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Numero do processo: 12267.000168/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88,
motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.352
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso por decadência do período lançado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso Voluntário Provido.
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ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. Recurso Voluntário Provido. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso por decadência do período lançado. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12267.000168/200839 Acórdão n.º 240202.352 S2C4T2 Fl. 383 3 Relatório Tratase de NFLD, lavrada em 26/09/2007, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal), da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), das destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) e das contribuições devidas pelos segurados empregados, no período de 01/12/1997 a 31/12/2001. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 307/319) requerendo a total improcedência do lançamento, pois teriam ocorrido vícios insanáveis na NFLD e a totalidade do crédito devido estaria decaído. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ, ao analisar o presente caso (fls. 345/360) julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo que (i) a aferição realizada através do confronto entre os valores lançados nas folhas de pagamento e nas GFIP’s se justifica pelo fato da Recorrente não ter apresentado o livro diário de 12/1997 a 12/2001, folhas de pagamento de honorários da diretoria, folhas de pagamento dos empregados da administração e algumas notas fiscais; (ii) o prazo de decadência das contribuições previdenciárias é de 10 anos; (iii) todos os valores recolhidos a maior a título de SAT foram utilizados para abater débitos lançados; (iv) os valores autuados se basearam em folha de pagamento e em GFIP’s, não tendo ocorrido aferição indireta dos montantes exigidos; e (v) por se tratar de prestadora de serviço de natureza eminentemente civil, não poderiam ter sido lançadas as contribuições ao SESC e ao SENAC no período compreendido entre 09/1999 e 12/2002. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 366/376) repetindo seus argumentos. É o relatório. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de NFLD, lavrada em 26/09/2007, decorrente do não recolhimento dos valores referentes à contribuição a cargo da empresa (cota patronal), da contribuição ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT), das destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) e das contribuições devidas pelos segurados empregados, no período de 01/12/1997 a 31/12/2001. A Recorrente pretende ver cancelado o lançamento, pois teria ocorrido a decadência dos valores exigidos. Analisando os argumentos apresentados, verificase que lhe assiste razão, pois considerando que houve o lançamento por homologação pela Recorrente, tendo inclusive havido o pagamento parcial do débito (fls. 58/68), o Fisco teria o prazo de 5 anos, a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4º do CTN, para exigir quaisquer parcelas eventualmente faltantes. Vale considerar que havia, na época da lavratura da notificação, a previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 12267.000168/200839 Acórdão n.º 240202.352 S2C4T2 Fl. 384 5 Sendo assim, aplicandose as regras decadenciais previstas no CTN em seu art. 150, § 4º, deve ser reconhecida a extinção dos créditos tributários exigidos na presente demanda, por estarem decaídos. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo a extinção dos créditos tributários pela decadência. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 408DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 01/02/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.901836/2013-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Dec 31 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RECONHECIMENTO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS E CONFESSADAS MEDIANTE DCOMP. APLICABILIDADE DA SÚMULA CARF 177.
As estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.
Numero da decisão: 1201-005.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Barbara Santos Guedes (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Fredy José Gomes de Albuquerque
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RECONHECIMENTO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS E CONFESSADAS MEDIANTE DCOMP. APLICABILIDADE DA SÚMULA CARF 177. As estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação.
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RECONHECIMENTO DE ESTIMATIVAS COMPENSADAS E CONFESSADAS MEDIANTE DCOMP. APLICABILIDADE DA SÚMULA CARF 177. As estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL, ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Barbara Santos Guedes (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório O presente processo retorna da conversão de julgamento em diligência determinada pelo CARF, razão pela qual, por economia processual, transcreve-se o relatório produzido na Resolução nº 1101-000.131 (e.fls. 313/316), ao final complementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 36 /2 01 3- 06 Fl. 349DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.440 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901836/2013-06 Cuida-se, na origem, de declaração de compensação (DCOMP) por meio da qual a ora Recorrente pleiteia alegado crédito oriundo de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2006 – exercício 2007 –, no valor histórico de R$ 13.440.309,05 – que, atualizado até a data da DCOMP, perfaz o montante de R$19.676.612,45 –, objetivando a compensação com débito de IRPJ de abril/2011 no valor de R$ 19.676.612,45 (fl. 235). A douta DRF - Belo Horizonte confirmou os valores (i) de retenções na fonte (R$21.257.020,99) e (ii) de pagamentos realizados no exercício (R$147.847.165,03), glosando, tão somente, (iii) valores relativos compensações declaradas (R$3.897.864,77) cujo alegado crédito teria se originado em pagamentos a maior de estimativas, conforme tabela existente no Despacho Decisório n. 048867917 (fl. 233): Os valores não reconhecidos pela d. DRF encontram-se em discussão em Processos Administrativos que estão em julgamento neste c. CARF, conforme sintetizado no quadro abaixo: Por assim ser, a d. DRF - Belo Horizonte entendeu que “o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual HOMOLOGO(U) PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado” (fl. 233) e apontou como valor consolidado (para pagamento até 30/04/2013) os montantes de R$5.706.474,04 (principal), R$1.141.294,80 (multa) e R$992.926,48 (juros). Apresentada tempestiva manifestação de inconformidade (fls. 02/17), a d. 8ª Turma da DRJ/RJ1 julgou improcedente o pleito, nos termos do acórdão n. 1261.268 que restou assim ementado (fls. 252/265), litteris: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2006 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao interessado a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional (art. 170 do Código Tributário Nacional). SALDO NEGATIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não restando comprovado, pelo interessado, o saldo negativo de IRPJ, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve ser reconhecido o direito creditório e não deve ser homologada a compensação efetuada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Contra a r. decisão de 1ª instância, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 270/297) afirmando, em síntese, que: Fl. 350DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.440 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901836/2013-06 Por haver “prejudicialidade externa entre o presente Processo Administrativo e os Processos Administrativos n° 10680932.846/2009-07 e 10680935.073/2009-11” (fl. 278), pleiteia, “no intuito de se evitar a ocorrência de decisões desconectadas e potencialmente contraditórias, a distribuição por dependência aos referidos processos, para apensamento e julgamento conjunto ou, pelo menos o sobrestamento do presente até o julgamento definitivo daqueles” (fl. 278); O v. acórdão recorrido é nulo “por patente ausência de motivação ao afirmar que o indébito tributário em questão não perfaz os requisitos do art. 170 do CTN” (fl. 280); “Embora a origem do crédito compensado já esteja sendo discutida em outros dois processos administrativos (PA’s 10680932.846/2009-07 e 10680935.073/2009-11), ainda pendentes de julgamento final, a D. Autoridade Tributária promoveu por meio do presente Despacho Decisório um novo lançamento, incorrendo em cobrança em duplicidade do crédito tributário (tanto nos presentes autos, como naqueles), configurando bis in idem” (fl. 283; grifos no original); Ao final de seu Recurso Voluntário (fls. 290/296), afirma ter demonstrado “que, independente do resultado a ser obtido nos aludidos processos, o saldo negativo que foi aqui utilizado há de ser confirmado, homologando-se integralmente as compensações” e “com isso, a Recorrente poderia limitar suas razões aos argumentos anteriormente elaborados”. Contudo, afirma que a r. decisão recorrida contém “malicioso argumento” no sentido de que a Recorrente estaria em situação desfavorável nos processos administrativos ns. 10680932.846/2009-07 e 10680935.073/2009-11, razão pela qual “passa a demonstrar que a afirmação dos julgadores a quo é integralmente equivocada na medida em que aduz a suposta ilegitimidade da origem do saldo negativo de IRPJ formado em 2006”, apresentando, na ocasião, os motivos pelos quais entende que as compensações promovidas nas PER/DCOMPs n. 03178.51484.230307.1.3.041072 e 19108.09866.090707.1.3.047973 em debate nos autos dos PAs 10680.935073/200911 e 10680.932846/200907 seriam inquestionáveis. Por essas razões, pede expressamente (i) distribuição por conexão e apensamento aos PAs ns. 10680.935073/2009-11 e 10680.932846/2009-07; (ii) quando menos, o sobrestamento do presente P.A. até o julgamento definitivo daqueles que lhe são prejudiciais. Caso assim não se entenda, pede (iii) a anulação do r. acórdão recorrido por deficiência de fundamentação; ou, caso se adentre o mérito, (iv) o provimento integral do Voluntário a fim de reconhecer o crédito analisados nestes autos, homologando-se totalmente as compensações informadas. É o relatório. Diante da determinação do CARF, o processo ficou suspenso até a análise de mérito dos citados processos conexos, cujo julgamento já foi concluído, com decisão favorável ao contribuinte, conforme se vê do Acórdão nº 1401-001.795 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção (Processo nº 10680.932846/2009-07) e Acórdão nº 1301002.863 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária/ 1ª Seção (Processo nº 10680.935073/2009-11), juntados às e.fls. 321/324 e 325/345, respectivamente. O feito retorna para julgamento de mérito do Colegiado, mediante redistribuição para esta nova Relatoria. É o relatório. Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.440 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901836/2013-06 Voto Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade para conhecê-lo. A controvérsia em apreço decorre do pleito do contribuinte para que se reconheça o crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ, ano-calendário 2006, que fora glosado em relação ao crédito decorrente de compensações de estimativas do período. Após a determinação do CARF para suspensão do feito até o julgamento dos processos conexos, onde se discutia a matéria de mérito individualmente relacionada às respectivas compensações das estimativas, vê-se dos autos que já houve julgamento favorável ao contribuinte, de forma que foram homologadas as compensações que não haviam sido reconhecidas pela administração tributária na formação do saldo negativo daquele ano, razão pela qual a matéria tornou-se incontroversa. Não obstante, deve-se aplicar ao caso dos autos a Súmula CARF nº 177, que tem efeito Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, a saber: SÚMULA CARF Nº 177 Estimativas compensadas e confessadas mediante Declaração de Compensação (DCOMP) integram o saldo negativo de IRPJ ou CSLL ainda que não homologadas ou pendentes de homologação. Assim, ainda que os processos não houvessem sido julgados, tem-se que o eventual julgamento desfavorável não impediria a formação do saldo negativo, mercê da aplicação da referida súmula ou, mesmo que ela não existisse, seria a forma justa de impedir o bis in idem sobre as exigências tributárias decorrentes das compensações não homologadas, pois o crédito tributário seria recuperável nos processos autônomos em que se discutem seus respectivos méritos e não se poderia desguarnecer a regular formação do respectivo saldo negativo do exercício para cobrar duplamente o mesmo crédito tributário. Ressalte-se que o contribuinte controverte essa matéria como elemento central, apresentando, inclusive, interessante infográfico que justifica o entendimento subjacente à aprovação da citada Súmula, a saber: Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.440 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.901836/2013-06 Ressalte-se, por fim, que a preliminar de nulidade suscitada para controverter ausência de motivação perde o objeto em razão da presente análise de mérito. DISPOSITIVO Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.933726/2016-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Dec 29 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
O sujeito passivo que apurar direito creditório poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios até o limite do crédito comprovado. No caso dos autos, não houve comprovação de crédito adicional.
Numero da decisão: 1302-006.014
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-006.007, de 19 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.653678/2016-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Andréia Lúcia Machado Mourão
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar direito creditório poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios até o limite do crédito comprovado. No caso dos autos, não houve comprovação de crédito adicional. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-006.007, de 19 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.653678/2016-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 37 26 /2 01 6- 91 Fl. 249DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.014 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933726/2016-91 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Tratam os autos de declaração de compensação transmitida com base em direito creditório decorrente de saldo negativo de CSLL, apurado trimestralmente. Na apuração do saldo negativo, foram utilizadas deduções decorrente de retenções na fonte. O valor confirmado pelo Despacho Decisório, a partir de pesquisas nos sistemas da RFB, foi inferior ao valor informado no PER/DCOMP, de modo que as compensações declaradas foram homologadas parcialmente. A partir de documentos apresentados com a manifestação de inconformidade, o Acórdão da DRJ reconheceu direito creditório adicional, mas em montante inferior ao valor declarado. Cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, com suas razões de defesa. Ao final, requer que seja acolhido o presente Recurso Voluntário, homologando-se integralmente as compensações declaradas. Requer, ainda, que o patrono seja intimado da data de julgamento do presente Recurso Voluntário, de quaisquer atos e decisões e solicita a realização de sustentação oral, quando da inclusão do feito em pauta para julgamento. Solicita, também, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. É o relatório. Fl. 250DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.014 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933726/2016-91 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e por preencher os requisitos de admissibilidade. Pedidos. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. Intimação para Sustentação Oral. Expedição das Intimação em nome dos patronos. Inicialmente, cabe analisar uma série de pedidos formulados pela recorrente. A respeito do pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em litígio, trata-se de medida desnecessária, já que tal efeito decorre de expressa disposição legal (art. 151, inciso II do CTN), independentemente de manifestação desta instância administrativa. Quanto ao pedido para realizar sustentação oral, deve ser destacado que não existe previsão regimental relativa a este pleito. Publicada a pauta de julgamentos, o direito à realização de sustentação oral poderá ser exercido por meio de preenchimento de formulário específico contido no sítio do CARF. Em relação ao pedido para que as intimações sejam feitas na pessoa do advogado da empresa, não é cabível esta opção, em consonância com o enunciado da Súmula CARF nº 110, de cumprimento obrigatório pelas turmas de julgamento deste conselho, que assim dispõe: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Dessa forma, indefiro os pedidos formulados. Mérito. Trata-se de declaração de compensação transmitida com base em crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no 2º trimestre de 2012 (01/04/2012 a 30/06/2012). A partir de pesquisas efetuadas no sistema DIRF, as retenções na fonte declaradas foram confirmadas parcialmente pelo Despacho Decisório. A DRJ analisou as provas apresentadas com a manifestação de inconformidade e reconheceu direito creditório adicional, homologando parte das compensações remanescentes. Sobre as retenções na fonte, assim dispunha o Decreto 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999), vigente à época dos fatos: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III - do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras Fl. 251DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.014 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933726/2016-91 pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano-calendário subsequente ao do pagamento. Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942. (...) § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º. Portanto, de acordo com o § 2º do art. 943 do RIR/1999, o Comprovante Anual de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecido pela fonte pagadora é o documento hábil para comprovar a correta dedução do imposto retido durante o ano-calendário. No entanto, a possibilidade de comprovar as retenções de imposto de renda na fonte por forma diversa do comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora foi objeto de súmula do CARF, que assim define: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Assim, o beneficiário pode comprovar a retenção na fonte do imposto de renda por intermédio de um conjunto de documentos que demonstrem a origem e o valor da operação, do imposto retido e do recebimento, pelo prestador do serviço, de montante tal que configure a retenção do imposto por parte da fonte pagadora. Deve ser mencionado, também, conforme disposto no inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), que cabe à recorrente instruir sua defesa (impugnação / recurso voluntário) com documentos que respaldem suas afirmações: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Ainda sobre o tema, o Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015) dispõe em seu art. 373 que o ônus da prova recai sobre a contribuinte, que deve trazer aos autos elementos que não deixem dúvida quanto ao fato questionado: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Fl. 252DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art941 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art942 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#rt7§1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#rt7§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art8§1 Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.014 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.933726/2016-91 No presente caso, com seu recurso voluntário, a contribuinte não traz aos autos novos documentos para comprovar seu direito, nem aponta eventuais equívocos que teriam sido cometidos na análise efetuada no Despacho Decisório (Análise das Parcelas de Crédito) ou no Acórdão da DRJ. Uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão recorrida. Diante do exposto, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 253DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19311.000477/2009-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF.
Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale transporte.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-002.333
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PARCELAS PARA OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS Recorrente EMPRESA TEJOFRAN DE SANEAMENTO E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Igor Araújo Soares, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ewan Teles Aguiar. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE), para as competências 01/2004 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 15/24) informa que os fatos geradores foram apurados por meio do levantamento “VTR – Vale Transporte”. Relata que o vale transporte foi fornecido em dinheiro, em desconformidade com a legislação, fato este confirmado por meio das folhas de pagamentos. Esse Relatório informa ainda que a empresa estava amparada por medida judicial “liminar” em Mandado de Segurança, que lhe assegurava a suspensão da exigibilidade da contribuição social incidente sobre os valores pagos, em dinheiro, a título de vale transporte, mas o Tribunal Regional Federal da 3a Região deu provimento ao reexame necessário e apelação (Processo n° 1999.61.00.0456685/SP), em 04/05/2009, para denegar a segurança pleiteada, extinguindo o processo com resolução de mérito, com fundamento no art. 269, I c/c com o art. 557, ambos do Código de Processo Civil, razão pela qual foram levantados os valores de contribuições previdenciárias pelo pagamento de vale transporte em dinheiro aos segurados empregados. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 19/11/2009 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 53/69), alegando, em síntese, que: 1. seja reconhecida a decadência parcial do crédito referente aos meses de janeiro a outubro de 2004, a teor do art. 150, § 4o, do CTN, com a consequente extinção do crédito do período; 2. não houve omissão de qualquer escrituração ou documentos à fiscalização, pois a empresa viabilizou todo o curso e a conclusão da ação fiscal, sendo que a falta de informação dos valores pagos a título de vale transporte em GFIP se deu em razão de amparo judicial que a desobrigava a empresa de incluir tais montantes na GFIP, e, portanto, não que se falar em escrituração em desconformidade com a legislação; 3. o lançamento se baseou em mera interpretação revestida de subjetivismo, violando os princípios da legalidade e isonomia. a Lei n° 7.418/85 não veda o pagamento em dinheiro pelo empregador e o art. 5° do Decreto n° 95.247/87 padece de ilegalidade, na medida em que regulamenta questão não autorizada por lei, ou seja, extrapola os limites de incidência, não podendo sobrepor à Lei. A convenção coletiva da categoria facultou o pagamento do vale transporte em dinheiro, devendo ser reconhecida e respeitada, pois inquestionável é a sua força em nosso ordenamento jurídico, mormente quando Fl. 101DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000477/200956 Acórdão n.º 240202.333 S2C4T2 Fl. 2 3 assegura direitos do trabalhador, conforme dispõe o art. 7°, inciso XXVI da Constituição Federal; 4. o custo de transporte não é utilidade, é dever Estatal realizado pelo empregados na forma da Lei n° 7.418/85 e da respectiva Convenção Coletiva. Há que se distinguir verbas remuneratórias e indenizatórias, pois a jurisprudência claramente fixou posição sobre a natureza jurídica do vale transporte, entendendo que ela não é verba remuneratória, mas indenização, conforme diversas ementas que expõe. Assim, a exigência tributária deve estar prevista em lei, não em decreto, conforme o princípio da legalidade. O vale transporte pago em dinheiro tem natureza indenizatória, não integrando o salário de contribuição para efeito da incidência da contribuição previdenciária, nos termos do art. 28 da Lei n° 8.212/91. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão no 0532.203 da 8a Turma da DRJ/CPS (fls. 71/75) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Além disso, deixou de apreciar as razões atinentes ao vale transporte pago em dinheiro, tendo em conta a discussão judicial sobre essa matéria. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação (fls. 78/88). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Jundiaí/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 94). É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. É importante esclarecer que, antes da lavratura do presente lançamento fiscal, o Sindicato das Empresas de Asseio e Convenção no Estado de São Paulo (SINDICON/SP) havia ingressado com Ação Mandamental (Mandado de Segurança) no Tribunal Regional Federal da 3a Região (TRF3), processo n° 1999.61.00.0456685 (24a Vara Federal da Seção Judiciária Estado de São Paulo) e distribuída por dependência ao processo no 0045668 42.1999.4.03.6100, objetivando a pretensão de não incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas pagas a título de valetransporte em dinheiro. Percebese que o SINDICON/SP está propondo a ação mandamental coletiva na sua prerrogativa legal de legitimação extraordinária, visto que estará atuando como substituto processual, defendendo, em nome próprio, direito alheio. Assim, tratase de um processo coletivo de que seja titular grupo, classe ou categoria de pessoas, ligadas entre si por um vínculo jurídico base proveniente da categoria sindical patronal. Com isso, o que se deve observar é os efeitos da coisa julgada e sua repercussão perante terceiros. No processo individual, é necessário lembrar que a coisa julgada produz efeitos inter parte (artigos 468 e 472 do Código de Processo Civil). Esta é a regra no processo individual: a coisa julgada funciona para as partes e se dá independente se ocorreu em razão da falta de provas ou não, impedindo a pretensão de outra ação individual. Código de Processo Civil (CPC): Art. 468. A sentença, que julgar total ou imparcialmente a lide, tem força de lei nos limite da lide e das questões decididas. (...) Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros (...). Já a coisa julgada no processo coletivo, no caso específico da ação mandamental coletiva, será ultra partes, ou seja, atinge o grupo ou classe pertencente ao vínculo jurídico base da categoria, mas não impede o manejo de ação individual de cada pessoa dessa categoria. Isto é, a improcedência da ação mandamental coletiva, ainda que por pretensão infundada, não impede que cada uma das pessoas pertencentes ao vínculo jurídico base busque seu direito em ações individuais. A coisa julgada na ação mandamental coletiva não prejudica as pretensões individuais. Só beneficia, pois a coisa julgada será transportada in utilibus somente se beneficiar. A doutrina balizada nos ensinamento de Adriano Andrade, Cleber Masson e Landolfo Andrade (Interesses Difusos e Coletivos – Esquematizado, Editora Método, São Paulo, 2011, pág. 219) assenta que “(...) Dizse que há transporte (ou extensão) da coisa julgada in utilibus quando, embora uma sentença transitada em julgado não reconheça expressamente o direito de quem não foi parte no processo, esse terceiro (ou seus sucessores) Fl. 103DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000477/200956 Acórdão n.º 240202.333 S2C4T2 Fl. 3 5 pode ser beneficiado pelo julgado, bastando, para tanto, que o invoque, proceda à sua liquidação e à execução do respectivo crédito (...)”. Como se trata de mandado de segurança coletivo, a Recorrente, embora beneficiária da liminar, não figurava no polo ativo da demanda. Assim, considerando a discussão judicial acerca da questão de incidência ou não da contribuição previdenciária sobre valetransporte em dinheiro, entendo que tal matéria não está individualmente sendo discutida em Juízo (âmbito judicial). Quanto ao ValeTransporte pago em dinheiro, devese observar o entendimento da jurisprudência dos tribunais de superposição (STF e STJ) no sentido de que os valores pagos a título de valetransporte em dinheiro não integram o salário de contribuição, eis que os atos normativos que o disciplinam afrontam a Constituição Federal. Por meio da Lei nº 7.418/1985, foi instituído o valetransporte como direito do trabalhador a cargo do empregador, pessoa física ou jurídica, a fim de cobrir despesas efetivas de deslocamento da residência para o trabalho e viceversa. A saber: Art. 1º. Fica instituído o ValeTransporte, que o empregador, pessoa física ou jurídica, poderá antecipar ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, mediante celebração de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho e, na forma que vier a ser regulamentada pelo Poder Executivo, nos contratos individuais de trabalho. Posteriormente, o Decreto no 95.247/1987 veio proibir a concessão de tal benefício mediante pagamento em dinheiro, nos termos do seu art. 5o, in verbis: Art. 5°. É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. A Constituição Federal expressamente consignou que: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. (g.n.) Já o Código Tributário Nacional, complementando a matéria, estabelece que: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; Fl. 104DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V – a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. (g.n.) Diante do arcabouço jurídicotributário acima delineado, percebese que o debate acerca deste tema esbarra em questões e postulados jurídicos, o que impede a perpetuação da divergência. Como destacou o Ministro Eros Grau, relator do Recurso Extraordinário (RE) no 478410, em seu voto: “a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte – que efetivamente não integra o salário – seguramente afronta a Constituição em sua totalidade normativa”. Transcrevo abaixo trechos das decisões dos tribunais de superposição: “Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19311.000477/200956 Acórdão n.º 240202.333 S2C4T2 Fl. 4 7 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/SP, Rel.: Min. EROS GRAU, j.10/03/2010, Dje 13.05.2010, Despacho de publicação no 94 de 12/05/2011) “Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fáticoprobatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido.” (REsp 1194788/RJ, de 19.08.2010) (g.n.) “EMENTA: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício Fl. 106DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Embargos de divergência providos.” (Embargos de Divergência em REsp nº 816.829 – RJ, 2008/02249664) No mesmo caminho da jurisprudência dos tribunais de superposição, a AdvocaciaGeral da União (AGU) publicou no dia 08/12/2011 a Súmula no 60, em que seu enunciado estabelece que: “não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando seu caráter indenizatório da verba”. Com isso, como a questão é eminentemente jurídica, inclinome diante da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para considerar que o valetransporte pago em pecúnia (dinheiro) não integra a base de cálculo das contribuições sociais. Logo, os valores das contribuições sociais apuradas, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a título de valetransporte pago em dinheiro, deverão ser excluídos do presente lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer que sejam excluídos, em sua totalidade, os valores apurados no presente processo, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13863.000158/2001-61
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Dec 28 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1989, 1991, 1992
ILL. COMPENSAÇÃO. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA.
Nos casos de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, o Egrégio Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do ILL quando o contrato social da empresa não tivesse previsão de distribuição automática de lucros. Na hipótese em exame, o contrato social do contribuinte previa que os lucros apurados seriam automaticamente distribuídos, logo, o direito creditório pleiteado não pode ser deferido.
