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Numero do processo: 10073.900223/2006-72
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO INOVADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FISCALIZAÇÃO. QUESTÕES PRELIMINARES. SUPERAÇÃO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
O cerceamento do direito de defesa caracterizado pela inovação nos fundamentos adotados pela decisão a quo e a superação das questões preliminares anteriormente levantadas pela fiscalização indicariam o necessário retorno dos autos à unidade de origem para nova decisão.
Entretanto, reconhecida a nulidade destas decisões, a superveniente ocorrência de homologação tácita das compensações prejudica a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3802-000.358
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a ocorrência de homologação tácita das compensações em epígrafe consoante §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, prejudicada a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: REGIS XAVIER HOLANDA
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO INOVADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FISCALIZAÇÃO. QUESTÕES PRELIMINARES. SUPERAÇÃO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O cerceamento do direito de defesa caracterizado pela inovação nos fundamentos adotados pela decisão a quo e a superação das questões preliminares anteriormente levantadas pela fiscalização indicariam o necessário retorno dos autos à unidade de origem para nova decisão. Entretanto, reconhecida a nulidade destas decisões, a superveniente ocorrência de homologação tácita das compensações prejudica a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO INOVADA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FISCALIZAÇÃO. QUESTÕES PRELIMINARES. SUPERAÇÃO. NULIDADE. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O cerceamento do direito de defesa caracterizado pela inovação nos fundamentos adotados pela decisão a quo e a superação das questões preliminares anteriormente levantadas pela fiscalização indicariam o necessário retorno dos autos à unidade de origem para nova decisão. Entretanto, reconhecida a nulidade destas decisões, a superveniente ocorrência de homologação tácita das compensações prejudica a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a ocorrência de homologação tácita das compensações em epígrafe consoante §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, prejudicada a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente e Relator Fl. 328DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10073.900223/200672 Acórdão n.º 3802000.358 S3TE02 Fl. 329 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Mara Cristina Sifuentes, Adélcio Salvalágio e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Spaço 2 Comércio e Representações Ltda. contra Acórdão nº 0927.453, de 04 de dezembro de 2009 (fls. 297 a 299), proferido pela 3ª Turma da DRJ/Juiz de ForaMG, que manteve o indeferimento do Pedido Eletrônico de Ressarcimento de saldo credor do IPI relativo ao 4º trimestre de 2002, não homologando as compensações vinculadas. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Trata o presente processo das DCOMPs nºs 22370.06797, 35072.08885 e 09164.47761 (fls. 12/51), que informam como lastro das compensações saldo credor do IPI relativo ao 4º trimestre de 2002 apurado pelo estabelecimento 04.787.806/000122 (fl. 13). Para verificação da legitimidade dos créditos foi instaurado procedimento fiscal cujos resultados estão consolidados no Relatório Fiscal de fls. 158/159. A auditora fiscal propôs o indeferimento do peito (sic) da interessada em razão das seguintes constatações: a) que o contrato social da interessada não evidencia atividade de industrialização ou equiparação; b) que, do documento apresentado pela empresa à fl. 71, "depreendese que a atividade da empresa é de revenda de mercadoria ou seja, compra e vende o mesmo produto: FOLHAS CROMADAS CHAPAS DE AÇO REVESTIDAS DE CROMO com idêntica Classificação Fiscal: 7210.5000"; c) que as entrada (sic) teriam sido originalmente escrituradas no CFOP 2.12 e, posteriormente, alteradas para o CFOP 2.11, enquanto as saídas foram escrituradas no CFOP 5.12 e corrigidas para o código 5.11; d) que "os estornos de créditos não foram realizados adequadamente, contendo rasuras, anotações a lápis, não preenchendo os requisitos previstos no art. 193 do RIPI/02"; e) que a empresa deixou de apresentar o demonstrativo do saldo credor apurado e que os originais das notas fiscais de entrada com destaque do IPI não foram carimbados. A autoridade competente da DRF/Volta Redonda acatou os argumento (sic) da fiscalização e indeferiu o pedido na sua totalidade, nos termos do Despacho Decisório de fls. 165/167. Na manifestação de inconformidade apresentada, fls. 192/198, a contribuinte insurgiuse contra o indeferimento de seu pleito alegando, essencialmente, que sua escrituração fiscal contêm apenas correções expressamente autorizadas pela legislação tributária, não se justificando que seja descartada como prova do saldo credor passível de ressarcimento. Fl. 329DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10073.900223/200672 Acórdão n.º 3802000.358 S3TE02 Fl. 330 3 A DRJ indeferiu a solicitação contida na manifestação de inconformidade apresentada em acórdão com a seguinte ementa: SAÍDAS COM SUSPENSÃO. A saída com suspensão do IPI, bem como a manutenção e utilização dos créditos previstos no art. 29 e parágrafos da Lei 10.637/2002, destinamse, tãosomente, aos estabelecimentos industriais, não alcançando os equiparados. Cientificado do referido acórdão em 22 de janeiro de 2010 (fl. 302), o interessado apresentou recurso voluntário em 17 de fevereiro de 2010 (fls. 311 a 314) pleiteando a reforma do decisum. Preliminarmente, anota que as questões relativas ao não exercício da atividade de industrialização ou equiparada a industrial e à não apresentação de demonstrativo do saldo credor apurado já haviam sido superadas pela informação protocolada em 14 de fevereiro de 2008, motivo pelo qual não foram abordadas na impugnação que se restringiu ao alegado descumprimento das formalidades extrínsecas e intrínsecas na escrituração do Registro de Apuração do IPI (RAIPI). Assim, entende que a decisão recorrida inovou ao trazer novo fundamento relacionado à “suspensão de IPI nas vendas de produtos industrializados por encomenda” que não fora tratado nem na fase diligencial, nem na que antecedeu a exigência, o que acarretaria sua nulidade. Registra ainda, apenas para argumentar, que mesmo se admitindo a possibilidade de inovação do feito, restaria caracterizada a decadência. No mérito, repisa que o procedimento fiscal resultou tãosomente na condenação do Registro de Apuração do IPI pelo descumprimento de formalidades extrínsecas e intrínsecas – o que já restaria afastado inclusive pela decisão recorrida. Por fim, assenta que a inovação introduzida pela decisão recorrida é ainda inconsistente uma vez que o crédito foi pleiteado oportunamente, enquanto o débito não foi sequer constituído e exigido em algum momento, passando a existir, na linha adotada pela decisão recorrida, apenas para anular o crédito solicitado. Assim, em suas palavras, entende que não há como confrontar o que existe com o que não existe. É o relatório. Voto Conselheiro Regis Xavier Holanda, Relator Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Fl. 330DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10073.900223/200672 Acórdão n.º 3802000.358 S3TE02 Fl. 331 4 Da nulidade do despacho decisório e da superveniente homologação tácita das compensações No presente caso, a SAFIS/DRF em Volta Redonda, em cumprimento a diligência para apuração do saldo credor do IPI, informou, em relatório fiscal (fls. 158 a 159), em síntese que: a atividade da empresa é de revenda de mercadorias, não se evidenciando que ela exercia a atividade de industrialização ou equiparada a industrial; o livro Registro de Apuração do IPI encontrase com diversas emendas, rasuras e anotações a lápis na codificação de operações de entrada e saída e no estorno de créditos; e a empresa não apresentou demonstrativo do saldo credor apurado. Com base no referido relatório fiscal, a Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF em Volta Redonda não reconheceu o direito creditório e indeferiu o pedido de ressarcimento consoante despacho decisório acostado a fls. 165 a 167 assim ementado: Declaração de compensação. Ressarcimento de créditos de IPI. Escrituração em desacordo com a legislação. Direito creditório não reconhecido. Compensação não homologada. Notese, portanto, que o fundamento para o indeferimento do pleito se deu basicamente em virtude do entendimento de que a escrituração do livro de Registro de Apuração do IPI não teria observado rigorosamente as formalidades impostas pela legislação (requisitos extrínsecos e intrínsecos) Posteriormente, então, sobreveio decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora/MG (fls. 297 a 299) que, inicialmente, afastou o entendimento adotado pela fiscalização de que as falhas apontadas retirariam a força probante do livro Registro de Apuração do IPI para comprovar o valor do saldo credor passível de ressarcimento. Nesse sentido, vejamos trechos do voto recorrido: A primeira questão a ser abordada neste voto diz respeito às irregularidades apontadas pela auditora fiscal na escrituração do RAIPI, irregularidades essas que levaram a unidade de origem a indeferir o pleito da interessada. Analisando o RAIPI relativo ao trimestre objeto do PER tratado nestes autos verificase que as correções não impedem a comprovação dos créditos escriturados e acumulados no decorrer do trimestre (fls. 92/105). As correções foram feitas apenas nos CFOPs. Não vejo nisso motivo a ensejar a desconsideração do RAIPI. Quanto à alegação de que a empresa não apresentou o demonstrativo do saldo credor apurado, com informações relativas às notas fiscais de entradas, entendo desnecessária tal solicitação, em virtude das informações que constam da relação de Notas Fiscais de Entrada/Aquisição da DCOMP (fls. 22/24). Nessa relação a declarante informa os dados de todas as notas fiscais de entradas que dão suporte aos créditos registrados. Da mesma forma, não cabe alegar que as notas fiscais de entradas não foram carimbadas, pois tal exigência há muito deixou de ser requisito para a concessão de ressarcimento de créditos do IPI. Não há também como concordar com a fiscalização quando concluiu, a partir do que consta do contrato social e do fato de os produtos adquiridos e vendidos possuírem a mesma classificação fiscal, que a empresa apenas revende mercadorias de terceiros. As operações de industrialização definidas como beneficiamento, acondicionamento ou renovação, regra geral, não alteram a classificação fiscal do Fl. 331DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10073.900223/200672 Acórdão n.º 3802000.358 S3TE02 Fl. 332 5 produto beneficiado, acondicionado, transformado, e, nem por isso, deixam de ser caracterizadas como industrialização. E, se a empresa é apenas equiparada, em todas ou em algumas operações que realiza, também, como regra geral, tal "equiparação" não costuma constar do contrato social. Entretanto, após o devido afastamento das irregularidades apontadas pela unidade de origem, o acórdão recorrido valeuse de um novo fundamento para igualmente indeferir o pleito da interessada. De fato, a decisão recorrida, ao indeferir o pedido da empresa sob o entendimento de que a saída com suspensão do IPI, bem como a manutenção e utilização dos créditos previstos no art. 29 e parágrafos da Lei 10.637/2002, destinamse, tãosomente, aos estabelecimentos industriais, não alcançando os equiparados, inovou ao trazer novo fundamento que não fora tratado nem na fase diligencial nem no despacho denegatório. Neste ponto, com a devida vênia, penso não ter caminhado bem a decisão de 1ª instância. Com efeito, uma vez verificado que a escrituração do RAIPI e a relação de Notas Fiscais de Entrada/Aquisição da DCOMP (fls. 22/24) possibilitariam a análise de eventual existência de crédito e respectiva apuração dos valores – superadas, assim, as questões preliminares anteriormente levantadas pela fiscalização , a decisão de 1ª instância deveria ter indicado a necessidade de retorno dos autos à unidade de origem para nova diligência (apuração de eventual valor de saldo credor de IPI). Vejase que a manifestação de inconformidade apresentada – em atenção aos fundamentos do relatório fiscal e do despacho denegatório – se ateve unicamente aos pontos abordados pela unidade de origem, não abordando, por lógico, essa novel matéria fático jurídica. Assim, tendo o contribuinte se defendido de uma fundamentação, acabou tendo que recorrer de uma outra face à inovação por parte dos I. Julgadores de primeiro grau, caracterizando preterição do direito de defesa. Dessa forma, apresentarseia necessário – tomando por superadas as questões preliminares anteriormente levantadas pela fiscalização o retorno dos autos à unidade de origem para nova diligência (apuração de eventual valor de saldo credor de IPI) e nova decisão, inclusive quanto à aplicabilidade ou não do artigo 29, caput e §5º da Lei nº 10.637/02. Entretanto, no presente caso, configurada a presente nulidade inclusive do despacho decisório exarado pela unidade de origem há que se reconhecer, em conseqüência, a ocorrência de homologação tácita das compensações em epígrafe por força do disposto no §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, prejudicada a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte. Vejamos o teor do indigitado dispositivo legal: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e Fl. 332DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10073.900223/200672 Acórdão n.º 3802000.358 S3TE02 Fl. 333 6 contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) ........................ § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Com efeito, datando as compensações de 15/09/03, 14/10/03 e 14/11/03 respectivamente (fls. 12, 40 e 46), temos que, uma vez já ultrapassado o prazo de cinco anos do registro das declarações, decai o direito do Fisco de não homologar as compensações e fica extinto os créditos tributários a elas correspondentes. Da conclusão Ante o exposto, reconhecida a nulidade das decisões da unidade de origem e da unidade de 1º grau de julgamento por conta, respectivamente, da superação das questões preliminares anteriormente levantadas pela fiscalização (vício material) e da preterição das garantias do contraditório e da ampla defesa, e diante do superveniente transcurso do quinquídeo legal, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para reconhecer a ocorrência de homologação tácita das compensações em epígrafe consoante §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, prejudicada a análise do mérito do pedido de ressarcimento dos créditos utilizados pelo contribuinte. Sala das Sessões, em 01 de março de 2011 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 333DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Assinado digitalmente em 11/03/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 18186.002149/2011-29
