, porém não foi indicada a quantidade de sessões, o valor de cada sessão, nem as datas de sua realização, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. 15. A declaração de fl. 23, emitida por Mirlene Maria da Silva, informa o valor de R$ 4.000,00, relativo a tratamento de terapia domiciliar durante o ano de 2004. A declaração de fl. 21, porém não foi indicada a quantidade de sessões, o valor de cada sessão, nem as datas de sua realização, além de não ter sido anexado nenhum comprovante do efetivo desembolso do elevado valor, tais como cópias de cheques, depósitos ou transferências bancárias. Ademais, o tratamento fisioterápico domiciliar é indicado apenas em casos excepcionais, em que haja dificuldade de locomoção do paciente, no presente caso, porém, no presente processo não resta comprovada esta dificuldade de locomoção. 16. Ressaltese que consta nos recibos da odontóloga o endereço de Patos/PB, quando o contribuinte tem endereço em João Pessoa/PB, causando estranheza o fato de realizar tratamento dentário em cidade localizada a 305 km de distância, deixando de utilizar os serviços médicos da capital do estado, principalmente quando, à mesma época, submetiase simultaneamente a dois tratamentos fisioterápicos, ambos em João Pessoa, sendo um dos tratamentos em seu próprio domicílio. 17. No presente, caso os recibos e declarações apresentados pelo contribuinte, desacompanhados de outros elementos de prova, mostramse insuficientes ao convencimento do julgador, tendo em vista alguns aspectos que, se por si sós não invalidam as provas, deixamnas bastante frágeis à formação da convicção para seu acatamento. 18. A importância dos aspectos destacados anteriormente se deve ao fato de que na apreciação dos elementos de prova é fundamental que estes não só atendam aos requisitos formais previstos na legislação como sejam pertinentes e coerentes para a formação da convicção do julgador, tal como permitido no art. 29 do Decreto 79.235/72, que dispõe: Fl. 48DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 46 6 Decreto nº 70.235/72 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. (grifei) 19. NESTE SENTIDO, FOI EDITADO O DECRETOLEI Nº 5.844, AINDA EM 1943, DISPONDO QUE SEMPRE QUE NECESSÁRIO, OUTROS ELEMENTOS DEVEM SER APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE A FIM DE COMPROVAR DEDUÇÕES PLEITEADAS EM SUAS DECLARAÇÕES: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei No 5.844, de 1943, art. 11, § 3o). § 1o Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei No 5.844, de 1943, art. 11, § 4o). § 2o As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei No 5.844, de 1943, art. 11, § 5o). 20. IN CASU, NÃO HÁ, NO PROCESSO, QUALQUER OUTRO MEIO DE PROVA DAS DEDUÇÕES DECLARADAS, ALÉM DE RECIBOS E DOCUMENTOS DE LAVRA DOS EMITENTES DOS RECIBOS. 21. Neste sentido, transcrevo Acórdãos emanados do 1º Conselho de Contribuintes: “DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO A validade da dedução de despesas médicas depende da comprovação do efetivo dispêndio do contribuinte.GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS À luz do artigo 29, do Decreto 70.235, de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas cujos serviços não foram comprovados... (Acórdão 10423230 de 29/05/2008) IRPF DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS COMPROVAÇÃO Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração unilateral, sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços e do pagamento correlato. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Simples Fl. 49DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 47 7 declarações unilaterais não têm o condão de suprir as provas mencionadas (Acórdão 10246489 de 16/09/2004) IRPF DESPESAS MÉDICAS DEDUÇÃO Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1º CC 10416647/1998)" IRPF IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS A comprovação de despesas médicas e outras ligadas à saúde, com vistas à apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, é feita mediante documentação em que esteja especificada a prestação do serviço, o nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas além da qualificação profissional do beneficiário dos pagamentos e elementos que, analisados em conjunto, sejam suficientes à convicção do julgador. Acórdão 10615505 de 27/04/2006.” 22. Assim, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. 23. Quanto à alegação de que fica à disposição para, se necessário for, ser submetido à inspeção médica, o que confirmará a verdadeira realização dos tratamentos, é importante trazer a lume o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, que assim estatui: "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito (redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93); § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art.16. (introduzido pelo art. 1º da Lei nº 8.748/93). (...)" 24. Além dos requisitos previstos no art. 16, supra, deve ser analisado se o pedido de realização de perícia é Fl. 50DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 48 8 considerado imprescindível à tomada de decisão para julgamento da lide, de acordo com o que dispõe o art. 18 do mesmo diploma legal, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, ‘in fine’.” 