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Numero do processo: 16349.000209/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2003
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 3201-003.351
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2003 A 30/12/2003 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. requereu ressarcimento de saldo credor de IPI relativo a insumos utilizados na produção de livros. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento, em razão do fato de todos os produtos fabricados e comercializados pelo Requerente se classificarem na TIPI como Não Tributáveis (NT). Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou ter direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3°, II, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 09 /2 00 8- 38 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 16349.000209/200838 Acórdão n.º 3201003.351 S3C2T1 Fl. 0 2 Constituição Federal e em razão das características da imunidade sob questão, que não se confunde com produtos classificados como NT, sendo inconstitucional, segundo ele, o ADI SRF n° 05/2006. Também alegou o então Manifestante que o ressarcimento devia ser corrigido monetariamente pela Selic. Nos termos do Acórdão nº 1428.916, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n° 9.779/1999, não alcançar os insumos empregados em mercadorias não tributadas (NT) e na inexistência de previsão legal para se aplicar atualização monetária em ressarcimento de crédito de IPI. Em seu recurso voluntário, o Recorrente reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.348, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 16349.000206/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.348): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho1, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de 1 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 16349.000209/200838 Acórdão n.º 3201003.351 S3C2T1 Fl. 0 3 produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados", não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. Não havendo direito ao crédito, resta prejudicada a discussão a respeito da atualização dos créditos pela taxa Selic. Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 99DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.002158/2005-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. OBSCURIDADE. CABIMENTO. PEREMPÇÃO NÃO COMPROVADA.
Comprovada a tempestividade do recurso apresentado, integra-se o acórdão embargado.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. LITÍGIO INEXISTENETE.
Restando demonstrado que o crédito reconhecido foi suficiente para homologar as compensações, a matéria inicialmente litigiosa perdeu o objeto.
Numero da decisão: 3302-005.288
Decisão: Recurso Voluntário Não Conhecido
Sem Crédito em Litígio
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. OBSCURIDADE. CABIMENTO. PEREMPÇÃO NÃO COMPROVADA. Comprovada a tempestividade do recurso apresentado, integra-se o acórdão embargado. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. LITÍGIO INEXISTENETE. Restando demonstrado que o crédito reconhecido foi suficiente para homologar as compensações, a matéria inicialmente litigiosa perdeu o objeto.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Não Conhecido Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. OBSCURIDADE. CABIMENTO. PEREMPÇÃO NÃO COMPROVADA. Comprovada a tempestividade do recurso apresentado, integrase o acórdão embargado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. LITÍGIO INEXISTENETE. Restando demonstrado que o crédito reconhecido foi suficiente para homologar as compensações, a matéria inicialmente litigiosa perdeu o objeto. Recurso Voluntário Não Conhecido Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para rerratificar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes e, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 21 58 /2 00 5- 34 Fl. 893DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Raphael Madeira Abad e Walker Araújo. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte com o objetivo de sanar suposta obscuridade no acórdão embargado nº 3302002.923, de 09 de dezembro de 2015, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. PEREMPÇÃO CARACTERIZADA. Efetivase a ciência do Contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico DTE por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, se esse for o evento que ocorrer primeiro nos termos do inciso III, "b" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Não Reconhecido Através de Embargos de Declaração, argui a Embargante sobre a obscuridade do acórdão embargado, visto que o voto condutor, valendose da redação atribuída pela Lei n° 12.844/13 à alínea "b", do inciso III, do § 2º, do art. 23, do Decreto n° 70.235/72, considerou que a intimação do acórdão da DRJ teria ocorrido quando a Embargante acessou a decisão em sua caixa postal, em 07/03/2013, iniciandose o prazo para interposição do recurso em 08/03/2013, de forma que sua apresentação em 16/04/2013 estaria intempestiva. Destaca que, são obscuras as razões do voto condutor do r. acórdão, tendo em vista que a Lei n° 12.844/13 passou a vigorar apenas em 19/07/2013, portanto, posteriormente à interposição do recurso voluntário em análise que, frisese, ocorreu em 16/04/2013. Ao final pleiteia a embargante que seja sanada a obscuridade, atribuindose efeitos infringentes aos presentes embargos, para seja reconhecida a tempestividade do recurso voluntário interposto e consequentemente, apreciadas as razões recursais. Com base nas razões aduzidas, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o Presidente da 2ª TO/3ª Seção/CARF admitiu os embargos de declaração opostos pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Fl. 894DF CARF MF Processo nº 13811.002158/200534 Acórdão n.º 3302005.288 S3C3T2 Fl. 809 3 PRELIMINARMENTE Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de obscuridade. Assiste razão à Embargante, visto que embora esteja registrado que o contribuinte tenha tomado ciência do Acórdão de Manifestação de Inconformidade no dia 07/03/2013 (quintafeira), fl.467, prevalece no caso a ciência por decurso de prazo que ocorreu em 16/03/2013, conforme o Termo de Ciência por Decurso de Prazo de fl.468, uma vez que a Lei nº 12.844, de 2013 que dispôs sobre a efetividade da intimação na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto no 1inciso III, alínea "a" do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, foi publicada no DOU de 19/07/2013, sendo portanto incabível a geração pelo sistema do Termo de Abertura de Documento, fl. 467 para fins de efetividade da ciência nele consignada. Consequentemente, considerase tempestiva a apresentação do recurso voluntário em 16/04/2013. Constatada a obscuridade analisase de per si, as matérias suscitadas no recurso voluntário. Antes porém, com vistas à melhor cognição da matéria dos autos, contextualizase a situação fática através de excertos do relatório da r. decisão de primeira instância, conforme a seguir parcialmente transcrito: Trata o presente processo de Declaração(ões) de Compensação relativas a alegado crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, referente ao 3º trimestre de 2004. Autos em apenso. Pelo Despacho Decisório de fls. 257/275 houve parcial reconhecimento de direito creditório (“mercado interno”; fl. 275), sendo homologadas as compensações vinculadas ao presente até o limite do crédito deferido. A Autoridade Fiscal responsável pelos trabalhos de auditoria levados a efeito descreve os procedimentos adotados e os exames efetuados, os quais resultaram tanto em aceitação como em rejeição de valores, esta última concretizada por via da glosa de importâncias referentes a serviços de análise de laboratório, serviços profissionais, serviços de movimentação interna, mão deobra temporária, serviços de movimentação portuária e fretes 1 III se por meio eletrônico:(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;(Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013)(grifei). Fl. 895DF CARF MF 4 sobre aquisições de insumos (notar quadro de glosas em fl. 262, item “9.5”). Externa a Fiscalização, em síntese, entendimento no sentido: de que o serviço de laboratório, conforme Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não pode ser considerado como aplicado ou consumido diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; de que os serviços profissionais, conforme análise da documentação apresentada para comproválos, referemse a limpeza, conservação, manutenção, locação de mãodeobra e remuneração de serviços, que estão sujeitos à retenção pelo tomador do serviço e, portanto, não são passíveis de crédito, também sendo considerados pela Contribuinte gastos com funcionários, tais como bolsa estágio, C.I.E.E., vistorias e transportes, entre outros, que pela Solução de Divergência 15/2008 não se enquadram no conceito de insumo; de que, com relação a fretes sobre insumos, houve a constatação de créditos calculados sobre fretes relativos a aquisições tributadas a alíquota zero, portanto em desacordo com o art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei 10.833/2003, e além disso alguns lançamentos na conta contábil 3061 se referiam a transferências de mercadorias entre estabelecimentos, remessas de/para depósitos ou de/para armazenagens; de que a movimentação portuária referese a serviços de descarga de insumos prestados pelo porto, não havendo no art. 3º da Lei 10.833/2003 previsão de crédito para a espécie, que não se caracteriza como insumo, conforme art. 8º, inciso I, alínea b, e § 4º, I, da IN SRF 404/2004; de que as importâncias relativas a movimentação interna referemse a pagamentos efetuados pela prestação de serviços de movimentação de materiais no interior da indústria, os quais, de conformidade com a Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; de que as importâncias relativas a mãodeobra temporária referemse a pagamentos efetuados pela prestação de serviços de locação de mãodeobra, os quais, de conformidade com a Solução de Consulta 174 da SRRF/8ªRF/DISIT, de 22.05.2009, itens 15 e 17, não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na industrialização de produtos, não sendo, portanto, admitida a apuração de créditos concernentes à espécie; Também cita as despesas que foram aceitas por encontrálos condizentes ou sem divergências. Reconhece que as devoluções de venda de mercadoria tributada originalmente pela saída mediante a alíquota de 7,6% relativamente à Cofins e 1,65% relativamente ao PIS dão azo a creditamento, mas observa que este deve ser tratado a parte, sem o concurso de rateio proporcional, dada a relação direta entre a Fl. 896DF CARF MF Processo nº 13811.002158/200534 Acórdão n.º 3302005.288 S3C3T2 Fl. 810 5 contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de creditamento, em mesmo montante e tipo de crédito, no caso de eventual devolução. Contra o Despacho Decisório foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 278/307) onde se alega, em síntese, no sentido: de que, embora o procedimento fiscal tenha sido efetuado dentro do prazo legal previsto no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, a glosa pretendida não pode produzir efeitos posto que fulminada pela decadência do direito de lançar previsto no Código Tributário Nacional; de que a glosa de créditos promove o carregamento para o futuro de valores já utilizados na compensação de tributos devidos, com a subversão da finalidade do procedimento de homologação e indireta alteração do prazo decadencial, em evidente prejuízo da legalidade; de que o procedimento é igualmente nulo porquanto a Autoridade Fiscal procedeu a diversos ajustes no valor das receitas auferidas com reflexo na base de cálculo das contribuições devidas a cada mês e não indicou a razão dos ajustes e nem a base legal respectiva (menciona, a título de exemplo, o item 8 do Relatório fiscal); de que a glosa dos créditos levada a efeito no presente procedimento administrativo é indevida, porque já fora considerada no Processo 13811.002244/200547, onde foram glosados os alegados créditos que aponta em fl. 283; de que houve a glosa de valores referentes a serviços de análise de laboratório, serviços profissionais, serviços de movimentação interna, serviços de movimentação portuária, mãodeobra temporária e fretes sobre aquisições de insumos, basicamente pelo entendimento de que não podem ser considerados como aplicados ou consumidos diretamente na fabricação de fertilizantes, não se admitindo, por essa razão, a apuração de créditos relativamente a tais despesas, mas que tal interpretação não está em estrita consonância com a lei tributária, sendo que o direito ao crédito surge da utilização de um insumo na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados a venda; de que, para Marco Aurélio Greco, a acepção do termo “insumo” deve estar vinculada necessariamente ao contexto da exação exigida, devendo, no caso da Cofins, estar atrelada ao aferimento de “receita”; de que a lei requer tão somente, para o deferimento do direito ao crédito, que os insumos sejam apenas utilizados na fabricação ou produção de produtos; de que a Autoridade Fiscal procedeu à glosa de créditos decorrentes de serviços laboratoriais, valendose de Solução de Consulta isolada sem caráter vinculativo; de que os serviços de análise de laboratório consistem em serviços para auditoria do Ministério da Agricultura, análise laboratorial na fabricação e serviços referentes a controle de qualidade; de que a ausência de análise laboratorial impossibilita a identificação da qualidade e especificação técnica de produto que a empresa se propõe a vender, e, deste modo, verificase que tais gastos dizem respeito a insumos utilizados no processo fabril como itens imprescindíveis para o regular funcionamento da Empresa e Fl. 897DF CARF MF 6 para a geração das receitas tributáveis; de que, quanto aos serviços profissionais, a lei não veda a utilização de créditos com relação a insumos que tenham sido tributados na fonte e, se os serviços são tributados na fonte, é porque são insumos sujeitos à contribuição e, deste modo, podem gerar créditos se forem utilizados no processo de fabricação; de que limpeza, conservação e manutenção são atividades intrinsecamente ligadas à fabricação, não exigindo a lei, para fins de outorga do direito de crédito, que os insumos sejam consumidos em contato com o produto fabricado; de que basta para a lei “que os insumos sejam utilizados e esses são devidamente consumidos no processo fabril até porque nenhuma prova em contrário foi produzida pela autoridade fiscal” (fl. 292); de que, no que concerne aos gastos com serviços profissionais, não está a Solução de Divergência 15/2008, adotada para legitimar a glosa, em consonância com a lei; de que, se a lei quisesse que o direito de crédito estivesse vinculado unicamente ao contato do insumo com o produto fabricado, não teria feito menção às despesas, exigindo a lei, para fins de outorga de crédito, apenas e tão somente que os insumos guardem alguma relação com a fabricação de produtos e sejam utilizados no estabelecimento fabril; de que a Manifestante contrata com pessoas jurídicas a prestação de serviços de movimentação portuária consistentes na locação de equipamentos (pá carregadeira) destinadas ao transporte de matériasprimas adquiridas desde o navio até o silo; de que a movimentação de mercadorias no âmbito de um porto constitui atividade de transporte em sentido amplo, devendo a sua remuneração ser considerada em essência com frete; de que, relativamente ao serviço de descarga portuária, há duas tomadas de crédito, decorrentes de créditos distintos, pois houve dois pagamentos da contribuição, um por parte dos prestadores de serviços sobre a receita auferida (Cofins) e outro por parte da Empresa por conta da importação de bens estrangeiros (Cofins importação), sendo um crédito tomado por esta tendo em vista a Contribuição no preço do produto e outro crédito tomado pela Contribuinte em face da importação, sendo que o creditamento referente ao Cofinsimportação decorre da permissão para o desconto de crédito em relação às importações sujeitas à contribuição na hipótese de bens utilizados como insumos, conforme Lei 10.865/2004, art. 15, II; de que os serviços de movimentação interna foram indevidamente glosados com base num critério de utilização direta na industrialização enquanto que, para a lei, basta “que os insumos sejam utilizados e esses são devidamente consumidos no processo fabril, até porque nenhuma prova em contrário foi produzida pela autoridade fiscal” (fl. 301); de que a Autoridade Fiscal não nega a vinculação desses insumos com o processo produtivo, apenas firmase no pressuposto de que tais serviços não se enquadram no conceito de insumo; de que, na falta de delimitação ou condição imposta por lei, insumo é toda utilidade que contribui em caráter essencial para o normal funcionamento de uma fábrica; de que, para a lei, o direito de crédito nasce com a utilização de um Fl. 898DF CARF MF Processo nº 13811.002158/200534 Acórdão n.º 3302005.288 S3C3T2 Fl. 811 7 insumo no processo de produção, fabricação ou prestação de serviços; de que a lei, quando empregou a vocábulo “utilizado”, quis fazer referência ostensiva aos bens e serviços usados, empregados, aplicados, gastos, adotados, tornados úteis, proveitosos ou que tenham alguma valia ou que serviram para alguma finalidade; de que os serviços tomados a título de mão deobra temporária visam suprir a necessidade de força de trabalho no processo fabril e representam valores pagos a pessoas jurídicas que fornecem insumos utilizados na fabricação, como requer a Lei 10.833/02, não havendo óbice para creditamento, sendo tais serviços contratados sob o regime da Lei 6.019/74 com pessoa jurídica contribuinte da contribuição em pauta, vedando a lei, unicamente, a escrituração de créditos decorrentes de aquisição de insumos de pessoas físicas; de que a Fiscalização encontrou suposta ilegalidade do crédito sobre fretes pagos em razão de mercadorias adquiridas (importadas) sob alíquota zero, posto que não geram direito a crédito e, daí, o frete correspondente também não geraria, mas se o frete, em si, não está sujeito a alíquota zero, o raciocínio carece de congruência lógica, parecendo não remanescer dúvida razoável de que mercadoria e serviço de transporte são coisas distintas; de que, a prevalecer a interpretação adotada pela autoridade fiscal, estaria consagrada a analogia como método de interpretação suscetível de gerar obrigação tributária, em aberta contrariedade ao disposto no parágrafo 1º do artigo 108 do CTN, não havendo lei vigente que vede a escrituração e utilização de crédito sobre o insumo "transporte" quando este é normalmente tributado; de que a Fiscalização encontrou suposta ilegalidade do crédito sobre fretes pagos em razão do transporte de mercadorias de/para armazenagem ou depósito, despesas que constituem insumos utilizados na fabricação do produto a ser vendido, sendo que os depósitos de guarda de mercadorias participam do processo industrial, representando uma extensão do estabelecimento industrial; e de que o empréstimo de mercadorias constitui o cerne do contrato de mútuo e quando a Manifestante está na posição de mutuaria, ela adquire mercadorias com fulcro no que dispõe o art. 587 do Código Civil, sob um regime jurídico distinto do aplicável ao contrato de compra e venda e quando obtém bens destinados ao seu processo produtivo e paga pelo respectivo transporte, “a MANIFESTANTE adquire um insumo vinculado à produção da mesma natureza daquele necessário à obtenção do bem (a matériaprima) sob o regime do contrato de compra e venda, razão pela qual não pode lhe ser negado o direito ao crédito” (fl. 307). Verifica que, “Após a diligência fiscal, concluiuse pela homologação parcial das compensações, no valor de R$ 1.778.823,87 (um milhão, setecentos e setenta e oito mil, oitocentos e vinte e três reais e oitenta e sete centavos) conforme indicado no ITEM 32 do processo” (fl. 279). Requer a declaração de nulidade do procedimento fiscal em razão da decadência do direito da Fazenda e o restabelecimento in totum dos créditos. Fl. 899DF CARF MF 8 Pelo Despacho Decisório de Revisão de fls. 334/340 houve parcial reconhecimento de direito creditório (“mercado interno”; fl. 340), sendo homologadas as compensações vinculadas ao presente até o limite de crédito deferido em novo montante. Assinala, em suma, a Autoridade Fiscal: que à Administração é permitido rever seus próprios atos, consoante o princípio da autotutela; que houve erros no demonstrativo do Crédito de Mercado Interno, de setembro de 2004, referentes às bases de cálculos das rubricas e aos percentuais apurados para determinação da parcela do crédito passível de ressarcimento ou compensação e da parcela do crédito passível de desconto, levando à revisão do demonstrativo da apuração do crédito de mercado interno, itens 10 e 11 do despacho decisório revisado; que a revisão é também devida pelo fato da Contribuinte ter apresentado fato novo após a emissão do despacho revisado; de que a Empresa informou que na apuração do crédito de mercado interno da COFINS de setembro de 2004, apurado de forma nãocumulativa, utilizouse crédito de junho de 2004 para efetuar desconto da contribuição e que esse crédito não foi objeto de pedido de ressarcimento ou compensação; que a Fiscalização, ao analisar as informações apresentadas, concluiu que há créditos de períodos anteriores, referentes a junho, julho e agosto de 2004, que não foram utilizados e nem foram objeto de pedido de ressarcimento ou compensação, sendo também verificado que de janeiro a maio de 2004 todo o crédito apurado foi objeto de desconto e ainda restou contribuição a pagar. Em seguida, apresenta os demonstrativos afetos à revisão. Contra o Despacho Decisório de Revisão foi apresentada Manifestação de Inconformidade (fls. 345/377) onde se alega, em síntese, no sentido: de que, “em que pese o fato do despacho decisório de revisão ter homologado a Declaração de Compensação no valor de R$ 2.099.740,88, verificase que o mesmo manteve o RECONHECIMENTO PARCIAL do crédito de COFINS (mercado interno), em razão de glosas indevidamente realizadas pela fiscalização, o que não se pode aceitar” (fl. 346); de que não procede o item 4 do despacho de revisão, segundo o qual todas as Declarações de Compensação haviam sido transmitidas em 19/09/06, pois foram elas transmitidas até o dia 27/12/05; de que nos termos do artigo 74, parágrafo 5°, da Lei 9.430/94, o prazo que o Fisco dispõe para homologar declaração de compensação expira em 5 anos, contados da data de entrega, e não o fazendo em tempo hábil, considerase a compensação homologada tacitamente; de que a Manifestante recebeu a decisão sobre a homologação de sua compensação em 29/12/10, ou seja, mais de 5 anos após a data do protocolo de suas declarações de compensação, logo, a mais de 5 anos da efetiva entrega das declarações de compensação (protocolo); Fl. 900DF CARF MF Processo nº 13811.002158/200534 Acórdão n.