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Numero do processo: 10670.720090/2013-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
ENCARGOS FINANCEIROS. DÍVIDA EXECUTADA JUDICIALMENTE. INDEDUTIBILIDADE. A partir da citação inicial para o pagamento do débito, a pessoa jurídica devedora deverá adicionar ao lucro liquido os encargos incidentes sobre o débito vencido e não pago que tenham sido deduzidos como despesa ou custo, incorridos a partir daquela data.
MULTA PROPORCIONAL. QUALIFICAÇÃO. Deve ser afastada a duplicação do percentual da multa de ofício proporcional se as evidências reunidas pela Fiscalização não são suficientes para afastar a mera possibilidade de erro na apresentação da DIPJ e da Escrituração Contábil Digital.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O não-recolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o ano-calendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano-calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Definidos em lei, o percentual de 75% aplicado em lançamento de ofício, bem como a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não se sujeitam a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1101-001.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento relativo à multa qualificada; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à qualificação da penalidade; 4) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Reynaldo Becari e Marcos Vinícius Barros Ottoni; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao efeito confiscatório da penalidade; e 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Marcos Vinícius Barros Ottoni.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DÍVIDA EXECUTADA JUDICIALMENTE. INDEDUTIBILIDADE. A partir da citação inicial para o pagamento do débito, a pessoa jurídica devedora deverá adicionar ao lucro liquido os encargos incidentes sobre o débito vencido e não pago que tenham sido deduzidos como despesa ou custo, incorridos a partir daquela data. MULTA PROPORCIONAL. QUALIFICAÇÃO. Deve ser afastada a duplicação do percentual da multa de ofício proporcional se as evidências reunidas pela Fiscalização não são suficientes para afastar a mera possibilidade de erro na apresentação da DIPJ e da Escrituração Contábil Digital. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. O nãorecolhimento de estimativas sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada, ainda que encerrado o anocalendário. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do anocalendário, por caracterizarem penalidades distintas. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Definidos em lei, o percentual de 75% aplicado em lançamento de ofício, bem como a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não se sujeitam a discussão no contencioso administrativo fiscal (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a arguição de nulidade do lançamento relativo à multa qualificada; 3) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 90 /2 01 3- 42 Fl. 3639DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 3 2 relativamente à qualificação da penalidade; 4) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à multa isolada, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior, Paulo Reynaldo Becari e Marcos Vinícius Barros Ottoni; 5) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente ao efeito confiscatório da penalidade; e 6) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Marcos Vinícius Barros Ottoni. Fl. 3640DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório ITALMAGNÉSIO NORDESTE S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 15/01/2013, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 61.784.995,04. O lançamento decorre da adição ao lucro tributável de juros e encargos decorrentes de empréstimos contraídos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Social – BNDES que, nos termos do art. 342, §3o do RIR/99, seria indedutíveis pela pessoa jurídica devedora a partir da citação inicial para o pagamento do débito. Os empréstimos teriam sido objeto de ações de execução, cujas citações ocorreram em 12/01/1994 e antes de 11/04/1995, de modo que os encargos apropriados nos anoscalendário 2008 (R$ 50.985.020,40) e 2009 (R$ 18.567.343,52) deveriam ter sido adicionados ao lucro tributável. No Relatório Fiscal de fls. 33/55, a autoridade lançadora descreve as investigações realizadas, demonstra a recomposição do lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL nos períodos autuados, bem como a apuração das estimativas não recolhidas, em razão das quais exigiu multa isolada no percentual de 50%. Aos créditos tributários apurados no ajuste anual de 2008 e 2009 foi aplicada multa qualificada. Para justificála, a autoridade fiscal inicialmente discorre sobre a apresentação de DIPJ com valores zerados/não preenchidos, e a transmissão, ao SPED, de escrituração contábil digital com descompasso significativo no saldo contábil de lucro/prejuízo do exercício entre as datas de 31/12/2008 e 01/01/2009, ambas retificadas no curso do procedimento fiscal, sendo que a retificação da escrituração contábil digital somente foi possível pela pendência de falta de recolhimento da taxa estadual correspondente, cuja exigência a contribuinte alegou ter obtido a informação de que não seria necessária. A autoridade lançadora menciona a devolução de Livros Diário à contribuinte para autenticação e a falta de apresentação dos livros autenticados, diz que se procedidas as adições a contribuinte não apresentaria prejuízos fiscais, observa que na primeira escrituração digital transmitida ao SPED havia inconsistências nos saldos de passivos (inclusive aquele que recebeu os encargos passíveis de adição) e de lucro, e descreve as intimações lavradas para identificar os valores escriturados nos passivos questionados em razão de obscuridade nos históricos contábeis. Conclui, assim, que tais expedientes implicaram em ação/omissão do contribuinte com o objetivo de não cumprir suas obrigações para com o fisco, revelando o evidente intuito de fraude, bem como crime contra a ordem tributária tipificado na Lei nº 8.137/90. Transcreveu o art. 44 da Lei nº 9.430/96 e os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64 para afirmar que a fraude fiscal pode ser constatada em razão de uma ação ou omissão, de simulação ou ocultação, e pressupõe a intenção de causar dano à Fazenda Pública, com propósito de eximirse, no todo ou em parte, de uma obrigação tributária Assim, como os expedientes adotados pelo fiscalizado, antes relatados, implicaram no propósito de eximirse das obrigações tributárias, estaria caracterizado o intuito de fraude/sonegação. Impugnando a exigência, a contribuinte argüiu a nulidade do lançamento por falta de caracterização da infração e de fundamentação para a qualificação da penalidade. No Fl. 3641DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 5 4 mérito, observou que não foi executada judicialmente por outro credor (CEMIG) e, de toda sorte, a execução promovida pelo BNDES não impede a dedução autorizada no art. 374 do RIR/99, especialmente quando a ação de execução encontrase devidamente garantida. Discordou da exigência de multa isolada, inclusive porque concomitante com a multa qualificada, e destacou a apresentação de todas as informações fiscais relativas ao período em análise, bem como as retificações promovidas, para desqualificar a acusação de fraude. Argüiu o caráter confiscatório das penalidades e discordou da utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. A Turma julgadora rejeitou as preliminares de nulidade, observou que a acusação fiscal não tem em conta obrigações da contribuinte perante CEMIG, destacou que a legislação fiscal não faz qualquer ressalva em razão de garantias apresentadas em execução, e observou que as circunstâncias apontadas pela Fiscalização, quando analisadas em conjunto, são suficientes para caracterizar o dolo, com vistas a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, e seus efeitos não se desfazem pela retificação promovida depois do início do procedimento fiscal. Afirmou também a validade da exigência de multa isolada e da utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora. Cientificada da decisão de primeira instância em 21/03/2013 (fls. 3559/3560), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 19/04/2013 (fls. 3561/3602). Inicialmente anota que as adições exigidas pela Fiscalização se refeririam a financiamentos que lhe foram concedidos pelo BNDES, Banco do Brasil, Banco do Nordeste do Brasil e CEMIG. Na seqüência, em preliminar afirma a nulidade dos lançamentos em razão da aplicação de multa qualificada sem a caracterização da infração, cerceandolhe o direito de defesa. Discorre sobre os requisitos do lançamento reportandose a doutrina e ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72, menciona a ausência de fatores que determinem, com clareza e coerência, o direito creditório invocado pelo Fisco, diz que a imputação sequer foi discriminada e que a ausência de capitulação da infração prejudicou sua defesa. Transcreve ementas de julgados administrativos e afirma que houve erro formal relativamente à capitulação da multa qualificada imputada, pois ao imputar à Impugnante a multa de ofício com a majoração da penalidade prevista no §1o do inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, o Ilmo. Auditor Fiscal deixou de fundamentar a razão da qualificação da multa guerreada, limitando se a duplicar o percentual “nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64”. Desta forma, não sabe a Recorrente se foi a ela imputado o crime de sonegação, fraude ou conluio, e a interpretação da autoridade julgadora no sentido de que houve fraude não se sustenta, porque não houve enquadramento no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Invoca julgado administrativo que reconheceu a nulidade do lançamento em razão de erro material na capitulação legal da multa aplicada. No mérito, infere da acusação fiscal referências a execução promovida por CEMIG e nega tal fato. Quanto às execuções promovidas pelo BNDES, argumenta que o art. 374 do RIR/99 autoriza a dedução de juros pagos ou incorridos, observa que a lei autoriza a exclusão do lucro líquido dos encargos incidentes sobre crédito contraído perante instituições financeiras, menciona o acréscimo determinado pelo art. 342, §3o do RIR/99, mas observa que se a obrigação está garantida, a empresa não está tendo nenhum encargo relativo ao crédito contraído perante a instituição financeira. Entende que a obrigação será adimplida pelo bem ofertado como garantia, sendo irrelevante, para a dedução dos juros, se ela for paga antes da ação de execução, ou ao final dela. Ademais, como a obrigação encontrase garantida, por decorrência lógica, ela gerará receita, de modo que ocorreria uma bitributação se tanto a Fl. 3642DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 6 5 credora com a devedora incluísse no seu lucro líquido os juros incorridos por meio deste crédito. Ressalta que, com tais argumentos, não questiona a constitucionalidade da lei tributária, mas apenas defende interpretação que não incorra em bitributação. Reitera que a ação de execução nº 94.00019246 encontrase integralmente garantida por penhora de imóvel de sua propriedade, diz que não é razoável impedir a dedução dos encargos, e acrescenta que como o débito será quita em dinheiro ou pelo bem ofertado em garantia, os juros devem ser dedutíveis. Por tais razões, também, a multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas também não pode subsistir. Quanto à qualificação da penalidade, diz inexistir qualquer sustentáculo fático que comprove a acusação fiscal, destaca sua boa fé porque em momento algum se absteve de prestar as informações exigidas durante a fiscalização, tentando, na medida do possível, atender todas as solicitações recebidas. Observa que o procedimento fiscal estendeu se por quase um ano, sendolhe requisitados documentos que poderiam ser obtidos pelo Fisco junto a seus sistemas de informação, os quais ainda assim foram apresentados, juntamente com extratos bancários, livros contábeis e fiscais, notas fiscais e DIPJ. Ao final, a quantidade de solicitações não atendidas foi muito baixa, foram apresentados documentos em substituição às exigências que não puderam ser atendidas, e não houve qualquer obstáculo ao procedimento fiscal. Acrescenta que a Fiscalização não esclarece porque as DIPJ não estariam condizentes com a realidade dos fatos, afirma que houve erro na transmissão das DIPJ originais, sanado por meio de retificação. Também houve equívocos na transmissão da escrituração contábil digital ao SPED e na demora na autenticação dos livros digitais, da mesma forma já sanados. Esclarece que o erro na indicação dos saldos de contas na escrituração transmitida ao SPED não se verifica nos Livros Razão, corretamente escriturados e exibidos ao Fisco, e que a escrituração digital já foi retificada. Discorre sobre o atraso na autenticação dos livros digitais e observa que os impedimentos foram levados ao conhecimento da Fiscalização. E, quanto à demora na apresentação de informações contabilizadas, diz que o interregno de pouco mais de um mês é insignificante frente à quantidade de informações exigidas pelo agente fiscal, e que apresentou requerimento de prazo suplementar para seu atendimento, juntando aos extratos contábeis planilhas e demonstrativos informativos. Argumenta, também, que a imposição da multa qualificada, além de dependente da indicação de uma das três situações previstas na Lei nº 4.502/64, exige a caracterização de dolo por parte do agente, comprovandose o resultado atingido por meio da conduta dolosa, ou no mínimo prova desta conduta. Reitera sua boafé no curso do procedimento fiscal e o volume de informações exigidas pela Fiscalização, e entende que não deve prevalecer a multa qualificada sem prova concreta do alegado, na forma da jurisprudência que cita. Ressalta que o acórdão recorrido reportouse à hipótese de fraude/sonegação, inferindo a ocorrência de sonegação. Afirma a impossibilidade de aplicação concomitante da multa isolada com a multa qualificada, sobre a mesma base de cálculo, destacando que a exigência total é desproporcional e desarrazoada ao suposto prejuízo causado aos cofres públicos. Cita julgados administrativos contrários à aplicação concomitante das multas em referência. Discorre sobre efeito confiscatório da penalidade aplicada, observando que a autoridade administrativa não está vinculada à penalidade prevista em lei, e nos termos do art. Fl. 3643DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 7 6 142 do CTN pode ou não aplicar penalidade. No caso, as multas aplicadas afrontam os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do nãoconfisco, não podendo prevalecer. Opõese à utilizada da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, em razão de seu caráter remuneratório. Afirma também que houve capitalização dos juros, resultando em incidência demasiadamente onerosa. Fl. 3644DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 8 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A recorrente argúi, em preliminar, a nulidade do lançamento, por cerceamento ao seu direito de defesa, reportandose especialmente a deficiências na motivação apresentada para qualificação da penalidade. Considerando que o principal exigido está validamente motivado, a abordagem acerca dos motivos que ensejam a qualificação da penalidade será feita depois da análise da revisão das bases de cálculo promovidas pela autoridade lançadora. No mérito, a recorrente argumenta que a dedução de juros pagos ou incorridos é autorizada pelo seguinte dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99 (RIR/99): Art 374. Os juros pagos ou incorridos pelo contribuinte são dedutíveis, como custo ou despesa operacional, observadas as seguintes normas (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, parágrafo único): I os juros pagos antecipadamente, os descontos de títulos de crédito, e o deságio concedido na colocação de debêntures ou títulos de crédito deverão ser apropriados, pro rata temporis , nos períodos de apuração a que competirem; II os juros de empréstimos contraídos para financiar a aquisição ou construção de bens do ativo permanente, incorridos durante as fases de construção e pré operacional, podem ser registrados no ativo diferido, para serem amortizados. Parágrafo único. Não serão dedutíveis na determinação do lucro real, os juros, pagos ou creditados a empresas controladas ou coligadas, domiciliadas no exterior, relativos a empréstimos contraídos, quando, no balanço da coligada ou controlada, constar a existência de lucros não disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, § 3º). Porém, a glosa promovida pela autoridade lançadora tem fundamento em restrição específica instituída pelo art. 11 da Lei nº 9.430/96, assim consolidada do RIR/99: Art. 342. Após dois meses do vencimento do crédito, sem que tenha havido o seu recebimento, a pessoa jurídica credora poderá excluir do lucro líquido, para determinação do lucro real, o valor dos encargos financeiros incidentes sobre o crédito, contabilizado como receita, auferido a partir do prazo definido neste artigo (Lei nº 9.430, de 1996, art. 11). § 1º Ressalvadas as hipóteses das alíneas " a " e " b " do inciso II do § 1º do art. 340, o disposto neste artigo somente se aplica quando a pessoa jurídica houver tomado as providências de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito (Lei nº 9.430, de 1996, art. 11, § 1º). § 2º Os valores excluídos deverão ser adicionados no período de apuração em que, para os fins legais, se tornarem disponíveis para a pessoa jurídica credora ou em que reconhecida a respectiva perda (Lei nº 9.430, de 1996, art. 11, § 2º). § 3º A partir da citação inicial para o pagamento do débito, a pessoa jurídica devedora deverá adicionar ao lucro liquido, para determinação do lucro real, os Fl. 3645DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 9 8 encargos incidentes sobre o débito vencido e não pago que tenham sido deduzidos como despesa ou custo, incorridos a partir daquela data (Lei nº 9.430, de 1996, art. 11, § 3º). § 4º Os valores adicionados a que se refere o parágrafo anterior poderão ser excluídos do lucro líquido, para determinação do lucro real, no período de apuração em que ocorra a quitação do débito por qualquer forma (Lei nº 9.430, de 1996, art. 11, § 4º). (negrejouse) Defende a recorrente que esta limitação não teria lugar quando a obrigação está garantida, pois seu adimplemento está assegurado pelo bem ofertado ao juízo, sendo irrelevante, para a dedução dos juros, se ela for paga antes da ação de execução, ou ao final dela. A lei tributária, porém, não admite a dedução de encargos financeiros decorrentes de dívida relativamente à qual a pessoa jurídica devedora já foi citada para pagamento do débito. Nenhuma ressalva foi feita para os casos de a execução ter sido garantida. A contrário, o §4o do art. 342 do RIR/99 estabelece que a dedutibilidade dos encargos somente será restabelecida quando o débito for quitado por qualquer forma. Significa dizer que, mesmo se garantida a execução, e ainda que ela não seja questionada em embargos, os encargos financeiros da dívida somente voltarão a ser dedutíveis quando a garantia for substituída por pagamento, ou adjudicada ao credor, extinguindo o principal devido, acompanhado dos correspondentes acréscimos. A recorrente também aduz que, como a obrigação encontrase garantida, por decorrência lógica, ela gerará receita, de modo que ocorreria uma bitributação se tanto a credora com a devedora incluísse no seu lucro líquido os juros incorridos por meio deste crédito. Contudo, além de este argumento ter natureza econômica e derivar a discussão para o âmbito da constitucionalidade da lei, cumpre observar que o caput do próprio art. 342 do RIR/99 autoriza o credor a excluir da base tributável os encargos financeiros contabilizados como receitas após dois meses do vencimento do crédito, desde que adotadas as providências de caráter judicial necessárias ao recebimento do crédito, ou seja, desde que promova a ação de execução, citando o devedor. Nestes termos, a tributação da receita auferida pelo credor, da mesma forma que a dedução da despesa incorrida pelo devedor, somente se verificarão quando houver a quitação do débito, mediante disponibilização do valor devido ao credor. Esclareçase, por fim, que a autoridade lançadora detalha a origem dos valores glosados, demonstrando que as despesas de juros foram contabilizadas em contrapartida à conta de passivo representativa de empréstimos contraídos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Social – BNDES, sem alcançar encargos de dívidas com os outros credores mencionados na defesa. A acusação fiscal também reúne provas consistentes no sentido de que a contribuinte foi citada na ação de execução judicial daqueles créditos em 12/01/94, bem como de que embargou a execução em 11/04/95. A recorrente, por sua vez, apenas alega que a ação de execução nº 94.00019246 encontrase integralmente garantida por penhora de imóvel de sua propriedade, evidenciando ainda não ter se verificado a liquidação da obrigação discutida judicialmente. Portanto, nada há que macule a glosa destas despesas na apuração dos lucros tributáveis dos anoscalendário 2008 e 2009, motivo pelo qual deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos principais exigidos. Fl. 3646DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 10 9 Quanto à penalidades aplicadas, inicialmente a recorrente argúi a nulidade do lançamento relativamente à qualificação da penalidade que lhe foi imputada, na medida em que a autoridade lançadora não expôs com clareza os motivos da autuação, deixando de capitular a infração em um dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Complementa que a decisão de 1a instância estaria equivocada em vincular ao art. 72 da Lei nº 4.502/64 o motivo da qualificação da penalidade, dado que a autoridade lançadora assim não o fez. O exame da acusação fiscal, porém, não revela nenhum prejuízo à defesa da autuada. A autoridade fiscal, depois de discorrer sobre a conduta do sujeito passivo e suas conseqüências tributárias, reproduziu o art. 44 da Lei nº 9.430/96, destacando a necessária duplicação do percentual da multa de ofício nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, e depois de transcrever o conteúdo destes dispositivos legais concluiu que: A fraude fiscal pode ser constatada em razão de uma ação ou omissão, de simulação ou ocultação, e pressupõe a intenção de causar dano à Fazenda Pública, com propósito de eximirse, no todo ou em parte, de uma obrigação tributária. Os expediente adotados pelo fiscalizado, já relatados neste tópico, implicaram no propósito de eximirse das obrigações tributárias, caracterizando o intuito de fraude/sonegação. A autoridade lançadora vislumbrou na conduta da contribuinte traços que se amoldam ao intuito de fraude presente, genericamente, nos três casos previstos na Lei nº 4.502/64, mas arrematou a acusação indicando que o presente caso estaria enquadrado na hipótese de sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/64). E, uma vez exposta a motivação para qualificação da penalidade, permitindo a defesa do sujeito passivo, o lançamento é válido, devendo ser apreciado em seu mérito. Por tais razões, deve ser REJEITADA a argüição de nulidade. Ocorre que, no mérito, a acusação fiscal não pode prosperar. Como bem