25. A realização de diligências e perícias tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide. Assim, o deferimento de um pedido dessa natureza pressupõe a necessidade de se conhecer determinada matéria, que o exame dos autos não seja suficiente para dirimir a dúvida. No presente caso, entendo que os documentos acostados ao processo são suficientes para a elucidação da questão, não havendo necessidade de ser submetido à perícia médica. 26. In casu, verificase que não foram atendidos os requisitos exigidos pela lei, pois o contribuinte se colocou à disposição para a realização de perícia, mas deixou de expor os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, tampouco indicou o nome, o endereço e a qualificação profissional de perito. 27. Ressaltese, ainda, que em relação ao financiamento solicitado ao banco, tratase de mera liberalidade do contribuinte, não cabendo à Receita Federal do Brasil qualquer responsabilidade 28. Diante do exposto, voto pela procedência da Notificação de Lançamento de fls. 03/05 e 27. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 06/03/09, fls. 36, o contribuinte apresentou, em 03/04/09, o Recurso de fls. 37/40, alegando que: a) comprovou na instância a quo a realização das despesas médicas glosadas e o seu devido pagamento, por meio dos recibos firmados, corretamente, pelos profissionais de saúde que o atenderam, que responderam positivamente a tudo o que foi solicitado pela fiscalização; b) estranhou no julgamento realizado pela DRJ a exigência, a posteriore, da comprovação do pagamento ter sido efetuado através da rede bancária, haja vista que na impugnação já se referira à liberalidade no sentido do Fl. 51DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 49 9 pagamento poder seu feito em espécie, o que afirma ter ocorrido neste caso; c) fez uma operação de antecipação de restituição do imposto de renda, tendo sido compelido a liquidar o contrato com custos diferenciados dos que são bancados pela Receita, contabilizando um prejuízo. d) ficou à disposição do eminente Delegado da Receita Federal de João Pessoa para, se necessário, ser submetido a inspeção medica, o que confirmaria a verdadeira realização dos tratamentos, no que, todavia, não foi atendido. Diante do exposto acima requer a procedência de seu recurso e o pagamento atualizado dos valores a que tem direito. É o Relatório. Voto Conselheiro Walter Reinaldo Falcão Lima O recurso é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicialmente, cumpre informar, que, em princípio, admitese como prova idônea da dedução a título de despesas médicas os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado, que contenham todas as indicações indispensáveis à identificação de quem efetuou o pagamento, em que data, referente ao tratamento de qual paciente, bem como a indicação do nome, endereço, CPF ou CNPJ do emitente. Todavia, a apresentação dos recibos não impede o direito de o Fisco solicitar que o contribuinte comprove ou justifique a dedução declarada. Foi a lei, mais precisamente o DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º, que expressamente determinou que o contribuinte pode ser instado a comprovar ou justificar as deduções, deslocando para ele o ônus probatório, sendo que o § 4º daquele mesmo artigo previu a glosa das deduções, sem a audiência do contribuinte, quando forem exageradas ou não forem cabíveis. O referido dispositivo constitui a matriz legal do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: “Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).” § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Esclareçase que para se fazer jus a deduções na declaração de ajuste anual, se torna indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os Fl. 52DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 50 10 valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. A propósito de dedução de despesas médicas, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995,: “Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento;” Verificase, portanto, que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais, entre eles a comprovação do efetivo pagamento, se assim for exigido pela autoridade lançadora. Desse modo, se o interessado foi intimado a comprovar o pagamento das respectivas despesas, como aconteceu no caso em pauta (Termo de Intimação Fiscal de fls. 17), fazse necessário que ele apresente documentos hábeis e idôneos, comprovando tais pagamentos, para que possa fazer jus à dedução declarada. E isso não ocorreu. É importante destacar que os recibos em si, e mesmo uma declaração prestada pelo profissional, não constituem prova de pagamento das despesas médicas ali descritas. Isso porque um recibo, ou a declaração, em princípio, é uma declaração particular, com efeito apenas entre as partes. Não é válido, porém, em si mesmo, contra terceiros, como prova dos fatos que atesta, cabendo ao interessado, se necessário for, comprovar a veracidade Fl. 53DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 51 11 do fato por meio de provas materiais. É o que estabelece o art. 368 do Código de Processo Civil: Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. Vale dizer que o pagamento das despesas médicas em espécie não é proibido pela legislação, todavia, para que possam ser passíveis de dedução da base de cálculo do imposto de renda, o