Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10166.727557/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008, 2009
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos declaratórios para esclarecer eventual obscuridade verificada no Acórdão.
IRPF. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITES.
Constatada a possibilidade de tributação específica (§ 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996), incabível a manutenção da exigência com base em depósitos bancários de origem não identificada, sob pena de configurar-se novo critério jurídico de lançamento. Vedada a transmudação da fundamentação legal da exigência.
Numero da decisão: 2201-002.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão de Embargos nº 2201-002.344, de 18/03/2014, sanando a omissão apontada e mantendo-se a respectiva decisão, no sentido de, por unanimidade de votos, "negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 1.931.093,18, R$ 571.610,96 e R$ 2.093.354,83, nos anos-calendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente". Acompanhou o julgamento pelo Contribuinte o Dr. Alberto de Medeiros Filho, OAB/DF 24.741.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos declaratórios para esclarecer eventual obscuridade verificada no Acórdão. IRPF. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITES. Constatada a possibilidade de tributação específica (§ 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996), incabível a manutenção da exigência com base em depósitos bancários de origem não identificada, sob pena de configurar-se novo critério jurídico de lançamento. Vedada a transmudação da fundamentação legal da exigência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10166.727557/2011-13
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5375754
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2201-002.483
nome_arquivo_s : Decisao_10166727557201113.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 10166727557201113_5375754.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão de Embargos nº 2201-002.344, de 18/03/2014, sanando a omissão apontada e mantendo-se a respectiva decisão, no sentido de, por unanimidade de votos, "negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 1.931.093,18, R$ 571.610,96 e R$ 2.093.354,83, nos anos-calendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente". Acompanhou o julgamento pelo Contribuinte o Dr. Alberto de Medeiros Filho, OAB/DF 24.741. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5604410
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:35 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030244311040
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727557/201113 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2201002.483 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2014 Matéria IRPF Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado EDUARDO ANTÔNIO NINA OLIVEIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008, 2009 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos declaratórios para esclarecer eventual obscuridade verificada no Acórdão. IRPF. AUTUAÇÃO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LIMITES. Constatada a possibilidade de tributação específica (§ 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996), incabível a manutenção da exigência com base em depósitos bancários de origem não identificada, sob pena de configurarse novo critério jurídico de lançamento. Vedada a transmudação da fundamentação legal da exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração para rerratificar o Acórdão de Embargos nº 2201002.344, de 18/03/2014, sanando a omissão apontada e mantendose a respectiva decisão, no sentido de, por unanimidade de votos, "negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 1.931.093,18, R$ 571.610,96 e R$ 2.093.354,83, nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente". Acompanhou o julgamento pelo Contribuinte o Dr. Alberto de Medeiros Filho, OAB/DF 24.741. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 75 57 /2 01 1- 13 Fl. 2281DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, Embargos de Declaração, fls. 2256/2266, com fundamento no artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. Alega a Fazenda Nacional que o Acórdão de Embargos n° 2201002.344, de 18/03/2014, contém vícios, nos termos que se seguem, em síntese: II DA CONTRADIÇÃO E DO ERRO ACERCA DE PREMISSA FÁTICA SOBRE A QUAL SE ASSENTA A DECISÃO. Ao sumarizar que: "Do exposto, verificase que o voto condutor do Acórdão embargado entendeu que estando os depósitos (de pessoas físicas ou jurídicas) perfeitamente identificados na conta n° 214.2143 e tendo o contribuinte desde o início alegado que essa conta era utilizada pela pessoa jurídica, tais depósitos deveriam ser tributados como receitas da Agropecuária Nova Era Ltda", o Acórdão n. 220102.344 incorreu em erro quanto à premissa fática, hipótese, por si, autorizadora da oposição de embargos declaratórios, conforme admite o Superior Tribunal de Justiça, eis que o Acórdão embargado julgara que tais depósitos constituíam receita da pessoa física EDUARDO ANTONIO NINA e deveriam ser tributados nesta pessoa física, utilizandose a equiparação entre pessoa física e jurídica prevista no art. 41, §1°, alínea "b" a Lei n. 4.506 de 1964. Destarte, fica, desde já, demonstrada a necessidade de sanar o Acórdão n. 220102.344, para que seja superado o erro na premissa fática quanto ao julgamento proferido no Acórdão n. 220100214 e, por consequente, adequar o julgamento do Acórdão n. 220102.344 ao que fora decidido no Acórdão n. 220100214: determinar a tributação dos depósitos da Conta n. 214.2143 na pessoa física EDUARDO ANTONIO, equiparando, para fins de apuração do tributo, a pessoa física à pessoa jurídica. A Fazenda Nacional formula o pedido da seguinte forma, verbis: IV DO PEDIDO Ante o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) sejam conhecidos e providos os presentes embargos de declaração, para sanar os vícios acima apontados, com a superação do erro Fl. 2282DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727557/201113 Acórdão n.º 2201002.483 S2C2T1 Fl. 3 3 sobre a premissa fática que baseou o julgamento, bem como da contradição incorrida entre o Acórdão n. 2201.002.143 e Acórdão n. 2201002.344, a fim de que: a) Seja excluído o pronunciamento acerca dos depósitos bancários vinculados à Conta n. 214.2143, por se tratar de matéria não devolvida à apreciação da Turma por meio de embargos de declaração, caracterizando a decisão como extra petita, e porque a manifestação do Colegiado sobre o ponto incorreu em erro sobre premissa fática e contradição, como demonstrado acima. b) Em consequência, sejam suprimidos os efeitos infringentes decorrentes do pronunciamento referido no item "a". c) Seja sanada a obscuridade indicada nos Embargos de Declaração originais, para que se indique, de forma clara, quais as quantias relativas à devolução de adiantamento para aumento de capital, limitadas pelos valores declarados nas declarações de ajuste dos respectivos anoscalendário, tiveram sua origem comprovada e, portanto, devem ser excluídas da base de cálculo do lançamento em análise. Os argumentos acima conduzem à análise dos primeiros Embargos Declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em 13/09/2013 (fls. 2227/2232). Pois bem, naqueles Embargos, relativamente aos depósitos bancários vinculados à Conta n. 214.2143, a Fazenda Nacional assim se manifestou: II – DA OSBCURIDADE Não obstante no Acórdão tenham sido indicados precisamente os valores a serem excluídos da base de cálculo do imposto de renda para cada exercício, a leitura do voto não permite inferir a origem dos valores a serem excluídos, incorrendo o julgado, pois, em obscuridade, a demandar o manejo dos aclaratórios. No exame do mérito da demanda (fls. 2219/221 dos autos eletrônicos), o voto debruçouse sobre os depósitos efetuados na conta 214.2143 do Unibanco para mantêlos como tributáveis, o que afasta a necessidade de exame desta parte do julgado. (...) Fazse necessário, portanto, que as razões de decidir do julgamento, mormente quanto aos valores a serem subtraídos da base de cálculo, sejam expostas de forma lógica, de maneira a permitir a clara compreensão do julgado, motivo pelo qual se impõe a oposição dos presentes embargos. (grifei) Quanto aos depósitos efetuados na conta 214.2143, do Unibanco, embora a Embargante tenha extraído a conclusão no sentido de que a respectiva tributação tenha sido mantida, salientese que o Colegiado entendeu que tal manutenção somente seria cabível na Pessoa Jurídica, o que obviamente descarta eventual manutenção dos citados valores no Auto de Infração da Pessoa Física, objeto do acórdão embargado. Nesse passo, ao que parece, ocorreu o seguinte malentendido: Fl. 2283DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 a Embargante, entendendo que a tributação na Pessoa Jurídica implicava na manutenção dos valores da conta 214.2143, do Unibanco, no Auto de Infração da Pessoa Física, concluiu que a autuação teria sido mantida, nesta parte, daí a desnecessidade de manifestação do Colegiado, quando do julgamento daqueles Embargos; o Relator, bem como o Colegiado, por sua vez, extraíram a conclusão de que a Fazenda Nacional, a par da impossibilidade de manutenção da exigência na Pessoa Física, também estaria questionando esta parte da exclusão, daí a elaboração de demonstrativos que, ao fim e ao cabo, exibiram valores que, somados à outra parte dos Embargos (aumento de capital), suplantaram os valores excluídos no acórdão embargado. Ressaltese que quanto à possibilidade de equiparação da Pessoa Física à Pessoa Jurídica, para fins de tributação, temse que o lançamento é de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, portanto não cabe ao Órgão Julgador alterar a fundamentação legal para exigir crédito tributário com base no § 1º, alínea “b” do art. 41 da Lei nº 4.506/1964, sob pena de violação das disposições constantes no § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972. Assim, em relação aos depósitos efetuados na conta 214.2143 do Unibanco, o entendimento da Embargante foi no sentido da manutenção da tributação, contudo, o Relator do Acórdão de Embargos nº 2201002.344, de 18/03/2014, com o Colegiado, entenderam que havia uma omissão a ser sanada e, consequentemente, se manifestaram acerca das exclusões dos créditos da referida conta. Transcrevese o trecho do voto (fls. 2248/2252): No que tange aos depósitos/créditos da conta n° 214.2143 do UNIBANCO, o relator consignou no acórdão que “... Às fls.2.092/2.098, o contribuinte lista vários depósitos ocorridos na conta 214.2143, juntamente com depósitos na conta vinculada 214.2150, que constituiriam contrapartida a vendas de produtos agropecuários e teriam sido realizados em favor da Agropecuária Nova Era Ltda, apesar de terem sido efetuados na conta particular do contribuinte”. E, mais a frente, concluiu que “Ocorre que, conforme restou amplamente demonstrado nos autos, e sintetizado no relatório fiscal, o recorrente praticou, de forma reiterada e contínua, atos de comércio, comprando produtos e animais, entre outras atividades, valendose da conta corrente 214.2143 em comento para viabilizar suas operações”. Do exposto, verificase que o voto condutor do Acórdão embargado entendeu que estando os depósitos (de pessoas físicas ou jurídicas) perfeitamente identificados na conta nº 214.2143 e tendo o contribuinte desde o início alegado que essa conta era utilizada pela pessoa jurídica, tais depósitos deveriam ser tributados como receitas da Agropecuária Nova Era Ltda. Abaixo, individualização dos valores excluídos da base de cálculo: (...) Assim, em razão dos créditos identificados na planilha supra, devese excluir das bases de cálculo os valores de R$ 1.931.093,18, R$ 571.610,96 e R$ 2.093.354,83, nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente Desse modo, verificase que o Acórdão de Embargos nº 2201002.344, em razão da individualização dos valores excluídos da base de cálculo, conferiu efeitos Fl. 2284DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727557/201113 Acórdão n.º 2201002.483 S2C2T1 Fl. 4 5 infringentes ao julgado. Nesse passo, entendo que a irresignação manifestada pela Embargante, nada mais é do que o exercício do direito que assiste a todo litigante de recorrer de decisões que lhe sejam desfavoráveis, mormente no caso de dúvida quanto à premissa fática que assentou o pedido. Isso posto, a presidência da Câmara acolheu os Embargos para que o Colegiado se manifeste acerca do vício apontado pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator. Os embargos são tempestivos e atendem os requisitos de admissibilidade. Pelo que se colhe do Acórdão n° 2201002.143, de 15 de maio de 2013, os membros da 1º Turma Ordinária da 2ª Seção do CARF deram parcial provimento ao recurso para: “... excluir das bases de cálculo os valores de R$1.866.220,18, R$911.791,06 e R$900.102,29, nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado....”. Nesse passo, analisando detidamente o voto do Relator Márcio de Lacerda Martins, verificase que houve provimento parcial em relação às seguintes matérias: devolução de adiantamentos para futuro aumento de capital e comprovação de parte da origem dos créditos bancários, notadamente os depósitos efetuados na conta 214.2143 do Unibanco. No que tange à devolução de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital, o Acórdão embargado discorreu (fl. 29): Quanto à devolução de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital. (...) Para o exercício de 2009, o recorrente, apesar de informar na Declaração de Ajuste que o montante de recursos aportados na Agropecuária Nova Era aumentou de R$958.061,83, em 01/01/2008, para R$1.483.061,83, ao final do ano, pretende justificar depósitos em suas contas correntes no valor de R$969.410,82, como decorrentes de devolução de valores referentes a adiantamento para futuro aumento de capital. Nessas circunstâncias, é possível reconhecer a devolução de capital até o limite estabelecido pelos valores declarados nas declarações de ajuste dos respectivos anos calendário. Sem folga em 2007 e somente R$525.000,00 em 2008. Do exposto, verificase que o voto condutor do Acórdão embargado entendeu que para o anocalendário de 2008 é possível considerar como comprovado o montante de R$ 525.000,00 (R$ 1.483.061,83 – R$ 958.061,83). Entretanto, para o mesmo anocalendário, Fl. 2285DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 a autoridade julgadora de primeira instância já havia excluído da exigência o valor de R$ 73.000,00 (fl. 2144). Vejase: Devolução de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital. (...) Somente os créditos nos montantes de R$48.000,00, em 21/10/2008 e R$25.000,00, em 30/10/2008, têm comprovantes de depósitos acostados aos autos, e serão considerados como justificados. (grifei) Assim sendo, como o aporte total no anocalendário de 2008 foi de R$ 525.000,00, devese reduzir da base de cálculo o montante de R$ 452.000,00 (R$ 525.000,00 – R$ 73.000,00). Ressaltese que, relativamente ao anocalendário de 2007, como o valor do adiantamento para futuro aumento de capital informado na DIRPF do contribuinte não sofreu alteração, não houve qualquer exclusão da base de cálculo (fl. 15). Quanto à comprovação de parte dos créditos/depósitos efetuados na conta 214.2143 do Unibanco, o Relator do Acórdão Embargado assim se manifestou (fl. 2206/2222): Depósitos na Conta 214.2143, no Unibanco. Às fls.2.092/2.098, o contribuinte lista vários depósitos ocorridos na conta 214.2143, juntamente com depósitos na conta vinculada 214.2150, que constituiriam contrapartida a vendas de produtos agropecuários e teriam sido realizados em favor da Agropecuária Nova Era Ltda, apesar de terem sido efetuados na conta particular do contribuinte. (...) Equiparação Alternativa do Contribuinte a Pessoa Jurídica. A defesa solicita que, caso se entenda que esses valores recebidos na conta pessoal do contribuinte representam receita decorrente de operações comerciais, sejam tributadas segundo as regras aplicáveis às pessoas jurídicas, nos termos do artigo 150, § 1º, II, do Decreto 3.000 de 1999, abaixo transcrito. (...) Ocorre que, conforme restou amplamente demonstrado nos autos, e sintetizado no relatório fiscal, o recorrente praticou, de forma reiterada e contínua, atos de comércio, comprando produtos e animais, entre outras atividades, valendose da conta corrente 214.2143 em comento para viabilizar suas operações. Em circunstâncias tais, a Lei n° 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea "b", determina a equiparação da pessoa física à jurídica, para fins fiscais. Assim sendo, vejo que a tributação dos valores depositados na conta 214.2143 deve ser realizada pelas regras das pessoas jurídicas, com demanda o recorrente. Fl. 2286DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727557/201113 Acórdão n.