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Numero do processo: 15868.001520/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
CRÉDITOS DO IPI. PRAZO PARA GLOSAR.
Não há que se falar em prazo para reconstituição de escrita fiscal do IPI quando a glosa de crédito, realizada anteriormente, se tornou definitiva.
CRÉDITOS DO IPI. PRAZO PARA ESCRITURAR.
O direito de escriturar e aproveitar créditos do IPI extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da entrada dos insumos no estabelecimento.
CRÉDITO. MATÉRIA-PRIMA. PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem não tributados ou sujeitos à alíquota zero do IPI, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial. Decisão do STJ em Recurso Repetitivo.
CRÉDITO BÁSICO DE IPI. OUTROS INSUMOS.
Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS.
Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, pela sistemática da Lei nº 9.363/96, admite-se a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164).
CRÉDITO BÁSICO. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO.
Por falta de previsão legal, os créditos básicos ou presumidos de IPI, mesmo escriturados extemporaneamente, não sofrem atualização monetária ou acréscimos de juros pela taxa Selic.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 27/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS DO IPI. PRAZO PARA GLOSAR. Não há que se falar em prazo para reconstituição de escrita fiscal do IPI quando a glosa de crédito, realizada anteriormente, se tornou definitiva. CRÉDITOS DO IPI. PRAZO PARA ESCRITURAR. O direito de escriturar e aproveitar créditos do IPI extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da entrada dos insumos no estabelecimento. CRÉDITO. MATÉRIA-PRIMA. PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem não tributados ou sujeitos à alíquota zero do IPI, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial. Decisão do STJ em Recurso Repetitivo. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. OUTROS INSUMOS. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, pela sistemática da Lei nº 9.363/96, admite-se a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). CRÉDITO BÁSICO. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO. Por falta de previsão legal, os créditos básicos ou presumidos de IPI, mesmo escriturados extemporaneamente, não sofrem atualização monetária ou acréscimos de juros pela taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira.
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PRAZO PARA GLOSAR. Não há que se falar em prazo para reconstituição de escrita fiscal do IPI quando a glosa de crédito, realizada anteriormente, se tornou definitiva. CRÉDITOS DO IPI. PRAZO PARA ESCRITURAR. O direito de escriturar e aproveitar créditos do IPI extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da entrada dos insumos no estabelecimento. CRÉDITO. MATÉRIAPRIMA. PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem não tributados ou sujeitos à alíquota zero do IPI, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial. Decisão do STJ em Recurso Repetitivo. CRÉDITO BÁSICO DE IPI. OUTROS INSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável do IPI, não abrangendo os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos ou necessários ao seu acionamento. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS. Na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, pela sistemática da Lei nº 9.363/96, admitese a inclusão dos valores referentes às aquisições de insumos de fornecedores pessoas físicas. A questão já foi AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 15 20 /2 00 9- 53 Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 3 2 julgada em Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (RESP nº 993164). CRÉDITO BÁSICO. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO. Por falta de previsão legal, os créditos básicos ou presumidos de IPI, mesmo escriturados extemporaneamente, não sofrem atualização monetária ou acréscimos de juros pela taxa Selic. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 27/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Tratase de Auto de Infração (fls.840/844) e Demonstrativos (fls.845/847), lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor do principal de R$394.396,62 e acréscimos da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$838.676,82, tendo em vista a utilização de crédito presumido indevido que fora transferido pela matriz, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, fls.832/839. O enquadramento legal prevê infração aos artigos: 34, II, 122, 124, 125, III, 127, 130, 199 e parágrafo único, 200, III e IV, 202, inciso III e V, do Decreto n°4.544/02 (RIPI/02). Além disso, tratase também do Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins de fls. 850/852 e Demonstrativos de fls. 853/854, no valor do principal de R$ 496.062,62, acrescido da multa de ofício e Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 4 3 dos juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 912.110,33, ante a insuficiência do recolhimento da Cofins, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, tendo por enquadramento legal a infração aos artigos: 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002. Foi lavrado ainda, o Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS de fls. 857/859 e Demonstrativos de fls. 860/862, no valor do principal de R$ 107.480,23, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 197.623,89, ante a insuficiência do recolhimento do PIS, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal, por infração aos artigos: 1º e 3º da Lei Complementar nº 07, de 1970; arts. 2º, inciso I, alínea”a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002. Consta no relatório fiscal, ora sintetizado que: · durante ação fiscal junto à empresa acima identificada, para verificação da legitimidade e regularidade do ressarcimento de crédito de IPI utilizado para compensação de débitos de tributos administrados pela RFB, constatouse que nos anoscalendário de 2003 e 2004, foram lançados vários créditos extemporâneos pelo contribuinte que estariam dando suporte ao abatimento de débitos de operações de saídas de mercadorias tributadas pelo imposto; · a documentação apresentada pela empresa consiste em várias listagens de notas fiscais que fazem parte do estudo elaborado pela empresa de advocacia consultora, de fls. 35/563, verificase tratarse de compras de diversos materiais utilizados pela empresa, tanto na área operacional como também, na área agrícola, indo desde a compra de óleo diesel, gasolina, álcool anidro, calcário dolomítico, herbicidas, fertilizantes, cal virgem, mistura de grânulos, material siderúrgico, produtos químicos e de laboratório, chegando até a energia elétrica, abrangendo as compras do período de 1994 até 2003, não sendo levado em consideração, para tal levantamento, a exigência legal de que, somente geram direito ao crédito básico do IPI, o imposto proveniente da compra de insumos e classificados como matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem e na forma da Instrução Normativa SRF nº 33, de 1999, que regulamentou o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, recebidos no estabelecimento industrial a partir de 1º de janeiro de 1999; · o total do crédito extemporâneo correspondente a esses produtos, relacionados no levantamento efetuado pela empresa de advocacia, representa a importância de R$ 2.657.306,94, sendo utilizada pela Aralco a importância de R$ 1.716.950,87, conforme registros efetuados no Livro de Registro de Apuração do IPI n° 02 e 03, às folhas números 76, 81, 83, 85, 90, 92, 94, 99, 100, 103, no ano de 2003, e folhas de números 09, 18, 27, 36, 45, 54, 63, 72, 81, 90 e 100, no de 2004, respectivamente, documentos de fls. 564 a 584; · a definição de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem destacamos abaixo, alguns tópicos do Parecer Normativo CST n° 65/79, de 05/11/1979; · somente geram direito ao crédito básico do imposto as compras efetuadas de produtos tributados pelo IPI, sendo que a cana adquirida de pessoas físicas, não são tributadas pelo IPI, conseqüentemente, não dão direito ao creditamento do imposto, conforme art.164 do RIPI aprovado pelo Decreto 4.544, de 26/12/2002; · o estorno do crédito correspondente aos valores compensados não foram registrados nos Livros de Registro de Apuração do I.P.I n°s. 02 e 03; Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 5 4 · caso o contribuinte tivesse direito sobre o aproveitamento dos suposto créditos de IPI, não poderia mais utilizálos em razão de terem sido atingidos pela prescrição, pois, passaram mais de 5 anos entre a data da aquisição dos produtos e a data do registro do crédito no Livro de Apuração do IPI; · concluiuse pela improcedência do crédito extemporâneo do I.P.I, conseqüentemente, reconstituiuse a escrita fiscal do contribuinte durante os anos de 2003 e 2004, tendo sido lavrado o competente Auto de Infração, no valor de R$ 2.147.553,20, conforme processo administrativo fiscal n° 10820.005737/200884, com encerramento parcial; · a glosa do crédito em questão continuou contaminando a escrita fiscal do IPI durante os meses de janeiro a março do ano de 2005, restando os débitos de R$ 84.683,85, R$ 124.847,47 e R$ 9.727,01, nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005, ora objeto do presente auto de infração, parte 01; · além disso, parte 02, a empresa efetuou um lançamento de crédito presumido de IPI extemporâneo no valor de R$ 1.687.916,04 (um milhão seiscentos e oitenta e sete mil, novecentos e dezesseis reais e quatro,centavos) no mês de maio/2008, no LRAIPI, que estaria dando suporte ao abatimento de débitos de operações de saídas de mercadorias tributadas pelo imposto, e ainda, foi transferido parte desse crédito para diversas filiais da empresa, para também, servirem de abatimento de débitos de imposto; · tratavase de Crédito Presumido de IPI, correspondentes aos anos calendários de 2006 e 2007, nos valores de R$ 619.998,00 (seiscentos e dezenove mil, novecentos e noventa e oito reais) e R$ 1.067.918,04 (um milhão, sessenta e sete.mil, novecentos e dezoito reais e quatro centavos), respectivamente, totalizando R$ 1.687.916,04 (um milhão, seiscentos e oitenta e sete mil, novecentos e dezesseis reais e quatro centavos), tendo como.base legal a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e legislação posterior, conforme estudo apresentado pela empresa KPMG Tax Advisors Assessores Tributários Ltda, planilhas de cálculo e a fundamentação legal, utilizadas pela empresa, encontramse anexas, às fls. 585 a 821; · conforme legislação, a empresa tem direito ao crédito presumido de IPI, conforme estabelece a Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996. Porém, ao verificar a documentação, notouse que a empresa considerou as compras de matéria prima (cana de açúcar) adquiridas de pessoas físicas, não contribuintes do Pis e da Cofins, para efeito de cálculo do crédito presumido, agindo totalmente contra a legislação que rege a matéria, dessa forma, demonstrado abaixo os valores que representaram aquelas aquisições durante os anos de 2006 e 2007, concluiuse a utilização indevida nos valores de R$ 325.968,15 e R$ 434.238,02, respectivamente; · do total de R$ 1.687.916,04 registrado como crédito no Livro de Apuração do IPI no mês de maio/2008, documento de fls. 822 a 824, referente ao crédito presumido de IPI, excluiuse a importância de R$ 760.206,17 (R$ 325.968,15 + R$ 434.238,02) apropriado indevidamente, restando a quantia de R$ 927.709,87 como crédito a ser aproveitado e que foi totalmente transferido para as filiais da empresa; · procedendo a recomposição do Livro de Registro de Apuração do IPI, da matriz CNPJ n° 51.086.080/000180, apurouse saldos devedores nos meses de maio, junho e julho, nos valores de R$ R$ 65.015,11, R$ 65.781,08 e R$ 44.342,10, respectivamente, serão objeto de Auto de Infração; Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 6 5 · além da matriz utilizar parte do crédito em questão em suas operações, durante os meses de maio a novembro de 2008, transferiu para as filiais a importância de R$1.503.946,13, ultrapassando em R$ 576.236,26 (R$, 1.503.946,13 R$ 927.709,87), o crédito aproveitável; · matriz CNPJ 51.086.080/000180, transferiu parte do crédito indevido acima citado para as filiais de Araçatuba CNPJ n° 51.086.080/000938 e Jales CNPJ 51.086.080/001152, nos valores de R$ 29.986,87 e R$ 17.372,04, respectivamente, que serão glosados e demonstrado na reconstituição da escrita fiscal, originando os saldos devedores da filial Araçatuba de R$ 18.884,77, R$ 11.102,10 e R$ 11.102,10 e na filial de Jales os saldos devedores a lançar nos valores de R$ 8.923,99, R$ 7.877,96 e R$ 359,06, nos meses de outubro, novembro e dezembro; · item 03, durante os procedimentos fiscais relacionados às verificações preliminares, correspondente ao período de setembro de 2006 a junho de 2009, constatamos que a empresa declarou em DCTF valores menores, que o devido e também recolheu as quantias menores que as devidas, correspondentes as seguintes contribuições: Cofins Setembro de 2008, devido R$ 551.180,69 declarado e recolhido R$ 55.118,07 declarado e recolhido a menor R$ 496.062,62 e PIS Setembro de 2008 devido R$ 119.422,48 declarado e recolhido R$ 11.942,25 declarado e recolhido a menor R$ 107.480,23; · em 15/04/2009, a empresa procedeu a retificação da DCTF de setembro/2008, documentos de fls. 825 a 820; porém, nesta data estava sob ação conforme atesta o Termo de Continuidade de Ação Fiscal, datado de 19/02/2009 e recebido por AR. Diante desse fato, estava afastada a sua espontaneidade com relação à entrega da declaração retificadora, documentos de fls. 23 e 24, sendo tais diferenças exigidas por meio de Auto de Infração. Cientificada do lançamento do em 04/09/2009 (IPI fl. 841 e 848; Cofins fls.851 e 855; e PIS fls.858 e 862) a interessada apresenta a impugnação de folhas 865/989, em 05/10/2009, fl. 865, sendo essas as suas razões de defesa: · na consecução do seu objeto social, que discrimina, argumenta que faz jus ao benefício, apurado na forma de crédito presumido de IPI, utilizado para o efeito de ressarcimento da Contribuição ao PIS e da Cofins, tendo feito a apuração do crédito com base na Lei nº 9.363, de 1996, sobre o total das aquisições de matériasprimas, material de embalagem e produto intermediário; · o auditor fiscal da RFB no exercício de suas funções realizou diligência na sede da empresa e verificou que a impugnante considerou as compras de matéria prima, adquiridas de pessoa física, não contribuintes do PIS e da Cofins, para efeito de cálculo do crédito presumido; · mas nem a Lei nº 9.363, de 1996, e nem o próprio Decretolei nº 1.248, de 1972, que transcreve, faz qualquer distinção quanto ao fato de os fornecedores diretos destes insumos serem ou não contribuintes da Contribuição ao PIS e Cofins; · objetivo deste benefício fiscal é estimular a exportação como um todo, desonerando a produção destinada ao exterior, tornando o produto brasileiro competitivo no mercado internacional, conforme consta na Exposição de Motivos consignada na Mensagem 334, originária nº 907/94, emitido pelo Ministro da Fazenda, que transcreve, não sendo o benefício fiscal simplesmente um favor fiscal; · o benefício se aplica em relação a todos os insumos qualificados como MP, ME e PI, e não apenas aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos aos Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 7 6 recolhimento da Contribuição para o PIS e da Cofins, não restringindo se pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não; · no Brasil vigora o Princípio da Legalidade, e, se a lei não distinguiu, não cabe ao interprete fazêlo; · a restrição pretendida pelo Fisco encontrase prevista na Instrução Normativa SRF nº 419/04 que revogou a IN SRF nº 23/97, que já foi objeto de análise e repudiada pelo antigo Conselho de Contribuintes. Tanto o CARF quanto o Superior Tribunal de Justiça deixam claro seu entendimento de que a Lei nº 9.363, de 1996, prevê que a base de cálculo do benefício abrange o total das aquisições, conforme julgados que transcreve; · a concessão de benefícios e de tributos interpretase de forma estrita, nos termos do art.111 do CTN, que transcreve; · as restrições ao gozo do benefício contrária ao art. 111 o CTN, estão em total descompasso com as técnicas da hermenêutica; · requer o cancelamento do auto de infração e reconhecimento do crédito presumido apurado nas aquisições de pessoas físicas; · quanto ao crédito básico de IPI, em primeira linha, de se consignar que a glosa efetivada pela fiscalização no processo 10820.005737/200884, com reflexo direto neste processo, encontrase contaminada pela decadência, pois registrado intervalo superior a 5 anos entre a glosa do crédito extemporâneo e o lançamento, operandose de forma cristalina a decadência da reconstituição da escrita de períodos anteriores ao 1º decêndio de dezembro de 2003, tendo em vista que a ciência daquela autuação deuse em 19 de dezembro de 2008; · conforme item 12 do Termo de Constatação Fiscal no processo 10820.005737/200884, a reconstituição da escrita teve início no 3º decêndio de 2003, com a glosa do crédito extemporâneo no valor de R$ 401.751,00. A esta, seguiram as seguintes glosas alcançadas pela decadência 1º decêndio de outubro/03 R$ 6.793,88 2º decêndio de outubro/03 R$ 5,83 3º decêndio de outubro/03 R$ 70.266,50 1º decêndio de novembro/03 R$ 72,11 2º decêndio de novembro/03 R$ 133,58 3º decêndio de novembro/03 R$ 72.525,89, 1º decêndio de dezembro/03 R$ 83,88; · passaramse mais de cinco anos entre a reconstituição da escrita, materializada nas glosas descritas, e o auto de infração; · acaso desconsideradas essas glosas, quando do primeiro saldo devedor considerado no auto de infração, ou seja, R$ 19.908,16 em dezembro de 2003, a Impugnante teria na verdade um saldo credor de R$ 471.198,19 e por conseguinte, para fins de reconstituição da escrita, deveria o fisco ter partido de um saldo credor de R$ 471.198,19, então existente no 1º decêndio de dezembro de 2003; · não tendo a Fazenda Pública se pronunciado no prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, o lançamento considerase homologado e o crédito definitivamente extinto, art. 150, § 4º do CTN; · portanto, ante a decadência do direito de reconstituição da escrita, materializada no processo 10820.005737/200884, restou contaminada a conclusão fiscal de que teria havido débito nos meses de janeiro, fevereiro e março de 2005; Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 8 7 · a ação fiscal centrase no fato da Impugnante ter se creditado do imposto sobre a entrada de insumos com alíquota zero e isentos e de produtos que não seriam empregados no processo industrial, com base em estudo sobre apropriação de créditos extemporâneos efetuado pela empresa Dantas, Duarte, Advogados; · a nãocumulatividade consiste na fixação dos elementos necessários à operacionalização do regime de abatimento dos valores tributários, mediante a consideração de documentos periódicos de apuração, alocação a estabelecimentos do contribuinte, sistemática de transferências, etc, sem contudo restringilo; · o alcance do direito de crédito do IPI, disposto no artigo 153 da Constituição Federal, importante consignar que os créditos são concernentes aos insumos e produtos intermediários consumidos no fluxo do processo industrial, este não fazível sem suas aplicações; · certo que antes da EC 23/83, a EC 1/69, a CF 67, as entradas isentas geravam o direito ao crédito, no tocante ao ICMS, que, em vista da estrutura multifásica, e pela identidade da aplicação do princípio da