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Numero do processo: 15586.720746/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2009, 2010
RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR.
Os diretores de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatutos. Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário.
Numero da decisão: 3301-003.962
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. Os diretores de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatutos. Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Larissa Nunes Girard (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 07 46 /2 01 4- 81 Fl. 9303DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.304 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório elaborado no Acórdão nº 0834.981 4ª Turma da DRJ/FOR (fls. 9219/9233): O presente processo tratou sobre impugnação contra os lançamentos tributários referentes a períodos de apuração dos anoscalendários 2009 e 2010, consubstanciados nos seguintes autos de infração: 2. A descrição dos fatos do lançamento de Cofins conteve a seguinte infração: 0001 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA PADRÃO INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS Valor apurado com base nos fatos descritos no Termo de Verificação da Infração (TVI), que é parte integrante deste Auto de Infração nos autos do PAF nº 15586.720.746/201481. Fato Gerador Contribuição (R$) Multa (%) 31/01/2009 1.784,74 150,00 28/02/2009 417,23 150,00 31/05/2009 6.395,57 150,00 30/06/2009 6.395,54 150,00 31/08/2009 99.686,23 150,00 30/09/2009 101.375,69 150,00 31/10/2009 187.541,23 150,00 30/11/2009 159.235,08 150,00 31/01/2010 82.465,96 150,00 28/02/2010 115.924,39 150,00 31/03/2010 132.698,85 150,00 30/04/2010 4.549,18 150,00 31/07/2010 84.498,49 150,00 31/08/2010 1.487,04 150,00 30/09/2010 815,38 150,00 3. A fundamentação para os referidos lançamentos fiscais encontrase no Termo de Verificação da Infração (TVI), consoante efls. 8901/9038, a seguir resumida: TRIBUTO VALOR EM REAIS (PRINCIPAL, MULTA E JUROS) LOCALIZAÇÃO NOS AUTOS Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS 1.356.341,76 efls. 9064/9087 Contribuição para o PIS/Pasep 298.837,54 efls. 9039/9063 TOTAL 1.655.179,30 efl. 8900 Fl. 9304DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.305 3 Em análise dos PER/DCOMPs de efl. 8904, constatouse a necessidade de glosa de grande parte das aquisições de carvão vegetal, tendo em vista que: a) Os supostos fornecedores de carvão e o próprio impugnante estão envolvidos em esquema ardiloso de fabricação de créditos de Cofins e PIS/Pasep, consoante Inquéritos Policiais anexados; b) Os alegados negócios entre os fornecedores de carvão e o impugnante contemplam pelo menos uma entre as seguintes hipóteses: impugnante não comprovou a efetividade dos pagamentos correspondentes à compra deste insumo; fornecedor não possui patrimônio nem capacidade operacional para produzir e vender carvão; fornecedor não recolheu Cofins e PIS/Pasep na fase anterior da cadeia de produção ou de comercialização; fornecedor encontrase com a situação cadastral irregular (CNPJ); fornecedor é pessoa jurídica constituída em nome de interpostas pessoas (“laranjas”); os pagamentos correspondentes à compra de carvão foram efetuados a pessoa física e não à pessoa jurídica fornecedora. Também foram glosadas as aquisições de sucata de ferro, sucata de ferro gusa, sucata de aço e os serviços de transporte desses materiais, nos termos do artigo 47 da Lei n° 11.196, de 2005, e as aquisições de pessoas físicas, conforme previsto no artigo 3º, § 2º, inciso I, das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. “De posse dos créditos de PIS/COFINS vinculados à receita de exportação, a Fiscalização chegou a novos valores de créditos passíveis de aproveitamento mediante ressarcimento ou compensação, os quais serão informados no Sistema de Controle de Créditos Tributários (SCC), e o resultado destas ações será cientificado ao contribuinte. Já quanto aos novos valores de créditos vinculados ao mercado interno e utilizados pela pessoa jurídica no desconto das contribuições apuradas mensalmente, a Fiscalização constatou em alguns meses que eles foram insuficientes para desconto integral das contribuições devidas e relacionadas nos DACONs do período. Neste ponto, cabe ressaltar que o contribuinte possuía saldo credor de PIS/COFINS nos meses de novembro e dezembro de 2008, apurado em procedimentos fiscais anteriores sob o MPF nº 0720100.2011.006162. Este saldo credor permitiu à Fiscalização proceder ao seu aproveitamento de ofício nos meses devedores, porém, conforme se observa nas PLANILHAS DE RECONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO DE PIS/COFINS, este saldo credor não foi suficiente, restando ao final saldos devedores do PIS e da COFINS.” [efls. 8946/8947] “Após a conferência dos créditos relacionados pela pessoa jurídica nos DACONs de 2009 e 2010, e considerando os fatos até aqui expostos, a Fiscalização com base na leis que regem o PIS e COFINS não cumulativos, apurou contribuições devidas e não recolhidas ou declaradas em DCTF. Os saldos ao final de cada mês são os indicados na PLANILHA DE VERIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/COFINS AQUISIÇÃO NO MERCADO INTERNO VINCULADOS À RECEITA TRIBUTADA NO MERCADO INTERNO (Anexo III), e os débitos apurados destas contribuições e seus acréscimos legais são objeto de cobrança neste Auto de Infração.” [efl. 8948] Fl. 9305DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.306 4 Outrossim, entendeuse pela qualificação da multa de ofício, devido à habitualidade e gravidade das infrações cometidas. 4. A autoridade fiscal também lavrou os Termos de Sujeição Passiva Solidária contra Antonio Carlos Correa Leite Buchaul (e fls. 9208/9210) e Udo Castilho Schlemm (efls. 9212/9214), diretores da Siderúrgica Ibiraçu S/A na época das infrações à lei, em conformidade com o artigo 135, inciso III, do CTN. 5. Cientificado dos autos de infração em 20/11/2014 (efl. 9206), o contribuinte apresentou impugnações, em 15/12/2014, quanto à Cofins (efls. 9127/9132) e ao PIS/Pasep (efls. 9164/9169), ambas com o mesmo conteúdo, a seguir resumidas: CONSIDERAÇÕES SOBRE O RECORRENTE a) O impugnante é Empresa Siderúrgica, estabelecida no Município de IbiraçuES há 15 anos; produz ferro gusa destinado aos mercados interno e externo, gerando grande número de emprego na região. b) Como fonte de energia, utiliza carvão vegetal, adquirido de diversos fornecedores, sendo certo que todo carvão adquirido vem acompanhado das respectivas Notas Fiscais. c) Todas as Notas Fiscais estão escrituradas em livros próprios e acompanhadas dos respectivos DAE's Documento de Arrecadação Estadual. As Notas Fiscais que acobertaram a comercialização do carvão preenchem todos os requisitos extrínsecos e intrínsecos do RICMS/ES, conforme comprovam as cópias inclusas, inobstante não terem sido autorizada a confecção dos respectivos blocos. d) Aduziu Acórdão n° 121/2009, da 1ª Câmara de Julgamento, referente ao Processo n° 18005136, CERF 155/2009, Inscrição Estadual n° 081.925.484. e) Registrase que os pagamentos feitos pelo impugnante, referentes a aquisição de carvão vegetal, são feitos diretamente as Empresas Vendedoras ou a terceiros indicados por aquelas, mediante declaração expressa. f) Nesse sentido, o impugnante sempre apresentou Declarações de Compensação (DCOMPs) objetivando o aproveitamento de créditos da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS nãocumulativo. g) O impugnante somente efetua compra de insumo com pessoas jurídicas fornecedoras, após consulta ao SINTEGRA/SEFAZES. Assim, inobstante o desconhecimento das supostas irregularidades constatadas pela fiscalização, fica desde logo evidenciada a boafé do recorrente. h) Não é razoável repassar para o adquirente, na condição de administrado, o pesado, senão insuportável, ônus de verificar, em cada operação, a origem e regularidade fiscal de cada contribuinte que travar relações contratuais. i) O fisco não pode transferir para outra a responsabilidade tributária, a menos que comprove fraude que não se presume. j) Registrase ainda que o impugnante detém o direito ao aproveitamento dos créditos das contribuições oriundos da compra de insumos. Isso porque a pessoa jurídica que adquire mercadoria de outra Fl. 9306DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.307 5 pessoa jurídica regularmente inscrita, mediante nota fiscal e comprovante do recolhimento dos tributos, não pode ser responsabilizada pela omissão dos vendedores, em recolher o tributo e muito menos ser impedida de obter o benefício fiscal de crédito, por ter agido de boafé. k) Imputar responsabilidade ao comprador em tal situação seria atribuir a terceiro, sem previsão legal, responsabilidade tributária, em flagrante ofensa ao artigo 128 do CTN. l) Tem entendido o STJ caber ao Fisco e não ao contribuinte adquirente da mercadoria, o dever de verificar a idoneidade das notas fiscais, e, desse modo, não há plausibilidade jurídica em obstar o adquirente de boafé ao aproveitamento de créditos, quando verificado, a posteriori, que a documentação fiscal que originou o crédito não era idônea. m) No que se refere ao contribuinte, a operação está revestida de todas as formalidades necessárias para garantir sua legalidade, e sendo assim deve ser reconhecido o direito de aproveitamento total do crédito de COFINS nãocumulativa, até porque recebeu todos os documentos fiscais dos fornecedores e agiu de boafé. DO EXCESSO DA MULTA APLICADA n) A situação em concreto não se enquadra nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, razão pela qual não incide a dobra de 75% de multa, pois inexiste subsunção dos fatos à norma tida por violada. o) No máximo, aplicarseia ao presente caso o artigo 74, § 17, da Lei n° 9.430, de 1996, sob o percentual de 50%. DA DECADÊNCIA p) Considerando as normas decadenciais (artigos 150, § 4°, e 173, inciso I, do CTN), operouse a caducidade parcial do crédito tributário. 6. Já os responsáveis solidários contestaram os termos de sujeição passiva solidária mediante impugnações de efls. 9092/9099 e 9109/9116, que contêm, além do teor das impugnações citadas no parágrafo anterior, os seguintes argumentos: ESPECIFICAMENTE QUANTO A SUPOSTA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO RECORRENTE, REGISTRESE O SEGUINTE: a) Não consta dos Autos nenhuma motivação a ensejar a responsabilização solidária do ora Recorrente. b) É certo que a Decisão Administrativa que atribui responsabilidade solidária ao sócio da Empresa autuada deve ser adequadamente motivada e fundamentada, sem depender de presunções e ficções inadmissíveis no âmbito do direito público e do direito administrativo. Tais requisitos legais não estão presentes no caso em concreto. c) Os Tribunais Pátrios têm considerado presunção inadmissível aquela que impõe ao sujeito passivo deveres probatórios ontologicamente impossíveis, arrazoáveis e desproporcionais, bem como aquelas desprovidas de motivação idônea, assim considerada como sendo aquelas que não demonstrem ter o agente fiscal se empenhado em Fl. 9307DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.308 6 identificar as circunstâncias legais que permitam a extensão da relação jurídica tributária até a pessoa do respectivo sócio/gestor. d) Há que se ressaltar ainda a nulidade da pretensa responsabilização solidária do Recorrente, diante da falta de competência da fiscalização para praticar tal ato. e) Segundo entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, compete exclusivamente à Procuradoria da Fazenda Nacional, imputar a responsabilidade pelo crédito tributário a terceiro, no bojo da cobrança executiva. A imputação de responsabilidade efetuada pela fiscalização é nula por sua incompetência para praticar tal ato. f) O CARF tem entendido que, se a responsabilidade se transfere pela ocorrência de algum evento, o lançamento deve ser realizado apenas em nome do contribuinte, pois o responsável não integra o sujeito passivo eleito na norma que descreve a obrigação tributária. Somente após, na fase de cobrança, é que o responsável por transferência poderá vir a ser chamado a fazer parte do polo passivo, em razão da ocorrência de fato autorizador da transferência. g) Temse assim que a finalidade do art. 135 do CTN é garantir o adimplemento do crédito tributário, através da transferência da responsabilidade a terceira pessoa, que passa a responder pela dívida, o que, contudo, só deverá ocorrer depois de esgotadas as possibilidades de recebimento do crédito tributário do sujeito passivo direto, o que se dará na fase de cobrança judicial do crédito, atividade de competência exclusiva da Procuradoria da Fazenda Nacional. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) considerou a manifestação de inconformidade improcedente e manteve o crédito tri butário com a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2009, 2010 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010 COFINS. PIS/PASEP. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMPRA DE CARVÃO VEGETAL. ORÍGEM ILÍCITA. BOAFÉ. NOTA FISCAL. REINCIDÊNCIA. Para fins de demonstração dos créditos de Cofins e de PIS/Pasep, a simples apresentação de nota fiscal não se presta para comprovar a boafé na compra de carvão vegetal. Para tanto, deve o contribuinte apresentar a licença do vendedor, outorgada pela autoridade competente, bem como da documentação da origem do produto vegetal, mormente quando a mesma glosa de crédito já ocorrera em processo administrativo prévio. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. SIMULAÇÃO. FRAUDE. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, constituem dano ao erário mediante simulação e fraude contra a Fazenda Pública. Fl. 9308DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.309 7 DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. REGRA GERAL. Em caso de ocorrência de dolo ou fraude, aplicase a ressalva final do artigo 150, § 4º, do CTN, calculandose a decadência pela regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR. Os diretores de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com infração de lei, contrato social ou estatutos. Essa responsabilidade é solidária com o contribuinte da obrigação tributária, consistindo em garantia adicional ao crédito tributário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foram apresentados Recursos Voluntários por Antônio Carlos Correa Buchaul (indicado como responsável solidário), às fls. 9259 a 9279, e por Udo Castilho Schlemm ( também indicado como responsável solidário), às fls 9.282 a 9300. No Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. Antônio Carlos Correa Buchaul foi alegado, em síntese: · como preliminar, que não haveria nenhum fundamento fático ou jurídico para a responsabilização pessoal e solidária do Recorrente, porque o lançamento tributário não teria decorrido de nenhum ato de sua autoria e que seria imperativo comprovar o fato, o ato, a autoria e o nexo de causalidade com o crédito tributário; · a decisão que impôs a responsabilidade pessoal solidária ao Recorrente é nula por falta de fundamentação fática e jurídica o simples fato de ser diretor não autorizaria a imputação; · que estaria apontada a responsabilidade pessoal do funcionário responsável pelas compras MATEUS TONON, não se tendo concluído pela participação do Recorrente; · o termo de verificação fiscal não teria apontado nenhum ato ilegal praticado pelo Recorrente. Concluiu o Recorrente que "À vista de todo o exposto, demonstrado que a imposição de responsabilidade pessoal ao recorrente, com fundamento no art. 135, III, do CTN, é absolutamente infundada, vez que não se apurou nos procedimentos administrativos nem nos policiais nenhum ato de sua responsabilidade, de forma que foi incurso no feito tão somente porque à época era diretor da empresa" Requereu "O PROVIMENTO do presente recurso para, REFORMANDO a decisão recorrida, ANULAR o TERMO DE RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA, lavrado contra sua pessoa, por falta absoluta de amparo legal e fático, assim, excluindo sua responsabilidade pelo crédito tributário e pela suposta infração, bem como a da pessoa jurídica, para atribuíla àquele que realmente for o responsável pelo ilícito tributário". Fl. 9309DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.310 8 No Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. por Udo Castilho Schlemm foram apresentadas as mesmas alegações do Recurso Voluntário apresentado pelo Sr. Antônio Carlos Correa Buchaul. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira Os Recursos Voluntários são tempestivos e atendem aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Cumpre consignar inicialmente que os recursos voluntários apresentados questionam a imputação de responsabilidade aos diretores Antônio Carlos Correa Buchaul e Udo Castilho Schlemm e também à pessoa jurídica, defendendo que deveria ser responsabilizado o empregado da empresa, Mateus Tonon. Não foi apresentado Recurso Voluntário em nome da pessoa jurídica. Não foram impugnados os demais pontos da decisão recorrida. Quanto à participação e intenção dos diretores da empresa, cabe consignar as observações constantes da decisão recorrida, especialmente no que concerne à reincidência nas infrações, ou seja, a pessoa jurídica, na figura dos seus administradores, já tinha plena consciência da ilicitude das práticas perpetradas, pois em relação aos fatos geradores de 2005 houve decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, não contestada, reconhecendo fraude, dissimulação e negócio ilícito, transcrevemos: (a) O impugnante reincidiu nas mesmas práticas perpetradas no ano de 2005, que foi objeto dos Processos n° 13770.000705/200571 e 13770.000445/200533 (vide pareceres fiscais nestes autos nas efls. 275/296 e 297/311, respectivamente), sendo que, no primeiro processo, a decisão da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil não foi sequer contestada pelo contribuinte (formou coisa julgada administrativa), com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. COMPROVADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Fl. 9310DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.311 9 Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. (b) O impugnante pertence ao ramo da siderurgia, que tem como insumo relevante o carvão vegetal a ser utilizado na fabricação de ferro gusa. É fato notório para uma indústria siderúrgica a grande incidência de comércio ilegal de eucalipto, madeira muito utilizada para a produção de carvão vegetal. Por isso, nada mais normal que a siderúrgica se protegesse da compra de produtos vegetais com origem ilícita, mediante obtenção da licença do fornecedor, bem como da documentação de origem do carvão vegetal, especialmente quando a autoridade fiscal constatou a aquisição, pelo impugnante, de milhões de reais nesse insumo (e fl. 8493). (c) Demais disso, o contribuinte adquiriu carvão vegetal em razão desproporcional à capacidade de produção de seus fornecedores, por meio de interpostas pessoas (“laranjas”), sem exigir a licença do fornecedor, em franca violação do artigo 46 da Lei n° 9.605, de 1998. (d) Os alegados negócios entre os fornecedores de carvão e o impugnante contemplam pelo menos uma das seguintes características: o impugnante não comprovou a efetividade dos pagamentos correspondentes à compra desse insumo; os pagamentos correspondentes à compra de carvão foram efetuados a pessoa física estranha à pessoa jurídica fornecedora; o fornecedor não possui patrimônio e é titularizado por pessoa humilde que apenas “emprestou” seu nome para a abertura da pessoa jurídica; o fornecedor encontrase com a situação cadastral irregular no CNPJ. 11. Portanto, na espécie, reconheço a incidência de máfé e dolo de fraude do contribuinte para inflar seus créditos nas compras de carvão vegetal, consoante provas convergentes aduzidas nos autos. Nesse passo, a ação comissiva e reincidente do sujeito passivo no sentido de obter créditos falsos denota a intenção de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido, precisamente o delito de fraude descrito no artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Dessa forma, mantémse o entendimento de que havia plena consciência da infração pela empresa e seus diretores, caracterizandose, portanto, de máfé e dolo de fraude do contribuinte para inflar seus créditos nas compras de carvão vegetal. É dever dos diretores e administradores conhecer e acompanhar a contabilidade da empresa e decidir sua atuação, especialmente em relação a operações de grande vulto econômico. Dessa forma, mantémse a responsabilidade dos diretores, pois esses têm o dever de conhecer, acompanhar e tomar as decisões em nome da empresa. Essa responsabilidade não pode ser afastada mediante tentativa de transferir a funcionários os deveres de administração, zelo e correição e as responsabilidades, deveres inerentes aos administradores da pessoa jurídica. Fl. 9311DF CARF MF Processo nº 15586.720746/201481 Acórdão n.º 3301003.962 S3C3T1 Fl. 9.312 10 Também não cabe questionar a responsabilidade da pessoa jurídica, que obteve consideráveis ganhos em razão da conduta delitiva de seus administradores. Dessa forma, voto pela manutenção da decisão recorrida nos pontos questionados nos Recursos Voluntários, pelas razões acima, e ,por falta de impugnação, também nos demais pontos. Diante do exposto, voto por negar provimento aos recurso voluntários. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 9312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720689/2015-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração.
RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADA AO LUCRO LÍQUIDO No caso concreto, as reavaliações foram utilizadas para integralizar o aumento de capital da contribuinte, inobservando a exigência do art. 437, I do RIR;99 à medida que não houve quaisquer distinções entre o custo de aquisição e o valor da reavaliação, de forma a não evidenciar o ganho de capital diferido nas operações praticadas.
REAVALIAÇÃO DE MARCA. A reavaliação prevista no art. 436 do RIR/99 diz respeito a marca, e não patente. A redução no capital social da contribuinte em razão do ativo reavaliado, sem contrapartida em investimento configura alienação para fins fiscais.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não havendo argumentos buscando afastar a responsabilidades imputada aos sócios administradores, esta deve ser mantida, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 44, II, DA LEI Nº 9.430/96. Não estando devidamente consubstanciado nos autos a atividade fraudulenta do contribuinte, o percentual de multa deve ser reduzido.
Numero da decisão: 1301-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa para o percentual de 112,5%, vencidos Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo que negavam provimento integral ao recurso
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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Não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADA AO LUCRO LÍQUIDO No caso concreto, as reavaliações foram utilizadas para integralizar o aumento de capital da contribuinte, inobservando a exigência do art. 437, I do RIR;99 à medida que não houve quaisquer distinções entre o custo de aquisição e o valor da reavaliação, de forma a não evidenciar o ganho de capital diferido nas operações praticadas. REAVALIAÇÃO DE MARCA. A reavaliação prevista no art. 436 do RIR/99 diz respeito a marca, e não patente. A redução no capital social da contribuinte em razão do ativo reavaliado, sem contrapartida em investimento configura alienação para fins fiscais. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não havendo argumentos buscando afastar a responsabilidades imputada aos sócios administradores, esta deve ser mantida, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. ART. 44, II, DA LEI Nº 9.430/96. Não estando devidamente consubstanciado nos autos a atividade fraudulenta do contribuinte, o percentual de multa deve ser reduzido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 06 89 /2 01 5- 74 Fl. 845DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 846 2 para reduzir a multa para o percentual de 112,5%, vencidos Flávio Franco Corrêa e Milene de Araújo Macedo que negavam provimento integral ao recurso (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araújo Macedo e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Por bem resumir a lide, adoto o relatório contido no Acórdão n° 1672.897 proferido pela 4ª Turma da DRJ/SPO (fls. 708/719): 1. Trata o presente processo de lançamentos de ofício de Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica IRPJ (R$193.513.696,79), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (R$72.130.499,88), no valor total de R$265.644.196,67, considerados tributo, multa de ofício e juros de mora calculados até fevereiro de 2015. Houve compensação do valor tributável com saldo de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de CSLL. (fls. 03/040) 2. Salientese que foi apontada a responsabilidade tributária solidária dos senhores Marinho Pereira Braga e Sônia Pereira Braga, sobre os fatos geradores apontados nos autos. 3. Do auto de infração de IRPJ, constam três infrações (fls. 07/08): 3.1. Alienação das quotas da Marba para a Chemo España S.L. (Infração 3 do Termo de Verificação Fiscal) 0001 GANHOS E PERDAS DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO INTANGÍVEL Falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação/baixa de bem do ativo Intangível gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme Termo de Verificação Fiscal, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 03/01/2011 84.000.000,00 225,00 Enquadramento Legal Fl. 846DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 847 3 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Art. 149, inciso VII, do CTN. art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247, 248, 251 e 418, do RIR/99 3.2. Incorporação de reavaliação de marcas (Infração 1 do Termo de Verificação Fiscal) 0002 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 25/04/2010 156.987.814,00 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/05/2010: Artigo 149, inciso VII, do CTN. art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247 e 249 do RIR/99 Arts. 436 e 437, inciso I, do RIR/99 3.3. Incorporação de reavaliação de marcas com Alienação de marcas e/ou participação societária da Mabra para a GRB (Infração 2 do Termo de Verificação Fiscal) 0003 ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL ALIENAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL INTEGRALIZADO COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 01/06/2010 30.300.000,00 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2010 e 31/12/2010: Artigo 149, inciso VII, do CTN art. 3º da Lei nº 9.249/95. Art. 4º da Lei nº 9.959/2000 Fl. 847DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 848 4 Artigo 435, inciso II, alinea "a", do RIR/99. Artigos 247, 249, inciso II, 436 e 437, inciso I, do RIR/99 4. Do auto de infração de CSLL, constaram as mesmas três infrações (fls. 28/29), na seguinte forma: 4.1. Alienação das quotas da Marba para a Chemo España S.L. (Infração 3 do Termo de Verificação Fiscal) 0001 CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO INTANGÍVEL Falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação/baixa de bem do ativo Intangível gerando, em conseqüência, redução indevida do lucro sujeito à tributação, conforme Termo de Verificação Fiscal, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 03/01/2011 84.000.000,00 225,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2011 e 31/12/2011: Artigo 149, inciso VII, do CTN Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 4.2. Incorporação de reavaliação de marcas com Alienação de marcas e/ou participação societária da Mabra para a GRB (Infração 2 do Termo de Verificação Fiscal) 0002 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL ALIENAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL INTEGRALIZADO COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 01/06/2010 30.300.000,00 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2010 e 31/12/2010: Art. 149, inciso VII, do CTN. Fl. 848DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 849 5 Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Arts. 2º da Lei nº 9.249/95 Arts. 435, inciso II, alinea a, 436, 437, inciso I, do RIR/99 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 4.3. Incorporação de reavaliação de marcas (Infração 1 do Termo de Verificação Fiscal) 0003 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE ADIÇÕES À BASE DE CÁLCULO AJUSTADA DA CSLL INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS Valor não adicionado ao lucro líquido do período, para a determinação do lucro real, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, em anexo, que é parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 25/04/2010 156.987.814,00 150,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/05/2010: Artigo 149, inciso VII, do CTN. Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com redação dada pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Arts. 2º da Lei nº 9.249/95 Artigos 436 e 437, inciso I, do RIR/99 Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 5. E, de ambos os Autos de Infração, constam, ainda, fls. 05/06 e 26/27, respectivamente, "Demonstrativo de Responsáveis Tributáveis", de igual teor, imputando responsabilidade solidária aos sóciosadministradores Marinho Pereira Braga e Sonia Silveira Braga, nos seguintes termos: Responsabilidade Solidária por Excesso de Poderes, Infração de Lei, Contrato Social ou Estatuto Motivação 1. O art. 135, inciso III, do Código Tributário Nacional estabelece que: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (original sem o grifo) (...) Fl. 849DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 850 6 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” (lei 5.172/64 – CTN) (…) 2. Com efeito, o casal MARINHO PEREIRA BRAGA e SÔNIA PEREIRA BRAGA, sóciosadministradores da CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA, criaram outras duas empresas, Mabra Farmacêutica Ltda e GRB Participações SS Ltda, passando a fazer reavaliação de marcas de medicamentos produzidos pela CIFARMA, seguida de cisões e alterações nas participações societárias com estas empresas. 3. Utilizaram a CIFARMA para capitalizar a empresa GRB Participações SS Ltda, e a empresa MABRA para efetuar a alienação das marcas de medicamentos da CIFARMA para empresa espanhola CHEMO SPANÃ S.L, operações realizadas com o intuito de reduzir indevidamente o pagamento do IRPJ e da CSLL ao longo dos anoscalendários de 2010 e 2011. 4. Estas operações não possuem substância econômica, tendo como finalidade possibilitar, unicamente, a redução do montante de tributos, como amplamente demonstrado no Termo de Verificação Fiscal, anexado nos autos de infração e parte integrante dos mesmos. 5. A conduta de referidos sócios subsumese ao que dispõe o art. 72 da Lei nº 4.502/64, verbis: Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 6. Desta forma, considerando que os senhores MARINHO PEREIRA BRAGA e SÔNIA PEREIRA BRAGA, possuem poder de gerência e, nessa qualidade, cometeram o ilícito descrito no referido art. 72, fica caracterizada a responsabilidade solidária prevista no art. 135, III, do CTN, transcrito no início deste termo, em decorrência de infração de lei. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 135 da Lei n° 5.172/66. 6. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 41/69, foram trazidas, primeiramente, as informações referentes à reorganização da Cifarma (CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA– CNPJ: 17.562.075/000169 itens 03 a 14) e Mabra (MABRA FARMACÊUTICA LTDA– CNPJ: 09.545.589/000188 itens 15 a 26), cujos objetos sociais são a fabricação de produtos farmacêuticos, cosméticos, produtos de higiene e perfume, compreendendo a industrialização, distribuição, embalagem, armazenamento e distribuição de produtos veterinários; importação de matériasprimas e embalagens, exportação e transporte de seus produtos; podendo ainda participar no capital de outras empresas. Há, ainda, duas empresas envolvidas nas operações: GRB (GRB PARTICIPAÇÕES LTDA, Fl. 850DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 851 7 CNPJ 09.606.662/000184 itens 27 e 28), e uma de origem espanhola Chemo (CHEMO ESPAÑA S.L, CNPJ 08.437.482/000153). 7. Informouse que ocorreu reavaliação de marcas e patentes, sendo que a Fiscalização aponta para o fato de que a contabilização de tal evento deveria ter se dado de forma desdobrada, em custo de aquisição e reavaliação/ajuste. 8. Em segundo lugar (itens 29 a 44), foram narrados os "Procedimentos da Fiscalização" onde são resumidos os termos lavrados pela Fiscalização e as respostas dadas a estes pela Impugnante, buscando esclarecimentos sobre os aumentos de Capital ocorridos na empresa em 2010, as Cisões da empresa em 2010, e a relação comercial entre a CIFARMA e as empresas MABRA FARMACEUTICA LTDA e CHEMO ESPAÑA S.L. 9. A seguir, em terceiro lugar (itens 45 a 51), a Fiscalização adentrou brevemente a legislação das Sociedades em Conta de Participação (SCP), IN SRF nº 31/2001, arts. 991 a 993 do Código Civil, citando doutrina de André Luiz Santa Cruz, que destaca as seguintes peculiaridades sobre o assunto: “Normalmente, a sociedade em conta de participação é constituída para a realização de empreendimentos temporários ou até mesmo para realização de determinado negócio específico, extinguindose posteriormente.” pag. 319, André Luiz Santa Cruz Ramos, Curso de Direito Empresarial, 3ª edição. Trouxe detalhes da relação desta natureza existente entre a CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA, CNPJ: 17.562.075/000169 (Sócia Ostensiva), e a empresa CHEMO DO BRASIL COMERCIO DE FARMOQUIMICOS LTDA, CNPJ: 08.623.553/000102 (Sócia Participante), e relata a resposta da Fiscalizada justificando a necessidade da constituição dessa SCP: 9.1. 51. Atendendo Intimação da fiscalização, a CIFARMA apresenta resposta Justificando a necessidade de criação da SCP, através da qual esclarece que os produtos pertencentes a empresa MABRA, no ano de 2010, são todos fabricados e comercializados na empresa Cifarma. Já no ano de 2011, a empresa Mabra consegue a licença para fabricar e comercializar os medicamentos da linha hormonal, fica na SCP a operação dos medicamentos não hormonais e produtos qualificados como alimentos. Com a constituição da SCP foram criadas contas específicas para abrigar as receitas da mesma. Os valores apurados foram lançados na mesma contabilização da fiscalizada e encontramse registrados nas contas iniciadas com o número 5, sendo separados tais lançamentos na escrituração do Livro LALUR. 10. Em quarto lugar (itens 52 a 58), demonstrase que o sócios nas empresa Cifarma, Mabra e na SCP são sempre os mesmos, alterando o quadro social quando um sócio sede parte ou toda sua participação em favor de outro e questionase o fato da Mabra ter sido vendida a Chemo Spaña S.L. através de contrato de compras e vendas de quotas, assinado em 01/06/2010, se, até esta data, a empresa possuía um Capital Social de R$100.000,00 e não tinha qualquer faturamento? O contrato referido foi assinado entre a Chemo e a Cifarma, apesar desta ter entrado na sociedade apenas em 08/07/2010, em decorrência da CISÃO PARCIAL da Cifarma. Ou seja, efetivamente foram vendidas partes das quotas da CIFARMA, transferidas para MABRA. Afirma a Fiscalização que para ser compatível com os valores de venda envolvidos, tiveram que efetuar a REAVALIAÇÃO DE MARCAS E PATENTES DA CIFARMA, aumentar o Capital Social com esta reavaliação e, então, executar a CISÃO PARCIAL DA CIFARMA. Fl. 851DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 852 8 11. Abordouse, em seguida (itens 59 a 60 e 62), a questão da reavaliação de marcas e patentes na legislação societária e tributária. A Lei nº 11.638/07 revogou os dispositivos que permitiam a reavaliação. Transcreveuse trechos do CT 03, aprovado pela Resolução CFC nº 1.157/09, nesse sentido (item 59), bem como a decisão da 6ª Região Fiscal no Processo de Consulta nº 19/09 Órgão: SRRF / 6ª Região Fiscal. Publicação no D.O.U. de 20.03.2009. No RIR/99, a matéria é regulada pelos artigos 434 a 437. Alertou a Fiscalização que, embora vedada a reavaliação pela legislação comercial, a conduta proibida não configura infração ao Regulamento do Imposto de Renda (RIR), em face do princípio da neutralidade tributária adotado pelas Leis nºs 11.638/07 e 11.941/09. 12. Passouse a analisar o caso particular da Impugnante, que realizou reavaliação de marcas e patentes, tendo em vista os lançamentos contábeis e operações societárias relevantes (itens 62 a 76). Frisouse a necessidade de subdividir o valor do bem reavaliado em 2 contas – aquisição e reavaliação – matéria regulada pelo Parecer Normativo CST nº 69, de 24 de setembro de 1986, publicado no DOU de 25/09/86, o que não foi feito pela Impugnante. Esse requisito é previsto no art. 437, do RIR/99 e seu descumprimento, segundo vem decidindo o CARF, gera a obrigação de tributar a reavaliação (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – 1ª. Seção – 1ª. Turma da 3ª. Câmara / ACÓRDÃO 130100.260 em 28.01.2010). 13. A venda da participação da Cifarma na Mabra para a empresa espanhola Chemo Spaña S.L. foi tratada nos itens 76 a 79. 14. As "Constatações Relativas à Reorganização Societária da Cifarma" constam dos itens 80 a 87: 80. Mediante análise dos Contratos Sociais das empresas, laudos de reavaliação, contrato de criação da SCP, contrato de venda de quotas da CIFARMA para CHEMO SPAÑA S.L e dos dados contábeis da fiscalizada, tiramos as constatações dos itens seguintes. 81. Quanto as empresas do grupo CIFARMA 1ª empresa criada pelo grupo CIFARMA – CIFARMA CIENTIFICA FARMACÊUTICA LTDA, em 26/01/2007. É a empresa que possui a propriedade das marcas e patentes de medicamentos e possui Capital Social de R$ 30.300.000,00 até a Reavaliação das marcas e patentes. 2ª empresa criada pelo grupo CIFARMA – MABRA FARMACÊUTICA LTDA, constituída em 25/08/2008, com capital integralizado em moeda corrente no valor de R$ 100.000,00, tendo como sócios os filhos dos sócios da CIFARMA. Permanece com o mesmo Capital Social e sem movimentação comercial até a CISÃO com a CIFARMA em 08/07/2010. 3ª empresa criada pelo grupo CIFARMA – EMPRESA GRB PARTICIPAÇÕES LTDA, constituída em 19/05/2008, tendo como sócio com mais de 99% das quotas, Marinho Pereira Braga, sócio da CIFARMA, e seus dois filhos, sócios de criação da MABRA. 82. Quanto a Reavaliação de Marcas e Patentes • Reavaliação do ATIVO INTANGÍVEL (Marcas e Patentes de vários medicamentos), no valor de R$ 187.287.814,00. Na contabilização foi creditada a conta de Reserva de Reavaliação Reavaliação de Patentes (conta 2.620.30100001) e debitada a conta de Marcas e Patentes (conta 1.620.10101036). Fl. 852DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 853 9 • A conta Reserva de Reavaliação Reavaliação de Patentes (conta 2.620.30100001) foi baixada em 25/04/2010 no valor integral de R$ 187.287.814,00, em contrapartida a conta CAPITAL SOCIAL INTEGRALIZADO –contas de Capital Social integralizado pelos sócios (contas 2.610.1010 final 0001, 0002 e 0006). 83. Quanto à CISÃO parcial da CIFARMA com a empresa MABRA 1ª CISÃO da CIFARMA com a MABRA em 08/07/2010 – Conforme verificado no item anterior, o Capital Social da CIFARMA foi aumentado com a Reavaliação de Marcas e Patentes, sendo posteriormente utilizado para realização da primeira Cisão com a MABRA no valor de R$ 84.000.000,00. 2ª CISÃO da CIFARMA com a MABRA em 17/08/2010. Utilizando novos medicamentos como Marcas e Patentes, a CIFARMA aumenta seu Capital Social em 10/08/2010 no valor de R$ 83.900.000,00. Posteriormente, em 17/08/2010, utiliza este aumento de Capital para fazer a 2ª CISÃO da CIFARMA com a MABRA. 84. Na 1ª CISÃO, temos como resultado as seguintes modificações na situação patrimonial da CIFARMA: Investimento de R$ 53.700.000,00 na MABRA Devolução de Capital para GRB Participações no valor de R$ 30.300.000,00. 