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Numero do processo: 10073.901241/2013-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.326
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 41 /2 01 3- 09 Fl. 398DF CARF MF Processo nº 10073.901241/201309 Acórdão n.º 1301003.326 S1C3T1 Fl. 399 2 Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o valor a maior recolhido se deu basicamente pois desconsiderou os valores pagos em meses anteriores, apresentou planilha que demonstra como os cálculos ocorreram. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum, bem como porque o interessado não juntou provas e documentos. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que o acórdão recorrido deve ser anulado pois não se baseou na verdade material dos fatos, e simplesmente baseouse na DCTF que não foi retificada para não homologar as compensações, juntou as DCTFs retificadoras bem como os cálculos em que se basearam os pagamentos. É o relatório. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10073.901241/201309 Acórdão n.º 1301003.326 S1C3T1 Fl. 400 3 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, pois ao efetuar o pagamento das estimativas mensais, não levou em consideração os valores já recolhidos em meses anteriores. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 1990 26/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10073.901241/201309 Acórdão n.º 1301003.326 S1C3T1 Fl. 401 4 informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 401DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.720429/2015-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF DA FONTE PAGADORA.
Valores declarados em DIRF pela fonte pagadora e não informado na declaração do imposto de renda da pessoa física do Contribuinte.
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos.
DESPESAS MÉDICAS
Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a glosa da dedução referente à pensão alimentícia, até o limite decidido judicialmente, corrigido pelos índices lá definidos, para o ano-calendário de 2012 e a glosa referente às despesas médica.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF DA FONTE PAGADORA. Valores declarados em DIRF pela fonte pagadora e não informado na declaração do imposto de renda da pessoa física do Contribuinte. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. DESPESAS MÉDICAS Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas.
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Inexistência de elementos que justifiquem a identificação de ocorrência de prescrição intercorrente. A cronologia de acontecimentos identificam a normalidade e legalidade do trâmite processual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIRF DA FONTE PAGADORA. Valores declarados em DIRF pela fonte pagadora e não informado na declaração do imposto de renda da pessoa física do Contribuinte. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito de deduzir dos rendimentos tributáveis os valores pagos a título de pensão alimentícia está vinculado aos termos determinados na sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Requerida a comprovação dos pagamentos efetuados aos beneficiários em atendimento a legislação tributária. Reconhecimento do direito à dedução quando cumpridos os requisitos. DESPESAS MÉDICAS Despesas médicas quando se referir a dependente legalmente comprovado ou a alimentado beneficiado por decisão judicial que definiu a pensão alimentícia em que conste expressamente a obrigação de pagar também despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a glosa da dedução referente à pensão alimentícia, até o limite decidido judicialmente, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 04 29 /2 01 5- 16 Fl. 241DF CARF MF 2 corrigido pelos índices lá definidos, para o anocalendário de 2012 e a glosa referente às despesas médica. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de dedução de pensão alimentícia judicial e omissão de rendimentos. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 23.567,33, a título de imposto de renda pessoa física suplementar, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2012. No Despacho Decisório nº 048/15 o Fisco aceitou parte da comprovação apresentada pelo Recorrente e reduziu o valor do Lançamento para R$ 20.116,42. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento o fato de que o Recorrente não teria comprovado integralmente o pagamento da pensão alimentícia aos beneficiários, embora tivesse apresentado o termo de acordo de separação consensual homologado judicialmente e a constatação da omissão de rendimentos. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à falta de comprovação nos moldes que entende legalmente apropriado, nos termos que segue: O contribuinte supracitado foi intimado impugnar o valor do Imposto de Renda Pessoa Física suplementar do anocalendário de 2012 de R$ 23.567,33, com multa de ofício e juros de mora. Tal fato decorreu da omissão de rendimentos de SEFRA Soluções Empresariais Ltda – ME, CNPJ 09.081.888/000109, no valor de R$ 15.472,55; da dedução indevida de dependentes, no valor de R$ 1.974,72; da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 5.496,00; da dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 57.948,00 e da dedução indevida com instrução, no valor de R$ 6.182,70. Omissão de Receitas O contribuinte foi lançado de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, no valor de R$ 15.472,55, de SEFRA Soluções Fl. 242DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 242 3 Empresariais Ltda – ME, CNPJ 09.081.888/000109, fundamentado na informação da DIRF da pessoa jurídica. Analisando a DIRF da pessoa jurídica, constatamos que esta declarou que o contribuinte recebeu a título de rendimento de trabalho assalariado o valor de R$ 15.472,55, em janeiro de 2012. Também recebeu verba isenta de indenização por rescisão de contrato de trabalho, inclusive PDV, no valor de R$ 6.333,73, neste mês de janeiro. O contribuinte apresenta cópia da carteira de trabalho na qual consta o desligamento da pessoa jurídica a data de 02/01/2012, conforme e fls.137 a 139 e 178 a 196. Também apresenta cópia da notificação extrajudicial para a pessoa jurídica para apresentar os documentos referentes ao período fiscalizado, de efls.197 e 198. Em que pese os documentos apresentados pelo contribuinte, não fica comprovado que este não recebeu os valores constantes da DIRF da pessoa jurídica, até porque o desligamento da empresa foi em janeiro e o pagamento dos rendimentos foi em janeiro. A notificação extrajudicial para a pessoa jurídica para apresentar os documentos referentes ao período fiscalizado, que não teria sido atendida, não modifica a DIRF informada pela fonte pagadora, muito menos a possibilidade de ajuizamento de ações judiciais contra a empresa, que não constam terem sido efetivadas. Como o contribuinte não traz nenhuma prova suficiente para comprovar o suposto erro da fonte pagadora, nos termos da livre convicção da Autoridade Julgadora (art.29 do Decreto 70.235/1972), deve ser mantida a omissão de rendimentos. Dedução de Dependentes A glosa da despesa com dependente não procede, pois o contribuinte é pai do menor Enrico Sommerfeld Claramunt, nascido em 27/03/2003,conforme Certidão de Nascimento de efl.22, devendo ser cancelada a glosa de R$ 1.974,72. Tal glosa de dedução já foi objeto de cancelamento pela DRF de origem através do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls.149 a 154. Dedução com Instrução Na despesa com instrução, fica comprovado que o dependente Enrico Sommerfeld Claramunt teve gasto com educação no Instituto Plebesteriano Mackenzie, no valor anual de R$ 12.098,44, e que o próprio contribuinte teve gasto com pósgraduação na Escola Paulista de Direito, no valor de R$ 12.031,38, além do que a alimentanda Yasmin Lara Claramunt teve despesa com instrução, cuja decisão judicial na ação de alimentos decidiu que é obrigação do contribuinte, na PUC – SP, no valor superior a R$ 20.600,00. Como o limite individual de despesa com instrução é R$ 3.091,35, o contribuinte tem direito ao valor de R$ 9.274,05 de dedução com despesa com instrução. Fl. 243DF CARF MF 4 Tal glosa de dedução já foi objeto de cancelamento e foram concedidas as despesas com instrução pela DRF de origem através do Termo Circunstanciado e do Despacho Decisório, de efls.149 a 154. Dedução Indevida de Pensão Alimentícia A dedução indevida de pensão alimentícia, no valor de R$ 57.948,00, é composta pela falta de comprovação do pagamento pelo contribuinte da alimentanda Yasmin Lara Claramunt e Victoria Pacheco Claramunt. O contribuinte alega que na alimentanda Yasmin Lara Claramunt, fez pagamentos mensais de R$ 1.300,00 em conta corrente e em espécie, totalizando R$ 15.150,00 anuais, acrescido de R$ 4.573,03 na compra de livros e outros gastos, somando o valor de R$ 19.723,03, além do pagamento da faculdade, na quantia de R$ 20.824,97. Dos citados pagamentos mensais, somente pode ser aceito o valor do depósito de R$ 1.300,00, de 18/08/2012, de efl.103, pois os demais comprovantes de pagamentos, de efls.105 a 111, no valor mensal de R$ 1.300,00 e somando a quantia de R$ 9.100,00, foram pagos por GK Administradora de Bens S/S Ltda., não constando nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para a alimentanda, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Meras alegações sem prova da assunção do ônus não podem ser aceitas. No mesmo sentido, o valor de R$ 4.573,03 na compra de livros e outros gastos não tem comprovação nos autos, não podendo ser aceito, até porque a legislação não aceita a dedução destes como despesa de instrução. Por sua vez, o pagamento da faculdade, na quantia de R$ 20.824,97, deve ser aceito como despesa com instrução, até o limite legal permitido (R$ 3.091,35), como foi feito pela Autoridade Fiscal, e não como dedução como alimentos, conforme a legislação que rege o assunto, contida no item 378 do Livro Perguntas e Respostas do IRPF, abaixo transcrito: (...) No pertinente à alimentada Victoria Pacheco Claramunt, é alegado pelo contribuinte que foram pagas 11 parcelas mensais de R$ 1.600,00, somando a quantia anual de R$ 17.400,00, sendo que parte deste valor foi recolhido pela empresa GK Administradora de Bens Ltda., que administra os bens do contribuinte e os aluguéis recebidos por este. Novamente, verificamos que foram pagos por GK Administradora de Bens S/S Ltda., conforme efls.121 a 131, não constando nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para a alimentanda, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Meras alegações sem prova da assunção do ônus não podem ser aceitas. Dedução de Despesas Médicas Fl. 244DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 243 5 O contribuinte teve glosada a dedução de despesas médicas, no valor de R$ 5.496,00, pois o pagamento para o plano de saúde (PS Padrão Administradora de Benefícios Ltda) de Patrícia Sommerfeld Claramunt e da alimentanda Yasmin Lara Claramunt não tinham a discriminação dos beneficiários, além de parte dos pagamentos ter sido realizada pela empresa GK Administradora de Bens Ltda, sem demonstração de ônus para o contribuinte. Na declaração IRPF o contribuinte declarou que pagou para si o valor de R$ 3.840,00 e para o dependente (Enrico Sommerfeld Claramunt) o valor de R$ 1.656,00, ambos referentes à Sul América cia de Seg. Saúde. O plano de saúde, discutido judicialmente e cujos valores foram depositados em juízo, de Patrícia Sommerfeld Claramunt não pode ser aceito, pois esta não consta como dependente do contribuinte e não faz parte dos autos o contrato com os beneficiários deste plano de saúde, identificando o contribuinte como tal, não podendo o contribuinte utilizar como despesa de saúde própria o valor de R$ 3.840,00. Isto sem contar que os meses de abril e maio de 2012 foram pagos GK Administradora de Bens S/S Ltda., não constando nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para esta beneficiária, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. (...) Ocorre que pela decisão judicial sobre separação e alimentos, de e fls.25 a 30, o contribuinte tem obrigação de manter um plano de saúde para a alimentanda Yasmin Lara Claramunt. Então, os valores depositados pelo plano de saúde discutido judicialmente para esta alimentanda podem ser dedutíveis, mas apenas quando forem convertidos em renda do beneficiário (plano de saúde) e não no momento do depósito, pois o Imposto de Renda Pessoa Física é regido pelo regime de caixa e não pelo regime de competência. Mesmo que os depósitos fossem dedutíveis de imediato, que contraria os princípios do IRPF, que encontram nas efls.84 a 98 não poderiam ser dedutíveis os meses de março, julho, agosto, setembro e novembro, por não constarem os comprovantes de pagamentos deste meses, e de abril e maio de 2012, que foram pagos GK Administradora de Bens S/S Ltda., não constando nenhuma procuração nos autos autorizando esta empresa a pagar para esta beneficiária, nem algum demonstrativo contábil demonstrando que os valores pagos pela empresa saíram de valores de bens e direitos pertencentes ao contribuinte, de forma que este suportasse o ônus do pagamento. Logo, caso fossem dedutíveis, somente poderiam ser os valores do plano de saúde dos meses de fevereiro, junho, outubro e dezembro, que somam a quantia de R$ 947,03. Destarte, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, na parte litigiosa mantida pela revisão da DRF de origem, mantendo o Fl. 245DF CARF MF 6 imposto suplementar no valor de R$ 20.116,42, com multa e juros de mora, nos termos da legislação. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para manter a exigência do Lançamento, com a redução determinada no despacho decisório da autoridade competente para R$ 20.116,42, como imposto suplementar, mais acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) O Recorrente apresentou sua impugnação ao Despacho Decisório, discordando dos lançamentos descritos, para tanto colecionou documentação hábil e idônea afim de corroborar com a referida impugnação. Agora, aos 15 de maio de 2017, decorridos 4 anos da Impugnação, sobreveio a decisão colegiada – Acórdão 1058.2014, dissonando com as provas táticas e materiais colecionadas ao bojo do procedimento fiscalizatório. Portanto, a presente preliminar trata da prescrição intercorrente no curso do procedimento fiscal, pois patente a insegurança jurídica praticada pelo ente fiscal, ofendendo frontalmente o art. 1º em seu parágrafo 1º da Lei 9.873/99. (...) Assim sendo, poderia o Fisco apreciar a Impugnação e os documentos que a instruem dentro de prazo exíguo, obedecendo os limites previsto na legislação, ou pelo menos se curvando ao Princípio da razoabilidade e moralidade, mas não permanecer em desarrazoada e indeterminado tempo para aferição. De tal sorte, que deverá ser acolhida a preliminar arguida para declarar a prescrição intercorrente do presente. DOS FATOS OMISSÃO DE RECEITAS SEFRA soluções empresariais Ltda. (09.081.888/000109) no valor de R$ 15.472,55. Não prospera tal entendimento, pois o contribuinte pediu demissão aos 2 de janeiro de 2012, comprovadamente através dos documentos juntados, sem qualquer direito indenizatório, férias 13º salário ou liberação de FGTS. A referida empresa fechou suas portas, indo para lugar incerto e não sabido, como consta da resposta a notificação encaminhada pelo contribuinte. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 244 7 O Contribuinte, no primeiro dia útil do ano de 2012 pediu a demissão, não laborou nenhum dia, portanto não teve direito a salário ou outros valores. DEDUÇÃO COM PENSÃO ALIMENTÍCIA Foi glosada as despesas de pensões alimentícias compotas pelas alimentadas Yasmin Lara Claramunt e Victoria Pacheco Claramunt, sob o argumento de terem sido pagas pela empresa “GK Administradora de Bens S/S”, e que não há nos Autos nenhuma procuração ou documento que demonstrem ter sido ônus do contribuinte, meras alegações sem prova. Ainda na glosa, o ente fiscal, apesar de reconhecer a imposição judicial ao contribuinte de prestar a título de alimentos assistência médica hospitalar e pagar escolas, considera que devam ser respeitados os limites a serem deduzidos na espécie de dedução com instrução. Como se observa nos documentos apresentados, DIMOBs, o contribuinte possui uma relação comercial com a referida empresa, cuja qual é uma administradora, que durante o referido exercício administrou o recebimento de valores oriundos de locações do Contribuinte, como se observa dos DIMOBs acostados. Após a realização dos recebimentos, a GK informava o saldo disponível ao contribuinte, e este por sua vez, solicitava e direcionava seus créditos aos pagamentos de suas obrigações, dentre elas com as pensões alimentícias. A relação entre o contribuinte e a empresa GK está demonstrada através dos DIMOBs juntados tanto pelo contribuinte como pela referida empresa, pois esta é obrada a fazêlo por força de legislação. O contribuinte demonstrou através de documentação hábil e idônea, decisão judicial a que lhe obriga prestar alimentos às suas filhas, foi considerado imposto por aquela decisão judicial, também como alimentos, o custeio pelo contribuinte de assistência médica e escolar à alimentada Yasmin Lara Claramunt. Para com a outra alimentada apenas foi determinado o pagamento mensal de valores, sem imposição de assistência médica e escolar. Assim e por outro lado, ao invés de pagar as mensalidades, bastria o contribuinte depositar tais valores correspondentes à escola e assistência médica na conta da alimentada, para que estas satisfizessem a obrigação, produzindo assim dedução integral ao contribuinte. Com relação à alimentada Victoria Pacheco Claramunt, a obrigação restou comprovada através da juntada da sentença judicial, da mesma forma comprovada a relação comercial com a GK Administradora, tendo, portanto, o contribuinte determinado a transferência de parte de seu saldo ao pagamento da obrigação alimentar. Fl. 247DF CARF MF 8 Assim não merece prosperar o entendimento do ente fiscal, devendo ser reformado, e ano final julgado procedente a pretensão e os argumentos do contribuinte. Diante de todo o exposto, requer seja acolhida as preliminares, para ver declarada a prescrição intercorrente fiscal, ou não sendo este o entendimento, requerse seja acolhido o presente Recurso, e uma vez verificada sua insubsistência seja proclamada sua improcedência, cancelandolhe o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. PRELIMINAR – PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE O Recorrente alega que apresentou sua impugnação ao Despacho Decisório 048/2015, discordando do lançamento e que para tanto colecionou documentação hábil e idônea para respaldar a referida impugnação. Diz que em 15/03/2017, decorridos 5 anos da impugnação, sobreveio a decisão colegiada no Acórdão, em dissonância com as provas fáticas apresentadas no procedimento fiscalizatório. Conclui afirmando que a preliminar trata da prescrição intercorrente no curso do procedimento fiscal, ofendendo frontalmente o art. 1º, da Lei nº 9.873/99. DECIDO A prescrição intercorrente ocorre quando há inércia do autor que deixa de praticar os atos necessários para o prosseguimento da ação, no curso do processo, em tempo superior ao máximo previsto em lei para a prescrição do direito discutido. A Lei nº 9.873/99, citada no Recurso, define as condições e prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, em relação ao indevidamente requerido pelo Contribuinte neste processo, nos seguintes termos: Art. 1o Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. (...) Art. 2o Interrompese a prescrição da ação punitiva: Fl. 248DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 245 9 I – pela notificação ou citação do indiciado ou acusado, inclusive por meio de edital; II por qualquer ato inequívoco, que importe apuração do fato; No exame dos autos verificase que a impugnação consta na fl. 02 e foi protocolada em 23/02/2015, tendo o Despacho Decisório da autoridade competente nº 48/2015, fls. 154/155, corrido em 28/04/2015 e ciência do DD em 13/11/2015 fl. 161. Em sequência ocorreu a decisão do Acórdão 1058.2014, fl. 204 em 15/03/2017, seguido da ciência deste, fl. 137, em 27/03/2017. Constatase pela cronologia das ações administrativas não ter havido prescrição intercorrente, como alegado, estando preservada a razoável duração do processo e a celeridade de sua tramitação. Assim sendo, razão não há para a alegação de prescrição intercorrente, motivo suficiente para a rejeição da preliminar. DO MÉRITO O Despacho Decisório nº 048/2015 aceitou parte da comprovação apresentada pelo Recorrente e reduziu o valor do Lançamento para R$ 20.116,42. O Acórdão da DRJ destaca a aceitação da comprovação da despesa com o dependente Enrico Sommerfeld Claramunt, o que já havia sido reconhecido no despacho decisório. O Acórdão da DRJ também considera comprovadas as despesas de instrução do dependente Enrico Sommerfeld Claramunt, do próprio Recorrente e da alimentada Yasmin Lara Claramunt, o que já havia sido reconhecido no despacho decisório. Contudo, a decisão do Acórdão contestado somente considera para a alimentada Yasmin o valor referente ao limite individual como despesa com instrução, o que contraria a decisão judicial que definiu a obrigação do pagamento das despesas deste tipo como obrigação de pensão alimentícia, sem vinculação com o limite para fins fiscais de gastos com dependentes. Não há que se confundir dedutibilidade de pensão alimentícia com despesas com instrução e seus efeitos fiscais vinculados a limites individuais. Na verdade o Recorrente paga despesa com instrução dentro da espécie pensão alimentícia. Portanto considerase aqui todo o valor pago com despesa de instrução da alimentada como dedutível a título de pensão alimentícia. OMISSÃO DE RENDIMENTOS No Acórdão da DRJ não foram acolhidas alegações de defesa, porque sem comprovações, no que se refere à omissão de rendimentos recebidos de SEFRA Soluções Empresariais Ltda, no valor de R$ 15.472,55. O Recorrente apresenta cópia da carteira de trabalho em que consta o registro de seu desligamento da empresa em janeiro de 2012, na qual desempenhou a função de gerente administrativo desde 01/09/2009, regido pelas leis do trabalho, com direitos a verbas de rescisão conforme legislação trabalhista. Fl. 249DF CARF MF 10 O Contribuinte simplesmente alega que nada recebeu após sua saída da empresa, sequer a título de rescisão de contrato de trabalho, sem, contudo, citar os motivos de nada receber pelo desligamento e término do vínculo empregatício. Ausente no processo qualquer prova de ação de trabalhista contra a empresa em que trabalhava a título de verbas rescisórias ou medidas judiciais contra sua ex empregadora, com o objetivo de demandar documentos em seu favor para esclarecer valores de rendimentos pagos em seu nome e informado pela referida empresa à Receita Federal, como obrigação acessória da pessoa jurídica empregadora. Por isso, a inexistência de contestação convincente conjugada com a falta de comprovação resulta concluirse na mantença da identificação de omissão de rendimentos no valor de R$ 15.472,55, constante do Lançamento. DESPESAS MÉDICAS O plano de assistência de saúde está vinculado ao nome da exesposa, como contratante, por razões de condições mais favorecidas por sua situação de estudante, formalizado em período em que mantinham o vínculo conjugal, plano em que constam os membros da família como beneficiários, inclusive o Recorrente. O total pago ao plano foi de R$ 7.781,15, sendo que o informado como dedutível no valor de R$ 5.496,00 referese a ele próprio, seu dependente e sua alimentada, está última em atendimento a decisão judicial referente à pensão alimentícia. Em razão da possibilidade da ocorrência de um vácuo na prestação de serviços médicos por parte da operadora do plano, as prestações mensais passaram a ser depositadas em juízo por decisão judicial em atendimento de sua ação para manutenção dos serviços médicos. Neste caso, os depósitos judiciais equivalem às prestações referentes ao plano de saúde e a necessária apropriação como despesa a este título para efeito de dedução. Referidos desembolsos devem ser considerada no período desta ocorrência sob pena da perda do direito na apuração do imposto por se tratar de regime de caixa e eventual ocorrência de período decadencial. Assim, excluída a glosa no que se refere às despesas médicas. PENSÃO ALIMENTÍCIA A divergência estabelecida na lide em relação à pensão alimentícia diz respeito aos valores constantes nas decisões judiciais que definiram a pensão alimentícia de Yasmin Lara Claramunt e Victoria Pacheco Claramunt e naqueles termos devem ser consideradas para efeito de aceitação da dedução, com base nos pagamentos comprovados documentalmente, seja como depósito em conta corrente ou pagamentos a título de despesas com instrução ou saúde, nos termos e no quantitativo que a decisão judicial determina. A contenda é que de um lado há o rigor na interpretação restritiva da legislação pela Autoridade Fiscalizadora, e de outro, a busca do direito, pelo Contribuinte, de ver reconhecido o que entende plenamente comprovado mediante documentação apresentada, inclusive declaração da empresa intermediadora dos pagamentos para as alimentadas. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, art. 4º e alínea “f” Fl. 250DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 246 11 inciso II, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados no art. 78 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, como segue: Lei nº 9.250/95. Art. 4º. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: (...) II – as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (...) Decreto nº 3.000/99 Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). § 1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. A autoridade fiscal fundamentou a recusa da dedução do valor das pensões das filhas do Recorrente em razão de que não reconhecia suficiente os documentos de pagamentos feito através de terceiros, sob ordem do Contribuinte, nos seguintes termos: Fl. 251DF CARF MF 12 No que concerne à Pensão Alimentícia paga a YASMIN LARA CLARAMUNT, o contribuinte apresentou Decisão Judicial e comprovantes de transferências de pagamentos mensais, no entanto os comprovantes constam dados da conta debitada GK Administradora de Bens e não os dados da pessoa física do contribuinte. Portanto, permanece a glosa de R$ 54.300,00. Devese levar em consideração que as despesas com instrução e as despesas médicas pagas pelo alimentante, em nome do alimentando, em razão de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente ou por escritura pública, a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, podem ser deduzidas somente na declaração de rendimentos, em seus campos próprios, observado o limite anual relativo às despesas com instrução. Em relação à Pensão Alimentícia paga a VICTORIA PACHECO CLARAMUNT, da mesma forma os comprovantes constam dados da conta debitada GK Administradora de Bens. Assim, permanece a glosa de R$ 23.400,00. Tratase neste caso do direito à dedução do imposto de renda por pagamentos de pensão alimentícia em que a exigência fica condicionada a ter sido objeto de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, conforme inciso II, art. 4º, da Lei nº 9.250/95 e art. 78 do Decreto nº 3.000/99, e prova do efetivo pagamento do valor declarado como pago aos pensionistas. Com efeito, constatase que foram realmente acostadas ao processo cópia dos acordos judiciais homologados, certidões de nascimentos, comprovações de despesas e declarações e outros comprovantes da empresa GK Administradora de Bens S/S, informando os valores pagos diretamente pela empresa às alimentadas e a respectiva compensação no encontro de contas com os créditos a receber que o Recorrente possuía junto a ela, identificando uma praxe na realização dos pagamentos das pensões alimentícias que cumpria a decisão judicial, pela realização dos depósitos em conta corrente das beneficiárias. A Súmula CARF nº 98 determina que seja permitida a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, na condição de que tenha decorrido de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e quando comprovado seu efetivo pagamento. Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (grifei) Cabe destacar que o dispositivo que mais se aproxima de uma definição dos condicionantes para obtenção do benefício da dedução diz que o segundo elemento se fará presente “quando comprovado o seu efetivo pagamento”, sem lhe especificar a forma. O fato de ter sido pago através de uma forma que não aquela de crédito em conta das beneficiárias cujo valor não tenha saído diretamente da conta do Recorrente não é motivo suficiente para a glosa da dedução, pois o que realmente importa é a efetividade do pagamento do compromisso assumido. A quitação do compromisso independe da rigorosa observação de crédito em conta corrente e de ter o Contribuinte utilizado um terceiro com o Fl. 252DF CARF MF Processo nº 13896.720429/201516 Acórdão n.º 2001000.579 S2C0T1 Fl. 247 13 qual tinha créditos, para satisfazer sua obrigação de pagar a pensão alimentícia. Por isso, neste caso, satisfeitos os requisitos legais que regem a matéria. Ademais, não há que se confundir abatimentos de despesas com dependentes e beneficiários de pensões alimentícias e suas diferentes formalidades de informação na declaração do Imposto de Renda. Assim que, no exame da documentação acostada ao processo, verificase que o Recorrente apresentou a documentação comprobatória do acordo judicial e a comprovação do pagamento da pensão a que se comprometeu judicialmente, podendo assim se beneficiar da utilização da dedução do imposto a esse título, fazendose imperioso que se conceda o direito pleiteado pelo Recorrente, dando provimento ao recurso para o restabelecimento das deduções, até o valor definido nos acordos judiciais, reajustados para o anocalendário de 2012, pelos índices definidos na homologação judicial. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar, e no mérito DAR PROVIMENTO PARCIAL, para excluir a glosa da dedução referente à pensão alimentícia, até o limite decidido judicialmente, corrigido pelos índices lá definidos, para o anocalendário de 2012, excluir a glosa referente às despesas médicas, ficando mantido o Lançamento no que se refere à omissão de rendimentos. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 253DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.925305/2016-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/05/2014
CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.930
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2014 CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.926605/2016-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente)
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COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 53 05 /2 01 6- 43 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10680.925305/201643 Acórdão n.º 3301004.930 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido e aproveitar esse crédito com débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido efetuado pela empresa Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda., CNPJ nº 05.805.826/000141, mas não teria sido confirmado evento de sucessão entre o declarante e o detentor do crédito. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que a empresa Asyst teria sido incorporada pela Algar Tecnologia, a qual teria sofrido cisão, passando a ser controlada pela Algar TI, de modo que o acervo incorporado da Asyst, teria sido incorporado pela Algar TI. O contribuinte argumentou que na sucessão, a empresa sucessora se torna responsável pelas obrigações tributárias e dos direitos inerentes à sucessão. Citou jurisprudência. Alegou que a finalidade da reorganização societária teria sido segregar as atividades de tecnologia da informação, juntando todo acervo em uma única empresa, a Algar TI. Defendeu que a cessão de crédito está demonstrada no Balanço Patrimonial, pela linha “Impostos a Recuperar”. Concluiu, para requerer que a manifestação de inconformidade fosse conhecida e julgada como procedente, a legitimação da sucessão dos direitos e obrigações da Asyst pela Algar TI, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a nulidade do despacho decisório, que fosse deferida a realização de perícia contábil e a produção de todos meios de prova admitidos em Direito. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 14065.511. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repetiu os argumentos contidos na manifestação de inconformidade e adicionou preliminar de nulidade da decisão de piso, por cerceamento do direito de defesa. Apesar de postulado, a DRJ não teria apreciado o pedido de produção de prova pericial, optando por decidir pela improcedência da defesa, por ausência de prova da liquidez e certeza do crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10680.925305/201643 Acórdão n.º 3301004.930 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.919, de 27 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.926605/201640, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.919): "A DRF em Belo Horizonte (MG) não homologou a compensação de créditos da COFINS do período de apuração de novembro de 2014. O Despacho Decisório (fl. 07) informa que o crédito deriva de pagamentos indevidos, porém não o teria homologado, em razão de o detentor do crédito ser a ASYST INTERNACIONAL SERVICOS DE INFORMATICA LTDA.. Não havia registro de que a recorrente seria sucessora da ASYST, no que tange aos créditos da COFINS em questão. Na manifestação de inconformidade, a recorrente apresentou descrição detalhada da reorganização societária implementada no Grupo Algar, que resultou na transferência dos créditos da ASYST para o seu patrimônio. Carreou aos autos os atos societários correspondentes. Informou que os créditos (R$ 148.639,56) integraram o acervo líquido incorporado. E, por fim, pleiteou que fosse realizada perícia contábil, caso os documentos anexados não fossem considerados como suficientes pela DRJ. Em suma, a DRJ, apesar de reconhecer a legitimidade da sucessão, julgou improcedente o pleito, por falta de elementos que comprovassem a efetiva transferência dos créditos para a recorrente. Apontou que o fato de ter sido incorporado o grupo de contas contábeis "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06) não significava, necessariamente, que os créditos em questão (R$ 148.639,56) naquele saldo havia sido computado. Passemos ao recurso voluntário. Inicia, contestando a conclusão da DRJ, acusandoa de cerceamento do direito de defesa, em razão de não ter convertido o julgamento em diligência, para oportunizar a juntada de documentação suplementar, sem que uma justificativa houvesse sido apresentada, conforme determina o art. 28 do Decreto n° 70.235/72. Afasto estes argumentos. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10680.925305/201643 Acórdão n.º 3301004.930 S3C3T1 Fl. 5 4 Primeiro, porque diligências ou perícias não se destinam à produção de provas em favor das partes. E, segundo, porque tampouco foi instruído, os termos do inciso IV do art. 16 do decreto n° 70.235/72 "IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito." No mérito, novamente apresentou detalhada descrição das operações que resultaram na transferência para o seu patrimônio dos créditos da Asyst. Em síntese, a Algar Tecnologia incorporou a Asyst International (proprietária original dos créditos) e a Rhealeza VR. Simultaneamente, a Algar Tecnologia sofreu cisão parcial, com incorporação do acervo líquido cindido na Algar TI (recorrente). Enfatizou que a parcela do patrimônio cindido correspondeu aos acervos líquidos da Asyst e Rhealeza. Com efeito, os respectivos atos societários anexados às defesas, foram assim sintetizados na decisão de piso (fl. 70): "a) Ata da Assembléia Geral Extraordinária da empresa Algar Tecnologia e Consultoria, CNPJ nº 21.246.699/000144, realizada em 2 de julho de 2015, protocolizada em 31/07/2015 na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, através da qual foram deliberados os termos e as condições da incorporação da Asyst Internacional Serviços de Informática Ltda. e Rhealeza Volta Redonda Informática Ltda. pela Algar Tecnologia e Consultoria S/A.; b) Protocolo de Incorporação das sociedades, no qual são firmadas as condições para a incorporação das empresas, datado de 15 de junho de 2015 e Laudo de Avaliação, datado de 02 de julho de 2015, ambos protocolizados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 31/07/2015. No Laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015. c) Ata da reunião dos sócios quotistas realizada em 02 de julho de 2015, registrada na Junta Comercial em 14/09/2015, pela empresa “Acional Serviços de Informática Ltda.” (sic), CNPJ nº 05.805.826/000141, no qual os sócios quotistas aprovaram a incorporação da empresa pela Algar, dando como extinta a sociedade. d) Protocolo de cisão parcial da sociedade Algar Tecnologia e Consultoria S/A com incorporação da parcela cindida na Algar TI Consultoria S/A, datado de 15 de junho de 2015 e protocolizado na Junta Comercial em 31/07/2015. e) Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada pela Algar Tecnologia e Consultoria, em 3 de julho de 2015 (protocolizada na Junta Comercial em 13/08/2015), através da qual foram aprovados o Protocolo de cisão parcial, o laudo de avaliação e a cisão parcial da sociedade. No laudo de Avaliação, consta o Balanço Patrimonial em 31/05/2015." Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10680.925305/201643 Acórdão n.º 3301004.930 S3C3T1 Fl. 6 5 Destacou que o saldo do grupo contábil "Impostos a Recuperar", transferido da Algar Tecnologia, de R$ 2.160.819,06, era composto por R$ 282.419,93, originários da Rhealeza, e R$ 1.878.399,13, da Asyst. E concilia os montantes com os atos societários. Trouxe dispositivos legais, doutrina e julgados, fundamentando o direito de a Algar TI aproveitar créditos tributários resultantes de operações de cisão, seguida de incorporação. E, por fim, mais uma vez, pleiteia a realização de diligência, para a juntada do documentos complementares, caso esta turma não se satisfaça com os já apresentados. Restou incontroversa a possibilidade de os contribuintes utilizarem créditos tributários, resultantes das operações societárias em questão, cujo fundamento se encontra nos artigos 227 e 229 da Lei n° 6.404/76. Contudo, concordo com a DRJ. Não é suficiente para comprovar a liquidez e certeza dos créditos, informar que o montante dos créditos (R$ 148.639,56) se encontrava na rubrica "Impostos a Recuperar" (R$ 2.160.819,06), indicada nos atos societários. Relevo, naturalmente, a ausência de detalhes acerca da incorporação da Ayst pela Algar Tecnologia, pois, da leitura dos atos societários, concluise que houve realmente houve uma incorporação, operação por meio da qual extinguese uma pessoa jurídica (incorporada) por meio da transferência de seu acervo líquido (ativos e passivos) para a incorporadora. Contudo, a operação subsequente foi uma cisão parcial, seguida de incorporação, em cujos atos societários não há destaque dos créditos foram transferidos para a recorrente. A recorrente deveria ter trazido aos autos, ao menos, as seguintes informações complementares, para comprovar que era a titular dos créditos: razão contábil da rubrica em que o crédito foi originalmente registrado na escrita da Asyst, devidamente conciliada com demonstrativo da base de cálculo, DCTF e guia de recolhimento, em que ficaria evidenciada a apuração do crédito e sua contabilização; lançamentos contábeis, com os respectivos razões, evidenciando a transferência, por incorporação, dos créditos da Asyst para Algar Tecnologia; e lançamentos contábeis da cisão parcial da Algar Tecnologia e da incorporação do respectivo acervo líquido na Algar TI, evidenciando que os créditos compuseram o patrimônio cindido e em seguida incorporado. E, pelas razões anteriormente apresentadas, também nego o pedido de diligência ou perícia. Concluo, negando provimento ao recurso voluntário. É como voto." Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10680.925305/201643 Acórdão n.º 3301004.930 S3C3T1 Fl. 7 6 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001376/2010-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado.
RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. INOBSERVÂNCIA PELA EMPRESA DAS POSSIBILIDADES LEGAIS PARA EXIGÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO.
No caso de recusa do Sindicato em participar das negociações para pagamento da participação nos lucros e resultados, deve o empregador comunicar a recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis ou mesmo adotar as possibilidades da própria Lei nº 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação.
