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Numero do processo: 19515.720648/2016-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011,2012
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL.
Cabível o arbitramento do lucro quando a contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal ou não apresentar ao Fisco os livros e documentos da sua escrituração.
Valores recebidos que não se refiram à atividade ou ao objeto social da recorrente ou para os quais a contribuinte não conseguiu comprovar a origem, devem ser tratados como outras receitas e sujeitam-se à tributação diretamente pela aplicação das alíquotas do IRPJ e da CSLL, sem submissão ao percentual do arbitramento.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO
A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastá-la sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada torna-se imperiosa.
MULTA AGRAVADA.
O agravamento da penalidade só se mostra possível quando presentes (ou ausentes) atos do fiscalizado no sentido de tolher ou obstruir o procedimento fiscal de forma contumaz. Tendo o contribuinte, de uma forma ou outra, integral ou parcialmente, na data fixada ou após esta, apresentado o que lhe foi exigido e contribuído para que a ação fiscal se desenrolasse e chegasse ao final, descabe o agravamento da multa.
SUJEIÇÃO PASSIVA. ARTIGO 124, I, DO CTN
Conforme pacificada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não se apura responsabilidade tributária de quem não participou da elaboração do fato gerador do tributo, não sendo bastante para a definição de tal liame jurídico obrigacional a eventual integração interempresarial abrangendo duas ou mais empresas da mesma atividade econômica ou de atividades econômicas distintas.
Da mesma forma, ainda que se admita que as empresas integram grupo econômico, não se tem isso como bastante para fundar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma delas, ao ponto de se exigir seu adimplemento por qualquer delas.
Para que se esteja diante da responsabilização solidária prevista no art. 124, I, do CTN, é necessária a constatação e a prova da participação conjunta de pessoas quando da ocorrência do fato gerador, devendo estas serem copartícipes diretas das infrações imputadas pelo Fisco, o que não se estampou no caso concreto, mais ainda porque o interesse comum a que alude mencionado dispositivo legal não é simplesmente o societário, econômico e finalístico que o grupo e os seus titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica, mas, a participação direta das empresas responsabilizadas na realização dos fatos geradores colhidos pelo Fisco, e esta não houve restou provada adequadamente nos autos.
Responsabilização solidária com fulcro no artigo 124, I, do CTN, que se afasta.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTIGO 135, III, DO CTN.
Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas que, agindo na condição de gestores de pessoa jurídica de direito privado pratiquem condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude, devendo, entretanto, limitar tal imputação ao período de efetivo exercício da gestão à frente dos negócios da autuada.
Responsabilização solidária imputada na forma do artigo 135, III, do CTN, mantida, observado o limite temporal de exercício dos mandatos respectivos.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendem-se aos lançamentos reflexos o decidido no lançamento matriz.
Numero da decisão: 1402-003.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) não conhecer do recurso voluntário apresentado por Jorge Luiz Cruz Monteiro por intempestivo; ii) declarar definitiva a decisão de 1ª Instância relativamente ao sujeito passivo solidário Bayard do Couto e Silva por perempção; iii) negar provimento ao recurso de ofício; iv) dar provimento parcial ao recurso voluntário da autuada para exonerar da tributação o montante de R$ 4.791.245,89, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa e Junia Roberta Gouveia Sampaio; por maioria de votos, v) dar provimento parcial ao recurso voluntário da contribuinte para afastar o agravamento da multa de ofício e manter a qualificação, fixando a penalidade em 150%, vencidos os Conselheiros Marco Rogério Borges, Edeli Pereira Bessa e Evandro Correa Dias que negavam provimento integral e mantinham o agravamento. O Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella acompanhou o Relator pelas conclusões; vi) dar provimento parcial aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários pessoas físicas, mantendo a responsabilização dos imputados João Manuel Magro, Bayard do Couto e Silva, Paulo Henrique Oliveira de Menezes, Carlos Henrique Pedrosa Lopes, Mauricio de Souza Mascolo e Jorge Luiz Cruz Monteiro respeitados os períodos em que figuraram como gestores da autuada, vencida a Conselheira Edeli Pereira Bessa em relação ao solidário João Manuel Magro para o qual entendia que a responsabilização abrangeria todo o período objeto dos lançamentos, bem como os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio que afastavam a responsabilização de Paulo Henrique Oliveira de Menezes, Carlos Henrique Pedrosa Lopes e Mauricio de Souza Mascolo; por voto de qualidade, vii) dar provimento integral aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários pessoas jurídicas, afastando a imputação feita a Magropar Empreendimentos e Participações S/A, Manguinhos Distribuidora S/A, Refinaria de Petróleos de Manguinhos S/A, Fera Lubrificantes Ltda., Xoroquê Participações S/A, Gasdiesel Distribuidora de Petróleo Ltda., Fera Marketing e Telemarketing Ltda - ME., JPJ Assessoria Empresarial Ltda., Rodopetro Distribuidora de Petróleo Ltda. e Manguinhos Química S/A, vencidos os Conselheiros Marco Rogério Borges, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Evandro Correa Dias que negavam provimento. O Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella acompanhou o Relator pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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FAZENDA NACIONAL. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011,2012 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. Cabível o arbitramento do lucro quando a contribuinte, sujeito à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal ou não apresentar ao Fisco os livros e documentos da sua escrituração. Valores recebidos que não se refiram à atividade ou ao objeto social da recorrente ou para os quais a contribuinte não conseguiu comprovar a origem, devem ser tratados como outras receitas e sujeitamse à tributação diretamente pela aplicação das alíquotas do IRPJ e da CSLL, sem submissão ao percentual do arbitramento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Estando evidenciada nos autos a intenção dolosa da autuada de evitar a ocorrência do fato gerador ou seu conhecimento pela Autoridade Tributária, a aplicação da multa qualificada tornase imperiosa. MULTA AGRAVADA. O agravamento da penalidade só se mostra possível quando presentes (ou ausentes) atos do fiscalizado no sentido de tolher ou obstruir o procedimento fiscal de forma contumaz. Tendo o contribuinte, de uma forma ou outra, integral ou parcialmente, na data fixada ou após esta, apresentado o que lhe AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 06 48 /2 01 6- 08 Fl. 6784DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.785 2 foi exigido e contribuído para que a ação fiscal se desenrolasse e chegasse ao final, descabe o agravamento da multa. SUJEIÇÃO PASSIVA. ARTIGO 124, I, DO CTN Conforme pacificada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, não se apura responsabilidade tributária de quem não participou da elaboração do fato gerador do tributo, não sendo bastante para a definição de tal liame jurídico obrigacional a eventual integração interempresarial abrangendo duas ou mais empresas da mesma atividade econômica ou de atividades econômicas distintas. Da mesma forma, ainda que se admita que as empresas integram grupo econômico, não se tem isso como bastante para fundar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma delas, ao ponto de se exigir seu adimplemento por qualquer delas. Para que se esteja diante da responsabilização solidária prevista no art. 124, I, do CTN, é necessária a constatação e a prova da participação conjunta de pessoas quando da ocorrência do fato gerador, devendo estas serem copartícipes diretas das infrações imputadas pelo Fisco, o que não se estampou no caso concreto, mais ainda porque o interesse comum a que alude mencionado dispositivo legal não é simplesmente o societário, econômico e finalístico que o grupo e os seus titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica, mas, a participação direta das empresas responsabilizadas na realização dos fatos geradores colhidos pelo Fisco, e esta não houve restou provada adequadamente nos autos. Responsabilização solidária com fulcro no artigo 124, I, do CTN, que se afasta. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. SOLIDARIEDADE. ARTIGO 135, III, DO CTN. Cabível a imputação de solidariedade às pessoas, físicas que, agindo na condição de gestores de pessoa jurídica de direito privado pratiquem condutas que caracterizem infração à lei ou excesso de poderes, como sonegação fiscal e fraude, devendo, entretanto, limitar tal imputação ao período de efetivo exercício da gestão à frente dos negócios da autuada. Responsabilização solidária imputada na forma do artigo 135, III, do CTN, mantida, observado o limite temporal de exercício dos mandatos respectivos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Inexistindo fatos novos a serem apreciados, estendemse aos lançamentos reflexos o decidido no lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) não conhecer do recurso voluntário apresentado por Jorge Luiz Cruz Monteiro por intempestivo; ii) declarar definitiva a decisão de 1ª Instância relativamente ao sujeito passivo solidário Bayard do Couto e Silva por perempção; iii) negar provimento ao recurso de ofício; iv) dar provimento parcial ao recurso voluntário da autuada para exonerar da tributação o montante de R$ 4.791.245,89, votando pelas conclusões os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa e Junia Roberta Gouveia Sampaio; por maioria de votos, v) dar provimento Fl. 6785DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.786 3 parcial ao recurso voluntário da contribuinte para afastar o agravamento da multa de ofício e manter a qualificação, fixando a penalidade em 150%, vencidos os Conselheiros Marco Rogério Borges, Edeli Pereira Bessa e Evandro Correa Dias que negavam provimento integral e mantinham o agravamento. O Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella acompanhou o Relator pelas conclusões; vi) dar provimento parcial aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários pessoas físicas, mantendo a responsabilização dos imputados João Manuel Magro, Bayard do Couto e Silva, Paulo Henrique Oliveira de Menezes, Carlos Henrique Pedrosa Lopes, Mauricio de Souza Mascolo e Jorge Luiz Cruz Monteiro respeitados os períodos em que figuraram como gestores da autuada, vencida a Conselheira Edeli Pereira Bessa em relação ao solidário João Manuel Magro para o qual entendia que a responsabilização abrangeria todo o período objeto dos lançamentos, bem como os Conselheiros Caio Cesar Nader Quintella e Junia Roberta Gouveia Sampaio que afastavam a responsabilização de Paulo Henrique Oliveira de Menezes, Carlos Henrique Pedrosa Lopes e Mauricio de Souza Mascolo; por voto de qualidade, vii) dar provimento integral aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários pessoas jurídicas, afastando a imputação feita a Magropar Empreendimentos e Participações S/A, Manguinhos Distribuidora S/A, Refinaria de Petróleos de Manguinhos S/A, Fera Lubrificantes Ltda., Xoroquê Participações S/A, Gasdiesel Distribuidora de Petróleo Ltda., Fera Marketing e Telemarketing Ltda ME., JPJ Assessoria Empresarial Ltda., Rodopetro Distribuidora de Petróleo Ltda. e Manguinhos Química S/A, vencidos os Conselheiros Marco Rogério Borges, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Evandro Correa Dias que negavam provimento. O Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella acompanhou o Relator pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 6786DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.787 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ/BHE em sessão de 24 de maio de 2017 (fls. 4548/4631)1, que julgou parcialmente procedente a impugnação e manteve parte dos lançamentos perpetrados pelo Fisco e de Recurso de Ofício manejado pela Presidência da mencionada Turma pelo fato de haver exoneração de crédito tributário acima do limite de alçada (R$ 2.500.000,00) previsto, na época, pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Destaquese que também foram apreciadas pela Turma Julgadora de 1º Grau, 16 impugnações apresentadas por sujeitos passivos solidários arrolados pelo Fisco (10 pessoas jurídicas e 6 pessoas físicas), sendo dado parcial provimento a três delas (BAYARD DO COUTO E SILVA, CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES e MAURICIO DE SOUZA MASCOLO). DA ACUSAÇÃO FISCAL Segundo o TVF (fls. 1200/1238), resumido pela decisão recorrida, as irregularidades imputadas pelo Fisco estão assim sumarizadas: “CONTEXTO 8. Conforme registro nos sistemas da Receita Federal do BrasilRFB a fiscalizada encontrase na situação ativa na base CNPJ. As DIPJ`s 2012/AC 2011 e 2013/AC 2012 foram apresentadas à RFB, sem indicação dos valores, ou seja, “zerada” em todas as rubricas que compõem a DIPJ Lucro Real Anual. Em pesquisa ao Sistema Público de Escrituração Digital SPEDcontábil não foram encontrados arquivos relativos à Escrituração Contábil Digital ECD referente aos períodos sob fiscalização. 8.1 O procedimento fiscal ocorreu em decorrência de procedimento fiscal em face de MANGUINHOS DISTRIBUIDORA S A. Em exames da escrituração da MANGUINHOS DISTRIBUIDORA S/A, bem como da documentação obtida para comprovação de despesas, indicam que a BRICKELL B, empresa de “factoring”, embora tenha apurado receitas com comissões e deságios na compra de títulos, apresentou a DIPJ 2011 e 2012 “zerada” e não declarou quaisquer débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nas respectivas DCTF DOS PROCEDIMENTOS DE AUDITORIA 9. Intimado o contribuinte, transcorrido o prazo para atendimento da intimação, o sujeito passivo não se pronunciou. Foi efetuada reintimação, com os esclarecimentos de que a negativa injustificada da exibição/apresentação dos elementos exigidos, caracterizaria a hipótese de embaraço à fiscalização nos termos do inciso I do art. 33 da Lei 9.430/96. Transcorrido o prazo para atendimento da reintimação, o sujeito passivo não se pronunciou. Na sequência foi emitido o TERMO DE EMBARAÇO À 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 6787DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.788 5 FISCALIZAÇÃO, devidamente cientificado ao sujeito passivo – via postal – aos 09/04/2015. 10. Foi emitida solicitação de requisição de informação sobre a movimentação financeira da fiscalizada para as instituições financeiras identificadas no TVF. O contribuinte foi intimado a justificar e esclarecer as operações empresariais e/ou comerciais que deram origem e/ou respaldaram os depósitos/transferências constantes em planilha apresentada. Após prorrogação de prazo, o contribuinte apresentou, parcialmente, esclarecimentos acerca do solicitado. Na sequência, outras intimações foram efetuadas e diversos documentos e esclarecimentos foram apresentados. 11. Após todos os procedimentos descritos, verificouse que a fiscalizada, embora tenha apurado receitas com comissões e deságios na compra de títulos, apresentou DIPJ zerada, deixou de apresentar escrituração comercial e não cumpriu com as obrigações acessórias exaradas pela legislação tributária, não apresentou receita na DACON e declarou DCTF AC 2011 e 2012 com poucos tributos com valores de pequena monta. 11.1 Desta forma, não tendo contabilidade e nem declarações apresentadas regularmente pela fiscalizada, o caminho trilhado pela fiscalização para que se apurassem as matérias tributárias, foi a emissão de requisições de movimentação financeira em face das instituições bancárias onde a fiscalizada mantinha titularidade. Em complemento ao exame dos extratos bancários acessados administrativamente, foi possível confirmar as bases de cálculo dos tributos pela utilização do SPED contábil, de grande parte das empresas que transacionaram com a fiscalizada, disponível nos cadastros da Receita Federal do Brasil. 12. As atividades exercidas pela BRICKELL B nos anos calendários de 2012 e 2011 redundaram nos seguintes fatos geradores: > Gestão financeira dos recursos de titularidade das empresas do grupo que redundou na emissão de centenas de notas fiscais de prestação de serviços e honorários para os anos calendários de 2011 e 2012. > Cobrança de ad valorem que representam os honorários pela prestação de serviços de fomento mercantil. > Aplicação do “fator” que é o desconto (deságio) do valor de face dos títulos adquiridos. A BRICKELL B aplicou um percentual de 5% a.m. pro rata dia; este percentual era destacado em borderôs que nos foram apresentados. > Responsável pelo recolhimento de IOF sobre operações de crédito para os anos calendários de 2011 e 2012. > Pagamento sem causa em face da empresa JANIÓPOLIS no montante no ano calendário de 2011. > Nas demais receitas referentes a pretenso adiantamento para futuro aumento de capital em face da MANGUINHOS PARTICIPAÇÕES (XOROQUE), crédito em c/c na data de 27/11/2012. Fl. 6788DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.789 6 > Nas demais receitas junto a MAGROPAR nos anos calendários fiscalizados. > Nas demais receitas com identificação indefinida dada a informação prestada pela FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA no ano calendário de 2011. > Aplicações financeiras junto às instituições financeiras para os anos calendários de 2011 e 2012. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA 13. A fiscalizada deixou de registrar contabilmente a integralidade de suas operações mercantis e de crédito, bem como deixou de cumprir na integralidade as obrigações acessórias previstas pela legislação de regência. A fiscalizada foi intimada e reintimada a apresentar a sua contabilidade, bem como os extratos das contas correntes e investimentos bancários, tendo sido alertada que a negativa injustificada dos extratos caracterizaria a hipótese de embaraço a fiscalização nos termos do disposto no inciso I do art. 22 da Lei 9.430/96, bem como existindo o lançamento de ofício iria se proceder ao agravamento da multa com base do § 2º do art. 44 da Lei 9.430/96. 13.1 O comportamento reiterado da fiscalizada em omitir da RFB suas transações comerciais e financeiras, exigindo da fiscalização tomar conhecimento das referidas transações por meio de emissão das requisições de movimentações financeiras – RMF, deságua necessariamente no agravamento e na qualificação da multa de ofício. 13.2 A fiscalização só obteve os documentos que possibilitaram a constituição dos presentes créditos tributários por conta do exame das movimentações financeiras das contas correntes mantidas pela fiscalizada em diversas instituições, aliada às respostas das circularizações remetidas às empresas ligadas e não ligadas com a fiscalizada. 13.3 A fiscalizada não emitiu as Notas Fiscais em sua totalidade, emitiu apenas aquelas relativas aos ad valorem e pelo serviço de gestão de fluxo de caixa, não emitindo as notas relativas ao “fator” descontado no serviço de factoring. 13.4 Os procedimentos adotados pelo contribuinte tiveram como objetivo zerar ou diminuir quase que em sua totalidade os valores das contribuições e impostos devidos no período fiscalizado. 14. Os fatos acima relatados configuram, EM TESE, crime contra a ordem tributária, previsto na legislação em vigor, cujo dolo, que justifica a aplicação da multa qualificada nos termos do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, se caracterizaria pelo fato de o contribuinte, de forma sistemática e continuada durante todos os meses do anocalendário 2011 e 2012, ter prestado à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, na falta de transmissão de sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como na falta da emissão da totalidade de suas Notas Fiscais. Fl. 6789DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.790 7 14.1 Neste contexto, foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, aplicada multa de ofício de 225%. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA 15. No presente caso, havia o interesse comum entre as pessoas integrantes do GRUPO ANDRADE MAGRO e que tomaram os serviços da fiscalizada, a BRICKELL B atuava como caixa única de diversas empresas do mesmo grupo e havia verdadeira confusão patrimonial entre elas, como pode se verificar dos Contratos de Gestão de Fluxo de Caixa e dos extratos bancários. 15.1 Neste contexto, as pessoas jurídicas que estão sendo responsabilizadas se beneficiaram diretamente das fraudes cometidas pela fiscalizada uma vez que repassaram a esta a gestão de seus fluxos de caixa, o deságio dos títulos vendidos, bem como do ad valorem por ela cobrados, gerando para cada uma delas despesas dedutíveis do imposto de renda da pessoa jurídica, da contribuição social sobre o lucro, bem como a tomada de créditos sobre tais despesas operacionais tanto para o PIS quanto para a COFINS. 15.2 Por sua vez, as pessoas físicas que agiram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto e que serão responsabilizados nos termos do art. 135 são os representantes da empresa BRICKELL B na época dos fatos. Em suma, foi com a representação dessas pessoas físicas que o contribuinte de forma sistemática e continuada durante todos os meses do anocalendário 2011 e 2012, prestou à RFB informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, não transmitiu sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como não emitiu a totalidade de suas Notas Fiscais. Ciência 16. A ciência do Auto de Infração aos interessados ocorreu da seguinte forma: BRICKELL B FOMENTO S/A Ciência pessoal aos 24/11/2016, conforme documento à fl. 1351 MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A Ciência via postal aos 08/12/2016, conforme documento à fl. 3875 MANGUINHOS DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO S/A Ciência via postal aos 08/12/16, conforme documento à fl. 3901 REFINARIA DE PETRÓLEO DE MANGUINHOS S/A Ciência via postal aos 08/12/2016, conforme documento à fl. 3872 FERA LUBRIFICANTES LTDA. Fl. 6790DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.791 8 Tentativa de ciência via postal aos 09/12/2016, conforme documento à fl. 4264 Ciência por edital aos 08/02/17, conforme documento à fl. 4261 XOROQUE PARTICIPAÇÕES S/A Ciência via postal aos 08/12/2016, conforme documento à fl. 3874 GASDIESEL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. Ciência via postal aos 09/12/2016, conforme documento à fl. 3866 FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA. ME Ciência via postal aos 09/12/2016, conforme documento à fl. 3870 JPJ ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. Ciência via postal aos 08/12/2016, conforme documento à fl. 3877 RODOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. Ciência via postal aos 09/12/2016, conforme documento à fl. 3873 MANGUINHOS QUÍMICA S/A Ciência via postal aos 09/12/2016, conforme documento à fl. 3881 JOÃO MANUEL MAGRO Ciência pessoal aos 24/11/2016, conforme documento à fl. 1362 BAYARD DO COUTO E SILVA Ciência por AR aos 09/12/2016, conforme documento à fl. 3864 PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES Ciência por AR aos 08/12/2016, conforme documento à fl. 4269 CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES Ciência por AR aos 08/12/2016, conforme documento à fl. 3902 MAURICIO DE SOUZA MASCOLO Ciência via postal aos 08/12/2016, conforme documento à fl. 3876 JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO Ciência por AR aos 08/12/2016, conforme documento à fl. 3865”. Os lançamentos estão a seguir estampados (Ac. DRJ – fls. 4552): Fl. 6791DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.792 9 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a lavratura dos AI (fls. 1240/1348), a contribuinte interpôs impugnação (fls. 1590/1603), juntando documentos, na qual rebateu a imputação fiscal alegando, em síntese: Ø que a maior parte das receitas apontadas pelo fisco decorre da atividade de factoring; Ø receber parcela fixa mensal de R$ 4.000,00 pela gestão de caixa; Ø mais ad valorem de 0,5% do montante dos títulos administrados; Ø e ainda, “fator” de 5% ao mês, pro rata die, entre a data de recebimento e o vencimento de cada título; Ø embora conteste a incidência de IOF sobre a terceira rubrica, pelas razões expostas na impugnação específica, reconhece a Impugnante que todas elas constituem receita sua. Neste contexto, informa que dentro do prazo da impugnação parcelou os tributos sobre elas calculados (IRPJ e CSLL arbitrados, PIS e COFINS), bem como o IRPJ e a CSLL sobre aplicações financeiras identificadas em extratos bancários, sempre após o devido abatimento das importâncias retidas a título de cada tributo, que a autuação falhou ao não considera; Ø esclarece que referido parcelamento fezse com multa de 75%, considerando a discordância da Impugnante quanto à qualificação e ao agravamento desta, exacerbações que estão aqui impugnadas e, pois, suspensas. Por razões de cautela, a Impugnante não aplicou sobre os 75% a redução do art. 44, § 3º, da Lei nº 9.430/96. Apresenta planilha demonstrativa do valor parcelado: Ø além das retenções na fonte e o tratamento das receitas dos pagamentos recebidos de FERA MARKETING e a qualificação e agravamento da multa, a impugnante contesta ainda a tributação dos valores recebidos de Fl. 6792DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.793 10 MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA e XOROQUÊ PARTICIPAÇÕES S A; Ø ainda que a impugnante tenha cometido falhas, inclusive por não informar as retenções em seus documentos contábeis e fiscais, o direito ao abatimento das importâncias retidas na fonte subsiste, por disposição legal expressa; Ø contrariamente ao que fez para todos os demais clientes da impugnante, o fisco decidiu impor o IRPJ e a CSLL sobre o valore cheio das importâncias recebidas de FERA MARKETING, em vez de arbitrar o lucro segundo os porcentuais estabelecidos pela legislação; Ø que, em um primeiro momento, por equívoco, informou que os valores recebidos da XOROQUÊ PARTICIPAÇÕES S A constituíam remuneração do serviço de gestão de caixa; tal explicação não foi aceita pelo fisco. Em verdade, tratase de adiantamento para futuro aumento de seu capital feito pela MAGROPAR, por intermédio da XAROQUÊ, sua subsidiária integral; Ø que, não aceito o valor como AFAC (PN CST nº 17, de 1984), estarse ia diante de um mútuo que, em qualquer hipótese, não constitui receita tributável para o mutuário. Ø descaber a aplicação da multa de 225% sob o argumento do cometimento de atos dolosos, já que entregou DIPJ e DCTF zeradas e ausência de apresentação de escrituração comercial. O agravamento ao fundamento de que a empresa não apresentou ao fisco o extrato de contas correntes e investimentos, embora tenha sido intimada. No caso vertente, o que existe é a infração à legislação tributária, o que justifica a cobrança dos tributos devidos e a imposição da multa de ofício; contudo, não está autorizada a presunção de fraude ou de dolo por parte do contribuinte. Tal entendimento está pacificado na Súmula 14 do CARF; Ø frisa ter emitido notas fiscais para grande parte das operações autuadas, documentando, assim, as suas atividades. Especificamente quanto à cobrança do “fator”, apontada pelo Fisco, vale notar que, embora constitua receita da empresa, ela não enseja a emissão de nota fiscal, por não consubstanciar pagamento feito pelo cliente. As notas emitidas pela Impugnante foram contabilizadas e informadas no SPED contábil pelas empresas contratantes, como reconhece o Fisco no Relatório que acompanha a autuação; Ø justificou e documentou quase todas as movimentações bancárias realizadas no período autuado, como se constata dos documentos apresentados no curso da fiscalização e das informações e dos arquivos ora trazidos aos autos; Ø quanto ao agravamento, este também merece ser afastado porque não detinha parte dos documentos solicitados pelo Fisco, tais como os arquivos relativos à sua escrituração contábil digital. Assim, tais Fl. 6793DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.794 11 documentos deixaram de ser apresentados não por máfé da empresa, mas por absoluta impossibilidade; Ø que, em janeiro de 2016, passou a colaborar ativamente com o Fisco, apresentando inúmeros documentos e informações relativos às operações fiscalizadas, pelo que não há dúvida de que a empresa forneceu à Fiscalização diversas informações relativas às operações autuadas, as quais foram indispensáveis para a lavratura dos autos e apuração dos tributos devidos; Ø que, como a Fiscalização arbitrou o lucro, descabe o agravamento da multa (Súmula CARF nº 96). Finaliza requerendo o provimento do seu pleito. De sua parte, os sujeitos passivos solidários MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S/A, MANGUINHOS DISTRIBUIDORA S/A, REFINARIA DE PETRÓLEOS DE MANGUINHOS S/A, FERA LUBRIFICANTES LTDA., XOROQUE PARTICIPAÇÕES S/A, GASDIESEL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA., FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA. ME, JPJ ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA., RODOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. e MANGUINHOS QUÍMICA S/A, acostaram impugnações rebatendo suas inclusões no pólo passivo com fulcro no artigo 124, do CTN, argumentando, de forma idêntica, não possuírem “interesse comum nos fatos” e não haver que se falar em “em confusão patrimonial, apta a justificar a responsabilização solidária, ou mesmo em interesse comum”, pelo que requerem suas exclusões dos autos. Já as pessoas físicas arroladas, todas com supedâneo no artigo 135, do Estatuto Tributário, interpuseram impugnações alinhavando seus argumentos, a seguir resumidos: JOÃO MANUEL MAGRO a) ser indevida sua inclusão como sujeito passivo da obrigação, antes de tudo, porque o Fisco não comprovou nem sequer alegou a prática de qualquer ato, pelo impugnante, com excesso de poderes ou infração à lei ou ao estatuto da empresa, como determina o art. 135 do CTN; b) que o simples inadimplemento de obrigações tributárias pela pessoa jurídica não é suficiente para gerar a responsabilização dos seus sócios e gerentes. Esse entendimento, inclusive, encontrase pacificado na jurisprudência por meio da Súmula n° 430 do STJ; c) alega que a autuação atribui responsabilidade quanto a períodos em que não exercia as suas funções; o período autuado estendese de 31/01/2011 a 31/12/2012 e o próprio fisco reconhece que o impugnante exerceu o cargo de Diretor Presidente da BRICKELL no período de 16.04.2009 a 01.04.2011. Desse modo, resta claro que ele não pode ser responsabilizado por fatos ocorridos no período de 02.04.2011 a 31.12.2012. BAYARD DO COUTO E SILVA a) ter sido arrolado como responsável solidário, na forma do art. 135 do CTN porque, segundo o fisco, era diretor financeiro da sociedade até 01/04/2011, praticando atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto; Fl. 6794DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.795 12 b) que o auto de infração não pode subsistir porque em momento algum foi intimado do procedimento fiscal, em verdadeiro cerceamento do direito de defesa; c) não terem sido apontados quais os atos de autoria do impugnante, de sorte a viabilizar sua defesa; d) os fatos geradores apontados pelo fisco se deram em datas em que o próprio fiscal reconhece que o impugnante já não se encontrava na empresa há anos; e) ter sido afastado da sociedade, na realidade, em 10 de maio de 2010 e que, como era empregado, atuava como prestador de serviços, colocado na sociedade como diretor, e dispensado sem motivo em 10/05/2010, ainda em recuperação de intervenção cirúrgica; que, em 12 de maio de 2012 ingressou com reclamação trabalhista contra as empresas do grupo. PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES a) ser indevida sua inclusão como sujeito passivo da obrigação, antes de tudo, porque o Fisco não comprovou nem sequer alegou a prática de qualquer ato, pelo impugnante, com excesso de poderes ou infração à lei ou ao estatuto da empresa, como determina o art. 135 do CTN; b) que o simples inadimplemento de obrigações tributárias pela pessoa jurídica não é suficiente para gerar a responsabilização dos seus sócios e gerentes. Esse entendimento, inclusive, encontrase pacificado na jurisprudência por meio da Súmula n° 430 do STJ; c) que, nos anos de 2011 e 2012 o impugnante exerceu os cargos de Diretor VicePresidente Comercial e de Marketing da BRICKELL e de Presidente da empresa, conforme atos societários em anexo, sempre atuando na área comercial da empresa, não exercendo qualquer ingerência direta sobre as atividades financeiras, contábeis ou fiscais da BRICKELL, pelo que jamais poderia ser responsabilizado pelos débitos exigidos, o que impõe a sua exclusão do pólo passivo da autuação em debate, nos termos da jurisprudência do STJ e CARF; d) por outro lado, o período autuado estendese de 31/01/2011 a 31/12/2012; no entanto, o impugnante foi eleito para o cargo de diretor somente em 01/04/2011; portanto, não pode ser responsabilizado pelos fatos ocorridos no período de 31/01/2011 a 31/03/2011. Ilustra com jurisprudência judicial. CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES a) ser indevida sua inclusão como sujeito passivo da obrigação, antes de tudo, porque o Fisco não comprovou nem sequer alegou a prática de qualquer ato, pelo impugnante, com excesso de poderes ou infração à lei ou ao estatuto da empresa, como determina o art. 135 do CTN; b) que o simples inadimplemento de obrigações tributárias pela pessoa jurídica não é suficiente para gerar a responsabilização dos seus sócios e gerentes. Esse entendimento, inclusive, encontrase pacificado na jurisprudência por meio da Súmula n° 430 do STJ; c) o período autuado estendese de 31/01/2011 a 31/12/2012. No entanto, como reconhece o próprio fisco, o impugnante exerceu o cargo de VicePresidente da BRICKELL no período de 01/04/2011 a 10/01/2012. Deste modo, não pode ser responsabilizado pelos fatos ocorridos no período de 01/04/2011 a 10/01/2012. Ilustra com jurisprudência administrativa. MAURICIO DE SOUZA MASCOLO Fl. 6795DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.796 13 a) ser indevida sua inclusão como sujeito passivo da obrigação, antes de tudo, porque o Fisco não comprovou nem sequer alegou a prática de qualquer ato, pelo impugnante, com excesso de poderes ou infração à lei ou ao estatuto da empresa, como determina o art. 135 do CTN; b) que o simples inadimplemento de obrigações tributárias pela pessoa jurídica não é suficiente para gerar a responsabilização dos seus sócios e gerentes. Esse entendimento, inclusive, encontrase pacificado na jurisprudência por meio da Súmula n° 430 do STJ; c) o período autuado estendese de 31/01/2011 a 31/12/2012. No entanto, como reconhece o próprio fisco, o impugnante exerceu o cargo de diretor na BRICKELL no período de 01/01/2012 a 13/06/2012. Deste modo, não pode ser responsabilizado pelos fatos ocorridos no período de 30/01/2011 a 09/01/2012 e de 14/06/2012 a 31/12/2012. Ilustra com jurisprudência administrativa. JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO a) ser indevida sua inclusão como sujeito passivo da obrigação, antes de tudo, porque o Fisco não comprovou nem sequer alegou a prática de qualquer ato, pelo impugnante, com excesso de poderes ou infração à lei ou ao estatuto da empresa, como determina o art. 135 do CTN; b) que o simples inadimplemento de obrigações tributárias pela pessoa jurídica não é suficiente para gerar a responsabilização dos seus sócios e gerentes. Esse entendimento, inclusive, encontrase pacificado na jurisprudência por meio da Súmula n° 430 do STJ; c) o período autuado estendese de 31/01/2011 a 31/12/2012. No entanto, como reconhece o próprio fisco, o impugnante foi eleito para o cargo de diretor na empresa a partir de 13/06/2012. Deste modo, não pode ser responsabilizado pelos fatos ocorridos no período de 31/01/2011 a 12/06/2012. Ilustra com jurisprudência administrativa. DA DECISÃO RECORRIDA Submetida a lide à apreciação da 3ª Turma da DRJ/BHE, o Colegiado de 1º Grau, assim se expressou, pelo seu voto condutor: “O impugnante contesta parte do crédito tributário apurado pelo fisco, reconhecendo como devido e efetuando o parcelamento de parte do crédito tributário apurado. Neste contexto, cabe, inicialmente, identificar o crédito tributário em litígio neste processo. O contribuinte reconhece como devida parte do crédito tributário apurado pelo fisco, solicitando o parcelamento da parte não contestada, que foi transferida para o processo 16151.720016/201703, conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário anexado às fls. 4457 a 4460. Em síntese, o impugnante discorda do tratamento tributário adotado pelo fisco quanto aos valores recebidos da empresa FERA MARKETING, MAGROPAR EMPREENDIMENTOS e XOROQUÊ PARTICIPAÇÕES, quanto ao IRF não deduzido pelo fisco quando da apuração dos valores devidos e a qualificação e agravamento da multa de ofício aplicada. O crédito tributário reconhecido pelo contribuinte como devido encontrase detalhado na planilha às fls. 1715/1716. Neste contexto, considerando somente a parcela do crédito tributário contestada pelo contribuinte, vejamos, ponto a ponto suas razões de discordância: Descabimento da tributação como demais receitas FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA – ME Fl. 6796DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.797 14 O impugnante argumenta que, contrariamente ao que fez para todos os demais clientes, o fisco impôs o IRPJ e CSLL sobre o valor cheio das importâncias recebidas de FERA MARKETING, deixando de arbitrar o lucro segundo os percentuais previstos em lei. O fisco esclareceu acerca da motivação para o cômputo dos valores transferidos pela FERA MARKETING como “outras receitas” Para comprovar tais valores apresentou apenas documento denominado de “Transferência de numerário (TED) entre contas correntes”, de acordo com tais documentos a Fera Marketing informava a transferência de numerário na respectiva data, sendo que os recursos deveriam ser disponibilizados quando solicitados pela Fera Marketing mediante simples aviso transmitido por qualquer meio, inclusive por telefone, email ou outro meio eletrônico disponível. Aberta diligência vinculada na Fera Marketing tentamos sem sucesso a intimação via postal, AR JO817819343BR, que retornou com a informação “mudouse”, posteriormente tal intimação foi recepcionada por Fernanda Grasselli de Carvalho procuradora da empresa diligenciada, que também representava a empresa fiscalizada. A procuração da Fera Marketing (diligenciada) como da Brickell B (fiscalizada) foram assinadas por João Manuel Magro. Em sua resposta a Fera Marketing também informou que possuía contrato de gestão de fluxo de caixa com a fiscalizada. Tais afirmações não foram aceitas tendo em vista que, diferentemente do que acontece em outros casos em que foi alegada a existência do fluxo de caixa, no caso da Fera Marketing houve o envio desses valores significativos no início do ano de 2011, mas não há em nenhum momento, até o fim de 2012, a solicitação do retorno desses valores, não há de se falar em gestão de fluxo de caixa se só existem os créditos originários da Fera Marketing e nunca ocorrem as respectivas devoluções. O impugnante discorda das conclusões do fisco, apresentando diversos documentos no intuito de comprovar que os valores transferidos pela FERA MARKETING têm origem em Contrato de Gestão de Fluxo de Caixa. 117.1 O impugnante apresentou as notas fiscais de serviços emitidas pela autuada contendo a discriminação dos serviços “Prestação de serviços de factoring (gestão de caixa) ”, o Contrato de Gestão de Fluxo de Caixa e Administração de Contas a Pagar e a Receber e relatório financeiro. Os documentos apresentados pelo contribuinte não comprovam a efetiva prestação de serviços de Gestão de Caixa aventada pelo impugnante. O fisco consignou a identificação no extrato bancário da fiscalizada as seguintes entradas de numerário advindas da FERA MARKETING: Fl. 6797DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.798 15 Como se vê, valores significativos foram transferidos à autuada no início de 2011; contudo, não foi localizado até o final de 2012 qualquer retorno destes valores. Apesar de mencionar em sua impugnação que “mais de R$ 440.000,00” foram devolvidos/empregados à FERA MARKETING, nenhuma comprovação documental desta utilização foi apresentada pela fiscalizada, nem na fase da auditoria nem juntamente com a impugnação. O fisco tentou confirmar a existência da mencionada gestão em diligência junto à FERA MARKETING, não obteve sucesso; ressaltou o fisco que nem mesmo a ECD que possibilitaria confirmar tais informações a diligenciada apresentou à RFB. Diferente do aventado pela impugnante, o cômputo dos valores advindos da FERA MARKETING como “outras receitas” não é decorrente do descumprimento de obrigações pela FERA MARKETING, mas pela inexistência da comprovação pela autuada de que tais valores são advindos de gestão de caixa, quando os fatos identificados pelo fisco não correspondem às alegações apresentadas. Cabe ressaltar que a diligência efetuada junto à FERA MARKETING teve como único intuito comprovar as alegações da fiscalizada, uma vez que os documentos por ela apresentados mostravamse incompatíveis com suas alegações. Neste contexto, tendo em vista que os documentos anexados ao processo, especialmente as informações extraídas dos extratos bancários da autuada, indicam tão somente a entrada de recursos, em valores significativos, não há como considerar como decorrentes do contrato de prestação de serviços – Gestão de Caixa – como alegado pela impugnante. Neste contexto, o tratamento dado pelo fisco às receitas correspondentes é aquele previsto no art. 27 da Lei no 9.430, de 1996, na redação vigente à época dos fatos. (...) XOROQUÊ PARTICIPAÇÕES S A (EXMANGUINHOS PARTICIPAÇÕES S A) O fisco localizou nos extratos bancários da fiscalizada um crédito no importe de R$ 5.257.071,00, advindo da XOROQUÊ; intimada a esclarecer acerca do fato, a contribuinte informa que se trata de AFAC – Adiantamento para Futuro Aumento de Capital, apresentando o CONTRATO DE ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL, constante do ANEXO IX do processo. O contrato em comento prevê: “As partes resolvem que a interveniente/solicitante poderá capitalizar o referido saldo, no valor de R$ 5.257.071,68 no capital social da depositária. A depositária, por sua vez, poderá registrar referido saldo em conta específica, para futuro aumento de capital. Fl. 6798DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.799 16 No prazo de até 04 (quatro) anos, será efetuado o respectivo aumento de capital, com base na proporção de 1 (uma) ação para cada R$ 1,00 adiantado. ” O fisco confirmou a transferência do numerário correspondente, contudo, não conseguiu verificar os registros contábeis correspondentes, tendo em vista que nenhuma das duas empresas apresentou o ECD. Tendo em vista que até o encerramento da auditoria o referido aumento de capital não ocorreu, tais valores foram considerados como demais receitas da fiscalizada. O impugnante argumenta que “a falta de implementação do aumento de capital nos prazos definidos pelo Parecer Normativo CST nº 17/84 desnatura o AFAC, ao ver do Fisco, em mútuo”. O Parecer Normativo CST nº 17 de 20/08/1984, ao tratar da AFAC, prevê o prazo de 120 dias para implementação do aumento de capital objeto de adiantamento; a partir de então, o pretenso aporte de capital passa a ter as características de mútuo, sujeito à incidência do IOF, nos termos da legislação vigente. Contudo, tratar a transferência de tal numerário, expressamente confirmado pelo fisco, como receita da autuada não tem amparo na legislação vigente. Cabe acrescentar que, ainda que não seja possível verificar a contabilização do pretenso AFAC apontado pelo contribuinte, é inconteste a origem do valor transferido à fiscalizada, utilizado como suprimento de caixa, de modo que, não pode ser considerado como omissão de receita. Desta feita, o valor correspondente – R$ 5.257.071,68 – deve ser excluído da base de cálculo dos tributos apurados pelo fisco em litígio neste processo. MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S A (EXAMPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S A) O impugnante argumenta que a importância transferida da MAGROPAR “ou é AFAC (não formalizado ou cujos documentos não foram encontrados) ou é empréstimo da MAGROPAR para a BRICKELL. E o segundo é mesmo gestão de caixa. ” Ao analisar os documentos e esclarecimentos apresentados pela fiscalizada, o fisco esclarece: Conforme já mencionado, em relação aos créditos originários da MAGROPAR a fiscalizada em 07/03/2016, informou que os valores se referem a adiantamento futuro para aumento de capital, mas não apresentou nenhuma documentação comprobatória, sendo que a Intimada solicitou prazo suplementar para apresentar os documentos. Aberta diligência vinculada na MAGROPAR, (...), esta respondeu em 28/07/2016 que os valores eram justificados em decorrência de contrato de fluxo de caixa, mas que não foram contabilizadas quaisquer despesas decorrentes das operações, foi apresentado o Contrato de Gestão de Fluxo de Caixa no qual está previsto o pagamento de valor mensal de R$ 4.000,00 pelo serviço de gestão de fluxo de caixa, estes pagamentos não foram realizados bem como não houve a emissão das NF por parte da BRICKELL B como nos outros casos em que havia o Contrato de Gestão de Fluxo de Caixa. Fl. 6799DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.800 17 Diante do acima descrito, constatase que, a fiscalizada não esclarece, tampouco comprova, a origem dos recursos transferidos pela MAGROPAR à autuada no transcorrer do período de 04/01/2011 a 28/11/2011. Não há que se falar em AFAC uma vez que inexiste qualquer comprovação deste ato, além do que o numerário foi transferido à autuada em diversas datas no transcorrer do período, apesar de transferência substancial em novembro/2012. Além da inexistência da prova documental, o procedimento foge aos procedimentos usuais quando destinados a AFAC. Por outro lado, também não há que se falar em Gestão de Fluxo de Caixa, considerando que, diferente do ocorrido com os demais clientes, não houve a retribuição pela possível prestação de serviços desta natureza, assim como também não emitida qualquer nota fiscal a amparar tal procedimento. Neste contexto, o procedimento do fisco está em conformidade com os ditames legais, de modo que, os valores creditados na conta corrente da autuada são considerados “outras receitas”, e integram a base de cálculo do Lucro Arbitrado, nos termos do art. 27 da Lei no 9.430, de 1996”. Consolidada a posição do Colegiado, o Relator elaborou quadros demonstrativos com os novos valores dos tributos lançados, considerando as exonerações havidas e as retenções de fonte comprovadas (Ac. DRJ – fls. 4574/4579). Na sequência, tratou da irresignação da impugnante acerca da qualificação e agravamento da multa de ofício, entendendo presentes os pressupostos para suas aplicação, pelo que mantidas. A partir daí, a Turma Julgadora de 1ª Instância apreciou as impugnações dos 16 sujeitos passivos solidários, tendo, antes, limitado litígio aos valores ainda em discussão, posto que a autuada, sujeito passivo principal, reconheceu parcialmente as imputações e aderiu ao parcelamento dos tributos lançados. Preliminarmente, tratando das sujeições passivas das pessoas jurídicas (em um total de dez) assenta a decisão a quo que o Fisco já havia reconhecido no seu TVF, que “o simples fato de pertencer a um grupo econômico não pode, por si só, levar a uma tributação solidária das empresas”. Contudo, no caso vertente, os documentos anexados ao processo comprovam que, tal como apontado pelo fisco, “havia o interesse comum entre as pessoas integrantes do grupo e que tomaram os serviços da fiscalizada, a BRICKELL atuava como caixa única de diversas empresas do mesmo grupo e havia verdadeira confusão patrimonial entre elas”. Mais ainda: “Tal como apontado pelo fisco, foram identificados os seguintes procedimentos, praticados pelos envolvidos: Ø As empresas integrantes do grupo enviavam numerários através de TED entre contas correntes, que eram creditados nas mesmas contas correntes, sem distinção; não havia uma conta corrente para cada um dos integrantes do Fl. 6800DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.801 18 grupo. Tais valores deveriam ser devolvidos mediante simples aviso, inclusive apenas através de mero telefonema. Ø Pelo trabalho de fluxo de caixa era cobrado das empresas integrantes do grupo o valor de R$ 4.000,00 mensais, independentemente do valor movimentado. Além desse valor fixo elas tinham descontado o IOF, ad valorem e o “fator” nos casos em que havia negociação de títulos com a fiscalizada. Tanto o valor fixo mensal como os valores descontados eram considerados como despesas pelas empresas tomadoras de serviço, mas por sua vez a fiscalizada não oferecia estes valores como receita a ser tributada. Como se vê, diferente do apontado pela impugnante, a responsabilizada beneficiouse das despesas despendidas com a fiscalizada, reduzindo o valor do seu lucro, enquanto a fiscalizada não oferecia estes valores como receita tributável. Neste contexto, perfeitamente aplicável o dispositivo legal apontado pelo fisco na responsabilização solidária da impugnante: (...) Assim sendo, uma vez caracterizada a hipótese prevista no inciso I do art. 124 do CTN, a responsabilidade solidária não pode ser afastada”. Com isso, foram mantidas, com fulcro no artigo 124, I, do CTN, as imputações de sujeição passiva solidária de: 1. MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S/A. 2. MANGUINHOS DISTRIBUIDORA S/A. 3. REFINARIA DE PETRÓLEOS DE MANGUINHOS S/A. 4. FERA LUBRIFICANTES LTDA. 5. XOROQUE PARTICIPAÇÕES S/A. 6. GASDIESEL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. 7. FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA – ME. 8. JPJ ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. 9. RODOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. 10. MANGUINHOS QUÍMICA S A. Quanto às pessoas físicas arroladas, a decisão recorrida pautouse pelas seguintes conclusões (os destaques são do original): JOÃO MANUEL MAGRO “O impugnante era o representante legal da empresa na época dos fatos, e tal como aponta o fisco, foi com a administração, dentre outras, da pessoa física JOÃO MANUEL MAGRO que o contribuinte, de forma sistemática e continuada durante Fl. 6801DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.802 19 todos os meses do anocalendário 2011 e 2012, prestou à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, não transmitiu sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como não emitiu a totalidade de suas Notas Fiscais. Tal como exaustivamente demonstrado no processo, a empresa administrada pelo impugnante não se incumbiu de prestar suas contas com o fisco, nos termos da legislação vigente: mesmo legalmente obrigada, não cuidou da apuração dos impostos e contribuições devidos em função do exercício da atividade da empresa, de manter a sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, apresentando ao fisco as obrigações acessórias a que estava obrigada, tais como, DIPJ e DCTF, totalmente zeradas. Como se vê, diferente do apontado pela impugnante, o responsabilizado administrou a empresa a seu bel prazer, descumprindo regras básicas previstas em lei, no tocante ao cumprimento das obrigações tributárias da empresa administrada. O impugnante contesta ainda o período em que exerceu o cargo de Diretor Presidente da BRICKELL, mencionando que somente exerceu esta função no período de 16/04/2009 a 01/04/2011. Pois bem, o fisco esclareceu no Auto de Infração acerca do assunto: Diretor Presidente da empresa BRICKELL B de 16/04/2009 a 01/04/2011 conforme Atas da Assembleia Geral Extraordinária com registro na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJ sob os n° 00001905863 e 00002167692, respectivamente. Eleito presidente da empresa BRICKELL B conforme Ata da AGE de 08/08/14, com registro na Junta Comercial do Estado de São PauloJUCESP sob o n°287.565/154 em 06/07/2015. Outras atribuições que exerce nas empresas acima qualificadas pertencentes ao GRUPO ANDRADE MAGRO: a) MAGROPAR, presidente e responsável pela empresa junto à Receita Federal do BrasilBFB; b) XOROQUE PARTICIPAÇÕES, presidente e responsável pela empresa junto a RFB; c) FERA MARKETING, sócio administrador com participação de 50% do capital e responsável pela empresa junto a RFB; d) FERA LUBRIFICANTES, sócio administrador com participação de 50% do capital e responsável pela empresa junto a RFB. Em síntese, embora DiretorPresidente da BRICKELL somente no período de 16/04/2009 a 01/04/2011, as infrações à legislação tributária mantiveramse presentes nos atos praticados pela fiscalizada, quer seja através da administração da MAGROPAR, onde figura como administrador desde 02/08/2004, da XOROQUE desde 17/12/2008, da FERA MARKETING desde 31/03/2008 e da FERA Fl. 6802DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.803 20 LUBRIFICANTES desde 14/12/1992. Todas estas empresas fazem parte do GRUPO ANDRADE MAGRO. A propósito, a mesma administração nas empresas do mesmo grupo econômico, reforça a hipótese do conluio do grupo em busca de vantagens tributárias indevidas, como descrito pelo fisco no TVF. Neste contexto, perfeitamente aplicável o dispositivo legal apontado pelo fisco na responsabilização solidária da impugnante: (...) Assim sendo, uma vez caracterizada a hipótese prevista no inciso III do art. 135 do CTN, a responsabilidade solidária não pode ser afastada. (...) Concluindo, para a impugnação apresentada por JOÃO MANUEL MAGRO, na parte objeto do litígio, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação, e manter a responsabilidade solidária atribuída pelo fisco”. BAYARD DO COUTO E SILVA “O impugnante argumenta que, em momento algum foi intimado do procedimento fiscal, resultando em verdadeiro cerceamento do direito de defesa; que não foram apontados os atos de sua autoria que motivaram a responsabilização e que os fatos geradores apontados pelo fisco ocorreram quando já não mais se encontrava na empresa. Acrescenta ainda que era empregado da empresa, ingressando com ação trabalhista contra as empresas do grupo em 12/05/2012. O fisco motivou sua responsabilização no art. 135 do CTN, esclarecendo que o responsabilizado foi “Diretor financeiro da empresa BRICKELL B de 16/04/2009 a 01/04/2011 conforme Atas da Assembléia Geral Extraordinária com registro na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro JUCERJ sob os n° 00001905863 e 00002167692, respectivamente”. O impugnante apresentou uma reclamatória trabalhista envolvendo diversas empresas do GRUPO ANDRADE MAGRO no intuito de comprovar seu vínculo trabalhista com a fiscalizada. Entretanto, tal documento não envolve a BRICKELL, que não faz parte da demanda; a título de ilustração, em consulta ao sistema eletrônico do TRT da 1ª Região, constatase que em decisão de primeiro grau, o vínculo trabalhista pleiteado pelo impugnante foi rejeitado. A “Ata da Assembléia Geral Extraordinária”, devidamente registrada na JUCERJ, apontada pelo fisco indica o exercício da função de DIRETOR FINANCEIRO na fiscalizada no período de 16/04/2009 a 01/04/2011; apesar de mencionar seu desligamento da empresa em 10/05/2010, o impugnante não trouxe qualquer documento capaz de comprovar suas alegações. Acerca da intimação acerca do feito fiscal, cabe esclarecer ao impugnante que o litígio somente instaura com a apresentação da impugnação, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, de modo que, quaisquer documentos destinados a contrapor o apurado pelo fisco poderiam ser apresentados juntamente com a peça Fl. 6803DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.804 21 impugnatória, conforme art. 16 do mesmo do Decreto no 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal. Desta feita, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, considerando que o contribuinte foi devidamente cientificado dos lançamentos e a ele foi oportunizada a apresentação de suas razões de defesa e os documentos destinados a comprovar suas alegações. Por outro lado, a responsabilidade atribuída ao impugnante é aquela prevista no art. 135 do CTN, nos seguintes termos: (...) Considerando especificamente o período da autuação, o contribuinte exercia a atividade de Diretor Financeiro na autuada entre 01/01/2011 e 01/04/2011, período em que também estava responsável pela gestão da empresa nos termos da legislação vigente. Durante este período, não cuidou para que a BRICKELL cumprisse com suas obrigações tributárias, ao arrepio da lei, sujeitandose à responsabilidade prevista no art. 135 do CTN. Contudo, a partir de 02/04/2011, o impugnante não detinha mais poderes administrativos acerca da empresa, de modo que, não pode ser responsabilizado pelos atos praticados pela empresa a partir desta data. Assim sendo, uma vez caracterizada a hipótese prevista no inciso III do art. 135 do CTN somente para os fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2011 a 01/04/2011, a responsabilidade solidária do impugnante deve ser mantida. Para os fatos geradores ocorridos partir de 01/04/2011, a responsabilidade atribuída pelo fisco deve ser afastada. (...) Concluindo, para a impugnação apresentada por BAYARD DO COUTO E SILVA, na parte objeto do litígio, voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, para afastar a responsabilidade tributária atribuída pelo fisco para os fatos geradores ocorridos no período posterior a 01/04/2011”. PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES “O impugnante integrava o quadro de diretores da empresa na época dos fatos, e tal como aponta o fisco, foi com a administração, dentre outras, da pessoa física PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES que o contribuinte, de forma sistemática e continuada durante todos os meses do anocalendário 2011 e 2012, prestou à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, não transmitiu sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como não emitiu a totalidade de suas Notas Fiscais. Tal como exaustivamente demonstrado no processo, a empresa administrada pelo impugnante não se incumbiu de prestar suas contas com o fisco, nos termos da legislação vigente: mesmo legalmente obrigada, não cuidou da apuração dos impostos e contribuições devidos em função do exercício da atividade da empresa, de manter a sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, apresentando ao fisco as obrigações acessórias a que estava obrigada, tais como, DIPJ e DCTF, totalmente zeradas. Fl. 6804DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.805 22 Como se vê, diferente do apontado pela impugnante, o responsabilizado administrou a empresa a seu bel prazer, descumprindo regras básicas previstas em lei, no tocante ao cumprimento das obrigações tributárias da empresa administrada. O impugnante argumenta que no período em voga exerceu apenas os cargos de Diretor VicePresidente Comercial e de Marketing da BRICKELL e de Presidente da empresa, não exercendo qualquer ingerência direta sobre as atividades financeiras da empresa. Pois bem, o fisco esclareceu no Auto de Infração e no TFV acerca do assunto: Presidente da empresa BRICKELL B de 01/04/2011 a 08/08/2014 conforme Atas das AGE com registros na JUCERJ sob os nº 00002167692, 00006919 (reeleição) e a de registro nº 287.565/154 na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP (destituição) O Estatuto da empresa, em seu art. 10: “A diretoria terá plenos poderes de administração e gestão dos negócios sociais, para a prática de todos os atos e realização de todas as operações que se relacionarem com o objeto social...”, Em síntese, quer seja como Presidente da empresa no período de 01/04/2011 a 08/08/2014, quer seja como Diretor de Marketing no período antecedente, o cometimento das infrações à legislação tributária teve amparo do impugnante – diretor com poder de administração. Neste contexto, perfeitamente aplicável o dispositivo legal apontado pelo fisco na responsabilização solidária da impugnante: (...) Assim sendo, uma vez caracterizada a hipótese prevista no inciso III do art. 135 do CTN, a responsabilidade solidária não pode ser afastada. (...) Concluindo, para a impugnação apresentada por PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES, na parte objeto do litígio, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação, e manter a responsabilidade solidária atribuída pelo fisco”. CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES “O fisco motivou sua responsabilização no art. 135 do CTN, esclarecendo que o responsabilizado foi “Vicepresidente da empresa BRICHELL B de 01/04/2011 a 10/01/2012, conforme Atas das AGE com registros na JUCERJ sob os n° 00002167692 e 00002291593.”