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Numero do processo: 11080.723617/2010-51
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INCONFORMISMO COM A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PETIÇÃO ALUSIVA A PROCEDIMENTO DE COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE PARTE NÃO LITIGIOSA. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. RECURSO QUE NÃO DEVE SER CONHECIDO.
Não deve ser conhecido recurso voluntário que não representa inconformismo perante decisão de primeira instância e sim uma petição alusiva ao procedimento de cobrança de crédito tributário referente a matéria não litigiosa, a qual deve ser apreciada pela Unidade da Receita Federal.
Numero da decisão: 2802-002.580
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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RECURSO VOLUNTÁRIO. AUSÊNCIA DE INCONFORMISMO COM A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PETIÇÃO ALUSIVA A PROCEDIMENTO DE COBRANÇA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE PARTE NÃO LITIGIOSA. COMPETÊNCIA DA RECEITA FEDERAL. RECURSO QUE NÃO DEVE SER CONHECIDO. Não deve ser conhecido recurso voluntário que não representa inconformismo perante decisão de primeira instância e sim uma petição alusiva ao procedimento de cobrança de crédito tributário referente a matéria não litigiosa, a qual deve ser apreciada pela Unidade da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 17 /2 01 0- 51 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007, por omissão de rendimentos e glosa de despesas médicas. Ao impugnar, o contribuinte alegou que não recebera os rendimentos lançados como omitidos, anexou comprovante de despesas com Unimed e requereu a consideração de despesas com Plano de Saúde em seu nome de sua esposa Carla Maria de Mello Moreira, bem como solicitou prioridade de tramitação com fundamento no Estatuto do Idoso. O acórdão de primeira instância excluiu a infração omissão de rendimentos nos valor de R$2.200,00 e restabeleceu despesa com Plano de Saúde no valor de R$8.288,14, a que se refere o comprovante apresentado pelo impugnante (fls. 08) em relação aos pagamentos de mensalidade e participação alusivos ao declarante e sua esposa. O valor do comprovante da Unimed contemplava ainda outros beneficiários. O contribuinte foi cientificado do acórdão em 15/08/2011 e interpôs Recurso Voluntário em 23/08/2011, por meio do qual alega que ao impugnar parcialmente o lançamento dirigiuse ao CACPorto Alegre e solicitou emissão de DARF referente à parte não litigiosa, cujo pagamento realizou em 30/09/2010, todavia, juntamente com o acórdão recorrido, recebeu notificação para pagamento de um saldo de imposto de R$1.040,34 mais acréscimos, o que é indevido, razão pela qual pede o cancelamento desse débito. A Unidade Preparadora atesta o pagamento e indica as fls. 138/139. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo, porém para deve ser conhecido uma vez que não representa um inconformismo diante do acórdão de proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento – DRJ. O que o recorrente solicita é que, na cobrança do crédito tributário, seja levado em conta o acórdão da DRJ e o pagamento efetuado referente à parte não impugnada. O apelo do recorrente deve ser apreciado pela Unidade da Receita Federal de seu domicílio tributário e não pelo CARF. Voto por NÃO CONHECER o Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.723617/201051 Acórdão n.º 2802002.580 S2TE02 Fl. 168 3 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11444.001124/2010-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
PERDIMENTO. CONVERSÃO. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO.
A multa resultante da conversão do perdimento, referida no § 3o do art. 23 do Decreto-Lei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa pela não localização de mercadoria à qual se aplique o perdimento passa a ser devida na exportação somente a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3o.
Numero da decisão: 3403-002.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 24/02/2005 a 24/10/2008 DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. PERDIMENTO. CONVERSÃO. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO. A multa resultante da conversão do perdimento, referida no § 3o do art. 23 do Decreto-Lei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa pela não localização de mercadoria à qual se aplique o perdimento passa a ser devida na exportação somente a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3o.
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PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. PERDIMENTO. “CONVERSÃO”. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO. A multa resultante da “conversão” do perdimento, referida no § 3o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa pela não localização de mercadoria à qual se aplique o perdimento passa a ser devida na exportação somente a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3o. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 11 24 /2 01 0- 90 Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 2 a 441), lavrado em 05/08/2010, para exigência de multa resultante de “conversão” da pena de perdimento, no valor original de R$ 15.524.715,68, tendo em vista não haver sido localizada a mercadoria, fundamentandose nos arts. 105, VI e VII do DecretoLei no 37/1966 (mercadoria nacional, na exportação, se qualquer documento necessário ao seu desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado, e/ou possuída a qualquer título ou para qualquer fim em tais condições) e no art. 23, IV e §§ 1o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976, este com a redação dada pela Lei no 10.637/2002 (“conversão” em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada). Narrase que em procedimentos de investigação conjunto com a Polícia Federal, com escutas telefônicas autorizadas e monitoramento de pessoas e veículos, foram revelados fortes indícios da existência de um esquema fraudulento que consistia no desvio para o mercado interno de pneus e câmaras de ar destinados à exportação. Os produtos eram declarados em despachos de exportação da Pirelli, com destino a duas empresas paraguaias: Mater Pneus SRL e Nacional Cubiertas SRL. Com a participação de intervenientes aduaneiros nomeados pelo exportador e, possivelmente, de servidores públicos, a carga permanecia no Brasil, apesar de constar como exportada nos documentos oficiais. As fraudes eram levadas a cabo com participação ativa incontestável do transportador (Transnardo Transportes LTDA) eleito pela Pirelli para o percurso nacional, até a fronteira terrestre, ou seja, sob a responsabilidade da Pirelli. Cabendo a aplicação da pena de perdimento às mercadorias das faturas relacionadas no Relatório Fiscal, e não tendo sido localizada a mercadoria, impõese a aplicação da multa de “conversão” do perdimento. No Relatório Fiscal anexo à autuação fls. 46 a 115 (que serviu de base também às autuações levadas a cabo mediante os processos no 11444.001129/201012 exigência de tributos incidentes na importação, no 11444.001126/201089 exigência das Contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, e processos no 11444.001113/201018 e no 11444.001123/201045 de exigência de IPI), apontase que: (a) o procedimento fiscal foi iniciado em virtude de investigações da Polícia Federal em conjunto com Escritório de Pesquisa e Investigação da RFB Operação “Vulcano”, remontando a denúncia de que a Transportadora TRANSNARDO LTDA estaria desviando pneus destinados a exportação para o mercado interno; (b) após a obtenção de autorizações judiciais para escutas telefônicas (nos autos no 2006.61.25.0011030), expandiuse a investigação aos receptadores de pneus desviados, tendo sido cumpridos, na deflagração da Operação (em 07/11/2008), mandados de busca em 59 pessoas (entre as quais a autuada); (c) a separação entre pneus a serem exportados ou desviados ao mercado interno era feita pelo Sr. ADALBERTO Tavares de Almeida, sócio das empresas MATER PNEUS S/A e NACIONAL CUBIERTAS SRL, destinatárias das exportações da Pirelli; (d) o Sr. ADALBERTO recebia os valores repassados pelos clientes, via 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3403002.435 S3C4T3 Fl. 2.946 3 doleiros (com dólarcabo, cf. detalhado às fls. 47/48 e 59/60), e repassava à Pirelli por meio de suas empresas paraguaias, mediante fechamento de câmbio; (e) as carretas que saíam da Pirelli, conforme documentos apreendidos, não eram as mesmas que cruzavam a fronteira, na maioria dos casos, cf. planilha de fls. 51/52, havendo descarga no armazém da TRANSNARDO para possibilitar as manipulações e desvios; (f) confirmam as exportações fictícias os depoimentos da funcionária EDNA Maria Ferrari Rosa, da TRANSNARDO, além dos documentos apreendidos em sua residência, e que indicam as ordens de ADALBERTO quanto ao destino das cargas (v.g. documentos de fls. 53/56); (g) em vigilância realizada pela Polícia Federal na TRANSNARDO entre março e abril de 2008, foram constatadas diversas retiradas de pneus por caminhões de empresas que adquiriam os produtos de ADALBERTO no mercado interno, como documentado às fls. 57/59; (h) cotejando as exportações efetuadas da Pirelli para a MATER registradas no Brasil com as importações da MATER tendo como exportadora a Pirelli registradas no Paraguai, percebese (fls. 60/61) que apenas cerca de 25% do exportado nos anos de 2006 a 2008 chegava ao Paraguai, sendo que a Pirelli tinha conhecimento disso, cf. email apreendido na Pirelli de Santo André (fl. 62); (i) foram identificadas por meio de conversas no Skype e documentos esparsos detalhados às fls. 63 a 112, 191 faturas de exportação emitidas pela Pirelli (188 para a MATER e 3 para a NACIONAL CUBIERTAS) referentes a produtos desviados, totalizando US$ 7.967.371,27; (j) a exportação fictícia dá ensejo à exigência de IPI na saída dos estabelecimentos (filiais 0043Barueri e 0044Santo André), das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS) sobre o faturamento da matriz, e dos tributos devidos na importação de matériasprimas por drawback, além de ocasionar a aplicação de multa de 100% (em substituição ao perdimento); e (k) o presente processo trata do Auto de Infração para exigência da multa de 100% em substituição ao perdimento, contendo em anexo os documentos relacionados às fls. 113 a 115. Cientificado da autuação em 16/08/2010 (fl. 4), a empresa apresenta impugnação em 15/09/2010 (fls. 2616 a 2677). Na peça impugnatória, narrase que: (a) a Polícia Federal, em seu inquérito, que analisou todas as escutas e mensagens, concluiu que a impugnante não concorreu para o crime; (b) a empresa não obteria qualquer vantagem com as exportações fictícias; (c) os registros do SISCOMEX comprovam que as exportações foram realizadas (desembaraçadas cerca de um terço em canais laranja ou vermelho e averbadas pela Receita Federal, havendo comprovante de exportação em todas as operações mencionadas pela fiscalização, registros esses que permanecem intactos no sistema informatizado), sendo insuficientes os indícios em contrário apresentados; (d) não se pode exigir tributo a partir de presunções hominis, tendo em vista a legalidade e a tipicidade cerrada que norteiam o direito tributário, como atestam a doutrina e a jurisprudência administrativa (e a fiscalização não faz prova cabal de que as mercadorias não cruzaram as fronteiras brasileiras); (e) há impossibilidade de aplicação da pena de perdimento à empresa porque ela não concorreu para a prática de nenhuma conduta tipificada na norma sancionatória; (f) há impossibilidade de aplicação da pena de perdimento porque se prevalecer a alegação do fisco, as mercadorias não foram exportadas mediante a utilização de documento falso, tendo em vista que sequer teriam sido exportadas; (g) a existência de autuação para exigência dos tributos internos devidos em decorrência da exportação inibe a aplicação do perdimento; (h) não houve conduta fraudulenta ou dolosa por parte da empresa que motivasse o perdimento (sendo que a própria fiscalização reconhece que a Pirelli agiu com culpa “in eligendo”/”in vigilando”); e (i) se houve infração, devem ser punidos os efetivos responsáveis (os representantes do importador e do transportador, os receptadores das mercadorias e os agentes do fisco), pois a Pirelli contratou a transportadora para entregar a mercadoria no exterior, e se essa agiu em descumprimento do contrato, deve responder pessoalmente. Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 O julgamento de primeira instância ocorre em 13/01/2011 (fls. 829 a 2834), acordandose pela procedência da autuação, sob o argumento de que “caracteriza dano ao Erário punida com Pena de Perdimento a falsa declaração de exportação indicando mercadoria em quantidade superior à realmente exportada”, em refutação aos argumentos expostos na impugnação. Ciente da decisão de piso em 17/02/2011 (cf. AR de fl. 2844), a Pirelli apresenta Recurso Voluntário em 18/03/2011. Na peça (fls. 2845 a 2913), alegase que: (a) a decisão da DRJ é nula, por falta de análise do conjunto probatório e dos argumentos apresentados na impugnação, limitandose o julgador a reproduzir dados do Relatório Fiscal, não se manifestando sobre todas as razões apresentadas pelo impugnante; (b) a Polícia Federal, em seu inquérito, que analisou todas as escutas e mensagens, concluiu que a impugnante não concorreu para o crime, não tendo qualquer benefício econômico com a situação narrada na autuação; (c) os registros do SISCOMEX (ainda existentes e não retificados, inclusive para os canais laranja e vermelho, o que poderia ser verificado em sede de diligência) comprovam que as exportações foram realizadas, e não foram refutados a contento pelos indícios levantados na autuação (nem pelas alegações genéricas do julgador a quo); (d) a presunção simples não pode ensejar a exigência de tributos, sob pena de ofensa à legalidade e à tipicidade cerrada (e não há norma que permita à fiscalização presumir, a partir de conversas Skype, planilhas ou interrogatórios, que mercadorias não cruzaram as fronteiras brasileiras); (e) não há provas de que as mercadorias tenham permanecido em território brasileiro (pelo contrário, há registros oficiais de que saíram), e ainda que houvesse ocorrido o desvio, não há provas de que as mercadorias tenham sido desviadas dentro do território brasileiro (e se as mercadorias saíram do território brasileiro, o que seria igualmente presumível, houve exportação); e (f) há impossibilidade de aplicação da pena de perdimento, seja pela inexistência de declarações falsas ou adulteradas, seja pela ausência de intuito fraudulento nas operações, ou pelo fato de a responsabilidade ser exclusiva de terceiros; ou ainda porque tal penalidade não se aplica nos casos de desvio de mercadorias (como já decidido pelo CARF). O Recurso Voluntário é então encaminhado ao CARF em 14/04/2011, pelo documento de fl. 2936, tendo sido a mim distribuído, por sorteio, em 07/03/2013 (fl. 2944). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. No presente processo, discutese o cabimento da aplicação de multa pela “conversão” da pena de perdimento, tendo em vista não haver sido localizada a mercadoria, fundamentandose nos arts. 105, VI e VII do DecretoLei no 37/1966 e no art. 23, IV e §§ 1o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976, este com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. Dispõem os incisos VI e VII do DecretoLei no 37/1966: “Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3403002.435 S3C4T3 Fl. 2.947 5 VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; VII nas condições do inciso anterior possuída a qualquer título ou para qualquer fim;” (grifos nossos) Assim, para que fosse possível a aplicação da pena de perdimento, incumbiria à autoridade aduaneira a prova, no mínimo, de que: (a) houve falsificação ou adulteração de documento; e (b) tal documento é necessário ao embarque ou desembaraço da mercadoria. No caso em análise, sem ainda ingressar na questão probatória, é de se destacar que a conduta imputada é de exportação fictícia (com desvio de parte das mercadorias exportadas ao mercado interno). A autoridade autuante aplica, na impossibilidade de apreensão da mercadoria, medida acautelatória do perdimento, o comando do art. 23, IV e §§ 1o e 3o do DecretoLei no 1.455/1976, este com a redação dada pela Lei no 10.637/2002: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. (...) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei n o 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” (grifos nossos) Para aplicação do disposto no § 3o do DecretoLei no 1.455/1976, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002, no caso de não localização da mercadoria, demandase um elemento probatório adicional por parte do fisco: a tentativa de localizar a mercadoria. Se o fisco sequer tentou localizar a mercadoria, ou intimou o autuado a apresentála, não se vê como poderia, de plano, considerála não localizada. Em relação aos dispositivos reproduzidos, dois elementos merecem ainda atenção, sendo de substancial relevância para a identificação do cabimento ou não da autuação: um inerente ao próprio perdimento, sobre o qual paira muita confusão o dano ao Erário, e outro sobre as hipóteses de aplicação da multa de “conversão”. Do dano ao Erário Em relação ao primeiro elemento, cabe destacar que a citada confusão é a que acaba sempre levando à discussão se em determinado caso houve ou não “dano ao Erário”, Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 para efeitos de aplicação da pena de perdimento. Uma leitura sistemática do art. 23 do Decreto Lei afasta o equívoco. É cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o, acima transcritos) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967: “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”), como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Nesse sentido acordou unanimemente esta turma, há três meses2. Da multa de “conversão” do perdimento A possibilidade de “conversão” do perdimento em multa surge na Medida Provisória no 66, de 29/08/20023, convertida na Lei no 10.637/2002. A leitura das alterações promovidas pela Lei no 10.637/2002 ao art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 deixa clara sua inserção em um contexto de combate à interposição fraudulenta. Contudo, o texto da redação dada ao § 3o do DecretoLei no 1.455/1976 apresentou algumas imperfeições, que vieram a ser corrigidas pelo art. 73 da Lei no 10.833/2003, e pelo art. 41 da Lei no 12.350/2010. 2 Acórdão n. 3403002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013. 3 Em verdade, cabe ressaltar que surge com esse nome ("conversão") em 2002. Já havia a possibilidade de aplicação de multa equivalente ao valor comercial da mercadoria no caso de consumo ou entrega a consumo, de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente (art. 83, I da Lei n. 4.502/1964). Destaquese que a mesma lei, em seu art. 87, previa a perda da mercadoria para a hipótese. Assim, o art. 83, I acabou constituindo a multa cabível na impossibilidade de aplicação da perda. Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11444.001124/201090 Acórdão n.º 3403002.435 S3C4T3 Fl. 2.948 7 A mais grave de tais imperfeições apresenta impacto direto no presente processo: vejase que o texto do § 3o dispões que a pena de perdimento se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada. A expressão “valor aduaneiro” tem um significado próprio na legislação aduaneira (nacional e internacional). Internacionalmente, corresponde à base de cálculo do imposto de importação, conforme acordado no Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT conhecido como “Acordo de Valoração Aduaneira do GATT AVA/GATT”, resultante da Rodada Uruguai do GATT. Tal acordo foi incorporado a nosso ordenamento jurídico mediante aprovação pelo Decreto Legislativo no 30, de 15/12/1994, e promulgação pelo Decreto no 1.355, de 30/12/1994). No Brasil, igualmente, a expressão “valor aduaneiro” se refere à base de cálculo do imposto de importação, conforme se extrai do art. 2o, II do DecretoLei no 37/1966, e dos arts. 75 a 89 do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/20094). Quando se está a tratar de exportação, incabível falar em “valor aduaneiro”, sendo a base de cálculo do imposto de exportação “o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional, observadas as normas expedidas pelo Poder Executivo, mediante ato da CAMEX” (conforme art. 2o do DecretoLei 1.578/1977, com a redação dada pela MP no 2.15835/2001). Vejase que o próprio Regulamento Aduaneiro, ao classificar multas incidentes sobre o “valor aduaneiro”, as classifica no Capítulo de “Multas na Importação” (v.g. multa do art. 711 do Regulamento vigente, equivalente à multa do art. 636 do Regulamento Aduaneiro de 2002). Endossando tudo o que foi aqui exposto, o legislador alterou o § 3o do DecretoLei no 1.455/1976, em 2010, abolindo o termo “conversão”, e possibilitando a aplicação da multa às exportações, entre outras alterações. O texto originalmente constante do art. 19 da Medida Provisória no 497, de 27/07/2010, hoje consta na lei de conversão, Lei no 12.350/2010, em seu art. 41: “Art. 41. Os arts. 23, 28, 29 e 30 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passam a vigorar com a seguinte redação: " Art. 23. (...) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (...)” (NR)(grifo nosso) 4 Arts. 75 a 89 também no Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos narrados na autuação (Decreto n. 4.543/2002). Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Assim, a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010, passou a ser possível exigir, no caso de não localização de mercadoria à qual se aplique o perdimento, na exportação, uma multa equivalente ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente. Contudo, os casos narrados na autuação datam de 2005 a 2008. Entender que a multa seria aplicável a tal período é retroagir in pejus, o que é condenado em praticamente todos os ordenamentos jurídicos do mundo, inclusive o nosso. Ou ainda crer que a nova redação do § 3o do DecretoLei no 1.455/1976 tenha natureza meramente declaratória, o que implicaria dizer que antes da alteração já era possível aplicar a “conversão” do perdimento na exportação, porque a expressão “valor aduaneiro” já abarcava (embora com terminologia imprecisa) o preço constante da nota fiscal . Tal argumento peca por usar analogia na aplicação de penalidade, e ainda por distorcer conceito jurídico acordado internacionalmente. Assim, e sem a necessidade de análise detalhada da argumentação exposta no Recurso Voluntário, é de se cancelar, de plano, a autuação, por ter sido lavrada com enquadramento legal inaplicável ao caso. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando o lançamento efetuado. Rosaldo Trevisan Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 13/10/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/10/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10880.915974/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/03/2000
PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000.
