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Numero do processo: 10120.903406/2008-07
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2000 IRPJ.
RESTITUIÇÃO. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. Compete à Primeira Seção de Julgamento processar e julgar recurso voluntário que verse sobre pedido de restituição de IRPJ.
Recurso Voluntário não conhecido
Numero da decisão: 3201-001.944
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ausente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
Nome do relator: Charles Mayer de Castro Souza
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score : 1.0
Numero do processo: 15771.721605/2015-79
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/03/2015
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE.
A impetração de ação ordinária por entidade de classe -substituto processual- não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondo-se portanto o exame da sua manifestação de vontade.
Numero da decisão: 3001-000.391
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a concomitância e determinar que o Colegiado a quo aprecie os argumentos trazidos na Impugnação, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: ORLANDO RUTIGLIANI BERRI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/03/2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe -substituto processual- não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondo-se portanto o exame da sua manifestação de vontade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a concomitância e determinar que o Colegiado a quo aprecie os argumentos trazidos na Impugnação, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/03/2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO ORDINÁRIA. ENTIDADE DE CLASSE. ASSOCIAÇÃO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. EXAME ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE. A impetração de ação ordinária por entidade de classe substituto processual não impede que o contribuinte, a esta associado, pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que referida medida judicial não induz litispendência e não produz coisa julgada em seu desfavor, ainda que os efeitos jurídicos da decisão alcance seus representados, haja vista que não há identidade entre os sujeitos dos processos judicial e administrativo, razão pela qual a existência de pleito judicial de natureza coletiva não importa em renúncia do direito do representado em demandar perante o âmbito administrativo, impondose portanto o exame da sua manifestação de vontade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a concomitância e determinar que o Colegiado a quo aprecie os argumentos trazidos na Impugnação, vencido o conselheiro Cleber Magalhães, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 16 05 /2 01 5- 79 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 15771.721605/201579 Acórdão n.º 3001000.391 S3C0T1 Fl. 250 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão 16070.628 da 23ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo1/SP DRJ/SP1, que, em sessão de julgamento realizada no dia 14.12.2015, não conheceu da impugnação, por considerar que ocorreu a concomitância entre os processos administrativo e judicial. Dos fatos Por bem sintetizar os fatos, adotase o relatório encartado no acórdão recorrido (efls. 108 a 111), que segue transcrito: Relatório Trata o presente sobre exigência de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, formalizado em 25/03/2015, a título de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada ou sobre operações que executar; relata a fiscalização que a agência MAESRK BRASIL (BRASMAR) Ltda., inscrita no CNPJ sob nº 30.259.220/000286 deixou de prestar informação sobre carga transportada pelo conhecimento de embarque 564738866, vinculado ao CEMERCANTE 151 405 203 585 609, na data de operação de 29/09/2014, para o qual solicitou inclusão de NCM no sistema SISCOMEX CARGA, através de pedido de retificação, após a atracação do navio, como determina a IN RFB nº 800/2007, em seu art. 22, II, “d”, caracterizando a infração prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37/66; tendo em vista a decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 0005763.26.2014.401.0000. processo de origem Ação Ordinária nº 6591474.2013.401.3400 da 22ª Vara Federal/DF, proposta pelo CENTRO NACIONAL DE NAVEGAÇÃO TRANSATLÂNTICA CENTRONAVE, lavrouse o presente auto de infração para prevenir decadência, ficando a exigibilidade suspensa (art. 151, V, da Lei nº 5.171/66, com a redação da LCP nº 104/2001). Regularmente intimada, em 09/04/2015 (fls. 46/47), a autuada apresentou impugnação de fls. 51/84, em 08/05/2015 (fl. 50), expondo, inicialmente, da tutela antecipada deferida ao Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave) nos autos do agravo de instrumento nº 00576326.2014.4.01.000, processo de origem 006591474.2013.4.3400, da 22ª Vara/SRDF, determinando que a Administração se abstenha de aplicar a seus filiados a penalidade de que se trata e que é empresa filiada ao Centronave; impugnando a autuação alega (1) ser parte ilegítima porque é agência de navegação e não é transportador, citando a Instrução Normativa 800/2007; (2) indaga qual é o artigo de lei ou mesmo de instrução normativa que prevê a aplicação de multa ao agente de navegação por fatos imputáveis ao transportador e cita jurisprudência; (3) argumenta vício formal no auto de infração que não descreve de forma clara e Fl. 251DF CARF MF Processo nº 15771.721605/201579 Acórdão n.º 3001000.391 S3C0T1 Fl. 251 3 completa o fato que ensejou a aplicação da multa, contrariando o art. 10 do Decreto 70.235/72; no mérito, alega (4) não caracterização da infração porque a requerente não deixou de prestar informações, vez que a retificação solicitada equivale à carta de correção, mencionando o § 5º do art. 27B da IN SRF nº 1473/14; (5) não houve prejuízo eo(sic) Erário e (6) requer os efeitos da denúncia espontânea por ter solicitado a retificação anteriormente à autuação; pede anulação da infração e alternativamente seja julgada insubsistente, cancelando a multa exigida. É o relatório. Da ementa da decisão de primeira instância A 23ª Turma da DRJ/SP1, ao não conhecer da impugnação, exarou o já citado acórdão, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/03/2015 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Exigência de multa regulamentar. Tutela antecipada concedida em Ação Ordinária, promovida por entidade representativa à qual está filiada a interessada, afastando a aplicação da penalidade. Renúncia às instâncias administrativa. Não se conhece da da(sic) impugnação no tocante à matéria objeto de ação judicial. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Do recurso voluntário Irresignado com os termos do acórdão vergastado, o requerente interpôs, às e fls. 118 a 152, recurso voluntário para repisar os argumentos de defesa da impugnação, quais sejam: (i) preliminar de ilegitimidade passiva; (ii) preliminar de nulidade do auto de infração, por vício formal; (iii) vício formal na decisão, devido a não desistência da discussão em âmbito administrativo; (iv) violação aos princípios da ampla defesa e contraditório; (v) da não caracterização da infração imposta e (vi) denúncia espontânea. Diante do exposto, requer "seja o presente recurso recebido para fins de que lhe seja dado provimento para que o despacho decisório ora guerreado seja anulado em face da preliminar aventada e das razões de mérito expostas". Da nova petição Não se resignando ainda com a decisão recorrida, o requerente, em 10.11.2016, registra a solicitação de juntada ao presente processo, dentre outros documentos, Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15771.721605/201579 Acórdão n.º 3001000.391 S3C0T1 Fl. 252 4 da petição de efls. 204 a 209, é o que depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 249). Apresenta esta nova petição para requer a aplicação da orientação interpretativa constante na Solução de Consulta Interna da CoordenaçãoGeral de Tributação COSIT 2 de 04.02.2016, que definiu que as alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes, nas operações de comércio exterior, não configuram prestação de informação fora do prazo, para afastar a penalidade aplicada, pois a teor do disposto no artigo 9º da IN RFB 1.396 de 16.09.2013, referida consulta tem efeito vinculante perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). É o relatório. Voto Conselheiro Orlando Rutigliani Berri, Relator Da tempestividade O contribuinte em 01.02.2016, por meio do "Termo de Ciência por Abertura de Mensagem" (efl. 115), foi intimado do Acórdão de Impugnação (efls. 108 a 111), em conformidade com o disposto na alínea 'b' do inciso III do § 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 1972. Irresignado com a decisão assentada no referido acórdão, em 22.02.2016, conforme depreendese do "Termo de Análise de Solicitação de Juntada" (efl. 184), registra a juntada dos documentos de efls. 117 a 183, aí incluído o recurso voluntário apresentado. Cotejando as datas acima mencionadas, constatase que o recurso voluntário foi interposto no interstício legal de 30 (trinta) dias, portanto é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência, de modo que dela conheço. Da decisão recorrida Voto Em face do relatado na ação fiscal e tendo em conta a tutela antecipada, a exemplo de outras várias autuações de igual teor efetuadas contra a mesma autuada, está evidenciada a ocorrência de concomitância entre o processos administrativo e judicial. Com efeito, examinandose a matéria levada ao crivo do Poder Judiciário, pela entidade representativa à qual está filiada a impugnante verificase que o pleito visa afastar penalidades com base em atos normativos, além do exercício do direito à denúncia espontânea, especialmente relativamente ao preceito do art. 45 da IN SRF nº 800/2007, com argumento de que estabelece obrigações de impossível cumprimento no prazo (fls. 100/102) a impugnação, além de refutar a caracterização da infração relativa às obrigações de que trata o citado ato normativo, alternativamente, requer a aplicação da denúncia Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15771.721605/201579 Acórdão n.º 3001000.391 S3C0T1 Fl. 253 5 espontânea, nos termos da nova redação do § 2º do art. 102, do Decretolei nº 37/66. No nosso ordenamento jurídico, em virtude de comando constitucional, prevalece o princípio da unidade de jurisdição, segundo o qual não se exclui da apreciação do Poder Judiciário qualquer lesão ou ameaça a direito; ou seja, o Poder Judiciário detém o monopólio da atividade jurisdicional art. 5º, inciso XXXV, da CF/1988). Em decorrência, o processo administrativo fica sujeito a restrições, no sentido de que as decisões na esfera administrativa não tem caráter de definitividade, de modo que, em última instância, seu cumprimento depende de provimento judicial. Dessa forma, tendo sido formulado pedido em ação judicial, contraditando a exigência fiscal, não há de se dar seguimento à impugnação, porque a opção do sujeito passivo, nessa situação, significa renúncia ao seu direito à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa.; assim é porque não teria sentido discutirse a mesma matéria, concomitantemente, em duas instâncias, uma vez que, sempre prevalecerá a decisão da instância judicial. Para efeito de uniformizar procedimento em situações que tais, a SRF, através de Ato Declaratório Normativo COSIT nº 03, de 14/02/1996, baixou a seguinte orientação: “Tratamento a ser dispensado ao processo fiscal que esteja tramitando na fase administrativa quando o contribuinte opta pela via judicial. O Coordenar Geral(sic) do Sistema de Tributação, no uso da atribuição que lhe confere o art. 147, item III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de 1992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96, Declara, em caráter normativo, às Superintendência Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;” No mesmo sentido, a Súmula nº 1/99 do Conselho de Recursos Fiscais: “Súmula CARF nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15771.721605/201579 Acórdão n.