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Numero do processo: 11128.003787/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 21 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2014 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. AUSÊNCIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA ADMINISTRATIVA. APLICABILIDADE É aplicável a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DL n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 126 Nos termos do enunciado da Súmula CARF n.º 126, com efeitos vinculantes para toda a Administração Tributária, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Numero da decisão: 3301-012.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida no recurso voluntário e, no mérito, negar provimento. (documento assinado digitalmente) Marco Antônio Marinho Nunes - Presidente (documento assinado digitalmente) Juciléia de Souza Lima - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, José Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Semíramis de Oliveira Duro, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Marco Antônio Marinho Nunes (Presidente) e Juciléia de Souza Lima (Relatora). Ausente a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, substituída pelo conselheiro Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA

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AUSÊNCIA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA ADMINISTRATIVA. APLICABILIDADE É aplicável a multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e prazo estabelecidos pela RFB, prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e" do DL n° 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833, de 2003. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 126 Nos termos do enunciado da Súmula CARF n.º 126, com efeitos vinculantes para toda a Administração Tributária, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida no recurso voluntário e, no mérito, negar provimento. (documento assinado digitalmente) Marco Antônio Marinho Nunes - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 37 87 /2 01 0- 21 Fl. 190DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-012.321 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.003787/2010-21 Juciléia de Souza Lima - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, José Adão Vitorino de Morais, Laércio Cruz Uliana Júnior, Semíramis de Oliveira Duro, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, Mateus Soares de Oliveira (suplente convocado), Marco Antônio Marinho Nunes (Presidente) e Juciléia de Souza Lima (Relatora). Ausente a conselheira Sabrina Coutinho Barbosa, substituída pelo conselheiro Mateus Soares de Oliveira. Relatório Trata-se de lavratura de auto de infração com base nos artigos 37,§ 2° e 107, IV “e” do Decreto-Lei n° 37/66 com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, e com a regulamentação da IN-SRF n° 28/94, cobrando multa R$ 5.000,00 (Cinco Mil Reais) por manifesto de carga. Intimada da lavratura do Auto de Infração, a Recorrente apresentou impugnação a qual mediante o Acórdão nº 12-102.467, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, considerou improcedente a defesa apresentada pela Recorrente. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário perante este Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais, em breve síntese, alegando que: i) Nulidade do acórdão por ausência de fundamentação legal; ii) Ausência de infração para aplicação da sanção; e iii) Requer a aplicação do instituto da denúncia espontânea. É o Relatório. Voto Conselheira Juciléia de Souza Lima, Relatora. Fl. 191DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-012.321 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.003787/2010-21 I- DA ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido. Ante a arguição de preliminares prejudiciais de mérito que, caso acolhidas, podem impedir o conhecimento das demais matérias aventadas no presente recurso, passo a apreciá-las. DAS PRELIMINARES 1.1- Da Concomitância Nos presentes autos, foi colacionado aos autos cópia do Agravo de Instrumento nº 0005763.26.2014.4.01.0000, vinculado ao processo principal nº 0065914.74.2013.4.01.3400 em trâmite perante a 22ª Vara Cível da Justiça Federal de Brasília/DF- da 1ª Região, proposta pela Centro Nacional de Navegação Transatlantica- CNNT. Primeiro, é incontroverso que a Recorrente pertence ao rol de associados da CNNT, a qual ingressou com a demanda coletiva- Ação Anulatória de lançamento de débito fiscal. Nessa situação, a associação, em ação plúrima, age em substituição processual para defesa de direito individual homogêneo- direito subjetivo individual aludido no inciso XXI do artigo 5º da Constituição Federal nos seguintes termos: “As entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente”. Entretanto, o fato de a Recorrente integrar a associação em comento, entendo que, por si só, não é passível de gerar concomitância entre a lide judicial e o objeto do presente processo administrativo dado que embora a lei processual confira às entidades de classe a faculdade de poderem representar os seus filiados na condição de substitutas processuais, no presente caso, a mera propositura da medida judicial não manifesta a sua concordância com a propositura daquela ação. Ainda, se no processo administrativo manifesta, expressamente, a Recorrente o seu interesse de agir- para socorrer a sua pretensão individual, tal manifestação consubstancia-se na melhor forma para optar pelo seu direito à continuidade da presente demanda e a afastar os possíveis efeitos de validade da medida judicial coletiva. Segundo, no que pese o presente caso tratar-se da eficácia subjetiva das sentenças proferidas nas ações propostas por entidade associativa, é mister registrar que, em sede de repercussão geral, o tema já foi objeto de análise no Supremo Tribunal Federal no RE 1.101.937/SP ao decidir que a eficácia subjetiva das ações coletivas não se restringe aos limites da competência territorial do órgão julgador, sendo aqui, indiferente, o foro da ação proposta pela Recorrente (Tema 1075/STF). Pois como é sabido, a associação postula a tutela de direitos individuais homogêneos (divisíveis, disponíveis, pertencentes a titulares determinados), daí, no tocante a extensão subjetiva da eficácia da sentença e respectiva coisa julgada, qualquer que seja o rótulo dado à ação pelo autor não é capaz de restringir-se aos limites da competência territorial do Fl. 192DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-012.321 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.003787/2010-21 órgão julgador em observância ao decidido, em sede de repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal no RE 1.101.937/SP (Tema 1075/STF). Por isso, reconheço por afastar a concomitância entre a lide judicial colacionada pela Recorrente e o objeto do presente processo administrativo. 1.2- Da nulidade do acordão recorrido Alega a Recorrente que o “decisum” é manifestamente nulo por ausência de motivação do julgador, em razão de incorreta e genérica descrição dos fatos. Entretanto, no meu entendimento, não existem erros no tocante à descrição dos fatos capazes de trazer prejuízos ao exercício de defesa da Recorrente. Primeiramente, o auto de infração foi lavrado por servidor competente, descrevendo claramente a infração imputada ao sujeito passivo- aqui Recorrente, arrolando todas as razões de fato e de direito que ensejaram a sua lavratura, atendendo fielmente as disposições do art. 10 do Decreto nº 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Por sua vez, o enquadramento legal da infração praticada pela Recorrente foi devidamente descrito: é o art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do art. 32 do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Logo, não há motivo para declarar nulo o auto de infração recorrido. Neste ponto recursal, deve ser rejeitada preliminar arguida. II- DO MÉRITO 2- Da infração, da aplicabilidade da multa A multa exigida deu-se em lavratura de auto de infração com base nos artigos 37,§ 2° e 107, IV “e” do Decreto-Lei n° 37/66 com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, e com a regulamentação da IN-SRF n° 28/94, cobrando multa R$ 5.000,00 (Cinco Mil Reais) por manifesto de carga com fundamento nas normas abaixo descritas com suas alterações: DECRETO-LEI Nº 37/66 Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) Fl. 193DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-012.321 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.003787/2010-21 IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta- a-porta, ou ao agente de carga; e Alega a Recorrente tratar-se de retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes, o que não configuraria prestação de informação fora do prazo nos termos da Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 2, de 04/02/2016. Vejamos. Em 02 de junho de 2010 foi protocolada nesta Eqvib, solicitação de desbloqueio do seguinte manifesto eletrônico no sistema CARGA: 1510500958364, pois este foi vinculado fora do prazo estabelecido em norma, fls. 18: Todavia, a atracação do navio deu-se em 22/05/2010, daí, evidencia-se que trata- se da prestação de informações a destempo, pois a Recorrente deixou não obedeceu o prazo de Fl. 194DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-012.321 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.003787/2010-21 48 horas de antecedência em relação à atracação do navio, violando o disposto no inciso II do artigo 22, d, da IN RFB Nº 800/2007 (fls. 17). Logo, não parece proceder o pleito da Recorrente para afastar o tipo infracional previsto na alínea "e" do inciso IV do Art. 107 do Decreto-Lei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo Art. 77 da Lei n.° 10.833, de 29 de dezembro de 2003 e regulamentada pelo Art. 728, inciso IV, alínea "e" do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009 (Regulamento Aduaneiro). Sendo assim, em razão da tipicidade da conduta, é cabível a infração prescrita no art. 107, IV, “e” do DL 37/66, aplicável àquele que deixa de prestar informação sobre carga ou sobre as operações que execute, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, à empresa de transporte internacional ou ao agente de carga. 2.1- Da Denúncia Espontânea- Súmula CARF nº 126 Também não há de prosperar o pleito quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea à infração, eis que tal benesse legal não se aplica em infrações decorrentes do descumprimento de prazo de obrigações acessórias conforme enunciado da Súmula CARF nº 126, abaixo transcrita, e, de observância obrigatória no âmbito deste julgamento: Fl. 195DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-012.321 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.003787/2010-21 Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Acórdãos Precedentes: 3102-001.988, de 22/08/2013; 3202-000.589, de 27/11/2012; 3402-001.821, de 27/06/2012; 3402-004.149, de 24/05/2017; 3801-004.834, de 27/01/2015; 3802- 000.570, de 05/07/2011; 3802-001.488, de 29/11/2012; 3802-001.643, de 28/02/2013; 3802-002.322, de 27/11/2013; 9303-003.551, de 26/04/2016; 9303-004.909, de 23/03/2017. A jurisprudência do CARF, portanto, está consolidada, conforme precedentes a seguir: “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 23/09/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF N.º 126. Nos termos do enunciado da Súmula CARF n.º 126, com efeitos vinculantes para toda a Administração Tributária, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.” (Processo nº 10711.006071/2009-08; Acórdão nº 9303-010.200; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 10/03/2020). “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 28/05/2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126. Em razão do disposto na súmula CARF nº 126, a denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (...)” (Processo nº 11968.000910/2009-27; Acórdão nº 3002-001.091; Relatora Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões; sessão de 10/03/2020) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO FORA DO PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF N. 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (...)” (Processo nº 11128.000893/2009-10; Acórdão nº 3201- Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-012.321 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.003787/2010-21 008.075; Relator Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles; sessão de 23/03/2021) Assim, maiores digressões sobre o tema são desnecessárias, razão pela qual nega- se provimento ao tópico recursal. III- DA CONCLUSÃO Ante todo exposto, voto por rejeitar a preliminar arguida no presente Recurso Voluntário, e, em seu mérito, negar-lhe provimento nos termos deste voto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Juciléia de Souza Lima Fl. 197DF CARF MF Original

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9732669 #
Numero do processo: 10872.720332/2016-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2012 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. Não havendo cerceamento ao direito de defesa e sendo o lançamento procedido por autoridade competente, atendendo aos requisitos legais, não há que se cogitar de nulidade. PROTESTO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVA E REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido genérico para produção posterior de provas, diligência e/ou perícia quando desnecessários para resolução da lide ou quando formulado em desacordo com o art. 16, IV, §4º, do Decreto nº 70.235/72. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4°do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. A diligência fiscal não se presta a substituir a parte na sua atividade de produção de prova quanto a fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do fisco, pois o ônus probatório é do sujeito passivo (CPC/2015, art. 373, II), de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal federal. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do protesto genérico de produção de provas e diligência/perícia técnico-contábil considerado desnecessário, prescindível ou formulado sem atendimento aos requisitos do art.16, IV e §4º, Decreto n° 70.235/72 LUCRO REAL. DEDUÇÕES DE RECEITAS. As deduções glosadas carecem de prova inequívoca, sem a qual mantêm-se as glosas. LUCRO REAL. RECEITAS OMITIDAS. As receitas tributáveis omitidas devem ser acrescidas na apuração do IRPJ e reflexos. IRPJ E CSLL DESPESAS DEDUTÍVEIS. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. GLOSA. Para as despesas incorridas pelo contribuinte serem dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL há que se comprovar o pagamento ou, na ausência deste, a despesa deve ser ao menos incorrida/reconhecida (regime de competência) e os gastos devem ser úteis ou necessários para a manutenção da empresa e relacionados ao seu objeto social. O dever de comprovar que a despesa é inexistente, indedutível ou a falsidade do documento que suportou o lançamento contábil é da fiscalização. Contudo, uma vez comprovada a indedutibildiade, o ônus para desconstruir a acusação fiscal passa a ser do contribuinte, que deve carrear aos autos documentos comprobatórios das suas alegações. Não o fazendo totalmente, impõe­se a manutenção parcial do lançamento fiscal. IRRF LANÇADO COMO REFLEXO DA GLOSA DE DESPESAS E SEM FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA PARA SUA EXIGÊNCIA. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. Não subsiste o lançamento do IRRF com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995 (art. 674 do RIR/99) quando a fiscalização se limita a questionar os requisitos para fins de dedutibilidade das despesas para apuração do IRPJ e da CSLL. São infrações autônomas e com requisitos específicos. PIS. COFINS. ADMINISTRADORAS DE BENEFÍCIOS. SUJEIÇÃO À CUMULATIVIDADE. IMPROCEDÊNCIA DA INFRAÇÃO. As administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Incabível o regime não -cumulativo aplicado pelos autos de infração do PIS e da Cofins, ano-calendário 2012, pois trata-se de uma administradora de benefícios (que se enquadra na categoria de operadora administradora de benefícios na área de gestão de planos de saúde e odontológicos), invocando a aplicação do entendimento da Solução de Consulta nº 116 - Cosit, de 31 de agosto de 2018. Infração improcedente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, que não sejam vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual servem apenas como reforço de argumentos. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais que não tenham efeitos erga omnes somente vinculam as partes da mesma. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO EVIDENTE. EXONERAÇÃO PARCIAL. Nas hipóteses do art. 124, I, e 135, III, do CTN, mantêm-se a responsabilidades solidária relativa à pessoa jurídica arrolada. No que tange às pessoas físicas, a existência de grupo econômico de fato irregular não me parece fato jurídico suficiente para, por si só, dar fundamento à atribuição de responsabilidade solidária aos sócios da fiscalizada com fulcro no artigo 124, I, do CTN. Para a aplicação do disposto no artigo 135, III, do CTN, seria necessário demonstrar os poderes de gestão dos indigitados sócios, bem como as condutas com infração à lei ou estatutos. Por fim, o disposto no artigo 124, II, do CTN, fundamentação utilizada pela fiscalização, também não se sustenta uma vez que não há uma norma legal que atribua aos sócios responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio-administrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. Assim, deve ser afastada a responsabilização solidária tão somente quanto às pessoas físicas arroladas. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada é aplicável nas hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. A fiscalização demonstrou de forma adequada que a contribuinte fraudou a escrituração comercial ao lançar a contrapartida da aquisição dos ativos do Instituto Prosperity a crédito da conta de Adiantamento a Clientes. Ora, o contexto demonstra que o Instituto Prosperity era interposta pessoa da fiscalizada e a operação de compra dos ativos em moeda corrente segundo a documentação juntada foi realmente disfarçada por meio de artifício fraudulento, qual seja, lançar a contrapartida a crédito de outra conta de ativo, que não representa disponibilidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
Numero da decisão: 1401-006.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) rejeitar o pedido de diligência, (ii) afastar a exigência de PIS e COFINS e (iii) manter a exigência relativa às infrações de omissão de receitas por saldo credor de caixa e estornos de receitas. Por maioria de votos, (i) afastar as glosas de despesas relativas às empresas AYA360 CONCEITOS EM PROJETOS IMOBILIÁRIOS LTDA. e AYASPA BEM ESTAR E COSMÉTICOS S.A., A6 SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EMPRESARIAL LTDA, ACCOUNT CONSULTORIA E CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA, AGR & ASSOCIADOS CONSULTORIA E MARKETING LTDA, BEGA SERVIÇOS LTDA, BRANCO E RODRIGUES ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA, CASULO INTERMEDIAÇÕES E EVENTOS LTDA, CENTRO MÉDICO GRANJA JULIETA S/S LTDA, ESSENCIAL AGENCIAMENTO DE PLANOS DE SAÚDE LTDA, GUIMAFRA SERVIÇOS LTDA, LEONARDO DE ASSUMPÇÃO DE VITA GRÁFICA – ME, RANTONIOLI ASSESSORIA ANGARIAÇÕES E NEGÓCIOS, ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA SECPLAN; vencidos os Conselheiros Nelso Kichel, que votou pela manutenção de todas as glosas e os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira (relator) e Claudio de Andrade Camerano, que afastavam tão somente as glosas relativas às empresas AYA360 CONCEITOS EM PROJETOS IMOBILIÁRIOS LTDA. e AYASPA BEM ESTAR E COSMÉTICOS S.A.; (ii) afastar o lançamento do IRRF sobre pagamento sem causa; vencidos os Conselheiros Nelso Kichel, que votou pela manutenção integral da exigência e os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votavam pela exoneração da exigência tão somente em relação aos pagamentos efetuados aos prestadores de serviço cuja glosa de despesas fora afastada; (iii) negar provimento ao recurso no tocante à infração de omissão de receitas por conta da interposição fraudulenta. Vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e André Severo Chaves que lhe davam provimento parcial para reduzir a base de cálculo nos termos do voto do Relator; (iv) manter a multa qualificada em relação às infrações de omissão de receitas por conta da interposição de pessoas e de saldo credor de caixa. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que mantinha a multa qualificada tão somente em relação à infração de omissão de receitas por interposição de pessoas; (v) manter a sujeição passiva solidária de INSTITUTO BRASILEIRO DE BENEFÍCIOS PARA COOPERATIVAS E ASSOCIAÇÕES – INSTITUTO PROSPERITY em relação às infrações de omissão de receitas por saldo credor de caixa e interpostas pessoas e afastar a responsabilidade solidária dos Srs. CLAUDIO JORGE POVOA SANTOS, FERNANDO ANTON BASUS BISPO e FERNANDO SOUZA BISPO. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que mantinha a sujeição passiva solidária de todos os imputados tão somente em relação à infração de omissão de receitas por interpostas pessoas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Itamar Artur Magalhães Alves Ruga não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro Nelso Kichel na reunião de fevereiro de 2020. Designado redator ad hoc o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira – Redator ad hoc (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Nelso Kichel, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL

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A diligência fiscal não se presta a substituir a parte na sua atividade de produção de prova quanto a fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do fisco, pois o ônus probatório é do sujeito passivo (CPC/2015, art. 373, II), de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal federal. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do protesto genérico de produção de provas e diligência/perícia técnico-contábil considerado desnecessário, prescindível ou formulado sem atendimento aos requisitos do art.16, IV e §4º, Decreto n° 70.235/72 LUCRO REAL. DEDUÇÕES DE RECEITAS. As deduções glosadas carecem de prova inequívoca, sem a qual mantêm-se as glosas. LUCRO REAL. RECEITAS OMITIDAS. As receitas tributáveis omitidas devem ser acrescidas na apuração do IRPJ e reflexos. IRPJ E CSLL DESPESAS DEDUTÍVEIS. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. GLOSA. Para as despesas incorridas pelo contribuinte serem dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL há que se comprovar o pagamento ou, na ausência deste, a despesa deve ser ao menos incorrida/reconhecida (regime de competência) e os gastos devem ser úteis ou necessários para a manutenção da empresa e relacionados ao seu objeto social. O dever de comprovar que a despesa é inexistente, indedutível ou a falsidade do documento que suportou o lançamento contábil é da fiscalização. Contudo, uma vez comprovada a indedutibildiade, o ônus para desconstruir a acusação fiscal passa a ser do contribuinte, que deve carrear aos autos documentos comprobatórios das suas alegações. Não o fazendo totalmente, impõe­se a manutenção parcial do lançamento fiscal. IRRF LANÇADO COMO REFLEXO DA GLOSA DE DESPESAS E SEM FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA PARA SUA EXIGÊNCIA. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. Não subsiste o lançamento do IRRF com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995 (art. 674 do RIR/99) quando a fiscalização se limita a questionar os requisitos para fins de dedutibilidade das despesas para apuração do IRPJ e da CSLL. São infrações autônomas e com requisitos específicos. PIS. COFINS. ADMINISTRADORAS DE BENEFÍCIOS. SUJEIÇÃO À CUMULATIVIDADE. IMPROCEDÊNCIA DA INFRAÇÃO. As administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Incabível o regime não -cumulativo aplicado pelos autos de infração do PIS e da Cofins, ano-calendário 2012, pois trata-se de uma administradora de benefícios (que se enquadra na categoria de operadora administradora de benefícios na área de gestão de planos de saúde e odontológicos), invocando a aplicação do entendimento da Solução de Consulta nº 116 - Cosit, de 31 de agosto de 2018. Infração improcedente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, que não sejam vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual servem apenas como reforço de argumentos. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais que não tenham efeitos erga omnes somente vinculam as partes da mesma. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO EVIDENTE. EXONERAÇÃO PARCIAL. Nas hipóteses do art. 124, I, e 135, III, do CTN, mantêm-se a responsabilidades solidária relativa à pessoa jurídica arrolada. No que tange às pessoas físicas, a existência de grupo econômico de fato irregular não me parece fato jurídico suficiente para, por si só, dar fundamento à atribuição de responsabilidade solidária aos sócios da fiscalizada com fulcro no artigo 124, I, do CTN. Para a aplicação do disposto no artigo 135, III, do CTN, seria necessário demonstrar os poderes de gestão dos indigitados sócios, bem como as condutas com infração à lei ou estatutos. Por fim, o disposto no artigo 124, II, do CTN, fundamentação utilizada pela fiscalização, também não se sustenta uma vez que não há uma norma legal que atribua aos sócios responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio-administrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. Assim, deve ser afastada a responsabilização solidária tão somente quanto às pessoas físicas arroladas. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada é aplicável nas hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. A fiscalização demonstrou de forma adequada que a contribuinte fraudou a escrituração comercial ao lançar a contrapartida da aquisição dos ativos do Instituto Prosperity a crédito da conta de Adiantamento a Clientes. Ora, o contexto demonstra que o Instituto Prosperity era interposta pessoa da fiscalizada e a operação de compra dos ativos em moeda corrente segundo a documentação juntada foi realmente disfarçada por meio de artifício fraudulento, qual seja, lançar a contrapartida a crédito de outra conta de ativo, que não representa disponibilidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.