º 2201002.483 S2C2T1 Fl. 5 7 Eis os motivos que me levam a rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir das bases de cálculo os valores de R$1.866.220,18, R$911.791,06 e R$900.102,29, nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente. (grifei) Do exposto, verificase que o voto condutor foi no sentido de que dos depósitos listados na conta 214.2143, fls. 2092/2098, realizados em favor da Agropecuária Nova Era Ltda, como são provenientes da venda de produtos agropecuários, a manutenção da exigência somente seria cabível na Pessoa Jurídica, já que não cabe ao órgão julgador alterar a fundamentação legal para exigir crédito tributário com base em outro dispositivo. Assim, o Colegiado acompanhou o entendimento do Relator e excluiu da base de cálculo os valores de R$ 1.866.220,18, R$ 911.791,06 e R$ 900.102,29, nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente. Ocorre, entretanto, que havia uma omissão a ser suprida, uma vez que o relator não identificou quais foram os depósitos que tiveram sua origem comprovada. Notese que os Embargos Declaratórios funcionaram como recurso de saneamento, em razão da incompletude do voto, uma vez que trouxe em seu bojo um vácuo que deveria ser preenchido, em razão do manifesto equívoco do julgado original. Assim, superada a omissão, o desfecho dos Embargos resultou em uma exclusão de valores pouco superior a decisão anterior, em razão do erro no somatório. Por essa razão, entendeu o Colegiado que devido ao patente lapso manifesto, que só foi observado por meio da apreciação dos primeiros Embargos, deveria a Turma julgadora aclarar a decisão, ainda que o resultado fosse incompatível com o anterior. Em relação ao caráter infringente dos Embargos, manifestou Nelson Nery Junior: "Os EDcl podem ter, excepcionalmente, caráter infringente quando utilizados para: a) correção de erro material manifesto; b) suprimento de omissão; c) extirpação de contradição. A infringência do julgado pode ser apenas a consequência do provimento dos EDcl, mas não seu pedido principal, pois isso caracterizaria pedido de reconsideração, finalidade estranha aos EDcl". Assim, o Acórdão de Embargos n° 2201002.344, de 18/03/2014, simplesmente corrigiu um erro no somatório dos valores ao indicar precisamente o montante a ser excluído da base de cálculo do imposto em cada exercício. Portanto, não há que se falar em reformatio in pejus em desfavor da Fazenda Nacional e tampouco em decisão extra petita, pois, repisese, a alteração que conferiu efeitos infringentes ao julgado ocorreu em razão de erro material manifesto, ou seja, ao se eliminar o vício que maculava o acórdão sobreveio, como consequência, os efeitos infringentes. Com efeito, a viabilidade de acolhimento de embargos de declaração no efeito modificativo ou infringente, quando do exame da obscuridade, omissão ou contradição resultar em complementação e/ou aperfeiçoamento do julgado, tem sido reconhecida pela jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante ementa transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. EFEITOS DA DECISÃO. CARÁTER INFRINGENTE. POSSIBILIDADE. ... Fl. 2287DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 A decisão sobre embargos de declaração possui efeito integrativo, pois complementa e aperfeiçoa o julgado. Ao se eliminar os vícios que maculam o acórdão, poderão advir, como consequência, os efeitos infringentes. (...) Processo n° 11080.008088/200171 Acórdão n° 910100.900 (grifei) O judiciário admite o uso de Embargos de Declaração com efeito infringente, com base em erro de fato, sobre o qual tenha se fundado o acórdão embargado. Vejase: ."O efeito modificativo dos embargos de declaração tem vez quando houver defeito material que, após sanado, obrigue a alteração do resultado do julgamento" (STJCorte Especial ED em AI 305.080MGAgRgEDcl, rel. min. Menezes Direito, j. 19/2/03, DJU 19/5/03, p. 108). ........... EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. REVISÃO DE CONTRATOS. COOPERATIVA E COOPERADO. NOVAÇÃO. POSSIBILIDADE. I Doutrina e jurisprudência têm admitido o uso de embargos de declaração com efeito infringente, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre o qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento. (...) Embargos de declaração acolhidos, para dar provimento ao recurso especial (STJ, EDcl no AgRg no REsp 582621 / RS, T3 – TERCEIRA TURMA, 20/04/2006, DJ 15.05.2006 p. 201). ................ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROCESSO CIVIL. ERRO MATERIAL. EFEITOS MODIFICATIVOS. RECURSO ESPECIAL. RAZÕES DISSOCIADAS DO CASO CONCRETO. 1. Reconhecida a existência de erro material no julgamento embargado capaz de alterar seu resultado, os aclaratórios devem ser acolhidos com excepcionais efeitos infringentes para sanálo. 2. É inviável o conhecimento do recurso especial no caso em que seus fundamentos se encontram dissociados do contexto dos autos. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (STJ, Processo: EDEDAG 200702553353; EDEDAG EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO – 972150; Relator(a): JOÃO OTÁVIO DE NORONHA; Órgão julgador: QUARTA TURMA; Fonte: DJE DATA:19/04/2010). Nesse passo, não tem passagem a alegação da Embargante de que a Turma Julgadora incorreu em erro sobre premissa fática, bem como se dissociou do acórdão original ao enfrentar depósitos na Conta nº 214.2143, pois, como o Colegiado acompanhou o entendimento do relator no sentido de que “... a tributação dos valores depositados na conta 214.2143 deve ser realizada pelas regras das pessoas jurídicas, com demanda o recorrente”, o que de fato ocorreu foi simplesmente o saneamento do julgado por meio da individualização dos valores e consequente somatório dos montantes a serem excluídos. Assim, o trecho acima, extraído do voto do acórdão original, não significa, em absoluto, que o Colegiado estaria, no contexto de um Auto de Infração de Pessoa Física, transmudando a exigência em Imposto de Renda Pessoa Jurídica. O que se quis dizer, por Fl. 2288DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10166.727557/201113 Acórdão n.º 2201002.483 S2C2T1 Fl. 6 9 óbvio, é que a exigência, no que tange à contacorrente em tela, somente poderia ter sido formalizada em face da Pessoa Jurídica, porém tal comando é dirigido à Autoridade Autuante, sendo vedado à Autoridade Julgadora efetuar tal alteração no critério jurídico do lançamento. Por fim, como abordado no relatório, o presente lançamento é de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, portanto não cabe a este órgão alterar a fundamentação legal para exigir crédito tributário com base no art. 41, § 1º, alínea “b” da Lei nº 4.506/1964, sob pena de violação das disposições constantes no § 3° do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972. Assim, em razão dos créditos identificados na planilha de fls. 2249/2252, devese excluir das bases de cálculo os valores de R$ 1.931.093,18, R$ 571.610,96 e R$ 2.093.354,83, nos anos calendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente. Ante a todo o exposto, voto no sentido de acolher os embargos apresentados pela Fazenda Nacional para rerratificar o Acórdão de Embargos n° 2201002.344, de 18/03/2014, e sanando a omissão apontada, manter a respectiva decisão de negar provimento ao Recurso de Ofício e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir das bases de cálculo os valores de R$ 1.931.093,18, R$ 571.610,96 e R$ 2.093.354,83, nos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, respectivamente. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 2289DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917870/2011-61
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn.
Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.917870/2011-61
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5370831
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-000.205
nome_arquivo_s : Decisao_10830917870201161.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830917870201161_5370831.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
dt_sessao_tdt : Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5573857
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030249553920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 132 1 131 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917870/201161 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3802000.205 – 2ª Turma Especial Data 27 de maio de 2014 Assunto PER/DCOMPRETIFICAÇÃO Recorrente HUNTER DOUGLAS DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851. Relatório e Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 87 0/ 20 11 -6 1 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917870/201161 Resolução nº 3802000.205 S3TE02 Fl. 133 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da nãohomologação de compensação. Aduziu a Recorrente que a origem do crédito seria decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado. Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Como se sabe, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917870/201161 Resolução nº 3802000.205 S3TE02 Fl. 134 3 classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.678176/2009-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS.
A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10880.678176/2009-11
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5380981
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-004.103
nome_arquivo_s : Decisao_10880678176200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10880678176200911_5380981.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
id : 5624702
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030251651072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1946; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.678176/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.103 – 1ª Turma Especial Sessão de 19 de agosto de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Recorrente SÁFILO DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde, o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 81 76 /2 00 9- 11 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678176/200911 Acórdão n.º 3801004.103 S3TE01 Fl. 12 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678176/200911 Acórdão n.º 3801004.103 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo administrativo, contra o acórdão julgado na sessão de 26 de agosto de 2011, pela 6ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo I/SP (DRJ/SPI), em julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O processo em exame deve sua origem à declaração de compensação anexa, transmitida eletronicamente pela empresa SÁFILO DO BRASIL LTDA, com o propósito de compensar débito propósito de compensar débito com suposto crédito de COFINS oriundos de pagamento indevido ou a maior que teria em 11/11/205. A unidade jurisdicionante do sujeito passivo, em despacho decisório eletrônico proferido na fl. 1, negou homologação à compensação declarada por não haver crédito disponível, esclarecendo que o pagamento indicado no PER/DCOMP já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da empresa. Tomando ciência da decisão, a contribuinte apresentou de forma tempestiva a manifestação de inconformidade, na qual tece os seguintes argumentos: a) Salienta de início que a interposição do recurso em apreço suspende de imediato a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório atacado, consoante dispõe o art. 151, III, do CTN; b) Alega que, em virtude de inclusão indevida de IPI relativo às vendas realizadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, recolheu essas contribuições em valores substancialmente superiores ao que seria devido, sendo notório que tal imposto não faz parte de sua base de cálculo; c) Afirma que, ao se aperceber do erro, efetuou um levantamento do referido indébito, apurando créditos no de (PIS) e de (COFINS), os quais passou a compensar por meio de vários PER/DCOMP transmitidos em datas diversas; d) No entanto – prossegue – devido a falha administrativa interna, deixou de retificar e retransmitir eletronicamente, por meio do sítio da RFB, as DCTF e os DACON relativos a esse período – o que levou a Fazenda Federal, ante a Fl. 164DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678176/200911 Acórdão n.º 3801004.103 S3TE01 Fl. 14 4 impossibilidade de reconhecer os pagamentos a maior, a não homologar as compensações realizadas; e) Acrescenta que, desejando regularizar tal pendência, transmitiu as DCTF e os DACON retificadores; f) Passando a tratar especificamente do processo em exame, descreve com minúcias a natureza e o valor do débito e do crédito compensados na DCOMP objeto do despacho decisório impugnado e observa estar à disposição das autoridades fiscais “toda a documentação comprobatória relativa aos recolhimentos e compensações efetuadas”; g) Assevera que o crédito utilizado na DCOMP realmente existe e deve ser reconhecido, citando em seguida dois acórdãos do Conselho de Contribuintes cujas ementas tratam de erro material no preenchimento de DCTF e mencionam o princípio da verdade material; h) Concluindo, requer a reforma do despacho decisório e apresenta, na última folha da impugnação, uma lista de documentos que traz aos autos. É o relatório” A DRJ de São Paulo I/SP (DRJ/SPI) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, confirmando a não homologação da compensação declarada. Colaciono a ementa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA. Incumbe ai sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante com fito de reduzir tributo – mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar – só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678176/200911 Acórdão n.º 3801004.103 S3TE01 Fl. 15 5 DCOMP. SUSPENSÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/66) Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância diante da falta de fundamentação, prejudicando do contraditório e da ampla defesa, alega aplicabilidade da verdade material e a inaplicabilidade da multa. É o sucinto relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678176/200911 Acórdão n.º 3801004.103 S3TE01 Fl. 16 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. Deste modo, tendo em vista o argumento da contribuinte de que procedera à retificação da DCTF e do DACON e que, à luz destes documentos retificados, a compensação deveria ser deferida, a DRJ constatou que as retificações ocorreram após a ciência do despacho decisório que não homologara a compensação e que a documentação apresentada com a manifestação de inconformidade não era hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, porque não foi apresentada escrituração contábil e fiscal do período. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirma que por motivo de falha administrativa as DACON e a DCTF não foram devidamente retificados, nem transmitidos no programa da RFB, sendo este o motivo pelo do indeferimento das homologações. Ocorre que, em detrimento do erro de sistema alegado, a recorrente procedeu com a transmissão da retificadora, todavia apenas em 23/11/2009, ou seja, cerca de um mês após o despacho que indeferiu a homologação do pedido de compensação, sem qualquer comprovação complementar que produza prova inequívoca da operação. Conforme o disposto nos §§ 1, 2º e 3º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, é necessário para que os efeitos da retificadora sejam plenos a apresentação de prova inequívoca da ocorrência de erro. Colacionase os referidos dispositivos: Art. 9 º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas Fl. 167DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678176/200911 Acórdão n.º 3801004.103 S3TE01 Fl. 17 7 Hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCT retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe desses saldo; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal §3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário Logo, não foram contestadas as razões que levaram a DRJ a entender que a DCTF e o DACON retificados constantes destes autos não prestam para comprovar a inicialmente alegada existência de crédito. Diante dos faltos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, por não ter apresentado em suas rações recursais nada a respeito, com as seguintes assertivas da DRJ de São Paulo I/SP: i) que a retificação da DCTF e do DACON, por ser posterior à ciência do despacho decisório, não é válida para produzir efeitos; ii) que a alegação de erro e apresentação de DCTF retificadora na fase de impugnação não é suficiente para fazer prova em favor da contribuinte; bem como, iii) que é necessária a comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o Fl. 168DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678176/200911 Acórdão n.º 3801004.103 S3TE01 Fl. 18 8 despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado,então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável a apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.” Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do erro de preenchimento de DCTF, carreando aos autos tão somente a DCTF retificadora, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Outrossim, entendo que a apresentação da DCTF retificadora não é suficiente para comprovar a existência do crédito pretendido. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficiente para provar o direito alegado. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678176/200911 Acórdão n.º 3801004.103 S3TE01 Fl. 19 9 Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° o 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” Apesar de não haver qualquer consideração no recurso voluntário sobre a DCTF e o DACON retificadores constantes destes autos, o que exclui deste Colegiado a necessidade de apreciálos, observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Deste modo, tendo a contribuinte anexado declaração retificadora posterior à ciência do despacho decisório que indeferiu seu pedido de compensação, e não trazendo aos autos nenhum elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 170DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10880.678176/200911 Acórdão n.º 3801004.103 S3TE01 Fl. 20 10 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 22/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.002135/2007-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE
O estabelecimento autuado defende-se dos fatos a ele imputados, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal.
MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
A jurisprudência da CSRF consolidou-se no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas.