º 3001000.391 S3C0T1 Fl. 254 6 Pelo exposto, votase por não se conhecer da impugnação, com manutenção do crédito tributário lançado. Da ação judicial Compulsando os autos, emerge, sem espaço para dúvida, que tanto o contribuinte autuado quanto a autoridade aduaneira autuante concordam que o objeto do presente auto de infração e os decorrentes argumentos de defesa administrativa encontramse também veiculados nos "autos do agravo de instrumento nº 000576326.2014.4.01.000, processo de origem 006591474.2013.4.3400, da 22ª Vara/SJDF", promovida pela Centronave, entidade representativa à qual está filiado o impugnante. Logo, quanto à coincidência de objeto de ambos processos (judicial e administrativo) não há litígio, tanto que foi justamente esta constatação que conduziu o colegiado a quo a decidir pelo não conhecimento da impugnação, ao fundamento de a propositura de ação judicial com o mesmo objeto do presente processo administrativo fiscal, implica na renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, em atenção inclusive ao enunciado da Súmula CARF 1. Somente para ilustrar, colaciono a tela a seguir reproduzida, extraída do sítio do TRF1, cujo endereço eletrônico junto à rede mundial de computadores é o seguinte: https://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=00659147420134013400& secao=DF&pg=1&enviar=Pesquisar. PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA PRIMEIRA REGIÃO SEÇÃO JUDICIÁRIA DO DISTRITO FEDERAL Processo Nº 006591474.2013.4.01.3400 22ª VARA FEDERAL Nº de registro eCVD 00336.2016.00223400.1.00274/00032 PROCESSO Nº : 006591474.2013.4.01.3400 AÇÃO ORDINÁRIA/TRIBUTÁRIA AUTOR: CENTRO NACIONAL DE NAVEGACAO TRANSATLANTICA CNNT (CENTRONAVE) RÉ: UNIAO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) Da inexistência da litispendência A controvérsia posta no presente recurso voluntário cingese em aferir a ocorrência, ou não, de concomitância entre a matéria aqui discutida e aquela submetida à apreciação do Poder Judiciário nos autos da Ação Ordinária 006591474.2013.401.3400, ajuizada pela Centronave, objetivando seja reconhecida a impossibilidade de aplicação de penalidades aos agentes de carga e afins associados da parteautora pelo descumprimento de obrigações acessórias, em razão de ser parte ilegítima porque a responsabilidade de prestar informações cabe ao transportador, da não caracterização da infração prevista na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/66, porque respectiva correção se deu por solicitação Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15771.721605/201579 Acórdão n.º 3001000.391 S3C0T1 Fl. 255 7 do destinatário da carga, sendo a carta de correção procedimento regular no meio marítimo, bem como os efeitos da denúncia espontânea, pois o registro de dados no Siscomex, mesmo fora de prazo, ocorreu antes da lavratura do auto de infração, nos termos do artigo 138 do CTN. Portanto, o que cabe aqui verificar é se há concomitância entre as esferas administrativa e judicial que justifique a renúncia à esfera administrativa. Conforme exposto alhures, pela análise dos autos, concluise que os pedidos são o mesmo tanto na demanda judicial, quanto nos pleitos administrativos (impugnação e recurso voluntário), razão pela qual a decisão a quo não conheceu da impugnação no tocante à matéria objeto da referida ação judicial. Como assentado, a autora da ação ordinária Centronave é a entidade a qual o recorrente é associado. Assim, resta evidente que não é o autuado, mas sim a Centronave a qual está vinculado. É irrefutável que as decisões que decorram do referido processo judicial irradiem seus efeitos aos associados da autora. Outrossim, o fato da existência do referido processo judicial não pode servir de óbice o ora recorrente que, por iniciativa própria, decida discutir a referida matéria em sede administrativa. Isto porque nos termos do artigo 301 do CPC vigente à época dos fatos tidos por infracionários, ocorre a litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir, ou seja, quando se ajuíza uma nova ação que repita outra anteriormente ajuizada, com total identidade entre partes, conteúdo e pedido formulado. Vejamos o conceito de litispendência trazido no referido preceito processual legal: Código de Processo Civil CPC Lei 5.869 de 11.01.1973 (...) Art. 301. Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) I inexistência ou nulidade da citação; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) II incompetência absoluta; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) III inépcia da petição inicial; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IV perempção; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) V litispendência; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) Fl. 256DF CARF MF Processo nº 15771.721605/201579 Acórdão n.º 3001000.391 S3C0T1 Fl. 256 8 VI coisa julgada; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) VII conexão; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) VIII incapacidade da parte, defeito de representação ou falta de autorização; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IX compromisso arbitral; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) IX convenção de arbitragem; (Redação dada pela Lei nº 9.307, de 23.9.1996) X carência de ação; (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) XI falta de caução ou de outra prestação, que a lei exige como preliminar. (Incluído pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 3º Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) § 4º Com exceção do compromisso arbitral, o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1º.10.1973) (...) (grifos não pertencem ao original) Por seu turno, o Código de Defesa do Consumidor CDC tutelou os direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos, estabelecendo novas regras para as demandas que envolvem interesses da coletividade. Desse modo, o CDC é considerado como a disciplina comum das ações coletivas no Brasil, também chamado pela doutrina de “Código Brasileiro dos Processos Coletivos”. Senão vejamos: (...) Art. 103 Nas ações coletivas de que trata este Código, a sentença fará coisa julgada: I erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento, valendo se de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do artigo 81; Fl. 257DF CARF MF Processo nº 15771.721605/201579 Acórdão n.º 3001000.391 S3C0T1 Fl. 257 9 II ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do artigo 81; III erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do artigo 81. § 1º Os efeitos da coisa julgada previstos nos incisos I e II não prejudicarão interesses e direitos individuais dos integrantes da coletividade, do grupo, categoria ou classe. § 2º Na hipótese prevista no inciso III, em caso de improcedência do pedido, os interessados que não tiverem intervindo no processo como litisconsortes poderão propor ação de indenização a título individual. Art. 104. As ações coletivas, previstas nos incisos I e II e do parágrafo único do art. 81, não induzem litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada erga omnes ou ultra partes a que aludem os incisos II e III do artigo anterior não beneficiarão os autores das ações individuais, se não for requerida sua suspensão no prazo de trinta dias, a contar da ciência nos autos do ajuizamento da ação coletiva. Art. 81. A defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das vítimas poderá ser exercida em juízo individualmente, ou a título coletivo. Parágrafo único. A defesa coletiva será exercida quando se tratar de: I interesses ou direitos difusos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato; II interesses ou direitos coletivos, assim entendidos, para efeitos deste código, os transindividuais, de natureza indivisível de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica base; III interesses ou direitos individuais homogêneos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. (...) (grifos não pertencem ao original) Conforme observase nos casos de ações coletivas que buscam a defesa de direitos individuais homogêneos, a coisa julgada formada apenas produzirá efeitos na esfera individual se o resultado da ação for favorável ou na hipótese de haver intervenção do indivíduo no processo como litisconsorte. Desse modo, os efeitos dessas ações coletivas apenas afetariam seu plano individual na hipótese de o resultado da ação lhe ser favorável, jamais quando julgado improcedente o pedido. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 15771.721605/201579 Acórdão n.º 3001000.391 S3C0T1 Fl. 258 10 Por conseguinte, no caso de improcedência do pedido, os interessados que não intervieram no processo como litisconsortes, estão aptos a pleitear os seus direitos a titulo individual, exercendo individualmente a plenitude de seu direito de defesa, já que a renúncia, prevista no artigo 38 da Lei 6.830 de 22.09.1980, não é passível de ser presumida, na medida que os interessados ainda não ingressaram com sua própria ação. Assim, neste contexto, assiste razão o recorrente em buscar decisão favorável já na esfera administrativa, vez que a decisão judicial na Ação Ordinária 0065914 74.2013.401.3400, por ser coletiva, não conflitará com uma eventual procedência de seu pleito administrativo, vez que se for improcedente o pleito judicial coletivo permanece hígido seu direito individual. Demais disso, não calha obstar a esfera administrativa por conta da existência de demanda judicial em que o recorrente não tenha tido a oportunidade de influenciar no resultado, o que configuraria flagrante ofensa às garantias constitucionais da ampla defesa e do devido processo legal. Nestes termos, comungo do entendimento segundo o qual existindo a manifestação expressa do autuado em apresentar suas peças de defesa administrativa impugnação e recurso voluntário, resta evidente, no presente caso, sua intenção de discutir diretamente a demanda no âmbito do processo administrativo fiscal, defendendo o seu direito individual, razão pela qual não vejo como adotarse o entendimento da renúncia à esfera administrativa, pois renúncia de direitos deve ser exercida de forma direta, não sendo admissível a renúncia à discussão, in casu, de débito tributário imposto por meio de autuação fiscal, na esfera administrativa senão por força do ajuizamento de ação judicial pelo próprio renunciante, vez que o ajuizamento de ação coletiva por parte de substituto processual não tem o condão de produzir tal efeito. Em suma, a renúncia não se verifica quando, ainda que coincidentes pedidos e causa de pedir, não tenha sido a medida judicial proposta pelo mesmo contribuinte vinculado ao processo administrativo, pois ausente o requisito de identidade de partes, conforme cumulativamente exigido no § 2º do artigo 301 do CPC, antes referido. Da conclusão Com tudo o que foi exposto, entendo não haver renúncia à esfera administrativa, razão pela qual voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para afastar a concomitância com o processo judicial e determinar retorno dos presentes autos à DRJ/SP1, para a devida apreciação da impugnação ofertada pelo autuado, ora recorrente. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720068/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 29/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado.
