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Numero do processo: 10768.004038/2009-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO ESPÓLIO - MULTA DE OFÍCIO.
Os créditos tributários, notificados ao de cujus antes da abertura da sucessão,
ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores (RIR/99, art. 23, § 3º)
Numero da decisão: 2002-000.368
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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Os créditos tributários, notificados ao de cujus antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores (RIR/99, art. 23, § 3º) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 40 38 /2 00 9- 80 Fl. 99DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL fls. 29 a 33, relativa a dedução indevida de despesas de livro caixa. Tais infrações geraram lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 9.096,34, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, à efls. 02 a 181 dos autos, que, em síntese, alega: Em 13/05/2009, o contribuinte apresentou sua peça impugnatória de fls. 02 e 04, contestando o mérito da infração apontada na Notificação de Lançamento e requerendo que fosse dada celeridade na apreciação da defesa por ser idoso. Em 31/08/2011, foi apresentada a petição de fls. 49 a 52, onde foi informado que o contribuinte havia falecido em 20/04/2011 (certidão de óbito à fl. 53) e que a legislação previa a extinção da exigibilidade da pena de multa incidente sobre o valor principal, em face de que a mesma contitui sanção pecuniária de natureza personalíssima, não podendo passar da pessoa do agente. Transcreveu decisões administrativas acerca desse assunto e reiterou todos os termos da Impugnação antes apresentada pelo contribuinte. Já à fl. 62 foi juntado um Darf pago, referente à Notificação de Lançamento objeto deste processo, sendo que às fls. 63 a 66 consta outra petição na qual é informado que somente foi pago o valor do principal e juros. Aduziu que a multa de 20%, no valor de R$ 1.819,26, teria sido extinta quando do falecimento do contribuinte e, dessa forma, não havia sido paga. Logo, com o pagamento do crédito tributário, informou a desistência da impugnação apresentada de fls. 02 e 04. Às fls. 67 a 71, anexou cópia da escritura pública d partilha. A impugnação foi apreciada na 21ª Turma da DRJ/RJ1 que, por unanimidade, em 03/04/2013, no acórdão 1254.401, às efls. 72 a 76, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Recurso voluntário Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10768.004038/200980 Acórdão n.º 2002000.368 S2C0T2 Fl. 100 3 O contribuinte, inconformado, apresentou recurso voluntário, às efls. 82 a 88, no qual alega que, em síntese, que o de cujus Hélvio Sebastião Frois (contribuinte) foi notificado pela RFB pela dedução indevida de livro caixa, incidindo també multa de ofício de 75%. Assim, como a multa é de caráter personalíssimo, com o falecimento do contribuinte, esta deve ser afastada, já que a pena não pode passar da pessoa do infrator. Posteriormente, quanto ao principal, a inventariante quitou o tributo devido, sem quitar a multa, de modo que houve a desistência do processo administrativo. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 08/05/2013, efls. 78, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 03/06/2013, efls. 81 , posto que dele conheço. O contribuinte concorda com a autuação do principal, qual seja a dedução indevida de livro caixa, conforme informa a decisão da DRJ: Em princípio, cumpre observar que o Impugnante somente se insurgiu contra a multa de ofício, deixando de contestar a infração relativa à apuração de Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa, inclusive com a apresentação de Darf. Dessa forma, tornase necessária a aplicação do disposto no art. 17, do Decreto nº 70.235, de 1972, co relação a essa matéria, consolidando administrativamente o lançamento no que se refere ao cálculo do Imposto Suplementar. Logo, o representante do de cujus insurgese quanto a incidência da multa de ofício de 75%, alegando que a penalidade não pode passar da pessoa do infrator. À luz do Direito Tributário, sem adentrar correntes doutrinárias específicas, o lançamento tributário é didaticamente dividido em três modalidades: lançamento de ofício, lançamento por homologação e lançamento por declaração. Conforme dispositivos do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido Fl. 101DF CARF MF 4 de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No lançamento por homologação o contribuinte tem o dever de apurar e pagar o tributo por sua conta, antecipandose a autoridade administrativa. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10768.004038/200980 Acórdão n.º 2002000.368 S2C0T2 Fl. 101 5 Atualmente, pelo Princípio da Praticidade, a maioria dos tributos, inclusive o imposto de renda, estão sujeitos ao lançamento por homologação e, caso o contribuinte não cumpra seu dever legal, caberá ao Fisco efetuar o lançamento tributário de oficio, cuja conseqüência é aplicação da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que, à época do fato gerador, tinha a seguinte redação: Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição; I – de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória, de falta de declaração e nos casos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte: II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30/11/1964, independentemente de outras penalidades administrativas e criminais cabíveis Não interessa ao presente processo, contudo, como fora mencionado acima, o lançamento por declaração é aquele em que a autoridade administrativa, frente a uma informação prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária, exige o pagamento do tributo (por exemplo, o IPTU). Desta feita, como o contribuinte não cumpriu com o seu dever de lançar devidamente o tributo devido, coube a fiscalização assim proceder, sendo devida a multa de ofício de 75%. Conforme histórico apurado pela DRJ, temos: No presente caso, a Notificação de Lançamento (fls. 29 a 33) foi entregue ao contribuinte em 14/04/2009 (fl. 39), onde se apurou o crédito tributário resultante da revisão da Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2007, anocalendário de 2006. Já o falecimento do contribuinte ocorreu em 20/04/2011 (certidão de óbito à fl. 53). Nesse contexto, como a Notificação de Lançamento foi entregue ao de cujus antes da abertura da sucessão, em obediência ao disposto no art. 23, §3º do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), deve ser exigido o crédito tributário ora lançado e os encargos e penalidades dele decorrentes limitados aos respectivos quinhões, legados ou meações. Assim, Quanto à imposição da multa, é aplicável ao caso o art. 23, § 3º, do Decreto 3.000, de 1999 (RIR 99), pelo qual os créditos tributários, notificados ao de cujus antes Fl. 103DF CARF MF 6 da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores: Art. 23. São pessoalmente responsáveis (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 50, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 131, incisos II e III): I o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação; II o espólio, pelo tributo devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão. § 1º Quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou declaração de exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, cobrarseá do espólio o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e da multa de mora prevista no art. 964, I, "b", observado, quando for o caso, o disposto no art. 874 (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 49). § 2º Apurada a falta de pagamento de imposto devido pelo de cujus até a data da abertura da sucessão, será ele exigido do espólio acrescido de juros moratórios e da multa prevista no art. 950, observado, quando for o caso, o disposto no art. 874. § 3º Os créditos tributários, notificados ao de cujus antes da abertura da sucessão, ainda que neles incluídos encargos e penalidades, serão exigidos do espólio ou dos sucessores, observado o disposto no inciso I. Por todo exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907889/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.454
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento de pedido de restituição de contribuição (PIS/Cofins) formulado pela recorrente. A restituição foi indeferida porque o crédito pleiteado encontravase totalmente alocado a débito declarado pelo contribuinte. Na manifestação apresentada, a interessada afirma que o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 teve a sua inconstitucionalidade declarada pelo STF. Salienta que a manifestação contida no despacho decisório decorre de informação prestada em DCTF nos anos de 2000 a 2004, ou seja, consoante previsão legal então vigente. Acredita que a conclusão deve ser a de procedência do pedido, afinal, nos termos das decisões existentes as receitas não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 07 88 9/ 20 11 -7 1 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10930.907889/201171 Resolução nº 3402001.454 S3C4T2 Fl. 146 2 operacionais devem ser excluídas das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Salienta que as declarações prestadas anteriormente devem ser revistas e diz que para ocorrer o deferimento bastará à Autoridade Julgadora proceder à análise das DCTF apresentadas, tendo por base planilha anexada à manifestação. Aduz, adicionalmente, que a discussão principal contida no processo diz respeito à matéria de direito, “devendo o órgão julgador apreciar a procedência da tese”, intimando a contribuinte a provar o direito mediante prova documental. A impugnação acima aludida foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, que não reconheceu o direito creditório face a ausência de sua comprovação. Cientificado desta decisão o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário, onde alega que a decisão proferida pela DRJ teria alterado o critério jurídico do despacho de indeferimento atacado, o que implicaria a nulidade da decisão proferida, bem como apresenta documentos fiscais que atestariam a validade do seu crédito. É o relatório. Resolução Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.422, de 26 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907066/201146, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.422): "5. Conforme se observa dos autos, em despacho eletrônico de fls. 05/06, o crédito vindicado pelo contribuinte foi indeferido ao fundamento que: (...). A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. (...). 6. Todavia, já em sede de julgamento de manifestação de inconformidade, o acórdão ora atacado entendeu por manter o indeferimento, mas agora sob o seguinte fundamento: (...). No caso, como a contribuinte nada apresentou no sentido de efetivamente comprovar que na composição da base de Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10930.907889/201171 Resolução nº 3402001.454 S3C4T2 Fl. 147 3 cálculo da contribuição relativa ao aludido período de apuração estavam incluídas receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo, não há como reconhecer o direito creditório buscado. Em assim sendo, dada a ausência de provas sobre a liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, entendese que devem ser mantidos em todos os seus termos o Despacho Decisório contestado que, aliás, está fundamentado em informação prestada pela própria contribuinte em DCTF constante dos sistemas controlados pela RFB. (...) (grifos constantes no original). 7. Diante deste quadro, o contribuinte apresentou os documentos fiscais de fls. fls. 84/118, os quais compreendem guias DARF, livro razão e planilhas, que atestariam que o crédito vindicado é realmente decorrente do inconstitucional alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS veiculado pela lei n. 9.718/98 e rechaçado pelo STF no âmbito do julgamento do RE n. 585.235. 8. Percebese, portanto, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. 10. É a resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10930.907889/201171 Resolução nº 3402001.454 S3C4T2 Fl. 148 4 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o crédito vindicado pelo contribuinte decorre do indevido pagamento de PIS e COFINS sobre receitas financeiras e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para o pedido formulado pelo contribuinte. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 162DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.002841/2010-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO
A empresa será excluída automaticamente do Simples Nacional, produzindo efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da situação impeditiva, caso haja a inclusão de atividade econômica, cujo CNAE conste dentre aqueles relacionados no Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, como impeditivo de permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida. Art. 30, § 3°, da Lei Complementar n° 123/2006 e Resolução CGSN nº 6 de 2007.
EXCLUSÃO. EFEITOS.
A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 1001-000.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO A empresa será excluída automaticamente do Simples Nacional, produzindo efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da situação impeditiva, caso haja a inclusão de atividade econômica, cujo CNAE conste dentre aqueles relacionados no Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, como impeditivo de permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida. Art. 30, § 3°, da Lei Complementar n° 123/2006 e Resolução CGSN nº 6 de 2007. EXCLUSÃO. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
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ATIVIDADE VEDADA INCLUÍDA NO OBJETO SOCIAL. EXCLUSÃO AUTOMÁTICA. CABIMENTO A empresa será excluída automaticamente do Simples Nacional, produzindo efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da situação impeditiva, caso haja a inclusão de atividade econômica, cujo CNAE conste dentre aqueles relacionados no Anexo I da Resolução CGSN nº 6 de 2007, como impeditivo de permanência no regime simplificado, ainda que se trate de atividade secundária ou não a tenha exercida. Art. 30, § 3°, da Lei Complementar n° 123/2006 e Resolução CGSN nº 6 de 2007. EXCLUSÃO. EFEITOS. A pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 28 41 /2 01 0- 15 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10882.002841/201015 Acórdão n.º 1001000.768 S1C0T1 Fl. 68 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG), mediante o Acórdão nº 0948.350, de 04/12/2013 (efls. 57/59), objetivando a reforma do referido julgado. Tratase exclusão de ofício do Simples Nacional em razão do exercício de atividade econômica vedada, conforme explicitado no ADE nº 137/2010 da DRF Osasco (fl. 27): alteração da atividade principal atividade de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica (CNAE 70.204/90); e inclusão da atividade secundária, atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários (código CNAE 74.601/04 Na manifestação de inconformidade o contribuinte alegou que o erro está na tabela de Código de Atividade Econômica do IBGE que por não existir nenhum código que se assemelhe a sua atividade específica, "entendeu que o que mais se aproxima é o de consultoria e intermediação, sem ter conhecimento do impedimento legal para a permanência no SIMPLES NACIONAL". Alegou ainda que fez as comunicações de alteração cadastral em todos os órgãos e que não pode ser punida pela ineficiência do Estado que, mesmo sabendo que exercia atividade impeditiva, não tomou a providência de excluía do regime simplificado tão logo obteve tal informação. Por fim requer que: a) Desconsideração da exclusão com efeitos retroativos, fazendo com que esta tenha efeitos a partir da ciência do ADE; b) Dispensa do cumprimento do disposto no item 2 da intimação SEORT 425/2010. (em suma, a apresentação das DIPJ e das DCTF, bem como o pagamento dos tributos que deixou de recolher). A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme voto condutor do acórdão recorrido transcrito a seguir, verbis: Apesar de a manifestante ter tecido alguns comentários acerca de uma suposta deficiência na tabela de CNAEs, o que a impediria de fazer a opção por um código mais adequado á sua atividade, em sua peça defensiva acabou por demonstrar sua contrariedade apenas quanto à retroatividade de sua exclusão e, naturalmente, quantos aos efeitos tributários dessa exclusão, como se pode verificar no trecho de sua manifestação que novamente transcrevemos: Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10882.002841/201015 Acórdão n.º 1001000.768 S1C0T1 Fl. 69 3 “Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta manifestação de inconformidade: a) Desconsideração da exclusão com efeitos retroativos, fazendo com que esta tenha efeitos a partir da ciência do ADE; b) Dispensa do cumprimento do disposto no item 2 da intimação SEORT 425/2010.” O caso de exclusão tratado nestes autos é regulado pelos artigos 29, 30 e 31 da Lei Complementar nº 123/2006, transcritos a seguir: “Art. 30. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação das microempresas ou das empresas de pequeno porte, darseá: (...) II obrigatoriamente, quando elas incorrerem em qualquer das situações de vedação previstas nesta Lei Complementar; ou (...) § 1º A exclusão deverá ser comunicada à Secretaria da Receita Federal: (...) II na hipótese do inciso II do caput deste artigo, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que ocorrida a situação de vedação; Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: (...) II na hipótese do inciso II do caput do art. 30 desta Lei Complementar, a partir do mês seguinte da ocorrência da situação impeditiva; Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; (grifos acrescidos)” Pelo que se lê acima, não há dificuldade em se perceber que existia a OBRIGAÇÃO LEGAL de comunicação, por parte da manifestante, da sua exclusão do regime simplificado em razão do exercício de atividade vedada. Também não é necessário grande esforço para perceber que os efeitos dessa exclusão se operam a partir do mês seguinte á ocorrência da situação impeditiva. Fica claro, então, que a solicitação da manifestante, no sentido de que os efeitos da exclusão somente se operem a partir da ciência do ADE, não encontra amparo na Lei que rege o tema, estando correto todo o procedimento do fisco. O acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10882.002841/201015 Acórdão n.º 1001000.768 S1C0T1 Fl. 70 4 Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. Subsiste a exclusão do Simples Nacional, produzindo efeitos a partir do mês seguinte ao da ocorrência da situação impeditiva, motivada por exercício de atividade vedada constante do contrato social da requerente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 26/01/2017, conforme Aviso de Recebimento à efl. 247, a recorrente apresentou recurso voluntário em 26/02/2017 (efls. 250/267), conforme carimbo à efl. 248. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso voluntário, a recorrente reitera as alegações apresentadas em sede de primeira instância, ou seja, que "por não existir na relação de códigos de atividade do IBGE um código específico, entendeu que o que mais se aproxima é o de consultoria e intermediação, sem ter conhecimento do impedimento legal para a permanência no SIMPLES NACIONAL". Requer que a exclusão não seja com efeitos retroativos, fazendo com que esta tenha efeitos a partir da ciência do ADE e a dispensa do cumprimento do disposto no item 2 da intimação SEORT 425/2010. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, cujo voto condutor do acórdão recorrido foi transcrito acima, o qual adotoo como razões de decidir, com base no disposto no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57 do RICARF. Tanto a Lei Complementar, a qual estabelece normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quanto a Resolução que a regulamenta, definem a inclusão de atividade impeditiva como fator de exclusão do Simples Nacional. Não é necessário o exercício efetivo daquela atividade para que se configure caso de exclusão. A Lei Complementar e a Resolução determinam que a exclusão se dará por Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10882.002841/201015 Acórdão n.º 1001000.768 S1C0T1 Fl. 71 5 comunicação obrigatória, e que a inclusão da atividade impeditiva no cadastro da empresa equivale a comunicação obrigatória de exclusão do Simples Nacional. Assim, a Manifestante realmente incorreu em situação de vedação, não sendo suficiente para elidir a sua exclusão eventual comprovação de que não exercia a referida atividade. Outrossim, seus pedidos de desconsideração da exclusão com efeitos retroativos e de dispensa do cumprimento das obrigações acessórias e principal não encontra azo na legislação pertinente, devendo a pessoa jurídica excluída do Simples sujeitarse, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose a exclusão do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000427/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: DÉBITO TRIBUTÁRIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
Os juros de mora incidem a partir do primeiro dia do mês
subseqüente ao vencimento do prazo de pagamento do tributo e
não da data de sua inscrição em dívida ativa.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. FIXAÇÃO EM LEI FEDERAL.
A lei estabelece que nos casos de lançamento de ofício, se não
houver agravantes ou qualificadoras, a multa será lançada de
ofício no percentual de 75%. Não se aplica ao lançamento de
ofício a multa de mora do art. 61, da Lei 9.430/96.
SELIC. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULAS CARF Nos 2 e 4.
De serem afastadas as invocações de inconstitucionalidade da
aplicação da SELIC posto que ao CARF falece competência para
declarar a inconstitucionalidade de lei, conforme dispõe a sua
Súmula Unificada n. 2. Adicionalmente, a aplicabilidade da
SELIC aos tributos federais foi acolhida pela Súmula Unificada
n. 4 do CARF.
Numero da decisão: 1201-000.443
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Regis Magalhães Soares de Queiroz
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ementa_s : DÉBITO TRIBUTÁRIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Os juros de mora incidem a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo de pagamento do tributo e não da data de sua inscrição em dívida ativa. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. FIXAÇÃO EM LEI FEDERAL. A lei estabelece que nos casos de lançamento de ofício, se não houver agravantes ou qualificadoras, a multa será lançada de ofício no percentual de 75%. Não se aplica ao lançamento de ofício a multa de mora do art. 61, da Lei 9.430/96. SELIC. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULAS CARF Nos 2 e 4. De serem afastadas as invocações de inconstitucionalidade da aplicação da SELIC posto que ao CARF falece competência para declarar a inconstitucionalidade de lei, conforme dispõe a sua Súmula Unificada n. 2. Adicionalmente, a aplicabilidade da SELIC aos tributos federais foi acolhida pela Súmula Unificada n. 4 do CARF.