Numero da decisão: 1003-002.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Carlos Alberto Benatti Marcon, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 1989, 1991, 1992 ILL. COMPENSAÇÃO. SOCIEDADE POR QUOTAS DE RESPONSABILIDADE LIMITADA. Nos casos de sociedades por quotas de responsabilidade limitada, o Egrégio Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional a exigência do ILL quando o contrato social da empresa não tivesse previsão de distribuição automática de lucros. Na hipótese em exame, o contrato social do contribuinte previa que os lucros apurados seriam automaticamente distribuídos, logo, o direito creditório pleiteado não pode ser deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Carlos Alberto Benatti Marcon, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 16-92.865, de 9 de março de 2020, proferido pela da 6ª Turma da DRJ/SPO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 3. 00 01 58 /2 00 1- 61 Fl. 462DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.810 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13863.000158/2001-61 Por bem relatar os fatos, adota-se o relatório da decisão de piso que será complementado adiante: 1. SULPAVE SUL PAULISTA VEICULOS LTDA, empresa acima identificada, apresentou Pedido de Restituição cumulado com Pedidos de Compensação referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte calculado com base do lucro líquido (ILL). 2. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF)- Santos indeferiu a solicitação em razão da decadência, decisão ratificada por esta DRJ. 3. Em face desta decisão o contribuinte apresentou Recurso Voluntário que foi provido pela quarta Câmara do primeiro Conselho de Contribuintes que afastou a ocorrência da decadência e determinou nova apreciação do Pedido de Restituição. Esta decisão foi objeto de Recurso Especial que não foi acatado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. 4. Em consequência a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF)- Santos analisou novamente o Pedido de Restituição apresentado e concluiu pelo indeferimento da solicitação, conforme Despacho Decisório de fls, 373/376. 5. O contribuinte foi intimado desta decisão em 23/09/2014 (fl. 377) e apresentou Manifestação de Inconformidade em 23/10/2014 (fls. 379/384) na qual alega que apesar de o Estatuto Social da empresa prever a distribuição de lucros ela não ocorre de forma automática, dependendo sempre da deliberação dos sócios. Por sua vez, 6ª Turma da DRJ/SPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconheceu o direito creditório pleiteado, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1989, 1991, 1992 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO O disposto no artigo 35 da Lei nº 7.713/1988 se aplica nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do período-base de apuração previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário ratificando os argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade, nos termos seguintes: “DOS FATOS. 01. Em apertada síntese, tratam-se os autos de Pedido de Restituição/Compensação, onde o contribuinte requer a restituição de valores recolhidos a título de ILL, em virtude da declaração de inconstitucionalidade parcial do artigo 35, da Lei n° 7.713/88 através do julgamento do Recurso Extraordináriono do artigo 35, da Lei n° 7.713/88 através do julgamento do Recurso Extraordinário n° 172.058-1/SC pelo Supremo Tribunal Federal, bem como através da Resolução Senado Federal n° 82/96. Fl. 463DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.810 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13863.000158/2001-61 Dirimidas as questões acerca da decadência, na qual logrou êxito a defesa do contribuinte, passou-se à análise do direito ao crédito do imposto. Inobstante os argumentos delineados em seu Pedido Administrativo, a Delegacia da Receita Federal em Santos, através do Despacho Decisório n° 38/2014, optou por indeferir o pleito, assim dispondo: Assunto: Pedido de Restituição / Pedido de Compensação - Pagamento indevido do imposto sobre o lucro líquido - ILL - Período de apuração: 1989, 1991 e 1992. Ementa: Afastada a decadência do Pedido de Restituição feito pelo contribuinte, por decisão do Primeiro Conselho de Contribuintes, na análise do mérito conclui-se que o contribuinte não atende o disposto no parágrafo único do artigo 1 o da IN SRF 63/97, que afasta o alcance do artigo 35 da Lei 7.713/88 para sociedades por cotas de responsabilidade limitada. Direito creditório não reconhecido. Pedido de compensação denegado. 04. Assim, com o imediato inconformismo das razões que levaram o ilustre julgador a denegar o Pedido de Compensação, apresentou o contribuinte a Manifestação de Inconformidade em 23/10/2014, sendo claro em apontar que embora o fato de o contrato social da empresa previr a distribuição de lucros ou prejuízos verificados em balanço de encerramento no dia 31 de dezembro de cada ano, a distribuição dos lucros não fazem- se de maneira automatizada, sempre necessitando da deliberação dos sócios. 05. Ocorre que, em que pese os fundamentos de fato e de direito ali delineados, a 6 a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo - SP, em Acórdão n° 16-92.865, de 09 de março de 2020, manteve a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos, o que merece reforma, pelas razões abaixo expostas: II. DO JULGAMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. 06. Ao apreciar a referida manifestação de inconformidade, a douta Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santos - SP, dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1989, 1991, 1992 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE O LUCRO LÍQUIDO O disposto no artigo 35 da Lei no 7.71 1/1988 se aplica nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do período-base de apuração previa a disponibilidade, econômica ou jurídica. imediata ao sócio cotista, do lucro liquido apurado Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em consonância com esta Resolução a Administração editou a IN-SRF ºo 63/1997 na qual vedou a constituição de créditos pertinentes ao ILL em relação às sociedades por ações e às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do período-base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado: Fl. 464DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.810 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13863.000158/2001-61 Conclui-se que, com exceção das sociedades por ações, todas as demais sociedades que previam no contrato social a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado estariam sujeitas ao ILL. No caso concreto, as consolidações dos Contratos Sociais vigentes ao tempo em que ocorreram os fatos geradores em comento eram claras no sentido de determinar que os lucros existentes em 31 de dezembro seriam divididos entre os sócios da sociedade. Portanto, o contribuinte estava sujeito ao ILL e não faz jus a qualquer restituição/compensação. A defesa alega que somente caso houvesse a distribuição automática dos lucros ocorreria a incidência do ILL, sendo que o contrato social não previa qualquer distribuição imediata. Não merece prosperar tal argumentação. A menção aos termos "automática"/ "imediata" não tem conotação temporal, ela deve ser interpretada no sentido de não haver qualquer óbice ou condição para que o lucro seja distribuído aos sócios e, no caso, fica claro que o contrato social não impunha nenhuma condição à distribuição do lucro existente em 31 de dezembro. Em face do exposto voto por julgar a manifestação de inconformidade improcedente, ratificando o Despacho Decisório. 07. Em que pese os argumentos acima expostos, o mencionado acórdão DRJ/SPO n° 16-92.865, de 09 de março de 2020, merece ser reformado, pelas razões abaixo aduzidas: Da inexistência de distribuição automática. 08. Conforme discorre a decisão supra mencionada, apontou-se o i. julgador: Não merece prosperar tal argumentação. A Menção aos termos “automática”/”imediata” não conotação temporal, ela deve ser interpretada no sentido de não haver qualquer óbice ou condição para que o lucro seja distribuído aos sócios e, no caso, fica claro que o contrato social não impunha nenhuma condição à distribuição do lucro em 31 de dezembro. 09.Ocorre que, em que pese o seu notório conhecimento, o ilustre julgador não se atentou ao fato de que, em que pese haver disposição contratual acerca da distribuição de lucros e prejuízos, a mesma não ocorre de forma automática! 10. Para que a referida distribuição fosse automática, deveria haver previsão expressa neste sentido no contrato social, o que obviamente não é ocaso, bastando uma leitura atenta do instrumento em anexo para a comprovação do fato. 11.Inexistindo a previsão expressa de distribuição automática, a distribuição de lucros dependerá, sempre, do consentimento dos sócios para se efetivar e, neste caso, a incidência do ILL cairá exatamente na inconstitucionalidade ora discutida! 12.Em brilhante decisão que comprova a tese do contribuinte, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região deixou claro que, na inexistência de previsão de distribuição imediata dos lucros, incidirá, indubitavelmente, a inconstitucionalidadedeclarada ao artigo 35 da Lei n° 7.713/88, senão veja-se: Fl. 465DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.810 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13863.000158/2001-61 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ARTIGO 35 DA LEI N° 7.713/88. SÓCIOS-QUOTISTAS. RETENÇÃO NA FONTE. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA IMEDIATA DO LUCRO LÍQUIDO APURADO AUSÊNCIA DE PREVISÃO NO CONTRATO SOCIAL COMPROVAÇÃO PELA UNIÃO FEDERAL DA EFETIVA DISTRIBUIÇÃO DOS LUCROS. Em se tratando de sócio-quotista, havendo disposição no contrato social acerca da disponibilidade imediata, econômica ou jurídica do lucro líquido apurado no encerramento do período-base, dá-se então, a ocorrência do fato gerador, nos moldes do preceituado no artigo 43 do CTN, não havendo que se falar em inconstitucionalidade, desae que a destinação do lucro liquido não dependa do assentimento de cada sócio a outra finalidade, que não a de distribuição, caso em que o dispositivo será inconstitucional. Da leitura da cláusula contratual da sociedade em questão, não há previsão de distribuição imediata dos lucros apurados no período-base, dando aos cotistas ampla margem de deliberação, razão pela qual não deve incidir na espécie o art. 35 da Lei n° 7.713/88, face à proximidade da situação concreta com a relatada para as sociedades anônimas Desse modo, competia à União Federal alegar e provar que, à espécie, ocorrera a disponibilidade imediata dos lucros aos sócios. Apelação e remessa oficial impróvidas. 13. Ora, a leitura atenta da 'decisão acima transcrita torna nítido o posicionamento do Poder Judiciário acerca do tema, que pode-se resumir da seguinte forma: a) Em havendo a distribuição automática dos lucros expressamente disposta no contrato social, não há que se falar em inconstitucionalidade, sendo plenamente cabível a incidência do ILL e; b) Em não havendo previsão contratual de distribuição automática dos lucros, como é o caso sob análise, não há o que se falar na incidência do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, cabendo à União comprovar que ocorreu a disponibilidade imediata dos lucros aos sócios. 14. Repete-se, o Contrato Social da empresa, inobstante preveja a ibuição de lucros, não prevê expressamente que a mesma seja imediata. 15. Assim, não vê o contribuinte qualquer razão para que lhe seja negado o Pedido de Restituição efetuado, eis que em consonância com a legislação vigente e reforçada por decisões judiciais favoráveis acerca do tema. IV. DO PEDIDO. 16. Diante de todo o exposto, a Entidade Recorrente requer que o presente RECURSO VOLUNTÁRIO seja conhecido e provido, para o fim de reformar a r. decisão de Primeira Instância, julgando procedente o Pedido de Restituição em objeto, como medida de inteira JUSTIÇA! É o relatório. Fl. 466DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.810 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13863.000158/2001-61 Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III, do art. 151 do Código Tributário Nacional (CTN). Conforme já relatado, trata-se de Pedido de Restituição/Compensação em que a Recorrente requereu a restituição de valores recolhidos a título de ILL, em virtude da declaração de inconstitucionalidade parcial do artigo 35, da Lei n° 7.713/88, através do julgamento do do Recurso Extraordinário n° 172.058-1/SC pelo Supremo Tribunal Federal, bem como através da Resolução Senado Federal n° 82/96. A Recorrente, discordando da decisão de piso, interpôs Recurso Voluntários alegando fazer jus ao crédito em discussão, pois ao contrário do decidido, não há previsão contratual de distribuição automática dos lucros, logo, não há que se falar na incidência do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, cabendo à União comprovar que ocorreu a disponibilidade imediata dos lucros aos sócios. Ocorre que o recurso voluntário da Recorrente é uma réplica de sua manifestação de inconformidade e não houve qualquer produção probatória complementar. Ou seja, a Recorrente do não reconhecimento do direito creditório pleiteado pelas mesmas razões já elencadas em sede de manifestação de inconformidade, as quais foram apreciadas pela decisão de primeira instância e com a qual manifesto minha concordância. Assim, valho-me da prerrogativa estatuída no art. 57, § 3º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, adotando em complemento as minhas as razões de decidir, aquelas expendidas no acórdão de piso conforme reprodução abaixo: (...) 8. O contribuinte apresentou Pedido de Restituição cumulado com Pedidos de Compensação referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte calculado com base do lucro líquido (ILL). 9. O ILL foi instituído pelo artigo 35 da Lei nº 7.713/1988, in verbis: Fl. 467DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.810 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13863.000158/2001-61 Art. 35. O sócio quotista, o acionista ou titular da empresa individual ficará sujeito ao imposto de renda na fonte, à alíquota de oito por cento, calculado com base no lucro líquido apurado pelas pessoas jurídicas na data do encerramento do período-base 10. Entretanto, o STF considerou inconstitucional esta exigência para as Sociedades Anônimas, desta forma, o Senado Federal editou a Resolução nº 82/1996 por meio do qual suspendeu a execução do art. 35 da Lei nº 7.713/1988, no que diz respeito à expressão "o acionista": O Senado Federal resolve: Art. 1º. É suspensa a execução do art. 35 da Lei nº 7.713, de 29 de dezembro de 1988, no que diz respeito à expressão "o acionista" nele contida. 11. Em consonância com esta Resolução a Administração editou a IN- SRF nº 63/1997 na qual vedou a constituição de créditos pertinentes ao ILL em relação às sociedades por ações e às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do período-base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e em vista do que ficou decidido pela Resolução do Senado No 82, de 18 de novembro de 1996, e com base no que dispõe o Decreto No 2.194, de 7 de abril de 1997, resolve: Art. 1º Fica vedada a constituição de créditos da Fazenda Nacional, relativamente ao imposto de renda na fonte sobre o lucro líquido, de que trata o art. 35 da Lei No 7.713, de 22 de dezembro de 1988, em relação às sociedades por ações. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica às demais sociedades nos casos em que o contrato social, na data do encerramento do período-base de apuração, não previa a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado. 12. Conclui-se que, com exceção das sociedades por ações, todas as demais sociedades que previam no contrato social a disponibilidade, econômica ou jurídica, imediata ao sócio cotista, do lucro líquido apurado estariam sujeitas ao ILL. 13. No caso concreto, as consolidações dos Contratos Sociais vigentes ao tempo em que ocorreram os fatos geradores em comento eram claras no sentido de determinar que os lucros existentes em 31 de dezembro seriam divididos entre os sócios da sociedade: VIII Os lucros ou prejuízos verificados em balanço de encerramento, que será em 31 de Dezembro de cada ano, serão divididos ou suportados pelos sócios na proporção da participação de cada um no capital da sociedade. (fl. 43 e 53) 14. Portanto, o contribuinte estava sujeito ao ILL e não faz jus a qualquer restituição/compensação. 15. A defesa alega que somente caso houvesse a distribuição automática dos lucros ocorreria a incidência do ILL, sendo que o contrato social não previa qualquer distribuição imediata. 16. Não merece prosperar tal argumentação. A menção aos termos “automática”/ “imediata” não tem conotação temporal, ela deve ser interpretada no sentido de não haver qualquer óbice ou condição para que o lucro seja distribuído aos sócios e, no caso, fica claro que o contrato social não impunha nenhuma condição à distribuição do lucro existente em 31 de dezembro”. Fl. 468DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.810 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13863.000158/2001-61 Desta forma, está claro que é cabível a compensação e/ou restituição de valores recolhidos a título de ILL, indevidamente, em face da declaração de inconstitucionalidade da expressão acionista do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, sendo que o pedido tem como termo inicial a data da publicação da Resolução do Senado nº 82, de 18.11.96, aplicando-se lhe às sociedades por quotas de responsabilidade cujos contratos sociais não prevejam a imediata disponibilidade econômica ou jurídica aos sócios do lucro líquido apurado na data do encerramento do período-base posto não configurado o fato gerador do imposto. Portanto, diante da orientação externada pelo Supremo Tribunal Federal, ao reconhecer a inconstitucionalidade do ILL, a restituição do tributo pleiteada pelo contribuinte deve ser deferida, (i) desde que a pessoa jurídica tenha sido constituída através de sociedade de cotas limitadas e (ii) desde que, em seu contrato social não preveja a imediata disponibilidade econômica ou jurídica aos sócios do lucro líquido apurado no encerramento do período-base. No presente caso, como se observa do compulsar dos autos do processo, a Recorrente é pessoa jurídica constituída sob a forma das sociedades limitadas. Porém, mediante análise do contrato social da ora Recorrente, em vigor à época dos respectivos fatos geradores, é possível verificar que havia, ao contrário do afirmado por ela afirmado, a previsão de automática distribuição de lucros existentes em 31 de dezembro entre os sócios da sociedade. Confira-se o teor da reprodução de trecho do Contrato Social da Recorrente (e- fls. 43 e 53) Destaque-se que a mudança desta cláusula contratual ocorreu somente com a 16ª Alteração Contratual da Sociedade (doc. às e-fls. 451-456), em 30/01/2014, quando então, a distribuição dos lucros entre os sócios deixou de ser automática, in verbis: Nesta senda, em relação aos anos-calendários 1989, 1991, 1992, objeto do presente processo, deve prevalecer a versão anterior à 16ª Alteração Contratual da Sociedade que previa a distribuição automática dos lucros entre o sócios, existindo, portanto, a disponibilidade jurídica da renda e não havendo se falar em inconstitucionalidade da cobrança do ILL nestes períodos, devendo prevalecer o acórdão de piso que não reconheceu o direito creditório pleiteado, referente ao Imposto de Renda Retido na Fonte calculado com base do lucro líquido (ILL). Fl. 469DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.810 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13863.000158/2001-61 Ante o exposto, oriento meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 470DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915472/2016-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Dec 29 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
O sujeito passivo que apurar direito creditório poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios até o limite do crédito comprovado. No caso dos autos, não houve comprovação de crédito adicional.
Numero da decisão: 1302-006.012
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-006.007, de 19 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.653678/2016-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Andréia Lúcia Machado Mourão
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar direito creditório poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios até o limite do crédito comprovado. No caso dos autos, não houve comprovação de crédito adicional.