À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.982
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o PER o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lazaro Antonio Souza Soares. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 68 /2 01 1- 00 Fl. 59233DF CARF MF Processo nº 10410.720068/201100 Acórdão n.º 3401004.982 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra decisão da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte contra Despacho Decisório que indeferiu totalmente o Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, relativo a contribuições não cumulativas, face a ausência de comprovação dos créditos pleiteados. O Despacho Decisório adotou as razões exaradas em Parecer Fiscal resultante de diligência havida em cumprimento ao provimento judicial contido no Mandado de Segurança nº 000020560.210.4.05.8000, da 1ª Vara da Justiça Federal de Alagoas e ao MPF – Mandado de Procedimento Fiscal nº 0440100 004622010. Cientificada desta decisão, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que sustenta a legitimidade de seus créditos, pugna pela aplicação do princípio da verdade material, afirma que atendeu as solicitações do Fisco no curso da fiscalização e solicita que os autos sejam novamente baixados em diligência para apurar o valor que a autoridade administrativa entende ser devido. Por unanimidade de votos, a DRJ/CTA indeferiu o pedido de diligência e julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. Entendeu este colegiado que é ônus do contribuinte a comprovação da existência de seu direito creditório e que há de se indeferir solicitação que objetive transferir esta obrigação à autoridade administrativa. Irresignada, a recorrente interpôs seu recurso voluntário tempestivo, requerendo em preliminar a nulidade do presente processo, pois tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão. No mérito, basicamente ratifica os argumentos expendidos em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 59234DF CARF MF Processo nº 10410.720068/201100 Acórdão n.º 3401004.982 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.972, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 10410.720043/201106, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.972): "O recurso voluntário é tempestivo, vez que a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 11/05/2015 (efl. 59.145), interpondo seu voluntário em 09/06/2015 (efls. 59.146/59.147), logo, dele tomo conhecimento. O ponto nodal diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, no ramo de laticínios leite e seus derivados , acumulados mensalmente, decorrentes das aquisições de matériasprimas, embalagens, materiais intermediários, dentre outros, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar da preliminar de nulidade. Entende a Recorrente que tanto o despacho decisório, quanto o acórdão da DRJ/CTA, não poderiam ser emitidos antes da decisão final administrativa do auto de infração 10410.006237/201014, vez que este auto discute justamente a legitimidade dos créditos pleiteados e que foram objeto de glosa tanto no despacho decisório quanto no acórdão, asseverando que este teve como nascedouro o mesmo mandado de procedimento fiscal. A lógica é respeitável, porém, como se trata de Pedido de Restituição, a prova dos créditos diz respeito a cada um dos PER, para os quais, dependendo de sua instrução e prova cabal, logrará ou não êxito o Pleiteante. Fl. 59235DF CARF MF Processo nº 10410.720068/201100 Acórdão n.º 3401004.982 S3C4T1 Fl. 5 4 Portanto, afasto a nulidade arguida. Volvendo a questão meritória, destacamse trechos do Termo de Encerramento de Diligência 0001 (efl. 9 e ss.): No dia 18/02/2010, o contribuinte entregou basicamente os livros contábeis e fiscais e alguns arquivos magnéticos contendo memórias de cálculo. Constatamos após examinar os primeiros arquivos entregues, que os mesmo possuíam erros formais e tivemos que solicitar que os arquivos fossem refeitos. Este fato demonstrou que o contribuinte não possuía memória de cálculo dos valores informados na DACON e conseqüentemente dos PER/DCOMP. A partir desta data começou um processo inverso. A Receita Federal que estava com o prazo fixado para apreciar os PER/DCOMP, teve que pedir prorrogações de prazo ao Judiciário, não para fazer o trabalho, mas para que o contribuinte pudesse apresentar os documentos e elementos necessários ao exame dos PER/DCOMP. Foram solicitadas e concedidas duas prorrogações de prazo. Uma de 250 dias em 10/05/2010 e outra de 180 em 02/08/2010. Desde a data da entrega dos primeiros arquivos, até 27/10/2010, data do último arquivo entregue, diversos contatos telefônicos, 02 reintimações fiscais e cerca de 30 e mails foram enviados e recebidos, cobrando as informações e recebendo arquivos magnéticos. Em 18/06/2010, através da Reintimação Fiscal nº0001, foi feito um resumo do que havia sido entregue e o que estava pendente. Podese verificar que passados quase 5 meses do termo de diligência fiscal/solicitação de documentos, apenas 4 itens haviam sido entregues, faltavam 12 itens. Mais uma vez o contribuinte apresentou pedido de prorrogação para entrega dos documentos. Em 08/07/2010 o contribuinte entregou a maior parte das informações restantes. Faltando ainda o arquivo do almoxarifado e da depreciação. (...) Estes mesmos arquivos de saída de mercadorias, no campo "tributação", onde informa se o produto vendido é tributado a alíquota zero ou é tributado a alíquota positiva, foram fornecidos com essa informação totalmente equivocada. Produtos que na época da emissão da nota fiscal eram tributados, foram considerados como alíquota zero e vice versa. Assim, tivemos que refazer esta informação, produto a produto, nota fiscal a nota fiscal obedecendo à legislação vigente, no intuito de aproveitar o arquivo para confronto com a DACON. Após finalizar, formatar e totalizar mensalmente os arquivos. Fomos fazer o confronto com os valores Fl. 59236DF CARF MF Processo nº 10410.720068/201100 Acórdão n.º 3401004.982 S3C4T1 Fl. 6 5 informados na DACON, para então passar para a segunda etapa do trabalho que é a auditoria propriamente dita, ou seja, fazer os devidos ajustes na ótica da Receita Federal, apurar os créditos devidos e confrontar com os respectivos PER/DCOMP. (...) Constatamos uma total divergência de valores. Nas rubricas acima relacionada, não houve um mês em que houvesse coincidência de valores entre os constantes na DACON e os valores constantes nos arquivos fornecidos. Elaboramos as planilhas denominadas: Demonstrativo das diferenças entre os valores constantes da DACON e arquivos magnéticos fornecidos como memória de cálculo I, II e III, os quais evidenciam as divergências encontradas. (...) CONCLUSÃO O ônus da prova dos créditos pleiteados é do contribuinte, assim deve haver uma correspondência entre os valores constantes no documentário fiscal, esses com os arquivos magnéticos, esses com a DACON, que é base de apuração dos créditos, e por final, a DACON com os PER/DCOMP, para que então possamos examinar, fazer os ajustes necessários de acordo com a legislação e deferir os eventuais créditos que o contribuinte esteja pleiteando. O fato de entregar uma série de arquivos magnéticos, livros fiscais e documentos, não fazem prova dos créditos. É preciso que os mesmos guardem estrita correlação com o valor exato do crédito pedido. Não se pode pedir um crédito de um determinado valor e tentar comprovar outro. No caso em tela, ao longo de 10 meses e muito esforço envidado para obtenção das informações e execução do trabalho, restou demonstrado que o contribuinte não possuía memória de cálculu dos créditos solicitados, foi fazendo durante a execução do trabalho e os elementos e documentos fornecidos, não guardam nenhuma correlação com os valores dos créditos pleiteados nos PED/COMP. Desta forma, face à falta de comprovação, não se revela possível deferir os créditos solicitados pelos motivos acima expostos. A partir de sua manifestação de inconformidade, juntou a Recorrente mais de 5.000 documentos, a partir da efl. 66 e seguintes, num total de 49 (quarenta e nove) Anexos, na realidade, planilhas, informando, em síntese, número das notas fiscais, CFOP, tipo de tributação (alíquota zero, isento e tributado), descrição do material, montante, etc. Fl. 59237DF CARF MF Processo nº 10410.720068/201100 Acórdão n.º 3401004.982 S3C4T1 Fl. 7 6 Enfatiza a decisão da DRJ/CTA (efl. 59.137) que o direito creditório deve estar lastreado em documentação comprobatória (artigo 1.179 do CC c/c artigos 3°, 34 e 65, todos da IN/RFB 900/2008), asseverando ainda (efl. 59.138): Assim, para comprovar a existência de um crédito vinculado a um registro contábil, não basta apresentar o registro, mas também indicar, de forma específica, que documentos estão associados a que registros; ainda, é importante, quando a natureza da operação escriturada/documentada for importante para a caracterização ou não do direito creditório, que a descrição da operação constante dos registros e documentos seja clara, sem abreviaturas ou códigos que dificultem ou impossibilitem a perfeita caracterização do negócio. No presente processo, salientase que a unidade de origem não indeferiu o pleito com base na falta da escrituração contábil, pois, como bem acentuou a interessada, a fiscalização não encontrou nenhuma anormalidade formal nos arquivos da contabilidade. O crédito não foi concedido, simplesmente, porque a interessada, mesmo diante dos inúmeros demonstrativos e documentos apresentados, não logrou êxito em comprovar a origem dos valores solicitados. Ao que se viu, durante muitos meses fora oportunizado o direito de a Recorrente fazer prova de seus hipotéticos créditos, porém, embora juntando muitos documentos, faltou comprovação da origem de seus valores, e por conseguinte, o quantum respectivo para fins de restituição. Noutro falar, há se ter uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros, não bastando os apresentar, mas também indicar, de forma específica que os documentos estão associados aos respectivos registros; natureza da operação escriturada/documentada, a fim de caracterizar ou não o direito ao crédito. Dispõe o artigo 373, I do CPC/2015, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF (Decreto 70.235/72): "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;" A propósito, neste sentido entende o CARF: DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos Fl. 59238DF CARF MF Processo nº 10410.720068/201100 Acórdão n.º 3401004.982 S3C4T1 Fl. 8 7 impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 59239DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.901912/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL.
Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170-A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966.