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Não havendo cerceamento ao direito de defesa e sendo o lançamento procedido por autoridade competente, atendendo aos requisitos legais, não há que se cogitar de nulidade. PROTESTO GENÉRICO POR PRODUÇÃO DE PROVA E REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido genérico para produção posterior de provas, diligência e/ou perícia quando desnecessários para resolução da lide ou quando formulado em desacordo com o art. 16, IV, §4º, do Decreto nº 70.235/72. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Assim, não se configurando nenhuma das hipóteses do § 4°do art. 16 do Decreto 70.235/72, não poderá ser acatado o pedido genérico pela produção posterior de prova. A diligência fiscal não se presta a substituir a parte na sua atividade de produção de prova quanto a fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do fisco, pois o ônus probatório é do sujeito passivo (CPC/2015, art. 373, II), de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal federal. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do protesto genérico de produção de provas e diligência/perícia técnico-contábil considerado desnecessário, prescindível ou formulado sem atendimento aos requisitos do art.16, IV e §4º, Decreto n° 70.235/72 LUCRO REAL. DEDUÇÕES DE RECEITAS. As deduções glosadas carecem de prova inequívoca, sem a qual mantêm-se as glosas. LUCRO REAL. RECEITAS OMITIDAS. As receitas tributáveis omitidas devem ser acrescidas na apuração do IRPJ e reflexos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 03 32 /2 01 6- 74 Fl. 5101DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 IRPJ E CSLL DESPESAS DEDUTÍVEIS. REQUISITOS. ÔNUS DA PROVA. GLOSA. Para as despesas incorridas pelo contribuinte serem dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL há que se comprovar o pagamento ou, na ausência deste, a despesa deve ser ao menos incorrida/reconhecida (regime de competência) e os gastos devem ser úteis ou necessários para a manutenção da empresa e relacionados ao seu objeto social. O dever de comprovar que a despesa é inexistente, indedutível ou a falsidade do documento que suportou o lançamento contábil é da fiscalização. Contudo, uma vez comprovada a indedutibildiade, o ônus para desconstruir a acusação fiscal passa a ser do contribuinte, que deve carrear aos autos documentos comprobatórios das suas alegações. Não o fazendo totalmente, impõe-se a manutenção parcial do lançamento fiscal. IRRF LANÇADO COMO REFLEXO DA GLOSA DE DESPESAS E SEM FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA PARA SUA EXIGÊNCIA. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. Não subsiste o lançamento do IRRF com base no artigo 61 da Lei 8.981/1995 (art. 674 do RIR/99) quando a fiscalização se limita a questionar os requisitos para fins de dedutibilidade das despesas para apuração do IRPJ e da CSLL. São infrações autônomas e com requisitos específicos. PIS. COFINS. ADMINISTRADORAS DE BENEFÍCIOS. SUJEIÇÃO À CUMULATIVIDADE. IMPROCEDÊNCIA DA INFRAÇÃO. As administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Incabível o regime não -cumulativo aplicado pelos autos de infração do PIS e da Cofins, ano-calendário 2012, pois trata-se de uma administradora de benefícios (que se enquadra na categoria de operadora administradora de benefícios na área de gestão de planos de saúde e odontológicos), invocando a aplicação do entendimento da Solução de Consulta nº 116 - Cosit, de 31 de agosto de 2018. Infração improcedente. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, que não sejam vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual servem apenas como reforço de argumentos. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais que não tenham efeitos erga omnes somente vinculam as partes da mesma. RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DOLO EVIDENTE. EXONERAÇÃO PARCIAL. Nas hipóteses do art. 124, I, e 135, III, do CTN, mantêm-se a responsabilidades solidária relativa à pessoa jurídica arrolada. Fl. 5102DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 No que tange às pessoas físicas, a existência de grupo econômico de fato irregular não me parece fato jurídico suficiente para, por si só, dar fundamento à atribuição de responsabilidade solidária aos sócios da fiscalizada com fulcro no artigo 124, I, do CTN. Para a aplicação do disposto no artigo 135, III, do CTN, seria necessário demonstrar os poderes de gestão dos indigitados sócios, bem como as condutas com infração à lei ou estatutos. Por fim, o disposto no artigo 124, II, do CTN, fundamentação utilizada pela fiscalização, também não se sustenta uma vez que não há uma norma legal que atribua aos sócios responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica. Não basta para caracterizar a responsabilidade tributária solidária dos sócios, que estes meramente estejam exercendo função sócio-administrativa na pessoa jurídica autuada. O dolo evidente de infringir a lei ou estatuto empresarial deve restar robustamente comprovado nos autos para que tal responsabilização surta efeitos justos. Assim, deve ser afastada a responsabilização solidária tão somente quanto às pessoas físicas arroladas. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada é aplicável nas hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. A fiscalização demonstrou de forma adequada que a contribuinte fraudou a escrituração comercial ao lançar a contrapartida da aquisição dos ativos do Instituto Prosperity a crédito da conta de Adiantamento a Clientes. Ora, o contexto demonstra que o Instituto Prosperity era interposta pessoa da fiscalizada e a operação de compra dos ativos em moeda corrente segundo a documentação juntada foi realmente disfarçada por meio de artifício fraudulento, qual seja, lançar a contrapartida a crédito de outra conta de ativo, que não representa disponibilidade. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (i) rejeitar o pedido de diligência, (ii) afastar a exigência de PIS e COFINS e (iii) manter a exigência relativa às infrações de omissão de receitas por saldo credor de caixa e estornos de receitas. Por maioria de votos, (i) afastar as glosas de despesas relativas às empresas AYA360 CONCEITOS EM PROJETOS IMOBILIÁRIOS LTDA. e AYASPA BEM ESTAR E COSMÉTICOS S.A., A6 SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EMPRESARIAL LTDA, ACCOUNT CONSULTORIA E CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA, AGR & ASSOCIADOS CONSULTORIA E MARKETING LTDA, BEGA SERVIÇOS LTDA, BRANCO E RODRIGUES ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA, CASULO INTERMEDIAÇÕES E EVENTOS LTDA, CENTRO MÉDICO GRANJA JULIETA S/S LTDA, ESSENCIAL AGENCIAMENTO DE PLANOS DE SAÚDE LTDA, GUIMAFRA SERVIÇOS LTDA, LEONARDO DE ASSUMPÇÃO DE VITA GRÁFICA – ME, RANTONIOLI ASSESSORIA ANGARIAÇÕES E NEGÓCIOS, ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA SECPLAN; vencidos os Conselheiros Nelso Kichel, que votou pela manutenção de todas as glosas e os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira Fl. 5103DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 (relator) e Claudio de Andrade Camerano, que afastavam tão somente as glosas relativas às empresas AYA360 CONCEITOS EM PROJETOS IMOBILIÁRIOS LTDA. e AYASPA BEM ESTAR E COSMÉTICOS S.A.; (ii) afastar o lançamento do IRRF sobre pagamento sem causa; vencidos os Conselheiros Nelso Kichel, que votou pela manutenção integral da exigência e os Conselheiros Carlos André Soares Nogueira e Luiz Augusto de Souza Gonçalves, que votavam pela exoneração da exigência tão somente em relação aos pagamentos efetuados aos prestadores de serviço cuja glosa de despesas fora afastada; (iii) negar provimento ao recurso no tocante à infração de omissão de receitas por conta da interposição fraudulenta. Vencidos os Conselheiros Nelso Kichel e André Severo Chaves que lhe davam provimento parcial para reduzir a base de cálculo nos termos do voto do Relator; (iv) manter a multa qualificada em relação às infrações de omissão de receitas por conta da interposição de pessoas e de saldo credor de caixa. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que mantinha a multa qualificada tão somente em relação à infração de omissão de receitas por interposição de pessoas; (v) manter a sujeição passiva solidária de INSTITUTO BRASILEIRO DE BENEFÍCIOS PARA COOPERATIVAS E ASSOCIAÇÕES – INSTITUTO PROSPERITY em relação às infrações de omissão de receitas por saldo credor de caixa e interpostas pessoas e afastar a responsabilidade solidária dos Srs. CLAUDIO JORGE POVOA SANTOS, FERNANDO ANTON BASUS BISPO e FERNANDO SOUZA BISPO. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que mantinha a sujeição passiva solidária de todos os imputados tão somente em relação à infração de omissão de receitas por interpostas pessoas. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Nos termos do Art. 58, §5º, Anexo II do RICARF, o Conselheiro Itamar Artur Magalhães Alves Ruga não votou nesse julgamento, por se tratar de questão já votada pelo Conselheiro Nelso Kichel na reunião de fevereiro de 2020. Designado redator ad hoc o Conselheiro Carlos André Soares Nogueira (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira – Redator ad hoc (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Nelso Kichel, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah, Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Fl. 5104DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Relatório Preambularmente, é oportuno registrar que, em razão do desligamento do ilustre conselheiro relator Nelso Kichel da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, este conselheiro, Carlos André Soares Nogueira, foi designado redator ad hoc do presente feito. Considerando que, na primeira oportunidade que este Colegiado teve para apreciar o recurso voluntário, o ilustre conselheiro Nelso Kichel apresentou seu relatório e proferiu seu voto, estes estão fielmente registrados no presente acórdão. Trata-se dos Recursos Voluntários do sujeito passivo IBBCA 2008 GESTÃO EM SAÚDE LTDA (e-fls. 4334/4410) e dos responsáveis solidários FERNANDO ANTON BASUS BISPO (e-fls. 4415/4426), FERNANDO SOUZA BISPO (e-fls. 4433/4444), INSTITUTO BRASILEIRO DE BENEFÍCIOS PARA COOPERATIVAS E ASSOCIAÇÕES INSTITUTO PROSPERITY (e-fls. 4465/4475 e 4533/4543) e CLÁUDIO JORGE PÓVOA DOS SANTOS (e-fls. 4483/4494, 4508/4519 e 4561/4572), em face do Acórdão da DRJ/Recife que julgou Impugnação parcialmente procedente: - ao manter a exigência dos tributos (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e IRRF), multa qualificada (150%) e juros de mora; - ao excluir as multas isoladas do IRPJ e da CSLL (falta de pagamento de estimativa mensal); - ao manter a sujeição passiva solidária dos imputados. Quanto aos fatos, consta dos autos: - que, em 29/09/2016, a Fiscalização da DRF/Rio de Janeiro II lavrou Autos de Infração do IRPJ, CSLL (regime de apuração lucro real trimestral), PIS, Cofins (regime não- cumulativo) e IRRF, quanto ao ano-calendário 2012, ao imputar as seguintes infrações (e-fls. 02/74), in verbis: (...) OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDA E SERVIÇOS INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RECEITAS Omissão de receitas, conforme Termo de Verificação em anexo. Fato gerador Valor tributável (R$) Multa (%) 01/01/2012 28/02/2012 30/03/2012 30/04/2012 30/05/2012 30/06/2012 30/07/2012 30/08/2012 30/09/2012 01/10/2012 3.070.137,84 2.973.732,24 2.104.454,28 1.510.086,43 1.165.441,31 1.102.944,39 843.139,28 305.852,09 82.611,78 797.702,00 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Artigos 247, 248, 249 inciso II, Fl. 5105DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Obs: Exigência do IRPJ e reflexos: CSLL, PIS e Cofins. OMISSÃO DE RECEITAS POR PRESUNÇÃO LEGAL INFRAÇÃO: SALDO CREDOR DE CAIXA Omissão de receitas caracterizada pela ocorrência de saldo credor de caixa, conforme relatório fiscal em anexo. Fato Gerador Valor tributável (R$) Multa (%) 31/12/2012 3.932.498,32 150% Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/10/2012 e 31/12/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Artigos 247, 248, 249 inciso I, 281 inciso I e 288 do Decreto 3.000/1999; Decreto-Lei 1.598/77, artigo 12 parágrafo 1º; artigo 40 da Lei 9.430/96. Obs: Exigência do IRPJ e reflexos: CSLL, PIS e Cofins. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS INFRAÇÃO: DESPESAS NÃO COMPROVADAS Despesas não comprovadas apuradas conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. Fato gerador Valor tributável (R$) Multa (%) 01/01/2012 28/02/2012 31/03/2012 30/04/2012 30/05/2012 30/06/2012 30/07/2012 30/08/2012 30/09/2012 01/10/2012 30/11/2012 31/12/2012 197.611,46 203.209,59 236.431,17 216.398,58 213.919,89 203.978,29 300.135,61 246.529,80 256.354,86 261.131,21 293.305,73 223.851,83 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 150 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2012 e 31/12/2012: - art. 3º da Lei nº 9.249/95. Artigos 247, 248, 249 inciso I e 251 do decreto 3.000, de 1999. Obs: (i) Exigência: IRPJ e CSLL: - Despesas não Comprovadas: não restou comprovada pela autuada a efetiva prestação do serviço pelo fornecedor cuja despesa foi paga (glosa das despesas). (ii) Exigência: IRRF - Infração reflexa: Auto de Infração - IRRF IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. APURAÇÃO REFLEXA. PAGAMENTOS SEM CAUSA (Valor da infração: os mesmos valores da infração Despesas não Comprovadas acima (prestação de serviços não comprovada). Fundamento legal:Art. 674 e 675 do RIR/99. SALDO INSUFICIENTE Fl. 5106DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 INFRAÇÃO: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL O sujeito passivo compensou prejuízos fiscais, indevidamente, conforme Termo de Verificação Fiscal. Fato gerador Valor tributável (R$) Multa (%) 31/12/2012 173.097,90 150% Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/10/2012 e 31/12/2012: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/99 Obs: (i) A Fiscalização reverteu o prejuízo fiscal do 1º trimestre/2012 de ( - R$ 173.097,90) para lucro real positivo de R$ 8.612.478,68, ou seja: R$ 8.785.576,58 (-) R$ 173.097,90 = R$ 8.612.478,68. Como a contribuinte compensou indevidamente esse prejuízo fiscal no 4º trimestre/2012 ( - R$ 173.097,90), a Fiscalização adicionou o valor no lucro real do 4º trimestre/2012, oferecendo à tributação esse valor que fora compensado indevidamente. MULTA OU JUROS ISOLADOS INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução. Data Multa Isolada(R$) 01/01/2012 28/02/2012 30/03/2012 30/04/2012 30/05/2012 30/06/2012 30/07/2012 30/08/2012 30/09/2012 01/10/2012 30/11/2012 31/12/2012 77.579,76 90.303,36 54.166,35 53.466,70 45.820,49 53.821,32 39.963,61 34.739,27 30.644,93 77.580,39 60.977,28 150.973,59 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 30/01/2012 e 30/12/2012: Arts. 222 e 843 do RIR/99; art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 (...) (...) SALDO INSUFICIENTE. INFRAÇÃO: COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA ATIVIDADE GERAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL (CSLL) Fato Gerador .....Valor Apurado (R$) ..............Multa (%) 31/12/2012 .................173.097,90 ........................75,00 Obs: Fl. 5107DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 A Fiscalização reverteu a base de cálculo negativa do 1º trimestre/2012 de (- R$ 173.097,90) para Base de Cálculo Positiva da CSLL R$ 8.612.478,68, ou seja, R$ 8.785.576,58 (-) R$ 173.097,90 = R$ 8.612.478,68. Como a contribuinte compensou indevidamente essa base de cálculo negativa no 4º trimestre/2012 (- R$ 173.097,90), a Fiscalização adicionou o valor à base de cálculo positiva da CSLL do 4º trimestre/2012, oferecendo à tributação esse valor q fora compensado indevidamente MULTA OU JUROS ISOLADOS. INFRAÇÃO: FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE A BASE ESTIMADA Data Multa Isolada(R$) 01/01/2012 28/02/2012 30/03/2012 30/04/2012 30/05/2012 30/06/2012 30/07/2012 30/08/2012 30/09/2012 01/10/2012 30/11/2012 31/12/2012 22.630,97 26.295,37 15.887,91 15.686,41 13.484,30 15.788,54 11.797,52 10.292,91 9.113,74 22.631,15 17.855,22 43.768,40 Total 225.232,44 (...) - que integra o lançamento fiscal o Termo de Verificação Fiscal - TVF (e-fls. 77/161). - que foi imputada sujeição passiva solidária pelo crédito tributário para: a) CLAUDIO JORGE PÓVOA SANTOS (CTN, art. 124, II) b) FERNANDO ANTON BASUS BISPO CTN, art. 124, II); c) FERNANDO SOUZA BISPO CTN, art. 124, II); d) INST. BRAS. DE BENEFÍCIOS P/ COOPERATIVAS - PROSPERITY CTN, art. 124, I). - que o crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$ 30.821.335,87, na data de lavratura dos autos de infração, cujo valor está assim discriminado por exação fiscal: Auto de Infração Principal (R$) Juros de Mora (calculados até 09/2016) (R$) Multa de Ofício 150% (R$) Multa Isolada 50% (R$) Total (R$) IRPJ 5.179.364,45 2.246.935,72 7.769.046,66 770.037,05 15.965.383,88 CSLL (1º AI) 1.851.152,36 803.631,46 2.776.728,53 - 5.431.512,35 IRRF 1.536.154,28 671.997,13 2.304.231,38 - 4.512.382,79 CSLL (* 2º AI) 15.578,81 6.253.33 11.684, 10 225.232,44 258.748,68 PIS (omissão de receitas) 281.999,77 125.050,03 422.999,63 - 830.049,43 Fl. 5108DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Cofins (omissão de receitas) 1.298.908,19 575.988,30 1.948.362,25 - 3.823.258,74 TOTAL 30.821.335,87 - que cientes do lançamento fiscal: - O sujeito passivo IBBCA 2008 GESTÃO EM SAÚDE LTDA apresentou Impugnação (e-fls. 2916/2978), argumentando, em síntese: a) que prepara planos de saúde e odontológicos em nome das operadoras de benefícios e os oferece a diversas pessoas jurídicas (planos coletivos por adesão), como por exemplo a Caixa de Assistência dos Advogados do Rio de Janeiro ("CAARJ") e Associação de Servidores da Secretaria de Planejamento do Estado do Rio de Janeiro ("SECPLAN"); b) que para o oferecimento, fazer a comercialização desses planos, contrata diversas empresas de corretagem que fazem o marketing, buscam novos clientes; c) que, no caso de adesão dos clientes pessoas físicas ao plano coletivo oferecido, os corretores são remunerados por uma parcela do preço pago pelos clientes quando da adesão, ou seja, o valor pago pela pessoa física quando da adesão pertence à impugnante, sendo descontado a remuneração do corretor (comissão); d) que a estrutura operacional pode ser descrita conforme o seguinte diagrama: e) que atua como uma operadora administradora, quanto aos planos das operadoras de benefícios, paras as pessoas físicas, sempre buscando a oferta dos melhores planos, ou seja, a maior cobertura possível, pelo menor preço; f) que foi surpreendida pelo Fisco, pela lavratura dos autos de infração; g) que a primeira infração seria suposta redução indevida da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em razão do reconhecimento de despesas serviços de corretagem, consultorias e técnicos que seriam indedutíveis; que ainda sobre essa infração, reflexamente, o Fisco exigiu o IRRF- Pagamento sem Causa/Beneficiário Não Identificado; Fl. 5109DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 h) que a segunda infração seria suposta omissão de receitas por existência de saldo credor de caixa pela aquisição de ativos sem disponibilidade financeira; i) que a terceira infração seria suposta omissão de receitas: - decorrente de estorno em contas de resultado: que segundo o fisco não haveria embasamento legal capaz de suportá-lo; - decorrente de receitas auferidas pelo Instituto Brasileiro de Benefícios para Cooperativas e Associações - Instituto Prosperty: que seria receita da impugnante. j) que, diversamente do entendimento da Fiscalização, as infrações não ocorreram e os valores exigidos, por conseguinte, são indevidos; que os autos devem ser cancelados pelo seguinte: 1- Da dedutibilidade das despesas com serviços técnicos, de corretagem e de consultoria e o supostos pagamento sem causa: - que a Fiscalização entendeu pela não subsunção dessas despesas ao art. 299 do RIR/99; - que a apropriação das despesas deu-se sem comprovação da efetiva prestação do serviço, ou seja, as operações não foram documentadas (falta de provas hábeis, idôneas); - que, ainda sobre essas despesas que não teriam sido comprovadas, a Fiscalização exigiu o IRRF por pagamento sem causa; - que a impugnante passa provar documentalmente os serviços, os quais foram efetivamente prestados: (i) A & F Intermediação de Negócios Ltda ("A & F"); (ii) A6 Serviços Administrativos Empresarial Ltda ("A6"); (iii) Account Consultoria e Corretagem de Seguros Ltda ("Account"); (iv) AGR & Associados Consultoria e Marketing Ltda ("AGR"); (v) AYA360 Conceitos em Projetos Imobiliários Ltda ("AYA360") e AYASPA Bem Estar Cosméticos S/A ("AYASPA"); (vi) BASUS & EKDE Intermediações e Negócios Ltda ("Basus"); (vii) Bega Serviços Ltda ("Bega"); (viii) Branco e Rodrigues Assessoria Empresarial Ltda ("Branco"); (ix) Casulo Intermediações e Eventos Ltda ("Casulo"); (x) Centro Médico Granja Julieta ("Centro Médico"); (xi) DSMartins Intermediações e Negócios Ltda ("DSMartins"); (xii) Essencial Agenciamento de Planos de Saúde ("Essencial"); (xiii) Fisiomed - Clínica de Ortopedia e Fisioterapia S/C Ltda ("Fisiomed"); (xiv) Guimafra Serviços Ltda ("Guimafra"); (xv) Horus Intermediação e Negócios Ltda ("Horus"); Fl. 5110DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 (xvi) Leonardo de Assumpção de Vita Gráfica ("Vita Gráfica"); (xvii) Nova Premissa Serviços Ltda ("Nova Premissa"); (xviii) PJ Finance Service Ltda ("PJ"); (xix) PN2S Serviços Ltda ("PN2S"); (xx) Rantonioli Assessoria Angariações e Negócios Ltda ("Rantonioli"); (xxi) Ravanti Intermediações e Eventos Ltda ("Ravanti"); (xxii) SBC Representações e Negócios Ltda ("SBC"); (xxiii) Associação dos Servidores da Secretaria de Estado de Planejamento/Palácio Guanabara ("SECPLAN"); (xxiv) Senna Consultoria em Negócios Ltda ("Senna"). 2- Inexistência de Omissão de Receita por Saldo Credor de Caixa; 3- Inexistência de Omissão de Receitas por Estorno em Conta de Resultado; 4- Inexistência de Omissão por Interposta Pessoa; 5- Erro na Identificação do Sujeito Passivo; 6- Impossibilidade de Tributação Integral dos Recebíveis Declarados pelo Instituto; 7 - Incidência do PIS e da Cofins pela Sistemática Cumulativa (o lançamento fiscal exige essas exações fiscais pelo sistema não-cumulativo); 8 - Inaplicabilidade da multa qualificada de 150%; 9 - Erro na Imposição de Multa Isolada pela não Antecipação Mensal de IRPJ e de CSLL. Por fim, pediu a impugnante: - a improcedência das infrações imputadas pelo Fisco (cancelamento integral dos autos de infração): a) quanto à glosa de despesas e, reflexamente, pagamento sem causa: - que a impugnante entende comprovada a prestação de serviços vinculada aos pagamentos efetuados; b) quanto ao saldo credor de caixa (omissão de receitas): - que houve aquisição dos ativos do Instituto pela impugnante, mediante pagamento das dívidas daquele com terceiros e, depois, encontro de contas até o valor dos respectivos ativos (imóveis, software e hardware); c) quanto à omissão de receitas: - estornos feitos em contas de resultado decorreu de ajustes decorrentes de erros de parametrização de seu sistema de informatização que gerava incorreta adição ou exclusão de receitas em conta de resultado; - quanto às receitas auferidas pelo Instituto - que não pode ser responsabilizada pela receita auferida pelo Instituto. Ainda quanto a essa infração pediu, alternativamente, que o Fl. 5111DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 valor tributável seja reduzido, ou seja, que do total das receitas auferidas pelo Instituto, apenas seja considerada a taxa de administração paga pelos clientes, excluído o valor devido às operadoras de benefícios. d) em relação ao PIS e à Cofins que seja aplicado o regime cumulativo. e) requer afastamento da multa qualificada pela falta de comprovação da fraude ou, ano menos, somente seja mantida a qualificadora às infrações que se entenda que houve fraude, mas não em relação todas as infrações. f) - requer o cancelamento da multa isolada de 50%, pois a contribuinte não está sujeita ao recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal (Lucro Real Trimestral). g) protesta provar o alegado por todos os meios e provas em direito admitidos, inclusive pela conversão do julgamento em diligência caso necessário, bem como apresentação de provas complementares. Arrolamento de Bens e Direitos: - O responsável solidário FERNANDO ANTON BASUS BISPO apresentou Impugnação contra o Arrolamento de Bens e Direitos (e-fls. 2826/2830); - O responsável solidário CLÁUDIO JORGE POVOA SANTOS apresentou Impugnação contra o Arrolamento de Bens e Direitos (e-fls. 2849/2853); - O responsável solidário FERNANDO SOUZA BISPO apresentou Impugnação contra o Arrolamento de Bens e Direitos (e-fls. 2883/2887); Sujeição passiva solidária: - Impugnação apresentada pelo solidário CLAUDIO JORGE PÓVOA SANTOS (e-fls. 3767/3778), alegando, em síntese: - que, primeiro, apresenta as mesmas razões já apresentadas pela IBBCA 2008 GESTÃO EM SAÚDE LTDA contra as infrações imputadas (pediu o cancelamento das infrações imputadas); - que, em relação à sujeição passiva solidária, pediu a nulidade/afastamento da sujeição passiva solidária: a) falta de conduta que pudesse ensejar da responsabilização do impugnante (simplesmente foi imputada a sujeição passiva solidária por fazer parte do quadro social da empresa autuada); b) inexistência de atos capazes de ensejar a responsabilização do impugnante. - Impugnação do responsável solidário: Instituto Brasileiro de Benefícios para Cooperativas e Associações - Instituto Prosperity (e-fls. 3870/3879): - apresentou as mesmas razões constantes da defesa do devedor solidário Cláudio Jorge Póvoa Santos. - Impugnação apresentada pelo responsável solidário FERNANDO ANTON BASUS BISPO (e-fls. 3977/3988): - limitou-se a apresentar as mesmas razões constantes da defesa do devedor solidário Cláudio Jorge Póvoa Santos. Fl. 5112DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 - Impugnação apresentada pelo responsável solidário FERNANDO SOUZA BISPO (e-fls. 4080/4091): - limitou-se a apresentar as mesmas razões constantes da defesa do devedor solidário Cláudio Jorge Póvoa Santos. Na sessão de 24/11/2017, a 4ª Turma da DRJ/Recife julgou impugnação parcialmente procedente ao afastar as multas isoladas, conforme Acórdão, ementa e voto condutor que transcrevo que pertinente (e-fls. 4183/4271): (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2012 LUCRO REAL. DEDUÇÕES DE RECEITAS. As deduções glosadas carecem de prova inequívoca, sem a qual mantêm-se as glosas. LUCRO REAL. RECEITAS OMITIDAS. As receitas tributáveis omitidas devem ser acrescidas na apuração do IRPJ e reflexos. LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, COFINS E PIS DECORRENTES DAS MESMAS RECEITAS OMITIDAS OBJETOS DE LANÇAMENTO DE IRPJ. Os lançamentos das contribuições para o PIS/Pasep, Cofins e CSLL são reflexos do lançamento do IRPJ oriundo das mesmas omissões de receita, uma vez que estas repercutem na apuração dos quatro tributos. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. O pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado está sujeito ao IRRF de 35%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2012 ADMINISTRADORA DE BENEFÍCIOS. REGIME DE APURAÇÃO. A pessoa jurídica administradora de benefícios não está sujeita ao regime de apuração cumulativa da Cofins e do PIS, pois não pode ser considerada operadora de plano de assistência à saúde. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. Não havendo cerceamento ao direito de defesa e sendo o lançamento procedido por autoridade competente, atendendo aos requisitos legais, não há que se cogitar de nulidade. PROVAS. DILIGÊNCIAS. PERÍCIAS As provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, sendo preclusas outras se não se encontrarem entre as exceções legais de apresentação posterior. Não são considerados formulados os pedidos de diligências e perícias que não atendam aos requisitos legais e também não haverá a sua necessidade se não restarem dúvidas no processo a serem esclarecidas por tal meio. MATÉRIAS NÃO CONTESTADAS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL. Não se instaura o contencioso administrativo sobre as matérias não contestadas. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 5113DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Ano-calendário: 2012 RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS. Nas hipóteses do art. 124, I, e 135, III, do CTN, mantêm-se as responsabilidades solidárias. MULTA QUALIFICADA. A multa qualificada é aplicável nas hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas, que não sejam vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual servem apenas como reforço de argumentos. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais que não tenham efeitos erga omnes somente vinculam as partes da mesma. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte (...) Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por maioria de votos, considerar PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, nos termos do relatório e voto do relator. Vencido o julgador Aloysio José Percínio da Silva, que votou pela manutenção em parte da infração de omissão de receitas de interposta pessoa, conforme sua declaração de voto, e acompanhou os demais julgadores nas demais matérias. (...) Voto (...) II.2.6. Multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais 241. O contribuinte entende que não caberiam tais multas pelo fato de apurar o IRPJ e a CSLL trimestralmente, enquanto as estimativas seriam mensais, e também defende que o CARF teria afastado a aplicação da multa isolada "em concomitância com a aplicação de multa de ofício pelo recolhimento a menor de IRPJ e de CSLL", citando, inclusive, a Súmula 105 do CARF, como se esta fosse vinculante. Ainda aventou que tal multa teria sido valorada equivocadamente porque, segundo alega, a Fiscalização em vez de aplicar o percentual de 8% sobre a receita bruta, aplicou o percentual de 15% e que "esse erro" constaria da tabela de "fl. 156", de apuração da Fiscalização e que teria sido utilizada como base para a multa. 242. Em relação à apuração trimestral do IRPJ e CSLL, verifica-se, conforme DIPJ, que a contribuinte fez opção pelo lucro real trimestral, não constando pagamentos por estimativas. Além disso, a própria autoridade fiscal efetuou os lançamentos do IRPJ e CSLL pelo lucro real trimestral, o que afasta a obrigação de recolhimentos antecipados de estimativas mensais, conforme compreensão extraída a partir das regras dos arts. 1º e 2º, da Lei 9.430/96, de modo que se não estava obrigado ao recolhimento por estimativas na apuração pelo lucro real trimestral, também não caberia, em conseqüência, a multa isolada por falta dos recolhimentos de tais estimativas. (...) Portanto, a decisão a quo manteve as infrações imputadas, exceto as multas isoladas do IRPJ e da CSLL e manteve também os juros de mora e a sujeição passiva solidária dos imputados. Fl. 5114DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Cientes desse decisum em 05/02/2018 - segunda -feira (e-fls. 4285 e 4289), o sujeito passivo IBBCA 2008 GESTÃO EM SAÚDE LTDA apresentou Recurso Voluntário em 06/03/2018 (e-fls. 4287 e 4334/4410), reiterado as razões já apresentadas na instância a quo e pediu, por fim: (...) V. A CONCLUSÃO E O PEDIDO 332. Diante do exposto, a Recorrente entende como demonstrada a necessidade de reforma parcial do v. acórdão recorrido, para se cancelar as cobranças ainda mantidas pela DRJ. 333. Com relação à primeira infração, a Recorrente entende como demonstrada a prestação dos serviços vinculados aos pagamentos efetuados pela Recorrente, inclusive mediante a apresentação nos presentes autos de farta documentação que comprova a prestação desses serviços e o atendimento aos requisitos legais para fins de dedutibilidade. 334. No tocante à segunda infração, a Recorrente tem como demonstrada a causa de todos os pagamentos efetuados aos prestadores de serviços, o que justifica o cancelamento da exigência do IRRF. Além disso, a Recorrente evidenciou o vício no raciocínio adotado pela DRJ, na medida em que a DRJ sustenta não terem ocorrido pagamentos, o que, por si só, impede a cobrança do IRRF. 335. Sobre a terceira infração, a Recorrente comprovou que não houve a apuração de saldo credor de caixa. Na realidade, a aquisição dos ativos do Instituto feita pela Recorrente ocorreu por meio do pagamento pela Recorrente das dívidas do Instituto com terceiros e, depois, mediante encontro de contas até o valor dos respectivos ativos (imóvel, móveis, software e hardware). 336. No que se refere à quarta infração, a Recorrente comprovou que o estorno feito em sua conta de resultado decorreu de ajustes feitos em sua contabilidade. Esses ajustes estão relacionados a erro de parametrização de seu sistema informatizado, que gerava a incorreta adição ou a exclusão de receitas em sua conta de resultado. Tanto isso é verdade, que no mesmo período a Recorrente adicionou valores na mesma conta em que ocorreu o estorno, a fim de ajustar a sua contabilidade ao que ocorreu de fato. 337. Sobre a quinta infração, a Recorrente demonstrou que não pode ser responsabilizada pela receita auferida pelo Instituto, por ausência de base legal. Além disso, demonstrou que o valor cobrado pela D. Fiscalização Federal é maior do que o devido, pois não leva em consideração o repasse feito pela Recorrente para as operadoras de benefícios. 338. Por fim, no tocante à sexta infração, a Recorrente obrou comprovar que, na qualidade de operadora administradora de planos de assistência à saúde, encontra-se sujeita à sistemática cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. 339. Com base no exposto, a Recorrente requer que o presente recurso voluntário seja julgado totalmente procedente, com a reforma parcial do v. acórdão proferido pela DRJ e o consequente cancelamento integral do Auto de Infração MPF nº 0710900.2015.00305 e a consequente baixa e arquivamento do presente processo administrativo. 340. Alternativamente, no que se refere à segunda infração, a Recorrente requer a reforma do v. acórdão recorrido para cancelar a cobrança de IRRF, tendo em vista que a Recorrente comprovou a causa de todos os pagamentos a terceiros prestadores de serviços e a D. Fiscalização não obrou demonstrar os pagamentos tidos como sem causa. 341. Ainda alternativamente, no tocante à quinta e à sexta infrações, a Recorrente requer a redução do valor tributado, na medida em que a D. Fiscalização Federal utiliza como base para autuação o total de receitas auferidas pelo Instituto, sendo que o correto era que fosse utilizado o spread entre (a) a taxa de administração paga pelos Fl. 5115DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 clientes; e (b) o montante devido às operadoras de benefícios. Ademais, a Contribuição ao PIS e a COFINS cobradas deveriam ser reduzidas, pois a Recorrente apura essas contribuições sociais com base em sua sistemática cumulativa. 342. Sucessivamente requer o cancelamento da multa agravada de 150%, tendo em vista a ausência de comprovação inequívoca de fraude por parte da Recorrente ou ao menos que essa multa seja aplicada apenas às infrações nas quais se entenda que houve fraude e não a todas as infrações imputadas à Recorrente, em especial nas autuações envolvendo a Contribuição ao PIS e a COFINS. 343. Por fim, a Recorrente protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, sem exceção de quaisquer, notadamente com a conversão do feito em diligência para que se apure o direito da Recorrente, bem como a posterior apresentação de documentos complementares. (...) Ainda, por fim, a recorrente juntou aos autos cópia da Solução de Consulta nº 116 - Cosit, de 31/08/2018, a qual esclarece que estão sujeitas ao regime de apuração cumulativo quanto à Contribuição para PIS e da Cofins as administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em face da nova redação dada pelas Leis nªs 12.873, de 2013 e 12.995, de 2014 (e-fls. 4612/4620). Sujeição passiva solidária: - FERNANDO ANTON BASUS BISPO ciente da decisão a quo em 05/02/2018 e apresentou Recurso Voluntário em 07/03/2018 (e-fls. 4415/4426) reiterando as razões já apresentadas na primeira instância de julgamento. - FERNANDO SOUZA BISPO ciente da decisão a quo em 05/02/2018 e apresentou Recurso Voluntário em 07/03/2018 (e-fls. 4433/4444) reiterando, reprisando, as razões que apresentara na primeira instância de julgamento. - INSTITUTO BRASILEIRO DE BENEFÍCIOS PARA COOPERATIVAS E ASSOCIAÇÕES - INSTITUTO PROSPERITY ciente da decisão a quo em 05/02/2018 (e-fls.) e apresentou Recurso Voluntário em 07/03/2018 (e-fls. 4465/4475 e 4533/4545) reprisando as mesmas razões que apresentara na instância a quo. - CLAUDIO JORGE POVOA SANTOS ciente da decisão a quo em 05/02/2018 (efl. 4495 e 4525) e apresentou Recurso Voluntário em 07/03/2018 (e-fls. 4504/4507 4483/4494, 4508/4519 e 4560/4572) reiterando, reprisando, as razões que apresentara na primeira instância de julgamento. Na sessão de 19/03/2019, o julgamento foi convertido em diligência, para que a unidade de origem pudesse se manifestar quanto aos documentos (elementos de prova) juntados aos autos pela contribuinte, conforme Resolução nº 1301-000.664 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (e-fls. 4624/4648). Intimada do resultado - Relatório Fiscal de Diligência (e-fls. 4853/4665), a contribuinte apresentou manifestação nos autos em 04/12/2019 (e-fls. 4926/4939), aduzindo, em síntese: - Ausência de do exame do conjunto fático-probatório pela D. Fiscalização: (...) (í) Glosa de custos/despesas pela prestação efetiva do serviço não comprovado Fl. 5116DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 5. No que concerne a essa alegada infração, a D. Fiscalização Federal simplesmente ignorou toda a documentação trazida à colação pela Recorrente, justificando a manutenção da glosa das despesas com base na ausência de “relatórios profissionais exaustivos e conclusivos” e de “laudo de execução e encerramento dos serviços contratados” que permitissem “o exame detido dos fatos” e a comprovação da “efetividade dos serviços contratados de forma iniludível” (fls. 7 das Apreciações Conclusivas). (...) 7. Como já esclarecido ao longo do presente processo administrativo, a Recorrente é uma operadora administradora de benefícios, com expertise na gestão de planos de saúde e odontológicos. Nesse sentido, a Recorrente oferece para seus clientes planos coletivos por adesão, em que se garante assistência de saúde aos indivíduos vinculados a determinada pessoa jurídica de caráter profissional, classista ou setorial. 8. Ocorre que o oferecimento e a divulgação desses planos de benefícios para as pessoas jurídicas e para as pessoas físicas vinculadas a essas pessoas jurídicas são realizados por empresas corretoras que são contratadas pela Recorrente para difundirem os produtos oferecidos aos seus potenciais clientes. 9. Em outras palavras, a Recorrente contrata diversas empresas de corretagem para que façam o marketing, busquem novos clientes e atuem como a força de venda dos diversos produtos administrados pela Recorrente. (...) 12. Portanto, fica evidente que os pagamentos efetuados pela Recorrente para as corretoras encontram-se intrinsecamente relacionados à atividade-fim da Recorrente, devendo ser considerados necessários, normais e usuais para a manutenção da sua fonte produtora. 13. Com efeito, como adiantado acima, as corretoras funcionam como o departamento de marketing (vendas) da Recorrente, e a remuneração pela obtenção de novos clientes encontra-se flagrantemente vinculada ao desenvolvimento do seu negócio. 14. Ocorre que as atividades desenvolvidas pela Recorrente não envolvem serviços de alta complexidade que demandem a apresentação de ‘relatórios profissionais exaustivos e conclusivos” e de ‘laudo de execução e encerramento dos serviços contratados”, como sustenta a D. Fiscalização Federal. 15. Assinale-se que a Recorrente firma o contrato com as corretoras e, mediante a apresentação bem-sucedida de clientes novos, aperfeiçoa-se a relação de causa e efeito da remuneração. Portanto, a exigência documental formulada pela D. Fiscalização Federal é totalmente descabida no presente caso. 16. Por outro lado, a verificação da efetividade da prestação dos serviços poderia ter sido verificada pela D. Fiscalização Federal mediante a singela comparação entre os contratos firmados pela Recorrente com as corretoras e a lista de clientes da Recorrente, inclusive já apresentada nos autos. Isto porque, mediante tal comparação, a D. Fiscalização Federal teria a prova do motivo que justificou o pagamento entre as corretoras e a Recorrente. 17. Todavia, isso não foi feito pela D. Fiscalização Federal que ignorou o conjunto fático-probatório trazido aos autos pela Recorrente. Com efeito, a D. Fiscalização Federal se limitou a apresentar uma listagem dos documentos colacionados pela Recorrente, sem adentrar o mérito da capacidade probatória de cada um desses elementos. Em outras palavras, a D. Fiscalização Federal não obrou realizar a diligência nos moldes pretendidos por esse Egrégio CARF. 18. Por esse motivo, a Recorrente requer que seja determinada nova diligência para análise de cada documento apresentado nos autos, que suporta a dedutibilidade das despesas incorridas pela Recorrente. Fl. 5117DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 19. Alternativamente, em razão do amplo conjunto fático-probatório já apresentado nos autos, a Recorrente pleiteia que sejam reconhecidas a necessidade, normalidade e usualidade dessas despesas, justificando o cancelamento dessa infração atribuida à Recorrente. (ii) Exigência de IRRF por pagamentos sem causa (infração reflexa da anterior) (...) 21. Como se não bastasse, a D. Fiscalização Federal apresentou uma tabela que, na verdade, suporta o afastamento da exigência do IRRF. Isto porque, reconhece expressamente que não se trata, na espécie, de glosa de custos e de despesas por absoluta falta de comprovação” (fis. 6 das Apreciações Conclusivas). 22. E continua a D. Fiscalização Federal “faltam elementos, como se demonstrará a posteriori, que garantam a efetividade dos serviços prestados, mormente que permitam ao fisco saber da sua necessidade, normalidade e usualidade para manutenção da fonte produtora.” (fls. 6 das Apreciações Conclusivas). 23. Ora, Ilustre Julgador, fica evidente que, na visão da D. Fiscalização Federal, não se trata de caso de (i) ausência absoluta de documentação fiscal; ou (U) de existência de documentação fiscal contrafatados, falsos e inidôneos, o que justificaria a exigência do IRRF. 24, Nessa linha, na medida em que a infração atribuída à Recorrente não se enquadra na hipótese de custo/despesa não comprovado, mas sim de custo/despesa indedutivel, segundo o entendimento da própria D. Fiscalização Federal, não aplicável a exigência do IRRF, conforme a tabela produzida pelo próprio Fisco Federal. (...) (iii) Omissão de receita por existência de saldo credor de caixa (...) 26. No que se refere a essa pretensa infração, concessa maxima venha, a D. Fiscalização Federal novamente faz tábula rasa da documentação apresentada pela Recorrente. Isto porque, optou por ignorar o contrato de compra e venda (vide doc. no 78 da impugnação) que operacionalizou a transferência de ativos e passivos do Instituto Brasileiro de Benefícios para Cooperativas e Associações — Instituto Prosperity (“Instituto”) para a Recorrente. 27. Assinale-se, na oportunidade, que a D. Fiscalização Federal se limitou a rejeitar o valor probante do contrato de compra e venda trazido pela Recorrente e a criticar os lançamentos contábeis da Recorrente, sem efetivamente comprovar a existência de saldo credor de caixa. 28. Nesse momento, cumpre lembrar que, antes da constituição da Recorrente, os seus sócios utilizavam o Instituto para exercerem as atividades de operadora administradora de benefícios. Isto é, as atividades atualmente desempenhadas pela Recorrente eram, no passado, realizadas pelo Instituto. 29. Ocorre que em 2009, com a edição das Resoluções Normativas n°5 195 e 196 pela ANS, as atividades exercidas pelas operadoras administradoras de benefícios não poderiam mais ser realizadas por meio de institutos, devendo essas atividades serem realizadas por pessoas jurídicas com fins lucrativos, seja na forma de sociedade empresarial limitada ou sociedades anônimas. 30. Por esse motivo, os sócios do Instituto criaram a Recorrente e, paulatinamente, passaram a migrar as atividades do Instituto para a Recorrente, o que incluiu a transferência de todos os ativos e passivos relacionados à prestação dos serviços de operadora administradora de benefícios. 31. Frise-se, na oportunidade, que essa transferência de ativos e passivos, por meio da celebração de contrato de compra e venda, foi a estrutura legal escolhida pela Recorrente para solucionar o impasse regulatório criado pela ANS. Fl. 5118DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 32. Ocorre que, como toda empresa recém-aberta, a Recorrente não possuía no ano- calendário de 2012 disponibilidade para efetuar a aquisição de todos os ativos do Instituto. 33. Diante dessa falta de caixa na Recorrente para fazer frente às aquisições de ativos do Instituto, a Recorrente optou por assumir dividas do Instituto perante terceiros, até o limite dos valores constantes no contrato de compra e venda, Destaque-se que essas dívidas do Instituto tinham origem, inclusive, na época em que a atividade de operadora administradora de benefícios era exercida pelo Instituto. (...) 38. Com vistas a suportar o seu entendimento, a Recorrente pede vênia para trazer oportunamente aos autos relatório de empresa de perícia contábil comprovando a inexistência de saldo credor de caixa, (...) (iv.1)Omissão de receita pela realização de estorno em conta de resultado (...) 40. Ora, Ilustre Julgador, a Recorrente, às fls. 57 do seu Recurso Voluntário, itens 244 e 245, esclareceu o erro identificado na parametrização do seu sistema, nos seguintes termos: 244. A esse respeito, a Recorrente esclarece que no curso de suas atividades verificou um erro na parametrização de seu sistema informatizado. Esse erro gerava a contabilização extemporânea de receitas decorrentes da taxa de administração dos planos de saúde cobrada de seus clientes. 245. Em outras palavras, o sistema de faturamento intormatizado da Recorrente registrava em conta de resultado receitas decorrentes da taxa de administração devidas por seus clientes, sem que tais receitas devessem ser efetivamente reconhecidas pela Recorrente. 41. Diante disso, resta comprovada a natureza do erro de sistema que se pretendeu corrigir, qual seja, o momento de reconhecimento das receitas para fins de adequação ao regime de competência. (...) 45. Com vistas a suportar o alegado acima, a Recorrente pede vênia para trazer oportunamente aos autos relatório de empresa de perícia contábil comprovando a inexistência de omissão de receitas e a adequação do estorno em conta de resultado. (iv.2)Omissão de receita auferida por interposta pessoa. (...) 46. No que tange a essa suposta infração, a D. Fiscalização Federal alega que a Recorrente poderia ser penalizada por tributos devidos pelo Instituto em função de se acharem “umbilicalmente ligadas” (fls. 11 das Apreciações Conclusivas). 47. Em primeiro lugar, a D. Fiscalização Federal ignora que a controvérsia acerca da natureza das operadoras administradoras de benefícios perdurou até o ano-calendário de 2009, quando a ANS, por meio da edição das Resoluções Normativas n°s 195 e 196, esclareceu que as atividades exercidas pelas operadoras administradoras de benefícios não poderiam mais ser realizadas por meio de institutos, devendo essas atividades serem realizadas por pessoas jurídicas com fins lucrativos. 48. Ora, Ilustre Conselheiro, não se trata no presente caso de estrutura fraudulenta como quis fazer crer a D. Fiscalização Federal. Trata-se de um debate jurídico acerca do tratamento aplicável a determinado setor que integra a área da saúde. Note-se que tal debate somente foi encerrado quando houve o posicionamento definitivo do árgão regulador. Em suma, completamente ausente o dolo na presente discussão. (...) Fl. 5119DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 51. Em terceiro lugar, um vinculo societário (controladores comuns) não pode justificar a atribuição de responsabilidade à Recorrente dos débitos tributários do Instituto. Com efeito, entendendo que os recebíveis do Instituto deveriam ser tributados, em razão da suposta inaplicabilidade da isenção legal concedida para as instituições sem fins lucrativos, a D. Fiscalização Federal deveria ter lavrado a autuação contra o Instituto e não contra a Recorrente. (...) 53. Portanto, há clara nulidade do auto de infração por erro na indicação do sujeito passivo, o que justifica de pronto o cancelamento dessa exigência fiscal. III. A CONCLUSÃO - O PEDIDO 54. Por todo o exposto, a Recorrente tem como demonstrado que a D. Fiscalização Federal incorreu no mesmo equívoco já verificado nos presentes autos, qual seja, ignorou o conjunto tático-probatório trazido pela Recorrente, razão pela qual se requer a devolução dos autos para a D. Fiscalização Federal, de modo que a mesma conclua de forma satisfatória a diligência, mediante o exame de cada um dos documentos já apresentados pela Recorrente. 55. Alternativamente, a Recorrente requer que seja reconhecida a inexistência de qualquer infração, na medida em que a Recorrente demonstrou que não há (i) custos/despesas não comprovados; (ii) cabimento para exigência de IRRF por pagamentos sem causa; (iii) omissão de receita por existência de saldo credor de caixa; (iv) omissão de receita pela realização de estorno em conta de resultado; (v) omissão de receita auferida por interposta pessoa. 56. Por fim, a Recorrente protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, sem exceção de quaisquer, inclusive pela posterior apresentação de documentos complementares, notadamente laudos de empresas de auditoria para comprovar a (i) a inexistência de saldo credor de caixa; e (ii) a inexistência de omissão de receitas gerada pelo estorno em conta de resultado. (...) É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Carlos André Soares Nogueira - Redator ad hoc. Conforme relatado, o relator original deste feito era o conselheiro Nelso Kichel. Esse, no entanto, desligou-se da Turma após apresentado seu relatório e proferido seu voto. Fl. 5120DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Desta forma, este conselheiro foi indicado relator ad hoc para a presente sessão de julgamento. Destaco que o voto abaixo corresponde fielmente ao voto proferido pelo relator original, conselheiro Nelso Kichel. As divergências deste relator ad hoc em relação ao voto do relator original estão registradas na ata de julgamento e no decisum. Passo ao voto do ilustre conselheiro Nelso Kichel. 1- ADMISSIBILIDADE DOS RECURSOS Os Recursos Voluntários foram apresentados tempestivamente e preenchem os demais pressupostos de admissibilidade quanto: a) ao sujeito passivo IBBCA 2008 GESTÃO EM SAÚDE LTDA (e-fls. 4334/4410); b) aos responsáveis solidários: (i) FERNANDO ANTON BASUS BISPO (e-fls. 4415/4426); (ii) FERNANDO SOUZA BISPO (e-fls. 4433/4444); (iii) INSTITUTO BRASILEIRO DE BENEFÍCIOS PARA COOPE-RATIVAS E ASSOCIAÇÕES INSTITUTO PROSPERITY (e-fls. 4465/4475 e 4533/4543); e (iv) CLÁUDIO JORGE PÓVOA DOS SANTOS (e-fls. 4483/4494, 4508/4519 e 4561/4572). Portanto, conheço dos recursos. 2- MATÉRIA DEVOLVIDA PARA APRECIAÇÃO POR ESTÁ E. TURMA - INSTÂNCIA RECURSAL Conforme já relatado, a lide versa acerca das seguintes infrações imputações efetuadas pelo Fisco, com multa qualificada (150%): I - Infração Omissão de Receitas: a) - estorno indevido de receitas pelo sujeito passivo (conta de resultado) em 01/10/2012, valor tributável R$ 797.702,00 (R$ 107.978,79 + R$ 94.569,04 + R$ 595.154,27). Vide TFV(e- fls. 136/139); b) - receitas não oferecidas à tributação (utilização pelo sujeito passivo de interposta pessoa -Instituto Prosperity), valor tributável R$ 13.158.399,64: (...) Fl. 5121DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 (...) Obs: (i) Durante a ação fiscal no IBBCA e no decorrer da diligencia efetuada no Instituto Prosperity, a Fiscalização constatou: - que o Instituto Prosperity prestou serviços de escopo da titularidade do fiscalizado, mais especificamente cobrança de mensalidades por conta e ordem de terceiros (IBBCA), não obstante ser entidade isenta conforme cadastros da Receita Federal do Brasil. - que o Instituto Prosperity contabilizou “Repasses para IBBCA” a título de “Planos Administrados”, não transitados, porém, pelo resultado do fiscalizado nem tributado pela Prosperity, entidade isenta). Vide TVF (e-fls. 139/148). II - Infração Omissão de Receitas - Saldo Credor de Caixa, fato gerador 28/12/2012 (RIR/99, art. 281, I), valor tributável R$ 3.932.498,32 Obs: (i) O sujeito passivo registrou na escrituração contábil, em 28/12/ 2012, aquisição de bens do Instituto Prosperity, valor R$ 4.005.325,17, porém, nessa data, só tinha saldo disponível em Caixa R$ 72.826,85 = diferença saldo credor de caixa R$ 3.932.498,32. Nesse sentido, consta do TVF (e-fls. 131/132): (...) Fl. 5122DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 (...) (...) Fl. 5123DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 III - Infração Glosa de Despesas Não Comprovadas, valor tributável R$ 2.852.858,02 e IV - Infração reflexa: IRRF - Pagamento Sem Causa (valor tributável da infração principal, porém com base de cálculo reajustada). Consta do TVF acerca dessas duas infrações a seguinte descrição dos fatos (e-fls. 80/111): (...) (...) (...) Obs: (i) As infrações Compensação Indevida de Prejuízo Fiscal e Compensação Indevida de Base de Cálculo Negativa de CSLL não foram contestadas na instância a quo (matéria preclusa). Fl. 5124DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 (ii) As infrações IRPJ - Multa Isolada - Falta de Pagamento de Estimativa Mensal e CSLL - Multa Isolada - Falta de Pagamento Estimativa Mensal foram afastadas pela decisão a quo (crédito tributário exonerado nessa parte). - Sujeição Passiva - Responsabilidade pelo Crédito Tributário: a) CLAUDIO JORGE PÓVOA SANTOS (CTN, art. 124, II) b) FERNANDO ANTON BASUS BISPO CTN, art. 124, II); c) FERNANDO SOUZA BISPO CTN, art. 124, II); d) INST. BRAS. DE BENEFÍCIOS P/ COOPERATIVAS - PROSPERITY CTN, art. 124, I). Nas razões do recurso, o sujeito passivo, em síntese, pediu a reforma da decisão recorrida: 1 - que não deve prevalecer a infração glosa das despesas e da infração reflexa IRRF -Pagamentos sem Causa, pois teria comprovado a efetiva prestação dos serviços pelos fornecedores contratados; 2 - que não houve a apuração de saldo credor de caixa. Na realidade, a aquisição dos ativos do Instituto feita pela recorrente ocorreu por meio do pagamento pela recorrente das dívidas do Instituto com terceiros e, depois, mediante encontro de contas até o valor dos respectivos ativos (imóvel, móveis, software e hardware); 3 - que em relação à infração omissão de receitas (estornos de receitas, em conta de resultado, e utilização de interposta pessoa): a) que o estorno feito em sua conta de resultado decorreu de ajustes feitos em sua contabilidade. Esses ajustes estão relacionados a erro de parametrização de seu sistema informatizado, que gerava a incorreta adição ou a exclusão de receitas em sua conta de resultado. Tanto isso é verdade, que no mesmo período a recorrente adicionou valores na mesma conta em que ocorreu o estorno, a fim de ajustar a sua contabilidade ao que ocorreu de fato; b) que não pode ser responsabilizada pela receita auferida pelo Instituto, por ausência de base legal. Além disso, demonstrou que o valor cobrado pela D. Fiscalização Federal é maior do que o devido, pois não leva em consideração o repasse feito pela recorrente para as operadoras de benefícios. 4 - Exigência de PIS e Cofins: - que, na qualidade de operadora administradora de planos de assistência à saúde, encontra-se sujeita à sistemática cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS e não ao sistema não-cumulativo como quer a Fiscalização. 5 - Requer o cancelamento da multa de 150%, tendo em vista a ausência de comprovação inequívoca de fraude e essa multa seja aplicada apenas às infrações nas quais se entenda que houve fraude e não a todas as infrações imputadas à Recorrente, em especial nas autuações envolvendo a Contribuição ao PIS e a COFINS; 6- Protestou provar o alegado por todos os meios de prova em Direito admitidos, notadamente a conversão do feito em diligência para que prevaleça a verdade material. Os responsáveis solidários (já mencionados acima): Fl. 5125DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 - que, primeiro, quanto ao crédito tributário lançado de ofício, apresentaram as mesmas razões já apresentadas pela IBBCA 2008 GESTÃO EM SAÚDE LTDA contra as infrações imputadas (pediram o cancelamento das infrações imputadas); - que, em relação à sujeição passiva solidária, cada qual, pediu a nulidade/afastamento da imputação da sujeição passiva: a) falta de conduta que pudesse ensejar da responsabilização do impugnante (simplesmente foi imputada a sujeição passiva solidária por fazer parte do quadro social da empresa autuada); b) inexistência de atos capazes de ensejar a responsabilização do recorrente. Identificados os pontos controvertidos, passo a enfrentá-los. PROTESTO GENÉRICO PELA JUNTADA POSTERIOR DE PROVA E DILIGÊNCIA FISCAL. PEDIDO REJEITADO Em face da argumentação da recorrente, nas razões do recurso, de que as provas que juntara aos autos (82 Anexos) (e-fls.2979/3764), quando da apresentação da impugnação na instância a quo, deveriam ser reapreciadas nesta instância recursal, pois a decisão recorrida as considerou, todas, inconsistentes e insuficientes para afastar as infrações imputadas pelo Fisco, então na sessão de 19/03/2019 - por prudência - o julgamento foi convertido em diligência, para que a Fiscalização da unidade de origem pudesse se manifestar quanto aos documentos (elementos de prova) juntados aos autos pela contribuinte, conforme Resolução nº 1301-000.664 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (e-fls. 4624/4648). Então, por prudência, com base nos princípios do formalismo moderado e da verdade material em face da gama de documentos juntados quando da apresentação da Impugnação na instância a quo, por força da Resolução CARF já citada, os autos retornaram à unidade de origem da RFB, no caso DRF/Rio de Janeiro II para manifestação. A Fiscalização da unidade de origem - DRF/Rio de Janeiro II, após analisar esses documentos, concluiu que, na verdade, a contribuinte reapresentou documentos que já haviam sido analisados durante o procedimento de fiscalização (antes da lavratura do auto de infração) e que, portanto, não produziu outras provas que não as que já haviam sido analisadas, sopesadas, pela Fiscalização durante o procedimentos de investigação dos fatos, conforme resultado da diligência (e-fls. 4653/4665). Nesse sentido, transcrevo excerto do resultado - Relatório de Diligência (e-fls. 4653/4665),quanto às provas juntadas na primeira instância e que reclamou por nova análise nas razões do recurso nesta instância, in verbis: (...) Senão vejamos a partir de uma análise dos quase 1.700 documentos coligidos: 1.sob o pálio de Doc. n° 02 ( fl. 2.982 a 3.003 ) e alterações contratuais firmados, reproduzem os mesmos ajustes contratuais que já houvera colocados à disposição do Fisco. 2. Sob o manto de Doc. n° 03 e 04, despicienda a colação, às fl. 3.004 a 3.079, do inteiro teor dos autos de infração e do encerramento da ação fiscal (fl. 3.080 a 3.082), quando sabidamente já coligidos às fl. 2 a 75 do e-PAF. 3. Doc. nº 05 ( fl. 3.083 a 3.102 ), pactos contratuais e aditivo n° 1 firmados com Instituto Prosperity em 16/11/2009, 18/12/2009 e 10/12/2009 respectivamente. Fl. 5126DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 4.Doc. n° 05-A ( fl. 3.108 a 3.109 ), contrato prestação de serviços ajustado com A6 Serv. Adm. Empresarial Ltda, em 19/10/2009. 5. Doc. nº 06 ( fl. 3.103 a 3.107), troca de e-mail. 6.Doc. nº 06-A ( fl. 3.115 a 3.119 ), troca de e-mail. 7. Doc. nº 07 ( fl. 3.120 a 3.123, aditivo contratual nº 4, assentado com a ANASP, em 06/04/2012. 8.Doc. nº 08, fl. 3.124 a 3.144, e-mail e Estatutos da ANASPS. 9.Doc. nº 09 ( fl. 3.145 a 3.162), contrato de prestação de serviços aprazado com AGR & Associados Consultoria e Marketing, em 16/12/2010. 10.Doc. nº 10 ( fl. 3.162 a 3.164), publicação exemplares da ASMETRO. 11.Doc. nº 11 ( fl. 3.165 a 3.108), e-mail. 12.Doc. nº 12 ( fl. 3.168 a 3.184 ),comprovante pagamento à AGR, no valor de R$ 64.123, 63, em sendo R$ 1.923,70 ref. ao mês de junho de 2012. 13.Doc. n° 13 ( fl. 3.184 a 3.200 ), contratos de prestação de serviços firmado com AYA36D Conceitos em Projetos Imobiliários Ltda., em 05/03/2012. 14. Doc. n° 14 ( fl. 3.201 a 3.337 ), inúmeros e-mails, grande variedades de orçamentos de fornecimento de materiais, documentos – não fiscais -, propostas de fornecimento de materiais, plantas do prédio, pululam projetos, instalações de ar condicionado ( STR, Klimatec, Orçamento de Pedras Faro), contratos de prestação de serviços ajustados com AYA36D Conceitos em Projetos Imobiliários Ltda. Nota fiscal nº 6.103, de 11/04/2012, de emissão de Barra de São Miguel Participações S/A, produto denominado de régua vinil., no vr. de R$ 3.406,32, ref. devolução de mercadoria constante da NF n° 5.951, no vr. de R$ 3.324,92;nota fiscal n° 248, de 03/05/2012, de Cortinax – Confecções especiais ( fl. 3.237), no montante de R$ 10.870,00; nota fiscal de serviços, emitida por AYA360, em 22/08/2012, acerca de serviço de consultoria prestado à diligenciada, no vr. de R$ 11.625,20 ( fl. 3.239);nota fiscal n° 991, de emissão de KJS – Vidros, de 03/05/2012, no vr. de R$ 510,00 ( fl. 3.245); nota fiscal n° 6.103, de 11/04/2012, de emissão de Revitech, produto denominado de régua vinil., no vr. de R$ 5.406,32 ( fl. 3.267); nota fiscal n° 033, de 08/05/2012, de Arte Madeira ( fl. 3.316), no montante de R$ 1.800,00. 15. Doc. n° 15 ( fl. 3.338 a 3.343 ), contrato social de Basus & EKDE ( fl. 3.339 a 3.343 ), de 31/01/2007. 16.Doc. n° 16 ( fl. 3.344 a 3.352 ), instrumento particular de parceria de Basus & EKDE, emitido em 31/01/2007. 17.Doc. n° 17 ( fl. 3.354 a 3.358 ), aditivo contratual em face do instrumento particular de parceria de Basus & e EKDE ), de 01/01/2013 ( curiosamente 01/01 é feriado e não alcança o ano-calendário, objeto da autuação). 18.Doc. n° 18 ( fl. 3.359 a 3.396 ), relatórios de comissões e agenciamentos e planilhas correspondentes. 19. Doc. n° 19 ( fl. 3.397 a 3.405 ), contrato de prestação de serviços firmado com a empresa BEGA – Serviços Ltda (ME ), de 19/03/2012. Objeto: consultoria de informações, cadastro e cobrança. 20. Doc. n° 20 ( fl. 3.406 a 3.408), e-mails. 21. Doc. n° 21 ( fl. 3.409 a 3.416), contrato ( de 26/05/2011) e termo aditivo contratual ( de 19/07/2012) de prestação de serviços acordados com Branco & e Rodrigues Assessoria Empresarial. 22. Doc. n° 22 ( fl. 3.417 a 3.418), e-mail. 23. Doc. n° 23 ( fl. 3.419 a 3.420), relatório de comissões . Fl. 5127DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 24. Doc. n° 24 ( fl. 3.421 a 3.431), contrato de parceria de prestação serviços e venda firmado com Casulo Intermediações e Eventos, de 02/12/2010. 25. Doc. n° 25 ( fl. 3.432), recibo borderô. 26. Doc. n° 26 ( fl. 3.433 a 3.437), consultas ao Serasa. 27. Doc. n° 26 ( fl. 3.438 a 3.444), contrato e termo aditivo contratual de prestação de serviços pactuados com Centro Médico Granja, de 10/07/2012. 28. Doc. n° 28 ( fl. 3.445 a 3.447), documento de identidade e eleitoral. 29. Doc. n° 29 ( fl. 3.448 a 3.451),documento ilegível ( borrões negros ). 30. Doc. n° 30 ( fl. 3.452 a 3.461), contrato particular de parceria e intermediação firmado com DS Martins Intermediações, de 04/08/2011. 31. Doc. n° 31 ( fl. 3.462 a 3.464), termo aditivo contratual nº 1, aprazado com DS Martins, de 01/03/2012. 32. Doc. n° 32 ( fl. 3.465 a 3.466), continuação termo contratual com DS Martins. 33. Doc. n° 33 ( fl. 3.467 a 3.473), e-mails. 34. Doc. n° 34 ( fl. 3.474 a 3.478), consulta ao Serasa. 35. Doc. n° 35 ( fl. 3.479 a 3.480), e-mail trocado. 36. Doc. n° 36 ( fl. 3.481 a 3.530), Planilhas e documentos diversos não fiscais acerca das comissões pagas ou devidas. 37. Doc. n° 37 ( fl. 3.531 a 3.535), consulta ao Serasa. 38. Doc. n° 38 ( fl. 3.536 a 3.541), contrato de prestação de serviços firmado com Guimafra Serviços Ltda, de 16/11/2011. 39. Doc. n° 39 ( fl. 3.542 a 3.547), termos aditivos 1 e 2 contratuais com Guimafra, acordado em 19/07/2012. 40. Doc. n° 40 ( fl. 3.548 a 3.550), e-mail. 41. Doc. n° 41 ( fl. 3.551 a 3.561), relatórios de agenciamentos e documentos não fiscais. 42. Doc. n° 42 ( fl. 3.562 a 3.571), contrato de parceria e prestação serviços firmado com Hórus Intermediação e Negócios Ltda, de 01/06/2011. 43. Doc. n° 43 ( fl. 3.572 a 3.575), aditivo contratual com a empresa Hórus, de 01/06/2011. 44. Doc. n° 44 ( fl. 3.576 a 3.580), contrato social da empresa Hórus, de 08/05/2011. 45. Doc. n° 45 ( fl. 3.581 a 3.582), alvará de licença da empresa Hórus. 46. Doc. n° 46 ( fl. 3.583 a 3.584), nota fiscal de serviços emitida por Gráfica Editora De Vita, sob o n° 381, de 22/01/2013, no valor de R$ 5.600,00. 47. Doc. n° 47 ( fl. 3.585 a 3.586), comprovante de inscrição estadual de Gráfica Editora de Vita. 48. Doc. n° 48 ( fl. 3.587 a 3.594 ),contrato de prestação serviços com Nova Premissa, sem data e sem assinaturas das partes. 49. Doc. n° 49 ( fl. 3.595 a 3.600 ), aditivos contratuais 1 e 2 firmados com a empresa Nova Premissa, ambos de 01/08/2011. 50. Doc. n° 50 ( fl. 3.601 a 3.602 ), recibo borderô. 51. Doc. n° 51 ( fl. 3.603 a 3.610 ), diversos relatórios de comissões. 52. Doc. n° 52 ( fl. 3.611 a 3.615 ), Consulta ao Serasa. 53. Doc. n° 53 ( fl. 3.616 a 3.624 ), contrato de prestação de serviços e Anexo firmados com PJ Finance Services Ltda. Fl. 5128DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 54. Doc. n° 54 ( fl. 3.625 a 3.630 ), contrato de prestação de serviços firmado com PN25 Serviços Ltda, de 04/06/2012. 55. Doc. n° 55 ( fl. 3.631 a 3.639 ), contrato firmado com o Instituto Prosperity com Rantonioli Assessoria e Angariações e Negócios Ltda., e carta de renúncia de diretor da diligenciada, de 08/06/2009. 56. Doc. n° 56 ( fl. 3.640 a 3.642 ), troca de e-mails. 57. Doc. n° 57 ( fl. 3.643 a 3.649 ), planilha- relatório de comissões. 58. Doc. n° 58 ( fl. 3.650 a 3.652 ), troca de e-mail. 59. Doc. n° 59 ( fl. 3.653 a 3.663 ), contrato de prestação de serviços firmado com Ravanti Intermediações e Eventos Ltda (ME), de 16/03/2009. 60. Doc. n° 60 ( fl. 3.664 a 3.666 ), aditivo contratual nº 2 firmado com Ravanti, de 01/09/2011. 61. Doc. n° 61 ( fl. 3.667 a 3.668 ), recibo borderô acerca de comissões. 62. Doc. n° 62 ( fl. 3.669 a 3.671 ), e-mails e documentos sem identificação e não aplicável ao caso presente. 63. Doc. n° 63 ( fl. 3.672 a 3.683 ), ação judicial monitória impetrada por Ravanti contra a diligenciada, acompanhada de planilha de créditos da impetrante, e-mail, Nota fiscal de Serviços n° 90, emitida em 02/10/2014 ref. a serv. prestados em setembro de 2014, no vr. de R$ 11.456,60; e nota fiscal 091, de 02/10/2014, ref. a serviços efetuados no mês de setembro de 2014, vr.R$ 1.982,22. 64. Doc. n° 64 ( fl. 3.684 a 3.685 ), documento borrado, portanto, sem identificação. 65. Doc. n° 65 ( fl. 3.686 a 3.690 ), consulta ao Serasa. 66. Doc. n° 66 ( fl. 3.691 a 3.701), contrato social da empresa S.B.C.,Representações e Negócios Ltda, de 23/08/2003. 67. Doc. n° 67 ( fl. 3.702 a 3.709 ), contrato de prestação de serviços firmado com a Associação dos Servidores da Secretaria de Estado de Planejamento/Palácio Guanabara, de 18/02/2010. 68. Doc. n° 68 ( fl. 3.710 a 3.712 ), aditivo contratual - 4, firmado em 15/02/2012 com a Associação dos Servidores da SECPLAN. 69. Doc. n° 69 ( fl. 3.713 a 3.714 ), comunicado de atualização de mensalidades em face de Associação dos Servidores da Secretaria de Estado de Planejamento/Palácio Guanabara. 70. Doc. n° 70 ( fl. 3.715 a 3.717 ), comunicado sobre promoções tendo como público- alvo a Associação constante do item imediatamente precedente. 71. Doc. n° 71 ( fl. 3.718 a 3.720 ), termo de acordo firmado com SECPLAN, de 15/02/2012. 72. Doc. n° 72 ( fl. 3.721 a 3.727 ), contrato de prestação de serviços e vendas firmado com SENNA – Consultoria em Negócios Ltda., incompleto e sem data. 73. Doc. n° 73 ( fl. 3.728 a 3.729 ), e-mail. 74. Doc. n° 74 ( fl. 3.730 a 3.731 ), recibo de borderô com cópia de cheque no vr. de R$ 150,00 em favor da diligenciada. 75. Doc. n° 75 ( fl. 3.732 a 3.736 ), resilição, em 10/05/2013, de contrato firmado e empresa SENNA. 76. Doc. n° 76 ( fl. 3.737 a 3.738 ), documento com borrões, portanto ilegível. 77. Doc. n° 77 ( fl. 3.739 a 3.743 ), consulta ao Serasa. 78. Doc. n° 78 ( fl. 3.744 a 3.756 ), escritura de compra e venda de imóvel, tendo a diligenciada como outorgada compradora e o Instituto Prosperity como outorgada Fl. 5129DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 vendedora, pelo preço certo de R$ 42.000,00, havida em 2009. Instrumento particular de compra e venda de Hardware ( computadores de mesa equipados com processador), pelo vr. de R$ 678.102,51, firmado em 28/12/2012. Às fl. 3.751, cópia de instrumento particular de compra e venda, com os mesmos atores na condição de comprador e vendedor, de móveis para escritório, no vr. de R$ 1.175.437,66, em 28/12/2012. Aquisição pela diligenciada da empresa PROSPERITY, de software, pelo vr. de R$ 1.550.000,00, em 28/12/2012. 79. Doc. n° 79 ( fl. 3.757 a 3.758 ), comprovante de situação cadastral da operadora diligenciada. 80. Doc. n° 80 ( fl. 3.759 a 3.760 ), comprovante de situação cadastral da operadora diligenciada. 81. Doc. n° 81 ( fl. 3.761 a 3.762 ), comprovante de situação cadastral da operadora diligenciada. 82. Doc. n° 82 ( fl. 3.763 a 3.764 ), dados iniciais da DIPJ – Ex. 2013. A avaliação documental ( itens 01 a 82 ) nos revelou o que se segue: Os elementos probantes anexados à impugnação, portanto apresentados em primeiro grau, não obstante os vários rogos fiscais na fase investigativa são críticos, pois além de repetitivos pecam por não guardarem relação com o centro nuclear da acusação fiscal, ocasião em que foram ofertadas notas fiscais emitidas em períodos seguintes ao ano-calendário; e-mails trocados entre as partes contratadas; notas fiscais por custos ou despesas incorridos e não exigidos no feito acusatório; contratos sociais e alvarás de localização de empresas contratadas sem quaisquer pontuais interesses fiscais ou processuais; comprovante de situação cadastral de terceiros; documentos ilegíveis, por vezes borrados.Uma mixórdia, um arremedo documental exemplar onde pululam diversos itens sem correlação, no mais das vezes com o título de razão contábil a que fora submetida a ação fiscal em tela, entre outras inúmeras incongruências, não se encontrando quaisquer fidelidades ou pontos de aderências com os assentamentos contábeis sob a égide dos títulos de razões nº 4.4.1.3.1.92, 4.6.2.1.1.93.01, 4.6.2.1.1.94.01 e 4.6.2.1.99.04. Tem-se a impressão, data vênia, que ao se coligir um número significativo de documentos, apostou-se numa pseudo letargia que se tem ideologicamente falsa acerca de algum coeficiente de absenteísmo que os apartados inferem ou conferem, inadvertidamente, aos servidores públicos, notadamente aos que integram os quadros da SRFB. Em suma, um apreciável volume documental coligido ( cerca de 1.700), por inúmeras vezes e propositadamente repetidos, ilegíveis, maculados e não amalgamados ao núcleo acusatório, frise-se. (...) Como visto, os autos retornaram, após análise pela fiscalização, e a conclusão, conforme relatório de diligência, é a mesma da decisão recorrida, os documentos juntados aos autos não se prestam para comprovar as despesas escrituradas que reduziram indevidamente a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, ano-calendário 2012 e também são imprestáveis para arrostar as demais infrações imputadas. Assim, não procede a alegação da recorrente de que as provas que juntara aos autos não teriam sido apreciadas adequadamente pela decisão recorrida, pois o resultado da diligência confirmou o entendimento da decisão da DRJ. Na verdade, a recorrente não produziu prova hábil, idônea, cabal, que pudesse sustentar as alegações contra o lançamento fiscal. Mas, não é só isso! Fl. 5130DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Intimada do resultado - Relatório Fiscal de Diligência (e-fls. 4853/4665), a contribuinte apresentou sua irresignação nos autos em 04/12/2019 (e-fls. 4926/4939), discordando das conclusões da diligência, alegando simplesmente que as provas, outra vez, não foram adequadamente analisadas e que os autos do processo, novamente, deveriam ser baixados em diligência. Data venia não procede a irresignação da recorrente em pleitear, reclamar realização de nova diligência. Como visto, o que se tem, em suma, é que os documentos juntados aos autos pela recorrente são imprestáveis, não são aptos, hábeis, idôneos, cabais, para provar suas alegações, no sentido de afastar, infirmar o direito do Fisco. Ora, é ônus do sujeito passivo produzir prova da negativa de ocorrência do fato gerador É ônus do sujeito passivo, também, produzir provas, quando alega existência de fato modificativo, impeditivo ou extintivo do direito do Fisco, conforme art. 373, II, do CPC/2015 de aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal, e o momento adequado, nos termos dos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, é por ocasião da apresentação da impugnação e complementação de provas, nesta instância recursal, por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Não cabe realização de diligência fiscal para substituir a parte na sua atividade de produção de provas, quando o ônus probatório é seu, como no caso. Ainda, registre-se, o pedido genérico de juntada posterior de provas e diligência/perícia técnico-contábil é incabível, sendo considerado não formulado, por não atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993), conforme § 1º do citado Decreto nº 70.235/72. O protesto genérico de juntada posterior de provas, após decorrido o prazo para apresentação do recurso, não tem cabimento se não comprovado motivo de força maior. A diligência não se presta a substituir a parte na sua atividade de produção de prova. As provas constantes dos autos são suficientes para formação da convicção de mérito do julgador da lide. Assim, o pedido genérico de produção de prova, de realização de nova diligência, tem caráter procrastinatório da exigência do crédito tributário. É incabível, no caso, o protesto genérico de produção provas, bem como o pedido de realização de diligência/perícia. Nesse sentido, são também os precedentes jurisprudenciais deste CARF que, a título ilustrativo, transcrevo ementas de acórdãos: NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR.. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto n° 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2°, do artigo 38, da Lei n° 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos Fl. 5131DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão n° 20- 601.462, sessão de 09/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não constitui cerceamento do direito de defesa o indeferimento do pedido de diligência considerada desnecessária, prescindível e formulado sem atendimento aos requisitos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão n° 10-249.407, sessão de 06/11/2008). PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A admissibilidade de diligência ou perícia, por não se constituir em direito do autuado, depende do livre convencimento da autoridade julgadora como meio de melhor apurar os fatos, podendo como tal dispensar quando entender desnecessárias ao deslinde da questão. Ademais, tem-se como não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos do inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, principalmente quando este se revela prescindível. (Acórdão n° 193-00.018, sessão de 13/10/2008). PEDIDO DE PERÍCIA PRESCINDIBILIDADE INDEFERIMENTO. Presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.(Acórdão n° 105-15.978, sessão de 20/07/2006). DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Indefere-se o pedido de diligência ou perícia, cujo objetivo é instruir o processo com as provas que o recorrente deveria produzir em sua defesa, juntamente com a peça impugnatória ou recursal, quando restar evidenciado que o mesmo poderia trazê-las aos autos, se de fato existissem. (Acórdão n° 102-48.141, de 25/01/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido pedido de diligencia quando prescindível, a teor do art. 18 do Decreto n° 70.235/72.(Acórdão n° 201- 80.294, sessão de 23/05/2007). PERÍCIA. DESNECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando o exame de um técnico é desnecessário à solução da controvérsia, apenas circunscrita à matéria contábil e aos argumentos jurídicos ordinariamente compreendidos na esfera do saber do julgador.(Acórdão n° 102-22.937, sessão de 28/03/2007). DILIGÊNCIA E PERÍCIA. NEGATIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. É incabível a realização de diligência ou perícia para responder a quesitos de natureza legal, cujo conhecimento seja elementar ou que se refiram a prova passível de produção unilateral pelo contribuinte.(Ac. 3302- 01.280, sessão de 09/11/2011, Relator José Antonio Francisco). PEDIDO DE PERÍCIA TÉCNICA CONTÁBIL. MEIO DE PROVA DESNECESSÁRIO. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia técnica, para análise de dados que integram a escrituração contábil e já presentes nos autos, demonstra intenção protelatória e não caracteriza cerceamento do direito de defesa quando indeferido. A autoridade julgadora é livre para formar sua convicção devidamente motivada, podendo deferir perícias quando entendê-las necessárias, ou indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, sem que isto configure preterição do direito de defesa. Por se tratar de prova especial subordinada a requisitos específicos, a perícia só pode ser admitida, pelo Julgador, quando a apuração do fato litigioso não se puder fazer pelos meios ordinários de convencimento.(Ac. n° 1802-001.006, sessão de 17/10/2011). Fl. 5132DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 ASSUNTO: PERÍCIA/DILIGÊNCIA PRESCINDIBILIDADE - A perícia se reserva à elucidação de pontos duvidosos que requeiram conhecimentos especializados para deslinde do litígio, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos (Acórdão CSRF 107-05.810, Relatora Karem Jureidini Dias). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano- calendário:2009,2010,2011.DILIGÊNCIA/PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. A conversão do julgamento em diligência ou perícias só se revela necessária para elucidar pontos duvidosos que requeiram conhecimento técnico especializado para o deslinde de questão controversa. Não se justifica a sua realização quando presentes nos autos elementos suficientes a formar a convicção do julgador.(Acórdão n° 1402003.129-4 Câmara/2 a Turma Ordinária, sessão de 15/05/2018, Conselheiro Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator). Portanto, rejeito o protesto genérico pela produção posterior de provas e diligência /perícia. INFRAÇÃO GLOSA DE DESPESAS E INFRAÇÃO REFLEXA: IRRF - PAGAMENTO SEM CAUSA - Infração Glosa de Despesas Não Comprovadas, valor tributável R$ 2.852.858,02 e infração reflexa: IRRF - Pagamento Sem Causa (valor tributável da infração anterior, porém com base de cálculo reajustada). A recorrente, nas razões de defesa, argumentou, em síntese - que prepara planos de saúde e odontológicos em nome das operadoras de benefícios e os oferece a diversas pessoas jurídicas (planos coletivos por adesão), como por exemplo a Caixa de Assistência dos Advogados do Rio de Janeiro ("CAARJ") e Associação de Servidores da Secretaria de Planejamento do Estado do Rio de Janeiro ("SECPLAN"); b) que para o oferecimento, fazer a comercialização desses planos, contrata diversas empresas de corretagem que fazem o marketing, buscam novos clientes; c) que, no caso de adesão dos clientes pessoas físicas ao plano coletivo oferecido, os corretores são remunerados por uma parcela do preço pago pelos clientes quando da adesão, ou seja, o valor pago pela pessoa física quando da adesão pertence à impugnante, sendo descontado a remuneração do corretor (comissão); d) que a estrutura operacional pode ser descrita conforme o seguinte diagrama: Fl. 5133DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 e) que atua como uma operadora administradora, quanto aos planos das operadoras de benefícios, paras as pessoas físicas, sempre buscando a oferta dos melhores planos, ou seja, a maior cobertura possível, pelo menor preço. A Fiscalização glosou despesas pagas pela recorrente a 25 (vinte e cinco) empresas contratadas, por falta de comprovação da efetiva prestação do serviço contratado, conforme TVF (e-fls. 80/111): (...) 6. O IBBCA reduziu, indevidamente, seu Lucro Líquido do Exercício do ano-calendário 2012, tendo em vista a apropriação de despesas, sem a comprovação hábil e idônea, dos serviços prestados, em contas contábeis a seguir listadas, cujos lançamentos efetuados no Livro Razão, objeto do presente auto de infração, foram transcritos neste Termo Fiscal. 6.1. “Honorários Serviços Técnicos” Conta Contábil 4.6.2.1.1.94.01 6.2. “Despesas com Cobranças” Conta Contábil 4.4.1.3.1.91.01 6.3. “Despesas Consultoria” Conta Contábil 4.6.2.1.1.93.01 6.4. “Despesas Corretagem” Conta Contábil 4.6.2.1.99.04 7. As glosas se deram em função de apropriações de despesas cuja efetividade da prestação dos serviços não foram plenamente documentadas, com documentação hábil e idônea, tendo esta fiscalização individualizado e agrupado os lançamentos por fornecedor, para melhor visualização da matéria em questão. 8. Assim, agrupamos os fornecedores: 8.1. A&F Intermediação de Negócios Ltda. (pagamento de corretagem, comissão) (...) 8.2. A6 Serviços Administrativos Empresarial Ltda. (consultoria, serviços técnicos) (...) 8.3. Account Consultoria e Corretagem de Seguros Ltda. (corretagem) (...) 8.4. AGR & Associados Consultoria e Marketing Ltda. (consultoria) (...) 8.5. AYA360 Conceitos em Projetos Imobiliários Ltda. (consultoria, serviços técnicos) (...) 8.6. AYASPA Bem Estar e Cosméticos S.A. (consultoria, corretagem) (...) 8.7. Basus & Ekde Intermediações e Negócios Ltda. (corretagem) (...) 8.8. Bega Serviços Ltda. (consultoria, serviços técnicos) (...) 8.9. Branco e Rodrigues Assessoria Empresarial Ltda. (consultoria, serviços técnicos, viagens, condução e passagem) Fl. 5134DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 (...) 8.10. Casulo Intermediações e Eventos Ltda. (corretagem) (....) 8.11. Centro Médico Granja Julieta (serviços técnicos) (...) 8.12. DSMartins Intermediações e Negócios Ltda. (corretagem) (...) 8.13. Essencial Agenciamento de Planos de Saúde (corretagem) (...) 8.14. Fisiomed – Clinica de Ortopedia e Fisioterapia S/C Ltda. (serviços técnicos) (...) 8.15. Guimafra Serviços Ltda. (serviços técnicos, cobrança) (...) 8.16. Horus Intermediações e Negócios Ltda. (serviços técnicos, corretagem) (...) 8.17. Leonardo de Assumpção de Vita Gráfica (serviços técnicos, despesa financeira, material de expediente, formulários operacionais) (...) 8.18. Nova Premissa Serviços Ltda. (consultoria, serviços técnicos, corretagem) (...) 8.19. PJ Finance Services Ltda. (serviços técnicos) (...) 8.20. PN2S Serviços Ltda. (cobrança) (...) 8.21. Rantonioli Assessoria Angariações e Negócios Ltda.(corretagem) (...) 8.22. Ravanti Intermediação e Eventos Ltda. (corretagem) (...) 8.23. S.B.C. Representações e Negócios Ltda. (serviços técnicos, corretagem) (...) 8.24. Secplan – Associação dos Servidores da Secplan (corretagem, serviços técnicos, donativos) (...) 8.25. Senna Consultoria em Negócios Ltda. (corretagem) (...) 13. Notas fiscais e contratos, por si só, não geram direito à apropriação sob a forma de custo ou despesa; faz-se necessário cumprir com os requisitos legais: (...). 14. Não nos foi demonstrado, por meio de documentação hábil e idônea, quais serviços foram efetivamente prestados, por meio de documentações de suporte para cada um destes montantes. (...) Fl. 5135DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 18. Consoante o disposto nos artigos 247, 248, 249 inciso I e 251 do Decreto 3.000, 1999, a falta de comprovação da efetividade da prestação do serviço implicara em considerá-las indedutíveis e o valor apurado, como dedução indevida do lucro líquido , será adicionado ao mesmo, para recomposição do Lucro Real. (...) 20. Diante dos fatos acima demonstrados não restou outra alternativa à fiscalização a não ser a de expurgar os montantes apropriados pelo IBBCA, a título de despesas, por estarem em desacordo com o disposto na legislação tributária vigente, uma vez que o fiscalizado não logrou comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a efetividade da prestação do serviço. 21. Diante da ausência de comprovação, pelo IBBCA, quanto a efetividade da prestação dos serviços, após decorridos aproximadamente 15 meses do início da ação fiscal, não restou alternativa ao fisco senão a de considerar que o IBBCA, com o intuito de fraude, apropriou-se de documentos fiscais com o animus de reduzir seu o lucro líquido do exercício, e de dar saída de recursos financeiros, pagamento sem causa, pela saída de numerários sem a devida comprovação quanto a efetiva realização dos serviços prestados. (...) Veja, os documentos que foram apresentados à ao fisco no procedimento de fiscalização (documentos insuficientes para comprovação da efetiva prestação do serviço contratado): 1- Contratada A6 Serviços Administrativos Empresarial Ltda (NFe - Nota Carioca - e-fls. 442/445) - Honorários de Serviços Técnicos, de Consultoria (e-fls. 449/450). 2- Contratada Account Consultoria e Corretagem de Seguros Ltda (NFe- Nota Carioca e-fls. 451). 3 - AGR & Associados Consultoria e Marketing Ltda - NFe - Nota Carioca (e-fl. 452). 4 - Contratada AYA 360 Conceito em Projetos Imobiliários Ltda (NFe- Nota Carioca - e-fls. 453/466). 5- Contratada AYASPA BEM ESTAR E COSMÉTICOS LTDA (NFe - Nota Carioca - e-fls. 466/476). 6 - Contratada BASUS & EDKE INTERMEDIAÇÕES E NEGÓCIOS LTDA (NFe - Nota Carioca - e-fls. 477/497). 7-BEGA SERVIÇOS LTDA (NFe - Nota Carioca - e-fls. 499/510). 8 - Branco e Rodrigues Assessoria Empresarial Ltda (NFe-Nota Carioca - e-fls. 511/549). 9 - No caso do Contrato de Parceria para obtenção de negócios, com prazo de cinco anos (cláusula quarta), firmado em 02/12/2010, com a CASULO INTERMEDIAÇÕES E EVENTOS LTDA - ME (e-fls. 550/570). Notas Fiscais de Serviços Eletrônica - Nota Carioca (e-fls. 550/559). 11 - Centro Médico Granja Julieta S/S Ltda (NFe de Prestação de Serviços) (e-fl. 572/574); 12 -DS Martins Intermediações (NFe- Nota Carioca- e planilha relação de de nºs de notas fiscais e-fls. 575/579); Fl. 5136DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 13 - Essencial Agenciamento de Planos de Saúde Ltda (NFe- Nota Carioca -e-fls. 580/582); 14 - FISIOMED Clínica de Ortopedia e Fisioterapia S/C Ltda (NF Serviços e-fls. 583/597); 15 - Guimafra Serviços Ltda (NFe - Nota Carioca e planilha e-fls. 598/618 e Aditivo Contratual 2 - e-fls. 663/664 ); 16 - Horus Intermediações e Negócios Ltda (NFe - Nota Carioca e planilha - e-fls. 619/626); 17 - Leonardo de Assumpção de Vita Gráfica -ME (NF e-fls. 627/630); 18 - Leopold e Lopes Intermediações e Consultoria Ltda (Cópia de Aditivo Contratual 2 e NFe - Nota Carioca - e-fls. 631/640); 19 - Nova Premissa Serviços Ltda - ME (Aditivo Contratual e NFe - Nota Cariica - e-fls. 641/650); 20 - PJ Finance Serviços Ltda - ME (Nota Carioca e-fls. 651/654); 21 - PN2S Serviços Ltda - ME ( NFe - Nota Carioca - e cópia de Contrato e-fls. 655/662 e e-fls. 665/669); 22 - Rantonioli Assessoria Angariações e Negócios (NFe - Nota Carioca - e planilha - e-fls. 670/680); 23 - Ravanti Intermediações e Eventos Ltda - ME (Planilha e NFe - Nota Carioca - e-fls. 681/682); 24 - S.B.C . Representações e Negícios Ltda (NFe - Nota Carioca - e-fls. 683/690)/ - Associação dos Servidores da SecPlan (NFe - Nota Carioca - e-fls. 691/708); 25 - Senna Consultoria (NFe-Nota Carioca - e Contrato - e-fls. 709/729). A decisão recorrida manteve a glosa: O resultado da diligência também foi infrutífero para a recorrente, pois - como já mencionado antes - a contribuinte limitou-se juntar provas que já constavam dos autos e rechaçadas pela fiscalização, por isso foram consideradas imprestáveis para afastar o lançamento fiscal, conforme decisão recorrida e resultado da diligência. A falta de comprovação da efetiva prestação ou execução dos serviços contratados pelas empresas contratadas é reafirmada pela Fiscalização no resultado -Relatório de Diligência (e-fls. 4653/4660), e que adoto como fundamentação, razão de decidir: (...) A avaliação documental ( itens 01 a 82 ) nos revelou o que se segue: Os elementos probantes anexados à impugnação, portanto apresentados em primeiro grau, não obstante os vários rogos fiscais na fase investigativa são críticos, pois além de repetitivos pecam por não guardarem relação com o centro nuclear da acusação fiscal, ocasião em que foram ofertadas notas fiscais emitidas em períodos seguintes ao ano-calendário; e-mails trocados entre as partes contratadas; notas fiscais por custos ou despesas incorridos e não exigidos no feito acusatório; contratos sociais e alvarás de localização de empresas contratadas sem quaisquer pontuais interesses fiscais ou processuais; comprovante de situação cadastral de terceiros; documentos ilegíveis, por Fl. 5137DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 vezes borrados. Uma mixórdia, um arremedo documental exemplar onde pululam diversos itens sem correlação, no mais das vezes com o título de razão contábil a que fora submetida a ação fiscal em tela, entre outras inúmeras incongruências, não se encontrando quaisquer fidelidades ou pontos de aderências com os assentamentos contábeis sob a égide dos títulos de razões nº 4.4.1.3.1.92, 4.6.2.1.1.93.01, 4.6.2.1.1.94.01 e 4.6.2.1.99.04. Tem-se a impressão, data vênia, que ao se coligir um número significativo de documentos, apostou-se numa pseudo letargia que se tem ideologicamente falsa acerca de algum coeficiente de absenteísmo que os apartados inferem ou conferem, inadvertidamente, aos servidores públicos, notadamente aos que integram os quadros da SRFB. Em suma, um apreciável volume documental coligido ( cerca de 1.700), por inúmeras vezes e propositadamente repetidos, ilegíveis, maculados e não amalgamados ao núcleo acusatório, frise-se. Objetivando-se clarificar os desencontros, não se trata, na espécie, de glosa de custos e de despesas por absoluta falta de comprovação. Faltam elementos, como se demonstrará a posteriori, que garantam a efetividade dos serviços prestados, mormente que permitam ao fisco saber da sua necessidade, normalidade e usualidade para a manutenção da fonte produtora. Portanto, sob a égide do regime de competência, pouco importa a liquidação da dívida, ou o seu pagamento. O regime implica ocorrência do fato gerador, o que nos remete ao conceito de despesas ou custos incorridos, ainda que não pagos. Sublinha-se que, no caso presente, todos os gastos glosados foram adimplidos. O Fisco, em momento algum asseverou que as despesas não ocorreram. Pois, se crível esta afirmação, só para argumentar, estar-se-ia frente a contratos e notas fiscais apócrifas, tingidas pela sua idoneidade. Esta não foi a capitulação legal, pois não corroborada pela imposição de multa de 150%, sem se descurar da indescartável Representação Fiscal Para Fins Penais (RFFP) junto ao Ministério Público Federal que, na hipótese, não ocorrera. (...) É consabido que, para a dedutibilidade de despesas deste jaez, independer se as despesas foram pagas ou não, pois no regime de competência esse não é um fator causal de dedutibilidade; dir-se-ia até mesmo desnecessária – pois sem qualquer sentido eficaz -, tal comprovação. Ademais, o pagamento de uma despesa, mesmo no regime de caixa, não garante a sua dedutibilidade, pois esta depende da natureza do dispêndio e não da sua liquidação, qualquer que seja a sua forma. (...) No caso da diligenciada, não só as notas fiscais coligidas não se correlacionam com o que fora exigido e descrito no TVF, este com riquezas de minúcias (detalhamento por prestador/vendedor de serviços e bens ), como também a diligenciada acabou por anexar inúmeras notas fiscais emitidas em 2013 e 2014 e, não obstante, outras que, em nenhum momento, foram exigidas pela ação fiscal ( vide itens 14, 46 e 63 antes perfilhados). Das apresentadas, somente a nota fiscal sob o número 045, de 22/08/2012, no valor de R$ 11.625,00, de emissão de AYA360 - Conceitos em Projetos Imobiliários Ltda. cumpre, em parte, o exigido pela ação fiscal. Descarta- se o seu aproveitamento redutor da verba reclamada em auto de infração, pois como parcela referente ao serviço de consultoria, de se notar que a simples existência de nota fiscal, ainda que amparada em contrato de prestação de serviços, porém desprotegida de relatórios profissionais exaustivos e conclusivos, culminando pela não identificação dos profissionais e suas qualificações, bem como a forma de vínculos desses com a empresa prestadora de serviços, além da falta do necessário laudo de execução e encerramento dos serviços contratados, não permitem o exame detido dos fatos e não comprovam a efetividade dos serviços contratados de forma iniludível. (...) Fl. 5138DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 (...) Intimada do resultado da diligência a recorrente, argumentou: (...) (í) Glosa de custos/despesas pela prestação efetiva do serviço não comprovado 5. No que concerne a essa alegada infração, a D. Fiscalização Federal simplesmente ignorou toda a documentação trazida à colação pela Recorrente, justificando a manutenção da glosa das despesas com base na ausência de “relatórios profissionais exaustivos e conclusivos” e de “laudo de execução e encerramento dos serviços contratados” que permitissem “o exame detido dos fatos” e a comprovação da “efetividade dos serviços contratados de forma iniludível” (fls. 7 das Apreciações Conclusivas). (...) 