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Numero do processo: 37220.004196/2002-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2403-000.145
Decisão: Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em
diligência. Devido à inocorrência do julgamento de primeira instância (DRJ), determinar o retorno dos autos à repartição de origem para ciência e reabertura de prazo para manifestação da recorrente, após o que efetuar o julgamento em primeira instância.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 37220.004196/200205 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2403000.145 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 12 de março de 2013 Assunto FALTOU JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA (DRJ) Recorrente CONSORCIO SE ANGRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Decisão: Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Devido à inocorrência do julgamento de primeira instância (DRJ), determinar o retorno dos autos à repartição de origem para ciência e reabertura de prazo para manifestação da recorrente, após o que efetuar o julgamento em primeira instância. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37220.004196/200205 Resolução nº 2403000.145 S2C4T3 Fl. 2 2 RELATÓRIO: Tratase de pedido de restituição de contribuições previdenciárias referente à retenção de 11 % sobre o valor bruto das Notas Fiscais de Serviço emitidas na competência 08/2002 referente à obra de matrícula CEI 35.390.00105/77. Às folhas 166 a 171 consta Despacho Decisório da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM VOLTA REDONDA SEÇÃO DE ORIENTAÇÃO E ANÁLISE TRIBUTÁRIA SAORT que indeferiu pedido de restituição e orientou o contribuinte a recorrer ao CARF. DECISÃO 20. Visto que o consórcio constituído nos termos dos arts. 278 e 279 da Lei n ° 6.404/1976, não é dotado de personalidade jurídica própria e, por não ter aptidão para ser titular de direitos ou contrair obrigações, não possui capacidade tributária passiva, não estando, portanto, legitimado a pleitear restituição dos valores retidos pela contratante durante a execução do empreendimento. Desse modo, são as empresas consorciadas aquelas que devem, de forma individualizada e dentro da jurisdição de seu domicílio tributário, pleitear a restituição do saldo remanescente da retenção havida, na proporção de sua participação do empreendimento, sujeitandose o pagamento do valor porventura deferido a cada uma delas, necessariamente, à inexistência das situações impeditivas, elencadas no art. 216 da Instrução Normativa SRP n ° 03, de 14/07/2005. 21. Ademais, há de registrar que questões ligadas à procedência do pedido de restituição, aos documentos necessários ao reconhecimento do crédito e à capacidade probante das faturas de prestação de serviço e dos demais documentos apresentadas em nome do consórcio, não foram, neste ato, analisadas e decididas, visto que a situação jurídica do requerente já impõe, por si só, o indeferimento do pedido. 22. Por tudo exposto, proponho, baseado no previsto no art. 53 da Lei n ° 9.784, de 29/01/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, a revisão, de ofício, do Despacho de fis. 132, que deixou de observar que o postulante não possui legitimidade para pleitear direito creditório, e, de sobra, proponho o indeferira do pedido de restituição, em face das razões apontadas no presente despacho. ... Conforme proposto no presente despacho, resolvo: a) Rever, de oficio, a decisão proferida, na data de 23/08/2006 (fls. 132), pelo Chefe da Unidade de Atendimento da Receita Previdenciária em Angra dos Reis, que deferiu o presente pedido de restituição e, em contrapartida, indeferir o mesmo pedido, de acordo Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 37220.004196/200205 Resolução nº 2403000.145 S2C4T3 Fl. 3 3 com os fatos e fundamentos expostos, conforme delegação de competência efetivada pela Portaria DRFVRA n ° 75, de 29/06/2007; b) Determinar que seja dada ciência do presente despacho ao requerente, abrindolhe prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência, para apresentação de recurso voluntário, a ser dirigido ao 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, na forma do art. 305, § l o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto ri 3.048/1999, combinado com o art. 29 da Lei ri 11.457, de 16/03/2007, caso ele não concorde com a decisão; c) Encaminhar o processo à ARF em Angra dos Reis, para a finalidade exposta acima. O contribuinte recorreu ao CARF. VOTO: Após decisão da DRF o contribuinte recorreu ao CARF. O Decreto 70.235/72 prevê julgamento de primeira instância pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ). O julgamento pela DRJ não ocorreu. Esse vício deve ser sanado. CONCLUSÃO Devido à inocorrência do julgamento de primeira instância (DRJ), determino o retorno dos autos à repartição de origem para ciência e reabertura de prazo para manifestação da recorrente, após o que efetuar o julgamento em primeira instância. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003610/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DOS TITULARES.
No caso de conta bancária conjunta, é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários, salvo se estes apresentarem declaração em conjunto, sob pena de nulidade do feito fiscal em relação aos depósitos efetuados na referida conta. (Súmula CARF no 29, em vigor desde 22/12/2009)
Numero da decisão: 2202-002.300
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos interpostos pelo contribuinte para, rerratificando o acórdão no 2202-01489, de 29/11/2009, sanar a omissão, mantendo todavia a decisão do acórdão embargado.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DOS TITULARES. No caso de conta bancária conjunta, é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários, salvo se estes apresentarem declaração em conjunto, sob pena de nulidade do feito fiscal em relação aos depósitos efetuados na referida conta. (Súmula CARF no 29, em vigor desde 22/12/2009)
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos interpostos pelo contribuinte para, rerratificando o acórdão no 2202-01489, de 29/11/2009, sanar a omissão, mantendo todavia a decisão do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
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OMISSÃO. Acolhemse os embargos declaratórios quando demonstrado que no acórdão vergastado houve omissão de ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado, procedendose o devido saneamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO PRÉVIA DOS TITULARES. No caso de conta bancária conjunta, é indispensável a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários, salvo se estes apresentarem declaração em conjunto, sob pena de nulidade do feito fiscal em relação aos depósitos efetuados na referida conta. (Súmula CARF no 29, em vigor desde 22/12/2009) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos interpostos pelo contribuinte para, rerratificando o acórdão no 220201489, de 29/11/2009, sanar a omissão, mantendo todavia a decisão do acórdão embargado. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 36 10 /2 00 7- 78 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 650 2 Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Fábio Brun Goldschmidt, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 651 3 Relatório Em sessão plenária de 29/11/2011, o processo em epígrafe foi julgado por esta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão no 220201.489 (fls. 564 a 582), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sendo dispensável comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários (Súmula CARF no 26, em vigor desde 22/12/2009). Fl. 651DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 652 4 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. A omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada compõe a base de cálculo do imposto de renda apurado no ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em dia 31 de dezembro do anocalendário. Entendimento pacificado pela Súmula CARF no 38 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em vigor desde 22/12/2009. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS O contencioso administrativo destinase, tão somente, a apreciar o litígio conformado pela discordância do contribuinte quanto a lançamento contra ele formalizado, não tendo competência para se manifestar sobre questões externas ao crédito constituído, tal como questões que versem sobre a representação fiscal para fins penais. Questão consolidada no âmbito deste Tribunal Administrativo por meio da Súmula CARF no 28, em vigor desde 22/12/2009. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar suscitada pelo Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. DOS EMBARGOS Intimado do referido Acórdão, em 30/07/2012 (vide AR de fl. 587), o contribuinte, com fundamento no art. 65, §1o, inciso II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010), opôs, em 02/08/2012, os Embargos de Declaração de fls. 588 a 600. Em síntese, o embargante alega que o acórdão guerreado foi omisso no que tange à necessidade de intimação de todos os cotitulares da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, nos exatos termos da Súmula CARF no 29. Requer, assim, que seja suprida a deficiência apontada com novo julgamento e prolatação de novo acórdão. DA DISTRIBUIÇÃO Consoante disposto no §7o do art. 49 do RICARF, os presentes autos foram distribuídos para esta Conselheira para manifestação, vindo digitalizados até à fl. 6441. 1 Processo digital. Numeração do eprocesso. O processo físico foi numerado até a fl. 644 (fl. 644 da digitalização). Fl. 652DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 653 5 Por meio da Informação em Embargos, anexada às fls. 645 a 647, foi proposto o acolhimento dos embargos para que o processo fosse novamente submetido à apreciação dos membros desta Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF, o que foi acatado por seu presidente, que determinou sua inclusão em pauta para julgamento (fl. 648). Fl. 653DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 654 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. Primeiramente, constatase a tempestividade do apelo, eis que apresentado dentro do prazo regimental de cinco dias, uma vez que o contribuinte foi intimado da decisão de segunda instância, em 30/07/2012 (vide AR de fl. 587), apresentando os embargos em 02/08/2012. 1 Apreciação dos embargos De acordo com os embargos opostos, teria havido omissão, pois o conselheiro relator não teria se pronunciado quanto à necessidade de intimação de todos os co titulares da conta bancária a comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, nos exatos termos da Súmula CARF no 29. Compulsandose os elementos que compõem os autos, verificase que no Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte (fls. 365 a 417) não há qualquer referência a existência de contas conjuntas, razão pela qual na decisão embargada (fls. 564 a 582) não foi mencionado no relatório e, muito menos, apreciado no voto condutor a questão relacionada à necessidade de intimação de todos os cotitulares das contas objeto da autuação fiscal. Observase, contudo, que tal questionamento somente foi levantado pelo recorrente na petição de fls. 496 a 521, acompanhada do documento de fl. 522, que, embora tenha sido entregue no Protocolo Geral do CARF em 02/06/2011, antes do julgamento de segunda instância (29/11/2011), só foi incluída no eprocesso em 03/09/2012 (vide data da autenticação dos documentos), ou seja, depois de prolatada a decisão ora embargada. Importa salientar que consta expressamente consignado no relatório do acórdão vergastado que o processo distribuído a relatora veio numerado até a fl. 495 (fl. 570) e que “Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital.” (vide nota de rodapé à fl. 570). Evidenciada assim a omissão em relação à necessidade de intimação de todos os cotitulares das contas objeto da autuação fiscal (vide fls. 496 a 521) e ao documento anexado à fl. 522, acolhemse os presentes embargos, para sanar o vício apontado pelo embargante, com fulcro no art. 65 do RICARF. 2 Contas conjuntas Tratase de lançamento de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, em que o contribuinte argúi a nulidade do lançamento, alegando que sua esposa, cotitular das contas fiscalizadas, não foi intimada a se manifestar em relação à movimentação financeira das mesmas, assim se manifestando à fl. 499: Fl. 654DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 655 7 Tratase de Auto de Infração lavrado contra o recorrente, datado de 26/11/2007 para exigir crédito tributário de IRPF, no valor de R$ 2.672.574,54, tendo como suporte legal, dentre outras imputações, a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, apurados de conformidade com os créditos lançados em contas correntes bancárias junto ao Banco Itaú S/A, HSBC Bank Brasil S/A e Banco Citibank S/A, dos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005. Em que pese o recorrente ter fornecido inúmeras cópias de cheques e extratos bancários para atender aos termos das intimações, que continham indicação expressa quanto a titularidade conjunta da conta corrente 456704 , do Banco hail S/A, que foi objeto de investigação fiscal, a agente fiscal, quando da autuação, imputou exclusivamente ao recorrente, a totalidade dos valores dos rendimentos e das receitas, deixando de observar que a referida conta corrente de n° 456704 , do Banco Itaú S/A, era de titularidade conjunta entre o recorrente e sua esposa (há época dos fatos) Patrícia de Toledo Ribeiro, inscrita no CPF/MF n° 287.691.29886 (doc. 01), cujas declarações de rendimentos ou de informação dos titulares eram apresentadas em separado, nos exatos termos do artigo 42, § 6°, da Lei 9430/96, conforme comprovado através das declarações de ajuste anual dos anoscalendários de 2002, 2003, 2004 e 2005 do recorrente e de sua esposa Patrícia de Toledo Ribeiro, que são de fácil verificação, junto ao sistema da Receita Federal do Brasil. De se analisar a questão. No caso, importa observar o disposto no caput do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, combinado com o §6o do mesmo artigo, que assim dispõem: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (grifos nosso) De acordo com o dispositivo acima transcrito, para que a presunção de omissão de rendimentos se aperfeiçoe é necessário que o titular seja previamente intimado a Fl. 655DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 656 8 comprovar a origem dos depósitos. Ou seja, cabe ao fisco identificar os depósitos bancários de origem não comprovada e intimar o contribuinte a sobre eles se manifestar com o fim de cumprir o encargo que a presunção do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996 lhe transfere. Assim, diferentemente de outras infrações, a presunção de omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada tem como requisito fundamental a intimação prévia do titular da conta, sem a qual ela não se conforma. No caso de contas conjuntas, em que os titulares apresentem declaração em separado, não basta intimar apenas um deles; todos os cotitulares devem ser intimados a comprovar a origem dos créditos que ingressaram na conta bancária, sob pena de nulidade do lançamento, visto que a omissão apurada será partilhada entre eles. Ao se intimar apenas um dos titulares e efetuar o lançamento sobre todos os cotitulares está se presumindo que os demais não comprovariam nenhum depósito, para o que não se tem amparo legal. Cabe lembrar que a eventual comprovação por um dos titulares reflete diretamente no valor a ser imputado aos outros e, portanto, sem a prévia e regular intimação a todos os titulares da conta bancária, não se pode quantificar, com certeza, a parcela devida a cada um. Esse entendimento já se encontra pacificado no âmbito deste Tribunal pela Súmula CAR no 29, de aplicação obrigatória desde 22/12/2009: Súmula CARF no 29: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Não obstante a redação da súmula acima transcrita tenha sido omissa quanto ao contexto de sua aplicação, pelas ementas dos acórdãos2 paradigmas que lhe deram origem, a seguir reproduzidas (grifos nossos), inferese claramente que a intimação dos cotitulares é necessária apenas no caso de apresentação de declaração em separado. Acórdão nº 10617009, de 06/08/2008: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA. Nos termos do artigo 42, caput e seu § 6°, da Lei n° 9.430/96, é necessária a intimação do titular (se a conta for individual) ou dos titulares das contas de depósito ou de investimento (se a conta for conjunta) para que comprovem a origem dos depósitos bancários identificados. Feito isso e na hipótese de as declarações de rendimentos terem sido apresentadas em separado, é que o valor dos rendimentos omitidos será dividido pelo número de cotitulares da conta bancária. A ausência de intimação de um dos cotitulares da conta conjunta toma insubsistente o lançamento com relação aos depósitos bancários sem origem comprovada identificados junto a ela. 2 Informação extraída no sitio do CARF em 30/04/2013. (http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/Sumulas/listarSumulas.jsf) Fl. 656DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 657 9 Acórdão nº 10248460, de 26/04/2007: OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta em que os titulares não sejam dependentes entre si e apresentam em separado a declaração do imposto de renda, é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de oficio, os valores como sendo rendimentos exclusivos de um dos correntistas. Ao atribuir a integralidade dos depósitos a um único correntista, sem que o outro tenha sido intimado, o auto de infração adotou base de cálculo diferente daquela estabelecida pela regramatriz do § 6°, do artigo 42, da Lei n°. 9.430, de 1996, razão pela qual, neste ponto, deve ser cancelado. Acórdão nº 10248163, de 26/01/2007: CONTA CONJUNTA Em se tratando de conta conjunta, é necessário intimar todos os cotitulares da conta para que informem sobre a origem dos recursos. A divisão do total de rendimentos ou receitas pela quantidade de cotitulares somente é cabível, quando, intimados os titulares da conta não se obtenha êxito quanto à prova da titularidade dos recursos. Não pode a fiscalização, sem a intimação do cotitular da conta, cuja declaração de rendimentos tenha sido apresentada em separado, presumir que a metade das receitas pertence a um dos correntistas e o saldo remanescente ao outro contribuinte. (inteligência art. 42, § 6°, da Lei n°9.430, de 1996). Acórdão nº 10422117, de 07/12/2006: IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de oficio, os valores como sendo renda exclusiva de um dos correntistas. Acórdão nº 10422049, de 09/11/2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA A partir da vigência da Medida Provisória n°. 66, de 2002, nos casos de conta corrente bancária com mais de um titular, os depósitos bancários de origem não comprovada deverão, necessariamente, ser imputados em proporções iguais entre os titulares, salvo quando estes apresentarem declaração em conjunto. É indispensável, para tanto, a regular e prévia intimação de todos os titulares para comprovar a origem dos depósitos bancários (jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes). Fl. 657DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 19515.003610/200778 Acórdão n.º 2202002.300 S2C2T2 Fl. 658 10 Voltando ao caso em concreto, verificase que foram tributadas, nos anos calendário 2002 a 2005, três contas em nome do contribuinte: conta no 456704 do Banco Itaú S/A, conta no 0443707 do HSBC Bank Brasil S/A e conta no 32080280 do Citibank S/A (vide planilhas de fls. 216 a 243). Em sede de recurso, o contribuinte juntou declaração fornecida pelo Banco Itaú, segundo a qual a conta no 456704, junto a agência Vila Maria/São Paulo é conjunta com a Sra. Patrícia de Toledo Ribeiro, desde 1989 (fl. 522). Examinandose os extratos por ele fornecidos (fls. 30 a 60), não havia nada que indicasse que a conta era conjunta. Contudo, não obstante o recorrente alegue que ele e sua esposa, Sra. Patrícia de Toledo Ribeiro, teriam apresentado declaração em separado, verdade é que pelas cópias das declarações anexadas pela fiscalização às fls. 6 a 22, a referida senhora consta como sua dependente nos anoscalendário 2002, 2003, 2004 e 2005 (vide relação de dependentes às fls. 8, 12, 15 e 20). Assim, apesar de ter sido tributada uma conta conjunta, uma vez que os co titulares apresentaram declaração em conjunto, não se aplica a Súmula no 29 do CARF. Destarte, não há reparos a fazer no lançamento efetuado. 3 Conclusão Diante do exposto, voto por ACOLHER os embargos opostos pelo contribuinte para reratificar o Acórdão no 220201.489, de 29/11/2009, sanando a omissão apontada, manter a decisão original proferida. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 658DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/06/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 10/06/2013 por MA RIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Numero do processo: 13896.004120/2002-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS.