Numero da decisão: 1202-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Bellini Junior e Carlos Alberto Donassolo.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 CAPITULAÇÃO LEGAL NULIDADE INEXISTENTE O estabelecimento autuado defende-se dos fatos a ele imputados, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. MULTA ISOLADA IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A jurisprudência da CSRF consolidou-se no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13971.002135/2007-59
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5368230
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1202-001.127
nome_arquivo_s : Decisao_13971002135200759.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PLINIO RODRIGUES LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 13971002135200759_5368230.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Bellini Junior e Carlos Alberto Donassolo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5565685
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030254796800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2060; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.002135/200759 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202001.127 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2014 Matéria MULTA ISOLADA ESTIMATIVAS Recorrente AMERICANA COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 CAPITULAÇÃO LEGAL — NULIDADE INEXISTENTE O estabelecimento autuado defendese dos fatos a ele imputados, e não do dispositivo legal mencionado na acusação fiscal. MULTA ISOLADA — IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros João Bellini Junior e Carlos Alberto Donassolo. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior (suplente), Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 21 35 /2 00 7- 59 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 1202001.127 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Consta do Acórdão n° 0723.365 – 3ª Turma da DRJ/FNS, em 4 de março de 2011 (Fls. 197 a 199): Trata o presente processo de lançamento fiscal efetuado em face da pessoa jurídica acima qualificada, decorrente de procedimento de revisão de Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ. No período analisado, a autuada encontravase sujeita ao regime de tributação pelo Lucro Real anual. Do procedimento de revisão resultou formalizada a exigência de R$ 176.819,24, relativa ao período compreendido entre janeiro e abril de 2003, a título de multa de ofício isolada de 50%, em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ. Também no presente processo é exigida a importância de R$ 65.094,93, a título de multa de ofício isolada de 50%, em razão da falta de recolhimento de estimativas mensais da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, relativa ao mesmo período. Segundo relato da autoridade autuante, o lançamento decorreu de divergências entre valores informados na DIPJ/2004 (ano calendário 2003) e os montantes recolhidos e/ou declarados em DCTF, a título de estimativas mensais do IRPJ é da CSLL do período compreendido entre janeiro e abril de 2003. Os valores declarados em DIPJ são maiores que os montantes recolhidos e/ou declarados em DCTF. No curso do procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada a esclarecer tais divergências (fls. 77 a 79). Em resposta (fls. 81 e 82), a contribuinte assim se manifestou: Acerca da solicitação desta Delegacia da Receita Federal, cumpre esclarecer que a divergência entre os valores declarados em DCTF e DIPJ advém de erro de procedimento contábil causado pelo departamento contábil da empresa, sendo que tão logo constataram o equívoco o solucionaram através da apresentação da DIPJ, na qual foi incluída (sic) os valores realmente devidos pela empresa a título de IR, CSLL e COFINS das competências do anocalendário de 2003 O valores realmente devidos pela contribuinte a título de IR, CSLL e COFINS são os declarados em DIPJ para os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2003, e não os declarados em DCTF. Para sanar tais pendências a contribuinte está providenciando as entregas das DCTF's retificadoras para, deste modo, regularizar os valores declarados em DCTF com os valores declarados em DIPJ. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 1202001.127 S1C2T2 Fl. 4 3 Nesta mesma resposta, a contribuinte junta cópias de Darf relativos a recolhimentos da COFINS e salienta que "parte dos valores devidos não foram recolhidos em virtude da falta de caixa por parte da empresa". Diante da resposta da contribuinte, a fiscalização concluiu que não houve qualquer pagamento e/ou declaração em DCTF dos valores devidos a título de estimativa do IRPJ e da CSLL dos meses de janeiro a abril de 2003, valores esses apurados pela própria contribuinte e informados na DIPJ/2004. Em vista desses fatos, foi imposta a multa isolada de que trata a alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Do lançamento fiscal a pessoa jurídica foi cientificada em I o de outubro de 2007 (fl. 142). Irresignada, apresentou em 29 de outubro de 2007 a impugnação de fls. 148 a 155, na qual alega, em síntese, que os valores foram declarados em DIPJ, razão pela qual, no seu entendimento, "a multa isolada a ser imposta deve ser no importe de 20% (vinte por cento) e não de 75% (setenta e cinco por cento) como determinou a autoridade fiscal". Referindose à base legal indicada pela autoridade autuante (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, inciso II, alínea "b"), a impugnante assim se manifestou: [...] o embasamento legal para aplicar a multa pecuniária não merece prosperar, pois os fatos ocorridos não fazem qualquer relação com a penalidade imposta, vez que os tributos pagos a menor pela contribuinte foram integralmente declarados através de DIPJ. No entendimento da impugnante, "a multa a ser aplicada no caso em tela deveria ser a prevista no art. 61 da Lei 9.430/96". Em sua petição, a contribuinte também alega a inadmissibilidade de utilização da Selic, e requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. A pessoa jurídica optante pela apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual deve promover o recolhimento das estimativas mensais, a título de antecipação do referido imposto, com base na receita bruta e acréscimos, ou valendose de balanços de suspensão ou redução. A falta de recolhimento das estimativas, na forma da Lei, enseja a aplicação de penalidade, exigida isoladamente, correspondente a cinquenta por cento do valor do pagamento mensal não efetuado. Verificado o recolhimento insuficiente das antecipações mensais, é cabível a imposição de multa isolada sobre os valores não recolhidos. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 1202001.127 S1C2T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 MULTA DE OFÍCIO APLICADA ISOLADAMENTE. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. A pessoa jurídica optante pela apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual deve promover o recolhimento das estimativas mensais, a título de antecipação do referido imposto, com base na receita bruta e acréscimos, ou valendose de balanços de suspensão ou redução. A falta de recolhimento das estimativas, na forma da Lei, enseja a aplicação de penalidade, exigida isoladamente, correspondente a cinquenta por cento do valor do pagamento mensal não efetuado. Verificado o recolhimento insuficiente das antecipações mensais, é cabível a imposição de multa isolada sobre os valores não recolhidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 30/03/2011 (Fls. 202), a Recorrente interpôs o presente recurso em 29/04/2011 (Fls. 208 a 218), alegando em síntese: II PRELIMINARMENTE II.1 DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELO EQUÍVOCO NO ENQUADRAMENTO DA SANÇÃO APLICÁVEL Verificase que a autoridade administrativa fundamentou o lançamento com base no disposto no art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei 9130/1996, que entrou em vigor por força da Medida Provisória 351/2007, em 15 de junho de 2007. Todavia, à época dos fatos supostamente praticados pela recorrente, em 2003, vigia outra redação do art. 44 da Lei 9.430/1996, do que se conclui que houve o incorreto enquadramento da suposta infração praticada pela recorrente à hipótese prevista na lei. Ainda que se alegue que a multa aplicada seja mais benéfica ao contribuinte, deveria ter sido aplicado o dispositivo efetivamente vigente à época dos fatos, e posteriormente fazer retroagir a norma mais benéfica ao contribuinte, especificamente o inciso II do art. 44 da lei 9430/1996 (...) Em resumo, tendo em vista ter havido o incorreto enquadramento da suposta conduta praticada pela recorrente, Fl. 240DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 1202001.127 S1C2T2 Fl. 6 5 requerse seja declarada a nulidade do auto de infração, por vício material no lançamento. III. DAS RAZÕES DO PRESENTE RECURSO III.1. DO EQUÍVOCO NO ENQUADRAMENTO DA MULTA APLICADA Conforme consta no auto de infração a autoridade fiscal impôs multa isolada de 50% sobre o pagamento a menor de IRPJ e CSLL do ano calendário 2003. Para embasar o auto de infração, a autoridade fiscal evocou o art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei 9.430/1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de cinquenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de se efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendàrio correspondente, no caso de pessoa física. Todavia, o embasamento legal para aplicar a multa pecuniária não merece prosperar, pois os fatos ocorridos não fazem qualquer relação com a penalidade imposta, vez que os tributos pagos à menor pela contribuinte foram integralmente declarados através de DIPJ's. Consequentemente, caso cabível, a multa a ser aplicada no caso em tela deveria será a prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, a qual se transcreve: Art. 61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, (grifouse) (...) Analisandose o contido na Lei n° 9.430/1996, extraise entendimento totalmente divergente do adotado pela autoridade julgadora de primeira instância, qual seja, o de ser incabível o lançamento da multa isolada após o término do respectivo ano calendário em que deveria ter sido feito o pagamento das estimativas de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 1202001.127 S1C2T2 Fl. 7 6 Resumindose, pela sistemática da apuração do IRPJ pelo lucro real anual, o contribuinte deverá fazer o pagamento das estimativas mensais (desde que não apresente balancetes mensais ou balanços de suspensão) a título de antecipação do imposto efetivamente devido e apurado em 31 de dezembro do respectivo anocalendário, data do fato gerador do imposto de renda, do que conclui que antes dessa data não há imposto devido. Portanto, é notório que a penalidade contida no art. 44 da Lei 9.430/1996 visa apenas dar efetividade à regra dos recolhimentos mensais por estimativa, levandose à conclusão de que em não havendo imposto a pagar no final do ano calendário (como no caso dos autos, em que a contribuinte teve prejuízo fiscal), não há base de cálculo para a multa isolada ante o não pagamento das estimativas. De fato, não há dúvida de que o legislador elegeu como base de cálculo o valor do tributo, que pode ser entendido durante o anocalendário como as antecipações do imposto, e após o levantamento do lucro real anual, como o valor do tributo efetivamente devido e sobre ele calculado. Em outras palavras, se durante o anocalendário o imposto é calculado sobre o lucro estimado, sendo esta a base de cálculo para a aplicação da sanção, após o advento do balanço anual e a apuração do lucro real anual o crédito tributário deixa de ser aquele com base no lucro estimado e passa a ser aquele calculado sobre o lucro real efetivo, sendo que somente sobre esse, se houver, é que poderá ser exigido o imposto, sendo esse o limite para a aplicação da multa. Assim, fechandose o exercício com prejuízo fiscal, o que ocorreu no caso dos autos, conforme verificase nos Anexos I e II do presente auto de infração, não há fato gerador para imposição da multa, tampouco base de cálculo para o seu lançamento. (...) IV. REQUERIMENTO (...) requerse a reforma da decisão recorrida, julgadose totalmente improcedente o lançamento em questão pelos motivos anteriormente expostos, reconhecendose a impossibilidade da cobrança de multa no presente caso. Subiram os autos ao CARF, distribuídos a este relator, por sorteio, em 06 de agosto de 2013. É o relatório. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 1202001.127 S1C2T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator Conheço do presente recurso quanto ao requisito da tempestividade do art. 33, do Decreto n° 70.235, de 1972, a seguir transcrito, de acordo com o período transcorrido entre a intimação e a interposição mencionado no relatório. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Passo à análise de cada um dos pontos levantados pela Recorrente: i) Preliminar de nulidade: Não há que se falar em vício material do lançamento, pois, a Recorrente defendese dos fatos a ela imputados, e estes encontramse devidamente detalhados nos autos de infração. Sobre o assunto, pronunciouse este E. Colegiado no Acórdão n° 1202000.912 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, com os seguintes fundamentos: (...) Ademais,com o objetivo de afastar qualquer entendimento contrário,mesmo que existisse algum erro na capitulação legal, isto não seria motivo suficiente a ensejar a nulidade do lançamento,por não se tratar de nenhuma das hipóteses do artigo59 do Decreto 70.235/72.Vejamos decisões deste E.Conselho neste mesmo sentido: “(....) ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL – NULIDADE. Inexiste nulidade em virtude de erro na capitulação legal,quando o fato está devidamente descrito na autuação. (...)(Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária, Acórdão nº 10617047 do Processo 11516002011200219,Data: 10/09/2008)” (não grifado no original) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Erro na capitulação legalIncabível a argüição de nulidade do lançamento quando não demonstradas as hipóteses previstas no artigo 59, incisos I e II, do Decreto nº. 70.235/72(...) Recurso a que se nega provimento.(Segundo Conselho de Contribuintes.2ªCâmara.Turma Ordinária, Acórdão nº 20212206 do Processo 106600009169881, Data:06/06/2000)”(não grifado no original) “(...)Enquadramento legal incorreto o erro na capitulação legal ou mesmo a ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata,possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas.Recurso voluntário negado.Acordam os membros do colegiado,por unanimidade,afastar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1ª Seção de Julgamento. 4ª Câmara. 1ª Turma Ordinária, Acórdão nº Fl. 243DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 1202001.127 S1C2T2 Fl. 9 8 140100329 do Processo 19515000937200445 , Data: 02/09/2010)”(não grifado no original) (...) Em face do exposto, rejeito a preliminar de nulidade suscitada. ii) Razões de mérito: A Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre a concomitância por meio do Acórdão n° 9101001.547, com a seguinte ementa: MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sobrebase estimada ao longo do ano. A jurisprudência da CSRF consolidouse no sentido de que não cabe a aplicação da multa isolada após o encerramento do período. Ante esse entendimento, não se sustenta a decisão que mantém a exigência da multa sobre o valor total das estimativas não recolhidas. No voto condutor desse Acórdão, de relatoria do Ilustre Conselheiro Valmir Sandri, destacamse os seguintes fundamentos: A jurisprudência desta Câmara Superior consolidouse no sentido de que as duas condutas (antecipação e ajuste), embora distintas, estão materialmente ligadas, eis que o cálculo do valor estimado repercute na apuração do ajuste ao final do período. Nesse passo, a primeira conduta (o dever de antecipar), só existe antes do encerramento do período de apuração, e apenas até esse termo seu descumprimento será alcançado pela penalização. Após o encerramento do período, a conduta exigível é o dever de apurar e pagar o tributo devido no ajuste. Dessa inteligência da norma resulta que, encerrado o ano calendário, não mais existe o dever de antecipar, e assim, a multa pelo descumprimento do dever de pagar o tributo só incide sobre a diferença entre o tributo devido no período e o já pago (quer sobre forma de estimativas, quer sobre forma de ajuste). Pelas razões expostas, DOU PROVIMENTO ao presente recurso para cancelar a multa isolada sobre as estimativas não recolhidas de IRPJ/CSLL, de que trata o inciso II, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, nos períodos do anocalendário de 2003 a que se referem os autos de infração. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Fl. 244DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 13971.002135/200759 Acórdão n.º 1202001.127 S1C2T2 Fl. 10 9 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 12/08/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.911060/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE.
Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF.
ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL
Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Conhecido em parte e na parte conhecida dado Provimento
Numero da decisão: 3801-003.788
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberando-se, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixa-se de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Conhecido em parte e na parte conhecida dado Provimento
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10840.911060/2009-68
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5372645
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-003.788
nome_arquivo_s : Decisao_10840911060200968.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SIDNEY EDUARDO STAHL
nome_arquivo_pdf_s : 10840911060200968_5372645.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5589092
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030270525440
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2111; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 158 1 157 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.911060/200968 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.788 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria Compensação Recorrente ESCANDINÁVIA VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ALTERAÇÃO DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, e tendo sido, posteriormente, reconhecida por aquele Tribunal a repercussão geral da matéria em questão e reafirmada a jurisprudência adotada, deliberandose, inclusive, pela edição de súmula vinculante, deixase de aplicar o referido dispositivo, conforme autorizado pelos Decretos nºs 2.346/97 e 70.235/72 e pelo Regimento Interno do CARF. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS. QUESTÃO CONSTITUCIONAL Súmula nº 2 do CARF. Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Conhecido em parte e na parte conhecida dado Provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial no sentido de reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 91 10 60 /2 00 9- 68 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.911060/200968 Acórdão n.º 3801003.788 S3TE01 Fl. 159 2 Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 159DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.911060/200968 Acórdão n.º 3801003.788 S3TE01 Fl. 160 3 Relatório Tratase de pedido de compensação por intermédio do qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/COFINS. Preliminarmente a Recorrente foi intimada a esclarecer os valores mensais consignados a título de Faturamento/Receita Bruta em sua DIPJ retificadora, tendo em vista que o valor dessa rubrica foi sistematicamente reduzido nas suas DIPJ retificadoras dos anos calendário de 2001 e 2002. A interessada, em cumprimento ao despacho apresentou demonstrativo de fls. informando que a alteração se deu em decorrência da existência de valores excluídos da base referentes a comissões, descontos obtidos, juros recebidos, receitas financeiras e variação monetária ativa, apresentando na manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário cópia parcial do livro razão e do Registro de Apuração do ICMS. Por despacho decisório, foi reconhecido em parte direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, homologada parcialmente a compensação declarada. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade informando que seu crédito decorre do pagamento a maior de receitas financeiras que devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições e da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo das mesmas. A DRJ de Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Anocalendário: 2002 CONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ALCANCE. A decisão do Supremo Tribunal Federal, prolatada em Recurso Extraordinário, não possui efeito erga omnes. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA REGIMENTAL. A instancia administrativa não possui competência regimental para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. COMPETÊNCIA DAS DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.911060/200968 Acórdão n.º 3801003.788 S3TE01 Fl. 161 4 A competência das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) para reexame de decisões sobre pedidos de restituição e compensação, em sede recursal administrativa, limitase à matéria objeto do pedido, que tenha sido apreciada pela autoridade a quo competente, e sobre a qual se estabeleça litígio. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Apresenta a Recorrente Recurso Voluntário no qual alega em síntese que: a) é INADMISSÍVEL a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo da COFINS/PIS, haja vista que, por força da interpretação estabelecida tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça à Lei Federal n° 9.718, de 1998, APENAS o faturamento (resultado da venda de mercadorias e serviços) poderá ser objeto de incidência daquela exação, EXCLUÍDAS, assim, as receitas financeiras e outras receitas, que não se encaixam nesse conceito; b) é correta a exclusão de valores de ICMS da base de cálculo da COFINS, eis que não se trata de faturamento ou sequer receita da pessoa jurídica, mas simples ingresso pertencente a terceiros (no caso, o Estado de São Paulo) que circula no caixa da empresa, mas para ela representa ônus. É o que importa relatar. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.911060/200968 Acórdão n.º 3801003.788 S3TE01 Fl. 162 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme apontado são dois os pontos em exame no presente processo, o um a inclusão na base de cálculo das contribuições cumulativas para o PIS e para a COFINS das receitas financeiras da pessoa jurídica; e, o dois a possibilidade de se excluir da respectiva base de cálculo o ICMS. Em prelação ao primeiro ponto, como se sabe, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF) julgou indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998 no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão Fl. 162DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.911060/200968 Acórdão n.º 3801003.788 S3TE01 Fl. 163 6 constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), os Conselheiros do CARF são obrigados a aplicar as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, e assim, devemos afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei n.º 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.911060/200968 Acórdão n.º 3801003.788 S3TE01 Fl. 164 7 Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López4: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. Quanto à inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS tenho que não é possível aos membros desse conselho examinar a matéria, pois se trata de matéria constitucional e o controle de constitucionalidade das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Neste sentido, o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(grifouse) (...) § 6º. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10840.911060/200968 Acórdão n.º 3801003.788 S3TE01 Fl. 165 8 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II que. fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts, 18 e 19 da Lei n° 10,522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, Vale observar que, no caso em tela, não ocorreu nenhuma das exceções previstas no §6° do artigo acima transcrito. Outrossim, essa discussão já se encontra pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), conforme o disposto na Súmula 2: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nesse sentido, voto por julgar parcialmente procedente o recurso para reconhecer o direito à restituição, mediante compensação, dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei n.º 9.718/1998 e não conhecer do mesmo quanto a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS e a COFINS. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/08/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10972.720019/2012-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2402-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201401
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10972.720019/2012-84
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5375480
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2402-000.411
nome_arquivo_s : Decisao_10972720019201284.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10972720019201284_5375480.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5602946
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:31 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030315614208
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1256; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 389 1 388 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10972.720019/201284 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.411 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 23 de janeiro de 2014 Assunto COOPERATIVA DE TRABALHO Recorrente CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS DE UBERABA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 72 .7 20 01 9/ 20 12 -8 4 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10972.720019/201284 Resolução nº 2402000.411 S2C4T2 Fl. 390 2 Relatório Tratamse de autos de infração constituídos em 20/03/2012 (fl. 03/04), para exigência de contribuição previdenciária a cargo da empresa incidente sobre serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho no período de 01/2008 a 12/2008, bem como de multa por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, relativamente aos serviços prestados por cooperativas de trabalho, no período de 01/2008 a 11/2008. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 300/358), requerendo a total improcedência da autuação. A d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG – DRJ/JFA julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente a autuação (fl. 361/370), entendendo, em suma, que: (i) a contribuição a cargo da empresa é de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho; (ii) não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário; (iii) constitui infração tributária a apresentação de declaração com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 374/384) alegando, em síntese, que: (i) é inconstitucional o artigo 22, inciso IV da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.876/99, sendo impossível a incidência de contribuição previdenciária sobre prestação de serviços por pessoa jurídica; (ii) há a necessidade de Lei Complementar para a alteração da base de cálculo constante do art. 195 da Constituição Federal, sem a qual a contribuição previdenciária ora exigida é ilegal; (iii) agiu corretamente ao reduzir a base de cálculo a 30% sobre os valores relativos ao “Ato Principal” contido nas Notas Fiscais emitidas pela Unimed, nos termos do art. 219, I, ‘a’ da Instrução Normativa RFB nº 971/09, inexistindo as diferenças apontadas; (iv) há a necessidade de sobrestamento do presente processo, em razão da ADI nº 2594, promovida pela Confederação Nacional da Indústria – CNI em janeiro de 2002. Requer ao final o provimento do recurso voluntário e o cancelamento da autuação. É o relatório. Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10972.720019/201284 Resolução nº 2402000.411 S2C4T2 Fl. 391 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Analisando as questões suscitadas no presente processo, observase que existe óbice ao julgamento do recurso interposto. A Recorrente defende, entre outros argumentos, que agiu corretamente ao reduzir a base de cálculo a 30% sobre os valores relativos ao “Ato Principal” contido nas Notas Fiscais emitidas pela Unimed, sustentando que (fl. 380/381): “A norma prevê que a redução da base de cálculo poderá ocorrer caso não haja discriminação dos ´serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem na nota fiscal ou na fatura´ (Art. 219, IN 971/09). Não existe discriminação na Nota Fiscal e nas Faturas da Unimed constante dos Anexos do Auto de Infração. A inexistência da discriminação permite que a Recorrente reduza a base de cálculo, nos precisos termos do art. 219, I, ‘a’ da IN 971/09. Repitase, o simples item denominado de ‘Ato Principal’, não presta para a discriminação constante da norma.” Em suma, defende a Recorrente que houve equívocos na apuração da base de cálculo, haja vista que a fiscalização utilizou como base do lançamento o valor descrito como “Ato Principal”, o qual não está devidamente discriminado na nota fiscal, e não os valores dos serviços prestados pelos profissionais autônomos cooperados, sustentando que o valor da base de cálculo não pode ir além do valor pago ao cooperado que presta serviço através da cooperativa (prestação de serviço autônomo). De acordo com a motivação que levou ao presente lançamento, conforme descrição contida no Relatório Fiscal (fl. 15/16), temse que, ao contrário do que alega a Recorrente, os valores contidos no “ato principal” correspondem às verbas destinadas a cobrir os atendimentos realizados por seus associados cooperados, através do contrato de assistência à saúde (serviços efetivamente realizados pelos cooperados). Vejase: “4. DA APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO Considerandose: (...) c) Os esclarecimentos prestados pela UNIMED Uberaba Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. no item ‘02’ de seu expediente de 15/12/2011 – Anexo 3 – definindo que os valores contidos no ‘Ato principal’ de suas Notas Fiscais Faturadas correspondem às verbas destinadas a cobrir os atendimentos realizados por seus associados cooperados, através do contrato de assistência à saúde, para execução dos seus objetivos sociais. Concluímos que as bases de cálculo para incidência das contribuições previdenciárias correspondem aos valores lançados na rubrica ‘ATO PRINCIPAL’ das notas fiscais faturadas, emitidas pela prestadora dos serviços, UNIMED Uberaba Cooperativa de Trabalho Médico Ltda. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10972.720019/201284 Resolução nº 2402000.411 S2C4T2 Fl. 392 4 (...) 5.1 DAS BASES DE CÁLCULO As bases de cálculo das contribuições lançadas correspondem aos valores constantes da coluna ‘Diferença de Base de Cálculo a Lançar’ do Anexo 4 – Demonstrativo de Apuração das Bases de Cálculo e foram agrupadas nos Levantamentos ‘CP – SERVIÇOS COOPERATIVAS TRABALHO’ e ‘CP2 – SERVIÇOS COOPERATIVAS TRABALHO’, conforme relatório DD – Discriminativo do Débito.” Outro não foi o entendimento demonstrado na r. decisão recorrida (fl. 369): “De acordo com o documento de fls. 35/38 emitido pela UNIMED, os valores faturados sob a denominação ‘ato cooperativo principal’ representam as verbas destinadas a cobrir os atendimentos realizados pelos seus cooperados, através do contrato de assistência à saúde, enquanto os valores faturados sob a denominação ‘ato cooperativo auxiliar’ são destinados a cobrir os atendimentos realizados complementarmente ao ato médico cooperado, na prestação de serviços através de contratos de assistência à saúde. Às fls. 49/154, constam as notas fiscais emitidas pela UNIMED, nas quais observase a discriminação entre ‘ato principal’ e ‘ato auxiliar’ na descrição dos serviços prestados.(...) Do exposto, verificase que, no mesmo sentido alegado pelo impugnante, a contribuição foi apurada somente sobre os serviços efetivamente prestados pelos cooperados, de acordo com o previsto no inciso II do art. 291 acima, uma vez que, no caso da UNIMED, foram utilizados como base de cálculo os valores dos serviços discriminados como ‘ato principal’ nas notas fiscais, os quais representam as verbas destinadas a cobrir os atendimentos realizados pelos cooperados.” Assim, constatase que o lançamento tomou como base de cálculo os valores discriminados nas faturas de prestação de serviços correspondentes aos serviços médicos (“ato principal”). Conforme se pode verificar na IN SRP nº 03/2005 vigente à época, a depender das características dos contratos coletivos firmados com cooperativas de trabalho na área da saúde, a forma de apuração da base de cálculo será dada de forma diferente. Vejamos: “Art. 291 . Nas atividades da área de saúde, para o cálculo da contribuição de quinze por cento devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, as peculiaridades da cobertura do contrato definirão a base de cálculo, observados os seguintes critérios: ( Revogado pela Instrução Normativa nº 971, de 13 de novembro de 2009 ) I nos contratos coletivos para pagamento por valor predeterminado, quando os serviços prestados pelos cooperados ou por demais pessoas físicas ou jurídicas ou quando os materiais fornecidos não estiverem discriminados na nota fiscal ou fatura, a base de cálculo não poderá ser: a) inferior a trinta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de grande risco ou de risco global, sendo este o que assegura atendimento completo, em Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10972.720019/201284 Resolução nº 2402000.411 S2C4T2 Fl. 393 5 consultório ou em hospital, inclusive exames complementares ou transporte especial; b) inferior a sessenta por cento do valor bruto da nota fiscal ou da fatura, quando se referir a contrato de pequeno risco, sendo este o que assegura apenas atendimento em consultório, consultas ou pequenas intervenções, cujos exames complementares possam ser realizados sem hospitalização; II nos contratos coletivos por custo operacional, celebrados com empresa, onde a cooperativa médica e a contratante estipulam, de comum acordo, uma tabela de serviços e honorários, cujo pagamento é feito após o atendimento, a base de cálculo da contribuição social previdenciária será o valor dos serviços efetivamente realizados pelos cooperados. Parágrafo único. Se houver parcela adicional ao custo dos serviços contratados por conta do custeio administrativo da cooperativa, esse valor também integrará a base de cálculo da contribuição social previdenciária.” Analisando os autos, constatase que, aparentemente, a fiscalização se valeu do critério de apuração previsto no inc. II acima, haja vista que buscou aplicar a alíquota de 15% sobre o que seria o valor dos serviços efetivamente realizados pelos cooperados (no caso, o “ato principal”). No entanto, verificase que não foi realizada a análise das características dos contratos firmados entre a Recorrente e a Unimed, para fins de enquadramento nas hipóteses previstas na norma acima. Como consequência disso, há dúvidas sobre se os referidos contratos devem mesmo ser enquadrados na hipótese prevista no inc. II acima, mormente quando não houve qualquer informação da fiscalização sobre as modalidades dos contratos coletivos, se são para pagamento por valor predeterminado ou por custo operacional, se se referem a contratos de grande risco ou de risco global ou contratos de pequeno risco, o momento do pagamento dos valores dos serviços (se antes ou após o atendimento), as cláusulas aplicáveis etc. Pela forma como o lançamento foi efetuado, em que pese haver a discriminação do “ato principal” (serviços médicos) e do “ato auxiliar” (despesas auxiliares/complementares necessárias à prestação do serviço médico) nas notas fiscais faturas de prestação de serviços (Anexo 7, fl. 49/154), seria possível entender , numa análise preliminar dos contratos, que tais quantias podem se referir a valores predeterminados pagos mensalmente, o que ensejaria a aplicação da hipótese prevista no inc. I do art. 291 supratranscrito e, consequentemente, na apuração de uma base de cálculo diferente. Daí a necessidade da análise pormenorizada dos contratos coletivos de saúde objetos do presente processo e das suas formas de pagamento, para fins de vinculação inequívoca com as hipóteses previstas no dispositivo acima referido, o que não foi demonstrado claramente pela fiscalização. Havendo previsão de bases de cálculos especiais e diferenciadas especificamente nas atividades de saúde, nos termos do art. 291 da IN SRP nº 03/2005 vigente à época, devem elas ser apontadas com precisão e de maneira fundamentada pela fiscalização. Ressaltase que tais análises e respectivos valores já deveriam constar no processo desde a lavratura do auto de infração, de forma inclusive a possibilitar ao contribuinte Fl. 393DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 10972.720019/201284 Resolução nº 2402000.411 S2C4T2 Fl. 394 6 a ampla defesa e o contraditório, o que não foi feito, limitandose a fiscalização em mencionar genericamente o art. 291 acima referido. Diante disso, entendo que especificamente no caso da Unimed deve ser realizada diligência para que a fiscalização se manifeste quanto aos requisitos previstos no art. 291 da IN SRP nº 03/2005, destacando, com a devida fundamentação e para cada contrato da Unimed: (i) se os contratos coletivos de saúde da Unimed objetos deste processo se inserem na modalidade de pagamento “por valor predeterminado” ou “por custo operacional”, e quais as cláusulas contratuais que sustentam a respectiva conclusão; (ii) se os pagamentos para a Unimed são feitos antes ou após o atendimento, e quais as cláusulas contratuais que sustentam a respectiva conclusão; (iii) em sendo o contrato “por valor predeterminado”, se se refere a contrato de grande risco ou de risco global, ou contrato de pequeno risco, e quais as cláusulas contratuais que sustentam a respectiva conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que o auditor fiscal verifique as questões expostas acima. Após a realização da diligência, e independentemente do seu resultado, deve ser obrigatoriamente aberto prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, em atenção ao princípio do contraditório e da ampla defesa, após o qual deverão retornar os autos para julgamento neste Conselho. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 394DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 19/08/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10920.005813/2009-12
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2000
ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PROBLEMAS TÉCNICOS.
