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Numero do processo: 15578.000790/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁ-FÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA.
Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontrava-se ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a má-fé e tornando legítima a glosa dos créditos.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.415
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito e, quanto à preliminar, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência parcial, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldo Lima de Oliveira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CRÉDITOS. PESSOA INTERPOSTA. COMPROVAÇÃO DE MÁFÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA. Restou comprovado nos autos que, no momento da aquisição do café, o Contribuinte encontravase ciente da abertura de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e Cofins, caracterizando, assim, a máfé e tornando legítima a glosa dos créditos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Legítimo o Despacho Decisório que motiva e fundamenta a negativa de provimento em vícios existentes nos documentos apresentados pelo contribuinte, vícios esses impeditivos da análise de mérito do pedido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto ao mérito e, quanto à preliminar, pelo voto de qualidade, em afastar a decadência parcial, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldo Lima de Oliveira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 07 90 /2 00 9- 11 Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 3 2 Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão nº 12059.358 da DRJ Rio de Janeiro I/RJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada pelo Contribuinte para se contrapor ao despacho decisório da repartição de origem que, inicialmente, indeferira o pedido de ressarcimento da contribuição não cumulativa (PIS ou Cofins). Anteriormente, o contribuinte havia impetrado mandado de segurança e obtido liminar determinando que a repartição de origem procedesse à análise e proferisse decisão, no prazo de 30 dias, quanto aos pedidos de ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas (PIS/Cofins) por ele formulados. Quando da análise do pedido de ressarcimento, a autoridade administrativa intimou o contribuinte a comprovar o crédito pleiteado, tendo sido constatadas diversas discrepâncias e inconsistências nos documentos apresentados, decorrendo daí a decisão denegatória do pleito, prolatada no prazo de 30 dias fixado pela decisão judicial. A decisão da Delegacia de Julgamento foi no sentido de não conhecer em parte a Manifestação de Inconformidade, em virtude da opção do contribuinte pela via judicial (relativamente à preliminar de nulidade e ao pedido de reexame dos autos pela repartição de origem), e, na parte conhecida, indeferir o pedido de diligência requerido. Cientificado da decisão de primeira instância, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário. Enquanto isso, na esfera judicial, o Contribuinte interpôs agravo de instrumento, em razão do seu entendimento de que o indeferimento dos pedidos de ressarcimento, sem exame do mérito, deturpara a determinação judicial transitada em julgado, agravo esse provido, com a determinação de que o processo administrativo fosse devidamente instruído. Em atendimento à ordem judicial, a repartição de origem procedeu à realização de diligência, tendo solicitado ao interessado a apresentação de livros, planilhas e outros documentos necessários à análise e, ao final, decidido por reconhecer em parte o direito creditório pleiteado. No Parecer da autoridade fiscal, registrouse o seguinte: a) em 2009, a repartição de origem analisara diversos processos de ressarcimento, no prazo de 30 dias estabelecido em decisão judicial, análise essa ocorrida anteriormente à conclusão da operação fiscal denominada "Tempo de Colheita" (robustecida, posteriormente, pela “Operação Broca”), quando se detectou o uso de empresas laranjas para fins de geração de créditos fictícios, créditos esses utilizados pelo Contribuinte com base em notas fiscais emitidas por essas empresas, usadas como intermediárias na compra de café junto a produtores/maquinistas; Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 4 3 b) dentre os supostos fornecedores de café, Relacafé e Triscafé eram controladas pelo Contribuinte; c) a motivação da Operação "Tempo de Colheita" foi o flagrante descompasso entre as movimentações financeiras e os valores insignificantes das receitas declaradas pelos envolvidos, tendo sido detectado que a imensa maioria das pessoas jurídicas diligenciadas encontravase omissa na apresentação da DIPJ ou, mais comumente, inativa; d) ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupavam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispunham de funcionários para operar como atacadistas; e) os documentos apreendidos junto ao Contribuinte, bem como na outra empresa do Grupo (Realcafé), durante a aludida Operação, não deixavam a menor dúvida de que os dirigentes da empresa tinham total conhecimento da existência do esquema fraudulento, que proporcionava vantagens tributárias de créditos ilícitos do PIS/Cofins; f) algumas da empresas diligenciadas demonstraram o modus operandi do esquema; g) declarações prestadas por corretores e documentos apreendidos demonstraram a participação do Contribuinte na prática fraudulenta; h) os produtores ouvidos mostraram total desconhecimento acerca das pseudoempresas atacadistas usadas para guiar o café, pois negociavam com pessoas conhecidas, de sua confiança (corretores, maquinistas e empresas da sua região), sendo que, no momento da retirada do café, surgiam nomes de “empresas” desconhecidas; i) a fraude e o seu modus operandi foram corroboradas nas oitivas colhidas no curso das investigações perante os produtores/maquinistas e corretores, juntamente com a vasta documentação apresentada por eles, inclusive documentos apreendidos durante a “Operação Broca” no próprio estabelecimento do Contribuinte e de outra empresa do grupo; j) o controle eletrônico do Contribuinte, intitulado “folha de compra”, extraído da mídia eletrônica apreendida durante a "Operação Broca", comprovava que ele tinha total controle e domínio do que compravam de cada produtor/maquinista e por qual empresa de fachada a negociação era falsamente documentada; k) as confirmações de pedidos anexadas identificam o maquinista por meio de anotação manuscrita em venda para o Contribuinte por meio de empresas laranjas. A Tristão exigia que os produtores/maquinistas, verdadeiros vendedores do café, assinassem as confirmações dos corretores, conforme comprovam os emails extraídos das mídias apreendidas na Tristão e reproduzidos; l) anexa tabela “Relatório de Vendas para Entrega Futura – TRISTÃO Cia de Comércio Exterior”, onde constam os dados das confirmações de pedidos e os dados das notas fiscais; m) são citados diversos depoimentos de corretores de café confirmando que as empresas do Grupo Tristão tinham conhecimento de que nas suas compras de café havia a interposição fictícia de empresa laranja; Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 5 4 n) no mesmo sentido foram citados depoimentos de produtores rurais contendo esclarecimentos sobre o esquema de troca de notas fiscais e outros detalhes da operação; o) Ricardo Schneider, comprador da Tristão, comunicava por email as compras diárias de café para os diversos setores do GRUPO TRISTÃO. Para cada pedido de compra, indicava, entre outros dados, o nome da empresa laranja seguido do nome do produtor/maquinista e o corretor. Foram dezenas de emails extraídos das mídias apreendidas, com data desde 2004. Alguns exemplos foram reproduzidos no parecer; p) os representantes da Colúmbia, Acádia, L&L e Do Grão, respondendo às indagações dos AuditoresFiscais, asseguraram que exportadoras e indústrias tinham pleno conhecimento da venda de notas e que era prática adotada em todo o país. Acrescentaram que muitas dessas empresas laranjas eram operadas por exfuncionário das próprias exportadoras e corretores, fato devidamente comprovado nas investigações realizadas no ES e, posteriormente, nas diligências efetuadas em MG; q) foram efetuadas diligências nas cidades de Manhuaçu, Manhumirim, Divino e Espera Feliz, de MG. Repetindo o quadro constatado no ES, o que se viu foram hipotéticas empresas ocupando espaços acanhados situadas uma ao lado da outra, desprovidas de patrimônio e capacidade operacional necessários ao seu objeto, tentando transparecer atacadistas de café, só que próximas, às vezes lado a lado, dos escritórios de compras das grandes exportadoras e torrefadoras, o que tornou a moldura mais emblemática; r) o mesmo modus operandi foi constatado em diligências efetuadas em Varginha e outros municípios no sul de MG; s) a prática rotineira que consiste em guiar café do produtor para o comprador utilizando uma empresa fictícia é corroborada nos emails trocados pela direção da própria TRISTÃO, reproduzidos em parte no Parecer, demonstrando a verdade irrefutável de que era também de conhecimento da alta direção da empresa o esquema fraudulento de intermediação fictícia de empresa laranja na compra de café de produtor; t) os emails transcritos comprovam de forma incontestável o esquema montado no mercado de café que foi a inserção de empresas laranjas como intermediárias fictícias entre o produtor e o exportador; u) a verdade é que o modus operandi era sempre o mesmo, qualquer que fosse a região do país. TRISTÃO, portanto, tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento, como dele se beneficiou, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas, gerados por empresas atacadistas de fachada, o que afastava por completo a alegação de adquirente de “boafé” ; v) os AuditoresFiscais constataram, na escrituração contábil da TRISTÃO, infração tributária relacionada à apropriação indevida de créditos integrais das contribuições sociais não cumulativas PIS (1,65%) e Cofins (7,6%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos pelas aquisições diretamente de pessoas físicas, produtores rurais, ou cerealistas; Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 6 5 w) foram elaboradas tabelas a partir das planilhas de memória de cálculo apresentadas pela TRISTÃO, consolidando as tais aquisições, cujos valores compõem a base de cálculo mensal para a glosa dos créditos integrais indevidamente apropriados; x) a TRISTÃO preenchia os requisitos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas. Portanto, efetuouse a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004; y) em sua resposta, a TRISTÃO reconheceu ter se apropriado indevidamente, por equívoco, de crédito presumido sobre operações de aquisições com fim específico de exportação (CFOP 1501), bem como notas fiscais de simples faturamento (CFOP 1922), conforme tabela no Parecer. Em relação às notas fiscais da Exprinsul Comércio Exterior e da Cocamar – Cooperativa agroindustrial, referentes a 12/2006 e 03/2008, tais valores deviam ser excluídos da base de cálculo do crédito integral, conforme memória de cálculo; z) analisando a Memória de Cálculo apresentada pela TRISTÃO, verificouse que a empresa incluiu indevidamente na base de cálculo do crédito presumido operações de venda com fim específico de exportação; aa) após análise da cópia das notas fiscais, constatouse que havia outras operações de venda com fim específico de exportação para as quais a empresa apropriara indevidamente de crédito integral, conforme citada Memória de Cálculo apresentada pela TRISTÃO. Foram relacionados os valores levantados pela fiscalização; bb) foi elaborado o Demonstrativo de Cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, anexo ao Parecer; cc) foram efetuadas as seguintes glosas de crtéditos: a) NF de empresas de fachada; b) aquisições de café de cooperativa com direito ao crédito presumido; c) apropriação indevida de crédito sobre NF emitida sem incidência de PIS/Cofins – fim específico de exportação; dd) o rateio dos créditos a descontar foi efetuado com base na proporção da receita de vendas de bens e serviços: receita mercado interno (tributada) e receita de exportação; ee) demonstrouse que o Saldo de Crédito de Meses Anteriores sobre aquisições no mercado interno vinculado à receita de exportação era zero tanto para o PIS quanto para a Cofins; ff) a fiscalização limitou o valor do pedido de ressarcimento ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do mercado externo (crédito passível de ressarcimento); gg) conforme mostrado no demonstrativo de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, a recomposição dos créditos a descontar resultou no reconhecimento parcial do valor dos créditos pleiteados no pedido de ressarcimento. Cientificado do Parecer Fiscal e do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 7 6 1) o direito creditório objeto das DComps somente foi analisado em virtude da decisão proferida pela egrégia Turma do TRF da 2ª Região, no Agravo de Instrumento 2012.02.01.0070963. A ciência do Impugnante se dera em 05/07/2013, quando já decorridos mais de cinco anos, resultando na homologação tácita de parte dos créditos compensados; 2) não fora indiciado na denominada “Operação Broca”, o que retificava que as investigações realizadas não alcançaram suas operações, uma vez que não traduziam os atos comerciais praticados por ele rotineiramente; 3) na qualidade de adquirente de boafé, era exclusivamente o destinatário das mercadorias, não sendo provada a sua participação na prática de introdução de pseudo pessoas jurídicas na cadeia de comercialização; 4) em nenhum momento foi citado nos depoimentos colhidos na Operação Broca como estando envolvido na criação ou manutenção das pseudo pessoas jurídicas, mas apenas como destinatária do café, o que ratificava a sua boafé; 5) inexiste prova robusta e inequívoca nos autos, mas apenas meras alegações e conjecturas difusas e contraditórias entre si; 6) a conduta da fiscalização revelou a busca pelo acesso irrestrito às informações internas e gerenciais do impugnante, sem amparo em nenhuma autorização judicial para tal procedimento, o que transgride o direito fundamental ao sigilo de dados, insculpido no art. 5º, X e XII, da CF/88; 7) também não se verifica a aptidão das provas testemunhais juntadas aos autos, pois referidos testemunhos não comprovam qualquer vínculo do Impugnante, seus diretores, ou mesmo funcionários, nas práticas ilícitas imputadas às empresas consideradas como de fachada; 8) o art. 112 do CTN faz eco ao princípio universal do in dubio pro reo; 9) trouxe os seguintes elementos de prova que atestam a sua boafé: certidões que atestam a ausência de indiciamento em decorrência da Operação Broca; ação de cobrança por parte da W.G. Azevedo – Brazil Coffee; emails que comprovam a preocupação em realizar operações apenas com empresas em situação regular perante o Fisco; 10) cabe ao fisco o ônus da prova do fato tributário como também o da suposta conduta ilícita; 11) em momento algum a autoridade administrativa outorgou ao impugnante o direito de participar da coleta dos depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, como legítimo exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa; 12) o conhecimento acerca da origem do café não é indício de que o Impugnante tenha agido de comum acordo com as empresas de fachada, mas sim a necessidade de que se tenha ciência do produtor rural e da região em que foi colhido o grão, para se atestar a qualidade do café adquirido; 13) o Impugnante sempre adotou todas as providencias legalmente exigidas para proceder aos créditos de PIS e Cofins decorrentes das aquisições de café; Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 8 7 14) devia ser considerado o que dispõe o parágrafo único do art. 82 da Lei 9.430/96. No caso, não restou qualquer dúvida quanto ao recebimento e pagamento das mercadorias por parte da Recorrente; 15) a boafé foi demonstrada pelo zelo de se fazerem consultas ao Sintegra e ao próprio banco de dados da RFB, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras; 16) nesse sentido, a 5ª Turma da DRJ/RJOII já se pronunciou em situação idêntica, no processo 13771.000356/200315, Acórdão 1324.918, de 25/05/2009; 17) os atos que declararam as empresas como inapta, baixada ou nula ocorreram posteriormente às compras realizadas pelo Impugnante, sendo que para algumas das empresas sequer foi localizado qualquer procedimento neste sentido; 18) os lançamentos contábeis das operações também fazem prova em favor do Impugnante; 19) a atuação do fisco é contraditória, em afronta à segurança jurídica, uma vez que num primeiro momento assumiu a existência das agora “pseudo” empresas interpostas, inclusive cobrandoas, através da instauração de procedimentos administrativos fiscais e, agora, inovando sua ótica, questiona os seus documentos fiscais de venda de café para terceiros; 20) trechos extraídos de inquéritos policiais, ou mesmo a existência de referidos procedimentos, não representam prova de suposta obtenção fraudulenta de