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Numero do processo: 16327.000347/2004-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3401-000.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente
(assinado digitalmente)
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonca, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda (Relator).
Nome do relator: DALTON CESAR CORDEIRO DE MIRANDA
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente (assinado digitalmente) JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator ad hoc. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente), Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonca, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda (Relator).
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score : 1.0
Numero do processo: 10882.722505/2012-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Sep 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CRÉDITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA.
Deve ser mantida parcialmente a exigência com relação ao montante de créditos bancários não justificados pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1103-001.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a tributação sobre a base de cálculo de R$ 359.057,18, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
Fábio Nieves Barreira - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão
Participaram do julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Fábio Nieves Barreira, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos.
Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 27/08/2015.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CRÉDITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA. Deve ser mantida parcialmente a exigência com relação ao montante de créditos bancários não justificados pelo contribuinte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a tributação sobre a base de cálculo de R$ 359.057,18, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente. Fábio Nieves Barreira - Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Participaram do julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Fábio Nieves Barreira, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 27/08/2015.
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ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. OMISSÃO DE RECEITA. Deve ser mantida parcialmente a exigência com relação ao montante de créditos bancários não justificados pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso de ofício para restabelecer a tributação sobre a base de cálculo de R$ 359.057,18, pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. Fábio Nieves Barreira Relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão Participaram do julgamento os conselheiros: Aloysio José Percínio da Silva, Fábio Nieves Barreira, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Fábio Nieves Barreira não integra o quadro de Conselheiros do CARF, o Conselheiro Luiz Tadeu AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 25 05 /2 01 2- 46 Fl. 21588DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.589 2 Matosinho Machado foi designado ad hoc como o responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 27/08/2015. Fl. 21589DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.590 3 Relatório Consta do Termo de Verificação Fiscal que a recorrida teria deixado de entregar ao Fisco a Declaração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – DIPJ do ano calendário 2007. Além disso, exibiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF do primeiro semestre do anocalendário de 2007, desprovida de informações sobre os tributos a recolher. Quanto a segundo semestre do anocalendário de 2007, as informações referentes à mesma obrigação instrumental se restringiram ao terceiro trimestre. Instaurado procedimento de fiscalização, constatouse, no mesmo período, o registro de movimentação financeira de R$ 41.266.436,80. Como conseqüência desses fatos, a recorrida foi intimada a apresentar documentos, de modo a esclarecer as divergências verificadas entre as declarações entregues e os seus registros bancários. Em atendimento à fiscalização, a recorrida apresentou os seguintes documentos: a) arquivos digitais do anocalendário de 2007; b) planilha em meio digital com as justificativas para alguns do lançamentos dos créditos em conta corrente movimentadas nos estabelecimento bancários, e c) os livros fiscais, incluindo os livros Diário e Razão do ano calendário 2007, formalizados com registro na Jucesp em 14/03 /2012. Da análise dos documentos exibidos, o r. agente fiscal concluiu: “a Com relação aos cheques devolvidos, informamos que como a planilha elaborada referiase somente aos créditos das contas correntes, elaboramos uma outra, somente dos cheques devolvidos, cujos valores foram abatidos dos montantes mensais dos créditos considerados. O total desse item foi de R$ 1.919.239,80. b Na planilha dos créditos, elaborada com base nos arquivos digitais enviados pelos bancos respectivos, o Banco Santander, que incorporou o Banco Sudameris, informou na planilha digital, vários lançamentos de crédito com o título Cheque Compensação Integrada e Cheque Outra Praça, que estão em duplicidade pois referemse aos depósitos efetuados e que estão lançados com o título Depósito em Cheque. O lançamento Depósito em Cheque totaliza os cheques que constam no depósito e os outros dois lançamentos mencionados referemse a cada cheque que foi relacionado no depósito em questão. Ressaltese que no extrato em meio papel, somente consta o lançamento Depósito em Cheque ficando claro que existe uma duplicidade na planilha digital enviada pelo banco. Dessa forma, os valores que constam na planilha de créditos com o título Cheque Compensação Integrada e Cheque Outra Praça, foram excluídos . O total desse item foi de R$ 9.555.088,07. c Foram também excluídos da planilha de créditos, os Docs. transferências da mesma titularidade, e alguns créditos relativos a empréstimos junto a instituições financeiras . d A empresa alegou que uma parte dos créditos que constam da planilha referemse ao sistema que havia na época, denominado ValeFrete, que consistia Fl. 21590DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.591 4 num cupom de valor determinado, que era entregue ao motorista do veículo para efetuar o abastecimento e demais despesas, utilizado principalmente por motoristas de caminhões. Essa sistemática gerava normalmente um troco que era devolvido ao portador do cupom em espécie, quando da transação. Dessa forma, alega a empresa que os créditos dessas empresas efetuados na conta corrente do contribuinte não eram na totalidade referentes à receita da empresa e que o valor pago como troco deveria ser excluído. (...) Apesar de decorrido o prazo concedido no termo mencionado no parágrafo anterior, o contribuinte apresentou em 02/05/2012, documento argumentando que os valores disponibilizados para troco e que constavam na "redução Z", de cada emissora de cupom fiscal "ECF", referiamse a devolução de valores efetuados quando do recebimento das referidas cartafrete. Como já foi mencionado anteriormente, não há condições de comprovação de que esses valores mencionados como troco foram unicamente utilizados em operações com cartafrete. O valor total mencionado como troco nas argumentações do contribuinte, R$ 4.967.806,04 encontrase totalizado em uma planilha entregue anteriormente , e que faz parte do presente processo, dentro do arquivo "planilhas com justificativas do contribuinte". Com base nessas mesmas afirmações do contribuinte e confrontado as informações prestadas nessa planilha com os documentos ora anexados (Redução Z dos diversos ECT), pudemos observar que muitas vezes, os valores mencionados como troco são superiores ou quase iguais aos recebidos via cartafrete na data referida, no ECT considerado. Fica, portanto, demonstrado que os valores denominados pelo contribuinte como troco dos valesfrete, não podem ser assim considerados, por não terem sido demonstrados de forma inequívoca. (...)” Destacamos. Em decorrência, foi constituído o crédito tributário, de ofício, com base nos seguintes critérios: “Com base na movimentação financeira da empresa, apurouse então a real receita da empresa e a partir desses valores foram efetuados os ajustes, com base nas despesas que constam na contabilidade apresentada, no sentido de apurarse a nova base para o cálculo do IRPJ do ano calendário 2007. Por outro lado, apurouse também, com base na receita contabilizada, a base do IRPJ considerada pela empresa, efetuandose os ajustes com os mesmos elementos mencionados no parágrafo anterior, ou seja, utilizandose as despesas e demais elementos que constam na contabilidade apresentada, e que compõem o cálculo para apurarse a base do IRPJ. Isso está demonstrado na planilha "Base do cálculo do IR apurado com base na contabilidade". Apuramos então a diferença entre essas duas bases encontradas, uma apurada com base na contabilidade e outra apurada com base na movimentação financeira da empresa, e essa diferença serviu de base para o lançamento efetuado. Esse cálculo está demonstrado na planilha "Demonstrativo das diferenças apuradas a lançar". A empresa declarou em DCTF somente os valores relativos ao terceiro trimestre de 2007 e efetuou o recolhimento dos tributos ora examinados, do segundo, terceiro e quarto trimestres de 2007. Ressaltese que, pela apuração efetuada com base na contabilidade, o primeiro trimestre apontou prejuízo. Fl. 21591DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.592 5 O valor desse prejuízo foi então deduzido das diferenças encontradas entre as bases de 'calculo (contábil e da movimentação financeira) e os montantes das diferenças de base encontradas foram lançadas no presente auto de infração Todos os recolhimentos efetuados relativos aos tributos lançados neste auto de infração, (IRPJ, CSLL e Adicional IR) foram considerados no cálculo da base contábil e estão demonstrados nas planilhas anexas. O limite dedutível para apuração do Adicional do IR referente ao segundo trimestre de 2007 não foi utilizado no cálculo dos valores a tributar, uma vez que eleja havia sido utilizado quando do cálculo efetuado pelo contribuinte para o recolhimento do valor que julgava devido, apurado com base na contabilidade. Portanto, como a empresa apresentou contabilidade regular, efetuamos os lançamentos desse crédito tributário do IRPJ, CSLL e Adicional do IRPJ, com base no LUCRO REAL, para o ano calendário de 2007, considerando como Receita Bruta Total do contribuinte em questão, os valores apurados com base na movimentação bancária da empresa . Estão sendo apurados por meio deste Auto de Infração , os valores devidos relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Adicional de IR e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL do ano calendário de 2007, considerando a tributação com base no Lucro Real. Como mencionado anteriormente, o contribuinte não apresentou a DIPJ do ano calendário 2007, mas entregou a DCTF, sendo que no primeiro semestre informou apenas estar sujeito ao Lucro Presumido, sem declarar qualquer valor a pagar. Já no segundo semestre de 2007, a DCTF demonstra apenas os dados do IRPJ do terceiro trimestre, com base na apuração pelo Lucro Real. Além disso, todos os recolhimentos efetuados no referido calendário, foram calculados com base no Lucro Real. Os montantes tributáveis no ano calendário de 2007 estão sendo identificados, mensalmente e trimestralmente, de acordo com as planilhas digitais de faturamento, elaboradas pela fiscalização, e que foram entregues ao contribuinte juntamente com o Termo de Verificação e Constatação. Na planilha que acompanhou o Termo de Constatação e Intimação mencionado, não haviam sido excluídos os cheques devolvidos e em razão disso, após ser efetuada essa correção, as bases de cálculo apuradas para o lançamento sofreram alterações, conforme discriminado no quadro abaixo. MÊS REC. AP. MOV. FIN. ACUM. TRIM. REC. CONTAB. REC. APUR. TRIM. DIF. BASE jan/07 2.576.936,28 2.173.155,73 fev/07 2.197.971,37 2.190.842,36 mar/07 2.787.932,86 7.562.840,51 2.624.301,56 6.988.299,65 574.540,86 a'ir/07 2.823.518,02 2.355.487,49 mai/07 2.771.304,09 2.541.773,06 jun/07 2.997.306,15 8.592.128,26 2.444.317,95 7.341.578,50 1.250.549,76 Jul/07 2.881.451,14 2.366.786,81 ,0/07 3.135.395,40 2.671.775,68 set/07 2.626.146,12 8.642.992,66 2.374.664,92 7.413.227,41 1.229.765,25 out/07 2.949.247,57 2.511.754,02 nov/07 2.618.959,43 2.361.503,28 dez/07 2.491.817,67 8.060.024,67 2.341.445,88 7.214.703,18 845.321,49 32.857.986,10 32.857.986,10 28.957.808,74 28.957.808,74 3.900.177,36 Fl. 21592DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.593 6 As planilhas que demonstram os demais cálculos dos tributos apurados e lançados no presente processo estão contidas no arquivo digital entregue ao contribuinte juntamente com o presente termo.” Na impugnação protocolada, a recorrida argumenta que: a) o valor total da movimentação bancária apurada é no montante de R$ 34.621.816,62; b) o montante de R$ 4.967.806,04, registrados na impressora ECF específica, "redução z", referese ao troco oriundo da operação cartafrete, conforme as um mil, duzentas e trinta e três bobinas exibidas nos autos. Por fim, requereu a recorrida: “Dessa forma, nada mais correto do que se abater da apuração do valor concedido de troco para carta frete da apuração de fiscalização do faturamento bruto do estabelecimento comercial fiscalizado neste ato. 4o. Diante disto, apresentamos como nosso entendimento o valor final de fechamento de FATURAMENTO no importe de R$ 29.654.010,58 , para fins de tributação.” Recebidos os autos pela r. Delegacia de Julgamento, esta determinou o retorno dos autos à DRF de origem, para o recálculo do adicional do IRPJ (fl. 21.558) 1. Da diligência resultou a lavratura dos autos de infração formalizados sob n° 19515.722903/201215 (fls. 2.491/2.495 dos autos sob n° 19515.722903/201215). Em seguida, foi proferido julgamento, para dar provimento à impugnação, cancelandose a autuação, nos termos da ementa a seguir colacionada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2007, 30/06/2007, 31/10/2007, 31/12/2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CARACTERIZAÇÃO COMO OMISSÃO DE RECEITA. INSUFICIÊNCIA DA PERSECUÇÃO FISCAL. Apresentadas contabilidade e respectiva documentação de suporte sem suficiente contradita da Fiscalização, não se mantém a autuação com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” 1 "(...) Bem, Sr. Presidente, longe de qualquer questão meritória, posto em primeira vista os consequentes cálculos que haveriam de se seguir a partir do tanto quanto relatado pela Fiscalização (fls. 760/769), de logo se percebe algum equivoco quanto ao cômputo do adicional de imposto de renda. É que tal adicional incide sobre a base de cálculo do IRPJ (lucro real, apurado em bases trimestrais no caso) "que exceder o valor resultante da multiplicação de vinte mil reais pelo número de meses do respectivo período de apuração" (art. 542 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, que aprova o Regulamento do Imposto de Renda RIR/99; o justo enquadramento legal apontado no auto de infração, à fl. 775), e não sobre o monte do próprio imposto (IRPJ), como finda por exsurgir da planilha confeccionada pela Fiscalização à fl. 950, e cômputo esse levado, então, para o corpo do auto de infração em consideração (fl. 775)." Fl. 21593DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.594 7 Em face da sucumbência da Fazenda Nacional, foi interposto, de ofício, recurso de ofício, com fundamento no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72. É o relatório. Fl. 21594DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.595 8 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o Acórdão. Formalizo o presente acórdão por designação do presidente da 1ª Seção de Julgamento, ocorrida em 12/08/2015, tendo em vista que o relator do processo, Conselheiro Fábio Nieves Barreira, por ocasião do julgamento realizado em 03/03/2015, pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, não efetuou a formalização e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Portanto, o entendimento consubstanciado neste relatório e voto não exprime qualquer juízo de valor deste redator, pois tem por base, além dos elementos dos autos, a manifestação de voto apresentada pelo Conselheiro relator durante a sessão, que consta dos arquivos do CARF, parcialmente reproduzida, na parte em que está em conformidade com o resultado constante da ata da Sessão de Julgamento, realizada pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em 03/03/2015. Reexaminando a decisão de primeiro grau, o colegiado deu provimento parcial ao recurso para restabelecer parte da exigência exonerada, nos seguintes termos: O art. 42, da Lei nº 9.430/962, estabelece como requisitos para a caracterização da omissão de receita ou de rendimento, os seguintes elementos: a) existência de 2 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 21595DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.596 9 valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto à instituição financeira; b) intimação regular do contribuinte para comprovar a gênesis dos recursos; e c) ausência de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. Verificase nos autos que a recorrente é um posto, que atua no ramo de venda de combustíveis3 e opera, também, com cartafrete, o que se verifica pelos cupons fiscais de fls. 7.947, 7.948, 7.949 etc. Nesse passo, as operações da recorrente, relativamente à cartafrete, têm a seguinte dinâmica4: o transportador é contratado pelo tomador dos serviços, que remunera o prestador por meio de cartafrete, que, posteriormente, dirigese a um posto conveniado e apresenta a cartafrete, sendo que do valor expresso na cartafrete, parte é consumido em produtos do posto de gasolina e a outra fração é devolvida, em dinheiro, pelo posto de gasolina ao transportador. Há duas considerações sobre a ocorrência da operação com a cartafrete: a) a empresa, contratante dos serviços de transportes, que realiza convênio com o posto de gasolina, na operação cartafrete, entrega ao posto de gasolina o numerário relativo ao valor total de face da cartafrete; e b) dos valores recebidos pelo posto de gasolina referente à cartafrete, só se considera receita bruta a parcela correspondente ao bens ou serviços consumidos pelo transportar, titular da cartafrete5. Os valores excedentes ao consumo de bens e serviços, devolvidos em dinheiro ao transportador não integra a receita do posto de gasolina. O r. agente fiscal, no Termo de Verificação Fiscal, reconhece que parte do numerário que compõe a movimentação financeira da recorrida é proveniente de cartafrete, § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) 3 Fls. 42/45. 