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Os juros de mora incidem a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo de pagamento do tributo e não da data de sua inscrição em dívida ativa. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. FIXAÇÃO EM LEI FEDERAL. A lei estabelece que nos casos de lançamento de ofício, se não houver agravantes ou qualificadoras, a multa será lançada de ofício no percentual de 75%. Não se aplica ao lançamento de ofício a multa de mora do art. 61, da Lei 9.430/96. SELIC. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULAS CARF Nos 2 e 4. De serem afastadas as invocações de inconstitucionalidade da aplicação da SELIC posto que ao CARF falece competência para declarar a inconstitucionalidade de lei, conforme dispõe a sua Súmula Unificada n. 2. Adicionalmente, a aplicabilidade da SELIC aos tributos federais foi acolhida pela Súmula Unificada n. 4 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias – Presidente Fl. 409DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10932.000427/200814 Acórdão n.º 1201000.443 S1C2T1 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares de Queiroz – Relator Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Rafael Correia Fuso, Marcelo Cuba Netto, Antonio Carlos Guidoni Filho e Regis Magalhães Soares De Queiroz. Relatório Adoto o relatório da r. decisão a quo, verbis: Em ação fiscal procedida na empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada omissão de receitas, no ano calendário de 2005, caracterizada por depósitos bancários realizados junto a instituições financeiras, cuja origem dos recursos não foi comprovada. O crédito tributário lançado totalizou R$ 28.268.221,60 (vinte e oito milhões e duzentos e sessenta e oito mil e duzentos e vinte e um reais e sessenta centavos), conforme demonstrativo de fl. 4, tendo sido lavrados os seguintes autos de infração: I — Imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ) — fls. 269/274. Imposto: R$ 7.717.144,32 Juros de mora: R$ 2.504.213,27 Multa proporcional: R$ 5.787.858,11 Total: R$ 16.009.215,53 Enquadramento legal: Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 24 Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42; Regulamento do Imposto de Renda (RIR11999) — Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 —, arts. 249, II, 251 e parágrafo único, 279, 282, 287 e 288. II — Contribuição para o PIS — fls. 275/282. Contribuição: R$ 538.831,54 Juros de mora: R$ 212.537,88 Multa Proporcional: R$ 404.123,61 Total: R$ 1.155.493,03 Fl. 410DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10932.000427/200814 Acórdão n.º 1201000.443 S1C2T1 Fl. 3 3 Enquadramento legal: Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, arts. 1°,V e 4° III — Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) — fls.283/290. Contribuição: R$ 2.481.890,97 Juros de mora: R$ 978.962,62 Multa Proporcional: R$ 1.861.418,20 Total: R$ 5 322 271 79 Enquadramento legal: Lei n° 10.833, de 24 de dezembro de 2003, arts. 1°, 3° e 5°. IV — Contribuição social (CSLL) — fls. 291/296 Contribuição: R$ 2.786.811,89 Juros de mora: R$ 904.320,45 Multa Proporcional: R$ 2.090.108,91 Total: R$ 5.781.241,25 Enquadramento legal: Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 2° e §§; Lei n° 9.249, de 1995, art. 24; Lei n° 9.316, de 22 de novembro de 1996, art. 1°; Lei n° 9.430, de 1996, art. 28; Lei n° 10.637, de 2002, art. 37. O termo de verificação fiscal de fls. 266/268 descreve em detalhes a ação fiscal desenvolvida, relatando, entre outras coisas, que a contribuinte adotou o regime de tributação apurado com base no lucro real anual, no anocalendário de 2005, para apuração do IRPJ e da CSLL, entregando sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) em 30/06/2006, zerada, em desacordo com as normas estabelecidas no § 4° do art. 70 da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. Posteriormente, já sob ação fiscal, apresentou retificadora, na qual apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL. A contribuinte foi intimada a comprovar o registro e a origem dos recursos utilizados nas operações acolhidas pela movimentação financeira, no período de 01/01 a 31/12/2005 (fls. 244/261), mas não fez a comprovação. Notificada do lançamento em 24/10/2008, conforme autos de infração, a interessada, representada pelo advogado Douglas Roberto Menezes (procuração de fl. 305), ingressou, em 21/11/2008, com a impugnação de fls. 310/324, alegando, em suma: Os juros só podem incidir sobre o valor das contribuições e a partir da inscrição da divida; A multa e os juros haviam de atender ao limite de 20% determinado pelo § 2° do art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996; Fl. 411DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10932.000427/200814 Acórdão n.º 1201000.443 S1C2T1 Fl. 4 4 Inconstitucionalidade da taxa Selic como atualização dos créditos previdenciários. Requereu seja declarado extinto o débito contestado. De constar que intimado a apresentar seus extratos bancários, a contribuinte quedouse inerte, tendo o lançamento ocorrido com base em informações obtidas pela autoridade autuante diretamente junto às instituições financeiras por meio de emissão de RMFs consolidados no Termo de fls. 244. A r. decisão a quo também informa que “A impugnante não questiona a situação fática que originou o lançamento combatido (apuração de omissão de receitas com base em depósitos bancários), tampouco o valor dos tributos lançados. Seus protestos voltaramse apenas contra os consectários do lançamento (multa e juros)”. No julgamento, a autoridade julgadora a quo negou provimento à impugnação e manteve integralmente o lançamento, tendo ficado assim ementado o v. acórdão a quo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa matéria que não tenha sido expressamente contestada. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar arguição de inconstitucionalidade de lei. MULTA DE OFÍCIO. A multa de oficio, aplicada em auto de infração, é multa administrativa, de natureza punitiva. Lançamento Procedente O recurso voluntário do contribuinte encontrase a fls. 402 em que repisa os mesmo fundamentos da impugnação, quais sejam: (i) fluência dos juros exclusivamente da data da inscrição do crédito tributário em dívida ativa; (ii) limitação da multa a 20% e (iii) inconstitucionalidade da taxa SELIC. É o relatório. Fl. 412DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10932.000427/200814 Acórdão n.º 1201000.443 S1C2T1 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Regis Magalhães Soares De Queiroz, relator: O recurso voluntário foi protocolizado dentro do prazo legal e, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Delimitação da matéria controversa Da leitura da impugnação confirmase o relatado pela r. autoridade julgadora a quo em sua decisão, de que não houve impugnação acerca do lançamento do tributos por omissão de receita nem em relação a sua forma de apuração pela autoridade lançadora. O art. 14 do PAF declara que a impugnação instaura o litígio e deverá conter “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir” (PAF, art. 16, inc. III). Pelo que dispõe o art. 17 do mesmo diploma, considerase “não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Desta forma, está em julgamento apenas o termo a quo da incidência dos juros, a limitação da multa ao percentual de 20% e a inconstitucionalidade da taxa SELIC. 2. Incidência dos juros de mora Dispõe o art. 161 do CTN sobre a incidência dos juros de mora: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. O § 3º, do art. 61, da Lei 9.430/96, regulamentou o termo a quo da incidência dos juros de mora na hipótese de falta de pagamento do tributo no vencimento, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês Fl. 413DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10932.000427/200814 Acórdão n.º 1201000.443 S1C2T1 Fl. 6 6 anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Depreendese da leitura da lei que os juros de mora incidem a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo de pagamento do tributo e não da data de sua inscrição em dívida ativa, como sustentado no recurso voluntário. 3. Incidência da multa de ofício O mesmo art. 161 do CTN também versa sobre a imposição de multa, estando regulamentado pelo art. 44 da Lei 9.430/96, que a época dos fatos tinha a seguinte redação: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. (Revogado pela Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 414DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10932.000427/200814 Acórdão n.º 1201000.443 S1C2T1 Fl. 7 7 § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) a) prestar esclarecimentos; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. (Incluída pela Lei nº 9.532, de 1997) Notase que a lei estabelece que nos casos de lançamento de ofício (rectius: imposição de auto de infração para a constituição de crédito tributário não pago no vencimento), em sendo o caso de imposição de multa, ela será de ofício no percentual de 75%. Esta é a hipótese tratada nestes autos. Tendo havido lançamento de ofício, não era o caso de aplicar o invocado art. 61 da Lei 9.430/96, só incidente nas hipóteses de pagamento espontâneo, o que não ocorreu na espécie. 4. Inconstitucionalidade da taxa SELIC Quanto às invocações de inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC como taxa de juros, deve ser afastada posto que ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF falece competência para declarar a inconstitucionalidade de lei, consoante estabelece o art. 26A do Decreto 70.235/1972: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Fl. 415DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI Processo nº 10932.000427/200814 Acórdão n.º 1201000.443 S1C2T1 Fl. 8 8 Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Nesse sentido é o verbete da Súmula Unificada n. 2, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que dispõe: Súmula Unificada nº 2 – O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. De mencionar, ainda, que, quanto à aplicabilidade da SELIC aos tributos federais, a Súmula Unificada n. 4, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é expressa, verbis: Súmula Unificada nº 4 – A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. 5 Dispositivo Isso posto, nego provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Regis Magalhães Soares De Queiroz – Conselheiro Relator Fl. 416DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por REGIS MAGALHAES SOARES DE QUEI Assinado digitalmente em 04/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 13/06/2011 por REGIS MAGALHAE S SOARES DE QUEI
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Numero do processo: 13896.002288/2010-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
USO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. LEGITIMIDADE.
A utilização de informações regularmente obtidas junto a administradoras de cartões de crédito e débito não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Precedente vinculante do STF.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL
Nos termos da lei, caracteriza-se como omissão de receita os valores creditados em conta bancária, na hipótese do titular, após intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a sua respectiva origem.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada.
A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25.
SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
A mera qualificação de sócio, ainda que com amplos poderes de administração, não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social ou caracterizar confusão patrimonial, o que não restou demonstrado.
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE.
A exclusão do Simples com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte infringiu hipóteses impeditivas para usufruir do regime simplificado, é admitida pela Lei.
INEXISTÊNCIA DE LIVRO CAIXA. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL DE VENDA. EXCESSO DE RECEITA. SISTEMÁTICA DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO.
A não apresentação do Livro Caixa e a apuração de receita que extrapola o limite legal são causas de exclusão do Simples, nos ternos da lei.
Numero da decisão: 1201-002.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para: (i) afastar a multa qualificada, reduzindo-a de 150% para 75%; e (ii) afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. USO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. LEGITIMIDADE. A utilização de informações regularmente obtidas junto a administradoras de cartões de crédito e débito não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Precedente vinculante do STF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL Nos termos da lei, caracteriza-se como omissão de receita os valores creditados em conta bancária, na hipótese do titular, após intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a sua respectiva origem. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. A mera qualificação de sócio, ainda que com amplos poderes de administração, não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social ou caracterizar confusão patrimonial, o que não restou demonstrado. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A exclusão do Simples com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte infringiu hipóteses impeditivas para usufruir do regime simplificado, é admitida pela Lei. INEXISTÊNCIA DE LIVRO CAIXA. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL DE VENDA. EXCESSO DE RECEITA. SISTEMÁTICA DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. A não apresentação do Livro Caixa e a apuração de receita que extrapola o limite legal são causas de exclusão do Simples, nos ternos da lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para: (i) afastar a multa qualificada, reduzindo-a de 150% para 75%; e (ii) afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. USO DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO. LEGITIMIDADE. A utilização de informações regularmente obtidas junto a administradoras de cartões de crédito e débito não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Precedente vinculante do STF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL Nos termos da lei, caracterizase como omissão de receita os valores creditados em conta bancária, na hipótese do titular, após intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a sua respectiva origem. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO. DOLO. NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Uma vez ausente a figura do dolo, a multa qualificada deve ser afastada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 22 88 /2 01 0- 41 Fl. 1667DF CARF MF 2 A simples apuração de omissão de receitas identificadas a partir do acesso às informações bancárias, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício. Aplicação das Súmulas CARF nºs 14 e 25. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. A mera qualificação de sócio, ainda que com amplos poderes de administração, não enseja a imputação de responsabilidade pessoal ou solidária, devendo o fisco motivar e comprovar a prática de ato com excesso de poderes, infração à lei ou contrato social ou caracterizar confusão patrimonial, o que não restou demonstrado. SIMPLES. EXCLUSÃO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. A exclusão do Simples com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte infringiu hipóteses impeditivas para usufruir do regime simplificado, é admitida pela Lei. INEXISTÊNCIA DE LIVRO CAIXA. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL DE VENDA. EXCESSO DE RECEITA. SISTEMÁTICA DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. A não apresentação do Livro Caixa e a apuração de receita que extrapola o limite legal são causas de exclusão do Simples, nos ternos da lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários, para: (i) afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% para 75%; e (ii) afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi emitido Ato Declaratório Executivo ADE n. 37/2010 (fls. 38) para fins de exclusão do regime de tributação do SIMPLES NACIONAL, com fundamento no artigo 29, inciso VIII, da Lei Complementar n° Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 3 3 123 de 14 de dezembro de 2006 e nos termos do artigo 29, §1° também da Lei Complementar 123/2006, com efeitos a partir de 01/07/2007. De acordo com a Representação Fiscal de Exclusão do Simples Nacional (fls. 4/6): O CONTRIBUINTE deixou de apresentar os livros DIÁRIO ou CAIXA até a presente data, incorrendo na hipótese de exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL, prevista no art. 29, Inciso VIII, da Lei Complementar 123/2006 e regulamentada no art. 5, Inciso VIII, da RESOLUÇÃO CGSN 15/2007, cujo teor transcrevese na sequência. RESOLUÇÃO CGSN 15/2007 Art. 5° A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; A exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL por falta de livro CAIXA surte efeitos a partir do próprio mês em que verificada a falta, ou seja, a partir de 01/07/2007 para o caso em tela, bem como se estende para os três anos calendários seguintes, conforme estabelecido no art. 6, Inciso VI da Resolução CGSN 15/2007, cujo teor transcrevese na sequência. Resolução CGSN 15/2007 Art. 6o A exclusão das ME e das EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: II na hipótese da alínea 'a' do inciso II do caput do art. 3o, a partir de 1° de janeiro do anocalendário subseqüente ao do que tiver ocorrido o excesso; VI nas hipóteses previstas nos incisos II a X, XIII e XIV do art. 5°, a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo nova opção pelo regime diferenciado e favorecido do Simples Nacional pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes; 2) EXCLUSÃO DE OFÍCIO RECEITA BRUTA SUPERIOR AO LIMITE PARA OPÇÃO O CONTRIBUINTE apresentou a declaração "DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA SIMPLES PJSI 2008/2007", de número RFB 2330962, relativa aos períodos de 01/01/2007 a 30/06/2007, e a declaração "DECLARAÇÃO ANUAL DO SIMPLES NACIONAL DASN 2008/2007", relativa aos períodos de 01/07/2007 a 31/12/2007, nas quais foram informadas as receitas brutas mensais constantes da tabela da sequência, cujos valores enquadramse nos limites estabelecidos Fl. 1669DF CARF MF 4 na legislação para opção pelos sistemas SIMPLES e SIMPLES NACIONAL No entanto, no curso da fiscalização verificouse que o CONTRIBUINTE omitiu em suas declarações expressiva parcela das receitas de vendas efetuadas através de administradoras de cartões de débito e crédito, cujos valores seguem transcritos na tabela da sequência. [...] Observase que o CONTRIBUINTE auferiu em 2007, através de vendas com cartões de débito e crédito, receitas de R$5.317.217,54, valor expressivamente superior ao limite para opção pelo SIMPLES NACIONAL, de valor R$2.400.000,00, motivo pelo qual deveria ter comunicado obrigatoriamente sua exclusão do sistema para o ano calendário de 2008, por força do art. 3, Inciso II, alínea a, da Resolução CGSN 15/2007, e art. 12, inciso I, da Resolução CGSN 04/2007, cujos teores transcrevem se na sequência. Resolução CGSN 15/2007 Art. 3° A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP, darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer na hipótese do inciso I do art. 12 da Resolução CGSN n° 4, de 30 de maio de 2007; Resolução CGSN 04/2007 Art. 12. Não poderão recolher os Impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a ME ou a EPP: I que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais); Diante do exposto, cabe também proceder à exclusão de ofício do CONTRIBUINTE do SIMPLES NACIONAL no ano calendário 2008, pela falta de comunicação de exclusão obrigatória, prevista no art. 29, Inciso I, da Lei Complementar 123/2006 e regulamentada no art. 5, Inciso I, da RESOLUÇÃO CGSN 15/2007, cujo teor transcrevese na sequência. RESOLUÇÃO CGSN 15/2007 Art. 5° A exclusão de ofício da ME ou da EPP optante pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; 3) CONCLUSÃO Em suma, a presente representação propõe a exclusão de ofício do SIMPLES NACIONAL do CONTRIBUINTE no período de 01/07/2007 até 31/12/2010, observandose o fato de que tal Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 4 5 exclusão somente caberá para os períodos em que o mesmo tenha optado por tal sistema. A contribuinte apresentou defesa tempestiva em face do ADE (fls. 48/57), alegando, em resumo: a) cerceamento de defesa, uma vez que foi aplicada a penalidade mais severa sem que o contribuinte tivesse sequer sido ouvido ou à ele oportunizado o direito de se manifestar sobre o que lhe estava sendo imputado; b) a ilicitude do meio pelo qual a principal prova do processo foi concebida a quebra de sigilo; e c) a ilegalidade e inconstitucionalidade da exclusão do Simples Nacional de forma retroativa; Em seguida a fiscalização lavrou Autos de Infração que exigem IRPJ e Reflexos pelo método de arbitramento de lucros, referente ao período de julho a dezembro de 2007, em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 79/91, do qual merecem destaques as seguintes passagens: Em suma, restou plenamente justificada a emissão da "SOLICITAÇÃO DE EMISSÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA" anexada às folhas 537 a 540, uma vez que o CONTRIBUINTE deixou de atender de forma plena às solicitações desta fiscalização, caracterizando assim a hipótese de indispensabilidade do exame das informações junto às administradoras, conforme previsão do Inciso VII do art. 3o. do Decreto 3724/2001, combinado com o art. 33 da Lei 9.430/1996, bem como restou necessário o cotejamento entre os documentos fornecidos pelo CONTRIBUINTE e os dados arquivados nas administradoras, conforme previsão do art. 4o, § 4o do Decreto 3.724/2001. Diante do exposto, foi emitida a RMF 0812800.2010.000804, anexada às folhas 541 e 542, destinada à administradora HIPERCARD BANCO MÚLTIPLO, a qual encaminhou os documentos anexados às folhas 543 a 603. A RMF 0812800.2010.000820, anexada às folhas 604 e 605, foi encaminhada à administradora REDECARD, a qual encaminhou os documentos anexados às folhas 606 a 656. A RMF 0812800.2010.000812, anexada às folhas 657 e 658, foi encaminhada à administradora CIELO, a qual encaminhou os documentos anexados às folhas 659 a 755. A RMF 0812800.2010.000794, anexada às folhas 756 e 757, foi encaminhada à administradora BANCO BANKPAR, a qual encaminhou os documentos anexados às folhas 758 a 838 Fl. 1671DF CARF MF 6 [...] A coluna 15 da tabela mostra a soma das vendas efetuadas com cartões de crédito e débito, enquanto que a coluna 16 mostra as receitas declaradas pelo CONTRIBUINTE \nas suas declarações "DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA DA PESSOA JURÍDICA SIMPLES^ PJSI 2008/2007" e "DECLARAÇÃO ANUAL DO SIMPLES NACIONAL DASN 2008/2007". A análise das citadas colunas mostra que o CONTRIBUINTE efetuou vendas com cartões de crédito e débito que totalizaram R$6.027.368,22 em 2007, no entanto, apresentou declarações informando receitas que totalizam apenas R$1.321.507,06 no mesmo período, evidenciando uma expressiva e sistemática omissão de receitas. Por fim, diante das irregularidades apuradas, o "TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.000570/04", anexado às folhas 943 a 949 e cientificado em 10/02/2011, conforme aviso de recebimento dos correios à folha 952, intimou o CONTRIBUINTE a apresentar documentos e justificativas em sua defesa, conforme texto transcrito na sequência. [...] Tendo em vista estabelecer a relação entre as receitas declaradas e as receitas apuradas por esta fiscalização nos extratos das administradoras de cartões, o CONTRIBUINTE foi reiteradamente intimado a apresentar demonstrativo de formação das receitas informadas na PJSI 2008/2007 e na DASN 2008/2007, bem como apresentar a documentação fiscal comprobatória, minimamente composta pelas notas e cupons fiscais emitidos. No entanto, o CONTRIBUINTE limitouse a apresentar o demonstrativo anexado às folhas 868 a 878, desacompanhado de documentação comprobatória da composição dos valores indicados nas colunas E, Fe G, de modo que não comprovou_qual parcela das receitas declaradas corresponde a vendas efetuadas com cartões de débito e crédito [...] 5. AUTO DE INFRAÇÃO PERIODO 01/07/2007 a 31/12/2007 ARBITRAMENTO O art. 32 da Lei Complementar 123/2006 estabelece que as empresas excluídas do SIMPLES NACIONAL sujeitamse às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, de modo que esta fiscalização procederá ao lançamento do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, incidentes sobre a soma das receitas declaradas e das receitas omitidas. A tributação será feita com base na sistemática do lucro arbitrado, uma vez que o CONTRIBUINTE, apesar de reiteradamente intimado, deixou de apresentar o livro CAIXA contendo o registro de toda a movimentação financeira e bancária de 2007, assim como também não apresentou as notas ou cupons fiscais relativos às suas vendas, incorrendo nas Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 5 7 hipóteses de arbitramento previstas na alínea a do Inciso II e Inciso III do art. 530 do Decreto 3.000/99, cujo texto segue transcrito na sequência. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 1o): I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vicios, erros ou deficiências que a tomem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária: ou b) determinar o lucro real; III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527. A fiscalização exigiu, ainda, multa qualificada (de 150%) e lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome dos sócios administradores da Recorrente, Srs. José Carlos da Piedade Nunes, fls. 123 e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes, fl. 126, fundamentados nos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN. A empresa e os solidários apresentaram defesa (fls. 133/142). Alegam, em síntese: (i) a indevida quebra de sigilo bancário e utilização de prova ilícita por parte do fisco; (ii) a nulidade dos autos em face da não exclusão de valores de tributos já pagos; (iii) a ilegalidade do arrolamento de bens; e (iv) a não caracterização dos requisitos da solidariedade. Por meio de petição juntada em momento posterior como aditamento da defesa (fls. 1.238/1.241) a contribuinte questiona pontualmente a aplicação de multa qualificada de 150%. A impugnação foi julgada parcialmente procedente e a petição complementar considerada preclusa por meio de Acórdão da DRJ (fls. 1.275/1.316), cuja ementa restou assim redigida: Fl. 1673DF CARF MF 8 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. Consolidamse administrativamente as matérias não expressamente impugnadas no prazo legal, quais sejam: motivos da exclusão do Simples (inexistência de Livro Caixa, excesso de receita), falta de emissão de documento fiscal de venda, omissão de receitas, redução indevida de tributos, forma de tributação adotada na autuação, penalidade aplicada. PETIÇÃO INTEMPESTIVA. Não prospera a pretensão do contribuinte de, por meio de petição intempestivamente apresentada, veicular novas razões de impugnação, se ultrapassado o prazo para manifestação contra as infrações que lhe foram imputadas e não configuradas as hipóteses em que complementações são admitidas. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), hipóteses cuja ocorrência não restou comprovada, sobretudo tendo em conta que foi o contribuinte regularmente cientificado do ato declaratório de exclusão e do auto de infração e seus anexos, lavrados com observância das formalidades legais de tal forma a lhe ser assegurado o direito de questionar a exclusão e as exigências nos termos das normas que regulam o processo administrativo fiscal. CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. CARÁTER INQUISITÓRIO. Não se cogita de ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa e contraditório enquanto não instaurado o litígio, que, na espécie, inaugurase com a manifestação de inconformidade e com a impugnação. DESCONSIDERAÇÃO DE PAGAMENTOS. SANEAMENTO. A desconsideração de pagamentos efetuados na modalidade do Simples constitui irregularidade que em nada afeta a validade do lançamento, classificandose dentre aquelas previstas no citado art. 60 do Decreto 70.235/72 e exigindo somente o seu saneamento, que se processa, em sede de julgamento, mediante declaração da parcial procedência do lançamento. SIGILO BANCÁRIO. A utilização de informações regularmente obtidas junto a administradoras de cartões de crédito e débito não caracteriza violação de sigilo bancário, sendo desnecessária prévia autorização judicial. REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. ILEGALIDADE DAS PROVAS OBTIDAS. INOCORRÊNCIA. Demonstrada a indispensabilidade de obtenção de informações junto a instituições financeiras ou entidades a elas equiparadas, o que ensejou a emissão de RMF Requisição de Movimentação Financeira pela autoridade administrativa competente, não se cogita de ilegalidade da prova obtida. ARROLAMENTO DE BENS. Não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento, apreciação do Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 6 9 procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora. OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições e passível de fiscalização posterior. A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte infringiu hipóteses impeditivas para usufruir o benefício, é admitida pela Lei que institui a sistemática. INEXISTÊNCIA DE LIVRO CAIXA. FALTA DE EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL DE VENDA. EXCESSO DE RECEITA. SISTEMÁTICA DO SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. Constatadas hipóteses legais de exclusão do Simples Nacional, cuja ocorrência não foi afastada pela defesa, mantémse a exclusão regularmente formalizada pela autoridade competente da unidade jurisdicionante do contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. Não afastada a constatação fiscal de omissão de receitas de vendas com cartões de débito e crédito, mantêmse as correspondentes exigências de IRPJ e tributação reflexa de CSLL, PIS e COFINS. PAGAMENTOS EFETUADOS NA MODALIDADE DO SIMPLES NACIONAL. Excluemse do lançamento de ofício as parcelas correspondentes a IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, integrantes de recolhimentos anteriores ao início do procedimento, efetuados na modalidade do Simples Nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Em se tratando de exigências reflexas que têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. Cientificada da decisão de primeiro grau em 27/07/2011 (fls. 1.322), a Recorrente e os solidários interpuseram recurso voluntário (fls. 1.325/1.347). Reiteram as alegações de defesa e questionam a não apreciação dos argumentos invocados e contrários à imposição de multa qualificada pela DRJ. Após sobrestamento dos autos, o CARF (Acórdão de fls. 1.512/1.538) determinou o encaminhamento do presente processo para nova decisão, mais precisamente para que a DRJ se pronunciasse sobre os argumentos contrários à cobrança de multa de 150%. Tramitado o feito, sobreveio nova decisão da DRJ (fls. 1.560/1.571), que considerou correta a aplicação da multa em decisão que restou assim ementada: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Caracterizado o intuito de fraudar o fisco, correta a aplicação da multa no percentual de 150%. Fl. 1675DF CARF MF 10 Notificada da nova decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário complementar (fls. 1.606/1.629), buscando demonstrar que a multa qualificada não se sustentaria em face de decisões do CARF em casos semelhantes. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço e passo a apreciálos. Nulidade Da leitura do recurso voluntário, notase que a Recorrente invoca argumentos de nulidade da autuação, a saber: (i) indevida e inconstitucional quebra de sigilo bancário; (ii) utilização de prova ilícita; e (iii) cerceamento do direito de defesa. Razão, porém, não lhe assiste. A possibilidade do fisco utilizar dados bancários dos contribuintes sem autorização judicial foi introduzida inicialmente no ordenamento jurídico pelo artigo 8o da Lei n. 8.021/90, e posteriormente pelos artigos 5 o e 6 o da Lei Complementar n. 105/2001, dispositivos estes que possuem a seguinte redação: Art. 8° Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n° 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único. As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1° do art. 7°. Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. § 1o Consideramse operações financeiras, para os efeitos deste artigo: Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 7 11 I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; [...] § 2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. § 3o Não se incluem entre as informações de que trata este artigo as operações financeiras efetuadas pelas administrações direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. O direito constitucional ao "sigilo bancário" e sua quebra no contexto da política de fiscalização tributária constitui tema que não raramente desperta interesse doutrinário e que já contou (e certamente ainda contará) com longas discussões no Poder Judiciário. No âmbito do STJ, prevaleceu o entendimento favorável à quebra de sigilo para fins tributários, proferido em 2009 no REsp n. 1134665/SP, e julgado pela Primeira Seção na sistemática de recursos repetitivos. A decisão recebeu a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. Fl. 1677DF CARF MF 12 QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. [...] Posteriormente, o STF foi instado a definir a questão do acesso da administração tributária aos dados bancários dos contribuintes, sem ordem judicial prévia, o que ocorreu com o julgamento do Recurso Extraordinário (RE n. 601.314), que teve repercussão geral reconhecida e cujo resultado foi no mesmo sentido do referido precedente do STJ. Veja: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 8 13 manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Por maioria de votos (9 X 2, vencidos os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio), ganhou a tese de que a Lei Complementar n. 105 é compatível com a Constituição Federal, não havendo quebra de sigilo bancário propriamente dito o acesso, pelo fisco, de informações bancárias obtidas diretamente de instituições financeiras. Da leitura do inteiro teor desse Acórdão paradigma, notase que prevaleceu o argumento de que a obrigatoriedade das instituições financeiras prestarem informações para exercício regular de fiscalização pela administração fazendária não deve ser vista como violação a direito fundamental, mas sim como procedimento apto e legítimo a perquirir a efetiva capacidade contributiva. O acesso aos dados bancários sem autorização judicial, portanto, pode ser feito pelo fisco para fins de constituição de crédito tributário, devendo tal procedimento ser fundamentado e as informações assim obtidas preservadas. Tanto é assim que o CTN, disciplinou, em seu artigo 1971, as formas de acesso da Administração tributária aos bancos de dados de terceiros, dentre eles de informações bancárias. 1 "Artigo 197 Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras." Fl. 1679DF CARF MF 14 O artigo 1982 do CTN resguarda a inviolabilidade da informação fornecida ao Fisco, proibindo a divulgação, para qualquer fim, por parte da Fazenda Pública ou de seus funcionários, de qualquer informação obtida em razão do ofício, sobre a situação econômica ou financeira dos sujeitos passivos ou de terceiros sobre a natureza e o estado dos seus negócios ou atividades. Os dados bancários utilizados nesse caso concreto, segundo penso, estão protegidos (o público não tem acesso aos processos dessa natureza), foram acessados com respaldo na referida lei julgada constitucional e houve motivação adequada para utilização desse expediente. Os argumentos trazidos pelos contribuintes no sentido de que o fisco não teria cumprido os requisitos para proceder com a "quebra de sigilo bancário" e que esta prova seria ilícita não se sustentam em face dos elementos probatórios trazidos aos autos, dos permissivos legais autorizadores dessa prática e da jurisprudência judicial acima indicada e que vincula o presente Julgador. Nos termos da lei, e de acordo com a jurisprudência dominante, caracterizam se como omissão de receita os valores creditados em conta bancária, identificados pela fisco de forma individualizada, na hipótese do titular, após intimado, não comprovar com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a sua respectiva origem. Quanto à nulidade, do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; 2 "Artigo 198 Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. § 1o Excetuamse do disposto neste artigo, além dos casos previstos no art. 199, os seguintes: I – requisição de autoridade judiciária no interesse da justiça; II – solicitações de autoridade administrativa no interesse da Administração Pública, desde que seja comprovada a instauração regular de processo administrativo, no órgão ou na entidade respectiva, com o objetivo de investigar o sujeito passivo a que se refere a informação, por prática de infração administrativa. Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 9 15 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. O Auto de Infração foi emitido com observância de seus requisitos formais e essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: “Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. A fiscalização, após instauração de regular procedimento fiscalizatório, identificou depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte e daí apurou omissão de receitas com fundamento no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Não se vislumbra nenhum prejuízo ao contribuinte, que notoriamente compreendeu a imputação e teve assegurado seu direito de defesa. E, ao contrário do que quer fazer crer a Recorrente, no demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos, integrante do Auto de Infração, estão demonstrados os valores calculados e os valores pagos para cada rubrica (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e INSS), tendo sido exigida apenas a diferença não paga, o que afasta a alegada duplicidade. Posto isso, rejeito a preliminar de nulidade e de cerceamento de defesa. Omissão de receitas A Recorrente, no anocalendário de 2007, optou pelo SIMPLES, mas foi selecionada para procedimento fiscal de auditoria em razão da apresentação de movimentação financeira incompatível com a receita declarada. Segundo disposição legal (art. 34 da Lei Complementar nº 123/06 e art. 42 da Lei n.º 9.430/96), as empresas optantes pelo SIMPLES são obrigadas a manter livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária (parágrafo 2º do art. 26 da LC n.º Fl. 1681DF CARF MF 16 123/06) e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos suporte da escrita. Uma das causas de exclusão do Simples Nacional, aliás, é justamente a constatação de falta de escrituração do livrocaixa ou este não permitir a identificação do fluxo financeiro e bancário da empresa (inciso VIII do art. 29 da LC n.º 123/06). A LC 123/2006 prescreve também, no seu artigo 34, que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. As presunções, como se sabe, são meios de prova previstos no ordenamento jurídico e, desde que previstas em lei, podem ser utilizadas no direito tributário. Tal expediente acaba por exercer papel auxiliador na busca de riqueza (capacidade contributiva) do contribuinte, coibindo práticas e desestimulando condutas que possam implicar abusos ou sonegação. O efeito prático da presunção consiste em inverter o ônus da prova. A regra geral a de que cabe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito, e ao contribuinte o de provar o fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele direito é invertida. Assim, cabe ao fisco demonstrar a existência do fato definido pela lei como necessário e suficiente à subsunção da presunção ao caso concreto, transferindo ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não ocorreu. Nessa situação a fiscalização fundamentou o Auto de Infração na presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 10 17 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000, 00 (oitenta mil reais)." Em se tratando de omissão de receitas fundada na presunção relativa veiculada pelo art. 42 da Lei n" 9.430/1996, cumpre ao fisco produzir a prova da existência de depósitos cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, e incumbe ao contribuinte a prova de que estes depósitos não têm origem em receita ou, se receita, são não tributáveis ou já foram oferecidas à tributação. A fiscalização, portanto, no uso da presunção legal de omissão de receita em face de depósito bancário, deve: (i) identificar os valores creditados; (ii) individualizálos; (iii) excluir os créditos oriundos de transferência ou resgate de contas ou aplicações do mesmo titular; e (iv) intimar o contribuinte a justificar e comprovar a respectiva origem, assegurando lhe o contraditório. Nesse caso concreto, entendo que restou demonstrado que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento cumpriu esses os requisitos. Houve identificação individual dos depósitos bancários credores que poderiam revelar receitas mantidas à margem da escrituração de forma prévia ao lançamento, bem como sucessivas intimações para o contribuinte apresentar comprovação da origem. Na fase de contencioso, a empresa teve nova oportunidade de trazer documentação acerca da origem, mas novamente sem sucesso. Fundada, então, corretamente a pretensão da Fazenda Pública na presunção legal do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, caberia ao sujeito passivo apresentar as provas que pudessem impedir a sua caracterização. Ocorre, entretanto, que o contribuinte não cumpriu o ônus de afastar a presunção legal que milita em seu desfavor, razão pela qual considero correta a imputação de omissão de receitas. Multa qualificada A qualificação da multa (de 75% para 150%), que foi mantida pela decisão recorrida, foi assim motivada no Termo de Constatação Fiscal (fls. 89): 6. SONEGAÇÃO MULTAS QUALIFICADAS A sistemática omissão de receitas de vendas com cartões de débito e crédito caracteriza, em tese, a prática de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64, cujo teor transcrevese na sequência. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 1683DF CARF MF 18 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; li das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Conforme detalhado anteriormente, o CONTRIBUINTE omitiu em suas declarações as receitas das vendas efetuadas com cartões de crédito e débito, bem como deixou de emitir as correspondentes notas ou cupons fiscais, com o evidente intuito de ocultar das autoridades fazendárias a ocorrência dos correspondentes fatos geradores do IRPJ e demais tributos e contribuições abrangidos pelos regimes diferenciados do SIMPLES FEDERAL e do SIMPLES NACIONAL, visando a redução indevida dos tributos e contribuições, bem como para manterse indevidamente dentro desses regimes favorecidos. Cabe, portanto, aplicar multa qualificada sobre os créditos tributários lançados em decorrência da omissão de receitas ora apurada, [...] Como se nota, houve qualificação da multa pelo fato da Recorrente não ter recolhido tributos sobre receitas omitidas, apuradas em face da constatação de saldo credor de caixa e com base em depósitos bancários sem origem comprovada, o que caracterizaria, no entender da fiscalização, sonegação fiscal (cf. art. 71). Para que se possa cogitar a qualificação da multa (de 75% para 150%), no entanto, imprescindível que a autoridade fiscal identifique e comprove a exata ação ou omissão dolosa não só no seu aspecto objetivo (prática de ato ilícito consistente no não pagamento de tributo), mas principalmente no seu aspecto subjetivo (vontade ou intenção de impedir o conhecimento dos fatos). Essas situações normalmente são identificadas através de uso de meios inidôneos para acobertar situações passíveis de tributação ou pela prática de medidas que induzam a erro o trabalho da fiscalização. Tratamse dos ditos atos fraudulentos, que levam ao caminho da sonegação ou evasão fiscal, tais como uso de “notas fiscais frias”, “notas fiscais de favor”, contabilidade paralela, conta bancária não declarada (“Caixa 2”), interposição fraudulenta de pessoas (“laranjas” ou “testas de ferro”), falsidade ideológica, declarações adulteradas, documentos falsos etc. São essas as condutas previstas nos artigos 71 a 73 da Lei 4.502/64, dispositivos estes que conferem natureza penal à aludida penalidade qualificada, prescindindo do elemento dolo à sua caracterização. A CSRF, a propósito, já afastou a multa qualificada justamente em razão da ausência de comprovação dos elementos do dolo. Vejamos a ementa do julgado referido: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 11 19 aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência de fraude ou do evidente intuito desta caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. (Acórdão 910101.402. Sessão de 17 de julho de 2012). Não se pode, portanto, colocar na mesma vala a ocorrência de um ilícito tributário (omissão de receita que gera não pagamento de tributo) com a intenção de impedir o conhecimento desta conduta (dolo). De acordo com as Súmulas do CARF nºs 14 e 25: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Consolidouse, assim, o entendimento de que a omissão de receita que gera o não pagamento de tributo, por si só, não é causa de multa qualificada. E foi justamente essa a infração caracterizada na peça de acusação: omissão de receita sem motivação e comprovação de dolo. Dessa forma, entendo incabível a qualificação da multa, devendo esta ser reduzida à multa de ofício ordinária, de 75%, como determina o artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96: “Artigo 44 Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.” Fl. 1685DF CARF MF 20 Responsabilidade solidária Finalmente, cumpre observar que a justificativa para a qualificação da solidariedade das pessoas físicas Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes restringiuse ao fato deles terem figurados como sócios administradores da Recorrente. Essa foi a motivação do TVF (fls. 90): 7. SONEGAÇÃO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Tendo sido evidenciada a prática de sonegação, nos termos do art. 71 da Lei 4.502/64, cabe responsabilizar pelos créditos tributários ora lançados, de forma solidária e pessoal, os sócios administradores da empresa à época dos fatos geradores, JOSE CARLOS DA PIEDADE NUNES, CPF 183.036.68072, e MARLUCE FERNANDES DE ALBUQUERQUE NUNES, CPF 209.714.27453, conforme consta da FICHA CADASTRAL DA JUCESP anexada às folhas 908 a 910 e dos extratos do CNPJ anexados às folhas 904 a 907. A responsabilidade solidária e pessoal dos sócios administradores é atribuída com base no Inciso I do art. 124 e no Inciso III do art. 135 do CTN, a seguir transcritos, uma vez que os mesmos tinham evidente interesse financeiro no resultado de atos praticados com infração à lei. [...] Nesse sentido, os sócios JOSE CARLOS DA PIEDADE NUNES, CPF 183.036.68072, e MARLUCE FERNANDES DE ALBUQUERQUE NUNES, CPF 209.714.27453, serão cientificados pessoalmente dos créditos tributários ora lançados, mediante encaminhamento de cópia do presente termo e de termos de sujeição passiva solidária, cujas cópias serão anexadas aos processos 13896.000295/201190 e 13896.002288/201041. Pois bem. Segundo o artigo 135 do CTN: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 12 21 Os pressupostos previstos no caput do artigo 135 prática de ato com excesso de poder ou infração de lei ou contrato social não foi objeto de nenhum comentário pela fiscalização na imputação da solidariedade. Ora, se foi o uso indevido ou abusivo do cargo ou função de sócio a causa da caracterização da responsabilidade solidária, deveria a autoridade ao menos ter apontado e motivado qual ato teria sido este, como foi praticado, qual a finalidade, seus efeitos etc, mas nada disso foi feito. O TVF deveria, para valer sua tese de incidência do artigo 135, III, ter demonstrado em que medida os sócios representantes agiram em infração a lei, ou em contrariedade aos limites do desempenho de sua função de gestor. Quer a autoridade fiscal ver prevalecer o Termo de Sujeição Passiva Solidária, mister que ela motive adequadamente o Auto, bem como demonstre a participação direta e consciente daquele que detém poder de representação na realização dos atos alegadamente dolosos, simulados ou fraudulentos. A atribuição de responsabilidade tributária não constitui expediente que possa ser utilizado “por atacado” ou “no modo automático”, uma vez que tal instituto exige a comprovação de que os fatos ou atos que geraram o descumprimento de normas tributárias tenham sido praticados com dolo pela pessoa qualificada como responsável. A mera qualificação de sócio administrador jamais poderia ensejar responsabilidade pessoal ou solidária, ainda mais nesse caso concreto, no qual nunca foi argüida simulação ou fraude na peça acusatória. Nesse contexto, não se pode perder de vista que já foi reconhecido e consolidado pelo STJ, por meio da Súmula 430, que o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente. Esse entendimento foi ratificado em recurso julgado sob o rito do art. 543C do CPC (sistemática de recursos repetitivos), cuja ementa foi assim redigida: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. [...] 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ªSeção, DJ de 28.02.2005).