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Numero do processo: 16327.000977/2005-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2000 a 31/05/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PRAZO.
Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543-C, do Código de Processo Civil de 1973), no recurso especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543-B do CPC/1973 (art. 62, §2º, RICARF).
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CORREÇÃO DE CRÉDITOS. EFEITOS.
No caso de advento julgamento do CARF decidindo pela inexistência de decadência, ocorre a desconstituição da causa original do despacho decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado o sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-004.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro suplente Renato Vieira de Avila participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que se declarou impedido.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente Substituto.
(Assinado com certificado digital)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2000 a 31/05/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PRAZO. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543-C, do Código de Processo Civil de 1973), no recurso especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543-B do CPC/1973 (art. 62, §2º, RICARF). COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CORREÇÃO DE CRÉDITOS. EFEITOS. No caso de advento julgamento do CARF decidindo pela inexistência de decadência, ocorre a desconstituição da causa original do despacho decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado o sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (tese dos 5 + 5), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C, do Código de Processo Civil de 1973), no recurso especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543 B do CPC/1973 (art. 62, §2º, RICARF). COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. CORREÇÃO DE CRÉDITOS. EFEITOS. No caso de advento julgamento do CARF decidindo pela inexistência de decadência, ocorre a desconstituição da causa original do despacho decisório, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de novo despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito pleiteado o sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro suplente Renato Vieira de Avila participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que se declarou impedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 77 /2 00 5- 05 Fl. 389DF CARF MF 2 (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente Substituto. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Por já ter relatado o presente processo até a apresentação do Recurso Voluntário, me valho do Relatório da Resolução n.º 3402000.392, de 25/04/2012, de relatoria da Conselheira Nayra Bastos Manatta: "Trata o presente processo de pedido de restituição relativo ao PIS recolhido entre 01 a 05/2000 decorrente de alegados pagamentos a maior de valores mensais devidos a título desta contribuição. A contribuinte apresenta planilha demonstrativa dos valores recolhidos a maior. A DEINF proferiu o Despacho Decisório de fls. 75 proferido nos seguintes termos: 1) NÃO RECONHECER qualquer direito creditório oriundo dos pagamentos a maior alegados de fls. 36/40 ou de valores compensados referentes a valores devidos a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) para os períodos de apuração de Janeiro a Maio de 2000, visto que para os pagamentos de fls. 36/39, nos termos de art. 168, inciso I do Código Tributário Nacional, encontrase extinto o direito a pleitear o suposto indébito, não estando caracterizada, também, a liquidez e certeza do direito creditório alegado no caso do recolhimento de fls. 40, bem como no caso dos supostos valores compensados que alegadamente se configurariam em indébitos. 2) INDEFERIR o Pedido de restituição efetuado à fls. 01, abrangendo os pagamentos/valores supra A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade alegando em sua defesa: 1)o julgamento de inconstitucionalidade de determinada exação tributário pelo Pleno do Supremo Tribunal, mesmo com sede em controle difuso de inconstitucionalidade, pode produzir efeito erga omnes, atingindo aqueles que não foram parte do litígio concretamente posto em discussão. 2)o artigo 101 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal prevê expressamente a possibilidade de a declaração de inconstitucionalidade de lei ; ou ato normativo, pronunciada por maioria qualificada, aplicarse aos novos feito subido às Turmas ou ao Pleno, conforme, inclusive entendeu o Ministro Sepúlveda Pertence, no julgamento do Recurso Extraordinário n°262.604/SP, julgado em 19/02/2002. 3) é patente a possibilidade jurídica do pedido formulado à vista da necessidade de o contribuinte assegurar, mediante apresentação do pedido administrativo de restituição, o seu direito à restituição dos valores indevidamente recolhidos. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 16327.000977/200505 Acórdão n.º 3402004.896 S3C4T2 Fl. 390 3 4) a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento do ERESP n°435.835/SC, confirmou o entendimento de que, a partir do 09/06/2005, em razão da entrada em vigor 'do artigo 3° da Lei Complementar n°11 8/2005, o prazo para o contribuinte restituir o montante do tributo recolhido a maior será de 5 (cinco) anos, contados a partir do fato gerador. 5) de acordo com esse precedente, apenas para as demandas ajuizadas até 09/06/2005 será aplicado o entendimento consolidado na jurisprudência daquele Tribunal quanto ao prazo para pleitear a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação. 6) Tratase do consagrado entendimento dos "cinco mais cinco" que, em realidade implica na possibilidade de restituição de tributos recolhidos indevidamente nos 10 (dez) anos anteriores à propositura da ação. 7) Devido a atualização monetária do seu credito a partir da data do pagamento indevido, acrescido de juros moratórios calculados à taxa SELIC 8) Requer que seja deferido o pedido de compensação com quaisquer Outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, de acordo com a IN/SRF n°460/04. A autoridade julgadora de primeira instancia indeferiu a manifestação de inconformidade. Cientificada a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando as mesmas razoes de defesa da inicial. É o relatório." (efls. 2/3 grifei) Naquela oportunidade, o colegiado entendeu por converter o julgamento em diligência para, após reconhecer a impossibilidade de se aplicar na hipótese da limitação da repetição de indébito para os últimos 5 (cinco) anos, à luz do precedente do Supremo Tribunal Federal fixado no RE 566.621, verificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. A Resolução foi proferida nos seguintes termos: "O recurso encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Da analise dos autos verificase que a questão de mérito a ser tratada no presente recurso diz respeito a compensação, que foi indeferida pela autoridade fiscal sob dois argumentos: 1) decadência do direito de pleitear a restituição; 2) certeza e liquidez do credito tributário não foi comprovada. Ocorre que conforme determina o RICARF este Colegiado está obrigado a seguir as decisões incontestáveis e definitivas do STF. No caso do prazo decadencial restou definido por meio do acórdão proferido no RE 566621/RS, de 04/08/2011, que o prazo reduzido para repetição do indébito, previsto na LC 118/2005, só seria aplicado às demandas protocoladas a partir de 09 de junho de 2005. Para os pedidos protocolados em datas anteriores, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário seria de 10 anos contados da data do pagamento. Por este entendimento, quando a contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação o seu direito ainda não havia sido alcançado pela prescrição. Ainda que vencido o primeiro obstáculo para que se pudesse deferir o pedido da recorrente, restaria um segundo obstáculo: a certeza e liquidez do credito pleiteado. Nos autos constam indícios que poderiam ter havido pagamentos a maior, ainda que não definitivamente comprovados. Para que não se alegue cerceamento de direito de defesa propomos a conversão do julgamento em diligencia para que: Fl. 391DF CARF MF 4 1) a contribuinte seja intimada a trazer aos autos a documentação necessária para comprovar o seu alegado direito creditório, demonstrandoo por meio dos documentos contábeis fiscais e espelhado em tabelas demonstrativas da origem e montante do direito creditório pleiteado; 2) seja verificado, pela fiscalização, o direito creditório alegado com base nos demonstrativos e documentação que os lastreiem, apresentados pela contribuinte (conforme item 1); 3) seja elaborado, pela fiscalização, relatório conclusivo da diligencia acerca do alegado direito creditório. Dos resultados das averiguações, seja dado conhecimento ao sujeito passivo, para que, em querendo, manifestese sobre o mesmo no prazo de 30 (trinta) dias." (efls. 3/4 grifei) Em cumprimento desta diligência, foram juntados aos autos documentos pelo contribuinte que atestariam seu direito creditório e elaborado relatório fiscal em diligência aduzindo que o contribuinte não teria direito ao crédito, nos seguintes termos: "Esta DEINF/SPO/DIORT tem seguido as orientações constantes do Parecer PGFN/CAT/N° 2773/2007, cuja cópia anexamos (fls. 259 a 281). Não há como se falar de inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo veiculada pelo art. 3° da Lei n° 9.178/98. Apenas o § 1° do art. 3° da referida Lei, que ampliou o conceito de receita bruta para abarcar as receitas não operacionais foi considerado inconstitucional pelo STF nos RREE n° 346.084, 357.950, 358.273, e 390.840. Esta declaração de inconstitucionalidade não tem o condão de modificar a realidade de que para as instituições financeiras a base de cálculo do PIS continua sendo a receita bruta da pessoa jurídica, com as exclusões contidas §§ 5° e 6° do mesmo art. 3°, sem abarcar todavia as receitas não operacionais, eis que o art. 2° e o caput do art. 3° não foram declarados inconstitucionais. No caso do PIS o conceito de receita bruta é aquele contido no art. 1° da Lei n° 9.701/1998. Os serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira). Assim sendo, a apuração dos valores devidos de PIS nos meses de janeiro a maio de 2000, efetuada pela contribuinte na DIPJ do anocalendário de 2000 (fls. 287 a 301), não merece reparos sendo os valores calculados devidos. Entretanto a contribuinte recolheu apenas os valores declarados em DCTF (fls. 282 a 286), que divergiram daqueles declarados na DIPJ, conforme tabela a seguir: Mês Valor devido (DIPJ) Valor recolhido (DCTF) Crédito/Débito Janeiro R$2.113,55 R$2.113,55 Fevereiro R$ 9.061,77 R$9.530,24 R$ 468,47 Março R$ 3.022,55 R$3.199,38 R$176,83 Abril R$48.808,85 R$5.917,50 (R$42.891,35) Maio R$ 11.873,31 R$ 11.390,28 (R$ 483,03) 3)"seja elaborado, pela fiscalização, relatório conclusivo da diligência acerca do alegado direito creditório" Conforme apurado no item 2) acima a contribuinte não tem direito creditório. Ao contrário existem débitos não pagos (abril, maio) em valor superior aos créditos (fevereiro, março)" (efls. 332333) Em seguida, foi aberta vista ao contribuinte pelo prazo de 10 (dez) dias: "De acordo. Intimese o interessado a tomar ciência da presente informação, facultado o direito de se manifestar no prazo de 10 dias. Após encaminhese o Fl. 392DF CARF MF Processo nº 16327.000977/200505 Acórdão n.º 3402004.896 S3C4T2 Fl. 391 5 processo a 2ª Turma Ordinária, da Câmara, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais" (efl. 333 grifei) Intimado desta decisão em 19/10/2012 o contribuinte se manifestou dentro do prazo de 10 (dez) dias que lhe foi concedido. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Como relatado, o presente processo se refere à pedido de restituição de crédito de PIS formulado pelo contribuinte em 08/06/2005 (efl. 8), negado por entender a fiscalização que estaria decaído o direito do contribuinte. Este entendimento foi referendado na decisão de primeira instância, que pautou sua análise exclusivamente quanto ao transcurso do prazo decadencial (efls. 116123). Na Resolução proferida por este Colegiado, foi bem pontuada a necessidade de reforma do despacho decisório e da decisão de primeira instância, vez que o único fundamento jurídico por elas concedidos (decadência do direito ao crédito) não é cabível à luz do entendimento sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, no recurso Extraordinário n.º 566.6211. Vejamos novamente os termos da resolução: 1 "DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido." (RE 566621, Relatora Min. Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, Repercussão Geral Mérito DJe195 DIVULG 10/10/2011 PUBLIC 11/10/2011 grifei) Fl. 393DF CARF MF 6 "O recurso encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Da analise dos autos verificase que a questão de mérito a ser tratada no presente recurso diz respeito a compensação, que foi indeferida pela autoridade fiscal sob dois argumentos: 1) decadência do direito de pleitear a restituição; 2) certeza e liquidez do credito tributário não foi comprovada. Ocorre que conforme determina o RICARF este Colegiado está obrigado a seguir as decisões incontestáveis e definitivas do STF. No caso do prazo decadencial restou definido por meio do acórdão proferido no RE 566621/RS, de 04/08/2011, que o prazo reduzido para repetição do indébito, previsto na LC 118/2005, só seria aplicado às demandas protocoladas a partir de 09 de junho de 2005. Para os pedidos protocolados em datas anteriores, o prazo prescricional para repetição do indébito tributário seria de 10 anos contados da data do pagamento. Por este entendimento, quando a contribuinte protocolou seu pedido de restituição/compensação o seu direito ainda não havia sido alcançado pela prescrição." (efl. 3 grifei) Com efeito, correto o entendimento da Resolução, que encontra amplo respaldo na jurisprudência deste Conselho como se identifica, a título apenas exemplificativo, pelo julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 15/01/1993 a 30/06/1994 REGIMENTO INTERNO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. DECISÃO DEFINITIVA STF E STJ. ART.62, §2º DO RICARF. Segundo o art. 62, §2º, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil de 1973 (ou dos artigos 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil) devem ser reproduzidas no julgamento dos recursos no âmbito deste Conselho. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PRAZO. Tendo em vista que o contribuinte protocolou o pedido de restituição até 09/06/2005, de se aplicar o entendimento anterior firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (“tese dos 5 + 5”), em sede de Recurso Representativo de Controvérsia (artigo 543C, do Código de Processo Civil de 1973), no recurso especial nº 1.002.932, aplicado para as restituições apresentadas até 09/06/2005, conforme decisão proferida no Recurso Extraordinário nº 566.621, julgado pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática do art. 543B do CPC/1973. Ainda, segundo o Recurso Especial nº 1.110.578,julgado pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática do artigo 543C, do Código de Processo Civil, a declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional, tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício." (Número do Processo 13819.001939/200370 Data da Sessão 21/09/2017 Relatora Vanessa Marini Cecconello Nº Acórdão 9303005.797 Unânime grifei) Contudo, diante destas circunstâncias, afastado o único fundamento jurídico apresentado para a negativa à restituição do crédito, necessário que seja realizado um novo trabalho fiscal para a confirmação da validade e liquidez do crédito, e não simplesmente a Fl. 394DF CARF MF Processo nº 16327.000977/200505 Acórdão n.º 3402004.896 S3C4T2 Fl. 392 7 realização de uma diligência para a verificação de sua validade nesta segunda instância administrativa. Com efeito, ao contrário do que foi indicado na resolução, o presente processo não pode ser objeto de análise por este colegiado, mesmo após a realização da diligência, sob pena de supressão de instância, como já entendido em outras oportunidades por este Conselho: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 DENEGAÇÃO DO PEDIDO SOB. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA INEXISTENTE. NULIDADE DO PROCESSO A PARTIR DO DESPACHO DECISÓRIO. Deve ser anulado o processo, a partir do Despacho Decisório, inclusive, quando se verifica que o indeferimento do pedido formulado pela contribuinte deuse sob fundamento fático inexistente, sendo defeso ao CARF inovar a fundamentação da denegação do pedido, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário provido em parte." (Número do Processo 10940.900089/2006 43 Data da Sessão 18/03/2015 Relatora Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Acórdão 3202001.608 grifei) "Processo administrativo fiscal. Nulidade. Supressão de instância. Cerceamento do direito de defesa. As normas que regem o processo administrativo fiscal concedem ao contribuinte o direito de ver apreciada toda a matéria litigiosa em duas instâncias. Supressão de instância é fato caracterizador do cerceamento do direito de defesa. Nulo é o ato administrativo maculado com vício dessa natureza. Processo que se declara nulo a partir do despacho decisório viciado, inclusive." (Número do Processo 16327.002874/9971 Data da Sessão 05/12/2006 Relator Tarásio Campelo Borges Nº Acórdão 30333.805 grifei) Essencial salientar que o trabalho fiscal realizado na diligência evidencia o potencial cerceamento de defesa do contribuinte, tendolhe sido oferecido prazo inferior àquele indicado na própria Resolução deste Conselho para manifestação. Como indicado no relatório, foi concedido prazo de apenas 10 (dez) dias para manifestação, enquanto a resolução teria concedido o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. Ademais, o relatório da diligência não pormenoriza a razão pela qual o contribuinte não teria direito ao crédito, tendo apenas se respaldado nas informações da DIPJ e DCTF que igualmente fundamentaram o pedido de crédito. Diante do exposto, deve ser dado parcial provimento ao Recurso Voluntário para reformar o despacho decisório e, afastando o fundamento da decadência, seja analisada a liquidez e certeza do crédito pleiteado. É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora Fl. 395DF CARF MF 8 Fl. 396DF CARF MF
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Numero do processo: 12898.000390/2010-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1998 a 30/11/1998
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Impossibilidade de comprovação de divergência na hipótese em que acórdãos recorrido e paradigma são convergentes.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - BENEFÍCIO DE ORDEM. ENUNCIADO Nº 30 DA CÂMARA SUPERIOR DO CRPS. RESOLUÇÃO MPS/CRPS Nº 1/2007 E ART. 62 DO RICARF.
"Tratando-se de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços".
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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EM RECUPERACAO JUDICIAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/11/1998 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Impossibilidade de comprovação de divergência na hipótese em que acórdãos recorrido e paradigma são convergentes. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL BENEFÍCIO DE ORDEM. ENUNCIADO Nº 30 DA CÂMARA SUPERIOR DO CRPS. RESOLUÇÃO MPS/CRPS Nº 1/2007 E ART. 62 DO RICARF. "Tratandose de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços". APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 03 90 /2 01 0- 20 Fl. 499DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Paula Fernandes e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), que não conheceram do recurso e, no mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração substitutivo para cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados de empresa contratada para prestação de serviço de construção civil. Com base nos elementos apurados pela ação de fiscalização e aqueles levantados ao longo do primeiro processo, constituiuse novo lançamento contra o contribuinte, na condição de devedor solidário, nos termos do art. 30, IV da Lei nº 8.212/91. A base de cálculo do tributo lançado de ofício foi apurada por meio de arbitramento por aferição indireta (40% sobre o valor da nota fiscal, nos termos do art. 336 da Instrução Normativa RFB 971/2009), tendo sido ainda acrescido de multa e de juros. O auto de infração originalmente lavrado foi anulado por decisão proferida pela então Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS que concluiu pela existência de nulidade por vício formal. O lançamento foi mantido pela Delegacia de Julgamento, tendo o contribuinte apresentado recurso voluntário reiterando seus argumentos de defesa no seguinte sentido: (i) a necessidade da realização de prova pericial; (ii) a nulidade do lançamento, tendo em vista que (ii.1) a responsabilidade solidária não dispensa a autoridade autuante de fiscalizar o prestador de serviços, a fim de confirmar que o tributo exigido não foi quitado espontaneamente; (ii.2) restando verificado a existência do débito, realizar o lançamento em face do prestador, que é o real contribuinte; (ii.3) analisar a escrituração contábil do prestador para determinar a real base de cálculo do tributo, e, apenas no caso da sua total Fl. 500DF CARF MF Processo nº 12898.000390/201020 Acórdão n.º 9202006.575 CSRFT2 Fl. 500 3 imprestabilidade, lançar por arbitramento (aferição indireta); (iii) foi apresentada prova de quitação do tributo; e (iv) subsidiariamente, defendeu a redução da multa lançada para 20%, com base nas alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009. A 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores, limitada ao percentual de 75%, previsto no art. 44 da lei nº 9.430/96. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1998 a 30/11/1998 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. O contratante de serviços de construção civil, qualquer que seja a modalidade de contratação, responde solidariamente com o prestador pelas obrigações previdenciárias decorrentes da Lei nº 8.212/91, conforme dispõe o art. 30, inciso VI da citada lei. AFERIÇÃO INDIRETA. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. Aplicável a apuração do crédito previdenciário por aferição indireta/arbitramento na hipótese de deficiência ou ausência de quaisquer documentos ou informações solicitados pela fiscalização, que lançará o débito que imputar devido, invertendose o ônus da prova ao contribuinte, com esteio no artigo 33, §3º, da Lei nº 8.212/91. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. CRITÉRIO. FATOS GERADORES ANTERIORES A 1999. Aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e anteriores à obrigatoriedade de declaração em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), aplicase a multa mais benéfica, obtida pela comparação da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (art. 35, Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009), e a multa de ofício na novel redação do art. 35A da Lei nº 8.212/91 (incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Intimada a Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de divergência questionando o critério adotado pelo Colegiado no que tange a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. O contribuinte também apresentou recurso que foi recebido para discussão das seguintes matérias: 1) possibilidade de lançamento do crédito autuado exclusivamente contra o responsável solidário, e Fl. 501DF CARF MF 4 2) retroatividade da multa com base no art. 61, §2º da Lei nº 9.430/96: multa de mora limitada a 20%. As partes apresentaram contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Recurso da Fazenda Nacional Pugna a Fazenda Nacional pela reforma do acórdão recorrido no que tange ao critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna adotado pelo Colegiado recorrido em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cita como paradigmas os acórdãos 230100.283 e 240100.120. A recorrente sustenta que a retroatividade benigna do art. 106, I do CTN deve levar em consideração a natureza da multa aplicada e não a nomenclatura adotada pelo legislador assim, no caso concreto, para apuração da multa mais benéfica quando da execução do julgado devese fazer a comparação entre o art. 35 (na redação anterior) e o art. 35A da Lei nº 8.212/91 na redação dada pela Lei nº 10.941/2009. Ocorre que foi exatamente essa a conclusão do acórdão recorrido. Segundo consta do teor do voto vencedor, que usou como fundamento as razões de decidir do acórdão 2301004.384, a multa mais benéfica deve ser apurada mediante comparação do dado quantitativo resultante do cálculo vigente à época dos fatos geradores com o dado quantitativo resultante da multa calculada com base no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Tratase de entendimento explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. E conclui a Redatora designada: No presente caso, como o período do lançamento é anterior à obrigatoriedade da declaração em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), aplicase a multa mais benéfica, a ser calculada no momento do pagamento, obtida pela comparação da multa vigente à época da ocorrência dos fatos geradores (art. 35, Lei nº 8.212/91, na redação anterior à Lei nº 11.941/2009), e a multa de ofício na novel redação do art. 35A da Lei nº 8.212/91 (incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Tal análise deverá ser realizada no momento da liquidação do débito (pagamento ou parcelamento), ou, na sua falta, no momento do ajuizamento da execução fiscal, a teor do disposto no art. 2º, caput e § 1º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 12898.000390/201020 Acórdão n.