sintetizado na decisão recorrida, a penalidade foi duplicada em razão das seguintes constatações: Os seguintes pontos estão claramente especificados no item IX do Relatório Fiscal (DA MULTA QUALIFICADA): • Foram apresentadas declarações originais relativas aos períodos fiscalizados com os valores zerados/não preenchidos. Após o início do procedimento, sendo intimado a justificar a apresentação das referidas declarações com informações não condizentes com a realidade, a contribuinte apresentou justificativa de ocorrência de falha na sua área contábil, quando entregou declarações retificadoras; • Houve transmissão ao SPED, em 30/12/2011, escrituração contábil digital (ECD), contendo livro Diário resumido n° 76, bem como cinco livros auxiliares com diferença de saldo credor, apurada na conta 27716001 – Lucro (Prejuízo) do exercício no valor de R$ 66.385.881,86. A contribuinte apresentou , em 13/03/2012, retificação da ECD, relativa ao anocalendário 2009, após intimada a justificar essa diferença. Ambas ECDs, original e retificadora, não se encontram autenticadas; • Na apuração do lucro tributável dos anoscalendário 2008 e 2009, o contribuinte deveria ter adicionado os valores dos encargos (juros/variações monetárias) incidentes sobre os débitos vencidos e não pagos ao BNDES, que foram deduzidos Fl. 3647DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 11 10 como despesas na apuração do lucro líquido contábil de tais períodos. Em função da falta dessas adições apurou prejuízo fiscal para os períodos fiscalizados; • Impossibilidade de identificar a origem dos valores creditados na conta contábil 23161002 –QUIROGRAFÁRIOS MOEDA NACIONAL, relativos aos empréstimos efetuados junto ao BNDES, já vencidos e não pagos pela fiscalizada. Ao final do item IX, com o título “Da Multa Qualificada”, do Relatório Fiscal consta que: (...) Os expedientes adotados pelo fiscalizado, tais como: apresentação de declarações (DIPJ's) dos anos calendário 2008 e 2009, contendo informações não condizentes com a realidade dos fatos; transmissão ao SPED de escrituração contábil digital (ECD) do anocalendário 2009, contendo saldos iniciais com vultosas diferenças em relação aos saldos finais do período anterior; utilização de históricos, que não permitiam identificar a origem dos significativos valores creditados em conta do passivo e debitados em contas de despesas; e, por fim, a longa demora em esclarecer a que se referiam os valores escriturados a crédito da conta contábil 23161002, após diversas intimações para fazêlo, implicaram em ação/omissão do contribuinte com o objetivo de não cumprir suas obrigações para com o fisco, revelando o evidente intuito de fraude. (...) Os expedientes adotados pelo fiscalizado, já relatados neste tópico, implicaram no propósito de eximirse das obrigações tributárias, caracterizando o intuito de fraude/sonegação. Inicialmente cumpre observar que a adoção da Escrituração Contábil Digital – ECD tornouse obrigatória a partir de 01/01/2008, e apenas para as sociedades empresárias sujeitas a acompanhamento econômicotributário diferenciado. Somente a partir de 01/01/2009 alcançou todas as sociedades empresárias tributadas pelo lucro real. Logo, os questionados procedimentos adotados pelo sujeito passivo verificaramse no primeiro ano em que esteve obrigado à apresentação da ECD, ou seja, 2009. A autoridade fiscal infere que a contribuinte, ao transmitir sua ECD do ano calendário 2009 antes do início da ação fiscal, mas em forma resumida e acompanhada apenas de registros auxiliares de faturamento, caixa e bancos, contas a receber, contas a pagar e estoques, sem neles considerar a atualização monetária do endividamento do exercício de 2008, estaria agindo de forma fraudulenta para deixar de recolher os tributos lançados. Acrescenta, ainda, que as DIPJ relativas aos períodos fiscalizados foram entregues sem preenchimento. Em princípio, é razoável crer que a pessoa jurídica enfrentou dificuldades para se adequar às obrigações acessórias que lhe foram exigidas a partir do anocalendário 2009, mantendose omissa até meados de 2011, quando apresentou escrituração resumida à Junta Comercial, alegando desconhecer a necessidade de pagamento de taxas para o registro da escrituração. Não é possível afirmar de forma segura que a contribuinte deliberadamente deixou de promover o pagamento da referida taxa para posteriormente poder retificar a ECD, como se infere da acusação fiscal. É certo que desde o anocalendário 2008 já se verificavam problemas no cumprimento da obrigação acessória correspondente à apresentação da DIPJ, muito embora neste caso, a contribuinte tenha informado, durante o procedimento fiscal, que: Foi verificado que quando do envio dos Arquivos das Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ) dos Exercícios de 2009 ano Calendário 2008 e 2010 ano calendário 2009 foram transmitidos os Arquivos das Declarações onde Fl. 3648DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 12 11 constavam somente as informações referente a Pasta IPI. Como o preenchimento da pasta do IPI é de responsabilidade da Área Fiscal, primeiramente faziase a pasta do IPI e depois era copiado o respectivo Arquivo para um Computador da Área Contábil que por sua vez finalizava o Preenchimento das Declarações. Quando do envio dos Arquivos das Declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ), serviço este realizado pela área fiscal, Não foi observado que o Arquivo transmitido continha somente as informações refere à pasta do IPI. De toda sorte, desde 16/10/2009 a Receita Federal já dispunha da DIPJ apresentada para o anocalendário 2008, cujo preenchimento, em verdade, foi apenas deficiente, dado que além das informações referentes ao IPI, também foi transcrito o balanço do ano anterior, o quadro societário, as vendas a comercial exportadora, e a receita bruta para pagamento do parcelamento no âmbito do REFIS (fls. 1156/1199). Assim, especificamente em relação ao anocalendário 2008, o intuito de fraude restaria caracterizado, apenas, pela DIPJ assim apresentada, sem o preenchimento das fichas correspondentes à apuração do lucro. No anocalendário 2009, a DIPJ apresentada em 30/06/2010, foi entregue sem preenchimento (fls. 1244/1279), seguindose a entrega deficiente da ECD em 30/11/2011, na qual, aliás, não teriam sido considerados os efeitos da atualização monetária do endividamento do exercício de 2008, de modo que a conta representativa de lucro do exercício apresentaria saldo inicial em 01/01/2009 de R$ 66.521.698,00, diversamente do seu saldo final em 31/12/2008, no valor de R$ 135.816,14. A autoridade fiscal não menciona se os registros daquela natureza, pertinentes ao anocalendário 2009, foram considerados na escrituração apresentada em 30/11/2011. De toda sorte, os elementos assim reunidos não permitem distinguir se as condutas mencionadas decorrem de erro ou da intenção de enganar ou ocultar do Fisco a existência de despesas que deveriam ter sido adicionadas ao lucro tributável. Não é possível afirmar que no anocalendário 2008 a contribuinte tenha apresentado a DIPJ sem o preenchimento das fichas correspondentes à apuração do resultado para impedir que o Fisco tivesse conhecimento da necessidade daquelas adições, assim como não é possível concluir que as ações pertinentes ao anocalendário 2009 revelem intuito de fraude dirigido à sonegação dos tributos devidos naquele período de apuração. Em circunstâncias específicas, a apresentação de DIPJ sem informações pode se prestar como meio de fraude, por apresentar ao Fisco um contexto de baixa ou nenhuma atividade, cuja confirmação pelas autoridades fiscais seria desnecessária, ocultando os tributos que seriam devidos. Mas, no presente caso, a conduta do sujeito passivo, considerando a apresentação de DIPJ parcialmente preenchida no anocalendário 2008, e a entrega da ECD referente ao anocalendário 2009, mesmo com deficiências, antes do início do procedimento fiscal, não produziriam necessariamente aqueles efeitos. Ao menos não é possível afirmar, com relativa segurança, que o sujeito passivo, por meio das informações prestadas, pretendia produzir aqueles efeitos. Para além disso, a acusação fiscal apenas se reporta à falta de registro dos livros Diários pertinentes ao anocalendário 2008, aos montantes de lucros tributáveis que seriam apurados caso promovidas as adições omitidas, e aos históricos adotados para registros dos encargos financeiros, em razão dos quais tornouse impossível identificar qual a origem dos valores creditados na conta de passivo “Quirografários Moeda Nacional” e debitados nas Fl. 3649DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 13 12 contas de despesas representativas de juros e variações monetárias. Contudo, a contribuinte apresentou os arquivos digitais de sua escrituração contábil, e a partir deles a autoridade lançadora exigiu informações complementares que lhe foram prestadas, assim identificando a matéria tributável. Ainda que o sujeito passivo tenha requerido prorrogação de prazo, e retardado a apresentação destes esclarecimentos, por meio deles a autoridade fiscal logrou distinguir os encargos correspondentes à dívida executada judicialmente, e concluiu o procedimento fiscal vários meses antes do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos contado da ocorrência do primeiro fato gerador (31/12/2008). Por fim, ainda que as bases tributáveis se apresentem em montantes significativos, não se pode olvidar que os juros representavam despesas incorridas, que poderiam ter reduzido o lucro contábil, situando a infração cometida na escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR, mediante omissão do registro da adição correspondente. Assim, para afirmar a presença do intuito de fraude, seria necessária relativa certeza de que o inadequado preenchimento das DIPJ e a apresentação irregular da ECD antes do início do procedimento fiscal não decorreram de erro, hipótese que não restou afastada, nos termos antes expostos. E isto porque o CTN estabelece que: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Por tais razões, apesar de REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento pertinente à qualificação da penalidade, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para afastar a duplicação da multa de ofício promovida pela autoridade lançadora. A recorrente também discorda da aplicação concomitante da multa isolada com a multa qualificada, sobre a mesma base de cálculo, destacando que a exigência total é desproporcional e desarrazoada ao suposto prejuízo causado aos cofres públicos. Cita julgados administrativos contrários à aplicação concomitante das multas em referência. A irresignação subsistirá porque a falta de prova do intuito de fraude resultou apenas no afastamento da duplicação da multa de ofício, subsistindo a exigência do percentual básico de 75% aplicado sobre os tributos devidos no ajuste anual, concomitantemente com o a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. Ocorre que a legislação fixa como regra a apuração trimestral do lucro real ou da base de cálculo da CSLL, e faculta aos contribuintes a apuração destes resultados apenas ao final do anocalendário caso recolham as antecipações mensais devidas, com base na receita bruta e acréscimos, ou justifiquem sua redução/dispensa mediante balancetes de suspensão/redução. Fl. 3650DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 14 13 Se assim não procedem, desde a redação original da Lei nº 9.430/96 estava assim disposto: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; [...] Observese, ainda, que a norma antes citada recebeu a seguinte redação pela Medida Provisória n.º 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 15 14 IV (revogado); V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Nestes termos, em ambos os dispositivos estão presentes idênticos elementos para aplicação da penalidade: permanece ela isolada, aplicável aos casos de falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por pessoa jurídica (art. 2o da Lei nº 9.430/96), mesmo se apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL ao final do anocalendário. A única distinção é o percentual aplicado, agora de 50% e não mais de 75%. Impróprio, assim, falar em aplicação concomitante de penalidades em razão de uma mesma infração: o ilícito que enseja a aplicação da multa isolada é o não cumprimento da obrigação correspondente ao recolhimento das estimativas mensais – obrigação acessória imposta aos optantes pela apuração anual das bases tributáveis – e ilícito punido pela multa proporcional é o não cumprimento da obrigação referente ao recolhimento do tributo devido ao final do período. Ressaltese que as infrações aqui veiculadas são posteriores à edição da Medida Provisória nº 351/2007, não se verificando as condições nas quais este Colegiado, por maioria de votos, tem exonerado as exigências de multa isolada, em razão do posicionamento ressalvado pelo Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão nos seguintes termos consignados em declaração de voto no Acórdão nº 1101001.136: [...] São, portanto, fatos distintos que geram multas diferentes, sendo penalidades que não comportam a aplicação do princípio da consunção, que em matéria de Direito Tributário deve ser aplicado cum grum salis, especialmente em virtude do que dispõe o art. 136 do Código tributário Nacional. Como bem colocado na ementa do Ac. 1802001.876: 2. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). A multa normal de 75% no ajuste pune o não recolhimento de obrigação vencida em março do ano subseqüente ao de apuração, enquanto que a multa isolada de 50% pune o atraso no ingresso dos recursos, atraso esse verificado desde o mês de fevereiro do próprio ano de apuração (estimativa de janeiro), e seguintes, até o mês de março do ano subseqüente. Aliás, interpretarse de outra forma, teria o efeito de transformar não só em opção pela apuração anual do IRPJ/CSLL, mas também tornar opcional o pagamento das estimativas mensais, já que não seriam devidas multas se não adimplidas, bastando que no encerramento do exercício se faça a apuração de prejuízo e bases negativas, ou se adimpla o tributo devido, se for o caso. Ocorre que, embora a apuração anual seja uma opção, o recolhimento das estimativas mensais é Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 16 15 obrigatório, e, portanto, se descumprido deve ter uma sanção aplicável, ou então não seria obrigação legal, mas tão somente moral. Do exposto, meu voto seria por negar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte, para manter a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais. Porém, a 1a Turma da CSRF, órgão competente para uniformizar a jurisprudência administrativa no âmbito do CARF, tem reiteradamente afastado a aplicação do que se tem denominado "multa concomitante", tendo se consolidado essa jurisprudência, sendo a minha posição vencida reiterada e exaustivamente. Vejase, por exemplo, Acordãos. ns. 9101001.693, (de 16/07/2013, que cita outras decisões), 9101001.820, 9101001.788 . Posição que vem sendo cada vez mais hialina na jurisprudência desta Colenda 1a Turma, além do que as turmas ordinárias da 1a Seção têm adotado de maneira preponderante o mesmo entendimento (e.g., Acs. ns. 1402001.505, 1103000.934,, 1202001.011, 1103 000.945, 1102000.867) sendo que as poucas decisões em sentido contrário, mais recentes, são tomadas por voto de qualidade. Pareceme, que estamos em um ponto em que teremos que aderir à conclusão, mas não aos fundamentos, de que não cabe a multa in casu, por questões de economia processual e também pela aplicação do princípio da colegialidade em seu sentido amplo, com a perspectiva de suas consequências, tratandose, portanto, também de uma decisão calcada no consequencialismo. Não que me curve aos argumentos em sentido contrário aos meus, mas à imposição do colegiado em sua forma de garantir suas conclusões. Destaquese que esta posição só prevalece para fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória n.º 351/2007 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), que impôs nova redação ao tratar da matéria, eu cuja jurisprudência administrativa ainda não se consolidou, mas que parece tender para a mantença da multa isolada. Neste sentido, voto por dar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte no que diz respeito ao afastamento da multa isolada pelo não pagamento das estimativas mensais de CSLL, o faço, porém, com as todas ressalvas e observações acima transcritas. Assim, deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas isoladas aqui exigidas. Quanto ao efeito confiscatório da penalidade aplicada, embora o art. 142 do CTN, de fato, permita que a autoridade fiscal aplique ou não penalidade ao formalizar o lançamento, o art. 44 da Lei nº 9.430/96 determina que assim se faça nos casos de falta de recolhimento e de declaração dos tributos devidos, como no presente caso. Assim, a apreciação de descompassos entre os percentuais definidos em lei e os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e do nãoconfisco remeteria a questão para a compatibilidade entre a lei e a Constituição Federal, sendo certo que nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às multas de ofício remanescentes. Por fim, a recorrente questiona a utilizada da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, em razão de seu caráter remuneratório, e afirma que houve capitalização dos juros, resultando em incidência demasiadamente onerosa. Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10670.720090/201342 Acórdão n.º 1101001.219 S1C1T1 Fl. 17 16 No que tange à capitalização, bastaria à contribuinte verificar as taxas de juros definidas para cada mês entre o vencimento do tributo e a formalização da exigência para constatar o percentual ali aplicado resulta de sua soma, em juros simples, e não compostos. No mais, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora é matéria pacificada neste Conselho: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, também deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora aqui exigidos. Diante de todo o exposto, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, apenas para afastar a duplicação da multa de ofício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 13805.012536/95-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3201-000.127
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos temias do voto do relator.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida DR' - SALVADOR/BA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, nos temias do voto do relator. JUDITH DO AMARAL ARCONDES ARMANDO Presidente LUCIANO LOPES E ' LIDA MORAES Relatar Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Tatiana Midori Migiyama (Suplente) e Marcelo Ribeiro Nogueira. Processo n." 13805.012536195-34 S3-C2T/ Resolução n.°3201-00.127 Fl. 488 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo de auto de infração (fls. 36/41) lavrado para constituir os créditos tributários do FINSOCIAL com fatos geradores ocorridos nos períodos de 31/01/1990 a 31/03/1990, e de 30/11/1991 e 31/12/1991, que estão sendo questionados judicialmente pelo contribuinte. Os valores lançados correspondem aos depósitos judiciais efetuados através das guias de fls. 34/35. O lançamento foi efetuado com a inclusão de multa de lançamento de oficio e juros de mora. Contra o lançamento, o impugnante apresenta, em síntese, os seguintes argumentos (fls. 46/51): que o lançamento seria nulo por faltar-lhe motivação, uma vez que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa pelo depósito judicial; que, estando suspensa a exigibilidade, é improcedente o lançamento dos juros de mora e da multa de oficio; que as majorações das aliquotas de FINSOCIAL acima de 0,5% foram declaradas inconstitucionais. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador/BA deferiu parcialmente o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/SDR 3.976, de 17/09/2003, fls. 365/368: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 31/01/1990 a 31/03/1990, 30/11/1991 a 31/12/1991 Ementa: FINSOCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AÇÃO JUDICIAL. O crédito tributário, ainda que questionado e depositado judicialmente, deve ser regularmente constituída de oficio, mediante auto de infração, tendo porém suspensa a sua exigibilidade. DEPOSITO JUDICIAL. MULTA DE OFÍCIO. É incabível a imposição de multa de oficio no caso de lançamento efetuado apenas para formalizar a constituição legal do crédito tributário depositado em juízo. DEPOSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. Nos cálculos de lançamento do crédito tributário questionado e depositado judicialmente é cabível o acréscimo de juros moratórias, cujos efeitos, porém, serão anulados, na medida em que, no caso de conversão em renda, a data de quiração do tributo será aquela em que foi efetuado o depósito. Lançamento Procedente em Parte. 2 Processo n° 13805.012536195-34 S3-C2T1 Resolução a° 3201-00.127 Fl. 489 Às fls. 412 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário e arrolamento de bens de fls. 416/475, tendo sido dado então, seguimento ao mesmo. Iniciado o julgamento, o processo foi convertido ein diligência para que fosse informado se os depósitos judiciais foram realizados integralmente na data do vencimento ou posteriormente a este, fls. 479/482. A resposta a diligência requerida se deu às fls. 486. É o relatório. 3 Processo n° 13805.012536/95-34 S3-C2T1 Resolução n.° 3201-00.127 Fl. 490 VOTO Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Relator Discute-se nos autos, agora em sede de recurso voluntário, o lançamento de juros em lançamento realizado para fins de afastar a decadência dos valores discutidos judicialmente a titulo de FINSOCIAL, já que foram depositados judicialmente as parcelas controvertidas. Como já dito, é fato incontroverso que os depósitos judiciais realizados foram integrais, entretanto, para o julgamento da lide, necessário saber se todos foram feitos tempestivamente, na data do vencimento do tributo, ou se algum foi realizado de forma intempestiva, mas já Cornos acréscimos legais. A diligência requerida foi respondida, entretanto, não soluciona a dúvida deste Relator e deste Colegiado, já que do processo e das fls. apontadas pela autoridade lançadora, somente temos a informação de que o depósito foi integral, mas não temos se este foi feito integralmente na data de vencimento ou não. Assim, VOTO POR NOVA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA À REPARTIÇÃO DE ORIGEM para que a autoridade fiscalizadora informe a este Conselho se os depósitos judiciais realizados (e que foram integrais) se deram de forma tempestiva, quando do vencimento do tributo ou se foram realizados a destempo, com inclusão de multa e juros. Realizada a diligência, deverá ser dado vista ao recorrente para se manifestar, querendo, pelo prazo de 30 dias, e, após, devem ser encaminhados os autos para este Conselho, para fins de julgamento. Sala das Sessões, em 2* de abril de 2010. -- LUCIANO LOPES 1 MEIDA MORAES — Relator 4
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001525/2004-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 18 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa:
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA.
Não é cabível a cobrança de multa isolada sobre estimativas de IRPJ e CSLL não recolhidas ou recolhidas a menor, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF (Acórdãos 9101-001.950, 9101-001.903, 9101-001.904, 9101-001-993).