º 3302005.288 S3C3T2 Fl. 812 9 de que a Autoridade Fiscal possuía até o dia 27/12/2010 para notificar a Contribuinte e, assim não o fazendo, perdeu o direito de contestar a compensação efetuada; e de que “resta comprovada a homologação tácita no presente caso, visto tratar se de declarações de compensação protocolizadas no mês de JULHO de 2005, sendo certo que a decisão referente a esta compensação só se efetivou em 07/07/2010 — data do recebimento do Aviso de Recebimento , ou seja, mais de 5 anos após o período necessário para a homologação fiscal” (fl. 349); No mais, repisa o seu entendimento e pretensão já apresentados na primeira manifestação de inconformidade, requerendo a realização de diligência fiscal e perícia, pairando qualquer dúvida, e protestando pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários, bem como por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos. É o relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstra a ementa da decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 PRETENSÃO SATISFEITA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONHECIDA. Quando o crédito reconhecido é superior aos débitos levados a compensação, sendo integralmente satisfeita a pretensão compensatória homologatória revelada nas Declarações de Compensação apresentadas, não cabe a discussão de assuntos outros e não se conhece da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão de primeira instância, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 470/522 em 16/04/2013, fl.470, no qual reitera os mesmos argumentos já colacionados na Manifestação de Inconformidade, aduzindo ainda a arguição de nulidade quanto aos procedimentos adotados pelas Autoridades Fiscais em razão da superficialidade da análise das informações necessárias para o reconhecimento do direito creditório, ferindo assim o princípio da verdade material . Nesse sentido sustenta que a fiscalização deve guardar estrita obediência aos princípios que regem a Administração Pública, dentre os quais o da motivação e o da legalidade, assim jamais poderia o Agente Fiscal ter emitido Despacho Decisório e a DRJ validado sem fazer uma detida e profunda análise do direito creditório da Recorrente, ignorando e glosando os vultosos créditos dessa contribuição. Cita respeitável doutrina e também jurisprudência. Às fls. 570/584 e 688/807 a Recorrente apresenta petição onde reitera os argumentos já trazidos em sede recursal, anexando inclusive os Pareceres de fls.608/687 e 728/807. Fl. 901DF CARF MF 10 Da Inexistência de matéria litigiosa Em face das questões trazidas em sede recursal, inicialmente cabe perquirir se acerca da matéria litigiosa submetida a essa Colenda Turma de julgamento. Para entendimento dos fatos reproduzse a seguir, excertos do Despacho Decisório de fls. 334/340 e da decisão de piso, fls.458/466: Despacho Decisório de fls. 334/340: Tratase de revisão para correção de itens do despacho devido a erros no demonstrativo do Crédito de Mercado Interno, de setembro de 2004, referentes às bases de cálculos das rubricas e aos percentuais apurados para determinação da parcela do crédito passível de ressarcimento ou compensação e da parcela do crédito passível de desconto. Este equivoco levou à revisão do demonstrativo da apuração do crédito de mercado interno, itens 10 e 11, folhas 251 e 252 do despacho. A revisão é também devido o contribuinte ter apresentado fato novo após a emissão do despacho. A empresa informou que na apuração do crédito de mercado interno da COFINS de setembro de 2004, apurado de forma nãocumulativa, utilizouse crédito de junho de 2004 para efetuar desconto da contribuição e que esse crédito não foi objeto de pedido de ressarcimento ou compensação. Os demonstrativos de utilização de crédito apresentado pelo contribuinte em 10/11/2010 encontramse anexados a esse processo, folhas 309 a 313. Esta informação altera o valor do crédito de mercado interno demonstrado nos itens 10 e 11 do despacho e a decisão.(grifei). A fiscalização, ao analisar as informações apresentadas, concluiu que há créditos de períodos anteriores, referentes a junho, julho e agosto de 2004, que não foram utilizados e nem foram objeto de pedido de ressarcimento ou compensação. Verificouse também que de janeiro a maio de 2004 todo o crédito apurado foi objeto de desconto e ainda restou contribuição a pagar. Com base na Lei n° 10.833/2003, art.3°, §4º, na Instrução Normativa n° 404/2004, art.8°, § 2°, e, visto que o resultado irá repercutir nas apurações posteriores, a fiscalização decidiu pela revisão de oficio. NOTA: Pela apuração efetuada pela fiscalização, o contribuinte tem direito a ressarcimento/compensação no valor de R$ 2.130.489,28. Como o pedido (PER) foi no valor de R$ 2.099.740,88, resta um saldo de R$ 30.748,40, passive de ser utilizado em períodos subseqüentes. Fl. 902DF CARF MF Processo nº 13811.002158/200534 Acórdão n.º 3302005.288 S3C3T2 Fl. 813 11 O valor total do saldo a ser utilizado nos períodos subseqüentes será, portanto, a soma do saldo referido acima e o valor de crédito apurado passível de desconto (linha 23 + 26): R$ 30.748,40 + R$ 74.739,86 + R$ 14.724,26, totalizando o valor de R$ 120.212,52. (Item 5 — quadro 4) [...] Concluímos pelo RECONHECIMENTO PARCIAL do crédito da COFINS mercado interno, apurada de forma nãocumulativa, período de apuração setembro de 2004, em favor de Mosaic Fertilizantes do Brasil S.A, CNPJ n° 61.156.501/000156, no valor de R$ 2.130.489,28 (dois milhão, cento e trinta mil, quatrocentos e oitenta e nove reais e vinte e oito centavos); Decisão DRJ, fls.458/466: Pelo Despacho Decisório de Revisão de fls. 334/340 houve parcial reconhecimento de direito creditório (“mercado interno”; fl. 340), sendo homologadas as compensações vinculadas ao presente até o limite de crédito deferido em novo montante. No caso em exame, o crédito reconhecido em parte (R$ 2.130.489,28; fl. 340) foi superior ao débito informado nas Declarações de Compensação (R$ 2.099.740,88; fl.340), daí advindo a homologação integral destas, sendo certo que não integrou o procedimento compensatório a parcela do crédito que superou o débito compensado. Homologadas as compensações, inexiste litígio a ser decidido em sede de julgamento administrativo.(grifei). Das razões trazidas em sede recursal e dos fatos contemplados nas peças decisórias acima citadas constatase que o Recorrente pleiteia a reforma da decisão de piso quanto a duas questões: a) as glosas efetuadas; b) não deferimento do indébito constatado em função da revisão de ofício através do Despacho Decisório de fls. 334/340. Fl. 903DF CARF MF 12 Por todo o exposto, constatase que não há lide a ser apreciada visto que o crédito reconhecido foi superior ao débito informado nas Declarações de Compensação, as quais foram integralmente homologadas. Notese ainda que também se torna despiciendo ao caso a arguição de homologação tácita, primeiro porque ambos os despachos foram proferidos dentro do prazo estabelecido na legislação, sendo importante consignar que após o primeiro despacho, cuja ciência ocorreu em 27/08/2010, fl.277, o contribuinte em 10/11/2010 ofereceu à fiscalização fatos novos, conforme fls.326/333, que repercutiram no cálculo conforme acima consignado através de excertos do referido despacho decisório de revisão; segundo porque o crédito deferido é superior aos débitos compensados, cuja parcela excedente não foi objeto de PER. Ante os fundamentos acima, constatase que carece de objeto a ser apreciado por este colegiado, neste sentido, voto pelo acolhimento dos embargos de declaração opostos pela contribuinte, para rerratificar e integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, conforme fundamentos acima colacionados e por Não Conhecer o Recurso Voluntário, por inexistir matéria litigiosa a ser apreciada nesta instância de julgamento. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 904DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.002725/00-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997
COFINS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO.
As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo da Cofins, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, e na parte conhecida, negar provimento.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1498; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 319 1 318 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.002725/0017 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.259 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO COFINS Recorrente GREEN MATRIX COOPERATIVA DE PROF. EMPREENDEDORES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 COFINS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. SERVIÇOS PRESTADOS A TERCEIROS NÃO COOPERADOS. TRIBUTAÇÃO. As receitas decorrentes de serviços prestados, por cooperativas de trabalho, a terceiros não cooperados, compõem a base de cálculo da Cofins, nos termos do RE 599.362, com trâmite sob o rito de repercussão geral. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário, e na parte conhecida, negar provimento. Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 27 25 /0 0- 17 Fl. 320DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Cofins, no valor total original de R$ 133.294,52, incluindo a contribuição, multa de ofício e juros de mora. O crédito tributário foi resultado de auditoria e constituição pelo AuditorFiscal da Receita Federal João da Hora S. Filho. Informa o autuante que o contribuinte é uma cooperativa, mas todo o faturamento adveio de prestação de serviços a terceiros não cooperados, e que tais operações não se configuram como atos cooperativos, devendo ser tributados conforme art. 87 da Lei 5.764/711. Cientificada, a cooperativa apresenta Impugnação, onde se defende com as seguintes razões, em síntese: a sociedade cooperativa de trabalho tem como fim a prestação serviços aos seus associados, de forma direta, para organizar e planejar o labor de seus sócios; que os atos da cooperativa não se confundem com os atos dos profissionais que a compõem; os atos cooperativos estão descritos no art. 79 da Lei 5.764/71; que tais atos não proporcionam, como pessoa jurídica, qualquer disponibilidade financeira, lucro ou receita; que se as despesas da sociedade cooperativa são rateadas pelos associados (art. 80), a conclusão é de que a sociedade não possui receita; a atividade da cooperativa é realizada exclusivamente em nome dos cooperados, gerando receitas apenas em nome dos sócios, que lhes são transferidas integralmente, depois de liquidadas proporcionalmente as despesas da sociedade; que o inciso I, artigo 6º da Lei Complementar 70/912, fora revogado pela MP 2.037, art. 15, porque não tratava de isenção, mas de reconhecimento de que as cooperativas deveriam recolher a contribuição apenas sobre os atos não cooperativos; que tais dispositivos não podem ser interpretados na sua literalidade, mas sistematicamente, para considerar que as receitas das cooperativas são apenas relacionadas aos serviços prestados aos cooperados; pede, finalmente, a anulação do Auto de Infração, entendendo pela inexistência de atividade com não associado, e que a arrecadação realizada pela cooperativa transita exclusivamente na conta do patrimônio líquido. A DRJ/Rio de Janeiro/RJ – 4ª Turma, por meio do acórdão 10.244, de 26/09/2006, decide pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 1 Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. 2 Art. 6° São isentas da contribuição: I as sociedades cooperativas que observarem ao disposto na legislação específica, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades; Fl. 321DF CARF MF Processo nº 15374.002725/0017 Acórdão n.º 3201003.259 S3C2T1 Fl. 320 3 Ementa: COFINS. COOPERATIVAS. OPERAÇÕES COM NÃO ASSOCIADOS. A isenção da Cofins prevista no artigo 6°, inciso I, da Lei Complementar 70/91 alcança apenas os atos praticados entre as cooperativas e seus associados, para a consecução de seus objetivos sociais, incidindo, portanto, a referida contribuição sobre a prestação de serviços a nãoassociados. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 Ementa: PERÍCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis para a solução da lide. A cooperativa apresenta então o Recurso Voluntário, onde reforça os argumentos de defesa, trazendo doutrina e análise conceitual dos termos “receita” e “ato cooperativo”. Em acréscimo, informa que os profissionais da recorrente prestaram serviços a outra cooperativa, o que os caracterizam ainda como ato cooperativo, e questiona o caráter, segundo entende, confiscatório da multa de ofício, a incidência de juros à taxa Selic e a decadência em relação ao período de 06/97 a 03/98. Em 13/08/2008, a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por meio do acórdão 20403.108, declinou de sua competência, atribuindoa ao Primeiro Conselho de Contribuintes. Em 25/06/2012 a 1ª Turma Ordinária/1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento do Carf rejeita a competência, atribuindoa à Terceira Seção. Em 10/11/2015, o Presidente do Carf decide pela competência da Terceira Seção. O processo foi sorteado ao Conselheiro José Luiz Feistauer de Oliveira, e, em razão de sua saída do Carf, foi a mim redistribuído, por sorteio, em 27/07/2017, para relatar. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. Juízo de conhecimento O recurso foi tempestivo. Fl. 322DF CARF MF 4 As matérias relativas à incidência da taxa Selic, caráter confiscatório da multa de ofício e a alegada existência de serviços prestados a outras cooperativas, e que tais serviços seriam atos cooperativos, não foram objeto de impugnação, e, desse modo, restam preclusas, por mandamento do art. 17 do PAF – Decreto 70.235/723. A decadência também somente foi alegada em recurso voluntário, mas, como matéria de ordem pública, ainda que não impugnada, será analisada. Preliminar de decadência Diversamente do alegado pela recorrente, os presentes autos veiculam lançamento sobre o período de 04/97 a 12/97. A ciência do lançamento ocorreu em 28/09/2000 (fl. 7, fl. 21), isto é, em menos de quatro anos contados dos fatos geradores. Nos termos do artigo 150, §4º do CTN, não havia decaído o direito de a Fazenda proceder ao lançamento de ofício. Mérito O mérito consiste em aferir a tributabilidade das receitas de serviços prestados a terceiros, por cooperativas de trabalho. O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. Único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 3 Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 323DF CARF MF Processo nº 15374.002725/0017 Acórdão n.º 3201003.259 S3C2T1 Fl. 321 5 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. A decisão acima deve ser obrigatoriamente adotada, nos termos do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf, Portaria MF 343/2015. Todavia, resta ainda a questão de se definir, para cooperativas de trabalho, quais são os atos cooperativos típicos, uma vez que a receita advém de terceiros não cooperados, isto é, os clientes dos serviços prestados. Tal questão foi admitida como em repercussão geral nos RREE 599.362 e 598.085. O RE 599.362 decidiu que o Pis incide sobre receitas advindas de terceiros nãocooperados, em cooperativas de trabalho. Transcrevo a ementa: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. Fl. 324DF CARF MF 6 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Colaciono trechos do voto do relator, todos como fundamentação para a decisão, para melhor clarificar o que foi considerado ato cooperativo: “Este é o cerne da demanda: a partir da exegese do que seja o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, saber se as receitas auferidas pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos negócios jurídicos praticados com terceiros – não cooperados – se inserem na materializada de contribuição ao PIS/PASEP, ou se, ao revés, não constituem receita da cooperativa e, sim, do cooperado, caracterizandose como hipótese de não incidência tributária. (…) “É certo que a atividade inerente às cooperativas, especialmente pelas assim chamadas 'cooperativas de trabalhos', é complexa por envolver funções de naturezas distintas. A priori, as sociedade cooperativas existem para servir aos cooperados, na medida em que a atividade por elas exercida visa Fl. 325DF CARF MF Processo nº 15374.002725/0017 Acórdão n.º 3201003.259 S3C2T1 Fl. 322 7 atender aos objetivos estabelecidos democraticamente pelos seus associados, que buscam, por meio delas, criar e desenvolver formas de aumentar sua produtividade e seu rendimento. Esta é a atuação interna das cooperativas, é o chamado ato cooperativo pelo qual os seus dirigentes, trabalhando em prol das mesmas, atuam junto à sociedade captando possibilidades de trabalho para o cooperado” (…) “...atos cooperativos são assim definidos tendo em vista os agentes que deles participam, de forma que, em se tratando de pessoa estranha à relação cooperadocooperativa, inexiste a possibilidade de celebração de ato cooperativo”. (…) “Quando estamos diante de uma cooperativa de trabalho, caso dos autos, o tipo de serviço prestado precisa ficar bem evidenciado. Isso se vê claramente nas chamadas cooperativas de prestação de serviços profissionais, as quais respondem 'pela captação e pela contratação impessoal dos serviços, para ulterior distribuição entre os cooperados, que os executarão de forma individual e autônoma, de modo a garantir oportunidade trabalho e remunerabilidade a todos'” (…) “Na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos – a cooperativa não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores que se associaram. Como dizia Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado – contratos de sociedade, sociedades de pessoas. 3. ed. São Paulo:RT, 1984.XLIX,p.507), '[a] sociedade cooperativa de trabalho, com a personalidade jurídica, aparece, lá fora, como empresa; e empresa, em largo sentido, ela o é.” (…) “Não se pode entender que o conceito de faturamento seja estranho às cooperativas no que diz com suas relações com terceiros.” “Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário da União para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas” Copio também a tese firmada, conforme a decisão em embargos de declaração: Fl. 326DF CARF MF 8 “Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 323 da repercussão geral, acolheu os embargos de declaração para prestar esclarecimentos, sem efeitos infringentes, fixando tese nos seguintes termos: “A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”. Ausentes, justificadamente, os Ministros Celso de Mello e Teori Zavascki. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.08.2016.” Esta decisão transitou em julgado em 25/11/2016, sendo, também, de aplicação vinculante aos colegiados do Carf, conforme artigo 62 do Regimento Interno. Desse modo, a totalidade das receitas de serviços prestados pelos cooperados a terceiros não cooperados são tributáveis pelo Pis e pela Cofins. Pelo exposto, voto por não conhecer das matérias relativas à incidência da taxa Selic, caráter confiscatório da multa de ofício e a alegada existência de serviços prestados a outras cooperativas, e que tais serviços seriam atos cooperativos, e questão da hierarquia das Leis. Da parte conhecida, voto por negar provimento ao recurso. Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10886.000683/2010-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
Ementa:
EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do simples, ancorado em uma das hipóteses do art. 15 da Lei nº 9.317/1996, surge a obrigação de entrega da DCTF, independentemente da data do desfecho de qualquer discussão administrativa sobre a matéria.
