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Numero do processo: 11891.000325/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 17/12/2007
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA.POSSIBILIDADE
A existência de ação judicial não obsta a formalização do crédito tributário, devendo haver o lançamento para prevenir a decadência, nos termos do artigo 63 da Lei n. 9430/96.
Numero da decisão: 3302-006.050
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 89 1. 00 03 25 /2 00 8- 87 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11891.000325/200887 Acórdão n.º 3302006.050 S3C3T2 Fl. 190 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo do relatório da decisão de piso de fls. 156162: Trata o presente processo de auto de infração lavrado em 18/07/2008 (folhas 02 a 22) para constituição e exigência de crédito tributário no valor total de R$200.440,35, referente a Cofinsimportação, a PIS/Pasepimportação e ao IPI Imposto sobre Produtos Industrializados. O total do cré0dito corresponde a tributos, multa de ofício e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada submeteu a despacho de importação 01 (um) equipamento de TOMOGRAFIA COMPUTADORIZADA, modelo ASTEION VP, marca TOSHIBA amparada pela Declaração de Importação DI nº 07/17549997, registrada em 17/12/2007. O importador em epígrafe impetrou mandado de segurança com pedido de liminar na 21ª Vara da Justiça Federal em Minas Gerais, processo judicial n° 2008.38.00.0058563, objetivando o desembaraço aduaneiro fundamentado na imunidade constitucional tributária, sem a exigência do recolhimento dos tributos IPI, Cofins Importação, PISImportação e ICMS, porém sem a apresentação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEAS dentro do prazo de validade. A liminar foi deferida em 11/03/2008, portanto, após o registro da declaração de importação em questão e antes da lavratura do presente auto de infração. O crédito tributário foi lançado através do presente auto de infração visando a prevenir os efeitos da decadência, e está com a exigibilidade suspensa pela liminar concedida em mandado de segurança, conforme processo judicial em referência (artigo 151, inciso IV do Código Tributário Nacional). Cientificada a interessada apresentou impugnação (fls. 47 a 61) cujo teor se assemelha ao peticionado em mandado de segurança. Alega que os impostos constantes do auto de infração ainda que indevidos, estão sendo discutidos judicialmente, não podendo prevalecer a autuação. Diz que, no bojo do auto de infração consta que a exigibilidade daqueles tributos está suspensa. A impugnante ainda solicita diligências ou perícias para averiguação da documentação utilizada na lavratura do Auto de Infração tendo em vista o teor da presente impugnação e porque tem imunidade tributária. Requer: 1) preliminarmente, seja anulado o Auto de Infração, tendo em vista que não guarda consonância com a legislação pertinente e porque a impugnante tem imunidade tributária; 2) a Fl. 190DF CARF MF Processo nº 11891.000325/200887 Acórdão n.º 3302006.050 S3C3T2 Fl. 191 3 suspensão da exigibilidade dos tributos constante do Auto de Infração bem como a suspensão do presente processo, e ainda a suspensão dos efeitos do MPF 0615100/00227/08, porque a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, onde foi deferida liminar favorável à impugnante; 3) a procedência da presente impugnação, tendo em vista que tem imunidade tributária, por força do artigo 150, inciso VI, letra "C " da CF/88 c/c os artigos 9°e 14 do CTN. Em 28 de outubro de 2015, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 17/12/2007 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto do lançamento, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. As matérias submetidas à via judicial devem ter o crédito tributário lançado, pois a atividade do lançamento é obrigatória e vinculada em relação à autoridade fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. Indeferese o pedido de diligência consistente na juntada de documentos quando os autos já se encontram suficientemente instruídos para prolação de voto. Intimada da decisão em 20.11.2015 (fls.168), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 21.12.2015 (fls. 169173), alegando, em síntese: (i) que antes do que restar decidido na ação judicial, não há que falar em cobrança de valores, posto que, uma vez reconhecida a imunidade da Recorrente, não haverá exigência do tributo; e (ii) que a suspensão do processo administrativo até julgamento final do processo judicial é medida que se impõe. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Tempestividade Fl. 191DF CARF MF Processo nº 11891.000325/200887 Acórdão n.º 3302006.050 S3C3T2 Fl. 192 4 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 20.11.2015 (fls.168) e protocolou Recurso Voluntário em 21.12.2015 (fls. 169173) dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche o requisito de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Das Razões Recursais Conforme tecido anteriormente, alega a Recorrente que antes do que restar decidido na ação judicial, não há que falar em cobrança de valores, posto que, uma vez reconhecida a imunidade da Recorrente, não haverá exigência do tributo o lançamento fiscal. Em que pese os argumentos explicitados pela Recorrente, entendo que a propositura de ação judicial não se presta a obstar a formalização do lançamento, pois não há ou havia, na época do fato gerado, quaisquer óbices para que fosse formalizado, ao contrário, era poder dever da autoridade administrativa salvaguardar o crédito tributário, efetuando o lançamento para prevenção da decadência. Neste sentido: LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não obsta o lançamento preventivo da decadência. 2. A administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento, para evitar o transcurso do prazo decadencial. 3. Precedentes do CARF e do STJ. [...] (Acórdão 2402005.437, Recurso Voluntário, Rel. João Victor Ribeiro Aldinucci, data da sessão 16/08/2016) Como é de conhecimento, a decadência não se interrompe, nem se suspende, de tal sorte que, na pendência da suspensão da exigibilidade do crédito, o Fisco deve realizar o lançamento preventivo. A existência de tal ato ou procedimento está prevista, inclusive, no art. 63 da Lei 9.430/1996, cuja redação é a seguinte: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Desta forma, a administração, embora não possa praticar qualquer outro ato visando à cobrança do seu crédito, tais como inscrição em dívida ativa, execução, penhora, etc, deve proceder ao lançamento para evitar o transcurso do prazo decadencial. Quanto ao pedido de sobrestamento do feito, informo que inexiste no regimento interno deste Conselho, norma que preveja suspensão do processo para aguardar 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 11891.000325/200887 Acórdão n.º 3302006.050 S3C3T2 Fl. 193 5 julgamento definitivo da ação judicial, restando, assim, afastado o pedido realizado pela Recorrente. Por fim, registrese que a Recorrente não apresentou qualquer insurgência contra a decisão de piso que aplicou os efeitos da concomitância ao presente caso, tornandose, assim, incontroversia e definitiva essa questão. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10660.720759/2009-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito ao ressarcimento pedido e à compensação declarada.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2002 a 31/03/2002
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3002-000.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito ao ressarcimento pedido e à compensação declarada. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar o direito ao ressarcimento pedido e à compensação declarada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar a proposta de diligência suscitada pela conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 07 59 /2 00 9- 39 Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10660.720759/200939 Acórdão n.º 3002000.444 S3C0T2 Fl. 117 2 Trata este processo de Pedido de Ressarcimento de IPI, PER nº 13592.84025 310106.1.1.016302, referente ao 1º trimestre de 2002, no valor de R$ 806,73, cumulado com Declaração de Compensação com débitos de IRPJ de mesmo valor, Dcomp nº 27534.59441 310106.1.3.018790 (fls. 4 a 9). A Delegacia da Receita Federal em Varginha fundamentou a decisão denegatória no Parecer DRFB/VAR/Saort nº 650/2009 (fls. 34 e 35), onde consta que o crédito presumido de IPI do 1º trimestre/2002 já fora objeto de análise no processo nº 13660.000061/200304, do qual foram juntados a estes autos o Despacho Decisório e o Acórdão DRJ nº 0918.551 (fls. 12 a 27). Extraise desses documentos que, do pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI no valor de R$ 11.474,41, protocolizado em 29.01.2003, reconheceuse o direito a apenas R$ 4.721,12, em decorrência da glosa aos valores que não se enquadravam no conceito de matériaprima ou produto intermediário adotados pela Lei nº 9.363/1996. A compensação vinculada a este PER, protocolizada em 19.03.2003 (processo nº 13660.000109/200376), foi então homologada parcialmente. O contribuinte recorreu, mas a decisão foi mantida pela DRJ. Como consequência da utilização do crédito reconhecido em compensação no próprio processo nº 13660.000061/200304, além de negar o ressarcimento destes autos, a DRF Varginha não homologou a compensação. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 39 a 59), na qual alegou que transmitiu dois pedidos de ressarcimento de IPI, ambos relativos ao 1º trimestre/2002, sendo o primeiro, que consta do processo nº 13660.000061/200304, com fundamento na Lei nº 9.363/1996 e o segundo, destes autos, com fundamento na Lei nº 9.779/1999, e solicitou que fossem analisados separadamente. Requereu novamente a correção pela Selic. A Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 09 034.525 (fls. 80 a 83), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. Ratificou a decisão tomada no processo nº 13660.000061/200304 e concluiu que, como o crédito reconhecido no outro processo foi lá mesmo totalmente aproveitado, nada restou para ser decidido no presente processo, nem quanto à taxa Selic, já que não sobrou crédito para ressarcir ou compensar. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada a insuficiência de crédito para a realização da compensação declarada, cumpre apenas ratificar a sua não homologação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10660.720759/200939 Acórdão n.º 3002000.444 S3C0T2 Fl. 118 3 Crédito Tributário Mantido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 27.05.2011, conforme AR constante à fl. 88, e protocolizou o Recurso Voluntário em 14.06.2011, conforme carimbo aposto à primeira página da peça recursal à fl. 89. Em seu Recurso Voluntário (fls. 88 a 96), o contribuinte repisa os mesmos argumentos, sobre a existência de dois pedidos distintos, e reitera a correção do ressarcimento pela taxa Selic. Juntou ato de constituição e representação da empresa (fls. 97 a 113). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. O ponto central da defesa da recorrente repousa na afirmação de que há pedidos de ressarcimento distintos para o mesmo período e que tanto a Unidade de Origem quanto a Delegacia de Julgamento teriam decidido sobre um pedido de ressarcimento de créditos básicos a partir de uma análise sobre o pedido de ressarcimento de crédito presumido. Do PER nº 13592.84025.310106.1.1.016302 e da Dcomp nº 27534.59441 310106.1.3.018790, que iniciam o presente processo, extraímos que ambos são pedidos eletrônicos, transmitidos na mesma data, 31.01.2006, no valor de R$ 806,73 – apenas a capa dos pedidos foi juntada ao processo. Já do Despacho Decisório DRF/VAR/Saort proferido no processo nº 13660.000061/200304, retiramos que o contribuinte protocolizou um pedido de ressarcimento de R$ 11.474,41 em 29.01.2003 na Agência de São Lourenço e que mais tarde, em 19.03.2003, protocolizou uma declaração de compensação que vinculou ao pedido, dando a entender tratar se de solicitação feita em formulário (fl. 12). Na decisão da DRJ decorrente desse pedido vêse que é a análise de um ressarcimento de crédito presumido de IPI. Com os dados de que dispomos, sabemos que o pedido do processo nº 13660.000061/200304 referese a crédito presumido, mas não se sabe a que tipo de crédito de IPI se refere o pedido deste processo. Entretanto, o pedido destes autos foi analisado pela DRF Varginha, que afirmou tratarse de pedido em duplicidade, decisão essa confirmada pela DRJ de Juiz de Fora. Em tese, até poderia proceder a alegação, mas o que trouxe a recorrente aos autos para derrubar as duas decisões administrativas? Nada. Não dedica mais que cinco parágrafos, em um recurso de oito folhas, para combater o fundamento de denegação de seu pedido. E nenhum documento. Seria muito simples demonstrar o direito neste caso. Bastaria que a recorrente juntasse o PER nº 13592.84025 310106.1.1.016302 integral aos autos, pois, a depender do Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10660.720759/200939 Acórdão n.