º 9202006.575 CSRFT2 Fl. 501 5 Conforme demonstrado na própria peça recursal e bem destacado nas contrarrazões do contribuinte, a conclusão fixada no acórdão recorrido é exatamente a mesma adotada pelos paradigmas o que nos leva ao não conhecimento do recurso da Fazenda Nacional seja por ausência de divergência interpretativa dos dispositivos normativos, seja por ausência de interesse recursal. Recurso do Contribuinte: No que tange ao recurso interposto pelo Contribuinte duas foram as matérias devolvidas a esta Câmara Superior: possibilidade de lançamento do crédito autuado exclusivamente contra o responsável solidário e retroatividade benigna para aplicação da multa mais favorável prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Quanto a estes pontos não há reparos a serem feitos em relação ao exame de admissibilidade. Em relação a aferição indireta, conforme consta do relatório, o presente lançamento tem como fundamento o art. 30, VI, o qual prevê hipótese de responsabilidade solidária atribuída ao dono da obra em relação às contribuições previdenciárias devidas pelo prestador de serviço de construção civil, citado dispositivo possui a seguinte redação: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; ... Analisando o inteiro teor da decisão apontada como paradigma podemos observar que a situação enfrenta pelo Colegiado foi delimitada à aplicação do art. 31 da mesma lei, o qual tem aplicação aos casos de responsabilidade decorrentes da caracterização de cessão de mão de obra: "O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem." Ainda que os dispositivos regentes da responsabilidade solidária sejam distintos, fato é que ambos os lançamentos foram feitos com base no art. 33, §§ 3º e 6º da citada Lei nº 8.212/91 tendo o acórdão paradigma concluído que a aplicação da aferição Fl. 503DF CARF MF 6 indireta da base de cálculo somente é permitida nas hipóteses em que fiscalização tenha efetuado prévia averiguação junto à empresa responsável principal. Vejamos: O crédito tributário foi lançado por solidariedade, com fundamento no art. 31 da Lei 8.212/91, e se refere a contribuições sociais previdenciárias patronais e de ônus dos segurados, incidentes sobre a remuneração inserida em notas fiscais de serviços contratados mediante cessão de mãodeobra, sob o título: “agente credenciado/distribuidor autorizado”, apurado por aferição indireta, com base no art. 33 da Lei 8.212/91, em razão de a empresa fiscalizada, contratante dos serviços, não ter apresentado os documentos previstos na legislação, necessários à elisão da responsabilidade solidária e à comprovação da regularidade tributária em foco. Em situações como a dos autos, a fiscalização não pode e não deve buscar a solução que entender mais prática para realizar suas atribuições. ... Vêse, portanto, que o do lançamento na esfera da empresa contratante, o que não é o caso destes autos, sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra, é arbitrário segundo o Superior Tribunal de Justiça – STJ. É nesse ponto que temos configurada a divergência, pois diferentemente o Colegiado a quo entendeu: Neste ponto, entendo que não assiste razão à recorrente, prevalecendo o entendimento explanado pela turma julgadora a quo, de que, ao não exigir "da prestadora o comprovante do pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura", a tomadora assumiu o ônus da obrigação tributária por solidariedade, podendo o crédito ser constituído contra qualquer um dos solidários. Por fim, vale destacar que embora haja decisão sumulada do antigo CRPS sobre o tema, Enunciado nº 30, entendo que não temos, a exemplo do que ocorre com as decisões mencionadas no o art. 67, §3º do RICARF, qualquer norma impeditiva para o conhecimento do recurso. No que tange a aplicação da retroatividade benigna da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/96, vale destacar que quanto a este tema ainda não há qualquer decisão vinculante nos termos em que fixado pelos arts. 62 e 67, §12 do RICARF. Do mérito: Ultrapassada as questões relativas ao conhecimento dos recursos, nos resta analisar o mérito dos temas devolvidos por meio do recurso interposto pelo Contribuinte. Da solidariedade Fl. 504DF CARF MF Processo nº 12898.000390/201020 Acórdão n.º 9202006.575 CSRFT2 Fl. 502 7 O primeiro ponto se resume em discutir se a solidariedade ocorre após a comprovação, por parte do Fisco, da existência de eventual crédito tributário devido pelo Contribuinte prestador de serviço e devedor principal ou o tomador é responsável solidário inclusive no que tange a realização de provas quanto a inexistência de descumprimento das obrigações do devedor principal? Devemos destacar que o assunto já foi debatido pelas Câmara de Julgamentos do CRPS tendo naquela esfera sido pacificado entendimento que foi objeto Enunciado nº 30 da Câmara Superior do Conselho de Recursos da Previdência Social, aprovado pela Resolução MPS/CRPS nº 1/2007, o qual possui o seguinte teor: Enunciado nº 30: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Referido entendimento reflete, de fato, a melhor interpretação do art. 30, VI do Lei nº 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: ... VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) O art. 30 é exemplo de solidariedade fundada no art. 124, II do CTN, vez que decorre de expressa previsão legal. Sobre esse dispositivo o professor Paulo de Barros Carvalhos em sua obra Curso de Direito Tributário (Saraiva 1991, pp.216 e 217) assim esclarecesse: "propositalmente deixamos para o final a menção ao inciso II do art. 124, que declara solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. Ajeitase aqui uma advertência sutil, mas de capitular relevo. O território da eleição do sujeito passivo das obrigações tributárias e, bem assim, das pessoas que devam responder solidariamente pela dívida, está circunscrito ao âmbito da situação factual contida na outorga da competência impositiva, cravada na Constituição. A lembrança desse obstáculo sobranceiro impede que o legislador ordinário, ao expedir regramatriz de incidência do Fl. 505DF CARF MF 8 tributo que cria, traga para o tópico do devedor, ainda que solidário, alguém que não tenha participado do fato típico. Falta a ele, legislador, competência constitucional para fazer recair a carga jurídica do tributo sobre pessoa alheia ao acontecimento gravado pela incidência." Ora, no presente caso, o tomador dos serviços participou da relação fática que desencadeou a cobrança do tributo obra de construção civil e desta forma a ele pode ser imposta a responsabilidade para demonstrar se o prestador cumpriu com suas obrigações legais. Não apresentando o interessado provas capazes de comprovar os fatos questionados pela autoridade fiscal não há dúvidas de que, por força de lei, poderá lhe ser imposta a responsabilidade pelo pagamento do tributo. Para ilustrar, coleciono os ensinamentos do também professor Renato Lopes Becho em artigo intitulado "Responsabilidade Tributária Solidária, por Contribuição Social, na Construção Civil, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário nº 186 (p. 82): Acreditamos, como se verifica da presente exposição, que o artigo 30 da Lei nº 8.212/1991, ao estipular a solidariedade entre contribuintes e não contribuintes transformou esses em responsáveis tributários, nos termos do artigo 121, parágrafo único, do CTN. E não o fez diretamente. Ou seja, sem que o legislador tenha usado a palavra responsabilidade no texto legal indicado, ele, na verdade, criou uma responsabilidade indireta. A solidariedade não é o único efeito à disposição do legislador para relacionar os contribuintes e os responsáveis. Ele pode lançar mão, também, da subsidiariedade. A distinção entre solidariedade e subsidiariedade está nos seus efeitos. Enquanto na primeira não há benefícios de ordem, na segunda ele é necessário. Significa dizer que, na subsidiariedade, o credor não pode escolher contra quem vai exigir o tributo: ele terá que, necessariamente, cobrar o tributo primeiro do contribuinte. Se não for satisfeito por esse, ele seguirá executando o responsável. É o chamado "benefício de ordem", que existe na subsidiariedade. Já na solidariedade não há o beneficio de ordem: o credor pode escolher entre cobrar o tributo do contribuinte ou de um dos responsáveis. É esse o principal efeito, expresso no artigo 125 do CTN, in verbis: "Art. 125. Salvo disposição de lei em contrário, são os seguintes os efeitos da solidariedade: I o pagamento efetuado por um dos obrigados aproveita aos demais; II a isenção ou remissão de crédito exonera todos os obrigados, salvo se outorgada pessoalmente a um, deles, subsistindo, nesse caso, a solidariedade quanto aos demais pelo saldo; III a interrupção da prescrição, em favor ou contra um dos obrigados, favorece ou prejudica aos demais." O artigo 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, como visto, estabelece uma hipótese de solidariedade. Aplicandose os artigos 124 e 125 do CTN, significa dizer que, nos termos escolhidos pelo legislador, a Receita Federal do Brasil poderá cobrar as contribuições sociais devidas sobre uma construção Fl. 506DF CARF MF Processo nº 12898.000390/201020 Acórdão n.º 9202006.575 CSRFT2 Fl. 503 9 civil dos contribuintes ou dos responsáveis, sem nem mesmo se falar em benefício de ordem. Poderá, pois, mover a execução fiscal, desde sua propositura, diretamente em face do dono da obra ou do proprietário do imóvel. Por fim, vale lembrar que estamos diante de lançamento substitutivo, ou seja, por mais de uma vez o contribuinte teve a oportunidade de buscar junto ao prestador de serviços elementos para provar que o crédito previdenciário tinha sido pago, porém não se desincumbiu desse ônus, razão pela qual não há qualquer ilegalidade no lançamento. Da retroatividade benigna: A controvérsia suscitada é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. Fl. 507DF CARF MF 10 A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, Fl. 508DF CARF MF Processo nº 12898.000390/201020 Acórdão n.º 9202006.575 CSRFT2 Fl. 504 11 descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, Fl. 509DF CARF MF 12 “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 510DF CARF MF Processo nº 12898.000390/201020 Acórdão n.º 9202006.575 CSRFT2 Fl. 505 13 · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e Fl. 511DF CARF MF 14 aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a Fl. 512DF CARF MF Processo nº 12898.000390/201020 Acórdão n.º 9202006.575 CSRFT2 Fl. 506 15 publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, concluise que o cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Conclusão: Diante do exposto deixo de conhecer do recurso da Fazenda Nacional, e conheço do recurso do Contribuinte para no mérito negarlhe provimento mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 513DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.723819/2013-78
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011, 2012, 2013
OPÇÃO PELO SIMPLES FEDERAL. INCLUSÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
A opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada até o último dia do mês de janeiro daquele ano. Após este prazo a empresa fica impossibilitada de optar.
Numero da decisão: 1001-000.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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INCLUSÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. A opção pelo Simples Nacional poderá ser realizada até o último dia do mês de janeiro daquele ano. Após este prazo a empresa fica impossibilitada de optar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 38 19 /2 01 3- 78 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15504.723819/201378 Acórdão n.º 1001000.389 S1C0T1 Fl. 114 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Brasília (DF), mediante o Acórdão nº 0365.541, de 13/01/2015 (efl. 81/86), objetivando a reforma do referido julgado. Em 09/04/2013, a empresa fez o pedido de Inclusão no Simples Nacional, em papel, com efeitos retroativos a data de abertura da empresa, em 19/12/2011 (efls. 02/03), que foi indeferido mediante Despacho Decisório n°. 2360 – DRF/BHE (efls. 28/31), com o fundamento de que não existe previsão legal para inclusão retroativa no Simples Nacional, quando não houve manifestação pelo contribuinte no prazo oportuno. A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, alegando, em síntese, que não efetivou, por equívoco, a opção pelo regime do Simples Nacional nos termos da Resolução CGSN n° 04/2007, art. 7°, §3°, inciso I, mas que vem recolhendo impostos na forma desse regime de tributação, vindo a requerer a sua inclusão por meio de petição em que solicita sua inclusão retroativa a 19/12/2011. Colaciona jurisprudência administrativa, documentos, e requer seja deferido seu pedido. A DRJ considerou procedente o indeferimento da opção e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011, 2012, 2013 INGRESSO. FALTA DE OPÇÃO PELA INTERNET NO PRAZO DA LEGISLAÇÃO. DEFERIMENTO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. Em face da legislação aplicável, inexiste a possibilidade de reconhecer o direito do contribuinte de ingressar no Simples Nacional sem que tenha havido a formalização da sua opção pela internet no Portal do Simples Nacional no prazo estipulado pela legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 05/02/2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 87, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 27/02/2015 (efls. 90/102), conforme carimbo aposto à efl. 90. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15504.723819/201378 Acórdão n.º 1001000.389 S1C0T1 Fl. 115 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, já relatados acima, ou seja, não traz nenhum novo argumento contra o indeferimento de sua opção, nem mesmo contra a decisão de primeira instância que indeferiu a manifestação de inconformidade. Tendo em vista que a recorrente não apresentou novas razões de defesa perante a segunda instância, com base no §3º do art. 57 do RICARF e nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ, transcritas a seguir: No caso em exame, o contribuinte, conforme reconhece em sua peça de defesa, não realizou a opção pelo regime do Simples Nacional conforme previsto no Resolução CGSN n° 04/2007, art. 7°, §3°, inciso I; recolheu impostos por esse regime desde sua constituição e, em 2013 fez sua opção adequadamente, tendo a mesa sido deferida. Tendo recolhido impostos na forma do Simples Nacional desde a sua constituição, a empresa entendeu que tinha direito ao ingresso nesse regime tributário e, por isso, requereu que fosse efetivada a sua inclusão no Simples Nacional a partir de 19/12/2011. A questão foi analisada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte que concluiu, por meio do Despacho Decisório n° 2360 – DRF/BHE de fls. 28 a 31, pelo indeferimento da inclusão retroativa da empresa no Simples Nacional, com data de efeito a partir de 19/12/2011; motivo pelo qual o contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade de fl. 34 a 40. Não merece acolhida a pretensão requerida pelo patrono da pessoa jurídica manifestante. Inicialmente, cabe registrar que o julgador deve observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos, de acordo com o disposto no artigo 7º, inciso V, da Portaria MF nº 341 /2011: Art. 7° São deveres do julgador: (...) IV cumprir e fazer cumprir as disposições legais a que está submetido; e V observar o disposto no inciso III do art. 116 da Lei nº 8.112, de 1990, bem como o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Conforme prevê o caput do art. 16 da Lei Complementar nº 123, de 2006, a opção pelo Simples Nacional darseá na forma estabelecida pelo Comitê Gestor do Simples Nacional: Lei nº 123/2006 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15504.723819/201378 Acórdão n.