7. Como já esclarecido ao longo do presente processo administrativo, a Recorrente é uma operadora administradora de benefícios, com expertise na gestão de planos de saúde e odontológicos. Nesse sentido, a Recorrente oferece para seus clientes planos coletivos por adesão, em que se garante assistência de saúde aos indivíduos vinculados a determinada pessoa jurídica de caráter profissional, classista ou setorial. 8. Ocorre que o oferecimento e a divulgação desses planos de benefícios para as pessoas jurídicas e para as pessoas físicas vinculadas a essas pessoas jurídicas são realizados por empresas corretoras que são contratadas pela Recorrente para difundirem os produtos oferecidos aos seus potenciais clientes. 9. Em outras palavras, a Recorrente contrata diversas empresas de corretagem para que façam o marketing, busquem novos clientes e atuem como a força de venda dos diversos produtos administrados pela Recorrente. (...) 12. Portanto, fica evidente que os pagamentos efetuados pela Recorrente para as corretoras encontram-se intrinsecamente relacionados à atividade-fim da Recorrente, devendo ser considerados necessários, normais e usuais para a manutenção da sua fonte produtora. 13. Com efeito, como adiantado acima, as corretoras funcionam como o departamento de marketing (vendas) da Recorrente, e a remuneração pela obtenção de novos clientes encontra-se flagrantemente vinculada ao desenvolvimento do seu negócio. 14. Ocorre que as atividades desenvolvidas pela Recorrente não envolvem serviços de alta complexidade que demandem a apresentação de ‘relatórios profissionais exaustivos e conclusivos” e de ‘laudo de execução e encerramento dos serviços contratados”, como sustenta a D. Fiscalização Federal. 15. Assinale-se que a Recorrente firma o contrato com as corretoras e, mediante a apresentação bem-sucedida de clientes novos, aperfeiçoa-se a relação de causa e efeito da remuneração. Portanto, a exigência documental formulada pela D. Fiscalização Federal é totalmente descabida no presente caso. 16. Por outro lado, a verificação da efetividade da prestação dos serviços poderia ter sido verificada pela D. Fiscalização Federal mediante a singela comparação entre os contratos firmados pela Recorrente com as corretoras e a lista de clientes da Recorrente, inclusive já apresentada nos autos. Isto porque, mediante tal comparação, a D. Fiscalização Federal teria a prova do motivo que justificou o pagamento entre as corretoras e a Recorrente. 17. Todavia, isso não foi feito pela D. Fiscalização Federal que ignorou o conjunto fático-probatório trazido aos autos pela Recorrente. Com efeito, a D. Fiscalização Federal se limitou a apresentar uma listagem dos documentos colacionados pela Recorrente, sem adentrar o mérito da capacidade probatória de cada um desses Fl. 5139DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 elementos. Em outras palavras, a D. Fiscalização Federal não obrou realizar a diligência nos moldes pretendidos por esse Egrégio CARF. 18. Por esse motivo, a Recorrente requer que seja determinada nova diligência para análise de cada documento apresentado nos autos, que suporta a dedutibilidade das despesas incorridas pela Recorrente. 19. Alternativamente, em razão do amplo conjunto fático-probatório já apresentado nos autos, a Recorrente pleiteia que sejam reconhecidas a necessidade, normalidade e usualidade dessas despesas, justificando o cancelamento dessa infração atribuida à Recorrente. (ii) Exigência de IRRF por pagamentos sem causa (infração reflexa da anterior) (...) 21. Como se não bastasse, a D. Fiscalização Federal apresentou uma tabela que, na verdade, suporta o afastamento da exigência do IRRF. Isto porque, reconhece expressamente que não se trata, na espécie, de glosa de custos e de despesas por absoluta falta de comprovação” (fis. 6 das Apreciações Conclusivas). 22. E continua a D. Fiscalização Federal “faltam elementos, como se demonstrará a posteriori, que garantam a efetividade dos serviços prestados, mormente que permitam ao fisco saber da sua necessidade, normalidade e usualidade para manutenção da fonte produtora.” (fls. 6 das Apreciações Conclusivas). 23. Ora, Ilustre Julgador, fica evidente que, na visão da D. Fiscalização Federal, não se trata de caso de (i) ausência absoluta de documentação fiscal; ou (U) de existência de documentação fiscal contrafatados, falsos e inidôneos, o que justificaria a exigência do IRRF. 24, Nessa linha, na medida em que a infração atribuída à Recorrente não se enquadra na hipótese de custo/despesa não comprovado, mas sim de custo/despesa indedutivel, segundo o entendimento da própria D. Fiscalização Federal, não aplicável a exigência do IRRF, conforme a tabela produzida pelo próprio Fisco Federal. (...) Data venia, como já disse, não procede a irresignação da recorrente quanto a essas duas infrações imputadas. A contribuinte não comprovou a efetiva prestação dos serviços contratados e registrados na escrita contábil, pois a mera juntada de nota fiscal não comprova a realização efetiva de serviços. Não há prova da efetiva prestação dos serviços contratados. No caso, a contribuinte não apresentou documentos que pudessem embasar, legitimar, a dedução das despesas/custos (operações escrituradas); que não apresentou documentos hábeis ou idôneos que pudessem expressar, com minudência, os bens ou serviços efetivamente adquiridos; se, frente a serviços técnicos, corretagens, além de NF e do contrato, necessário juntada de relatórios profissionais exaustivos e conclusivos, inclusive nominando os profissionais, suas qualificações e forma de vínculos desses com a empresa prestadora de serviços, além de laudo de execução e encerramento dos serviços contratados. O argumento da recorrente, sem juntar prova da efetiva prestação dos serviços pela empresas contratadas, apenas confirma, reafirma, a precariedade da sua escrituração contábil, in verbis: (...) 15. Assinale-se que a Recorrente firma o contrato com as corretoras e, mediante a apresentação bem-sucedida de clientes novos, aperfeiçoa-se a relação de causa e efeito Fl. 5140DF CARF MF Original Fl. 41 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 da remuneração. Portanto, a exigência documental formulada pela D. Fiscalização Federal é totalmente descabida no presente caso. 16. Por outro lado, a verificação da efetividade da prestação dos serviços poderia ter sido verificada pela D. Fiscalização Federal mediante a singela comparação entre os contratos firmados pela Recorrente com as corretoras e a lista de clientes da Recorrente, inclusive já apresentada nos autos. Isto porque, mediante tal comparação, a D. Fiscalização Federal teria a prova do motivo que justificou o pagamento entre as corretoras e a Recorrente. (...) Por isso, a fiscalização, com plausibilidade fático-jurídica, consignou no TVF a dedução indevida de despesas na apuração do IRPJ e da CSLL, ano-calendário 2012, quanto aos serviços contratados pela recorrente, pois deixara de produzir prova efetiva de que os serviços foram realmente prestados ou executados (e-fls. 80/111): (...) Obs: Total da despesas glosadas R$ 2.852.858,02, ano-calendário 2012. Assim, em consonância com as conclusões da diligência fiscal, tem-se como não comprovada a efetiva prestação, execução, dos serviços contratados das 25 (vinte e cinco) empresas citadas anteriormente. Mantém-se a glosa das despesas. Ademais, diversamente do alegado pela recorrente, deve-se manter, também, a infração imputada IRRF - Pagamento sem Causa, por ser infração reflexa da glosa de despesas (serviços contratados cuja prestação ou execução efetiva desses serviços não restou comprovada). Nessa parte consta do relatório de diligência (e-fl. 4660): (...) 2) Exigência de IRRF por pagamento sem causa (infração reflexa da anterior) Matéria não prequestionada em primeiro grau (vide fl. 3.775 e 3.776). Consta, explicitamente, de Recurso Voluntário às fl. 4.339, 4.340 e 4.343, 4.381, 4.382, 4.383, 4.384 e 4.408. ( Resolução às fl. 4.643 a 4.645 ) Fl. 5141DF CARF MF Original Fl. 42 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Sobre essa exigência que decorreu da infração anterior, a tabela a seguir colacionada expõe a posição deste AFRFB diligenciador relacionada ao tema. (...) Ou seja: a infração IRRF - Pagamento sem Causa deve ser mantida, pois - como não restou comprovada a efetiva prestação dos serviços contratados - os pagamentos restaram sem causa, cabível a exigência do IRRF. Portanto, devem ser mantidas as infrações GLOSA DE DESPESAS E EXIGÊNCIA DE IRRF -PAGAMENTO SEM CAUSA (infração reflexa). INFRAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS - SALDO CREDOR DE CAIXA Omissão de Receitas - Saldo Credor de Caixa, fato gerador 28/12/2012 (RIR/99, art. 281, I), valor tributável R$ 3.932.498,32. Obs: (i) O sujeito passivo registrou na escrituração contábil, em 28/12/ 2012, aquisição de bens do Instituto Prosperity, valor R$ 4.005.325,17, porém, nessa data, só tinha saldo disponível em Caixa R$ 72.826,85 = diferença saldo credor de caixa R$ 3.932.498,32. Nesse sentido, consta do TVF (e-fls. 131/132): (...) Fl. 5142DF CARF MF Original Fl. 43 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 (...) (...) Nas razões do recurso, a contribuinte pediu a reforma da decisão recorrida para afastamento dessa infração omissão de receitas, alegando, em resumo: (...) 335. Sobre a terceira infração, a Recorrente comprovou que não houve a apuração de saldo credor de caixa. Na realidade, a aquisição dos ativos do Instituto feita pela Recorrente ocorreu por meio do pagamento pela Recorrente das dívidas do Instituto com terceiros e, depois, mediante encontro de contas até o valor dos respectivos ativos (imóvel, móveis, software e hardware). (...) Fl. 5143DF CARF MF Original Fl. 44 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 O resultado da diligência fiscal, quanto à infração em tela, em nada alterou a infração imputada omissão de receitas - saldo credor de caixa, pois a recorrente não produziu provas de suas alegações (e-fls. 4660/4662). (...) A infração imputada deve ser mantida, pois não procedem as alegações da recorrente. Conforme excertos transcritos anteriormente a partir do TVF, a conta contábil Adiantamentos a Fornecedores, no dia 01/01/2012, apresentava saldo de R$ 148.946,17. Se dívidas do Instituto Prosperity tivessem sido pagas em períodos anteriores a 01/01/2012, o saldo da conta Adiantamentos a Fornecedores, nessa data, deveria apresentar saldo, pelo menos, o valor do indigitado encontro de contas, ou seja, R$ 4.005.325,17. Assim, resta patente o saldo credor de caixa de R$ 3.932.498,32. A questão já foi bem enfrentada pela decisão a quo, cuja fundamentação do voto condutor adoto também, como razão de decidir e, na parte essencial, , transcrevo (e-fls. 4235/4249), in verbis: (...) 149. A impugnante explica que os "ativos imobilizados" por ela adquiridos, e que tiveram questionada a origem dos recursos no termo de verificação fiscal, foram: (i) o imóvel localizado na Avenida Treze de Maio, n°33, sala 1.402, Rio de Janeiro-RJ; (ii) equipamentos eletrônicos (Hardware); (iii) móveis e utensílios; e (iv) sistemas de computação (software). Argumenta que essas aquisições teriam sido suportadas por contratos de compra e venda (doc. n° 78). 150. Defende que a afirmação da Fiscalização de que a Impugnante não possuía disponibilidade financeira suficiente para fazer frente a essas aquisições não merece prosperar e, com o intuito de demonstrar o motivo da aquisição dos referidos ativos e a origem dos recursos utilizados nessa compra, esclarece que antes da sua constituição os seus sócios utilizavam o Instituto Prosperity para exercerem as atividades de operadora e administradora de benefícios, desempenhando, assim, no passado, as atividades atualmente desempenhadas pela Impugnante. 151. No entanto, explica que "em 2009, com a edição das Resoluções Normativas n°s 195 e 196 pela ANS, as atividades exercidas pelas operadoras administradoras de benefícios não poderiam mais ser realizadas por meio de institutos, devendo ... serem realizadas por pessoas jurídicas com fins lucrativos, seja na forma de sociedade empresarial limitada ou sociedades anônimas", razão pela qual "os sócios do Instituto criaram a Impugnante e, paulatinamente, passaram a migrar as atividades do Instituto para a Impugnante, o que incluiu a transferência de todos os ativos necessários para a prestação de serviço de operadora administradora de benefícios". 152. Ressalta que "Diante da impossibilidade de cisão parcial do Instituto para transferência dos seus ativos para a Impugnante, foram celebrados os contratos de compra e venda em questão, por meio do qual se transferiram ativos do Instituto para a Impugnante, a fim de permitir que esta última exercesse as atividades de operadora administradora de benefícios", explicando ainda que "essa transferência de ativos, via compra e venda, se deve ao entendimento manifestado pela Receita Federal, por meio da Solução de Consulta COSIT n° 10/2007, no sentido de não ser possível a transferência de ativos de entidades sem Fins lucrativos para entes com a finalidade lucrativa". 153. Justificou ainda que "como toda empresa recém aberta, a Impugnante não possuía em 2012 disponibilidade para efetuar a aquisição de todos os ativos do Instituto", por Fl. 5144DF CARF MF Original Fl. 45 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 isso "optou por assumir dívidas do Instituto perante terceiros, até o limite dos valores constantes no contratos de compra e venda", dívidas essas do Instituto que "tinham origem, inclusive, na época em que a atividade de operadora administradora de benefícios era exercida pelo Instituto", e que a operação estaria refletida na contabilidade de ambas as empresas, sendo em conta de passivo (adiantamento de fornecedores) no caso da Impugnante, não havendo lançamento em conta de ativo (caixa) no caso do Instituto. Argumenta que "esses lançamentos contábeis são coincidentes com os valores pagos pela Impugnante em nome do Instituto" e ainda "coincidentes com aqueles devidos a título de aquisição do imóvel, dos móveis, do hardware e do software". (...) 155. Conforme visto, foi descrito no Termo de Verificação Fiscal que a Fiscalização questionou à contribuinte o lançamento contábil em que foi creditado na conta patrimonial ativa n° "1.2.7.8.1.95.02.01 - Adiantamento a Fornecedores" o valor de R$ 4.005.325,17, em 28 de dezembro de 2012, com o histórico denominado de "Baixa de Adiantamentos Diversos", tendo as seguintes contrapartidas a débito em contas do Ativo: 1.2.1.1.1.01.01 - Caixa Geral R$ 1.785,00 (D) 1.1.3.2.4.1.92.01 - Edificações R$ 600.000,00 (D) 1.3.3.4.2.91.10.01 - Equip. Proc. Elet de Dados - Hardware R$ 689.331,74 (D) 1.3.3.5.2.01.01 - Moveis e Utensílios R$ 1.164.208,43 (D) 1.3.4.1.2.91.20.01 - Sistemas de Computação R$ 1.550.000,00 (D) 1.2.7.8.1.95.02.01 - Adiantamento a Fornecedores R$ 4.005.325,17(C). 156. Relativamente à conta contábil 1.1.3.2.4.1.92.01 — "Edificações", pela aquisição de imóvel localizado na Av. Treze de Maio, 33, sala 1402, no valor de R$ 600.000,00, de Instituto Prosperity, CNPJ 05.999.063/0001-17, entidade ligada ao fiscalizado, conforme Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização fez as seguintes considerações: "• O IBBCA vinha sendo reiteradamente intimado, desde o início da ação fiscal, em 26 de junho de 2015, ou seja, por aproximadamente 15 meses a apresentar seus extratos bancários sem, contudo, tê-los disponibilizados, até a presente data; • Da mesma forma, o Instituto Prosperity fora intimado a apresentar seus extratos bancários sem, contudo, tê-los fornecido a esta fiscalização; • Fora apresentado "Recibo de Venda de Imóvel à Vista" sem, contudo, ter sido demonstrada a origem dos recursos utilizados para tal pagamento "à vista" e "em moeda. • Nada foi esclarecido a esta fiscalização, pela IBBCA, quanto ao quesito de "quando" e "de que modo" teria efetuado adiantamento ao Instituto Prosperity bem como a esclarecer o histórico do lançamento contábil "Baixa de Adiantamento Diversos'", conta 1.2.7.8.1.95.02.01, "Adiantamento a Fornecedores"; • Esta fiscalização não identificou, nos livros do IBBCA, qualquer lançamento a debito na contábil na conta 1.2.7.8.1.95.02.01, "Adiantamento a Fornecedores", destinado ao Instituto Prosperity, em data anterior ao contabilizado a título de "Baixa de Adiantamento Diversos", ou seja, em período anterior a 28 de dezembro de 2012, que pudesse servir de subsídio ao lançamento contábil efetuado pelo IBBCA; • Ressalte-se que, de acordo com o SPED contábil do fiscalizado, a conta contábil 1.2.7.8.1.95.02.01, "Adiantamento a Fornecedores" apresentava saldo, em 01 de janeiro de 2012, de R$ 148.946,17 e em 27 de dezembro de 2012, data anterior ao lançamento a crédito, saldo de R$ 12.915.148,88. Como podemos verificar, o baixo saldo inicial (01/01/2012), não comportava um "adiantamento", em períodos anteriores, no valor de R$ 4.005.325,17. Porém o saldo, em 27/12/2012, de R$ 12.915.148,99, dia anterior ao lançamento a crédito, no valor de R$ 4.005.325,17, pareceu ao IBBCA Fl. 5145DF CARF MF Original Fl. 46 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 "convidativo" para sombrear um lançamento contábil a credito nesta conta, ao invés de ter sido efetuado, apropriadamente, em conta de disponibilidade, "Caixa" ou "Banco"; • Em análise das contas de disponibilidade do fiscalizado, verificamos os seguintes saldos: Caixa, conta 1.2.1.1.1.01.01: ■ Saldo Inicial 01/01/2012 - R$ 6.115,47 ■ Saldo em 28/12/12012 - R$ 72.826,85, data em que se deu o último lançamento do ano, nesta conta contábil. 1.2.1.3.1 "Bancos Conta Depósito" ■ Saldo inicial em 01/01/2012 - R$ 121.403,85 ■ Saldo em 28/12/2012 - R$ 379.008,56, ■ Movimentação posterior com valores comprometidos com consumos diversos ao relacionado a aquisição do imóvel em tela. Conforme verificado, o IBBCA não tinha saldo suficiente, em conta de disponibilidade, 1.2.1.1.1.01.01 Caixa para suportar um lançamento a crédito de R$ 4.005.325,17, pelo pagamento de bens do ativo permanente, "à vista" e "em moeda corrente", conforme "Recibo de Venda de Imóvel à Vista" fornecido pelo IBBCA e pelo Prosperity; • Não houve, no Instituto Prosperity, qualquer referência escritural pelo fato contábil em tela. • DIPJ entregue à Receita Federal do Brasil, pelo Instituto Prosperity, relativamente ao ano-calendário de 2011, indica como valores do Ativo ZERO, para 01/01/2011 e 31/12/2011. • DIPJ entregue à Receita Federal do Brasil, pelo Instituto Prosperity, relativamente ao ano-calendário de 2012, indica como valores do Ativo de 2012: Outras Imobilizações em 01/01/2012: R$ 5.043.000,00 Depreciações, amortizações e exaustão em 01/01/2012: R$ 511.292,20 Depreciações, amortizações e exaustão em 31/12/2012: R$ 424.378,44 Móveis e Utensílios em 01/01/2012: R$ 2.028.205,53 Móveis e Utensílios em 31/12/2012: R$ 200.000,00 Software ou Programas de Computador em 01/01/2012: R$ 5.650.840,00 Software ou Programas de Computador em 31/12/2012: R$ 4.100.840,00 Amortização intangível 01/01/2012: R$ 28.336,08 Amortização intangível em 31/12/2012: R$ 42.504,12 • Documentação de compra do imóvel pelo diligenciado, escritura pública em anexo, datada de 08 de maio de 2009, indica que o custo do imóvel no Instituto Prosperity o era de R$ 42.000,00, não se confirmando o valor de R$ 600.000,00 informados pelo diligenciado; • Documentos fornecidos pelas fiscalizada e diligenciada: Escritura Definitiva do Imóvel relativamente à aquisição do bem pelo Instituto Prosperity, data de 08 de maio de 2009; Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de Imóvel, relativamente a alienação pelo Instituto Prosperity ao IBBCA, data de 28 de dezembro de 2012; Recibo de quitação da Venda de Imóvel, “à vista” e “em moeda corrente”, data de 28 de dezembro de 2012, quando esta fiscalização procedera com o ajuste do lançamento contábil, creditando-se o montante na conta contábil Caixa, 1.2.1.1.1.01.01". Fl. 5146DF CARF MF Original Fl. 47 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 157. "Relativamente a conta contábil 1.3.4.1.2.91.20.01 – “Ativo Intangível – Não- Hospitalar – Sistema de Computação”, pela aquisição de ativo no valor de R$ 1.550.000,00, de Instituto Prosperity, CNPJ 05.999.063/0001-17, entidade ligada, com histórico: “Pela Aquisição de Softwares conforme Recibos, de Instituto Brasileiro Coop Inst. Prosperity”, a Fiscalização, no TVF, fls. 117 a 121, informa as seguintes considerações: •O IBBCA vem sendo reiteradamente intimado, desde o início da ação fiscal, ou seja, em 26 de junho de 2015, vale dizer, por aproximadamente 15 meses, a apresentar os extratos bancários de IBBCA sem, contudo, têlos disponibilizados, até a presente data. •Da mesma forma, o Instituto Prosperity fora intimado a apresentar seus extratos bancários sem, contudo, tê-los fornecido a esta fiscalização. •A escrituração contábil do IBBCA não reflete o contabilizado pelo diligenciado, Instituto Prosperity. O Prosperity debitou na conta “Caixa Geral” o montante de R$ 1.550.000,00, sem que, contudo, o IBBCA tenha procedido com crédito em conta de disponibilidade no mesmo montante. (grifos não originais); • O IBBCA, por sua vez creditou o montante de R$ 1.550.000,00 em conta patrimonial ativa 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores” sem que esclarecesse, a esta fiscalização, “quando” e “de que modo” teria efetuado tal adiantamento ao Instituto Prosperity, assim como a não esclareceu o histórico do lançamento contábil “Baixa de Adiantamento Diversos”; • Esta fiscalização não identificou, nos livros do IBBCA, qualquer lançamento a débito na contábil na conta 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores”, destinado ao Instituto Prosperity, em data anterior ao contabilizado a título de “Baixa de Adiantamento Diversos”, ou seja, em período anterior a 28 de dezembro de 2012, que pudesse servir de subsidio ao lançamento contábil efetuado pelo IBBCA; • Ressalte-se que, de acordo com o SPED contábil do fiscalizado, a conta contábil 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores” apresentava saldo, em 01 de janeiro de 2012, de R$ 148.946,17 e em 27 de dezembro de 2012, data anterior ao lançamento a crédito, saldo de R$ 12.915.148,88. Como podemos verificar, o baixo saldo inicial (01/01/2012), não comportava um “adiantamento”, em períodos anteriores, no valor de R$ 4.005.325,17. Porém o saldo, em 27/12/2012, de R$ 12.915.148,99, dia anterior ao lançamento a credito, no valor de R$ 4.005.325,17, pareceu ao IBBCA “convidativo” para sombrear um lançamento contábil a crédito nesta conta, ao invés de ter sido efetuado, apropriadamente, em conta de disponibilidade, “Caixa” ou “Banco”; (...) 158. "Relativamente ao valor contabilizado a débito da conta contábil 1.3.3.4.2.91.10.01 – “Equip. Proc. Eletr. De Dados - Hardware”, R$ 689.331,74, de Instituto Prosperity, CNPJ 05.999.063/0001-17, histórico: “Pela Aquisição de Hardwares conforme Recibos, de Instituto Brasileiro Coop Inst. Prosperity", a Fiscalização, informa no TVF, fls. 122 a 125, as seguintes considerações: Diante do exposto, seguem as considerações da Fiscalização relativamente a aquisição de “Hardware”, no valor de R$ 689.331,74, de Instituto Prosperity: •O IBBCA vinha sendo reiteradamente intimado, desde o início da ação fiscal, em 26 de junho de 2015, ou seja, por aproximadamente 15 meses a apresentar os extratos bancários de IBBCA sem, contudo, tê-los disponibilizados, até a presente data; •Da mesma forma, o Instituto Prosperity fora intimado a apresentar seus extratos bancários sem, contudo, tê-los fornecido a esta fiscalização; •Instituto Prosperity não apresentou qualquer documentação relativamente a aquisição bens objeto deste quesito; Fl. 5147DF CARF MF Original Fl. 48 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 •Intimado a esclarecer se o valor a título de custo de aquisição de Hardware no valor de R$ R$ 454.727,59 refere-se ao do quesito em tela, o Prosperity nada respondeu, até a presente data. •Documentos fornecidos pelos IBBCA e Prosperity: o Instrumento particular de Promessa de Compra e Venda de Hardware • A escrituração contábil do IBBCA não reflete o contabilizado pelo diligenciado, Instituto Prosperity. O Prosperity debitou na conta “Caixa Geral” o montante de R$ 689.331,74 sem que, contudo, o IBBCA tenha procedido com crédito em conta de disponibilidade no mesmo montante.(grifos não originais) • O IBBCA, por sua vez creditou o montante de R$ 4.005.325,17, aí incluídos o valor de R$ 689.331,74 em conta patrimonial ativa 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores” sem que esclarecesse, a esta fiscalização, “quando” e “de que modo” teria efetuado tal adiantamento ao Instituto Prosperity, assim como a não esclareceu o histórico do lançamento contábil “Baixa de Adiantamento Diversos”; •Esta fiscalização não identificou, nos livros do IBBCA, qualquer lançamento a debito na contábil na conta 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores”, destinado ao Instituto Prosperity, em data anterior ao contabilizado a título de “Baixa de Adiantamento Diversos”, ou seja, em período anterior a 28 de dezembro de 2012, que pudesse servir de subsídio ao lançamento contábil efetuado pelo IBBCA; •Ressalte-se que, de acordo com o SPED contábil do fiscalizado, a conta contábil 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores” apresentava saldo, em 01 de janeiro de 2012, de R$ 148.946,17 e em 27 de dezembro de 2012, data anterior ao lançamento a crédito, saldo de R$ 12.915.148,88. Como podemos verificar, o baixo saldo inicial (01/01/2012), não comportava um “adiantamento”, em períodos anteriores, no valor de R$ 4.005.325,17. Porém o saldo, em 27/12/2012, de R$ 12.915.148,99, dia anterior ao lançamento a crédito, no valor de R$ 4.005.325,17, pareceu ao IBBCA “convidativo” para sombrear um lançamento contábil a crédito nesta conta, ao invés de ter sido efetuado, apropriadamente, em conta de disponibilidade, “Caixa” ou “Banco”; (...) 159. "Relativamente ao valor contabilizado a debito da conta contábil 1.3.3.5.2.91.01 “Moveis e Utensílios”, pela aquisição de bens do ativo, no valor de R$ 1.164.208,43, de Instituto Prosperity, CNPJ 05.999.063/0001-17, entidade ligada", a Fiscalização, informa no TVF, fls. 125 a 130, que fez as seguintes considerações: •O contribuinte vem sendo reiteradamente intimado, desde o início da ação fiscal, em 26 de junho de 2015, ou seja, por aproximadamente 15 meses a apresentar os extratos bancários da IBBCA sem, contudo, tê-los disponibilizados, até a presente data •Da mesma forma, o Instituto Prosperity fora intimado a apresentar seus extratos bancários sem, contudo, tê-los fornecido a esta fiscalização. •O Instituto Prosperity não apresentou, até a presente data, documentação que comprovasse a aquisição dos bens objeto deste quesito, tampouco os cálculos de depreciação. •DIPJ entregue a Receita Federal do Brasil, pelo Prosperity, relativamente ao ano- calendário de 2011, indica como valores do Ativo ZERO, para 01/01/2011 e 31/12/2011 •DIPJ entregue a Receita Federal do Brasil, pelo Prosperity, relativamente ao ano- calendário de 2012, indica como valores do Ativo e 2012: (...) o Instrumento particular de Promessa de Compra e Venda de Moveis e Utensílios Fl. 5148DF CARF MF Original Fl. 49 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 •A escrituração contábil do IBBCA não reflete o contabilizado pelo diligenciado, Instituto Prosperity. O Prosperity debitou na conta “Caixa Geral” o montante de R$ 1.164.208,43, sem que, contudo, o IBBCA tenha procedido com crédito em conta de disponibilidade no mesmo montante. (grifos não originais) •O IBBCA, por sua vez creditou o montante de R$ 1.164.208,43 em conta patrimonial ativa 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores” sem que esclarecesse, a esta fiscalização, “quando” e “de que modo” teria efetuado tal adiantamento ao Instituto Prosperity, assim como a não esclareceu o histórico do lançamento contábil “Baixa de Adiantamento Diversos”; • Esta fiscalização não identificou, nos livros do IBBCA, qualquer lançamento a debito na contábil na conta 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores”, destinado ao Instituto Prosperity, em data anterior ao contabilizado a título de “Baixa de Adiantamento Diversos”, ou seja, em período anterior a 28 de dezembro de 2012, que pudesse servir de subsidio ao lançamento contábil efetuado pelo IBBCA; • Ressalte-se que, de acordo com o SPED contábil do fiscalizado, a conta contábil 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores” apresentava saldo, em 01 de janeiro de 2012, de R$ 148.946,17 e em 27 de dezembro de 2012, data anterior ao lançamento a crédito, saldo de R$ 12.915.148,88. Como podemos verificar, o baixo saldo inicial (01/01/2012), não comportava um “adiantamento”, em períodos anteriores, no valor de R$ 4.005.325,17. Porém o saldo, em 27/12/2012, de R$ 12.915.148,99, dia anterior ao lançamento a crédito, no valor de R$ 4.005.325,17, pareceu ao IBBCA “convidativo” para sombrear um lançamento contábil a crédito nesta conta, ao invés de ter sido efetuado, apropriadamente, em conta de disponibilidade, “Caixa” ou “Banco”; (...) 160. A fiscalização destaca que "intimou, reiteradamente, o fiscalizado a esclarecer o motivo pelo qual contabilizou a crédito da conta contábil ativa nº 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores”, histórico “Baixa de Adiantamento Diversos” o valor total de R$ 4.005.325,17, em 28 de dezembro de 2012, em contrapartida pela aquisição de bens do ativo permanente" e que ficou "demonstrado, pela documentação fornecida pelo IBBCA e escrituração e documentação disponibilizadas pelo Prosperity, que houve a liquidação financeira para pagamentos dos bens. Intimado a comprovar a origem dos recursos para tais desembolsos o IBBCA nada respondeu, até a presente data". 161. Reiterou, a Fiscalização, que "não foram identificados, nos livros do IBBCA, qualquer lançamento a débito na contábil na conta 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores”, destinado ao Instituto Prosperity, em data anterior ao contabilizado a título de “Baixa de Adiantamento Diversos”, ou seja, em período anterior a 28 de dezembro de 2012, que pudesse servir de subsídio ao lançamento contábil efetuado pelo IBBCA". (...) 28. Não tendo o fiscalizado apresentado resposta que justificasse a escrituração de tais fatos contábeis a crédito da conta 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores” e, ainda, na ausência de uma tênue demonstração da origem dos recursos utilizados para os pagamentos efetuados ao Instituto Prosperity, na aquisição de bens ativáveis, esta fiscalização considerara tais montantes a crédito da conta “Caixa Geral”, pelo montante de R$ 4.005.325,17, conforme transcrito a seguir. Fl. 5149DF CARF MF Original Fl. 50 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 (...) 164. Conclui o autuante por uma omissão a título de saldo credor de caixa de R$ 3.932,498,32 relativamente ao período de apuração de 31/12/2012. (...) 174. (...). A informação na contabilidade do Instituto Prosperity, no seu "Caixa Geral", apenas reforça que se tratou de venda à vista em moeda corrente, ao contrário da alegação da impugnação de que teria assumido dívidas do Instituto Prosperity no mesmo valor das transferências dos ativos. 175 . Não procede, portanto, a afirmação da contribuinte de que teria assumido as dívidas do Instituto Prosperity por não ter recursos em 2012 e que esta seria a origem da aquisição dos ativos. 176. Tanto o recibo de recebimento à vista em moeda corrente, como os registros no Caixa Geral do Instituto Prosperity, além da ausência saldos de disponibilidades em Caixa e em Bancos da autuada e ausência de débitos e/ou justificativa para o saldo devedor na conta de Ativo da autuada “Adiantamento a Fornecedores”, imediatamente antes do lançamento a crédito nessa mesma conta no valor de R$ 4.005.325,17, corroboram a apuração do saldo credor de caixa obtido pela diferença de R$ 3.932.498,32, entre esse crédito de R$ 4.005.325,17 para aquisição dos ativos acima mencionados (Edificações, Móveis e utensílios, hardware e software) e o saldo anterior de Caixa registrado, que era de R$ 72.826,85.175 . Não procede, portanto, a afirmação da contribuinte de que teria assumido as dívidas do Instituto Prosperity por não ter recursos em 2012 e que esta seria a origem da aquisição dos ativos. 176. Tanto o recibo de recebimento à vista em moeda corrente, como os registros no Caixa Geral do Instituto Prosperity, além da ausência saldos de disponibilidades em Caixa e em Bancos da autuada e ausência de débitos e/ou justificativa para o saldo devedor na conta de Ativo da autuada “Adiantamento a Fornecedores”, imediatamente antes do lançamento a crédito nessa mesma conta no valor de R$ 4.005.325,17, corroboram a apuração do saldo credor de caixa obtido pela diferença de R$ 3.932.498,32, entre esse crédito de R$ 4.005.325,17 para aquisição dos ativos acima mencionados (Edificações, Móveis e utensílios, hardware e software) e o saldo anterior de Caixa registrado, que era de R$ 72.826,85. 177. Mantém-se, por conseguinte, a omissão por saldo credor de caixa no valor de R$ 3.932.498,32, tendo em vista o disposto no art. 281, I e II, do RIR/99. Art. 281. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto- Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40 ): I - a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II - a falta de escrituração de pagamentos efetuados; ” (...) Portanto, deve ser mantida a infração omissão de receitas - saldo credor de caixa, pois a contribuinte não conseguiu produzir provas para afastar essa presunção legal. OMISSÃO DE RECEITAS DE VENDAS E SERVIÇOS Fl. 5150DF CARF MF Original Fl. 51 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 O fisco imputou infração Omissão de Receitas de vendas e serviços, ano- calendário 2012, diferenciando em dois subtópicos: a) - estorno indevido de receitas pelo sujeito passivo (conta de resultado) em 01/10/2012, valor tributável R$ 797.702,00 (R$ 107.978,79 + R$ 94.569,04 + R$ 595.154,27). Vide TFV(e- fls. 136/139); b) - receitas não oferecidas à tributação (utilização pelo sujeito passivo de interposta pessoa -Instituto Prosperity), valor tributável R$ 13.158.399,64: A recorrente alegou, nas razões do recurso, buscando a reforma da decisão recorrida: (...) 336. No que se refere à quarta infração, a Recorrente comprovou que o estorno feito em sua conta de resultado decorreu de ajustes feitos em sua contabilidade. Esses ajustes estão relacionados a erro de parametrização de seu sistema informatizado, que gerava a incorreta adição ou a exclusão de receitas em sua conta de resultado. Tanto isso é verdade, que no mesmo período a Recorrente adicionou valores na mesma conta em que ocorreu o estorno, a fim de ajustar a sua contabilidade ao que ocorreu de fato. 337. (...), a Recorrente demonstrou que não pode ser responsabilizada pela receita auferida pelo Instituto, por ausência de base legal. Além disso, demonstrou que o valor cobrado pela D. Fiscalização Federal é maior do que o devido, pois não leva em consideração o repasse feito pela Recorrente para as operadoras de benefícios. (...) Omissão de receitas por estorno de receitas em conta de resultado: R$ 797.702,00 (R$ 107.978,79 + R$ 94.569,04 + R$ 595.154,27). Vide TFV (e-fls. 136/139); No TVF consta que "O contribuinte efetuou lançamentos a débito de conta de resultado", Conta Receita nº 3.1.3.1.1.91.01 - "Taxa Administração Benefícios Cont. Estipulados", com histórico referindo-se a "Ajuste Receita", tendo como contrapartida créditos em conta patrimonial ativa denominada de "Contrato Estipulados", nº 1.2.3.2.1.91.02.01.01, em 01/10/2012, nos seguintes valores: (i) 01/10/12 - R$ 107.978,69 (ii) 01/10/12 - R$ 94.569,04 (iii) 01/10/12 - R$ 595.154,27 Questionado a esclarecer, detalhadamente, a razão e fundamento legal para o estorno, consta do TVF (e-fls. 136 a 139) que o fiscalizado apenas informou: • ter havido uma reavaliação de receitas dos períodos de janeiro a setembro de 2012; • que, em outubro de 2012, o IBBCA Gestão em Saúde Ltda reavaliou a sua receita e identificou inconsistências no registro da mesma no período de janeiro a setembro de 2012, procedendo, assim, aos referidos ajustes; • que, conforme destacado pela controladoria da empresa, os valores estavam sendo lançados com premissas erradas no sistema; e • que, após estes ajustes, houve também reconhecimento e tributação de receita, não apenas estorno. Fl. 5151DF CARF MF Original Fl. 52 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Em momento algum nos autos, a recorrente comprovou, de forma cabal, a necessidade do estorno de receitas na conta de resultado. Assim, quanto à omissão de receitas por estorno indevido na conta de resultado, adoto a fundamentação da decisão recorrida como razão decidir, por ter enfrentado a questão com acerto (e-fls. 4249/4251), in verbis: (...) II.2.3. Omissão de Receita por Estorno em Conta de Resultado 178. A impugnante alega que essa (...) infração foi indevidamente imputada pela Fiscalização por suposta omissão de receita em razão de lançamentos contábeis efetuados em conta de resultado que teriam gerado estorno de valores supostamente tributáveis. 179. Esclarece, a autuada em sua defesa, "no curso de suas atividades verificou um erro na parametrização de seu sistema informatizado" que "gerava a contabilização extemporânea de receitas decorrentes da taxa de administração dos planos de saúde cobrada de seus clientes", sendo que "o sistema de faturamento informatizado da Impugnante registrava em conta de resultado receitas decorrentes da taxa de administração devidas por seus clientes, sem que tais receitas devessem ser efetivamente reconhecidas pela Impugnante", diante do que, informa, "reviu os boletos emitidos para seus clientes no ano de 2012 e ... ajustou a respectiva conta de resultado para cada mês...", de modo que "nos meses em que o sistema de faturamento gerou uma receita a menor foi adicionado o respectivo montante na conta de resultado. Por outro lado, nos meses em que o faturamento gerou uma receita a maior foi efetuado o estorno desse montante na respectiva conta". (...) 187. Os valores foram considerados omissão de receita, tendo em vista que os estornos não foram comprovados, por meio de documentação hábil e idônea, uma vez que nenhum documento foi fornecido pelo fiscalizado, após decorridos cerca de 15 meses desde o início da ação fiscal, não obstante reintimado para tanto. Essas são as razões do lançamento relativo a esta infração, apresentadas pela Fiscalização no TVF. 188. A contribuinte simplesmente alegou que assim como a mesma registrou estornos no montante de R$ 797.702,00 também registrou adições no montante de R$ 1.603.766,59, e que indicou todos lançamentos de ajuste no histórico, fossem os ajustes a débito ou a crédito, o que não teria não teria sido observado pelo autuante, que teria ignorado os ajustes para adição de receitas e levado em conta apenas os estornos de receitas. 189. Além disso, percebe-se que enquanto no procedimento fiscal alegou reavaliação de receitas e que as mesmas estariam sendo lançadas com premissas erradas no sistema, na impugnação alegou ter havido erro de sistema no lançamento de taxas de administração extemporâneas como receitas. 190. Sejam quais forem as alegações, as mesmas devem vir acompanhadas de provas documental, o que não fez a impugnante. Sequer exibe as alegadas adições. De toda sorte, há que se destacar que há previsão na legislação do imposto de renda para várias adições de receitas. 191. Além disso, as exclusões, a exemplo de estornos, estão sujeitos à comprovação, não bastando simples alegações desacompanhadas da documentação de suporte, quando o contribuinte foi intimado a comprovar o que justificaria os estornos com documentos. (...) Portanto, deve ser mantida a omissão de receitas atinentes aos estornos indevidos de receitas em conta de resultado. Omissão de Receita por Interposta Pessoa Fl. 5152DF CARF MF Original Fl. 53 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Trata-se de receitas não oferecidas à tributação (utilização pelo sujeito passivo de interposta pessoa -Instituto Prosperity), valor tributável R$ 13.158.399,64: (...) (...) A defesa alega ser inadequada a atribuição dessa infração, relativa à utilização de interposição de pessoa ligada para fins de redução da receita auferida pela recorrente e, consequentemente, diminuição do seu lucro tributável. Argumenta a recorrente que a omissão de receita deve ser afastada por erro de identificação do sujeito passivo, impossibilidade de tributação integral dos recebíveis declarados pelo Instituto. A Fiscalização, no procedimento de investigação do IBBCA e diligências no Instituto Prosperity, constatou que este presta serviços de objeto da fiscalizada, "mais especificamente, cobrança de mensalidades, não obstante ser entidade isenta conforme cadastros da Receita Federal do Brasil" (TVF - e-fls. 139/148). O IBBCA foi intimado a esclarecer e a comprovar porque o Instituto Prosperity faz cobranças por conta e ordem do IBBCA; porque o Instituto Prosperity contabiliza "Repasses para IBBCA" a título de "Planos Administrados", não transitados pelo resultado do fiscalizado nem tributado pela Prosperity, entidade isenta. O Instituto Prosperity, também, foi intimado em diligência fiscal a apresentar documentos e a esclarecer porque o Instituto Prosperity efetua serviços de escopo e titularidade da fiscalizada, como cobrança de mensalidades, uma vez que informa ser "por conta e ordem " do IBBCA (solicitação para a apresentar contrato firmado entre o IBBCA e o Prosperity). Em relação à conta contábil nº 1.2.3.2.1.91.02.01.10, “Contratos Estipulados”, o Instituto Prosperity, foi intimado a esclarecer os montantes contabilizados a crédito, "Pelo Recebimento de Mensalidades de Planos de Saúde por Conta de Terceiros."; a esclarecer os montantes contabilizados a débito de "Mensalidades Emitidas"; a apresentar contratos que respaldam tais prestações de serviços pelo Prosperity; esclarecer a natureza e escopo dos serviços que subsidiaram tais recebimentos e o motivo pelo qual a entidade considerou tais montantes como isentos; a indicar o motivo pelo qual não apropriou os montantes a título de rendimentos Fl. 5153DF CARF MF Original Fl. 54 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 tributáveis, em face da finalidade da entidade, nos termos do artigo 174 caput e 170 parágrafo 2º do RIR/99. Atinente à conta contábil nº 1.2.7.8.1.95.02.01, “Adiantamento a Fornecedores”, o Instituto Prosperity, foi intimado a apresentar extratos bancários indicando cada um dos lançamentos e transferências de recursos ao IBBCA, contabilizados a título de "Adiantamentos a Fornecedores."; apresentar Contratos entre IBBCA e Prosperity; esclarecer o motivo das transferências ao IBBCA a título de "Repasses para IBBCA Gestão, relativos a Planos Administrados"; a apresentar documentação de suporte contábil para cada um dos valores contabilizados a este título; e a esclarecer o motivo das transferências ao IBBCA a título de "Pagamentos IBBCA Gestão". Quanto à conta contábil nº 2.1.8.8.1.98.98, "Repasse IBBCA Gestão", o Instituto Prosperity, foi intimado, relativamente ao valor de R$ 7.637.762,75, a fornecer extratos bancários, documentação de suporte, contrato e outros; e a apresentar documentação e extratos bancários, em relação aos suprimentos de caixa escriturados. No que tange à conta contábil nº 3.1.3.1.1.91.01, "Taxa Administração de Benefícios, Contratos Estipulados, e à conta contábil nº 3.4.2.1.1.91.01, "Receitas por Recebimento em Atraso", o Instituto Prosperity, foi intimado, relativamente aos valores apropriados no ano de 2012, de R$ 5.431.249,28, a título de "Receita por Administração de Planos", e de R$ 87.757,65, a título de "Ajuste de Mensalidades Recebidas", respectivamente, a apresentar contratos, extratos bancários, esclarecendo o escopo dos serviços prestados. O IBBCA informou, conforme consta do TVF (e-fl. 142/148), in verbis: (...) 49. Durante a ação fiscal no IBBCA e no decorrer da diligencia efetuada no Instituto Prosperity constatamos que o Instituto Prosperity presta serviços de escopo da titularidade da fiscalizada, mais especificamente, cobrança de mensalidades, não obstante ser entidade isenta conforme cadastros da Receita Federal do Brasil. (...) Em resposta o IBBCA informa o seguinte: Que o Instituto Brasileiro de Benefícios para Cooperativas e Associações – INSTITUTO PROSPERITY, foi constituído em 2003 com o intuito de apoiar, desenvolver projetos de benefícios nos segmentos de cooperativas, associações e sindicatos, buscando a qualidade de vida destes beneficiários; Que, em 2012, as operadoras de saúde não realizavam contratos diretamente com as entidades de classe, pois o vínculo entre o associado e a associação era muito tênue, de difícil gerenciamento e relacionamento pela operadora com as diversas entidades; assim, o INSTITUTO PROSPERITY viabilizou a contratação dos planos e benefícios acessíveis em melhor condição de preço e carências, representando as associações, sindicatos e entidades de classe em um único contrato; Que, com a regularização do setor de saúde no Brasil através da Agência Nacional de Saúde – ANS, a contratação de Operação de Planos de Saúde ficou vedada às associações e institutos. Desta maneira, para cumprimento das legislações vigentes, foi realizada a cessão dos contratos antes celebrados junto ao Instituto para uma nova sociedade IBBCA2008 (a fiscalizada) que, a partir deste momento passou a ser regulada pela ANS, passando a operar, exclusivamente, com Plano de Saúde por forca da legislação; e Fl. 5154DF CARF MF Original Fl. 55 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Mais uma vez informa que os extratos bancários foram solicitados às instituições financeiras com as quais mantém relacionamento na época e que iriam apresentar quando disponibilizados. Intimado, o diligenciado, Instituto Prosperity, forneceu a mesma explicação do IBBCA, com a mesma exatidão de vocábulos e letras. Considerações da Fiscalização: O contribuinte e o diligenciado vêm sendo reiteradamente intimados a apresentarem os extratos bancários do IBBCA e do Prosperity, sem, contudo, tê-los disponibilizados até a presente data; O Instituto Prosperity fora fundado em 2003 sob a denominação de “Instituto Brasileiro de Benefícios para Cooperativas e Associações –IBBCA;” O instituto Prosperity apresenta Declaração de Informações Econômico- Fiscais da Pessoa Jurídica com as seguintes informações: o Forma de Tributação: Isenta do IRPJ o Apuração da CSLL: Desobrigada o Tipo de Entidade: Associação Civil O Instituto Prosperity e o IBBCA Gestão (fiscalizada) são representados pelas mesmas pessoas físicas: Sr. Claudio Jorge Povoa dos Santos, CPF 003.934.057-02; e, figurando no Estatuto Social o Sr. Fernando Anton Basus Bispo, CPF 078.220.877- 03; O Instituto Prosperity informa, em DIPJ entregue à Receita Federal do Brasil, para o ano-calendário de 2012, o valor de R$ 5.431.249,28 a título de Receita de Vendas e Serviços Prestados pela Pessoa Jurídica, sem, contudo, ter recolhido quaisquer tributos sobre o montante; O Prosperity indica os seguintes valores a título de “mensalidades emitidas” em conta patrimonial ativa sob o nº 1.2.3.2.1.91.02.01.10, “Contratos Estipulados”, creditando esta conta quando indica, em seu histórico, “mensalidades emitidas” e credita esta mesma conta “pelo recebimento de mensalidade de planos de saúde por conta de terceiros.” Não obstante ter esta fiscalização solicitado ao Prosperity contratos e documentação de formação dos valores contabilizados na conta contábil “Contratos Estipulados”, número 1.2.3.2.1.91.02.01.10, para que fosse possível identificar a formação dos Fl. 5155DF CARF MF Original Fl. 56 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 valores das “mensalidades emitidas,” “por conta de terceiros” na composição da receita bruta tributável, nada foi apresentado a esta fiscalização, não obstante após terem havido reintimações e cedido prazo suficiente para que o diligenciado e o fiscalizado pudessem documentar e esclarecer o solicitado. O Prosperity efetuou diversos lançamentos em conta contábil ativa “Adiantamento a Fornecedores”, número 1.2.7.8.1.95.02.01, de cujos históricos referem-se a “Repasses ao IBBCA, Gestão relativos a Planos Administrados”, “Pagamentos ao IBBCA Gestão” , sem que o diligenciado ou o fiscalizado, apesar de inúmeras reintimações e concessões de prazos ofertassem documentos ou explicações, dentro da razoabilidade necessária, acerca dos lançamentos em tela. O valor de R$ 7.653.257,88, total escriturado pelo Prosperity, a Débito da conta “Adiantamento a Fornecedores”, número 1.2.7.8.1.95.02.01 e coincidente com aquele escriturado na conta de número 2.1.8.8.1.98.98, “Repasse ao IBBCA, Gestão” do diligenciado. Tal montante não compôs a receita do fiscalizado. Não obstante intimações e prazos para que fosse justificado, explicado e documentado a formação dos valores com documentação necessária, nada foi fornecido a esta fiscalização, até a presente data, ou seja, após decorridos cerca de 15 meses do início da ação fiscal. O Prosperity, ainda indica os valores de R$ 5.431.249,28 e R$ 87.757,65 a título de “Receita por Administração de Planos” e “Ajuste de Mensalidade Recebida”, porém, após reintimações e concessão de prazos, o diligenciado nada forneceu que pudesse comprovar ser este montante o equivalente à “Receita Liquida”; ou seja, possível diferença entre “Receita Bruta” aquela contabilizada a título de “Emissão de Mensalidades” e parcela liquida da prestação do serviço. Assim, diante da total ausência de documentação de suporte contábil, financeira, não restou alternativa ao fisco a não ser a de considerar a Receita Bruta de Vendas como Receita Tributável para fins fiscais, ou seja, aquela indicada a título de “Mensalidades Emitidas”, (...) (demonstrativo transcrito acima). (...) O real sujeito passivo, relativamente às receitas percebidas pelo Instituto Prosperity é o IBBCA, encoberto pela figura da entidade dita isenta, com o real intuito de reduzir o lucro líquido do exercício da fiscalizada e, por conseguinte, os tributos devidos. Este tipo de interposição se caracteriza fraudulenta, uma vez que o real sujeito passivo da obrigação tributária (IBBCA) simula transferência de responsabilidade tributária para terceiro (Prosperity), sociedade dita isenta de tributos. No presente, os administradores são coincidentes e, portanto, é notória a relação total direta entre a sociedade isenta com o fiscalizado (“longa manus”). O IBBCA é o verdadeiro beneficiário econômico da atividade empresarial em decorrência destas receitas tributáveis. Tais receitas seriam tributáveis até mesmo na sociedade isenta, uma vez que refogem do escopo social da entidade. A tentativa de um “planejamento tributário” não foge à regra quando notadamente vemos a fiscalizada perseguir algum tipo de benefício fiscal, utilizando-se de interposta pessoa (Prosperity), com o real intuito de eximir-se de suas obrigações fiscais, neste caso sob o manto de contribuinte isento. No presente caso, vemos até mesmo a intercessão e congruência quanto aos responsáveis pelo fiscalizado e interposta pessoa dirigindo ambas sociedades. O artigo 135, inciso III do CTN combinado com os artigos 990 e 1.080 da Lei 10.406/220 (Código Civil/2002) falam por si e dispensam comentários adicionais quanto à Responsabilidade Passiva. (...) Fl. 5156DF CARF MF Original Fl. 57 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 50. Conforme demonstrado, o IBBCA utilizou o Prosperity para atingir a finalidade de redução do seu lucro tributável. Esta fiscalização irá considerar os valores informados a título de “Mensalidades Emitidas” como receitas à margem da contabilização, Receitas Tributáveis do fiscalizado nos termos do artigo 287, combinado com os artigos 247, 248, 249 inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do Decreto 3.000, 1999. 51. Verificada a omissão de receita, a autoridade procederá ao lançamento de oficio, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida à pessoa jurídica no período de apuração que ocorrer a omissão. Art. 288. “Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão.” (...). A decisão a quo manteve integralmente a infração em tela, conforme imputada pela Fiscalização. Entretanto, divirjo da Fiscalização e da decisão recorrida atinente ao critério adotado pela Autoridade Fiscal na apuração da base de cálculo tributável da infração descrita como omissão de receitas por interposta pessoa. Nessa parte, como razão do meu voto, adoto o entendimento da declaração de voto do julgador Aloysio José Percínio da Silva, o qual restou vencido na decisão de a quo (e-fls. 4269/4271), in verbis: (...) Consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF): "O real sujeito passivo, relativamente às receitas percebidas pelo Instituto Prosperity é o IBBCA, encoberto pela figura da entidade dita isenta, com o real intuito de reduzir o lucro líquido do exercício da fiscalizada e, por conseguinte, os tributos devidos. Este tipo de interposição se caracteriza fraudulenta, uma vez que o real sujeito passivo da obrigação tributária (IBBCA) simula transferência de responsabilidade tributária para terceiro (Prosperity), sociedade dita isenta de tributos. No presente, os administradores são coincidentes e, portanto, é notória a relação total direta entre a sociedade isenta com o fiscalizado ('longa manus'). (...) Durante a ação fiscal constatamos a situação em que a real identidade do IBBCA, fiscalizado, está encoberta pela figura de interposta pessoa, Instituto Prosperity ('Longa Manus' do IBBCA), diligenciado, de forma a prejudicar os interesses da Fazenda Pública, quando da realização do crédito tributário devido, caracterizando-se portanto numa interposição fraudulenta." Muito embora tenha considerado Prosperity interposta pessoa, a Autoridade Fiscal não desconsiderou a sua personalidade jurídica, tanto que a relacionou no Auto de Infração (AI) na condição de responsável tributária com suporte no art. 124, I, do CTN. As Contribuinte fiscalizada e Prosperity foram sucessiva e reiteradamente intimadas a comprovar valores de receitas mas não apresentaram documentação, o que revelou injustificado descaso na defesa dos seus próprios interesses. Em razão da inércia de ambas, Contribuinte e Prosperity, a Autoridade Fiscal considerou receitas da Contribuinte os ingressos na Prosperity, conforme indicado no TVF: "O Instituto Prosperity informa, em DIPJ entregue à Receita Federal do Brasil, para o ano-calendário de 2012, o valor de R$ 5.431.249,28 a título de Receita de Vendas e Fl. 5157DF CARF MF Original Fl. 58 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Serviços Prestados pela Pessoa Jurídica, sem, contudo, ter recolhido quaisquer tributos sobre o montante; O Prosperity indica os seguintes valores a título de 'mensalidades emitidas' em conta patrimonial ativa sob o nº 1.2.3.2.1.91.02.01.10, 'Contratos Estipulados', creditando esta conta quando indica, em seu histórico, 'mensalidades emitidas' e credita esta mesma conta 'pelo recebimento de mensalidade de planos de saúde por conta de terceiros'." (...) O valor de R$ 7.653.257,88, total escriturado pelo Prosperity, a Débito da conta 'Adiantamento a Fornecedores', número 1.2.7.8.1.95.02.01 e coincidente com aquele escriturado na conta de número 2.1.8.8.1.98.98, 'Repasse ao IBBCA, Gestão' do diligenciado. Tal montante não compôs a receita do fiscalizado. Não obstante intimações e prazos para que fosse justificado, explicado e documentado a formação dos valores com documentação necessária, nada foi fornecido a esta fiscalização, até a presente data, ou seja, após decorridos cerca de 15 meses do início da ação fiscal. O Prosperity, ainda indica os valores de R$ 5.431.249,28 e R$ 87.757,65 a título de 'Receita por Administração de Planos' e 'Ajuste de Mensalidade Recebida', porém, após reintimações e concessão de prazos, o diligenciado nada forneceu que pudesse comprovar ser este montante o equivalente à 'Receita Liquida'; ou seja, possível diferença entre 'Receita Bruta' aquela contabilizada a título de 'Emissão de Mensalidades' e parcela liquida da prestação do serviço. Assim, diante da total ausência de documentação de suporte contábil, financeira, não restou alternativa ao fisco a não ser a de considerar a Receita Bruta de Vendas como Receita Tributável para fins fiscais, ou seja, aquela indicada a título de 'Mensalidades Emitidas' (...)" (Destaque acrescido) A adoção da contabilidade de Prosperity para mensuração das receitas da Contribuinte se revela correta em razão da omissão de ambas no fornecimento de documentação à Fiscalização. Entretanto, tal procedimento deve ser feito por inteiro, observando-se as informações contidas nos assentamentos contábeis eleitos como base para a tributação. Nessa linha, o registro de receita própria de Prosperity deve ser prestigiado para fins de apuração da receita da Contribuinte. Utilizar o total dos ingressos na Prosperity para determinação da base tributável da Contribuinte sem dela excluir o que se encontra escriturado como receita própria de Posperity significa uso de "dois pesos e duas medidas". Se a contabilidade é hábil para determinar um valor, deve ser igualmente considerada para identificação de outro nela registrado. Assim, seguindo tal critério, considero que a determinação da receita da Contribuinte IBBCA pressupõe a exclusão do valor de R$ 5.431.249,28 registrado na contabilidade da Prosperity como receita própria por "administração de planos", conforme indicado no trecho do TVF acima transcrito. (...) Como visto, a Fiscalização não pode, sem desconsiderar a personalidade jurídica do Instituto, atribuir como receita do IBCCA a receita própria do Instituto Prosperity, o que implicaria ilegitimidade passiva nessa parte. Logo, se a Fiscalização adotou a Fiscalização do Instituto Prosperity como revelador de omissão de receitas pelo IBCCA de R$ 7.653.257,88 +R$ 87.757,65 (receitas repassadas, pois de sua titularidadade), logo também há que prestigiar - como válida - a escrituração do Instituto Prosperity na parte das receitas próprias no valor de R$ 5.431.249,28 que deve ser excluída da base de cálculo da infração em tela. Portanto, a base de cálculo da infração receitas não oferecidas à tributação (utilização pelo sujeito passivo de interposta pessoa -Instituto Prosperity), valor tributável R$ 13.158.399,64 (-) R$ 5.431.249,28 = R$ 7.727.150,36. AUTO DE INFRAÇÃO: PIS E COFINS Fl. 5158DF CARF MF Original Fl. 59 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Em relação à omissão de receitas, a Fiscalização apurou PIS e Cofins não- cumulativos, pois o sujeito passivo no ano-calendário 2012 apresentou a DIPJ com base no lucro real trimestral. A recorrente, nas razões do recurso, pediu a improcedência dessas exações fiscais, pois incabível o regime não -cumulativo aplicado pelos autos de infração do PIS e da Cofins, ano-calendário 2012, pois trata-se de uma administradora de benefícios (que se enquadra na categoria de operadora administradora de benefícios na área de gestão de planos de saúde e odontológicos), invocando a aplicação do entendimento da Solução de Consulta nº 116 - Cosit, de 31 de agosto de 2018 (e-fls. 4612/4620). A recorrente ainda acrescentou:: a) que prepara planos de saúde e odontológicos em nome das operadoras de benefícios e os oferece a diversas pessoas jurídicas (planos coletivos por adesão), como por exemplo a Caixa de Assistência dos Advogados do Rio de Janeiro ("CAARJ") e Associação de Servidores da Secretaria de Planejamento do Estado do Rio de Janeiro ("SECPLAN"); b) que para o oferecimento, fazer a comercialização desses planos, contrata diversas empresas de corretagem que fazem o marketing, buscam novos clientes; c) que, no caso de adesão dos clientes pessoas físicas ao plano coletivo oferecido, os corretores são remunerados por uma parcela do preço pago pelos clientes quando da adesão, ou seja, o valor pago pela pessoa física quando da adesão pertence à impugnante, sendo descontado a remuneração do corretor (comissão); d) que a estrutura operacional pode ser descrita conforme o seguinte diagrama: e) que atua como uma operadora administradora, quanto aos planos das operadoras de benefícios, paras as pessoas físicas, sempre buscando a oferta dos melhores planos, ou seja, a maior cobertura possível, pelo menor preço; Quanto ao objeto da autuada, consta consignado no TVF (e-fl. 80): (...) Fl. 5159DF CARF MF Original Fl. 60 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 3. O objeto social do IBBCA é a administração, exclusiva da atividade de assistência a saúde suplementar, podendo contratar plano privado de assistência a saúde, na condição de estipulante de plano coletivo a ser disponibilizado para pessoas jurídicas legitimadas ou prestar serviços para pessoas jurídicas contratantes de planos privados de assistência a saúde coletivos. Ainda, na condição de administradora de benefícios, figurar em contrato coletivo celebrado entre a operadora de plano privado de assistência a saúde e a pessoa jurídica contratante na condição de participante ou de representante, mediante formalização de instrumento especifico. 4. O IBBCA, no ano em tela, trabalhava exclusivamente com as operadoras parceiras do sistema UNIMED, com gestão operacional de carteiras junto a entidades de classe e empresas. (...) Pois bem. Procede a irresignação da recorrente. Não deve prosperar a exigência do PIS e da Cofins pelo regime não-cumulativo quanto ao ano-calendário 2012, objeto dos presentes autos, por entendimento da própria Receita Federal, conforme Solução de Consulta nº 116 - Cosit, de 31 de agosto de 2018 (e-fls. 4612/4620) cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP ADMINISTRADORAS DE BENEFÍCIOS. SUJEIÇÃO À CUMULATIVIDADE. As administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Reforma a Solução de Consulta Cosit nº 116, de 28 de 28 de abril de 2014. Reforma a Solução de Consulta Cosit nº 116, de 28 de 28 de abril de 2014. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 9º, incluído pela MP nº 2.158-35, de 2001; e § 9º-B, incluído pela Lei nº 12.995, de 2014; Lei nº 10.637, de 2002, art. 8º, I; IN RFB nº 985, de 2009, art. 2º, parágrafo único, com redação dada pela IN RFB nº 1.125, de 2011; e RDC ANS nº 39, de 2000, art. 1º, parágrafo único, e art. 10, I. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS ADMINISTRADORAS DE BENEFÍCIOS. SUJEIÇÃO À CUMULATIVIDADE. As administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Reforma a Solução de Consulta Cosit nº 116, de 28 de 28 de abril de 2014. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 9º, incluído pela MP nº 2.158-35, de 2001; e § 9º-B incluído pela Lei nº 12.995, de 2014; Lei nº 10.833, de 2003, art. 10, I; IN RFB nº 985, de 2009, art. 2º, parágrafo único, com redação dada pela IN RFB nº 1.125, de 2011; e RDC ANS nº 39, de 2000, art. 1º, parágrafo único, e art. 10, I. (...) 28. Cabe mencionar, inclusive, como se pode ver pela mudança de redação do parágrafo único do art. 2º da IN RFB nº 985, de 2009, que a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil, a partir da publicação da IN RFB nº 1.100, de 2010, acrescentou as administradoras de benefícios à categoria das operadoras de planos de assistência à saúde. 29. Em que pese não ser a RFB a entidade competente para regrar o conceito de operadora de plano de assistência à saúde, há que se considerar que, se a utilização do Fl. 5160DF CARF MF Original Fl. 61 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 conceito ampliado de operadora de plano de assistência à saúde serve para criar uma obrigação à administradora de benefícios, também é apta a enquadrá-la tributariamente como operadora de plano de assistência à saúde. Conclusão 30. Diante do exposto, soluciona-se a consulta respondendo ao interessado que as administradoras de benefícios, como espécie de operadoras de planos de assistência à saúde, estão sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, sendo sua tributação efetuada nos termos dos §§ 9º a 9ºB do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Reforme-se a Solução de Consulta Cosit nº 116, de 28 de abril de 2014. (...) Portanto, os autos de infração do PIS e da Cofins são improcedentes, pois foram lavrados com base no regime não cumulativo. MULTA QUALIFICADA Nas razões do recurso, a recorrente, em suma, assim concluiu: - requer afastamento da multa qualificada pela falta de comprovação da fraude ou, ano menos, somente seja mantida a qualificadora às infrações que se entenda que houve fraude, mas não em relação todas as infrações. Em relação às infrações Glosa de Despesas e IRRF-Pagamento sem Causa, não constato a existência de dolo, fraude, na conduta da recorrente. Trata-se de uma questão em que a contribuinte não produziu prova cabal de que os serviços contratados efetivamente foram prestados (que as despesas seriam normais, necessárias, para atividade da empresa). As despesas e os pagamentos ocorreram, porém faltou, como dito, a contribuinte comprovar que os serviços foram efetivamente prestados e que tinham relação direta com sua atividade operacional da empresa. Por isso, quanto a essas infrações desqualificou a multa, reduzindo para 75%. Com relação à infração omissão de receitas-saldo credor de caixa , com base em presunção legal (prova indireta), também, não procede a qualificação da multa, deve ser reduzida para 75%. Nesse sentido, Súmula CARF nº 25 A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010). Com relação à infração omissão de receitas por estorno de receitas em conta de resultado: R$ 797.702,00, também, não constato a existência de dolo ou fraude na conduta, logo a multa deve ser reduzida para 75%. Ou seja: Ou seja: Súmula CARF nº 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por outro lado, com relação à infração Omissão de Receita por Interposta Pessoa, pois configura ajuste doloso deve ser mantida a multa qualificada, pois, conforme consta do TVF (e-fl. 147/153): (...) Fl. 5161DF CARF MF Original Fl. 62 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 50. Conforme demonstrado, o IBBCA utilizou o Prosperity para atingir a finalidade de redução do seu lucro tributável. Esta fiscalização irá considerar os valores informados a título de “Mensalidades Emitidas” como receitas à margem da contabilização, Receitas Tributáveis do fiscalizado nos termos do artigo 287, combinado com os artigos 247, 248, 249 inciso II, 251, 277, 278, 279, 280 e 288 do Decreto 3.000, 199950. (...) VI–DA INTERPOSTA PESSOA. 60. Durante a ação fiscal constatamos a situação em que a real identidade do IBBCA, fiscalizado, está encoberta pela figura de interposta pessoa, Instituto Prosperity (“Longa Manus” do IBBCA), diligenciado, de forma a prejudicar os interesses da Fazenda Pública, quando da realização do crédito tributário devido, caracterizando-se portanto numa interposição fraudulenta. 61. A presente interposição visa simular a transferência de responsabilidade tributaria para o Instituto Prosperity, entidade dita isenta; sociedade com vinculo e relação direta com o fiscalizado. (...) 69. São muitos os fatos que demonstram, de forma clara e inequívoca, a existência do “longa manus” do IBBCA em relação ao Prosperity, a interligação entre as entidades, não obstante o intuito de esconder os reais vínculos entre as entidades e seus gestores de fato para que, sob o véu da isenção, o IBBCA pudesse reduzir seu lucro tributável. (...) SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Consta do TVF: (...) VII -- GRUPO ECONÔMICO, SOLIDARIEDADE (...) 66. Aqui faz-se claro a composição de grupo econômico de fato, em que as empresas têm aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, são interdependentes. E clara a vinculação gerencial, coincidência de sócios e administradores. (...) 69. São muitos os fatos que demonstram, de forma clara e inequívoca, a existência do “longa manus” do IBBCA em relação ao Prosperity, a interligação entre as entidades, não obstante o intuito de esconder os reais vínculos entre as entidades e seus gestores de fato para que, sob o véu da isenção, o IBBCA pudesse reduzir seu lucro tributável.69. São muitos os fatos que demonstram, de forma clara e inequívoca, a existência do “longa manus” do IBBCA em relação ao Prosperity, a interligação entre as entidades, não obstante o intuito de esconder os reais vínculos entre as entidades e seus gestores de fato para que, sob o véu da isenção, o IBBCA pudesse reduzir seu lucro tributável. (...) Pelo crédito tributário objeto dos autos a Fiscalização imputou responsabilidade tributária - sujeição passiva solidária: a) CLAUDIO JORGE PÓVOA SANTOS (CTN, art. 124, II) b) FERNANDO ANTON BASUS BISPO CTN, art. 124, II); c) FERNANDO SOUZA BISPO CTN, art. 124, II); Fl. 5162DF CARF MF Original Fl. 63 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 d) INST. BRAS. DE BENEFÍCIOS P/ COOPERATIVAS - PROSPERITY (CTN, art. 124, I). (...) INST. BRAS. DE BENEFÍCIOS P/ COOPERATIVAS - PROSPERITY (CTN, art. 124, I). O interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. A solidariedade para com débito fiscal ocorre quando ambas as empresas foram prestadoras de serviços e tiverem atuado em conjunto em determinada operação, como no caso (interposição de pessoa), quanto à infração omissão de receitas (interposição de pessoa). Portanto, deve ser mantida a responsabilidade solidária do Instituto Prosperity apenas quanto à infração omissão de receitas (interposição de pessoas). Quanto a CLAUDIO JORGE PÓVOA SANTOS (CTN, art. 124, II), FERNANDO ANTON BASUS BISPO CTN, art. 124, II), FERNANDO SOUZA BISPO CTN, art. 124, II), também, deve ser mantida a responsabilidade solidária apenas quanto à infração omissão de receitas (interposição de pessoas). Por tudo que foi exposto, voto para rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, julgar os recursos voluntários procedentes em parte para: Fl. 5163DF CARF MF Original Fl. 64 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 a) reduzir a base de cálculo da infração omissão de receita (interposição de pessoa). b) manter a multa qualificada apenas em relação a infração omissão de receitas (interposição de pessoa); c) manter a sujeição passiva solidária dos imputados apenas em relação à infração omissão de receitas (interposição de pessoa); d) exonerar o crédito tributário atinente aos autos de infração do PIS e da Cofins. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira – Redator ad hoc Voto Vencedor Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Redator designado. Com a devida vênia, divirjo parcialmente do voto condutor em relação às infrações de glosa de despesas, omissão de receitas e IRRF sobre pagamentos sem causa, bem como sobre a qualificação da multa e responsabilização solidária. Passo a detalhar os motivos de minhas divergências. Glosas de despesas. Inicialmente, é preciso mencionar que, conforme apontado pela fiscalização, não é suficiente para comprovar a efetiva realização da prestação de serviços a simples apresentação de contrato e de notas fiscais, mormente quando essas ostentam descrições genéricas tais como “serviços prestados”. Desta forma, no caso das fornecedoras para as quais a fiscalizada apresentou apenas contratos e notas fiscais com descrições genéricas, considero não comprovada a efetiva prestação do serviço. Fl. 5164DF CARF MF Original Fl. 65 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 Também é importante ressaltar que não basta que a contribuinte demonstre que a fornecedora possa ter prestado ALGUM serviço, mas que tenha prestado o serviço correspondente à nota fiscal apresentada e à despesa apropriada. A comprovação deve ser específica, como ilustra o seguinte trecho do contrato firmado entre a fornecedora A&F Intermediação de Negócios Ltda e o Instituto Prosperity: Entretanto, diante do dinamismo das relações comerciais e empresariais, também não é possível se engessar de maneira excessiva as formas de comprovações da efetiva prestação de serviços. No entanto, no presente caso, e diante da peculiaridade de cada despesa, procedi à análise individual de cada glosa, interpretando especificamente cada caso para fins de convencimento pessoal deste conselheiro. Importante também, desde já, deixar claro que os fatos narrados demonstram uma clara tentativa de fracionamento de despesas, terceirização dissimulada com o objetivo de segregar receitas da efetiva contribuinte, de forma que despesas realizadas com empresas de sócios da contribuinte, ou ainda empresas localizadas na mesma sede do contribuinte tiverem a glosa mantida por este relator, acatando-se os fundamentos do TVF e da DRJ. Assim é que, para facilitar a compreensão, me manifestarei tão somente sobre as glosas afastadas por este conselheiro, por entender que as comprovações são suficientes e, desde já, para as demais glosas mantidas, acompanho os fundamentos expostos no TVF, DRJ e voto condutor. Feitas essas considerações iniciais, passo à apreciação dos elementos probatórios juntados aos autos pela recorrente em relação as glosas que entendo que devam ser afastadas. - A6 Serviços Administrativos Empresarial Ltda: contrato de prestação de serviços. Para comprovar a efetiva prestação de serviços, a contribuinte apresentou e-mails em que integrantes da A6 intermediam contratação de plano de saúde, inclusive com ajustes na propaganda a ser veiculada. Inicialmente, merece destaque que o objeto do contrato da fiscalizada com a A6 era simplesmente “prestação de serviços de assessoria de relacionamento e comercial”. Ou seja, um objeto absolutamente genérico que, como apontado pela fiscalização, não permitiria, isoladamente, a verificação dos requisitos de dedutibilidade da despesa, conforme legislação de regência. No entanto, o contribuinte apresentou também além do contrato e notas fiscais, uma série de e-mails trocados entre as empresas que demonstram a efetiva existência de uma relação comercial e efetiva prestação de serviços. Afasto a glosa. Fl. 5165DF CARF MF Original Fl. 66 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 - Account Consultoria e Corretagem de Seguros Ltda: contrato de prestação de serviços. A efetiva prestação de serviços seriam comprovada por meio de e-mails. O contribuinte apresentou também além do contrato e notas fiscais, uma série de e-mails trocados entre as empresas que demonstram a efetiva existência de uma relação comercial e efetiva prestação de serviços. Afasto a glosa. - AGR & Associados Consultoria e Marketing Ltda: contrato de prestação de serviços. A efetividade dos serviços seriam comprovada comunicados internos da ASMETRO (entidade contratante do plano de saúde), e-mails, bem como relatórios e borderôs. O contribuinte apresentou também além do contrato e notas fiscais, uma série de e-mails trocados entre as empresas, anúncios de jornais e borderôs que demonstram a efetiva existência de uma relação comercial e efetiva prestação de serviços. Afasto a glosa. - AYA360 Conceitos em Projetos Imobiliários Ltda e AYASPA Bem Estar e Cosméticos S/A: estas teriam prestado serviço de consultoria na reforma realizada pela fiscalizada em seus escritórios e demais estabelecimentos. A efetiva prestação estaria comprovada por contrato e e-mails. Neste caso, a contratação teve como objeto a realização de reformas de escritórios da fiscalizada. A recorrente juntou aos autos diversos e-mail da época com informações específicas atinentes à evolução das obras, materiais, fornecedores, etc. Neste caso, penso que a prestação de serviço esteja suficientemente comprovada. - Bega Serviços Ltda: contrato de prestação de serviços. A efetividade seria comprovada por e-mails. O contribuinte apresentou também além do contrato e notas fiscais, uma série de e-mails trocados entre as empresas que demonstram a efetiva existência de uma relação comercial e efetiva prestação de serviços. Afasto a glosa. - Branco e Rodrigues Assessoria Empresarial Ltda: contrato de prestação de serviços e aditivos. A efetividade da prestação de serviços estaria comprovada por e-mails e relatórios de cálculos de comissões. O contribuinte apresentou também além do contrato e notas fiscais, uma série de e-mails trocados entre as empresas, relatórios de comissionamentos, cobranças, etc, todas elas inerentes ao objeto do contrato e que demonstram a efetiva existência de uma relação comercial e efetiva prestação de serviços. Afasto a glosa. - Casulo Intermediações e Eventos Ltda: contrato e borderô. Ademais, o fato de estar localizada em antigo endereço da fiscalizada não afeta a relação, uma vez que os sócios seriam totalmente independentes, como atestaria o contrato social e extrato emitido pela Serasa S/A. O contribuinte apresentou também além do contrato e notas fiscais, uma série de e-mails trocados entre as empresas, relatórios de comissionamentos, cobranças, etc, todas elas Fl. 5166DF CARF MF Original Fl. 67 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 inerentes ao objeto do contrato e que demonstram a efetiva existência de uma relação comercial e efetiva prestação de serviços. Afasto a glosa. - Centro Médico Granja Julieta: contrato de prestação de serviços. A entidade disponibilizaria um médico para atender nas dependências da fiscalizada. A contribuinte juntou contrato, notas e até fotos do consultório médico mantido pela contribuinte com o atendimento profissional contratado. Afasto a glosa. - Essencial Agenciamento de Planos de Saúde: a efetividade da prestação de serviços seria comprovada por listagem de convênios intermediados e relatórios. O contribuinte apresentou também além do contrato e notas fiscais, uma série de e relatórios inerentes ao objeto do contrato e que demonstram a efetiva existência de uma relação comercial e efetiva prestação de serviços. Afasto a glosa. - Guimafra Serviços Ltda: contrato e aditivos. A efetividade da prestação de serviços seria comprovada por e-mails e relatórios. O contribuinte apresentou também além do contrato e notas fiscais, relatórios e inclusive comprovou uma captação específica de cliente, todas elas inerentes ao objeto do contrato e que demonstram a efetiva existência de uma relação comercial e efetiva prestação de serviços. Afasto a glosa. - Leonardo de Assumpção de Vita Gráfica: a efetividade da prestação de serviço de gráfica estaria comprovada por notas fiscais com referência específica aos serviços prestados (“20.000 envelopes – SACO MÉDIO IBBCA (Formato fechado 18x25 cm)”). Trata-se de gráfica que produz material para o contribuinte, objeto de trato normal e comum em uma atividade empresarial. O contribuinte apresentou notas fiscais, o objeto é consistente com a atividade comercial. É necessário compreender que em uma operação simples e corriqueira como essa os particulares não firmal um contrato, não há relatório de prestação de serviços e, também, não tem porque se preocupar em guardar amostras de um produto fungível para eventual fiscalização. Entendo restar suficientemente comprovado para a natureza do serviço. Afasto a glosa. - Rantonioli Assessoria Angariações e Negócios Ltda: contrato. A efetividade estaria comprovada por e-mails e relatórios. O contribuinte apresentou também além do contrato e notas fiscais, uma série de e-mails trocados entre as empresas, relatórios de comissionamentos, descontos em comissionamentos, cobranças, etc, todas elas inerentes ao objeto do contrato e que demonstram a efetiva existência de uma relação comercial e efetiva prestação de serviços. Afasto a glosa. Fl. 5167DF CARF MF Original Fl. 68 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 - Secplan – Associação dos Servidores da Secplan: contrato e aditivos. A efetividade do serviço seria comprovada por informações sobre atualizações de mensalidade do plano de saúde, comunicado interno da Secplan e termo de acordo em que a fiscalizada reconhece dívida com a Secplan. O contribuinte apresentou também além do contrato e notas fiscais, uma série de e-mails trocados entre as empresas, relatórios de comissionamentos, cobranças, etc, todas elas inerentes ao objeto do contrato e que demonstram a efetiva existência de uma relação comercial e efetiva prestação de serviços. Afasto a glosa. Em síntese, quanto à infração de glosa de despesas, divirjo do ilustre conselheiro relator para considerar comprovadas as despesas incorridas com as prestadoras AYA360 CONCEITOS EM PROJETOS IMOBILIÁRIOS LTDA. E AYASPA BEM ESTAR E COSMÉTICOS S.A., A6 SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EMPRESARIAL LTDA, ACCOUNT CONSULTORIA E CORRETAGEM DE SEGUROS LTDA, AGR & ASSOCIADOS CONSULTORIA E MARKETING LTDA, BEGA SERVIÇOS LTDA, BRANCO E RODRIGUES ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA, CASULO INTERMEDIAÇÕES E EVENTOS LTDA, CENTRO MÉDICO GRANJA JULIETA S/S LTDA, ESSENCIAL AGENCIAMENTO DE PLANOS DE SAÚDE LTDA, GUIMAFRA SERVIÇOS LTDA, LEONARDO DE ASSUMPÇÃO DE VITA GRÁFICA – ME, RANTONIOLI ASSESSORIA ANGARIAÇÕES E NEGÓCIOS, ASSOCIAÇÃO DOS SERVIDORES DA SECPLAN. IRRF sobre pagamento sem causa Por consequência, voto também por afastar, em relação à hipótese de IRRF sobre pagamento sem causa, os pagamentos efetuados às referidas prestadoras. Entretanto, no presente lançamento entendo que toda a infração deva ser afastada. Explico. O IRPJ e a CSLL são exigidos por decorrência legal da glosa de despesas inexistentes ou não comprovadas que afetam diretamente a base tributável apurada pela pessoa jurídica. O IRRF, de outra parte, decorre da previsão legal de que não correspondendo os pagamentos a operações devidamente com identificação do beneficiário ou sua causa, responde a fonte pagadora pelos tributos devidos pelos beneficiários. Em outras palavras, a incidência do IRPJ decorrente de uma despesa que não reúne os requisitos legais para sua dedutibilidade não converte esta parcela em rendimento da própria da pessoa jurídica, a dispensar a incidência que poderia existir em desfavor do beneficiário do pagamento. É certo que a base de cálculo do IRPJ resta majorada e, por consequência, há renda tributável no seu sentido próprio, qual seja, resultado líquido de acréscimos e decréscimos patrimoniais num mesmo período de apuração. Mas este resultado líquido não se confunde com o conceito de rendimento, acréscimo individualmente auferido, no caso, por outro sujeito passivo, em razão de uma operação específica, que poderia sujeitar-se a tributação isolada, a qual é presumida pela lei em razão da omissão de informações por parte da fonte pagadora. Tal tributação aplicada de IRRF nos autos é por conta de rendimento sem causa, independente de todos os beneficiários estarem identificados. A previsão legal do IRRF incide Fl. 5168DF CARF MF Original Fl. 69 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 em duas situações distintas e autônomas: i) no caso de pagamento a beneficiário não identificado; e/ou ii) no caso de pagamentos efetuados sem causa. São hipóteses distintas e autônomas. Ora, o IRRF não está a sancionar a fonte pagadora. Ele parte apenas de uma presunção legal de aferição de renda que faz com que se determine a retenção do pagamento na fonte. Não há nenhuma ilicitude nesse pagamento. O fato gerador do IRRF é a renda, a teor do CTN, art. 43. Embora pagamento não seja renda para quem o faz, na maioria das vezes representa renda para quem o recebe. A exigência da retenção na fonte se trata de hipótese de responsabilidade tributária permitida na legislação. Essa também é a posição da jurisprudência deste CARF, senão vejamos trechos de recentes ementas de TO e CSRF, naquilo que interessa ao presente lançamento: IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA. CUMULADO COM EXIGÊNCIA DE IRPJ E CSLL EM RAZÃO DE GLOSA DE DESPESAS. POSSIBILIDADE. Sujeita-se à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros, quando não comprovada a sua causa, ainda que tenha ocorrido também o lançamento para glosa das despesas. No primeiro caso, a autuada atua como responsável pela retenção do imposto devido, enquanto que no lançamento do IRPJ e CSLL ela é a própria contribuinte do tributo. (Acórdão n. 1302-003.723 de 17 de julho de 2019) CONCOMITÂNCIA DE INCIDÊNCIA DE IRPJ/CSLL PELA GLOSA DE DESPESAS E DE IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA Quando não for comprovada a causa do pagamento, incide o IRRF. Por outro lado, uma despesa fictícia deve ser glosada, para que IRPJ e CSLL incidam sobre as bases de cálculo corretas. Consequentemente, se um contribuinte efetua pagamento por serviço e o deduz na apuração dos lucros tributáveis, mas não prova a efetiva prestação, incidem IRPJ/CSLL pela glosa da despesa e IRRF devido à ausência de causa para o pagamento. (Acórdão 9101-004.543 de 07 de novembro de 2019) Ocorre que, mesmo tratando-se de dispositivos legais distintos, com causas e consequências distintas, a autoridade fiscal em seu TVF tratou a tributação do IRRF como simples consequência ou reflexo da glosa de despesas, sem analisar, de forma específica, a ocorrência da hipótese legalmente prevista que ampara a referida tributação. Tanto assim é que, no TVF o fiscal sequer justificou a referida tributação. Desta feita, em razão na ausência da fundamentação legal específica que justificaria a referida exigência, entendo que restou cerceado o direito de defesa do contribuinte, razão pela qual oriento meu foto por cancelar a exigência de IRRF em razão da inadequada Fl. 5169DF CARF MF Original Fl. 70 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 fundamentação, o que leva a um vício material insanável no presente processo. Neste ponto dou provimento ao Recurso Voluntário. Divergência em relação à redução da omissão de receitas decorrente de interposição fraudulenta no valor de R$ 5.431.249,28. Data venia, parece-me equivocada a premissa de que parte o ilustre relator de que somente no caso de desconsideração da personalidade jurídica é que o total das receitas escrituradas no Instituto Prosperity poderia ser atribuído à fiscalizada. Parece-me que o conjunto dos elementos probatórios juntados aos autos demonstra de forma cabal que o Instituto Prosperity era, de fato, interposta pessoa da fiscalizada. O primeiro ponto é justamente o fato alegado pela própria contribuinte de que a atividade de operadora de plano de saúde deveria ser, desde 2009, por força das normas de regência emitidas pela ANS, realizada EM NOME PRÓPRIO pela entidade com fins lucrativos. Ao fim e ao cabo, o que se tem é a atividade da própria fiscalizada. Outro elemento relevante, admitido também pela fiscalizada, é que os seus sócios compõem o quadro do Instituto Prosperity. Veja que a recorrente diz de forma clara que os sócios permaneceram desenvolvendo a mesma atividade econômica, apenas com a forma de uma pessoa jurídica com fins lucrativos. Mais uma vez, vê-se que é a atividade da fiscalizada. Ademais, não seria necessário que a fiscalização desconsiderasse a personalidade jurídica da interposta pessoa. Ora, para outros fins, a personalidade jurídica da entidade permanece incólume, até que seja extinta no registro adequado. Por exemplo, ela permanece com direito à propriedade. Esse, aliás, é o motivo para que se tenha atribuído responsabilidade solidária ao Instituto Prosperity. O que fez a fiscalização, de modo acertado a meu juízo, foi demonstrar que a atividade econômica era, na verdade, exercida pela fiscalizada e não pelo Instituto e, portanto, todas as receitas deveriam ser reconhecidas na fiscalizada. Portanto, parece-me irrelevante que o Instituto Prosperity escriturasse parte das receitas como se fosse atividade própria. Lembro que a atividade, por determinação da legislação, deveria ser OBRIGATORIAMENTE exercida pela fiscalizada EM NOME PRÓPRIO. Portanto, neste ponto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Multa Qualificada Em relação a este ponto, divirjo do ilustre relator quanto à qualificação da multa sobre a infração omissão de receitas: saldo credor de Caixa. Parece-me que a fiscalização demonstrou de forma adequada que a contribuinte fraudou a escrituração comercial ao lançar a contrapartida da aquisição dos ativos do Instituto Prosperity a crédito da conta de Adiantamento a Clientes. Ora, o contexto acima descrito demonstra que o Instituto Prosperity era interposta pessoa da fiscalizada e a operação de compra dos ativos em moeda corrente segundo a documentação juntada foi realmente disfarçada por Fl. 5170DF CARF MF Original Fl. 71 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 meio de artifício fraudulento, qual seja, lançar a contrapartida a crédito de outra conta de ativo, que não representa disponibilidade. Portanto, neste ponto, mantenho a qualificação da multa sobre as infrações de omissão de receitas por interposição fraudulenta e por saldo credor de caixa. Sujeição passiva. Penso que seja necessário segregar, na análise deste tópico, a situação do Instituto Prosperity e das pessoas físicas. Quanto ao Instituto Prosperity, tenho que ficou demonstrado além de qualquer dúvida razoável que este era interposta pessoa da fiscalizada. Formou-se, portanto, um grupo econômico de fato irregular, que dá azo à atribuição de responsabilidade solidária com fulcro no artigo 124, I, do CTN. Tenho que o interesse comum do Instituto Prosperity, marcado pela interposição fraudulenta, é evidente em duas infrações: omissão de receitas em razão da interposição e omissão de receitas por saldo credor de Caixa. O primeiro caso foi acolhido pelo relator. No segundo caso, divirjo da conclusão do ilustre conselheiro relator porque o Instituto Prosperity participou da fraude na venda de seus ativos para a fiscalizada. Portanto, neste ponto, voto por manter a responsabilidade do Instituto Prosperity quanto às infrações de omissão de receitas por saldo credor de caixa e por interposta pessoa. No que tange às pessoas físicas, no entanto, tenho que o desfecho deve ser outro. Parece-me que haveria possibilidade de demonstrar a atuação dos sócios responsáveis pela fiscalizada e pelo Instituto Prosperity e por alguns dos prestadores de serviços com infração à lei e, por consequência, dar azo à aplicação da responsabilidade tributária de que trata o artigo 135, III, do CTN. Contudo, não foi assim que procedeu a fiscalização. A meu juízo, no caso vertente, a existência de grupo econômico de fato irregular não me parece fato jurídico suficiente para, por si só, dar fundamento à atribuição de responsabilidade solidária aos sócios da fiscalizada com fulcro no artigo 124, I, do CTN. Também vale mencionar que, para a aplicação do disposto no artigo 135, III, do CTN, seria necessário demonstrar os poderes de gestão dos indigitados sócios, bem como as condutas com infração à lei ou estatutos. Por fim, o disposto no artigo 124, II, do CTN, fundamentação utilizada pela fiscalização, também não se sustenta uma vez que não há uma norma legal que atribua aos sócios responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados contra a pessoa jurídica. Assim, neste ponto, voto por manter a responsabilidade solidária do Instituto Prosperity e somente em relação às infrações de omissão de receitas por saldo credor de caixa e interposição fraudulenta. Nos demais pontos, acompanho o voto condutor. Fl. 5171DF CARF MF Original Fl. 72 do Acórdão n.º 1401-006.235 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10872.720332/2016-74 É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 5172DF CARF MF Original