O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.621
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques DOliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
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AÇÃO JUDICIAL. Recorrente CIDADE DE DEUS COMPANHIA COMERCIAL DE PARTICIPAÇÕES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. Não se homologa a compensação de tributo realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial autorizadora, nos termos do artigo 170A do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1.966. O pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 19 12 /2 00 8- 31 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10882.901912/200831 Acórdão n.º 3301004.621 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP, transmitido eletronicamente. O Despacho Decisório proferido pela unidade de origem não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificado do Despacho Decisório o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que impetrou o Mandado de Segurança nº 2003.61.00.0023490 com o objetivo de recolher a contribuição ao PIS na forma prevista na Lei Complementar nº 7, de 1970, qual seja, tributo calculado à razão de 5% sobre o valor do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. A liminar pleiteada não foi deferida, mas a decisão de primeira instância foi reformada em sede do agravo de instrumento interposto ao TRF da 3ª Região, decidindose favoravelmente à recorrente. Sustenta que houve erro de fato no recolhimento promovido, na modalidade conhecida como PISrepique e PISdedução. Os valores devidos decorrem da aplicação da alíquota de 5% sobre o valor da estimativa do IRPJ incidente em 15% sobre a receita bruta. Todavia, cada recolhimento foi indevidamente calculado com base em 5% do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – Lucro Real provisionado. Percebido o erro de fato, declarou a compensação objeto do Despacho Decisório combatido. Como, na DCTF original, não ficou evidenciado o recolhimento a menor, noticía ter transmitido DCTF retificadora na qual informou que, do débito apurado a título de PIS, parte estaria extinto por pagamento e o restante estaria com exigibilidade suspensa. Informa que, em 27/11/2007, a tutela concedida foi cassada, o que o levou a promover, dentro do prazo previsto no artigo 63 da Lei nº 9.430, de 1996, o recolhimento da diferença entre as contribuições previstas na Lei nº 10.637, de 2003, e a Lei Complementar nº 7, de 1970. Requer que a DCTF retificadora seja efetivamente processada e que o despacho decisório combatido seja reformado, homologandose a compensação. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10882.901912/200831 Acórdão n.º 3301004.621 S3C3T1 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme Acórdão nº 05037.256, sob fundamento de que o pagamento de tributo cuja exigibilidade esteja suspensa não gera direito à repetição do indébito enquanto não tiver sido proferida decisão judicial definitiva favorável ao contribuinte: Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual a Recorrente apresenta suas razões organizadas nos seguintes tópicos, que serão detidamente analisados no voto: 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO; 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170a DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10882.901912/200831 Acórdão n.º 3301004.621 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.611, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900038/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.611): "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. 1 EXISTÊNCIA DO CRÉDITO DIREITO À COMPENSAÇÃO Informou a Recorrente que efetuou recolhimento a maior no período de apuração de junho de 2003, deixando de aplicar liminar que lhe era favorável. Apresenta a seguinte tabela: E concluiu que "não resta dúvida de que houve recolhimento a maior no montante de R$ 321.541,27, para o período originário do crédito." Conforme observouse na decisão de piso, para o contribuinte do IRPJ pelo lucro real, no ano de 2003, a norma legal que disciplinava as contribuições para o PIS era a Lei nº 10.637, de 2002. Esta lei instituiu o regime nãocumulativo do PIS. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10882.901912/200831 Acórdão n.º 3301004.621 S3C3T1 Fl. 6 5 No entanto, em mandado de segurança impetrado, a Recorrente requereu que fosse submetida à sistemática da arrecadação do PIS em sua modalidade PISrepique e PISdedução, na forma estabelecida pelo artigo 3º da Lei Complementar nº 7, de 1970. A Recorrente não obteve liminar, mas o o TRF da 3ª Região lhe concedeu a tutela antecipada. Essa tutela foi revogada com a sentença judicial de primeira instância, publicada em 26/10/2007 (conforme extrato constante da decisão recorrida) Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, ausentes os pressupostos legais, DENEGO A SEGURANÇA requerida. Honorários advocatícios indevidos nos termos da Súmula n.º 512, do Egrégio Supremo Tribunal Federal. Comuniquese a Excelentíssima Senhora Desembargadora Federal Relatora do Agravo de Instrumento n.º 2003.03.00.0007108, a respeito do teor desta decisão. Após o trânsito em julgado, convertamse os depósitos judiciais em receita a favor da União Federal.Custas e demais despesas ex lege.P. R. I. Oficiese. O contribuinte não logrou êxito em sua apelação, visto que a decisão recorrida foi mantida em 16/10/2008, pelo Tribunal competente (conforme extrato constante da página 67): CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. RECEPÇÃO, ART. 239 CF. POSSIBILIDADE DE ALTERAÇÃO VIA DE LEI ORDINÁRIA. LEI 10.637/02. CONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTES. APELAÇÃO DA IMPETRANTE IMPROVIDA. I – A contribuição ao PIS foi expressamente recepcionada pelo art. 239 da CF, a ela não se opondo as restrições constantes dos arts. 154, I e 195, §, 4º da mesma Carta. (STF ADIN MC 14170/ DF, Rel. Min. Octávio Gallotti, Pleno, v. u., j. 02/08/99). II – A contribuição ao Pis pode ser validamente alterada por lei ordinária, não se tratando de contribuição social nova. Ausente hierarquia entre lei complementar e lei ordinária, mas sim reserva material posta na CF (art. 146) III – Constitucionalidade da Lei 10.637. O tratamento diferenciado no que pertine à alíquotas e bases de cálculo em razão da diversidade quanto às atividades econômicas desenvolvidas pelos contribuintes encontra respaldo no próprio Texto Constitucional, art. 195, §§ 9º e 12. IV – Precedentes (TRF – 3ª Região, AG nº 2003.03.00.0110618, Rel. Des. Fed. Fábio Prieto, j. 16/11/05, p. DJU 08/03/06; TRF – 4ª Região, AMS nº 2005.72.08.0045630, Rel. Des. Fed. Vivian Josete Pantaleão Caminha, j. 13/12/06, p. de 30/04/07; TRF – 2ª Região, AC nº 2003.51.01.0037080, Rel. Des. Fed. Alberto Nogueira, j. 05/09/06, p. DJU 16/11/06) Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10882.901912/200831 Acórdão n.º 3301004.621 S3C3T1 Fl. 7 6 V – Apelação improvida. A decisão desfavorável à Recorrente transitou em julgado em 02/07/2010, segundo informação obtida na página eletrônica do TRF da 3ª Região, o que levou à baixa definitiva dos autos em 10/08/2011. Portanto, verificase que, mesmo no interregno de tempo em que havia liminar favorável à Recorrente, ainda não era ela titular de crédito líquido e certo e não podia, portanto, efetuar a compensação. Em resumo, a Recorrente deixou de recolher nos termos da decisão judicial (tutela antecipada) e recolheu em montante que correspondia ao entendimento do Fisco. Segundo a Recorrente tal recolhimento a maior se deu por "erro de fato". 2 INAPLICABILIDADE AO CASO DO ARTIGO 170A DO CTN, COMO JÁ RECONHECIDO PELO CARF. Defende a Recorrente que a vedação do art. 170A do CTN referese a fatos passados, a pagamentos objeto de ação judicial, ao passo que seu caso se refere ao recolhimento de PIS no transcurso da ação, tendo por objeto efeitos futuros de uma decisão judicial, nos seguintes termos: Ou seja, não se pode aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional, criada para impedir que contribuintes compensem antes do trânsito em julgado créditos apurados em períodos anteriores e decorrentes de pagamentos indevidos ou seja, crédito já extinto por pgamento indevido utilizado para quitar tributos devidos em períodos posteriores a situações em que e a "compensação" diz respeito à apuração da base de cálculo e, portanto, à constituição do crédito tributário. Seguimos o entendimento da decisão recorrida de não há qualquer direito ao ressarcimento deferido pela decisão judicial e, mesmo que houvesse, esse direito somente poderia operar seus efeitos após o trânsito em julgado de sentença favorável à Recorrente, fato que não ocorreu, ou melhor, houve decisão transitada em julgado desfavorável à Recorrente. De acordo com o art. 170A do CTN, é defeso efetuar compensações de débitos mediante aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial em trâmite, ou seja, ainda não julgado definitivamente. Ou seja, só há crédito oponível à Fazenda Pública com o desfecho em definitivo favorável ao particular da demanda judicial. Colacionase ainda disposição análoga do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao permitir a compensação de crédito discutido judicialmente apenas após o trânsito em julgado da decisão judicial: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10882.901912/200831 Acórdão n.º 3301004.621 S3C3T1 Fl. 8 7 II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; (grifouse) Conforme se concluiu na decisão recorrida: No caso concreto, mesmo não pretendendo agir deste modo, o contribuinte acabou por pagar tributo com exigibilidade suspensa. Como a validade do tributo estava em discussão, o crédito do contribuinte não pode ser considerado certo, não sendo, por conseguinte, passível de compensação nos termos do artigo 170 do CTN." Situação semelhante, asseverase na decisão recorrida, ocorre com o depósito judicial, o qual, uma vez efetivado em valores suficientes para garantir a extinção do crédito em eventual vitória do Fisco, não pode ser objeto de restituição até o encerramento da lide judicial, nos termos do § 2º do artigo 32 da Lei nº 6.830, de 1980: § 2º. Após o trânsito em julgado da decisão, o depósito, monetariamente atualizado, será devolvido ao depositante ou entregue à Fazenda Pública, mediante ordem do Juízo competente. A planilha juntada aos autos que trata das parcelas que compõem o valor recolhido de R$ 28.846.704,12 indica que o crédito com exigibilidade suspensa relativo ao período de apuração 06/2003 restou recolhido. Deste modo, se recolhimento a maior houve, ele teria ocorrido, quando muito, em 27/11/2007, não em 15/07/2003. Correto, portanto, despacho decisório que considerou não liberado o PIS Dessarte, o direito pretendido com a ação judicial somente será liquido e certo quando a sentença, se favorável ao contribuinte, transitar em julgado e operar seus efeitos. Por outro lado, mesmo que se concordasse com a Recorrente, contrariamente a determinação expressa da legislação, que ela poderia utilizar créditos com fulcro em decisão judicial não transitada em julgado, ela estaria sujeita à habilitação do seu crédito, o que não efetuou. O cumprimento dessa obrigação acessória é imprescindível para que o Fisco tenha conhecimento e controle deste crédito e é condição para o exercício do direito de creditamento. Portanto, ainda que se adotasse este entendimento, defendido pela Recorrente o qual não adotamos deveria ser mantida a glosa. Diante do exposto, proponho manter integralmente a decisão recorrida e voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10882.901912/200831 Acórdão n.º 3301004.621 S3C3T1 Fl. 9 8 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.007495/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO , INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO
O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 1401-002.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por não conhecer do recurso por sua intempestividade. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO , INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentando-se o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO , INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO O prazo legal para interposição de recurso voluntário é de trinta dias, a contar da intimação da decisão recorrida. Apresentandose o recurso voluntário fora do prazo legal sem a prova de ocorrência de qualquer causa impeditiva, é intempestivo o recurso e, portanto, não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por não conhecer do recurso por sua intempestividade. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Cláudio de Andrade Camerano. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 74 95 /2 00 8- 91 Fl. 236DF CARF MF 2 Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementandoo a seguir: Tratase de ação fiscal realizada na empresa em epígrafe com a lavratura dos autos de infração, relativamente ao Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaSimples, crédito tributário de R$ 35.672,02 (fls. 118 a 122); à Contribuição para o Programa de Integração Social — PISSimples, crédito tributário • de ,R$ 35.672,02 (fls. 128 a 132); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Simples, crédito tributário de R$ 62.037,69 (fls. 138 a 142); à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINSSimples, crédito tributário de R$ 124.075,67 (fls. 148 a 152) e à Contribuição para Seguridade Social — INSS Simples, crédito tributário de R$ 229.151,15 (fls. 158 a 162) relativamente aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2005. Os créditos tributários lançados (incluídos a multa proporcional e juros de mora) calculados até 31/10/2008 e enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração. Os enquadramentos legais correspondentes à multa e juros de mora constam dos respectivos demonstrativos de cálculo. O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 97 a 99 descreve a apuração dos fatos e da infração tributária o qual, em resumo, é o que se segue. O sujeito passivo foi cientificado do início do procedimento fiscal, sendo solicitado a apresentar a documentação necessária. Posteriormente, o contribuinte foi intimado a comprovar a origem de todos os valores depositados ou creditados em sua conta corrente. O sujeito passivo alegou que os valores creditados em sua conta corrente provenientes da Cia Brasileira de Soluções e Serviços são originados do convênio firmado com a empresa que administrava os valesrefeições (cartões visa) e são de duas naturezas: que adquiria os créditos dos valesrefeições das pessoas físicas com deságio de 9% e recebia o crédito respectivo (menos os descontos de 4,50% e 0,38%) da administradora de valerefeição. Que lucrava nessa operação o percentual de 4,12 por cento; que as vendas referentes às atividades normais do sujeito passivo também eram recebidas com valesrefeições e conseqüentemente creditados em sua conta corrente pela administradora de valerefeição, cujos valores já foram oferecidos à tributação. Apesar das alegações do sujeito passivo, nenhum documento foi anexado na resposta que corroborasse suas alegações. Ficou caracterizado a omissão de receitas decorrente da declaração a menor dos valores recebidos da administradora de valesrefeição na Declaração Simplificada no anocalendário 2005. A omissão parcial justifica a multa majorada em 150%. Formalizouse o processo n° 19515.007496/200836 de representação fiscal para fins penais. O contribuinte foi cientificado dos lançamentos em 25/11/2008 e apresentou em 24/12/2008, a impugnação de fls. 167 a 168, alegando em síntese que: Tratase de microempresa, com atividade de pequena churrascaria, que tão somente servia porções e petiscos no período noturno, não comercializando refeições no almoço; Fl. 237DF CARF MF Processo nº 19515.007495/200891 Acórdão n.º 1401002.519 S1C4T1 Fl. 237 3 O contribuinte ao ter seu estabelecimento próximo a locais de circulação de funcionários de empresas vizinhas e com movimento diário de R$ 450,00 a R$ 500,00, proporcional ao do estabelecimento. fiscalizado, o contribuinte como pessoa física buscou para complemento de sua renda e despesas, um convênio com empresa que fornecia valesrefeições, qual seja, CIA BRASILEIRA DE SOLUÇÕES E SERVIÇOS, pagando à Companhia 9% sobre os valores adquiridos; Todavia, ao fazer esse tipo de transação, o contribuinte erroneamente movimentava valores de seu convênio particular com a CIA de cartões, na conta corrente da empresa gerando assim faturamento mensal diferente daquele declarado, conforme cópia do termo de verificação fiscal em anexo; É razoável se verificar a falta de dolo do contribuinte uma vez que efetuou esse tipo de transação sem se quer verificar a legislação vigente, e ainda que incabível, é viável que se entenda o desconhecimento por um comerciante, das questões econômicas e tributárias, uma vez que o mesmo é portador apenas do primeiro grau do ensino fundamental, exercendo tãosomente atividades de um pequeno comerciante e ainda semianalfabeto e que vale ressaltar que a CIA de Cartões ao verificar que o contribuinte fazia esse tipo de transações como pessoa física e que os valores do movimento da churrascaria pessoa jurídica não eram compatíveis, rompeu o convênio com o mesmo conforme documento em anexo. O contribuinte busca evidenciar a falta de dolo nas transações realizadas, bem como espera ter esclarecido que a microempresa não comportaria o faturamento mencionado por se tratar de pequeno estabelecimento conforme fotos do local e requer ao menos que seja atenuada a multa majorada aplicada para o percentual de 75% e para que futuramente não se proceda sua representação penal já formalizada. Anexa como meios de prova declarações de funcionários e vizinhos do estabelecimento que convivem com a movimentação e freqüência do local. A DRJ/SP1, proferiu decisão assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E • CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇA DE BASE DE CÁLCULO. Tributase a diferença não declarada/escriturada originária de valores creditados por Administradora de Cartão Refeição em contacorrente bancária da pessoa jurídica que atua no ramo de restaurantes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 MULTA DE OFÍCIO.QUALIFICAÇÃO. Fl. 238DF CARF MF 4 Mantémse a multa de ofício no percentual de 150%, quando o procedimento fiscal evidenciar que o contribuinte praticou sonegação fiscal, constatada através de créditos efetuados por Administradora de Cartão Refeição em sua contacorrente bancária, os quais superam substancialmente os valores declarados e escriturados, em todo o período fiscalizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão, interpôs recurso voluntário, onde foram repisados praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória, arguindose a improcedência da ação fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Letícia Domingues Costa Braga Relatora Admissibilidade O recurso voluntário é intempestivo, tendo em vista que a ciência da decisão deuse em 22/04/2010, conforme AR juntado aos autos às fls. 221, sendo que o prazo fatal se esgotaria em 22/05 daquele mesmo ano. Tendo sido interposto o recurso no dia 02 de agosto de 2010, intempestivo, portanto o apelo, não merecendo conhecimento. Conclusão Em face do exposto, não conheço do recurso, por intempestivo, mantendose a integralidade da autuação. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator Fl. 239DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13708.004475/2008-15
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei.
Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
Numero da decisão: 2001-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), José Ricardo Moreira, José Alfredo Duarte Filho e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos, clínicas e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Há de ser afastada a glosa de despesas médicas, quando o contribuinte apresenta, no processo, documentação suficiente para sua aceitação.
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score : 1.0
Numero do processo: 13706.001262/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
Numero da decisão: 2401-005.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier. Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier. Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Luciana Matos Pereira Barbosa.
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PAF. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. A tempestividade é pressuposto intransponível para o conhecimento do recurso. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão. Não se conhece das razões de mérito contidas na peça recursal intempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 12 62 /2 00 6- 90 Fl. 66DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier. Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13706.001262/200690 Acórdão n.º 2401005.618 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório OTILIA ALVARES DE MATTOS, contribuinte, pessoa física, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 2a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, Acórdão nº 1323.875/2009, às efls. 42/46, que julgou procedente a Notificação de Lançamento concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de rendimentos considerados isentos por moléstia grave, em relação ao exercício 2003, conforme peça inaugural do feito, às fls. 06/10, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 28/03/2006, nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Com mais especificidade, no decorrer da ação fiscal, constatouse o enquadramento de rendimentos indevidamente considerados com isentos por moléstia grave, em decorrência da não comprovação da moléstia ou da condição de aposentado, pensionista ou reformado, motivo da razão do lançamento fiscal e da manutenção pela decisão de primeira instância. Inconformado com a Decisão recorrida que julgou improcedente a impugnação, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, à efl. 51/53, procurando demonstrar sua total improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, requerendo a isenção ao Imposto de Renda por ser portador de moléstia grave (Alzheimer em fase avançada, em estado de alienação mental completamente dependente de terceiros desde Dezembro de 2001), citando a legislação. Ressalta ainda que da análise do texto legal entendese que existem dois requisitos cumulativos indispensáveis à concessão da isenção: 1°: A Natureza dos valores recebidos deve ser de proventos de aposentadoria. Esclarece que no caso da requerente é de aposentadoria; 2°: Relacionase com a existência da doença de Alzheimer em fase avançada, em estado de alienação mental completamente dependente de terceiros desde dezembro de 2001, o que está perfeitamente enquadrada na legislação; Anexa ainda cópia autenticada da procuração lavrada em cartório, todos os atestados médicos dos profissionais que atenderam Sra. Otília Alvarez de Mattos desde dezembro de 2001 até o presente momento, cópia autenticada do Laudo Pericial da Receita Federal e Relatório Conclusivo da Junta Médica Oficial do INSS assinado pelo Dr. Aldo Farias Dias, perito médico, atestando a alienação mental existente; Esclarece que como recebeu o comprovante de rendimentos da fonte pagadora com o devido desconto , uma vez que em 2002, ainda não tinha protocolado o pedido Fl. 68DF CARF MF 4 de isenção, mas já estava com o direito adquirido, foi enviado a declaração e considerando os rendimentos como não tributáveis. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoa sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13706.001262/200690 Acórdão n.º 2401005.618 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Para conhecimento e analise do recurso voluntário, este deve obedecer o pressuposto de admissibilidade contido nos artigos 5° e 33 do Decreto 70.235/72, que assim dispõe: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Como se extraí dos dispositivos encimados, o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. No presente caso, conforme as datas relatadas, o recurso é intempestivo. A contribuinte foi cientificada do acórdão de impugnação em 30/06/2009 (terçafeira), conforme AR de efls. 50, o prazo para a interposição se iniciou em 01/07/2009 (quartafeira); portanto, seu termo final foi o dia 30/07/2009 (quintafeira). Entretanto o recurso foi protocolado em 31/07/2009, ou seja, após o prazo legal para interposição do recurso. Por todo o exposto, não preenchidos os pressupostos de admissibilidade, VOTO NO SENTIDO DE NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO POR SER INTEMPESTIVO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16151.000151/2009-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DCTF. DACON. VINCULAÇÃO DA PERIODICIDADE E DOS PRAZOS FINAIS DE ENTREGA. PRORROGAÇÃO DE PRAZOS.