4 Conforme matéria públicada na Revista o Carreteiro: “Para a maioria dos carreteiros, a necessidade de receber o pagamento da mercadoria transportada com a polêmica cartafrete se constitui numa pedra a mais na estrada – ou num buraco, segundo alguns – e para outros, é um mal necessário, e que, apesar das reclamações no trecho, continua crescendo e incentivando uma concorrência entre os postos que, por sua vez, procuraram alternativas de favorecimento às transportadoras e ao motorista. É que, quando o carreteiro ao invés de receber o pagamento da viagem em cheque ou dinheiro, recebe a cartafrete, ele tem que procurar um posto de abastecimento que tenha convênio com a empresa que lhe forneceu o documento. Vai precisar abastecer pelo menos 30% do valor da carta para receber o restante, parte em dinheiro e parte com um cheque prédatado, geralmente para 15 dias. Dinheiro vivo, que é bom, muito pouco. (...)” (Uma carta que ninguém gosta de receber, Evizalio de Oliveira, Edição 359 CARTA FRETE, http://www.revistaocarreteiro.com.br/modules/revista.php?recid=223&edid=21) 5 Art. 12, DecretoLei nº 1.598/77. Fl. 21596DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.597 10 razão pela qual é possível afirmar que a origem dos recursos é cartafrete6 e que a contabilidade entregue pela recorrida preenche os requisitos legais7. E a planilha efetuada pelo Ilustre Relator do v. acórdão recorrido, denuncia que os valores tidos como omitidos são quase na totalidade coincidentes com o troco das operações de valefrete: “11. Observese, forte na argumentação do próprio Contribuinte, que ele aquiesce sobre o monte levantado pela Fiscalização a título de ‘REC. AP. MOV. FIN’, isto é, ‘receita apurada com base na movimentação financeira’ (fls. 766/767; vide, especialmente, o Quadro à fl. 766), mas discorda no ponto de se tomar a integralidade de tal movimentação financeira (correspondente a depósitos bancários em contacorrente de sua titularidade junto a instituições financeiras; fl. 765) como ponto de partida para a apuração de seu lucro real no período de 2007. Na espécie, pondera o Interessado que da rubrica ‘EC. AP. MOV. FIN’ deveria ser subtraído importe relativo ao que ele nomeia troco, exatamente como já explicado no Relatório acima. O Quadro 01 abaixo resume tal consideração. Quadro 01 – Preciso ponto sobre o que reclama o Contribuinte à vista da autuação. Mês Receita tributável, apurada com base na movimentação financeira e segundo a Fiscalização (fl. 766) Troco, segundo o Contribuinte (fls. 319/331) Receita tributável, sob a ótica do Contribuinte Receita apurada com base na contabilidade do Contribuinte (fl. 766) Base tributável sob a ótica do Contribuinte (0) (1) (2) (3)=(1)(2) (4) (5)=(3)(4); se > 0 jan/07 2.576.936,28 365.379,25 2.211.557,03 2.173.155,73 38.401,30 fev/07 2.197.971,37 333.485,70 1.864.485,67 2.190.842,36 * mar/07 2.787.932,86 544.259,65 2.243.673,21 2.624.301,56 * abr/07 2.823.518,02 430.390,05 2.393.127,97 2.355.487,49 37.640,48 mai/07 2.771.304,09 501.904,15 2.269.399,94 2.541.773,06 * jun/07 2.997.306,15 540.131,49 2.457.174,66 2.444.317,95 12.856,71 jul/07 2.881.451,14 572.167,05 2.309.284,09 2.366.786,81 * ago/07 3.135.395,40 567.944,40 2.567.451,00 2.671.775,68 * set/07 2.626.146,12 380.325,85 2.245.820,27 2.374.664,92 * out/07 2.949.247,57 594.149,20 2.355.098,37 2.511.754,02 * nov/07 2.618.959,43 137.669,25 2.481.290,18 2.361.503,28 119.786,90 dez/07 2.491.817,67 "não localizado" 2.491.817,67 2.341.445,88 150.371,79 Total 32.857.986,10 4.967.806,04 27.890.180,06 28.957.808,74 359.057,18 Obs.: (*) meses em que, considerada a própria argumentação do Contribuinte e levada essa às últimas consequências, e certo ainda que a Fiscalização não disputa a contabilidade por aquele apresentada (ao contrário, fiase nela para finalizar seus trabalhos), não caberia autuação alguma. 6 “(...) No sentido de justificar tal afirmação, a empresa apresentou cópias de vários cheques emitidos, que foram sacados em espécie, nos quais existe a anotação no verso, de que esses valores referemse a reforço de caixa para ser utilizado como troco. Ocorre que, analisando a operação e as cópias de cheques apresentadas, não há comprovação que nos leve a afirmar que esse numerário foi utilizado para troco tão somente dos ValesFrete; além disso, não há comprovação de qual foi o destino dado a esse montante, e não havendo condições de criarse plena convicção a respeito dessa operação, o montante de tais cheques não foram abatidos da planilha final dos créditos bancários. (...)” 7 " (...) Como mencionado anteriormente, a empresa apresentou os arquivos digitais da contabilidade e os livros diário e razão, em meio papel, devidamente formalizados. Com base nas informações da contabilidade apresentada, calculamos o lucro real da empresa, apurando uma nova base para o IRPJ. (...)" Fl. 21597DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.598 11 O r. agente fiscal, todavia, entendeu que a recorrida não logrou êxito provar que os valores não contabilizados, movimentado em suas operações financeiras, eram decorrentes de troco nas operações cartafrete, o que culminou com o lançamento de ofício: “(...) Apesar de decorrido o prazo concedido no termo mencionado no parágrafo anterior, o contribuinte apresentou em 02/05/2012, documento argumentando que os valores disponibilizados para troco e que constavam na ‘redução Z’, de cada emissora de cupom fiscal ‘ECF’, referiamse a devolução de valores efetuados quando do recebimento das referidas cartafrete . Como já foi mencionado anteriormente, não há condições de comprovação de que esses valores mencionados como troco foram unicamente utilizados em operações com cartafrete. O valor total mencionado como troco nas argumentações do contribuinte, R$ 4.967.806,04 encontrase totalizado em uma planilha entregue anteriormente , e que faz parte do presente processo, dentro do arquivo ‘planilhas com justificativas do contribuinte’. Com base nessas mesmas afirmações do contribuinte e confrontado as informações prestadas nessa planilha com os documentos ora anexados (Redução Z dos diversos ECT), pudemos observar que muitas vezes, os valores mencionados como troco são superiores ou quase iguais aos recebidos via cartafrete na data referida, no ECT considerado. Fica, portanto, demonstrado que os valores denominados pelo contribuinte como troco dos valesfrete, não podem ser assim considerados, por não terem sido demonstrados de forma inequívoca. Abaixo discriminamos, por amostragem, alguns valores onde, em alguns casos, a empresa teria pago valores como troco, superiores ao que recebeu como cartafrete, o que, smj, nos parece incoerente. (...) Portanto, como a empresa apresentou contabilidade regular, efetuamos os lançamentos desse crédito tributário do IRPJ, CSLL e Adicional do IRPJ, com base no LUCRO REAL, para o ano calendário de 2007, considerando como Receita Bruta Total do contribuinte em questão, os valores apurados com base na movimentação bancária da empresa . (...)” Submetido o lançamento fiscal à revisão pela própria Administração, por provocação da recorrida, o lançamento fiscal foi cancelado pelos seguintes argumentos: “(...) 14. Permissa venia, mas considerada a fundamentação lançada na autuação, isto é, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o contraargumento à explicação dada pelo Contribuinte não pode ser esse. Digase, o horizonte do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é um e apenas um: depósito/crédito em contacorrente bancária não escriturado E, além disso, de origem/causa/razão negocial não identificada, por isso que, e então e somente então, reputado, por presunção, como tendo a natureza de receita tributável omitida. Por outra, não serve à altura da argumentação do Contribuinte dizer que, ‘analisando a operação e as cópias de cheques apresentadas, não há condições de afirmarse que esse numerário foi utilizado para troco tão somente dos ValeFrete, [...] não havendo condições de criarse plena convicção a respeito dessa operação’, ou ainda, que ‘os valores mencionados como troco são superiores ou quase iguais aos recebidos via cartafrete na data referida, no ECT considerado’. Essa linha contraargumentativa, que, por evidente, forma o Fl. 21598DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.599 12 norte defensório do Contribuinte, desvia o foco da questão: sob vista estariam depósitos/créditos em contacorrente não escriturados E cuja origem/causa/razão negocial não fora identificada (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). De forma direta (se a pauta é a do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), o Contribuinte deveria ser instigado (e, assim, conformar sua defesa) a contradizer o seguinte: a operação referida – troco/cartafrete – não está escriturada, demais disso, a origem/causa/razão negocial subjacente não está identificada. (...) 15. D’outra mão, mantendose fiel à quadratura legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, isto é, considerado seja que a operação relatada pelo Contribuinte não estivesse regularmente escriturada (observese, aqui, que a Fiscalização não levanta senão à contabilidade do Contribuinte, ao contrário, a tem por boa; vide termo que encerra os trabalhos às fls. 760/769), o fato concreto é que o Contribuinte traz em sua impugnação documentário suficiente a sustentar sua original explicação (já adiantada à Fiscalização no curso do procedimento). E tal é a explicação que as diferenças estampadas no Quadro 01 acima revelamse de natureza outra que não a de receita. (...) 18. Enfim, na visada deste Relator, são duas as considerações que assentam o grau de dificuldade da prova que a Fiscalização exige do Contribuinte, desde que (e assim parece ser o caso) exigida dita prova fora do âmbito da contabilidade (em nenhum momento se disse ao Contribuinte que a sua ‘história’, exatamente como contada, não encontrava apoio na contabilidade): 18.1. Não seria exagero imaginar que o Contribuinte, durante um só dia de operação, venha de receber vários títulos cartafrete, de diferentes valores, de distintos consumidores (motoristas contratados pelas transportadoras, essas emissoras do título em causa), os quais, não necessariamente todos, venham de gastar apenas parte do valor de face do dito título (haverá aqueles que usem o exato valor de face do título, e, por isso, não teriam a contrapartida de troco algum), e que, enfim, ainda no normal da vida, há que se ter por razoável que o Contribuinte não os recolha (os títulos), a cada e todo dia, e os venha a leválos a desconto na rede bancária (em especial, junto aos bancos em que titulariza contacorrente); e 18.2. Isso considerado, e mais a dinâmica própria de um dia atrás do outro d’um posto de gasolina (caso desse Contribuinte), logo se percebe a dificuldade que surge em se exigir (fora da contabilidade) a exata linha de rastreamento cartafrete xi Û de valor yi Û apresentada na data ki Û a que assinalado um troco ti Û e, d’outro ângulo, um saque em contacorrente no valor vi compatível com ti Û e na data wi compatível com ki , isso para i = 1, 2, 3...n (número de consumidores que apresentam o título cartafrete junto ao Contribuinte). 19. E isso tudo ainda sem considerar a complexidade adicional referente às operações de desconto de cheques – operações de igual natureza àquelas com carta frete. 20. Quando a Fiscalização pondera que ‘analisando a operação e as cópias de cheques apresentadas, não há condições de afirmarse que esse numerário foi utilizado para troco tão somente dos ValeFrete..’, ou que ‘...os valores denominados pelo contribuinte como troco dos valesfrete, não podem ser assim considerados, por não terem sido demonstrados de forma inequívoca’, assim se diz por quê? Digase claramente: porque, vista, lida e examinada a contabilidade, não há Fl. 21599DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO Processo nº 10882.722505/201246 Acórdão n.º 1103001.183 S1C1T3 Fl. 21.600 13 ali qualquer registro de tal ‘história’. Mas isso não foi dito. A estimarse pelo contrário até: a contabilidade do Contribuinte não mereceu reparo, serviu até de base para a própria autuação. 21. A ‘história’ do Contribuinte, que, reconheçase, é difícil de explicar documento a documento, só tem uma possibilidade de pista de seu roteiro, de seu inteiro roteiro (leiase, identificação de todas as variáveis antes mencionadas, tais, xi, yi , ki , ti , vi , wi, isso para i = 1, 2, 3...n): é sua contabilidade. Mas não se afirmou categoricamente a ausência de registros contábeis que tais (e o Contribuinte tem documentário para tanto, e avisada disso foi a Fiscalização no curso do procedimento), que, a sentir desse Relator, é ponto de partida para fazer incidir o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A contabilidade, disponibilizada e junto dela apresentados documentários de suporte, fala por si e, por isso, deve ser prestigiada. Sem dizer que, nesse preciso caso, é a decisiva tábua de defesa do Contribuinte. 22. Posto isto, e tudo o mais que dos autos consta, este voto dá por PROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, de ordem a cancelar a exigência veiculada nos autos sob nº 10882.722505/201246 e nº 19515.722903/201215.” Analisando o conjunto probatório constante dos autos e os fundamentos da decisão de primeiro grau, entenderam os membros do colegiado entenderam que devia ser restabelecida a tributação sobre a base de cálculo de R$ 359.057,18, que corresponde à "Base tributável sob a ótica do Contribuinte", conforme apuração constante do Quadro 01, item 11 do voto condutor da decisão de primeiro grau. Ante ao exposto, o colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso de ofício. Acórdão formalizado em 27/08/2015. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Redator ad hoc, designado para formalizar o acórdão. Fl. 21600DF CARF MF Impresso em 03/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 02 /09/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/08/2015 por LUIZ TADEU MATO SINHO MACHADO
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Numero do processo: 10820.000999/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/01/2005
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA.
Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, deve-se verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas.
No presente caso, como não há como comprovar a divergência entre decisões, não há como admitir o presente recurso.
Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Presidiu o julgamento o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo, Redator-Designado AD HOC para formalização do acórdão.
EDITADO EM: 06/07/2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA. Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF, devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como não há como comprovar a divergência entre decisões, não há como admitir o presente recurso. Recurso Especial do Contribuinte não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 09 99 /2 00 7- 71 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Presidiu o julgamento o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do acórdão. EDITADO EM: 06/07/2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior (Relator), Eduardo de Souza Leão (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 446DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10820.000999/200771 Acórdão n.º 9202003.544 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Após a rejeição dos ED opostos, o contribuinte, inconformado com o decidido no Acórdão n° 240100.473, proferido pela lª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2 Seção do CARF em 07/07/2009, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido, verbis: "PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COOPERADOS INCONSTITUCIONALIDADE INCABÍVEL APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA JUROS SELIC MULTA. O pagamento aos cooperados, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. Equiparase a empresa, nos termos do art. 15 da lei 8212/90, a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n ° 8, "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário '. lançamento foi efetuado em 24/05/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 30/05/2007, os fatos geradores ocorreram entre as competências 01/1998 a 01/2005, dessa forma em aplicandose o art. 150 § 4º do CTN, considerandose a existência de guia de recolhimento genérica para a competências em questão, devem ser declarados decadentes as contribuições até 04/2002. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE." A recorrente afirma que, enquanto o acórdão recorrido não admite a apreciação da inconstitucionalidade da lei pelo Conselho de Contribuintes, o paradigma que apresenta (Acórdão n.° 10801.182) sustenta a possibilidade de se reconhecer a inconstitucionalidade de uma lei, não sendo, portanto, monopólio do Poder Judiciário. Segue abaixo trecho de sua ementa: "NORMAS CONSTITUCIONAIS COMPETÊNCIA PARA APLICALAS A CASOS CONCRETOS Em face do art. 5º, inc. LV, da Constituição Federal, os órgãos administrativos judicantes estão obrigados a aplicar, sempre, a Lei Maior em detrimento da norma que considerem inconstitucional. Impor limitação ao livre convencimento da autoridade julgadora, assim como não conhecer esta de matéria constitucional arguida pelo litigante em qualquer instancia, implica cerceamento da plena Fl. 447DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 defesa e violação da Lei Fundamental. (..)."Em seguida, a recorrente explica que o aresto atacado diverge do paradigma que apresenta, cuja ementa será reproduzida abaixo: "DECADÊNCIA. 0 Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. ASSOCIADOS. MÉDICOS AUDITORES. LEI N° 5.764/71, ART'S 40 E 90 C/C 0 ART. 110 DO CTN. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. A relação existente entre os médicos auditores e a cooperativa é uma relação de natureza eminentemente societária. Na situação concreta, o operador do Direito deve observar as disposições contidas na lei de regência do cooperativismo c/c com o art. 110 do CTN. Ademais, não existe fundamentação legal capaz de caracterizar a hipótese de incidência pretendida pelo fisco. Recurso Voluntário Provido" (AC 280300.361) Destaca que, enquanto o aresto recorrido conclui que a cooperativa deve obedecer a legislação que considera ilegal e, por tal motivo, recolher a contribuição, o paradigma sustenta que na relação entre cooperativa e seus sócios não há que se falar em incidência de tal contribuição. Ao final, requer o provimento do recurso. Instado a se manifestar, o i. Presidente da 4ª Câmara, da Segunda Seção prolatou Despacho n. 2400264/2012 [fls. 412 e ss] que deu seguimento parcial ao Especial interposto: III. Da análise da primeira divergência indicada Mediante análise dos autos, verifico que a tese esposada no Acórdão 10801.182 já foi superada pela CSRF, havendo inclusive entendimento sumulado a respeito desse assunto, como bem colocou o Relator da decisão ora atacada: "No mérito, os argumentos do recorrente são no sentido de que incabível a exigência de contribuições sobre os valores destinados a cooperados, bem, como os valores repassados a direção da cooperativa. Contudo, entendo que razão não assiste ao recorrente, posto que no que tange a argüição de inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre o recolhimento de contribuições, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade na cobrança das contribuições previdenciárias sobre os valores destinados aos cooperados, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual são exigíveis a contribuição, bem como a aplicação da taxa de juros SELIC, e a multa pela inadimplência. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10820.000999/200771 Acórdão n.º 9202003.544 CSRFT2 Fl. 4 5 No mesmo sentido posicionase este 2° Conselho de Contribuintes ao publicar a súmula n°. 2 aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: SÚMULA N. 2 0 Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Pelo exposto, e em cumprimento ao disposto no artigo 67, § 2° do RICARF, entendo que não está configurada a primeira divergência jurisprudencial apontada pela Recorrente. IV. Da análise da segunda divergência indicada Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma. Enquanto o aresto recorrido entende que o pagamento aos cooperados é fato gerador de contribuições previdenciárias, o paradigma considera que nessa relação não existe hipótese de incidência de tais contribuições. Desse modo, entendo que está configurada a segunda divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. V. Da conclusão Pelo exposto, nos termos do art. 68 do RICARF: I Dou seguimento ao recurso especial no que diz respeito à segunda divergência arguida; e II — Nego seguimento ao recurso especial no que diz respeito à primeira divergência arguida. Diante da rejeição da admissibilidade de parte do recurso especial de divergência, determino o envio dos presentes autos ao Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais para apreciação, a teor do disposto no art. 71 e parágrafos do RI CARF. Em seguida, encaminhemse os autos à Fazenda Nacional para contrarazões, a teor do disposto no art. 70 do RICARF. III Da conclusão Pelo exposto, nos termos do art. 68 do RICARF, dou seguimento ao recurso especial de divergência. Encaminhemse os autos ao órgão de origem para que o contribuinte tome ciência deste despacho e, querendo, apresente contrarazões e recurso especial relativo â. parte do acórdão que lhe foi desfavorável, consoante o disposto no art. 69 do RI CARF. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Intimado a se manifestar, o Autuado apresentou contrarrazões que, em síntese, reitera os argumentos do acórdão recorrido e requer, ao final, que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto. É o relatório. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10820.000999/200771 Acórdão n.º 9202003.544 CSRFT2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do acórdão. Pelo fato de o ConselheiroRelator Manoel Coelho Arruda Junior ter renunciado ao cargo antes da formalização do presente acórdão, eu, Ronaldo de Lima Macedo, nomeado para formalização reproduzo a seguir o voto por ele apresentado na sessão. Considerando que eu (Ronaldo de Lima Macedo), como redator adhoc, fui designado apenas para a formalização do voto, deixo consignado que o entendimento do colegiado não corresponde, necessariamente, com o entendimento do Conselheiro Redator Designado adhoc. Com isso, este conselheiro não se vinculará às razões fáticas nem jurídicas registradas no presente acórdão. Quanto a admissibilidade, há questão a ser analisada. Conforme consta do relatório da decisão a quo, os motivos do Fisco para o lançamento são: “[...] 2. Nesta Notificação foram incluídas as contribuições previdenciárias não descontadas devidas pelos Contribuintes Individuais autônomos diversos, autônomos da área medica e diretores que receberam prólabores, a partir de 04/2003, conforme o disposto na Lei 10.666/2003 , art. 4o, "caput – e parágrafo I, transcritos a seguir "in verbis": Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dez do mês seguinte ao da competência. § 1o As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado. [...]” (g.n.) A decisão a quo assim define a questão da seguinte maneira: “[...] Os autônomos que prestaram serviços à cooperativa na área médica (anexo NFLD fl. 101/110) foram identificados na folha de pagamento e conta contábil 2.1.1.02.01.54 "produção credenciados a pagar". Os demais pagamentos efetuados a autônomos, por serviços diversos no estabelecimento matriz, conforme contabilidade, afiguramse no anexo das folhas 111/121, com o respectivo nome da conta e tipo de serviço. Segundo o Relatório Fiscal não se trata de cooperados. As circunstâncias ocorridas e descritas pela autoridade lançadora estão compreendidas, no período de janeiro/1998 até Fl. 451DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 fevereiro/2000, na hipótese de incidência contributiva da Lei Complementar n° 84, de 18 de janeiro de 1996, em seu art. 1°, inciso I, "in verbis": Art. 1° Para a manutenção da seguridade social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês pelos serviços que lhes prestem sem vinculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas. A partir de 03/2000, revogada a lei complementar 84/96, a contribuição passou a ser prevista no inciso III do art. 22 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.876/99, de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais. Restou perfeita sua veiculação por lei ordinária face A previsão constitucional do art. 195, inciso I, alínea "a", da Constituição Federal de 1988, na alteração produzida pela Emenda Constitucional n° 20/98, quando, então, a matéria deixou de ser objeto da competência residual da União. Quanto aos associados eleitos para cargo de direção em cooperativa, eles prestam serviços para a própria cooperativa e são considerados segurados obrigatórios da Previdência social na categoria "CONTRIBUINTE INDIVIDUAL" (art. 12, inciso V, alínea "f", do art. 12 da Lei n° 8.212191). A denominação contribuinte individual compreende as categorias de segurados antes classificados como autônomos, empresários e equiparados a autônomos. Na vigência da Lei Complementar 84/96, a sujeição passiva da Cooperativa decorre de disposição expressa do comando legal impositivo. No período que se segue, a equiparação da cooperativa A empresa, para fins do disposto no art. 22, inciso III, da Lei n° 8.212/91, ocorre por força do art. 15 da referida lei: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeira. [...]” Ou seja, a decisão recorrida entendeu que a cooperativa é obrigada a pagar contribuições previdenciárias sobre a remuneração creditada ou devida aos segurados contribuintes individuais, já que é distinta da contribuição devida pelos segurados cooperados. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10820.000999/200771 Acórdão n.º 9202003.544 CSRFT2 Fl. 6 9 Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende o recorrente a reforma do Acórdão, em síntese, enquanto o aresto recorrido entende que o pagamento aos contribuintes individuais é fato gerador de contribuições previdenciárias, o paradigma considera que não é fato gerador a contribuição devida pelos cooperados. Para melhor entendimento, peço licença aos ilustres Conselheiros para utilizar como razões de decidir os argumentos consignados no Acórdão paradigma 2803.00.361. O inciso I do art. 10 da Lei Complementar 84/96 dispõe que: Art. 10. Para a manutenção da Seguridade Social, ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I a cargo das empresas e pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por elas pagas ou creditadas no decorrer do mês, pelos serviços que lhes prestem, sem vinculo empregatício, os segurados empresários, trabalhadores autônomos, avulsos e demais pessoas físicas. De outra parte, o inciso III do art. 22 da Lei 8.212/91 estabelece que: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:[...] III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. (g.n.) De acordo com o artigo 4° da Lei 5.764/71: "as cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características". Da leitura do texto da lei de regência das cooperativas, é fácil constatar que tais sociedades são constituídas para prestar serviços aos associados (os seus donos), e não o contrário. Esse tipo de entendimento é de fundamental importância para que haja o cometimento de falhas, notadamente no que diz respeito à tributação, que inviabilize o funcionamento do tipo societário em questão. Ademais, não se pode perder de vista as regras constantes do art. 90 da Lei 5.764/71, bem como as previstas no parágrafo único do art. 442 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), in verbis: Art. 90. (Lei n° 5.764/71) Qualquer que seja o tipo de cooperativa, não existe vinculo empregatício entre ela e seus associados. [...] Fl. 453DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Art. 442 (CLT) Art. 442 Contrato individual de trabalho é o acordo tácito ou expresso, correspondente à relação de emprego. Parágrafo único Qualquer que seja o ramo de atividade da sociedade cooperativa, não existe vinculo empregatício entre ela e seus associados, nem entre estes e os tomadores de serviços daquela. (Incluído pela Lei n° 8.949, de 9.12.1994) Não se pode perder de vista que a Lei 9.876/99 trouxe à baila diversas alterações no que diz respeito às relações entre as cooperativas de trabalho, seus associados, tomadores de serviços, contribuintes individuais e o Fisco. Dentre as importantes alterações promovidas pela Lei 9.876/99, há que se destacar a inclusão do inciso IV no art. 22 da Lei 8.212/91, in verbis: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada a Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Percebese, então, que, com Lei 9.876/99, a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições relativas aos associados da cooperativa deixou de ser incumbência da cooperativa (inciso IV no art. 22 da Lei 8.212/91), conforme registro no acórdão paradigma. E, por sua vez, o acórdão recorrido afirma que o inciso III do art. 22 da Lei 8.212/91 estabelece que a cooperativa é obrigada a recolher “vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais”. Portanto, como são teses distintas, impedindo a análise de divergência, não conheço do recurso em relação a esses paradigmas. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Especial interposto pelo contribuinte, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo, RedatorDesignado AD HOC para formalização do acórdão. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 30/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/07/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 15/07/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/07/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16327.000186/2006-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
Ementa:
CSLL. DECADÊNCIA.
Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula vinculante n° 8, DOU de 20/06/2008), cancela-se o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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Recorrida 8ª Turma da DRJ/SPO1 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 Ementa: CSLL. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (Súmula vinculante n° 8, DOU de 20/06/2008), cancelase o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Carlos Pelá. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 86 /2 00 6- 58 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000186/200658 Acórdão n.º 1402001.855 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário parcial, apresentado pela Contribuinte BRADESCO VIDA E PREVIDENCIA S.A., em face do Auto de Infração de CSLL (fls. 77/78), referente ao anocalendário 1997, 2002 e 2003. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 73/75), a fiscalizada ingressou com Mandado de Segurança (processo n° 9700073327) para que lhe fosse assegurado o direito de calcular e recolher a CSLL relativa ao anocalendário de 1997 e subseqüentes apurando a base de cálculo segundo os critérios da Lei n° 7.689/888 e IN SRF n° 198/88, afastandose por conseqüência a norma do art. 1° da Lei n° 9.316/96 (que vedava a dedução da CSLL na sua própria base de cálculo). A liminar foi deferida em 25.03.1997, e a sentença concessiva foi prolatada em 04.06.1999. A União interpôs recurso de apelação recebido no efeito devolutivo. Para prevenir a decadência, foi lavrado o presente Auto de Infração de CSLL (fls. 77/78), relativo aos fatos geradores ocorridos em 31.12.1997, 31.12.2002 e 31.12.2003, e tem como fundamento legal: art. 2° e §§, da Lei n° 7.689/88; art. 22, § 1% da Lei n° 8.212/91; arts. 1° e 4% da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; art. 6° da MP n° 1.807/99 e reedições; art. 6°, da MP n° 1.858/99 e reedições. Não foi lançada a multa de ofício, nos termos do art. 63 da Lei n° 9.430/96 (fls. 82) e a ciência da autuada ocorreu em 13/02/2006 (fls. 77). A Contribuinte apresentou impugnação (fls. 85/98), alegando, em síntese, que: 1) a decadência já teria se consumado, relativamente ao fato gerador ocorrido em 31/12/1997, posto que passados mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, conforme § 4% do art. 150 do CTN; 2) é inaplicável o prazo decadencial de dez anos previsto na Lei n°. 8.212/91, pois seria necessária a edição de Lei Complementar para alterar o prazo previsto no CTN, e porque o prazo de 5 anos previsto no art. 150 do CTN seria um prazo máximo, não podendo o legislador estabelecer prazo maior; 3) a parcela da CSLL lançada referente à diferença entre a alíquota de 18% e de 8% encontrase com a sua exigibilidade suspensa por força de provimento judicial concedido nos autos do MS 97.00073297, fato esse desconsiderado pela autoridade fiscal; 4) o crédito tributário encontrase com a sua exigibilidade suspensa por medida judicial, sendo incabível a exigência de juros de mora, pois impugnante jamais incorreu em mora; 5) a taxa Selic não pode ser utilizada para calcular os juros de mora, pois é figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e porque extrapola em muito o percentual de 1% previsto no art. 161 do CTN. Analisando o caso, os membros da 8ª Turma da DRJ/SPO1, por unanimidade de votos, negaram provimento à impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, nos termos da ementa a seguir reproduzida: Fl. 286DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000186/200658 Acórdão n.º 1402001.855 S1C4T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997, 2002, 2003 DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda constituir o crédito tributário relativo à CSLL é de 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1997, 2002, 2003 JUROS DE MORA. Os acréscimos moratórios são devidos mesmo quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário por depósito do montante integral, por expressa disposição legal. TAXA SELIC. Utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, que deve ser observada no lançamento efetuado pela autoridade fiscal. Não cabe à instância administrativa apreciar a inconstitucional idade ou a ilegalidade de normas da legislação tributária. Lançamento Procedente Inconformada, a Contribuinte apresenta recurso voluntário parcial (fls. 263/ 276), aduzindo, no que diz respeito ao ano base 1997, que o auto de infração lavrado e a decisão recorrida não podem prosperar, pois o Fisco tinha o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário. Como o recurso voluntário é relativo apenas ao ano base 1997, os créditos tributários correspondentes aos anos 2002 e 2003 foram transferidos para a representação de n° 16327.000031/200701. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade. Deve, pois, ser conhecido. O Supremo Tribunal Federal, como se sabe, julgou inconstitucional o artigo 45 da Lei n°. 8.212/91, que havia estabelecido o prazo de 10 anos de decadência para contribuições (Súmula Vinculante nº. 08, DOU de 20/06/2008). Nessas condições, o Fisco tinha o prazo de 5 (cinco) anos para constituir o crédito tributário, de modo que tendo efetuado o lançamento do valor relativo ao fato gerador Fl. 287DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.000186/200658 Acórdão n.º 1402001.855 S1C4T2 Fl. 5 4 supostamente ocorrido em 31/12/1997 somente em 13/02/2006, já decaiu de seu direito relativamente ao crédito tributário lançado. Assim, deve ser cancelada a exigência de CSLL relacionada ao ano calendário 1997, alcançada pela decadência, de forma que dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 288DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 11/03/2015 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10907.002974/2006-71
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 30/08/2006
ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Por expressa determinação legal, o Agente marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no Pais, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira.
MERCADORIA ESTRANGEIRA ENTRADA NO TERRITÓRIO NACIONAL. VISTORIA ADUANEIRA. AVARIA OU EXTRAVIO. FATO GERADOR DE TRIBUTOS. OCORÊNCIA.
Apurada por autoridade aduaneira a falta de mercadoria estrangeira constante de manifesto ou documento de efeito equivalente, consideram-se ocorridos os fatos geradores dos tributos incidentes na importação, os quais devem ser exigidos com os consectários legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo, e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 30/08/2006 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o Agente marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no Pais, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. MERCADORIA ESTRANGEIRA ENTRADA NO TERRITÓRIO NACIONAL. VISTORIA ADUANEIRA. AVARIA OU EXTRAVIO. FATO GERADOR DE TRIBUTOS. OCORÊNCIA. Apurada por autoridade aduaneira a falta de mercadoria estrangeira constante de manifesto ou documento de efeito equivalente, consideram-se ocorridos os fatos geradores dos tributos incidentes na importação, os quais devem ser exigidos com os consectários legais. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo, e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
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Por expressa determinação legal, o Agente marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no Pais, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. MERCADORIA ESTRANGEIRA ENTRADA NO TERRITÓRIO NACIONAL. VISTORIA ADUANEIRA. AVARIA OU EXTRAVIO. FATO GERADOR DE TRIBUTOS. OCORÊNCIA. Apurada por autoridade aduaneira a falta de mercadoria estrangeira constante de manifesto ou documento de efeito equivalente, consideramse ocorridos os fatos geradores dos tributos incidentes na importação, os quais devem ser exigidos com os consectários legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora), Cássio Schappo, e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento integral ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 29 74 /2 00 6- 71 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento onde está sendo exigido o montante de R$ 187.574,01, sendo R$ 54.387,49 a título de Imposto de Importação; R$ 61.386,33 de Imposto sobre Produtos Industrializados; R$ 7.949,32 de Pis/Pasep; R$ 36.657,13 de Cofins e de R$ 27.193,75 de Multa Proporcional de que trata o art. 628, III, "d" do Decreto 4.543/2002. Em 25 de junho de 2006, no porto de Miami, USA, a unidade de carga de 40 pés BSIU 905.3713 dizendo conter: 1.075 Caixas de Partes para Computador e Eletrônicos, foi carregada a bordo do N/M "CP YELLOWSTONE", destinada ao porto de Paranaguá, amparada pelo Conhecimento de Embarque 'Master' (B/L) no. YFA038319, emitido por MONTEMAR MARÍTIMA S.A. e consignado à PC TRONICS S.A. (destino final: Ciudad del Este Paraguay). Em 12 de julho de 2006, a unidade de carga BSIU 905.3713 foi descarregada no porto de Rio Grande/RS, sendo carregada a bordo do N/M "CMA CGM VITALITY" em 25 de julho de 2006 e descarregada em 29 de julho de 2006 no porto de Santos/SP. A fim de ser entregue em Paranaguá, conforme contemplado no Conhecimento de Embarque emitido, a unidade foi finalmente carregada a bordo do N/M "CMA CGM RODIN" em 09 de agosto de 2006 no porto de Santos/SP. A unidade de carga BSIU 905.3713 foi, por fim, descarregada em Paranaguá do N/M "CMA CGM RODIN" em 17 de Agosto de 2006, ocasião na qual o terminal alfandegado TCP (Terminal de Contêineres de Paranaguá), na qualidade de fiel depositário, notou que o lacre aplicado à unidade não estava em conformidade com o manifestado na documentação, o que foi devidamente anotado no Termo de Avarias produzido pelo mencionado terminal, o qual ainda aplicou o lacre n o TCP 243266 à unidade ao final da descarga. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 4 3 Em vista da discrepância de lacre notada, em 25 de Agosto de 2006, os consignatários requisitaram, através de seu despachante, junto à Receita Federal uma Vistoria Aduaneira, a qual foi realizada em 28 de Agosto de 2006. Como resultado, a fiscalização constatou a falta de todas as mercadorias manifestadas de acordo com as faturas comerciais 860044311; INV54408 e 501061600. Ao final da vistoria, foi imputada a responsabilidade pela falta da mercadoria ao representante do TransportadorArmador no Brasil, Cia Libra de Navegação. Ciente da autuação, a interessada protocolizou sua Impugnação, arguindo, em síntese: 1 – Ilegitimidade Passiva: Alega a contribuinte que o importador Paraguaio PC TRONICS S.A., contratou a importação por via marítima com a MONTEMAR MARITIMA S.A., empresa que é agenciada em Paranaguá pela ora Recorrente, que, na qualidade de afretador por espaço (slot charterer) emitiu o Conhecimento de Embarque no. YFA038319, através dos navios de seus parceiros em jointventure, as companhias marítimas CP SHIPS e CMA CGM, armadoras dos navios "CP YELLOWSTONE" e "CMA CGM VITALITY" /"CMA CGM RODIN", respectivamente, que efetivamente transportaram a unidade de carga do porto de Miami até o porto de Paranaguá. De acordo com a documentação anexada aos autos, a unidade permaneceu lacrada com seu lacre original até seu carregamento em 09 de agosto de 2006 no "CMA CGM RODIN" no porto de Santos/SP, navio este operado pelo armador CMA CGM. Portanto, tem se que o suposto furto das mercadorias efetivamente ocorreu a bordo do navio "CMA CGM RODIN", cujo Comandante não emitiu Termo de Avaria relativo ao lacre da unidade BSIU 905.3713. E se a falta ocorreu enquanto a unidade de carga estava sob custódia do Comandante do Navio "CMA CGM RODIN", este deve responder pelas faltas e avarias da carga, uma vez que a embarcação não é de propriedade da MONTEMAR MARÍTIMA S.A., e portanto, esta não possui a gestão náutica, mas apenas a gestão comercial parcial sobre os espaços afretados. Arguiu ainda que a CMA CGM, através de seus agentes em Paranaguá, assinou e apresentou perante a Receita Federal um Termo de Responsabilidade, aonde, de acordo com o Art. 71, Paragrafo Único do Regulamento Aduaneiro e o Art. 6o. e seus parágrafos do Dec. 70.108/72, se responsabilizaram por todas as infrações em que incorresse a embarcação de seu agenciamento, ficando responsável, inclusive, pelo pagamento dos tributos, multas e outras obrigações que devam ser satisfeitas por força de divergências apuradas na forma da lei, respondendo o veículo pelos débitos fiscais, mesmo aqueles decorrentes de multas aplicadas aos transportadores da carga ou e seus condutores. 2 – Ausência do Fato Gerador Alegou a contribuinte que o Regime de Trânsito Aduaneiro, sob o qual encontravase a mercadoria contida na unidade de carga objeto da Vistoria Aduaneira, referese às mercadorias que não são destinadas ao consumo local, achandose ali de passagem ou temporariamente. E que o Trânsito Aduaneiro é regulado pelos artigos. 267 e seguintes, Fl. 159DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 5 4 Capítulo II, Seção I, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4543/02), que o define como aquele que permite o transporte de uma mercadoria de um ponto a outro do território aduaneiro, com suspensão de tributos. Analisando o litígio, a DRJ de Florianópolis entendeu por bem manter o lançamento realizado, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 30/08/2006 VISTORIA ADUANEIRA. Avaria de Mercadoria Responsabilidade do Transportador A responsabilidade pelos tributos apurados em relação à avaria de mercadoria ocorrida durante o transporte será do representante do transportador estrangeiro, por expressa determinação legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/08/2006 ILEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o Agente marítimo, no caso de também ser o representante do transportador estrangeiro no Pais, é responsável solidário com este, com relação à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Lançamento Procedente Consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a Recorrente reforça os argumentos já trazidos em sede de sua Impugnação. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Cumprenos apreciar, de início, a alegação da Recorrente quanto à sua ilegitimidade passiva tributária. Reza o Código Tributário Nacional: Art. 22 Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem Por sua vez, o DecretoLei n° 37/66, que dispõe sobre o Imposto de Importação, assim preceitua: Art.31 É contribuinte do imposto: I o importador, assim considerada qualquer pessoa que promova a entrada de mercadoria estrangeira no Território Nacional. Art. 32. É responsável pelo imposto: 1 o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; Fl. 161DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 7 6 Parágrafo único. É responsável solidário: II o representante, no País, do transportador estrangeiro; Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. Verificase, pois, que o contribuinte é a pessoa que a lei identifica como tal e que deve guardar relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador. Por sua vez, os responsáveis são aquelas pessoas que, embora não possuam relação pessoal direta com o fato gerador da obrigação tributária, são, por expressa determinação legal, obrigadas ao pagamento do débito tributário. É neste sentido que discorre o legislador do Código Tributário Nacional em seu artigo 121, preceituando que dizse responsável o sujeito passivo da obrigação principal “quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei”. Como se não bastasse o artigo 124, inciso I, do CTN, prevê a configuração da responsabilidade tributária solidária de fato, que ocorre quando pessoas com interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal podem ser solidariamente responsabilizadas independentemente de lei que assim estabeleça. De todo modo, o regramento quanto à responsabilidade tributária não está previsto apenas no CTN. O DecretoLei no. 37/1966 definiu especificamente a responsabilidade pelas infrações aduaneiras: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 2 Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Art. 95 Respondem pela infração: 1 conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie. Sobre a condição de Transportador, importante analisar as normas que tratam do assunto, definindo o que seja transportador internacional e a emissão dos conhecimentos de transporte: Portaria MF/MICT nº 291 de 12/12/1996, Anexo I, publicado no DOU na pág. 26941, em 13/12/1996: 13 — Transportador. Razão Social da pessoa jurídica, nacional ou estrangeira, que realizou o transporte internacional e emitiu o conhecimento de transporte (único ou "máster"). Fl. 162DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 8 7 Instrução Normativa 0248, de 25/11/2002: Art. 312 Para os efeitos desta Instrução Normativa, definese como; (...) V conhecimento genérico, ou máster, o conhecimento de transporte internacional emitido pelo transportador do percurso internacional quando consignado a agente desconsolidador; VI conhecimentos agregados, ou houses ou filhotes, os conhecimentos de carga emitidos por agente consolidador no exterior, relativos a um conhecimento genérico; Observase que a legislação aduaneira considera como sendo o "Transportador" aquele que emite o conhecimento de transporte "máster" e como agente consolidador aquele que emite o conhecimento "house". Verificase, no caso presente, que o B/L n° YFA038319 foi emitido pela empresa Montemar Marítima S/A. E, conforme alegação da própria Recorrente, esta agencia a empresa transportadora em Paranaguá. Por fim, depreendese do Termo de Vistoria Aduaneira que a Recorrente é a Representante do Transportador Emissor do B/L. É, portanto, a responsável pelo transportador internacional. E, por conseguinte, na qualidade de representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este, no que tange à eventual exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira. Passemos então à apreciação do argumento de inocorrência do fato gerador da obrigação tributária pretendida pelo Fisco. Com efeito, as mercadorias extraviadas eram estrangeiras e se destinavam ao Paraguai, estando nas dependências do Porto de Paranaguá tãosomente para transbordo, sequer sujeitas, inclusive, a despacho aduaneiro. Logo, os produtos estavam em trânsito pelo Brasil, não havendo a ocorrência do fato gerador do imposto de importação. Sobre o assunto, vale citar a lição de Hugo de Brito Machado: "O fato gerador do imposto de importação consumase com a entrada dos produtos no território nacional. Não basta a entrada física, simplesmente. Pode o navio atracar no porto, ou a aeronave pousar no aeroporto, trazendo produtos estrangeiros a bordo, sem que se considere ocorrido o fato gerador do imposto de importação, desde que tais produtos não se destinem ao Brasil e aqui estejam apenas de passagem. As autoridades da Administração Tributária exercem o controle dessas situações para evitar a fraude.”(in Curso de Direito Tributário, 19ª Edição, 2ª tiragem, Malheiros Editores, 2001). De outro lado, importante ressaltar a redação do artigo 1º do Decreto nº 50.259A/1961: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 9 8 "De conformidade com o disposto nos Convênios assinados entre Brasil e a República do Paraguai em 14 de junho de 1941 e 20 de janeiro de 1956, ficam estabelecidos entrepostos de depósito franco em Santos e Paranaguá, para o recebimento, a armazenagem e a distribuição das mercadorias de procedência e origem paraguaia, bem como para o recebimento, armazenagem e expedição das mercadorias destinadas ao Paraguai. Essas mercadorias ficarão em regime aduaneiro livre, mas sujeitas ao pagamento das taxas portuárias e alfandegárias devidas pela prestação de serviços.” Vale mencionar que as normas relativas aos regimes aduaneiros especiais, tais como a supra transcrita, aplicamse também ao PIS Importação e à COFINS Importação, conforme preceitua o artigo 14 da Lei no. 10.865/2004. O artigo 5º, do mesmo Decreto, dispõe que: "Na primeira quinzena de janeiro de cada ano, ou quando o interesse da fiscalização aduaneira o exigir, procederseá o balanço nos depósitos por intermédio de funcionários aduaneiros, com assistência de representantes da Administração do Porto. Parágrafo único Pelas faltas de volumes ou de mercadorias será responsabilizada a Administração do Porto, nos termos da legislação em vigor.” Depreendese da leitura dos dispositivos supracitados que as mercadorias armazenadas no porto de Paranaguá não estão sujeitas à incidência de qualquer tributo. Aliás, há, na norma, previsão de responsabilização da Administração do Porto, mas mesmo nesse caso, a responsabilização não é quanto ao pagamento de tributos, mas sim quanto à própria mercadoria. Em se cuidando de mercadoria importada pelo Paraguai, o seu extravio no porto de desembarque ou durante o seu trânsito, deste local até o destino final, não se erige em causa suficiente para deflagrar a hipótese de incidência dos tributos sobre importação, que somente se materializam com a exteriorização do seu ingresso no território nacional, verificado por intermédio do correlato desembaraço aduaneiro, que no caso sequer teve início. A mercadoria a que se deu falta estava apenas em trânsito pelo Brasil, já que destinada ao Paraguai. Portanto, ausente o fato gerador, sendo inaplicável a previsão do artigo 1º, parágrafo único, do Decretolei nº 37/66: “O Imposto sobre a Importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no Território Nacional.” Vale lembrar que esse também é o fato gerador do PIS Importação e da COFINS Importação, qual seja, a entrada de bens estrangeiros no território nacional. É de se salientar também que tal regra é dirigida a produtos estrangeiros destinados ao Brasil e não àqueles em trânsito pelo País. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 10 9 O entendimento de que não incide o imposto já está pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIAS EM TRÂNSITO. AVARIAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO TRANSPORTADOR. IMPOSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE DANO À FAZENDA PÚBLICA.1. É indevida a imputação de responsabilidade tributária ao transportador, em relação ao imposto de importação, e de eventuais penalidades decorrentes da constatação de avaria em mercadorias em trânsito para outro país.2. Sendo o destino final da mercadoria outro país, não há que se falar em dano ao erário pelo nãorecolhimento do imposto, uma vez que este já não seria devido, ante a ausência da concretização da hipótese de incidência do tributo. 3. Recurso especial não provido. (REsp 946.684/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/09/2007, DJ 18/09/2007 p. 292) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA EM TRÂNSITO DESTINADA AO PARAGUAI. AVARIA OU EXTRAVIO. ISENÇÃO. IRRESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. PRECEDENTES.1. Não obstante o fato gerador do imposto de importação se dê com a entrada da mercadoria estrangeira em território nacional, tornase necessária a fixação de um critério temporal a que se atribua a exatidão e certeza para se completar o inteiro desenho do fato gerador. Assim, embora o fato gerador do tributo se dê com a entrada da mercadoria em território nacional, ele apenas se aperfeiçoa com o registro da Declaração de Importação no caso de regime comum e, nos termos precisos do parágrafo único, do artigo 1º, do DecretoLei nº 37/66, "com a entrada no território nacional a mercadoria que contar como tendo sido importada e cuja a falta seja apurada pela autoridade aduaneira".2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que: a) "indevido o imposto de importação sobre mercadoria importada, com destino ao Paraguai, quando verificada sua falta em trânsito no território nacional." (REsp nº 171621/SP, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS); b) "no caso de avaria ou falta de mercadoria importada ao abrigo de isenção do tributo, o transportador não pode ser responsabilizado." (REsp nº 22735/RJ, Rel. Min. HÉLIO MOSIMANN); c) "no caso de extravio de mercadoria importada ao abrigo de isenção (ou redução) do tributo, não é responsável o transportador pelo valor deste. O artigo 60, parágrafo único, do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, estabelece que havendo dano ou avaria ou extravio, caberá indenização à Fazenda Nacional pelo que deixar de recolher. Existindo isenção, não há o que indenizar. É ilegal o artigo 30, par.3º, do Decreto nº 63.431, de 1968, que manda ignorar a isenção ou redução se se verificar avaria ou extravio (Código Tributário Nacional, artigos 94, par.1º, e 99)."(REsp's nºs 11428/RJ e 18945/RJ, Rel. Min. DEMÓCRITO REINALDO); d)"o transportador não pode ser responsabilizado por tributo, em Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 11 10 caso de avaria ou falta de mercadorias, se toda ela foi importada sob o regime de isenção. É indevido o imposto de importação sobre mercadorias em trânsito pelo território brasileiro, destinadas ao Paraguai. Inaplicável, ao caso, o parágrafo único do art. 1º, do DecretoLei nº 37/66.” (REsp's nºs 10901/RJ e 5536/RJ, Rel. Min. GARCIA VIEIRA) 3. Precedentes do STJ e do STF. 4. Recurso não conhecido. (REsp 362.910/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/04/2002, DJ 13/05/2002 p. 161) TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MERCADORIA EM TRÂNSITO DESTINADA AO PARAGUAI. AVARIA OU EXTRAVIO. ISENÇÃO. IRRESPONSABILIDADE DO TRANSPORTADOR. PRECEDENTES. 1. Não obstante o fato gerador do imposto de importação se dê com a entrada da mercadoria estrangeira em território nacional, tornase necessária a fixação de um critério temporal a que se atribua a exatidão e certeza para se completar o inteiro desenho do fato gerador. Assim, embora o fato gerador do tributo se dê com a entrada da mercadoria em território nacional, ele apenas se aperfeiçoa com o registro da Declaração de Importação no caso de regime comum e, nos termos precisos do parágrafo único, do artigo 1o, do DecretoLei n° 37∕66, "com a entrada no território nacional a mercadoria que contar como tendo sido importada e cuja a falta seja apurada pela autoridade aduaneira". 