º 3002000.444 S3C0T2 Fl. 119 4 tipo de crédito solicitado, há seções distintas no pedido, que mostram de forma inquestionável a que se refere. Em um pedido de ressarcimento de crédito presumido podemos ter, por exemplo, a ficha “Notas Fiscais de Venda para Empresa Comercial Exportadora” ou “Crédito Presumido de Matriz Não Contribuinte do IPI”, ao passo que em um pedido de crédito básico devemos ter a ficha “Livro Registro de Apuração do IPI no Período do Ressarcimento Entradas”, por meio da qual vamos ver qual a classificação CFOP das compras realizadas, seus valores e quais delas foram classificadas como entrada de mercado nacional, entrada de mercado externo, crédito presumido, crédito extemporâneos ou outros créditos, ou a ficha “Notas Fiscais de Entrada/Aquisição” na qual consta o valor do IPI destacado em cada nota de entrada e o valor creditado no RAIPI. Dessa forma, a mera apresentação do pedido de ressarcimento, formulado e transmitido pelo próprio contribuinte, documento de fácil acesso, tornaria inafastável a sua reclamação e determinaria outro curso a este processo. Segundo a legislação relativa ao processo administrativo fiscal, em um processo de ressarcimento a produção da prova cabe ao requerente, que deve produzila, por meio de alegações e documentos, no momento da interposição da manifestação de inconformidade. A verse o Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) E o Decreto nº 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifado) Portanto, na ausência de demonstração mínima da existência de erro, entendo que não cabe a adoção de providências que venham a estender este julgamento por tempo indeterminado sem um fundamento consistente para essa decisão. É de se ressaltar que a busca da verdade material é um princípio caro ao direito tributário, que norteia as decisões tomadas neste Colegiado, mas, ao mesmo tempo, não se pode olvidar que não é o único a reger o processo administrativo. Devemos também zelar pela eficiência e pelo tempo razoável do processo. Assim, o sobrestamento de um julgamento ou a sua conversão em diligência devem estar necessariamente amparados em dúvida Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10660.720759/200939 Acórdão n.º 3002000.444 S3C0T2 Fl. 120 5 minimamente demonstrada nos autos. E a demonstração do erro cabe a quem entende ter sido lesado por uma decisão equivocada. Uma vez não demonstrada a existência de crédito passível de ressarcimento, não há que se falar em sua correção pela taxa Selic (não há mais objeto para a correção) ou em compensação, que somente é possível para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifado) Concluo que a recorrente não logrou fazer prova de seu direito creditório, ficando prejudicada a análise sobre a aplicação da taxa Selic sobre eventual crédito de IPI. Como não há crédito passível de ressarcimento, não há possibilidade de homologação da declaração de compensação. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720198/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/09/2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 3302-005.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13749.720190/2011-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente INDÚSTRIA NACIONAL DE COLCHÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/09/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13749.720190/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 98 /2 01 1- 19 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13749.720198/201119 Acórdão n.º 3302005.874 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DACON com exigência de crédito tributário no valor de R$ 500,00 e acréscimos legais. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação contra o lançamento alegando que em 2009 a empresa era optante pelo Simples Nacional e mudou o regime tributário para Lucro Presumido em Jan/2010, passando a ser obrigada a apresentação do Dacon mensal. Acrescenta que a empresa apresentou o Dacon espontaneamente, para a simples regularização de sua situação cadastral na RFB, uma vez que os impostos foram quitados no período. Ressalta o debate em torno do tema nos tribunais e a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso de confissão espontânea. Cita jurisprudência, o art. 138 do CTN, a Constituição Federal de 1988, o Decreto 2124/84 e a IN 124/86, em sua argumentação. Defende que a multa aplicada por atraso na entrega da Dacon não tem fundamento na lei e portanto é ilegal. A Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão nº 02041.459. Entendeu a Turma que: o argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Intimada do Acórdão de Impugnação, a contribunte ingressou com Recurso Voluntário alegando que: O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DACON, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regime passou a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DACON espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na Receita Federal, uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13749.720198/201119 Acórdão n.º 3302005.874 S3C3T2 Fl. 4 3 Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuintes quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar. Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen". DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.866, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13749.720190/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.866): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 03 de janeiro de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 25 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 04 de fevereiro de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta a questão da Denúncia Espontânea. Passase à análise. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13749.720198/201119 Acórdão n.º 3302005.874 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13749.720198/201119 Acórdão n.º 3302005.874 S3C3T2 Fl. 6 5 A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13749.720198/201119 Acórdão n.º 3302005.874 S3C3T2 Fl. 7 6 a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.904491/2009-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.903399/200953, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 44 91 /2 00 9- 31 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10283.904491/200931 Acórdão n.º 1301003.570 S1C3T1 Fl. 3 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de Declaração de Compensação DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal (código 2362). O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde afirma que as compensações foram realizadas em completa harmonia com a legislação vigente. Isto porque calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF. Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, teria nascido um crédito tributário. O sujeito passivo alega que por equívoco procedeu ao recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta também que não se trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de suspensão ou redução. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que os valores apurados a partir da receita bruta em função de balancete redução correspondem a estimativa mensal e que não havia previsão legal para utilização em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal de IRPJ. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das compensações em litígio. É o relatório. Voto Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10283.904491/200931 Acórdão n.º 1301003.570 S1C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.563, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.903399/2009 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.563): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão no presente processo é a possibilidade ou não de se compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de estimativa mensal para aquelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ pelo lucro real. O pedido de compensação foi indeferido liminarmente, através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento em que o sistema constatou tratarse de recolhimento efetivado sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou no mérito do direito creditório, e por conseguinte, não deu oportunidade para o contribuinte produzir provas. O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ, fundamentaram o indeferimento do pedido de compensação no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da IN SRF nº 600/2005. O §14º do art.74 da citada lei atribuiu competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a compensação e, o órgão emitiu instrução normativa que disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das vedações à compensação através de DCOMP, dispôs em seu Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10283.904491/200931 Acórdão n.º 1301003.570 S1C3T1 Fl. 5 4 inciso IX dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de créditos oriundos de pagamento indevido de estimativa mensal, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ........ IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (grifei) É de se observar que a Instrução Normativa fez uma interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou guarida na jurisprudência do CARF, que acerca da matéria proferiu a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Transcrevese ainda a redação anterior da súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à baila trecho do acórdão da CSRF nº 910100.406, de 02/10/2009, utilizado como precedente para elaboração da jurisprudência: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10283.904491/200931 Acórdão n.º 1301003.570 S1C3T1 Fl. 6 5 social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição corno pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, (...) De acordo com o acórdão recorrido, não seria possível caracterizar como indevido o recolhimento da antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a maior, apenas confrontando referido pagamento com as regras para apuração do valor devido a titulo de antecipação mensal. (...) É o relatório. (...) Nos termos da lei, a pessoa jurídica que opta pelo lucro real anual está obrigada a antecipar, mensalmente, o IRPJ calculado por estimativa. Referida obrigação de antecipar a cada mês uma parcela do IRPJ que será devido ao fim do ano calendário é apurada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme percentuais definidos em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte até o mês em que a antecipação é realizada. Ainda nos termos da lei, a obrigação de antecipar o imposto pode ser reduzida ou suspensa, conforme o Contribuinte comprove, mediante levantamento de balanços ou balancetes, que o IRPJ, se calculado sobre o lucro real verificado até o momento da apuração da antecipação, é menor do que o valor devido de acordo com o cálculo sobre a base estimada. Em apertada síntese, esse é o regime legal da obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso de opção pela apuração do lucro real em base anual. Diferentemente do acórdão recorrido, entendo que o Contribuinte está obrigado ao recolhimento das antecipações mensais nos termos estabelecidos na legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a base de cálculo apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. A meu ver, havendo recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10283.904491/200931 Acórdão n.º 1301003.570 S1C3T1 Fl. 7 6 Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei) Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84, reconhecese que é possível a caracterização de indébito a partir de recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte da existência de pagamento indevido, ou seja, que o valor recolhido a título de estimativa mensal, ainda que através de balanço ou balancete suspensão/redução, foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Logo, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo se assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10283.904491/200931 Acórdão n.º 1301003.570 S1C3T1 Fl. 8 7 de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000007/2007-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.475