Numero da decisão: 9101-002.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, quanto ao ano-calendário de 2001: negado provimento por unanimidade de votos. Votaram pelas conclusões Marcos Aurélio Pereira Valadão, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Quanto ao ano-calendário de 2002: negado provimento por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto de Freitas Barreto
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Não é cabível a cobrança de multa isolada sobre estimativas de IRPJ e CSLL não recolhidas ou recolhidas a menor, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF (Acórdãos 9101-001.950, 9101-001.903, 9101-001.904, 9101-001-993).
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Interessado Transnaza Transportes Ltda. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Não é cabível a cobrança de multa isolada sobre estimativas de IRPJ e CSLL não recolhidas ou recolhidas a menor, quando já lançada a multa de ofício, após o encerramento do ano calendário, nos termos da pacífica jurisprudência desta Turma da CSRF (Acórdãos 9101001.950, 9101001.903, 9101 001.904, 9101001993). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FFIISSCCAAIISS, quanto ao anocalendário de 2001: negado provimento por unanimidade de votos. Votaram pelas conclusões Marcos Aurélio Pereira Valadão, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Quanto ao ano calendário de 2002: negado provimento por maioria de votos. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado) e Carlos Alberto Freitas Barreto. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto de Freitas Barreto Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 00 15 25 /2 00 4- 10 Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 3 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Karem Jureidini Dias, Leonardo de Andrade Couto (Conselheiro Convocado), Antonio Carlos Guidoni Filho, Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado). Relatório Na sessão plenária de 07 de dezembro de 2006, a 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes julgou o Recurso n° 146.257 (voluntário) e, por unanimidade de votos, deu lhe provimento para reduzir a base de cálculo da multa isolada ao valor do IRPJ e da CSLL apurados na DIPJ do anocalendário de 2001 e excluir a incidência da multa isolada no ano calendário de 2002, conforme Acórdão nº 10322.818, cuja ementa, no que interessa ao presente, tem a redação a seguir: IRPJ — CSLL — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 precisa que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo/contribuição devido pelo contribuinte surge quando é o lucro real/base positiva, apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada quando a base estimada exceder ao montante do imposto e ou contribuição devida, apurada ao final do exercício. Inconformada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de divergência, indicando como paradigma os Acórdãos nº 10808.962. A Presidente da 3ª Câmara deu seguimento ao recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. O recurso atende os pressupostos legais e regimentais que o autorizam. Dele conheço. A interpretação abraçada pelo acórdão recorrido e combatida pela PFN é no sentido de que não pode haver aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício incidente sobre a mesma base de cálculo. Decidiu a Câmara que como no anocalendário de 2001 o contribuinte apresentou imposto a pagar e base positiva de contribuição social e, em 2002, apresentou prejuízo fiscal e base negativa de contribuição social, a multa isolada Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 4 3 somente deve ser mantida para o ano calendário de 2002, e, ainda, assim, com sua base de cálculo reduzida ao valor do imposto e da contribuição social declarada. Portanto, a matéria submetida à apreciação da Turma é exclusivamente a possibilidade de cobrança de multa isolada sobre as estimativas mensais não recolhidas ou recolhidas a menor cumulada com a multa de ofício pelo não recolhimento dos tributos apurados anualmente. Ocorre que, da atenta leitura do acórdão recorrido, apesar de o relator ter trazido argumentos em relação a concomitância, não me parece que foi esse o motivo da exoneração da multa isolada em relação ao anocalendário de 2001, eis que manteve a exigência até o montante do imposto devido e, em relação ao anocalendário de 2002, a exonerou pelo simples fato de a empresa ter apurado prejuízo fiscal e base negativa de CSLL. Assim, apesar de não estar explicito no acórdão recorrido as razões que levaram a Câmara recorrida decidir em exonerar parcialmente a multa isolada em 2001 e integralmente em 2002, entendo que o acórdão recorrido não merece ser reformado, pois, independentemente de ter imposto a pagar e/ou prejuízo, encerrado o anocalendário não há como subsistir tal penalidade. Conforme tenho reiteradamente me manifestado, entendo que, encerrado o anocalendário, não há mais base de cálculo para exigência da multa, eis que, com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do anocalendário, surgindo, com a apuração do lucro real ao final do anocalendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Na verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1o., art. 44 da Lei 9.430/96 têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do anocalendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele ano calendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do anocalendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. A partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do anocalendário, surgindo assim a hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1o. do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e apurado exoffício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1o do mesmo diploma legal. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda, relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. Nesse passo é a jurisprudência predominante deste E. Conselho e mesmo dessa E. Turma, conforme se depreende da ementa do Recurso n.105141.498 – Sessão de 14 Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 5 4 de abril de 2008, tendo como Relator o Ilustre Conselheiro Marcos Vinicius Neder de Lima, e por ser o seu voto por demais elucidativo, peço vênia para transcrevêlo na sua integralidade, eis que tratou das hipóteses em que a mesma – Multa Isolada – não deve subsistir, vejamos: O art. 44 da Lei nº 9.430/96 que autoriza a aplicação da multa isolada tem o seguinte teor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Art. 2º (Lei nº 9.430/96) – A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. As remissões relevantes são as seguintes: Art. 35 (Lei nº 8.981/95) – A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei nº 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 6 5 que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir à lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que “o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público, Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais”. 1 Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos2. Nesse sentido, o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: HIPÓTESE CONSEQUÊNCIA Dado que houve falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória è Pagar multa de 75% ou 150%3 calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (art. 44, caput, inciso I e II) ; Dado que pessoa jurídica está sujeita ao pagamento do IR de forma estimada, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano correspondente. è Pagar multa isolada de 75% calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (caput, art. 44, §1º, IV); Dado que a pessoa jurídica prova, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto è Dispensar recolhimento por estimativa (art. 44. §1º, IV c/c art. 35, §2º, da Lei 8981/95). 1 MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44. 22 Ricardo Guastini citado por Humberto Ávila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22. 3 A hipótese de majoração da multa de ofício para 150% está prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 7 6 calculado com base no lucro real do período. Essas proposições extraídas do texto legal devem guardar coerência interna, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, a semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia à norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de ofício aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 8 7 passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ”pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece à norma relativa ao crime em estágio mais grave...” E prossegue “no crime progressivo, portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave”. 4 Fixadas essas premissas, passo ao exame dos enunciados acima transcritos. Primeiro, o exame do texto evidencia que o artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo. Por inferência lógica, tem que se entender que os incisos I e II também se referem à falta de pagamento de tributo. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro – base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. Tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3º do Código Tributário Nacional) pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos da pessoa jurídica. Marco Aurélio Greco, na mesma direção, sustenta que “mensalmente, o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2°, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3° do art. 2°). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo ao período de apuração 4 Instituições de Direito Penal, Parte Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277 Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 9 8 anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95).”5 Tanto é assim, que o art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 93/97, ao interpretar o art. 2º da Lei nº 9.430/96, que trata do regime da estimativa, prescreve a impossibilidade de as autoridades fiscais exigir de ofício a estimativa não paga no vencimento, a saber: “Art.15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” A lógica do pagamento de estimativas é, portanto, de antecipar, para os meses do anocalendário respectivo, o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria só devido ao final do exercício (em 31.12). Sob o sistema de estimativa mensal, permitese a redução dos pagamentos mensais caso o resultado tributável seja reduzido ou aumentado ao longo do ano calendário, desde que evidenciado por balancetes de suspensão (art. 29 da Lei nº 8.981/94). Assim, via de regra, o tributo – sob a forma estimada não será devido antecipadamente em caso de inexistência de lucro tributável. Tal inferência se alinha coerentemente com o princípio de bases correntes, pois se a empresa nada deve ao longo do ano, nada deverá ao seu final. Se houvesse algum recolhimento prévio que não tem correspondência com o tributo devido ao final do período, tal fato implicaria apenas em restituição ou compensação tributária. Por outro lado, no encerramento do exercício, caso constatada a insuficiência de pagamento do tributo apurado pelo lucro real as empresas terão de complementar a estimativa que fora recolhida ao longo do mesmo período. Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou a menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução de tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. Defendem alguns que a conclusão acima contradiz o § 1º, inciso IV, do mesmo dispositivo legal, que estabelece a aplicação de multa isolada na hipótese de a pessoa jurídica estar sujeita ao pagamento de tributo ou contribuição e deixar de fazêlo, ainda que tenha prejuízo ou apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Ou seja, por esse enunciado, permaneceria 5 Marco Aurélio Geco. Multa Agravada em Duplicidade. São Paulo: Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159 Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 10 9 obrigatório o recolhimento por estimativa mesmo se houvesse prejuízo ou base de cálculo negativa. Essa contradição é apenas aparente. O parágrafo 2° do art. 39 da Lei n.º 8.383/91 autoriza a interrupção ou diminuição dos pagamentos por antecipação quando o contribuinte demonstra, mediante balanços ou balancetes mensais, que o valor já pago da estimativa acumulada excede o valor do tributo calculado com base no lucro ajustado do período em curso. Os balanços ou balancetes mensais são, então, os meios de prova exigidos pelo Direito, para que se demonstre a inexistência de tributo devido. Na verdade, para emprestar praticidade ao regime de estimativa, inverteuse o ônus da prova, atribuindo ao contribuinte o dever de demonstrar que não apurou lucro no curso do ano e que não está sujeito ao recolhimento antecipado. Via de regra, o ônus de provar que o contribuinte está sujeito ao regime de estimativa, para fins de aplicação da multa, caberia ao agente fiscal. Assim, caso a pessoa jurídica não promova o correspondente recolhimento da estimativa nos meses próprios do respectivo anocalendário e não apresente os balancetes de suspensão no curso do período ainda que tenha experimentado prejuízo ou base de cálculo negativa ficará sujeita à multa isolada de que trata o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei estabelece uma presunção de que o valor calculado de forma presumida (estimada) coincide com o tributo que será devido ao final do período, partindo da constatação de que a estimativa não foi recolhida e de omissão do sujeito passivo em apresentar os balanços ou balancetes. Esse não é caso, contudo, da empresa que, após o término do anocalendário correspondente, apresenta o balanço final do período ao invés de balancetes ou balanços de suspensão. Nesse caso, a exigência da norma sancionadora para que se comprove a inexistência de tributo é atendida. Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade. Não há porque se obrigar o contribuinte a antecipar o que não é devido e forçálo a pedir restituição posteriormente. Daí concluir que o balanço final é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa. Resta examinar, então, qual seria a hipótese em que, na presença de prejuízo fiscal, se deveria aplicar a multa isolada. Nesse caso, a interpretação sistemática dos dois enunciados prescritivos dispostos no mesmo artigo aqui comentados (caput e § 1º, inciso IV, do art. 44) conduz ao entendimento de que o procedimento fiscal e a aplicação da penalidade devem obrigatoriamente ocorrer no curso do anocalendário, pois a conduta objetivada pela norma (dever de antecipar o tributo) é descumprida e, nesse momento, o efetivo resultado do exercício não está evidenciado mediante balancetes. Assim, em virtude da inobservância da pessoa jurídica dos dispositivos legais reitores, o agente fiscal não tem como aferir a situação fiscal corrente do contribuinte. O legislador concede a fiscalização, durante o transcorrer do períodobase, o poder de presumir que o valor apurado de forma estimada a partir da receita da empresa coincide com o tributo Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 11 10 devido, desde que demonstrada à omissão do dever probatório atribuído pela lei ao contribuinte. Essa presunção legal da existência de tributo não poderia ser desfeita após a aplicação da multa de lançamento de ofício pela posterior apresentação de balanço na fase de defesa administrativa, pois tornaria o arbitramento do tributo sob base estimada condicional. Chegamos, portanto, a poucas, mas importantes conclusões: 1. as penalidades, além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. 2. a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas normas sancionadoras faz pressupor a identidade do critério material dessas normas; 3. tributo, na acepção que lhe é dada no direito positivo (art. 3º do Código Tributário Nacional) pressupõe a existência de obrigação jurídica tributária que não se confunde com valor calculado de forma estimada e provisória sobre ingressos; 4. a base de cálculo predita no artigo 44 da Lei nº 9.430/96 referese à multa pela falta de pagamento de tributo; 5. o tributo devido ao final do exercício e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício; 6. não será devida estimativa caso inexista tributo devido no encerramento do exercício; 7. os balanços ou balancetes mensais são os meios de prova exigidos pelo Direito, para que o contribuinte demonstre a inexistência de tributo devido e a dispensa do recolhimento da estimativa. 8. após o final do exercício, o balanço de encerramento e o tributo apurado devem ser considerados para fins de cálculo da multa isolada; 9. antes do final do exercício, o fisco pode considerar para fins de aplicação de multa isolada o valor estimado calculado a partir da receita da empresa, desde que a inexistência de tributo não esteja comprovada por balanços ou balancetes mensais. 10. não se pode aplicar a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas e exigir a multa de ofício pela falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício No caso presente, em relação aos anos de 2001 e 2002, o relatório indica que a empresa foi autuada para exigir principal e multa de ofício em relação ao IRPJ e Contribuição Social não recolhida ao final do exercício e, concomitantemente, foi aplicada multa isolada sobre a mesma base estimada não recolhida no curso do exercício (2001). Como exposto, essa dupla aplicação, por força do princípio da consunção, não pode subsistir. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 12 11 Se aplicada multa de ofício pela falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e constatado que também esse mesmo valor deixou de ser antecipado ao longo do ano sob a forma de estimativa, não será exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício. Cobrase apenas a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo. Em relação ao anocalendário de 2002, por ter sido apurado prejuízo fiscal e base negativa de Contribuição Social, nada há o que se exigir após o encerramento do ano calendário. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de ofício de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades – de mora e de ofício – na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dessimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de ofício pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo a penalidade isolada não deve mais incidir sobre “sobre a totalidade ou diferença de tributo”, mas apenas sobre “valor do pagamento mensal” a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6º). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de ofício em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo.” Assim, a despeito de meu entendimento acima, me filio ao entendimento da maioria desta E. Turma, no sentido de que, por ter ocorrido concomitância de penalidade no anocalendário de 2001 (ofício e isolada), não há o que se falar em reforma da decisão recorrida que exonerou a penalidade aqui discutida, bem como em relação ao anocalendário de 2002, por não haver imposto devido (Prejuízo Fiscal). Diante das considerações acima, NEGO provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 21 janeiro de 2015. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI Processo nº 13984.001525/200410 Acórdão n.º 9101002.092 CSRFT1 Fl. 13 12 Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 18/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10980.007324/00-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Exercício: 1992, 1993 , 1994,1995
Ementa:DECRETOS N. 2.445/1988 E 2.449/1988
O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da semestralidade da Contribuição ao PIS estabelecida pelo Decreto-Lei 2.445/88 e 2/449/88. Sendo que posteriormente, o Senado Federal editou a Resolução 49/95, suspendendo a execução dos referidos Decretos.
Numero da decisão: 3401-002.717
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencida a Cons. Efigênia Duarte. Os Cons. Robson Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira apresentarão declaração do voto.
ROBSON JOSE BAYERL- Presidente.