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Numero do processo: 15504.007606/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Mar 03 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2005 AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO POR TICKET. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. PARECER AGU VINCULANTE O auxílio-alimentação na forma de tíquetes ou congênere, mesmo antes do advento do §2º do art. 457 da CLT, já não integrava a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do caput do art. 28 da Lei 8.212/1991 - Parecer 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU. ABONO DE FÉRIAS. ESTABELECIMENTO DE CRITÉRIOS OBJETIVOS NÃO VEDADOS POR LEI. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não integram o salário-de-contribuição as verbas pagas a título de “abono de férias”, na forma dos arts. 143 e 144 da CLT, ainda que, nos termos de acordo, convenção coletiva de trabalho, contrato ou regulamento, condicione-se a concessão do benefício a requisitos como assiduidade ou tempo de serviço. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS PARA VIAGEM. A ajuda de custo, paga em parcela única, é recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, diferentemente das diárias para viagens. Para que as despesas com viagens não componham o salário de contribuição é necessária a apresentação da comprovação dos gastos efetivos e do demonstrativo do correspondente reembolso. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA SOBRE O FATURAMENTO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei n° 8.21291, com a redação dada pela Lei n° 9.876/99 (RE n° 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). O § 2° do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 2202-009.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para exonerar o crédito tributário constituído em face: a) ao auxílio alimentação fornecido na forma de ticket; b) ao abono de férias; e c) à contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por parte da empresa contratante de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Presidente (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (Presidente), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Sonia de Queiroz Accioly .Ausente o Conselheiro Christiano Rocha Pinheiro.
Nome do relator: SONIA DE QUEIROZ ACCIOLY

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para exonerar o crédito tributário constituído em face: a) ao auxílio alimentação fornecido na forma de ticket; b) ao abono de férias; e c) à contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por parte da empresa contratante de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Presidente (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (Presidente), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Sonia de Queiroz Accioly .Ausente o Conselheiro Christiano Rocha Pinheiro.