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora) que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora) que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os Conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal (Relatora) que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 00 07 /2 00 7- 58 Fl. 159DF CARF MF 2 Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 25 e seguintes, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, anocalendário de 2004, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 23.276,74 , por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar de R$5.500,00 acrescido de juros e multa de oficio (calculados até 11/2006). O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 1 a 22, juntando documentos para supostamente evidenciar a prestação do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, ressalta a força probante dos recibos, cita fortemente a doutrina para respaldar seus argumentos, discorre sobre a quebra do sigilo bancário, deduções exageradas e traz alguma jurisprudência. A DRJ Belo Horizonte, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados.Repisa os argumentos , doutrina e jurisprudência trazidos no momento da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10680.000007/200758 Acórdão n.º 2001000.475 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento médico sem mais nenhuma prova contundente de modo a ratificar a existência das despesas. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] No tocante as despesas médicas, nos termos do art. 8°, inciso II, alínea "a" da Lei n° 9.250, de 1995, na declaração de ajuste anual, para apuração da base de cálculo do imposto, poderão ser deduzidos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, restringindose aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. De acordo com o §2°, inciso III do precitado dispositivo, a dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Por sua vez, o art. 73 do Decreto n° 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, dispõe: Fl. 161DF CARF MF 4 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justcação, a juizo da autoridade lançadora (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 1.1, §3°) §1 0 Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei n2 5.844, de 1943, art. 11, §42). Conforme se depreende da legislação tributária, cabe ao beneficiário das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante do comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o gasto ocorreu, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em principio, admitemse corno provas de pagamentos os recibos fornecidos pelos profissionais prestadores dos serviços. Entretanto, pode a autoridade fiscal, a seu juizo, com base no citado art. 73 do RIR11999, exigir outros meios complementares de provas em relação a todas ou a algumas despesas declaradas, o que, ressaltese, foi feito já no inicio do procedimento fiscal efetuado, por meio do Termo de Intimação Fiscal, no qual, além dos comprovantes das despesas médicas, foram exigidos também documentos que evidenciassem a efetiva realização dos pagamentos correspondentes (fatos estes narrados no item 1 da peça defensória do impugnante). A legislação tributária, portanto, ao contrário do entendimento do contribuinte, permite que a autoridade lançadora, visando formar sua convicção, não acate simples recibos como provas suficientes para comprovação de despesas a principio consideradas elevadas. Com base nisso, pode sim a referida autoridade exigir do sujeito passivo elementos adicionais de prova para que ele faça jus ao pleito declarado. Exigese, então a comprovação da prestação dos serviços ou da efetiva realização dos pagamentos correspondentes. Foi o que ocorreu na situação que ora se apresenta, tendo sido exigido, no presente caso, apenas a comprovação da efetividade dos pagamentos descritos nos recibos apresentados pelo fiscalizado. A referida autoridade não está adstrita a uma préestabelecida hierarquização dos meios de prova, podendo firmar sua convicção a partir do cotejo de elementos de variada ordem desde que estejam esses, por óbvio, devidamente juntados ao processo. Assim é no processo administrativo fiscal, porque nesta seara, a comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada. No âmbito dos ilícitos de ordem tributária dificilmente terseá um documento que ateste, isolada e inequivocamente, a pratica de tais ilícitos; a prova única, alias, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do infrator, circunstância que dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10680.000007/200758 Acórdão n.º 2001000.475 S2C0T1 Fl. 4 5 Na relação processual tributária compete ao sujeito passivo oferecer os elementos que possam elidir a imputação da irregularidade e, se a comprovação é possível e esse não a faz porque não pode ou porque não quer é licito concluir que tais operações não ocorreram de fato, tendo sido registradas unicamente com o fito de reduzir indevidamente a base de cálculo tributável. Se as necessárias e indispensáveis provas tivessem sido apresentadas pelo requerente juntamente com sua defesa, seriam naturalmente conhecidas e avaliadas nesta primeira instância de julgamento. Portanto, o autuado, na fase impugnatória, perdeu a oportunidade de comprovar o efetivo pagamento das despesas questionadas pela Fiscalização, não acostando aos autos quaisquer documentos ou provas adicionais, que robustecessem os dados contidos na Relação de Pagamentos e Doações Efetuados de sua Declaração de Ajuste Anual IRPF/2005. Assim, concluise que a utilização, para caracterizar despesas, de recibos médicos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada e a tributação dos valores correspondentes, como efetivado pela Fiscalização. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que os recibos não foram suficientes para comprovar as despesas posto que não formação a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. Fl. 163DF CARF MF 6 A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na vasta e profunda fundamentação do lançamento no sentido de que os documentos não foram suficientes para demonstrar de forma inequívoca a existência das despesas médicas somada com a escassa comprovação documenta e fática pelo contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser negado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e portanto deve ser mantido o lançamento fiscal . CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter a glosa das despesas médicas em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10680.000007/200758 Acórdão n.º 2001000.475 S2C0T1 Fl. 5 7 Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, relator do voto vencedor. Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 165DF CARF MF 8 A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10725.902972/2009-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
CERCEAMENTO. DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória.
Numero da decisão: 1201-002.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/2009-41, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa, sendo a manifestação de inconformidade, o momento oportuno para apresentação da produção probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10725.902969/200941, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ I que julgou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 90 29 72 /2 00 9- 65 Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10725.902972/200965 Acórdão n.º 1201002.546 S1C2T1 Fl. 3 2 improcedente a manifestação de inconformidade para não reconhecer o direito creditório pleiteado. O crédito trazido no PER/DCOMP teria origem em pagamento indevido ou a maior de IRPJ visto que, segundo o sujeito passivo, apurou o imposto pelo regime do lucro presumido, aplicando o percentual de 32% sobre a receita bruta enquanto o correto, por se dedicar à prestação de serviços hospitalares diagnósticos por imagem seria o percentual de 8%, conforme previa o artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a" da Lei 9.249/95 c/c o art.25 da Lei 9.430/96. Pelo segundo despacho decisório, uma vez que o primeiro foi anulado pela DRJ por estar desprovido de fundamentação congruente, o crédito não foi reconhecido e a compensação não foi homologada. Protocolada a Manifestação de Inconformidade, foi julgada improcedente pelos seguintes fundamentos: o contribuinte não apresentou documentação hábil para justificar as informações constantes da DCTF retificadora, e, consequentemente, também não demonstrou a origem e a regularidade do crédito decorrente de tal retificação; a única DIPJ transmitida pela interessada não é compatível com as informações transmitidas pela DCTF retificadora e , ainda, por não ter sido a DIPJ alvo da devida retificação a fim de compatibilizála com a DCTF retificadora, a dita DIPJ demonstra débito correspondente ao valor recolhido e a inexistência do crédito; a decisão consignou que a DCTF retificadora foi apresentada fora de prazo, e, por essa razão, assiste razão ao fisco quando não considerou as informações registradas na DCTF retificadora. Foi manejado o Recurso Voluntário em que é alegado a nulidade do despacho decisório sob os seguinte fundamentos, verbis: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10725.902972/200965 Acórdão n.º 1201002.546 S1C2T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.543, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10725.902969/2009 41, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.543): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. A Recorrente alega, como relatado anteriormente, que o segundo "despacho decisório" que voltou a negar a homologação da compensação foi proferido sem antes oportunizar a contribuinte a devida instrução probatória. Entende que sem a intimação/notificação do contribuinte dandolhe a oportunidade para demonstrar o seu crédito, a autoridade fiscal não poderia negar a homologação da compensação; porém, a fundamentação foi esculpida sem prévios esclarecimentos do contribuinte, contrariamente ao que foi expressamente determinado pela delegacia de julgamento, o que justifica novamente da nulidade da decisão ora recorrida, Quanto à apresentação da documentação, não se vislumbra qualquer cerceamento ao direito de defesa, pois Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10725.902972/200965 Acórdão n.º 1201002.546 S1C2T1 Fl. 5 4 quando da prolação do despacho decisório, abrese prazo para manifestação de inconformidade, período o qual a contribuinte possui para fazer prova do seu direito 1. Entendo que o despacho decisório cumpre os requisitos legais e possui todo o escopo necessário ao exercício do contraditório e da ampla defesa pelo contribuinte. Nele encontrase a fundamentação da decisão, ficando claro que o interessado não comprovou a existência do crédito pleiteado. Ademais, como bem demonstrado no acórdão recorrido, cujo trecho do voto condutor reproduzo abaixo, o interessado deixou de apresentar provas que indicassem que era portador do crédito alegado, verbis: Discordo do interessado quando alega que não há prazo fixado em lei para a retificação de declaração (o art. 173 do CTN diz respeito ao prazo decadencial do fisco constituir o seu crédito). Da mesma forma que existe prazo para a Fazenda Pública examinar o conteúdo da DCTF ou da DIPJ, há, também, termo para o interessado retificar estas declarações, sob pena de se permitir alterações em favor do interessado, depois de esgotado o prazo para a Fazenda Pública examinar os dados nela contidos. Ainda, a mera retificação da DCTF, sem comprovação do erro, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório. As informações sobre os fatos tributáveis devem estar lastreadas na escrituração contábilfiscal e na documentação do contribuinte. Se houve um erro de fato no preenchimento da DCTF, este deve ser comprovado, para que fique evidente que o interessado teria declarado em DCTF um montante maior do que o efetivamente devido. O interessado não juntou aos autos nenhum documento que comprovasse o pretendido erro, a ensejar a retificação da DCTF (.....). Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa. O Despacho Decisório recorrido deve ser mantido, por não ter o interessado comprovado a existência do crédito pleiteado. 1 Decreto nº 70.235, de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10725.902972/200965 Acórdão n.º 1201002.546 S1C2T1 Fl. 6 5 Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10930.721698/2014-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
CRÉDITO PRESUMIDO ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O crédito presumido de PIS para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensados com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012.
O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica.