85. Na 2ª CISÃO, temos inicialmente um investimento de R$ 83.900.000,00 a CIFARMA na empresa MABRA, seguida da venda desta participação para empresa espanhola CHEMO SPAÑA S.L. 86. Através do contrato de compra e venda de quotas, datado de 1º de junho de 2010, e seus aditivos posteriores, a CIFARMA vendeu à CHEMO SPAÑA S.L, sociedade com sede em Madri, Espanha, R$ 84.000.000,00 das quotas pertencentes à Cifarma, representativas do capital da sociedade denominada MABRA Farmacêutica Ltda, CNPJ 09.545.589/000188. 87. Quanto a Criação da Sociedade em Conta de Participação (SCP) • Após o recebimento da 1ª parcela das quotas vendidas para a empresa espanhola CHEMO, as empresas envolvidas na transação comercial resolveram criar uma SCP para venda dos medicamentos e demais produtos que passaram a ser propriedade da CHEMO SPAÑA S.L. • Mediante Instrumento Particular de Constituição de Sociedade em Conta Participação (SCP), assinado em 11/11/2010, é constituída uma SCP, entre o contribuinte ora fiscalizado, CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA, CNPJ: 17.562.075/000169 (Sócia Ostensiva), e a empresa CHEMO DO BRASIL COMERCIO DE FARMOQUÍMICOS LTDA, CNPJ: 08.623.553/000102 (Sócia Participante), constando que a CHEMO SPAÑA S.L, foi quem indicou a Chemo do Brasil Comércio de Farmoquímicos Ltda, para ser a sócia participante da presente sociedade. • Em 02/12/2010, é feito um ADITIVO ao contrato original da Sociedade em Conta de Participação (SCP), transferindo a participação como Sócio Oculto, da empresa CHEMO DO BRASIL COMERCIO DE FARMOQUÍMICOS LTDA para a empresa MABRA FARMACÊUTICA LTDA, CNPJ: 09.545.589/000188. Fl. 853DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 854 10 • No Contrato de criação da SCP é relatado que a CHEMO SPAÑA S.L irá perceber os resultados oriundos da comercialização dos produtos comercializados pela mesma, sendo este o objetivo desta SCP, que funcionaria até que tais produtos pudessem ser comercializados pela própria MABRA, com a liberação pela ANVISA. • Desta forma, verificamos que a SCP foi criada com um propósito comercial: a CIFARMA tinha acabado de realizar uma operação de venda de quotas da sua empresa, que representavam a fabricação e comercialização de certos medicamentos. Para tornar viável à CIFARMA – detentora das licenças da Anvisa – continuar a fabricação e comercialização dos medicamentos, bem como preservar a venda à empresa espanhola, a saída inicial do negócio foi a criação da SCP. 15. Dos itens 80 a 87 supra, seguiuse a constatação de três infrações tributárias (item 88): EFEITOS TRIBUTÁRIOS DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA DA CIFARMA 88. Das constatações dos itens 80 a 87, verificamos as seguintes infrações tributárias: INFRAÇÃO 1 – Em 25/04/2010, mediante 26ª alteração do contrato social, foi incorporada a reserva de reavaliação ao capital mediante lançamento nº 20100430585, no valor de R$187.287.814,00. O diferimento da tributação previsto no art. 436 do RIR limitase a ser aplicado a patentes e imóveis. Por se tratar apenas de marcas – conforme informações do laudo de reavaliação, contrato social e resposta do INPI – não ocorre o diferimento da tributação da reavaliação. Outra infração em relação ao mesmo fato: o contribuinte deixou de cumprir a determinação do inciso I do art. 437 do RIR/99 e manteve na mesma conta nº 1.620.10101036 – Marcas e Patentes – tanto o custo de aquisição como o valor da reavaliação. INFRAÇÃO 2 – Mediante 28ª alteração do contrato social da Cifarma, e 2ª alteração do contrato social da Mabra, o valor de R$84.000.000,00 de Marcas a Cifarma foi vertido para a Mabra. O lançamento contábil correspondente foi efetuado em 01/06/2010, arquivado sob nº 20100630027, tendo por contrapartida a redução de capital dos sócios Marinho, Sônia e pessoa jurídica RB. Tais sócios – que retiraram parcial ou totalmente a participação na Cifarma – passaram a compor o quadro societário da Mabra, na exata medida as Marcas vertidas. A participação da GRB na Mabra foi substituída pelo sócio a GRB: Gustavo. Mediante 3ª alteração do contrato social da Mabra, os sócios pessoas naturais arinho e Sônia substituíram sua participação societária pela Cifarma, conforme lançamento contábil extemporâneo nº 201101300120 em 03/01/2011. O ócio Gustavo substituiu sua participação na Mabra por GRB. Como contrapartida no aumento do capital dos sócios na Cifarma, foi implementada a onta de investimento nº 161010200003 – Mabra, retratando a participação da Cifarma na Mabra. Ao final das operações, R$53.700.000,00 em marcas da Cifarma foi substituída ela participação societária na Mabra; R$30.300.000,00 das marcas da Cifarma oram alienadas para GRB. Em 01/06/2010, na devolução de Capital Social da CIFARMA para GRB articipações, no valor de R$30.300.000,00, este valor significa uma diminuição no Capital Social da CIFARMA, sem contrapartida em investimento, o que significa Fl. 854DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 855 11 uma alienação de participação societária, e que portanto deveria ser oferecida à tributação como Receita na venda de quotas de capital Social. Ainda que a GRB Participações componha o mesmo grupo econômico, a CIFARMA não substituiu, na época, os bens reavaliados por participação societária na GRB Participações: o capital e o ativo foi reduzido com a saída daquele sócio no momento da cisão para a MABRA. O Parecer Normativo CST nº 6/85 prorroga a neutralidade da tributação da reavaliação nas operações de sucessão; porém sua aplicação se restringe ao patrimônio vertido na empresa destinatária, no caso a Mabra. No caso concreto, a Cifarma alienou R$30.300.000,00 em marcas para a GRB, nas sucessivas operações relatadas. Em face da cisão com alienação, não se aplica o Parecer Normativo CST nº 6/85 na empresa de origem do patrimônio vertido. A tributação imediata encontrase prevista no RIR, art. 435, inciso II, alínea “a”. Caso se entenda pela inaplicabilidade da tributação pela alienação, ainda assim persistem, em relação ao valor de R$30.300.000,00, as infrações mencionadas na infração nº 1. INFRAÇÃO 3 – Conforme proposta justificativa e protocolo de cisão parcial da cifarma protocolizado em 08/07/2010, 29ª e 30ª alteração do contrato social da Cifarma, e proposta justificativa e protocolo de segunda cisão parcial da Cifarma firmado em 15/08/2010, os sócios Marinho e Sônia integralizaram capital de R$83.900.000,00 com as marcas Ciclofemme, Ferane 35, Fertnon, Folifeme, Klimater, Klimavit, Menoprin, Noregyna, Poslov, e Enantato de Norestirona + Valerato de Estradiol Genérico. Também houve o ajuste das marcas a valor presente. Na segunda cisão para a Mabra, tais marcas foram vertidas para o patrimônio da Mabra, vindo a Cifarma a aumentar participação na Mabra para R$137.600.000,00. Mediante 5ª alteração do contrato social da Mabra, a Cifarma alienou à Chemo España S.L. sua participação societária de R$84.000.000,00 na Mabra, remanescendo ainda a participação no valor de R$53.600.000,00. Em 03/01/2011, o contribuinte efetuou o lançamento contábil nº 201101300122, lançando a débito da conta de recebíveis nº 112060100010 CHEMO ESPANA S.L, e a crédito da conta de investimento (participação societária) na Mabra nº 161010200003. Em síntese, as marcas sempre foram de propriedade da Cifarma, conforme resposta do INPI, de maneira que os sócios não poderiam integralizar capital. Tais marcas foram vertidas para o patrimônio da Mabra, em troca de participação societária naquela empresa. As quotas foram alienadas para a Chemo, e em seu lugar a compradora passou à condição de devedora à Cifarma, no valor de R$84.000.000,00. Adquiridas as marcas pelo custo zero, o valor da venda deve ser adicionado ao lucro real. Como o contribuinte abstevese de responder à intimação nº 8 de 17/09/2014 ara entrega do contrato de venda à Chemo e demais esclarecimentos, restringimo nos a efetuar o lançamento com os elementos disponíveis. A Cifarma prometeu vender à Chemo a participação societária na Mabra, e a compradora prometeu pagar o preço, desde que satisfeitas as condições pactuadas. Uma vez alienada a participação societária na Mabra e adquirido o direito disponibilidade econômica) de receber os R$84.000.000,00 em 03/01/2011, configurase o fato gerador da obrigação tributária no ato reconhecimento contábil do direito. Fl. 855DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 856 12 (destaques da transcrição) 16. No tocante à apuração da base de cálculo, fezse constar o seguinte (item 89 e 90): DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO 89. Os valores da infração 2 – alienação de marcas e/ou participação societária da Mabra para a GRB – estão contidos no valor da infração 1 – incorporação de reavaliação de marcas. Portanto do valor de R$187.287.814,00, correspondente à infração 1, devese subtrair o lançamento constante da infração 2 –R$30.300.000,00. 90. Passamos a demonstrar as infrações por período: (destaques da transcrição) 17. A multa de ofício foi qualificada (150%), com a formalização de PROCESSO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS (nº 10120.721123/2015 60), por ter sido verificada a ocorrência de fraude (art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96 c/c, arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64), o que foi justificado nos itens 91 a 101: 94. Restou provado, conforme descrito neste termo, que a fiscalizada vendeu suas marcas e patentes mediante reavaliação acompanhada de reorganização societária, única e exclusivamente, com o intuito de evitar tributação mais onerosa. 95. A fraude, que é a conduta dolosa do contribuinte de impedir a ocorrência do fato gerador, de forma a reduzir o montante de tributos devidos, está mais do que comprovada ante os inúmeros fatos neste termo demonstrados. Em apertada síntese, em abril de 2010, a fiscalizada prometeu vender marcas e patentes à empresa espanhola, a preço muito superior ao custo. Com a finalidade de reduzir e postergar a tributação, reavaliou seus ativos, executando procedimentos contábeis vedados pela legislação societária, e aproveitandose do congelamento da legislação fiscal em 31/12/2007. Posteriormente, pretendeu valerse de permissivos legais previstos no RIR/99, para adiar a tributação para 2012 e, então, confundir não só a origem da operação vantajosa mas também o sujeito passivo da obrigação tributária. Tais operações foram feitas de forma artificial, utilizandose de empresas interligadas. 96. Ao celebrar o contrato promessa de venda das patentes em abril de 2010, o vendedor experimentou ganho substancial econômico, posto que seu ativo valorado pelo custo de aquisição e/ou produção no montante de R$ 5.500.934,25 foi alienado por valor superior, conforme demonstrado na planilha, anexado no processo do Auto de Infração, intitulada de planilha do custo de aquisição e das Fl. 856DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 857 13 reavaliações. Na celebração do contrato de promessa de venda, a obrigação de entregar as patentes por um valor menor teve por contrapartida jurídica o direito a receber o preço pactuado em valores bem superiores. O ganho econômico ocorreu em abril de 2010, no ato de celebração do contrato de promessa de venda. 97. A posterior reavaliação e reorganização societária constituíram meios empregados pelo sujeito passivo para dar roupagem de operações não geradoras de tributos federais, bem como confundir a visão da administração tributária e transferir a obrigação tributária para outra empresa do mesmo grupo econômico. 98. A fraude fiscal está presente nas condutas do sujeito passivo, visto que a redução da base de cálculo dos tributos, por meio de referidas operações, feitas artificialmente, tiveram o objetivo de excluir a tributação, de modo a evitar o seu pagamento. 99. Ora, a adoção de procedimentos contábeis vedados tem a finalidade de possibilitar, unicamente, a exclusão da obrigação tributária. E o dolo da conduta está na vontade do agente de alcançar o resultado, a exclusão indevida dos tributos federais. 100. Presente o dolo, a exclusão da obrigação tributária e a tentativa de transferência para outro sujeito passivo, vemos como plenamente configurada a fraude descrita no art. 72 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. 101. Presente a fraude, por dever de ofício aplicamos a multa de 150% sobre o tributo que deixou de ser recolhido aos cofres da União. (destaques da transcrição) 18. Por fim, observese que agravouse em 50% a multa de ofício qualificada de 150%, correspondente aos tributos lançados em decorrência da venda à Chemo (primeira infração do auto de infração, infração 3 do Termo de Verificação Fiscal TFV 225%), com fundamento no art. 959, inciso I, do RIR/99, Lei nº 9.430/96, §2º, e Lei nº 9.532/97 e art 70, inciso I, considerando que o contribuinte se absteve de entregar o contrato de venda da Chemo e de prestar demais esclarecimentos, exigidos mediante Intimação nº 8 de 17/09/2014. 19. A empresa e os responsáveis solidários apresentaram impugnação conjunta às fls. 651/689, encaminhada para julgamento, conforme despachos de fls. 702/704. Alegouse em síntese que: I PRELIMINARMENTE 19.1. A lavratura do auto de infração AI ocorreu com vícios e nulidades, com ofensa ao princípio da legalidade, além de insegurança em sua determinação (art. 37 da Constituição Federal CF). 19.2. Isso porque, como se observa da descrição dos fatos e enquadramento legal do AI a Impugnante teria incorrido na infração mediante a FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE GANHOS E PERDAS DA SUPOSTA ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO INTANGÍVEL, POR DEIXAR DE ADICIONAR À BASE DE CALCULO DO IRPJ E DA CSLL, RELATIVO AOS VALORES CONTABILIZADOS Á TÍTULO DE INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS, ASSIM COMO, DE ALIENAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL INTEGRALIZADO COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 858 14 19.3. Entretanto, os arts. 41 e 436 do RIR/99 (e respectivas bases legais referenciadas) dispõem que não estão sujeitos à incidência do imposto os valores decorrentes de aumento de capital mediante a incorporação de reservas, evidenciando violação à legalidade na autuação. 19.4. Quanto à suposta alienação das reservas de reavaliação, como sendo no momento em que houve a incorporação do capital social, a resposta dada à pergunta sobre incorporação, fusão e cisão, disponibilizada no site da Receita Federal do Brasil, cujo serviço foi criado para dirimir dúvidas dos contribuintes e orientálos à cerca de legislação tributária, NÃO DEIXA QUALQUER DÚVIDA DE QUE NAS HIPÓTESES DE TRANSFERÊNCIA DE PATRIMÔNIO OCORRIDA EM VIRTUDE DE INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO não se caracteriza como ALIENAÇÃO e nem está sujeito à incidência do Imposto de renda, vejamos: A hipótese de transferência de patrimônio à sucessora, ocorrida em virtude de incorporação, fusão ou cisão, quando a substituição de ações ou de quotas se der na mesma proporção e valor das anteriormente possuídas, não se caracteriza como alienação nem está sujeito à incidência do imposto de renda (grifo nosso) 19.5. Ademais, a NPC24 determina o momento em que a Reserva de Reavaliação é considerada REALIZADA, para fins de contabilização, deixando claro no item 52 que a utilização pela investida da reserva de reavaliação, para aumento de capital não representa REALIZAÇÃO DE RESERVA DE REAVALIAÇÃO NA INVESTIDORA. Vejamos: 52 A utilização pela investida da reserva de reavaliação, para aumento de capital ou absorção de prejuízos acumulados, não representa uma realização da reserva de reavaliação na investidora. 19.6. Portanto, de acordo com o inciso II do artigo 112 do Código Tributário Nacional, interpretase de maneira mais favorável ao acusado em caso de dúvida quanto à natureza ou as circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos. Vejamos: Art. 112 A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I (...); II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III (...); IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. 19.7. Além dos vícios acima demonstrados, o Auto de Infração foi lavrado com insegurança em sua determinação, que levam à sua nulidade, pois, ao afirmar que os sócios Marinho e Sônia nunca foram proprietários de marcas e patentes (fls. 11, item 44 do Termo de Verificação Fiscal), esqueceuse das lições de direito empresarial que o sócio titular de uma quota de determinada sociedade limitada possui direitos e obrigações perante a sociedade. Neste sentido, dentre as espécies de direitos conferidos aos sócios, temse os direitos patrimoniais. 19.8. CASO A FISCALIZAÇÃO TENHA A CONVICÇÃO DE QUE OS SÓCIOS NÃO PODERIAM TER INTEGRALIZADO O CAPITAL SOCIAL COM A REAVALIAÇÃO DE MARCAS E PATENTES, O CONTRATO ARQUIVADO Fl. 858DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 859 15 NA JUNTA COMERCIAL É INVALIDO, O QUE TORNA NULO O PRESENTE AUTO DE INFRAÇÃO, NÃO HAVENDO EM QUE SE FALAR EM REALIZAÇÃO, DAS RESERVAS, LUCRO NA ALIENAÇÃO E MUITO MENOS EM IMPOSTO A PAGAR. 19.9. Em um segundo momento, conforme verificado pelo nobre auditor, as cotas do capital social em nome dos sócios Marinho e Sônia são "devolvidas" para a empresa Cifarma, ou seja, A TITULARIDADE DAS MARCAS E PATENTES NUNCA DEIXOU DE SER DA AUTUADA, NÃO HAVENDO QUE SE FALAR EM ALIENAÇÃO DAS MESMAS, O QUE HOUVE FOI A SUBSTITUIÇÃO DOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS DE "MARCAS E PATENTES" NO ATIVO PELO LANÇAMENTO CONTÁBIL DE "INVESTIMENTOS" TAMBÉM NO ATIVO. 19.10. E, também, de acordo com a NBCT 2.1 Norma Contábil que regulamenta a obrigatoriedade da escrituração comercial e contábil das empresas, dispõe que o LIVRO DIÁRIO registrado em órgão competente é condição legal e fiscal de elemento de prova a favor do contribuinte. Vejamos: 1) O Livro Diário é um livro de exigência obrigatória para a escrituração comercial e contábil das Empresas e, seu registro em órgão competente, é condição legal e fiscal como elemento de prova; 2) A exigência legal do Livro Diário data desde a edição do Código Comercial (25/06/1850), atualmente recepcionado pela Lei nº 10.406/02, tanto para1 a sua escrituração quanto para sua autenticação e registro em órgão competente 19.11. Todavia, mesmo com toda a importância dada ao referido livro, NÃO CONSTA NOS PRESENTES AUTOS, QUALQUER REFERÊNCIA AO MESMO. PARA QUE A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA POSSA COMPROVAR A OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO QUE LEVOU À LAVRATURA DO PRESENTE AUTO, CONFORME CONSTA NO DEMONSTRATIVO DE RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. 19.12. DA MESMA FORMA, PARA JUSTIFICAR A APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA EM DOBRO, O AUTUANTE DISCORRE NO ITEM 39 DO RELATÓRIO QUE A AUTUADA FOI INTIMADA A APRESENTAR O CONTRATO PARTICULAR DE COMPRA E VENDA CELEBRADO ENTRE A CIFARMA E A CHEMO ESPANA S.L. EM 24.09.2014, CUJO PRAZO PARA APRESENTAÇÃO ERA DE 20 DIAS OU SEJA, A AUTUADA TERIA ATÉ O DIA 14.10.2014 PARA SUA APRESENTAÇÃO. 19.13. EM 29.09.2014, ANTES DO TERMINO DO PRAZO DA INTIMAÇÃO ACIMA REFERIDA, A AUTUADA REQUEREU A PRORROGAÇÃO DO MESMO, POR MAIS 20 DIAS, O QUAL FOI DEFERIDO, OU SEJA, DO DIA DO VENCIMENTO (14.10.2014) MAIS VINTE DIAS, A AUTUADA TINHA ATÉ O DIA 04.11.2014 PARA APRESENTAR O CONTRATO. 19.14. ENTRETANTO, NO ITEM 41 TRAZ QUE "VENCIDO O PRAZO DE VINTE DIAS DA PRORROGAÇÃO DE PRAZO, e NADA SENDO APRESENTADO PELAS EMPRESAS, FOI ENCAMINHADO O TERMO DE INTIMAÇÃONº 09 PARA CIFARMA, DATADO DE 21.10.2014", sendo que a mesma teve o prazo prorrogado pela fiscalização até o dia 04.11.2014, então esta nova intimação foi encaminhada ANTES DO PRAZO PREVISTO PARA QUE A AUTUADA PUDESSE CUMPRIR A OBRIGAÇÃO, o que culminou na aplicação Fl. 859DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 860 16 da penalidade do artigo 44 da lei 9430/96, § 2º e seus incisos, embora a norma se refira à apresentação de documentação digital e não de um documento particular de negócio realizado entre as partes. Frisase que o documento solicitado é de amplo conhecimento da autoridade fiscalizadora, porque além de ter sido refletido em instrumentos públicos (contrato social), foi objeto de outras diligências fiscais, como se verifica no item 56 do relatório fiscal. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se refere o inciso I do caput e o § lº deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação ipara: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 19.15. Como se pode observar, os incisos II e III referemse à documentação digital. In verbis: Art. 38. O sujeito passivo usuário de sistema de processamento de dados deverá manter documentação técnica completa e atualizada do sistema, suficiente para possibilitar a sua auditoria, facultada a manutenção em meio magnético, sem prejuízo da sua emissão gráfica, quando solicitada. Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. .(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Mpv nº 303, de 2006) II MÉRITO 19.16. A Impugnante não incorreu em nenhuma infração à legislação tributária, de acordo com a NPC24 NORMAS E PROCEDIMENTOS DE CONTABILIDADE e resposta às perguntas sobre fusão e cisão, disponibilizados no site da Receita Federal do Brasil RFB. Segundo o item 52 da primeira, a utilização pela investida da reserva de reavaliação, para aumento de capital ou absorção de prejuízos acumulados, não representa uma realização da reserva na investidora. E, segundo informação do site da RFB, quando ocorreu a incorporação da reserva de reavaliação ao capital social, na hipótese de haver transferência de patrimônio à sucessora, por meio de cisão, esse evento não esta sujeito ao Imposto de Renda, por não caracterizar alienação. 19.17. Constou erroneamente no livro Razão o histórico "reavaliação". Na verdade tratase de "AJUSTE AO VALOR PRESENTE" do ativo intangível da empresa, feito em decorrência da obrigatoriedade da Lei nº 11.941/09 para as empresa optantes do RTT Regime Tributário Transitório, com efeitos a partir de 01/01/2010, conforme Laudo feito pela Comissão de Valores Mobiliários, que Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 861 17 compõe o presente Auto de Infração. (cita e transcreve decisão do CARF, apontando como número 16994862, de 24 de Agosto de 2010 vide fl. 661) 19.18. Uma das condições é a aplicação apenas das alterações introduzidas pela Lei 11.638/07 e, que instituiu novos critérios de escrituração contábil (LIVRO DIARIO), e artigos 37 e 38 da Lei 11941/09 e suas regulamentações de órgãos (CFC, CVM, BACEN, SUSEP, ANS, ANATEL e demais órgãos reguladores) com vigência a partir de 01.01.2008. 19.19. Assim, por força da nova legislação, o Ajuste ao Valor Presente AVP feito pela empresa, encontra respaldo legal no Resolução CFC nº 1.159/2009, itens 64 a 66, cujas regras estão determinadas na NBC TG 12.Vejamos: 64. O art. 15 da MP nº. 449/08 instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT), que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei n°. 11.638/07 e pelos arts. 36 e 37 da MP nº. 449/08. 65. O Regime Tributário de Transição (RTT) vigerá até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis buscando a neutralidade tributária. 66. O RTT será opcional nos anoscalendário de 2008 e 2009, cuja opção deve ser feita quando da entrega da DIPJ do anobase 2008, exercício financeiro 2009. 19.20. Conforme se extrai da norma acima, o Regime RTT foi criado para vigorar até a entrada de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos contábeis, buscando a neutralidade tributária, haja vista sua transitoriedade, conforme o próprio nome diz. 19.21. A nova legislação que passou a disciplinar o Imposto de renda das pessoas Jurídicas passou a vigorar em 01.01.2015 com a criação da Lei nº 12.753/14. 19.22. Assim, os critérios contábeis disciplinados pelas leis 11638/07 e o Regime Tributário Transitório disciplinado pela Lei nº 11941/09, foi o utilizado pela Autuada, conforme será demonstrado. 19.23. Para a contabilização do Ajuste ao valor Presente, que quer dizer, trazer para o valor presente, o valor real dos ativos das empresas, a Lei nº 6.404/76 determinou em seu art. 182, §3° que "seriam classificadas na reserva de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudos nos termos do artigo 8o, aprovado pela assembléia geral". 19.24. A partida da reavaliação será debitada no próprio ativo reavaliado, ou seja, a diferença entre o valor do laudo e o constante na contabilidade será acrescida a este último. O ativo, com novo valor contábil, não precisa estar subdividido, mostrando o valor anterior e o acréscimo pela reavaliação. Deverá ter um único total, já que o controle do valor reavaliado será efetuado na conta de reserva, do patrimônio líquido. 19.25. Observase que não há a obrigatoriedade da subdivisão da conta no ativo, mas, nada impede que, para fins de controle contábil, que haja desdobramento do valor na contabilidade, constando de valor original + valor reavaliado, principalmente em relação aos BENS MOVEIS, Já que o artigo 437 do Fl. 861DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 862 18 Regulamento do Imposto de Renda exige esta segregação contábil em subconta distinta de que registra o valor do bem imóvel, no caso de incorporação da reserva de reavaliação ao capital social. 19.26. O que não é o caso da autuada. Assim, após discorridos os conceitos de Realização de Reserva de Reavaliação, conceito de alienação no caso de cisão com incorporação de bens e a cerca do Ajuste RTT introduzido no ordenamento jurídico através da Lei 11941/09, passemos à analise dos mérito. 19.27. Conforme extraise da legislação do IRPJ e da CSLL constante do AI, a reavaliação de patente ou de direitos de exploração de patentes, quando decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País, não será computada na determinação do lucro real em virtude da incorporação da reserva de reavaliação ao capital social. 19.28. E a contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade resultante da fusão ou incorporação, na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão (art. 440 do RIR/99). 19.29. DO SUPOSTO GANHO DE CAPITAL APURADOS INCORRETAMENTE NA ALIENAÇÃO/BAIXA DE BENS DO ATIVO INTANGÍVEL NO VALOR DE R$84.000.000.00: 19.29.1. Não existe, entre as normas legais trazidas na autuação de IRPJ e de CSLL, não há nenhuma que determine que os valores integralizados por meio de cisão seriam relativos à alienação. Ao contrário, a resposta dada pelos auditores fiscais da receita federal do Brasil, às perguntas sobre incorporação, fusão e cisão, disponibilizados no site da Receita Federal do Brasil, não deixa nenhuma dúvida DE QUE NÃO HOUVE ALIENAÇÃO NA transferência de patrimônio à sucessora, no caso de cisão, POR ESTA RAZÃO NÃO HÁ incidência do Imposto de Renda. 19.30. DAS ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL REFERENTE A INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS NO VALOR DE R$56.987.814.00: 19.30.1. O art. 249 do RIR/99 determina que serão adicionados na apuração do lucro real, os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real, e o artigo 436 preceitua que a integralização de capital social (incorporação ao capital) com reserva de reavaliação NÃO SERÁ COMPUTADA NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. PORTANTO. NÃO PODE SER APLICADO AO PRESENTE CASO. 19.30.2. Quanto ao enquadramento legal do item 0002 da Contribuição Social temse que os artigos mencionados já foram amplamente discorridos anteriormente com exceção do artigo 435 do RIR que preceitua: Art. 435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 35, § lº, e Decreto lei nº1.730, de 1979, art. lº, inciso VI): Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 863 19 II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a) alienação, sob qualquer forma; 19.30.3. Por sua vez o artigo 434 determina que: Art. 434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 35, e Decretolei nº 1.730, de 1979, art. lº , inciso VI). § 1º o laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. 19.30.4. Observase que para que o caput do artigo 435 tenha aplicabilidade, o valor da reavaliação deva permitir o valor da realização em cada período de apuração, podendo ser constatado que a ficha razão analisado pelo auditor fiscal está discriminado de forma a permitir a determinação do valor realizado, mas como o valor incorporado ao capital social foi transferido através de cisão, NÃO HOUVE A ALIENAÇÃO DE QUE TRATA O AUTO DE INFRAÇÃO, ALÉM DA INTEGRALIZAÇÃO NÃO CONSTITUIR A REALIZAÇÃO DO BEM REAVALIADO. 19.31. DAS ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL RELATIVO À ALIENAÇÃO DE CAPITAL SOCIAL INTEGRADO COM RESERVA DE REAVALIAÇÃO DE MARCAS NO VALOR DE R$30.300.000.00: 19.31.1. Conforme já amplamente discorrido, o enquadramento legal que serviu de base para a lavratura do presente Auto de infração não se aplica à nenhuma das irregularidades supostamente encontradas pela fiscalização, FORA O FATO DE QUE A AUTUADA CONTINUA SENDO A PROPRIETÁRIA DAS MARCAS E PATENTES ATRAVÉS DE SUA PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA MABRA. 19.31.2. Ademais, em análise do artigo 436 do mesmo RIR item Avaliação de bens imóveis e patentes, nos informa que a incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento do valor de bens imóveis (ativo fixo representado por terrenos, benfeitorias e construção civil) integrantes do ativo permanente, nos termos do artigo 434, não será computada na determinação do lucro real (Decreto Lei 1978/82, artigo 3º). 19.31.3. A legislação atual no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) consagrou a marca como um dos bens do ativo da empresa passível de negociação. Fica esclarecido, portanto, que a avaliação da marca e a sua contabilização não sofrerá qualquer incidência de imposto enquanto for mantida na conta de ajuste patrimonial e não for realizada. 19.31.4. "A resposta dada pela fiscalização no site da Receita Federal do Brasil à pergunta nº 264, sobre a contrapartida da reavaliação de quaisquer ens da pessoa jurídica, somente pode ser computada em conta de resultado u na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, quando correr a efetiva realização do bem reavaliado, disposta no artigo 4º da Lei .959/00, é Fl. 863DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 864 20 clara que somente na REALIZAÇÃO do bem reavaliado que os alores poderão ser computados em conta de resultado" (sic). Vejamos: A possibilidade de constituição de reservas de reavaliação sobre outras espécies e bens sempre existiu, uma vez que a fonte legal de introdução da reavaliação, como hoje é conhecida, é a Lei nº 6.404, de 1976, de acordo com os arts. 8º e 82, em seu § 3º. Ocorre que, antes do advento das disposições do art. 4º, da Lei n° 9.959, de 000, a reavaliação de quaisquer bens que não fossem classificados no ativo mobilizado da entidade deveria ser oferecida à tributação, porque, quando de ua constituição, não havia previsão legal amparando o diferimento da contrapartida da reavaliação registrada no patrimônio líquido ou no resultado. Também era oferecida à tributação, por se considerar realizada, a reserva de reavaliação de bens classificados no imobilizado quando de sua capitalização exceto as reservas de reavaliação de bens imóveis e direitos de exploração de atentes, nos termos do RIR/1999, art. 436, caput e § 3º). Com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.959, de 2000, art. 4º, a contrapartida da reavaliação efetuada somente pode ser oferecida à tributação, quer pelo reconhecimento em conta de resultado, quer pela adição ao lucro líquido para fins de apuração do lucro real, quando por ocasião de sua efetiva realização. 19.32. É importante ressaltar que não foi indicado nem descrito, objetivamente qual tipo constante dos dispositivos legais apontados seria o aplicável à conduta da empresa, cujas penalidades tiveram previsão nos base no artigo 44, incisos I e §§ 1º e 2º da lei 9430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da lei 11.488/07. 19.33. Os incisos II e III do § 2º do inciso I do artigo 44 referemse à documentação digital, e o § 1º determina que a multa será aplicada, SOMENTE NOS CASOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 71, 72 E 73 DA LEI 4.502/64. 19.34. Ocorre que Lei 4.502/64, dispõe sobre o Imposto de Consumo e reorganiza a Diretoria de Rendas Internas, cujos artigos que tratam da responsabilidade tributária foram suprimidos pelo DecretoLei nº 34 de 1966, que alterou a referida Lei mas, continua sendo a LEGISLAÇÃO QUE REGULAMENTA O IMPOSTO SOBRE O CONSUMO. PORTANTO, NÃO PODE SER APLICADO AO PRESENTE CASO, UMA VEZ QUE O IMPOSTO OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO (IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL) DIFERE DO IMPOSTO REGULAMENTADO PELA REFERIDA NORMA LEGAL (IMPOSTO DE CONSUMO). Mas, como o Auto de Infração foi lavrado a partir da aplicação do artigo 149 do Código Tributário Nacional, por ter havido o entendimento de que a conduta dos sócios subsumese ao disposto no artigo 72 da Lei 4.502/64. Vejamos o que determina o referido artigo. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. 19.35. Não obstante a Lei 4.502/64 ter sido criada para regular o IMPOSTO DE CONSUMO, cabe ao fisco PROVAR A OCORRÊNCIA DE FRAUDE. É o que preceitua o inciso VII do artigo 149 do Código Tributário Nacional. Vejamos. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 865 21 Art. 149.(...): VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; 19.36. De acordo com o entendimento da Terceira Câmara do primeiro Conselho de Contribuintes, no julgamento do processo administrativo nº 10120.002077/2003 62, proferiu acórdão para a aplicação da norma acima especificada, bem como das multas qualificadas é necessário que o fisco COMPROVE A EXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO (Acórdão CSRF/0105.435. Voto e Ementa transcritos às fls. 671/681). 19.37. Da mesma forma, o CARF proferiu acórdão no sentido de aplicação da retroatividade benigna para a aplicação da multa isolada. Vejamos: Em razão das alterações introduzidas pela Lei n° 11488/2007, o percentual da multa isolada deve ser reduzido para 50%." III CONCLUSÃO E PEDIDO 19.38. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado A DRJ, ao analisar a impugnação de fls 727/746, julgou improcedente o lançamento fiscal, bem como manteve a atribuição de responsabilidade tributária dos sócios. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 763/792), juntamente com os responsáveis solidários, no qual repisa os argumentos da Impugnação e contesta os motivos que levaram à DRJ a julgar seu pedido improcedente. Em sede de contrarrazões às fls. 804/843, a PGFN defende a validade integral do lançamento, inclusive da multa de qualificada. Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Voto Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator Primeiramente, impende registrar que o Recurso Voluntário é tempestivo, razão pela qual dele conheço. PRELIMINAR DE NULIDADE A Recorrente aponta que a incorporação de reservas no capital social não caracteriza alienação e, portanto, não se sujeita à tributação quando da transferência de patrimônio em caso de reorganização, o que caracteriza ofensa ao princípio da legalidade. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 866 22 Aduz adiante que houve uma reavaliação de bens intangíveis, devendo ser interpretado como um ajuste ao valor presente do ativo intangível, nos termos do art. 112 do CTN. No entanto, como bem observa a decisão da DRJ, tais argumentos não acarretam nulidade na autuação, pois são alegações de ordem de mérito que visam desqualificar a infração cometida. Ademais, não foi vislumbrada as hipóteses de nulidade dos atos e termos lavrados, de acordo com o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Observase, pois, que este dispositivo não é aplicável ao presente caso. Logo, não há que se falar em nulidade do auto de infração por ausência das formalidades em questão, devendo ser rejeitada a preliminar suscitada pela Recorrente. Destarte, o auto de infração se serviu de todos os requisitos formais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não invalidando o exercício da ampla defesa no processo, bem como apontando a capitulação legal e a descrição da infração cometida. MÉRITO Conforme se infere do auto de infração são três as irregularidades que serviram como base para a autuação fiscal. Antes de adentrar a cada uma delas, pontuarei a composição societária antes e após a reorganização societária. Em 2009 a CIFARMA LTDA contava com um capital social de R$ 30.300.000,00, sendo distribuídos aos seus sócios da seguinte maneira: 50% para o Sr. Marinho Braga e 50% para a Sra. Sonia Silveira Braga. A partir dai se sucederam fatos societários que balizaram as infrações cometidas, a saber: Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 867 23 Momento 1 Fatos relacionados às infrações 2 e 3 do Auto de Infração Transferência de 3.030.000 cotas da Cifarma Ltda., que pertenciam à sócia Sonia Silveira Braga, para a Mabra Farmacêutica Ltda, passando a deter 10% da sociedade. Integralização no valor de R$ 187.287.814,01 no ato e R$ 66.412.186,00 a integralizar dentro de um ano, provenientes da reavaliação das patentes e dos direitos de exploradas das mesmas. Tal justificativa foi retificada para "Ajuste de Valoração Patrimonial da Contribuição dos subscritores em prol da sociedade na forma de marcas e patentes e dos direitos de exploração das mesmas (...)". Nesse ponto, cumpre ressaltar que o INPI informou que existem apenas marcas registradas em nome da Cifarma Ltda, conforme Ofício no 013/2015 PR/INPI (fls. 201254) e Ofício OF/PGE/INPI/Nº 156/2014 (fls. 173199). Tal assertiva implica no enquadramento legal aplicável. O §3 do art. 436 do RIR/99 trata apenas de patentes, e não de marcas, ponto de controvérsia a ser enfrentado. Outrossim, discutese o fundamento do valor da capitalização. O montante de R$ 187.287.814,01 (valor integralizado) foi refletido na participação societária dos acionistas, Sr. Marinho Braga e Sra. Sonia Silveira Braga, conforme fls. 268 e 269. Vejamos como ficou a composição da participação societária: Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 868 24 Após a integralização referida acima, a participação detida pela Mabra Farmacêutica Ltda na Cifarma Ltda é transferida para a GRB Participações SS Ltda. Registra se que a GRB Participações era controlada integralmente pelos filhos dos acionistas Sr. Marinho Braga e Sra. Sonia Silveira Braga. (fls. 275/279) Cisão parcial da Cirfarma Ltda, aprovado nos termos do protocolo de cisão, assinado em 2010, quando foi definido que 84 milhões seria cindido do patrimônio da empresa. (fls. 280/286). Veja abaixo os registros realizado: 28ª Alteração Contratual da Cifarma Ltda 1) do sócio GRB PARTICIPAÇÕES SS LTDA., já acima qualificado com a retirada da totalidade de suas cotas no valor de R$ 30.300.000,00 (trinta milhões e trezentos mil reais), representando 30.300.000 (trinta milhões e trezentas mil) cotas, no valor nominal de R$ 1,00 (um real); Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 869 25 2) da sócia SÔNIA SILVEIRA BRAGA, retirandose proporcionalmente da sociedade a quantia de R$ 26.850.000,00 (vinte e seis milhões oitocentos e cinquenta e mil reais) o que corresponde parte de suas cotas 26.850.000 (vinte e seis milhões e oitocentos cinquenta mil) cotas no valor nominal de R$ 1,00; 3) do sócio MARINHO PEREIRA BRAGA, retirandose proporcionalmente da sociedade a quantia de R$ 26.850.000,00 (vinte e seis milhões oitocentos e cinquenta e mil reais) o que corresponde parte de suas cotas 26.850.000 (vinte e seis milhões e oitocentos cinquenta mil) cotas no valor nominal de R$ 1,00 Parágrafo único – As alterações acima têm a finalidade de verter as quotas correspondentes aos ativos objeto da CISÃO PARCIAL, ora prolatada, para integralização na empresa MABRA FARMACÊUTICA LTDA. – EPP inscrita no CNPJ sob o no 09.545.589/000188 e NIRE 52.2.02512404 [destaques conforme o original] Termo de Verificação Fiscal (fls. 43/44) CISÃO PARCIAL DA CIFARMA com versão da parcela cindida para a Mabra Farmacêutica Ltda, no valor de R$ 84.000.000,00 com a retirada da totalidade das quotas da empresa GRB PARTICIPAÇÕES LTDA. Nesta redução de capital datada de 01/06/10, houve lançamento a crédito de marcas e patentes e a débito das contas de capital dos sócios Marinho, Sônia e GRB. Marinho e Sônia integralizaram marcas e patentes na Mabra e apareceu a conta de investimento no ativo da Cifarma: a Cifarma é sócia da Mabra com participação no capital de R$ 53.700.000,00. As Marcas e Patentes no valor de R$ 53.700.000,00 foram substituídas pelo investimento na Mabra. Já a GRB reduziu seu capital na Cifarma, foramlhe entregues Marcas e Patentes e reduzido o capital da Cifarma com a saída da GRB; e a GRB tornouse sócia da Mabra. Não há contabilização de investimento da CIFARMA na GRB; nem CIFARMA é sócia da GRB. Os R$ 30.300.000,00 simplesmente foram alienados da CIFARMA, com a redução do capital e nada o substituiu. Verificase que o patrimônio cindida da Cifarma Ltda foi direcionado para a Mabra Ltda, por meio de aumento de capital. Notese também que, o patrimônio cindido correspondia apenas a marcas oriunda da primeira capitalização da Cifarma. Confirase abaixo a 2ª Alteração Contratual da Mabra Ltda (fls. 313315), Pelo processo de cisão protocolado na JUCEG referente à empresa CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA., inscrita no CNPJ sob o no 17.562.075/000169, e NIRE 52.2.02365711 foi integralizado no capital social da empresa o valor de R$ 84.000.000,00 (oitenta quatro milhões de reais) a integralização ocorre com a incorporação das seguintes Marcas e Patentes: Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 870 26 Depreendese que a cisão parcial que o patrimônio cindido à Mabra Ltda foi a devolução do patrimônio referente às marcas reavaliadas que haviam sido incorporadas ao capital social da Cifarma Ltda. Dessa forma, passaram a ser sócios da Mabra Ltda, a GRB Participações, com 36,02% de quotas, equivalentes a R$ 30.300.000,00; (b) o Sr. Marinho Braga, com 31,93% de participação, equivalente a R$ 26.850.000,00; e a Sra. Sônia Silveira Braga, também com 31,93% de participação, equivalente a R$ 26.850.000,00. No entanto no dia seguinte, o Sr. Marinho Braga e a Sra. Sônia Silveira Braga transferiram as suas participações na Mabra Ltda para a Cifarma Ltda, de modo que voltou a deter nesta última passou a deter a Mabra Ltda, que por sua vez, detém as marcas reavaliadas. Assim, a autoridade entendeu que a Cifarma trocou o patrimônio relacionado às marcas reavaliadas (oriunda da incorporação no seu capital social) pelo investimento na Mabra Ltda, equivalente a R$ 53.700.000,00. Como apontado acima pela fiscalização, a GRB Participações deu baixa no seu ativo no valor de R$ 30.300.000,00 e não houve qualquer outro registro na Cifarma, o que implica na disponibilizada do patrimônio da Cifarma para GRB Participações, sendo considerado como alienação pela fiscalização. Momento 2 Fatos relacionados à infração 1 do Auto de Infração Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 871 27 Versa sobre a alienação das quotas da Mabras Ltda (antes pertencentes à Cifarma Ltda) para a Chemo España Antes Depois Importante frisar que a fiscalização intimou a Recorrente para apresentar o Contrato de compra e venda das ações da Mabras Ltda, o qual não foi apresentado e ensejou o agravamento da multa. Constatase ainda uma Sociedade em Conta de Participação (SCP) firmado entre a Chemo do Brasil e a Cifarma ltda e neste contrato consta a alienação das quotas da Mabras pela Cifarma para a Chemo España. Confirase: CONSIDERANDO QUE, a SÓCIA OSTENSIVA celebrou “Contrato de Compra e Venda de Quotas – Quota Purchase Agreement – (o’Contrato’) datado de 1o de junho de 2010, e seus aditivos posteriores, por meio do qual a CHEMO ESPAÑA, S.L., (...) concordou em comprar e de fato comprou 50% (cinquenta por cento) das quotas representativas do capital social da sociedade denominada MABRA FARMACÊUTICA LTDA., (...) até então detidas pela SÓCIA OSTENSIVA; CONSIDERANDO QUE, como condição para o fechamento da transação descrita acima, a SÓCIA OSTENSIVA se comprometeu, dentre outras coisas, a transferir, como de fato transferiu, para a MABRA, via cisão, os ativos listados no anexo do Contrato e seus respectivos aditivos, incluindo a titularidade dos produtos de sua linha de propaganda médica; Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 872 28 Da leitura supra, infere que: (i) a Chemo España adquiriu 50% das quotas Mabras Ltda pertencentes à Cifarma; e (ii) o fechamento da transação estava condicionada a transferência a titularidade dos ativos via cisão. Ocorreu um aumento de capital no valor de R$ 83.900.000, integralizado "mediante a doação em partes iguais pelos subscritores das Marcas e Patentes decorrentes de Pesquisa e/ou Tecnologias desenvolvidas na empresa em território nacional e seus ajuste de valor presente”. Nesse ponto, observase, mais uma vez, que a ANVISA informou só haver marcas registradas em nome da Cifarma Ltda. Ainda consta que Marinho Braga e Sonia Braga não eram os titulares das marcas vertidas para o capital social da Cifarma, concluindo que todas as marcas pertenciam a Cifarma. Portanto, o nome sugerido para a integralização estaria equivocado. Feita esta integralização, por meio de incorporação ao capital de marcas avaliadas com ajuste de valor presente, foi aprovada a Cisão parcial, vertendo a quantia de R$ 83.900.000,00 para a Mabra Ltda. (originária das marcas utilizar para integralizar o aumento de capital na Cifarma Ltda na mesma proporção). Temse, portanto, na ótica da Cifarma Ltda a realização de uma capitalização para na seqüência descapitalizar, o que estritamente pela ótica societária não faria sentido. No entanto, após a leitura do contrato da SCP, tal operação faz sentido à medida que era uma condição para executar a venda de 50% das ações da Mabra Ltda. para a Chemo España. Dai resta claro que o intuito entre a Cifarma Ltda e a Chemo España era a alienação das marcas e o seu direito de exploração, externalizado por meio da compra de 50% das ações da Mabra Ltda. Destacase o aumento de capital 83.900.000,00 na Mabra Ltda fruto do recebimento do patrimônio cindido da Cifarma Ltda relativo marcas, o que representou, nesta oportunidade, os ingressos do Sr. Marinho Braga e Sra. Sônia Braga como sócios da Mabra, detendo cada 25% das quotas. No entanto, como já mencionado, a integralização foi dada à doação de marcas que pertenceriam aos sócios (pessoas físicas), só que em verdade, estas eram pertencentes a Cifarma Ltda, conforme documentos fornecidos pelo INPI. Sendo a Cifarma Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 873 29 Ltda a titular por perceber o ganho de capital quando da alienação das quotas da Mabra ltda à Chemo España, até porque o contrato de SCP foi firmado entre ambas as partes. Adiante, a efetividade da compra das ações da Mabra Ltda encontrase registrada na 5ª Alteração Contratual desta. O documento revela que os sócios Marinho Braga e Sra. Sônia Braga transferiram suas ações detidas na referida empresa no valor de R$ 83.900.000,00 para a Cifarma Ltda. Ainda na mesma alteração societária, a agora sócia Cifarma Ltda transfere as respectivas quotas, no valor de 84 milhões para a Chemo España equivalente a 50% da quotas da Mabra Ltda (objeto do contrato da SCP). Após a sucessão dos eventos societários resulta na alienação de quotas da Mabra Ltda para a Chemo España no importe de 84 milhões, tendo como origem a integralização da parcela cindida da Ciframa Ltda, cujo tem como objeto as marcas reavaliadas/ajustadas a valor presente. Desta transação surge ganho de capital relativo a reavaliação das marcas por conta da alienação realizada. Superada a questão fática, passemos as questões de direito. INFRAÇÃO 1 Ganho de capital decorrente da incorporação de reavalição de marcas Conforme exposto, a incorporação de reavaliação de marcas ao capital social da Reocrrente foi considerada como um ganho de capital e, por conseguinte, oferecida à tributação. Isso porque, quando da reavalição, a lei comercial em vigor já não mais permitia a reavaliação de ativos Lei nº 11.638/07. Notese que para fins fiscais, tal reavaliação não configuraria, a princípio, violação à legislação tributária, por força do princípio da neutralidade tributária trazida pela Lei nº 11.941/09 (Regime Tributário de Transição). Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 874 30 A Recorrente rebate o entendimento da fiscalização alegando ter ocorrido o diferimento da tributação, conforme os arts. 434, 436 e 440 do RIR/99, pois enquanto mantida a reserva de reavaliação o ganho obtido na operação estaria diferido. Ainda, o efeito do diferimento seria mantido em caso de cisão à medida que o art. 440 prevê o tratamento tributário das reservas de reavalição para os casos de cisão, fusão e incorporação. Confirase: "RIR/99 Reavaliação de Bens do Permanente Diferimento da Tributação Art.434. A contrapartida do aumento de valor de bens do ativo permanente, em virtude de nova avaliação baseada em laudo nos termos do art. 8º da Lei nº 6.404, de 1976, não será computada no lucro real enquanto mantida em conta de reserva de reavaliação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 5, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI). §1º O laudo que servir de base ao registro de reavaliação de bens deve identificar os bens reavaliados pela conta em que estão escriturados e indicar as datas da aquisição e das modificações no seu custo original. §2º O contribuinte deverá discriminar na reserva de reavaliação os bens reavaliados que a tenham originado, em condições de permitir a determinação do valor realizado em cada período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §2º). §3º Se a reavaliação não satisfizer aos requisitos deste artigo, será adicionada ao lucro líquido do período de apuração, para efeito de determinar o lucro real (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 43, §1º, alínea "h", e Lei nº 154, de 1947, art. 1º). (...) Reavaliação de Bens Imóveis e de Patentes Art.436. A incorporação ao capital da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bens imóveis integrantes do ativo permanente, nos termos do art. 434, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº1.978, de 21 de dezembro de 1982, art. 3º). §1º Na companhia aberta, a aplicação do disposto neste artigo fica condicionada a que a capitalização seja feita sem modificação do número de ações emitidas e com aumento do valor nominal das ações, se for o caso (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §2º). Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 875 31 §2º Aos aumentos de capital efetuados com a utilização da reserva de que trata este artigo, constituída até 31 de dezembro de 1988, aplicamse as normas do art. 63 do DecretoLei nº 1.598, de 1977,e às reservas constituídas nos anos de 1994 e 1995 aplicamse as normas do art. 658(DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §3º). §3º O disposto neste artigo aplicase à reavaliação de patente ou de direitos de exploração de patentes, quando decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País (DecretoLei nº2.323, de 26 de fevereiro de 1987, art. 20). Art.437. O valor da reavaliação referida no artigo anterior, incorporado ao capital, será (DecretoLei nº 1.978, de 1982, art. 3º, §1º): I registrado em subconta distinta da que registra o valor do bem; II computado na determinação do lucro real de acordo com o inciso II do art. 435, ou os incisos I,III e IV do parágrafo único do art. 439. (...) Reavaliação na Fusão, Incorporação ou Cisão Art 440. A contrapartida do aumento do valor de bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão não será computada para determinar o lucro real enquanto mantida em reserva de reavaliação na sociedade resultante da fusão ou incorporação, na sociedade cindida ou em uma ou mais das sociedades resultantes da cisão (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 37). Parágrafo único. O valor da reserva deverá ser computado na determinação do lucro real de acordo com o disposto no § 2º do art. 434 e no art. 435 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 37, parágrafo único). Art. 441. As reservas de reavaliação transferidas por ocasião da incorporação, fusão ou cisão terão, na sucessora, o mesmo tratamento tributário que teriam na sucedida. Nesse ponto, por sua vez, cumpre observar que o RTT possibilitou o tratamento aos contribuintes do antigo regime, isto é, a possibilidade de diferir a tributação de ganhos provenientes de reavaliação espontânea de bens, mesmo sendo vedado com o advento da Lei 11.638/2007. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 876 32 Porém, faz jus a esta neutralidade fiscal, o contribuinte que deveria cumprir as normas trazidas pelo RTT, especialmente quanto ao registro e controle dos valores relativos a esta reserva de reavalição, por meio do FCONT (Controle Fiscal Contábil de Transição). Ocorre que, tal neutralidade não se estendeu ao caso da Recorrente, uma vez que as reavaliações das marcas, objeto da fiscalização, se deu em 2010, quando já estava em vigor a Lei nº 11.638/07, de forma que tal prática já se encontrava vedada. Tal entendimento foi exposado pelo art. 8º do DecretoLei nº 1.598, de 1977, in verbis: Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: (...) § 2º Para fins da escrituração contábil, inclusive da aplicação do disposto no § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, os registros contábeis que forem necessários para a observância das disposições tributárias relativos à determinação da base de cálculo do imposto de renda e, também, dos demais tributos, quando não devam, por sua natureza fiscal, constar da escrituração contábil, ou forem diferentes dos lançamentos dessa escrituração, serão efetuados exclusivamente em: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I – livros ou registros contábeis auxiliares; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – livros fiscais, inclusive no livro de que trata o inciso I do caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [destaques não constam do original] Inferese que para que haja a neutralidade do efeito fiscal nas reavaliações de ativo, trazida pelo RTT, é imprescindível o seu registro no FCONT, o que não foi cumprido no caso concreto. Ademais, ao analisar a matéria, a Receita Federal publicou o Parecer Normativo CST n°69, de 1986, cuja ementa transcrevo abaixo: "A incorporação ao capital, da reserva de reavaliação constituída como contrapartida do aumento de valor de bem imóvel integrante do ativo permanente, em virtude de nova avaliação, com base em laudo nos termos do art. 8° da Lei n° 6404/76, não será computada na determinação do lucro real da pessoa jurídica que a tenha efetuado para subscrição de aumento de capital, nos termos dos arts. 328 do RIR/80 (art. 387 do RIR/94) e art. 3° do Decretolei n° 1.978/82. A subscritora deverá, na subconta de investimento que registrar a parcela da participação societária, manter o destaque do montante correspondente à reavaliação ainda não oferecida à tributação." Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 877 33 Depreendese que a lei ao permitir que a reserva seja incorporada ao capital sem que seja computada na determinação do lucro real (art. 436), esta determina uma outra forma de controle, qual seja, o registro do valor da reavaliação em subconta distinta daquela que registra o valor do bem. Foi nesse sentido que este colegiado já se manifestou, senão vejamos: RESERVA DE REAVALIAÇÃO NÃO ADICIONADA AO LUCRO LÍQUIDO. Na situação em que a reserva de reavaliação é incorporada ao capital pela sociedade que procedeu à reavaliação de imóvel, e esse imóvel reavaliado é entregue a terceiros a titulo de integralização de aumento de capital, a subscritora deverá, na subconta de investimento que registrar a parcela da participação societária, manter o destaque do montante correspondente à reavaliação ainda não oferecida à tributação. Ao não fazêlo, a empresa deixou de cumprir a obrigação legal que lhe daria o direito de continuar a diferir a tributação do acréscimo de valor de seu imóvel (terreno), decorrente da reavaliação. (130100.260 ) No caso concreto, isto não foi observado, uma vez que as reavaliações foram utilizadas para integralizar o aumento de capital da Cifarma, não cumprindo com a exigência do art. 437, I do RIR/99, não havendo distinção entre o custo de aquisição e valor da reavaliação. Dessa forma, os registros contábeis não demonstraram o ganho de capital diferido nas operações subseqüente, em especial quando da alienação para Chemo España. Ainda, conforme já mencionado, o caso tratou de reavaliação de marcas, conforme informações do laudo de reavaliação, alterações do contrato social e resposta do INPI, e não a patentes. Nesse ponto, observase que o § 3º do art. 436 do RIR/99 só abrangeu o diferimento para reavaliações de patente ou direito de exploração de patente incorporadas no capital social, não sendo possível, portanto, a aplicação do referido artigo para o caso concreto. Diante do exposto, entendo que a atuação fiscal deve ser mantida nesse ponto. INFRAÇÃO 2 Alienação de capital social integralizado com reavaliçoes de marcas para GRB Participações. A infração em questão diz respeito a alienação de capital social integralizado com reserva de reavalição de marcas para GRB Participações em decorrência da cisão parcial da Cifarma Ltda. Segundo consta do TVF, a contrapartida do lançamento contábil desta operação foi a redução de capital dos sócios, Sr. Marinho Braga, Sra. Sonia Braga e GRB Participações. Como visto, findada a cisão parcial, a GRB Participações integralizou o capital social cindido na Mabra Ltda. A Fiscalização constatou que o valor entregue à GRB Participação significou “uma diminuição no Capital Social da CIFARMA, sem contrapartida em investimento, o que significa uma alienação de participação societária. Dessa forma, a Recorrente estaria sujeita à tributação do ganho de capital (que estava diferido) quando da alienação da participação societária, nos termos 435, II, "a" do RIR/99. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 878 34 A Recorrente sustenta que o valor cindido incorporado ao capital social foi transferido por meio de cisão, não deflagrando uma alienação na operação, nos termos do art. 435, II, "a" do RIR/99, in verbis: Art.435. O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): I no período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: A) alienação, sob qualquer forma; B) depreciação, amortização ou exaustão; C) baixa por perecimento. Ademais, a Recorrente alega que houve uma cisão parcial e que os arts. 440 e 441 do RIR/99 acima transcritos asseguram o diferimento da tributação nas hipóteses de cisão, fusão e incorporação. Afirma ainda que INPI consagrou a marca como um dos bens do ativo da empresa, de modo que sua avalição, bem como sua contabilização não sofrerá nenhuma tributação enquanto for mantida na conta de ajuste patrimnial e não for realizada. Entendo que tais argumentos não devem prosperar. Primeiro porque o art. 436 do RIR/99 não versa sobre a operação da empresa, pois envolve a reavaliação de marcas e não patentes, bem como a inobservância do art. 437, I do RIR/99 no tocante ao desdobramento contábil do ativo reavaliado e incorporado ao capital social, e por ter caracterizada a alienação à medida que houve uma redução no capital social da Cifarma Ltda, sem contrapartida em investimento. Dessa forma, entendo que deve ser mantida a autuação fiscal quanto a infração 2. Infração 3 Alienação de capital social integralizado com reserva de reavaliação de marcas para Chemo España A autução em referência se refere a efetiva alienação de marcas para a Chemo España, no valor de 84 milhões. Constatase que o não fornecimento do contrato de compra e venda dessa transação foi o fator da multa agravada. Conforme se extrai do contrato de SCP a Cifarma Ltda alienou 50% das quotas da Mabra Ltda para a Chemo España. Ainda, a fiscalização verificou que a Recorrente efetuou o lançamento contábil, de modo a lançar a débito da conta de recebíveis (Chemo España) e a crédito da conta de investimento (participação societária) na Mabra. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 879 35 A fiscalização ainda verificou que a titularidade das marcas reavaliadas eram pertencentes a Cifarma Ltda, uma vez adquiridos por meio de integralização de capital, Sr. Marinho Braga e da Sra. Sonia Braga. Segue excerto da Fiscalizando sobre a verificação do custo de aquisição das marcas: 42. Objetivando aferir a consistência do custo de aquisição das marcas e patentes utilizadas para integralizar capital mediante 29ª alteração do contrato social, foi expedida intimação em 14/11/2014, bem como o Ofício nº 760/2014/Sefis/DRF/GOI dirigido ao INPI, solicitando informar o histórico das marcas e patentes e respectivos proprietários ao longo do tempo. 43. O contribuinte abstevese de apresentar documentação comprobatória do custo de aquisição, restringindose a apresentar a declaração de bens e direitos constantes da DIRPF das pessoas naturais dos sócios, em que consta a propriedade das quotas da Cifarma. 44. A Diretoria de Patentes do INPI informou não lhe competir responder ao Ofício, por não se tratar de patentes. Através do Oficio OF/PGE/INPI Nº 156/2014, a Procuradoria Federal do INPI informou que os sócios Marinho e Sônia nunca foram proprietários de marcas de medicamentos registrados. Através do Ofício nº 013/2015 PR/INPI, a diretoria de Marcas (DIRMA), do Instituto Nacional de Propriedade Industrial, remeteu os resultados das pesquisas feitas em sua base de dados, correspondentes aos números dos processos informados na 29ª alteração contratual da CIFARMA CIENTÍFICA FARMACÊUTICA LTDA, relacionando os registros de marca em vigor e pedidos de registro de marcas em andamento, sendo anexada cópia integral destes Ofícios neste processo. (destaques da transcrição) Destacase ainda que, em 2010, a alienação das quotas da Mabra foi pactuada pela Cifarma Ltda e pela Chemo España, conforme o contrato de SCP citado. Entretanto, nessa época a Mabra ainda não era titular das marcas, objeto do negócio. Assim, conforme já mencionado, as disposições contratuais determinava que a Cifarma Ltda entregasse à Mabra Ltda às marcas reavaliadas, por meio de cisão. Assim, a intenção precípua do contrato não era adquirir 50% das quotas da Mabra, mas sim adquirir as marcas reavaliadas, cuja titularidade eram pertencentes à Cifarma Ltda. A Recorrente alude que não há base legal determinando que os valores integralizados por meio de cisão se tratam de alienação, fora o fato da Recorrente ser a proprietária das marcas reavaliadas. Com efeito, entendo que a cisão parcial da Cifarma Ltda, como requisito para a concretização do negócio se insere no contexto da capitalização de marcas reavaliadas com a subseqüente cisão. A seqüência dos atos societários foi determinante para a autuação fiscal, sendo estas norteadas pelo acordo comercial disposto no contrato de SCP, firmado entre a Cifarma e a Chemo España, sendo que esta última tinha como objetivo precípuo a aquisição e exploração das marcas, concluise, portanto, que a cisão tinha um condão de evitar a tributação quando da alienação destas. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 880 36 Logo, deve ser mantida a autuação fiscal nessse ponto. DA MULTA QUALIFICADA DE 150% Em função das infrações cometidas, a fiscalização aplicou a multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do art. 44, II da Lei nº 9.430/96., in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou conribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação anterior à alteração legislativa, vigente à época dos fatos) Todavia, a Recorrente entende que não faz jus à multa de 150% sobre o crédito tributário, uma vez que não restou comprovado a ação dolosa e o intuito de fraude em sua conduta. Entendo, contudo, que não restou caracterizada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação pelo contribuinte à medida que não há prova ou elementos contundentes trazidos pelo agente fiscal que evidenciasse a prática dolosa em seus atos praticados De plano, pois, afasto a possibilidade de sonegação fraude ou conluio, pois tais práticas pressupõe dolo, nos termos dos arts. 70 a 73 da Lei nº 4.502/64. Ora, inobstante a intenção da contribuinte em obter ganhos e economia com a reserva de reavaliação das marcas, não se pode presumir dolo nos atos praticados do Contribuinte quando da série de operações societárias, pois as interpretou como válidas e amparadas na lei. Logo, ainda que a contribuinte possa ter realizado algum procedimento que se considere doloso, certamente não pode ser considerado uma conduta que "demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária", conforme o artigo 68 da Lei nº 4.502/64. Em face do exposto, entendo que a qualificação da multa de ofício não restou justificada, devendo ser reduzida para 75%. DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A fiscalização agravou em 50% a multa de ofício, correspondente aos tributos lançados em decorrência da venda à Chemo España, inc. I do art. 959 do RIR/99, § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, e inc. I do art. 70 da Lei nº 9.532, de 1997. RIR/99 Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 881 37 Art. 959. As multas a que se referem os incisos I e II do art. 957 passarão a ser de cento e doze e meio por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para (Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, § 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 70, I): I prestar esclarecimentos; IIapresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 265 e 266; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 267. Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se refere o inciso I do caput e o § lº deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação ipara: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007). II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A razão para tanto foi que a Recorrente deixou de entregar o contrato de venda da Chemo e de prestar demais esclarecimentos, mediante Intimação nº 8. Confirase: 39. A fiscalização lavrou o Termo de Intimação Fiscal nº 8 datado de 17/09/2014, sendo que a fiscalizada tomou ciência, via AR, em 24/09/2014. Nesta mesma data, e solicitando os mesmos esclarecimentos e documentos, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal – Diligência para MABRA. Nestas Intimações são solicitados esclarecimentos e cópia do Contrato de Compra e Venda celebrado entre a CIFARMA e a CHEMO ESPAÑA S.L, através do qual a CIFARMA vende 84.000.000,00 de suas quotas na MABRA, conforme informação constante no Instrumento Particular de Constituição de Sociedade em Conta Participação (SCP). Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 882 38 40. Em 29/09/2014 e 30/09/2014, respectivamente a CIFARMA e a MABRA solicitam prorrogação de prazo para atendimento das Intimações relatadas no tópico anterior, haja vista os documentos solicitados estarem no idioma inglês, havendo assim a necessidade de tradução juramentada 41. Vencido o prazo de vinte dias da prorrogação de prazo, e nada sendo apresentado pelas empresas, foi encaminhado o Termo de Intimação nº 9 para CIFARMA, datado de 21/10/2014 e Termo de Reintimação Fiscal – Diligência para a MABRA, solicitando novamente a cópia do Contrato de Compra e Venda celebrado entre a CIFARMA e a CHEMO ESPAÑA S.L, através do qual a CIFARMA vende 84.000.000,00 de suas quotas na MABRA. O contribuinte abstevese de responder à reintimação. A Recorrente se defende alegando que recebeu a intimação nº 08 no dia 24.09.2014, com prazo de 20 dias para apresentação dos documentos exigidos, ou seja, o prazo para cumprir a intimação se findaria em 14.10.2014 e que foi requerido pedido de prorrogação de prazo por mais 20 dias em 29.09.2014, o qual foi deferido e estendido até o dia 04.11.2014 o qual foi apresentado, conforme item 56 do relatório. Adiante, diz que o item 41 no TVF traz que "vencido o prazo de 20 dias da prorrogação de prazo, e nada sendo apresentado pelas empresas, foi encaminhado o Termo de Intimação nº 9 resposta da empresa, datado em 21.10.2014, sendo que a mesma teve o prazo prorrogado pela fiscalização até o dia 04.11.2014, então esta nova intimação foi encaminhada antes do prazo previsto para que a autuada pudesse cumprir a obrigação, o que culminou na aplicação da penalidade do artigo 44 da lei 9.430/96, § 2º e seus incisos, sendo ilegal. Os argumentos trazidos pela Recorrente não devem prosperar. Vejamos o item 56, em que supostamente comprovaria a apresentação do documento solicitado na Intimação nº 8: 56. Uma quarta empresa, a CHEMO SPAÑA S.L, CNPJ 08.437.482/0001 53, empresa espanhola, com sede em Madri, passa a ser sócia da empresa MABRA. Vamos relacionar os fatos registrados em contratos ou contas contábeis, que relaciona a CHEMO SPAÑA S.L com as empresas do grupo CIFARMA: Contrato de compras e vendas de quotas, datado de 01/06/2010, celebrado entre as empresas CHEMO SPAÑA S.L e CIFARMA CIENTIFICA LTDA, com aditivos posteriores, por meio do qual a CHEMO SPAÑA S.L, sociedade com sede em Madri, Espanha, concordou comprar e de fato comprou, 50% das quotas representativas do capital da sociedade denominada MABRA Farmacêutica Ltda, CNPJ 09.545.589/0001 88. Esta informação consta no Instrumento Particular de Constituição de Sociedade em Conta Participação (SCP). Da Leitura do item 56 acima, fica claro que a informação foi retirada no contrato de SCP, não restando comprovado a apresentação do contrato de compra e venda, bem como o cumprimento da Intimação nº 8. Dessa maneira, entendo que não restou comprovada a apresentação dos documentos solicitados na Intimação nª 8, devendo ser mantida a multa agravada em 50%, a qual passa a ser 112,5% no tocante a infração 3 do TVF. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10120.720689/201574 Acórdão n.º 1301002.523 S1C3T1 Fl. 883 39 CSLL. LANÇAMENTO. DECORRÊNCIA. IRPJ. No que tange à CSLL, entendo que se aplicam as conclusões relativas ao julgamento do IRPJ, em razão da relação de causa e efeito existente entre os fatos que geraram esses lançamentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Conforme consta às fls. 753/756 dos autos, os sóciosadministradores, Sr Marinho Pereira Braga e Sra. Sonia Silveira Braga foram regularmente intimados da decisão da DRJ. Contudo, em sede recursal, não foi apresentado nenhum argumento visando afastar a responsabilidade a eles imputada. Desse modo, a responsabilidade deve ser mantida, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) CONCLUSÃO Ante todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de darlhe PARCIAL provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa qualificada de 150% para 75%, somandose a multa agravada, resultando a multa final de 112,5%, mantendose os demais pontos da autuação fiscal. É como voto (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Fl. 883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900259/2013-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 13/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.684
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 59 /2 01 3- 66 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.718, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900259/201366 Acórdão n.º 3301003.684 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 13864.720203/2011-69
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL.
O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 9202-005.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543-B E 543-C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
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COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei n.º 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. DECISÕES DEFINITIVAS DO STF E STJ. SISTEMÁTICA PREVISTA PELOS ARTIGOS 543B E 543C DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Nos termos do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria/MF nº 343/2015, art. 62 §2º, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869/73), deverão ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 72 02 03 /2 01 1- 69 Fl. 482DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro E Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Em sessão plenária de 13 de março de 2013, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgou Recurso Voluntário, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão nº 2403001,970 (fls. 417 do processo digitalizado), assim ementado: "Assunto: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 COOPERATIVAS DE TRABALHO.CONTRATANTE.CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/1991. MULTA DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. DISTINÇÃO. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. A multa de mora prevista na legislação anterior deve ser cancelada nos períodos anteriores à sua criação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão da multa de ofício aplicada até a competência de novembro de 2008 e determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61 da Lei n. 9430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencidos os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora e Carlos Alberto Mees Stringari." Em 23 de setembro de 2013, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial (folhas 428), que restaram admitidos por meio de despacho do Sr. Presidente da 4ª Câmara, em 08 de novembro do mesmo ano. Em 13 de maio de 2014, a DRF em São José Fl. 483DF CARF MF Processo nº 13864.720203/201169 Acórdão n.º 9202005.558 CSRFT2 Fl. 483 3 dos Campos, SP, encaminhou cópias das decisões, via correio, ao contribuinte, tendo sido este cientificado no dia 15 de maio de 2014. (AR fls 449). Em 30 de maio de 2014, foram apresentadas contrarrazões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção da multa de 20% e, tempestivamente, foi interposto Recurso Especial (fls 451), com fundamento no artigo 67, Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343. Na mesma data foram apresentadas contrarrazões ao recurso da Fazenda Nacional, acostadas às folhas 462, admitidos para "que seja reapreciada a questão da incidência da contribuição de 15% sobre os serviços prestados por cooperativa de trabalho." Na origem tratase de Auto de Infração sobre a contribuição da Empresa sobre pagamentos realizados à Cooperativas de trabalho, consubstanciado no DEBCAD 37.356.4333. Não logrou êxito a Contribuinte em sua Impugnação e, neste CARF, teve a seu favor cancelada a multa de Ofício de 75%, conforme o acórdão supra. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Recurso do Contribuinte O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Compulsando os autos, é de se ver que o levantamento referese à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, nos termos do art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991, com redação conferida pela Lei 9.876/1999. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Entretanto, tal dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida., não havendo base jurídica para a manutenção da autuação. Fl. 484DF CARF MF 4 De acordo com o artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. Portaria MF n° 343 (Regimento Interno do CARF): Art. 62. (...) § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Outrossim, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595838/SP, com repercussão geral reconhecida, esse fato gerador instituído pela Lei 9.876/1999 foi declarado inconstitucional pelo STF e, por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as Turmas deste Conselho devem reproduzir o mesmo entendimento em seus acórdãos. Em 25/02/2015 foi publicada a decisão definitiva do STF, proferida na sessão de 18/12/2014, no sentido de declarar inconstitucional a exação em questão, nos seguintes termos: “[...] Publicado acórdão, DJE, DATA DE PUBLICAÇÃO DJE 25/02/2015 ATA Nº 16/2015. DJE nº 36, divulgado em 24/02/2015. (...) EMB.DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) 595.838 EMENTA: Embargos de declaração no recurso extraordinário. Tributário. Pedido de modulação de efeitos da decisão com que se declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Declaração de inconstitucionalidade. Ausência de excepcionalidade. Lei aplicável em razão de efeito repristinatório. Infraconstitucional. [...]” Com isso, percebese que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) – proferida no sentido de que o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, inciso IV, da Lei 8.212/1991), é inconstitucional –, tornouse definitiva em 25/02/2015 e, além disso, foi adotada a sistemática da repercussão geral (artigo 543B da Lei 5.869/1973, Código de Processo Civil), restando a esta Turma de julgamento reproduzila em seus acórdãos. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso interposto pelo sujeito passivo, para cancelar a exigência contida no Auto de Infração DEBCAD 37.356.433 3, relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 13864.720203/201169 Acórdão n.º 9202005.558 CSRFT2 Fl. 484 5 Diante do presente encaminhamento, logicamente prejudicado o recurso da fazenda nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 486DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.933482/2009-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.558
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. Recorrente SANPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrante, portanto, do conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes e José Renato Pereira de Deus. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PERDCOMP) eletrônico por meio da qual a contribuinte objetivava quitar débitos tributários/solicitar restituição de valor utilizandose de créditos de COFINS, que teria sido indevidamente recolhido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 34 82 /2 00 9- 90 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 3 2 A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação/indeferir o pedido de restituição foi que o DARF discriminado na PERDCOMP havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual alega que o pedido de compensação/restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela instância de origem, nos termos do Acórdão 06040.441. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.500, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.900996/201183, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.500) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que os créditos são decorrentes de pagamentos a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação dos RE´s 240.7852/MS e 574.706. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e, afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto e adoto como fundamento as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 4 3 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 5 4 salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 6 5 base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS inclui se na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158 35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 7 6 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.933482/200990 Acórdão n.º 3302004.558 S3C3T2 Fl. 8 7 observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o litígio resumese ao direito a créditos decorrente de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904859/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.974
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 85 9/ 20 11 -1 6 Fl. 1116DF CARF MF Processo nº 10530.904859/201116 Resolução nº 3201000.974 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10530.904859/201116 Resolução nº 3201000.974 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1118DF CARF MF Processo nº 10530.904859/201116 Resolução nº 3201000.974 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10530.904859/201116 Resolução nº 3201000.974 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1120DF CARF MF
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Numero do processo: 19311.720059/2013-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009
CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF.
Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819.
CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO.
Somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui a ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decreto-lei nº 1.435, de 1975.
CRÉDITO DE IPI. CERVEJAS E REFRIGERANTES. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE.
Cervejas e refrigerantes são tributados uma única vez na saída da estabelecimento fabril, sendo vedada a tomada de crédito na aquisição ou recebimento por estabelecimento.
COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL. VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS DE ISENÇÃO DO IPI DE QUE TRATA O DECRETO-LEI Nº 1.435/1975. LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de isenção do IPI, previsto no artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/1975, compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio e a verificação, a qualquer tempo, da regular observância das condições fixadas na legislação pertinente para o reconhecimento do benefício.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-004.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de A. Paes de Souza e José Renato P. de Deus que davam provimento parcial para permitir o creditamento na entrada de produtos sujeitos à incidência monofásica de acordo com o relatório produzido pela recorrente.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado se declarou impedida.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819. CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO. Somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui a ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decreto-lei nº 1.435, de 1975. CRÉDITO DE IPI. CERVEJAS E REFRIGERANTES. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. Cervejas e refrigerantes são tributados uma única vez na saída da estabelecimento fabril, sendo vedada a tomada de crédito na aquisição ou recebimento por estabelecimento. COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL. VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS DE ISENÇÃO DO IPI DE QUE TRATA O DECRETO-LEI Nº 1.435/1975. LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de isenção do IPI, previsto no artigo 6º do Decreto-lei nº 1.435/1975, compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio e a verificação, a qualquer tempo, da regular observância das condições fixadas na legislação pertinente para o reconhecimento do benefício. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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AQUISIÇÃO DE PRODUTOS ISENTOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA DO STF. Excepcionadas as permissões previstas na lei, é vedada a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos de IPI na aquisição de insumos isentos, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior e conforme jurisprudência do STF nos RE nº 370.682 e nº 566.819. CRÉDITO DE IPI. INSUMOS ISENTOS ADVINDOS DA ZFM. CREDITAMENTO FICTO. Somente geram crédito ficto de IPI os insumos isentos advindos da Amazônia Ocidental, na qual se inclui a ZFM, como se devido fosse, quando empregados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do imposto, desde que tenham sido elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, por força do Decretolei nº 1.435, de 1975. CRÉDITO DE IPI. CERVEJAS E REFRIGERANTES. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. Cervejas e refrigerantes são tributados uma única vez na saída da estabelecimento fabril, sendo vedada a tomada de crédito na aquisição ou recebimento por estabelecimento. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. VERIFICAÇÃO DOS REQUISITOS DE ISENÇÃO DO IPI DE QUE TRATA O DECRETOLEI Nº 1.435/1975. LANÇAMENTO POR DESCUMPRIMENTO PROCESSO PRODUTIVO BÁSICO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 00 59 /2 01 3- 65 Fl. 4109DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.110 2 O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de isenção do IPI, previsto no artigo 6º do Decretolei nº 1.435/1975, compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio e a verificação, a qualquer tempo, da regular observância das condições fixadas na legislação pertinente para o reconhecimento do benefício. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, Sarah Maria Linhares de A. Paes de Souza e José Renato P. de Deus que davam provimento parcial para permitir o creditamento na entrada de produtos sujeitos à incidência monofásica de acordo com o relatório produzido pela recorrente. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Walker Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado se declarou impedida. Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevese relatório da Resolução nº 3403000.600: "Tratase de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que constitui créditos tributários em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 01/04/2008 a 31/12/2009 (fls. 1497/1534). A notificação aconteceu em 29/03/2014 (fl. 1569). O lançamento decorre da glosa de créditos nas seguintes situações, detalhadas pelo Termo de Verificação e de Encerramento do Procedimento Fiscal (fls. 1535/1568): 1) glosa de crédito básico em operações de transferência de produtos acabados enviadas de outra filial para o estabelecimento autuado, no período de abril de 2008 a julho de 2008, e em operações de aquisição de produtos acabados de diversas filiais, no período de agosto de 2008 a dezembro de 2009, pelas seguintes razões (fl. 1553): Fl. 4110DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.111 3 Como mencionado, a fiscalizada, durante o ano de 2008, sujeitouse ao Regime de Tributação da Lei 7.798/89 e dessa forma, o IPI destacado nas notas fiscais de transferência de Bebidas acabadas, não pode ser apropriado como crédito, pelos seguintes motivos: 1o) Os produtos citados acima, não se referem a matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem destinados à industrialização, são produtos acabados e destinados a comercialização; 2o) O IPI incide nos produtos acabados uma única vez, na saída do estabelecimento industrial, ou do estabelecimento equiparado a industrial, o que significa dizer que uma vez pago não será mais devido na operação seguinte; (....) A fiscalizada se equivoca, que por pertencer ao Regime Especial de Bebidas, o que ocorreu somente a partir de 2009, o estabelecimento pode se creditar do IPI das entradas de produtos acabados e fazer o respectivo débito do IPI nas saídas. Tanto o art. 4o da Lei 7.798/89, que disciplinou a tributação de bebidas referente ao ano de 2008, bem com o art. 58N da Lei 10.833/2003 (que disciplina a incidência do IPI no Regime Especial de Bebidas, de 2009 em diante), determinam que o IPI incidirá uma única vez sobre os produtos finais, na saída do estabelecimento industrial. O procedimento da fiscalizada não tem amparo legal e qualquer alegação, não dá validade a utilização indevida de crédito. Tanto é, que o § 1o, inciso IV, do art. 488, do RIPI/2002, caracteriza como infração tributária, quando os contribuintes destacarem indevidamente o imposto na nota fiscal. (...) Como explicado anteriormente, a fiscalizada, equivocadamente, continuou a apropriar como crédito de IPI pago nas compras de produtos acabados. Tal creditamento, também é indevido. 2) glosa de crédito incentivado em relação às aquisições de insumos adquiridos da Zona Franca de Manaus (ZFM) ou da Amazônia Ocidental, os quais consistiriam resumidamente em concentrados e embalagens, para os quais a contribuinte havia entendido que se aplicaria a isenção prevista ou no art. 69, II, ou no art. 82, III, do RIPI/2002, cuja aplicação não foi admitida pela Fiscalização, pelas seguintes razões (fl. 1560): Esclarece que a PEPSI, utiliza como insumo o corante caramelo industrializado pela D.D. Williamson do Brasil Ltda, localizada na ZFM, que por sua vez, utiliza em seu processo produtivo, matéria prima agrícola (açúcar), proveniente do Estado de Mato Grosso, compreendido pela região amazônica, segando art. 2o da Lei 5.173/66 e art. 45 da LC n° 31/77. Fl. 4111DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.112 4 A D.D. Willianson do Brasil Ltda, informa que, o açúcar utilizado como matéria prima na fabricação de corante caramelo, tem os seguintes fornecedores: Usinas Itamarati S/A, desde o início da atividade até a corrente data, e a cooperativa Agroextrativista da Vila União, fornecedor de açúcar mascavo desde março de 2011 até a corrente data. A fiscalizada informa, com relação aos concentrados da PepsiCola, além da regra geral (art. 163, § 2o do RIPI/2002), que a matéria prima vegetal originária é o corante caramelo, e que detém os incentivos fiscais previstos no art. 9o do DecLei n° 288/67 e art. 6o do DecLei n° 1.435/75, concedidos pela Resolução Suframa n° 356/2002. O DecretoLei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967, art. 1o, § 4o, define a abrangência da Amazônia Ocidental, como sendo os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Art 1o ........................................................ § 4o Para os fins deste decretolei a Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre e Territórios de Rondônia e Roraima. O art. 6o do Decreto n° 1.435/75 é claro ao dispor, que para que haja a isenção do IPI, sobre os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas de produção regional, essas matérias primas devem ser oriundas da Amazônia Ocidental. O açúcar utilizado na produção do corante caramelo, produzido pela D. D. Willianson do Brasil Ltda, é adquirido da Usina Itamarati S/A, CNPJ: 15.009.178/000170, localizada no Estado do Mato Grosso, conforme nota fiscal apresentada, anexada no e processo e consulta ao cadastro CNPJ. Dessa forma, inexiste para os concentrados sabor cola, matéria prima agrícola ou extrativa vegetal de produção regional (Amazônia Ocidental), motivo pelo qual, a fiscalizada, não tem o direito de se creditar, como devido fosse, nos termos art. 175 do RIPI /2002, na aquisição desses concentrados. Para corroborar, e confirmando as informações acima, as notas fiscais, emitidas pela Pepsi, com referência aos concentrados, em favor da fiscalizada, anexadas no eprocesso, mencionam apenas o inciso II, do art. 69 do Dec. 4.544/02. Diante do exposto, tais créditos foram glosados pela fiscalização. O contribuinte apresentou impugnação (fls. 1582/1717) sustentando em síntese o seguinte: 1) quanto à glosa de créditos básicos nas operações de transferência ou aquisição de mercadorias sujeitas ao regime monofásico, alega que recolheu o imposto na saída destas mesmas mercadorias, de maneira que em relação às transferências, quando muito, teria havido apenas a postergação no pagamento do imposto e, quanto às aquisições, não se Fl. 4112DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.113 5 poderia glosar apenas o crédito sem realizar, também, a retirada da saída do mesmo produto da incidência, visto que já tributado em operação anterior; 2) quanto à glosa de créditos ́incentivados, que deverias ser revertida porque a Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA aprovou o projeto apresentado por PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda. e reconheceu expressamente que ela faz jus ao incentivo previsto no artigo 6° do Decretolei nº 1.435, de 1975, fundamento legal dos artigos 82, III, e 175 do RIPI/2002, sendo vedado à Fiscalização desqualificar o certificado emitido pela SUFRAMA, além de que, devese reconhecer que existem dois conceitos a serem considerados: que a Amazônia Legal é uma região, enquanto a Amazônia Legal seria uma área, de maneira que, quando o texto legal trata de estabelecimento industrial exige expressamente que seja situado na área da Amazônia Legal, mas depois se refere de forma mais abrangentes a insumos da região, com o que sinalizaria a existência de dois conceitos diferentes, de duas abrangências. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão nº 1442.321, de 29 de maio de 2013 (fl. 1728/1753), julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o lançamento pelos seguintes fundamentos sintetizados em sua ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2008 a 31/12/2009 GLOSA DE CRÉDITOS. PRODUTOS ISENTOS ADQUIRIDOS DA AMAZÔNIA OCIDENTAL. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS. São insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal os créditos concernentes a produtos isentos adquiridos para emprego no processo industrial, mas não elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e sem projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA e, a despeito de que os projetos sejam aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, há descumprimento dos requisitos do processo produtivo básico fixados em atos normativos. GLOSA DE CRÉDITOS. INSUMOS DESONERADOS. CRÉDITOS FICTÍCIOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Somente são passíveis de aproveitamento na escrita fiscal do sujeito passivo os créditos concernentes a insumos onerados pelo imposto e admitidos segundo o entendimento albergado na legislação tributária. Fl. 4113DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.114 6 GLOSA DE CRÉDITOS. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sendo para fins de comercialização as respectivas aquisições e sem direito a crédito na escrita fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 1766/1791), insistindo no reconhecimento do direito ao crédito em relação aos insumos que o fornecedor e a SUFRAMA atestam serem produzidos a partir de matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais da região amazônica. Afirma que a PepsiCola Indústria da Amazônia Ltda. teria atestado que as mercadorias fornecidas à Recorrente fazem jus ao benefício previsto no art. 82, inc. III, do RIPI/2002, o qual admite que o adquirente registre crédito do IPI em relação aos insumos isentos por ela produzidos. Tal afirmação é corroborada pela SUFRAMA, órgão ao qual foi atribuída a competência legal para conceder, fiscalizar e avaliar os incentivos dos estabelecimentos instalados na ZFM, na medida em que o projeto da PepsiCola tem fundamento no art. 6° do Decretolei no 1.435, de 1975, no qual se fundamentam os arts. 82, III, e 175 do RIPI/2002. Além disso, a própria SUFRAMA esclareceu, em resposta a consulta formulada pela PespsiCola, que o estabelecimento industrial incentivado deve estar localizado na Amazônia Ocidental, porém, os insumos agrícolas ou vegetais por ele utilizados podem ser provenientes de qualquer parte da Amazônia Legal, que é mais ampla do que a Amazônial Ocidental. Ainda, por força do art. 40 do ADCT, as mercadorias originárias da ZFM devem obrigatoriamente se sujeitar a regime fiscal mais vantajoso que os produtos produzidos nas demais regiões do País, o que exige a consideração de crédito correspondente ao IPI desonerado na operação com mercadoria isenta. A vedação ao direito de crédito sobre os insumos isentos originários da ZFM faz com que tais produtos sejam submetidos ao mesmo tratamento a que estão submetidas as mercadorias industrializadas nas demais localidades do Brasil, o que torna improcedente a exação fiscal. Por fim, rechaça a imputação de falta de recolhimento de IPI em decorrência da apropriação indevida de crédito na entrada de bebidas prontas para o consumo sujeitas ao regime monofásico, pois o tributo foi ulteriormente pago na saída das mercadorias. Quando muito, a Fiscalização poderia ter exigido juros de mora e multa de ofício isolados por força da postergação na satisfação da obrigação principal, mas nunca o tributo (bis in idem). Fl. 4114DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.115 7 Na sessão de 16/11/2014, o colegiado converteu o julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 3403000.600, para as seguintes providências: "a) em diligência à autoridade lançadora, para que lá se tomem as intimese o autuado a fazer prova cabal de sua alegação de lançamento indevido de débitos nas saídas de mercadorias recebidas para revenda, alertandose o contribuinte de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos;; sem a necessária conciliação entre os registros contábeisfiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o indébito; b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituase a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindose os débitos indevidamente lançados; c) repercutase a reconstituição da escrita no lançamento de ofício ora sub judice, em parecer circunstanciado, em que se mencionem também quaisquer outras informações pertinentes; d) dêse ciência desse parecer ao autuado, abrindoselhe o prazo regulamentar para manifestação, e; e) devolvase o processo para esta 3a TO/3a C/3a S/CARF, para prosseguimento do julgamento. Em 27/02/2015, a recorrente recebeu intimação para fazer a prova cabal da alegação de lançamento indevido, no prazo de vinte dias. Em 1º/04/2015, a autoridade fiscal emitiu despacho propondo retorno ao Carf par julgamento, em razão de a recorrente não ter se manifestado até a ocasião. Em 02/04/2015, a recorrente solicitou cópia de parte do processo e apenas em 19/04/2016, solicitou juntada de diversos documentos que comprovariam a tributação indevida de produtos adquiridos em regime monofásico de que tratam a da Lei n° 7.798, de 1989 e o regime especial da Lei n° 10.833/2003. Dentre tais documentos, encontrase o Termo de Constatação elaborado pela KPMG, cujo objetivo era verificar se o estabelecimento autuado debita o imposto creditado na saída dos produtos autuados, no momento de sua alienação a terceiros (efls. 1855). A análise foi efetuada em relação às operações de entradas sob os CFOP 1.102/2102 e 2.152, a partir dos Livros Registro de Entradas, Registro de Saídas, Registro de Apuração de IPI, quadros de controles internos, correspondentes aos períodos de 1º/04/2008 a 31/12/2009. A KPMG afirmou que a documentação é capaz de permitir o controle efetivo da movimentação das operações realizadas no período acima, envolvendo a aquisição e as saídas tributadas. Informou o termo que a quantidade de produtos glosados (adquiridos por compra ou transferência) seria de 1.578.882. O giro do estoque dos produtos autuados foi considerado de dois dias. As saídas foram rastreadas com base nos CFOPs de revenda, transferência de terceiro e devolução de transferência, além de saídas como depósito, bonificação, demonstração e consignação (CFOPs 5102, 5152, 5403, 5910, 6102, 6152, 6403, 6910). Foram desconsideradas saídas com vendas de produção, transferência de produção, e Fl. 4115DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.116 8 outros conforme tabela efls. 1863/1864, que não guardavam relação com os produtos glosados. Afirmouse que as saídas dos produtos glosados estavam contidas nas saídas de 4.660.617 unidades, sendo 428.139 relativo a saídas por transferência, as quais foram tributadas. Do restante de 4.232.478, relativas aos CFOPs 5102/6102, 5403/6403, 5910/6910, apenas 144 não teriam sido tributadas. Em razão de a quantidade de 144 ser irrelevante em relação ao total glosado de 1.578.882, concluiu que todas as glosas estão contidas nas saídas tributadas de revenda, transferência ou bonificação. Na forma regimental, o processo foi a este relator distribuído. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Dérouléde. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O primeiro ponto do litígio diz respeito à glosa dos créditos apropriados sobre produtos sujeitos à incidência monofásica do IPI, seja com base no artigo 4º da Lei nº 7.798/89, seja com base no artigo 58N da Lei nº 10.833/2003, vigente à época, abaixo transcritos: Lei nº 7.798/11989: Art. 4o Os produtos sujeitos aos regimes de que trata esta Lei pagarão o imposto uma única vez, ressalvado o disposto no § 1o: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (Vide Lei nº 13.241, de 2015) a) os nacionais, na saída do estabelecimento industrial ou do estabelecimento equiparado a industrial; b) os estrangeiros, por ocasião do desembaraço aduaneiro. Lei nº 10.833/2003: Art. 58N. No regime especial, o IPI incidirá: (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (Regulamento) (Revogado pela Lei nº 13.097, de 2015) (Vigência) I – uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no parágrafo único; e (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) II – sobre os produtos de procedência estrangeira no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento Fl. 4116DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.117 9 importador equiparado a industrial. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) Parágrafo único. Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto será devido na saída do estabelecimento que industrializar os produtos, observado o disposto no parágrafo único do art. 58A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) Segundo o Termo de Verificação Fiscal, de abril/2008 a julho/2008, a recorrente se apropriou de créditos decorrentes de transferências de produtos acabados (CFOP 2152) e a partir de agosto/2008 sobre aquisições de produtos acabados das diversas filiais da AMBEV (CNPJ base 02.808.708 e CFOP 2102). As razões da glosa foram que os produtos não são matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem e que para tais produtos o IPI incide apenas uma única vez na saída de estabelecimento industrial ou equiparado, com exceção da operação por encomenda, a qual não foi verificada nas situações analisadas. A recorrente, por sua vez, alegou que não deveria ocorrer o lançamento, pois as mercadorias recebidas e revendidas foram tributadas pelo IPI, bastando haver uma diligência para comprovar tal alegação. Ademais, como houve débito nas saídas de revenda, teria ocorrido postergação do pagamento de IPI, implicando o possibilidade de lançamento de juros de mora e multa isolados. Salientase, de início, que o procedimento adotado pela recorrente não se amolda ao instituto da postergação de tributo, em decorrência da inobservância do regime de competência, pois que não houve antecipação de um creditamento de IPI, nem postergação da escrituração de um débito de IPI. No caso, tratase de escrituração indevida tanto de crédito quanto de débito, em razão da legislação já mencionada que prevê a incidência uma única vez. Porém, a recorrente possui razão quanto ao equívoco no lançamento, pois deveria ter sido expurgada da conta gráfica do IPI os débitos escriturados relativos às revendas de tais produtos. A diligência requerida na Resolução nº 3403000.600 tinha por escopo justamente a reconstituição da escrita fiscal do IPI após a exclusão dos débitos indevidamente escriturados, conforme item "b" da resolução: "b) com base na prova produzida nesses termos pelo contribuinte, reconstituase a escrita fiscal dos períodos de apuração alvo, excluindose os débitos indevidamente lançados;" Porém, cientificada da diligência em 27/02/2015, a recorrente nada apresentou à fiscalização, que devolveu o processo ao CARF em 1º/04/2015, em razão da falta de resposta da recorrente. No dia 2/04/2015, a recorrente solicitou cópia do processo e doze meses depois, em abril/2016, juntou 2.259 folhas de documentação, para comprovação dos valores indevidamente debitados, deduzindo que a autoridade fiscal não poderia ter simplesmente presumido a falta de resposta intencional, violando a ampla de defesa e a verdade material, e que nova intimação deveria ter sido produzida para certificarse do ocorrido. Fl. 4117DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.118 10 Em primeira lugar há que se rechaçar a imputação à fiscalização da não desincumbência do ônus que lhe cabia de provar os supostos valores indevidamente escriturados. Frisese que foi deferida à recorrente a oportunidade na realização de diligência, a qual somente foi respondida doze meses após a devolução do processo ao CARF. Pontuese que o processo foi devolvido 32 dias após a ciência da intimação da diligência, prazo superior aos de apresentação de impugnação e recurso voluntário, portanto, em princípio, razoável. Caberia à recorrente solicitar prorrogação de tal prazo, diante de situações comprobatórias da impossibilidade de se atender ao solicitado, o que, convenhamos, não se configuraria razoável, diante dos 24 meses já transcorridos entre a impugnação e a diligência. Ressaltase, ademais, que não basta a recorrente anexar 2259 folhas para demonstrar suas alegações e o parecer de efls. 1852 e seguintes. A realização da diligência tinha por objetivo justamente a certificação das informações pela autoridade fiscal, que possui sistema informatizado de auditoria capaz de trabalhar os dados informados em arquivos digitais e certificar todas as informações prestadas quanto às descrições dos produtos, NCM, quantidades etc. Ao não responder à diligência,a recorrente subtraiu da administração tributária a possibilidade de averiguação dos dados apresentados, sendo imprescindível a análise mediante a apresentação de arquivos digitais. Como a própria recorrente afirmou em sua petição (efls. 1846), a comprovação envolveu análises complexas de uma infinidade de documentos. Ora, esta análise somente poderia ter sido feita com a manipulação de arquivos digitais. Não é por outra razão que diversas instruções normativas da RFB facultam o deferimento de ressarcimento de IPI à apresentação de arquivos digitais, como por exemplo o artigo 191 da IN SRF 600/2005 e o artigo 652 da IN RFB nº 900/2008. Neste sentido, poderia ser o caso de retorno de diligência para apreciação dos documentos. Ocorre que tal providência restaria inócua, pois a recorrente deixa transparecer que não cumprirá a diligência nos moldes em que determinada (assim como fez no processo nº 10384.720215/201360), ou seja, não identificará as saídas vinculdas às entradas glosadas, expurgando os débitos de IPI indevidamente escriturados e reconstituindose a escrita fiscal, para então ajustar o lançamento, o que se afigura a este relator como incompreensível, pois a própria KPMG atestou em seu parecer que "a Ambev mantém em boa ordem e guarda documentação contábil e fiscal regular e consistente capaz de permitir o controle efetivo da movimentação das operações realizadas no período de 1º de abril de 2008 a 31 de dezembro de 2009, o qual envolve a aquisição e as saídas tributadas dos produtos listados no AIIM (Anexo Geral I – pág. 3)." (efls. 1859). 1 Art. 19. A autoridade da SRF competente para decidir sobre o pedido de ressarcimento de créditos do IPI poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação, pelo estabelecimento que escriturou referidos créditos, do livro Registro de Apuração do IPI correspondente aos períodos de apuração e de escrituração (ou cópia autenticada) e de outros documentos relativos aos créditos, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal no estabelecimento da pessoa jurídica a fim de que seja verificada a exatidão das informações prestadas. 2 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas Fl. 4118DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.119 11 Portanto, se a documentação contábil e fiscal era regular e consistente, capaz de permitir o controle efetivo das movimentações de aquisição e saídas tributadas, bastaria, então, identificar as notas fiscais de saída relativas às entradas glosadas, expurgar o IPI destacado nestas notas da escrituração fiscal (Livro Registro de Apuração de IPI), reconstituindo a escrita e os saldos devedores em cada período autuado, para então promover a redução dos valores lançados. Porém, incompreensivelmente, nada disso foi feito. Ressaltase que a legislação prevê o controle efetivo da produção e do estoque, pela escrituração do Livro Registro de Controle da Produção e Estoque, modelo 3, conforme artigo 383 e seguintes do RIPI/2002, o que, aparentemente, possuía a recorrente. Art. 383. O livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, modelo 3, destinase ao controle quantitativo da produção e do estoque de mercadorias e, também, ao fornecimento de dados para preenchimento do documento de prestação de informações à repartição fiscal. § 1º Serão escriturados no livro os documentos fiscais relativos às entradas e saídas de mercadorias, bem como os documentos de uso interno, referentes à sua movimentação no estabelecimento. § 2º Não serão objeto de escrituração as entradas de produtos destinados ao ativo fixo ou ao uso do próprio estabelecimento. § 3º Os registros serão feitos operação a operação, devendo ser utilizada uma folha para cada espécie, marca, tipo e modelo de produtos. § 4º A SRF, quando se tratar de produtos com a mesma classificação fiscal na TIPI, poderá autorizar o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, a agrupálos numa mesma folha. Art. 384. Os registros serão feitos da seguinte forma: I no quadro "Produto": identificação do produto; II no quadro "Unidade": especificação da unidade (quilograma, litro etc.); III no quadro "Classificação Fiscal": indicação do código da TIPI e da alíquota do imposto; IV nas colunas sob o título "Documento": espécie e série, se houver, do respectivo documento fiscal ou documento de uso interno do estabelecimento, correspondente a cada operação; V nas colunas sob o título "Lançamento": número e folha do livro Registro de Entradas ou Registro de Saídas, em que o documento fiscal tenha sido registrado, bem como a respectiva codificação contábil e fiscal, quando for o caso; VI nas colunas sob o título "Entradas": Fl. 4119DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.120 12 a) coluna "Produção No Próprio Estabelecimento": quantidade do produto industrializado no próprio estabelecimento; b) coluna "Produção Em Outro Estabelecimento": quantidade do produto industrializado em outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, com MP, PI e ME , anteriormente remetidos para esse fim; c) coluna "Diversas": quantidade de MP, PI e ME , produtos em fase de fabricação e produtos acabados, não compreendidos nas alíneas a e b, inclusive os recebidos de outros estabelecimentos da mesma firma ou de terceiros, para industrialização e posterior retorno, consignandose o fato, nesta última hipótese, na coluna "Observações"; d) coluna "Valor": base de cálculo do imposto, quando a entrada dos produtos originar crédito do tributo; se a entrada não gerar crédito ou quando se tratar de isenção, imunidade ou nãoincidência, será registrado o valor total atribuído aos produtos; e e) coluna "IPI": valor do imposto creditado; VII nas colunas sob o título "Saídas": a) coluna "Produção No Próprio Estabelecimento": em se tratando de MP, PI e ME , a quantidade remetida do almoxarifado para o setor de fabricação, para industrialização do próprio estabelecimento; no caso de produto acabado, a quantidade saída, a qualquer título, de produto industrializado do próprio estabelecimento; b) coluna "Produção Em Outro Estabelecimento": em se tratando de MP, PI e ME , a quantidade saída para industrialização em outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, quando o produto industrializado deva ser remetido ao estabelecimento remetente daquelas MP, PI e ME; em se tratando de produto acabado, a quantidade saída, a qualquer título, de produto industrializado em estabelecimentos de terceiros; c) coluna "Diversas": quantidade de produtos saídos, a qualquer título, não compreendidos nas alíneas a e b; d) coluna "Valor": base de cálculo do imposto; se a saída estiver amparada por isenção, imunidade ou nãoincidência, será registrado o valor total atribuído aos produtos; e e) coluna "IPI": valor do imposto, quando devido; VIII na coluna "Estoque": quantidade em estoque após cada registro de entrada ou de saída; e IX na coluna "Observações": anotações diversas. Fl. 4120DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.121 13 § 1º Quando se tratar de industrialização no próprio estabelecimento, será dispensada a indicação dos valores relativos às operações indicadas na alínea a, do inciso VI, e na primeira parte da alínea a, do inciso VII. § 2º No último dia de cada mês serão somados as quantidades e valores constantes das colunas "Entradas" e "Saídas", apurandose o saldo das quantidades em estoque, que será transportado para o mês seguinte. Art. 385. O livro poderá, a critério da autoridade competente do Fisco Estadual, ser substituído por fichas: I impressas com os mesmos elementos do livro substituído; II numeradas tipograficamente, de um a novecentos e noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove; e III prévia e unitariamente autenticadas pelo Fisco Estadual ou pela Junta Comercial. Parágrafo único. Deverá ainda ser visada, pela repartição do Fisco Estadual, ou pela Junta Comercial, fichaíndice, na qual, observada a ordem numérica crescente, será registrada a utilização de cada ficha. Art. 386. A escrituração do livro ou das fichas não poderá atrasarse mais de quinze dias. Escrituração Simplificada Art. 387. A escrituração do livro Registro de Controle de Produção e do Estoque poderá ser feita com as seguintes simplificações: I escrituração do total diário na coluna "Produção No Próprio Estabelecimento", sob o título "Entradas"; II escrituração do total diário na coluna "Produção No Próprio Estabelecimento", sob o título "Saídas", em se tratando de MP, PI e ME , quando remetidos do almoxarifado para industrialização no próprio estabelecimento; III nos casos previstos nos incisos I e II, fica igualmente dispensada a escrituração das colunas sob o título "Documento" e "Lançamento", exceção feita à coluna "Data"; e IV escrituração diária na coluna "Estoque", em vez de ser feita após cada registro de entrada ou saída. Parágrafo único. Os produtos que tenham pequena expressão na composição do produto final, tanto em termos físicos quanto em valor, poderão ser agrupados numa mesma folha, se possível, desde que se enquadrem no mesmo código da TIPI. Controle Alternativo Fl. 4121DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.122 14 Art. 388. O estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista, que possuir controle quantitativo de produtos que permita perfeita apuração do estoque permanente, poderá optar pela utilização desse controle, em substituição ao livro Registro de Controle da Produção e do Estoque, observado o seguinte: I o estabelecimento fica obrigado a apresentar, quando solicitado, aos Fiscos Federal e Estadual, o controle substitutivo; II para a obtenção de dados destinados ao preenchimento do documento de prestação de informações, o estabelecimento industrial, ou a ele equiparado, poderá adaptar, aos seus modelos, colunas para indicação do valor do produto e do imposto, tanto na entrada quanto na saída; e III o formulário adotado fica dispensado de prévia autenticação. Todavia, como já dito, a recorrente não quis atender ao requerido na diligência, mas sim efetuar sua própria apuração, com o fito de se permitir o creditamento, repitase, proibido pela legislação. Destarte, mantenho a autuação nesta matéria. O segundo litígio diz respeito ao creditamento de insumos adquiridos (concentrados e embalagens) com isenção de IPI de fornecedores situados na Zona Franca de Manaus. Relativamente aos concentrados, a recorrente defendeu que o extrato de caramelo é insumo industrializado a partir do açúcar de cana plantada em Mato Grosso, que atenderia ao requisito de matériaprima originária da região amazônica, definida como Amazônia Legal, conforme artigo 2º da Lei nº 5.173/1966 e conforme documentos expedidos pela SUFRAMA, atestando que o artigo 6º do Decretolei nº 1.435/1975 abrangeria os insumos fabricados com vegetais produzidos na área da Amazônia legal, como seria o caso do corante caramelo produzido pela D.D.Williamson do Brasil Ltda. Defendeu, ainda, que mesmo não admitindo o benefício previsto no artigo 82, III do RIPI/2002, o artigo 40 do ADCT da Constituição Federal garante tratamento diferenciado às aquisições de fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus, matéria que está sujeita à apreciação pelo STF do RE nº 592.891/SP, de repercussão geral reconhecida. A recorrente aduziu, ainda, a ilegitimidade da glosa na aquisição de concentrados, base e edulcorantes para bebidas não alcoólicas, a partir do suposto descumprimento do PPB pelos fornecedores, uma vez que a fiscalização da Secretaria da Receita Federal não possui competência para concluir pelo descumprimento do PPB pelos fornecedores, que agiu de boafé e tomou todas as medidas cabíveis a seu alcance para se resguardar quanto à correção do creditamento, além de que o PPB fora cumprido, pois os concentrados, aditivos e aroma cooler foram produzidos localmente tendo havido a mistura de suas composições sólidas e líquidas na ZFM. Fl. 4122DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.123 15 Esta turma já se pronunciou sobre grande parte das matérias acima elencadas, especialmente no que tange às aquisições dos extratos de caramelo junto à PepsiCola, à produção de açúcar em Mato Grosso, o alcance da expressão "produção regional", a competência da SUFRAMA x competência da RFB, a possibilidade de tomada de créditos sobre aquisições isentas oriundas da ZFM por força do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal, conforme Acórdãos nº 3302002.673, de 24/07/2014, proferido pela Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó no processo nº 11080.727828/201143, nº 3302003.741, de 29/03/2017, proferido pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento no processo nº 13839.002752/200274 e o de nº 3302004.410, proferido pelo Conselheiro Walker Araújo no processo nº 10384.720215/201360. Frisese que em tais julgados, restou decidido que a expressão "produção regional" referida no artigo 6º do Decreto nº 1.435/1975 não se referia à área da Amazônia Legal definida no artigo 2º3 da Lei nº 5.173/1966, mas sim à área da Amazônia Ocidental, de que trata o §4º do artigo 1º do Decretolei nº 291/1967, referido no artigo 6º do Decreto nº 1.435/1975, a seguir transcrito, não restando caracterizado, conforme a acusação fiscal, o atendimento ao requisito previsto no caput do artigo 6º: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o "caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Concernente à alegação de creditamento sobre as aquisições isentas da ZFM (artigo 69, II do RIPI/2002), por força do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal, pontue se que a matéria está sob julgamento do STF, com repercussão geral reconhecida, no RE nº 592.891/SP e que o decidido no RE nº 212.484/RS não abordou especificamente a aplicação do artigo 40 do ADCT, restando superado por decisões posteriores como as proferidas nos RE nº 370.682, nº 398.365 e nº 566.819. Salientase que o RE nº 398.365 foi submetido à repercussão geral, ainda não definitivamente julgado, mas cuja ementa assim dispôs: Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Tributário. Aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 3. Creditamento de IPI. Impossibilidade. 