. A “Ata da Assembléia Geral Extraordinária”, devidamente registrada na JUCERJ, apontada pelo fisco indica o exercício da função de VICEPRESIDENTE na fiscalizada no período de 01/04/2011 a 10/01/2012. A responsabilidade atribuída ao impugnante é aquela prevista no art. 135 do CTN, nos seguintes termos: (...) Fl. 6805DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.806 23 Considerando especificamente o período da autuação, o contribuinte exercia a atividade de VICEPRESIDENTE na autuada entre 01/04/2011 e 10/01/2012, período em que também estava responsável pela gestão da empresa nos termos da legislação vigente. Durante este período, não cuidou para que a BRICKELL cumprisse com suas obrigações tributárias, ao arrepio da lei, sujeitandose à responsabilidade prevista no art. 135 do CTN. Contudo, no período de 01/01/2011 a 31/03/2011 e 11/01/2012 e 31/12/2012, o impugnante não detinha poderes administrativos na empresa, de modo que, não pode ser responsabilizado pelos atos por ela praticados nesta data. Assim sendo, uma vez caracterizada a hipótese prevista no inciso III do art. 135 do CTN somente para o período de 01/04/2011 e 10/01/2012, para este período, a responsabilidade solidária do impugnante deve ser mantida. Para os fatos geradores ocorridos nos períodos de 01/01/2011 a 31/03/2011 e 11/01/2012 e 31/12/2012, a responsabilidade atribuída pelo fisco deve ser afastada. (...) Concluindo, para a impugnação apresentada por CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES, na parte objeto do litígio, voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, para afastar a responsabilidade tributária atribuída pelo fisco para os fatos geradores ocorridos no período entre 01/01/2011 a 31/03/2011 e 11/01/2012 e 31/12/2012”. MAURICIO DE SOUZA MASCOLO “O fisco motivou sua responsabilização no art. 135 do CTN, esclarecendo que o responsabilizado foi “Diretor da empresa BRICHELL B de 10/01/2012 a 13/06/2012, conforme Atas das AGE com registros na JUCERJ sob os n° 00002291593 e 00002368792.” A “Ata da Assembléia Geral Extraordinária”, devidamente registrada na JUCERJ, apontada pelo fisco indica o exercício da função de DIRETOR na fiscalizada no período de 01/01/2012 a 13/06/2012. A responsabilidade atribuída ao impugnante é aquela prevista no art. 135 do CTN, nos seguintes termos: (...) Considerando especificamente o período da autuação, o contribuinte exercia a atividade de DIRETOR na autuada entre 01/01/2012 a 13/06/2012, período em que também estava responsável pela gestão da empresa nos termos da legislação vigente. Durante este período, não cuidou para que a BRICKELL cumprisse com suas obrigações tributárias, ao arrepio da lei, sujeitandose à responsabilidade prevista no art. 135 do CTN. Contudo, no período de 01/01/2011 a 31/12/2011 e 14/06/2012 e 31/12/2012, o impugnante não detinha poderes administrativos na empresa, de modo que, não pode ser responsabilizado pelos atos por ela praticados neste período. Assim sendo, uma vez caracterizada a hipótese prevista no inciso III do art. 135 do CTN somente para os fatos geradores ocorridos no período de 01/01/2012 a 13/06/2012, nesta hipótese, a responsabilidade solidária do impugnante deve ser Fl. 6806DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.807 24 mantida. Para os fatos geradores ocorridos períodos de 01/01/2011 a 31/12/2011 e 14/06/2012 e 31/12/2012, a responsabilidade atribuída pelo fisco deve ser afastada. (...) Concluindo, para a impugnação apresentada por MAURICIO DE SOUZA MASCOLO, na parte objeto do litígio, voto por julgar PROCEDENTE EM PARTE a impugnação, para afastar a responsabilidade tributária atribuída pelo fisco para os fatos geradores ocorridos no período entre 01/01/2011 a 31/12/2011 e 14/06/2012 e 31/12/2012”. JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO “O fisco motivou sua responsabilização no art. 135 do CTN, esclarecendo que o responsabilizado foi → Diretor da empresa BRICHELL B eleito em 13/06/2012, conforme Atas das AGE com registros na JUCERJ sob os nº 00002368792, 00002536919 (reeleito) e a de 08/08/14 registro nº 287.565/154 na Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP (remanescente). Outras atribuições que exerce nas empresas acima qualificadas pertencentes ao Grupo Andrade Magro: → a) MANGUINHOS DISTRIBUIDORA, presidente e responsável pela empresa junto a RFB; → b) REFINARIA DE PETRÓLEO DE MANGUINHOS, presidente e responsável pela empresa junto a RFB; → c) GASDIESEL DISTRIBUIDORA, administrador e responsável pela empresa junto a RFB; → d) responsável pela empresa BRICKELL B junto a RFB. O impugnante era o representante legal da empresa perante a RFB na época dos fatos, e tal como aponta o fisco, foi com a administração, dentre outras, da pessoa física JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO que o contribuinte, de forma sistemática e continuada durante todos os meses do anocalendário 2011 e 2012, prestou à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, não transmitiu sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como não emitiu a totalidade de suas Notas Fiscais. Tal como exaustivamente demonstrado no processo, a empresa administrada pelo impugnante não se incumbiu de prestar suas contas com o fisco, nos termos da legislação vigente: mesmo legalmente obrigada, não cuidou da apuração dos impostos e contribuições devidos em função do exercício da atividade da empresa, de manter a sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, apresentando ao fisco as obrigações acessórias a que estava obrigada, tais como, DIPJ e DCTF, totalmente zeradas. Como se vê, diferente do apontado pela impugnante, o responsabilizado administrou a empresa a seu bel prazer, descumprindo regras básicas previstas em lei, no tocante ao cumprimento das obrigações tributárias da empresa administrada. Fl. 6807DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.808 25 O impugnante argumenta ainda que exerceu o cargo de Diretor na BRICKELL, somente a partir de 13/06/2012. Contudo, embora Diretor da BRICKELL somente a partir de 13/06/2012, as infrações à legislação tributária mantiveramse presentes em todo o período autuado nos atos praticados pela fiscalizada quer seja como representante da empresa junto a RFB, quer seja como responsável por outras empresas do mesmo GRUPO ANDRADE MAGRO, em ação combinada para eximir se do pagamento dos tributos devidos. Neste contexto, perfeitamente aplicável o dispositivo legal apontado pelo fisco na responsabilização solidária da impugnante: (...) Assim sendo, uma vez caracterizada a hipótese prevista no inciso III do art. 135 do CTN, a responsabilidade solidária não pode ser afastada. (...) Concluindo, para a impugnação apresentada por JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO, na parte objeto do litígio, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação, e manter a responsabilidade solidária atribuída pelo fisco”. Para concluir o voto dando provimento parcial à impugnação da BRICKELL para reduzir o IRPJ, CSLL, PIS e COFINS aos valores constantes da tabela (fls. 4628/4630); manter a multa de ofício em 225%; dar provimento parcial às impugnações dos sujeitos passivos solidários BAYARD DO COUTO E SILVA, CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES e MAURICIO DE SOUZA MASCOLO, em relação aos períodos que discrimina e negar provimento integral aos demais responsabilizados, ratificando a imputação feita pelo Fisco. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Fl. 6808DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.809 26 O não atendimento da intimação para entregar os arquivos magnéticos que o contribuinte deveria possuir justifica o agravamento da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES Os administradores são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimados (fls. 4653/4822) contribuinte e sujeitos passivos solidários, exceto Bayard do Couto e Silva acostaram recursos voluntários, conforme abaixo discriminado: Nome Ciência Fls. RV(ProtocoloFls.) RV (Fls.) BRICKELL B FOMENTO S/A 12/06/2017 4843 12/07/2017 5928 5930/5946 MAGROPAR EMPR. E PART. S/A 14/06/2017 4852 13/07/2014 6160 6161/6168 MANGUINHOS DISTR. DE PETRÓLEO S/A 08/06/2017 4837 07/07/2017 5365 5366/5375 REFINARIA DE PETR.DE MANGUINHOS S/A 06/06/2017 4835 06/07/2017 4976 4980/4989 FERA LUBRIFICANTES LTDA. 06/06/2017 4836 05/07/2017 4866 4868/4875 XOROQUE PARTICIPAÇÕES S/A 13/06/2017 4853 13/07/2017 6048 6050/6057 GASDIESEL DISTR. DE PETRÓLEO LTDA. 23/06/2017 4851 07/07/2017 5719 5721/5730 FERA MARKETING E TELEMARK.LTDA. ME 20/07/2017 4862 06/07/2017 5141 5144/5151 JPJ ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. 14/06/2017 4844 06/07/2017 5598 5600/5614 RODOPETRO DISTR. DE PETRÓLEO LTDA. 19/06/2017 4838 19/07/2017 6576 6578/6585 MANGUINHOS QUÍMICA S/A 20/06/2017 4839 06/07/2017 5252 5254/5263 JOÃO MANUEL MAGRO 20/06/2017 4840 18/07/2017 6372 6372/6380 BAYARD DO COUTO E SILVA (*) 13/06/2017 4845 NÃO INTERPÔS RV PEREMPTO PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES 13/06/2017 4847 13/07/2017 6472 6472/6482 CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES Ñ/ LOCALIZADO / 10/07/2017 5831 5831/5837 MAURICIO DE SOUZA MASCOLO 13/06/2017 4846 07/07/2017 5493 5493/5501 JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO (**) 13/06/2017 4854 14/07/2017 6270 6270/6280 (*) PEREMPTO POR NÃO INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO (**) PEREMPTO POR INTERPOSIÇÃO APÓS O TRINDÍTIDO LEGAL Em suas peças recursais, depois de rebater a decisão recorrida naquilo que lhes foi desfavorável, cada partícipe dos autos fez suas ponderações, basicamente repisando o aduzido em 1ª Instância, e acrescentando: Fl. 6809DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.810 27 1. BRICKELL B FOMENTO S/A (RV – fls. 5930/5946) Expõe ter realizado o parcelamento de valores lançados – com a ressalva de que considerou a multa de ofício em 75% por não concordar com a qualificação e agravamento que a elevaram ao nível de 225% e, quanto ao remanescente, aduz: a) ser obrigatório o atendimento ao pleito para que todos os valores retidos na fonte sejam considerados (e não apenas parte deles, como fez a DRJ), tendo em conta que “todas as retenções informadas pela Recorrente foram comprovadas por meio das relações de rendimento e imposto de renda retido emitidas pela própria Receita Federal”, além de “corroboradas pelos extratos de “Consulta de Notas Fiscais Emitidas”, exarados pelo site da Prefeitura do Rio de Janeiro”, e que, “tais documentos, sendo oficiais, não podem ser desprezados”. b) ser descabida a tributação como “outras receitas” (não se sujeitando ao percentual do lucro arbitrado), ou seja, “sobre o valor cheio das importâncias recebidas de FERA MARKETING, em vez de arbitrar o lucro segundo os porcentuais estabelecidos pela legislação (...) sob as justificativas de que: (i) não teria havido retorno dos valores entregues por FERA MARKETING para suposta gestão de caixa; (ii) este cliente não transmitiu a sua escrituração contábil digital; e (iii) ambas as empresas eram representadas pela mesma pessoa”. c) nesse ponto argui ter demonstrado a insubsistência do procedimento fiscal (não acolhida pela decisão a quo), pelo que pede sua reforma em razão de ter comprovado “a efetiva prestação dos serviços de gestão de caixa através dos seguintes documentos: contrato de gestão de fluxo de caixa, notas fiscais e relatório financeiro (vide, nesse sentido, os arquivos juntados no doc. nº 04 da impugnação). Frisese que o mesmo plexo documental foi acolhido pelo Fisco para justificar as demais operações realizadas pela empresa. No entanto, foi julgado insuficiente neste caso, sem qualquer justificativa plausível. De fato, as poucas justificativas apresentadas pelo Fisco, e acolhidas pelo v. acórdão recorrido, ou são incorretas, ou são irrelevantes. Deveras, é inexato dizer que os valores transferidos à BRI CKELL não foram utilizados ou restituídos. O relatório financeiro (doc. nº 04 da impugnação) revela que, no período autuado, mais de R$ 440 mil foram empregados daquelas duas maneiras”. d) que, embora os valores enviados e retornados não sejam uniformes, “isso não era obrigatório, uma das funções da gestora de caixa sendo justamente administrar as sobras financeiras do cliente, nos momentos em que estas existem. E é irrelevante que o cliente não tenha transmitido a sua ECD. Esta é uma falha dela, cujas consequências não podem irradiarse para a Recorrente, sobretudo quando esta última tem meios para confirmar a prestação do serviço. É ainda irrelevante que as empresas sejam representadas pela mesma pessoa, o que é comum no seio de grupos empresariais. Isso sem falar que o Fisco adota critério contraditório, buscando o melhor de dois mundos: de um lado, exige tributos sobre as notas fiscais de gestão de receitas emitidas contra FERA MARKETING (R$ 4.000,00 mensais), o que pressupõe a admissão de que a atividade foi prestada; de outro, quando lhe convém, nega a prestação da mesma atividade para tratar como demais receitas os valores cuja gestão foi confiada à Recorrente”. (RV – fls. 5935). Fl. 6810DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.811 28 e) acerca dos pagamentos feitos à recorrente por XOROQUÊ PARTICIPAÇÕES (exMANGUINHOS PARTICIPAÇÕES) e MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES (ex AMPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇOES), também tratados pelo Fisco como “outras receitas”, sustenta ter informado se tratar de AFAC, o que foi rechaçado pela Fiscalização por não ter havido aumento de capital e o depósito utilizado para cobrir o saldo negativo de sua conta corrente. Aduz ainda que, a falta de implementação do aumento de capital, nos prazos definidos pelo Parecer Normativo CST nº 17/84, desnatura o AFAC, ao ver do Fisco, em mútuo. Que o CARF afasta os citados marcos temporais, “reduzindo o AFAC a mútuo apenas quando aquele não for sujeito a prazo definido. E, ainda, que as Cortes judiciais mantêm a qualificação como AFAC mesmo à falta de qualquer prazo (TRF 5ª Região, 4ª Turma, Processo nº 00009661220114058500, Rel. Juiz Convocado IVAN LIRA DE CARVALHO, DJe 22.11.2012)”. E prossegue: “assim, ou o ingresso se conserva como AFAC, ou se converte em mútuo, cujo valor tampouco constitui receita tributável para o mutuário”. f) no que tange aos pagamentos realizados pela MAGROPAR, “anota o próprio Relatório Fiscal que os montantes foram creditados à BRICKELL em datas próximas aos pagamentos feitos pela XOROQUÊ, tendo um deles tido igual destino (zerar a conta bancária então negativa da Recorrente), e tendo o outro sido repassado a outra empresa do grupo (MANGUINHOS DISTRIBUIDORA) sob a epígrafe “Bx. Ant.Financ./Emp.DBTP”. Assim, claramente, o primeiro crédito feito pela MAGROPAR, ou é AFAC, ou é empréstimo concedido à BRICKELL, também com o fim de suprimento de caixa. Por sua vez, o segundo crédito feito pela MAGROPAR é mesmo vinculado a gestão de caixa, o que se prova pelo fato de ter sido prontamente repassado à MANGUINHOS DISTRIBUIDORA a título de empréstimo da primeira à segunda, sendo a Recorrente mera intermediária dos recursos, como é próprio dessa atividade”. g) que, “ainda que o primeiro pagamento não possa ser qualificado como AFAC, como sustenta o acórdão recorrido (em desalinho com a jurisprudência judicial, anotese), o caso será de mútuo voltado a suprir o caixa da Recorrente – o que se demonstra pela coincidência entre o valor anteriormente em aberto e a quantia repassada. Desse modo, tal como no caso da XOROQUÊ, não pode ser qualificado como “omissão de receita”. h) já em relação ao segundo pagamento, “ainda que a Recorrente não tenha sido remunerada pelo serviço de gestão de caixa (ou que não consiga demonstrálo agora, dados os erros em sua contabilidade), o fato é que os valores foram prontamente repassados a terceira empresa (MANGUINHOS DISTRIBUIDORA), não se tendo integrado ao patrimônio daquela, conforme reconhece o Fisco e atestam os documentos juntados ao PTA. Portanto, também nesse caso, não há que se falar em receita própria da Recorrente apta a ser tributada, como pretende o Fisco Federal”. i) finalmente, peleja contra a qualificação e agravamento da multa de ofício entendendo, no primeiro caso, não ter se materializado os requisitos para tal penalização e, no segundo, colaborado com o Fisco na consecução do procedimento, pelo que a exasperação não se justifica. Fl. 6811DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.812 29 j) E conclui requerendo o provimento do recurso para reformar o acórdão combatido, a fim de: “(i) abateremse integralmente os valores retidos; (ii) afastarse a tributação como demais receitas dos valores recebidos da FERA MARKETING e MAGROPAR; e (iii) ainda, afastaremse a qualificação e o agravamento da multa aplicada (que não é pedido sucessivo, mas cumulativo, devendo ser analisado ainda que os anteriores sejam integralmente providos, para convalidar a inclusão de apenas 75% nas frações parceladas dos débitos autuados)”. 2. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS (Pessoas Jurídicas) As dez pessoas jurídicas (MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S/A, MANGUINHOS DISTRIBUIDORA S/A, REFINARIA DE PETRÓLEOS DE MANGUINHOS S/A, FERA LUBRIFICANTES LTDA., XOROQUE PARTICIPAÇÕES S/A, GASDIESEL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA., FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA – ME., JPJ ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA., RODOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. e MANGUINHOS QUÍMICA S A.) arroladas pelo Fisco como sujeitos passivos solidários com fulcro no artigo 124, I, do CTN, acostaram recursos voluntários com idêntica linha de raciocínio, expondo e requerendo, em síntese: i) que, na autuação, o Fisco justificou a responsabilização das recorrentes afirmando, a) integrarem o mesmo grupo econômico; e, b) possuírem interesse comum nos fatos geradores em questão; ii) que, todavia, o Fisco não comprovou a existência do citado interesse comum ou confusão patrimonial que justificasse a inclusão no polo passivo da lide; iii) que, o interesse comum a que alude o artigo 124, I, não corresponde a um mero interesse econômico; iv) que, para que haja responsabilidade solidária, não basta que as empresas integrem o mesmo grupo, antes é necessário que elas tenham praticado em conjunto o fato gerador do tributo exigido; v) que, só haverá prática conjunta do fato gerador se as empresas estiverem no mesmo pólo da relação jurídica, ou seja, se estiverem em posições antagônicas, tais como credor/devedor e prestador/tomador, não haverá interesse comum para os fins do artigo 124, I, do Código (cita jurisprudência); vi) que, a autuada – Brickell – e os responsáveis solidários arrolados claramente situamse em pólos opostos, aquela a prestadora dos serviços de gestão de caixa, estes os tomadores de tal serviço; Fl. 6812DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.813 30 vii) que, sabidamente, a responsabilização solidária ocorre se constatada confusão patrimonial surgida por materialização de fraude e abuso de direito, quando se transferem ativos para empresas do grupo com o fito de fraudar credores, que não é o caso dos autos; viii) que, a confusão patrimonial deve ser exaustivamente comprovada e como o Fisco não fez esta prova, limitandose a presunções e hipóteses, a imputação feita com suporte no artigo 124, I, do CTN, não se sustenta (traz jurisprudência do CARF); ix) que, no caso concreto, estas foram as acusações do Fisco para implementar a responsabilização solidária por confusão patrimonial: a) a Brickell atuava como caixa para diversas empresas do grupo; b) tais empresas enviavam numerários à Brickell através de TED, os quais eram creditados nas mesmas contas correntes (isto é, não havia uma conta separada para cada uma das empresas integrantes do grupo). Ademais, os valores eram devolvidos aos titulares mediante simples aviso; e, c) os pagamentos feitos à Brickell pelos serviços prestados eram lançados como despesa pela empresa tomadoras, reduzindo assim seu lucro, mas não eram lançados pela Brickell como receita tributável; x) que, esses argumentos são frágeis porque, como reconhece o próprio Fisco, as transferências de numerários realizadas entre as partes estavam devidamente fundamentadas em Contratos de Gestão de Fluxo de Caixa, apresentados à Fiscalização, e por esta homologado, tanto que autuou a Brickell por omissão de receitas; xi) que, o simples fato de os recursos das contratantes serem depositados na conta da contratada em uma única conta (e não separadamente), não pode levar a indução de confusão patrimonial, posto ser uma conduta procedimental não vedada e de exclusiva assunção pela prestadora do serviço sobre o qual os sujeitos passivos solidário não têm ingerência; xii) que, na mesma linha, não há caracterização de confusão patrimonial o fato de a prestadora dos serviços ser obrigada a devolver, mediante simples aviso, os recursos a seus efetivos titulares, posto que tal modo de proceder é característico do próprio serviço, dinâmico que é (gestão de caixa); xiii) que, a circunstância de as tomadoras dos serviços lançarem como despesas dedutíveis os valores contratados com a Brickell, em nada modifica o quadro, posto ser indiscutível se estar diante de despesas operacionais. Mais ainda, seria até mais barato às responsabilizadas gerir o próprio caixa e se assim não fizeram foi por razões empresariais, não tendo obtido ganho com isso até porque, daquilo que foi dispendido, só se recuperam 43,25% (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS); xiv) que, eventual inadimplência da autuada (Brickell), não pode ser motivo de imputação de sujeição passiva solidária; Fl. 6813DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.814 31 xv) que, em conclusão, não havendo confusão patrimonial ou interesse comum, não há que se falar em responsabilização solidária a teor do artigo 124, I, do CTN. 3. SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS (Pessoas Físicas) Excetuando BAYARD DO COUTO E SILVA, que não apresentou peça recursal, as outras cinco pessoas físicas listadas pelo Fisco (JOÃO MANUEL MAGRO, PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES, CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES, MAURÍCIO DE SOUZA MASCOLO e JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO), arroladas como sujeitos passivos solidários com fulcro no artigo 135, III, do CTN, acostaram recursos voluntários em que adotam posição semelhante (de modo geral, batendose contra a imputação feita no artigo 135, III, do Códex) e, especificamente, cada um deles, per si, refutando a prática de atos de gestão na área administrativa e financeira da sociedade e requerendo a observância dos períodos em que possam ter atuado como gestores. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 6814DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.815 32 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone – Relator Todos os Recursos Voluntários – da recorrente e dos sujeitos passivos solidários (exceto aqueles dos quais se falará abaixo) – são tempestivos, a representação dos interessados está corretamente formalizada e os demais pressupostos exigidos para suas admissibilidades foram atendidos, pelo que os recebo e deles conheço. As exceções citadas no parágrafo precedente são: 1. Sujeito passivo solidário BAYARD DO COUTO E SILVA, que não acostou recurso voluntario; 2. Sujeito passivo solidário JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO que apresentou a peça recursal após o vencimento do trintídio (ciência da decisão de 1º Grau em 13/06/2017 (fls. 4854) e protocolização do Recurso Voluntário em 14/07/2017 (fls. 6270); 3. Destaquese, por pertinente, que tal fato já foi objeto de apontamento pela autoridade preparadora, conforme despacho (fls. 6705): “o sujeito passivo solidário Jorge Luiz Cruz Monteiro apresentou recurso voluntário perempto em 14/07/2017 (ciência do Acórdão da DRJ em 13/06/2017). Não consta recurso voluntário do sujeito passivo solidário Bayard do Couto e Silva”. 4. Nesse cenário, declaro perempto o direito do sujeito passivo solidário BAYARD DO COUTO E SILVA e não conheço do recurso voluntario interposto pelo sujeito passivo solidário JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO. Cabe ainda observar que este Relator não encontrou a ciência dada ao sujeito passivo solidário CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES, não sendo impossível que esteja incluído no meio de centenas de documentos dos autos (a esmagadora maioria deles identificada (sic) genericamente no eprocesso como “documentos diversos” dificultando sobremaneira seu manuseio e análise), de modo a aferir a tempestividade do recurso voluntário formalizado em 10/07/2017 (fls. 5831); todavia, pelo princípio da boafé jurídica e pelo fato de a autoridade preparadora não ter feito qualquer ressalva neste sentido, ao contrário, excetuando os casos apontados nos itens precedentes, foi enfática (“os demais sujeitos passivos solidários apresentaram recursos voluntários tempestivos”), é lícito reconhecer sua tempestividade, pelo que o recebo e dele igualmente conheço. Já o Recurso de Ofício preenche os requisitos para sua provocação pela presidência da Turma Julgadora de 1º Piso, inclusive em relação ao novo limite de alçada fixado pela Portaria MF nº 63, de 2017 (R$ 2.500.000,00), de modo que igualmente o recebo e dele conheço. Fl. 6815DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.816 33 DOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS DA AUTUADA E DOS SOLIDÁRIOS Não ha preliminares. Passo ao mérito. A lide remanescente, após a exoneração parcial feita pela decisão a quo e o parcelamento firmado pela recorrente circunscrevese aos seguintes tópicos: 1. abatimento das importâncias retidas na fonte; 2. tributação como demais receitas dos valores recebidos pela recorrente de, i) FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA. ME.; e, ii) MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPA ÇÕES S/A (exAMPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇOES S/A); 3. aplicação de multa qualificada e agravada; 4. sujeição passiva solidária de dez pessoas jurídicas; 5. sujeição passiva solidária de seis pessoas físicas. 