nãocumulatividade, aqui é estendido, e, não tendo a Lei Maior imposto nenhuma limitação à nãocumulatividade e, portanto, ao direito de compensação do IPI não poderia esse direito ser restringido por lei inferior; · tanto a isenção como a alíquota zero representam instrumentos de política econômica incentivadora. Como se mostrou no exemplo supra, a não aplicação do crédito na entrada do insumo adquirido, implica em simples postergação para o pagamento do imposto, anulandose o benefício; · transcreve ementas e jurisprudência que entende suportar seu argumento, de que o contribuinte do IPI pode creditar o valor dos insumos adquiridos sob o regime de isenção, inexiste razão para deixar de reconhecerlhe o mesmo direito na aquisição de insumos favorecidos pela alíquota zero, pois nada extrema, na prática, as referidas figuras desonerativas, notadamente quando se trata de aplicar o princípio da nãocumulatividade. O Supremo Tribunal Federal – STF voltou a enfrentar a questão do direito ao crédito ficto (aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero, mas destinados à industrialização), RE 353.6575/ PR, sessão de 15 de dezembro de 2004. Acaso não prevaleça a norma constitucional que não vedou o crédito fiscal em hipótese alguma, nem ao menos nas aquisições isentas ou tributadas à alíquota zero, até então apaziguada, estarseá criando um forte abalo na jurisprudência pacificada, em clara ofensa ao texto inserto na Magna Carta; · o Agente Fiscal afirma que os materiais, cujos créditos foram glosados, tratamse de produtos utilizados no parque industrial da empresa. São os chamados produtos intermediários, objeto de Parecer Técnico elaborado pelo IPT, o crédito escriturado e injustamente atacado, restringiuse a poucos materiais, justamente aqueles equiparados a insumos pelo IPT. pelos menos no tocante aos produtos intermediários identificados pelo IPT, a glosa tornase medida injusta, devendo ser cancelada a autuação nesse ponto; · impõese a atualização monetária nos casos dos créditos escriturados a destempo pelo contribuinte, seja no campo federal do IPI, ou do estadual ICMS; · durante os procedimentos fiscais relacionados às verificações preliminares, correspondente ao período de setembro de 2006 a junho de 2009, materializouse acusação de que a Impugnante teria declarado em DCTF valores menores que os devidos, tendo ainda recolhido quantias menores que as devidas; Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 9 8 · faturamento nada mais é do que a expressão econômica de uma determinada operação mercantil, realizada por empresa que, por imposição legal, sujeitase ao recolhimento do PIS e da Cofins e assim, a integração do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins traz como inaceitável conseqüência que contribuintes passem a calcular as exações sobre receitas que não lhes pertencem, mas ao Estadomembro (ou ao Distrito Federal) onde se deu a operação mercantil (cf. art. 155, II, da CF); · que tanto as Leis Complementares 7/70, 70/91 nunca atribuíram que o ICMS deveria ser incluído na base de cálculo, já que apenas aludiam ao faturamento e nem tampouco as Leis Ordinárias 10.637/02 e 10.833/03 aludem que deva ser incluído expressamente o ICMS por entender ser uma receita derivada ou que componha o faturamento da impugnante, sendo, como repetimos, uma construção jurisprudencial de décadas, que acabou se transformando num dogma difícil de ser entendido pelo empresariado, pois ninguém fatura ICMS, decisão que está sendo votada por maioria pelos ilustres Ministros do STF; · a multa aplicada tem caráter confiscatório, pois é uma penalidade desmedida; · o recurso apresentado suspende a exigibilidade do crédito tributário; · protesta pela juntada de demais provas pertinentes ao processo e pela juntada do mandato e cópia do estatuto social da impugnante. Tendo em vista a determinação contida na Portaria RFB/Sutri nº 2.977, de 21 de junho de 2011, o processo foi transferido em 22/06/2011, para esta DRJ, para julgamento, conforme despacho de encaminhamento de fl. 1107. A 4a Turma de Julgamento da DRJ em Salvador BA julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão no 1532.689, de 05/07/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido por falta de previsão legal. CRÉDITO BÁSICO. EXERCÍCIO DO DIREITO. O direito de crédito tem que ser exercido dentro do qüinqüênio decadencial, a contar da data da aquisição de cada insumo. CRÉDITOS BÁSICOS. RESSARCIMENTO. PERÍODO DE APURAÇÃO ANTERIOR À LEI nº 9.779, de 1999. O direito ao aproveitamento dos créditos básicos, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança exclusivamente os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 10 9 CRÉDITO DE IPI. ENTRADA DE INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. Ressalvados os casos específicos previstos em lei, não geram direito ao crédito do IPI os insumos não tributados, tributados à alíquota zero ou adquiridos sob regime de isenção. O direito só é cabível quando se tratar de aquisições sujeitas ao pagamento do imposto, em que o produto tenha sido tributado na origem. CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS COMPENSATÓRIOS. Não incide correção monetária nem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, por falta de amparo legal, como tem sido assentado na esfera administrativa. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. A multa de ofício de 75% é de aplicação obrigatória para a exigência formalizada em lançamento de ofício, em conformidade com a legislação de regência. O princípio constitucional da vedação ao confisco tem relação com os tributos ou contribuições e não com as penalidades decorrentes da inadimplência. Ciente desta decisão em 02/09/2013 (conforme AR), a interessada ingressou, no dia 01/10/2013, com Recurso Voluntário, no qual renova os fundamentos da impugnação. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, o caso posto em julgamento trata de Auto de Infração IPI lavrado em razão da glosa de crédito presumido de IPI escriturado extemporaneamente e da glosa de crédito básico de IPI na aquisição de insumos de alíquota zero e tributado, adquirido antes de 1999 e aplicado em produtos não tributados. Em suma, as matérias postas em julgamento são: 1 preliminar de decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do IPI nos períodos anteriores a dezembro de 2003; Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 11 10 2 direito ao crédito de IPI nas operações desoneradas a sistemática da não cumulatividade; 3 insumos (produtos intermediários) inadmitidos para o cômputo na base de cálculo do crédito básico do IPI adquiridos após 1 de janeiro de 1999; 4 crédito presumido de IPI Insumos adquiridos de Pessoas Físicas; 5 correção monetária dos créditos escriturados extemporaneamente; 1 preliminar de decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do IPI nos períodos anteriores a dezembro de 2003. Alega a Recorrente, em sede de preliminar, que ocorreu a decadência do direito de o Fisco refazer a apuração do IPI nos períodos anteriores a dezembro de 2003. Os créditos extemporâneos em discussão referemse a aquisições realizadas nos anos de 1994 a 2003 e foram escriturados em outubro/2004 (R$ 535.748,80) e novembro/2004 (R$ 13.938,60) e glosados pela Fiscalização no Auto de Infração de IPI, cuja ciência da Recorrente ocorreu no dia 19/12/2008, com reflexo nos períodos de apuração de janeiro (R$ 84.683,85), fevereiro (R$ 124.847,47) e março (R$ 9.727,01) de 2005, conforme bem disso a Autoridade Lançadora no Termo de Constatação Fiscal, abaixo reproduzido: 12 Diante do acima descrito, concluímos pela improcedência do crédito extemporâneo do IPI, consequentemente, reconstituímos a escrita fiscal do contribuinte durante os anos de 2003 e 2004, tendo sido lavrado o competente Auto de Infração, no valor de R$ 2.147.553,20, conforme processo administrativo nº 10820.005737/200884, com encerramento parcial. 13 A glosa do crédito em questão continuou contaminando a escrita fiscal do IPI durante os meses de janeiro a março do ano de 2005, conforme abaixo se demonstra: (...). Portanto, a glosa dos crédito ocorreu no PAF nº 10820.005737/200884 e não no presente processo. Referida glosa foi objeto de impugnação e posterior desistência por parte da Recorrente, tendo a mesma se tornado definitiva, e nessa hipótese, tem a Recorrente a obrigatoriedade de reconstituir a sua escrita fiscal e, não tendo feito, correto a reconstituição feita pela Fiscalização. Em conclusão, não há que se falar em extinção do direito de o Fisco efetuar a glosa dos créditos extemporâneos lançados nos períodos de apuração de outubro e novembro de 2004 e nem de efetuar a reconstituição da escrita fiscal, para excluir os referidos créditos glosados, nos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e março de 2005. De exposto, julgo improcedente a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente. 2 direito ao crédito de IPI nas operações desoneradas a sistemática da não cumulatividade. Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 12 11 Entende a Recorrente que tem direito de escriturar créditos fictícios relativo às aquisições de diversos produtos não tributados pelo IPI e tidos por ela Recorrente como "Produtos Intermediários", pelas razões citadas no relatório. Em relação ao suposto direito de crédito propriamente dito, essa matéria foi submetida a julgamento pelo STJ, no regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ nº 08/2008, e o Tribunal pacificou o entendimento no sentido da impossibilidade de creditamento de IPI nas aquisições de insumos ou matériasprimas sujeitas à alíquota zero ou não tributadas, conforme se pode constatar no enunciado da ementa do Recurso Especial nº 1.134.903, Relator Ministro Luiz Fux, que abaixo se transcreve. PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. DIREITO AO CREDITAMENTO DECORRENTE DO PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS OU MATÉRIASPRIMAS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA FIRMADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. A aquisição de matériaprima e/ou insumo não tributados ou sujeitos à alíquota zero, utilizados na industrialização de produto tributado pelo IPI, não enseja direito ao creditamento do tributo pago na saída do estabelecimento industrial, exegese que se coaduna com o princípio constitucional da não cumulatividade (Precedentes oriundos do Pleno do Supremo Tribunal Federal: (RE 370.682, Rel. Ministro Ilmar Galvão, julgado em 25.06.2007, DJe165 DIVULG 18.12.2007 PUBLIC 19.12.2007 DJ 19.12.2007; e RE 353.657, Rel. Ministro Marco Aurélio, julgado em 25.06.2007, DJe041 DIVULG 06.03.2008 PUBLIC 07.03.2008). 2. É que a compensação, à luz do princípio constitucional da nãocumulatividade (erigido pelo artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988), dar seá somente com o que foi anteriormente cobrado, sendo certo que nada há a compensar se nada foi cobrado na operação anterior. 3. Deveras, a análise da violação do artigo 49, do CTN, revela se insindicável ao Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista sua umbilical conexão com o disposto no artigo 153, § 3º, inciso II, da Constituição (princípio da nãocumulatividade), matéria de índole eminentemente constitucional, cuja apreciação incumbe, exclusivamente, ao Supremo Tribunal Federal. 4. Entrementes, no que concerne às operações de aquisição de matériaprima ou insumo não tributado ou sujeito à alíquota zero, é mister a submissão do STJ à exegese consolidada pela Excelsa Corte, como técnica de uniformização jurisprudencial, instrumento oriundo do Sistema da Common Law e que tem como desígnio a consagração da Isonomia Fiscal. 5. Outrossim, o artigo 481, do Codex Processual, no seu parágrafo único, por influxo do princípio da economia processual, determina que "os órgãos fracionários dos tribunais Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 13 12 não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a argüição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário, do Supremo Tribunal Federal sobre a questão" . 6. Ao revés, não se revela cognoscível a insurgência especial atinente às operações de aquisição de matériaprima ou insumo isento, uma vez pendente, no Supremo Tribunal Federal, a discussão acerca da aplicabilidade, à espécie, da orientação firmada nos Recursos Extraordinários 353.657 e 370.682 (que versaram sobre operações não tributadas e/ou sujeitas à alíquota zero) ou da manutenção da tese firmada no Recurso Extraordinário 212.484 (Tribunal Pleno, julgado em 05.03.1998, DJ 27.11.1998), problemática que poderá vir a ser solucionada quando do julgamento do Recurso Extraordinário 590.809, submetido ao rito do artigo 543B, do CPC (repercussão geral). 7. In casu, o acórdão regional consignou que: "Autorizase a apropriação dos créditos decorrentes de insumos, matériaprima e material de embalagem adquiridos sob o regime de isenção, tão somente quando o forem junto à Zona Franca de Manaus, certo que inviável o aproveitamento dos créditos para a hipótese de insumos que não foram tributados ou suportaram a incidência à alíquota zero, na medida em que a providência substancia, em verdade, agravo ao quanto estabelecido no art. 153, § 3°, inciso II da Lei Fundamental, já que havida opção pelo método de subtração variante imposto sobre imposto, o qual não se compadece com tais creditamentos inerentes que são à variável base sobre base, que não foi o prestigiado pelo nosso ordenamento constitucional." 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta parte, desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.903 SP (2009/00675369). RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX. Nos termos do disposto no art. 62A1, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, as decisões preferidas pelo STJ na forma do art. 543C, do CPC (recursos repetitivos), são de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. No mesmo sentido é a Súmula CARF nº 18, abaixo reproduzida: Súmula CARF n° 18 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Acrescido pela Portaria MF nº 586/2010) Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 14 13 Ao caso em julgamento aplicase integralmente a citada decisão do STJ e a Súmula CARF nº 18, não havendo reparos a fazer na decisão recorrida. 3 insumos (produtos intermediários) inadmitidos para o cômputo na base de cálculo do crédito básico do IPI adquiridos após 1 de janeiro de 1999. Não bastasse inexistir o direito ao crédito nas aquisições de MP/PI/ME sem incidência de IPI, também inexiste direito ao crédito nas aquisições de material de consumo, material de limpeza, combustíveis, lubrificantes, partes e peças de máquinas, equipamentos e veículos, mesmo que tributados pelo IPI, conforme entendimento pacífico neste Colegiado2 a seguir exposto. Esses produtos não geram direito ao crédito básico do IPI porque o art. 226 do RIPI/2010 (art. 164 do RIPI/2002), ao dispor que se inclui no conceito de matériaprima e produtos intermediários aqueles que, embora não se integrando ao produto novo, sejam consumidos no processo produtivo, salvo se se tratar de ativo permanente, na verdade, está admitindo como tal somente aqueles produtos que, ou se integram ao novo produto ou são consumidos no processo produtivo, o que não significa dizer que basta o produto não ser ativo permanente e ser consumido dentro da instalação industrial para ser incluído no conceito de produto intermediário. Além disto, este artigo corresponde ao art. 66 do RIPI/79, que, por sua vez, foi interpretado pelo Parecer Normativo CST nº 65/79, citado na decisão recorrida, segundo o qual: “... geram direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, ´strictosensu´, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” Portanto, adotando o entendimento do referido parecer, que, aliás, é pacífico na jurisprudência deste Colegiado, não vislumbro que partes e peças de reposição de máquinas, equipamentos e veículos, e material de consumo, de limpeza, combustíveis e lubrificantes possam ser considerados matériaprima ou produtos intermediários, porque não exercem qualquer ação direta sobre o produto final. O contato eventualmente existente é da máquina ou do equipamento e não da peça que a integra. Esta não tem existência útil autônoma. Estes são os fundamentos que julgo oportuno acrescentar aos do acórdão recorrido, que ratifico e adoto como se aqui estivessem escritos. 4 crédito presumido de IPI insumos adquiridos de pessoas físicas. 2 Recurso Voluntário nº 123.576 Acórdão nº 20177.675, de 16/06/2004 Recurso Voluntário nº 127.047 Acórdão nº 20178.510, de 06/07/2005 Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 15 14 A questão relativa à inclusão, no cálculo do crédito presumido do IPI, das aquisições de insumos feitas junto à pessoas físicas já foi pacificada pelo STJ que, ao julgar o RESP nº 993164, pela sistemática do recurso repetitivo (art. 543C do CPC), decidiu que o crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Concluiu o STJ pela "ilegalidade" da referida instrução normativa por ter extrapolado os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/Pasep e pela Cofins. Considerando que as decisões proferidas pelo STJ em recursos repetitivos são de aplicação obrigatória por este Colegiado (art. 62A do RICARF), deve ser reconhecido o direito de a recorrente incluir o valor das aquisições de MP/PI/ME de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido do IPI. 5 correção monetária dos créditos escriturados extemporaneamente; A Recorrente defende que sobre os créditos escriturados extemporanemanete incide a correção monetária, sob pena de ocasionar graves lesões aos princípios da isonomia, razoabilidade, proporcionalidade, além do enriquecimento sem causa do Estado. Em primeiro lugar, há que se destacar que a escrituração do crédito do IPI extemporaneamente, efetuada espontaneamente pela Recorrente, não decorreu de nenhum óbice específico por parte do Fisco. Não há ato da administração impedindo a Recorrente de efetuar a referida escrituração dos créditos que julga possuir. Como bem disse a decisão recorrida, não existe previsão expressa no ordenamento jurídico pátrio no sentido da correção monetária dos créditos escriturais do IPI, razão pela qual o contribuinte não pode efetuar tal crédito, nem utilizálo na conta gráfico do imposto. Esse entendimento é pacífico na esfera administrativa, que acolheu a posição firmada no STJ, conforme ementa transcrita a seguir: TRIBUTÁRIO IPI CRÉDITOS ESCRITURAIS CORREÇÃO MONETÁRIA NÃO INCIDÊNCIA. O IPI será não cumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores (CF, artigo 153, parágrafo 3°, inciso II), dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados, transferindose o saldo verificado para o período ou períodos seguintes (CTN, artigo 49). O Supremo Tribunal Federal vem reiteradamente decidindo que a correção monetária não incide sobre os créditos escriturais. Recurso improvido. RESP 212899/RS ; RECURSO ESPECIAL Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 15868.001520/200953 Acórdão n.º 3302002.859 S3C3T2 Fl. 16 15 (1999/00397312). Fonte:DJU de 07/02/2000, pág. 00119, ADCOAS Vol. 00005 pág. 00102. Os grifos não são do original. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, exceto em relação ao direito de apurar crédito presumido do IPI nas aquisições de MP/PI/ME de pessoas físicas, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993). Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito presumido nas aquisições de MP/PI/ME junto a pessoas físicas. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000179/2007-64
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/05/2004
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVAÇÃO.