Numero da decisão: 3301-005.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: SALVADOR CANDIDO BRANDAO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 CRÉDITO PRESUMIDO ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. O crédito presumido de PIS para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensados com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR - Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. O crédito presumido de PIS para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensados com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7ºA, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. (assinado digitalmente) SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 72 16 98 /2 01 4- 67 Fl. 189DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Tratase de pedido de restituição ou ressarcimento realizado pela contribuinte, informando um direito de crédito presumido de PIS na monta de R$ 13.760,58 (treze mil, setecentos e sessenta reais e cinquenta e oito centavos) para o período de apuração correspondente ao primeiro trimestre de 2009, protocolizado em 26/08/2014 (fls. 42). Consta dos autos demonstrativos de apuração das contribuições sociais – DACON deste período (fls. 73150). O direito de crédito está fundamentado no artigo 8º e alterações, da Lei 10.925/2004, combinado com o artigo 9º da mesma lei, cuja autorização para ressarcimento foi instituída pelo artigo 23 da Lei 12.995/2014 que acrescentou o artigo 7A na Lei 12.599/2012 autorizando o ressarcimento do crédito presumido apurado até 1º de janeiro de Conforme relatório de informação fiscal de fls. 151156, todos os valores informados no DACON foram verificados no processo fiscal 16366.720625/201224, no qual analisouse por amostragem de documentos a apuração dos créditos vinculados às vendas no mercado interno, de exportação e presumido, bem como as deduções respectivas em relação à contribuição devida no mercado interno. Neste relatório, a Receita Federal do Brasil informou que: os créditos relativos ao PIS não cumulativos estavam de acordo com as formalidades legais, com comprovação documental e devidamente escriturados nos livros contábeis e fiscais do 1º trimestre de 2009. a maior parte dos insumos se refere à aquisição de café cru de pessoas jurídicas domiciliadas no país, passíveis de aproveitamento integral dos créditos de PIS não cumulativo. pequena parte dos insumos foram adquiridos de pessoas físicas, passíveis de aproveitamento do crédito presumido, ou adquiridos com suspensão das contribuições do PIS e da COFINS. na época da apuração, 1º trimestre de 2009, conforme art. 8º da Lei nº 10.925/2004, o crédito presumido somente poderia ser utilizado para dedução das próprias contribuições ao Pis e Cofins não cumulativos, no entanto, a Lei 12.995/2014 passou a autorizar que empresas da agroindústria que possuíssem saldos de crédito presumido calculados e acumulados na forma da Lei 10.925/2004 em 01/01/2012, poderiam utilizar este saldo de crédito para compensar ou ressarcir tais valores. Entretanto, mesmo preenchendo todos os requisitos legal para apuração e aproveitamento dos créditos em referência, para o requerimento do ressarcimento deve se observar o prazo prescricional de 05 anos, fato não observado pela Recorrente, tendo em vista que o período de apuração é o 1º trimestre de 2009, mas o pedido de ressarcimento foi efetuado em 26/08/2014. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10930.721698/201467 Acórdão n.º 3301005.430 S3C3T1 Fl. 190 3 Com base nesta informação fiscal, em 07/08/2015 foi proferido despacho decisório para indeferir o pedido de ressarcimento formulado, conforme fl. 160. Cientificada desta decisão em 21/08/2015 (fl. 163) a Recorrente apresentou, no prazo, manifestação de inconformidade (fls. 166169), instaurando o contencioso administrativo, argumentando, em síntese: a lei que concedeu o direito ao ressarcimento do crédito presumido acumulado só foi publicada em 18/06/2014. Até então não havia direito ao ressarcimento, apenas sendo possível o aproveitamento com débitos de PIS e COFINS. por isso, diante da inexistência deste direito até 18/06/2014, não corre prescrição de seu direito, passando a fluir da publicação da lei, quando nasce seu direito. na pior das hipóteses, a prescrição passou a fluir em 24/06/2011 em razão da publicação da Lei nº 12.431/2011, no entanto, a RFB não reconhecia este direito para os créditos decorrentes da aquisição de café. Em 23/08/2016, a 4ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do acórdão 1462.457 (fls. 174177), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RESSARCIMENTO. PRAZO. O prazo para se pedir ressarcimento de créditos da não cumulatividade, básicos ou presumidos, é de cinco anos contados da data de sua apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos, importantes para o deslinde da causa: no formulário do pedido consta “CRÉDITO PRESUMIDO vinculado à receita de exportação com base na (Lei nº 12.995/2014)”. cita o Decreto nº 20.910/1932 onde consta a previsão no art. 1º de que qualquer dívida da União, de qualquer natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. a possibilidade de crédito prevista no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 (acrescentado pela Lei nº 12.995/2014), e de seu ressarcimento, é um direito “novo” e não a implementação de uma condição suspensiva que impedia o referido aproveitamento. a norma que institui o aproveitamento dos referidos créditos presumidos, expressamente previu a aplicação da prescrição. Fl. 191DF CARF MF 4 cita o art. 29D da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012 onde resta previsto que o ressarcimento do saldo de créditos presumidos de que trata o caput poderá ser solicitado somente para créditos apurados até 5 (cinco) anos anteriores, contados da data do pedido. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário, que ora se analisa (fls. 183185), repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, insistindo no argumento que a Lei nº 12.995/2014, ao acrescentar o art. 7A na Lei nº 12.599/2012, conferiu o direito ao contribuinte de obter créditos que, até então, não poderiam ser utilizados, portanto, não correu a prescrição. É a síntese do necessário Voto Conselheiro Relator SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. A partir do relato acima, constatase que a discussão dos autos não está na legitimidade ou não do montante de crédito, pois este foi conferido e admitido pelo Fisco. Centrase a discussão em saber se o pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente está prescrito ou não. Assim, para fins de realizar uma análise do prazo prescricional, necessário traçar a linha do tempo. Até 18 de junho de 2014, a pessoa jurídica que desenvolvesse atividades agroindustriais, poderia apurar crédito presumido de PIS e COFINS, na forma como previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para compensar, exclusivamente, com débitos destas mesmas contribuições (caput). No dia 18 de junho de 2014 entrou em vigor a Lei nº 12.995/2014 que acrescentou o art. 7ºA na Lei nº 12.599/2012, permitindo que o saldo de créditos presumidos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 até 01/01/2012 pudessem ser compensados com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, vencidos ou vincendos, ou ainda requerer o ressarcimento em dinheiro, observandose a legislação aplicável sobre os prazos extintivos: Art. 7oA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1o de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) (grifei) Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10930.721698/201467 Acórdão n.º 3301005.430 S3C3T1 Fl. 191 5 Em 26/08/2014 a Recorrente protocolizou seu pedido de ressarcimento de créditos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, conforme permissivo implementado pela novel Lei nº 12.995/2014. Resta, portanto, determinar quando surge o direito de ressarcimento de crédito, para fins de contagem da prescrição, se de sua apuração ou da publicação da lei que confere o direito, e qual é o prazo prescricional, bem como determinar o que se entende por "saldo de crédito presumido" apurado até 01/01/2012. I) Do prazo de prescrição e de seu marco inicial A prescrição é um instituto jurídico previsto no ordenamento jurídico com a finalidade de fornecer estabilidade às relações jurídicas, em homenagem à segurança jurídica, estabelecendo um prazo para o exercício de um direito. A premissa é que não se tem como desejável a permanência indefinida de um direito, estabelecendose, assim, um prazo para o exercício de sua pretensão. Caso o titular de um direito não exerça este direito no prazo, isto é, não exercite sua pretensão para ver satisfeito seu direito, considerase extinta esta pretensão, impossibilitandose que este direito seja, juridicamente, exercido. Com isso, para que o prazo prescricional tenha início, é preciso haver um direito, a possibilidade de exercêlo (pretensão) e a inércia do titular deste direito. Neste sentido, Caio Mário da Silva Pereira1: O sujeito não conserva indefinidamente a faculdade de intentar um procedimento judicial defensivo de seu direito. A lei, ao mesmo tempo em que o reconhece, estabelece que a pretensão deve ser exigida em determinado prazo, sob pena de perecer. Pela prescrição, extinguese a pretensão, nos prazos que a lei estabelece. (...) É, então, na segurança da ordem jurídica que se deve buscar o seu verdadeiro fundamento. O direito exige que o devedor cumpra o obrigado e permite ao sujeito ativo (credor) valerse da sanção contra quem quer que vulnere o seu direito. Mas se ele se mantém inerte, por longo tempo, deixando que se constitua uma situação contrária ao seu direito, permitir que mais tarde reviva o passado é deixar em perpétua incerteza a vida social. Há, pois, um interesse de ordem pública no afastamento das incertezas em torno da existência e eficácia dos direitos, e este interesse justifica o instituto da prescrição, em sentido genérico. Na seara tributária o instituto da prescrição se funda, também, na segurança jurídica, conforme ensinamentos de Luís Eduardo Schoueri, no sentido de que a prescrição surge "da necessidade de garantir a desejada estabilidade das relações jurídicas"2. No direito tributário, portanto, também há prazos extintivos por prescrição tanto para o crédito tributário, conforme art. 156, V do CTN, extinguese o próprio direito de crédito da Fazenda Pública, como há também prazo de prescrição extintivo do direito de requerer (pretensão) a restituição de um indébito, ou de cobrar créditos que o particular tenha contra a Fazenda Pública. 1 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Teoria Geral de Direito Civil. Volume 1. 26ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Fl. 193DF CARF MF 6 Assim, a hipótese de incidência da prescrição é a existência de um direito sem que seja exercido por seu titular, tendo como consequente a extinção do respectivo direito. Discutiase se o prazo prescricional para ressarcimento de créditos acumulados seria aquele do art. 168, CTN, no qual tinha início com o pagamento indevido, ou se seria outro, como o do artigo 1º do Decreto nº 20.910/1932. Não me parece adequado que o prazo prescricional, bem como seu marco de início de contagem, sejam aqueles previstos no CTN para a repetição do indébito, na medida que o pedido de ressarcimento não se funda em pagamento indevido. Assim, o crédito presumido é, veramente, um direito de crédito que o particular possui contra a Fazenda Pública em razão de alguma determinação legal. Portanto, se é um direito de crédito contra a Fazenda Pública, não decorrente de pagamento indevido, mas por alguma disposição legal, creio ser mais adequada aplicação do prazo prescricional existente no Decreto nº 20.910/1932 para a cobrança das dívidas passivas das entidades públicas. Neste diapasão, de acordo com o Decreto nº 20.910/1932, as dívidas passivas da União Federal, bem como qualquer direito ou ação contra a Fazenda Nacional, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram, verbis: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. (grifei) A Câmara Superior de Recursos Fiscais, para um caso de crédito presumido de IPI, em sessão de 15/03/2018, proferiu o Acórdão CSRF nº 9303006.519, de relatoria do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, onde restou consignado que o prazo prescricional para ressarcimento deste crédito presumido observa o Decreto nº 20.910/1932: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 RESSARCIMENTO. PEDIDO FEITO EM RAZÃO DE OUTRO ANTERIOR INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO DURANTE A ANÁLISE DO PRIMEIRO. INOCORRÊNCIA. Conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32 , prescreve em cinco anos o direito à apresentação de Pedido de Ressarcimento de créditos contra a Fazenda Pública, contados da data do fato do qual se originarem. Tendo sido feito um pedido considerado pela Administração como em desacordo com a legislação tributária, não fica suspensa a prescrição para a apresentação de um novo, relativo ao mesmo crédito, após o indeferimento do primeiro, não se aplicando o art. 4º do mesmo Decreto, pois quem deu causa foi o sujeito passivo, além do que a não é líquida a dívida passiva da União. Recurso Especial do Procurador Provido. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF nº 9303006.519, proferido em sessão de 21/03/2017, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10930.721698/201467 Acórdão n.º 3301005.430 S3C3T1 Fl. 192 7 Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. O direito de pleitear o ressarcimento do crédito presumido do IPI prescreve em cinco anos contados do último dia do trimestre em que se deu a entrada dos insumos no estabelecimento industrial. Aplicação do Decreto n° 20.910, de 1932, combinado com Portaria MF n° 38/97. Recurso Especial do Contribuinte negado Em síntese, para que seja possível se falar em prescrição, necessário, preliminarmente, a existência de um direito. Somente após verificada a existência de um direito é que passa a ser possível se falar em início de prazo prescricional, extinguindose este direito caso não exercido por seu titular. No caso dos autos, é preciso discernir, o direito que se pleiteia não é o crédito presumido em si, qual seja, o crédito presumido apurado da forma em que previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004 e passível de utilização desde 2004. Repitase, não é esse o direito que se pretende exercer. O direito que se discute nestes autos é o direito de utilizar este crédito para compensar com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, bem como o direito de requerer o ressarcimento em dinheiro deste crédito. E este direito apenas surgiu no ordenamento jurídico quando da publicação Lei nº 12.995 em 18 de junho de 2014. Não se pode admitir o fluxo do lapso temporal para a prescrição extintiva de um direito se o direito não existia e não podia ser exercido. Não se trata de causa interruptiva ou suspensiva da prescrição, mas sim da própria impossibilidade de início do curso do prazo diante da inexistência do direito a ser exercido. Não há como falar de inércia do titular do direito se direito não havia. Como dito, para se falar em prescrição é preciso que o direito exista e que o titular deste direito fique inerte por certo período de tempo. Assim, o ato ou fato que origina este direito, para utilizar a dicção do Decreto nº 20.910/1932, é a Lei nº 12.995 que permite novas formas de utilização de um crédito, criando, portanto, um novo direito a ser exercido. Desta feita, se o direito de ressarcimento em dinheiro do crédito presumido apenas surgiu em 18 de junho de 2014, é a partir deste momento que o prazo de prescrição tem início. No entanto, não se quer dizer, com isso, que o crédito presumido que se quer ver ressarcido é irrelevante, muito ao contrário, a meu ver, a lei estabeleceu um marco temporal para o crédito presumido para que o direito de ver este crédito ressarcido em dinheiro possa ser fruído a partir de 18 de junho de 2014. II) Do saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012 A apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo se faz no confronto dos débitos decorrentes de receitas auferidas em face de créditos apurados em razão de custos e despesas permitidos na legislação. Incluemse nestes créditos, os créditos presumidos permitidos pela lei. Ao final do período de apuração, o saldo de débito é levado à Fl. 195DF CARF MF 8 DCTF e recolhido pelo contribuinte, mas o saldo de crédito, por sua vez, pode ser mantido e transferido para o próximo período de apuração, e assim indefinidamente por tantos quantos períodos de apuração sejam necessários até que o montante de débito supere o montante de crédito. No caso em análise, a Recorrente pretende ver ressarcido um montante de crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009. A fiscalização afirma nestes autos, fls. 151156, que este crédito presumido foi apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Entretanto, salvo melhor juízo, não foi o crédito presumido apurado em seu respectivo período de apuração que a Lei nº 12.995/2014 permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento, mas sim o saldo de crédito presumido que permaneceu escriturado em 01/01/2012, vejamos: Art. 7oA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1o de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Ao que parece, o problema não é de prescrição. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Desta feita, não se permitiu ressarcir o montante de crédito de cada período de apuração, individualmente, até 01/01/2012, mas sim o saldo ainda existente nesta data. Até porque, conforme salientado acima, a apuração do PIS e da COFINS se faz por confronto de créditos e débitos por período de apuração, podendose manter escriturado o saldo de crédito para abatimento das contribuições devidas nos próximos períodos de apuração. Desta feita, não há como identificar nestes autos se este crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009 já não foi superado por algum montante de débito de algum período de apuração que o sucedeu até janeiro de 2012. Nem poderia ser assim, já que não me parece ter sido esta a escolha do legislador, já que foi definido um momento específico no tempo. Com isso, creio que o pedido de ressarcimento está equivocado, pois o que deve ser objeto de ressarcimento é o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Relator Conselheiro SALVADOR CÂNDIDO BRANDÃO JUNIOR Fl. 196DF CARF MF
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Numero do processo: 13656.720454/2017-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2015
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Satisfeitas as condições para isenção, inclusive com o Instrumento de Curatela, o Recurso Voluntário deve ser provido.
Numero da decisão: 2002-000.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2015 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Satisfeitas as condições para isenção, inclusive com o Instrumento de Curatela, o Recurso Voluntário deve ser provido.
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MOLÉSTIA GRAVE. Satisfeitas as condições para isenção, inclusive com o Instrumento de Curatela, o Recurso Voluntário deve ser provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 04 54 /2 01 7- 94 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13656.720454/201794 Acórdão n.º 2002000.552 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 49/51) contra decisão de primeira instância (fls. 37/40), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a notificação de lançamento do anocalendário 2015 (fls. 11/14), em que foram apurados Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave – Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado, no valor de R$ 67.894,08, da Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A. O crédito tributário e o enquadramento legal constam da presente notificação de lançamento. Inconformado, o interessado apresentou, por intermédio de sua procuradora, conforme instrumento de mandato (fl. 6), na data de 16/05/2017 (fl. 2), a impugnação (fl. 2), juntamente com demais documentos, alegando, em síntese, serem isentos os proventos auferidos das Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A, por se tratarem de aposentadoria ou reforma e suas respectivas complementações, recebidos por portador de moléstia grave. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 08/11/2017 (fl. 45); Recurso Voluntário protocolado em 01/12/2017 (fl. 49), assinado por procurador legalmente constituído (fls. 6 e 59). Responde o contribuinte nestes autos, por “Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave”. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 13656.720454/201794 Acórdão n.º 2002000.552 S2C0T2 Fl. 4 3 O v. Acórdão fincou entendimento que o recorrente não atendeu um dos dois pressupostos para a concessão da isenção, qual seja, se o contribuinte é portador de moléstia grave, pois não foi juntado a curatela do recorrente. Irresignado, o recorrente maneja recurso próprio, juntando novos documentos que considera suficiente para esclarecer a controvérsia. Pois bem, à fl. 57 dos autos, o recorrente carreou o “Laudo Pericial”, elaborado na UPA – Poços de Caldas, onde fica superada a questão da oficialidade e tempestividade. À fl. 58, se encontra uma Certidão onde consta que, o recorrente ajuizou Ação Indenizatória face a Usiminas, onde foi provido parcialmente o pedido de indenização por acidente de trabalho formulado pelo autor, condenando a requerida a pagar pensão mensal vitalícia. Assim, restou provado a origem do ganho do recorrente. Já à fl. 59 dos autos, faz referência a um “Termo de Compromisso de Curadora Provisória”, onde a natureza do mesmo é a “interdição”, sendo requerente sua esposa Sebastiana Maria Pereira, que restou Curadora Provisória de Márcio Leite. Assim, pelas provas apresentadas, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10746.720758/2014-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. MERA REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ ANALISADA. ACLARAR.
Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração apenas para suprir o vício no sentido de aclarar o posicionamento da Turma.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
Presumem-se rendimentos omitidos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove documentalmente a origem.
É insuficiente para afastar a presunção legal a mera identificação do depositante em sede de impugnação ou na fase recursal, cabendo ao sujeito passivo comprovar que o valor creditado foi submetido à tributação ou estaria fora do campo de incidência do imposto.