contribuinte deve possuir meios de comprovar tal operação, tais como extrato bancário em que há correspondência entre os valores sacados em conta corrente e as quantias pagas como despesas médicas. Isso porque, nesse caso, o ônus da prova cabe ao contribuinte, de acordo com o disposto no art. 11, § 3º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943, e no art. 8º, inciso III, da Lei nº 9.520, de 1995. Em que pese a profissional Erika Brasileiro de Holanda ter sido intimada a prestar esclarecimentos acerca da prestação de serviços ao interessado no valor de R$ 5.000,00, e ter atendido parcialmente as informações solicitadas, ainda persiste a ausência da comprovação do pagamento das despesas declaradas como realizadas por aquela profissional, bem como das demais despesas médicas glosadas. Em relação às despesas médicas relativas à profissional acima citada, compartilho o entendimento proferido pelo julgador de primeira instância, cujo trecho reproduzo a seguir: Ressaltese que consta nos recibos da odontóloga o endereço de Patos/PB, quando o contribuinte tem endereço em João Pessoa/PB, causando estranheza o fato de realizar tratamento dentário em cidade localizada a 305 km de distância, deixando de utilizar os serviços médicos da capital do estado, principalmente quando, à mesma época, submetiase simultaneamente a dois tratamentos fisioterápicos, ambos em João Pessoa, sendo um dos tratamentos em seu próprio domicílio. Como o interessado, mesmo após a ciência da decisão recorrida, não logrou trazer aos autos nenhum novo elemento que comprove o pagamento das despesas médicas declaradas, não há nenhum reparo a ser feito no acórdão recorrido, cabendo ressaltar que, conforme dispõe o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção. Quanto ao empréstimo bancário relativo à antecipação do valor do imposto a restituir apurado na respectiva declaração de ajuste anual, tratase de mera liberalidade, como bem esclarecido no acórdão recorrido, não cabendo à Receita Federal do Brasil qualquer responsabilidade sobre tal fato. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 11618.003794/200625 Acórdão n.º 2801001.611 S2TE01 Fl. 52 12 Acerca da alegação de que ficou à disposição para ser submetido à inspeção médica, se necessário, e que isso não ocorreu, é importante destacar que a realização de perícias e diligências depende do convencimento da autoridade julgadora acerca de suas necessidades, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) E, no caso em pauta, a autoridade julgadora de primeira instância entendeu que os documentos acostados aos autos são suficientes para a elucidação da questão, não havendo necessidade de o contribuinte ser submetido à perícia médica, posicionamento compartilhado por mim. Diante do exposto acima voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Walter Reinaldo Falcão Lima – Relator Fl. 55DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA Assinado digitalmente em 20/05/2011 por WALTER REINALDO FALCAO LIMA, 23/05/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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Numero do processo: 10280.002359/2001-65
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1997
ITR. DITR. GLOSA DE ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVISTA.
Incabível a manutenção do lançamento fundamentado na glosa da Área de Exploração extrativista sob a premissa de que os demais campos da Ficha 7 da DITR1997 estavam em branco, quando não há prova inequívoca desse fato e o Manual de Preenchimento do respectivo exercício descreve que o campo “Área de exploração extrativista” não é preenchido pelo contribuinte e sim o resultado do preenchimento dos campos antecedente, os mesmos que a fiscalização considerou como em branco.
LANÇAMENTO. MUDANÇA NA FUNDAMENTAÇÃO.
Não cabe ao órgão julgador renovar o fundamento da autuação. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-01.107
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do(a) relator(a).
Matéria: IRPJ - tributação de lucro inflacionário diferido(LI)
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DITR. GLOSA DE ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVISTA. Incabível a manutenção do lançamento fundamentado na glosa da Área de Exploração extrativista sob a premissa de que os demais campos da Ficha 7 da DITR1997 estavam em branco, quando não há prova inequívoca desse fato e o Manual de Preenchimento do respectivo exercício descreve que o campo “Área de exploração extrativista” não é preenchido pelo contribuinte e sim o resultado do preenchimento dos campos antecedente, os mesmos que a fiscalização considerou como em branco. LANÇAMENTO. MUDANÇA NA FUNDAMENTAÇÃO. Não cabe ao órgão julgador renovar o fundamento da autuação. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do(a) relator(a). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 23/11/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Contra a recorrente foi lavrado auto de infração de ITR do exercício 1997, referente ao imóvel denominado Fazenda São José I, nº 3.707.3516, com área de 1.452,00ha, em que se exige (a) o imposto acrescido de multa de ofício de 75% em razão de alteração, de ofício, da área de exploração extrativa de 1.396,5ha para zero; e (b) multa por atraso na entrega da DITR. Foi apontado como razão da glosa que o campo área de exploração extrativa deve corresponder à soma das áreas indicadas na coluna “área aceita”, valores que não foram preenchidos na declaração. Ciente em 28/08/2003 do acórdão da 1ª Turma da DRJ Recife que julgou procedente o lançamento de ITR 1997, a recorrente interpôs recurso voluntário em 26/09/2003. Submetido a julgamento na então Terceiro Conselho de Contribuintes foi determinada realização de diligência , nos termos da Resolução nº 3011.724 (fls. 193), para esclarecer sobre procedimentos inerentes ao arrolamento de bens, o que veio a ser tornar desnecessário após a declaração de inconstitucionalidade proclamada pelo STF na ADI nº 1.976 e a não exigência do arrolamento nos termos dos Atos Declaratório Interpretativos da Receita Federal. Não obstante, sirvome de parte do esclarecedor relatório lavrado na referida Resolução: O contribuinte acima identificado recorre a este Colegiado contra a decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que, por unanimidade de votos, considerou procedente a exigência fiscal constante do auto de infração de fls. 2/8, referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural correspondente ao exercício de 1997, no valor original de R$ 9.130,00, ao qual foram acrescidos juros de mora e multa de oficio de 75% prevista no art. 14, § 2º, da Lei n' 9.393/96, combinado com o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, do imóvel denominado "Fazenda São José I”, localizado no município de ToméAçu/PA, com área total de 1.452 ha, que no auto de infração foi registrado com número de imóvel 37073516. No mesmo auto de infração também foi exigida da recorrente a multa de R$ 1.040,60, prevista nos arts. 7º e 9º da Lei n 9.393/96, por atraso na entrega da declaração do ITR/1997. O lançamento do imposto foi efetuado pela DRF em Belém/PA e decorreu da glosa da área de 1.396,5 ha por falta de preenchimento da Ficha 7 da DITR, destinada à informação dos dados de produção. A interessada impugnou o feito (fls. 35/36) alegando que: a) houve falha no processamento da SRF, pois a declaração do ITR/1997 e dos documentos que anexa provam que a declaração referese ao imóvel cadastrado sob n 46763922; b) a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.002359/200165 Acórdão n.º 280201.107 S2TE02 Fl. 223 3 declaração foi entregue em disquete, tendo o programa gerador da SRF calculado automaticamente o valor relativo à "área aceita"; c) a área extrativa aceita foi aquela por ele declarada, de 1.396,5 ha; e d) o grau de utilização correto é de 96,6%, conforme declarado. O lançamento foi julgado procedente, por unanimidade de votos, pela la Turma da DRJ em Recife/PE, nos termos do Acórdão DRJ/REC n' 4.667, de 9/5/2003 (fls. 55/61), cuja ementa dispõe, verbis: "Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 1997 Ementa: ÁREA UTILIZADA: EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. Somente pode ser considerada área de exploração extrativa, sem a aplicação de índices de rendimento por produto, a área do imóvel rural explorada com produtos vegetais extrativos, mediante plano de manejo sustentado aprovado pelo Ibama até o dia 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte. ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. GLOSA. Mantémse a glosa da área declarada como de exploração extrativa e nãocomprovada pelo contribuinte, recalculandose, conseqüentemente, o ITR, devendo a diferença apurada ser acrescida das cominações legais, por meio de lançamento de oficio. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DITR. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando verificada a ausência de nexo entre a defesa apresentada e o fato gerador do lançamento apontado na pega Lançamento Procedente" Em seus fundamentos o órgão julgador convenceuse que o número do imóvel na SRF é 46733922 e não 37073516, conforme consta no auto de infração, mas que tal fato não invalida o procedimento fiscal, visto que a contribuinte rebateu meticulosamente as acusações que lhe foram imputadas, além de ter entregado a DITR/97 da Fazenda São José I, objeto do procedimento de malha levado a efeito pelo fisco, tendo ainda sido verificado que todos os elementos de autuação tomaram como base os dados informados pela contribuinte na DITR relativa ao imóvel. A decisão de primeira instancia explicitou que a contribuinte não questionou em sua impugnação a multa por atraso na entrega da DITR, razão pela qual manteve essa penalidade, nos termos dos arts. 16, III, e 17 do Decreto n2 70.235/72, tendo sido considerado, ainda, que a DITR foi apresentada em 29/10/98, e o prazo final para apresentação era 30/12/97, fixado pela IN SRF n 87/97. Quanto à glosa da área indicada como de exploração extrativa, o órgão julgador considerou que a declaração entregue a. SRF não apresenta qualquer valor nos campos da Ficha 7 (fl. 54), do que decorre ser estranho que na cópia da DITR apresentada a fiscalização (fl. 25) conste que teriam sido extraídos 13.965 m3 de madeira. Entendeu que esse documento por si só nada prova, tendo em vista que se trata de ficha que poderia ter sido preenchida, inclusive após o procedimento Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 fiscal;além do mais, observou que o Manual de Preenchimento da DITR/1997 estabelece que no item 07 da Ficha 7 deve ser informada a área