Não cabe a manutenção do crédito tributário quando insubsistentes os motivos que levaram ao seu lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2403-002.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício Fez sustentação oral o Dr. Tiago Vieira- OAB/SP 286790.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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MOTIVAÇÃO. Não cabe a manutenção do crédito tributário quando insubsistentes os motivos que levaram ao seu lançamento. Recurso de Ofício Negado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício Fez sustentação oral o Dr. Tiago Vieira OAB/SP 286790. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 01 79 /2 00 7- 64 Fl. 591DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício interposto em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento no Rio de Janeiro I, nº 1239.016, fls. 568/575, que julgou procedente a impugnação apresentada para exonerar o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.065.2592, referente ao período de 03/2004 a 05/2004, no valor de R$ 3.480.388,61 (três milhões quatrocentos e oitenta mil trezentos e oitenta e oito reais e sessenta e um centavos). A presente autuação referese a débito decorrente de glosa de compensações efetuadas pela empresa, de créditos oriundos de recolhimentos por ela efetuados, da contribuição por parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como as destinadas às entidades e fundos. A presente NFLD foi lavrada em complemento à de n. 35.866.0343, sendo objeto do presente lançamento apenas as diferenças não lançadas anteriormente, conforme Relatório Fiscal, fls. 376/379: 5. Os fatos geradores das contribuições previdenciárias apuradas na presente NFLD são os que se seguem: A empresa realizou compensação no montante, original, de R$ 8.830.687,20 (oito milhões, oitocentos e trinta mil, seiscentos e oitenta e sete reais e vinte centavos) conforme Memória de Cálculo das Compensações efetuadas. A origem desses débitos referese ao procedimento judicial movido pela empresa contra o INSS em ação ordinária nº 99.00189612 em que houve manifestação do Auditor Fiscal Sr. Jorge Mello no sentido do real valor da compensação. Foi lavrada a NFLD DEBCAD 35.866.0343 que se encontra em recurso junto ao conselho de contribuintes. Estão sendo cobradas na presente NFLD apenas as diferenças não constantes na NFLD DEBCAD 35.866.0343 acima referida. Do Procedimento Adotado Para que não houvesse atraso ou qualquer discussão sobre os valores apontados como débitos de folhadepagamento – Levantamentos 001 e 002 – essa fiscalização adotou o seguinte procedimento: 1) Considerou todos os valores apontados na memória de cálculo – anexo 1 – como “valores compensados” e lançou a crédito da empresa nos levantamentos acima relacionados; 2) Criou um levantamento próprio – Levantamento 004 em que é cobrado o mesmo valor da compensação praticada objeto da discussão; Fl. 592DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11330.000179/200764 Acórdão n.º 2403002.931 S2C4T3 Fl. 3 3 3) Para que não houvesse cobrança em duplicidade, os valores objeto da NFLD DEBCAD 35.866.0343 foram abatidos deste levantamento. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 430/443. DA RESOLUÇÃO N. 183 – DRJ E DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL Em razão da impugnação apresentada a 15ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro – DRJ/RJOI, prolatou a Resolução n. 183 de 17 de outubro de 2007, fls. 548/549, para que fosse esclarecido pela autoridade lançadora o embasamento das diferenças lançadas na notificação que fundamenta o presente processo. Em virtude da determinação de diligência, a autoridade lançadora elaborou Relatório de Diligência Fiscal de fls. 555, esclarecendo que: 5. A NFLD 25.866.0343 foi lavrada em função de majoração, pela IBM, no cálculo dos valores atualizados a serem compensados (inclusão indevida de expurgos inflacionários). Os valores incluídos na NFLD correspondem ao excedente compensado indevidamente. 6. Durante os trabalhos de Auditoria, a IBM apresentou planilhas com valores compensados diferentes dos que constavam na NFLD n. 35.866.0343. Apesar de questionada diversas vezes, a empresa não esclareceu o motivo da não inclusão da totalidade dos valores compensados na NFLD 35.866.0343. A fiscalização não conseguiu ter acesso ao processo físico pois o sistema de consulta processual, nas várias tentativas feitas, encontravase fora do ar. 7. Restando não justificada a não inclusão da totalidade do valor compensado na NFLD lavrada anteriormente e considerando que esta Junta Fiscal tinha prazo para encerrar os trabalhos, prazo este motivado pela necessidade de atingir metas e de evitar a ocorrência da decadência, optouse por incluir na presente NFLD o valor compensado pela IBM e não incluído na NFLD anterior. 8. Após o recebimento desta Diligência, foi localizado o processo físico e constatado que o valor incluído na presente NFLD, na verdade, referese ao montante compensado corretamente, ou seja, tais valores foram calculados e homologados pela fiscalização precedente. 9. Desta forma, a NFLD 37.065.2592, embora tenha sido lavrado de forma cautelar, objetivando evitar prejuízos ao erário, não deve prevalecer pois se refere a valores calculados e compensados de forma correta. DO ACÓRDÃO DA DRJ E DO RECURSO DE OFÍCIO Fl. 593DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Após analisar os argumentos do então impugnante, a 11ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, prolatou o acórdão 1239.016 de fls. 568/575, a qual julgou, por unanimidade de votos, procedente, exonerando o crédito tributário, conforme ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período: 01/03/2004 a 31/05/2004 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. MOTIVAÇÃO. Não cabe a manutenção do crédito tributário quando insubsistentes os motivos que levaram ao seu lançamento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado A DRJ recorreu de ofício, tendo em vista que o resultado do julgamento enquadrase no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. o contribuinte, por sua vez, não se manifestou acerca do resultado. É o relatório. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 11330.000179/200764 Acórdão n.º 2403002.931 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE O recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO A nulidade no presente processo trata unicamente de questões fáticas, conforme bem se percebe do relatório acima elaborado e do próprio relatório de diligência efetuado, no qual o fiscal admite o equívoco procedido durante a fiscalização e encerra a diligência afirmando o que segue: 9. Desta forma, a NFLD 37.065.2592, embora tenha sido lavrada de forma cautelar, objetivando evitar prejuízos ao erário, não deve prevalecer pois se refere a valores calculados e compensados de forma correta. Assim sendo, não subsiste mais a motivação do lançamento, haja vista que o valor incluído na NFLD, na verdade, referese ao montante compensado corretamente, pelo que, com base na legislação exposta anteriormente na resposta dada em diligência, deve ser declarada a improcedência do lançamento, mantendose assim, o inteiro teor do Acórdão da DRJ. CONCLUSÃO Do exposto, conheço o Recurso de Ofício para, no mérito, negar provimento. Marcelo Magalhaes Peixoto Fl. 595DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/03 /2015 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 01/04/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 10283.902808/2009-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2005
COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO.
Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendo-se reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-003.566
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2005 COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO. Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendo-se reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP. Recurso provido.
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DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). PROVAS. DACON. CONFIRMAÇÃO DA APURAÇÃO. Confirmada em diligência fiscal a correção da apuração da contribuição tal como informada em DACON pelo contribuinte, cujo valor devido é menor do que aquele que foi efetivamente recolhido, resta comprovado o indébito, devendose reconhecer o direito à restituição ou utilização de tal valor como crédito em DCOMP. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Esteve presente ao julgamento a Dra. Raquel Harumi Iwase, OAB/SP nº 209.781. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista, Ivan Allegretti e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 28 08 /2 00 9- 02 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual o contribuinte apresenta como crédito valor de recolhimento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) em relação ao fato gerador ocorrido em 28/02/2005. Foi negada homologação à compensação por meio de Despacho Decisório Eletrônico – DDE (fl. 7), pelo fundamento de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. A notificação aconteceu em 02/04/2009 (fl. 10). O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/17) sustentando, em síntese, que depois de ter apresentado a DCTForiginal é que veio a verificar a existência de equívoco na apuração do tributo devido, quando, então, solicitou a restituição e compensação, alem de que, teria posteriormente retificado a DCTF. Alega, também, que a existência do indébito decorre da verdade material, a qual estaria retratada nas informações contidas no Dacon. Com a impugnação o contribuinte apresentou cópia da DCTForiginal e da DCTFretificadora. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA (DRJ), por meio do Acórdão nº 0118.282, de 1 de julho de 2010 (fls. 148/151), negou provimento à manifestação de inconformidade, resumindo seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTAŔIO Anocalendário: 2006 CREDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 153/1164) sustentando a nulidade do acórdão recorrido por falta de motivação sobre as provas produzidas, visto que Fl. 480DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10283.902808/200902 Acórdão n.º 3403003.566 S3C4T3 Fl. 480 3 acostou aos autos o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon), por meio do qual se demonstra o patente equívoco do recolhimento que realizou, além de que, a DCTF retificadora apresentadas nos autos teria sido ignorada. Este Conselho, por meio da Resolução nº 3403000.200, de 2 de junho de 2011 (fls. 201/205), concluiu “pela conversão do julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem verifique se a contabilidade do contribuinte confirma as informações declaradas na DACON, confirmando o montante da contribuição apurada nesta Declaração ou, se o caso, indicando qual o valor efetivamente devido e o valor da diferença eventualmente recolhida a maior”. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus/AM (DRF) apresentou o resultado da diligência por meio de Informação Fiscal (fls. 462/464), descrevendo a seguinte constatação: 1. Visando elucidar os questionamentos determinados na Resolução no3403000.200 da 4a Câmara / 3a Turma Ordinária, do CARF, emitimos o Termo de Intimação Fiscal SEORT/DRF/MNS No00227/2013, cujos documentos em resposta encontramse integrados de forma inseparável ao presente eProcesso. 2. Anexamos ao presente eProcesso a DCTF no 1000.000.2009.1830303008. 3. Anexamos ao presente eProcesso a DACON no 0000100200600056609. 4. De posse dessas informações foi elaborada Planilha com o demonstrativo denominado “SONOPRESS – RESUMO DE APURAÇÃO” onde procuramos explicitar de forma cabal os valores de Tributos devidos e indevidos e que são o objetivo da presente Diligencia Fiscal. Tudo anexado de forma inseparável ao presente eProcesso. CONCLUSÃO: Diante do acima exposto, e tendo em vista toda a documentação anexada ao presente Processo Administrativo Fiscal, nada mais tendo a cumprir no âmbito deste SEORT/DRF/MNS. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Intimado do resultado da diligência, o contribuinte manifestou sua aquiescência com a diligência, destacando que confirmou a existência da diferença recolhida a maior no período (fls. 471/474). É o relatório. Voto O recurso voluntário foi protocolado no dia 10/09/2010 (fl 153), dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão da DRJ, que aconteceu no dia 11/08/2010 (fl. 152). Por ser tempestivo e conter fundamentos de reforma contra o entendimento do acórdão da DRJ, tomo conhecimento do recurso. O resultado da diligência fiscal determinada por este Conselho, e promovida pela Delegacia de origem, demonstrou que a contabilidade confirma os dados declarados no DACON, certificando a correção da apuração da contribuição nele apresentada e, assim, concluindo pela existência de recolhimento indevido, cujo valor corresponde exatamente àquele indicado pelo contribuinte como crédito na DCOMP. Confirmada a existência do indébito pela diligência fiscal, apenas cumpre a este Conselho ratificar tais constatações e conclusão. Voto pelo provimento do recurso para reconhecer o direito de indébito e homologar a compensação conforme os valores apurados na diligência fiscal. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 482DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.728776/2012-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. RENDIMENTOS DE TRABALHO NÃO ASSALARIADO. CABIMENTO DA DEDUÇÃO ATÉ O VALOR DOS RENDIMENTOS NÃO ASSALARIADOS RECEBIDOS NO ANO.
O profissional liberal tem direito a deduzir como despesas de Livro Caixa os gastos usuais e necessários à manutenção da fonte produtora dos rendimentos dessa atividade, até o valor dos rendimentos dessa natureza recebidos no ano-calendário.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas de Livro Caixa no valor de R$2.000,00 (dois mil reais), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. RENDIMENTOS DE TRABALHO NÃO ASSALARIADO. CABIMENTO DA DEDUÇÃO ATÉ O VALOR DOS RENDIMENTOS NÃO ASSALARIADOS RECEBIDOS NO ANO. O profissional liberal tem direito a deduzir como despesas de Livro Caixa os gastos usuais e necessários à manutenção da fonte produtora dos rendimentos dessa atividade, até o valor dos rendimentos dessa natureza recebidos no ano-calendário. Recurso voluntário provido em parte.
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DEDUÇÃO DE DESPESAS DE LIVRO CAIXA. RENDIMENTOS DE TRABALHO NÃO ASSALARIADO. CABIMENTO DA DEDUÇÃO ATÉ O VALOR DOS RENDIMENTOS NÃO ASSALARIADOS RECEBIDOS NO ANO. O profissional liberal tem direito a deduzir como despesas de Livro Caixa os gastos usuais e necessários à manutenção da fonte produtora dos rendimentos dessa atividade, até o valor dos rendimentos dessa natureza recebidos no ano calendário. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas de Livro Caixa no valor de R$2.000,00 (dois mil reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 87 76 /2 01 2- 11 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2009, anocalendário 2008, decorrente de glosa de dedução de previdência oficial e de despesas de Livro Caixa. Com fundamento no inciso VIII do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, o lançamento foi revisto de ofício com a exclusão da glosa relativa à dedução de contribuição à previdência oficial, resultando em imposto a restituir, porém mantendo glosa de despesas de Livro caixa de R$9.814,06, pois, apesar de apresentar contas de luz, telefone e condomínios, o contribuinte não comprovou a natureza dos rendimentos declarados como recebidos de pessoas físicas (R$2.000,00), dessa forma, impossibilitando que seja aferido se são provenientes de alguma atividade que autorize a dedução do Livro Caixa (fls. 116/117). Na impugnação, o contribuinte alegou que são rendimentos da prestação de serviços jurídicos, pois é advogado inscrito na OAB/RS sob o nº 5.668, com sede profissional na Av. Borges de Medeiros nº 340, Porto Alegre/RS. Apresentou documentos. A impugnação foi indeferida, sob fundamento de que, embora comprovado ser advogado, o impugnante não comprovou que a natureza dos R$2.000,00 declarados como recebidos de pessoas físicas, os únicos que podem ser enquadrados como rendimentos de autônomos, posto que os demais são de trabalho assalariado, além de não haver a escrituração do Livro caixa exigida no art. 75 do RIR1999. A ciência do acórdão ocorreu em 23/11/2012. O recurso voluntário foi interposto no dia 19/12/2012 acompanhado de documentos, com o intuito de comprovar que os R$2.000,00 foram honorários por prestação de serviços jurídicos e que as despesas e receitas foram escrituradas no Livro Caixa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Os quatro recibos de fls. 181 comprovam a transferência dos R$2.000,00 a título de honorários, na folha seguinte se verifica a vinculação do recorrente a uma causa judicial, a exigência contida no lançamento foi sanada, logo é possível a dedução de despesa de Livro Caixa até R$2.000,00. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.728776/201211 Acórdão n.º 2802003.334 S2TE02 Fl. 188 3 A autoridade lançadora não contestou os recibos apresentados, portanto, não é na fase recursal que eventuais óbices serão levantados, pois o órgão Julgador não está autorizado a atuar como autoridade lançadora. Somente em primeira instância de julgamento foi exigida a apresentação do Livro Caixa escriturado, o que foi atendido na fase recursal e pelas razões acima expostas, o Livro Caixa é admitido, com a dedução até o limite de R$2.000,00. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer dedução de despesas de Livro Caixa no valor de R$2.000,00 (dois mil reais). (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 189DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13749.000887/2010-14
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-004.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$30.000,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$30.000,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada.