Numero da decisão: 1002-000.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: JULIO LIMA SOUZA MARTINS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2006 Ementa: EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do simples, ancorado em uma das hipóteses do art. 15 da Lei nº 9.317/1996, surge a obrigação de entrega da DCTF, independentemente da data do desfecho de qualquer discussão administrativa sobre a matéria.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 Ementa: EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do simples, ancorado em uma das hipóteses do art. 15 da Lei nº 9.317/1996, surge a obrigação de entrega da DCTF, independentemente da data do desfecho de qualquer discussão administrativa sobre a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Foram distribuídos os autos para análise de controvérsia envolvendo a cobrança de penalidade acessória, consubstanciada em multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Federais DCTF. In casu, há exigência vinculada ao 1º semestre de 2006, quantificada em R$ 2.367,95 (dois mil trezentos e sessenta e sete reais e noventa e cinco centavos) (efl. 4). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 6. 00 06 83 /2 01 0- 11 Fl. 40DF CARF MF 2 Diante da constituição do lançamento, protocolouse impugnação (efls. 2/3) alegando a recorrente ter sido excluída do Simples, contudo, devido a decisão advinda do PA nº 13736.000817/200386, os efeitos da exclusão seriam válidos a partir da data em que se deu a decisão definitiva naquele fólio, em 2007. A reclamação administrativa foi então conhecida, fazendo com que a 5ª Turma da DRJ/RJ I proferise o Acórdão nº 1234.213 (efls. 23/26) que, por unanimidade de votos, determinou a manutenção integral do crédito tributário, tendo sido anotado no decisum a data de 01/01/2002 como termo inicial para efeitos da exclusão do Simples. Ato contínuo, irresignada com o julgamento a quo, a autuada interpôs recurso voluntário (efls. 32/36), reiterando os mesmos argumentos rechaçados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Julio Lima Souza Martins Relator O recurso voluntário é tempestivo, portanto dele conheço. Com efeito, a questão controversa se resume em saber qual o marco inicial para efeitos de exclusão do Simples e, como tal, em que momento surgiria a obrigação de entrega das DCTF's pela recorrente. De plano verifico que, a despeito de não estar juntado ao processo, a decisão de piso deixa consignado que o ADE nº 445754, de 07 de agosto de 2003, determinou efeitos retroativos da exclusão a partir de 01/01/2002. A recorrente, por sua vez, afirma que a exclusão teve seus efeitos a partir de 2004, porém compreende que, somente a partir da decisão definitiva sobre a controvérsia (PA nº 13736.000817/200386), ocorrida 07/12/2007, deveria cumprir a obrigação acessória: Diante de tal decisão, a Recorrente interpôs o competente Recurso Administrativo, proc. n° 13736000817/200386, pelo que a questão ficou aguardando decisão final administrativa, que somente se deu em 07 de dezembro de 2007, quando restou decidida definitivamente a exclusão do SIMPLES, com data retroativa a 2004. (grifei) A interpretação advogada na petição não merece guarida. Primeiramente porque a recorrente por si só reconhece a retroatividade da exclusão do Simples desde o ano de 2004, dando azo, portanto, a exigência da entrega da DCTF do 1º semestre de 2006. Além disso, o argumento defendido no sentido de que a exclusão valeria a partir da decisão definitiva, no caso 07/12/2007, não encontra amparo na legislação à época vigente. Para tanto, reproduzo o art. 15 da Lei nº 9.317/1996 que enumera taxativamente todas as possibilidades de eficácia do termo inicial: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10886.000683/201011 Acórdão n.º 1002000.066 S1C0T2 Fl. 3 3 I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. Portanto, não há fundamentos jurídicos para conceber, que somente em 2007, com a ciência da decisão, surgiriam os efeitos da exclusão. De todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Fl. 42DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002852/2007-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2004
NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA.
Mera alegação de erro na composição da base de cálculo do valor autuado, sem a devida instrução probatória, não tem o condão de anular o ato administrativo, nos termos dos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72.
DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE PIS, COFINS E CSLL. IMPOSSIBILIDADE.
O valor devido pela pessoa jurídica optante pelo Simples é calculado com a aplicação de percentuais sobre sua receita bruta, sem qualquer exclusão, dedução ou abate, conforme determinado pelo artigo 5° da Lei n° 9.317/1996.
ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA.
A adoção do regime de tributação pelo lucro arbitrado só é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido (artigos 529 a 539 do RIR).
Por ser optante pelo Simples, a omissão de receitas, decorrentes de depósitos e créditos bancários não escriturados, corresponde à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo Sistema Simplificado, de acordo com o disposto no § 2°, do artigo 2°, da Lei n° 9.317/1996 combinado com o artigo 24, da Lei nº 9.249/1995. A autoridade fiscal, quando da lavratura do auto de infração, aplicou corretamente a legislação do Simples e não o arbitramento do lucro.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE.
A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários.
EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
A exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS não se aplica à dinâmica de tributação do Simples.
APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA.
A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Nos termos da Súmula CARF nº 14, o simples fato da existência de omissão de receitas não autoriza a aplicação de multa qualificada prevista no artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 1201-002.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa qualificada de ofício, reduzindo-a de 150% para 75%, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA. Mera alegação de erro na composição da base de cálculo do valor autuado, sem a devida instrução probatória, não tem o condão de anular o ato administrativo, nos termos dos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE PIS, COFINS E CSLL. IMPOSSIBILIDADE. O valor devido pela pessoa jurídica optante pelo Simples é calculado com a aplicação de percentuais sobre sua receita bruta, sem qualquer exclusão, dedução ou abate, conforme determinado pelo artigo 5° da Lei n° 9.317/1996. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. A adoção do regime de tributação pelo lucro arbitrado só é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido (artigos 529 a 539 do RIR). Por ser optante pelo Simples, a omissão de receitas, decorrentes de depósitos e créditos bancários não escriturados, corresponde à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo Sistema Simplificado, de acordo com o disposto no § 2°, do artigo 2°, da Lei n° 9.317/1996 combinado com o artigo 24, da Lei nº 9.249/1995. A autoridade fiscal, quando da lavratura do auto de infração, aplicou corretamente a legislação do Simples e não o arbitramento do lucro. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. A exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS não se aplica à dinâmica de tributação do Simples. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Nos termos da Súmula CARF nº 14, o simples fato da existência de omissão de receitas não autoriza a aplicação de multa qualificada prevista no artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96.
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INOCORRÊNCIA. Mera alegação de erro na composição da base de cálculo do valor autuado, sem a devida instrução probatória, não tem o condão de anular o ato administrativo, nos termos dos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. DEDUTIBILIDADE DAS DESPESAS DE PIS, COFINS E CSLL. IMPOSSIBILIDADE. O valor devido pela pessoa jurídica optante pelo Simples é calculado com a aplicação de percentuais sobre sua receita bruta, sem qualquer exclusão, dedução ou abate, conforme determinado pelo artigo 5° da Lei n° 9.317/1996. ARBITRAMENTO. INOCORRÊNCIA. A adoção do regime de tributação pelo lucro arbitrado só é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido (artigos 529 a 539 do RIR). Por ser optante pelo Simples, a omissão de receitas, decorrentes de depósitos e créditos bancários não escriturados, corresponde à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo Sistema Simplificado, de acordo com o disposto no § 2°, do artigo 2°, da Lei n° 9.317/1996 combinado com o artigo 24, da Lei nº 9.249/1995. A autoridade fiscal, quando da lavratura do auto de infração, aplicou corretamente a legislação do Simples e não o arbitramento do lucro. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 52 /2 00 7- 44 Fl. 631DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 3 2 A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. A exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS não se aplica à dinâmica de tributação do Simples. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICA. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a contribuinte teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Nos termos da Súmula CARF nº 14, o simples fato da existência de omissão de receitas não autoriza a aplicação de multa qualificada prevista no artigo 44, §1º da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a multa qualificada de ofício, reduzindoa de 150% para 75%, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli e Gisele Barra Bossa. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante da decisão de primeira instância: "Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 27/09/2007 (fls. 135, 145, 155, 165 e 175), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, à contribuição para o PIS, à COFINS, à CSLL, Fl. 632DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 4 3 à Contribuição para a Seguridade SocialINSS, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2004. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração, no Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 85 a 87) e demonstrativos anexos (fls. 88 a 115), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, tributada nos totais mensais superiores à diferença positiva entre as receitas brutas mensais informadas na Declaração Simplificada e a omissão de receita descrita no próximo subitem; 2.2 omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários não escriturados cuja origem também não foi comprovada pela contribuinte regularmente intimada, mas que possuem históricos característicos de operações mercantis (cobrança bancária, operação de desconto) tributada nos totais mensais superiores às receitas brutas mensais informadas na Declaração Simplificada; 2.3 insuficiência de recolhimento decorrente de alteração da faixa de percentual de determinação do Simples sobre a receita declarada decorrente do acréscimo da receita omitida descritas nos subitens anteriores, conforme demonstrativo de fls. 118 a 122. 3. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9° do Decreto n ° 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 3.1. IRPJ (fls. 135 a 138) com base nos artigos 186, 188 e 199 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), 24 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea “a”, 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e 3° da Lei n° 9.732, de 11 de dezembro de 1998, formalizando crédito tributário calculado até 31/08/2007 no montante de R$173.605,78; 3.2. PIS (fls. 145 a 148) com base no artigo 3°, alínea “b” da Lei Complementar (LC) n° 07, de 07 de setembro de 1970, combinado com o artigo 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17, de 12 de dezembro de 1973, artigos 2°, inciso I, 3° e 9° da Medida Provisória n° 1.249, de 14 de dezembro de 1995 e suas reedições, artigos 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea “b”, 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/08/2007, no montante de R$173.605,78; 3.3. CSLL (fls. 155 a 158) com base nos artigos 1° da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea “c”, 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° Fl. 633DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 5 4 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/08/2007, no montante de R$269.729,26; 3.4. COFINS (fls. 165 a 168) com base nos artigos 1° e 2° da Lei Complementar (LC) n° 70, de 30 de dezembro de 1991, 2°, § 2°, 3°, § 1°, a1ínea “d”, 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/08/2007, no montante de R$539.458,76; e 3.5. Contribuição para a Seguridade Social INSS (fls. 175 a 178) com base nos artigos 2°, § 2°, 3°, § 1°, alínea “f”, 5°, 7°, § 1°, e 18 da Lei n° 9.317/1996, e 3° da Lei n° 9.732/1998, formalizando crédito tributário, calculado até 31/08/2007, no montante de R$1.135.442,99. 4. O enquadramento legal das multas de oficio aplicadas é o artigo 44, incisos I e II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, combinado com o artigo 19 da Lei n° 9.317/1996 (fls. 133, 143, 153, 163 e 173). O enquadramento legal dos juros de mora é o artigo 61, § 3°, da Lei n° 9.430/1996 (fls. 134, 144, 154, 164 e 174). 5. Irresignada com os lançamentos, em 26 de outubro de 2007, a empresa, representada por procurador (fls. 207 a 217), apresentou a impugnação de fls. 185 a 207, instruída com os documentos de fls. 208 a 220, na qual alega, em síntese, o seguinte: 5.1. o auto de infração é nulo por ter sido lavrado com base em presunções relativas e discricionárias, pois não há absoluta certeza da base de cálculo, já que eventuais descontos de cheques prédatados e títulos com as instituições financeiras ou de valores junto a terceiros não foram considerados, nem toda a movimentação em conta bancária é receita ou faturamento, principalmente quando a empresa passa por necessidade de crédito por ser empresa em crescimento e sem linhas de crédito préaprovado; 5.2. o atributo de legitimidade do ato administrativo de lançamento tributário vem enfrentando duro questionamento face ao princípio da equidade, já que o ato jurídico produzido pelo particular não tem o condão de validade até prova em contrário; 5.3. supor que um fato alegado pelo Fisco tenha efetivamente ocorrido é afrontar de forma direta os princípios do contraditório e da ampla defesa e para que se configure o fato jurídico tributário, há que se satisfazer todos os critérios identificadores e tipificadores da hipótese da regramatriz de incidência tributária (critério material, critério temporal, critério espacial, elemento quantitativo); 5.4. além de erroneamente o auditor fiscal ter suposto que todo o valor creditado na conta corrente era renda passível de tributação, deixou de contabilizar as despesas operacionais e as deduções previstas nos artigos 581 a 614 do RIR/1999; Fl. 634DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 6 5 5.5. conforme doutrina e jurisprudência transcritas, presunção, por si só, não basta para fundamentar a exigência imposta pelo poder tributante; 5.6. o presente auto de infração com base no arbitramento não merece prosperar por erro na determinação da base de cálculo em afronta ao Princípio da Tipicidade Cerrada, pois quando não conhecida a receita bruta, que é a hipótese tratada nos autos, devem ser utilizados outros elementos que não o somatório dos depósitos efetuados nas contas correntes bancárias da empresa, de acordo com jurisprudência citada; 5.7. o somatório de todos os depósitos efetuados em sua conta corrente não é também base de cálculo da Contribuição Social, pois a base de cálculo desta contribuição é o Lucro Líquido; 5.8. conforme artigo 2°, inciso I, da Lei n° 9.715/1998, a base de cálculo do PIS é o faturamento mensal e a origem dos depósitos que a impugnante desconhece poderia ter sido uma entrada regular “inicialmente para investimento e pelo simples fato da falta de movimentação, houve a retirada”, logo “não houve sequer um faturamento na empresa, e seria mais uma vez um erro no arbitramento de valor”; 5.9. no lançamento de PIS também foram desconsideradas indevidamente as exclusões de sua base de cálculo previstas nos artigos 3° e 4° da mesma Lei n° 9.715/1998; 5.10. há erro no arbitramento e excesso de presunção também em relação à COFINS por não consideração das exclusões previstas no parágrafo único do artigo 2° da Lei Complementar n° 70/1991; 5.11. a União Federal, representada pelo auditor fiscal, não tem poderes para lavrar o auto de infração Contribuição para a Seguridade Social INSS “a partir do momento em que o digno auditor fiscal impõe a sua pretensão fiscal para excluir a empresa do SIMPLES, e até mesmo quando a empresa já não está enquadrada na hipótese prevista na legislação do SIMPLES”, ressalvandose que a competência para lançamento deste tributo é apenas para fatos ocorridos a partir da fusão entre a Receita Federal e a fiscalização previdenciária, não para fatos pretéritos; 5.12. a multa ora atribuída de 150% e de 75% é, no mínimo, aviltante, pois impossibilita qualquer pagamento ou parcelamento e a Constituição Federal veda expressamente a utilização de tributo com efeito de confisco (privação do contribuinte de seu patrimônio por ato arbitrário e unilateral da autoridade administrativa) que deve ser examinado com base em todo o universo tributário que cada pobre contribuinte carrega; 5.13. a imposição de sanção de 150% e de 75% do valor do tributo reclamado, sem considerar os juros de mora, é flagrantemente confiscatória por impingir ao contribuinte o pagamento de praticamente três vezes o valor do tributo Fl. 635DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 7 6 supostamente devido, o que demonstra que esta multa não tem o caráter meramente penal, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e doutrina transcritas; 5.14. apesar de o artigo 112, incisos II e III, do CTN dizer que se interpreta de maneira mais favorável ao acusado a lei tributária que define infrações em caso de dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou à natureza ou extensão dos seus efeitos e à autoria, o auditor fiscal, ao auferir o tributo por meio do montante creditado em conta corrente, sem provas contundentes, presumiu de forma mais desfavorável ao contribuinte; 5.15. o lançamento deve ficar adstrito ao montante que o próprio auditor fiscal reconhece como receita da atividade, pois uma das características intrínsecas de uma regramatriz de incidência tributária é a definição clara e restritiva dos fatos jurídicos tributários que a compõem; 5.16. “se a omissão é objeto de lançamento fiscal, o seu saldo excedente declarado deve ser considerado como redutor do lançamento pelo suposta omissão, tal como, o mês de janeiro de 2004”, 5.17. devese admitir a exclusão do PIS, da COFINS e do ICMS na base de cálculo do IRPJ e, por força dos artigos 2° da Lei n° 7.689/1988 e 57 da Lei n° 8.981/1995, também na base de cálculo da CSLL, pois os tributos não podem ser considerados rendimentos, sua dedução para apuração do lucro real segue o regime de caixa, conforme artigo 41 da Lei n° 8.981/ 1995, e a tributação de omissão de receitas não é mais à parte face à revogação do artigo 43 da Lei n° 8.541/1992; 5.18. questionase a inclusão do ICMS na aferição da COFINS e do PIS e, via reflexa, do IRPJ e da CSLL, pois tributo não pode ser considerado faturamento e no Recurso Extraordinário n° 240.785/98 (extrato de informação processual à fl. 218), no qual se requer a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, dos sete ministros do STF que votaram, seis entenderam que imposto não é faturamento e, portanto, a COFINS não pode ser calculada sobre o ICMS; 5.19 o auditor fiscal não exarou entendimento de fraude e a Súmula n° 14 do Primeiro Conselho de Contribuintes diz que a simples apuração de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo; 5.20 a multa isolada não deve ser cumulada com a multa de ofício por falta de fundamentação legal, já que a Lei n° 9.430/1996 não faz distinção entre a multa isolada e a multa de oficio, conforme entendimento expressado na ementa de Acórdão do Conselho de Contribuintes de fl. 219; Fl. 636DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 8 7 5.21 o correto seria a aplicação da taxa de juros de 1% ao mês mais correção monetária, pois o uso da taxa Selic é ilegal e inconstitucional, já que, por ser fixada por ato normativo do Banco Central como a taxa média ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia, viola o princípio da legalidade e o CTN; 5.22 apenas para efeito ilustrativo junta à fl. 220 planilha de cálculo do PIS e do COFINS apurados versus PIS e COFINS com exclusão do ICMS (total de depósitos e os caracterizados como receitas); 5.23 o STF em 30 de abril de 2004 ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.521 reconheceu que somente é permitida a representação fiscal para fins penais após “transitado e julgado do processo administrativo”, desta forma, requer a “suspensão da prática de quaisquer atos que venha a conduzir pela Representação Fiscal para Fins Penais até o final julgamento do presente procedimento administrativo tributário”; 5.24 se não se entender que cabe o cancelamento do auto de infração, requer também a compensação dos valores já recolhidos (PIS/COFINS) com a nova apuração a ser realizada com a nova alíquota; 5.25 protesta pela juntada posterior de eventuais documentos. 