4. Os princípios da não cumulatividade e da seletividade, previstos no 3 Art . 2º A Amazônia, para os efeitos desta lei, abrange a região compreendida pelos Estados do Acre, Pará e Amazonas, pelos Territórios Federais do Amapá, Roraima e Rondônia, e ainda pelas áreas do Estado de Mato Grosso a norte do paralelo de 16º, do Estado de Goiás a norte do paralelo de 13º e do Estado do Maranhão a oeste do meridiano de 44º. Fl. 4123DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.124 16 art. 153, § 3º, I e II, da Constituição Federal, não asseguram direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 5. Recurso não provido. Reafirmação de jurisprudência. Destacase, ainda, que a CSRF possui decisões a respeito, como a proferida pela Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez no Acórdão nº 930301.274: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/01/2000 IPI. JURISPRUDÊNCIA. As decisões do Supremo Tribunal Federal STF que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, nos termas do Decreto n° 2.346, de 10.10.97. CRÉDITOS DE IPI DE PRODUTOS ISENTOS. Conforme decisão do STF RE n° 566.819, há de negar direito ao creditamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Em adição, sobre as referidas matérias, transcrevese parte do voto do Conselheiro Walker Araújo proferido no Acórdão nº 3302004.410, o qual adoto como razão de decidir, complementarmente, nos termos do artigo 50, §1º da Lei nº 9.784/1999: "A respeito de todas as matérias levantadas pela Recorrente neste tópico, a saber: (i) isenção concedida pelo SUFRAMA; (ii) reconhecimento do direito ao crédito por força do tratamento tributário diferenciado advindo do artigo 40 da ADCT; e (iii) e do direito ao crédito previsto no artigo 82, inciso III, do RIPI/2002, pego emprestado as considerações apresentada pelo Conselheiro Antônio Carlos Atulim ao analisar caso idêntico ao aqui tratado (acórdão 3402002.927), o qual adoto como fundamento de decidir: "Conforme se pode verificar nos autos, as glosas efetuadas pela fiscalização foram motivadas no fato de que os insumos não se enquadravam no disposto no art. 82, III, do RIPI/2002, por não terem sido elaborados com matériaprima agrícola e extrativa vegetal de produção regional, bem como no fato de que a isenção prevista no art. 69, II, do RIPI/2002 não gera direito ao crédito do IPI para o estabelecimento adquirente. Por seu turno, o contribuinte alegou que seu fornecedor está amparado por uma Resolução do Conselho de Administração da SUFRAMA, que reconheceu o direito à isenção prevista no art. 6° do DecretoLei n° 1.435 e que a Receita Federal não poderia Fl. 4124DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.125 17 simplesmente desconsiderar tal Resolução e efetuar o lançamento dos tributos que julga devidos. Se essa isenção não prevalecer, então deve prevalecer a isenção do art. 9° do DecretoLei n° 288/67, a qual também lhe garantiria o direito de crédito, a teor do art. 163, § 2° do RIPI/2002. Analisando o conteúdo da Resolução CAS n° 356/2002 (fls. 2036/2037), verificase que em momento algum a SUFRAMA concedeu o direito de isenção à recorrente. O que a Resolução CAS n° 356/2002 fez foi aprovar o projeto industrial de atualização da PepsiCola Industrial da Amazônia, com base no Parecer Técnico de Projeto n° 130/2002, para a produção de concentrado para bebidas não alcoólicas, com a finalidade de gozo dos incentivos previstos nos arts. 7° e 9° do DL n° 288/67 e no art. 6° do DL n° 1.435/75. Eis o excerto da fl. 2035 no qual se pode conferir o conteúdo da Resolução:(...) Portanto, o objeto dessa Resolução não foi o reconhecimento do direito subjetivo às isenções mencionadas. O CAS reconheceu apenas que a empresa cumpriu os requisitos que a habilitam a se instalar na região para usufruir daquelas isenções, mas isso de forma alguma significa que existe um despacho administrativo que reconheceu o direito subjetivo à isenção dos produtos. Isso porque nos artigos seguintes dessa mesma resolução, o CAS condicionou o direito à isenção ao cumprimento de outros requisitos, a saber: (...) O texto da Resolução CAS n° 356/2002 desautoriza a alegação da recorrente no sentido de que a SUFRAMA reconheceu o direito à isenção do art. 6° do DL n° 1.435/75. A SUFRAMA não reconheceu a priori o direito subjetivo à isenção, pois esse direito depende de uma conduta futura da requerente, consistente no cumprimento de requisitos legais, os quais não poderiam ser aferidos pelo CAS no momento da emissão da resolução. Por tal motivo, também é improcedente a alegação no sentido de que a redação do art. 3°, inciso III, da Resolução teria legitimado a isenção ao se referir aos termos do Parecer Técnico de Projeto n° 130/2002, uma vez que esses pareceres apenas analisam a viabilidade técnica do empreendimento e não o cumprimento dos requisitos legais para a isenção. Esta constatação é feita com base na análise de Pareceres Técnicos de Projetos analisados por este relator em outros casos concretos, pois no caso específico o Parecer Técnico de Projeto n° 130/2002 não está presente nos autos. Sendo assim, salta aos olhos que a Resolução do CAS não reconheceu o direito subjetivo à isenção prevista no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75, pois ninguém em sã consciência Fl. 4125DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.126 18 poderia reconhecer um direito condicionado a um comportamento futuro da empresa. O que a SUFRAMA reconheceu foi que o empreendimento era viável e que estava apto a usufruir do benefício estabelecido no art. 6° da Decreto Lei n° 1.435/75, desde que, entre outros, cumprisse o PPB e que aplicasse matériaprima regional de origem vegetal nos concentrados. Reforça essa conclusão a redação do § 2° do art. 6° do DL n° 1.435/75, que estabelece claramente que a isenção só se aplica a produtos elaborados por estabelecimentos cujos projetos tenham sido aprovados pela Suframa. Ou seja, a aprovação do projeto é apenas um dos requisitos necessários para usufruir da isenção e não o reconhecimento do direito subjetivo à isenção. No que tange ao corante caramelo e ao açúcar produzido no Estado do Mato Grosso, o contribuinte alegou que esses insumos satisfazem o requisito legal de aplicação de matériaprima agrícola e extrativa de vegetal de produção regional, uma vez que no seu entender, o vocábulo "regional", contido no art. 6°, do DecretoLei n° 1.435/75, deve ser entendido como abrangendo a área da Amazônia Legal, interpretação que já teria sido chancelada pela própria SUFRAMA. O referido dispositivo legal estabelece o seguinte, in verbis: "Art. 6° Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4° do art. 1° do Decretolei n° 291, de 28 de fevereiro de 1967. (...) A análise da Resolução CAS n° 356/2002 revela que o Conselho de Administração da SUFRAMA em momento algum definiu o alcance do vocábulo regional empregado na referida resolução. Isso foi feito por meio de uma consulta respondida pelo superintendente adjunto de projetos, que unilateralmente se limitou a aceitar a interpretação proposta pela consulente, para considerar que "regional" tem o mesmo significado de "Amazônia Legal". Ao homologar a interpretação defendida pela consulente, o superintendente adjunto de projetos, de modo unilateral e monocrático, acabou por alargar a extensão do termo"regional" estabelecido no art. 6° do DL n° 1.435/75, cujo alcance nem de longe foi analisado pelo órgão colegiado (fl. 2122). A competência para a aprovação dos projetos é do Conselho de Administração da SUFRAMA, a teor do art. 4° de seu Regimento Interno (Portaria MDIC 123/2008) , e não do superintendente adjunto de projetos. A competência da Superintendência Adjunta de Projetos está especificada no art. 58 do Regimento Interno e Fl. 4126DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.127 19 compreende apenas e tãosomente a análise de projetos (inciso I) e não a sua aprovação. Além disso, as atribuições do Conselho de Administração da SUFRAMA são tão relevantes, que sua composição está estabelecida em lei complementar. O art. 1° da Lei Complementar n° 68/1991, estabelecia a composição do Conselho de Administração nos seguintes termos: Art. 1° O Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), autarquia federal instituída pelo DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, passa a ter a seguinte composição: I representantes dos Governos dos Estados do Amazonas, Acre, Roraima e Rondônia, bem como os Prefeitos das respectivas capitais; II um representante de cada um dos seguintes Ministérios: a) da Economia, Fazenda e Planejamento; b) da Agricultura e Reforma Agrária; c) da InfraEstrutura; III o Secretário do Desenvolvimento Regional da Presidência da República; IV um representante da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República; V o Superintendente da Suframa; VI o Presidente do Banco da Amazônia S.A. (Basa); VII um representante das classes produtoras; VIII um representante das classes trabalhadoras (...) A partir de 14/01/2010 a Lei Complementar n° 68/91 foi revogada pela Lei Complementar n° 134/2010, passando o Conselho de Administração da SUFRAMA a ter a seguinte composição: 2o O Conselho terá a seguinte composição: I 10 (dez) Ministros de Estado, definidos em regulamento pelo Poder Executivo; II Governador e Prefeito da capital dos seguintes Estados: a) Amazonas; b) Acre; c) Amapá Fl. 4127DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.128 20 d) Rondônia; e e) Roraima; III Superintendente da Suframa; IV Presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES; V Presidente do Banco da Amazônia BASA; VI 1 (um) representante das classes produtoras; e VII 1 (um) representante das classes trabalhadoras. (...) Sendo assim, uma decisão proferida por um órgão colegiado com a relevância do Conselho de Administração da SUFRAMA, não pode ser alterada e nem ter seus termos estendidos por interpretação de quem quer que seja. Somente ao CAS, no âmbito de sua competência, caberia fixar em suas próprias resoluções o significado do vocábulo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75, e isso exclusivamente para o fim de aprovação do projeto e habilitação da empresa à fruição dos benefícios fiscais. A competência da SUFRAMA se limita à administração da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental e à aprovação de projetos de empresas que pretendam se instalar nessas regiões, a teor dos arts. 10 e 11 do DL n° 288/67 e do art. 4°, I, "c" do Anexo I ao Decreto n° 7.139/2010. Em momento algum esses dispositivos legais conferiram à SUFRAMA a competência para reconhecer o direito subjetivo às isenções dos DL n° 288/67 e 1.435/75. Por seu turno, compete à Receita Federal a fiscalização do Imposto Sobre Produtos industrializados, a teor do art. 91 da Lei n° 4.502/64 combinado com o art. 2° da lei n° 11.457/2007 e arts. 427 e 428 do RIPI/2002. Desse modo, ao contrário do alegado, não houve desconsideração dos atos da SUFRAMA por parte da Receita Federal. E também não existe impedimento algum para que a fiscalização e os órgãos administrativos de julgamento, no âmbito do processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários, interpretem o alcance do vocábulo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75. O contribuinte entende que o objetivo do DecretoLei n° 1.435/75 foi o de fomentar a expansão econômica da região com menor desenvolvimento econômico do país e de propiciar a ocupação dessa região. Por tal motivo, o termo "regional" deveria ser entendido como Amazônia Legal. A argumentação do contribuinte é improcedente. Os Decretos Leis n° 288/67 e 1.435/75 estabeleceram um tratamento fiscal privilegiado para industrializar as áreas da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental. A industrialização dessas Fl. 4128DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.129 21 áreas traria o desenvolvimento econômico e como consequência a ocupação populacional daqueles territórios. Exatamente por essa razão é que o vocábulo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 abrange apenas e tãosomente as matériasprimas vegetais e extrativas produzidas na Amazônia Ocidental. No DecretoLei n° 1.435/75 o vocábulo "regional" só foi empregado uma única vez no art. 6°. Esse mesmo artigo 6° remete o leitor à área definida no § 4° do art. 1° do DecretoLei n° 291/67. O DecretoLei n° 291/67 estabeleceu incentivos para o desenvolvimento da Amazônia Ocidental da Faixa de Fronteiras abrangida pela Amazônia. E o § 4° do art. 1° do DecretoLei n° 291/67, estabelece que a Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima. Tendo em vista que se trata de isenção, deve incidir o comando do art. 111, II, do CTN, que determina que as normas sobre isenção devem ser interpretadas de forma literal. Se o próprio art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 remete à delimitação de Amazônia Ocidental contida no art. 1°, § 4°, do DecretoLei n° 291/67, não há como sustentar que "regional" se refere à Amazônia Legal. O conceito de Amazônia Legal foi criado apenas para os fins da Lei n° 5.173/66 (que instituiu o plano de valorização econômica da Amazônia) e abrange praticamente a metade do território brasileiro. Tanto que o art. 2° da referida lei já inicia a definição de Amazônia Legal da seguinte forma: "A Amazônia, para OS efeitos desta lei, abrange a região compreendida pelos Estados do Acre, Pará e Amazonas, pelos Territórios Federais do Amapá, Roraima e Rondônia, e ainda pelas áreas do Estado de Mato Grosso a norte do paralelo de 16°, do Estado de Goiás a norte do paralelo de 13° e do Estado do Maranhão a oeste do meridiano de 44°. (...)". Quisesse o legislador do DecretoLei n° 1.435/75 se referir à Amazônia Legal, teria remetido o leitor do art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 à Lei n° 5.173/66 e não ao DecretoLei n° 291/67. A interpretação pretendida pelo contribuinte é inadmissível, não só em face do art. 111, II, do CTN, mas também por não ser crível que ao instituir uma isenção voltada especificamente ao desenvolvimento e à ocupação das áreas mais inóspitas do território nacional, o legislador tenha pretendido incluir no incentivo metade do território nacional, onde se localizam Estados como Mato Grosso e Goiás, verdadeiros celeiros da produção nacional de grãos. Assim, é evidente que o termo "regional" contido no art. 6° do DecretoLei n° 1.435/75 se refere às matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais produzidas na Amazônia Ocidental, tal como Fl. 4129DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.130 22 definida no art. 1°, § 4°, do DecretoLei n° 291/67 e não na Amazônia Legal, que é um conceito meramente político criado exclusivamente para os fins da Lei n° 5.173/66. Reforça esta interpretação o texto da exposição de motivos do DecretoLei n° 1.435/75, onde se nota claramente que sua edição teve por objetivo corrigir falhas e distorções constatadas nos benefícios concedidos à Zona Franca de Manaus e à Amazônia Ocidental. É evidente que no caso concreto não foi respeitada a condição estabelecida na Resolução CAS n° 356/2002, pois não foram empregados na fabricação do concentrado matériasprimas de produção regional, uma vez que o açúcar que deu origem ao corante caramelo foi produzido no Mato Grosso e não na Amazônia Ocidental, o que justifica a glosa dos créditos no estabelecimento adquirente para o fim de exigência do IPI. Além disso, cabe acrescentar que o açúcar produzido no Estado do Mato Grosso e o próprio corante caramelo não se enquadram no conceito de matériaprima, pois são na verdade produtos intermediários industrializados e não "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional" referidas no art. 6° do DL n° 1.435/75. A exigência legal é clara no sentido de que os produtos beneficiados pela isenção devam ser produzidos com matérias primas vegetais provenientes de cultivo ou de extrativismo na região da Amazônia Ocidental. A lei não se referiu a produtos intermediários, mesmo que sejam produzidos com matériasprimas extraídas ou cultivadas na região, como parece ser o entendimento da recorrente. Reforça essa interpretação a redação do § 1° do mesmo art. 6°, na parte em que estabelece que os produtos mencionados no caput gerarão crédito ficto do IPI quando forem empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem na industrialização de produtos tributados. No âmbito do IPI, quando o legislador quer abranger os insumos em geral ele menciona as três espécies (matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem). Sendo assim, se o caput do art. 6° só mencionou "matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", não há espaço para a interpretação mais alargada pretendida pela recorrente, para o fim de incluir produtos intermediários fabricados na região, ainda que esses produtos intermediários tenham sido produzidos com matériasprimas de origem vegetal. Decorre daí que não têm nenhuma valia para a pretensão da recorrente a declaração emitida pela PepsiCola Industrial do Amazonas (fl. 2114/2115); a informação de que a SUFRAMA validou Laudo Técnico de Auditoria Independente, que teria demonstrado a conformidade da fornecedora com os requisitos Fl. 4130DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.131 23 legais (fls. 372/380), pois a competência para fiscalizar o IPI e as respectivas isenções é da Receita Federal. Também não tem nenhuma valia para o deslinde do caso concreto as disposições da Portaria MDIC/MCT n° 842/2007, pois além desta portaria se referir ao processo produtivo básico estabelecido para produtos de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, o açúcar supostamente produzido no Estado do Mato Grosso e o corante caramelo não podem ser enquadrados como "matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional", mas sim como produtos intermediários industrializados, os quais não atendem ao requisito estabelecido no art. 6° do DL n° 1.435/75. A defesa invocou a isenção prevista no art. 9° do DecretoLei n° 288/67, pois os produtos foram produzidos na Zona Franca de Manaus. O direito ao crédito teria sido reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal no RE 212.484 e o art. 163 do CTN garantiria o direito aos créditos como incentivo. Além disso, o art. 40 do ADCT também garantiria o direito de crédito ao dispensar tratamento diferenciado aos produtos produzidos na Zona Franca, não podendo o fisco aplicar à espécie o regime jurídico normal dos créditos de IPI. No que tange à isenção do art. 9° do DL n° 288/67, o referido diploma legal não estabeleceu de forma expressa o direito dos adquirentes aos créditos fictos do imposto. O art. 9° do DecretoLei n° 288/67 foi regulamentado pelo art. 69, I e II, do RIPI/2002. Da leitura desses dispositivos legais e regulamentares se constata que não houve previsão expressa do direito ao aproveitamento do crédito ficto. Tendo em vista que nas notas fiscais de aquisição dos concentrados adquiridos com isenção não houve o destaque do imposto, não há direito do contribuinte efetuar o crédito, sendo inaplicável o art. 163, § 2° do RIPI/2002. Se o regulamento do IPI não contemplou com o direito de crédito os produtos adquiridos com isenção (exceção feita ao art. 175, do RIPI/2002), então, no âmbito do julgamento administrativo, não há como reconhecer o direito pleiteado pela recorrente, sob pena de ofensa ao art. 26A do Decreto n° 70.235/72, que vincula a atuação deste colegiado à observância e cumprimento de dispositivos com hierarquia igual ou superior a decreto. A Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal também não pode ser aplicada em benefício da recorrente, pois no julgamento do RE n° 566.819 o STF reformou seu entendimento quanto ao direito de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Por outro lado, com o reconhecimento da repercussão geral no RE 592.891, a questão do direito ao crédito por aquisições isentas da ZFM se encontra pendente de julgamento pelo STF, o que retira o caráter de definitividade do RE 212.484, impedindo Fl. 4131DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.132 24 este colegiado de aplicar o art. 62 do RICARF para estender aquela interpretação ao caso concreto. Sendo assim, devem ser mantidas as glosas dos créditos incentivados nos moldes em que foi efetuada pela fiscalização."" Por fim, a recorrente se insurge quanto ao descumprimento do PPB pelos fornecedores da ZFM. Neste tópico, a fiscalização considerou que os Processos Produtivos Básicos para elaboração dos concentrados estabelecem que o produto final do concentrado seja único e não em diversas partes separadas e que todas as etapas de dosagem, mistura e homogeneização fossem realizados na ZFM. Concluiu que a Arosuco e PepsiCola não cumpriam os requisitos previstos no PPB para os produtos "concentrados" e que, portanto, não podiam usufruir do benefício fiscal previsto no inciso III do artigo 15 da Resolução SUFRAMA nº 202/2006. Assim, glosou os créditos tomados em relação ao concentrado de guaraná adquirido da Arosuco, os concentrados de limão, laranja, tônica da Arosuco e os concentrados sabores cola da PepsiCola Industrial da Amazônia Ltda. À exceção do concentrado de guaraná adquirido da Arosuco, todos os demais foram objeto de glosa em razão de não serem elaborados com matériasprimas e extrativas vegetais de produção regional, nos termos do artigo 6º do Decreto nº 1.435/1975, o que inviabiliza o creditamento previsto no artigo 175 do RIPI/2002. Destacase que a Arosuco afirmou, à exceção do concentrado de guaraná, os demais saíram com a isenção prevista no artigo 69, II do RIPI/2002 e não utilizaram matériasprimas agrícolas ou extrativas de produção regional. Já o concentrado adquirido da PepsiCola foi analisado anteriormente quanto ao aspecto do corante de caramelo e do açúcar produzido em Mato Grosso, tendo sido decidido pela impossibilidade de creditamento, por não atender ao disposto no artigo 6º do Decreto nº 1.435/1975. Salientase, inclusive, que as notas fiscais emitidas pela Pespi informavam a saída isenta de acordo com o inciso II do artigo 69 do RIPI/2002. Portanto, a análise deste tópico restringese à aquisição de concentrado de guaraná da Arosuco. Quanto a competência da RFB em verificar os requisitos para fruição da isenção, dentre eles o cumprimento do Processo Produtivo Básico, a matéria já foi delineada no voto transcrito acima do Conselheiro Walker Araújo proferido no Acórdão nº 3302004.410. A respeito, transcrevese também o voto do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, proferido no recente Acórdão nº 3302003.741: "A fiscalização da RFB detém, induvidosamente, competência para verificar o cumprimento dos requisitos legais da isenção, conforme expressamente lhe assegura os arts. 176 a 179 do CTN. Aliás, nos termos do art. 37, XVIII, da CF, à RFB e aos seus “servidores fiscais” é atribuída, na forma da lei, competência para fiscalizar todos os requisitos atinentes à correta concessão e fruição de benefícios fiscais, inclusive com precedência sobre os demais órgãos administrativos. Enquanto que a SUFRAMA foi atribuída, nos termos dos arts. 69, II, e 175 do RIPI/2002, competência para aprovar os citados benefícios fiscais e administrálos, sem excluir, obviamente, a competência da RFB para exercer suas atribuições legais de Fl. 4132DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.133 25 fiscalização a posteiori do cumprimento dos requisitos estabelecidos nos respectivos atos de aprovação do benefício. Assim, se a SUFRAMA, por meio do CAS, compete à aprovação dos benefícios fiscais referenciados, certamente, essa aprovação não exclui a competência da fiscalização da RFB de verificar se os requisitos da isenção, fixados para cada benefício concedido, foram ou não cumpridos." Destacase, ainda, a respeito da competência da SUFRAMA, a edição da Súmula CARF nº 1004, que embora referindose à distinção entre a competência da SECEX e da RFB sobre a fiscalização dos requisitos exigidos para o cumprimento do regime de Drawback, evidenciou a separação das competências para fiscalizar os aspectos relativos à isenção tributária pela Receita Federal das do órgão responsável por aprovar um plano de exportação necessário à emissão do Ato Concessório, como podese observar no Acórdão nº 930301.248, paradigma da súmula. Assim, cabe à RFB a verificação posterior dos requisitos para fruição do benefício, no caso aqui tratado, o cumprimento do PPB. Neste ponto, a fiscalização afirmou que o PPB para a produção de concentrados para fabricação de refrigerantes é estipulado pela Portaria interministerial MPO/MICT/MCT nº 8/1998, cujo teor transcrevese abaixo: Art. 1o Estabelecer para os produtos EXTRATOS AROMÁTICOS VEGETAIS NATURAIS, CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS E CORANTE CARAMELO, industrializados na Zona Franca de Manaus, os seguintes processos produtivos básicos: I EXTRATOS AROMÁTICOS VEGETAIS NATURAIS a) trituração das matériasprimas; b) mistura das matériasprimas; c) extração; d) decantação; e) filtração; f) concentração; e g) estabilização do extrato. II CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS a) dosagem das matériasprimas; b) mistura das matériasprimas sólidas ou líquidas; e 4 O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Fl. 4133DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.134 26 c) homogeneização, quando necessário. III CORANTE CARAMELO a) dissolução do açúcar, formando o "açúcar líquido"; b) floculação; c) filtração; d) troca iônica; e) evaporação; f) filtração; g) mistura do "açúcar líquido" com outras matériasprimas; h) homogeneização; e i) filtração. Parágrafo único. Todas as etapas dos processos produtivos básicos acima descritos deverão ser, obrigatoriamente, realizadas na Zona Franca de Manaus. Art. 2o Para o cumprimento do disposto acima será admitida a realização, por terceiros, na Zona Franca de Manaus, de atividades ou operações inerentes ao atendimento às etapas de produção estabelecidas no artigo anterior. Art. 3o Além do atendimento das etapas de produção estabelecidas no art. 1o desta Portaria, os fabricantes deverão incorporar a gestão da qualidade e produtividade dos processos e dos produtos finais, envolvendo a inspeção de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, o controle estatístico do processo, os ensaios e medições e a qualidade dos produtos finais, sem prejuízo do disposto no art. 2o do Decreto No 783/93. A fiscalização informou que as notas fiscais de venda da Arosuco para a recorrente descreviam os concentrados vendidos na forma de kits, conforme se observa a partir das notas fiscais de efls. 1201/1218. Em resposta à intimação nº 5, de 15/01/2013, efls. 1389, a recorrente informou que os kits são compostos de partes líquidas e partes sólidas, conforme planilha de efls. 1414, na qual os concentrados são compostos de partes A e B ou A, B ou C e que encaminhava as informações sobre os ingredientes (e matériaprima) dos concentrados elencados na intimação, onde informou os ingredientes da parte sólida e a bombona da parte líquida, conforme transcrito abaixo: "A intimada encaminha, em planilha anexa a esta intimação, as informações a respeito dos ingredientes (e matéria prima) dos concentrados elencados na intimação, para a Arosuco Aromas, bem como as informações relativas a formação dos kits, estado físico dos componentes e embalagens (DOC. 01). Fl. 4134DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.135 27 Encaminha também as fotos do kit de tônica e de seus componentes, de maneira exemplificativa, para auxiliar na compreensão por parte desta R. fiscalização. Considerando que os kits são compostos pela parte Líquida e pela parte Sólida, as fotos se referem a: Foto 1 (DOC. 02): Saquinhos com ingredientes da parte Sólida; Foto 2 (DOC. 03): Saquinhos com ingredientes da parte Sólida, acondicionados em caixa; Foto 3 (DOC. 04): Saquinhos com ingredientes da parte Sólida, acondicionados em caixa + Bombona contendo a parte Líquida." Para a fiscalização, estas partes componentes dos concentrados deveriam ser misturadas na ZFM, a teor do disposto na alínea "b" do inciso II e de seu parágrafo único do artigo 1º da portaria acima mencionada, não podendo serem vendidas separadamente para serem misturadas fora da ZFM: II CONCENTRADOS, BASES E EDULCORANTES PARA BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS [...] b) mistura das matériasprimas sólidas ou líquidas; e [...] Parágrafo único. Todas as etapas dos processos produtivos básicos acima descritos deverão ser, obrigatoriamente, realizadas na Zona Franca de Manaus Por sua vez, a recorrente informou que os concentrados, bases e edulcorantes são produtos distintos, podendo ser comercializados isoladamente ou em kits, que após serem misturados com água e outros componentes foram a bebida final. A obrigação imposta pelo PPB diz respeito à industrialização de cada um deles isoladamente e não há necessidade de misturálos entre si. Alegou, ainda, que o LATI (Laudo Técnico de Auditoria Independente) confirmou o cumprimento do PPB. A recorrente possui razão quando menciona que as obrigações impostas na Portaria Interministerial nº 8/1998 dizem respeito aos processos produtivos individualizados dos concentrados, bases e edulcorantes. Ocorre que a fiscalização, em momento algum, afirmou que as concentrados, bases e edulcorantes deveriam ser misturados entre si e sim, que os componentes dos concentrados deveriam ser misturados entre si na ZFM. Como a própria recorrente informou, tratamse de produtos distintos. Todavia, as notas fiscais de venda da Arosuco para a recorrente não informaram tratar de produtos distintos, concentrados, bases e edulcorantes, mas sim de um único produto "concentrado natural" e com uma única classificação fiscal 21069010, composto por kits. Fl. 4135DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.136 28 Caso se tratassem de produtos distintos, deveria haver uma especificação para cada produto com descrição em itens distintos nas notas fiscais, porém apenas foram preenchidos um produto único: concentrado natural. A respeito, transcrevese os requisitos exigidos pelo revogado Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) quanto ao preenchimento das notas fiscais: Requisitos Art. 339. A Nota Fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: IV no quadro "Dados do Produto": a) o código adotado pelo estabelecimento para identificação do produto; b) a descrição dos produtos, compreendendo: nome, marca, tipo, modelo, série, espécie, qualidade e demais elementos que permitam sua perfeita identificação; c) a classificação fiscal dos produtos por posição, subposição, item e subitem da TIPI (oito dígitos); d) o Código de Situação Tributária CST; e) a unidade de medida utilizada para a quantificação dos produtos; f) a quantidade dos produtos; g) o valor unitário dos produtos; h) o valor total dos produtos; i) a alíquota do ICMS; j) a alíquota do IPI; e l) o valor do IPI, sendo permitido um único cálculo do imposto pelo valor total, se os produtos forem de um mesmo código de classificação fiscal; Percebese que, sendo produtos distintos, as informações a serem prestadas deveriam ser distintas também, o que não foi o caso. Destacase, ainda, que os concentrados foram classificados no subitem 2106.90.10. As NESH (Notas Explicativas do Sistema Harmonizado) aprovadas pela IN RFB nº 807/2008, trazem as seguintes notas relativas à posição 2106: Classificamse especialmente aqui: [...] 7) As preparações compostas, alcoólicas ou não (exceto as à base de substâncias odoríferas), dos tipos utilizados na fabricação de diversas bebidas não alcoólicas ou alcoólicas. Fl. 4136DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.137 29 Estas preparações podem ser obtidas adicionando aos extratos vegetais da posição 13.02 diversas substâncias, tais como ácido láctico, ácido tartárico, ácido cítrico, ácido fosfórico, agentes de conservação, produtos tensoativos, sucos de frutas, etc. Estas preparações contêm a totalidade ou parte dos ingredientes aromatizantes que caracterizam uma determinada bebida. Em conseqüência, a bebida em questão pode, geralmente, ser obtida pela simples diluição da preparação em água, vinho ou álcool, com ou sem adição, por exemplo, de açúcar ou de dióxido de carbono. Alguns destes produtos são preparados especialmente para consumo doméstico; são também freqüentemente utilizados na indústria para evitar os transportes desnecessários de grandes quantidades de água, de álcool, etc. Tal como se apresentam, estas preparações não de destinam a ser consumidas como bebidas, o que as distingue das bebidas do Capítulo 22. [...] 12) As preparações compostas para fabricação de refrescos ou refrigerantes ou de outras bebidas, constituídas por exemplo, por: xaropes aromatizados ou corados, que são soluções de açúcar adicionadas de substâncias naturais ou artificiais destinadas a conferirlhes, por exemplo, o gosto de certas frutas ou plantas (framboesa, groselha, limão, menta, etc.), adicionadas ou não de ácido cítrico ou de agentes de conservação; um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, uma preparação composta da presente posição (ver o nº 7, acima), contendo, por exemplo, quer extrato de cola e ácido cítrico, corado com açúcar caramelizado, quer ácido cítrico e óleos essenciais de frutas (por exemplo, limão ou laranja); um xarope a que se tenha adicionado, para aromatizar, sucos de frutas adicionados de diversos componentes, tais como ácido cítrico, óleos essenciais extraídos da casca da fruta, em quantidade tal que provoque a quebra do equilíbrio dos componentes do suco natural; suco de fruta concentrado adicionado de ácido cítrico (em proporção que determine um teor total de ácido nitidamente superior ao do suco natural), de óleos essenciais de frutas, de edulcorantes artificiais, etc. Estas preparações destinamse a ser consumidas como bebidas, por simples diluição em água ou depois de tratamento complementar. Algumas preparações deste tipo servem para se adicionar a outras preparações alimentícias Verificase que estas preparações podem ser adicionadas de acidulantes, conservantes e edulcorantes, em consonância com os aditivos informados na planilha apresentada pela recorrente às efls. 1414, ou seja, as partes sólidas e líquidas formam o concentrado natural descrito nas notas fiscais. Fl. 4137DF CARF MF Processo nº 19311.720059/201365 Acórdão n.º 3302004.629 S3C3T2 Fl. 4.138 30 De outro giro, a recorrente alegou que agira de boafé e que tomara todas as providências para se certificar da regularidade da tomada de créditos. Neste ponto, tomase de empréstimo as considerações da DRJ, as quais adoto como razão de decidir, a seguir transcritas: "A glosa de créditos, destarte, é a conseqüência inilidível no que respeita a todas as aquisições de concentrado sabor cola e também de concentrado de guaraná, não obstante a argüição de boafé da impugnante nas aquisições. Ora, a culpa do agente é irrelevante para que se configure descumprimento da legislação tributária, já que a responsabilidade pela infração tributária é objetiva, nos termos em que estabelece o art. 136 do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, representada pelos agentes que atuam nos setores de fiscalização externa, tem sim a competência para rejeitar os créditos indevidos registrados na escrita fiscal do sujeito passivo, a despeito dos atos normativos, favoráveis aos interesses deste, promanados da SUFRAMA. As circunstâncias fáticas suficientemente descritas na peça fiscal autorizam a glosa dos créditos, ainda que persista a isenção nas saídas dos concentrados para bebidas não alcoólicas dos estabelecimentos fornecedores localizados na Zona Franca de Manaus." Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 4138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001396/2007-62
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2004
NULIDADE.
O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo.
SERVIÇO DE GUINDASTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL.
LUCRO PRESUMIDO.
O serviço de guindaste, por falta de previsão legal específica, é considerado prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido.