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RECIBOS. INEXISTÊNCIA DE INDÍCIO DE INIDONEIDADE. COMPROVAÇÃO EFETIVO PAGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$30.000,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 08 87 /2 01 0- 14 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13749.000887/201014 Acórdão n.º 2801004.001 S2TE01 Fl. 69 2 da Silva e Carlos César Quadros Pierre. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/CGE (Fls. 31), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento (fls.04 a 08) lavrada pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Carlos Alberto do Amaral Azeredo no valor de R$ 16.555,27 consolidado em 29/10/2010, referente a Imposto de Renda Pessoa Física – Suplementar, exercício 2008, em razão de trabalho de malha em que se apurou dedução indevida de despesas médicas de R$ 30.000,00 em razão de autoridade lançadora ter considerado que a documentação apresentada pelo sujeito passivo não atendia às formalidades legais. O sujeito passivo foi intimado por via postal (fl.27) do lançamento em 17/11/2010. A impugnação de fls. 02 a 03 foi protocolada em 09/12/2010, na qual o sujeito passivo alega, em síntese, que: ∙ as despesas médicas glosadas referemse a ele próprio; ∙ apresenta recibos que preenche todos os requisitos exigidos pela legislação tributária (identificação do paciente, descrição do serviço prestado, data do pagamento, identificação de quem efetuou o pagamento, bem como o nome, endereço, registro no órgão de classe competente e CPF do profissional que recebeu o pagamento). Ao final, solicita: ∙ prioridade no julgamento conforme previsto no art. 71 da Lei nº 10.471, de 2003 – Estatuto do Idoso; ∙ a extinção do crédito tributário lançado. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/CGE entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO DESEMBOLSO. NÃO COMPROVAÇÃO. A legislação permite à autoridade fiscal exigir outros esclarecimentos acerca das deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual, não sendo obrigada a acatar de plano os recibos ou outros documentos apresentados pelo sujeito passivo. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13749.000887/201014 Acórdão n.º 2801004.001 S2TE01 Fl. 70 3 Cientificado em 23/01/2012 (Fls. 41), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 16/02/2012 (fls. 80 a 89), argumentando em apertada síntese: (...) Ocorre que a legislação reguladora da matéria não exige qualquer outra documentação além daquela já apresentada. Inclusive, outros documentos requeridos, fls. 06, também foram, a contento, apresentados pelo contribuinte. No presente caso, o que se tem são meras suposições por parte do Fisco que não obstante as provas apresentadas, não se encontra, satisfatoriamente, convencido, sem, contudo, expor as razões (motivação clara e precisa) para isso. Destarte, dos documentos apresentados outrora e, agora novamente, concluise que o contribuinte, Recorrente, efetivamente, realizou tais gastos e comprovou sobejamente, TODAS as despesas médicas relativas aos respectivos tratamentos, não cobertas pelo plano de saúde, ou seja serviços odontológicos e fisioterápicos. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. De início, verifico que trata o presente processo de glosa relativa à despesas médicas não comprovadas com os profissionais Evelise de Barros Pereira, Mariana da Silva Almeida e Luciane Duarte, no valor de R$30.000,00. Observo ainda que o litígio trata de comprovação de despesas médicas em razão de autoridade lançadora ter considerado que a documentação apresentada pelo sujeito passivo não atendia às formalidades legais. Por ocasião de sua impugnação o contribuinte fez juntar os recibos emitidos por profissionais da saúde com a intenção de comprovar as despesas declaradas. A DRJ entendeu por não acolhelos, conforme razões extraídas do Acórdão de Impugnação (fls.4 a 6): Entretanto, ensejam, necessariamente, maior comprovação da despesa incorrida, as deduções de despesas médicas que tenham valor expressivo, individualmente ou em conjunto. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13749.000887/201014 Acórdão n.º 2801004.001 S2TE01 Fl. 71 4 É o que ocorre no presente caso, pois o sujeito passivo declarou quase R$ 40.000,00 a título de despesas médicas, mesmo possuindo plano de saúde pelo qual pagou R$ 8.137,20. [...] Assim, é lícito ao Fisco exigir, a seu critério (art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR), elementos comprobatórios adicionais das despesas, caso haja indícios que levem a questionamento da efetividade da prestação dos serviços, de a quem foram prestados ou sobre quem assumiu seu ônus. De modo similar, sendo a atividade do julgador administrativo pautada pelo livre convencimento motivado, ao teor do disposto nos arts. 29 do Decreto 70.235/72 e 131 do Código de Processo Civil, dependerá a decisão do processo da apreciação da prova trazida pelo contribuinte, obedecidos os parâmetros há pouco revelados. [...] Uma vez que os recibos trazidos pelo impugnante, no caso em questão, não são suficientes para a formação da convicção deste julgador quanto a efetividade da prestação e pagamento das despesas médicas, deve ser mantida a glosa efetuada pela autoridade lançadora. Contudo, observo que a fiscalização sequer intimou o contribuinte para comprovar os efetivos pagamentos, limitandose apenas a não aceitar os recibos apresentados por considerar que não atendem aos requisitos legais, sem, no entanto, apontar quais os requisitos não obedecidos É de se considerar que a fundamentação do auto de infração é o não atendimento dos requisitos legais para a consideração dos recibos como prova documental à dedução pleiteada. Pois bem, a autoridade autuadora não afirma haver falta de comprovantes de despesas, não invoca a falta de comprovação do pagamento, nem exibe razões para sustentar que há dúvida quanto a sua idoneidade, apenas afirma de forma genérica o não atendimento dos requisitos legais. Sendo assim, a DRJ, por ocasião de seu julgamento não poderia ter argüido a falta de comprovação do pagamento das despesas médicas como razão para o não reconhecimento da dedução das despesas médicas pleiteadas, vez que este não foi o fundamento utilizado para a autuação. Deveria, outrossim, ter se prestado a DRJ a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que foi neste ponto que fundouse o lançamento. Desta feita, passo a análise dos requisitos legais constantes do artigo 8º, II, a c/c seu §2º, III, para a verificação da idoneidade dos recibos apresentados pelo contribuinte Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN Processo nº 13749.000887/201014 Acórdão n.º 2801004.001 S2TE01 Fl. 72 5 [...] II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; De acordo com o extraído do texto legal acima, verifico que os recibos colacionados às fls. 10 a 18, referentes às profissionais Evelise de Barros Pereira, no total de R$15.000,00, Mariana da Silva Almeida, no total de R$12.000,00 e Luciane Duarte Mouteira, no total de R$3.000,00, atendem aos requisitos legais e, por tal razão, devem ser considerados como idôneos para a comprovação das despesas medicas e conseqüente dedução das mesmas. Nestas condições, penso que os recibos e notas fiscais são documentos hábeis e suficientes para comprovar as despesas médicas. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$30.000. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 73DF CARF MF Impresso em 03/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/ 02/2015 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 27/02/2015 por TANIA MARA PASCHOAL IN
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003359/2005-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO.
Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA), até o início da ação fiscal.
No caso, o ADA não foi apresentado.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 11/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO. Para ser possível a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR, a partir do exercício de 2001, é necessária a comprovação de que foi requerido tempestivamente ao IBAMA a expedição de Ato Declaratório Ambiental (ADA), até o início da ação fiscal. No caso, o ADA não foi apresentado. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada) e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 33 59 /2 00 5- 72 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10675.003359/200572 Acórdão n.º 9202003.626 CSRFT2 Fl. 133 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 11/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório O Acórdão nº 220101.277, da 1a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (efls. 143 a 149), julgado na sessão plenária de 29 de setembro de 2011, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para restabelecer a área de preservação permanente glosada, considerando desnecessária a apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental ADA para dedução das áreas de preservação permanente da base de cálculo do Imposto Territorial Rural – ITR, salvo nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. Transcrevese a ementa do julgado: ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2° e 16 da Lei n° 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. JUROS DE MORA TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de Io de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF n° 4). Fl. 205DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10675.003359/200572 Acórdão n.º 9202003.626 CSRFT2 Fl. 134 3 INCONSTITUCIONALIDADE O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n° 2). Recurso Voluntário Provido em Parte. Cientificada dessa decisão em 14/01/2012 (efl. 150), a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência (efls. 153 a 165), onde defende ser necessária a apresentação de ADA, no prazo de 06 meses contados da datalimite para fins de apresentação da DITR referente ao exercício, consoante disposto no art. 17O da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, com a redação dada pelo art. 1o da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, no art. 10, §§ 3o e 4°, do Decreto n° 4.382. de 19 de setembro de 2002 e, ainda, no art. 17 da IN SRF 60, de 06 de junho de 2001. Para as matérias em discussão, o recorrente apresentou o seguinte paradigma, assim ementado: Acórdão no 30238743 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. —ÁREA DE RESERVA LEGAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Para ser considerada isenta, a área de reserva legal deve estar averbada na Matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis e ser reconhecida mediante Ato Declaratório Ambiental —ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. O ADA é igualmente exigido para que seja reconhecida a isenção das áreas de preservação permanente declaradas na DITR. VALOR DA TERRA NUA O valor da terra nua, apurado pela fiscalização, em procedimento de oficio nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, é passível de alteração, quando o contribuinte apresentar elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. Os elementos de pesquisa que embasam as conclusões do Laudo Técnico, no caso vertente, são lídimos para estribar as conclusões do perito, reconhecendo VTN menor. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de efls. 166 a 168. Devidamente cientificado do recurso em 19/07/2012 (efl. 174), o autuado não ofertou contrarrazões. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10675.003359/200572 Acórdão n.º 9202003.626 CSRFT2 Fl. 135 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão trata da necessidade de apresentação tempestiva de Ato Declaratório Ambiental – ADA, para se permitir a dedução de áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR para o exercício de 2001. No caso concreto, não foi apresentado ADA, O contribuinte, ainda, apresentou laudo técnico que comprovava a existência das áreas sob litígio (efls. 62 a 100). Quanto ao Ato Declaratório Ambiental, há que se esclarecer que sua apresentação passou a ser obrigatória com o advento da Lei no 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do art. 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, fazendo estampar, em seu §1o, que “A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória”. Anteriormente, o mesmo dispositivo legal dizia que o ADA era opcional. O prazo para a apresentação do documento foi definido na legislação infralegal. Entendo a princípio que, em se tratando de requisito para fins de redução da base de cálculo do ITR, a apresentação do ADA para fins da referida redução, deveria se dar até a data de ocorrência do fato gerador (no caso 01/01/2001). Todavia, de se respeitar o fato de que a legislação vigente à época do fato gerador, a saber, a Instrução Normativa SRF nº 73, de 18 de julho de 2000, em seu art. 17, inciso III, concedia prazo adicional ao contribuinte, possibilitando a entrega no prazo de até seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da Declaração do ITR – DITR, ressaltandose aqui meu entendimento de competência plena da referida Instrução Normativa para determinar a data para cumprimento de obrigação prevista em lei. In casu, a DITR do exercício de 2001 deveria ser entregue até o dia 28 de setembro de 2001, conforme dispunha o art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 61, de 6 de Junho de 2001. Assim, o ADA relativo ao exercício de 2001 poderia ser entregue até o dia 29 de março de 2002. Como, no presente caso, ele não foi apresentado, não há que se cogitar de sua tempestividade. Em que pese minha posição pessoal, a maioria do colegiado apenas a acompanhou pelas conclusões, entendendo que o ADA seria considerado tempestivo desde que apresentado até o início da ação fiscal. Assim, não suprida a obrigação de apresentação de ADA de forma tempestiva, não é de se admitir a dedução da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10675.003359/200572 Acórdão n.º 9202003.626 CSRFT2 Fl. 136 5 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa da área de preservação permanente, de 547,1 ha. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 208DF CARF MF Impresso em 16/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 11070.000743/2010-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
Ementa:
MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE. Em observância ao art. 142 do CTN, verificada a ausência de recolhimento ou quitação a menor da obrigação tributária, deve ser imposta a multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96.
NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS. FISCALIZAÇÃO. ENTIDADE AUTÁRQUICA. O artigo 118, inciso I, do CTN autoriza os Auditores da Receita Federal do Brasil a analisarem a ocorrência ou não de fatos geradores tributários, de modo que, verificada a incompatibilidade jurídica de seu objeto com a Norma Constitucional, deve-se proceder ao lançamento de ofício dos tributos.
Numero da decisão: 1101-001.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade; 3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à descaracterização da imunidade, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão que aplica a legislação referente às autarquias no que tange à COFINS e à CSLL; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; e 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. O Col. STJ, ao julgar o Recurso Especial n. 973.733/SC, pacificou o entendimento no sentido de que a regra do art. 150, §4º, do CTN apenas aplicase quando identificado o pagamento, ainda que parcial, da exação. Tendo o julgamento do Recurso Especial n. 973.733 ocorrido sob a sistemática do art. 543C do CPC, é de rigor a aplicação do art. 62A do RICARF. No presente caso, restou incontroverso que não houve recolhimento de quaisquer quantias referentes aos tributos lançados, razão pela qual o prazo de decadência deve observar o disposto no art. 173, inc. I, do CTN. NULIDADE. INCOMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS. FISCALIZAÇÃO. ENTIDADE AUTÁRQUICA. O artigo 118, inciso I, do CTN autoriza os Auditores da Receita Federal do Brasil a analisarem a ocorrência ou não de fatos geradores tributários, de modo que, verificada a incompatibilidade jurídica de seu objeto com a Norma Constitucional, deve se proceder ao lançamento de ofício dos tributos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: PESSOA JURÍDICA CRIADA COMO AUTARQUIA MUNICIPAL PARA EXECUTAR, POR CONCESSÃO, SERVIÇO PÚBLICO DE ENERGIA ELETRICA DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. O exercício pelo município, mediante concessão, de serviço público de competência da União, com cobrança de tarifas e nas mesmas condições AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 07 43 /2 01 0- 52 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 2 aplicáveis a empreendimentos privados, somente está abrigado pela imunidade constitucional, prevista no art. 150, §2º, se comprovado que todas as receitas foram auferidas na condição de longa manus e, cumulativamente, que não houve transferência, a qualquer título, do lucro (ou superávit primário) da Autarquia ao ente público ao qual está vincula. Precedente do Eg. Supremo Tribunal Federal (AgRg no RE n. 399.307/MG) e da Col. Câmara Superior de Recursos Fiscais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. À Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL aplicase a solução dada ao litígio principal relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no que couber, salvo se houverem fatos ou fundamentos jurídicos que impliquem em conclusão diversa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: LANÇAMENTOS DECORRENTES. COFINS. À Contribuição para o financiamento da seguridade social COFINS, deverá ser aplicada a solução dada ao litígio principal relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no que couber, salvo se houverem fatos ou fundamentos jurídicos que impliquem em conclusão diversa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: RECURSO DE OFÍCIO. PIS/PASEP. RECOLHIMENTO TEMPESTIVO. VALOR SUPERIOR AO LANÇAMENTO. Apresentados comprovantes que, confrontados com os dados do Sistema da Receita Federal do Brasil, demonstram que o contribuinte recolheu a Contribuição para o PIS tempestivamente e, inclusive, em montante superior ao lançado de ofício, deve ser cancelada a autuação sob pena de tributação em duplicidade. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 Ementa: MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. PRINCÍPIO DA ESTRITA LEGALIDADE. Em observância ao art. 142 do CTN, verificada a ausência de recolhimento ou quitação a menor da obrigação tributária, deve ser imposta a multa de ofício, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11070.000743/201052 Acórdão n.º 1101001.223 S1C1T1 Fl. 3 3 Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de decadência; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade; 3) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à descaracterização da imunidade, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão; 4) por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos, divergindo o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão que aplica a legislação referente às autarquias no que tange à COFINS e à CSLL; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; e 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa de ofício. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Reynaldo Becari, Antônio Lisboa Cardoso e Paulo Mateus Ciccone. Relatório O presente feito cuida de recurso voluntário interposto pelo Departamento Municipal de Ijuí – DEMEI que busca o cancelamento de Autos de Infração que exigiram IRPJ (R$ 4.528.977,45); CSLL (R$ 1.947.240,79), COFINS (R$ 3.971.608,76); e PIS (R$ 860.515,03), abrangendo os anoscalendários 2005 a 2008, contemplando apenas o principal, sem cômputo da multa de ofício em 75% e dos juros moratórios. Na origem, a Fiscalização intimou o Recorrente a apresentar a documentação contábil para comprovação das receitas auferidas e o seu correto oferecimento à tributação, tendo o contribuinte apresentado tão somente cópia do Livro de Registro do ICMS, cópias das DCTFs e da Lei Municipal n. 3.057/1994, destacando que: “6. Em documento datado de 25.11.2009 (fl. 12 a 13), declarou que o DEMEI foi instituído pela Lei Municipal 3.057 de 15.12.1994 (fls. 13 a 17), como entidade dotada de personalidade jurídica de direito público, com autonomia financeira, patrimonial e administrativa. Declarou, também, que sendo uma Autarquia, estaria abrangida pela imunidade tributária garantida pela Constituição Federal. Desta forma, alguns dos documentos solicitados não seriam gerados em função de não ser de responsabilidade do departamento.” (fl. 280, grifos acrescidos). Fl. 750DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 4 Após sucessivas reintimações, inclusive para que se esclarecesse a origem das receitas contabilizadas nos Balancetes apresentados, bem como fossem apresentados os livros Contábeis (Diário, Razão e LALUR), o Recorrente manteve a defesa de que, verbis: “O DEMEI não é sujeito passivo de obrigação tributária perante a União Federal. Se não está obrigado tributariamente, não será compelido a cumprir obrigações acessórias, ou seja, manter livros exigidos pelo Direito Comercial e livros fiscais, à disposição da Receita Federal. […] Ex positis, repisando os argumentos já expostos anteriormente, entendemos que concessa máxima vênia [sic], o Departamento Municipal de Energia de Ijuí – DEMEI Autarquia Municipal criada para movimentar a concessão outorgada pela ANEEL ao Município de Ijuí, está desobrigado de atender à intimação da Receita Federal, no tocante ao objeto de sua expedição.” (fl. 267). Diante do insucesso nas intimações e a reiteração da conduta defensiva do Contribuinte, a Fiscalização entendeu necessário diferenciar as conceituações de empresas públicas, sociedades de economia mista e autarquias, e analisar a aplicabilidade da IMUNIDADE, prevista do artigo 153, §§ 2º e 3º da Constituição Federal, ao Recorrente, concluindo que, verbis: “24. Como visto, tanto sob o ponto de vista da Constituição Federal, como da legislação ordinária e da doutrina, as autarquias são constituídas para realização de atividades meramente administrativas ou de cunho social, não se prestando tal forma de constituição para o desenvolvimento de atividades de natureza econômica ou industrial. 