créditos. O direito fundamental do estado de inocência proíbe a antecipação dos resultados finais do processo criminal; 21) os mesmos auditores fiscais que prolataram o despacho decisório também lavraram o Termo de Encerramento da Ação Fiscal, processo 15586.000956/201025, em face de outra empresa do Grupo Tristão, no caso a Realcafé Soluvel do Brasil, no qual afirmaram a possibilidade de crédito integral do PIS e da Cofins nas aquisições de cooperativas. Ao examinarem a mesma hipótese no presente pleito, adotaram posicionamento completamente oposto; 22) o Impugnante revende o insumo café cru em grão no mercado externo e, em alguns casos, também realiza o processo de rebeneficiamento. A atividade de revenda é preponderante; 23) em se tratando de compras para posterior revenda, o Recorrente apurou créditos integrais do PIS e da Cofins; 24) o impugnante sempre adquiriu o insumo de sociedade cooperativa que exercia a produção agroindustrial e a compra foi sempre feita com a incidência do PIS e Cofins; 25) nas aquisições de café cru em grão pelo Impugnante não há a suspensão obrigatória do PIS e Cofins, visto que as sociedades cooperativas fornecedoras exerceram atividade agroindustrial, na forma do § 6º do art. 8º da Lei 10.925/2004 e, portanto, estas é que possuem o direito ao crédito presumido, relativo à compra de café in natura; Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 9 8 26) não se pode admitir a hipótese de aproveitamento do crédito presumido da contribuição em duas etapas da cadeia produtiva do café; 27) por fim, requereu fosse reconhecida a homologação tácita de parte das compensações e, se superada a preliminar, requereu fosse reconhecido o direito creditório de modo integral com a homologação das compensações formalizadas nos autos. Em sua decisão, a DRJ Rio de Janeiro I/RF fundamentou o não reconhecimento do direito creditório (i) na desconsideração dos negócios fraudulentos, em decorrência da comprovação da ocorrência de fraude e dissimulação por meio de interpostas pessoas, (ii) na inocorrência de desqualificação do regime de suspensão da exigibilidade do crédito tributário nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, beneficiadas com o crédito presumido, (iii) na inocorrência de homologação tácita da compensação e (iv) na preclusão das matérias não contestadas. No Recurso Voluntário, o Contribuinte reiterou os argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.414, de 26/02/2018, proferido no julgamento do processo 15578.000805/200932, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.4141): O Recurso é próprio e tempestivo e dele tomo conhecimento. (...) Inicialmente, cumpre pontuar que o presente feito tem por objeto 3 (três) grupos de glosas: a) NF de empresas de fachada. Os valores consolidados mensalmente pela fiscalização constam das tabelas mostradas no item II.7.1; b) Aquisições de café de cooperativa com direito ao crédito presumido, conforme listado no item II.7.2; c) Apropriação indevida de crédito sobre NF emitida sem incidência de PIS/COFINS – fim específico de exportação. Valores consolidados no item II.7.3; 1 A decisão do acórdão paradigma reproduzida na sequência é composta da parte do voto da relatora originária que restou mantida, por unanimidade, no julgamento do Recurso Voluntário e do voto elaborado pelo redator designado, que se restringe à preliminar suscitada pelo Recorrente, afastada pelo voto de qualidade. Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 10 9 O Recurso apresentado é bastante extenso e dividido em diversos tópicos. Tendo em vista que as razões expostas em cada tópico repetemse e confundemse, passo a analisálos de acordo com a correlação existente entre estes, e não necessariamente na ordem apresentada pela recorrente. (...) "DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO, ACERCA DAS AVENTADAS OPERAÇÕES QUE ALEGA TEREM SIDO "AUSPICIADAS" PELA RECORRENTE" "DA ILEGÍTIMA INOVAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA GLOSA CONSUBSTANCIADA ATRAVÉS DA DECISÃO ORA RECORRIDA" "DA INSUBSISTÊNCIA DAS PROVAS APRESENTADAS PELA FISCALIZAÇÃO" "DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO ACERCA DA PARTICIPAÇÃO CONJUNTA DA RECORRENTE COM AS DENOMINADAS "EMPRESAS DE FACHADA"." "DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DE VALIDADE E CORREÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS AUFERIDOS PELA RECORRENTE" "A CONTABILIDADE (AQUISIÇÕES DEVIDAMENTE REGISTRADAS) COMO MEIO DE PROVA EM FAVOR DA RECORRENTE A ESSÊNCIA SOBRE A FORMA" "DAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS SOB A "OPERAÇÃO TEMPO DE COLHEITA". DA AUSÊNCIA DE NEXO DE CAUSALIDADE PARA COM AS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA RECORRENTE" "DA IMPOSSIBILIDADE DE EXTENSÃO EM FACE DA RECORRENTE DOS EFEITOS DOS ATOS PRATICADOS NO ÂMBITO DA DENOMINADA "OPERAÇÃO BROCA"." Como relatado, a questão dos autos se refere à possibilidade de tomada de créditos integrais de PIS e COFINS sobre as aquisições de pessoas jurídicas tidas por fictícias, conforme operações Tempo de Colheita e Broca, realizadas de forma conjunta pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. Assim resume a DRJ: A autoridade fiscal efetuou a glosa de créditos integrais calculados pelo contribuinte em relação a aquisições de café de pessoas jurídicas. O cerne da controvérsia, com base no que os auditores afirmam pode ser resumido em dois pontos: (1) existência de um esquema fraudulento de constituição de empresas visando vantagens tributárias indevidas, consistentes em creditamento ilícito de PIS e Cofins; (2) participação da contribuinte, ora manifestante, nesse esquema. Preliminarmente a interessada contesta os elementos de prova trazidos aos autos junto ao Parecer Fiscal. Argumenta que as provas são ilícitas porque as interceptações telefônicas e de dados só podem ser realizadas com autorização judicial, que as provas Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 11 10 testemunhais não são aptas e não comprovam vínculo da empresa interessada com o suposto esquema. Assim, a controvérsia se resume, efetivamente, à existência ou não de provas nos autos acerca da participação da Recorrente na criação das pessoas jurídicas fictícias vendedoras de café. Em diversas oportunidades já me manifestei acerca de situações bastante similares à presente, sempre no sentido de que, para que o contribuinte possa ser penalizado em razão das supostas fraudes identificadas, é necessária a comprovação de que esta participou das operações tidas por fraudulenta. Com base em jurisprudência já pacificada no âmbito do STJ, não vejo como imputar a terceiros quaisquer consequências advindas de operações fraudulentas das quais não participou. Até porque, é princípio básico constitucional que a pena jamais poderá ultrapassar a pessoa do condenado. O entendimento supra já foi por mim formalizado em sede de Declaração de Voto Vencido (Acórdão nº 3201.002.083, de 25/02/2016), em Voto Vencedor por unanimidade (Acórdão 3201003.038, de 25/07/207) e, mais recentemente, na condição de Relatora Designada para o Voto Vencedor (Acórdãos 3201003.202, 3201003.203 e 3201003.204, todos de 24 de outubro de 2017). Neste último, a mim incumbiu apresentar o entendimento vencedor da Turma quanto à questão: Não obstante o bem fundamentado voto do i. Relator, fui designada para a redação do voto vencedor quanto às glosas dos créditos correspondentes às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas inaptas, baixadas ou suspensas. Como já salientado pelo Relator, é sabido que, comprovada a efetividade das operações, o contribuinte, agindo de boafé faz jus a manutenção dos créditos fiscais. E como já decidiu o Superior Tribunal de Justiça por meio da Súmula nº 509. Em outras palavras, a boa fé é sempre presumida, cabendo àquele que alega a existência de má fé a comprovação nesse sentido. Na hipótese dos autos a divergência se instaurou quanto à afirmação fiscal de que não teria sido comprovada a efetividade das operações realizadas junto às pessoas jurídicas tidas como inaptas, baixadas ou suspensas, em face das alegações e documentos trazidos aos autos pela Recorrente no intuito de comprovar as aquisições realizadas Entendeu a Turma Julgadora, por sua maioria, que, em fato, na logrou a Fiscalização demonstrar que a Recorrente teria qualquer participação nos atos que levaram às declarações de inidoneidade das Pessoas Jurídicas vendedoras das mercadorias passíveis de geração de crédito no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Desse modo, não se pode manter as glosas efetuadas pela Fiscalização, na hipótese específica dos autos, uma vez que ausente demonstração fiscal quanto à participação da Recorrente em qualquer ato ensejador da pretendida descaracterização das aquisições realizadas, devendo se manter a presunção de boa fé do adquirente. Assim, entendo que, para que a glosa pretendida pela Fiscalização tenha suporte, é necessário não apenas comprovar a existência de fraude na criação das empresas vendedoras de café o que efetivamente foi realizado por meio das Operações Tempo de Colheita e Broca. Se faz imprescindível que se comprove a ciência da Recorrente acerca desses fatos e a sua participação no dito "esquema". Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 12 11 Isso porque, não obstante a aparência de legalidade das operações, como alega a Recorrente, em razão de que (1) todas as empresas citadas como fictícias possuíam CNPJ válidos no momento da aquisição do café; (2) fora verificada a regularidade dessas empresas no CNPJ e no SINTEGRA, e nenhuma tinha sido declarada inapta; (3) as mercadorias adquiridas entraram no estoque da recorrente e foram pagas diretamente aos emitentes das notas fiscais, uma vez comprovada a máfé na realização desses negócios jurídicos, é plenamente válida a sua desconstituição. É o que dispõe o parágrafo único do art. 116 do CTN: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) E, não obstante o Relatório Fiscal não tenha mencionado expressamente o referido dispositivo legal, citado apenas no Acórdão da DRJ, não há falar em inovação. Os fundamentos de fato e de direito que levaram à desconsideração dos negócios jurídicos são os mesmos e deles decorre logicamente a aplicação do referido dispositivo legal. Não houve qualquer tentativa de alteração quanto à fundamentação legal do lançamento. Ademais, não compete a este CARF afastar a aplicação de disposição expressa de lei. Não obstante, entendo que a ausência de regulamentação do referido dispositivo legal não impede a sua aplicação. O dispositivo legal é autoaplicável, embora passível de regulamentação pela legislação ordinária. E, nesse sentido, tenho que a legislação processual tributária vigente no âmbito federal cumpre a necessária regulação do tema. Em conclusão desse aspecto, manifesto minha integral concordância com a tese defendida pela Recorrente no sentido de que, uma vez comprovada a ocorrência da operação de compra e venda, sendo que essas revestiamse da aparência de legalidade, o adquirente de boafé não pode ser penalizado pela posterior desconsideração do negócio jurídico. Todavia, a hipótese dos autos, como se verá, afasta a presunção de boafé da Recorrente. Não basta que a operação tenha a aparência de legalidade para que seja válida. Uma vez comprovado nos autos que a Contribuinte possuía ciência do fato de que as pessoas jurídicas eram criadas de modo fraudulento tão somente para legitimar a geração do crédito de PIS e COFINS, resta caracterizada a máfé do adquirente. Quanto ao argumento de que os emails que comprovam que a Tristão questionava a origem do café apenas para fins de averiguar a qualidade do produto, tenho que não prospera. Existem emails e mensagens trocadas que demonstram claramente a exigência de que as pessoas jurídicas estivessem regulares tão somente em razão da possibilidade de geração de crédito. Tanto é assim que em determinado momento, o comprador da Tristão se Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 13 12 nega a efetuar o pagamento de determinada compra exclusivamente em razão da irregularidade do CNPJ da empresa vendedora. Adentrando, portanto, ao cerne da controvérsia instaurada, entendo ser desnecessário tecer maiores comentários acerca da existência e funcionamento dos chamados esquemas de triangulação, criação dos "maquinistas". Nesse sentido, me reporto ao bem detalhado relatório fiscal e ao próprio acórdão proferido pela DRJ, que demonstram o funcionamento de tais empresas de fachada com o fito exclusivo de garantir ao adquirente a tomada de créditos de PIS e COFINS em valor integral, ao substituição ao crédito presumido que seria gerado na aquisição direta da pessoa física. É imprescindível, outrossim, analisar de forma detida as provas apresentadas de modo a averiguar a efetiva ciência e participação da Recorrente. Para tanto, remetome ao extenso Parecer Fiscal (...). Como de costume, o Parecer Fiscal relata de forma detalhada a criação e operacionalização dos esquemas, trazendo diversas informações e provas relativas aos Maquinistas, comprovando a existência do esquema. O Parecer Fiscal, ainda, cuidou de demonstrar diversos dados extraídos da operação e que tem ligação direta com a Recorrente, tais como: depoimentos de maquinistas que alegam ter vendido o café à Tristão com a ciência desta; registros de mensagens trocadas com dirigentes da Tristão; cópias de emails trocados com sócios, diretores e empregados da Tristão; Pedidos de Compra da Tristão com o nome das pessoas físicas produtoras, embora com notas fiscais emitidas pelas Pessoas Jurídicas fraudulentas, dentre outros. Ademais, a Tristão, na condição de adquirente, foi uma das empresas fiscalizadas durante a Operação Tempo de Colheita. Assim, grande parte dos elementos colhidos durante a operação, o foram diretamente obtidos da Recorrente. Logo, vêse que, na hipótese dos autos, há, efetivamente, robusta prova documental que comprova a participação, ou, quando menos, a plena ciência da Recorrente quando ao fato de que o café era adquirido de pessoas jurídicas inexistente de fato, criadas com o fim exclusivo de geração de crédito de PIS e COFINS. Nesse aspecto, pontuo, quanto às alegação da Recorrente no sentido de que não haveria prova da sua participação na Operação Broca, sendo que não foi indicada criminalmente no âmbito da referida, o que tornaria insubsistente toda a autuação fiscal. Com efeito, a maior robusteza probatória é relativa à Operação Tempo de Colheita. E, quanto à esta, a Recorrente não trouxe qualquer alegação. Não obstante, consta, sim, nos autos, provas de que a Recorrente estava ciente que nas operações descortinadas por meio da Operação Broca, o modus operandi era exatamente o mesmo daquelas objeto da Operação Tempo de Colheita. Existe nos autos cópia de nota fiscal guiada e emails trocados por funcionários da Tristão com corretores sabidamente operadores do esquema fraudulento, inclusive com a expressão "Como sabemos os cafés são guiados com nota de firma" (fl. 1251), dentre outros elementos. Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 14 13 Ademais, é cediço que a instrução criminal se dá de forma diversa da investigação tributária. Ainda que ambas devam se pautar no princípio da legalidade estrita, seus escopos são bastante distintos. E, nesse seara, cabe averiguar se os elementos apresentados pela Fiscalização são suficientes para fundamentar o lançamento tributário, o que, a meu ver, logrouse. Se, no âmbito criminal, entendeuse não haver elementos caracterizados de ilícito penal, não há influência direta no lançamento tributário. Os elementos do tipo penal são distintos dos elementos do tipo tributário. Ainda assim, as decisões judiciais trazidas aos autos como justificativa de invalidar o lançamento dizem respeito à ilegitimidade de colheita de prova testemunhal, e quando esta é o único meio de prova admitido na denúncia. Na hipótese dos autos, as provas testemunhais são apenas indiciárias. Há outros elementos que comprovam a ciência da Recorrente acerca das operações fraudulentas. E, quanto à alegação de que tais provas documentais foram obtidas com base em colheita ilegal, com a devida vênia às razões esposadas, compete ao Poder Judiciário a eventual declaração de ilegalidade na obtenção das provas. Inexistindo tal declaração, falece competência a este órgão administrativo para tal. Assim, o fato de a Recorrente não ter participado do processo investigativo realizado no âmbito das Operações Tempo de Colheita e Broca não contaminam o devido processo legal tributário, com o pleno exercício da ampla defesa. Com efeito, a ampla defesa no processo administrativo tributário é exercida a partir da apresentação da defesa (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), Recurso Voluntário e Recurso Especial. Ressalto, ainda, que, na hipótese dos autos, a ampla defesa foi inclusive assegurada por decisão judicial que determinou o refazimento do lançamento tributário original, que deixou de fundamentar a glosa de créditos. Quanto à alegação de que a Fiscalização não poderia ter equiparado as compras realizadas de cooperativas às compras procedentes de pessoas físicas, também não assiste razão à Recorrente. Não houve uma alteração acerca da forma de se apropriar os créditos oriundos de compras realizadas de cooperativas. Ou ainda, não houve a glosa dos créditos pelo fato de as vendedoras serem cooperativas. O que efetivamente ocorreu, e valido nesse voto, foi a exclusão da figura do "atravessador", seja este constituído na forma de sociedade comercial ou cooperativa, uma vez que se comprovou que sua criação se deu com o fim exclusivo de simular um negócio jurídico. A Recorrente ainda alega violação ao princípio da segurança jurídica pelo fato de a Fiscalização, alegadamente, ter pronunciado entendimento diverso em processos decorrentes da mesma operação, contudo em face de pessoas jurídicas distintas. Tal fato, a meu ver, apenas corrobora todo o exposto com relação à existência de prova efetiva em face da Recorrente. Não há como se pretender vincular esta decisão à processo formalizado em face de pessoa jurídica diversa, notadamente quando este é decorrente essencialmente de material probatório. Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 15 14 "DA INOCORRÊNCIA DA PRECLUSÃO APONTADA PELA DECISÃO RECORRIDA. DO RESTABELECIMENTO INTEGRAL DOS CRÉDITOS INFORMADOS PELA RECORRENTE" Nesse tópico aduz a Recorrente que a decisão recorrida teria declarado uma preclusão inexistente. Contudo, nesse mesmo tópico, reconhece que deixou de impugnar determinadas glosas visando dar celeridade ao procedimento. Desse modo, não vejo como prover qualquer alteração no acórdão recorrido nesse sentido. (...) Voto Vencedor O Presidente da Turma designoume para redigir o voto vencedor quanto ao afastamento da preliminar suscitada pela recorrente, relativa à homologação tácita de parte da compensação. A Conselheira Relatora entendeu que o primeiro Despacho Decisório restara nulo, porque o Poder Judiciário determinara a prolação de novo Despacho Decisório, e também, porque não haveria a devida motivação e fundamentação. E porque o primeiro seria nulo, o segundo Despacho Decisório seria posterior ao prazo hábil, de 5 anos, tendo como consequência a homologação tácita dos pedidos de compensação anteriores. Todavia, não se vislumbra a nulidade do primeiro Despacho Decisório. Com efeito, tratase de ato administrativo com todas os requisitos de validade, inclusive a motivação, a qual foi a falta de apresentação de arquivos digitais corretos, que fossem coerentes com as informações do Dacon e com as notas fiscais físicas. Vejase excerto do referido documento (...): De posse da mesma [documentação intimada], a primeira providência foi aferir a correção e consistência dos arquivos magnéticos e planilhas de apuração em confronto com os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) e livros fiscais. Desta verificação constatouse que as diferenças existentes entre eles são enormes, inviabilizando por completo o estabelecimento de um parâmetro de conferência. Observouse em cotejo perfunctório que os arquivos magnéticos também possuem inconsistências frente aos documentos fiscais que os maculam indelevelmente, ou seja, o arquivo eletrônico contendo rol de notas fiscais de aquisição não reflete com correção os dados constantes dos documentos físicos. Como exemplo, citemse as notas fiscais de venda com o fim específico de exportação, que não geram crédito da não cumulatividade, registradas como aquisição para revenda/insumo; aquisições de cooperativas, que tem tratamento tributário diferenciado a partir de abril/2006, registradas como efetuadas de pessoas jurídicas comuns; o arquivo eletrônico exigido pelo termo de intimação impunha a entrega da relação de toda as notas fiscais de entrada, independente de gerar crédito ou não, com a marcação daquelas aproveitadas no cálculo, todavia o arquivo apresentado não trouxe a integralidade de tais documentos; há casos em que constam aquisições no arquivo magnético e não foram apresentadas as notas fiscais, como exigido no termo; grande quantidade de notas fiscais de cerealistas e pessoas jurídicas agropecuárias com informação, em seu corpo, de saída com suspensão, entretanto, arroladas na relação eletrônica como garantidoras de crédito com cômputo integral; notas fiscais de Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 15578.000790/200911 Acórdão n.º 3201003.415 S3C2T1 Fl. 16 15 retorno de mercadoria computadas como aquisição de produtos; o arquivo apresentado não trouxe a indicação da filial onde ocorreu a operação. Ressalte se que todos os vícios detectados e acima apontados impedem a validação das informações perante os livros fiscais e o próprio DACON. Portanto, os arquivos digitais diferiam em grande medida das informações do Dacon, e assim, impedido de analisar o detalhamento dos créditos, e ainda, impedido de conceder prazo maior para que o contribuinte corrigisse tais arquivos, em vista da comando judicial no âmbito do Mandado de Segurança 2009.50.01.0049781, o qual determinara o prazo de 30 dias para conclusão da decisão, o Fisco, corretamente, não homologou as compensações. Verifico que essa decisão foi revista pelo Poder Judiciário, que determinou o aprofundamento da análise de mérito dos créditos. Não há, desse modo, a anulação do primeiro Despacho Decisório, mas o retorno do processo para sua correção. Tal procedimento é assaz comum em decisões do Carf, quando se ultrapassam questões preliminares e se determina a análise do mérito. Com esses fundamentos, afastei a preliminar suscitada, tese que restou vencedora por voto de qualidade. Registrese que os fatos apurados no processo paradigma correspondem aos mesmos fatos constantes dos processos dos recursos repetitivos, fato esse que possibilita o julgamento em conjunto. Além disso, destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar a preliminar de decadência parcial, relativamente à homologação tácita de parte da compensação declarada, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1816DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913314/2011-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.008
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 14 /2 01 1- 24 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13839.913314/201124 Acórdão n.º 3402005.008 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 61 PIS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.296, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 13839.913314/201124 Acórdão n.º 3402005.008 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13839.913314/201124 Acórdão n.º 3402005.008 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13839.913314/201124 Acórdão n.º 3402005.008 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13839.913314/201124 Acórdão n.º 3402005.008 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13839.913314/201124 Acórdão n.º 3402005.008 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.913314/201124 Acórdão n.º 3402005.008 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13839.913314/201124 Acórdão n.º 3402005.008 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.000376/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2402-000.637
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para a adoção das providências mencionadas no voto do relator. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Fernanda Melo Leal (suplente convocada em substituição à conselheira Renata Toratti Cassini), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior, João Victor Ribeiro Aldinucci e Maurício Nogueira Righetti. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 37 6/ 20 08 -7 1 Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13502.000376/200871 Resolução nº 2402000.637 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 215/230) em face da Decisão Notificação (DN) n. 04.401.4/0397/2006 Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador (BA) efls. 203/211 que julgou parcialmente procedente o lançamento consignado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.668.4415 consolidado em 21/12/2005 e constituído em 30/12/2005 no valor total de R$ 4.127,64 Competências: 01/1998 a 04/1998 (efls. 02/56), com fulcro nas contribuições sociais devidas à Seguridade Social, nos termos do art. 20 e 22, I, da Lei n. 8.212/91, e naquelas destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT/GIILRAT), nos termos do art. 22, II, da Lei n. 8.212/91, todas decorrentes do instituto da responsabilidade tributária, conforme discriminado no Relatório Fiscal de efls. 95/107. De acordo com o Relatório Fiscal (efls. 95/107), a NFLD DEBCAD n. 35.668.4415, em litígio, substituiu a NFLD DEBCAD n. 32.616.0051, de 18/12/1998, declarada nula por decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS) órgão colegiado na época responsável pelo controle de legalidade das decisões em processo de interesse dos beneficiários e contribuintes da Seguridade Social nos termos do Acórdão n. 002333, de 24/09/2003. O crédito tributário em apreço foi lançado, conforme informado no Relatório Fiscal (efls. 95/107), com fulcro nas remunerações contidas nas notas fiscais relativas às atividades relacionadas à construção civil executadas pela empresa ENGIM ENGENHARIA E IMPERMEABIIZAÇÕES LTDA. CNPJ 13.479.803/000112, com fundamento no art. 30, VI, da Lei n. 8.212/91. O lançamento em lide foi efetuado em face da CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 (contribuinte fiscalizado), havendo a empresa ENGIM ENGENHARIA E IMPERMEABIIZAÇÕES LTDA. CNPJ 13.479.803/000112 sido qualificada devedor solidário. Irresignado com o lançamento, o contribuinte fiscalizado CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108 apresentou a impugnação de efls. 170/186, julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Previdenciária de Salvador (BA), nos termos da DecisãoNotificação (DN) n. 04.401.4/0397/2006 (efls. 203/211), sumarizada na ementa abaixo transcrita: Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13502.000376/200871 Resolução nº 2402000.637 S2C4T2 Fl. 4 3 Não consta dos autos a data de ciência do recorrente (CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108) do teor da DecisãoNotificação (DN) n. 04.401.4/0397/2006 (e fls. 203/211), vez que não houve retorno do AR, conforme atesta a SARAC/Seção de Arrecadação e Cobrança/Delegacia da Receita Federal em Camaçari (BA) no despacho de efl. 237. Assim, ainda consoante o despacho retrocitado, não havendo como comprovar a data da ciência postal face o não retorno do AR e entendendo que a apresentação do recurso supre a ausência da ciência, foi considerada a data de 16/04/2007 data do protocolo n. 36660.000562/200710 como data da ciência da decisão recorrida. Desta forma, o Recurso Voluntário de efls. 215/230, é considerado tempestivo, e, fundamentase nos mesmos argumentos que nortearam a impugnação de efls. 170/186. A empresa ENGIM ENGENHARIA E IMPERMEABIIZAÇÕES LTDA. CNPJ 13.479.803/000112 (devedor solidário), apesar de notificada por via editalícia (efl. 234), não compareceu aos autos. A pessoa jurídica PARANAPANEMA S/A, sucessora por incorporação universal de CARAÍBA METAIS S/A, atravessou petição às efls. 239/245 requerendo o levantamento dos valores depositados administrativamente como condição de admissibilidade do recurso voluntário interposto. Outrossim, a pessoa jurídica PARANAPANEMA S/A reitera o Recurso Voluntário de efls. 215/230, apresentado pela CARAÍBA METAIS S/A CNPJ 15.224.488/000108, nos termos da petição de efls. 260/267. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13502.000376/200871 Resolução nº 2402000.637 S2C4T2 Fl. 5 4 É relevante destacar que não constam dos autos a NFLD DEBCAD n. 32.616.0051 (com o respectivo relatório fiscal) que foi substituída pela NFLD DEBCAD n. 35.668.4415, objeto deste litígio , bem assim o Acórdão n. 002333, de 24/09/2003, da lavra do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que decretou a nulidade da primeira NFLD. É o relatório. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13502.000376/200871 Resolução nº 2402000.637 S2C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator. O Recurso Voluntário (efls. 215/230) é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores, portanto dele CONHEÇO. Consoante relatado, não constam dos autos a NFLD DEBCAD n. 32.616.0051 (com o respectivo relatório fiscal), bem assim o Acórdão n. 002333, de 24/09/2003, da lavra do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). As peças processuais supra referidas são necessárias à apreciação do Recurso Voluntário (efls. 215/230), uma vez presente arguição de preliminar de decadência pelo recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (efls. 215/230) e CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA junto à autoridade fiscal lançadora, no sentido de juntar aos autos a NFLD DEBCAD n. 32.616.0051 (com o respectivo relatório fiscal) e o inteiro teor do Acórdão n. 002333, de 24/09/2003, do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 274DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.000112/2011-20
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal.
Numero da decisão: 1001-000.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL TERMO DE INDEFERIMENTO DÉBITOS Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que possua débitos com a Fazenda Pública Federal, Estadual ou Municipal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 17) para o ano calendário 2011, tendose em vista a existência de débito com a Secretaria da Receita AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 00 01 12 /2 01 1- 20 Fl. 99DF CARF MF 2 Federal do Brasil RFB, de natureza previdenciária (Débito: 369247507), cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V. Após tomar ciência do contido do Termo de Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 33/37) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender, com base na informação prestada pela Unidade de Origem (efl. 31), que as parcelas referente ao parcelamento de débito citado foram pagas a menor: No caso em exame, a informação prestada pela Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte no despacho de fl. 30, esclarece o litígio ao afirmar que os valores pagos pelo contribuinte foram insuficientes para quitar as parcelas do parcelamento do débito previdenciário de nº 369247507 requerido em 13/01/2011. Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 15/04/2015 (efl. 40) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 13/05/2015 (efl. 92), em que aduz, em resumo, que parcelou o débito, que o parcelamento estava em dia e que suspendia a exigibilidade do débito: Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (efl. 17) para o ano calendário 2011. Cabe verificar o que dispõe o artigo 17 da Lei nº 123/2006, inciso V e XI, e o art. 7o, § 1ºA, da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: “Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa”;(destaquei). (...) A opção pelo Simples Nacional está regulamentada pela Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13749.000112/201120 Acórdão n.º 1001000.315 S1C0T1 Fl. 100 3 (...) § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) Conforme demonstrativo anexado do sistema Dataprev (efl. 48), todos os nove primeiros pagamentos mensais do parcelamento foram pagos parcialmente. O art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 15, de 15 de dezembro de 2009 prevê que é considerada inadimplida a parcela parcialmente paga de parcelamento ordinário, e que implicará rescisão do parcelamento a falta de pagamento de 3 (três) parcelas, consecutivas ou não: Art. 28. Implicará rescisão do parcelamento a falta de pagamento de: I 3 (três) parcelas, consecutivas ou não; ou II até 2 (duas) prestações, estando pagas todas as demais ou estando vencida a última prestação do parcelamento. § 1º É considerada inadimplida a parcela parcialmente paga. (...) Logo, em 31/01/2011 o débito não estava quitado nem estava com a exigibilidade suspensa. Desta forma, concluo que havia impedimento para a adesão. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 101DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35590.009889/2006-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ASSOCIADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
Constatada a impossibilidade de determinação dos fatos geradores mantidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) correlata ao Auto de Infração (AI), há que ser declarada a nulidade do lançamento, por vício formal, da multa por descumprimento da obrigação acessória.
Numero da decisão: 9202-006.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para declarar a nulidade do lançamento por vício formal, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo- Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ASSOCIADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Constatada a impossibilidade de determinação dos fatos geradores mantidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) correlata ao Auto de Infração (AI), há que ser declarada a nulidade do lançamento, por vício formal, da multa por descumprimento da obrigação acessória.