As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.858-6, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.037-24 com a supressão do termo Zona Franca de Manaus de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.037-25, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000).
Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide.
Numero da decisão: 3802-001.996
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2033; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 97 1 96 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915974/200841 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802001.996 – 2ª Turma Especial Sessão de 24 de setembro de 2013 Matéria DCOMP Eletrônico Pagamento a maior ou indevido Recorrente Microlite Sociedade Anônima Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/03/2000 PIS/PASEP E COFINS. RECEITAS DE VENDAS REALIZADAS PARA EMPRESAS SITUADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. PERÍODO DE INCIDÊNCIA. FATOS GERADORES OCORRIDOS ENTRE 1o/02/1999 e 21/12/2000. As receitas decorrentes de vendas realizadas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (por força do caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da Medida Provisória 2.03724 com a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I (Medida Provisória 2.03725, de 21/12/2000, publicada no DOU de 22/12/2000). Recurso ao qual se nega provimento em vista da data do fato gerador objeto da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 74 /2 00 8- 41 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Paulo Sérgio Celani e Solon Sehn. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 9ª Turma da DRJ São Paulo I (fls. 44/51 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra a não homologação de compensação de débito tributário com crédito decorrente de aduzido pagamento a maior de PIS relativo ao fato gerador de 31/03/2000. A DERAT São Paulo não homologou a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento apresentado como supedâneo do crédito (no valor de R$ 53.874,03 – código de receita 8109) teria sido utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte, não restando, portanto, saldo creditório disponível. Inconformada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade onde alega: a) que o presente pedido integra outros 90 (noventa) processos da empresa que abordam a mesma matéria, tendo sido apresentadas as mesmas razões de defesa e provas, razão pela qual requer a juntada dos autos de todos os processos, de forma que as defesas e provas sejam conjuntamente analisadas; b) invoca o princípio da verdade material, e afirma haver juntado a documentação necessária à comprovação do direito; e, c) que o crédito objeto da compensação teve origem em recolhimentos indevidos do PIS e da COFINS no período de abril de 1999 a fevereiro de 2004, haja vista que se tratavam de vendas para a Zona Franca de Manaus, e que por isso não geravam a respectiva obrigação ao recolhimento em face das disposições do DecretoLei nº 288/67, que equiparou referidas vendas a operações de exportação. Os argumentos apresentados pela reclamante, contudo, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento, que, em síntese, entendeu que o sujeito passivo não apresentou prova suficiente à demonstração do direito creditório reclamado, e ainda, que o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 não albergava a isenção do PIS e da COFINS. Assim, referido colegiado julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada. Cientificada da referida decisão em 17/06/2011 (vide AR de fls. 53), a interessada, em 18/07/2011, apresentou recurso voluntário onde reitera que seu direito está amparado no artigo 4º do DecretoLei nº 288/67, c/c artigo 40 do ADCT. Reclama, também, a nulidade do acórdão vergastado por cerceamento ao seu direito de defesa, isso em vista da falta de clareza do acórdão e da esparsa e lacônica manifestação sobre a documentação juntada pela recorrente. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915974/200841 Acórdão n.º 3802001.996 S3TE02 Fl. 98 3 Diante do exposto, requer seja provido seu recurso e homologada a compensação pretendida. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da admissibilidade do recurso e da reclamada nulidade da decisão de primeira instância O recurso é tempestivo e merece ser conhecido por preencher os demais requisitos de admissibilidade do pleito. Inicialmente, analiso a reclamada nulidade do acórdão de primeira instância. A nulidade é embasada na alegada falta de clareza nos motivos que redundaram na negativa do recurso: se o indeferimento do pleito fora decorrente da não comprovação do crédito ou dada a inexistência de amparo legal para o pedido. Contudo, da leitura do acórdão de fls. 44/51, constatase que referida decisão está suficientemente motivada, uma vez que dela consta, explicitamente: a) na hipótese de a empresa se albergar nos institutos da isenção ou da alíquota zero, e a teor da Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que a isenção da COFINS não alcança os fatos geradores entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000 (vedação do inciso I do § 2º do artigo 14 da MP 1.8586, de 1999, e reedições até a MP 2.03724, de 2000); b) ainda com base na Solução de Divergência COSIT nº 7/2006, que somente a partir de 22 de dezembro de 2000, com a publicação da MP 2.037 25, atual MP 2.15835, a isenção da COFINS no caso de vendas para a Zona Franca de Manaus só alcançaria as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da citada MP 2.15835; c) que, se admitido questionamento com base na imunidade, o mesmo deveria ser direcionado ao Poder Judiciário, a quem compete apreciar alegação de inconstitucionalidade, já que tal instituto é de natureza constitucional; e, d) que não foram apresentadas provas do indébito, não tendo sido, portanto, demonstrada a liquidez e a certeza do crédito necessárias à compensação tributária, a teor do artigo 170 do CTN. Portanto, a meu ver, o acórdão recorrido está devidamente fundamentado, razão pela qual não acolho o argumento em defesa da nulidade da decisão em tela. Do mérito Fl. 113DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 A presente lide é parte de um dos inúmeros processos da interessada em que esta questiona a incidência do PIS e da COFINS sobre a receita de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Essa questão já foi analisada por esta Turma quando do julgamento do processo no 10920.000462/200350 (acórdão no 380200.312, de 08/12/2010), de onde reproduzo excertos do voto vencedor do Conselheiro Regis Xavier Holanda, abaixo transcrito: [...] A Medida Provisória no 1.8586, de 29/06/1999 e posteriores reedições até a Medida Provisória no 2.03724, de 23/11/2000 trazia as seguintes disposições de interesse: (omissis) Referida Medida Provisória foi então reeditada sob o n° 2.037 25, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000) – atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001 – apresentando modificação no texto normativo consistente na supressão das receitas de vendas efetuadas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus do rol de hipóteses de exclusão das isenções conferidas. Vejamos: (omissis) Dessa forma, tenho como claro que o legislador, ao realizar a referida supressão da referência à Zona Franca de Manaus no texto normativo, conferiu sim, às vendas efetuadas a empresas estabelecidas nesta específica região marcada por incentivos fiscais especiais, a isenção tratada no caput e §1º do citado art. 14. Adequouse, então, a presente legislação à disciplina traçada pelo art. 4º do DecretoLei nº 288/67, in verbis: Art 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. Ademais, é mister ainda destacar que no ínterim entre as Medidas Provisórias no 2.03724, de 23/11/2000 e n° 2.03725, de 21/12/2000 (DOU de 22/12/2000), sobreveio, em 07/12/2000, decisão liminar unânime do pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos da ADIN nº 2.3489, deferindo medida cautelar com eficácia ex nunc para suspender a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do artigo 14, §2º, I da Medida Provisória nº 2.03724. Portanto, dada a cronologia em que os fatos aconteceram, pareceme também claro que o legislador teve ainda por intenção adequar o texto normativo à decisão do STF então vigente, só alterada em 10/02/2005 mediante decisão que declarou prejudicado o pedido por perda de objeto diante da ausência de aditamento à inicial por conta das sucessivas reedições da Medida Provisória atacada. Alfim, tendo em vista que a Medida Provisória nº 2.03725 suprimiu a hipótese de afastamento da isenção em relação às receitas de vendas para a ZFM, entendo que essa modificação (supressão de hipótese de afastamento da isenção) conjugada com o art. 4º do DL 288/67, implica a aplicação do art. 14, II (exportação de mercadorias para o exterior) para essas operações. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915974/200841 Acórdão n.º 3802001.996 S3TE02 Fl. 99 5 Em sentido semelhante já decidiram os então Conselhos de Contribuintes: Acórdãos 20216587, de 19/10/2005; 20179407, de 29/06/2006 e 20218132, de 20/06/2007. [...] No mais, voto ainda para, a partir de 22 de dezembro de 2000 – data de publicação da MP nº 2.03725 (atual MP no 2.15835, de 2001), considerar isentas da contribuição para o PIS, as vendas efetuadas a empresa situada na Zona Franca de Manaus. De fato, a real intenção que motivou a supressão da expressão “na Zona Franca de Manaus” do inciso I, do § 2o, do artigo 14 da Medida Provisória no 2.037, foi a de, efetivamente, excluir da incidência do PIS e da COFINS as vendas realizadas para empresas sediadas na referida área de livre comércio. Aliás, considerando que o legislador não emprega expressões inúteis, o fato de a redação original da Medida Provisória no 2.037 contemplar os termos “Zona Franca de Manaus” e “área de livre comércio” revela que o poder legiferante, na ocasião, para fins de tutela pela referida legislação, entendera como distintas as regiões comerciais em tela. Assim, posteriormente, a supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do dispositivo que excluía referida área do âmbito de isenção do PIS e da COFINS demonstra que o legislador, com tal conduta, buscou realmente isentar das contribuições em evidência as vendas realizadas para a referida região. Portanto, deverão ser consideradas como isentas do PIS e da COFINS as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus a partir da publicação da Medida Provisória no 2.03725, ou seja, em 22/12/2000. Contudo, o caso em exame diz respeito a questionamento quanto à isenção do PIS sobre as receitas de vendas realizadas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus no mês de março de 2000, período em que não havia amparo legal à isenção em tela. Sobre o problema, comungo com as razões de decidir do conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi nos autos do processo nº 10880.915907/200826, que representa um dos processos da recorrente que tratou da mesma questão abordada na presente lide, julgado em 20/08/2013 (acórdão nº 3802001.942): De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº 2 do CARF impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória 2037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADINC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Fl. 115DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima quinta reedição da MP 2037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP 2037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP 203725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP 203725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP 2037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADINC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP 2037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP 2037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período anterior, não há como se reconhecer o direito creditório, restando prejudicada a análise de todo o remanescente – inclusive a prova dos autos. Assim, as receitas decorrentes das vendas para a Zona Franca de Manaus deverão sofrer incidência do PIS e da COFINS, exclusivamente, em relação aos fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 (conforme caput do artigo 14 da MP no 1.8586, de 29/06/1999) e 21 de dezembro de 2000 (dia imediatamente anterior à publicação da reedição da referida Medida Provisória em que houve a supressão do termo “Zona Franca de Manaus” de seu artigo 14, § 2o, inciso I – MP 2.03725). Consequentemente, como o crédito aduzido diz respeito ao mês de março de 2000, resta claro que não há fundamento legal que ampare o direito creditório pelo reclamado pagamento do PIS em vista de vendas para a Zona Franca de Manaus. Da conclusão Fl. 116DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 10880.915974/200841 Acórdão n.º 3802001.996 S3TE02 Fl. 100 7 Com estas considerações, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 24 de setembro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 05/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 10/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 13896.908857/2008-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Oct 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligência para proceder à apensação dos presentes autos de cobrança ao processo principal (Per/Dcomp), nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO Trata o presente de Recurso Voluntário contra a cobrança de débitos federais vinculados ao Per/Dcomp objeto de julgamento no processo administrativo fiscal nº 13896.904034/200845, cujo direito creditório pleiteado pela recorrente foi apreciado nesta mesma sessão de julgamento – Acórdão nº 1801001.626 (a ser anexado digitalmente). Consta dos autos despacho para a apensação deste processo àquele, principal, bem como nota digital, às efls. , mas tal procedimento não foi efetuado pelo que o presente foi distribuído por sorteio para a apreciação por esta ConselheiraRelatora. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 08 85 7/ 20 08 -4 0 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13896.908857/200840 Resolução nº 1801000.288 S1TE01 Fl. 3 2 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Não havendo direito creditório a ser reconhecido nos autos, foge ao escopo deste órgão julgador pronunciarse sobre o débito tributário, por ser valor confessado pela recorrente, ainda que alegue ser indevido. Tratandose de confissão de dívida realizada de forma unilateral pelo contribuinte, não há que se falar em instauração de litígio, quando o contribuinte se arrepende de valores que espontaneamente confessou como devidos ao fisco. Não há, pois, litígio administrativo, mas solicitação de cancelamento da cobrança dos débitos confessados pela contribuinte – daí que o rito processual não é o previsto pelo Decreto nº 70.235/72 – PAF, mas segue o rito previsto na Lei nº 9.784/99 (processos administrativos em geral). A competência para julgar o cancelamento do Per/Dcomp regularmente emitido eletronicamente, ou cobrança de débitos correspondentes, é da unidade de jurisdição da recorrente. A decisão cabe às autoridades com competência para processar as declarações entregues, ou seja, em primeira instância as unidades de jurisdição do contribuinte (DRF Delegado) e em segunda instância a autoridade hierárquica superior (Superintendência da Região Fiscal – SRRF). Dispõe o artigo 302, inciso XI, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: Art. 302. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e Inspetores Chefes da Receita Federal do Brasil incumbem, no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: [...]XI decidir sobre pedidos de cancelamento ou reativação de declarações; O processo de cobrança dos débitos confessados nos Per/Dcomp é decorrente do processo em que se discute o direito creditório pleiteado para a quitação (compensação) destes débitos e deve seguir a sorte do principal, por isso, deve ser apensado àquele. Pelo exposto, voto em converter o julgamento do presente na realização de diligência para apensálo ao processo principal citado no início do relatório. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 18/09/2 013 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 23034.002917/98-25
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/1993 a 01/01/1997
FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SALÁRIO-INDIRETO. TRANSPORTE. VALORES PAGOS A TITULO DE VALE - TRANSPORTE ESTÃO FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-002.658