A existência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no último dia de vencimento do prazo de entrega de declaração, equivale à situação de expediente anormal (encerramento antes do horário normal), acarretando a possibilidade de execução do ato, de forma tempestiva, no dia útil posterior.
Numero da decisão: 1803-002.167
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Meigan Sack Rodrigues, relatora, que dava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes.
(Assinado Digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2000 ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PROBLEMAS TÉCNICOS. A existência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no último dia de vencimento do prazo de entrega de declaração, equivale à situação de expediente anormal (encerramento antes do horário normal), acarretando a possibilidade de execução do ato, de forma tempestiva, no dia útil posterior.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10920.005813/2009-12
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5373579
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.167
nome_arquivo_s : Decisao_10920005813200912.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : MEIGAN SACK RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10920005813200912_5373579.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Meigan Sack Rodrigues, relatora, que dava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (Assinado Digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva - Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues - Relatora. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
dt_sessao_tdt : Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
id : 5592377
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030336585728
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-05-26T14:59:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-05-26T14:59:56Z; Last-Modified: 2014-05-26T14:59:56Z; dcterms:modified: 2014-05-26T14:59:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:7c2e9dfd-c0ae-4de2-9b16-046b5ee5c94d; Last-Save-Date: 2014-05-26T14:59:56Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-05-26T14:59:56Z; meta:save-date: 2014-05-26T14:59:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-05-26T14:59:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-05-26T14:59:56Z; created: 2014-05-26T14:59:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2014-05-26T14:59:56Z; pdf:charsPerPage: 1780; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-05-26T14:59:56Z | Conteúdo => S1TE03 Fl. 38 1 37 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.005813/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.167 – 3ª Turma Especial Sessão de 6 de maio de 2014 Matéria IRPJ Recorrente JCMPC REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2000 ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PROBLEMAS TÉCNICOS. A existência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no último dia de vencimento do prazo de entrega de declaração, equivale à situação de expediente anormal (encerramento antes do horário normal), acarretando a possibilidade de execução do ato, de forma tempestiva, no dia útil posterior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencida a Conselheira Meigan Sack Rodrigues, relatora, que dava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes. (Assinado Digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 58 13 /2 00 9- 12 Fl. 38DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005813/200912 Acórdão n.º 1803002.167 S1TE03 Fl. 39 2 (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Relatório Tratase o presente feito, de multa por atraso na entrega da DCTF/2009, correspondente ao 1° semestre, sendo exigido o crédito tributário de R$ 500,00, posto que a DCTF foi entregue me 27/10/2009, quando o prazo final era de 07/10/2009. Devidamente cientificada do auto de infração, a empresa recorrente apresentou suas razões, em seara de impugnação, de forma tempestiva, aduzindo que a Secretaria da Receita Federal somente se manifestou em 11/11/2009, por meio de ato declaratório considerando tempestiva a entrega de DCTF em 08/10/2009. Assim entende que o lançamento deve ser revisto de ofício para fins de cancelamento da multa. A autoridade de primeira instância entendeu por bem manter o lançamento, posto ter sido efetuado nos termos da legislação de regência, qual seja art.7, §3°, da Lei 10.426/2002. Refere que a infração está perfeitamente configurada, pois lhe basta tão só a ocorrência do atraso. Afere que a entrega encerrouse em 07/10/2009 e que a recorrente entregou a declaração em 27/10/2009. Salienta ser notório que houve problemas técnicos na transmissão, por parte da Receita Federal e na recepção de DCTF no dia do vencimento de sua entrega. Razão que explica a edição de Ato Declaratório Executivo n° 90, de 11 de novembro de 2009, constatando, de fato, que o sistema de recepção das declarações apresentou problemas no dia 07/10/2009, último dia para adimplemento da obrigação. Cita o Ato Declaratório em comento. Porém, a autoridade julgadora de primeira instância afere que os problemas técnicos, ocorridos no último dia do prazo para entrega da declaração, o Ato Declaratório Executivo (ADE) estendeu o prazo de entrega em apenas um dia, tendo fixado o novo limite no dia 08 de outubro de 2009, tornando "sem efeito as multas aplicadas pela entrega da DCTF e do Dacon no dia 8 de outubro de 2009". Atenta para o fato de que o sistema de recepção/transmissão da RFB estava normal no dia seguinte ao vencimento, ou seja, em 08/10/2009, de forma que a empresa recorrente não precisava ficar esperando uma comunicação da RFB para saber como proceder à entrega da DCTF em questão. Se estivesse transmitido sua DCTF em 08/10/2009, o que era possível, apesar de ser fora de prazo, não sofreria qualquer tipo de sanção, em face da edição do referido ato declaratório. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005813/200912 Acórdão n.º 1803002.167 S1TE03 Fl. 40 3 Tem, o julgador a quo, como incontestável o fato de a entrega ter ocorrido apenas em 27 de outubro de 2009, fora, inclusive, do prazo estendido pelo ADE (08 de outubro de 2009), de forma que não há que se cogitar de revisão de ofício do lançamento, pois inaplicável ao caso. E por considerar o atraso, entende que o Lançamento encontra respaldo legal, sendo devida a multa. Devidamente cientifica da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário, de forma tempestiva, aduzindo em apertada síntese o já disposto na impugnação, além de alegar violação aos princípios da moralidade, da legalidade e da razoabilidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase, o presente feito, de multa por atraso na entrega da DCTF/2009, correspondente ao 1° semestre, sendo exigido o crédito tributário de R$ 500,00, posto que a DCTF foi entregue me 27/10/2009, quando o prazo final era de 07/10/2009. Importa informar que na data final para a entrega da DCTF, qual seja 07/10/2009, ocorreram problemas técnicos no sistema da Receita Federal do Brasil, ocasionando a edição de Ato Declaratório n. 90, em 11 de novembro de 2009. A empresa recorrente apresentou sua DCTF na data de 27/10/2009. A autoridade de primeira instância manteve o lançamento sob o fundamento de que no dia seguinte a situação que ocasionava o problema já havia normalizado, tal como disciplina o Ato Declaratório citado. Ocorre que discordo do posicionamento a quo tomando em conta que a empresa contribuinte não tinha conhecimento dos problemas técnicos da SRFB, tão pouco colaborou para o atraso e, de igual forma, não tinha como prever em que dia a situação problemática iria se normalizar. Caberia à autoridade publicar um Ato Declaratório comunicando o problema e com isso informar a ampliação do prazo para a entrega, sem a multa, da DCTF, fato que não aconteceu. Ademais, o Ato Declaratório emitido pela Secretaria da Receita Federal deve ser entendido dentro dos limites de sua competência, tal como conferida pelo art. 16 da Lei 9.779/99, ou seja, editado para reconhecer e declarar uma situação já acontecida e afastar os efeitos por ela produzidos, prejudiciais aos contribuintes até o momento de sua edição. Neste caminho, não pode o Ato em referência afastar a penalidade em decorrência da insuficiência do sistema eletrônico apenas até o dia 08.10.2009, mas sim, até a data da sua publicação, prestigiando aqui a necessidade de transparência e generalidade do ato administrativo. Cumpre lembrar que a empresa apresentou sua declaração no dia 27.10.2009, ou seja, apenas dez dias após o incidente. Isso somente corrobora com a ideia de que o sujeito Fl. 40DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005813/200912 Acórdão n.º 1803002.167 S1TE03 Fl. 41 4 passivo, no intuito de cumprir com a obrigação acessória de apresentar a DCTF, seguiu tentando cumprir com o dever imposto. Mas, não há como cobrar da empresa que esta saiba quando o problema do sistema da SRFB estará resolvido, com preciosidade de data e hora. Neste sentido, cito jurisprudência desse Egrégio Conselho (Câmara Superior de Recursos Fiscais): "DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, não acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência, tendo em vista o Ato Declaratório SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que prorrogou o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004. (Acórdão 9101001.779, 1ª Turma, Rel. Valmir Sandri, de 17.10.2013)" Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues – Conselheira Fl. 41DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005813/200912 Acórdão n.º 1803002.167 S1TE03 Fl. 42 5 Voto Vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Conforme bem observou o voto vencido, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) foi entregue em 27/10/2009, quando o prazo final era 07/10/2009, ou seja, vinte dias após. Dispõe o parágrafo único do art. 210 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN): Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. A existência de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) no último dia de vencimento do prazo de entrega de declaração equivale à situação de expediente anormal (encerramento antes do horário normal), acarretando a possibilidade de execução do ato, de forma tempestiva, no dia útil posterior. Menciono, a respeito, o art. 993,§ 3º, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), que trata de situação análoga: Art. 993. [...]. §3º Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, será prorrogado para o primeiro dia útil seguinte o prazo para recolhimento do imposto cujo término ocorrer em data em que, por qualquer motivo, não funcionarem os estabelecimentos bancários arrecadadores, bem como nos casos em que for previsto o recolhimento dentro de determinado mês, e, no seu último dia, não funcionarem os mencionados órgãos arrecadadores. Ora, se por motivos técnicos não foi possível a entrega da declaração no dia 07/10/2009, o procedimento da Recorrente deveria ter sido, obviamente, entregála no dia útil subsequente (08/10/2009). Assim, não é correto pretender que o Ato Declaratório Executivo RFB nº 90, de 11 de novembro de 2009, tenha “prorrogado” o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 1º semestre de 2009, como constou do aresto mencionado pela Conselheira relatora. É juridicamente impossível “prorrogar” um prazo que já se tenha escoado. O que é possível fazer, nessa situação como o fez aquele Ato é reconhecer como: Fl. 42DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10920.005813/200912 Acórdão n.º 1803002.167 S1TE03 Fl. 43 6 Art. 1º [...] tempestiva a apresentação, no dia 8 de outubro de 2009, da Declaração da de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, cujo prazo final de entrega encerrouse no dia 7 de outubro de 2009. e, por decorrência, declarar: Art. 2º [...] sem efeito as multas aplicadas pela entrega da DCTF e do Dacon no dia 8 de outubro de 2009. Também não se pode entender tenha aquele ato concedido uma “anistia”, ao arrepio da reserva legal prevista no art. 150, § 6º, da Constituição Federal e no art. 97, inciso VI, do CTN. O que se deu foi a admissão, expressa, de que, à hipótese examinada, devese aplicar o contido no art. 210, parágrafo único, do CTN, já transcrito. Há que se atentar, por fim, para a circunstância de que o problema enfrentado pela Recorrente poderia ter se limitado apenas a ela, o que, por certo, não resultaria na edição de qualquer ato administrativo por parte da RFB, invalidando, por consequência, a premissa e a conclusão a que chegou o voto vencido e, ainda, o aresto por ele citado. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 43DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 26/08/201 4 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 27/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assina do digitalmente em 31/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10935.907072/2011-53
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/07/2002
PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/07/2002 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10935.907072/2011-53
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5378662
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-005.574
nome_arquivo_s : Decisao_10935907072201153.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10935907072201153_5378662.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5612262
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030351265792
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2083; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 6 1 5 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.907072/201153 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.574 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria Compensação Recorrente COTRIGUAÇU COOPERATIVA CENTRAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/07/2002 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 70 72 /2 01 1- 53 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues. Relatório O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070144), indeferiu o Per/DComp transmitida em 15/07/2002, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado, o crédito nele informado foi integralmente utilizado no pagamento de outros débitos, não restando saldo credor para a restituição pleiteada. Manifestando a sua inconformidade a contribuinte alegou que apurou as contribuições ao PIS e à Cofins, com base no art. 3º da então vigente Lei nº 9.718/98; que ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal, por meio do RE 346.084, julgou inconstitucional a ampliação da base de cálculo trazido por esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita da venda de mercadorias, da prestação de serviços e outras receitas – financeiras, aluguéis, recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o pagamento do valor apurado. Ao final postula pela restituição dos valores pagos a maior a título de PIS, nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional e art. 2º, III, ‘c’, da IN RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic. Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 0640.320, a decisão proferida pela 3ª Turma DRJ/CTA indeferiu a manifestação de inconformidade aviada, consoante transcrição da ementa a seguir ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/07/2002 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de Fl. 48DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907072/201153 Acórdão n.º 3803005.574 S3TE03 Fl. 7 3 cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso Extraordinário. Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitouse à alegação de que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo inconstitucional contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, o mesmo era perfeitamente aplicável; e que as condições para o afastamento da aplicação da norma julgada inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97, o que fez em observância ao disposto no artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/09. Por tal razão deixou o voto condutor de reconhecer o direito creditório pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada. No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos autos provas do direito alegado, eis que a contribuinte não demonstrou fazer parte de ação judicial na qual foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo informado na peça inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN, eis que incumbe à interessada trazer aos autos junto à peça contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72. Cientificado do teor da decisão de primeira instância por meio de AR em 29/04/2013 e, com ela irresignado, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/05/2013, reiterando os termos expendidos na exordial, de forma minudente, para pugnar pela reforma da decisão hostilizada. É o relatório. Voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 49DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. O apelo devolvido a esta Corte versa acerca da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da liquidez e certeza do crédito, cuja restituição foi suscitada pela contribuinte, com a devida atualização de acordo com a taxa Selic. O Supremo Tribunal Federal – STF, reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e em decisão unânime, o Plenário resolveu a questão de ordem constitucional no sentido de reconhecer a repercussão geral, para reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confirase: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.09.2006; REs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ de 18.08.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235/MG, Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008). Nos julgamentos realizados no âmbito do CARF a regulação acerca deste tema encontra supedâneo no disposto artigo 62A do RICARF/09, que assim estabelece: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62A do Regimento Interno do CARF/09, e igualmente o faço nesta oportunidade, com o fito de solucionar a questão atinente ao reconhecimento do direito alegado pela Recorrente. No que atine à questão probatória, bem se vê que a decisão a quo esteve silente em relação à eficácia da planilha e dos DARF’s correspondentes, colacionados aos autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907072/201153 Acórdão n.º 3803005.574 S3TE03 Fl. 8 5 Quanto a este aspecto o aresto recorrido limitouse a indicar a ausência nos autos de documentos “inominados” e de livros fiscais, que demonstrassem de forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor do artigo 147, § 1º, do CTN. Logo, a conclusão a que chegou a referida decisão é que os documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a legitimidade de sua pretensão. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou. Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas. Com tais observações oriento o meu voto para NEGAR provimento ao recurso interposto. É assim que voto. Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 51DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 14112.000091/2006-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Deve ser negado o ressarcimento e a homologação da compensação quando não existe crédito a ser compensado.