º 1001000.389 S1C0T1 Fl. 116 4 Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. (...) Consoante essa prerrogativa o Comitê Gestor do Simples Nacional editou então a Resolução CGSN nº 04, de 2007 que a respeito do ingresso nessa forma de tributação, assim dispõe: Resolução CGSN nº 4/2007 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no §3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1º A Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009). § 1º B O disposto no § 1º A não se aplica às empresas em início de atividade. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) (...) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008). (...) § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos Fl. 116DF CARF MF Processo nº 15504.723819/201378 Acórdão n.º 1001000.389 S1C0T1 Fl. 117 5 no inciso I do § 3° deste artigo. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) (...) (grifos acrescidos) Uma vez que o período em que seria possível a opção pelo Simples Nacional na qualidade de empresa em início de atividade abranger a vigência de duas Resoluções do Comitê Gestor do Simples Nacional, verificase que a partir de 1° de janeiro de 2012, as regras para opção são regidas pela Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011, que prevê: Resolução CGSN nº 94/2011 Art. 6 º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5 º . § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. § 3º O disposto no § 2º não se aplica às empresas em início de atividade. (...) § 5º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou EPP, após efetuar a inscrição no CNPJ, bem como obter a sua inscrição municipal e, caso exigível, a estadual, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (...) § 7 º A ME ou EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 5 º . (Lei Complementar n º 123, de 2006, art. 16, § 3º) (...)(grifos acrescidos) Concordam as duas Resoluções, entretanto que a opção deve respeitar os prazos de 180 dias da data de abertura; de 30 dias do deferimento da última Fl. 117DF CARF MF Processo nº 15504.723819/201378 Acórdão n.º 1001000.389 S1C0T1 Fl. 118 6 inscrição; e ser efetivada por meio da internet, o que não ocorreu no caso em tela, conforme reconhece o próprio contribuinte. Argui o patrono do contribuinte que na forma do art. 8° §2° da Resolução CGSN 04/2007 seria possível a inclusão retroativa por meio de decisão administrativa. Ocorre, contudo que essa decisão que autorizaria o recolhimento de tributos pelo Simples retroativamente referese à decisão que assegura os direitos do contribuinte em caso de questionamento de indeferimento de opção realizada tempestivamente e pela internet, o que não ocorreu no presente caso. Alega , ainda, que o Delegado da Receita Federal poderia retificar o Termo de Indeferimento de Opção do Simples Nacional quando comprovada a ocorrência de erro de fato. Na espécie, entretanto, não há Termo de Indeferimento de Opção, haja visto que o contribuinte não cumpriu as formalidades para sua opção. Nesse diapasão, não poderia o Delegado da Receita Federal retificar um Termo de Opção que não fora emitido. O contribuinte pretende com suas alegações associarse a um procedimento revisional que depende da existência de um ato da Administração Pública que indefere uma opção prévia, tempestiva e impetrada na forma correta, o que não aconteceu no presente caso. Assim, à luz dos dispositivos legais, a opção pelo Simples Nacional produzirá efeitos desde que exercida nos termos, prazos e condições estabelecidos pelo Comitê Gestor. Nesse sentido, para que a opção do contribuinte pela apuração de seus tributos pelo Simples Nacional a partir de 19/12/2011 pudesse ser deferida, deveria ser manifestada impreterivelmente dentro do prazo estabelecido pela legislação de regência e via internet no Portal do Simples Nacional. Esclarecese, em face do alegado na defesa, que o fato do contribuinte ter recolhido seus tributos na forma do Simples Nacional em hipótese alguma o caracteriza como optante do Simples Nacional, por absoluta falta de previsão na legislação para isso. Com efeito, a atividade administrativa exercida pela autoridade tributária é sempre vinculada à legislação, de forma que não pode jamais se afastar, sob pena de, assim procedendo sofrer inclusive responsabilização funcional. Conclusão Assim, uma vez que não há amparo na legislação para reconhecer o direito do contribuinte de ingressar no Simples Nacional sem que tenha formalizado a sua opção pela internet no Portal do Simples Nacional no prazo estipulado pela legislação, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, ratificando a decisão da Delegacia de jurisdição da contribuinte. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.002076/2008-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 20 76 /2 00 8- 89 Fl. 190DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento (f. 03/07), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2005, anocalendário de 2004, onde foram glosadas dedução de despesas médicas no valor de R$ 26.543,00 , por ausência de comprovação do efetivo pagamento. O contribuinte apresentou impugnação (f. 09/15), julgada mediante Acórdão da DRJ SÃO PAULO II de f. 135/140, que manteve integralmente a glosa das despesas médicas. Cientificado, o interessado apresentou recurso voluntário de f. 159/167. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigado a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte.. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. O lançamento cingese à glosa de despesas médicas. O interessado, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende o recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 13884.002076/200889 Acórdão n.º 2001000.078 S2C0T1 Fl. 3 3 Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. . Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, adoto a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 192DF CARF MF 4 Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos Fl. 193DF CARF MF Processo nº 13884.002076/200889 Acórdão n.º 2001000.078 S2C0T1 Fl. 4 5 prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 194DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.006784/2008-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 67 84 /2 00 8- 86 Fl. 218DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.117.1067, consolidado em 03/12/2008, lavrado contra a empresa supra identificada, no valor total de R$ 134.246,05 (cento e trinta e quatro mil, duzentos e quarenta e seis reais e cinco centavos), abrangendo o período 10/2007 a 02/2008, inclusive 12/2007, referente às seguintes contribuições, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados: contribuição patronal prevista na Lei nº 8.212/91, art. 22, I; e contribuição patronal destinada ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91 e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Lei nº 8.212/91, art. 22, II). Foram também incluídos no Auto de Infração diferenças de acréscimos legais referentes a guias de recolhimento pagas em atraso. Segundo consta no Relatório Fiscal, as bases de cálculo foram apuradas em folhas de pagamento geradas em meio magnético e correspondem a fatos geradores não declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; foi efetuado o confronto das remunerações de cada segurado constante nas folhas de pagamento com as respectivas remunerações declaradas em GFIP e a diferença foi lançada no levantamento “FP – REMUNERACAO FOLHA PAGTO”, equivalendo ao montante não declarado; e as bases de cálculo informadas em GFIP antes do início da ação fiscal não foram lançadas, mesmo quando as correspondentes contribuições não foram recolhidas. A notificação do lançamento se deu em 03/12/2008. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE julgado a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 12/03/2015, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2403002.992 (fls. 141/149), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, excetuando da tributação os créditos constituídos pelos pagamentos realizados pelo contribuinte nos primeiros quinze dias de afastamento dos empregados bem como determinar o recálculo da multa na forma do preceituado no art. 35 da Lei nº 8.212/91 com a nova redação dada pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10320.006784/200886 Acórdão n.º 9202006.605 CSRFT2 Fl. 3 3 percentual de vinte por cento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O art. 22 da Lei n° 8.212/91 dispõe que a contribuição a cargo da empresa recairá sobre o total das remunerações pagas quando os trabalhadores lhe prestem serviços, sendo as remunerações destinadas a retribuir o trabalho, pelos serviços efetivamente prestados. VALOR PAGO PELO EMPREGADOR NOS PRIMEIROS QUINZE DIAS DE AFASTAMENTO POR DOENÇA OU LESÃO QUE INCAPACITE O SEGURADO EMPREGADO PARA O TRABALHO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO POR SERVIÇOS PRESTADOS NÃO INCIDÊNCIA. O pagamento pelo empregador é imposto por lei em razão do afastamento do empregado previsto na Lei nº 8.213/91, art. 43, §2º, e art. 60, §3º, durante os primeiros quinze dias de afastamento da atividade por motivo de invalidez, doença ou lesão que incapacite o segurado empregado para o trabalho. Dessa forma não caracteriza remuneração por serviços prestados. e, portanto, não incidem contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. BASE DE CÁLCULO. HORAS EXTRAS. ADICIONAL DE FÉRIAS. A remuneração das horas extras paga ao segurado empregado bem como a remuneração adicional de férias de que trata o inciso XVII do art. 7º da Constituição Federal integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE BENIGNA Tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, o artigo 106, II , “c”, do Código Tributário Nacional CTN, observando princípio da retroatividade benigna, determina a aplicação retroativa da lei. MULTA DE MORA. É pertinente o recálculo das multas se as circunstâncias motivarem comparar o resultado da aplicação do revogado art. 35 e incisos I, II e III da Lei n° 8.212/91 no qual se baseou o lançamento com o do preceituado na nova redação dada ao sobredito art. 35 pela Lei n° 11.941/2009 para em seguida comparálos com os valores obtidos nos termos do novo art. 35 Fl. 220DF CARF MF 4 A, incluído pela Lei n° 11.941/2009 e então fazer prevalecer o cálculo menos gravoso Recurso Voluntário Provido em Parte. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 14/07/2015 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 04/08/2015, Recurso Especial (fls. 151/167). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 4ª Câmara, de 19/02/2016 (fls. 205/211). O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado do Acórdão nº 2403002.992, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 07/06/2016, através de Edital de ciência em papel (fl. 216), o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10320.006784/200886 Acórdão n.º 9202006.605 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 205. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. Fl. 222DF CARF MF 6 A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10320.006784/200886 Acórdão n.º 9202006.605 CSRFT2 Fl. 5 7 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: Fl. 224DF CARF MF 8 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10320.006784/200886 Acórdão n.º 9202006.605 CSRFT2 Fl. 6 9 Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 226DF CARF MF 10 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10320.006784/200886 Acórdão n.º 9202006.605 CSRFT2 Fl. 7 11 Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referir se a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 228DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.904811/2011-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.291
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 81 1/ 20 11 -1 2 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904811/201112 Resolução nº 3402001.291 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.032, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904811/201112 Resolução nº 3402001.291 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904811/201112 Resolução nº 3402001.291 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904811/201112 Resolução nº 3402001.291 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904811/201112 Resolução nº 3402001.291 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
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Numero do processo: 16624.000143/2008-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/08/1990
PRAZO INICIAL DE CONTAGEM DA PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE SOLICITAR COMPENSAÇÃO.
A prescrição do direito de solicitar compensação tem início somente após o trânsito em julgado da homologação do pedido de desistência da execução do crédito reconhecido em decisão judicial, porque somente a partir desse momento que foi originada a real possibilidade jurídica de ação junto à administração pública. Entendimento decorrente da aplicação conjunta da Súmula n.º 91 deste conselho com o Parecer Normativo Cosit n.º 11 de 2014, Art. 3.º, §2.º da IN SRF 517/2005 e §1.º, do Art. 17 da IN SRF 21/1997.