25. Assim, apesar da fiscalizada ter sido criado por lei municipal, se constituindo em forma de Autarquia, o tratamento tributário ao qual se sujeita é aquele dispensado as empresas públicas, uma vez que desempenha atividade econômica (geração, compra e venda de energia elétrica, prestação de serviços, locação de postes). Repitase que a fiscalizada cobra tarifas pela energia elétrica comercializada. […] 27. Atentese que a fiscalizada vem cumprindo suas obrigações tributárias para com o Estado do Rio Grande do Sul, escriturando os livros exigidos pela legislação do ICMS, bem como calculando e recolhendo esse imposto, como consta nos Balancetes de Verificação de fls. 21 a 255, na conta Obrigações Tributárias e Contribuições.” (fls. 283/284, grifos originais). Assim, por ter considerado que o Recorrente, a despeito de formalmente constituído sob a égide de Autarquia, exerce atividade econômica em regime idêntico aos dos demais empreendimentos de direito privado, “o tratamento tributário a ela aplicável deve ser o mesmo dispensado às empresas públicas […] as quais devem sujeitarse ao regime jurídico próprio das empresas privadas, não podendo gozar de privilégios fiscais não extensivos às empresas do setor privado” (fl. 282). Fl. 751DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11070.000743/201052 Acórdão n.º 1101001.223 S1C1T1 Fl. 4 5 Com base nessas premissas, foram lavrados os autos de infração impugnados, cuja base de cálculo para o Lucro Arbitrado foi extraída dos Balancetes de Verificação e esclarecimentos apresentados às fls. 271/276 e resumidos nos seguintes termos: Fl. 752DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 6 29. No demonstrativo acima, as receitas da fiscalizada estão agrupadas conforme percentual de Arbitramento do Lucro, como a seguir discriminado: i) Arbitramento a 9,6% Receitas de Vendas de Energia Elétrica e Recebimento da Dívida Ativa (nos balancetes registradas como Receita Industrial e Receita da Dívida Ativa); ii) Arbitramento a 38,4% Receitas de Prestação de Serviços (nos balancetes registradas como Receita de Serviços) iii) Valores Adicionados ao Lucro – Receitas Financeiras, Receitas de Locação e Multas (nos balancetes registradas Receitas de Valores Mobiliários, Receita de Concessões e Permissões e Outras Receitas Correntes)” (fls. 284 e 285). O contribuinte foi notificado pessoalmente em 28/02/2010 (fl. 286), tendo apresentado impugnação (fls. 398/437) que foi julgada parcialmente procedente pela E. DRJ em Santa Maria/RS, confirmando a insubsistência da formação jurídica do Recorrente diante da prevalência do regime de desenvolvimento de sua atividade econômica, mas cancelando o lançamento em relação ao PIS/PASEP, haja vista que o Contribuinte o recolheu no período oportuno, até em montante superior ao lançando pela Fiscalização. Confirase a ementa daquele julgado, litteris: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008. A AUTO DEINFRAÇAO. NULIDADE. INOCORRENCIA Se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de ofício. PEDIDO DE REALIZAÇAO DE PERICIA Considerase não formulado o pedido de perícia que não atende aos requisitos legais. Ademais, ela é desnecessária porque é possível a apresentação de prova documental sobre as questões controversas e, principalmente, se os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 DECADENCIA. INOCORRENCIA. Não havendo recolhimento antecipado, O termo inicial para contagem do prazo decadencial é de cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte em que o lançamento poderia ter sido realizado, conforme previsto no inciso I do artigo 173 do CTN. Fl. 753DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11070.000743/201052 Acórdão n.º 1101001.223 S1C1T1 Fl. 5 7 PESSOA JURÍDICA CRIADA COMO AUTARQUIA MUNICIPAL PARA EXECUTAR POR CONCESSÃO, SERVIÇO PÚBLICO DE ENERGIA ELETRICA DE COMPETÊNCIA DA UNIÃO – SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA O exercício pelo município, mediante concessão, de serviço público de competência da União, com cobrança de tarifas e nas mesmas condições aplicáveis a empreendimentos privados não está abrigado pela imunidade constitucional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: O1/O1/2005 a 31/12/2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DA ESCRITURAÇAO COMERCIAL E FISCAL. CABIMENTO. Cabível é o arbitramento do lucro quando O contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição para o PIS/PASEP, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. DEDUÇAO DOS PAGAMENTOS DE PASEP Quando da exigência de ofício da Contribuição para o PIS/PASEP, devem ser considerados os recolhimentos efetuados pelo contribuinte a título de PASEP relativos os mesmos períodos de apuração. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. (fls. 647/648, sem destaques no original) Intimado em 11/08/2010, o Contribuinte interpôs recurso voluntário, suscitando as seguintes questões: (i) Preliminarmente, aponta a decadência do lançamento referente às competências anteriores ao anocalendário 2005, haja vista que os tributos exigidos seriam sujeitos à homologação e, portanto, seria aplicável o prazo do art. 150, §4º do CTN, e não aquele do art. 173, I do CTN; (ii) Ainda em preliminar, a nulidade do auto de infração tendo em vista a incompetência dos Srs. Auditores Fiscais para descaracterizar uma entidade autárquica e tributála como se pessoa jurídica de direito privado fosse; Fl. 754DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 8 (iii) Nulidade da autuação, haja vista que o Contribuinte não seria sujeito passivo das contribuições exigidas – CSLL, PIS e COFINS; (iv) No mérito, sendo uma autarquia e executando serviços de competência da União, na condição de entidade de direito público concessionária daquele serviço, aduz que aufere as mesmas vantagens tributárias do ente a que esta ligada (Município de Ijuí/RS), já que preenche todos os requisitos legais para usufruir da imunidade prevista no art. 150, §2º da Constituição Federal; (v) Ressalta que a exceção contida no §3º, do art. 150 da CF/88 não lhe é aplicável, como entendeu o acórdão recorrido, pois os serviços de fornecimento e distribuição de energia consistem em atividades essenciais e próprias do Poder Público, não configurandose como exploração de atividade econômica; (vi) Esclarece, ainda, que a Autarquia não apura lucros ou prejuízos, mas superávits ou déficits, restando inequívoca a insubsistência do lançamento ao IRPJ e à CSLL, esta última ainda corroborada pelo Ato Declaratório Normativo CST n. 17, de 30/11/90; (vii) No que tange ao PIS e à COFINS, aduz não ser contribuinte desses tributos, pois a legislação define como sujeito passivo as pessoas jurídicas de direito privado, qualificação jurídica na qual não está revestida; (viii) Por fim, alega ser impossível a aplicação de multa de ofício entre pessoas de direito público. Em razão da exoneração procedida pela E. DRJ/STM ter ultrapassado o valor estipulado pela Portaria MF n. 03, de 03 de janeiro de 2008, foram os autos remetidos a este E. Conselho também para apreciação do Recurso de Ofício, nos termos do art. 34, I do Decreto n. 70.235/72. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR: I – Das preliminares Como relatado, o Recorrente entende que houve decadência de parte do período apurado pela Fiscalização, bem como que o lançamento seria nulo, seja pela incompetência dos Srs. Auditores Fiscais para o fiscalizarem e desconsiderarem a sua natureza Fl. 755DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11070.000743/201052 Acórdão n.º 1101001.223 S1C1T1 Fl. 6 9 jurídica, seja por vício no critério pessoal, haja vista não se enquadrar na definição legal de sujeito passivo da CSLL e COFINS. Vejamos cada grupo, isoladamente. I.1 – Da decadência O Recorrente, reiterando a preliminar rechaçada pela E. DRJ/STM, afirma ser inaplicável ao caso o disposto no art. 173, I do CTN, tendo em vista a existência de disposição legal específica para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo que o não recolhimento da exação não teria o condão de modificar aquela regra, verbis: “Repisese: a natureza jurídica do tributo é definida pelo arquétipo legal existente relacionado à forma de sua constituição. Se o contribuinte deixa de fazêlo tal como estipulado na lei tributária, esta conduta omissiva tem, ao máximo, o condão de gerar para a administração tributária o dever (atividade vinculada) de buscar, coercitivamente, mediante a adoção de medidas administrativas e, se necessário, judiciais, a cobrança do crédito tributário. Todavia, o tributo permanece regido pelo mesmo regime jurídico. Por conseguinte, a regra aplicada deve ser a mesma, qual seja do artigo 173, inciso I do CTN.” (fl. 689, grifos originais). A despeito dos argumentos erigidos, creio que a questão não comporta maiores discussões no âmbito administrativo, devendo ser afastada a preliminar. Isso porque é inequívoco nos presentes autos que o Recorrente efetivamente deixou recolheu quaisquer quantias a título de IRPJ, CSLL e COFINS, por entender estar abrangido pela imunidade prevista no art. 150, §2º da CF/88, razão pela qual deve ser observado o prazo decadencial quinquenal previsto no art. 173, I do CTN, em detrimento daquele previsto no art. 150, §4º. Confiramse esses dispositivos: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 756DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 10 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Com efeito, em situações como a presente, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, ao julgar o repetitivo REsp 973.733/SC, no sentido de que apenas aplicase o disposto no art. 150, § 4º do CTN quando comprovado o recolhimento, ainda que parcial, da exação, verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543 C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005).(...) (REsp n. 973.733/SC; Min. Luiz Fux; DJ 18.9.2009; sem grifos no original). Assim, em observância ao disposto no art. 62A do RICARF e considerando que o Recorrente foi notificado da autuação em 28/04/2010, inexiste a alegada decadência das competências do anocalendário 2005, observandose o art. 173, I do CTN. Diante dessas considerações, REJEITO a preliminar de decadência arguida. I.2 – Das nulidades do auto de infração Entende o recorrente que os lançamentos seriam nulos porque (i) houve “erro na identificação do sujeito passivo tendo em vista o fato do Recorrente não ser sujeito passivo da COFINS e da CSLL” (fl. 691); (ii) careceria de competência o “auditor fiscal para descaracterizar a natureza jurídica de autarquia municipal” (idem); (iii) quanto à CSLL, não poderia ser exigida por “pessoas jurídicas que desenvolvem atividades sem fins lucrativos” (fl. 698); e (iv) quanto à COFINS, que “referida legislação aplicase tão somente às pessoas jurídicas de direito privado” (fl. 706). Fl. 757DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11070.000743/201052 Acórdão n.º 1101001.223 S1C1T1 Fl. 7 11 Da análise dos extensos fundamentos que embasam as alegações de nulidade acima resumidas, identifico que, à exceção do item (ii), todas as demais se fundamentam na mesma premissa jurídica: o Recorrente é uma autarquia e, portanto, a ele não se aplicam as legislações indicadas no auto de infração porque se referem estritamente às pessoas jurídicas de direito privado, sendo, portanto, nulo o auto de infração em relação à COFINS e CSLL. Tais questionamentos, contudo, confundemse com o mérito do recurso voluntário, motivo pelo qual serão analisados oportunamente abaixo. Em relação à alegada incompetência dos Srs. Auditores Fiscais, entendo ser equivocado o entendimento do Recorrente de que teria havido uma descaracterização da sua qualificação autárquica, à margem de qualquer permissão legal (fl. 692), para lançamento dos créditos exigidos. Pelo contrário, nos termos do art. 118, I, do CTN, os Srs. Auditores tomaram “como ponto de partida a Norma Constitucional” para analisar, preliminarmente à autuação, a situação fática e jurídica do Recorrente e verificar precisamente o seu alegado enquadramento como entidade autárquica. A partir da rejeição dessa qualificação, é que foram lançados os tributos e as penalidades. Esse procedimento foi ratificado pela r. decisão a qua, ao afirmar que, em relação à conceituação e diferenciação entre autarquia, empresa pública e sociedade de economia mista, “a Constituição Federal tomou emprestado os respectivos conceitos jurídicos em um ato anterior a ela própria” (fl. 660), concluindo, nos termos do artigo 118, I, do CTN, ser fato “que a atividade exercida pela autuada tem natureza e se identifica como sendo de pessoa jurídica de direito privado, e como tal deve ser tributada” (fl. 663). Assim, REJEITO a alegada nulidade por incompetência dos Srs. Auditores Fiscais, os quais procederam nos termos artigo 118, I, do CTN, sendo que eventual equívoco ou inaplicabilidade dos dispositivos legais indicados na autuação são questões a serem analisadas no mérito do presente voto. II – Do recurso de ofício. Exclusão dos créditos do PIS/PASEP O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido, eis que o crédito exonerado pela r. decisão a qua referese ao PIS/PASEP, cuja exigência era de R$ 860.515,03, acrescido de multa de ofício de 75% (R$ 645.386,10) e juros moratórios atualizados até abril/2010 (R$ 282.538,59). A E. DRJ/STM julgou parcialmente procedente a Impugnação do Contribuinte para excluir a exigência referente ao PIS/PASEP, por confirmar que, a partir dos registros nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (extratos às fls. 638/646), teria havido recolhimento dessa contribuição até em montante superior ao exigido no lançamento de ofício, razão pela qual eventual manutenção dessa exigência implicaria no bis in idem. Assim, sendo incontroversa a existência de recolhimentos que foram realizados antes de quaisquer procedimentos fiscal e que “os valores recolhidos no período no Fl. 758DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 12 montante de R$ 939.863,31 […] ultrapassam o total lançado no Auto de Infração do PIS/PASEP de R$ 860.515,03” (fl. 667), de modo que deve ser mantido a exclusão dessa cifra do lançamento impugnado. Por tais razões, diante da existência de documentação hábil, NEGO provimento ao recurso de ofício e mantenho a exclusão dos créditos referentes ao PIS/PASEP. III – Do recurso voluntário. Qualificação jurídica do Contribuinte Inicialmente, cumpre aferir a tempestividade do Recurso Voluntário. O Recorrente foi intimado da r. decisão recorrida em 11/08/2010, conforme AR juntado à fl. 676. Assim, o trintídio legal para interposição do recurso iniciouse em 12/08/2010 (quintafeira), findando em 10/09/2010 (sextafeira), sendo tempestivo o voluntário interposto naquela data. Nesse quadro, preenchido os requisitos legais, CONHEÇO do recurso voluntário. Tendo em vista as considerações até aqui expostas, é evidente que toda a controvérsia consiste em definir (i) ser, ou não, possível estender à Autarquia, que presta serviço público mediante a contraprestação de seus usuários por meio de preço público ou tarifa, imunidade prevista no art. 150, §2º à; ou (ii) se essa contraprestação seria suficiente para aplicar a exceção prevista no §3º daquele mesmo dispositivo Constitucional. Confirase a dicção dos dispositivos constitucionais citados: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. O Recorrente é Autarquia Municipal, criada pela Lei Municipal n. 3.057/1994, alterada pela Lei n. 4.378/2004, dotada de autonomia financeira, patrimonial e administrativa e encarregada dos serviços de “administrar o acervo do serviço de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica na área de concessão da Prefeitura Municipal de Ijuí”, dentre outras competências, conforme estabelece o art. 2º da Lei n.3.057/94 (fls. 446/449). Fl. 759DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11070.000743/201052 Acórdão n.º 1101001.223 S1C1T1 Fl. 8 13 A exploração desse serviço público de distribuição de energia elétrica foi concedida por meio de Contrato de Concessão n. 85/2000 (fls. 470/486), firmado entre a União, por meio da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL, e o Recorrente, com a anuência e interveniência da Prefeitura Municipal de Ijuí. Nesse mesmo instrumento, foi definido que “pela prestação do serviço público de distribuição de energia elétrica que lhe é concedido por este Contrato, a concessionária cobrará as tarifas homologadas pela ANEEL” (fl. 478, cláusula sétima do contrato). Diante desse contexto é que a Fiscalização entendeu que, a Prefeitura de Ijuí, ao explorar, por concessão e por meio de sua Autarquia, a atividade de outro ente federativo, deve se submeter a todas as regras, inclusive tributárias, aplicáveis aos empreendimentos privados, da mesma forma que se submetem as empresas públicas e as de economia mista. Pois bem. É notório que, como salientado pelo v. acórdão recorrido, a Constituição Federal, em quase a totalidade das oportunidades, utiliza conceitos e definições que não são retiradas de seu próprio contexto, mas de legislação pretérita. A definição de Autarquias, Empresas Públicas e das Sociedades de Economia Mista está expressamente prevista no art. 5º do Decreto n. 200 de 1967 que dispõe sobre a organização da Administração Federal, sendo certo que seus conceitos aplicamse, atualmente, também às esferas Estaduais e Municipais, verbis: Art. 5º Para os fins desta lei, considerase: I Autarquia o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada. II Emprêsa Pública a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, com patrimônio próprio e capital exclusivo da União, criado por lei para a exploração de atividade econômica que o Govêrno seja levado a exercer por fôrça de contingência ou de conveniência administrativa podendo revestirse de qualquer das formas admitidas em direito. (Redação dada pelo DecretoLei nº 900, de 1969) III Sociedade de Economia Mista a entidade dotada de personalidade jurídica de direito privado, criada por lei para a exploração de atividade econômica, sob a forma de sociedade anônima, cujas ações com direito a voto pertençam em sua maioria à União ou a entidade da Administração Indireta. (Redação dada pelo DecretoLei nº 900, de 1969) A interpretação literal desse dispositivo, como procedido pelos Srs. Auditores Fiscais e pela E. DRJ/STM, implica no inafastável reconhecimento de que o Recorrente jamais poderia ter sido instituído sob a forma de Autarquia, como procedido pela Lei Municipal n. 3.057/1994, haja vista que essas entidades não podem explorar atividade econômica, competência restrita às Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 14 Assim, sob essa visão, caberia tão somente verificar se a atividade desenvolvida pelo Recorrente se enquadraria ou não no conceito de “atividades típicas da Administração”, tendo a E. DRJ/STM concluindo que atividades econômicas, assim entendidas aquelas em que há faculdade de contratação onerosa entre o usuário e o prestador, como a desenvolvida pelo Recorrente, não se enquadram naquele conceito, verbis: “Nesse caso, vale salientar que o DEMEI (concessionário de distribuição de energia elétrica) equiparase à empresa pública, uma vez que às autarquias só devem ser outorgados serviços públicos típicos e não atividades industriais ou econômicas, ainda que de interesse coletivo. Ademais, a exploração dessa atividade por entidade municipal não poderá gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado. Logo, apesar de a Lei Municipal nº 3.057 de 1994, que a criou […] ter criado a interessada sob a forma de uma autarquia, sua atividade se identifica como sendo de pessoa jurídica de direito privado (mais especificamente a de uma empresa pública, já que também não se enquadra no conceito de sociedade de economia mista, pois seu capital não é dividido em ações).” (fl. 663, grifei). Contudo, a interpretação daquele dispositivo do Decreto n. 200/67 não pode analisado individualmente. Icto oculi, registro não comungar do entendimento da Fiscalização e da D. DRJ/STM de que a simples cobrança de tarifas pela Autarquia seria suficiente para descaracterizar a atividade como tipicamente administrativa para econômica, eis que essa contraprestação tanto pode (i) implicar no aumento da Receita do ente político, por meio de repasses da entidade, gerando um acréscimo patrimonial; quanto pode (ii) ser apenas revertida em benefício da entidade e em melhorias dos serviços prestados, beneficiando toda a população. Assim, é imprescindível definir a possibilidade de se estender a imunidade recíproca prevista no supracitado art. 150, §2º da CF/88 também às entidades autárquicas que, a despeito de prestarem serviços públicos com natureza econômica, não têm qualquer interesse lucrativo e mantêmse adstritas às suas finalidades, conforme prevê a parte final daquele dispositivo. Nessa senda, entendo mister considerar o entendimento proferido pelo Colendo Supremo Tribunal Federal, no Agravo Regimental no RE n. 399.307/MG, no qual o Exmo. Relator, Ministro Joaquim Barbosa, pontua quais os requisitos devem ser observados para que se possa concluir se a uma determinada autarquia ou empresa pública, deve ou não ser estendida a imunidade recíproca, verbis: “Portanto, é aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas inequívoco serviço público, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais: 1) Não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva); 2) Não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência).” (destaquei) Fl. 761DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11070.000743/201052 Acórdão n.