6. Em análise preliminar, este relator elaborou o despacho de fl. 232 para que o processo 19515.002870/200726, que trata da exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01/01/2005 devido ao excesso de receita bruta verificada em 2004 no lançamento acima descrito, fosse juntado por anexação ao presente processo, conforme determinação dos artigos 1°, inciso II, e § 3°, e 2°, da Portaria do Secretário da Receita Federal (SRF) n° 6.129, de 02 de dezembro de 2005. Os documentos que antes compunham as fls. 01 a 54 do processo 19515.002870/200726, compõem as fls. 233 a 286 do presente processo. 7. O Ato Declaratório Executivo Dicat/Derat/SPO n° 246, de 26 de novembro de 2007, que exclui a contribuinte do Simples a partir de 01 de janeiro de 2005 por excesso de receita bruta em 2004, encontrase à fl. 278. Diante da não efetivação da intimação por via postal devido à devolução pelos Correios da correspondência de fl. 280, a ciência da exclusão foi realizada por meio de Edital Simples n° 099/2008, afixado em 11/02/2008 e desafixado em 05/03/2008 (fl. 281). Contudo, não houve apresentação de manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples.”. 2. Em sessão de 18 de setembro de 2008, a 1ª Turma da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, reconheceu a definitividade administrativa da exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01 de janeiro de 2005 e julgou procedentes os lançamentos, nos termos Fl. 637DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 9 8 do voto do relator, Acórdão nº 1618615 (fls. 289/308), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e da Contribuição para a Seguridade SocialINSS, também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.”. “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. RECEITA DA ATIVIDADE. FALTA DE ESCRITURAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Valores depositados em conta bancária, caracterizados como receitas da atividade, cuja escrituração e oferecimento à tributação a beneficiária contribuinte não comprova, são receitas omitidas. DEPÓSITO BANCÁRIO. ORIGEM NÃO COMPROVADA. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO. RECEITA OMITIDA. Depósito bancário cuja origem a contribuinte não comprova e que não foi escriturado nem oferecido à tributação deve ser considerado receita omitida. OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 10 9 Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de oficio deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão.”. “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE – SIMPLES Data do fato gerador: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 LANÇAMENTO. JULGAMENTO. NORMAS APLICÁVEIS. IMPOSTO DE RENDA. As normas relativas ao imposto de renda devem ser aplicadas na determinação e exigência dos créditos tributários devidos em conformidade com o Simples. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS. REGISTRO OBRIGATÓRIO. O contribuinte optante pelo Simples deve registrar toda sua movimentação financeira, inclusive bancária, em escrituração comercial ou em Livro Caixa. CONTRIBUIÇÃO AO INSS. FISCALIZAÇÃO E COBRANÇA. SECRETÁRIA DA RECEITA FEDERAL. COMPETÊNCIA. A Secretaria da Receita Federal é competente para arrecadar, cobrar, fiscalizar e tributar todos os tributos devidos em conformidade com o Simples, inclusive a Contribuição ao INSS. TRIBUTOS DECLARADOS.TRIBUTOS PAGOS. RECEITA OMITIDA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA DIVERSA. Descabe falar em desconto de tributos já declarados ou tributos já pagos no montante de tributos incidentes sobre receitas omitidas, que justamente por serem receitas omitidas, ainda não sofreram nenhuma incidência tributária.”. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DI: DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004, 31/12/2004 MULTA. LANÇAMENTO DE OFICIO. O percentual da multa aplicada sobre os impostos e as contribuições apurados em lançamento de oficio é de 75% no mínimo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DOLO. MULTA. 150%. Em lançamento de oficio é devida multa qualificada de 150% calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo que não foi Fl. 639DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 11 10 pago ou recolhido quando demonstrada a presença de dolo na ação ou omissão do contribuinte. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Lançamento Procedente" 3. A DRJ/SPOI não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: 3.1. Descabe a juntada posterior de documentos, ressalvada as hipóteses previstas no § 4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972; 3.2. A fiscalização baseouse no cruzamento entre as declarações e os extratos bancários apresentados pelo contribuinte (fls. 52 e 53, anexo único, entregue após solicitação reiterada (fl. 51)). Nesse cálculo foram excluídas (último parágrafo de fl. 85 e primeiro de fl. 86) as operações bancárias que não representavam ingresso de recursos (estornos e transferências entre contas do mesmo titular). 3.3. O contribuinte foi intimado em 16/08/2007 (fl. 54) a demonstrar e comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes bancárias mantidas nas instituições financeiras relacionadas nos demonstrativos anexos (fls. 55 /81), e a demonstrar e comprovar a escrituração nos livros contábeis e fiscais destes valores depositados/creditados. 3.4. Como a intimação não foi atendida, conforme declaração fiscal (3° parágrafo de fl. 86), a autoridade fiscal aplicou as normas contidas no § 1° do artigo 7° e no artigo 18 da Lei n° 9.317/1996, que fazem parte do enquadramento legal da autuação e dispõem sobre o regime tributário dos contribuintes optantes pelo Simples (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte), já que no momento dos fatos geradores neste processo discutidos (anocalendário 2004) a autuada era optante pelo Simples, conforme cópia da Declaração Simplificada de fls. 33 a 50. 3.5. Diante da disposição supra, em sendo optante do Simples, a contribuinte está obrigada a escriturar suas movimentações bancárias e a guardar os respectivos documentos comprobatórios suporte, bem como está sujeita à presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada, de acordo com o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, que também faz parte do enquadramento legal do lançamento (fls. 87 e 137). 3.6. Logo, diante da ausência de comprovação pelo contribuinte, o fiscal presumiu a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e formalizou o lançamento de omissão de receitas com fundamento nos dispositivos supra. 3.7. Não há que se falar em aplicação do artigo 112 do CTN, pois não se trata de dúvida sobre a aplicação de lei que define infração ou comina penalidade, mas certeza da existência de depósitos bancários cuja origem não é comprovada. Fl. 640DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 12 11 3.8. Não houve arbitramento no cálculo do auto de infração, mas simplesmente foram aplicados os percentuais estabelecidos na legislação do Simples (incidem sobre sua receita bruta, sem qualquer exclusão, dedução ou abate), conforme artigos 5º, 2º e 24 da Lei nº 9.317/96, sobre a diferença entre a receita declarada e a soma da receita da atividade omitida e os créditos bancários cuja origem não foi comprovada. 3.9. A Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar os débitos de INSS quando relativos ao Simples, conforme disposto nos artigos 3º e 17 da Lei nº 9.317/96. A competência para lançar este tributo apurado no Simples já pertencia à Receita Federal antes da fusão com a Receita Previdenciária. 3.10. Quanto à exclusão do Simples, seus efeitos somente alcançarão os fatos geradores ocorridos a partir de 01 de janeiro de 2005, conforme registrado no 3° parágrafo de fl. 87. No caso dos autos, tratase de fatos geradores ocorridos em 2004, período em que a contribuinte ainda está no Simples e sujeita à Contribuição INSSSimples. 3.11. Considerou que o fato da contribuinte declarar receita bruta para apuração dos tributos devidos de acordo com o Simples (R$638.686,76) quase nove vezes menos do que os recebimentos (R$5.704.350,82) caracterizados como receita da atividade (operações de cobrança e desconto bancário), configuram o dolo descrito nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, o que motiva a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme atual §1° do artigo 44 (antigo inciso II) da Lei n° 9.430/1996. Observese que a multa qualificada (150%) somente foi aplicada sobre a omissão decorrente dos recebimentos caracterizados como receita da atividade (coluna F de fl. 86). Sobre os valores da omissão de receitas decorrentes de presunção legal de omissão de receitas (depósitos bancários de origem não comprovada) foi aplicado o percentual geral de 75% previsto no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, cuja utilização prescinde da caracterização de dolo. Não há nos lançamentos ora apreciados, cumulação de multa de ofício com multa isolada. 3.12. Considera legal o uso da taxa Selic como juros de mora para cobrança de créditos tributários com base no §1° do artigo 161 do CTN e no artigo 13 da Lei n° 9.065/ 1995 e na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 836.829RS). 3.13. Esclarece que a Representação Fiscal para Fins Penais continua apensada ao presente processo e, nos termos do artigo 83, da Lei nº 9.430/1996, será encaminhada ao Ministério Público após ser proferida decisão final na esfera administrativa, não tendo ocorrido, desta forma, qualquer ilegalidade. Observa que a lei não proíbe a formalização da Representação até porque é dever funcional do auditor fiscal que constata, no exercício de suas atividades funcionais, indícios de crime, preparar relato de tal fato ao titular da ação penal pública incondicionada. 3.14. Diante da não apresentação de manifestação de inconformidade pela contribuinte contra o Ato Declaratório que a excluiu do Simples a partir de 01 de janeiro de 2005 (fl. 278), esta exclusão encontrase definitiva na esfera administrativa. 4. Cientificada da decisão (AR de 30/03/2009, fls. 324/325), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 335/349) em 22/04/2009 (fls. 351/352), reiterando as razões já expostas em sede de impugnação (fls. 185/207) e centrou seu pedido para que seja anulado o auto de infração e, alternativamente, se mantido o lançamento, seja: adequado à tributação mais favorável ao contribuinte; excluído o ICMS da base de cálculo das Contribuições ao Fl. 641DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 13 12 PIS e a COFINS; excluído o PIS e a COFINS da base de cálculo da CSLL e IRPJ e afastada a multa do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, por haver presunção de omissão de receitas para períodos consecutivos. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 5. O recurso é tempestivo e cumpre os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Preliminar I. Da correta constituição do crédito tributário 6. Recorrente sustenta que houve erro na determinação da base de cálculo e na interpretação dos extratos bancários quando da lavratura do auto de infração, em razão da presunção de omissão de receitas em face de todos os créditos realizados (bis in idem). 7. Contudo, limitouse a dizer que a autoridade fiscal "não pode simplesmente somar aos valores "omitidos", os valores resgatados, pois estes não decorrem de receita nova", sem sequer apresentar documentação comprobatória da origem dos recebimentos, tampouco segregar e documentar tais situações fáticas onde teria ocorrido o bis in idem e eventual imputação indevida de valores no auto de infração. 8. Nesse sentido, não acolho o argumento da Recorrente de que o auto de infração está eivado de vícios, tampouco reconheço violação ao disposto nos citados artigos 53, da Lei nº 9.784/99, 37, da Constituição Federal (CF/88), 109 e 110 do Código Tributário Nacional (CTN). 9. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, o Decreto nº 70.235/72 indica os casos de nulidade nos artigos 10 e 59, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Fl. 642DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 14 13 “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” 10. No presente caso, não verifico qualquer nulidade formal na lavratura do auto de infração advinda da inobservância do disposto nos artigos 10 e 59, tampouco dos requisitos constantes do artigo 142 do Código Tributário Nacional. O contribuinte notoriamente compreendeu a imputação que lhe foi imposta e não teve seu direito de defesa cerceado. 11. A constituição do crédito tributário foi feita de maneira correta, razão pela qual afasto a caracterização de nulidade. Mérito I. Da impossibilidade de dedutibilidade das despesas do PIS, da COFINS e da CSLL 12. Segundo alegado pela Recorrente, deve a fiscalização aplicar tributação mais favorável ao contribuinte para apurar crédito tributário objeto do lançamento, conforme artigo 112, do CTN. 13. De acordo com este raciocínio, requer alteração do valor autuado de forma a contemplar as deduções previstas na legislação do Imposto de Renda aplicáveis as pessoas jurídicas sujeitas ao regime de tributação com base no lucro real. 14. Contudo, conforme bem consignado na r. decisão da DRJ, o valor devido pela pessoa jurídica optante pelo Simples é calculado com a aplicação de percentuais sobre sua receita bruta, sem qualquer exclusão, dedução ou abate, conforme determinado pelo artigo 5° da Lei n° 9.317/1996: “Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais:” 15. Por sua vez, a receita bruta para efeitos do Simples, encontrase definida no § 2° do artigo 2° da mesma Lei n° 9.317/1996: § 2° Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de Fl. 643DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 15 14 conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. 16. Carece de sentido técnico a alegação da Recorrente de que deveriam ser excluídos, para fins de determinação dos tributos apurados nos lançamentos de Simples contidos neste processo, despesas operacionais e os demais tributos. Aliás, nenhuma espécie de custo, despesa ou encargo pode diminuir a receita bruta sobre a qual incidem os percentuais do Simples, à exceção das vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, cuja ocorrência não é alegada, nem comprovada pela autuada. 17. Isso vale inclusive para a CSLL, o PIS e a COFINS, sendo inaplicável, no caso de optantes pelo Simples, a legislação de cada um desses tributos que prevê exclusões para apuração de suas bases de cálculo. 18. No mais, afasto a aplicação do artigo 112 do CTN, visto que não há dúvida objetiva sobre a interpretação do fato jurídico tributário hábil a ensejar interpretação mais vantajosa ao contribuinte relativamente à capitulação legal do fato. "Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação." 19. Diante da correta aplicação dos termos da Lei nº 9.317/96 e da ausência de norma que possibilite aplicação de outro regime de tributação, não acolho os argumentos da Recorrente. II. Da inocorrência de arbitramento no caso concreto 20. Em que pese a Recorrente afirme ter ocorrido arbitramento de lucro diante do desconhecimento da receita bruta, a autoridade fiscal, quando da lavratura do auto de infração, aplicou corretamente a legislação do Simples. 21. Notase que, a adoção do regime de tributação pelo lucro arbitrado só é aplicável pela autoridade tributária quando a pessoa jurídica deixar de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido (artigos 529 a 539 do RIR). O regime de tributação em questão é o Simples, portanto inaplicável tal forma de apuração da base de cálculo do imposto de renda. 22. Inclusive, a douta relatoria da DRJ consignou expressamente ser a receita bruta conhecida, "parte apurada em omissão direta (coluna F de fl. 86) e parte apurada por meio de presunção legal (coluna G de fl. 86)". Fl. 644DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 16 15 23. Por ser optante pelo Simples, a omissão de receita, decorrente de depósitos bancários não escriturados, corresponde à base de cálculo dos impostos e contribuições tributados pelo Sistema Simplificado (Simples), de acordo com o disposto no já mencionado § 2° do artigo 2° da Lei n° 9.317/1996 combinado com o artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, in verbis: "Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão." (grifos nossos) 24. A autoridade fiscal considerou omissão de receitas os créditos bancários não declarados cuja origem não foi esclarecida, a partir do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” 25. Assim, sobre a diferença entre a receita declarada e a soma da receita da atividade omitida e os créditos bancários cuja origem não foi comprovada aplicou, para apuração dos tributos devidos, os percentuais estabelecidos na legislação do Simples (fls. 86, 135/179). 26. Diante do exposto, afasto o argumento da Recorrente, visto que, em termos fáticos, não foi aplicado regime de tributação pelo lucro arbitrado, mas sim o regime de tributação do Simples. Portanto, correta capitulação legal do fato constante da lavratura do auto de infração. III. Do Ônus da Prova no caso de Omissão de Receitas 27. Nos termos do §1º, do artigo 7° e do artigo 18 da Lei n° 9.317/1996, deve o contribuinte optante pelo Simples escriturar ao menos o Livro Caixa com toda sua movimentação financeira inclusive bancária e guardar em boa ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações pertinentes, todos os documentos que serviram de suporte para esta escrituração, verbis: Art. 7°(..) § 1° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: a) Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; Fl. 645DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 17 16 b) Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada ano calendário; c) todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração das livros referidas nas alíneas anteriores. (...) Art. 18. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. 28. Adicionalmente, os referidos artigos 18, da Lei nº 9.317/1996, 24 da Lei nº 9.249/1995 e 42, da Lei nº 9.430/96, não deixam dúvidas que a contribuinte está sujeita à presunção de omissão de receita existente na legislação do imposto de renda apurável com base em depósito bancário de origem não comprovada. 