A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62-A do RI-CARF - REsp 993164)
CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO.
O valor das aquisições de insumos cujo pagamento não foi devidamente comprovado, com base em documentação hábil e idônea, não integra a base de cálculo do benefício.
CRÉDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na modalidade original da Lei nº 9.363, de 1996, os gastos com combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19)
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-002.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir o valor das aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente(s), temporariamente, o(s) conselheiro(s) Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62-A do RI-CARF - REsp 993164) CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. O valor das aquisições de insumos cujo pagamento não foi devidamente comprovado, com base em documentação hábil e idônea, não integra a base de cálculo do benefício. CRÉDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na modalidade original da Lei nº 9.363, de 1996, os gastos com combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19) Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2107; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1.567 1 1.566 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.004120/200261 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.314 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de junho de 2013 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO PEDIDO DE RESSARCIMENTO SALDO CREDOR TRIMESTRAL DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente QUATRO MARCOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo sem condicionantes. (Art. 62A do RI CARF REsp 993164) CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO. O valor das aquisições de insumos cujo pagamento não foi devidamente comprovado, com base em documentação hábil e idônea, não integra a base de cálculo do benefício. CRÉDITO PRESUMIDO. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. Não integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI, na modalidade original da Lei nº 9.363, de 1996, os gastos com combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. (Súmula CARF nº 19) Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de o contribuinte incluir o valor das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 41 20 /2 00 2- 61 Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 2 aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente(s), temporariamente, o(s) conselheiro(s) Domingos de Sá Filho. Relatório O estabelecimento matriz de Quatro Marcos Ltda. requereu o ressarcimento do saldo credor do Crédito Presumido de IPI – CPIPI, instituído pela Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e regulamentado pela Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, relativo ao 1o trimestre do ano de 2001, no montante de R$ 583.333,52 a ser aproveitado em compensações declaradas. A DRF/OSASP emitiu, em 25/10/2007, o despacho decisório de fls. 1.518, que, apoiado no Parecer SEORT/DRF/OSA nº 997/2007, fls. 1.516 e 1.517, indeferiu totalmente o pedido. A Fiscalização procedeu aos seguintes ajustes: a) glosa de R$ 266.476,20 do valor do pedido, por serem decorrentes de entradas de produtos adquiridos a pessoas físicas (produtores rurais), não contribuintes do PIS e da Cofins, nos termos da legislação; de gastos relativos à energia elétrica e combustíveis e de custos relacionados a compras junto a pessoas jurídicas para os quais não houve a efetiva comprovação documental dos pagamentos, e; b) glosa de R$ 316.857,32 referente à não aceitação de comprovantes de pagamentos em face de existência de fornecedores que não comprovaram as operações realizadas, por serem inaptas e/ou não localizadas em seus endereços cadastrais. Sobreveio reclamação, fls. 1.483 a 1.500, por meio da qual o requerente, em preliminar, requer o sobrestamento do feito até que seja julgado o auto de infração objeto do processo 19515.001985/200612, referente à glosa de custos. Nada obstante, adentra o mérito da glosa efetivada pelo Fisco, reproduzindo as razões de defesas opostas ao lançamento. Aduz que apresentou, nos autos do processo fiscal de lançamento, cópias dos demais documentos comprobatórios de pagamentos que a Fiscalização disse não terem sido entregues. Rechaça a glosa das aquisições de insumos a pessoas físicas, argumentando que as restrições impostas pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, já se encontram superadas pela jurisprudência do STJ e da CSRF. Quanto aos gastos com energia elétrica e combustíveis, entende inexistir fundamento jurídico para a glosa. Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.568 3 Solicitou perícia a fim de certificar (a) a correta contabilização dos documentos apresentados ao Fisco; (b) que todos os insumos adquiridos eram necessários à realização da receita auferida pela empresa; (c) que os insumos foram efetivamente utilizados na industrialização dos produtos vendidos e (d) que as aquisições foram efetivamente pagas diretamente aos credores ou a terceiros por eles autorizados. A 8ª Turma da DRJ/RPO julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 1434.214, de 14 de junho de 2011, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. PESSOA FÍSICA. Os valores referentes às aquisições de insumos de pessoas físicas, nãocontribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não integram o cálculo do crédito presumido do IPI. CUSTOS. PAGAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA. Devem ser glosados os custos cujos pagamentos não são comprovados com documentos hábeis e idôneos por contribuinte optante pelo lucro real regularmente intimado. Consideramse comprovados como custos dedutíveis na apuração do lucro real aqueles cujos pagamentos foram feitos aos fornecedores das mercadorias constantes nas notas fiscais de entrada e em data e valor coincidentes. PERÍCIA PRESCINDÍVEL. DESCABIMENTO. Perícia e diligência prescindíveis na apreciação da lide devem ser indeferidas pelo órgão julgador de primeira instância administrativa. FATOS E ATOS. REGISTRO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar, com documentos hábeis e idôneos, os fatos e atos registrados em sua contabilidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 8ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 1.556 a 1.558, após síntese dos fatos relacionados com a lide, em preliminar, argúi a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento de defesa, consistente no indeferimento da realização da competente prova pericial, julgada prescindível. No mérito, entende ter demonstrado que todas as aquisições de insumos relativas às notas fiscais glosadas foram efetivamente contabilizadas e regularmente registradas nos livros próprios, sem qualquer mácula. Em síntese, estando todas as operações materializadas na escrita fiscocontábil da recorrente, não poderia o órgão julgador, Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 4 simplesmente, afastálas, sem ao menos apontar eventual mácula. Lembra que a contabilização sem vício faz prova a favor do contribuinte. Repete que a informação do Fisco não contrariou a veracidade das aquisições, nem das notas fiscais. Considerando que toda a documentação fiscal se apresentou regular, deve ela fazer prova em favor (e não contra) o contribuinte. Tratandose de atividade frigorífica, argumenta que não se poderia, de plano, aceitar a glosa relativa à aquisição de gado, carnes, couros e respectivos insumos, todos envolvidos no processo produtivo e contabilmente demonstrados, e, estando comprovadas a efetividade e regularidade das respectivas operações, a glosa só se sustenta com base em meras e desautorizadas presunções. Não demonstrando que os custos não ocorreram; que as matérias primas não se incorporaram no processo produtivo, temse, então, que a glosa é manifestamente indevida. No que diz respeito à prova do pagamento das respectivas aquisições, é de concluirse que a recorrente agiu nos estritos limites da lei civil em vigor, como, aliás, ficou exaustivamente provado ao tempo da manifestação de inconformidade, inclusive através de documentos públicos, cuja recusa da fé é constitucionalmente vedada. Retoma as alegações referentes às glosas das aquisições de insumos a pessoas físicas e dos gastos com energia elétrica e combustíveis. Conclui, requerendo a reforma da decisão recorrida, para o fim de afastar o indeferimento tanto no que se refere à glosa das aquisições efetuadas a pessoas físicas e jurídicas, bem assim com relação aos custos de energia e combustíveis O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.556 a 1.558 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO8ª Turma nº 1434.214, de 14 de junho de 2011. Esta Turma Recursal já teve oportunidade de apreciar feito idêntico ao presente, referente ao 2º trimestre de 2001, em que se discutiam os mesmos ajustes, decidindo negar provimento ao recurso, nos termos do Acórdão nº 340300.600, de 27 de outubro de 2010. A propósito, por compartilhar integralmente do seu entendimento, transcrevo na íntegra o voto do Conselheiro Winderley Morais Pereira, que cumprimento pela clareza e concisão. Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A análise das glosas por falta de comprovação dos pagamentos das aquisições de pessoas jurídicas, merece uma abordagem objetiva em relação às provas constantes dos autos. O trabalho da fiscalização foi exaustivo e trouxe provas claras Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.569 5 que demonstram a falta de comprovação de diversas aquisições de insumos, constantes da base de cálculo do crédito presumido. A Recorrente argumenta em seu socorro a possibilidade da quitação das aquisições de seus fornecedores de diversas formas, previstas no código civil. A legislação não determina a forma do pagamento dos insumos para fruição dos créditos, tampouco veda qualquer tipo de operação de pagamento. Neste aspecto, apesar da operação normal ser o pagamento direto ao fornecedor, nada obsta a existência de modalidade diversa de quitação das obrigações com as empresas fornecedoras. Entretanto, não é este o ponto aqui a ser analisado. O fundamento para a glosa das aquisições das pessoas jurídicas, constantes do despacho decisório de não homologação é a ausência total de qualquer prova, por qualquer meio, do pagamento das aquisições de insumos objeto de glosa. É condição sine qua non para cálculo do crédito presumido, a comprovação dos pagamentos dos insumos adquiridos, com o respectivo desembolso financeiro. Não existindo a comprovação do desembolso financeiro, não pode ser aceita as aquisições apresentadas para fruição do crédito. Neste diapasão caminhou a fiscalização, antes de concluir pela efetiva glosa das aquisições de pessoas jurídicas, intimando e reintimando a Recorrente a comprovar os pagamentos realizados aos seus maiores fornecedores. Entretanto, não foi apresentado documento contábil ou fiscal que comprovasse a quitação das aquisições destes fornecedores. Não logrando êxito nas intimações feitas a Recorrente, a fiscalização, de forma diligente, intimou os maiores fornecedores de insumos, a apresentar a comprovação das vendas realizadas a Recorrente, que justificariam os créditos objeto do pedido de ressarcimento. Após a análise dos relatórios dos fornecedores, apresentados em resposta as intimações, concluiu a fiscalização, estarem comprovadas parcialmente as aquisições realizadas pela Recorrente. A planilha apresentada às fls. 824 demonstra o trabalho realizado na auditoria e as operações não confirmadas pelos fornecedores. Considerando a comprovação parcial das aquisições, a unidade preparadora refez os cálculos do pedido de ressarcimento, chegando à conclusão da improcedência total dos créditos alegados. A empresa em sede de impugnação não questionou em nenhum momento os valores levantados pela fiscalização junto aos fornecedores, limitouse a argumentar que o direito civil lhe permite diversas modalidades de quitação de dívidas. Realmente, não há que se discutir que diversas possibilidades existem para comprovação de pagamentos. Entretanto, no caso em tela, não foi apresentado nenhuma prova da quitação das aquisições junto aos fornecedores. Portanto, inexistindo a comprovação do pagamento, entendo estar correta a posição adotada no despacho decisório combatido. Quanto ao questionamento em relação às glosas das aquisições de pessoas físicas. Também nesta matéria não assiste razão a Recorrente. A premissa utilizada no despacho decisório considerou que as aquisições de matériasprimas Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 6 adquiridas de não contribuintes, não podem ser utilizadas para cálculo dos créditos presumidos do IPI. Para analisar melhor a questão transcrevo o artigo 1º da Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996. “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.” O artigo 1º da Lei 9.363/96 determina que o crédito presumido do IPI tem o condão de ressarcir as empresas produtoras e exportadoras, do PIS e da Cofins incidente sobre as aquisições no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. Apesar de tratarmos de ressarcimento do IPI, a norma visa restituir os valores pagos de PIS e Cofins, nos insumos utilizados pelas empresas exportadoras. Para que tenha plena eficácia é necessário entender o objetivo finalístico da norma. No caso em tela, seria restituir os valores de PIS e Cofins. Para atingir tal fim, o legislador entre diversos caminhos, escolheu aplicar um percentual sobre as aquisições dos insumos a serem utilizadas na produção. No corpo da própria lei do crédito presumido, consta a obrigatoriedade de se aplicar as normas de regência do PIS e da Cofins para a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Conforme pode ser visto no art 3º, da Lei nº 9.363/95, transcrito abaixo. “Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador” Portanto, ao tratarmos dos procedimentos para apuração do crédito presumido é necessário que se obedeça as normas de regência do PIS e da Cofins. No caso em tela que paira dúvida sobre a possibilidade ou não da utilização destas aquisições de pessoas físicas, basta, para o deslinde da questão, buscar a posição da norma relativa ao PIS e a Cofins. Neste caso, a determinação legal é que o PIS e a Cofins são devidos pelas pessoas jurídicas não atingindo as pessoas físicas, portanto, não sendo contribuinte do PIS e da Cofins, tal tributo não e recolhido pelas pessoas físicas. Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.570 7 Seguindo o raciocínio, a idéia finalistica da norma é restituir o PIS e a Cofins sobre as aquisições de insumo. Se não existe o PIS e a Cofins nos insumos adquiridos, não se pode restituir o que não existe. Aquelas aquisições onde o PIS e a Cofins não se faz presente, não podem ser objeto de pedido de ressarcimento. Se assim fosse, o estado estaria devolvendo valores que não foram recolhidos aos cofres públicos e, portanto não estaríamos diante de uma restituição e sim de um repasse de valores, afrontando sobremaneira a Lei nº 9.363/96 onde o crédito presumido do IPI, tratase de uma restituição, ou seja, devolução do PIS e da COFINS. As aquisições de pessoas físicas, objeto da lide deste processo, não figuram no pólo passivo da obrigação tributária de pagamento do PIS e da COFINS. Portanto, as aquisições feitas destas pessoas não podem ser utilizadas para cálculo do crédito presumido do IPI. Finalmente, quanto a alegação que as aquisições de energia elétrica e combustíveis estariam incluídos na base de cálculo do crédito presumido de IPI é necessário analisar as exigências legais para utilização de insumos no crédito presumido. Inicialmente, procederemos a verificação das determinações do parágrafo único, do artigo 3º, da Lei nº 9.363/96. “Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem.” O texto legal determina que o conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem a ser utilizado na sistemática do crédito presumido do IPI, deverá seguir a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados. A legislação do IPI trata diretamente do conceito de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem no seu Regulamento, matéria já consolidada e de conhecimento geral, portanto, para a análise que se faz presente, utilizaremos os conceitos previstos na legislação do IPI, conforme definido no Regulamento, aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002. O artigo 164, do citado regulamento, apresenta as situações que possibilitam a utilização de crédito para cálculo do imposto. “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; II do imposto relativo a MP, PI e ME , quando remetidos a terceiros para industrialização sob encomenda, sem transitar pelo estabelecimento adquirente; Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 8 III do imposto relativo a MP, PI e ME , recebidos de terceiros para industrialização de produtos por encomenda, quando estiver destacado ou indicado na nota fiscal; IV do imposto destacado em nota fiscal relativa a produtos industrializados por encomenda, recebidos do estabelecimento que os industrializou, em operação que dê direito ao crédito; V do imposto pago no desembaraço aduaneiro; VI do imposto mencionado na nota fiscal que acompanhar produtos de procedência estrangeira, diretamente da repartição que os liberou, para estabelecimento, mesmo exclusivamente varejista, do próprio importador; VII do imposto relativo a bens de produção recebidos por comerciantes equiparados a industrial; VIII do imposto relativo aos produtos recebidos pelos estabelecimentos equiparados a industrial que, na saída destes, estejam sujeitos ao imposto, nos demais casos não compreendidos nos incisos V a VII; IX do imposto pago sobre produtos adquiridos com imunidade, isenção ou suspensão quando descumprida a condição, em operação que dê direito ao crédito; e X do imposto destacado nas notas fiscais relativas a entregas ou transferências simbólicas do produto, permitidas neste Regulamento. Parágrafo único. Nas remessas de produtos para armazémgeral e depósito fechado, o direito ao crédito do imposto, quando admitido, é do estabelecimento depositante.” Observandose o inciso I, do artigo 164, concluímos que as matériasprimas, os produtos intermediários e o material de embalagem serão considerados para cálculo de crédito quando forem incorporados ao novo produto. A exceção é feita, no próprio inciso, para aqueles produtos que apesar de não se incorporarem ao novo produto, são consumidos na sua industrialização. Portanto, para que as aquisições de energia elétrica e combustíveis sejam considerados como produtos intermediários seria necessário que corresse o contato físico direto com o produto final o que não ocorre, sendo, portanto estes produtos não estão incluídos na base de cálculo utilizada para aferição do crédito presumido do IPI. Este entendimento já foi explicitado por meio da emissão da Súmula CARF nº 19, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Com a edição da Súmula nº 19, não resta dúvida. As aquisições de energia elétrica e combustíveis não são considerados no cálculo do crédito presumido. Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.571 9 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Winderley Morais Pereira Como isto, o voto do Conselheiro Winderley foi proferido em 27 de outubro de 2010, antes da introdução do art. 62A no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. A partir de então, ressalvando meu entendimento pessoal, o julgamento da matéria referente o direito ao crédito presumido de IPI nas aquisições de insumos a pessoas físicas e cooperativas deve reproduzir a decisão proferida pelo Ministro Luiz Fux no REsp 993164, em julgamento conforme procedimento previsto para os Recursos Repetitivos no âmbito do STJ, transitada em julgado em 06/08/2012 e à qual me curvo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinando se aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 10 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciarseão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13896.004120/200261 Acórdão n.º 3403002.314 S3C4T3 Fl. 1.572 11 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição"; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais"; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN 12 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Forte no art. 62A do RICARF, dou provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito do recorrente de utilizar o valor das aquisições de insumos aos produtores rurais pessoas físicas listados às fls. 214 a 236, desde que devidamente comprovadas nos autos, na composição da base de cálculo do credito presumido do IPI, reformandose a decisão recorrida que vetou essa utilização. Sala das Sessões, em 26 de junho de 2013 Alexandre Kern Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 12897.000002/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
Ementa:
LANÇAMENTO. ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE JUNTADA. EXIGÊNCIA LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
A falta de juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que ensejaram as exigências fiscais, indispensáveis à constituição do crédito tributário, faz com que não se tenha convicção e certeza das infrações apuradas. Havendo dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador e sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, nos termos do exigido pelo art. 142 do CTN, a exigência fiscal deve ser cancelada. A não juntada dos elementos de prova acarreta a nulidade dos lançamentos em decorrência do cerceamento do direito de defesa.
MULTA ISOLADA. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS EM ARQUIVO DIGITAL. INOCORRÊNCIA.
Verificado que as informações contábeis constantes dos arquivos digitais entregues pelo contribuinte correspondiam aos valores do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, é de se afastar a aplicação da multa isolada pela prestação incorreta das informações solicitadas.
Numero da decisão: 1202-000.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente Sunstituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 Ementa: LANÇAMENTO. ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE JUNTADA. EXIGÊNCIA LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que ensejaram as exigências fiscais, indispensáveis à constituição do crédito tributário, faz com que não se tenha convicção e certeza das infrações apuradas. Havendo dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador e sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, nos termos do exigido pelo art. 142 do CTN, a exigência fiscal deve ser cancelada. A não juntada dos elementos de prova acarreta a nulidade dos lançamentos em decorrência do cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS EM ARQUIVO DIGITAL. INOCORRÊNCIA. Verificado que as informações contábeis constantes dos arquivos digitais entregues pelo contribuinte correspondiam aos valores do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, é de se afastar a aplicação da multa isolada pela prestação incorreta das informações solicitadas.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: LANÇAMENTO. ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE JUNTADA. EXIGÊNCIA LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. A falta de juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que ensejaram as exigências fiscais, indispensáveis à constituição do crédito tributário, faz com que não se tenha convicção e certeza das infrações apuradas. Havendo dúvidas quanto à ocorrência do fato gerador e sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, nos termos do exigido pelo art. 142 do CTN, a exigência fiscal deve ser cancelada. A não juntada dos elementos de prova acarreta a nulidade dos lançamentos em decorrência do cerceamento do direito de defesa. MULTA ISOLADA. INFORMAÇÕES INCORRETAS PRESTADAS EM ARQUIVO DIGITAL. INOCORRÊNCIA. Verificado que as informações contábeis constantes dos arquivos digitais entregues pelo contribuinte correspondiam aos valores do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício, é de se afastar a aplicação da multa isolada pela prestação incorreta das informações solicitadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 00 02 /2 01 0- 11 Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.454 2 (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente Sunstituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Carlos Mozart Barreto Vianna, Gilberto Baptista e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase do exame do recurso de ofício do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro I, que julgou procedente a impugnação do contribuinte contra os Autos de Infração do IRPJ e reflexos na CSLL, PIS e na Cofins, além da aplicação de multa isolada pela prestação incorreta de informações em arquivos digitais. Os autos de infração referemse ao anocalendário de 2004 e encontramse nas fls. 242 a 268 do processo. De acordo com o Termo de Constatação e Verificação Fiscal, são as seguintes as infrações apuradas, fls. 226 a 241: i) glosa de provisões não autorizadas ao ser verificada a existência de conta denominada “provisão gastos futuros” lançada contra custos de vendas de produtos; ii) omissão de receitas decorrente de devolução não comprovada de mercadorias vendidas. As notas fiscais de entrada não teriam a força probante do efetivo retorno ao estoque das mercadorias vendidas; iii) não adição ao lucro liquido da parcela do custo de aquisição de mercadoria do exterior que excedeu o limite calculado na sistemática do preço de transferência; iv) multa isolada pela prestação de informações incorretas nos arquivos magnéticos apresentados à fiscalização. Contra as autuações, a empresa interessada apresentou sua impugnação, que se encontra assim resumida no relatório do Acórdão nº 1230.876 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 1387 a 1414, o qual passo a transcrever e adotar: “a) preliminarmente: que "o auto de infração em questão é nulo, pois, como ato administrativo, deve ser utilizado conforme a estrita legalidade, tendo como condição de existência a infração e a penalidade, o que não ocorreu “in casu"; que "a presente acusação revela vício que compromete sua validade, prejudicando sobremaneira a defesa da impugnante, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5°, da CF/88, além de ofender a segurança jurídica (artigo 5°, XXXVI, CF/88), pois o Fisco não colheu Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.455 3 provas necessárias à elucidação dos fatos, além de não ter considerado argumentos decisivos para a aplicação da legislação tributária ao caso concreto"; b) no mérito: b.1) quanto às provisões não autorizadas: que "o termo 'provisão' constante da planilha mencionada no Auto de Infração não guarda qualquer correlação com o conceito técnico contábil/fiscal. Com efeito, a administração da Impugnante utilizou a expressão 'provisão' na referida planilha em sentido vulgar, ou seja, no sentido de fornecimento de materiais, partes e peças"; que "os valores tratados pelos D. Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil como provisões representam, na verdade, custos efetivamente incorridos pela impugnante, razão pela qual devem ser computados na conta 0030201001 (Custo de Vendas dos Produtos). Com efeito, não se tratam de meras estimativas de desembolsos da Impugnante, mas sim de gastos despendidos na produção de máquinas e equipamentos"; que "os D. Agentes Fiscais formularam a exigência constante do Auto de Infração partindo da equivocada premissa de que a Impugnante teria artificialmente aumentado os seus custos, por meio do reconhecimento, a titulo de provisão, da quantia de R$ 76.784.316,89, quando da determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL"; que, para demonstrar a correção fiscal de seu procedimento, "decompôs o valor de R$ 76.784.316,89 (...) em função de sua natureza, a saber (i) custos incorridos, no montante de R$ 76.328.326,88; e (ii) provisões de custos, no montante de R$ 455.990,01"; que "a comprovação de que a impugnante efetivamente incorreu em custos nos seus projetos pode ser obtida da análise (i) do resumo dos lançamentos dos custos incorridos (doc. 7), e (ii) da lista dos lançamentos individualizados por projeto extraídos do sistema de contabilidade SAP (docs. 7.1 a 7.111), que totalizam R$ 76.328.326,88"; que "por outro lado, a impugnante traz à colação o resumo dos lançamentos das provisões de custos (doc. 8) e a lista dos lançamentos individualizados por projeto extraídos do sistema de contabilidade SAP (doc 8.1), que totalizam R$ 455.990,01. Ressaltese, na oportunidade, que essas provisões de custos foram efetivamente adicionadas ao Lucro Liquido para fins de apuração do Lucro Real do anocalendário de 2004. Essa conclusão pode ser inferida da análise da movimentação do LALUR no referido anocalendário, razão pela qual tampouco se pode falar de qualquer adição como pretende o D. Fisco Federal"; b.2) quanto à omissão de receitas decorrente de devolução não comprovada de mercadorias vendidas: que "o software ContAgil utilizado pelos D. AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil na pesquisa realizada na conta 010105Estoques não identificou os lançamentos de entrada por devolução de vendas, em virtude de utilizar uma metodologia de análise incompatível com o sistema de contabilidade SAP que desdobra o mesmo lançamento contábil em diversos campos. Por esse motivo, a pesquisa realizada pelo D. Fisco Federal se mostrou infrutífera"; Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.456 4 que, "com vistas a evidenciar o retorno das mercadorias devolvidas ao seu estoque, bem como o cancelamento de determinadas Notas Fiscais, a impugnante pede vênia para trazer à colação: (i) o razão da conta 0041220001, denominada de vendas canceladas e devoluções CBV (doc. 10); e (ii) a lista dos lançamentos individualizados e das respectivas notas fiscais canceladas ou relacionadas ás devoluções (docs. 10.1 a 10.12)"; b.3) quanto à aplicação das normas de preços de transferência: que "os cálculos efetuados pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil não se encontram alinhados com a metodologia fixada pela legislação dos preços que "o primeiro equivoco dos cálculos é a não utilização do prego FOB ou do preço CIF acrescido do Imposto de Importação para fins de determinação do preço praticado pela Impugnante"; que "o segundo equivoco dos cálculos é a inclusão indevida da Contribuição ao PISImportação e da COFINSImportação na determinação do preço praticado na importação do equipamento. Nos termos do artigo 12, §4°, da IN SRF 243/2002 [sic], por se tratarem de tributos recuperáveis, tais contribuições não deveriam ser integradas ao preço praticado na importação"; que "o terceiro equivoco dos cálculos é a aplicação da margem de lucro de 20% sobre o preço praticado na importação do bem, ao invés da sua aplicação sobre o preço bruto de revenda do equipamento descontados apenas os descontos incondicionais"; que "o quarto equivoco dos cálculos é a dedução do IPI em duplicidade do valor de venda do equipamento. Além disso, os D. AgentesFiscais não consideraram para o cálculo os valores da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as vendas. Isso significa dizer que o próprio D. Fisco ignorou o disposto no artigo 12, §7°, da IN SRF 243/02"; que "o quinto equivoco dos cálculos é a ausência do cômputo dos ajustes financeiros em virtude de se tratar de uma venda realizada a prazo. Mediante tal procedimento, as D. Autoridades Tributárias descumpriram o comando trazido pelo artigo 12, §5°, da IN SRF 243/02"; b.4) quanto à multa isolada: que "a diferença identificada pelos D. Agentes Fazendários entre o saldo do ativo circulante informado na Ficha 45A da DIPJ 2005 (anocalendário 2004) (doc. 11) e o saldo registrado nos arquivos magnéticos (doc. 12) se justifica em função de o Manual de Preenchimento da DIPJ trazer regras para a alocação de valores que diferem do critério de alocação de contas contábeis da estrutura do balanço da impugnante" (sic); que, "em estrita observância às normas tributárias atualmente em vigor, os contribuintes são livres para adotar os critérios contábeis que mais se adéqüem [sic] ao seu modelo de negócio, de modo a viabilizar a demonstração de sua situação patrimonial da forma mais real"; que, "neste sentido, a impugnante optou por alocar determinados ativos (depósitos judiciais, créditos com pessoas vinculadas etc) no subgrupo Circulante, enquanto o manual de preenchimento da DIPJ determina que tais ativos sejam informados no subgrupo Realizável a Longo Prazo"; Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.457 5 que, "em virtude de se tratar de mera alocação de valores entre contas patrimoniais ativas, se forem somados os subgrupos Circulante e Realizável a Longo Prazo, não será identificada qualquer divergências [sic] entre os montantes informados nos arquivos digitais e na DIPJ 2005, anocalendário 2004, conforme demonstramos na planilha abaixo": [...] que, "em relação ao suposto erro na prestação das informações relativas ao montante de receita operacional bruta, destacamos que o saldo registrado na contabilidade da contribuinte (vide doc. 9), bem como o valor informado às D. Autoridades Fazendárias por meio dos arquivos digitais exigidos pela IN SRF 86/01, são idênticos, totalizando R$ 263.461.181,52"; [...] Por fim, a interessada protesta pela realização de perícia contábil a fim de demonstrar que não houve provisões indedutíveis, omissão de receitas, violação às regras de pregos de transferência ou erros materiais no preenchimento dos arquivos digitais. Para tanto, nomeia perito contábil e formula os quesitos que entende necessários (fls. 492/493).” Na sequência, foi proferido o Acórdão nº 1230.876 da DRJ/Rio de Janeiro I, de fls. 1387 a 1414, julgando procedente a impugnação do contribuinte, contendo o seguinte ementário: ELEMENTOS DE PROVA. FALTA DE ANEXAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. A falta de anexação aos autos dos elementos de prova dos fatos constitutivos das obrigações tributárias que se pretendeu constituir acarreta a nulidade dos lançamentos efetuados, por vicio material, em decorrência do cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, os autos de infração decorrentes colhem a sorte daquele que lhes deu origem, em função da relação de causa e efeito que os une. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. ARQUIVOS DIGITAIS. INFORMAÇÕES INCORRETAS. Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.458 6 Comprovado que os dados constantes dos arquivos digitais apresentados fiscalização da RFB estão de acordo com a contabilidade da pessoa jurídica, não há que se falar na aplicação da multa prevista no art. 12, inciso II, da Lei n° 8.218/91. Impugnação Procedente Credito Tributário Exonerado Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: a presente acusação revela vício que compromete sua validade, prejudicando sobremaneira a defesa da impugnante, garantida pelos princípios do contraditório e da ampla defesa, previstos no inciso LV, do artigo 5°, da CF/88, além de ofender a segurança jurídica (artigo 5°, XXXVI, CF/88), pois o Fisco não colheu provas necessárias à elucidação dos fatos, além de não ter considerado argumentos decisivos para a aplicação da legislação tributária ao caso concreto; contatase que, à exceção dos documentos apresentados pela interessada no anexo VIII de sua resposta ao termo de intimação n° 02943/5/2009 (fls. 410/433) — todos eles relacionados à questão do preço de transferência —, não se juntou aos autos nenhum comprovante dos fatos de que decorreram os lançamentos efetuados; acusase a interessada de escriturar provisões indedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSLL sem ajuste no LALUR, mas não se anexam aos autos documentos indicativos dos lançamentos contábeis das referidas provisões, nem cópia do LALUR; imputase à interessada a infração de omissão de receita por conta da falta de contabilização do retorno ao estoque das mercadorias que foram objeto de vendas canceladas, mas não se traz à colação cópia dos razonetes das contas representativas do estoque dessas mercadorias; alegase que a interessada não calculou corretamente o preço de transferência referente a mercadoria por ela importada de pessoa jurídica vinculada, mas não se juntam documentos que embasem o cálculo supostamente correto; o procedimento adotado parece indicar que se teve em elevada conta a presunção de legitimidade dos atos administrativos, a ponto de utilizála como fundamento de validade para a dispensa da juntada aos autos dos elementos de prova dos fatos que subsidiaram a constituição do crédito tributário. No entanto, não se pode presumir a legitimidade dos atos administrativos em situações jurídicas das quais possam advir restrições a direitos fundamentais das pessoas, sob pena de restarem fulminados princípios constitucionais, tais como o do devido processo legal (art. 5°, inciso UV, da CF188) e o do contraditório e ampla defesa (art. 5°, inciso LV, da CF/88); reconhecese a nulidade, por vício material, com base nos arts. 9° e 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, tendo em vista o cerceamento do direito de defesa da interessada, consubstanciado na falta de anexação aos autos dos elementos de prova dos supostos ilícitos tributários; Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.459 7 o lançamento da multa isolada é improcedente porque a acusação que se formula contra a interessada é a de consignar informações incorretas nos arquivos digitais disponibilizados à fiscalização,conforme previsto nos arts. 11, caput, e 12, inciso II, da Lei nº 8.218/1991, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.158 35/2001. Ocorre que, no caso, os dados constantes nos arquivos digitais apresentados à fiscalização estão de acordo com a contabilidade da interessada, conforme se percebe na comparação entre os valores apostos no termo de constatação e verificação fiscal de fls. 226/241 e os documentos juntados às fls. 1206/1224 (balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício). Se houve incorreção, isso se deu na declaração DIPJ/2005. E tal fato não se subsume ao estabelecido nos dispositivos legais acima transcritos. Dessa decisão, a DRJ/Rio de Janeiro I recorreu de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos FiscaisCARF, na forma do art. 34, inciso I, do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações, e Portaria do Ministro da Fazenda n° 3, de 03 de janeiro de 2008. O contribuinte não se manifestou a respeito. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator O recurso de ofício atende aos requisitos do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o estabelecido na Portaria MF n.° 03, de 2008, porque o acórdão recorrido exonerou valores de tributo e de multa em montante superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) estabelecido na referida Portaria, portanto, dele tomo conhecimento. A autuação decorreu da adição ao lucro líquido dos valores registrados a título de: i) provisão gastos futuros; ii) devolução de mercadorias; iii) valor excedente ao preço parâmetro calculado na sistemática dos preços de transferência. Além disso, foi aplicada a multa isolada pela prestação de informações incorretas nos arquivos magnéticos apresentados à fiscalização. O acórdão recorrido cancelou as exigências relacionadas às três primeiras infrações porque a fiscalização teria deixado de juntar aos autos as provas das infrações imputadas ao contribuinte, o que desatendeu o disposto no art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e, por conseqüência, violação ao princípio constitucional da ampla defesa. O cancelamento da multa isolada ocorreu em virtude da não subsunção dos fatos à tipificação legal da multa. As questões foram bem decididas pelo órgão julgador de primeira instância. Pelo que se depreende dos autos, a fiscalização descreveu os fatos e as infrações apuradas no Termo de Constatação e Verificação Fiscal, de fls. 226 a 241, mas deixou de juntar os documentos necessários à comprovação dos ilícitos fiscais apurados, fato Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.460 8 que desatende disposição expressa contida no art. 9º do Decreto nº 70235, de 1972 e alterações, abaixo transcrito, para melhor clareza: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) No presente caso, o agente fiscal não tomou o cuidado de fazer a juntada dos elementos de prova indispensáveis para a comprovação do ilícito fiscal. Os fatos relatados revelam apenas indícios da ocorrência de infrações fiscais, mas não foram trazidas provas que demonstrassem convicção e certeza dessas infrações, condição indispensável à constituição do crédito tributário. Como conseqüência, há um nítido cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que não pode avaliar e se defender plenamente das infrações imputadas por absoluta falta dos elementos probatórios que embasam as exigências fiscais. O dispositivo legal é suficientemente claro em estabelecer que as infrações apuradas devem vir acompanhadas com os elementos de prova da ocorrência dos ilícitos fiscais e devem ser trazidas juntamente com o término dos trabalhos de fiscalização, por ocasião da lavratura do auto de infração. A esse respeito, vejase a opinião de Marcos Vinícius Neder e Maria Tereza Martínez López na obra Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 126, que assim se manifestaram sobre o mencionado art. 9º: “O artigo 9º do PAF, ao estabelecer que o auto de infração e a notificação de lançamento devem estar instruídos com todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito, explicita a necessidade de demonstração dos pressupostos com base nos quais o ato foi emanado. Deste modo, a lei define o momento processual adequado para a apresentação das provas coletadas no curso da ação fiscal.” Com efeito, a falta de juntada dos elementos de prova trouxe evidente prejuízo para a defesa, que não pode se defender adequadamente, bem como dificulta a tarefa do próprio órgão julgador na solução do litígio, que não pode confrontar os fatos e as provas, porque inexistentes, o que impossibilita a formação da sua livre convicção. Vejase a fundamentação utilizado no voto condutor do acórdão da DRJ/Rio de Janeiro I, fls.1403/1404: “Com efeito, contatase que, à exceção dos documentos apresentados pela interessada no anexo VIII de sua resposta ao termo de intimação n° 02943/5/2009 (fls. 410/433) — todos eles relacionados questão do preço de transferência —, não se juntou aos autos nenhum comprovante dos fatos de que decorreram os lançamentos efetuados, conforme se demonstra a seguir: fls. 01 a 225: DIPJ/2005 da interessada; fls. 226 a 241: termo de constatação e verificação fiscal; fls. 242 a 269: autos de infração; Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.461 9 fls. 270 a 305: termos de intimação emitidos ao longo do procedimento fiscal; fls. 306 a 433: respostas da interessada aos termos de intimação emitidos; fls. 433 a 452: cópia de documentos constitutivos da interessada; fls. 453 em diante: impugnação e seus anexos. [...] 0 procedimento adotado parece indicar que se teve em elevada conta a presunção de legitimidade dos atos administrativos, a ponto de utilizála, ao que tudo indica, como fundamento de validade para a dispensa da juntada aos autos do processo administrativofiscal dos elementos de prova dos fatos que subsidiaram a constituição do crédito tributário. No entanto, ao meu ver, não se pode presumir a legitimidade dos atos administrativos em situações jurídicas das quais possam advir restrições a direitos fundamentais das pessoas, sob pena de restarem fulminados princípios de assento constitucional, tais como o do devido processo legal (art. 5°, inciso UV, da CF188) e o do contraditório e ampla defesa (art. 5°, inciso LV, da CF/88).” Na atividade do lançamento, a caracterização plena do fato gerador e da matéria tributável há de restar perfeitamente configurada (art. 142 do CTN), sob pena de não se poder sequer ter certeza do crédito tributário exigido, o que contamina o lançamento fiscal pela via da insegurança da relação jurídica entre os sujeitos ativo e passivo. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. (destaques meus) Nesse mesmo sentido, vejase a jurisprudência administrativa do antigo Conselho de Contribuintes: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA OMISSÃO DE COMPRAS A simples constatação de omissão de compras na escrituração do contribuinte, a despeito de constituirse em irregularidade, não autoriza a tributação de receitas omitidas pelo somatório dos valores não escriturados, quando não comprovado o seu efetivo pagamento à conta de recursos mantidos à margem da contabilidade. O lançamento requer prova segura da ocorrência do fato gerador do tributo. Tratandose de atividade plenamente vinculada (Código Tributário Nacional, arts. 3º e 142), cumpre à fiscalização realizar as inspeções necessárias à obtenção dos elementos de convicção e certeza, indispensáveis à constituição do crédito Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.462 10 tributário. Havendo dúvida sobre a exatidão dos elementos em que se baseou o lançamento, a exigência não pode prosperar, por força do disposto no art. 112 do CTN. O imposto, por definição (CTN. Art. 3º), não pode ser usado como sanção. DECORRÊNCIA IRRF, PIS, COFINS E CSLL O entendimento emanado em decisão relativa ao auto de infração do imposto de renda pessoa jurídica é aplicável às demais contribuições dele decorrentes, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1ª Turma, Acórdão 40105572, sessão de 04/12/2006) (destaques meus) No caso em análise, a fiscalização apenas trabalhou com base nas verificações efetuadas nos arquivos magnéticos do contribuinte. Chegou a conclusão de que determinado registro contábil denominado “provisão gastos futuros” era indedutível para fins de apuração do lucro tributável. O fato dessa conta ter o nome de “provisão” chamou a atenção da fiscalização que, baseado em uma presunção, concluiu tratarse de conta com características típicas daquelas que se referem à reduções de valores ativos ou à constituição de obrigações. As despesas incorridas que determinam a constituição das provisões, por serem valores estimativos e de difícil precisão do momento em que se consideram gerados, seus registros se realizam, geralmente, por ocasião da elaboração das demonstrações financeiras, sob a forma de ajustes de balanço. A fiscalização deixou, entretanto, de juntar a prova desse registro contábil/fiscal necessária para caracterizar o lançamento como “provisão”, bem como deixou de esclarecer a sua verdadeira natureza, fatos que evidenciam a falta de aprofundamento das investigações e, por conseqüência, na incerteza quanto à matéria tributável. Quanto à glosa dos valores das devoluções de vendas de mercadorias, o agente fiscal considerou que o registro das notas fiscais de devolução de vendas eram insuficientes para a comprovação do cancelamento dessas vendas (fls. 231). Mais uma vez, faltou à fiscalização um aprofundamento das investigações. Caberia ao agente fiscal desqualificar as notas fiscais de emissão dos compradores mediante circularização nos clientes (fls. 1273) da autuada as quais, até sólida justificativa em contrário, fazem prova a favor do contribuinte. No que se refere à adição ao lucro relativo ao preço de transferência, a fiscalização não juntou documentos que embasam o cálculo efetuado. Ademais, como mencionado na impugnação, o agente fiscal laborou em erro no cálculo do preço parâmetro. Dentre outros, computou indevidamente as contribuições recuperáveis do PISimportação e da Cofinsimportação no preço de aquisição do equipamento (IN 243/2002, art. 4º, § 4°) e aplicou a margem de lucro de 20% sobre o preço praticado na importação do bem, ao invés da sua aplicação sobre o preço bruto de revenda do equipamento no mercado nacional (IN 243/2002, art. 12, § 8°), o que evidentemente, distorceu completamente o valor preço parâmetro calculado. Por fim, quanto ao lançamento da multa isolada, transcrevo os fundamentos do acórdão recorrido, cujas razões de decidir também passo a adotar: “No entanto, se não cabe o reconhecimento de nulidade, é forçoso concluir que o lançamento da multa isolada é improcedente. Isso porque a acusação que se formula contra a interessada é a de consignar informações incorretas nos arquivos digitais disponibilizados fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 12897.000002/201011 Acórdão n.º 1202000.989 S1C2T2 Fl. 1.463 11 (RFB), conforme estatuído nos arts. 11, caput, e 12, inciso II, da Lei nº 8.218/1991, com a redação dada pela Medida Provisória n° 2.158 35/2001: Art. 11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas, pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) Art. 12. A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: (...) II multa de cinco por cento sobre o valor da operação correspondente, aos que omitirem ou prestarem incorretamente as informações solicitadas, limitada a um por cento da receita bruta da pessoa jurídica no período. Ocorre que, no caso, os dados constantes nos arquivos digitais apresentados 6 fiscalização da RFB estão de acordo com a contabilidade da interessada, conforme se percebe na comparação entre os valores apostos no termo de constatação e verificação fiscal de fls. 226/241 e os documentos juntados às fls. 1206/1224 (balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício). Se houve incorreção, isso se deu na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ/2005. E tal fato não se subsume ao estabelecido nos dispositivos legais acima transcritos.” Pelo exposto, voto no sentido de que seja negado provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 20/06/ 2013 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10480.720370/2011-26
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DESPESAS MÉDICAS. DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL.