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar direito creditório poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios até o limite do crédito comprovado. No caso dos autos, não houve comprovação de crédito adicional. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-006.007, de 19 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.653678/2016-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 54 72 /2 01 6- 20 Fl. 297DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.012 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.915472/2016-20 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Tratam os autos de declaração de compensação transmitida com base em direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ, apurado trimestralmente. Na apuração do saldo negativo, foram utilizadas deduções decorrente de retenções na fonte. O valor confirmado pelo Despacho Decisório, a partir de pesquisas nos sistemas da RFB, foi inferior ao valor informado no PER/DCOMP, de modo que as compensações declaradas foram homologadas parcialmente. A partir de documentos apresentados com a manifestação de inconformidade, o Acórdão da DRJ reconheceu direito creditório adicional, mas em montante inferior ao valor declarado. Cientificado da decisão, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário, com suas razões de defesa. Ao final, requer que seja acolhido o presente Recurso Voluntário, homologando-se integralmente as compensações declaradas. Requer, ainda, que o patrono seja intimado da data de julgamento do presente Recurso Voluntário, de quaisquer atos e decisões e solicita a realização de sustentação oral, quando da inclusão do feito em pauta para julgamento. Solicita, também, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.012 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.915472/2016-20 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conheço do Recurso Voluntário por ser tempestivo e por preencher os requisitos de admissibilidade. Pedidos. Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário. Intimação para Sustentação Oral. Expedição das Intimação em nome dos patronos. Inicialmente, cabe analisar uma série de pedidos formulados pela recorrente. A respeito do pedido de suspensão da exigibilidade do crédito tributário em litígio, trata-se de medida desnecessária, já que tal efeito decorre de expressa disposição legal (art. 151, inciso II do CTN), independentemente de manifestação desta instância administrativa. Quanto ao pedido para realizar sustentação oral, deve ser destacado que não existe previsão regimental relativa a este pleito. Publicada a pauta de julgamentos, o direito à realização de sustentação oral poderá ser exercido por meio de preenchimento de formulário específico contido no sítio do CARF. Em relação ao pedido para que as intimações sejam feitas na pessoa do advogado da empresa, não é cabível esta opção, em consonância com o enunciado da Súmula CARF nº 110, de cumprimento obrigatório pelas turmas de julgamento deste conselho, que assim dispõe: Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo.(Vinculante, conforme Portaria ME nº 129de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Dessa forma, indefiro os pedidos formulados. Mérito. Trata-se de declaração de compensação transmitida com base em crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ apurado no 2º trimestre de 2012 (01/04/2012 a 30/06/2012). A partir de pesquisas efetuadas no sistema DIRF, as retenções na fonte declaradas foram confirmadas parcialmente pelo Despacho Decisório. A DRJ analisou as provas apresentadas com a manifestação de inconformidade e reconheceu direito creditório adicional, homologando parte das compensações remanescentes. Sobre as retenções na fonte, assim dispunha o Decreto 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR/1999), vigente à época dos fatos: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III - do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras Fl. 299DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.012 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.915472/2016-20 pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do ano-calendário subsequente ao do pagamento. Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942. (...) § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º. Portanto, de acordo com o § 2º do art. 943 do RIR/1999, o Comprovante Anual de Retenção de Imposto de Renda na Fonte fornecido pela fonte pagadora é o documento hábil para comprovar a correta dedução do imposto retido durante o ano-calendário. No entanto, a possibilidade de comprovar as retenções de imposto de renda na fonte por forma diversa do comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora foi objeto de súmula do CARF, que assim define: Súmula CARF nº 143 A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Assim, o beneficiário pode comprovar a retenção na fonte do imposto de renda por intermédio de um conjunto de documentos que demonstrem a origem e o valor da operação, do imposto retido e do recebimento, pelo prestador do serviço, de montante tal que configure a retenção do imposto por parte da fonte pagadora. Deve ser mencionado, também, conforme disposto no inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), que cabe à recorrente instruir sua defesa (impugnação / recurso voluntário) com documentos que respaldem suas afirmações: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Ainda sobre o tema, o Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015) dispõe em seu art. 373 que o ônus da prova recai sobre a contribuinte, que deve trazer aos autos elementos que não deixem dúvida quanto ao fato questionado: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Fl. 300DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art941 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art942 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#rt7§1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#rt7§2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3000.htm#art8§1 Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.012 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.915472/2016-20 No presente caso, com seu recurso voluntário, a contribuinte não traz aos autos novos documentos para comprovar seu direito, nem aponta eventuais equívocos que teriam sido cometidos na análise efetuada no Despacho Decisório (Análise das Parcelas de Crédito) ou no Acórdão da DRJ. Uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão recorrida. Diante do exposto, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 301DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000337/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO. ESTABELECIDA NO CTN.
Avenças particulares não podem ser opostas ao Fisco com o escopo de afastar a responsabilidade tributária prevista em lei.
CISÃO PARCIAL.
A sociedade que sofreu cisão parcial não pode exigir que as contribuições em questão sejam cobradas da sociedade que absorveu parcela do seu patrimônio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA.
OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF.
Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale-transporte.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso
II da Lei nº 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.368
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos ao auxílio-transporte e para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO. ESTABELECIDA NO CTN. Avenças particulares não podem ser opostas ao Fisco com o escopo de afastar a responsabilidade tributária prevista em lei. CISÃO PARCIAL. A sociedade que sofreu cisão parcial não pode exigir que as contribuições em questão sejam cobradas da sociedade que absorveu parcela do seu patrimônio. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de vale-transporte. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PARCELA SEGURADOS Recorrente GAPC GRUPO DE APOIO A PESSOA COM CÂNCER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO. ESTABELECIDA NO CTN. Avenças particulares não podem ser opostas ao Fisco com o escopo de afastar a responsabilidade tributária prevista em lei. CISÃO PARCIAL. A sociedade que sofreu cisão parcial não pode exigir que as contribuições em questão sejam cobradas da sociedade que absorveu parcela do seu patrimônio. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e Superior Tribunal de Justiça (STJ), não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos ao auxíliotransporte e para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ewan Teles Aguiar. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000337/201089 Acórdão n.º 240202.368 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à contribuição previdenciária desses segurados não retidas e não recolhidas, para as competências 01/2007 a 12/2008. O Relatório Fiscal (fls. 130/143) informa que os fatos geradores incidiram sobre diversas verbas remuneratórias que não foram oferecidas à tributação pela entidade. Constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. Levantamentos A0 e A1 "Ajuda de custo Contabilizada", e Levantamentos P0; P1 e P2 "Rubrica Ajuda de Custo" à ajuda de custo paga pela empresa sem demonstração de atendimento aos pressupostos do artigo 470 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo DecretoLei n° 5.452/1943, quais sejam, pagamento em parcela única emdecorrência de mudança de local de trabalho. Salienta a Fiscalização as parcelas foram pagas com regularidade em várias competências, o que permite descartar a observância dos requisitos previstos para a sua concessão. A Fiscalização organizou a autuação em levantamentos diferentes, dependendo da multa aplicada bem como da documentação em que os fatos foram apurados: contabilidade (tabela 2) ou folha de pagamento (tabela 5); 2. Levantamentos C0 e C1 "Pagamentos a contribuintes individuais, contabilizados" à a Fiscalização informa que os pagamentos foram escriturados na contabilidade, nos seguintes termos: “(...) Através de lançamentos contábeis constantes dos livros diário e razão apresentados vide Tabela 3. São lançamentos em contas de títulos correspondentes à remuneração de segurados contribuintes individuais (exemplo: "Serviços Prestados PF") e/ou cujos históricos permitem deduzir se tratar de pagamento a contribuintes individuais. Não foi constatado que tais valores compusessem rubricas informadas em folhas de pagamentos (...)”; 3. Levantamentos D0 e D1 "Pagamentos atribuídos a contribuintes individuais", e Levantamentos X0; XI e X2 "Recibos de Contribuintes Individuais"à as remunerações apuradas em "lançamento sem contas de títulos e/ou históricos de pagamentos de contribuintes individuais". Em relação a estes lançamentos, a Fiscalização viuse obrigada a arbitrar as bases de cálculo com base no § 3o do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991, pois não foi apresentada a documentação que daria suporte aos lançamentos contábeis. Os "Recibos de Contribuintes Individuais" apresentados pela autuada também serviram de supedâneo da autuação, permitindo se apurar o Fl. 688DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pagamento a segurados da Previdência Social. A descrição detalhada dos lançamentos contábeis em questão bem como dos recibos apresentados à Fiscalização estão nas tabelas 4 e 6; 4. Levantamento V0 "Retirada de prolabore" à retirada de pró labore nos meses de janeiro de março de 2008, consoante tabela 5, a fls. 181. A fiscalização aplicou o teto de contribuição quando os documentos apresentados indicavam o segurado contribuinte individual remunerado. Nos casos em que isso não foi possível, a alíquota de 11% incidiu sobre toda a remuneração, com base no § 3o do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991; 5. Levantamento O0 "Rubrica 13 Salário na Rescisão" à valores apurados em folhas de pagamento da empresa que correspondem ao 13° salário pago nas rescisões trabalhistas; 6. Levantamento Q0 "Rubrica Aviso Prévio Trabalhado" à valores de natureza salarial pagos a segurados empregados e constantes das folhas de pagamento; 7. Levantamentos R0, R1 e R2 "Rubricas referentes ao pagamento de alimentação em dinheiro" à a Fiscalização constatou, nas folhas de pagamento, o pagamento em dinheiro de verbas que correspondem à alimentação do trabalhador. São elas: "cesta básica", "cesta básica diferença", "cesta básica mês anterior", "ticket refeição" e "vale refeição"; 8. Levantamento S0 "Rubricas Complemento Salarial e.Dissídio" à verbas de natureza salarial informadas nas folhas de pagamento; 9. Levantamento T1 "Rubrica Gratificação" à valores pagos a título de gratificação registrados nas folhas de pagamento; 10. Levantamentos U0, U1 e U2 "Rubrica referente, ao pagamento de ValeTransporte em dinheiro" à valores pagos a título de vale transporte em dinheiro. Esse Relatório informa ainda que, nos termos do § 3o do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991, as contribuições exigidas foram aferidas indiretamente com a aplicação da alíquota de 8% sobre as remunerações verificadas, porquanto os arquivos digitais fornecidos pela autuada não continham todas as informações necessárias para a apuração individualizada dos salários de contribuição percebidos pelos segurados. Foram apresentados arquivos digitais relativos ao estabelecimento 04.560.782/000174 para o ano de 2008. Todavia, tais arquivos não estavam em harmonia com as folhas de pagamento em papel. Relatase que as rubricas informadas nas folhas de pagamento tiveram seus valores mensais discriminados na tabela 5. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/09/2010 (fl. 01). Fl. 689DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000337/201089 Acórdão n.º 240202.368 S2C4T2 Fl. 3 5 A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 190/200, Volume II), alegando, em síntese, que: 1. todos os documentos requisitados pela Fiscalização foram apresentados, com exceção daqueles que instruem o processo penal movido contra exdirigentes da impugnante; 2. goza da imunidade prevista na alínea "c" do inciso VI do artigo 150 e do § 7o do artigo 195, ambos da Constituição Federal, regulamentados pelo artigo 14 do CTN, não havendo incidência das contribuições patronais; 3. por força de decisão judicial transitada em julgado, as responsabilidades trabalhistas e tributárias da impugnante ficam adstritas aos estabelecimentos localizados nas cidades de Taubaté, São José dos Campos, Mogi das Cruzes, Volta Redonda e Vitória, devendo ser revista a extensão da autuação; 4. destaca que eventual inadimplemento se deveu a dificuldades financeiras decorrentes de dívidas deixadas pela administração anterior. Teve que optar entre o pagamento a seus funcionários e o recolhimentos dos tributos, o que afasta a ocorrência de dolo; 5. requer que seja realizada diligência fiscal junto à 2a Vara Criminal de Curitiba (Processo n° 2006.00135551) a fim de que se analisem os documentos referentes ao ano de 2006. Informa que o pedido formulado para a liberação dos documentos não foi respondido pelo juiz. Caso não sejam aceitos seus argumentos, requer a realização de perícia técnica com a finalidade de apuração das informações necessárias para o parâmetro de apuração da multa, visando a resposta dos seguintes quesitos: (i) a documentação física com todas as informações solicitadas pela fiscalização está existe e está disponível? Em qual local? (ii) existe movimento de receitas devidamente escriturado? Em qual livro? Em qual local? (iii) em caso de omissões ou erros nos livros contábeis, é possível apurarse as respectivas informações em documentos e registros físicos ou digitais? Em qual local? (iv) é apurável a receita e informações do contribuinte, exigidas pela fiscalização? De que forma? e (v) restam atendidos os requisitos para fruição da imunidade constitucional condicionada (art. 105, VI, "c", 195, § 7o da CF88 c/c art.14 do CTN). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão no 0532.728 da 7a Turma da DRJ/CPS (fls. 637/642, Volume IV) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação (fls. 651/662, Volume IV). Fl. 690DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Taubaté/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 666). É o relatório. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000337/201089 Acórdão n.º 240202.368 S2C4T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega revisão, cancelamento;ou suspensão da punição, por ter apresentado todas informações possíveis, não incorrendo em negativa de cumprir qualquer determinação feita pelo Fisco, não sendo cabível o arbitramento milionário efetuado. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal – itens “I.1.3” e “I.1.4” (fls. 130/143 – Volume I) –, visto que a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Essa demonstração da recusa de apresentação de documentos ou informações, ou a sua apresentação deficiente, ficou assentada no Relatório Fiscal nos seguintes termos (fls. 134/136): “[...] I.13. Lançamento de ofício das contribuições dos segurados empregados. O contribuinte apresentou, de forma deficiente, arquivos digitais com dados referentes à folha de pagamentos dos segurados a seu serviço. Tal fato inviabilizou a utilização dos arquivos digitais para o recalculo das contribuições devidas pelos segurados. empregados. Logo, a apresentação deficiente de informações acarretou a necessidade de determinar as contribuições dos segurados empregados por meio de aplicação da.alíquota mínima de 8%, sem consideração de teto máximo de contribuição. O lançamento de ofício das contribuições, face à apresentação deficiente de informações, é procedimento previsto na Lei 8.212, de 24/07/1991, Art. 33, §3°. I.13.1. O recalculo das contribuições, de cada um dos segurados empregados seria necessário em decorrência do aumento das bases de cálculo; em conseqüência da inclusão de novas parcelas, correspondentes às remunerações apontadas nos diversos levantamentos do presente AI, que se referem a segurados empregados. Tais remunerações foram ignoradas pelo contribuinte na composição das bases de cálculo, por ele utilizadas, para a determinação da contribuição devida pelos "segurados empregados, quando da elaboração das folhas de pagamento, apresentadas em meio papel. I.13.2. Embora intimado – por meio do TIPF, o contribuinte não apresentou arquivos digitais, com os dados referentes à folha de pagamentos dos segurados a seu serviço, que abrangessem todo Fl. 692DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 o período da ação fiscal e todos os'seus estabelecimentos. Apresentou, apenas, arquivos digitais referentes à folha de pagamentos do estabelecimento matriz CNPJ: 04.560.782/000174, para.o ano de'2008, que, entretanto, não se prestaram à utilização, uma vez que, confrontados com as folhas de pagamentos em papel apresentadas, revelaram divergências que impediram a sua validação. (...) I.14. Lançamento de ofício de contribuições dos segurados contribuintes individuais. I.14.1. A já mencionada apresentação deficiente "de arquivos digitais da folha de pagamento de segurados traz, também para a contribuição dos segurados contribuintes individuais, impossibilidades quanto ao recálculo, para a aplicação do teto máximo de contribuição, decorrente da inclusão das parcelas de incidência apuradas no presente AI. I.14.2. Os levantamentos referentes aos contribuintes individuais, que se basearam em informações obtidas nos lançamentos contábeis, presentes nos livrosdiário e razão exibidos, foram objeto de solicitação de apresentação da documentação de suporte dos mesmos (recibos, notas fiscais, cópias de cheques, etc.) e; de identificação dos favorecidos, por meio do Termo de Intimação Fiscal TIF Num. 4. Entretanto, o contribuinte não atendeu ao solicitado e essa conduta foi penalizada com a aplicação de Auto de Infração. [...]” Nesses itens “I.1.3” e “I.1.4”, com seus subitens, constatase que em duas situações a base de cálculo foi apurada por aferição indireta, em virtude da apresentação deficiente dos esclarecimentos a que fora intimada a Recorrente, a teor do contido nos §§ 1°, 3° e 5° do art. 33 da Lei n° 8.212/1991. Isso ensejou a lavratura do Auto de Infração n° 37.298.7613 (processo 13864.000335/201090) pelo descumprimento de obrigação tributária acessória. Essas duas situações foram devidamente delineadas no Relatório Fiscal de fls. 130/143. Na primeira, as remunerações de contribuintes individuais foram arbitradas em função de nomes “sugestivos” de “títulos e/ou históricos” de lançamentos contábeis cuja documentação de suporte não foi apresentada. O procedimento fiscal é razoável, eis que os registros da escrituração contábil sugerem a ocorrência do fato gerador, contidos nos lançamentos com os seguintes históricos: “Pgto. Segurança”, “Mão de Obra”, “Colocação de Divisória”, “Chaveiro’, “honorários contábeis”, “comissões”, dentre outros. Diante da ausência dos documentos que motivaram os lançamentos contábeis, que permitiriam a efetiva identificação do prestador de serviços, e dos seus títulos e/ou históricos, foi correto o procedimento fiscal adotado para apuração da base de cálculo pela técnica de aferição indireta. A segunda hipótese em que ocorreu a aferição indireta das contribuições foi na apuração dos empregados que se beneficiaram dos pagamentos tributados pela Fiscalização. Constatouse que os documentos fornecidos pela Recorrente eram conflitantes. Assim, não houve a segurança necessária para se identificarem os segurados em questão e se aplicarem, adequadamente, as alíquotas nos patamares de 8%, 9% ou 11%, conforme art. 20 da Lei n° 8.212/1991: “A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriode Fl. 693DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000337/201089 Acórdão n.º 240202.368 S2C4T2 Fl. 5 9 contribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: (Redação dada pela Lei n° 9.032, de 28.4.95)”. Em decorrência de não visualizar a verba remuneratória de cada segurado nos patamares da alíquota estabelecida pela legislação, a solução adotada pela Fiscalização foi a aplicação uniforme da alíquota de 8%, como determina o artigo 449 da Instrução Normativa RFB n° 971, de 13 de novembro de 2009: Art. 449. No cálculo da contribuição social previdenciária do segurado empregado incidente sobre a remuneração da mãode obra indiretamente aferida, aplicase a alíquota mínima, sem limite e, para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2007, sem compensação da CPMF. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, § 3°, da Lei no 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei no 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 694DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A Recorrente solicita que seja realizada diligência perante a 2a Vara Criminal de Curitiba (PROCESSO 2006.00135551) a fim de obterse a verificação dos documentos referentes ao ano objeto da suspensão, devendo ser levado em conta que o pedido para liberação dos documentos, realizado pelo contribuinte, que restou sem resposta pelo Juízo. Tal solicitação é impertinente à questão instaurada no presente processo, eis que os elementos probatórios constantes dos autos noticiam que não há documentos apreendidos que possam influenciar no presente julgamento. Essa mesma linha de entendimento ficou assentada na decisão de primeira instância, nos seguintes termos: “(...) Em consulta à página do Tribunal de Justiça do Paraná na rede mundial de computadores (http://portal.tjpr.ius.br/web/guest), pude apenas verificar que, realmente, a autuada é assistente da acusação. Nenhuma informação há sobre os documentos da empresa supostamente apreendidos. Além disso, a impugnante não apresentou qualquer indício de que suas alegações sejam verdadeiras. Não apresentou qualquer peça processual que faça referência aos documentos requisitados pela Fiscalização. Não juntou cópia da decisão judicial que determinou a suposta apreensão dos documentos. No mesmo sentido, o relatório fiscal concernente ao Processo n° 13864.000335/201090: "o contribuinte nada informou, esclareceu ou apresentou, limitandose a declarar, por escrito, que estaria impossibilitado de atender ao solicitado por não estar de posse da correspondente documentação de suporte, em função de apreensão judicial das mesmas. Entretanto, não foi apresentada documentação que comprovasse, específica e inequivocamente, apreensão dos documentos objeto da solicitação do TIF Num.: 4." (...)” Fl. 695DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000337/201089 Acórdão n.º 240202.368 S2C4T2 Fl. 6 11 Ademais, a simples alegação de que os documentos relativos ao ano de 2006 teriam sido apreendidos pelo Poder Judiciário é inoportuna ao presente lançamento fiscal, eis que se trata de fatos geradores ocorridos nas competências 01/2007 a 12/2008. Logo, a alegação da Recorrente ora examinada é genérica, inoportuna e impertinente ao presente processo, com isso não será acatada. A Recorrente alega que existe decisão judicial transitada em julgado que determinou que a sua responsabilidade fiscal ficaria restrita apenas as unidades ativas localizadas nas cidades de Taubaté, São José dos Campos, Mogi das Cruzes, Volta Redonda e Vitória. Tal alegação não será acatada, eis que o contexto fático, corroborado com os elementos probatórios juntados aos autos, demonstra que a relação empregatícia estava estabelecida entre a Recorrente e os segurados que serviram de base para apuração dos valores lançados no presente processo. Por outro lado, a homologação judicial não possui os efeitos pretendidos pela Recorrente, eis que se trata de uma decisão proferida com o objetivo de extinguir o processo e vincular as partes ao que foi acordado. Não podendo ser oponível a terceiros que não integraram a relação processual. O que torna obrigatória a transação efetuada não é a homologação judicial, mas o acordo de vontades. Esse entendimento é extraído da doutrina balizada de MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES (Direito Processual Civil Esquematizado. São Paulo : Saraiva, 2011, pág. 435) que registrou: “(...) A sentença é proferida apenas para extinguir o processo, mas não é ela que confere obrigatoriedade ao acordo”. Por isso, os efeitos da sentença homologatória decorrem do negócio jurídico homologado, sendo que o objeto da decisão é a transação, o negócio celebrado entre os litigantes. Como a transação é negócio jurídico civil, a sentença homologatória não opera os seus efeitos para terceiros. Com isso, o que se deve observar é os efeitos da coisa julgada e sua repercussão perante terceiros. No processo individual, é necessário lembrar que a coisa julgada produz efeitos inter parte (artigos 468 e 472 do Código de Processo Civil). Esta é a regra no processo individual: a coisa julgada funciona para as partes e se dá independente se ocorreu em razão da falta de provas ou não, impedindo a pretensão de outra ação individual. Código de Processo Civil (CPC): Art. 468. A sentença, que julgar total ou imparcialmente a lide, tem força de lei nos limite da lide e das questões decididas. (...) Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. No âmbito tributário, tem regra específica que dispõe sobre a inoponibilidade das convenções privadas contra a entidade lançadora do tributo, nos termos do art.123 do CTN. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Percebese, então, que o acordo homologado judicialmente somente possui efeitos entre as partes, não podendo o Fisco ser compelido a respeitar os seus termos. Assim, a Recorrente é diretamente responsável, perante o Fisco, pelo pagamento dos tributos relativos aos segurados obrigatórios do RGPS que lhe prestaram serviços. Ressaltase que o CTN não dispõe sobre a cisão parcial em seu artigo 132, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Na contextualização da questão fática, ficou devidamente assentada, na decisão de primeira instância, que os segurados prestaram serviços a Recorrente, nos seguintes termos: “(...) São, então, exigidos tributos cujos fatos geradores ocorreram em 11/2008 a 12/2008 para os seguintes estabelecimentos: 04.560.782/000174 (Taubaté), 04.560.782/000255 (Campinas), 04.560.782/000480 (Santos), 04.560.782/000840 (Taubaté), 04.560.782/001146 (São José do Rio Preto), 04.560.782/001901 (Mogi das Cruzes), 04.560.782/002207 (Volta Redonda), 04.560.782/002460 (Belo Horizonte), 04.560.782/002541 (Guarulhos) e 04.560.782/0034 32 (Votuporanga). Apesar de estarem incluídos estabelecimentos que passariam à nova entidade, verificase que as informações foram obtidas nas folhas de pagamento elaboradas pela própria impugnante, ou seja, foi ela mesma que admitiu ter contratado o serviço de segurados para trabalharem nos estabelecimentos de Campinas, Santos, São José do Rio Preto, Guarulhos e Votuporanga. Isto ocorreu porque, segundo a "Ata de Reunião de Diretoria da Associação Grupo de Apoio a Pessoas com Câncer (GAPC)", a fls. 227/228, a transferência dos bens ficou autorizada apenas em 10 de dezembro de 2008. A data da efetiva transferência não está demonstrada nos autos, podendo se constatar apenas que a mencionada ata foi registrada no órgão competente em 05 de maio de 2009. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000337/201089 Acórdão n.º 240202.368 S2C4T2 Fl. 7 13 Assim, mesmo que o acordo judicial tenha sido firmado em outubro, a impugnante continuou responsável pelos estabelecimentos pelo menos até dezembro de 2008, quando foi autorizada a transferência dos bens para a nova entidade. Concluindo, todos os fatos geradores ocorreram em período em que a impugnante havia contratado os serviços dos segurados. Não se exigem contribuições incidentes sobre remunerações de segurados contratados pela nova entidade. (...)” Diante disso, entendo que o acordo homologado judicialmente não tem o condão de transferir a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, pois os segurados prestaram serviços a Recorrente, sendo esta que deve recolher os tributos devidos. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/635) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial. Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972) estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Fl. 698DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 – na redação dada pela Lei n° 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. No que tange às alegações de imunidade e suspensão em relação ao crédito tributário discutido, cumpre esclarecer que o presente processo trata exclusivamente da parcela concernente às contribuições dos segurados e não retidas em época própria. Logo, a questão acerca da isenção das contribuições previdenciárias patronais é absolutamente impertinente. Quanto ao ValeTransporte pago em dinheiro, devese observar o entendimento da jurisprudência dos tribunais de superposição (STF e STJ) no sentido de que os valores pagos a título de valetransporte em dinheiro não integram o salário de contribuição, eis que os atos normativos que o disciplinam afrontam a Constituição Federal. Por meio da Lei nº 7.418/1985, foi instituído o valetransporte como direito do trabalhador a cargo do empregador, pessoa física ou jurídica, a fim de cobrir despesas efetivas de deslocamento da residência para o trabalho e viceversa. A saber: Art. 1º. Fica instituído o ValeTransporte, que o empregador, pessoa física ou jurídica, poderá antecipar ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência trabalho e viceversa, mediante celebração de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho e, na forma que vier a ser regulamentada pelo Poder Executivo, nos contratos individuais de trabalho. Posteriormente, o Decreto no 95.247/1987 veio proibir a concessão de tal benefício mediante pagamento em dinheiro, nos termos do seu art. 5o, in verbis: Art. 5°. É vedado ao empregador substituir o ValeTransporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. Parágrafo único. No caso de falta ou insuficiência de estoque de ValeTransporte, necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema, o beneficiário será ressarcido pelo empregador, na folha de pagamento imediata, da parcela correspondente, quando tiver efetuado, por conta própria, a despesa para seu deslocamento. A Constituição Federal expressamente consignou que: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000337/201089 Acórdão n.º 240202.368 S2C4T2 Fl. 8 15 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. (g.n.) Já o Código Tributário Nacional, complementando a matéria, estabelece que: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V – a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 99. O conteúdo e o alcance dos decretos restringemse aos das leis em função das quais sejam expedidos, determinados com observância das regras de interpretação estabelecidas nesta Lei. (g.n.) Diante do arcabouço jurídicotributário acima delineado, percebese que o debate acerca deste tema esbarra em questões e postulados jurídicos, o que impede a perpetuação da divergência. Como destacou o Ministro Eros Grau, relator do Recurso Extraordinário (RE) no 478410, em seu voto: “a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte – que efetivamente não integra o salário – seguramente afronta a Constituição em sua totalidade normativa”. Transcrevo abaixo trechos das decisões dos tribunais de superposição: “Ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/SP, Rel.: Min. EROS GRAU, j.10/03/2010, Dje 13.05.2010, Despacho de publicação no 94 de 12/05/2011) “Ementa: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIOTRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fáticoprobatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido.” (REsp 1194788/RJ, de 19.08.2010) (g.n.) “EMENTA: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE Fl. 701DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000337/201089 Acórdão n.º 240202.368 S2C4T2 Fl. 9 17 TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2003, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Embargos de divergência providos.” (Embargos de Divergência em REsp nº 816.829 – RJ, 2008/02249664) No mesmo caminho da jurisprudência dos tribunais de superposição, a AdvocaciaGeral da União (AGU) publicou no dia 08/12/2011 a Súmula no 60, em que seu enunciado estabelece que: “não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando seu caráter indenizatório da verba”. Com isso, como a questão é eminentemente jurídica, inclinome diante da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para considerar que o valetransporte pago em pecúnia (dinheiro) não integra a base de cálculo das contribuições sociais. Logo, os valores das contribuições sociais apuradas, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a título de valetransporte pago em dinheiro, deverão ser excluídos do presente lançamento fiscal. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) no 449, de 03/12/2008, convertida na Lei no 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei no 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: Fl. 702DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Fl. 703DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000337/201089 Acórdão n.º 240202.368 S2C4T2 Fl. 10 19 II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo art. 35 da Lei nº 8.212/1991, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Alguns sustentam a aplicação quando, embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977): “[...] De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da Fl. 704DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 obrigação tributária. Alguns autores dissentem dessa conclusão, afirmando que tal função criadora deve ser atribuída ao lançamento. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória [...]”. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei no 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei no 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 (acrescentado pela Lei nº 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, Fl. 705DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000337/201089 Acórdão n.º 240202.368 S2C4T2 Fl. 11 21 em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Lei nº 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Ainda deixo consignado que não há sentido em se aplicar a retroatividade benéfica do art. 106, II, alínea “c”, do CTN, pois haveria cisão ou combinação de preceitos legais na aplicação da multa de mora, conduta esta não aceitável no arcabouço jurídico vigente. Dessa forma, entendo que para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei nº 8.212/1991) e não a multa de ofício fixada no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que: (i) sejam excluídos, em sua totalidade, os valores das contribuições sociais apuradas incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados a título de valetransporte pago em dinheiro; e (ii) com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/1991, vigente à época dos fatos geradores. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11444.000383/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 31/12/2005 a 30/11/2006
MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do
CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.316
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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CONFISCO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTARIA Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. SELIC. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. Nos termos da Súmula n°. 04 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Jhonatas Ribeiro da Silva, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado Fl. 90DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por J E G M ZIMMER REFEIÇÕES LTDA, em face de acórdão que manteve a integralidade do lançamento efetuado por meio do Auto de Infração (assuntos previdenciários) 37.106.1040, no qual foram apuradas contribuições previdenciárias parte da empresa, destinadas a terceiros (SALÁRIO EDUCAÇÃO, SESC, SENAC, SEBRAE E INCRA) incidentes sobre as remunerações pagas a segurados empregados e constantes das folhas de salário analisadas. O lançamento compreende os pagamentos efetuados em 13/2005 e 03/2006 a 11/2006, tendo sido o contribuinte cientificado do AI em 13/06/2008. (fls. 01) e a multa de mora foi aplicada no patamar de 15%. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância (fls. 59/65), por meio do qual a DRJ manteve a integralidade do lançamento efetuado, o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls.68/87, através do qual sustenta: 1. que apesar de restar consignado no acórdão de primeira instância que o recorrente deixou de impugnar o lançamento das contribuições objeto do presente auto de infração, apenas insurgindose contra a multa aplicada, sua impugnação foi nominada como DEFESA TOTAL, de modo que devese, portanto, considerarse nulo o AI aplicado; 2. a ilegalidade da cobrança de juros como base na taxa SELIC; 3. inconstitucionalidade da multa moratória diante de seu caráter confiscatório. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000383/200889 Acórdão n.º 2402002.316 S2C4T2 Fl. 91 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito do recurso. MÉRITO Inicialmente, cumpre asseverar que não merece quaisquer reparos a assertiva contida o v. acórdão recorrido no sentido de que o contribuinte deixou de impugnar expressamente o lançamento efetuado em sua totalidade. O que se percebe é que este apenas atacou critérios periféricos ao lançamento e, portanto, deixou de impugnar o acerto do lançamento das contribuições lançadas no Auto de Infração, motivo pelo qual entendo que mereça ser mantido o entendimento acerca da preclusão, que fora reconhecida pelo julgamento em primeira instância. Ademais, tenho que a irresignação para o afastamento da multa moratória sob a argumentação de caracterizarse como confiscatória não pode ser analisada por este Eg. Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Ademais, a insurgência acerca da aplicação da taxa SELIC também não merece amparo. A sua aplicação, enquanto juros moratórios e multa aplicadas sobre as contribuições objeto do lançamento, foi efetivada com supedâneo em previsão legal consubstanciada no art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito: Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo reestabelecido, com nova redação Fl. 92DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Tal discussão, inclusive, já tendo sido objeto de várias deliberações neste Conselho, resultou no enunciado da Súmula n°. 04 do CARF, confirase: ”Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ” Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13864.000351/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006, 01/04/2008 a 30/09/2008
AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO. ESTABELECIDA NO CTN.
Avenças particulares não podem ser opostas ao Fisco com o escopo de afastar a responsabilidade tributária prevista em lei.
CISÃO PARCIAL.
A sociedade que sofreu cisão parcial não pode exigir que as contribuições em questão sejam cobradas da sociedade que absorveu parcela do seu patrimônio.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE/ISENÇÃO. FALTA DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS.
Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição da República Federativa do Brasil, faz-se
necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei no 8.212/1991.
A entidade também deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), renovado a cada três anos.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF
afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos
termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA.
OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso
II da Lei nº 8.212/1991).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.374
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PARCELA PATRONAL E SAT/GILRAT Recorrente GAPC GRUPO DE APOIO A PESSOA COM CÂNCER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006, 01/04/2008 a 30/09/2008 AFERIÇÃO INDIRETA. PREVISÃO LEGAL. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Fiscalização da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO TRIBUTO. ESTABELECIDA NO CTN. Avenças particulares não podem ser opostas ao Fisco com o escopo de afastar a responsabilidade tributária prevista em lei. CISÃO PARCIAL. A sociedade que sofreu cisão parcial não pode exigir que as contribuições em questão sejam cobradas da sociedade que absorveu parcela do seu patrimônio. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE/ISENÇÃO. FALTA DO CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESCUMPRIMENTO DAS EXIGÊNCIAS LEGAIS. Para se gozar da imunidade prevista no art. 195, § 7o, da Constituição da República Federativa do Brasil, fazse necessário o atendimento de todos os requisitos previstos no art. 55 da Lei no 8.212/1991. A entidade também deverá ser portadora do Certificado e do Registro de Entidades de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), renovado a cada três anos. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei nº 8.212/1991). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para redução da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ewan Teles Aguiar. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000351/201082 Acórdão n.º 240202.374 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à contribuição previdenciária patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), para as competências 01/2006 a 12/2006 e 04/2008 a 09/2008. O Relatório Fiscal (fls. 52/59) informa que, relativamente ao ano de 2006, as remunerações dos segurados foram apuradas com base nas Relações Anuais de Informações Sociais (RAIS), por aferição indireta, nos termos dos §§ 3o e 6o do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991, porque a empresa deixou de apresentar qualquer folha de pagamento ou livro diário. Para o ano de 2008, o arbitramento das contribuições foi realizado com base nos valores pagos a pessoas físicas sem vínculo empregatício constantes nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), com fundamento na mesma legislação invocada no parágrafo anterior. Os valores das contribuições sociais apuradas foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. Levantamentos B0 e B1 "Aferição indireta pela RAIS"à embora intimado, o contribuinte não apresentou qualquer folha de pagamentos, ou qualquer livrodiário, referente ao ano de 2006. Tais fatos implicaram a necessidade da fiscalização promover o lançamento de ofício, por meio do arbitramento das contribuições, devidas, com base na aferição indireta das bases de cálculo; 2. Levantamento E0 "Contribuintes Individuais – Aferição Indireta pela DIRF"à embora intimado, o contribuinte não apresentou qualquer livrodiário, referente ao ano de 2008. Tais fatos implicaram a necessidade da fiscalização promover o lançamento de ofício, por meio do arbitramento das contribuições, devidas, com base na aferição indireta das bases de cálculo. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 23/09/2010 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 193/238), alegando, em síntese, que: 1. todos os documentos requisitados pela Fiscalização foram apresentados, com exceção daqueles que instruem o processo penal movido contra exdirigentes da impugnante; Fl. 361DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 2. goza da imunidade prevista na alínea "c" do inciso VI do artigo 150 e do § 7o do artigo 195, ambos da Constituição Federal, regulamentados pelo artigo 14 do CTN, não havendo incidência das contribuições patronais; 3. por força de decisão judicial transitada em julgado, as responsabilidades trabalhistas e tributárias da impugnante ficam adstritas aos estabelecimentos localizados nas cidades de Taubaté, São José dos Campos, Mogi das Cruzes, Volta Redonda e Vitória, devendo ser revista a extensão da autuação; 4. destaca que eventual inadimplemento se deveu a dificuldades financeiras decorrentes de dívidas deixadas pela administração anterior. Teve que optar entre o pagamento a seus funcionários e o recolhimentos dos tributos, o que afasta a ocorrência de dolo; 5. requer que seja realizada diligência fiscal junto à 2a Vara Criminal de Curitiba (Processo n° 2006.00135551) a fim de que se analisem os documentos referentes ao ano de 2006. Informa que o pedido formulado para a liberação dos documentos não foi respondido pelo juiz. Caso não sejam aceitos seus argumentos, requer a realização de perícia técnica com a finalidade de apuração das informações necessárias para o parâmetro de apuração da multa, visando a resposta dos seguintes quesitos: (i) a documentação física com todas as informações solicitadas pela fiscalização está existe e está disponível? Em qual local? (ii) existe movimento de receitas devidamente escriturado? Em qual livro? Em qual local? (iii) em caso de omissões ou erros nos livros contábeis, é possível apurarse as respectivas informações em documentos e registros físicos ou digitais? Em qual local? (iv) é apurável a receita e informações do contribuinte, exigidas pela fiscalização? De que forma? e (v) restam atendidos os requisitos para fruição da imunidade constitucional condicionada (art. 105, VI, "c", 195, § 7o da CF88 c/c art.14 do CTN). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão no 0532.711 da 7a Turma da DRJ/CPS (fls. 245/251) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que ocorreu a retificação do valor do crédito exigido na exata medida dos valores recolhidos e direcionados ao documento "CP P9.467.0800", cuja existência era duvidosa. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação (fls. 289/325, Volume II). A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Taubaté/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fl. 328). É o relatório. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000351/201082 Acórdão n.º 240202.374 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega revisão, cancelamento ou suspensão da punição, por ter apresentado todas informações possíveis, não incorrendo em negativa de cumprir qualquer determinação feita pelo Fisco, não sendo cabível o arbitramento milionário efetuado. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício, com a utilização da base de cálculo decorrente de aferição indireta. Esta decorre de um ato necessário e devidamente motivado, conforme registro no Relatório Fiscal – itens “II.2” e “II.3” (fls. 52/59 – Volume I) –, visto que a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente. Essa demonstração da recusa de apresentação de documentos ou informações, ou a sua apresentação deficiente, ficou assentada no Relatório Fiscal nos seguintes termos (fls. 54/57): “[...] II.2. Levantamentos B0 e B1 "Aferição indireta pela RAIS. II.2.2. Apuração das contribuições por aferição indireta, com base na RAIS – Relação Anual de Informações Sociais. II.2.2.1. Embora intimado, o contribuinte não apresentou qualquer folha de , . pagamentos, ou qualquer livrodiário, referente ao ano de 2006. Tais fatos implicaram a necessidade da fiscalização promover o lançamento de ofício, por meio do arbitramento das contribuições, devidas, com base na aferição indireta das bases de cálculo. O lançamento de ofício das contribuições devidas e a aferição indireta face à sonegação de informações, inclusive de sua escrituração contábil regular são procedimentos previstos na Lei 8.212, de 24/07/1991, Art. 33, §3° e §6°. II.2.2.2. Método de apuração: Através dos valores de remuneração declarados pelo contribuinte, na RAIS Relação Anual de Informações Sociais; descontados os valores informados nas GFIPs, apresentadas antes do início da ação. A Tabela 2 demonstra o cálculo dos valores apurados. (...) II.3. Levantamento E0 "Contribuintes Individuais – Aferição Indireta pela DIRF" Fl. 363DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II.3.2. Apuração das contribuições por aferição indireta, com base na DIRF – Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. II.3.2.1. Embora intimado, o contribuinte não apresentou qualquer livrodiário, referente ao ano de 2008. Tal fato implicou a necessidade da fiscalização promover o lançamento de ofício, por meio do arbitramento das contribuições devidas, com base na aferição indireta das bases de cálculo. O lançamento de ofício das contribuições devidas e a aferição indireta – face à sonegação de informações, inclusive de sua escrituração contábil regular – são procedimentos previstos na Lei 8.212, de 24/07/1991, Art. 33, §3° e §6°. II.3.2.2: Método de apuração: Através dos valores de pagamentos, às pessoas físicas sem vínculos empregatícios, declarados, pelo contribuinte, na DIRF .Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte; excluídos os valores informados em GFIP e os que já foram incluídos em outros levantamentos em outros autos de infração, para o mesmo segurado, na mestria competência. A Tabela 3 traz as bases de cálculo apuradas. [...]” Nesses itens “II.2” e “II.3”, com seus subitens, constatase que é incontroverso que os documentos em questão não foram apresentados à Fiscalização ou sua apresentação foi deficiente, a teor do contido nos §§ 1°, 3° e 5° do art. 33 da Lei n° 8.212/1991. Isso ensejou a lavratura do Auto de Infração n° 37.298.7613 (processo 13864.000335/2010 90) pelo descumprimento de obrigação tributária acessória, bem como o Auto de Infração 37.298.7605, em decorrência da não apresentação de livros diários, apresentação de livros diários sem registro e não apresentação de folhas de pagamentos. Logo, a contribuição social previdenciária apurada pela técnica de aferição indireta é adequada, razoável e proporcional, não merecendo ser reformada. Além disso, a Recorrente não apresentou qualquer elemento probatório de que suas alegações sejam verdadeiras. Assim, o lançamento fiscal ora analisado está amparado no art. 33, § 3°, da Lei no 8.212/1991 e no art. 148 do CTN, encontrandose lavrado dentro da legalidade. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. ......................................................................................................... Lei no 8.212/1991: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas Fl. 364DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000351/201082 Acórdão n.º 240202.374 S2C4T2 Fl. 4 7 à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g.n.) Portanto, o procedimento de aferição indireta utilizado pela auditoria fiscal, para a apuração da contribuição previdenciária, foi corretamente aplicado, pois a auditoria fiscal demonstrou que ocorreu recusa ou sonegação de documentos ou informações, ou sua apresentação foi deficiente, podendo o Fisco inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. A Recorrente solicita que seja realizada diligência perante a 2a Vara Criminal de Curitiba (PROCESSO 2006.00135551) a fim de obterse a verificação dos documentos referentes ao ano objeto da suspensão, devendo ser levado em conta que o pedido para liberação dos documentos, realizado pelo contribuinte, que restou sem resposta pelo Juízo. Tal solicitação é impertinente à questão instaurada no presente processo, eis que os elementos probatórios constantes dos autos noticiam que não há documentos apreendidos que possam influenciar no presente julgamento. Ademais, a simples alegação de que os documentos relativos ao ano de 2006 teriam sido apreendidos pelo Poder Judiciário é inoportuna ao presente lançamento fiscal, eis que a Recorrente não comprovou efetivamente que os documentos não apresentados foram apreendidos pela Justiça Criminal. Logo, a alegação da Recorrente ora examinada é genérica, inoportuna e impertinente ao presente processo, com isso não será acatada. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 A Recorrente alega que existe decisão judicial transitada em julgado que determinou que a sua responsabilidade fiscal ficaria restrita apenas as unidades ativas localizadas nas cidades de Taubaté, São José dos Campos, Mogi das Cruzes, Volta Redonda e Vitória. Tal alegação não será acatada, eis que o contexto fático, corroborado com os elementos probatórios juntados aos autos, demonstra que a relação empregatícia estava estabelecida entre a Recorrente e os segurados que serviram de base para apuração dos valores lançados no presente processo. Por outro lado, a homologação judicial não possui os efeitos pretendidos pela Recorrente, eis que se trata de uma decisão proferida com o objetivo de extinguir o processo e vincular as partes ao que foi acordado. Não podendo ser oponível a terceiros que não integraram a relação processual. O que torna obrigatória a transação efetuada não é a homologação judicial, mas o acordo de vontades. Esse entendimento é extraído da doutrina balizada de MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES (Direito Processual Civil Esquematizado. São Paulo : Saraiva, 2011, pág. 435) que registrou: “(...) A sentença é proferida apenas para extinguir o processo, mas não é ela que confere obrigatoriedade ao acordo”. Por isso, os efeitos da sentença homologatória decorrem do negócio jurídico homologado, sendo que o objeto da decisão é a transação, o negócio celebrado entre os litigantes. Como a transação é negócio jurídico civil, a sentença homologatória não opera os seus efeitos para terceiros. Com isso, o que se deve observar é os efeitos da coisa julgada e sua repercussão perante terceiros. No processo individual, é necessário lembrar que a coisa julgada produz efeitos inter parte (artigos 468 e 472 do Código de Processo Civil). Esta é a regra no processo individual: a coisa julgada funciona para as partes e se dá independente se ocorreu em razão da falta de provas ou não, impedindo a pretensão de outra ação individual. Código de Processo Civil (CPC): Art. 468. A sentença, que julgar total ou imparcialmente a lide, tem força de lei nos limite da lide e das questões decididas. (...) Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. No âmbito tributário, tem regra específica que dispõe sobre a inoponibilidade das convenções privadas contra a entidade lançadora do tributo, nos termos do art.123 do CTN. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Percebese, então, que o acordo homologado judicialmente somente possui efeitos entre as partes, não podendo o Fisco ser compelido a respeitar os seus termos. Assim, a Fl. 366DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000351/201082 Acórdão n.º 240202.374 S2C4T2 Fl. 5 9 Recorrente é diretamente responsável, perante o Fisco, pelo pagamento dos tributos relativos aos segurados obrigatórios do RGPS que lhe prestaram serviços. Ressaltase que o CTN não dispõe sobre a cisão parcial em seu artigo 132, in verbis: Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Diante disso, entendo que o acordo homologado judicialmente não tem o condão de transferir a responsabilidade pelo pagamento dos tributos, pois os segurados prestaram serviços a Recorrente, sendo esta que deve recolher os tributos devidos. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal com seus anexos (fls. 01/238) contém de forma clara os elementos necessários para a sua configuração. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial. Dessa forma, a realização de prova pericial, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972) estabelecem: Fl. 367DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 – na redação dada pela Lei n° 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Quanto à questão da discussão acerca da imunidade, prevista no art. 195, § 7°, da Constituição Federal, esclarecemos que essa questão suscitada pela Recorrente tem por finalidade embasar a tese de inaplicabilidade do art. 55 da Lei n° 8.212/1991, com o argumento de que a “imunidade” só poderia ser regulamentada via legislação complementar, nos termos do art. 146, inciso II, da Constituição Federal. Segundo a Recorrente, isso levaria a nulidade do lançamento fiscal, já que os dispositivos da Lei n° 8.212/1991 que tratam de isenção são inconstitucionais. Observase que o texto constitucional remeteu à lei o estabelecimento das condições necessárias para a obtenção da imunidade/isenção de contribuições sociais pelas entidades consideradas de assistência social. O art. 55 da Lei 8.212/1991 veio regulamentar a matéria, estabelecendo os diversos requisitos a serem cumpridos pelas entidades consideradas de assistência social, a fim de obterem isenção da cota patronal, dispondo, em seu inciso II, a obrigatoriedade que seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. É importante frisar que, no ordenamento jurídico, há a imposição de certos requisitos para que uma entidade venha gozar de isenção das contribuições previdenciárias, o que não logrou a empresa Recorrente comprovar. De sorte que, no caso dos autos, ao contrário do que entendeu a Recorrente, a imunidade não depende apenas a empresa ser titulada no Estatuto Social como entidade beneficente, conforme posto na peça recursal, mas do atendimento de todos os requisitos estabelecidos na Lei 8.212/1991, para usufruir a isenção aqui tratada. Assim, para fazer jus ao aludido benefício é imposta à entidade a obrigação de atender, cumulativamente, ao disposto no art. 55 da Lei no 8.212/1991, in verbis: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: Fl. 368DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000351/201082 Acórdão n.º 240202.374 S2C4T2 Fl. 6 11 I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n.) III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. § 3° Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. § 5° Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. Do dispositivo transcrito, verificamos que o Certificado e o Registro fornecido pelo CNAS são apenas um dos requisitos para que se possa gozar da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias. Conforme demonstrado nos autos (Relatório Fiscal de fls. 52/59 e peças de defesa de fls. 193/238 e fls. 289/325, dentre outros elementos examinados), a Recorrente não comprovou possuir Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período objeto do lançamento fiscal. Isso constitui um dos pontos basilares para o reconhecimento da imunidade pretendida. Assim, para fins de imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal/1988, ficou demonstrado que a Recorrente não se enquadra como entidade beneficente de assistencial social. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Ademais, a Recorrente, para o período submetido ao procedimento de auditoria fiscal, enquadrouse como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Publico (OSIP). Com isso, como não há nos autos a comprovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, ou até mesmo de têlo efetuado solicitação pela Recorrente, é de se considerar inexistente o direito aludido para as competências dos valores lançados no presente processo. No que diz respeito à alegação de que a Lei nº 8.212/1991 é inconstitucional para regulamentar dispositivos constitucionais, vale esclarecer que a própria Constituição Federal, não deixa dúvida a propósito da discussão sobre inconstitucionalidade, que deve ser debatida na esfera do Poder Judiciário, conforme disposto no seu artigo 102, in verbis: Art. 102. compete ao supremo tribunal federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de Lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de Lei ou ato normativo federal; (...) Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, as exigências estabelecidas pelo art. 55 da Lei n° 8.212/1991, que trata especificamente da isenção de contribuições previdenciárias, não permitem a aplicação do art. 14 do CTN e devem ser atendidas de forma cumulativa para fins de concessão deste beneficio. Como a Recorrente não comprovou o cumprimento dos requisitos previstos no art. 55 da Lei n° 8.212/1991 – não é portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, dentre outros –, não pode estar amparado pela “isenção/imunidade”, devendo pois recolher as contribuições inadimplidas e lançadas no presente processo. Dessa forma, não há como se acolher a pretensão da Recorrente, para reconhecer sua imunidade relativamente às contribuições à Seguridade Social, pois estando o artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 em perfeita consonância com as disposições constitucionais, e considerando que as exigências ali contidas não foram observadas, fica a empresa obrigada ao recolhimento das contribuições a seu cargo, previstas no artigo 22 da mesma lei, bem como, ao recolhimento das contribuições devidas pelos segurados empregados a seu serviço, nos termos Fl. 370DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000351/201082 Acórdão n.º 240202.374 S2C4T2 Fl. 7 13 do artigo 30, da referida lei e, de igual modo, efetuar o recolhimento das contribuições devidas às Entidades e Fundos (chamados de Terceiros). Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) no 449, de 03/12/2008, convertida na Lei no 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei no 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei nº 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. De fato, a fixação da multa de ofício independe do tempo de atraso no pagamento do tributo. Para fatos geradores ocorridos a 5 anos ou no anobase anterior, por exemplo, não significa que no lançamento relativo ao mais antigo a multa de ofício seja maior. Levarseão em consideração outros fatores, como: fraude, omissão de informações ou se apenas faltou a espontaneidade para o pagamento. Fatores esses que não influenciam a fixação da multa de mora no âmbito das contribuições previdenciárias. Na Previdência Social, essas condutas do sujeito passivo são consideradas infrações por descumprimento de obrigações acessórias e, portanto, ensejam lavratura de auto de infração, cuja multa não tem nenhuma relação com a multa de mora que, pelo art. 35 da Lei nº 8.212/1991, é fixada em percentuais progressivos, considerando o tempo em atraso para o pagamento e a fase do contencioso administrativo fiscal em que realizado: prazo de defesa, após o prazo para a defesa e antes do recurso, após recurso e antes de 15 dias da ciência da decisão e após esse prazo. Portanto, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Alguns sustentam a aplicação quando, embora tenham os fatos geradores ocorrido antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. E aí consulto as Normas Gerais de Direito Tributário. Preceitua o CTN que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Fl. 372DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 13864.000351/201082 Acórdão n.º 240202.374 S2C4T2 Fl. 8 15 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. É a afirmação legislativa da natureza declaratória do lançamento, já predominante na doutrina desde a edição das obras de Direito Tributário do saudoso mestre Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amilcar de Araújo. Fato Gerador da Obrigação Tributária. 4. ed. Anotada e atualizada por Geraldo Ataliba. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1977): “[...] De logo convém recordar que não é manso e tranqüilo o entendimento que exprimimos quanto à função do fato gerador como pressuposto e ponto de partida da obrigação tributária. Contestam estes que o lançamento tenha, como à maioria da doutrina e a nós parece ter, natureza declaratória [...]”. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei no 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei no 8.212/1991, com a redação dada pela Lei no 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei nº 8.212/1991, acrescentados pela Lei nº 11.941/2009. Lei nº 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) Fl. 373DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 (acrescentado pela Lei nº 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Lei nº 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Ainda deixo consignado que não há sentido em se aplicar a retroatividade benéfica do art. 106, II, alínea “c”, do CTN, pois haveria cisão ou combinação de preceitos legais na aplicação da multa de mora, conduta esta não aceitável no arcabouço jurídico vigente. Dessa forma, entendo que para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei nº 8.212/1991) e não a multa de ofício fixada no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei n° 8.212/1991, vigente à época dos fatos geradores. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/02/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 28/02/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 16004.720130/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Dec 30 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2009
OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO
Deve ser arbitrado o lucro na forma da legislação de regência quando o sujeito passivo, devidamente intimado várias vezes para comprovar movimentação bancária e comprovar lançamentos contábeis, não atende à exigência fiscal e nem demonstra na impugnação ou no recurso voluntário por meio de provas, que não existiu a alegada omissão de receita, limitando a um extenso rol de alegações genéricas e incabíveis.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2009
MULTA DE OFÍCIO E QUALIFICADA