Numero da decisão: 3201-003.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para determinar que a DRJ enfrente o mérito da lide. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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A prescrição do direito de solicitar compensação tem início somente após o trânsito em julgado da homologação do pedido de desistência da execução do crédito reconhecido em decisão judicial, porque somente a partir desse momento que foi originada a real possibilidade jurídica de ação junto à administração pública. Entendimento decorrente da aplicação conjunta da Súmula n.º 91 deste conselho com o Parecer Normativo Cosit n.º 11 de 2014, Art. 3.º, §2.º da IN SRF 517/2005 e §1.º, do Art. 17 da IN SRF 21/1997. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para determinar que a DRJ enfrente o mérito da lide. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira. Ficou de apresentar declaração de voto o Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Ausente a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário, que foi substituída pela Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 01 43 /2 00 8- 80 Fl. 1336DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 1301 em face de decisão da DRJ/RJ de fls. 1274 que decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade de fls 801, restando o direito creditório de Finsocial não reconhecido. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância: "Trata o presente processo de pedido de restituição (fl. 04) e de declarações de compensação apresentadas em formulário de crédito total atualizado até 12.07.2007, no valor de R$ 2.910.000,26. Às fls. 18, em 12.07.2007, o contribuinte apresentou o Pedido de Habilitação de Crédito reconhecido por Decisão Judicial Transitado em Julgado, no qual indicou a ação judicial nº. 2002.34.00.0156904, com data de trânsito em julgado em 23/02/2007. Neste pedido informou ainda ter incorporado em 30/04/1998 a empresa Supercar Comércio e Importação Ltda, também litisconsorte ativa na referida ação judicial. Às fls. 32 a 33 consta cópia de petição apresentada pela interessada nos autos do processo nº. 2002.34.00.0156904 na qual requer a homologação da desistência da execução do título judicial, sem contudo desistir da condenação a título de honorários. Às fls. 34 e 35 consta cópia de certidão que ratifica entre outros a exclusão da interessada do pólo ativo da referida ação, bem como da empresa por ela incorporada denominada Supercar – Comércio e Importação de Veículos Ltda. A Delegacia da Receita Federal em Guarulhos expediu o Despacho DRF/GUA/SECAT nº: 453/2007 por meio do qual indeferiu a habilitação do crédito pelo fato de o mesmo ter sido formalizado após os cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o crédito (fls. 21 a 22). Neste consta em resumo que: • No formulário o sujeito passivo informou a data de trânsito em julgado da decisão como sendo 23.02.2007; • O processo judicial nr. 2002.34.00.0156904 tratase de Ação de Execução por Título Judicial. • O processo de repetição de indébito é a ação ordinária nº 94.00.101643. • O inciso IV, §2º, do art. 51 da IN SRF nº 600/2005 determina que o Pedido de Habilitação deverá ser formalizado no prazo de Fl. 1337DF CARF MF Processo nº 16624.000143/200880 Acórdão n.º 3201003.469 S3C2T1 Fl. 1.337 3 cinco anos do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o crédito. • A ação 94.00.101643, que reconheceu o crédito, transitou em julgado em 14/11/200l, e o Pedido de Habilitação foi protocolizado após os cinco anos do trânsito em julgado da ação. Ciente desta decisão a interessada ingressou com o Mandado de Segurança nº 2007.61.19.0073817 no qual pretendeu ver reconhecido o seu direito à habilitação do crédito. Foi concedida liminar nos seguintes termos (fls. 27 a 31): “Ante o exposto, DEFIRO A LIMINAR para reconhecer o direito à impetrante em habilitar o crédito judicial em comento, isto é oriundo da ação de conhecimento (autos nº 94.00.101643), posteriormente objeto de liquidação do julgado (autos nº. 2002.34.00.0156904), junto à Secretaria da Receita Federal, para fins de compensação”. Às fls. 24 a 25 consta o Despacho DRF/GUA/SECAT nº 700/2007, no qual a solicitação de habilitação do crédito é deferida em cumprimento à decisão liminar. Às fls. 180 a 184, consta cópia da sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2007.61.19.0073817. Neste foi julgado procedente o pedido e concedida a segurança para reconhecer à impetrante o direito de habilitar o crédito judicial em comento, oriundo da ação de conhecimento (autos nº 94.00.101643), posteriormente objeto de liquidação do julgado (autos nº 2002.34.00.0156904), junto à Receita Federal, para fins de compensação, confirmando a liminar anteriormente proferida. A União apresentou apelação que foi recebida somente no efeito devolutivo, estando os autos até a presente data aguardando julgamento no TRF da 3ª Região (fls. xx a xx). O contribuinte foi então intimado pela Delegacia da RFB em Guarulhos a apresentar cópia autenticada da petição inicial da Ação Ordinária nº 94.00.101643, bem como liminar, sentença e acórdão proferidos na mesma; Certidão de Objeto e Pé da Ação Ordinária nº 94.00.101643; cópia autenticada dos comprovantes de recolhimento (DARF) e Demonstrativo de índices de atualização monetária utilizada (fl. 221). Posteriormente foram solicitados comprovantes de recolhimento do Finsocial dos períodos de apuração de 03/1990 a 08/1990 da empresa incorporada SUPERCAR COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO DE VEÍCULOS LTDA. (fls. 627) No Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT nº 64/2012, fls. 778 a 788, a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos decidiu em resumo que: • Com relação à verificação da exatidão dos valores pleiteados, foi efetuado o seguinte: Fl. 1338DF CARF MF 4 1. Cálculo do pagamento de FINSOCIAL excedente à alíquota de 0,5%, através do sistema CTSJ e a base de cálculo/recolhimentos do FINSOCIAL apresentado pelo contribuinte, conforme demonstrativos de fls. 746/755 e 756/764. 2. Cálculo da compensação dos débitos atualizando os pagamentos a maior com base na Norma de Execução nº 08/1997 através do sistema SAPO, uma vez que a Decisão Judicial não estabeleceu os índices a serem aplicados, remanescendo saldos devedores, conforme demonstrativos às fls. 765/777. • Não houve a assunção dos honorários advocatícios na desistência do processo de execução n° 2002.34.000156904, conforme Certidão Objeto e Pé de 26/05/2011 (fls. 275/276), Pedido de Desistência do interessado (fls. 430/431) e Decisão Judicial Homologando a Desistência (fls. 432), de acordo com o disposto no artigo 50, parágrafo 2° da IN SRF n° 600/2005, que se encontrava vigente à época da protocolização do pedido de restituição/declaração de compensação. • Inexistiu a liquidez e certeza do crédito e o trânsito em julgado da Ação Judicial nº 2007.61.190073817, estando o pedido em desacordo com o disposto nos arts. 170 e 170A do CTN. • Os créditos atualizados não foram suficientes para os débitos compensados. Desta forma foi o pleito indeferido e não homologadas as compensações efetuadas. Cientificada em 16.04.2012, a interessada apresentou, em 11.05.2012, Manifestação de Inconformidade de fls. 801 a 822, na qual alega em síntese que: • Nos autos do processo nº 94.00.101643 foi proferida sentença que julgou procedente o pedido de repetição de indébito e condenou a União a devolver os montantes a que fazia jus a autora, que deveriam ser apurados em liquidação, corrigidos monetariamente e com juros de 1% a partir do trânsito em julgado. A mesma sentença foi confirmada, in totum, pelo TRF da 1ª Região. • Promoveu a liquidação do julgado em 11.04.2002 para apurar de forma definitiva o quantum efetivamente devido pela União. • Em face de tal liquidação de sentença, a União Federal opôs Embargos à execução (processo n° 2002.34.00.0319181) aduzindo "aplicação indevida de expurgos inflacionários", existência de "DARF'S sem autenticação" e que "foram computados indevidamente os juros de mora de forma que ficou acrescido de mais 1% de juros moratórios", o que implicaria excesso de execução de aproximadamente 43% (quarenta e três por cento). • Após longa discussão acerca dos critérios de correção a serem aplicados na conta de liquidação (doc. anexo), a MM. Juíza da 13a Vara Federal da Seção Judiciária de Brasília/DF, a teor do parecer elaborado pela Contadoria do Foro, julgou Fl. 1339DF CARF MF Processo nº 16624.000143/200880 Acórdão n.º 3201003.469 S3C2T1 Fl. 1.338 5 parcialmente procedente os embargos à execução, determinando a exclusão de alguns dos DARF'S apresentados pelas exeqüentes, bem assim para reduzir o percentual de juros de mora para 1% ao mês. • Inconformada, a União Federal interpôs recurso de apelação para o eg. Tribunal Regional Federal da 1a Região, insistindo que ocorrera "aplicação indevida dos expurgos inflacionários" na conta de liquidação acolhida pela sentença dos embargos à execução, ao qual foi negado provimento, tendo os embargos à execução transitado em julgado em 22.02.2007. • Assim é que, tendo em vista o trânsito em julgado dos referidos embargos à execução, a ora requerente desistiu de requerer a expedição de precatório para recebimento da quantia apurada em liquidação de sentença, por preferir exercer o seu direito de compensação na via administrativa, nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91, com a redação imposta pelo art. 58 da Lei n° 9.069/95, pelo que protocolizou petição requerendo fosse homologada por aquele Juízo a "desistência da execução do título judicial", em cumprimento à determinação contida no art. 51, §2°, V, da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 600/2005, de modo a viabilizar o pedido de habilitação do referido crédito junto à Secretaria da Receita Federal de Guarulhos/SP. • Após o indeferimento do seu pedido de habilitação impetrou mandado de segurança de modo a ver habilitado seu crédito junto à Receita Federal. • Foi deferida liminar que reconheceu o direito da impetrante em habilitar o crédito judicial oriundo da ação de conhecimento e posteriormente objeto de liquidação do julgado junto a Receita Federal para fins de compensação. • A MM. Juíza de primeiro grau concedeu a segurança reiterando, integralmente, os fundamentos contidos na decisão liminar. • A União apresentou recurso de apelação e desde então o processo encontrase concluso no eg. Tribunal Regional da 3ª Região aguardando inclusão em pauta para julgamento. Da alegação de inexistência de certeza e liquidez do crédito, conforme art. 170 do CTN • Conforme asseverado ao longo de todo o procedimento do mandado de segurança impetrado para fins de homologação de crédito junto à Receita Federal, a recorrente CODEMA possui crédito líquido e certo, decorrente de decisão judicial transitada em julgado em sede de embargos à execução, cujo quantum foi, por expressa determinação contida na r. sentença de processo conhecimento, apurado em liquidação de sentença, sendo definitivamente reconhecido pela União Federal e pelo Poder Judiciário. Fl. 1340DF CARF MF 6 • O trânsito em julgado do crédito ocorreu em 22.02.2007, tendo sido reconhecido em definitivo, inclusive mediante amplo contraditório. • O seu direito é liquido e certo em ver seu crédito compensado, não havendo o que se reportar a título de desconformidade com o art. 170, do CTN. • Existe nos autos reconhecimento e total concordância da União quanto aos valores pleiteados, não podendo os mesmos serem considerados ilíquidos e incertos Da alegação de não ter transitado em julgado a decisão proferida no processo nº 2007.61.190073817 • Não pleiteou a compensação de créditos que estivessem pendentes de trânsito em julgado, pois o crédito originário de tal pedido é originário do processo nº 94.00.101643, posteriormente objeto de liquidação nos autos nº 2002.34.00.0156904, com decisões que já transitaram em julgado. • Não houve violação do art. 170 do CTN pois os créditos são definitivos vez que devidamente reconhecidos pelo Poder Judiciário. • No mandado de segurança a sentença de mérito dispensa o processo de execução apesar de conter ordem para o cumprimento de obrigação e não porque contenha essa ordem. E pode ser tida como mandamental, apesar de conter ordem para o cumprimento de obrigação, exatamente porque contra o ente público não há lugar para atos de execução; em suma: é mandamental porque não comporta execução, e não o contrário. • A autoexecutoriedade da sentença prolatada na ação mandamental impede o recebimento da apelação no efeito suspensivo, pelo que não há como se obstar o cumprimento da ordem judicial proferida na sentença revestida de plena eficácia e validade ao argumento de que o mandado de segurança ainda não transitou em julgado. Eventual recurso é, por imperativo legal, recebido apenas em seu efeito devolutivo. Da alegação de que a recorrente não assumiu os honorários advocatícios do processo de execução • Não houve qualquer condenação à título de honorários advocatícios e custas no processo de execução em desfavor da recorrente CODEMA, como claramente se vê da sentença que homologou o pedido de desistência formulado pela mesma, pelo que não há como prosperar o argumento de que teria violado o disposto no art. 51, §2º, V, da IN SRF 600/2005. • A sentença do processo de conhecimento, mantida integralmente pelo acórdão do eg. TRF da 1ª Região, ao condenar a ré a devolver os valores a que fazem jus os autores, "que serão apurados em liquidação", estabeleceu que "arcará a ré com as custas e em face da singeleza da causa, com verba honorária que arbitro em 5% do valor a ser restituído". Fl. 1341DF CARF MF Processo nº 16624.000143/200880 Acórdão n.