Numero da decisão: 2202-004.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Votaram pelas conclusões os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão, acolhem-se os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. INOBSERVÂNCIA PELA EMPRESA DAS POSSIBILIDADES LEGAIS PARA EXIGÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO. No caso de recusa do Sindicato em participar das negociações para pagamento da participação nos lucros e resultados, deve o empregador comunicar a recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis ou mesmo adotar as possibilidades da própria Lei nº 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Votaram pelas conclusões os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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MORGAN S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada omissão no acórdão, acolhemse os embargos de declaração, para que seja sanado o vício apontado. RECUSA DO SINDICATO EM PARTICIPAR DAS NEGOCIAÇÕES PARA PAGAMENTO DA PLR. INOBSERVÂNCIA PELA EMPRESA DAS POSSIBILIDADES LEGAIS PARA EXIGÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO. No caso de recusa do Sindicato em participar das negociações para pagamento da participação nos lucros e resultados, deve o empregador comunicar a recusa ao Ministério do Trabalho e Emprego, para adoção das providências legais cabíveis ou mesmo adotar as possibilidades da própria Lei nº 10.101/2000 para os casos de impasse na negociação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes, vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Votaram pelas conclusões os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 76 /2 01 0- 79 Fl. 902DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte (fls. 602/607), em face do Acórdão nº 2403002.092 (fls. 539/552). Para conhecimento dos autos, reproduzo o relatório do Acórdão embargado, o qual sintetiza os fatos ocorridos até aquele momento: Tratase Auto de Infração por descumprimento de obrigação principal, lavrado contra a empresa acima identificada, referentes à contribuição social correspondente à parte da empresa, bem como às destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, no período de 01/2005 a 01/2007, com ciência do contribuinte em 29/10/2010. De acordo com o Relatório Fiscal de fls 15/24, o lançamento teve por fatos geradores: a) Vale Transporte e b) pagamento de Participação nos Resultados em desacordo com a Lei 10.101/2000. Foi efetuado o levantamento sobre a rubrica Vale transporte uma vez que a fiscalização identificou o pagamento era efetuado em pecúnia aos segurados empregados Sobre a Participação nos Lucros ou Resultados a fiscalização efetuou o lançamento por entender que: i) ausência de participação da entidade sindical da categoria nas PLR's celebradas nos anos de 2004 e 2005; ii) falta regras claras e objetivas, metas e mecanismos de aferição, iii) O acordo de 2006 foi assinado em dezembro daquele ano, ou seja, no final do período a ser avaliado. Desta forma, considerou as distribuições efetuadas com base naquelas PLR's como sendo pagamentos efetuados em desacordo com os requisitos legais para exclusão das contribuições previdenciárias, ou seja, mera verba que complementa o salário. Inconformada com Decisão de primeira instância (fls. 330/356), a empresa apresentou recurso onde alega em apertada síntese: Em sede preliminar argüiu a nulidade da decisão de primeira instância ante a ausência de análise de todos os argumentos apresentados na defesa, em especial, a alegação de nulidade da autuação em face da extrapolação dos limites temporais do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, uma vez que este tinha Fl. 903DF CARF MF Processo nº 16327.001376/201079 Acórdão n.º 2202004.732 S2C2T2 Fl. 903 3 como objeto a fiscalização de contribuições do período de 01/2005 a 01/2007 e exigiu documentação relativa a 2002 e 2004, ou seja, em período decaído. Entende que, uma vez decaído o direito do Fisco questionar a legalidade dos planos de PLR celebrados em 2002 e 2004, não poderia lançar os valores relativos aos pagamentos realizados em 2005, posto que estes se originaram daqueles planos. Que deve ser aplicada a decadência qüinqüenal das parcelas relativas às competências anteriores a 10/2005, com base no art. 150, § 4o do CTN. Do Mérito Sobre os valores pagos a título de vale transporte, a recorrente defende a não incidência de contribuições, traçando um histórico da legislação que trata do assunto citando ainda jurisprudência sobre a matéria. Afirma que o TST autorizou aos bancos, como a recorrente, o pagamento do vale transporte em dinheiro ante sua natureza jurídica eminentemente indenizatória, razões pela qual jamais poderia compor a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Que tais verbas não se consubstanciam retribuição pelo trabalho, mas sim, para o trabalho pois se destinam unicamente a possibilitar o deslocamento residênciaemprego e emprego residência. Cita doutrina e jurisprudência sobre o tema para afastar o caráter retributivo de tais verbas. Com relação à PLR, afirma que a ausência do Sindicato nos Acordos de Participação nos Lucros e Resultados PLR, não encontra respaldo na Lei 10.101/00 que não estabelece a adoção de qualquer procedimento nos casos em que o Sindicato se negue a participar da negociação, portanto, não deve proceder a pretensão fiscal. Defende que, no caso em apreço, não devem ser aplicadas as disposições contidas nos arts. 616 e 617 da CLT, pois, eles apenas regulamentam as relações jurídicas vinculadas a Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, que são instrumentos de negociação que não se assemelham ao Acordo Próprio entre a empresa e os seus trabalhadores. Entende estar diante de uma obrigação impossível de ser cumprida já que a recorrente não possuía qualquer subsídio legal capaz de obrigar o Sindicato a participar das negociações de PLR. No que tange a alegação da decisão de primeira instância de que não constavam regras claras e objetivas e mecanismo de aferição, a recorrente se insurge aduzindo que a decisão recorrida se calcou em duas premissas equivocadas. Fl. 904DF CARF MF 4 Afirma que os mecanismos de aferição previstos nos Acordos de PLR são as avaliações de desempenho relacionadas a três critérios de resultados: Resultados Coorporativos; Resultados das Areas e Resultados Individuais. Informa que nos Anexos que integram os Acordos de PLR estão expressa, clara e objetivamente descritos todos os critérios utilizados na distribuição das PLR, em conformidade com o que foi negociado com os trabalhadores. Transcreve os trechos do Anexo para corroborar suas afirmações. Mantém este raciocínio argumentando que todos os elementos objetivos necessários à configuração do merecimento ou não do PLR são claros e respeitaram o tratamento isonômico dispensado a todos os trabalhadores. Conclui que, o fato das avaliações de desempenho terem sido efetuadas pelos gerentes ou supervisores não afronta a Lei 10.101/00 e questiona " a quem a DRJ esperava ver outorgada a competência para a definição de metas e resultados que fundamentam a PLR e a atividade empresarial da Recorrente?" Defende que a Lei 10101/00 não exige que os acordos prevejam metas ou valores de forma detalhada ou numérica e que, o art. 2o, § Io, inciso II da referida lei trata de mera faculdade arrolada pelo legislador que apontou alguns critérios que poderiam ser utilizados na elaboração de um acordo de PLR. Cita o art. 7o, inciso XI da Constituição Federal para defender a não incidência de contribuição social sobre o pagamento de valores à título de participação nos lucros, sendo o requisito essencial, a existência de lucros e resultados a serem compartilhados com o empregado e que qualquer outra condição decorrente de legislação ordinária, que torne impeditivo o gozo de direito garantido pela Constituição Federal deve ser entendida como inconstitucional. Colaciona jurisprudência deste conselho para sustentar suas alegações; Sobre a ausência de negociação prévia das metas que fundamentam os pagamentos de PLR, afirma que qualquer acordo somente pode ser assinado após o encerramento de um período prévio de negociações e que muitas vezes este período pode ser bastante extenso. Que as negociações entre a recorrente, a comissão de empregados e o Sindicato ocorreram antes do período ao qual o desempenho dos empregados seria analisado para a verificação de alcance de resultados para fins de direito ao recebimento de PLR e ainda que o Acordo tenha sido assinado próximo ao final do período no qual houve essa análise, as negociações e a própria fixação de tais critérios ocorreram em período anterior, ou seja em tempo hábil para que os empregados soubessem qual a performance era esperada pela empresa. Ademais os acordos de PLR em nada inovaram, quando comparados com os programas que vinham sendo utilizados desde 1999 e aos quais os empregados já estavam bastante familiarizados. Insurgese contra a cobrança da Contribuição Adicional de 2,5% e pugna pela revisão da multa plicada para a aplicação da Fl. 905DF CARF MF Processo nº 16327.001376/201079 Acórdão n.º 2202004.732 S2C2T2 Fl. 904 5 Lei 11.941/09, à fim de se adequar à legislação em vigor na época dos fatos. Considera ilegal a majoração da multa pelo decurso de tempo por ter sido revogado o art. 35 da Lei 8212/91 após a edição da MP 449/2008. A decisão do colegiado da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento foi assim resumida (fls. 539/552): Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Acolher parcialmente a preliminar de decadência para excluir do lançamento as contribuições lançadas até a competência 09/2005. No mérito dar Provimento Parcial ao recurso para, por unanimidade de votos, excluir do levantamento os valores referentes ao vale transporte e a PLR 2006 pagos após 12/2006; e por maioria de votos determinar o recalculo da multa de mora nos termos do art. 35 da Lei 8.212 (art. 61 da Lei 9.430/96), prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. O Contribuinte foi intimado da decisão em 11/11/2016, em seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB (fl. 599/600) e apresentou embargos de declaração (fls. 602/607) em 17/11/2016, em função da identificação de omissão no acórdão CARF nº 2403002.092, de 18/06/2013, uma vez que: [...] o acórdão nada dispõe acerca da alegação do Embargante quanto à recusa do Sindicato em participar das negociações pertinentes aos anos de 2004 e 2005. Não se discute se há ou não ausência do Sindicato, mas sim se sua ausência proposital tem o condão de tornar o acordo estabelecido entre as partes inadequado frente às exigências contidas na Lei nº 10.101/00. Os embargos foram admitidos, conforme despacho de fls. 897/901, para que fosse sanada a omissão apontada. O processo foi sorteado para minha relatoria, por se tratar de Embargos de Declaração de Turma extinta e o Conselheiro não mais integrar o colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias Relatora Acolho os Embargos por preencherem os requisitos de admissibilidade. Analisando o acórdão Embargado, percebese que existe, efetivamente, a omissão indicada pelo Embargante: falta de pronunciamento em relação à recusa do Sindicato em participar das negociações, nos termos do despacho às fls. 897/901. Fl. 906DF CARF MF 6 Diante de tal omissão, passo a examinar os argumentos esposados no Recurso Voluntário, especificamente em relação à PLR: [...] a Lei n.º 10.101/2000 não estabelece a adoção de qualquer procedimento nos casos em que o Sindicato se nega a participar das negociações de PLR. Na verdade, apenas nos casos em que as negociações resultem em impasse (o que pressupõe a participação do Sindicato) a Lei n.º 10.101/2000 prevê que deve ser utilizado o mecanismo da mediação ou da arbitragem. Sendo assim, face à ausência de previsão legal a respeito dos procedimentos que devem ser adotados pela empresa e/ou comissão de empregados em caso de omissão por parte do Sindicato, bem como à ausência de previsão dos efeitos jurídicos que tal omissão geram, o negócio jurídico em questão (Acordo de PLR) foi desconsiderado pelo Fisco com base em ato de sua vontade e por mero inconformismo, o que é juridicamente inaceitável. E, nesse mesmo sentido, nem se alegue que seriam aplicáveis ao presente caso as disposições contidas nos artigos 616 e 617 da CLT, pois eles apenas regulamentam as relações jurídicas vinculadas a Convenções e Acordos Coletivos de Trabalho, que são instrumentos de negociação que não se assemelham por sua forma, alcance e finalidade ao Acordo Próprio que fundamentou os pagamentos de PLR no presente caso. O até aqui exposto converge para a conclusão de que se está diante de uma verdadeira obrigação impossível de ser cumprida pelo Recorrente, já que não possuía qualquer subsídio legal capaz de obrigar o Sindicato a participar das negociações de PLR. O argumento da recorrente já foi objeto de debate neste Conselho, nos autos do processo nº 36624.000688/200631, em que ela figurou como parte. E, por concordar com os fundamentos do voto vencedor daquele julgamento, exarado no acórdão nº 9202005.211, de 21/12/2017, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, adotoos como razões de decidir: Da participação do representante do sindicato. Conforme descrito acima, ao tratar das negociações entre empregador e empregados para o pagamento da PLR o legislador colocou à disposição das partes dois instrumentos negociais, quais sejam: convenção coletiva/acordo coletivo ou comissão formada por representantes da empresa e dos trabalhadores, esta obrigatoriamente com participação do ente sindical. Eis a disposição legal: Art.2° A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Fl. 907DF CARF MF Processo nº 16327.001376/201079 Acórdão n.