Restabelece-se a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos r declarações atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou do CNPJ do prestador.
JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL.
Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da Impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica.
Recurso provido
Numero da decisão: 2802-002.255
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos r declarações atendidas as exigências contidas no §2º do inciso III, do artigo 8º da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, cuja redação exige a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou do CNPJ do prestador. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Devem ser apreciados os documentos juntados aos autos depois da Impugnação e antes da decisão de 2ª instância. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de buscar e descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador em sua real expressão econômica. Recurso provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 03 70 /2 01 1- 26 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 24/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2008, exercício 2009 (fls. 3/9), lavrado pela omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista no valor de R$ 15.134,23 e dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 21.500,00, que resultou no imposto suplementar de R$ 10.047,71, acrescido de multa de oficio, juros de mora e demais encargos legais. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado parcialmente procedente, para reconhecer a inexistência de omissão de receitas e manter a glosa das despesas médicas declaradas, apontando como devido o imposto suplementar no valor de R$ 5.912,59 considerando que: “Os recibos emitidos pela Dra. Danielle Lima Nascimento não especifica o serviço prestado e não informa o endereço do profissional, as datas em que em que tal serviço teria sido prestado, o nome do paciente e a forma de pagamento. Os recibos emitidos pelo Dr. Francisco Bezerra Coutinho não especifica o serviço prestado e não informa as datas em que em que tal serviço teria sido prestado e a forma de pagamento”. Nas razões de Voluntário (fls. 77/88), junta declaração do profissional Francisco Bezerra Coutinho, com a descrição dos serviços realizados (fl. 81). Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A insurgência do contribuinte se restringe à glosa das despesas médico odontológicas com o profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00. Não há qualquer prova ou menção quanto à glosa com a profissional Danielle Lima. A DRJ manteve a glosa das despesas odontológicas referente aos serviços prestados pelo profissional Francisco Bezerra Coutinho, sob o fundamento da ausência de Fl. 88DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10480.720370/201126 Acórdão n.º 2802002.255 S2TE02 Fl. 88 3 indicação do serviço prestado, falta de informação quanto às datas em que tal serviço teria sido prestado, além da omissão, nos respectivos recibos, sobre qual a forma de pagamento utilizada. Em sede recursal o Recorrente junta declaração à fl. 81, na qual o odontólogo Francisco Bezerra Coutinho especifica o serviço prestado ao Recorrente e à sua esposa dependente (Tereza Maria Jacques Coutinho Lapa) e indica a sua realização durante o ano calendário 2008; não há referência quanto à forma de pagamento. Com a devida vênia do decidido em 1ª instância, o Recorrente trouxe os documentos comprobatórios das despesas médicas que, em meu entendimento, são suficientes para comprovar a respectiva dedutibilidade. Isso porque, nos recibos e nas declarações apresentadas, lá constam os dados do profissional (CPF e n. de inscrição do respectivo órgão profissional), endereço do estabelecimento e descrição do tratamento e do beneficiário (o próprio Recorrente e sua cônjuge); ou seja, preenchidos se encontram os requisitos previstos em lei para fins de reconhecimento do seu valor probante. Nesse sentido já decidiu esta C. 2ª Turma Especial, no Acórdão n. 2802 00.402, em 27/07/2010, relatoria do i. Conselheiro Sidney Ferro Barros: COMPROVAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS POR DECLARAÇÃO DO PROFISSIONAL PRESTADOR. Restabelecese a dedução de despesas médicas lastreadas em recibos firmados por profissional que confirma a autenticidade destes e a efetiva prestação dos serviços por meio de declaração com firma reconhecida apresentada pelo contribuinte, se nada mais há nos autos que desabone tais documentos. Suprida em parte a exigência feita pelo AFRFB e pela DRJ, é de se excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho. Pela falta de previsão legal quanto à exigência de comprovação do efetivo pagamento, admito os recibos, acompanhados da declaração de fl. 81, como suficientes para a comprovação dos dispêndios. Em prol da verdade material, o fato da prova não ter sido feita em momento oportuno, não impede que este órgão julgador a aprecie e lhe reconheça a validade. Este E. Conselho já decidiu: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NULIDADE A não apreciação de documentos juntados aos autos depois da impugnação tempestiva e antes da decisão fere o princípio da verdade material, com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legitimidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Preliminar acolhida. Recurso provido Acórdão nº 10319.789, 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, prolatado em 08 de dezembro de 1998, relatora Conselheira Sandra Maria Dias Nunes. No mesmo sentido, Alberto Xavier : “afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material qualquer restrição ao exercício do direito à prova em função da fase do processo, desde que anterior à decisão final tomada na segunda instância”.(Princípios do Processo Administrativo e Judicial Tributário, 1ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p.160). Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e no mérito lhe dou provimento, para excluir a glosa das despesas referentes ao profissional Francisco Bezerra Coutinho, no valor de R$ 20.000,00. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 24/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10835.001863/2005-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Ano-calendário: 2001
INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO.
O CARF é incompetente para se manifestar sobre a onstitucionalidade das leis tributárias. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. ISENÇÃO.
A isenção da Cofins prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96, de 1996 (Recurso Extraordinário n.º 377457/PR, DJe-241, em 19/12/2008).
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.736
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. O CARF é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis tributárias. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. ISENÇÃO. A isenção da Cofins prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96, de 1996 (Recurso Extraordinário n.º 377457/PR, DJe241, em 19/12/2008). Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza aa Trindade Torres (Presidente), Octávio Carneiro Silva Correa, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Thiago Moura De Albuquerque Alves. Relatório Fl. 100DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 A interessada apresentou pedidos eletrônicos de restituição, cumulados com pedidos de compensação de débito próprio, de crédito de Contribuição para financiamento da Seguridade Social Cofins, com origem em pagamento indevido ou a maior de tributo. Por meio do Despacho Decisório de fls. 48/49, a unidade de origem não reconheceu o direito vindicado e não homologou as compensações, ao fundamento de não houve nenhum pagamento no período indicado. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: O contribuinte acima identificado apresentou a Declaração de Compensação de fl. 01 e seguintes, pleiteando direito creditório e compensações com débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no valor de R$ 13.998,17, relacionados a recolhimentos a titulo de Cofins no anocalendário de 2001, considerados indevidos. Alega que por tratarse de sociedade civil de exercício de profissão legalmente regulamentada, gozaria de isenção da contribuição, com base no disposto no art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91. A DRF/Presidente PrudenteSP, em Despacho Decisório datado de 13 de setembro de 2005, indeferiu o pleito, uma vez apurado que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, a titulo de Cofins, encontramse integralmente alocados a débitos da mesma contribuição, confessados em DCTF. Cientificado, o contribuinte protocolizou, em 01/03/2006, manifestação de inconformidade, na qual alega: a) que na condição de sociedade civil prestadora de serviços médicos, faria jus à isenção da Cofins prevista no art. 6°, da Lei Complementar . n° 70/91; b) que não teria validade a revogação de tal dispositivo legal pelo art. 56 da Lei n° 9.430, de 1996, em razão do principio da hierarquia das leis; c) que julgado do STJ estaria a amparar seu entendimento. Ao final, requer reforma da decisão administrativa recorrida e homologação das compensações pleiteadas. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgou, noutros termos, improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POR n.º 1419.388 (fls. 73 e ss), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS ANOCALENDÁRIO: 2001. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. ISENÇÃO. A isenção da Cofins prevista no art. 6°, II, da Lei Complementar n° 70/91 foi revogada pelo art. 56 da Lei n° 9.430/96, de 1996. Compensação não Homologada Fl. 101DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10835.001863/200558 Acórdão n.º 3202000.736 S3C2T2 Fl. 101 3 Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 87/94, por meio da qual repisa argumentos já delineados na manifestação de inconformidade, quanto à inconstitucionalidade do art. 56 da Lei n.º 9.430, de 1996. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em que pese não aderir à tese sustentada pela interessada, no sentido de que o art. 59 da Lei n.º 9.430, de 1996 (conversão da Medida Provisória 2.15835, de 2001), ao revogar a isenção conferida no art. 6º, II, da Lei Complementar n.º 70, de 1971, confrontou com Texto Magno, as razões do nosso convencimento seriam de registro totalmente desnecessário nesta sede processual. Afinal, como já pacificamente assentado, o CARF não é competente para apreciar a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n.º 2). No entanto, esta matéria já foi definitivamente apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, que, no julgamento de mérito da repercussão geral reconhecida no Recurso Extraordinário n.º 377457/PR (DJe241, em 19/12/2008), relatado pelo Min. Gilmar Mendes, assim se pronunciou: “EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. 3. O pronunciamento exarado pelo Tribunal de origem não divergiu desse entendimento. 4. Agravo regimental desprovido.” Cumpre observar que as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral, e pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática do recurso repetitivo, são de observância obrigatória por este Colegiado, por imposição do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22/6/2009. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 102DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 01/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 7/06/2013 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 30/06/2013 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 10783.900286/2008-84
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO RECURSAL.
Comprovada a existência de erro no Despacho Decisório, que considerou, indevidamente, em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nele citado, como Valor Original Utilizado, o Crédito Original na Data da Transmissão, procede a irresignação recursal.
Numero da decisão: 1803-001.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Meigan Sack Rodrigues - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:, Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 DESPACHO DECISÓRIO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO RECURSAL. Comprovada a existência de erro no Despacho Decisório, que considerou, indevidamente, em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nele citado, como Valor Original Utilizado, o Crédito Original na Data da Transmissão, procede a irresignação recursal.
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COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ERRO. PROCEDÊNCIA DA IRRESIGNAÇÃO RECURSAL. Comprovada a existência de erro no Despacho Decisório, que considerou, indevidamente, em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nele citado, como “Valor Original Utilizado”, o “Crédito Original na Data da Transmissão”, procede a irresignação recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Walter Adolfo Maresch Presidente. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 02 86 /2 00 8- 84 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.900286/200884 Acórdão n.º 1803001.699 S1TE03 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:, Sérgio Rodrigues Mendes, Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Roberto Armond Ferreira da Silva e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório Tratase de DCOMP eletrônica na qual a empresa recorrente declara pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 38.428,84 de IRPJ (2362), referente ao débito de R$ 6.410,09 reais. Contudo, o Despacho Decisório proferido foi no sentido de ter sido localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizado para quitação de débitos da empresa, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A empresa recorrente apresenta manifestação de inconformidade, de forma tempestiva, referindo que possui um crédito proveniente de um pagamento a maior no valor de R$ R$38.428,84, competência de abril de 2001, que foi utilizado em mais de um período de compensação e que deveria ter, na presente DCOMP em julgamento, mencionado o PER/DCOMP n° 06374.85682.051203.1.3.040466. Requer, a empresa, a homologação do pedido de compensação sob exame. A autoridade julgadora a quo refere que a compensação, que antes podia ser efetuada diretamente na contabilidade, passou a ser efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular e também as informações do débito que lastreado, em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. E, em ato contínuo, aduz que as informações confessadas em DCOMP, que constitui confissão de dívida, culminaram com a não homologação da compensação declarada, isso porque colidiram com as informações que a interessada já havia prestado à Secretaria da Receita Federal em outras declarações (DCOMP, DCTF, DIPJ). A autoridade julgadora afere que o DARF de R$ 38.428,84 (crédito ora em comento) foi indicado como sendo a fonte do direito creditório alegado e realiza quadro demonstrando a utilização das DCOMPs pela empresa recorrente. Conclui a autoridade: a) R$ 6.410,09, na Dcomp de final 0466; b) R$ 17.818,79, na Dcomp final 1540 e c) R$ 14.199,96 na Dcomp de final 8501. Todavia, observa, a segunda DCOMP referida acima teve a compensação homologada, de acordo com a consulta sief, implicando utilização de R$ 19.905,78 do valor do DARF. O que se pode concluir que a utilização do DARF foi parcial e após a compensação parcial restou um saldo de R$ 18.523,0. Relativamente ao DARF de R$ 38.428,84, a autoridade de primeira instância entende que originalmente havia sido informado que se destinava ao pagamento de débito de IRPJ, mas a empresa entregou sete DCTFs (quatro delas complementares) nas quais confessou débitos de IRPJ. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.900286/200884 Acórdão n.º 1803001.699 S1TE03 Fl. 113 3 Entende o julgador de primeira instância que o direito creditório alegado decorreu das sobreditas retificações, mas que em sede deste julgamento, para o reconhecimento de tal direito, é imprescindível a prova das retificações veiculadas, bem como a prova de que os lançamentos contábeis relativos às compensações porventura realizadas diretamente na contabilidade foram devidamente estornados/retificados, fato que não ocorreu. Cita o artigo 16 do Decreto 70235/72 e o art.147 do CTN. Devidamente cientifica da decisão de primeira instância, a empresa recorrente apresenta suas razões em recurso voluntário de forma tempestiva, alegando em apertada síntese que o julgador a quo deixou de considerar o saldo existente de crédito no DARF utilizado em compensação e que sequer homologou parcialmente o encontro de contas levado à apreciação. Ainda, a empresa recorrente argumenta existir um equívoco no acórdão prolatado na primeira instância, isso porque segundo o seu entendimento a autoridade julgadora a quo mesmo tendo reconhecido a existência de parcela do crédito utilizado no abatimento requerido, não reconheceu a procedência da compensação até o limite do respectivo montante. E, segundo seu raciocínio, se parte do crédito apontado na PER/DCOMP existe, a compensação pleiteada deve ser parcialmente homologada. Atenta, a empresa recorrente, que no acórdão em apreço restou consignado como fundamento para o não reconhecimento da integralidade do crédito da mesma que a retificação da DCTF promovida pela empresa não foi acompanhada da documentação que lhe comprovasse a correção, especialmente os contábeis (relativos ao desfazimento de compensações realizados diretamente na contabilidade). Reforça que, ao contrário do que intenta fazer crer o eminente julgador a quo, o art. 147 do CTN sequer é aplicável ao caso examinado, posto que o crédito que se pretende ver reconhecido se refere a tributo sujeito ao lançamento por homologação, regido pelo art. 150 do CTN. Afere a empresa recorrente, que o art. 147 do CTN trata de outra modalidade de lançamento, qual seja, o lançamento por declaração. Prossegue referindo que a Instrução Normativa n° 974/09 da SRF corrobora a afirmação de que a comprovação de erro na DCTF retificadora, para fins de validação da retificação, apenas é exigida em casos específicos quais sejam, os descritos no §3° do art.9°. Assim, nos termos do §1° do art9° da IN n°974/09 "a DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (...)" Neste caminho, a empresa recorrente salienta que uma vez transmitida e aceita a retificação da DCTF via sistema, apenas por procedimento fiscal específico o seu conteúdo pode ser questionado, o que não ocorre na situação sob exame e que levandose em conta que o fundamento do acórdão não procede, ou seja, que o argumento para o não reconhecimento do crédito utilizado em compensação é frágil, concluise pela necessidade de homologação da compensação promovida. É o relatório Voto Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.900286/200884 Acórdão n.º 1803001.699 S1TE03 Fl. 114 4 Conselheira Meigan Sack Rodrigues. O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratase de DCOMP eletrônica na qual a empresa recorrente declara pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 38.428,84 de IRPJ (2362), referente ao débito de R$6.410,09 reais. Contudo, o Despacho Decisório proferido foi no sentido de ter sido localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizado para quitação de débitos da empresa, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De conformidade com o Despacho Decisório de fls. 3, o valor total do Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), de R$ 38.428,84, informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 06374.85682.051203.1.3.040466, transmitido em 19/11/2003, objeto deste processo. A autoridade julgadora de primeira instância busca, no entanto, cobrar um débito, cujo valor original utilizado corresponde a R$ 6.410,09 (fls. 41), sendo a quantia de R$38.428,84 o equivalente ao crédito original na data da transmissão. Tudo conforme se verifica da tela que segue: Observando, no entanto que a busca intentada pela autoridade a quo resta infrutífera, posto que ainda que se pudesse entender que o crédito original utilizado no PER/DCOMP n°29094.00712.191103.1.3.041540 fosse insuficiente para a compensação a que se destina, as diferenças verificadas devem ser objeto de cobrança em vias competentes. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 10783.900286/200884 Acórdão n.º 1803001.699 S1TE03 Fl. 115 5 Em outras palavras, a presente peça não se presta para a busca a que se destina, qual seja cobrar os créditos tributários referente ao PER/DCOMP original. Assim, entendo restar comprovado o erro do Despacho Decisório de fls. 03, bem como ser matéria estranha a estes autos a tentativa da DRJ jurisdicionante de questionar Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) retificadora, apresentada pela empresa recorrente, não se inserindo, ainda, na competência daquele órgão (fls. 85): "25. Por isso, em sede deste julgamento, o reconhecimento de tal direito não se pode dar sem a prova das retificações veiculadas, tampouco sem a comprovação de que os lançamentos contábeis relativos às compensações informadas como tendo sido realizadas diretamente na contabilidade do interessado foram objeto de lançamentos contábeis de estorno/retificação." Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Fl. 104DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por MEIGAN SACK RODRIGUES
score : 1.0
Numero do processo: 10630.001543/2010-61
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as
circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a
penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua
lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido
elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A,
caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula
Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São
inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei
1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de
crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A
da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes
aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na
imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do
Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas
federal, estadual e municipal
Na hipótese dos autos, aplica-se
o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC
nos termos do art. 62-A,
Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF,
com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve
recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no processo
conexo referente à obrigação principal.