[...]” (Resp 1.101.728/SP, julgado. Dje 23/03/2009). Fl. 1687DF CARF MF 22 A jurisprudência, contudo, firmouse no sentido de que o não pagamento do tributo pela sociedade não é causa suficiente para que seus representantes se tornem responsáveis pelos débitos fiscais. Também a mera qualificação de diretor, gerente ou representante da empresa autuada, desacompanhada de motivação e comprovação de prática de conduta abusiva, não é suficiente para ensejar a responsabilidade pessoal. Não há dúvidas de que os Recorrentes (solidários) exerceram cargos de administração, afinal são sócios assim qualificados, mas isso não significa dizer que eles tenham participado dolosamente de operação para lesar o fisco ou impedir conhecimento de fatos. O não pagamento de tributos sobre receitas omitidas constitui ilícito, mas não ato doloso. São condutas que não se confundem. O dolo existiria se os sócios tivessem empregados meios para impedir o conhecimento da receita, o que nunca foi demonstrado. Diante dessas considerações, e na linha dos precedentes jurisprudenciais mencionados, afasto a imputação da responsabilidade solidária dos sócios com base no artigo 135 do CTN. Diferentemente da responsabilidade tributária do artigo 135, onde terceiros são chamados a responder pela obrigação tributária, sempre que verificadas as condições postas pela legislação, a responsabilidade solidária prevista no artigo 124, I, do CTN também utilizado como base legal , não se dirige a terceiros, isto é, pessoas estranhas à relação jurídica que dá ensejo à obrigação tributária, mas sim às pessoas que efetivamente participam do fato que constitui a hipótese de incidência tributária. As partes coobrigadas devem participar de uma única relação jurídica, da qual em um dos polos apenas figuram as duas partes. Tratase de um pressuposto normativo que não admite restrições. Como já se posicionou o STJ: [...] 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação (STJ REsp nº 884.845 – SC). A responsabilidade solidária constitui meio de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que compõem o polo passivo desde a origem da obrigação. Assim, por Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 13 23 exemplo, ocorre com coproprietários de mercadorias que, vendidas, sujeitamse ao ICMS. Neste caso, existe a solidariedade, pois ambos estão no mesmo polo da relação (são vendedores). Na hipótese, porém, de faltar esta equivalência caso do usuário final que compra mercadoria com preço abaixo do mercado , não há que se falar em interesse jurídico e, conseqüentemente, imputar a responsabilidade por interesse comum. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. Também a utilização da responsabilidade solidária como espécie de “sanção” a determinada pessoa que teria “contribuído” com dada operação ou estrutura não é cabível do ponto de vista jurídico. O interesse comum de que trata o artigo 124, inciso I do CTN é sempre jurídico, não devendo ser confundido com “interesse econômico”, “sanção”, “meio de justiça” etc. Não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja mandatário, acionista, sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. Pelo contrário, é imprescindível a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária. Destacase, aqui, a noção correlata entre interesse comum e confusão patrimonial. Assim, quando restar caracterizada a confusão patrimonial entre os dois ou mais sujeitos, cabível a aplicação da responsabilidade solidária por interesse comum. A expressão “confusão patrimonial” é inerente a teoria da desconsideração da personalidade jurídica do direito privado. O artigo 50 do Código Civil, por exemplo, assim dispõe: “em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. Confundir consiste no ato ou efeito de enganar, de iludir, enfim, aparentar ser. Na prática, ocorre a confusão patrimonial quando não é possível uma segregação clara entre as atividades profissionais ou empresarias exercidas por mais de um sujeito. Tal fenômeno costuma se revelar quando os negócios dos sócios se confundem com os da pessoa jurídica; quando há abuso dentro de um mesmo grupo econômico; quando as partes se valem de pessoas interpostas etc. Fl. 1689DF CARF MF 24 A existência ou não de confusão patrimonial depende de cada situação fática, mas é possível identificar alguns indícios comuns que podem levar a esta constatação. São eles, sem prejuízos de eventuais outros: 1 a capacidade dos sócios; 2 a coincidência de administradores e/ou procuradores; 3 gestão única do negócio; 4 semelhança de atividades; 5 identidade de endereço; 6 empregados comuns; estrutura operacional dependente; 7 incapacidade econômica; 8 benefício financeiro; e 9 impacto da carga tributária. Apenas com a reunião de indícios precisos e convergentes, capazes de caracterizar a confusão patrimonial como um todo, é que estaremos no campo do interesse comum, em seu sentido jurídico e, conseqüentemente, da responsabilidade solidária. Trazendo essas considerações ao presente caso, afasto a sujeição passiva dos sócios administradores (Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes), uma vez que, não bastasse o vício na motivação, os elementos constantes dos autos não demonstram nenhuma confusão patrimonial. Não há, no trabalho fiscal, prova ou indício de que os sócios e administradores teriam auferido qualquer vantagem adicional ou que tenham abusado de poder de comando na estrutura empresarial. O simples fato do solidário ser sócio ou administrador não revela qualquer interesse comum. É evidente que o sócio pretende auferir lucros e tirar proveitos econômicos de seu investimento. Essa é a razão de empreender e o que move a atividade econômica e a livre iniciativa. Mas daí concluir que qualquer ato de gestão implica interesse comum ou confusão patrimonial, entendo existir um verdadeiro abismo. Os sócios são pessoas que não se confundem com a empresa que investem. O Direito assim determina. Admitir o contrário significa violar o "instituto da personalidade jurídica" e permitir a estranha presunção de confusão patrimonial entre sócio e empresa, o que não se sustenta. Conforme restou assentado em precedente do STF3, “não é dado ao legislador estabelecer confusão entre os patrimônios das pessoas física e jurídica, o que, além de impor desconsideração ex lege e objetiva da personalidade jurídica, descaracterizando as sociedades limitadas, implica irrazoabilidade e inibe a iniciativa privada”. Nesses termos, afasto o enquadramento da responsabilidade por interesse comum. Da exclusão do Simples O momento a partir do qual surte os efeitos da exclusão do Simples Nacional foi fixado pela própria LC 123, de 2006, merecendo destaques os comandos previstos no art. 3o, § 10 o e artigo 29, I, VIII e XI, verbis: § 10. A microempresa e a empresa de pequeno porte que no decurso do anocalendário de início de atividade ultrapassarem 3 STF. RE 562.276. Plenário, 03/11/2010. Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 13896.002288/201041 Acórdão n.º 1201002.371 S1C2T1 Fl. 14 25 o limite de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse período estarão excluídas do regime desta Lei Complementar, com efeitos retroativos ao início de suas atividades. Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: I verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória; ... VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; ... XI houver descumprimento da obrigação contida no inciso I do caput do art. 26 desta Lei Complementar; ... § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anoscalendário seguintes. Como bem notou a decisão recorrida: não refutada hipótese de exclusão identificada pela Fiscalização (falta de Livro Caixa), incabível a pretensão de discutir, na esfera administrativa, o momento a partir do qual produz efeito a exclusão, pois, como visto, decorre de previsão contida em Lei regularmente inserida no ordenamento jurídico, de observância obrigatória pela administração tributária. Ademais, cumpre notar que a lei veda a participação no Simples de pessoa jurídica que tenha auferido, no anocalendário de 2007, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais). Nesse contexto, cumpre observar outra circunstância material que enseja a exclusão, qual seja, a percepção de receita bruta superior, conforme demonstrado no termo de verificação fiscal (item 2), extrapolando o limite legal. Correta, portanto, a exclusão do contribuinte do Simples, devendo ser mantido o Ato Declaratório Executivo BRE/SECAT nº 37/2010. Conclusão Fl. 1691DF CARF MF 26 Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO aos RECURSOS VOLUNTÁRIOS para: (i) afastar a multa qualificada, reduzindoa de 150% para 75%; e (ii) afastar a responsabilidade solidária dos Recorrentes Jose Carlos da Piedade Nunes e Marluce Fernandes de Albuquerque Nunes. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 1692DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.727214/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não constatada a omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3301-005.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não constatada a omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos declaratórios. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 72 14 /2 01 3- 31 Fl. 507291DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.292 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte face a decisão proferida no Acórdão nº 3301003.169, de 26 de janeiro de 2017, da 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento do CARF. Com o intuito de elucidar o caso e por economia processual cito o relatório do acórdão ora embargado: Tratase de Recurso Voluntário interposto, pelo Contribuinte (fls. 506.096 a 506.170), contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0128.935 (fls. 506.036 a 506.074), de 01 de abril de 2014, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) – DRJ/BEL – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do ora recorrido Acórdão: Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o estabelecimento acima identificado, em que foi lançado crédito tributário no valor total de R$ 1.482.413.478,65, incluídos nesse valor o IPI referente aos períodos de apuração dos anos de 2008 a 2010, multa proporcional, multa isolada, multa regulamentar e juros de mora, conforme demonstrativo de fl. 505.625. Foram apuradas as seguintes infrações: a) Falta de lançamento do imposto nas saídas de produtos tributados, por não haver o estabelecimento considerado na base de cálculo o valor real praticado nas operações; b) Utilização indevida de créditos relativos a devoluções não comprovadas; c) Considerando que a empresa é obrigada à utilização de sistema de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras e escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil, a mesma não mantinha à disposição da Receita Federal os arquivos digitais relativos ao livro Registro de Controle de Produção e Estoque (multa regulamentar). 2. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 505.352/505.623, parte integrante do auto, devem ser destacados os seguintes pontos: a) A denominação social da pessoa jurídica fiscalizada era, desde 2007, Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza Ltda, assim permanecendo até sua incorporação pela Unilever Brasil Industrial Ltda (UBI) 01 de julho de 2010, quando transformou se numa filial desta última. b) A empresa pertence ao grupo Unilever, sendo seus dirigentes nos períodos fiscalizados os mesmos da empresa mãe do grupo no País, Unilever Brasil Ltda. (UB); c) No período fiscalizado o estabelecimento industrializou diversas marcas de xampus, condicionadores, pastas de dentes e desodorantes, estando tais produtos classificados nas posições 3305.10.00 (7%), 3305.90.00 (Ex 01 7%), 3306.10.00 (0%) e 3307.20.10 (7%) da Tabela de Incidência do IPI (TIPI), respectivamente. Em menores quantidades, foram fabricados outros produtos de higiene e cuidados pessoais, tais como, cremes hidratantes (3304.99.90 22%), preparados bronzeadores (3304.99.90, Ex 1 12%), sabonetes líquidos (3401.30.00 10%), cremes para cabelo 3305.90.00 Ex 1 (22%), e desodorantes não líquidos (3307.20.90 7%); Fl. 507292DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.293 3 d) A partir de julho/2010, com a incorporação pela UBI, o estabelecimento também industrializou amaciantes de roupas (3809.91.90 0%), detergentes líquidos para lavagem de roupa e para limpeza doméstica (3402.20.00 5%), água sanitária (2828.90.11 0%), desinfetantes (3808.94.29 5%) e, em menores quantidades, preparações para máquina de lavar louças (3802.90.39 5%), saponáceos (3405.40.00 10%) e esponjas (3924.90.00 10%); e) O contribuinte também efetuou importações de desodorantes, classificados na posição 3307.20.10 (7%), sempre da Unilever de Argentina S.A., havendo alguns registros referentes à importação de desodorantes da Unilever HPC USA (posição 3307.20.90 7%) f) No que se refere às saídas, a fiscalização afirma que a maior parte foi destinada ao território nacional, tendo como destinatários estabelecimentos da UB. Destaca a particularidade das saídas interestaduais, quando primeiramente os produtos eram remetidos ao depósito fechado da empresa industrial e de lá seguiam para os Centros de Distribuição da Unilever localizados fora do estado de São Paulo; g) Já nas operações dentro do estado de São Paulo, as notas fiscais de saída de produtos acabados indicam um único destinatário, que seria o estabelecimento da UB em Louveira SP, situado no mesmo endereço do depósito fechado acima citado. Este estabelecimento, isoladamente, foi o destinatário direto de aproximadamente 83% do valor total das saídas nacionais no período de janeiro/2008 a dezembro/2010, tendo sido informado para o mesmo nas DIPJ’s do período a CNAE 46.494/08 Comércio atacadista de produtos de higiene, limpeza e conservação domiciliar; h) Por sua vez, os produtos recebidos pela UB em Louveira eram remetidos para estabelecimentos comerciais de terceiros, por meio de notas fiscais em que constam CFOP correspondentes à revenda de mercadorias e sem o destaque do IPI, uma vez que o estabelecimento interdependente não se equiparou a industrial nestas operações. O mesmo ocorreu com relação aos produtos recebidos pelos estabelecimentos da Unilever Brasil localizados em outros Estados; i) No que se refere à base de cálculo utilizada nas saídas, a fiscalização apurou, ao comparar as saídas do estabelecimento fiscalizado e, em seguida, do estabelecimento da UB de Louveira e nos demais pontos do País, “que os valores unitários indicados nas notas fiscais de saída emitidas pelo estabelecimento industrial/importador, com destaque do IPI, representavam, em média, apenas um terço dos valores unitários de produtos idênticos nas notas fiscais referentes às saídas promovidas pelo estabelecimento da firma interdependente para terceiros, emitidas sem o destaque do IPI”; j) Após diversas intimações contendo questionamentos acerca da formação dos preços de venda, a fiscalização apura que a impugnante desconsiderou na composição da base de cálculo do IPI, os custos financeiros, de venda, administração e publicidade e a margem de lucro normal e, no caso das importações, não especifica o custo de aquisição e informa o valor dos impostos equivalentes a percentuais de 23 % a 32% sobre o que chama de preço total. Segundo a autoridade fiscal, nas importações de desodorantes efetuadas pelo estabelecimento, os tributos pagos por ocasião do desembaraço aduaneiro, considerados apenas os que compõem o valor total dos produtos, representaram 45% do valor aduaneiro; k) Ainda com relação aos importados, foi observado que, na maior parte das operações praticadas, o valor unitário constante na nota fiscal de saída é inferior ao valor de importação acrescido dos tributos, frete nacional e despesas acessórias e, em muitos casos, ao valor unitário indicado no documento fiscal relativo à entrada, sem quaisquer acréscimos, conforme exemplos nas fls. 505.373/505.374. Em Fl. 507293DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.294 4 consequência, se somados o frete, as despesas acessórias e os tributos devidos na importação, exceto o IPI, em 64% dos itens importados o valor unitário de saída esteve abaixo do valor de importação com os acréscimos devidos, e em 70% foi menor ou, no máximo, igual; l) Depois de citar depoimento de dirigente da empresa, indica haver ficado “claramente evidenciado que os dirigentes da pessoa jurídica têm consciência de que estavam desobedecendo à determinação legal de utilizar o valor mínimo tributável nas saídas para estabelecimentos de firma interdependente, conforme previsto na legislação do IPI. Aliás, cabe reiterar, os dirigentes das pessoas jurídicas, remetente e destinatária dos produtos, são os mesmos”; m) “Concretamente, como ficará demonstrado ao longo deste Termo, Unilever Brasil Industrial (antiga Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza) e Unilever Brasil atuam como uma só unidade econômica. E pelas informações apresentadas pelo estabelecimento fiscalizado, este não obtém, nem pretende obter, qualquer lucro nas operações de industrialização ou importação. E, o mais importante, os preços praticados entre as pessoas jurídicas dessa unidade econômica não são praticados com terceiros. Com estes, as operações não seguem o mesmo padrão.”; n) Tece comentários acerca dos contratos de fornecimento firmados entre a impugnante e a UB: “Nos Acordos de Fornecimento consta, como se viu, ‘que os preços serão negociados entre as Partes’, e nada mais há sobre estes. (...) ........ Os critérios de formação de ‘preços’ expressos na planilha referente às operações intercompanhias e a ausência de contratos com conteúdos específicos e intrínsecos às negociações entre as empresas são dois componentes da mesma lógica. Segundo informa a fiscalizada, os valores de saída dos produtos do estabelecimento industrial consideram basicamente os custos de insumos e fabricação. Não são considerados os custos financeiros, de venda, administração e publicidade e, principalmente, não existe qualquer margem de lucro, seja normal ou anormal. Dentro destes critérios, que negociação poderia haver? Não existem operações caracterizadas como de ‘compra e venda’ entre o estabelecimento industrial e a Unilever Brasil. Deste ponto de vista, faz sentido que também não existam típicos contratos de compra e venda, mas apenas Acordos de Fornecimento de mercadorias. Digase, fornecimento a ‘preço de custo’. .... É emblemático que os mesmos diretores assinem por ambas as ‘Partes’. E, ainda mais emblemática, além de muito grave, é a constatação relatada nos parágrafos seguintes que, em tese, caracteriza crime previsto no Código Penal Brasileiro. Nos instrumentos denominados ‘ACORDO DE FORNECIMENTO’ não há identificação dos signatários que representam as respectivas pessoas jurídicas motivo pelo qual o contribuinte foi intimado a identificálos. Segundo informado posteriormente pelo contribuinte, são Antonio Fernando Conde, Diretor Financeiro Supply Chain e Milton Luis Nascimento Brandt, Diretor Financeiro. Nos dois contratos, ambos assinam pelas duas pessoas jurídicas contratantes (fls. 1131 e 1134). Porém, Antonio Fernando Conde e Milton Luis Nascimento Brandt não constam como diretores estatutários em nenhum dos Contratos Sociais das pessoas jurídicas contratantes.(...) Fl. 507294DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.295 5 Outra constatação grave: segundo as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, apresentadas pela Unilever Brasil Ltda, um dos signatários dos instrumentos, Milton Luís Nascimento Brandt, não consta como funcionário quando foram assinados os dois Acordos de Fornecimento, em 01 de fevereiro e 03 de março de 2008. Segundo a GFIP, Milton Brandt foi admitido em 1996, mas, por um período não constou do quadro de funcionários da Unilever Brasil. Passou a constar da relação de funcionários da empresa sob a ocupação (CBO) de Diretor Administrativo e Financeiro a partir de julho de 2008 (fls. 51.294/465 e 51.466/612). .....” o) Sobre os contratos de empréstimo e gestão de pagamentos e recebimentos formalizados entre as mesmas partes, e o sistema de compensações e o caixa único do grupo: “Os fatos aqui expostos e aqueles relatados no tópico seguinte demonstram ser a empresamãe do grupo Unilever, a financiadora das atividades operacionais da unidade industrial. A fiscalizada, na prática, não possui autonomia financeira, opera com recursos da Unilever Brasil. Neste sentido, os dois tipos de contrato o ‘CONTRATO DE EMPRÉSTIMO QUE ENTRE SI FAZEM’ ou o ‘CONTRATO DE GESTÃO DE PAGAMENTOS E RECEBIMENTOS’ têm o mesmo objetivo. Buscam dar cobertura jurídica às transferências de recursos financeiros da empresamãe à unidade industrial e, no sentido inverso, de produtos enviados da indústria, supostamente, para a Unilever Brasil. No primeiro caso, a cobertura visa atender ao pagamento de bens ou serviços cujos recursos, conforme o entendimento da direção do grupo econômico, precisam sair do caixa da indústria, como por exemplo, nas coberturas cambiais ou pagamento de tributos; transferese o recurso para a indústria que fará o pagamento. No segundo, a cobertura é orientada para o pagamento de bens e serviços por meio do chamado ‘caixa único’ do grupo econômico, na verdade, caixa da empresamãe. Dito de outro modo, no primeiro caso, buscase a cobertura jurídica ao pagamento indireto, pela Unilever Brasil, dos gastos efetuados pela unidade industrial, e no segundo, ao pagamento direto. ....... Tem especial relevância, conforme demonstrado, a circunstância de não haver pagamento em dinheiro pelos produtos enviados da unidade industrial para a Unilever Brasil. Tem também repercussões sobre a natureza das operações praticadas entre as empresas do grupo. Naquele mesmo momento em que a fiscalizada citou dispositivos do Código Civil que considerou serem ‘previsões sobre a liberdade negocial entre as partes’, também transcreveu o art. 481 que conceitua contrato de compra e venda. O conceito de contrato de compra e venda, entretanto, à luz das circunstâncias presentes, não se aplica às operações da fiscalizada. ...... Neste sentido, podese dizer que a unidade industrial não tem receitas próprias e quem financia a maior parte de suas atividades operacionais é a Unilever Brasil. Esta efetiva o pagamento dos custos e despesas da indústria a partir de suas contas correntes bancárias. Quando, eventualmente, os pagamentos precisam passar pelo ‘caixa’ do próprio estabelecimento Fl. 507295DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.296 6 industrial, são utilizados recursos dos empréstimos obtidos da empresamãe, como no caso das importações. Não estamos diante de uma relação normal, para os padrões de mercado, entre duas pessoas jurídicas distintas e autônomas. O sistema de compensações do grupo Unilever reflete a natureza da relação acentuadamente assimétrica entre duas firmas interdependentes, no caso concreto, semelhante à relação de uma matriz com suas filiais. Até onde se pode enxergar, o sistema de compensação abrange todo o universo de operações da unidade industrial. A contabilidade da fiscalizada, vista logo adiante, confirma esta análise. ..... Confirmase o que foi dito, quando a unidade industrial dá saída aos produtos acabados com destino aos estabelecimentos da Unilever Brasil, não recebe qualquer pagamento em dinheiro, mas lança em sua contabilidade um "direito" que será compensado com as obrigações contraídas com a empresa mãe do grupo econômico. Tratemos, então, dessas obrigações. (a fiscalização cita exemplos de lançamentos contábeis referentes às transações entre as empresas, onde desta a utilização do sistema de compensações) (...) A Unilever Brasil banca todos os custos da empresa industrial, paga quase todas as suas despesas, quita a folha de pessoal. A empresamãe paga até a matéria prima adquirida para o estabelecimento industrial. E, segundo este esquema, a empresa industrial ‘compensa’ o pagamento destes itens com a remessa de produtos acabados. ....” p) Em seguida a fiscalização destaca a inexistência de negociação de preços nas saídas para as firmas interdependentes, afirmando que inexistem as relatadas “vendas” da UBI à UB; q) Relata visitas à filial de UB em Louveira, tendo constatado que se trata de um local para armazenagem de produtos, operado pela DHL LOGISTICS BRAZIL LTDA, que é responsável pela execução das atividades e administração do próprio estabelecimento. Atesta: “Conforme relatado nos tópicos imediatamente anteriores, verificouse, in loco,que, no estabelecimento de Louveira, não havia funcionários da Unilever em atividades de vendas de produtos, no sentido estrito, ou de comercialização de mercadorias no sentido mais geral. Só havia funcionários em atividades de logística, exercendo a supervisão das tarefas executadas pela DHL.”; r) Constata a existência formal no mesmo endereço de outros estabelecimentos da UB e da UBI, além da DHL, inexistindo entrada própria, paredes, cercas ou qualquer outra forma de isolamento que permita configurar estabelecimentos diversos, entendendo que “a confusão provocada por estabelecimentos num único prédio, superpostos no mesmo espaço, visa mascarar a natureza de depósito fechado do CD de Louveira e, como veremos adiante, dos demais Centros de Distribuição espalhados pelo País.”