1. DO ABATIMENTO DO IRRF A decisão de 1º Piso confirmou parte dos valores pleiteados pela recorrente afirmando que (fls. 4574)“para comprovar as retenções na fonte ocorridas no período, o contribuinte apresenta, tão somente a “Relação de rendimentos e imposto sobre a renda retido por fonte pagadora” emitido pelos sistemas da RFB; não foram apresentados os comprovantes de rendimento e retenção na fonte fornecidos pelas fontes pagadoras, nos termos da legislação vigente. Neste contexto, serão computadas como válidas, tão somente, as retenções confirmadas pelas DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras, que ora se anexa ao processo”. De seu lado, a recorrente, insatisfeita, volta a insistir no RV aduzindo que “todas as retenções (...) foram comprovadas por meio das relações de rendimento e imposto de renda retido emitidas pela própria Receita Federal”, além de “corroboradas pelos extratos de “Consulta de Notas Fiscais Emitidas”, exarados pelo site da Prefeitura do Rio de Janeiro”, e que, “tais documentos, sendo oficiais, não podem ser desprezados”. Em que pese a existência da listagem emitida (presumivelmente) pela Prefeitura do Rio de Janeiro, fato é que, para fins de contraposição a valores devidos à Receita Federal só podem ser compensados os tributos cuja comprovação se faça nos moldes exigidos pela Autoridade Tributária, ou seja, os valores devem estar devidamente informados em comprovante específico emitido pela fonte pagadora, conforme expressa determinação do RIR/1999, artigos 942 e 943 (abaixo transcritos), em tudo aplicável à CSLL, por força das disposições contidas no art. 57 da Lei nº 8.891, de 1995, e no art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto Fl. 6816DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.817 34 de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei n º 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei n º 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei n º 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei n º 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1 º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei n º 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2 º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º(Lei n º 7.450, de 1985, art. 55). Na mesma linha, as contribuições retidas por terceiros. Ainda em relação à matéria em litígio, cabe reproduzir, no que importa, as IN relacionadas ao tema, principiando pela nº 390, de 30/01/2004, que dispõe sobre as deduções da CSLL relativas à apuração anual: Art. 30. No balanço de 31 de dezembro do anocalendário, relativo ao ajuste anual, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida, para fins de cálculo da CSLL a pagar, os seguintes valores: (...) IV da CSLL retida por órgão público, autarquia, fundações da administração pública federal, sociedade de economia mista, empresa pública e demais entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto, e que dela recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira na modalidade total no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal – SIAFI. E a Instrução Normativa SRF nº 480/2004, vigente à época dos fatos, que estabelecia: Art. 2º A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor a ser pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de Retenção (Anexo I), que corresponde à soma das alíquotas Fl. 6817DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.818 35 das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda, determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de cálculo estabelecida no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. (...) § 3º O valor da CSLL, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento) sobre o montante a ser pago. Art. 7º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser deduzido, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor do documento fiscal, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção (Anexo I). Art. 31. O órgão ou a entidade que efetuar a retenção deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual de retenção, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, podendo ser disponibilizado em meio eletrônico, conforme modelo constante do Anexo V, informando, relativamente a cada mês em que houver sido efetuado o pagamento, os códigos de retenção, os valores pagos e os valores retidos. § 1º Como forma alternativa de comprovação da retenção, poderá o órgão ou a entidade fornecer ao beneficiário do pagamento cópia do Darf, desde que este contenha a base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. E, finalmente, a IN (SRF) nº 119, de 28/12/2000 (também vigente à época dos fatos), art. 2º, prescrevendo as informações que deveriam estar contidas no informe de rendimentos: Art. 2º A fonte pagadora deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária, comprovante de retenção do imposto de renda que indique: I o nome empresarial e o número de inscrição completo (com 14 dígitos) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da fonte pagadora e do beneficiário; II o mês da ocorrência do fato gerador e os valores em reais, inclusive centavos, do rendimento bruto e do imposto de renda retido; Fl. 6818DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.819 36 III o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) e a descrição do rendimento. No caso concreto, este Relator compulsou minudentemente os autos e perfila com a decisão recorrida, tendo em vista a falta de comprovação da retenção reclamada, NA FORMA DOS DISPOSITIVOS LEGAIS E REGULAMENTARES QUE REGEM A MATÉRIA. É dizer, ainda que a interessada tenha trazido o documento emitido por órgão público como assenta a recorrente, fato é que tal documento não tem o condão de suprir aquilo que a legislação federal (antes reproduzida) exige. Mais a mais, acrescentese, inexistem nos autos os imprescindíveis “informes de rendimentos” que devem ser emitidos pelas fontes pagadoras, de tal forma que, somente graças ao parcimonioso e minucioso trabalho da Relatoria de 1º Grau, é que a requerente pôde ver reconhecido valores pleiteados (mesmo parciais), já que a listagem juntada, embora emitida – repitase por órgão público (e que poderia servir de subsídio probante), não substitui nem suplanta a exigência prevista nos artigos 942 e 943 do RIR/1999 e, mais especificamente, no §2º deste último dispositivo2. Pelo exposto, ratifico a decisão recorrida e nego provimento ao recurso voluntário neste tópico. 2. DA TRIBUTAÇÃO COMO DEMAIS RECEITAS DOS VALORES RECEBIDOS PELA RECORRENTE DE FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA. ME e MAGROPAR EMPREENDIMENTOS e PARTICIPAÇÕES S/A (EX AMPAR EMPREENDIMENTOS e PARTICIPAÇOES S/A) A Fiscalização entendeu que os valores transitados pela conta da recorrente e enviados pelas empresas acima referidas não se constituíram em receitas da sua atividade e, por isso, não transitaram pelo percentual do lucro arbitrado, sendo tomados integralmente como base de cálculo dos tributos lançados. Em sua peça recursal aponta a recorrente ser descabida a tributação como “outras receitas” (não se sujeitando ao percentual do lucro arbitrado), ou seja, “sobre o valor cheio das importâncias recebidas”. Em relação aos valores recebidos de FERA MARKETING, a acusação é que i) não teria havido retorno dos valores entregues para suposta gestão de caixa; ii) este cliente não transmitiu a sua escrituração contábil digital; e iii) ambas as empresas eram representadas pela mesma pessoa”. 2 Art. 943. § 2 º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1 º e 2 º do art. 7 º , e no § 1 º do art. 8 º(Lei n º 7.450, de 1985, art. 55). Fl. 6819DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.820 37 Já a recorrente aduz ter prestado efetivos serviços à FERA MARKETING e que a mesma documentação probante que o Fisco aceitou para outros contribuintes não aceitou neste caso. Literalmente, assenta que, “as poucas justificativas apresentadas pelo Fisco, e acolhidas pelo v. acórdão recorrido, ou são incorretas, ou são irrelevantes. Deveras, é inexato dizer que os valores transferidos à BRICKELL não foram utilizados ou restituídos. O relatório financeiro (doc. nº 04 da impugnação) revela que, no período autuado, mais de R$ 440 mil foram empregados daquelas duas maneiras”. Já o Acórdão de 1ª Instância pontua que valores significativos foram transferidos à autuada no início de 2011; contudo, não foi localizado até o final de 2012 qualquer retorno destes valores e que, apesar de mencionar em sua impugnação que “mais de R$ 440.000,00” foram devolvidos/empregados à FERA MARKETING, nenhuma comprovação documental desta utilização foi apresentada pela fiscalizada, nem na fase da auditoria nem juntamente com a impugnação. Acrescenta que o Fisco tentou confirmar a existência da mencionada gestão em diligência junto à FERA MARKETING e não obteve sucesso e que, finalmente, “diferente do aventado pela impugnante, o cômputo dos valores advindos da FERA MARKETING como “outras receitas” não é decorrente do descumprimento de obrigações pela FERA MARKETING, mas pela inexistência da comprovação pela autuada de que tais valores são advindos de gestão de caixa, quando os fatos identificados pelo fisco não correspondem às alegações apresentadas”. (Ac. DRJ – fls. 4571). Pois bem, indiscutível que há “Contrato de Gestão de Fluxo de Caixa e Administração de Contas a Pagar e a Receber” firmado entre a autuada e Fera Marketing (fls. 1799/1804) que mostra a instrumentalização de operações financeiras ali descritas. Ou seja, “formalmente” a operação tem suporte, tanto que o Fisco levou em conta o valor cobrado pela autuada (R$ 4.000,00/mensais) para gerir as finanças da Fera Marketing (em verdadeira atividade de tesouraria terceirizada) e perpetrou parte dos lançamentos aqui tratados, e com os quais a recorrente anuiu, vez que aderiu ao parcelamento dos valores lançados para adimplilos. Nesse eito, inequívoco, não há que se falar em qualquer ato ilícito ou que os valores cobrados não correspondessem à real atividade da recorrente, por isso, sujeitos inicialmente à aplicação da alíquota do lucro arbitrado para apurarse a base de cálculo e só depois à incidência do percentual do IRPJ. Todavia – e aí reside o ponto central da discussão aqui travada – o que o Fisco classificou como “demais receitas” (e, por isso, não passaram pela alíquota do lucro arbitrado), não foram os montantes de comissões cobrados, mas, aportes feitos pela Fera Marketing a favor da recorrente em altíssimos e desconexos valores (quando comparados à taxação pelos serviços prestados), que envolveram, em 2011 e 2012, as importâncias abaixo discriminadas (TVF fls. 1223): Fl. 6820DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.821 38 Ainda segundo a Autoridade Fiscal, “intimada a justificar tais valores a fiscalizada informou que atuava como gestora do fluxo de caixa da respectiva empresa e em decorrência desta gestão receberia o valor fixo mensal de R$ 4.000,00” (TVF ibidem). Para prosseguir dizendo que, “diferentemente do que acontece em outros casos em que foi alegada existência do fluxo de caixa, no caso da Fera Marketing houve o envio desses valores significativos no início de 2011, mas não há em nenhum momento, até o fim de 2012, a solicitação do retorno desses valores” (ibidem – fls. 1224). De fato, ainda que a recorrente tenha se batido contra a conclusão do Fisco alegando ter havido comprovação de que mais de R$ 440 mil foram devolvidos à Fera Marketing (RV – fls. 5934/5935), os autos mostram que a autuada, buscando comprovar a “devolução” aludida, simplesmente acostou planilha (de sua própria lavra) em que relaciona valores entrados e saídos de um conta corrente, SEM, ENTRETANTO, TRAZER DOCUMENTOS QUE LASTREIEM tais operações. Referido conta corrente está juntado aos autos (fls. 1809/1810) e aponta para operações de entradas e saídas de valores. Entretanto, ainda que neste tipo de avença, ainda mais quando firmada entre empresas ligadas, não se exija maior formalismo para que as transferências a débito e a crédito dos respectivos contas correntes sejam autorizadas e feitas mediante simples contato verbal, telefônico, eletrônico ou postal, induvidoso que, apesar desse informalismo, as operações devem ter suporte documental, até porque, como dita o artigo 923, do RIR/1999, “a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais”. Mesma linha da Resolução CFC nº 1.330/2011 (DOU de 22.03.2011), assim redigida no que interessa: Documentação contábil 26. Documentação contábil é aquela que comprova os fatos que originam lançamentos na escrituração da entidade e compreende todos os documentos, livros, papéis, registros e outras peças, de origem interna ou externa, que apóiam ou componham a escrituração. 27. A documentação contábil é hábil quando revestida das características intrínsecas ou extrínsecas essenciais, definidas na legislação, na técnicacontábil ou aceitas pelos “usos e costumes”. Fl. 6821DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.822 39 28. Os documentos em papel podem ser digitalizados e armazenados em meio magnético, desde que assinados pelo responsável pela entidade e pelo profissional da contabilidade regularmente habilitado, devendo ser submetidos ao registro público competente. No mesmo sentir, a jurisprudência: ASSUNTO: ESCRITURAÇÃO. FORÇA PROBANTE. A escrituração contábil mantida com observância das disposições legais somente faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados se forem comprovados por documentos hábeis e idôneos, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. (Acórdão CARF nº 1402 000.290 – 09/11/2010 – Relator Antonio José Praga de Souza) Ora, ainda que, como dito, as operações de débito e crédito possam ser feitas mediante mero registro em contas correntes das envolvidas, evidente que tais lançamentos devem ter suporte, mais ainda por serem referidos contas correntes documentos unilaterais e de lavra das próprias envolvidas, de modo que, por óbvio, cabe ao Fisco o direito/dever de exigir a comprovação documental pertinente. Concretamente, mesmo que o conta corrente juntado (fls. 1809/1810) indique a devolução de valores da Brickell para a Fera Marketing, fato é que referidas operações não restaram comprovadas, digase, caberia à autuada juntar provas de que os mais de R$ 440.000,00 como alegado no RV, efetivamente saíram de seu patrimônio, o que poderia ser feito de modo até simples, como demonstração do débito em conta bancária, cópia de cheque emitido, recibo de TED bancário ou outra forma documental. Segundo a decisão recorrida – não contestada no recurso voluntário , “os documentos anexados ao processo, especialmente as informações extraídas dos extratos bancários da autuada, indicam tão somente a entrada de recursos, em valores significativos” (Ac. DRJ – fls. 4571), de forma que as alegações da recorrente acabaram por ficar exatamente neste terreno de meras alegações e se perderam, dando azo ao clássico brocardo jurídico “allegare nihil, et allegatum non probare paria sunt”, ou, em vernáculo, “alegar e não provar o alegado importa nada alegar”. Ademais, firmese, a Autoridade Fiscal buscou realizar diligências junto à Fera Marketing no sentido de aferir tais operações e sequer pôde levar adiante tal desiderato pelo fato de a referida empresa não ter sido localizada no endereço cadastrado junto à RFB. Mais ainda, não entregou SPED (que permitiria esta verificação). Em suma, parcimoniosamente, o Fisco tentou fazer (mediante diligência que acabou por restar infrutífera), a comprovação do alegado pela recorrente (atitude que, no fundo, a ela caberia), já que os documentos apresentados mostraramse incompatíveis com suas alegações. Nesse contexto, por absoluta falta de comprovação documental (ônus, repitase, que cabia à recorrente e do qual não se desincumbiu), o trabalho fiscal se robusteceu e os lançamentos se confirmaram, não havendo como considerar tais valores como decorrentes do contrato de prestação de serviços – Gestão de Caixa –, cabendo, pois, sua correta classificação como “demais receitas”, como feito pelo Fisco, no total de R$ 1.540.000,00. Fl. 6822DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.823 40 Ademais, destaquese, os montantes pertinentes à atividade operacional da recorrente, digase, a taxa/comissão mensal exigida pelo Contrato de Gestão firmado entre as partes, foi objeto de lançamento distinto (neste caso, com a imposição da alíquota de 38,4% do Lucro Arbitrado). Assim, mantenho a imputação de R$ 1.540.000,00 realizada pela Fiscalização. Analiso, a seguir, a concepção jurídica dos valores imputados como “demais receitas” envolvendo as operações da autuada com a MAGROPAR EMPREENDIMENTOS e PARTICIPAÇÕES S/A (EXAMPAR EMPREENDIMENTOS e PARTICIPAÇOES S/A). Neste caso, conforme o TVF, os valores tributáveis como “demais receitas”, portanto sem transitarem pela alíquota do Lucro Arbitrado (38,4%), seriam os seguintes (fls. 1226): Mensalmente consolidados (fls. 1228): Fl. 6823DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.824 41 Ø 2011 Ø 2012 A contestação da recorrente é focada em tentar justificar as origens dos dois maiores valores creditados em suas contas bancárias (R$ 10.761.540,72 – Mercantil e R$ 4.791.245,89 – Bradesco, em 14/11/2012 e 16/11/2012, respectivamente) argumentando tratarse “AFAC” ou empréstimo concedido à BRICKELL, com o fim de suprimento de caixa, no primeiro caso e, em relação ao segundo montante, estaria confirmada a gestão de caixa, “o que se prova pelo fato de ter sido prontamente repassado à MANGUINHOS DISTRIBUIDORA a título de empréstimo da primeira à segunda, sendo a Recorrente mera intermediária dos recursos, como é próprio dessa atividade” (RV – fls. 5937). E acrescenta: “Com efeito, ainda que o primeiro pagamento não possa ser qualificado como AFAC, como sustenta o acórdão recorrido (em desalinho com a jurisprudência judicial, anotese), o caso será de mútuo voltado a suprir o caixa da Recorrente – o que se demonstra pela coincidência entre o valor anteriormente em aberto e a quantia repassada. Desse modo, tal como no caso da XOROQUÊ, não pode ser qualificado como “omissão de receita”. Fl. 6824DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.825 42 Quanto ao segundo pagamento, ainda que a Recorrente não tenha sido remunerada pelo serviço de gestão de caixa (ou que não consiga demonstrálo agora, dados os erros em sua contabilidade), o fato é que os valores foram prontamente repassados a terceira empresa (MANGUINHOS DISTRIBUIDORA), não se tendo integrado ao patrimônio daquela, conforme reconhece o Fisco e atestam os documentos juntados ao PTA. Portanto, também nesse caso, não há que se falar em receita própria da Recorrente apta a ser tributada, como pretende o Fisco Federal”. Já o TVF é incisivo (fls. 1228): “Em 13/06/2016 reintimamos o sujeito passivo apresentar os documentos comprobatórios referentes aos depósitos efetuados pela Magropar Empreendimentos S/A. Em 04/07/2016 a fiscalizada apresentou resposta referente a reintimação de 13/06/2016 informando que quanto os documentos comprobatórios referentes aos depósitos efetuados pela Magropar Empreendimentos SA, os depósitos se comprovam através dos documentos “transferência de numerários entre contas”, ou seja, não citando mais o futuro aumento de capital como justificativa. Aberta diligência vinculada na Magropar, intimada via Correios com Aviso de Recebimento, JO817819175BR, com ciência em 27/06/2016, esta respondeu em 28/07/2016 que os valores eram justificados em decorrência de contrato de fluxo de caixa, mas que não foram contabilizadas quaisquer despesas decorrentes das operações, foi apresentado o Contrato de Gestão de Fluxo de Caixa no qual está previsto o pagamento de valor mensal de R$ 4.000,00 pelo serviço de gestão de fluxo de caixa, estes pagamentos não foram realizados bem como não houve a emissão das NF por parte da Brickell B como nos outros casos em que havia o Contrato de Gestão de Fluxo de Caixa. Ademais verificamos que as maiores transferências ocorreram em apenas duas datas em 14/nov/12 e 28/nov/12 nos valores de R$ 10.761.540,72 e R$ 4.791.245,89. Coincidentemente em datas próximas ao valor depositado pela Manguinhos Participações (Xoroque) para pretenso futuro aumento de capital como já mencionado no segundo caso (27/11/2012). O primeiro valor de R$ 10.761.540,72 transferido para a conta do Mercantil (Banco Mercantil Ag. 105 Cc. 20258122) serviu tão somente para zerar o saldo devedor dessa conta, no referido dia a conta iniciou com um saldo devedor de mais de 10 milhões, ao fim do dia o saldo ficou zerado graças a esta transferência. Por sua vez o valor de R$ 4.791.245,89 foi quase que totalmente utilizado com lançamentos a débitos no mesmo dia referentes a “Bx.Ant.Financ/EmpDBTP” cuja descrição do tipo de lançamento é “107 (D) empréstimo/financiamento” e transferências para a Manguinhos Distribuidora, outra empresa do grupo, restando ao final do dia saldo na conta corrente de apenas R$ 1,00, não se podendo portanto falar em gestão de fluxo de caixa, em tese estaria entregando tais valores para serem posteriormente devolvidos, mas tais valores depositados nunca retornariam para a Magropar. Cabe destacar que a Magropar, assim como a fiscalizada, não transmitiu a contabilidade digital ao SPED que permitiria identificar o que ocorreu de fato com tais numerários”. Fl. 6825DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.826 43 De seu turno, o Acórdão guerreado (fls. 4573) perfila com a Autoridade Fiscal: “Diante do acima descrito, constatase que, a fiscalizada não esclarece, tampouco comprova, a origem dos recursos transferidos pela MAGROPAR à autuada no transcorrer do período de 04/01/2011 a 28/11/2011. Não há que se falar em AFAC uma vez que inexiste qualquer comprovação deste ato, além do que o numerário foi transferido à autuada em diversas datas no transcorrer do período, apesar de transferência substancial em novembro/2012. Além da inexistência da prova documental, o procedimento foge aos procedimentos usuais quando destinados a AFAC. Por outro lado, também não há que se falar em Gestão de Fluxo de Caixa, considerando que, diferente do ocorrido com os demais clientes, não houve a retribuição pela possível prestação de serviços desta natureza, assim como também não emitida qualquer nota fiscal a amparar tal procedimento. Neste contexto, o procedimento do fisco está em conformidade com os ditames legais, de modo que, os valores creditados na conta corrente da autuada são considerados “outras receitas”, e integram a base de cálculo do Lucro Arbitrado, nos termos do art. 27 da Lei no 9.430, de 1996”. Pois bem, em relação aos valores “menores” (quando comparados com os dois montantes principais em discussão – R$ 10,7 e R$ 4,7 milhões de reais carreados às contas bancárias da recorrente em novembro/2012), ou seja, R$ 1.661.400,61 (R$ 17.891.386,00 – R$ 10.761.540,72 R$ 4.791.245,89), a recorrente não se manifestou e não trouxe qualquer documentação probatória de sua origem; mais a mais, eventuais valores relativos a comissões pelos serviços de “Gestão de Caixa” foram tributados pelo Lucro Arbitrado, com utilização da alíquota de 38,4% para apuração de sua base de cálculo, de modo que disso não se trata, por isso mantidos os lançamentos sobre mencionado importe como “demais receitas” (R$ 1.661.400,61), ratificando a decisão a quo. Já no pertinente aos valores de R$ 10,7 e R$ 4,7 milhões faço uma leitura parcialmente diferente daquela que fez a Turma de 1º Grau. Explico. Inicio pelo montante de R$ 10.761.540,72. Com a devida licença, os argumentos da defesa são deveras frágeis e insustentáveis por falta de prova, limitandose a aduzir estar diante de “AFAC” ou empréstimo concedido à BRICKELL, com o fim de suprimento de caixa. Claro que isto é possível, mas exige prova, que não veio aos autos. Em outro dizer, diferentemente do valor recebido de outro contratante, XOROQUÊ PARTICIPAÇÕES, em que foi acostado CONTRATO DE ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL e por isso a DRJ afastou os lançamentos naquele caso, no ponto aqui tratado não há nenhum elemento probatório, pelo que, como já Fl. 6826DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.827 44 dissertado neste voto, alegações sem comprovações do alegado, se tornam mera alegações e não se sustentam. Por este motivo, neste item, acompanho a decisão recorrida e nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento no valor de R$ 10.761.540,72. Sobre o valor de R$ 4.791.245,89, creditado em conta bancária da recorrente junto ao Bradesco em 16/11/2012, diferentemente do entendimento do aresto combatido, penso que a razão está com a recorrente. É incontroverso nos autos (o próprio Agente Fiscal confirma a operação junto ao extrato da empresa – TVF – fls. 1227) que o valor questionado “entrou” na conta da recorrente e “saiu logo em seguida para a “Manguinhos Distribuidora”, “outra empresa do grupo”; nas literais palavras do Fisco, “por sua vez o valor de R$ 4.791.245,89 foi quase que totalmente utilizado com lançamentos a débitos no mesmo dia referentes a “Bx.Ant.Financ/Emp DBTP” cuja descrição do tipo de lançamento é “107 (D) empréstimo/financiamento” e transferências para a Manguinhos Distribuidora, outra empresa do grupo”. Para concluir (o Fisco) que a recorrente “estaria entregando tais valores para serem posteriormente devolvidos, mas tais valores depositados nunca retornariam para a Magropar”. Ora, em primeiro lugar e no que mais interessa, a Fiscalização cabalmente comprovou e assentou que o numerário não ficou com a recorrente, digase, seu patrimônio não foi aumentado em nenhum centavo, de forma que, elementar, não há que se falar em “receita” de qualquer espécie. Mais ainda, o Fisco ainda confirma que tais valores (transferidos pela Magropar para a Manguinhos, via Brickell, “retornariam para a Magropar”, o que, por si só, já delimita a operação entre estas duas empresas. Certo que cabem algumas palavras a respeito da operação: primeiro, a pergunta inevitável: qual a necessidade da utilização da recorrente (Brickell) para que a Magropar efetuasse um empréstimo para a Manguinhos, ou seja, por que a operação não foi direta? Segundo, se o Fisco entendia que tal engenharia apresentava indícios de fraude ou planejamento tributário abusivo deveria ter investigado a fundo a ocorrência e tomado a providência que entendia cabível contra as duas empresas envolvidas, não me parecendo lícito atribuir a um terceiro (mesmo com todas as irregularidades vista nos autos), a responsabilização pelo crédito tributário que, neste caso, não lhe cabe. Também é certo que a recorrente poderia ter trazido aos autos mais informações e provas sobre esta operação, mas, pelo reconhecimento expresso do Fisco de que houve a transferência para a Manguinhos Distribuidora, é induvidoso que os lançamentos não podem prevalecer, posto que não configurada a omissão de receitas imputada. Assim, neste tópico (MAGROPAR), dos valores lançados a título de “demais receitas”, voto por dar provimento parcial ao recuso voluntário para afastar da tributação o montante de R$ 4.791.245,89 e manter os lançamentos sobre a base imponível de R$ 13.100.140,11 (R$ 1.964.100,00 + R$ 15.927.286,00 – R$ 4.791.245,89). Resumindo, em relação a imputação de “demais receitas”, levando em conta o litígio ainda presente após a exoneração parcial procedida pela decisão a quo, voto por Fl. 6827DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.828 45 dar provimento parcial ao recuso voluntário para afastar da tributação o montante de R$ 4.791.245,89 e manter os lançamentos sobre a base imponível de R$ 14.640.140,11 (R$ 1.540.000,00 – FERA + R$ 13.100.140,11 MAGROPAR). 3. DA QUALIFICAÇÃO E DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO Batese longamente a recorrente contra a qualificação e agravamento da multa de ofício que elevou seu percentual a 225%. Reconhece que houve irregularidades, inclusive em parte assumidos seus valores e parcelados junto à RFB, mas, aduz, a jurisprudência é pacífica e há Súmula no sentido de que simples omissão de receitas não autoriza a exasperação, sendo necessária a presença do dolo, o que não se viu nos autos. Mais ainda, que não lançou mão de documentos falsos, inidôneos, frios ou interposta pessoa, nem emitiu notas calçadas ou utilizouse de contas paralelas. Que inconsistências na elaboração e transmissão de DIPJ e DCTF não podem levar a este limite de penalização. Alega ainda que se tivesse o objetivo de ocultar tais operações da Fiscalização, “por qual razão os seus clientes – muitos dos quais integrantes do mesmo grupo empresarial – escriturariam as notas e transmitiriam tais dados à Receita?” Sobre o agravamento, pontua (RV – fls. 5943): “Em primeiro lugar, porque a Recorrente não detinha parte dos documentos solicitados pelo Fisco, tais como os arquivos relativos à sua escrituração contábil digital. Sendo assim, tais documentos deixaram de ser apresentados não por máfé da empresa, mas por absoluta impossibilidade. Ademais, em janeiro de 2016, a Recorrente passou a colaborar ativamente com o Fisco, apresentando inúmeros documentos e informações relativos às operações fiscalizadas. Tais documentos incluem as cópias dos Contratos de Fluxo de Caixa e Administração de Contas a Pagar e a Receber, cópias das notas fiscais e dos borderôs emitidos e dos documentos de Transferência de Numerários entre Contas, cópia do contrato de cédula bancária firmado com o Banco BMB e do extrato de conta corrente a ele relativo, dentre outros, como se constata das fls. 0912 do Relatório Fiscal. Tais informações e documentos foram utilizados pelo Fisco na lavratura dos autos de infração e na apuração dos tributos exigidos, como se constata das seguintes passagens do Relatório (fls. 1718)”. Traz jurisprudência e requer a desclassificação de ambas as medidas. Principio pela multa qualificada. Contrariamente ao entendimento da recorrente, a qualificação da multa não se fez por “omissão de receitas”, mas pela prática reiterada da contribuinte em apresentar DIPJ com valores zerados (para uma movimentação financeira expressiva), não apresentar escrituração comercial e não cumprir com as obrigações acessórias exaradas pela legislação Fl. 6828DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.829 46 tributária, não apresentar receita na DACON e declarar DCTF nos AC/2011 e 2012 com poucos tributos e valores baixos. Mais ainda, deixar de emitir notas fiscais em sua totalidade ou emitir Notas Fiscais apenas relativas aos ad valorem e pelo serviço de gestão de fluxo de caixa, não emitindo as notas relativas ao “fator” descontado no serviço de factoring, procedimentos que tiveram indubitavelmente o objetivo de zerar ou diminuir quase que em sua totalidade os valores das contribuições e impostos devidos no período fiscalizado, digase, uma clara ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais e das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fatos que configuram, ainda que em tese, crime contra a ordem tributária, previsto na legislação em vigor, cujo dolo, que justifica a aplicação da multa qualificada nos termos do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, se caracteriza pelo fato de o contribuinte, de forma sistemática e continuada durante todos os meses do anocalendário 2011 e 2012, ter prestado à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, na falta de transmissão de sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como na falta da emissão da totalidade de suas Notas Fiscais. Em outro dizer, a recorrente buscou, inelutavelmente, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal ou mesmo seu conhecimento pela Fiscalização, com o subterfúgio de subtrair da apreciação da Autoridade Tributária TODAS as informações que pudessem levar à tributação dos valores apurados, em clara atitude dolosa. Nesse sentido, não perdendo o foco, segundo a teoria finalista da ação, adotada pelo nosso Código Penal (Parte Geral), art. 18I, redação dada pela Lei 7.209/1984, e consoante a melhor doutrina pátria de direito penal, o dolo faz parte da tipicidade (do tipo penal), e pode ser dolo direto (ocorre quando o agente quis o resultado e praticou ação nesse sentido) ou dolo indireto ou eventual (quando o agente, com sua ação, assumiu o risco de produzir o resultado). No caso, não se trata de presunção de dolo, mas, sim, da existência de dolo direto, pois a conduta do sujeito passivo está subsumida na conduta típica de sonegação e fraude (artigos. 