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2005 a
123/2008, a ciência do AIOA ocorreu em 15.07.2010, dessa forma, já se
operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até
a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de
Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP,
com
dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições
previdenciárias.
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração,
o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a
obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na
administração previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.318
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituição dos
créditos ora lançados até a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL - APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplica-se o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62-A, Anexo II, Regimento Interno do CARF - RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no processo conexo referente à obrigação principal. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2005 a 123/2008, a ciência do AIOA ocorreu em 15.07.2010, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - GFIP - APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8 PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL APLICAÇÃO DO ART. 150, § 4º, CTN. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os Fl. 262DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Na hipótese dos autos, aplicase o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF RICARF, com a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar feitos pelo contribuinte no processo conexo referente à obrigação principal. No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/2005 a 123/2008, a ciência do AIOA ocorreu em 15.07.2010, dessa forma, já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO GFIP APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Constitui infração, punível na forma da Lei, apresentar a empresa a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Fl. 263DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 165 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 159 a 161, interposto pela Recorrente – CONSELHEIRO PENA PREFEITURA contra Acórdão nº 0230.955 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Belo Horizonte MG, fls. 152 a 156, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA nº. 37.271.6318, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 28.215,80. A Recorrente está sendo autuada por descumprimento de obrigação acessória CFL 68 – por deixar de informar valores das remunerações pagas ao segurados obrigatórios da Previdência Social na qualidade de segurados empregados, contribuintes individuais e transportadores rodoviários autônomos, bem como informou base de cálculo e desconto de contribuição previdenciária do segurado a menor e deixou de informar nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações h Previdência Social GFIP, contribuições previdenciárias descontadas, e outras não descontadas, dos segurados constantes na folha de pagamento, notas de empenhos, DIRF e RAIS, no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2008, conforme demonstrado nas planilhas anexas; igualmente, no mesmo período, deixou de recolher as respectivas contribuições previdenciárias relativa a esses segurados. As informações incorretas/omissas da GFIP ocorreram no período de janeiro de 2005 a dezembro de 2008, em relação aos segurados obrigatórios da Previdência Social, na qualidade de segurados empregados e Contribuintes Individuais, conforme demonstrado nas planilhas anexas do Relatório Fiscal da Infração. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, as planilhas, em anexo, mostram os valores das remunerações pagas aos segurados e não declaradas na GFIP; as diferenças de base de cálculo e descontos de contribuições previdenciárias declaradas a menor na GFIP, as contribuições descontadas dos segurados na folha de pagamento, e as não descontadas, todas discriminadas por competência e por segurados, bem como a fonte da Informação de tais valores. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto no 3.048/99 e nem a redução prevista na Lei 8.212/91, no art. 32A, § 20, I e II, acrescentado pela MP 449/08. Conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 06, a multa aplicada pela infração corresponde a 100% do valor da contribuição devida e não declarada, limitada, por competência, em função do número de segurados da empresa, observado o limite mensal previsto no § 4 0 do art. 32 da Lei n° 8.212/91, calculada conforme quadro anexo. O valor da multa foi reajustado pela Portaria MPS/MF no 333, de 29/06/2010. Informa o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, às fls. 06, que para as infrações com fato gerador anterior a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP no 449/2008, a multa aplicada deve observar o principio da retroatividade benigna (CTN, art. 106, inc. II, c), para tanto está sendo efetuada a comparação pelo Sistema, por competência, da multa aplicada acima (revogada) e da multa atualmente em vigor (Multa de oficio de 75%, no mínimo, conforme art. 44 da Lei 9.430/96), conforme anexos. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 166 5 O Relatório Fiscal do processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334 informa que em relação às compensações efetuadas pela Recorrente com fulcro em Mandado de Segurança Individual no processo 2007.38.13.0035190 – 1ª Vara Federal de Governador Valadares, a Fiscalização não efetuou qualquer glosa, permanecendo portanto tais compensações válidas: O Relatório Fiscal do processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334l também informe ter sido feita a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP: Fl. 266DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 A Recorrente teve ciência do TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, às fls. 07 a 08, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0610300.2010.00067. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 05, é de 01/2005 a 12/2008. A Recorrente teve ciência do AIOP em 15.07.2010, conforme Aviso de recebimento – AR nº RJ174861186BR, às fls. 128. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 131 a 133. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0230.955 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Em Belo Horizonte MG, fls. 152 a 156, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração à legislação previdenciária, a apresentação de Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 159 a 161, reiterando os argumentos utilizados em sede de Impugnação, em apertada síntese: Em sede Preliminar. (i) Do cerceamento de defesa da renúncia do contribuinte ao direito de impugnar administrativamente A auditora dispôs no próprio Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal a sua ciência acerca da sentença do Mandado de Segurança, processo n° 2007.38.13.0035190 que teve curso na l a Vara Federal de Governador Valadares. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 167 7 No Mérito. (ii) Da não declaração em GFIP de remunerações pagas a segurados A recorrente na tentativa de cumprir o determinado nos incisos I a VII da IN 15/2006, efetuou em 2008 a correção das GFIPs das competências 01/2005, 10/2005, 11/2005, 13/2006, 08/2007, 10/2007, 11/2007, 12/2007, 13/2007, 01/2008, 02/2008,03/2008, 04/2008. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Da regularidade da lavratura do Auto de Infração Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOA, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado AIOA nº 37.271.6318 que, conforme definido nos artigos 460, 467 e 468 da IN RFB n° 971/2009, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela RFB, apuradas mediante procedimento fiscal: Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto Fl. 269DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 168 9 de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/20095 Art. 460. São documentos de constituição do crédito tributário relativo às contribuições de que trata esta Instrução Normativa: I Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), é o documento declaratório da obrigação, caracterizado como instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário; II Lançamento do Débito Confessado (LDC), é o documento por meio do qual o sujeito passivo confessa os débitos que verifica; III Auto de Infração (AI), é o documento constitutivo de crédito, inclusive relativo à multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, lavrado por AFRFB e apurado mediante procedimento de fiscalização; IV – Notificação de Lançamento (NL), é o documento constitutivo de crédito expedido pelo órgão da Administração Tributária; V Débito Confessado em GFIP (DCG), é o documento que registra o débito decorrente de divergência entre os valores recolhidos em documento de arrecadação previdenciária e os declarados em GFIP; e Art. 467. Será lavrado Auto de Infração ou Notificação de Lançamento para constituir o crédito relativo às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 2007. Art. 468. A autoridade administrativa competente para a lavratura do Auto de Infração pelo descumprimento de obrigação principal ou acessória, nos termos dos arts. 142 e 196 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), e art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, é o AFRFB que presidir e executar o procedimento fiscal. Parágrafo único. Considerase procedimento fiscal quaisquer das espécies elencadas no art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 1972, observadas as normas específicas da RFB. (grifo nosso) Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991, os artigos 232 e 233 do decreto 3.048/1991, bem como dos artigos 113, 115 e 122 do Código Tributário Nacional. O artigo 33, §§ 2º, 3º da Lei 8.212/1991: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Os arts. 232 e 233, Decreto 3.048/1999: Art. 232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. O art. 113, CTN, estabelece que: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 169 11 § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. O art. 115, CTN, estabelece que: Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O art. 122, CTN, estabelece que: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: A autorização por meio da emissão de TIPF – Termo de Início do Procedimento Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento, bem como a intimação para que o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); c. REFISC – Relatório Fiscal da Infração e da Aplicação da Multa. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela imprecisão e erros de capitulação da infração e da multa. (B) Alegações diversas de inconstitucionalidade. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 273DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 170 13 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (C) Da Decadência. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 171 15 Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Fl. 276DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial Fl. 277DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 172 17 para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese presente, no processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334, verificase que o Relatório de Documentos Apresentados – RDA, disposto às fls. 54 a 56, apresenta nas competências 01/2005 a 12/2008, objeto do presente AIOP, pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal. Observase que o Relatório Fiscal do processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334 aponta a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. Não obstante a formalização da RFFP, entendo que nessa etapa do processo administrativofiscal em que ocorre a formalização da RFFP apenas, em tese, se aponta a configuração de dolo, fraude ou simulação. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 18 Desta forma, por óbvio, enquanto não houver um pronunciamento judicial acerca da conduta da Recorrente em relação à hipótese dos autos, nesta etapa do processo administrativofiscal não resta materialmente configurada as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o que implica o não afastamento da hipótese de aplicação da regra decadencial insculpida no art. 150, § 4º, CTN. Então, aplicandose o entendimento do STJ no REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, exsurge a regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN posto que houve recolhimentos antecipados a homologar pelo contribuinte, além de não se materializar as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do AIOA pela Recorrente, às fls. 31, se deu em 15.07.2010 e o período objeto do AIOA: 01/2005 a 12/2008. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 06/2005, inclusive. (i) Do cerceamento de defesa da renúncia do contribuinte ao direito de impugnar administrativamente Analisemos. No processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334, o Relatório Fiscal informa que em relação às compensações efetuadas pela Recorrente com fulcro em Mandado de Segurança Individual no processo 2007.38.13.0035190 – 1ª Vara Federal de Governador Valadares, a Fiscalização não efetuou qualquer glosa, permanecendo portanto tais compensações válidas. Desta forma, conforme o informado pela Fiscalização de que não houve a glosa de compensação, não prospera a argumentação da Recorrente no sentido de ter havido violação a princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa pela não apreciação da Impugnação do contribuinte. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. DO MÉRITO (ii) Da não declaração em GFIP de remunerações pagas a segurados Analisemos. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10630.001543/201061 Acórdão n.º 240301.318 S2C4T3 Fl. 173 19 Conforme já esclarecido no processo referente à obrigação principal AIOP nº 37.271.6334 em sede de decisão de primeira instância, no Relatório de Documentos Apresentados – RDA, às fls. 54 a 56, estão listadas por competência todas as GPS apresentadas e constantes como recolhidas pela Recorrente e devidamente apropriadas nos sistemas da RFB e também no Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA mostrase como tais recolhimentos foram apropriados no crédito lançado pela AuditoriaFiscal. Desta forma, todos os recolhimentos tempestivamente efetuados pela Recorrente foram considerados pela Fiscalização no presente AIOP. Em relação aos recolhimentos que porventura tenham sido recolhidos posteriormente, os mesmos serão apropriados e considerados pela Unidade de Jurisdição da RFB quando da execução do presente processo. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, em dar provimento parcial ao recurso para, EM PRELIMINAR, reconhecer a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 06/2005, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 280DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10855.901984/2008-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.60) que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de CSLL (código de receita: 2372) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL: 2372). Por intermédio do despacho decisório de fls. 03/04, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .9 01 98 4/ 20 08 -1 4 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901984/200814 Resolução nº 1802000.245 S1TE02 Fl. 3 2 PER/Dcomp de n° 23330.68631.210906.1.7.041324, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.06/10, acompanhada dos documentos de fls. 11/55, na qual alega erro de cálculo na DCTF, relativa ao 4º trimestre de 2003. A contribuinte apresentou quadrosdemonstrativos para comprovar o seu direito ao crédito, atinente ao pagamento da CSLL (cód: 2372), período de apuração: 4° trimestre de 2003, efetuado em 27/02/2004, bem como retificou a informação constante de sua DCTF, de forma a demonstrar os pontos de discordância apontados na impugnação. Ao final, requer que sei a acolhida a presente impugnação. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1431.724, de 26 de novembro de 2010 (fls.59/62), cientificado ao interessado em 07/01/2011 (fl.65). A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.59): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 27/02/2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 24/01/2011, fls.66/67, no qual argúi, em síntese, que: Quando na apuração da CSLL, a partir de 01/09/2003, por força do art. 22 da lei 10.684/2003, a base de cálculo, devida pela pessoa jurídica optante pelo lucro presumido foi interpretada de maneira errônea: 0 correto para receita bruta nas atividades comerciais, industriais e industrialização por encomenda é de 12%; Sendo que para receita bruta na atividade de industrialização por encomenda foi de 32%. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901984/200814 Resolução nº 1802000.245 S1TE02 Fl. 4 3 Para demonstrar o erro no cálculo de apuração da CSLL do 4º trimestre de 2003, apresenta planilhas de cálculo, DARFs e Registro de Saídas dos meses de 10/2003, 11/2003 e 12/2003 (fls.69/97). Finalmente, requer seja homologada a compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 23330.68631.210906.1.7.041324 (fls.1/2), retificador, transmitido em 21/09/2006, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 5.382,94, código 2372, relativa ao 1º trimestre de 2004, com a utilização de crédito no valor de R$ 5.117,36, decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372; Período de Apuração: 31/12/2003; Data de Arrecadação: 27/02/2004, Valor: R$ 11.397,98 ). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.03, emitido em 18/07/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito (R$ 11.397,98) foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Consta da decisão recorrida o seguinte esclarecimento sobre o crédito pleiteado (fls.61/62): ... 0 valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento indevido ou a maior de contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL), código de receita: 2372, no valor de R$ 5.117,36, relativo ao quarto trimestre de 2003. Com efeito, no que diz respeito à CSLL, atinente ao quarto trimestre do anocalendário de 2003, observo que a contribuinte retificou a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da divida originariamente declarada, de R$ 33.855,39 para R$ 18.503,31, de modo a delinear o crédito pretendido (fls. 57/58 dos autos). Para melhor elucidação, cabe esclarecer que originariamente a contribuinte apurou, a titulo de CSLL, 4° trimestre de 2003, o montante de R$ 33.855,39, que foram pagos mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 11.285,13, em 30/01/2004; b) R$ 11.397,98 (principal de R$ 11.285,13), m 27/02/2004; e c) R$ 11.519,86 (principal de R$ 11.285,13),em 31/03/2004 (fls. 36/38). Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901984/200814 Resolução nº 1802000.245 S1TE02 Fl. 5 4 Posteriormente, a contribuinte apresentou DCTFretificadora informand que a CSLL devida no 4° trimestre de 2003 seria no montante de R$ 18.503,31, que em três quotas resultaria na cifra de R$ 6.167,77, o que demonstraria, em tese, o valor do crédito utilizado na presente PER/Dcomp, 2ª quota, no valor de R$ 5.117,36 (R$ 11.285,13 menos R$6.167.77). Depreendese da sucinta alegação da pessoa jurídica expressa no recurso voluntário e demonstrativo (fl.74) que, no 4º trimestre de 2003, sobre parte da receita bruta total no valor de R$ 1.713.268,67 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% em relação à atividade “industrialização por encomenda” (R$ 852.893,75 x 32% x 9% industrialização por encomenda) quando o correto seria o coeficiente de 12% (R$ 852.893,75 x 12% x 9%) como calculado sobre a receita bruta nas atividades comerciais e industriais de acordo com o artigo 22 da Lei nº10.684, de 30/05/2003 que alterou a redação do artigo 20 da Lei nº 9.430/96, a partir de 01/09/2003 (artigo 29, inciso III Lei nº10.684/2003). Ou seja, sobre a mencionada parte da receita bruta: R$ 852.893,75, apurou CSLL no valor de R$ 24.563,34 (852.893,75 x 32% x 9%) quando o correto seria R$ 9.211,25 (852.893,75 x 12% x 9%), resultando em pagamento a maior na ordem de R$ 15.352,09 (24.563,34 9.211,25) em três quotas de R$ 5.117,36, partindo da premissa que a CSLL total relativa ao 4º trimestre fora paga mediante três DARF nos seguintes valores: a) R$ 11.285,13, em 30/01/2004; b) R$ 11.397,98 (principal de R$ 11.285,13, em 27/02/2004; e c) R$ 11.519,86 (principal de R$ 11.285,13),em 31/03/2004 (fls. 36/38). Sobre o alegado indébito tributário, vale transcrever o Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 26 que dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, verbis: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 26, de 25 de abril de 2008 DOU de 28.4.2008 – Dispõe sobre a caracterização de industrialização para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007 , e tendo em vista o disposto no art. 15 da Lei n º 9.249, de 26 de dezembro de 1995 , e o que consta do processo n º 10168.002277/200701, declara: Art. 1 º Para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consideramse industrialização as operações definidas no art. 4 º do Decreto n º 4.544, de 26 de dezembro de 2002 , observadas as disposições do art. 5 º c/c o art. 7 º do referido decreto. Art. 2 º Fica revogado o ADI RFB n º 20, de 13 de dezembro de 2007 . A Receita Federal revogou uma interpretação dada em dezembro/2007, que resultava em aumento do Imposto de Renda e de CSLL para as empresas que pagam o imposto Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901984/200814 Resolução nº 1802000.245 S1TE02 Fl. 6 5 pelo regime de lucro presumido ou por estimativa. O Ato Declaratório Interpretativo RFB 20/2007, revogado pelo Ato Declaratório Interpretativo RFB 26/2008, gerou muita controvérsia enquanto esteve vigente, pois aumentava a base de cálculo de 8% para 32% (no caso do IRPJ) e de 12% para 32% (no caso da CSLL) para a maioria das operações de industrialização por encomenda. Pela interpretação anterior, consideravase prestação de serviço, para fins da apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) as operações de industrialização por encomenda quando na composição do custo total dos insumos do produto industrializado por encomenda houvesse a preponderância dos custos dos insumos fornecidos pelo encomendante. Com a revogação desta interpretação, a Receita Federal definiu que, para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), consideramse industrialização as operações definidas no art. 4º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (adiante reproduzido), observadas as disposições do art. 5º c/c o art. 7º do referido decreto: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I – a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento Contraditando os fundamentos da decisão recorrida e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário, Planilha de Calculo da CSLL 4° trimestre/2003; DARFs relativos ao 4° trimestre/2003; Registro de Saídas (Vendas com o código 5101 e 5102 Industrialização por encomenda com código 5124). Apesar da documentação apresentada, não se tem objetivamente conhecido o faturamento do quarto trimestre de 2003, pois, não foram juntadas as notas fiscais tampouco a DIPJ/2004. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10855.901984/200814 Resolução nº 1802000.245 S1TE02 Fl. 7 6 Portanto, não se sabe ao certo qual a receita bruta e o coeficiente aplicado para a presunção da base de cálculo da CSLL do mencionado trimestre declarado na DIPJ/2004. Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), contábil (escrituração) e DIPJ/2004, qual o montante da receita bruta obtida/declarada e CSLL devida e paga, em relação ao ano calendário de 2003. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 12/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10166.002902/2005-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. .
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. . RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .0 02 90 2/ 20 05 -6 4 Fl. 872DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 872 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 0331.274, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BrasíliaDF. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratam os autos de tratamento manual de diversos PER/DCOMP relacionados na planilha às fl. 625/630, originais e retificadores, onde o contribuinte efetuou compensações de débitos no valor total de R$ 4.983.117,26, cadastrados no Profisc às fl. 545/572, com pretenso crédito de saldo negativo de IRPJ referente aos anos calendário 2002, no valor não atualizado de R$ 5.053.723,99. Consoante o Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort às fl. 620/624, as compensações não foram homologadas pelo delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF (DRF/BSA/DF), amparandose, para tanto, nas razões a seguir resumidas: ∙ Na análise dos PER/DCOMP verificouse que para o mesmo crédito de R$ 5.053.723,99 foram indicados diferentes períodos de apuração, quais sejam: exercícios 2002 a 2004, conforme relação às fl. 592/593. Em vista disso, o contribuinte foi intimado em maio de 2007 a esclarecer os fatos e fazer as devidas retificações dos PER/DCOMP (fl. 590/593); ∙ Em resposta (fl. 594/599), o contribuinte alegou que o referido crédito, indicado como saldo negativo de IRPJ, seria, na verdade, composto pelo somatório dos saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário 2002. Informou que já havia dois processos anteriores, de nº 10166.005511/200330 e nº 10166.009005/200310, nos quais foram formulados pedidos de compensação e indicados os saldos negativos de IRPJ e CSLL do anocalendário 2002. Alegou, ainda, que havia sido “orientada verbalmente a substituir a Declaração de Compensação manual, apresentada em 13/08/2003 (processo 10166.009005/200310), por uma Declaração de Compensação eletrônica considerando o valor total do crédito, a título de saldo negativo de IRPJ, como fizera anteriormente na declaração manual apresentada em 13/08/2003.”; ∙ De acordo com a IN SRF nº 210/2002, no formulário Declaração de Compensação os créditos, quando se tratarem de saldo negativo, são discriminados individualmente em colunas do quadro 4 (fl. 617/618), sendo indicado no quadro 5 o somatório dos valores indicados; ∙ Em consulta ao programa gerador do PER/DCOMP consta que este deve ser elaborado com a indicação de um único tributo ou contribuição como crédito; ∙ Não se pode aceitar a indicação no PER/DCOMP de um crédito de saldo negativo de IRPJ quando este se refere ao somatório de saldos negativos de IRPJ e CSLL. Portanto, para fins de análise dos PER/DCOMP, o crédito a ser apreciado nas compensações foi considerado na sua integralidade como saldo negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, no montante de R$ 5.053.723,99; ∙ Em sequência, na análise deste direito creditório, tomouse conhecimento de que o contribuinte foi submetido a procedimento de auditoria da DIPJ/2003 referente à Fl. 873DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 873 3 aplicação de parcela do IRPJ no Finor/Finam/Funres no anocalendário 2002, consoante documentos enviados pela Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil na 1ª Região Fiscal às fl. 600/615; ∙ A auditoria da DIPJ/2003 concluiu que houve excesso de aplicação dos incentivos fiscais em detrimento do IRPJ no anocalendário 2002. Como consequência, foi apurado IRPJ a recolher no ajuste de R$ 343.626,37 (fl. 603). Portanto, ao invés de haver saldo negativo apurado em DIPJ, houve IRPJ devido no referido montante. Consequentemente não há crédito de saldo negativo de IRPJ para o anocalendário 2002. Por meio do Comunicado/2008 à fl. 625, o contribuinte foi notificado do referido despacho decisório e da Carta Cobrança às fl. 626/632, tendo a ciência ocorrido em 06/03/2008, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 625 – verso. Inconformado com a decisão, apresentou a manifestação de inconformidade às fl. 633/640 em 02/04/2008, cujo teor está resumido a seguir: ∙ O despacho baseouse em dois aspectos para negar as compensações: 1) impossibilidade de indicação no PER/DCOMP de um crédito de saldo negativo de IRPJ quando se refere ao somatório de saldos negativos de IRPJ e CSLL; 2) a auditoria realizada na DIPJ/2003, que concluiu haver excesso de aplicação em incentivos fiscais em detrimento do IRPJ no ano 2002, apurando, em consequência, imposto a recolher no valor de R$ 343.626,37 e não saldo negativo de IRPJ; ∙ Em relação ao primeiro aspecto – O direito de realizar compensação é assegurado pelos art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) e 74 da Lei nº 9.430/96, regulamentada pela IN SRF nº 600/2005, que, em seus art. 6º e 26 faculta o direito de compensar crédito mediante a entrega de PER/DCOMP. Tal procedimento foi adotado pelo contribuinte; Conforme despacho decisório, os PER/DCOMP foram tempestivos; Intimado a prestar esclarecimentos e retificar os PER/DCOMP, atendeu a intimação em 22/05/2007, prestando as informações solicitadas e requerendo, dentre outras coisas, que as retificações de todos os PER/DCOMP – que visariam a retificação do erro formal quanto à denominação do crédito a ser aproveitado – fossem feitas de acordo com o art. 61 da IN SRF nº 600/2005 e que a Receita Federal admitisse/processasse, internamente, a modificação de seus registros a fim de evitar o grande o trabalho que representaria a retificação de inúmeros PER/DCOMP tanto para ele como para o órgão; Se houve erro de preenchimento dos PER/DCOMP, o mesmo decorreu da falta de clareza nos formulários ou nas instruções que lhe deram origem. Mesmo se confirmando esta hipótese de erro, é inegável reconhecer estar assegurado ao contribuinte o direito de fazer as compensações de débitos próprios seus relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; ∙ Em relação ao segundo aspecto – Ao longo de 2002, calculou o IRPJ mensal por estimativa. Ao apurar imposto a pagar, procedia o cálculo do correspondente incentivo fiscal ao Finam (cód. 6692), recolhido mensalmente de janeiro a julho; IRPJ FINAM 6692 Fl. 874DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 874 4 DATA VALOR Jan 80.395,35 Fev 49.118,17 Mar 58.195,33 Abr 50.197,43 Mai 48.194,21 Jun 29.343,57 Jul 28.182,31 Total 343.626,37 A partir de agosto, deixou de apurar o imposto mensal por estimativa, gerando base de cálculo negativa; Com relação ao valor do incentivo, os recolhimentos foram feitos no cód. 6692, muito embora, tendo em vista a mudança de opção de tributação naqueles anos, devessem ter providenciado Redarf, mudandoos para o cód. 2362, o que teria impedido a ocorrência de todo esse processo; Não é verdadeira a afirmação de que houve excesso de aplicação de incentivos fiscais em detrimento do IRPJ do anocalendário 2002. Conforme dito, o valor do incentivo foi recolhido. Muito embora tenha mudado a forma de apuração a partir de agosto, abandonando a modalidade estimativa, esse fato não foi notado pelo Auditor, restando a idéia equivocada de que foi feita aplicação em excesso; A afirmação de que não há saldo negativo, mas IRPJ devido, não guarda conformidade com a realidade. Ainda que fosse excluído o valor de R$ 343.626,37 questionado, a base de cálculo permaneceria negativa, conforme demonstrativo elaborado à fl. 638. Após, os autos foram encaminhados a esta Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF (DRJ/BSA/DF) em 07/04/2008, conforme despacho à fl. 641. Posteriormente, em 05/11/2008, o sujeito passivo apresentou petição com razões aditivas à manifestação de inconformidade às fl. 648/662, onde, amparandose no princípio da verdade material, trouxe exclusivamente novos argumentos de defesa. É o relatório. A DRJ, por unanimidade de votos, DEFERIU EM PARTE a solicitação, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 875DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 875 5 RAZÕES DE DEFESA ADICIONAIS. PRECLUSÃO. O direito do contribuinte a apresentar razões de defesa preclui transcorrido o prazo de trinta dias contado da ciência da decisão que não homologou a compensação. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ E DE CSLL. UMA DECLARAÇÃO PARA CADA CRÉDITO. Se o contribuinte pretende compensar débitos com créditos representados por saldo negativo de IRPJ e de CSLL, deve apresentar um PER/DCOMP para cada tipo de crédito. Não é permitida a inclusão em um PER/DCOMP da somatória dos referidos créditos. IMPOSTO ESTIMADO. PARCELA DESTINADA AO FINAM. VEDAÇÃO À RESTITUIÇÃO. O montante destinado ao Finam não pode integrar o montante deduzido no ajuste a título de imposto estimado pago e, por conseguinte, compor a formação do saldo negativo, vez que sua restituição é vedada, conforme art. 7º da IN SRF nº 210/2002. AUSÊNCIA DE PERC. PERDA DE PRAZO. IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Transcorrido o prazo para a apresentação de Perc destinado a revisar o resultado da auditoria que concluiu pela existência de excesso de destinação ao Finam e, por conseguinte, pela ausência de recolhimento de imposto estimado, preclui o direito do contribuinte de contestar administrativamente o não reconhecimento do incentivo pleiteado. SALDO NEGATIVO APÓS EXCLUSÃO DA PARCELA DESTINADA AO FINOR. DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. Verificada a existência de saldo negativo mesmo após a exclusão do imposto estimado destinado ao Finam, é devido reconhecer o direito creditório neste montante e homologar as compensações efetuadas até o limite deste direito, devidamente atualizado. O recurso voluntário repisou as razões trazidas na impugnação (manifestação de inconformidade), pediu a validação das provas trazidas aos autos, declarou e tentou demonstrar a regularidade de sua contabilidade, pediu a aplicação do artigo 112 do CTN que representa a interpretação mais favorável ao contribuinte, que apoiou em jurisprudência, e encerrou solicitando o provimento ao seu pedido. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada, interpôs recurso voluntário a este Primeiro Conselho de Contribuinte, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Esta Quarta Câmara, em 26 de maio de 2011, baixou o julgamento em diligência para, em síntese, transmutar a situação do crédito no valor de R$ 1.705.092,36, Fl. 876DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 876 6 inicialmente na natureza de UROH oara CSLL constante de outro processo e prosseguir na validação do saldo negativo desse crédito apurando a sua liquidez e certeza. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência, acatando na essência a transmutação solicitada e o valor do crédito, mas discordando em vários pontos do processo de compensação dos débitos apontados, seja no aspecto de valoração das compensações seja em retificações não consideradas pela fiscalização, haja vista as diversas dcomps retificadoras desconsideradas. É o relatório. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 877 7 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Tratam os autos de processo administrativo, relativo a Declaração de Compensação referente a saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002. Ao apreciar os PER/DCOMP, a autoridade fiscal, bem assim a DRJ entenderam que o crédito informado pelo contribuinte como decorrente de saldo negativo de IRPJ de 2002, no montante de R$ 5.053.723,99, deveria ser assim tratado, apesar de o contribuinte ter informado em sua resposta à intimação fiscal que o referido crédito se referia, na realidade, à somatória dos saldos negativos de IRPJ e de CSLL. Esclareceu, todavia, após intimação efetuada pela autoridade fiscal em maio de 2007, que o crédito referiase, na realidade, à somatória dos saldos negativos de IRPJ (R$ 3.348.631,63) e de CSLL (R$ 1.705.092,36) apurados na DIPJ/2003. Os fundamentos do indeferimento pela DRF das compensações foram 2(dois): (i) a indicação do montante dos créditos sob o titulo único de "saldo negativo de IRPJ"; (ii) a constatação de que, no montante dos créditos (R$ 5.053.723,99), estavam incluídos recolhimentos efetuados com o código de aplicações no FINAM, no valor de R$ 343.626,37. Sob essas fundamentações a solicitação foi integralmente indeferida. A DRJ, manteve o indeferimento da CSLL – item (i), mas em relação ao item (ii) constatou que o excesso de aplicação FINAM não conduzia ao completo indeferimento do pleito, deferindo assim quase que a totalidade do IRPJ efetivamente pleiteado (à parte a CSLL) no montante de R$ 3.024.556,91. Em relação ao item 1), que é o alvo desta Resolução, a DRJ, por seu turno, colocando ênfase no aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, negou a solicitação sob o fundamento de que a IN SRF nº 210/2002, vigente à época da transmissão dos PER/DCOMP exigia a discriminação individual dos créditos quando decorrentes de saldo negativo, orientação contida também no Ajuda do programa gerador do PER/DCOMP. Em vista disso, não seria possível aceitar a indicação no PER/DCOMP de um crédito de saldo negativo de IRPJ, quando na verdade este se refere ao somatório de saldos negativos de IRPJ e CSLL. Conforme já se disse, a empresa não se quedou inerte quando alertada pela DRF do referido equívoco.,Esclareceu que o saldo de R$ 5.053.723,99 é composto pela soma dos saldos negativos de IRPJ (R$ 3.348.631,63) e de CSLL (R$ 1.705.092,36). Esclareceu também as razões do engano e ponderou, dado o volume de documentos (Dcomps) envolvidos (499 folhas), sobre a possibilidade de se fazerem, no âmbito da própria Receita Federal, os ajustes Fl. 878DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 878 8 necessários para apropriação das receitas dos débitos compensados e para estorno das receitas dos créditos utilizados, independente da apresentação de novas DCOMP. Concluiu que, se houve erro de preenchimento, o mesmo decorreu de falta de clareza nos formulários da IN SRF 210/2002. Alegou ainda que independente do erro formal cometido tinha assegurado o seu direito a compensar, ex vi art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) e 74 da Lei nº 9.430/96, regulamentada pela IN SRF nº 600/2005. A recorrente se por um lado cometera erros formais que poderiam comprometer a operacionalidade do sistema, por outro deixou inequívoco que sua intenção era mesma aproveitar também o saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2002. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, através da Resolução nº 14010000.0072 esta 4a Câmara baixou o feito em diligência dado que reconheceu a necessidade de se permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto. Em síntese, baixouse o feito em diligência para transmutar a situação do crédito no valor de R$ 1.705.092,36 inicialmente na natureza de IRPJ para CSLL constante de outro processo (10166.005511/200330) e prosseguir na validação do saldo negativo desse crédito apurando a sua liquidez e certeza. A Recorrente foi cientificada do Relatório Final de Diligência, acatando na essência a transmutação solicitada e o valor do crédito, mas discordando em vários pontos do processo de compensação dos débitos apontados, seja no aspecto de valoração das compensações seja em retificações não consideradas pela fiscalização, haja vista as diversas dcomps retificadoras desconsideradas. Eis, em resumo, abaixo, os termos da manifestação de inconformidade da Recorrente contra o resultado de diligência: A PRIMEIRA DIVERGÊNCIA: (...)30. Vêse, pois, que a autoridade fiscal, ao expedir os Demonstrativos Analíticos de Compensação (DAC) de fls. 729/794, corrigiu acuradamente todos os equívocos apontados acima, que já tinham sido expostos nos itens 25/28 das Razões Aditivas de fls. 654/670. 31. Todavia, a autoridade fiscal fez surgir novas pequenas discrepâncias. As 195 compensações processadas por meio dos DAC de fls. 729/794 passaram a constituir, dentro do processo, mais uma relação de débitos, cuja soma alcança o valor de R$ 4.992.132,30, valor esse que volta a divergir da soma dos débitos compensados nas DCOMP. 32. Há uma diferença de R$ 507,89. 33. Constatouse que essa diferença foi provocada por dois fatores, expostos a seguir. 34. Em primeiro lugar, houve engano da autoridade fiscal em proceder à "compensação 044 de 195", no DAC de fl. 743, do débito de R$ 534,89, referente ao código 5987, como se explica a seguir. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 879 9 34.1. Verificase, pela DCOMP 31078.85291.180204.1.3.025149 (f. 115/117), que nela foi declarado um "débito global" no valor de R$ 2.487,24, referente a "retenção de contribuições sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado CSLL, COFINS e PIS/PASEP", sob o código "59520". 34.2. Houve um engano de codificação, porque esse "débito", segundo observação explícita na própria DCOMP, engloba três tipos de contribuições distintas, as quais deveriam ter sido declaradas sob os códigos específicos de 5987 (CSLL), 5960 (COFINS) e 5979 (PIS), nos valores de R$ 534,89, R$ 1.604,67 e R$ 347,68. 34.3. A empresa tentou corrigir o engano, apresentando em 27.04.2004 a DCOMP retificadora 14609.23624.270404.1.7.021508 (f. 118/121) e, em 07.05.2004, a DCOMP retificadora 28073.36800.070504.1.7.024950 (f. 122/125), nas quais o "débito global" de R$ 2.487,24 foi devidamente apropriado aos códigos competentes, como se vê às fls. 120/121 e 124/125. 34.4. Todavia, a DIORT, ao examinar as três DCOMP, decidiu acolher a DCOMP original, fazendo o registro no PROFISC dos débitos consignados na fl. 117 (código 1708: R$ 802,34; código 3208: R$ 1.163,97; código 5952: R$ 2.487,24), como se vê pelos carimbos "PROFISC" apostos apenas na referida fl. 117. Foram, também, esses os débitos consignados, seja nos Relatórios do Profísc: o débito de R$ 802,34 à fl. 551, o débito de R$ 1.163,97 à fl. 560 e o débito de R$ 2.487,24 à fl. 562; seja nos Demonstrativos que integram a Carta de Cobrança: os três débitos à fl. 634. 34.5. Constatase, por essas razões, que a "compensação 044 de 195", feita no DAC de fl. 743, foi indevida. Cumpre ser cancelada, com o restabelecimento do crédito nela utilizado.: A SEGUNDA DIVERGÊNCIA: 35. Em segundo lugar, houve também engano da autoridade fiscal, quando, na "compensação 076 de 195", ao tratar os débitos da DCOMP 06741.70659.160304.1.3.023370 (fls. 248/251), atribuiu ao débito de código 3208 o valor de R$ 369,99, em vez do valor correto de R$ 396,99, como na DCOMP à fl. 250. 35.1. Haverá também que se corrigir esse segundo engano, utilizandose crédito adicional de R$ 27,00, na "compensação 076 de 195", que se refere ao débito de código 3208, no valor de R$ 396,99, declarado na DCOMP 06741.70659.160304.1.3.023370. 36. Finalmente, constatouse uma última discrepância que, embora não resulte em modificação do montante dos débitos compensados, precisa ser corrigida, para se resguardar a empresa de possíveis aborrecimentos futuros com cobrança indevida. 36.1. Tratase da indicação equivocada de código do tributo na "compensação 067 de 195". 36.2. Em relação à DCOMP 13766.84441.100504.1.7.020732 (fls. 236/238), retificadora da DCOMP 38211.75630.150304.1.3.023519 (f. 230/232), cujos débitos foram tratados nos itens 067 e 068 do DAC de fl. 751, observase que a autoridade fiscal compensou o débito de R$ 9.630,92 como se fosse débito do código 6912, como Fl. 880DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 880 10 consta na DCOMP original. Ocorre que, no presente caso, houve o acolhimento da DCOMP retificadora, de tal sorte que o débito de R$ 9.630,92 referese ao código 8109, como consta à fl. 238. 36.3. Haverá que se corrigir, portanto, a "compensação 067" do DAC de fl. 751. Pois, o código do débito de R$ 9.630,92 é "8109", conforme consta no Registro do Profísc (à fl. 571), bem como no Demonstrativo da Carta de Cobrança (à fl. 634). Por fim, a TERCEIRA DIVERGÊNCIA relativa a data da valoração das compensações: 39.Nesse contexto, dãose por atendidas as questões levantadas nos itens 77/78 e 86, 'd', do Recurso Voluntário: os DAC de fls. 729/794 atendem à exigência do item V do art. 55 da IN 900/2008, que tem lastro no art. 74, § 7o, da Lei 9.430/96. 40.Ora, se o trabalho fiscal foi, assim, bem realizado, como se explicaria a existência da insuficiência de crédito, no valor de R$ 135.979,72? 41.Essa falta de crédito explicase, basicamente, pela forma como a autoridade fiscal tratou os débitos da DCOMP 16039.84029.170305.1.3.020804 (f. 12/15). 41.1.Essa DCOMP foi transmitida com o objetivo de substituir a compensação que se fizera, em 13.08.2003, por meio de Declaração Manual formalizada no Processo 10166.009005/200310, conforme esclarecimentos prestados nos itens 03/05 e 08 do Recurso Voluntário (à fl. 689). 41.2.Encontramse, às fls. 143/148 do Processo 10166.005511/200330 ("disponível para consulta no eprocesso fl. 802", conforme item 5 do Relatório da Diligência), os elementos essenciais que constituem a compensação feita mediante formulário de preenchimento manual, protocolada em 13.08.2003. Por meio desses elementos é possível constatar que os débitos declarados na compensação manual são exatamente os mesmos que constam da DCOMP eletrônica de fls. 12/15, os quais foram tratados nas compensações de n° 190 a 195 dos DAC de fls. 792/792. 41.3.Por essas compensações (190 a 195 dos DAC), observase que a autoridade fiscal fez incidir sobre os débitos compensados na DCOMP de fls. 12/15 os encargos de multa e juros, considerando como data de liquidação dos débitos a data de "17.03.2005", data em que foi transmitida a DCOMP, e não a data de 13.08.2003, quando foi protocolada a compensação manual, conforme protocolo de abertura do Processo 10166.009005/200310, constante da fl. 143 do Processo 10166.005511/2003 30. 41.4.Com isso, houve incidência de multas e juros de mora, que não constam da DCOMP 16039.84029.170305.1.3.020804 (f. 12/15), provocando um consumo maior de crédito, conforme se vê pela comparação dos dois quadros apresentados a seguir: 41.5. A recorrente pleiteia que os encargos sejam calculados tendo como termo final da liquidação a data de 13.08.2003, situação que resultará em redução das multas e juros de mora, especialmente em relação às compensações 192 e 195. (...) Ainda no mesmo contexto dessa TERCEIRA DIVERGÊNCIA, questiona a forma de cálculo de três outras Dcomp: Fl. 881DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10166.002902/200564 Resolução nº 1401000.205 S1C4T1 Fl. 881 11 42. Ademais, houve, ainda discrepâncias na forma de cálculo de encargos legais em relação a três DCOMP, como se explana a seguir. (...) 42.1. Em relação à DCOMP 41949.37154.070504.1.7.021834 (f. 24/27), retificadora Oda DCOMP 33178.71157.311003.1.3.020467 (f. 16/19), cujos débitos foram tratados nas compensações 001, 004, 005 e 006, realizadas nos DAC de fls. 729/730, embora esses débitos tenham sido compensados em data posterior às datas dos respectivos vencimentos, deixaram de ser computados os juros e as multas. 42.1.1.Mas, a autoridade fiscal não deixou de computar esses encargos, tomando, como base para aferir a pontualidade da liquidação, a data da DCOMP original, ou seja, 31.10.2003. 42.1.2.Assim sendo, a autoridade fiscal consumiu parcela do crédito disponível maior do que a parcela consumida pela empresa, como se vê pela comparação dos dois quadros a seguir: Como foi colocado na primeira Resolução, devese levar em consideração que os referidos pedidos foram feitos parte na sistemática de compensação manual e parte através da nova Sistemática (PER/Dcomp) o que é razoável se levar em conta a ocorrência de acontecer certos equívocos. Diante desse contexto, converto o feito novamente em diligência: Para que a fiscalização corrija as duas primeiras divergências, considerando a existência das Dcomps retificadoras, bem assim justifique o motivo pelo qual a forma de valoração adotada por ela discrepa da forma pretendida pela Recorrente e pontuada na Terceira divergência. Havendo equívoco, fazer as devidas correções. Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide; Prosseguir na validação do saldo negativo desse crédito apurando a sua liquidez e certeza, após retificado os equívocos; Após as verificações acima, certificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil; A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores sobre os pontos 34.5, 35.1, 36.3 e 41.5 da manifestação de inconformidade da Recorrente contra o resultado de diligência Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 882DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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