ANGELA SARTORI - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINANTEL, EFIGÊNIA MARIA NOLASCO DUARTE, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ADRIANA OLIVEIRA E RIBEIRO E ÂNGELA SARTORI
Nome do relator: ANGELA SARTORI
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Sendo que posteriormente, o Senado Federal editou a Resolução 49/95, suspendendo a execução dos referidos Decretos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário. Vencida a Cons. Efigênia Duarte. Os Cons. Robson Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira apresentarão declaração do voto. ROBSON JOSE BAYERL Presidente. ANGELA SARTORI Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ROBSON JOSE BAYERL, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINANTEL, EFIGÊNIA MARIA NOLASCO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 73 24 /0 0- 55 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 DUARTE, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ADRIANA OLIVEIRA E RIBEIRO E ÂNGELA SARTORI Relatório Tratase de pedido de restituição no valor de R$ 229.742,69, da contribuição para o PIS decorrente de recolhimentos efetuados a maior com base nos DecretosLeis n.s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, retirados do ordenamento jurídico do país por meio da Resolução n. 49/1995, do Senado Federal relativos aos períodos de 01/07/1988 a 31/12/1995, protocolado em 10/10/2000. O presente processo já foi incluído em pauta de julgamento pelo então Segundo Conselho de Contribuintes, Resolução n. 20200.560, e seu relatório está bastante completo, razão pela qual o adoto: Tratase de pedido de restituição da contribuição para o PIS decorrente de recolhimentos efetuados a maior com base nos DecretosLeis n.s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, retirados do ordenamento jurídico do país por meio da Resolução n. 49/1995, do Senado Federal relativos aos períodos de 01/07/1988 a 31/12/1995, protocolado em 10/10/2000. A contribuinte solicita que a restituição se dê com base na semestralidade e os valores sejam atualizados com base no disposto na Lei n. 9.250. Entretanto, não anexou ao pleito inicial planilhas demonstrativas dos valores a serem restituídos, nem comprovantes de recolhimento. A autoridade competente indeferiu o pedido sob os argumentos de que o direito a pleitear a restituição encontravase decaído, uma vez transcorridos cinco anos da data do pagamento; e que a ausência de comprovantes dos pagamentos efetuados e de demonstrativos de cálculo instruindo o pedido impediam a sua apreciação, nos termos da IN SRF n. 21/97. Irresignada a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade, fls. 12/23, na qual alega em sua defesa que: 1. Durante a vigência dos DecretosLeis n.s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, os postos de combustíveis entregavam às distribuidoras de petróleo valores referentes ao recolhimentos do PIS, sendo estas substitutas tributárias dos comerciantes varejistas; Fl. 247DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.007324/0055 Acórdão n.º 3401002.717 S3C4T1 Fl. 6 3 2. Não possui DARFs comprobatórios dos recolhimentos da contribuição em virtude de terem sido efetuados pelas distribuidoras na condição de substitutas tributárias, responsáveis pelo pagamento do PIS; 3. A IN SRF n. 21/97 determina no seu art. 7º que a autoridade fiscal efetue diligencias fiscais prévias nos estabelecimentos fiscais da contribuinte com o intuito de apurar a veracidade dos dados apresentados pela requerente nos pleitos compensatórios, sendo, portanto, incabível a negativa do pedido em razão de falta de documentos comprobatórios; 4. Apresenta DARFs relativos aos valores que não dizem respeito às revendas abrangidas pelo regime de substituição tributária, fls. 25/39, e planilha de cálculo referente ao faturamento mensal da empresa, na qual constam os valores recolhidos a maior com base nos DecretosLeis inconstitucionais, fl. 41; 5. No que diz respeito ao prazo decadencial, alega que o termo inicial de contagem seria o de cinco anos, contados do recolhimento, com a homologação tácita, acrescidos de mais cinco anos para pleitear a restituição, ou seja, dez anos, contados da ocorrência do fato gerador, e que, em se tratando de situação jurídica conflituosa, o termo de contagem do início do prazo decadencial seria a data de publicação da Resolução do Senado Federal que retirou do ordenamento jurídico os DecretosLeis julgados inconstitucionais pelo STF; 6. A base de cálculo da contribuição seria o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, conforme previsto na LC n. 07/70. A autoridade julgadora de primeira instância manifestou se por meio do Acórdão DRJ/CTA n. 44, de 26/09/2001, fls. 47/64, indeferindo a solicitação, ementando sua decisão nos seguintes termos: Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 Ementa: RECOLHIMENTO/PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. O recolhimento do direito creditório só é possível mediante comprovação dos recolhimentos/pagamentos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/1992 a 31/08/1995 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1995 a 31/12/1995 Ementa: PIS. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição ao PIS previsto originariamente em seis meses. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. LEGALIDADE. A atualização monetária do valor da contribuição devida decorre de expressa previsão legal. RESTITUIÇÃO. CABIMENTO. Não cabe a restituição de valores, cujo pagamento indevido não foi comprovado. Solicitação Indeferida”. A contribuinte tomou ciência do teor do referido Acórdão em 14/03/2002, fl. 65, e, inconformada, com o julgamento proferido, interpôs, em 15/04/2002, recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, fls. 66/108, no qual argúi como razões de defesa, em síntese, que: 1. Reitera os argumentos acerca da decadência apresentados na inicial; 2. A empresa não foi intimada, em momento algum, a apresentar os comprovantes de recolhimento a maior da contribuição para o PIS, nem foi efetuado diligência com o fito de comprovar as alegações da contribuinte, conforme preceitua o art. 7º da IN SRF n. 21/97 e a Lei n. 9.784/99; 3. É incabível que a autoridade administrativa ao invés de solicitar do contribuintes os documentos comprobatórios dos recolhimentos a maior ou efetuar diligência prévia a fim de verificar a veracidade dos dados apresentados, simplesmente deixou de analisar o pleito, indeferindoo; 4. O recolhimento da contribuição para o PIS aconteceu por meio do regime de substituição tributária, razão porque a recorrente não anexou os DARFs comprobatórios, entretanto a SRF deve possuir em seus arquivos os controles de tais dados; 5. Tendo o Estado transferido a responsabilidade pelo recolhimento da contribuição às distribuidoras, caberia ao Fisco diligenciar junto a estas empresas para obter os respectivos comprovantes de recolhimento do PIS, ainda mais que a recorrente não dispõe de poder para efetuar tal demanda junto às distribuidoras; 6. No momento da compra do combustível, está incluído, na fatura, o montante pago a título do PIS, por antecipação, Fl. 249DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.007324/0055 Acórdão n.º 3401002.717 S3C4T1 Fl. 7 5 pela distribuidora, presumindose recolhido o valor pela recorrente; 7. Apresenta as notas fiscais de compra de combustíveis emitidas pela distribuidora, fls. 146/1875 dos Anexos I a VII, nas quais encontrase inserido o valor da contribuição para o PIS recolhido antecipadamente pela recorrente com base no valor de venda a varejo do combustível no período em questão, comprovando, assim, o recolhimento a maior da contribuição; 8. Anexa também, fls. 03/48 do Anexo I, fotocópias autenticadas dos DARFs de recolhimento da contribuição por substituição tributária da Shell Distribuidora S.A., companhia da qual adquiriu combustível no período em questão, comprovando, assim, o recolhimento a maior de contribuição; 9. Apresenta planilha de fls. 50/85 do Anexo I emitida pela companhia distribuidora na qual consta a listagem de todas as notas fiscais de compra de combustíveis no período sobre as quais foram calculados os valores recolhidos a título do PIS; 10. Anexa, às fls. 87/133 do Anexo I, planilha de cálculo na qual consta a base de cálculo da contribuição, apurada mês a mês, e os valores recolhidos a maior; 11. Por meio dos valores fixados nas portarias discriminadas às fls. 135/139 do Anexo I, obtevese o preço de venda a varejo dos diversos combustíveis; observandose, quando necessário, a base de distribuição – no caso Araucária, exceto no caso de diesel, no qual foi utilizado o menor preço – bomba do Brasil, e sobre estes foi feito incidir os tributos pertinentes e o frete, quando cabível, obtendose o preço de venda ao consumidor dos combustíveis; 12. Pelo valor de venda a varejo do combustível foi multiplicada a quantidade de combustível adquirida em cada nota fiscal, de modo a se obter a base de cálculo do PIS para cada nota fiscal de compra, e por conseguinte, após a aplicação da alíquota pertinente, os valores recolhidos e os devidos a título desta contribuição, conforme comprovam planilhas de fls. 141/144 do Anexo I; 13. Discorre acerca da possibilidade de apresentação de documentos na fase recursal do processo, lastreada no princípio basilar da verdade material; 14. A base de cálculo da contribuição, no período, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção Fl. 250DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 6 monetária, conforme estabelecido na Lei Complementar n. 07/70, citando farta jurisprudência que vai ao encontro de suas pretensões; 15. Requer, por fim, a reforma da decisão a quo e a manutenção integral do crédito tributário requerido. Em razão dos fundamentos expedidos no Recurso Voluntário, o então Segundo Conselho de Contribuintes, proferiu a Resolução n. 20200/560, fls. 181/187, convertendo o julgamento em diligência para que fosse averiguado: O efetivo recolhimento da contribuição; se ocorreram, no período de julho/88 a dezembro/95, pagamentos referentes à contribuição para o PIS em valores superiores aos devidos com base na Lei Complementar n. 07/70, adotandose como base de cálculo o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária; Em caso afirmativo, indicar os valores pagos a maior, com os respectivos períodos; Trazer aos autos qualquer outro elemento que perceba necessário ao deste da controvérsia discutida. Os autos foram encaminhados à Secretaria da Receita Federal do Brasil – Delegacia em Curitiba – SEORT – EQARC, a qual proferiu Informação Fiscal, fls. 227/241, informando o seguinte: ... 18. Os valores físicos informados nas planilhas de fls. 174 a 207 estão de acordo com aqueles constantes das notas fiscais anexadas às fls. 146 a 1875 dos Anexos I a VIII; 19. Os preços estão de acordo com as Portarias mencionadas no Documento n. 10 (fls. 135 a 142 do Anexo I); ... 26. Com base nas premissas anteriores e conforme demonstrado nas planilhas de cálculo ilustradas, os valores recolhidos a maior pelo contribuinte referente aos pagamentos de PIS realizados e conexos com o instituto da substituição foi de R$ 21.403,52 (database de 31/12/1995) a ser acrescido de juros SELIC após 01/01/1996. 27. Dessa forma, considerandose o valor do crédito anteriormente demonstrado advindo das vendas com base na substituição tributária, proponho, com base nas determinações da Resolução n. 20200.560 do 2º Conselho Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.007324/0055 Acórdão n.º 3401002.717 S3C4T1 Fl. 8 7 de Contribuintes, seja dada ciência ao contribuinte de que o seu crédito foi apurado no valor de R$ 21.403,52 (com data base de 31/12/1995) a ser acrescido de juros SELIC após 01/01/1996. O contribuinte foi devidamente cientificado do inteiro teor do Acórdão acima, conforme se demonstra na fl. 244, tendo deixado transcorrer in albis o prazo de 30 (trinta) dias do qual lhe foi oportunizada a manifestação. É o relatório. Voto Conselheiro Angela Sartori O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, por isto dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa, essencialmente, sobre a definição do prazo de decadência para a compensação de indébito tributário, relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. O indébito seria decorrente das diferenças entre a contribuição devida com base no faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, conforme Lei Complementar nº 8, de 1970, e os valores recolhidos de acordo com os DecretosLei nºs 2.445 e 2.449, de 1988. Pois bem. O Supremo Tribunal Federal, valendose da sistemática prevista no art. 543B, do CPC, pacificou, no RE 566.621, o entendimento de que é inconstitucional a atribuição de feitos retroativos ao art. 3º da Lei Complementar nº 118/05, devendo sua aplicação plena se restringir às ações ajuizadas a partir de 09.06.05: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de Fl. 252DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 8 violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. (RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 1010 2011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) Em razão do julgado acima, este Conselho elaborou a Súmula n. 91, que possui a seguinte redação: Súmula CARF nº 91 Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador No presente caso, o pedido foi protocolado em 10/10/2000, fl 02. No início, o pedido aparentava se tratar do período de apuração de 01/07/1988 (entrada em vigor do DecretoLei n. 2.449, de 21 de julho de 1988) a 31/12/1995 (retirada deles do ordenamento através da Resolução Do Senado Federal n. 49/1995). No entanto, a partir da Manifestação de Inconformidade, restou esclarecido o pleito de ressarcimento do contribuinte, que nas fls. 25/39, juntou comprovantes de recolhimento – DARFs, do período de 20/05/1992 a 15/01/1996, bem como planilha de valores do mesmo período, qual seja, abril/92 a dez/1995, fl. 40. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.007324/0055 Acórdão n.º 3401002.717 S3C4T1 Fl. 9 9 Por tal razão, resta demonstrado que não há que se falar em decadência do pedido ressarcitório, uma vez que está dentro do prazo decenal de que trata a Súmula CARF n. 91. No que se refere propriamente ao mérito da restituição, como bem colocado pela Recorrente, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da semestralidade da Contribuição ao PIS/PASEP estabelecidas pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, nos seguintes termos: EMENTA: CONSTITUCIONAL. ART. 55II DA CARTA ANTERIOR. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOSLEIS 2.445 E 2.449, DE 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. I CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS: SUA ESTRANEIDADE AO DOMÍNIO DOS TRIBUTOS E MESMO AQUELE, MAIS LARGO, DAS FINANÇAS PÚBLICAS. ENTENDIMENTO, PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DA EC Nº 8/77 (RTJ 120/1190). II TRATO POR MEIO DE DECRETOLEI: IMPOSSIBILIDADE ANTE A RESERVA QUALIFICADA DAS MATÉRIAS QUE AUTORIZAVAM A UTILIZAÇÃO DESSE INSTRUMENTO NORMATIVO (ART. 55 DA CONSTITUIÇÃO DE 1969). INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS LEIS 2.445 E 2.449, DE 1988, QUE PRETENDERAM ALTERAR A SISTEMÁTICA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. (RE 148754, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. FRANCISCO REZEK, Tribunal Pleno, julgado em 24/06/1993, DJ 04031994 PP03290 EMENT VOL01735 02 PP00175 RTJ VOL0015003 PP00888) Posteriormente, relativamente ao PIS, o Senado Federal editou a Resolução 49/95, suspendendo a execução dos Decretos supracitados. Como consequência, a base de cálculo dessa Contribuição, cujo racional se estenda ao PASEP, voltou a ser o faturamento do sexto mês anterior à ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 6º, da Lei Complementar n. 07/70. A exigência mantevese nesses moldes até a publicação da Medida Provisória n. 1.212/95, quando a base de cálculo da Contribuição ao PIS/PASEP passou a ser o faturamento do mês anterior. Por fim, quanto à correção do indébito tributário pela SELIC, importa ressaltar que o pleito do contribuinte encontra amparo no RE 993.164, sob o regime do art. 543C do CPC, de observância obrigatória por parte deste Conselho, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO Fl. 254DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 10 NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. ... 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). ... (REsp 993164/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010) Por tal razão, deve o entendimento ser seguido, nos termos do art. 62A do RICARF. Com relação ao valor, entendo ser aquele constante da informação fiscal elaborada em observância à resolução deste conselho, qual seja, R$ 21.403,52 (vinte e um mil, quatrocentos e três reais e cinqüenta e dois centavos), apurado pelo AFRF e intimado o contribuinte, o qual quedouse silente, sem demonstrar qualquer equívoco no cálculo realizado. Referidos cálculos para restituição devem observar os termos da Súmula CARF 15 (A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.). CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário, para, dar parcial provimento. Angela Sartori Fl. 255DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10980.007324/0055 Acórdão n.º 3401002.717 S3C4T1 Fl. 10 11 Declaração de Voto Conselheiros Robson José Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira, Nada obstante a concordância com os argumentos expendidos pela Conselheira Relatora, atentamos para o fato que o reconhecimento do montante passível de restituição, como consignado no voto condutor, não significa que outros aspectos do pedido de restituição não mereçam análise específica, como, por exemplo, a legitimidade para pleitear a repetição do indébito, considerando que parcela da incidência tributária obedeceu ao regime de substituição tributária. Esta observação se faz necessária porque, originariamente, o fundamento para denegação do pleito foi a decadência do direito do contribuinte e a ausência de prova do indébito, sendo que, ao longo do contencioso administrativo, por força de diligência realizada, a própria unidade preparadora apurou o valor a restituir, além de suplantada a questão probatória. Entretanto, como gizado, esta circunstância não tem o condão de afastar os demais exames necessários ao processamento da restituição. O presente julgado define os parâmetros da decadência, a forma de apuração e atualização monetária do indébito passível de restituição, porém não adentra outros pontos passíveis de análise, até porque não foram levantados no despacho decisório e/ou decisão de primeira instância, daí porque o provimento do recurso ser parcial. Robson José Bayerl Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 256DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001090/2010-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Nos casos em que a situação fática e/ou tese trazida pelo acórdão paradigma é distinta daquela apresentada no acórdão recorrido, não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-002.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Antônio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), que conheciam em relação a qualificação da multa.
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - PRESIDENTE
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - RELATOR
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antônio Carlos Guidoni Filho (suplente convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima Junior e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Nos casos em que a situação fática e/ou tese trazida pelo acórdão paradigma é distinta daquela apresentada no acórdão recorrido, não deve ser conhecido o Recurso Especial, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer o Recurso Especial. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Antônio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado) e Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado), que conheciam em relação a qualificação da multa. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO PRESIDENTE JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, Antônio Carlos Guidoni Filho (suplente convocado), Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Lisboa Cardoso (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, João Carlos de Lima AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 10 90 /2 01 0- 76 Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 2 Junior e Paulo Roberto Cortez (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 1119/1143) interposto pelo contribuinte contra o acórdão nº 130200.838, proferido pelos membros da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho que, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso. O Recorrente alegou a existência de divergência jurisprudencial em relação ao entendimento do acórdão recorrido: (i) quanto à tributação das receitas de vendas de cartões telefônicos; e (ii) de manter a exigência de multa qualificada sobre as diferenças apuradas. O acórdão, na parte recorrida, foi assim ementado: “NATUREZA DE ATIVIDADE. Constatado que a pessoa jurídica adquire e vende produtos, legítima é a caracterização de sua atividade como comercial de venda de produtos. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando se constata a co0nduta reiterada e que o contribuinte declarou/tributou apenas 2,3 % da receita total apurada pela fiscalização em seus próprios” Em suas razões recursais sustentou que, no caso, as efetivas receitas são decorrentes de comissões, razão pela qual a tributação deve recair sobre as diferenças entre o valor recebido pela venda do produto e o valor pago à empresa fornecedora do serviço. Nesse ponto, trouxe como paradigma: “VALES BENEFÍCIO. CONCEITO DE RECEITA. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os vales benefício adquiridos por empresa que presta serviços de coleta, envelopamento, manuseio e entrega de vales transporte tendo como propósito exclusivo de repassar a preço de custo aos clientes e cujo repasse está contratualmente e legalmente bem delimitados nos autos enseja a exclusão desse ingresso do conceito de Receita bruta para efeito do Simples.” (Acórdão 140100.707) Argumentou, em relação à qualificação da multa, que é necessário que a fiscalização demonstre o intuito de fraude e trouxe como paradigma: “MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO. LEGALIDADE. À luz do art.44, II, da Lei nº 9.430/96, vigente à época dos fatos geradores, cabia à fiscalização, para fins de qualificação da multa de ofício, comprovar o evidente intuito de fraude. Levando se em conta a necessidade de o lançamento, pelo caráter vinculado, manter se nos estritos limites da legalidade, os fundamentos que justificaram a Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 9101002.055 CSRFT1 Fl. 1.219 3 aplicação do percentual de 150% podem ser apreciados de ofício no julgamento, e não apenas as alegações de defesa veiculadas no recurso voluntário.” (Acórdão 140100.707) Em sede de exame de admissibilidade (fls. 1203/1205) foi dado seguimento ao recurso. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls.1210/1215, por meio da qual sustentou que não merece reforma o acórdão recorrido, pois (i) apesar das alegações do contribuinte de que as remessas não configuram vendas (e por isso não poderia compor a receita bruta), não esclareceu o que foi feito dos produtos objetos das remessas e (ii) em relação à multa de ofício, afirmou que a reiteração da prática de ausência de declaração de parte significante de suas receitas, evidenciam a clara intenção de fraudar o fisco, justificando a qualificação. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR O Recurso Especial é tempestivo, entretanto, não preenche todos os requisitos de admissibilidade. Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pelo Recorrente, senão vejamos. O acórdão recorrido, teve como fundamento a análise de provas, como: cláusulas contratuais, contabilização feita pelo próprio contribuinte e notas fiscais. Cumpre a transcrição de trechos do voto recorrido: “Quanto ao mérito, não merecem ser acolhidos os argumentos da recorrente. (...) Afirma a decisão recorrida: (...) ‘Mas retornando aos contratos. Verificamse dois tipos. Um de serviços e outro de venda de produtos. O contrato de fls. 123/149, estipula: “CLÁUSULA PRIMEIRA DO OBJETO Constitui objeto deste contrato, a comercialização de Produtos e Serviços da TELEMIG CELULAR pelo MASTER CREDENCIADO... Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 4 CLÁUSULA SEXTA – DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS 6.2 DAS CONDIÇÕES DE COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUTOS E/OU SERVIÇOS As condições de comercialização dos produtos oferecidos pela TELEMIG CELULAR serão apresentadas periodicamente em Tabela de Preços emitida pela mesma. O MASTER CREDENCIADO, fará seu pedido de compra de produtos, aparelhos e acessórios da marca TELEMIG CELULAR em formulário oficial ... TELEMIG CELULAR processará as solicitações de compra de produtos, de acordo com a ordem de chegada... A TELEMIG CELULAR se reserva o direito de estipular quantidades mínimas e máximas de cada pedido... O MASTER CREDENCIADO se compromete a comercializar os “Kits” de produtos com a marca TELEMIG CELULAR somente nas localidades atendidas pelo prefixo exposto na caixa do referido produto... O contrato de fls. 150/159, estipula: CLÁUSULA PRIMEIRA: DO OBJETO Constitui objeto deste contrato, a comercialização de serviços de ativação em planos PRÉ PAGO da TELEMIG CELULAR, pelo CREDENCIADO... CLÁUSULA QUINTA – DA REMUNERAÇÃO 5.1.1. O CREDENCIADO será remunerado, também mensalmente e uma única vez, pela ativação de novo acesso em um dos Planos PRÉ PAGO, realizado pelos pontos de vendas cadastrados, pelo valor de R$4,00 (Quatro reais), obedecidas as condições abaixo.” Por sua vez, o contrato de fls. 161/167, apresenta as seguintes cláusulas: CLÁUSULA 1ª DO OBJETO A comercialização e distribuição dos produtos denominados “Cartão Celular – Pré Pago (CARTÕES) pela DISTRIBUIDORA para os pontos de venda apresentados por ela e cadastrados junto à TELEMIG CELULAR,( ...). CLÁUSULA 3ª DO VALOR 3.1. As partes ajustam que para todos os efeitos aqui previsto, o valor deste Contrato de Distribuição é de R$2.500.000,00 (Dois milhões e quinhentos mil reais). CLÁUSULA 5ª DA COMPRA DOS CARTÕES 5.1. Os Pedidos de Compra de “CARTÕES” efetuados pela DISTRIBUIDORA, após o se devido cadastramento, serão analisados e atendidos conforme a disponibilidade de “CARTÕES’ existentes nos Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 9101002.055 CSRFT1 Fl. 1.220 5 estoques da TELEMIG CELULAR, observadas as regras contidas nessa cláusula. 5.3 As “margens comerciais” concedidas à DISTRIBUIDORA são estabelecidas única e exclusivamente pela TELEMIG CELULAR e poderão ser revistas e alteradas a qualquer tempo. CLÁUSULA 6ª DA DISPONIBILIZAÇÃO DOS PRODUTOS PARA A DISTRIBUIDORA 6.1. As partes concordam que a TELEMIG CELULAR poderá alterar a forma de disponibilizar para a DISTRIBUIDORA os “CARTÕES’ e/ou produtos comercializados, de acordo com suas necessidades e as quantidades solicitadas. CLÁUSULA 7ª DAS OBRIGAÇÕES DA TELEMIG CELULAR 7.2. Disponibilizar para a DISTRIBUIDORA os produtos solicitados em um prazo máximo de 96 (noventa e seis) horas após a aprovação do pedido de compra e/ou comprovação de pagamento dos produtos. CLÁUSULA 8ª DAS OBRIGAÇÕES DA DISTRIBUIDORA 8.8. Comercializar os “CARTÕES” adquiridos junto à TELEMIG CELULAR, e assegurar que seu Pontos de Venda o façam nas mesmas características de sua aquisição, sendo vedada qualquer alteração no produto, e respeitando os valores de face apresentados individualmente em cada “CARTÃO.” Como se vê, o último contrato trata indubitavelmente de comercialização de produtos, com uma característica: a fixação de “margens comerciais”. Isto pode significar que a impugnante somente poderia vender o produto segundo o preço fixado pela Telemig. No entanto, esta cláusula não invalida a natureza da operação: compra e venda de cartões. A emissão das notas fiscais e a escrituração efetuada pela impugnante estão em perfeita consonância com os contratos, corroborando integralmente o entendimento fiscal.’ (...) Como a fiscalização obteve os valores de venda diretamente na contabilidade da recorrente e este colegiado entende que a venda de cartões telefônicos deve compor a receita bruta utilizada como base de cálculo do SIMPLES, resta verificar se as saídas identificadas pelo CFOP 5904 devem ou não compor a receita bruta. Sobre a matéria manifestouse a DRJ: (...) ‘No entanto, em que pese a fiscalização ter lhe apresentado a relação de todas as notas fiscais, a impugnante, naquela ocasião, não demonstrou a correlação entre as notas fiscais Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 6 “Manifesto” e as que teriam sido emitidas como vendas. De igual modo, não apresentou comprovação do retorno dos produtos. Em sua impugnação é ainda mais lacônica. Simplesmente afirma que tais notas são “Manifesto”. Quanto ao argumento de que o fisco federal estaria interpretando de maneira divergente o disposto no regulamento estadual, constatasse mais uma assertiva da impugnante quando pretende dar às palavras mais força do que a realidade. Demonstrado está que a impugnante deu saída ao seu produto. Não comprovou o seu retorno ou a correspondente nota fiscal de venda. Portanto, não se trata de interpretação divergente mas de simples e visual constatação. Não havendo esta comprovação, só restou à fiscalização, como alternativa não resta a este relator considerar as notas fiscais com a natureza de operação “Manifesto” efetivamente como notas fiscais de venda, ainda que com código de operação inadequado.’ Embora a recorrente venha afirmando que o CFOP 5904 referese a remessas que não configuram vendas e, portanto, não poderiam compor a receita bruta, não esclarece o que foi feito dos produtos que foram objeto destas remessas: converteramse em vendas ou foram devolvidas? (...) Desse modo, não tendo esclarecido a recorrente o destino dos bens acobertados pelas notas fiscais cujo CFOP era 5904, correta a conclusão do fisco que trataram se de saídas sujeitas a tributação, independente do tratamento dado a estas saídas pelo fisco estadual. A recorrente teve pelo menos três oportunidades para esclarecer o destino dos citados itens (durante a ação fiscal, na impugnação e no recurso) e, em nenhuma delas trouxe mais do que simples alegações desacompanhadas de provas.” Temse que o lançamento foi feito com base nos valores escriturados pelo próprio contribuinte, assim a questão controversa não foi a natureza da atividade exercida, já que a fiscalização constatou que eram exercidas as duas atividades: venda e intermediação, mas o fato de o contribuinte não ter levado à tributação o total das receitas de vendas. Nesse ponto, cabe a transcrição de trecho do voto condutor do acórdão recorrido: “Como se pode observar, o lançamento foi feito com base nos valores escriturados pela recorrente, não havendo divergência de interpretação sobre a natureza da atividade exercida pela recorrente: prestação de serviços e venda de cartões. Por outro lado, o acórdão paradigma trata da discussão sobre a natureza da receita relativa ao serviço. Cumpre a transcrição de trecho do acórdão paradigma: Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR Processo nº 10665.001090/201076 Acórdão n.º 9101002.055 CSRFT1 Fl. 1.221 7 “Portanto, a receita e, por conseguinte, o lucro/acréscimo patrimonial da recorrente não deriva do repasse dos vales transporte adquiridos por seus clientes empregadores, mas sim da prestação dos denominados “serviços adicionais. (...) A fiscalização descaracterizou a hipótese de comissão mercantil, pois o contribuinte deveria ‘emitir nota fiscal em seu nome apenas com o valor dos serviços por ele prestados, e repassar ao seu cliente outra nota fiscal emitida diretamente da empresa emitente do vale transporte’. Ora, esse erro formal por si só não autoriza à fiscalização a mudar a natureza jurídica do negócio, mormente quando tal procedimento foi permitido pelo fisco municipal através de resposta feita à consulta feita pela Recorrente. Por outras palavras, ainda que a terminologia utilizada nos documentos relativos à aquisição dos vales transporte se refiram à ‘compra e venda’, não altera a natureza jurídica nem descaracteriza a operação.” Assim, apesar de os acórdãos confrontados tratarem de venda de cartões telefônicos e venda de vales transporte, o que, em uma análise mais superficial levaria à conclusão de existência de similitude fática, verificase, na leitura das razões expostas em cada acórdão, que as situações fáticas são distintas, senão vejamos: (i) no acórdão recorrido não há análise da operação, pois neste ponto restou incontroversa a natureza da atividade exercida pelo contribuinte: prestação de serviços e venda de cartões, e (ii) no acórdão paradigma a questão é relativa à interpretação ou definição da atividade exercida pelo contribuinte. Por fim, o acórdão recorrido teve como fundamento a análise de provas, de cláusulas contratuais, cuja revisão não cabe a esta Câmara Superior, já que sua competência restringese à verificação de matérias de direito e não fáticas. Tais razões alcançam a multa qualificada, já que por tratar o acórdão recorrido de análise de provas, não é possível caracterizar a divergência jurisprudencial. Do exposto, não conheço do Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (Documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR RELATOR Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR 8 Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/0 1/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNI OR
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Numero do processo: 10980.923597/2009-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
DECISÕES DEFINITIVAS DO STF. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. REGIME CUMULATIVO. APLICAÇÃO PELO CARF.