Numero da decisão: 1801-00.644
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denotando perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e sendo asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. SERVIÇO DE GUINDASTE. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. LUCRO PRESUMIDO. O serviço de guindaste, por falta de previsão legal específica, é considerado prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Fl. 355DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 331 2 Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 125/132, com a exigência do crédito tributário no valor de R$307.222,84, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido do anocalendário de 2003. O lançamento se fundamenta na aplicação do coeficiente incorreto de 8% em vez de 32% incidente sobre a receita bruta na apuração do lucro presumido, uma vez que a Recorrente se dedica à prestação de serviços de guindastes, tendo em vista as informações constantes na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 69/103, e nas notas fiscais fatura de serviços, fls. 27/50, no Termo de Depoimento nº 01, fls. 67/68 e no Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, fls. 105/113. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 518 e art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Cientificada em 05/07/2007, fl. 125, a Recorrente apresentou a impugnação em 06/08/2007, fls. 134/157, com as alegações abaixo sintetizadas. Suscita que o lançamento é nulo, uma vez que não restou comprovada a sua motivação, bem como não identificada com exatidão a atividade econômica exercida, caso em que a hipótese de incidência não pôde ser definida. Defende que a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto de carga, e está sujeita ao coeficiente de 16% incidente sobre a receita bruta para o cálculo do lucro presumido (art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995). Solicita Dessa forma, requer desde já, o cancelamento do auto de infração por nulidade nos procedimentos a administrativos adotados pelo agente fiscal, extinguindose a punibilidade, determinando que a base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido para prestação de serviço, no caso em tela seja de 8% (oito por cento). Procura demonstrar que a ação fiscal se baseou em entendimentos internos não normativos da RFB, tais como, soluções de consulta, que consideram como equivalentes as expressões “serviço de transporte” (deslocamento de coisas e pessoas) e “serviço de guindaste” (içamento ou descida de coisas). Fl. 356DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 332 3 Com o objetivo de fundamentar seus argumentos interpreta a legislação que rege a questão litigiosa, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e cita entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui 59 Diante dos fatos e fundamentos acima expostos, requer o cancelamento do auto de infração por nulidade nos procedimentos administrativos adotados pelo agente fiscal, extinguindose a punibilidade, determinando que a base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido para prestação de serviço, no caso em tela seja de 8% (oito por cento). 60 Requer ainda, seja reconhecido que a alíquota de 8% (oito por cento) aplicada para apuração da base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido pela impugnante, foi correta, uma vez que, havia, na época dos fatos, imprecisão do disposto na norma para devida aplicação nos casos de prestação de serviços de guindaste. 61 Ainda nesse raciocínio, requer seja reconhecido (e/ou equiparado) os serviços prestados pela Contribuinte como de sendo de prestação de serviços de guindastes, com a finalidade de transporte de cargas. 62 Requer a desconsideração das Soluções Consulta SRRF/10a.RF/DISIT n° 257, de 21/12/2003 e SRRF/8a.RF/DISIT n° 206, de 31/08/01, como base de apuração de alíquota para base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, para a Requerente, dando procedência à presente impugnação, extinguindo o Processo Administrativo e cancelando a pena imposta. 63 Caso assim V.Sa. não entender, o que se admite apenas para fim de argumentação, requer seja cancelado o Auto de Infração, pois, não seria o caso de aplicação da alíquota 32% (trinta e dois por cento), mas sim, de 16% (dezesseis por cento), conforme tipifica o artigo 15, § 1º, inciso II, alínea "a", da Lei n.°. 9.249, de 1995. 64 — Mesmo assim, apenas para argumentar, caso também não seja esse o entendimento de V.Sa., requer o reconhecimento da alíquota de 16% (dezesseis por cento), para base de cálculo do Imposto de Renda Sobre Lucro. 65 — Protesta ainda por todas as formas de prova em direito admitido, seja elas, documentais, periciais e/ou com depoimentos e testemunhas. 66 — Por final, requer que as intimações, publicações e demais notificações que se fizerem necessárias, seja na esfera Administrativa ou na esfera judicial, sejam feitas no nome dos patronos da causa no endereço na Calçada Flor de Lis, nº 46, Centro Comercial Alphaville — Alphaville — Barueri/SP. Termos em que. Pede deferimento, Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/CPS/SP nº 0529.055, de 10/06/201, fls. 256/263: “Impugnação Improcedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 357DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 333 4 Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL. PERCENTUAL. A partir do Anocalendário de 1996, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta dos prestadores de serviço em geral para o cálculo do Lucro Presumido é de 32% (trinta e dois por cento). ATIVIDADE REALIZADA. SERVIÇO DE GUINDASTE. ALEGAÇÃO DE CARACTERIZAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. Não comprovado que, concomitantemente ao serviço de guindaste, teria sido prestado serviço de transporte mediante recebimento de remuneração em função da distância percorrida, com previsão de locais de coleta e entrega de mercadoria, mas pelo contrário, constatado, por meio dos contratos firmados com os clientes e por depoimento do próprio contribuinte, que a prestação de serviços restringiuse a propiciar movimentação e/ou deslocamento por meio de guindaste, não restou caracterizado serviço de transporte, mas prestação de serviços em geral. Notificada em 12/07/2010 fl. 266, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05/08/2010, fls. 268/297, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na peça impugnatória. Conclui 60 Diante dos fatos e fundamentos acima expostos, requer o cancelamento do auto de infração por nulidade nos procedimentos administrativos adotados pelo agente fiscal, extinguindose a punibilidade, determinando que a base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido para prestação de serviço, no caso em tela seja de 8% (oito por cento). 61 Requer ainda, seja reconhecido que a alíquota de 8% (oito por cento) aplicada para apuração da base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido pela Impugnante, foi correta, uma vez que, havia, na época dos fatos, imprecisão do disposto na norma para devida aplicação nos casos de prestação de serviços de guindaste. 62 Ainda nesse raciocínio, requer seja reconhecido (e/ou equiparado) os serviços prestados pela Contribuinte, a época dos fatos, como de sendo de prestação de serviços de guindastes, com a finalidade de transporte de cargas. 63 Requer a desconsideração das Soluções Consulta SRRF/10a.RF/DISIT n.o 257, de 21/12/2003 e SRRF/8a.RF/DISIT n.o 206, de 31/08/01, como base de apuração de alíquota para base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido, para a Requerente, dando procedência ao presente Recurso Voluntário, extinguindo o Processo Administrativo e cancelando a multa e pena imposta. [...] 64 Caso assim V.Sa. não entender, o que se admite apenas para fim de argumentação, requer seja cancelado o Auto de Infração, pois, não seria o caso de aplicação da alíquota de 32% (trinta e dois por cento), mas sim, de 16 (dezesseis por cento), conforme tipifica o artigo 15, g 1 0 , inciso II, alínea "a", da Lei nº 9.249, de 1995. Fl. 358DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 334 5 65 Mesmo assim, apenas para argumentar, caso também não seja esse o entendimento de V.Sa., requer o reconhecimento da alíquota de 16% (dezesseis por cento), para base de cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Presumido. 66 Protesta ainda por todas as forma de prova em direito admitido, seja elas, documentais, periciais, diligenciais e/ou com depoimentos e testemunhas. 66 Por final, À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Termos em que. Pede deferimento, É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente requer que seja notificada por meio de seu procurador e no endereço daquele. Os elementos essenciais são imprescindíveis à existência, à validade e à eficácia do ato administrativo, de modo que a inobservância das formalidades legais determina seus efeitos. No processo administrativo fiscal, a intimação da Recorrente se sujeita a procedimentos próprios e na sua efetivação via postal não é dispensada a prova de seu recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, ou seja, aquele fornecido pela Requerente junto a RFB para fins cadastrais (inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e alterações). Logo, a sua pretensão não pode ser concedida, por falta de amparo legal. A Recorrente alega que o ato administrativo é nulo. O Auto de Infração foi lavrado por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilo ou impugnálo no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. Ademais, o enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Com referência ao dever de lançar, esclareçase que a autoridade administrativa possuindo competência privativa efetuou o lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142 do Código Tributário Nacional). No exercício da função pública, a autoridade administrativa lavrou o Auto de Infração com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. A Recorrente foi previamente notificada do procedimento mediante a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), fl. 01, Termo de Início de Fiscalização, fls. 03/04, do Fl. 359DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 335 6 Termo de Intimação Fiscal, fls. 52/53, e finalizou em 05/07/2007 com a ciência válida do Auto de Infração, fl. 125. No presente caso o servidor competente verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal (art. 10 e art. 14 do Decreto 70.235, de 1972). Foram asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil CR e Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972). Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A legislação pertinente ao processo administrativo fiscal estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas. A Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, embora tenha sido previamente notificada para solucionar as pendências tributárias. Assim, a realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. Assim, a solicitação deve ser indeferida. A Recorrente afirma que está sujeita ao coeficiente de 8% incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido, uma vez que se dedica à prestação de serviços de guindastes. Sobre o lucro presumido, o RIR, de 1999, determina: Art.219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). [...] Art.224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Fl. 360DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 336 7 Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado. [...] Art.516.A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). §1ºA opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §1º ). §2ºRelativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, §2º ). §3ºA pessoa jurídica que não esteja obrigada à tributação pelo lucro real (art. 246), poderá optar pela tributação com base no lucro presumido. §4ºA opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, §1º). §5ºO imposto com base no lucro presumido será determinado por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observado o disposto neste Subtítulo (Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25). [...] Art.518.A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o §7o do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, e Lei no 9.430, de 1996, arts. 1o e 25, e inciso I). Art.519.Para efeitos do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único. Fl. 361DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 337 8 §1ºNas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, §1o): [...] II – dezesseis por cento para a atividade de prestação de serviço de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput; III trinta e dois por cento, para as atividades de: a)prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] §3oNo caso de atividades diversificadas, será aplicado o percentual correspondente a cada atividade (Lei no 9.249, de 1995, art. 15, §2o). [...] Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). A Recorrente fez opção pela tributação com base no lucro presumido e deve determinar a base de cálculo dos tributos aplicando o coeficiente sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Este foi o regime de tributação adotado pela Recorrente e que foi regularmente observado pelas autoridades fiscais, não sendo cabível no curso da ação fiscal a sua alteração. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia e ainda os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos obtidos em aplicações financeiras, as demais receitas, os resultados positivos e valores recuperados correspondentes a custos e despesas. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante. É uma forma de tributação simplificada em que uma parcela da receita bruta auferida está no campo de incidência tributária, já que a lei presume que a outra parcela foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A Recorrente deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos, inclusive o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária. No Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0 o vocábulo “guindaste” está conceituado como máquina us. para erguer ou deslocar cargas e volumes muito pesados; grua. Fl. 362DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 338 9 A Tabela de Incidência de Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), no Capítulo 87 trata de veículos automóveis, tratores, ciclos e outros veículos terrestres, suas partes e acessórios nos seguintes termos1: 87.05Veículos automóveis para usos especiais (por exemplo, autosocorros, caminhõesguindastes, veículos de combate a incêndio, caminhõesbetoneiras, veículos para varrer, veículos para espalhar, veículosoficinas, veículos radiológicos), exceto os concebidos principalmente para transporte de pessoas ou de mercadorias. Analisando a situação fática temse que: no Contrato Social consta como objeto “serviços de guindastes”, fls. 07/12; nas notas fiscais fatura de serviços está registrado como descrição o serviço efetuado por guindaste articulado ou biarticulado, dentre outros locais, na Rodovia dos Bandeirantes, na Rodovia dos Imigrantes, em Diadema, no Aeroporto de Congonhas, na Rodovia Presidente Dutra, fls. 27/50; nos contratos de prestação de serviços restou consignado como objeto o serviço de guindaste, em cujo preço também está incluído o valor do seguro de carga, descarga, içamento e descida e reembolso de despesa de pedágio, fls. 59/66; no Termo de Depoimento nº 01 evidenciase que, fl. 67: 3) Os serviços de guindastes são prestados utilizandose guindastes instalados sobre caminhões que se deslocam da garagem da EMPRESA até o local onde serão prestados os serviços. Os guindastes são do tipo não articulado, articulado e biarticulado. Alguns podem ser equipados com cestos aéreos e controle remoto; 4) Os serviços de guindaste compreendem, principalmente, o içamento e descida de equipamentos e materiais diversos tais como: máquinas, pegas, pontes rolantes, tanques, painéis, luminosos, postes, vigas, etc; 5) Os guindastes articulados e biarticulados, dotados de cestos aéreos e controle remoto, podem também ser utilizados para manutenção de fachadas, luminosos, painéis, poda de árvores, etc. Nessas atividades os serviços prestados pela EMPRESA compreendem o fornecimento da mão de obra correspondente ao operador do guindaste, cabendo ao contratante dos serviços a execução da manutenção de fachadas, painéis, poda de árvores, etc; 6) Os serviços de guindaste são cobrados por hora trabalhada ou à disposição do contratante. Usualmente a EMPRESA também cobra dos contratantes as horas correspondentes ao deslocamento do guindaste de sua garagem até o local para 1 Fonte: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/tipi/TIPI%20%20T%20%20SEÇÃO%20XVII.doc; acesso em 12/07/2011. Fl. 363DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 339 10 prestação dos serviços e retorno mesma. Eventualmente a EMPRESA pode estabelecer um número mínimo de horas para cobrança dos serviços. Todas essas disposições são estabelecidas em contrato; 7) Os serviços de guindaste não compreendem o transporte dos materiais a serem movimentados pelo guindaste de um determinado lugar até o local da prestação dos serviços de guindaste e viceversa. Os serviços de guindaste, que envolvem a movimentação de materiais, compreendem apenas a movimentação dos mesmos no local de prestação dos serviços. Examinando todos estes fatos, inferese que a Recorrente não se dedica à prestação de serviços de transporte de cargas ou transporte de pessoas, cujas atividades estão sujeitas, respectivamente, aos coeficientes de 8% ou 16% sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido. O serviço de guindaste, por falta de previsão legal específica, é considerado prestação de serviço em geral para fins de fixação do coeficiente incidente sobre a receita bruta para apuração do lucro presumido. Assim, em conformidade com a legislação transcrita, deve ser utilizado o coeficiente 32% sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido para determinação do IRPJ, uma vez que este é o percentual aplicável à prestação de serviços de guindaste. Analisando os demonstrativos do Auto de Infração, fls. 125/132, verificase que foram adotados os coeficientes previstos na norma tributária. Logo, não cabem reparos ao lançamento. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 364DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10882.001396/200762 Acórdão n.º 180100.644 S1TE01 Fl. 340 11 Fl. 365DF CARF MF Emitido em 14/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 11/08/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 14/08/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 16643.000144/2010-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006, 2007
ATOS SOCIETÁRIOS PRATICADOS EM ANO JÁ DECAÍDO. REFLEXOS TRIBUTÁRIOS. FATO GERADOR OCORRIDO EM PERÍODO NÃO DECAÍDO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
Ainda que os atos societários que deram origem ao ágio tenham se dado em período já alcançado pelo prazo decadencial de cinco anos, não há que se falar em decadência se os fatos geradores dos tributos que tiveram suas bases de cálculo minoradas pelo aproveitamento indevido deste ágio ainda não se encontram decaídos.
A contagem do prazo decadencial somente se inicia após a ocorrência do fato gerador de tributo, quer seja aplicável ao caso concreto a regra estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN, quer seja a fixada pelo art. 150, §4º, do mesmo Código.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.
A hipótese de incidência tributária da permissividade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição.
Havendo a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio.
INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006, 2007
TRIBUTAÇÃO REFLEXA
Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-002.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, em negar-lhe provimento quanto à preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 ATOS SOCIETÁRIOS PRATICADOS EM ANO JÁ DECAÍDO. REFLEXOS TRIBUTÁRIOS. FATO GERADOR OCORRIDO EM PERÍODO NÃO DECAÍDO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Ainda que os atos societários que deram origem ao ágio tenham se dado em período já alcançado pelo prazo decadencial de cinco anos, não há que se falar em decadência se os fatos geradores dos tributos que tiveram suas bases de cálculo minoradas pelo aproveitamento indevido deste ágio ainda não se encontram decaídos. A contagem do prazo decadencial somente se inicia após a ocorrência do fato gerador de tributo, quer seja aplicável ao caso concreto a regra estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN, quer seja a fixada pelo art. 150, §4º, do mesmo Código. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da permissividade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. Havendo a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplica-se à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ.
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Legitimidade de aproveitamento fiscal da amortização de ágio. Incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 ATOS SOCIETÁRIOS PRATICADOS EM ANO JÁ DECAÍDO. REFLEXOS TRIBUTÁRIOS. FATO GERADOR OCORRIDO EM PERÍODO NÃO DECAÍDO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. Ainda que os atos societários que deram origem ao ágio tenham se dado em período já alcançado pelo prazo decadencial de cinco anos, não há que se falar em decadência se os fatos geradores dos tributos que tiveram suas bases de cálculo minoradas pelo aproveitamento indevido deste ágio ainda não se encontram decaídos. A contagem do prazo decadencial somente se inicia após a ocorrência do fato gerador de tributo, quer seja aplicável ao caso concreto a regra estabelecida no art. 173, inciso I, do CTN, quer seja a fixada pelo art. 150, §4º, do mesmo Código. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. A hipótese de incidência tributária da permissividade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer que participe da "confusão patrimonial" a pessoa jurídica investidora originária, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na "mais valia" do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 01 44 /2 01 0- 11 Fl. 3333DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 3 2 Havendo a transferência do ágio registrado na investidora originária para outra empresa, pertencente ao mesmo grupo econômico, por meio de operações meramente contábeis e sem circulação de riqueza, não mais se torna possível o pretendido aproveitamento tributário do ágio. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA Sendo a tributação decorrente dos mesmos fatos, aplicase à CSLL o quanto decidido em relação ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, em negarlhe provimento quanto à preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra, e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A em 02/01/2015, com fundamento nos arts. 64, inciso II, 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 (RICARF/2009), em que se alega a existência de divergências jurisprudenciais acerca de uma série de matérias relacionadas à lide. Fl. 3334DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 4 3 O recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1101000.962, por meio do qual os membros da 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF decidiram: 1) por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade da decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo; 2) por unanimidade de votos, rejeitar a argüição de nulidade do lançamento; 3) por voto de qualidade, rejeitar a preliminar de conexão suscitada pela Relatora Conselheira Edeli Pereira Bessa; 4) por maioria de votos, rejeitar a argüição de decadência; 5) por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente às glosas de amortização de ágio; 6) por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário relativamente às compensações de prejuízos fiscais e de bases negativas; 7) por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário relativamente à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. INOVAÇÃO EM DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A autoridade julgadora pode expressar livremente sua percepção dos fatos reunidos nos autos, inclusive acrescendo análises não cogitadas pela Fiscalização, em resposta à defesa do impugnante. Somente não lhe é permitido manter a exigência do crédito tributário com fundamento, exclusivamente, em argumentos novos, por ela adicionados à motivação do lançamento. LANÇAMENTO. AUTORIDADE INCOMPETENTE. INOCORRÊNCIA. COMPETÊNCIA CONCORRENTE. DEMAC (ANTERIOR DEAIN). INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. As competências da Delegacia Especial de Maiores Contribuintes (anterior Delegacia Especial de Assuntos Internacionais) e da Delegacia Especial de Instituições Financeiras são concorrentes para efetuar o lançamento em contribuinte do tipo instituição financeira. Ademais, são válidos os lançamentos lavrados por servidor competente (AuditorFiscal) de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo AUDITORIA FISCAL. PERÍODO DE APURAÇÃO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA PARA CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO DE FATOS, OPERAÇÕES, REGISTROS E ELEMENTOS PATRIMONIAIS COM REPERCUSSÃO TRIBUTÁRIA FUTURA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÕES. O fisco pode verificar fatos, operações e documentos, passíveis de registros contábeis e fiscais, devidamente escriturados ou não, em períodos de apuração atingidos pela decadência, em face de comprovada repercussão no futuro, qual seja: na apuração de lucro liquido ou real de períodos não atingidos pela decadência. Essa possibilidade delimitase pelos seus próprios fins, pois, os ajustes decorrentes desse procedimento não podem implicar em alterações nos resultados tributáveis daqueles períodos decaídos, mas sim nos posteriores. Em relação a situações jurídicas, definitivamente constituídas, o Código Tributário Nacional estabelece que a contagem do prazo decadencial para constituição das obrigações tributárias, porventura delas inerentes, somente se inicia após 5 anos, contados do período seguinte ao que o lançamento Fl. 3335DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 5 4 do correspondente crédito tributário poderia ter sido efetuado (art. 173 do CTN). PROCESSOS DISTINTOS. ÓRGÃOS JULGADORES COMPETENTES. VINCULAÇÃO. INEXISTÊNCIA. DECISÕES ADMINISTRATIVAS DIVERGENTES. POSSIBILIDADE. Não vinculam as decisões administrativas proferidas por órgãos julgadores distintos, exaradas no exercício de suas respectivas competências ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO PARA EMPRESA VEÍCULO SEGUIDA DE SUA INCORPORAÇÃO PELA INVESTIDA. SUBSISTÊNCIA DO INVESTIMENTO NO PATRIMÔNIO DA INVESTIDORA ORIGINAL. Para dedução fiscal da amortização de ágio fundamentado em rentabilidade futura é necessário que a incorporação se verifique entre a investida e a pessoa jurídica que adquiriu a participação societária com ágio. Não é possível a amortização se o investimento subsiste no patrimônio da investidora original. REFLEXO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Deve ser anulada contabilmente a amortização de ágio que, após transferência mediante a utilização de empresa veículo, surge sem substância econômica no patrimônio da investida. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES NEGATIVAS. Deve ser afastada glosa injustificada de compensação de base negativa declarada pela contribuinte. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. FRAUDE. INOCORRÊNCIA. Existindo ágio pago em processo licitatório, a interpretação equivocada do sujeito passivo acerca da possibilidade de sua amortização não é suficiente para a qualificação da penalidade aplicável aos tributos que deixaram de ser recolhidos em razão da amortização daquele valor. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), depois de devidamente intimada, manifestouse em 16/04/2014, reconhecendo a ciência a respeito do acórdão e informando que não haveria interposição de recurso especial ou oposição de embargos de declaração. Regularmente intimado acerca do acórdão em 03/07/2014, o contribuinte opôs embargos de declaração à decisão, de forma tempestiva. Arguiu a existência de omissões, contradições e obscuridade cujas eliminações levariam à reforma do julgado, com o provimento de seu recurso voluntário e o cancelamento dos lançamentos tributários. Em despacho de 15/12/2014, o Presidente da 1ª Turma da 1ª Câmara rejeitou os embargos manejados pelo contribuinte, por entender inexistente qualquer contradição, omissão ou obscuridade a ser sanada no Acórdão n° 1101000.962. Fl. 3336DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 6 5 O contribuinte foi cientificado em 19/12/2014 a respeito da rejeição de seus embargos e interpôs, em 02/01/2015, recurso especial tempestivo insurgindose contra o acórdão que apreciou seu recurso voluntário, sob a alegação de que ele teria dado à lei tributária interpretação diversa da que tem sido adotada em outros processos julgados no âmbito do CARF. O recurso especial apresentado pelo contribuinte contesta a interpretação dada pelo acórdão recorrido em relação a um total de sete matérias: 1) necessidade de aplicação à lide de decisão adotada em processo conexo já julgado; 2) legitimidade da amortização do ágio; 3) decadência/preclusão do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos que originaram o ágio amortizado; 4) impossibilidade de inovação, pela autoridade julgadora, do critério jurídico que fundamenta o lançamento; 5) inexistência de previsão legal de obrigatoriedade de adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio considerada indedutível; 6) necessidade de consideração da integralidade dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL; 7) ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Em atendimento aos requisitos de admissibilidade do recurso especial, então previstos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do RICARF/2009 (requisitos que basicamente foram mantidos nos arts. 67 e seguintes do Anexo II da versão atualmente vigente do Regimento, aprovada pela MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/2015), o recorrente apontou acórdãos de turmas de câmara do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) que teriam dado aos temas combatidos interpretação diversa daquela esposada pelo acórdão recorrido. Por razões de clareza, serão separadamente analisadas as alegações perfiladas pelo recorrente a respeito de cada uma das matérias combatidas. 1) Necessidade de aplicação de decisão já proferida em processo conexo O contribuinte afirma que o processo administrativo fiscal nº 16561.000222/200872 guardaria conexão com os presentes autos porque ambas as autuações decorreram das mesmas operações societárias: aquisição do BANCO DO ESTADO DE SÃO PAULO S/A (doravante referido apenas como BANESPA) pelo BANCO SANTANDER CENTRAL HISPANO S/A (a partir de agora, citado apenas como SANTANDER HISPANO), empresa sediada na Espanha, por meio de leilão público (20/11/2000), com a posterior entrega das ações adquiridas à SANTANDER HOLDING LTDA. (mencionado de agora em diante apenas como SANTANDER HOLDING), em integralização de capital (29/05/2001), e, por fim, a incorporação desta última empresa pelo BANESPA (30/07/2001). O processo nº 16561.000222/200872 cuida de créditos tributários constituídos pela Fiscalização em razão de deduções indevidas, promovidas pelo BANESPA, de despesas de amortização de ágio gerado na compra de ações desta instituição pelo SANTANDER HISPANO e internalizado no Brasil por meio da integralização do capital social da SANTANDER HOLDING. Os créditos lançados referemse aos anoscalendário de 2002 a 2004, período anterior à incorporação do BANESPA pelo BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A, ora recorrente e responsável tributário por sua sucedida em 2008, época do lançamento. Fl. 3337DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 7 6 Com a incorporação do BANESPA, em agosto de 2006, o contribuinte autuado trouxe para a sua contabilidade o saldo do ágio gerado nas operações societárias realizadas nos anos de 2000 e 2001, passando a amortizálo e a deduzir as despesas daí decorrentes do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Por entender que tal procedimento era irregular, a Fiscalização efetuou as autuações de IRPJ e de CSLL relativas aos anoscalendário de 2006 e 2007, que originaram os presentes autos. O recorrente narra que a Ilustre Relatora do acórdão recorrido suscitou o reconhecimento da conexão entre os processos nº 16643.000144/201011 e nº 16561.000222/200872, propondo a aplicação, ao julgamento do recurso voluntário interposto nos presentes autos, do entendimento adotado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento no Acórdão nº 140200.802, pela dedutibilidade da amortização do ágio discutido no processo. Nesta parte, entretanto, prevaleceu o entendimento da maioria dos membros da 1ª Turma Ordinária da mesma Câmara, no sentido de que, embora os dois processos guardem identidade, a decisão anteriormente proferida não vincula os julgadores do CARF. Argumenta o recorrente que, ao não reconhecer a conexão entre os processos, a decisão recorrida estaria em conflito com o Acórdão nº 110200.155. Tal decisão adotaria o entendimento de que, havendo identidade entre duas autuações fiscais, a decisão proferida no primeiro processo deve ser aplicada ao processo decorrente, em razão da existência de conexão. Se decorrentes dos mesmos fatos e resultantes do mesmo procedimento de fiscalização, os lançamentos objeto dos dois processos seriam conexos e o julgamento feito a respeito de um deles se estenderia ao outro, segundo o acórdão paradigma apontado pelo contribuinte. Sendo assim, o recorrente pede que se aplique ao presente caso o entendimento exposto no acórdão paradigma: reconhecendose a conexão dos presentes autos com o processo nº 16561.000222/200872, deve ser aplicada ao julgamento da lide objeto deste processo a conclusão construída no Acórdão nº 140200.802, no sentido de que a autoridade fiscal não logrou provar que o contribuinte autuado não reunira todos os requisitos necessários para o aproveitamento fiscal do ágio. Finaliza o recorrente argumentando que a necessidade de extensão do julgamento de um processo a outro, conexo, decorreria dos princípios da segurança jurídica, eficiência e economia processual, todos norteadores do processo administrativo. 2) Legitimidade da amortização do ágio A respeito do ponto central da discussão travada na presente lide (legitimidade da aquisição do investimento com ágio pela SANTANDER HOLDING e do posterior aproveitamento de sua dedutibilidade fiscal), o recorrente aponta como decisão paradigma justamente o Acórdão nº 140200.802, prolatado nos autos do processo nº 16561.000222/200872. Como já foi mencionado, tal processo cuida de créditos tributários lançados por conta da dedução indevida, pelo BANESPA, de despesas de amortização do mesmo ágio discutido nos presentes autos. O sujeito passivo que figura naqueles autos é o próprio BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A, na condição de sucessor por incorporação do BANESPA. Fl. 3338DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 8 7 O recorrente argumenta que o presente processo é mera continuidade da suposta infração apurada pela autoridade fiscal no processo administrativo nº 16561.000222/200872. Apesar disso, mesmo diante da mesma situação de fato (mesmo ágio e mesmas operações societárias praticadas pelo grupo Santander), as decisões proferidas nos dois processos teriam, em sede de julgamento de recurso voluntário, dado interpretação divergente à aplicação dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, que tratam da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio contabilizado na aquisição de participações societárias. Para comprovar a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos, o recorrente contrapõe trechos dos votos que fundamentaram as conclusões constantes de cada uma das decisões, relativamente aos principais argumentos atinentes à matéria. Resumidamente, aduz o recorrente: i) O acórdão recorrido considera que os arts 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 somente seriam aplicáveis se o BANESPA tivesse sido incorporado pelo SANTANDER HISPANO ou vice versa, já que seria necessária a confusão patrimonial entre a investida e a investidora de fato, com a consequente extinção do investimento correspondente ao ágio. Já o acórdão paradigma entende que o procedimento adotado pelo grupo Santander, no sentido de transferir à SANTANDER HOLDING o ágio inicialmente registrado no SANTANDER HISPANO, tem amparo nos arts 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, uma vez que tratouse de situação de desestatização e o valor contendo o ágio foi efetivamente pago à União; ii) Segundo o acórdão recorrido, as operações societárias adotadas pelo grupo Santander se deram de forma contrária à lei, uma vez que buscaram apenas uma vantagem tributária sem que o controle societário do BANESPA fosse de fato alterado. Já pela ótica adotada pelo acórdão paradigma, tais operações tiveram também propósito negocial diverso da busca por economia fiscal, inserindose no contexto de planejamento estratégico do grupo Santander no Brasil; iii) O tratamento fiscal conferido ao ágio pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 não pode, de acordo com o acórdão recorrido, ser interpretado como benefício fiscal, tendo em conta as justificativas constantes da exposição de motivos de tal lei. Já o acórdão paradigma entende que o aproveitamento fiscal do ágio instituído pelos mencionados dispositivos legais é um benefício fiscal que seria concedido a qualquer empresa que viesse a vencer o leilão das ações do BANESPA, sendo o intuito de usufruir de tal benefício um propósito negocial legítimo; iv) Para o acórdão recorrido, a análise do "filme", assim entendido o conjunto de todas as operações realizadas pelo grupo Santanter, demonstra que a titularidade do investimento no BANESPA permaneceu com a sociedade espanhola, não acontecendo o encontro patrimonial da investidora com a investida, fator que impede o aproveitamento tributário do ágio. Já o acórdão paradigma expõe que o "filme" analisado demonstra que as deduções pretendidas não são indevidas, uma vez que as ações do BANESPA, ao final, integravam o capital de contribuinte brasileiro, que faria jus à amortização do ágio; v) O acórdão recorrido conclui que a SANTANDER HOLDING seria uma "empresa veículo", diante da falta de propósito negocial para sua criação. De forma diversa, o acórdão paradigma entende que empresa foi constituída em densidade de circunstâncias e propósitos negociais que não permitem sua qualificação como "empresa veículo"; vi) Em sua conclusão, o acórdão recorrido afirma que o SANTANDER HISPANO jamais abriu mão de seu controle societário sobre o BANESPA e que a entrega das ações em integralização de capital social da SANTANDER HOLDING somente duplicou o ágio existente na Fl. 3339DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 9 8 investidora original. Assim, não existiria ágio a ser amortizado com efeitos fiscais pelas empresas nacionais pertencentes ao grupo econômico. Já o acórdão paradigma defende que os argumentos utilizados pela autoridade fiscal impediriam de fato a utilização tributária do ágio pela empresas nacionais caso as operações tivessem ocorrido apenas no papel e caso se tratasse de ágio fictício. A situação concreta, no entanto, diante da densidade dos fatos que a cercam, não pode ser assim considerada. Além destes pontos diretamente confrontados, alega ainda o recorrente que acórdão paradigma reconhece que o caso discutido nos autos satisfaz totalmente os requisitos requeridos pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 para fins de legalidade da transferência do investimento detido com ágio para outra empresa do mesmo grupo da investidora original: a) efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; b) realização das operações entre partes não ligadas; c) lisura da avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura; d) existência de propósito negocial. Depois de reafirmar que todas as alegações elencadas foram objeto do devido prequestionamento, o recorrente pede que o recurso especial seja conhecido e provido em relação à legalidade da amortização de ágio nos moldes pretendidos. O recorrente apresenta em seguida um outro acórdão paradigma que diz respeito à matéria da legitimidade da amortização de ágio, mas especificamente sob a ótica da "inexistência de duplo ágio". A decisão recorrida entraria em conflito com o Acordão nº 1202000.884, exarado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, ao afirmar que "o aporte de capital na Santander Holding, representado pelas ações detidas pelo Santander Hispano no Banespa, somente duplica o ágio que subsiste no patrimônio da investidora original". Esta premissa teria fundamentado a conclusão de que inexistiria ágio a ser amortizado com efeitos fiscais pela empresas nacionais pertencentes ao grupo Santander. A divergência jurisprudencial adviria do fato de o acórdão indicado como paradigma abraçar a tese de que, com a entrega de ações de uma empresa investida, por uma investidora original a uma nova investidora, não ocorreria a transferência do ágio originalmente associado a tal investimento, mas a baixa do ágio original e a criação de um novo ágio na segunda investidora. Assim, incabível seria falar em duplicidade, uma vez que o surgimento do ágio na nova investidora implicaria na extinção de tal figura contábil na investidora original. Relacionando a tese adotada pelo acórdão paradigma ao caso concreto dos presentes autos, o recorrente argumenta que o ágio cuja amortização foi deduzida na apuração de seus tributos foi gerado não na compra de 97,02% das ações do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO, mas sim na aquisição, pela SANTANDER HOLDING, destas mesmas ações por meio de conferência em integralização de capital social pelo banco espanhol. Em tal operação, o SANTANDER HISPANO teria deixado de possuir em seu ativo as ações do BANESPA e passado a ser titular de ações da SANTANDER HOLDING (troca de ativos). Já a SANTANDER HOLDING aumentou seu capital em R$9,57 bilhões (custo de aquisição das ações por ocasião de sua compra pelo SANTANDER HISPANO), registrando tal valor de forma desmembrada (R$2,11 bilhões de valor de investimento pelo Fl. 3340DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 10 9 método da equivalência patrimonial e R$7,46 bilhões de ágio), de acordo com os princípios contábeis geralmente aceitos e nos termos da Instrução CVM nº 247/1996. Assim, conclui o recorrente que o acórdão paradigma adota entendimento divergente daquele exposto no acórdão recorrido, por entender que os procedimentos adotados não caracterizam duplicidade ou mesmo transferência de ágio. 3) Decadência/Preclusão do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos que originaram o ágio amortizado Afastando a arguição preliminar, constante do recurso voluntário, de que o Fisco estaria impedido de examinar a legalidade de fatos pretéritos, perpetrados em período já alcançado pelo prazo decadencial de cinco anos, o acórdão recorrido declarou que a decadência somente se opera em relação a fato gerador de obrigação tributária, situação que não se verifica por ocasião de eventos como o simples registro de ágio na contabilidade dos contribuintes. O recorrente alega que tal posicionamento divergiria do adotado pelo Acórdão nº 10197.084, que reconheceu a impossibilidade de o Fisco questionar a legalidade de fatos pretéritos (ocorridos e registrados contabilmente) após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, que tenham gerado efeitos tributários em anos subsequentes. Entende o acórdão paradigma que, uma vez que os registros contábeis foram informados ao Fisco, se sua regularidade não for questionada dentro do prazo decadencial, consolidase, para efeitos fiscais, a normalidade das operações realizadas pelo sujeito passivo. Pleiteando a aplicação de tal entendimento ao seu caso concreto, defende o recorrente que o Fisco não poderia ter efetuado lançamento de ofício, em 2010, sobre fatos pretéritos, já consumados no tempo em razão do decurso do prazo decadencial (operações societárias realizadas em 2001), para alcançar efeitos daí decorrentes em períodos subsequentes (dedução, em 2006 e 2007, de despesas decorrentes de amortização de ágio). 4) Impossibilidade de inovação, pela autoridade julgadora, do critério jurídico que fundamenta o lançamento O recorrente defende que o acórdão recorrido teria fundamentado sua conclusão pela impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio discutido nos autos com base na inocorrência de confusão patrimonial entre a investidora original e a investida, nos termos requeridos pela legislação. Observa em seguida que tal fundamento jurídico não teria sido adotado pela Fiscalização, conforme demonstraria a leitura do Termo de Verificações Fiscais. Assim, restaria caracterizada a indevida inovação do critério jurídico do lançamento tributário, nos termos do art. 146 do CTN. Ao entender como possível a inovação na fundamentação do lançamento, o acórdão recorrido caracterizaria divergência jurisprudencial em relação ao Acórdão nº 104 18.695, que afirma que a autoridade julgadora deve "aterse aos fatos e provas que compõem o processo administrativo, firmando sua convicção para decidir sobre a lide". 