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1993 a 01/01/1997 FNDE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. SALÁRIO-INDIRETO. TRANSPORTE. VALORES PAGOS A TITULO DE VALE - TRANSPORTE ESTÃO FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Provido.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/1993 a 01/01/1997 FNDE. SALÁRIOEDUCAÇÃO. SALÁRIOINDIRETO. TRANSPORTE. VALORES PAGOS A TITULO DE VALE TRANSPORTE ESTÃO FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 23 03 4. 00 29 17 /9 8- 25 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.002917/9825 Acórdão n.º 2803002.658 S2TE03 Fl. 119 2 Relatório A presente Notificação para Recolhimento de Débito – NRD, DEBCAD 49.903.1040, objetiva a cobrança de diferenças decorrentes de irregularidades no recolhimento do salárioeducação, conforme NRD 120/1998, de fls. 04, com período de cobrança, de 08/1993 a 12/1996, conforme Quadro de Atualização de Débito – Notificação, de fls. 05 e 06. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 16/06/1998, conforme segundo parágrafo, do Despacho, de fls. 16. O contribuinte apresentou sua defesa com razões, acostada, as fls. 08 e 09, recebida, em 29/06/1998, terceiro parágrafo do despacho citado acima, acompanhada dos documentos, de fls. 10 a 15. O FNDE por intermédio dos despachos, de fls. 16, Divisão de Análise de Defesa, sugeriu o indeferimento da defesa apresentada. A Presidência do FNDE, por intermédio da Informação nº 1243/2005 – indeferiu a defesa, fls. 17. A empresa notificada foi intimada da decisão pelo Ofício nº 12/2006, fls. 22, conforme AR, de fls. 24. O sujeito passivo remeteu ao FNDE, via Correios, o recurso voluntário, tendo sido este postado, em 18/03/2006, conforme consta do Memorando nº 39/2006 – CGACI/DIFIN/FNDE/MEC, datado, de 21/02/2006 de fls. 25. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição e razões recursais, as fls. 26 a 31, acompanhado dos documentos, de fls. 32 a 82, as teses recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. A Advocacia Geral da União – Procuradoria Federal do FNDE por intermédio do Parecer nº 289/2007, fls. 104 a 106, em razão da edição da Lei 11.457/2007, promoveu a transferência dos autos do FNDE para a Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB. Os autos foram recepcionados pelo novo órgão, conforme despacho, de fls. 115. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 117. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 117. É o Relatório. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.002917/9825 Acórdão n.º 2803002.658 S2TE03 Fl. 120 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, cumpre esclarecer a questão do depósito recursal. No presente caso tal exigência foi dispensada, devido a concessão de efeito suspensivo ativo no Agravo de Instrumento nº 2006.0.00.0116117/DF, fls. 99 a 101. Não fosse isso suficiente tal questão, hoje, é vetusta, haja vista a edição da Súmula Vinculante nº 21 pelo Supremo Tribunal Federal – STF, transcrita abaixo. SÚMULA VINCULANTE Nº 21 É INCONSTITUCIONAL A EXIGÊNCIA DE DEPÓSITO OU ARROLAMENTO PRÉVIOS DE DINHEIRO OU BENS PARA ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ADMINISTRATIVO. Verifico da análise dos autos, que da Informação Fiscal IF, de fls. 01, do Fiscal de Contribuições Previdenciárias – FCP, que empreendeu fiscalização na empresa, que o fato gerador das contribuições ao SalárioEducação, descrito na IF decorre de SALÁRIO – INDIRETO: TRANSPORTE. Na defesa apresentada pela empresa, fls 08 e 09, ao falar da NRD 120/1998, assim esta se pronunciou, observe a transcrição. NRD 120/1998 ( Proc. 23034.002917/9825) : PAGAMENTO DE DESPESAS DE TRANSPORTE (o destaque é meu). No intuito de melhor aclarar a situação transcrevo abaixo parte dos argumentos de defesa da empresa junto ao INSS, decorrentes de notificações fiscais, lançadas por aquele órgão e que foram apresentadas ao FNDE como defesa da NRD 120/98. NFLD 01 N° DEBCAD 32.433.440 0 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALORES PAGOS POR TRANSPORTE DE EMPREGADOS (grifo do original). TORQUE SOCIEDADE ANÔNIMA,(grifo do original), estabelecida à Av. Torque n° 99, Município de Araras São Paulo, por seu representante, tendo em vista a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) atinente à eventual incidência de recolhimentos previdenciários sobre valores pagos à empresas de transporte, para a movimentação de seus empregados vem, respeitosamente, para apresentar DEFESA,(grifo do original), pelo que expõe e requer o seguinte: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.002917/9825 Acórdão n.º 2803002.658 S2TE03 Fl. 121 4 01 A REQUERENTE foi notificada pelo Sr. Vistor Fiscal sob o argumento de que não procedeu ao recolhimento de contribuições à Previdência, devidas no entender da Fiscalização, sobre importâncias pagas à empresas de transporte, que contratara para a movimentação de seus funcionários. 02 O Sr. Agente Fiscal entendeu, in casu, que esses montantes constituiriam espécie de salário indireto, tendo em conta que o transporte de empregados se daria de forma habitual e gratuita, importando assim nessa pretendida equiparação. 03 Importa discutir, entrementes, e em primeiro plano, o conceito do próprio transporte de empregados da REQUERENTE, cujos valores constam da Notificação de referência, tendose na devida conta e perspectiva de que se tratam de hipóteses peculiares, em que a REQUERENTE, em função dos contratos que firma com clientes, se obriga a deslocar de seu estabelecimento fabril para outras localidades, determinada força de trabalho ou mão de obra especializada. 04 Ocorre que a REQUERENTE, ao tomar os serviços de terceiros, no âmbito da prestação de serviços de transporte de seus empregados, não o faz para efeitos de cumprir uma rotina diária de acesso dessas pessoas ao seu estabelecimento, mas e especificamente, de movimentar mão de obra em face de serviços ou operações determinadas. 05 Ora, parece estranho à REQUERENTE, que o digno Agente Vistor pretenda, desde logo, equiparar esse conceito de transporte especifico e determinado à situações de caracterização de habitualidade e decorrente existência de salário indireto, pois não só o transporte não é habitual, como ao contrário tem serventia específica, como narrado nesta contestação. 06 Evidenciase que, data máxima vénia, a exigência é descabida, desde que colocada como pretende a Notificação como espécie de salário indireto, na exata medida em que essa forma de transporte não se dá usualmente, nem beneficia coletivamente aos empregados da REQUERENTE. (todos os demais realces são meus). Fica evidente do que foi acima transcrito e destacado que a base de incidência da contribuição social previdenciária e por decorrência a do salárioeducação foram pagamentos realizados pela empresa objetivando o transporte de seus trabalhadores e que foram considerados pela fiscalização salárioindireto. Todavia, tal rubrica não se presta a servir de base de cálculo da contribuição social previdenciária e assim não pode ser base de cálculo do salárioeducação, observese o que disse o Supremo Tribunal Federal – STF sobre a questão. EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.002917/9825 Acórdão n.º 2803002.658 S2TE03 Fl. 122 5 NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe 086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL 0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) (esse realce também é meu). Ademais, o CARF sumulou esta questão. Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Diante do que dito acima a exigência fiscal é improcedente. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 23034.002917/9825 Acórdão n.º 2803002.658 S2TE03 Fl. 123 6 Posto isto, tendo em vista os esclarecimentos declinados, ainda, que por motivos diversos a exigência não merece prosperar, este é o motivo pelo qual as razões recursais não foram sumariadas. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10320.001021/2001-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1402-000.191
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Alexei Macorin Vivan.
Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Alexei Macorin Vivan. Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Alexei Macorin Vivan. Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 01 02 1/ 20 01 -7 2 Fl. 39701DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente de pedido de restituição (fls. 01) de pretenso crédito referente aos saldos negativos do IRPJ e base de cálculo negativa da CSLL correspondentes aos anos calendário de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999; a ser compensado com débitos do PIS e da Cofins discriminados nos pedidos de compensação de fls. 02/05. Pela análise da documentação trazida aos autos a Fiscalização emitiu Relatório (fls. 733/767) com base no qual foi prolatado o Despacho Decisório nº 66/2006 (fls. 780/807) manifestandose pela prescrição do pedido em relação ao anocalendário de 1995 e negando integralmente a solicitação quanto aos demais períodos. Foi constatado que o sujeito passivo apresentou Declaração de Rendimentos (ou DIPJ, dependendo do período) retificadora para os anoscalendário 1995 e 1996 com modificações substanciais, em relação à Declaração normal, nos valores que influenciaram na apuração do IRPJ e CSLL. Além disso, os Livros Diários apresentados como suporte dessas retificações não correspondem àqueles identificados no Quadro correspondente das Declarações, tanto das originais quanto das retificadas. Em relação aos anoscalendário 1997 e 1998 não houve apresentação de Declaração retificadora; entretanto, repetiuse o problema constatado nos períodos anteriores no que se refere à discrepância entre os Livros Diário trazidos ao conhecimento do Fisco e a identificação desses livros informada nas Declarações. Entendeu aquela autoridade que os Livros apresentados não eram hábeis e idôneos para atestar a escrituração da pessoa jurídica, inclusive no que tange à apuração do saldo devedor de IRPJ e CSLL a ser restituído ou compensado. Na inexistência de liquidez e certeza quanto ao crédito, a solicitação deveria ser indeferida. A interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 835/883, com documentos de fls. 884/954) defendendo que as divergências representam erros formais que não poderiam impedir o reconhecimento do direito pleiteado, pois a empresa possui escrituração regular, conforme atestaria a documentação anexada aos autos. Requer perícia para que seja confirmada essa regularidade. Sustenta a nulidade do Auto de Infração (sic) por cerceamento do direito de defesa pois não teriam sido discriminadas pormenorizadamente as rubricas das supostas infrações praticadas. O procedimento também seria nulo: em função da ausência de provas, pela impossibilidade de arbitrar o lucro quando existe escrituração regular e pelo descumprimento da Constituição e da legislação federal quanto ao dever legal a que estaria adstrito o auditor fiscal. Faz arrazoado teórico em relação à sistemática de apuração do IRPJ e da CSLL bem como quanto ao direito à compensação. Reclama pela suspensão da exigibilidade dos débitos indicados no pedido até que o processo administrativo finde seu trâmite. Por fim, ratifica a solicitação de perícia a fim de que sejam levantados os valores corretos de IRPJ e CSLL a serem restituídos. Fl. 39702DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 4 3 A Delegacia de Julgamento prolatou o Acórdão 0810.993/2007 (fls. 1.005/1.024), seguindo a mesma linha do Despacho Decisório e negando provimento à solicitação em decisão consubstanciada na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 1995, 1996, 1997, 1998 Cerceamento do Direito de Defesa. Nulidade do Despacho Decisório. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Restituição. Decadência. Pagamento por Estimativa Mensal de IRPJ e CSLL. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, sendo este o prazo inicial da contagem de 5 (cinco) anos para pleitear a restituição do indébito tributário, nos termos dos arts. 165, I, e 168, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Restituição. Saldo Negativo do IRPJ e da Base de Cálculo Negativa da CSLL. Não há que se falar em restituição de IRPJ e CSLL, quando não restar comprovado a existência de pagamento indevido ou maior que o devido dos aludidos tributos que caracterize a liquidez e certeza do crédito tributário. Erro na Escrituração. Substituição do Livro Diário Já Autenticado. Impossibilidade. A retificação de lançamento feito com erro, em livro já autenticado pela Junta Comercial, deverá ser efetuada nos livros de escrituração do exercício em que foi constatada a sua ocorrência, observadas as Normas Brasileiras de Contabilidade, não podendo o livro já autenticado ser substituído por outro, de mesmo número ou não, contendo a escrituração retificada. Lucro Real. Escrituração do Livro Diário. Registro e Autenticação. Para fins de apuração do lucro real, poderá ser aceita, pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal, a escrituração do livro Diário, autenticado em data posterior ao movimento das operações nele lançadas, desde que o registro e autenticação tenham sido promovidos até a data prevista para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do correspondente exercício financeiro. Julgamento Administrativo. Caráter Vinculado. A autoridade administrativa deve observar nos seus julgados as normas legais e regulamentares, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos normativos. Inconstitucionalidade/Ilegalidade de Leis e Atos Normativos. Fl. 39703DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 5 4 Incabível na esfera administrativa a discussão de princípios constitucionais, inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e/ou atos normativos, os quais deverão ser observados pelo Poder Legislativo e Executivo no momento da criação da lei e do ato normativo. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário declarar a inconstitucionalidade das leis, porque se presumem constitucionais todos os atos emanados dos Poderes Executivo e Legislativo. Assim, cabe à autoridade administrativa apenas promover a aplicação das Leis nos estritos limites de seu conteúdo. Declaração de Compensação Não Homologada. Débitos Confessados. A interposição de manifestação de inconformidade contra decisão que não homologou Declaração de Compensação não suspende a exigibilidade do crédito tributário, devendo os débitos confessados serem objeto de cobrança, nos termos do art. 29, da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005. Pedido de Perícia/Diligência A autoridade julgadora determinará, de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências/perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Não se conformando, a interessada recorreu a este Colegiado (fls. 1.027/1.067) ratificando, em essência, as razões expedidas na peça impugnatória. Na sessão realizada em 11/03/2009, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF prolatou a Resolução 120100.001 (fls. 1.135/1.138) convertendo o julgamento do recurso em diligência a fim de que fossem adotados os seguintes procedimentos pela autoridade fiscal: 1) Verificar se as informações contidas na DIRJ ou DIPJ (normais ou retificadoras) referentes aos anoscalendário de 1995, 1996, 1997, 1998 e 1999; principalmente no que se refere aos valores com impacto na apuração do imposto e da CSLL, estão embasadas na escrituração da empresa, inclusive no que tange à extensa documentação trazida aos autos; 2) Exigir da interessada que indique e apresente claramente os documentos que lastrearam as retificações e os livros Diário questionados, sob pena de desconsiderálas; 3) Após verificação na resposta apresentada pelo sujeito passivo, elaborar relatório com indicação dos valores corretos, se existentes , do saldo devedor do IRPJ e base negativa da CSLL, para cada um dos anoscalendário (1995 a 1999, inclusive). Nesse relatório a autoridade poderá fazer as considerações que entender procedentes, inclusive, se for o caso, na ratificação da inidoneidade dos livros apresentados ao Fisco; 4) Cientificar o sujeito passivo do teor do relatório de que trata o item anterior para que, se o desejar, manifestese no prazo de dez (10) dias. Em atendimento, a autoridade responsável trouxe aos autos os documentos de fls. 1.143/1.188 demonstrando os procedimentos adotados e o Relatório de Diligência Fiscal, o qual foi cientificado ao sujeito passivo e não contestado. É o Relatório. Fl. 39704DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Relator No introdução do voto condutor da Resolução 120100.001 estabeleci os limite da lide no seguintes termos: Preliminarmente, importa delimitar com precisão os limites da lide. No pedido de restituição a interessada faz menção a um suposto crédito de R$ 3.863.620,36 que estaria demonstrado nas planilhas de fls. 07/11. Nesses demonstrativos, o que é confirmado pela petição de fl. 12, fica claro que o pedido abrangeria o montante do IRPJ e da CSLL recolhido a título de estimativas nos anoscalendário de 1995 a 1999, recolhimento esse considerado indevido pelo sujeito passivo por ter apurado, segundo alega, prejuízo fiscal nesses períodos. De imediato, é necessário esclarecer que, no que tange aos tributos em comento, o valor passível de restituição é representado, não pelas estimativas recolhidas, mas sim pelo eventual saldo negativo de imposto ou base de cálculo negativa da contribuição apurado no ajuste anual ou trimestral. Tal fato foi devidamente salientado no Despacho Decisório, inclusive com indicação do valor correspondente a esses saldos apurado tanto nas Declarações originais quanto nas retificadoras. O valor total do saldo negativo do IRPJ indicado nas Declarações originais correspondentes aos anoscalendário de 1995, 1996, 1997 e 1998 representa R$ 561.314, 89 enquanto a soma da base de cálculo negativa da CSLL nesses períodos foi R$ 509.502,47; indicando um saldo total a restituir ou compensar de R$ 1.070.817,36. Considerando as Declarações retificadoras nos anoscalendário de 1995 e 1996 (não houve retificação das Declarações concernentes aos anoscalendário de 1997 e 1998) aqueles valores corresponderiam a R$ 991.332,18 e R$ 763.485,72 respectivamente; o que indicaria um valor total a restituir de R$ 1.754.817,90. Portanto, se por hipótese o pedido da interessada fosse acatado sem restrições, seria esse o valor a ser homologado para esses períodos. O anocalendário de 1999 será analisado posteriormente . Para melhor esclarecimento, registrese que o valor do saldo negativo total do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL indicado nas declarações originais conforme supra informado (R$ 561.314,89 e R$ 509.502,47) representam a indicação na DIPJs originais dos anoscalendário de 1997 e 1998; pois nas Declarações correspondentes aos anoscalendário de 1995 e 1996 o sujeito passivo não informou estimativas recolhidas e saldo negativo do IRPJ ou base de cálculo negativa da CSLL. Ao considerar no texto supra transcrito as informações constantes das Declarações retificadoras cometi um equívoco e somei em duplicidade o valor apurado na Declaração de Rendimentos correspondente ao anocalendário de 1995. Assim, o valor do saldo negativo do IRPJ pleiteado e da base de cálculo negativa da CSLL, considerando as retificadoras é (TABELA 1): Fl. 39705DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 7 6 Anocalendário Saldo negativo do IRPJ Saldo base de calc. negat. CSLL 1995 93.129,47 60.450,56 1996 243.760,35 193.532,63 1997 281.945,84 225.556,68 1998 279.369,05 223.495,23 TOTAL 898.204,71 703.035,16 Portanto, relativamente aos anocalendário de 1995, 1996, 1997 e 1998 o valor total a restituir/compensar seria R$ 1.601.239,87 e não R$ 1.754.817,90 como anteriormente informado. Na DIPJ original do anocalendário de 1999 o sujeito passivo apurou saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 374.720,92 e base de cálculo negativa da CSLL no montante de R$ 424.816,68; resultando no montante de R$ 799.537,60 em valor original, passível de restituição ou compensação se confirmado. Já na DIPJ retificadora a interessada apurou IRPJ a pagar no valor de R$ 28.517,78 e base de cálculo negativa da CSLL no montante de R$ 255.260,48. Assim, a retificação trouxe valores mais desfavoráveis ao sujeito passivo, inclusive com apuração de imposto a pagar. O valor total a restituir/compensar incluindo as informações da Declaração retificadora referente ao anocalendário de 1999 seria R$ 1.856.500,35. Este é o montante (em valores originais) sob discussão. No Relatório de Diligência Fiscal, ao indicar, para os anoscalendário sob exame, o que seriam os valores corretos do saldo negativo do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL, a autoridade responsável comete um equívoco e apresenta uma