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NULIDADE. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ASSOCIADA A OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Constatada a impossibilidade de determinação dos fatos geradores mantidos na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) correlata ao Auto de Infração (AI), há que ser declarada a nulidade do lançamento, por vício formal, da multa por descumprimento da obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para declarar a nulidade do lançamento por vício formal, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe negou provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 59 0. 00 98 89 /2 00 6- 76 Fl. 546DF CARF MF 2 Relatório Tratase de ação fiscal que originou os seguintes procedimentos: PROCESSO DEBCAD TIPO SITUAÇÃO 35590.009890/200609 35.739.6995 Obrigação Principal Decisão de Primeira Instância anulada em 2007 35590.009889/200676 35.739.9544 Obrigação Acessória (AI 68) Recurso Especial Desconhecido 35.739.9552 Obrigação Acessória Reconhecida e quitada . O presente processo trata do Debcad 35.739.9544 (AI68), tendo em vista a apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Em sessão plenária de 07/05/2009, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 230100.296 (fls. 487 a 496), assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 21 /07/2005 DISCRIMINAÇÃO DOS FATOS GERADORES. INSUFICIÊNCIA. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. A autuação deve discriminar os fatos geradores das contribuições previdenciárias que deixaram de ser informadas em GFIP, de forma clara e precisa, bem como o período a que se referem, sob pena de cerceamento de defesa e conseqüente nulidade. Processo Anulado.” A decisão foi assim registrada: “ACORDAM os membros da 3ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento. Vencido o Conselheiro Marco André Ramos Vieira.” O processo foi recebido na PGFN em 30/07/2009 (carimbo aposto à Relação de Movimentação de fls. 497) e, em 07/08/2009, foi interposto o Recurso Especial de fls. 501 a 512 (Relação de Movimentação de fls. 498). O apelo, interposto na modalidade por "Contrariedade à Lei ou à Evidência de Prova", está fundamentado no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais e no art. 4º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a inexistência de nulidade no lançamento. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 35590.009889/200676 Acórdão n.º 9202006.627 CSRFT2 Fl. 547 3 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 267/2009, de 05/10/2009 (fls. 515/516). Em seu apelo, a Fazenda Nacional alega: conforme os arts. 59 c/c 60 do Decreto n.° 70.235, de 1972, o Auto de Infração e demais termos do processo somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: a) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; na hipótese dos autos, o voto condutor do acórdão decidiu pela anulação do Auto de Infração, sob o argumento de que não há descrição de quais fatos geradores não foram informados em GFIP; sucede que da leitura detida Auto de Infração, bem como do Relatório Fiscal dos demais termos que acompanham o procedimento fiscal, concluise, indubitavelmente, que tudo está em plena conformidade com o que estabelece o Decreto nº 70.235, de 1972 e a Lei n°. 8.212, de 1991: a origem do crédito constituído, o período compreendido, os elementos que serviram de base para a apuração, os valores lançados, bem assim a fundamentação legal ao crédito lançado encontramse presentes; o valor lançado no Auto de Infração foi apurado em estrita observância das determinações legais e normativas vigentes, tendo por base o que prescrevem os dispositivos elencados no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD; e os fatos geradores omitidos são de pleno conhecimento da empresa, tanto que ela reconheceu que alguns valores, de fato, não foram lançados em GFIP e efetuou a retificação, requerendo a relevação da multa; a contribuinte em nenhum momento alegou cerceamento do direito de defesa, ao contrário, reconheceu o erro e procedeu a correção de parte dos fatos geradores omitidos em GFIP. a conduta da empresa foi apreciada pela DRP, que relevou parcialmente a multa aplicada (fls. 45463); a contribuinte, pelo recurso de fls. 471/472, mais uma vez demonstrou pleno conhecimento da autuação, pois afirmou que o remanescente do auto de infração corresponde ao levantamento AUT Autônomos, que é objeto de recurso; ao final, afirma que o auto de infração só pode ser concretizado após julgamento do recurso interposto em face da decisãonotifícação 17.401.4/0650/2006; de tudo, vêse que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do art. 10, do Decreto nº 70.235, de 1972; o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, reconheceu a falha ao omitir fatos geradores de contribuições previdenciárias. Fl. 548DF CARF MF 4 Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, para que seja afastada a nulidade do lançamento. Cientificada do acórdão, do Recurso Especial da Procuradoria e do despacho que lhe deu seguimento em 16/08/2011 (AR Aviso de Recebimento de fls. 507 do volume 3), a Contribuinte, em 30/08/2011, ofereceu as Contrarrazões de fls. 510 a 519 (carimbo de fls. 510), contendo os seguintes argumentos: até o presente momento, não há decisão quanto à procedência dos levantamentos que, supostamente, serviram de base à lavratura do Auto de Infração n° 35.739.9544 e que também são objeto de cobrança pelo suposto descumprimento de obrigação principal na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 37.739.6995; não há, portanto, como afirmar que ocorreram fatos geradores de contribuição previdenciária não informados em GFIP; o Serviço do Contencioso Administrativo reconheceu que, para proferir a Decisão de Notificação 17.401.4/0650/2006, necessitou de informações complementares, determinando, para esse fim, diligência fiscal; e não reabriu, entretanto, o prazo para defesa; relembrando que não foram entregues à contribuinte os anexos mencionados na Decisão de Notificação 17.401.4/0650/2006, a contribuinte juntou documentação comprobatória contestando as incertas alegações do Auditor Fiscal autuante trazidas aos autos, no intento de demonstrar a improcedência dos lançamentos que subsistiram; tal proceder fundamentou o Acórdão nº 20500.198, que, para garantia do devido processo legal, anulou a decisão, determinando reabertura de prazo para a defesa; os fatos aqui narrados caracterizam o cerceamento de defesa que contaminou os dois créditos tributários, tanto em relação à obrigação principal, concretizado pela Decisão de Notificação 17.401.4/0650/2006, quanto em relação à obrigação acessória, conforme Despacho Decisório DD n° 17.401.4/0048/2006, pela supressão de instância administrativa; o cerceamento de defesa traz, indubitavelmente, prejuízo ao contribuinte; quanto à afirmativa de que o Relatório Fiscal do Auto de Infração está em plena conformidade com a legislação vigente, há, igualmente que se discordar; vale transcrever o inteiro teor do Relatório: 1. Autuo a empresa, com fundamento na Lei 8.212, de 24/07/91, art. 32, inciso IV e parágrafo 5, também acrescentado pela Lei 9.528, de 10/12/97 , combinado com o Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/99 , art. 225, IV parágrafo 4, uma vez que a mesma deixou de apresentar o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24/07/91,art. 32, inciso IV e parágrafo 3, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/97 , com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 2. Não constam autosdeinfração lavrados contra a empresa em ações fiscais anteriores. Não ocorreram circunstâncias agravantes. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 35590.009889/200676 Acórdão n.º 9202006.627 CSRFT2 Fl. 548 5 não há a origem do crédito constituído nem os elementos que serviram de base para sua apuração; cabe esclarecer que a contribuinte iniciou suas atividades em 1990, sempre cumpridora de suas obrigações fiscais e ao ser autuada, buscou suporte técnico para analisar sua situação fiscal e, tendo comprovado que um dos levantamentos era procedente, imediatamente reconheceu e corrigiu aquele erro, apenas aquele, pois os demais lançamentos não foram reconhecidos como falta; tal conduta não pode ser usada contra a contribuinte, fazendo crer que todos os levantamentos apresentaram a mesma certeza e liquidez, nem que a mesma tenha, simplesmente, sem qualquer fundamento, esquivadose a reconhecêlos; e ainda, o fato de ter a recorrente afirmado que o saldo remanescente do Auto de Infração correspondia ao levantamento "autônomos" não significa dizer que a autuação apresentou informação clara ou precisa, tanto assim é que o Despacho Decisório 17.401.4/0048/2006, ao excluílos, teve o cuidado de discriminálos, caracterizando, também aqui, a supressão de instância; ao discriminálos, excluiu quase a totalidade dos levantamentos, parte em razão da relevação da multa pela correção da falta, "inserção de valores referentes ao pagamento de plano de saúde", e parte em razão de a Decisão de Notificação 17.401.4/0650/2006 ter reconhecido a falta de clareza do Relatório fiscal, conforme itens 14 e 14.1, do Despacho Decisório citado; as falhas da ação fiscal estão evidenciadas na Decisão de Notificação 17.401.4/0650/2006 que, após determinar diligência fiscal na empresa para esclarecer a circunstância material de diversos levantamentos, manteve tão somente 7% (sete por cento); o mesmo raciocínio é aplicável ao Auto de Infração 35.739.9544, no valor de R$ 41.157,23, reduzido pelo Despacho Decisório 17.401.4/0048/2006 a R$ 6.492,37; foram exatamente a certeza jurídica e a segurança procedimental que estiveram ausentes em todos os atos durante e após a ação fiscal, vício que foi apontado pelo Conselho de Contribuintes quando da análise da Decisão de Notificação 17.401.4/0650/2006 e, agora, pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ao apreciar o recurso interposto face ao Despacho Decisório 17.401.4/0048/2006. Ao final, a Contribuinte requer a manutenção do acórdão recorrido, em face da existência de nulidade por cerceamento de defesa. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, tendo em vista que a empresa apresentou GFIP's com dados não correspondentes aos fatos Fl. 550DF CARF MF 6 geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme Relatório Fiscal da Infração de fls. 06/07. No acórdão recorrido, declarouse a nulidade do lançamento por vício na discriminação dos fatos geradores, e a Fazenda Nacional, por sua vez, pugna pelo restabelecimento do lançamento, alegando a inexistência de vício, uma vez que não teria havido prejuízo à defesa. A decisão recorrida assim reconheceu ter havido vício no lançamento da obrigação acessória, já que a Fiscalização não teria explicitado os fatos geradores não informados em GFIP, acarretando cerceamento de defesa do contribuinte. Confirase: "No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao não agir desta forma, a empresa infringe o artigo 32, inciso IV, §5°, da Lei n.° 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/99, ou seja, a empresa é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. Entretanto, na presente autuação faltou a descrição de quais fatos geradores não foram informados em GFIP. Apesar do contribuinte, em suas razões alegar que os fatos aqui não informados foram os mesmos que constam de notificação fiscal de lançamento de débito lavrada na mesma ação fiscal, entendo que não cabe a este julgador buscar descobrir que fatos são esses para conferir se houve ou não o descumprimento da obrigação acessória. Da mesma forma, a aplicação da multa deveria ser detalhada a fim de se poder vislumbrar o acerto do seu quantum. Se a multa aplicada corresponde a cem por cento das contribuições não declaradas, é mister que conste do relatório da aplicação da multa, quais as contribuições que não foram declaradas. O Decreto n.° 70/235/72, no artigo 9º , traz que a exigência de crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Como já disse, no presente processo não há a descrição de quais fatos geradores não foram informados em GF1P, configurando o Fl. 551DF CARF MF Processo nº 35590.009889/200676 Acórdão n.º 9202006.627 CSRFT2 Fl. 549 7 cerceamento de defesa e implicando na nulidade da autuação conforme disposto pelo artigo 59, do citado Decreto n.° 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal:(...)" A despeito das razões esposadas no acórdão recorrido, a própria Contribuinte reconhece que os fatos geradores das multas aplicadas no presente Auto de Infração correspondem àqueles eventualmente mantidos na NFLD correlata, qual seja, o Debcad 35.7396995, objeto do processo nº 35590.009890/200609, no qual foi prolatado o Acórdão nº 20500.198, de 11/12/2007, que anulou a decisão de Primeira Instância, conforme a seguinte ementa: "Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 30/08/2004 Ementa: NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO RESULTADO DE DILIGÊNCIA SEM A CIÊNCIA DA RECORRENTE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. DecisãoNotificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Decisão de primeira instância anulada" Destarte, sendo certo que a exigência do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória está atrelado aos fatos geradores mantidos na NFLD correlata, observase que, ao tempo em que foi prolatado o acórdão recorrido, a decisão de Primeira Instância que tratara da NFLD correlata já havia sido anulada, sem que se tivesse notícia, no presente processo, de quais os fatos geradores que teriam sido mantidos. A nulidade do lançamento ora em julgamento seria assim configurada apenas pela impossibilidade, naquele momento, de conhecerse que fatos geradores restariam mantidos após a decisão de Primeira Instância, e se, nesse caso, haveria a interposição de Recurso Voluntário ao CARF. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento parcial para declarar a nulidade do lançamento por vício formal, possibilitandose à Administração Tributária, no prazo do art. 173, inciso II, do CTN, se for de seu interesse, efetuar novo lançamento, de acordo com os fatos geradores eventualmente mantidos no processo nº 35590.009890/200609, Debcad 35.7396995. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 552DF CARF MF 8 Fl. 553DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902605/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.046
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. COMPENSAÇÃO. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA E DA LIQUIDEZ DO CRÉDITO. A comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP invocando créditos referentes a pagamento indevido ou maior de CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 26 05 /2 00 9- 71 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10120.902605/200971 Acórdão n.º 3401004.046 S3C4T1 Fl. 3 2 Não tendo sido localizado tal pagamento nos sistemas da RFB, a empresa foi intimada a se manifestar, e, diante de seu silêncio, o crédito foi indeferido e a compensação não homologada, por Despacho Decisório Eletrônico, tendo a empresa apresentado Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: (a) é inconstitucional a majoração de alíquota promovida pelos Decretos no 2.445/1988 e no 2.449/1998, já reconhecida pelo Poder Judiciário e declarada por ato do Senado (Resolução no 49, de 9/10/1995), e a aplicação retroativa (sistemática da semestralidade) do art. 18 da Lei no 9.715/1998 (conforme ADIn no 1.4170, publicada em 23/03/2011 e também reconhecida por ato do Senado – Resolução no 10, de 08/06/2005); e (b) o prazo para pedir a restituição é fixado a partir da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa / judicial / Resolução do Senado. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a empresa não alegou nem comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido que teria efetuado, a despeito de ter sido intimada para tanto; (b) em pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse a existência de DARF de recolhimento com a data de arrecadação diversa da indicada no pedido, parecendo a empresa buscar com a data incorreta em seu pedido frustrar eventual extinção de prazo para pedir restituição, que ocorre após cinco anos do pagamento indevido, com vem decidindo o STJ na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.110.578/SP) e o CARF. Ciente da decisão de piso, a empresa interpôs Recurso Voluntário, basicamente repisando o argumento de que não poderia o artigo 18 da norma legal (hoje Lei no 9.715/1998) ter retroagido, como decidiu o STF na ADIn no 1.417 (e Resolução no 10/2005), e reconheceu a própria Receita Federal, na IN SRF no 6/2000; e acrescentando que a Lei no 9.715/1998 revogou a Lei Complementar no 7/70, e que a cobrança também estaria com prazo decaído. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.025, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.901000/200962, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.025): "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Diante da imputação fiscal e das defesas apresentadas, há pouco a discutir no presente processo. Isso porque em nenhuma das peças de defesa a empresa informa, objetivamente, aquilo que foi intimada a esclarecer desde antes do início do contencioso: qual Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10120.902605/200971 Acórdão n.º 3401004.046 S3C4T1 Fl. 4 3 foi exatamente o recolhimento indevido e qual o motivo para que especificamente essa quantia seja considerada de fato indevida. Enquanto a defesa se alonga em discussões de direito que, em geral, já estão pacificadas administrativa e judicialmente, não dedica uma linha sequer a informar como os valores que entende indevidos o são pela ocorrência, no caso concreto, de tais situações jurídicas genericamente descritas. Como bem destacou a instância de piso, a empresa jamais comprovou o suposto pagamento a maior ou indevido, mesmo tendo sido intimada a tanto, na fase précontenciosa. Persiste, assim, a ausência de liquidez e certeza sobre o débito, ainda antes de se iniciar a discussão jurídica, que deixa de ser relevante, por não se saber, de forma peremptória, se é relacionada ao caso concreto aqui narrado. Não se desincumbe, assim, a postulante ao crédito, de seu ônus probatório, acreditando que as alegações de direito genéricas socorrem sua demanda, sem realizar qualquer esforço para vincular tais discussões jurídicas ao caso em análise, dotando de certeza e de liquidez o crédito. Em relação a alegação de decadência para cobrança, cabe destacar que não se está aqui a analisar lançamento, mas pedido de restituição, cumulado com compensação. E, como destacou a DRJ, a existência de Resolução do Senado reconhecendo eventual inconstitucionalidade é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional (REsp no 1.110.578SP, julgado na sistemática dos recursos repetitivos). Poderseia agregar aos argumentos de defesa, de ofício, o tratamento reconhecido aos pedidos administrativos pelo STF (RE no 566.621/RS) e pelo CARF (Súmula CARF no 91). No entanto, como destacado de início, a discussão sobre haver ou não expirado o prazo para pedir restituição se afigura secundária, diante da ausência de liquidez e certeza do crédito. E a comprovação da existência e da liquidez do crédito são requisitos essenciais à acolhida de pedidos de compensação. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.001325/2004-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não serve como paradigma decisão que contrariar texto expresso de Súmula (art. 67, §12, inciso III, do Anexo II do RICARF).