5) Inexistência de previsão legal de obrigatoriedade de adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio considerada indedutível Fl. 3341DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 11 10 O recorrente aduz que, ao concluir que os valores de amortização de ágio indevidamente deduzidos deveriam ser adicionados tanto ao lucro real quanto à base de cálculo da CSLL, o acórdão recorrido teria entrado em desacordo com outro julgado administrativo, o Acórdão nº 1301001.394. Ao contrário do acórdão recorrido, que afirma não existir especificidade de tratamento para a base de cálculo da CSLL em relação ao que se opera para o lucro real, o acórdão paradigma entende que não existe dispositivo legal que preveja a adição, à base de cálculo da contribuição, da amortização de ágio pago na aquisição de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial. O acórdão paradigma faz referência expressa à inaplicabilidade do art. 57 da Lei nº 8.981/1995 à apuração da CSLL, em razão de tal dispositivo não prever a identidade de tratamento de sua base de cálculo com a utilizada para a apuração do IRPJ devido. Com base na conclusão constante do acórdão paradigma, o recorrente pleiteia o cancelamento dos autos de infração relativos à CSLL, em razão da inexistência de previsão legal que determine a adição à base de cálculo da contribuição dos valores amortizados contabilmente referentes à dedução do ágio. 6) Necessidade de consideração da integralidade dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL Defende o recorrente que o acórdão contestado incorreu em equívoco ao afirmar que a autoridade lançadora não estaria obrigada a considerar de ofício, no momento da autuação fiscal, os valores das bases negativas de CSLL e de prejuízo fiscal, para fins de compensação com os valores então constituídos. O recurso especial requer que seja aplicado ao caso o que restou exposto no Acórdão nº 1301001.544, apontado como paradigma em relação ao tema: a eventual constatação, de ofício, de matéria tributável suplementar, impõe que sejam computados, para fins de determinação das exações devidas, os resultados negativos apurados em períodos anteriores". 7) Ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício Como última matéria questionada em seu recurso, o contribuinte combate a posição do acórdão recorrido acerca da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício constituída por ocasião da lavratura dos autos de infração. A decisão guerreada entende que o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, ao tratar do alcance dos juros de mora, se refere aos débitos em geral relacionados aos tributos e às contribuições, alcançando as multas de ofício. Sobre tal matéria, o recorrente aponta que a CSRF já expôs entendimento contrário ao adotado pela decisão recorrida, ao proferir seu Acórdão nº 910100.722. A ementa do julgado, transcrita parcialmente na peça recursal, é expressa ao afirmar que "os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada". Assim, é requerida a reforma do acórdão recorrido também em relação a este tema. Fl. 3342DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 12 11 Além de defender a existência de divergência jurisprudencial entre os acórdãos recorrido e paradigmas em relação a todas as matérias indicadas, o recorrente apresenta também uma série de alegações que deveriam, sob seu ponto de vista, provocar a reforma de decisão, notadamente no que diz respeito à impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio decorrente da aquisição das ações do BANESPA. Em suma, argumentase que: A incorporação reversa adotada pelo grupo Santander (a investida BANESPA incorporou a investidora SANTANDER HOLDING) estaria em conformidade com a previsão da alínea "a" do art. 8º da Lei nº 9.532/1997, tendo sido necessária em razão de o BANESPA já possuir todos os registros e autorizações para atuar no Brasil; A operação utilizada pelo grupo Santander já foi anteriormente adotada em outros leilões de privatização, tanto por empresas residentes quanto não residentes no país, sendo considerada normal e adequada; A forma adotada pelo grupo Santander para a aquisição de participação societária do BANESPA teve propósito negocial específico, em razão da necessidade de se resguardar o sigilo a respeito do lance inicial que viria a ser ofertado no leilão; A constituição da SANTANDER HOLDING foi necessária porque o ágio contabilizado pelo SANTANDER HISPANO não poderia ser repassado às já existentes empresas nacionais controladas pela instituição espanhola, em virtude da vedação legal ao aumento de capital em instituições financeiras por conferência de ações. Além disso, a criação da empresa permitiu a constituição de provisão para proteger a distribuição de dividendos aos acionistas minoritários; A possibilidade de dedução da amortização do ágio deve ser garantida às instituições estrangeiras participantes dos leilões de privatização, em condições de igualdade com as empresas brasileiras, sob pena de ofensa ao princípio da isonomia; O grupo Santander adotou a forma mais direta, correta e adequada para atingir seus objetivos finais: (i) aquisição do BANESPA; (ii) reestruturação societária; (iii) preservação dos direitos dos acionistas minoritários. O contribuinte encerra seu recurso especial com o pedido de que este seja admitido, diante da comprovação das várias divergências jurisprudenciais alegadas, sendo posteriormente remetido à CSRF e provido com o consequente cancelamento integral dos autos de infração. A irresignação do contribuinte foi submetida a juízo de admissibilidade, a fim de se verificar o atendimento aos requisitos regimentalmente exigidos dos recursos especiais. O resultado foi o despacho de 25/06/2015 que apresentou as seguintes conclusões: Matéria "necessidade de aplicação de decisão já proferida em processo conexo" Considerou se não prequestionada a matéria, uma vez que o contribuinte só havia arguido, em petição protocolada antes do julgamento de seu recurso voluntário, a distribuição do presente processo ao mesmo Conselheiro que relatou o processo nº 16561.000222/200872, e não a reprodução do entendimento firmado no julgamento já realizado. Mesmo que fosse superada a questão da falta de prequestionamento, ainda assim não seria possível o seguimento do recurso em relação à matéria, em razão de o acórdão paradigma não guardar similitude fática com a decisão Fl. 3343DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 13 12 recorrida. Enquanto a decisão paradigma trata, na realidade, de processos reflexos (embora se refira a conexão), o presente processo seria efetivamente conexo ao de nº 16561.000222/200872, o que impede o confronto entre os julgados; Matéria "Legitimidade da amortização do ágio" Concluiuse pela existência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 140200.802, decisão que, exarada nos autos do processo nº 16561.000222/200872, desconstituiu as glosas, promovidas pela Fiscalização, das despesas decorrentes do mesmo ágio discutido nos presentes autos. Em razão de o primeiro paradigma já ser apto a comprovar o dissídio jurisprudencial, dispensouse o exame do segundo, de nº 1202000.884, também apontado pelo recorrente; Matéria "Decadência/Preclusão do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos que originaram o ágio amortizado" Considerouse comprovado o dissídio jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 10197.084, tendo seguimento o recurso especial no que diz respeito ao tema; Matéria "Impossibilidade de inovação, pela autoridade julgadora, do critério jurídico que fundamenta o lançamento" O despacho de exame de admissibilidade negou seguimento ao recurso especial em relação a esta matéria por absoluta falta de identidade fática entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 10418.695 (este apreciou o fato de autoridade julgadora de primeiro grau ter determinado o retorno dos autos à repartição de origem para o refazimento de demonstrativos). Além disso, como a "inovação" apontada pelo recorrente teria se dado em sede de julgamento de recurso voluntário, obviamente a matéria foi considerada como não prequestionada; Matéria "Inexistência de previsão legal de obrigatoriedade de adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio considerada indedutível" Reputouse como não comprovado o conflito entre as decisões administrativas, uma vez que o Acórdão nº 1301 001.394 apreciou e interpretou legislação tributária diversa daquela que foi objeto de interpretação pelo acórdão recorrido (o primeiro tratou do art. 391 do RIR/1999 e da Lei nº 8.981/1995, enquanto o segundo cuidou dos arts 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997). Assim, negouse seguimento ao recurso no tocante à matéria; Matéria "Necessidade de consideração da integralidade dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL" Considerouse inexistente o dissídio jurisprudencial em razão de ambas as decisões (acórdão recorrido e Acórdão nº 1301001.544) afirmarem a mesma coisa: os contribuintes têm o direito de verem compensados eventuais resultados negativos apurados em períodos anteriores. A diferenciação entre os julgados advém meramente de particularidades fáticas: o acórdão recorrido identifica motivos que, no caso concreto, impossibilitam o aproveitamento total destes resultados, situação não observada no acórdão paradigma; Matéria "Ilegalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício" Concluiuse pela existência de divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 9101 00.722, tendo seguimento o recurso especial em relação ao tópico. Sendo assim, e restando cumpridos os demais requisitos de admissibilidade estabelecidos regimentalmente, o recurso especial foi admitido em relação a três da matérias arguidas pelo recorrente: "Legitimidade da amortização do ágio", "Decadência/Preclusão do Fl. 3344DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 14 13 direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos que originaram o ágio amortizado" e "Ilegalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício". Em conformidade com a então vigente redação do art. 71 do RICARF/2015, por ter negado a admissibilidade do recurso especial em relação a alguns dos temas combatidos pelo recorrente, o despacho de exame de admissibilidade foi submetido a reexame pelo Presidente da CSRF, sendo mantido na íntegra. Em 06/07/2015, os autos foram eletronicamente remetidos para a PGFN para fins de ciência da interposição de recurso especial pelo contribuinte, assim como de sua admissão parcial, nos termos do art. 70 do Anexo II do RICARF/2015. Em resposta, foram apresentadas, em 20/07/2015, contrarrazões às alegações do recorrente. Seguindo a ordem adotada pela PGFN, assim podem ser resumidas as contrarrazões apresentadas a respeito das três matérias em relação às quais o recurso especial do contribuinte teve seguimento: a) Da inexistência de decadência O termo "preclusão", utilizado pelo recorrente em seu recurso especial, referese a instituto eminentemente processual, inaplicável ao caso discutido nos autos; O direito de a Fazenda fiscalizar os procedimentos relativos à criação do ágio não se submete ao prazo decadencial tributário, uma vez que não se materializa, no momento do registro contábil dos atos que originam o ágio, hipótese de incidência tributária prevista em lei (fato gerador); Nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), o prazo decadencial de cinco anos somente tem sua contagem iniciada na ocorrência do fato gerador (art. 150) ou no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173); No caso do IRPJ e da CSLL, só se pode falar em prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir as obrigações tributárias a partir da aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza e do resultado ajustado positivo do exercício (antes da provisão para o imposto de renda); O pagamento, por pessoa jurídica, do ágio previsto no art. 385 do RIR/1999 não materializa hipótese de incidência prevista para o IRPJ ou a CSLL. Passa a existir somente um potencial benefício fiscal a ser concedido pelo Estado (art. 386 do RIR/1999), mediante a possibilidade de dedução das despesas de amortização de tal ágio das bases de cálculo destes tributos, desde que cumpridas algumas condições fixadas pela legislação; A partir do momento da apuração do IRPJ e da CSLL, quer se utilize ou não a dedução advinda do benefício fiscal atinente ao ágio anteriormente pago, é que se pode falar em contagem de prazo decadencial contra a Fazenda Pública; No caso concreto, o fato contábilsocietário da integralização do aumento do capital social da empresa SANTANDER HOLDING com ágio das ações do BANESPA, ocorrido em 29/05/2001, não constituiu fato gerador de nenhuma obrigação tributária a reclamar para si a contagem do prazo decadencial previsto no CTN. Fl. 3345DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 15 14 b) Da indedutibilidade do ágio registrado pelo contribuinte A realização, pelo grupo Santander, de uma sequência de operações societárias com o único objetivo de reduzir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL a serem recolhidos pela empresa final exorbitou o propósito negocial da aquisição do BANESPA; O ágio discutido no processo foi pago por empresa estrangeira, sem qualquer fundamento na rentabilidade futura da participação societária adquirida, e posteriormente transferido a uma empresa nacional, não podendo ter, portanto, sua amortização deduzida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, seja pelo arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, seja por qualquer outra norma legal; No momento da conferência de ações do BANESPA no processo de aumento de capital da SANTANDER HOLDING, ambas as empresas eram controladas pelo SANTANDER HISPANO, que ocupava simultaneamente as posições de vendedor e comprador no negócio; O investimento do SANTANDER HISPANO na SANTANDER HOLDING teve um prazo curtíssimo de duração (dois meses), principalmente se considerado o elevado montante envolvido; Para que determinada empresa possa gozar da dedutibilidade prevista no art. 386 do RIR/1999, não basta que ela simplesmente incorpore uma controlada na qual detenha participação societária adquirida com ágio. Entre as condições exigidas para tal gozo, encontramse: a necessidade de que a pessoa jurídica tenha efetivamente suportado o ágio registrado; a existência de propósito negocial (aquisição de um investimento); a verificação de substrato econômico a justificar a origem do ágio (transação comercial); o fundamento econômico de expectativa de rentabilidade futura da controlada; Por propósito negocial entendese a razão negocial que leva uma empresa a adquirir um investimento por valor superior àquele que originalmente custou ao alienante; Para fins de fazer jus ao benefício fiscal previsto pelo art. 386 do RIR/1999, o ágio deve ser originado em um negócio comutativo, onde as partes contratantes, independentes entre si e ocupando posições opostas, tenham interesse em assumir direitos e obrigações correspondentes e proporcionais; A operação que dá origem ao ágio deve ainda ter substrato econômico, com o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o respectivo ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante; A exigência do cumprimento de tais requisitos é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários, por meio do OfícioCircular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007, e pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis, nos termos da Orientação Técnica OCPC nº 02/2008; O ágio registrado pelo contribuinte não é dedutível porque não existiu o encontro, num mesmo patrimônio, do ágio com o investimento que lhe deu origem. Tal encontro deve necessariamente envolver a pessoa jurídica que de fato suportou a mais valia (SANTANDER HISPANO), o que não se verifica nos presentes autos (a incorporação se deu entre a investidora secundária SANTANDER HOLDING e a investida BANESPA); Fl. 3346DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 16 15 O investimento realizado pelo SANTANDER HISPANO, por ocasião da aquisição das ações do BANESPA, nunca saiu de fato de seu patrimônio, o que impossibilitou a confusão patrimonial nos moldes requeridos pelo art. 386 do RIR/1999. O investimento permaneceu na empresa espanhola, travestido em ações de suas controladas brasileiras; O ágio registrado na SANTANDER HOLDING, por ocasião da "internalização" das ações do BANESPA, é inexistente de fato (foi criado de forma artificial, existindo apenas no papel). Mesmo que não o fosse, ainda assim não teria sua amortização dedutível, uma vez que não apresenta qualquer propósito negocial ou substrato econômico; Nenhuma das razões apontadas pelo contribuinte para a realização da operação que originou o ágio na SANTANDER HOLDING (manutenção do sigilo da oferta a ser apresentada no leilão do BANESPA; utilização de um benefício fiscal que seria cabível a qualquer empresa brasileira que viesse a vencer o leilão; preservação dos direitos dos acionistas minoritários do BANESPA; aprimoramento da sinergia administrativa das empresas do grupo Santander localizadas no Brasil) caracteriza propósito negocial apto a provocar a dedutibilidade do ágio. Tal propósito deve estar relacionado com fundamento necessariamente econômico, o que não é caso das razões apontadas pelo contribuinte; Na "transferência" do ágio do SANTANDER HISPANO para a SANTANDER HOLDING, não houve qualquer desembolso ou circulação de riquezas. Como a "alienante" era controladora da "adquirente", ocupava simultaneamente os dois pólos da negociação, cobrando o ágio de si mesmo. A operação não foi realizada em um ambiente de livre iniciativa, como seria necessário para fins de dedutibilidade do ágio gerado; A exposição de motivos da Lei nº 9.532/1997 explicita que a elaboração dos arts. 7º e 8º procurou exatamente impedir a criação de ágio artificial, proveniente de negócios fictícios, existentes apenas no papel, que visassem exclusivamente ao surgimento de um benefício fiscal; Outro motivo pelo qual a amortização do ágio discutido nos autos não é dedutível é o fato de que não existe laudo prévio que fundamente economicamente o ágio na expectativa de rentabilidade futura do BANESPA; O laudo que amparou o suposto ágio registrado na SANTANDER HOLDING, por ocasião do seu aumento de capital, foi elaborado seis meses após a compra das ações do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO, embora sejam idênticos os valores praticados para as ações nas duas operações. c) Da devida cobrança de juros sobre a multa de ofício A multa de ofício tem natureza de obrigação principal, nos termos do art. 113, §1º, do CTN; De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal, englobando, portanto, a multa de ofício; Como o art. 161 do CTN determina que "o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora", não há dúvidas de que a multa de ofício sofre a incidência de juros de mora quando não paga até o seu vencimento; Fl. 3347DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 17 16 Já o art. 61, caput e §3º, da Lei nº 9.430/1996 determina que os juros de mora incidentes sobre "débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal" adotarão a taxa SELIC. Tais débitos referem se aos créditos tributários devidos à União, contemplando os tributos e a multa de ofício proporcional aplicada; Também o art. 2º, §2º, da Lei nº 6.830/1980 e o art. 39, §2º, da Lei nº 4.320/1964, que tratam da Dívida Ativa da Fazenda Pública, corroboram o entendimento de que as multas de ofício sofrem a incidência de juros de mora, uma vez que indubitavelmente integram o conceito de "Dívida Ativa da União". Por conta de tudo que expôs, a PGFN pede, ao final, que seja negado provimento ao recurso especial da contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela Turma a quo. Em 22/09/2015, o contribuinte foi cientificado, por meio de acesso à sua caixa postal eletrônica, a respeito do seguimento parcial dado ao seu recurso especial, assim como das contrarrazões apresentadas pela PGFN. Apresentou em seguida, em 25/09/2015, embargos inominados contra o despacho que examinou a admissibilidade de seu recurso especial. O documento questionou especificamente a negativa de seguimento em relação à matéria "Inexistência de previsão legal de obrigatoriedade de adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio considerada indedutível". Alegou o contribuinte que as razões de decidir adotadas para apreciar o tema estariam em desconformidade com as disposições constantes do RICARF. O despacho teria incorrido em lapso manifesto ao negar seguimento à matéria com base no argumento de que o Acórdão nº 1301001.394 trataria de legislação tributária diversa daquela apreciada pelo acórdão recorrido. Segundo o contribuinte, ambas as decisões discutem a aplicação da Lei nº 7.689/1988. Em despacho de 28/10/2015, os embargos inominados não foram admitidos por absoluta falta de previsão regimental, uma vez que o art. 66 do RICARF/2015 prevê o cabimento de tal recurso apenas em face de inexatidão material constatada em acórdão. Ainda assim, o despacho reafirmou o mérito contestado pelo contribuinte, declarando que o acórdão apontado como paradigma em relação à matéria atinente à base de cálculo da CSLL de fato não se prestava à comprovação de divergência jurisprudencial em face do acórdão recorrido. Não admitidos os embargos inominados manejados pelo contribuinte, os autos seguiram para a CSRF para o julgamento do recurso especial em relação às matérias que tiveram seguimento. É o relatório. Fl. 3348DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conforme concluiu o despacho que examinou a admissibilidade do recurso especial interposto pelo BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A, de um total de sete matérias contestadas, em relação a três foi reconhecido o cumprimento dos requisitos de admissibilidade do recurso especial, fixados pelo art. 67 do Anexo II do RICARF/2015. As matérias que provocaram o seguimento do recurso foram: "Legitimidade da amortização do ágio", "Decadência/Preclusão do direito do Fisco de questionar a legalidade dos atos que originaram o ágio amortizado" e "Ilegalidade da incidência de juros de mora sobre multa de ofício". Não tendo sido apresentadas, pela PGFN, por ocasião da exposição de suas contrarrazões, alegações preliminares de não conhecimento da peça recursal apresentada pelo contribuinte, adoto as razões expostas no aludido despacho, para CONHECER do recurso especial em relação às três matérias admitidas, passando à análise de seu mérito. As matérias serão analisadas em uma ordem que respeite a relação de dependência existente entre elas. Por tratarse de arguição preliminar, a questão da decadência será abordada primeiro. Depois, passase ao tema principal do debate travado nos autos, concernente à dedutibilidade da amortização do ágio, que é inclusive questão prejudicial à análise da terceira matéria (incidência de juros de mora sobre multa de ofício), cujo exame é deixado para o fim. 1) Decadência/Preclusão do direito ao questionamento dos atos que originaram o ágio O recorrente alega que o Fisco estaria impedido de questionar, no ano de 2010, a legalidade dos atos societários praticados em 2000 e 2001, em razão de tais operações já terem se consumado no tempo por conta do decurso do prazo decadencial. Os atos societários mencionados são a aquisição de ações do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO, por meio de leilão público (20/11/2000) e de Oferta Pública de Ações (28/12/2000), a utilização de tais papéis na integralização do capital social da SANTANDER HOLDING (29/05/2001) e, por fim, a incorporação desta pessoa jurídica pelo BANESPA (30/07/2001). Embora os lançamentos tributários tenham se referido aos anoscalendário de 2006 e 2007, períodos em que o recorrente deduziu do lucro real e da base de cálculo da CSLL despesas que a Fiscalização entendeu indedutíveis, o recurso especial defende que a utilização fiscal do ágio nestes anos foi mero efeito dos atos negociais perpetrados em 2000 e 2001. Assim, postula o reconhecimento da decadência do direito do Fisco a questionar a legalidade de atos praticados em período já alcançado, no momento da autuação, pelo prazo de cinco anos. Argumenta que os registros contábeis referentes aos atos societários praticados em 2000 e 2001 já eram desde então de conhecimento do Fisco e que sua regularidade não foi questionada dentro do prazo decadencial, consolidandose, portanto, para Fl. 3349DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 19 18 fins fiscais, a normalidade das operações realizadas, que operaram efeitos tributários nos anos subsequentes, inclusive 2006 e 2007. Inicialmente, julgo relevante avaliar a adequação da utilização, pelo recorrente, do termo "preclusão" como sendo equivalente à decadência. Por relevantes, transcrevo as palavras da PGFN a respeito do assunto, constantes de suas contrarrazões ao recurso especial: "Preliminarmente, acerca da utilização pelo recorrente em seu recurso da expressão “preclusão”, destacase que este instituto eminentemente processual não existe no âmbito da atividade fiscalizatória do Estado. No exercício de apuração do fato gerador (procedimento fiscal), não há qualquer preclusão dos atos praticados. O Fisco pode fazêlos e refazêlos como bem quiser, desde que observe o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Por preclusão entendese a impossibilidade, ou perda da faculdade, de praticar um ato processual. Essa impossibilidade pode decorrer de o ato já ter sido praticado anteriormente (preclusão consumativa), de o tempo hábil para a sua prática já ter expirado (preclusão temporal), ou de outro ato incompatível com ele ter sido praticado no seu lugar (preclusão lógica). Ora, d. Julgadores, diante de tal conceito, é de se imaginar que há preclusão nos procedimentos fiscais realizados pela Autoridade Tributária? Por exemplo, uma vez ela tendo solicitado determinada informação ao particular, ela não mais poderá fazêlo novamente? Por certo, não há que se falar que um ato de fiscalização não pode mais ser realizado porque ele já fora praticado anteriormente, porque outro ato incompatível com ele já fora realizado, ou porque o tempo para a sua execução já se expirou. Como reconhecido de forma uníssona pela doutrina e pela jurisprudência, o procedimento fiscal se reveste de caráter inquisitório, não sendo imposto ao Estado nessa fase observar contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Tais aspectos do direito de defesa do contribuinte serão plenamente e incondicionalmente garantidos ao sujeito passivo ao longo do processo administrativo fiscal, posterior à constituição do crédito tributário (lavratura do auto de infração). Antes disso, não há processo; não há faculdade para se praticar qualquer ato processual; não há preclusão. Por fim, vale destacar que o prazo decadencial para a constituição dos créditos tributários em nenhum momento pode ser confundido como uma preclusão temporal. Como visto e como será mais detalhado a seguir, a preclusão se refere à prática de um ato processual; a decadência, por seu turno, prevista no Código Tributário Nacional, se refere à constituição do crédito tributário por meio do lançamento. No CTN não há qualquer previsão de preclusão dos atos fiscalizatórios." Filiome ao entendimento exposto pela d. Procuradoria, no sentido de que um instituto eminentemente processual não pode ser oposto à fase inquisitória do procedimento de fiscalização tributária. Todavia, como o instituto foi utilizado, no recurso especial, praticamente como sinônimo de decadência, e a alegação relativa a esta será analisada em seguida, tal consideração não importa em prejuízo algum para o recorrente. Fl. 3350DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 20 19 O instituto da decadência tributária visa a limitar, no tempo, o direito de o Fisco constituir créditos tributários por meio do lançamento, sendo regido pelos arts. 173 e 150 do CTN. O primeiro dispositivo traz, em seu inciso I, a regra geral da decadência, que reza que o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue com o esgotamento do prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento tributário poderia ter sido efetuado. Já o §4º do art. 150 prevê a regra a que se submetem os tributos sujeitos ao lançamento por homologação: se a Fazenda Pública não se pronunciar em cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador do tributo, o lançamento é homologado e o respectivo crédito, extinto. In verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Observase que os dois dispositivos têm algo em comum: ambos baseiamse no fato gerador dos tributos para estabelecer o marco temporal inicial da contagem do prazo decadencial. No caso do art. 173, inciso I, a contagem se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a autoridade tributária já poderia ter realizado o lançamento, motivado, logicamente, pela verificação do fato gerador. Já na previsão contida no §4º do art. 150, a própria ocorrência do fato gerador já inaugura o decurso do prazo decadencial. Os presentes autos tiveram origem em dois autos de infração: um referente ao IRPJ; o outro, à CSLL. Observese o que a legislação específica estabelece para tais tributos: Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda) Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 3351DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 21 20 II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. (...) Lei nº 7.689, de 15/12/1988 Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (...) O fato gerador do IRPJ é, portanto, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza. Já o fato gerador da CSLL, embora o dispositivo legal não seja explícito, é a ocorrência de resultado ajustado positivo no exercício financeiro, antes da provisão para o imposto de renda. Assim, só há sentido em se discutir decadência de lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL a partir do momento em que ocorrem tais fatos geradores, por determinação expressa dos arts. 150, §4º, e 173, inciso I, do CTN. O recorrente defende a tese de que a contagem do prazo decadencial se iniciaria com a operação societária ocorrida em 2001, ou com o registro do ágio decorrente de tal operação na contabilidade das empresas brasileiras integrantes do grupo Santander, ou ainda com a entrega ao Fisco das informações atinentes a tal contabilização. Segundo a teoria exposta, feitos os registros contábeis referentes aos atos societários que deram origem ao ágio, se estes não forem contestados pela Administração Tributária dentro de cinco anos, receberiam uma espécie de "homologação tácita" e seu aproveitamento fiscal estaria autorizado, também de forma tácita. Não existe fundamento jurídico que possa sustentar a tese desenvolvida pelo recorrente. O instituto da decadência tributária tem o nobre propósito de evitar surpresas na relação entre contribuintes e Estado, homenageando o princípio da segurança jurídica. Todavia, ele não existe de forma independente, desvinculada dos fatos geradores dos tributos. Não é razoável se cogitar da existência de decadência para cada ato societário, cada registro contábil, cada transação realizada. Tais eventos indubitavelmente fazem parte da rotina das pessoas jurídicas, mas somente quando implicam na ocorrência do fato gerador de um tributo específico é que se pode falar em início da contagem de prazo decadencial. O simples registro do ágio na contabilidade da SANTANDER HOLDING (por ocasião da integralização de seu capital social pelo SANTANDER HISPANO), do BANESPA (depois que este banco incorporou a SANTANDER HOLDING, sua então Fl. 3352DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 22 21 controladora) ou do próprio recorrente (após a incorporação do BANESPA) não poderia ser objeto de glosa ou de lançamento tributário por parte da autoridade fiscalizadora. A presença do ágio nos livros contábeis não provoca redução de crédito tributário, majoração de prejuízo fiscal ou causa para lançamento de multa isolada. Assim, não havia obrigação de atuação por parte do Fisco que pudesse provocar a fluência de prazo decadencial contra ele. O que os arts 385 e 386 do RIR/1999 prevêem é que a pessoa jurídica que incorporar outra em que detenha participação societária (ou for por ela incorporada), com a contabilização de ágio fundamentado na expectativa de resultados futuros, passa a ter um potencial direito de, no futuro, caso sejam cumpridos os demais requisitos exigidos pela legislação, usufruir da possibilidade de utilização das despesas decorrentes da amortização de tal ágio como deduções na apuração do IRPJ e da CSLL devidos. Somente quando o contribuinte faz uso deste direito que entende lhe caber é que surge a obrigação da autoridade tributária de verificar a correção dos valores apurados a título de IRPJ e de CSLL. Se os tributos forem apurados de forma incorreta, a valor menor, em razão da utilização da amortização do ágio de forma indevida (por exemplo, pelo não cumprimento de todas as exigências legais), passa a existir um fato que demanda a atuação do Fisco. Somente a partir do momento em que ocorrem os fatos geradores destes tributos, portanto, é que se passa a discutir decadência. O prazo decadencial aplicável a esta hipótese delimita o tempo de que o Fisco dispõe para averiguar a utilização, pelos contribuintes, da amortização do ágio, contabilizado em anos anteriores, para fins de redução dos tributos relativos aos anos posteriores. No caso da presente lide, os créditos tributários lançados referemse aos anoscalendário 2006 e 2007. Assim, até o cabo de cinco anos contados dos fatos geradores de tais tributos (se considerarmos aplicável o §4º do art. 150 do CTN, hipótese mais benéfica ao recorrente), a autoridade tributária poderia verificar a utilização do ágio contabilizado em 29/05/2001 na apuração dos tributos relativos a 2006 e 2007, homologando a utilização ou glosando as despesas dele advindas. Como as mencionadas glosas foram feitas em 2010, nenhuma irregularidade é identificada na atuação estatal. Além disso, registrese que a atuação do Fisco pode desconstituir a utilização fiscal do ágio, caso as condições legais estabelecidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e arts. 385 e 386 do RIR/1999 não tenham sido cumpridas, mas não a sua contabilização. O ágio contábil permanece na escrituração dos contribuintes, fato que reforça a ideia de que a atuação da autoridade tributária não afeta, efetivamente, fatos ocorridos e já alcançados pela decadência, mas apenas seus efeitos verificados em anos ainda não decaídos. O entendimento exposto neste voto é corroborado pela Lei nº 9.430/1996, na parte em que dispõe a respeito da obrigação de guarda de documentos pelos sujeitos passivos: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Ao determinar que os comprovantes de escrituração relativos a fatos que repercutam no futuro devem ser guardados pelos sujeitos passivos até o momento em que se opere a decadência do direito de constituição dos créditos tributários relativos a estes exercícios (os futuros, frisese), a legislação explicita que os fatos comprovados pela Fl. 3353DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 23 22 documentação não inauguram a contagem do prazo decadencial, mas sim os fatos geradores dos tributos que devem ser apurados e recolhidos nos exercícios posteriores. O CARF já teve oportunidade de se pronunciar acerca da tese apresentada pelo recorrente. Em recentíssimo julgamento de recurso voluntário nos autos do processo nº 10183.723840/201320, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara apreciou alegação exatamente igual à levantada no recurso especial sob análise. No Acórdão nº 1301002.019, restou assim ementada a decisão relativa a tal discussão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2009, 2010 DECADÊNCIA. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. TERMO INICIAL. Em relação à decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. Do voto que prevaleceu em relação a esta matéria naquele julgamento, reproduzse o excerto: "Como preliminar, inicialmente, a recorrente insurgese contra a decisão da Turma Julgadora a quo que decidiu no sentido de que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial seria contado a partir do início da sua amortização (anocalendário 2009) e não quando da apuração do ágio (ano calendário 2007). Com relação a decadência, a contagem do prazo deve ter como base a data a partir da qual o Fisco poderia efetuar o lançamento, ou seja, a data do fato gerador da obrigação. Sob essa ótica, para efeito de tributação da amortização indevida do ágio, a simples apuração desse ágio não dá azo a qualquer infração a qual só poderia, eventualmente, caracterizarse quando da sua amortização. Isso porque o valor amortizado é despesa que reduz o resultado tributável gerando, quando indevida, a infração passível de lançamento. Assim, o prazo decadencial deve ter como referência o período de apuração onde tenha ocorrido a amortização/dedução. No caso sob exame, a amortização iniciouse no anocalendário de 2009, como a ciência dos autos deuse em 24/09/2013, rejeito a preliminar da decadência conforme suscitada." (Grifouse) Diante de tudo o que foi exposto, entendo que não existe prescrição a afetar o lançamento dos créditos tributários objeto dos presentes autos. Os autos de infração foram lavrados em 2010, tendo por base fatos geradores de IRPJ e de CSLL ocorridos em 2006 e 2007, não o ágio registrado em 2001. Assim, relativamente à alegação preliminar de decadência, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. Fl. 3354DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 24 23 2) Aspectos relativos à amortização do ágio e seus reflexos tributários O ponto central do debate desenvolvido ao longo dos autos diz respeito à regularidade do procedimento adotado pelo recorrente (e condenado pela Fiscalização) de deduzir, nos anoscalendário de 2006 e 2007, do lucro real e da base de cálculo da CSLL, despesas com amortização do ágio registrado na contabilidade da SANTANDER HOLDING por ocasião da integralização do aumento de seu capital social pelo SANTANDER HISPANO. Conforme já foi mencionado, tal integralização de capital social se deu em 29/05/2001, por meio da entrega, pela empresa espanhola, de ações do BANESPA pelo valor total pago em sua aquisição em leilão público e em Oferta Pública de Ações (R$9,57 bilhões). Na contabilidade da SANTANDER HOLDING, o valor foi registrado de forma desmembrada: R$2,11 bilhões de valor de investimento pelo método da equivalência patrimonial e R$7,46 bilhões de ágio. Com a incorporação da SANTANDER HOLDING pelo BANESPA, este banco considerou que faria jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização de tal ágio, com base nos disposições constantes dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, também contempladas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), nos arts. 385 e 386. Posteriormente, com a incorporação do BANESPA pelo recorrente, o saldo restante do ágio continuou sendo utilizado para fins de redução dos valores apurados de IRPJ e de CSLL. A respeito da figura do ágio, há que se dizer que seu conceito tributário foi introduzido no ordenamento brasileiro pelo DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977. À época dos fatos discutidos nestes autos, dispunha o art. 20 do DecretoLei, antes de ter sua redação alterada pela Lei nº 12.973, de 13/05/2014: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Fl. 3355DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 25 24 § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. O art. 385 do RIR/1999 é basicamente uma cópia do art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977. Em ambos os dispositivos, encontrase a determinação de que contribuintes que avaliam investimentos em sociedade controlada ou coligada pelo valor do patrimônio líquido registrem o ágio apurado na aquisição de participação societária em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Além disso, os dispositivos também prevêem que tal ágio deve ser fundamentado em pelo menos um dos três fatores: a) valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; b) expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros ou; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Quando o art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977 e o art. 385 do RIR/1999 afirmam que o destinatário das regras ali expostas é o contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido, estão se referindo ao método da equivalência patrimonial. Segundo tal método, as variações observadas nos patrimônios líquidos da sociedades coligadas ou controladas provocam reflexos nos valores dos investimentos registrados na investidora. Observese o que dispõem os arts. 387 a 389 do RIR/1999, a respeito do método de equivalência patrimonial: Art. 387. Em cada balanço, o contribuinte deverá avaliar o investimento pelo valor de patrimônio líquido da coligada ou controlada, de acordo com o disposto no art. 248 da Lei nº 6.404, de 1976, e as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 21, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso III): : I o valor de patrimônio líquido será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação da coligada ou controlada levantado na mesma data do balanço do contribuinte ou até dois meses, no máximo, antes dessa data, com observância da lei comercial, inclusive quanto à dedução das participações nos resultados e da provisão para o imposto de renda; (...) Art. 388. O valor do investimento na data do balanço (art. 387, I), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo anterior, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 22). (...) Art. 389. A contrapartida do ajuste de que trata o art. 388, por aumento ou redução no valor de patrimônio líquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 23, e DecretoLei nº 1.648, de 1978, art. 1º, inciso IV). Fl. 3356DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 26 25 (...) O art. 389 do RIR/1999 é explícito ao determinar que os resultados auferidos pelas empresas coligadas ou controladas não devem ser computados na determinação do resultado da investidora. Assim, lucros apurados em uma investida devem ser objeto de tributação somente no âmbito daquela empresa. Embora tenham o reflexo de majorar o valor do investimento registrado na investidora, os lucros da investida não devem integrar a base tributável da pessoa jurídica que nela detém participação societária, sob pena de configurarse hipótese de dupla tributação. Caso a investidora tenha registrado, em sua contabilidade, ágio decorrente da expectativa de rentabilidade futura da investida, concluise que a causa do pagamento a maior efetivamente se concretizou, mas foi tributada somente na coligada ou controlada. Sendo assim, não há que se cogitar de amortização do ágio na investidora, uma vez que não ocorre, nesta pessoa jurídica, tributação do resultado positivo da investida. Somente seria lógico falar em amortização daquele ágio caso a concretização do motivo que lhe deu causa, qual seja, a lucratividade futura da investida, tivesse reflexos tributários na pessoa jurídica que pagou a "mais valia". Dessa forma, o dispêndio a maior poderia ser gradativamente recuperado sob a forma de despesas dedutíveis, se os lucros que o motivaram provocassem um maior recolhimento de tributos nos períodos posteriores à aquisição do investimento. Como, por determinação legal, não é esta a hipótese que se verifica no método de equivalência patrimonial, podese concluir que a regra geral é a da impossibilidade de utilização fiscal do ágio registrado na investidora. É o que reza expressamente o art. 391 do RIR/1999: Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426). Existem, contudo, duas exceções a tal regra. A primeira delas é indicada pelo próprio art. 391, quando ressalva o disposto no art. 426 do mesmo RIR/1999: Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os Fl. 3357DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 27 26 computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. A primeira exceção à regra da impossibilidade de aproveitamento tributário do ágio tratado pelo art. 385 do RIR/1999 diz respeito, portanto, à apuração de ganho ou perda de capital. Se o investimento que deu causa à "mais valia" for alienado ou liquidado, o ágio ou deságio registrados na contabilidade da controladora devem compor o custo de aquisição considerado no cálculo do resultado tributável da operação, sobre o qual incidirão IRPJ e CSLL. Já a segunda exceção, que interessa mais diretamente à discussão desenvolvida nos presentes autos, referese às transformações societárias envolvendo investidoras, investidas e o ágio associado aos investimentos. A respeito da evolução histórica das previsões legais que contemplaram a possibilidade de aproveitamento tributário do ágio em hipóteses de transformações societárias, remetome ao irretocável apanhado feito pelo nobre Conselheiro André Mendes de Moura no recente Acórdão nº 9101002.301: "Primeiro, o tratamento conferido à participação societária extinta em fusão, incorporação ou cisão, atendia o disposto no art. 34 do DecretoLei nº 1.598, de 1977: Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do Fl. 3358DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 28 27 valor realizado em cada períodobase; e (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada período base a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional. (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) O que se pode observar é que o único requisito a ser cumprido, como perda de capital, é que o acervo líquido vertido em razão da incorporação, fusão ou cisão estivesse avaliado a preços de mercado. Contudo, para que se consumasse a perda de capital prevista no inciso I, o valor contábil deveria ser maior do que o acervo líquido avaliado a preços de mercado, e tal situação se mostraria viável, especialmente, quando, imediatamente após à aquisição do investimento com ágio, ocorresse a operação de incorporação, fusão ou cisão. Ocorre que tal previsão se consumou em operações um tanto quanto questionáveis por vários contribuintes, mediante aquisição de empresas deficitárias pagandose ágio, para, em logo em seguida, promover a incorporação da investidora pela investida. As operações ocorriam quase simultaneamente. E, nesse contexto, o aproveitamento do ágio, nas situações de transformação societária, sofreu alteração legislativa. Vale transcrever a Exposição de Motivos da MP nº 1.602, de 19971, que, posteriormente, foi convertida na Lei nº 9.532, de 1997. 