29. Importante consignar que, conforme dispõe a Súmula CARF nº 26: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada". 30. Portanto, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal do tipo juris tantum e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. 31. Vejam que, o aproveitamento dos dispositivos supra juntamente com a interpretação constante da Súmula CARF nº 26, devem observar os limites da lei. Não se trata de "cheque em branco" dado às autoridades fiscais para aplicar indistintamente tal presunção. 32. Assim, considero fundamental a observância de dois pressupostos para legitimar a adoção da presunção em questão: respeito aos limites legais constantes do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, leiase individualização dos lançamentos considerados de origem não comprovada e efetiva intimação do contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. 33. Primeiro, a autoridade deve cuidar de respeitar as disposições e limites constantes, do artigo 42, da Lei nº 9.430/96, verbis: " Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações Fl. 646DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 18 17 § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse 0 valor de R$ 80.000, 00 (oitenta mil reais)." 34. A partir da análise do dispositivo supra, o lançamento com base em depósito bancário de origem não comprovada tem validade apenas se a autoridade fiscal individualiza os depósitos que entende como não comprovados, para que, com base nessa segregação, o autuado se defenda e apresente provas. 35. Nesse sentido, é o r. Acórdão nº 1302001.642, cuja ementa segue abaixo transcrita, verbis: "OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INTIMAÇÃO PARA COMPROVAÇÃO POR VALORES GLOBAIS. FALTA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DOS CRÉDITOS. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A ausência de intimação que discrimine individualizadamente os créditos a serem comprovados, nos termos da lei, implica a improcedência do lançamento". (Processo nº 18471.001400/200736, Acórdão nº 1302001.642, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária/ 1ª Seção, Sessão de 5 de fevereiro de 2015, Relator Waldir Veiga Rocha). (grifos nossos) 36. Da leitura do julgado em questão, fica claro o dever da autoridade fiscal de intimar regularmente o contribuinte para que esclareça a origem dos créditos bancários e de fazer constar da intimação a discriminação individualizada dos valores a serem comprovados. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 19 18 Tais deveres asseguram o direito dos contribuintes ao contraditório efetivo e a ampla defesa1, bem como convergem com o disposto no artigo 142, do CTN. 37. Toda a presunção, ainda que estabelecida em lei, deve ter relação entre o fato adotado como indiciário e sua consequência lógica, a fim de que se realize o primado básico de se partir de um fato conhecido para se provar um fato desconhecido. 38. Os indícios em questão decorrem de questões fáticas levantadas tanto pela autoridade fiscal, por meio de suas plataformas tecnológicas de dados, como pelo contribuinte, que legalmente intimado, deve fazer prova da origem dos créditos bancários recebidos e demonstrar a ocorrência de lançamentos em duplicidade e/ou que não correspondem às receitas tributáveis, como é o caso dos resgates, estornos e transferências entre contas do mesmo titular. 39. No presente caso, a douta autoridade fiscal cuidou de atender os dois pressupostos hábeis a legitimar a presunção de omissão de receitas dos créditos bancários de origem não comprovada. 40. A contribuinte foi intimada em 14/05/2007 a apresentar, relativamente ao anocalendário 2004, entre outros documentos, o Livro Caixa ou Livros Diário e Razão e extratos de todas as contas bancárias mantidas pela empresa (fl. 04). Diante do não atendimento, esta solicitação foi reiterada por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 02/2007, cientificado em 29/06/2007 (fl. 51). Desta vez, houve atendimento com a apresentação dos extratos bancários em 16/07/2007 e 13/08/2007 (fls. 52 e 53, anexo único fls. 01/270). 41. De posse das informações bancárias, em 16/08/2007 o auditor fiscal intimou (fl. 54) a contribuinte a, em vinte dias, demonstrar e comprovar a origem dos valores depositados/creditados nas contas correntes bancárias mantidas nos bancos, relacionados nos demonstrativos de fls. 55/81 (relação individualizada dos depósitos e créditos bancários a comprovar a origem), e a demonstrar e comprovar a escrituração nos livros contábeis e fiscais destes valores depositados/creditados. 42. Entretanto, transcorrido o prazo legal, a intimação não foi atendida, permanecendo sem justificativa e comprovação sobre a origem dos recursos movimentados pela empresa no anocalendário de 2004, o que levou à lavratura do auto de infração. 43. Adicionalmente, vale mencionar que a contribuinte também não justificou e comprovou a origem dos recursos em seus instrumentos de defesa de fls. 185/207 (Impugnação) e fls. 335/349 (recurso voluntário). 44. Verificase claramente que o auditor fiscal, ao cruzar as declarações e extratos bancários enviados pela Recorrente, cuidou de excluiu as receitas não tributáveis, 1 Lei nº 13.105/2015 Art. 7º É assegurada às partes paridade de tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo efetivo contraditório. Lei nº 9.784/1999 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 20 19 como é o caso dos resgates, estornos e transferências entre contas do mesmo titular, e de individualizar os lançamento de acordo com a natureza cada operação, relacionou (i) os depósitos e créditos bancários caracterizados como vinculados às atividades exercidas pela empresa, tais como operações com cobrança bancária e operação de desconto; (ii) os demais depósitos e créditos bancário de origem não comprovada (fls. 85/115). 45. De fato, não se está tributando os depósitos e créditos bancários ou que sejam esses os fatos geradores do imposto de renda e dos demais tributos abrangidos pelo Simples. Tributase sim, a importância financeira creditada em beneficio da Recorrente que, pelo fato de não estar escriturada, declarada ou justificada, deve ser considerada receita omitida, segundo a legislação acima reproduzida, respeitados os pressupostos da própria lei. 46. Diante da presunção legal de que esse montante na verdade se origina de receita tributável auferida e não declarada, cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos recursos. 47. Do exposto, considero irreparável r. condução do procedimento fiscalizatório que ensejou a lavratura do auto de infração e a condução do processo administrativo fiscal no tocante à aplicação da presunção de omissão de receitas constante do artigo art. 42 da Lei nº 9.430/96. Logo, não acolho o pedido da Recorrente e entendo satisfatórias as provas apresentadas pela autoridade fiscal. IV. Da impossibilidade de excluir o ICMS da base de cálculo das Contribuições ao PIS e a COFINS 48. Outro argumento trazido pela Recorrente é a necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo das Contribuições ao PIS e a COFINS, em consonância com o julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR pelo Supremo Tribunal Federal submetido ao regime de repercussão geral. 49. Em fevereiro de 2017, o Supremo Tribunal Federal decidiu que o ICMS não tem natureza de receita bruta ou faturamento e, portanto, não deve ser incluído na base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS. 50. No entanto, tal precedente não pode ser aplicado ao presente caso, visto que a contribuinte está submetida ao regime de tributação do Simples (Lei nº 9.317/96). O recolhimento dos tributos é feito em alíquota única repassandose parte ao Estado competente. Não há destaque de ICMS na nota fiscal, pois essa não é a dinâmica normativa adequada ao regime em questão. 51. E, ainda que fosse, impossível excluir o ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS a partir da omissão de receitas, pois não há como reconhecer eventual recolhimento de tributo se a origem do depósito não for esclarecida pelo contribuinte. 52. Portanto, não acolho o pedido da Recorrente no sentido de aplicar ao presente caso a exclusão de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS. V. Da ausência de pressupostos para aplicação de multa qualificada 53. As autoridades fiscais consideraram que a contribuinte, ao declarar receita bruta para apuração dos tributos devidos de acordo com o Simples (R$ 638.686,76) Fl. 649DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 21 20 quase nove vezes menos do que os recebimentos (R$ 5.704.350,82) caracterizados como receita da atividade empresarial (operações de cobrança e desconto bancário), teria agido com "o dolo descrito nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64", o que motiva a aplicação da multa qualificada de 150%, conforme atual §1° do artigo 44 (antigo inciso II) da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 54. Não podemos olvidar que a aplicação de multa qualificada é medida de caráter excepcional. E, em que pese tenha aplicado a multa qualificada (150%) somente sobre a omissão decorrente dos recebimentos caracterizados como receita da atividade empresarial (coluna F de fl. 86), a r. autoridade fiscal não logrou êxito em comprovar que a Recorrente teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. 55. Conforme disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, sonegar é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do evento tributário, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” 56. Da leitura, é possível concluir que a sonegação implica em descumprimento por parte do sujeito passivo de dever instrumental prejudicando a constituição da obrigação do crédito tributário. Em termos fáticos, a autoridade fiscal deve provar que a conduta do contribuinte impediu a apuração dos créditos tributários e, consequentemente, prejudicou o lançamento. 57. A segunda hipótese de aplicação de multa qualificada é a fraude, definida sobre a ótica tributária, do seguinte modo: Fl. 650DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 22 21 “Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” 58. Fraude no sentido da lei é ato que busca ocultar algo para que possa o contribuinte furtarse do cumprimento da obrigação tributária. Ao contrário do dolo, que busca induzir terceiro a praticar algo, a fraude é ato próprio do contribuinte que serve para lograr o fisco. 59. Apesar disso, o artigo 72 supra, utilizouse do conceito de dolo para a definição de fraude. O "dolo" referido no artigo é o dolo penal, não o civil, porque o segundo ocorre sempre com a participação da parte prejudicada. Não por acaso, tais ilícitos tributários tem repercussões penais, nos termos dos artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137/90. 60. Conforme o artigo 18 do Código Penal, crime doloso ocorre quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, assim, o dispositivo legal está conforme a teoria da vontade adotada pela lei penal brasileira. Para que o crime se configure, o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Assim, a responsabilidade pessoal do agente deve ser demonstrada/provada. 61. Portanto, é imperioso encontrar evidenciado nos autos o intuito de fraude, não sendo possível presumir sua ocorrência. A própria Súmula CARF nº 14, afasta a presunção de fraude e deixa clara a necessidade de comprovação do "evidente intuito de fraude do sujeito passivo". “Súmula CARF nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” 62. Em linha este raciocínio, para o Alberto Xavier2, a figura da fraude exige três requisitos. O um, que a conduta tenha finalidade de reduzir o montante do tributo devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o dois, o caráter doloso da conduta com intenção de resultado contrário ao Direito; e, o três, que tal ato seja o meio que gerou o prejuízo ao fisco. 63. Na prática, a comprovação da finalidade da conduta, do seu caráter doloso e do nexo de causalidade entre a conduta ilícita do contribuinte e o prejuízo ao erário é condição sine qua non para enquadrar determinada prática como fraudulenta. 64. Logo, para restar configurada a fraude, a autoridade fiscal deve trazer aos autos elementos probatórios capazes de demonstrar que o sujeito passivo praticou conduta ilícita e intencional hábil a ocultar ou alterar o valor do crédito tributário, bem como que tal ato afetou a própria ocorrência do fato gerador. 2 XAVIER, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, 2000, p. 78. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 23 22 65. A terceira hipótese de aplicação da multa qualificada é a prática do conluio que visa o dolo ou fraude por meio de ato intencional entre duas ou mais pessoas: “Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 66. Como se nota, o conluio é qualquer ato intencional praticado por mais uma parte visando o dolo ou a fraude. O que qualifica o conluio, distinguindoo de outra espécie de conduta dolosa ou fraudulenta, é o aspecto subjetivo, isto é, a existência de mais de um sujeito que ajustem atos que visem à sonegação ou fraude. 67. É importante reforçar que o reconhecimento de quaisquer destas práticas deve ser comprovado pela autoridade fiscal através do nexo entre caso concreto e a suposta sonegação, fraude ou conluio e caracterização efetiva do dolo. Esse é o entendimento deste E. C. CARF, verbis: "(...) MULTA QUALIFICADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DOLO. NÃO CABIMENTO. É incabível a aplicação de multa qualificada, com percentual de 150%, quando não restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo, em especial nos casos de planejamento tributário acerca do qual haja divergência na doutrina e na jurisprudência. (...)" (Processo nº 16682.720182/201027, Acórdão nº 1301002.670, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 18 de outubro de 2017, Relator Roberto Silva Junior). (grifos nossos) 68. Vejamos trecho deste acórdão sobre o assunto: "O pressuposto de multa qualificada, de acordo com o §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, é a existência de sonegação, fraude ou conluio. É preciso que o sujeito passivo tenha agido de forma deliberada e consciente, buscando obter um ganho indevido, em detrimento da Fazenda. É necessária a prova da conduta dolosa. Os fatos comprovados nos autos devem gerar a convicção de que os autuados, tendo consciência da ilicitude, deliberam prosseguir na ação ilícita a fim de obter vantagem tributária a que não tinham direito.” (grifos nossos) 69. Já o Acórdão nº 1301002.628, proferido a partir do Recurso de Ofício da Fazenda Nacional, ao tratar do tema omissão de receitas, depósitos bancários de origem não comprovada, afasta a multa qualificada ante a ausência de comprovação da intenção do agente de fraudar e sonegar, verbis: "MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. A infração de omissão de receitas caracterizada pela via presuntiva, na hipótese em que valores creditados em conta de Fl. 652DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 24 23 depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, não tenham sua origem comprovada por seu titular, impede, por contradição lógica, concluir que sua prática ocorreu com evidente intuito de fraude, circunstância qualificadora da multa de oficio que pressupõe um juízo de certeza acerca da natureza jurídica daqueles valores.(...)" (Processo nº 19515.002704/200720, Acórdão nº 1301002.628, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / 1ª Seção, Sessão de 5 de fevereiro de 2015, Relatora Amélia Wakako Morishita Yamamoto). (grifos nossos) 70. Cumpre destacar o seguinte trecho do voto condutor: "A DRJ entendeu que o dolo não ficou comprovado, faltou à fiscalização a comprovação de fatos que motivassem a aplicação da multa de 150%. (...) No seu entendimento, a simples constatação de conduta omissa de receitas por parte do contribuinte não é condição suficiente para qualificála. Ou seja, não bastaria a mera constatação de um ilícito, mas deveria ser verificada uma incontestável intenção de fraudar/sonegar. E isso que diferencia a conduta mais gravosa, da simples omissão de receitas, por falta de declaração de valores tributáveis ao fisco. No caso em destaque, a infração de omissão de receitas foi caracterizada pela presunção, nos termos do art. 42 da Lei 9430/96, cuja consequência foi a aplicação da exigência de ofício dos tributos devidos, e a circunstância que o qualificava – evidente intuito de fraude não foi comprovado pela Autoridade Fiscal.”(grifos nossos) 71. Os acórdãos citados deixam clara a necessidade observância dos três requisitos expostos nos itens 60 a 62, conduta ilícita, intenção e nexo de causalidade entre a ação do sujeito passivo e o prejuízo ao erário , para fim de justificar a efetiva ocorrência das práticas infracionais em comento. 72. No presente caso, houve atendimento parcial da intimação pela Recorrente, apresentação dos extratos bancários em 16/07/2007 e 13/08/2007 (fls. 52 e 53, anexo único fls. 01/270), o que viabilizou a adequada lavratura do auto de infração. Logo, não há que se falar em conduta dolosa ilícita, seja sonegação, fraude ou conluio. 73. As autoridades fiscais, no curso do processo administrativo, não cuidaram de trazer elementos probatórios sólidos hábeis a demonstrar o intuito doloso do contribuinte em praticar quaisquer dessas condutas. O próprio voto condutor da decisão da DRJ (fls. 306) citou de forma genérica todas as infrações tributárias, sonegação, fraude e conluio, como se a omissão de receitas se enquadrasse em quaisquer dessas figuras indistintamente. 74. É certo que, em nenhum momento a Recorrente tentou “esconder” quaisquer informações solicitadas pelo auditor fiscal. Além disso, conforme exposto, a douta autoridade não trouxe outros elementos, além da própria omissão de receitas, para caracterizar a aplicação da multa qualificada, o que fatalmente viola a Súmula CARF nº 14. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 19515.002852/200744 Acórdão n.º 1201002.098 S1C2T1 Fl. 25 24 75. Portanto, considerando a falta de elementos trazidos pela autoridade fiscal, acolho o pedido da Recorrente para que seja afastada a qualificação da multa de ofício. VI. Dos pontos incontroversos 76. Dada a ausência de questionamento em sede de Recurso Voluntário (fls. 335/349), considero superadas as seguintes questões: 76.1. De acordo com a r. decisão da DRJ, os créditos tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros SELIC, com base no §1° do artigo 161 do CTN e no artigo 13 da Lei n° 9.065/ 1995 e na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (Agravo Regimental no Agravo de Instrumento n° 836.829RS). 76.2. A suposta incompetência da SRFB para fiscalizar o INSS no momento da lavratura do auto de infração não se aplica às empresas optantes pelo regime do Simples, nos termos dos artigos 3º e 17 da Lei nº 9.317/96. 76.3. A Representação Fiscal para Fins Penais continua apensada ao presente processo e, nos termos do artigo 83, da Lei nº 9.430/1996, será encaminhada ao Ministério Público somente após ser proferida decisão final na esfera administrativa. 76.4. Em atenção ao disposto nos artigos 9º e 13, inciso II, da Lei nº 9.317/96, sendo a receita bruta real da Recorrente superior à 5 milhões de reais (fls. 310), deve ser mantida a exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01 de janeiro de 2005. Conclusão 77. Diante do exposto, VOTO por CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO apenas para afastar a qualificação da multa de ofício (de 150% para 75%). É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 654DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.004945/2002-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUDITORIA INTERNA. COMPROVADA A REGULARIDADE DA COMPENSAÇÃO INFORMADA NA DCTF PELA AUTORIDADE FISCAL. EXONERAÇÃO DO CRÉDITO LANÇADO. POSSIBILIDADE.