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NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. PARECER AGU VINCULANTE O auxílio-alimentação na forma de tíquetes ou congênere, mesmo antes do advento do §2º do art. 457 da CLT, já não integrava a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do caput do art. 28 da Lei 8.212/1991 - Parecer 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU. ABONO DE FÉRIAS. ESTABELECIMENTO DE CRITÉRIOS OBJETIVOS NÃO VEDADOS POR LEI. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não integram o salário-de-contribuição as verbas pagas a título de “abono de férias”, na forma dos arts. 143 e 144 da CLT, ainda que, nos termos de acordo, convenção coletiva de trabalho, contrato ou regulamento, condicione-se a concessão do benefício a requisitos como assiduidade ou tempo de serviço. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS PARA VIAGEM. A ajuda de custo, paga em parcela única, é recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, diferentemente das diárias para viagens. Para que as despesas com viagens não componham o salário de contribuição é necessária a apresentação da comprovação dos gastos efetivos e do demonstrativo do correspondente reembolso. AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA SOBRE O FATURAMENTO DE SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei n° 8.21291, com a redação dada pela Lei n° 9.876/99 (RE n° 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 76 06 /2 00 8- 38 Fl. 749DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 O § 2° do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para exonerar o crédito tributário constituído em face: a) ao auxílio alimentação fornecido na forma de ticket; b) ao abono de férias; e c) à contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por parte da empresa contratante de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Presidente (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Hermes Soares Campos (Presidente), Martin da Silva Gesto, Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Sonia de Queiroz Accioly .Ausente o Conselheiro Christiano Rocha Pinheiro. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 481 e ss) interposto contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária (fls. 457 e ss) que manteve o lançamento lavrado em face do Recorrente, referente a contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social, parte dos empregados, da empresa, inclusive para financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (até a competência 06/1997) e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 07/1997), e para Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre valores pagos a empregados a titulo de alimentação, ajuda de custo, abono de férias; importâncias pagas ao menor aprendiz Warllen Rodrigues; e sobre pagamentos efetuados a Cooperativa de Trabalho Médico UNIMED. A R. decisão proferida pela D. Autoridade Julgadora de 1ª Instância analisou as alegações apresentadas e manteve a autuação. Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o relatório fiscal de fls. 113 a 118, refere-se a contribuição destinada à Seguridade Social, parte dos empregados, da empresa, inclusive para financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (até a competência 06/1997) e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (a partir de 07/1997), e para Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), incidentes sobre valores pagos a Fl. 750DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 empregados a titulo de alimentação, ajuda de custo, abono de férias; importâncias pagas ao menor aprendiz Warllen Rodrigues; e sobre pagamentos efetuados a Cooperativa de Trabalho Médico UNIMED. 2. A notificada custeia parte da alimentação de seus empregados, fornecendo-lhes tiquetes, sem que esteja devidamente inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) criado pela Lei 6.321/1976, condição necessária para que não haja incidência de contribuições sobre os valores dispendidos a esse titulo, conforme artigo 28, § 92, alínea "c", da Lei 8.212/91. 3. As parcelas pagas como ajuda de custo ao empregado Ronaldo José de Morais, por não ter a natureza indenizatória prevista no artigo 470 da Consolidação das Leis do Trabalho — CLT, não se tratando de parcela única ou que tenha custeado despesas oriundas de mudança de local de trabalho, integram a base de cálculo das contribuições sociais, nos termos do artigo 28 da Lei 8.212/91. 4. Os valores pagos aos empregados, denominados pela empresa como abono de férias, são considerados de natureza remuneratória, uma vez que sua concessão está vinculada a fatores como assiduidade e tempo de serviço, sujeitas portanto, à incidência de contribuições previdenciárias. 5. A empresa remunerou também, o menor Warllen Rodrigues, no período de 08/1997 a 06/1998, quando já contava mais de 15 anos de idade, sem recolher as contribuições devidas sobre os valores pagos, inobservando desta forma, a Lei 10.097/2000. 6. Inclui-se também, na referida Notificação fiscal, exigência de contribuições incidentes sobre o valor dos serviços prestados por Cooperativas de Trabalho. 7. Foi constituído o crédito previdenciário no valor de R$396.554,74 (trezentos e noventa e seis mil, quinhentos e cinquenta e quatro reais e setenta e quatro centavos). DO NÃO CONHECIMENTO DA DEFESA 8. Cientificada a interessada do procedimento fiscal em 08/09/2006, conforme fls. 126, o prazo para apresentação de impugnação iniciou em 11/09/2006 terminando em 26/09/2006. 9. Em 13/11/2006, com a alegação de que houve erro formal na identificação da defesa apresentada em 25/09/2006, tendo constado apenas o número do auto de infração, o contribuinte requereu a retificação da mesma para incluir também o ng da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, à vista de que os feitos fiscais são correlatos. 10. Com o entendimento de que a petição, de 13/11/2006, fls. 129/130, foi feita intempestivamente, foi emitido o Despacho de Não Conhecimento de Defesa, em 12/12/2006, nos seguintes termos: Mesmo se houvesse o erro formal arguido pela empresa, face a não identificação dessa Notificação Fiscal, na defesa apresentada no processo 37.025.751-0, deve-se observar que a cada processo de débito deverá corresponder uma defesa. Assinada Por seu representante legal. ou procurador devidamente qualificado, como consta do item 2.4 das Instruções para o contribuinte (recebido pela empresa juntamente com a NFLD); fato não atendido pela impugnante. DO REQUERIMENTO DA EMPRESA 11. A empresa justifica o fato de ter apresentado uma única defesa, na possibilidade de ter anulada a NFLD, restando também cancelado o auto de infração, pois os feitos fiscais são oriundos do mesmo procedimento de fiscalização, consignando idênticos fundamentos quanto a matéria objeto do lançamento. No entanto, por equivoco, deixou de incluir na petição o número da notificação, razão pela qual pediu o seu aditamento, em 13/11/2006, fls. 129/130. 12. Alega que foi surpreendida com a noticia de que a impugnação referente à notificação fiscal teria sido apresentada a destempo, por isso não foi conhecida. 13. Esclarece que a impugnação foi efetivamente apresentada, em 25/09/2006, tempestivamente, e requer o encaminhamento do procedimento fiscal a Gerência de Contencioso Administrativo, para que essa seja apreciada. Fl. 751DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 14. Argui que a suposta intempestividade é flagrante à ilegalidade da exigência do crédito tributário consignado na NFLD e auto de infração, razão porque entende ser dever do agente público responsável, rever sua decisão de ofício, em atendimento aos princípios constitucionais da eficiência e da ampla defesa, afetos à Administração Pública, conforme artigo 37 da CF/88 e Súmula 473 do Supremo Tribunal Federal. DA IMPUGNAÇÃO 15. Nas razões de defesa, fls. 131/153, a empresa alega: 16. Fornece alimentação a seus trabalhadores através de tíquete e não em pecúnia, atendendo ao estabelecido na legislação do PAT; 16.1. Efetuou a sua inscrição no referido programa em 03/05/2006; 16.2. Cumpriu todos os requisitos legais necessários à concessão do direito à isenção; é inadmissível que tal beneficio seja concedido apenas a quem posta o formulário nos correios; essa postagem não passa de mera formalidade, configurando apenas meio de prova de que a empresa aderiu ao PAT; não pode ser eleito como condição sine qua non para o reconhecimento da isenção; 16.3. A isenção de contribuição social decorre de lei; a administração quando muito, verifica o atendimento de tais condições; 16.4. Ainda que o ato de inscrição fosse necessário, trata-se de ato declaratório com efeito suspensivo, logo seus efeitos envolvem todo o período anterior; 16.5. A alimentação fornecida pela empresa não constitui salário in natura, não tem natureza salarial; mesmo que não estivesse inscrita no PAT, cumpriu os requisitos exigidos pelo MTPS; 17. Quanto a cooperativa de trabalho, não há sustentação jurídica para enquadrar a exigência tratada na Lei 9.876/1999, em quaisquer das contribuições sociais autorizadas pelo artigo 195 da Constituição Federal, somente podendo ser incluída na competência residual da União, o que dependeria de lei complementar, inexistente na espécie; 17.1. A instituição da citada contribuição é inconstitucional por quebra da isonomia tributária, da liberdade de trabalho e da livre iniciativa, pois impede a condição da concorrência legitima entre as sociedades prestadoras de serviço com fins lucrativos que não se submetem a essa incidência e as cooperativas de trabalho; 18.O abono de férias com base no artigo 144 da CLT, bem como o concedido em virtude de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedentes a vinte dias de salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. Como a impugnante atende aos dois requisitos, não há o que se discutir em relação incidência de contribuição previdenciária nesses casos, principalmente porque possuem natureza jurídica indenizatória. 19. A parcela paga a titulo de ajuda de custo foi efetuada durante dois meses, em caráter excepcional, apenas para cobrir despesas precisas e especificas ocorridas no interesse do empregador, sem intenção de fraudar a Previdência, portanto, de natureza indenizatória; 20. Nenhuma das parcelas tiveram valor superior a 50% do salário do empregador, na forma determinada pelo artigo 457, § 2, da CLT; 21. Requer seja extinto o procedimento de cobrança. 22. É o relatório. A Autoridade Julgadora considerou o lançamento procedente, em decisão com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. Fl. 752DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 Integram o salário-de-contribuição as parcelas pagas a funcionários a titulo de Auxilio- Alimentação cujo programa não tenha sido aprovado pelo Ministério do trabalho, bem como o abono de férias pago em desacordo com os artigos 143 e 144 da CLT e ajuda de custo pago em mais de uma vez. É legitima á cobrança de contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre valores pagos a cooperativas de trabalho. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Cientificado da decisão de 1ª Instância, aos 15/02/2007 (fls. 473), o contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 27/02/2007 (fls. 477 e ss), insurgindo-se contra o lançamento ao enfoque de que: 1 – não houve apreciação das alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade apresentadas na impugnação; 2 –não há incidência tributária sobre a ajuda de custo paga a Ronaldo José de Morais; 3 –não há incidência tributária sobre o pagamento de abono de férias, previsto na convenção coletiva de trabalho; 4 –não há incidência tributária sobre valores pagos a cooperativas de trabalho; 5 –não há incidência tributária sobre os valores pagos como auxílio alimentação por ticket. Juntou documentos. O recurso não foi aceito, porquanto desacompanhado de depósito recursal (fls. 541/543). A fls. 557 e ss, o Recorrente peticionou ao CRPS, solicitando a revisão da decisão, em face da r.decisão do Colendo Supremo Tribunal Federal, que, em julgamento pelo plenário, decidiu pela inconstitucionalidade da exigência do depósito prévio para o processamento de recurso ; a Autuada recorreu da decisão que cassou a referida liminar, sendo restabelecia, conforme infere-se da r.decisão em anexo, para "suspender a exigência de depósito prévio como condição para processamento e decisão do recurso administrativo". Nova decisão (fls. 579 e ss) manteve o posicionamento de não processamento do recurso. Na sequencia, despacho da DRF/BH (fls. 589) indicativo de períodos decadentes, culminou na revisão de crédito tributário constituído, de ofício (fls. 593 e ss). Essa decisão fora ementada da seguinte forma: Assunto: PRAZO DECADENCIAL. SÚMULA VINCULANTE N°08 DO STF - REVISÃO DE OFÍCIO Ementa: Com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias passa a ser regido pelo Código Tributário Nacional, fato que implica a revisão imediata dos créditos em fase de cobrança administrativa e judicial. Dispositivos Legais: Art. 156, V, art. 150, § 4° e art. 173, inciso I, do CTN; art. 280 da Portaria MF n° 125, de 04/03/2009. Por essa decisão, restaram declaradas decaídas as competências de jan/96 a ago/2001, e não decaídas as competências de 09/2001 a 12/2005. Fl. 753DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 A fls. 605 e ss, foi inserido DADR - DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DO DEBITO RETIFICADO. A fls. 677 e ss, encontra-se o Discriminativo de Débito por Competência. Remetidos os autos à PGFN, a Procuradoria solicitou a devolução dos autos à RFB, tendo em vista a Súmula Vinculante do STF nº 21. Na sequência, os autos foram devidamente remetidos ao CARF para julgamento. Esse, em síntese, o relatório. Voto Conselheira Sonia de Queiroz Accioly, Relatora. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame, acolhido argumento relativo à desnecessidade de depósito recursal prévio, ante a Súmula Vinculante do STF nº 21, abaixo reproduzida. Súmula STF Vinculante 21 - Depósito prévio É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Na fase defensória (fls. 261 e ss e 295 e ss), o Recorrente alegou que: 31 - Resta clara a ilegalidade da conduta do INSS, na medida em que exige a contribuição previdenciária sobre o valor da alimentação fornecida, dentro dos padrões exigidos pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social - MTPS, simplesmente pelo fato de não estar o contribuinte inscrito, no momento do fornecimento da alimentação. 4 - A Lei n. 9.876/99 alterou a redação do artigo 22, acrescendo o inciso IV, da Lei n. 8.212/91, com a consequente revogação do disposto na Lei Complementar n. 84/96, determinando que os contratantes de mão-de-obra de cooperativas de trabalho recolham contribuição incidente sobre o referido negócio jurídico. A modificação ocorreu após a promulgação da Emenda Constitucional n. 26/98, .'que ampliou a base tributária das contribuições sociais intituladas de previdenciárias, que deixaram de incidir somente com relação à folha de salários, mas passaram a englobar toda e qualquer forma de remuneração da prestação de serviços. 5 - Na contribuição previdenciária anterior, instituída pela Lei Complementar n. 84/96, o sujeito passivo da obrigação tributária era a cooperativa, que deveria recolher o valor correspondente a 15% ou 30%, a depender do caso concreto, do montante pago aos associados. (...) 9 - Dessa forma, manifesta a impropriedade de equiparar as cooperativas de trabalho, pessoas jurídicas regularmente constituídas e submetidas à. tributação, aos trabalhadores pessoas físicas que recebem remuneração, independente da natureza jurídica da contratação. Estas sociedades emitem nota fiscal, correspondente ao ingresso dos valores devidos aos cooperados que exerceram sua atividade, não se podendo admitir a equiparação deste recebimento a da remuneração. (...) 13 - Deve-se acrescentar, por oportuno, que mesmo na hipótese de sua instituição via lei complementar, ainda assim , permaneceriam vícios de inconstitucionalidade, pois há evidente quebra da isonomia tributária, erigida à condição de principio constitucional e, Fl. 754DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 portanto, cláusula pétrea. As sociedades prestadoras de serviço, com fins lucrativos, que exerçam as mesmas atividades das cooperativas de trabalho, sem fins lucrativos e que devem ter tratamento equiparado, não acarretam o ônus desta tributação para o tomador dos serviços. Há manifesta quebra do principio da liberdade de trabalho e da livre iniciativa, já que a tributação impede a condição da concorrência legitima entre ambas as sociedades. (...) Pedido 11 - Portanto, verifica-se que não ha sustentação jurídica para enquadrar a exigência consubstanciada na Lei n. 9.876/99 em quaisquer das contribuições sociais autorizadas pelo artigo 195 da Constituição Federal, somente podendo ser incluída na condição da competência residual da Unido, o que dependeria de lei complementar, inexistente na espécie. Mesmo na hipótese de sua instituição via lei complementar, ainda assim permaneceriam vícios de inconstitucionalidade, pois há evidente quebra da isonomia tributária, erigida à condição de principio constitucional e, portanto, cláusula pétrea, razão pela qual imperioso reconhecer a ilegalidade da cobrança. O Julgador de Piso não conheceu das alegações, ao fundamento de ser vedado ao INSS afastar aplicação de norma por ilegalidade ou inconstitucionalidade. Correto o entendimento exarado na R. Decisão Recorrida. Em verdade, o Julgador Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, sendo vedado ainda ao órgão julgador administrativo negar a vigência a normas jurídicas por motivo de alegada ilegalidade de lei, salvo nos casos previstos no art. 103-A da CF/88 e no art. 62 do Regimento Interno do CARF ,consoante Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isso porque o controle de legalidade efetivado neste Julgamento, dentro da devolutividade que lhe compete frente à decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em consonância com a legislação vigente. Também ressalta-se que este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de ilegalidade de ato normativo vigente, uma vez que sua competência resta adstrita a verificar se o fisco utilizou os instrumentos legais de que dispunha para efetuar o lançamento. Nesse sentido, art. 62, do Regimento Interno do CARF, e o art. 26-A, do Decreto 70.235/72. Isso porque o controle efetivado pelo CARF, dentro da devolutividade que lhe compete frente à decisão de primeira instância, analisa a conformidade do ato da administração tributária em consonância com a legislação vigente. Nesse sentido, compete ao Julgador Administrativo apenas verificar se o ato administrativo de lançamento atendeu aos requisitos de validade e observou corretamente os elementos da competência, finalidade, forma e fundamentos de fato e de direito que lhe dão suporte, não havendo permissão para declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de atos normativos. Assim, não apenas é descabida a alegação, indireta, de nulidade da decisão de piso por não conhecimento da temática, como também não caberia conhecimento dessa temática nessa esfera de julgamento administrativo, caso apresentada no Recurso. Do Mérito Fl. 755DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 O Recorrente insurge-se contra a incidência de contribuições sociais sobre: 1 –os valores pagos como auxílio alimentação por ticket. 2 –a ajuda de custo paga a Ronaldo José de Morais; 3 –o pagamento de abono de férias, previstas na convenção coletiva de trabalho; 4 –valores pagos a cooperativas de trabalho. Vejamos cada uma das alegações. 1 – Auxílio Alimentação por ticket Da instrução processual, observa-se que o auxílio alimentação foi pago por ticket (Relatório da NFLD fls. 225 e ss). Segundo o documento: O presente débito refere-se a contribuições devidas A Seguridade Social. , correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa, financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho SAT ( para competências até 06/97 ), financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho ( para competências a partir de 07/97), e as destinadas aos terceiros ( SAL. EDUC., INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE ). Trata-se de valores apurados em decorrência do fornecimento pela empresa de tiquetes alimentação aos seus segurados empregados sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador ( PAT), criado pela Lei 6.321/76 e administrado pelo Ministério do Trabalho. Sendo assim a concessão dos tiquetes alimentação é considerado salário utilidade, também denominado salário "in natura", previsto no artigo 458 da CLT, tendo em vista que o mesmo está ligado a ocorrência de um ganho econômico em utilidade para o empregado em razão da relação de emprego. Deve ser firmado restar incontroverso, no caso, encontrar-se o Recorrente em desacordo com o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), na medida em que não comprovada a adesão ao programa. Além disso, é fato que o pagamento do auxílio ocorreu mediante o fornecimento de ticket, conforme instrução processual. Até o presente momento, esta relatora mantinha entendimento no sentido de que auxílio alimentação pago mediante ticket não era assimilável ao pagamento in natura, para o qual é desnecessária a adesão ao PAT. Assim, para essa espécie de pagamento, haveria a incidência tributária. Entretanto, em 23/02/2022, foi publicado no DOU Edição 38, Seção 1, pg 15, despacho do Presidente da República que aprovou e tornou vinculante para a administração pública o Parecer nº 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU que traz a ementa abaixo reproduzida: PARECER n. 00001/2022/CONSUNIAO/CGU/AGU NUP: 00695.001437/2019-16 INTERESSADOS: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS ASSUNTOS: AUXÍLIO-ALIMENTAÇÃO EMENTA: Exame acerca da incidência da contribuição previdenciária sobre os valores recebidos pelo empregado na forma de tíquetes ou congêneres. Dissonância interna Fl. 756DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 apontada pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Exame sob a disciplina do art. 28 da Lei nº 8.212/1991, até 10 de novembro de 2017. Natureza jurídica de parcela não salarial, para os fins da exação em testilha. Consequências concretas da decisão e princípio da eficiência. O auxílio-alimentação na forma de tíquetes ou congênere, mesmo antes do advento do §2º do art. 457, já não integrava a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos do caput do art. 28 da Lei 8.212/1991. Extrai-se da fundamentação do Parecer/AGU: 38. Do exame de toda a questão em testilha parece ter ficado evidenciado, de fato, uma fundada dúvida no âmbito da Administração fiscal federal acerca de o auxílio- alimentação em tíquete ou congêneres compor, ou não, a base de cálculo da contribuição previdenciária, antes da entrada em vigor do novel art. 457, §2º da CLT. Dessa feita, considerando as potenciais consequências práticas da definição da questão, bem detalhadas no DESPACHO Nº 25/2022/PGFN-ME, não me parece razoável, sob a perspectiva da repercussão concreta e do princípio da eficiência, permanecer dúvida acerca da interpretação mais adequada, no caso, a de que o auxílio alimentação em tíquete ou congênere não compôs a base de cálculo da contribuição previdenciária, em momento algum. 39. Conclui-se, pois, que o auxílio-alimentação na forma de tíquetes ou congênere, mesmo antes do advento do §2º do art. '457 da CLT, já não integrava a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos docaputdo art. 28 da Lei 8.212/1991. Em paralelo, sob perspectiva das consequências concretas da decisão e em deferência ao princípio da eficiência, igualmente, chegamos a mesma conclusão. 3. CONCLUSÃO: 40. Ante o exposto, concluiu-se que o auxílio-alimentação na forma de tíquetes ou congêneres, mesmo antes do advento do §2º do art. 457 da CLT, já não integrava a base de cálculo da contribuição previdenciária, nos termos docaputdo art. 28 da Lei 8.212/1991. Acolhidos os fundamentos do parecer vinculante, resta exonerado o crédito tributário constituído em face ao auxílio alimentação na forma de ticket. 2 –a ajuda de custo paga a Ronaldo José de Morais; Extrai-se do Relato fiscal de fls 227/229: Período: 0412002 e 05/2002. Levantamento AJ , conforme Discriminativo Analítico do Débito — DAD em anexo. O presente débito refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social. , correspondentes à parte do segurado empregado, da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho ( para competências a partir de 07/97 ), e as destinadas aos terceiros ( SAL. EDUC., INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE ). O débito refere-se a contribuições devidas sobre parcelas pagas a titulo de "Ajuda de Custo", ao segurado empregado Ronaldo José de Morais, e não consideradas pela empresa na base de cálculo para incidência das contribuições previdenciárias. Os valores pagos ao segurado empregado , denominados pela empresa como "ajuda de custo", não se caracterizam como parcela de natureza indenizatória previsto no artigo 470 da CLT, por não se tratar de parcela única e destinada a custear as despesas oriundas de mudança de local de trabalho. Serviu de base de cálculo para o lançamento fiscal a rubrica "ajuda de custo" discriminada nas respectivas folhas de pagamento do período mencionado e livro Diário. No tocante à contribuição previdenciária do segurado empregado informamos que foi efetuado o calculo, observando as faixas salariais considerando-se a remuneração já Fl. 757DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 recebida, sendo calculada somente a diferença da contribuição em face da inclusão da "ajuda de custo "como parcela de natureza remuneratória, conforme demonstrado a seguir: (...) No Relatório de Lançamentos em anexo estão discriminados os valores pagos a titulo de "ajuda de custo". Os salários de contribuição que serviram de base de calculo para o débito e as aliquotas que foram aplicadas encontram-se descritos no " Discriminativo Analítico de Débito". A respeito do tema, a R. Decisão de 1ª instância salientou que: 28.A notificada alega que a ajuda de custo paga ao empregado Ronaldo José de Morais, foi em decorrência de viagem, não excedeu a 50% de sua remuneração e por isso, com fundamento no § 22 do artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho - CLT- não é base de incidência de contribuição previdenciária. Tal alegação não procede. 28.1. Por salário entende-se o pagamento realizado diretamente pelo empregador para o empregado, como retribuição pelo seu trabalho. Remuneração é a palavra empregada para albergar tanto o salário quanto as gorjetas recebidas, conforme dispõe a Consolidação das Leis do Trabalho — CLT: (...) 28.2. O § 1º desse artigo disciplina que integram o salário não só a importância fixa estipulada, mas também as comissões, percentagens, gratificações, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. Já § 22 dispõe que não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. Nessa oportunidade, distingue ajuda de custo de diária. 28.3. Diárias, na acepção trabalhista, são pagamentos ligados diretamente à viagem feita pelo empregado para prestação de serviços, decorrentes de sua mobilidade, ao passo que ajuda de custo é a importância paga com objetivo de proporcionar condições para a execução do serviço. Assim, não é de bom alvitre querer a recorrente, agora, alterar a nomenclatura antes dada de ajuda de custo para diária, bem como nada apresentou que pudesse comprovar suas alegações. 28.4. A alínea "g" do § 92 do artigo 28 da Lei 8.212/91, determina a parcela correspondente a ajuda de custo não integrante do salário de contribuição como aquela paga, em parcela (mica, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, nos termos do artigo 470 da CLT. Desta forma, o pagamento efetuado ao empregado Ronaldo Jose de Morais, em mais de uma vez, é, sem dúvida, parcela sujeita A incidência de contribuição previdenciária. Vejamos. Diz o artigo 457 da CLT: Art. 457 Compreendem-se na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953). (...) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinqüenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) (...) Pela leitura do dispositivo, verifica-se que a ajuda de custo não se confunde com a diária para viagem. Fl. 758DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 A ajuda de custo, paga em parcela única, é recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, diferentemente das diárias para viagens. O § 9º do artigo 28 da lei 8212/91, ao tratar do salário de contribuição, esclarece a diferença entre os dois conceitos ao colocá-los em incisos diferentes: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; No caso em epígrafe, o contribuinte classificou pagamentos efetuados a seu empregado como ajuda de custo, mas alega que o pagamento decorreu da necessidade de ressarcir despesas com viagens. Foram 2 pagamentos: Não sendo possível classificar esses pagamentos como ajuda de custo, cumpre verificar se acaso se enquadram no conceito de diárias para viagem e na situação prevista no § 2o do artigo 457 da CLT. Para que as despesas com diárias não componham o salário de contribuição é necessária a apresentação da comprovação dos gastos efetivos e do demonstrativo do correspondente reembolso. Esses dados não foram apresentados pelo Recorrente. O Recorrente apenas alega serem despesas com diárias, mas não comprova. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. Assim, por não se enquadrar no conceito de ajuda de custo, e, por não haver a comprovação de que os pagamentos referem-se a ressarcimento de gastos efetivos na realização do trabalho, os pagamentos classificados pelo Recorrente como ajuda de custo devem integrar o salário de contribuição, restando mantida a autuação nesse aspecto. 3 –o pagamento de abono de férias, previstas na convenção coletiva de trabalho; O Recorrente alega que as parcelas pagas a título de abono ou indenização concedidos por acordo ou convenção coletiva não tem natureza salarial Extrai-se do relato fiscal (fls. 229) que: Período : 06/2001 a 12/2005 Levantamento AJ , conforme Discriminativo Analítico do Débito — DAD em anexo. O presente débito refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social. , correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa, financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho ( para competências a partir de 07/97), e as 110 destinadas aos terceiros ( SAL EDUC., INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE ). Fl. 759DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 O débito refere-se a contribuições devidas sobre parcelas pagas a titulo de "Abono de Férias",, aos segurados empregados, e não consideradas pela empresa na base de calculo para incidência das contribuições previdenciárias. Os valores pagos aos segurados empregados , denominados pela empresa como "abono de férias", são considerados parcelas de natureza remuneratória uma vez que a sua concessão esta vinculada a fatores como assiduidade e tempo de serviço conforme previsto na convenção coletiva de trabalho : As empresas concederão, a título de abono de férias, R$ 100,57 (valor de 2005), não cumulativo, a ser pago de 1 em 1 ano ao empregado, que, após completar dois anos de serviço na empresa, não tiver, durante o período aquisitivo, mais de 4 faltas ao serviço, não justificadas. Sendo assim estas parcelas tem incidência de contribuições previdenciárias. Serviu de base de cálculo para o lançamento fiscal a rubrica "abono de férias" discriminada nas respectivas folhas de pagamento do período mencionado e livro Diário. No tocante à contribuição previdenciária dos segurados empregados informamos que foi efetuado o cálculo, observando as faixas salariais considerando-se a remuneração já recebida, sendo calculada somente a diferença da contribuição em face da inclusão do "abono de férias "como parcela de natureza remuneratória, conforme demonstrado em relatório anexo. No Relatório de Lançamentos em anexo estão discriminados os valores pagos a titulo de "abono de férias". Os salários de contribuição que serviram de base de cálculo para o débito e as alíquotas que foram aplicadas encontram-se descritos no "Discriminativo Analítico de Débito". A respeito do tema, a R. Decisão de 1ª instância (fls. 465) salientou que: 27.Abono de férias é aquele concedido em virtude de cláusulas de contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo trabalhista, na forma do artigo 144 da Consolidação das Leis do Trabalho — CLT e não se confunde com o abono pecuniário, que é a venda de 1/3 das férias de que trata o artigo 143 da CLT, nem com 1/3 constitucional. 27.1. O abono-pecuniário decorrente da conversão de 1/3 de férias (artigo 143 da CLT), na forma da Súmula nº 125 do STJ, possui caráter indenizatório, pois visa apenas a ressarcir o servidor de um direito ao descanso de que o mesmo não chegou a usufruir e que beneficiou a Administração. Também o abono não excedente a 20 dias de trabalho (artigo 144 da CLT) não integra a base de cálculo da contribuição Social. 27.2. Entretanto, no presente caso, os valores pagos aos empregados, denominados pela empresa como "abono de férias" têm natureza remuneratória, uma vez que a sua concessão está vinculada a fatores como assiduidade e tempo de serviço, como previsto na convenção coletiva de trabalho: as empresas concederão, a titulo de abono de férias, R$100,57 (valor de 2005), não cumulativo, a ser pago de 1 em 1 ano ao empregado, que, após completar dois anos de serviço na empresa, não, tiver, durante o período aquisitivo, mais de 4 faltas ao serviço, não Justificadas (relatório fiscal, fls. 115), fora portanto, das hipóteses previstas nos artigos 143 e 144 d CLT. A C. CSRF, no Acórdão 9202-009.264, de 19/11/2020, assim decidiu: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 ABONO DE FÉRIAS. ESTABELECIMENTO DE CRITÉRIOS OBJETIVOS NÃO VEDADOS POR LEI. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não integram o salário-de-contribuição as verbas pagas a título de “abono de férias”, na forma dos arts. 143 e 144 da CLT, ainda que, nos termos de acordo, convenção coletiva de trabalho, contrato ou regulamento, condicione-se a concessão do benefício a requisitos como assiduidade ou tempo de serviço. Fl. 760DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 Extrai-se da fundamentação do R. Acórdão da CSRF: A matéria devolvida à apreciação deste Colegiado cinge-se à incidência das contribuições sociais incidentes sobre o abono de férias, previsto no art. 144 da CLT. No caso, o Colegiado a quo corroborou o entendimento exarado na decisão de primeira instância administrativa de que, se a concessão desse benefício for determinada em função de fatores como eficiência, assiduidade, pontualidade, tempo de serviço e produção, estabelecido ou não em cláusula contratual ou convenção coletiva de trabalho, tal parcela integraria o salário-de-contribuição, submetendo-se à incidência tributária. Não obstante, embora esse seja também o entendimento suscitado no Relatório Fiscal Complementar (fls. 909/1039), é possível extrair desse relatório que o único critério estabelecido para o pagamento do abono, estabelecido em convenção coletiva de trabalho, diz respeito ao tempo de permanência do empregado na empresa, nos seguintes termos: (...) Sobre o tema, os arts. 143 e 144 da CLT dispõem: Art. 143 - É facultado ao empregado converter 1/3 (um terço) do período de férias a que tiver direito em abono pecuniário, no valor da remuneração que lhe seria devida nos dias correspondentes [...] Art. 144. O abono de férias de que trata o artigo anterior, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da legislação do trabalho. Além disso, embora a legislação trabalhista não tenha aplicação automática ao custeio previdenciário, a própria Lei nº 8.212/1191 exclui as importâncias recebidas a título de abono de férias, em conformidade os arts. 143 e 144 da CLT, da incidência das contribuições incidentes sobre a folha de salários, nos seguintes termos: Art. 28. Entende-se por salário-de-contribuição: [...] § 9º Não integram o salário-de-contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] e) as importâncias: [...] 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e144 da CLT; Como visto, no que tange aos valores pagos a título de abono de férias, o que fundamentou o lançamento e sua manutenção foi o fato de a Convenção Coletiva prever um requisito vinculado ao tempo de serviço, o qual define o percentual do abono atribuído a cada empregado. Nos termos da decisão recorrida, em vista dessa característica, a verba possuiria natureza de premiação, e estaria em desacordo com a regra isentiva. Ocorre que, não obstante tais considerações, para sua exclusão do salário-de contribuição, a única exigência prevista pela Lei de Custeio Previdenciário é que o abono de férias seja pago na forma dos arts. 143 e 144 da CLT. Tais dispositivos estabelecem tão-somente que o benefício não exceda vinte dias de salário e seja “concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo”. Fl. 761DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 Por outro lado, não há nos autos qualquer evidência de que a norma trabalhista tenha sido infringida, de sorte que o estabelecimento de um critério objetivo para a concessão dessa vantagem não tem o condão de alterar sua natureza, de modo a atrair a tributação. Ademais, essa matéria já foi objeto de discussão em diversas oportunidades nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, ocasiões em que prevaleceu entendimento semelhante ao aqui esposado. Como exemplo, cito o Acórdão nº 9202- 008.018, de 23/07/2019, de relatoria do Ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Confira-se O cerne da questão a ser decidida é se os valores pagos pela empresa no caso em tela enquadra-se na hipótese referida nos artigos 143 e 144 da CLT. Conforme Relatório Fiscal, os pagamentos foram feitos com base na Convenção Coletiva de Trabalho que previa o pagamento do abono, condicionado a que, no período aquisitivo o empregado atendesse a requisito de assiduidade. (...) Pois bem, sobre a incidência ou não da Contribuição Previdenciária sobre as verbas pagas a titulo de abono de férias, verifica-se que, tanto a CLT quanto a Lei nº 8.212, de1991 expressamente desvinculam essa rubrica da remuneração, o que lhe afasta, também, do conceito de Salário-de-Contribuição. Este Colegiado, aliás, já se posicionou sobre essa questão. Confira-se: ABONO DE FÉRIAS. O abono de férias de que trata o artigo 143 da CLT, bem como o concedido em virtude de cláusula do contrato de trabalho, do regulamento da empresa, de convenção ou acordo coletivo, desde que não excedente de vinte dias do salário, não integrarão a remuneração do empregado para os efeitos da Legislação do Trabalho.(Acórdão nº 9202-00.485, de 09 de março de 2010) O que se discute especificamente neste processo é a circunstância de que a Convenção Coletiva, ao prever o pagamento do abono, o condicionou à assiduidade e se tal exigência desnaturaria o abono de férias para fins de sua classificação no conceito de remuneração e, consequentemente, de Salário-de-Contribuição. Em recentíssimo julgado, proferido na sessão de maio de 2019, da qual eu próprio participei, se decidiu, por unanimidade, que o fato de o pagamento do abono estar condicionado ao fator assiduidade não alteraria sua natureza não remuneratória e, portanto, não haveria incidência da Contribuição Previdenciária. Trata-se do Acórdão 9202-007.857, proferido na Sessão de 21 de maio de 2019, de Relatoria da Conselheira Ana Paula Fernandes. Confira-se: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ABONO DE FÉRIAS. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA DE TRABALHO. LIMITADO A VINTE DIAS DO SALÁRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. Não incidem contribuições sociais sobre o abono de férias pago em obediência a norma coletiva de trabalho e não excedente a vinte dias do salário do trabalhador. As situações são idênticas e não há razão para dar a este processo outro encaminhamento. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, dou-lhe provimento. (Grifou-se) Embora no caso em questão o requisito para o empregado fazer jus ao abono de férias seja o tempo de serviço na empresa e no acórdão colacionado seja a assiduidade, a situação é similar, pois, em ambos os casos, o pagamento da vantagem é feito a partir de critérios objetivos que não afrontam as condições estabelecidas na lei trabalhista. Assim, tal qual já decidido por esta CSRF, considero que a exigência de tempo de serviço na empresa para o pagamento do abono de férias não afasta a aplicação do art. 28, § 9º, alínea “e”, item 6, da Lei nº 8.212/1991, sobretudo porque no presente caso não foi ultrapassado o limite de 20 dias que é o requisito previsto no art. 144 da CLT Fl. 762DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 Conforme autuação, observa-se a ausência de elementos de descumprimento do limite do art. 144, da CLT. Ademais, esse critério não foi inserido na autuação. Desta forma, resta exonerar o crédito tributário constituído em face do abono de férias. 4 –valores pagos a cooperativas de trabalho Extrai-se do Relato fiscal a fls. 233 que: ASSISTÊNCIA MÉDICA/UNIMED Período: 09/2000 a 12/2005 Levantamento COP , conforme Discriminativo Analítico do Débito — DAD em anexo. Fato Gerador — serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho à empresa. Trata-se de débito oriundo de contrato de assistência médica celebrado pela empresa com a cooperativa de trabalho médico UNIMED BH. Por se tratar de contrato de grande risco ou de risco global, a parcela correspondente aos serviços que serão prestados pelos cooperados não será inferior a 30% do valor bruto da nota fiscal ou fatura, desde que os serviços prestados pelos cooperados e aqueles prestados por demais pessoas fisicas ou jurídicas e materiais fornecidos não estejam discriminados na respectiva nota fiscal ou fatura. Todas as faturas são emitidas contra a JAM ENGENHARIA que é a responsável perante a cooperativa pelos pagamentos, sendo a base de cálculo da contribuição previdenciária o valor bruto da fatura ou a parte correspondente aos serviços prestados pelos cooperados. Os elementos examinados que serviram de base para o lançamento fiscal foram as notas fiscais emitidas pela UNIMED , livros Diário e Razão. No "Relatório de Lançamentos" em anexo estão discriminadas as notas fiscais emitidas pela UMMED-BH que serviram de base de cálculo. As bases de cálculo para o débito e as aliquotas que foram aplicadas encontram-se descritos no "Discriminativo Analítico do Débito." Ressaltamos que no período de 11/2004 a 1212005 a empresa recolheu a contribuição previdenciária sobre algumas notas fiscais emitidas pela UNIMED sendo assim neste período efetuamos o lançamento do débito das notas fiscais que a empresa não havia considerado como base de cálculo. Na Decisão de 1º grau, o Julgador de Piso (fls. 467) considerou que: 29.A contribuição incidente sobre a remuneração pelos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas, a partir da competência 03/2000, têm a base legal do lançamento no artigo 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, na redação da Lei 9.876/1999, a seguir: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, 6 de: (...) IV - quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. (Incluído pela Lei ng 9.876, de 26.11.99) 30.Quanto as considerações doutrinárias apresentadas pela defesa, acerca da legalidade/constitucionalidade das leis aplicadas pela Fiscalização, temos a acrescentar que as questões de ordem constitucional não devem ser discutidas na esfera administrativa do débito, por tratar de competência exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 763DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 30.1. A esse respeito, a Portaria Ministerial n.g 520, de 19/05/2004 (DOU de 20/05/2004), que rege o Contencioso Administrativo Fiscal no âmbito do INSS, determina: Art. 20 É vedado ao Instituto Nacional do Seguro Social afastar a aplicação, por inconstitucionalidade ou ilegalidade, de tratado, acordo internacional, lei, decreto ou ato normativo em vigor, ressalvados os casos em que: I — já tenha sido declarada a inconstitucionalidade da norma pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta, após a publicação da decisão, ou pela via incidental, após a publicação da resolução do Senado Federal que suspender a sua execução; II — haja decisão judicial. proferida em caso concreto. afastando a aplicação da norma, por ilegalidade ou inconstitucionalidade, cuja extensão dos efeitos jurídicos tenha sido autorizada pelo Presidente da República. 31.Finalmente, a notificação em epígrafe foi lavrada na estrita observância das determinações legais vigentes, consoante discriminado nos fundamentos legais as fls. 94/102. Vejamos. O STF declarou a inconstitucionalidade da contribuição de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho (Recurso Extraordinário nº 595.838/SP), prevista no art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com repercussão geral reconhecida. Foi editada a Resolução Senado Federal n° 10/2016, que suspendeu a execução do dispositivo inconstitucional. O § 2° do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código vigente deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, devem ser excluídos da exigência os valores referentes à contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por parte da empresa contratante de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por em dar provimento parcial ao recurso para : 1 - exonerar o crédito tributário constituído em face ao auxílio alimentação na forma de ticket. 2 – exonerar o crédito tributário constituído em face do abono de férias; 3 - exonerar a exigência tributária relativa aos valores referentes à contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por parte da empresa contratante de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 764DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2202-009.602 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.007606/2008-38 Sonia de Queiroz Accioly Fl. 765DF CARF MF Original

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Numero do processo: 18471.002034/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2002, 2003 IRPF. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Nos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a contagem do prazo decadencial inicia-se a partir da ocorrência do fato gerador, que se verifica em 31 de dezembro do ano-calendário analisado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO EXTERIOR. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. ART. 42, L. 9.630/96. STF. CONSTITUCIONALIDADE. Configuram omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Constitucionalidade do art. 42, da Lei nº 9.630/96, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no Tema nº 842, da Repercussão Geral. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não seja comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou sujeitos à tributação exclusiva é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputa-se válido o lançamento relativo à omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegações, desacompanhadas de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte. CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA E MULTA DO CARNÊ-LEÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 147 DO CARF. Relativamente aos fatos geradores até o ano-calendário 2006, é inviável a imposição de multa isolada do carnê-leão em conjunto com a multa de ofício incidente sobre o imposto de renda lançado, dada a ausência de previsão legal, o que configuraria dupla penalidade pela mesma infração, nos termos da Súmula nº 147, do CARF.
Numero da decisão: 2401-010.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada em razão da falta de recolhimento do carnê-leão. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Renato Adolfo Tonelli Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado(a)), Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: RENATO ADOLFO TONELLI JUNIOR

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DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Nos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, a contagem do prazo decadencial inicia-se a partir da ocorrência do fato gerador, que se verifica em 31 de dezembro do ano-calendário analisado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO EXTERIOR. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. ART. 42, L. 9.630/96. STF. CONSTITUCIONALIDADE. Configuram omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Constitucionalidade do art. 42, da Lei nº 9.630/96, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no Tema nº 842, da Repercussão Geral. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não seja comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte ou sujeitos à tributação exclusiva é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputa-se válido o lançamento relativo à omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegações, desacompanhadas de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte. CONCOMITÂNCIA MULTA ISOLADA E MULTA DO CARNÊ-LEÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 147 DO CARF. Relativamente aos fatos geradores até o ano-calendário 2006, é inviável a imposição de multa isolada do carnê-leão em conjunto com a multa de ofício incidente sobre o imposto de renda lançado, dada a ausência de previsão legal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 20 34 /2 00 7- 32 Fl. 254DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 o que configuraria dupla penalidade pela mesma infração, nos termos da Súmula nº 147, do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa isolada em razão da falta de recolhimento do carnê-leão. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Renato Adolfo Tonelli Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Renato Adolfo Tonelli Junior, Matheus Soares Leite, Wilderson Botto (suplente convocado(a)), Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de lançamento de crédito tributário do Imposto de Renda da Pessoa Física - IRPF relativo aos anos-calendário de 2002 e 2003, efetuado por meio do Auto de Infração lavrado em 10/12/2007 (fls. 139/150), em face do contribuinte acima identificado, no montante de R$ 639.016,74, sendo R$ 242.373,48 de imposto; R$ 154.836,43 de juros de mora calculados até 30/11/2007; R$ 181.780,10 de multa proporcional calculada sobre o principal; e R$ 60.026,73 de multa exigida isoladamente. Foram apuradas as seguintes infrações: 1) omissão de rendimentos recebidos do exterior; 2) acréscimo patrimonial a descoberto; 3) omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais; 4) multa de ofício e multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão e pela omissão de rendimentos. Em impugnação (fls. 181/188), o contribuinte alega a decadência, a ausência de rendimentos auferidos no exterior, de ganho de capital a ser apurado, a não ocorrência de variação patrimonial a descoberto, assim como a impossibilidade de cumulação da multa isolada de 75% com a de 50% por omissão de recolhimento via carnê-leão. A DRJ/RJ2 julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 16-54.776 (fls. 219/231), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Ano-calendário: 2002, 2003 DECADÊNCIA. FATO GERADOR COMPLEXO. A ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda devido no Ajuste Anual deve tomar como data para o seu aperfeiçoamento o último dia do ano, não sendo válido o raciocínio de que a contagem do prazo decadencial deve ser feita de forma parcelada, em relação a cada mês, à medida que as receitas vão sendo apuradas. Fl. 255DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS NO EXTERIOR. Consideram-se tributáveis os rendimentos recebidos no exterior para os quais o Contribuinte não apresente prova da origem e da natureza. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeita-se à tributação do Imposto de Renda a quantia correspondente a acréscimo patrimonial não justificado pelos rendimentos auferidos pelo contribuinte. ARGUMENTOS DESPROVIDOS DE PROVAS. Deve a impugnação estar instruída com os documentos em que se fundamentar, não podendo a Receita Federal do Brasil, sem prova hábil e idônea em contrário, desconsiderar informações prestadas pelo Banco Central do Brasil. MULTA ISOLADA SOBRE CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. SIMULTANEIDADE. É cabível o lançamento da multa isolada sobre carne leão não recolhido concomitante à multa de ofício sobre o imposto apurado de ofício na declaração inexata, visto se tratarem de infrações distintas. GANHO DE CAPITAL. DATA DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Comprovada a ocorrência do ganho de capital em mês distinto do apurado no Auto de Infração, deve ser cancelado o respectivo crédito tributário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Cientificado do Acórdão em 29/02/12 (Aviso de Recebimento - AR, fl. 223), o recorrente apresentou recurso voluntário em 21/03/12 (fls. 241/247), no qual, à exceção do capítulo sobre o ganho de capital, julgado procedente pela DRJ, reproduz os argumentos apresentados em sede de impugnação, em relação aos demais temas. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Adolfo Tonelli Junior, Relator. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido dentro do prazo legal, devendo ser conhecido. MÉRITO DECADÊNCIA A alegação de decadência deve ser afastada. Para os rendimentos sujeitos ao ajuste anual os arts. 7º e 13, parágrafo único, da Lei nº 9.250/95, dispõem que: “Art. 7º A pessoa física deverá apurar o saldo em Reais do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no ano calendário, e apresentar anualmente, até o último dia útil do mês de abril do ano- Fl. 256DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 calendário subseqüente, declaração de rendimentos em modelo aprovado pela S ecretaria da Receita Federal.” “Art. 13. O montante determinado na forma do artigo anterior constituirá, se positivo, saldo do imposto a pagar e, se negativo, valor a ser restituído. Parágrafo único. Quando positivo, o saldo do imposto deverá ser pago até o último dia útil do mês fixado para a entrega da declaração de rendimentos.” Tais dispositivos legais conferem ao imposto sobre a renda os contornos de um lançamento por homologação, aplicando-se então, para se apurar a decadência, o comando do art. 150, §4º, do CTN, no caso de haver retenção ou recolhimento antecipado, e do art. 173, I, do CTN, em não havendo: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera- se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” Ao contrário do que defende o recorrente, o fato gerador do imposto de renda não ocorre mensalmente, mas unicamente no dia 31/12 do exercício, mesmo nos casos que envolvam depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula nº 38, CARF), sem que eventuais antecipações do tributo o à medida que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos tenham o condão de modificar esse marco temporal. Sobre o tema, conferir as lições de Luís Eduardo Schoueri: “Com efeito, se o fato gerador dará nascimento à obrigação tributária, inexiste fato gerador se algum dos fatos que compõem o conjunto de fatos ainda não se tiver concretizado. Inexiste, neste sentido, "fato gerador pendente". O fato gerador, ainda que composto por uma série de fatos, será um único fato jurídico (conjunto de fatos), deste modo tomado em sua integralidade.” (SCHOUERI, Luíz Eduardo. “Fato gerador da obrigação tributária”. In: SCHOUERI, Luís Eduardo coord. Direito Tributário, Volume I: Homenagem a Alcides Jorge Costa, São Paulo: Quartier Latin, 2003, p. 146). No presente caso, o fato gerador mais remoto ocorreu em 31/12/02. Considerando a regra de contagem mais benéfica ao contribuinte, ou seja, a contagem dos cinco anos partir da data do fato gerador, a fiscalização teria até a data de 31/12/07 para efetuar o lançamento. Fl. 257DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 Como a ciência do sujeito passivo ocorreu em 11/12/07 (fl. 178), não há que se falar em decadência. OMISSÃO DE RENDIMENTOS AUFERIDOS NO EXTERIOR. DEPÓSITOS SEM ORIGEM COMPROVADA O Recorrente se insurge contra a presunção legal de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, feitos a partir do exterior em seu favor. A despeito de o auto de infração nem o termo de verificação fiscal expressamente indicarem esse nome, materialmente essa foi a infração apontada na origem. Inicialmente, cabe ressaltar, a despeito da matéria, que o legislador federal estabeleceu a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: “Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.” Fl. 258DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendo-se, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Trata-se, portanto, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos, a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida. Nesse sentido, o STF reconheceu a constitucionalidade do dispositivo em questão, no Tema nº 842, da repercussão geral: “DIREITO TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. LEI 9.430/1996, ART. 42. CONSTITUCIONALIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DESPROVIDO. 1. Trata-se de Recurso Extraordinário, submetido à sistemática da repercussão geral (Tema 842), em que se discute a Incidência de Imposto de Renda sobre os depósitos bancários considerados como omissão de receita ou de rendimento, em face da previsão contida no art. 42 da Lei 9.430/1996. Sustenta o recorrente que o 42 da Lei 9.430/1996 teria usurpado a norma contida no artigo 43 do Código Tributário Nacional, ampliando o fato gerador da obrigação tributária. 2. O artigo 42 da Lei 9.430/1996 estabelece que caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 3. Consoante o art. 43 do CTN, o aspecto material da regra matriz de incidência do Imposto de Renda é a aquisição ou disponibilidade de renda ou acréscimos patrimoniais. 4. Diversamente do apontado pelo recorrente, o artigo 42 da Lei 9.430/1996 não ampliou o fato gerador do tributo; ao contrário, trouxe apenas a possibilidade de se impor a exação quando o contribuinte, embora intimado, não conseguir comprovar a origem de seus rendimentos. 5. Para se furtar da obrigação de pagar o tributo e impedir que o Fisco procedesse ao lançamento tributário, bastaria que o contribuinte fizesse mera alegação de que os depósitos efetuados em sua conta corrente pertencem a terceiros, sem se desincumbir do ônus de comprovar a veracidade de sua declaração. Isso impediria a tributação de rendas auferidas, cuja origem não foi comprovada, na contramão de todo o sistema tributário nacional, em violação, ainda, aos princípios da igualdade e da isonomia. 6. A omissão de receita resulta na dificuldade de o Fisco auferir a origem dos depósitos efetuados na conta corrente do contribuinte, bem como o valor exato das receitas/rendimentos tributáveis, o que também justifica atribuir o ônus da prova ao correntista omisso. Dessa forma, é constitucional a tributação de todas as receitas depositadas em conta, cuja origem não foi comprovada pelo titular. 7. Recurso Extraordinário a que se nega provimento. Tema 842, fixada a seguinte tese de repercussão geral: “O artigo 42 da Lei 9.430/1996 é constitucional". (RE 855649, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Relator p/ Acórdão Min. ALEXANDRE DE MORAES, Tribunal Pleno, julgado em 03/05/2021, DJe- 091 divulg. 12/05/2021 public. 13/05/2021) (destacou-se). Fl. 259DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 No caso concreto, o contribuinte alega que o valor da transferência de R$ 33.218,38 e R$ 342.090,12, ocorridas em 04/12/02 e 09/12/02, decorreu de recursos mantidos em conta-corrente no exterior, com origem na venda de um imóvel na Holanda; em relação aos depósitos efetuados entre 11/02/03 e 18/09/03, eles seriam originados de remuneração de prestação de serviços no exterior, como consultor. A questão foi bem delimitada e decidida pela DRJ, razão pela qual se transcreve o respectivo trecho (fl. 225/226): “Foram verificadas pela Fiscalização as ocorrências de recebimentos de rendimentos do exterior pelo Contribuinte, sendo eles: R$ 342.090,12 em 09/12/2002, através do Banco ABN AMRO Real S/A; e R$ 33.218,38, R$ 8.621,28, R$ 5.060,66, R$ 24,714,91, R$ 8.555,69, R$ 11.885,62, R$ 4.930,35 e R$ 8.230,65 em 04/12/2002, 11/02/2003, 31/03/2003, 26/06/2003, 17/07/2003, 01/08/2003, 10/09/2003 e 18/09/2003, respectivamente, através do Banco do Brasil S/A. No intuito de comprovar sua alegação de que o total recebido em dezembro de 2002, de R$ 375.308,50, correspondia a uma disponibilidade financeira que possuía em decorrência da venda de um imóvel na Holanda, o Contribuinte apresenta as cópias da escritura referentes à venda do imóvel e respectiva tradução para a língua portuguesa. Os documentos apresentados se prestam a demonstrar, tão somente, que em 13/06/2000 foi realizada a venda do imóvel pelo Contribuinte ao valor de 600.000,00 Florins. Com base em tais documentos, em razão do valor da venda e da distância entre as datas da venda (13/06/2000) e dos recebimentos dos valores no Brasil (09/12/2002 e 04/12/2002), não é possível se estabelecer uma vinculação inequívoca entre a venda do imóvel e o recebimento dos valores provenientes do exterior pelo Contribuinte. Não há nos documentos apresentados qualquer prova de que as transferências realizadas eram originárias de recursos do próprio Impugnante, como este alega serem. Vale ressaltar que o montante de R$ 375.308,50 é composto por duas transferências de valores realizadas cujas liquidações, conforme as Ordens de Pagamento do Exterior (SISBB - Sistema de Informações do Banco do Brasil) de fls. 29/30, ocorreram no dia 04/12/2002. Nestes documentos, emitidos pelo Banco do Brasil S/A, consta como remetente da moeda estrangeira "JOSEF/STARY" e como beneficiário o Sr. Rikkerdt Huijskes (Impugnante). Da mesma forma, em relação às transferências realizadas cujas liquidações ocorreram no período de 11/02/2003 a 18/09/2003, o Contribuinte não logrou êxito em comprovar que os recursos eram provenientes de disponibilidades que possuía em razão da prestação de serviços de consultoria à empresa Tatra Investments Ltd no período de 24/05/1996 a 24/08/2001. A cópia da declaração em língua portuguesa firmada pela empresa Whitmill Trust Company Limited em 19/07/2007, anexada à fl. 113 e novamente à fl. 172, teve como propósito afirmar que o Sr. Rikkerdt Huijskes auferiu aproximadamente 350.000,00 Euros durante o período de 24/05/1996 a 24/08/2001 e que estes valores foram utilizados para aquisição de ações na Companhia Beate Uhse. Afirma tal declaração, ainda, que a partir de 19/09/2002 foi organizada a venda das ações para que os rendimentos fossem enviados ao Contribuinte para uso em suas atividades comerciais no Brasil. Cumpre-se salientar que não constam nos autos quaisquer documentos a partir dos quais se possam verificar a autenticidade da declaração apresentada, no entanto, ainda que houvesse comprovada a autenticidade, com base na citada Fl. 260DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 declaração não é possível estabelecer qualquer tipo de conexão entre as supostas vendas de ações da Companhia Beate Uhse e as transferências de recursos, cujas liquidações, conforme Ordens de Pagamento do Exterior de fls. 31/38, ocorreram no período de 11/02/2003 a 18/09/2003. Frise-se qup nestas ordens de pagamento emitidas pelo Banco do Brasil S/A, cujo beneficiário é o Contribuinte, constam como remetentes de moeda estrangeira os nomes "HORST/REINHARDT", IRINA/KABANTSOVA", "FILIP GERRIT WILLEM/WAGTER", "JOSEF/STARY", "JAN/ZUSKA" e "JANA/STARA".” Em outras palavras, não declarou os valores mantidos no exterior em suas DIRPF e não trouxe outros elementos para comprovar o alegado, a exemplo dos dados da conta mantida no exterior, da evolução do respectivo saldo a partir da venda do imóvel realizada no ano 2000 etc. Também não há elementos que indiquem a efetiva prestação dos alegados serviços de consultoria durante o ano de 2003, como faturas, e-mails ou documentos que atestassem a sua ocorrência, a justificar as diferentes transferências feitas por terceiros em seu favor. Sem essas informações não é possível concluir que as disponibilidades transferidas referiam-se a valores prévios de sua propriedade ou que decorreram da prestação de serviços no exterior. O ônus da prova de discriminar e comprovar a origem dos depósitos é do recorrente. Com efeito, não basta a alegação genérica de que os valores depositados em suas contas estariam comprovados, eis que os argumentos devem estar acompanhados de provas, não bastando a apresentação de diversos documentos sem correlacioná-los com os fatos que se pretende provar e com as conclusões a que se pretende chegar. Nesse sentido, conferir acórdão desta Turma: “Processo nº 11080.725188/2010-56 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-009.135 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de fevereiro de 2021 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE DEFESA/IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 261DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputa-se válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte.” Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, já que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430/96. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO A Lei nº 7.713/88, que estabeleceu a tributação pelo regime de caixa, em seus artigos 1°, 2° e 3°, “caput”, e §§ 1° e 4°, dispõe que: “Art. 1° Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1° de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2 ° O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3 °- O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9° e 14 desta Lei. § 1°- Constituem rendimento bruto todo o produto do Capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) §`4°- A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando para incidência do imposto o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” (destacou-se) Ao tratar sobre o Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza e de sua base de cálculo, os arts. 43 e 44, do Código Tributário Nacional rezam que: “Art. 43 - O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II- de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44 - A base de cálculo do imposto é o montante, real arbitrado ou presumido da renda ou dos proventos tributáveis.” (destacou-se) Fl. 262DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 Vale reproduzir, outrossim, o inciso XIII, do art. 55, do Regulamento do Imposto de Renda consubstanciado no Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (vigente a época dos fatos geradores): “Art. 55. São também tributáveis (Lei in” 4.506, de 1964, art. 26, Lei .n° 7. 713, de 1988, art. 3”, § 42 e Lei n° 9.430, de 1996, arts 24, § 22 inciso IV, e 70, § 3°, inciso I): (...) XIII - as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva;” (destacou-se) Pela análise dos supracitados dispositivos legais, conclui-se que o pressuposto para a ocorrência do fato gerador é o beneficio do contribuinte, por qualquer forma e a qualquer titulo, consubstanciado na aquisição de disponibilidade jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza, sendo que a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, que enseja a caracterização de omissão de rendimentos, concretiza o fato gerador do imposto de renda. Neste tipo de autuação é feita uma analise do fluxo financeiro do sujeito passivo, no qual se busca conhecer todas as origens dos recursos (e sua natureza jurídico-tributária), que suportaram a aplicação deles nos gastos efetuados durante o exercício. Pois bem. O contribuinte alegou, com vistas à reforma do acórdão (fls. 244/245), que (i) a renda acumulada mensal deve ser transferida para o mês seguinte; (ii) o valor a ser considerado para fins de aquisição do imóvel é R$ 281.000,00 e não R$ 550.000,00; e (iii) o valor de R$ 230.000,00 decorrente da prestação de serviços no exterior, deveria ser levado em consideração na análise da evolução patrimonial. Em relação à pretensão de transferência do “saldo acumulado”, não houve comprovação documental no sentido de sustentar a alegação de que o valor do rendimento acumulado em julho/02 seria R$ 35.000,00 e não R$ 7.700,00. Por sua vez, no que se refere ao valor do apartamento nº 1301, situado à Av. Atlântica nº 514, esquina com a Rua Aureliano Leal nº 07, na cidade do Rio de Janeiro/RJ, hão de prevalecer as informações constantes no “Recibo de Sinal e Princípio de Pagamento” (fls. 130/132), no valor de R$ 550.000,00. O documento em questão é datado de 26/10/02 (fl. 132), anterior, portanto, às escrituras de Cessão de Direitos Hereditários (04/12/02 - fl. 48) e de Compra e Venda (29/08/03 - fl. 53), que atribuem ao bem o valor de R$ 281.000,00 e estabelecem condições de pagamento. Não há informação – ou mesmo documento – no sentido de ter ocorrido a retratação das partes no que se refere às informações constantes do “Recibo de Sinal e Princípio de Pagamento” (fls. 130/132). Além disso, inexistem documentos que comprovem a quitação do preço acordado nos moldes dos instrumentos públicos: (i) R$ 230.000,00, através de nota promissória com vencimento em 06/12/02 (fl. 49); (ii) R$ 50.000,00, no ato da escritura definitiva de compra e venda, ou seja, em 29/08/03 (fls. 49 e 54); e (iii) R$ 1.000,00, a título de “sinal e princípio de pagamento” (fl. 50). Fl. 263DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 Noutros termos, o recorrente não apresentou cópia da cártula referente ao título de crédito e de comprovante do seu pagamento, além dos comprovantes de pagamento do sinal e do valor remanescente. Sobre o tema, um ponto que merece destaque diz respeito ao destino da quantia de R$ 25.000,00, declarada como recebida pelos vendedores em 26/10/02, nos termos da cláusula V.“a”, do recibo, a “título de sinal e princípio de pagamento” (fls. 130/132). Não há nos instrumentos posteriores qualquer menção à quantia, seja a título de abatimento do preço ou mesmo como valor anteriormente pago, o que seria natural de se esperar, já que corresponde a quase 10% do preço do imóvel atribuído pelo recorrente. Além disso, apesar de indicar que a diferença entre os valores apurados corresponde à estimativa de “pagamento das custas, impostos, taxas e despesas do inventário, além de honorários advocatícios” (fl. 185), não discriminou tais quantias e nem trouxe ao processo os comprovantes de que foram efetivamente pagas, em quais datas, por quem, e por qual valor. Vale ressaltar que no curso da auditoria fiscal o recorrente, por intermédio de seu procurador, em atendimento ao Termo de Início de Fiscalização, prestou o seguinte esclarecimento em relação à aquisição do imóvel (fl. 129): "O referido imóvel foi adquirido por R$ 550.000,00 e que pelo fato do mesmo estar arrolado num inventário, constou da escritura pública o valor de RS 281.000,00 e a diferença no valor de RS 270.000,00 foi destinado para o pagamento de custas, taxas e despesas de inventário, honorários advocatícios, etc. Na ocasião, a transação foi intermediada por um tradutor, agenciada pela Júlio Bogoricin, além da escritura lavrada em cartório, que após tomar conhecimento dos termos e desconhecendo a legislação acabei aceitando a transação nos termos sugeridos." Destaque-se que o esclarecimento acima transcrito foi prestado em 12/11/07 (fl. 129), posteriormente à lavratura da escritura de compra e venda (29/08/03), ficando, portanto, ratificadas as informações do "Recibo de Sinal e Princípio de Pagamento", no sentido de que o verdadeiro valor de aquisição do imóvel foi de R$ 550.000,00 e não os R$ 281.00,00 constantes nos instrumentos levados a registro. A despeito da presunção de veracidade das informações constantes dos atos levados a registro público, os elementos constantes dos autos denotam que o negócio entabulado entre as partes assumiu feição e valores distintos, cuja diferença deve ser considerada para fins de variação patrimonial a descoberto, a atrair a tributação, como efetuado pela fiscalização. Por fim, no que tange a considerar o montante recebido do exterior como origem para a variação patrimonial, a fiscalização levou esses valores em consideração, o que gerou os quadros e valores impugnados, conforme expressamente indicado no termo de verificação fiscal (fl. 160): “Com base na documentação apresentada elaboramos quadro de análise da evolução patrimonial mensal (Fluxo Financeiro), apurando acréscimo patrimonial a descoberto nos anos-calendário de 2002 e 2003. Consideramos como recursos os rendimentos recebidos do exterior, para os quais o contribuinte apresentou documento de transferência através de bancos, encontrando acréscimo a descoberto, nos valores de R$ 1.400,00, R$ 9.000,00; Fl. 264DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 R$ 36.000,00 e R$ 356.102,70, nos meses de agosto, setembro, outubro e dezembro, respectivamente, ano-calendário de 2002 e R$ 65.534,28, R$ 198.252,67, nos meses de fevereiro e março, respectivamente, ano-calendário de 2003. Na elaboração dos referidos quadros, consideramos 1/12 mês dos rendimentos declarados sob o título de recebidos de pessoas físicas, tendo em vista que o contribuinte não apresentou comprovantes, referentes aos meses em que ocorreram os fatos.” Sobre o tema, conferir o seguinte acórdão desta Turma: “Processo nº 10932.720046/2011-42 Recurso Voluntário Acórdão nº 2401-009.140 – 2ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de fevereiro de 2021 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. PRESUNÇÃO LEGAL. NECESSIDADE DE PROVAR AS ORIGENS DOS RECURSOS. A variação patrimonial não justificada através de provas inequívocas da existência de rendimentos (tributados, não tributáveis, ou tributados exclusivamente na fonte), à disposição do contribuinte dentro do período mensal de apuração está sujeita à tributação. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos que justifiquem o acréscimo patrimonial. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL À DESCOBERTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MERAS ALEGAÇÕES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Reputa-se válido o lançamento relativo a omissão de rendimentos nas situações em que os argumentos apresentados pelo contribuinte consistem em mera alegação, desacompanhada de documentação hábil e idônea que lhe dê suporte.” Assim, ante a ausência de provas capazes de alterar o entendimento do acórdão recorrido, nesse ponto, a decisão deve ser mantida. CONCOMITÂNCIA DA MULTA DE OFÍCIO COM A MULTA DO CARNÊ- LEÃO Relativamente aos fatos geradores até o ano-calendário 2006, é inviável a imposição de multa isolada do carnê-leão em conjunto com a multa de ofício incidente sobre o imposto de renda lançado, relativamente a uma mesma grandeza econômica, dada a ausência de previsão legal, o que configuraria dupla penalidade pela mesma infração. Somente com a edição da Medida Provisória 351/07, convertida na Lei 11.488/07, que alterou a redação do art. 44 da Lei 9.430/96, passou-se a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pela falta de pagamento ou recolhimento a menor do imposto sobre a renda (75%): Fl. 265DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-010.656 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18471.002034/2007-32 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II – de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (...)” A matéria foi objeto da Súmula CARF nº 147: “Somente com a edição da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a existir a previsão específica de incidência da multa isolada na hipótese de falta de pagamento do carnê-leão (50%), sem prejuízo da penalidade simultânea pelo lançamento de ofício do respectivo rendimento no ajuste anual (75%)” Considerando que o Auto de Infração efetivamente aplicou as diferentes multas sobre uma mesma grandeza econômica (fls. 172/173 e 175), mostra-se indevida a multa isolada aplicada em razão da falta de pagamento do carnê-leão no período objeto do presente lançamento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, REJEITAR a prejudicial de decadência e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, com vistas a afastar a incidência da multa isolada em razão da falta de recolhimento do carnê-leão. (documento assinado digitalmente) Renato Adolfo Tonelli Junior Fl. 266DF CARF MF Original

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Numero do processo: 16349.000171/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Jan 27 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2005 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. FRETES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO CRÉDITO. POSSIBILIDADE Os fretes pagos na aquisição de insumos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições. INSUMOS. FRETES. MOVIMENTAÇÃO. ESTABELECIMENTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes para a movimentação de insumos e produtos em elaboração e/ ou acabados entre estabelecimentos do contribuinte constituem custos de industrialização dos produtos vendidos e, portanto, geram créditos passíveis de desconto dos valores das contribuições calculadas sobre o faturamento mensal. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. CARGA. DESCARGA. DESESTIVA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com movimentação portuária para carga, descarga e desestiva de insumos (matérias-primas) importados enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e, portanto, dão direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e Cofins.
Numero da decisão: 3401-011.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares apresentadas e em não conhecer do Recurso Voluntário em relação à glosa sobre frete de vendas, face à inovação dos argumentos de defesa, para, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para, observados os demais requisitos da lei, reconhecer: (I) por unanimidade de votos, os créditos relativos (i) aos serviços de remoção; (ii) aos serviços de limpeza especializada; (iii) aos fretes sobre insumos tributados com alíquota zero; (iv) aos fretes sobre transferência de insumos entre estabelecimentos do contribuinte; (v) aos serviços de movimentação portuária de carga e descarga; (vi) aos serviços de análise laboratorial; e (vii) às despesas com armazenagem; e (II) por maioria de votos, os créditos relativos (i) aos fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, vencidos, neste item, os Conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Marcos Antônio Borges e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não reconheciam os créditos, e (ii) à locação de máquinas e equipamentos, com exceção dos gastos com a locação de veículos comuns, vencido, neste item, o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não reconhecia o crédito em relação a qualquer veículo classificado no Capítulo 87 da NCM. Os Conselheiros Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões em relação ao item (II)(ii). (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Carolina Machado Freire Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: Carolina Machado Freire Martins

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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2005 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. FRETES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO CRÉDITO. POSSIBILIDADE Os fretes pagos na aquisição de insumos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições. INSUMOS. FRETES. MOVIMENTAÇÃO. ESTABELECIMENTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes para a movimentação de insumos e produtos em elaboração e/ ou acabados entre estabelecimentos do contribuinte constituem custos de industrialização dos produtos vendidos e, portanto, geram créditos passíveis de desconto dos valores das contribuições calculadas sobre o faturamento mensal. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. CARGA. DESCARGA. DESESTIVA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com movimentação portuária para carga, descarga e desestiva de insumos (matérias-primas) importados enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e, portanto, dão direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e Cofins.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares apresentadas e em não conhecer do Recurso Voluntário em relação à glosa sobre frete de vendas, face à inovação dos argumentos de defesa, para, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para, observados os demais requisitos da lei, reconhecer: (I) por unanimidade de votos, os créditos relativos (i) aos serviços de remoção; (ii) aos serviços de limpeza especializada; (iii) aos fretes sobre insumos tributados com alíquota zero; (iv) aos fretes sobre transferência de insumos entre estabelecimentos do contribuinte; (v) aos serviços de movimentação portuária de carga e descarga; (vi) aos serviços de análise laboratorial; e (vii) às despesas com armazenagem; e (II) por maioria de votos, os créditos relativos (i) aos fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, vencidos, neste item, os Conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Marcos Antônio Borges e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não reconheciam os créditos, e (ii) à locação de máquinas e equipamentos, com exceção dos gastos com a locação de veículos comuns, vencido, neste item, o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não reconhecia o crédito em relação a qualquer veículo classificado no Capítulo 87 da NCM. Os Conselheiros Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões em relação ao item (II)(ii). (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Carolina Machado Freire Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).