tabela informando o lucro líquido para esses períodos. Vejamos uma comparação da tabela elaborada na diligência com os dados informados nas DIPJs, considerando as retificadoras (quando não questionadas na diligência) e as modificações efetuadas pela autoridade nas informações concernentes aos anoscalendário de 1996,1997 e 1999 (TABELA 2). Anocalendário IRPJsaldo devedor (sic) CSLL – base de cálc. negat. (sic) Lucro líquido DIPJ Lucro Real DIPJ 1995 (1.420.112,94) (1.420.112,94) (1.420.112,94) (1.381.788,97) 1996 (588.387,91) (588.387,91) (610.976,49) (503.797,22) 1997 (5.664.816,93) (5.664.816,93) (5.815.792,55) (5.710.280,02) 1998 (2.541.019,88) (2.541.019,88) (2.541.019,88) (2.120.940,96) Fl. 39706DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 8 7 1999 (1.689.478,60) (1.689.478,60) 2.314.354,25 1.708.954,83 Nos anoscalendário de 1995, 1996, 1997 e 1998 o resultado da diligência não impacta o pleito pois não há apuração de IRPJ e CSLL devidos e o saldo negativo do imposto e a base negativa da contribuição (TABELA 1) serão formados pelas estimativas, desde que devidamente recolhidas, o que será tratado posteriormente neste voto. Por outro lado, em relação ao anocalendário de 1999 a alteração foi significativa. Tanto a DIPJ original como a retificadora informaram os valores de lucro líquido e lucro real positivos, conforme informado na TABELA 2. A diligência transformou esses valores em prejuízo ( 1.689.478,60) o que implicaria em aumento do valor a restituir/compensar pleiteado! Tal alteração mereceria melhor esclarecimento pela autoridade diligenciante. Entendo que caberia solicitar ao responsável a ratificação ou retificação das informações prestadas e, em caso de ratificação, apresente memória de cálculo justificando as alterações. Com relação aos demais períodos, conforme já esclarecido, o saldo negativo do IRPJ e a base negativa da CSLL são aqueles informados na TABELA 1 e não na tabela informada no Relatório de Diligência. A TABELA 1 traz os valores concernentes às estimativas do IRPJ e da CSLL que teriam sido recolhidas (ou quitadas mediante compensação) e formariam o saldo negativo passível de restituição/compensação. Em relação a esses valores a autoridade responsável pela diligência assim se manifestou na descrição dos procedimentos adotados: (......) e)Exame das Estimativas apuradas com base na escrita, à vista dos dados respectivos nas DIRPJs/DIPJs, bem como, dos DARFs do Processo e dos registros de recolhimentos competentes (Sistema SINAL/RFB). (......) Como não houve qualquer esclarecimento adicional em relação a essa questão, poderseia deduzir que todas as estimativas foram devidamente recolhidas e estão aptas a integrar a composição do resultado. Entretanto, superada a questão das discrepâncias na escrituração, o procedimento de verificação do montante a compensar consiste fundamentalmente na conferência dos valores componentes do saldo negativo do IRPJ e da base de cálculo negativa da CSLL o que, no presente caso, consiste justamente nas estimativas recolhidas. Daí porque entendo que o recolhimento das estimativas merece pronunciamento específico atestando a regularidade. Como exemplo, numa análise perfunctória, não consegui localizar o DARF de pagamento da estimativa do IRPJ e da CSLL referentes ao mês de dezembro de 1995. Também não localizei vários pagamentos relativos ao anocalendário de 1996 onde alguns DARFs mencionam créditos que justificariam o recolhimento a menor do valor devido, sem esclarecimentos quanto à origem desses créditos. Fl. 39707DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10320.001021/200172 Resolução nº 1402000.191 S1C4T2 Fl. 9 8 Ainda nessa questão, a DIPJ referente ao anocalendário de 1999 informa que a maior parte das estimativas foi quitada mediante parcelamento, o que também mereceria melhor análise. Especificamente quanto à base de cálculo negativa de CSLL, o somatório dos valores indicados na Ficha 29 da DIPJ (cálculo da CSLL mensal por estimativa) chega a R$ 399.966,21 enquanto o valor utilizado na apuração do resultado foi R$ 424.816,68 (47.878,36 + 376.938,32). Pelo exposto, conduzo meu voto no sentido de converter novamente o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade fiscal: Ratifique ou retifique o valor do lucro líquido (e por conseqüência do lucro real) referente ao anocalendário de 1999, tendo em vista as divergências entre o valor indicado na DIPJ e aquele informado no Relatório de Diligência, divergência essa que implicaria em reconhecer um crédito maior que o solicitado para o período em questão; Faça as verificações pertinentes e confirme ou não o recolhimento das estimativas referentes aos anoscalendário 1995, 1996, 1997, 1998, 1999; especificadas nas tabelas constantes do volume 1 dos autos (fls. 07/11). Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 39708DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 27/08 /2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15374.721081/2008-70
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 21 08 1/ 20 08 -7 0 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 57 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 48/49 contra decisão da 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (fls. 33/37) que indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte. Quanto aos fatos, consta dos autos: que a recorrente transmitiu, eletronicamente, pela internet PER/DCOMP, utilizando crédito – direito creditório – no valor de R$ 291,35, de pagamento indevido ou a maior do SIMPLES do período de apuração 28/02/2002, para quitação, sob condição resolutória, de débito tributário do SIMPLES no valor de R$ 8.045,19, codigo de receita 6106 0, do período de apuração de dezembro/2002, com vencimento em 10/01/2003.A seguir, para melhor compreensão dos fatos, transcrevo quadro resumo do PER/DCOMP objeto dos autos: PER/DCOMP DATA DE TRANS. ORIGEM DO CRÉDITO (pag. indevido ou a maior) DATA ARRECA DAÇÃO – DARF VALOR DARF VALOR ORIG. UTIL. NA COMP. FFllss.. 40701.31349.010703.1.3.047736 01/07/2003 Simples (61060) 11/03/2002 4.224,56 291,35 04/08 que houve processamento eletrônico do PER/DCOMP, deferindo o crédito pleiteado, com homologação parcial da compensação até o limite do crédito deferido, conforme Despacho Decisório da DERAT/Rio de Janeiro, de 16/06/2008, que transcrevo a seguir (fl. 110, in verbis: (...) FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 291,35. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 28/02/2002 6106 4.224,56 11/03/2002 Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para guitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/06/2008. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 58 3 PRINCIPAL MULTA JUROS DE MORA 7.763,96 1.552,79 6.414,58 (...) Ciente desse despacho decisório (fl. 12), a contribuinte apresentou a peça de Manifestação de Inconformidade em 18/07/2008 contra o despacho decisório no processo nº 10768900.832/200794, pedindo, por conseguinte, a apensação, por anexação, das peças do citado processo aos presentes autos que tratam da cobrança de difrença de débito do SIMPLES do período de apuração de dezembro/2002, suscitando as seguintes razões (fl. 23), in verbis: (...) 1° O Contribuinte declarou o total do imposto Simples do período de 12/2002 — em sua declaração de IRPJ — recepcionada pela Receita Federal em 29/05/2003— Recibo : 0347090950 — Débito do Imposto R$ 8.045,19 . De acordo com o Art°. 5º a Lei 9.317 de 1996. Conforme artigo 139 da Lei 5.172 constituindo assim o credito tributário confissão da divida. Conforme a declaração o valor compensado do débito foi de R$ 713,11 —Discriminado nas Per/Dcomp abaixo. 2° A PER/DCOMP de n °. 40701.31.349.010703.1.3.047736 foi preenchida com valor do débito errado – sendo o valor do débito correto desta, o valor de RS 291,35, pois o débito total do mês 12/2002 — R$ 8.045,19 — FOI DECLARADO ERRADAMENTE EM TODAS AS PER/DCOMP abaixo discriminadas. Quando o valor do débito correto a ser declarado seria o crédito compensado em cada declaração. 3º Devido ao erro ocorrido acima gerou 03 cobranças do débito de 12/2002 completamente indevidas urna vez que sendo cadastrada no Simples, não teria como ter um débito referente a 12/2002 no valor original de R$ 21.447,60 — completamente incompatível com sua Declaração de Imposto de Renda descrita acima. Solicito que este processo seja apensado ao PROCESSO 10768.900.833/200739, para uma melhor visualização do ocorrido e dispensa de anexarmos todas as declarações em vários processos. (...) Obs: os autos do processo nº 10768900.832/200794 foram apensados, por anexação, aos presentes (fls. 02/26), conforme despacho de 27/05/2010 (fl. 27). Ainda, consta que foram anexados aos presentes, por apensação, os autos do processo nº 15374.720121/200947, conforme despacho de 05/09/2011 (fl. 38) A interessado juntou, ainda, outra petição, desta vez, de 27/04/2010, à fl. 13, onde reitera suas alegações, acrescentando que não existe débito de 12/2002, já que foi pago um Darf de R$ 7.332,08, in verbis: (...) NÃO EXITE DÉBITO REFERENTE AO MÊS 12/2002 — foi pago um DARF no valor de R$ 7.332,08 e compensado o valor de R$ 713,11 — através da referida per/dcomp acima. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 59 4 Em anexo, juntou a contestação à exclusão de oficio simples nacional protocolado com numero 10768.006581/200831, tendo em vista que já foi cancelado o ato declaratório, conforme os anexos. Solicito que seja cancelado o débito em virtude do exposto. (...) A DRJ/Rio de Janeiro I, por sua vez, compulsando os autos constatou que o crédito pleiteado já havia sido deferido pelo despacho decisório, entendendo, por conseguinte, que não haveria litígio, indeferindo a manifestação de inconformidade, conforme Acórdão de 24/08/2011 (fls. 33/37), cuja ementa e parte dispositiva transcrevo: (...) ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Data do fato gerador: 11/03/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RECONHECIMENTO. NÃO HÁ LITÍGIO. Uma vez que o crédito pleiteado foi reconhecido integralmente pela autoridade a quo competente, não há litígio com relação ao direito creditório. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. VEDAÇÃO. É vedada a retificação da declaração de compensação (DCOMP) após já ter sido proferido o Despacho Decisório pela autoridade a quo competente. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DÉBITOS DECLARADOS. RETIFICAÇÃO. DRJ. FALTA DE COMPETÊNCIA. A retificação de declaração de compensação (DCOMP) e/ou de débitos declarados não está na esfera de competência da autoridade julgadora da DRJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Outros Valores Controlados Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM os membros da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro — I, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE e INDEFERIR A SOLICITAÇÃO DO INTERESSADO. (...) Fl. 59DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 60 5 Irresignada com esse decisum do qual tomou ciência em 23/01/2012 (fl.43), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/02/2012 (fls. 48/49), reiterando as razões já apresentadas na instância a quo, acrescentando, ainda, que: em relação ao débito do Simples, PA dezembro/2002, de R$ 8.045,19, recolheu em DARF a importância de R$ 7.332,08 e que a diferença de débito de R$ 713,11 foi objeto de 3 (três) PER/DCOMP: PERD/COMP PROCESSO N° Vr. Correto Débito 12/2002 03720.21574.010703.1.3.043154 10768900.833/200739 R$ 202,27 40701.31349.010703.1.3.047736 10768900.832/200794 R$ 291,35 30883.01332.010703.1.3.042074 10768.900.834/200783 R$ 219,49 Total Compensado Referente 12/2002 R$ 713,11 que, inadvertidamente, em cada compensação tributária foi informado o mesmo débito total apurado do SIMPLES de R$ 8.045,19 do PA dezembro/2002, e não o valor residual do débito; que, devido a esse erro de preenchimento dos PER/DCOMP, a RFB passou a exigir o débito do Simples do PA dezembro/2002, multiplicado por 3, ou seja, R$ 23.447,60 (R$ 8.045,19 x 3); que o débito compensado em cada DCOMP, conforme demonstrado na tabela acima, coincide com o respectivo crédito informado; que inexiste o débito objeto da carta de cobrança destes autos; que, em relação ao PER/DCOMP nº 30883.01332.01073.1.3.042074, processo nº 10768.900.834/200783, a DRJ/Rio de Janeiro I acatou o erro de fato, procedendo à retificação de ofício Acórdão nº 123612 da 4ª Turma; que, em anexo, estão a Declaração Anual Simplificada PJ 2003 – Simples e o DARF referente pagamento do SIMPLES de 12/2002 que comprovam a incoerência da cobrança. (Obs: diversamente do alegado pela recorreente, não houve a juntada aos autos desses comprovantes). Por fim, ante o exposto a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida. É o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 61 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, a contribuinte apurou débito do SIMPLES no valor de R$ R$ 8.045,19, atinente ao período de apuração (PA) de dezembro/2002, com vencimento para o dia 10/01/2003. A contribuinte alegou nos autos que, em relação a esse débito do SIMPLES: a) fizera recolhimento, por meio de DARF, da importância de R$ 7.332,08 (não juntou aos autos cópia do DARF); b) compensara a diferença de débito de R$ 713,11 por meio de 3 (três) PER/DCOMP: PERD/COMP PROCESSO N° Vr. Correto Débito 12/2002 03720.21574.010703.1.3.043154 10768900.833/200739 R$ 202,27 40701.31349.010703.1.3.047736 10768900.832/200794 R$ 291,35 30883.01332.010703.1.3.042074 10768.900.834/200783 R$ 219,49 Total Compensado Referente 12/2002 R$ 713,11 c) cometera idêntico erro ou equívoco nos 3 (três) PER/DCOMP ao informar o mesmo débito total do período de apuração de dezembro/2002 no valor de R$ 8.045,19, ao invés de informar apenas a parcela do débito objeto de compensação, em cada DCOMP, que equivale ao valor do crédito utilizado; d) os 3 (três) PER/DCOMP foram objeto de despacho eletrônico; que o fisco passou a exigir débito do SIMPLES de R$ 8.045,19 para cada desses despachos, ou seja, o débito apurado do período de dezembro/2002 foi multiplicado por 3 (três), em face do mencionado erro de preenchimento dos PER/DCOMP; e) a exigência é indevida; que não há débito em aberto; que contestou os respectivos despachos decisórios, em relação a cada um dos PER/DCOMP, gerando 3 (três) processos, os quais, lamentavelmente, não foram reunidos para julgamento conjunto, implicando decisões contraditórias; f) em relação ao PER/DCOMP nº 30883.01332.01073.1.3.042074, processo nº 10768.900.834/200783, a DRJ/Rio de Janeiro I acatou o erro de fato, procedendo à retificação de ofício Acórdão nº 123612 da 4ª Turma; g) já, em relação ao PER/DCOMP nº 40701.31349.010703.1.3.047736, processo nº 10768900.832/200794, juntado, por apensação, aos presentes autos de cobrança de débitos do SIMPLES do período de apuração de dezembro/2002, a 7ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I simplesmente não conheceu da manifestação de inconformidade, alegando que o crédito pleiteado já fora integralmente deferido pelo despacho descisório, inexistindo lide a ser Fl. 61DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 62 7 apreciada quanto à matéria de direito; que não cabe à DRJ conhecer do erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP; que tal competência é da unidade de origem da RFB, mediante revisão de ofício, se for o caso. Conforme exposto, a contribuinte, em tese, teria preenchido os PER/DCOMP incorretamente, informando o mesmo débito total de R$ R$ 8.045,19 do PA dezembro/2002 por três vezes consecutivas e integralmente, ou seja, uma vez em cada um dos PER/DCOMP; porém, a maior parte desse débito teria sido paga, recolhida, em DARF, no valor de R$ R$ 7.332,08, ficando, apenas, a diferença de débito de R$ 713,11 para ser compensada, e que foi distribuída pelos 3 (três) PER/DCOMP já mencionados alhures. Entretanto, não constam dos autos os documentos que pudessem formar a convicção do julgador de que houve, mesmo, o erro de fato no preenchimento dos PER/DCOMP, pois a contribuinte: a) não juntou cópia da Declaração Simplificada do Simples do anocalendário 2002, quanto ao débito apurado do IRPJ a pagar do período de apuração de dezembro/2002 ; b) não juntou cópia do DARF de recolhimento do valor de R$ 7.332,08, atinente ao período de apuração de dezembro/2002; c) não juntou cópia da decisão da DRJ/Rio de Janeiro I, proferida no processo conexo nº 10768.900.834/200783, que teria acatado o erro de fato, procedendo à retificação de ofício Acórdão nº 123612 da 4ª Turma. De modo que, sem esses elementos de prova, não há como formar convicção quanto ao mérito do litígio objeto dos autos. Propugno então pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem da RFB, no caso, a DERAT/Rio de janeiro: a) proceda à intimação da contribuinte para fazer a juntada dos documentos citados anteriormente; b) junte confirmação do pagamento referente ao DARF no valor de R$ 7.332,08. c) efetue relatório completo do resultado da diligência, de forma circunstanciada, demonstrando se houve ou não erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP objeto dos autos. Se a conclusão do relatório apontar, realmente, pela existência, caracterização e comprovação de erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP objeto dos autos, então tal erro de fato deverá ser sanado pela DRF de origem, no caso a DERAT/Rio de Janeiro, em face de sua competência para proceder à revisão de ofício do despacho decisório (matéria de fato), conforme art. 147 do CTN, devendo, nesse caso, após a correção do erro de fato, o processo ser arquivado nessa unidade de origem da RFB. Por outro lado, caso o resultado da diligência consignado no relatório final, com base nas provas coletadas, demonstar a inexistência do alegado erro de preenchimento do PER/DCOMP, a unidade de origem da RFB dever intimar a recorrente do resultado da diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação nos autos. Nesse caso, Fl. 62DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 15374.721081/200870 Resolução nº 1802000.114 S1TE02 Fl. 63 8 transcorrido o prazo para apresentação de contrarrazões (com ou sem manifestação da contribuinte), remetamse os autos para o CARF para prosseguimento do julgamento. Por tudo que exposto, voto pela CONVERSÃO do julgamento em diligência fiscal, para realização pela DRAT/Rio de Janeiro das providências determinadas acima . (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 63DF CARF MF Impresso em 19/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 16/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/08/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001755/2010-90
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto.
LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO.
Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização - que envolve o acondicionamento no pallet, plástico de coberto e colocação do filme strecht - não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratando-se, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito.
RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL.
O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3802-001.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de pallets de madeira, plástico de coberto e filme plástico do tipo stretch, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Pallaretti Calcini, OAB/SP nº 197.072.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização - que envolve o acondicionamento no pallet, plástico de coberto e colocação do filme strecht - não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratando-se, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de pallets de madeira, plástico de coberto e filme plástico do tipo stretch, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Pallaretti Calcini, OAB/SP nº 197.072.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 55 /2 01 0- 90 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral o Dr. Fábio Pallaretti Calcini, OAB/SP nº 197.072. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Ementa: CONCEITO DE INSUMO. MATERIAL DE EMBALAGEM. O conceito de insumo abrange somente a embalagem incorporada ao produto durante o processo de industrialização, que agregue valor comercial ao produto através de sua apresentação ou que objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. PROPORCIONALIDADE. PERCENTUAIS DE RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS NO MERCADO INTERNO. COMPOSIÇÃO DA RECEITA BRUTA TOTAL. O crédito ressarcível oriundo de Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 3802001.632 S3TE02 Fl. 206 3 custos, despesas e encargos comuns, quando determinado pelo método da proporcionalidade, será obtido aplicandose a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total da empresa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A manifestação de inconformidade foi apresentada em face de despacho decisório proferido em pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado de PIS/Pasep. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”, materiais estes utilizados no acondicionamento do produto industrializado pela Recorrente. Isso porque, de acordo com o Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), o creditamento seria restrito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização, sem compreender os materiais de acondicionamento, utilizados exclusivamente para fins de transporte das mercadorias. Entendeuse ainda que o interessado não teria juntado qualquer prova de que os referidos materiais seriam vendidos com o produto final; e que, ademais, a apuração do crédito relativo a custos, despesas e encargos comuns deveria ser determinada a partir da receita bruta total da empresa, e não apenas sobre a receita da venda de produtos lácteos. O Recorrente, nas razões de fls. 142168, sustenta que a confrontação entre os créditos da unidade de laticínios com a totalidade dos ingressos da cooperativa, realizada pela autoridade fiscal, seria contrária ao disposto no art. 15, III, da Lei nº 9.779/1999, o que implicaria a nulidade do auto de infração. Alega que a própria Fiscalização teria validado o critério de confrontação da totalidade dos créditos dos estabelecimentos do sujeito passivo, por meio do processo administrativo nº 13016.000165/200739. E que essa orientação seria vinculante, por força do disposto no arts. 100 e 146 do Código Tributário Nacional. Aduz que o conceito de insumos seria mais amplo que o adotado pela decisão recorrida, compreendendo todos os custos, despesas e dispêndios que contribuam de forma direta ou indireta para o exercício da atividade econômica, visando à obtenção de receita. O direito ao crédito também seria decorrente da natureza dos produtos fabricados (do gênero alimentício), sujeitos à exigências e imposições de outros órgão públicos para o exercício da atividade econômica, em especial a Resolução nº 10/1984, do Ministério da Agricultura, Portaria SVS/MS nº 326/1997 e Resolução Anvisa nº 275/2002. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 15/12/2011 (fls. 138), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 29/12/2011 (fls. 139 e 204), portanto, dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). A matéria em debate, por sua vez, está 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 inserida na competência da Terceira Seção, de sorte que, presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE O Recorrente alega preliminarmente a nulidade do auto de infração em razão da não observância dos critérios de rateio dos créditos. Tratase, porém, de preliminar que se confunde com o mérito e deve ser apreciada em conjunto com este. II DO DIREITO AO CRÉDITO DE EMBALAGENS A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 3802001.632 S3TE02 Fl. 207 5 aserviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, verificase que a DRJ, consoante já destacado, não reconheceu o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”, assentado nos seguintes fundamentos: “[...] Considerando a definição do vocábulo ‘insumo’ nas instruções normativas supramencionadas [Instruções Normativas n° 247/2002e n° 404/2004] e, de interesse no contexto tratado no presente processo, devese concluir que são citados a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Observese que a abrangência da definição ‘insumo’ remete à produção ou fabricação do produto, dessa forma o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que produz despesa necessária à atividade da empresa, mas, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, sejam, direta e efetivamente, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados a ̀venda. Tendo em vista que a utilização desses créditos resultará em redução da contribuição devida, equivalendo a uma renúncia de receita, cumpre observar o princípio da interpretação literal, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos, consoante o disposto no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional). Assim, há que se interpretar restritivamente a legislação referente à nova sistemática. A dúvida suscitada reside especificamente se os valores indicados pelo interessado, relativos aos gastos com material utilizado no acondicionamento para transporte podem ser considerados insumos. O relatório fiscal menciona claramente que a glosa foi efetuada sobre as aquisições de bens considerados fora do conceito de insumos, o que se deu em relação às despesas com embalagens que se destinavam ao transporte dos produtos elaborados, no caso: pallets de madeira, plástico de cobertura e filme plástico transparente ‘stretch’. Neste ponto, é importante tecer alguns comentários acerca da diferenciação entre as embalagens que acondicionam diretamente aos produtos e a eles se incorporam, e aquelas utilizadas apenas para o seu transporte. Embora aqui a discussão verse sobre a base de cálculo do PIS e da COFINS, buscase na legislação do IPI (Decreto n. 4.544/2002 RIPI), conforme o próprio interessado mencionou em sua manifestação, a distinção entre os dois tipos de embalagem: [...] 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 3802001.632 S3TE02 Fl. 208 7 Resta evidente, portanto, a distinção existente entre as embalagens incorporadas aos produtos apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam, por conta disso, tãosomente ao seu acondicionamento e transporte, e aquelas embalagens incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, que geram créditos a serem descontados das contribuições, por se constituírem em insumos, na acepção da legislação. Podese, assim, dizer que a embalagem de apresentação é aquela com a qual o produto se apresenta ao usuário no ponto de venda, ou seja, é a embalagem tida como elemento importante na decisão de compra do produto que estará junto com outros nas prateleiras. Temse, portanto, que o direito ao creditamento abrange somente a embalagem incorporada ao produto durante o processo de industrialização, que agregue valor comercial ao produto através de sua apresentação e que objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. Assim, considerando o relatório fiscal elaborado pela unidade jurisdicionante e as próprias ponderações da interessada em sua manifestação de inconformidade, quando juntou fotografias para demonstrar os materiais cujas aquisições tiveram os respectivos créditos glosados, fica claro que os pretendidos créditos se referem a despesas com materiais de acondicionamento utilizados exclusivamente para o transporte das mercadorias. Devese ressaltar, a partir da observação das próprias fotografias anexadas pelo contribuinte, que seu produto é também acondicionado em outras embalagens que são de fato incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, com põe sua apresentação final e acabamento para utilização pelo consumidor, como é o caso das caixas menores de papelão para acondicionamento em lotes de 12 unidades e das embalagens do tipo ‘tetrapack’, cujas aquisições corretamente não foram glosadas, gerando o respectivo direito ao crédito. Importante, também, frisar que o interessado não juntou qualquer documentação no sentido de apontar que os referidos materiais de acondicionamento, cujas aquisições foram glosadas, possam ter sido vendidos juntamente com seu produto ao consumidor final. Pelo contrário, em face das evidências de que tais materiais de acondicionamento sequer integram os produtos na forma em que estes se apresentam ao consumidor final no ponto de venda, não resta outra alternativa senão considerálos como utilizados exclusivamente no transporte dos produtos industrializados.” A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito de insumo restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 244/2004 não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: Art. 66. [...] § 5º Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput, entende se como insumos: I – utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 213DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Por outro lado, no presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições HigiênicosSanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matériasprimas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matériasprimas e produtos acabados: 8.8.1 – As matériaprimas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi demonstrado ainda que o “pallet” têm natureza “oneway” (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. O Recorrente, portanto, mesmo considerando os critérios da IN SRF nº 244/2004 e ao conceito de insumo adotado pela jurisprudência do CARF, tem direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira não retornáveis (“one way”), plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11020.001755/201090 Acórdão n.º 3802001.632 S3TE02 Fl. 209 9 Por fim, afastada a interpretação restritiva adotada pela decisão recorrida, descabe a exigência de prova da venda dos materiais de acondicionamento com o produto ao consumidor final. III DOS CRITÉRIOS DE RATEIO Em relação as receitas decorrentes da venda de produtos sujeitos à alíquota zero, o Recorrente por não apresentar um sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração optou pela aplicação do critério do rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003: “Art. 3º [...] § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Foram consideradas, porém, apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero, o que, de acordo com o sujeito passivo, teria sido validado no âmbito do processo administrativo nº 13016.000165/200739. Referida orientação, ainda segundo o interessado, seria vinculante para a Administração Fazendária, por força do disposto no arts. 100 e 146 do Código Tributário Nacional. Todavia, em que pese as razões aduzidas pelo Recorrente, entendese que, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, acima transcrito, o rateio proporcional deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês. Deve ser mantida, assim, o critério do despacho decisório, acolhido pela decisão recorrida, nos termos seguintes: O disposto nos incisos II, dos §§ 8o, acima transcritos, é bem claro ao determinar que a relação percentual aplicase aos custos, despesas e encargos comuns. Ao estabelecerem o método de rateio proporcional, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 definem que a relação proporcional deve ser aquela observada entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. A expressão "receita bruta total" utilizada não comporta a interpretação restritiva Fl. 215DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 pretendida pelo interessado no sentido de reduzir o conceito do termo empregado, para incluir apenas as receitas decorrentes de vendas de produtos lácteos. Caso o legislador, em algum momento, pretendesse se referir somente à parcela das receitas decorrentes da atividade principal da empresa. O processo administrativo nº 13016.000165/200739, por sua vez, como se depreende da passagem transcrita na petição recursal, limitouse a reproduzir o mesmo critério da legislação, isto é, não autorizou, com a devida vênia, o cálculo por estabelecimento: “[...] os custos e encargos comuns devem ser rateados consoante contabilidade de custos integrada e coordenada com a contabilidade ou – s.m.j., por analogia, conforme art. 108 do CTN, com o § 8º do art. 3º das leis 10.637 e 10.833 – segundo a proporção das receitas brutas da venda de produtos de alíquota zero comparadas às receitas de produtos tributados a alíquotas positivas. Destarte, no item 2 da intimação fiscal nº 07, intimados a contribuinte a efetuar o rateio segundo um desses dois critérios.” (documentos em anexo, os grifos são nossos).” Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, reconhecendo o direito ao crédito relativo às aquisições de “pallets” de madeira, plástico de coberto e filme plástico transparente do tipo “stretch”. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 216DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/09/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 10945.002302/2006-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA-CONJUNTA. CO-TITULAR FALECIDO.