Uma vez confirmada pela própria autoridade fiscal a regularidade da compensação dos débitos lançados informada na DCTF, não resta outra alternativa que não o cancelamento integral da cobrança dos débitos compensados.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3302-005.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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CASAS PERNAMBUCANAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. AUDITORIA INTERNA. COMPROVADA A REGULARIDADE DA COMPENSAÇÃO INFORMADA NA DCTF PELA AUTORIDADE FISCAL. EXONERAÇÃO DO CRÉDITO LANÇADO. POSSIBILIDADE. Uma vez confirmada pela própria autoridade fiscal a regularidade da compensação dos débitos lançados informada na DCTF, não resta outra alternativa que não o cancelamento integral da cobrança dos débitos compensados. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 49 45 /2 00 2- 12 Fl. 546DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: 5. O processo em exame versa sobre lançamento eletrônico originado de auditoria interna realizada pela DEFIS/SPO na DCTF da empresa em epígrafe relativa ao quarto trimestre de 1997, na qual se apurou falta de recolhimento dos débitos de Cofins referentes aos meses de outubro a dezembro desse ano, consoante se lê no auto de infração, anexo às fls. 20/21, cujos demonstrativos se acham nas fls. 22/23. 6. A infração em apreço se deve à ocorrência “processo judicial não comprovado”, apontada na fl. 22, a qual se refere à ação judicial n° 95.00320584,informada pela empresa nessa DCTF para justificar a compensação dos débitos citados. 7. O crédito tributário lançado, composto de principal, multa de ofício de 75% e juros de mora (calculados até 31/05/2002), perfaz o montante de R$ 13.312.057,46. 8. Intimada do lançamento por via postal em 11/06/2002 (fl. 288), apresentou a interessada em 10/07/2002 — tempestivamente portanto — a impugnação anexa às fls. 2/8, instruída pelos documentos reunidos nas fls. 9/237, na qual alega em síntese que: a) compensou integralmente os débitos em questão com créditos de Finsocial provenientes de recolhimentos realizados acima da alíquota de 0,5% no período de março de 1990 a março de 1991 (meses de competência), com base em sentença proferida nos autos da ação ordinária n° 95.00320584, posteriormente confirmada pelo TRF da 3ª Região; b) como a compensação havia sido devidamente autorizada por meio de decisão judicial, é inteiramente descabida, improcedente e destituída de qualquer amparo legal a pretensão fiscal; c) já transitou em julgado a questão relativa ao direito à compensação, tendo em vista que o que se acha em discussão em sede de recurso especial é apenas o critério de atualização do indébito; d) sendo indevida a exigência da própria contribuição, como judicialmente reconhecido, por absoluta falta de amparo legal, tampouco se pode exigir juros de mora e multa de ofício; e) basta citar o art. 62 do Decreto que regulamenta o processo administrativo para se invalidar todo o procedimento fiscal instaurado; 9. Encerrando o arrazoado, protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada oportuna de documentos que comprovem estar o crédito tributário suspenso por decisão judicial (certidão de objeto e pé Fl. 547DF CARF MF Processo nº 11831.004945/200212 Acórdão n.º 3302005.183 S3C3T2 Fl. 547 3 e cópias autenticadas da sentença de 1° grau e da decisão do TRF3), os quais já requereu ao tribunal competente. 10. Posteriormente, em 19/08/2002 (fls. 240/241), apresentou os referidos documentos (fls. 253/272). 11. Vindo o processo às minhas mãos, propus baixálo em diligência, em despacho exarado nas fls. 291/292, para que se verificassem os registros contábeis das compensações declaradas na DCTF relativa ao quarto trimestre de 1997, bem como a existência e suficiência dos créditos de Finsocial a que alude a recorrente. 12. Com a aquiescência do presidente desta Turma de Julgamento, os autos foram encaminhados inicialmente à DEFIS/SPO, que elaborou o relatório fiscal anexo às fls. 342/344, dando conta da existência dos referidos registros, e em seguida à DERAT, que, em informação fiscal juntada nas fls. 523/526, afirma serem suficientes os saldos do indébito alegado. 13. Devidamente cientificada do relatório (fl. 344), bem como da informação fiscal (fl. 529), a recorrente não se manifestou sobre eles. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 534/537), em que, por unanimidade de votos, a impugnação foi julgada procedente e integralmente exonerado o crédito tributário exigido, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/1997 a 31/12/1997 DCTF. AUDITORIA INTERNA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO COM FINSOCIAL Verificada por meio de diligências a regularidade das compensações informadas em DCTF, cumpre exonerar integralmente o crédito tributário lançado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Por ter exonerado crédito tributário acima do valor estabelecido na Portaria MF 3/2008, por força do disposto no art. 34, I, do Decreto 70.235/1972, o Presidente da Turma de Julgamento de primeiro grau interpôs recurso de ofício perante este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Fl. 548DF CARF MF 4 O recurso trata de matéria da competência deste Colegiado, o crédito exonerado ultrapassou o limite de alçada do órgão de julgamento de primeiro grau e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Noticiam os autos que, por meio da ação ordinária n° 95.00320584, a autuada obteve decisão judicial favorável, em que lhe fora assegurado o direito de compensar com débitos da Cofins os valores da Contribuição para o Finsocial, recolhidos indevidamente acima da alíquota de 0,5% (fls. 140/143), nos meses de março de 1990 a março de 1991. De acordo com citado processo judicial, a recorrente obteve sentença de primeiro grau que lhe fora favorável e confirmada pelo TRF da 3ª Região (fls. 180/192). E submetido o caso ao crivo do STJ, este órgão de julgamento limitouse a estabelecer os índices de correção monetária aplicáveis aos valores a compensar (fls. 282/284). O trânsito em julgado ocorreu no dia 11/09/2009 (fl. 502). A referenciada compensação foi realizada de acordo com os requisitos estabelecidos na legislação vigente e o valor do crédito utilizado revelouse suficiente para quitar integralmente os débitos da Cofins dos meses de outubro a dezembro de 1997, objeto do presente auto de infração, conforme a demonstrado nos excertos extraídos do voto condutor do julgado recorrido, que seguem transcritos: 20. Afirma o relatório fiscal anexo às fls. 342/344 que as compensações a que alude a recorrente, informadas na DCTF relativa ao quarto trimestre de 1997, se acham devidamente contabilizadas nas páginas do Livro Diário reproduzidas nas fls. 308/310. 21. Examinandoas, observase que, de fato, os débitos de Cofins exigidos no auto de infração relativos ao PA 10/97 (R$ 1.722.049,62), ao PA 11/97 (R$ 1.451.358,83) e ao PA 12/97 (R$ 1.897.669,79) foram compensados na conta 211163452, intitulada “Cofins a recolhercompensação”. 22. Já o longo e pormenorizado relato contido na informação fiscal anexa às fls. 523/526 dá conta de que a autoridade tributária, por meio de cálculos realizados no sistema CTSJ (fls. 513/522), verificou que o indébito de Finsocial relativo ao período de março de 1990 a março de 1991, atualizado pelos índices de correção monetária definidos pelo STJ (fl. 512), foi suficiente para quitar integralmente os débitos de Cofins em apreço. 23. Assim, demonstrado que, em data anterior ao lançamento, a contribuinte realizara em sua escrita contábil, nos termos do art. 66 da lei n° 8.383/91, as compensações que informou em DCTF e comprovada a existência e suficiência do indébito utilizado, não resta alternativa senão exonerar integralmente o crédito tributário objeto do auto de infração em exame. A conclusão da Turma de Julgamento de primeiro grau está assentada em sólidos fundamentos jurídicos e consistentes elementos probatórios, portanto, não merece qualquer reparo. Por todo exposto, negase provimento ao recurso de ofício, para manter na íntegra a decisão recorrida. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11831.004945/200212 Acórdão n.º 3302005.183 S3C3T2 Fl. 548 5 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 550DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.720980/2012-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
Numero da decisão: 1002-000.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49).
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Denúncia Espontânea. Recorrente L & L INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS EIRELI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) após o prazo previsto pela legislação tributária sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. É cabível a imposição de penalidade quando da entrega extemporânea da DCTF, haja vista previsão na Lei n.º 10.426/2002. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF n.º 49). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 72 09 80 /2 01 2- 33 Fl. 47DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 24/07/2014, consubstanciada no Acórdão n.º 1451.895, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de Janeiro, Fevereiro, Março, Maio e Junho do AnoCalendário 2010, deixando de acolher a impugnação apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO. DECLARAÇÃO/DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração/demonstrativo fora do prazo estabelecido ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. O auto de infração em espécie foi lavrado em 22/06/2012, na DRF Porto Velho, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa (...). Fundamentação: Art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n.º 11.051, de 2004. Demonstrativo: Janeiro/2010, Multa R$1.202,76 Fevereiro/2010, Multa R$500,00 Março/2010, Multa R$500,00 Maio/2010, Multa R$500,00 Junho/2010, Multa R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, além de reiterar os termos da impugnação, contraargumentou, em suma, que o instituto de denúncia espontânea tem que ser acolhido. Também, disse violar as normas legais o fato da instituição da obrigação de entregar DCTF ter sido originalmente criada via instrução normativa. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10240.720980/201233 Acórdão n.º 1002000.088 S1C0T2 Fl. 48 3 É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. Quanto ao juízo de mérito, não assiste razão a recorrente. É que não se discute nos autos a apresentação extemporânea da DCTF, nem se desincumbiu a recorrente de demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo de tal obrigação. Pretendeu, unicamente, pleitear a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Ocorre que, quanto a temática da denúncia espontânea, este Conselho já possui enunciado sumular, nestes termos: "Súmula CARF n.º 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração." A mencionada súmula foi lavrada com base nos seguintes paradigmas: Acórdão n.º CSRF/0400.574, de 19/06/2007, Acórdão n.º 19200.096, de 06/10/2008, Acórdão n.º 19200.010, de 08/09/2008, Acórdão n.º 10709.410, de 30/05/2008, Acórdão n.º 10249.353, de 10/10/2008, Acórdão n.º 10196.625, de 07/03/2008, Acórdão n.º 107 09.330, de 06/03/2008, Acórdão n.º 10709.230, de 08/11/2007, Acórdão n.º 10516.674, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.676, de 14/09/2007, Acórdão n.º 10516.489, de 23/05/2007, Acórdão n.º 10809.252, de 02/03/2007, Acórdão n.º 10195.964, de 25/01/2007, Acórdão n.º 10809.029, de 22/09/2006, Acórdão n.º 10194.871, de 25/02/2005. Portanto, não há como aplicar o instituto, sendo o caso sumulado neste Conselho. No mais, observo que a multa foi aplicada de acordo com a legislação em vigor. Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 1942. Dito isto, asseverese que o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelecia a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar (...), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, (...), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar Fl. 49DF CARF MF 4 declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. Neste contexto, temse que o fundamento de validade constante do auto de infração (art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002) apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. Aliás, não se está aqui falando em Instrução Normativa. A assunto resta superado por força da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Os argumentos sustentados pela defesa tinham eventual pertinência antes da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, a despeito do Poder Judiciário conter precedentes autorizando as Instruções Normativas. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10240.720980/201233 Acórdão n.º 1002000.088 S1C0T2 Fl. 49 5 A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Destarte, o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados. Por conseguinte, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção. Fl. 51DF CARF MF 6 Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10240.720980/201233 Acórdão n.º 1002000.088 S1C0T2 Fl. 50 7 (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... O dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 53DF CARF MF 8 Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em negarlhe provimento, mantendo íntegra a decisão recorrida e o crédito tributário lançado na forma constante do auto de infração. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 54DF CARF MF
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Numero do processo: 18471.001573/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1995 a 31/07/1996, 01/10/1996 a 31/10/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
EDITADO EM: 05/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 15 73 /2 00 8- 35 Fl. 691DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 643 2 (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. EDITADO EM: 05/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório 1 – Tratase de Recurso Voluntário interposto pela tomadora e prestadora de serviços contra decisão da DRJ que manteve o lançamento em parte de contribuição previdenciária oriunda da NFLD nº 35.605.9065 (fls. 3/56) no valor de R$ 685.442,31 com data de cientificação do recorrente em 29/09/2003 às fls. 3. 2 Adoto inicialmente como complemento ao relatório a narrativa constante do V. Acórdão da DRJ (fls. 507/521) por sua clareza e precisão: “DO LANÇAMENTO Tratase de crédito lançado pela fiscalização (NFLD DEBCAD 35.605.9065 consolidado em 05/09/2003), no valor de R$ 277.646,05, acrescidos de juros e multa, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 47/50), referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, dos segurados, e às destinadas ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho – SAT (até 06/1997), e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT Fl. 692DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 644 3 (a partir de 07/1997), referentes às competências 05/1995 a 07/1996 e 10/1996 a 10/1998. 2. As contribuições foram apuradas com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, de acordo com o artigo 31 da Lei no 8.212/1991 (anterior à Lei nº 9.711 de 20/11/1998), com redação vigente à época dos fatos geradores, pela empresa HELIVIA AERO TÁXI LTDA CNPJ 15.818.545/000187, em cumprimento ao contrato 101.2.013.959. 2.1. A descrição dos serviços prestados, de acordo com o objeto do contrato encontrase no item 5 do Relatório Fiscal. DA IMPUGNAÇÃO DA PETROBRAS 3. A PETROBRAS, notificada do lançamento em 29/09/2003 apresentou impugnação em 14/10/2003, através do instrumento de fls. 67/73, alegando em síntese: Da Decadência 3.1. Preliminarmente, verificouse a ocorrência da decadência do direito de constituição do crédito previdenciário, tendo em vista o decurso de prazo maior que 5 (cinco) anos, entre alguns dos fatos geradores do tributo; 3.2. pacífico também o entendimento esposado no STJ, onde a decadência em questão é regida pelo CTN e, assim, por tratarse de matéria de ordem pública, cabe o pronunciamento desse Órgão Julgador, declarandose e extinção do crédito onde couber; Da inexistência da cessão de mãodeobra 3.3. tanto na redação atual do artigo 31 da Lei 8.212/91, quanto na anterior à Lei 9.711/98, para caracterização da cessão de mãodeobra é necessário a existência de um serviço contínuo e a colocação do empregado à disposição do contratante; 3.4. no caso vertente, não ocorreram tais pressupostos, tendo o contrato versado somente sobre uma prestação de serviços da empresa contratada para a Fl. 693DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 645 4 impugnante, tendo os empregados sob seu próprio comando, pelo prazo necessário para consecução do objeto contratado; 3.5. o contrato foi firmado para fins de realização de serviços determinados, jamais para fornecimento de mãodeobra; 3.6. a lei quer abarcar os contratos em que o próprio serviço seja seu objeto e não meio para obtenção de um resultado diverso; 3.7. as hipóteses do artigo 219 do Decreto 3.048/99 devem ser interpretadas de acordo com o entendimento da Lei; Da solidariedade 3.8. a solidariedade passiva pressupõe sempre a configuração prévia da obrigação, a fim de que o credor possa imputála a um dos devedores solidários, ou seja, fazse necessário a declaração de existência da obrigação em face de todos os devedores, inclusive o originário, e a constituição de sua liquidez; 3.9. no lançamento por homologação, caso o devedor originário não recolha o tributo, deve a autoridade administrativa proceder com o lançamento de ofício, quando, então, será o crédito exigível; 3.10. inexistindo lançamento contra o devedor originário, capaz de conferir exigibilidade ao crédito tributário, não pode o INSS vir cobrar da recorrente, simplesmente porque a obrigação dos devedores originários não se configurou; 3.11. a autarquia não pode exigir o tributo, simplesmente porque alega não ter o contribuinte originário cumprido sua obrigação, pois é preciso aferila, demonstrando a sua existência contra todos os devedores e quantificála; 3.12. não se argumente com o fato de o lançamento ser declarativo da obrigação e que, sendo esta preexistente àquele, poderia, portanto, a dívida ser cobrada da recorrente. Tal entendimento acaba por inverter as regras do Direito; 3.13. não se trata de arguir o benefício de ordem, o qual só pode ser exercitado se a dívida estiver ao menos configurada em face de todos os devedores, sendo que no Fl. 694DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 646 5 caso em pauta sequer existe a dívida, pois o lançamento não foi feito contra o devedor originário; Da mensuração da base de cálculo 3.14. a notificação considerou os valores brutos das notas fiscais, como a base de cálculo da contribuição, quando deveria fazêlo somente sobre o montante dos salários, uma vez, que embutido no valor da nota fiscal ou da fatura, encontramse diversos outros valores que não se referem à folha salarial da empresa contratada; 3.15. o INSS ofende diretamente o princípio da legalidade, alargando a base de cálculo, ao deixar de configurar, de forma precisa, o valor correspondente à folha de pagamento; 3.16. o INSS transfere para a impugnante a fiscalização tributária sobre o contribuinte, e o impõe uma obrigação fora das hipóteses legais; 3.17. a Autarquia está realizando a cobrança de um ente da administração indireta Federal, postulando o governo o recebimento de crédito do próprio governo; 3.18. por fim, requer a juntada da documentação comprobatória anexa, com o conseqüente cancelamento do auto/notificação em referência, o reconhecimento da decadência do direito de constituição do crédito previdenciário, e a revisão do crédito tributário contra a ora impugnante, decidindose então pela sua improcedência, extinguindo todo o lançamento tributário, e; 3.19. protesta pela juntada, a posteriori, de documentação superveniente. DA IMPUGNAÇÃO – HELIVIA AERO TAXI LTDA 4. A contratada para execução dos serviços foi notificada em 22/10/2003 (fls. 64) e impetrou defesa em 11/11/2003, fls. 77/79, alegando em síntese que: 4.1. prestou os serviços à PETROBRAS através do contrato nº 101.2.013.959 nos termos do Código Brasileiro de Aeronáutica, transcrevendo os artigos 133 a 136 da Lei nº 7.565/86; Fl. 695DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 647 6 4.2. a impugnante “nunca, em momento algum, alocou mão de obra (cessão de mão de obra) de mecânicos e pilotos do seu quadro de funcionários para a PETROBRAS, porque este não é o objeto do contrato”; 4.3. os §§ 3º e 4º do artigo 31 da Lei nº 8.212/1991 definem claramente a cessão de mão de obra, não sendo esta a atividade desenvolvida pela HELIVIA à PETROBRAS, pois que realiza transporte aéreo”; 4.4. a impugnante sempre cumpriu com as obrigações previdenciárias, fato que pode ser demonstrado com a colocação à disposição para apresentação a qualquer tempo que se fizer necessário. Do julgamento 5. O Lançamento foi julgado PROCEDENTE através da Decisão Notificação nº 17.401.4/0418/2004, de 22/04/2004, fls. 109/116. Devidamente notificada a PETROBRAS em 07/05/2004 (fls. 117) e a prestadora dos serviços em 10/05/2004 (fls. 118). Do recurso e do acórdão 6. Cientificadas da decisão, a empresa tomadora de serviços apresentou Recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, em 26/05/2004 (fls. 120/126). A empresa prestadora de serviços não apresentou Recurso. 