º 3201003.469 S3C2T1 Fl. 1.339 7 • Somente a sentença do processo de conhecimento fixou como honorários sucumbenciais o montante de 5% do valor a ser restituído. Conforme expressa previsão contida no art. 23 do Estatuto dos Advogados (Lei n° 8.906/1994), "os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado, tendo este o direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu nome". • A recorrente somente desistiu de requerer a expedição de precatório para recebimento de seu crédito, até porque, é impossível desistir de algo que não lhe pertence (art. 22 e 23 do Estatuto dos Advogados (Lei n° 8.906/1994)), pelo que ressaltou expressamente "que a desistência de execução do título judicial ora requerida referese única e exclusivamente a parcela da condenação das ora requerentes, em nada se confundindo com a condenação à título de honorários advocatícios (fixados em 5% sobre o valor da condenação)". • Não poderia desistir de um crédito que pertence exclusivamente a seu patrono. A todas as luzes, a prevalecer o entendimento da decisão ora recorrida estarseia admitindo que a ora recorrente pudesse dispor de um crédito que não lhe pertence, exclusivo de seu patrono, que possui direito autônomo para executar a sentença nesta parte, sendolhe facultado, conforme sua conveniência, postulálos inclusive em nome próprio e em ação individual. Da alegação de que os créditos atualizados não foram suficientes para as compensações efetuadas • Após longa discussão acerca dos critérios de correção a serem aplicados na conta de liquidação, a Juíza da 13a Vara Federal da Seção Judiciária de Brasília/DF, a teor do parecer elaborado pela d. Contadoria do Foro, julgou parcialmente procedente os embargos à execução, determinando a exclusão de alguns dos DARF'S apresentados pelas exeqüentes, bem assim para reduzir o percentual de juros de mora para 1% ao mês. • A União Federal interpôs recurso de apelação para o eg. Tribunal Regional Federal da 1a Região, insistindo que ocorrera "aplicação indevida dos expurgos inflacionários" na conta de liquidação acolhida pela r. sentença dos embargos à execução. Apreciando o feito, a eg. 7a Turma do TRF da 1a Região negou provimento à apelação da União Federal, a teor da consolidada orientação pretoriana acerca do tema, ao fundamento de que “é admissível o requerimento da inclusão dos chamados “expurgos inflacionários” apenas na fase de execução, desde que não hajam sido negados na fase de conhecimento”. • Ainda irresignada, a União Federal opôs embargos de declaração em face do mencionado v. acórdão, sendo os mesmos acolhidos tãosomente para declarar que "são devidos os expurgos inflacionários que, in casu, correspondem a 84,32% (03/1990), a 44,80% (04/1990), a 7,87% (05/1990), e a 21,87% Fl. 1342DF CARF MF 8 (02/1991), conforme explicitado na sentença apelada", tendo os embargos à execução transitado em julgado em 22.02.2007. • Ou seja, o valor do crédito da ora recorrente submeteuse ao longo crivo do Poder Judiciário para ser constituído, tendo obedecido e sido devidamente homologado conforme todos os índices e termos estabelecidos nos processos de conhecimento e na respectiva execução judicial. • Realizou todo o procedimento de compensação utilizando as instruções normativas e as orientações da própria Receita Federal do Brasil, razão pela qual jamais realizou qualquer compensação em valor acima do permitido ou de que possuía crédito. • Ao final requer a reforma da decisão que indeferiu a homologação da compensação de seus créditos. É o relatório." A Ementa do Acórdão de primeira instância, da DRJ/RJ de fls. 1274, foi assim publicada: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/08/1990 Certeza e liquidez do crédito Mandado de Segurança que versa sobre pedido de habilitação de crédito não tem o condão de conferir ao mesmo a certeza e liquidez, que somente serão analisadas em momento posterior de procedimento de compensação tributária. Honorários advocatícios A habilitação de crédito efetuada em cumprimento a decisão judicial torna sem efeito a exigência de demais requisitos previstos para este procedimento, quando os mesmos não tenham sido fundamento para a negativa original. Execução Judicial Não pode ser objeto de compensação crédito relativo a título judicial já executado perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário, os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 16624.000143/200880 Acórdão n.º 3201003.469 S3C2T1 Fl. 1.340 9 Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O termo inicial para a contagem do prazo de prescrição do exercício do direito de compensação de débitos na via administrativa, com créditos reconhecidos em decisão judicial, é o ponto central da presente lide administrativa fiscal. O Despacho Decisório de fls. 778 indeferiu o pedido de restituição/compensação em razão de considerar que se passaram mais de 5 anos do marco do termo inicial da contagem da prescrição para o exercício do direito de compensação, que, segundo o entendimento da fiscalização, teria iniciado a partir do trânsito em julgado da decisão que reconheceu o direito creditório em Ação Ordinária n.º 94.00101643. Confira alguns trechos selecionados desse despacho decisório: "Assunto: PEDIDO RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Ementa: Deve ser indeferido o pleito/não homologada a compensação de credito judicial, quando não tiver liquidez e certeza do credito, não ter transitado em julgado a Decisão Judicial que afastou a intempestividade, não ter assumido os honorários advocatícios na desistência de execução e os créditos atualizados não foram suficientes para os débitos compensados. Resultado: Solicitação Indeferida/Compensação Não Homologada. (...) Considerando todo o exposto, uma vez que as compensações dos débitos foram efetuadas com base na Decisão Judicial proferida no Mandado de Segurança nº 2007.61.190073817, que se encontra em andamento no TRF 3ºRegião, que afastou a motivação do indeferimento do pedido de habilitação por ter sido formalizado após 05 (cinco) anos da data do transito em julgado da Ação Ordinária nº 94.00101643, inexistindo, portanto, a liquidez e certeza do credito e o transito em julgado da Ação Judicial nº 2007.61.190073817, em desacordo com o disposto no artigo 170 CTN e artigo 170A CTN, bem como na desistência do processo de execução nº 2002.34.000156904 foi mantida a execução dos honorários advocatícios, em desacordo com o disposto no artigo 51, parágrafo 2º Inciso V da IN SRF nº 600/2005, e ainda, os créditos atualizados não terem sido suficientes para os débitos compensados, o pleito deve ser indeferido e a compensação não homologada. (...) Fl. 1344DF CARF MF 10 CONSIDERANDO todo o exposto, proponho o INDEFERIMENTO do pleito, bem como a NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO, por (1) inexistência da liquidez e certeza do credito, conforme artigo 170 CTN, (2) não ter transitado em julgado a decisão judicial do processo nº 2007.61.190073817 que afastou a motivação do indeferimento do pedido de habilitação por ter sido formalizado após 05 (cinco) anos da data do transito em julgado da Ação Ordinária nº 94.00101643, conforme artigo 170A da CTN, por (3) não ter assumido os honorários advocatícios do processo de execução, de acordo com o disposto no artigo 51, parágrafo 2º Inciso V da IN SRF nº 600/2005 e (4) por os créditos atualizados não terem sido suficientes para as compensações efetuadas." A DRJ/RJ de fls 1274 ao mesmo tempo que manteve tal entendimento, inovou no fundamento e decidiu que os pedidos deveriam continuar indeferidos em razão do contribuinte ter realizado a execução judicial. Mas de início, é muito importante afastar ambos os entendimentos. Primeiro porque todas as peças e provas e decisões e andamentos judiciais juntados aos autos comprovam que o contribuinte iniciou a execução judicial após sua vitória na ação de conhecimento e, para pleitear os créditos por via administrativa fiscal, como de costume, solicitou a desistência da execução, que foi prontamente homologada no Poder Judiciário, conforme fls. 975 e 961. Assim, não há qualquer base para inovar e concluir que a execução dos créditos de Finsocial ocorreu. É também igualmente importante, mencionar que tal entendimento sobre o marco inicial de contagem do prazo da prescrição do direito de exercer a compensação exibido acima, não é o entendimento majoritário na doutrina, assim como não é neste Conselho. Em oposição às decisões do despacho decisório e da DRJ/RJ, o referido termo inicial se materializa somente a partir da homologação do pedido de desistência da execução do crédito reconhecido em decisão judicial. Exatamente o caso do contribuinte. Confira o que dispõe o Parecer Normativo Cosit n.º 11 de 2014: "O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução." Conforme Art. 3.º, §2.º da IN SRF 517/2005 e §1.º, do Art. 17 da IN SRF 21/1997, verificase que na medida em que se exige a desistência da execução judicial para que a compensação seja efetuada, se permite que a compensação seja efetuada (pelo menos com relação ao prazo e ao direito de solicitar a compensação) se comprovada a desistência da execução judicial, respectivamente transcritos a seguir: "Art. 3º Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 16624.000143/200880 Acórdão n.º 3201003.469 S3C2T1 Fl. 1.341 11 do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: IV houve a homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito. (...) Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou ressarcimento uma cópia da sentença e do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) ." Assim, por motivos de lógica e semântica, com dispositivos legais que expressamente permitem que o contribuinte solicite a compensação após a comprovação da desistência da execução judicial, não faz sentido concluir que o contribuinte não teria o direito de assim proceder. Ou o contribuinte tem o direito de solicitar a compensação, ou não tem. Esta é a razão pela qual existe corrente doutrinária e jurisprudencial que defende que a contagem do prazo para solicitar o direito de compensação se inicia a partir da homologação da desistência da execução judicial (vide Acórdão Carf n.º 3401001.740). E faz sentido. Se o contribuinte não tem o direito de solicitar concomitantemente por via administrativa e judicial a compensação e/ou restituição, é determinante que alguma das vias de solução de conflitos seja escolhida e, com a desistência da execução judicial, ficou escolhida a via administrativa para a compensação. Faz sentido iniciar a contagem do prazo desta forma, porque somente a partir desse momento que foi originada a real possibilidade jurídica de ação junto à administração pública. Fl. 1346DF CARF MF 12 Em adição, em fls. 1048 verificase que o contribuinte possui decisão proferida no Mandado de Segurança de n.º 2007.61.190073817 que determina expressamente que os pedidos administrativos de fls. 1160 e 1213 sejam apreciados, porque são tempestivos. Ou seja, não há decadência ou prescrição do direito de pleitear os créditos por via administrativa. A decisão, inclusive, determina que o marco inicial seja contado a partir da data da homologação judicial do pedido de desistência da execução. Portanto, merece provimento a solicitação preliminar pela tempestividade dos pedidos de compensação. Conforme fls 882, 887 e 890, respectivamente reproduzidas a seguir em trechos, por meio de print screen, o contribuinte possui crédito líquido e certo reconhecido em decisão judicial proferida na Ação ordinária de repetição de indébito 9400.101643, Justiça Fed de Brasília, assim como na decisão do TRF1, transitadas em julgado: (887 decisão TRF 1) (890 ementa TRF1) Fl. 1347DF CARF MF Processo nº 16624.000143/200880 Acórdão n.º 3201003.469 S3C2T1 Fl. 1.342 13 Destacase que os pedidos administrativos e as medidas judiciais foram todas acompanhadas dos respectivos Darfs de recolhimento do Finsocial, conforme fls. 2, 225, 260, 269 e 435. E por fim, com relação ao fato do contribuinte não ter assumido os honorários advocatícios na desistência da execução, é importante ressaltar que a união não foi condenada à pagar honorários na execução de n.º nº 2002.34.000319181, conforme pode ser verificado nas fls reproduzidas a seguir: 932 decisão final em execução judicial 13 vara federal de Brasília: 951 decisão TRF1, execução: Fl. 1348DF CARF MF 14 957 decisão TRF1 dos embargos de declaração da união: 958 ementa da decisão acima: Assim, por uma questão fática insuperável, ficou claro que somente o contribuinte teve de arcar com honorários advocatícios, o que por si, desconfigura a hipótese de não reconhecimento do crédito líquido e certo de Finsocial, reconhecido em decisão judicial transitada em julgado. E para apresentar uma motivação final, ainda que o contribuinte tenha desistido da execução judicial, é razoável considerar que o valor de aproximadamente 10 (dez) milhões de reais, apresentado própria contadoria judicial, foi reconhecido como o valor a ser executado, em graduado contraste com o Despacho Decisório que nada reconheceu. Dessa forma, a primeira instância deverá analisar o mérito dos autos. Fl. 1349DF CARF MF Processo nº 16624.000143/200880 Acórdão n.º 3201003.469 S3C2T1 Fl. 1.343 15 Diante de todo o exposto, votase para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para afastar a decadência e devolver os autos a DRJ/RS para a análise de mérito. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. O Presidente da Turma designoume para redigir a motivação da decisão, por maioria, de acompanhar o voto do Relator pelas conclusões. O Relator votou por anular a decisão recorrida, para que a primeira instância apreciasse o mérito do litígio, isto é, o quantum a ser restituído/compensado, em vista do fato de que as questões de prévia habilitação do crédito foram submetidas ao Poder Judiciário e não devem ser conhecidas pelas instâncias administrativas. A Turma o acompanhou nesse resultado. Todavia, entendeu o Relator que se fazia necessário esclarecer à DRF de origem o teor do quê deve ser cumprido das decisões judiciais, para fins de esclarecimento. Por maioria, a Turma entendeu não caber ao Carf intermediar o cumprimento das decisões judiciais dirigidas às autoridades da Receita Federal, razão pela qual o acórdão teve o mesmo resultado, porém com divergência quanto à redação. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira. Fl. 1350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.905759/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. INOCORRÊNCIA.