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - SÚMULA CARF Nº 1
Conforme súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 2002-007.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por concomitância de instâncias.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 CONCOMITÂNCIA DE INSTÂNCIAS - SÚMULA CARF Nº 1 Conforme súmula CARF nº 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário por concomitância de instâncias. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Para o contribuinte identificado no preâmbulo foi lavrada, por Auditor Fiscal da DRF Brasília DF, a Notificação de Lançamento de fls. 10/14, referente ao imposto de renda AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 21 49 /2 01 1- 29 Fl. 96DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.542 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.002149/2011-29 pessoa física do exercício 2007. Foi apurado imposto suplementar de R$ 2.357,31, mais multa de ofício de 75% e juros de mora. A Notificação de Lançamento originou-se da revisão da Declaração de Ajuste Anual ND 01/13.852.548, quando foram alterados os dados nela informados em decorrência das seguintes infrações: · Dedução indevida de Previdência Oficial, no valor de R$ 810,00, por falta de comprovação. · Omissão de rendimentos recebidos de Pessoas Jurídicas, no valor de R$ 62.333,09. Fonte Pagadora: PREVI. A descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações estão assentados às fls. 11/12. Consta, na descrição dos fatos, que o contribuinte apresentou documentos à fiscalização no decorrer do procedimento fiscal. Regularmente cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação às fls. 1/4, na qual informa que enviou ao Órgão de origem documentos relativos à complementação de aposentadoria da PREVI (1/3), acrescentando que recebeu a restituição referente ao exercício 2005. Esclarece que possui uma decisão judicial transitada em julgado, que declarou a inexigibilidade do imposto de renda incidente sobre 1/3 dos benefícios recebidos da PREVI a título de complementação de aposentadoria, por isso, referida parcela de aposentadoria foi declarada como valores isentos e não tributáveis, direito adquirido a ser aplicado em todos os anos-calendário. Argumenta que a Srª Lúcia Moreira Cardoso foi sua companheira no período de 1996 a outubro de 2008, sendo que, no ano-calendário autuado, a glosa da contribuição à Previdência Social corresponde a pagamentos que realizou em nome da mencionada companheira. Para provar o alegado, junta aos autos os documentos de fls. 21/39. Requer a improcedência do lançamento e a restituição de R$ 15.007,04. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, antes ou posteriormente ao lançamento ou à decisão administrativa, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. DEDUÇÃO INDEVIDA DE CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA OFICIAL. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física os pagamentos relativos às contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Mantém-se a glosa da despesa não comprovada mediante documentos hábeis e idôneos. Cientificado da decisão de primeira instância em 12/04/2012, o sujeito passivo interpôs, em 14/05/2012, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: Fl. 97DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.542 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.002149/2011-29 a) a omissão de rendimentos referentes a resgate de previdência privada é improcedente; b) inexistência de concomitância das esferas administrativa e judicial sobre a mesma questão É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Duca Amoni - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A Notificação de Lançamento decorreu da dedução indevida de Previdência Oficial, no valor de R$810,00, por falta de comprovação e da omissão de rendimentos recebidos de Pessoas Jurídicas, no valor de R$62.333,09 relativa à fonte pagadora PREVI. A DRJ julgou a impugnação apresentada pelo contribuinte improcedente quanto a dedução indevida de previdência oficial, bem como não conheceu das alegações referentes a omissão de rendimentos por concomitância de instâncias. Em sede recursal, o contribuinte não insurge-se face a dedução indevida de previdência oficial, motivo pelo qual aplico o teor do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Ainda, como mencionado, a DRJ não conheceu das razões impugnatórias relativas à omissão de rendimentos, infração esta que, em tese, não comporia a lide, já que, conforme artigo 14 referido Decreto, a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Contudo, no recurso voluntário apresentado, o contribuinte contesta a fundamentação da decisão de primeira instância que reconheceu a concomitância de instâncias entre a esfera administrativa e judicial, portanto, conheço da matéria para apreciá-la. Às e-fls. 23 a 35 há sentença proferida em ação ordinária (processo nº ) interposta pelo recorrente objetivando o reconhecimento da exclusão dos valores recebidos da PREVI a título de complementação de aposentadoria da base de cálculo do imposto de renda com o consequente pedido de restituição dos valores descontados. Desta forma, o presente processo administrativo fiscal restou prejudicado, motivo pelo qual não conheço do Recurso Voluntário, por aplicação da súmula nº 1 deste CARF: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial Fl. 98DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.542 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.002149/2011-29 Por todo exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 99DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 37014.000034/2006-59
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 28/12/1994
PREVIDENCIÁRIO. ENTIDADES BENEFICENTES. - ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO.
Para que se possa cancelar a isenção de contribuições, é
necessário restar plenamente demonstrado, pela Secretaria da
Receita Previdenciária o descumprimento dos requisitos
estabelecidos no art. 55 da Lei no 8212/91.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 206-01.157
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por negar provimento ao recurso. Apresentará Declaração de
Voto o(a) Conselheiro(a) Bernadete de Oliveira Barros.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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' 0 / 433. CCOVC06 Maria de Falia Fls. 261 - 7 et it C t_ 4f*,"?al Mat. Siape 751683 ar" u MINISTÉRIO DA FA -N:fri:!;t141-' SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES '"--4 -'•-• SEXTA CÂMARA Processo e 37014.000034/2006-59 Recurso n° 141.848 Voluntário Matéria ISENÇÃO - ATO CANCELATÓRIO Acórdão n° 206-01.157 Sessão de 07 de agosto de 2008 Recorrente HOSPITAL DE CATAGUASES Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA AssuNTo: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/12/1994 PREVIDENCIÁRIO. ENTIDADES BENEFICENTES. - ISENÇÃO. ATO CANCELATÓRIO. Para que se possa cancelar a isenção de contribuições, é necessário restar plenamente demonstrado, pela Secretaria da Receita Previdenciária o descumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei no 8212/91. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. MF - SEWNDO CONSELHO DE CONTRII I -"Si CONFERE COM O 0111111NALrvi! - andlia, ° S- / eProcesso n°37014.000034/2006-59 / CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.157 iiia" teel_D I Fls. 262 fter/ O/ Maria de á ; .. meia Carvalho 1 Siape 731683 --- ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por negar provimento ao recurso. Apresentará Declaração de Voto o(a) Conselheiro(a) Bernadete de Oliveira Barros. (117\---n ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente , OU CLEUSA VIEIRA 1U2íC---rUZA Relatora 1 . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina , Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente Convocado). 2 Processo n° 37014.000034/2006-59 MF • SEGUNDO CO NSELHO DE CONT1UB —"s i CCOVC06 Acórdão n.° 206-01.157 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 263 Brunia. 1 2_./ C.) ,09 1r)dir IMarin de F ; lierreara i CarvalhoRelatório , Ma inpe 731683 Trata-se de Ato Cancelatório de Isenção de contribuições sociais, emitido em desfavor da empresa acima identificada, por descumprimento do inciso III do art. 55 da Lei n° 8212/91. Segundo Informação Fiscal, fls. 43/84, na qual o Hospital de Cataguases é cientificado da perda da sua isenção relativa as contribuições sociais (patronais) a contar do decurso de doia anos da promulgação da CF/88, sob a fundamentação de que O hospital Cataguases não atende os requisitos previstos no inciso III e n § 6° do artigo 55 da Lei n° 8212/91. Justificou que a entidade provada para usufruir da isenção das contribuições patronais precisa promover a benemerência na área de assistência Social, cujo principio constitucional está inserto no art. 195, § 7° da CF/88 e normatizado ordinariamente no artigo 55 da Lei n° 8212/91; que o conceito doutrinário de entidade beneficente de assistência social tem campo mais restrito e foi disciplinado no julgamento do Supremo Tribunal Federal através do RE n° 202.700-6 (fls. 48/49), sendo que filantropia é gênero e a Assistência Social é espécie e esta deverá ser aplicada à totalidade da clientela que dela necessitar e não a prática de filantropia que abrange somente algumas das áreas de sua atuação e sem atender à totalidade da necessidade humana. O Hospital Cataguases é sociedade civil, sem fins lucrativos, aberto à população em geral, atendendo sob paga pelo SUS à população em geral, assim como a pagantes particulares dos serviços prestados, à clientela de convênios com terceiros ou próprio, além de outras áreas de autuação que o caracteriza como promotor de um conjunto de atividades de naturezas diversas em um aglomerado de 13 andares e 5 anexos e não como uma entidade promotora de benemerência á pessoas em situação de risco social, não tendo como fim primeiro e preponderante a ação na faixa da assistência social. Conseqüentemente, não é a condição de entidade de saúde ou de educação que lhe dá a isenção, mas o seu enquadramento como entidade beneficente de assistência social nos termos da Lei Magna. O Hospital Cataguases não pode ser considerado Entidade Beneficente de Assistência Social, pois não basta que mantenha um setor beneficente e gratuito, o Asilo São José, porque para poder usufruir a isenção das contribuições sociais, "não basta praticar beneficência; é necessário ser beneficente de assistência social". O Hospital Cataguases foi declarado de utilidade pública Federal, pelo Decreto n] 6/1967, Estadual, pela Lei n° 3.081/64 e Municipal pela Lei Municipal n°327/60, cumpriu, 1 portanto o inciso I da do art. 55 Lei n° 8212/91. O Hospital acha-se registrado, conforme Processo n° 031513/38. Foi recadastrado pela Resolução n° 007/95, processo 28010.003117/94-44. O Conselho Nacional de Assistência Social —CNAS , validou o certificado concedido e renovou o CEBAS da entidade pelo período de 01/01/2001 a 31/12/2003, de modo que o Hospital cumpre com as exigências do inço II do referido art. 55. Porém no que se refere a isenção, o fato de uma entidade de saúde ter obtido o CEBAS pelo simples fato de ter atendido pelo SUS no percentual necessário, não impede que a Secretaria analise o cumprimento da exigência do inciso III do art. 55, que deve ser interpretado restritivamente. 