Declarada inconstitucional a ampliação da base de cálculo pela Lei nº 9.718, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, em conformidade com o que estabelece o Regimento Interno. (RE 585.235 RG-QO/MG).
DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO. AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO.
Afastado o fundamento suscitado pela instância a quo, outro não pode ser erigido no julgamento de segunda instância do qual não tivera ciência o contribuinte, sob pena de cercear-lhe o direito à ampla defesa, devendo o processo retornar para aquela instância tendo em vista a prolação de nova decisão sobre as provas a serem juntadas pelo contribuinte, mediante diligência.
Numero da decisão: 3803-006.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o óbice oposto quanto à declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98 pelo STF, sem prejuízo da análise dos demais requisitos da compensação pleiteada, a serem aferidos pela repartição de origem. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 DECISÕES DEFINITIVAS DO STF. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. REGIME CUMULATIVO. APLICAÇÃO PELO CARF. Declarada inconstitucional a ampliação da base de cálculo pela Lei nº 9.718, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543-B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, em conformidade com o que estabelece o Regimento Interno. (RE 585.235 RG-QO/MG). DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO. AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. Afastado o fundamento suscitado pela instância a quo, outro não pode ser erigido no julgamento de segunda instância do qual não tivera ciência o contribuinte, sob pena de cercear-lhe o direito à ampla defesa, devendo o processo retornar para aquela instância tendo em vista a prolação de nova decisão sobre as provas a serem juntadas pelo contribuinte, mediante diligência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2244; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 40 1 39 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.923597/200976 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.409 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de agosto de 2014 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente VINÍCOLA CAMPO LARGO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 DECISÕES DEFINITIVAS DO STF. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. REGIME CUMULATIVO. APLICAÇÃO PELO CARF. Declarada inconstitucional a ampliação da base de cálculo pela Lei nº 9.718, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo artigo 543B da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, em conformidade com o que estabelece o Regimento Interno. (RE 585.235 RGQO/MG). DECISÃO DE SEGUNDA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO NO FUNDAMENTO. AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. Afastado o fundamento suscitado pela instância a quo, outro não pode ser erigido no julgamento de segunda instância do qual não tivera ciência o contribuinte, sob pena de cercearlhe o direito à ampla defesa, devendo o processo retornar para aquela instância tendo em vista a prolação de nova decisão sobre as provas a serem juntadas pelo contribuinte, mediante diligência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar o óbice oposto quanto à declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98 pelo STF, sem prejuízo da análise dos demais requisitos da compensação pleiteada, a serem aferidos pela repartição de origem. Vencido o conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 97 /2 00 9- 76 Fl. 40DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Corintho Oliveira Machado, que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Samuel Luiz Manzotti Riemma, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues e Corintho Oliveira Machado. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842573899),emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 18668.33996.300506.1.3.043105, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 390,00, pois o pagamento informado de R$ 19.098,12, sob o código 8109, efetuado em 15/08/2002, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 07/2002. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. A DRJ em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade ficando a decisão assim ementada: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do Fato Gerador: 15/08/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.923597/200976 Acórdão n.º 3803006.409 S3TE03 Fl. 41 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde evoca decisão do e. Supremo Tribunal Federal (RE nº 585.235), que teve repercussão geral, e ipso facto deve ser reproduzida nos julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; ao final, requer a homologação da compensação sub analisis. A Repartição de origem encaminhou os presentes autos para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para fins de julgamento. Relatado, passase ao voto. Voto Vencido Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. À míngua de preliminares, passase desde logo ao mérito. Diversamente do entendimento explicitado pelo órgão julgador de primeiro grau, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deve atentar sim não só para as decisões do Supremo Tribunal Federal de que trata o Decreto nº 2.346/97, mas também para as decisões que adentrem na sistemática prevista pelo artigo 543B da Lei nº 5.869/73, Código de Processo Civil, as quais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito desta Corte Administrativa, com espeque no art. 62A do Regimento Interno do CARF. Com efeito, a Lei nº 9.718, § 1º do art. 3º, foi declarada inconstitucional pelo STF (o alargamento da base de cálculo) no julgamento do RE nº 585.235, em 10/09/2008, cujo acórdão foi publicado em 28/11/2008, e vem sendo aplicada reiteradamente neste Conselho. Nada obstante, o caso dos autos não merece maior discussão a respeito da rubrica que teria originado o suposto crédito, porquanto nenhum lastro probatório veio aos autos para comprovar o alegado direito creditório. Ora, o ônus de provar in casu é do contribuinte que alega o crédito. Vale rememorar que a prova aqui seria de que as receitas financeiras integraram a base de cálculo da contribuição paga a maior ou indevidamente. Se o contribuinte não se desincumbe a contento de sua tarefa deve prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação. Ante o exposto, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 42DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator Como se vê, a questão de fundo que dá supedâneo ao crédito alegado pela Recorrente, desde a primeira instância são recolhimentos efetuados da contribuição calculados sobre uma base de cálculo ampliada com a inclusão de outras receitas, a teor do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Consigna o r. voto do i. Relator que o direito de crédito com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do citado dispositivo legal, pelo Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva, sob o regime de repercussão geral, tem guarida neste Conselho, não sendo o mérito desta matéria empecilho ao êxito da Recorrente. O impedimento, segundo o voto encontrase no fato de a Defesa não ter ofertado os elementos de prova para o sustento da alegação do crédito apurado. É relevante destacar que os processos de compensação com créditos de pagamento indevido ou a maior têm sido decididos pela Autoridade Administrativa por meio de Despacho Decisório eletrônico. Este meio de emissão do ato administrativo tem a peculiaridade de se pautar sobre dados constantes dos sistemas da RFB e oriundos de declarações antecedentes do próprio contribuinte. Nada obstante em seu corpo o Despacho Decisório informar que a inexistência de crédito reside no fato de o DARF indicado na DComp estar integralmente utilizado em casos como o tal , o texto que forma o campo "Ciência e Intimação" não fornece balizas esclarecedoras para o contribuinte quanto ao que a Administração considera importante para acolher os termos da sua eventual defesa. É consabido ser frequente a falha de contribuinte de transmitir compensações sem a devida e anterior retificação da DCTF que contém a informação do DARF utilizado na DComp e alocado ao débito a que, ali, lhe corresponde. Ainda que o crédito esteja escriturado na sua contabilidade, essa inversão de atos do contribuinte resulta no insucesso da sua compensação. Inadvertidamente, falta a muitos a educação processual tributária que os mobilize a ser metódicos e precisos na feitura da sua defesa, segundo o ditame da exigência legal que irá parametrizar a decisão do órgão julgador art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 , já alegando tudo o que é de direito e de fato e juntando todas as provas que possuir. Na Manifestação de Inconformidade esta Contribuinte expressa sua compreensão quanto ao fundamento do Despacho Decisório e informa a origem do seu crédito. A decisão de primeira instância, conhecendo tratarse da inconstitucionalidade da citada ampliação da base de cálculo, apesar de a meu ver dispor de regra apta a solucionar o conflito favoravelmente à Manifestante, dado o regime processual em que proferida a declaração de inconstitucionalidade e sua definitividade o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, aplicado sem prejuízo das provas que haveriam de ser carreadas aos autos, mediante diligência , ficou circunscrita a declarar sua incompetência para apreciar a questão constitucional trazida pela Manifestante, deixando de mencionar como razão de decidir a ausência de provas. Novamente, a Contribuinte não recebera as luzes necessárias quanto à exigência de provas, fundadas na sua escrita contábil/fiscal, da existência e da apuração do alegado crédito e apresenta recurso voluntário sem carrear à defesa aquilo que não fora óbice Fl. 43DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10980.923597/200976 Acórdão n.º 3803006.409 S3TE03 Fl. 42 5 expresso ao seu pleito: as provas, de sorte a permitirlhe a garantia constitucional do justo contraditório, sem cerceamento à ampla defesa. O mérito esposado pela decisão de primeira instância, tratandose do julgamento da presente matéria, já referida, é superado nesta Corte, com arrimo no art. 62A da Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009RI/CARF. Em circunstância como tal, esta Turma, divergindo da razão de mérito que sustentou a decisão a quo, não tem oposto à contestação da Recorrente outra razão de decidir que antes não lhe fora suscitada. Assim, esta Turma tem se posicionado no sentido de afastar o óbice de mérito contra o qual não concorda e de devolver os autos para o órgão julgador para que atue no sentido de coligir, via repartição de origem, junto ao contribuinte, as provas da sua alegação. É nesta face que se diverge do r. voto do i. Relator. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, para afastar o óbice oposto quanto à declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98 pelo STF, sem prejuízo da análise dos demais requisitos da compensação pleiteada, a serem aferidos pela repartição de origem. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 44DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2015 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/02/20 15 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000870/2001-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do Fato Gerador: 01/10/1999
MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE
A exigência da multa capitulada no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, é devida em razão do não pagamento do imposto. Ausente o pagamento do imposto devido cabe a aplicação da referida multa.
FATO GERADOR. MERCADORIA MANIFESTADA E EXTRAVIADA. CARACTERIZAÇÃO.
Nos termos da atual redação do § 2º do art. 1° do Decreto-lei n° 2.472, de 1988, considera-se entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira, independentemente de dolo ou culpa.
FATO GERADOR. DESEMBARAÇO PARA TRANSITO ADUANEIRO. OCORRÊNCIA
O fato gerador do IPI ocorre com o desembaraço aduaneiro, tendo este ocorrido ocorreu também o respectivo fato jurígeno do IPI.
Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.891
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Nanci Gama, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para excluir o IPI; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Rubens Pellicciari, OAB/SP nº 21.968, advogado do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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(nova denominação de BRASIF DUTY FREE SHOP LTDA.) FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS DATA DO FATO GERADOR: 01/10/1999 MULTA DE OFÍCIO DE 75%. APLICABILIDADE A exigência da multa capitulada no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, é devida em razão do não pagamento do imposto. Ausente o pagamento do imposto devido cabe a aplicação da referida multa. FATO GERADOR. MERCADORIA MANIFESTADA E EXTRAVIADA. CARACTERIZAÇÃO. Nos termos da atual redação do § 2º do art. 1° do Decretolei n° 2.472, de 1988, considerase entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira, independentemente de dolo ou culpa. FATO GERADOR. DESEMBARAÇO PARA TRANSITO ADUANEIRO. OCORRÊNCIA O fato gerador do IPI ocorre com o desembaraço aduaneiro, tendo este ocorrido ocorreu também o respectivo fato jurígeno do IPI. Recurso Especial do Procurador Provido e Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda, Nanci Gama, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento parcial para excluir o IPI; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 08 70 /2 00 1- 58 Fl. 436DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 2 Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Fabiola Cassiano Keramidas e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Fez sustentação oral o Dr. Rubens Pellicciari, OAB/SP nº 21.968, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituta convocada), Maria Teresa Martínez López e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recursos Especiais de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentados tempestivamente pela Fazenda Nacional e pelo contribuinte acima em face do acórdão nº 310200.687 de 30/06/2010, que possui a seguinte ementa: MULTA DE OFÍCIO DE 75%. INAPLICABILIDADE A exigência da multa capitulada no art. 44, I da Lei n° 9.430, de 1996, em razão do não pagamento do imposto pressupõe o descumprimento do dever de adimplir a obrigação tributária. Se esta obrigação só surge no momento da lavratura do Auto de Infração, não se pode imputar a multa em questão. Ademais, tratandose de hipótese de avaria, na modalidade extravio, a multa a ser capitulada, em tese, seria a prevista no art. 106, II, "c", do Decreto Lei n°37, de 1966. FATO GERADOR. MERCADORIA MANIFESTADA E EXTRAVIADA. CARACTERIZAÇÃO. Nos termos da atual redação do § 2º do art. 1° do Decretolei n° 2.472, de 1988, considerase entrada no Território Nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira, independentemente de dolo ou culpa. FATO GERADOR. DESEMBARAÇO PARA TRANSITO ADUANEIRO. OCORRÊNCIA. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 11128.000870/200158 Acórdão n.º 9303002.891 CSRFT3 Fl. 349 3 Nos termos da legislação que disciplina o IPI vinculado, seu fato gerador é o desembaraço aduaneiro e este, segundo a legislação aduaneira, é o ato que se segue a conferência aduaneira, realizada no curso do despacho de importação, ainda que tal despacho culmine com o desembaraço para trânsito. FORÇA MAIOR. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO O Caso Fortuito ou a Força Maior são circunstâncias excepcionais, cuja caracterização exige prova inequívoca. Ausente tal comprovação, não tem como reconhecêlas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Foram lavrados Autos de Infrações, do imposto de importação (fls. 01 a 04) e do imposto sobre produtos industrializados (fls.05 a 08), por meio do qual é formalizada a exigência do credito tributário do processo no valor de R$ 804.008,89 (fl. 09), em razão da constatação de que: a empresa autuada requereu Trânsito Aduaneiro através da DTA no. 80078, registrada em 04/10/1999; a autoridade fiscal da repartição de destino constatou divergência no lacre de origem do container MAEU 720.8729 e, quando da abertura, verificou que havia areia em seu interior, em lugar das mercadorias manifestadas; foi emitido Laudo de Perícia Papiloscópica no. 02/2000, realizado pela Policia Federal e Parecer Técnico CPTI no. 028/2000, onde se constatou que houve violação do contêiner retromencionado e que há grande possibilidade de a violação tenha ocorrido em território brasileiro. O Recurso Voluntário foi parcialmente provido nos termos da ementa transcrita acima. Cientificada da decisão da turma julgadora, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, que foi admitido em despacho proferido pelo presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção (fls. 231). A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial onde o acórdão recorrido considerou inaplicável a multa de ofício de 75%, capitulada no art. 44, I da Lei 9.430/96. O contribuinte, ao tomar ciência do Acórdão n° 310200.687 e do Recurso interposto pela Fazenda, apresentou contrarrazões e Recurso Especial de Divergência à CSRF. O sujeito passivo suscitou divergência em relação às matérias: 1) inocorrência do fato gerador do IPI, quando da não conclusão do transito aduaneiro; 2) ocorrência de caso fortuito ou força maior no extravio de mercadoria em trânsito aduaneiro. O Recurso Especial apresentado pelo contribuinte foi admitido apenas em relação à inocorrência do fato gerador do IPI. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, deles conheço. Como o recurso interposto pelo contribuinte é prejudicial em relação ao recurso da Fazenda, farseá primeiro a análise daquele. O contribuinte entende que não ocorreu o fato gerador dos tributos, pois da análise das provas acostadas ao presente auto, constatase que não há qualquer evidência concreta de que o 'container' tenha sido violado em território nacional. Não há como provar que a mercadoria foi extraviada no País (que a areia fora introduzida no 'container' ainda em território alfandegado), logo, não há prova de que a mercadoria encomendada pela Impugnante tenha entrado em território nacional. Assim, não ocorreu o fato gerador do Imposto de Importação. No mesmo sentido, o IPI tem como fato gerador o desembaraço aduaneiro, e no caso, desembaraço para admissão no regime de Loja Franca. Também alega que não está a autoridade fiscal autorizada, presumindo a ocorrência do fato gerador, exigir da Impugnante os referidos tributos. O dever de pagar o tributo depende da materialização da obrigação tributária principal, a partir da ocorrência concreta do fato gerador legalmente definido. Também afirma que a Alfândega do Porto de Santos não apurou a responsabilidade pela substituição da mercadoria do 'container', apenas presumiua, lavrando os Autos de Infração contra a Impugnante. Assim, entende que a autuação fiscal deve ser julgada improcedente dada a ausência de demonstração inequívoca da ocorrência do fato gerador. Porém, como a mercadoria estava sujeita a um regime suspensivo do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados, ocorrendo qualquer das hipóteses previstas na legislação para o término do regime, todos os tributos passam a ser exigidos como se não houvesse a causa suspensiva, que deve ser cobrado, inclusive com os seus consectários. A data do fato gerador dos tributos não se altera por causa da concessão do regime especial de trânsito aduaneiro. O que fica suspenso não é a ocorrência do fato gerador, mas sim o pagamento dos tributos. A condição aqui é resolutória, ou seja, deixando de existir o fato gerador considerase ocorrido desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio (art. 117, II do CTN). Podese concluir que a hipótese prevista em lei se concretizou e a suspensão de pagamento dos tributos se resolveu, restabelecida fica a situação de existência de pagamento dos tributos devidos. Segue abaixo a legislação que acerca tal entendimento. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 11128.000870/200158 Acórdão n.º 9303002.891 CSRFT3 Fl. 350 5 Com relação ao II, confirase o que diziam os art. 252, 253 e 276 do antigo Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 1985: Art. 252. 0 regime especial de trânsito aduaneiro é o que permite o transporte de mercadoria, sob controle aduaneiro, de um ponto a outro do território aduaneiro, com suspensão de tributos (Decretolei No 37/66, art. 73). Art. 253. 0 regime subsiste do local de origem ao local de destino e desde o momento do desembaraço para transito aduaneiro pela repartição de origem até o momento em que a repartição de destino certifica a chegada da mercadoria. Art. 276. 0 transportador que realizar operação de transporte de mercadoria em trânsito aduaneiro responderá pelo conteúdo dos volumes nos casos previstos no art. 1º do artigo 478 e deverá comprovar, dentro do prazo estabelecido, a chegada da mercadoria na forma indicada na Subseção II da Seção VI. § I° o transportador que não comprovar a chegada da mercadoria ao local de destino ficará sujeito ao cumprimento das obrigações fiscais assumidas no termo de responsabilidade, sem prejuízo das penalidades previstas neste Regulamento e demais sanções cabíveis. § 2° Na hipótese do parágrafo anterior, os tributos serão os vigentes â data da assinatura do termo de responsabilidade, acrescidos dos encargos legais (Decretolei No 37/66, art. 74, § 1°). Em relação ao IPI, na importação, temos que a ocorrência do fato gerador ocorre com o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, nos termos da Lei 4.502/64, art. 2º. Agora teremos que definir o momento exato em que ocorre o desembaraço aduaneiro, no regime de trânsito aduaneiro, que trata o presente caso. O RA/85, aplicado ao presente caso, assim dispõe: Art. 253 O regime subsiste do local de origem ao local de destino e desde o momento do desembaraço para trânsito aduaneiro pela unidade de origem até o momento em que a unidade de destino certifica a chegada da mercadoria. Art. 271 O despacho para o trânsito completase com o desembaraço aduaneiro, após a adoção das providências previstas na Subseção III. Podemos depreender do texto legal que o desembaraço aduaneiro precede o despacho para o trânsito, já que este se completa com aquele. Como o fato gerador do IPI ocorre com o desembaraço aduaneiro, tendo este ocorrido, ocorreu também o respectivo fato jurígeno do IPI. Não há, portanto, que se falar na Fl. 440DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 6 inocorrência do fato gerador do IPI e tampouco em causas impeditivas ao lançamento do imposto. A fim de explicitar ainda mais a obrigação de se recolher o IPI, temos a fundamentação legal prevista nos art. 37, 38 e 39 do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 1998; o primeiro que envia para a legislação aduaneira o disciplinamento do desembaraço com suspensão, o segundo, que trata da extinção da obrigação pelo implemento da condição; e o último, da exigência do tributo caso tal condição deixe de ser implementada. Art. 37. Somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas deste Regulamento e as medidas de controle expedidas pela SRF. Art. 38. 0 implemento da condição a que está subordinada a suspensão resolve a obrigação tributária suspensa. Art. 39. Quando não forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão, o imposto tornarseá imediatamente exigível, como se a suspensão não existisse. (Lei n°9.532, de 1997, art. 37, inciso II). Assim, a conclusão do colegiado a quo foi correta que cabe a cobrança dos tributos devidos porque não houve o encerramento do regime suspensivo, nos termos da legislação supra transcrita. Ocorre que o contribuinte ainda alega a exclusão da responsabilidade pelo pagamento dos tributos por outros fatos ocorridos. Porém o Recurso Especial somente foi admitido no que tange a ocorrência do fato gerador. Em relação ao Recurso Especial interposto pela PGFN, assiste razão a recorrente. A Fazenda Nacional alega ser insustentável o posicionamento da Câmara a quo, que cancelou a multa de ofício, sob o argumento de que o sujeito passivo não estava obrigado a solver o crédito. Argumenta também que a multa de 75% deve ser restabelecida já que não houve o pagamento do tributo devido. Discordo do ilustre relator, Luís Marcelo Guerra, quanto às suas razões de decidir e conclusões as quais chegou. Para explicar o dissenso, terei que transcrever o voto do citado relator para, após, fazer as devidas considerações. Penso que não há justo motivo para a imposição da multa capitulada no art. 44, I da Lei n° 9.430 A conduta descrita no presente processo: Confirase a redação do dispositivo: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 441DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 11128.000870/200158 Acórdão n.