A DCTF e o DACON são obrigações tributárias acessórias cujos regramentos são disciplinados em legislações específicas para cada uma delas, motivo pelo qual a dilação do prazo do cumprimento de uma dessas obrigações tributárias acessórias não implica a dilação do prazo da outra.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
Numero da decisão: 1002-000.227
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DCTF. DACON. VINCULAÇÃO DA PERIODICIDADE E DOS PRAZOS FINAIS DE ENTREGA. PRORROGAÇÃO DE PRAZOS. A DCTF e o DACON são obrigações tributárias acessórias cujos regramentos são disciplinados em legislações específicas para cada uma delas, motivo pelo qual a dilação do prazo do cumprimento de uma dessas obrigações tributárias acessórias não implica a dilação do prazo da outra. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente KIYATAKE COMERCIO DE FRUTAS LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DCTF. DACON. VINCULAÇÃO DA PERIODICIDADE E DOS PRAZOS FINAIS DE ENTREGA. PRORROGAÇÃO DE PRAZOS. A DCTF e o DACON são obrigações tributárias acessórias cujos regramentos são disciplinados em legislações específicas para cada uma delas, motivo pelo qual a dilação do prazo do cumprimento de uma dessas obrigações tributárias acessórias não implica a dilação do prazo da outra. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 01 51 /2 00 9- 11 Fl. 59DF CARF MF 2 Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 39 à 47) interposto contra o Acórdão n° 0431.441, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (efls. 21 à 29), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. DACON. VINCULAÇÃO DA PERIODICIDADE E DOS PRAZOS FINAIS DE ENTREGA. PRORROGAÇÃO DE PRAZOS. A DCTF e o DACON são obrigações tributárias acessórias cujos regramentos são disciplinados em legislações específicas para cada uma delas, motivo pelo qual a dilação do prazo do cumprimento de uma dessas obrigações tributárias acessórias não implica a dilação do prazo da outra. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Mantémse inalterado o lançamento da multa decorrente do atraso na entrega da DCTF quando o princípio da legalidade foi devidamente observado pela autoridade lançadora. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 16151.000151/200911 Acórdão n.º 1002000.227 S1C0T2 Fl. 60 3 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CASO DE DÚVIDA. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. Inexistindo dúvidas, não há que se falar na aplicação da interpretação mais benéfica da legislação tributária que define infrações ou lhe comine penalidades. DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega com atraso da declaração não caracteriza a denúncia espontânea. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, os quais circundam a discordância da Contribuinte em pagar a multa pelo descumprimento de obrigação acessória (decorrente do atraso na entrega da DCTF), por se entender que a DCTF gozou a mesma prorrogação de prazo conferida ao DACON pela Instrução Normativa RFB n° 928, de 18/03/2009. Pugnou, ainda, pelo malferimento do princípios da legalidade e equidade, em virtude da interpretação discrepante efetuada pelo Fisco aos ditames dos arts. 111, 112, 114, 115 e 142, todos do CTN. Por fim, requer subsidiariamente o reconhecimento da denúncia espontânea, por apresentação antecipada à qualquer ação fiscal. Vale transcrever os principais trechos: É inquestionável que por ocasião da elaboração e entrega da DCTF foram observados todos os trâmites, normas e demais procedimentos pertinentes, em especial os relativos ao fator vinculante de periodicidade de entrega do DACON. A periodicidade de entrega do DACON está condicionada à periodicidade de entrega da DCTF, seja no regime mensal ou semestral, de acordo com a situação específica de cada contribuinte. Concluíse, a priori, que o prazo limite para entrega tanto do DACON quanto da DCTF semestral estava anteriormente programado para 07/04/2009. Ocorre, porém, que com a edição da Instrução Normativa RFB nº 928, de 18/03/2009, este prazo foi prorrogado para 07/10/2009. Este prazo, contempla, sem margem de dúvida, tanto a entrega da DACON quanto a entrega da DCTF, em função da íntima vinculação de prazos e informações entre os dois demonstrativos. A DCTF entregue em 30/04/2009, decorridos apenas 23(vinte e três) dias do prazo anteriormente programado, encontrase em consonância com o prazo estipulado na IN 928, de 18/03/2009. Não cabe, portanto, a aplicação da multa. (...) Fl. 61DF CARF MF 4 O contribuinte só é obrigado a fazer aquilo que a Lei determina, portanto, pode fazer tudo o que a Lei não veda, ou seja, não proíbe. O contribuinte pode fazer tudo o que a Lei não veda e que não proíbe, mas ao Estado só é permitido fazer estritamente aquilo que a Lei determina. Em síntese, não deve ser “PRO FISCO”. Nem deve ser “PRO CONTRIBUINTE". Deve ser “PRO LEGE”. (...) Na DCTF apresentada espontaneamente em 30/04/2009 foram declarados corretamente os débitos tributários. A obrigação principal, os pagamentos dos impostos devidos, foram realizados antecipadamente ou seja, antes do vencimento dos tributos, e por extensão, antes da entrega da DCTF. (...) O formalismo exacerbado embasou o julgamento improcedente das justas razões apresentadas pela Requerente. Buscouse antes o abalo moral refletido na suposição abstrata do decurso de prazo de entrega e na largueza de argumentos difusos e contraditórios contra a contribuinte. A conseqüência repousa numa decisão imprestável. NULA. Uma nulidade tão absoluta que é como se jamais tivesse existido. Não havia óbice quanto ao prazo de entrega, uma vez que tal expediente foi realizado de forma espontânea pela contribuinte, antecipandose a qualquer ação fiscal. Legal e tempestivo, portanto, a entrega em 30/04/2009, cujo marco inicial estava anteriormente previsto para 07/04/2009, sendo esse prazo dilatado para 07/10/2009 por força da IN RFB 928, de 18/03/2009. É uma questão de ordem. A entrega foi efetivamente espontaneamente pela Requerente antes do prazo!! Mesmo admitindose que a entrega deuse em atraso (o que aliás indiscutivelmente não é o caso) tal procedimento ocorreu de forma espontânea, isto é, antes de qualquer procedimento administrativo, medida de fiscalização, notificação ou até mesmo auto de infração. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. 1. Da obrigação acessória de entrega da DCTF e do DACON Cinge a discussão sobre a possibilidade de se aplicar à DCTF os mesmos dispositivos da Instrução Normativa RFB n° 928, de 18/03/2009, os quais prorrogaram o prazo Fl. 62DF CARF MF Processo nº 16151.000151/200911 Acórdão n.º 1002000.227 S1C0T2 Fl. 61 5 de entrega do DACON em 2009. De plano, impende destacar que não merece acolhimento a exegese da Contribuinte. Conforme bem ressaltado no Acórdão Recorrido, os regramentos das duas obrigações acessórias são distintos, de modo que tratam de modalidades diferentes de prestação de informações ao Fisco, ainda que os prazos de apresentação sejam requeridos em semelhante data. Nessa trilha, as modificações e concessões normativas conferidas a uma espécie de obrigação acessória não são automaticamente carreadas à outra. No que , quanto à obrigação de apresentar a Declaração a tempo e modo, a Recorrente não demonstrou de modo objetivo fato impeditivo, modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. Por seu turno, o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) Assim, em que pese a concatenada linha de argumentação da Recorrente, não vejo como acolher seus pleitos. A decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF, de modo que os indigitados sustentáculos hermenêuticos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: Em que pese a boa argumentação apresentada pelo sujeito passivo, ela não merece prosperar pelo fato de ter se embasado em uma falsa premissa: que além da vinculação da periodicidade da entrega, haveria, também, vinculação em relação às datas limites para essa entrega. A Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005, dispôs sobre o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) relativo a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2006, e dela se extrai os seguintes comandos normativos (os grifos são meus): Fl. 63DF CARF MF 6 Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pela IN SRF nº 708, de 9 de janeiro de 2007) § 1 º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2 º A opção de que trata o § 1 º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o anocalendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3 º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1 º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4 º Na hipótese de que trata o § 3 º , será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado. ... Art. 3 º As demais pessoas jurídicas deverão apresentar o Dacon Semestral, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz. ... Art. 8 º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2 º , até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada ano calendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. Conforme visto acima, a legislação tributária previu somente a vinculação do tipo de periodicidade de entrega do DACON com Fl. 64DF CARF MF Processo nº 16151.000151/200911 Acórdão n.º 1002000.227 S1C0T2 Fl. 62 7 o da DCTF, vale dizer, é a periodicidade desta que define a daquela. Em razão dessa vinculação, a Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005, não perdeu tempo dispondo sobre as situações que determinariam o tipo de periodicidade, pois tais situações já estavam previstas no art. 3º da Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, a qual trata da a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Em relação aos prazos limites para entrega do DACON, a Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005, expressamente os previu conforme já transcrito acima, o que demonstra não ter havido qualquer vinculação em relação aos prazos limites para a entrega da DCTF, muito embora os prazos desta e os daquele pudessem ser os mesmos, conforme trecho da Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, abaixo transcrito: Art. 7º As pessoas jurídicas devem apresentar a: I DCTF Mensal até o 5º (quinto) dia útil do 2º (segundo) mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; ou II DCTF Semestral: a) até o 5º (quinto) dia útil do mês de outubro, no caso de DCTF relativa ao 1º (primeiro) semestre do ano calendário; e b) até o 5º (quinto) dia útil do mês de abril, no caso de DCTF relativa ao 2º (segundo) semestre do anocalendário anterior. (Grifei) Oportuno esclarecer que o fato de os atos normativos terem previsto os mesmos prazos finais para entrega do DACON e da DCTF, isso não poderia ser entendido como vinculação de prazos de entrega do DACON aos da DCTF. Tanto é assim que no preâmbulo e no art. 1º da Instrução Normativa RFB n° 928, de 18 de março de 2009, informase que é prorrogado somente o prazo da entrega do DACON referente aos fatos geradores ocorridos no segundo semestre de 2008 de que trata o art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 590, de 22 de dezembro de 2005, e não o prazo para a entrega da DCTF, referente ao citado período, de que trata a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007. Por essa razão, a DCTF referente ao segundo semestre de 2008 deveria ter sido apresentada até o dia 07 de abril de 2009, motivo pelo qual restou caracterizada a intempestividade da declaração apresentada tão somente em 30 de abril de 2009. Constróise a partir da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, a norma jurídica de dispensa do dever instrumental de entregar declaração; isto é, o fato impeditivo do direito da Administração Tributária exigir a entrega da DCTF, sob pena de multa. E foi justamente esse amparo legal que lastreou com acerto o Acórdão da DRJ. Portanto, restou Fl. 65DF CARF MF 8 claro que a Recorrente estava devidamente obrigada a cumprir com sua obrigação acessória, cujo lastro normativo a regulamentou com solar clareza. Nesse espeque, destaco que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Portanto, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. 