4 3 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB • CONFERE COM O n"IGINAL Processo n°37014.000034/2006-59 Malha, ° / CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.157 Fls. 264 Maria de Fá #21.?" t". •• • etra de arv l• • Mat. S • - 751683 O inciso III do art. 55 da Lei 8212/91, quando inclui os serviços de saúde e educação têm que ser interpretado conforme a Constituição Federal. Não são entidades de educação e de saúde que são abrangidos, e sim a assistência social nessas duas áreas. Concluiu que o hospital de Cataguases deixou de atender o inciso III do art. 55 da Lei n° 8212/91 e o § 6°. Tempestivamente a entidade apresentou sua impugnação, fls. 89/104, juntando aos autos os documentos de fls. 107/169, que após análise, a Seção do Contencioso Administrativo Previdenciário em Juiz de Fora, considerando os termos da defesa , remeteu os autos à Seção de Fiscalização da DRP pra resposta à defesa e exame dos documentos acostado; Solicita, também, a manifestação da auditoria fiscal sobe a quitação da dívida em que a defendente se propunha a paga em 90 dias e que se referia ao período de 04 a 12/2002. Em resposta a auditoria fiscal, às fls. 202 e seguintes, reitera que a entidade beneficente de assistência social deverá cumprir cumulativamente os requisitos do art. 55, sem as alterações introduzidas pela Lei n° 9732/98 ex vi da liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal na ADin 2038-5/19999. Reprisa que a isenção deixou de estar ligada à filantropia que é gênero para limitar-se a uma de suas espécies, a assistência social que será prestada, somente, à população carente de forma gratuita. Acrescenta que o Hospital Cataguases não tem a especificidade da assistência social e que a atividade de saúde desempenhada pela defendente não tem a única finalidade social com a finalidade de prover às pessoas carentes os mínimos sociais dentro dos objetivos traçados pela CF vigente.. Acrescenta que a simples atividade de saúde não é assistência social que deve prover à pessoa carente os mínimos sociais dentro do principio Constitucional. Informa que a empresa liquidou a dívida do período de 04 a 12/2002 relativamente às contribuições descontadas dos empregados, cuja NFLD, foi baixada por liquidação. Conclui que o Hospital de Cataguases não cumpre o requisito III, do art. 55 da Lei n°8212/91. Intimada a empresa se manifestou, solicitando dilação do prazo para se manifestar. A Secretaria da Receita Previdenciária, em Juiz de Fora, por meio da Decisão- Notificação n° 11.425.4/0002/2006, julgou procedente a informação fiscal, trouxe a referida decisão a seguinte ementa: "PEDIDO DE ISENÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. LEI N° 8212/91. DECRETO 3048/99. INFORMAÇÃO FISCAL. NÃO ATENDIMENTO AO REQUISITO DO INCISO III DO ARTIGO 55 DA LEI N' 8212/91. DEFESA TEMPESTIVA. PROCEDÊNCIA DA INFORMAÇÃO FISCAL. CANCELAMENTO DA ISENÇÃO. É isenta das contribuições de que tratam os art. 22 e 23 da Lei n° 8212/91, a entidade que promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou a pessoas carentes" e que atenda cumulativamente aos requisitos previstos no artigo 55 desta mesma lei. INFORMAÇÃO FISCAL PROCEDENTE." e‘ 4 MF SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1B CONFERE COM O OPIGINAL Processo n° 37014.000034/2006-59 amuá._ jef O 4. CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.157 Fls. 265 Maris de Fititor4‘ ;SI T. C Lho Mat Saiu 751683 O Em conseqüência, foi emitido o Ato Cancelatório n°11.425.1/001/2006, fls. 223. Intimada dessa decisão e com ela não se conformando a empresa recorreu a este Conselho, razões expendidas às fls. 228/241, a contribuinte requereu a reforma da decisão. Alegou em preliminar, a decadência nas parcelas objeto dessa notificação, caso seja mantida a decisão ora apelada. No mérito, alegou, em síntese, que conforme conclusão do laudo apresentado pela Auditora Fiscal, "o Hospital de Cataguases não cumpre o ordenamento jurídico contido no inciso III, do art. 55, da Lei n° 8212/91, com o que não pode concordar, porquanto a saúde é uma das necessidades básicas do cidadão (...) que o art. 55 da citada lei em seu § 5° determina claramente que "considera-se também de assistência social beneficente para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema único de Saúde, nos termos do regulamento". E para concretizar, ainda mais, o próprio Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto " 3048/99 em seu artigo 206, que trata exatamente da isenção de contribuições diz em seu § 4° que "considera-se também de assistência social beneficente a pessoa jurídica de direito privado que, anualmente ofereça e preste efetivamente, pelo menos, sessenta por cento dos seus serviços ao Sistema único de Saúde, não se lhe aplicando o disposto nos §§ 2° e 3° deste artigo". Transcreveu o Parecer CJ/N° 2414/2001, que traz o posicionamento do próprio Ministério da Previdência e Assistência Social sobre o assunto. Colacionou vários excertos da legislação sobre o tema em que entende estar perfeitamente enquadrado o Hospital Cataguases todos, unânimes em considerar também de assistência social beneficente a pessoa jurídica de direito provado que, anualmente ofereça e preste efetivamente, pelo menos, sessenta por cento dos seus serviços ao Sistema Único de Saúde". Com a devida vênia, não poderia a nobre fiscalização do INSS, bem como a Decisão-Notificação esquecer o mandamento insculpido no art. 84, inciso IV da Constituição Federal, que atribui ao Presidente da República a competência de Sancionar, Promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução. Assim, não poderá a Previdência Social, através de seus fiscais, interpretar a legislação ao seu bel prazer. Argumentou, ainda, que o Hospital Cataguases está devidamente enquadrado em todos os mandamentos legais e jurídicos instituidores no art. 55 da Lei n° 8212/91, como bem se pode observar da documentação carreada e de toda a contabilidade da recorrente, que o hospital oferta e presta efetivamente mais de 70% de seu atendimento e internações a pacientes do SUS. Tanto é verdade que a recorrente apresenta, nesta oportunidade, certidões expedidas pelo Conselho Nacional de Assistência Social, pelo Ministério da Justiça, além de notas explicativas com percentuais de atendimento a pacientes do SUS acima de 70%. A Secretaria da Receita Previdenciária ofereceu contra-razões. É o relatório. Processo ne 37014.000034/2006-59 64F - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB1 n't'S CCO2)C06 Acórdão n.• 206-01.157 CONFERE COM O ORIGINAL 1 Fls. 266 411 e bra Maria de F careira de Carvalho VOF0 Siape 751683 Conselheira CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Relatora O recurso é tempestivo e não há qualquer óbice ao seu conhecimento. Conforme relatado versam os autos sobre cancelamento de isenção de contribuições patronais, por conclusão da auditoria fi§cal de que a entidade não cumpriu o ordenamento contido no inciso III do art. 55 da Lei n°8212/91. Por entender que, embora o Hospital Cataguases tenha cumprido o inciso I e II da do art. 55 Lei n° 8212/91, porquanto foi reconhecido como de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal e o Conselho Nacional de Assistência Social —CNAS, tenha validado o certificado concedido e renovado o CEBAS da entidade pelo período de 01/01/2001 a 31/12/2003, no que se refere a isenção, porém, o fato de uma entidade de saúde ter obtido o CEBAS pelo simples fato de ter atendido pelo SUS no percentual necessário, não significa que tenha cumprido os requisitos do inciso III do referido artigo, que entendeu deva ser interpretado restritivamente. É certo que para fazer jus ao aludido beneficio fiscal, a entidade tem que atender, cumulativamente, aos requisitos previstos no art. 55 da Lei n°8212/91 (in verbis). "Art. 55 — Fica isenta das contribuições de que tratam os art. 12 e 23 desta lei a entidade beneficente de assistência social que atenda, aos seguintes requisitos cumulativamente: I - seja reconhecida como de utilidade pública federal, estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II - seja portadora do Certificado do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social — CNAS, renovado a cada três anos; III -promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou beneficios a qualquer título; V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (....)§ 6° - A inexistência de débito em relação às contribuições sociais é condição necessária ao deferimento e à manutenção da isenção de que trata este artigo, em observância ao disposto no § 3° do art. 195 da Constituição Federal." c46 ME - SEGUNDO CONSELHO DE CONT1US• CONFERE COMO OR IGINAL • Processo a• 37014.000334/2006-59 Bota ( / d ccovco6 Acórdão n.° 206-01.157 aFls. 267 031. Maria de Ft ua de Csrvalho Mat. iape 751683 Pela leitura do citado artigo, verifica-se que a inobservância de apenas um dos requisitos apontados enseja o indeferimento do pedido ou o cancelamento da isenção da quota patronal. No presente caso, como restou demonstrado até pela própria informação fiscal a entidade cumpriu os requisitos dos incisos I, II quanto ao inciso III entendeu a auditora fiscal que "o fato de uma entidade de saúde ter obtido o CEBAS pelo simples fato de ter atendido pelo SUS no percentual necessário, não significa que tenha cumprido os requisitos do inciso III do referido artigo, (...) que não basta praticar a benemerência; é necessário ser beneficente de assistência social" .É bem de se ver assim, que a controvérsia aqui debatida cinge-se mais à interpretação do que seja entidade beneficente de assistência social do que se a entidade em questão cumpriu ou não os requisitos exigidos na lei para a manutenção da isenção das contribuições patronais de que era portadora. Nesse sentido se faz mister, buscar na própria legislação seja na Lei ou no regulamento e decretos posteriores o deslinde da questão Em que pesem os bons argumentos apresentados pela Auditora Fiscal, entendo que o próprio artigo 55 da Lei n° 8212/91, § 5° estabelece que "considera-se também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento". Por sua vez o art. O § 4° do art. 206 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99, basicamente reproduz o texto do § 50 da lei, nos seguintes termos:" considera-se também de assistência social beneficente a pessoa jurídica de direito privado que, anualmente, ofereça e preste efetivamente, pelo menos, sessenta por cento dos seus serviços ao Sistema Único de Saúde, não se lhe aplicado o disposto nos §§ 2° e 3° deste artigo". Ressalte-se que os citados parágrafos, ocupam-se em definir o que seja pessoa carente e ser destinatária da Política Nacional de Assistência Social, bem como estabelece, inclusive, a renda familiar máxima que pode auferir a família para que seja considerada carente. Pela leitura dos dispositivos legais e regulamentares citados, verifica-se que inócuo se torna toda a tese apresentada na Informação Fiscal que motivou o ato cancelatório da isenção das contribuições patronais da recorrente porquanto, como demonstrado nos autos, a recorrente cumpriu cumulativamente todos os requisitos do art. 55 da Lei n° 8212/91, pois o Hospital Cataguases foi declarado de utilidade pública Federal, Estadual e Municipal pela Lei Municipal, (conforme cópias do Decreto e das Leis que o reconheceram, constantes dos autos) cumpriu, portanto, o inciso I da do art. 55 Lei n°8212/91. O Conselho Nacional de Assistência Social —CNAS, validou o certificado concedido e renovou o CEBAS da entidade pelo período de 01/01/2001 a 31/12/2003, de modo que o Hospital cumpre com as exigências do inciso lido referido art. 55 e, conforme se verifica dos autos, oferta e presta a efetiva prestação de serviços a Sistema Único de Saúde —SUS, nos temos do § 5° do referido artigo. (::‘ 7 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIB. "11?S CONFEKE COM O ORIGINAL n Processo n° 37014.034/2006-59 Braalliaj .4 3 T CCO2C06 AcOrdão n.° 206-01.157 Fls. 268 .94 ag&InL) de Carvalho Sape 751683 Assim, como não restou demonstrado o cumprimento de todos os requisitos exigidos no artigo 55 da Lei n°8212/91, bem como, corno § 40 do art. 206 do Regulamento da Previdência Social —RPS, aprovado pelo Decreto n° 3048/99, não pode prevalecer o cancelamento da isenção de que gozava a entidade. Isto posto e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, CONCLUSÃO: pelo exposto, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO, para no mérito DAR-LHE PROVIMENTO. Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2008 (be CLEUSA VIEIRAJZA Processo ? 37014.000034/2006-59 CCO2/06 Acórdão n.