º 9303002.891 CSRFT3 Fl. 351 7 1 de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Pedindo licença às autoridades de piso, entendo que a hipótese tratada nos autos não se confunde com a mera "falta de pagamento". Com efeito, no caso em tela, caracterizouse o fato gerador dos impostos e a mercadoria foi alvo de isenção sob condição resolutória; no caso, o encerramento do trânsito. Vindo a isenção a não se aperfeiçoar, em razão do descumprimento da condição, não vejo como afastar, na hipótese, a regra do § 2° do art. 179, combinado com o art. 155 do Código Tributário Nacional, confirase: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (...) § 2º0 despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de oficio, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em beneficio daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Sendo certo que, na hipótese do presente litígio, não consta acusação de que a recorrente teria incorrido em algumas das qualificadoras enumeradas no inciso I do art. 155, há que se aplicar o disposto no inciso II. Ademais, se a obrigação do pagamento só surge no momento da lavratura do auto de infração, o sujeito passivo simplesmente não estava obrigado solvela em data anterior. Se não há descumprimento da obrigação, evidentemente, não há que se falar em imposição de penalidade. Por outro lado, se toda caracterização da responsabilidade está ancorada na avaria da mercadoria, sob a modalidade extravio, o Fl. 442DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS 8 tipo em que a conduta do sujeito passivo teria incidido seria o Art. 106, II, "c", do Decretolei n°37, de 1966, que reza: Art.106 Aplicamse as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução: (...) II de cinqüenta por cento: (...) c) pelo extravio de mercadoria, inclusive o apurado em ato de vistoria aduaneira; Demonstrado o erro na tipificação da conduta, impõemse o afastamento dessa fração do lançamento. Concordo com o relator, na parte em que diz que poderia ser aplicada a multa administrativa prevista no art. 106, II, "c", do Decreto Lei nº 37/66. E essa multa não foi aplicada, por sinal corretamente, pelas razões expostas pelo relator, ou seja, devese aplicar nessa situação, e somente nessa, o art. 155 do CTN. Já não concordo com a parte do voto que trouxe as razões de decidir pela exclusão da multa prevista no art. 44, I da Lei 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Não vamos tecer teorias sobre fato gerador, obrigação tributária, crédito tributário e lançamento, pois é do conhecimento de todos. Apenas vou apresentar os fatos e fazer o devido enquadramento legal. O fato gerador da presente multa não foi a lavratura do auto de infração como afirmou o Dr. Luís Marcelo, mas sim o não pagamento dos tributos devidos e que não foram pagos. A obrigação e o crédito já existiam desde a ocorrência do fato gerador e não surgiu com o lançamento, no caso o auto de infração. Se a obrigação tivesse sido solvida não haveria a necessidade de lavratura do auto, que se deu justamente pela falta de pagamento. Ora, não há como querer justificar o nascedouro da obrigação de pagar os tributos somente com a lavratura do auto de infração. Se não existia mais a suspensão do pagamento dos tributos, a obrigação e o crédito existiam desde a ocorrência do fato gerador. A lavratura do auto de infração presume o não pagamento, que é o fato gerador da multa. Faz parte do auto o principal, que é o tributo, e a multa de 75%, que é a parte acessória. A situação que enseja a aplicação da multa é objetiva, basta o não pagamento. A não aplicação das penalidades previstas no CTN, servem apenas para as multas que comportem a subjetividade, ou seja, um comportamento do agente, como é o caso do agravamento e da multa administrativa prevista no art. 106, II, "c", do Decreto Lei nº 37/66. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 11128.000870/200158 Acórdão n.º 9303002.891 CSRFT3 Fl. 352 9 Com efeito, não há como aceitar as razões expostas no acórdão recorrido que o pagamento dos tributos somente passou a ser exigível após a lavratura do auto de infração, não havendo, assim, falta de pagamento. O pagamento é devido desde a ocorrência do fato gerador. E foi decidido a pouco, por esse colegiado, que houve a ocorrência do fato gerador do II e do IPI. Dessa forma, em não havendo mais a suspensão do pagamento dos tributos, há que se aplicar o art. 44, I da Lei 9.430/96, sendo devida a multa de 75% pelo não pagamento dos tributos devidos. Acrescentar o art. 45 para o IPI. Pelo exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negar provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 444DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 16/10/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900043/2008-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO.
Cancela-se o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
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Recorrente AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO. Cancelase o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 43 /2 00 8- 55 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900043/200855 Acórdão n.º 1102001.266 S1C1T2 Fl. 502 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão PretoSP que concluiu pela improcedência de manifestação de inconformidade acerca da compensação de crédito decorrente de pagamento indevido a título de estimativa com débito de outra estimativa de sua responsabilidade, ambos referentes ao mesmo anocalendário de 2003. Pleitos semelhantes, apenas alterando o tributo (IRPJ ou CSLL) e/ou o mês de apuração da estimativa, estão consubstanciados em onze processos, a saber: 10855.900020/200841, 10855.900023/200884, 10855.900024/200829, 10855.900032/200875, 10855.900043/200855, 10855.900451/2008 15, 10855.900498/200871, 10855.900511/200891, 10855.900742/200803, 10855.900751/200896 e 10855.900758/200816. A unidade de origem não homologou a compensação porque constatou que o pagamento indicado pela interessada havia sido utilizado na quitação de outros débitos. A empresa interpôs, então, manifestação de inconformidade na qual alegou que houve erro na apresentação da PER/DCOMP. Tratarseia de pedido de compensação vazio e o débito indicado já teria sido pago. Por isso, pediu o cancelamento do débito. A DRJ, contudo, negou o pedido. Argumentou que o débito informado tem natureza de confissão de dívida e que a empresa não se desincumbiu do ônus de provar o recolhimento do referido débito. Em seu recurso, a empresa repetiu os motivos apresentados na manifestação de inconformidade e acrescentou que a DCTF também havia sido preenchida erroneamente para corresponder aos valores impropriamente lançados no PER/DCOMP. Anexou cópia de registros contábeis para comprovar os valores efetivamente apurados e pagos. Ao final, torna a pedir que se constate a inexistência do débito. Na sessão realizada em 25/05/2011, esta Turma Julgadora, sob proposta da então relatora, a ilustre Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem confirmasse a inexistência do débito, mediante análise dos livros fiscais da recorrente e da DCTF correspondente ao período, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício. A unidade de origem procedeu, então, a diligência requerida e apresentou Informação Fiscal na qual conclui que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no anocalendário de 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, foram efetivamente pagos. Consequentemente, seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados. É o relatório. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900043/200855 Acórdão n.º 1102001.266 S1C1T2 Fl. 503 3 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Diante do que foi relatado, não há compensação em litígio. O que se discute é o pedido de cancelamento do débito informado na compensação uma vez que a própria recorrente reconhece o equívoco na apresentação da PER/DCOMP. Considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa. Ocorre que a diligência solicitada confirmou que os montantes informados em DCTF, em sintonia com os equívocos cometidos, são incongruentes com a escrita contábil e fiscal. Além disso, atestou que os débitos de estimativas originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados são inexistentes, incluindo o do presente processo. Portanto, não há que se dar prosseguimento à cobrança do referido débito. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito informado na presente compensação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 522DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100043/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
o conceito de insumos para efeito de PIS e COFINS deve se relacionar aos gastos, em bens e/ou serviços, utilizados no processo produtivo, sem os quais a produção da empresa seria inviabilizada, e com isso não haveria geração de receitas.
No caso concreto, a única despesa/custo passível de aproveitamento é relacionada ao crédito do Tratamento de Resíduos Industriais, decorrente de exigência legal.
Recurso Voluntário provido parcialmente.
Numero da decisão: 3301-002.523
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deu-se provimento parcial a o recurso, nos termos do voto da relatora
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
(assinado digitalmente)
FÁBIA REGINA FREITAS- Relator.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 08/01/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: FABIA REGINA FREITAS
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No caso concreto, a única despesa/custo passível de aproveitamento é relacionada ao crédito do Tratamento de Resíduos Industriais, decorrente de exigência legal. Recurso Voluntário provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deuse provimento parcial a o recurso, nos termos do voto da relatora RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. (assinado digitalmente) FÁBIA REGINA FREITAS Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 08/01/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 00 43 /2 00 6- 50 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de pedido de Compensação/Ressarcimento de saldo credor de COFINS não cumulativa relativo ao 4º. Trimestre de 2005 no valor total de R$ 1.247.073,30. O cálculo dos créditos apurados pela Recorrente levou em consideração depreciação de máquinas e equipamentos, despesas e custos da empresa que a fiscalização glosou em parte por entender que essas despesas e custos não estavam ligadas ao processo produtivo sua atividade. Restaram glosados, assim, o valor de R$ 36.497,41 (trinta e seis mil, quatrocentos e noventa e sete reais e quarenta e um centavos) (fls. 160/171). Em face do despacho a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 191/206), apontando que a definição de insumos no caso do PIS e da COFINS é muito mais ampla do que a aplicada ao IPI e ao ICMS. Assevera que “se enquadra no conceito de "insumo" que irá, direta ou indiretamente, proporcionar o incremento do objeto social da empresa, todos os serviços intrinsecamente necessários à atividade da empresa, tais como: os valores pagos a empresas pela representação comercial (comissões), as despesas de marketing para divulgação do produto, os serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), os serviços de limpeza, os serviços de vigilância, etc”. Passa a discorrer a respeito a respeito de algumas das despesas/custos glosados, defendendo o seguinte: assistência médica e odontológica — a empresa proporciona a assistência médica e odontológica aos seus funcionários, mediante a contratação de empresas especializadas para tanto, como forma de prover uma melhor saúde física aos seus funcionários; comissões s/vendas — nesse item são incluídas as despesas relativamente às comissões pagas às pessoas jurídicas que intermediam as vendas da impugnante, sendo que tais despesas, inclusive, são consideradas como custo direto com vendas, para fins contábeis; tratamento de resíduos industriais — a empresa é obrigada, por expressa disposição legal, a tratar os seus resíduos industriais, o que realiza através de empresa especializada. transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas — a impugnante contrata empresas especializadas para o transporte de pessoal e o preparo de refeições aos seus funcionários. Apesar de constar que as despesas são referentes ao Programa de Alimentação ao Trabalhador, na verdade esses são os valores pagos às empresas credenciadas perante o PAT, para fornecer refeições coletivas a funcionários; despesas de exportação e manutenção de software — sem a contratação de empresas exportadoras, as mercadorias produzidas pela impugnante não serão remetidas ao mercado externo. Da mesma forma, sem a manutenção de software, que gerencie todas os controles internos, a empresa não poderá realizar adequadamente as suas atividades. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100043/200650 Acórdão n.º 3301002.523 S3C3T1 Fl. 3 3 A DRJ , por meio de aresto de fls. 236/240 entendeu por bem manter as referidas glosas. A ementa do referido julgado é a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: Não há previsão legal para o creditamento de valores referentes à depreciação dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de Pis e Cofins. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Em face do mencionado aresto, foi interposto o presente Recurso Voluntário, mediante o qual a contribuinte reitera as mesmas razões já expedidas em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Fábia Regina Freitas O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235, de 06 de março de 1972, assim dele tomo conhecimento. Em primeiro lugar fazse necessário esclarecer que os custos e despesas levados a crédito pela empresa e glosados pela fiscalização são os seguintes: 453 — Auxilio Creche; 472 — Auxilio Creche; 483 — Serviços de Terceiros PJ — Manutenção; 485 — Manutenção e Reparos; 486 — Despesas c/Veículos — Diversas; 491 Bens de Reduzido Valor; 492 — Custos c/Importação (serviço de Despachantes); 501 — Manutenção de Instalações; 505 — Assistência Médica e Odontológica; 506 — Assistência Farmacêutica; 742 — Tratamento de Resíduos Industriais; 507 — Transporte de Pessoal; 508 — Formação Profissional; 509 —Lj nches e Refeições; 510 — Roupas e Equipamentos de trabalho; Progri Alimentação do Trabalho — PAT; 523 — Comissões s/Vendas; 2297 — S bs de Despacho Aduaneiro; 532 — Propaganda e publicidade e anúncios; 534 — Assistência técnica e jurídica; 559 — Serviços de Terceiros PJ (despesas geral de administração). Já a depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado da empresa, cujos créditos também foram glosados pela fiscalização são relativos aos seguintes equipamentos (fls. 162/163): Bebedouro Industrial; Balcão para recepção, arquivo de aço, computador, impressora, no break, central telefônica, mesa de reuniões, sistemas operacionais Oracle, carros, capota para furgão, ônibus, licença para sistemas de computador e equipamentos de rádio. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 De se notar que a empresa ora Recorrente, segundo ela própria descreve em seu recurso, se dedica à fabricação de calçados destinados, quase que na sua totalidade, para o exterior, conforme comprova seu contrato social (fl. 250). O conceito de insumo para efeito de PIS e COFINS tem sido bem debatido nesse Eg. CARF e, nessa linha, filiome a posição muito bem traçada pelo Conselheiro Luis Eduardo Barbieri, por ocasião do julgamento do PA n. 11686.000181/200894 abaixo transcrita. Para o Conselheiro, o conceito de insumos para efeito de PIS e COFINS deve se relacionar aos gastos, em bens e/ou serviços, utilizados no processo produtivo, sem os quais a produção da empresa seria inviabilizada, e com isso não haveria geração de receitas. “A meu ver, ambas as posição extremas (“restritiva/IPI” e “extensiva/IRPJ”) são inaplicáveis ao caso. Cada tributo tem sua materialidade própria (aspecto material), as quais devem ser consideradas para efeito de aproveitamento do direito de crédito dos insumos: o IPI incide sobre o produto industrializado, logo, o insumo a ser creditado só pode ser aquele aplicado diretamente a esse produto; o IRPJ incide sobre o lucro (lucro = receitas despesas), portanto, todas as despesas necessárias devem ser abatidas das receitas auferidas na apuração do resultado; o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da venda do produto ou da prestação de serviços, portanto, o conceito de insumo deve abranger os custos de bens e serviços, necessários, essenciais e pertinentes, empregados no processo produtivo, imperativos na elaboração do produto final destinado à venda, gerador das receitas tributáveis. Desse modo, é preciso deixar assentado que, de um lado, o conceito de insumos não se confunde com aquele definido na legislação do IPI – restrito às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção, de outro lado, não é qualquer bem ou serviço adquirido que gera direito de crédito, nos moldes da legislação do IRPJ. (...) Muito bem. Partamos para delimitar o conteúdo semântico do vocábulo “insumos” aplicável ao PIS e a Cofins. Compartilhamos do entendimento (da escola do Constructivismo Lógico Semântico) pelo qual o intérprete, sempre, deve partir dos enunciados prescritivos para construir a norma aplicável ao caso concreto, atribuindo sentido e definindo o alcance ao texto bruto da lei. Assim, a partir dos enunciados da Lei nº 10.637/2002 (e, também, Lei nº 10.833/2003, para a Cofins), alterada pela Lei nº 10.865, de 2004, é que devemos construir os critérios próprios para a apuração da base de cálculo das contribuições, definindo quais as rubricas que podem gerar direito de crédito (aspecto quantitativo da regramatriz de incidência). Dispõe o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002, que, do valor apurado na forma do art. 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI” (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004). Registrese, de antemão, que não há nenhum dispositivo legal indicando que se deva buscar o significado do termo “insumo”, de maneira restritiva, com Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100043/200650 Acórdão n.º 3301002.523 S3C3T1 Fl. 4 5 base na legislação do IPI (como também não há estabelecendo a interpretação extensiva, nos moldes do IRPJ). Onde a lei não restringiu, não cabe ao intérprete fazêlo. A própria lei, portanto, ao introduzir no ordenamento jurídico a sistemática da não cumulatividade, já dispôs sobre a possibilidade do abatimento de determinados créditos com o intuito de afastar, ou ao menos atenuar, a cumulatividade, até então existente, das referidas contribuições, com fundamento no que dispôs o artigo 195, parágrafo 12, da CF/88 (não cumulatividade). Embora não muito claramente, o enunciado prescritivo acima referido (artigo 3º, II, Lei nº 10.637/2002) indicou que poderiam ser descontados créditos relativos aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens/produtos destinados à venda. Deste modo, a lei não restringiu o crédito apenas aos insumos diretamente aplicados no produto, como entendem alguns; ao contrário, prescreveu que os bens e serviços utilizados, diretamente ou indiretamente, indiferentemente a meu ver, como insumos, portanto todos aqueles necessários, pertinentes e inerentes ao processo produtivo, poderiam ser descontados, e desde que relacionado ao objeto social da empresa (porque somente as atividades ali previstas podem relacionarse com o processo produtivo da empresa). Devese, destarte, apurar quais foram os gastos (bens e serviços) utilizados no processo produtivo são necessários, pertinentes e inerentes para elaboração do produto final destinado a venda, que resultam no auferimento das receitas tributáveis, representativas da materialidade sobre as quais se dá a incidência do PIS e Cofins (aspecto material da regramatriz de incidência). Ademais, observese que o artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 (com a nova redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) incluiu na delimitação do sentido do termo “insumos”, além dos bens, também os “serviços”, denotando claramente, a meu ver, a intenção de ampliar o conceito de insumo, não o restringindo apenas ao da legislação do IPI. Por óbvio, os bens e serviços citados no artigo 3º, II, das referidas leis, não “são” insumos, mas são “utilizados como” insumos no processo produtivo, como advertiu Marco Aurélio Grecco (http://arquivos.portaldaindustria.com.br). E essa noção é de extrema importância: devemse perquirir quais são os gastos, em bens e/ou serviços, utilizados no processo produtivo, sem os quais a produção da empresa seria inviabilizada, e com isso não haveria geração de receitas. (...) De outro lado, a meu ver, também não houve intenção do legislador em ampliar o conteúdo semântico do vocábulo “insumo”, equiparandoo aos conceitos de custos e despesas operacionais previstos na legislação do IRPJ. Se assim o fosse, não seria necessário relacionar, de forma exaustiva, todas as hipóteses permissivas de créditos nos incisos do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002. Além, é claro, de disporem sobre materialidades distintas como já anotado linhas acima (receita não é lucro!). Com base nesse conceito, passo a analisar cada uma das glosas procedidas pela fiscalização: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 1 Auxilio Creche; Assistência Médica e Odontológica; Assistência Farmacêutica; Transporte de Pessoal; Lanches e Refeições; Formação Profissional; Programa Alimentação do Trabalho — PAT Tais despesas relacionamse a gastos normais e corriqueiros da empresa com seus empregados, mas não estão relacionadas ao processo produtivo da empresa. Não são custos/despesas sem os quais a empresa deixaria de produzir seu produto final. Assim, entendo que acertada a glosa procedida pela fiscalização. 2 Manutenção e Reparos e Manutenção de Instalações Em relação a essa despesa/custo, entendo que não ficou bem especificado pela contribuinte a vinculação das manutenções e reparos com equipamentos relacionados ao processo produtivo da empresa. Entendo, por exemplo, que se restasse demonstrada que os reparos/manutenção estivesse relacionada diretamente com as máquinas utilizadas para a produção dos calçados ou com as instalações onde é efetivamente produzidos os mesmos, a glosa seria imprópria. No entanto, tal não restou caracterizada, sendo, a meu ver, correto o posicionamento da fiscalização. 3 Despesas c/Veículos; Serviços de Terceiros PJ; Custos c/Importação (serviço de Despachantes); Diversas e Bens de Reduzido Valor; Comissões s/Vendas; Assistência técnica e jurídica Também não restou demonstrado pelo contribuinte a relação dessas despesas com o processo produtivo ou mesmo com o processo de comercialização do produto final da empresa. 4 Roupas e Equipamentos de trabalho Em relação às despesas supra, não ficou claro se as roupas e equipamentos são decorrentes de norma do Poder Público, como é o caso das indumentárias. Não restando demonstrado esse vínculo legal, entendo que a glosa deve ser mantida. 5 Propaganda e publicidade e anúncios; Com relação a despesas com publicidade e anúncios entendo que o processo produtivo da empresa não restaria inviabilizado na hipótese de serem esses serviços suprimidos. Assim, entendo que tais despesas não podem ser utilizadas como insumos para efeito das contribuições para o PIS e COFINS. 6 Tratamento de Resíduos Industriais Já a despesa com tratamento de Resíduos Industriais entendo que se enquadra ao conceito de insumos. Isso porque essa obrigação decorre de legislação e, caso suprimido esse serviço, a empresa não poderia produzir o seu produto final. Assim, em relação a essa glosa específica, entendo haver razão ao contribuinte, merecendo ser afastada a glosa do crédito decorrente desse insumo. 7 – Depreciação de bens do ativo fixo Em relação a essa glosa, o contribuinte não possui razão dentro do conceito ora delineado. Isso porque o ativo imobilizado, cuja depreciação é passível de ser creditada é Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.100043/200650 Acórdão n.º 3301002.523 S3C3T1 Fl. 5 7 igualmente relacionada ao processo produtivo da empresa. Não pode ser considerada qualquer ativo, deve haver uma relação com o produto final. Nesse ponto, entendo que a glosa dos créditos da depreciação dos bens descritos às fls. 162/163, por não serem essenciais ao processo produtivo da empresa, está correta, não merecendo reparos. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso da contribuinte apenas para reconhecer como despesa/custo passível de aproveitamento do crédito o Tratamento de Resíduos Industriais. Fábia Regina Freitas Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por FABIA REGINA FREITAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10952.720036/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1402-000.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar.