Numero da decisão: 9101-003.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16327.001764/2007-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Não serve como paradigma decisão que contrariar texto expresso de Súmula (art. 67, §12, inciso III, do Anexo II do RICARF).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 16327.001764/2007-54, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. Não serve como paradigma decisão que contrariar texto expresso de Súmula (art. 67, §12, inciso III, do Anexo II do RICARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 16327.001764/200754, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 25 /2 00 4- 07 Fl. 2948DF CARF MF Processo nº 16327.001325/200407 Acórdão n.º 9101003.315 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado contra acórdão que deu provimento ao Recurso Voluntário para deferir Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC. Alega a Fazenda Nacional, em apertada síntese, que o contribuinte deve demonstrar que, na data da opção (entrega da DIPJ), estava regular perante o Fisco (art. 60 da Lei nº 9.069/95). A recorrente argumenta, em síntese que, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, o acórdão paradigma (910100.458), cujo voto destaca o entendimento segundo o qual o contribuinte deveria comprovar a regularidade fiscal no momento em que entrega a declaração. E ressalta que a questão do momento em que se deve aferir a regularidade fiscal do contribuinte já está pacificada por meio da Súmula CARF nº 37, porém, que cabe ao contribuinte, em qualquer momento do processo administrativo, provar que na data da opção pelo benefício estava regular perante o Fisco. Ao final requer a PFN seja o recurso conhecido e provido, para reforma do acórdão recorrido, com o conseqüente indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC apresentado pelo contribuinte. Cientificada do Recurso Especial da PFN e do despacho que o admitiu, a interessada apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da PFN. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.311, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 16327.001764/200754. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.311): O Recurso Especial manejado é tempestivo, porém precisa ser revisto no tocante à sua admissibilidade. É que, ao analisar o pleito o colegiado a quo aplicou, ao caso concreto, o enunciado da Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Fl. 2949DF CARF MF Processo nº 16327.001325/200407 Acórdão n.º 9101003.315 CSRFT1 Fl. 4 3 Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. A referida Súmula CARF nº 37 foi publicada em 14/07/2010. Ocorre que o acórdão paradigma (nº 910100.458) foi proferido na sessão de 4 de novembro de 2009, sendo portanto anterior à Súmula e contraria o entendimento sumular, porque assentou entendimento no sentido de que a prova da regularidade fiscal prova da quitação somente pode ser feita até a data do despacho decisório. Observese do seguinte trecho colhido do voto: Poderia a contribuinte, até a data do despacho decisório, fazer prova de sua regularidade, em relação aos fatos geradores ocorridos até da entrega da DIPJ do anocalendário 1997, o que não o fez. Em suma: à época da entrega da DIPJ/98 pela contribuinte, efetuada em 24.04.98, conforme recibo de fls. 03, havia débitos fiscais em seu nome, não tendo a Contribuinte, até a data do despacho decisório, apresentado a posterior prova de sua regularidade fiscal, o que prejudica a concessão do beneficio fiscal requerido, nos termos do art. 60 da Lei n° 9.069/95. Assim, como o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 (e alterações), tem dispositivo específico determinando que não serve como paradigma o acórdão que, na data do exame de admissibilidade, deduza tese que contrarie Súmula ou Resolução do Pleno da CSRF art. 67, § 12, III, manifestase por NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 2950DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900199/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO.
Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte.
CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO.
A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.173
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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COMPENSAÇÃO. PIS/COFINS. Recorrente AUTO POSTO IRMAOS BATISTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO. DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. FRETES SOBRE COMPRAS.COMBUSTÍVEIS. CREDITAMENTO.DESCABIMENTO. Incabível o creditamento de frete sobre compras quando inexistir a possibilidade de aproveitamento do crédito com a própria aquisição de combustíveis, logo não pode ser admitido o creditamento para o gasto com seu transporte. CRÉDITOS DE ALUGUÉIS. REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. A pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a aluguéis e prédios, máquinas e equipamentos, quando houver a comprovação dos pagamentos efetuados e sua efetiva utilização na atividade da empresa. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 01 99 /2 01 2- 15 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13227.900199/201215 Acórdão n.º 3302005.173 S3C3T2 Fl. 3 2 Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITOS DE PIS/COFINS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa vedação legal, não incide atualização monetária sobre créditos de PIS/COFINS. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato P. de Deus e Diego Weis Jr que davam provimento parcial para conceder o creditamento sobre a aquisição de fretes sobre as compras de combustíveis. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Trata o processo de contestação contra Despacho Decisório emitido pela DRF JiParaná, que deferiu parcialmente o direito ao crédito de COFINS não cumulativa/mercado interno e, em conseqüência, homologando parcialmente a compensação declarada até o limite do crédito concedido. Inconformada com a decisão proferida, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que se dedica ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins, que é optante pelo regime de apuração pelo Lucro Real e, portanto, sujeitase à apuração das contribuições para o PIS e a Cofins pelo regime da nãocumulatividade. Diz que realiza a venda de gasolinas, óleo diesel e demais combustíveis tributados à alíquota zero e que não se apropriou de créditos sobre a aquisição de combustíveis, já que são tributados pelo regime monofásico e não dão direito a créditos, mas, sim, de créditos sobre insumos e serviços necessários na atividade que exerce, uma vez que sendo seu produto final tributado à alíquota zero, o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, e o art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitem o aproveitamento dos créditos sobre esses dispêndios.(grifei). Quanto aos fretes pagos, esclarece que adquire combustíveis e lubrificantes para revenda, mas como a empresa vendedora não entrega os produtos, precisa contratar serviços de fretes de outras pessoas jurídicas para que o produto chegue até seus estabelecimentos e possa realizar a venda, e enfatiza, por isso, que o frete é um serviço/insumo necessário para a realização de sua atividade comercial. Ressalta que o art 3º da Lei nº 10.833, Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13227.900199/201215 Acórdão n.º 3302005.173 S3C3T2 Fl. 4 3 de 2003, não relaciona os insumos/serviços e tampouco considera que apenas indústrias podem realizar créditos, e que a Receita Federal ao editar a IN 404/2004, conceituando o termo insumo, foi além do seu dever de normatizar. Faz uma diferenciação entre a não cumulatividade do PIS e da Cofins e da não cumulatividade do IPI ou do ICMS, citando decisões do CARF, do Tribunal Regional Federal e Soluções de Consulta da Receita Federal. A Recorrente contesta ainda a exclusão dos créditos que foram glosados, pleiteando o seu reconhecimento e a homologação das compensações declaradas, a suspensão da exigibilidade dos débitos e também o direito à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Tendo em vista as argumentações trazidas em sua Manifestação de Inconformidade e dada a inexistência de documentos comprobatórios nos autos, foi emitido Termo de Diligência pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, solicitando cópias de recibos de aluguéis efetuados no período, comprovação de seu registro contábil e respectivos contratos de locação; bem como relação dos produtos vendidos com detalhamento e sua classificação NCM. Cumprida a solicitação efetuada, os autos retornaram para julgamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por julgar parcialmente procedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06 054.540. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade com relação a Fretes sobre Compras e Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos, cabendo destacar quanto ao pedido, em síntese: · Seja acolhido o presente Recurso Voluntário; · Seja Reformado o Despacho Decisório ora guerreado para o fim de Reconhecer os créditos da Recorrente, eis que apurados na forma da legislação em vigor e de direito; · Que sejam incluídos no montante da base de cálculo de créditos os valores relativos ao insumo frete sobre compras de mercadorias destinadas à venda, eis que compõem o custo dos produtos comercializados pela Recorrente, pois foram por ela suportados e atendem a condição de insumo conforme determina a legislação de regência da matéria; · Que seja afastado em definitivo o entendimento de que os fretes sobre compras teriam a mesma natureza tributária do produtos transportado, eis que tal alegação não tem respaldo legal e fere o sistema de nãocumulatividade das contribuições para o PIS e Cofins previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03; · Que sejam incluídos no montante da base de créditos os valores a título de aluguéis de máquinas e equipamentos pagos para pessoas jurídicas, conforme comprovam os boletos bancários pagos Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13227.900199/201215 Acórdão n.º 3302005.173 S3C3T2 Fl. 5 4 à Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga sob a denominação de “Programa Rodo Rede”, integrantes deste processo, eis que os pagamentos são legítimos e correspondem aos aluguéis de bombas para estabelecimentos de combustíveis com bandeira Ipiranga; · Que seja determinada a imediata suspensão da exigência do crédito tributário em face das disposições do artigo 151 do Código Tributário Nacional até que seja proferido despacho decisório definitivo; · Determinar que todos os valores de créditos constantes do pedido de ressarcimento sejam atualizados mediante a incidência da SELIC, a partir do período de apuração do crédito em face das disposições das disposições do Decreto nº 2.138/97 e parágrafo 4º do artigo 39 da Lei 9.250/95.(grifei). É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.163, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 13227.900124/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.163): "Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Da suspensão da exigibilidade do crédito tributário Cabe esclarecer que o Despacho Decisório ao homologar parcialmente a compensação declarada, cientifica e intima o interessado a efetuar o pagamento dos débitos não abrangidos pela homologação, facultando ao interessado nos termos da legislação de regência a apresentação da manifestação de inconformidade. Optando assim o interessado pela apresentação da manifestação de inconformidade, ato processual que inaugura a lide administrativa no caso em tela, está abrigado pela suspensão da Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13227.900199/201215 Acórdão n.º 3302005.173 S3C3T2 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito tributário, nos termos do 1inciso III do art. 151 do CTN. MÉRITO Observase que a recorrente em extenso arrazoado, discorre sobre o seu suposto direito aos créditos alegados, na ótica de sua interpretação, arguindo ainda que a decisão de piso se mostra confusa e contraditória, notadamente quanto à fundamentação referente à glosa de fretes sobre compras, ressaltando que o julgador em sua interpretação não destaca os dispositivos legais que amparam sua interpretação. Verificase não assistir razão à recorrente, haja vista que a fundamentação da decisão de piso em cada matéria abordada, cita expressamente os dispositivos das Leis nºs 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, que regem a matéria dos autos e respaldam a exegese conferida a cada tópico analisado. Para a análise a seguir é importante destacar que a empresa tem por objeto mercantil o comércio varejista de combustíveis e a prestação de serviços afins. Da glosa dos créditos relativos a Fretes sobre Compras Quanto aos pagamentos de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, que segundo a recorrente consiste em um serviço necessário para a realização de sua atividade comercial, considerando que a questão fática está bem dirimida, prendendose o litígio na interpretação da legislação quanto à possibilidade ou não de creditamento de fretes sobre a aquisição de combustíveis para revenda, utilizome da fundamentação escorreita e primorosa sobre o assunto, conferida pelo i. Conselheiro José Fernandes do Nascimento, através do acórdão nº 3302003.212, de 16/05/2016, na qual estão plasmados os fundamentos à luz da legislação de regência sobre a matéria, conforme excertos do voto a seguir transcritos: Da glosa dos créditos relativos a gastos com frete. No que tange às glosas dos créditos calculados sobre o valor dos gastos com frete, antes de analisar os pontos controvertidos da lide, entendese oportuno apresentar uma breve digressão a respeito do fundamento jurídico do direito de apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os variadas formas como se efetivam os gastos com a prestação de serviços de transporte a pessoas jurídicas que desenvolvem atividades comercial e industrial ou de produção. Em consonância com a legislação vigente, há fundamento jurídico para a apropriação de créditos sobre o valor do frete sob a forma de custo de aquisição, custo de produção e despesa de venda, conforme demonstrado a seguir. 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...); III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13227.900199/201215 Acórdão n.º 3302005.173 S3C3T2 Fl. 7 6 No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20035, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/ 1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...] § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas.(grifei). Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13227.900199/201215 Acórdão n.º 3302005.173 S3C3T2 Fl. 8 7 citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe.(grifei). (...) Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); (grifei). b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10; 637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Os fundamentos acima expendidos, cuja hermenêutica da legislação expressamente citada e sistematicamente organizada permitem inferir que não há amparo legal para o aproveitamento de crédito sobre fretes utilizados pela contribuinte, na compra de combustíveis para revenda, como bem destacou a decisão de piso, em trecho a seguir ressaltado: (...) o frete está relacionado à aquisição de combustíveis, e esta operação, compra de combustíveis, está submetida ao regime monofásico que não gera direito a crédito. Por isso esses gastos de fretes, ainda que componham o custo de aquisição de combustíveis, não podem ser admitidos para efeito de aproveitamento de crédito. Ou seja, não havendo possibilidade de aproveitamento de crédito com a própria aquisição de Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13227.900199/201215 Acórdão n.º 3302005.173 S3C3T2 Fl. 9 8 combustíveis assim também não o haverá para o gasto com seu transporte.(grifei). Assim, mantémse a glosa acima destacada, por falta de amparo legal para seu creditamento. Das glosas com Despesas com Aluguéis de Prédios, Máquinas e Equipamentos Com relação à glosa em apreço, dispõem as leis de regência, Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa;(grifei) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Regulamento) (...) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Destaca o relatório fiscal: Foram analisados os comprovantes de pagamento de aluguéis, mês a mês, e solicitamos a cópia autenticada do contrato de aluguel para aferirmos se a utilização dos equipamentos se daria nas atividades da empresa. Foram apresentados apenas os contratos de locação feitos com a Transportadora Giomila LTDA e com a Transportadora Batista LTDA. O contrato de locação com a Cia Brasileira de Petróleo Ipiranga não foi localizado pelo contribuinte.(grifei). Referida glosa foi objeto de procedimento de diligência, nos seguintes termos (...) que seja intimada a interessada a apresentar, relativamente aos 3º e 4º trim/2004 e aos 1º ao 4º trim/2005: 1) cópias dos recibos de aluguéis efetuados no período à Transportadora Batista Ltda. e à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, bem como o seu respectivo registro nos livros contábeis, além dos contratos de locação (...);(grifei) Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13227.900199/201215 Acórdão n.º 3302005.173 S3C3T2 Fl. 10 9 O resultado está consignado nos excertos da decisão de piso como a seguir demonstrado: Em atendimento à diligência efetuada, a interessada juntou comprovantes de pagamentos efetuados no período à Cia. Brasileira de Petróleo Ipiranga, assim como cópia do seu livro Diário onde consigna o respectivo registro. Entretanto, os recibos trazidos aos autos em nada esclarecem a que se referem cada um dos pagamentos, estando em alguns deles mencionado simplesmente referirse a ‘Programa Rodo Rede’. Por óbvio que não restou demonstrado que esses pagamentos são relativos a aluguéis de equipamentos (bombas de gasolina e tanques) utilizados nas atividades da empresa, como pondera a interessada, que possa ser aproveitado para o cálculo do crédito a ser deduzido da contribuição devida.(grifei) Verificase que o direito ao crédito da espécie em análise, requer conforme o preceito legal destacado, duas condições: aluguéis (...), pagos... e utilizados pessoa jurídica, nas atividades da empresa. Com efeito, tratandose de direito creditório, cabe ao interessado a comprovação de seu direito arguido. No caso em apreciação, a interessada além de não apresentar o contrato de locação já referido, os recibos apresentados, conforme arquivos não pagináveis acostados aos autos não demonstram a efetividade dos pagamentos quanto à locação arguída, mesmo após a diligência deferida pela instância a quo, visto que não há nestes documentos a identificação da operação que visam respaldar. Ante o exposto, mantémse a glosa por falta de comprovação pela interessada. Do direito à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC Quanto à atualização dos créditos pleiteados à taxa SELIC, tratase de expressa vedação legal, conforme dispõe o 2art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, logo tornase impossível o atendimento ao pleito da recorrente. Destaquese que o direito à compensação, pugnado na peça recursal prendese ao cumprimentos dos requisitos impostos pela legislação. Ante o exposto, VOTO POR NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante frisar que no presente processo o litígio abarca o direito a créditos da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, que encontram correspondência com os pleiteados pela Recorrente no caso do paradigma. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 2 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13227.900199/201215 Acórdão n.º 3302005.173 S3C3T2 Fl. 11 10 Paulo Guilherme Déroulède Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.003008/2009-05