71 e 72 da Lei 4.502/643 e art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96, com redação dada 3 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 6829DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.830 47 pela Lei 11.488/20074), que implicou, ainda, redução ou supressão de tributos e contribuições (o sujeito passivo quis e praticou a conduta de sonegação de tributos e contribuições federais, ou seja, reduziu ou suprimiu tributo ou contribuição social, indevidamente, mediante a realização das condutas descritas nos incisos I e II do art. 1º da Lei 8.137/905). A jurisprudência administrativa é nesta linha: A jurisprudência administrativa é nesta linha: MULTA QUALIFICADA — são as circunstâncias da conduta que caracterizam o aspecto subjetivo da prática ilícita. Além dos valores omitidos serem de elevada monta em relação aos valores escriturados, o número de operações omitidas, na casa de centenas, leva à convicção de que a conduta missiva da autuada não decorreu de um mero desleixo na condução de seus negócios, mas sim de prática intencional para deixar de levar ao conhecimento da Fazenda a maior parte de suas operações. (Acórdão 120100205 Relator(a) Guilherme Adolfo dos S. Mendes) 4 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 5 Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Fl. 6830DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.831 48 MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, que implica, ainda, a redução indevida de tributos e contribuições, impõe a exigência das exações fiscais com aplicação da multa qualificada. (Segunda Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 11/11/2010 Relator(a) Antonio José Praga de Souza Nº Acórdão 1402000.314) Por esses fatos – incontestes – entendo que a exasperação da multa, elevandoa ao patamar de 150%, mostrase irrepreensível, por isso deve ser mantida. Diversamente, porém, vejo o agravamento procedido pelo Fisco (50% da multa qualificada), que elevou o percentual a 225%. É certo que a Fiscalização teve que se valer da RMF para obter os extratos bancários, assim como a não entrega do SPED dificultou a ação fiscal; todavia, não é menos certo que houve a disponibilização de diversos documentos pela autuada e que ajudaram a compor o rol da acusação. No meu sentir, como já tive oportunidade de me expressar em diversas oportunidades e acórdãos de minha relatoria (dentre eles, Ac. 1402002.511), o agravamento da penalidade só se mostra possível quando presentes (ou ausentes) atos do fiscalizado no sentido de tolher ou obstruir o procedimento fiscal de forma contumaz, o que não parece ter sido o caso dos autos, já que, integral ou parcialmente, na data fixada ou após esta, a contribuinte apresentou o que lhe foi exigido e contribuiu para que a execução fiscal se desenrolasse e chegasse ao final, tanto que os lançamentos puderam ser perpetrados. Ademais, milita a favor da recorrente os dizeres da Súmula CARF nº 96: Súmula CARF nº 96 A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. E farta jurisprudência: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO PARCIAL DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. (Ac. CSRF nº 9101001.468) MULTA AGRAVADA POR FALTA DE ENTREGA DE DOCUMENTOS. LUCRO ARBITRADO PELA NÃO Fl. 6831DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.832 49 APRESENTAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS. NORMAS QUE DEVEM SER INTERPRETADAS DE FORMA CONJUGADAS. A não apresentação de documentos necessários à demonstração do lucro real tem como consequência o arbitramento nos termos do artigo 148 do CTN e artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995. Contudo, uma vez arbitrado o lucro pela falta de apresentação dos documentos exigidos, não cabe o agravamento da multa. A mesma circunstância que caracteriza um fato típico não pode ser, ao mesmo tempo, causa de aumento da reprimenda prevista para o próprio fato típico. Para a não apresentação dos livros e demais documentos necessários à apuração do lucro real a consequência é a exigência dos tributos de forma arbitrada, não cabendo exigir, concomitantemente, o agravamento da multa pela não apresentação de documentos. Ademais, o agravamento da multa só é cabível quando a autoridade fiscal não dispõe de meios para obter as informações de que necessita e o contribuinte negase em fornecêlas. Nos casos de omissão de receitas constatadas a partir das GIAS do ICMS, que caracterizam informações hábeis para lastrear lançamento de crédito tributário, à semelhança dos depósitos bancários de origem não comprovada, a autoridade fiscal já dispõe dos meios para efetuar o lançamento. A omissão quanto ao esclarecimento da origem dos valores tem como consequência a presunção de omissão de receita e não o agravamento da multa. (Ac. nº 1402001.416). Como a motivação do arbitramento foi justamente a falta de apresentação da escrituração comercial e fiscal (TVF – fls. 1230 “tendo em vista que a empresa deixou de apresentar a escrituração comercial e fiscal, bem como não promoveu o recolhimento dos tributos correspondentes, nem os declarou em DCTF, não restou a fiscalização outra alternativa que não o arbitramento do Lucro nos termos do Art. 530, Inciso III do Decreto nº. 3.000/99”), descabe o agravamento da multa, pelo que o afasto. Resumindo em relação a este tópico, mantenho a qualificação da multa e obsto o agravamento, de forma que a multa de ofício fica reduzida a 150%. 4. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DAS PESSOAS JURÍDICAS A Autoridade lançadora, conforme bem resumido pela decisão de 1º grau, imputou responsabilização solidária, com fundamento no artigo 124, I, do CTN, a dez pessoas jurídicas, a saber: (MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S/A, MANGUINHOS DISTRIBUIDORA S/A, REFINARIA DE PETRÓLEOS DE MANGUINHOS S/A, FERA LUBRIFICANTES LTDA., XOROQUE PARTICIPAÇÕES S/A, GASDIESEL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA., FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA – ME., JPJ ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA., RODOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. e MANGUINHOS QUÍMICA S A), sob o argumento de que haveria interesse comum entre as pessoas integrantes do GRUPO ANDRADE MAGRO e que tomaram os serviços da fiscalizada; mais, que a BRICKELL B (fiscalizada) atuava como caixa única de diversas empresas do mesmo grupo e havia verdadeira confusão patrimonial entre elas, como pode se verificar dos Contratos de Gestão de Fluxo de Caixa e dos extratos bancários. Fl. 6832DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.833 50 Para prosseguir dizendo que, neste contexto, as pessoas jurídicas que estão sendo responsabilizadas teriam se beneficiado diretamente das fraudes cometidas pela fiscalizada uma vez que repassaram a esta a gestão de seus fluxos de caixa, o deságio dos títulos vendidos, bem como do ad valorem por ela cobrados, gerando para cada uma delas despesas dedutíveis do imposto de renda da pessoa jurídica, da contribuição social sobre o lucro, bem como a tomada de créditos sobre tais despesas operacionais tanto para o PIS quanto para a COFINS. Em suas peças recursais (idênticas), as imputadas rebatem tal acusação, assentando, em rápida síntese, que o Fisco não comprovou a existência do citado interesse comum ou confusão patrimonial que justificasse a inclusão no pólo passivo da lide; que o interesse comum a que alude o artigo 124, I, não corresponde a um mero interesse econômico; que, para que haja responsabilidade solidária, não basta que as empresas integrem o mesmo grupo, antes é necessário que elas tenham praticado em conjunto o fato gerador do tributo exigido; que, sabidamente, a responsabilização solidária ocorre se constatada confusão patrimonial surgida por materialização de fraude e abuso de direito, quando se transferem ativos para empresas do grupo com o fito de fraudar credores, que não é o caso dos autos; que, o simples fato de os recursos das contratantes serem depositados na conta da contratada em uma única conta (e não separadamente), não pode levar a indução de confusão patrimonial, posto ser uma conduta procedimental não vedada e de exclusiva assunção pela prestadora do serviço sobre o qual os sujeitos passivos solidário não têm ingerência; que, na mesma linha, não há caracterização de confusão patrimonial o fato de a prestadora dos serviços ser obrigada a devolver, mediante simples aviso, os recursos a seus efetivos titulares, posto que tal modo de proceder é característico do próprio serviço, dinâmico que é (gestão de caixa); que, eventual inadimplência da autuada (Brickell), não pode ser motivo de imputação de sujeição passiva solidária. Pois bem, que as empresas do chamado Grupo Magro criaram uma empresa para servir de gestora de caixa das mesmas é inequívoco e a própria fiscalizada assim o reconhece. Também inequívoco que este procedimento não encontra óbice na legislação, ou seja, é perfeitamente válido e natural no mundo dos negócios, ainda mais com a globalização, que uma empresa seja a gestora financeira das demais, uma verdadeira “tesouraria terceirizada”. No caso concreto, não foi diferente. A própria Fiscalização reconhece que a “tesoureira” praticou os seguintes procedimentos ligados à área financeira: Ø Gestão financeira dos recursos de titularidade das empresas do grupo que redundou na emissão de centenas de notas fiscais de prestação de serviços e honorários para os anos calendários de 2011 e 2012. Ø Cobrança de ad valorem que representam os honorários pela prestação de serviços de fomento mercantil. Ø Aplicação do “fator” que é o desconto (deságio) do valor de face dos títulos adquiridos. A BRICKELL B aplicou um percentual de 5% a.m. Fl. 6833DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.834 51 pro rata dia; este percentual era destacado em borderôs que nos foram apresentados. Ø Responsável pelo recolhimento de IOF sobre operações de crédito para os anos calendários de 2011 e 2012. Ø Pagamento sem causa em face da empresa JANIÓPOLIS no montante no ano calendário de 2011. Ø Nas demais receitas referentes a pretenso adiantamento para futuro aumento de capital em face da MANGUINHOS PARTICIPAÇÕES (XOROQUE), crédito em c/c na data de 27/11/2012. Ø Nas demais receitas junto a MAGROPAR nos anos calendários fiscalizados. Ø Nas demais receitas com identificação indefinida dada a informação prestada pela FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA no ano calendário de 2011. Ø Aplicações financeiras junto às instituições financeiras para os anos calendários de 2011 e 2012. Certo que a imensa maioria destes atos e que geraram receitas tributáveis não tiveram seus valores oferecidos à tributação pela Brickell, o que levou à consecução dos lançamentos aqui apreciados Ou seja, a “tesoureira” praticou operações, cobrou comissões de seus clientes (objeto de lançamento de ofício), enfim, realizou atividades de gestão de caixa. Se deixou de recolher os tributos correspondentes deve ser (e foi) por isso penalizada, inclusive com a qualificação da multa de oficio. Porém, não vejo como tal modus procedendi possa ter o efeito de vincular solidariamente os clientes da empresa autuada, digase, não visualizo em quê as empresas do grupo Magro (que constituíram a Brickell como “tesoureira” de seus recursos financeiros) possam ter “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. É possível que possam ter contabilizado como despesas dedutíveis os valores pagos a título de comissões ou taxas pela gestão de seus caixas, mas só isso, penso, não permite inferir o interesse comum a que alude o artigo 124, I, do Códex. Em outra visão, a circunstância de as tomadoras dos serviços lançarem como despesas dedutíveis os valores contratados com a Brickell em nada modifica o quadro, posto ser indiscutível se estar diante de despesas operacionais. Mais ainda, seria até mais barato às responsabilizadas gerir o próprio caixa e se assim não fizeram foi por razões empresariais, não tendo obtido ganho com isso até porque, daquilo que foi despendido, só se recuperam 43,25% (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS); Se o Fisco tinha dúvidas ou entendia que estas despesas não possuíam os requisitos exigidos para sua dedutibilidade (art. 299, do RIR/1999), deveria ter investigado Fl. 6834DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.835 52 cada uma das empresas contratantes da Brickell e procedido sua glosa. Como não consta que tenha feito isso e, mais ainda, efetuou o lançamento de ofício dos mesmos valores como receita omitida da Brickell, obviamente validou o procedimento. Ademais, não se perca de vista, é cediço que, para ocorrer a responsabilização solidária prevista no art. 124 do CTN é necessária a constatação e a prova da participação conjunta de pessoas, como referido na sua redação, quando da ocorrência do fato gerador, devendo estas serem copartícipes diretas das infrações percebidas pelo Fisco. E isso não se estampa nestes autos. Nesse sentido, confirase a ementa do Acórdão proferido no AgRg no REsp 1535048/PR, pela 1ª Turma do E. Superior Tribunal de Justiça, de relatoria do Exmo. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, publicado em 21/09/2015: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE TERCEIROS. ALEGAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. IMPOSSIBILIDADE DE REDIRECIONAMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL CONTRA EMPRESAS CONSTITUÍDAS APÓS O FATO GERADOR DO TRIBUTO DE OUTRA EMPRESA, DITA INTEGRANTE DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. AGRAVOS REGIMENTAIS A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A teor do art. 124, I do CTN e de acordo com a doutrina justributarista nacional mais autorizada, não se apura responsabilidade tributária de quem não participou da elaboração do fato gerador do tributo, não sendo bastante para a definição de tal liame jurídico obrigacional a eventual integração interempresarial abrangendo duas ou mais empresas da mesma atividade econômica ou de atividades econômicas distintas, aliás não demonstradas, neste caso. Precedente: AgRg no AREsp 429.923/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, 2T, DJe 16.12.2013. 2. Da mesma forma, ainda que se admita que as empresas integram grupo econômico, não se tem isso como bastante para fundar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma delas, ao ponto de se exigir seu adimplemento por qualquer delas. Precedentes: AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, 1T, DJe 27.3.2015; AgRg no REsp. 1.433.631/PE, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, 2T, DJe 13.3.2015. 3. Agravos Regimentais da FAZENDA NACIONAL e LEMOS DANOVA ENGENHARIA E EMPREENDIMENTOS LTDA ME a que se nega provimento. Mais a mais, o interesse comum a que se refere o dispositivo não é simplesmente o societário, econômico e finalístico que o grupo e os seus titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica, mas, a participação direta das empresas responsabilizadas na realização dos fatos geradores colhidos pelo Fisco, e esta não houve restou provada adequadamente nos autos. Confirase, a propósito, o Acórdão nº 2301004.163, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção deste E. CARF, de relatoria do I. Conselheiro Fl. 6835DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.836 53 Natanael Vieira dos Santos e voto vencedor do I. Conselheiro Adriano Gonzáles Silvério, publicado em 19/02/2015: GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTITUIÇÃO DO FATO GERADOR POR UMA SÓ EMPRESA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI 10.101/2000. Sempre que uma ou mais empresas, tendo embora, cada uma delas, personalidade jurídica, própria estiverem sob a direção, controle ou administração de outra haverá a constituição de um grupo econômico. O fato de haver pessoas jurídicas que pertençam ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a responsabilidade solidária, na forma prevista no art.124 do CTN. Somente existirá a responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico quando todas agirem em conjunto para a configuração do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução da referida situação. Assim, entendo não presentes os atos e fatos que levaram à responsabilização prevista no artigo 124, I, do Estatuto Tributário, pelo que DOU PROVIMENTO aos recursos voluntários dos dez sujeitos passivos solidários pessoas jurídicas arroladas pelo Fisco, afastando a imputação feita a MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPACOES S/A, MANGUINHOS DISTRIBUIDORA S/A, REFINARIA DE PETRÓLEOS DE MANGUINHOS S/A, FERA LUBRIFICANTES LTDA., XOROQUE PARTICIPAÇÕES S/A, GASDIESEL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA., FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA – ME., JPJ ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA., RODOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. e MANGUINHOS QUÍMICA S A 5. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DAS PESSOAS FÍSICAS Foram arroladas, com fundamento no artigo 135, III, do CTN, as seguintes pessoas físicas: JOÃO MANUEL MAGRO BAYARD DO COUTO E SILVA PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES MAURICIO DE SOUZA MASCOLO JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO A acusação teve o seguinte teor: Fl. 6836DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.837 54 “pessoas físicas que agiram com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto e que serão responsabilizados nos termos do art. 135 são os representantes da empresa BRICKELL B na época dos fatos. Em suma, foi com a representação dessas pessoas físicas que o contribuinte de forma sistemática e continuada durante todos os meses do anocalendário 2011 e 2012, prestou à RFB informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, não transmitiu sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como não emitiu a totalidade de suas Notas Fiscais”. A decisão de 1º Piso afastou parcialmente a responsabilização de BAYARD DO COUTO E SILVA, CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES e MAURICIO DE SOUZA MASCOLO em relação aos períodos em que já não eram gestores da Brickell; já JOÃO MANUEL MAGRO, PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES e JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO tiveram suas imputações como solidários mantidas pela decisão a quo. Devidamente intimados (fls. 4653/4822) contribuinte e sujeitos passivos solidários, exceto Bayard do Couto e Silva (perempto) acostaram recursos voluntários. Todavia, JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO apresentou a peça recursal após o vencimento do trintídio (ciência da decisão de ڊ1 Grau em 13/06/2017 (fls. 4854) e protocolização do Recurso Voluntário em 14/07/2017 (fls. 6270), portanto, não conhecido. Basicamente a linha de defesa foi no sentido de questionar a imputação feita com fundamento no artigo 135, III, do Códex e, especificamente, cada um deles, per si, refutando a prática de atos de gestão na área administrativa e financeira da sociedade e requerendo a observância dos períodos em que possam ter atuado como gestores. 5.1 JOÃO MANUEL MAGRO Era o representante legal da empresa na época dos fatos, e tal como aponta o fisco, foi com a administração, dentre outras, de sua pessoa, que a Brickell, sistemática e continuadamente em 2011 e 2012 prestou à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, não transmitiu sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como não emitiu a totalidade de suas Notas Fiscais; também não se incumbiu de prestar suas contas com o fisco, nos termos da legislação vigente e mesmo legalmente obrigada, não cuidou da apuração dos impostos e contribuições devidos em função do exercício da atividade da empresa, de manter a sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, apresentando ao fisco as obrigações acessórias a que estava obrigada, tais como, DIPJ e DCTF, totalmente zeradas. Ou seja, nítido procedimento de praticar atos com infração de lei. Todavia, há que se fixar sua responsabilização dentro do período em que exerceu cargos de gestão na Brickell, especificamente, DiretorPresidente de 16/04/2009 a 01/04/2011. Contrariamente à acusação fiscal e à decisão recorrida, entendo não ser possível estender a responsabilização por todo o período autuado porque o imputado teria exercido funções gerenciais em outras empresas do grupo. Fl. 6837DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.838 55 Assim, dou provimento parcial ao recurso voluntário de JOÃO MANUEL MAGRO para manter sua responsabilização somente no período de 01/01/2011 a 01/04/2011. 5.2 PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES Integrava o quadro de diretores da empresa na época dos fatos, e tal como aponta o fisco, foi com a administração, dentre outras, de sua pessoa, que a Brickell, sistemática e continuadamente em 2011 e 2012 prestou à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, não transmitiu sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como não emitiu a totalidade de suas Notas Fiscais; também não se incumbiu de prestar suas contas com o fisco, nos termos da legislação vigente e mesmo legalmente obrigada, não cuidou da apuração dos impostos e contribuições devidos em função do exercício da atividade da empresa, de manter a sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, apresentando ao fisco as obrigações acessórias a que estava obrigada, tais como, DIPJ e DCTF, totalmente zeradas. Ou seja, nítido procedimento de praticar atos com infração de lei. Neste caso, como argumenta o próprio imputado, até abril de 2011 exerceu o cargo de Diretor VicePresidente Comercial e de Marketing da BRICKELL e, posteriormente, de Presidente da empresa de 01/04/2011 a 08/08/2014, conforme Atas das AGE com registros na JUCERJ sob os nºs 00002167692, 00006919 (reeleição) e a de registro nº 287.565/154 na Junta Comercial do Estado de São Paulo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário de PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES e mantenho sua responsabilização para todo o período de 01/01/2011 a 31/12/2012. 5.3 CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES Foi vicepresidente da empresa BRICHELL B de 01/04/2011 a 10/01/2012, e tal como aponta o fisco, foi com a administração, dentre outras, de sua pessoa, que a Brickell, sistemática e continuadamente em 2011 e 2012 prestou à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, não transmitiu sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como não emitiu a totalidade de suas Notas Fiscais; também não se incumbiu de prestar suas contas com o fisco, nos termos da legislação vigente e mesmo legalmente obrigada, não cuidou da apuração dos impostos e contribuições devidos em função do exercício da atividade da empresa, de manter a sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, apresentando ao fisco as obrigações acessórias a que estava obrigada, tais como, DIPJ e DCTF, totalmente zeradas. Ou seja, nítido procedimento de praticar atos com infração de lei. Todavia, sua responsabilização deve ser parametrizada pelo período em que exerceu, efetivamente, poderes de gestão da empresa, ou seja, 01/04/2011 a 10/01/2012, conforme já decidido pelo Acórdão de 1º Piso. 5.4 MAURICIO DE SOUZA MASCOLO Foi Diretor da empresa BRICHELL B de 01/01/2012 a 13/06/2012, conforme Atas das AGE com registros na JUCERJ sob os n° 00002291593 e 00002368792 e, Fl. 6838DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.839 56 tal como aponta o fisco, foi com a administração, dentre outras, de sua pessoa, que a Brickell, sistemática e continuadamente em 2011 e 2012 prestou à Secretaria da Receita Federal do Brasil informações falsas no preenchimento da DIPJ apresentada, não transmitiu sua Escrituração Contábil Digital – ECD, bem como não emitiu a totalidade de suas Notas Fiscais; também não se incumbiu de prestar suas contas com o fisco, nos termos da legislação vigente e mesmo legalmente obrigada, não cuidou da apuração dos impostos e contribuições devidos em função do exercício da atividade da empresa, de manter a sua escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, apresentando ao fisco as obrigações acessórias a que estava obrigada, tais como, DIPJ e DCTF, totalmente zeradas. Ou seja, nítido procedimento de praticar atos com infração de lei. Todavia, sua responsabilização deve ser parametrizada pelo período em que exerceu, efetivamente, poderes de gestão da empresa, ou seja, 01/01/2012 a 13/06/2012, conforme já decidido pelo Acórdão de 1º Piso. DO RECURSO DE OFÍCIO Quanto à exoneração procedida pela Turma a quo, perfilo integralmente com o entendimento exarado no acórdão prolatado, de modo que NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício e mantenho a decisão recorrida neste aspecto. CONCLUSÃO Antes de concluir, destaco que, mesmo não fazendo parte da lide neste estágio (o primeiro por perempção e o segundo em face do não conhecimento do recurso voluntário por intempestivo), os administradores da sociedade BAYARD DO COUTO E SILVA e JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO tem suas respectivas imputações como sujeitos passivos solidários mantidas na forma decidida pelo Acórdão nº 0273.293 3ª Turma da DRJ/BHE (fls. 4548/4631), ou seja: Nome Período BAYARD DO COUTO E SILVA 01/01/2011 a 01/04/2011 JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO 01/04/2011 a 10/01/2012 Pelo exposto, encaminho meu voto no sentido de i) NÃO CONHECER do recurso voluntário apresentado por JORGE LUIZ CRUZ MONTEIRO por intempestivo; ii) DECLARAR DEFINITIVA a decisão de 1ª Instância relativamente ao sujeito passivo solidário BAYARD DO COUTO E SILVA por perempção; iii) NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício; iv) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da autuada para iv.i) exonerar da tributação o montante de R$ 4.791.245,89; iv.ii) afastar o agravamento da multa de ofício e manter a qualificação, fixando a penalidade em 150%; v) DAR PROVIMENTO INTEGRAL aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários pessoas jurídicas, afastando a imputação feita a MAGROPAR EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, MANGUINHOS DISTRIBUIDORA S/A, REFINARIA DE PETRÓLEOS DE MANGUINHOS S/A, FERA LUBRIFICANTES LTDA., XOROQUE PARTICIPAÇÕES S/A, GASDIESEL DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA., FERA MARKETING E TELEMARKETING LTDA – ME., JPJ ASSESSORIA Fl. 6839DF CARF MF Processo nº 19515.720648/201608 Acórdão n.º 1402003.583 S1C4T2 Fl. 6.840 57 EMPRESARIAL LTDA., RODOPETRO DISTRIBUIDORA DE PETRÓLEO LTDA. e MANGUINHOS QUÍMICA S A; vi) DAR PROVIMENTO PARCIAL aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários pessoas físicas, mantendo a responsabilização dos imputados na forma abaixo: Nome Período JOÃO MANUEL MAGRO 01/01/2011 a 01/04/2011. PAULO HENRIQUE OLIVEIRA DE MENEZES 01/01/2011 a 31/12/2012. CARLOS HENRIQUE PEDROSA LOPES 01/04/2011 a 10/01/2012 MAURICIO DE SOUZA MASCOLO 01/01/2012 a 13/06/2012 É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 6840DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000156/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:01/08/2008
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.228
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 01 56 /2 01 1- 31 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.000156/201131 Acórdão n.º 3302006.228 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.717, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.000156/201131 Acórdão n.º 3302006.228 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.000156/201131 Acórdão n.º 3302006.228 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.000156/201131 Acórdão n.º 3302006.228 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.000156/201131 Acórdão n.º 3302006.228 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.000156/201131 Acórdão n.º 3302006.228 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 140DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.908240/2009-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.648