Nos casos de conta conjunta, ambos os titulares devem ser intimados a comprovar a origem dos depósitos bancários. Importa salientar que a obrigação de fazer prova da origem, estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, é do titular (ou co-titular) da conta e tem natureza personalíssima, o que implica ser impossível cumprir o requisito da intimação a ambos os titulares, sendo um deles falecido, por meio de intimação ao inventariante.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Manoel Coelho Arruda Junior - Relator
EDITADO EM: 08/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo BonetAllage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior - Relator EDITADO EM: 08/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo BonetAllage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTACONJUNTA. COTITULAR FALECIDO. Nos casos de conta conjunta, ambos os titulares devem ser intimados a comprovar a origem dos depósitos bancários. Importa salientar que a obrigação de fazer prova da origem, estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, é do titular (ou cotitular) da conta e tem natureza personalíssima, o que implica ser impossível cumprir o requisito da intimação a ambos os titulares, sendo um deles falecido, por meio de intimação ao inventariante. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 23 02 /2 00 6- 18 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Junior Relator EDITADO EM: 08/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo BonetAllage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão de n° 2802 00.380, proferido em 26/07/2010, interpõe, através do seu representante legal, Recurso Especial à Camara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, visando a revisão do julgado. Ciente, formalmente, daquele acórdão em 24/11/2010, conforme Intimação constante à fl. 112, a digna representante da Fazenda Nacional protocolizou o seu Recurso Especial, tempestivamente, em 25/11/2010, isto 6, dentro do prazo de 15 (quinze) dias fixado pelo caput do artigo 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Suscita a digna representante da Fazenda Nacional que, nos termos do art. 67 o Regimento Interno, compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Em sessão plenária de 26/07/2010, a 2' Turma Especial da 2a Câmara da 2a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgou o Recurso Voluntário n° 157.650, proferindo a decisão consubstanciada no Acórdão n° 280200.380, assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. COTITULAR FALECIDO. Nos casos de conta conjunta, ambos os titulares devem ser intimados a comprovar a origem dos depósitos bancários. Importa salientar que a obrigação de fazer prova da origem, estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, é do titular (ou co titular) da conta e tem natureza personalíssima, o que implica Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10945.002302/200618 Acórdão n.º 9202002.494 CSRFT2 Fl. 12 3 ser impossível cumprir o requisito da intimação a ambos os titulares, sendo um deles falecido, por meio de intimação ao inventariante. Recurso provido. A decisão foi assim resumida: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso interposto, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros os José Evande Carvalho de Araújo e Dayse Fernandes Leite (Suplentes convocados) que negavam provimento. O recurso está manejado quanto à discussão da responsabilidade tributária do inventariante ou dos herdeiros em informar a origem dos depósitos bancários relativo a época em que o cotitular da conta bancária de cujus estava vivo e as contas bancárias eram movimentadas em conjunto. Para arrimar sua pretensão, a PGFN apresenta os seguintes acórdãos como paradigmas: 10247.643 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO — ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. SIGILO DE DADOS – Inexiste proteção ao sigilo bancário quando o contribuinte oferece esses dados em atendimento a intimação expedida pelo Fisco e não se manifesta contra el sua utilização durante todo o procedimento e conclusão do feito. NORMAS PROCESSUAIS — VIGÊNCIA DA LEI — A lei que dispõe futuros e pendentes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ESPÓLIO COMPROVAÇÕES – Para efeitos tributários, ao espólio, exceto quanto a responsabilidade tributária se aplicam as mesmas normas a que se sujeitam as pessoas fisicas. Cumpre ao inventariante efetuar as comprovações exigidas pelo fisco que caberiam ao de cujus, antes do transcurso do prazo decadencial, mormente quando apresentavam declaração de IRPF em conjunto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte ou seu representante, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idónea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminar rejeitada. Recurso negado. 10616177 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 4 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Na hipótese de conta corrente mantida em conjunto, cujas informações dos contribuintes tenham sido apresentadas em separado e inexistindo comprovação da origem dos recursos, o valor dos rendimentos presumidamente omitidos deverá ser imputado a cada titular, mediante divisão entre o total desses rendimentos pela quantidade de titulares. IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 ATÉ 0 LIMITE SOMADO DE R$ 80.000,00 Conforme preconiza o artigo 42, ,f 3 0, inciso II, da Lei n° 9.430/96, corn a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997, no caso de pessoa fisica não são considerados rendimentos omitidos, para os fins da presunção do artigo 42 da Lei n° 9.430/96, os depósitos de valor igual ou inferior a R$ 12.000,00 até o limite somado de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Recurso provido. Em Despacho n 280200.435 – 2ª Câmara [fls. 121 e ss], o i. Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção deu seguimento ao recurso especial, tendo vislumbrado a similitude das situações fáticas nos acórdãos recorrido e paradigma, motivo pelo qual entendeu que está configurada divergência jurisprudencial apontada. Devidamente intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões que reitera os argumentos dispostos no decisum recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator O presente recurso especial é tempestivo. Antes de proceder à análise de ditos julgados, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, assim entendida a diversidade de interpretações conferidas lei tributária, conforme previsto no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.Desta forma, tornase imprescindível a transcrição dos artigos 67 ao 71, que disciplinam a interposição de recurso à E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, in verbis: Seção II Do Recurso Especial Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10945.002302/200618 Acórdão n.º 9202002.494 CSRFT2 Fl. 13 5 § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à materia prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade.{1} § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.{1} Art. 68. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do contribuinte, deverá ser formalizado em petição dirigida ao presidente da câmara à qual esteja vinculada a turma que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de 15 (quinze) dias contados da data da ciência da decisão. § 1° Interposto o recurso especial, compete ao presidente da câmara recorrida, em despacho fundamentado, admitilo ou, caso não satisfeitos os pressupostos de sua admissibilidade, negarlhe seguimento. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 6 § 2° Se a decisão contiver matérias autônomas, a admissão do recurso especial poderá ser parcial. Art. 69. Admitido o recurso especial interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional, dele será dada ciência ao sujeito passivo, assegurandolhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contrarrazões e, se for o caso, apresentar recurso especial relativa à parte do acórdão que lhe foi desfavorável. Art. 70. Admitido o recurso especial interposto pelo contribuinte, dele será dada ciência ao Procurador da Fazenda Nacional, assegurandolhe o prazo de 15 (quinze) dias para oferecer contrarrazões. Art. 71. O despacho que rejeitar, total ou parcialmente, a admissibilidade do recurso especial será submetido à apreciação do Presidente da CSRF. § 1° O Presidente do CARF da CSRF poderá designar conselheiro da CSRF para se pronunciar sobre a admissibilidade do recurso especial interposto. § 2° Na hipótese de o Presidente da CSRF entender presentes os pressupostos de admissibilidade, o recurso especial terá a tramitação prevista nos art. 69 e 70, dependendo do caso. § 3° Será definitivo o despacho do Presidente da CSRF que negar ou der seguimento ao recurso especial. É necessário, que os autos encontramse na de Recurso Especial, cuja interposição, como remédio jurídico, deuse contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Camara ou Turma do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Razão pela qual são rígidos os pressupostos para a sua admissibilidade. E o primeiro deles é exatamente a identidade fática entre os acórdãos que se pretende cotejar. Isso porque, se é certo que a divergência diz respeito a questão de direito e nunca a questão de fato, é evidente que se os fatos são diversos a interpretação da norma jurídica não pode ter sido divergente. Importa salientar que se trata de Recurso Especial Divergência, e esta somente se caracteriza quando, em situações idênticas, de fato e de direito, são adotadas soluções diversas. Ademais, o ônus de demonstrar fundamentadamente a alegada divergência é do recorrente, conforme bem especifica o art. 67 e seus §§, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Feitas estas considerações, passase à análise do acórdão paradigma, a ver se efetivamente retrataria situação idêntica Aquela verificada no acórdão recorrido. Isso porque o Julgador é livre para formar sua convicção, e esta encontrase atrelada ao conjunto probatório constante de cada processo, mormente quando se trata de matéria de prova. Do confronto entre os acórdãos recorrido e paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, aplicado a um mesmo fato, que no caso em questão é a discussão sobre a responsabilidade do inventariante ou dos herdeiros em informar a origem dos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10945.002302/200618 Acórdão n.º 9202002.494 CSRFT2 Fl. 14 7 depósitos bancários relativo a época em que o cotitular da conta bancária de cujus estava vivo e as contas bancárias eram movimentadas em conjunto. Assim, a mera leitura dos acórdãos recorrido e paradigmas permite concluir que são acórdãos divergentes, pois tratam de matérias tributárias iguais, de fato e de direito, de forma diferente. Ou seja, tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no acórdão recorrido entendeuse, que a obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, é do titular e/ou cotitular da contacorrente e tem natureza personalíssima. Portanto, não há como imputar ao espólio a obrigação de comprovar depósitos feitos à época em que o cotitular da conta bancária era vivo e que nessas condições, não subsiste a ação fiscal levada a efeito, desde o seu inicio, contra os titulares da contacorrente. Por sua vez, no acórdão paradigma, ao contrário do que se concluiu no acórdão recorrido, considerouse que, para efeitos tributários, ao espólio, exceto quanto responsabilidade tributária, se aplicam as mesmas normas a que se sujeitam as pessoas fisicas e que cumpre ao inventariante efetuar as comprovações exigidas pelo fisco que caberiam ao de cujus, antes do transcurso do prazo decadencial. Dessa forma, conheço do Especial interposto. Da análise do Recurso Especial interposto verifico que a autuação se trata, [folhas 111112]: O relatório de fl. 50 mostra que o exator atribuiu à Recorrente 50% dos depósitos não comprovados apurados na conta n° 10790026918, Banco HSBC (fls. 47149), a partir de fevereiro/2002 e até novembro do mesmo ano. Assim o fez, conforme lá relata, porque a interessada foi incluída como co titular da conta em 28/01/2002. Os restantes 50% foram atribuídos ao espólio do contribuinte Celso Pedro Piccoli, CPF 346.671.00925, falecido em 23/08/2005 (certidão de óbito A fl. 45). Portanto, tudo se deveu a suposta constatação de depósitos bancários de origem não comprovada numa conta conjunta, ao longo do ano de 2002, de que era cotitular contribuinte que veio a falecer no ano de 2005. Importante salientar que a fiscalização (ao menos quanto A Recorrente) teve inicio em 07/07/2006, com a expedição do Mandado de Procedimento Fiscal de fl. 01. A fl. 53, o autuante informa, em seu relatório, que a Recorrente foi intimada "tanto na presente fiscalização quanto na fiscalização do espólio de Celso Pedro Piccoli, no qual figura como inventariante", denotando claramente que ambos os procedimentos de fiscalização (da Recorrente e do espolio) tiveram inicio após o falecimento do cotitular. Como esclarecimento, o cerne da questão trata da possibilidade, ou não, de utilização da presunção expressa no Art. 42 da Lei 9.430. de 1996, sobre espólio. Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 8 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Como consta do texto legal, os valores serão considerados como receitas se o titular da conta de depósito ou de investimento não “comprovar” a origem dos recursos utilizados. Nesse caso o Fisco deve utilizar a presunção, mas o titular poderá, no curso do processo administrativo fiscal, fazer prova em contrário, demonstrando que àqueles valores não deveriam ser tributados. Portanto, como a guarda da documentação e a possibilidade de utilização da presunção recaem sobre o titular da conta, obrigação personalíssima, não cabe o lançamento em nome do espólio. Não se deve confundir essa possibilidade de utilização de presunção com responsabilização tributária, expressa no Art. 121 do CTN. Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A digna Procuradoria alega que não há determinação legal sobre a não utilização da presunção sobre o espólio, mas não há, também, a determinação legal para que a utilização dessa presunção seja válida sobre o espólio. Posição esclarecedora consta do acórdão recorrido, aprovado por unanimidade, de lavratura da nobre Conselheira Rayana Alves de de Oliveira França, que utilizaremos como razão de decidir: “No entanto, no caso em tela, me pergunto como a contribuinte poderia ter exercido o seu direito de defesa, se já havia falecido? Conforme se depreende dos autos, sequer foi a contribuinte que apresentou os extratos de sua conta corrente, isto foi feito por seu filho, pois a mesma já havia falecido. Se a dificuldade de comprovar individualmente a origem dos recursos depositados em conta corrente já é grande pelo próprios titulares das contas, tornase portanto impossível para seus sucessores. Entendese portanto que o dever de comprovar a origem dos recursos depositados em conta corrente de titularidade do contribuinte é personalíssimo, não se podendo cogitar a transmissão da obrigação aos sucessores do titular desse dever, uma vez que as obrigações destes não se confundem com a do "de cujus". Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10945.002302/200618 Acórdão n.º 9202002.494 CSRFT2 Fl. 15 9 Neste sentido, me valho do entendimento da nobre colega Conselheira Heloisa Guarita, que com maestria analisou no Acórdão n° 10422.290, proferido em 28/03/2007, situação análoga, o qual aqui transcrevo por tão bem representar meu entendimento sobre a questão: "É certo que o espólio responde pelas dividas do "de cujus", sendo a inventariante eleita como a responsável tributária (artigos 131, III, do CT1V). É certo, também, que essa responsabilidade alberga os créditos tributários já definitivamente constituídos, os em curso de constituição na data do evento motivador da responsabilidade (no caso, morte), e aqueles atos constituídos posteriormente ao evento motivador da responsabilidade (no caso, morte), desde que relativos à obrigação tributária surgida até a data daquele mesmo evento (morte), nos termos do artigo 129, do CTN: Porém, o crédito tributário objeto do presente lançamento tem por fundamento legal o artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, que tem em seu núcleo uma obrigação não só de caráter pessoal, como personalíssima, dirigida ao contribuinte, que não pode ser transferida ao responsável tributário. ... Ora, se é faticamente impossível intimar o titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos bancários, porque falecido, não há como materializar a hipótese de incidência tributária prevista no artigo 42, supratranscrito, tendo em vista o princípio da legalidade tributária. Caso contrário, estarseá transformando uma presunção relativa em presunção absoluta, ao se tomar a totalidade dos depósitos como não comprovados. Sob outra ótica, estarseá violando o princípio da legalidade ao se dirigir a intimação —elemento essencial da norma jurídico tributária do artigo 42 para a inventariante, já que ela não se confunde com o "de cujus ". A responsabilidade tributária por sucessão somente estaria presente, mesmo considerando que os fatos motivadores da autuação são anteriores ao falecimento do contribuinte, se fosse material e autonomamente possível a aplicação da regra legal embasadora do lançamento, o que não acontece, em função das características essenciais do artigo 42, já destacadas. Isto é, se a obrigação tributária decorrente do comando do artigo 42 é de nascimento impossível — pela impossibilidade de intimação do titular da conta bancária —nem mesmo há de se cogitar na hipótese de responsabilidade tributária uma vez que ela é dependente de uma obrigação tributária préconstituída, inexistente no caso concreto. Com isto querse dizer que o instituto da responsabilidade tributária não é autônomo, mas pressupõe a existência de uma obrigação tributária pré constituída (independentemente da sua formalização ou declaração pelo lançamento) e cujo cumprimento não foi honrado Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR 10 pelo contribuinte, por qualquer uma das situações previstas no Código Tributário Nacional. Sobre esse caráter de "norma secundária" da responsabilidade tributária, vale dizer, de dependente da norma principal, que institui a obrigação tributária, MISABEL ABREU MACHADO DERZI, atualizando a obra "Direito Tributário Brasileiro ", de Aliomar Baleeiro, ensina de forma clara e didática: "Toda vez que estamos diante da eleição de um responsável por lei, estamos diante de duas normas jurídicas interligadas. A primeira é a norma básica ou matriz, a que já nos referimos anteriormente, que disciplina a obrigação tributária principal ou acessória. A segunda é a norma complementar ou secundária, dependente da primeira, que se presta a alterar apenas o aspecto subjetivo da conseqüência da norma anterior, uma vez ocorrido o fato descrito em sua hipótese. Nesse sentido, podemos falar em hipótese ou fato gerador básico ou matriz e em fato gerador secundário, complementar e dependente. Se não ocorrer o fato descrito na hipótese de incidência da norma básica ou matriz, ou mesmo ocorrendo e estando extinta a obrigação do contribuinte, então também inexistirá a obrigação do responsável tributário. O fato gerador da norma secundária não é, assim, suplementar ou sucedâneo (chamado de Ersatztatbestand pelos alemães), nem de substituição, mas pressupõe, antes de tudo, a ocorrência do fato gerador da norma básica ou matriz (quer da obrigação principal, acessória ou das sanções)." (Editora Forense, 11" Edição, 1999, Rio de Janeiro, pág. 724 — negritos e sublinhados nossos, outros destaques do original.) Logo, a partir do momento em que o titular das contas bancárias autuadas não foi intimado para comprovar a origem dos respectivos depósitos, não se materializou o comando normativo da obrigação tributária básica ou matriz (delineada no artigo 42, da Lei n°9.430/96), o que, conseqüentemente, não deu ensejo ao surgimento da norma secundária, relativa à responsabilidade tributária por sucessão. Assim, resta evidente que o procedimento adotado pela Fiscalização, desde o seu primeiro ato, acabou por transformar o responsável tributário — espólio e seu inventariante— em verdadeiro contribuinte do IRPF, objeto dessa autuação. A propósito, ressalto que as diversas decisões desse Conselho que atribuem e reconhecem a responsabilidade do espólio pelas obrigações tributárias do "de cujus" referemse a situações em que o lançamento foi feito ainda contra o "de cujus", o que, como visto, difere do caso concreto. A título de exemplo, destaco: "ESPÓLIO RESPONSABILIDADE Responde o espólio pelos tributos devidos, inclusive decorrentes de descumprimento de obrigação acessória, caso constatado o ilícito e lançado o crédito tributário antes do falecimento do Contribuinte. Recurso negado." (Acórdão n° 10614828, de 10.08.2005, Relator Cons. José Carlos da Matta Rivitti — grifos nossos)" Assim como no caso em tela não foi dado a titular da conta a possibilidade de comprovar a origem dos recursos depositados Fl. 10DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR Processo nº 10945.002302/200618 Acórdão n.º 9202002.494 CSRFT2 Fl. 16 11 em sua conta corrente, por ter a mesmo falecido durante o processo de fiscalização e tendo o auto de infração sido lavrado após este fato, não há como persistir o lançamento por total afronte a determinação da presunção relativa prevista no art.42, Lei 9.430/96, que permite, a qualquer tempo durante o processo adminitrativo, prova em contrário. Este direito não pode ser devidamente exercido pela contribuinte por ter a mesma falecido antes de finalizada a fiscalização. Ora, é entendimento patente neste Conselho que a obrigação de comprovar a origem de depósitos bancários estatuída no art. 42 da Lei n° 9.430/1996 é do titular da conta e tem natureza personalíssima, o que implica ser impossível impor ao espólio, por seu inventariante, a obrigação de comprovar depósitos efetuados à época em que o titular era vivo. Portanto, não pôde ser adequadamente cumprido o requisito de intimação do cotitular da conta. Não pode ser acatada, pelo entendimento acima expendido, a intimação efetuada à própria Recorrente, na posição de inventariante. Assim, na impossibilidade de cumprimento ao requisito formal de intimação do cotitular da conta (e não de sua inventariante, o que já se entendeu inadequado), devese manter o acórdão recorrido. CONCLUSÃO: Pelo exposto, estando o acórdão recorrido em sintonia com os dispositivos legais que regulam a matéria, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da nobre Procuradoria, pelas razões de fato e de direito acima expostas. É como voto. (Assinado digitalmente) Manoel Coelho Arruda Júnior Fl. 11DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 05/09/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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Numero do processo: 11516.720014/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
A isenção prevista no art. 4º, do Decreto-Lei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogada pelo art. 58, da Lei nº 7.713, de 1988 e não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico.