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 30 08 /2 00 9- 05 Fl. 164DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 22.480,00, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário total no valor de R$12.865,97, incluindo juros de mora e multa de ofício, calculados até janeiro de 2009. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação, juntando recibos e declarações médicas para evidenciar as prestações do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, cita jurisprudência vasta e doutrina para corroborar seus argumentos. A DRJ Recife, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega a contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de recibos detalhados e declaração em anexo. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 19647.003008/200905 Acórdão n.º 2001000.245 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento de psicoterapia, odontologia, psicologia contendo nome completo dos prestadores, com CPF/CNPJ dos prestadores, credenciamento profissional, valor pago pela contribuinte, beneficiário dos serviços, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. Acrescentese que juntou também declaração emitida por todos e cada um dos profissionais, contendo todos os detalhes do serviço prestado. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] 12. Salientese que não houve a apresentação de qualquer especificação dos mencionados serviços, seja a indicação das datas das sessões realizadas durante o ano, seja o orçamento para realização dos tratamentos, sejam informações sobre o acompanhamento do tratamento do paciente, a exemplo de uma simples ficha com referência a datas, no tocante aos recibos dos profissionais. Inclusive no caso de tratamento dentário poderia ter anexado ficha dentária e raio x, radiografia panorâmica , para comprovação dos serviços realizados. Ademias a contribuinte reside na cidade do Recife e o consultório do odontológico é na cidade do Cabo de Santo Agostinho. 13. Quanto as cópias dos cheque solicitados conforme consta dos documentos e de suas alegações, até a presente data não foram apresentados. Ainda com relação à alegação da cirurgia Fl. 166DF CARF MF 4 gastroplastia a contribuinte deixou de apresentar laudos que comprovem a necessidade de tais acompanhamentos. 14. A especificação dos serviços é exigência legal prevista no inciso III do §2º do art. 8º da Lei nº 9.250/1995, acima transcrito, por duas razões: 14.1 para que se possa verificar se a despesa é associada ao próprio contribuinte ou a pessoa que possa ser, e tenha sido, incluída como dependente em sua declaração de ajuste anual do imposto de renda pessoa física; e 14.2 para que se possa constatar se o tratamento realizado é efetivamente “médico”, uma vez que há serviços prestados por profissionais da área de saúde não aceitos para fins de dedutibilidade, tais como as orientações profissionais a estudantes efetuadas por psicólogos e os exercícios de ‘pilates’ ministrados por fisioterapeutas. 15. Em suma, ausentes o beneficiário do serviço e a especificação desse serviço, não restou demonstrado pela impugnante que as despesas foram efetuadas em benefício dela própria ou de pessoa dela dependente, nem tampouco que os serviços possuem efetiva natureza ‘médica’. 16. Acrescese à insuficiência das informações exigidas nos recibos a ausência de qualquer documento concernente à efetividade dos pagamentos, tendo sido informado pela contribuinte que todos os pagamentos foram efetuados em espécie. 17. Ainda que a lei não obrigue o cidadão a pagar suas despesas por meio de cheques, cabe ao contribuinte, que pleiteia dedução da base de cálculo do imposto, demonstrar não somente que realizou despesas de natureza médica, mas também que houve o efetivo desembolso. 18. Dessa forma, pelas razões acima expostas tornase difícil, ou mesmo impossível, entender como comprovada a dedução, no valor de R$ 22.480,00. 19. Destaquese que, na apreciação dos elementos de prova, é fundamental que estes não só atendam aos requisitos formais previstos na legislação, o que não ocorreu plenamente no presente caso, conforme mencionado acima, como sejam pertinentes e coerentes para a formação da convicção do julgador, tal como permitido no art. 29 do Decreto 79.235/72, que dispõe............. 20. Por fim, devese lembrar que o ônus de provar a dedução da base de cálculo do imposto é do contribuinte que a informa e pleiteia em sua declaração de ajuste anual, como se pode ler no art. 11, §4º, do DecretoLei nº 5.844/1943, reproduzido no art. 73 do Decreto nº 3.000/1999, que assim dispõe........ Fl. 167DF CARF MF Processo nº 19647.003008/200905 Acórdão n.º 2001000.245 S2C0T1 Fl. 4 5 21. As deduções representam reduções do montante do imposto de renda a pagar, e correspondem a gastos que ele, o contribuinte, teria efetuado, competindo a ele comproválos. 37. Concluindo, voto pela improcedência da impugnação para considerar devido o imposto de renda suplementar conforme apurado na notificação de lançamento. Salientese que os valores de imposto e multa devem ser exigidos com juros conforme legislação em vigor. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos e a declaração emitida pelos prestadores dos serviços, assinadas e datadas pelos mesmos, não foram suficientes para comprovar as despesas. Além disso, uma das maiores justificativas contidas na decisão da DRJ para não acatar a dedutibilidade das despesas médicas ora analisadas é a falta de indicação do beneficiário dos serviços e sua especificação. Esta informação foi absolutamente esclarecida em sede de Recurso Voluntário. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da Fl. 168DF CARF MF 6 informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção da contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido da Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas ora glosadas em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 169DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002927/2007-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA.
A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO.
Tendo sido comprovado em diligência que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia.
COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE.
Tendo sido comprovado pelo contribuinte, em Recurso Voluntário e em Diligência fiscal, que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório.
COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO.
Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas.
Numero da decisão: 3201-003.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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PROVA PERICIAL. SUPERAÇÃO DO CERCEAMENTO DE DEFESA. A realização de diligência fiscal solicitada por este CARF supera a alegação de cerceamento de defesa pelo não exame da totalidade das provas. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. A aquisição de material de embalagem gera direito ao crédito da Cofins não cumulativa, conforme IN 247/2002. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. APURAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. Tendo sido comprovado em diligência que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório, já que inexistente a controvérsia. COFINS. CRÉDITO. BENS RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Tendo sido comprovado pelo contribuinte, em Recurso Voluntário e em Diligência fiscal, que determinados bens estão ligados diretamente à produção, deve ser deferido o direto creditório. COFINS. CRÉDITO. BENS NÃO RELACIONADOS AO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO NEGADO. Não é possível o creditamento sobre despesas que não guardam relação direta com o processo produtivo do contribuinte ou que não foram devidamente comprovadas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 29 27 /2 00 7- 91 Fl. 720DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão 0719.999 da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (fls. 370 e seguintes). O feito foi assim relatado pela DRJ: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição para Programa de Integração Social — PIS, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado externo, que remanesceram ao final do primeiro trimestre de 2006, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações no mercado interno. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com bre no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisição de embalagens destinadas ao transporte dos produtos industrializados: entendeu a autoridade fiscal que não geram direito de crédito, por não se enquadram no conceito de insumo, as aquisições de materiais empregados em embalagens exclusivamente de transporte. (b) duplicidades: foram glosados valores referentes a despesas com empilhadeiras, informados como insumos na DACON, por já terem sido declarados em linha própria Linha 06 — Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; (c) depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado: foram glosados os créditos efetuados a título de depreciação relativos a bens do ativo imobilizado adquiridos antes de 01/05/2004, face a limitação da Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.094 3 utilização desse tipo de crédito imposta pela Lei n° 10.865/2004; os demais créditos foram glosados em razão de a autoridade fiscal considerar que as máquinas e equipamentos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso, a produção de maçã; Irresignada com o deferimento apenas parcial de seu pleito, encaminhou a contribuinte sua manifestação de inconformidade, por meio da qual contesta a decisão da DRF/Joaçaba/SC, pelas razões a seguir expostas. A contribuinte inicia contestando a glosa dos créditos relativos às aquisições de embalagens. Primeiro, esclarece que parte do total glosado referese a embalagens de transporte, que independentemente de sua função, consistem de insumos consumidos no processo de industrialização. Em relação à outra parte do valor glosado, afirma referiremse a embalagens aplicadas no acondicionamento de seu produto, que por objetivarem destacar e valorizar as frutas aos olhos do consumidor, caracterizamse como sendo de apresentação, e, portanto, dando direito de crédito. Assim argumenta: O acondicionamento da fruta ocorre após ultrapassado a fase de beneficiamento, as frutas dentro das caixas, são dispostas em camadas, assentadas em bandejas especialmente projetadas para separar, em cavidades, uma fruta da outra, mostrando ao consumidor o bom porte da maçã. Inclusive objetivando acentuar a característica da fruta, promovendo o produto. A própria cor da bandeja merece menção em razão de sua notória influência da apresentação da maçã frente ao consumidor, destacando a fruta, de cor vermelha em oposição a cor da bandeja. Referido acondicionamento é feito em caixas de papelão com , bom acabamento em sua parte externa, contendo dizeres, figuras e símbolos de fins promocionais, impressos com afina/idade de valorizar o produto. Conforme pode ser observado, o processo de acondicionamento aos quais as maçãs são submetidas possui o objetivo de promover o produto através de sua apuradas apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade, mas não somente isso. Argumenta que a legislação em vigor permite a utilização de créditos das compras de embalagens, considerada insumos pela requerente, sem a restrição imposta pela autoridade fiscal. Nesse sentido, faz expressa remissão ao inciso II do art. 3 0 da Lei n° 10.637 e ao Art. 66 na IN/SRF 247/2002 para fins de afirmar que tanto a Lei quanto os atos da Receita Federal, quando tratam de insumos, o fazem incluéldo entre eles as embalagens, sem quaisquer restrições, já que elas (as embalagens) fazem pai* do produto final destinado à venda. Traz a consulta respondida pela SRRF da 8. a Região Fiscal, a fim de corroborar a acepção ampla para o conceito de insumo. Fl. 722DF CARF MF 4 Menciona, ainda, a contribuinte, dispositivo legal que trata do IPI, no caso o Decreto 4.544/2002, que, a seu juízo, define o que se deve considerar como operação de industrialização (art. 4°) e como embalagem de transporte (art. 6°); e faz referência a uma decisão da DRJ/Juiz de Fora/MG para respaldar seu entendimento de que não cumpridos os requisitos postos no citado decreto, restam caracterizadas as embalagens de que se utiliza como de apresentação. Ao final, alternativamente pugna, caso não se entenda que as embalagens sejam de apresentação, pela realização de diligência à SAORT a fim de que se possa comprovar tal fato. Insurgese, ainda a contribuinte contra a glosa de valor referente a aquisição de potes plásticos utilizados para acondicionar o mel produzido em seus pomares. Defende que estes consistem de insumos consumidos no processo produtivo já que integram o produto vendido. Por fim, contesta a glosa dos créditos relativos aos encargos com depreciação e amortização de bens incorporados ao ativo imobilizado argumentando que estes são empregados em sua atividade produtiva, que esclarece, pode ser dividida em duas partes: pomares e "packinghouse". Assim explica: a)Bens utilizados nos pomares: nesse grupo podese dar destaque aos tratores e implementos agrícolas utilizados para produção e desenvolvimento dos frutos. Tais implementos são utilizados no transporte, adubação do solo e na aplicação de defensivos usados no controle de pragas e desenvolvimento dos frutos. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção dos frutos. Também foram glosadas caixas de apicultura, cujas abelhas são utilizadas para a polinização dos pomares, caixa d'agua e poços artesianos usados para irrigação das plantas e diluição de defensivos e sanitários utilizados nos pomares. Os bens do ativo imobilizado utilizados nos pomares são de fundamental de fundamental importância para o cultivo e produção da maçã, tendo, portanto, ação efetiva sobre o produto final. b) Bens utilizados no "packinghouse": também foram glosados bens inclusos no packinghouse, tais são utilizados no processo final da industrialização dos frutos aprimorando o processo produtivo. Entre os bens que se encontram no packinghouse, podese dar destaque as estruturas de aço que ficam dentro das câmaras frigoríficas para armazenagem de Bins com frutas sendo uma espécie de "prateleira gigante" (Conjunto porta paltets em aço galvanizado a fogo (drivein), adquirido em 16/12/2004), bem como as peças utilizadas na Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.095 5 classificadora de frutas (inversor de frequência e câmara com lente e filtro) que servem para separar os frutos por cor e calibre. (...) Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fotossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. No "packinghouse" ocorre a industrialização dos frutos produzidos nos pomares. São lavados, selecionados e classificados de acordo com a cor e calibre, e embalados. Após estas etapas são vendidos ou acondicionados em câmaras frias que possuem o objetivo de conservar os produtos para que a venda possa ocorrer ao longo do ano. (...) A descrição dos bens glosados acima demonstra que estes são essenciais ao cultivo e industrialização da maçã, sendo aplicados diretamente no processo produtivo da empresa.... Afirma a contribuinte que seu direito ao crédito está expresso na Lei n.