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10983.908242/2009-27, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente); ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 24 0/ 20 09 -3 8 Fl. 152DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp transmitidas, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, para compensação de débitos. O Despacho Decisório DD não homologou a compensação declarada porque: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. E exige o total de débitos não compensados, com juros e multa de mora. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC DRJ/FNS emitiu o Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 RECOLHIMENTO MENSAL POR ESTIMATIVA. UTILIZAÇÃO COMO CRÉDITO EM COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O valor pago no âmbito do regime de tributação pelo lucro real anual, a título de estimativa mensal de IR ou de CSLL, não pode ser utilizado como crédito em compensação, pois esse valor só pode ser deduzido do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração a que se referir a estimativa, para fins de determinação do saldo a pagar ou do valor de eventual saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do mesmo período. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. Reclama que a negativa deuse com fundamento a restrição imposta por uma Instrução Normativa, norma secundária, que traz limitações indevidas ao direito do contribuinte, caracterizando injustiça fiscal e ferindo o Princípio da Razoabilidade. Relata que, na opção de tributação no regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais, pode ocorrer de o contribuinte efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal. O artigo 74, da Lei n° 9.430/96, com suas posteriores alterações, confere ao sujeito passivo o direito de efetuar a compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB e no rol do § 3º do art. 74 não consta a Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10983.908240/200938 Resolução nº 1201000.648 S1C2T1 Fl. 4 3 limitação específica ao direito de compensar sustentada pela autoridade, portanto, não há óbice legal à compensação realizada. Assim, uma vez comprovado o recolhimento a maior, o direito à compensação é garantido pelo art. 74 mencionado. Anexa cópias das DIPJ's 2006/2005 e 2007/2006, que comprovam que no ano calendário 2005, ao final do período de apuração, com todas as compensações realizadas, ainda assim apresentava saldo negativo de () R$ 924.660,86 e de CSLL de () R$ 494.344,45; o mesmo ocorrendo em boa parte do anocalendário 2006. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.642, de 20/11/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10983.908242/200927, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.642): "2.1 Paradigma de lote. 12. Este processo nº 10983.908242/200927 foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos aos demais processos do lote; são eles, conforme pesquisa no sistema eprocesso: nº processo nº PER/Dcomp Data transmissão Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior Per Apur Data da arrecadaçã o 10983.903703/200975 37869.76998 28/10/2005 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.903848/200976 14576.04096 28/10/2005 (*) 10983.903847/200921 34936.56232 29/05/2006 (**) 10983.908238/200969 12079.09231 29/05/2006 2484 31/05/2005 30/06/2005 10983.908245/200961 23031.44220 29/05/2006 2362 28/02/2006 31/03/2006 10983.908399/200952 25266.25812 29/05/2006 (***) 2484 31/03/2005 29/04/2005 10983.908240/200938 05270.28894 29/05/2006 2484 31/01/2006 24/02/2006 10983.908242/200927 30111.93607 29/05/2006 2362 31/05/2005 30/06/2005 10983.908241/200982 23984.18321 29/05/2006 2484 28/02/2006 31/03/2006 10983.908239/200911 01348.47168 29/05/2006 2484 30/06/2005 29/07/2005 (*) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 15069.24782, de 28/09/2005 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10983.908240/200938 Resolução nº 1201000.648 S1C2T1 Fl. 5 4 (**) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 38158.77039, de 31/08/2005 (***) crédito na PER/Dcomp (PER/Dcomp inicial): 37869.76998, de 28/10/2005 13. Verificouse que os DD destes processos que compõem o lote são de teor idêntico; e o motivo para os Acórdãos DRJ considerarem as manifestações de inconformidade foi o mesmo. 2.2 Restituição/compensação. Estimativa mensal. Valor indevido ou a maior. 14. As IN SRF nº 460, de 2004 e nº 600, de 28 de dezembro de 2005, determinavam que: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (Grifouse.) 15. A IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, revogou a IN SRF nº 600, de 2005: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição: I na hipótese de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração; II na hipótese de apuração trimestral, a partir do mês subseqüente ao do trimestre de apuração; e III na hipótese de apuração especial decorrente de cisão, fusão, incorporação ou encerramento de atividade, a partir do 1º (primeiro) dia útil subseqüente ao do encerramento do período de apuração. (...) Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. (...) Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10983.908240/200938 Resolução nº 1201000.648 S1C2T1 Fl. 6 5 Art. 100. Ficam revogadas a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, a Instrução Normativa SRF nº 728, de 20 de março de 2007, a Instrução Normativa RFB nº 831, de 18 de março de 2008, e os arts. 192 a 239B da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. 16. E a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19 de 5 de dezembro de 2011, explicitou que: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. 17. Foi editada a Súmula CARF nº 84 (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018) Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 1201000.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 1101 00.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006.: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. 18. Reproduzse a seguir excertos do Acórdão nº 9101 00.406, de 02/10/2009, um dos que foram paradigma para a Súmula: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10983.908240/200938 Resolução nº 1201000.648 S1C2T1 Fl. 7 6 contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerente ao pedido de compensação formulada pelo contribuinte, inclusive no que se refere a correção das retificações de declaração e ao eventual aproveitamento do citado credito ao final do ano calendário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (...) No caso, entendo não ser possível homologar, desde já, a compensação declarada pelo Contribuinte, urna vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a da restituibilidade (ou não) da estimativa recolhida a maior . Tendo em vista que o Recorrente em um primeiro momento calculou em R$ 4.668.087,16 o valor de sua obrigação de antecipar a CSLL, no mês de junho de 2002 e, depois, informou que, por novo cálculo, referido valor seria de R$ 2.559.397,53, entendo que os referidos valores devem ser confirmados ou infirmados pela Fiscalização, para, somente após, haver a homologação do pleito do Contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir valores recolhidos a maior daqueles estabelecidos por lei a titulo de antecipação (estimativas) e, por conseguinte, determinar que sejam examinadas as demais questões de mérito inerentes ao pedido de Compensação formulado pelo Contribuinte, no que se refere à correção das retificações de declaração e ao (eventual) aproveitamento do citado credito no ajuste do anocalendário. (Grifouse.) 19. À vista do exposto, evidenciase pacificada a questão quanto à possibilidade de restituição/compensação de valor recolhido indevidamente ou a maior de estimativas mensal. 2.3 Direito creditório. 20. O valor requerido se refere a estimativa mensal recolhida, mas que não foi objeto de verificação/confirmação pela Autoridade Administrativa; como a discussão se ateve ao direito ou não ao valor do crédito referente a estimativa recolhida a maior ou indevidamente, tampouco houve a análise visando confirmar o direito creditório requerido. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10983.908240/200938 Resolução nº 1201000.648 S1C2T1 Fl. 8 7 21. O contribuinte apresentou cópias das DIPJ referentes aos anoscalendário 2005 e 2006, págs. 77/149, originais, entregues em 27/06/2006 e 25/06/2007, respectivamente. 22. Consta das DIPJ na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por Estimativa, que a forma de determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução; eis que neste caso, na apuração da estimativa de cada mês, se deduzem os valores de IRPJ /CSLL, respectivamente, devidos nos meses anteriores do mesmo ano, assim como os valores de IRPJ/CSLL, respectivamente, retidos na fonte. 23. Verificase no sistema eprocesso que constam para relatar 10 (dez) processos do contribuinte distribuídos para esta Turma, que requerem créditos de estimativas de recolhimento indevido ou a maior de estimativas de IRPJ e de CSLL, dos anoscalendário 2005 e 2006. 24. É necessário que sejam analisados todos os PER/Dcomp destes processos (sendo que pode haver ainda outros processos de teor análogo distribuídos a outras Turmas do CARF ou ainda nas DRJ's; assim como algumas das PER/Dcomp se referem a crédito objeto de PER/Dcomps referentes a ainda outros processos), que tratem dos mesmos créditos ou não, mas que sejam referentes a estes anoscalendário. 25. Há necessidade de: a) analisar os valores confessados e pagos e/ou objetos de compensação das estimativas tidas como recolhidas indevidamente ou a maior, informados nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF; b) confirmar os recolhimentos das estimativas que o contribuinte considera recolhidas a maior ou indevidamente, sendo que parte delas pode ter sido objeto de compensações que devem ser verificadas, se foram homologadas ou não; c) refazer as apurações das estimativas mensais dos anos calendário em pauta, para verificar se as estimativas a maior quitadas foram ou não computadas nas apurações dos meses subsequentes e na apuração anual; d) consta da DIPJ que a determinação da base de cálculo foi em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, cabe portanto verificar, ao menos por amostragem, se os dados da DIPJ efetivamente se baseiam em Balanços/Balancetes constantes da contabilidade do contribuinte; e) verificar se os saldos negativos anuais resultantes já não foram requeridos como direitos creditórios por meio de Per/Dcomps; f) emitir Parecer acerca do pedido constante dos PER/Dcomp em epígrafe, informando se e qual o valor do recolhimento indevido ou a maior da estimativa efetivamente recolhida ou Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10983.908240/200938 Resolução nº 1201000.648 S1C2T1 Fl. 9 8 compensada caracteriza crédito de recolhimento indevido ou a maior, passível de ser reconhecido para compensação, em que a data do direito creditório deva ser computada a partir da respectiva data do recolhimento. g) cientificar o contribuinte, facultandolhe a apresentação de contestação. h) Devolver o processo ao CARF, em seguida. 3 Conclusão. Voto pela realização da diligência descrita no voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.900412/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.586
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
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M. CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 00 41 2/ 20 09 -1 4 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10380.900412/200914 Resolução nº 1201000.586 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, "diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada".. Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 4º trimestre de 2000. Em 31/03/2009, o contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.583, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.900409/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.583): "Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 2º trimestre de 2000, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). No entanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10380.900412/200914 Resolução nº 1201000.586 S1C2T1 Fl. 4 3 autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, mediante a escrituração fiscal e contábil, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado. Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e anexou documentos que comprovariam sua pretensão. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10380.900412/200914 Resolução nº 1201000.586 S1C2T1 Fl. 5 4 desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10380.900412/200914 Resolução nº 1201000.586 S1C2T1 Fl. 6 5 original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996." Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10380.900412/200914 Resolução nº 1201000.586 S1C2T1 Fl. 7 6 anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.720320/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato gerador: 30/06/2010
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL.
As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato gerador: 30/06/2010
REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.497
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato gerador: 30/06/2010 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato gerador: 30/06/2010 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1726; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16366.720320/201131 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.497 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente SEARAIND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato gerador: 30/06/2010 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato gerador: 30/06/2010 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 03 20 /2 01 1- 31 Fl. 957DF CARF MF Processo nº 16366.720320/201131 Acórdão n.º 3201004.497 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado pela contribuinte relativo a crédito de PIS NãoCumulativo Exportação. Reproduzo partes do relatório da primeira instância administrativa: Conforme Despacho Decisório Revisor, o direito creditório foi parcialmente reconhecido (...), nos termos da Informação Fiscal, abaixo resumida, nada remanescendo, após as compensações declaradas. A fiscalização relata que a presente Informação Fiscal anula a anterior, com base no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e mediante autorização para segundo reexame do período, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), em razão de novos fatos apurados relacionados às receitas de exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação e os créditos vinculados a essas receitas. E que o crédito pleiteado é decorrente de operações com o mercado externo, remanescente às deduções das contribuições a recolher e das compensações com outros tributos administrados pela RFB. Após discorrer sobre a legislação da não cumulatividade, bem como da instrução processual feita com a Dacon, memoriais de apuração dos créditos, rateios e bases de cálculo, demonstrativos, escrituração SPED e notas fiscais de saídas/entradas, diz que a interessada exerce a atividade econômica de Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, além da Fabricação de Adubos e Fertilizantes (CNAE 20134/00), Comércio Atacadista de Açúcar (CNAE 46371/02), Fabricação de Farinha de Milho e derivados, exceto óleos de milho (CNAE 10643/00), e comércio varejista de combustíveis para veículos automotores (CNAE 47318/00), entre outros, apurando o imposto de renda pelo lucro real. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 16366.720320/201131 Acórdão n.º 3201004.497 S3C2T1 Fl. 4 3 Acrescenta que a empresa fabrica derivados de milho NCM constantes no capítulo 11 da TIPI e adubos NCM constantes no capítulo 31 da TIPI; e que adquire para revenda: soja NCM 12010090, milho NCM 10059010, açúcar NCM 17011100, defensivos NCM constantes no capítulo 38 da TIPI e sementes NCM 10051000 e NCM 12010010. Esclarece que a empresa aufere receitas sem incidência das contribuições para o Pis e a Cofins (alíquota zero – fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes destinadas à semeadura e plantio, e farinha de milho, nos termos da Lei nº 10.925, de 2004). Discorre sobre a legislação atinente às vendas com suspensão de insumos destinados à produção das mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, consoante arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004; IN SRF nº 660, de 2006; e Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 29, de 31/01/2007; bem como sobre a base de cálculo das contribuições e sobre o conceito de insumos (art. 3º, II, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; IN SRF nº 247, de 21/11/2002). Caracteriza a interessada como empresa comercial exportadora, com base nas operações de exportações realizadas (Dacon, CFOP, Demonstrativo Exportações e arquivos eletrônicos de notas fiscais (SPED/EFD – Saídas Exportação)), dizendo que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Informa que o crédito foi apurado mediante rateio proporcional dos custos e despesas entre receitas sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, cujo critério é igualmente aplicável para a determinação dos custos e despesas vinculados à exportação. Ressalta que só é passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições o crédito apurado em operações de vendas para o exterior e vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições, tornandose indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total. (...) Dos créditos pleiteados Informa que os créditos pleiteados pela contribuinte em seus Pedidos de Ressarcimento estão explicitados na DACON, MEMORIAL DACON e Demonstrativos de Créditos. Dentre as irregularidades apontadas pela Fiscalização, destacamos as que interessam ao presente julgamento: Fl. 959DF CARF MF Processo nº 16366.720320/201131 Acórdão n.º 3201004.497 S3C2T1 Fl. 5 4 a) a contribuinte adquiriu Mercadorias Recebidas com o Fim Específico de Exportação, feita com código CFOP 5117 (Venda de Mercadoria Adquirida ou Recebida de Terceiros, Originada de Encomenda para Entrega Futura cujas “notas mães” indicam que a mercadoria se destina à exportação), com aproveitamento indevido de crédito integral, pois a legislação da regência (art. 6º, § 4º, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003), não permite à comercial exportadora a apuração de créditos quando da aquisição de mercadoria com o fim específico de exportação; 2) a contribuinte adquiriu bens com Suspensão com aproveitamento indevido de crédito integral (soja e milho), pois a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Os valores excluídos estão individualizados nos demonstrativos, com os comprovantes (notas fiscais) juntados, por amostragem, ao processo. Cientificada dos despachos decisórios, revisado e revisor, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Em preliminar, contrapõese à revisão dos Despachos Decisórios, dizendo que encontra vedação legal no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, motivo pelo qual é ilegal. A DRJ/Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14063.053, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta que não industrializa soja, e que o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do Despacho Decisório, ao incluir nas atividades da recorrente a industrialização de soja, o que a fiscalização não teria feito. Reitera que somente revende soja. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.483, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16366.000367/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.483): "O recurso é tempestivo e, nos termos em que relatado, atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar – Vedação de revisão dos despachos decisórios Fl. 960DF CARF MF Processo nº 16366.720320/201131 Acórdão n.º 3201004.497 S3C2T1 Fl. 6 5 A recorrente pede a nulidade do Despacho Decisório que reviu, de ofício, o Despacho Decisório anterior, para alterar os valores calculados. A revisão de ofício dos atos administrativos tributários, quando constatado erro, encontra previsão nos artigos 145, III e 149 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei 9.784/99 contém dispositivos que tratam da revogação e revisão dos atos administrativos, nos capítulos XIV eXV. Fl. 961DF CARF MF Processo nº 16366.720320/201131 Acórdão n.º 3201004.497 S3C2T1 Fl. 7 6 A revisão de ofício distinguese das decisões no âmbito do PAF – Decreto 70.235/72, pelo menos, quanto à autoridade competente e a finalidade. A primeira tem como autoridade competente a mesma que prolatou o ato revisto, ou sua superior hierárquica, e tem a finalidade de corrigir erro ou omissão no ato revisto. A segunda tem como autoridades competentes os órgãos de julgamento administrativo, com a finalidade de garantir o contraditório, a ampla defesa e a legalidade, no contexto do litígio administrativo fiscal. Tal distinção é expressa no artigo 145 supratranscrito, ao tratar do PAF nos inciso I e II, e da revisão de ofício no inciso III. O artigo 27 da Lei 10.522/20021, conforme expressamente consta em seu caput, trata de Recurso de Ofício, e não de revisão de ofício. Portanto, não revoga o artigo 149 do CTN, isto é, a revisão de ofício tributária, mas apenas limita o Recurso de Ofício, no contexto do PAF, cf. seu artigo 342. . Portanto, não é aplicável ao presente caso. Preliminar – Alteração de critério jurídico O pedido, nesse tópico, é confuso, conforme a seguir se transcreve: “Tendo em vista ao disposto no artigo 146 do CTN o atual entendimento da fiscalização em relação ao tema somente pode ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente a abril de 2011 quando a RFB informa ao contribuinte a mudança de critério jurídico que já fora aplicado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive neste processo alvo de revisão o que por si só justifica a procedência da manifestação de inconformidade neste tópico.” Talvez se refira ao tópico que precede o pedido, no Recurso Voluntário, o qual menciona a Solução de Consulta 354/2009. O auditor utiliza tal consulta para concluir: “60. É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, concluise que o §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 tem por objetivo impedir o cálculo de qualquer crédito pelas empresas comerciais exportadoras no que diz respeito às receitas 1 Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV quando se tratar de homologação de compensação; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) 2 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Fl. 962DF CARF MF Processo nº 16366.720320/201131 Acórdão n.º 3201004.497 S3C2T1 Fl. 8 7 decorrentes de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação e não apenas àquelas já abrangidos pela vedação presente no art. 3º, §2º, II, da mencionada lei” Todavia, a mera referência do auditor à Solução de Consulta, do ano de 2009, não performa alteração de critério jurídico da Receita Federal. A mudança de critério jurídico se caracterizaria se houvesse ato da Receita Federal que alterasse entendimento oficial, presente em ato anterior. Não há demonstração dessa alteração, no caso. Caso a recorrente se refira à alterações na legislação, a preliminar se confunde com o mérito, que analisará as matérias conforme a legislação vigente nas datas dos fatos geradores. Assim, afasto a preliminar. Mérito Créditos sobre dispêndios vinculados a mercadorias adquiridas com fim específico de exportação Conforme relatado, foram glosadas despesas relativas a fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis e outros dispêndios vinculados a operações com mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. A aquisição da mercadoria com fim específico de exportação não gera direito a crédito, cf. §4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, o que é incontroverso no presente processo. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O mesmo aplicase ao Pis, cf. art. 15, III: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 963DF CARF MF Processo nº 16366.720320/201131 Acórdão n.º 3201004.497 S3C2T1 Fl. 9 8 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Todavia, a recorrente sustenta que tais dispositivos vedam apenas o crédito sobre a aquisição da mercadoria em si, e não sobre os demais dispêndios vinculados às operações com tais mercadorias, como fretes, armazenamento, energia elétrica, aluguéis, etc, vinculados a essas exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Há lógica no entendimento da recorrente, posto que a empresa vendedora somente apurou créditos sobre seus dispêndios logísticos até a venda com fim específico de exportação, e a empresa comercial exportadora tem dispêndios para efetivar a exportação dessas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, dispêndios esses sobre os quais os fornecedores pagam Pis e Cofins – o dono do imóvel de aluguel, a transportadora, etc que não foram aproveitados como geradores de créditos na cadeia anterior. Assim, sob o enfoque da finalidade da Lei, que é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia, a pretensão da recorrente encontraria abrigo. Todavia, a Lei é clara ao vedar a pretensão. A expressão legal é que, para as empresas comerciais exportadoras, é vedado o aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação”, o que, evidentemente, abrange os dispêndios tratados, e não somente as mercadorias em si. Com efeito, tais dispêndios são vinculados às receitas de exportação, do mesmo modo que os mesmos dispêndios, no caso da empresa vendedora, são vinculados à receita de exportação e desonerados, conforme §§8º e 9º do artigo 3º, combinados com §3º do artigo 6º: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Isto é, quando a Lei se refere aos dispêndios (custos, despesas e encargos) vinculados à receita de exportação, referese justamente a fretes, armazenamento, aluguéis, energia elétrica, etc, vinculados à receita de exportação, que deveriam ser apurados em apropriação direta ou proporcional. Portanto, a expressão do §3º do artigo 6º da Lei 10.833/2003 é pela vedação dos créditos pretendidos pela recorrente. Fl. 964DF CARF MF Processo nº 16366.720320/201131 Acórdão n.º 3201004.497 S3C2T1 Fl. 10 9 Quanto ao art. 17 da Lei 11.033/2004, não prevalece sobre a vedação específica do §4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, segundo o consagrado princípio hermenêutico da especificidade. Créditos sobre aquisições de mercadorias vendidas com suspensão A legislação é clara ao vedar o crédito integral sobre aquisições de cerealistas, cf. §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, na redação então vigente: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Fl. 965DF CARF MF Processo nº 16366.720320/201131 Acórdão n.º 3201004.497 S3C2T1 Fl. 11 10 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. As notas fiscais autuadas continham a expressão “Venda com Suspensão”, conforme orienta a IN 660/2006, art. 2º, §2º: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. A empresa alega que tais aquisições foram feitas para revendas, e não para industrialização, o que descaracterizaria a suspensão da inciDência de Pis e Cofins da operação. Todavia, tal alegação contraria os documentos fiscais. Aduz ainda que não industrializa soja. Decerto que a atividade de mera revenda não caracterizaria a suspensão. Todavia, considerando que a vendedora considerou a venda como passível de suspensão, não tributou a operação com o Pis e a Cofins, o que impede o aproveitamento integral das contribuições. O negócio efetuado foi, conforme o documento fiscal, e portanto, para a vendedora, para que a Fl. 966DF CARF MF Processo nº 16366.720320/201131 Acórdão n.º 3201004.497 S3C2T1 Fl. 12 11 mercadoria fosse industrializada. Não pode a recorrente, depois desse negócio assim acertado, mudar a finalidade da aquisição, para direcionála à revenda, e pretender com isso o crédito integral nas operações. Caso o documento fiscal seja equivocado, cumpre à recorrente produzir prova robusta dessa inconsistência, na ocasião, isto é, que o negócio tenha sido feito com finalidade de revenda. Com efeito, não poderia a operação ter sido acordada como sendo com suspensão, o que significaria o não pagamento de Pis e Cofins na vendedora, para depois a recorrente apropriarse do crédito integral e alegar que não industrializou as mercadorias adquiridas. Em outras palavras, não basta que a recorrente não tenha industrializado a mercadoria, cumpre ainda que a vendedora tivesse ciência disso e tributado a operação. Verifico, pois, que tal prova não foi produzida pela recorrente, que alega ter feito cartas de correção das notas fiscais, porém não as juntou. E, ainda, se tivesse juntado, tais cartas de correção deveriam ser auditadas para aferição de sua tempestividade e efetividade. Sem tais elementos, não há como albergar a pretensão da recorrente. A recorrente alega ainda que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 teria derrogado a vedação da apropriação de crédito integral em foco. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal artigo trata do crédito na vendedora, e não na compradora. No caso das operações em foco, a recorrente foi a compradora. Portanto, inaplicável o dispositivo em seu benefício. Portanto, não há direito ao crédito de Pis e Cofins em tais aquisições. Conclusão Pelo exposto, voto por afastar as preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 967DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.910589/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 29/02/2004
PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO-CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública - art. 170 do CTN.