º 1101001.223 S1C1T1 Fl. 9 15 Colhese do voto de S. Exa. os seguintes excertos, seguidos da ementa do julgado: “Definem o alcance da imunidade tributária recíproca sua vocação para servir como salvaguarda do pacto federativo, (i) para evitar pressões políticas entre entes federados ou (ii) para desonerar atividades desprovidas de presunção de riqueza. Para proteger o pacto federativo, a norma de imunidade define negativamente a competência tributária dos entes federados. Como proteção de um ente federado é feita em detrimento do direito fundamental de outro ente federado à tributação, somente as materialidades ligadas inexoravelmente ao exercício de funções estatais e de estritos serviços públicos estão abrangidos pelo benefício. Em suma sociedade caracterizada pela livreiniciativa de mercado e pela concorrência, as atividades de exploração econômica denotam inequívocos signos presuntivos de riqueza, e, portanto, não escapam à tributação pela circunstância de serem desempenhadas pelo Estado em qualquer de suas manifestações.” (trechos do voto, grifos originais). “EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE RECÍPROCA. AUTARQUIA. SERVIÇO PÚBLICO DE ÁGUA E ESGOTAMENTO. ATIVIDADE REMUNERADA POR CONTRAPRESTAÇÃO. APLICABILIDADE. ART, 150, §3º DA CONSTITUIÇÃO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. 1. Definem o alcance da imunidade tributária recíproca sua vocação para servir como salvaguarda do pacto federativo, para evitar pressões políticas entre entes federados ou para desonerar atividades desprovidas de presunção de riqueza. 2. É aplicável a imunidade tributária recíproca às autarquias e empresas públicas que prestem inequívoco serviço público, desde que, entre outros requisitos constitucionais e legais não distribuam lucros ou resultados direta ou indiretamente a particulares, ou tenham por objetivo principal conceder acréscimo patrimonial ao poder público (ausência de capacidade contributiva) e não desempenhem atividade econômica, de modo a conferir vantagem não extensível às empresas privadas (livre iniciativa e concorrência). 3. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto é imune à tributação por impostos (art. 150, VI, a e §§ 2º e 3º da Constituição). A cobrança de tarifas, isoladamente considerada, não altera a conclusão. Agravo regimental conhecido, mas ao qual se nega provimento.” (RE 399307 AgR, Relator: Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, DJe 30042010, destaques acrescidos). Assim, a imunidade prevista no art. 150, §2º da Constituição Federal é extensível às autarquias se comprovada a conjugação dos requisitos legais, constitucionais e, ainda, não houver qualquer forma de distribuição de lucro (ou superávit) ou desempenho de atividade tipicamente econômica. Esse posicionamento já foi adotado pela Egrégia Câmara Superior deste Conselho, em situação similar a presente, inclusive envolvendo autarquia concessionária de distribuição de energia elétrica, conforme se depreende do Acórdão n. 910100.985, verbis: Fl. 762DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 16 “REGIMENTO INTERNO CARF – DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ – ARTIGO 62A DO ANEXO II DO RICARF – Segundo o artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. IRPJ E OUTROS – DECADÊNCIA – O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Recurso Representativo de Controvérsia, pacificou o entendimento segundo o qual para os casos em que se constata pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional; de outra parte, para os casos em que não se verifica o pagamento, deve ser aplicado o artigo 173, inciso I, também do Código Tributário Nacional. O Superior Tribunal de Justiça assevera que o dies a quo, neste caso, é o primeiro dia do exercício à ocorrência do fato imponível. IRPJ — AUTARQUIA MUNICIPAL — CONCESSÃO FEDERAL — DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA — IMUNIDADE — ART. 150, § 3º DA CF – A exploração, por autarquia municipal, da atividade de distribuição de energia elétrica, realizada em face de concessão outorgada pela União Federal, embora possa se configurar como serviço público de caráter essencial vinculado a atividades próprias do Estado, deve ser qualificada como atividade econômica, mormente quando a prestadora aufere receitas não relacionadas à atividade principal ou participa do capital social de empreendimentos privados, inexistindo, por outro lado, previsão contratual específica e esperada nos contratos de concessão em que se verifica típica situação de desenvolvimento de atividade como “longa manus” do Estado.” (Acórdão n. 910100.985, Relatora Conselheira Karem Jureidini Dias, DJ 24/05/2011, destaquei). Cumpre ressaltar, contudo, que tal entendimento foi adequado – em sede de aclaratórios – para acrescentar que, tratandose de atividade econômica, é inerente a disponibilidade financeira da receita operacional, sendo certo que tal montante deve ser totalmente vertido em favor da Autarquia (reinvestimentos, desenvolvimentos, etc.), sob pena configurar distribuição de valores e ferir o entendimento supracitado do C. STF. Confirase a conclusão do voto da Il. Conselheira Karem Jureidini Dias: “Quaisquer ingressos auferidos na condição de longa manus do Estado, que são totalmente reinvestidos nas obras ou serviços de eletricidade por força do artigo 4° da Lei n° 2.547/77 do Município de Poços de Caldas, são protegidos pela imunidade, além de não representarem qualquer acréscimo patrimonial. Significa dizer que tais recursos não são disponíveis à Embargante, não se caracterizando atividade econômica ou disponibilidade. Por outro lado, aos resultados positivos obtidos em outras atividades econômicas desenvolvidas pela embargante que podem ser a ela disponibilizados, porquanto se revestem em tese da mesma natureza e função que as receitas auferidas por uma empresa privada, é aplicável a regra do artigo 150, §3° da Fl. 763DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11070.000743/201052 Acórdão n.º 1101001.223 S1C1T1 Fl. 10 17 Constituição Federal.” (Acórdão n. 9101001.883, grifos acrescidos). No presente caso, a Fiscalização identificou que os rendimentos do Recorrente eram compostos por (i) Receitas de Vendas de Energia Elétrica e Recebimento da Dívida Ativa; (ii) Receitas de Prestação de Serviços relacionados à Energia Elétrica; e (iii) Receitas diversas, referentes a receitas financeiras, de locação e multas. E, considerando que a atividade desenvolvida pelo Recorrente, conforme entendimento do C. STF – que analisou a questão de autarquia que prestava serviço de fornecimento e tratamento de água e esgoto – e da E. Câmara Superior, é atividade econômica, apenas seria possível acolher os fundamentos do recurso voluntário se comprovado que todas aquelas receitas são originárias na condição de longa manus do Município de Ijuí. Retomando parte dos acontecimentos narrados, ao ser intimado para esclarecer justamente a origem daquelas receitas, o Recorrente restou contraditado pela Fiscalização, tendo se mantido silente quanto à questão desde então, verbis: “13. Quanto à solicitação de esclarecer a esta fiscalização a origem das receitas registradas nos balancetes apresentados, informou que são exclusivamente inerentes as atividades de distribuição de energia elétrica. No entanto os balancetes (fls. 21 a 255) discriminarem de forma a supor o auferimento de receitas diversas (financeiras, de locação, da prestação de serviços, de imposição de multas e outras).” (fl.281, grifos acrescidos). Além disso, a redação original do artigo 7º da citada Lei Municipal n. 3.057/1994 previa a possibilidade do superávit do Recorrente ser repassado à Prefeitura do Município de Ijuí, após autorização da Câmara Legislativa. Ressalto, porém, que esse dispositivo foi modificado duas vezes, inclusive com a inclusão de parágrafo único, sendo que a redação final e vigente à época dos fatos analisados no lançamento vergastado, anoscalendários 2005 a 2008, era: “Art. 7º Da receita arrecada mensalmente, efetivada da exploração dos serviços de distribuição de energia elétrica pelo Departamento Municipal de Energia de Ijuí – DEMEI, serão repassados o equivalente a 10% (dez por cento) ao Município de Ijuí – Poder Executivo, até o 10º (décimo) dia útil ao mês subsequente, à título de transferência financeira. (Redação dada pela Lei nº 4.378/2004). Parágrafo Único – Poderá o Departamento Municipal de Energia de Ijuí – DEMEI, antecipar os repasses mensais autorizados neste artigo ao Município de Ijuí – Poder Executivo, quando houver disponibilidade financeira, devendo esses recursos ser [sic] compensados nos repasses futuros. (Redação dada pela Lei nº 4.378/2004).” (grifos acrescidos). Ora, nessa situação, é evidente ser manifestamente impossível estender ao Recorrente a imunidade recíproca prevista no art. 150, §2º da Constituição Federal. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 18 Com efeito, a situação é diametralmente oposta tanto ao julgamento do C. STF (AgRg no RE 399.307) quanto no precedente da E. Câmara Superior (Acórdão 9101 00.985, complementado pelo Acórdão 9101001.883), eis que nesse caso o Recorrente tanto auferiu receitas não vinculadas à sua finalidade essencial (distribuição de energia elétrica) quanto possuía autorização legal para repassar valores de sua receita, mediante “Transferência financeira”, ao Município de Ijuí! Assim, ainda que por fundamentos diversos, correto está o procedimento Fiscal de tributar todas as receitas auferidas pelo Recorrente como se empresa pública fosse, já que estava operando nas mesmas condições aplicáveis a empreendimentos privados, inclusive transferindo percentual de sua receita ao Município de Ijuí, razão pela qual lhe é aplicável a exceção do art. 150, §3º da Constituição Federal. Por último, apenas consigno inexistir controvérsia no presente feito com relação à metodologia adotada pelo Srs. Auditores Fiscais para quantificação da base de cálculo imponível dos tributos lançados, haja vista que houve adição diretamente no lucro das Receitas Financeiras; de Locação e Multas, apesar de o procedimento adotado ter sido o de Arbitramento do Lucro. Diante dessas considerações, NEGO provimento ao recurso voluntário. IV – Da multa de ofício aplicada. Previsão Legal (art. 44, I, da Lei n. 9.430/96) Por consectário lógico ao entendimento exposto acima, tendo entendido pela manutenção da tributação das receitas do Recorrente, a Administração Pública não pode deixar de aplicar as normais legais, salvo se houver manifestação de inconstitucionalidade pelo Plenário do C. STF, conforme determina o art. 26, §6º, I, do Decreto n. 70235/1972 c/c arts. 62 e 62A da Portaria 256/MF, de 22 de junho de 2009, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Fl. 765DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 11070.000743/201052 Acórdão n.º 1101001.223 S1C1T1 Fl. 11 19 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430/96, a seu turno, prevê a imposição de multa nos casos de lançamento de ofício, no qual se apurem diferenças de impostos ou contribuições decorrentes do não recolhimento dos tributos, ainda que tenha ou não havido apresentação de declaração pelo contribuinte. Já o artigo 142, parágrafo único, do CTN, aduz a obrigatoriedade e vinculação do lançamento tributário, inclusive quanto à aplicação penalidade aplicável, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multa: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No presente caso, é incontroverso que o Recorrente, por entender estar resguardado pela imunidade prevista no art. 150, §2º da CF/88, deixou de recolher tributos sobre a receita e lucro (pelo Recorrente denominado superávit), razão pela qual o fato (não recolhimento) subsumese perfeitamente à hipótese punitiva descrita na Lei n. 9.430/96, estando, portanto, legalmente impedida a Administração de deixar de aplicar a multa prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/96. Assim, considerando que no caso vertente não há aplicação de multa de um Ente Político a outro (fls. 743/744), deve igualmente ser mantida a r. decisão de primeira instância, sendo de rigor o desprovimento do recurso voluntário, conforme a reiterada jurisprudência desse E. Conselho, ilustrativamente: “Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária Ano calendário: 2006 MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CUMULATIVIDADE. COMANDO LEGAL. A exigência de multa de ofício isolada pelo não pagamento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL ocorre por força de comando legal expresso (art. 44, II, b, da Lei nº 9.430, de 1996). Da mesma forma, a exigência da multa vinculada também decorre de comando legal expresso, contido na mesma Lei (art. 44, I). Deixar de aplicar qualquer uma dessas multas, quando verificado o antecedente da norma sancionadora, é violar algum desses dispositivos legais, o que é defeso tanto à autoridade lançadora quanto ao julgador administrativo, seja ele de primeira instância ou Fl. 766DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO 20 componente do Conselho Recursal, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972.” (Acórdão n. 1801 001.993, Rel. Conselheiro NEUDSON CAVALCANTE EUBUQUERQUE, DJ 21/07/2014) V – Dispositivo Diante de todas essas considerações, REJEITO as preliminares de decadência e de nulidade do lançamento. No mérito, NEGO provimento ao recurso de ofício para manter a exclusão referente ao PIS/PASEP, bem como NEGO provimento ao recurso voluntário, nos termos da fundamentação supra e com arrimo no precedente da E. Câmara Superior (Acórdão 9101001.883, Relatora Conselheira Karem Jureidini Dias). (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 767DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10945.002602/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 01 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE - APURAÇÃO - DISCUSSÃO JUDICIAL.
A tributação de rendimentos recebidos acumulamente que tem como origem discussão judicial, deve ser feita observando-se as tabelas progressivas e alíquotas mensais vigentes na época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos, e não calculado de maneira global. É inválida a apuração feita com base em valores globais.
Numero da decisão: 2202-003.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que o proviam parcialmente, para aplicar as tabelas e alíquotas vigentes à época do recebimento dos valores.
(Assinado Digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Júnior - Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA.
Nome do relator: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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A tributação de rendimentos recebidos acumulamente que tem como origem discussão judicial, deve ser feita observandose as tabelas progressivas e alíquotas mensais vigentes na época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos, e não calculado de maneira global. É inválida a apuração feita com base em valores globais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que o proviam parcialmente, para aplicar as tabelas e alíquotas vigentes à época do recebimento dos valores. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente (Assinado Digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 26 02 /2 00 8- 51 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Pedro Anan Júnior Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros ANTONIO LOPO MARTINEZ, JIMIR DONIAK JUNIOR, PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE, RAFAEL PANDOLFO. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDT e SUELY NUNES DA GAMA. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.002602/200851 Acórdão n.º 2202003.025 S2C2T2 Fl. 116 3 Relatório Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2006, para exigência de crédito tributário, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação tempestivamente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba – DRJ/CTA, negou provimento a impugnação, nos termos do acórdão 0631.258, de 15 de abril de 2011. Devidamente cientificado dessa decisão, o Recorrente apresenta tempestivamente recurso voluntário. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente processo de omissão de rendimentos recebidos em decorrência de ação trabalhista, na qual foi pleiteada o pagamento de verbas salariais referentes a vários meses de anos anteriores, as quais foram recebidas acumuladamente. O que devemos analisar está no fato de que haveria no não anulação do lançamento efetuado pela autoridade lançadora, uma vez que o auto de infração, está exigindo do contribuinte o imposto de renda devido no ajuste em razão da omissão dos rendimentos recebidos acumuladamente. O que contraria o que dispõe o Parecer PGFN/CRJ/No 287, de 10 de fevereiro de 2009, que propôs a dispensa de interposição de recursos e o requerimento de desistência dos já interpostos por parte dos Procuradores da Fazenda Nacional, nas causas em que se discute a incidência do imposto de renda sobre valores recebidos acumuladamente, que determina que “no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global”. Podemos verificar que o Parecer PGFN/CRJ/No 287/2009 determina que para o cálculo do imposto devido pelo contribuinte no caso de rendimentos pagos acumuladamente objeto de discussão judicial o mesmo deve ser efetuado mensalmente, considerando as tabelas e alíquotas que eram vigentes do fato gerador do rendimento. Tal Parecer foi aprovado pelo Ministro da Fazenda, resultando na edição do Ato Declaratório PGFN no 1, de 2009, que vincula os atos praticados por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, por força do disposto no art. 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002 (com as alterações introduzidas pela Lei no 11.033, de 2004): Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: [...] II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10945.002602/200851 Acórdão n.º 2202003.025 S2C2T2 Fl. 117 5 [...] § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. Desta forma com base no Parecer PGFN/CRJ/No 287/2009 e no Ato Declaratório PGFN no 1, de 2009, os rendimentos recebidos acumuladamente objeto de discussão judicial, devem ser tributados considerando as alíquotas e tabelas progressivas vigentes do fato gerador do rendimento recebido, e não seu cálculo global, como foi efetuado no presente caso, desta forma não há como subsistir o lançamento. Tal situação é muito semelhante aos casos em que a autoridade lançadora apura o acréscimo patrimonial a descoberto com base em critérios anuais, quando que a legislação tributária determina que seja efetuado em bases mensais. Sendo que quando ocorre tal hipótese os lançamentos são cancelados. Desta forma, entendo que o lançamento não pode subsistir, portanto dou provimento ao recurso apresentado pelo recorrente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Fl. 119DF CARF MF Impresso em 01/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/03/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/03/2015 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10680.013971/2007-46
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/1997
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTESPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias para a sua interposição.
IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO.
Não existindo a apresentação de impugnação pelo contribuinte, não há a instauração do contencioso administrativo contra ele.