MULTA DE QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO FUTURA. OUTROS TRIBUTOS.
Incabível a multa qualificada sem a comprovação de fraude ou apenas pela possível sonegação futura de terceiros, estranhos a autuação, ainda que filhos do autuado, ou mesmo em relação a possível sonegação a outros tributos, fora da competência tributária ativa da União.
Numero da decisão: 2201-002.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Ricardo Anderle (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que davam provimento parcial em maior extensão, excluindo da exigência os itens 1 e 3 e parcialmente os itens 2 e 4 do Auto de Infração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo André Pierdoná, OAB/RS 35.888.
(Assinatura digital)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
(Assinatura digital)
Odmir Fernandes Relator
(Assinatura digital)
Eduardo Tadeu Farah - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. INEXISTÊNCIA DE DIREITO ADQUIRIDO. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A isenção prevista no art. 4º, do DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogada pelo art. 58, da Lei nº 7.713, de 1988 e não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), pois inexiste direito adquirido a regime jurídico. MULTA DE QUALIFICADA. FRAUDE. SONEGAÇÃO FUTURA. OUTROS TRIBUTOS. Incabível a multa qualificada sem a comprovação de fraude ou apenas pela possível sonegação futura de terceiros, estranhos a autuação, ainda que filhos do autuado, ou mesmo em relação a possível sonegação a outros tributos, fora da competência tributária ativa da União. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Odmir Fernandes (Relator), Ricardo Anderle (Suplente convocado) e Gustavo Lian Haddad, que davam provimento parcial em maior extensão, excluindo da exigência os itens 1 e 3 e parcialmente os itens 2 e 4 do Auto de Infração. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Eduardo Tadeu Farah. Fez sustentação oral o Dr. Marcelo André Pierdoná, OAB/RS 35.888. (Assinatura digital) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 00 14 /2 01 1- 11 Fl. 996DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 2 (Assinatura digital) Odmir Fernandes – Relator (Assinatura digital) Eduardo Tadeu Farah Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Gustavo Lian Haddad, Márcio de Lacerda Martins, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Odmir Fernandes e Ricardo Anderle (Suplente convocado). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.720014/201111 Acórdão n.º 2201002.116 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ de Florianópolis/SC, manteve a autuação do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF dos anoscalendário 2008 e 2009, com multa qualificada de 150%, sobre ganho de capital na alienação de participação societária. Contra o contribuinte foi lavrado o Auto de Infração (fls. 872 a 881) com ciência em 14.02.2011 (fls. 883), relativo do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF dos anoscalendário 2008 e 2009, na importância de R$ 419.727,77, acrescido de multa de 150% e juros de mora, decorrente das seguintes infrações: 001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS TRANSFERÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA, A VALOR DE MERCADO, POR DOAÇÃO EM ADIANTAMENTO DA LEGÍTIMA – 1a PARTE. Crédito tributário relativo à diferença de Imposto de Renda devido em razão da transferência de quotas da empresa MACEDO AGROINDUSTRIAL LTDA, a valor de mercado, por doação em adiantamento da legitima, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. Parcela para qual o FISCALIZADO pleiteia a isenção prevista no art. 4°, alínea "d", do Decretolei n° 1.510/1976 (revogado a partir de 1°/01/1989 pelo art. 58 da Lei n° 7.713/1988). 002 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS EM ADINATEMENTO DA LEGITIMA – 2ª PARTE. Crédito tributário relativo à diferença de Imposto de Renda devido em razão da transferência de quotas da empresa MACEDO AGROINDUSTRIAL LTDA., a valor de mercado, por doação em adiantamento da legítima, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. Parcela NÃO abrangida pela isenção pleiteada pelo FISCALIZADO. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 4 003 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA – 1ª PARTE. Crédito tributário relativo à diferença de Imposto de Renda devido em razão do ganho de capital auferido na venda de quotas da empresa MACEDO AGROINDUSTRIAL LTDA. para TYSON DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA., conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. Parcela para qual o FISCALIZADO pleiteia a isenção prevista no art. 4o, alínea "d", do Decretolei nc 1.510/1976 (revogado a partir de 1°/01/1989 pelo art. 58 da Lei n. 7.713/1988). 004 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA – 2ª PARTE. Crédito tributário relativo à diferença de Imposto de Renda devido em razão do ganho de capital auferido na venda de quotas da empresa MACEDO AGROINDUSTRIAL LTDA. para TYSON DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA., conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. Parcela NÃO abrangida pela isenção pleiteada pelo FISCALIZADO. 005 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE IMÓVEIS (SALAS COMERCIAIS). Crédito tributário relativo à diferença de Imposto de Renda devido em razão do ganho de capital auferido na venda de dois imóveis (salas comerciais), localizados no município de São José/SC, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. Conforme Termo de Verificação Fiscal (828 a 864), em 10/09/2008 autuado transferiu 800.532 quotas da participação societária da empresa Macedo Agroindustrial Ltda., a valor de mercado, aos seus filhos, mediante Contrato de Compra e Venda de Quotas. Essa operação de venda da participação societária com seus filhos, conforme contrato de fls. 19 a 21, da 3º da alteração contratual (fls. 706 a 708), visou dissimular a transferência a valor de mercado por doação em adiantamento da legítima ocorreu mediante simulação relativa. Em 02/10/2008, o autuado vendeu 978.208 quotas restantes da empresa alienada Macedo Agroindustrial Ltda. para Tyson do Brasil Participações. a valor de R$ 1.912.517,92, sendo o custo dessa aquisição R$ 262.977,28, com ganho de capital de R$ 1.649.540,64. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.720014/201111 Acórdão n.º 2201002.116 S2C2T1 Fl. 4 5 Na Declaração de Ajuste Anual de 2009 (anocalendário 2008) o autuado apurou ganho de capital da alienação societária com incorreções (quantidade de quotas alienadas, custo de aquisição das quotas, valor da alienação etc.) e IR de apenas R$ 125,43 Ganho de Capital na Venda de Imóveis salas comerciais. Não se discute este item da autuação, há noticia de pagamento. Impugnação a fls. 887 a 971. A decisão recorrida (fls. 923 a 959) com ciência em 18.04.2012 (AR fls. 962), manteve o lançamento sobre o ganho de capital na alienação da participação societária da empresa Macedo Agroindustrial Ltda., pela falta comprovação do custo de aquisição das quotas e pela revogado a partir de 01.01.1989, da isenção do art. 4º, d, do DL nº 1.510, de 1976, pelo art. 58, da Lei 7.713, de 1988. Mantida a autuação sobre a transferência de participação societária, a valor de mercado, em adiantamento da legítima aos filhos e não compra e venda das quotas de sociedade, com a multa qualificada de 150%. O autuado admitiu o item 5 da autuação, relativo ao ganho capital na venda de imóveis, salas comerciais, diante do pagamento. A decisão recorrida esta assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008, 2009. GANHO DE CAPITAL ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA NÃO INCIDÊNCIA. DIREITO ADQUIRIDO. NÃO CABIMENTO. A isenção prevista no artigo 4º do DecretoLei nº 1.510, de 1976, por ter sido expressamente revogada pelo artigo 58 da Lei nº 7.713, de 1988, não se aplica a fato gerador (alienação) ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1989 (vigência da Lei nº 7.713, de 1988), ainda que cumprido o prazo determinado para o seu gozo. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INTUITO DE FRAUDE. APLICABILIDADE. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 6 É aplicável a multa de ofício agravada de 150%, nos casos em que, no procedimento de ofício, ficar constatado que a conduta do contribuinte está associada a evidente intuito de fraude. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário (fls. 964 a 989) protocolado em 11.05.2012, sustenta em síntese: a) A alienação societária esta isenta, por força o art. 4º do DL 1.510/76, mesmo após a revogação pela Lei nº 7.713/88, diante do decurso do prazo de cinco anos ocorrido antes da revogação do benefício da isenção; b) Houve erro e equívoco no procedimento fiscal na apuração do percentual de 4,839% da participação isenta de titularidade do Recorrente em 31.12.1988, quando na realidade esse percentual seria de 6,47%; c) A incorporação não produz efeito tributário novo, as cotas recebidas na empresa incorporadora possuem o mesmo tratamento, em termos de custo e de isenção, que existiam em relação à participação detida na empresa incorporada; d) Não houve fraude ou dolo para imposição da multa qualificada. É o relatório. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.720014/201111 Acórdão n.º 2201002.116 S2C2T1 Fl. 5 7 Voto Vencido Conselheiro Odmir Fernandes Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. Limitase o recurso ao exame dos itens 1 a 4, da autuação, o item 5 há noticia de pagamento. Transcrevo o resumo da autuação: 001 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. TRANSFERÊNCIA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA, A VALOR DE MERCADO, POR DOAÇÃO EM ADIANTAMENTO DA LEGÍTIMA – 1ª PARTE. 0 02 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS EM ADIATAMENTO DA LEGITIMA – 2ª. PARTE. Parcela NÃO abrangida pela isenção pleiteada pelo FISCALIZADO. 003 GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA – 1ª PARTE. Parcela para qual o FISCALIZADO pleiteia a isenção prevista no art. 4o, alínea "d", do Decretolei n° 1.510/1976 (revogado a partir de 1°/01/1989 pelo art. 58 da Lei n. 7.713/1988). 004 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA – 2ª PARTE. Parcela NÃO abrangida pela isenção pleiteada pelo FISCALIZADO. O Recorrente foi admitido na sociedade alienada Macedo Agroindustrial Ltda., em 30.04.1979, mediante a 3a alteração contratual da sociedade M K Produções Agropecuária Ltda., por intermédio da incorporação da empresa M C Avícola Ltda., antiga denominação da sociedade Macedo Agroindustrial Ltda. (fls. 475 a 478). Quota adquirida em 30.04.1979 e alienada em 2008, parte aos filhos e parte a terceiros, mas no mesmo ano 1988. Este é o fato. Com isso, sustenta possuir direito adquirido a isenção do art. 4°, do DL 1.510, de 1976, revogado pela Lei n° 7.713, de 22.12.1988 e erro na apuração do ganho de capital. A autuação, embora não admitido a isenção do DL 1.510/76, segregou as parcelas possíveis do reconhecimento da isenção da parcela que entendeu fora da possibilidade da isenção. O Recorrente questiona erro de calculo e interpretação da parcela que não seria isenta. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 8 A autuação e a decisão recorrida entenderam que a alienação da participação societária após a revogação da lei não possui direito a isenção. E a alienação aos filhos foi doação em adiantamento da legitima, e não venda, daí desconsiderou contratual de compra e venda. Vamos examinar a isenção do DL 1.510, de 1976, que estabelecia: Art. 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) ........... Art 4º Não incidirá o imposto de que trata o artigo 1º: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) nas negociações, realizadas em Bolsa de Valores, com ações de sociedades anônimas; b) nas doações feitas a ascendentes ou descendentes e nas transferências "mortis causa"; (Redação dada pela Decretolei nº 1.579, de 1977) c) nas alienações em virtude de desapropriação por órgãos públicos; d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Vemos que a autuação e a decisão recorrida não agiram com o costumeiro acerto. Cuidase de isenção condicionada, com implemento da condição pelo lapso temporal de cinco anos entre a aquisição da participação societária, com a alienação da participação societária realizada após a revogação da lei de isenção. Na data da revogação da isenção o contribuinte reunia todos os requisitos – mais de cinco anos entre a aquisição até a revogação da lei para gozar do benefício da isenção, ainda que revogada e lei e a alienação posterior. É caso clássico do direito adquirido à isenção de que trata o art. 178, do CTN e a Súmula 544, do C. STF: Arts. 178 e 104, do CTN: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (NR, LC n° 24, de 1975) Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: ...... Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.720014/201111 Acórdão n.º 2201002.116 S2C2T1 Fl. 6 9 III que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. STF Súmula nº 544: Isenções tributárias concedidas, sob condição onerosa, não podem ser livremente suprimidas. A onerosidade é a condição – cinco anos da aquisição da participação societária. Decorrido esse prazo antes da revogação da lei, o seu titular adquire o direito ao beneficio, podendo exercêlo a qualquer tempo. O C. STJ após entendimento diverso nos REsp n° 960.777 e n° 1.164.494, acabou por reconhecer o direito adquirido no REsp n° 1.126.773 aos contribuintes que completaram cinco anos da aquisição societária, antes da revogação da lei. Este Conselho em diversos precedentes desta 1ª Turma nos Acórdão sob n° 2201001.618, j. 16.05.2012; 2201001.619, j., 16.05.2012, da relatoria da i. Conselheira Rayana Alves de Oliveira França. Câmara a Câmara Superior também vem reconhecendo o direito adquirido à isenção, conforme podemos ver nos Acórdão 910101.402, j. 17.07.2012, da relatoria do i. Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva; 920201.681, j. 26.07.2011, da relatoria do i. Conselheiro Manoel Coelho Arruda Jr. Assim, o direito deve ser reconhecido, com a reforma da decisão recorrida e cancelamento item 1 e 3 da autuação, diante clara da demonstração feita pela fiscalização da parcela alcançada pela isenção. Vamos aos itens 2 e 4 da autuação, relativo a parte da alienação societária, por venda e doação de subscrição e incorporação lucros e dividendos de ações ou cotas de capital, não alcançada pela isenção do :Dl 1.5110, 1976, no entender da autuação e da decisão recorrida, Destaca o Relatório de Fiscalização no item 5, que a subscrição ou a incorporação lucros e dividendos de ações ou cotas de capital não pode alcançar o benefício do :Dl 1.5110, 1976, após sua revogação Este é o objeto dos itens 2 e 4, da autuação. Transcrevo: 5.2..... ............ Qualquer outra participação societária adquirida após 31/12/1988 (seja por subscrição, seja decorrente do aumento do capital social por incorporação de lucros e reservas) certamente não é alcançada pelo benefício do art. 4o DL n° 1.510/1976.(Destacamos). Entendeu a autuação e a decisão recorrida que toda e qualquer espécie de aumento de capital, seja incorporação lucros, dividendos ou reservas, subscrição ou aquisição de novas quotas, não alcança a isenção, após a revogação da lei. Aqui também não agiu com acerto a autuação e a decisão recorrida. Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 10 A incorporação de lucros ou dividendos ou reservas de lucros seja de ações ou cotas de capital não significa aquisição de nova participação societária, mas capital e investimento existente. Significa apenas resultado do investimento incorporado ao patrimônio social do acionista ou quotista e integra o custo de aquisição da participação societária. A revogação da isenção não alcança os lucros e dividendos incorporados ao capital, se eles decorrem de investimento isento, continuam a compor o custo de aquisição, o mesmo ocorrendo com a participação societária advindo da incorporada, desde que com cinco anos. Não há razão para tratálo como investimento novo, como fez a autuação. A Portaria n° 454, de 25.08.1977, do Ministro de Estado da Fazenda, explica.Confirase: 5. Face ao disposto no art. 5° do DL 1.510, de 27.12.1976, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e as bonificações recebidas devem ser rateadas segundo as datas e quantidade originariamente subscritas ou adquiridas, já acrescidas dos rateios de bonificações anteriores. O Parecer Normativo CST n° 68/77, na ementa também destaca: As bonificações são consideradas como adquiridas nas datas das participações que lhes deram origem e são computadas a custo zero. (custo zero, na ocasião os lucros eram tributados após a distribuição, mas isentos na capitalização). Não pode ser confundida a subscrição e aquisição nova de participação societária com a integralização de capital com lucros, dividendos e reservas resultantes da participação acionaria existente. Em suma, a capitalização de lucros, dividendos ou reservas de lucros, resultante da participação existe, com mais de cinco anos na data da revogação da Le, esta alcançada pela isenção, mesmo que essa capitalização ocorra após a revogação da lei de isenção. Não alcança a isenção, a evidencia, a nova participação societária, com menos de cindo anos, na data da revogação da lei. O trabalho da fiscalização incluiu no mesmo item 2 e 4 da autuação a subscrição de participação societária nova e a incorporação de lucros e reservas da participação societária existente alcançada pela isenção conforme lemos no relatório de fiscalização, item 5. Faltou segregar a incorporação ao capital de lucros ou de reservas dos investimentos existentes cinco anos antes da revogação da lei, feitos até a alienação da participação nova de subscrição ou quota. 002 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS EM ADINATEMENTO DA LEGITIMA – 2ª PARTE. Crédito tributário relativo à diferença de Imposto de Renda devido em razão da transferência de quotas da empresa MACEDO AGROINDUSTRIAL LTDA., a valor de mercado, por doação em adiantamento da legítima, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. Parcela NÃO abrangida pela isenção pleiteada pelo FISCALIZADO. Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.720014/201111 Acórdão n.