Nos termos da súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-006.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleucio Santos Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: CLEUCIO SANTOS NUNES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO Deve ser arbitrado o lucro na forma da legislação de regência quando o sujeito passivo, devidamente intimado várias vezes para comprovar movimentação bancária e comprovar lançamentos contábeis, não atende à exigência fiscal e nem demonstra na impugnação ou no recurso voluntário por meio de provas, que não existiu a alegada omissão de receita, limitando a um extenso rol de alegações genéricas e incabíveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO E QUALIFICADA Nos termos da súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-22T20:59:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-12-22T20:59:13Z; Last-Modified: 2021-12-22T20:59:13Z; dcterms:modified: 2021-12-22T20:59:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-22T20:59:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-22T20:59:13Z; meta:save-date: 2021-12-22T20:59:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-22T20:59:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-12-22T20:59:13Z; created: 2021-12-22T20:59:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2021-12-22T20:59:13Z; pdf:charsPerPage: 1868; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-22T20:59:13Z | Conteúdo => S1-C 3T2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16004.720130/2013-95 Recurso Voluntário Acórdão nº 1302-006.067 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2021 Recorrente UNIFLAVORS - INGREDIENTES ALIMENTICIOS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO ARBITRADO. CABIMENTO Deve ser arbitrado o lucro na forma da legislação de regência quando o sujeito passivo, devidamente intimado várias vezes para comprovar movimentação bancária e comprovar lançamentos contábeis, não atende à exigência fiscal e nem demonstra na impugnação ou no recurso voluntário por meio de provas, que não existiu a alegada omissão de receita, limitando a um extenso rol de alegações genéricas e incabíveis. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO E QUALIFICADA Nos termos da súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 30 /2 01 3- 95 Fl. 1435DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-006.067 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.720130/2013-95 Relatório Trate-se de recurso voluntário interposto contra decisão da 1ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente impugnação apresentada pela contribuinte identificada acima. Em resumo, o caso versa sobre auto de infração que constituiu crédito tributário de IRPJ, CSLL e contribuições reflexas PIS/COFINS, no montante de R$ 1.427.812,12, incluídos multa e encargos, referente ao ano calendário 2009. De acordo com o Termo de Constatação de Infrações Fiscais (TCIF) de fls. 1276/1323, a empresa praticou infrações contra a legislação tributária, que resultaram no arbitramento do lucro, na forma do art. 47 da Lei 8.981, de 1995, imposição de multas de ofício e qualificada, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 e responsabilização solidária e pessoal dos sócios gerentes nos termos dos arts. 124, I e 135, III, ambos do CTN. Examinando-se os autos, verifica-se que a empresa foi intimada várias vezes para fornecer toda a escrituração contábil e extratos bancários de suas contas correntes, conforme documentos de fls. 12/14,274/278, 287/290,366/378, 371/378. Atendeu em parte às intimações, entregando documentação contábil e extratos bancários de algumas contas correntes. Auditada a contabilidade, verificou-se que a empresa não entregou todos os extratos de suas contas correntes, razão pela qual foi intimada a fazê-lo. Registre-se que a recorrente entregou a DIPJ e DCTF zeradas. Tendo em vista estes fatos, especialmente que a empresa entregou somente parte da movimentação bancária exigida, mesmo depois de diversas reintimações, acrescido da entrega das declarações citadas sem movimentação, foi requisitada aos bancos em que mantinha contas a totalidade de sua movimentação bancária. Com base nas informações prestadas pelo Banco do Brasil e nos extratos entregues pela própria recorrente, (fls. 15273 e 348359), a fiscalização intimou, pessoalmente, a empresa para: i) comprovar a origem de depósitos efetuados na conta corrente nº 24462, de que era titular na agência nº 4455 do Banco Bradesco; ii) apresentar notas fiscais de entrada e de saída de suas operações; iii) apresentar contrato de mútuo celebrado com ABENI – Agência Brasileira de Negócios Internacionais Ltda., empresa da qual os sócios gerentes da recorrente são também sócios; iv) refazer sua contabilidade, de modo a refletir a realidade dos negócios efetuados pela empresa (fls. 468/482). Conforme TCIF, a recorrente não comprovou de forma individualizada os depósitos bancários encontrados na citada conta corrente. Para a apuração dos valores dos créditos bancários, foram excluídas os valores sem interesse fiscal, tendo-se constatado depósitos de origem não comprovada e omissões na escrituração contábil que caracterizaram omissão de receitas (fls. 1300/1304). Também foram tidos como não comprovados, por não estarem corretamente escriturados, os registros contábeis relacionados a um contrato de mútuo mantido entre a recorrente e a empresa ABENI, mencionada acima. Igualmente, não foram escriturados corretamente valores supostamente pagos de adiantamentos para futuro aumento de capital da ABENI, conforme descrição às (fls. 1316/1318). Fl. 1436DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-006.067 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.720130/2013-95 Diante desses fatos, a autoridade lançadora entendeu ser necessário o arbitramento do lucro nos termos da legislação de regência. Da auditoria sobre a contabilidade da recorrente foram ainda detectadas as seguintes omissões de receitas: i) decorrentes de vendas de produtos de fabricação própria, apuradas com base nos livros de ICMS; ii) omissões de receitas referentes a revenda de mercadorias de terceiros; e iii) receitas decorrentes de atividade de exportação. Ainda em relação à auditoria sobre a contabilidade da empresa, a fiscalização concedeu o prazo de 45 dias para que a recorrente corrigisse as omissões e inexatidões verificadas na ECD. A recorrente não atendeu à intimação fiscal, o que motivou o lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória estatuída pelo art. 57, III, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Além da multa citada, foi aplicada multa de ofício de 75% e qualificada em 150%, nos termos do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e imputada responsabilidade solidária (CTN, art. 124, I) e pessoal dos sócios gerentes (CTN, art. 135, III), tendo em vista a entrega de DIPJ e DCTF zeradas, o que indicaria, além de violação da legislação tributária, inegável intuito de fraude e de sonegação fiscal, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Além disso, teria ficado comprovado o aproveitamento econômico dos sócios com a sonegação, na medida em que a empresa aumentou o seu potencial de lucro e pagava pró-labore aos sócios. Fundamenta a imposição das multas em diversos argumentos e jurisprudência administrativa. Diante desses fatos, foi lavrado o auto de infração de fls. 02/03, constituindo os créditos tributários citados no início do relatório. Devidamente intimados, tanto a contribuinte quanto os responsáveis, somente a empresa apresentou a impugnação de fls. 1334/1355. Em síntese, sustenta que a autuação seria nula por ter se baseado unicamente em indícios de omissão de receitas e que esta não ficou configurada, pois, para a caracterização desse fato, seria necessário acréscimo patrimonial, o que não teria sido comprovado pela fiscalização. No mais, rebateu a imposição das multas de ofício e qualificada, sustentando que os percentuais são desproporcionais e confiscatórios. Não juntou documentos para rebater os fatos alegados no TCIF. A DRJ manteve a autuação integralmente, conforme pode se verificar da ementa da decisão (fls. 1372/1386): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano- calendário: 2009 MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado na ausência de comprovação da origem dos depósitos bancários, por constituir-se de presunção legal de omissão de receitas, expressamente autorizada pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Fl. 1437DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-006.067 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.720130/2013-95 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa interpôs o recurso voluntário de fls. 1402/1424, repetindo, literalmente, os argumentos da impugnação. O processo foi inicialmente distribuído ao Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos e redistribuído para mim por sorteio em razão da renúncia ao mandado do referido Conselheiro. É o relatório Voto Conselheiro Cleucio Santos Nunes, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. A recorrente alega que a autuação seria nula porque a alegada omissão de receitas fundada em depósitos de origem não comprovada, baseou-se unicamente em indícios e que não teria a fiscalização comprovado o fato gerador do IRPJ e da CSLL, que dependem da prova de aquisição de renda, decorrente de acréscimo patrimonial. No entanto, não aponta nenhum vício no auto de infração, de modo que essa alegação se confunde com o mérito e, com ele será apreciada. Por essa razão rejeito a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, a recorrente se limitou a repetir, literalmente, os argumentos que desenvolveu em sua impugnação. Nestes casos, tem aplicação o disposto no art. 57, § 3º do RICARF, que prevê a possibilidade de o Relator, no CARF, adotar como seus os fundamentos da decisão recorrida. Assim, entendo ser o caso de acompanhar integralmente os fundamentos da decisão da DRJ que, aliás, analisou e decidiu muito bem a contenda nos seguintes termos: Argumentos contra o mérito dos lançamentos 32. Os argumentos empregados pela Uniflavors contra os autos de infração podem ser resumidos a dois, a saber: a) dado que nem toda quantia que circula pelas contas bancárias dos contribuintes caracterizam receita tributável, caberia à fiscalização demonstrar cabal e estritamente que os depósitos apurados no curso da ação fiscal atendem aos critérios materiais estabelecidos pelo art. 43 do CTN, não sendo cabível a exação baseada em mera presunção; b) existem fundamentos doutrinários, legislativos – DecretoLei n° 2.471, de 1988 –e jurisprudenciais – Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos e julgados do CARF – que impedem a constituição dos créditos tributários nos moldes em que foram lançados no caso concreto. 33. Não merecem prosperar os argumentos da impugnante. Fl. 1438DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-006.067 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.720130/2013-95 34. De acordo com a documentação que compõe os autos, a ação fiscal foi deflagrada em 15/03/2013, pelo Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 45, ocasião em que a contribuinte foi intimada, pela primeira vez, a apresentar livros e documentos societários, contábeis e fiscais, incluindo extratos bancários – Item 4 – referentes ao anocalendário de 2009. 35. Foi a inércia da contribuinte em atender integralmente as requisições da fiscalização que levou a autoridade lançadora a solicitar às instituições financeiras: Bradesco, HSBC, Nossa Caixa e Banco do Brasil, por meio de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), elementos que serviram para suplementar as informações parciais prestadas pela Uniflavors. 36. Após o início da ação fiscal, a contribuinte foi intimada noves vezes a prestar informações e fornecer livros e documentos, vide fls. 89, 1213, 274277, 287289, 366369, 371376, 379, 403404 e 468482, tendo deixado de atender satisfatoriamente às solicitações formuladas da autoridade fiscal e não respondendo as duas últimas intimações. 37. Registre-se que os lançamentos efetuados pela autoridade fiscal dependem apenas parcialmente da presunção legal de omissão de receitas – e somente uma fração desses foi obtida por meio de RMF. A tabela a seguir sintetiza os montantes apurados pela fiscalização. Saliente-se que a contribuinte apresentou a DIPJ e a DCTF relativas ao ano-calendário de 2009 com todos os valores de receita ou de débitos iguais zero (nihil). [...] 38. No que diz respeito aos valores dos depósitos bancários de origem não comprovada pela contribuinte, note-se que após as sucessivas intimações e reintimações malsucedidas não restava à autoridade fiscal outra alternativa senão proceder ao lançamento do IRPJ e reflexos, com base na presunção legal de omissão de receitas, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, nos seguintes termos: [...] 28. De imediato, importa deixar claro que, nessa forma de apuração, o que se tributa não são os depósitos bancários em si mesmos considerados, mas a omissão de receitas, que eles indicam. Trata-se de presunção legal juris tantum, que pode ser elidida, pela contribuinte bastando para tanto apresentar provas sobre a origem daqueles ingressos. No caso concreto, a sociedade empresária Uniflavors manteve-se inerte e nunca esclareceu essa questão, nem durante a ação fiscal, nem na peça impugnatória. 29. A presunção legal, portanto, autoriza, em circunstâncias como as retratadas no feito, que seja caracterizada a omissão de receita. De fato, é a própria Lei que estabelece os depósitos bancários de origem não comprovada como indicadores de receitas omitidas, e não, como pretende a impugnante, meros indícios de omissão. A presunção legal, que milita a favor do Fisco, nesses casos, transfere o ônus de afastar a imputação – mediante a comprovação da origem dos recursos – para o sujeito passivo. 39. Reitere-se que a materialização do fato gerador do imposto de renda – e reflexos – não decorre, no caso concreto, da mera constatação de depósitos bancários de origem não comprovada isoladamente considerados, mas igualmente do fato de que a autuada, se negou, durante toda ação fiscal, a prestar esclarecimentos sobre da origem dos montantes depositados. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato apurado – a contribuinte ser beneficiária de depósitos bancários de origem desconhecida – e o fato inferido – a existência de rendimentos. Tal correlação lastreia a presunção legal de que os dinheiros surgidos na conta bancária da pessoa jurídica, advêm de receitas ou rendimentos não declarados ao fisco. Fl. 1439DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-006.067 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.720130/2013-95 40. Afastada a objeção sobre a legalidade da inferência, importa analisar a jurisprudência trazida ao feito. Em primeiro lugar, importa destacar que a alegação fundada na Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, não leva em conta as profundas alterações legislativas posteriores que lhe retiraram eficácia, em particular, na matéria atinente às informações bancárias, como visto, a Lei n° 9.430, de 1996, autoriza expressamente a presunção de receitas com base na falta de comprovação da origem dos recursos bancários, situação inexistente no ordenamento a que a Súmula se vincula. 41. Tampouco se sustenta a tese de que é ilegítima a cobrança de tributos com base em depósitos bancários, de fato, a segunda instância administrativa vem sistematicamente mantendo lançamentos de IRPJ fundados em omissão de receitas por falta de comprovação da origem de depósitos bancários, a teor das seguintes recentes decisões: [...] 42. Analogamente, não merece acolhida a alegação de que os lançamentos são nulos em razão do disposto no art. 9º, VII, do Decreto-Lei n° 2.471, de 1988, antes mencionado, segundo o qual devem ser cancelados os débitos decorrentes do imposto de renda arbitrado com base em valores de extratos ou depósitos bancários, como visto, tal regra é incompatível com o comando do art. 42 da Lei n° 9.430/96, e sendo esta lei mais recente que o citado Decreto-Lei, prevalece sobre ele para eventos ocorridos em data posterior à sua publicação. É este também o entendimento adotado inclusive pelo Conselho de Contribuintes, conforme o demonstra os seguintes acórdãos: [...] Multas aplicadas 43. No que tange às multas aplicadas, a impugnante não distingue precisamente as razões que a levaram a atacar as multas propriamente ditas e a qualificação aplicada em alguns casos; limita-se a alegar que a imposição de sanções tributárias deve observar o princípio da proporcionalidade e, desse modo, no quesito da dosimetria da pena, como é pacífico no Direito, levar em conta a lesividade e a reprovabilidade da conduta efetivamente praticada. 44. Também neste ponto os argumentos da impugnante não merecem melhor sorte que os empunhados contra o mérito dos autos de infração. Registre-se em primeiro lugar que não é verdadeira a afirmação da impugnante de que o comportamento adotado pela sociedade empresária Uniflavors transcorreu: (...) dentro da esfera de normalidade que se espera de todo homem médio, não havendo que se falar em qualquer beneficio ilícito pessoal. 45. Deixando de lado a análise dos porcentuais propriamente ditos, cujos índices são definidos ex lege e não podem ser sopesados pela autoridade fiscal, passa-se à análise da qualificação das sanções. 46. Conforme restou comprovado nos autos, a impugnante apresentou declarações DIPJ e DCTF referentes ao ano-calendário de 2009 com valores todos iguais a zero, vide fls. 525/553 e 879/882, omitindo toda informação a respeito dos recursos vultosos que movimentou no período (superiores a R$ 8,5 milhões) e, em assim agindo, buscou escamotear do conhecimento do Fisco as operações por força das quais recebeu esses expressivos valores. A conduta da sociedade empresária Uniflavors não se limitou, repita-se, a ocultar uma fração de seus ingressos, mas de todas as quantias recebidas naquele ano-calendário. 47. Nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte Fl. 1440DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-006.067 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16004.720130/2013-95 da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. 48. No caso concreto, registre-se, a aplicação da multa qualificada não se relaciona com a aplicação da presunção legal de omissão de receita, que foi apenada com a multa de 75%, mas da discrepância entre os demais valores apurados e aqueles declarados em DCTF e DIPJ: zero, nihil. 49. Em face das tais circunstâncias, fica claro que andou bem a autoridade lançadora quando afastou qualquer veleidade de que a omissão de quantias milionárias das declarações da contribuinte pudesse decorrer de erro ou esquecimento. Ao contrário, restou claro que se tratou de estratégia deliberada de ocultação de receitas, com o propósito de reduzir encargos tributários. É correta, portanto, e deve ser mantida, a qualificação da multa de ofício prevista no art. 42, I, e §1, da Lei nº 9.430, de 1996. Diante do exposto, conheço do recurso e voto em rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento, mantendo-se integralmente a decisão recorrida. (documento assinado digitalmente) Cleucio Santos Nunes Fl. 1441DF CARF MF Documento nato-digital
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