de floresta nativa cuja exploração esteja autorizada pelo Ibama, o que não foi comprovado, razão pela qual entendeu correto o lançamento. A recorrente recorre tempestivamente as fls. 64/65, juntando as fls. 66/67 cópia de página do manual do ITR referente à Ficha 7 e autorização para exploração expedida pelo Ibama, e as fls. 68/190 cópias de notas fiscais de madeira em toras emitidas em 1996. A empresa questiona os fundamentos explicitados na decisão recorrida e ratifica as alegações antes objeto de impugnação, para afirmar que o item 10 da Ficha 7 indica que essa área será calculada pelo disqueteprograma e transportada automaticamente para o item 09 da ficha 4 do DIAT. Entende que os julgadores não foram felizes ao comparar o programa da DITR/1997 (primeiro ano de processamento) com o IRPF antigo e que vem se aprimorando a cada ano; e que o recibo de entrega da DITR11997 justifica a declaração apresentada às fls. 21/25, pois a área utilizada de 1.396,5 ha so aparece se for preenchida a ficha 6 ou 7. Acrescenta que não anexou autorização para exploração de PMFS do Ibama, bem como as notas fiscais, tendo em vista estar se solicitando documentos de um outro imóvel, que ficou provado estar equivocado quanto ao número. Finalmente, afirma que foi solicitado na decisão notas fiscais de venda da produção, e comunica que mesmo tendo plano de manejo florestal, fazse a extração, mas isto não caracteriza que as toras sejam vendidas, mas sim transferidas para produção de produtos acabados da empresa. Com o retorno dos autos, houve determinação de nova diligência (Resolução 310100.026, fls. 202 e ss.) com a seguinte finalidade: 1) intimar a recorrente a explicar o tipo de operação/movimentação que deu causa à emissão das notas fiscais de entrada apresentadas (natureza da operação: transferência CFOP 1.21) e a fundamentação legal/legislação que ampare essa emissão, considerando as normas vigentes a respeito da emissão de documentos fiscais; 2) solicitar manifestação do Ibama no que respeita à área do imóvel destinada à extração florestal e sobre a quantidade que foi efetivamente extraída pela empresa no ano de 1996, bem como outras informações que puder disponibilizar a respeito das operações desenvolvidas pela recorrente, tendo em vista que a autorização para exploração nº 38/95 (fl. 67) referese a Área de projeto de 2.500 ha e a área total do imóvel é de 1.452 ha (encaminhar ao lbama a referida autorização); e 3) elaborar informação fiscal a partir das informações resultantes das intimações acima: a) com cálculo da área aceita, a partir do rendimento mínimo (Ficha 7/DIAT) da madeira autorizada pelo lhama e efetivamente extraída pela recorrente; b) sobre a pertinência da emissão das notas fiscais de entrada (por transferência) por parte da recorrente; e c) prestação de outras informações pertinentes à lide, eventualmente disponíveis. Por fim, determinouse que, antes do retorno do processo a esse Conselho, a recorrente fosse intimada do inteiro teor das informações prestadas, a fim de manifestarse, se assim desejar. A tentativa de intimação postal foi infrutífera, tendo sido providenciada a intimação por edital a fim de que a recorrente prestasse os esclarecimentos acima apontados. Entretanto, não houve qualquer manifestação da recorrente. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.002359/200165 Acórdão n.º 280201.107 S2TE02 Fl. 224 5 Foram encaminhados dois ofícios ao Ibama (fls. 210 e 212) e a resposta do Ibama foi prestada por meio do ofício de fls. 214, que em síntese apontou: a) não foi encontrado no arquivo a quantidade que foi efetivamente extraída pela empresa Fazenda São José I; b) a Autorização para Exploração Florestal nº 38/95, vencida em março de 1996, foi emitida em favor de Serraria Marianelli Ltda, referente ao processo 9938/92, cuja área total do projeto de manejo florestal era de 2.500ha, para as fazendas São José e Acapú, no município de ToméAçú/PA, sendo a área autorizada para a exploração anual, da referida autorização, de 250ha, para um volume total de 14.839,340m³ de madeiras em toras; c) a diferença entre a área do projeto de 2.500ha e a área total de 1.452ha, possivelmente decorre de a área de 1.452ha referirse à área total da Fazenda São José, enquanto a área de 2.800ha do projeto corresponde à soma das áreas das Fazendas Acapú (1.500ha) e São José (1.300ha), conforme certidões cartorárias anexas (fls. 215/220). Elaborouse a Informação Fiscal (fls. 221) e o processo foi movimentado ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O litígio está restrito à glosa da área de exploração extrativa, pois a multa por atraso não foi impugnada. Retornam os autos a esse Conselho para prosseguimento do julgamento, após ter sido determinada diligência fiscal nos termos da Resolução nº 310100.026 (fls. 202 e ss.), na qual houve menção expressa para que fosse dada ciência ao recorrente do resultado da diligência fiscal, para que se manifeste, se assim desejar. Entretanto, após o recebimento da resposta do Ibama e elaboração do Relatório Fiscal (Informação Fiscal), a Unidade Preparadora não notificou o recorrente dos dados coletados e da faculdade de manifestarse, conforme determinado na Resolução 3101 00026, às fls. 203verso. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 “Antes do retorno do processo a este Conselho, a recorrente deverá ser informada do inteiro teor das informações prestadas, a fim de que, querendo, possa manifestarse a respeito.” Não obstante, a falha de instrução processual, entendo que há nos autos elementos suficientes para que seja proferida decisão independentemente da manifestação do recorrente sobre o resultado da diligência, conforme exporei adiante. Do número do NIRF Embora a autuação tenha mencionado o nº do imóvel 3.707.3516, o conjunto dos dados usados para identificar o imóvel (nome da Fazenda, área e localização) foram suficientes para descrever o imóvel, tanto que em momento algum o equívoco na menção ao nº do imóvel foi empecilho à defesa que desde a impugnação vem enfrentando substancialmente o lançamento. Não houve qualquer prejuízo à ampla defesa. Concordo com a decisão de primeira instância no sentido de que se caracterizou mero erro de formalidade que não invalidou o lançamento. Da fundamentação do lançamento A razão do lançamento foi o não preenchimento dos campos da Ficha 7 da DITR1997, que se referem às quantidades produzidas e respectivos índices de rendimentos mínimos, os quais permitiriam por cálculo aritmético chegar à área aceita como de exploração extrativa, adotouse como premissa que o contribuinte não preencheu esses campos, informando somente o valor da área de exploração extrativa. A DRJ aferiu essa informação com base no extrato de fls. 54 (NIRF 46733922 e número de declaraçãoND 02.4440620). Constou da fundamentação da decisão recorrida: Na ementa: “E que Somente pode ser considerada área de exploração extrativa, sem a aplicação de índices de rendimento por produto, a Área do imóvel rural explorada com produtos vegetais extrativos, mediante plano de manejo sustentado aprovado peio Ibama até o dia 31 de dezembro do ano anterior ao de ocorrência do fato gerador do ITR, e cujo cronograma esteja sendo cumprido pelo contribuinte.” No voto: Esse é o mandamento que provem do art. 10 da Lei 9.393/1996: "Art. 10 (..) § 1' Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (..) V — área efetivamente utilizada, a porção do imóvel que no ano anterior tenha: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.002359/200165 Acórdão n.º 280201.107 S2TE02 Fl. 225 7 c) sido objeto de exploração extrativa, observados os índices de rendimento por produto e a legislação ambiental. (...)" "Art. 15. As áreas do imóvel servidas de pastagens e as exploradas com extrativismo estão sujeitas, respectivamente, a índices de lotação por zona de pecuária e de rendimento por produto extrativo. § 1° Aplicamse, até ulterior ato em contrario, os índices constantes das Tabelas n° 3 (índices de Rendimentos Mínimos para Produtos Vegetais e Florestais) e n° 5 (índices de Rendimentos Mínimos para Pecuária,), aprovados pela Instrução Especial INCRA no 19, de 28 de maio de 1980, e Portaria n°145, de 28 de maio de 1980, do Ministério de Estado da Agricultura (Anexos III e IV respectivamente). "Art. 16. A área utilizada será obtida pela soma das áreas mencionadas nos incisos I a VII do art. 12, observado o seguinte: (...) III a área objeto de exploração extrativa será o somatório das áreas aceitas utilizadas com extrativismo vegetal ou florestal. A área utilizada aceita será: a) calculada por produto, inclusive para extração madeireira, e será, sempre, a menor entre a declarada pelo contribuinte e a área obtida pelo quociente entre a quantidade extraída do produto e o respectivo índice de rendimento mínimo por hectare;” Sustentou a DRJ que a DITR apresentada pelo impugnante com os campos preenchidos não tem valor probante (fls.21/25) , pois assim como na DIRPF, a partir do programa gerador é possível preencher e imprimir quantas declarações desejar, não sendo possível vinculálo ao recibo de entrega de fls. 20, no qual apenas consta a informação da área utilizada de 1.396,ha (fls 25). Constou da fundamentação o seguinte: No caso concreto, inobstante o contribuinte tenha sido regularmente intimado a apresentar documentos que comprovassem o valor por ele declarado a titulo de "área utilizada com atividade extrativa", não apresentou, nem no curso da ação fiscal, nem na fase impugnatória, documentação hábil no sentido de confirmar suas alegações.(fls. 60). In casu, em relação ao item 7 da Ficha 7, o Manual para Preenchimento da DITR/1997´, em sua página 19, estabelece que no item 07 deve ser informada a área de floresta nativa cuja exploração esteja autorizada pelo IBAMA´. (grifei) 21.1 Referida exigência consta também do art. 15, § 4º, da já citada Instrução Normativa SRF n°43/1997. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 22. Dessarte, farseia absolutamente imperioso que o contribuinte, além de simplesmente alegar, apresentasse cópia da autorização emitida pelo IBAMA, para que pudesse extrair 13.965,00 metros cúbicos de madeira no ano de 1996, além de cópias das notas fiscais de venda da produção, O extrato da DITR1997 que serviu de base à autuação está nas fls. 12/13 (ND 02.444062001 e NIRF 3.707.3516), na qual se verifica que embora tenha sido preenchida a área de exploração extrativa, os demais campos que justificariam a informação prestada não foram preenchidos, são eles: produto, quantidade produzida, unid. Prod. Rendimento mínimo, área calculada (ha) e área aceita (ha). Por outro lado, o Manual de Preenchimento da DITR1997, juntado pelo recorrente (fls. 66), ao informar sobre o preenchimento da Ficha 7 – Atividade Extrativa descreve que: a) as colunas “Área (ha)” e “Quantidade Produzida” devem ser preenchidas pelo declarante; b) as colunas “Unid. Prod.” e “Rendimento Mínimo” já contêm as informações conforme a legislação de regência; e c) as colunas “Área calculada (ha)” e “Área aceita (ha)” são preenchidas automaticamente pelo “disqueteprograma”. Destarte, se a autoridade fiscal constatou que o declarante informou que a “Área com Exploração Extrativa Aceita” foi de 1.396,5 ha e essa informação na DITR1997 não é preenchida pelo declarante e sim calculada pelo “disqueteprograma” a partir dos demais dados da Ficha 7, esses sim preenchidos pelo declarante, é forçoso concluir que não poderia a fundamentação da glosa ter sido exclusivamente que aqueles campos estavam em branco. Embora a autorização do IBAMA refirase ao projeto e não a cada imóvel da recorrente em particular, o que prejudica a comprovação da veracidade das informações sobre a produção extrativista informada, devese evidenciar que esta não foi a fundamentação da autuação. Manter ou retificar o lançamento a partir de outros argumentos – tal como ocorreu no julgamento de primeira instância , que não os constantes do auto de infração, seria inovar na fundamentação, modificando os critérios jurídicos do lançamento, o que é vedado ao órgão julgador. Ademais, essa inovação corresponderia a novo lançamento após transcorrido o prazo decadencial. Por outro lado, a premissa adotada pelo acórdão recorrido de que o contribuinte foi intimado a apresentar documentação comprobatória da área de produção extrativa declarada deve ser vista com cautela. Vejamos o teor da referida Intimação Fiscal (fls. 10): “DOCUMENTOS A APRESENTAR: Cópia da Declaração/Recibo Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.002359/200165 Acórdão n.º 280201.107 S2TE02 Fl. 226 9 Cert . lbama/orgãos ligados a Preserv. Ambiental Certidão ou Matric. Atualizada do Reg. Imobiliário Declaração do exercício anterior A/C JOSE MARIA FARIAS GRAU DE UTILIZAÇÃO CÁLCULO DO IMPOSTO ÁREA DE EXPLORAÇÃO EXTRATIVA” É certo que o contribuinte foi intimado a apresentar a DITR, em seguida veio a ser autuado com a multa por atraso na entrega. Concluise que, no momento da intimação a autoridade fiscal não dispunha da DITR, logo não é possível concluir que houve intimação para apresentação de documentação comprobatória da área utilizada declarada como de exploração extrativista, notadamente quando não há menção inequívoca com esse conteúdo na intimação. O extrato de DITR (fls. 12) referese ao NIRF 3.707.3516 e ND 02.44406.2001, recepcionada em 16/11/1998 (fls. 53). Esta foi a que incidiu em malha valor e foi objeto da autuação. Ocorre que com esse mesmo ND há outra declaração, recepcionada em 29/10/1998 (fls. 51) para imóvel com mesma área, porém com outro NIRF, o de nº 46733922. Essa declaração incidiu e foi alterada pela Malha Cadastro (SITUAÇÃO: SUBST. P/FAR APOS ACERTO MC). Com as alterações promovidas nos trabalhos de Malha Cadastro e Malha Valor não se pode, sem dúvida razoável, considerar que os extratos de DITR constantes dos autos contém as informações transcritas do “disqueteprograma” entregue pelo contribuinte. A existência de duas declarações com mesmo ND para dois NIRF diferentes para o mesmo imóvel poderiam dar ensejo ao lançamento escorado na premissa de que os dados de produção da Ficha 7 não foram preenchidos, bastaria que uma delas aos alteração na Malha Cadastro estivesse com os dados de produção em branco. De outro giro, o meio legal de fazer prova da entrega da DITR é o recibo de entrega. Intimado a apresentar a DITR e recibo, assim o contribuinte procedeu (fls. 20/25). Se por opção da Administração Tributária, o recibo não consta os dados da Ficha 7, exigir do contribuinte que comprove que declarou os campos completos da ficha 7 e não aceitar a declaração por ele impressa é exigir do sujeito passivo prova impossível. O que se torna inadmissível à medida que não há qualquer comprovação de que a fiscalização tenha empreendido medidas para caracterizar a prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas na DITR impressa apresentada pelo contribuinte. Entendo que essas são razões suficientes para o deslinde desse julgamento. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 10DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.002359/200165 Acórdão n.º 280201.107 S2TE02 Fl. 227 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10280.002359/200165 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802001.107. Brasília/DF, 23 de novembro de 2011 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 11DF CARF MF Emitido em 02/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 23 /11/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13736.000186/2008-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
MOLÉSTIA GRAVE
São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-001.585