° 10.833/2003, no seu art. 3 0, VI e VII e art. 15, II, que possibilita a apuração de créditos sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, utilizados na fabricação de produtos destinados à venda e também edificações e benfeitorias utilizadas nas atividades da empresa". A corroborar seu entendimento, transcreve a ementa da Solução de Consulta n° 182 de 27 de dezembro de 2007. Ante essas alegações, pede, a contribuinte, que seja reformado o Despacho Decisório para que sejam incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS nãocumulativo os valores contestados. É o relatório. A Turma Julgadora julgou a Impugnação parcialmente procedente, restando assim ementada a decisão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 Fl. 724DF CARF MF 6 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIV1DADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIV1DADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aqvisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime da nãocomutatividade, a pessoa jurídica poderá descontar créditos a título de depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado que estejam diretamente associados ao processo produtivo de bens destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditário Reconhecido em Parte Intimado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 402 e seguintes, reiterando os argumentos da Impugnação no que diz respeito às glosas mantidas, formulando os seguintes pedidos: Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.096 7 (i) Portanto merece reforma o Acórdão recorrido para incluir na base de cálculo do PIS as embalagens de transporte no valor de R$ 45.537,00. (ii )Diante disso faz se necessário refOrmar a decisão para incluir na base de cálculo dos créditos da contribuição para o PIS os valores referentes às aquisições de embalagens [de apresentação], que foram glosados indevidamente da base de cálculo, no valor de R$ 1.151.043,40. (iii )Portanto, merece reforma o Acórdão atacado, também neste aspecto, para que sejam incluídos na base de cálculo do crédito do PIS não cumulativo, os insumos supracitados [pote para mel] no valor de R$ 1.094,97. (iv) Como se vê, todos os bens glosados são utilizados no cultivo dos frutos e na industrialização da maçã, ou seja, fazem parte da linha de produção da Recorrente. Diante do exposto, deve ser reformado o Acórdão recorrido para incluir na base de cálculo os encargos de depreciação indeferi os do ativo imobilizado que totalizam RS 5.191,05. Os autos foram remetidos a este CARF para julgamento e distribuídos ao Relator Luciano Lopes de Almeida Armando. Por unanimidade de votos, deliberouse pela conversão do feito em diligência, nos seguintes termos: Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de PIS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, dentre outros. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.342: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na Fl. 726DF CARF MF 8 identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus 'onus probandi') por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Desta feita, entendo deva ser baixado em diligência o processo para que a autoridade preparadora verifique se todos os bens ora debatidos são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa, listandoos. Nos casos em que entender não o sejam, especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens. Ainda, deve ser intimado o contribuinte a juntar aos autos cópia integral do mandado de segurança mencionado às fls. 227 ou, alternativamente, cópia das partes principais (inicial, sentença, acórdãos), bem como certidão narratória do processo. A Fiscalização apresentou a Informação Fiscal de fls. 623 e seguintes, apenas listando os bens que, a seu juízo integram ou não o processo produtivo da Requerente, sem, contudo, "Nos casos em que entender não o sejam, especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens ", como fora requerido em Resolução. Intimado do resultado da Diligência, o Contribuinte alegou, em síntese, que os itens glosados pela Fiscalização integram o seu processo produtivo e, portanto, dão direito à crédito do PIS não cumulativo (fls. 637 e seguintes), detalhando seu processo prudutivo Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.097 9 Os autos, então, retornaram ao CARF e, tendo em vista que o D. Relator originário não mais compõe este colegiado, foram a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Tatiana Josefovicz Belisário A matéria em debate cingese à definição do conceito de insumo trazido pelas Lei nº 10.637/02 e 10.833/03 para fins de autorização da apuração de créditos de PIS e Cofins. A partir dessa definição, com a exata compreensão das atividades exercidas pelo contribuinte, é que se deve passar ao exame de cada uma das classes de créditos apropriados. Essa questão já é há muito debatida por essa Turma julgadora e por esse CARF, inclusive, com diversas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais que vêm concluindo pela necessária distinção do conceito de insumo da legislação do PIS e da COFINS relativamente ao IPI (conceito restritivo) e do Imposto de Renda (conceito amplo). Ademias, em recentíssimo julgado do Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de Controvérsia, portanto, de aplicação obrigatória por esta Corte Administrativa, foi chancelado exatamente o critério da essencialidade e relevância dos bens ao processo produtivo para fins de autorização ao creditamento, critério este já há muito aplicado por esta Turma Julgadora, conforme amplamente divulgado pela mídia especializada (acórdão ainda pendente de formalização). Citase por todas, a seguinte matéria veiculada pelo Jornal Valor Econômico de 23/02/2018: Contribuinte vence no STJ disputa sobre créditos de Cofins Os contribuintes venceram no Superior Tribunal de Justiça (STJ) a disputa bilionária sobre o que pode ser considerado insumo para a obtenção de créditos de PIS e Cofins. Em recurso repetitivo, a 1ª Seção afastou, por maioria de votos, a interpretação restritiva adotada pela Receita Federal. Para os ministros, devese levar em consideração a importância essencialidade e relevância do insumo para a atividade do empresário. Como o uso de créditos pode reduzir o valor das contribuições, o tema é de grande relevância para os contribuintes e a Fazenda Nacional. Em termos financeiros, o processo (REsp nº 1221170) é um dos maiores em tramitação no STJ. O impacto divulgado inicialmente era de R$ 50 bilhões representaria a perda na arrecadação anual, divulgada em 2015. Com a "posição intermediária" adotada pelos ministros, porém, a União conseguiu reduzir o prejuízo. Fl. 728DF CARF MF 10 Para a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), não há vencedores ou perdedores. "O STJ não restringiu o conceito de insumos, mas também não o alargou demais", afirma o procurador Péricles Sousa, coordenador da atuação da Fazenda Nacional no STJ. "Agora, os conceitos de essencialidade e relevância terão de ser examinados caso a caso." Contribuintes e a PGFN concordam, porém, em um ponto: a decisão do STJ pode incentivar a reforma do PIS/Cofins um dos 15 itens da agenda legislativa "prioritária" anunciada pelo governo federal. "O julgamento é importante para fazer com que o legislador se movimente para criar uma legislação de aplicação mais simples, tanto para os contribuintes quanto para a Receita Federal", diz o advogado Flávio Carvalho, do escritório Schneider, Pugliese Advogados, que defende a empresa do caso analisado pelos ministros, a Anhambi Alimentos, fabricante de ração animal. "Foi uma grande vitória para os contribuintes." No julgamento, iniciado em 2015, prevaleceu o voto da ministra Regina Helena Costa. Para ela, os critérios para se identificar insumos seriam a essencialidade e a relevância, e não os estabelecidos nas instruções normativas da Receita Federal nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004 que foram afastadas pelos ministros da 1ª Seção, seguindo entendimento da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). As normas consideram como insumos, na fabricação ou produção de bens destinados à venda, as matériasprimas, materiais de embalagens e produtos intermediários e outros bens que sofram alterações no processo, mas não estejam incluídos no ativo imobilizado. E para a prestação de serviço, são somente os bens aplicados ou consumidos na atividade. O voto da ministra foi praticamente na mesma linha do proferido pelo ministro Mauro Campbell, que tinha estabelecido como critérios a essencialidade e a pertinência. Após o voto de Regina Helena Costa, Campbell reconsiderou o seu voto para alterar os critérios e seguir os estabelecidos por ela. Para a advogada Mariana Zechin Rosauro, sócia do escritório Andrade Advogados, o julgamento não põe fim às discussões. Será necessária, acrescenta, a verificação caso a caso da essencialidade ou relevância dos insumos utilizados no processo produtivo. "Isso evidencia a necessidade premente de modificações na legislação que simplifiquem toda a sistemática de apuração do PIS e da Cofins." Matéria obtida mediante acesso ao site http://www.valor.com.br/legislacao/5341287/contribuintevence nostjdisputasobrecreditosdecofins, em 23 de fevereiro de 2018. Especificamente quanto ao Recorrente, essa mesma Turma Julgadora já se manifestou em reiteradas oportunidades, sempre para reconhecer o direito ao crédito sobre os bens diretamente empregados no processo produtivo. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.098 11 Pois bem. Passase a analisar cada um dos itens objeto de Recurso Voluntário. PRELIMINARMENTE DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DAS PROVAS APRESENTADAS E INDEVIDO INDEFERIMENTO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA — CERCEAMENTO DE DEFESA Nesse aspecto, atenhome ao que foi consignado pelo Relator originário do feito quando da solicitação de diligência fiscal, que torno parte integrante das presentes razões de decidir: Discutese nos autos a possibilidade de creditamento de PIS não cumulativo sobre a aquisição de embalagens destinadas ao transporte e apresentação dos produtos industrializados e da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, dentre outros. A decisão da DRJ afastou a glosa relativa aos bens que entendeu tenha sido comprovada sua utilização na industrialização dos produtos. A recorrente se irresigna, pleiteando o direito integral ao seu crédito. Como vemos, o debate se restringe a questões mais materiais que formais, pois a base da decisão proferida foi de negar provimento ao pleito da contribuinte porque esta não logrou comprovar suas alegações, como vemos às fls.342: A razão pela qual estas considerações são feitas neste item preambular do voto é a de que, como se verá em relação a grande parte dos créditos pleiteados no presente processo (ver itens a seguir), a contribuinte se limita a apresentar listagens, registros contábeis e documentos nos quais a falta de vinculação entre eles e a imprecisa identificação dos serviços e/ou bens adquiridos como pretensos insumos, impossibilita a perfeita e minudente cognição do conteúdo das operações negociais instrumentadas por aqueles registros, listagens e documentos. O que se dizer aqui firmar, portanto, é que quando tal imprecisão na identificação da origem e natureza do crédito atinge de modo generalizado o pedido formulado pelo contribuinte, não há como, em sede de julgamento administrativo, suprir esta omissão do contribuinte (em termos de cumprimento de seus ónus probandí) por via, por exemplo, de diligências ou perícias, já que, como acima já foi exposto, tais institutos não se destinam a tanto. Vemos que o contribuinte logrou juntar aos autos diversos documentos que, no seu entender, comprovariam o seu direito. A fiscalização, a contrario sensu, entendeu que aquelas informações e documentos não a satisfaziam, não sendo as necessárias para comprovar os referidos bens como insumos e, assim, deferir o direito de crédito pleiteado. Fl. 730DF CARF MF 12 Entretanto, ao contrário de intimar o contribuinte a apresentar o restante das informações que entendia necessárias para análise do pleito, entendeu por bem dar andamento e julgar o processo no estado em que se encontrava. Assim, na falta de todas as provas e informações que entendia deveriam ter sido prestadas, que foi negado grande parte do pleito pretendido pela recorrente. Entendo que se as informações e comprovações prestadas pela recorrente não eram satisfatórias para a autoridade fiscalizadora/julgadora, deveria a contribuinte ter sido intimada a complementála, e não simplesmente negar o seu direito. Assim, entendo que o processo deva ser ajustado, em diligência, para fins de esclarecimento da real aplicação dos bens ora debatidos no processo produtivo da recorrente, com vistas a afastar a obscuridade existente nos autos e possibilitar o real exame do tema posto em discussão. Pelo exposto, entendo que a questão restou superada com a diligência ordenada por este CARF, que determinou a análise da documentação apresentada, bem como a realização de demais verificações acerca dos itens glosados a fim de verificar o correto emprego dos itens no processo produtivo da Recorrente. Quanto ao mérito, consoante razões recursais, a matéria deve ser analisada sob os seguintes tópicos: MATERIAL DE EMBALAGEM A DRJ, ao analisar o feito no que tange aos créditos oriundos da aquisição de embalagens pela Recorrente, atevese à distinção entre embalagens de transporte e embalagem de apresentação, conforme entendimento aplicável ao crédito de IPI. Não obstante, ao final, houve por bem manter integralmente a glosa efetuada pela Fiscalização sob o fundamento de que, ainda que se possa acatar os créditos relativos ao material de embalagem de apresentação, a contribuinte não teria logrado comprovar tal finalidade: Ocorre, porém, que como acima se viu, apenas as embalagens de apresentação é que geram o direito ao crédito, que faz com que não se possa acatar como aptas à geração de créditos as aquisições de pallets e cantoneiras, pois consistem claramente de embalagens de transporte, tanto que como tais foram informados pela contribuinte na listagem "item 03 (Embalagens de Transporte)". Do mesmo modo, não há como se aceitar que os materiais discriminados na listagem "Item 03 (Embalagens de Apresentação)", consistam de embalagens de apresentação ou materiais nelas empregados. De se ver. Primeiro, em relação às várias operações de aquisição de "rótulo e etiquetas" e "caixa, bandejas, diversos", não bastasse o fato de tais materiais não constarem como adquiridos para industrialização (códigos CFOP 1.556 e 1.949), também não há mais nada que possibilite a identificação específica de suas destinações. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.099 13 Da mesma forma, em relação às demais aquisições (CFOP 1101 e 2110) —tais como, plástico bolha, diversos tipos de caixas (descritas como TAMPA REFRAI, FUNDO MERCADO INTERNO, TAMPA REATAR EXPORTAÇÃO, FUNDO RE'NAR, TAMPA NATURA), fita adesiva, selos, sacolas, bandejas, fita pet, etc. na impossibilidade da identificação específica de suas destinações, não há como definir qual delas poderia eventualmente gerar direito a crédito, por consistirem de embalagem de apresentação ou materiais nela empregados. No caso específico das caixas, mencionese que a contribuinte apresentou a autoridade fiscal algumas fotos de vários tipos de embalagens que estariam incluídas dentre aquelas listadas como embalagens de apresentação — essas fotos se encontram no documento denominado "item 06" onde a contribuinte descreve o processo produtivo da empresa; e, em sede de defesa, juntou cópias de várias das notas fiscais lá listadas. Entretanto, tais elementos não ajudam muito. É que, apesar de as fotos 01 e 02 evidenciarem que as caixas que lá aparecem se tratam, aparentemente, de embalagens que poderiam ser classificadas como embalagens de apresentação, não tratou a contribuinte de indicar quais são as operações de aquisição constantes da lista de notas fiscais que se referem especificamente às aquisições destes bens, comprovando documentalmente tal vinculação. Assim, não há como reconhecer o direito pleiteado pela contribuinte. Como o creditamento relativo a embalagens não se estende a toda e qualquer embalagem, tornase imprescindível, para a definição quanto à existência ou não do direito, a minudente identificação da natureza das embalagens em relação às quais é pleiteado o crédito. Destarte o ônus de comprovar a natureza das embalagens e de identificar de forma individualizada quais aquisições estão associadas a quais embalagens é do contribuinte/pleiteante do crédito, nos termos em que já se expôs detalhadamente no item 1.1 deste voto. Como lá se viu, não cumpre seu ônus o contribuinte que se limita a listar operações de aquisição de pretensos insumos, sem que a natureza destas operações e a identificação do insumos adquiridos sejam definidas/produzidas. Como mencionado anteriormente, a matéria em exame nos presentes autos já foi exaustivamente discutida por esta Turma Julgadora, com cerca de uma dezena de processos envolvendo o mesmo contribuinte e os mesmos itens de glosa. Desse modo, por compreender exatamente o tópico ora abordado, utilizo como razão de decidir o seguinte trecho do Acórdão n.