. Acrescenta: “Na prática, a coexistência de vários estabelecimentos, supostamente distintos, pertencentes a pessoas jurídicas diversas, também inviabiliza alguns controles do Fisco a que todos os contribuintes estão sujeitos. Um bom exemplo é o controle físico do estoque. Como pode o Fisco efetuar o levantamento físico do estoque se, no mesmo espaço, estão depositados Fl. 507296DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.297 7 produtos pertencentes a mais de uma pessoa jurídica? E como tributar adequadamente, sem aferir os produtos e as respectivas quantidades? Outro exemplo reside na impossibilidade de saber, exatamente, qual foi o estabelecimento destinatário de determinado produto, o depósito da Unilever Brasil ou o depósito da Unilever Brasil Industrial? Como saber de qual estabelecimento, efetivamente, saiu determinado produto? O Fisco deve confiar na ‘segregação fiscal’ do contribuinte sem poder checála? E os produtos importados pelo estabelecimento industrial e que sequer ingressam neste, sendo remetidos diretamente para Louveira? Ingressam efetivamente em qual ‘estabelecimento’, na fictícia comercial atacadista da Unilever Brasil ou no depósito fechado da empresa industrial, que consta formalmente como importadora? Estaria havendo, neste caso, ocultação do real importador?” s) Referese aos contrato de locação onde são locatárias do mesmo imóvel a UB e a UBI, restando configurada a confusão patrimonial, principalmente ao não ser explicitado no contrato a distribuição do ônus entre a locatárias; t) A fiscalização procura em seguida analisar a atuação do centro de distribuição da UB em Louveira afirmando que toda a área do imóvel é destinada à armazenagem e movimentação de produtos executadas pela DHL (incorporadora da Exel do Brasil), por meio dos seus próprios funcionários e equipamentos (inclusive emissão de notas fiscais), em que pese o contrato de cessão de áreas feito pelas locatárias UB e UBI com a DHL prever apenas parte da mesma; u) “A presença da Exel do Brasil desde o início das atividades do estabelecimento, por si só, já indica a natureza das atividades que seriam ali desenvolvidas, típicas de um depósito. Contudo, a Unilever Brasil informou ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, em relação à filial 0307, a natureza de estabelecimento comercial atacadista.”; v) “Diante desta incontestável realidade, por que, então, teria a Unilever apresentado nas Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), por meio das quais, informou a existência de várias centenas de funcionários na filial de Louveira? Obviamente, para simular a natureza do estabelecimento de CNPJ 61.068.276/030780 e fazer parecer que ali existia um comercial atacadista.”; w) “A legislação do IPI define ‘depósito fechado’ como ‘aquele em que não se realizam vendas, mas apenas entregas por ordem do depositante dos produtos’. E justamente o caso do estabelecimento de Louveira, situado à Avenida José Luiz Mazzali, 450.”; x) “A exemplo do CD de Louveira, os demais Centros de Distribuição da Unilever também exercem atividades típicas de depósito, que são executadas por um operador logístico especialmente contratado.”; y) “As exceções ficam por conta dos Centros de Distribuição de produtos HPC localizados no Rio de Janeiro e em Ipojuca (PE), cujos quadros funcionais são um pouco diferentes, uma vez que também incluem funções de vendas. No período de 2008 a 2010, os Centros de Distribuição do Rio de Janeiro e Ipojuca foram destinatários de, apenas, 1,6% e 2,1%, respectivamente, das saídas de produtos HPC promovidas pelo estabelecimento industrial fiscalizado.”; z) Prosseguindo, a fiscalização aborda as saídas de mercadorias a terceiros não interdependentes: Fl. 507297DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.298 8 “Viuse, em tópico anterior, que à luz dos fatos e do direito, não é possível caracterizar as saídas promovidas pela unidade industrial aos Centros de Distribuição, como operações de vendas, pelos motivos já expostos: não há pagamento em dinheiro; os preços são fixados unilateralmente pela suposta ‘compradora’, a empresamãe do grupo econômico que, não por acaso, suporta todos os custos das atividades da unidade industrial; os instrumentos que deveriam definir as condições de compra e venda entre as duas empresas (‘Acordos de Fornecimento’) foram forjados; e, principalmente, não há propósito negocial em supostas ‘vendas’ que se realizariam por, apenas, um terço do valor de mercado, situação absolutamente inviável pelas regras de mercado, em que não estivessem em cada um dos pólos da transação empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico. Demonstrouse, também, que o principal Centro de Distribuição da Unilever , localizado em Louveira, é tão somente um enorme depósito, operado por uma empresa de logística, onde não se realizam atividades de comercialização de mercadorias, mas, simplesmente armazenagem compartilhada de produtos de higiene pessoal e limpeza, bem como alimentícios. Estruturas semelhantes, em menor proporção, reproduzemse nos demais Centros de Distribuição localizados fora do Estado de São Paulo. Assim, na busca por esclarecer os diversos aspectos das saídas de produtos promovidas pelas empresas do grupo Unilever a terceiros não interdependentes, foram emitidas intimações fiscais e colhidos depoimentos de funcionários e exfuncionários, conforme relatado a seguir. (relata uma série de depoimentos de funcionários) ........”; aa) “Os fatos relatados neste Termo, interpretados em seu conjunto, revelam o plano de ações elaborado pela direção do grupo Unilever com o único objetivo de reduzir substancialmente o pagamento de tributos indiretos. O plano foi montado e executado, passo a passo, e o fim desejado foi obtido. Entretanto, na trajetória pela consecução de seu objetivo, a Unilever confrontou a finalidade do ordenamento jurídico tributário e incorreu em diversas ilicitudes, como se verá a seguir.”; bb) “No plano meramente formal, foram emitidas notas fiscais correspondentes a vendas aos estabelecimentos da Unilever Brasil, supostamente comerciais atacadistas, mas, no plano material, houve simples remessa dos produtos para depósitos fechados da própria indústria, conforme fartamente demonstrado. Na saída para estabelecimentos de terceiros não interdependentes, funcionários do operador logístico do respectivo depósito, emitem notas fiscais em nome da Unilever Brasil com o valor real da operação de comercialização. Portanto, o mecanismo utilizado para a redução da base de cálculo do imposto foi a simulação de uma operação de comercialização entre o estabelecimento industrial e os supostos comerciais atacadistas da empresamãe. É perfeitamente cabível a utilização da expressão ‘supostos comerciais atacadistas’ porque estes inexistem, como também restou demonstrado.” cc) “Esta etapa de comercialização, entre a indústria e uma comercial atacadista, não existe no plano real. Mas é sob esta ficção que os valores dos produtos triplicam. Como se viu, a simulação ocupou papel central no planejamento evasivo executado pelo grupo econômico, ao lado de outras ilicitudes constatadas, conforme relatado ao longo deste Termo.” dd) “Uma vez que não existiram operações de comercialização entre o estabelecimento industrial e comerciais atacadistas da Unilever Brasil, foram considerados, para fins de tributação do IPI, as quantidades e valores dos produtos Fl. 507298DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.299 9 saídos dos Centros de Distribuição da Unilever cuja natureza é de depósito fechado aos terceiros não interdependentes.” ee) “Também foi apurada a falta de recolhimento do IPI, em virtude da utilização indevida de créditos por devoluções não comprovadas pelo contribuinte e infração relativa à não apresentação de arquivos digitais relativos. Estas infrações foram tratadas adiante, em tópicos específicos.”; ff) Sobre o não atendimento à forma e não cumprimento do prazo na apresentação de registros e arquivos digitais: “(...) a fiscalizada demorou 73 dias para apresentar os arquivos digitais dos livros Registro de Controle de Produção e do Estoque modelo 3 referentes aos anos de 2008, 2009 e 2010. Considerados o prazo inicial previsto no Termo de Intimação Fiscal de 24 de maio de 2013, as prorrogações e a intimação reiterativa de 03 de julho, teve, ao total, 50 (cinquenta) dias para apresentação dos arquivos digitais correspondentes. Apresentou, no quinquagésimo primeiro dia, arquivos digitais que não permitiam o seu processamento e análise. E, somente apresentou os arquivos digitais no formato solicitado 23 (vinte e três) dias após o prazo final. A inobservância da obrigação de manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, sujeita o contribuinte à imposição de penalidades, de acordo com o artigo 12 da Lei 8.218/91: (...) .... Ficou plenamente evidenciado que a fiscalizada não mantinha à disposição da Secretaria da Receita Federal, os arquivos digitais correspondentes aos livros Registro de Controle da Produção e do Estoque, razão que deu origem, primeiro, à apresentação sem atendimento à forma exigida e com atraso e, em 09 de agosto de 2013, no formato exigido e com atraso ainda maior. Neste caso, foram configuradas as hipóteses previstas nos incisos I e III do artigo 12 da Lei 8.218/91. Não obstante, uma vez que os arquivos no formato exigido foram apresentados em 09 de agosto de 2013, com atraso de 23 dias, aplicase, somente, a multa pelo descumprimento do prazo (inciso III do citado dispositivo), incidente sobre a receita bruta da pessoa jurídica no período.” gg) Com referência aos créditos indevidos por devoluções não comprovadas a fiscalização afirma que após várias intimações a impugnante não conseguiu atender os requerimentos efetuados, conforme relatado no Termo, nas fls. 505597 a 505607; hh) Além disso, a fiscalização atesta que muitas das notas fiscais relativas às supostas operações de devoluções indicam peso dos volumes incompatível com a capacidade de carga de veículos rodoviários: “A capacidade de carga de um caminhão que dispõe de três eixos é de aproximadamente 12 mil kg; em um veículo do tipo ‘cavalo’ e ‘carreta’, é aproximadamente o dobro. Contudo, as notas fiscais de devolução emitidas pelo estabelecimento inscrito no CNPJ sob n° 61.068.276/030780 em que o destinatário é o estabelecimento industrial fiscalizado, chegam a indicar algumas centenas de toneladas de peso. Uma das notas fiscais localizadas por esta Fiscalização indica impressionantes 477.263 kg (quatrocentos e setenta e sete mil, duzentos e sessenta e três mil quilogramas) de peso bruto.” ii) Ainda sobre o transporte em devolução: “Nas notas fiscais de devolução não constam as informações do campo transportador, em todos os anos verificados. Tal Fl. 507299DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.300 10 prática contraria o disposto no Regulamento do IPI, particularmente com relação aos requisitos obrigatórios da nota fiscal (...)”; jj) Acerca do cumprimento de exigências do Regulamento do IPI por parte do estabelecimento que fez as devoluções: “Ocorre que, em grande parte das notas fiscais de devolução emitidas pela Unilever Brasil, especialmente durante o ano de 2008, não há qualquer indicação relativa ao documento fiscal que deu cobertura à saída originária do estabelecimento industrial. Nos casos em que há alguma referência à(s) nota(s) fiscal(is) originária(s), esta se resume ao número e data de emissão. A Unilever optou por ignorar a indicação do valor da operação constante do documento originário, o imposto relativo às quantidades devolvidas e a causa da devolução. Ademais, conforme já relatado, o estabelecimento industrial fiscalizado declarou o extravio de, nada menos que, 793 (setecentos e noventa e três) notas fiscais que alega serem correspondentes às saídas originárias. Tornase, pois, impossível comprovar qualquer vinculação entre as notas fiscais de devolução emitidas pela Unilever Brasil e as saídas originárias ocorridas do estabelecimento industrial. A Unilever Brasil também optou por ignorar a obrigatoriedade regulamentar de indicar a causa das devoluções. A fiscalizada, por sua vez, pertencente ao mesmo grupo econômico, ignorou informála à Fiscalização. A obrigatoriedade mencionada também se encontra no dispositivo acima transcrito do Regulamento do IPI.”; kk) Da mesma forma, a fiscalização trata do cumprimento de exigências do Regulamento do IPI por parte do estabelecimento que recebe os produtos: “O estabelecimento industrial fiscalizado não menciona as devoluções nas notas fiscais originárias conservadas em seus arquivos, conforme se verifica pelas que foram apresentadas à Fiscalização. O estabelecimento recebedor também não havia escriturado o livro Registro de Controle da Produção e Estoque, nem mantinha os arquivos à disposição do Fisco, conforme prevê a legislação. Teve 50 (cinquenta) dias de prazo para apresentação do livro, mas, só o fez, passados 73 (setenta e três dias) da intimação inicial. Apresentouo, portanto, 23 (vinte e três dias) após o prazo final. Os registros contábeis da fiscalizada perdem o sentido prático no caso aqui discutido. Há que se considerar que as operações ocorrem entre empresas interdependentes, que não há pagamento em dinheiro pelas saídas, mas meramente o registro contábil das operações, e, o mais importante, o estabelecimento industrial e a empresamãe formam uma só unidade econômica.” ll) Prosseguindo com as notas de devoluções, comenta outras irregularidades: “Do confronto entre os arquivos digitais com os dados dos documentos fiscais, fornecidos pelo estabelecimento industrial, e as notas fiscais de devolução originais emitidas pela Unilever Brasil, verificase que, em muitos casos, as datas de movimento não conferem. Especialmente, nas notas fiscais originais, emitidas em 31 de janeiro de 2008, consta, como data de saída do estabelecimento que teria devolvido os Fl. 507300DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.301 11 produtos, o dia seguinte (01 de fevereiro de 2008), enquanto, nos arquivos digitais, consta o mesmo dia da emissão. A data de movimento referente à nota fiscal n° 114513, também de suposta devolução, consta, nos arquivos digitais, como sendo 18/01/2010. Na nota fiscal de devolução original (fls. 3.334 e segs.), a data de movimento é o dia 20 de dezembro de 2004. A fiscalizada registrou esta nota como se os produtos houvessem ingressado, em retorno, no estabelecimento em janeiro de 2010 (fls. 58.808/59.050) . As fiscais de saída originárias também seriam de 2004.” mm) Feita a glosa das devoluções não comprovadas, a fiscalização efetuo a reconstituição da escrita fiscal do estabelecimento acrescentando aos valores originais do Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI), os débitos e créditos apurados; nn) Diante do exposto, a fiscalização considerou a existência de fraude, sonegação e o conluio nos atos praticados, aplicando a multa qualificada ao crédito tributário apurado; oo) Por fim, foi lavrado Termo de Responsabilidade Solidária para a empresa Unilever Brasil Ltda, tendo em vista que, segundo a autoridade fiscal, a impugnante não possui autonomia decisória, gerencial e financeira. Quem banca as atividades do estabelecimento fiscalizado é a UNILEVER BRASIL, arcando com custos de toda ordem, conforme demonstrado. 3. Cientificadas em 26.12.2013 (fl. 505.677 Auto e fl. 505.624 Termo de Sujeição), as interessadas apresentaram, tempestivamente, em 24.01.2014, impugnação na qual alegam: a) Inexistir a responsabilidade solidária da Unilever do Brasil Ltda, por “inexistir interesse comum da UBR nas vendas realizadas pela Requerente (pois, afinal, tratamse de pessoas jurídicas distintas), bem inexistir regra legal que responsabilize a UBR por eventuais débitos fiscais da Requerente pelo simples fato de a UBR deter quotas representativas do capital social da Requerente”; b) Com relação aos fatos relatados, argumenta: “..... 22. Ocorre, contudo, que não há clareza quanto à regra que a D. Fiscalização pretendeu aplicar à Requerente, pois, se por um lado a D. Fiscalização inclui a argumentação acima no TVF, por outro lado, deixa de informar no TVF e nos Autos de Infração se está, ou não, efetivamente desconsiderando a personalidade jurídica da Requerente e da UBR (muito embora essa seja o efeito prático que pretende obter por meio dos Autos de Infração), bem como não indica o artigo 116 do Código Tributário Nacional (‘CTN’). e tampouco os artigos 167 (simulação) e 187 (abuso de direito) do Código Civil, como capitulação das supostas infrações descritas nos Autos de Infração. ......... 24. Ora, não se admite uma conduta vacilante da D. Fiscalização, que argumenta apenas de acordo com a sua conveniência, tecendo conjecturas até o limite do que considera útil para amparar as suas alegações, mas sem reconhecer as fragilidades de cada linha de raciocínio. 25. Em outras palavras, se, por um lado, o fisco entende que a Requerente e a UBR seriam, de fato, uma mesma pessoa jurídica (como sugere na fl. 34 do TVF), então a discussão de mérito não trata propriamente da apuração do Fl. 507301DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.302 12 IPI nas operações realizadas entre o Estabelecimento Industrial e o Estabelecimento 0307, mas sim da necessidade de comprovação da alegada confusão patrimonial entre Requerente e UBR. 26. Nesse caso, portanto, a D. Fiscalização deveria ter demonstrado como duas pessoas jurídicas distintas, e que realizam atividades operacionais absolutamente distintas (industrialização e comercialização), poderiam ser consideradas uma mesma pessoa jurídica apenas com base em operações realizadas por alguns de seus estabelecimentos. 27. Por outro lado, caso o fisco entenda que o Estabelecimento Industrial e o Estabelecimento 0307 da UBR incorrem na regra de interdependência prevista no artigo 520 do RIPI/02 (atual artigo 612 do RIPI/10), mas que o Estabelecimento Industrial não apura corretamente o IPI com fundamento nos artigos 136 e 137 do RIPI/02 (atuais artigos 196 e 197 do RIPI/10), então a discussão nada tem a ver com uma suposta confusão patrimonial entre Requerente e UBR, mas sim com uma questão técnica de aplicação do RIPI. 28. Nesse caso, portanto, a D. Fiscalização deveria ter demonstrado como o Estabelecimento Industrial se equivocou na aplicação do artigo 520 do RIPI/02 (atual artigo 612 do RIPI/10) e, assim, autuado o Estabelecimento Industrial quanto ao valor do IPI apurado com base na ‘correta’ interpretação dos referidos artigos 136 e 137 do RIPI/02 (atuais artigos 196 e 197 do RIPI/10), hipótese em que seria forçada a reconhecer que a Requerente e a UBR possuem atividades distintas, e que essa separação influi na formação da base de cálculo do imposto. ...” c) Defende a inexistência de simulação, fraude ou confusão patrimonial nas operações entre a UBI e a UB: “.... 41. Ocorre, contudo, que o objetivo da D. Fiscalização nestes autos não é apenas questionar, novamente, a estrutura operacional adotada pela Requerente com relação IPI, mas, também, reabrir algumas das discussões já encerradas no âmbito dos processos administrativos n°s 19515.001904/2004 12 e 19515.001905/200467 (COFINS e PIS) e, também, vincular a presente discussão ao litígio de IOF objeto do processo administrativo n° 10830.016429/201080. ..... 45. Nesse sentido, salta aos olhos que todo o procedimento fiscal esteja apoiado em informações contábeis e fiscais fornecidas pela própria Requerente ou pela UBR, todas devidamente refletidas nos livros fiscais, DCTFs e DIPJs das empresas, e que apenas se discuta, essencialmente, se as operações realizadas são aptas a produzir o efeito fiscal que a Requerente espera delas, ou se o Fisco tem razão em pretender desconsideralas. ...... 50. Ora, no caso em análise, os procedimentos adotados pela Requerente foram lícitos e não se revelaram contrários à legislação. A Requerente não dissimulou o fato gerador da obrigação tributária e tampouco excluiu ou modificou as suas características essenciais.(...) 51. A estrutura operacional adotada pela Requerente e pela UBR foi implementada e realizada com total transparência de propósitos e de acordo com a legislação. Assim, mesmo que a estrutura de industrialização e Fl. 507302DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.303 13 distribuição adotada pela Requerente tenha lhe proporcionado economia tributária, estarseia diante de caso típico de economia tributária legítima ou elisão fiscal. ...... 55. Portanto, ainda que se viesse a entender que a Requerente estaria equivocada em sua apuração e recolhimento do IPI, o que se admite apenas para argumentar, esse seria apenas um caso de divergência de interpretação da legislação tributária, e jamais um caso de simulação, ou mesmo fraude. (...) 56. Contudo, ainda que também não fossem considerados os argumentos acima, o que novamente se admite apenas para argumentar, devese atentar para o fato de que, embora os Autos de Infração ora impugnados se baseiem no entendimento de que a operação realizada deveria ser caracterizada como prática ‘artificial’, tendo em vista a suposta ausência de propósito negocial, substância econômica etc , a presente autuação fiscal não poderia desconstituir uma operação realizada em conformidade com a legislação em vigor apenas por conta das suas motivações econômicas. 57. Cabe lembrar que essa interpretação passou a ser adotada pelas autoridades fiscais a partir da edição da Lei Complementar n° 104, de 10.1.2001 (‘LC 104/01’), que alterou o artigo 116, parágrafo único, do CTN para permitir à autoridade fiscal ‘desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária’. 58. No entanto, notase da parte final do referido dispositivo que ele não é autoaplicável, pois depende de regulamentação por lei ordinária, a qual não ocorreu até o presente momento. É sabido que, no anocalendário de 2002, houve uma tentativa de regulamentação do citado dispositivo por meio da Medida Provisória n° 66, de 29.08.2002 (...). ....... 62. Em resumo, a única conclusão a que se pode chegar é que não é dado à D. Fiscalização desconsiderar negócios jurídicos com base em uma suposta falta de propósito negocial, substância econômica e t c , especialmente quanto tais negócios jurídicos estiverem devidamente indicados nos registros fiscais e contábeis. Assim, ainda que o caso em exame não estivesse revestido de propósito negocial, substância econômica e t c , o que se admite apenas para argumentar, a D. Fiscalização não poderia pretender desconsiderar os negócios jurídicos aqui examinados apenas com base nessa Infundada justificativa. .......” d) Procura explicar aspectos da estrutura do Grupo Unilever no Brasil existência de substância econômica e propósito negocial na segregação de atividades industrial e comercial: “... (...) a estrutura operacional adotada é lícita e possível, e não caracteriza fraude ou simulação. Seria, aliás, estranho que a Requerente tivesse gastos com expressiva força de vendas, ou publicidade, se a maioria das suas operações tem seu distribuidor cativo como contraparte. É de se presumir, inclusive, que a D. Fiscalização questionaria a dedutibilidade de tais Fl. 507303DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.304 14 despesas eventualmente incorridas pela Requerente, já que prima facie não seriam necessárias à manutenção da fonte produtora de receitas. ......... 77. Em breve síntese, a Requerente demonstrará abaixo como a centralização do caixa das empresas do Grupo Unilever, a adoção de estrutura de fornecimento eficiente, e o emprego de logística comercial integrada, são medidas absolutamente lícitas e conformes à legislação tributária, e que as referidas medidas não foram adotadas pela simples conveniência de existirem, ou simplesmente porque a lei não impede a sua adoção. ........”; e) Comenta sobre os contratos de gestão, pagamentos e recebimentos, para combater a afirmação da fiscalização referente à falta de autonomia financeira: “... 89. Assim, a afirmação lançada pela D. Fiscalização à fl. 55 do TVF, de que a gestão unificada de caixa das empresas do Grupo Unilever ser algo fora dos ‘padrões de mercado’ não merece crédito, uma vez que o contrato de conta corrente comercial é admitido no direito brasileiro pelo menos desde a edição do antigo Código Comercial, em 1850. 90. De maneira semelhante, também não merece crédito a afirmação feita nas fls. 55 e 64 do TVF, quanto à ‘unidade industrial não ter receitas próprias’ e operar como ‘recursos da Unilever Brasil’, tendo em vista que tanto o pagamento por conta e ordem quanto a extinção de créditos e débitos recíprocos por meio de compensação civil são figuras jurídicas expressamente admitidas pelos artigos 304, 305 e 368 do Código Civil (...) ..... 94. É sintomático, portanto, que a D. Fiscalização tenha se limitado a tecer críticas e considerações somente com relação à efetiva liquidação financeira dos pagamentos e obrigações civis das partes com relação aos Contratos de Gestão, já que, se tivesse explicitado a questão da apropriação fiscal das receitas, custos e despesas, seu argumento perderia força ao admitir que a organização de pagamentos e recebimentos, por si só, não influenciou o resultado final da apuração e arrecadação do IPI. 95. Dito isso, a Requerente ressalta que incomum não é sinônimo de ilegal, ou mesmo de simulado ou fraudulento, e tampouco motivo para justificar a desconsideração das operações realizadas entre a Requerente e a UBR e, ultima ratio, a personalidade jurídica dessas empresas. 