Numero da decisão: 3401-002.653
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto.
JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente).
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Deve ser negado o ressarcimento e a homologação da compensação quando não existe crédito a ser compensado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14112.000091/2006-24
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5383244
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3401-002.653
nome_arquivo_s : Decisao_14112000091200624.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 14112000091200624_5383244.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente).
dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5636120
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030354411520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1533; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 523 1 522 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14112.000091/200624 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401002.653 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2014 Matéria PEDIDO DE RESSARCIMENTO COFINS Recorrente SILCOM LOCAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Deve ser negado o ressarcimento e a homologação da compensação quando não existe crédito a ser compensado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário interposto. JULIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori e Cláudio Monroe Massetti (Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 11 2. 00 00 91 /2 00 6- 24 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 07/06/2004, pelo qual o Contribuinte pretende compensar débitos da COFINS de setembro a novembrode 2002 com créditos oriundos de suposto pagamento indevido ou a maior da COFINS de março de 2001. A delegacia de origem indeferiu o crédito e negou a homologação da compensação por entender que faltava liquidez e certeza no crédito pleiteado, haja vista as muitas divergências encontradas nas planilhas apresentadas pela Contribuinte. A Contribuinte apresentou impugnação, mas a DRJ em Campo Grande/MS manteve o indeferimento ao prolatar acórdão com a seguinte ementa: “MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. CONHECIMENTO PARCIAL. No caso de declarações de compensação, o litígio no âmbito do Processo Administrativo Fiscal regulado pelo Decreto n. 70.235/1972 somente se instaura se as razões da manifestação de inconformidade forem pertinentes e versarem sobre assuntos sobre os quais recaia a competência das delegacias de julgamento. NULIDADE. A legislação que trata da forma de cálculo dos valores de crédito e débito, para fins de compensação, não se submete ao principio da anterioridade tributária, mormente se a legislação superveniente em nada inova. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ QUANTO AO CRÉDITO. Para haver a compensação tributária há a necessidade de certeza e liquidez quanto ao crédito do contribuinte. Compensação não Homologada”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 07/08/2009 e interpôs recurso voluntário em 04/09/2009, com as alegações resumidas abaixo: 1 Existem questões prejudiciais que impedem o prosseguimento do processo. Uma delas é o fato de o crédito compensado ser decorrente do pedido de revisão e restituição do PIS, que consta no processo administrativo nº 10140.003653/200199; 2 Outro fato impeditivo do prosseguimento do feito é que a base de cálculo de apuração do crédito compensado, Fl. 328DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14112.000091/200624 Acórdão n.º 3401002.653 S3C4T1 Fl. 524 3 03/2001, é indeterminada, pois foi objeto de lançamento de ofício, o qual foi impugnado, formando o processo 14120.0000018/200734, e está pendente de julgamento; 3 A planilha apresentada pelo Parecerista da SAORT, parte integrante do Despacho Decisório, referente à base de cálculo do período de 03/2001, é incoerente com a apuração efetivada pela fiscalização, o que demonstra erro de fato; 4 A autoridade fiscal fundamentou que a partir do ano de 2002 a autocompensação não era permitida, como foi feito no processo 10140.003653/200199. Todavia, o 10140.003653/200199 foi protocolado no ano de 2001; 5 O crédito tem origem em pagamento efetuado em 03/2001. Quando foi iniciada a fiscalização para a apuração do crédito, março de 2007, que culminou no processo 14120.000018/200734, o prazo quinquenal para a Fazenda constituir o crédito tributário já estava decaído, razão pela qual não cabia mais discutir a liquidez e certeza do crédito; 6 O resultado deste processo é dependente do julgamento dos processos 10140.003653/200199 e 14120.000018/200734, motivo pelo qual o julgamento deste processo deve ser sobrestado até a decisão definitiva dos processo citados. Ao fim, a Recorrente pediu a homologação das compensação ou o sobrestamento do julgamento deste processo. O recurso voluntário foi analisado pela primeira vez pela Segunda Turma Ordinária desta Quarta Câmara, da Terceira Seção de julgamento do CARF, sob relatoria da Conselheira Nayra Bastos Manatta. Na oportunidade, entendeuse que o julgamento deste processo depende dos resultados dos processos 10140.003653/200199 e 14120.000018/2007 34. Com isso, o julgamento foi convertido em diligência nos seguintes termos (fls.01/08): “Desta forma, diante dos fatos, e com esteio no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, somos pela transformação do presente voto em diligência, para que sejam tomadas as seguintes providências: a) Informar qual a situação dos processo nº 14120.0000018/200734 e n°10140.003653/200199. (se houve interposição de recurso, e, se houve, anexar cópia das decisões finais); b) Verificar, diante das decisões finais proferidas naqueles processos, se efetivamente havia credito relativo ao período de Fl. 329DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 janeiro/2001 capaz de fazer frente aos débitos constantes deste processo e objeto de compensação; c) Elaborar demonstrativo de calculo; d) Elaborar parecer conclusivo, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão”. Em cumprimento à diligência foi elaborada a informação fiscal, na qual está exposto o resumo do que aconteceu nos processos 14120.0000018/200734 e n°10140.003653/200199 e a conclusão de inexistência de crédito a ser compensado. Em resposta ao resultado da diligência, a Recorrente manifestouse alegando o seguinte: 1 A resposta à diligência não cumpriu o seu papel, pois não foi conclusiva, vez que afirma que “ao que tudo indica já ocorreu decisão definitiva”, mas não esclarece qual foi a decisão; 2 A resposta à diligência informa que houve pagamento a maior, mas a Recorrente, desde o início, não alega pagamento a maior, mas sim pagamento indevido, e isso não nunca foi analisado e julgado. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O suposto crédito pleiteado tem origem no pedido de revisão que compôs o processo nº 10140.003653/200199. Sobre o mesmo mês que supostamente originou o crédito, ocorreu lançamento de ofício do qual surgiu o processo nº 14120.0000018/200734. No recurso voluntário, a Recorrente foi clara ao afirmar que a decisão de homologação da compensação é dependente dos processos nº 10140.003653/200199 e nº 14120.0000018/200734. Na primeira análise, o julgamento foi convertido em diligência e da informação fiscal que apresenta o resultado de diligência extraise o seguinte no que concerne ao processo nº 10140.003653/200199: Fl. 330DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14112.000091/200624 Acórdão n.º 3401002.653 S3C4T1 Fl. 525 5 “5.1 Em 20/12/2001, a interessada apresentou pedido de restituição dos valores recolhidos a titulo de PIS no valor total de R$ 388.376,44. Foi anexada aos autos planilha de cálculo, quantificando os valores de PIS, nos códigos 3885 (Receita Operacional), 8002 (Dedução), 8205 (Repique) e 8109 (Faturamento), que teriam sido recolhidos indevidamente durante o período de 03/02/92 a 15/01/99 (fls.09/15). 5.2 Por meio do Despacho Decisório, que teve por fundamento o Parecer 063/2006 (fls. 446/450), houve o indeferimento do pedido de restituição em razão de todos os pagamentos, efetuados até a data de 20/12/96, já se encontrarem abrangidos pela decadência quando do protocolo do pedido de restituição, e pelo fato incontroverso da vigência da Lei n° 9.715/98, a partir de 10 de março de 1996, pois ela somente convalidou a MP n° 1212/95 e suas reedições; e, por consequência a NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações efetuadas pela própria interessada. 5.3 Inconformado com a decisão da DRF, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande — MS (fls. 460/498). Por meio do Acórdão 0410051 (fls. 517/530), aquela delegacia manteve a decisão da DRF. 5.4 Desta feita, o contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) (fls. 538/549). Em Acórdão 3403 — 00217, a Terceira Seção de Julgamento da 4ª Câmara do CARF (fls. 571/579), proveu em parte o recurso, assim decidindo: 5.4.1 Manteve indeferimento por decadência para possíveis créditos decorrentes dos Decretos/Leis de res 2.445 e 2.449, ambos de 1988. 5.4.2 Foi afastada a decadência para o período (fato gerador) de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, porém no mérito decidiu pela restituição apenas dos pagamentos efetuados em relação ao período de outubro de 95 a fevereiro de 96, observado o critério da semestralidade. 5.5 O Procurador da Fazenda Nacional, após ser cientificado do Acórdão no 3.403 00217 (fl. 580), apresentou recurso especial por divergência ao Presidente da 4ª Câmara da 3º Seção do CARF (fls. 582/616), com o seguinte pedido: "reconhecimento da prescrição dos pagamentos efetuados no período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996". O recurso especial passou pelo juízo de admissibilidade (fl. 618). 5.6 O contribuinte apresentou contrarazões ao recurso especial apresentado pela PGFN (fls. 673/675), como também apresentou recurso especial contra a decisão proferida no Acórdão 3403 00217 (fls. 628/638). Em exame de admissibilidade, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte contra a decisão proferida no Acórdão 340300217 (fls. 711/712). Foi mantido o despacho denegatório da Fl. 331DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 6 admissibilidade do recurso especial interposto pelo contribuinte (fl. 713), após pedido de reexame feito pelo contribuinte. 5.7 Em 16/08/2011, o processo foi encaminhado à Câmara Superior de Recursos Fiscais para análise do recurso especial interposto pela PGFN (fl. 714). Foi negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional”. Quanto ao processo nº 14120.0000018/200734, o relatório fiscal apresenta o que segue: “5.11 Como resultado do trabalho da fiscalização desta DRF, foram lavrados dois autos de infração, um de Pis e um de Cofins (fls. 503/530). As fls. 543/564, consta extrato com os débitos apurados no auto de infração. Em 13/10/2007, o contribuinte apresentou impugnação ao auto de infração (fls. 565/1387). Em 11/05/07, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande — MS, para análise da impugnação (fls. 1388). 5.12 Por meio do Acórdão 0419101, (fls. 1392/1402), a DRJ julgou procedente em parte a impugnação. Transcrevese trecho do referido Acórdão: ‘Em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, voto no sentido de conhecer da impugnação, acolher parcialmente a preliminar de decadência, exonerando os créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos de 28 de fevereiro de 2001 a 28 de fevereiro de 2002. No mérito, a impugnação é improcedente, permanecendo inalterados os demais valores dos períodos não alcançados pela decadência’. 5.13 Houve recurso de oficio interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande — MS ao Conselho de Administração de Recursos Fiscais, motivado pela exoneração de débitos acima do limite de alçada. Ao mesmo tempo, o contribuinte —apresentou recurso voluntário ao CARF (fls. 1422/1429). 5.14 O recurso de oficio e voluntário de n° 898288 foi objeto do Acórdão n° 3302 00904 – 3ª Câmara/2' Turma Ordinária (fls. 1432/1438) e teve por resultado: "Recurso de Oficio e Voluntário Negados". Foi dada ciência do referido Acórdão ao Procurador da Fazenda Nacional (fl. 1439), e não houve, por parte do procurador, interposição de recurso a Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 1440). 5.15 O processo foi encaminhado à DRF de origem para ciência a interessada do teor do Acórdão n° 330200904 (fl. 1443). As fls. 1444/1448, consta extrato do processo após a decisão do CARF. Foi o contribuinte intimado do referido Acórdão, na data de 09/11/01 (fls. 1449/1452).Contribuinte não apresentou recurso especial, porém apresentou embargos de declaração quanto ao Acórdão 330200904 (CARF) (fls. 1459/1462). Em 19/12/2011, processo retornou ao CARF para apreciação dos Fl. 332DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 14112.000091/200624 Acórdão n.º 3401002.653 S3C4T1 Fl. 526 7 embargos de declaração apresentado pelo contribuinte (fls. 1477/1478). Os embargos de declaração foram não conhecidos/rejeitados (fls. 1480/1481)”. Nas conclusões do relatório de diligência, é informado o seguinte: “6.3 Observando o teor das decisões finais proferidas nos processos 10140.003653/200199 (parágrafos 5.4 e 5.8) e 14120.000018/200734 (parágrafos 5.12 e 5.16), pode se afirmar que não há nenhum crédito de contribuição para o Pis, relativo ao tperiodo de apuração de março de 2001. (...) 6.5 A Seção de Fiscalização desta DRF, após conferir a base de cálculo do PIS, relativa ao período de apuração de março de 2001, apurou um valor de débito de Pis bem maior que o valor declarado pelo contribuinte na DCTF. Apenas a diferença apurada (R$ 24.844,77) é que foi objeto de cancelamento no auto de infração motivada por decadência. Resta claro que a decadência declarada no auto de infração, quando da apreciação em 1ª instância de julgamento, em nada afeta o valor declarado pelo próprio contribuinte na DCTF. Ressaltase, mais uma vez, que não ha erro em relação ao valor declarado na DCTF, pois este foi objeto de conferencia quando do procedimento fiscal realizado pela Seção de Fiscalização desta DRF. O que resta agora verificar é se houve pagamento a maior para o débito de PIS, declarado na DCTF, relativo ao período de apuração de março de 2001. É o que veremos a seguir. 6.5.1 Confrontandose os valores apurados no auto de infração (incluindo ai apenas o valor declarado na DCTF: R$ 16.152,10) e o pagamento efetuado pelo contribuinte, concluise que não houve nenhum pagamento a maior de PIS relativo ao período de apuração de março de 2001, pois o pagamento realizado para tal período de apuração corresponde exatamente ao valor declarado na DCTF, conforme consta de consulta realizada no sistema SIEF/FISCEL (fl.298). (...) 6.6 Diante das exposições e considerações acima transcritas, não há nenhum crédito de contribuição do PIS, relativo ao período de apuração de março de 2001, que possa amparar as compensações de débitos objeto deste processo”. (grifo nosso) Fl. 333DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 8 Diante dos fatos narrados, a conclusão a que se chega é a de que pelo julgamento dos outros dois processos (processos nº 10140.003653/200199 e nº 14120.0000018/200734), não existe crédito a ser compensado. A alegação da Recorrente no sentido de que a diligência não cumpriu o seu papel não prospera. Em primeiro lugar, porque, ao contrário da alegação da Recorrente, o relatório fiscal da diligência foi conclusiva, resumindo o andamento de cada processo e demonstrando qual foi a conclusão de cada um. Em segundo lugar, porque o relatório de diligência informou que a parte do auto de infração mantida tem valor maior que o crédito pleiteado. Isto é, além de não existir crédito a restituir, a Recorrente ainda devia à Fazenda. Se o pagamento fosse indevido, não haveria crédito a ser lançado de ofício e o auto de infração teria sido cancelado no julgamento do processo nº 14120.0000018/200734. Por fim, a conclusão é bem clara no sentido de que “não há nenhum crédito de contribuição de COFINS, relativo ao período de apuração de março de 2001, que possa amparar as compensações de débitos objeto deste processo”. Por tudo isso, deve ser indeferido o crédito e a homologação pleiteada. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário interposto e mantenho o acórdão da DRJ em sua integralidade. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 334DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 02 /09/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
score : 1.0
Numero do processo: 10650.000770/2005-74
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO.