º 3201001.689, de relatoria do então Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, por mim reiterado no acórdão nº 3201002.249, de 19 de julho de 2016: O conceito de embalagem, segundo o Ministério do Meio Ambiente é: Fl. 732DF CARF MF 14 A embalagem é essencial para a proteção dos produtos durante a sua etapa de distribuição, armazenamento, comercialização, manuseio e consumo. (...) Cabe à embalagem proporcionar segurança no manuseio do produto, manutenção de suas propriedades e informações legais sobre sua composição e validade, e mesmo rastreabilidade do lote de produção. Em certos casos cabe ainda à embalagem estender o prazo de vida dos produtos, evitando o seu desperdício. Lembramos, inclusive, que a legislação local de ICMS, usualmente mais restritiva que a legislação federal, entende que tais produtos dão direito a crédito, classificandoos como material auxiliar. Neste sentido é o que abstraímos da Instrução Normativa nº 45/98, Título I, Capítulo V, seção 2.0, item 2.1.2, neste sentido: 2.1.2 Não se incluem entre as mercadorias usadas ou consumidas no estabelecimento: a)as matérias primas e os materiais secundários, assim entendidas as mercadorias que se destinem a ser transformadas em constituintes do objeto central da produção, integrandose, agregandose ou incorporandose ao produto final por meio de qualquer processo, inclusive aquelas utilizadas na embalagem ou acondicionamento de mercadorias; (...) Ademais, a própria RFB permite o amplo e geral crédito sobre as compras de embalagem, entendoas como insumos, como vemos na IN 247/2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) (...) (grifo nosso) Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.100 15 Assim, descabe qualquer outro debate sobre o tema. Assim, entendo que assiste razão à Recorrente no que tange ao reconhecimento do direito ao crédito sobre a aquisição de itens de embalagem, sejam estas destinadas ao transporte ou à apresentação, ressaltando que a legislação de regência da COFINS não traz qualquer distinção entre estas. DEMAIS INSUMOS Sob o item "demais insumos" a Recorrente questiona apenas uma Nota Fiscal de Aquisição referente ao item "pote para mel implavel", CFOP 1.101, NF 062027, entrada em 21/02/2006, no valor de R$1.094,97 conforme fls. 425 e 426 do eprocesso, correspondente ao Recurso Voluntário apresentado. Aduz o contribuinte: Esses potes foram equivocadamente glosados da base de cálculo da contribuição para o PIS, conforme o anexo I do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Tais produtos são utilizados no acondicionamento de mel (produzido pelas abelhas que polinizam os pomares). Consta na descrição do processo produtivo dos pomares (fl. 187) informação de que além de serem indispensáveis à polinização dos pomares, as abelhas são responsáveis pela produção e comercialização de mel, tornando o setor autossuficiente financeiramente. Os produtos glosados, elencados acima, são insumos consumidos durante processo produtivo e, por isso, são integrantes do produto vendido. O acórdão da DRJ não trouxe análise específica quanto a este item. Todavia, pelo descritivo acima apresentado, e sendo possível discernir a natureza e a utilidade do item glosado pelo próprio senso comum, é de se reconhecer que tal item, pote para mel, deve ser admitido como insumo essencial do processo produtivo da Recorrente, ainda que em caráter de atividade secundária (comercialização de mel). QUANTO AOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO: Por fim, quanto às glosas relativas aos encargos de depreciação do Ativo Imobilizado cumpre, efetivamente, o exame da aplicação dos itens no processo produtivo da Recorrente. Nesse sentido, temse que a Fiscalização, em resposta à Diligência, limitouse a apresentar duas listagens, uma relativa aos "lista dos bens e itens do ativo imobilizado debatidos e que são utilizados diretamente no setor produtivo da empresa" e, a segunda, Fl. 734DF CARF MF 16 correspondente aos "bens e itens do ativo imobilizado não utilizados como insumos e especificamos a sua efetiva utilização". A despeito de expressa determinação, em sede de Diligência requerida por esta Turma, para que a Autoridade Lançadora "nos casos em que entender não o sejam [utilizados diretamente no setor produtivo], especificar a sua efetiva utilização, listando os mesmos bens", não foi apresentada qualquer justificativa. Pois bem, inicialmente, quanto aos itens do ativo imobilizado que admitidos pela Fiscalização como utilizados diretamente no setor produtivo, temse: ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO: • Disjuntor; • Exaustor industrial; • Medidor de diâmetro de fruta; • Motobomba; • Motor trifásico; • Separador magnético; • Navalhas para máquina picador; • Máquina classificadora; • Aparelho pulverizador; • Motosserra; • Panela isotérmica; • Pulmipur com campana; • Pulverizador; • Pulverizador jacto; • Escadas de ferro; • Adubadeira; • Centrífuga radial motorizada; • Hidroejetor; • Torneira de corte rápido; • Máquina semiautomática; • Refratômetro; • Decantador em aço inox; • Desoperculadora; • Distribuidor de calcário. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.101 17 Estes, por expressa admissão fiscal, constituemse bens essenciais e relevantes ao processo produtivo, desse modo, entendo devem ser revertidas as glosas respectivas. Numa segunda listagem, foram apresentados os itens do ativo imobilizado que a Fiscalização entendeu não serem utilizados no processo produtivo: ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO: • Analisador de gás: ativo utilizado para analisar e controlar os teores de gases no interior das câmaras de armazenagem dos produtos; • Termonebulizador marca Pulsfog modelo K 2: utilizado para desinfecção; • Aquecedor Britânia: utilizado para manter a temperatura em salas de teste; • Balança: utilizada para atender a requisitos de pesagem estabelecidos pelo Inmetro; • Bin: recipiente utilizado no acondicionamento da fruta até um momento anterior à embalagem final. Não se trata, portanto, de embalagem de apresentação; • Bombas: utilizadas para o recalque de água dos poços; • Bureta: utilizada para análise laboratorial; • Caçamba: usado para depósito temporário de lixo; • Carro hidráulico: utilizado para transportes internos; • Carro hidrocooler: utilizado para transportes internos; • Chuveiro com lava olhos: equipamento de segurança; • Costuradeira elétrica: equipamento utilizado em consertos e reformas; • Disco com suporte de análise de cloro: equipamento de análise de índice de cloro em embalagens; • Escada: utilizada em deslocamentos internos de funcionários na empresa; • Esmerilhadeira: ferramenta elétrica para trabalhos em metais; • Evaporador: equipamento utilizado para auxiliar o resfriamento das câmaras de armazenagem; • Furadeira: ferramenta utilizada precipuamente para consertos ou instalações não diretamente ligadas ao processo produtivo; • Grampeador: equipamento para utilização em escritório; Fl. 736DF CARF MF 18 • Guarda roupa: utilizado para guardar pertences dos funcionários; • Hidrolavadora: utilizada para lavagem de bins; • Impulsora pneumática: grampeador de etiquetas nos bins, de utilização interna na empresa; • Lavadora alta pressão: utilizada na limpeza de pisos, paredes, máquinas e bins; • Máquina de grampear: utilizada na confecção de caixas de papelão; • Máquina de lavar: utilizada para lavar roupas e tecidos; • Máquina semi S10: utilizada para o fechamento de embalagens de transporte; • Mesa: utilizada para o controle de qualidade das frutas; • Módulo controller TSM: utilizado para monitorar as câmaras frigoríficas de armazenagem de frutas; • Módulo indicador 9091: utilizado na logística, após o processo produtivo; • Penetrômetro: utilizado para controle de qualidade; • Phmetro: utilizado em laboratório e para controle de qualidade; • Portapalete: utilizado para transporte de pallets; • Pulverizador: utilizado para aplicar defensivos na maçã; • Selador: utilizado para selar as embalagens de transporte; • Serra tico: serra utilizada para madeira e ferro; • Unidade saída de usuário elo: utilizado para controle de gasto de energia; • Ventilador beija flor: utilizado para umidificação das câmaras frigoríficas de armazenagem; • Ventilador Britânia: utilizado para conforto dos funcionários; • Kit exaustor eólico: utilizado para conforto dos funcionários; • Abraçadeira com guia: utilizada em instalações da empresa de maneira geral; • Aspersores: utilizados nas câmaras de armazenagem; • Caixas racks: utilizadas para acondicionamento; • Mangueiras para hidrantes: utilizadas para combate a incêndio; • Caixas plásticas: utilizadas na logística interna da empresa; Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.102 19 • Aparelho de solda: utilizado em reparos de máquinas, equipamentos e barracões; • Bancada penetrômetro: utilizado no controle de qualidade; • Carrinhos comboio: utilizados no transporte interno na empresa; • Condensador evaporativo: utilizado nas câmaras de armazenagem; • Controlador de fator de potência: utilizado para controlar banco de capacitores; • Esticador: utilizado para esticar fitas nos pallets; • Termômetro: utilizado para controlar a temperatura ambiente; • Ventilador centrífugo: utilizado para conforto térmico; • Inversor eletrônico: equipamento responsável por converter a frequência em equipamentos eletrônicos; • Multímetro: utilizado para medição de tensão e corrente; • Alicate tensionador: utilizado para tensionamento de fivelas ou fitas plásticas ou de aço, para a paletização; • Aquecedor: equipamento de conforto térmico utilizado nos escritórios; • Arado: utilizado na preparação do solo para plantio, não é diretamente ligado à produção, pois nesse momento o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Armário: utilizado para armazenagem; • Balanças: utilizadas no controle fitossanitário e fertilização; • Banca: utilizado para acondicionamento de peças ou produtos; • Bomba: utilizada em poços artesianos ou bombas de combustível; • Cabina para trator: utilizada na proteção do operador; • Carrinho plataforma base madeira: utilizado no transporte interno na empresa; • Coveador duplo com adubadeira: utilizado durante o preparo do solo para o plantio. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Fogão: utilizado para prepara alimentos não ligados à produção; • Grade niveladora leve: utilizada durante o preparo do solo para o plantio. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; Fl. 738DF CARF MF 20 • Hidrômetro: utilizado na medição de consumo de água; • Lavadora universal: utilizada para limpezas em geral; • Macaco: utilizado em manutenção de máquinas; • Máquina alceadora: utilizada em combinação com máquina copiadora; • Máquina enxertia: utilizada no período de formação de mudas para plantio. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Rádio: utilizado para comunicação entre funcionários; • Roçadeira: utilizada para limpeza dos pomares, não é diretamente ligada à produção; • Tanque: utilizado no tratamento de plantas de maçã. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Transportador florestal: utilizada na remoção de madeira; • Carreta agrícola: utilizada para transportes internos na empresa; • Montaria simples: utilizada para vigilância dos pomares; • Balde: utilizado na logística interna da empresa; • Empilhadeira agrícola: utilizada para carga e descarga de bins; • Perfurador solo: utilizado durante o preparo do solo para o plantio. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Semeadeira: utilizada para lançar sementes ao solo. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado; • Torre montada sem carro: utilizada para deslocamentos internos na empresa; • Transceptor VHF: utilizado na transmissão de mensagens; • Lava jato alta potência: utilizado na lavagem de tratores e pulverizadores; • Semireboque: utilizado para transporte interno na empresa; • Triturador de galhos: utilizado para triturar galhos nas podas; • Plataforma traseira: utilizado para transporte interno na empresa; • Carreta agrícola: utilizado para transporte interno na empresa; • Reboque: utilizado para transporte interno na empresa; Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.103 21 • Adubadeira de cova para plantio: utilizada durante o preparo do solo para o plantio. Nesse momento, o pomar ainda não é, segundo a prática contábil, um ativo imobilizado.” Inicialmente há que se destacar que, muito embora, em sede de acórdão, tenha sido abordada a questão relativa ao direito ao crédito sobre bens do ativo adquiridos antes de 1º de maio de 2004, não houve questionamento por parte do contribuinte em sede de Recurso Voluntário. Desse modo, mantêmse o direito à credito exclusivamente para os itens do ativo imobilizado adquiridos após 1º de maio de 2004. No que tange aos itens do Ativo Imobilizado, defende a Recorrente especificamente o direito ao crédito sobre a aquisição dos seguintes itens: A inserção de tais itens no stero produtivo foi assim fundamentada pela Recorrente: Fl. 740DF CARF MF 22 Já em sua Manifestação ao resultado da diligência, na qual foi apresentada a listagem supra apresentada, a Recorrente discorre acerca de cada um dos itens glosados. Relativamente aos itens objeto do Recurso Voluntário (em negrito), temse: Nos pomares ocorre todo o cultivo das plantas desde sua implantação até o momento da colheita. Ao longo do ano são realizados vários procedimentos (poda, adubação, irrigação, polinização, tratamentos fitossanitários e colheita) tendo como objetivo chegar a uma safra de qualidade. O Fisco, ao analisar os bens do ativo imobilizado relacionados aos pomares, julgou que alguns não estariam relacionados com a produção, são eles: ・ Arado; ・ Coveador duplo com adubadeira; ・ Grade niveladora leve; ・ Máquina enxertia; ・ Perfurador de solo; ・ Pulverizador; ・ Transportador Florestal; ・ Roçadeira; ・ Triturador de galhos; ・ Semeadeira e; ・ Adubadeira de cova para plantio. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.104 23 No entanto, a classificação efetuada pelo Fisco não procede, pois esses bens são usados diretamente na produção de maçãs, como passará a demonstrar a seguir a utilização de cada máquina no processo produtivo da empresa. O Arado é utilizado na preparação do solo. Sem o arado e a devida preparação do solo, a qualidade do fruto estaria comprometida e assim, não satisfaria os seus consumidores. Após a preparação, o solo é nivelado, marcado (Grade niveladora leve), perfurado (Perfurador de solo e Coveador com adubadeira) e adubado (Adubadeira de cova para plantio). Quando o solo estiver totalmente preparado é realizado o plantio dos pomares (Máquina Enxertia e Semeadeira). Após crescerem os frutos, é utilizado o pulverizador para aplicar defensivos nas maçãs e a roçadeira para limpeza dos pomares. Após a limpeza, o Transportador florestal recolhe os galhos derrubados dos pomares e os leva até o triturador de galhos, permanecendo assim, pomares totalmente limpos e preservados. Esses procedimentos são efetuados a cada nova safra e visam especificamente a produção de frutos. O Fisco também não considerou ativos imobilizados utilizados no transporte das frutas nos pomares. ・ Escada; ・ Plataforma traseira; ・ Torre montada sem carro; ・ Carreta agrícola; ・ Empilhadeira agrícola; ・ Semireboque; ・ Reboque; ・ Banca; ・ Carrinho plataforma base madeira e; ・ Carrinho plataforma. Para a colheita e o transporte das maçãs nos pomares são utilizados os bens acima listados. Sem utilização da escada, do reboque, do carrinho plataforma, seria impossível transportar as frutas, considerando a grande Fl. 742DF CARF MF 24 quantidade de maçãs colhidas por dia, dos pomares ao packing house. (...) O Fisco não considerou também, ativos imobilizados utilizados no transporte e no armazenamento das frutas dentro do packing house. ・ Bins; ・ Carro hidráulico; ・ Portapalete; ・ Caixas plásticas; ・ Carrinho Comboio e; ・ Armário. As frutas, após colhidas dos pomares, chegam ao “packing house”. O deslocamento e armazenagem dos produtos dentro da empresa são de responsabilidade dos bens listados acima. Durante todo o processo de produção do fruto, as maçãs são transportadas por todo o parque. Para isso, usamse carrinhos, para empilhálas. Os bins, as caixas, os armários, as bancadas são usados para acondicionar em seu interior as frutas, facilitando e organizando o transporte das mesmas. A armazenagem e o transporte correto do produto garantem a integridade física das maçãs e por consequência promovem a fruta aos potenciais consumidores. Para melhor esclarecer, a Recorrente junta fotografias dos referidos bens (Doc. 03). Quanto ao item "CÂMARA", demonstra a contribuinte que "As maçãs são armazenadas em câmaras de armazenamento", de "extrema importância no processo produtivo, pois controlam temperatura, umidade, teores de oxigênio e gás carbônico dentro das câmaras, possibilitando assim, um maior período de armazenamento da fruta." Entendo que a justificativa apresentada pelo contribuinte, por meio da sua Manifestação de Diligência, tais itens devem ser admitidos como relevantes e/ou essenciais ao processo produtivo da Recorrente. Relativamente ao item "TRATOR", a Contribuinte defendeu em seu próprio Recurso Voluntário se tratar de item utilizado no "transporte , na adubação do solo e na aplicação de defensivos usados para controle de pragas de desenvolvimento de frutos". Sem grandes digressões, é também pelo senso comum que se conclui a essencialidade de um trator ao processo agroindustrial da Recorrente, gerando, portanto, direito ao crédito. Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10925.002927/200791 Acórdão n.º 3201003.442 S3C2T1 Fl. 1.105 25 Por fim, apenas quanto aos itens "INVERSOR", o contribuinte não logrou demonstrar sua aplicação ao processo produtivo, razão pela qual deixo de reconhecer o direito ao crédito sobre a aquisição de tal item. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para excluir as glosas relativas à (i) totalidade dos itens de embalagem insumo ; (ii) do item "pote para mel implavel", CFOP 1.101, NF 062027 insumo ; e (iii) dos itens do ativo imobilizado adquiridos após 1º de maio de 2004, descritos acima (créditos por depreciação). Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 744DF CARF MF
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