Numero da decisão: 2401-005.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, para alterar a conclusão do acórdão embargado, no que tange ao recurso de ofício, que a passa a ser: Por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a omissão por depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$ 250.000,00. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que acolhiam os embargos, contudo, sem efeitos infringentes, mantendo a decisão por negar provimento ao recurso de ofício. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009, 2010, 2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. MERA REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ ANALISADA. ACLARAR. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõe-se o acolhimento dos Embargos de Declaração apenas para suprir o vício no sentido de aclarar o posicionamento da Turma. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Presumem-se rendimentos omitidos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove documentalmente a origem. É insuficiente para afastar a presunção legal a mera identificação do depositante em sede de impugnação ou na fase recursal, cabendo ao sujeito passivo comprovar que o valor creditado foi submetido à tributação ou estaria fora do campo de incidência do imposto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, para alterar a conclusão do acórdão embargado, no que tange ao recurso de ofício, que a passa a ser: Por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a omissão por depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$ 250.000,00. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que acolhiam os embargos, contudo, sem efeitos infringentes, mantendo a decisão por negar provimento ao recurso de ofício. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
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OMISSÃO NO ACÓRDÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. MERA REDISCUSSÃO DE MATÉRIA JÁ ANALISADA. ACLARAR. Restando comprovada a omissão no Acórdão guerreado, na forma suscitada pela Embargante, impõese o acolhimento dos Embargos de Declaração apenas para suprir o vício no sentido de aclarar o posicionamento da Turma. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Presumemse rendimentos omitidos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove documentalmente a origem. É insuficiente para afastar a presunção legal a mera identificação do depositante em sede de impugnação ou na fase recursal, cabendo ao sujeito passivo comprovar que o valor creditado foi submetido à tributação ou estaria fora do campo de incidência do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, acolher parcialmente os embargos, com efeitos infringentes, para alterar a conclusão do acórdão embargado, no que tange ao recurso de ofício, que a passa a ser: Por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a omissão por depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$ 250.000,00. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Matheus Soares Leite, que acolhiam os embargos, contudo, sem efeitos infringentes, mantendo a decisão AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 07 58 /2 01 4- 10 Fl. 4977DF CARF MF Processo nº 10746.720758/201410 Acórdão n.º 2401005.773 S2C4T1 Fl. 773 2 por negar provimento ao recurso de ofício. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Fl. 4978DF CARF MF Processo nº 10746.720758/201410 Acórdão n.º 2401005.773 S2C4T1 Fl. 774 3 Relatório ROSSINE AIRES GUIMARAES, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, teve contra si lavrado o Auto de Infração exigindolhe crédito tributário concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, omissão de rendimentos e resultado tributável da atividade rural, acréscimo patrimonial a descoberto, depósitos bancários de origem não comprovada, dedução de despesas médicas e multa pela falta de recolhimento devido a título de carnê leão, em relação aos exercícios 2010 a 2012, conforme Relatório Fiscal, às fls. 20/45, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário e de ofício à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 09/05/2018, por unanimidade de votos, achou por bem conhecer do Recurso de Ofício e NEGARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão nº 2401005.488, com sua ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010, 2011, 2012 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. JUROS INCIDENTES SOBRE EMPRÉSTIMOS LASTREADOS EM CPRF. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE. Sujeitase ao pagamento mensal de imposto sobre a renda, a pessoa física que receber de outra pessoa física rendimentos a título de juros decorrentes de empréstimos lastreados em Cédula de Produto Rural com liquidação financeira (CPRF). Lançamento procedente em parte, considerando que a apuração da base de cálculo do recolhimento mensal é feita em conformidade com a(s) parcela(s) recebidas em cada competência, e o total é levado ao ajuste anual. IRPF. MULTAS ISOLADA E DE OFÍCIO. Em face de alteração legislativa a partir de 2007, é devida a multa isolada do carnê leão (art. 44, alínea a, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996) cumulada com a multa de oficio (inciso I do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 4979DF CARF MF Processo nº 10746.720758/201410 Acórdão n.º 2401005.773 S2C4T1 Fl. 775 4 Caracterizamse omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. SUBROGAÇÃO DE EMPRÉSTIMOS. COMPROVAÇÃO. Para que se possa contraditar um lançamento fundado em omissão decorrente de variação patrimonial a descoberto, é necessário que o contribuinte demonstre, documentalmente, a origem dos recursos utilizados nas aplicações efetuadas. As alegações, acompanhadas da documentação que as suportem, podem ser acolhidas para demonstrar a origem de recursos que suportariam os dispêndios que originaram o lançamento assim apurado. Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, à efl. 4.965/4.968, com fulcro no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, pugnando pela sua reforma em virtude das contradições a seguir exposta. 1º Contradição O primeiro aspecto a ser suscitado referese ao afastamento da tributação do depósito bancário de R$ 250.000,00, considerando sua suposta comprovação no sentido de que os valores derivam de montante recebido do Frigorífico Xinguara, decorrente da venda de bovinos. Ocorre, todavia, que tal comprovação não se deu no decorrer do processo administrativo fiscal, mas após a perfectibilização da presunção legal com o lançamento lastreado no art. 42, da Lei 9.430/96. Nesse aspecto, relevante destacar que a constituição do crédito tributário decorreu em face de o contribuinte não ter apresentado, durante a fiscalização, documento para provar origem dos recursos que dariam respaldo aos referidos depósitos, dando ensejo à omissão de receita ou rendimento e, conseqüentemente, na lavratura do instrumento de autuação em causa. Para afastar a presunção legal após ultrapassada a fase de autuação, já em sede de Impugnação ou Recurso Voluntário, o contribuinte deve vincular os depósitos a valores fora do campo de tributação ou já tributados, pois nas instâncias de defesa administrativa a autoridade autuante não pode reclassificar os valores tidos por omitidos. 2º Contradição Fl. 4980DF CARF MF Processo nº 10746.720758/201410 Acórdão n.º 2401005.773 S2C4T1 Fl. 776 5 O segundo aspecto a ser suscitado em sede de Embargos de Declaração referese ao cancelamento da autuação no tocante à conta nº 50.3053, agência 25950, do Banco Bradesco. Fundamentouse o colegiado, ratificando o entendimento da DRJ, no sentido de que não deveria ser mantida a tributação, considerando se tratar de conta conjunta e não haver a devida intimação da cotitular. Ocorre que, salvo melhor juízo, houve a devida intimação e, inclusive, o lançamento da respectiva parcela que compete à cotitular, consoante se pode observar do Termo de Verificação Fiscal (fl. 15), nestes termos: Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração. Submetido à análise de admissibilidade, por parte da nobre Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, esta entendeu por bem acolher o pleito da PGFN inscrito nos Embargos de Declaração, propondo inclusão em nova pauta de julgamento para sanear a omissão apontada, nos termos do Despacho de efls. 4.971/4.976. Distribuídos os presentes Embargos a este Relator, já com Despacho de acolhimento e determinação de inclusão em pauta, consoante relato encimado, assim o faço. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos embargos de declaração e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Em suas razões recursais, pretende a Procuradoria da Fazenda Nacional sejam conhecidos seus Embargos, insurgindose contra o Acórdão recorrido, por entender ter ocorrido contradições no Acórdão atacado, mais precisamente em relação a comprovação do depósito de R$ 250.000,00 e a suposta falta de intimação da cotitular da conta. Por fim, pugna pelo recebimento e acolhimento dos presentes Embargos de Declaração, para que a Turma recorrida se pronuncie a respeito das contradições apontadas, de modo a constar expressamente no Acórdão o fundamento que levaram a aplicação do entendimento exarado. Conforme se depreende da análise das alegações e documentos que instruem o processo, constatase que, muito embora a Embargante procure demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido utilizandose dos mais variados argumentos, a bem da verdade discute se, novamente, o mérito da questão (improcedência), o qual já foi objeto de análise da colenda Turma embargada, motivo pelo qual vamos apenas aclarar as razões, o fazendo de forma individualizada. Fl. 4981DF CARF MF Processo nº 10746.720758/201410 Acórdão n.º 2401005.773 S2C4T1 Fl. 777 6 a) Comprovação do depósito bancário de R$ 250.000,00 Primeiramente cabe esclarecer não ter sido o Acórdão recorrido se contradito em sua fundamentação, mas por ter sido conhecido o recurso, iremos aclarar os termos. A partir da vigência do artigo 42 da Lei n° 9,430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser "modalidade de arbitramento" que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário e por este Tribunal. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de n° 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Verificase que a decisão recorrida ratificou os fundamentos adotados pela turma julgadora de primeira instância, a qual assim decidiu: Depósitos bancários de origem não comprovada 16. No que se refere à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), após intimar o contribuinte para esclarecer a origem de diversos depósitos em suas contas bancárias, como único titular ou em conjunto com familiares, a fiscalização considerou a comprovação insuficiente em dois casos. Conta nº 56.0006, da agência 23976, do Bradesco 17. Na conta nº 56.0006, da agência 23976, do Bradesco, individual, foram identificados pelo Fisco dois depósitos sem origem. O primeiro, em 10/12/2009, no valor de R$ 245.000,00, foi justificado pelo contribuinte como proveniente de dinheiro em caixa que possuía. Obviamente, esta não é uma explicação aceitável. Caberia ao sujeito passivo comprovar que tal recurso teve causa em rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou ainda, que o numerário não constituía renda, como, por exemplo, o retorno de um empréstimo efetuado. Mantémse, portanto a infração, quanto a este depósito. 17.1 Sobre outro depósito, no valor de R$ 250.000,00 em 16/03/2010, o autuado alegou que o valor decorreu de venda de bovinos ao Frigorífico Xinguara. Para provar sua afirmação, trouxe o comprovante do depósito de cinco cheques de R$ 50.000,00 cada, provenientes da conta nº 266.205 da agência 0905 do Banco Bradesco (237). Mostrou que os cheques são pertencentes ao frigorífico através da cópia de outro cheque com Fl. 4982DF CARF MF Processo nº 10746.720758/201410 Acórdão n.º 2401005.773 S2C4T1 Fl. 778 7 o número da conta, conforme recortes das fl. 4.621/4.622 colados a seguir: (...) 17.2 Restando provada a origem do recurso depositado, não subsiste a infração quanto a este depósito.