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INOVAÇÃO RECURSAL. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. FRETES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO CRÉDITO. POSSIBILIDADE Os fretes pagos na aquisição de insumos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições. INSUMOS. FRETES. MOVIMENTAÇÃO. ESTABELECIMENTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes para a movimentação de insumos e produtos em elaboração e/ ou acabados entre estabelecimentos do contribuinte constituem custos de industrialização dos produtos vendidos e, portanto, geram créditos passíveis de desconto dos valores das contribuições calculadas sobre o faturamento mensal. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. CARGA. DESCARGA. DESESTIVA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com movimentação portuária para carga, descarga e desestiva de insumos (matérias-primas) importados enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e, portanto, dão direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares apresentadas e em não conhecer do Recurso Voluntário em relação à glosa sobre frete de vendas, face à inovação dos argumentos de defesa, para, no mérito, dar parcial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 01 71 /2 00 9- 84 Fl. 745DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 provimento ao Recurso Voluntário para, observados os demais requisitos da lei, reconhecer: (I) por unanimidade de votos, os créditos relativos (i) aos serviços de remoção; (ii) aos serviços de limpeza especializada; (iii) aos fretes sobre insumos tributados com alíquota zero; (iv) aos fretes sobre transferência de insumos entre estabelecimentos do contribuinte; (v) aos serviços de movimentação portuária de carga e descarga; (vi) aos serviços de análise laboratorial; e (vii) às despesas com armazenagem; e (II) por maioria de votos, os créditos relativos (i) aos fretes de transferência de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, vencidos, neste item, os Conselheiros Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Marcos Antônio Borges e Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não reconheciam os créditos, e (ii) à locação de máquinas e equipamentos, com exceção dos gastos com a locação de veículos comuns, vencido, neste item, o Conselheiro Arnaldo Diefenthaeler Dornelles, que não reconhecia o crédito em relação a qualquer veículo classificado no Capítulo 87 da NCM. Os Conselheiros Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões em relação ao item (II)(ii). (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Carolina Machado Freire Martins - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Relatório Cuidam os autos de Declarações Eletrônicas de Compensação ("DCOMP") relativas a créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, apurados no 3º trimestre de 2005, no valor total de R$ 148.234,31. Houve parcial reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 117.469,66, sendo homologadas as compensações vinculadas ao presente até o limite do crédito deferido, com as seguintes glosas decorrentes da controvérsia sobre o enquadramento como insumos (Despacho Decisório de e-fls. 172/199): Fl. 746DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 Além disso, houve glosa de despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos, sob o fundamento de que não atendem ao conceito de insumo; glosa de despesas com armazenagem e frete sobre vendas. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (e-fls. 206/235) onde alega, em síntese: - embora o procedimento fiscal tenha sido efetuado dentro do prazo legal previsto no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, a glosa pretendida não pode produzir efeitos posto que fulminada pela decadência do direito de lançar; - quanto aos serviços profissionais, a lei não veda a utilização de créditos com relação a insumos que tenham sido tributados na fonte e, se os serviços são tributados na fonte, é porque são insumos sujeitos à contribuição e, deste modo, podem gerar créditos se forem utilizados no processo de fabricação; - limpeza, conservação e manutenção são atividades intrinsecamente ligadas à fabricação, não exigindo a lei, para fins de outorga do direito de crédito, que os insumos sejam consumidos em contato com o produto fabricado; - a contribuinte contrata pessoas jurídicas para prestação de serviços de movimentação portuária consistentes na locação de equipamentos (pá- carregadeira) destinadas ao transporte de matérias-primas adquiridas desde o navio até o silo; - a movimentação de mercadorias no porto constitui atividade de transporte em sentido amplo, devendo a sua remuneração ser considerada em essência com frete; - relativamente ao serviço de descarga portuária, há duas tomadas de crédito, decorrentes de créditos distintos, pois houve dois pagamentos da contribuição, um por parte dos prestadores de serviços sobre a receita auferida (Cofins) e outro por parte da Empresa por conta da importação de bens estrangeiros (Cofins- importação), sendo um crédito tomado por esta tendo em vista a Contribuição no preço do produto e outro crédito tomado pela Contribuinte em face da importação, sendo que o creditamento referente ao Cofins-importação decorre da permissão para o desconto de crédito em relação às importações sujeitas à contribuição na hipótese de bens utilizados como insumos, conforme Lei 10.865/2004, art. 15, II; - os serviços tomados a título de mão-de-obra temporária visam suprir a necessidade de força de trabalho no processo fabril, contribuindo diretamente no processo produtivo mediante a colocação e retirada de matérias-primas nas Fl. 747DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 máquinas misturadoras de fertilizantes, não havendo óbice para creditamento, sendo tais serviços contratados sob o regime da Lei 6.019/74 com pessoa jurídica contribuinte da Cofins; - se o frete, em si, não está sujeito a alíquota zero, o referido raciocínio carece de congruência lógica, parecendo não remanescer dúvida razoável de que mercadoria e serviço de transporte são coisas distintas; de que, a prevalecer a interpretação adotada pela autoridade fiscal, estaria consagrada a analogia como método de interpretação suscetível de gerar obrigação tributária, em aberta contrariedade ao disposto no parágrafo 1º do artigo 108 do CTN; - quanto aos créditos relativos a dispêndios com energia elétrica e locação de bens imóveis, conquanto “o auditor fiscal reconheça a existência de norma que permite a escrituração de créditos fora do período de competência respectivo tanto que faz indicação do preceito do parágrafo 4° do artigo 3° da Lei n. 10.833/03” (fl. 592), preferiu justificar a glosa baseado em normas contábeis editadas por órgãos de fiscalização profissional que não têm o condão de suplantar – no campo tributário – a Lei. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 9ª Turma da DRJ/SP1 consoante acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano-calendário: 2005 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade da decisão proferida por autoridade competente, contra a qual se manifestou o contribuinte, traçando ele toda uma linha de idéias no sentido de procurar provar o seu direito. DECADÊNCIA DO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO. O prazo decadencial do direito de Lançar tributo não rege o instituto da compensação e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pelo contribuinte. SERVIÇOS NÃO APLICADOS OU CONSUMIDOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Serviços, em que pese poderem ser convenientes ou necessários para o desempenho da atividade do contribuinte, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de produto quando realizados anterior, posterior ou paralelamente à fabricação de produtos em si mesma, não dando azo a creditamento. FRETE NA AQUISIÇÃO. O crédito sobre o valor do frete na aquisição é permito apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento e na mesma proporção em que esse se der, já que o frete compõe o custo de aquisição. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Fl. 748DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 É de se considerar não formulado o pedido de diligência e perícia quando desacompanhado dos quesitos referentes aos exames que seriam desejados. Cientificado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário repisando os principais argumentos de defesa, incluindo uma apresentação descritiva sobre as etapas do processo produtivo com imagens. Além disso, verifica-se inovação recursal a ser abordada no momento oportuno. Em junho/2021 a Recorrente veio aos autos juntar Parecer elaborado pelo Professor Marco Aurélio Greco, solicitado pela Associação Nacional para a Difusão de Adubos (“ANDA”), associação da qual é membro, assim como parecer técnico elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (“IPT”), para examinar especificamente as etapas de seu processo produtivo e atividades que desempenha. É o relatório. Voto Conselheira Carolina Machado Freire Martins, Relatora. Inicialmente, cumpre registrar que a discussão aventada neste processo em muitos pontos não é nova e já foi objeto de análise no CARF, citando-se como exemplo os Processos nº 13811.002244/2005-47, 10880.945033/2013-07 e 13811.002248/200525, que também envolviam pedidos de compensação formulados pela Recorrente, em períodos distintos. Dito isto, o recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Havendo arguição de preliminares, passo à análise. 1. Da inovação recursal - preclusão Com relação às despesas com fretes sobre vendas, a glosa foi tratada no item 8.8 do Despacho Decisório, sendo justificada em razão da existência de divergências nas contas 116000 e 118000: 8.8 Despesas com armazenagem e fretes sobre vendas: através da análise dos lançamentos contábeis e amostragens de notas fiscais identificou-se a ocorrência de armazenagem de matérias primas importadas cujo valor não deve integrar a base de cálculo do crédito por falta de previsão legal. Apurou-se também diferenças no valor de fretes sobre vendas ao analisar as contas 116000 e 118000. Não se apurou divergências para o mês de julho e para agosto e setembro os valores apurados e os lançamentos indeferidos estão demonstrados a seguir: Sobre a matéria no item “111.6. GASTOS COM ARMAZENAGEM (FRETE VENDA E ARMAZENAGEM)” constante da Manifestação de Inconformidade, a contribuinte apenas menciona a glosa a serviços de frete sobre vendas, limitando sua defesa no tocante aos serviços de armazenagem: Fl. 749DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 No item 8.8 do Relatório apresentado pela autoridade fiscal, a glosa dos créditos relativos aos insumos adquiridos a titulo de serviços de armazenagem e fretes sobre vendas foi justificada por suposta ausência de previsão legal. Consoante se depreende da leitura das razões apresentadas pela autoridade fiscal, os insumos adquiridos a titulo de serviços de guarda (armazenagem) não podem ser considerados na base de calculo do crédito, em razão de não comporem a base de cálculo da contribuição devida na importação. A glosa dessa parcela não possui amparo legal, porquanto os fretes são insumos necessários à manutenção da empresa e fazem parte do processo produtivo, que só termina com a entrega da mercadoria no local designado pelo cliente. Já em seu recurso voluntário, inova em sua defesa na medida em que apresentou argumentos sobre a matéria, antes não trazidos: 168. Isso porque, em verdade, as contas contábeis analisadas pela Fiscalização contêm os lançamentos, pelo regime de competência, das despesas de fretes incorridas pela Recorrente. Contudo, o momento do registro fiscal dos créditos de Contribuição ao PIS e de COFINS é posterior, ocorrendo apenas quando do recebimento e registro da Nota Fiscal de Serviços, o que, por vezes, pode acontecer no mês seguinte ao do registro da despesa. 169. Com efeito, o montante que corresponde à despesa de fretes com vendas incorridas pela Recorrente e que, portanto, faz jus ao creditamento, é aquele lançado no "Livro de Registro de Vendas" ora anexado (doc. 05). Em tal documento é que são registradas as notas e, consequentemente, com base nele que são apurados os créditos das contribuições. 170. Pela análise do conjunto probatório, é possível compreender que o que ocorreu foi uma mera diferença temporal, uma vez que o registro contábil ocorreu quando da contratação do frete, conforme rezam os princípios da Competência e Conservadorismo, momento distinto do reconhecimento do crédito, que só ocorre mediante registro das devidas notas fiscais. ... 173. Tem-se ai um claro exemplo de situação que originou o questionamento fiscal, cuja documentação comprobatória está acostada (doc. 06).Quanto aos demais lançamentos contábeis e faturas envolvidas, a documentação encontra-se à disposição na sede da Recorrente, podendo ser verificado por meio de diligencia, caso assim entenda essa Turma, cujo quesito a ser respondido seria: o crédito de COFINS informado na DACON a título de frete sobre vendas e glosado pela Fiscalização tem respaldo em notas fiscais devidamente registradas, sendo a diferença identificada pela Fiscalização oriunda de mera discrepância temporal? Tem-se, assim, que os contornos da lide foram construídos a partir da linha de defesa formulada na manifestação de inconformidade, de modo que a instância de piso não chegou a analisar que a divergência seria decorrente da “mera discrepância temporal” . Consequentemente, não houve constituição de lide no tocante a tal matéria, que veio aos autos somente no recurso voluntário. No entanto, as razões de fato e de direito devem ser suscitadas na primeira defesa, nos termos do art. 16, inc. III, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 750DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 ... III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Da mesma forma, não encontra amparo na legislação processual administrativa a apresentação de novos documentos pelo sujeito passivo em sede recursal, ausente qualquer das hipóteses excepcionais previstas no art.16 § 4º do Decreto nº 70.235/72 para justificar a juntada de documentos após a fase impugnatória inicial. Há, portanto, manifesta a ocorrência do instituto da preclusão processual, que atende à instrumentalidade do processo, com o fito de garantir que a sequência de atos praticados culmine com a prolação de decisão conclusiva ajustada ao contexto dos autos. Ainda que seja possível defender a moderação no manejo da preclusão processual, em harmonia com o princípio da verdade material, o desenrolar prospectivo da marcha processual deve ser ordenado por uma sucessão cadenciada das atividades processuais, com a existência de determinados limites ao exercício de faculdades processuais, de modo que além de tais limites, perde-se aquela faculdade processual. Finalmente, eventual conhecimento da novel linha de defesa implicaria ainda em supressão de instância, tendo em vista não ter sido apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância. Colaciono jurisprudência afeta ao tema: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO. A impugnação instaura a fase litigiosa do procedimento fiscal e é o momento no qual o contribuinte deve aduzir todas as suas razões de defesa, não se admitindo a apresentação em sede recursal de argumentos não debatidos na origem, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. (Acórdão nº 2202-007.385 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Relator Conselheiro Caio Eduardo Zerbeto Rocha. Sessão de 07 de outubro de 2020) Isso posto, voto por não conhecer dessa parte do recurso, pela ocorrência da preclusão. 2. Preliminar 2.1. Da alegação de Superficialidade do Trabalho Fiscal / Ofensa ao Princípio da Verdade Material Afirma a Recorrente: 16. Caberia, portanto, à Fiscalização, analisar todos esses fatos para fins de verificação da existência, ou não, do crédito apurado pela Recorrente e, não somente, como efetivamente ocorreu, proceder à glosa com base em análises superficiais da Fl. 751DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 documentação apresentada pela Recorrente no curso do procedimento de verificação desses créditos. 17. Mais do que isso: especificamente no que tange a classificação do que é ou não "insumo" para fins de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins, é conditio sine qua non que quem esteja analisando procure conhecer o processo produtivo em questão e não simplesmente proceda à classificação com base em ilações e leituras genéricas, como foi o caso. Contudo, razão não lhe assiste conforme esclarece o Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, relator do Acórdão nº 2003-003.671 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária, no tocante ao alcance do princípio da verdade material, pelo qual a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha a formar sua livre convicção: Quer dizer, é pela “verdade material” que a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha a formar sua livre convicção sobre fatos praticados pelo contribuinte. Todavia, agir em nome da verdade material não equivale a agir em nome da verdade absoluta, porque, como visto, a verdade absoluta encontra-se no campo da utopia ou do ideal. Aliás, pela verdade material não se pretende obter a verdade absoluta, quase sempre inatingível. Obtém-se, isso sim, apenas um juízo de verossimilhança ou probabilidade da ocorrência dos fatos No caso em tela, restou atendido o princípio da verdade material, uma vez que a Autoridade Fiscal apreciou o direito creditório, com base na sua convicção, a partir de vasta documentação fiscal e demais informações constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal colacionada aos autos . Assim, entendo por rejeitar tal alegação. 2.2. Da Decadência A Recorrente suscita a decadência parcial, sob os seguintes fundamentos: 29. A homologação deste procedimento do sujeito passivo será expressa quando a autoridade administrativa, ao tomar conhecimento da atividade do contribuinte, expressamente a homologa. 30. Por outro lado, opera-se a homologação tácita quando se esgota o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, sem que a Autoridade Administrativa tenha se manifestado acerca da atividade do sujeito passivo. (...) Contudo, conforme esclareceu a DRJ, existem dois prazos distintos – decadência do direito de lançar e da homologação da compensação: Os prazos de decadência estabelecidos no Código Tributário Nacional – CTN, arts. 150, § 4º, e 173, referem-se ao direito de lançar o primeiro desses valores, qual seja, o crédito tributário. O prazo para a homologação de compensação previsto no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/94, refere-se ao encontro de contas desses dois valores. Portanto, não há que se confundir o prazo para extinção do direito de constituir eventual crédito tributário por parte da administração tributária, do prazo para homologação da declaração de compensação. Fl. 752DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 No presente caso, o prazo para homologação contado da data de entrega da declaração de compensação, de acordo com o art. 74, § 5º da Lei nº 9.430/96, foi devidamente atendido conforme reconhecido pela própria Recorrente. Por conseguinte, ao contrário do que afirma o contribuinte, inaplicável o prazo decadencial nos moldes previstos no art. 150, §4º, do CTN. 3. MÉRITO - Conceito de insumo É sabido que a delimitação do conceito de insumo para fins de apuração de créditos de Pis e de Cofins, por muitos anos, era disciplinada no âmbito da Receita Federal do Brasil por meio das IN nº 247/2002 e nº 404/2004, que traziam um conceito mais restritivo acerca daquilo que poderia ser admitido como tal, estabelecendo a necessidade de que o bem ou o serviço analisado fosse diretamente empregado no processo produtivo. Ao longo do tempo as definições trazidas pelos sobreditos foram recorrentemente questionadas, de modo que vieram a ser apreciadas pelo pelo Superior Tribunal de Justiça nos autos do REsp nº 1.221.170-PR, de relatoria do Min. Napoleão Nunes Maia, cujo julgamento se submeteu à sistemática dos recursos repetitivos, sendo, portanto, sua conclusão de observância obrigatória neste Conselho por força do §2º do art. 62 de seu regimento. Na oportunidade, decidiu-se que é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, na medida em que compromete a eficácia do sistema de não- cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, restou estabelecido que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Min. Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não-cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. Desse modo, não serão todas as despesas realizadas com a aquisição de bens e serviços para o exercício da atividade empresarial precípua do contribuinte direta ou indiretamente que serão consideradas insumos. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade desenvolvida, sob um viés objetivo. A análise da essencialidade deve ser objetiva, dentro de uma visão do processo produtivo, e não subjetiva, considerando a percepção do produtor ou prestador de serviço. Fl. 753DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 Portanto, se, por um lado, a decisão do STJ afastou o critério mais restritivo adotado pelas IN SRF nº 247/2002 e nº 404/2004, por outro lado, igualmente, repeliu que fosse acolhido critério excessivamente amplo, consagrado na legislação do IRPJ, que aproveita o conceito de despesas operacionais. O Tribunal adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, levando-se em conta as particularidades de cada processo produtivo. Por fim, é importante esclarecer que o critério estabelecido pelo STJ tem sua aplicação adstrita ao enquadramento ou não de determinada operação como insumo à luz da previsão contida especificamente no inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 e não deve ser utilizado para teste de subsunção às demais hipóteses de apuração de crédito previstas nos demais incisos dos mesmos dispositivos. Para a adoção do novo entendimento, no âmbito da RFB, deve ser observado o disposto no art. 21 da Lei n* 12.844, de 19 de julho de 2013, de modo que as Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil “deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput”. Diante disso, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional- PGFN editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF com o objetivo de dispensa de contestação recursos nos processos judiciais que versem acerca da matéria julgada em sentido desfavorável à União, como também delimitar a extensão e o alcance do julgamento do Recurso Especial. Posteriormente, foi elaborado o Parecer Normativo Cosit/RF nº 05/2018, acerca da nova conceituação de insumos cuja observância é obrigatória no âmbito administrativo. Feitas as considerações, conforme esclarece a própria PGFN no referido parecer, o conceito de insumos deve ser aferido no âmbito da atividade desempenhada pelos contribuintes. 3.1. Serviços utilizados como insumos 3.1.1. Serviços de Limpeza A Recorrente justifica o enquadramento de ambos os serviços como insumo por não se tratar de “um mero serviço de limpeza geral”: 91. Nesses itens estão listados os serviços de limpeza industrial da Recorrente, sendo estes muito semelhantes ao explicado anteriormente. Quer dizer, não se trata aqui de limpeza geral, mas sim limpeza técnica especializada nas instalações fabris da Recorrente, cuja necessidade se comprova pela natureza dos produtos por ela manipulados e por seu próprio processo produtivo. 92. Isso porque, conforme já demonstrado, o processo produtivo da Recorrente lida basicamente com microrresíduos sólidos (pó), sendo que a contratação de limpeza especializada dos materiais que eventualmente tenham, por sua natureza, caído no chão da fábrica para posterior reutilização é dispêndio claramente atrelado à geração de receita da Recorrente, enquadrando-se, assim, na melhor interpretação do conceito de insumos previsto nos artigos 3°, inciso II, tanto da Lei n° 10.637/02 como da Lei n° 10.833/03. Fl. 754DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 93. Tal interpretação foi manifestada pela CSRF que, ao analisar caso em que se discutia a apropriação de créditos decorrentes de contratação de serviços de remoção de resíduos industriais, dentre outros, assim decidiu: Nos quesitos elaborados pela Recorrente, constante do Parecer Jurídico contratado, há o seguinte descritivo sobre estes serviços: 2.2.8.1) Serviço de limpeza industrial e remoção de resíduos (raspagem/recolhimento/remoção de rcsíduos de fertilizantes que são derrubados na área de produção por conta de sua natureza fina e leve (assemelhada ao pó) e que serão reaproveitados e inseridos novamente no processo produtivo e devem ser retirados para reduzir impactos ambientais). No Parecer Técnico, verifica-se a seguinte informação: Serviço de limpeza — Limpeza dentro da área de armazenamento após a retirada do produto para poder descarregar outro tipo de material. Esse serviço é necessário principalmente para que não haja contaminação (Figura 11) ... As atividades dos serviços de limpeza na empresa são: • remoção de resíduo de matéria-prima nos equipamentos para que não danifiquem (como por exemplo, corrosão devido as matérias-primas serem higroscópicas); • remoção de produtos para não haver risco de contaminação; • contribui na segurança de trabalho para que não haja aumento de particulados no ambiente de trabalho; • limpeza dos tanques de H3PO4 (acido fosfórico) para não haver perda de capacidade do equipamento pois, após um tempo há o aparecimento de crostas no interior dos tanques perdendo a capacidade de volume útil; Especificamente em relação à glosa em discussão, relativa a outro período, por tratar-se de caso semelhante, do mesmo contribuinte reproduzo as razões de decidir trazidas pelo Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, relator do Acórdão nº 3201-007.204 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: Serviços de limpeza A Recorrente cita os serviços de remoção e limpeza especializada. Pois bem, para estes serviços entendo que assiste razão a Recorrente. Os serviços de remoção e limpeza especializada dão direito a crédito. Sobre o assunto cito jurisprudência deste CARF. SERVIÇOS DE REMOÇÃO E TRATAMENTO DE RESÍDUOS DO PROCESSO PRODUTIVO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Concede-se o direito ao crédito às despesas com serviços de remoção, acomodação, tratamento adequado e armazenagem de subproduto (resíduos) inevitável ao processo produtivo. (CARF, Acórdão nº 3201- 003.573 do Processo 13646.000189/2004-29, Data 20/03/2018) Diante do exposto, voto por reverter a glosa dos serviços de remoção de materiais e limpeza especializada no contexto da documentação comprobatória acostada aos autos. Também faço referência a um terceiro processo, de relatoria do Conselheiro Raphael Madeira Abad no Acórdão nº 3302005.813: Fl. 755DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 Partindo-se do conceito já acima esposado, tem-se que a referida limpeza do estabelecimento que trabalha com pedras em pó, que se asperge no ambiente e se sedimenta sobre as máquinas, sendo a limpeza das mesmas necessária à manutenção da atividade fabril, esta limpeza se subsume aos conceitos de pertinência, relevância, essencialidade e imprescindibilidade em relação ao processo produtivo, bem como que sua hipotética subtração implicaria substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Sendo assim, voto por reverter a glosa apenas em relação aos serviços relativos à limpeza especializada. 3.1.2. Serviços de Remoção – Ajudantes Sobre estes serviços, defende a Recorrente: 85. Os serviços de remoção com a sub-contratação de ajudantes mostram-se necessários na medida em que, conforme mencionado no item 111.3.2 acima, o processo produtivo da Recorrente utiliza-se de materiais químicos em pó e que sofrem desperdício com a ação do vento, por exemplo. 86. Com efeito, este item é inerente ao processo produtivo e à geração de receita da Recorrente. Isso porque, como explicado, os materiais removidos quando de uma eventual queda no processo ou seus resíduos são reempregados no processo produtivo. 87. Isso é, os resíduos depositados nos locais de • armazenagem são retirados mediante raspagem e reempregados no processo produtivo, no caso de matérias-primas, ou vendidos, no caso de produtos acabados. 88. Nesse sentido, confira-se o objeto do contrato de prestação de serviços entre a Recorrente e a pessoa jurídica TRANSPORTADORA MECA LTDA., já acostado aos autos por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade : I- OBJETO O objeto do presente contrato será a prestação dos serviços, pela CONTRATADA à CONTRATANTE, de movimentação de fertilizantes para abastecimento das moegas da fábrica, descarga de rocha de vagões, serviços de remoção de materiais de vias internas, dos pisos das unidades fabris, dos box dos armazéns, carga de materiais removidos em caçambas de tratores, e manuseio, etiquetagern e distribuição de sacarias vazias da CONTRATANTE, no endereço acima mencionado, com a utilização de pás- carregadeiras e outros equipamentos conforme cláusulas estabelecidos no presente contrato. Seguindo a lógica utilizada para os serviços especializados de limpeza, tratados acima, considerando-se o ramo de atividade da empresa, que deve adotar procedimentos mais rígidos de higiene e manuseio com vistas à manutenção das propriedades químicas e principalmente físicas dos fertilizantes, tais exigências, se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto, de estes serviços devem ser considerados como insumos. 3.1.3. Serviço de Conservação Predial A Recorrente contesta a glosa afirmando o seguinte: Fl. 756DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 95. A conservação predial é serviço de manutenção altamente especializado, composto por análise técnica/laboratorial das condições dos equipamentos utilizados no processo produtivo. 96. Resta clara, portanto, a relação entre o serviço contratado pela Recorrente e sua atividade industrial, com o que se conclui que negar o direito ao crédito desses serviços seria confrontar a correta exegese das disposições legais e o próprio entendimento da RFB. A despeito de afirmar que por intermédio de tais serviços seria realizada “análise técnica/laboratorial das condições dos equipamentos utilizados no processo produtivo”, nenhuma evidência no tocante à a espécie de análise técnica e laboratorial efetivamente realizada foi encontrada nos autos. No Parecer Técnico contratado, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (“IPT”), verifica-se o seguinte quesito relacionado a “serviços de manutenção de infraestrutura”: G) Que função cumpre os serviços de manutenção de infraestrutura (em máquinas e equipamentos e, também, nas dependências prediais da Mosaic) — como por exemplo o 10. "reparo de marquise do ensaque 1" (4° trimestre de 2006), o "serv. de construção fechamento lateral" (3° trimestre de 2006), o "serviço mão de obra compressor" (4° trimestre de 2006), a "manutenção preditiva" (40 trimestre de 2006), a "manutenção balanças" (40 trimestre de 2006), a "avaliação capacidade do secador" (40 trimestre de 2006) e a "calibração e manutenção de equipamentos" (40 trimestre de 2006)? Todos os serviços de manutenção de infraestrutura são necessários para que não seja interrompido o fluxo de produção, o que poderia prejudicar a produtividade, assim como a qualidade do produto final. Portanto, tais atividades são essenciais e relevantes. Sem maior detalhamento, inclusive verificando-se a ausência de referência a trimestres de 2005, objeto dos presentes autos, tem-se que os serviços de conservação de equipamentos poderiam vir a ensejar, por exemplo, a incorporação ao ativo imobilizado, havendo o aproveitamento dos créditos em categoria distinta, por meio da depreciação. Tal ressalva consta, inclusive, do parecer contratado: Note-se, porém, que para se enquadrarem nesta categoria, as partes e peças devem ter vida útil inferior a um ano, parâmetro assumido como razoável para distinguir o que corresponde a elemento do ativo da empresa daquilo que tem a natureza de bem desgastado pelo uso no próprio processo de produção/fabricação. Diante disso, entendo que a arguição genérica neste ponto não é suficiente para reverter a glosa. 3.1.4. Serviço de análise laboratorial Sobre os serviços laboratoriais, afirma a Recorrente: 97. Os serviços de análise laboratorial podem ser segregados em 3 (três) categorias, a saber: (i) análise laboratorial visando atender aos requisitos estabelecidos pelo Ministério da Agricultura; (ii) análise laboratorial realizada durante o processo produtivo da Recorrente; e (iii) serviços referentes ao controle de qualidade. 98. Em relação ao item (i), o Ministério da Agricultura estabelece uma série de requisitos que visam manter o controle de qualidade de todas as empresas que possuem Fl. 757DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 como objeto social a fabricação de fertilizantes. Tais requisitos devem ser estritamente observados pela Recorrente, sob pena de os produtos da Recorrente não atenderem às condições básicas de comercialização impostas pelo Ministério da Agricultura. 99. A análise laboratorial de que trata o item (ii) é realizada ao longo do processo produtivo objetivando mensuração dos componentes/insumos que resultarão no produto final, que devem ser misturados na medida exata, de modo a se obter o produto desejado. 100. Por fim, o serviço referido no item (iii) consiste na análise e teste seletivos dos produtos que serão futuramente comercializados, de modo a garantir a qualidade do produto e suas especificações técnicas. A pertinência, relevância, essencialidade e imprescindibilidade em relação ao processo produtivo de tais serviços foi objeto de análise pelo Conselheiro Raphael Madeira Abab no Acórdão nº 3302005.813: Os serviços de laboratório análise laboratorial enquanto avaliação de conformidade de produtos. Em relação aos serviços de análise laboratorial, tratadas como avaliação de conformidade de produtos na indústria química, entende-se que são necessários à produção do bem, razão pela qual se encaixam nos conceitos de pertinência, relevância, essencialidade e imprescindibilidade em relação ao processo produtivo, bem como que sua hipotética subtração implicaria substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Por esta razão é de se dar provimento ao Recurso no que diz respeito ao direito a crédito por despesas com serviços de análise laboratorial. Desse modo, tratando-se de serviço indispensável à avaliação de conformidade dos produtos fabricados pela Recorrente, entende-se pela possibilidade de creditamento de despesas com serviços de análise laboratorial. 3.1.5. Demais serviços Nesse item, a Recorrente abrange diversos serviços profissionais, de forma genérica, sem sequer delimitá-los, tampouco houve mínima demonstração no tocante à essencialidade ou relevância: Demais Serviços 102. Os serviços tais como confecção de chaves, Terraplanagem, mão-de-obra de vigilância, auxiliar de serviços gerais, serviços médicos e carimbo também são essenciais à atividade da Recorrente e, a teor do art. 30, da Lei n.° 10.637/02, devem ser considerados com insumos, sendo inegável, portanto, o direito ao crédito da Recorrente. Contudo, compartilho do entendimento externado pelo Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, relator do Acórdão nº 3201-007.204 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: Demais Serviços A Recorrente cita demais serviços, sem detalhar cada um. Nesse ponto, entendo que se trata de alegação genérica onde não é possível analisar a ligação do serviço com a atividade da empresa. Fl. 758DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 Nego provimento. Assim, não se deve reformar a decisão que entendeu pela manutenção da glosa em comento. 3.1.6. Fretes- Aquisições Produtos não Tributados Nesse ponto, as glosas foram mantidas sob o fundamento de que as aquisições mencionadas no tópico anterior não geravam direito ao crédito e, por consequência, os fretes também não poderiam gerar. Discordo, contudo, do entendimento retratado de que o frete tomado pelo contribuinte só poderia ensejar o correlato direito a crédito de PIS/COFINS na hipótese da operação antecedente também estar sujeita à incidência de tais contribuições. Nesse sentido, destacam-se os seguintes acórdãos, incluindo um recente desta Turma: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 CRÉDITOS. BENS OU SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. A Lei no 10.637/2002, em seu art. 3o , § 2o , inciso II, veda o direito a créditos da não- cumulatividade sobre o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. INSUMO. FRETE AQUISIÇÃO. NATUREZA AUTÔNOMA. O frete incorrido na aquisição de insumos, por sua essencialidade e relevância, gera autonomamente direito a crédito na condição de serviço utilizado como insumo, ainda que o bem transportado seja desonerado. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES PARA TRANSPORTE DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Gera direito à apuração de créditos da não cumulatividade a aquisição de serviços de fretes para a movimentação de insumos entre estabelecimentos do contribuinte. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA FIRMA. POSSIBILIDADE. Cabível o cálculo de créditos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. (Acórdão nº 3401-010.520 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária. Sessão de 15 de dezembro de 2021) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 759DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. CREDITAMENTO DE LEITE "IN NATURA" ADQUIRIDO DOS SEUS ASSOCIADOS. Até a entrada em vigor da IN SRF nº 636/2006 as cooperativas agropecuárias tinham direito a apurar o crédito integral da contribuição social pela aquisição do leite "in natura" dos seus associados. FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão nº 3402003.968–4ªCâmara/2ªTurma Ordinária. Sessão de 28 de março de 2017) Sendo assim, incidindo PIS/COFINS na operação de frete, há evidente custo de aquisição para o contribuinte, o que dá ensejo ao correlato creditamento, de modo de que neste ponto cabe reversão da glosa. 3.1.7. Fretes Transferência entre estabelecimentos A fiscalização realizou a glosa apurada sobre o frete de transferência: (...) " constatou-se pelos históricos que alguns lançamentos na conta contábil 3061 (Fretes sobre Ingressos de Produtos), se referem a transferências de mercadorias entre estabelecimentos, remessas de/para depósitos ou de/para armazenagens. Os esclarecimentos fornecidos pela empresa vieram a corroborar as constatações e, portanto, efetuou-se as glosas. Em sede de defesa a Recorrente argumenta que necessita de apoio logístico para preparo e encaminhamento de insumos e produtos entre unidades, na fase anterior e posterior à fabricação: 124. Isso porque, a Recorrente, por diversas razões, necessita movimentar os produtos entre suas unidades. 125. De fato, o Brasil é um país que sabidamente não dispõe de grande estrutura logística, sendo que os exportadores e importadores enfrentam verdadeiras batalhas para produzir e vender seus produtos, com falta de locais para armazenagem e de meios de transporte adequados, sem falar nas péssimas condições das estradas. ... 127. De todo modo, fato é que as transferências realizadas pela Recorrente entre seus estabelecimentos são de extrema importância em sua operação, contribuindo indubitavelmente para a geração de receita. Vale apontar que tais transferências referem-se a produtos inacabados, isto é, ainda em elaboração. Logo, salta aos olhos tratar-se de insumo passível de crédito! 128. Em relação ao procedimento adotado pela Recorrente no tocante aos fretes considerados como insumos para fins de creditamento, a DRJ adotou a seguinte linha de Fl. 760DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 raciocínio: (i) conforme o art. 289, §1°, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) as despesas com fretes só estão incluídas no conceito de custo de aquisição quando referido serviço é realizado "até o estabelecimento do contribuinte", e não dentro do estabelecimento do contribuinte, não podendo a Recorrente, portanto, pleitear crédito em relação ao frete não considerado como custo de aquisição na legislação do Imposto de Renda; e (ii) mesmo o frete "até o estabelecimento do contribuinte" não poderia ser considerado como insumo pela Recorrente, já que tão somente o transporte para entrega dos produtos até o cliente adquirente poderá ser considerado como insumo para fins de apuração de crédito de COFINS (frete sobre vendas). Sobre o entendimento na matéria cita-se como precedente o Acórdão nº 3301- 010.220 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, deste mesmo contribuinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2011 a 30/06/2011 NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. É valido o despacho decisório proferido pela Autoridade Administrativa, nos termos das normas vigentes, cujo fundamento permitiu ao contribuinte exercer o seu direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2011 a 30/06/2011 MOVIMENTAÇÃO INTERNA. PÁ CARREGADEIRA. LOCAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. CARGA. DESCARGA. DESESTIVA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pás carregadeiras, inclusive locação, para movimentação interna de insumos (matérias-primas), produtos acabados e resíduos matérias-primas, bem como com movimentação portuária para carga, descarga e desestiva de insumos (matérias-primas) importados enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e, portanto, dão direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e Cofins. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. FRETES. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes no transporte de insumos (matérias-primas), ainda que estes sejam tributados à alíquota zero, pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no País geram créditos das contribuições. INSUMOS. FRETES. MOVIMENTAÇÃO. ESTABELECIMENTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes para a movimentação de insumos e produtos em elaboração e/ ou acabados entre estabelecimentos do contribuinte constituem custos de industrialização dos produtos vendidos e, portanto, geram créditos passíveis de desconto dos valores das contribuições calculadas sobre o faturamento mensal. É de se reconhecer, portanto, o direito à apuração dos créditos das contribuições sobre as despesas incorridas com o serviço de frete interno para transferência de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos, ou mesmo serviço de frete entre estabelecimento e armazém, que integram o processo produtivo e constituem custo de produção. Fl. 761DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 3.1.8. Serviços de Movimentação Portuária e Carga e Descarga A Recorrente contesta a glosa sobre os dispêndios com serviços de movimentação portuária, carga e descarga: 138. Contudo, este não é o entendimento que deve prevalecer, uma vez que esses gastos são essenciais à atividade da Recorrente, já que os insumos importados não teriam como chegar aos estabelecimentos da Recorrente e integrar o processo produtivo sem a movimentação no porto. 139. Em apertada síntese, o serviço de movimentação portuária consiste no serviço de descarregamento de navio, retirando a mercadoria depositada em seu porão e transportando-a até o local de armazenagem. 140. Em outras palavras, a movimentação portuária pode ser definida como os serviços de capatazia e estiva, prestados por pessoa jurídica no porto de desembarque. ... 142. Portanto, dada a necessidade de importação de grande parte das matérias-primas utilizadas em seu processo produtivo, como anteriormente mencionado no item 111.2 acima, denota-se a total necessidade de a Recorrente contratar tais serviços de movimentação portuária. 143. Note-se que a própria RFB, por meio de Solução de Consulta, já se manifestou em sentido contrário ao alegado pela Fiscalização e pelo v. acórdão recorrido, ou seja, admitiu a possibilidade de geração de créditos de Contribuição ao PIS relativos aos gastos relacionados com o desembaraço aduaneiro de mercadoria, por estes integrarem o seu custo, in verbis: A glosa foi mantida sob o fundamento principal de que os serviços não são consumidos ou aplicados na fabricação do produto: No que tange aos serviços de desestiva e a todos os demais encargos relativos ao desembarque de mercadoria ou insumo no porto, a despeito de eventual entendimento administrativo em contrário, não vinculante (pronunciamentos e deliberações oficiais em geral, vinculantes ou não, são livres para apoiar tanto o entendimento da autoridade fiscal quanto do contribuinte), e em que pese poderem ser convenientes ou necessários para o desempenho da atividade da Contribuinte, não oferecem ensejo à tomada de créditos, posto que não são consumidos ou aplicados na produção ou fabricação de produto, sequer sendo utilizados na linha de produção da empresa, visto que respeitantes a etapa anterior à da fabricação de produtos e ao transporte propriamente dito do porto até a empresa, pois referem-se ao descarregamento da embarcação. Nos autos do Processo nº 12585.000119/2010-18, o Conselheiro Relator Leonardo Correia Lima negou provimento à reversão da glosa, sendo vencido pela maioria, de modo que neste ponto o Voto Vencedor foi elaborado pelo Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, cuja detida análise adoto como causa de decidir: (...) Defende a Recorrente que o serviço de movimentação portuária consiste no serviço de descarregamento de navio, retirando a mercadoria depositada em seu porão e transportando-a até o local de armazenagem, ou seja, que a movimentação portuária pode ser definida como os serviços de capatazia e estiva, prestados por pessoa jurídica no porto de desembarque. Fl. 762DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 Prossegue com o argumento de que, dada a necessidade de importação de grande parte das matérias-primas utilizadas em seu processo produtivo, os serviços de movimentação portuária são necessários e indispensáveis ao seu processo produtivo. Conclui a Recorrente, no sentido de que, os gastos relativos à movimentação de carga no porto, como integrantes do custo da mercadoria, geram direito a crédito Com a devida vênia, divirjo do sempre bem elaborado voto apresentado pelo Ilustre Conselheiro relator. Esta Turma de Julgamento em composição diversa da atual, já teve a oportunidade de analisar a matéria em apreço, decidindo que as despesas incorridas com serviços de movimentação portuária geral direito ao crédito da contribuição. Neste sentido, colaciono o precedente a seguir: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM OPERAÇÕES FÍSICAS EM IMPORTAÇÃO. Os dispêndios com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem de insumos, na importação, compõem o conceito de custo dos insumos, e como tais, geral direito ao crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. REQUISITOS FORMAIS O aproveitamento de crédito de Pis e Cofins, no regime não cumulativo, em períodos posteriores ao de competência, é permitido pelo §4º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (nosso destaque) (Processo nº 11543.100064/2005-10; Acórdão nº 3201-003.170; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; sessão de 27/09/2017) Do voto condutor, destaco: “Conforme relata a recorrente, trata-se de dispêndios que englobam gastos com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem alfandegada, prestados por pessoas jurídicas no Brasil, na importação. O Fisco considerou tais dispêndios como comerciais, distintos de dispêndios de produção, e por isso os glosou. Divirjo dessa interpretação. Conforme o preâmbulo teórico conceitual de insumos, os gastos vinculados à aquisição de insumos geram direito a crédito, sob a insígnia de custo da mercadoria ou do insumo. Tradicionalmente aceita-se o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo.” Fl. 763DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 Desse modo, os serviços portuários vinculados diretamente aos insumos importados são imprescindíveis para que estes cheguem até estabelecimento da recorrente, sendo utilizados no processo de produção dos fertilizantes, logo, a subtração dos serviços privaria o processo produtivo do próprio insumo importado, devendo ser revertida a glosa. 3.1.9. Despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos Houve glosa no tocante a despesas incorridas com “aluguéis de veículos”, de modo que por não se tratar de máquina, nem equipamento, o creditamento foi vedado. Em sua defesa, a Recorrente afirma não se tratar de veículos e sim máquinas especiais, com guindastes acoplados ou retroescavadeiras para movimentação dentro da planta dos materiais a serem empregados no processo produtivo: 155. Como dito anteriormente no item 111.2 acima, a natureza dos materiais exige que utilize-se de máquinas como guindastes ou retroescavadeiras para movimentação das matérias-primas no processo produtivo, uma vez que estamos falando de, por exemplo, rochas e pós. 156. Assim, percebe-se clara falta de maior cuidado por parte da DRJ, que mais uma vez pretende glosar créditos líquidos e certos da Recorrente, previstos claramente na legislação. Ainda sobre a matéria, consta do Parecer Técnico: F) Que função cumpre as diversas máquinas e equipamentos locados pela Mosaic para 0110 condução de sua produção industrial, com especial atenção à forma de utilização de aparelhos de carga, como caminhões munk, retroescavadeiras e similares. Tais 01. equipamentos e máquinas são essenciais e relevantes à realização da atividade da 040 Empresa? 40 Tais equipamentos são utilizados para carregamento de matéria-prima tanto para transporte como para produção. São carregadas diariamente toneladas desses materiais o que torna impossível a operação manual, pois interfereria na produtividade, sendo, 40 portanto, essencial e relevante à atividade. Na linha de defesa constante do recurso, pugna a Recorrente que o creditamento seria possível com base no art. 3º, inciso IV, da Lei n° 10.637/02, que permite o crédito com gastos relativos a "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". Já no parecer técnico, o entendimento vai no sentido do enquadramento como insumo. Para melhor compreensão, buscou-se no Despacho Decisório o rol de despesas parcialmente glosadas relativas a aluguéis de máquinas e equipamentos. Dentre uma série de tabelas com as despesas que não atenderam o conceito de insumo, traz-se como exemplo (e-fl. 186): Fl. 764DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 Para além da discussão da possibilidade ou não de enquadramento como máquina e equipamento, entendo que a utilização desses veículos é essencial para a atividade produtiva da Recorrente, subsumindo-se ao conceito de insumo consagrado pela jurisprudência. Em relação aos demais itens, a legislação de regência autoriza a apuração de créditos de PIS e COFINS sobre despesas com aluguéis de máquinas e equipamentos utilizados nas atividades da empresa, sem exigir a vinculação ao processo produtivo. No entanto, a previsão legal para o creditamento, se restringe a locação de prédios, máquinas e equipamentos, não cabendo a extensão em relação aos veículos de modo geral. Nesse trilhar segue a jurisprudência do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Data do fato gerador: 30/09/2008 NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. DESPESAS COM LOCAÇÃO DE VEÍCULOS. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO Não geram direito a crédito das contribuições não cumulativas as despesas com locação de veículos quando não restar comprovado que os veículos locados participam efetivamente do processo produtivo ou atende ao critério da essencialidade e relevância, não se enquadrando no conceito de insumos, previsto no art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637 e 10.833/03, sendo incabível também o desconto de créditos previsto no inc. IV Fl. 765DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 do mesmo art. 3º, posto não se confundir com o termo “máquinas” utilizados ao longo de toda legislação. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia ressarcimento, restituição ou compensação. (Acórdão nº 3003-001.974 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária. Relator Conselheiro Marcos Antonio Borges. Sessão de 18 de agosto de 2021) Nesse ponto, devem ser revertidas parcialmente as glosas constantes do item 8.7, com exceção dos dispêndios com a locação de veículos comuns cuja relevância e essencialidade ao processo produtivo não restou demonstrada. 3.1.10. Despesas com armazenagem No presente caso, os serviços de armazenagem não estão relacionados às operações de vendas da mercadoria acabada produzida pelo contribuinte, estando associados às importações de insumos de fertilizantes. A fiscalização procedeu então à glosa: 8.8 Despesas com armazenagem e fretes sobre vendas: através da análise dos lançamentos contábeis e amostragens de notas fiscais identificou-se a ocorrência de armazenagem de matérias primas importadas cujo valor não deve integrar a base de cálculo do crédito por falta de previsão legal. Apurou-se também diferenças no valor de fretes sobre vendas ao analisar as contas 116000 e 118000. Não se apurou divergências para o mês de julho e para agosto e setembro os valores apurados e os lançamentos indeferidos estão demonstrados a seguir: Em sede de defesa a Recorrente argumenta: 164. Ora, fica claro que a despesa com armazenagem de matérias primas importadas incorrida pela Recorrente é absolutamente necessária para sua atividade, nos termo do item 111.2 acima, sendo dispêndio que claramente concorre para a produção de sua receita, devendo, dessa forma, ser incluída na apuração dos créditos das contribuições em comento. Sobre o entendimento na matéria cita-se como precedente o Acórdão nº 3301- 008.484 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, deste mesmo contribuinte, cujo voto condutor foi elaborado pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/07/2013 a 30/09/2013 CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170/PR, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí Fl. 766DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 resultantes. CUSTOS/DESPESAS. VEÍCULOS. COMBUSTÍVEIS/LUBRIFICANTES. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com combustíveis e lubrificantes utilizados na frota de veículos da empresa geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. CRÉDITOS DE FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. PÓS FASE DE PRODUÇÃO. PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO. As despesas com fretes entre estabelecimentos do mesmo contribuinte de produtos acabados, posteriores à fase de produção, não geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pela COFINS, não enseja direito a crédito do imposto. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O FRETE. NÃO-CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO EM RELAÇÃO AO FRETE INDEPENDENTE DO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DADO AO RESPECTIVO INSUMO. Os fretes pagos na aquisição de insumos integram o custo dos referidos insumos e são apropriáveis no regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ainda que o insumo adquirido não tenha sido onerado pelas contribuições. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. CARGA, DESCARGA E DESESTIVA. POSSIBILIDADE. TRATAMENTO SEMELHANTE AO FRETE. Tendo em vista o REsp 1.221.170/PR, os gastos logísticos essenciais e/ou relevantes à produção dão direito ao crédito. Incluem-se no contexto da produção os dispêndios logísticos com o trato alfandegário da carga. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona portuária. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. MOVIMENTAÇÃO DE INSUMOS E PRODUTOS EM ELABORAÇÃO. POSSIBILIDADE. Geram direito aos créditos da não-cumulatividade, a aquisição de serviços de fretes utilizados para a movimentação de insumos e produtos em elaboração no próprio estabelecimento ou entre estabelecimentos do sujeito passivo, quando esses insumos dão direito a crédito. Intelecção do REsp 1.221.170/PR. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. CORRETA DEMONSTRAÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. Fl. 767DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Das razões do voto condutor, destaca-se a seguinte colocação do Relator Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (...) os gastos logísticos essenciais e/ou relevantes à produção dão direito ao crédito. Incluem-se no contexto da produção os dispêndios logísticos com o trato alfandegário da carga. (...) pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona portuária. É de se reconhecer, portanto, o direito à apuração dos créditos das contribuições sobre as despesas incorridas com armazém, considerando o contexto da produção e a dinâmica da logística em relação à matéria-prima importada. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares apresentadas e por não conhecer do recurso em face da ocorrência de inovação dos argumentos de defesa em relação à glosa sobre frete de vendas e no mérito, por dar PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário e para reconhecer o creditamento sobre: - serviços de remoção; - serviços de limpeza especializada; - fretes sobre insumos tributados com alíquota zero; - fretes sobre transferências entre estabelecimentos da contribuinte; - serviços de movimentação portuária e carga e descarga; - serviços de análise laboratorial; - despesas com armazenagem; e - locação de máquinas e equipamentos, com exceção dos gastos com a locação de veículos comuns. (documento assinado digitalmente) Carolina Machado Freire Martins Fl. 768DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 3401-011.116 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16349.000171/2009-84 Fl. 769DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10840.903096/2013-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 16 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. APRESENTAÇÃO DE NOTAS FISCAIS. INDICAÇÃO DA DRJ DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS. INSUFICIÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A simples apresentação de notas fiscais não comprova o direito ao crédito a tributo retido na fonte, ainda que acompanhadas de tabela que indique os tomadores dos serviços e os respectivos valores dos negócios jurídicos. O ideal é comprovar o recebimento dos valores.
Numero da decisão: 1402-006.202
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em negar-lhe provimento, mantendo integralmente a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1402-006.198, de 16 de novembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10840.901807/2013-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Antonio Paulo Machado Gomes, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. APRESENTAÇÃO DE NOTAS FISCAIS. INDICAÇÃO DA DRJ DOS DOCUMENTOS NECESSÁRIOS. INSUFICIÊNCIA. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. A simples apresentação de notas fiscais não comprova o direito ao crédito a tributo retido na fonte, ainda que acompanhadas de tabela que indique os tomadores dos serviços e os respectivos valores dos negócios jurídicos. O ideal é comprovar o recebimento dos valores. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em negar-lhe provimento, mantendo integralmente a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1402-006.198, de 16 de novembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10840.901807/2013-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Jandir José Dalle Lucca, Antonio Paulo Machado Gomes, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 30 96 /2 01 3- 54 Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-006.202 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.903096/2013-54 Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão da DRJ, por meio do qual o referido Órgão julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, de forma a não reconhecer o direito creditório em favor da Manifestante. I. PER/DCOMP, Despacho Decisório (DD), Manifestação de Inconformidade (MI) e DRJ O litígio se formou em virtude da não homologação total de compensação declarada. O crédito seria proveniente de saldo negativo, mas em razão de divergência na indicação das retenções na fonte efetuadas pela Contribuinte, a Autoridade fiscal o reconheceu apenas em parte. Inconformada com o ato da autoridade fiscal, a Interessada apresentou sua Manifestação de Inconformidade. Resumidamente afirmou que o fisco desconsiderou as notas ficais e respectivas retenções dos valores que compõem o saldo negativo. Juntou documentos que comprovariam as alegações. Ao final, requereu a procedência da Manifestação. A DRJ julgou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Em suma, o Órgão colegiado entendeu que a mera juntada de notas fiscais não é suficiente para comprovar a retenção. A análise é feita a partir das declarações transmitidas pelas fontes pagadoras (DIRFs) e da declaração de compensação entregue pelo sujeito passivo. Não sendo possível comprovar por meio das declarações, caberia à Interessada juntar documentação que comprovasse as alegações. Indicou como deveria ser feita a comprovação. Contudo, ressaltaram os julgadores que apenas documentos elaborados pela própria interessada não seriam suficientes. Quanto ao pedido de diligência, a Turma da DRJ entendeu que ele deve ser deferido apenas quando houver provas que se submetam a analise, o que não ocorreu no caso. II. Recurso Voluntário (RV) Intimada da decisão, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual argumenta, em síntese, o seguinte: a) a aplicação da Verdade Material, pois a Autoridade deve promover atos e diligências necessárias à verificação da efetiva e correta realização do fato gerador, de forma a atender, inclusive, o Princípio da Legalidade. Havendo dúvida em relação aos fatos, a norma não pode incidir; b) anexadas as notas que demonstram a retenção do valor que foi utilizado para formação do crédito, deveria haver o deferimento do crédito. Cita doutrina, bem como, que o Agente fiscal deveria ter oficiado às fontes pagadoras para saber quais valores elas haviam pago; c) da forma como agiu, a Autoridade cerceou o direito de defesa da Recorrente, além de ter infringido o art. 30 da Lei 10.833 e art. 714 do RIR, pois a responsabilidade das retenções é das fontes pagadoras. Ao final, requereu o provimento do Recurso, para que o direito creditório fosse totalmente reconhecido. Não foram apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-006.202 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.903096/2013-54 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: III. Tempestividade e admissibilidade Com base no art. 33 do Decreto 70.235/72 e no art. 6° da Portaria RFB nº 543 de 20/03/2020, a qual dispõe sobre a suspensão de prazos processuais no âmbito da RFB durante o curso da Pandemia, bem como na constatação da data de intimação da decisão da DRJ (fl. 143 – 20/04/20), bem como do protocolo do Recurso Voluntário (fl. 144 – 18/06/20), conclui-se que este é tempestivo. Tendo em vista que o Recurso Voluntário atende aos demais requisitos de admissibilidade, o conheço e, no mérito, passo a apreciá-lo. IV. Comprovação de retenção na fonte A discussão gira em torno da comprovação da retenção na fonte de valores tributários, bem como o ônus da prova. A Recorrente afirma que pelo Princípio da Verdade Material, a Autoridade deveria promover atos e diligências necessárias à verificação da efetiva e correta realização do fato gerador, de forma a atender, inclusive, o Princípio da Legalidade. Alega que em caso de dúvida quanto aos fatos, a norma não pode incidir e as notas que demonstram a retenção do valor que foi utilizado para formação do crédito foram anexadas. Alega que o Agente fiscal deveria ter oficiado às fontes pagadoras para saber quais valores elas haviam pago. Da forma como agiu, a Autoridade teria cerceado o direito de defesa da Recorrente, além de ter infringido o art. 30 da Lei 10.833/03 e art. 714 do RIR, pois a responsabilidade das retenções é das fontes pagadoras. Inicialmente deve ser consignado que como o pedido de declaração é iniciado pelo contribuinte, a aplicação do art. 373 do CPC faz com que o ônus da prova recaia sobre tal interessado. Ou seja, a indicação de todos os elementos para a homologação da compensação é feita pelo sujeito passivo, e, caso não sejam confirmados, cabe a quem requer o direito sua comprovação e a indicação do erro que levou à não homologação. Com base nessa premissa, não é a Autoridade que deve apresentar provas sobre a eventual existência do direito creditório, mas sim a Contribuinte. Por isso não cabe dizer que da forma como o fisco procedeu suprimiu seu Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-006.202 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.903096/2013-54 direito. Não houve cerceamento de defesa, uma vez que não é da competência da Autoridade fazer prova quanto à compensação. Também não houve infração ao art. 30 da Lei n° 10.833/03 ou omissão à análise do fato gerador. Como visto, o objeto da lide se restringe à comprovação, a qual deve ser feita pela Interessada. Sobre o Princípio da Verdade Material, o mesmo não tem o condão de inverter o ônus da prova e deve ser aplicado, caso a Contribuinte demonstre que possui o direito creditório. Quanto à questão probatória e os documentos apresentados pela então Manifestante, que se constituem pela relação de clientes que teriam efetuado as retenções (fl. 66) e as notas fiscais relativas às operações onde deveria haver as retenções (fls. 67-104), a DRJ entendeu não serem suficientes para justificar a parte do crédito que não foi reconhecida. De acordo com o Órgão de primeiro grau, apenas documentos elaborados pela própria interessada não seriam suficientes (fl. 134). Realmente os documentos apresentados não são suficientes para comprovar que o crédito realmente existe, pois apesar de apontarem a existência das relações entre a Contribuinte e seus tomadores, não comprovam que houve disponibilidade econômica por sua parte. Veja-se que não está a exigir que sejam apresentadas as guias DARF, que comprovariam os recolhimentos de retenções, o que provavelmente estaria fora do alcance da Recorrente, pois em poder dos tomadores. Essa exigência, como sendo a única forma de comprovação, é, inclusive, proibida nos termos da Súmula n° 143 do CARF. O que se espera da Contribuinte em suas comprovações é que ela traga documentos que assegurem o recebimento dos valores líquidos, descontado o valor da retenção. Em uma situação ótima, o contribuinte apresentaria os livros contábeis, as notas fiscais e os comprovantes de depósitos ou extratos Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-006.202 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10840.903096/2013-54 bancários demonstrando o recebimento. Para o caso, se a Requerente, além das notas, tivesse trazido os comprovantes de recebimento bancários ou extrato caberia o reconhecimento do crédito, contudo, não o fez. Mesmo depois da DRJ descrever quais seriam as formas de comprovação do crédito, a Recorrente preferiu argumentar sobre o ônus probatório e não trazer aos Autos os documentos indicados. Assim, tendo em vista a ausência de comprovação, não deve o crédito ser reconhecido. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em negar-lhe provimento, mantendo integralmente a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente Redator Fl. 114DF CARF MF Original

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Numero do processo: 12448.720872/2018-55
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2013 DEDUÇÃO. CUSTOS. DESPESAS. COMPROVAÇÃO Os custos e despesas contabilizados que não forem devidamente comprovados pelo contribuinte no curso de procedimento fiscal não devem ser deduzidos na base de cálculo do IRPJ. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2013 REMUNERAÇÃO INDIRETA. Está sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte todo pagamento caracterizado como remuneração indireta de empregados quando não for devidamente acrescido à remuneração direta para fins tributários. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2013 ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A antecipação do tributo é uma obrigação acessória, exigível mesmo quando não há tributo a recolher na data do fato gerador. Assim, a antecipação não se confunde com a obrigação de pagar o tributo, sendo incomparáveis as suas bases de cálculo e, daí, não havendo impedimento para a exigência concomitante das duas sanções. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2013 IRPJ. CSLL. IRRF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplica-se a mesma decisão a todos os tributos atingidos pelo fato analisado.
Numero da decisão: 1201-005.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, em exonerar as parcelas da exigência tributária apontadas nos itens ii a ix do dispositivo do voto do relator; (ii) por maioria de votos, em manter a multa isolada pelo não pagamento de estimativas, vencidos o Conselheiro Jeferson Teodorovicz e a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz e (iii) por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, em exonerar a parcela da exigência tributária apontadas no item i do dispositivo do voto do relator, votaram pela exoneração os Conselheiros Fredy José Gomes de Albuquerque, Neudson Cavalcante Albuquerque (relator) e as Conselheiras Viviani Aparecida Bacchmi e Thais De Laurentiis Galkowicz, votaram pela manutenção da exigência os Conselheiros Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama e Fernando Beltcher da Silva. O Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado), Viviani Aparecida Bacchmi, Thais de Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