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que: a) "indevido o imposto de importação sobre mercadoria importada, com destino ao Paraguai, quando verificada sua falta em trânsito no território nacional. " (REsp n° 171621∕SP, Rel. Min. FRANCISCO PEÇANHA MARTINS); b) "no caso de avaria ou falta de mercadoria importada ao abrigo de isenção do tributo, o transportador não pode ser responsabilizado. " (REsp n° 22735∕RJ, Rel. Min. HÉLIO MOSIMANN); c) "no caso de extravio de mercadoria importada ao abrigo de isenção (ou redução) do tributo, não é responsável o transportador pelo valor deste. O artigo 60, parágrafo único, do DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, estabelece que havendo dano ou avaria ou extravio, caberá indenização à Fazenda Nacional pelo que deixar de recolher. Existindo isenção, não há o que indenizar. É ilegal o artigo 30, par. 3o, do Decreto n° 63.431, de 1968, que manda ignorar a isenção ou redução se se verificar avaria ou extravio (Código Tributário Nacional, artigos 94, par. 1o, e 99). " (REsp's n°s 11428∕RJ e 18945∕RJ, Rel. Min. DEMÓCRITO REINALDO); d) "o transportador não pode ser responsabilizado por tributo, em caso de avaria ou falta de mercadorias, se toda ela foi importada sob o regime de isenção. É indevido o imposto de importação sobre mercadorias em trânsito pelo território brasileiro, destinadas ao Paraguai. Inaplicável, ao caso, o parágrafo único do art. 1° do DecretoLei n° 37∕66. " (REsp's n°s 10901∕RJ e 5536∕RJ, Rel. Min. GARCIA VIEIRA) 3. Precedentes do STJ e do STF. 4. Recurso não conhecido. (RECURSO ESPECIAL N° 362.910 PR (2001∕01295946), RELATOR:MINISTRO JOSÉ DELGADO Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 12 11 Diante do exposto, julgo procedente o Recurso Voluntário para cancelar, na íntegra, o presente lançamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 13 12 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani – Redator Designado Pelo voto de qualidade, a turma discordou do voto da Ilustre Relatora apenas quanto à ocorrência do fato gerador dos tributos exigidos. No recurso voluntário, nada relevante foi acrescentado ao que já submetido ao julgamento de primeira instância administrativa. Entendo que as alegações da recorrente bem como os bem lançados argumentos da Relatora não são suficientes para superar as razões que levaram a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/FLS a considerar procedente o lançamento, motivo pelo qual adoto as razões expostas no voto condutor do acórdão recorrido, proferido pelo AuditorFiscal José Luiz Bordignon, como razões deste voto, que se resumem no seguinte. O imposto de importação incide sobre mercadoria estrangeira e tem como fato gerador sua entrada no território nacional (art. 19 do Código Tributário NacionalCTN e art. 1º do DecretoLei nº 37, de 18/11/1966). Para efeito de ocorrência do fato gerador, considerarseá entrada no território nacional a mercadoria que constar como tendo sido importada e cuja falta venha a ser apurada pela autoridade aduaneira (art. 1º, §2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, renumerado pelo DecretoLei nº 2.472, de 1/9/1988). Logo, no momento em que é apurada a falta de mercadorias que tenham sido introduzidas no país, temse caracterizada sua entrada no território nacional, considerandose ocorrido o fato gerador no dia do lançamento do crédito tributário, quando as mercadorias faltantes constaram de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente. A fixação deste momento como o da ocorrência do fato gerador encontra amparo no art. 73, II, “c”, do Decreto nº 4.543, de 26/12/2002, vigente à época dos fatos, e no art. 23, parágrafo único, do DecretoLei nº 37, de 1966, alterado pela Lei nº 12.350, de 2010. Logo, incide o imposto de importação referente às mercadorias extraviadas, cujo valor deve ser calculado à vista do manifesto e dos documentos de importação (art. 596 do Decreto nº 4.543, de 26/12/2002, e art. 112 do DecretoLei nº 37, de 1966). Quanto ao IPI, este também incide no presente caso, conforme determina a Lei n.° 4.502, de 1964, alterada pela Lei n.° 10.833, de 2003, que, ao tratar da ocorrência do fato gerador nos casos de avaria ou extravio, assim dispôs: Art. 2° Constitui fato gerador do imposto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 14 13 § 1° Quando a industrialização se der no próprio local de consumo ou de utilização do produto, fora de estabelecimento produtor, o fato gerador considerarseá ocorrido no momento em que ficar concluída a operação industrial. § 2° O imposto é devido sejam quais forem as finalidades a que se destine o produto ou o título jurídico a que se faça a importação ou de que decorra a saída do estabelecimento produtor. § 3° Para efeito do disposto no inciso I, considerarseá ocorrido o respectivo desembaraço aduaneiro da mercadoria que constar como tendo sido importada e cujo extravio ou avaria venham a ser apurados pela autoridade fiscal, inclusive na hipótese de mercadoria sob regime suspensivo de tributação. Também a Cofinsimportação e a Contribuição para o PIS/Pasep importação incidem sobre mercadorias avariadas ou extraviadas, conforme prevê a Lei n.° 10.865, de 30/04/2004, verbis: Art. 2º. As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: IX bens avariados ou que se revelem imprestáveis para os fins a que se destinavam, desde que destruídos, sob controle aduaneiro, antes de despachados para consumo, sem ônus para a Fazenda Nacional; e (...) Art. 3º. O fato gerador será: I a entrada de bens estrangeiros no território nacional; ou II o pagamento, o crédito, a entrega, o emprego ou a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação por serviço prestado. § 1º Para efeito do inciso I do caput deste artigo, consideram se entrados no território nacional os bens que constem como tendo sido importados e cujo extravio venha a ser apurado pela administração aduaneira. Art. 4º. Para efeito de cálculo das contribuições, considerase ocorrido o fato gerador: I na data do registro da declaração de importação de bens submetidos a despacho para consumo; II no dia do lançamento do correspondente crédito tributário, quando se tratar de bens constantes de manifesto ou de outras declarações de efeito equivalente, cujo extravio ou avaria for apurado pela autoridade aduaneira; Fl. 169DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10907.002974/200671 Acórdão n.º 3801004.876 S3TE01 Fl. 15 14 Assim, de acordo com a legislação citada, ocorreu o fato gerador dos tributos exigidos neste processo, tendo em vista apuração pela autoridade aduaneira de falta das mercadorias objeto da notificação de lançamento. E não há previsão legal determinando que aplicação de regime suspensivo de tributação, como é o caso do trânsito aduaneiro, exclui a incidência dos tributos. Por estas razões e considerando que é vedado aos membros do CARF afastar ou deixar de observar lei ou decreto, salvo nas hipóteses previstas nos incisos do parágrafo único do art. 62, as quais não se verificam no presente caso, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 170DF CARF MF Impresso em 19/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 25/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 26/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.008455/2002-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2000
01/06/2000 a 31/07/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000
VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA.
A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006.
Numero da decisão: 9303-002.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente substituto
MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ - Relatora
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 05/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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RECEITA FINANCEIRA. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. VALMAR FONSECA DE MENEZES – Presidente substituto MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Relatora NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 05/04/2013 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 84 55 /2 00 2- 19 Fl. 712DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Susy Gomes Hoffmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso especial interposto pelo contribuinte contra o acórdão nº 20312.720, que julgou procedente o auto de infração lavrado para a cobrança de PIS relativos aos períodos de apuração de fevereiro/2000 e março/2000, junho/2000, julho/2000 e dezembro/2000 decorrentes da inclusão da base de cálculo da referida contribuição das variações cambiais passivas do contribuinte. A ementa dessa decisão recorrida está assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2000, 01/06/2000 a 31/07/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000 PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. PERÍODOS DE APURAÇÃO A PARTIR DE 02/99. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. TRIBUTAÇÃO. LEI N° 9.718/98, ART. 90. REGIME DE COMPETÊNCIA OU DE CAIXA. OPÇÃO. MP N° 2.158/35/2001, ARTs. 30 E 31. Nos termos da Lei n° 9.718/98, arts. 9° e § 1° do art. 3° combinados, as variações cambiais ativas são incluídas na base de cálculo do PIS Faturamento, bem como da Cofins, a partir de fevereiro de 1999, devendo ser apropriadas pelo regime de caixa ou de competência a partir do ano 2000, à opção do contribuinte e desde que adotado o mesmo regime para as duas Contribuições, o IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro, consoante o art. 30 da MP n° 2.15835/2001. Excepcionalmente e a critério do contribuinte, com relação ao ano de 1999 poderão ser feitos ajustes segundo o regime de caixa. Recurso negado. Por meio do Despacho nº 173, de 18/05/2009, sob o entendimento de terem sido cumpridos os requisitos de admissibilidade, o recurso foi admitido A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 700 e seguintes, pede a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.008455/200219 Acórdão n.º 9303002.213 CSRFT3 Fl. 713 3 Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López O recurso especial atende aos requisitos legais e dele tomo conhecimento A matéria submetida a apreciação deste Eg. Conselho cingese à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período submetido à Lei nº 9.718/98 (período de apuração de 28/02/1999 a 31/12/1999). Penso assistir razão à recorrente. De fato. Tal entendimento encontrase referenciado no encerramento do julgamento (RE 390840/MG) proferido pelo Supremo Tribunal Federal – STF, relativo ao artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que transitou em julgado em 29/09/2006. E nem se diga que deveria ter sido aguardado a edição de Resolução do Senado para que se possa estender na via administrativa os efeitos da declaração de inconstitucionalidade proferida em controle difuso. O Supremo Tribunal Federal em razão da legislação, inclusive de natureza constitucional (Constituição Federal, art. 103A), reconhece que os julgamentos definitivos de declaração de inconstitucionalidade, proferidos em sede de controle incidental, também irradiam eficácia vinculante, a qual opera independentemente da intervenção do Senado. As decisões plenárias do STF, mesmo que em sede de controle difuso, são passíveis de serem aplicadas nesta instância administrativa, nos termos do atual Regimento Interno do CARF. Isto porque, visando prestigiar os princípios da celeridade processual e o da segurança jurídica, além de buscar diminuir a litigiosidade das pretensões envolvendo a Fazenda Nacional, o já Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, através da Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, introduziu a possibilidade do Tribunal Administrativo aplicar às lides que lhe são submetidas as decisões do Supremo Tribunal proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, desde que seja oriunda do Pleno da Suprema Corte. A inovação veio prescrita no art. 49, parágrafo único, inc. I daquele Regimento, verbis: "Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 714DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)".(original sem destaque) Ressaltese que o dispositivo acima não está deferindo ao órgão administrativo a competência de afastar a aplicação de norma cogente sob o pejo de inconstitucionalidade, o que não seria possível por força a separação dos Poderes Constituídos, nos termos, inclusive, da jurisprudência sumulada do órgão administrativo. Na hipótese, o afastamento da norma tida como inconstitucional foi realizada por quem tem competência institucional para tanto, no caso o Supremo Tribunal Federal. O Regimento apenas autoriza a aplicação dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade havida pelo Pleno do STF aos casos submetidos ao Conselho de Contribuintes. E que não se alegue que a decisão plenária do Supremo Tribunal mencionada no art. 49, p. único, I do Regimento se refere apenas a decisão oriunda do controle concentrado de constitucionalidade, cujos efeitos são notoriamente erga omnes e vinculantes. Não é mais a decisão do Senado que confere eficácia geral ao julgamento do Supremo. A própria decisão da Suprema Corte contém essa força normativa. Ressaltese, ainda, o fato de a adoção da sistemática da súmula vinculante pela Emenda Constitucional nº 45/2004 reforça a noção de superação da exclusividade do ritual enunciado no referido art. 52X, da Constituição Federal, para conferir efeito vinculante erga omnes às decisões plenárias e definitivas do Egrégio Supremo Tribunal Federal declaratórias de inconstitucionalidade. A institucionalização desse novo instituto constitucional inequivocamente atribui ao próprio Supremo Tribunal Federal tal faculdade, sem qualquer interferência do Senado Federal e irrelevante a natureza do processo em que se perfizer, de conhecimento direto ou incidente. E mais. Em 28.05.2009 foi publicada a Lei nº 11.941/09, a qual, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o inciso I do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. CONCLUSÃO Em razão do exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto pela contribuinte. Sala das Sessões, em 12 de março de 2013 MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Fl. 715DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 10980.008455/200219 Acórdão n.º 9303002.213 CSRFT3 Fl. 714 5 Fl. 716DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 04/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10580.000917/2003-35
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO
POR HOMOLOGAÇÃO.
ARTS. 150, §4° E 173, I, DO CTN.
O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por
homologação é quinquenal e tem termo inicial com a ocorrência do fato
gerador, salvo nas hipóteses de dolo e fraude. Inteligência do art. 150, §4 0 , do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário provido.
Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 1102-000.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, vencido o Conselheiro Marcos Antonio Pires (suplente convocado), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Silvana Rescigno Guerra Barreto
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Recorrida la. TURMA/DRJ-SALVADOR/BA EMENTA: IRPJ E CSLL. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ARTS. 150, §4° E 173, I, DO CTN. O prazo decadencial aplicável aos tributos submetidos ao lançamento por homologação é quinquenal e tem termo inicial com a ocorrência do fato gerador, salvo nas hipóteses de dolo e fraude. Inteligência do art. 150, §4 0 , do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário provido. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência, vencido o Conselheiro Marcos Antonio Pires (suplente convocado), nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MALÁQUIAS)PESSOA MONTEIRO - Presidente. SIL,VANA RESCIGNO GUERRA BARRETTO - Relator. EDITADO EM: -1 ri I) Participaram, do julgamento os Conselheiros Ivete Malaquias Pessoa Monteiro (Presidente da Turma ), João Carlos de Lima Júnior (Vice Presidente), José Sergio Gomes (Relatar), Silvana Rescigno Barreto (Relatara), Marco Antonio Pires, (Suplente Convocado) e Frederico de Moura Theophilo. 2010 Relatório Insurge-se a Recorrente contra Autos de Infração (fls. 03/04 e 07/08) lavrados com o fito de exigir o IRPJ e a CSLL, relativos ao exercício de 1998, em razão da glosa de valores declarados a título de custos de depreciação e amortização sobre serviços vendidos, sem a apresentação dos documentos fiscais comprobatórios das aquisições e construções dos bens depreciados. Na Impugnação de fls. 94/115, a Recorrente defendeu, em síntese, que: teria ocorrido a decadência do lançamento; não seria obrigatório o arquivamento por prazo indefinido de notas fiscais; as notas fiscais não seriam a única fonte . comprobatória das aquisições do ativo da empresa; os bens depreciados integrariam o imobilizado da companhia e a sua existência deveria e poderia ser verificada; o imobilizado teria passado por avaliações passadas, o que substituiria os documentos comprobatórios da aquisição dos bens depreciados; teria disponibilidade das notas fiscais de aquisição e, a título ilustrativo, apresentou algumas; caso insuficiente a documentação apresentada, deveria ser realizada perícia. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador, Bahia, julgou procedente o lançamento e afastou o pedido de perícia, por entender seriam suficientes os elementos presentes nos autos, fundamentada nos seguintes argumentos: i) o prazo para lançar tributo, cujo fato gerador ocorreu em 31/12/97, seria o final do ano-calendário de 2003, o que afastaria a alegação de decadência; ii) o prazo para guarda de documentos coincidiria com o prazo decadencial, conforme disciplina do art. 195, do CTN, do art. 210, do RIR197 e do art. 37, da Lei Ordinária n.° 9.430/96; iii) para a dedutibilidade das despesas de depreciação, seria necessário não apenas comprovar a existência fisica dos bens do ativo, mas também se referidos bens estão em atividade, se são necessários à atividade da empresa e à manutenção da sua fonte produtora e, ainda, se já não foram integralmente depreciadas e se aplicada corretamente a taxa de depreciação; iv) a documentação apresentada pela Recorrente é quase toda relativa a serviços efetuados pelas empresas CONFAB Montagens Ltda e CONFAB Industrial S/A, mas não teria sido possível identificar qual a sua relação com os bens da interessada consignado no Livro Razão; 2 Processo n° 10580.000917/2003-35 SI-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.273 Fl. 2 v) gastos com reparos, conservação ou substituição de partes e peças de bens apenas seriam incorporados ao valor do bem se resultarem aumento no prazo de vida útil superior a um ano; vi) em que pese afirmar a Recorrente que seu ativo imobilizado teria sido reavaliado, não apresentou o laudo de avaliação, apesar de referido documento também não se prestar a atestar o valor original dos bens; vii) os bens da antiga COPENE S/A incorporados ao patrimônio da Recorrente representariam aquisição de bens usados e o seu custo de aquisição seria o valor pelo qual são transacionados, entretanto, a Recorrente deixou de demonstrar como ocorreu a depreciação de tais bens; viii) a falta de comprovação da individualização e da composição do imobilizado autorizaria a manutenção do lançamento. Inconformada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário repetindo as razões postas na pela impugnatória acrescentando que: o indeferimento do pedido de pericia caracterizaria afronta ao principio da busca à verdade material; a decisão da DRJ conteria vicio formal diante do imperativo legal para exame dos documentos apresentados pela parte, o que ensejaria violação aos artigos 37 e 5°, LV, da Constituição Federal; (16- É o relatório. 3 Voto Conselheiro SILVANA RESCIGNO GUERRA BARRETO A Recorrente foi cientificada da lavratura dos Autos de Infração que exigem o IRPJ e a CSLL, relativos ao ano-calendário de 1997, em 14 de fevereiro de 2003, após o transcurso do prazo decadencial de 5 anos, cujo termo inicial é a data do fato gerador — 31/12/97, conforme disciplina do art. 150, §4°, do CTN, verbis: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (..) § 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Considerando que transcorrido o prazo quinquenal encartado no §4, do art. 150, do CTN, e ausente o intuito de fraude, reconheço a decadência, amparada em precedentes do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, verbis: "DECADÊNCIA - CSLL - PIS — COFINS -DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - A Contribuição Social \Sobre o Lucro Líquido, a partir do ano-calendário de 1992, exercício de 1993, por força das inovações da Lei n" 8.383/91, deixou de ser lançada por declaração e ingressou no rol dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Passou ao contribuinte o dever de, independentemente de qualquer ação da autoridade administrativa, verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular e, por fim, pagar o montante dda contribuição devida, se desse procedimento houver contribuição a ser paga. E isso porque ao cabo dessa apuração o resultado pode ser deficitário, nulo ou superavitário (CTN., art. 150). Amoldou-se, assim, à natureza dos impostos sujeitos a lançamento por homologação a ser feita, expressamente ou por decurso do prazo decadencial estabelecido no art. 150, § 4", do Código Tributário Nacional, CSSL — PIS e COFINS - DECADÊNCIA — A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, em conformidade com os arts. 149 e 195, § da Constituição Federal, tem natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE N° 146.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146 -, III, da Constituição Federal de 1988. Desta J61-flui, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no art. 150, § 4'. No caso concreto, a obrigação 4 Processo n° 10580.000917/2003-35 S1-C1T2 Acórdão n.° 1102-00.273 Fl. 3 tributária ocorreu em 30/06/97. Como, o lançamento ,foi feito em 19/12/02, decaiu o direito da Fazenda NacionaLE o mesmo tratamento se reserva à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), e à Contribuição para a Seguridade Social (COFINS)." (Recurso 149525, Rel. Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Acórdão 107-08766) "Ementa : TRIBUTOS SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INíCIO DA CONTRA GEM DO PRAZO DECADENCIAL. FATO GERADOR, PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. O IRPJ, a CSLL e o PIS COFINS são tributos que se amoldam à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do CTN) para encontrar respaldo no § 4 0, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos tem como termo inicial a data da ocorrência do fato geradorNÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS REQUERIDOS PELA FISCALIZAÇÃO - LUCRO ARBITRADO — CABIMENTO. A não apresentação dos livros e da documentação contábil e ,fiscal, apesar de regular intimação, impossibilita ao fisco a apuração do lucro real, restando como única alternativa o arbitramento da base tributável," (Recurso 146124, Rel. Hugo Correia Sotero, Acórdão 107-08688) "IRPJ NÃO COMPROVADO O EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. APLICAÇÃO DO ART. 150 DO CTN. LANÇAMENTO FORMALIZADO CINCO ANOS APÓS A OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR, DECADÊNCIA. Comprovado pela contribuinte a ausência de fraude ou dolo, a regra para aplicação do prazo decadencial se dá pelo art. 150 do CTN, desta firma notificada a contribuinte cinco anos após a ocorrência do :fato gerador, correta a decisão que declarou a decadência do direito de lançar.CSLL. AUSÊNCIA DA INTIMAÇÃO POR EDITAL. ARBITRAMENTO. NÃO CABIMENTO, Deverá a fiscalização proceder a intimação por edital quando não for possível localizar o contribuinte com as intimações por "AR". Ilegítima a apuração da contribuição devida por arbitramento motivado pela recusa de apresentação de livros e documentos ,fiscais e contábeis quando o contribuinte não for devidamente intimado." (Recurso 145845, Rel. Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, Acórdão 107- 09071) Considerando que o fato gerador das obrigações tributárias em relevo ocorreu em 31 de dezembro de 1997 e a ciência do contribuinte quanto à lavratura do Auto de Infração em 14 de fevereiro de 2003 (fl. 92), inexorável o reconhecimento do transcurso do prazo decadencial. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário para acatar a decadência. É como voto. SIL,VANA RES Vij GNO GUERRA BARRETO 5
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Numero do processo: 10865.002913/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 29 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.071
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente à sessão o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Esteve presente à sessão o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB/SP 210198. (assinado eletronicamente) Walber José da Silva - Presidente e Relator EDITADO EM: 06/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Contra a empresa INTERNATIONAL PAPER DO BRASIL LTDA., já qualificada nos autos, foram lavrados três autos de infração para prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento de IPI relativo a fatos geradores ocorridos no período de janeiro de 2003 a novembro de 2004, tendo em vista que a autuada creditou-se do IPI nas aquisições de insumos sem incidência do imposto, conforme autorização obtida no processo judicial nº 2001.61.05.010210-7, pendente de julgamento da data do lançamento. O auto de infração foi lavrado, com multa de ofício, para prevenir a decadência e a empresa interessada, não se conformando com o mesmo, apresentou impugnação alegando Fl. 612DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/10/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.002913/2008-18 Resolução n.º 3302-00.071 S3-C3T2 Fl. 482 2 a improcedência do lançamento da multa e a ocorrência da decadência para os fatos geradores ocorridos até 31/07/2003. A 2 a Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto - São Paulo julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir a multa de ofício, nos termos do Acórdão nº 14-21.394, de 12/09/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: DECADÊNCIA. O prazo para a SRF do Brasil efetuar o lançamento do IPI que deixou de ser recolhido pela utilização de créditos não admitidos pela legislação é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o sujeito passivo já poderia ter tomado a iniciativa do lançamento. MULTA DE OFICIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA DURANTE A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. Comprovado que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa antes do inicio da ação Fiscal, bem como por ainda não ter sido publicada a decisão judicial que tomou exigível o tributo devido, é forçoso concluir que se aplica ao caso o disposto no artigo 63 e parágrafos da Lei n° 9.430/96. Da parte exonerada, a DRJ recorreu de ofício a este Colegiado. Ciente desta decisão em 19/12/2008, a interessada ingressou, no dia 20/01/2009, com o recurso voluntário de fls. 345/355, no qual alega que ocorreu a decadência para os débitos cujos fatos geradores ocorreram entre 01/01/2003 e 31/07/2003: A DRF em Limeira - SP, por meio do ofício de fls. 463/466, informa que a empresa interessada ingressou com mandado de segurança (Processo nº 2009.61.09.003048-9) pleiteando os benefícios da Medida Provisória nº 449/2008, sem incluir os débitos deste processo que ela recorrente entende estarem extintos pela decadência. Entende a DRF de Limeira que houve desistência do recurso voluntário por concomitância de objeto deste processo com o referido mandado de segurança. Às fls. 467/476 encontra-se a decisão judicial que indeferiu o pedido de liminar e a petição inicial do mandado de segurança. No despacho de fl. 480, a ARF em Mogi Guaçu, ao solicitar orientação à DRF em Limeira, informa que “não há nos autos Créditos Tributários relacionados a fatos geradores limítrofes de 20.01.03 (vencimento em 31.03.03) e de 08.08.03 (vencimento em 31.07.03), tais quais os informados no recurso pelo interessado, conforme fl. 349”. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. VOTO Conselheiro Walber José da Silva - Relator Fl. 613DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/10/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10865.002913/2008-18 Resolução n.º 3302-00.071 S3-C3T2 Fl. 483 3 O recurso voluntário é tempestivo, mas nos autos não há elementos suficientes para concluir que ainda resta matéria litigiosa no mesmo. Portanto, os autos devem retornar à unidade da RFB de origem para informar se os débitos deste processo foram pagos ou parcelados e se procede a informação da ARF de Mogi Guaçu de que nestes autos não há créditos relacionados aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e julho de 2003, conforme despacho de fls. 480. Deixo para apreciar o recurso de ofício quando do retorno dos autos da diligência. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição da RFB de origem (DRF em Limeira - SP) para as seguintes providências: 1- informar se todos ou alguns dos débitos deste processo foram parcelados ou pagos, com ou sem os benefícios da MP nº 449/08 (art. 2º); 2- informar se os débitos dos períodos de apuração de janeiro a julho de 2003 estão sendo controlados neste processo ou em outro processo; 3- juntar cópia de certidão de objeto e pé e das decisões acaso proferidas no Mando de Segurança nº 2009.61.09.003048-9, exceto a decisão que negou a liminar (fls. 467/468); 4- informar se houve pagamento de IPI, mesmo que parcial, relativo aos períodos de apuração ocorridos entre janeiro e agosto de 2003. 5- prestar os esclarecimentos que entender importante para o julgamento da lide. (assinado eletronicamente) Walber José da Silva Fl. 614DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/10/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/10/2010 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.919044/2012-21
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/06/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 90 44 /2 01 2- 21 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919044/201221 Acórdão n.º 3801005.184 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919044/201221 Acórdão n.º 3801005.184 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919044/201221 Acórdão n.º 3801005.184 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919044/201221 Acórdão n.º 3801005.184 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919044/201221 Acórdão n.º 3801005.184 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919044/201221 Acórdão n.º 3801005.184 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919044/201221 Acórdão n.º 3801005.184 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.919044/201221 Acórdão n.º 3801005.184 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11020.908107/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DO IPI. COMPENSAÇÃO DE SALDO REMANESCENTE COMPROVADAMENTE EXISTENTE. POSSIBILIDADE.
Comprovado que parte do saldo credor de IPI objeto de pedido de ressarcimento não foi objeto de absorção através de utilização em meses subsequentes, é cabível deferir seu ressarcimento, homologando compensações efetivadas com o referido crédito.
Recurso Parcialmente Provido.