º 2201002.116 S2C2T1 Fl. 7 11 004 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. GANHO DE CAPITAL NA VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA – 2ª PARTE. Crédito tributário relativo à diferença de Imposto de Renda devido em razão do ganho de capital auferido na venda de quotas da empresa MACEDO AGROINDUSTRIAL LTDA. para TYSON DO BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA., conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL. Parcela NÃO abrangida pela isenção pleiteada pelo FISCALIZADO. Em face do exposto dou parcial provimento ao recurso para cancelar em parte os itens 2 e 4 da autuação, mantida a exigência em relação a capital novo que não decorra de capitalização de lucros ou reservas ou da incorporação societária, com anos antes da revogação da isenção. . Erro da fiscalização na apuração da participação societária da parcela objeto do pleito de isenção. Sustenta ainda o Recorrente erro da fiscalização na apuração do percentual da participação societária alienada que estaria abrangida pela isenção. Diz que a fiscalização apurou 4,839%, mas seria 6,47%. De fato, admitiu a fiscalização que em 31.12.1988 o autuado possuía 4,839% do capital social, mas o mesmo Relatório da Fiscalização no item 5.2, informa que em 3.12.2007, ano anterior à alienação, o Recorrente autuado possuía 5,557% do capital alienado. Em seguida destaca o mesmo Relatório, “a participação societária para a qual o fiscalizado pleiteia a isenção corresponde a 4,8261%, do que alienou em 31.12.2008.” Vemos que este item da autuação confundese com o item anterior sobre os lucros e reservas, incorporados ao capital com a participação existente, alcançada pela isenção e as aquisições societárias novas. Basta segregar essas informações para apurar o novo percentual da participação, com recalculo da autuação. Multa qualificada de 150% A multa qualificada foi fixada apenas em relação aos itens 1 e 2 da autuação, mediante a desconsideração da compra e venda para doação, em adiantamento da legitima, da participação societária a valor de mercado, feita pelo Recorrente aos seus filhos. O exame desta qualificadora perde sentido em relação ao item 1, diante da isenção reconhecida, embora o custo de aquisição possa ter reflexo tributário posterior nas pessoas dos donatários, quando da alienação posterior. Contudo, resta o exame da qualificadora do item 2 da autuação. Lemos nos item 9 do Relatório de Fiscalização as razões para justificar a qualificadora. Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 12 9.1. Na operação em análise ocorreu uma simulação relativa. O negócio simulado (enganador) foi uma operação de compra e venda entre o FISCALIZADO e seus filhos. O negócio dissimulado (vontade real) foi a transferência de parte da participação societária, a valor de mercado, por doação em adiantamento da legítima aos filhos. 9.4. Caracterização da simulação. No caso em análise, os motivos simulatórios já foram bem colocados no tópico 9.3: não recolhimento do ITCMD pelos donatários; ganho de capital inauferível pelos donatários quando da revenda; e deferimento quase 'ad aeternum' do pagamento do IR devido pelo doador. Leio no item 12, do Relatório, reproduzido pela decisão recorrida: Conforme detalhado nos tópicos 9.4 e 9.3, com a dissimulação do verdadeiro negócio (transferência da participação societária, a valor de mercado, por doação em adiantamento da legítima), o FISCALIZADO pretendeu modificar característica essencial da obrigação tributária a fim de diferir o pagamento do Imposto de Renda devido na operação (fraude). Para tal, fezse ainda necessário um ajuste com seus filhos (conluio). Entendeu a autuação e a decisão recorrida que o Recorrente estaria postergando o pagamento do imposto de renda na alienação da participação societária em 120 meses, prazo este fixado no contrato de venda e assim estaria dissimulado o negócio desejado, a doação, além de sonegar o imposto estadual de doação – ITCMD, e de beneficiar o donatário (filho) na futura alienação da participação societária. Com isso entendeu a fiscalização e a decisão recorrida, houve simulação relativa ou dissimulação na “venda” da participação societária aos filhos, quando seria doação. Dissimular registram os dicionários, é esconder, ocultar, disfarçar, aparentar ato contrário do que de fato ocorre. A simulação relativa se traduz na dissimulação, na preciosa lição do civilista Caio Mario da Silva Pereira: A simulação se diz relativa, também chamada dissimulação, quando o ato tem por objeto encobrir outro de natureza diversa (e.g., urna compra e venda para dissimular uma doação), ou quando aparenta conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas da a quem realmente se conferem ou transmitem (e.g., a venda realizada a um terceiro para que este transmita a coisa a um descendente do alienante, a quem este, na verdade, tencionava desde logo transferila. (op.cit.,Apud, Ricardo Mariz de Oliveira, O planejamento tributário e a lei complementar 104, Org. por Valdir de Oliveira Rocha, Ed. Dialética, SP, 2001, p. 266). Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.720014/201111 Acórdão n.º 2201002.116 S2C2T1 Fl. 8 13 A melhor definição didática do instituto da simulação e dissimulação é o antigo trocadilho: simulase o que não é, e dissimulase o que é. Não é possível sustentar as justificativas da autuação para tipificar a conduta e qualificar a penalidade. A possível sonegação de outros impostos, de outra esfera de competência, estadual ou municipal, ainda que existente, jamais pode ser motivo para qualificar a penalidade, esta conduta não esta prevista em lei. O aplicador e interprete está vinculado à lei e ao fato em relação ao tributo da autuação e a conduta do sujeito, autor da infração. Também não é motivo para qualificar a penalidade o fato futuro da possível sonegação posterior na alienação societária pelos sucessores na apuração do custo de aquisição. A conduta futura de terceiro, dos filhos, maiores e capazes, responsáveis pelos seus atos, sequer realizados, jamais podem qualificar a conduta do pai – ora autuado. Afastadas essas premissas, resta examinar a conduta comissiva do contrato de compra e venda (cessão de direitos) da participação societária, firmado pelo Recorrente com os seus filhos, que não seria venda, mas doação em adiantamento da legitima, no entender da fiscalização, dai a desconsideração da compra e venda e a qualificação da penalidade. Não há qualquer fato objetivo para a fiscalização extrair essa conclusão de a compra e venda ser uma doação e adiantamento da legitima e assim entender que houve simulação nesse ato. O exame dessa conduta venda ou doação a descendente – , sem maiores elementos objetivos envolve enorme juízo de valor, subjetivo que não pode ser admitido, pois a conduta passa, necessariamente, pelo exame do direito sucessório, do quê é legitima, dos bens reservados ou não, os herdeiros necessários e se é possível adiantar a legitima, ou seja, os limites da doação. Pode tanto ser venda ou doação, mas a autuação não pode aferir e afirmar que a conduta ou a contratação não é venda, mas doação, sem maiores elementos objetivos de saber a totalidade do patrimônio e os herdeiros necessários. Assim, não há como desconsiderar a venda feita aos filhos apenas por ser feita aos herdeiros, sob o entendimento de que seria adiantamento da legitima. No entanto, leio no último parágrafo do item 9.2, do Relatório de Fiscalização: Apesar de cada filho já ter recebido R$ 439.727.0470 da TYSON entre 2008 e 2009, até o final de 2010 o FISCALIZADO não havia recebido deles qualquer valor pela suposta venda de 10/09/2008, conforme informado pelo próprio (vide fl. 9, Item 1.6). O preço e o recebimento é condição do contrato de compra e venda. Se não há recebimento do preço há necessidade de aferir se há cobrança desse preço. Não havendo cobrança deliberada, seria possível, apenas por este ato, descaracterizar o contrato de compra e Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 14 venda para admitir a doação, mas este fato não restou comprovado nos autos por falta de maior diligencias nas investigações. Além disso, vemos que este fato – o recebimento do preço não foi determinante na imputação da qualificadora pela autuação, mas a (a) postergação do tributo em 120 parcelas; (b) a possível sonegação posterior do adquirente e (c) a sonegação de outro tributo, o ITCMD – Estadual, daí não podermos levar esta conduta omissiva – não recebimento do preço , mesmo que confirmada esta assertiva na qualificação da penalidade. Assim, sem maiores elemento probatórios, não vemos no âmbito do imposto de renda, qualquer simulação ou dissimulação no contato de compra e venda firmado com os filhos para tipificar a conduta e qualificar a penalidade com a multa de 150%. Por essas razões, a multa qualificada de 150% do item 2 deve ser cancelada. Caso mantida a autuação, a qualificado do item1 também deve ser cancelada pelas mesmas razões expostas. Ante o exposto, pelo meu voto, conheço e dou parcial provimento ao recurso para reformar a decisão recorrida e cancelar os itens 1 e 3 da autuação e a multa qualificada do item 2, mantidas a exigência parcial dos itens 2, 4, com a multa de oficio de 75%. (Assinatura digital) Odmir Fernandes Relator Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.720014/201111 Acórdão n.º 2201002.116 S2C2T1 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Reportome ao relatório e voto de lavra do ilustre conselheiro Odmir Fernandes, de quem ouso divergir da tese que sustenta, somente em relação ao direito adquirido a não incidência do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação de participação societária, conforme art. 4º, “d” do DecretoLei nº 1.510, de 1976. No caso dos autos, a quota foi adquirida em 30/04/1979 e alienada em 2008, portanto, a alienação se deu já na vigência da Lei nº 7.713, de 1988, que expressamente revogou o art. 4º, “d” do DecretoLei nº 1.510, de 1976. Assim, melhor refletindo, penso que não há ofensa ao direito adquirido, pois como houve revogação expressa da isenção pela Lei nº 7.713, de 1988, a lei nova deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência. A mudança de entendimento se deve aos atuais debates da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, fundamentalmente, pelo julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) das ADIN’s nº 3.105/DF e 3.128/DF, relativas ao art. 4º, caput, da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003. Na ocasião, entendeu o Pretório Excelso que é constitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre inativos e pensionistas, pois, como inexiste norma de exoneração tributária absoluta, a lei deve incidir sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Vejase o teor da ementa do julgado: 1. Inconstitucionalidade. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Ofensa a direito adquirido no ato de aposentadoria. Não ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Emenda Constitucional nº 41/2003 (art. 4º, caput). Regra não retroativa. Incidência sobre fatos geradores ocorridos depois do início de sua vigência. Precedentes da Corte. Inteligência dos arts. 5º, XXXVI, 146, III, 149, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, da CF, e art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. No ordenamento jurídico vigente, não há norma, expressa nem sistemática, que atribua à condição jurídico subjetiva da aposentadoria de servidor público o efeito de lhe gerar direito subjetivo como poder de subtrair ad aeternum a percepção dos respectivos proventos e pensões à incidência de lei tributária que, anterior ou ulterior, os submeta à incidência de contribuição previdencial. Noutras palavras, não há, em nosso ordenamento, nenhuma norma jurídica válida que, como efeito específico do fato jurídico da aposentadoria, lhe imunize os proventos e as pensões, de modo absoluto, à tributação de ordem constitucional, qualquer que seja a modalidade do tributo eleito, donde não haver, a respeito, direito adquirido com o aposentamento. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 16 2. Inconstitucionalidade. Ação direta. Seguridade social. Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária, por força de Emenda Constitucional. Ofensa a outros direitos e garantias individuais. Não ocorrência. Contribuição social. Exigência patrimonial de natureza tributária. Inexistência de norma de imunidade tributária absoluta. Regra não retroativa. Instrumento de atuação do Estado na área da previdência social. Obediência aos princípios da solidariedade e do equilíbrio financeiro e atuarial, bem como aos objetivos constitucionais de universalidade, equidade na forma de participação no custeio e diversidade da base de financiamento. Ação julgada improcedente em relação ao art. 4º, caput, da EC nº 41/2003. Votos vencidos. Aplicação dos arts. 149, caput, 150, I e III, 194, 195, caput, II e § 6º, e 201, caput, da CF. Não é inconstitucional o art. 4º, caput, da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, que instituiu contribuição previdenciária sobre os proventos de aposentadoria e as pensões dos servidores públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações. 3. Inconstitucionalidade. Ação direta. Emenda Constitucional (EC nº 41/2003, art. 4º, § únic, I e II). Servidor público. Vencimentos. Proventos de aposentadoria e pensões. Sujeição à incidência de contribuição previdenciária. Bases de cálculo diferenciadas. Arbitrariedade. Tratamento discriminatório entre servidores e pensionistas da União, de um lado, e servidores e pensionistas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de outro. Ofensa ao princípio constitucional da isonomia tributária, que é particularização do princípio fundamental da igualdade. Ação julgada procedente para declarar inconstitucionais as expressões "cinquenta por cento do" e "sessenta por cento do", constante do art. 4º, § único, I e II, da EC nº 41/2003. Aplicação dos arts. 145, § 1º, e 150, II, cc. art. 5º, caput e § 1º, e 60, § 4º, IV, da CF, com restabelecimento do caráter geral da regra do art. 40, § 18. São inconstitucionais as expressões "cinqüenta por cento do" e "sessenta por cento do", constantes do § único, incisos I e II, do art. 4º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003, e tal pronúncia restabelece o caráter geral da regra do art. 40, § 18, da Constituição da República, com a redação dada por essa mesma Emenda.” (grifos meus) (ADI 3.105 e da ADI 3.128 (rel. Min. Ellen Gracie, rel. p/ o acórdão Min. Cezar Peluso, DJ de 18.02.2005) (grifei) Corrobora com o exposto, o recente julgamento pelo Supremo Tribunal Federal da Lei da Ficha Limpa (ADCs 29 e 30), que determinou sua aplicação a fatos iniciados ou ocorridos antes de sua edição, por entender inexistir direito adquirido a regime jurídico. Com efeito, “O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada” (art. 144 do Código Tributário Nacional – CTN). O fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital somente ocorre no momento da alienação e, no caso dos autos, esta se deu em 2008, ou seja, na vigência da Lei nº 7.713, de 1988. Não se pode perder de vista que “A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES Processo nº 11516.720014/201111 Acórdão n.º 2201002.116 S2C2T1 Fl. 10 17 qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104” (art. 178 do CTN). Em relação ao tema, reproduzo a declaração de voto da lavra do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, no acórdão 2201001.619, de 16 de maio de 2012: No caso específico das isenções, inclusive, o CTN dispõe expressamente que estas podem ser revogadas ou modificadas, por lei, desde que não tenham sido concedidas em função de determinadas condições e por prazo certo. É o que reza o art. 178, verbis: Art. 178. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. Notese que o artigo 178, acima reproduzido, referese a duas condições, cumulativamente: que a isenção seja concedida por prazo certo e (e não ou) em função de determinadas condições. E, neste caso, a lei, de fato onera a isenção com a condição de que a alienação somente ocorra após cinco anos da aquisição, porém, e este é o ponto, não delimita um prazo para a vigência da isenção. E não se diga que o artigo 178, ao utilizar o conectivo “e” não pretendeu dar ao texto o sentido de adição. É que o artigo 178 foi alterado pela Lei Complementar nº 24, de 07/05/1975 especificamente para o “ou” da redação anterior pelo “e” da redação atual. Aliomar Baleeiro, comentando esta alteração, observou: A primitiva Redação do art. 178 era alternativa: ‘por prazo certo ou em função de determinadas condições’. Uma coisa ou outra. A Lei Complementar n° 24/1975 substituiu ou por e ambas as circunstâncias simultaneamente. Não há dúvida, portanto, de que a irrevogabilidade da isenção depende da observância das duas condições, e não é este o caso. Por outro lado, o art. 104, que integra o capítulo que cuida da vigência da legislação tributária, é claro ao fixa a vigência de lei que reduz ou extingue isenção, a saber: Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei referentes a imposto sobre o patrimônio e a renda: (...) III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no art. 178. Ora, no caso sob exame, a alienação da participação societária e, portanto, o fato gerador da obrigação tributário ocorreu na vigência da Lei nº 7.713, de 1988 e a isenção prevista no art. 4º, “d” do DecretoLei nº 1.510, de 1976 não preenche ambas as Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES 18 condições previstas no art. 178 do CTN: ser condicionada a determinadas condições e, cumulativamente, ser por prazo certo. Destarte, como houve expressa revogação da isenção pela Lei nº 7.713, de 1988, a lei nova deve ser aplicada aos fatos geradores ocorridos durante sua vigência. No que tange a desqualificação da multa de ofício, só resta reiterar os argumentos despendidos pelo ilustre Conselheiro Odmir Fernandes e acrescentar que a conclusão da autoridade fiscal foi subjetiva e a omissão presente nos autos nada mais é do que o próprio pressuposto da autuação. Portanto, o que se vê nos autos nada mais é do que simples omissão de ganho de capital, sem qualquer prova de conduta dolosa. Ante ao exposto, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 09/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 03/09/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 29/08/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado di gitalmente em 27/08/2013 por ODMIR FERNANDES
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