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer a isenção a partir de março de 2003, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a isenção a partir de março de 2003, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente ANTÔNIO DE PÁDUA ATHAYDE MAGALHÃES Presidente Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Sandro Machado dos Reis, Carlos César Quadros Pierre, Antônio de Pádua Athayde Magalhães e Tânia Mara Paschoalin. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13736.000186/200818 Acórdão n.º 280101.585 S2TE01 Fl. 49 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “.Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada notificação de f1.4, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2004, anocalendário 2003, para formalização de saldo de imposto a restituir ajustado de R$0,46. De acordo com a descrição dos fatos de fl.6 foi apurada omissão de rendimentos no valor de R$60.237,54. O impugnante alega que foi submetido à perícia médica em 17/07/2003 e foi constatado que é incapaz definitivamente para exercer o serviço policial militar, tendo em vista a moléstia ser incurável. Afirma ainda que de acordo como os CID mencionados no laudo foi caracterizado que é portador de cardiopatia grave, portanto solicita os valores descontados a título de imposto der renda no ano de 2003 e que seja providenciada a restituição do imposto de renda retido a título de 13° salário, conforme pedido protocolizado em 19 de novembro de 2007.” Passo adiante, a 2a turma da DRJ/RJOII entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 MOLÉSTIA GRAVE São isentos de tributação apenas os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e do Distrito Federal.:” Cientificado em 19/08/2008 (Fls.30), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo em 21/08/2008 (fls.3141), reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação e apresentando cópia do Boletim da PMRJ (fls.36) e outro laudo médico (fls.37). É o relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13736.000186/200818 Acórdão n.º 280101.585 S2TE01 Fl. 50 3 Como bem descrito no Acórdão recorridos, a isenção por moléstia grave encontrase regulamentada pela Lei n° 7.713/1988, em seu artigo 6°, incisos XIV e XXI, com a redação dada pela Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: "Art. 6° XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte defonnante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma” Acerca do tema, o Decreto nº 3.000/99 (RIR), em seu artigo 39, inciso XXXIII, bem como o §4º do mesmo artigo, assim dispõe: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); A partir do anocalendário de 1996, devese aplicar, para o reconhecimento de isenções, as disposições, sobre o assunto, trazidas pela Lei n° 9.250, de 26/12/1995, in verbis: Art. 30 — A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios."(g.n) De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reportase à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria, ou reforma, ou pensão, e o outro relacionase com a existência da moléstia tipificada no texto legal, atestada por laudo de serviço médico oficial. Após a análise dos documentos apresentados, principalmente os documentos de folhas 37 e 40 dos autos, não restam dúvidas de que o recorrente era portador de cardiopatia grave, desde março de 2003, que lhe garantia a isenção sobre proventos de aposentadoria reforma ou pensão a partir desta data. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL Processo nº 13736.000186/200818 Acórdão n.º 280101.585 S2TE01 Fl. 51 4 Resta então analisar se os proventos do recorrente se referiam, à época dos fatos, a aposentadoria, ou a reforma, ou a pensão. Neste ponto o voto do relator do acórdão recorrido estabeleceu que; in verbis: Quanto ao outro requisito referente à natureza dos rendimentos, também não foi provada que é aposentadoria, pensão reforma.Cabe salientar que apesar de o Diário Oficial de 18 de setembro de 2007 conter a reforma do interessado a contar de 17 de julho de 2003, produz efeitos tão somente para o serviço público militar, já que a natureza dos rendimentos efetivamente recebidos em 2003, para fins fiscais, não foram pagos a militar na situação de reformado. Ante ao fato de inexistência de prova de que os rendimentos recebidos se referiam a proventos de reforma, o recorrente anexou documento que, segundo ele, seria a “copia do Boletim da PMERJ n° 219 de 20 de novembro de 1984, o qual transferiu o contribuinte para a reserva remunerada ou seja, aposentadoria”. No entanto, em tal documento, de folhas 36 dos autos, não há qualquer menção ao nome do recorrente, ou até mesmo a transferência para reserva remunerada. Contudo, podemos observar na Carteira de Identidade funcional apresentada pelo recorrente, nas folhas 14 e 41 dos autos, expedida em março de 1998, que o dito recorrente é Coronel PM da Reserva Remunerada. Ou seja, já em março de 1998 o Recorrente era da Reserva Remunerada. Deste modo, entendo que o recorrente logrou êxito em provar que os seus rendimentos, no ano base 2003, eram oriundos de reforma. Tendo, portanto, direito à isenção pleiteada, à partir de março de 2003. Ante tudo acima exposto, e o que consta nos autos, voto por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a isenção pleiteada a partir de março de 2003. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator Fl. 54DF CARF MF Emitido em 21/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Assinado digitalmente em 07/06/2011 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 15/06/2011 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGAL
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