11. O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vem utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária, mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo. 1 Exposição de Motivos publicada no Diário do Congresso Nacional nº 26, de 02/12/1997, pg. 18021 e segs, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. Fl. 3359DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 29 28 Não vacilou a doutrina abalizada de LUÍS EDUARDO SCHOUERI2 ao discorrer, com precisão sobre o assunto: Anteriormente à edição da Lei nº 9.532/1997, não havia na legislação tributária nacional regulamentação relativa ao tratamento que deveria ser conferido ao ágio em hipóteses de incorporação envolvendo a pessoa jurídica que o pagou e a pessoa jurídica que motivou a despesa com ágio. O que ocorria, na prática, era a consideração de que a incorporação era, per se, evento suficiente para a realização do ágio, independentemente de sua fundamentação econômica. (...) Sendo assim, a partir de 1998, ano em que entrou em vigor a Lei nº 9.532/1997, adveio um cenário diferente em matéria de dedução fiscal do ágio. Desde então, restringiramse as hipóteses em que o ágio seria passível de ser deduzido no caso de incorporação entre pessoas jurídicas, com a imposição de limites máximos de dedução em determinadas situações. Ou seja, nem sempre o ágio contabilizado pela pessoa jurídica poderia ser deduzido de seu lucro real quando da ocorrência do evento de incorporação. Pelo contrário. Com a regulamentação ora em vigor, poucas são as hipóteses em que o ágio registrado poderá ser deduzido, a depender da fundamentação econômica que lhe seja conferida. Merece transcrição o Relatório da Comissão Mista3 que trabalhou na edição da MP 1.609, de 19974: O artigo 8º altera as regras para determinação do ganho ou perda de capital na liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor do patrimônio líquido, quando agregado de ágio ou deságio. De acordo com as novas regras, os ágios existentes não mais serão computados como custo (amortizados pelo total), no ato de liquidação do investimento, como eram de acordo com as normas ora modificadas. O ágio ou deságio referente à diferença entre o valor de mercado dos bens absorvidos e o respectivo valor contábil, na empresa incorporada (inclusive a fusionada ou cindida), será registrado na própria conta de registro dos respectivos bens, a empresa incorporador (inclusive a resultante da fusão ou a que absorva o patrimônio da cindida), produzindo as repercussões próprias na depreciação normal. O ágio ou deságio decorrente de expectativa de resultado futuro poderá ser amortizado durante os cinco anoscalendário subsequentes à incorporação, à razão de 1/60 (um sessenta avos) para cada mês do período de apuração. (...) 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Ágio em reorganizações societárias (aspectos tributários). São Paulo : Dialética, 2012, p. 66 e segs. 3 Relatório da Comissão Mista publicada no Diário do Congresso Nacional nº 27, de 03/12/1997, pg. 18494, http://legis.senado.leg.br/diarios/BuscaDiario?datSessao=01/12/1997&tipDiario=2. Acesso em 15/02/2016. 4 Na realidade, o número da Medida Provisória abordada é 1.602. Fl. 3360DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 30 29 Percebese que, em razão de um completo desvirtuamento do instituto, o legislador foi chamado a intervir, para normatizar, nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, sobre situações específicas tratando de eventos de transformação societária envolvendo investidor e investida. Inclusive, no decorrer dos debates tratando do assunto, chegouse a cogitar que o aproveitamento do ágio não seria uma despesa, mas um benefício fiscal. Em breves palavras, caso fosse benefício fiscal, o próprio legislador deveria ter tratado do assunto, como o fez na Exposição de Motivos de outros dispositivos da MP nº 1.607, de 1997 (convertida na Lei nº 9.532, de 1997). Na realidade, a Exposição de Motivos deixa claro que a motivação para o dispositivo foi um maior controle sobre os planejamentos tributários abusivos, que descaracterizavam o ágio por meio de analogias completamente desprovidas de sustentação jurídica. E deixou claro que se trata de uma despesa de amortização." Depreendese da retrospectiva transcrita que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (produto da conversão da Medida Provisória nº 1.602/1997) foram erigidos pelo legislador com a específica finalidade de coibir a prática de planejamentos tributários abusivos em que empresas superavitárias adquiriam com ágio empresas deficitárias para serem em seguida incorporadas por elas. Tal incorporação reversa, também denominada de incorporação "às avessas", não tinha nenhum propósito negocial que não fosse a simples geração de ganhos de natureza tributária. Os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram integralmente incorporados ao RIR/1999 por meio de seu art. 386. Como este artigo faz referência expressa a dispositivos do art. 385 (cópia do já reproduzido art. 20 do DecretoLei nº 1.598/1977), transcrevemse ambos a seguir: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 3361DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 31 30 III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam os incisos I e II do parágrafo anterior deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 3º). Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, e Lei nº 9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do §2º do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do §2º do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do §2º do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados durante os cinco anoscalendário subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no mínimo, para cada mês do período de apuração. §1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §1º). §2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §2º): I o ágio em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; II o deságio em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. §3º O valor registrado na forma do inciso II (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §3º): I será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; II poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. Fl. 3362DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 32 31 §4º Na hipótese do inciso II do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos ou contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §4º). §5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito (Lei nº 9.532, de 1997, art. 7º, §5º). §6º O disposto neste artigo aplicase, inclusive, quando (Lei nº 9.532, de 1997, art. 8º): I o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor do patrimônio líquido; II a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. §7º Sem prejuízo do disposto nos incisos III e IV, a pessoa jurídica sucessora poderá classificar, no patrimônio líquido, alternativamente ao disposto no §2º deste artigo, a conta que registrar o ágio ou deságio nele mencionado (Lei nº 9.718, de 1998, art. 11). Verificase que os arts. 385 e 386 do RIR/1999 guardam uma relação indissociável entre si, uma vez que requisitos à aplicação do segundo artigo são extraídos diretamente da redação do primeiro. O art. 385, conforme já mencionado, estabelece duas regras principais. A primeira determina que o ágio apurado em uma aquisição de participação societária em sociedade controlada ou coligada seja registrado em subconta separada daquela que registra o valor do patrimônio líquido da investida na época da aquisição. Já a segunda fixa os possíveis fundamentos econômicos do ágio pago na aquisição da participação societária (valor de mercado dos bens do ativo da investida superior ao registrado na contabilidade; expectativa de resultados positivos da investida nos exercícios futuros; fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas). Por fim, o artigo ainda prevê que o ágio fundamentado em valor de mercado dos bens do ativo da investida ou na expectativa de resultados futuros deve ser baseado em documentação comprobatória, devidamente arquivada. Já o art. 386 trata, entre outras coisas, da possibilidade de aproveitamento tributário do ágio decorrente do fundamento econômico previsto no inciso II do §2º do artigo anterior (valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros). O caput do art. 386 traz o primeiro requisito que deve ser cumprido para que seja possível o aproveitamento do ágio: uma pessoa jurídica deve absorver o patrimônio de uma segunda, em que detenha participação societária adquirida com ágio. A respeito deste primeiro requisito exigido pela norma, recorro novamente ao Acórdão nº 9101002.301, pela assertividade da análise ali desenvolvida: "Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de Fl. 3363DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 33 32 outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA 5. Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A 5 ATALIBA, Geraldo. Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo : Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs. Fl. 3364DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 34 33 (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoa se o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI6, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que 6 SCHOUERI, 2012, p. 62. Fl. 3365DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 35 34 passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial." Concluise, portanto, que o art. 386 do RIR/1999, sob o aspecto pessoal, se dirige à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), após ter efetivamente acreditado na mais valia do investimento, feito os estudos de rentabilidade futura e desembolsado os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço, pago em momento anterior pela investidora em razão da confiança na rentabilidade futura da investida. Destaquese que a regra se aplica tanto à incorporação da investida pela investidora quanto, no sentido inverso, à hipótese em que a investidora é que é incorporada por sua investida. Em ambos os casos, a lei exige que a investidora envolvida na incorporação seja a "original" ou stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada à pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco). A situação em que a investida incorpora sua investidora é denominada de incorporação reversa ou ainda de incorporação "às avessas". A previsão da possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio nesta hipótese é trazida pelo §6º, inciso II, do art. 386 do RIR/1999. O dispositivo faz uso de uma técnica legislativa transitiva, indicando assim que o que vale para o caput do art. 386 do RIR/1999 vale também para o seu §6º. As premissas de exegese da norma não são afetadas, sendo necessárias apenas as devidas adaptações para contemplar a situação prevista. De forma correlata ao que se analisou quanto ao aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material para fins de enquadramento no art. 386 do RIR/1999, consumase quando, na sociedade incorporadora, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam Fl. 3366DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 36 35 a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendidos os recursos aportados e o risco do empreendimento). Compartilhando o mesmo patrimônio a investidora e a investida, consolidase cenário no qual a pessoa jurídica detentora da "mais valia" (ágio) do investimento baseado na expectativa de rentabilidade futura passa a ser responsável também por honrar tal rentabilidade. Assim, a legislação permite que o contribuinte considere perdido o capital que foi investido com o ágio e deduza a despesa relativa à "mais valia". Configuração semelhante ocorre na incorporação reversa, na medida em que a pessoa jurídica responsável por gerar a rentabilidade esperada para o futuro passa a ser a detentora do ágio baseado na expectativa de tal rentabilidade. Sendo assim, pressupõese que a "mais valia" porventura contabilizada tenha sido efetivamente suportada por alguma das pessoas que participam da "confusão patrimonial". Para fins de acesso à dedutibilidade estabelecida pelo art. 386 do RIR/1999, a pessoa jurídica que efetivamente suportou o ágio pago na aquisição de um investimento deve incorporar tal investimento (incorporação da investida pela investidora) ou ser incorporada pela empresa onde investiu (incorporação "às avessas"). Em síntese, a subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/1999, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material das hipóteses ali previstas. Na atual redação destes dispositivos, exclusivamente no caso em que houver o efetivo desembolso de valores (ou sacrifício de outros ativos) a título de investimento da investidora (futura incorporadora ou, no caso da incorporação reversa, incorporada) na investida (futura incorporada ou, no caso da incorporação reversa, incorporadora), é que haverá o atendimento aos aspectos pessoal e material. Se o ágio não foi de fato arcado por nenhuma das pessoas participantes da "confusão patrimonial", não há sentido em clamarse pela dedutibilidade das despesas decorrentes de amortização de ágio instituída pelo art. 386 do RIR/1999. No caso analisado nos presentes autos, é incontroverso que houve desembolso de valores por ocasião da aquisição, pelo SANTANDER HISPANO, das ações do BANESPA, no leilão público (20/11/2000) e na Oferta Pública de Ações (28/12/2000). Destas operações, resultou o registro de ágio no valor de R$7,46 bilhões (R$9,57 bilhões pagos pela aquisição das ações R$2,11 bilhões de valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial). Ocorre que tal ágio foi registrado na contabilidade da empresa espanhola. Fosse o SANTANDER HISPANO uma pessoa jurídica sediada no Brasil, submetida à legislação tributária brasileira, ela poderia fazer jus à dedutibilidade das despesas de amortização do ágio de R$7,46 bilhões se viesse a incorporar o BANESPA e atendesse também às demais condições exigidas legalmente. Como não havia essa possibilidade, o grupo Santander promoveu a "internalização" do ágio em território brasileiro, por meio da integralização de aumento do capital social da SANTANDER HOLDING, em 29/05/2001. Foi realizada a entrega das ações do BANESPA pelo SANTANDER HISPANO, pelos exatos valores que constavam da contabilidade do banco espanhol. Assim, a SANTANDER HOLDING passou a possuir, em sua contabilidade, o ágio de R$7,46 bilhões associado às ações do BANESPA, registradas por R$2,11 bilhões. O Fl. 3367DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 37 36 próprio recorrente afirma, tanto em seu recurso especial quanto em manifestações anteriores, que foi este ágio, criado em 29/05/2001, que posteriormente foi utilizado na redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, e não aquele que constava na contabilidade do SANTANDER HISPANO já no ano 2000. Conforme já foi narrado, a SANTANDER HOLDING foi incorporada pelo BANESPA em 30/07/2001. Julgando fazer jus ao direito de deduzir as despesas decorrentes da amortização do ágio com base nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 (e nos arts. 385 e 386 do RIR/1999), o BANESPA passou a reduzir seu lucro líquido. Posteriormente, com a incorporação do BANESPA pelo recorrente em 31/08/2006, este continuou a utilizar o saldo remanescente do ágio para reduzir suas bases tributáveis. Ocorre que nem o BANESPA (conforme já foi reconhecido nos autos do processo nº 16561.000222/200872) nem o recorrente poderiam ter utilizado o ágio registrado originalmente na SANTANDER HOLDING para fins de deduzir as despesas decorrentes de sua amortização. Interpretandose o conteúdo do art. 386 do RIR/1999 sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária, verificase que não restaram observados, no caso concreto, os aspectos pessoal e material necessários à subsunção da situação fática à previsão normativa. Como não foi a SANTANDER HOLDING que desembolsou o valor que deu origem ao ágio contábil, restou desatendido o aspecto pessoal da hipótese de incidência do art. 386 do RIR/1999. Como o próprio recorrente reconhece, o numerário que pagou pela aquisição das ações do BANESPA, no ano de 2000, saiu dos cofres do SANTANDER HISPANO. Posteriormente, em 29/05/2001, as ações foram transferidas à propriedade da SANTANDER HOLDING, sem nenhuma desembolso de valores por parte da nova proprietária. A SANTANDER HOLDING foi incorporada pelo BANESPA em agosto de 2001. O banco, julgando que estaria configurada a "confusão patrimonial" entre o ágio e o investimento que lhe deu causa, passou a aproveitar as despesas da amortização do ágio para fins tributários. Ocorre que tal "confusão patrimonial", principal manifestação do aspecto material necessário à efetiva incidência da norma tributária prevista no art. 386 do RIR/1999, deve obrigatoriamente se dar entre a investida e a investidora originária, real. Por investidora originária, entendese aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária. Ou seja, no caso sob análise, só existe uma real investidora: o SANTANDER HISPANO. Padeceu do mesmo vício o aproveitamento tributário do ágio feito pelo recorrente a partir de meados de 2006. Se a "confusão patrimonial" entre a SANTANDER HOLDING e o BANESPA já não atendia aos aspectos pessoal e material necessários à verificação da hipótese de incidência objeto do art. 386 do RIR/1999, o mesmo ocorreu com a posterior "confusão patrimonial" entre BANESPA e BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A. Importante ressaltar que, quando se estabelece a necessidade de que a empresa participante da "confusão patrimonial" tenha arcado com a aquisição do investimento com ágio, não se restringe tal operação a uma compra e venda com o desembolso de valores monetários. O dispêndio que se exige diz respeito a qualquer operação que gere ganhos para o alienante e gastos para o adquirente. Mais do que um pagamento em dinheiro, o que se espera como resultado desta operação é que haja variações patrimoniais para os envolvidos em valores Fl. 3368DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 38 37 proporcionais ao negócio celebrado. No caso dos presentes autos, não se verificou a prática de tal "sacrifício patrimonial" pela SANTANDER HOLDING ou pelo recorrente. Sendo assim, a amortização operada pelo recorrente não teve amparo dos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 ou dos arts. 385 e 386 do RIR/1999. Conforme se viu, a possibilidade de aproveitamento fiscal do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, só tem sentido em situações em que a investidora de fato, responsável por arcar com o dispêndio que faz nascer o ágio, incorpora a pessoa jurídica em que possua participação societária (investimento) ou seja por ela incorporada. No caso dos autos, a investidora originária não participou de "confusão patrimonial" alguma. Além disso, o ágio registrado na SANTANDER HOLDING decorreu de operação meramente contábil, sem efetiva circulação de riquezas e realizada entre empresas que integram um mesmo grupo econômico. Ainda que se analise a situação debatida nos autos sob outro enfoque, a conclusão alcançada continua sendo pela impossibilidade de utilização tributária do ágio pelo recorrente. Tal aproveitamento tributário do ágio consiste, como já foi dito por diversas vezes, na dedução de despesas decorrentes de sua amortização na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Fazse relevante, portanto, analisar o caso sob a perspectiva da teoria atinente às despesas que têm relevância fiscal. Uma vez mais, pedese vênia para transcreverse excerto extraído do Acórdão nº 9101002.301, por sua concisão e clareza: "Definido que o aproveitamento do ágio pode darse por meio de despesa de amortização, mostrase pertinente apreciar do que trata tal dispêndio. No RIR/99 (DecretoLei nº 3.000, de 26/03/1999), o conceito de amortização encontrase no Subtítulo II (Lucro Real), Capítulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos). O artigo 299 do diploma em análise trata, no art. 299, na Subseção I, das Disposições Gerais sobre as despesas: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Para serem dedutíveis, devem as despesas serem necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, e serem usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Fl. 3369DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 39 38 Por sua vez, logo após as Subseções II (Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado) e III (Depreciação Acelerada Incentivada), encontra previsão legal a amortização, no art. 324, na Subseção IV do RIR/99. Percebese que a amortização constituise em espécie de gênero despesa, e, naturalmente, encontrase submetida ao regramento geral das despesas disposto no art. 299 do RIR/99. Despesa Diante de Fatos Construídos Artificialmente No mundo real os fatos nascem e morrem, decorrentes de eventos naturais ou da vontade humana. O direito elege, para si, fatos com relevância para regular o convívio social. No que concerne ao direito tributário, são escolhidos fatos decorrentes da atividade econômica, financeira, operacional, que nascem espontaneamente, precisamente em razão de atividades normais, que são eleitos porque guardam repercussão com a renda ou o patrimônio. São condutas relevantes de pessoas físicas ou jurídicas, de ordem econômica ou social, ocorridas no mundo dos fatos, que são colhidas pelo legislador que lhes confere uma qualificação jurídica. Por exemplo, o fato de auferir lucro, mediante operações espontâneas, das atividades operacionais da pessoa jurídica, amoldase à hipótese de incidência prevista pela norma, razão pela qual nasce a obrigação do contribuinte recolher os tributos. Da mesma maneira, a pessoa jurídica, no contexto de suas atividades operacionais, incorre em dispêndios para a realização de suas tarefas. Contratase um prestador de serviços, comprase uma mercadoria, operações necessárias à consecução das atividades da empresa, que surgem naturalmente. Ocorre que, em relação aos casos tratados relativos á amortização do ágio, proliferaramse situações no qual se busca, especificamente, o enquadramento da norma permissiva de despesa. Tratamse de operações especificamente construídas, mediante inclusive utilização de empresas de papel, de curtíssima duração, sem funcionários ou quadro funcional incompatível, com capital social mínimo, além de outras características completamente atípicas no contexto empresarial, que recebem aportes de milhões e em questão de dias ou meses são objeto de operações de transformação societária. Tais eventos podem receber qualificação jurídica e surtir efeitos nos ramos empresarial, cível, contábil, dentre outros. Situação completamente diferente ocorre no ramo tributário. Não há norma de despesa que recepcione um situação criada artificialmente. As despesas devem decorrer de operações necessárias, normais, usuais da pessoa jurídica. Impossível estender atributos de normalidade, ou usualidade, para despesas, independente sua espécie, derivadas de operações atípicas, não Fl. 3370DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 40 39 consentâneas com uma regular operação econômica e financeira da pessoa jurídica. Admitindose uma construção artificial, consumarseia um tratamento desigual, desarrazoado e desproporcional, que afronta o princípio da capacidade contributiva e da isonomia, vez que seria conferida a uma determinada categoria de despesa uma premissa completamente diferente, uma liberalidade não aplicável à grande maioria dos contribuintes." Concluise, assim, que as despesas de amortização de ágio criado em operações como a encontrada nos presentes autos, atípicas e integrantes de um processo de planejamento tributário que tem a finalidade específica de criar artificialmente hipótese próxima à requerida pelo art. 386 do RIR/1999, não se revestem das características de necessidade, usualidade e normalidade requeridas para sua dedutibilidade. Diante de todo o exposto, relativamente ao pedido de reconhecimento da legitimidade da amortização de despesas de ágio nos moldes pretendidos, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte. 3) Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício Por fim, o recorrente pede, na hipótese de seu recurso especial não obter provimento no que diz respeito às duas primeiras matérias combatidas, que se afaste a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por absoluta falta de previsão legal que ampare tal cobrança. Se equivoca o recorrente ao alegar que tal cobrança estaria desamparada pela legislação tributária. A cobrança de juros de mora sobre os créditos não pagos até a data de vencimento é prevista no art. 161 do CTN, nos seguintes termos: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A expressão "crédito", constante do caput do artigo reproduzido, obviamente se refere ao crédito tributário, pela própria natureza do diploma legal que habita. Para se definir o alcance de tal expressão, recorrese a outro dispositivo do CTN: Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 3371DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 41 40 Já a definição de obrigação principal, mencionada no art. 139 do CTN, é trazida pelo §1º do art. 113 do mesmo Código. Tal obrigação tem por objeto o pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. In verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O critério utilizado pelo CTN para enquadrar determinada obrigação tributária como principal é, portanto, seu conteúdo pecuniário. Uma vez que a multa de ofício tem a característica de penalidade pecuniária, resta incontroverso que ela integra a obrigação principal, ao lado dos tributos. Interpretando em conjunto os dispositivos reproduzidos, concluise que incidem juros de mora sobre os créditos tributários não integralmente pagos no vencimento (art. 161) e que tais créditos decorrem da obrigação principal (art. 139), englobando o tributo e a multa de ofício (art. 113, §1º). Assim, a conclusão construída é a de que o CTN prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional. Os defensores da ilegalidade da cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício argumentam que a interpretação literal do caput do art. 161 do CTN impossibilitaria tal incidência em razão da presença da expressão "sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis". Se a penalidade referente à multa de ofício já estiver contemplada na expressão "crédito não integralmente pago no vencimento", a que outras penalidades cabíveis estaria se referindo o legislador? indagam. Ocorre que, frequentemente, a interpretação de uma norma tributária demanda a consideração da realidade jurídica e fática a que se aplica. Mais do que isso, a norma deve ser interpretada sistematicamente, levandose em conta todo o sistema tributário pátrio. A este respeito, examinese a interessante colocação da Ilustre Conselheira Viviane Vidal Wagner, designada para redigir o voto vencedor do Acórdão nº 910100.539: "Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. E a interpretação sistemática, Fl. 3372DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 42 41 quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema." Sendo assim, a melhor interpretação a ser dada ao art. 161 do CTN é, sem dúvida, aquela que guarda harmonia com os demais dispositivos daquele Código que tratam do tema sob análise, qual sejam, os arts. 113 e 139. Além do CTN, a Lei nº 9.430/1997, em seu art. 61, caput e §3º, também dispõe sobre o cabimento de juros de mora sobre multa de ofício: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Depreendese do artigo reproduzido que incidem juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, não pagos nos prazos previstos pela legislação específica. A multa de ofício se amolda perfeitamente a tal definição, já que sua cobrança decorre, entre outras hipóteses, da falta de pagamento de imposto ou contribuição, nos termos do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1997. Sendo assim, a exemplo do que ocorre com o art. 161 do CTN, também o art. 61 da Lei nº 9.430/1997 fundamenta a possibilidade de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Corrobora ainda tal entendimento o art. 43 da Lei nº 9.430/1997 que, em seu parágrafo único, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. Assim, vêse que a legislação não enxerga incompatibilidade entre os juros de mora e uma multa pecuniária de caráter punitivo: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 43 42 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou a respeito da legalidade da cobrança de juros de mora nos moldes praticados no presente processo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (STJ, 1ª T., AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, dez/2012) Por fim, tanto §3º do art. 61 quanto o parágrafo único do art. 43, ambos da Lei nº 9.430/1997, fazem alusão à taxa aplicável a título de juros de mora: taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais. Quanto a este ponto, a matéria já foi inclusive pacificada por meio da edição da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte em relação às alegações de descabimento de incidência de juros de mora sobre multa de ofício. Desse modo, voto no sentido de: CONHECER do recurso especial interposto pelo contribuinte; NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial quanto à alegação preliminar de ocorrência de decadência que impossibilitaria o questionamento dos efeitos tributários de atos societários praticados em período já alcançado pela decadência; NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial quanto ao pedido de reconhecimento da legitimidade do aproveitamento tributário do ágio para fins de redução do IRPJ e da CSLL devidos nos anoscalendário de 2006 e 2007; Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 16643.000144/201011 Acórdão n.º 9101002.963 CSRFT1 Fl. 44 43 NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial quanto ao pedido de afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Em síntese: · conhecer do Recurso Especial; · negarlhe provimento quanto à preliminar de decadência e; · no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 3375DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.928482/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2006
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
Recurso voluntário parcialmente provido.
Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.382
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação após a não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da relatora. Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, o Dr. Valter Tremarin Júnior, OAB/RS 73.247. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 84 82 /2 00 9- 84 Fl. 714DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.280 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, antes de ser a mim redistribuído pelo fato de a Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de processo de restituição/compensação em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que houve erro no preenchimento da DCTF e que esse erro já foi resolvido por meio de uma declaração retificadora. Nesta linha, afirma que possui direito à restituição de tributos, gerado por pagamentos indevidos e que as comprovações destes indébitos encontramse espelhadas nas retificações feitas nas DCTF. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a restituição de indébito fiscal está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Que a simples entrega de DCTF retificadora sem qualquer explicação a respeito da divergência na apuração do débito, não é elemento suficiente para comprovar o indébito apontado. Assim, a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores e o efetivo valor devido. Por fim assevera que...também é assente na doutrina que direito líquido e certo é aquele cujos aspectos de fato possam comprovarse documentalmente. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpõe recurso voluntário ao CARF, cujo teor, em síntese é o que se segue: Fl. 715DF CARF MF Processo nº 11080.928482/200984 Acórdão n.º 3402004.382 S3C4T2 Fl. 112 3 A Recorrente identificou em sua contabilidade que parte de suas receitas decorriam de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo de duração superior a um ano ( contratos de Compra e Venda de Energia Elétrica), receitas estas que estão submetidas sistemática de cobrança cumulativa do pagamento da COFINS, nos moldes da Lei n° 9.718/98, por força do que dispõe o artigo 10, inciso XI, alínea b, da Lei n° 10.833/2003. Além disso, vinha a Recorrente considerando como fato gerador da COFINS a efetiva emissão do documento fiscal, ocorrida sempre no primeiro dia do mês subsequente ao reconhecimento de suas receitas, reconhecimento este efetuado por competência. Considerando que o fato gerador não é a emissão física do documento representativo da receita, mas sim o seu reconhecimento quando de sua efetiva realização contábil (reconhecimento por competência), a Recorrente corrigiu também este equivoco, antecipando em um mês, para fins de cálculo retificador, as receitas anteriormente consideradas na base de cálculo das contribuições. Dessa forma, a Recorrente, verificando os equívocos por ela cometidos quando da apuração da COFINS, procedeu a retificação de seu cálculo, submetendo as receitas decorrentes de contratos de fornecimento a preço predeterminado, assinados anteriormente a 31 de outubro de 2003, anteriormente consideradas no regime não cumulativo da Cofins, ao regime cumulativo desse tributo, e considerando tais receitas como auferidas no mês anterior a emissão do documento fiscal. Em razão da diferença entre os valores e a alíquota aplicada da COFINS cumulativa (3%) para a alíquota da COFINS nãocumulativa (7,6%), resultou uma diferença a crédito para Recorrente. Essas são as razões jurídicas que embasam o pedido do recorrente. Com essas causas de pedir recursais, requer a procedência de seu pedido para fins de: a) Homologar integralmente a compensação apresentada nos autos; ou b) Determinar a realização de diligência; ou ainda c) Anular a decisão da DRJ Em julgamento datado de 31 de agosto de 2011 (Resolução n. 3402000.280), a 2ª Turma da 4ª Câmara por expressamente entender equivocado o procedimento adotado pela DRF e a solução dada pela DRJ, além de ponderar que os documentos trazidos aos autos podem sugerir a mutação de regime de apuração da exação e erro na aplicação do regime de competência determinou a conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique: Fl. 716DF CARF MF 4 a) Quais foram os contratos de compra e venda de energia elétrica firmados antes de 31/10/2003 e qual a receita auferida na execução destes contratos; b) Se todos os contratos firmados antes de 31/10/2003 tinham prazo de vigência superior a 1 (um) ano; c) Se o preço foi predeterminado; d) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste periódico ou não; e) Quando houve a primeira alteração de preço decorrente da aplicação de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico/financeiro do contrato, nos termos dos artigos 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993; f) Se houve reajuste de preço, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou a variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 12 do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995; e g) Se houve equívoco na apuração da exação quando da apuração da base de cálculo da exação pelo regime de competência. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. As respostas pela repartição fiscal de origem foram apresentadas em fls 573 a 585, concluindo que, apesar de não terem sido apresentados alguns documentos requeridos à Recorrente, localizou os pagamentos em questão no sistema da Receita Federal. Suas considerações conclusivas foram que: Com base no entendimento da Solução de Consulta nº 228, de 14/12/2009, acima exposto, verificase que as receitas auferidas no mês de janeiro de 2006, no total de R$ 5.111.134,05, na execução dos contratos CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CERPA/2002 209 e CERPI/2002 210, de 17/10/2002, e CER CEEE, de 11/11/2002, foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime não cumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº 0000100200800010811, tendo em vista que nos reajustes nos percentuais de 17%, 14%, 17%, 14% e 34%, respectivamente, dos preços dos Valores de Referência ²VR² mensais inicialmente contratados em relação a cada MWh de energia, foram computas as variações do índice IGPM, descaracterizando o preço predeterminado previsto no artigo 10 da Lei nº 10.833/2003. Da mesma forma, as receitas auferidas na execução do contrato CERCO/2005 41, no mês de janeiro de 2006, no total de R$ 15.942,55, também foram equivocadamente reconhecidas como Receita da Venda no Mercado Interno no regime não cumulativo, na Dacon retificadora do 2º Trimestre de 2005, de nº Fl. 717DF CARF MF Processo nº 11080.928482/200984 Acórdão n.º 3402004.382 S3C4T2 Fl. 113 5 0000100200800010811, em decorrência do contrato ter sido firmado posteriormente a 31/11/2003. Por sua vez, a Recorrente foi intimada do resultado da diligência, apresentando manifestação de fls 587 a 610, pela qual reforça que a própria autoridade fiscalizadora confirmou suas alegações de defesa e requer, novamente, o provimento de seu recurso voluntário, pois, no seu entendimento: i) a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes dos preços dos Contratos foram superiores aos custo de produção da Requerente ii) da impossibilidade de retirar dos contratos firmados pela Requerente a característica de serem a preço predeterminado, uma vez que o mero reajuste de preço não seria condição suficiente para descaracterizar o preço predeterminado, conforme dispõe o artigo 3º, §3º da IN 658/2006 (o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não descaracteriza o preço predeterminado) iii) Contrato CERCEED, foi celebrado para harmonizar o conceito de valor de referência (VR) com o conceito de valor normativo (VN), estabelecido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL, Nota Técnica 23/2003). Assim, os reajustes promovido configuram mera alteração nominal no preço. Não configurariam, dessarte, reajuste do preço contratado, mas sim mera recomposição do valor da moeda. iv) Sobre os Contratos CERCEEED, CERCO/2002 211, CERCO/2002 212, CER PA/2002 209 e CERPI/2002 210, lembra quea Lei n. 10.833/2003 não definiu o que seria “preço predeterminado”. Assim, por força do que determina o artigo 109 do CTN, deve ser observado o artigo 487 do Código Civil e, por conseguinte, convalidado que as partes podem contratar preço em função de índices, desde que estes sejam suscetíveis de determinação. Ou seja, a existência de cláusula que preveja índice determinado de reajuste de preço não retira sua característica de contato de preço (pre)determinado; v) o artigo 109 da Lei n. 11.196/2005, com aplicação retroativa a 1º de novembro de 2003 (cf artigo 106, inciso I do CTN, por tratarse de lei meramente interpretativa), esclareceu que o reajuste de preço não pode ser considerado para fins de descaracterização de preço predeterminado a que se refere o artigo 10, inciso XI, alíneas “b” e “c” da Lei n. 10.833/2003. Ademais, o artigo 109 da Lei 11.196/2005, conjuntamente lido com o artigo 27, parágrafo único 1º, incido II da Lei n. 9.069/1995, levam à conclusão de que o contrato que tenha seu preço reajustado em função do custo de produção ou da variação de índica que reflita a variação ponderado dos custos dos insumos utilizados não perde a característica de contrato a preço predeterminado. O IGMP constitui índice que reflete adequadamente a evolução dos preços das atividades produtivas, portanto enquadrandose nos dispositivos anteriormente citados, exatamente como expôs a Nota Técnica n. 224/2006 SFF/ANEEL e o Ofício n. 1.431/2006SFF/ANEEL vi) subsidiariamente, a Fiscalização deveria ter comprovado que os reajustes pelo IGPM superaram o percentual correspondente ao acréscimo dos custos de produção. Posteriormente, a Recorrente apresentou laudo formulado por auditoria independente a respeito da composição do preço predeterminado dos contratos acostados aos Fl. 718DF CARF MF 6 autos, razão pela qual, em 26 de maio de 2017, tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista à Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), para que se manifeste acerca do documento apresentado pela Recorrente, medida imperativa para submeter a documentação ao contraditório, tornandose então prova capaz de legitimamente influenciar o julgamento do caso. A manifestação da PFN veio ao processo em fls 644 a 658, no seguinte sentido: Concluise, portanto, à vista dos argumentos acima expostos, que, de todo modo, o pleito do contribuinte deve ser rechaçado: a) seja para encampar a conclusão exarada pela DRJ de origem, com base nos fundamentos ali expostos, ou seja, de que o fato de o contribuinte ter, posteriormente à ciência do Despacho Decisório, tratado de retificar formalmente a DCTF não tem o efeito de convalidar retroativamente a compensação instrumentada por DCOMP pois a existência do indébito só se aperfeiçoou depois. A razão pela qual não se pode acatar esta retroação de efeitos está associada ao fato de que como a apresentação da DCOMP serve à extinção imediata do débito do sujeito passivo (nos mesmos termos de um pagamento), só pode ela ser efetuada com base em créditos contra a Fazenda Nacional líquidos e certos (como o comanda o artigo 170 do Código Tributário Nacional). Nesse contexto, créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF; b) seja para, não acatado o posicionamento acima, diante da análise da PER/DCOMP com base na DCTF retificada após proferido despachodecisório que não homologou a compensação (cuja possibilidade se admite apenas para argumentar), determinar o retorno dos autos à unidade de origem para verificar a liquidez, certeza, suficiência e legalidade da compensação pleiteada, de forma a apreciar os argumentos e elementos probatórios coligidos ao feito pelo interessado, dando concretude aos princípios do contraditório e da ampla defesa, sem suprimir instâncias. É o relatório. 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 719DF CARF MF Processo nº 11080.928482/200984 Acórdão n.º 3402004.382 S3C4T2 Fl. 114 7 Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário já foram anteriormente reconhecidos por este Conselho, de modo que passo a apreciação do mérito. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de pedido de restituição, tem como arcabouço jurídico a questão do preço predeterminado dos contratos acostados aos autos pela Recorrente e sua implicação quanto à (não)cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse tipo de processo discutese a capacidade do índice de correção aplicado aos contratos de longo prazo alterar o preço predeterminado dos mesmos, e foi nesse sentido que caminhou a defesa da Recorrente depois do julgamento a quo, no intuito de demonstrar a legitimidade do crédito pleiteado. Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 7) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que " a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a, em uma lauda, informar que "comprova a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período." Por conseguinte, o julgamento da DRJ negou provimento à manifestação de inconformidade por entender que a retificação ou o cancelamento, para fins de comprovação do direito creditório, só poderiam ser adotados pela empresa em uma situação de espontaneidade, nunca após o despacho decisório. Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito, decorrente de indébito tributário, pleiteado. Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,2 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. 2 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 720DF CARF MF 8 § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, mesmo após de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, é possível que a DCTF retificadora tenha seus plenos efeitos de substituir a original. Portanto, o despacho que não homologou a compensação não impedia a DCTF retificadora, que, por sua vez, substituiu completamente a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua Fl. 721DF CARF MF Processo nº 11080.928482/200984 Acórdão n.º 3402004.382 S3C4T2 Fl. 115 9 apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 573 a 585). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 587 a 610), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (contrato por preço prédeterminado, sua correção monetária e implicações no regime de apuração da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 722DF CARF MF 10 deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,4 quando determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Dispositivo Diante do exposto, voto por i) dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente quanto ao direito de se valer da DCTF retificadora para o pleito dos créditos; ii) determinar a remessa dos autos para a DRJ de Porto Alegre, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 573 a 585) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls 587 a 610), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 4 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 723DF CARF MF
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