2. Denúncia espontânea Já em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade da Contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. 3. Da interpretação e violação de princípios da legalidade e equidade tributária Quanto às supostas violações aos princípios da legalidade e equidade, observo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, veja se: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). Fl. 66DF CARF MF Processo nº 16151.000151/200911 Acórdão n.º 1002000.227 S1C0T2 Fl. 63 9 § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a nãoprestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. Fl. 67DF CARF MF 10 pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denomina se relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Ademais, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária. Logo, é possível ficar livre da sanção fiscal, caso se opte por seguir o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. A importância do cumprimento do dever instrumental devese à necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Nesse espeque, tornase oportuno transcrever trecho do Acórdão da DRJ: O sujeito passivo invoca em sua defesa os artigos 111 e 112 do Código Tributário Nacional, para subsidiar a alegação de que, havendo dúvida em face das circunstâncias materiais de fato, a legislação deve ser interpretada de maneira mais favorável ao contribuinte. De fato, o art. 112 do Código Tributário dispõe nesse sentido, conforme abaixo transcrito: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Ocorre que, no caso em tela, não há dúvida quanto: 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 16151.000151/200911 Acórdão n.º 1002000.227 S1C0T2 Fl. 64 11 ∙ à capitulação legal do fato, pois este (atraso na entrega da DCTF)está capitulado no art.7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002; à natureza ou às circunstâncias matérias do fato, pois é incontroverso que houve atraso na entrega da declaração; à autoria, imputabilidade ou punibilidade, pois o próprio sujeito passivo da obrigação acessória descumprida é o autor e a ele é imputada a responsabilidade tributária que enseja a aplicação da punibilidade prevista em lei; à natureza da penalidade aplicável, pois esta se trata da multa mínima prevista no inciso II do §3º do art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Já o art. 111 do Código Tributário1 citado pelo sujeito passivo em sua defesa apresenta dispositivo que, na verdade, em nada fundamenta o seu pleito, pois diz respeito às situações em que se deve interpretar literalmente a legislação tributária, o que não se emprega no presente caso. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Fl. 69DF CARF MF 12 Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002 000.006, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.012, 1002000.016, 1002000.075, 1002 000.077, 1002000.078, 1002000.079, 1002000.080, 1002000.081, 1002000.083, 1002 000.090, 1002000.091 e 1002000.104, dentre outros, seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Por fim, no que concerne o eventual malferimento aos princípios constitucionais e da equidade, bem como a análise da legalidade da exigência da DCTF, repiso que não cumpre ao CARF exercer qualquer forma de controle de constitucionalidade. Logo, não há que se arguir nessa instância os eventuais predicados decorrentes da multa aplicada. Há, inclusive, enunciado sumular a reger o tema: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 70DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.014174/2008-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2001-000.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que o recorrente apresente elementos de comprovação do que foi alegado quanto à desistência do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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Numero do processo: 10830.011279/2008-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
INSTRUÇÃO PROCESSUAL. DISCRIMINATIVOS DE DÉBITO. FALTA DE ANEXAÇÃO.
A deficiência na instrução dos autos pela falta de anexação do Discriminativo Analítico de Débito - DAD e do Discriminativo Sintético de Débito não impede a apreciação do recurso quando outros elementos dos autos possibilitarem o julgamento da questão controvertida.
CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.876, de 1999, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543-B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 2015.
Numero da decisão: 2301-005.364
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
JOÃO BELLINI JUNIOR - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Antonio Sávio Nastureles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Juliana Marteli Fais Feriato, Antonio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 INSTRUÇÃO PROCESSUAL. DISCRIMINATIVOS DE DÉBITO. FALTA DE ANEXAÇÃO. A deficiência na instrução dos autos pela falta de anexação do Discriminativo Analítico de Débito - DAD e do Discriminativo Sintético de Débito não impede a apreciação do recurso quando outros elementos dos autos possibilitarem o julgamento da questão controvertida. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.876, de 1999, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543-B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 2015.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JUNIOR - Presidente. (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Juliana Marteli Fais Feriato, Antonio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
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DISCRIMINATIVOS DE DÉBITO. FALTA DE ANEXAÇÃO. A deficiência na instrução dos autos pela falta de anexação do Discriminativo Analítico de Débito DAD e do Discriminativo Sintético de Débito não impede a apreciação do recurso quando outros elementos dos autos possibilitarem o julgamento da questão controvertida. CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA SOBRE VALORES PAGOS A COOPERADOS QUE PRESTAM SERVIÇOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade da contribuição do art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.876, de 1999, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do CPC, com efeito vinculante no âmbito do CARF, por força do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 343, de 2015. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) JOÃO BELLINI JUNIOR Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 12 79 /2 00 8- 01 Fl. 326DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Juliana Marteli Fais Feriato, Antonio Sávio Nastureles, João Mauricio Vital e Wesley Rocha. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. Relatório 1. Tratase de julgar Recurso Voluntário (efls 174/189) interposto em face do Acórdão nº 0525692 (efls 165/171), prolatado pela 9ª Turma da DRJ Campinas, em sessão de julgamento realizada em 15/05/2009, que entendeu pela procedência do autodeinfração (AI DEBCAD nº 37.195.7087), mantendose o crédito tributário por meio dele constituído, e ao consignar a ementa que se segue: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 PAGAMENTO POR SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. A empresa que contrata serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativa de trabalho, se sujeita à contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura por esta emitida. 1.1. Para a compreensão das questões suscitadas na impugnação, afigurase útil transcrever o Relatório da decisão de primeira instância. Consoante o relatório fiscal que acompanha o AI Auto de Infração nº 37.195.7095 (fls. 07 a 12), lavrada em 04/11/2008, o presente lançamento foi efetuado para a constituição do crédito relativo à contribuição previdenciária de que trata o art. 22, incisos IV, da Lei nº 8.212, de 2471991, devidas pela RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA., incidente sobre o valor bruto de notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho, no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. Acrescenta, o mesmo relatório, que: i) as contribuições aqui exigidas foram depositadas judicialmente nos autos do Mandado de Segurança nº 2000.61.05.0035655; ii) essas contribuições foram apuradas sobre os serviços prestados pelas Cooperativas de Trabalho Médico e Odontológico – UNIMED/UNIODONTO/UNISESMT; iii) a Base de Cálculo do lançamento foi obtida mediante a aplicação da alíquota correspondente a 30% (trinta por cento) sobre as notas fiscais, mas que em face da UNIMED/UNIODONTO BLUMENAU e UNIMED JOINVILLE serviu de base de cálculo o valor dos serviços. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10830.011279/200801 Acórdão n.º 2301005.364 S2C3T1 Fl. 327 3 iv) foram examinados notas fiscais, livros diário e depósitos judiciais; e v) nessa mesma ação fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infração: nº 37.195.7060; nº 37.195.7079; nº 37.195.7095s; nº 37.195.7044; e n º 37.195.7052. Notificado deste Auto no dia 13112008 (fls. 01), o sujeito passivo impugnouo em 12122008 (fls. 89), por meio do expediente juntado às fls. 89 a 134, no qual, em síntese, alega que: já ocorrera a decadência das contribuições exigidas sobre fato gerador ocorrido anteriormente a novembro de 2003; embora a autoridade fiscal tenha informado que a lavratura do presente foi no sentido de prevenir a decadência, aplicouse multa e juros, mas que não assiste razão em face do art. 63 da Lei nº 9.430/96; e em havendo depósito integral não há que se falar em aplicação da multa e dos juros, conforme já decidiu o Conselho de Contribuintes e Súmula nº 5 do 1º CC. Requer, finalmente, a realização de diligência fiscal, a fim de comprovar a veracidade e/ou a existência dos documentos juntados. Ressaltese que foram juntados somente copia deste Auto e de alterações contratuais. Nestes termos, vêm os autos conclusos para julgamento. É o relatório. 