(grifo nosso) Conforme excerto encimado, o valor decorreu da venda de bovinos para o Frigorífico Xínguara, restando comprovada a sua origem (VENDA tributável tributado), incabível a manutenção da atuação. E mais, certo é que a Turma, à sua unanimidade, afastou aludida imputação em razão do contribuinte ter demonstrado de maneira cabal a origem do depósito. Tratase, portanto, de análise fática da questão posta nos autos e não simples questão de direito. Assim, em que pesem as razões lançadas em seus Embargos de Declaração, argüindo a existência de contradição no Acórdão guerreado, em momento algum a Fazenda Nacional logrou comprovar seu argumento, repetindo questões já devidamente debatidas por ocasião do julgamento na Turma recorrida. b) Conta conjunta Falta de Intimação A recorrente aduz existir contradição do acórdão guerreado, pois houve a devida intimação e, inclusive, o lançamento da respectiva parcela que compete à cotitular, consoante se pode observar do Termo de Verificação Fiscal (fl. 15). Mais uma vez, conforme se depreende da análise das alegações e documentos que instruem o processo, constatase que, muito embora a Embargante procure demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido utilizandose dos mais variados argumentos, a bem da verdade discutese, novamente, o mérito da questão (improcedência), o qual não pode ser feito via Embargos, sendo uma afronta ao princípio da boafé e celeridade. Pois bem! E mais, certo é que a Turma, à sua unanimidade, afastou aludida imputação em razão de não constar nos autos a comprovação da intimação da cotitular da conta. Tratase, portanto, de análise fática da questão posta nos autos e não simples questão de direito. A conta nº 50.3053 da agência 25950, do Banco Bradesco, é conjunta, entre o autuado e sua filha Janaina Aires Pereira Guimarães. A sua filha Janaína somente passou a ser cotitular da conta em 12/07/2012, data posterior aos períodos fiscalizados. Nos anos de 2009 a 2011 a cotitular da conta era Elizabete Guimarães de Araújo, mãe do autuado. Este fato está comprovado às fls. 4.623/4.624. Compulsadas as peças processuais, notadamente as fls. 59/156 onde estão as intimações e termos lavrados durante o procedimento fiscal, verificase que não houve a intimação da cotitular da conta nº 50.3053 do Bradesco, nem na pessoa da filha Janaina Aires Pereira Guimarães, atual participante da conta, nem na pessoa da participante anterior, Elizabete Guimarães de Araújo, esposa do autuado. Por esta razão, considerouse improcedente a autuação e aclarado os fundamentos nesta oportunidade. Fl. 4983DF CARF MF Processo nº 10746.720758/201410 Acórdão n.º 2401005.773 S2C4T1 Fl. 779 8 Cabe aclarar que tratase de questão fática, ou seja, convicção dos Julgadores sobre as provas e fatos constantes dos autos. In casu, foram analisados os documentos ofertados, os quais levaram a Turma a entender da forma esposada. Dito isto, resta aclarado os pontos suscitados pela Embargante. Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, exclusivamente para sanar as contradições apontadas, aclarando os fundamentos do voto, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redatora Designada Com a maxima venia, divirjo do i. relator quanto à comprovação do depósito no valor de R$250.000,00. Isto porque entendo que não houve nos autos a comprovação de que os rendimentos vinculados ao depósito em discussão foram submetidos à tributação ou estariam fora do campo de incidência do imposto. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos, que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A comprovação da origem a que aduz o legislador deve ser de modo a revelar a natureza dos valores depositados, possibilitando à autoridade fiscal auditar o cumprimento das obrigações tributárias pelo beneficiário dos depósitos, averiguando se eles foram submetidos às normas de tributação específicas vigentes à época em que os rendimentos foram auferidos. Deste modo, é necessário que a comprovação da origem possibilite determinar, com certeza, se os valores creditados são ou não rendimentos tributáveis na pessoa física, uma vez que a norma legal determina que, na hipótese de comprovação da origem, o Fisco deve verificar se os valores são tributáveis, e sendo tributáveis, se foram submetidos à tributação pelo contribuinte. No caso dos autos, no curso da ação fiscal, o sujeito passivo apresentara como justificativa para esse depósito como sendo uma transferência. Já em sede de impugnação, de forma diversa, alegou se tratar de venda de bovino, juntando cheques emitidos pelo suposto comprador. Fl. 4984DF CARF MF Processo nº 10746.720758/201410 Acórdão n.º 2401005.773 S2C4T1 Fl. 780 9 Ainda que se entenda identificado o depositante, por meio dos cheques juntados, faltou comprovar a tributação desse pagamento. Excluir esse valor somente à vista desses documentos, mormente se, no curso da ação fiscal, o sujeito passivo não esclareceu adequadamente o fato quando instado a fazêlo, não se adequa ao intuito da lei. Se os esclarecimentos necessários tivessem sido prestados antes do lançamento, caberia à Fiscalização, em obediência ao § 2.º do art. 42 da Lei n.º 9.430/96, submeter os valores às normas de tributação específicas. Assim, não é admissível afastar a tributação, quando em sede de impugnação, o sujeito passivo somente junta provas quanto à identificação do depositante, sem comprovar que os valores compuseram a base de cálculo do imposto ou estariam fora do campo de incidência. A identificação do depositante não afasta a presunção formulada no lançamento. Nesse sentido, reproduzo trecho do voto proferido pelo Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, nos autos do Acórdão nº9202003.684: Entendo, inicialmente, que caberia exclusivamente ao contribuinte, a partir da presunção legal estabelecida em favor do Fisco pelo art. 42, da Lei no 9.430, de 1996, o ônus de elidir a incidência da presunção de omissão de rendimentos, necessariamente mediante a comprovação da origem dos créditos bancários sob análise, através de documentação hábil e idônea. Ressalto aqui que, em meu entendimento, por “comprovação de origem” há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Vejase que somente diante de tal informação, contemplando necessariamente a natureza do recebimento, informação esta, em meu entendimento, de ônus exclusivo do contribuinte a par da presunção estabelecida, poderia a autoridade fiscal identificar e aplicar a tributação específica, na forma constante do §2o. do mesmo art. 42, aplicação esta inclusive defendida pelo voto condutor do recorrido. A propósito, cediço que a mera indicação da procedência do recurso termina por manter indefinida qual seria a tributação específica aplicável ao montante recebido, devendose rejeitar, em meu entendimento, que o legislador, ao mencionar “valores cuja origem houver sido comprovada” no âmbito do referido §2o., estivesse a se satisfazer com a mera indicação de procedência, condicionando, assim, a aplicação do dispositivo a uma etapa posterior de identificação da natureza dos recursos, de responsabilidade da Fiscalização, com a devida vênia a este entendimento, esposado, inclusive, por muitos dos membros deste Conselho. Feitas tais considerações, me alinho, inicialmente, agora quanto ao momento de comprovação, como já mencionei em outras ocasiões, à interpretação do recorrente no sentido de que a Fl. 4985DF CARF MF Processo nº 10746.720758/201410 Acórdão n.º 2401005.773 S2C4T1 Fl. 781 10 comprovação de origem (abrangendo a natureza da operação que originou o rendimento) devese dar no curso da ação fiscal, ou seja, que tem como limite temporal o momento do encerramento da referida ação, revestindose de plena legalidade o lançamento efetuado com base no mencionado art. 42, quando não houver sido comprovada, até o encerramento da ação fiscal, a origem dos recursos, aqui inclusa a sua natureza. Excetuo de tal limitação somente, novamente em linha com o pleito recursal e, agora, em ponderação com o princípio da verdade material, os casos em que os rendimentos recebidos restem comprovados como fora da incidência do Imposto sobre a Renda em sede impugnatória ou recursal. Agora, atendome agora mais especificamente ao caso dos autos e à matéria sob litígio, faço notar que entendo que, mesmo que se considere como comprovação de origem a mera indicação de procedência dos recursos acompanhada de documentação hábil e idônea (conforme admitido pelo vergastado e já transitado em julgado), é de se defender que, também nesta hipótese, é o encerramento da ação fiscal o momentolimite para indicação de tal “origem”, exceto no caso em que se comprove, em sede impugnatória ou recursal, que está a se tratar, no crédito, de rendimentos nãotributáveis recebidos (hipótese não aplicável quando se identifique a mera procedência dos recursos, tal como nos autos). Sustento tal posicionamento ao observar que: a) De outra forma, passaria a se inquinar de ilegalidade (ao menos parcialmente) a constituição de crédito tributário feita em plena observância ao princípio da legalidade, utilizandose de presunção legalmente estabelecida e indiscutivelmente à disposição da autoridade autuante quando do lançamento, uma vez, notese que ali não havia sido comprovada, através de documentação hábil e idônea, a origem (a meu ver, procedência) dos recursos. Notese, ainda, que, aqui, quando da adoção do encerramento da ação fiscal como momentolimite de comprovação, ou sejam mesmo quando da aceitação da tese de comprovação de origem mediante mera comprovação de procedência, com a comprovação realizada somente em sede recursal e, assim rejeitada por extemporânea, não há que se falar de qualquer violação ao princípio da verdade material, uma vez que não há, nos autos, até o presente instante inclusive, como se identificar qual seria a correta tributação específica aplicável aos valores recebidos de efls.229, 230, 235 e 236, suportados por documentação bancária bastante singela. Ainda, garantese a plena observância aos art. 16, §4o. e 17 do Decreto no. 70 235, de 06 de março de 1972. Rejeito ainda, terminantemente, possível consectário prático adicional que surgiria, no caso da adoção da tese da origem se confundir com procedência e caso, adicionalmente, se encampasse posicionamento contrário a esta limitação temporal Fl. 4986DF CARF MF Processo nº 10746.720758/201410 Acórdão n.º 2401005.773 S2C4T1 Fl. 782 11 de comprovação, qual seja: ter de se aceitar, quando da comprovação em sede impugnatória ou recursal da “origem” (considerada como sinônimo de procedência), que fosse possível que a Administração estivesse, naquele momento, impedida, pela fluência do prazo decadencial e/ou outras considerações de natureza prática (localização da fonte pagadora e de documentação suporte) de identificar e realizar a tributação específica de rendimentos tributáveis eventualmente omitidos, recebidos por depósitos cuja origem haja somente naquele instante sido comprovada, na forma do art. 42, §2o. da Lei 9.430, de 1996. Entendo como insustentável, sob uma ótica teleológica, qualquer interpretação que respalde esta(e) possível conseqüência (impedimento) e, destarte, mesmo para os que entendem ser ônus da Administração a comprovação da natureza da operação (hipótese já transitada em julgado nos autos), concluo que se deva limitar tal ônus até o momento de encerramento da ação fiscal, vedado seu estabelecimento em sede impugnatória ou recursal, quando da posterior indicação de procedência realizada pelo autuado. Assim, mesmo se adotando a tese da comprovação da origem coincidir com a comprovação da procedência dos recursos, entendo que o momentolimite para esta comprovação pelo contribuinte, através de documentação hábil e idônea, é o momento do encerramento da ação fiscal, vedada a comprovação posterior, excetuados os casos em que tal comprovação demonstre se tratarem de rendimentos fora da incidência do IRPF (o que não se aplica aos autos), conforme Acórdãoparadigma colacionado pela recorrente. Por todo o exposto, entendo que o crédito no valor de R$250.000,00 permanece sem identificação da origem, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e deve ser mantido no lançamento. Isto posto, é de se dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a omissão por depósitos bancários de origem não comprovada no valor de R$ 250.000,00. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 4987DF CARF MF
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Numero do processo: 10825.723123/2012-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63.