° 206-01.157 Fls. 269 MF -SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Baena, (19 etyf Maria de IF:Lnia de- Carvalho iape 751683 Declaração de Voto Conselheira, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Permito-me divergir do entendimento manifestado pela Conselheira Relatora pelas razões a seguir expostas. A Secretaria da Receita Previdenciária decidiu cancelar a isenção usufruída pela entidade acima identificada por entender que houve descumprimento do inciso III, do art. 55, da Lei 8.212/91. De fato, não restou comprovado, nos autos, que a entidade pratica a assistência social nos moldes preconizados pelo art. 203 da Constituição Federal e art. 1° da Lei Orgânica de Assistência Social — LOAS (Lei 8.742/93). A Consultoria Jurídica do MPS, nos Pareceres 1.609/98, 2.414/2001 e 3.083/2003, definiu a assistência social como "aquela atividade que provê os mínimos sociais com o objetivo de garantir e atender às necessidades básicas do cidadão" e que "deverá ser prestada a quem dela necessitar, ou seja, ao cidadão socialmente excluído que se encontra em situação de necessidade premente". Também os Pareceres 2.901/2002, 3.090/2003, 3.138/2003 e 3.296/2004, reforçam o entendimento exposto acima. Não se pode afirmar, da análise do processo, que a recorrente promova a assistência social beneficente, já que não desenvolve atividade voltada a garantir o atendimento das necessidades básicas dos hipossuficientes. Portanto, a recorrente não comprovou que faz jus ao beneficio fiscal da isenção previdenciária. A entidade desenvolve sua argumentação com fulcro na gratuidade fornecida e na prestação de serviços ao SUS, exigida pelo Decreto 2.536/98 e alterações. Porém, a gratuidade e o percentual de 60% de atendimento ao SUS são requisitos para a obtenção do CEAS. Ressalte-se que a isenção está sendo cancelada por descumprimento do inciso III, art. 55 da Lei 8.212/91. A Lei 8.212/91 elenca, no art. 55, os requisitos para concessão de isenção, e entre eles, além de ser portadora do CEAS emitido pelo CNAS (inciso II), o legislador registrou a necessidade de a entidade promover a assistência social beneficente. A inclusão do disposto no inciso III no referido dispositivo legal vem reforçar a condição para que a entidade faça jus ao beneficio da isenção previdenciária, qual seja, promover a assistência social. if1/4L 9 ME - SEGUNDo NÇELHO DE CONTRE. CONFÉRL n')!OIN AL 3/4"-Processo n°37014.000034/2006-59 a, 01S-/ Q? carico6 Acórdão mi' 206-01.157 Braún Fh. 270ei Maria de E' errara • Carvalho Mat. iape 751683 A fiscalização demonstrou que a entidade não promove a assistência social nos moldes preconizados pelo art. 203 da Constituição Federal. Restou evidenciado na Informação Fiscal que o HOSPITAL CATAGUASES considera gratuidade a diferença entre o valor que o SUS remunera os hospitais e a tabela praticada pela entidade para os particulares. Ou seja, a recorrente trata a não realização de receita como aplicação em gratuidade. Também os exames periódicos dos funcionários e atendimentos realizados e não recebidos são reputados como giatuidade pela recorrente. No entanto, o prejuízo ou a não-realização de receitas não se revestem do conceito de gratuidade para efeito de assistência social. A entidade alega mas não comprova que pratica a assistência social. Não há, nos autos, elementos que demonstrem os gastos efetivos em ações, serviços e atividades que atendam diretamente as necessidades básicas das pessoas necessitadas. Dessa forma, a autoridade fiscal, ao elaborar a Informação Fiscal que culminou no Ato Cancelatório, agiu com em consonância com os ditames legais, em especial os inseridos no art. 55 da lei 8.212/91 e em obediência ao princípio da legalidade. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, no sentido de manter o Ato Cancelatório emitido pela Secretaria da Receita Previdenciária. Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2008 rS OÇA BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS lo Page 1 _0049200.PDF Page 1 _0049300.PDF Page 1 _0049400.PDF Page 1 _0049500.PDF Page 1 _0049600.PDF Page 1 _0049700.PDF Page 1 _0049800.PDF Page 1 _0049900.PDF Page 1 _0050000.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.903350/2013-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 11 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
CONFLITO DE COMPETÊNCIAS ENTRE A SUFRAMA E A RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em conflito de competências entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia aprova os projetos dos fabricantes de concentrados para refrigerantes, cabendo ao Fisco analisar a legitimidade da utilização do benefício. As competências são exercidas concorrentemente, observando-se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal).
CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS ORIUNDOS DA ZONA FRANCA MANAUS. TEMA 322 DO STF. RE Nº 592.891/SP.
O Supremo Tribunal Federal (STF) por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, com trânsito em julgado, em sede de repercussão geral, decidiu que, "Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos (matéria-prima e material de embalagem) adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT".
Numero da decisão: 9303-013.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, deu-se provimento parcial, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para negar provimento em relação à competência da SUFRAMA, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; e (b) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito em relação a receitas relativas a vendas para a Zona Franca de Manaus com alíquota distinta de zero, nos termos da nota Nota SEI PGFN nº 18/2020, e do RE n. 592.891/SP (Tema n. 322 de Repercussão Geral), cabendo o crédito no percentual correspondente à alíquota constante da TIPI para o insumo.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Valcir Gassen, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 CONFLITO DE COMPETÊNCIAS ENTRE A SUFRAMA E A RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em conflito de competências entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia aprova os projetos dos fabricantes de concentrados para refrigerantes, cabendo ao Fisco analisar a legitimidade da utilização do benefício. As competências são exercidas concorrentemente, observando-se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). CRÉDITOS DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS ISENTOS ORIUNDOS DA ZONA FRANCA MANAUS. TEMA 322 DO STF. RE Nº 592.891/SP. O Supremo Tribunal Federal (STF) por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, com trânsito em julgado, em sede de repercussão geral, decidiu que, "Há direito ao creditamento de IPI na entrada de insumos (matéria-prima e material de embalagem) adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso. No mérito, deu-se provimento parcial, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para negar provimento em relação à competência da SUFRAMA, vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento; e (b) por unanimidade de votos, para reconhecer o crédito em relação a receitas relativas a vendas para a Zona Franca de Manaus com alíquota distinta de zero, nos termos da nota Nota SEI PGFN nº 18/2020, e do RE n. 592.891/SP (Tema n. 322 de Repercussão Geral), cabendo o crédito no percentual correspondente à alíquota constante da TIPI para o insumo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 33 50 /2 01 3- 33 Fl. 848DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-013.933 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903350/2013-33 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Valcir Gassen, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Liziane Angelotti Meira. Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pelo contribuinte (fls. 625 a 656), em 6 de junho de 2019, em face do Acórdão nº 3401-005.713 (fls. 567 a 581), de 29 de novembro de 2018, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, que, por maioria de votos, negaram provimento ao Recurso Voluntário. A ementa da decisão é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI ISENÇÃO. CRÉDITOS. IPI. ZONA FRANCA DE MANAUS. Não existe amparo legal para a tomada de créditos fictos de IPI em relação a insumos adquiridos com a isenção prevista no art. 9º do Decreto-Lei nº 288/67. ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. A competência da RFB (Secretaria da Receita Federal do Brasil) para a fiscalização de tributos federais na Zona Franca de Manaus abrange a verificação da regularidade de cumprimento de Processo Produtivo Básico (PPB), e não se confunde com a competência da SUFRAMA, órgão de planejamento, promoção, coordenação e administração da Zona Franca, para acompanhar os PPB, nem com o estabelecimento, em portaria conjunta, de PPB para diversos produtos, previamente a sua execução. ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. PORTARIA ESPECÍFICA. CONDIÇÃO PARA FRUIÇÃO. CUMPRIMENTO OBRIGATÓRIO. Estabelecido em Portaria Interministerial, emitida pelas autoridades competentes, o PPB para determinado produto, o cumprimento estrito de seus termos constitui condição para fruição de isenção vinculada à Zona Franca de Manaus. Diante desta decisão o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração. Embargos rejeitados por meio do Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração. Fl. 849DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-013.933 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903350/2013-33 No Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial (fls. 807 a 815), de 13 de agosto de 2019, foi dado seguimento admitindo a discussão das seguintes matérias: 1) Sobrestamento do julgamento para aguardar a decisão em um Processo (nº 19311.720022/2015-07) de um Auto de Infração resultado da análise de vários PER/DCOMP, a exemplo deste; 2) Competência da SUFRAMA – Processo Produtivo Básico para Cumprimento do Artigo 6º do Decreto-lei 1.435/75; 3) Crédito de IPI sobre Produtos Isentos Oriundos da Zona Franca de Manaus. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 822 a 828) em 17 de janeiro de 2020. Requer que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen, Relator. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende os demais requisitos legais de admissibilidade. Vota-se, de acordo com o despacho de admissibilidade, pelo conhecimento. As seguintes matérias foram admitidas: 1) Sobrestamento do julgamento para aguardar a decisão em um Processo (nº 19311.720022/2015-07) de um Auto de Infração resultado da análise de vários PER/DCOMP, a exemplo deste; 2) Competência da SUFRAMA – Processo Produtivo Básico para Cumprimento do Artigo 6º do Decreto-lei 1.435/75; 3) Crédito de IPI sobre Produtos Isentos Oriundos da Zona Franca de Manaus. 1) Sobrestamento do Processo no Julgamento O contribuinte requer que se aguarde a decisão em um Processo (nº 19311.720022/2015-07), de um Auto de Infração, resultado da análise de vários PER/DCOMP, dentre os quais, este. Os Recursos Voluntários foram julgados pela mesma Turma, na mesma data, 29 de novembro de 2018. Os Recursos Especais estão sendo julgados nesta mesma Sessão (Item 27, 28, 29 e 31 da Pauta), estando, assim, atendido o pleito do Contribuinte. 2) Competência da SUFRAMA e da Receita Federal para fiscalizar o cumprimento do PPB Para justificar a concessão de um benefício o legislador procurou se certificar de que o processo produtivo atenderia à política de desenvolvimento da agropecuária e agroindústria da Amazônia Ocidental. Fl. 850DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-013.933 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903350/2013-33 A Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) é uma autarquia vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior que administra a Zona Franca de Manaus, com a responsabilidade de construir um modelo de desenvolvimento regional que utilize de forma sustentável os recursos naturais, assegurando viabilidade econômica e melhoria da qualidade de vida das populações locais. Assim, é natural que o mecanismo escolhido pelo legislador para demonstrar que o projeto produtivo atende à política de desenvolvimento da agropecuária e agroindústria da região tenha sido a aprovação pela SUFRAMA. Em que pese este esclarecido, cabe a Receita Federal do Brasil, vinculada ao Ministério da Fazenda, a competência para verificar o cumprimento de todos os requisitos quando da efetiva utilização de benefícios fiscais, e cobrar os valores de imposto que sejam devidos, observando–se inclusive que a Administração Fazendária e os seus servidores fiscais possuem precedência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei (art. 37, XVIII, da Constituição Federal). Não há que se falar em conflito entre a SUFRAMA e a Receita Federal. A autarquia, exercendo sua competência, aprovou o projeto. O Fisco, exercendo a sua competência, analisou a legitimidade da utilização da isenção. As competências são exercidas concorrentemente, respeitando-se a área de atuação de cada órgão. A Receita Federal não afastou a Resolução da SUFRAMA e nem disse que ela estaria equivocada. O que se fez, nestes autos, foi unicamente concluir que a exigência imposta não foi observada pela empresa. Assim decidiu esta Turma, no Acórdão nº 9303-002.302, de 19 de junho de 2013, de relatoria do il. Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/05/1999 a 23/01/2002 (...) ISENÇÃO. ZONA FRANCA DE MANAUS. PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. A Fiscalização da RFB, na figura do Auditorfiscal da Receita Federal do Brasil é competente para a fiscalização de tributos federais na ZFM, inclusive para atestar a regularidade do PBB, mesmo contra possíveis pareceres da Suframa. Assim, nega-se provimento ao recurso do Contribuinte quanto a competência da SUFRAMA e da Receita Federal para fiscalizar o cumprimento do PPB. 3) Crédito de IPI sobre Produtos Isentos Oriundos da Zona Franca de Manaus. Fl. 851DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-013.933 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903350/2013-33 O contribuinte apropriou-s c é it “fict ” (c m s vi f ss ), n s aquisições de insumos isentos da Zona Franca de Manaus. Assim, a matéria admitida cinge-se a controvérsia em relação ao creditamento de IPI na aquisição de produtos isentos – violação à não cumulatividade e necessário tratamento diferenciado às empresas sediadas na ZFM., ou seja, se o Contribuinte tem ou não, o direito de tomar créditos do IPI, de produtos isentos, os chamados "concentrados" de refrigerantes, por serem oriundos da designada "Amazônia Ocidental" – situada no parque industrial da Zona Franca de Manaus - ZFM. Na análise dos autos, verifica-se que assiste razão ao Contribuinte. Quanto à discussão acerca do direito ao crédito básico de IPI na aquisição de insumos oriundos da ZFM com isenção, sem que ofenda o princípio constitucional da não cumulatividade e direito ao crédito ficto de IPI assegurado pelo Decreto-lei nº 1.435, de 1975, entendo que há reparos a ser feito no acórdão recorrido, devendo ser aplicado ao caso o que restou decidido pelo STF em 18/02/2021, quando houve o trânsito em julgado, em sede de repercussão geral do RE nº 592.891/SP. Confira-se ementa do Acórdão: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI. CREDITAMENTO NA AQUISIÇÃO DIRETA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. ARTIGOS 40, 92 E 92-A DO ADCT. CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 3º, 43, § 2º, III, 151, I E 170, I E VII DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INAPLICABILIDADE DA REGRA CONTIDA NO ARTIGO 153, § 3º, II DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL À ESPÉCIE. O fato de os produtos serem oriundos da Zona Franca de Manaus reveste-se de particularidade suficiente a distinguir o presente feito dos anteriores julgados do Supremo Tribunal Federal sobre o creditamento do IPI quando em jogo medidas desonerativas. O tratamento constitucional conferido aos incentivos fiscais direcionados para sub-região de Manaus é especialíssimo. A isenção do IPI em prol do desenvolvimento da região é de interesse da federação como um todo, pois este desenvolvimento é, na verdade, da nação brasileira. A peculiaridade desta sistemática reclama exegese teleológica, de modo a assegurar a concretização da finalidade pretendida. À luz do postulado da razoabilidade, a regra da não cumulatividade esculpida no artigo 153, § 3º, II da Constituição, se compreendida como uma exigência de crédito presumido para creditamento diante de toda e qualquer isenção, cede espaço para a realização da igualdade, do pacto federativo, dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil e da soberania nacional. Recurso Extraordinário desprovido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, preliminarmente, apreciando o tema 322 da repercussão geral, em negar provimento ao recurso extraordinário, nos termos do voto da Relatora e por maioria de votos, vencidos os Ministros Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. Em seguida, por unanimidade, fixar a seguinte tese: "Há direito Fl. 852DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-013.933 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903350/2013-33 ao creditamento de IPI na entrada de insumos, matéria-prima e material de embalagem adquiridos junto à Zona Franca de Manaus sob o regime da isenção, considerada a previsão de incentivos regionais constante do art. 43, § 2º, III, da Constituição Federal, combinada com o comando do art. 40 do ADCT". Impedido o Ministro Marco Aurélio. Afirmou suspeição o Ministro Luiz Fux. Ausentes, justificadamente, os Ministros Gilmar Mendes e Roberto Barroso, que já havia votado em assentada anterior. Sessão plenária presidida pelo Ministro Dias Toffoli, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas. B s li , 5 b il 9. Minist R s W b R l t ”, (G ifou-se) Ressalta-se que foi interposto recurso pela União, mas o STF, por unanimidade, rejeitou os Embargos de declaração opostos, atestando ainda mais a tese firmado pelo STF (em 18/02/2021, houve o trânsito em julgado do RE nº 592.891/SP). Vê-se, portanto, que essa discussão não poderia mais ser apreciada no âmbito do CARF, pois os Conselheiros, por força do art. 62, §2º, Anexo II, do Regimento Interno RICARF, estão vinculados ao que restou decidido no RE nº 592.891. Confira-se: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. §1º (...). §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada Portaria MF nº 152, de 2016) Posteriormente ao trânsito em julgado do RE nº 592.891/SP, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional - PGFN, com fundamento no artigo 19 da Lei nº 10.522, de /2002, emitiu a Nota SEI nº 18, de 2020 (COJUD/CRJ/PGAJUD/PGFN-ME), com dispensa de contestação, contrarrazões e recursos que tratem da matéria: “R c s Ext iná i nº 59 .89 S . T m nº R c ss G l. Creditamento de IPI na entrada de insumos, matérias-primas e materiais de embalagem isentos adquiridos de empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, VI, a, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa de que trata o art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01, 4”. Sendo a tese definida, é de se observá-la no âmbito do processo administrativo fiscal (PAF), devendo ser revista a decisão recorrida, para reconhecer, por força da orientação do STF (Tema 322 de Repercussão Geral), nos termos do art. 62, §2º, do RICARF, o direito ao creditamento de IPI na entrada (aquisição) de insumos (MP e ME), isentos, adquiridos junto à ZFM, no percentual correspondente à alíquota constante da TIPI para o insumo. Fl. 853DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-013.933 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10830.903350/2013-33 Verifica-se este entendimento da matéria no Acórdão nº 9303-012.872, de 16 de fevereiro de 2022, que de forma unanime de votos, deu provimento ao recurso do Contribuinte. Assim, vota-se por dar provimento ao recurso do Contribuinte quanto Crédito de IPI sobre Produtos Isentos Oriundos da Zona Franca de Manaus. Conclusão: Do exposto, vota-se por conhecer do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, para no mérito, dar-lhe provimento parcial no que tange ao crédito de IPI sobre produtos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus no percentual correspondente à alíquota constante da TIPI para o insumo. (documento assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 854DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10700.000015/2007-19
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração- 01/01/1997 a 31/10/1998
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 -
INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA V1NCULANTE.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45
e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo
prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas
Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de
sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em
relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração
pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 206-01.229
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das contribuições apuradas.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Siape 7516bi eÀS.,A,44, MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 10700.000015/2007-19 Recurso n° 150.487 Voluntário Matéria RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CESSÃO DE MÃO DE OBRA Acórdão n° 206-01.229 Sessão de 08 de agosto de 2008 Recorrente NET RIO S/A E OUTROS Recorrida SRP - SECRETARIA DE RECEITA PREVIDENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PFIEVIDENCIÁRIAS Período de apuração- 01/01/1997 a 31/10/1998 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA V1NCULANTE. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes a os. • 7/ ICN/7 • _,,ossaClisissaL - RE.... - CCIP-nr....givi o 0121,4,"" Processo n• 10700.000015/2007-19 CONFE CCO2C06 Acórdão n.° 206-01.229 Brasin a / AtarvaltY Fls. 227 Fahma -~3 Mede de Mau StaPe 751 683 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das contribuições apuradas. (1)6\-- ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente MARCELO FREITAS DE SO OSTA Relato( Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 — Processo n°10700.000015/2007-19 : • Gata C i'marapa. CCO2/C06----fraCnVir, nbivi oRIG1NAcórdão n.°206-01.229 oooNFERE ""‘". as. 228a Brasília. Lr- Relatório Maria els Mnattirm. SaiaPe erilbralSCarva Trata-se de NFLD referente as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária, previsto no art. 31, da Lei n° 8.212/1991. O período compreende as competências Janeiro de 1997 a Outubro de 1998, com cientificação do contribuinte em 27/12/2005. De acordo com o Relatório Fiscal, a base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços pela empresa PRIMATEL ENGENHARIA E PROJETOS LTDA foram obtidas mediante a verificação da movimentação contábil em correspondência ao seu plano de contas, tendo em vista que a empresa apresentou a documentação de forma deficiente, pois mesmo notificada, deixou de apresentar as cópias autenticadas das as folhas de pagamento, todos os contratos e as notas fiscais e as respectivas GRPS. O percentual de 40% foi aplicada sobre o valor das notas fiscais de serviços face a aplicação do instituto da aferição indireta, consubstanciado no art. 33, § 3 0 da Lei n°8.212/91. Conforme informação constante do relatório fiscal, fls. 41, item 7, foram analisadas as informações disponíveis nos sistemas CNAF — Cadastro de Fiscalização, relativas ao devedor solidário, porém não esclareceu o auditor acerca das informações encontradas nos sistemas informatizados. A autoridade previdenciária ainda trouxe no Relatório Fiscal, informação acerca da antiga razão social da empresa notificada, qual seja TV CABO RIO TELECOMUNICAÇÕES S/A, atual NET RIO S/A, bem como destacou a incorporação ainda em novembro de 1996 da empresa RPC TELEVISÃO S/A. Não - conformada com a notificação, a recorrente apresentou defesa, fls. 82 a 111. Foi emitida Decisão-Notificação confirmando a procedência do lançamento, fls. 155 a 179. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso, conforme fls. 183 a 213 onde a recorrente em seu recurso alega em síntese: Não restou demonstrado no RF/NFLD convictamente, a efetiva ocorrência de cessão de mão de obra, situação hábil à geração da solidariedade previdenciária, Não se constata a preocupação do fisco previdenciário quanto a busca da verdade material, tendo em vista que os serviços não se enquadravam como vendas e assinaturas, mas sim, consultoria em sistemas de informática; Que haveria a necessidade de adequação no pólo passivo da NFLD, dando ciência da Notificação à empresa solidária para que esta pudesse se manifestar de um eventual adimplemento das contribuições ora cobradas; Que os dados ora sustentados pelo recorrente, encontram-se disponibilizados às autoridades fiscais em seus sistemas informatizados, bastando serem utilizados, aliás, no entender do contribuinte, é inaceitável que, previamente à constituição do lançamento por solidariedade, tal providência cautelosa, não tenha sido realizada pelo,fiseo-previdenciário; 3 YLW C3111..... "ratevir oFteGINAL• Processo n° 10700.000015/2007-19 CCO2/C06 Acórdão 206-01.229 sraS I1a rvca amo Fls. 229 Marta de 7516:3 siape É intolerável não indicar que tenham sido realizadas investigações fiscais ou mesmo emissão de subsídios para se aquilatar existirem, indícios de que contribuições sociais deixariam de ser recolhidas na origem; Que o fisco previdenciário não tomou as medidas necessárias para evitar a constituição do crédito em duplicidade, dessa forma, deveria ser confirmada a existência de débitos na origem, por meio da verificação na correspondente escrita contábil, sem prejuízo da obrigação do fisco previdenciário de investigar em seus arquivos sistematizados a hipótese previdenciária do contribuinte contratado, para que seja validada a cobrança previdenciária junto ao correspondente contribuinte solidário; Não pode o instituto da solidariedade ser aplicado de forma soberana e unilateral, tal qual verificado in casu; É indiscutível, que independentemente, de existir ou não a solidariedade, o adimplemento da plenitude das contribuições sociais devidas pelo contribuinte prestador dos serviços, elimina qualquer possibilidade legítima de ser exigido por ato fiscal, a correspondente cobrança junto ao contribuinte-tomador; Não só a constatação de que o prestador de serviços já promoveu a quitação de suas obrigações previdenciárias caberá ao fisco previdenciário, na medida em que a existência de lançamentos previdenciários constituídos em desfavor de tais empresas, como também é fator determinante para identificação de lançamento em duplicidade, e via de conseqüência cancelamento desta NFLD; O RF/NFLD não indica que tenham sido realizadas investigações fiscais ou mesmo emissão de subsídios para se aquilatar existirem, indícios de que contribuições sociais deixariam de ser recolhidas na origem; Singelas análises nos sistemas informatizados da previdência social, dispensariam até mesmo diligências no prestador, pois demonstrariam a regularidade das contribuições por parte dos prestadores de serviços; Não restou demonstrado no RF/NFLD convictamente, a efetiva ocorrência de cessão de mão de obra, situação hábil à geração da solidariedade previdenciária; Ainda restaria ser esclarecido por parte do fisco previdenciário, o enquadramento quando da solidariedade nos casos de cessão de mão de obra e na construção civil; Pelo exposto, confia a recorrente que seja acolhida o presente recurso, para fins de declarar a nulidade tanto por falta de atendimento a rigores formais, quanto pela nítida falta de certeza e de liquidez desta NFLD; Absolutamente permitido o cancelamento da DN combatida além do reconhecimento da improcedência desta NFLD; Que as alíquotas utilizadas para a mensuração dos salários de contribuição são_ exageradas. 4 ---20 COME Sesatt. niãliNraAL. CONFERE COM OxOR Processo e 10700.000015/2007-19 CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.229 "-c, Fls. 230 Maria de Fátima eira cie 'arvai Matr. Sia pe 751683 A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, encaminhou o processo a este 2° CC com a apresentação de contra-razões, fl. 222. É o Relatório. Voto Conselheiro MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, tendo o recorrente comprovado o depósito recursal. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares ao exame do mérito. - DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Em primeiro lugar cumpre-nos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destaca-se como passos necessários a realização do procedimento: autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF- F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes, conforme demonstrado às fls. 01 A 37. Contudo, quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei n° 8212/91 (10 anos), à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, razão assiste ao contribuinte nos termos abaixo expostos. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, senão vejamos: Súmula Vinculante n°8 "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-Lei n" 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei o° 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tri ttri-CC 5 a Processo n• 10700.000015/2007-19 CCO2/C06 Acórdào n.° 206-01.229 O texto constitucional em s----iltace luc:N raart .ars: c esi"011/44mr. 3Earr2CLtIA:ad:aFen n!tai P eerdeixaL3to:eirr Caal°IG6d:Rblae ilfre/axan4-7 Pt Len. Fls. 231 extensãoo dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: "Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecido em lei." Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. No presente caso o lançamento foi efetuado em 27/12/2005, fl. 01, tendo os fatos geradores ocorridos nos anos de 1997 e 1998, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, sem a necessidade de identificar tratar-se lançamento por homologação ou de oficio. Pelo exposto, encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito DAR- LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 08 de agosto de 2008 -ge MARC • • E ZA COSTA 6 Page 1 _0024200.PDF Page 1 _0024300.PDF Page 1 _0024400.PDF Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1