Não se acolhem os embargos de declaração, para o fim de suprir a omissão e a contradição, no caso de não ocorrentes na espécie.
Numero da decisão: 1803-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, porque não há omissão ou contradição no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803-002.059, de 12.02.2014 , nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Não se acolhem os embargos de declaração, para o fim de suprir a omissão e a contradição, no caso de não ocorrentes na espécie.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10650.000770/2005-74
anomes_publicacao_s : 201409
conteudo_id_s : 5374926
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Sep 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.345
nome_arquivo_s : Decisao_10650000770200574.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10650000770200574_5374926.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, porque não há omissão ou contradição no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803-002.059, de 12.02.2014 , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
dt_sessao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
id : 5598012
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047030362800128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1982; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 246 1 245 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10650.000770/200574 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1803002.345 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de agosto de 2014 Matéria EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Embargante PROCURADORIA DA DAZENDA NACIONAL Interessado SOCIEDADE EDUCACIONAL JEAN CRISTOPHE LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. Não se acolhem os embargos de declaração, para o fim de suprir a omissão e a contradição, no caso de não ocorrentes na espécie. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer dos embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, porque não há omissão ou contradição no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803 002.059, de 12.02.2014 , nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Henrique Heiji Erbano, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a pessoa jurídica acima identificada, Sociedade Educacional Jean Cristophe Ltda, foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0516, com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.669,40 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional, referente ao anocalendário de 2003, apurado no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 07 70 /2 00 5- 74 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 247 2 regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples). Consta na Descrição do Fatos, fl. 12: Intimado a apresentar cópia da Declaração de Compensação exigida pela legislação, relativa aos valores compensados na DIPJSIMPLES, relativa ao ano calendário de 2003, o contribuinte informou não ter formalizado o respectivo processo. Neste período as compensações eram efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, em atendimento a requerimento do contribuinte. O lançamento fundamentase na compensação de valores efetivada indevidamente sem a formalização das prévias habilitações dos créditos contidos na decisão transitada em julgado e os correspondentes Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp), nos termos do art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e do art. 81 e art. 82 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012. Os referidos valores utilizados como direitos creditórios são decorrentes do provimento jurisdicional constante no Mandado de Segurança Coletivo nº 1998.38.02.001604 0, nova numeração 000177244.1998.4.02.3802, impetrado pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba – ACIU junto ao Juízo Federal da 1ª Vara da Seção Judiciária de Uberaba/Justiça Federal, que se encontra com trânsito em julgado em 18.01.20021, fls. 223229. O seu objeto é o reconhecimento do direito creditório de contribuição previdenciária para fins de compensação com tributo da mesma espécie apurado pelo Simples. Também a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba – ACIU impetrou Mandado de Segurança Coletivo nº 2003.38.02.0020305, nova numeração 000298 28.2003.4.01.3802, junto ao Juízo Federal da 1ª Vara da Seção Judiciária de Uberaba/Justiça Federal, que se encontra com trânsito em julgado em 23.03.20102, fls. 233244. O seu objeto é a aplicação do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, para fins de compensação do direito creditório de contribuição previdenciária com tributos federais de espécies diferentes, objeto do Mandado de Segurança Coletivo nº 1998.38.02.0016040. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 73 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 17 de dezembro de 1996, Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, § 2º do art. 2º, alínea “a” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998 e art. 186 e art. 188 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). 1 Disponível em: <http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=17724419984013802&secao=TRF1&nome= &mostrarBaixados=>. Acesso em 14 ago.2014. 2 Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroOrigem&termo=200338020020305 &totalRegistrosPorPagina=40&aplicacao=processos.ea>. Acesso em: 14 ago.2014. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 248 3 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 1722 com a exigência do crédito tributário no valor de R$1.669,40 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, parágrafo único do art. 1º da Lei Complementar nº 17, de 12 de dezembro de 1973, bem como o inciso I do art. 2º, art. 3º e art. 9º da Medida Provisória nº 1.249, de 14 de dezembro de 1995, § 2º do art. 2º, alínea “b” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. III – O Auto de Infração às fls. 2328 com a exigência do crédito tributário no valor de R$5.086,67 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, bem como o § 2º do art. 2º, alínea “c” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. IV – O Auto de Infração às fls. 2934 com a exigência do crédito tributário no valor de R$10.173,51 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, § 2º do art. 2º, alínea “d” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. V O Auto de Infração às fls. 3539 com a exigência do crédito tributário no valor de R$27.256,40 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: § 2º do art. 2º, alínea “f” do § 1º do art. 3º, art. 5º, § 1º do art. 7º e art. 18, todos da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e ainda art. 3º da Lei nº 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Cientificada, a pessoa jurídica, Sociedade Educacional Jean Cristophe Ltda, apresentou a manifestação de impugnação, fls. 66184. Argui que: A Impetrante, na condição de filiada da Associação Comercial Industrial e de Serviços de Uberaba — ACIU (doc. junto), promoveu a compensação das importâncias indevidamente recolhidas a titulo de Prólabore, Autônomos e Avulsos, respaldada por decisão judicial exarada nos autos de n° 1998.38.02.0016040 da Justiça Federal Local, confirmada pelo V. Acórdão do Eg. TRF da 1º Região [...]. Assim, efetuou a compensação no período vertente, ou seja, do ano de 2003 — de janeiro a dezembro —tendo constado nas respectivas guias do Simples, inclusive da Declaração Anual Simplificada dirigida à Receita Federal [...]. Através o presente Auto de Infração, contudo, houve por bem o ilustre fiscal autuante ignorar e desconsiderar qualquer direito à compensação efetuada pelo Impugnante — não obstante ter pleno conhecimento dos fatos acima mencionados e docs. que lhe foram exibidos glosando totalmente a dedução ocorrida, incidente, Fl. 249DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 249 4 apenas, no percentual de 40% originário das contribuições previdenciárias declaradas inconstitucionais. As compensações mencionadas no Al foram feitas, mês a mês, no ano de 2003, como se vê das respectivas planilhas anexas [...]. O Auto de Infração, constituise de simples menção aos dispositivos legais de aplicação genérica, sem qualquer especificidade ao caso concreto, nem tampouco motivação para respaldo de ação fiscal, comprovando a materialidade do fato gerador da incidência tributária pretendida que deve ser sempre "ex lege". O modelo utilizado – simples numeração dos artigos é de aplicação genérica, desprovido do mínimo razoável para explicitar o fato tributável. [...] Inexiste qualquer esclarecimento quanto pretensão fiscal de enfrentar a R. decisão do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1a Região, quando expressamente determina, no Mandado de Segurança onde o Impugnante é parte [...]. Não obstante o critério adotado pelo ilustre fiscal autuante no minucioso levantamento, separando os reflexos do Simples aos respectivos impostos e contribuições, a origem da ação fiscal vertente tem como origem, unicamente, a compensação levada a cabo pela Impugnante como decorrência do V. Acórdão do TRF 1ª Região mencionado, já passado em julgado, com efeitos vigentes até a presente data. [...] Observese que o direito A compensação nasce com o CTN; com a Lei nº 8.383/91; consolidado com a R. Decisão do Tribunal Regional Federal. Evidentemente não nasceu com a Declaração de Compensação, nem tampouco da formalização do processo administrativo tributário, motivo pelo qual, o descumprimento de ditas obrigações acessórias não podem ser preclusivos de direito. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Pelo exposto, respeitosamente, requer se digne Vs. considerar as presentes razões, determinando a adequação da ação fiscal aos limites da lei, notificando a Impugnante com renovação do prazo para Impugnação, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade do feito ou, caso assim não entenda Vs. se digne julgar improcedente o Al vertente, por inobservância da legislação aplicável, por ser de Direito e Justiça. Protesta pela juntada do respectivo instrumento de mandato. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 21.806, de 03.12.2008, fls. 186197: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 250 5 Decisão judicial que reconheça, em tese, o direito A. compensação de créditos oriundos de contribuições previdenciárias a cargo do empregador, com débitos dessa mesma contribuição incluídos nos valores devidos a titulo de SIMPLES, não dispensa a apresentação de declaração de compensação pela interessada, ainda que em formulário. Lançamento Procedente Notificada, a pessoa jurídica, Sociedade Educacional Jean Cristophe Ltda, apresentou recurso voluntário, fls. 193196. O presente Acórdão ora questionado fundamentase em duas questões: 1) o da ilegitimidade da Receita Federal para acatar os termos do Acórdão exarado pelo Egrégio Tribunal Regional Federal da l a Região nos autos n° 1998.38.02.00116040, passado em julgado em 18/01/2002. 2) o da necessidade de declaração de compensação nos moldes da Instrução Normativa RF 210/2002 e Instrução Normativa RF 323/2003. [...] A questão da ilegitimidade passiva levantada pela Receita Federal, à época, foi objeto de Mandado de Segurança especifico, requerido pela Associação Comercial e Industrial de Uberaba — ACIU, contra ato do Sr. Delegado da Receita Federal de Uberaba, nos autos do AMS: n° 2003.38.02.0020305 dirigido ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região [...]. Quanto à obrigatoriedade da observância das INs 210/02 e 323/03 elaboradas após a Sentença e o trânsito em julgado ocorrido nos autos 1998.38.02.0016040, em 18/01/02, encontra resistência no principio da irretroatividade da Lei. [...] Ademais, conforme Relatório do Acórdão ora recorrido está claro o pleno conhecimento da autoridade administrativa quanto à origem, neste caso, do direito compensação, inclusive as empresas optantes pelo SIMPLES, determinado através do Acórdão do Egrégio TRF da l a Região, nos autos de n° 1998.38.02.0016040, com trânsito em julgado em 18/jan/2002. [...] Observase que nos referidos autos, a R. Sentença de 1° grau havia excluído do direito à compensação as empresas optantes pelo SIMPLES, razão especifica da respectiva Apelação, que foi acolhida e conseqüentemente reformada pelo TRF da 1' Região, na sua integralidade, sendo de extrema importância destacar trecho do voto [...]. Assim, deve ser anotado com a devida atenção, que o V. Acórdão do TRF da l a Região, foi especifico quanto ao direito de compensar, inclusive aquelas empresas do SIMPLES, independentemente de quaisquer restrições, quais sejam: se o pró labore constituía ou não contribuição social administrada pela Secretaria da Receita Federal — SRF, nem tampouco se a União figurava ou não no pólo passivo da AMS 1998.38.02.0016040/MG.[...] Isto posto, observase dos autos em comento que existe uma pendência administrativa ainda não observada por parte da Receita Federal, qual seja, o cumprimento do v. Acórdão, transitado em julgado em 18/01/2002, independentemente de quaisquer restrições. Não cabia à Receita Federal, data venha, ao longo desses anos, por opinião própria e unilateral contra determinação judicial, apresentar uma série de obstáculos quer pela alegada ilegitimidade passiva da Receita Federal, quer pela natureza da Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 251 6 contribuição em apreço, quer pelas dificuldades na operacionalização administrativa da compensação pelos entraves técnicos das GRPS X DARF, quer pelo condicionamento de obrigações acessórias surgidas posteriormente, o que, como óbvio, não tem o condão de suspender e muito menos revogar ordem judicial, como já dito, passada em julgado. Tratase de ato jurídico perfeito e acabado protegido por princípios constitucionais em especial o da irretroatividade das leis, acrescido na complementação da lei tributária em seu art. 144 — CTN [...]. Não houve adequação do Acórdão, nos termos da lei, nem mesmo consideração do aspecto absolutamente claro de que a empresa agiu de boafé, e por ordem judicial. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Em abono à tese ora defendida em favor da recorrente, importante observar pertinente decisão do Egrégio Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda no Recurso 128110 — 3ª Câmara — Acórdão 30331717, de 11/11/2004, verbis: "EMENTA: SIMPLES — Débito do contribuinte junto ao INSS — Decisão judicial autorizando a compensação — Extinção do débito — Exclusão da empresa do sistema — Impossibilidade. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." (GN) Pelo exposto, respeitosamente, requer seja recebido o presente recurso, nos termos da lei para, afinal, provido, seja cancelado o R. Acórdão 0921.806 e oportunizada a adequação do Acórdão do tribunal Regional Federal da 1ª Região proferido nos autos AMS n° 1998.38.02.0016040/MG, tudo como medida de direito e justiça. Consta como ementa do Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.059, de 12.02.2014, fls. 198202: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES FEDERAL. COMPENSAÇÕES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. REMUNERAÇÃO DE ADMINISTRADORES. São passíveis de compensação conforme autorização judicial, os valores decorrentes de pagamentos indevidos de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de administradores, devidamente reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, cujo recolhimento ocorreu antes da adesão à sistemática de recolhimento simplificado denominado SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 252 7 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a unidade de origem aprecie o direito creditório e homologue as compensações até o limite do crédito apurado, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou embargos de declaração, fls. 205209, argumentando, em síntese que há contradição e omissão no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.059, de 12.02.2014, fls. 198202: Assim, somente se o Embargado fizesse parte do quadro social da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba – ACIU à época da impetração do Mandado de Segurança nº 1998.38.02.0016040, perante a 1ª Vara Federal de Uberaba, caberia sua legitimidade para invocar o direito de compensação. [...] Outrossim, a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba – ACIU diz que o Embargado é associado desde 25/01/1999, conforme declaração que instruiu a impugnação, verbis: A ASSOCIAÇÃO COMERCIAL, INDUSTRIAL E DE SERVIÇOS DE UBERABA —ACIU declara para os devidos fins de defesa de processo junto ao INSS, que a empresa Sociedade Educacional Jean Christophe Ltda. (Código 3361) é associada desta entidade desde 25/01/1999. Portanto, não favorece ao Embargado a indigitada decisão judicial. [...] Desse modo, o Embargado não é parte legítima para invocar o disposto no provimento judicial. [...] Posto isso, a FAZENDA NACIONAL requer o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Sobre os embargos de declaração, no Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. § 1° Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da ciência do acórdão: Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 253 8 I por conselheiro do colegiado; II pelo contribuinte, responsável ou preposto; III pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; V pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. § 2º O presidente da Turma poderá designar conselheiro para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3° O despacho do presidente será definitivo se declarar improcedentes as alegações suscitadas, sendo submetido à deliberação da turma em caso contrário. § 4° Do despacho que rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. § 5° Os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6° As disposições deste artigo aplicamse, no que couber, às decisões em forma de resolução. (grifos acrescentados). Art. 66. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão serão retificados pelo presidente de turma, mediante requerimento de conselheiro da turma, do Procurador da Fazenda Nacional, do titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou do recorrente. § 1° Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar com precisão a inexatidão ou o erro. § 2° Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele, que poderá propor que a matéria seja submetida à deliberação da turma. § 3° Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Os embargos de declaração foram interpostos tempestivamente. A conceituação dada por Moacyr Amaral (Primeiras linhas de direito processual civil/Moacyr Amaral Santos. São Paulo: Saraiva, 2003): "Dáse o nome de embargos de declaração ao recurso destinado a pedir ao juiz ou juízes prolatores da sentença ou do acórdão que esclareçam obscuridade, eliminem contradição ou supram omissão existente no julgado". Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 254 9 Em relação à omissão, vale ressaltar que esse instituto, em termos de embargos de declaração, é a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. No que diz respeito à contradição, cabe esclarecer que esse instituto justifica opor embargos de declaração é aquela havida no interior da própria decisão, ou seja, a desconformidade interna da decisão jurisdicional; nunca a eventual dissonância entre as provas existentes nos autos, a legislação que se entende aplicável ou a jurisprudência predominante nas cortes superiores e o que se decidiu. Está registrado no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.059, de 12.02.2014, fls. 198202: Com efeito, tratase de ação mandamental intentada por entidade de classe pela qual foi reconhecido o direito à compensação de parcelas recolhidas indevidamente à título de contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos administradores. Consoante documentos de fls. 72/73 a recorrente é em tese legítima detentora de créditos decorrentes de pagamentos indevidos à título de contribuições previdenciárias e que podem ser compensadas com as exações previdenciárias contidas na sistemática do SIMPLES. Entendo que nos deparamos com situação peculiar em que as contribuições indevidamente recolhidas foram pagas ao INSS em GPS mas as contribuições objeto de compensação encontravamse abrangidas pelo recolhimento efetuado por DARF na sistemática do SIMPLES FEDERAL e sob administração da Secretaria da Receita Federal. Compulsando os elementos contidos no processo, verifico que a decomposição dos valores exigidos no auto de infração (fls. 05/08) demonstra que o maior montante dos débitos é devido justamente ao INSS, ou seja, não teria havido qualquer compensação indevida com débitos efetivamente administrados pela Secretaria da Receita Federal. Lembro que os valores arrecadados pela Secretaria da Receita Federal em DARF Simples incluem as Contribuições à Seguridade Social a cargo da pessoa jurídica e são imediatamente creditados a esse título. Destarte, entendo inaplicáveis as disposições da Instrução Normativa nº 210/2002, invocada não pela autoridade fiscal que realizou o lançamento, mas pela decisão de primeira instância, considerando ainda que os pagamentos indevidos ocorreram antes da sua opção pela sistemática de recolhimento do SIMPLES em 2001 (fl. 87), não havendo qualquer regulamentação no âmbito da Secretaria da Receita Federal quanto a esta matéria. Analisando o ato decisório temse que não há omissão, pois houve a manifestação no julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. Também não se verifica a contradição, uma vez que não está evidenciada a desconformidade interna na decisão embargada. Ademais, a eventual dissonância entre as provas existentes nos autos, a legislação que se entende aplicável ou a jurisprudência Fl. 255DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 255 10 predominante nas cortes superiores e o que se decidiu não são fundamentos de validade para a admissibilidade doa embargos de declaração. As situações de contradição e de omissão no presente caso concreto não são ocorrentes na espécie. Para fins de esclarecimento, cabe analisar a situação concreta dos autos. A Procuradoria da Fazenda Nacional, aduz, em síntese que há omissão e contradição no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.059, de 12.02.2014, fls. 198202, uma vez que o provimento jurisdicional ajuizado em 1998 não alcança a pessoa jurídica, Sociedade Educacional Jean Cristophe Ltda, que se associou à impetrante, Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba (ACIU), em 25.01.1999. Sobre a matéria, a Constituição Federal prevê: Art. 5º [...] XXI as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. [...] LXX o mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por: [...] b) organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; O Supremo Tribunal Federal emitiu os seguintes enunciados aprovados na sessão plenária de 24.09.20033: Súmula 629 A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Súmula 630 A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. Tratase de legitimidade ativa extraordinária para impetração de mandado de segurança coletivo outorgada às associações constituídas legalmente e em funcionamento há mais de um ano, já que há defesa de direito alheio, em nome próprio. O que caracteriza a substituição processual é a separação entre o titular do direito subjetivo e o exercício da ação judicial. Nesse caso, há permissivo legal que autoriza a pessoa alheia ao direito material, a ingressar em juízo em nome próprio, na qualidade de substituto processual, para defender os direitos líquidos e certos dos seus membros, quando aqueles forem atacados por ato eivado de ilegalidade ou abuso de poder, sendo o responsável autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atividade do Poder Público. Exigese aqui a clara pertinência temática com os seus objetivos institucionais. 3 Disponível em: http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/listarJurisprudencia.asp?s1=630.NUME.%20NAO%20S.FLSV.&base= baseSumulas>. Acesso em 18 ago.2014. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 256 11 O ponto crucial a ser discutido é a possibilidade jurídica de o associado que ingressa na entidade em momento posterior ao ajuizamento da ação mandamental coletiva poder fruir dos efeitos do provimento jurisdicional favorável. A Lei nº 9.494, de 10 de setembro de 1997, prevê: Art.2ºA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. Esse dispositivo aplicase às ações coletivas em geral e foi acrescentado pela Medida Provisória nº 1.7981, de 11de fevereiro de 1999, atual Medida Provisória nº 2.18035, de 24 agosto de 2001. O mandado de segurança coletivo, por outro lado, está previsto em norma própria e específica, ou seja, na Lei nº 12.016, de 07, de agosto de 2009, que vigora a partir de 10 de agosto de 2009, e cuja matéria até então era regulada pela Lei nº 1.533, de 31 de dezembro de 1951 e pela Lei nº 4.348, de 26 de junho de 1964: Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. Verificase no presente caso que a legislação que rege especificamente o Mandado de Segurança Coletivo é a Lei nº 12.016, de 07, de agosto de 2009, que vigora a partir de 10 de agosto de 2009, e cuja matéria até então era regulada pela Lei nº 1.533, de 31 de dezembro de 1951 e pela Lei nº 4.348, de 26 de junho de 1964. Não é aplicável ao presente caso os ditames da Lei nº 9.494, de 10 de setembro de 1997, alterada pela Medida Provisória nº 1.7981, de 11de fevereiro de 1999, atual Medida Provisória nº 2.18035, de 24 agosto de 2001, tendo em vista o princípio da especialidade previsto no art. 2º do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942, conhecido como Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Nesse sentido, por determinação legal, no mandado de segurança coletivo impetrado por associação, na qualidade de substituta processual, o provimento jurisdicional dali advindo ampara os associados. Os referidos valores utilizados como direitos creditórios são decorrentes do provimento jurisdicional constante no Mandado de Segurança Coletivo nº 1998.38.02.001604 0, nova numeração 000177244.1998.4.02.3802, impetrado pela Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba – ACIU junto ao Juízo Federal da 1ª Vara da Seção Judiciária de Uberaba/Justiça Federal, que se encontra com trânsito em julgado em 18.01.20024 em que foi examinada a seguinte questão jurídica, fls. 223229: Cingese a questão trazida aos presentes autos, à pretensão da impetrante no sentido de ser reconhecido o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos a título de contribuição social incidente sobre os valores pagos a autônomos, administradores e avulsos, instituída pelos arts. 3º, inciso I, da Lei nº 4 Disponível em: <http://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=17724419984013802&secao=TRF1&nome= &mostrarBaixados=>. Acesso em 14 ago.2014. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 257 12 7.787/89 e 22, inciso I, de Lei nº 8.212/91, pelas optantes do regime tributário SIMPLES. [...] De fato, o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, com a redação anterior a dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, ao fazer referência a folha de salários, não abrange, em seu contexto, os administradores/empresários, autônomos e avulsos, por não se enquadrarem na situação de empregados, considerando que não percebem salários. Depreendese, desta forma, que não é devido o recolhimento da contribuição previdenciária questionada, incidente sobre os valores pagos aos empresários/administradores, trabalhadores autônomos e avulsos, em função de o Supremo Tribunal Federal ter declarado a inconstitucionalidade do art. 22, inciso I, da Lei 8.212/91, que praticamente repetiu o art. 3º, inciso I, da Lei 7.787/89, dispositivo legal esse que teve sua execução suspensa pelo Senado Federal, pela Resolução nº 14/95. [...] Por outro lado, o eg. Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a questão referente à contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração de autônomos, avulsos e administradores, firmou entendimento no sentido de que referida contribuição só poderia ser instituída por Lei Complementar, tendo em vista o disposto no § 4º, do art. 195, da Constituição Federal (ADIN 1.116/DF, Relator Ministro Maurício Correa, Tribunal Pleno, publicado no DJ de 17/11/95, pg.39.205). Carece, portanto, de base constitucional a cobrança da contribuição ora em comento, restando indevido seu recolhimento aos cofres públicos. Assim, cuidandose, como na espécie, de cobrança sem base constitucional, afigurase me ser juridicamente possível a restituição dos valores indevidamente recolhidos, de acordo com o que prevê o art. 165, inciso I, do Código Tributário Nacional, o que poderá, a teor do que dispõe o art. 170, do Código Tributário Nacional e o art. 66, da Lei nº 8.383/91, ocorrer na forma de compensação. [...] Ademais, não prospera a tese da impossibilidade de individualizar e quantificar os tributos no sistema SIMPLES. De fato, o art. 23 da Lei 9.317/96, traz extensa relação de alíquotas e destinações, sendo perfeitamente possível, conforme depreendese pela transcrição abaixo, identificar a espécie e a destinação do tributo no sistema SIMPLES. [...] Outrossim, ao Poder Judiciário, quando da análise do pleito relativo à compensação, incumbe apenas declarar se os créditos são compensáveis, devendo a liquidez e certeza dos créditos serem examinadas na esfera administrativa, [...]. Assim, diante do exposto, dou provimento à apelação da impetrante, a fim de que seja reformada a v. sentença apelada, nos termos acima expostos, e nego provimento à remessa oficial. (grifo acrescentados) Também a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba – ACIU impetrou Mandado de Segurança Coletivo nº 2003.38.02.0020305, nova numeração 00029828.2003.4.01.3802, junto ao Juízo Federal da 1ª Vara da Seção Judiciária de Uberaba/Justiça Federal, que se encontra com trânsito em julgado em 23.03.20105, fls. 233 244. O seu objeto é a aplicação do art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, para 5 Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumeroOrigem&termo=200338020020305 &totalRegistrosPorPagina=40&aplicacao=processos.ea>. Acesso em: 14 ago.2014. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 258 13 fins de compensação do direito creditório de contribuição previdenciária com tributos federais de espécies diferentes, objeto do Mandado de Segurança Coletivo nº 1998.38.02.0016040: 1 O Delegado da Receita Federal que indeferiu a compensação (de contribuições previdenciárias sobre "pro labore" com parcelas do "SIMPLES) é a parte legitima para figurar rio pólo passivo do Mandado de Segurança que objetiva assegurar o pretendido encontro de contas. 2 Entendendo a Corte Revisora por afastar a causa que supostamente justificava a extinção do feito (art. 267) pelo julgador primário e estando o feito regularmente processado (maduro para julgamento), o CPC (art. 515, §3) autoriza que se adentre no exame do mérito. 3 Não há possibilidade da compensação proposta, pois a decisão transitada em julgado que, ajuízo de impetrante, a fundamentaria (advinda de "writ outro pretérito) só reconheceu o direito à compensação dos indébitos ("pro labore' com "contribuições previdenciárias da mesma espécie sendo evidente que o "SIMPLES" compreende mais do que tais, incluindo, também, o IRPJ, PIS, CSSL, COFINS e IPI; ademais, a receita dos tributos é da Fazenda Nacional; a previdenciária, do INSS. 4 A pertinência objetiva e subjetiva e a extensão da coisa julgada do 4 MS nº 1998.38.02.0016040 se balizam pelo art. 468 e art. 472 do CPC. 5 Apelação provida em parte: afastada a ilegitimidade passiva; no mérito, no permissivo do art. 515, §3, do CPC, segurança denegada. [...] A recorrente afirma que houve ofensa aos arts. 515, § 3º, do Código de Processo Civil e 66, § 1º, da Lei 8.383/1991. Sustenta que o acórdão recorrido não poderia enfrentar o mérito da questão que não foi julgado pela instância originária. [...] Não merece prosperar a irresignação. Na dicção do art. 515, § 3º, do CPC, acrescentado pela Lei 10.352/2001, é possível ao Tribunal, em caso de extinção do feito sem apreciação do mérito, julgar a lide desde logo, se a causa versar questão exclusivamente de direito e o processo estiver devidamente instruído, como ocorre no caso concreto. Consoante a pacífica jurisprudência do STJ, extinto o processo sem julgamento de mérito, em face da preliminar de ilegitimidade passiva ad causam, o Tribunal, ao afastar a nulidade, pode de imediato julgar o feito, ainda que inexista pedido expresso nesse sentido, máxime se a controvérsia disser respeito a questão estritamente de direito [...]. Verifico que não há controvérsia quanto à aplicação do art. 66, § 3º, da Lei 8.383/1991, pois tanto a Corte local quanto a recorrente entendem pela possibilidade de compensação apenas de tributos de mesma espécie. O que se controverte aqui é quanto à extensão do pedido, tendo em vista que o aresto entendeu que o contribuinte desejava compensar "contribuições prólabore com o débito do SIMPLES", enquanto o recorrente, nas razões do Recurso Especial, defende que, em verdade, requereu a compensação de tributos da mesma espécie. O dispositivo de lei invocado não tem comando para infirmar os fundamentos do acórdão. Aplicação, por analogia, da Súmula 284/STF. [...] Fl. 259DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10650.000770/200574 Acórdão n.º 1803002.345 S1TE03 Fl. 259 14 Diante do exposto, nos termos do art. 557, caput, do CPC, nego seguimento ao Recurso Especial. A decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região no Mandado de Segurança Coletivo nº 1998.38.02.0016040, fls. 223229, foi silente em relação ao alcance dos seus efeitos à pessoa jurídica, Sociedade Educacional Jean Cristophe Ltda, que se associou em 25.01.1999, fl. 122, ou seja, após o ajuizamento da ação judicial em 07.08.1998. Nesse sentido, como o Poder Judiciário não se manifestou expressamente sobre a matéria, não cabe à Administração Pública fazêlo, pois deve executar o decisão judicial nos seus estritos termos, tendo em vista o princípio da inafastabilidade da jurisdição6. Esse entendimento também deve ser adotado em relação ao Mandado de Segurança Coletivo nº 2003.38.02.0020305, fls. 233244, já que tem uma relação de prejudicialidade com o Mandado de Segurança Coletivo nº 1998.38.02.0016040. Em assim sucedendo, voto em não conhecer dos embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, porque não há omissão ou contradição no Acórdão da 3ª TURMA ESPECIAL/4ª CÂMARA/1ª SJ nº 1803002.059, de 12.02.2014. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: inciso XXXV do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 05/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/09/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