Numero da decisão: 2002-000.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Recorrente LAERTE SOARES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 RENDIMENTOS. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Súmula CARF nº63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 31 23 /2 01 2- 14 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10825.723123/201214 Acórdão n.º 2002000.386 S2C0T2 Fl. 92 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 18/21), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2009. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$25.987,88 para R$260,98. O resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento aponta que o benefício da isenção pleiteada não se estenderia aos proventos recebidos por militares transferidos para a reserva remunerada (fl.9), tendo sido mantido o lançamento que apontou a omissão de rendimentos no valor de R$133.496,65. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 3/12/2012, a NL foi objeto de impugnação, em 18/12/2012, às fls. 2/15 dos autos, assim sintetizada pela decisão de piso: É portador de Espondiloartrose Anquilosante, moléstia prevista na Lei 7.713/88, desde junho de 2.002, bem como, aposentado desde julho de 1.996, o que se pode comprovar através do Laudo Médico Pericial emitido pelo Serviço Público Municipal e através da publicação no DOE, de 18 de julho de 1.996, ambos em anexos; A transferência para a Reserva a Pedido, motivo alegado para o indeferimento do pleito do Impugnante, equivale a aposentadoria por tempo de serviço, como se pode verificar através da DECLARAÇÃO do Comando de Policiamento do Interior Quarto, assinada pelo Major PM Chefe da Divisão Administrativa de Pessoal e Finanças, SUGAR RAY ROBSON GOMES, em anexo, que diz: ...foi transferido psra a reserva, (inatividade/aposentadoria), conforme publicação no DOE n 136, de 18 de julho de 1.996. Declaro ainda que os termos "reserva", "reforma.", "inatividade" e "aposentadoria", tem o mesmo significado, de acordo com a terminologia policialmilitar. Como podemos verificar, tratase de una questão terminológica que não interfere no "status quo" do Impugnante, que desde julho de 1.996 encontrase inativo conforme declaração do comando da Policial Militar do Estado de São Paulo e sendo portador de moléstia grave, ESPONDILOARTROSE ANQUILOSANTE, desde junho de 2.002, preenche os requisitos previstos na Lei 7.713/88, ou seja, ser aposentado e portador de Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10825.723123/201214 Acórdão n.º 2002000.386 S2C0T2 Fl. 93 3 moléstia grave, fazendo jus ao reconhecimento da isenção de Imposto de Renda Pessoa Fisica, sobre os rendimentos de Aposentadoria; Ademais, conforme publicação do DOE de 22 de setembro de 2.011, o Impugnante foi Reformado a partir de 01 de março de 2.009, conforme cópia em anexo. Portanto, deve ter reconhecido o direito a Isenção de Imposto de Renda Pessoa Física a partir do diagnóstico da doença, ou seja, junho da 2.002, devendo ter restituídos os valores pagos a esse titulo, respeitando o prazo decadencial de 5 anos. Requer, diante do exposto, o acolhimento da impugnação apresentada e o reconhecimento do direito a isenção de IRPF previsto na Lei 7.713/88, por ser portador de moléstia grave desde junho de 2.002, cancelandose o débito fiscal reclamado e restituindo os valores pagos indevidamente. A impugnação foi apreciada na 11ª Turma da DRJ/SPO que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente em decisão assim ementada (fls. 30/38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IRPF ISENÇÃO MOLÉSTIA GRAVE NÃO COMPROVAÇÃO O documento hábil para comprovar a moléstia grave, para fins de isenção do Imposto de Renda, é o laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A moléstia deve constar das hipóteses elencadas na legislação que trata da isenção por moléstia grave (Lei no. 7.713/1988, art. 6o., inc. XIV). É literal a interpretação da legislação tributária que dispõe sobre isenção, de acordo com o artigo 111 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 24/6/2016 (fl. 44), o contribuinte, em 22/7/2016 (fl. 49), por intermédio de representante legal, apresentou recurso voluntário, às fls. 49/68, no qual alega, em apertado resumo, que: teria havido um erro de preenchimento no laudo apresentado anteriormente, indicando a juntada de novo laudo, que demonstraria ser ele portador de paralisia irreversível e incapacitante, fazendo em seguida um apanhado sobre o conceito da enfermidade que lhe acomete. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10825.723123/201214 Acórdão n.º 2002000.386 S2C0T2 Fl. 94 4 aduz ter demonstrado ser portador de moléstia tipificada em lei, bem como aposentado desde 18/6/1996, devendo ter seu direito a isenção reconhecido a partir da data de diagnóstico da doença, em junho de 2002. Posteriormente, em 8/8/2017, o recorrente voltou a se manifestar, informando sobre a existência de sentença judicial que, no seu entendimento, alcançaria a autuação objeto destes autos (fls. 74/88). Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Ação Judicial Sobre as peças judiciais juntadas às fls. 74/88, constatase que a ação proposta, de embargos à execução fiscal, recai sobre o exercício 2008, não alcançando o exercício 2009, objeto destes autos. Portanto, não há que se falar em concomitância nestes autos. Mérito O litígio recai sobre rendimentos recebidos pelo recorrente da São Paulo Previdência SPPREV (fl.19), os quais ele alega seriam isentos do IR por serem decorrentes de aposentadoria e ser ele portadora de moléstia grave. O colegiado de primeira instância entendeu que nenhuma das condições necessárias para o reconhecimento da isenção pleiteada foi cumprida pelo contribuinte, como registrado nos trechos reproduzidos a seguir: Notase que o legislador optou, claramente, por isentar tão somente os proventos da aposentadoria ou da reforma motivada por acidente em serviço percebidos pelos portadores de doenças acima listadas, não incluindo, na regra do inciso XIV, os proventos decorrentes de transferência de militar para a reserva remunerada, contemplados expressamente no inciso XV, que estabelece hipótese de isenção diversa daquela objeto do presente processo. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10825.723123/201214 Acórdão n.º 2002000.386 S2C0T2 Fl. 95 5 ... O posicionamento oficial da Receita Federal do Brasil sobre a matéria encontrase no manual ‘Perguntas & Respostas’, que na sua versão para o exercício 2014 assim dispõe: DOENÇA GRAVE — MILITAR INTEGRANTE DE RESERVA 221. Os proventos recebidos por militar integrante de reserva remunerada portador de doença grave são isentos? Não. O benefício da isenção prevista no inciso XIV do art 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004, não se estende aos proventos recebidos por militares transferidos para a reserva remunerada. A questão também foi enfrentada na Solução de Divergência nº 3 Cosit, de 4 de abril de 2014, Processo Administrativo nº 11516.722112/201273, na qual se concluiu que são tributáveis pelo Imposto sobre a Renda, na fonte e na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física beneficiária, os proventos recebidos por militar integrante da reserva remunerada, ainda que se trate de portador de enfermidade referida no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.718, de 1988, não se lhes aplicando a isenção prevista nesse dispositivo legal. O Impugnante alega ainda que foi reformado a partir de 01 de março de 2009, conforme publicação do DOE de 22 de setembro de 2.011, e que, portanto, deve ter reconhecido o direito a Isenção de Imposto de Renda Pessoa Física a partir do diagnóstico da doença, ou seja, junho da 2.002, devendo ter restituídos os valores pagos a esse titulo, respeitando o prazo decadencial de 5 anos. ... De acordo com o texto legal, depreendese que há dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção. Um reporta se à natureza dos valores recebidos, que devem ser proventos de aposentadoria ou reforma e pensão, e o outro se relaciona com a existência da moléstia tipificada no texto legal, sendo a comprovação da doença grave feita obrigatoriamente através de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. ... O laudo pericial apresentado não obstante classifique a doença como Espondiloartrose Anquilosante, traz como identificação da doença a Artrose Coxo Femural e Artrose de Joelho e os Códigos Internacionais de Doença CID M161 e M171. Conforme pesquisa, os referidos códigos referemse a: M16.1 Outras coxartroses primárias M17.1 Outras gonartroses primárias Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10825.723123/201214 Acórdão n.º 2002000.386 S2C0T2 Fl. 96 6 A Espondilite Ancilosante, também chamada de Espondiloartrose Anquilosante, é classificada pelo Código Internacional de Doenças como M45 Espondilite ancilosante, dentro do grupo das dorsopatias. O laudo pericial apresentado comprova que o Impugnante possui artrose coxo femural e artrose de joelho, doenças classificadas nos CID M16.1 e M17.1, e que não fazem parte do grupo das dorsopatias, da qual somente a espondilite ancilosante – CID M45 é referida no inciso XIV do art. 6º da Lei 7.713/88. Desta forma, com base no exposto e tendo em vista o art. 111, II da Lei 5.172/66 – Código Tributário Nacional, que exige que a legislação que concede isenções deve ser interpretada literalmente, considero não comprovado o direito à isenção. Ademais, com base nos documentos apresentados, verificase que o Impugnante foi reformado somente a partir de 01.03.2009 e, uma vez que o lançamento em apreço é referente ao ano calendário 2008, os rendimentos recebidos no presente ano não são decorrentes de reforma. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o recorrente alega equívoco no laudo anterior, afirmando que a moléstia que lhe acomete é paralisia irreversível e incapacitante, fazendo uma longa explanação sobre o mal. Acrescenta ser aposentado desde 1996. Quanto à isenção pleiteada, pertinente colacionar a Súmula CARF nº 63: Súmula CARF nº 63 Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Resta comprovado que os rendimentos decorrem da transferência para a reserva remunerada (fls.11 e 13). Em seu recurso, o recorrente junta laudo de fl. 63, expedido pela Secretaria de Estado da Saúde Coordenadoria de Serviços de Saúde Cais Professor Canídio Botucatu SP, o qual atesta que o recorrente é portador de paralisia irreversível e incapacitante desde 6/2002. Tratase de laudo emitido por serviço médico oficial e que concluiu pela existência de doença elencada no artigo 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 1988. Assim, nos termos da legislação tributária, restam preenchidos todos os requisitos e o recorrente faz jus ao benefício da isenção sobre rendimentos de reserva no ano calendário 2008, ora em análise. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10825.723123/201214 Acórdão n.º 2002000.386 S2C0T2 Fl. 97 7 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 97DF CARF MF
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