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Numero do processo: 16327.003731/2003-15
Turma: Oitava Turma Especial
Câmara: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -IRPJ
ANO-CALENDARIO: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA E EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO REAL POR ESTIMATIVA -
Erros formais de escrituração dos livros Lalur e Registro de Inventário são insuficientes para o arbitramento de lucro ex officio, quando evidenciado que a autoridade fiscal dispôs de elementos para verificação da base de cálculo pelo regime de tributação eleito pelo contribuinte, considerando que o contribuinte corrigiu a escrituração antes de qualquer procedimento fiscal.
Incabível a exigência fiscal decorrente da aplicação de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais do IRPJ com base no lucro real apurado por estimativa, com o conseqüente arbitramento dos lucros pela desclassificação da escrita.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO BALANÇO/BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO
A falta de recolhimento mensal do IRPJ por estimativa enseja a aplicação de multa isolada, no caso de a contribuinte, optante pelo lucro real anual, deixar de transcrever no Livro Diário os balanços/balancetes de redução/suspensão, ainda que tenha apurado prejuízo no final do ano-calendário.
RETROATIVIDADE BENIGNA
Em razão das alterações introduzidas pela Lei n° 11.488/2007, o percentual da multa isolada deve ser reduzido para 50%.
Recurso negado.
Numero da decisão: 198-00.011
Decisão: ACORDAM os Membros da OITAVA TURMA ESPECIAL do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior (Relator) e João Francisco Bianco. Designado o Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa para redigir o voto vencedor.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -IRPJ ANO-CALENDARIO: 1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DESCLASSIFICAÇÃO DA ESCRITA E EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ COM BASE NO LUCRO REAL POR ESTIMATIVA - Erros formais de escrituração dos livros Lalur e Registro de Inventário são insuficientes para o arbitramento de lucro ex officio, quando evidenciado que a autoridade fiscal dispôs de elementos para verificação da base de cálculo pelo regime de tributação eleito pelo contribuinte, considerando que o contribuinte corrigiu a escrituração antes de qualquer procedimento fiscal. Incabível a exigência fiscal decorrente da aplicação de multa isolada por falta de recolhimento das antecipações mensais do IRPJ com base no lucro real apurado por estimativa, com o conseqüente arbitramento dos lucros pela desclassificação da escrita. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS - FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO BALANÇO/BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO A falta de recolhimento mensal do IRPJ por estimativa enseja a aplicação de multa isolada, no caso de a contribuinte, optante pelo lucro real anual, deixar de transcrever no Livro Diário os balanços/balancetes de redução/suspensão, ainda que tenha apurado prejuízo no final do ano-calendário. RETROATIVIDADE BENIGNA Em razão das alterações introduzidas pela Lei n° 11.488/2007, o percentual da multa isolada deve ser reduzido para 50%. Recurso negado.
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Numero do processo: 13897.000644/2002-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
Ementa:
Diante da não apresentação de informações necessárias à apreciação de pedido do contribuinte e de irregularidades que não puderam ser esclarecidas deve a autoridade competente indeferir o pedido.
O Livro Registro de Apuração do IPI só pode ser usado depois de visado pelo órgão competente.
Numero da decisão: 3802-000.373
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Ementa: Diante da não apresentação de informações necessárias à apreciação de pedido do contribuinte e de irregularidades que não puderam ser esclarecidas deve a autoridade competente indeferir o pedido. O Livro Registro de Apuração do IPI só pode ser usado depois de visado pelo órgão competente.
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O Livro Registro de Apuração do IPI só pode ser usado depois de visado pelo órgão competente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) RÉGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (Assinado digitalmente) MARA CRISTINA SIFUENTES Relatora. EDITADO EM: 06/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, ADÉLCIO SALVALÁGIO e TATIANA MIDORI MIGIYAMA Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão nº 1421.118, proferido em 22 de outubro de 2008, abaixo transcrito: ACORDAM os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, a ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. O pedido foi indeferido, com base no artigo 39 da Lei n° 9.784/99, em razão do Livro de Apuração do IPI estar irregular, na medida que foi usado antes de visado pela repartição competente do Fisco estadual (salvo se esta dispensar a exigência e o livro fosse registrado na Junta Comercial), nos termos do artigo 349 do RIPI/98. Tempestivamente o contribuinte manifestou sua inconformidade alegando, em síntese, que, após a 2o. intimação, teria procurado a autoridade fiscal para protocolar novo pedido de dilação de prazo, na medida que a Junta Comercial não registraria os livros no prazo dado, tendo sido informado pela autoridade fiscal que "tal formalidade não era necessária e poderia ser desprezada". Assim sendo, se dirigiu ao posto da Junta Comercial para efetuar os devidos registros, sendo, a seguir, surpreendido, pelo despacho denegatório. Portanto, entende que não descumpriu a intimação e que o Despacho Decisório seria nulo por vício insanável. Encerrou solicitando a reforma da decisão, a fim de que seja devolvido o prazo para apresentar o indigitado livro, devidamente registrado pela Junta Comercial, especialmente após decisão do STF, no RE 358.493PR, que reconheceu o direito dos contribuintes ao creditamento do IPI na aquisição de insumos tributados à alíquota zero. A empresa apresentou Recurso Voluntário, fls. 65 a 69, onde, em síntese, traz as seguintes alegações e pedidos: Tratase de pedido de ressarcimento da quantia de R$38.197,83, a título de IPI com origem em insumos tributados à alíquota zero. A contribuinte foi intimada a apresentar os livros de apuração do IPI, os quais ela declara que não estavam registrados no órgão competente. Dirigiuse então ao posto fiscal e solicitou a dilação do prazo. Verbalmente foi informada que poderia juntar os livros após o devido registro. Em 04/2007 foi intimada da decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento por não atendimento a intimação recebida. Apresentou, então, manifestação de inconformidade perante a DRF Ribeirão Preto que não foi deferida. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13897.00644/200272 Acórdão n.º 3802000.373 S3TE02 Fl. 72 3 Alega que a decisão está eivada de vícios insanáveis. Novamente repisa o argumento de que foi instruído pela servidora da RFB a apresentar os livros quando estivessem e não seria necessário requerimento de dilação de prazo. Informa que providenciou o registro dos livros no órgão competente, entretanto não apresenta nenhuma prova do alegado, nem tampouco apresenta os livros registrados. Esclarece que não se negou a entregar os documentos solicitados e que a alegação de descumprimento não deve prosperar por não ter sido por deliberação própria que não cumpriu a determinação, mas sim, por orientação da servidora que o atendeu. Requer, ao final, a devolução do prazo para apresentação dos livros devidamente registrados e posterior homologação das compensações pleiteadas. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes Das preliminares Admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do mérito O processo administrativo fiscal goza de prerrogativas que o tornam mais simples e acessível ao cidadão que o processo judicial. Uma destas prerrogativas é a ausência de excesso de formalidade. Entretanto isto não significa que não existam formalidades a serem seguidas. Existem determinadas formalidades que a lei elenca como indispensáveis ao fiel cumprimento do comando legal, e quando estão formalidades estão explicitadas na norma legal, são de cumprimento obrigatório pelo contribuinte. Quando o regulamento do IPI dispõe sobre as obrigações acessórias, não é um comando vão, ele tem uma razão de ser, ainda mais quando se trata de dinheiro público, razão pela qual o seu cumprimento deverá ser o mais rigoroso possível. Não cabe ao administrador público dispensar o que a lei determina, esta premissa é de conhecimento notório. O agente público esta adstrito a seguir ipsis litteris o comando legal, sua atividade é vinculada, não há margem para discricionariedade neste sentido. No caso em tela temos que o Decreto no. 2627/98, RIPI98 traz o comando: Art. 349. Os livros só poderão ser usados depois de visados pela repartição competente do Fisco Estadual, salvo se esta dispensar a exigência e os livros forem Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 registrados na Junta Comercial, ou ainda, se o "visto" for substituído por outro meio de controle previsto na legislação estadual. Temos no acórdão da DRJ a informação que: Foram juntadas ao processo a declaração solicitada e as cópias do Livro Registro de apuração do IPI. As cópias do Livro supracitado não apresentavam as formalidades necessárias como termos de abertura e encerramento que tivessem sido visados pela repartição competente do Fisco Estadual ou, se dispensálo, o registro na Junta Comercial, ou apresentação de outro controle previsto na legislação estadual, nos termos do art. 349 do RIPI98, o que impede o reconhecimento das informações contidas neste livro. Como se pode depreender, o contribuinte apresentou livro que não estava revestido das formalidades legais, alega que solicitou o registro no órgão competente, mas mesmo assim, já houve descumprimento de parte do comando legal quando temos que “Os livros só poderão ser usados depois...” e ele apresenta livros já utilizados. Apesar de alegar, repetidamente, com citação do nome e matrícula da servidora, que recebeu orientação sobre a possibilidade de apresentação posterior dos documentos solicitados, não existe no processo nenhuma prova disto. Repiso novamente, as formalidades, mesmo que mínimas, existem e devem ser seguidas, por respeito ao rito processual. Não há no processo nem mesmo uma anotação a mão sobre este acordo de dilação de prazos. Ainda que por absurdo, considerássemos a hipótese que houve a dilação do prazo pelo servidor público, mesmo assim, as alegações da recorrente não merecem prosperar já que o falado livro, devidamente registrado, não foi apresentado, ninguém pode confirmar sua existência e ele não consta dos autos. Conforme art. 39 da Lei 9.784/99 temos que: Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de oficio a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. O contribuinte ao descumprir sistematicamente as intimações efetuadas, conforme consta dos autos, e ao fazer alegações para as quais não apresenta provas, não deu o devido valor aos comandos da administração pública, e agora, nesta instância superior, quer fazer valer os mesmos argumentos. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13897.00644/200272 Acórdão n.º 3802000.373 S3TE02 Fl. 73 5 Mara Cristina Sifuentes Relatora Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES Assinado digitalmente em 06/04/2011 por MARA CRISTINA SIFUENTES, 19/04/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.728740/2013-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO
Não verificada contradição na decisão embargada, não se acolhem os embargos de declaração para o fim de sanar o vício apontado.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CABIMENTO.