Numero da decisão: 3402-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DO IPI. COMPENSAÇÃO DE SALDO REMANESCENTE COMPROVADAMENTE EXISTENTE. POSSIBILIDADE. Comprovado que parte do saldo credor de IPI objeto de pedido de ressarcimento não foi objeto de absorção através de utilização em meses subsequentes, é cabível deferir seu ressarcimento, homologando compensações efetivadas com o referido crédito. Recurso Parcialmente Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 81 07 /2 00 8- 41 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, ALEXANDRE KERN, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA e ELAINE ALICE ANDRADE LIMA, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11020.908107/200841 Acórdão n.º 3402002.674 S3C4T2 Fl. 119 3 Relatório Versam estes autos de Pedido de Ressarcimento de saldo credor de IPI, vinculado a Declaração de Compensação, referente ao 4º trimestre de 2004, no valor de R$10.495,03 (dez mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e três centavos). A DRJ de Caxias do Sul/RS indeferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, por meio de Despacho Decisório emitido em 24/11/2008, reconhecendo o direito creditório até o limite de R$7.960,79 (sete mil, novecentos e sessenta reais e setenta e nove centavos), homologando as compensações até o referido valor, considerando o saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre de referência. O Despacho Decisório supracitado foi cancelado em 12/08/2009, em cumprimento ao disposto no art. 60 do Decreto 70.235/72, em virtude de informações relevantes não terem sido consideradas. Em 07/10/2009 a DRJ de Caxias do Sul emitiu novo Despacho Decisório, indeferindo parcialmente o pedido e reconhecendo o direito creditório no mesmo valor do Despacho anterior, qual seja R$7.960,79 (sete mil, novecentos e sessenta reais e setenta e nove centavos), justificando da seguinte maneira: “constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referencia, até a data de apresentação do PER/DCOMP”. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformado com os dois Despachos Decisórios supracitados, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, contestando as glosas nos valores de R$182,73 (cento e oitenta e dois reais e setenta e três centavos) e R$30,54 (trinta reais e cinqüenta e quatro centavos), em razão de CNPJs não cadastrados. Junta ao processo cópia dos comprovantes de inscrição e situação cadastral das empresa Kolory Ind. E Com. de Tintas Ltda. e BRV Móveis Ltda., requerendo a reconsideração dos valores julgados indevidos. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na Manifestação de Inconformidade apresentada, a Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, proferiu o Acórdão de nº. 1025.183, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Fl. 120DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR DO IPI – PER/DCOMP – UTILIZAÇÃO DE SALDO CREDOR EM PERÍODO POSTERIOR. Incabível o ressarcimento da parte do saldo credor ressarcível utilizada em período posterior ao trimestre de apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido.” Inicialmente, a DRJ aduz que o Sistema de Controle de Créditos da Secretaria da Receita Federal do Brasil, baseado em informações prestadas pelo próprio contribuinte, quando da verificação eletrônica da legitimidade do crédito pleiteado e apuração do saldo credor ressarcível, constatou a utilização de parte deste saldo, do 4º trimestre de 2004, para compensação com débitos apurados na saída de produtos tributados no período de janeiro de 2005, conforme demonstrativos de fls. 43/44 do processo em discussão. Assim, entendendo não haver elementos capazes de alterar o Despacho Decisório prolatado (fl. 26), a DRJ entendeu que este deveria ser mantido, votando, portanto, no sentido de julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada DO RECURSO Ciente em 17/06/2010 do Acórdão nº. 1025.183, e não concordando com a decisão proferida pela 3a. Turma de Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, o contribuinte apresentou em 09/07/2010 Recurso Voluntário a este Conselho. Em virtude de o Recurso ter sido apresentado de maneira sucinta e clara, o transcrevo, no que tange o mérito, integralmente: “MOBITEC INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA., inscrito sob CNPJ nº. 01.299.896/000114, com sede à Rodovia RST 470, s/nº km 220 – Bloco 1A, Bairro Pomarosa, em Bento Gonçalves, RS, com referência ao Despacho Decisório sobre Per/Dcomp Ressarcimento de IPIdo 4º trimestre de 2004, notificação nº. 2/242/2010/ARF/Sorac/BGS de 14/06/2010, processo nº. 11020.909.028/200858, vem expor o que se segue: 1 – Em 07/01/2005 transmitiu o pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI vinculado com declaração de compensação, no valor de R$10.496,03, referente ao 4º trimestre de 2004. 2 – O referido saldo credor foi compensado nos Per/Dcomps de 07/01/2005 em R$7.960,79 e de 10/02/2005 em R$2.534,24. 3 – Não constatou a utilização de parte do saldo credor ressarcível do 4º trimestre de 2004 para compensação com débitos apurados na saída de produtos tributados em janeiro de 2005, conforme anexo. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11020.908107/200841 Acórdão n.º 3402002.674 S3C4T2 Fl. 120 5 4 – Após exame no preenchimento do pedido de ressarcimento, Per/Dcomps e escrita fiscal não encontrou qualquer irregularidade no valor total pleiteado de R$10.495,03. Anexos: Termo de intimação e notificação, contrato social e documento de identificação do responsável, demonstrativo de registro de IPI de 10 a 12/2004 E 01/2005 e demonstrativos de compensação. Ante o exposto, solicita que seja realizada nova analise, e que seja reconsiderado o saldo credor parcial de 2.534,24. Bento Gonçalves, RS, 02 de Julho de 2010.” DO JULGAMENTO DE SEGUNDA INSTÂNCIA Em análise aos pontos suscitados pelo contribuinte em sede de Recurso Voluntário, a Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (2ª Turma), em 13 de fevereiro de 2012 proferiu a Resolução nº 3402000.367, após apurar a divergência acerca dos documentos trazidos pelo contribuinte em seu Recurso, invocando o art. 29 do Decretolei nº 70.235/72, convertendo o julgamento do processo em diligência para determinar que a Autoridade Preparadora adotasse as seguintes providências aqui transcritas: “1 – Intime o contribuinte a apresentar o(s) Livro(s) Registro de Entradas e de Saídas, assim como o(s) Livro(s) Registro de Apuração de IPI, relativos aos períodos em questão (4o Trimestre de 2004 e 1o Trimestre de 2005), e Livro Diário e/ou Razão, se o caso, que preencham os requisitos legais e contendo termo de Abertura e Encerramento, e, se o caso, autenticados/registrados no registro público pertinente, deles extraindo cópias que entender pertinentes ao deslinde da questão ora posta sob análise; 2 – Proceder a verificação de outros elementos contidos na escrita contábil e fiscal do contribuinte, que sejam importantes para a verificação e confrontação entre os registros contábeis do contribuinte e aqueles constantes no Sistema de Controle de Créditos da SRF, a fim de viabilizar a análise quanto a aparente divergência entre os mesmos; 3 – Ao final, elaborar Relatório de Diligência, manifestandose de forma conclusiva sobre os seus resultados, especialmente no sentido de haver ou não saldo credor remanescente passível de compensação e quanto a compensação levada a efeito com o referido crédito, concedendo, em seguida, vista a Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para se pronunciar, querendo, sobre o resultado da diligência, sendo que, após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para nova inclusão em pauta de julgamento. “ DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA Fl. 122DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul, SEORT, através do Relatório de Diligência, datado de 04/06/2013, solicitado pela Resolução nº 3402000.367, concluiu com base nos argumentos, bem como da análise fiscal dos documentos apresentados, que não se mostra necessária a anexação de novos documentos aos autos por se revelarem bastantes à comprovação do pleito, com manifestação favorável ao direito de amortização do débito de IPI do mês de janeiro de 2005 no montante de R$ 2.534,24, consoante o requerido pelo contribuinte, resultando como imprópria a glosa de créditos realizada pela análise eletrônica. Cientificado do Relatório Conclusivo em 03/09/2013, por meio do AR de fls. 114 (numeração eletrônica), o sujeito passivo não apresentou manifestação a respeito, havendo sequencialmente o Despacho de Encaminhamento do processo à este Órgão Colegiado. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerados até a folha 117 (cento e dezessete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. A controvérsia se restringe a análise de prova, sendo que de um lado a autoridade fiscal e a DRJ entenderam por não deferir o ressarcimento e consequente compensação dos créditos relativos ao 4º Trimestre de 2004, sob o argumento de que parte deste valor, ou seja, a quantia de R$ 2.534,24 (dois mil, quinhentos e trinta e quatro reais e vinte e quatro centavos) havia sido “consumida” pelos débitos do próprio IPI gerado no mês de janeiro de 2005, subsequentemente ao período em que houvera o pedido de ressarcimento. Por outro lado, o contribuinte alega que não utilizou referida parcela dos créditos objeto do pedido de ressarcimento para compensação com o IPI corrente daquele mês, mas sim, o utilizou para compensação com parte do débito de IPI gerado no mês, no montante de R$2.632,65 (dois mil, seiscentos e trinta e dois reais e sessenta e cinco centavos), no vencimento do IPI do referido período de apuração. Analisando o que dos autos consta, especificamente quanto ao “Registro de Apuração do IPI” (fls. 70), verificase que o contribuinte apurou, no encerramento do 4o trimestre de 2004, saldo credor de IPI no valor de R$ 10.495,03 (dez mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e três centavos), no que não divergem Fisco e contribuinte. Verificase, ainda, que ao longo do mês de janeiro, o contribuinte apurou novos créditos de IPI no valor de Fl. 123DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11020.908107/200841 Acórdão n.º 3402002.674 S3C4T2 Fl. 121 7 R$5.331,57 (cinco mil, trezentos e trinta e um reais e cinquenta e sete centavos), enquanto gerou débitos no montante de R$7.964,22 (sete mil, novecentos e sessenta e quatro reais e vinte e dois centavos), gerando, consequentemente, um saldo devedor de IPI a pagar, no valor de R$2.632,65 (dois mil, seiscentos e trinta e dois reais e sessenta e cinco centavos). Verificase, ainda às fls. 09/17, que o contribuinte transmitiu, em 07.01.2005, pedido de ressarcimento, no valor total de R$ 10.495,03 (dez mil, quatrocentos e noventa e cinco reais e três centavos), referente a saldo credor de IPI acumulado no 4o Trimestre de 2004 e, concomitantemente, pleiteou e obteve deferimento da compensação de créditos no valor de R$ 7.960,79 (sete mil, novecentos e sessenta reais e setenta e nove centavos), valor esse que foi efetivamente homologado na compensação, conforme pacífico nesses autos. Restou, com relação ao valor do pedido de ressarcimento, um saldo a compensar de R$ 2.534,24 (dois mil, quinhentos e trinta e quatro reais e vinte e quatro centavos). Como em janeiro de 2005 o contribuinte apurou débitos no montante de R$2.632,65 (dois mil, seiscentos e trinta e dois reais e sessenta e cinco centavos), efetuou, em fevereiro de 2005 a transmissão de PER/DCOMP, compensando o saldo remanescente do pedido de ressarcimento com o saldo devedor apurado (fruto do encontro dos novos débitos e novos créditos correntes do referido mês); tal compensação não foi deferida pelo Fisco, ao argumento de que o saldo remanescente dos créditos, havia composto os créditos correntes do mês de janeiro de 2005. Porém não é o que se verifica dos autos. O que se constata é que o contribuinte, em cumprimento as normas contábeis e fiscais vigentes, efetuou o estorno do saldo credor do IPI objeto do pedido de ressarcimento, no mês em que o transmitiu a Secretaria da Receita Federal, ou seja, em 07.01.05, lançandoo a crédito da conta dos débitos, em idêntico valor a débito da conta dos créditos. Ou seja, estornou tanto de créditos quanto de débitos, como forma de excluir referidos valores de sua escrita, já que passaram a compor o Pedido de Ressarcimento em análise. Assim, desponta claro que o saldo remanescente do pedido de ressarcimento, no valor de R$2.534,24 (dois mil, quinhentos e trinta e quatro reais e vinte e quatro centavos), não compôs os “novos” créditos gerados no mês, não tendo sido consumidos pelos débitos correntes do mês. Como restou saldo remanescente do pedido de ressarcimento, cujo valor integral foi estornado da conta do contribuinte, poderia (e deveria), o contribuinte, compensálo com o próprio IPI apurado em janeiro (após o confronto de créditos e débitos), com vencimento em fevereiro de 2005, data em que o sujeito passivo transmitiu seu PER/DCOMP, exaurindo o saldo remanescente do pedido de ressarcimento anteriormente enviado. Se o contribuinte lançasse a parte do saldo credor de IPI nos créditos correntes do mês de janeiro de 2005, como indica o Fisco, o saldo devedor apurado ao final do referido período seria de R$98,01 (noventa e oito reais e um centavo) e, consequentemente, não haveria diferença a compensar, de modo que o débito no referido valor igualmente não existiria, devendose retificar o saldo da apuração do referido mês, para nela constar apenas o débito a pagar do referido valor, e não de R$2.632,09 (dois mil, seiscentos e trinta e dois reais e nove centavos), como foi por ele declarado como devido. Destaquese, ainda, que em 07.01.2005, quando da transmissão da PER/DCOMP, sequer tinha ocorrido a apuração do IPI relativo ao mês, que somente viria a se Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 encerrar em 31.01.05, antes, portanto, de se saber se havia ou não IPI a recolher. Portanto, imputar o saldo remanescente na conta corrente do contribuinte em 07.01.2005 é ato que está partindo do Fisco, não sendo verificado pela escrita da contribuinte. Assim, entendo que a prova dos autos é suficiente para atestar que ainda havia saldo remanescente de créditos em favor do contribuinte, no montante de R$2.534,24 (dois mil, quinhentos e trinta e quatro reais e vinte e quatro centavos) e, consequentemente, a compensação por ele levada a efeito com o IPI gerado no mês de janeiro, era passível de ser compensado com o referido saldo remanescente. Desta forma, o provimento é parcial, pois que o Conselho nada homologa, cabendo esta parte à Autoridade Preparadora. Ante o exporto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito ao ressarcimento do valor de R$2.534,24, em discussão, e determinar que haja a homologação da compensação até o montante de crédito reconhecido. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/0 3/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2015 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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