Relatório
3R TRANSPORTES LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 14-45.173 proferido pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF).
Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final:
Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurada omissão de receitas de prestação de serviços de transporte de cargas para os meses de maio, agosto, setembro e novembro de 2009 e omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada para todos os meses do ano de 2009. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 3-5), CSLL (fls. 19-21), COFINS (fls. 31-35) e PIS (fls. 39-43), para constituição dos créditos tributários sobre as receitas omitidas apuradas.
Conforme descrito no "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 50-59, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários que ingressaram nas contas por ele mantidas junto ao Banco Bradesco S/A e junto ao Banco HSBC S/A. Em resposta apresentou os seguintes elementos:
Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas - CTRC da filial 0002, acompanhados de boletos bancários do Banco Bradesco S/A, constando como cedente a fiscalizada, com carimbo da data de recebimento e campo com a numeração do respectivo CTRC correlacionado;
CTRC da fiscalizada e da RODOVIÁRIO 3R LTDA, constando campos com identificação da carga, do seu remetente, do valor do frete e do veículo transportador, acompanhados de notas fiscais emitidas pelos remetentes, constando a identificação da carga, do valor do frete, do transportador e do veículo transportador, agrupadas pela data de cada depósito bancário no Banco JSBC S/A, inscrito em papeleta de controle do somatório diário dos valores dos fretes dos CTRC relacionados ao depósito bancário;
c)CTRC da fiscalizada e da RODOVIÁRIO 3R LTDA, acompanhados de demonstrativo de créditos bancários a comprovar do Banco Bradesco S/A, constando a data de cada crédito bancário, seu valor e número dos CTRC relacionados ao crédito bancário;
Papeletas indicando a data e valor de crédito no Banco Bradesco S/A correspondente à sub-contratação da fiscalizada para fretes de responsabilidade de terceiros, acompanhadas de documentos diversos, como CTRC, instrumentos de sub-contratação de transporte rodoviário de bens, contratos de fretes, notas fiscais, entre outros, emitidos por terceiros, supostamente relacionados à respectiva sub-contratação de frete;
dois comprovantes de depósitos bancários da fiscalizada para GPN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS AUTOMOTIVOS, no valor de R$ 240.000,00 e R$ 53.730,03, alegadamente relacionados ao repasse de indenização de carga de propriedade da GPN, sinistrada em acidente de trânsito conforme Boletim de Acidente de Trânsito, recebidos pela fiscalizada, da Seguradora MAFRE, por intermédio de crédito bancário no Banco Bradesco S/A, em 02/03/2009, no valor de R$ 293.716,56.
Em seguida, o contribuinte foi intimado a demonstrar de forma clara e organizada a correlação entre os depósitos bancários relativamente aos quais foi intimado a comprovar a origem e os respectivos documentos comprobatórios apresentados. Essa relação foi por ele apresentada em 11/12/2012.
De posse desses elementos, a autoridade autuante elaborou Demonstrativos de Análise de Créditos Bancários, nos quais consta, para cada crédito bancário, resumo da análise dos comprovantes apresentados ou menção da falta de entrega de documentos comprobatórios, por meio da expressão "NÃO COMPROVADO", bem como os valores considerados comprovados e não comprovados, adotando-se os seguintes critérios:
a) Todos os CTRC da filial 0002 da fiscalizada, acompanhados de boletos bancários do Banco Bradesco S/A, foram considerados hábeis e idôneos para comprovação da origem dos depósitos bancários correspondentes, com exceção daqueles emitidos em data posterior ao crédito bancário;
b) Dos CTRC da fiscalizada ou da RODOVIÁRIO 3R LTDA,acompanhados de notas fiscais emitidas pelos remetentes, foram considerados hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos bancários todos aqueles emitidos pela fiscalizada, com exceção dos emitidos em data posterior ao crédito bancário. Em relação aos emitidos pela RODOVIÁRIO 3R LTDA, foram considerados hábeis e idôneos para a mesma finalidade somente aqueles em que há coincidência da identificação da carga, do valor do frete e do veículo transportador entre os CTRC e as notas fiscais que os acompanham e que conste das notas fiscais a menção da fiscalizada como transportadora;
c) Dos CTRC da fiscalizada e da RODOVIÁRIO 3R LTDA, acompanhados de demonstrativo de créditos bancários a comprovar do Banco Bradesco S/A, constando a data de cada crédito bancário, seu valor e número dos CTRC relacionados ao crédito bancário, foram considerados hábeis e idôneos para comprovação da origem dos depósitos bancários somente os CTRC emitidos pela fiscalizada, com exceção daqueles emitidos em data posterior ao crédito bancário, considerando que aqueles emitidos pela RODOVIÁRIO 3R LTDA não há qualquer menção da fiscalizada;
Dos documentos supostamente correspondentes à sub-contratação da fiscalizada para fretes de responsabilidade de terceiros foram considerados hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos bancários somente aqueles documentos emitidos por terceiros em que há citação da fiscalizada;
A relação entre o crédito bancário no Banco Bradesco S/A, em 02/03/2009, no valor de R$ 293.716,56, recebido pela fiscalizada da Seguradora MAFRE, e os dois comprovantes de depósitos bancários da fiscalizada para GPN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS AUTOMOTIVOS, no valor de R$ 240.000,00 e R$ 53.730,03, relativos ao repasse de indenização de carga de propriedade da GPN, sinistrada em acidente de trânsito conforme Boletim de Acidente de Trânsito, recebidos pela fiscalizada, goza de verossimilhança para comprovação da origem do depósito bancário, em razão da coincidência de valores e do regular lançamento na conta 1.1.01.01.01 - Caixa do Livro Razão.
Em conclusão, quanto aos depósitos bancários relativamente aos quais não foi apresentada qualquer comprovação de origem, bem como quanto àqueles em que os documentos apresentados não foram reputados hábeis e idôneos a comprovar a respectiva origem, foi aplicada a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996.
Observa a autoridade autuante que o montante dos depósitos bancários cuja origem foi comprovada e que correspondem a receitas pela prestação de serviços de fretes pela fiscalizada supera, em alguns meses, o montante das receitas de prestação de serviços escrituradas no Livro Razão e oferecidas espontaneamente à tributação. Diante disso, essa diferença caracteriza receita omitida da prestação de serviços de frete, sendo tais valores discriminados na coluna Receitas de Serviços Não Contabilizados da planilha Omissão de Receitas de Comprovantes Apresentados e Não Contabilizados do ano-calendário de 2009.
Foram, em resumo, apuradas duas infrações, quais sejam: 1- omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada; 2- omissão de receitas da atividade pela não escrituração de receitas de prestação de serviços de transporte de cargas. O lançamento do IRPJ sobre essas receitas se deu segundo a sistemática do lucro presumido, pois essa foi a opção manifestada pelo contribuinte no curso do ano-calendário de 2009, lavrando-se, ainda, os autos de infração reflexos de CSLL, PIS e COFINS.
Sobre os tributos apurados foi aplicada multa qualificada (150%), pois a prática de omitir na escrituração contábil e fiscal, bem como nas declarações entregues, de maneira sistemática e reiterada, receitas tributáveis evidencia o intuito deliberado de impedir ou dificultar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu recebimento, caracterizando, ainda, sonegação.
Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2226-2236, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas:
Os CTRC ainda não apresentados, em razão de dificuldades de obtenção junto aos clientes, comprovarão que parte dos depósitos bancários reputados como receitas omitidas tem por origem tomadores de serviços que são obrigados a reter na fonte o pagamento dos tributos lançados, razão pela qual é descabida a exigência desses mesmos tributos sobre esses valores. Da mesma forma, a apresentação dos demais CTRC comprovará que os valores contabilizados no Livro Razão, referentes aos meses de janeiro, fevereiro, abril, outubro e dezembro de 2009, constantes do demonstrativo relativo à infração "OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE PELA NÃO ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE", já tiveram os tributos devidamente recolhidos, de modo que também devem ser excluídos da primeira infração.
O demonstrativo relativo à infração "OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE PELA NÃO ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE" revela que a autoridade autuante deixou de compensar os créditos contabilizados com os débitos apurados no trimestre, violando o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Afirma, a partir desses argumentos, que devem ser refeitos os cálculos no sentido de que seja cobrado o valor efetivamente devido.
Tece a impugnante extensas considerações acerca dos princípios da legalidade e da segurança jurídica e afirma que a autoridade autuante deixou de observar os artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/1998, alterados pela Medida Provisória n° 2.158/2001, segundo os quais a base de cálculo do PIS e da COFINS é a receita bruta mensal da autuada e não a receita de terceiros. Afirma, ainda que o Plenário do STF mudou o entendimento que existia acerca do alargamento da base de cálculo dessas contribuições, no sentido de declarar a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, que ampliava a base de cálculo delas. A partir desse novo entendimento o PIS e a COFINS não mais incidem sobre as receitas de terceiros, como o valor do ISS, do ICMS, dos fretes etc.
Por fim, pede que seja reconhecida a procedência parcial do lançamento, apurando-se o valor dos tributos efetivamente devidos.
A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa:
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 PROVA DOCUMENTAL - PRECLUSÃO - DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM COMPROVADA NÃO SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO A prova documental deve ser apresentada junto da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas são documentos emitidos pela própria transportadora, de modo que a responsabilidade por eventual atraso em sua apresentação não pode ser imputada a terceiros.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo.Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2008, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 RECEITA BRUTA - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS - EXCLUSÃO DE ISS, ICMS E FRETE - AUTO REFLEXO A receita proveniente da prestação de serviços de transporte de cargas, para o contribuinte cujo objeto contemple a atividade de prestação de serviços de transporte de cargas, inclui-se no conceito de receita bruta tributável pela Cofins. O ISS, o ICMS e o frete integram a base de cálculo da Cofins. Quanto às demais alegações, aplicam-se as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca do lançamento de IRPJ, tendo em vista tratar-se de auto reflexo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2008, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 RECEITA BRUTA - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS - EXCLUSÃO DE ISS, ICMS E FRETE - AUTO REFLEXO A receita proveniente da prestação de serviços de transporte de cargas, para o contribuinte cujo objeto contemple a atividade de prestação de serviços de transporte de cargas, inclui-se no conceito de receita bruta tributável pelo PIS. O ISS, o ICMS e o frete integram a base de cálculo do PIS. Quanto às demais alegações, aplicam-se as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca do lançamento de IRPJ, tendo em vista tratarse de auto reflexo.
Salienta-se que a decisão foi por maioria, vencido o julgador José de Almeida Martins foi vencido que entendeu que não deveria ser mantida a qualificação da multa sobre o crédito tributário decorrente das receitas omitidas apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada.
O contribuinte foi cientificado da decisão em 10 de outubro de 2013 (fl. 2275-2276), apresentando recurso voluntário de fls. 2277-2287em 07 de novembro de 2013.
Em apertada síntese, pode-se afirmar que o recurso reafirma os pontos tratados em impugnação. O único ponto adicional diz respeito à juntada de CTRC que comprovariam parte dos depósitos bancários considerados como receita omitida (infração 1).