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CUSTOS. DESPESAS. COMPROVAÇÃO Os custos e despesas contabilizados que não forem devidamente comprovados pelo contribuinte no curso de procedimento fiscal não devem ser deduzidos na base de cálculo do IRPJ. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2013 REMUNERAÇÃO INDIRETA. Está sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte todo pagamento caracterizado como remuneração indireta de empregados quando não for devidamente acrescido à remuneração direta para fins tributários. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2013 ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. MULTA OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. A antecipação do tributo é uma obrigação acessória, exigível mesmo quando não há tributo a recolher na data do fato gerador. Assim, a antecipação não se confunde com a obrigação de pagar o tributo, sendo incomparáveis as suas bases de cálculo e, daí, não havendo impedimento para a exigência concomitante das duas sanções. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2013 IRPJ. CSLL. IRRF. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando-se da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aplica-se a mesma decisão a todos os tributos atingidos pelo fato analisado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 08 72 /2 01 8- 55 Fl. 7293DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao recurso voluntário, da seguinte forma: (i) por unanimidade de votos, em exonerar as parcelas da exigência tributária apontadas nos itens ii a ix do dispositivo do voto do relator; (ii) por maioria de votos, em manter a multa isolada pelo não pagamento de estimativas, vencidos o Conselheiro Jeferson Teodorovicz e a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz e (iii) por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, em exonerar a parcela da exigência tributária apontadas no item i do dispositivo do voto do relator, votaram pela exoneração os Conselheiros Fredy José Gomes de Albuquerque, Neudson Cavalcante Albuquerque (relator) e as Conselheiras Viviani Aparecida Bacchmi e Thais De Laurentiis Galkowicz, votaram pela manutenção da exigência os Conselheiros Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama e Fernando Beltcher da Silva. O Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado), Viviani Aparecida Bacchmi, Thais de Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório DOLPHIN DRILLING PERFURAÇÃO BRASIL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 08-44.641 (fls. 4339), pela DRJ Fortaleza, interpôs recurso voluntário (fls. 4452) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O presente processo trata de lançamentos tributários para exigir IRPJ, CSLL, multa isolada pelo pagamento a menor de estimativas e IRRF com fundamento no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 (35%), bem como juros de mora e multa de ofício (75%), no total de R$ 80.603.862,61, relativos a fatos geradores ocorridos no ano 2013, conforme os autos de infração de fls. 1600. O lançamento de IRPJ é devido às seguintes infrações: (i) dedução como custo ou despesa dos valores pagos na aquisição de bens de natureza permanente; (ii) dedução de despesas não necessárias; (iii) dedução de despesas não comprovadas; (iv) dedução de multas de natureza não tributária; (v) omissão diante de recuperação de custos, despesas ou deduções. O lançamento de CSLL é decorrente dos mesmos fatos que deram ensejo ao lançamento de IRPJ. O lançamento de IRRF é devido à realização de pagamentos de despesa não comprovada e remuneração indireta. Inicialmente, deve ser esclarecido que a situação fática em tela é típica da exploração de campos de petróleo na plataforma continental do Brasil. Em apertada síntese, uma empresa nacional que possuía o direito de exploração de campo de petróleo e para concretizar essa exploração firmou dois contratos: um contrato de afretamento de uma plataforma petrolífera com a empresa estrangeira DDL e um contrato de prestação de serviços com a empresa nacional Fl. 7294DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 DDB (contribuinte autuado) para a operação da plataforma. Por sua vez, a estrangeira DDL também celebrou um contrato de prestação de serviços com a mesma nacional DDB, pelo qual esta também ficou responsável pela manutenção da plataforma. Por fim, a nacional DDB firmou contrato de terceirização de mão de obra com a empresa estrangeira DDAS. Saliente-se que as empresas DDB, DDL e DDAS são do mesmo grupo econômico. Esse cenário foi representado graficamente pelo recorrente da seguinte forma (fls. 4465): A auditoria fiscal analisou as contas contábeis que deram ensejo a deduções na apuração dos tributos. O procedimento administrativo e suas conclusões estão descritos no termo de verificação fiscal (TVF) de fls. 1508. Adoto a síntese trazida no relatório da decisão recorrida (fls. 4341): A priori, a Fiscalização informa que as empresas estrangeiras Dolphin Drilling Ltd (99,7%) e Fred Olsen Energy (0,3%) compõem o quadro societário da Impugnante com percentual de participação no capital social em parêntese, e que a atividade desempenhada é a de apoio à extração de petróleo e gás natural. No período fiscalizado, a Dolphin Drilling Ltd (doravante DDL) importou, por intermédio da Fiscalizada (DDB, para simplificar), sob regime de admissão temporária, plataformas para perfuração de poços de petróleo: a Blackford Dolphing, afretada pela empresa Sonangol e compartilhada com a Anadarko e Karoon Petróleo e Gás, e a Borgny Dolphing, afretada pela Petrobrás. Esta e a Sonangol formalizaram contrato de prestação de serviços com a DDB, para fins de operação das mencionadas plataformas. O grupo econômico também é composto pela empresas Dolphin Drilling AS (ou DDAS), detentora de mão de obra especializada no ramo de prospecção petrolífero. Desde o Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 2 e 3), a Autoridade Tributária requereu a apresentação, de forma analítica, da composição das rubricas Outros Custos e Outras Despesas Operacionais. E, através do Termo de Intimação n° 1 (fls. 800 a 805), demandou esclarecimentos sobre certas contas contábeis, escolhidas depois de processo de amostragem. Outros 9 (nove) Termos de Intimação foram expedidos antes de a Fiscalização obter as conclusões adiante. Fl. 7295DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 A respeito da conta contábil 640400 (Aluguel de Helicóptero), que registra a atividade de transporte de pessoal do território à plataforma e vice-versa, a Autoridade Fiscal identificou a escrituração de multas aplicadas pela Petrobrás em decorrência de perda de voo, e estas glosou sob a justificativa de não serem dedutíveis, na forma do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999). Com referência à conta contábil 489893 (Diferença Contagem de Estoque), o Autuante confrontou a contabilidade com a Ficha 36A, Linha 5, da DIPJ. Intimada a prestar esclarecimentos nos Termos de Intimação n° 1 e 3, a Defendente manifestou- se: Carta Resposta 26/06/2017 a) A que estoque se refere o valor de R$ 3.707.489,50 relativo à diferença de estoque registrada em 31/12/2013: O valor se refere a estoque de bens/itens adquiridos pela contribuinte para utilização/consumo na prestação de seus serviços. A apropriação das despesas pelo contribuinte era feita após a efetiva utilização/consumo dos bens na prestação de seus serviços. Em meados de 2013, quando da saída de uma das plataformas - após o término de seu contrato no país, sem haver renovação - foi feita uma recontagem física dos itens e se verificou que vários deles ainda constavam no estoque, muito embora já tivessem sido consumidos/utilizados, no momento em que foi realizado tal ajuste. b) Como são registradas as entradas dessas mercadorias no ano de 2013 para produzirem diferenças: As entradas são registradas quando da aquisição dos bens /itens. Quando de seu uso e consumo, ocorre a apropriação da respectiva despesa. c) A quem pertence esse estoque de mercadoria: Todo o estoque adquirido pela contribuinte - com a posterior apropriação das despesas - pertence a contribuinte. d) Como elas são registradas na contabilidade quando da entrada, saída e saldo final: Sua entrada ocorre através de aquisição direta, seja justo a fornecedores locais ou estrangeiros. Não ocorre propriamente uma saída, pois que a contribuinte presta serviços a seus clientes, conforme seu objeto social, não realizando operações de venda. Nessa prestação de serviços os bens são utilizados/consumidos, momento em que se apropria a respectiva despesa. e) Qual a forma de aquisição dessas mercadorias: Compra direta aos fornecedores, locais ou estrangeiros. f) Em se tratando de conta transitória, qual a justificativa de o valor de R$ 3.707.489,50 impactar o resultado do período: A conta transitória existe apenas contabilmente, para fins de controle da contribuinte. Como já explicados, trata-se de bens/itens intrinsecamente relacionados com a atividade principal da contribuinte, qual seja, a prestação de serviços. As despesas apropriadas, portanto, se referem aos bens/itens adquiridos e utilizados/consumidos na prestação de serviços da contribuinte. g) Qual a base legal para fins de considerar como despesa operacional dedutível do lucro: O consumo dos bens/itens adquiridos para a prestação de serviços constitui despesa operacional da contribuinte, conforme artigo 299 do Decreto 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). h) A quem pertence a propriedade das plataformas BORGNY e BLACKFORD: As plataformas pertencem à sociedade do grupo da contribuinte, localizada no exterior. Nos contratos de execução simultânea e celebrada entre cliente nacional (concessionária Fl. 7296DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 de petróleo), proprietário de embarcação (sociedade no exterior, Dolphin Drilling Limited) e operador da embarcação (contribuinte), cabe ao último - contribuinte - manter as embarcações operacionais. Carta Resposta 23/01/2018 Resumidamente, e conforme informado em repostas a TIFs anteriores, todos os itens de inventário cuja aquisição deveria ser feita no exterior (por questões de custo, data de entrega e condições de pagamento) eram inicialmente adquiridos pela DDL (diversas invoices demonstrando a aquisição direta pela DDL foram anexadas aos TIFs anteriores). Em seguida, transferidos à DDB sob forma semelhante a uma venda em consignação (invoices demonstrados da venda DDL x DDB já juntados). Ou seja, a DDB recebia a integralidade dos itens e os contabilizava. Enquanto permaneciam sem uso, seus respectivos custos não eram apropriados pela DDB. Uma vez que tais itens fossem utilizados/consumidos pela DDB, a respectiva despesa era apropriada e, ao mesmo tempo, a contribuinte registrava o contas a pagar - em favor da DDL - em seu passivo. Ao término dos contratos da contribuinte com seus clientes, os itens que não foram utilizados foram devolvidos a DDL. Na realidade, a conta ESTOQUE era utilizada como uma conta de compensação, sendo seu conteúdo dividido entre outras contas contábeis. Com base nos argumentos da Interessada e nos contratos carreados aos autos, a Fiscalização capitulou a glosa no art. 299, RIR/1999, levando em consideração os fundamentos: (i) ausência de registro de valor de estoque dos produtos, (ii) importação de bens 'sem cobertura cambial', (iii) qualificação da Contribuinte como 'responsável' pelas aquisições de equipamentos, materiais e bens adquiridos para prestação de serviços e manutenção das plataformas, (iv) condicionamento da dedutibilidade à hipótese de que os custos ou despesas fossem efetivamente arcados pela DDB, ou seja, sem reembolso por parte da DDL, (v) hipóteses, tais como: se a plataforma deixou o país por falta de renovação do contrato e os bens ou itens são de seu uso exclusivo, então deveriam ser exportados junto com aquela e estornados na contabilidade, anulando seus efeitos tributários, E se os produtos pertenciam à Fiscalizada, os bens ou itens deveriam permanecer no estoque para utilização futura, e não baixados dado ainda presentes fisicamente E se houve contagem física, não houve contagem física, pois caso contrário, não seria possível tal atividade; (vi) no caso de se tratar de operação assemelhada à venda em consignação, somente caberia a dedução de custo ou despesa se houvesse, efetivamente, o uso do estoque, o que não ocorreu ante à contagem física dos bens ou itens. Quanto à conta contábil 753520 (Administration Global IC), a Autoridade Tributária descreve serem serviços de suporte global, contratado pela DDB perante a DDAS, porém sem a discriminação de quais esses seriam. Nos TIFs n° 3 e 8, a Empresa fora intimada a fazê-lo, e identificou serem gastos com "salários, pensões e outros gastos de modo geral” dos profissionais identificados e qualificados no Anexo III. Pela Carta-Resposta de 27/12/2017, a Fiscalização pôde concluir que: a) a empresa DDAS é uma sócia minoritária do grupo Dolphin Drilling; b) declara que os funcionários são vinculados a DDAS e contratados pela empresa estrangeira; c) e adicionalmente, informa que os serviços contratados se tratam de suporte a operações globais para garantir padrão comum de operação entre: operações da Unidade de perfuração, recursos humanos, SMS (saúde, segurança e meio ambiente), técnica e projetos, finanças e controles de custos, contratos e compras. Haja visto o padrão ser utilizado por todo o grupo Dolphin Drilling, portanto não haveria qualquer justificativa para contratar um terceiro em seu lugar; d) lista os mesmos profissionais estrangeiros contratados pela DDAS; Fl. 7297DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 De posse da informação de que os profissionais contratados estavam vinculados à DDAS, então arrematou não estarem relacionados a serviços prestados pela empresa nacional. São, na verdade, gastos do grupo econômico arcado e deduzido pela DDB, o que justifica a glosa com base no art. 299, RIR/1999. Por se tratarem de gastos com estrangeiros (expatriados), que possuem tributação própria a residentes no exterior, a Fiscalização também impôs a tributação do IRRF reflexo na alíquota de 35%. Em relação à conta contábil 679116 (Aluguel de Pessoal), a Impugnante atendeu o TIF n° 3 e apresentou notas fiscais, documento denominado Purchase Order, boletos bancários, comprovantes de pagamento e outros elementos em inglês e não traduzidos. A partir da instrução e consoante as informações presentes na Carta- Resposta de 26/06/2017, o Agente-Fiscal entendeu que os serviços especializados eram reservados e ocupados por mão de obra estrangeira, confessadamente pertencente à DDL, com envio do pessoal do exterior para prestar serviços no Brasil e registro na folha de pagamento da prestadora de serviços (a DDB). Outrossim, a emissão de faturas em nome da Fiscalizada apenas decorre do fato de os serviços serem efetivamente prestados no Brasil, onde também estão sediadas as representantes das prestadoras de serviços. Com base no art. 299 do RIR/1999, a Autoridade Tributária procedeu à glosa e a imposição do IRRF reflexo de 35%, na forma já descrita acima. Sobre a conta contábil 646000 (Aluguel de Equipamentos), segregou a análise entre duas operações: uma com a Anadarko, a outra com a Hamilton Brasil. Acerca da nota de débito da Anadarko e os e-mails, estes encontram-se em língua inglesa, não traduzida para o português. Ademais, a Fiscalizada é quem presta serviços a empresa citada, ou seja, é a Anadarko quem deveria estar pagando a DDB, não o contrário. A Carta-Resposta de 23/01/2018 notificou que: Tais valores se referem à contratação de embarcação para transporte e carga / descarga de mercadorias em área portuária. A contratação foi feita pela sociedade Anadarko, à época cliente da contribuinte. A Anadarko emitiu nota de débito contra a DDB, cobrando tais valores como a DDB tinha recebíveis junto a Anadarko - pelos serviços prestados - efetuou-se a compensação entre tais débitos e créditos. Quanto às notas fiscais emitidas pela Hamilton Brasil, destacou que os encarregados pelos serviços prestados de consultoria eram estrangeiros (expatriados) e que tais documentos também estavam em língua inglesa. Na mesma resposta: A contratação da empresa Hamilton foi exigida em atendimento ao contrato com o cliente Karoon (vide aditivo anexo) que previa esta contratação de Rig Clerk (responsável pela contratação operacional, rastreamento de material e controle interno das atividades de plataforma). Em ambos casos, motivou a glosa no mesmo art. 299 do RIR/1999 e nos argumentos: (i) os serviços especializados são reservados e ocupados por mão de obra estrangeira, qualificada como de expatriados; (ii) a mão de obra confessadamente pertence à DDL e os serviços se deram pelo envio de pessoal para prestação de serviços no Brasil, este registrado na folha de pagamento da DDB; (iii) a emissão das faturas em nome da DDB deve-se ao princípio da territorialidade da prestação do serviço e ao fato de que as representantes são nacionais também; (iv) o artifício contábil de transformação de direito por serviços prestados e pendentes de recebimento em um custo não comprovado, trocando em miúdos, baixa de direito (conta patrimonial) contra conta de custo (conta de resultado). Fl. 7298DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Ademais, ante o exposto, a Autoridade Fiscal procedeu à tributação reflexa do IRRF à alíquota de 35%. Ao tratar da conta contábil 410000 (Reparo e Manutenção), a Fiscalização questionou acerca de lançamento do dia 08/12/2013, em que a Interessada informou tratar-se de transferência de estoque da DDL para DDB, com a baixa no estoque daquela e o pagamento, também por sua conta e ordem, realizado em 31/07/2013. Em face da identidade da pagadora ser a empresa norueguesa, bem como a documentação comprobatória estar em língua inglesa, não traduzida para o vernáculo pátrio, a Autoridade Tributária procedeu à glosa. Ao término desse capítulo que trata dos Custos, passou o Agente Fiscal a debater as Despesas Operacionais, aproveitando o formato subdividido por contas contábeis. A primeira delas, 753516 (Administração), compreende os serviços de tecnologia da informação e suporte global contratados junto à DDAS. De posse das provas e dos esclarecimentos ofertados no curso do procedimento fiscalizatório, o Agente Fiscal, com fulcro no art. 299 do RIR/1999, glosou as despesas por considerá- las indedutíveis, ante o fundamento de que se referem a salários, pensões e outros gastos de profissionais da DDAS, estipulados pela DDL e executados no Brasil, portanto, não são dispêndios relacionados aos serviços da DDB, e sim gastos do grupo econômico arcados pela empresa nacional. Nada obstante, também impôs a exação do IRRF com alíquota de 35%, incidente sobre a contratação de pessoal estrangeiro. Adiante comentou sobre a conta contábil 680000 (Materiais de Escritório), e o resultados dos TIFs n° 1 e 4, com apresentação de nota fiscal correspondente à aquisição de um servidor Power Edge RG60 e trilhos deslizantes com braço de gerenciamento. Entretanto, o Agente Fiscal considerou que a Autuada, indevidamente, deu tratamento indevido de despesa operacional para um bem do ativo permanente, cujo desgaste anual deveria ser deduzido a título de depreciação, no importe de 10% por ano, ajuste efetuado da forma a seguir: Valor contabilizado Taxa de depreciação Valor depreciação. Glosa de despesa 27.879,60 10% 2.787,96 25.091,64 Acerca da conta 713100 (Viagens e Estadias), em resposta ao TIF n° 4, a Investigada apresentou invoices oriundas da DDL, para fins de reembolso de gastos efetuados pelo pessoal de origem estrangeira. Neste sentido, e tendo por base o exposto no Termo de Verificação Fiscal, a Autoridade Fiscal glosou as despesas por tratarem-se de gastos com expatriados, não necessários, usuais ou normais à manutenção da fonte produtora. Finalmente, o Agente-Fiscal analisou a conta 864005 (Other Tax Fees and Contribution) e reproduziu a resposta do Contribuinte ao TIF n° 9: Quanto aos IPTUs, os valores pagos se referem ao cumprimento de obrigação contratual com a empresa empregadora dos expatriados em questão. Anexados os guias e os contratos de câmbio relativos aos IR mencionados. Sobre tal ponto, entendeu serem despesas indedutíveis por se tratarem de gastos com estrangeiros, não albergados no art. 299 do RIR/1999. A propósito, por se tratar Fl. 7299DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 de tributação exclusiva na fonte a do IRRF para este caso, não existe caráter compensatório que admita sua dedução como despesa do período. E, acerca da despesa de R$ 49.276,58, relativo ao IRPJ/CSLL, a Autuada (i) não comprovou sua origem, ou seja, a que período guardava relação, (ii) não apresentou a prova do pagamento e (iii) não apresentou a escrituração contábil registrando a formação do valor ou sua não-utilização em período diverso ao ano-base 2013. O Capítulo 3 trata, exclusivamente, dos Custos com Pessoal, referente aos dispêndios escriturados a débito nas respectivas contas. A Fiscalização documentou que o registro contábil das obrigações devidas por serviços prestados por estrangeiros era efetuado da seguinte forma: lançamento a crédito na conta do passivo circulante 246009 (Account Payable vs DDAS) e a débito nas contas de resultado 531780 (Onshore Indirect - Group Exp), 695001 (Recharge Costs / Expenses - Margin) e 713000 (Travel). Como consequência, considerou indedutíveis os gastos acima efetuados, sob amparo do art. 299 do RIR/1999 e fundamento de que se tratam de pagamento a título de mão de obra estrangeira, sem vínculo direto e registro em folha de pagamento. Nesta toada, também tributou o IRRF a alíquota de 35% incidente sobre a remuneração in casu. A respeito da conta 550000 (OtherPersExpenses), a Autuada foi intimada pelos TIFs n° 5 e 6 a demonstrar, analiticamente, a composição dos gastos com pessoal de sua DIPJ, tendo apresentado Cartas-Resposta de 15/08/2017 e 12/09/2017. Tendo-as recebido, a Fiscalização requereu esclarecimentos adicionais sobre despesas com lanches, mensalidades de clube, academia, despesas gerais de funcionários, kits baby, jantar de confraternização, escolas, eventos esportivos, aquisição de moeda estrangeira (1° grupo) e despesas de viagens, escolas, táxi e reembolso de despesas (2° grupo). Quanto ao 1° grupo, a Interessada asseverou referir-se a gastos de baixa relevância, que serviriam de estímulo aos funcionários e a produtividade em geral, ao passo que as do 2° grupo eram despesas de funcionários de sociedades estrangeiras contratados para prestar serviços no país. Todos foram glosados com esteio na argumentação já reproduzida por este voto, com base no art. 299 do RIR/1999. O quarto capítulo cuida de Baixa de Contas a Receber, a começar pela conta 155006 (Account Receivable vs DDL Company), em que houve a menção à 'Perdão de Dívida em 31/12/2013'. Seu saldo inicial estava zerado e, ao término do ano- calendário, estava em R$ 11.055.574,56. A origem dos aportes é: (i) baixa da conta transitória de estoques, 149998; (ii) baixa da conta de ativo circulante - realizável de longo prazo 170005. Já as saídas, a conta 192116, com invoices emitidos contra a DDL, por reembolso de despesas. O perdão de dívida mencionado derivou de valores registrados em conta de estoque, relacionados a materiais ou bens de reparo e manutenção das plataformas, assim como a gastos internos e a despesas aduaneiras. Após a saída definitiva da plataforma Blackford Dolphing, a Fiscalizada transportou os valores contabilizados em estoque ao Contas a Receber - Longo Prazo e baixou o Contas a Receber - Curto Prazo. À medida que necessitava de recursos, efetuava a baixa deste direito contra a conta Bancos (conta 192116) e registrava os débitos na conta 155006, com o histórico "Reembolso de Despesas DDL". A Interessada pôde comentar sobre a operação em 23/01/2018: Fl. 7300DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 - trata-se de conta contábil específica para registrar os valores a serem recebidos junto a DDL (Dolphin Drilling Limited), sociedade que deu em afretamento aos clientes nacionais as plataformas de perfuração de petróleo operadas pela contribuinte. A contribuinte, por diversas vezes, incorria em dispêndios que seriam recuperáveis junto a DDL, por exemplo, adiantamentos relativos a gastos com CAPEX da plataforma, despesa de reexportação, entre outros. Tais valores eram contabilizados nessa conta. - Fundamental destacar que tais "perdões de dívida" não ocorreram. Temos três tipos de lançamentos contábeis nessa planilha anexada pela fiscalização: (i) itens de inventário adquiridos (mas ainda não pagos) junto à DDL (e que deveriam ter sido lançados no Contas a Pagar), (ii) invoices relativas a valores efetivamente a recuperar junto a DDL e (iii) recebimento dessas invoices. Alguns dos lançamentos mencionados pela fiscalização se referem a valores que a contribuinte deveria ter registrado como A PAGAR à DDL (relativos a itens de estoque adquiridos junto à DDL e não pagos nas datas). Especificamente na planilha apresentada pela fiscalização, todos os itens com o nome "Recharge Blackford Inventory" se enquadram nesse caso: por erro, foram registrados valores no ativo (a receber), quando deveriam ter sido lançados no passivo (a pagar). Uma vez identificado tal erro, a contribuinte procedeu ao estorno dos valores, que foram transferidos para a conta contábil correta (passiva). ... Esses itens (ii) e (iii) se referem as invoices emitidas pela contribuinte contra a DDL e o seu efetivo recebimento, em dinheiro. Não houve qualquer perdão de dívida. A título comprobatório, anexos contratos de câmbio que comprovam o efetivo recebimento de tais valores. Sobre o tópico, a Fiscalização destacou que o termo perdão de dívida deriva de documentação fornecida pela própria Contribuinte, e que a constatação do erro contábil e a inversão do saldo das contas não solucionam, do ponto de vista tributário, a situação apontada, ante a não apresentação de documentos comprobatórios ou da escrituração retificadora. Caso o fizesse, teria logrado resultados contábeis desastrosos. Aliás, o estorno sugerido exigiria que a Fiscalizada devolvesse recursos já utilizados no decorrer do período para quitação de obrigações próprias, recebidos, por invoices, da DDL, e registrado na conta 192116. O não registro destes invoices recebidos do exterior a título de reembolso de custos trouxe como consequência a disponibilização de recursos livres de tributação para prover suas obrigações no país, pois não houve trânsito em contas de resultado. Nesse cenário, a Autoridade Tributária autuou tais valores com base no art. 392, II do RIR/1999, referente a reembolso de despesas. Ao final da exposição fática e considerando que o Contribuinte tem como forma de tributação o Lucro Real Anual com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, o Auditor-Fiscal precisou ajustar os valores de estimativas, exigindo-lhe imposição da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas de IRPJ e da CSLL, na forma do art. 44, II, da Lei n° 9.430/1996. O contribuinte autuado impugnou os lançamentos tributários (fls. 2086 a 2148), fazendo juntar uma grande quantidade de documentos (fls. 2159 a 4335). A decisão de primeira instância (fls. 4339), ora recorrida, considerou parcialmente procedente a impugnação apresentada, exonerando pequena parcela do crédito tributário (R$ 25.091,64), ao reverter uma glosa de dedução que já havia sido estornada da correspondente conta contábil, o que não foi percebido pela fiscalização. Fl. 7301DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 O contribuinte autuado combate essa decisão no recurso voluntário (fls. 4452) com argumentos fáticos específicos para cada uma das diversas contas contábeis abordadas no lançamento tributário, conforme será exposto e analisado no voto que se segue. O recorrente apresentou memoriais em que repisa, de forma sintética, os argumentos já trazidos no recurso voluntário, nos termos da petição de fls. 6159. Mais recentemente, o contribuinte fez juntar novo laudo pericial, nas fls. 6172, em conjunto com uma grande quantidade de documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 08/11/2018 (fls. 4448) e seu recurso voluntário foi apresentado em 10/12/2018 (fls. 4449). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O recorrente opõe-se à decisão de primeira instância com os argumentos a seguir apresentados e apreciados. 1 Conta 640400 – Aluguel de helicóptero - glosa de custos/despesas A fiscalização glosou parte da dedução dos custos/despesas escriturados na conta contábil 640400 – Aluguel de helicóptero, no valor de R$ 4.670.511,89. Os lançamentos contábeis que fundamentam a glosa dizem respeito a multas pagas pelo contribuinte à Petrobrás, tomadora do seu serviço, em razão de desconformidades no transporte, por meio de helicópteros, de e para a plataforma de petróleo afretada, conforme o seguinte excerto do TVF (fls. 1514): Da analise do razão da conta 640400 - aluguel de helicópteros verificamos o registro de multas aplicadas pela Petrobrás em função de perda de vôo de acordo com contrato firmado entre as partes. Depurado o razão da conta 640400 - aluguel de helicópteros, temos individualizado os valores de multa, por mês, que deverão ser glosados devido a sua indedutibilidade, por falta de amparo legal, por fugir a regra de normalidade, usualidade e necessidade para fins de manutenção da fonte produtora, preceitos básicos para sua dedutibilidade, conforme art. 299 do Decreto 3.000/99, senão vejamos: Conforme visto acima, a fiscalização entendeu que o pagamento de multa ao tomador do serviço em razão de não conformidade no serviço prestado não seria dedutível, o que foi corroborado na decisão recorrida (fls. 4356), a qual considerou ainda que a documentação apresentada pelo impugnante era “insuficiente para confirmar se o argumento do contribuinte corresponde aos esclarecimentos apresentados”. O recorrente apresentou mais documentos para comprovar que arcou com as multas contabilizadas (fls. 4532) e reforçou seu argumento, já apresentado na impugnação, de que as multas contratuais são custo dedutível. Assim, deve ser decidido inicialmente se é dedutível o custo (ou despesa) relativo ao pagamento das multas contratuais contabilizadas pelo contribuinte. Fl. 7302DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 A Administração Tributária emitiu, recentemente, a Solução de Consulta Cosit nº 281, de 27 de setembro de 2019, em que se manifesta positivamente sobre a dedutibilidade de uma espécie de multa contratual, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ AGENCIAMENTO DE CARGA. MULTA POR ATRASO. DESPESA DEDUTÍVEL. Para fins de determinação do lucro real, constitui despesa dedutível a multa, contratualmente prevista, pelo atraso na entrega de carga, quando incorrida por pessoa jurídica, que explore atividade de agenciamento de cargas. Tal despesa deve ser deduzida no mesmo período de apuração em que tenham sido registradas as receitas pela prestação dos serviços a que essas multas se refiram. Dispositivos Legais: Lei nº 4.506, de 1964, art. 47; Decreto nº 9.580, de 2018, art. 311; Parecer Normativo CST nº 32, de 1981; Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 7º, caput. Transcrevem-se trechos da fundamentação dessa decisão: 4. Inicialmente, convém delimitar o escopo da presente consulta, a qual versa sobre a possibilidade de dedução de despesa referente ao pagamento de multa por descumprimento de cláusula estipulada em contrato. Trata-se de ajuste pactuado com pessoa jurídica de direito privado e referente àquilo que constitui o próprio objeto de atuação da consulente, que, no exercício de suas atividades típicas, firma contrato de prestação de serviço de agenciamento de cargas no qual há previsão de pagamento de multa em caso de atraso nas entregas. Quer dizer, não se está a referir à multa por descumprimento de lei ou norma de ordem pública, mas sim à disposição contratual, que visa a disciplinar a conduta de partes privadas no bojo de sua relação empresarial. [...] 9. Vale notar que, no que concerne à dedução de multas, a legislação do IRPJ confere tratamento expresso àquelas decorrentes de infrações fiscais, cujo regramento é dado atualmente pela Lei nº 8.981, de 1995 - disciplinado no art. 352 do RIR/2018 - e às multas impostas por infração à lei de natureza não tributária, dispostas no art. 133 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.700, de 2017. 10. Note-se que, distingue-se de ambas as situações descritas acima, o caso de que se ocupa esta Solução de Consulta, ao qual deve ser aplicado o art. 311 do RIR/2018. 11. Nesse caminhar, é forçoso reconhecer que a previsão em contrato de multa pelo atraso na entrega de cargas cuja logística esteja sob a responsabilidade de pessoa jurídica que se dedica ao agenciamento de cargas é algo absolutamente inerente a esta prática comercial. É natural supor que o cliente tome cautelas, com vistas ao cumprimento dos prazos previamente acordados, do qual muitas vezes é dependente a própria higidez de sua cadeia produtiva. Igualmente natural que essa precaução se expresse na estipulação de multa contratual, a fim de que em caso de descumprimento haja alguma espécie de compensação financeira. Por sua vez, a mora no cumprimento, pelo agenciador, dos prazos previamente convencionados é uma contingência intrínseca à atividade exercida - derivada muitas vezes de variáveis exógenas - a qual se verifica com relativa frequência, sendo parte do risco do negócio. [...] 14. Ante o exposto até aqui, é de se concluir que o pagamento de multa na forma aduzida nesta consulta caracteriza-se como despesa operacional, para fins de determinação do lucro real, na medida em que necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Registre-se que a natureza de despesa dedutível estende-se igualmente à apuração da base de cálculo da CSLL, tendo em vista o similar tratamento dispensado pela legislação deste tributo ao conceito de despesas necessárias, conforme se depreende do art. 69 da IN RFB nº 1.700, de 14 de março de 2017. Fl. 7303DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Entendo que a mesma razão de decidir aplica-se ao presente caso, uma vez que o transporte de empregados e de cargas entre a plataforma de exploração e a base em terra faz parte da operacionalização da plataforma, atividade para a qual o contribuinte foi contratado. Assim, em tese, essas multas são dedutíveis. A fiscalização apontou nas fls. 1579 os lançamentos contábeis correspondentes aos valores glosados, abaixo reproduzidos: Verificando os documentos apresentados pelo recorrente (fls. 4532), é possível constatar que os três lançamentos contábeis de 29/03/2013 estão comprovados (fls. 4560, 4561 e 4562). Todavia, o mesmo não pode ser dito dos demais lançamentos, mormente quanto aos lançamentos de provisão para multa, uma vez que essa provisão, por si só, não implica a existência da despesa, sendo assim indedutível. Em 25/03/2020, o recorrente solicitou a juntada de novas provas aos autos (fls. 5937), inclusive um laudo pericial contábil (fls. 5945), em que é abordada essa glosa. Contudo, nada foi acrescentado em relação às referidas provisões. Em 17/11/2022, o recorrente fez juntar novo laudo pericial, dessa vez abordando especificamente esse tópico, quando afirma que a multa anotada em 30/04/2003 não foi registrada como provisão, devendo ser deduzida. Ademais, afirma que, do total de R$ 2.000.000,00 anotados como provisões, o valor de R$ 1.300.000,00 foi revertido em dezembro de 2013. Apesar dessa afirmação, o recorrente não aponta documentos que evidencie a alegada reversão das provisões, bem como a imposição da multa anotada no dia 30/04/2013. Fl. 7304DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Com isso, entendo que deve ser exonerada a glosa relativa aos três lançamentos contábeis de 29/03/2013, no valor total de R$ 2.276.297,70, devendo ser mantida a glosa em relação aos demais lançamentos contábeis. 2 Conta 489893 – Diferença na contagem de estoque - glosa de custos/despesas A fiscalização glosou a dedução dos custos/despesas escriturados na conta contábil 489893 – Diferença contagem de estoque, no valor de R$ 3.707.489,50. O contribuinte informou à fiscalização (fls. 874), em síntese, que os valores lançados nessa conta referem-se a insumos que constavam do estoque, mas que, após uma contagem física, teria sido verificado que já haviam sido consumidos. Considerando que os valores do estoque eram levados ao resultado apenas quando consumidos, os valores dessa conta foram deduzidos após a referida contagem. A fiscalização entendeu, em síntese, que tais valores não poderiam ser deduzidos por terem sido importados sem cobertura comercial, não havendo prova de que a empresa arcou com o seu custo, e que não há evidência de que foram consumidos (fls. 1514). A decisão recorrida, ao apreciar os documentos juntados na impugnação, corroborou o entendimento da fiscalização e concluiu que o contribuinte ainda não havia comprovado que teria arcado com o ônus da aquisição dos itens baixados do estoque em razão da recontagem física, conforme o seguinte excerto (fls. 4366): Por essa razão que a Fiscalização informa, na alínea 'd' (fl. 1.520), que só caberia a dedução desses valores como custo / despesa se efetivamente arcados por esta (a empresa fiscalizada), ou seja, se comprovado que não houve reembolso desses valores por parte da DDL. O fato de a operação assemelhar-se à venda em consignação, com o registro no Contas a Pagar no ato da apropriação / realização da despesa não é suficiente para provar que a Empresa assumiu o ônus da aquisição dos bens. Nessa situação, competia à Impugnante demonstrar cabalmente a formação e execução do Contas a Pagar. Primeiro para que a Autoridade Tributária discernisse quais os bens foram apropriados como custos à atividade produtora, quando isto ocorreu e por que só no ato da recontagem física fora identificada a divergência (presume-se, a partir do conteúdo da defesa, que os bens podem haver sido consumidos ou desgastados neste ou em períodos anteriores, dado que os bens em estoque acompanharam a plataforma após sua saída definitiva). Em seguida, para a comprovação da efetiva operação de aquisição. Analogamente, caso a Empresa efetuasse diretamente a aquisição dos bens no mercado externo, disporia de nota fiscal e de comprovante de pagamento, de compensação ou outro meio de negociação correspondente, e estas seriam provas bastantes para reconhecer o direito à dedutibilidade. No caso corrente, não existe nenhuma prova neste sentido, agravada pelo fato de se tratar de grupo econômico, em que a empresa estrangeira é controladora da nacional, com 99,7% de seu capital social. Sem as provas adequadas, a situação aparenta ser a que segue: a DDL, que é a responsável por arcar com os ônus e despesas decorrentes do contrato de execução simultânea, adquire bens indispensáveis à prestação de serviços à Petrobrás, repassa- os, sem custos, à Impugnante / operadora das plataformas petrolíferas, e esta pretende aproveitar a dedutibilidade da legislação do imposto de renda, sem a comprovação de que assumiu o ônus da obrigação estabelecida com a sociedade estrangeira. Fl. 7305DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 O recorrente, inicialmente, reitera os esclarecimentos fáticos e os alegados equívocos da fiscalização, já apresentados na impugnação, conforme o seguinte excerto (fls. 4472): 4.19 Assim, a DDL adquiria tais itens e os exportava à Recorrente, como se observa em algumas das invoices emitidas no período, anexas à impugnação. Essas operações de venda/exportações ocorriam de forma semelhante a uma venda em consignação, ou seja, a posse dos bens era transferida à Recorrente, que os nacionalizava, recolhendo todos os tributos devidos, e os registrava em sua contabilidade - todas as respectivas DIs de aquisição desses itens foram juntadas na impugnação, comprovando um a um os consumíveis adquiridos. Apenas após seu consumo/desgaste, nas operações regulares da própria adquirente (Recorrente), ocorria realização da respectiva despesa, que a Recorrente lançava tanto a resultado quanto no "contas a pagar" ao fornecedor, a DDL. 4.20 Importante tratar da contabilização desses bens pela Recorrente que, apesar de esclarecida à fiscalização, foi objeto de questionamento pelo fato de, como dito, a conta estoque apresentar saldo ZERO no final do exercício de 2013. Essa contabilização era feita da forma que demonstraremos a seguir. 4.21 A conta ESTOQUE era utilizada como uma conta de compensação contábil interna, sendo seu conteúdo dividido entre outras contas contábeis. Os lançamentos contábeis relativos às operações com o estoque (entrada, utilização, registro da despesa e lançamento do contas a pagar - conforme acima mencionado) eram feitos em outras contas, que refletiam a situação dos itens e sempre davam resultado zero, como não poderia ser diferente, pela natureza da conta ser de compensação. Foram elas: [...] 4.22 Na medida em que tais bens eram consumidos/desgastados, a Recorrente registrava os respectivos valores tanto nas contas de resultado - pois tais bens eram diretamente ligados à sua operação, portanto, despesas necessárias - quanto em seu passivo, refletindo o contas a pagar a DDL, de quem a Recorrente adquiriu os itens consumidos - cujo valor passou, então, a ser devido à DDL. Esse procedimento se repetiu até a saída definitiva de cada uma das plataformas, quando os itens que não foram utilizados foram devolvidos à DDL, jamais tendo afetado o resultado da contribuinte. Em exercício posterior, houve a quitação desse saldo - dos itens adquiridos e consumidos na operação da Recorrente - junto à DDL. [...] 425 Dessa forma, em 2013, quando realizou um procedimento interno de recontagem de estoque, visando confirmar se o estoque registrado na contabilidade estava correto, ou seja, se refletia a realidade dos itens para futura utilização, a Recorrente identificou que o valor contabilizado era superior ao dos itens efetivamente à disposição, ou seja, diversos itens haviam sido consumidos/desgastados nas operações da Recorrente, porém ainda constavam na respectiva conta contábil. O valor desses itens foi exatamente o glosado pela fiscalização, no total de R$ 3.707.489,50. Na impugnação foi anexada a lista desses itens, compondo o valor, todos intrinsecamente ligados à operação das embarcações, portanto, despesas necessárias. 4.26 Dessa forma, após ajustar os devidos ajustes, esse valor foi corretamente apropriado como despesa. Em seguida, o recorrente passa a rebater o entendimento adotado na decisão recorrida, conforme o seguinte excerto (fls. 4479): Fl. 7306DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 4.29 No Acórdão objeto do presente recurso, por sua vez, se afirmou que a Recorrente não comprovou que assumiu o custo de tais bens, objeto da recontagem do estoque. Pois bem, conforme se verá melhor a seguir, parte desses custos foi efetivamente paga, enquanto outra parte foi perdoada. [...] 4.31 Apesar das diversas manifestações dos clientes no sentido de renovação dos contratos com a Recorrente, a chegada da pesada crise no setor causou a inesperada não renovação dos contratos de ambas as plataformas operadas pela Recorrente. Ou seja, cessaram suas operações no Brasil, já que o contrato de prestação de serviços entre Recorrente e DDL também perdeu seu objeto, após a saída dos bens e do pessoal expatriado do Brasil. 4.32 Não obstante essa dificuldade de caixa, algumas das invoices emitidas pela DDL relativas a tais consumíveis foram pagas pela Recorrente, como se vê nos contratos de câmbio (comprovando as respectivas remessas) bem como nos respectivos DARFs, comprovando o pagamento dos respectivos tributos, anexos (doc. n° 3). Tais contratos tiveram suas naturezas preenchidas como sendo de "prestação de serviços" e "reembolso de despesas", apenas pelo fato de que em função da aquisição dos itens ter sido feita sem cobertura cambial (com o pagamento, entretanto, de todos os tributos na importação dos bens), não havia fluxo de pagamentos registrado no BACEN que permitisse a simples remessa de pagamento das invoices da DDL, de modo que a remessa foi feita utilizando tais naturezas. Isso se comprova pela verificação desses mesmos contratos de câmbio, que apresentam, em seus campos de informações complementares, o número das respectivas invoices da DDL (relativas às importações dos itens consumíveis) cujos valores foram pagos, demonstrando a referida quitação dos valores. Frise-se, a natureza dos contratos de câmbio não impacta a presente defesa e a argumentação da Recorrente, pois o objetivo foi demonstrar a efetiva assunção, por ela, dos respectivos custos, conforme questionado no acórdão ora recorrido. 4.33 Quanto ao saldo dessas contas a pagar, entretanto, e diante da inexistência de qualquer previsibilidade de geração de receitas em futuro próximo - que se mostrou verdadeira, pois até a presente data a Recorrente continua sem operar - a DDL optou por perdoar tais valores, os quais foram integralmente reconhecidos como receita pela Recorrente e oferecidos à tributação. Anexa documentação comprovando o perdão, com o razão da respectiva conta contábil e parte da DRE da Recorrente, que demonstra o saldo positivo de aproximadamente R$ 12.960.301,77 da conta "Outras Despesas Gerais", conta de natureza devedora cujo saldo foi positivo em função do referido perdão (doc. n° 4), comprovando o afirmado. 4.34 Ou seja, nos termos do acórdão recorrido, está comprovado que a Recorrente de fato assumiu o custo de tais bens, razão pela qual faz jus à sua dedutibilidade, pelo que deve ser cancelada a respectiva glosa. A leitura do TVF e da decisão recorrida permite concluir que a acusação fiscal reconheceu e aceitou a sistemática de apropriação das despesas do contribuinte, conforme relatado acima, tanto que a glosa se refere a uma conta específica de despesas e não a todas as despesas deduzidas. A conta específica diz respeito a uma diferença entre a contabilização do estoque e a contagem física realizada no estoque, diferença essa que foi apropriada como despesa pelo contribuinte. A glosa se deu por dois motivos: (i) o contribuinte não teria demonstrado para a fiscalização que os itens assim apropriados foram realmente adquiridos, ou seja, se houve o correspondente esforço econômico do contribuinte e (ii) o contribuinte também não teria demonstrado que os itens foram realmente consumidos na sua atividade, considerando que todo Fl. 7307DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 o estoque foi devolvido à DDL quando os contratos de afretamento das plataformas de exploração foram encerrados. O recorrente apresenta como prova de pagamento dos itens do estoque alguns contratos de câmbio (fls. 4590), datados de janeiro e fevereiro de 2014, em que são apontadas as correspondentes invoices emitidas pela DDL. Afirma ainda que os itens que não foram pagos foram contabilizados como “contas a pagar”. Ao final dos contratos, a dívida correspondente ao saldo dessa conta teria sido perdoada pela DDL e a correspondente recuperação de custos teria sido oferecida à tributação. Para demostrar essa afirmação, apresenta parte do Razão e do DRE de 2014 (fls. 4612). O valor lançado tem como base o saldo da conta contábil “Diferença na contagem de estoque” em 31/12/2013. O Razão apresentado corresponde a 2014 e não trata da referida conta contábil, portanto não serve como prova da afirmação do recorrente. O DRE apresentado também é de 2014 e não possui qualquer referência à alegada recuperação de custos, que teria sido oferecida à tributação, portanto também não prova a alegação do recorrente. A conta contábil em tela diz respeito a uma baixa extraordinária do estoque, como consequência de uma contagem física deste. Em outras palavras, trata de itens do estoque que, apesar de não terem sido baixados pelo seu consumo ordinário, já não existiam mais no estoque. O contribuinte apropria esses valores como despesa dedutível a partir da presunção de que eles foram consumidos na sua atividade operacional, apesar de não terem sido baixados pelos meios regulares. Entendo que, na espécie, essa presunção não pode ser aceita, demandando a sua efetiva comprovação. Afasto essa presunção porque verifico que a conta contábil sofreu movimentações durante todo o ano de 2013 (fls. 1515), o que torna inverossímil a sua alegada origem em uma contagem física. Em 25/03/2020, o recorrente solicitou a juntada de novas provas aos autos (fls. 5937), inclusive um laudo pericial contábil (fls. 5945), em que afirma que fazia contagens mensais, assim justificando a movimentação da conta. Todavia, não traz qualquer evidência dessas contagens, como os relatórios finais, o que seria necessário para provar a existência dessas contagens e os valores alcançados. Ressalte-se que a contagem física mensal de um estoque não é um procedimento usual, carecendo de um mínimo de evidenciação. Ademais, a maior movimentação da conta se deu no mês de junho de 2013 (R$ 2.682.764,46), quando uma das plataformas encerrou a sua operação. Tal fato, associado ao fato de que o correspondente estoque também foi devolvido junto com a plataforma, autoriza a presunção de que a diferença apontada foi, na verdade, devolvida para a DDL. Nesse caso, ainda que o contribuinte tenha pagado pelos respectivos itens, estes não seriam dedutíveis se não foram utilizados na sua atividade produtiva. Afastada a presunção que apoia a defesa, o único meio de evitar a exigência fiscal é demonstrar que os itens foram adquiridos com ônus para o contribuinte e foram efetivamente consumidos na sua atividade produtiva. Nada disso foi demonstrado pelo contribuinte, conforme muito bem apontado na decisão recorrida, e nada mudou com o presente recurso voluntário, seus documentos anexos e a petição entregue posteriormente (fls. 5937). Em 17/11/2022, o recorrente fez juntar novo laudo pericial, dessa vez afirmando que a mercadoria que ingressou no estoque foi paga ou sua dívida foi perdoada. Entendo que tal afirmação é contraditória com a sistemática descrita e reconhecida pela fiscalização, pela qual a mercadoria ingressava sem cobertura comercial, em uma operação semelhante a um compra em consignação, sendo paga apenas mediante o seu efetivo consumo. A contabilização dessas Fl. 7308DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 despesas como resultado de uma contagem manual do estoque é uma prova contrária à afirmação de que a mercadoria foi consumida na atividade exercida pela empresa. Assim, entendo que o novo laudo em nada alterou o quadro fático já analisado, mesmo quando afirma que parte da mercadoria teve custo de aquisição perdoado pelo fornecedor. Com isso, entendo que deve ser mantida a presente glosa de despesas. 3 Conta 753520 – Administration Global IC - glosa de custos/despesas – exigência de IRRF A fiscalização glosou a dedução dos custos/despesas escriturados na conta contábil 753520 – Administration Global IC, no valor de R$ 2.834.848,62, por entender que se tratava de pagamentos de salários, pensões e gastos pessoais do pessoal contratado pela sua prestadora de serviços DDAS. Esses pagamentos também deram ensejo à exigência de IRRF, com fundamento no artigo 675 1 do RIR/99, cuja matriz legal é o artigo 61, §1º, da Lei nº 8.981/1995, combinado com o artigo 74, §2º, da Lei nº 8.383/1991. Transcrevo a fundamentação das exigências (fls. 1522): Diante aos fatos, procedemos à depuração do razão da conta código 753520 - Administration Global IC, com intuito de identificar de forma individualizada, por mês, os valores levados a resultado do período, que deverão ser glosados devido a sua indedutibilidade, por falta de amparo legal, por fugir a regra de normalidade, usualidade e necessidade para fins de manutenção da fonte produtora, preceitos básicos para sua dedutibilidade, conforme art. 299 do Decreto 3.000/99, por tratar-se na realidade de salários, pensões e outros gastos pessoais de profissionais da empresa Dolphin Drilling AS, empresa essa do mesmo grupo econômico, e estipulados pelo grupo no exterior e executados no Brasil, e, portanto não estão relacionados a serviços prestados para empresa Dolphin Drilling Brasil como registrados na contabilidade, mas sim gastos do grupo arcado pela empresa nacional. [...] Tendo em vista que os valores acima tratados referem-se a gastos com pessoas estrangeiras (expatriados), que possuem tributação própria de residentes no exterior - CARNE LEÃO, tributamos, por via reflexa, o IRFonte a alíquota de 35%. O contribuinte informou à fiscalização (fls. 1276) que os valores lançados nessa conta referem-se a “suporte a operações globais para garantir padrão comum de operação entre: operações da Unidade de Perfuração, Recursos Humanos, SMS (Saúde, Segurança e Meio ambiente), Técnica e Projetos, Finanças e Controle de custos, Contratos e Compras. Haja vista o padrão ser utilizado por todo grupo Dolphin Drilling, portanto não haveria qualquer justificativa para contratar um terceiro em seu lugar”. A decisão recorrida, ao apreciar os documentos juntados na impugnação e demais documentos dos autos, inclusive o contrato entre o contribuinte e a DDAS, entendeu que estes elementos não eram suficientes para afastar a acusação fiscal, conforme o seguinte excerto (fls. 4368): O custo de produção dos serviços compreende, obrigatoriamente, o gasto com pessoal diretamente envolvido na prestação, na forma do art. 290, II, RIR/1999. 1 Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). Fl. 7309DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 À vista disso, no preço dos serviços prestados, está embutido os encargos referentes à mão de obra especializada, de responsabilidade da prestadora, porém repassados à tomadora. Por esse ângulo, não é nada incongruente a tese defensiva de que a DDAS, nas fatura expedidas, descortina transparentemente a formação do preço final à Impugnante, nele incluídos os salários, as pensões e outras despesas pessoais de seus funcionários. De todo modo, é lógico seu argumento! Apesar disso, não há provas que ratifiquem o exposto, de que a Defendente apenas remunerou a DDAS por serviços prestados de apoio as suas atividades. Logo, a leitura do Agente Fiscal a respeito da questão permanece válida na primeira instância de julgamento: a de que a Impugnante arcou, indiretamente, através da dedutibilidade dos custos da prestação de serviços, com os gastos de pessoal da DDAS e, por ilação, do grupo econômico como um todo. Isso em razão da ausência de prova do preço dos serviços contratados e da efetiva prestação (através de, por exemplo, relatórios de medição), que estabeleçam um nexo com os invoices emitidos e os valores escriturados e glosados pela Autoridade Tributária. Em síntese, a Autoridade Julgadora reconhece a dedutibilidade dos custos com a prestação de serviços feito por terceiros e a praxe de mercado de embutir naqueles, os próprios dispêndios da contratada com os encargos de mão de obra. O que não pôde verificar é se os valores glosados são, em verdade, oriundos da efetiva prestação de serviços ou, na óptica da unidade preparadora, da responsabilização por gastos com pessoal de terceira empresa do mesmo grupo econômico. O recorrente, no presente recurso, reitera os argumentos já apresentados na impugnação, no sentido de que as despesas em tela seriam dedutíveis porque estariam no âmbito dos serviços prestados pela DDAS (fls. 4481). Adicionalmente, junta os documentos de fls. 4620 com a finalidade de comprovar o seu argumento. Corroboro o entendimento adotado na decisão recorrida de que, embora a alegação do contribuinte seja aceitável em tese, na espécie, as provas juntadas aos autos não são suficientes para evidenciar que as despesas glosadas estão vinculadas aos serviços contratados da DDAS, principalmente quando incluem salários, pensões e gastos pessoais, que seriam de responsabilidade da empresa prestadora de serviços, em princípio. Saliente-se que o fato de as empresas contratada e contratante serem do mesmo grupo econômico exige uma maior atenção na natureza das relações existentes entre elas, pois uma distribuição indevida de custos é bem mais factível, em comparação com uma contratação entre empresas independentes. Os documentos juntados no presente recurso (fls. 4620) não alteram esse entendimento. O recorrente juntou um contrato de câmbio de novembro de 2014, bem distante dos pagamentos contabilizados, ocorridos durante o ano 2013. Também foram juntados comprovantes de arrecadação de tributos, mas com fatos geradores ocorridos também em 2014. Mais relevantes seriam as planilhas assinadas por gerentes da DDAS, que fazem referência a algumas invoices relacionadas no referido contrato de câmbio e que diriam respeito aos serviços prestados pela DDAS. Todavia, essas planilhas estão cifradas na moeda nativa da DDAS (NOK), enquanto o contrato de câmbio está cifrado em dólares americanos e a contabilidade está cifrada em reais, ou seja, não há como correlacionar esses valores. Ademais, o conteúdo dessas planilhas apenas aumenta a incerteza sobre a dedutibilidade das despesas contabilizadas, pois apontam, para cada empregado citado, um rateio de custo entre as três empresas do grupo (DDAS, DDL e DDB), sendo que menos de 20% seria atribuído à DDB. Fl. 7310DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Em uma situação ordinária, a despesa relativa a uma contratação de serviço é apropriada em função do contrato celebrado, cujo principal critério é a evolução do serviço prestado. Na espécie, o contribuinte não apropriou a despesa em razão do serviço prestado, mas em razão dos custos desse serviço para a prestadora de serviços. Em outras palavras, há uma confusão entre as pessoas contratante e prestadora. Essa é uma situação excepcional e, como tal, exige uma comprovação robusta, o que não se realizou até o presente momento. Na nova petição entregue em 17/11/2022, o recorrente afirma que o contribuinte pagou a DDB não fez pagamentos de salários de funcionários da DDAS, mas tão somente pagou pela contratação dos serviços desta, que incluída a formação de preço como “custo+margem”. Contudo, tal afirmação não traz qualquer argumento novo e não deu ensejo à juntada de qualquer documento comprobatório de sua veracidade, mormente quando cita um “(anexo 3.1)” que não pode ser encontrado na petição. Assim, entendo que o novo laudo em nada alterou o quadro fático já analisado e entendo que deve ser mantida a presente glosa de custos/despesas. A presente glosa tem como objeto as despesas contabilizadas pelo contribuinte, mas que seriam de responsabilidade da DDAS. Assim, a glosa tem como pressuposto o fato de que os empregados que receberam os respectivos valores estão vinculados à prestadora do serviço e não à DDB. Todavia, sobre os mesmos pagamentos, também está sendo exigido IRRF, considerando que tais pagamentos são remuneração paga a esses empregados, com fundamento legal no artigo 675 do RIR/99, abaixo transcrito: Art. 622. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei nº 8.383, de 1991, art.74): I - a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação: a) de veículo utilizado no transporte de administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros em relação à pessoa jurídica; b) de imóvel cedido para uso de qualquer pessoa dentre as referidas na alínea precedente; II - as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no inciso I. Parágrafo único. A falta de identificação do beneficiário da despesa e a não incorporação das vantagens aos respectivos salários dos beneficiários, implicará a tributação na forma do art. 675. [...] Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). Fl. 7311DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 A leitura do disposto nesse artigo permite concluir que a exigência do IRRF ocorre sobre as “despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores”. Na espécie, os beneficiários são estrangeiros contratados pela DDAS para exercerem as atividades relativas aos serviços contratados pela DDB, ou seja, os beneficiários dos pagamentos não estão vinculados à DDB e, com isso, a despesa não tem natureza de remuneração. Caso contrário, se for desconsiderada a relação formalmente estabelecida no referido contrato, então os beneficiários seriam empregados da DDB, o que daria ensejo à tributação de IRRF, mas a glosa acima tratada seria indevida, pois remuneração, ainda que indireta, é passível de dedução. Entendo que a primeira situação deve ser reconhecida, ou seja, aquela que dá efetividade ao contrato entre a DDB e a DDAS, o que implica a exoneração da presente exigência de IRRF. 4 Conta 679116 – Aluguel de pessoal - glosa de custos/despesas – exigência de IRRF A fiscalização glosou a dedução dos custos/despesas escriturados na conta contábil 679116 – Aluguel de pessoal, no valor de R$ 1.615.123,54, por entender que se tratava de pagamentos de salários do pessoal contratado pela sua controladora estrangeira DDL. Esses pagamentos também deram ensejo à exigência de IRRF, com fundamento no artigo 675 2 do RIR/99, cuja matriz legal é o artigo 61, §1º, da Lei nº 8.981/1995, combinado com o artigo 74, §2º, da Lei nº 8.383/1991. As exigências estão assim fundamentadas (fls. 1525): Pelo exposto, procedemos à depuração do razão da conta código 679116 - Aluguel de Pessoal, com intuito de identificar de forma individualizada, por mês, os valores levados a resultado do período, que deverão ser glosados devido a sua indedutibilidade, por falta de amparo legal, por fugir a regra de normalidade, usualidade e necessidade para fins de manutenção da fonte produtora, preceitos básicos para sua dedutibilidade, conforme art. 299 do Decreto 3.000/99, por tratar-se serviços contratados pela empresa Dolphin Drilling Ltd - sociedade norueguesa, c sócia majoritária da empresa fiscalizada, no exterior, que no entendimento desta fiscalização não se sustentam pelos motivos de que: a) os serviços especializados tais como engenheiros, gerentes de sondas, entre outros, são reservados e ocupados por mão de obra estrangeira, e essas pessoas são qualificadas como expatriados, inclusive, essa qualificação é dada pelas próprias empresas Sonangol e DDB, quando da assinatura de seus contratos, haja vista o descrito na planilha 1, anexa ao contrato; b) a própria empresa fiscalizada reconhece através de sua carta-resposta que a mão de obra contratada pertencia à empresa Dolphin Drilling Ltd (Norueguesa), e que os serviços se deram pelo envio de pessoal do exterior para prestar serviços no Brasil, e que a mão de obra era registrada na folha de pagamento da prestadora dos serviços; c) e finalmente, pelo fato de que apenas as faturas foram emitidas em nome da fiscalizada devido ao serviço ser prestado no Brasil e as representantes das prestadoras dos serviços também estarem no Brasil, mas sem, entretanto, guardar nenhuma relação de obrigação jurídica por parte da Dolphin Drilling Brasil de pagar por dividas de terceiros que a ela não caberiam, não justifica sua dedutibilidade como custo do período da empresa fiscalizada. 2 Art. 675. A falta de identificação do beneficiário das despesas e vantagens a que se refere o art. 622 e a sua não incorporação ao salário dos beneficiários, implicará a tributação exclusiva na fonte dos respectivos valores, à alíquota de trinta e cinco por cento (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). Fl. 7312DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 [...] Tendo em vista que os valores acima tratados referem-se a gastos com pessoas estrangeiras (expatriados), que possuem tributação própria de residentes no exterior - CARNE LEÃO, tributamos, por via reflexa, o IRFonte a alíquota de 35%. O contribuinte informou à fiscalização e reiterou em sua impugnação (fls. 1704) que os valores lançados nessa conta referem-se ao pagamento de bens e serviços contratados com empresas nacionais, embora essas empresas façam parte de grupos internacionais e que contratam mão de obra estrangeira, conforme o seguinte excerto (fls. 1704): 4.36 Em resumo, a Impugnante contratou diversos fornecedores de bens e serviços, pessoas jurídicas nacionais. Diversas delas eram parte de grupos multinacionais, que prestam esses serviços ao redor do mundo e, naturalmente, possuem como sócias pessoas jurídicas estrangeiras do mesmo grupo econômico. Como exemplos dessas empresas nacionais (parte de grupos multinacionais) contratadas pela Impugnante, temos, conforme Relatório fls. 17 e 18: Nacional Oilwell Varco (Varco Internacional do Brasil Equipamentos e Serviços Ltda. e National Oilwell Varco do Brasil Ltda.), Harris Pye Marine (Harris Pye do Brasil Ltda.), Hydrasun Group Limited (Hydrasun Rema Indústria e Comércio Ltda.), Axess International (Axess do Brasil Ltda.), Sparrows Offshore Services (Sparrows BSM Engenharia Ltda.). A decisão recorrida entendeu que os serviços registrados nessa conta seriam de responsabilidade da DDL e não da DDB, assim corroborando o entendimento da fiscalização, conforme o seguinte excerto (fls. 4373): A maioria das notas fiscais de serviços, juntadas no doe n° 13. referem-se a prestações de serviços a bordo de uma das plataformas (a Blackford ou Borgny), e sendo estes custos de responsabilidade da controladora estrangeira, decerto não podem ser apropriados por pane da controlada nacional. Outrossim, o fato de as notas fiscais de serviços terem sido emitidas contra a Impugnante, que também efetuou alguns pagamentos (nem todos estão comprovados), apenas confere formalidade diversa à essência apresentada na resposta ao TIF n° 3, na Impugnação e no Contrato de Prestação de Serviços da DDL com a Petrobrás, afora também a descrição dos serviços contida nos documentos fiscais. Na prática, portanto, a Defendente suportou o ônus financeiro de serviços prestados, pelos quais não era responsável, desejando apropriá-los e deduzi-los da apuração do lucro líquido quando não poderia fazê-lo. Ora. o que impediria a controladora de restituir esses gastos à controlada e, com isto, produzir a situação absurda em que a Fazenda Pública estaria financiando, indiretamente, por meio da dedução in casu, a operação da operação estrangeira? Verifico que a exigência fiscal foi erigida a partir da desconsideração dos contratos celebrados entre a empresa autuada e outras empresas nacionais para a prestação de serviços de manutenção nas plataformas de exploração. Essa desconsideração tem como único fundamento o entendimento de que tais serviços eram de responsabilidade da DDL, armadora das plataformas de exploração, a qual os teria imputado à DDB apenas com a finalidade de dedução dos custos desta, sua subsidiária. É certo que os serviços em tela foram executados nas plataformas de exploração da DDL, em razão de sua operação no Brasil. Todavia, não se pode olvidar que a DDL contratou Fl. 7313DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 a DDB para realizar essa operação. Com isso, entendo que não é possível afirmar, de forma categórica, que tais serviços não eram de responsabilidade da DDB. A desconsideração de um negócio jurídico, legalmente constituído e devidamente comprovado, somente é possível para fins de lançamento tributário mediante a constatação de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, nos termos do artigo 149, VII, do CTN, verbis: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Por sua vez, essa constatação somente ocorre mediante a comprovação de que a situação material, fática ou jurídica, é diferente da situação formalmente construída. Entendo que isso não ocorre na espécie, uma vez que não está evidente que os serviços formalmente contratados pelo contribuinte e que deram ensejo aos pagamentos glosados não estavam no escopo do serviço que a DDB prestava à DDL. Desta vez, foi a fiscalização que não trouxe provas suficientes para suportar as exigências tributárias, pelo que estas devem ser exoneradas, tanto a exigência de IRPJ (glosa) e reflexo, como a exigência de IRRF (decorrente). 5 Conta 646000 - Aluguel de Equipamentos - glosa de custos/despesas – exigência de IRRF A fiscalização glosou a dedução de custos/despesas escriturados na conta contábil 646000 – Aluguel de equipamentos, no valor de R$ 2.144.225,42, dividido em três itens: (i) um conjunto de notas fiscais de prestação de serviços da empresa Hamilton Brasil, no valor total de R$ 689.211,19; (ii) um conjunto de baixas contábeis do contas a receber, no total de R$ 1.105.461,86 e (iii) uma nota de débito da empresa Anadarko, no valor de R$ 349.552,37. O Termo de verificação fiscal contém uma extensa explanação sobre essas glosas (fls. 1526), da qual extraio o seguinte excerto, que julgo ser uma síntese da fundamentação (fls. 1530): a) os serviços especializados tais como engenheiros, gerentes de sondas, entre outros, são reservados e ocupados por mão de obra estrangeira, e essas pessoas são qualificadas como expatriados, inclusive, essa qualificação é dada pelas próprias empresas Sonangol e DDB, quando da assinatura de seus contratos, haja vista o descrito na planilha 1, anexa ao contrato; b) a própria empresa fiscalizada reconhece através de sua carta-resposta que a mão de obra contratada pertencia à empresa Dolphin Drilling Ltd (Norueguesa), e que os serviços se deram pelo envio de pessoal do exterior para prestar serviços no Brasil, e que a mão de obra era registrada na folha de pagamento da prestadora dos serviços; c) pelo fato de que apenas as faturas foram emitidas em nome da fiscalizada devido ao serviço ser prestado no Brasil e a representante da prestadora dos serviços também estar no Brasil, mas sem, entretanto, guardar nenhuma relação de obrigação jurídica por parte da Dolphin Drilling Brasil de pagar por dividas de terceiros que a ela não caberiam, não justifica sua dedutibilidade como custo do período da empresa fiscalizada; d) e, finalmente, temos: Fl. 7314DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 d.l) a contabilização do valor de R$ 1.105.461,86 sob o titulo de valor de provisão de credito de reembolso Sonangol, que se refere um direito da empresa fiscalizada do ano calendário de 2012, registrada contabilmente na conta código 153000 - Accued Income Not Invoices, valor esse que representa parcela componente do montante do saldo da conta em 31/12/2012 correspondente a R$ 4.398.045,12, com registro, no ativo circulante, Realizável Curto Prazo, Contas a Receber, que por esse procedimento é baixado em contrapartida ao registro de um custo do período de 2013, sem nenhuma argumentação comprobatória que justificasse a sua transformação de um direito por serviços prestados e pendentes de recebimento em um custo não comprovado, ou seja. foi dada baixa de um direito, conta patrimonial, contra uma conta de custo, conta de resultado; d.2) a contabilização do valor de R$ 349.552,37, correspondente a USD 177.653,00, identificado através de uma nota de debito da empresa Anadarko Exploração e Produção Ltda, de 06/02/2013, sob o titulo de compensação de direitos e obrigações entre empresas. Da tradução do e-mail apresentado pela empresa fiscalizada, a titulo comprobatório, deduz-se que se trata de um gasto adicional provocado pela empresa Anadarko em épocas anteriores a 2013, pendentes de solução e não comprovados, onde essa empresa sugere a fiscalizada uma redução de 50%, e para essa redução seria criada uma nota de debito para essa finalidade - nota de debito datada de 06/02/2013, n° 005533, com vencimento para 25/02/2013. O recorrente assim esclarece a razão das despesas registradas por meio das notas fiscais da empresa Hamilton - itens a, b e c acima (fls. 4488): 4.61 Com relação às notas fiscais da empresa Hamilton Brasil, conforme fls. 22 do Relatório, fica claro que a fiscalização confundiu a negociação junto à Anadarko, acima mencionada, com os serviços prestados pela Hamilton Brasil. A Hamilton do Brasil, em suas notas fiscais, inclusive menciona as pessoas físicas por ela encarregadas pela prestação de serviços à Recorrente. Com a impugnação, foram anexadas as respectivas notas fiscais de serviços emitidas pela Hamilton Brasil. 4.62 Entretanto, a fiscalização não se atentou para o fato de que todos os valores pagos à Hamilton foram recuperados pela Recorrente, através de notas emitidas à Karoon, integralmente oferecidas à tributação (assim, anulando quaisquer supostos efeitos de sua dedutibilidade). Foram anexadas na impugnação as notas emitidas pela Recorrente contra a Karoon demonstrando a recuperação desses valores. A autoridade julgadora a quo apreciou detidamente os documentos presentados junto à impugnação e chegou ao entendimento de que estes não são hábeis a comprovar as alegações do impugnante, conforme o seguinte excerto (fls. 4381): No caso, a Impugnante alegadamente contrata a Hamilton para prestação de serviços de "Consultoria Coordenação Logística" e afirma que a Karoon reembolsou todos os dispêndios realizados. Destarte, com base na cláusula 5.3 do Anexo 4, deveria contar com o consentimento da Karoon (não apresentado aos autos). Finalmente, nos Capítulos 12 - Faturamento e Pagamento, 6 - Custos Reembolsáveis (Anexo 2) e 3 e 4 - Reembolsável Sem / Com Encargo de Manuseio (Anexo 4) foram identificados dispositivos que obriguem a Karoon à restituição financeira dos dispêndios incorridos pela Impugnante na subcontratação de terceiros. Por conseguinte, sem as faturas finais que atendam a pressupostos formais mínimos de regularidade, sem o consentimento da Karoon para contratação da Hamilton ou a efetiva prova do reembolso (com a transação econômica), não há como Fl. 7315DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 acolher os argumentos da Contribuinte, de modo que a glosa deve ser mantida também nesse ponto. No recurso voluntário, o contribuinte reafirma os argumentos já trazidos na impugnação e junta novas provas no sentido de atender ao que foi apontado como carência de prova na decisão recorrida, conforme o seguinte excerto (fls. 4490): 4.66 No acórdão ora recorrido, foi entendido que a Recorrente não fez prova de que (i) a Karoon consentiu em pagar tais valores e (ii) houve o efetivo recebimento dos valores, pelo que se manteve a glosa. 4.67 Portanto, visando efetivar tal comprovação, são anexados ao presente os extratos bancários da Recorrente que comprovam exatamente o efetivo recebimento de tais valores, bem como troca de emails com a Karoon, nos quais se verifica que esta concordou com tal pagamento, de modo que a respectiva glosa deve ser integralmente cancelada (doc. Nº 6). Entendo que as notas fiscais em tela dizem respeito a prestações de serviço tomados pelo contribuinte, à semelhança do que fazia com a empresa DDAS, com a diferença de que a empresa contratada é uma empresa nacional pertencente a outro grupo internacional de exploração de petróleo. Considerando que os serviços prestados dizem respeito à atividade operacional do contribuinte (operação das plataformas de petróleo), entendo que as correspondentes despesas são dedutíveis, independentemente de as pessoas que executaram os serviços serem estrangeiras e serem vinculadas a alguma empresa de algum grupo estrangeiro. Assim, entendo que devem ser exoneradas as glosas relativas às notas fiscais emitidas pela empresa Hamilton Brasil, inclusive seu reflexo na exigência do IRRF. No que diz respeito às baixas oriundas da provisão de credito de reembolso Sonangol (conta 153000) da conta contábil Contas a Receber (item d1 acima), o recorrente assim esclarece esse lançamento contábil (fls. 4490): 4.68 Finalmente, com relação à Sonangol: o valor de R$ 1.105.461,86 foi considerado DESPESA NÃO COMPROVADA. Em resumo, em 2012, durante a operação da plataforma Blackford junto a Sonangol, houve a necessidade de gastos extraordinários com a locação de diversos equipamentos, por exemplo, tubos e colar de perfuração, válvulas Kelly, eslingas e outros, que foram alugados junto à Superior Energy Services Serviços de Petróleo do Brasil Ltda. Essa locação foi fundamental à continuidade das operações da Recorrente no país junto a cliente tão importante. A Recorrente, que esperava conseguir negociar junto ao cliente Sonangol que cada parte arcasse com 50% dos valores pagos à Superior, agiu conservadoramente e registrou apenas 50% dos valores pagos como despesa em 2012, lançando os demais 50% em contas a receber. 4.69 Após mais de uma tentativa de negociação junto ao cliente, este se mostrou irredutível, de modo que não restou à Recorrente alternativa a não ser apropriar a respectiva despesa, diante da impossibilidade de sua recuperação, conforme demonstram os comprovantes anexados à impugnação (nota fiscal da Superior Energy -despesa original - e registros contábeis demonstrando a apropriação das despesas nos dois exercícios). Tratou-se de discussão comercial com o cliente, para a qual não foi possível chegar a um consenso - nos moldes dos 50% para cada parte, como pretendeu a Recorrente, tanto que postergou a apropriação de 50% dos valores para o exercício seguinte. Portanto, comprovado que o respectivo custo foi incorrido pela Recorrente, bem como sua motivação, fica demonstrada a dedutibilidade dos valores glosados. Fl. 7316DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Os documentos aqui citados pelo recorrente são referidos na impugnação como “doc. nº 17”, os quais estão juntados nas fls. 3687. Entendo que as despesas correspondentes às notas fiscais trazidas pelo recorrente são dedutíveis, todavia, em regra, essas despesas não deveriam ter sido contabilizadas na conta contábil Contas a Receber. O recorrente explica que tinha a perspectiva de que o seu contratante arcasse com essas despesas, o que teria dado o ensejo para essa contabilização fora do padrão. Essa situação peculiar, alegada pelo recorrente, exige uma demonstração competente. Todavia, nos documentos acima apontados, não há provas de que o valor glosado diz respeito a essas despesas, ou seja, não há provas nos autos de que são essas notas fiscais que fundamentam a alegada provisão de crédito, a qual teria tido como contrapartida lançamento na conta contas a receber. Em 25/03/2020, o recorrente juntou novas provas aos autos (fls. 5937), inclusive um laudo pericial contábil (fls. 5945). Todavia, tais documentos em nada se referem à conta nº 646000, analisada nesse tópico. Em 17/11/2022, o recorrente fez juntar novo laudo pericial, reafirmando que o registro da despesa em 2013, na verdade, corresponde à postergação de uma despesa de 2012 para a qual o contribuinte tinha a expectativa de que fosse rateada com a empresa Sonangol. Contudo, tal laudo não deu ensejo à juntada de qualquer documento comprobatório de sua veracidade, mormente quando cita um “anexo 3.1” que não pode ser encontrado na petição. Ademais, o recorrente pretende utilizar uma alegada despesa realizada no ano 2012, para reduzir o imposto devido em 2013. Ainda que isso estivesse provado (o que não está), isso seria um procedimento equivocado, pois fere o princípio da competência, ou seja, em nada ajuda quanto à ilegitimidade da dedução realizada e glosada. Assim, entendo que deve ser mantida a glosa relativa à dedução do valor de R$ 1.105.461,86 associada à provisão de credito de reembolso Sonangol. No que diz respeito à dedução relativa à nota de débito da empresa Anadarko (item d2 acima), o recorrente assim esclarece esse lançamento contábil (fls. 4488): 4.59 Com relação à Anadarko, a Recorrente prestou serviços a ela, conforme já informado, operando a embarcação Blackford no período. Durante as operações, ocorreu a necessidade de contratação de embarcação de apoio para transporte e carga/descarga de mercadorias em área portuária. A contratação foi feita pela sociedade Anadarko, que pagou o fornecedor. Em negociação privada, as partes decidiram arcar igualmente com os custos dessa contratação extraordinária, ou seja, cada uma seria responsável por 50% dos valores. Como a Anadarko já havia pago a integralidade dos valores ao fornecedor, emitiu nota de débito contra a Recorrente, cobrando a respectiva parcela. Como a DDB tinha recebíveis junto à Anadarko - pelos serviços prestados - efetuou-se a compensação entre tais débitos e créditos. Esse argumento já havia sido apresentado à fiscalização e esta entendeu que os documentos em língua estrangeira, apresentadas pelo recorrente, não seriam prova suficiente de que a nota de débito correspondia ao rateio de uma despesa assumida anteriormente pelo contratante do contribuinte. A decisão de primeira instância corroborou a glosa da despesa, principalmente, não admitindo como prova os documentos em língua estrangeira. Em seu recurso voluntário, o contribuinte não juntou a devida tradução dos documentos que apresentou à fiscalização e não trouxe qualquer outro argumento de defesa, limitando-se a reiterar os argumentos já contidos na impugnação. Dessa forma, entendo que Fl. 7317DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 persiste a insuficiência e a ineficácia probatória dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos já declinados da decisão recorrida, a seguir transcrita (fls. 4375): O doc n° 14 reapresenta a Nora de Débito expedida pela Anadarko contra a Interessada, com a descrição This debit note is related to the delay from the Port down time cost, acompanhada da memória para obtenção do valor de U$ 177.652,79. [...] Exclusivamente com base nesse documento, não traduzido ao idioma pátrio e inaplicável ao presente julgamento como prova, na forma da Solução de Consulta Interna Cosit n° 21/2004, não há como confirmar a) a contratação de embarcação de apoio para transporte e carga / descarga na operação da Blackford, b) o pagamento deste fornecedor pela Anadarko e c) a decisão das panes em arcar com as despesas de forma igualitária. Recordo que as Soluções de Consulta Interna tem efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil, na forma do art. 7o, I, da Portaria RFB n° 2.217, de 19 de dezembro de 20141. SCI Cosit n°21/2004 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Obrigatoriedade de tradução juramentada de documentos obtidos no exterior, escritos em idioma estrangeiro, na instrução de processo administrativo fiscal. Para ter validade no processo administrativo fiscal, a prova obtida no exterior, em idioma estrangeiro, deve ser traduzida para o português por tradutor juramentado, seja ela produzida pelo sujeito passivo ou por agente da administração tributária. DISPOSITIVOS LEGAIS; art. 157 da Lei no 5.869, deli de janeiro de 1973; art. 224 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002, art. 18 do Decreto no 13.609, de 21 de outubro de 1943. Bem verdade que o Contribuinte confessa estar providenciando a tradução juramentada da documentação, porém considerada a data de ciência (08/02/2018) e o disposto nos arts. 15 e 16, III do Decreto n° 70.235/1972, era sua obrigação instruir o processo com as provas que possuísse no ato da impugnação. Isto não foi respeitado. Em tal cenário, a conclusão da Autoridade Tributária permanece válida: se a Impugnante que presta serviços à Anadarko, não me parece razoável apropriar gastos ditos dedutíveis. O correto seria oferece à tributação a remuneração por tais serviços, não os deduzir do lucro líquido apurado. Assim, a glosa deve ser mantida neste ponto. Em 17/11/2022, o recorrente fez juntar novo laudo pericial em que reafirma a legitimidade da despesa, contudo, não juntou qualquer evidência que pudesse infirmar o entendimento da decisão recorrida, mormente quando cita um Anexo 4.1 que não pode ser encontrado na petição. Adoto a fundamentação trazida na decisão recorrida como razão de decidir, conforme autorizado pelo §3º do artigo 57 do Regimento Interno do CARF 3 , para manter a glosa de despesa em tela. 3 Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] §1o A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] Fl. 7318DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 6 Conta 410000 - R&M, Rig General - Reparo e Manutenção - glosa de custos/despesas. A fiscalização glosou a dedução de custos/despesas escriturados na conta contábil 410000 – R&M, Rig General - Reparo e Manutenção, no valor de R$ 102.593,44, relativa a uma transferência de estoque da DDL para a DDB. A fiscalização glosou a despesa por entender que uma compra realizada pela DDL não pode ser deduzida pela DDB, sem o correspondente ônus do contribuinte (fls. 1538). Em seu recurso voluntário, o recorrente assim esclarece esse lançamento contábil (fls. 4491): 4.70 Talvez o mais simples dos itens glosados. Durante a regular operação das plataformas, foi necessária a aquisição de um novo compactador de lixo, item indispensável em uma plataforma que fica longos períodos em alto mar. Seguindo os procedimentos regulares de compras, conforme anteriormente detalhados, a DDL realizou a busca desse item junto a seus fornecedores no exterior e o adquiriu. Em seguida, o revendeu à Recorrente, no mesmo modelo semelhante à venda em consignação, também já detalhado. 4.71 A Recorrente o nacionalizou, pagou os tributos e registrou o contas a pagar a DDL no valor do bem, o qual foi posteriormente quitado. Na impugnação foram anexados os todos os comprovantes da operação e contabilização (aquisição original do item pela DDL, faturas emitidas pela venda dos mesmos à Recorrente, lançamentos no SAP, dentre outros). Esse argumento já havia sido apresentado na impugnação, com a juntada de documentos comprobatórios. Contudo, a decisão de primeira instância desacreditou as provas apresentadas e manteve a glosa, conforme o seguinte excerto (fls. 4382): O invoice n° 10018246, de 28/06/2013. da empresa OEG Offshore Ltda refere- se à Compactor e Spares Package to suit Compactor CS01. As per attached Spare parts listed, que. traduzido livremente para o português, consiste em compactador e peças sobressalentes, no valor de 41.655,29 Libras (acrescido de tributo de 20%). [...] À frente, a Contribuinte explica os passos da operação e contabilização: a) a aquisição do bem por parte da DDL; b) a transferência desta para a DDB. com a escrituração no inventário desta, no valor de RS 102.593,44; c) a baixa devido ao uso, em 08/12/2013, com a descrição Installed in Front of Coffee Shop. [...] A Contribuinte ressalta que a DDL repassou-lhe o bem em operação similar à venda em consignação, porém o invoice de crédito juntado aos autos não parece fazer referência à operação: descrita apenas como Credit Invoice Borgny Inventory, tem como valor R$ 249.788,53 e data de emissão em 30/12/2013 (após. portanto, a baixa na contabilidade, no dia 8 do mesmo mês). Ademais, a Impugnante não trouxe nenhum elemento adicional que corrobore a operação, tais como: o contrato de liquidação de câmbio correspondente, a prova do efetivo pagamento e da importação etc. Também provoca estranhamento, ainda que de § 3o A exigência do §1o pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. Fl. 7319DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 modo somente circunstancial, que o bem adquirido no término de junho já esteja desgastado no início de dezembro, apresentando vida útil de cerca de 5 meses. Para ter direito à dedutibilidade desse bem. também adquirido por intermédio da controladora estrangeira, a Defendente deveria demonstrar sua necessidade à prestação de serviços, sem esquecer de instruir os autos com a documentação idônea que comprovasse que, efetivamente, incorreu com os custos de aquisição. Devo concordar com o recorrente quando afirma que uma compactadora de lixo é necessária em uma embarcação, mas não há certeza de que a dedução em tela se refere a esse bem, considerando que a invoice apresentada possui valor e data incoerentes com o lançamento contábil em tela, conforme apontou a decisão recorrida. Em seu recurso voluntário, o contribuinte não juntou novas provas e não trouxe qualquer outro argumento de defesa, limitando-se a reiterar os argumentos já contidos na impugnação. Dessa forma, entendo que persiste a insuficiência e a ineficácia probatória dos documentos apresentados pelo contribuinte, nos termos já declinados da decisão recorrida, acima transcrita. Adoto a fundamentação da decisão recorrida como razão de decidir, conforme autorizado pelo §3º do artigo 57 do Regimento Interno do CARF 4 , para manter a glosa de despesa em tela. 7 Conta 753516 - Administração – DAS - glosa de custos/despesas – exigência de IRRF A fiscalização glosou a dedução de custos/despesas escriturados na conta contábil 753516 – Administração – DAS, no valor de R$ 1.124.226,77, relativos a serviços de TI contratados pelo contribuinte junto à DDAS. A fiscalização glosou a despesa por entender que se tratava de remuneração de empregados da empresa DDAS, o que não seria ônus do contribuinte, conforme o seguinte excerto do TVF (fls. 1538): Diante aos fatos, procedemos à depuração do razão da conta código 753516 - Administration DAS, com intuito de identificar de forma individualizada, por mês, os valores levados a resultado do período, que deverão ser glosados devido a sua indedutibilidade, por falta de amparo legal, por fugir a regra de normalidade, usualidade e necessidade para fins de manutenção da fonte produtora, preceitos básicos para sua dedutibilidade, conforme art. 299 do Decreto 3.000/99, por tratar-se na realidade de salários, pensões e outros gastos pessoais de profissionais da empresa Dolphin Drilling AS, empresa essa do mesmo grupo econômico, e estipulados pelo grupo no exterior e executados no Brasil, e, portanto não estão relacionados a serviços prestados para empresa Dolphin Drilling Brasil como registrados na contabilidade, mas sim gastos do grupo arcado pela empresa nacional. Em seu recurso voluntário, o recorrente reafirma que tais despesas fazem parte do escopo do contrato de prestação de serviços pelo qual o contribuinte contratou a empresa DDAS, conforme o seguinte excerto (fls. 4491): 4 Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: [...] §1o A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. [...] § 3o A exigência do §1o pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. Fl. 7320DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 5.3 Com o devido respeito, novamente a fiscalização está pondo em xeque a própria credibilidade do Grupo Dolphin ao fazer tal afirmação. O contrato foi firmado, o serviço foi prestado, os valores foram cobrados, pagos pela Recorrente, inclusive com o recolhimento dos tributos nas remessas. O fato de o prestador de serviços incluir breve menção a profissionais, seus salários, outros custos e despesas envolvidos na prestação de serviços EM HIPÓTESE ALGUMA pode caracterizar o pretendido pela fiscalização, um total absurdo! Não se pode desconsiderar atos jurídicos praticados com base em presunções! Em tempo, a DDAS emitiu uma declaração - anexada na impugnação - exatamente no sentido de confirmar que os funcionários envolvidos em tal prestação eram exclusivos dela. Essa declaração foi desconsiderada no acórdão recorrido, apenas pelo fato de ter sido emitida por empresa do Grupo. 5.4 Assim, diante do exposto no acórdão ora recorrido, e visando definitivamente comprovar seu direito, a Recorrente anexa ao presente, como provas adicionais, a saber: (i) contratos de câmbio comprovando as remessas feitas pela Recorrente à DDAS, (ii) comprovantes dos recolhimentos dos respectivos tributos (IRRF, CIDE, PIS e COFINS Importação) relativos à importação de serviços pela Recorrente junto a DDAS; e (iii) relatórios, emitidos pela DDAS, abrindo detalhes sobre cada invoice relativa aos meses de 2013 (ref doc. n° 5). Dessa forma, comprovado que quem prestou serviços foi de fato a DDAS, fica definitivamente comprovada a correição dos procedimentos da Recorrente. A decisão de primeira instância entendeu que essas despesas devem ter o mesmo tratamento daquelas relativas à conta contábil 753520 - Administration Global IC, com o que devo concordar, pois ambos tratam de serviços prestados pela DDAS para o contribuinte. Além de tratar de situação fática e jurídica semelhante, o corpo probatório também é similar. A glosa relativa à conta contábil 753520 foi analisada no item 3 deste voto. Adoto o mesmo fundamento lá adotado para manter a glosa das despesas em tela e para exonerar a correspondente exigência de IRRF. 8 Conta 713100 - Travel Onshore (viagens e estadias) - glosa de custos/despesas A fiscalização glosou a dedução de custos/despesas escriturados na conta contábil 713100 - Travel Onshore, no valor de R$ 187.284,65, relativa a pagamentos de viagens e estadias de pessoal por entender que se tratava de pessoal vinculado à empresa DDL, não recaindo sobre o contribuinte qualquer responsabilidade sobre tais despesas, conforme o seguinte excerto (fls. 1540): Intimada a empresa fiscalizada através do TIF 0001 e posteriormente através do TIF 0004, item 4, a justificar e apresentar documentação comprobatória acerca dos gastos citados, foram apresentados invoices emitidas pela empresa Dolphin Drilling Ltda (DDL), para fins de reembolso de gastos efetuados pelo pessoal de origem estrangeira (expatriados) por ela disponibilizado para atendimento da prestação dos serviços no continente. [...] Frisem, como já anteriormente citado, esses gastos são relacionados a pessoas estrangeiras ligadas a empresa Dolphin Drilling Ltd, ou seja, expatriados, conforme fica evidente essa constatação pela leitura das invoices, onde encontramos as expressões: DDL Recharges, e Recharges Costs, relativo a reembolsos de gastos efetuados, e arcados pela empresa fiscalizada sem nenhuma obrigação jurídica. Fl. 7321DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Desta forma, procedemos as suas glosas como despesa indedutível por tratar-se de gastos com expatriados, e desta forma não necessários, usuais e normais a manutenção da fonte produtora por pertencerem à empresa norueguesa, sócia da fiscalizada, apenas repassados a esta, por um acordo interno, mas que não pode impactar na apuração do resultado do período - lucro da empresa nacional. Em seu recurso voluntário, o recorrente assim esclarece esses lançamentos contábeis (fls. 4494): 5.8 Conforme já exposto acima, dentro do escopo do Contrato de Prestação de Serviços entre a Recorrente (contratada) e a DDL (contratante), cabia à Recorrente a responsabilidade pela gestão do pessoal expatriado da DDL em território nacional, aí inclusos não apenas viagens, mas também estadia, transporte interno, alimentação, dentre outras despesas. Entretanto, os pagamentos mencionados pela fiscalização foram adiantados pela DDL (cliente), de modo que a Recorrente efetuou o reembolso dos valores a seu cliente. Em seguida, e assim como feito quanto aos demais dispêndios diretamente ligados a esse contrato, a Recorrente corretamente apropriou a respectiva despesa para, ao final, recuperar integralmente os valores via recebimento pelos serviços prestados. 5.9 A fiscalização, entretanto, desconsiderou o contrato acima e resolveu entender que tais gastos teriam apenas sido repassados à Recorrente, "por um acordo interno, mas que não pode impactar na apuração do resultado do período - lucro da empresa nacional". Esse argumento já havia sido apresentado na impugnação, com a juntada de documentos comprobatórios. A autoridade julgadora de primeira instância analisou detalhadamente os documentos apresentados, inclusive o contrato estabelecido entre ao contribuinte e a empresa DDL. Ao final, chegou à conclusão de que as despesas não estavam devidamente comprovadas e de que a responsabilidade por essas despesas não era do contribuinte, conforme o seguinte excerto (fls. 4389): Por fim, as NFS-e da Defendente contra a DDL (tomadora), a respeito de serviços de gerenciamento, somente demonstram a ocorrência de uma prestação de serviços e, inclusive, podem conter os gastos com viagens e estadias discutidos (ponto não comprovado, ante a insuficiência de provas que detalhem a composição do valor cobrado por mês). Sem embargo de ser procedente a especulação acima, isso não muda o fato de que a Contribuinte está arcando com um ônus de terceiro, transferido artificialmente através de um instrumento privado, e deseja que este seja dedutível do lucro líquido ao arrepio do que prevê a legislação. No presente voto, já foi analisada a situação em que foram mantidas as glosas de despesa com pessoal vinculado à empresa DDAS (item 3), considerando que o contribuinte não tem responsabilidade sobre a remuneração dos empregados da sua prestadora de serviços (DDAS). Também já foi analisada a situação em que foram exoneradas as glosas de despesa com a contratação de prestadoras de serviços nacionais, as quais contrataram empregados estrangeiros, dando validade aos contratos celebrados (item 4). No presente item, as despesas que deram origem à glosa dizem respeito ao transporte e à estadia de pessoas estrangeiras trazidas ao Brasil para trabalharem nas plataformas da DDL. Segundo informado reiteradas vezes pelo contribuinte, as despesas em tela estão relacionadas com empregados da DDL. O recorrente afirma que o contribuinte tinha responsabilidade contratual com essas despesas e por isso elas seriam dedutíveis. A tradução do Fl. 7322DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 contrato celebrado entre o contribuinte e a DDL está juntada nas fls. 642. Conforme este documento, o contribuinte seria remunerado mensalmente com um valor fixo (fls. 684) e estava obrigado a arcar com as despesas relativas ao pessoal da DDB alocado no Brasil, conforme o seguinte excerto (fls. 686): b) Serviços de gestão de pessoal: A PRESTADORA DE SERVIÇOS prestará serviços de gestão de pessoal à SOCIEDADE, providenciando acomodações, assistência médica e transporte para o pessoal da SOCIEDADE no Brasil. A primeira pagará todas as despesas necessárias para o pessoal da SOCIEDADE trabalhar no Brasil, sendo ^responsável por vistos, declarações de imposto, refeições, acomodações e transporte, assim como por outras despesas relacionadas à gestão de pessoal. Interpretando esse dispositivo contratual, entendo que o contribuinte era responsável pelo transporte e acomodação do pessoal da DDL, podendo deduzir as correspondentes despesas, por serem necessárias ao cumprimento de sua atividade empresária. Todavia, os lançamentos em tela dizem respeito a pagamentos realizados pelo contribuinte à DDL e não a pagamento de transporte e acomodação. Segundo informado reiteradas vezes pelo contribuinte, as despesas em tela foram arcadas pela DDL, provisoriamente, e os lançamentos contábeis retratam o ressarcimento dos correspondentes pagamentos. Trata-se então de uma situação extraordinária, não prevista no contrato, devendo ser competentemente comprovada. A decisão recorrida entendeu que os documentos juntados na impugnação (fls. 3927) não eram suficientes para provar o alegado pelo contribuinte, conforme o seguinte excerto (fls. 4388): Sobre a documentação carreada no doc nº 21, a grande maioria não está no vernáculo pátrio, resultando em sua inadmissibilidade para fins de prova (como é o caso dos emails, relatórios etc). Já os Tax Invoices da DDL contra a DDB de fato mencionam o reembolso (recharge), mas não a efetiva transferência de recursos, tratando-se ainda de um documento interno entre partes do mesmo grupo econômico, o que mitiga seus efeitos para fins de prova. Ao apreciar estas provas, cheguei ao entendimento de que elas são suficientes para demonstrar o alegado pelo contribuinte. Ainda que não sejam provas cabais, são evidências coerentes com a contabilidade que indicam a natureza das despesas contabilizadas, autorizando a legitimação do poder probante da própria contabilidade. Assim, entendo que a exigência relativa à presente glosa deve ser exonerada. 9 Conta 864005 - Other tax fees and contribution- glosa de custos/despesas – exigência de IRRF A fiscalização glosou a dedução de custos/despesas escriturados na conta contábil 864005 - Other tax fees and contribution, no valor de R$ 701.749,91, relativos aos seguintes itens: DATA VALOR HISTOR1CO 17/04/2013 1.296,22 IPTU 2013 houseHarald Fl. 7323DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 17/04/2013 802,04 IPTU 2013 house Svein 20/04/2013 1.191,03 IPTU 2013 house Svein 30/04/2013 6.317,22 Inv. 1800000201 Contr. Ivair Branvold 2012 30/04/2013 49.276,58 Vlr IRPJ/CSLL anos anteriores 29/10/2013 538.337,17 IR s/cambio 20/10/2013 33.143,76 IR s/cambio 29/10/2013 71.385,89 IR s/cambio A glosa foi realizada com a seguinte fundamentação (fls. 1541): Diante ao exposto pela fiscalizada, temos que esses gastos são indedutíveis vez que seguem a sistemática de gastos com estrangeiros, ou seja, considerando que os gastos com salários de expatriados estão fora da abrangência do art. 299 do Decreto 3.000/99, e tendo a tributação da fonte como de exclusivamente na fonte, carnê leão, sem o caráter compensatório, não cabe sua dedução como despesa do período, fato que a torna indedutível. Com relação ao valor de R$ 49.276,58, relativo a IRPJ/CSLL, e registrado nesta conta, constatamos o seguinte: a) a fiscalizada quando intimada a comprovar a sua origem, nada apresentou que justificasse a sua origem, ou seja, a que período esse valor guarda relação; b) não apresentou pagamento para o valor em questão, fato que não justifica a sua dedução, vez que não ficou comprovado o seu dispêndio com aquele valor, arcando com aquele gasto; c) não apresentou contabilidade demonstrando quando foi registrada a formação desse valor, nem demonstrando sua utilização em data anterior a 2013 ou posterior. Por esta razão também torna este valor como indedutível como despesa do período. Em seu recurso voluntário, o recorrente não questiona a glosa relativa ao IRPJ/CSLL, mas questiona as demais glosas afirmando que são despesas relativas ao cumprimento dos serviços que prestava à DDL, conforme os seguintes excertos (fls. 4495): a) IPTU 2013 house Harald house Svein. R$ 3.289.29 RECORRENTE: Como demonstrado no item anterior, era responsabilidade da Recorrente perante a DDL a gestão desse pessoal, inclusive no que se refere aos custos de moradia, nos termos do respectivo Contrato de Prestação de Serviços. Assim o fez a Recorrente, pagando os valores relativos ao IPTU desses imóveis, e frise-se, RECUPEROU os valores quando do recebimento pela prestação de seus serviços, conforme notas fiscais já anexadas à impugnação. Logo, fica demonstrada a dedutibilidade dos valores. b) "Inv. 18000000 Contr. Ivair Branvold". R$ 6.317,22. RECORRENTE: Trata-se de pagamento feito à Associação dos Armadores Noruegueses, conforme invoice da referida Associação e sua tradução juramentada, ambos anexos (doc. n° 7). Fl. 7324DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 [...] d) IR s/câmbio: R$642.866,82. RECORRENTE: • R$ 538.337,17: tais valores se referem ao imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos com fechamento de câmbio feitos pela Recorrente à DDL, a título de reembolso de despesas, no escopo do contrato de serviços entre essa e a Recorrente. Conforme explicado anteriormente, como tais valores eram objeto do escopo do contrato entre a Recorrente e a DDL, a Recorrente efetuou a remessa de reembolso dos valores a seu cliente e, em seguida, assim como feito quanto aos demais dispêndios diretamente ligados a esse contrato, a Recorrente corretamente apropriou a respectiva despesa para, ao final, recuperar integralmente os valores via recebimento pelos serviços prestados, integralmente oferecidos à tributação. Ou seja, com a recuperação dos valores e respectivo oferecimento a tributação, nos termos do contrato que regia a operação, não há que se questionar a dedutibilidade de tais valores, seguindo a lógica mencionada no item 5.11; • R$ 33.143,76: tais valores se referem ao imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos com fechamento de câmbio feitos pela Recorrente à Fred Olsen Energy ASA, a título de juros em contrato de empréstimo devidamente registrado no BACEN. O acórdão recorrido menciona que não se comprovou a operação de empréstimo, muito embora tenha sido juntado o contrato de câmbio - que jamais seria executado junto a instituição financeira nacional sem estar acompanhada de toda a documentação cabível. Não obstante, e visando fortalecer seus argumentos, a Recorrente anexa à presente cópia da respectiva tela ROF - Registro de Operações Financeiras, obtida junto ao SISBACEN (doc. n° 8). Ademais, é importante mencionar que o acórdão recorrido conclui pela "insuficiência probatória" em razão da ausência do contrato de mútuo com base no artigo 374 do RIR. Ocorre que, pela simples leitura deste dispositivo legal, verifica-se que a legislação não exige contrato escrito, podendo o mesmo ser verbal, com o respectivo registro no Banco Central, como ocorreu no presente caso; • R$ 71.385,89: tais valores se referem ao imposto de renda retido na fonte sobre pagamentos com fechamento de câmbio feitos pela Recorrente à DDAS, no escopo do respectivo contrato de prestação de serviços entre essa e a Recorrente, já exposto acima. Considerando que foram juntados ao presente diversas outras provas (ref. doc. n° 5) de que a contratação foi da DDAS - e não de pessoas físicas, como quis entender a fiscalização - fica demonstrada também a dedutibilidade dos respectivos valores, pois que o ônus do respectivo IRRF era do contratante - a Recorrente; Essas informações já haviam sido apresentadas na impugnação. A autoridade julgadora de primeira instância As despesas relativas ao IPTU e à contribuição à associação laboral estão relacionadas a pessoas estrangeiras trazidas ao Brasil para trabalharem nas plataformas da DDL. Conforme já exposto no item anterior, à luz do já referido contrato de prestação de serviços, entendo que o contribuinte era responsável por tais despesas, perante o seu contrate, no âmbito do serviço que prestava a DDL, podendo deduzir as correspondentes despesas, por serem necessárias ao cumprimento de sua atividade empresária. Em complemento, entendo que os novos documentos juntados no recurso voluntário suprem a deficiência apontada na decisão recorrida, de forma que a exigência relativa a essas glosas devem se exoneradas. Em relação às despesas relativas ao IRRF, há uma origem distinta para cada retenção, a seguir analisada. Contudo, inicialmente, devo afastar a possibilidade de aplicação do Fl. 7325DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 artigo 231 do RIR/99, aventada na decisão recorrida, pois este trata da apuração do saldo do imposto a pagar, atividade realizada após a apuração do lucro real, com a intenção de considerar nessa apuração o montante do IRRF retido na oportunidade em que pagamentos foram realizados em benefício do contribuinte. Na espécie, o IRRF trata de pagamentos realizados pelo contribuinte a pessoa não residente no Brasil e, nesse caso, é possível que a parcela retida seja considerada na apuração do próprio lucro real, como despesa, conforme a natureza do pagamento realizado, ou seja, se o pagamento for de despesa dedutível, o valor retido também será dedutível, pois é parte daquele, mas que não foi transferida por determinação da legislação tributária. A primeira retenção, no valor de R$ 538.337,17, é atribuída pelo recorrente a um reembolso feito pelo contribuinte à DDL, que havia pagado despesas que eram de responsabilidade do contribuinte. A decisão recorrida, não questiona esse fato, mas entendeu que o procedimento adotado pelo contribuinte e pelo seu contratante seria uma liberalidade, ou seja, não seria necessária e, portanto, indedutível. Entendo que assiste razão ao recorrente, pois, independentemente do procedimento adotado pelas partes, a despesa que deu origem ao pagamento e à retenção é dedutível, pois está no âmbito das obrigações contratuais do contribuinte. Assim, os seus desdobramentos também são dedutíveis: o reembolso e o IRRF sobre o reembolso. A segunda retenção, no valor de R$ 33.143,76, é atribuída pelo recorrente a pagamento de juros em contrato de empréstimo tomado de pessoa não residente no Brasil. A decisão recorrida manteve a glosa por entender que o contribuinte não apresentou provas que evidenciassem a natureza desse empréstimo, de forma que não teria sido possível averiguar a sua necessidade e usualidade, considerando que somente foi apresentado o correspondente contrato de câmbio (fls. 4127). No recurso voluntário, o recorrente fez juntar aos autos o registro no Siscomex do empréstimo (fls. 4752) e o correspondente Loan Agreement. Entendo que assiste razão à decisão recorrida quando afirmou que o contrato de câmbio do pagamento não permite verificar a natureza do pagamento, apenas a sua realização. Os documentos juntados no recurso voluntário permitem afirmar que o contribuinte tomou um empréstimo do destinatário do pagamento em tela, mas não permite vincular esse pagamento ao empréstimo apontado, uma vez que, segundo os documentos juntados, o empréstimo deveria ser quitado em agosto de 2012, enquanto o presente pagamento ocorreu em outubro de 2013, ou seja, mais de um ano após o empréstimo ter espirado e não há qualquer alusão, ainda que retórica, a uma renegociação desse empréstimo. Assim, persistindo a impossibilidade de averiguar a natureza do pagamento, mesmo depois de sucessivas oportunidades para o contribuinte cumprir esse seu ônus, entendo que essa glosa deve ser mantida. A terceira retenção, no valor de R$ 71.385,89, é atribuída pelo recorrente a pagamentos feitos pelo contribuinte à DDAS, no âmbito do contrato de prestação de serviços existente entre essas duas empresas. A decisão recorrida manteve a glosa uma vez que “não se reconheceu a dedutibilidade dos gastos com o pessoal da DDAS”. Assim, considerando que o entendimento adotado nesse voto é no sentido de aceitar essa dedutibilidade, o presente pagamento também deve ser considerado dedutível. Em síntese, considerando os fundamentos acima, entendo que devem ser mantidas apenas as glosas relativas aos pagamentos de IRPJ/CSLL (R$ 49.276,58) e de IRRF associado a Fred Olsen Energy ASA (R$ 33.143,76). Fl. 7326DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 10 Custos com pessoal – glosa de custos/despesas – exigência de IRRF A fiscalização glosou a dedução de custos/despesas escriturados nas contas contábeis: (a) 531780 - Onshore Indirect - Group (Exps), no valor de R$ 6.345.644,11; (b) 695001 - Recharge Costs/Expenses - Margin, Group, no valor de R$ 172.269,38; (c) 713000 - Travel Onshore, no valor de R$ 110.465,81 e (d) 550000 - Other Pers. Expenses - Outros custos com pessoal, no valor de R$ 78.004,38. Sobre os valores das três primeiras contas também foi exigido IRRF, nos moldes de outras glosas acima tratadas. Verifico que as duas primeiras contas tratam de despesas com pessoal da empresa DDAS, contratada pelo contribuinte. Assim, entendo que deve ser dado a estes lançamentos contábeis o mesmo tratamento das despesas analisadas no item 3 desse voto, por terem a mesma natureza, de forma que deve ser mantida a exigência corresponde a essas glosas e deve ser exonerada a exigência de IRRF correspondente aos respectivos pagamentos. Verifico também que as duas últimas contas tratam de despesas com pessoal da empresa DDL, contratante do contribuinte. Assim, entendo que deve ser dado a estes lançamentos contábeis o mesmo tratamento das despesas analisadas no item 8 desse voto, por terem a mesma natureza, de forma que deve se exonerada a exigência corresponde a essas glosas e também deve ser exonerada a exigência de IRRF correspondente aos respectivos pagamentos. 11 Conta 155006 - Account Receivable vs DDL Company - baixa de contas a receber – recuperação de custos/despesas A fiscalização exigiu IRPJ/CSLL relativos a lançamentos contábeis na conta 155006 - Account Receivable vs DDL Company, no montante de R$ 42.559.398,44. Tratam-se de lançamentos em contas a receber (ativo circulante) que teriam sido objeto de “perdão de dívida”, conforme informado pelo contribuinte (fls. 839), mas que não foram levados à tributação. Os lançamentos contábeis que compuseram a base de cálculo foram extraídos da referida informação (fls. 839), prestada pelo contribuinte ao responder a uma intimação da fiscalização para esclarecer os movimentos da presente conta contábil. Nessa informação, o contribuinte dividiu os lançamentos contábeis em três grupos, a seguir detalhados. O primeiro grupo diz respeito a lançamentos a débito (aumentando o ativo) que teriam sido baixados a título de “perdão da dívida em 31/12/2013”. Dentre esses lançamentos, treze têm o histórico “recharge” (reembolso) e foram baixados contra um único lançamento a crédito (reduzindo o ativo) no valor de R$ 18.700.086,62, o qual foi incluído na base de cálculo do lançamento tributário. Para os demais, não foram apresentados os lançamentos de baixa e também foram incluídos na base de cálculo. O segundo grupo diz respeito a lançamentos a débito (aumentando o ativo) que foram baixados a título de “recebimento” em datas distintas. Alguns lançamentos a crédito (recebimentos) não possuem o correspondente lançamento a débito e foram incluídos na base de cálculo. O terceiro grupo diz respeito a lançamentos a débito (aumentando o ativo) que não foram baixados, compondo o saldo da conta. Fl. 7327DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Segundo a fiscalização, o contribuinte arcou com despesas (peças, taxas, capex etc) que deveriam ser ressarcidas pela armadora DDL. Com o encerramento das atividades de uma das plataformas, esses direitos foram baixados, conforme o seguinte excerto do TVF (fls. 1549): Analisados os registros contábeis da conta código 155006 - Account Receivable vs DDL Company, conta Ativo Circulante, que registra os direitos, representativos dos valores a receber (Contas a Receber) no Realizável de Curto Prazo, verificamos que a mesma possuía saldo inicial em 2013, igual a "zero", e após sua movimentação a debito e a credito no ano, terminou com saldo final de R$ 11.055.574,56, e que o ingresso de recursos aportados tinham as seguintes origens: a) baixa da conta transitória de estoques, conta código 149998 - Revaluation of Inventory; b) baixa da conta de Ativo Circulante - Realizável de Longo Prazo, conta código 170005 -Recharges Group; E suas saídas - créditos, tinham por baixas do contas a receber, via banco, conta código 192116 - Bank BRL, através de Invoices emitidas contra a empresa Dolphin Drilling LTD, por reembolso de despesas. Também foram registrados lançamentos contábeis nessa conta no decorrer do ano de 2013, relativos a receitas de serviços com a Dolphin Drilling LTD, e oferecidas à tributação, que foram excluídos da presente analise. Neste tópico, a fiscalização ateve-se apenas aos lançamentos relativos a "perdão de divida" (informação prestada pela fiscalizada), onde foi possível identificar que sua origem era derivada de valores registrados em conta de estoque relacionado aos materiais/bens de reparos e manutenção das plataformas Blackford Drilling e Borgny Drilling que ingressavam no país por admissão temporária, bem como os gastos internos e mais as despesas aduaneiras decorrentes da entrada e saídas desses bens. Com a saída definitiva da plataforma Blackford Dolphin a empresa fiscalizada adotou o procedimento de transportar os valores contabilizados em estoque para a conta de contas a receber - longo prazo, e em seguida baixava esses valores contra conta de contas a receber — curto prazo. Na medida que necessitava de recursos, efetuava a baixa desse direito contra conta de bancos, ativo circulante - Disponível - conta código 192116 - Bank BRL, para registrar o ingresso de moeda, via Invoice. Ainda, registrava esses valores debitados na conta 155006 - Account Receivable vs DDL Company, com o histórico de "Reembolso de Despesas DDL". Ao ser intimado pela fiscalização, antes do lançamento tributário, o contribuinte afirmou que não houve o referido perdão de dívida. Informou ainda que a aquisição de itens do estoque foi levada a contas a receber por engano, pois o correto seria levar a contas a pagar. O erro teria levado o contribuinte a estornar esses lançamentos (fls. 1372). A fiscalização não acatou tal argumento, levando em consideração que o contribuinte não demonstrou como procedeu à alegada retificação. Ademais, entendeu que o argumento era inverossímil, por considerar que a referida retificação, se feita, teria desequilibrado a contabilidade, fazendo com que a referida conta do ativo tivesse saldo credor no final do ano. Com isso, foram objeto de lançamento tributário os valores relativos aos lançamentos contábeis relacionados na tabela de fls. 1552. Fl. 7328DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Em sua impugnação, o contribuinte repisa os argumentos já apresentados à fiscalização e apresenta uma grande quantidade de documentos, conforme o seguinte excerto, dividindo a base tributada em dois grupos (fls. 2128): (A) os valores relativos às Invoices tratadas pela fiscalização como receitas tributáveis (pois supostamente teriam sido perdoadas pela Impugnante), conforme fls. 45 e 46 do Relatório, se referem exatamente às invoices emitidas pela Impugnante para reembolso dos valores junto à DDL. Tais valores devidamente recebidos (não tendo havido o perdão desses valores) e, por certo, os valores não impactaram o resultado da Impugnante, como já comprovado documentalmente (ref. doc.n°24). (B) quanto ao valor de R$ 18.700.086,62, descrito no Relatório como "Transfer Inventory Conforme Orientação Auditoria", trata-se exatamente do valor cuja contabilização foi inicialmente feita no "contas a receber", em seguida revertida ao "contas a pagar". Anexa a documentação suporte que comprova o afirmado, com a composição do valor em discussão através da indicação de cada invoice - das compras junto à DDL - dos respectivos bens, bem como a comprovação do registro desse mesmo valor no "contas a pagar", também no período, após a reversão dos lançamentos iniciais. (doc.n° 25). A decisão recorrida apreciou detidamente os documentos apresentados pelo impugnante. No que diz respeito aos recursos provenientes do exterior (fls. 4398), entendeu que a sua contabilização contra conta patrimonial, a título de reembolso, é uma situação atípica que exigiria uma comprovação robusta. Assim, apenas os registros contábeis e as invoices emitidas pelo próprio contribuinte não foram considerados suficientes para comprovar essas operações realizadas entre empresas do mesmo grupo. Acrescenta que os contratos de câmbio não se relacionam a muitas das invoices apontadas. No que diz respeito à transferência do inventário (fls. 4400), entendeu que a defesa não conseguiu infirmar a conclusão da fiscalização. No recurso voluntário, o recorrente reafirma os mesmos argumentos já apontados (fls. 4504) e apresenta novos documentos, inclusive um laudo pericial (fls. 5945). Para a análise, adotarei a subdivisão proposta pelo recorrente, em que divide em dois grupos os lançamentos contábeis objeto do auto de infração: valores reembolsados e erro de contabilização. Em sede de memoriais, o recorrente apresentou o laudo técnico juntado aos autos nas fls. 5946. Após a interrupção do julgamento, em razão de pedido de vistas deferido, o recorrente apresentou novo laudo pericial, onde aborda a matéria do presente item (fls. 6182), juntando novos documentos. 11.1 VALORES REEMBOLSADOS Nessa quadra, o recorrente afirma que os recebimentos apontados dizem respeito a ressarcimentos de despesas as quais foram realizadas pelo contribuinte, mas que eram de responsabilidade da sua controladora no exterior, na qualidade de armadora das plataformas de petróleo. O recorrente afirma que tais valores não foram perdoados, mas foram efetivamente recebidos, conforme o seguinte excerto (fls. 4504): 7.2 Trata-se de conta contábil na qual eram registrados valores a serem reembolsados à Recorrente pela DDL, armadora das embarcações afretadas aos clientes nacionais, operadas pela Recorrente. Tais reembolsos eram necessários, pois Recorrente por vezes incorria em dispêndios que seriam recuperáveis junto à DDL Fl. 7329DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 através de reembolso dos valores, pois eram gastos exclusivamente atribuíveis à DDL, justamente por ser a armadora das embarcações. Por exemplo, adiantamentos feitos pela Recorrente para pagamento de fornecedores nacionais relativos a gastos com CAPEX (despesas relativas ao ativo fixo, a plataforma em si, como manutenção pesada), dispêndios relativos a reexportação da plataforma Blackford, que retornou ao exterior em 2013, além de outros, cujos comprovantes foram juntados na impugnação. Tais adiantamentos eram mantidos nessa conta até o recebimento do respectivo reembolso junto à DDL, quando eram baixados, por certo não transitando em resultado, em hipótese alguma. Esses reembolsos foram devidamente quitados pela DDL, ou seja, não ocorreu o perdão desses valores, como entendeu a fiscalização. Verifico que os presentes lançamentos contábeis que compõem a base de cálculo em tela podem ser divididos em duas partes, conforme a informação prestada pelo contribuinte à fiscalização (fls. 839). A primeira são aqueles justificados como “perdão de dívida” e a segunda são aqueles assinalados com “recebimento” ou sem justificativa. A leitura do TVF, principalmente da parte transcrita acima, permite concluir que a fiscalização fundamentou o lançamento tributário apenas para os lançamentos assinalados com “perdão de dívida”. Assim, os demais lançamentos foram incluídos na base de cálculo sem uma fundamentação. Por esse motivo, entendo que os seguintes lançamentos contábeis devem se retirados da base de cálculo da exigência em tela: 01/01/2013 381.831,24 Invoice 014/2012 Reembolso Despesas 31/01/2013 284.588,28 Invoice 016/2013 Reembolso Diversos Dolphin 01/03/2013 450.599,62 Invoice 018/2013 Reembolso Diversos Dolphin 21/03/2013 356.260,31 Invoice 020/2013 Reembolso Diversos Dolphin 24/04/2013 1.423.375,94 Invoice 022/2013 Reembolso Despesas DDL 23/05/2013 195.116,97 Invoice 024/2013 Reembolso Despesas 23/05/2013 248.714,50 Invoice 024/2013 Reembolso Despesas 17/06/2013 1.629.983,43 Invoice 031/2013 Reembolso Comissão Black 2012/2013 01/07/2013 130.314,82 Invoice 033 Reembolso Despesas 01/07/2013 2.621.284,85 Invoice 033 Reembolso Despesas 26/07/2013 142.624,14 Invoice 035/2013 Reembolso CAPEX - DDL 31/07/2013 135.104,11 Recharge Blackford Inventory 038/2013 25/10/2013 360.459,63 Invoice 052/2013 Reembolso de CAPEX 31/10/2013 73.479,23 Recharge Borgny Inventory Movement Out/13 Inv. 053/13 31/10/2013 86.381,77 Recharge Borgny Inventory Movement Out/13 Inv. 054/13 31/10/2013 2.080.009,04 Invoice 053/13 Reembolso Black Exportação 22/11/2013 673.491.29 Invoice 059/2013 Reembolso CAPEX Black 29/11/2013 796.045,55 Invoice 063/2013 Reembolso Exportação 29/11/2013 5.166,27 Invoice 060/2013 Reembolso Comissão 10/2013 31/12/2013 278.403,94 Invoice 069/2013 Reembolso CAPEX 12/2013 31/12/2013 839.692,02 Invoice 069/2013 Reembolso CAPEX 12/2013 31/12/2013 662.761,99 Valor Reembolso Exportação Black 12/2013 Fl. 7330DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Também deve ser retirado da base de cálculo o lançamento relativo ao reembolso do estoque abaixo indicado: 02/09/2013 122.562,05 Recharge Borgny Inventory Movement Apesar de constar como “perdão de dívida”, esse lançamento já está incluído no lançamento consolidado de transferência do inventário no valor de R$ 18.700.086,52. Os demais lançamentos contábeis, todos assinalados com “perdão de dívida” dizem respeito a pagamentos realizados pelo contribuinte que deveriam ser ressarcidos pela sua controladora. O recorrente afirma que não houve o referido perdão de dívida e que houve o efetivo pagamento. Todavia, para que a sua afirmação tenha efeitos, é necessário que ela esteja comprovada. É certo que o contribuinte apresentou uma grande quantidade de documentos junto à sua impugnação, mas a autoridade julgadora de primeira instância os analisou e entendeu que as provas eram insuficientes. No recurso voluntário o recorrente apresenta mais documentos, descritos por ele com as seguintes palavras (fls. 4505): 7-5 Portanto, vem a Recorrente juntar ao presente caso todas as notas fiscais e relatórios relativos aos valores que foram objeto de reembolso, como defendido na impugnação (doc. n° 9). Em função do limite de tamanho de arquivos em processos eletrônicos aceitos no sistema da RFB, estão sendo juntados ao presente recurso o conjunto de documentos (notas fiscais dos fornecedores, relatórios e outros) relativos a UM dos câmbios de reembolso (de um total de NOVE câmbios de reembolso). A Recorrente irá juntar TODOS os demais conjuntos (notas fiscais dos fornecedores, relatórios e outros), quanto aos OITO restantes, razão pela qual desde já protesta pela juntada dessas provas complementares. Assim, pela análise do enorme número de anexos (a operação de duas plataformas requer a compra de milhares de itens por ano, muitos deles reembolsáveis, por serem custos atribuíveis ao armador), fica evidenciado serem tais custos do armador - no caso, a DDL - razão pela qual foram objeto de reembolso à Recorrente, não afetando o resultado da Recorrente - mera saída de caixa em adiantamento a cliente e posterior recuperação do mesmo. Em síntese, o recorrente afirma que está juntando notas fiscais e relatórios de um dos câmbios de reembolso, de um total de nove, prometendo juntar os demais em momento posterior. Todavia, entendo que persiste o fato que impediu a decisão recorrida de acatar o argumento do contribuinte, que é a impossibilidade de correlacionar os contratos de câmbio, pelo qual a DDL enviou recursos ao contribuinte, com os valores contabilizados pelo contribuinte como perdão de dívida. Apesar de ter juntado muitos documentos, o recorrente não faz qualquer esforço para demonstrar tal correlação e certamente esta não pode ser evidenciada sem as informações que somente o contribuinte detém. Saliente-se que no primeiro referido laudo pericial, apresentado posteriormente pelo recorrente, não há qualquer esforço nesse sentido. No segundo laudo pericial, apresentado já em oposição ao voto do relator no presente julgamento, no prazo das vistas supracitadas, o recorrente repisa os seus argumentos, mas não comprova a correlação dos contratos de câmbio, pelos quais a DDL enviou recursos ao contribuinte, com os valores contabilizados pelo contribuinte como perdão de dívida. Assim, o argumento do recorrente deve ser rejeitado por falta de fundamento fático. Fl. 7331DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 11.2 REVERSÃO DE VALORES – TRANSFER INVENTORY Quanto a este tópico, o recorrente afirma, em síntese, que o lançamento contábil a crédito (reduzindo o ativo) no valor de R$ 18.700.086,62 foi realizado para reverter um erro de contabilização relativo a treze aquisições de suprimentos para o seu estoque, as quais deveriam ter sido contabilizadas em uma conta do passivo, como obrigação do recorrente, conforme o seguinte excerto (fls. 4506): 7.7 Já no que se refere à outra parte dessa cobrança, dos valores que supostamente teriam sido perdoados pela Recorrente (R$ 18.700.086,62) - e não foram, como se demonstrou e novamente se demonstrará - , a Recorrente adquiria grande parte dos bens de uso e consumo necessários à sua operação (custos seus) junto à DDL, na já mencionada venda semelhante a uma operação em consignação. Lembrando, quando tais bens eram consumidos/desgastados nas prestações de serviço da Recorrente a seus clientes, esta registrava a despesa em resultado e um "contas a pagar" junto à DDL em seu passivo, como também já explicado. 7.8 Em 2013, a Recorrente lançou diversos valores, relativos exatamente a esses "contas a pagar" à DDL, no "contas a receber", também junto à DDL. A Recorrente, antes de qualquer ação do Fisco, frise-se, identificou o ocorrido e imediatamente corrigiu esses lançamentos - ou seja, baixou esses 'recebíveis', que na realidade eram dívidas, lançando-os em seu passivo. Na planilha apresentada pela fiscalização consta um histórico de "Perdão de Divida". Com toda a certeza, não houve qualquer perdão de dívida concedido pela Recorrente, pois não havia sequer dívida a perdoar. Na realidade, como se explicou, trata-se de uma dívida DELA (Recorrente) para com a DDL, relativa a bens de uso e consumo adquiridos junto à última. 7.9 Não obstante a documentação juntada na impugnação, no acórdão ora recorrido se entendeu que não houve a comprovação definitiva, pela Recorrente, do ocorrido. Bem, a comprovação de que algo estava errado e foi corrigido, sem efeitos fiscais, deve ocorrer mediante (1) registros contábeis e fiscais comprobatórios (doc. n° 10) e (2) documentação que suporte os lançamentos originalmente equivocados. Desta forma, juntamos no presente recurso (ref. docs. n° 3 e 4) demonstração de que o valor total (R$ 18.700.086,62) se tratou da aquisição - via o já mencionado procedimento semelhante à venda em consignação - de itens consumíveis pela Recorrente junto à DDL. Ou seja, não há que se falar em receitas tributáveis, pois que tal valor comprovadamente se refere à aquisição de itens utilizados pela Recorrente em suas operações regulares no país - as DIs da aquisição desses itens juntadas na impugnação. Entendo que o argumento do recorrente é inverossímil. Além dos treze lançamentos a débito em tela, pelo menos mais três outros lançamentos da mesma natureza permaneceram na conta sem qualquer reversão e pelo menos outro lançamento da mesma natureza foi revertido por pagamento da DDL, conforme a informação do próprio contribuinte (fls. 840), a seguir reproduzida: Se os lançamentos em tela tivessem sido fruto de um erro, este teria sido identificado na época do referido recebimento a título de ressarcimento, em agosto de 2013. Mas o ressarcimento foi regularmente contabilizado. Ademais, se o lançamento a crédito de R$ 18.700.086,62 tivesse o objetivo de reverter o alegado erro de contabilização, este teria incluído Fl. 7332DF CARF MF Original Fl. 41 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 os três lançamentos acima indicados, de julho e outubro de 2013. Mas estes permaneceram sem qualquer ressalva. Assim, o entendimento esposado pela fiscalização é mais compatível com as provas dos autos, pelo qual o contribuinte mantinha esses lançamentos para poder receber aportes da matriz no exterior sem dar ensejo à tributação. No momento em que as operações foram encerradas e os aportes não seriam mais necessários, os lançamentos foram transferidos para onde pudessem ser aproveitados tributariamente como dedução de despesas. Contudo, o primeiro laudo juntado aos autos (fls. 5946), em sede de memoriais, traz uma nova informação que deve ser considerada. Este afirma que, após a referida transferência, no ano seguinte (2014), uma parte dessa dívida foi paga pelo contribuinte (R$ 2.554.544,17) e o restante foi perdoado pela DDL (R$ 16.145.542,44). O valor perdoado teria sido oferecido à tributação. Nesse ponto, verifico que a nova informação contradiz os seus argumentos iniciais de defesa. Foi dito inicialmente que os lançamentos contábeis em tela referem-se à aquisição de insumos e peças de reposição perante a sua controladora estrangeira e que tal custo era deduzido do valor a receber pelo serviço a ela prestado. Agora, o recorrente diz que pagou uma parte desse valor, o que contraria a primeira informação. Diante dessa nova situação, extraordinária, seria necessário que o defendente demonstrasse as consequências desse procedimento fora da rotina da empresa, inclusive a demonstração de como esse pagamento foi refletido na apuração do valor a receber do seu tomador de serviço, que é tributável, pois, nesse caso, não cabe o abatimento usual dos insumos adquiridos sobre o valor a receber pelos serviços prestados. A ausência dessa evidenciação, ônus do defendente, impede a exoneração do lançamento tributário, por falta de materialidade do argumento da defesa. Foi dito também que uma parte desse valor foi perdoada pela controladora do contribuinte. Isso contradiz literalmente o argumento contido no recurso voluntário, embora confirme a primeira informação prestada pelo contribuinte à fiscalização. Nesse caso, se há perdão da dívida, é cabível a tributação, independentemente por qual conta contábil ela foi apurada. Confirmando esse entendimento, o laudo afirma que esse valor foi oferecido à tributação. Contudo, isso teria ocorrido apenas no ano seguinte, 2014. Todavia, o referido custo ocorreu em 2013, ano a que se volta o lançamento tributário, e é nesse ano que essa receita deveria ter sido oferecida à tributação, o que configura a omissão apontada no auto de infração. Saliente-se que, nesse caso, não há que se exigir o procedimento previsto no §6º 5 do artigo 6º do Decreto-Lei nº 1.598/1977 (postergação), pois o lançamento tributário não tem como fundamento a inexatidão quanto ao regime de competência. Na verdade, a fiscalização nunca poderia ter suspeitado de que uma parte da base de cálculo teria sido oferecida à tributação no ano seguinte, uma vez que esse ano não foi objeto da auditoria e o contribuinte não prestou essa informação. Na verdade, essa informação somente veio a surgir em sede de memorias no julgamento de segunda instância. Saliente-se ainda que no segundo laudo pericial, apresentado já em oposição ao voto do relator no presente julgamento, no prazo das vistas supracitadas, o recorrente repisa os argumentos apresentados em sede de memoriais, no primeiro laudo, afirmando que a dívida em 5 § 6º - O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período-base de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período-base a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 4º. Fl. 7333DF CARF MF Original Fl. 42 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 tela foi em parte paga pelo contribuinte (R$ 2.554.544,17) e o restante foi perdoado pela DDL (R$ 16.145.542,44), tendo isso ocorrido no ano seguinte ao período de apuração dos tributos lançados. Nessa ocasião, o recorrente dá detalhes de como esse perdão teria sido levado a resultado em 2014, informando que isso ocorreu por meio de um lançamento a crédito na conta 4.2.06.01.01.400144 - OUTRAS DESPESAS GERAIS. O recorrente completa afirmando que esse lançamento contábil não foi objeto de ajuste na apuração do lucro real. Entendo que a afirmação do recorrente não está devidamente comprovada. Apesar de ele afirmar que “a integralidade desses lançamentos pode ser verificada no Anexo 5.2, deste documento”, tal anexo consiste de uma planilha construída pelo próprio recorrente, a partir da qual não é possível localizar os correspondentes lançamentos contábeis nos autos. Ainda que esse procedimento estivesse satisfatoriamente demonstrado, ele não garante a tributação alegada pelo recorrente, pois a tributação afirmada teria ocorrido por meio da redução das despesas do contribuinte no ano 2014. Mas não se sabe se as despesas que geraram o saldo, sobre o qual foi deduzido o valor em tela, eram, de fato, dedutíveis, de forma a gerar o reclamado efeito tributário. Também não se sabe se o contribuinte apurou receita bruta suficiente para que as despesas tivessem efeito tributário efetivo. Por fim, não se sabe sequer o saldo dessa conta na data da redução, para se verificar se a operação causou ou não um saldo credor, o que seria inadmissível contabilmente. Portanto, mais uma vez, o recorrente deixa de apresentar evidências que legitimem a sua alegação. Com isso, corroboro o entendimento da fiscalização para manter essa parte do lançamento tributário. 11.3 CONCLUSÃO QUANTO À CONTA 155006 Considerando o exposto, entendo que a exigência relacionada a esta conta contábil deve ser parcialmente exonerada, devendo ser retirado da base de cálculo o montante dos 23 lançamentos contábeis apontados no item 11.1 acima. 12 Multa isolada – multa de ofício - concomitância A dedução das despesas em tela também reduziu as bases estimadas utilizadas no pagamento das antecipações mensais do IRPJ e da CSLL (estimativas), uma vez que a empresa autuada fez o cálculo dessas antecipações por meio de balancetes de suspensão ou redução. Consequentemente, a glosa dessas despesas teve o efeito de aumentar o valor devido das correspondentes estimativas mensais, pelo que a fiscalização também exigiu a multa isolada em razão do pagamento a menor dessas estimativas. Inicialmente, verifico que as referidas multas isoladas foram exigidas com fundamento no artigo 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007 (fls. 1607 e fls. 1628). Com isso, é forçoso concluir que a Súmula CARF nº 105 não alcança essas multas, uma vez que a referida súmula está expressamente voltada para as multas exigidas com fundamento no artigo 44, §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, dispositivo legal diverso daquele utilizado na espécie. O recorrente se insurge contra a exigência dessas multas isoladas por entender que constituem duplicidade de sanção sobre o mesmo fato, considerando que também estão sendo Fl. 7334DF CARF MF Original Fl. 43 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 cobradas multas de ofício pelo recolhimento a menor dos tributos apurados no final do exercício tributário. A exigência de multa isolada em concomitância com a exigência de multa de ofício tem sido realizada com muita frequência pela Administração Tributária e já deu ensejo a muitos debates no âmbito do CARF. Adoto o entendimento de que não há bis in idem na exigência concomitante dessas duas multas, uma vez que a obrigação de antecipar parcelas estimadas dos tributos tem natureza de obrigação acessória, enquanto a obrigação de pagar os tributos após a ocorrência do fato gerador é, seguramente, obrigação tributária principal. Ademais, comparando as duas sanções, verifica-se que os dispositivos legais sancionadores são distintos, as bases de cálculo são distintas, as condutas são distintas, as sanções são distintas também em seus índices e os momentos de exigência podem ser distintos. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais orienta o acolhimento da exigência simultânea das duas multas. Por exemplo, veja-se o recente Acórdão nº 9101- 003.913, de 4 de dezembro de 2018, o qual adotou a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ posteriores à Lei n° 11.488/2007, quando não justificados em balanço de suspensão ou redução, é cabível a cobrança da multa isolada, que pode e deve ser exigida, de forma cumulativa, com a multa de ofício aplicável aos casos de falta de pagamento do mesmo tributo, apurado de forma incorreta, ao final do período-base de incidência. Com isso, entendo que deve ser mantida a exigência da multa isolada devida pelo pagamento a menor de estimativas. 13 Perícia Por fim, o recorrente requer a realização de perícia com a finalidade de analisar as provas juntadas aos autos e de produzir novas provas, conforme o seguinte excerto (fls. 4514): 9.1. Diante dos diversos equívocos e presunções absurdas da fiscalização, se torna essencial a comprovação pericial do que foi defendido pela Recorrente na presente. 9.2. Desta forma, em razão do grande volume de documentos que precisam ser analisados, a Recorrente novamente requer a produção de prova pericial e a juntada posterior de documentação comprobatória suplementar a fim de demonstrar a regularidade de sua escrituração contábil e a improcedência das cobranças ora contestadas. Verifico que o contribuinte teve a oportunidade de demonstrar a razão de todos os lançamentos contábeis apontados pela fiscalização e teve o empenho da fiscalização para apreciar a sua demonstração, de forma que a fase de dilação probatória foi, no meu entendimento, devidamente exaurida. Ademais, a autoridade julgadora de primeira instância apreciou de forma detida toda a vasta documentação apresentada. A perícia prevista para o curso do contencioso administrativo, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972, é cabível quando o feito não está suficientemente instruído para possibilitar a convicção dos julgadores, necessitando de uma opinião de pessoa especializada em determinada área do conhecimento. Na espécie, entendo que o feito está apto para ser julgado e que o pedido de perícia em tela é uma tentativa de suprir a imperícia do Fl. 7335DF CARF MF Original Fl. 44 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 contribuinte em atender ao seu ônus de prova, transferindo-o para a Administração Tributária, mormente quanto à ausência de demonstração de que o conteúdo dos documentos apresentados está relacionado às infrações apontadas. Ademais, o recorrente já supriu a sua alegada necessidade de apreciação das provas juntadas aos autos ao determinar a realização de uma perícia unilateral, fazendo juntar aos autos o correspondente laudo pericial contábil de fls. 5945, o que foi apreciado no presente julgamento. Assim, entendo que a perícia requerida é desnecessária, pelo que a indefiro. 14 Conclusão Diante das razões acima expostas, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, adotando-se as seguintes providências relacionadas às contas que se lhes seguem: i) Conta 640400 – Aluguel de helicóptero: retirar da base de cálculo do IRPJ e da CSLL os três lançamentos contábeis de 29/03/2013, nos termos do item 1 desse voto; ii) Conta 753520 – Administration Global IC: retirar da base de cálculo do IRRF, nos termos do item 3 desse voto; iii) Conta 679116 – Aluguel de pessoal: retirar da base de cálculo do IRPJ, da CSLL e do IRRF, nos termos do item 4 desse voto; iv) Conta 646000 - Aluguel de Equipamentos: - retirar da base de cálculo do IRPJ, da CSLL e do IRRF os valores relativos às notas fiscais emitidas pela empresa Hamilton Brasil, nos termos do item 5 desse voto; v) Conta 410000 - R&M, Rig General - Reparo e Manutenção: retirar da base de cálculo do IRRF, nos termos do item 6 desse voto; vi) Conta 713100 - Travel Onshore (viagens e estadias): retirar da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos termos do item 8 desse voto; vii) Conta 864005 - Other tax fees and contribution: nos termos do item 9 desse voto, deve-se: (a) retirar da base de cálculo do IRPJ, da CSLL e do IRRF as despesas relativas ao IPTU e à contribuição à associação laboral; (b) retirar da base de cálculo do IRPJ, da CSLL e do IRRF os valores relativos à retenção no valor de R$ 538.337,17, bem como os valores relativos à retenção no valor de R$ 71.385,89; viii) Custos com pessoal: nos termos do item 10 desse voto, deve-se: (a) retirar da base de cálculo do IRRF as despesas escrituradas na conta contábil 531780 - Onshore Indirect - Group (Exps) e na conta contábil 695001 - Recharge Costs/Expenses - Margin, Group; (b) retirar da base de cálculo do IRPJ, da CSLL e do IRRF as despesas escrituradas na conta contábil 713000 - Travel Onshore e na conta contábil 550000 - Other Pers. Expenses - Outros custos com pessoal. ix) Conta 155006 - Account Receivable vs DDL Company: retirar da base de cálculo do IRPJ e da CSLL o montante dos 23 lançamentos contábeis apontados no item 11.1 desse voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 7336DF CARF MF Original Fl. 45 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Neudson Cavalcante Albuquerque Declaração de Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama Inicialmente cumprimento o Relator pela exaustiva e detalhada análise das provas, como pode ser verificar do voto. O objetivo da presente declaração de voto é para esclarecer o meu voto acompanhando pelas conclusões o voto do Relator. Minha única divergência é relativa à glosa da despesa relativa ao aluguel de helicópteros (conta 640400), pelos motivos a seguir deduzidos. A Fiscalização analisou o razão da conta 640400 e concluiu que a despesa relativa ao pagamento de multa contratual não seria dedutível, por fugir a regra de normalidade, usualidade e necessidade para fins de manutenção da fonte produtora. Consta em contrato que seria a Petrobrás quem forneceria o transporte aéreo de todo o pessoal da Recorrente até a plataforma. O Relator entendeu que a Recorrente comprovou o pagamento de parte das multas glosadas (R$ 2.276.297,70), enquanto outras constavam no Livro Razão como “provisão” e deveriam ser mantidas (de acordo com os documentos acostados às e-fls. 4532-4588 – Documento 02). A Recorrente juntou um Laudo Pericial às e-fls. 5937 a 5943 e novos documentos para comprovar que arcou com as despesas, mas nada que comprovasse que assumiu o ônus das multas provisionadas, o que levou o Relator a manter a glosa relativamente a essas despesas. A Recorrente juntou um complemento ao Laudo Pericial em 17/11/2022 (e-fls. 6172 a 6208), onde alega que em 31/12/2013 houve a reversão daquelas provisões no montante de R$ 1.300.000,00, de modo que deveria ser glosado apenas R$ 700.000,00 (diferença entre a provisão de R$ 2.000.000,00 e a reversão de R$ 1.300.000,00): Confira-se o excerto do Laudo Pericial (e-fls. 6174): (...) A contrapartida desse lançamento foi uma redutora no contas a receber a empresa (conta 153000). Nota-se, com isso, que esse lançamento trouxe o efeito de despesa de multa contratual que resulta em uma redutora do faturamento a ser enviado para a Petrobras. Os últimos lançamentos glosados foram descritos na contabilidade da empresa como sendo Provisões para Multas da Petrobras, e por conta dessa descrição de natureza, eles foram mantidos pelo relator na sessão de julgamento do dia 19/10/2022. Tais lançamentos se apresentam assim no razão contábil: Fl. 7337DF CARF MF Original Fl. 46 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 Todavia, para que essas provisões possam ser julgadas adequadamente, é imprescindível considerar o lançamento de reversão dessas provisões que foi realizado em dezembro de 2013: Ora, a reversão da provisão anula qualquer efeito de despesa que esses lançamentos teriam na base de cálculo do Lucro Real. Sendo assim, é possível observar que tais provisões não impactaram o resultado e o Lucro Real de 2013 da maneira como foi inicialmente entendida pela parte julgadora. Portanto, caso o colegiado entenda que tais lançamentos não seriam dedutíveis por conta da descrição de provisão, é necessário que considerem o efeito gerado pela reversão apontada. Já que do montante total de R$ 2.000.000,00 autuados e descritos como provisão, R$ 1.300.000,00 tiveram o lançamento contábil revertido. Gerando assim um efeito de somente R$ 700.000,00 no resultado do exercício. Ocorre que o Recorrente apresentou o argumento acima apenas depois de iniciado o julgamento do recurso, e não foi apreciado pela autoridade fiscal autuante, nem pela DRJ e tampouco pelo Relator. Além disso, pelo fato do contribuinte não ter juntado o Livro Razão por completo ao processo, não é possível concluir que houve a reversão da provisão com o respectivo reflexo no resultado. Além disso, o contribuinte afirma que os valores das multas foram deduzidas pela Petrobrás no pagamento pelos serviços a ela prestados, resultando na dedução de valores recebíveis. Confira excerto do Recurso Voluntário (e-fls. 4467-4468): (A) conta 640400 - Aluguel de Helicóptero - Valor considerado tributável: R$ 4.670.511,89. 4.1 A Recorrente registrava nessa conta provisões relativos a gastos com helicópteros, meio de transporte corriqueiramente utilizado nos trajetos de ida e volta até as plataformas. Conforme apontado pela fiscalização, no contrato com a Petrobras esse transporte era obrigação pecuniária da última. Entretanto, era também essa última que contratava os fornecedores, estabelecia os horários e agendas, limitava quantidade mensal de voos eventuais, controlando essas atividades de forma bastante rígida, por vezes em excesso (não é por acaso que há inúmeros processos judiciais tendo como causa exatamente essas deduções de pagamentos impostas pela Petrobras). Assim, quaisquer atrasos ou outros problemas que impossibilitassem o embarque do pessoal nos horários determinados pela Petrobras - por mais que houvesse motivos justificáveis, como problemas com trânsito em terra, atrasos em outros vôos/logística até o embarque, dentre outros - geravam a obrigação contratual de a Recorrente arcar Fl. 7338DF CARF MF Original Fl. 47 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 com os respectivos valores relativos aos dispêndios com remarcação dos vôos e correlatos, e assim ela o fazia. 4.2 A fiscalização, entretanto, analisou a questão de forma superficial, ou seja, apenas sob a ótica das despesas, resultando na equivocada cobrança através da autuação impugnada. Essas multas, na realidade, eram deduzidas pela Petrobras quando do pagamento das notas fiscais de serviços da Recorrente, resultando numa redução dos recebíveis. Como exemplo, digamos que em determinado mês a Recorrente tivesse R$ 1.000,00 a faturar contra a Petrobras e esta, neste mesmo mês, tivesse R$ 100,00 em multas a cobrar da Recorrente. A Recorrente emitia sua nota fiscal de serviços no total de R$ 1.000,00 (tributando integralmente tais valores, inclusive para fins de ISS). A Petrobras deduzia os R$ 100,00, de modo que a contribuinte recebia apenas R$ 900,00. Visando refletir tais operações em seu balanço, a Recorrente registrava a despesa dos R$ 100,00. A tributação de valores que não correspondem à renda ou ao lucro das sociedades, como pretende a fiscalização, violaria diretamente os princípios da capacidade contributiva e ao não-confisco. 4.3 Ou seja: o que a fiscalização chama de dedução indevida, na realidade foi apenas o reflexo contábil/fiscal da redução efetiva dos valores recebidos, pois, seguindo esse exemplo, não seria correto tributar R$ 1.000,00 enquanto se recebeu R$ 900,00 (com os R$ 100,00 tendo sido arcados pela Recorrente, cumprindo disposição contratual). Faz-se importante lembrar um detalhe adicional: a Petrobras efetuava as retenções dos tributos sobre o valor de R$ 1.000,00. Ou seja, a contribuinte, além de oferecer os R$ 1.000,00 à tributação - muito embora tivesse recebido apenas R$ 900,00 - ainda sofria a retenção dos tributos sobre o valor maior (R$ 1.000,00). Em resumo, tal prática lhe causou dois prejuízos, pois, além de tributar valores superiores aos efetivamente recebidos de seu cliente (majoração da carga tributária), sofria a retenção dos tributos também sobre essa base majorada (prejudicando seu fluxo de caixa). Ocorre que o contribuinte não apresentou nenhum documento que comprove que: 1)emitia as notas fiscais de serviço com os valores brutos e recebia os valores com o desconto das multas. O contribuinte havia juntado o doc_7 no E-processo (e-fls. 3205 a 3222 e 3329 a 3346) na impugnação ao auto de infração. Contudo verifico que nas notas fiscais emitidas não está consignado que o valor a ser pago teria deduzida a multa. Confira-se, p. exemplo, a notas fiscais à e-fl. 3330: Fl. 7339DF CARF MF Original Fl. 48 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 2)A Recorrente também não apresentou a escrituração fiscal que comprovasse que a receita reconhecida foi reconhecida pelo montante bruto e que o valor pago pela Petrobrás foi com o desconto da multa. 3) O contribuinte apresentou como prova das multas o “documento 02” juntado no recurso voluntário às e-fls. 4532 a 4588). No documento constam em planilha multas relativas ao ano calendário 2012:. Ora, considerando que os demonstrativos de multas são de fatos ocorridos no ano- calendário de 2012, entendo que o documento apresentado não é hábil a comprovar a dedutibilidade da despesa no ano-calendário 2013. Fl. 7340DF CARF MF Original Fl. 49 do Acórdão n.º 1201-005.666 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12448.720872/2018-55 A Recorrente juntou aos autos as notificações de multa emitidas pela Petrobrás, como “Documento 02” do RV , às e-fls. 4532 a 4588. Contata-se que a apesar das notificações serem datadas de janeiro de 2013, o período a que se referem as multas é do AC 2012. Concluo portanto que o contribuinte não logrou comprovar a dedutibilidade das despesas das multas. (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 7341DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10880.903871/2014-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 1201-005.721
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.720, de 15 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10880.909380/2013-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado), Viviani Aparecida Bacchmi, Thais de Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2005 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade do ato administrativo lavrado por autoridade competente, devidamente fundamentada e com a observância dos requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo tributário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PER/DCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade e no recurso voluntário devem ser acompanhadas de provas suficientes que confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÃO NA FONTE. MEIO DE PROVA. OMISSÃO DA FONTE PAGADORA. SÚMULA Nº 143, CARF. O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora ou, mediante outros meios de prova, conforme estabelece a Súmula nº 143, CARF. É necessária a efetivamente demonstração da retenção, no sentido que o contribuinte recebeu o valor líquido do IRRF. Do contrário, prevalecem as informações constantes dos comprovantes de rendimentos e imposto retido na fonte e das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para reconhecimento do direito creditório. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.720, de 15 de dezembro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10880.909380/2013-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 38 71 /2 01 4- 86 Fl. 263DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.721 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903871/2014-86 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Fernando Beltcher da Silva (suplente convocado), Viviani Aparecida Bacchmi, Thais de Laurentiis Galkowicz e Neudson Cavalcante Albuquerque. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Por bem apresentar os detalhes dos fatos ocorridos até a decisão da DRJ, colaciono o relatório do Acórdão recorrido in verbis: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento [...], emitido eletronicamente em [...], referente ao crédito demonstrado no PER/DCOMP nº [...]. O tipo do crédito utilizado é Saldo negativo de IRPJ/CSLL, do ano-calendario [..]. Conforme DIPJ e PER/DCOMP, o valor desse saldo negativo seria igual a R$ [..]. No despacho, foi reconhecido R$ [..]. Como enquadramento legal são citados os seguintes dispositivos: art. 168 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN); § 1º do art. 6º e art. 74 da Lei n.º 9.430, 27 de dezembro de 1996; art. 4º e art. 36 da IN RFB n.º 900, de 30 dedezembro de 2008. O detalhamento das parcelas confirmadas encontra-se no documento intitulado “Despacho Decisório - Análise de Crédito”. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade com suas razões de discordância. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade. Irresignada com essa decisão, a Contribuinte recorre a este Conselho, por meio de petição em que reprisa o mérito no sentido de estar comprovado o direito ao saldo negativo de IRPJ/CSLL que fora pleiteado. Ademais, aduz existir no caso concreto: i) incompetência da Autoridade Fiscal para Fiscalizar a Apuração de Saldo Negativo da Recorrente; ii) violação ao Princípio da Verdade Material, haja vista a superficialidade do trabalho fiscal. É o relatório. Fl. 264DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.721 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903871/2014-86 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo (cf. despacho de fls 191) e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre afastar a alegação de nulidade do julgamento por suposta incompetência da Autoridade Fiscal para fiscalizar a apuração de Saldo Negativo da Recorrente. As afirmações da defesa no sentido da necessidade de utilização de MPF não se aplica ao presente caso. Não se trata aqui de lançamento tributário lavrado para cobrar débito do contribuinte perante a União. Trata-se, isto sim, de processo de restituição de indébito (saldo negativo de IRPJ) executado por meio de PER/DCOMP, em que o contribuinte procura demonstrar seu direito ao crédito perante a Fazenda Nacional. Não são cabíveis, portanto, os procedimentos de instauração de fiscalização via MPF (atualmente via TDPF). O mesmo se diga sobre a alusão às hipóteses de revisão de ofício (art. 149 do CTN) para justificar a pretensa nulidade in casu. Novamente, aqui não se está cuidando de processo de cobrança via lançamento tributário, de forma que é descabida a argumentação apresentada pela Recorrente. Também não tem razão a Recorrente sobre a violação ao princípio da Verdade Material por superficialidade do trabalho fiscal. Sustenta esse ponto a Recorrente afirmando que no concreto, o procedimento de investigação da regularidade do direito creditório se deu de maneira inteiramente automatizada, o que culminaria em sua nulidade. Com efeito, o sistema automatizado de verificação de pedidos de ressarcimento/restituição via PER/DCOMP existe e é alimentado pelas declarações constantes no sistema da Receita Federal. Isso, per se, não é causa de nulidade. Essa haveria caso o ato administrativo fosse despido de seus requisitos essenciais. Inclusive caso o contribuinte ficasse privado do conhecimento do porquê da negativa do direito que pleiteia, na contramão do art. 2º da Lei 4.717/65. Porém, no caso concreto, pela análise do despacho decisório vê-se claramente que o motivo da homologação parcial do crédito foi a não comprovação de determinadas retenções declaradas, o que possibilitou inclusive a perfeita defesa do contribuinte contra esse ponto em sede de manifestação de inconformidade. Não há lugar, portanto, para se falar em preterição do direito de defesa a ensejar a aplicação do artigo 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Trata-se de ato devidamente motivado, nos termos do artigo 50 da Lei n. 9.764/96, não havendo nulidade a ser sanada. Fl. 265DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.721 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903871/2014-86 Pois bem, com relação ao mérito, a lide cinge-se ao crédito, o qual não foi integralmente homologado sob a argumentação de falta de documentação comprobatória da retenção de terceiros. É certo que a Lei nº 7.450/85 estabelece, em seu artigo 55, que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Ainda, o artigo 86 da Lei nº 8.981/95 obriga as fontes pagadoras a fornecer tais documentos e fixa multa de cinqüenta Ufirs por documento que deixar de ser fornecido ou fornecido com inexatidão. Entretanto, já é pacífico na jurisprudência deste Conselho que o comprovante de retenção não é o único meio de prova para fins de dedução da retenção pelo beneficiário do rendimento, até porque seu direito não pode ser inviabilizado pela conduta omissiva da fonte pagadora. Nesse sentido, foi emitido o enunciado sumular de n. 143: Súmula CARF nº 143: A prova do imposto de renda retido na fonte deduzido pelo beneficiário na apuração do imposto de renda devido não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Com efeito, não há como impor um ônus para um contribuinte cujo atendimento depende única e exclusivamente de conduta a ser praticada por outro contribuinte (emissão de comprovante de rendimentos e de retenção na fonte). No caso concreto a decisão da DRJ já bem levou em conta tal pressupostos, passando a analisar a documentação apresentada pela contribuinte, manifestando-se nos seguintes termos: A interessada não anexa ao processo comprovantes de rendimentos e retenção na fonte emitidos pelas fontes pagadoras para confirmação das retenções de IRPJ que alega ter em seu favor no ano-calendario 2008. A ausência dos comprovantes de rendimentos e retenção na fonte pode ser suprida, quando possível, pelos registros constantes nos bancos de dados da Receita Federal em relação às retenções na fonte informadas pelas fontes pagadoras na DIRF. Entretanto, em pesquisa aos bancos de dados da Receita Federal, não foram confirmadas nas DIRF entregues pelas fontes pagadoras, para o ano-calendario 2008, retenções de IRPJ na fonte em benefício da interessada além das já confirmadas no despacho decisório. (...) Certo é que o contribuinte não pode ser prejudicado por um eventual descumprimento de obrigação acessória por terceiros – a possível não emissão dos comprovantes de rendimentos pelas fontes pagadoras ou erros nas informações neles prestadas. Portanto, o beneficiário pode comprovar a retenção na fonte do imposto de renda por intermédio de um conjunto de documentos que demonstrem a origem e o valor da operação, do imposto retido e do recebimento, pelo prestador do Fl. 266DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.721 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903871/2014-86 serviço, de montante tal que configure a retenção do imposto por parte da fonte pagadora. No presente caso, em substituição ao Comprovante Anual de Retenção de Imposto de Renda na Fonte a interessada anexa ao processo notas fiscais de sua emissão, nas quais constam a informação e o cálculo da retenção de imposto de renda na fonte. A simples anotação, nas notas fiscais, dos valores que, segundo entendimento da interessada, seriam devidos a título de IRRF não constitui prova suficiente da efetiva retenção em seu favor. Por hipótese, meramente para efeito de raciocínio, digamos que o valor apontado estivesse em desacordo com a legislação tributária, seja para mais ou para menos. A fonte pagadora, a quem cabe a responsabilidade tributária pela retenção, faria os cálculos corretos e deduziria do valor a ser pago ao prestador do serviço aquele por ela calculado, independentemente do valor anotado no documento fiscal. Numa outra hipótese, também meramente para efeito de raciocínio, consideremos que a fonte pagadora, ao efetuar o pagamento do serviço prestado, optasse por fazer o pagamento integral, sem a retenção do imposto de renda na fonte. Embora ela esteja desrespeitando o que determina a legislação, somente ela responderá, no futuro, por essa infração – afinal, o prestador do serviço não estaria sendo lesado, apenas não teria antecipação em seu favor para lançar como dedução. O que pretendo demonstrar, com os exemplos hipotéticos apresentados acima é que, pelo fato de a retenção ser ato de responsabilidade da fonte pagadora, documentos emitidos apenas pelo prestador de serviço, como as notas fiscais, são insuficientes para comprová-la. (...) Assim, na ausência do comprovante de retenção emitido pela fonte pagadora, documento definido pela legislação como suficiente para fazer prova em favor do beneficiário, é preciso que aquele que sofre a retenção na fonte comprove esse fato pela apresentação de um conjunto de documentos que demonstrem a prestação do serviço (emissão de nota fiscal), a escrituração contábil dos fatos (registro da prestação do serviço e do recebimento) e o efetivo valor recebido (recibos ou extratos bancários), demonstrando de forma clara a vinculação entre os documentos apresentados e as eventuais diferenças, sem transferir ao julgador esse ônus. Apesar desse alerta feito pela DRJ, a contribuinte recurso voluntário reafirma a necessidade de serem levados em consideração os documentos acostados à manifestação de inconformidade. Não apresenta qualquer documento adicional no sentido de comprovar o recebimento líquido, já descontado o IRRF. Sobre o tema, vale destacar decisão proferida pelo CARF no Acórdão nº 1802002.244, do qual sublinham-se as seguintes passagens: A Recorrente sustenta que a controvérsia ora posta à apreciação e decisão desta Egrégia Corte Administrativa é exclusivamente a seguinte: as notas fiscais emitidas pela contribuinte, nas quais exista a identificação da retenção do IRPJ e CSLL, são provas hábeis a comprovar a retenção e, consequentemente, o montante do saldo negativo de IRPJ e da base de cálculo negativa de CSLL pleiteados nas DCOMP's . A recorrente em seu recurso voluntário afirma que os comprovantes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras não seriam a única forma de comprovar as retenções sofridas e que as notas fiscais já apresentadas, bem como a Fl. 267DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.721 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903871/2014-86 jurisprudência administrativa dos Conselhos de Contribuintes corroboram o seu entendimento e amparam a sua pretensão. (...) A Recorrente aduz que, ao exigir a apresentação das DIRFs como único documento apto a comprovar as retenções realizadas, está a autoridade fiscal e, por consequência, também a Turma de Julgadora de 1a instância, atribuindo à ora Recorrente a responsabilidade solidária, tanto pelo tributo retido e eventualmente não recolhido pela fonte pagadora, como também pelo descumprimento de obrigação acessória, consistente na omissão de informações nas DIRFs. A questão dos autos não é de imputação de responsabilidade atribuída ao contribuinte. Mas do confronto de provas necessárias à comprovação do indébito arguída pelo interessado. (...) Com efeito, as notas fiscais com mera indicação de tributos retidos na fonte tem-se como prova indiciária mas não comprovam a retenção no período, tampouco se sobrepõem nem invalidam as informações constantes dos comprovantes de rendimentos e imposto retido na fonte e das DIRF utilizadas pela Administração Tributária para o reconhecimento do direito creditório. Nada impedira a Recorrente em apresentar elementos que pudessem contradizer os comprovantes de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos ou as informações das DIRF, apresentando caso a caso, cliente a cliente, as inexatidões ou incorreções das informações prestadas pelas fontes pagadoras. (...) Embora a comprovação da retenção do imposto de renda na fonte possa em tese ser efetuada por outros elementos indiciários, cabe ao contribuinte trazer aos autos além das notas fiscais, prova robusta da apresentação de elementos hábeis e idôneos da existência da retenção do imposto de renda, por ele indicado nas notas fiscais. (...) Portanto, notas fiscais sem a comprovação de que o emitente sofreu o ônus da retenção do tributo não faz prova por si só. É necessário que o contribuinte traga aos autos o conjunto probatório de que recebeu apenas o valor líquido, ou seja, o valor da nota fiscal deduzido do tributo retido. Os precedentes desse Colegiado são no mesmo sentido, como se vê do Acórdão 1201-005.520, de 7 de setembro de 2021: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Exercício: 2004 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA DE DIRF E INFORME DE RENDIMENTO. OUTROS MEIOS DE PROVA DA RETENÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO Ainda que ausentes as DIRFs e os Informes de Rendimentos das fontes pagadoras, a prova da efetiva retenção do IRRF que formou saldo negativo de IRPJ que lastreia crédito utilizado em compensação pode ser efetuada por outros meios documentais. A prova da retenção do IRRF deve ser feita por documento hábil, de modo que expresse de forma cabal a quitação ou a constituição do débito, sua correlação direta com o rendimento creditado e ofertado à tributação, bem como a titularidade do contribuinte desse rendimento percebido. Não se faz Fl. 268DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.721 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903871/2014-86 prova apenas com documentos produzidos pelo próprio contribuinte, como notas fiscais e razões contábeis. Os extratos precisam mostrar claramente o recebimento líquido do montante recebido da fonte pagadora Lembre-se que aqui estamos diante de pedido de crédito formalizado pelo contribuinte, em pedido de compensação declarada em PER/DCOMP. O instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 1 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Assim é que, no presente caso, a recorrente não se desincumbiu do ônus da prova de demonstrar o direito que alega. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. 1 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontram-se regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 269DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.721 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.903871/2014-86 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 270DF CARF MF Original