º 2202004.732 S2C2T2 Fl. 905 7 Importante destacar que o referido dispositivo foi, inclusive, alterado recentemente, passando o inciso I a exigir que a comissão formada para negociar a PLR seja paritária, mantendose inalterada a obrigatoriedade de participação do sindicato. Eis o texto alterado: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (Redação dada pela Lei n" 12.832, de 20 de junho de 2013) Concluise, que ao negociar o pagamento da PLR sem a participação da entidade sindical, a recorrente descumpriu o art. 2. da Lei n. 10.101/2000. Portanto, é de se reconhecer que o pagamento foi efetuado em dissonância com a lei que rege a matéria. Não há de se acatar qualquer argumentação de que a participação do sindicato é mera formalidade e que o descumprimento desse requisito não pode acarretar na desconsideração da natureza jurídica do pagamento. A presença de representante do sindicato nas negociações, antes de representar uma faculdade para as partes, constitui norma obrigatória, cujo desiderato é resguardar os interesses dos empregados mediante a assistência da sua entidade sindical. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8o. da Constituição Federal do 1988, a qual se reporta ao sindicato como legítimo representante dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Essa exigência nada mais é que um desdobramento do que dispõe o inciso III do art. 8o. da Constituição Federal do 1988, a qual se reporta ao sindicato como legítimo representante dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, dentre os quais, inegavelmente, situase a participação nos lucros e resultados da empresa. Por outro lado, mesmo que não explicitamente provada, a alegação de que mesmo convocado para participar das negociações, o sindicato não comparaceu (sic) não serve como fundamento para descumprir o preceito legal. Embora plausível esta alegação da empresa, não serve de escusa para descumprimento da exigência legal de participação de representante sindical nas negociações para pagamento da PLR. E que, primeiro a empresa teria outro instrumento para formalizar o pagamento de PLR em conformidade com a lei 10.101/2000, no caso acordos os (sic) convenções coletivas. E nem se venha argumentar que se já fora difícil a participação do sindicado na comissão, tão difícil quanto, será exigir do Fl. 908DF CARF MF 8 sindicato firmar acordos coletivos. O ordenamento pátrio prevê remédio para esses tipos de situação. Quanto aos acordos e conveções (sic) coletivas assim, prevê a Consolidação das Leis do Trabalho — CLT: Nos termos do art. 616 da CLT: "Art. 616. Os sindicatos representativos de categorias econômicas ou profissionais e as empresas, inclusive as que não tenham representação sindical, quando provocados, não podem recusarse à negociação coletiva. § 1° Verificandose recusa à negociação coletiva, cabe aos sindicatos ou empresas interessadas dar ciência do fato, conforme o caso, ao Departamento Nacional do Trabalho ou aos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, para convocação compulsória dos sindicatos ou empresas recalcitrantes. § 2°No caso de persistir a recusa à negociação coletiva, pelo desatendimento às convocações feitas pelo Departamento Nacional do Trabalho ou órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, ou se malograr a negociação entabulada, é facultada aos sindicatos ou empresas interessadas a instauração de dissídio coletivo. Assim, diante da recusa do ente sindical em participar das negociações coletivas, tem a empresa ao seu dispor de instrumento legal para suscitar ao Ministério do Trabalho a sua convocação compulsória. Para os que entendem que essa possibilidade de convocação compulsória não seria aplicável, no caso de recusa de participação do representante sindical na comissão da empresa, a própria lei 10.101/2000 estabelece remédio em seu art. 4o, razão pela qual não há que se mitigar a participação do sindicato, conforme defende o recorrente. Art. 4º—Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: Imediação; II arbitragem de ofertas finais, utilizandose, no que couber, os termos da Lei n 9.307, de 23 de setembro de 1996.(Redação dada pela Lei n° 12.832, de 2013)(Produção de efeito) §1ºConsiderase arbitragem de ofertas finais aquela em que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2ºO mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3ºFirmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. Fl. 909DF CARF MF Processo nº 16327.001376/201079 Acórdão n.º 2202004.732 S2C2T2 Fl. 906 9 §4º0 laudo arbitral terá força normativa, independentemente de homologação judicial. Não tendo a recorrente adotado quaisquer dessas providências, resta caracterizado o descumprimento do requisito obrigatório previsto no art. 2o. da Lei n. 10.101/2000. E de se concluir que a falta de participação do representante sindical nas negociações para pagamento da PLR constitui afronta a lei específica, estando em perfeita consonância com a lei a incidência de contribuições sobre as parcelas pagas título de participações nos lucros e resultados, face não restar atendida a norma constante na alínea "j" do § 9. do art. 28 da Lei n.° 8.212/1991. [...]. Portanto, diante da recusa de participação do Sindicato apontada pela embargante, não vislumbro nos autos que a empresa tenha se utilizado de outros instrumentos oferecidos pela Lei para que essa participação fosse efetivada. Ressalto que, ao contrário do que afirma a embargante, os artigos 616 e 617 da CLT são plenamente aplicados ao caso, pois se a Lei nº 10.101/2000 disponibilizou à empresa dois instrumentos para a negociação com seus empregados sobre a participação nos lucros ou resultados, na impossibilidade de que um dos instrumentos não pudesse ser concretizado, por falta de um dos requisitos, como a efetiva participação do sindicato, a empresa disporia do outro, como convenção ou acordo coletivo, com todas as garantias que regem esses instrumentos, inclusive os dispostos nos artigos citados. Nesse sentido, quando a Lei nº 10.101/00 relaciona como um dos instrumentos para a negociação da PLR a convenção ou acordo coletivo, não tira deles a carga de requisitos que lhes dão validade, conforme estipulado na CLT. Por isso, a Lei nº 10.101/00 não deve ser interpretada isoladamente, mas com toda a integração jurídica que lhe é própria. Assim, não se tratava de "obrigação impossível de ser cumprida pelo Recorrente", mas de obrigação a qual a Lei deu todas as garantias para seu efetivo cumprimento. Dessa forma, deve permanecer inalterada a conclusão exposta no acórdão embargado. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os Embargos, para fins de integrar o acórdão embargado, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Fl. 910DF CARF MF 10 Fl. 911DF CARF MF
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Numero do processo: 37307.000946/2006-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/06/2004
RESTITUIÇÃO PLEITEADA NA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005. PRAZO QUINQUENAL.
Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a partir da vigência da Lei Complementar n° 118/2005 o prazo para o contribuinte postular a restituição, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado.
RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
Estando suficientemente comprovado que o requerente não exercia atividade correspondente a contribuinte individual, devem ser restituídos os recolhimentos efetuados a esse título.
Numero da decisão: 2202-004.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito do recorrente à restituição das contribuições previdenciárias pagas nas competências de março/2001 a junho/2004, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PRAZO QUINQUENAL. Consoante jurisprudência vinculante firmada no âmbito do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal, a partir da vigência da Lei Complementar n° 118/2005 o prazo para o contribuinte postular a restituição, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS DE CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Estando suficientemente comprovado que o requerente não exercia atividade correspondente a contribuinte individual, devem ser restituídos os recolhimentos efetuados a esse título. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito do recorrente à restituição das contribuições previdenciárias pagas nas competências de março/2001 a junho/2004, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negava provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 30 7. 00 09 46 /2 00 6- 35 Fl. 108DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP) DRJ/CPS, que ratificou o indeferimento de requerimento de restituição, não reconhecendo direito creditório sobre valores de contribuição recolhidos relativos ao período de jul/97 a jun/04. A controvérsia foi assim resumida pela instância de piso (fls. 72/73): A fl. 11 consta a JUSTIFICATIVA DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, com as seguintes informações: • Em 26/01/2000 o segurado requereu a aposentadoria por tempo de contribuição, o que foi indeferido em 18/07/2000; • Recorreu administrativamente no mesmo ano, porém, como o recurso não foi julgado até 10/2002, houve por bem ingressar com ação judicial; • A ação foi julgada procedente e, em face da decisão judicial, a aposentadoria foi concedida em 22/11/2005, com tempo de contribuição apropriado até 04/09/1992 e a PBC compreendeu período de 08/1988 a 07/1991; • Recolheu como contribuinte facultativo no período de 07/1997 a 06/2004, para não perder a condição de segurado, caso lhe fosse negado o beneficio. Junta aos autos a sentença judicial e demais documentos para fazer valer sua tese. A soma das contribuições que constam do RRC, em valores originários, perfaz o valor de R$10.783,64 (dez mil, setecentos e oitenta e três reais e sessenta e quatro centavos). Em 13/05/2009, conforme documento de fls. 49 a 52, o pedido de restituição foi indeferido com base na verificação de que o segurado desde 15/07/1997 é contribuinte individual, com a ocupação de professor particular, e não providenciou o encerramento desta atividade. Irresignado, o segurado protocolou recurso, onde alega que o prazo de prescrição foi interrompido e deve ser retomado a partir do momento do trânsito em julgado da lide judicial. Ainda, que a autarquia deveria ter alterado a categoria do Sr. WOLNILSON, de autônomo para facultativo, uma vez que o mesmo não se enquadra na primeira categoria. Acrescenta que não possui inscrição nem mesmo na Prefeitura local ,portanto é devida a restituição pleiteada. Junta ao recurso, a informação de que a dita inscrição foi equivocada por nunca ter exercido atividade autônoma e a Certidão n° 58951, emitida pela Prefeitura Municipal de Santo André, em 28/05/2009, indicando que o Sr. WOLNILSON não se encontra cadastrado naquele órgão (fls 64/65). Fl. 109DF CARF MF Processo nº 37307.000946/200635 Acórdão n.º 2202004.819 S2C2T2 Fl. 109 3 Não prosperando a inconformidade do interessado em sede de julgamento de primeira instância (fls. 71/77), foi interposto recurso voluntário em 27/08/2010 (fls. 79/89), no qual foram repisados, em linhas gerais, os argumentos já vertidos quando do recurso contra a decisão do SEORT/DRF/SAE. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. De plano, constatase que deve ser enfrentada a prejudicial do direito do contribuinte de postular a restituição dos valores pretensamente recolhidos a maior de contribuições previdenciárias. A respeito dessa matéria, houve pronunciamento do STF em sede de repercussão geral no RE nº 566.621 (j. 04/08/2011), e do STJ sob o rito de recurso repetitivo nos REsp nº 1.002.932/SP (j. 25/11/2009) e nº 1.269.570/MG (j. 23/05/2012), julgados os quais deve este Colegiado observar, tendo em vista o disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento do CARF (Portaria MF nº 343/15). O entendimento exarado por esses tribunais superiores é no sentido de que o prazo para o contribuinte pleitear restituição/compensação de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, para os pedidos protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/05, ou seja, antes de 09/06/2005, é de cinco anos, conforme o artigo 150, § 4º do CTN, somado ao prazo de cinco anos previsto no artigo 168, I desse Código. E, no REsp nº 1.269.570/MG, o STJ frisou que "para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar nº 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 4º do CTN". Destarte, resta claro que para os pedidos de restituição realizados após 09/06/2005, seja em sede judicial, administrativa ou por iniciativa do interessado, deve ser observado o prazo de cinco anos, contados do pagamento antecipado. O prazo dito "prescricional" de 10 anos aplicase somente aos pedidos formulados anteriormente a essa data, como dispõe a Súmula CARF nº 91: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Na espécie, temse evidente que, quando formulado o pleito administrativo de restituição em 10/08/2006, estava decaído/prescrito conforme a corrente interpretativa Fl. 110DF CARF MF 4 doutrinária acerca do prazo para repetição de indébito que se adote o direito do contribuinte assim o proceder quanto aos pagamentos realizados entre 07/97 e 02/01, conforme constatado pelo Fisco. Registrese que o direito à repetição de indébito também estaria fenecido com relação aos fatos geradores ocorridos até jun/2001, porém como a decisão de piso atevese ao limite