7. O INSS apresentou ContraRazões, às fls. 132/133, sendo o processo encaminhado ao CRPS, para julgamento. 8. Os membros da 2ª Câmara de Julgamento do CRPS, através do Acórdão 0001760, de 19/10/2004 (fls. 134//138), decidiram por ANULAR a Decisão Notificação – DN, determinando que o INSS adotasse as cautelas mínimas de auditoria fiscal previdenciária para evitar duplicidade de exação tendo por base a mesma dívida sob o fundamento de responsabilidade solidária. Do Pedido de Revisão do Acórdão Fl. 696DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 648 7 9. Inconformada com a Decisão, considerando que não houve vício insanável que acarretasse a nulidade da DN, a Secretaria da Receita Previdenciária SRP, interpôs Pedido de Revisão do Acórdão (fls. 140/144). 10. As empresas interessadas foram devidamente comunicadas do Acórdão assim como do Pedido de Revisão, sendo concedido às mesmas, prazo para manifestação, o que acarretou o pronunciamento da PETROBRAS (fls. 147/150), a prestadora de serviços cientificada em 21/01/2005 (fls. 152), não se manifestou. 11. O Pedido de Revisão NÃO FOI CONHECIDO, pelos membros da 2ª Câmara de Julgamento, conforme Acórdão nº 0001046, de 09/08/2005, sob a alegação de “a recorrente limitouse a discutir o que já havia sido devidamente analisado por esta CaJ” (fls. 156/158). DO REINÍCIO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 12. Primeiramente cumpre esclarecer que, no interregno do julgamento do pedido de revisão ao reinício do Contencioso Administrativo, o Conselho Pleno do CRPS exarou o Enunciado nº 30, editado pela Resolução nº 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007, da seguinte forma: Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. 13. De acordo com a Resolução mencionada é necessária apenas a verificação acerca do prestador ter sido alvo de procedimento fiscal com exame da contabilidade no período de interesse. Caso positivo, incabível a lavratura do crédito, caso contrário, permanece a lavratura do mesmo. 14. Em atendimento ao determinado no Acórdão do CRPS, o AuditorFiscal efetuou pesquisas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB, sendo analisadas as informações disponíveis relativas à empresa contratada constatandose que não houve ação fiscal com exame de contabilidade, englobando o período referente ao lançamento em pauta. Foi constatado que a Fl. 697DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 649 8 empresa não aderiu ao parcelamento especial da Lei nº 9964/2000 – REFIS, assim como ao parcelamento especial da Lei nº 10684/2003 – PAES, (fls. 188). 15. Assim sendo, a Petrobras foi notificada do Resultado da Diligência de 17/01/2008, assim como da reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, através da INTIMAÇÃO nº 818/2012 (fls. 194) e a HELIVIA através da Intimação nº 1330/2015 (fls. 397/398), entretanto, apenas esta última se manifestou (fls. 442/459), no sentido de reiterar os termos da impugnação e pugnar pela nulidade da NFLD, ante a inobservância ao dever de fiscalizar a prestadora, bem como protestar pela juntada posterior de documentos. 3 – A decisão de piso manteve em parte o lançamento conforme ementa abaixo indicada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/07/1996, 01/10/1996 a 31/10/1998 DECADÊNCIA PARCIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O direito de a Seguridade e Social apurar e constituir seus créditos, no lançamento por homologação, extinguese após 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CARACTERIZAÇÃO. A previsão contratual de colocação, à disposição do contratante, de segurados que realizem serviços de necessidade permanente, ainda que de forma intermitente, configura a cessão de mãodeobra. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃODEOBRA. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. Fl. 698DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 650 9 A responsabilidade solidária não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante, sem que haja apuração prévia no prestador de serviços artigo 220 do Decreto nº 3.048/99, c/c artigo 124, parágrafo único, do Código Tributário Nacional Enunciado 30 do CRPS. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. INDEFERIMENTO. O momento para a produção de provas, no processo administrativo, é juntamente com a impugnação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 4 – A Petrobras e a Helivia Aéreo Táxi apresentaram respectivamente Recurso Voluntário às fls. 532/565 e às fls. 614/636 pugnando pelo cancelamento da autuação. 5 – É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 6 Os recurso voluntário são tempestivos e preenchem os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. Fl. 699DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 651 10 7 – Após análise pela DRJ reconhecendo a decadência parcial do crédito tributário com a aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do E. STF ficou restando apenas para julgamento as competências 09/1998 e 10/1998 do presente lançamento. 8 – Essa matéria não é nova nessa C. Turma sendo que houve o julgamento no Ac. 2201003.412 j. em 07/02/2017 assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS OCORREU MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço mediante cessão de mão de obra, para que haja responsabilidade solidária entre o contratante e o prestador de serviços pelas obrigações decorrentes da Lei de Custeio da Seguridade Social, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. 9 – No caso vou me ater ao reconhecimento da nulidade do presente lançamento baseado nos fundamentos do Voto no Ac. 2201003.412 ocasião em que votei pelo provimento de tal recurso do mesmo contribuinte em vista de serem casos similares com cessão de mão de obra. Fl. 700DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 652 11 10 – Em suas razões o I. Relator do voto vencedor assim discorre a respeito da matéria objeto do presente recurso no qual adoto como fundamento e razões de decidir do presente julgado, verbis: “Aponta o ínclito Relator que, no curso do processo administrativo tributário em que se discute o lançamento, o antigo Conselho de Recursos da Previdência Social, proferiu, em sede de recurso voluntário, a seguinte decisão (fls 156): "PREVIDENCÁRIO CUSTEIO Solidariedade decorrente de cessão de mãodeobra. Da cessão de mãodeobra. É necessário que o INSS aponte, desde o Relatório Fiscal, a forma como evidenciou a existência da cessão de obra. Da Solidariedade. É necessário que o INSS constate a existência do crédito previdenciário junto ao contribuinte (prestador dos serviços). Somente diante da não apresentação ou apresentação deficiente (pelo prestador dos serviços) da documentação contábil e trabalhista necessária a comprovar a extinção da obrigação previdenciária, poderia o INSS arbitrar, junto ao responsável solidário, as contribuições que entender devidas. Anular a DN." Perquirindo o voto condutor da decisão unânime, encontramos a seguinte motivação (fls. 158): Em recentes decisões está CaJ vem exigindo que o INSS caracterize a existência da cessão de mãodeobra, mesmo naquelas atividades arroladas na legislação, sendo oportuno verificarmos "parte" de manifestação do Sr. Presidente da 2ª CaJ/CRPS, AFPS Mário Humberto Cabus Moreira: "Todavia, assim como os serviços relacionados nos incisos 1 a IV, do § 41, do art. 31, da Lei n° 8.212191 (na redação atual), aqueles previstos no art. 219 do RPS devem ser demonstrados e caracterizados pelo Fisco como enquadráveis na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção, em consonância com a lei, se tais serviços forem realizados mediante cessão. O mesmo darseá em relação ao período em que vigia a obrigação solidária, no que tange ao referido enquadramento. Fl. 701DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 653 12 A meu ver, sem ofensa aos princípios constitucionais tributários e, em especial, ao princípio da legalidade (CF/88, art. 5 1, II e art. 150, 1), a norma do RPS deve ser entendida como tendo caráter indicativo, regulação interpretativa tendente à fiel execução da lei, devendo sempre ser confrontada em face do conceito legal de cessão de mãodeobra, pois, exigir o cumprimento de uma obrigação tributária sem passar pelo crivo da definição legal, seria admitir obrigação tributária que não seja ex lege. A propósito, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142." (...) O Relatório Fiscal é vago ao se reportar a existência da cessão de mão de obra, descrevendo apenas que o objeto do contrato, sem especificar os motivos que levaram o INSS a constatar a existência da cessão de mãodeobra." (destaques não constam da decisão) Observo o mesmo vício no lançamento. Vejamos o teor do lançamento fiscal (fls. 30): "1 Referese o presente relatório ao débito, lançado através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD DEBCAD n° 35.490.4232, relativo a valores apurados por responsabilidade solidária decorrente de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, prestados pela empresa PWR MISSION INDUSTRIA MECÂNICA LTDA, CNPJ: 42.409.2011000000, conforme contrato(s) n °:1110.2.002.979. 5 O débito compõese de: contribuição dos segurados empregados, calculada pela alíquota mínima à época de ocorrência do fato gerador, contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social; contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de 40 trabalho — SAT até 00!1997, e para o financiamento dos beneficias concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, a partir de 0711997. Fl. 702DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 654 13 (...) 5 — 0 débito referente ao presente contrato fora lançado, a menor, através da NFLD— Notificação Fiscal de Lançamento de Débito DEBCAD n ° 35.371.9145, de 0111112001, quando foi adotado erroneamente o parâmetro de quatorze por cento (14%) quando deveria ter sido aplicado o parâmetro de quarenta por cento ( 40%), conforme justifica o item 14 do presente relatório. Tal equívoco levou a que o débito lançado naquela ocasião, pela NFLD — 35.371.9145, espelhasse somente parte do valor que deveria ter sido lançado razão por que emitese a presente NFLD, retratando a diferença não lançada na época 6 — Assim, por ocasião da emissão da NFID original, de n ° 35.371.9145, fora verificado durante o desenvolvimento da ação fiscal que a empresa contratara com a empresa prestadora, identificada no item 1 deste, a execução de serviços mediante cessão de mãodeobra, em cumprimento ao(s) contratos) n °: 110.2.062.979, cujo(s) objeto(s) era(m): EXCUÇÃO DOS SERVIÇOS DE BOMBEAM.ENTO DE FLUIDOS DO INTERIOR DE POÇOS DE PETRÓLEO ATÉ A ESTAÇÃO COLETORA, EM 16 { POÇOS DE PETRÓLEO, UTILIZANDO BOMBEIO ELE! RICO CENTRIFUGO SUBMERSO, INCLUINDO DIMEZ~TSIONAlViENT0, ESPECIFICAÇÃO, FORNECIlir> 0, INSTALAÇÃO E REITRADA DOS CONJUNTOS DE BCS NOS POÇOS DE PETRÓLEO, BEM COMO A RESPONSABILIDADE TÉNCICA PELA. CONTINUIDADEOPERACIONAL DOA EQUIPAMENTOS INSTALADOS. Ocorre que a empresa contratante não comprovou o cumprimento das obrigaçóes da empresa contratada para com a Seguridade Social, ou seja, não houve a devida comprovação, através de guias de recolhimento específicas para o serviço contratado, nem a apresentação de folhas de pagamentos específicas dos segurados empregaáos alocados no serviço." (novamente os destaques não constam do original) Patente a ausência de comprovação da contratação da prestação de serviços, ensejadora da responsabilidade solidária, mediante cessão de mãodeobra. Fl. 703DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 655 14 Como consequência da decisão do CRPS foi anulada a DN, decisão de primeiro grau, e recomeçado o processo administrativo com elaboração de novo relatório fiscal. Atentemos para o teor da decisão proferida pelo CRPS (fls. 158): "Assim entendo que o INSS, além de caracterizar a existência da cessão de mão deobra, desde o Relatório Fiscal (complementar), deve apresentar elementos, com base na contabilidade dos contribuintes, que justifique o procedimento adotado. Caso seja disponibilizada pelo contribuinte a documentação contábil referente às contribuições lançadas, deverá ela ser analisada com o intuito de se comprovar a existência do crédito lançado e seu real valor. CONCLUSÃO ` Face ao exposto voto no sentido de ANULAR A DECISAO NOTIFICAÇAO N.° 17.401.4/065512003, fls. 77184, determinando que se observe o que foi exposto no voto cima." (destaquei) Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Conselheiros que se manifestaram resta claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse a comprovação da prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra além de elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. Fl. 704DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 656 15 Imperioso ressaltar que embora este Conselheiro discorde totalmente da necessidade de comprovação pelo Fisco da existência de crédito, ou impossibilidade de constituição deste no devedor principal, posto que tal entendimento atingiria mortalmente o instituto da responsabilidade solidária como posta pelo artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento a questão do lançamento por responsabilidade solidária, por ser questão relativa ao mérito da discussão, não será por mim aqui enfrentada, vez que entendo que as questões relativas ao lançamento tributário são preliminares e prejudiciais à análise do mérito. Voltando a questão do lançamento, uma vez anulada a DN, foi iniciado novo procedimento fiscal visando a elaboração de relatório fiscal complementar consoante se observa do despacho do Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária RJ Centro, fls. 190 e 195.” 11 – Às fls. 188 encontrase o relatório da diligência da RFB em cumprimento com os termos determinados pela decisão da CRPS: Fl. 705DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 657 16 12 – Prosseguindo com os fundamentos do Ac. 2201003.412: Patente a inovação do argumentos do Fisco no Relatório Fiscal Complementar. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela a contratação de empresa prestadora de serviços mediante cessão de mãodeobra só restou comprovada por meio do mencionado relatório aditivo. Inegável o vício esculpido no lançamento original. Necessária a produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. Fl. 706DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 658 17 De fato, a decisão do CRPS, átecnica com visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. Tal conclusão decorre da mera leitura da decisão acostada às folhas 156, acima transcrita e isso, porque, como sabido, cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, por meio de procedimento do lançamento de ofício, constituir o crédito tributário, revisando nos casos de auto lançamento, os procedimentos do sujeito passivo. Para tanto, ele deve, após verificar a ocorrência do fato gerador, identificar o sujeito passivo, determinar a matéria tributável, quantificar o tributo devido e, quando for o caso, aplicar a penalidade cabível. Por ser atividade vinculada e obrigatória, é dever da autoridade fiscal empreender esforços na determinação do critério material da regra matriz de incidência tributária, base de cálculo do tributo e alíquota aplicável, apropriandonos dos ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho. A mensuração das grandezas tributárias já deveria ter sido corretamente efetuada quando da lavratura do auto de infração. Podese até compreender a impossibilidade do acerto em razão da ausência de comprovação por parte do contribuinte, o que, como dito, não se verificou no caso concreto. Ao reverso, o que se observa é a total ausência caracterização de que a a prestação de serviços contratada se deu mediante cessão de mãodeobra. Não obstante a omissão do Autoridade Lançadora no tocante a comprovação do fato escolhido pelo legislador para ser ensejador da obrigação tributária, mister ressaltar com tintas fortes que a Administração Tributária foi clara em determinar por meio de um ato que integra a legislação tributária como se deve realizar caracterizar a cessão de mãodeobra, posto que tal caracterização se encontram no Regulamento da Previdência Social e nos atos normativos do INSS. Tal rito foi simplesmente ignorado pelo Auditor Fiscal responsável pelo lançamento. O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Fl. 707DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 659 18 Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Fl. 708DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 660 19 Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Fl. 709DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 661 20 Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" (grifamos) Fl. 710DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 662 21 No caso em apreço, observamos que não comprovou o Fisco a existência da contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra. Como visto é dever do Fisco anexar ao auto de infração o elementos de prova que embasam a constituição do crédito tributário. Tal comprovação não pode ser realizada a posteriori, consoante expressa vedação do parágrafo 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, o que impede de modo absoluto a conversão em diligência nos casos de novação do lançamento, explicitando se tratar de novo lançamento, complementar ao primeiro. Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal complementar, por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. Reafirmo. O lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2, consubstancia pelo Relatório Fiscal de folhas 29, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração de novo relatório fiscal que explicitasse a ocorrência do fato gerador ensejador da responsabilidade solidária prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, vigente à época ordenou que se elaborasse novo lançamento consubstanciado em provas da existência da contratação de serviços mediante cessão de mãodeobra. Ocorre que tal lançamento repito, consubstanciado no relatório fiscal aditivo relativo às competências 09/98 a 12/98 se aperfeiçoou com a ciência do devedor em 28 de junho de 2007, fora portanto do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. Logo, extinto o direito de crédito do Fisco quando do lançamento tributário representado pelo relatório fiscal aditivo. Por via de consequência, voto por dar provimento ao recurso voluntário reconhecendo a nulidade do lançamento tributário arguída, pela ocorrência de vício material, em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária.” Fl. 711DF CARF MF Processo nº 18471.001573/200835 Acórdão n.º 2201004.076 S2C2T1 Fl. 663 22 13 – Em vista da referida nulidade indicada alhures, entendo desnecessário a análise dos demais termos apresentados em ambos os recursos voluntários. Conclusão 14 Diante do exposto, conheço dos recursos e no mérito dou provimento para reconhecer a nulidade do lançamento tributário por vício material em face da ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator Fl. 712DF CARF MF
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Numero do processo: 10940.000251/00-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 07/10/1997 a 22/02/2005
CRÉDITO DE IPI. MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS.
Somente podem ser considerados como matéria prima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, a energia elétrica, o oxigênio e o gás, elementos que não atuam diretamente sobre o produto, não se enquadram nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979).
Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 07/10/1997 a 22/02/2005
PROCESSO JUDICIAL X PROCESSO ADMINISTRATIVO.
A análise de petição administrativa amparada em decisão judicial transitada em julgado deve obedecer estritamente o que o Poder Judiciário determinou. Contrário senso, as matérias não levadas ao Poder Judiciário seguem rigorosamente a legislação em vigor, tendo em vista que, em razão do alcance da petição inicial judicial, norma específica não foi firmada para o contribuinte.
Numero da decisão: 3201-003.274
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO.
(assinado digitalmente)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR.