É o relatório.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Relatório 3R TRANSPORTES LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 14-45.173 proferido pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementando-o ao final: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurada omissão de receitas de prestação de serviços de transporte de cargas para os meses de maio, agosto, setembro e novembro de 2009 e omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada para todos os meses do ano de 2009. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 3-5), CSLL (fls. 19-21), COFINS (fls. 31-35) e PIS (fls. 39-43), para constituição dos créditos tributários sobre as receitas omitidas apuradas. Conforme descrito no "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 50-59, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários que ingressaram nas contas por ele mantidas junto ao Banco Bradesco S/A e junto ao Banco HSBC S/A. Em resposta apresentou os seguintes elementos: Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas - CTRC da filial 0002, acompanhados de boletos bancários do Banco Bradesco S/A, constando como cedente a fiscalizada, com carimbo da data de recebimento e campo com a numeração do respectivo CTRC correlacionado; CTRC da fiscalizada e da RODOVIÁRIO 3R LTDA, constando campos com identificação da carga, do seu remetente, do valor do frete e do veículo transportador, acompanhados de notas fiscais emitidas pelos remetentes, constando a identificação da carga, do valor do frete, do transportador e do veículo transportador, agrupadas pela data de cada depósito bancário no Banco JSBC S/A, inscrito em papeleta de controle do somatório diário dos valores dos fretes dos CTRC relacionados ao depósito bancário; c)CTRC da fiscalizada e da RODOVIÁRIO 3R LTDA, acompanhados de demonstrativo de créditos bancários a comprovar do Banco Bradesco S/A, constando a data de cada crédito bancário, seu valor e número dos CTRC relacionados ao crédito bancário; Papeletas indicando a data e valor de crédito no Banco Bradesco S/A correspondente à sub-contratação da fiscalizada para fretes de responsabilidade de terceiros, acompanhadas de documentos diversos, como CTRC, instrumentos de sub-contratação de transporte rodoviário de bens, contratos de fretes, notas fiscais, entre outros, emitidos por terceiros, supostamente relacionados à respectiva sub-contratação de frete; dois comprovantes de depósitos bancários da fiscalizada para GPN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS AUTOMOTIVOS, no valor de R$ 240.000,00 e R$ 53.730,03, alegadamente relacionados ao repasse de indenização de carga de propriedade da GPN, sinistrada em acidente de trânsito conforme Boletim de Acidente de Trânsito, recebidos pela fiscalizada, da Seguradora MAFRE, por intermédio de crédito bancário no Banco Bradesco S/A, em 02/03/2009, no valor de R$ 293.716,56. Em seguida, o contribuinte foi intimado a demonstrar de forma clara e organizada a correlação entre os depósitos bancários relativamente aos quais foi intimado a comprovar a origem e os respectivos documentos comprobatórios apresentados. Essa relação foi por ele apresentada em 11/12/2012. De posse desses elementos, a autoridade autuante elaborou Demonstrativos de Análise de Créditos Bancários, nos quais consta, para cada crédito bancário, resumo da análise dos comprovantes apresentados ou menção da falta de entrega de documentos comprobatórios, por meio da expressão "NÃO COMPROVADO", bem como os valores considerados comprovados e não comprovados, adotando-se os seguintes critérios: a) Todos os CTRC da filial 0002 da fiscalizada, acompanhados de boletos bancários do Banco Bradesco S/A, foram considerados hábeis e idôneos para comprovação da origem dos depósitos bancários correspondentes, com exceção daqueles emitidos em data posterior ao crédito bancário; b) Dos CTRC da fiscalizada ou da RODOVIÁRIO 3R LTDA,acompanhados de notas fiscais emitidas pelos remetentes, foram considerados hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos bancários todos aqueles emitidos pela fiscalizada, com exceção dos emitidos em data posterior ao crédito bancário. Em relação aos emitidos pela RODOVIÁRIO 3R LTDA, foram considerados hábeis e idôneos para a mesma finalidade somente aqueles em que há coincidência da identificação da carga, do valor do frete e do veículo transportador entre os CTRC e as notas fiscais que os acompanham e que conste das notas fiscais a menção da fiscalizada como transportadora; c) Dos CTRC da fiscalizada e da RODOVIÁRIO 3R LTDA, acompanhados de demonstrativo de créditos bancários a comprovar do Banco Bradesco S/A, constando a data de cada crédito bancário, seu valor e número dos CTRC relacionados ao crédito bancário, foram considerados hábeis e idôneos para comprovação da origem dos depósitos bancários somente os CTRC emitidos pela fiscalizada, com exceção daqueles emitidos em data posterior ao crédito bancário, considerando que aqueles emitidos pela RODOVIÁRIO 3R LTDA não há qualquer menção da fiscalizada; Dos documentos supostamente correspondentes à sub-contratação da fiscalizada para fretes de responsabilidade de terceiros foram considerados hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos bancários somente aqueles documentos emitidos por terceiros em que há citação da fiscalizada; A relação entre o crédito bancário no Banco Bradesco S/A, em 02/03/2009, no valor de R$ 293.716,56, recebido pela fiscalizada da Seguradora MAFRE, e os dois comprovantes de depósitos bancários da fiscalizada para GPN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS AUTOMOTIVOS, no valor de R$ 240.000,00 e R$ 53.730,03, relativos ao repasse de indenização de carga de propriedade da GPN, sinistrada em acidente de trânsito conforme Boletim de Acidente de Trânsito, recebidos pela fiscalizada, goza de verossimilhança para comprovação da origem do depósito bancário, em razão da coincidência de valores e do regular lançamento na conta 1.1.01.01.01 - Caixa do Livro Razão. Em conclusão, quanto aos depósitos bancários relativamente aos quais não foi apresentada qualquer comprovação de origem, bem como quanto àqueles em que os documentos apresentados não foram reputados hábeis e idôneos a comprovar a respectiva origem, foi aplicada a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Observa a autoridade autuante que o montante dos depósitos bancários cuja origem foi comprovada e que correspondem a receitas pela prestação de serviços de fretes pela fiscalizada supera, em alguns meses, o montante das receitas de prestação de serviços escrituradas no Livro Razão e oferecidas espontaneamente à tributação. Diante disso, essa diferença caracteriza receita omitida da prestação de serviços de frete, sendo tais valores discriminados na coluna Receitas de Serviços Não Contabilizados da planilha Omissão de Receitas de Comprovantes Apresentados e Não Contabilizados do ano-calendário de 2009. Foram, em resumo, apuradas duas infrações, quais sejam: 1- omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada; 2- omissão de receitas da atividade pela não escrituração de receitas de prestação de serviços de transporte de cargas. O lançamento do IRPJ sobre essas receitas se deu segundo a sistemática do lucro presumido, pois essa foi a opção manifestada pelo contribuinte no curso do ano-calendário de 2009, lavrando-se, ainda, os autos de infração reflexos de CSLL, PIS e COFINS. Sobre os tributos apurados foi aplicada multa qualificada (150%), pois a prática de omitir na escrituração contábil e fiscal, bem como nas declarações entregues, de maneira sistemática e reiterada, receitas tributáveis evidencia o intuito deliberado de impedir ou dificultar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu recebimento, caracterizando, ainda, sonegação. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2226-2236, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Os CTRC ainda não apresentados, em razão de dificuldades de obtenção junto aos clientes, comprovarão que parte dos depósitos bancários reputados como receitas omitidas tem por origem tomadores de serviços que são obrigados a reter na fonte o pagamento dos tributos lançados, razão pela qual é descabida a exigência desses mesmos tributos sobre esses valores. Da mesma forma, a apresentação dos demais CTRC comprovará que os valores contabilizados no Livro Razão, referentes aos meses de janeiro, fevereiro, abril, outubro e dezembro de 2009, constantes do demonstrativo relativo à infração "OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE PELA NÃO ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE", já tiveram os tributos devidamente recolhidos, de modo que também devem ser excluídos da primeira infração. O demonstrativo relativo à infração "OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE PELA NÃO ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE" revela que a autoridade autuante deixou de compensar os créditos contabilizados com os débitos apurados no trimestre, violando o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Afirma, a partir desses argumentos, que devem ser refeitos os cálculos no sentido de que seja cobrado o valor efetivamente devido. Tece a impugnante extensas considerações acerca dos princípios da legalidade e da segurança jurídica e afirma que a autoridade autuante deixou de observar os artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/1998, alterados pela Medida Provisória n° 2.158/2001, segundo os quais a base de cálculo do PIS e da COFINS é a receita bruta mensal da autuada e não a receita de terceiros. Afirma, ainda que o Plenário do STF mudou o entendimento que existia acerca do alargamento da base de cálculo dessas contribuições, no sentido de declarar a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, que ampliava a base de cálculo delas. A partir desse novo entendimento o PIS e a COFINS não mais incidem sobre as receitas de terceiros, como o valor do ISS, do ICMS, dos fretes etc. Por fim, pede que seja reconhecida a procedência parcial do lançamento, apurando-se o valor dos tributos efetivamente devidos. A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 PROVA DOCUMENTAL - PRECLUSÃO - DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM COMPROVADA NÃO SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO A prova documental deve ser apresentada junto da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas são documentos emitidos pela própria transportadora, de modo que a responsabilidade por eventual atraso em sua apresentação não pode ser imputada a terceiros. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo.Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2008, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 RECEITA BRUTA - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS - EXCLUSÃO DE ISS, ICMS E FRETE - AUTO REFLEXO A receita proveniente da prestação de serviços de transporte de cargas, para o contribuinte cujo objeto contemple a atividade de prestação de serviços de transporte de cargas, inclui-se no conceito de receita bruta tributável pela Cofins. O ISS, o ICMS e o frete integram a base de cálculo da Cofins. Quanto às demais alegações, aplicam-se as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca do lançamento de IRPJ, tendo em vista tratar-se de auto reflexo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2008, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 RECEITA BRUTA - PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS - EXCLUSÃO DE ISS, ICMS E FRETE - AUTO REFLEXO A receita proveniente da prestação de serviços de transporte de cargas, para o contribuinte cujo objeto contemple a atividade de prestação de serviços de transporte de cargas, inclui-se no conceito de receita bruta tributável pelo PIS. O ISS, o ICMS e o frete integram a base de cálculo do PIS. Quanto às demais alegações, aplicam-se as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca do lançamento de IRPJ, tendo em vista tratarse de auto reflexo. Salienta-se que a decisão foi por maioria, vencido o julgador José de Almeida Martins foi vencido que entendeu que não deveria ser mantida a qualificação da multa sobre o crédito tributário decorrente das receitas omitidas apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. O contribuinte foi cientificado da decisão em 10 de outubro de 2013 (fl. 2275-2276), apresentando recurso voluntário de fls. 2277-2287em 07 de novembro de 2013. Em apertada síntese, pode-se afirmar que o recurso reafirma os pontos tratados em impugnação. O único ponto adicional diz respeito à juntada de CTRC que comprovariam parte dos depósitos bancários considerados como receita omitida (infração 1). É o relatório.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termo do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Mozart Barreto Vianna, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo de Andrade Couto e Paulo Roberto Cortez. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 52 .7 20 03 6/ 20 13 -3 1 Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10952.720036/201331 Resolução nº 1402000.293 S1C4T2 Fl. 2.465 2 Relatório 3R TRANSPORTES LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 14 45.173 proferido pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto que julgou improcedente a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima identificado foi apurada omissão de receitas de prestação de serviços de transporte de cargas para os meses de maio, agosto, setembro e novembro de 2009 e omissão de receitas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada para todos os meses do ano de 2009. Em conseqüência, foram lavrados os autos de infração de IRPJ (fls. 35), CSLL (fls. 1921), COFINS (fls. 3135) e PIS (fls. 3943), para constituição dos créditos tributários sobre as receitas omitidas apuradas. Conforme descrito no "Termo de Verificação Fiscal" de fls. 5059, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários que ingressaram nas contas por ele mantidas junto ao Banco Bradesco S/A e junto ao Banco HSBC S/A. Em resposta apresentou os seguintes elementos: Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC da filial 0002, acompanhados de boletos bancários do Banco Bradesco S/A, constando como cedente a fiscalizada, com carimbo da data de recebimento e campo com a numeração do respectivo CTRC correlacionado; CTRC da fiscalizada e da RODOVIÁRIO 3R LTDA, constando campos com identificação da carga, do seu remetente, do valor do frete e do veículo transportador, acompanhados de notas fiscais emitidas pelos remetentes, constando a identificação da carga, do valor do frete, do transportador e do veículo transportador, agrupadas pela data de cada depósito bancário no Banco JSBC S/A, inscrito em papeleta de controle do somatório diário dos valores dos fretes dos CTRC relacionados ao depósito bancário; c)CTRC da fiscalizada e da RODOVIÁRIO 3R LTDA, acompanhados de demonstrativo de créditos bancários a comprovar do Banco Bradesco S/A, constando a data de cada crédito bancário, seu valor e número dos CTRC relacionados ao crédito bancário; Papeletas indicando a data e valor de crédito no Banco Bradesco S/A correspondente à subcontratação da fiscalizada para fretes de responsabilidade de terceiros, acompanhadas de documentos diversos, como CTRC, instrumentos de sub contratação de transporte rodoviário de bens, contratos de fretes, notas fiscais, entre outros, emitidos por terceiros, supostamente relacionados à respectiva subcontratação de frete; dois comprovantes de depósitos bancários da fiscalizada para GPN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS AUTOMOTIVOS, no valor de R$ 240.000,00 e R$ 53.730,03, alegadamente relacionados ao repasse de indenização de carga de propriedade da GPN, sinistrada em acidente de trânsito conforme Boletim de Acidente de Trânsito, recebidos pela fiscalizada, da Seguradora MAFRE, por intermédio de crédito bancário no Banco Bradesco S/A, em 02/03/2009, no valor de R$ 293.716,56. Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10952.720036/201331 Resolução nº 1402000.293 S1C4T2 Fl. 2.466 3 Em seguida, o contribuinte foi intimado a demonstrar de forma clara e organizada a correlação entre os depósitos bancários relativamente aos quais foi intimado a comprovar a origem e os respectivos documentos comprobatórios apresentados. Essa relação foi por ele apresentada em 11/12/2012. De posse desses elementos, a autoridade autuante elaborou Demonstrativos de Análise de Créditos Bancários, nos quais consta, para cada crédito bancário, resumo da análise dos comprovantes apresentados ou menção da falta de entrega de documentos comprobatórios, por meio da expressão "NÃO COMPROVADO", bem como os valores considerados comprovados e não comprovados, adotandose os seguintes critérios: a) Todos os CTRC da filial 0002 da fiscalizada, acompanhados de boletos bancários do Banco Bradesco S/A, foram considerados hábeis e idôneos para comprovação da origem dos depósitos bancários correspondentes, com exceção daqueles emitidos em data posterior ao crédito bancário; b) Dos CTRC da fiscalizada ou da RODOVIÁRIO 3R LTDA,acompanhados de notas fiscais emitidas pelos remetentes, foram considerados hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos bancários todos aqueles emitidos pela fiscalizada, com exceção dos emitidos em data posterior ao crédito bancário. Em relação aos emitidos pela RODOVIÁRIO 3R LTDA, foram considerados hábeis e idôneos para a mesma finalidade somente aqueles em que há coincidência da identificação da carga, do valor do frete e do veículo transportador entre os CTRC e as notas fiscais que os acompanham e que conste das notas fiscais a menção da fiscalizada como transportadora; c) Dos CTRC da fiscalizada e da RODOVIÁRIO 3R LTDA, acompanhados de demonstrativo de créditos bancários a comprovar do Banco Bradesco S/A, constando a data de cada crédito bancário, seu valor e número dos CTRC relacionados ao crédito bancário, foram considerados hábeis e idôneos para comprovação da origem dos depósitos bancários somente os CTRC emitidos pela fiscalizada, com exceção daqueles emitidos em data posterior ao crédito bancário, considerando que aqueles emitidos pela RODOVIÁRIO 3R LTDA não há qualquer menção da fiscalizada; Dos documentos supostamente correspondentes à subcontratação da fiscalizada para fretes de responsabilidade de terceiros foram considerados hábeis e idôneos para comprovar a origem dos depósitos bancários somente aqueles documentos emitidos por terceiros em que há citação da fiscalizada; A relação entre o crédito bancário no Banco Bradesco S/A, em 02/03/2009, no valor de R$ 293.716,56, recebido pela fiscalizada da Seguradora MAFRE, e os dois comprovantes de depósitos bancários da fiscalizada para GPN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS AUTOMOTIVOS, no valor de R$ 240.000,00 e R$ 53.730,03, relativos ao repasse de indenização de carga de propriedade da GPN, sinistrada em acidente de trânsito conforme Boletim de Acidente de Trânsito, recebidos pela fiscalizada, goza de verossimilhança para comprovação da origem do depósito bancário, em razão da coincidência de valores e do regular lançamento na conta 1.1.01.01.01 Caixa do Livro Razão. Em conclusão, quanto aos depósitos bancários relativamente aos quais não foi apresentada qualquer comprovação de origem, bem como quanto àqueles em que os documentos apresentados não foram reputados hábeis e idôneos a comprovar a Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10952.720036/201331 Resolução nº 1402000.293 S1C4T2 Fl. 2.467 4 respectiva origem, foi aplicada a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Observa a autoridade autuante que o montante dos depósitos bancários cuja origem foi comprovada e que correspondem a receitas pela prestação de serviços de fretes pela fiscalizada supera, em alguns meses, o montante das receitas de prestação de serviços escrituradas no Livro Razão e oferecidas espontaneamente à tributação. Diante disso, essa diferença caracteriza receita omitida da prestação de serviços de frete, sendo tais valores discriminados na coluna Receitas de Serviços Não Contabilizados da planilha Omissão de Receitas de Comprovantes Apresentados e Não Contabilizados do anocalendário de 2009. Foram, em resumo, apuradas duas infrações, quais sejam: 1 omissão de receitas fundada em depósitos bancários de origem não comprovada; 2 omissão de receitas da atividade pela não escrituração de receitas de prestação de serviços de transporte de cargas. O lançamento do IRPJ sobre essas receitas se deu segundo a sistemática do lucro presumido, pois essa foi a opção manifestada pelo contribuinte no curso do anocalendário de 2009, lavrandose, ainda, os autos de infração reflexos de CSLL, PIS e COFINS. Sobre os tributos apurados foi aplicada multa qualificada (150%), pois a prática de omitir na escrituração contábil e fiscal, bem como nas declarações entregues, de maneira sistemática e reiterada, receitas tributáveis evidencia o intuito deliberado de impedir ou dificultar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência dos fatos geradores correspondentes a seu recebimento, caracterizando, ainda, sonegação. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 2226 2236, na qual deduz as alegações a seguir resumidamente discriminadas: Os CTRC ainda não apresentados, em razão de dificuldades de obtenção junto aos clientes, comprovarão que parte dos depósitos bancários reputados como receitas omitidas tem por origem tomadores de serviços que são obrigados a reter na fonte o pagamento dos tributos lançados, razão pela qual é descabida a exigência desses mesmos tributos sobre esses valores. Da mesma forma, a apresentação dos demais CTRC comprovará que os valores contabilizados no Livro Razão, referentes aos meses de janeiro, fevereiro, abril, outubro e dezembro de 2009, constantes do demonstrativo relativo à infração "OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE PELA NÃO ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE", já tiveram os tributos devidamente recolhidos, de modo que também devem ser excluídos da primeira infração. O demonstrativo relativo à infração "OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE PELA NÃO ESCRITURAÇÃO DE RECEITAS DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE" revela que a autoridade autuante deixou de compensar os créditos contabilizados com os débitos apurados no trimestre, violando o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Afirma, a partir desses argumentos, que devem ser refeitos os cálculos no sentido de que seja cobrado o valor efetivamente devido. Tece a impugnante extensas considerações acerca dos princípios da legalidade e da segurança jurídica e afirma que a autoridade autuante deixou de observar os artigos 2° e 3° da Lei n° 9.718/1998, alterados pela Medida Provisória n° 2.158/2001, segundo os quais a base de cálculo do PIS e da COFINS é a receita bruta mensal da autuada e não a receita de terceiros. Afirma, ainda que o Plenário do STF mudou o entendimento que existia acerca do alargamento da base de cálculo dessas Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10952.720036/201331 Resolução nº 1402000.293 S1C4T2 Fl. 2.468 5 contribuições, no sentido de declarar a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/1998, que ampliava a base de cálculo delas. A partir desse novo entendimento o PIS e a COFINS não mais incidem sobre as receitas de terceiros, como o valor do ISS, do ICMS, dos fretes etc. Por fim, pede que seja reconhecida a procedência parcial do lançamento, apurandose o valor dos tributos efetivamente devidos. A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto julgou a impugnação improcedente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 PROVA DOCUMENTAL PRECLUSÃO DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM COMPROVADA NÃO SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO A prova documental deve ser apresentada junto da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas são documentos emitidos pela própria transportadora, de modo que a responsabilidade por eventual atraso em sua apresentação não pode ser imputada a terceiros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação específica no tocante ao auto reflexo.ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2008, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 RECEITA BRUTA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS EXCLUSÃO DE ISS, ICMS E FRETE AUTO REFLEXO A receita proveniente da prestação de serviços de transporte de cargas, para o contribuinte cujo objeto contemple a atividade de prestação de serviços de transporte de cargas, incluise no conceito de receita bruta tributável pela Cofins. O ISS, o ICMS e o frete integram a base de cálculo da Cofins. Quanto às demais alegações, aplicamse as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca do lançamento de IRPJ, tendo em vista tratarse de auto reflexo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2008, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 RECEITA BRUTA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSPORTE DE CARGAS EXCLUSÃO DE ISS, ICMS E FRETE AUTO REFLEXO A receita proveniente da prestação de serviços de transporte de cargas, para o contribuinte cujo objeto contemple a atividade de prestação de serviços de transporte de Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10952.720036/201331 Resolução nº 1402000.293 S1C4T2 Fl. 2.469 6 cargas, incluise no conceito de receita bruta tributável pelo PIS. O ISS, o ICMS e o frete integram a base de cálculo do PIS. Quanto às demais alegações, aplicamse as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca do lançamento de IRPJ, tendo em vista tratarse de auto reflexo. Salientase que a decisão foi por maioria, vencido o julgador José de Almeida Martins foi vencido que entendeu que não deveria ser mantida a qualificação da multa sobre o crédito tributário decorrente das receitas omitidas apuradas a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. O contribuinte foi cientificado da decisão em 10 de outubro de 2013 (fl. 2275 2276), apresentando recurso voluntário de fls. 22772287em 07 de novembro de 2013. Em apertada síntese, podese afirmar que o recurso reafirma os pontos tratados em impugnação. O único ponto adicional diz respeito à juntada de CTRC que comprovariam parte dos depósitos bancários considerados como receita omitida (infração 1). É o relatório. Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10952.720036/201331 Resolução nº 1402000.293 S1C4T2 Fl. 2.470 7 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se observa, a Recorrente anexou aos autos diversos conhecimentos de transporte que comprovariam a origem de depósitos considerados como omissão de receita por parte da autoridade autuante. Esta turma firmou entendimento de que, a bem do princípio da verdade material, documentos juntados aos autos até a data em que o processo foi incluído em pauta devem ser analisados. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência, retornando os autos à unidade de origem para que analise a documentação acostada em sede de recurso voluntário. A autoridade fiscal deverá cotejar tais documentos com os depósitos bancários considerados como receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Nos casos que se considere comprovada a origem, deverá o responsável pela diligência verificar se tais rendimentos já foram oferecidos à tributação, tal qual realizado com os documentos que deram ensejo à infração número 2, onde se constatou que os depósitos cuja origem havia sido comprovada, e se referiam a receitas, superavam, em determinados períodos, o montante de rendimentos oferecidos à tributação. Ao final, deverá a autoridade fiscal elaborar relatório circunstanciado em que fique evidenciado, com base nos novos elementos trazidos aos autos, se houve ou não comprovação de origem de depósitos já considerados como receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Em caso afirmativo, deverá a autoridade fiscal verificar se tais receitas foram oferecidas à tributação espontaneamente pela Recorrente, discriminando, mensalmente: (i) depósitos de origem comprovada que se referem a receitas e que foram oferecidos à tributação pela Recorrente; (ii) depósitos de origem comprovada que se referem a receitas e que superam os valores mensais oferecidos à tributação. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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