96. Assim, para que se coloquem as coisas nos devidos lugares, (i) a discussão relativa aos Contratos de Gestão é uma discussão essencialmente relacionada ao recolhimento, ou não, do IOF, e não uma discussão quanto à independência ou autonomia das partes nesses contratos, como a própria fiscalização reconheceu na fl. 50 do TVF, e (ii) essa discussão já é travada em processo administrativo distinto e, portanto, nada importa para a solução do caso dos autos.”; f) Com relação ao fornecimento de produtos da UBI para a UB: “....... (...) ao contrário do que D. Fiscalização afirma na fl. 38 do TVF, a falta de pagamento em dinheiro não invalida a compra e venda, a teor do disposto no artigo 482 do Código Civil. Fl. 507304DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.305 15 100. Nesse contexto, consta tanto dos manuais de Direito Civil quanto de precedentes judiciais que interpretaram o artigo 481 do Código Civil que a expressão "em dinheiro" se refere à determinação do preço em unidades monetárias, ainda que o efetivo pagamento (/.e. adimplemento da obrigação contratual) possa obviamente ser realizado por qualquer das modalidades previstas no Código Civil, tais como dação em pagamento, compensação e t c : ... 105. No caso dos autos, podese provar a compra e venda dos produtos por meio da farta quantidade de notas fiscais trocadas entre as partes, e dos diversos registros contábeis e fiscais lançados nos livros da Requerente e da UBR o s quais fazem prova em seu favor, nos termos do artigo 226 do Código Civil. ........” g) Quanto aos centros de distribuição: “... (...) D. Fiscalização novamente se equivoca. Primeiro, por sugerir que nada menos do que oito estabelecimentos comerciais desenvolveriam as suas atividades no endereço do Centro de Distribuição de Louveira, quando, na prática, quatro dos CNPJs apontados nas fls. 78/79 do TVF se referem a inscrições já baixadas, ou não concomitantes ao período da fiscalização, e sendo ainda que uma das inscrições ativas corresponde a empresa DHL, que presta serviços de operador logístico ao Grupo Unilever. 118. Além disso, o único estabelecimento a operar como depósito fechado no Centro de Distribuição de Louveira/SP foi o estabelecimento da Requerente inscrito no CNPJ sob o n° 01.615.814/009079 (‘Estabelecimento 0090') enquanto os demais estabelecimentos localizados no mesmo endereço JAMAIS efetuaram qualquer remessa para o depósito fechado do Estabelecimento 0090. h) Defende a possibilidade de uso compartilhado de depósitos fechados, citando o PN 123/74, fato que ocorreria em Louveira; i) O mesmo com relação aos diversos estabelecimentos do mesmo prédio: “126. Por outro giro, é verdade que o artigo 518 do RIPI/02 (atual artigo 609 do RIPI/10) conceitua ‘estabelecimento’ como ‘prédio em que são exercidas atividades geradoras de obrigações, nele compreendidos (...) áreas muradas, cercadas ou por outra forma isoladas’. Entretanto, nem o RIPI/02 e nem o RIPI/10 determinam metragem mínima, ou a alocação de número predeterminado de empregados, como requisito para a existência ou validade de um estabelecimento. 127. A rigor, uma sala fechada com um único empregado (que pode ser terceirizado), com uma linha telefônica ou terminal de computador, é suficiente para cumprir todos os requisitos descritos no artigo 518 do RIPI/02 (atual artigo 609 do RIPI/10) no tocante à caracterização de um ‘estabelecimento’, até mesmo porque o Parecer Normativo CST n° 198, de 12.07.1972, analisando a questão análoga, é claro em reconhecer a caracterização de "estabelecimento" importador até mesmo para escritórios administrativos na hipótese de os documentos fiscais assim indicarem” j) Sobre a inexistência de funcionários de vendas em Louveira: Fl. 507305DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.306 16 “130. Nesse sentido, e independentemente do que tenha constado (equivocadamente, ou não) nas GFIPs da UBR, não parece ser razoável exigir que a UBR mantenha toda a sua força de vendas em local afastado dos grandes centros urbanos como condição para lhe outorgar a designação de comercial atacadista, até mesmo porque tal questão é circunstancial para fins da discussão de mérito travada nestes autos: (...) 131. No melhor entendimento da Requerente, os empregados vendedores da UBR estão sujeitos ao regime de ‘trabalho realizado a distância’ da CLT, e não necessitam de base fixa na empresa, enquanto os demais empregados vinculados ao Estabelecimento 0307 atuam, sim, em operações comerciais, relacionadas à logística de vendas: k) Emissão de notas fiscais: “136. Contudo, o operador logístico não emite notas fiscais em nome próprio, mas, sim, é contratado para operar o sistema informatizado das empresas do Grupo Unilever para emitir (i) notas fiscais da Requerente e da UBR, (ü) com relação às operações realizadas por essas empresas, (iü) que são registradas nos livros contábeis e documentos fiscais dessas empresas, como de direito. 137. Grosso modo, o operador logístico realiza função semelhante ao contador que prepara a Declaração de Ajuste Anual de uma pessoa física e realiza a transmissão desse documento ao fisco a pedido de seu cliente. A menos, é claro, que se pretenda que todos ABSOLUTAMENTE TODOS os contribuintes do IRPF estejam obrigados a operar, eles mesmos, os sistemas de transmissão da Declaração de Ajuste, e não possam contratar profissionais de sua confiança para fazêlo. l) Em seguida passa a sustentar a regularidade do IPI apurado nas operações entre a UBI e a UB: “143. Afastadas as alegações de simulação, fraude, e confusão patrimonial, resta discutir o real ponto dos questionamentos feitos pela D. Fiscalização quanto aos critérios adotados pelo Estabelecimento Industrial na composição da base de cálculo do IPI incidente sobre as saídas que realizou em favor do Estabelecimento 0307 da empresa UBR. 144. Porém, antes de passar à análise do mérito desses questionamentos, a Requerente ressalta que a desqualificação das alegações de simulação e fraude lançadas pela D. Fiscalização ensejam o reconhecimento da decadência do direito de lançamento com relação a qualquer parcela de IPI devido até 26.12.2008. nos termos do 4° do artigo 150 do CTN.” m) Julga ter ocorrido a decadência dos fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2008 a novembro de 2008, com base no art. 150, IV do CTN; n) Especificamente quanto à formação da base de cálculo do IPI: “150. Consta da fl. 228 do TVF que a D. Fiscalização procedeu à apuração do IPI supostamente devido pelo Estabelecimento Industrial a partir dos preços praticados nas saídas do Estabelecimento 0307. Não obstante, na ausência de desconsideração da personalidade jurídica da Requerente e da empresa UBR, o que se verifica, na prática, é que a D. Fiscalização pretende apurar o IPI devido nas saídas realizadas por estabelecimento interdependente segundo um critério ‘novo’, que não encontra respaldo na legislação fiscal. Fl. 507306DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.307 17 151. Ocorre, entretanto, que a apuração da base de cálculo nas saídas realizadas por estabelecimentos industriais (i.e. Estabelecimento Industrial) com destino a estabelecimentos com os quais mantenha relação de interdependência (i.e. Estabelecimento 0307) na forma do artigo 520 do RIPI/02 (atual artigo 612 do RIPI/10) está sujeita às regras previstas no inciso I do artigo 136 e no artigo 137 ambos do RIPI/02 (atuais artigos 195 e 196 do RIPI/10): (...) 152. A leitura dos artigos transcritos acima é simples. Se existir um preço corrente no mercado atacadista na praça do remetente, então a base de cálculo do IPI deve ser calculada com base na média ponderada dos preços praticados neste mercado. Se não existir um preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, então a base de cálculo do IPI deve ser calculada com base nos custos incorridos, acrescidos de uma margem de lucro normal. 153. O critério para se aplicar uma ou outra regra é a verificação, ou ausência, de ‘preço de mercado atacadista na praça do remetente’ (i.e. no caso, do Estabelecimento Industrial), restando, assim, saber o que se entende, juridicamente, por ‘praça do remetente’ ou, mais especificamente, qual o conceito jurídico de ‘praça’.” o) Tece comentários sobre o conceito de “praça”: “154. A legislação tributária não define de modo expresso o que vem a ser ‘praça’. E nem poderia ser diferente, porque ‘praça’, como local em que se realiza atos de comércio (mercado), é um conceito de direito comercial, definido no artigo 32 da Lei n° 556, de 25 de junho de 1850 (Código Comercial): (...) 155. Os artigos acima transcritos deixam claro que o conceito ‘praça’ contido no artigo 32 acima transcrito tem relação com um local físico e determinado em que os diversos comerciantes estabeleciam os preços das mercadorias comercializadas. (...) ...... 157. Esse conceito de ‘praça’, equiparado ao conceito de município, foi também aceito pelas autoridades fiscais que, quando analisaram tecnicamente o alcance da expressão ‘mercado atacadista da praça do remetente’ para fins específicos da legislação do IPI, socorreramse da definição prevista na legislação comercial. Isso pode ser confirmado no Parecer Normativo n° 44, de 19 de novembro de 1981 (‘PN 44/81’): ‘6. Registram os Dicionários da Língua Portuguesa que mercado, convencionalmente, significa a referência feita em relação à compra e venda de determinados produtos. 6.1. Isto significa, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada.’ (Não destacado no original.) ........ Fl. 507307DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.308 18 164. Portanto, considerando a definição da lei comercial vigente ao tempo da edição da Lei n° 4.502, de 30.11.1964 (‘Lei 4.502/64'). o entendimento expresso pelas autoridades fiscais e os precedentes administrativos e judiciais sobre a matéria, é evidente que o conceito jurídico de praça somente pode ser entendido como sendo equivalente a ‘município’, ou localidade específica do estabelecimento industrial. 172. Portanto, não pode o fisco querer atribuir qualquer significado à palavra ‘praça’ quando esta palavra já possuía um significado mínimo quando da edição de norma tributária que a utilizou (i.e. artigo 15, inciso I, da Lei 4.502/64). Esta é a forma adequada de interpretar um termo jurídico naqueles casos em que o referido termo já encontra definição em leis anteriores. ....” p) Julga que “a orientação prevista na SCI n° 8/12 literalmente não s aplica à Requerente, uma vez que a Requerente não incorre na hipótese de prevista no referido ato normativo em razão de o estabelecimento distribuidor (comercial atacadista) se encontra localizado em ‘praça’ diversa.”. Além disso, sendo ato infralegal, não poderia alterar o conceito jurídico de “praça” (anexa Parecer de Fábio Ulhoa Coelho sobre o tema); q) Ainda sobre a SCI 8/2012, alerta “que seus efeitos somente poderiam aplicados a fatos geradores ocorridos a partir da publicação de sua publicação no Diário Oficial da União ou, menos, da data em que foi disponibilizada no sítio eletrônico da Secretaria da Receita Federal.” r) “(...)caso seja admitida a mudança do conceito jurídico de ‘praça’ com base em um mero ato infralegal, e prevaleça a exigência do IPI conforme pretende a D. Fiscalização, o que efetivamente se admite apenas para argumentar, certo é que o valor cobrado não poderá ser acrescido de penalidades, juros de mora e atualizações monetárias em razão do disposto no Parágrafo Único do artigo 100 do CTN.” s) Considerando que a Impugnante considera que o termo ‘praça’ como ‘município’, por consequência, na ausência de um preço de mercado atacadista na praça do remetente (i.e. Estabelecimento Industrial), o valor tributável mínimo deveria ser equivalente ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda administração e publicidade, e do lucro normal a ser obtido na operação, conforme disposto no artigo 137 do RIPI/02 (atual artigo 196 do RIPI/10); t) “Por fim, caso se entenda pela impossibilidade de aplicação do disposto no artigo 131 do RIPI/02 (atual artigo 190 do RIPI/10), e prevaleça o entendimento pretendido pela D. Fiscalização para um novo conceito de ‘praça’, o que mais uma vez se admite apenas para argumentar, deve ser analisado como deveria ser feito o cálculo nos termos previstos pelo inciso I do artigo 136 do RIR/02 (atual inciso I do artigo 195 do RIPI/10)”: u) Relativamente à outra infração apurada créditos em operações de devolução alega: “211. Ocorre que, no curso da fiscalização, a Requerente colocou à disposição da D. Fiscalização informações suficientes para verificar a real ocorrência das operações de saída e respectivas devoluções (físicas ou simbólicas) dos produtos em questão, indicando os documentos que dão suporte às ocorrências, e não mediu esforços para apresentar à D. Fiscalização todos os elementos que levam ao direito de crédito do IPI Fl. 507308DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.309 19 correspondente a notas fiscais relativas às devoluções realizadas pelos adquirentes dos produtos. .... 214. Assim, tendo em vista que a D. Fiscalização não se desincumbiu de sua tarefa de apontar questionamentos específicos com relação a cada devolução glosada, dever reconhecida a nulidade do procedimento fiscal quando a esse aspecto, em vista do cerceamento do direito de defesa da Requerente. ....” v) Quanto às multas aplicadas, requer a revisão da qualificação da multa proporcional, em função da inexistência de qualquer ato simulado ou fraudulento; w) Contesta ainda a aplicação concomitante das multas de ofício e isolada sobre os mesmos fatos geradores; x) Sobre a multa regulamentar pelo atraso na entrega de arquivos magnéticos relativos ao Livro de Registro de Controle de Produção e Estoque referente ao período de 2008 a 2010: “234. Ocorre, entretanto, que a Requerente efetivamente entregou as informações solicitadas em formato legível, conteúdo completo e integral, e passível de uso pela D. Fiscalização, tanto que, de fato, foram compreendidas e utilizadas na lavratura dos Autos de Infração. 235. Nesse sentido, verificasse que os ‘problemas’ apontados pela D. Fiscalização, que supostamente impediriam o uso dos arquivos, consistiram em divergência mínima e desprezível com relação ao ‘campo delimitado’ de algumas informações, conforme se verifica nas petições apresentadas pela Requerente em 18.07.2013 e 08.08.2013 docs. n°s 28 e 29). 236. Assim, o interesse público não sofreu qualquer dano ou prejuízo no caso dos autos, já que a Requerente não apenas entregou arquivos magnéticos passíveis de uso pela D. Fiscalização, mantendose à inteira disposição da D. Fiscalização (confirmado à fl. 231 do TVF), como, ainda, empenhouse e, sanar as incongruências apuradas o que efetivamente ocorreu em 09.08.2013. ...... 238. Contudo, ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para argumentar, temse, ainda, que a Requerente não incorreu na hipótese prevista no inciso III do artigo 12 da Lei n° 8.218/91, uma vez que (i) tal penalidade se aplica aos casos de falta de apresentação de arquivos magnéticos, (ü) no caso dos autos, os arquivos magnéticos foram de fato apresentados à D. Fiscalização no prazo requerido, muito embora não necessariamente na forma requerida, e (iii) existe penalidade específica para a hipótese de não atendimento à ‘forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos’, conforme prevista no inciso I do artigo 12 da mesma lei: ‘Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: 1 multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; (...)’ 239. Nesse sentido, o artigo 112 do CTN é expresso em determinar que a lei tributária seja interpretada da maneira mais favorável ao acusado nas hipóteses de cominação de penalidade, o que, no presente caso, significa Fl. 507309DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.310 20 reconhecer que a D. Fiscalização não pode aplicar multa por ‘atraso na entrega’ quando, na verdade, a infração supostamente cometida pela Requerente seria ‘entrega em formativo diverso do que lhe foi exigido’: 240. Isso porque, em outras palavras, a Requerente simplesmente não praticou o ato tipificado como infração no inciso III do artigo 12 da Lei n° 8.218/91r pois, de fato, entregou os arquivos magnéticos em questão, ainda que, talvez, possa ter deixado de cumprir algum detalhe das especificações técnicas aplicáveis, motivo pelo qual se impõe o cancelamento da penalidade em questão.” y) Além disso, defende que o atraso foi de apenas um dia e não os 23 apontados pela fiscalização: “242. Consta das fls. 229/230 do TVF que a Requerente foi inicialmente intimada a apresentar referidos arquivos magnéticos por meio do Termo de Intimação lavrado em 24.05.2013, com ciência em 28.05.2013. Também consta do TVF que D. Fiscalização concedeu um total de 50 (cinquenta) dias corridos de prazo adicional para cumprimento da exigência (fl. 232 do TVF), por reconhecer a ocorrência de problemas técnicos na geração desses arquivos. 243. Assim, (i) o prazo para entrega desses arquivos teve seu termo final no dia 17.07.2013, e (ü) a entrega efetivamente ocorreu em 18.07.2013, com apenas 1 (um) dia de atraso, não obstante o entendimento da D. Fiscalização no sentido de os arquivos entregues em 18.07.2013 não se conformarem completamente ao leiaute solicitado 244. Notese que (i) os arquivos entregues em 18.07.2013 eram legíveis e passíveis de manuseio pela D. Fiscalização, tanto que, de fato foram compreendidos e manuseados durante a fiscalização, e que (ü) não obstante a possibilidade de uso e compreensão das informações, em 09.08.2013 a Requerente reapresentou as mesmas informações dentro do leiaute solicitado. 245. Ora, de acordo com o artigo 12 da Lei n° 8.218/91, a penalidade de multa regulamentar relacionada a arquivos magnéticos pode ser aplicada em duas modalidades distintas, quais sejam (i) por não atendimento à forma solicitada (inciso I), ou (ii) por atraso na entrega (inciso III), e, no caso dos autos, a única multa regulamentar aplicada à Requerente foi aquela do inciso III, por atraso na entrega, conforme capitulação legal dos Autos de Infração. 246. Assim, se a D. Fiscalização pretende fundamentar a exigência da penalidade exclusivamente no inciso III do artigo 12 (atraso na entregai, a data a ser considerada para fins de cálculo da penalidade é 18.07.2013 (quando a Requerente efetuou a entrega dos arquivos passíveis de leitura e manuseio, o que significa apenas 1 (um) dia de atraso), e não 09.08.2013 (entrega no formato exigido), até mesmo porque a Requerente se encontrava respaldada pela prorrogação de prazo concedida pela própria D. Fiscalização no período entre 28.05.2013 (primeira intimação) e 17.07.2013 (50 dias depois). .......” z) Da impossibilidade de exigência de multas da empresa sucessora: “251. Nesse sentido, verificase às fls. 3/4 do TVF, os Autos de Infração ora impugnados são posteriores à incorporação da Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza Ltda. (CNPJ n° 03.085.759/000102) pela Requerente, de modo que a exigência do crédito tributário em discussão recaiu sobre a Fl. 507310DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.311 21 sociedade sucessora, e não sobre a pessoa jurídica que teria cometido a infração apenada. 252. Ocorre, nesse sentido, que a regra geral prevista no artigo 132 do CTN estabelece que ‘a pessoa jurídica que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas’. 253. Notase, assim, que o artigo 132 do CTN menciona apenas o termo tributo, e que o artigo 129 do CTN estabelece que as disposições previstas naquela seção aplicamse ‘por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data’. 254. Assim, tendo em vista que o artigo 3º do CTN estabelece que ‘tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa expressar, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada’, temse que a definição legal de "tributo" não inclui as multas pecuniárias impostas pelas autoridades fiscais, posto que tais exigências constituem sanção de ato ilícito. 255. Por todo o exposto, fica claro que uma sociedade incorporadora não responde pelas multas eventualmente imputadas à sociedade incorporada, especialmente quando a lavratura dos autos de infração tiver ocorrido após o ato de incorporação (caso dos autos), conforme, inclusive, já foi reconhecido pela CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS: .........” aa) Da não incidência de juros sobre a multa aplicada: “259. Caso seja mantida a exigência consubstanciada nos Autos de Infração, o que se admite apenas para argumentar, a Requerente requer, então, que a exigência dos juros seja limitada única e exclusivamente aos valores de principal, excluindose tal exigência com relação às multas de ofício e isolada. 260. Isso porque a aplicação de juros sobre o valor das multas fiscais não é realizada com amparo lei, mas no Parecer MF n° 28, de 2.4.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (‘COSIT’). Confirase, a propósito, transcrição de parte desse Parecer: .... 261. Ocorre, contudo, que o artigo 61 da Lei 9.430/96 utilizado como base legal pela COSIT para sustentar a incidência de juros sobre as multas trata tão somente da incidência de juros sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal do Brasil. ....” bb) Por fim, requer: “285. Assim, a Requerente e a UBR requerem que a presente Impugnação seja INTEGRALMENTE ACOLHIDA, a fim de que seja reconhecida a insubsistência integral dos Autos de Infração ora questionados, com o conseqüente cancelamento do crédito tributário cobrado (principal, multa e Fl. 507311DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.312 22 juros) e arquivamento do presente processo administrativo ou, caso não seja esse o entendimento de V.Sas., seja determinado o cancelamento dos Autos de Infração com relação à UBR, bem como, com relação à Requerente, das multas isoladas ou de ofício, e da multa regulamentar, bem como a redução das multas mantidas de 150% para 75%, e a exclusão dos juros sobre o valor das multas mantidas. 286. Por fim, a Requerente e a UBR protestam pela posterior juntada de documentos a corroborar seu direito, assim como provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, sem exceção de quaisquer.” Tendo em vista a negativa, do ora recorrido Acórdão, do que foi requerido pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário (fls. 506.096 a 506.170), em 06 de junho de 2014. Por sua vez a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário (fls. 506.662 a 506.714), em 22 de setembro de 2014. O Contribuinte, visando defender os seus interesses, trouxe aos autos pareceres que tem por escopo a comprovação do que alega. O primeiro parecer foi realizado pela Price Water House Coopers (fls. 506.793 a 506.804), em 12 de fevereiro de 2012; o segundo realizado por José Alexandre Tavares Guerreiro (fls. 506.891 a 506.930), em 5 de março de 2015; e, por fim, o terceiro realizado por Eurico Marcos Diniz de Santi (fls. 506.826 a 506.890), em 12 de março de 2015. Por fim, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou, em 25 de maio de 2015, Manifestação (fls. 506.985 a 506.988) a respeito dos documentos apresentados pelo Contribuinte, alegando que os mesmos deveriam ter sido feitos no momento da impugnação. O Acórdão nº 3301003.169, objeto dos presentes embargos, que negou provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte, ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2010 IPI. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA PESSOA JURÍDICA SÓCIA Configurando a pessoa jurídica como sócia majoritária, detentora de fato de poderes de decisão, é cabível a imputação da responsabilidade solidária para satisfação dos créditos tributários constituído por meio de lançamento. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando a autoridade fiscal demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. ELISÃO. EVASÃO. SIMULAÇÃO. Fl. 507312DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.313 23 Quando há a transposição da linha divisória que separa a elisão da evasão o lançamento ou revisão de ofício ocorre com base art. 149, VII, e não pelo art. 116, parágrafo único, do CTN, haja vista a nulidade do negócio jurídico simulado de acordo com o art. 167, II, do Código Civil. DECADÊNCIA. Na definição do termo inicial do prazo de decadência nos lançamentos por homologação, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de anteciparse à atuação da autoridade administrativa para constituição do crédito tributário, interpretando a legislação aplicável para apurar o montante e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente. Na inexistência de antecipações ou na ocorrência das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, aplicase a regra geral do art. 173, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. Restando comprovadas as hipóteses normativas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 1964, fazse aplicável a multa qualificada imposta sob tais fundamentos. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO TRIBUTÁRIA. CABIMENTO. Cabível a exigência de multa de ofício da sucessora por infração cometida pela sucedida, ainda que apurada após o evento. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, quanto à preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Alencar Camara Simões, Marcelo Costa Marques d'Oliveira e Semíramis de Oliveira Duro, que davam provimento parcial ao Recurso Voluntário do contribuinte para fins de afastar a integralidade da cobrança relacionada à infração 01 (falta de lançamento do imposto nas saídas de produtos tributados, por não haver o estabelecimento considerado na base de cálculo, o valor real praticado nas operações), porém, mantendo a cobrança relativa à infração 02 (utilização indevida de créditos relativos a devoluções não comprovadas), com a exclusão, quanto à infração 02, apenas dos valores fulminados pela decadência. Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário, mantendose a multa agravada, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Semíramis de Oliveira Duro. Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso, a respeito da multa regulamentar referente ao atraso na apresentação dos arquivos digitais (infração 03). Por maioria de votos, negouse provimento ao pedido de exclusão dos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. A Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões apresentará declaração de voto. A análise da admissibilidade dos embargos, que foram interpostos em 31 de março de 2017, se deu por intermédio do Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração S/Nº, da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 7 de julho de 2017. Em razão da ciência formal da decisão ora embargada, o Contribuinte apresentou Requerimento em 5 de maio de 2017 em que reitera e ratifica os embargos interpostos. Fl. 507313DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.314 24 É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Os Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte são tempestivos e atendem os pressupostos legais de admissibilidade Assim dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF , acerca dos Embargos de Declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. Alega o Contribuinte que o acórdão ora embargado possui os seguintes vícios de omissões e contradição: 1) omissão quanto a ausência de análise dos pareceres e estudos técnicos apresentados pelas embargantes, bem como, decisões pretéritas do CARF; 2) ausência de identificação do fundamento legal relativo à suposta acusação de fraude e simulação (art. 149, VII, do CTN, e, art. 167, II, do CC); 3) ausência de identificação das operações supostamente fraudulentas; 4) ausência de demonstração de que as supostas constatações se aplicam ao caso concreto; 5) ausência de fundamentação acerca da existência de equívocos conceituais da decisão de primeira instância e razões jurídicas que tornam possível a sua manutenção; 6) ausência de fundamentação acerca da base legal para a desconsideração de atos e negócios jurídicos; e, 7) do inconformismo das embargantes com relação ao presente processo administrativo e ao acórdão embargado. Quando da análise da admissibilidade dos embargos, realizada pelo il. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, entendeuse pela admissibilidade parcial e assim concluiu: Com base nos argumentos acima e no disposto no art. 65, § 3o do Regimento Interno do CARF, na redacã̧o dada pela Portaria MF no 39/2016, dou seguimento aos embargos de declaraçaõ quanto às seguintes matérias/argumentos: (i) ausen̂cia de análise dos pareceres e estudos técnicos apresentados; e (ii) ausência de identificaca̧õ das operações fraudulentas. Nego seguimento aos embargos relativamente às demais questões, em virtude da improcedência das alegações. Cabe, portanto, de acordo com o Despacho, a apreciação da primeira e da terceira omissão apontada pelo Contribuinte em seus embargos. Entende o Contribuinte que existe uma omissão no voto do acórdão ora recorrido no que tange a ausência de análise dos pareceres e estudos técnicos apresentados pelas embargantes e das decisões pretéritas do CARF. Assim expõe: 7. À fl. 507.097 desses autos o V. Acórdão embargado reconhece que as Embargantes juntaram a esses autos os pareceres realizados (i) pela Price Water Fl. 507314DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.315 25 House Coopers (PWC – fls. 506.793/506.804), (ii) pelo Professor José Alexandre Tavares Guerreiro (fls. 506.891/506.930) e (iii) pelo Professor Eurico Marcos Diniz de Santi (fls. 506.826/506.890). 8. O parecer jurídico elaborado pelo Professor Eurico de Santi demonstra, de maneira clara e sintética, que eventual redução na carga do IPI em razão da segregação de atividades industriais e comerciais foi incentivada, ou pelo menos tolerada, pelo próprio Poder Executivo. (...) 10. O Professor Tavares Guerreiro, no parecer também juntado a esses autos, reconhece tanto (i) a validade e eficácia jurídica do “sistema de compensações” entre as Embargantes, conforme pautado em contrato de conta corrente mercantil, quanto (ii) a validade das vendas mercantis de produtos da UBI para a UBR, independentemente de quaisquer outras consideracõ̧es acerca da validade do acordo de fornecimento (fls. 38 e segs. do TVF), e, por fim, (iii) esclarece que a existen̂cia de coordenaçaõ compartilhada nas atividades de empresas não implica confusão patrimonial, tampouco as operacõ̧es analisadas podem ser consideradas indícios de simulação. (...) 13. Já no estudo elaborado pela PWC, também juntado pelas Embargantes nesses autos, é demonstrada a existência de margem de lucro bruto nas operações comerciais de venda da UBI para a UBR durante o período autuado, o que infirma diversas alegacõ̧es da D. Fiscalização acerca da suposta inexistência de margens de lucro nas operações entre as empresas autuadas. 14. Por fim, foi ainda juntado aos autos um estudo técnico elaborado pela empresa E&Y, no qual fica demonstrado que (i) a segregação de atividades industriais e comerciais é uma prática global do Grupo Unilever, que ocorre inclusive em países nos quais se verifica aumento da carga tributária do negócio como um todo, e (ii) no caso específicos dos autos a segregação em questão trouxe diversos benefícios não tributários às empresas Embargantes, mormente termos de aumento de eficiência e reduçaõ de custos. 15. Todavia, em que pese a juntada dos pareceres e estudos mencionados acima, o V. Acórdão embargado deixou de analisar e considerar as informações constantes desses documentos, que são de extrema importância para o presente caso dado que contradizem diretamente as ilacõ̧es feitas no TVF. 16. Além disso, não são poucas as decisões desse C. CARF que reconheceram a validade de estruturas de segregaçaõ de atividades em que há transparen̂cia de propósitos e conformidade com a legislaca̧õ, sempre que há a demonstração de que as sociedade envolvidas possuem objetos sociais, quadro de empregados, faturamento, despesas etc. diferentes, e que no curso normal de seus negócios, efetivamente desenvolvem as atividades que lhes são próprias (e.g. Caso Avon – Processo Administrativo no 19515.03405/200460, Caso Natura – Processo Administrativo no 16175.000298/200517, Caso Nívea – Processo Administrativo no 16643.000099/200961, Caso Unilever – Processo Administrativo no 19515.001904/200412), como foi demonstrado pelas Embargantes e fundamentado pelos pareceres acima. 17. Por tudo isso, não há como o presente caso ser julgado sem a análise detida dos pareceres juntados a esses autos, que demonstram a regularidade das operações praticadas pelas Embargantes, restando demonstrada a omissão e obscuridade existente no julgado. Fl. 507315DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.316 26 De acordo quanto a necessidade de análise dos pareceres, até porque, integram os autos. Entende o Contribuinte que não foi feita a análise e a consideração do exposto em tais pareceres, o que não procede, visto que contemplouse sua análise, tanto que, como bem admite o Contribuinte em seus embargos, o acórdão faz expressa menção aos pareceres, o que já indica de início que foram considerados. Cita o Contribuinte decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – CARF – em outros processos, inclusive com outros Contribuintes, e considera que há omissão, visto que essas decisões “reconheceram a validade de estruturas de segregação de atividades ...”. Percebese de forma clara que aqui inexiste a alegada omissão, mas sim discordância do Contribuinte em relação à decisão proferida neste processo em referência aos pareceres e as decisões proferidas em outros processos. Só para ilustrar como de fato se considerou as alegações acerca de decisões pretéritas do CARF, cito trecho do acórdão ora embargado: O ponto IV do ora analisado Recurso Voluntário traz argumentos que visam demonstrar o erro da Fiscalização ao alegar que houve, por parte do Contribuinte, a realização de fraude e simulação. Conforme se verifica no seguinte trecho (fl. 506.111): 47. A Requerente pretende, sim, demonstrar que apoiou as suas práticas e operações em interpretações razoáveis e legítimas das normas jurídicas aplicáveis, bem como efetuou registros contábeis e fiscais que correspondem a tais interpretações, sendo essa a medida pela qual um planejamento fiscal difere da fraude ou simulação. Nesse contexto, a eventual discordância da D. Fiscalização com as interpretações adotadas pela Requerente é outra questão, e não representa, por si só, ocorrência de fraude ou simulação, até mesmo porque, conforme descrito abaixo, esse E. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS já reconheceu, em duas oportunidades distintas (Acórdãos nºs 3403002.519, de 22.10.2013, e 3402001.908, de 26.09.2012), que a estrutura operacional utilizada pelas Requerentes é lícita e legítima. 48. Em outras palavras, a caracterização de fraude ou simulação depende de o contribuinte ter deixado de reportar/contabilizar as suas operações (i.e. os fatos), e não porque o fisco simplesmente discorda da interpretação dada às regras fiscais (i.e. o direito), conforme já exaustivamente reconhecido por grande quantidade de precedentes administrativos e judiciais. Nas páginas que se seguem no Recurso Voluntário o Contribuinte elenca jurisprudências, inclusive do CARF, que visam demonstrar a inexistência de fraude ou simulação nos negócios jurídicos por ele praticados. Cumpre observar, entretanto, que a sentença ou acórdão faz coisa julgada entre as partes do processo, sendo assim casos já julgados não podem gerar efeitos para o presente processo por possuírem efeitos “inter partes”. Notase, assim, no voto do acórdão ora embargado, bem como nos debates acerca da matéria e as votações pelos Conselheiros, que contemplaram todos os elementos constantes dos autos e a aplicação da legislação de regência. Fl. 507316DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.317 27 Entendo que não há omissão pelo fato do voto do acórdão ora embargado contemplar entendimento diverso do exposto nos pareceres apresentados e em decisões do CARF proferidas em outros processos com outros fatos, e, com a devida vênia, a omissão alegada pelo Contribuinte, bem como em relação a admissibilidade, entendo que o que se pretende em relação a esta alegada omissão é rediscutir a matéria, o que não cabe em embargos. Lembrarseá que o julgador, tendo em vista a formação do livre convencimento, não está vinculado a tese jurídica exposta em um parecer jurídico, visto que este é meramente opinativo, sem a característica de material probatório. E em relação a prova, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, assim prescreve: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Portanto, não assiste razão ao Contribuinte quanto a alegada omissão quanto a ausência de análise dos pareceres e estudos técnicos e decisões pretéritas do CARF com vistas a rediscutir a matéria objeto do processo. A outra omissão admitida no Despacho referese a alegada omissão nos embargos por ausência de identificação das operações fraudulentas. Assim expõe o Contribuinte: 21. Às fls. 507.100 e 507.119 o V. Acórdão embargado alega (de maneira genérica e inespecífica) que teria restado “comprovada” a ocorren̂cia tanto de confusão patrimonial quanto de fraude nas operacõ̧es das empresas Embargantes, confirase: “Com a devida vênia ao entendimento adotado pelo Contribuinte, que alegou em sede de preliminar a inexistência de responsabilidade solidária e, portanto, a impossibilidade de responsabilização da UBR, o argumento que deve predominar é aquele apresentado na Fiscalização e reiterado no Acórdão ora recorrido, uma vez que restou comprovada a interdependen̂cia e a confusão patrimonial entre as empresas UBR e UBI.” (fl. 507.100 – não destacado no original) “Ao analisar os autos do processo verificase que resta comprovada, desde o Termo de Verificacã̧o Fiscal, a realizacã̧o de fraude em diversos atos praticados pelo Contribuinte, incluindo simulações de negócios jurídicos com a finalidade de diminuir a inciden̂cia do IPI e a confusão patrimonial entre as empresas UB e UBI.” (fl. 507.119 – não destacado no original) 22. Entretanto, o que se verifica do TVF é que a D. Fiscalização apenas mencionou a existência de “interdependência” entre a UBI e a UBR, que e ́uma situação jurídica expressamente prevista no Regulamento do IPI e sem qualquer contorno de ilicitude, mas sem veicular qualquer acusação de existência de confusão patrimonial. 23. Acusacõ̧es como essa não podem ser feitas de forma genérica, como fez o V. Acórdão embargado. Se o entendimento dessa C. Turma é o de que a presente autuação deve ser mantida pela existência de confusão patrimonial ou fraude, o V. Acórdão embargado deve indicar expressamente quais operações foram consideradas fraudulentas e/ou indicativas de confusão patrimonial, bem como estabelecer um paralelo entre eventuais afirmações nesse sentido e a documentação constante dos autos, dado que a D. Fiscalizaçaõ não formulou qualquer acusação nesse sentido. Fl. 507317DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.318 28 24. Por fim, deve ser indicado também os motivos dessas operações serem consideradas fraudulentas e/ou ensejadoras de confusão patrimonial para que as Embargantes possam exercer seu direito de defesa de forma plena e adequada, já que as alegações, como demonstrado acima, foram feitas de forma genérica. Com a devida vênia a admissibilidade e o alegado pelo Contribuinte, verifica se que não há omissão quanto a identificação das operações fraudulentas, e sim, de rediscussão da matéria e, como se sabe, não cabe em embargos. Cito trechos do voto ora embargado com o intuito de demonstrar que constou do voto, de forma bem clara, a identificação das operações fraudulentas: Alega o Contribuinte, preliminarmente, que não pode haver a responsabilização solidária da UBR nos termos do art. 124, I do CTN, como definiu o Acórdão ora recorrido, uma vez que (fl. 506.104 e 506.105): (...) O Contribuinte volta a argumentar sobre a ausência de solidariedade da UBR no tópico III, subtópico “C” do seu Recurso Voluntário, onde traz o seguinte (fls. 506.106: 31. Ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para argumentar, as Requerentes consideram que as autuações fiscais não poderiam ser lavradas contra o estabelecimento sede da UBR (CNPJ nº 61.068.276/000104, conforme TVF), tendo em vista que tal estabelecimento não participou, em absoluto, da realização dos fatos geradores objeto das autuações fiscais ora combatidas, quais sejam, as vendas de produtos importados ou industrializados pelo Estabelecimento Industrial para os estabelecimentos da UBR. (...) A respeito deste ponto o Acórdão ora recorrido se manifestou de forma a considerar a solidariedade entre as duas empresas, com base nos seguintes argumentos (fls. 506.059 e 506.060): 4. As impugnantes contestam a responsabilidade solidária da Unilever do Brasil Ltda, alegando inexistir interesse comum da mesma nas vendas realizadas pela Unilever Brasil Industrial Ltda, por se tratarem de pessoas jurídicas distintas. 5. A responsabilidade por infrações à legislação pode ser atribuída a quem quer que contribua para a sua prática ou que delas se beneficie. Disso decorre que, não raramente, estará presente a situação de solidariedade delineada no art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional: (...) 6. A situação configurada na lei (art. 124, I) é aquela em que todos os envolvidos ganham simultaneamente com o fato econômico (fato gerador). No caso narrado, tratase da concorrência de condutas das empresas, ambas com interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação, qual seja, a prática de preços menores com o intuito de reduzir o IPI a ser pago nas saídas do estabelecimento industrial. Fl. 507318DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.319 29 7. No Termo de Verificação integrante do Auto, a autoridade fiscal discorre longamente acerca da relação de interdependência entre a UBI e a UB, descrevendo com detalhes diversos fatos referentes à incidência do tributo e o nexo existente entre a empresa autuada e a pessoa jurídica declarada como solidária. 8. Referido Termo reportase, por exemplo, aos contratos de fornecimento assinados pelas empresas, sem definição de preço, nas quais ambas foram representadas pelos mesmos signatários que, na época, não tinham poder de representação das pessoas jurídica [sic], sendo que um deles sequer era funcionário da UB; aos contratos de gestão de pagamentos e recebimentos; ao contrato de locação do prédio de Louveira, onde ambas aparecem como locatárias. Tais exemplo demonstram, claramente, a existência de uma estreita relação entre as empresas envolvidas, justificando o interesse comum da UB e a atribuição da responsabilidade no presente auto. Com a devida vênia ao entendimento adotado pelo Contribuinte, que alegou em sede de preliminar a inexistência de responsabilidade solidária e, portanto, a impossibilidade de responsabilidação da UBR, o argumento que deve predominar é aquele apresentado na Fiscalização e reiterado no Acórdão ora recorrido, uma vez que restou comprovada a interdependência e a confusão patrimonial entre as empresas UBR e UBI. Sendo assim, voto no sentido de negar o provimento ao Recurso Voluntário neste ponto, mantendo a decisão do Acórdão ora recorrido. (...) Diante dos argumentos acima, trazidos ao processo por parte do Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, bem como, na decisão da DRJ/BEL, cabe, para melhor compreender os fatos, citar trecho do Termo de Verificação Fiscal (fls. 505.362 e 505.363): (...) Fl. 507319DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.320 30 Fl. 507320DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.321 31 (...) A título de esclarecimento acerca da base de cálculo do IPI utilizada pelo Contribuinte cabe frizar o posto pelo Relatório da decisão da DRJ/BEL ora recorrida (fls. 506.039 a 506.040): j) Após diversas intimações contendo questionamentos acerca da formação dos preços de venda, a fiscalização apura que a impugnante desconsiderou na composição da base de cálculo do IPI, os custos financeiros, de venda, administração e publicidade e a margem de lucro normal e, no caso das importações, não especifica o custo de aquisição e informa o valor dos impostos equivalentes a percentuais de 23 % a 32% sobre o que chama de preço total. Segundo a autoridade fiscal, nas importações de desodorantes efetuadas pelo estabelecimento, os tributos pagos por ocasião do desembaraço aduaneiro, considerados apenas os que compõem o valor total dos produtos, representaram 45% do valor aduaneiro; k) Ainda com relação aos importados, foi observado que, na maior parte das operações praticadas, o valor unitário constante na nota fiscal de saída é inferior ao valor de importação acrescido dos tributos, frete nacional e despesas acessórias e, em muitos casos, ao valor unitário indicado no Fl. 507321DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.322 32 documento fiscal relativo à entrada, sem quaisquer acréscimos, conforme exemplos nas fls. 505.373/505.374. Em consequência, se somados o frete, as despesas acessórias e os tributos devidos na importação, exceto o IPI, em 64% dos itens importados o valor unitário de saída esteve abaixo do valor de importação com os acréscimos devidos, e em 70% foi menor ou, no máximo, igual; l) Depois de citar depoimento de dirigente da empresa, indica haver ficado “claramente evidenciado que os dirigentes da pessoa jurídica têm consciência de que estavam desobedecendo à determinação legal de utilizar o valor mínimo tributável nas saídas para estabelecimentos de firma interdependente, conforme previsto na legislação do IPI. Aliás, cabe reiterar, os dirigentes das pessoas jurídicas, remetente e destinatária dos produtos, são os mesmos”; m) “Concretamente, como ficará demonstrado ao longo deste Termo, Unilever Brasil Industrial (antiga Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza) e Unilever Brasil atuam como uma só unidade econômica. E pelas informações apresentadas pelo estabelecimento fiscalizado, este não obtém, nem pretende obter, qualquer lucro nas operações de industrialização ou importação. E, o mais importante, os preços praticados entre as pessoas jurídicas dessa unidade econômica não são praticados com terceiros. Com estes, as operações não seguem o mesmo padrão.”; Com essas constatações, voto pela improcedência do Recurso Voluntário ora analisado e a manutenção do Acórdão recorrido no que tange a este ponto. (...) Salientase que no Termo de Verificação Fiscal, no que concerne a base de cálculo do IPI, assim consta: (...) No plano meramente formal, foram emitidas notas fiscais correspondentes a vendas aos estabelecimentos da Unilever Brasil, supostamente comerciais atacadistas, mas, no plano material, houve simples remessa dos produtos para depósitos fechados da própria indústria, conforme fartamente demonstrado. Na saída para estabelecimentos de terceiros não interdependentes, funcionários do operador logístico do respectivo depósito, emitem notas fiscais em nome da Unilever Brasil com o valor real da operação de comercialização. Portanto, o mecanismo utilizado para a redução da base de cálculo do imposto foi a simulação de uma operação de comercialização entre o estabelecimento industrial e os supostos comerciais atacadistas da empresamãe. É perfeitamente cabível a utilização da expressão ‘supostos comerciais atacadistas’ porque estes inexistem, como também restou demonstrado. Esta etapa de comercialização, entre a indústria e uma comercial atacadista, não existe no plano real. Mas é sob esta ficção que os valores dos produtos triplicam. Como se viu, a simulação ocupou papel central no planejamento evasivo executado pelo grupo econômico, ao lado de outras ilicitudes constatadas, conforme relatado ao longo deste Termo. Uma vez que não existem operações de comercialização entre o estabelecimento industrial e comerciais atacadistas da Unilever Brasil, foram considerados, para fins de tributação do IPI, as quantidades e valores dos produtos saídos dos Centros de Distribuição da Unilever – cuja natureza é de depósito fechado – aos terceiros não interdependentes. (Grifouse) Fl. 507322DF CARF MF Processo nº 10830.727214/201331 Acórdão n.º 3301005.083 S3C3T1 Fl. 507.323 33 (...) 42. Discordase. Conforme já exposto, o trabalho feito pela fiscalização conseguiu demonstrar fartamente a simulação existente entre os estabelecimentos com a finalidade de reduzir o IPI a ser pago, através de uma venda fictícia de produtos da UBI para a UB. A autoridade lançadora demonstrou a confusão patrimonial existente entre as empresas, destacando, conforme dito acima, fatos relevantes, tal qual a existência de contratos de fornecimento inválidos e que não definem o preço praticado, juntamente com a total dependência financeira da UBI em relação à UB, refletidos nos contratos de gestão de pagamentos Constatase, exemplificativamente, nestes poucos trechos do voto ora embargado, que não há a omissão alegada pelo Contribuinte em relação a ausência de identificação das operações fraudulentas. Ficou consignado no voto as operações realizadas de forma clara e precisa e, como se sabe, embargos não se prestam a rediscutir a matéria. Conclusão Não constatadas as omissões alegadas e de acordo com a legislação aplicável, voto por rejeitar os os Embargos de Declaração (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 507323DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900020/2012-96
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 12/11/2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.185
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 12/11/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 00 20 /2 01 2- 96 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10840.900020/201296 Acórdão n.º 9303007.185 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.473, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 12/11/2004 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10840.900020/201296 Acórdão n.º 9303007.185 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10840.900020/201296 Acórdão n.º 9303007.185 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10840.900020/201296 Acórdão n.º 9303007.185 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10840.900020/201296 Acórdão n.º 9303007.185 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 179DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720223/2014-29
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2010
MULTA. QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964.