Apenas as impugnações tempestivamente apresentadas, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da intimação para exigência do crédito tributário, formalizadas por escrito e acompanhadas dos documentos que embasam as razões do recurso instauram validamente a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Inteligência dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO INTEMPESTIVO. INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. INOCORRÊNCIA. Apenas as impugnações tempestivamente apresentadas, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência da intimação para exigência do crédito tributário, formalizadas por escrito e acompanhadas dos documentos que embasam as razões do recurso instauram validamente a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Inteligência dos arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 57 59 /2 01 2- 11Fl. 153DF CARF MF 2 Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de despacho decisório eletrônico, cientificado ao contribuinte em 20/03/2013, relativo ao PER/DCOMP 05063.59555.310512.1.3.043860, que não homologou a compensação apresentada, fundado na vinculação do crédito a outros débitos. Em 27/08/2013 o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade aduzindo que teve conhecimento do referido despacho ao tentar emitir CND; que não foi cientificado por via postal, mas por edital; que houve modificação do seu endereço em 08/2012, todavia, devido a problemas burocráticos, não conseguiu promover a alteração junto à SEFAZ/SP em tempo hábil; e, que a não homologação da compensação decorreu de erro de preenchimento na DCTF e DACON, já devidamente corrigidos. A DRJ Belo Horizonte/MG julgou o recurso perempto, por inobservar o trintídio legal para seu protocolo. Em recurso voluntário requereuse a declaração de nulidade da intimação editalícia, por inválida, e, por arrastamento, a decisão de primeiro grau administrativo, que não conheceu do recurso, porquanto não houve qualquer diligência para se intimar os sócios da pessoa jurídica, ante a infrutífera intimação postal do contribuinte; além do que, o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 não teria sido observado pela unidade preparadora/julgadora, sendo nula de pleno direito a intimação realizada, oportunidade que referenciou jurisprudência administrativa e judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A alegação central de defesa aduz que, sob sua ótica, frustrada a intimação postal da pessoa jurídica, com retorno do Aviso de Recebimento – AR com informação “mudouse”, deveria a Administração Tributária envidar esforços para diligenciar/cientificar os seus sócios, de maneira que, ao não adotar essa providência, violou o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, pois o esgotamento de todas as possibilidades de ciência, antes da utilização do edital, era medida impositiva, o que inquinaria de nulidade a intimação assim realizada. Para facilitar o exame da questão, transcrevo, na parte que interessa, o dispositivo em comento: Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10805.905759/201211 Acórdão n.º 3401004.307 S3C4T1 Fl. 11 3 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 155DF CARF MF 4 c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...)” (destacado) Cumpre assinalar, por primeiro, que os meios de intimação pessoal, postal ou eletrônico não se sujeitam a ordem preferencial, sendo válida a intimação postal encaminhada ao endereço constante dos cadastros da RFB (domicílio de eleição), sendo que a frustração de intimação por um dos meios listados permite a intimação editalícia. Acentuese que o art. 23, § 1º, reproduzido, não exige que todos os meios de ciência disponíveis sejam esgotados antes de se adotar a intimação por edital, bastando que a modalidade escolhida, sem ordem de preferência, frisese, mostrese infrutífera. Nesse diapasão, sem resultado a intimação pessoal, e.g., não há necessidade de tentativa de realização por via postal ou eletrônica, bastando a inocuidade de uma delas para possibilitar o emprego do edital, o que exatamente aconteceu no caso vertente, onde a intimação postal restou frustrada, consoante noticia o despacho de efl. 97, abrindo caminho para a afixação da intimação por meio de edital. De outra banda, não procede a alegação que os sócios da pessoa jurídica deveriam ser intimados, antes da utilização do edital; a uma, porque o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 não impõe essa exigência, e, a duas, porque, pelo princípio da entidade (Resoluções CFC 750/93 e 1.282/10), o patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o de seus sócios, de maneira que não extinta, não há porque intimar seus sócios para exigirlhes crédito tributário de sujeição passiva daquela, como é o caso sub examine. Não custa lembrar que toda essa situação foi desencadeada pela falta de diligência do próprio contribuinte que, segundo informou em seu recurso inaugural, transferiu seu endereço em agosto/2012 o que se atesta, inclusive, pela data de depósito da alteração Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10805.905759/201211 Acórdão n.º 3401004.307 S3C4T1 Fl. 12 5 contratual na JUCESP (efls. 31/39) , no entanto, 05 (cinco) meses após, em janeiro/2013, quanto intimado por via postal, ainda não havia regularizado a sua situação cadastral perante a RFB, com a indicação do novel endereço. Assim, após analisar o quadro fático, infiro que inexiste qualquer vício que inquine as intimações realizadas, estando, ambas, em plena conformidade com o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, que regula a ciência dos atos administrativos no processo administrativo fiscal, de sorte que a decisão recorrida mostrase acertada ao não conhecer da manifestação de inconformidade apresentada, não restando instaurada a fase litigiosa do procedimento, ex vi dos arts. 14 e 15 do mesmo diploma, verbis: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (…) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.” Pelo exposto, constatase que a manifestação de inconformidade é intempestiva e, nessa condição, não deveria mesmo ser conhecida, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.914071/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA.
A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-004.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ELEMENTOS DE PROVA. A prova do direito de crédito do contribuinte, por força de lei, é a sua contabilidade comercial e fiscal, bem assim, os documentos que a suportam, não se prestando a tal desiderato exclusivamente as declarações entregues à RFB, ainda que retificadas, razão porque a ele incumbe a prova documental que respalda o direito de crédito vindicado, ex vi do art. 373 do Código de Processo Civil, não cabendo a invocação do princípio da verdade material, quando apenas o interessado pode produzir os elementos que amparam sua pretensão. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para negar provimento ao recurso voluntário. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 40 71 /2 00 9- 10Fl. 95DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 29729.69188.081206.1.3.047977, cujo fundamento é a integral vinculação do crédito indicado em outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte sustentou a efetiva existência do crédito utilizado, que, devidamente corrigido, seria suficiente à quitação do débito exigido; que promoveu a retificação da DCTF e DACON; e, que houve erro material no preenchimento das declarações. Foram juntados, na ocasião, planilha de atualização do indébito, PERDCOMP (original), DACON e DCTF retificados. A DRJ Porto Alegre/RS julgou o recurso improcedente ao argumento que não havia prova concreta nos autos que conferisse liquidez e certeza ao crédito postulado, para tanto não bastando apenas retificações de declarações desacompanhadas de outros elementos. O recurso voluntário apontou violação ao princípio da verdade material e aduziu a ocorrência de erro material, devidamente caracterizado. Citou doutrina e jurisprudência, em seu favor. A 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF/MF, através do Acórdão 3401001.611, de 02/09/2011, não conheceu do recurso, devido à perempção (perda de prazo processual). A unidade preparadora interpôs embargo de declaração, assinalando omissão, de sua parte, na juntada do competente Aviso de Recebimento – AR, de ciência postal, certificando a tempestividade da peça. Às efls. 93/94 consta o exame de admissibilidade recursal exigido pelo art. 65, § 2º do RICARF/15 (Portaria MF 343/15). É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Reexaminado o recurso voluntário, à luz do aclaratório interposto, confirmo o preenchimento dos requisitos para sua admissibilidade, visto que proposto dentro do trintídio legal, de modo que deve ser conhecido. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.914071/200910 Acórdão n.º 3401004.346 S3C4T1 Fl. 11 3 Nesse diapasão, a questão dessa discussão, a meu ver, diz respeito a prova dos fatos alegados ou, melhor dizendo, à distribuição do ônus probatório correspondente, mais especificamente, a quem caberia a produção dos elementos probatórios do direito de crédito ora altercado. O contribuinte, em sua manifestação recursal, pugnou pela observância do princípio da verdade material, regente do processo administrativo fiscal, contudo, não se pode olvidar que é sua a atribuição de comprovar a existência do indébito alegado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil (CPC/15), utilizado subsidiariamente. Consoante aludido dispositivo, cabe ao autor o ônus de provar o fato constitutivo de seu direito, o que, nas hipóteses de pedido de restituição e/ou ressarcimento, incumbe ao sujeito passivo, que é seu titular, enquanto nos lançamentos para exigência de crédito tributário este encargo é responsabilidade do sujeito ativo, o Estado, representado pela Fazenda Nacional. Mesmo reconhecendo que o aludido princípio é verdadeiro dogma para o procedimento contencioso administrativo, tenho que encontra limite na própria lógica da produção probatória necessária à demonstração do direito invocado, não me parecendo coerente que a Administração Tributária, no caso, tenha que providenciar os elementos de prova que estão em poder do requerente. Também não me parece suficiente que ao administrado basta a invocação do seu direito, desacompanhado de qualquer documento que o ampare, para que dele possa usufruir e, havendo necessidade de instrução probatória, compita à administração pública providenciála com base no princípio da verdade material, mormente quando a mesma dependa de provas que estão justamente na esfera de disponibilidade do administrado requerente. A prova documental colacionada ao processo se limita às declarações retificadoras, que, a meu ver e por si só, não possuem o condão de deflagrar os efeitos desejados pelo contribuinte – demonstração de recolhimento a maior de tributo –, como acentuou a decisão recorrida. Em hipóteses como esta – divergência entre declarações (retificada x retificadora) –, apenas a contabilidade do contribuinte se sobrepõe às declarações firmadas, porquanto a legislação comercial e civil (e. g. art. 226 do Código Civil, art. 195 do Código Tributário Nacional e arts. 56 e ss da Lei nº 4.502/64) lhe conferem expressamente esta força probante, de modo que caberia sua apresentação, ainda que por amostra, para contraposição às declarações apresentadas, para checagem do que é realmente devido. Neste processo, não há um único elemento distinto das sobreditas declarações retificadoras, não vindo aos autos qualquer documento contábil ou fiscal que permita a aferição de seus dados, documentos estes, frisese, que apenas o contribuinte ora recorrente detém, cabendo acentuar que esta circunstância foi expressamente destacada na decisão recorrida: Fl. 97DF CARF MF 4 (...) Em que pese o alerta feito pelo colegiado a quo, o recurso voluntário não trouxe nenhum outro elemento, mas tãosomente um acórdão do TRF – 4ª Região. Repitase: a incumbência da prova cabe ao contribuinte, que não se desvencilhou de produzila, sendo insuficiente a referência às declarações, justamente porque as informações são díspares e não conduzem à conclusão defendida. De outra banda, vale aqui a inteligência do adágio jurídico consoante o qual alegar o direito e não provar é o mesmo que nada alegar (allegare sine probare et non allegare paria sunt). Quanto ao pretenso erro material, o recorrente menciona genericamente a sua ocorrência, divagando sobre seus efeitos, mas sequer indica onde teria ocorrido o equívoco de preenchimento, o que, por outro lado, seria de nenhuma valia, pois, como dito, desacompanhado dos elementos documentais que respaldariam a revisão pretendida. Em síntese, concluo que a decisão recorrida deve ser integralmente mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos, não merecendo qualquer censura. Pelo exposto, acolho os embargos de declaração, com efeito infringente, para negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.914071/200910 Acórdão n.º 3401004.346 S3C4T1 Fl. 12 5 Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.012407/2005-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:1998
SIMPLES. ORGANIZAÇÃO DE ESPETÁCULOS. DISTINÇÃO DA ORGANIZAÇÃO DE BUFFET E FESTAS.
O serviço de “promoção e organização de eventos”, no contexto dos autos, não pode ser equiparado à promoção de espetáculos, essa sim atividade vedada, pois, remunera basicamente a atividade intelectual.
a exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de
serviços profissionais de promoção de espetáculos, descabida a exclusão do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1402-000.683
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário:1998 SIMPLES. ORGANIZAÇÃO DE ESPETÁCULOS. DISTINÇÃO DA ORGANIZAÇÃO DE BUFFET E FESTAS. O serviço de “promoção e organização de eventos”, no contexto dos autos, não pode ser equiparado à promoção de espetáculos, essa sim atividade vedada, pois, remunera basicamente a atividade intelectual. a exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de serviços profissionais de promoção de espetáculos, descabida a exclusão do contribuinte. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.012407/200560 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.683 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 4 de agosto de 2011 Matéria IMPUGNACAO EXCLUSAO IMPOSTO SIMPLES Recorrente REINO DA FESTA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1998 SIMPLES. ORGANIZAÇÃO DE ESPETÁCULOS. DISTINÇÃO DA ORGANIZAÇÃO DE BUFFET E FESTAS. O serviço de “promoção e organização de eventos”, no contexto dos autos, não pode ser equiparado à promoção de espetáculos, essa sim atividade vedada, pois, remunera basicamente a atividade intelectual. a exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de serviços profissionais de promoção de espetáculos, descabida a exclusão do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva – Relator Fl. 52DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.012407/200560 Acórdão n.º 140200.683 S1C4T2 Fl. 0 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório REINO DA FESTA LTDA, já qualificada nos autos, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre da decisão de primeira instância, que julgou improcedente seu pleito. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o processo de manifestação de inconformidade contra decisão que indeferiu pedido de inclusão retroativa à data de 16/01/1998, por motivo de exercício de atividade vedada. O contribuinte protocolou o pedido de inclusão retroativa à data de 16/01/1998, à fl. 10, em 19/10/2005, que foi indeferido pela DRF/Curitiba, pelo despacho decisório de fls. 15/16, por motivo de atividade vedada (diretor ou promotor de espetáculos). Intimada da decisão em 16/11/2005, conforme AR de fl. 18, tempestivamente, em 16/12/2005, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 19/24, instruída com os documentos de fls. 25/28, que se resume a seguir: Explica que a atividade econômica, conforme ato constitutivo é “buffet com salão de festas, serviços de decoração, serviços de promoção e organização de eventos e cursos de eventos e decorações para festas, locação de equipamentos para festas”, e, em função do preenchimento de todos os requisitos, aderiu ao Simples, cuja opção foi acatada pela SRF em 31/03/1997; Relata que, em 26/05/2004, ao solicitar certidão negativa de débitos junto à SRF, tomou conhecimento, por meio de relatório de pendências expedido pela SRF, de que havia sido excluída indevidamente do Simples, em 16/01/1998, conforme se verifica no extrato em anexo, mas que nunca havia solicitado exclusão e tampouco foi cientificado de tal fato; Tendo tomado ciência disso, apresentou imediatamente requerimento junto à SRF, solicitando a reintegração no Simples, esclarecendo que nunca solicitou exclusão do programa e tampouco foi cientificada de tal fato, tendo efetuado todos os recolhimentos e apresentado declarações pelo Simples, e cumpriu até a presente data, todos os requisitos necessários para a permanência no regime; Informa que, em 22/02/2005, foi comunicada, pelo Ofício n° 256/Secat, do indeferimento do pedido de inclusão retroativa, pelo fato de não ter apresentado a documentação necessária, qual seja, contrato social e alterações, para comprovar a atividade exercida, e afirma que tais documentos foram protocolados em 19/10/2005; Segue explicando que, em 16/11/2005, foi cientificada de que seu pedido de reintegração no Simples havia sido indeferido; Fl. 53DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.012407/200560 Acórdão n.º 140200.683 S1C4T2 Fl. 0 3 Contesta decisão proferida, que supõe que a empresa possui em seu quadro profissionais que exerçam atividades regulamentadas por lei, já que se trata de microempresa cujo faturamento não ultrapassa R$ 1.500,00 mensais, cifra absolutamente insuficiente para a manutenção de profissionais do porte daqueles indicados, como arquiteto, diretor ou produtor de espetáculos e professor; Justifica que sua atividade não depende do conhecimento técnico de qualquer dos profissionais acima relacionados, sendo a de locação de buffet próprio para a realização de festas infantis, onde o evento é realizado pela empresa, cujo estabelecimento possui as instalações necessárias para tanto, como mesas, cadeiras, utensílios domésticos, eletrodomésticos, brinquedos infantis etc, sendo que as próprias proprietárias recepcionam os participantes da festa e supervisiona o andamento do evento, que geralmente tem pequena duração, aproximadamente quatro horas; e que os serviços de decoração referemse à enfeite de ambientes como colocação de bexigas e outros motivos decorativos para festas, não havendo necessidade de arquiteto; Entende que promoção e organização de eventos deve ser interpretado de forma restrita, pois se refere única e exclusivamente à realização de eventos particulares, ou seja, festas infantis em ambientes fechados, sem qualquer envolvimento de diretor ou produtor de espetáculos; Com relação a cursos, explica que significa prestar orientação particular, de forma individualizada, a mães que pretendam realizar a festa sem a contratação de buffet e desejam aprender como encher bexigas, decorar a mesa da festa etc, sendo absolutamente desnecessária a presença de um professor; Aponta que o próprio regulamento do imposto de renda, por meio da nota 677, demonstra, em solução de consulta, as atividades que permitem a adesão ao Simples, dentre as quais enquadramse as atividades prestadas pela empresa; Discorda das demais alegações da autoridade fiscal, relativamente a eventos do FCPJ, e argumenta ser totalmente estranhas à empresa, já que não praticou qualquer evento citado, sendo que o único procedimento cadastral praticado ocorreu em 06/08/1999, por meio de transmissão via Internet do PARPrograma de Auto regularização de Situação Fiscal, para prestação de informações solicitadas à SRF, dentre as quais não constou qualquer evento com a numeração indicada pela autoridade, e que, de alguma forma pudesse ensejar a exclusão da empresa, além do que a citada regularização ocorreu no ano subseqüente àquele apontado; Ressalta que jamais praticaria um ato que pudesse implicar sua exclusão do Simples, haja vista que tal atitude poderia lhe causar sérios prejuízos, uma vez que a empresa é enquadrada como microempresa em função do diminuto volume de faturamento, e uma carga tributária mais elevada do que a empresa está sujeita atualmente pela alíquota do Simples tornaria o negócio inviável; Requer: i) o reconhecimento da improcedência da exclusão do Simples; ii) alteração no sistema da SRF, para constar a informação de que é optante do Simples, retroativamente à data de 31/03/1997; iii) a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, bem como a prestação de esclarecimentos necessários; iv) diligência ao estabelecimento para comprovar o preenchimento dos necessários requisitos para inclusão no Simples. A decisão recorrida está assim ementada: Fl. 54DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.012407/200560 Acórdão n.º 140200.683 S1C4T2 Fl. 0 4 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PEDIDO GENÉRICO NÃO FORMULADO. PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Nos termos da legislação do PAF, os pedidos de diligência sem indicação de perito e quesitos são considerados como não formulados, e toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. SIMPLES. ATIVIDADE DE PROMOÇÃO DE ESPETÁCULOS. VEDAÇÃO. Deve ser mantida a exclusão, se o contrato social da empresa contempla atividades vedadas ao ingresso no Simples (serviços de promoção de espetáculos), cabendo ao contribuinte o ônus da prova de que não exerce tais atividades. Solicitação indeferida No voto condutor do acórdão de primeira instância destacamse os seguintes fundamentos: (...) O exame do caso revela que a decisão atacada não merece reparos. Conforme consta do contrato social de fl. 11, a empresa foi constituída em 03/06/1996, tendo por objeto social “buffet com salão de festas, serviços de decoração, serviços de promoção e organização de eventos e cursos de eventos e decorações para festas, locação de equipamentos para festas”. A DRF/Curitiba, pelo despacho de fls. 15/16, indeferiu o pedido de inclusão retroativa, ao argumento de que o contribuinte exerce atividades de promoção de espetáculos e de professor, que são vedadas pelo art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96 (...) Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/01/2010, fls.37 e seguintes, na qual reitera as alegações da peça impugnatória, alem de contestar as conclusões do acórdão recorrido, nos seguintes termos (verbis): (...) 2.1 Primeiramente, no que se refere as supostas atividades de promoção de espetáculos e de professor vedadas pelo art. 9°, inciso XIII da Lei n° 9.317/96 a Recorrente demonstrou ser o equivoco deste órgão ao supor que a ora Manifestante possui em seu quadro profissionais que exerçam atividades regulamentadas por lei. Tratase de micro empresa, cujo faturamento não ultrapassa a importância de R$ 1.500,00 mensais, cifra absolutamente insuficiente para a manutenção de profissionais do porte daqueles indicados no despacho decisório ora combatido, como arquiteto, diretor ou produtor de espetáculos e professor. 2.2 A atividade da ora Manifestante não depende do conhecimento técnico de qualquer dos profissionais acima relacionados. Sua atividade é a de locação de Buffet próprio para a realização de festas infantis, onde o evento é realizado pela Manifestante, cujo estabelecimento possui as instalações necessárias para tanto, como mesas, cadeiras, utensílios domésticos, eletrodomésticos, brinquedos infantis, etc., sendo que as próprias proprietárias da ora Manifestante recepcionam os participantes da festa e supervisiona o andamento do evento, que geralmente tem pequena duração, aproximadamente quatro horas. Os serviços de decoração referem se a enfeite de ambientes como colocação de bexigas e outros motivos decorativos Fl. 55DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.012407/200560 Acórdão n.º 140200.683 S1C4T2 Fl. 0 5 para festas, não havendo para tanto qualquer necessidade dos conhecimentos técnicos de um arquiteto. Promoção e organização de eventos deve ser interpretado de forma restrita, pois se refere, única e exclusivamente, a realização de eventos particulares, ou seja, festas infantis (primordialmente aniversários) em ambientes fechados, onde é efetuado o planejamento da festa, como a escolha do tema, dos convites, a contratação dos doces, salgados, bebidas, garçons, a decoração com bexigas, etc., sem qualquer envolvimento de diretor ou produtor de espetáculos. Já a realização de cursos significa prestar orientação particular, de forma individualizada, a mães que pretendam realizar a festa sem a contratação de Buffet e desejam aprender como encher bexigas, decorar a mesa da festa, etc., sendo absolutamente desnecessária a presença de um professor. 2.3 Tais alegações independem de prova, como querem fazer crer os Nobres Julgadores de primeira instância, pois todas as informações da empresa sobre o seu faturamento e as suas despesas constam das suas declarações de imposto de renda — DIPJ's, e estas por si só demonstram o pequeno faturamento da empresa e ausência de despesas com tais profissionais. 2.4 0 fato de não haver no quadro de empregados da Recorrente, de profissionais como arquiteto, diretor ou produtor de espetáculos, não há relação com a atividade da Recorrente o fato de que estas profissões, cujo exercício depende de habilitação legal, estarem fora do alcance do Simples, cujo efeito tributário se daria apenas em relação ao próprios profissionais. Tal questão somente foi abordada em razão das razões apresentadas por este órgão no despacho decisório que ensejou este processo. 2.5 Porém, a Recorrente está colhendo outras provas para comprovar suas alegações e que serão juntadas em breve a este processo. 2.6 Quanto a possibilidade de inclusão no Simples de empresas de organização de festas infantis os Nobres Julgadores reconhecem essa matéria, mas de igual forma apontam pela ausência de prova material, fato que será sanado pela Recorrente no decorrer deste processo. 2.7 No que se refere ao pedido de diligência, a Recorrente entende não ser o caso de apresentação de quesitos pois o pedido foi para que a fiscalização apenas constatasse ser o estabelecimento de pequeno porte, já que outras informações se encontram disponíveis para verificação nos sistemas da Receita Federal. 2.8 Por fim, quanto a suposta ausência de provas importa destacar que o lançamento tributário deve irrestrita obediência 5 lei, da qual decorrem os conhecidos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários. 2.9 Por força destes princípios e seus postulados lógicos, o Fisco, para efetuar o lançamento tributário, não está limitado aos meios de prova proporcionados pelo contribuinte em atenção ao seu dever de colaboração, porque no procedimento administrativo do lançamento se busca a verdade material. (...) 3.1 A vista do exposto, requer dignemse V.Sas. acolher o presente recurso e dar lhe provimento, para deferir o pedido de reinclusão da S empresa no Simples, consoante os argumentos supra despendidos. (...) É o relatório. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.012407/200560 Acórdão n.º 140200.683 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Em litígio a exclusão do “Simples” por motivo de atividade vedada (diretor ou promotor de espetáculos), sendo que desde a apresentação da SRS a contribuinte afirma com veemência que a realização de festas infantis privadas não se confunde com a promoção de espetáculos ou eventos dessa ordem. Pois bem, compulsando os autos, verificase que não foi juntada uma única nota fiscal, tampouco um único contrato de prestação de serviços que comprove qual a atividade efetivamente exercida pelo contribuinte. Todavia, conforme admitido pela recorrente, é fato incontroverso que a contribuinte exerce atividades de aluguel de Buffet com salão de festas, serviços de promoção, decoração, e locação de equipamentos para festas privadas. O Ato Declaratório de exclusão é absolutamente superficial e se orientou apenas pelo CNAE fiscal do contribuinte. Por sua vez, a decisão de primeira instância calcouse exclusivamente no Contrato Social, cuja clausula 1a. estabelece: Cláusula Primeira: Nome Comercial: Reino da Festa Ltda. Sede e Foro: rua Fagundes Varela, número 1.188, Hugo Lange, Curitiba/PR. Prazo de Duração: Indeterminado. Inicio das atividades: 10 de junho. Atividade econômica: Buffet com salão de festas, serviços de decoração, serviços de promoção e organização de eventos e cursos de eventos e decoração para festas, locação de equipamentos para festas.. (Grifei) Não obstante a peça recursal ter articulado apenas alegações de direito, quando poderia ter apresentado provas materiais de que realmente não exerceu atividade vedada, é certo que, neste caso, o ônus da prova é do Fisco, consoante já decidido por está Câmara. O fato de constar no Contrato Social o exercício de uma atividade, que pode vir a ser vedada à luz da legislação do Simples, por si só, não pode ensejar a exclusão. Cumpre ao Fisco, nestes casos, fazer prova material desse impedimento, haja vista que a opção pelo Simples foi acatada anteriormente. Além de não se constituir na única atividade da empresa, o serviço de “promoção e organização de eventos”, no contexto dos autos, não pode ser equiparado à promoção de espetáculos, essa sim atividade vedada, pois, remunera basicamente a atividade intelectual, ainda que não dependa de profissionais que exercem atividades regulamentadas. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10980.012407/200560 Acórdão n.º 140200.683 S1C4T2 Fl. 0 7 Repitase: cumpre à autoridade tributária fazer prova inequívoca de que o contribuinte exerceu a atividade vedada e não simplesmente presumila a partir de análises superficiais realizada em seu gabinete ou por sistemas informatizados. Nesse sentido é majoritário o entendimento no CARF, a exemplo do Acórdão 30333.679 de 19/10/2006, cuja ementa elucida: SIMPLES. EXCLUSÃO A exclusão de pessoa jurídica que tenha por objetivo, ou exercício, uma das atividades econômicas relacionadas no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, ou atividades assemelhadas a uma delas, tem sua aplicabilidade adstrita à comprovação de que sua atividade seja impeditiva ou que encontre plena similitude com as que sejam. Não comprovada nos autos a efetiva prestação de serviços profissionais de engenheiro, consultoria, assessoria, projetos, ou de qualquer atividade que pudesse caracterizar semelhança com a engenharia ou consultoria, descabida a exclusão do contribuinte. Recurso voluntário provido ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso e cancelar o ato declaratório que excluiu o contribuinte do Simples. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 58DF CARF MF Emitido em 02/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 02/09/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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