Recursos Voluntários não Conhecidos
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2803-004.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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INTESPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário apresentado após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias para a sua interposição. IMPUGNAÇÃO NÃO APRESENTADA. INEXISTÊNCIA DE CONTENCIOSO. Não existindo a apresentação de impugnação pelo contribuinte, não há a instauração do contencioso administrativo contra ele. Recursos Voluntários não Conhecidos Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 39 71 /2 00 7- 46 Fl. 3740DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 3741DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10680.013971/200746 Acórdão n.º 2803004.067 S2TE03 Fl. 3.741 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa USIMINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A, em face da decisão do INSS, que indeferiu defesa apresentada pela recorrente. E manteve o lançamento fiscal referente a débitos no período 03/95 a 03/97. Na presente autuação a fiscalização aplicou sobre a referida contratação o instituto da solidariedade existente entre a empresa contratante USIMINAS SIDERÚRGICAS DE MINAS GERAIS S/A – USIMINAS (tomadora de serviços) e a empresa contratada BRASTUBO REVESTIMENTOS INDUSTRIAIS LTDA (prestadora de serviços), em razão de serviços executados nos casos de contratação de construção, reforma ou acréscimo conforme disciplinado no item VI do Art. 30 da Lei n° 8.212 de 24/07/91. A empresa tomadora foi considerada responsável, solidariamente, pelo pagamento das contribuições destinadas à seguridade social relativas aos segurados empregados, essas não pagas pela empresa contratada. O débito é referente às contribuições destinadas à parte patronal, a reservada ao financiamento da complementação das prestações por acidade de trabalho (SAT) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, todas incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados da empresa prestadora de serviço. Segundo relatório fiscal da autuação (fl. 60) a fiscalização, mediante Termo de Intimação para apresentação de documentos – TIAD, emitido em 21/06/2002 e reiterados em 03/07/2002 e 24/09/2002, solicitou a comprovação dos recolhimentos das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados incluída nas notas fiscais/faturas/recibos, correspondentes aos serviços executados. No entanto, após o prazo estipulado no termo mencionado, a notificada não apresentou os documentos mencionados no item 4 supra, não evidenciando o respectivo recolhimento de contribuição para a Seguridade Social sobre os serviços executados. Com isso a empresa não comprovou o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos empregados da empresa prestadora, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados. Sendo assim, estão sendo exigidas pelo Fisco: “as contribuições destinadas à Seguridade Social relativas aos segurados e à parte patronal, inclusive reservada ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho – SAT (para competências até 06/1997) e financiamento dos benefícios concedidos sem razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho para competências a partir de 07/1997, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados da empresa prestadora de serviços contratadas pela notificadas” (fl. 60) No presente caso, a fiscalização aplicou sobre a referida contratação o instituto da solidariedade existente entre a empresa contratante/tomadora de serviços e a empresa contratada/prestadora de serviços, em razão de serviços executados nos casos de Fl. 3742DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 contratação de construção, reforma ou acréscimo conforme disciplinado no item VI do Art. 30 da Lei n° 8.212 de 24/07/91. Quanto a apuração do débito tributário, essa foi feita da seguinte forma: Os valores correspondentes à mãodeobra a incidirem sobre os valores dos serviços prestados foram apurados conforme IN Instrução Normativa n° 69, de 10 de maio de 2002, aplicandose sobre os valores das notas fiscais/fatura/recibo, os percentuais descritos nos arts. 74 a 77 daquela IN. (fl. 62) (...) os valores obtidos das remunerações dos segurados empregados da empresa prestadora de serviços, discriminados no Anexo I DEMONSTRATIVO DO SALÁRIODECONTRIBUIÇAO, passam a integrar o saláriode contribuição, nos termos do art. 28, inciso I da Lei n° 8.212/91 (fl. 64). Após devidamente intimada em 26/12/2002, a empresa USIMINAS apresentou defesa, tempestiva, em 09/01/2003 às fls. 79/128, à Gerência executiva do INSS em Belo Horizonte MG. A BRASTUBO, apesar de devidamente intimada, em 24/01/03, não se manifestou. O Instituto Nacional do Seguro Social, ao analisar os argumentos apresentados pela empresa, decidiu pela procedência do lançamento e manteve o débito apurado, conforme Decisão Notificação nº. 11.401.4/00777/2003 (fls. 2273/2289) A decisão restou ementada nos seguintes termos: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA. A empresa responde solidariamente pelas contribuições previdenciárias não adimplidas pelo contratado para executar serviços de construção civil. Na ocorrência de solidariedade passiva, o INSS pode escolher de quem irá cobrar a satisfação da obrigação tributária, podendo fazêlo em relação a apenas um dos coobrigados ou em relação a todos eles. LANÇAMENTO PROCEDENTE. Intimada da referida decisão, em 28/07/2004, conforme tela de extrato, fl. 2.296, o recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso à Câmara de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos da Previdência Social (CRPS) acostado às fls. 2.308/2.342, alegando em síntese: a) a nulidade da NFLD devido ao cerceamento de defesa do contribuinte causado pela ausência de demonstração e caracterização dos elementos que demonstrem a existência de construção civil. Segundo a recorrente, na NFLD, não há correlação dos fatos à norma, pois o relatório fiscal cuidou apenas a transcrever a evolução da legislação previdenciária sem indicar os elementos que comprovam a prestação de serviços de construção civil capazes de gerar o vínculo da solidariedade, o que torna nítido o cerceamento de defesa da recorrente Ainda em busca da nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, argumenta que o INSS está exigindo o recolhimento das contribuições previdenciárias da tomadora sem ao menos verificar o inadimplemento da prestadora de serviços. A fiscalização sequer recorreu à contabilidade da empresa prestadora de serviços para optar pelo arbitramento do débito, medida que se legitima apenas após a comprovação da inexistência da escrita regular. Fl. 3743DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10680.013971/200746 Acórdão n.º 2803004.067 S2TE03 Fl. 3.742 5 b) que a recorrente não possui qualquer poder diretivo sobre as empresas contratadas, pois não possui autorização para auditar a escrita contábil das empresas que contrata. c) que caberia à fiscalização apurar as informações trazidas pela empresa prestadora de serviços no sentido de que possui parcelamento de dívida fiscal, assinado em 14/10/1997, que foi fiscalizada, possuindo, inclusive, notificações fiscais contra ela e ainda que possui uma ação anulatória de débito fiscal de número 2002.61.04.0049988. d) que cumpre ao INSS, primeiro comprovar o não recolhimento pelo obrigado principal (Súmula 126 TFR), para num segundo momento, buscar o ressarcimento pela empresa contratante, que possui função de “garante” nos termos da jurisprudência apresentada. e) questiona a solidariedade em razão de serviços executados nos casos de construção, reforma ou acréscimo, tendo em vista que, os serviços desempenhados pela prestadora, não estão elencados no rol das hipóteses de construção civil. A empresa BRASTUBO REVESTIMENTOS INDUSTRIAIS LTDA foi devidamente intimada da Decisão notificação em 22.09/2004, conforme cópia do AR à fl. 2.300 e não apresentou recurso. Na sequência, foi apresentado contrarrazões ao recurso da recorrente, em síntese a Secretaria da Receita Previdenciária alega: a) que os argumentos trazidos pela recorrente são os mesmos apresentados, anteriormente, em sua defesa, não havendo nos autos matérias ou fatos que importem na revisão do lançamento. b) rebate o argumento da recorrente de inexistência de serviços enquadrados no artigo 30, IV, da Lei 8.212/91, tendo em vista que todos os contratos executados pela prestadora referemse a serviços de empreitada de construção civil elencados no Anexo III, da Instrução Normativa nº 69, de 10/05/2002. c) tendo em vista que a notificação discal foi lavrada em consonância com as normas vigentes entende que os argumentos trazidos não justificam a reforma da decisão recorrida. O Colegiado da Câmara de Julgamento do CRPS, por meio do acórdão nº 598/2005, determinou a nulidade da Decisão Notificação, para que fossem realizados procedimentos mínimos de autoria fiscal, objetivando certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias, por parte do cedente de mãodeobra, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário Segundo a decisão “a responsabilidade pelo adimplemento de tal tributo pode recair tanto sobre o devedor principal, o cedente de mãodeobra, quanto sobre o contratante do serviço, na qualidade de responsável solidário, pois o contribuinte e o responsável tributário são solidários em relação a obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN, benefício de ordem”. No entanto, se ficar comprovado que o responsável tributário adimpliu a obrigação que se está a cobrar do responsável solidário, não há que prevalecer tal lançamento em nome deste último (fl. 2.356). Os autos seguiram para o Serviço de Análise de Defesas e Recursos, onde, se verificou que a empresa prestadora BRASTUBO REVESTIMENTOS E MONTAGENS INDUSTRIAIS não foi fiscalizada, conforme consta à fl. 2.368. Fl. 3744DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Após a constatação de que a BRASTUBO REVESTIMENTOS não foi fiscalizada, a fiscalização, mediante TIADs datados de 04/07/2006 e 01/08/2006 solicitou à empresa diversos documentos, com o objetivo de se verificar o recolhimento das contribuições dos segurados empregados que prestaram serviços específicos para a USIMINAS. Em cumprimento à diligência fiscal a empresa apresentou cópias não autenticadas dos contratos com a Usiminas e informou que não possuía as folhas de pagamento específicas para Usiminas, o que foi constatado pela fiscalização. Além disso, também não apresentou: livro diário, plano de contas, livro razão (foi extraviado), notas fiscais, faturas, recibos de mãodeobra ou serviços específicos para Usiminas, GRPS’ específicas dos segurados que prestaram serviço entre outros. Assim, concluiuse que “diante da não elaboração das Folhas de pagamento específicas por tomador, não apresentação da contabilidade, não apresentação de documentos originais, extravio de notas fiscais, falta de lançamento das NF’s referente ao processo no Livro Modelo 51 e ausência de divergência entre massa salarial RAIS e Folha de pagamento (...), não é possível afirmar se houve ou não o recolhimento especifico dos empregados segurados cedidos para os serviços referente ao contrato coma Usiminas” (fl. 2.490). A fiscalização também ponderou que no tocante ao fato gerador Solidariedade não houve o cumprimento das obrigações acessórias, a partir da Lei 9.032/95 e OS's 83/1993, 176/1997 e 184/1998, portanto não havendo a elisão da responsabilidade solidaria. Despacho de conhecimento de diligência fiscal às fls. 2.494/2.495. A USIMINAS, foi intimada do resultado da diligência em 23/04/2007 (fl. 2.502) e, após o decurso do prazo, não apresentou manifestação. O processo seguiu para Delegacia Regional de Julgamento em Belo Horizonte O colegiado, em substituição à Decisão Notificação 11.401.4/777, de 16/09/2003 que foi declarada nula pela 2ª CAJ do CRPS por meio do acórdão 598/2005, ao analisar os argumentos apresentados pela USIMINAS, manteve o lançamento, em acõrdão assim ementado: SOLIDARIEDADE A empresa responde solidariamente pelas contribuições previdenciárias não adimplidas pelo contratado para executar serviços de construção civil. Lançamento Procedente (fl. 2.510) A empresa tomadora dos serviços USIMINAS foi devidamente cientificada em 25/06/2008 conforme cópia de AR da ECT à fl. 2.528. Irresignada com a manutenção do lançamento, em 01/08/2008 a empresa USIMINAS apresentou recurso intempestivo às fls. 2.542/2.554, em face da decisão proferida pela DRJ onde argui em síntese o que segue: Aduz a decadência do crédito tributário, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou inconstitucional o prazo de dez anos previstos à época do lançamento. Requer a nulidade do auto de infração por erro na identificação do fato gerador, em razão de os serviços desempenhados pela prestadora, não estarem elencados no rol das hipóteses de construção civil. A empresa BRASTUDO foi devidamente cientificada em 26/06/2008, conforme cópia de AR da ECT à fl. 2.532 e também se manifestou contra o lançamento Fl. 3745DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10680.013971/200746 Acórdão n.º 2803004.067 S2TE03 Fl. 3.743 7 apresentando recurso tempestivo em 23/07/2008 acostado às fls. 2.616/2.674, no qual sustenta os seguintes argumentos: 1. Houve decadência/prescrição em relação aos lançamentos do período de 03/95 a 03/97. 2. É nula a notificação tendo em vista que, conforme comprovam os TIAD’s datados de 04/07/2006 e 01/08/2006 a fiscalização, desatendendo decisão da 2ª Câmara de julgamento, não exigiu a apresentação pela prestadora de serviços de documentos comprobatório de adesão ao REFIS. 3. Houve cerceamento de defesa em razão da não apreciação dos livros diários da prestadora de serviços, tais documentos demonstrariam os pagamentos entre outros elementos. 4. Da mesma forma, constitui cerceamento de defesa, entendo em vista que a fiscalização deixou de observar que a recorrente sofreu fiscalização total em período concomitante; 5. A recorrente aderiu a diversos parcelamentos, concomitantemente ao período da presente NFLD, inclusive ao REFIS e consolidou seus débitos, razão pela qual não poderiam ser apurados débitos relativos às competências declaradas no REFIS e demais parcelamentos. 6. A contribuição para financiamento da complementação das prestações por acidente do trabalho (SAT) e para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (RAT), com percentual para grau de risco fixado por Decreto é inconstitucional. 7. A recorrente não se enquadra como empresa construtora e não prestou, da mesma forma serviços de construção civil e ainda que se considerasse os serviços como construção civil, não estaria a empresa obrigada a manter guia genérica, conforme OS 51/92. 8. A IN 69/2002 não é inaplicável ao caso em tela, para fins de enquadramento das manutenções realizadas. 9. A aferição indireta em razão da comprovação dos recolhimentos pela prestadora de serviços não deve prevalecer. A empresa USIMINAS se manifestou nos autos às fls. 3.731/3.732 para ponderar que, tendo em vista que a empresa prestadora de serviços estava sendo fiscalizada em virtude de outros fatos geradores e não foi fiscalizada com relação àquele imputado, solidariamente, à USIMINAS, podese concluiu que o mesmo não foi considerado em débito pela fiscalização. Pede a isenção da empresa de tal recolhimento, pois entende que tal mecânica de aferição do cumprimento das obrigações previdenciárias permite a ocorrência de bis in idem. Sem contrarrazões fiscais. Os autos seguiram para a análise deste Conselho, sendo a mim sorteada a relatoria. É o relatório. Fl. 3746DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 8 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade Conforme se observa dos autos, empresa tomadora dos serviços USIMINAS foi devidamente cientificada em 25.06.2008, de acordo com a cópia de AR da ECT à fl. 2.528. Todavia, somente apresentou seu recurso voluntário em 01.08.2008 Irresignada com a manutenção do lançamento, o recurso foi somente apresentado em 01/08/2008, ou seja, quando já transpassado o interstício necessário para a apresentação de sua irresignação, razão pela qual deixo de conhecer o recurso da Usiminas. No tocante ao recurso da Brastudo, ainda que tenha este sido apresentado dentro do prazo legal, insta salientar que esta empresa não apresentou, quando devidamente intimada, impugnação à autuação, não iniciando, assim, a litigiosidade do processo em relação à Brastudo. Ademais, não há que se falar que a impugnação tempestiva apresentada pela Usiminas a ela aproveita, pois os efeitos da solidariedade vem expressos no artigo 125 do CTN: Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais. Ora, observase, assim, que não iniciando a litigiosidade entre a recorrente e o fisco, não subsiste razão para o conhecimento do recurso voluntário apresentado pela Brastudo. Ainda que não conhecidos os recursos, entendo que é importante que seja feita a análise da decadência, conforme requerido pelo contribuinte, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaída, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. Dessa forma, tendo em vista que a recorrente foi cientificada do lançamento fiscal em 26.12.2002, referente às contribuições do período de 01/01/1995 a 31/01/1999 ficam alcançadas pela decadência quinquenal as competências 01/1995 a 11/1998 e 13/1998, restando mantidas as competências 12/1998 a 01/1999. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer os dois recursos voluntários apresentados, por ser o recurso da Usiminas intempestivo e por não ter sido instaurado o contencioso com a Brastudo. É como voto (assinado digitalmente) Fl. 3747DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10680.013971/200746 Acórdão n.º 2803004.067 S2TE03 Fl. 3.744 9 Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 3748DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 18/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
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Numero do processo: 19515.000206/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004
PRELIMINAR DE NULIDADE. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF N. 06.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEI COMPLEMENTAR 105. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 02.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Limitando-se a contribuinte a fazer considerações gerais sobre os saldos das contas, sem especificamente enfrentar os depósitos apontados, legítima e regular se mostra a aplicação da presunção aplicada.
MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%, ART. 44 DA LEI 9430/96
Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastá-la ou reduzi-la quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. REGULARIDADE. SÚMULA CARF N. 04.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1301-001.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR AS PRELIMINARES E NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
ADRIANA GOMES RÊGO - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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Depósitos bancários Recorrente SAMI FRIEDMAN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. SÚMULA CARF N. 06. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LEI COMPLEMENTAR 105. CONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF N. 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Limitandose a contribuinte a fazer considerações gerais sobre os saldos das contas, sem especificamente enfrentar os depósitos apontados, legítima e regular se mostra a aplicação da presunção aplicada. MULTA DE OFÍCIO APLICADA. 75%, ART. 44 DA LEI 9430/96 Sendo a multa aplicada no percentual mínimo de 75%, não cabe ao julgador administrativo afastála ou reduzila quando presentes os elementos fáticos necessários para a sua aplicação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 02 06 /2 00 8- 23 Fl. 625DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. REGULARIDADE. SÚMULA CARF N. 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR AS PRELIMINARES E NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) ADRIANA GOMES RÊGO Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego (Presidente), Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri, Paulo Jakson Da Silva Lucas, Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 626DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 19515.000206/200823 Acórdão n.º 1301001.797 S1C3T1 Fl. 3 3 Relatório Adotando os termos do relatório apresentado pela r. decisão de origem, destaco: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 29/01/2008 (fls. 355, 368, 381, 394 e 409), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à contribuição para o PIS, à COFINS, à CSLL, à Contribuição para a Seguridade SocialINSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2003 e 2004. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Termo de Verificação Fiscal n° 006 (fls. 302 a 314) e demonstrativos anexos (fls. 315 a 326), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, tributada nos totais mensais superiores às receitas brutas mensais informadas na Declaração Simplificada nos meses em que estas, por sua vez, foram superiores à omissão de receita descrita no próximo subitem; 2.2. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados cuja origem também não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, mas que possuem históricos característicos de operações mercantis, tributada nos totais mensais superiores às receitas brutas mensais informadas na Declaração Simplificada; 2.3. insuficiência de recolhimento decorrente da mudança de 1 faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo das receitas omitidas, conforme demonstrativos de fls. 339 a 346. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9° do Decreto n ° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 355 a 359) com base nos artigos 186, 188e 199 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR11999), 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "a", 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, formalizando crédito tributário, calculado até 28/12/2007, no montante de R$21.669,70; 3.2. PIS (fls. 368 ,a 372) com base no artigo 3°, alínea "h" da Lei Complementar (LC) n° 07, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, artigos 2°, inciso I, 3° e 9° da Medida Provisória n° 1.249, de 14 de dezembro Fl. 627DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 4 de 1995 e suas reedições, artigos 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "b", 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 28/12/2007, no montante de R$21.669,70; 3.3. CSLL (fls. 381 a 385) com base nos artigos 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "c", 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 28/12/2007, no montante de R$44.181,51; 3.4. COFINS (fls. 394 a 398) com base nos artigos 1° e 2° da Lei Complementar (LC) n° 70, de 30 de dezembro de 1991, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "d", 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 28/12/2007, no montante de R$88.363,30; 3.5. Contribuição para a Seguridade Social INSS (fls. 409 a 413) com base nos artigos 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea "f', 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 28/12/2007, no montante de R$136.429,12. 4. O enquadramento legal das multas de ofício aplicadas no percentual de 75% sobre a receita omitida caracterizada por depósito bancário de origem não comprovada, somada à receita omitida caracterizada por depósitos bancários com históricos que configuram operações mercantis nos meses em que os valores das operações mercantis são inferiores à receita declarada, é o artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei n° 9.317/1996, e o das multas de oficio aplicadas no percentual de 150% sobre a receita omitida caracterizada por depósitos bancários com históricos que configuram operações mercantis, nos meses em que esta é superior à receita declarada, é o artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei n° 9.317/1996 (fls. 349, 362, 375, 388 e 403). O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3°, da Lei n°9.430/1996 (fls. 350, 363, 376, 389 e 404). 5. Irresignada com os lançamentos, em 28 de fevereiro de 2008, a empresa apresentou, representada por procurador (fls. 441 a 444) a impugnação de fls. 419 a 441, instruída com documentos de fls. 442 a 446, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. "no tocante à correção monetária, que eventualmente tenha o Exeqüente o direito de cobrar, é injusta, refugindo às normas e ao próprio espírito de Justiça"; 5.2. não escriturou os livros fiscais por não ter o que informar, já que não houve qualquer venda de mercadorias, mas apenas valores recebidos do banco a título de empréstimo que "não deve ser escriturado, pois não é crédito para a empresa e sim débito"; 5.3. conforme extrato para simples conferência do banco HSBC, agência 0875, conta corrente 682057 (fl. 446) e carta explicativa elaborada por gerente deste mesmo banco (fl. 445), a autuada vem mantendo, ao longo dos últimos anos, um bom relacionamento com esta instituição financeira e, por este motivo, dispõe de um crédito no montante de R$550.000,00, crédito este que vem utilizando de acordo com suas necessidades; Fl. 628DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 19515.000206/200823 Acórdão n.º 1301001.797 S1C3T1 Fl. 4 5 5.4. assim, entende que cabalmente restou comprovada a origem dos valores que supostamente constaram como omissão de receitas, como anteriormente já informado ao fiscal autuante, oportunidade em que foi apresentada planilha constando a informação "Empréstimos c/c — SF", documento que comprova que teve à disposição o valor de R$550.000,00 a título de crédito bancário, e outros diversos documentos, tais como cheques devolvidos e estornos; 5.5. em momento algum pretendeu fraudar o Fisco ou houve omissão de receita e o fiscal, por não ter entendido o cabal acordo realizado com os bancos, supôs que omitiu receita; 5.6. "há que se mencionar que a presente autuação não deve prosperar diante da flagrante irregularidade que envolve o tema do sigilo bancário, que somente pode ser requerido mediante determinação judicial, o que não ocorreu no caso em tela"; 5.7. ficou impossibilitada de submeter o procedimento de requisição de suas informações bancárias ao crivo do Poder Judiciário, pois não lhe foi permitido o acesso aos motivos que levaram ao afastamento de seu sigilo bancário pela autoridade fiscal, "não tendo, inclusive, como verificar se o caso se enquadra em alguma das hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3°" do Decreto n° 3.724/2001, regulamentador da Lei Complementar 105/2001; 5.8. o artigo 3° da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo federal assegura ao administrado o direito de "ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas"; 5.9. o acesso do Fisco às informações relativas a fatos relevantes para fins de tributação deve ser assegurado sem prejuízo dos direitos individuais da impugnante, nos termos do artigo 145, § 1°, da Constituição Federal de 1988; 5.10. para quebrar de forma indiscriminada o sigilo bancário do contribuinte, a Receita Federal alega que o interesse público deve prevalecer sobre o privado, invocação esta que "é própria dos ditadores, que em toda história da humapiaade fizeram e lograram com ela enganar o povo, mas não se compadece com ''o.. Estado de Direito no qual as decisões das autoridades em geral deveMi.ser'fundamentadas, mas não só baseadas em textos legais que meramente Prevêem sua autorização"; 5.11. "interesse público não pode ser confundido com interesse da Fazenda, pois se isto vier acontecer, a ponto de justificar a violação de artigos constitucionais, nada mais restará como garantia individual"; 5.12. o artigo 6° da LC n° 105/01, que autoriza o acesso irrestrito da Fazenda Nacional às informações do contribuinte fiscalizado, e o Decreto n° 3.724/01, que regulamenta o artigo 6° da LC 105/01, que deixam claro a possibilidade de quebra do sigilo de dados e informações financeiras por atos de autoridades administrativas sem qualquer controle judicial, são inconstitucionais; Fl. 629DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 6 5.13. a presunção lançada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 (caracterizar como receitas omitidas depósitos bancários sem origem comprovada e dizer que os valores transitados na conta do contribuinte seriam equiparáveis a rendimentos tributáveis não oferecidos à tributação) é carente de maiores indícios e elementos que a justifiquem, já que são diversas as possibilidades destes valores não serem rendimentos tributáveis; 5.14. o emprego da presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 sem a indicação de outros indícios atinge o que não é renda, nem receita, alargando a autorização que o legislador ordinário recebeu do texto constitucional e ampliando a competência tributária da União; 5.15. é indispensável que a fiscalização verifique a existência de sinais exteriores de riqueza, acréscimo patrimonial ou consumo incompatível com a renda declarada, para que se conclua que a receita declarada pela pessoa jurídica é incompatível com o valor informado ao Fisco e a movimentação na sua conta corrente; 5.16. "o lançamento tributário não pode se fundamentar apenas na impossibilidade de apresentar justificativas para uma gama de operações bancárias realizadas num prazo de até cinco anos, principalmente porque uma pessoa não tem a obrigação de manter nenhum registro ou livro das mesmas"; 5.17. o lançamento é nulo, pois a fiscalização reteve imotivadamente livros e documentos da empresa, ato que ofende os princípios da legalidade e da impessoalidade e é repudiado pelo artigo 37, caput, da Constituição Federal, que veda a prática de ato administrativo amparado em critério pessoal e subjetivo de "escolha de fiscalização" para satisfazer interesses não públicos; 5.18. o Decretolei n° 46.674, de 09 de abril de 2004, publicado no DOE de 10 de abril de 2002, regulamenta a Lei n° 10.941, de 25 de outubro de 2001, que dispõe sobre o processo administrativo tributário decorrente de lançamento de ofício; 5.19. o auto de infração também é nulo por ter sido lavrado fora do estabelecimento comercial, o que ofende o princípio da legalidade e o artigo 10 do Decreto 70.235/1972, conforme doutrina transcrita; 5.20. requer, nos termos do Decretolei n° 70.235/1972 e das Leis n's 8.748/1993 e 9.784/1999, a produção de todas as provas admitidas em direito, sem exceção de nenhuma, inclusive documental, audiências, testemunhais e demais cabíveis em lei; 5.21. que ao menos seja reduzida a exigência fiscal com a eliminação dos juros ilegalmente cobrados e a exclusão da multa indevida. A partir dessas circunstâncias fáticas, concluiu a douta 1a Turma da DRJ/SPOI pela procedência do lançamento, em acórdão que, inclusive, assim restou ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/200 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/200 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/200 31/12/2003, 31/01/2004, Fl. 630DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 19515.000206/200823 Acórdão n.º 1301001.797 S1C3T1 Fl. 5 7 29/02/2004, 31/03/200 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DE LAVRATURA. REPARTIÇÃO PÚBLICA. O auto de infração deve ser lavrado na repartição pública quando a infração é verificada neste local. REQUISIÇÃO E UTILIZAÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS. A requisição às instituições financeiras de dados relativos a terceiros, com fulcro na Lei Complementar n.° 105/2001, constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para 1o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2013, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, cuja origem a contribuinte regularmente intimada não comprova, caracterizam receitas omitidas. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004., 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2003, 31/03/2003, 30/04/2003, 31/05/2003, 30/06/2003, 31/07/2003, 31/08/2003, 30/09/2003, 31/10/2003, 30/11/2003, 31/12/2003, 31/01/2004, Fl. 631DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 8 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. Em lançamento de ofício é devida multa calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi pago ou recolhido. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora. Lançamento Procedente Regularmente intimada a contribuinte do inteiro teor da decisão proferida no dia 06/10/2008, foi por ela então interposto – em 22/10/2008 , o seu correspondente Recurso Voluntário, pretendendo, assim, a reforma da decisão de primeira instância e a desconstituição do lançamento efetivado. Sendo os autos distribuídos a este Relator, em 09 de Agosto de 2013, esta Turma Julgadora, atentando para o permissivo à época constante das disposições dos parágrafos 1º e 2º do art. 62A do RICARF, entendeu por SOBRESTAR o julgamento, tendo em vista a pendência de apreciação da matéria de "sigilo bancário" (Constitucionalidade das disposições da LC 105/2003) perante o Colendo STF, nos autos do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI). Entretanto, tendo sido revogado o dispositivo de possibilitava esse procedimento, conforme Despacho de fls. 622 e ss., retornam os autos à apreciação e julgamento. Esse é o relatório. Passo ao meu voto. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 19515.000206/200823 Acórdão n.º 1301001.797 S1C3T1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. Sendo tempestivo o recurso voluntário interposto, dele conheço. PRELIMINARMENTE Da pretendida nulidade do lançamento por ter sido lavrado fora do estabelecimento da contribuinte A primeira consideração trazida pela recorrente nas razões de seu recurso voluntário, referese à pretensão de imposição de nulidade do lançamento efetivado, tendo em vista que, segundo sustenta, teria ele sido lavrado fora do estabelecimento da contribuinte, o que o fulminaria de invalidade. Nas suas razões, pretende comparar o "Ato de Lançamento" com um "Auto de Flagrante", invocando, assim, a doutrina penal para a imposição de limites em relação à validade de seu procedimento. A fiscalizada aponta que, indevidamente, seus livros e documentos haviam sido mantidos retidos pelos agentes da fiscalização fazendária, passando, a partir daí, a destacar a invalidade da obtenção dos extratos bancários com base nas disposições da Lei Complementar n. 105, por considerála inconstitucional. Em relação à consideração preliminar a respeito da nulidade do lançamento, importante destacar que, a rigor, as disposições do Decreto 70.235/72 destacam a nulidade do lançamento nas hipóteses em que se verifique a "incompetência da autoridade", ou ainda nos casos em que se mostre a "ofensa ao direito de defesa". Vejamos o que aponta o art. 59 daquele diploma: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 633DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 10 A respeito da validade do auto de infração quando lavrado fora do estabelecimento da contribuinte, claríssimas são as disposições da Súmula CARF n. 06, que, sobre esse tema, assim, inclusive, expressamente destaca: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Nesses termos, pelo simples fato de que o lançamento fora efetivado fora do estabelecimento da contribuinte, descabe qualquer apontamento de nulidade a ser aqui considerado. Rejeito, assim, a preliminar suscitada. DO MÉRITO No que tange ao mérito do recurso interposto, relevante destacar que a recorrente passa a atacar as disposições da decisão recorrida, destacando que, de acordo com aquelas disposições, todas as receitas tidas por omitidas tratavam da específica aplicação de presunção de receita, e, por essa razão, sendo desnecessária qualquer prova a seu respeito. A ponderação trazida no recurso interposto, referese à discussão pretendida pela contribuinte a respeito da inconstitucionalidade das disposições da Lei Complementar no 105/2001, e, no caso, a obtenção, pelos agentes da fiscalização fazendária , de informações a respeito da movimentação bancária dos contribuintes sem a prévia determinação de quebra de sigilo bancário pelas respectivas autoridades judiciárias. Antes, entretanto, de qualquer consideração a respeito da matéria, cumpre aqui destacar então o que expressamente previsto na norma em referência, ressaltando, especificamente, a autorização legal de obtenção das referidas informações. Vejamos: Art. 1o As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3o Não constitui violação do dever de sigilo: I – a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III – o fornecimento das informações de que trata o §2o do art. 11 da Lei no 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV – a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V – a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; Fl. 634DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 19515.000206/200823 Acórdão n.º 1301001.797 S1C3T1 Fl. 7 11 VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2o, 3o, 4o, 5o, 6o, 7o e 9 desta Lei Complementar. (...) Art. 5o O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. (Regulamento) § 1o Consideramse operações financeiras, para os efeitos deste artigo: I – depósitos à vista e a prazo, inclusive em conta de poupança; II – pagamentos efetuados em moeda corrente ou em cheques; III – emissão de ordens de crédito ou documentos assemelhados; IV – resgates em contas de depósitos à vista ou a prazo, inclusive de poupança; V – contratos de mútuo; VI – descontos de duplicatas, notas promissórias e outros títulos de crédito; VII – aquisições e vendas de títulos de renda fixa ou variável; VIII – aplicações em fundos de investimentos; IX – aquisições de moeda estrangeira; X – conversões de moeda estrangeira em moeda nacional; XI – transferências de moeda e outros valores para o exterior; XII – operações com ouro, ativo financeiro; XIII operações com cartão de crédito; XIV operações de arrendamento mercantil; e XV – quaisquer outras operações de natureza semelhante que venham a ser autorizadas pelo Banco Central do Brasil, Comissão de Valores Mobiliários ou outro órgão competente. § 2o As informações transferidas na forma do caput deste artigo restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos a partir deles efetuados. § 3o Não se incluem entre as informações de que trata este artigo as operações financeiras efetuadas pelas administrações direta e indireta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4o Recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos. § 5o As informações a que refere este artigo serão conservadas sob sigilo fiscal, na forma da legislação em vigor. A partir da análise dessas disposições, verificase que, sob o ponto de vista estritamente legal, não se configura a “quebra do sigilo bancário” a prestação de informações pelas instituições financeiras e bancárias aos agentes da Fiscalização Fazendária quando por eles requerido. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 12 A (in)constitucionalidade dessas disposições, é bem verdade, ainda hoje é tema debatido na doutrina e jurisprudência pátria, estando pendente ainda a apreciação da questão pelo Supremo Tribunal Federal, que, a respeito do assunto, já expressamente reconheceu a repercussão geral da matéria quando do destaque das disposições do RE 601314 (Relator: MIN. RICARDO LEWANDOWSKI). Nada obstante, considerando que a avaliação a respeito da constitucionalidade das normas é competência própria da atuação do Poder Judiciário, aplicandose, na atuação administrativa, a necessária presunção de validade dos comandos legais, destacase, a esse respeito, os dizeres específicos da Súmula CARF no 2 que assim, inclusive, especificamente já se pronuncia: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante dessas razões, afasto a análise a respeito da (in)constitucionalidade das disposições da LC no 105/2001 pretendida pelo recorrente e, com isso, presumindo válidas as informações contidas nos autos a partir da expedição das competentes Requisições de Movimentação Financeiras – RMF’s aqui então especificamente retratadas. Da aplicação da presunção de omissão de receitas Continuando suas razões, a contribuinte sustenta também a invalidade da aplicação de presunção de receitas na espécie, destacando, novamente, ofensa a princípios constitucionais como proporcionalidade, razoabilidade, legalidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, etc. A aplicação, no caso, da presunção de omissão de receitas, vale destacar, decorrem, especificamente, da aplicação das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96, que, sobre a matéria, assim então especificamente destaca: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 636DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 19515.000206/200823 Acórdão n.º 1301001.797 S1C3T1 Fl. 8 13 § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (destaques nossos) Por essas disposições, verificase que, obtendo os agentes da fiscalização as informações a respeito das movimentações financeiras realizadas nas contascorrentes da fiscalizada e não tendo ela apresentado, ao tempo e modo devido, os específicos e devidos registros dos respectivos montantes em sua contabilidade com a comprovação de sua origem e natureza, perfeitamente válida, mais uma vez, se mostra a aplicação da presunção de omissão de receitas, da forma como efetivada, não se podendo aqui, portanto, deixarse de observar a especifica determinação legal aqui apontada. À fiscalizada, insistase, assistiria o direito de efetivamente desconstituir as presunções aplicadas, apresentando, quando devidamente intimada para tanto, as respectivas comprovações a respeito da origem e natureza dos apontados recursos, o que, mais uma vez, não se verifica no presente caso. Diante disso, perfeitamente válida e regular, no caso, se verifica a aplicação da presunção de omissão de receitas promovida na atuação realizada, não se havendo falar aqui, absolutamente, em qualquer invalidade das disposições do Art. 42 da Lei 9.430/96 (Súmula CARF no 2) e, ainda, em qualquer ofensa a princípios da razoabilidade, proporcionalidade, contraditório, ampla defesa ou qualquer outra disposição constitucional apontada. Em relação às considerações apresentadas pela contribuinte, criticando os termos da r. decisão de primeira instância e pretendendo o afastamento da aplicação da presunção, sem que, para tanto, apresente qualquer fundamento fático próprio e específico, é relevante destacar que disso cuidou a r. decisão de primeira instância, apontando que, apesar de regularmente intimada, a contribuinte nunca esclareceu, objetivamente, qual seria a natureza de cada um dos créditos por ela recebidos, limitandose, apenas, às considerações globais, o que, com toda a certeza, não se mostra suficiente para o afastamento da presunção, da forma como apontado. Por fim, sustenta a recorrente que a multa imposta e os juros aplicados seriam abusivos, requerendo, ainda, a sua exclusão, simplesmente afirmando que, tendo em vista a situação de que enfrenta a empresa, a sua imputação não se pode admitir. A respeito da multa aplicada, relevante observar que ela se apresenta no importe de 75% (setenta e cinco por cento), com espeque nas expressas disposições do Art. 44 da Lei 9.430/96, não se verificando aqui qualquer aplicação de de qualificação ou majoração ali constante. Vejamos: Fl. 637DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 14 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou má fé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 638DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO Processo nº 19515.000206/200823 Acórdão n.º 1301001.797 S1C3T1 Fl. 9 15 I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Redação dada pela Lei nº 12.249, de 2010) No caso presente, conforme se verifica, tendo sido aplicada a penalidade de sua forma simples (75%), o que se tem, no caso, nada mais é que a exclusiva observância da expressa disposição legal, cujo afastamento, de fato, não pode de forma alguma ser determinado pelas autoridades administrativas. Em relação aos juros aplicados, relevante observar que a regularidade da incidência da taxa SELIC como forma de correção dos montantes do crédito tributário é tema hoje plenamente pacificado na jurisprudência deste CARF, sendo de se destacar, em relação a esse assunto, as disposições da Súmula CARF no 4, que, sobre o assunto, assim então especificamente assenta: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em face dessas considerações, entendo, no caso, pela perfeita validade da incidência dos juros SELIC sobre as multas aplicadas, nos termos e condições estabelecidos pelo ordenamento jurídico pátrio. Conclusão Em face de todas essas considerações, completamente infundadas as razões sustentadas pela recorrente em seu Recurso Voluntário, devendo aqui, portanto, serem completamente rejeitadas, razão porque encaminho o meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso, mantendo, em todos os seus termos, a r. decisão recorrida, e, também, o lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 639DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO 16 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 09/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 10/04/2015 por ADRIANA G OMES REGO
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