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9702612 #
Numero do processo: 10880.953117/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 20 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição, obscuridade ou lapso manifesto, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento: Art. 65 do Ricarf.
Numero da decisão: 3201-010.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanear a omissão apontada pelo Embargante, sendo decidido, no mérito, por maioria de votos, por fazer constar do acórdão embargado a reversão das glosas identificadas no item 1 do capítulo IV do Termo de Verificação Fiscal (TVF), com exceção dos dispêndios identificados como “administração”, “alojamento agrícola”, “serviços de habitação”, “serviços auxiliares”, “tr administrada mecânico” e “serviços recreativos”, vencido, nessa parte, o conselheiro Ricardo Sierra Fernandes, que, inobstante admitir a ocorrência da omissão, mantinha as referidas glosas. Na reunião de outubro de 2022, a conselheira Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada) e o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votaram no sentido de acompanhar o relator. Todos os demais conselheiros presentes na sessão das 14h do dia 20/12/2022 também votaram, tendo-se, portanto, sido computados oito votos (seis da presente sessão e dois da reunião de outubro de 2022). (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafeta Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ricardo Sierra Fernandes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Marcio Robson Costa, Marcelo Costa Marques d´Oliveira (suplente convocado), Hélcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA

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IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Havendo omissão, contradição, obscuridade ou lapso manifesto, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Fundamento: Art. 65 do Ricarf. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanear a omissão apontada pelo Embargante, sendo decidido, no mérito, por maioria de votos, por fazer constar do acórdão embargado a reversão das glosas identificadas no item 1 do capítulo IV do Termo de Verificação Fiscal (TVF), com exceção dos dispêndios identificados como “administração”, “alojamento agrícola”, “serviços de habitação”, “serviços auxiliares”, “tr administrada mecânico” e “serviços recreativos”, vencido, nessa parte, o conselheiro Ricardo Sierra Fernandes, que, inobstante admitir a ocorrência da omissão, mantinha as referidas glosas. Na reunião de outubro de 2022, a conselheira Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada) e o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade votaram no sentido de acompanhar o relator. Todos os demais conselheiros presentes na sessão das 14h do dia 20/12/2022 também votaram, tendo-se, portanto, sido computados oito votos (seis da presente sessão e dois da reunião de outubro de 2022). (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafeta Reis - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Lara Moura Franco Eduardo (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ricardo Sierra Fernandes, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, Marcio Robson Costa, Marcelo Costa Marques d´Oliveira (suplente convocado), Hélcio Lafeta Reis (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 31 17 /2 01 3- 14 Fl. 975DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 Relatório A presente lide administrativa fiscal tem como objeto o julgamento dos Embargos de Declaração juntados em fls. 775 pelo contribuinte em razão de possível omissão no Acórdão de fls. 608. Como de costume, o despacho de admissibilidade dos Embargos foram juntados aos autos, em fls. 960, e será transcrito a seguir: “Trata-se de Embargos de Declaração manejados pelo contribuinte em desfavor do Acórdão nº 3201-004.164,de 28 de agosto de 2018, cujos fundamentos podem ser resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE CANA, AÇÚCAR E DE ÁLCOOL. A fase agrícola do processo produtivo de cana-de-açúcar que produz o açúcar e álcool (etanol) também pode ser levada em consideração para fins de apuração de créditos para a Contribuição em destaque. Precedentes deste CARF. NÃO CUMULATIVIDADE. ARRENDAMENTO RURAL. PAGAMENTO PARA PESSOA JURÍDICA. CREDITAMENTO. O arrendamento de imóvel rural, quando o arrendador é pessoa jurídica e sua utilização se dá na atividade da empresa, gera direito ao crédito previsto no art. 3º, IV das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR. EMPRESA VENDEDORA QUE NÃO EXERCE ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. O art. 8º da lei nº 10.925/04 prevê que a aquisição de mercadorias de origem vegetal destinados à alimentação humana dá direito a crédito presumido ao adquirente. O fato da empresa vendedora não desenvolver uma atividade agropecuária impede o respectivo creditamento. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. Dá direito a crédito na operação de açúcar e álcool a aquisição dos seguintes bens e serviços: produtos químicos diversos; produtos químicos para análise (reagentes e corantes); produtos químicos para tratamento de água, contendo biocida, fungicida, algicida, cloros, resinas, catalizadores, removedores, limpadores, solventes, e reagentes utilizados em tratamento de água; análises laboratoriais e limpeza O mesmo vale para os custos com aquisição de maquinários e depreciação de bens relacionados às atividades aqui descritas. NÃO CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. CRÉDITOS. Fl. 976DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 No regime da não cumulatividade, o contribuinte tem o direito à apuração e ao aproveitamento de créditos relativos às despesas com aquisição de energia elétrica. NÃO CUMULATIVIDADE. ÓLEO DIESEL, LUBRIFICANTES E GRAXAS UTILIZADOS EM VEÍCULOS E MÁQUINAS NA FASE AGRÍCOLA. PRODUÇÃO DA CANA. DIREITO AO CREDITAMENTO. Dá direito a crédito a aquisição de graxas, lubrificantes e óleo diesel utilizados em maquinários e veículos empregados na fase agrícola da produção do açúcar e álcool. SERVIÇO COLETA DE LIXO E RESÍDUOS. TRANSPORTE DO BAGAÇO DE CANA. O transporte de resíduos é necessário para evitar danos ambientais decorrentes da colheita, havendo firme jurisprudência do CARF no sentido de garantir o creditamento sobre as despesas com remoção de resíduos. O transporte da torta e do bagaço (sub produtos) também se mostram essenciais. Isto porque a "torta" é utilizada como fertilizante rico em matéria orgânica e nutrientes, conforme atesta o Laudo Técnico. NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DE EMBALAGEM OU DE TRANSPORTE QUE NÃO SÃO ATIVÁVEIS. DIREITO AO CREDITAMENTO. É considerado como insumo, para fins de creditamento das contribuições sociais, o material de embalagem ou de transporte desde que não sejam bens ativáveis, uma vez que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, já que garante que o produto final chegará ao seu destino com as características almejadas pelo comprador. DESPESAS PORTUÁRIAS. FRETES. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. Os gastos logísticos na aquisição de insumos geram direito ao crédito, como componentes do custo de aquisição. Tendo em vista o Resp 1.221.170/PR, os gastos logísticos essenciais e/ou relevantes à produção dão direito ao crédito. Incluemse no contexto da produção os dispêndios logísticos na movimentação interna ou entre estabelecimento da mesma empresa. Os gastos logísticos na operação de venda também geram o direito de crédito, conforme inciso IX do artigo 3º das Leis 10.833/2003 e 10.637/2002. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Assim decidiu o colegiado: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos seguintes: I Por unanimidade de votos: a) reverter as glosas de créditos decorrentes de arrendamentos agrícola celebrados com pessoas jurídicas, ressaltando que deve limitarse ao percentual que a Recorrente tem direito no resultado da parceria (na concessão do crédito, devese observar o disposto no art. 31, § 3º, da Lei nº 10.865, de 2004); b) manter todas as glosas de créditos presumidos e crédito geral (adquiridos com suspensão), decorrentes da aquisição de canadeaçúcar (para produção do açúcar e álcool) adquiridas de pessoas jurídicas que não exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária (conforme item 9 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão); c) reverter todas as glosas de créditos decorrentes da aquisição de óleo diesel para uso em caminhões, maquinários agrícolas e veículos, fase agrícola da produção (conforme item 10 voto reproduzido no voto condutor do acórdão); Fl. 977DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 d) reverter às glosas referente aos combustíveis, lubrificantes e graxas empregados nos maquinários, veículos e tratores na fase agrícola, conforme disposto no item 12.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão; e) reverter as glosas de materiais de embalagem ou de transporte, que não sejam ativáveis, mais precisamente dos seguintes itens: containeres big bag, lacres, sacos polipropileno, fitas adesivas, fio de costura e lacres, conforme disposto no item 12.3 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão; f) manter as glosas de créditos decorrentes da aquisição dos variados tipos de partes e peças que foram creditados, não como bens do ativo imobilizado, mas sim como insumos, identificados no Centro de Custo Não Identificado "Insumos Indiretos", conforme disposto no item 12.4 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Não obstante a glosa como insumo, deve ser concedido ao Recorrente o direito ao crédito correspondente à depreciação dos bens que deveriam ser ativados; g) reverter as glosas de créditos decorrentes da aquisição de produtos químicos utilizados nas análises laboratoriais e para limpeza de maquinário industrial (item 7.2.5 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Produtos Químicos Não Utilizados na Produção "PQuimico n prod", conforme disposto no item 12.5 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão; II Por voto de qualidade: a) reverter as glosas que recaíram sobre o centro de custo IDENTIFICADOS agrícola "CC AGRÍCOLA", com exceção dos itens relacionados, sobre as quais devem permanecer as glosas imputadas pelo Fisco, conforme disposto no item 11.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; b) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS, Não Ligado a Produção " CC NÃO LIG PROD", conforme disposto no item 11.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; c) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo IDENTIFICADOS "CCP MAT N PROD" (item 7.1.3, do TVF), com exceção dos itens: serviço de coleta de lixo e resíduos e do transporte da torta e do bagaço (sub produtos), que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 11.3 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; d) manter as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo NÃO IDENTIFICADO inseticidas e formicidas, que deverão ser revertidos, conforme disposto no item 12.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; e) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens Utilizados na área Agrícola (item 8.1 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.1 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; f) reverter as glosas de créditos referente às depreciações realizadas, identificadas no item DEPRECIAÇÃO de Bens não ligados a Produção (item 8.2 do TVF), com exceção do itens relacionados, conforme o contido no item 13.2 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento ao Recurso; e, III Por maioria de votos, reverter as glosas de créditos decorrentes de gastos com serviços relacionados ao porto, com destaque para as de movimentação armazenagem, embarque, despesas de movimentação de produtos acabados dentro do parque industrial e estadia (item 7.2.6 do TVF), identificado no Centro de Custo Não Identificado Despesas Portuárias disposto no item 12.6 do voto reproduzido no voto condutor do acórdão. Vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator) que, no ponto, Fl. 978DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 negava provimento ao Recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Fez sustentação oral o patrono do contribuinte, Dr. Carlos Linek Vidigal, OAB/SP nº 227866. Em face do Acórdão nº 3201-004.164, que deu parcial provimento ao recurso voluntário, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, que ensejou o Despacho de Admissibilidade, fls. 764/ 768, com seguimento total. Da tempestividade do recurso A interessada, cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário em 09/12/2020, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fl. 772, interpôs tempestivamente Embargos de Declaração em 11/12/2020, conforme Termo de Solicitação de Juntada, fl. 773, nos termos da disposição regimental do 1§ 1º do artigo 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e através do Termo de Solicitação de Juntada, fl. 807, apresentou contrarrazões ao recurso especial do Procurador. Das alegações da embargante Os aclaratórios apresentados pela embargante suscitam os vícios de omissão contradição e obscuridades nos seguintes termos: Ocorre que, como será demonstrado a seguir, alguns pontos decididos do v. acórdão merecem ser saneados. Verificou-se uma omissão e algumas contradições/obscuridades relativamente ao critério aplicado para serem canceladas glosas de alguns itens, todavia para outras glosas de mesma identidade não foi cancelado o crédito tributário. (...) Importante ressaltar de início que o Acórdão nº 3402-004.759 da Turma 3402 possuía uma clara omissão pois não julgou o Item 1. Agrícola do Termo de Verificação Fiscal – “TVF” daquele auto de infração. Como aquele TVF é replicado em todos os processos de PER/DCOMP do ano-calendário de 2011, incluindo-se o presente caso, o v. acórdão embargado possui a mesma omissão. Ao final requer que sejam recebidos e providos os presentes Embargos de Declaração para: (i) Sanar a omissão apontada no TÓPICO III.1 do presente recurso, de modo a ser julgado o TÓPICO IV.4.1 do Recurso Voluntário relativo ao item 1 do TVF (centro de custos contendo serviços aplicados na fase de produção agrícola), conforme já reconhecida tal omissão no Despacho nº 3402-S/Nº (Doc. nº 01) que admitiu os embargos da contribuinte no Acórdão paradigma nº 3402-004.759 para serem canceladas todas as glosas conforme requerido no Recurso Voluntário, eis que todas enquadráveis no conceito de insumo definido no julgamento e na jurisprudência do CARF; e (ii) Sanar as contradições e obscuridades apontadas nos TÓPICOS III.2.1, III.2.2 E III.2.3 destes embargos, de modo a uniformizar os critérios de julgamento sobre os itens em debate, modificando o v. acórdão embargado para ser dado provimento ao recurso voluntário e canceladas as glosas apontadas em todos aqueles itens acima indicados. São esses os fatos. Do exame de admissibilidade Passo à análise dos pressupostos de admissibilidade do apelo. O artigo 652 do Regimento Interno do CARF estabelece que cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos ou quando for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Registre-se que, com relação ao vício de omissão, deve-se verificar se a decisão embargada de fato silenciou sobre a matéria suscitada nos Embargos de Declaração, ou se deixou de abordá-la porque não foi expressamente contestada do recurso voluntário, de modo que, dá-se omissão quando a decisão não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pela recorrente, ou que os julgadores deveriam pronunciar-se de ofício. Fl. 979DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 Antes de adentrar à verificação do vício apontado, faz-se importante pontuar as lições doutrinárias de Humberto Theodoro Junior3, que ressalta que o pressuposto de admissibilidade dessa espécie de recurso é a existência de obscuridade ou contradição na sentença ou no acórdão, ou omissão de algum ponto sobre que devia pronunciar-se o juiz ou tribunal, porém em qualquer caso, a substância do julgado será mantida, visto que os embargos de declaração não visam à reforma do acórdão. Merecem destaque, ainda as ponderações de Daniel Amorim4: O (...) CPC consagra três espécies de vícios passíveis de correção por meio de embargos de declaração: obscuridade, contradição (...) e omissão. (...) A omissão refere-se à ausência de apreciação de questões relevantes sobre as quais o órgão jurisdicional deveria ter se manifestado, inclusive as matérias que deva conhecer de ofício. Ao órgão jurisdicional é exigida a apreciação tanto dos pedidos como dos fundamentos de ambas as partes a respeito desses pedidos. Sempre que se mostre necessário, devem ser enfrentados os pedidos e os fundamentos jurídicos do pedido e da defesa, sendo que essa necessidade será verificada no caso concreto, em especial, na hipótese de cumulação de pedidos, de causas de pedir e de fundamento de defesa.(...) É importante a distinção entre enfrentamento suficiente e enfrentamento completo. O órgão jurisdicional será em regra obrigado a enfrentar os pedidos, causas de pedir e fundamentos da defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. O órgão jurisdicional deve enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, não estando obrigado a enfrentar as alegações feitas pela parte a respeito dessa questão, bastando que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão. (grifos não originais).(...) A função dos embargos de declaração não é modificar substancialmente o conteúdo das decisões impugnadas (...). O terceiro vício que legitima a interposição dos embargos de declaração é a contradição, verificada sempre que existirem proposições inconciliáveis entre si, de forma que a afirmação de uma logicamente significará a negação da outra. Essas contradições podem ocorrer na fundamentação, na solução das questões de fato e/ou de direito, bem como no dispositivo, não sendo excluída a contradição entre a fundamentação e o dispositivo, considerando-se que o dispositivo deve ser a conclusão lógica do raciocínio desenvolvido durante a fundamentação. O mesmo poderá ocorrer entre a ementa e o corpo do acórdão e o resultado do julgamento proclamado pelo presidente da sessão e constante da tira ou minuta e o acórdão lavrado. (grifo original). Pondere-se por oportuno que para o exame dos vícios suscitados de omissão, contradição e obscuridade necessário se faz destacar a estrutura decisória do acórdão embargado que delimita as balizas interpretativas que nortearam referida decisão: a) Adotou os fundamentos do Acórdão nº 3402-004.759, de 25/10/2017, referente ao processo nº 10880.723546/2015-12 (auto de infração de PIS/Cofins), visto que entendeu tratar-se de idêntico quadro fático e jurídico, ainda que acrescente considerações adicionais; Cabe destacar que, no bojo da mesma ação fiscal, a fiscalização, ao apreciar os pedidos de ressarcimento, lavrou o auto de infração de PIS/Cofins protocolizado sob o nº 10880.723546/2015-12, em face da falta de recolhimento dessas contribuições (mera consequência das glosas de créditos). Trata-se, portanto, de processo administrativo com idêntico quadro fático e jurídico. (...) Sendo o mesmo contexto, passamos a adotar também aqui, como razão de decidir, os fundamentos encartados no voto condutor do Acórdão nº 3402004.759 (apenas em parte vencido), mas a respeito dos quais faremos, ao final de sua reprodução, algumas importantes considerações, que, como se verá, nos levarão a adotar, em algumas matérias, entendimento dele divergente (todavia, transcreveremos na íntegra o voto apenas para que aos demais integrantes da Turma seja dado pleno conhecimento das controvérsias): (destaques não originais). Fl. 980DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 b) Adotou o conceito de insumo para análise das glosas segundo a tese firmada pelo STJ, quanto à pertinência e essencialidade: Vemos que o litígio versa sobre o conceito de insumos para o efeito da apuração do PIS/Cofins não cumulativo, definição que, no entender do Superior Tribunal de Justiça STJ, em decisão proferida na sistemática dos recursos repetitivos (portanto, de observância aqui obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), deve atender aos critérios da essencialidade e da relevância, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância do bem ou serviço na atividade econômica realizada pelo contribuinte (Recurso Especial nº 1.221.170/PR): Nesse sentido, analisa-se a seguir os vícios apontados de omissão, contradição e obscuridade. DA OMISSÃO Argui a Embargante que o acórdão não julgou o TÓPICO IV.4.1 do Recurso Voluntário, referente ao item 1 do Termo de Verificação Fiscal (TVF). Destaca a Embargante: Verificou-se que o v. acórdão não julgou o TÓPICO IV.4.1 do Recurso Voluntário, referente ao item 1 do TVF do Auto de Infração, relativamente a serviços sob as seguintes rubricas de despesas: “Administração, Alojamento Agrícola, Carregamento/Reboque Cana, Colhedeiras de Cana, Colheita de Cana, Corte Mecanizado, Departamento Fornecedor Cana, Desenvolvimento Agronômico, Estaleiro, Estradas/Cercas/Pontes, Mecanização Agrícola, Mão de Obra Agrícola, Oficina Mecânica, Plantio, Portos, Preparo do Solo, Reboque de Cana, Reflorestamento/Meio Ambiente, Replanta de Cana Soca, Serviços Auxiliares, Serviços de Fornecedores de Cana, Serviços Habitação, Serviços Recreativos, Topografia, Tr Administrada Mecânico, Transporte Fornecedor Cana Picada, Transporte Agrícola, Transporte Cana, Transporte Fornecedor de Cana, Transporte Manual Cana, Transporte Mecânico da Cana, Transporte Terceirizado da Cana, Trato da Cana, Trato da Planta, Trato da Soca e Vinhaça.” Note-se que embora se refira a Embargante ao TÓPICO IV.4.1 do Recurso Voluntário, este corresponde ao tópico do recurso voluntário julgado através do Acórdão nº 3402- 004.759, referente ao processo nº 10880.723546/2015-12, cujos fundamentos como já ressaltado foram adotados como razão de decidir no presente processo. Assim, se verifica que a matéria referente às despesas incorridas na área agrícola está arguida no tópico 5V.4.1, do recurso Voluntário (fls. 491/ 497, do presente processo: As conclusões acima demonstram o descabimento da alegação aduzida pela D. Fiscalização, no sentido de que os itens relativos à lavoura (agrícola) não fariam parte do processo produtivo, bem como em vista da afirmação contida no v. Acórdão recorrido no sentido de que não haveria direito de crédito em razão do fato de que a cana-de-açúcar produzida não seria destinada à comercialização, sendo de rigor o reconhecimento do direito de crédito. Seja pela essencialidade no processo produtivo desenvolvido pela RECORRENTE, seja pelo tratamento consagrado pela legislação, doutrina e jurisprudência, não há justificativa para a glosa realizada pela D. Fiscalização quanto aos créditos decorrentes dos bens e serviços utilizados no preparo do solo, trato da cana-de-açúcar e da soca (cana-de-açúcar de segundo corte), plantio, corte e carregamento da cana-de-açúcar, devendo ser rechaçadas as glosas realizadas em face dos seguintes centros de custo: Carreg/Reboque Cana Adm, Carreg/Reboque Cana Fornecedor, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Corte Mecanizado, Macanização Agrícola, Plantio, Preparo do Solo, Reboque de Cana, Reflorestamento/Meio ambiente, Replanta de Cana Soca, Trato de Cana, Trato da Planta, Trato de Soca e Vinhaça, e mais todos aqueles listados no item 1 do Título IV do Termo de Verificação Fiscal.(destaques não originais). A decisão embargada está assim fundamentada: Fl. 981DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 No caso em tela, como já antecipamos, os créditos pretendidos pela Recorrente têm origem nos gastos realizados na produção da cana-de-açúcar, ou seja, na fase agrícola, não na industrial (é só nesta fase que se pode permitir o creditamento com fundamento no inciso II do art. 3º). Considerando que tais despesas não foram utilizadas diretamente na fabricação dos produtos vendidos (v.g., nem por hipótese o defensivo agrícola por entrar na fabricação do açúcar, do álcool ou de subprodutos da indústria sucralcooleira), não se faz possível o creditamento. (...) Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma3, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele plasmado nos fundamentos que vimos de reproduzir. Assim, os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de cana-de-açúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins. (destaques originais). Da leitura da decisão embargada constata-se que embora adote expressamente o entendimento de que os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de cana-de- açúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins, não há apreciação quanto às glosas destacadas no item 1 do TVF, fl. 194, debatidas no recurso voluntário, como exemplificativamente demonstrado, tanto que não se constata na parte dispositiva do voto e do acórdão referência ao item respectivo do voto quanto ao julgamento das glosas relativas ao item 1 do TVF, tal como como se verifica quanto aos demais itens apreciados. Assim, em relação à matéria relativa à omissão os embargos devem ser acolhidos. DAS CONTRADIÇÕES E OBSCURIDADES (TÓPICOS III.2.1, III.2.2 e III.2.3) III.2.1 – C. CUSTO AGRÍCOLA (ITEM 7.1.1 DO TVF) Conforme se verifica, argui a Embargante, fls. 779/784 a existência de contradição e obscuridade na análise da matéria referente ao CENTRO CUSTO AGRÍCOLA (ITEM 7.1.1 DO TVF), quanto aos seguintes grupos de glosas: a) colheita de cana; b) reboque e carregamento de cana; c) colheita por fornecedores/prestadores de serviço; d) mecanização agrícola; e e) mão de obra aplicada na lavoura da cana-de-açúcar, referente a serviços agrícolas, transportes, carregamento de cana, serviços de manutenção do campo (preparo do solo), tratamento da soca. Entende a Embargante que a contradição se verifica, na medida em que foram canceladas determinadas glosas e mantidas outras da mesma natureza, bem como obscuridade, uma vez que não é possível extrair do voto condutor qual foi o critério aplicado para a manutenção de algumas glosas. Destaca a decisão embargada, fls. 661/669: A fiscalização, quanto a este item, destacou que a glosa alcançaria basicamente aquisições de peças, equipamentos, acessórios utilizados em caminhões e máquinas agrícolas, e também, serviços aplicados na manutenção das máquinas e caminhões ou diretamente na lavoura. (...) No meu sentir, essas despesas acima efetuadas, como bem apontado pelo Fisco, não tem uma relação direta (e comprovada) com a atividade de produção do açúcar e do álcool produzido pela empresa (não condizente com a produção agrícola em si; há um certo distanciamento). Também, verifico nos autos, que a Recorrente não contesta especificamente cada uma dessas glosas, e também não apresenta elementos que possam invalidá-la, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção da cana-de-açúcar e do álcool pela empresa. Fl. 982DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 Assim, por falta de comprovação de se tratar de insumo e, portanto, desprovido de amparo legal, se depreende que as despesas acima relacionadas, não atendem ao critério para caracterização como insumos e devem ser mantido a glosa perpetrada pelo Fisco. Observam-se os seguintes fundamentos preponderantes: a) Referidas despesas não têm uma relação direta (e comprovada) com a atividade de produção do açúcar e do álcool produzido pela empresa; b) A Recorrente não contesta especificamente cada uma dessas glosas - não apresenta elementos que possam invalidá-las, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção da cana-de-açúcar e do álcool pela empresa; c) Não há comprovação de que se trate de insumo, portanto as despesas relacionadas não atendem ao critério para caracterização como insumo, logo estão desprovidas de amparo legal. Ressalte-se que no início do presente exame destacou-se a estrutura decisória do acórdão embargado, restando constatado que o conceito de insumo que balizaria a análise das glosas em debate seria a tese firmada pelo STJ, assim tendo por premissa referido conceito, em face das disposições da legislação pertinente (Leis nº 10.637/02 e 10.833/03) quanto às hipóteses permitidas, bem como das vedações legais, passou então referida decisão a identificar as rubricas respectivas, à luz da legislação, segundo o conceito adotado e assim verificar a comprovação nos autos dos créditos pleiteados em relação a tais rubricas. Esse foi portanto o critério adotado pela decisão embargada que motivou a manutenção de determinadas glosas e a reversão de outras. Cabe ressaltar com relação ao vício de contradição, que referido vício, por disposição regimental expressa, restringe-se à constatação de contradição entre a decisão e seus próprios fundamentos. Com efeito, contextualizados os fatos e fundamentos decisórios, verifica-se que há coerência entre os fundamentos declinados e a conclusão a que chegou o decisum, não estando demonstrado no acórdão embargado, qualquer contradição entre a decisão e seus fundamentos, tampouco obscuridade, uma vez que nada há a ser explicitado que já não esteja demonstrado na decisão por seus próprios fundamentos, revelando a Embargante pleno conhecimento do que foi decido pelo Colegiado, no entanto revela inconformismo com a decisão colegiada, situação que não é atacável via aclaratórios. Assim, em relação Assim, em relação no item 11.1 do voto (7.1.1 do TVF), os embargos NÃO devem ser acolhidos. III.2.2 – C. CUSTO NÃO LIG. PROD. (ITEM 7.1.2 DO TVF) Destaca a Embargante que foram mantidas glosas que são despesas relativas a transporte da cana entre a lavoura e a usina de açúcar e álcool e que o próprio acórdão cancelou despesas com combustíveis aplicados a veículos que realizam esse trajeto. Ressalta a Embargante: Dessa forma, requer-se pelo provimento desses declaratórios porque se tratam de despesas da mesma natureza, qual seja, de transporte da cana após a colheita para ser industrializada na usina. A título de obscuridade, não é possível saber o critério para serem canceladas determinadas despesas de transporte da cana e outros não, já que ambos são transportes de insumos entendida pela jurisprudência dessa Turma – e do CARF – como insumos. Destaca a decisão embargada, fls. 669/672: No entanto, o que pode ser verificado pelo TVF e pela decisão recorrida, é que foram glosadas pelo Fisco, as despesas vinculadas aos centros de custos administrativos e não ligados diretamente com a produção, composto por aquisições de peças de Fl. 983DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 máquinas, materiais de laboratórios, serviços de análises, manutenção de máquinas e veículos, transportes, etc. "(...) (destaques originais). Aqui as glosas recaíram sobre créditos que, em razão do registro contábil que lhe fora atribuído pelo recorrente (Centro de Custos não ligados Produção), não apresentariam vínculo com a produção, seja na fase agrícola seja na fase industrial. (...) (destaques não originais). (...) Repisando-se que há que se identificar exatamente quais despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção e aos produtos açúcar e álcool vendidos. Analisando o já mencionado Laudo Técnico emtido pela ESALQ, bem como as informações do processo produtivo informado pela Recorrente, entendo que essas atividades configuram atividades paralelas à produção de açúcar e álcool (laboratórios, oficinas de máquinas e equipamentos agrícolas, armazéns, serviços manutenção de balanças de cana, captação e tratamento de água), e, por conseguinte, não dão direito a crédito de PIS e COFINS por não configurarem insumos de produção na acepção do conceito de insumo aqui empregada. (sic) Desta forma, neste tópico em particular, voto por NEGAR provimento ao recurso interposto, mantendo-se as glosas que recaíram sobre o Centro de Custo Não Ligado a Produção " CC NÃO LIG PROD" item 7.1.2 do TVF. (destaques originais). Verifica-se que entendeu o colegiado com base no Laudo Técnico bem como nas informações quanto ao processo produtivo informado pela Recorrente que as respectivas atividades relacionadas na decisão configuram atividades paralelas à produção de açúcar e álcool, por conseguinte, não dão direito a crédito de PIS e COFINS por não configurarem insumos de produção na acepção do conceito de insumo empregado na referida decisão. Considerando-se válidas as considerações efetuadas quanto aos vícios de contradição/obscuridade efetuadas no exame anterior, não se constata contradição, visto que pelos excertos colacionados verifica-se um raciocínio lógico dedutivo acerca da matéria fática dos autos à luz da legislação interpretada, não se verificando qualquer contradição entre a decisão e seus próprios fundamentos, tampouco obscuridade, o que se revela, de fato, é a simples inconformidade com o decidido, que não é atacável pela via dos embargos, como já enfatizado. Assim, em relação ao item 11.2 do voto (ITEM 7.1.2 do TVF), os embargos NÃO devem ser acolhidos. III.2.3 – AGRÍCOLA (ITEM 8.1 DO TVF) – ITENS DE DEPRECIAÇÃO Quanto a esse item renova a Embargante os argumentos de contradição (algumas glosas mantidas e outras canceladas) e obscuridade (ausência de critério) segundo a linha de raciocínio já demonstrada em seus aclaratórios nos itens anteriores, quanto às glosas de Bens Utilizados na área Agrícola, representadas pelos seguintes grupos: a) Maquinário e equipamentos utilizados na colheita de cana; b) Bens e serviços aplicados na colheita da cana; c) Depreciação de comboios de abastecimento e postos de abastecimento utilizados na produção da cana, responsáveis pelo abastecimento do maquinário agrícola com combustível, de modo a não parar a produção agrícola. d) Despesas de bens e serviços com os comboios de abastecimento de combustíveis das máquinas agrícolas; e) Maquinários e equipamentos utilizados no plantio da cana-de-açúcar; f) Glosas canceladas nas áreas de plantio das lavouras; g) Depreciação de ativo imobilizado envolvendo a usina diamante, que realiza transporte da cana-de-açúcar por meio de balsas e portos na usina e na lavoura; Fl. 984DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 h) Depreciação do ativo imobilizado utilizado no reboque da cana-deaçúcar nas lavouras. Destaca a decisão embargada, fls. 690/ 698: Aduz a Recorrente que albergada na equivocada premissa de que a etapa agrícola não faz parte do processo produtivo da Recorrente, a autoridade fiscal realizou a glosa de todos os bens alocados nesta etapa da produção, conforme afirma no item 8.1 do TVF. Por outro giro, a fiscalização informa que "Foram glosadas as depreciações de colhedeiras, transbordos, pulverizadores, roçadeiras, carretas, trituradores, arados, tratores, eleiradores, plantadeiras, cultivadores, semirreboques, aspersores, dollys, tanques, implementos, caminhões, sulcadores, bombas, grade, moto niveladora, motores, pá carregadeiras, transceptores, etc (...)" (relação constante do item 8.1, fls. 75/76 do eprocesso): (...) Resta claro nos autos (analisando-se o Parecer/Laudo Técnico), com exceção dos itens em negrito, que no processo de cultivo da cana-de-açúcar para obtenção de açúcar e álcool, como os tratores, colhedeiras, motoniveladoras, caminhões e equipamentos usados neste maquinário (como computador de bordo, válvulas, motores, painéis etc.) são essenciais ao desempenho da atividade agrícola da Recorrente, e como estão devidamente incorporados no ativo imobilizado da empresa, devem conferir o direito ao crédito de PIS e COFINS com base no art. 3º, inciso VI, das leis 10.637/02 e 10.833/03. No entanto, há que se identificar exatamente quais despesas e custos se referem aos fatores que se ligam comprovadamente a esse processo de produção e aos produtos açúcar e álcool vendidos. (destaques não originais) Como se verifica no Laudo Técnico apresentado, os caminhões são essenciais para transportar a cana até a unidade fabril. A mesma sorte segue as colhedeiras, motoniveladoras e tratores, as quais são utilizadas para a importante etapa de preparo do solo, devidamente descrita no item 4.3.9 do Laudo Técnico (fl. 30 do laudo), portanto, tais bens participam do processo produtivo. Desta forma, restando comprovado a etapa agrícola é essencial ao processo produtivo agrícola (produção da cana) para produção do açúcar e o álcool e considerando tudo o que já fora exposto no presente voto, não faz sentido impedir o creditamento de PIS e COFINS na fase agrícola no caso de agroindústrias, como é o caso da Recorrente. Assim, em relação à depreciação, voto no sentido de REVERTER as glosas dos seguintes bens do ativo imobilizada (não negritados), relacionados no centros de custos "agrícolas" (correspondente a máquinas e equipamentos utilizados na fase agrícola), uma vez não encontrando fundamento legal a glosa perpetrada, devendo ser revertida para conferir o crédito de PIS e COFINS com fulcro no art. 3º, inciso VI, das leis 10.627/02 e 10.833/03): (...)(destaques originais) No meu sentir, as despesas glosadas (que se encontra negritadas) apresentada pela fiscalização, como bem apontado pelo Fisco, não tem uma relação direta com a atividade de produção do açúcar e do álcool produzido pela empresa (não condizem com a produção agrícola em si; há um certo distanciamento). Também, verifico nos autos, que a Recorrente não contesta especificamente cada uma dessas glosas, e também não apresenta elementos que possam invalidá-la, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção da empresa. Trata-se de despesas indiretas e que representam custo geral da produção da cana (fase agrícola), motivo pelo qual bens empregados em atividades gerais da pessoa jurídica ou em sua fase pré ou pós industrial não geram direito ao crédito em questão, haja vista que não são aplicados ou consumidos diretamente e sim de forma indireta na produção da cana. Assim, por falta de comprovação de se tratar de insumo e, portanto, desprovido de amparo legal, se depreende que as despesas acima relacionadas, não atendem ao critério Fl. 985DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 para caracterização como insumos e devem ser mantido a glosa perpetrada pelo Fisco. (destaques não originais) À exemplo dos outros itens cotejados, todas as rubricas glosadas no TVF estão expressamente destacadas na decisão embargada, ressaltando referida decisão no decorrer da análise de cada item o critério para reverter determinada glosa, bem como os fundamentos que amparam a manutenção de outras glosas, nesse sentido, verifica-se no presente caso que a decisão deixou explicitado: I) Quanto aos itens considerados essenciais: i) Com base no Parecer/Laudo Técnico, os itens considerados essenciais ao desempenho da atividade agrícola da Recorrente (caminhões, colhedeiras, motoniveladoras e tratores) devidamente incorporados no ativo imobilizado da empresa, devem conferir o direito ao crédito de PIS e COFINS com base no art. 3º, inciso VI, das leis 10.637/02 e 10.833/03; ii) Estando comprovado que a etapa agrícola é essencial ao processo produtivo agrícola (produção da cana) para produção do açúcar e o álcool devem ser revertidas as glosas dos bens do ativo imobilizada (não negritados na decisão), relacionados no centros de custos "agrícolas" (correspondente a máquinas e equipamentos utilizados na fase agrícola), por não ter fundamento legal a glosa perpetrada; II) Quanto aos itens considerados não essenciais: i) As despesas glosadas (que se encontram negritadas na decisão) apresentadas pela fiscalização, não têm uma relação direta com a atividade de produção do açúcar e do álcool produzido pela empresa ii)) A Recorrente não contesta especificamente cada uma dessas glosas - não apresenta elementos que possam invalidá-las, nem demonstra que se referem a fatores ligados efetivamente às atividades de produção da empresa; iii) Tratam-se de despesas indiretas e que representam custo geral da produção da cana (fase agrícola), cujos bens são empregados em atividades gerais da pessoa jurídica ou em sua fase pré ou pós industrial não gerando direito ao crédito em questão; iv) Não há comprovação de que se tratem de insumo, portanto as despesas relacionadas não atendem ao critério para caracterização como insumo, logo estão desprovidas de amparo legal. Mais uma vez sem razão a Embargante, visto que demonstra a estrutura decisória coerência e pertinência entre os fundamentos declinados, considerando em suas razões decisórias o cotejo (do TVF, das razões recursais, das provas com relação às glosas analisadas), à luz da legislação de regência especificada no decorrer do voto em face do conceito de insumo adotado. Assim, também como relação a esse não se verifica qualquer contradição entre a decisão e seus próprios fundamentos, tampouco obscuridade, vez que demonstra a Embargante a compreensão plena sobre a matéria decidida . Acrescente-se que que a interpretação do colegiado distinta à da Embargante não caracteriza contradição, não se prestando a via dos aclaratórios a dirimir divergência de entendimentos entre a posição adotada no acórdão e a defendida por uma das partes do litígio, assim, não se verifica a contradição, como regimentalmente disposta, quando a exegese da legislação e os fundamentos que suportam a ratio decidendi do acórdão embargado não correspondem à linha de interpretação da Embargante sobre a matéria. Tampouco, obscuridade, uma vez que nada há a ser explicitado que já não esteja demonstrado na decisão por seus próprios fundamentos como já demonstrado. Assim, em relação ao item 13.1 do voto (item 8.1 do TVF), os embargos NÃO devem ser acolhidos. Esclarecidas as questões trazidas em sede de embargos, conforme acima exposto verifica-se não assistir razão à Embargante, visto que os vícios de contradição e obscuridade não restaram demonstrados na decisão embargada, o que confirma a higidez do mencionado julgado. Fl. 986DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 Conclusão Isso posto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, apenas no que tange ao item III.1 dos Embargos relativo à matéria (omissão referente ao TÓPICO V.4.1 do Recurso Voluntário/item 1 do TVF). Encaminhe-se à DIPRO/COJUL, para, com base nos §§5º e 8º do art. 49 do Anexo II, do RICARF, providenciar o sorteio dos presentes Embargos dentre os Conselheiros da 1ª Turma da 2ª Câmara da 3ª Seção, para inclusão em pauta de julgamento, visto que o Relator originário não mais integra a Turma que prolatou o Acórdão embargado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF” A seguir, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os precedentes, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se este voto. Por conter matéria desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e considerando o Despacho de Admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração devem ser conhecidos. Será objeto do presente julgamento somente a matéria apontada no Despacho de Admissibilidade como passível de conhecimento: item III.1 dos Embargos relativo à matéria tratada no TÓPICO V.4.1 do Recurso Voluntário e no item 1 do capítulo IV do TVF, de fls. 180 dos autos, transcrito a seguir: Fl. 987DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 Em que pese o Acórdão recorrido ter julgado a matéria relativa aos dispêndios da fase agrícola, julgou tal matéria de forma genérica e não considerou o item 1 do capítulo IV do TVF. Confira o trecho do Acórdão embargado que tratou de tal matéria: “Esse, contudo, não é, como todos sabemos, o entendimento dos demais integrantes desta Turma3, de modo que, somente por economia processual e apreço ao princípio da colegialidade, também passamos a adotar aqui aquele plasmado nos fundamentos que vimos de reproduzir. Assim, os gastos realizados na fase agrícola para o cultivo de cana-de-açúcar a ser utilizado na produção do açúcar e do álcool também podem ser levados em consideração para fins de apuração de créditos para o PIS/Cofins.” Pela leitura do trecho acima, o único que tratou da matéria, é possível constatar que, apesar de tal matéria ter sido provida, não foi fundamentada de forma suficiente e foi omissa com relação aos dispêndios mencionados no item 1 do capítulo IV do TVF. Inclusive, é possível verificar que o Acórdão embargado, para fundamentar as demais matérias, transcreveu o Acórdão nº 3402004.759, como pode ser observado no trecho transcrito a seguir: “Sendo o mesmo contexto, passamos a adotar também aqui, como razão de decidir, os fundamentos encartados no voto condutor do Acórdão nº 3402004.759 (apenas em parte Fl. 988DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 vencido), mas a respeito dos quais faremos, ao final de sua reprodução, algumas importantes considerações, que, como se verá, nos levarão a adotar, em algumas matérias, entendimento dele divergente (todavia, transcreveremos na íntegra o voto apenas para que aos demais integrantes da Turma seja dado pleno conhecimento das controvérsias): (...)” Ao analisar o mencionado Acórdão, verifica-se que a maioria das matérias e grupos de glosas realmente foram julgadas, com exceção do grupo de dispêndios glosados no item 1 do capítulo IV do TVF do presente processo. Ou seja, no Acórdão que foi transcrito e utilizado como fundamento decisório no Acórdão embargado, o grupo de dispêndios constante no item 1 do capítulo IV do TVF do presente processo não havia sido objeto de glosa, logo, omisso o Acórdão embargado. Detectada a omissão, a glosa constante no item 1 do capítulo IV do TVF do presente processo deve ser julgada. Para ficar absolutamente clara a matéria a ser julgada, iremos reproduzir novamente os dispêndios glosados que não foram objeto de julgamento, conforme consta no TVF: “Administração, Alojamento Agrícola, Carregamento/Reboque Cana, Colhedeiras de Cana, Colheita de Cana, Corte Mecanizado, Departamento Fornecedor Cana, Desenvolvimento Agronômico, Estaleiro, Estradas/Cercas/Pontes, Mecanização Agrícola, Mão de Obra Agrícola, Oficina Mecânica, Plantio, Portos, Preparo do Solo, Reboque de Cana, Reflorestamento/Meio Ambiente, Replanta de Cana Soca, Serviços Auxiliares, Serviços de Fornecedores de Cana, Serviços Habitação, Serviços Recreativos, Topografia, Tr Administrada Mecânico, Transporte Fornecedor Cana Picada, Transporte Agrícola, Transporte Cana, Transporte Fornecedor de Cana, Transporte Manual Cana, Transporte Mecânico da Cana, Transporte Terceirizado da Cana, Trato da Cana, Trato da Planta, Trato da Soca e Vinhaça.” Como regra geral, os dispêndios agrícolas realizados na produção de açúcar e álcool, de modo geral, são denominados na jurisprudência deste Conselho e no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 como “insumos dos insumos”. O Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 é expresso em permitir o aproveitamento de créditos sobre os dispêndios realizados nas aquisições dos insumos utilizados na produção de outros insumos: “3. INSUMO DO INSUMO 45. Outra discussão que merece ser elucidada neste Parecer Normativo versa sobre a possibilidade de apuração de créditos das contribuições na modalidade aquisição de insumos em relação a dispêndios necessários à produção de um bem-insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo). 46. Como dito acima, uma das principais novidades plasmadas na decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça em testilha foi a extensão do conceito de insumos Fl. 989DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 a todo o processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços a terceiros. 47. Assim, tomando-se como referência o processo de produção como um todo, é inexorável que a permissão de creditamento retroage no processo produtivo de cada pessoa jurídica para alcançar os insumos necessários à confecção do bem-insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros, beneficiando especialmente aquelas que produzem os próprios insumos (verticalização econômica). Isso porque o insumo do insumo constitui “elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”, cumprindo o critério da essencialidade para enquadramento no conceito de insumo. 48. Esta conclusão é especialmente importante neste Parecer Normativo porque até então, sob a premissa de que somente geravam créditos os insumos do bem destinado à venda ou do serviço prestado a terceiros, a Secretaria da Receita Federal do Brasil vinha sendo contrária à geração de créditos em relação a dispêndios efetuados em etapas prévias à produção do bem efetivamente destinado à venda ou à prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo).” Assim, como base no Art. 3.º da legislação correlata, é possível o aproveitamento de crédito sobre tais dispêndios, desde que tenham partido do contribuinte e não da empresa da etapa antecessora, desde que pagos à Pessoa Jurídica Nacional e desde que tenham sofrido a incidência do Pis e da Cofins. Esta turma já decidiu diversas vezes no mesmo sentido. O julgamento consubstanciado no Acórdão n.º 3201-009.482 é um precedente que pode ser citado como um adequado exemplo e referência. Portanto, o crédito deve ser reconhecido sobre os dispêndios mencionados acima, com exceção dos dispêndios administrativos, pois estes não geram crédito. Conforme exposto no livro “Aproveitamento de crédito de Pis e Cofins não- cumulativos sobre os dispêndios realizados nas aquisições de insumos pandêmicos 1 ”, ainda que o presente caso não trate de aquisições de “insumos pandêmicos”, os dispêndios administrativos e comerciais não devem gerar o crédito de Pis e Cofins não-cumulativos: “Tais dispêndios são comuns a toda e qualquer empresa e não são considerados insumos, justamente por não possuírem relação com a singularidade da atividade econômica da empresa. Esta diferenciação, sobre o que é realmente um insumo que possui relação com a singularidade da atividade econômica da empresa e o que é um dispêndio relacionado às atividades administrativas possui muitos precedentes no CARF e, de certa forma, é uma razão que é utilizada até hoje para separar os insumos que realmente possam ser enquadrados no conceito médio, daqueles dispêndios administrativos que são comuns a toda e qualquer empresa. Para exemplificar, podemos citar o mesmo Acórdão n.º 9303008.257 da CSRF da 3.ª Turma do CARF, nos seguintes trechos selecionados e reproduzidos a seguir: “PIS E COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS INCORRIDAS COM SERVIÇOS DE SEGUROS, VIGILÂNCIA E TELEFONIA. IMPOSSIBILIDADE. 1 Lima, Pedro Rinaldi de Oliveira. BB Editora. 2021. 1.ª Edição. "Aproveitamento de crédito de Pis e Cofins não- cumulativos sobre os dispêndios realizados nas aquisições de insumos pandêmicos". Fl. 990DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 No que tange a manutenção de créditos referente as despesas com serviços de seguros, vigilância e telefonia, não estão relacionados de forma direta à atividade de prestação de serviços da Contribuinte, e não se incluem no conceito de insumos para direito ao desconto de créditos do PIS e da COFINS.” Nas Turmas ordinárias podemos citar o Acórdão n.º 3201-004.298, relatado pelo nobre colega e ex-conselheiro, Marcelo Giovani Vieira, que, ao votar por negar o aproveitamento de crédito sobre os dispêndios com “call center”, fez os seguintes apontamentos: “Exemplificativamente, nenhum gasto com marketing, contabilidade, sistemas, pesquisa de viabilidade, qualificação, gastos ativáveis, nenhum desses é permitido para empresas comerciais, e portanto, não o será também para empresas industriais e de serviços, no que se refere ao inciso II do Art. 3.º da Lei, isto é, sob o conceito de insumos. Por outro lado, despesas com manutenção de equipamentos de produção, despesas ambientais e semelhantes, que são necessários, em ambiente de produção ou prestação de serviços, para o alcance do produto acabado em estoque, ou para conclusão do serviço, geram direito a crédito.” O conceito de essencialidade e relevância é um conceito complexo que pode ser aplicado por meio de um entendimento macro da decisão do STJ e dos precedentes do CARF. A decisão do STJ explica, por exemplo, que o dispêndio acidental não é o dispêndio essencial. Parece óbvio e realmente possui uma lógica simples, mas dada a complexidade da questão como um todo, o tema ganha relevância, na medida em que é preciso entender as nuances do aproveitamento de crédito das contribuições dentro desse conceito médio. Por dispêndio acidental, entende-se que é um dispêndio que não possui relação com a singularidade da atividade da empresa, pois é um dispêndio não essencial e oblíquo à atividade econômica da empresa. Os dispêndios administrativos que são comuns a toda e qualquer empresa, para exemplificar, em geral são aqueles dispêndios com publicidade, telefonia, internet, mão de obra, limpeza do escritório, despesas comercias, comissões de vendas e taxas municipais. As empresas que apuram o IRPJ no lucro real, em sua maioria, são empresas de tamanho médio ou grande (conforme parâmetros das juntas comerciais, Sebrae e Receita Federal) e irão, muito provavelmente, possuir um ou mais escritórios, locais que abrigam os funcionários que colaboram para a administração e gestão geral da empresa.” Dentre os dispêndios constantes na glosa descrita no item 1 do Capítulo IV do TVF, constatamos os seguintes dispêndios administrativos e dispêndios que não possuem descrição ou comprovação suficiente de suas essencialidades e relevâncias: “(...) administração, alojamento agrícola, serviços de habitação, serviços recreativos; Serviços Auxiliares e Tr Administrada Mecânico (...)” Vejam que, em Manifestação de Inconformidade de fls, o contribuinte apresentou as seguintes alegações: “IV.4.1 – DA VALIDADE DOS CRÉDITOS SOBRE AS DESPESAS INCORRIDAS NA ÁREA AGRÍCOLA Fl. 991DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 Em relação a esta parcela dos créditos pleiteados pela Requerente, assim posicionou a D. Autoridade Fiscal: Termo de Verificação Fiscal (Doc. nº 04): �Contem despesas de notas fiscais de prestação de serviços pagas a fornecedores pessoas jurídicas, com atividades de transporte, fornecimento de mão de obra, máquinas e equipamentos utilizados no plantio, cultivo, fertilização, colheita, corte, carregamento e transporte da cana de açúcar e serviços gerais na lavoura. Não foram aceitas como base de créditos por estarem todas vinculadas aos centros de custos agrícolas identificados como: Administração, Alojamento Agrícola, Carreg/Reboque Cana Adm, Carreg/Reboque Cana Fornecedor, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Corte Mecanizado, Departamento Fornecedor Cana, Desenvolvimento Agronômico, Estação Experimental, Estradas/Cercas/Pontes, Mecanização Agrícola, Mão de Obra Agrícola, Oficina Mecânica, Plantio, Preparo do Solo, Reboque de Cana, Reflorestamento/Meio Ambiente, Replanta de Cana Soca, Serviços Auxiliares, Serviços de Fornecedores de Cana, Serviços Habitação, Serviços Recreativos, Topografia, Tr Administrada Mecânico, Transporte Fornecedor Cana Picada, Transporte Agrícola, Transporte Cana, Transporte Fornecedor de Cana, Transporte Manual Cana, Transporte Mecânico da Cana, Transporte Terceirizado da Cana, Trato da Cana, Trato da Planta, Trato da Soca e Vinhaça. Verifica-se que todas os itens �o�sta�tesà�aàpla�ilhaà�ag�í�ola�à são dispêndios ocorridos com a lavoura da cana de açúcar, não podendo ser considerados serviços utilizados como insumo na produção do açúcar e do álcool. �...�� (...) Igualmente importante para o desenvolvimento das atividades produtivas/industriais são os custos incorridos com a administração e alojamentos agrícolas, os quais se referem à manutenção dos trabalhadores rurais nas áreas de corte. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já teve a oportunidade de se manifestar sobre o tema referência, alcançando as seguintes conclusões: �PIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. AGROINDÚSTRIA. PRODUÇÃO DE ÁLCOOL E AÇÚCAR. INSUMOS. Geram direito a crédito do PIS não cumulativo as despesas com bens e serviços, utilizados como insumo na produção da empresa, no caso, transporte de cana e transporte de colhedora; t�a�spo�te, pago a pessoa ju�ídi�a, de trabalhadores rurais envolvidos na atividade de corte da cana de açúcar (...)� [Grifos não constam do original] (Processo Administrativo nº 10840.001615/2005-38; Acórdão nº 3301-001.289; Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado em 26 de janeiro de 2012)” Além de não ter juntado nenhuma comprovação ou indício da essencialidade e relevância dos dispêndios com administração, alojamento agrícola, serviços de habitação, serviços recreativos; Serviços Auxiliares e Tr Administrada Mecânico, o contribuinte simplesmente alegou que os itens “administração” e “alojamento agrícola” se referem à manutenção dos trabalhadores rurais nas áreas de corte, descrição incompleta e insuficiente. Conforme determinação do Art. 36 da Lei nº 9.784/1999, do Art. 16 do Decreto 70.235/72, Art. 165 e seguintes do CTN e demais dispositivos que regulam o direito ao crédito fiscal, o ônus da prova é do contribuinte ao solicitar o reconhecimento de crédito. Logo, por falta de comprovação do alegado, devem ser mantidas as glosas sobre os itens mencionados acima. Fl. 992DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3201-010.176 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.953117/2013-14 Diante do exposto e fundamentado, os Embargos de Declaração devem ser ACOLHIDOS, COM EFEITOS INFRINGENTES, para reverter as glosas constantes no item 1 do Capítulo IV do Termo de Verificação Fiscal (TVF), com exceção dos dispêndios identificados como “administração”, “alojamento agrícola”, “serviços de habitação”, “serviços auxiliares”, “tr administrada mecânico” e “serviços recreativos”. É o voto. (documento assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Fl. 993DF CARF MF Original

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9752669 #
Numero do processo: 10909.004859/2010-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Feb 27 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 28/02/2006 a 30/11/2010 PARCELAMENTO DO DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIMENTO. O pedido de parcelamento realizado pelo contribuinte configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, impondo o seu não conhecimento, nos termos do artigo 78, §§ 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 2402-011.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto, por renúncia ao contencioso administrativo, tendo em vista a inclusão do referido débito em processo de parcelamento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA

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CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA. EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 28/02/2006 a 30/11/2010 PARCELAMENTO DO DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIMENTO. O pedido de parcelamento realizado pelo contribuinte configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, impondo o seu não conhecimento, nos termos do artigo 78, §§ 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário interposto, por renúncia ao contencioso administrativo, tendo em vista a inclusão do referido débito em processo de parcelamento. (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 07-27.481 (fls. 187 a 226) que julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito constituído por meio do Auto de Infração DEBCAD nº 37.293.459-5 (fls. 2 a 25), consolidado em 21/12/2010, no valor de R$ 1.908.685,63, relativo às contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, no período de 02/2006 a 11/2010. Consta no Relatório Fiscal (fls. 32 a 45) que o fato gerador ocorreu por aferição indireta, com base no ARO - Aviso para Regularização de Obra na execução de obra de sua responsabilidade, com base no valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços relativamente a serviços que lhe são prestados por intermédio de cooperativas de trabalho, sendo que nas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 48 59 /2 01 0- 06 Fl. 289DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-011.028 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.004859/2010-06 atividades da área de saúde observados os critérios conforme IN-SRP n° 03, de 14.07.2005 e IN- RFB n° 971, de 13.11.2009 e no faturamento, fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de salário contido em nota fiscal de serviços. A impugnação (fls. 63 a 112) foi julgada improcedente nos termos da ementa abaixo (fls. 187 e 188): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 28/02/2006 a 30/11/2010 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. ARBITRAMENTO FISCAL. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtida mediante cálculo da mão-de-obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo à empresa autuada o ônus da prova em contrário. SÓCIO NÃO REPRESENTANTE LEGAL A notificação de lançamento feita na pessoa de sócio quotista atende ao requisito do art. 23, inciso I, do Decreto n° 70.235/72, especialmente se o contribuinte acode com impugnação no prazo legal, na qual afirma ter sido intimada e enfrenta a questão de mérito. COOPERATIVA DE TRABALHO. EMPRESA CONTRATANTE. A empresa contratante de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho da área da saúde deve recolher a contribuição prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8.212, de 1991. MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LEI NOVA MAIS BENÉFICA. MP 449/2008 (CONVERTIDA NA LEI N° 11.494/2009). ARTIGO 106, II, C, DO CTN. São aplicáveis às multas dos lançamentos de oficio as disposições da nova legislação, quando mais benéficas ao contribuinte. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 08. REVISÃO DO LANÇAMENTO. A decadência das contribuições sociais previdenciárias é regida pelas disposições contidas no Código Tributário Nacional, conforme determinado pela Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal n° 08, publicada no DOU de 20/06/2008. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/02/2006 a 30/11/2010 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF. PORTARIA RFB N° 11.371/2007. A partir da vigência da Portaria da Receita Federal do Brasil n° 11.371/2007, o Mandado de Procedimento Fiscal passou a ser emitido exclusivamente em forma eletrônica, e sua ciência ao sujeito passivo passou a dar-se por intermédio da Internet, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia prescindível deve ser indeferido por força do disposto no artigo 18 do Decreto n°70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado em 24/03/2012 (fl. 231) e apresentou recurso voluntário em 13/04/2012 (fls. 232 a 279). Fl. 290DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-011.028 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.004859/2010-06 A Secretaria da Receita Federal do Brasil juntou aos autos Recibo de Consolidação de Parcelamento de Débitos Previdenciários no âmbito da RFB feito pelo contribuinte em 21/06/2011 (fls. 227 a 229). Os autos vieram a julgamento. Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e passo à análise dos demais requisitos de admissibilidade. Do parcelamento Há nos autos questão preliminar, indispensável ao deslinde da controvérsia, que deve ser elucidada, prejudicando, assim, a análise da demanda nesta oportunidade, como passaremos a demonstrar. Segundo se infere do Recibo de Consolidação de Parcelamento de Débitos Previdenciários no âmbito da RFB, de 21/06/2011 (fls. 227 a 229), o recorrente incluiu no parcelamento o débito relacionado a 4 (quatro) autos de infração: Conforme observa-se do Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF, em razão do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal, além do presente Auto de Infração, foram lavrados outros 4 (quatro) em face do mesmo contribuinte (fl. 30): Em 29/06/2011, o recorrente requereu a exclusão do parcelamento especial de que trata a Lei nº 11.941/2009, dos seguintes débitos (fls. 281 a 283): Fl. 291DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-011.028 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10909.004859/2010-06 Na Informação prestada pela Delegacia da receita Federal do Brasil em F n p s, c ns qu “Nã f nf m d v n d nv CARF n SICOB p qu débito encontra-se, no sistema, incluído em parcelamento. Cópia do requerimento de exclusão do débito do parcelamento da lei 11.941 segue nas fls. 242 a 244. Não há disponível, até o dia de h j , func n d d d s s m qu p m xc usã d déb d f d p c m n ” (f 284). Importa que, no caso de pedido de parcelamento do contribuinte, resta configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, impondo-se o seu não conhecimento. Nos termos do artigo 78, §§ 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, o pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Assim, a adesão de parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. Eventual não cumprimento do parcelamento não tem o condão de retomar litígio administrativo, uma vez que o direito de contestar o débito se consumou com o ato de pedido de parcelamento. Conclusão Do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário, por desistência do contencioso administrativo, tendo em vista a inclusão do débito discutido no presente processo em parcelamento. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 292DF CARF MF Original

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