EDITADO EM: 15/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - RELATOR. EDITADO EM: 15/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Somente podem ser considerados como matéria prima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, a energia elétrica, o oxigênio e o gás, elementos que não atuam diretamente sobre o produto, não se enquadram nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 07/10/1997 a 22/02/2005 PROCESSO JUDICIAL X PROCESSO ADMINISTRATIVO. A análise de petição administrativa amparada em decisão judicial transitada em julgado deve obedecer estritamente o que o Poder Judiciário determinou. Contrário senso, as matérias não levadas ao Poder Judiciário seguem rigorosamente a legislação em vigor, tendo em vista que, em razão do alcance da petição inicial judicial, norma específica não foi firmada para o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 02 51 /0 0- 29 Fl. 738DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA – PRESIDENTE SUBSTITUTO. (assinado digitalmente) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA RELATOR. EDITADO EM: 15/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 701 em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 683, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, restando parcialmente reconhecido o crédito de IPI. Como de costume desta Turma de julgamento, segue relatório do ocorrido conforme relatado pela Delegacia Regional de Julgamento de Minas Gerais: "Tratase de ressarcimento de IPI proveniente do Mandado de Segurança nº 2000.70.09.0006310, ajuizado por METALÚRGICA SCHIFFER S/A, em 25/02/2000, por meio do qual pleiteou que fosse reconhecido seu direito de se creditarse do IPI em relação às aquisições de insumos e matériasprimas isentas, nãotributadas ou tributadas à alíquota zero. Tal direito foi reconhecido em acórdão do TRF da 4° Região (fls. 85/92), transitado em julgado em 18/03/2004. Segundo a decisão judicial, com provimento parcial, para a desoneração, o contribuinte poderia excluir da base dos produtos fabricados o valor dos insumos adquiridos com alíquota zero, aplicando a alíquota sobre o saldo, ou aplicar sobre os insumos adquiridos com alíquota zero a alíquota dos respectivos produtos fabricados e lança o valor resultante a crédito em sua escrita, sendo que o resultado fiscal seria exatamente o mesmo. O crédito total informado pelo contribuinte foi de R$1.134.096,19, sendo que, conforme planilhas de fls. 140/211 e 215/340, dividese em R$356.068,03 para a matriz e R$534.049,51 para a filial, além de R$243.978,65 de créditos de energia elétrica, que, conforme planilha de fls. 343/352, dividese em R$72.101,84 para matriz e R$171.876,81 Para a filial. A análise do pleito foi feita em conjunto, filial e matriz, resultando no Despacho Decisório de fls. 600/610. Na avaliação dos créditos foram excluídas as importâncias relativas à energia elétrica, à correção monetária, às compras de gás e ao oxigênio. Também foram excluídos os créditos relativos aos insumos Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10940.000251/0029 Acórdão n.º 3201003.274 S3C2T1 Fl. 739 3 utilizados na fabricação de produto final cuja alíquota do IPI era zero ou não existente. O crédito apurado foi de R$28.567,52 (matriz) e R$227.339,77 (filial). Tendo em vista que foram informadas em DCTF compensações dos créditos oriundos da ação judicial, com débitos de IPI dos períodos de 2001 a 2002, conforme relacionado na planilha de fl. 541 (matriz) e fl. 542 (filial), elas foram refeitas, utilizandose o montante do crédito apurado conforme descrito acima. Os créditos NÃO FORAM SUFICIENTES para quitar todos os débitos sendo que restaram saldos, conforme se observa nas referidas planilhas. Ciente do deferimento parcial de seu pleito, em 02/03/2010, conforme AR de fl. 613, o interessado manifestou sua inconformidade às fls. 615/628, em 19/03/2010, para alegar o direito aos créditos glosados, sob os seguintes fundamentos, representados por excertos da peça de contestação: 1) DO DIREITO AO CRÉDITO INSUMOS E MATÉRIA PRIMA A expressão "operações e prestações anteriores" denota desde logo que o montante a compensar, como crédito do contribuinte, corresponderá à soma das parcelas de imposto cobrado, ou que incidiu sobre todas as operações pretéritas, que tiverem como objeto bens empregados na produção, circulação ou prestação também sujeitas ao tributo. É, pois, o conjunto abrangente dos negócios com mercadorias que tenham o contribuinte como destinatário, cujo objetivo seja a produção de novas mercadorias que justifica o emprego, pela Constituição, da expressão `operações e prestações' no plural. A correta interpretação do dispositivo constitucional que reveste o IPI com a feição não cumulativa, nos leva a afirmar que 'as operações e prestações anteriores' não são apenas aquelas realizadas com os mesmos bens ou serviços adquiridos (entrados no estabelecimento) e que, agora são objeto de novos negócios. Por outro lado, podemos conceituar insumo como sendo a combinação de fatores de produção que entram na elaboração de certa quantidade de bens ou serviços, ou seja, nada mais é do que o conjunto dos fatores produtivos empregados pelo empresário para produzir o produto final. Nessa linha, têmse a matéria prima, o material secundário ou intermediário, o material de embalagem, o gás, o combustível e a energia elétrica, consumidos no processo industrial ou empregados para integrar o produto objeto da atividade de industrialização, própria do contribuinte ou para terceiros. Entre outros, têmse ainda, a titulo de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo, mas que também devem gerar o crédito mencionado, Fl. 740DF CARF MF 4 tais como solda; lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; gás; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral; fitas adesivas; tinta; produtos químicos, etc. 2) VEDAÇÕES IMPOSTAS PELO AUDITOR FISCAL AO APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS Da análise do despacho decisório n° 31/2010, verificase que o auditor fiscal não concordou com os créditos oriundos de energia elétrica, gás e oxigênio, solicitando, inclusive, a glosa de tais créditos. Contudo, o creditamento de tais insumos foi requerido no Mandado de Segurança anteriormente mencionado, conforme podemos observar pela leitura do seguinte trecho da petição inicial, verbis: (...) Para a produção dos produtos que comercializa, a Impetrante adquire, a titulo de matéria prima e insumo, tintas, óleos, gás, lâminas, carvão, válvulas, energia elétrica, dentre outras, as quais são adquiridas sem a incidência do IPI, eis que são isentas, não tributadas ou ainda reduzidas à alíquota zero, conforme, demonstram, a titulo exemplificativo, algumas notas fiscais de compra em anexo." (fl. 02 do mandado de segurança) Desta forma, ao descrever os insumos que adquire, a peticionária fez expressa menção ao gás e a energia elétrica, não tendo a decisão judicial apresentado qualquer restrição ao creditamento desses insumos. Em decorrência desse fato, não cabe ao auditor fiscal restringir o direito assegurado judicialmente, pois a decisão é clara no sentido de "reconhecer o direito da impetrante ao crédito resultante das operações de aquisição de produtos isentos de pagamento do IPI ou tributados à alíquota zero". De outra banda, necessário ressaltar que o gás e o oxigênio são adquiridos e utilizados no processo de solda do produto final fabricado pela empresa, ou seja, estão intimamente ligados ao produto final, fazendo parte, inclusive, dele. Em suma, se o auditor fiscal analisar o produto final produzido pela peticionária, vai comprovar que existem soldas realizadas e que só foram possíveis em decorrência da utilização do Os e do oxigênio, ou seja, referidos produtos são essenciais ao processo de industrialização. No que diz respeito à energia elétrica, ressaltamos que mesma foi utilizada no processo produtivo, fazendo parte dos custos do produto final, ou seja, se não fosse a energia elétrica consumida, não haveria o produto final, razão pela qual a mesma faz parte dos insumos utilizados. Ora, a energia elétrica consumida no processo produtivo da peticionaria é absolutamente essencial para produção do produto final, ou seja, está intimamente ligada ao processo de industrialização. Fl. 741DF CARF MF Processo nº 10940.000251/0029 Acórdão n.º 3201003.274 S3C2T1 Fl. 740 5 Nesse aspecto, precisamos ressaltar que o Superior Tribunal de Justiça — l a Seção, ao julgar um caso envolvendo o ICMS, foi muito claro no sentido de que a energia elétrica usada no processo de industrialização gera o direito ao crédito. 3) CRITÉRIO PARA A UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS DE IPI NAS AQUISIÇÕES A escrituração do crédito de IPI, relativamente às operações desoneradas do tributo, foi efetuada utilizandose da alíquota média de saída prevista para os produtos industrializados que a empresa produz, conforme Tabela de Incidência constante da legislação. Tal entendimento baseouse em vários precedentes jurisprudenciais. Nesse sentido trecho da Apelação em Mandado de Segurança n° 2000.04.01.0052446/ PR, tendo como relatora a Juíza Tânia Teresinha Cardoso Escobar (Revista Dialética de Direito Tributário, n° 71, p. 180): [...]Exemplificando, se o produto industrializado for tributado à alíquota de 5%, e as aquisições desoneradas do tributo somarem R$10.000.000,00, multiplicandose esse valor por 5%, teremos o crédito de R$ 500.000,00 a ser abatido do IPI devido pela saída do produto industrializado. Desta forma, o critério utilizado pelo contribuinte não pode ser simplesmente afastado, pois baseouse em entendimento jurisprudencial consolidado. 4) DO DIREITO DE CORRIGIR OS CRÉDITOS — VEDAÇÃO AO APROVEITAMENTO POR PARTE DA FAZENDA NACIONAL [...] a peticionária não efetuou as escriturações fiscais devidas, face à vedação legal imposta pela própria Fazenda Nacional, o que acarretou a mesma uma arrecadação superior a que seria de direito, ou seja, não fez o aproveitamento dos créditos anteriormente em decorrência da vedação imposta pela receita. Assim, após o reconhecimento judicial do direito, nada mais justo e legal que esse creditamento a ser feito realizese com a devida correção monetária, principalmente considerando o largo lapso temporal do andamento de um processo, sob pena de enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Releva notar que a correção monetária não representa qualquer sanção ou penalidade, mas tão somente a manutenção do valor real dos créditos que poderiam ter sido aproveitados, caso não existisse a vedação legal. Consoante explicitado, a vedação da atualização monetária do imposto, viola flagrante e cristalinamente o ordenamento jurídico pátrio, porquanto penaliza o contribuinte, na medida em que, ao impor a correção monetária dos débitos, não permite sejam os créditos contemplados com a mesma correção, ferindo frontalmente o disposto nos artigos 5° e 150, inciso II, ambos da Constituição Federal, [..]5) REQUERIMENTO FINAL: Fl. 742DF CARF MF 6 Diante do exposto, requerse, preliminarmente, seja conhecida a presente manifestação de inconformidade, eis que presentes os requisitos para a sua admissibilidade e, instaurado o contencioso administrativo, requerse sejam acatados os argumentos formulados, reconhecendose o direito da ora peticionária, pois os creditamentos foram realizados de acordo com a decisão judicial transitada em julgado, bem como em farto entendimento jurisprudencial. É O RELATÓRIO." Em fls. 683 encontrase a Ementa publicada com a decisão de primeira instância administrativa fiscal, transcrita a seguir: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 07/10/1997 a 22/02/2005 CRÉDITO DE IPI. MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. Somente podem ser considerados como matéria prima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Dessa maneira, a energia elétrica, o oxigênio e o gás, elementos que não atuam diretamente sobre o produto, não se enquadram nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário (PN CST, nº 65, de 1979). ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 07/10/1997 a 22/02/2005 PROCESSO JUDICIAL X PROCESSO ADMINISTRATIVO. A análise de petição administrativa amparada em decisão judicial transitada em julgado deve obedecer estritamente o que o Poder Judiciário determinou. Contrário senso, as matérias não levadas ao Poder Judiciário seguem rigorosamente a legislação em vigor, tendo em vista que, em razão do alcance da petição inicial judicial, norma específica não foi firmada para o contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Após, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10940.000251/0029 Acórdão n.º 3201003.274 S3C2T1 Fl. 741 7 Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. PRELIMINAR. Preliminarmente, o contribuinte solicitou em seu Recurso Voluntário de fls. 701 o reconhecimento da homologação tácita e, para ilustrar, seu pedido foi redigido da seguinte forma: "Sendo assim, ultrapassado o prazo de 5 (cinco) anos entre a data do fato gerador e a intimação para pagamento dos débitos, cuja compensação fora não homologada, deve ser reconhecida a homologação tácita, tal qual no caso em comento, nos termos do § 4 o do art. 150 do Código Tributário Nacional." Ora, apesar da homologação tácita ter precedente positivo aos contribuintes neste Conselho, nenhuma foi reconhecida em 5 anos a partir do fato gerador, mas sim a partir do pedido administrativo. Assim, o contribuinte não comprovou a ocorrência da Homologação Tácita. Em adição, ao analisar as datas dos pedidos e a data do Despacho Decisório de fls. 600, é possível verificar que não ocorreu a Homologação Tácita. Logo, não merece provimento a alegação preliminar. MÉRITO. A solução desta lide administrativa fiscal, com relação ao mérito, encontrase principalmente na verificação do alcance e determinações ocorridas no Poder Judiciário com relação ao crédito de IPI. Em fls. 6 e 82 dos autos encontrase a decisão de primeira instância judicial, proferida no âmbito da Justiça Federal do Paraná, que indeferiu a liminar e, em fls. 673 encontrase a posterior decisão final e definitiva ( com transito em julgado em 18/03/04 conforme fls. 103) do TRF4, parcialmente transcrita a seguir: Fl. 744DF CARF MF 8 A Fazenda Nacional recorreu da decisão, mas o STJ negou provimento ao Recurso Especial, conforme fls. 675 dos autos. O que se verifica é que o Poder Judiciário, conforme petição judicial de fls. 645 dos autos, permitiu o aproveitamento de crédito de IPI sobre as aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. A determinação judicial nada mais fez do que reforçar o que foi positivado no Art. 164, I, do RIPI/02, transcrito a seguir: "Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse: I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles e, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente Lei n° 4.502/64, art. 25); O crédito de IPI, neste caso, é limitado ao imposto relativo às matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem para utilização no processo produtivo, assim, não existe previsão legal para o crédito de IPI surgir da aquisição de insumos, dentro do mesmo raciocínio utilizado no aproveitamento de créditos de Pis e Cofins não cumulativos na aquisição de insumos. Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10940.000251/0029 Acórdão n.º 3201003.274 S3C2T1 Fl. 742 9 O conceito é taxativo e restrito e, como se trata de crédito, recai ao contribuinte o ônus de provar sua certeza e liquidez, nos moldes do Art. 170 do Código Tributário Nacional e demais dispositivos da legislação correlata. Em nenhum momento dos autos o contribuinte comprovou se tratar de imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo. Dessa forma, conforme apresentado no Despacho Decisório de fls. 600 dos autos, a energia elétrica, o oxigênio e o gás, são elementos que não atuam ou compõem diretamente o produto e não se enquadram nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário (vide PN CST, nº 65, de 1979). Diante disso, de forma paralela e por analogia, com relação ao crédito presumido de IPI, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula Carf n.º 19 com a seguinte redação: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário.” É preciso registrar que, recentemente, a CSRF proferiu o Acórdão de n.º 9303005.166, oportunidade na qual classificou a energia elétrica como produto intermediário para fins de composição do crédito presumido de IPI, contudo, ao analisar o Acórdão, diferentemente do presente caso, havia uma questão material comprovada nos autos: o contribuinte comprovou a aplicação direta da energia elétrica na fabricação do produto exportado. No presente caso, o contribuinte não comprovou a aplicação direta da energia elétrica na fabricação do produto exportado, simplesmente alegou, sem comprovar ou descrever. Dessa forma, as glosas do Despacho Decisório devem ser mantidas em sua integralidade, porque realizadas em consonância com a legislação. Por fim, é importante registrar que o contribuinte compensou direto em DCTF, de forma que não há pedido de restituição, caso em que a selic poderia ser aplicada. Como não há pedido, não deve ocorrer a aplicação da taxa selic, motivo que justifica a negativa à atualização, uma vez que não se trata de pedido de ressarcimento, mas sim compensação declarada em DCTF. Diante do exposto, votase para que seja NEGADO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. (assinatura digital) Fl. 746DF CARF MF 10 Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 747DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.000200/2010-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.531
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 02 00 /2 01 0- 33 Fl. 239DF CARF MF Processo nº 13502.000200/201033 Acórdão n.º 9202006.531 CSRFT2 Fl. 240 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº Acórdão n° 2302003.024, 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção, prolatado em 20/02/2014, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte, nos seguintes termos: AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. Na origem, a autuação por descumprimento de obrigação principal, Auto de Infração nº 37.259.5391, consistente em contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e segurados contribuintes individuais, incidentes sobre seus respectivos Salários de Contribuição mensais, as quais deveriam ter sido arrecadadas pelo Autuado mediante desconto das respectivas remunerações e recolhidas aos cofres da Seguridade Social, no prazo e na forma estabelecidos na legislação previdenciária, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 103/114. Assevera que há nítida divergência entre o acórdão recorrido e os Acórdãos Acórdão n.º 2401002.453 e nº Acórdão n.º 920202.086, considerados aptos para embasar a divergência. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 13502.000200/201033 Acórdão n.º 9202006.531 CSRFT2 Fl. 241 3 Intimado o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Quanto à retroatividade benigna. Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior: Sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendose as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 241DF CARF MF Processo nº 13502.000200/201033 Acórdão n.º 9202006.531 CSRFT2 Fl. 242 4 servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13502.000200/201033 Acórdão n.º 9202006.531 CSRFT2 Fl. 243 5 § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 243DF CARF MF Processo nº 13502.000200/201033 Acórdão n.º 9202006.531 CSRFT2 Fl. 244 6 (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13502.000200/201033 Acórdão n.º 9202006.531 CSRFT2 Fl. 245 7 b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Fl. 245DF CARF MF Processo nº 13502.000200/201033 Acórdão n.º 9202006.531 CSRFT2 Fl. 246 8 Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13502.000200/201033 Acórdão n.º 9202006.531 CSRFT2 Fl. 247 9 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 13502.000200/201033 Acórdão n.º 9202006.531 CSRFT2 Fl. 248 10 Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13502.000200/201033 Acórdão n.º 9202006.531 CSRFT2 Fl. 249 11 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, de forma a que se aplique a retroatividade benéfica em consonância com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 249DF CARF MF
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