2. Para proporcionar a compreensão mais detalhada acerca da exigência fiscal, fazse a transcrição de excertos do Relatório do Auto de Infração (efls 8/13): 3. O contribuinte identificado em epígrafe está sendo autuado, através do presente. Auto de Infração , a recolher à Receita Federal do Brasil, débito no montante de R$ 1.238.623,39 (um milhão, duzentos e trinta e oito mil, seiscentos e vinte e três reais e trinta e nove centavos), consolidado em 04/11/2008, referente às contribuições devidas pela empresa Rigesa .Celulose Papel e Embalagens Ltda na qualidade de contratante de serviços prestados por cooperados intermediados por Cooperativas de Trabalho, depositadas em Juízo nos autos do processo Mandado de Segurança n° 2000.61.05.0035655, no período de 12/2002 a 12/2006. (e-fls 09) 4. LEVANTAMENTO (e-fls 09) O levantamento CO1 referese às contribuições devidas pela empresa na contratação dos serviços prestados pelas Cooperativas de Trabalho Médico e Odontológico — UNIMED/UNIODONTO/UNISESMT relacionadas abaixo, as quais foram depositadas em Juízo nos autos do processo Mandado de Segurança n° 2000.61.05:0035655: Fl. 328DF CARF MF 4 PRESTADORA CNPJ UNIMED BELO HORIZONTE 16.513.178/000176 UNIMED CAMPINAS 46.124.624/000111 UNIMED BLUMENAU 82.624776/000147 UNIMED JOINVILLE 76.590.884/000143 UNISESMT 02.718.425/000166 PRESTADORA CNPJ UNIODONTO CAMPINAS 51.304.798/000104 UNIODONTO DE SC 02.338.268/000163 5. DAS RAZÕES DO LEVANTAMENTO DOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS (e-fls 10) De acordo com inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212191 e do inciso 111 do art. 201 do Decreto n° 3.048/99, considerase contribuição da empresa 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A Empresa deposita judicialmente desde 03/2000 a contribuição referente exclusivamente aos pagamentos efetuados às cooperativas discriminadas acima, discutidas no processo Mandado de Segurança n° 2000.61.05.0035655: De acordo com art. 252 da Orientação Interna n° 11 de 12/08/05, os valores depositados serão constituídos em Auto de Infração objetivando prevenir a decadência e ficará sobrestada enquanto o processo não esteja com decisão definitiva. 6. BASE DE CÁLCULO (e-fls 10) A base de cálculo apurada para o cálculo da contribuição de quinze por cento (15%) devida pela empresa contratante de serviços de cooperados intermediados pelas cooperativas de trabalho discriminadas no item 3. acima, importou em trinta por cento (30%) do valor bruto da nota fiscal, conforme alínea "a " do inciso I do art. 291 da Instrução Normativa n° 03 de 14/07/2005. O art. 291 prevê que para contratos coletivos para pagamento por valor pré determinado, com serviços prestados por cooperados quando se referir a contrato de grande risco ou de risco global, a base de cálculo não poderá ser inferior a 30% do valor bruto da nota fiscal. Nos contratos celebrados com a UNIMED/UNIODONTO BLUMENAU e UNIMED JOINVILLE ,os serviços que não se enquadravam na legislação acima tiveram como base de cálculo da contribuição social previdenciária o valor dos serviços efetivamente realizados. ... 13. ANEXOS DESTE AUTO DE INFRAÇÃO (e-fls 10) ... • DAD Discriminativo Analítico do Débito, que discrimina, por estabelecimento, levantamento, competência e item de cobrança, os valores originários das contribuições devidas pelo sujeito passivo, as alíquotas utilizadas e as diferenças existentes; Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10830.011279/200801 Acórdão n.º 2301005.364 S2C3T1 Fl. 328 5 • DSD Discriminativo Sintético do Débito, que discrimina sinteticamente, por estabelecimento, competência e levantamento, as contribuições objeto da apuração,atualização monetária, multa e juros devidos pelo sujeito passivo; 2.1. Constam nos autos documentos que atestam a entrega de um lote de documentos em meio digital, recepcionado pelo contribuinte em 13/11/2008 (efls 87), mesma data de ciência do autodeinfração. É útil apresentar uma visão parcial dos documentos de efls. 85 e de efls. 86. 2.2. Neste ponto, afigurase oportuno fazer o alerta sobre eventual falha na instrução do presente processo administrativo fiscal, pois constatouse que os autos não estão instruídos com o conteúdo do Discriminativo Analítico do Débito DAD, assim como do Discriminativo Sintético do Débito DSD, entregues em meio digital. Ou seja, parte do conteúdo da mídia ("compact disk") entregue ao contribuinte não está anexado aos autos. Fl. 330DF CARF MF 6 3. A interposição do recurso voluntário (efls 174/189) se sucedeu em 25/08/2009, tendo o mesmo sido encaminhado ao CARF em 28/08/2009 . 3.1. Em sessão de julgamento realizada em 08 de outubro de 2014, foi exarada a Resolução nº 2301000.484, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária. Cumpre fazer a transcrição do inteiro teor de tal Resolução (efls 192/193): Processo nº 10830.011279/200801 Recurso nº 999.999Voluntário Resolução nº 2301000.484 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de outubro de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente RIGESA CELULOSE PAPEL E EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (presidente da turma), Adriano Gonzales Silvério, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Tratase de Auto de Infração nº 37.195.7087, referente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa na qualidade de contratante de serviços prestados por cooperados intermediados por Cooperativas do Trabalho e depositadas em juízo nos autos do processo mandado de segurança nº 2000.61.05.0035655, no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. A autuada apresentou impugnação alegando, em apertada síntese a decadência do período anterior a novembro de 2003 e a inexigência de multa e juros, tendo em vista que se trata de lançamento para prevenir a decadência e que os valores encontramse depositados em juízo conforme alega o próprio Relatório Fiscal. A DRJ de Campinas julgou a impugnação improcedente. Foi interposto recurso voluntário, em que a recorrente reiterou os argumentos levantados em sede de impugnação. É o relatório. Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator O Relatório Fiscal aponta a existência de mandado de segurança impetrado pela Recorrente em busca de garantir a não incidência da contribuição previdenciária prevista no artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Contudo, não há nos autos cópia do referido mandado de segurança, de forma a não ser possível analisar a relação entre a matéria discutida no presente processo e em sede judicial. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10830.011279/200801 Acórdão n.º 2301005.364 S2C3T1 Fl. 329 7 Assim, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a Recorrente junte aos autos cópia da petição inicial do mandado de segurança, bem como de eventuais decisões judiciais. Adriano Gonzales Silvério 3.2. Após a ciência dos termos da Resolução, em 30/12/2014 foi protocolado o conjunto documental relacionado à tramitação da Ação de Mandado de Segurança nº 200.61.05.003565 5 e demais decisões judiciais relativas a tal processo, com anexação aos autos em 06/01/2015 (efls 200/317). 4. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Sávio Nastureles 5. Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. EEssccllaarreecciimmeennttoo iinniicciiaall ddeeffiicciiêênncciiaa nnaa iinnssttrruuççããoo pprroocceessssuuaall 6. A técnica de julgamento na esfera processual tributária administrativa nos impõe o dever de perfazer esclarecimento inicial sobre a instrução dos presentes autos. 6.1. Conforme consta no relatório [subitem 2.2 supra], durante a fase oficiosa verificou se uma ligeira falha na instrução processual pela ausência dos documentos denominados "Discriminativo Analítico de Débito DAD" e '' Discriminativo Sintético do Débito DSD ", fornecidos ao contribuinte por meio de mídia (compact disk), mas cujos conteúdos não foram anexados aos autos. 6.2. Tal deficiência traduz uma impossibilidade prática de cotejar as informações do Relatório Fiscal, com os dados das apurações presentes no citados discriminativos, e culmina por transmitir relativa insegurança na formação da convicção do Relator, 6.3. A título de exemplo, sem o minucioso exame da apuração trazida no DAD, não é possível assegurar se a presente exigência fiscal se exaure no levantamento denominado "CO1", referido no item "4. LEVANTAMENTO" (efls 09) do relatório fiscal. 6.4. Ademais, em vista das alegações de decadência suscitadas em sede de recurso voluntário, os dados constantes nos citados discriminativos, se não imprescindíveis, poderiam ser determinantes para decidir sobre a aplicabilidade da Súmula 99 do CARF. Registrese que o recurso voluntário faz alusão à decadência de débitos lançados antes de novembro de 2003, pleiteando a aplicabilidade do artigo 154 § 4º do CTN em vez do artigo 173. 6.5. A questão central reside, assim, em saber se a anexação do DAD se faz imprescindível para prosseguir na análise das questões de mérito. Fl. 332DF CARF MF 8 6.6. O entendimento inicial deste Relator dava prevalência à medida que parecia mais eficaz para assegurar o valor segurança jurídica: expedição de Resolução para que a unidade preparadora providenciasse a informação faltante, com vistas a instruir os autos com o inteiro teor do Discriminativo Analítico de Débito DAD e do Discriminativo Sintético do Débito DSD; 6.7. Porém, em virtude de modificação do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, e com as alterações determinadas pela Portaria MF nº 153, de 17 de abril de 2018, e demais inovações regimentais no sentido da celeridade; e, destacadamente, levando em conta a regra estatuída no artigo 63 § 10º, este Relator entende ser possível reconsiderar o entendimento, em razão da matéria sob exame Contribuição da empresa sobre valores pagos a cooperados que prestam serviços por intermédio de cooperativa de trabalho, prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.876/1999 já estar suficientemente debatida, tanto no Colegiado como na Câmara Superior de Recursos Fiscais. 6.8. Para tanto, cumpre esclarecer que a análise do mérito se circunscreverá, exclusivamente, ao levantamento "CO1", conforme exposto nos itens "4. LEVANTAMENTO" (efls 09); "5. DAS RAZÕES DO LEVANTAMENTO DOS CRÉDITOS PREVIDENCIÁRIOS" (efls 10); e "6. BASE DE CÁLCULO" (efls 10), todos do Relatório Fiscal do auto de infração. MMéérriittoo 7. Ao adentrar no exame do mérito valemonos do entendimento já pacificado pelo Supremo Tribunal Federal sobre a matéria e que vem sendo adotado no julgamento dos processos administrativos fiscais. 7.1. Peço licença para transcrever trecho de voto condutor do Acórdão nº 2301005.114 julgado em 12/09/2017, por unanimidade, que adoto integralmente como razões de decidir. Contribuição da Empresa sobre Serviços Prestados por Cooperados por Intermédio de Cooperativa de Trabalho. Inconstitucionalidade Reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal As contribuições exigidas neste lançamento têm por base o art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991, com a redação da Lei 9.876, de 1999, o qual foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 595.838, transitado em julgado em 09/03/2015, com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B do Código de Processo Civil. Segue ementa do acórdão: RE 595.838 RECURSO EXTRAORDINÁRIO EMENTA: Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10830.011279/200801 Acórdão n.º 2301005.364 S2C3T1 Fl. 330 9 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99, ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. 8. Assim, reconheço a ausência de amparo legal para se exigir as contribuições lançadas a este título, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), que determina, no âmbito deste Conselho, a reprodução das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista pelo art. 543B do CPC. 9. Esclareçase, por oportuno, que o motivo do lançamento, prevenção de decadência de eventuais créditos tributários, determinante para efeito da Resolução exarada (efls 192/193), restou superado em razão da inconstitucionalidade decretada. CCoonncclluussããoo 10. Com base no exposto, voto por CONHECER DO RECURSO, e, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO para determinar a exclusão das exigências relativas aos pagamentos a Cooperativas de Trabalho correspondentes ao levantamento "CO1". (Assinado digitalmente) Antonio Sávio Nastureles Relator Fl. 334DF CARF MF 10 Fl. 335DF CARF MF
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