Numero da decisão: 9303-007.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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QUALIFICAÇÃO. POSSIBILIDADE. A aplicação da multa de ofício em 150% (cento e cinquenta por cento) exige a inequívoca comprovação do evidente intuito de fraude na conduta do sujeito passivo, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama (relatora), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Érika Costa Camargos Autran. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 02 23 /2 01 4- 29 Fl. 350DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o acórdão 3402002.895, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 30/11/2010 DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O VALOR DEMONSTRADO E O DECLARADO. Correto o Auto de Infração que exige valores de PIS apurados a partir do Dacon (Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais) elaborado pelo contribuinte se não houve a correspondente declaração em DCTF e tampouco restou comprovado seu recolhimento. PENALIDADE. QUALIFICAÇÃO. A retificação de DCTF, em sucessivos períodos, reduzindo para zero os débitos apurados no DACON e anteriormente declarados na DCTF, constitui dolo específico com o fim de sonegar tributo. MULTA QUALIFICADA O percentual da multa de ofício aplicada decorre de lei, não tendo a autoridade administrativa competência para afastálo sob a alegação de confisco, matéria que refoge ao conhecimento deste Colegiado nos termos da Súmula 02 do CARF. ” Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19515.720223/201429 Acórdão n.º 9303007.464 CSRFT3 Fl. 351 3 Irresignado, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração contra o r. acórdão, requerendo que seja sanada as omissões e as contradições, emprestando os efeitos infringentes pleiteados. Traz, entre outros, que: · A recorrente e o seu representante legal não foram intimados da pauta de julgamento, impossibilitando o conhecimento da data do julgamento, a entrega de memoriais e sustentação oral; · Houve contradição no julgamento ao apreciar a questão relacionada a aplicação da multa agravada; Em Despacho às fls. 234 a 236, foi proposta a rejeição dos Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, por ausência de contradição, obscuridade ou omissão na decisão embargada. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acórdão, suscitando divergência em razão da aplicação da multa qualificada no percentual de 150%, trazendo, entre outros, que: · Tratase de Auto de Infração decorrente da revisão eletrônica da DACON relativa ao ano calendário de 2010, das quais se constataram divergências entre os valores declarados e os recolhidos a título de PIS, de modo que o valor declarado em DACON é superior ao declarado em DCTF bem como superior ao valor recolhido aos cofres públicos; · A Fiscalização verificou que o sujeito passivo apresentou DCTFs originais nas quais foram declarados os valores efetivamente devidos tal como declarado na DIPJ/2011; · Posteriormente, a Fiscalização observou que as DCTFs originais entregues pela Recorrente foram retificadas, “zerando” os valores anteriormente informados nas DCTFs originais a Recorrente apresentou Impugnação por meio da qual buscou demonstrar que em nenhum momento pretendeu fraudar o Fisco — tanto é assim que apresentou DCTFs originais declarando os valores efetivamente Fl. 352DF CARF MF 4 devidos, bem como apresentou DACON e DIPJ/2011 com esses mesmos valores devidos; · Para a Recorrente os valores a título de PIS foram devidamente declarados nas DCTFs entregues no decorrer do anocalendário de 2010, como também foram informados na DACON e na Declaração de Imposto de Renda – DIPJ entregue em 2011, de modo que não fazia o menor sentido a retificação tão somente das DCTFs. · Verificou a Recorrente que a mesma vinha corretamente entregando todas as DCTFs no decorrer do anocalendário de 2010, nas quais declarava a integralidade dos valores devidos a título de PIS, tal como apurado em sua contabilidade, no entanto, observou que houve a retificação somente de suas DCTFs. Nesse sentido, a Recorrente tomou conhecimento que as retificações realizadas em suas DCTFs haviam “zerado” todos valores do tributo devido, valores esses devidamente declarados nas DCTFs entregues antes das retificações realizadas; · Que se fosse o intuito da Recorrente em retardar o conhecimento do Fisco sobre os tributos por ela devidos, não teria ela somente retificado as DCTFs, mas também teria promovido a retificação de todos os demais documentos, quais sejam, DACONs e DIPJ/2011. Em Despacho às fls. 333 a 339, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, ressurgindo, então, com a discussão acerca da aplicação da multa qualificada no percentual de 150%. Entende o sujeito passivo que não há prova cabal da existência de qualquer fraude e/ou dolo praticado pela recorrente. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · Não há a menor dúvida de que o sujeito passivo, ao informar faturamento menor do que o real (zerado) ao Fisco federal, procurou impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade tributária, da ocorrência do fato gerador do tributo. Tal fato restou provado nos autos, e, salientese, não foi ilidido no acórdão recorrido; Fl. 353DF CARF MF Processo nº 19515.720223/201429 Acórdão n.º 9303007.464 CSRFT3 Fl. 352 5 · Vêse o intuito de fraude quando a Recorrida adota a prática de declarar ao Fisco Federal um faturamento que sabia não ser verdadeiro. Assim, é muito claro que a contribuinte passou, de forma consciente, informações falsas ao Fisco; · Depreendese do próprio art. 71 da Lei 4.502/64, que não é, de forma alguma, permitido à contribuinte declarar informações sabidamente falsas ao Fisco. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do recurso especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os critérios definidos no art. 67 da Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. O que, por conseguinte, concordo com o exame de admissibilidade presente em Despacho. Quanto ao mérito, considerando os fatos, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Ora, a multa de 150% objeto da discussão foi trazida pelo art. 44, inciso I, § 1º, da Lei 9.430/96 traz que "o percentual da multa de que trata o inciso I (75%) será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502 de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.". E o art. 71, I, da Lei 4.502/64 (grifos meus): “Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 354DF CARF MF 6 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. ” Se a empresa sistematicamente, reiteradamente, declarava em DCTF os valores como exatamente os apurava em DACON, e mesmo na DIPJ de 2011, o fato de equivocadamente ter enviado uma declaração retificadora de DCTF zerada não demonstra a ação dolosa da empresa em burlar o Fisco da cobrança desse débito. Caso assim pensássemos, deveríamos desconsiderar ou tornar as outras declarações ineficientes frente a autoridade fazendária. Considerando que demonstrou efetivamente o débito das contribuições em DACON e DIPJ, resta demonstrado que o sujeito passivo “se atrapalhou” ao enviar uma DCTF retificadora “zerada”, vez que nem retificou as outras declarações. O que poderíamos considerar nesse caso – é que o contribuinte apenas restou em mora junto à administração tributária. Não há como caracterizar que houve dolo específico com o fito de retardar, mascarar, o conhecimento do débito tributário pela autoridade fazendária, vez que declarou que o débito existia em DACON e DIPJ. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial, dandolhe provimento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheira Érika Costa Camargos AutranRedatora designada Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar quanto ao mérito do Recurso Especial de iniciativa do Contribuinte. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 19515.720223/201429 Acórdão n.º 9303007.464 CSRFT3 Fl. 353 7 A discussão principal posta nos autos referese à possibilidade de qualificação da multa de ofício nos casos de conduta reiterada de omissão de receitas e divergências entre os valores declarados e aqueles escriturados. A multa para o lançamento de ofício será majorada para 150% (cento e cinquenta por cento) nas hipóteses de evidente intuito de fraude, conforme disposto no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/96, com redação vigente à época dos fatos geradores (anos de 2001 a 2004) nos seguintes termos: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Vide Mpv nº 303, de 2006) (Vide Medida Provisória nº 351, de 2007) Conforme dispositivos legais acima transcritos, nas hipóteses de lançamento de ofício será aplicada multa sobre a totalidade ou diferença do imposto, no montante de 75% (setenta e cinco por cento) ou de 150% (cento e cinquenta por cento), este último nos casos de evidente intuito de fraude por parte do contribuinte. Portanto, a multa de 150% terá aplicação sempre que for constatada a ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Para o enquadramento do ilícito fiscal nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, imprescindível a presença de dolo na conduta do contribuinte, devendo o mesmo praticar intencionalmente a conduta com o propósito de obter o resultado de suprimir ou Fl. 356DF CARF MF 8 reduzir o pagamento do tributo devido. A caracterização do elemento dolo exige a presença de substancial conjunto probatório sobre a prática do ato infracional, não se prestando para tal a existência de meros indícios da intenção dolosa por parte do agente. No caso dos autos a fiscalização, em procedimento interno, constatou valores de débitos de PIS declarados em DACON referente aos períodos acima indicados, sem estarem os mesmos declarados em DCTF ou recolhidos. Intimado a justificar tal fato (fls. 17/18), o contribuinte esclareceu que os valores constantes da DACON estavam corretos. Quanto às DCTF com valores zerados, arguiu que "o fez segundo orientação, eis que buscava a compensação dos valores devidos mediante a entrega de PER/DCOMP correspondente". E conclui que "em vista dos mesmos terem sido quitados mediante solicitação de compensação, os mesmos foram informados em DCTF, com os saldos zerados eis que não foi apurado saldo devedor em nenhum dos períodos informados". Em sequência, a fiscalização intimou o contribuinte a informar o número da(s) PER/DCOMP que teriam quitados os valores declarados em DACON, assim como suas cópias. Em resposta (fl. 26) a essa intimação, o procurador da empresa informou que não encontrou em seus arquivos bem como no CAC as PER/DCOMP objeto das compensações. Diante desses fatos, foi lavrado Auto de Infração (fls. 61/76) para exigência dos valores devidos e declarados nas DACON mas não declarados em DCTF. Afirma o Fisco no lançamento que em pesquisa aos sistema PER/DCOMP, não encontrou (dentre as várias enviadas pela empresa) nenhuma que contemplasse o PIS referente ao ano de 2010. Consignou ainda (item 6, fl. 63) que o contribuinte apresentou DCTF originais com débitos declarados de PIS e posteriormente as retificou, "zerando os valores anteriormente declarados (adotou este mesmo procedimento tanto para o PIS, quanto para a COFINS, quanto para a CSLL e também para o IRPJ)", acrescendo que as DCTF ativas são as últimas entregues. Cópia das DCTF encontramse às fls. 41/54. Em face de tal, entendeu a fiscalização que esse fato "caracteriza a intenção do contribuinte de retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da existência de débitos tributários", o que deu azo a aplicação da multa de ofício no patamar de 150%, nos moldes do art. 44, I, § 1º, da Lei 9.430/96, com redação da Lei nº 11.488/07, entendendo tratarse de sonegação, subsumindose os fatos ao inciso I do artigo 71 da Lei 4.502/64, transcrito na peça fiscal. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 19515.720223/201429 Acórdão n.º 9303007.464 CSRFT3 Fl. 354 9 Como dito, sistematicamente, reiteradamente, declarava em DCTF os valores como exatamente os apurava em DACON, e mesmo na DIPJ de 2011 como alega, e depois os retificava em novo envio de DCTF com débito zerado, fica patente a ação dolosa da empresa no sentido de burlar o Fisco da cobrança desse débito. Não resta dúvida que houve relação causal entre o agir da empresa e o efeito que buscava em não pagar os débitos de PIS. Tratase, portanto, de dolo específico com o fito de retardar, mascarar, o conhecimento do débito tributário pela autoridade fazendária. Assim, presente e provado o tipo penal a que alude o art. 71, I, da Lei 4.502/64, no qual arrimouse o lançamento para qualificar a multa aplicada, deve mesma ser mantida. Diante do exposto, negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.003531/2007-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantém-se o lançamento.
FALTA DE PROVAS. DECISÃO MANTIDA.
A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados.
Numero da decisão: 2002-000.299
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. FALTA DE PROVAS. DECISÃO MANTIDA. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 35 31 /2 00 7- 18 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 11543.003531/200718 Acórdão n.º 2002000.299 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls.50/51) contra decisão de primeira instância (fls.37/43), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2005, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF/Vitória. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído: (em Reais) Imposto Suplementar (sujeito à multa de ofício) 3.963,80 Multa de Ofício (passível de redução) 2.972,85 Juros de Mora (cálculo até 31/08/07) 1.347,69 Imposto Suplementar (sujeito à multa de mora) Multa de Ofício (passível de redução) Juros de Mora (cálculo até 31/08/07) Total do Crédito Tributário 8.284,34 O referido lançamento teve origem na constatação da seguinte infração: Omissão de Rendimentos do Trabalho Recebidos de Pessoa Jurídica — omissão de rendimentos do trabalho recebidos de pessoa jurídica. Fonte Pagadora: CRETOVALE — Cooperativa de Econ. e Créd. Mutuo dos Trabalhadores da CVRD Ltda. Valor: RS 14.800,00 (IRRF de R$ 106.20). A base legal do lançamento encontrase as fls. 30 dos autos. O contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL) em 20/09/2007 (fl. 0809), que foi indeferida em 01/10/2007 (fl. 07). Em 11/10/07 (fl.20), o contribuinte teve ciência do lançamento e, em 08/11/07, apresentou impugnação, em petição de fls. 0102, acompanhada dos documentos de fls. 0318, alegando, resumidamente, o que se segue: inicialmente faz menção aos argumentos já expostos na SRL, na qual assevera que os rendimentos pagos pela Cooperativa destinamse ajuda de custos para pagamento de despesas extras (viagens, deslocamentos com veículo próprio). Por isso, não submeteu à tributação tais rendimentos. relata na impugnação as suas dificuldades financeiras pelo fato de que sua esposa teve sérios problemas de saúde (câncer de mama) que necessitaram de intervenções médicas de alto custo. Acrescenta ainda o agravamento de sua situação Fl. 66DF CARF MF Processo nº 11543.003531/200718 Acórdão n.º 2002000.299 S2C0T2 Fl. 4 3 financeira em decorrência da sua aposentadoria prematura, reduzindo os benefícios do INSS e do fundo de pensão. entende que está amparado pela isenção do imposto de renda, devido ao problema de saúde de sua esposa: por fim. solicita a isenção do imposto de renda com efeitos retroativos a junho de 2000. Ante todo o exposto, entendendo demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer seja acolhida a presente impugnação e cancelado o débito fiscal reclamado. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos à tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi notificado em 18/02/2011 (fl.49); Recurso Voluntário protocolado dia 01/03/2011 (fl.50), assinado pelo próprio contribuinte. O recorrente em seu Recurso Voluntário, lança uma preliminar de mérito que confundese com o mérito e, com ele será analisado. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 11543.003531/200718 Acórdão n.º 2002000.299 S2C0T2 Fl. 5 4 O recorrente em sua peça de resistência, não juntou aos autos, a comprovação que os valores recebidos tinham natureza jurídica de ajuda de custo, para custeio de despesas extras, assim, neste sentido, sua defesa fica apenas no campo das alegações, e em direito quem alega deve provar seu fato constitutivo. Outra alegação do recorrente, é que sua esposa é portadora de moléstia grave, portanto faz jus à isenção do imposto de renda, neste aspecto razão não assiste ao recorrente, pois não é o próprio interessado que é acometido pela moléstia. Além de toda a argumentação, verificase que a própria fonte pagadora considerou os valores pagos como rendimentos tributáveis (fl.11). Quanto ao pedido de isenção fiscal, deixo de analisar eis que o mesmo não é cabível nesta oportunidade, até porque foge da competência deste CARF. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e no mérito, negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720033/2012-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2202-000.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem junte os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências janeiro, fevereiro e março de 2007, devendo ser, na sequência, intimado o contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem junte os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências janeiro, fevereiro e março de 2007, devendo ser, na sequência, intimado o contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 15940.720033/201279, em face do acórdão nº 0255.585, julgado pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 29 de abril de 2014, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 40 .7 20 03 3/ 20 12 -7 9 Fl. 167DF CARF MF Processo nº 15940.720033/201279 Resolução nº 2202000.824 S2C2T2 Fl. 168 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “Compõem o processo 15940.720033/201279 os seguintes autos de infração lavrados por descumprimento de obrigações principais, no período de 01/2007 a 03/2007 e 07/2007 a 11/2008, consolidados em 27/3/2012: AI 37.353.8839, no valor de R$ 11.127,31, referese à contribuição da empresa incidente sobre valores pagos a contribuintes individuais, não incluídos em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP; AI 37.373.1043, no valor de R$ 5.211,35, referese à contribuição devida pelo segurados contribuintes individuais incidentes sobre suas remunerações. Os fatos geradores das contribuições lançadas referemse a pagamentos efetuados a contribuintes individuais não incluídos em folha de pagamento e GFIP que prestaram serviços ao contribuinte. Na aplicação da multa foi observado o disposto no CTN, artigo 106, inciso II, alínea “c” (demonstrativo às fls. 49/50) para aplicação da penalidade mais benéfica ao contribuinte. Nas competências 07/2007, 10/2007 a 12/2007, 07/2008 a 11/2008 foi aplicado o percentual de 75% nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/1991, acrescentado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Nas demais competências, 01/2007 a 03/2007, foi aplicada a penalidade do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. O contribuinte teve ciência das autuações em 5/4/2012 (quinta–feira, véspera de feriado), e apresentou impugnações em 8/5/2012, fls. 122 a 127. Aduz que a maioria de suas obras é contratada com empresas públicas, estatais ou paraestatais, submetidas a controle e segurança rigorosos e que nas fiscalizações que sofreu junto ao Ministério do Trabalho não foi constatada a presença de trabalhador sem o registro de empregado. Porém, reconhece os valores lançados para o período de abril/2007 a dezembro/2008 e diz que efetuará o devido recolhimento, para a juntada das guias comprovantes oportunamente. Alega que os recibos que enumera não correspondem a serviços tomados e devem ser excluídos do lançamento: Argumenta que os valores correspondentes ao período de janeiro a março/2007, foram atingidos pela decadência e que também devem ser Fl. 168DF CARF MF Processo nº 15940.720033/201279 Resolução nº 2202000.824 S2C2T2 Fl. 169 3 excluídos dos lançamentos Requer o reconhecimento da decadência/prescrição operada para o período de janeiro a março de 2007, em razão da caducidade do MPF e TIPF de 1/6/2011, bem como a revisão e cancelamento dos autos de infrações, para excluir os quatro recibos impugnados, por estarem dissociados dos fatos e por falta de fundamentação legal.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 152/160, reiterando, as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF A recorrente pleiteia a nulidade do lançamento por ter sido notificada e recebido o Termo de Encerramento após o término do prazo previsto no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Entendo que não cabe razão à recorrente. Inicialmente registro a inexistência de prejuízo. Sigo a jurisprudência do CARF, que tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF ou o descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Compartilho do entendimento exarado no acórdão CARF nº 10423228 (sessão de 29/05/2008), no sentido que o MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Assim, eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. Rejeito a preliminar, portanto. 2. Decadência Em relação à decadência, o contribuinte faz referência aos períodos até 03/2007, inclusive. Isso porque só foi regularmente cientificado do lançamento em 05/04/2012. A DRJ rejeitou a alegação, porque entendeu que o contribuinte não efetuara antecipação do pagamento referente especificamente às contribuições incidentes sobre a Fl. 169DF CARF MF Processo nº 15940.720033/201279 Resolução nº 2202000.824 S2C2T2 Fl. 170 4 rubrica específica, e por isso a contagem do prazo decadencial deslocarseia do § 4º do artigo 150, do CTN, para o artigo 173, I, do CTN. No entanto, a Súmula CARF nº 99, de observância obrigatória, estabelece que: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. (grifouse) Contandose o prazo decadencial na forma do artigo 150, § 4º do CTN, a partir da ocorrência do fato gerador, e se considerado que houve a efetiva antecipação de pagamentos de contribuições, ainda que não especificamente sobre valores pagos relativos à rubrica especificamente exigida no auto de infração, mas aplicando a inteligência da Súmula acima transcrita, é de ser reconhecida a decadência do lançamento até a competência 03/2007, inclusive. Diante disso, entendo por converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem junte os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências janeiro, fevereiro e março de 2007. Conclusão. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para fins de que a unidade de origem junte os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias relativos às competências janeiro, fevereiro e março de 2007, devendo ser, na sequência, intimado o contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 170DF CARF MF
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