As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo e ativo. Os embargos são adequados para saneamento do vício.
Numero da decisão: 3402-010.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria, sem efeitos infringentes, para sanar erro material constante no acórdão recorrido quanto à indicação do ano em que foi editada a IN SRF nº 102.
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo Conselheiro Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO NO RESULTADO DO JULGAMENTO Não verificada contradição na decisão embargada, não se acolhem os embargos de declaração para o fim de sanar o vício apontado. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. CABIMENTO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita existentes na decisão deverão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo e ativo. Os embargos são adequados para saneamento do vício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria, sem efeitos infringentes, para sanar erro material constante no acórdão recorrido quanto à indicação do ano em que foi editada a IN SRF nº 102. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lazaro Antonio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luis Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo Conselheiro Mateus Soares de Oliveira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 87 40 /2 01 3- 34 Fl. 226DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.246 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10715.728740/2013-34 Tratam-se de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 3402-008.230, de 26 de abril de 2021, que foram admitidos para que este Colegiado sanei suposto vício de contradição por erro na indicação do ano em que foi editada a IN SRF nº 102. Para melhor esclarecer os fatos envolvidos, adoto o Relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: Trata o presente processo de auto de infração da prestação intempestiva de informações por registro de conhecimento de carga. Tal conduta, segundo a Autoridade Fiscal, configuraria descumprimento do prazo na informação dos dados de desconsolidação no SISCOMEX MANTRA, sujeitando o infrator à multa de R$ 5.000,00 por operação, perfazendo um total de R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais). Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: a) o auto de infração é nulo por infringir os artigos 9º e 10º do Decreto nº 70.235/1972, bem como o artigo 142 do CTN, cumulando-se fatos distintos no mesmo auto de infração; b) houve denúncia espontânea da infração; c) não há responsabilidade do agente de cargas, pois as informações e acesso ao MANTRA são privativas do transportador; e d) requer que a autoridade julgadora identifique no procedimento o número do CPF e identificação do responsável pela prestação de informações intempestivas na data e horário em que prestada; a razão social e endereço da empresa a que vinculado o respectivo CPF e acesso ao Siscomex e informe se o CPF do responsável encontra-se vinculado no Siscomex da impugnante. Ato contínuo, a DRJ – RIO DE JANEIRO (RJ) julgou a Impugnação do Contribuinte nos termos sintetizados na ementa do acórdão recorrido, a seguir transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Deixa de se declarar a nulidade do auto de infração quando sua confecção encontra-se perfeita e dentro das exigências legais, mormente havendo na espécie obediência ao devido processo legal e inexistindo qualquer prejuízo ao sujeito passivo que tenha o condão de macular sua defesa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. No caso de transporte aéreo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo regulamentar, é devida a multa por falta do respectivo registro, aplicada sobre cada viagem. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE. O agente de carga submete-se às regras da IN RFB nº 800/2007, pois é expressamente incluído entre as espécies de transportador ali definidas, devendo o significado do termo Fl. 227DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.246 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10715.728740/2013-34 transportador ser compreendido levando em consideração o contexto em que ele foi empregado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste recurso, a empresa suscitou as mesmas questões preliminares e de mérito, repetindo os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação, apenas acrescentou ao recurso o pedido de nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, uma vez que deixou de analisar questão fundamental para o deslinde da lide. Na análise do recurso, esta colenda Turma decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, conforme a ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 ADUANA. RESPONSABILIDADE PELA INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA NO MANTRA Nos termos do disposto no parágrafo 2º do artigo 8º da IN SRF 102/1994, incluído pela IN RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014, a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga proveniente do exterior, por via aérea, no Sistema Mantra é do transportador, enquanto não for implementada função específica que possibilite ao desconsolidador inserir as informações no sistema. Foi dada ciência do referido acórdão à Procuradoria da Fazenda Nacional que opôs Embargos de Declaração alegando que houve contradição no acordão recorrido. Na forma regimental, o Presidente da Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara admitiu o presente recurso e determinou que o processo fosse a mim redistribuído para, em seguida, colocar em pauta e deliberação do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual devem ser conhecidos por este Colegiado. Como se sabe, nos termos do art.65 do RICARF, cabem os Embargos de Declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Servem, ainda, os Embargos para corrigir eventuais erros materiais. Sua função principal é sanar esses vícios da decisão, não se trata de recurso que tenha por fim reformá-la ou anulá-la (embora o acolhimento dos embargos possa eventualmente resultar na sua modificação), mas aclará-la e sanar as suas obscuridades, contradições, omissões ou erros materiais. Conforme relatado, alega a Embargante que houve contradição no acordão recorrido nos seguintes termos: Fl. 228DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.246 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10715.728740/2013-34 (...) 1. Analisando-se a ementa do v. acórdão ora embargado, temos que é mencionada a IN SRF 102/1994, como se vê pelo trecho abaixo sublinhado, litteris: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 ADUANA. RESPONSABILIDADE PELA INFORMAÇÃO DE DESCONSOLIDAÇÃO DE CARGA NO MANTRA Nos termos do disposto no parágrafo 2º do artigo 8º da IN SRF 102/1994, incluído pela IN RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014, a responsabilidade pela informação de desconsolidação de carga proveniente do exterior, por via aérea, no Sistema Mantra é do transportador, enquanto não for implementada função específica que possibilite ao desconsolidador inserir as informações no sistema. 2. Daí, a contradição com o seguinte trecho do voto-condutor que faz menção a IN SRF 102/74, verbis: Como se observa, a responsabilidade pelas informações no SISCOMEX MANTRA sobre a desconsolidação de cargas aéreas provenientes do exterior permanece com as cias aéreas enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador, por força do §2º do art.8º, da IN SRF nº102/74 (Incluído pela IN RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014). E ainda que algum agente desconsolidador acessasse o SISCOMEX MANTRA à época dos fatos para alimentar o sistema, o fazia em nome e responsabilidade de terceiros, no caso o transportador aéreo, posto que inexistia acesso por perfil próprio para esse agente. 3. Assim sendo, é clara a contradição entre os dois trechos, com a menção contraditória do ano em que foi editada a IN SRF no. 102. Na análise de admissibilidade, foi admitido o recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional a fim sanar vício de contradição posto que houve erro na indicação do ano em que foi editada a IN SRF nº 102. Inicialmente, cumpre ressaltar que o caso trata-se, em verdade, de corrigir simples erro material ocorrido na indicação do ano da IN nº102 e não de vício de contradição como alegado pela Recorrente. Pertinente indicar que o erro material pode ser conceituado como sendo o equívoco ou a inexatidão relacionados a aspectos objetivos, por exemplo, um cálculo errado, a ausência ou troca de palavras, erros de digitação, troca de nomes, troca de datas, etc. Nesse sentido, temos o art. 32, do Decreto nº 70.235/1972, dispõe: Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Há de se reconhecer de ofício, assim, o erro material identificado no acórdão embargado referente a indicação do ano em que foi editada a IN SRF nº 102 na fundamentação do voto. A fim de sanar o vício apontado, onde se lê no trecho do voto condutor “Como se observa, a responsabilidade pelas informações no SISCOMEX MANTRA sobre a desconsolidação de cargas aéreas provenientes do exterior permanece com as cias aéreas enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador, por força do §2º do art.8º, da IN SRF nº102/74 (Incluído pela IN RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014). E ainda que algum agente desconsolidador acessasse o SISCOMEX MANTRA à época dos fatos para alimentar o sistema, o fazia em nome e responsabilidade de terceiros, no caso o transportador aéreo, posto que inexistia acesso por perfil próprio para esse agente.”, leia-se “Como se observa, a responsabilidade pelas informações no SISCOMEX MANTRA Fl. 229DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.246 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10715.728740/2013-34 sobre a desconsolidação de cargas aéreas provenientes do exterior permanece com as cias aéreas enquanto não for implementada função específica para o desconsolidador, por força do §2º do art.8º, da IN SRF nº102/94 (Incluído pela IN RFB nº 1479, de 07 de julho de 2014). E ainda que algum agente desconsolidador acessasse o SISCOMEX MANTRA à época dos fatos para alimentar o sistema, o fazia em nome e responsabilidade de terceiros, no caso o transportador aéreo, posto que inexistia acesso por perfil próprio para esse agente.” Diante do exposto, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria, sem efeitos infringentes, apenas para sanar erro material constante no acórdão nº3402-008.230 quanto à indicação do ano em que foi editada a IN SRF nº 102 constante da fundamentação do voto. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 230DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13295.720091/2013-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2011
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço
Numero da decisão: 2002-007.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que dava provimento.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sateles - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que dava provimento. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-04-13T12:33:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-04-13T12:33:30Z; Last-Modified: 2023-04-13T12:33:30Z; dcterms:modified: 2023-04-13T12:33:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-04-13T12:33:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-04-13T12:33:30Z; meta:save-date: 2023-04-13T12:33:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-04-13T12:33:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-04-13T12:33:30Z; created: 2023-04-13T12:33:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-04-13T12:33:30Z; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-04-13T12:33:30Z | Conteúdo => S2-TE02 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13295.720091/2013-18 Recurso Voluntário Acórdão nº 2002-007.629 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 23 de março de 2023 Recorrente PATRICIA SORRENTINHO MORAES MESQUITA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que dava provimento. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Trata o presente processo de impugnação a notificação de lançamento de fls.05 a 10, na qual é exigido imposto de renda pessoa física-suplementar no valor de R$5.999,95, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, relativo ao ano-calendário 2011, em decorrência de dedução indevida de despesas médicas. Discordando da notificação, a contribuinte, por seu representante, apresentou a impugnação de fls. 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 29 5. 72 00 91 /2 01 3- 18 Fl. 125DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.629 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13295.720091/2013-18 Conforme art. 6º-A, da Instrução Normativa RFB nº 958, de 15 de julho de 2009, com a redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 4 de agosto de 2010, os autos foram encaminhados à Delegacia de Origem para observância destes dispositivos. Foi proferido o Termo Circunstanciado, de fls. 77 e o Despacho Decisório de fl. 78, no qual foi mantida parcialmente a exigência, sendo alterado o imposto para R$5.532,96. A contribuinte cientificado desta decisão apresenta a manifestação de inconformidade de fls. 83, instruída com os documentos de fls. 84 a 100. Suas alegações estão, em síntese a seguir descritas. 