Numero da decisão: 3401-005.491
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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CRÉDITO REGIME NÃOCUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 05 89 /2 01 2- 65 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.910589/201265 Acórdão n.º 3401005.491 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Versa o presente sobre o PER/DCOMP indicando como crédito pagamento indevido ou a maior de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório, por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Em sua Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que “... apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. E para comprovar o alegado, anexa planilha demonstrativa de cálculo que embasou o pedido. A decisão de primeira instância foi pela improcedência da manifestação de inconformidade, por carência probatória a cargo da postulante (não comprovação do erro apontado), e por não haver direito a crédito das contribuições (PIS e COFINS) nas operações de distribuição de combustíveis, na sistemática da nãocumulatividade. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário tempestivo, na qual sustenta, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida, sob o argumento de que esta se equivocou ao concluir que a recorrente atua, exclusivamente, no ramo de comercialização de produtos submetidos ao regime monofásico de tributação, e que, por tal razão, não apreciou os verdadeiros motivos que geraram o crédito ora pleiteado. No mérito, defendeu a existência do direito creditório derivado da comercialização de peças de veículos, cigarros, produtos de higiene pessoal, artigos de tabacaria, etc., os quais se encontram incluídos no regime nãocumulativo. Ao final, pugnou pela nulidade da decisão combatida e, subsidiariamente, pela reforma do acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.489, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.910586/201221, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.489): Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.910589/201265 Acórdão n.º 3401005.491 S3C4T1 Fl. 4 3 "A recorrente interpôs Recurso Voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no prazo de 30 dias, de acordo com a Regra Geral sobre contagem de prazos no Processo Administrativo Fiscal, a qual é estabelecida pelos arts. 33 e 5º, do Decreto nº 70.235/72. Portanto, dele tomase conhecimento. Defende a recorrente que o acórdão ora se equivocou ao concluir que a recorrente atua exclusivamente no ramo de comercialização de produtos submetidos ao regime monofásico de tributação, motivo pelo qual julgou pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Conforme relatado, a recorrente em sua Manifestação de Inconformidade se limitou em alegar que “apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins relativo ao período de janeiro a junho de 2004, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. O acórdão recorrido foi claro ao afirmar que: Conforme manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte alega haver efetuado pagamento a maior de PIS e Cofins, dos períodos de janeiro a junho de 2004, por não utilizar os créditos permitidos pelo art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003 (o art. 15 desta Lei estende a aplicação de dispositivos ao PIS/Pasep). Contudo, não determina e tampouco discrimina a que se referem os aludidos créditos, se decorrentes de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade. Tampouco a planilha apresentada menciona essa origem, discriminando apenas os valores dos aludidos créditos de cada período. [...] Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, além de outros elementos de prova. Diante do exposto não há razões para cassar o acórdão guerreado, uma vez que apreciou e fundamentou a improcedência da Manifestação de Inconformidade. Quanto ao argumento de que o acórdão recorrido concluiu que a recorrente atua exclusivamente no “comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes” Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.910589/201265 Acórdão n.º 3401005.491 S3C4T1 Fl. 5 4 e que a comercialização de tais produtos não é onerada pelas contribuições do PIS/Pasep e da Cofins, motivo pelo qual não há razão para que a aquisição destes produtos gere crédito desta contribuição, não merece prosperar. Após apontar a carência probatória, o acórdão recorrido menciona que: De qualquer maneira, tendo em vista que o objeto social principal da contribuinte, segundo a Cláusula Terceira de seu Contrato Social, é o comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes, cabe lembrar a legislação de regência que determinou a forma de tributação incidente sobre essa atividade econômica. Deste modo, percebese que o acórdão recorrido em momento algum afirma que a recorrente atua exclusivamente no “comércio a varejo de gasolina, álcool hidratado, óleos diesel e lubrificantes”, apenas complementa sua fundamentação no sentido de que o “objeto social principal da contribuinte” é a exploração destas atividades, e que estas não geram crédito. Ressaltase, que em momento algum a recorrente, na Manifestação de Inconformidade, informa a origem do aludido crédito, se decorrente de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade. Por tais razões, não merece amparo a preliminar arguida. No mérito, a recorrente sustenta a existência do aludido credito, o qual deriva da comercialização de peças de veículos, cigarros, produtos de higiene pessoal, artigos de tabacaria, etc., os quais se encontram incluídos no regime nãocumulativo. Pois bem. Conforme relatado e também mencionado quando da análise da preliminar arguida, a recorrente simplesmente alegou possuir crédito de R$ 1.561,32, pois “apurou de forma incorreta o PIS e a Cofins relativo ao período de janeiro a junho de 2004, não utilizando os créditos permitidos pela apuração não cumulativa previstos pela Lei 10.833/2003 em seus artigos 3º e 15”. Ademais, não informa a origem do aludido crédito, se decorrente de aquisição de bens para revenda, bens e serviços utilizados como insumos ou outras despesas da atividade, assim como não anexa aos autos documentos capazes de demonstrar seu direito creditório. É de bom grado ressaltar que cabe ao contribuinte comprovar a existência do crédito que pretende utilizar para compensar com o débito, art. 373, I, do CPC, e à Administração Tributária verificar e validar o referido crédito. Por conseguinte, Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.910589/201265 Acórdão n.º 3401005.491 S3C4T1 Fl. 6 5 confirmado o direito creditório, sobrevém a homologação, a qual extingue os débitos objeto da compensação. Assim, para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. Oportuno mencionar também que, nos termos do art. 170 do CTN, a compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública. Nesse sentido, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decreto Lei nº 2.124/84, e Instruções da RFB que dispõem sobre a DCTF). Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007603/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador:11/10/2006
RESTITUIÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE.
Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-006.232
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. Os tributos incidentes na importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Recurso Voluntário Provido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 76 03 /2 01 0- 01 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11128.007603/201001 Acórdão n.º 3302006.232 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento da restituição relativa a PIS/Pasep importação e Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação posteriormente retificada, por falta de apresentação de documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro recolhido indevidamente, consoante o art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Segundo a Fiscalização, o referido crédito tributário recolhido quando do registro da DI poderia ter sido compensado pelo importador, nos termos da legislação de regência, independentemente de autorização da Receita Federal RFB. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que o crédito apurado não podia ser objeto de compensação por ser devido no registro de Declaração de Importação, conforme o artigo 74, § 3º, II, da Lei nº 9.430/1996, tratandose de uma exceção legal que não proporcionava segurança jurídica para se requerer a compensação sem prévia concordância do Fisco, tendo em vista o entendimento da Fiscalização quanto à necessidade de comprovação da assunção econômica do encargo. Segundo o então Manifestante, não havendo previsão legal de transferência do encargo financeiro, bem como existindo lei que previa o importador como contribuinte, não era cabível a alegação do Auditor Fiscal de que seria devida a comprovação de assunção do encargo financeiro do tributo recolhido. Ainda segundo ele, mesmo que se entendesse válida a discussão acerca da assunção do encargo financeiro, essa só se justificaria em relação ao montante pago referente à mercadoria desembaraçada, inexistindo fato gerador de PIS/Pasep e Cofins relativos a uma importação não ocorrida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 07033.595, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, fundamentandose também na necessidade de prova de assunção do encargo financeiro dos tributos, com apresentação de documentos, informações e lançamentos contábeis que demonstrassem de forma inequívoca o efetivo suporte desse encargo. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11128.007603/201001 Acórdão n.º 3302006.232 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.205, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 11128.000042/201191, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.205): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Inicialmente é imperioso destacar que a solução do litígio envolve apenas a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, inexistindo discussão sobre as fatos que geraram o pagamento indevido ou a maior, é o que se extrai do despacho decisório de fls. 5153 e da decisão recorrida, a saber: Despacho decisório Os pleitos referemse a importação de mercadoria a granel onde foi constatada falta em relação às quantidades manifestadas, conforme os Laudos Periciais em anexo aos processos supracitados. Todas as DIs foram objeto de retificação após o desembaraço. Cópias dos respectivos pedidos de retificação (PCI) estão anexadas aos processos. As retificações acima referidas, tendo em vista apuração de falta de mercadoria, demonstram que houve pagamento a maior dos tributos em questão, conforme valores discriminados na relação acima. Ocorre que não foi acostada aos processos acima relacionados documentação contábil e fiscal apta a comprovar a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, consoante o Art. 166 do Código Tributário Nacional – CTN. Por outro lado, o crédito tributário referente ao PIS e COFINS recolhido quando do registro da DI poderá ser utilizado pelo importador, conforme a legislação que rege os tributos em questão. Este procedimento independe de autorização da RFB. Tendo em vista o acima exposto, proponho o indeferimento dos pedidos de restituição do PIS e COFINS referentes aos processos acima discriminados. Decisão recorrida Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11128.007603/201001 Acórdão n.º 3302006.232 S3C3T2 Fl. 5 4 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. E o ônus dessa demonstração não cabe ao Fisco. Os sistemas contábeis e respectivos planos de contas são de livre escolha das empresas e, no caso de pedido que envolva a prova prevista no artigo 166 do CTN, devem os requerentes fazer as devidas e satisfatórias demonstrações à vista de suas opções contábeis. E tais demonstrações, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. Em regra, portanto, cumpre ao contribuinte vincular registros contábeis a documentos fiscais, estabelecendo com clareza a natureza das operações por eles instrumentadas. Se a interessada, em sua escrituração fiscal, utilizou, em seu favor, de crédito correspondente ao valor de que agora pretende verse ressarcida, referente a PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação, resta impossibilitado o deferimento de seu pedido, em decorrência do duplo aproveitamento de um só crédito de tributo. No presente caso, não há comprovação de que o requisito da norma esteja perfeitamente atendido. Ou seja, não se discute a ocorrência de fatos que ensejaram o pagamento indevido ou maior, mas tão e somente a comprovação quanto a assunção do encargo financeiro referente ao PIS e COFINS recolhido indevidamente, previsto no artigo 166, do CTN, outrora utilizado pela fiscalização para indeferir o pedido de Restituição da Recorrente. A respeito disso, verificase que a decisão recorrida manteve o despacho decisório nos seguintes termos: Em primeiro lugar, cumpre mencionar que a restrição legal imposta à solicitação de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos, cujo encargo financeiro tenha sido suportado por outro, encontrase prevista no art. 166 do Código Tributário Nacional CTN, nos seguintes termos: “Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” No mesmo sentido dispõe a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu art. 6º, nos seguintes termos: Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11128.007603/201001 Acórdão n.º 3302006.232 S3C3T2 Fl. 6 5 “Art. 6º A restituição de quantia recolhida a título de tributo administrado pela RFB que comporte, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente poderá ser efetuada a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla.” Das disposições legais transcritas surge o entendimento de que essas alcançam apenas aqueles tributos que comportam a transferência de seu ônus financeiro a terceiros, mediante o registro contábil em conta corrente de débitos e créditos; aqueles cujo contribuinte de fato é o consumidor final, jamais o contribuinte de direito que, embora onerado pelo dever de pagar, não pode, pela própria concepção jurídica desses tributos, suportar economicamente seus encargos. É entendimento que somente os indébitos tributários relacionados a tributos indiretos é que são alcançados pelas disposições contidas no art. 166 do CTN. Assim, o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação são regidos pela nãocumulatividade, estando incluídos no rol dos tributos indiretos, conforme dispõe o art. 15 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004. Estas contribuições possuem natureza jurídica que comporta a transferência do respectivo encargo financeiro. Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2º e 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: I bens adquiridos para revenda; II bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. ( Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005 ) 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. (...) Cumpre deixar claro que o requisito obrigatório previsto no artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em consonância com o artigo Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11128.007603/201001 Acórdão n.º 3302006.232 S3C3T2 Fl. 7 6 166 do CTN, referente à prova de assunção do encargo financeiro do imposto, é exigência imperativa, posto que decorrente de lei. Não se trata de eventual dúvida sobre ter ou não ter havido o pagamento indevido dos tributos. E sim da prova de assunção do encargo a que se refere o artigo 6º da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 e artigo 166 do CTN. O objetivo da norma é dar certeza às administrações fazendárias sobre quem efetivamente suportou o ônus financeiro, de forma a evitar que, além do contribuinte de direito, os contribuintes de fato também venham pleitear a restituição do imposto pago indevidamente ou a maior. Contudo, entendo que a decisão recorrida merece reforma, posto que os tributos incidentes da importação por conta própria não comportam transferência do respectivo encargo financeiro, sendo que o sujeito passivo dos tributos não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido. Essa questão inclusive foi analisada nos autos do PA nº 10909.005708/200842 (acórdão nº 3302004.439), que contou com a participação deste relator, a saber: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/09/2005 a 06/09/2005 RESTITUIÇÃO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ARTIGO 166 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. INAPLICABILIDADE. O Imposto de Importação não se constitui tributo que, por sua natureza, comporta transferência do respectivo encargo financeiro. O sujeito passivo do Imposto de Importação não necessita comprovar à Secretaria da Receita Federal que não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa para ter direito à restituição do imposto pago indevidamente ou em valor maior que o devido. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E COFINS IMPORTAÇÃO. PERDIMENTO DA MERCADORIA IMPORTADA POR CONTA E ORDEM ANTES DO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. RESTITUIÇÃO DO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES INDEVIDAS. LEGITIMIDADE ATIVA DO IMPORTADOR. POSSIBILIDADE. Por não comportar a transferência do encargo financeiro, o importador tem legitimidade ativa para pleitear a restituição dos valores indevidos da Contribuição para o PIS/Pasep Importação e da CofinsImportação pagos no âmbito da operação de importação por conta e ordem simulada, em que as mercadorias importadas foram objeto de pena de perdimento antes do desembarco aduaneiro e da transferência ao real adquirente. Embargos Rejeitados. Direito Creditório Reconhecido. Neste cenário, deve ser reconhecido o crédito apurado pela Recorrente referente ao PIS/Pasepimportação e a Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11128.007603/201001 Acórdão n.º 3302006.232 S3C3T2 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recuso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito apurado referente ao PIS/Pasep importação e à Cofinsimportação recolhidos quando do registro da Declaração de Importação objeto dos autos, posteriormente retificada. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 192DF CARF MF
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Numero do processo: 19395.900740/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO.?
Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.?
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.?
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.656
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 5. 90 07 40 /2 01 3- 11 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 19395.900740/201311 Acórdão n.º 3301005.656 S3C3T1 Fl. 194 2 Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 67 a 79) interposto pelo Contribuinte, em 27 de abril de 2018, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1482.781 (fls. 51 a 56), de 22 de março de 2018, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 4 e 15) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente, de Declaração de Compensação transmitida pelo Sistema PER/DCOMP sob no 26372.98223.100910.1.3.049802, data da transmissão 10/09/2010, com a utilização de créditos oriundos de Pagamento Indevido ou a Maior do tributo COFINS, código da receita 5856, referente ao período de apuração 29/02/2004, no valor de R$ 485.845,25, contido em pagamento efetuado em 15/03/2004, no valor de R$ 721.179,67. O interessado acima qualificado é sucessora por incorporação da Companhia Petrolífera Marlim S/A, inscrita no CNPJ sob no 02.854.397/000104 e sucessora por incorporação de Marlim Participações CNPJ no 03.301.811/000110. O PER/DCOMP acima descrito foi apresentado pela sucedida CNPJ no 02.854.397/000104. Juntouse ao presente Relatório Fiscal denominado "Intervenção da DCOMP" com proposta de não reconhecimento do direito creditório, doc. de fls. 46 a 50. Despacho Decisório eletrônico da Delegacia da Receita Federal do Brasil, no Rio de Janeiro – RJ, datado de 06/05/2014, doc. de fl. 25, não homologou a compensação declarada sob o argumento de que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos sem saldo reconhecido para compensação dos débitos informados PER/DCOMP. O Interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando em síntese: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 19395.900740/201311 Acórdão n.º 3301005.656 S3C3T1 Fl. 195 3 1. Que seu crédito não foi reconhecido conforme fundamentação contida no processo de guarda de nº 16682.720804/201106, vez que a fiscalização entendeu que a razão do ajuste que causara a redução da receita não restou esclarecida no processo. Além disso, ressaltou que, há uma divergência entre os valores da receita de prestação de serviços oferecida à tributação, constantes da DIPJ e da DIRF apresentada pela fonte pagadora declarante desse tipo de receita (no caso, a própria Petrobras); 2. Segundo o contrato firmado em dezembro de 1998, entre a Petrobras e a Companhia Petrolífera Marlim, por meio do qual a Petrobras tinha a obrigação de repassar à Marlim o valor correspondente às despesas suportadas pela Marlim com o pagamento de empréstimos. Assim a Marlim contabilizava como despesas os valores que pagava às instituições financeiras a título de empréstimo contraído em prol do Contrato Anexo 1 e quando do repasse dos respectivos valores pela Petrobras, a Marlim contabilizava como receita (reproduz cláusulas do contrato); 3. Entretanto, no período de fevereiro de 2004, houve um erro na contabilização das despesas de juros pagos a título de empréstimo, e tais juros foram provisionados sobre o valor principal do empréstimo, sem considerar as amortizações havidas no montante do principal, para o período de janeiro a agosto de 2004. Assim com a redução das despesas de juros contabilizada, houve a necessidade de se ajustar a receita da Companhia Marlim, conforme demonstrado no livro razão, de forma que para o período de janeiro a agosto de 2004, houve recolhimento a maior da contribuição, em função da receita supervalorizada; 4. Por meio de planilhas em anexo, demonstramse os valores de receita da Companhia Marlim antes e depois do ajuste nas despesas de juros, bem como das receitas mensais apuradas antes e depois dos ajustes; 5. No que tange a divergência de valores informados em DIPJ e DIRF, ressalta que tais declarações não podem ser comparadas para efeito validação de uma pela outra, eis que tais documentos são elaborados com base em critérios diferentes e para finalidades diversas, pois somente serão compatíveis no caso de uma empresa que receba toda a sua receita à vista, e na qual a emissão das notas fiscais das receitas apuradas pelo regime de competência sejam emitidas dentro do mês correspondente. Nesse sentido o CARF já se manifestou conforme citação de ementas proferidas pelo aludido Órgão. Diante do exposto, requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade homologando a compensação declarada, protesta pela juntada posterior de documentos, bem como pela produção de outras provas para o deslinde da ação. Requer ainda que todas as intimações sejam encaminhadas ao procurador da requerente Dr. Nílton Antônio de Almeida Maia, OAB/RJ 67.460. Foram juntados os seguintes documentos: a) Cópia de Demonstrativo de Apuração da Contribuição "Situação: ANTIGA e NOVA"; b) Cópia do Livro Razão; Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19395.900740/201311 Acórdão n.º 3301005.656 S3C3T1 Fl. 196 4 c) Cópia do Contrato de criação do Consórcio entre Petrobras e Cia Marlim, no idioma inglês e suplemento de preços no idioma nacional; d) Cópia da Memória de Cálculo do Ajuste ref. Juros MTN Program diferença entre a situação atual e a nova; e) Cópia do Contrato de suporte firmado entre Petróleo Brasileiro SA Petrobras e Cia. Petrolífera Marlim, datado de 14/12/1998; Tendo em vista a decisão supracitada, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário visando reformar o referido Acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1482.781 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2004 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Não restando comprovado, pelo interessado, o Pagamento Indevido ou Maior, não está comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado e, portanto, não deve homologada a compensação efetuada. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19395.900740/201311 Acórdão n.º 3301005.656 S3C3T1 Fl. 197 5 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170, do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O entendimento da autoridade administrativa fiscal e da DRJ, no que tange a matéria principal, foi de que sem a comprovação do pagamento indevido ou a maior não se tem a necessária comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado, assim, não há como homologar a compensação pretendida. O Contribuinte requer preliminarmente a reunião do processo nº 19395.900202/201741, referente a pedidos de restituição (PER 21230.73361.230108.1.2.04 0323 e PER 33359.18764.020309.1.2.044850), com o presente processo referente a DCOMP 26372.98223.100910.1.3.049802, para julgamento em conjunto com o intuito de evitar decisões contraditórias. Atendendo a preliminar o julgamento do presente processo e do processo nº 19395.900202/20174, serão julgados na mesma sessão por ser pertinente e importante a solicitação. Em seguida o Contribuinte apresenta em seu recurso quadro demonstrativo da composição do indébito e os pontos controversos acerca da (i) retificação da DCTF e DACON e (ii) Divergência entre a DIRF e a DIPJ. A questão primeira envolve, no entender do Contribuinte, ajustes de contas de despesas de juros e que promoveram efeitos nas contas de receitas, em que o Contribuinte (fls. 73): ficara responsável por gerir as despesas de consórcio, com o qual assumiu, por exemplo, a responsabilidade por pagar os empréstimos contratados por ele para a execução da sua atividade. Por óbvio que, em razão do rateio das despesas entre as parceiras, cumpria a Recorrente exigir o ressarcimento daquilo que foi obrigada a dispender para o pagamento dos referidos empréstimos. Aludidos valores, quando retornavam, eram oferecidos à tributação pela Recorrente. Entretanto, em dezembro de 2004 as empresas parceiras identificaram equívocos, de janeiro a agosto de 2004, que determinaram a majoração indevida no cálculo, ocasião em que exigiram a devolução do respectivo valor. Aludidas situação determinou, por óbvio, a redução das despesas com juros contabilizada pela Recorrente e, paralelamente, na também da sua contabilidade, a redução da parcela relativa à receita de devolução dos aludidos juros que lhe eram reembolsado mês a mês. (...) Esta circunstância, conforme exposto, levou ao ajuste de receita, com base nos instrumentos contratuais, anexados com a manifestação de inconformidade, os quais justificaram a redução da despesa de juros contabilizada, necessitando ajustar, mês a mês, a receita da Companhia Petrolífera Marlim nos períodos e valores respectivos que foram oferecidos à tributação. A contabilização de tais ajustes está devidamente demonstrada no Livro Razão de 2004 (DOCUMENTO_COMPROBATORIO 003 da Manifestação de Inconformidade). (...) Fl. 197DF CARF MF Processo nº 19395.900740/201311 Acórdão n.º 3301005.656 S3C3T1 Fl. 198 6 Já em relação a divergência entre a DIRF e DIPJ assim se pronuncia o Contribuinte: Superada a questão acima, em relação a divergência apontada no relatório fiscal e no acórdão da DRJ, verificase que a Fiscalização parte de equivocada premissa de que os valores constantes na DIRF tem que corresponder ao valor constante na DIPJ. Contudo aludida premissa não se aplica ao caso concreto, posto que a receita informada na DIPJ corresponde ao valor da receita auferida no ano (pelo princípio da competência), o que pode ser constatado na conta 3.1.01.02.0001 – Participações em Consórcio do razão analítico e o valor informado na DIRF se refere ao valor efetivamente recebido no ano (regime de caixa), conforme se depreende da conta 1.1.02.01.0001 – Valores a receber – PETROBRAS do razão analítico (DOCUMENTO_COMPROBATORIO 03). A fim de exemplificar os dados acima indicados, ofertamos a planilha abaixo: (...) Dito isto fica demonstrada essa pseuda diferença, em que nada interfere no pedido ora em análise, posto que aludida diferença não configura receita a ser levada à tributação, imprestável, portanto, como fundamento para a glosa ora questionada. Na análise do requerido pelo Contribuinte entendo que a este não assiste razão. Neste sentido, por bem expressar o entendimento deste Conselheiro, cito trechos da decisão ora recorrida como razões para decidir: Mérito. A contestação do contribuinte se resume em alegar que o indébito é decorrente de erro de contabilização das despesas de juros que após os ajustes elaborados refletiu na receita de prestação de serviços entre a sucedida (Marlim) e sucessora (Petrobras), abrangendo o período de janeiro a agosto de 2004, nos termos do consórcio modelado entre a Petrobras e a Marlim. Também alega que as divergências dos valores da receita informada na DIPJ em confronto com a receita da DIRF não deve ser comparada, pois tais documentos são elaborados com base em diversas finalidades e diferentes critérios e com apuração pelo regime de competência. Cabe destacar que no decorrer da análise do direito creditório o interessado foi intimado a prestar os esclarecimentos acerca da redução do valor do débito apurado na DCTF relativamente à contribuição em questão, tendo em vista que foi apontado diferenças entre o DACON (receitas de prestação de serviços) e DCTF (contribuição apurada). O interessado também foi intimado para apresentar demonstrativo/planilha de apuração da base de cálculo que resultou no valor total pago do tributo, demonstrando, ainda, quais foram os ajustes efetuados que culminaram na retificação do valor originalmente apurado e os correspondentes motivos de tais alterações, juntando documentação contábil/fiscal que respalde tal procedimento. O interessado apresentou à fiscalização demonstrativos/planilhas e cópia do Livro Razão para comprovar a existência de seu suposto crédito pleiteado. Consta no Relatório Fiscal que o Razão Analítico apresentado para contemplar o lançamento total relativo à diferença da contribuição do mês de janeiro a agosto/2004, não ficou comprovada a razão da redução na receita, apenas explica que houve a necessidade de ajustar os juros a pagar de um empréstimo e que em função disso houve a necessidade de reduzir a receita. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 19395.900740/201311 Acórdão n.º 3301005.656 S3C3T1 Fl. 199 7 Os documentos juntados na manifestação de conformidade, não corroboraram para elucidar a existência do suposto crédito. De igual forma, não foi relatado a motivação do alegado ajuste nos juros a pagar de um empréstimo e também não explica, nem comprova, a razão desses juros terem provocado a redução da receita. Importante frisar que de maneira imprecisa o interessado apenas alega que houve necessidade de ajuste, deixando de informar a base legal para a referida redução/exclusão da receita anteriormente apurada. De igual modo, relativamente a divergência apurada entre o valor da receita de prestação de serviços oferecida à tributação na DIPJ e a informada em DIRF do ano de 2004 pela fonte pagadora declarante desse tipo de receita, constante dos sistemas RFB, o interessado alegou que os valores de receita registrados na escrita contábil dificilmente seriam os mesmos constantes da DIRF, uma vez que na DIPJ seriam informados segundo o regime de competência e os valores da DIRF obedeceriam ao regime de caixa, sendo esse o motivo da diferença. Entretanto não comprovou que a diferença entre os valores da receita foram oferecidos à tributação em anos anteriores. Ficou neste item desprovido de comprovação, pois o interessado não trouxe aos autos os esclarecimentos e os devidos registros contábeis lastreado por documentação que permitam verificar o alegado de forma exata, certa e líquida. Há que se consignar, nos termos do art. 156, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN, que a compensação tributária é uma modalidade de extinção do crédito tributário, mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir, e o Estado tem o dever de restituir determinada quantia ao contribuinte; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir, e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). Nesse sentido, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se o pedido de restituição/compensação, ora em exame, encontrase devidamente instruído, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza dos créditos pleiteados. Portanto, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional, exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, cujo ônus probatório recai sobre o contribuinte interessado. Não ficando demonstrada a liquidez do crédito tributário pleiteado para fins de restituição ou compensação, não há como conceder direitos creditórios, nem homologar a compensação, sob pena de afrontar o art. 170 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: “ Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Nesse sentido, concluise não ter sido comprovada, nos autos, a existência integral do direito creditório, líquido e certo, do interessado contra a Fazenda Pública, passível de restituição ou compensação, nos termos do art. 170 do CTN. Diante do exposto, VOTO para julgar a manifestação de inconformidade como improcedente. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 19395.900740/201311 Acórdão n.º 3301005.656 S3C3T1 Fl. 200 8 Portanto, de acordo com a legislação aplicável e os autos do processo, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 200DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.901876/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO
Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para saná-la.
PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR)
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS
Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-004.606
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 - Embargos de Declaração - planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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OMISSÃO. Embargante SAMARCO MINERAÇÃO S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Ao se constatar a existência de omissão, os embargos devem ser acolhidos para sanála. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril e "aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." (RESP nº 1.221.170/PR) NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. COMBUSTÍVEIS. ÓLEO DIESEL LUBRIFICANTES. GRAXAS Os gastos com combustíveis, óleo diesel, lubrificantes e graxas geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Vencida a conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada), que rejeitava os embargos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 18 76 /2 01 2- 69 Fl. 2469DF CARF MF Processo nº 10680.901876/201269 Acórdão n.º 3201004.606 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Tratamse de tempestivos Embargos de Declaração opostos por Samarco Mineração S/A, em face do Acórdão nº 3201003.332, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 31/01/2018, cuja Ementa abaixo se transcreve: "ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 PRELIMINARES. NULIDADES. INOCORRÊNCIA. PRODUÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA REALIZADA. Não há que se falar em nulidade da autuação pelo ausência de diligência in loco. Os princípios do contraditório, devido processo legal foram respeitados durante o transcurso processual. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma nãocumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Fl. 2470DF CARF MF Processo nº 10680.901876/201269 Acórdão n.º 3201004.606 S3C2T1 Fl. 4 3 Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos concedese, respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003." Alega a Embargante a ocorrência de omissão parcial pela não apreciação, em sua íntegra, quanto ao item da glosa "BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO", aduzindo ser necessária a análise dos demais produtos atingidos além dos combustíveis. A Embargante anexa aos autos as planilhas da fiscalização relativa a este tópico da glosa (doc. 04) onde está assinalada a listagem completa de produtos envolvidos na glosa fiscal, o que comprova que: a) além dos combustíveis, muitos outros produtos foram atingidos neste tópico e; b) o critério adotado pela fiscalização é, em todos os casos, exatamente o mesmo: produto sem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, deve ter seu crédito inadmitido. Defende a Embargante que tais produtos são absolutamente essenciais ao seu processo produtivo e todo o item deve ser excluído. Um dos itens mais evidentes são os lubrificantes, pois seguem os mesmos fundamentos e, portanto, deve seguir o mesmo caminho dos combustíveis. Prossegue, afirmando que tal fato é admitido pela própria Fiscalização (relatório fiscal), mas de forma contraditória, negou o direito ao crédito dos lubrificantes que não entram em contato direto com o produto. Entende a Embargante que merece ser reestabelecido o crédito sobre todos os lubrificantes e graxas que atuam diretamente no processo produtivo, a fim de manter a coerência da decisão embargada. Continua a Embargante, asseverando que a fiscalização glosou óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada” na Unidade de Germano. De novo, no âmbito do ICMS já se reconhece tais créditos há muito, inclusive é o entendimento da Receita Federal do Brasil, consubstanciado por meio das Soluções de Consulta 85/12 e 91/12, emitida pela SRRF da 10ª Região, devendo a decisão embargada reconhecer expressamente o direito ao creditamento. Traz a Embargante, alguns exemplos da planilha anexa, para clamar que a decisão recorrida abarque todos os produtos encartados em referido documento. Que devidamente abordou e comprovou a existência de diversos outros produtos glosados sob o tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS”, os quais infelizmente não podem ser destrinchados itemaitem no recurso, pois tratamse de milhares de produtos glosados. A premissa da fiscalização para o tópico indicado é uma só em quaisquer dos casos a serem analisados: glosar todos os produtos em que não verificado contato direto com o minério sob produção. Requer a Embargante o provimento dos Embargos de Declaração, para sanar a omissão apontada, atribuindo o efeito modificativo necessário, para esclarecer que o mesmo tratamento conferido aos Combustíveis e aos Serviços analisados no acórdão recorrido Fl. 2471DF CARF MF Processo nº 10680.901876/201269 Acórdão n.º 3201004.606 S3C2T1 Fl. 5 4 (afastamento do critério restritivo de IPI e adoção da essencialidade), deverá ser empregado aos demais bens glosados no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”. Os embargos foram devidamente admitidos pelo Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, conforme a seguir: "A meu pensar, a omissão alegada reclama a apreciação da Turma Julgadora, a quem caberá decidir quanto à necessidade de saneamento. Apresentase possível a ocorrência de vício passível de saneamento pelo colegiado, lastreada em argumentação específica e suficiente para a admissibilidade dos Embargos. Convém notar que o presente despacho não determina se efetivamente ocorreram os vícios. Nesse sentido, o exame de admissibilidade não se confunde com a apreciação do mérito dos embargos, que é tarefa a ser empreendida subsequentemente pelo Colegiado. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO os Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo." É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.590, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10680.901861/201209, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.590): Assiste razão ao pleito da Embargante. Realmente, a decisão embargada deixou de apreciar a íntegra dos produtos constantes no tópico “BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS – NÃO AÇÃO DIRETA SOBRE O PRODUTO”, tendo sido induzido ao lapso em razão do contido nas manifestações da Fiscalização e na decisão proferida em 1ª Instância. No caso, deve ser adotado, como defendido pela Embargante, o mesmo critério adotado na decisão embargada para os combustíveis. O anexo juntado pela Embargante, realmente, contém uma infinidade de produtos, sendo praticamente impossível sua análise individualizada. Fl. 2472DF CARF MF Processo nº 10680.901876/201269 Acórdão n.º 3201004.606 S3C2T1 Fl. 6 5 Ao caso chamo atenção aos produtos especificamente mencionados pela Embargante, quais sejam, (i) lubrificantes e graxas e (ii) óleos combustíveis (óleo diesel tipo B) utilizados nos “fora de estrada”. Em relação a tais itens, é pacífica a jurisprudência da CARF. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2009 a 28/03/2009 VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. (...) COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. Os gastos com combustíveis e lubrificantes geram créditos a serem utilizados na apuração do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003. (...)" (Processo nº 11516.724153/201385; Acórdão nº 3301005.016; Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira; sessão de 28/08/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010 CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. A expressão "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" deve ser interpretada como bens e serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação e na prestação de serviços, no sentido de que sejam bens ou serviços inerentes à produção ou fabricação ou à prestação de serviços, independentemente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes." (Processo nº 10768.004787/201041; Acórdão nº 3302 005.927; Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède; sessão de 25/09/2018) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofin Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica Fl. 2473DF CARF MF Processo nº 10680.901876/201269 Acórdão n.º 3201004.606 S3C2T1 Fl. 7 6 desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial nº 1.221.170/PR). (...) NÃO CUMULATIVIDADE. ÓLEO DIESEL, LUBRIFICANTES E GRAXAS UTILIZADOS EM VEÍCULOS E MÁQUINAS NA FASE AGRÍCOLA. PRODUÇÃO DA CANA. DIREITO AO CREDITAMENTO. Dá direito a crédito a aquisição de graxas, lubrificantes e óleo diesel utilizados em maquinários e veículos empregados na fase agrícola da produção do açúcar e álcool." (Processo nº 10880.953116/201361; Acórdão nº 3201004.161; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 28/08/2018) Com relação aos demais produtos elencados no Anexo (doc. 4 Embargos de Declaração) juntado pela Embargante, entendo que lhe assiste razão, devendo a glosa ser revertida. A Fiscalização para glosar os créditos de tais produtos, adotou o critério de que tais itens não possuem contato direto, ainda que essencial ao processo produtivo, ou seja, um conceito restritivo já afastado pela decisão embargada proferida por esse Colegiado. Imperioso esclarecer que por ocasião do recente julgamento do RESP nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo a Corte Superior assim se posicionou sobre a matéria: "TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. Fl. 2474DF CARF MF Processo nº 10680.901876/201269 Acórdão n.º 3201004.606 S3C2T1 Fl. 8 7 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte." (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) No caso, tanto a Fiscalização quanto a decisão recorrida proferida pela DRJ foram, de certo modo, genéricas e não adentraram com minúcias ao caso concreto. Aqui importante trazer as ponderações proferidas pelo Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza no Acórdão nº 3201004.279, in verbis: "Não obstante ausente, nos autos, maiores detalhes sobre o que são as tais "ferramentas operacionais", a razão para o indeferimento, juntamente com o indeferimento dos materiais de manutenção, foi a de que não se enquadrariam no conceito de insumo. A Recorrente, porém, sustenta a sua utilização no processo produtivo, o que o só adjetivo que acompanha o termo "ferramentas" parece, com efeito, indicar. Assim, na falta de maiores detalhes, máxime por parte da fiscalização, entendemos que as ferramentas operacionais e os materiais de manutenção utilizados na mecanização industrial, no tratamento do caldo, na balança de canadeaçúcar e na destilaria de álcool devem ser considerados insumos para o efeito de creditamento do PIS/Cofins." (nosso destaque) Do aludido documento 4 (planilhas da fiscalização) anexado com os Embargos tem se inúmeros itens que, ao meu sentir, são insumos necessários e indispensáveis ao processo produtivo e se adequam ao decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (essencialidade ou relevância). A título ilustrativo transcrevo: Fl. 2475DF CARF MF Processo nº 10680.901876/201269 Acórdão n.º 3201004.606 S3C2T1 Fl. 9 8 Dos embargos declaratórios, reproduzo os itens exemplificativos colacionados pela Embargante: Fl. 2476DF CARF MF Processo nº 10680.901876/201269 Acórdão n.º 3201004.606 S3C2T1 Fl. 10 9 Fl. 2477DF CARF MF Processo nº 10680.901876/201269 Acórdão n.º 3201004.606 S3C2T1 Fl. 11 10 Denotase, então, a plena aderência de tais insumos na complexa atividade produtiva desenvolvida pela Embargante. Diante do exposto, conheço dos Embargos de Declaração interpostos e voto por acolhêlos, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado conheceu e acolheu os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para afastar a glosa em relação aos (i) lubrificantes e graxas; (ii) óleos combustíveis e (iii) aos produtos elencados no Anexo citado pela Embargante (doc. 4 Embargos de Declaração planilhas da Fiscalização). (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2478DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.922245/2012-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO.
Integram o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário as estimativas compensadas.
BASE DE CÁLCULO. LUCROS NO EXTERIOR. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Deve ser afastado o valor do IRPJ devido relativo a lucro no exterior objeto de decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 1302-003.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: CARLOS CESAR CANDAL MOREIRA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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ESTIMATIVAS COMPENSADAS. CÔMPUTO. Integram o saldo negativo de IRPJ do anocalendário as estimativas compensadas. BASE DE CÁLCULO. LUCROS NO EXTERIOR. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Deve ser afastado o valor do IRPJ devido relativo a lucro no exterior objeto de decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 22 45 /2 01 2- 27 Fl. 516DF CARF MF 2 Relatório A Recorrente apresentou Declaração de Compensação em 19/03/20009 fls. 2/10, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$49.618.824,83 do anocalendário de 2006 para extinguir sob condição resolutória débitos de IRRF. Despacho Decisório eletrônico à folha 11 reconheceu a parcela de R$33.744.266,02 de um total de R$111.147.733,92 informado na composição do crédito da DComp, não sendo confirmadas as seguintes parcelas: Considerando o IRPJ devido de R$11.084.077,65, foi reconhecido um direito creditório no valor de R$22.660.188,37, com a homologação parcial da DComp 32373.01331.190309.1.7.020682 e a nãohomologação das DComp 41399.56632.190309.1.7.023414, 18789.49901.190309.1.7.024535, 11086.32940.190309.1.7.021753, 11214.83910.190309.1.7.025192, 28779.94564.190309.1.7.027839, 05932.32251.190309.1.7.026066, 12525.62797.190309.1.7.023084, 10041.35806.190309.1.7.024090, 33228.47157.190309.1.7.022346 e 16314.13703.070809.1.7.020457. A Empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando que as receitas de juros sobre capital próprio foram oferecidas à tributação; requerendo que a suspensão da parcela do saldo negativo relativo às estimativas compensadas, por estarem sendo discutidas em processo administrativo fiscal; e informando que o montante de R$2.413.626,84 do IRPJ devido referese a débito com exigibilidade suspensa por força de depósito em mandado de segurança que indica. Por fim, acosta guias de pagamento de imposto no exterior no montante de R$1.397.364,39, apropriado pelo método de equivalência patrimonial de acordo com o percentual de participação acionária. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10880.922245/201227 Acórdão n.º 1302003.300 S1C3T2 Fl. 425 3 Em acórdão de 14 de outubro de 2016, a DRJ de Ribeirão Preto reconheceu o crédito relativo a estimativa compensada de julho de 2006, no valor de R$143.465,69; reconheceu um crédito adicional de IRRF sobre Juros sobre Capital Próprio (código 5706) no valor de R$69.848.479,98; não acatou, por falta de comprovação, o valor com exigibilidade suspensa; e não acatou o imposto pago no exterior por falta de comprovação. Assim, permaneceram em litígio apenas parte da estimativa compensada, o valor relativo à exigibilidade suspensa e a compensação do imposto pago no exterior. Em recurso voluntário, a repete os argumentos da manifestação da inconformidade em relação a arte que permaneceu em discussão. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator O Contribuinte foi cientificado do acórdão em 22 de novembro de 2016 (fl. 279), tendo apresentado o recurso em 21 de dezembro de 2016, portanto, tempestivamente. A representação é regular, conforme instrumento de folha 292/294. Conheço do recurso voluntário. ESTIMATIVAS COMPENSADAS Meus pares já conhecem a minha posição em relação à utilização no ajuste anual das estimativas compensadas. Assim, resumo meu fundamento à manifestação já apresentado em outros votos: No mérito, estamos tratando de uma sistemática de compensação e cobrança que vinha sendo entabulada normalmente nos procedimentos da RFB: a compensação das estimativas mensais e seu aproveitamento na composição da base negativa independentemente do resultado da DComp, uma vez que a cobrança seria realizada no processo de compensação. Ocorre que a natureza jurídica das estimativas não é de tributo, mas de antecipação deste, o que motivou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) a emitir Pareceres que impediam a inscrição em dívida ativa dos débitos dessa natureza. Assim, todo o sistema que estava acertado deixou de ser saudável, na medida em que quebrouse a possibilidade de cobrança dos valores compensados a título de estimativa. Prevalecendo este entendimento só seria aceitável a utilização das estimativas compensadas na composição da base negativa após a homologação da compensação. Registrese, contudo, que no anocalendário de 2010 a polêmica ainda não tinha sido estabelecida, pois foi com a edição do Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 que a inscrição em dívida ativa dos débitos declarados em DComp relativos às estimativas foi vedada. Naquele ano ainda vigorava o aproveitamento, na formação do saldo negativo de CSLL , das estimativas compensadas, cobráveis que eram no próprio processo de compensação. Fl. 518DF CARF MF 4 Em 2014 foi emitido o Parecer PGFN/CAT nº 88 que assim concluiu sobre a possibilidade de cobrança dos valores de estimativas compensadas: Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Desta forma, a cobrança das estimativas compensadas foi viabilizada no Parecer, já que, nas circunstância nele descritas, os créditos tributário inadimplidos seriam inscritos em dívida ativa. A 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se manifestou a respeito em julgado posterior ao referido Parecer 18, Acórdão 9101002.493 de 23 de novembro de 2016, da relatoria do I. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP.DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Importa salientar que das soluções possíveis, portanto, para as declarações de compensação cujos débitos de estimativa integram o saldo negativo, não há, em nenhuma delas, prejuízo para o Erário, pois: (i) se homologada a compensação o crédito relativo à estimativa é extinto; (ii) se não for homologada a compensação os valores serão cobrados no próprio processo de compensação. Por outro lado, na ótica do contribuinte, o mesmo não ocorre, haja vista que na eventual exclusão da estimativa compensada do saldo negativo ele poderá ser alvo de dupla cobrança: no processo de compensação da estimativa (não homologada) e no processo de compensação do saldo negativo que a incluía. Assim dou provimento ao recurso quanto às estimativas compensadas. IRPJ COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Na DIPJ, no cálculo do lucro real, consta a adição de valor relativo a lucros no exterior que estariam afastados por conta da decisão judicial. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10880.922245/201227 Acórdão n.º 1302003.300 S1C3T2 Fl. 426 5 À folha 474 consta certidão da Justiça Federal em São Paulo, que informa, dentre outras coisas, que: i) às folhas 820/823 decisão no sentido de afastar a incidência do artigo 7º da IN 213/2002; ii) que a decisão transitou em julgado em 04/10/2012; A IN 213/2002 dispõe sobre a tributação de lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior pelas pessoas jurídicas domiciliadas no País e seu artigo 7º assim dispõe: EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Art. 7º A contrapartida do ajuste do valor do investimento no exterior em filial, sucursal, controlada ou coligada, avaliado pelo método da equivalência patrimonial, conforme estabelece a legislação comercial e fiscal brasileira, deverá ser registrada para apuração do lucro contábil da pessoa jurídica no Brasil. § 1º Os valores relativos ao resultado positivo da equivalência patrimonial, não tributados no transcorrer do anocalendário, deverão ser considerados no balanço levantado em 31 de dezembro do anocalendário para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. § 2º Os resultados negativos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial deverão ser adicionados para fins de determinação do lucro real trimestral ou anual e da base de cálculo da CSLL, inclusive no levantamento dos balanços de suspensão e/ou redução do imposto de renda e da CSLL. § 3º Observado o disposto no § 1º deste artigo, a pessoa jurídica: I que estiver no regime de apuração trimestral, poderá excluir o valor correspondente ao resultado positivo da equivalência patrimonial no 1º, 2º e 3º trimestres para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL; II que optar pelo regime de tributação anual não deverá considerar o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL apurados sobre a base de cálculo estimada; III optante pelo regime de tributação anual que levantar balanço e/ou balancete de suspensão e/ou redução poderá excluir o resultado positivo da equivalência patrimonial para fins de determinação do imposto de renda e da CSLL. Ora, se a Empresa obteve êxito em MS que afasta a tributação pelo IRPJ dos lucros auferidos no exterior, o valor correspondente deve ser considerado indevido, sob pena de desobediência ao judiciário. A conclusão apresentada no Parecer juntado não traz muita novidade: a apuração de saldo negativo é feita na relação entre o valor devido (que não inclui os valores cuja exigibilidade está suspensa, que, por óbvio, não são devidos) e o valor pago, compensado, recolhido, relativo ao tributo. Entendo que o valor com exigibilidade suspensa deveria ser tratado lateralmente, sem computar o lucro no exterior na base de cálculo, pois a Empresa faria o Fl. 520DF CARF MF 6 depósito judicial e da discussão resultaria a conversão do depósito em renda ou o levantamento do depósito. Todavia, ao que se vê, o valor apurado em DIPJ parte de valor tributável que inclui o lucro auferido no exterior, do que se conclui que o valor devido de IRPJ é composto por parcela indevida e que foi afastada por decisão judicial já transitada em julgado. Não se trata de suspensão de exigibilidade, mas de cancelamento de cobrança indevida. Assim, tem razão a Recorrente quando pleiteia o reconhecimento de um valor devido de R$8.670.450,81 e não o apontado no DD, constante da DIPJ, de R$ 11.084.077,65. Assim, dou provimento ao recurso voluntário quanto à parcela com exigibilidade suspensa decorrente do afastamento do artigo 7º da IN 2013/2002, no valor de R$2.340.232,54, não reconhecendo por falta de comprovação, o valor de R$73.394,30 relativo a processo cujas peças não foram acostadas aos autos. Com relação ao imposto pago no exterior, a Recorrente informa que o valor foi glosado em ação fiscal de 2011, resultando em lavratura de auto de infração, cujo processo está distribuído para julgamento na DRJ de Ribeirão Preto. Contudo, entendo que não há como se considerar o valor do imposto pago no exterior para fins de compensação, pois ou bem se reconhece como devido o IRPJ sobre lucro no exterior e o direito à compensação do imposto pago/retido no exterior; ou se reconhece como indevido o pagamento do IRPJ sobre lucros no exterior em obediência a decisão judicial, sem compensar o retido no exterior, uma vez que uma das condições para a compensação é exatamente o oferecimento à tributação do valor correspondente. Feitas essas considerações, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, reconhecendo o direito creditório relativo às estimativas compensadas no valor de R$7.411.869,10 e ao IRPJ sobre lucros no exterior, no valor de R$2.340.232,54, que deverão ser somados aos valores já reconhecidos no Despacho Decisório e no Acórdão da DRJ, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Relator Fl. 521DF CARF MF
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