1. Em 2003, quando minha mãe recebeu o Diagnóstico de Câncer de Mama, eu por estresse desenvolvi uma Dorsalgia que perdura até os dias atuais, sem tratamento definitivo e apenas conservador. 2. Porém gera um custo financeiro exacerbado em virtude dos medicamentos para dor e do tratamento de reabilitação semanal que tenho de fazer para evitar a incapacidade para o trabalho e até mesmo a invalidez. 3. Devo ressaltar que essa doença leva por conseqüência a muitas outras, as quais também tenho que conviver e tratar. A dor constante me levou a um estado de depressão, que me afastou diversas vezes do trabalho. Como comprovo os atestados e receituários em anexo. 4. Em Outubro de 2012 fui atendida na clínica de Dor do Hospital Naval Marcílio Dias, para receber uma infiltração na Região para vertebral Torácica com anestésico local e Corticóide, devido a uma Contratura que me deixou imóvel por dois dias, as medicações via oral já não estavam fazendo o efeito esperado. Essas diversas crises ao longo desses anos, me levaram a outra doença que luto diariamente com ela, a Gastrite crônica com refluxo gastresofágico, devido o grande consumo de analgésicos e antiinflamatórios para a dor. Espero sinceramente ter oferecido os argumentos e subsídios necessários, que justificam o alto custo e necessidade do tratamento fisioterápico. Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013) e no art. 2º da Portaria RFB nº 1006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013 e conforme definição da Coordenação-Geral do Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, o presente processo foi encaminhado para esta DRJ/POA/RS para julgamento. A decisão de primeira instância julgou improcedente a impugnação na parte remanescente do litígio, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Para o contribuinte fazer jus a dedução pleiteada não basta a simples disponibilidade de recibos, cabendo-lhe, a juízo da autoridade tributária, apresentar outras provas, como a comprovação hábil e idônea da prestação dos serviços e do efetivo pagamento ao profissional habilitado. REVISÃO DE OFÍCIO. Constatando-se a correção do despacho decisório e não tendo o contribuinte apresentado novos argumentos nem documentos sobre a parcela remanescente do crédito tributário, decorrente de revisão de ofício, nem se manifestado contra o despacho da delegacia de origem, não há nada a alterar no lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 07/12/2016, o sujeito passivo interpôs, em 13/01/2017, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: - a demonstração da realização dos serviços médicos foi comprovada por meio de cópias de exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento de intercorrências ligada à enfermidade Dorsalgia Crônica; Fl. 126DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.629 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13295.720091/2013-18 - a patologia em questão é crônica e irreversível, devendo passar por sessões de fisioterapia e reforço muscular - o montante sacado em espécie nos extratos apresentados é bem superior aos valores pagos com despesas médicas. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Marcelo De Sousa Sateles - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Primeiramente, deve-se esclarecer que a contribuinte contesta apenas a glosa da despesa médica com a fisioterapeuta Daniela Amaro Bezerra no valor de R$ 20.000,00 Compulsando os autos, constata-se que a fiscalização glosou as despesas médicas com a profissional fisioterapeuta: Daniela Amaro Bezerra (R$ 20.000,00) uma vez que a documentação apresentada foi considerada insuficiente para comprovar a efetiva prestação dos supostos serviços médicos e a realização dos respectivos pagamentos a esses profissionais (e-fl. 77). Antes de se passar à análise dos argumentos e documentos apresentados pelo recorrente, veja-se o disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, acerca das deduções permitidas de despesas médicas: DEDUÇÕES Art.73.Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º).(Grifos Acrescidos) Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifos acrescidos) Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Fl. 127DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.629 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13295.720091/2013-18 Lançadora. O primeiro item a ser comprovado pelo contribuinte, segundo expressa disposição legal (pagamentos efetuados), é exatamente o pagamento das despesas médicas. É regra geral no direito que o ônus da prova cabe a quem alega e, tendo o contribuinte informado, em sua declaração de ajuste anual, deduções de despesas médicas, deve fazer prova dessas despesas, quando provocado, para usufruir das referidas deduções. É o que estabelece o art. 11, § 3º do Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, quando dispõe expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprová-las ou justificá-las. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo/nota fiscal firmado pelo profissional da área médica. No entanto, cabe esclarecer que mesmo o contribuinte apresentando os recibos firmados pelo profissional, com todos os requisitos exigidos pela legislação acima transcrita, é licito à Autoridade exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencido da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. É equivocado entender-se que basta para comprovação de despesas médicas/odontológicas a apresentação de recibo contendo o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço. Essa não é a correta interpretação ao inciso III transcrito (matriz legal do art. 80, § 1º, III, do RIR/1999. A essência do dispositivo é a especificação e comprovação tanto dos serviços prestados quanto dos pagamentos, tanto que se admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova de transferência de numerários entre pessoas. No entanto, mesmo essa forma de prova pode estar sujeita à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao fisco, pois a prestação do serviço ao contribuinte ou a seus dependentes, aliada ao pagamento, é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o inciso II do mesmo art. 8º da Lei 9.250, de 1995. A exigência em questão é que quando solicitada a comprovação do pagamento essa seja feita por meio de documento hábeis a comprovar tal fato. No presente caso, a fiscalização glosou as despesas médicas acima elencadas por falta de comprovação do efetivo pagamento. Os documentos apresentados não foram considerados como provas incontestes do efetivo pagamento, das deduções pretendidas. Para fazer a comprovação do pagamento ou da prestação dos serviços, assistia ao contribuinte a possibilidade de apresentação de vários documentos, tais como: extratos bancários com saques contemporâneos e nos valores dos pagamentos, cheques nominativos, depósitos bancários, transferências entre contas dentre outros documentos. Os recibos apresentados pelo contribuinte não foram considerados suficientes para comprovação do efetivo pagamento das despesas e os extratos anexados a defesa não possuem saques contemporâneos com o valor do pagamento das despesas. Não é possível concluir que os saques em conta apresentados nos extratos bancários referem-se às despesas glosadas, pois não foi possível vincular os referidos saques aos recibos apresentados (datas e valores). Nesse ponto, cumpre destacar que a comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas requer a coincidência de datas e valores, e o recorrente não logrou êxito em fazer a vinculação entre as despesas glosadas e os saques efetuados. Fl. 128DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-007.629 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13295.720091/2013-18 Fundamentado o lançamento na falta de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas na declaração, para ter direito às respectivas deduções, não basta ao contribuinte apresentar simples recibos e/ou declarações dos profissionais, cabe, portanto, ao beneficiário dos recibos provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores constantes nos comprovantes, bem assim a época em que os serviços foram prestados, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Os saques devem ser contemporâneos as datas dos recibos e em valores compatíveis com o informado como pago pela despesa, o que não restou comprovado no presente caso, uma vez que não existem saques contemporâneos com as datas e valores dos recibos. Acrescento ainda que os documentos juntados pela contribuinte no intuito de demonstrar a efetividade dos serviços médicos prestados de fisioterapia (e-fls. 53/68): exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento de intercorrências ligada à enfermidade Dorsalgia Crônica, em sua grande parte não estão relacionados com a necessidade de tratamento de fisioterapia e nem com o ano-calendário em questão. Portanto, a interessada teve oportunidade, à luz do art. 15 do Decreto nº 70.235/72, de contestar os dados apurados pela Fiscalização, fundamentando sua defesa com os elementos de prova suficientes e necessários a infirmar os dados utilizados na efetivação do lançamento, no entanto, não o fez. É pertinente aqui transcrever o disposto no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” (grifei). Na situação presente e conforme análise da documentação trazida aos autos, não houve o convencimento de que as despesas médicas ocorreram na forma e valores alegados pelo contribuinte. A glosa deve ser mantida Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, nego- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo De Sousa Sateles Fl. 129DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10166.757369/2020-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2301-000.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a Prefeitura Municipal de Almeirim a informar os valores de rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte no ano-calendário de 2018, bem respectivas deduções de Imposto de Renda Retido na Fonte e de Contribuição Previdenciária Oficial.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a Prefeitura Municipal de Almeirim a informar os valores de rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte no ano- calendário de 2018, bem respectivas deduções de Imposto de Renda Retido na Fonte e de Contribuição Previdenciária Oficial. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente). Relatório Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) do exercício de 2019 decorrente de omissão de rendimentos do trabalho, dedução indevida de previdência oficial e compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte (e-fls. 27 e 32). O lançamento foi parcialmente impugnado (e-fls. 7 e 8), sendo que a matéria incontroversa foi apartada, e a impugnação foi considerada improcedente (e-fls. 46 a 51). Manejou-se recurso voluntário (e-fls. 59 a 67) em que se arguiu que o comprovante de rendimentos apresentado junto à impugnação é prova suficiente dos valores recebidos e retidos do contribuinte pela Prefeitura Municipal de Almeirim, a despeito de a fonte pagadora não haver apresentado Dirf. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 57 36 9/ 20 20 -1 9 Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2301-000.999 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10166.757369/2020-19 É o relatório suficiente. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. A lide está adstrita às glosas das deduções de Contribuição Previdenciária Oficial e de Imposto de Renda Retido na Fonte incidentes sobre os valores pagos ao recorrente pela Prefeitura Municipal de Almeirim. A controvérsia reside em se admitir, como prova suficiente das deduções, os documentos apresentados pelo recorrente, quais sejam, os fac-símiles de um informe de rendimentos e de uma tela de computador com alegadas informações provenientes da fonte pagadora. A decisão recorrida não deu fé aos documentos por não conterem assinatura e nenhuma outra prova foi apresentada. Consta da decisão recorrida (e-fl. 49) que a fonte pagadora não apresentou Declaração de Imposto de Renda na Fonte (Dirf) com os valores pagos e deduzidos do contribuinte em 2018, daí a dúvida razoável da Autoridade Lançadora e do colegiado antecedente que não puderam comparar as informações apresentadas pelo contribuinte com nenhum outro registro oficial independente. Mas essa dúvida pode facilmente ser dirimida com uma prosaica diligência junto à fonte pagadora para que confirme os valores pagos e retidos do recorrente. Recomenda-se, outrossim, ao critério da autoridade preparadora, que sejam tomadas providências para que a fonte pagadora cumpra com a obrigação acessória pendente, se for o caso. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a Prefeitura Municipal de Almeirim a informar os valores de rendimentos tributáveis pagos ao contribuinte no ano-calendário de 2018, bem respectivas deduções de Imposto de Renda Retido na Fonte e de Contribuição Previdenciária Oficial. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 76DF CARF MF Original
score : 1.0