de fev/01, em respeito ao princípio da proibição do reformatio in pejus resta manter os termos daquela, quanto a esse aspecto da lide. Anotese, ainda, que a ação judicial proposta pelo contribuinte no intento de ver reconhecido tempo de contribuição em nada influencia na questão do prazo para repetição de indébito, por serem os direitos postulados em cada litígio bastante distintos. Noutro giro, temse que o contribuinte efetuou os recolhimentos em comento sob o código correspondente a contribuinte individual, constando ter efetuado a inscrição no NIT (Número de Identificação do Trabalhador) em jul/97 como autônomo sob a ocupação "professor particular" (fl. 39). A alegação do requerente é que assim procedeu por cautela, pois demandava reconhecimento de tempo de serviço em ação judicial perante a autarquia previdenciária, e queria manterse, via tais recolhimentos, na qualidade de segurado, caso fosse perdedor naquela ação. Acrescenta, ainda, que cometeu erro em não ter recolhido como facultativo, pois à época não trabalhava, estando a receber auxílioacidente, e não possuindo sequer inscrição como autônomo junto à prefeitura. Juntou documentos nesse sentido (fls. 68/69). O acórdão guerreado manteve o indeferimento do pleito de restituição considerando que dado que o contribuinte não solicitara a suspensão de sua inscrição no RGPS, vinculada a atividade de autônomo, quedou presumida a continuidade desta, nos termos dos arts. 53 e 54 da IN MPS/SRP nº 03, de 14/07/2005, vigente à ocasião em que formulado o pedido. Desse modo, sendo segurado obrigatório desse regime nos termos do § 4º do art. 12 da Lei nº 8.212/91, não se verificaria recolhimento indevido a justificar restituição, consoante regra o art. 89 dessa lei. Sem embargo, não parece sustentarse tal entendimento diante do contexto analisado. Vejase que de acordo com os arts. 44 e ss da IN MPS/SRP nº 03/05, tanto a inscrição quanto o encerramento da inscrição e/ou atividade do contribuinte individual são realizados com base em mera declaração da pessoa física interessada, acompanhada de documento de identificação. Então, na época da inscrição, bem como no decorrer do período em que efetuadas as contribuições em apreço, não foi fornecida à repartição previdenciária nenhum documento atestando o efetivo exercício da atividade de autônomo. Ante esse quadro, merece peso a declaração do contribuinte nos presentes autos de que não atuou como autônomo naquela época, e que estava a efetuar os recolhimentos em tela para manter a qualidade de segurado, visto possuir apenas a expectativa de que sua demanda perante a justiça fosse bem sucedida. E, ainda que a prova a ser produzida se aproximasse da chamada prova "diabólica" pois ele teria de comprovar fato negativo indeterminado, ou seja, que não Fl. 111DF CARF MF Processo nº 37307.000946/200635 Acórdão n.º 2202004.819 S2C2T2 Fl. 110 5 trabalhou como autônomo então esmerouse o contribuinte em buscar fazêlo na medida em que possível, ao atestar que estava recebendo auxílioacidente, e que não estava inscrito como autônomo junto ao município de residência. De sua parte, o Fisco poderia ter carreado prova de que o recorrente exercia atividade remunerada no período em questão, por exemplo, verificando que seu nome fora incluído por algum contratante em GFIP, o que não se verificou. Assim, do conjunto de elementos reunidos nos autos, entendese estar suficientemente comprovado ter o contribuinte recolhido indevidamente as contribuições não atingidas pela extinção de seu direito a repetir o indébito. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, reconhecendo o direito do recorrente à restituição das contribuições previdenciárias pagas nas competências de março/2001 a junho/2004. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.720679/2015-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Ângelo Abrantes Nunes (Suplente convocado), Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em São Paulo (SP), que julgou improcedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF, lavrado para RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 20 67 9/ 20 15 -7 0 Fl. 410DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 411 2 formalização e exigência de crédito tributário no montante de R$39.991.570,18, conforme tabela abaixo indicada: IMPOSTO: JUROS: MULTA: TOTAL: R$ 18.770.405,91 R$ 7.143.359,82 R$ 14.077.804,45 R$ 39.991.570,18 A fiscalização teve inicio em 06/03/2014 com a lavratura do TIPF – Termo de Inicio de Procedimento Fiscal e a solicitação da folha pagamento e dos arquivos contábeis em meio digital, com leiaute previsto no Manual Normativo de Arquivos Fiscais. Os registros contábeis foram acessados através da ECD Escrituração Contábil Digital no SPED – Sistema Publico de Escrituração Digital. Constam Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 797/799 e 801/803. A fiscalização observa “que a empresa apresentou os Planos de 2006, 2007, 2008 e 2011, e resumidamente discrimina os pontos principais nos itens 3.1 a 3.1.10 do Plano de 2006; nos itens 3.2 a 3.2.9 do Plano 2007 Cyrela em ação; nos itens 3.3 a 3.3.7 do Plano 2007 Plano Executivo; nos itens 3.4 a 3.4.13 do Plano de 2008 e nos itens 3.5 a 3.5.9 do Plano de 2011”. Informa a fiscalização, “que a empresa apresentou os contratos firmados em 01/09/2011, de Flávio Kantor Cuperman, Marcelo Puntel de Oliveira, Antonio Carlos Zorzi, Miguel Maia Mickelberg, João Marcos Bezerra, Eric Alexandre Alencar e Eliana Florindo, referente ao plano de 2011, cujo prazo de carência é de 5 (cinco) anos. Não foram apresentados os contratos dos planos anteriores, ou qualquer outro documento no qual o beneficiário manifesta a sua opção pelo exercício de compra das ações”. Conforme informações nos autos, “no TIF 07 foi solicitado o contrato particular de outorga de cada participante e o detalhamento dos valores dos lançamentos do razão apresentado, informando o nome de cada participante, o numero de ações, o valor de cada ação e a que plano se refere. A empresa apresentou somente os contratos de outorga referente ao plano de 2011 (ainda no período de carência). Tendo em vista a falta de elementos não foi possível determinar em qual data foi exercida a opção de compra e a quantidade de ações para que se pudesse fazer uma comparação com os preços das ações comercializadas na Bolsa de Valores na mesma data, e assim, pela diferença entre o preço de mercado e o preço de exercício, determinar o valor do beneficio, que consiste numa remuneração indireta”. Salienta ainda “que a empresa informou na DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do exercício 2012, ano calendário 2011, na ficha 05A, linha 28 gratificação a administradores, o valor de R$ 23.151.563,67. Questionada sobre a origem dos valores , a empresa informou que se tratava de Stock Options, conforme anexo III Composição da DIPJ, fornecido pela empresa, em resposta ao TIF 01”. Ressalta que “os pagamentos a beneficiários não identificados, estão sujeitos à incidência do imposto na fonte, mediante a aplicação da alíquotas de 35%, art. 674 do RIR/99 Regulamento do Imposto de Renda e, nos termos dos artigos 717 e 722 deste mesmo Regulamento a pessoa jurídica é responsável pela retenção do IRRF quando do pagamento ao beneficiário". Fl. 411DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 412 3 Observa que, “quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, à importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, é considerado líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recai o imposto, conforme art. 725 do RIR/99 e art. 20 e §§ 1º e 2º da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. As bases foram reajustadas, conforme valores discriminados na tabela às fls.171/172”. Ciente da autuação o interessado apresenta IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA (fls. 183/233) em 18/08/2015, na qual alegou em síntese: Preliminares. I. DA NULIDADE DO LANÇAMENTO EM RAZÃO:"da ausência de verificação da efetiva ocorrência do fato gerador, uma vez que, conforme se verifica do relatório fiscal, a autoridade autuante não apurou se ocorreu, por parte dos beneficiários dos planos, o efetivo exercício das opções de compra de ações, o que, conforme jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, caso o Stock Option Plan tenha natureza remuneratória, o efetivo rendimento auferido e, consequente, o acréscimo patrimonial do beneficiário que deflagraria o fato gerador do imposto de renda e a obrigação de retenção pela fonte pagadora, nos termos do artigo 43, do Código Tributário Nacional e do artigo 7o, da Lei n° 7.713/1988. O exercício das opções de compra das ações pelos beneficiários do plano foi meramente presumido, não tendo sido trazido nos autos qualquer evidência da sua ocorrência, de modo que o lançamento foi realizado com base em mera presunção, não prevista em lei, da ocorrência do fato gerador, importando em ofensa aos princípios da legalidade, da verdade material e ao artigo 142, do Código Tributário Nacional, em razão”; II. DO ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO SUPOSTO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE IRRF: Afirma que “a própria autoridade autuante reconhece que o crédito tributário foi lançado com base em valores contabilizados pela Impugnante durante o anocalendário de 2011, a título de valor justo das opções de compra de ações outorgadas, nos termos do Pronunciamento n° 10, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC 10), o qual não tem qualquer relação com a diferença entre o preço pago pelo beneficiário no exercício da opção e o preço de mercado das ações na data do exercício, a qual, conforme jurisprudência pacífica do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, configuraria a base de cálculo do IRRF quando o Stock Option Plan possui natureza remuneratória. Incorrendo, assim, em clara afronta ao artigo 142, do Código Tributário Nacional”; III. FUNDAMENTAÇÃO GENÉRICA: “ausência de precisão na fundamentação legal do lançamento, contrariando o disposto no inciso IV, do artigo 59, do Decreto n° 70.235/1972, e incorrendo em deficiência na descrição do fato gerador e conseqüente cerceamento do direito de defesa da Impugnante”. No mérito I. DA INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA E DA OBRIGAÇÃO DE SUA RETENÇÃO E PAGAMENTO PELA IMPUGNANTE, visto que, efetivamente, durante o ano calendário de 2011, não houve o exercício da opção de compra das ações por qualquer um dos beneficiários dos Stock Option Plans outorgados pela Impugnante, de modo que não se verificou o possível ganho pelos beneficiários supostamente sujeito à incidência de imposto de renda; Fl. 412DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 413 4 II. DA INAPLICABILIDADE DO DISPOSTO NO ARTIGO 61, DA LEI N° 8.981/1991 E ARTIGOS 674 E 675, DO RIR/99”: “ao caso ora analisado uma vez que a autoridade fiscal não comprovou a ocorrência dos elementos necessários e indispensáveis à aplicação dos referidos dispositivos legais. E nem poderia, na medida em que, durante o período fiscalizado, por não ter ocorrido o exercício de qualquer das opções de compra de ações outorgadas pela Impugnante, não há que se falar em pagamento de remuneração e, tampouco, em beneficiário não identificado, simplesmente porque ambos não existiam naquela época”. III. DA Ausência de Verificação da Ocorrência do Fato Gerador. IV. Nulidade da Autuação Fiscal com Base em Mera Presunção Violação dos Princípios da Legalidade e da Verdade Material Violação do Artigo 142, do Código Tributário Nacional: Esclarece inicialmente que os “Stock Option Plans são planos de opção de compra de ações por meio do qual a Companhia, com o objetivo de alinhar os interesses dos acionistas, administradores e funcionários, outorga a estes dois últimos o direito de, após decorrido um determinado espaço de tempo e cumpridas determinadas condições, adquirir ações da Companhia por uma valor préfixado na data da outorga, tendo assim, 05 momentos importantes, a saber”. (i) a data da outorga da opção de compra de ações; (ii) o vesting period ou período de carência, durante o qual o beneficiário do plano não pode exercer sua opção de compra das ações; (iii)o vesting, que é momento em que passa a inexistir obstáculos ao exercício da opção, (iv )o exercício da opção, no qual o beneficiário integraliza as ações, as quais passam para sua propriedade e, por fim, (v) a venda das ações no mercado, pelo beneficiário”; Para fins de definição da incidência do imposto de renda da pessoa física ("IRPF") e da obrigação de retenção e recolhimento pela fonte pagadora ("IRRF"), a análise inicial que se faz com relação aos Stock Option Plans diz respeito à sua natureza jurídica, se mercantil ou remuneratória, já que somente na segunda hipótese é que haverá um rendimento em favor do beneficiário, sobre o qual a fonte pagadora terá o dever de realizar a retenção e pagamento do imposto. No caso, entende a impugnante que seus Stock Option Plans tem natureza mercantil, visto que (i) tais planos têm como objetivo estimular a expansão, o êxito e os objetivos sociais da Companhia e alinhar os interesses de seus acionistas, administradores e funcionários, (ii) são onerosos e expõe os beneficiários a riscos e (iii) qualquer eventual ganho, pelo beneficiário, será decorrente da venda das referidas ações, portanto, pago pelo mercado e não pela Impugnante. Ressalta que, embora a Impugnante acredite que o efetivo ganho do beneficiário seja auferido se e quando este alienar suas ações no mercado em valor superior ao custo de aquisição, a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem definindo, de maneira uníssona, que, quando o Stock Option Plan possui natureza remuneratória, configurase ganho do beneficiário, na forma de remuneração, a diferença entre o preço do exercício e o preço de mercado das ações na data do exercício. Cita o pensamento doutrinário sobre o tema (disponibilidade) e afirma que o requisito essencial para que ocorra o fato gerador do imposto de renda é (i) que a renda ou provento tributável sejam auferidos e (ii) que estes estejam jurídica ou Fl. 413DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 414 5 economicamente disponíveis àquele que tem seu patrimônio acrescido, já estando no âmbito de sua propriedade, e só assim é que a fonte pagadora, conforme previsto em lei, terá o dever de retenção e recolhimento do imposto de renda aos cofres públicos”; Ressalta que, conforme consta do referido dispositivo legal, “a retenção do imposto de renda deverá ocorrer por ocasião do pagamento ou do crédito em favor daquele que aufere o rendimento. Antes disso, não há o dever de retenção e recolhimento do imposto de renda pela fonte pagadora, sendo certo que, seja o pagamento, seja o crédito, estes apenas ocorrerão quando a pessoa física que aufere o rendimento adquirir sua disponibilidade jurídica ou econômica, motivo pelo qual de forma alguma, haveria que se falar em dever de retenção e recolhimento do imposto de renda, pela Impugnante, sobre os valores contabilizados em sua conta contábil 3201001050, haja vista que tais valores não têm qualquer relação com a diferença entre o preço de exercício e o preço das ações do mercado na data do exercício (diferença esta reconhecida pela própria fiscalização como a devida base de cálculo do IRRF)”; Diz que, caso dos Stock Option Plans, “não há qualquer fundamento para afirmar que há rendimento auferido e que sua a disponibilidade jurídica ou econômica, pelo beneficiário, ocorreria antes do exercício da opção de compra de ações. Do mesmo modo, não há fundamento para afirmar que o dever de retenção e pagamento do imposto de renda, pela fonte pagadora, ocorreria antes desse exercício. Pois antes deste momento, o beneficiário têm apenas uma expectativa de, num futuro e a depender de determinadas condições, exercer a opção de compra de ações, as quais, antes do exercício, não fazem parte da sua esfera patrimonial, requisito sine qua non para a aquisição da disponibilidade, tal como consagrado pela melhor doutrina”; "No caso, muito embora a própria autoridade fiscal reconheça que o fato gerador do imposto de renda e o dever de sua retenção e recolhimento decorreria do exercício da opção pelos beneficiários, fato é que não buscou verificar se, durante o anocalendário de 2011, efetivamente ocorreu algum exercício, simplesmente presumiu que, durante o anocalendário de 2011, poderiam ter ocorridos exercícios de opção de compra de ações e presumiu, ainda, que tendo ocorrido estes exercícios, o preço do exercício foi inferior ao preço de mercado da ação no momento do exercício, resultando em eventuais ganhos para os beneficiários, os quais estariam sujeitos à retenção do imposto de renda na fonte”; Todavia, de maneira diversa, afirma que “a autoridade fiscal decidiu simplesmente presumir, sem qualquer indício concreto e sem autorização em lei, que durante o anocalendário de 2011, ocorreram exercícios das opções de compra de ações outorgadas pela Impugnante e, consequentemente, os beneficiários teriam apurado ganhos decorrentes do tais Stock Option Plans, que configurariam fato gerador do imposto de renda, afrontando, assim, não apenas os princípios da legalidade e da verdade material, mas também violou, de forma clara, o artigo 142, do Código Tributário Nacional, motivo pelo qual há que ser julgado nulo o presente lançamento”. V. DO ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRRF VIOLAÇÃO DO ARTIGO 142, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: Salienta que “o lançamento também é nulo por flagrante erro na identificação da base Fl. 414DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 415 6 de cálculo do suposto crédito tributário de IRRF e, que a jurisprudência do CARF já tem pacificado o entendimento no sentido de que o benefício auferido em decorrência de Stock Options corresponde à diferença entre o preço de exercício da opção e o valor das ações no mercado no momento do exercício, sendo certo que, para fins de imposto de renda, tal base de cálculo não poderia ser diferente, pois como tratado no item anterior, é apenas no momento do exercício da opção de compra das ações e, existindo tal diferença, que poderia ser considerado que o beneficiário auferiria um ganho. Cita julgado do CARF a respeito da definição da base de cálculo das contribuições previdenciárias, cujo raciocínio se estende ao imposto de renda, fato este confirmado pela fiscalização em seu relatório fiscal”. Reforça que “tais valores lançados na referida conta referemse ao valor justo atribuído às opções de compra de ações, na data da outorga dessas opções, em estrita atenção às regras contábeis previstas no CPC 10, e são contabilizados pela Companhia durante o vesting period, portanto, antes da ocorrência do vesting (aquisição do direito ao exercício) e do próprio exercício, conforme previsto no item 15 do CPC 10, que transcreve, e não tem o condão de gerar a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, e muito menos, de constituir base de cálculo para exigência desse tributo. E os itens 10, 11 e 16, do CPC 10, esclarecem o valor a ser contabilizado, o qual corresponde ao valor justo do instrumento patrimonial, na data da outorga. Sustenta que “a fiscalização pretendeu, em verdade, diante da ausência de informações e da ausência de vontade de prosseguir com as investigações para apuração da correta base de cálculo do crédito de IRRF a ser exigido, adotar uma forma de arbitramento não previsto em lei”. vi. DA Imprecisão na Indicação dos Dispositivos Legais Infringidos Violação ao artigo 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/71 e ao artigo 142, do Código Tributário Nacional Cerceamento do Direito de Defesa da Impugnante: Neste tópico, “salienta a impugnante que, na remota hipótese de as nulidades acima não serem acolhidas, o lançamento também deve ser julgado nulo em decorrência de imprecisão da autoridade fiscal em definir os dispositivos legais infringidos, implicando em ofensa ao artigo 10, inciso IV, do Decreto n° 70.235/1971, o qual transcreve, ao artigo 142, do Código Tributário Nacional e em cerceamento do direito de defesa da Impugnante. (...) A exigência legal prevista no artigo 10, inciso IV, do Decreto n° 70.235/1971, existe justamente para garantir que o lançamento será realizado com base na Lei, em primazia ao princípio da legalidade, disposto no artigo 150, inciso I, da Constituição Federal, e que será dado ao contribuinte amplo conhecimento do fato gerador e da infração que lhe é imputada, em primazia ao disposto no art. 142, do CTN, e ao direito fundamental constitucional do contribuinte à ampla defesa e ao contraditório, previsto no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal”; Transcreve o disposto nos arts. 674 e 675 do RIR/99 e afirma que “o artigo 674, do RIR/99, trata da obrigação de retenção exclusiva do imposto de renda, pela fonte pagadora, de pagamentos em geral realizados a beneficiários não identificados. Já o artigo 675, do RIR/99, trata da obrigação de retenção exclusiva do imposto de renda, pela fonte pagadora, quando do pagamento de remuneração indireta Fl. 415DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 416 7 para beneficiários não identificados, tratandose, portanto, de hipóteses legais absolutamente distintas, e a indicação, pela autoridade fiscal, de ambos os dispositivos, leva a Impugnante à duvida da exata infração que lhe está sendo imputada”; viii. DA Improcedência do Lançamento por Inocorrência do Fato Gerador do IRRF Ausência de Ganhos para os Beneficiários por não ter havido o Exercício das Opções: a) Neste item reafirma a Impugnante “que a jurisprudência do CARF pacificou entendimento no sentido de que o fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre os benefícios decorrentes de Stock Option Plans verificase no momento do exercício da opção de compra das ações, quando o beneficiário efetivamente adquire ações por preço inferior ao seu preço de mercado e, se a fiscalização tivesse cumprido o seu dever de investigar, facilmente verificaria que, no ano calendário de 2011 tal fato não ocorreu, portanto, conclui que não se apurou qualquer ganho aos beneficiários e, consequemente, não se verificou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda e o consequente dever de retenção e recolhimento do imposto pela impugnante”; b) Acresce ainda que, “conforme retratado nas Demonstrações Financeiras, apresentadas à fiscalização, nenhum dos planos aprovados pela Impugnante previa exercício de opção de compra de ações no anocalendário de 2011, ou seja, obviamente que naquele ano nunca teria ocorrido o aludido exercício apto a deflagar o fato gerador em questão”. c) Ressalta que houve “a falta de cuidado e zelo da autoridade fiscal ao proceder ao lançamento do suposto crédito tributário exigido, visto que, muito embora (i) expressamente reconheça o fato gerador do imposto de renda e o dever de sua retenção e recolhimento pela fonte pagadora ocorreria no momento do exercício da opção de compra das ações e (ii) tivesse em mãos o documento comprobatório necessário para verificar que no anocalendário de 2011 não houve qualquer exercício; simplesmente preferiu deixar de apurar se, de fato, teria havido algum fato gerador sobre benefícios decorrentes de Stock Option Plans, pautando o lançamento em mera presunção, a partir de valores contabilizados pela Impugnante em conta contábil relacionada aos Stock Option Plans, que não se presta a esse fim. d) Ressalta que “essa verificação por parte da fiscalização não demandava uma investigação muito profunda, pois poderia se constatar a inexistência de exercício da opção de compra de ações anocalendário 2011 pelas Demonstrações Financeiras da Impugnante, referentes ao período assinadas pelos administradores e contadores da Companhia e auditadas pela ERNST & YOUNG TERCO AUDITORES INDEPENDENTES”; e) Observa que “referidas demonstrações são documentos de natureza mercantil e societária, elaboradas com base no disposto no artigo 176 e 177, da Lei n° 6.404/1976 (Lei das S.A.), de caráter obrigatório, inclusive sob a ótica fiscal, devendo ser auditadas por auditores independentes e assinadas pelos administradores e por contabilistas legalmente habilitados, motivo pelo qual constituem elemento de prova e documento hábil para a aferição do cumprimento das obrigações tributárias dos Fl. 416DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 417 8 contribuintes, não podendo a fiscalização ignorálas simplesmente. Cita acórdão do CARF neste sentido”; IX. Da Inaplicabilidade dos artigos 674 e 675, do RIR/99 ao caso ora analisado: a) Afirma a impugnante que, “já restou demonstrado que a autoridade fiscal incorreu em imprecisão ao definir o fundamento legal do lançamento ora combatido, invocando para tanto o disposto nos artigos 674 e 675, ambos do RIR/99, os quais tratam de situações distintas e não poderiam ser conjuntamente aplicados, ressaltando que, de fato os elementos necessários para caracterizar a incidência do disposto nos artigos 674 e 675, ambos do RIR/99, não se encontram presentes no caso concreto”; b) Observa que tais dispositivos, os quais transcreve, “tratam da incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, quando o pagamento for efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado”. c) Afirma que “há alguns elementos que são essenciais para a caracterização do pagamento a beneficiário não identificado e do dever de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora, que devem ser verificados e comprovados pela fiscalização, destacando dentre eles: (i) que efetivamente exista um rendimento; (ii) que efetivamente ocorra o pagamento deste rendimento pela pessoa jurídica, ainda que na forma de remuneração indireta; e (iii) que efetivamente exista um beneficiário deste pagamento, mas que este não seja identificado”; d) Mas, segundo ela, no caso concreto, “não há que se falar em rendimento pago e nem em beneficiários destes rendimentos. Isto porque, considerando que, durante o anocalendário de 2011, não ocorreu o exercício das opções de compra de ações outorgadas pela Impugnante, não houve foi auferida qualquer remuneração, da mesma forma que não poderia se atribuir a existência de um beneficiário a uma remuneração inexistente”; e) Ratifica os argumentos acima exposto, quanto “a impossibilidade de se usar como base de cálculo os valores registrados na conta contábil 320101050 Stock Options, pois tais valores não representam qualquer tipo de pagamento, ganho ou remuneração de supostos "beneficiários não identificados", tratase de um reconhecimento das opções de compra de ações outorgadas, puramente para fins contábeis, sendo certo que, no momento da contabilização de tais valores, os beneficiários dos Stock Option Plans não tinham, nem sequer, o direito de exercer suas opções”. PEDIDOS. a) Requereu “que seja reconhecida a nulidade material do lançamento do suposto crédito tributário, seja em razão da ausência de verificação da efetiva ocorrência do fato gerador, seja por evidente erro na apuração da base de cálculo do IRRF exigido, seja pela imprecisão da fundamentação legal do lançamento, incorrendo em afronta aos princípios da legalidade, da verdade material e ao disposto no artigo 142, do Código Tributário Nacional”; b) No mérito requereu que “seja julgado improcedente o lançamento, uma vez que, conforme restou comprovado, em não tendo havido, no anocalendário Fl. 417DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 418 9 de 2011, o exercício das opções de compra de ações, não se verificou qualquer ganho para os beneficiários, não caracterizando a ocorrência do fato gerador do imposto de renda e a obrigação de sua retenção e recolhimento pela Impugnante”; c) Subsidiariamente, requereu que “seja julgado improcedente o lançamento, visto que a autoridade fiscal não comprovou a subsunção do fato supostamente ocorrido às hipóteses previstas nos artigos 674 e 675, ambos do RIR/99, e nem poderia, na medida em que tais dispositivos pressupõem a existência de um pagamento a um beneficiário não identificado, o que inexistiu no presente caso”; O Acórdão ora Recorrido (1670.357 12ª Turma da DRJ/SPO) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 Ementa: IRRF. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. RETENÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. STOCK OPTIONS. PLANO DE OPÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA MERCANTIL. DESCARACTERIZAÇÃO. Atuando a empresa para garantir uma efetiva vantagem econômica aos empregados por ela escolhidos com o objetivo de fidelizálos à sociedade, mitigando os riscos e os custos do exercício de opção de compra de ações Stock Options, descaracterizase o caráter mercantil da operação, e constatado o pagamento a beneficiário não identificado será apurado o Imposto de Renda incidente exclusivamente na fonte, nos termos do art. 61 da Lei nº 8.981/95, cuja responsabilidade pela retenção e recolhimento é da fonte pagadora. AUTO DE INFRAÇÃO (AI). FORMALIDADES LEGAIS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. O Relatório Fiscal e os Anexos do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa aos lançamentos, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma legal indicada, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e obrigatória. Não há que se cogitar em violação aos princípios constitucionais do devido processo legal, da legalidade, e da verdade material, Fl. 418DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 419 10 quando o lançamento fiscal observou todos os atos e normas previstos na legislação pertinente e o contribuinte foi devidamente cientificado de todos eles, sendo lhe garantido o exercício do pleno direito ao contraditório e ampla defesa. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. As simples alegações desprovidas dos respectivos documentos comprobatórios não são suficientes para afastar a exigência tributária. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêla em outro momento processual, salvo exceções previstas em lei. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício decorrente de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal é considerada débito para com a União, sendo devidos juros de mora sobre o valor lançado inadimplido a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Isto porque, segundo entendimento da Turma “pela análise das demonstrações financeiras por ela citadas, verificase que, o que não havia a previsão do exercício da opção de compras de ações dos referidos Planos, mas tal fato, por si só, não comprova que os referidos beneficiários não tenham manifestado a sua opção pelo exercício de compra das ações. Se, de fato a empresa tivesse interesse em produzir tal prova deveria, nas diversas vezes em que foi regularmente intimada, bem como com a impugnação apresentada, trazer aos autos os Contratos Particulares de Outorgas de Opções e detalhar os valores contabilizados na conta 3201001050 Stock Options, porém, mais uma vez não o fez”. Aduz que “comportamento omisso, reticente da empresa quanto à apresentação de documentos (não identificando os beneficiários) ou, ainda, a ausência de documentos comprobatórios dos lançamentos contábeis (conta 3201001050 Stock Options) justifica plenamente o procedimento adotado pela fiscalização na apuração da base de cálculo lançada. A prevalecer entendimento contrário, terseia a esdrúxula situação onde o contribuinte poderia, por qualquer motivação, deixar de cumprir a obrigação legal de apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários à fiscalização, e ainda livrarse da cobrança de impostos valendose única e exclusivamente do descumprimento de tal obrigação”. Portanto, “resta devidamente demonstrado que o crédito tributário constituído pelo lançamento fiscal em tela não se baseou em presunções simples ou em arbítrio do Auditor Fiscal, mas sim na presunção legal estabelecida no caput do art. 61 da Lei nº 8.981/95 de que os valores pagos pela empresa a beneficiário não identificado, constituem renda destes últimos e estarão sujeitos à retenção do Imposto de Renda exclusivamente na fonte pagadora, tendo sido utilizado como base de cálculo os valores contabilizados pela empresa na conta 3201001050 Stock Options, em estrita obediência ao princípio e da legalidade e da verdade Fl. 419DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 420 11 material, não havendo que se falar em violação ao disposto ao disposto no art. 142 do CTN, que resultasse na nulidade do lançamento, como alega a impugnante”. Ciente da decisão do Acórdão em 03/12/2015 (fls. 332), o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 23/12/2015 (fls. 334/385), reafirmando as suas razões de impugnação e trazendo as seguintes razões: DAS NORMAS CONTÁBEIS APLICADAS AOS STOCK OPTION PLANS PRONUNCIAMENTO N° 10, DO COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: É evidente que os lançamentos contábeis realizados pela Recorrente não tem qualquer relação com o exercício das opções, não podendo, de nenhuma forma deflagrar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, o dever de sua retenção e recolhimento pela Recorrente e, muito menos, constituir base de cálculo para exigência desse tributo”; DAS NULIDADES MATERIAIS INSANÁVEIS DO LANÇAMENTO: Informa que “no presente caso, a autoridade fiscal não buscou verificar a efetiva ocorrência do fato gerador, realizando lançamento baseado em mera presunção não prevista em lei e, ainda, incorreu em erro na apuração da base de cálculo do suposto crédito tributário”. DA Ausência de Verificação da Ocorrência do Fato Gerador Nulidade da Autuação Fiscal Fundamentada em Mera Presunção Violação dos Princípios da Legalidade e da Verdade Material Violação do Artigo 142, do Código Tributário Nacional: Diz que “os Stock Option Plans são planos de opções de compra de ações por meio do qual a Companhia, com o objetivo de alinhar os interesses dos acionistas, administradores e funcionários, outorga a estes dois últimos o direito de, após decorrido um determinado espaço de tempo e cumpridas determinadas condições, adquirir ações da Companhia por um valor préfixado na data da outorga”; Afirma que “considerando que a análise dos Stock Option Plans feita pela fiscalização e também pela decisão recorrida foi bastante superficial, generalista e, nem sequer, foi esclarecido a qual plano especificamente a autuação está relacionada, a Recorrente entende que sua defesa com relação às características dos planos e sua natureza mercantil restou prejudicada, importando em verdadeiro cerceamento do direito de defesa, o que, por si só, já deveria conduzir à nulidade da autuação”. E que, “assim, no caso dos Stock Option Plans, não há qualquer fundamento para afirmar que há rendimento auferido e que sua a disponibilidade jurídica ou econômica, pelo beneficiário, ocorreria antes do exercício da opção de compra de ações. Do mesmo modo, não há fundamento para afirmar que o dever de retenção e pagamento do imposto de renda, pela fonte pagadora, ocorreria antes desse exercício”; A Recorrente ressalta que, “muito embora tais precedentes não tratem diretamente sobre o fato gerador do imposto de renda e do dever de sua retenção e recolhimento pela fonte pagadora, eles são importantes para o presente caso, na medida em que definem o momento em que o beneficiário do Fl. 420DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 421 12 plano aufere um ganho e, portanto, servem como parâmetro para definir a existência do rendimento de sua disponibilidade jurídica, aspectos relevantes para a definição do fato gerador do imposto de renda, tal como disposto no artigo 43, do Código Tributário Nacional”. Portanto, “é forçoso concluir que, se não ocorrido o exercício da opção de compra de ações pelo beneficiário ou se não demonstrado pela autoridade fiscal a ocorrência de tal exercício, não se pode pretender alegar que o beneficiário tenha auferido algum ganho, não se configurando, conseqüentemente, o fato gerador do imposto de renda e, portanto, o dever de sua retenção e recolhimento pela fonte pagadora”; Afirma que “os equívocos cometidos pela fiscalização são evidentes e, inclusive, reconhecidos pela própria decisão recorrida, a qual, por absurdo, acabou os aceitando sob o pretexto de que a Recorrente não teria apresentado os documentos e esclarecimentos solicitados pela fiscalização”; Diz que, “tendo em vista a necessidade de observância do princípio da legalidade, é que cabe à fiscalização realizar todas as investigações necessárias para a correta apuração do fato gerador da obrigação tributária, donde deve ser aplicado o princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal”. DA ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRRF VIOLAÇÃO DO ARTIGO 142, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: Afirma que “a própria fiscalização, assim como a decisão recorrida, reconhece que a base de cálculo do IRRF exigido deveria ser apurada conforme posicionamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (diferença entre o valor de mercado e o valor do exercício das ações), como se verifica de trecho transcrito do Termo de Verificação Fiscal”; Afirma que “a base de cálculo do IRRF exigido jamais poderia ser equivalente aos valores contabilizados pela Recorrente” ... “Isto porque os valores lançados pela Recorrente na conta contábil n° 3201001050 — Stock Options, durante o anocalendário de 2011, referemse exclusivamente ao valor justo das outorgas de opções de compra de ações atribuídas aos seus administradores e funcionários, em estrita observância a regras contábeis estipuladas pelo CPC 10, e não tem o condão de gerar a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, o dever de sua retenção e recolhimento pela Companhia e, muito menos, de constituir base de cálculo para exigência desse tributo”; DA INOCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DO IRRF AUSÊNCIA DE GANHOS PARA OS BENEFICIÁRIOS POR NÃO TER HAVIDO O EXERCÍCIO DAS OPÇÕES: Afirma que “no anocalendário de 2011, não houve o exercício de opções de compra de ações outorgadas pela Recorrente, é fácil concluir que não se apurou qualquer ganho para os beneficiários e, consequentemente, não se verificou o fato gerador do imposto de renda e o consequente dever de retenção e recolhimento do imposto pela Recorrente”. E que “durante a fiscalização e também em sede de impugnação, a Recorrente comprovou a ausência de exercício das opções de compra de ações, Fl. 421DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 422 13 pelos beneficiários, durante o anocalendário de 2011, apresentando suas demonstrações financeiras do referido período, assinadas pelos administradores e contadores da Companhia e auditadas pela ERNST & YOUNG TERCO AUDITORES INDEPENDENTES”. Ressalta “que as Demonstrações Financeiras, são documentos de natureza mercantil e societária, elaboradas com base no disposto no artigo 176 e 177, da Lei n° 6.404/1976 (Lei das S.A.), de caráter obrigatório, inclusive sob a ótica fiscal, devendo ser auditadas por auditores independentes e assinadas pelos administradores e por contabilistas legalmente habilitados”; Conclui, portanto, “tendo a fiscalização e a decisão recorrida, reconhecido que o fato gerador do imposto de renda e o dever de sua retenção e recolhimento pela fonte pagadora ocorreria no momento do exercício da opção de compra das ações, não poderiam simplesmente ignorar as informações constantes nas Demonstrações”. DA INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 674 DO RIR/99 AO CASO ORA ANALISADO: Mesmas alegações trazidas em sede de impugnação administrativa às fls. 226 dos autos. DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Afirma que “a legislação federal tem dispositivo legal específico para regular a incidência de juros de mora sobre débitos federais – artigo 61, da Lei n° 9.430/96 e, pelo princípio da especialidade, este é o dispositivo que deve ser analisado para tratar de incidência dos juros de mora em questão”. (...) Aduz que “a multa de oficio não é débito decorrente de tributos e contribuições e que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo e/ou pagálo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de mora a taxa Selic sobre a multa de ofício”. Requereu o provimento do presente recurso voluntário, ou caso seja mantido total ou parcialmente o suposto crédito tributário de IRRF, requereu que seja reformada a decisão recorrida para, reconhecer a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e processo. Fl. 422DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 423 14 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Antes de adentrar à análise do recurso, entendo ser necessário realizar uma análise preliminar acerca da necessidade de realização de diligência. Cumpre ressaltar que toda a base do lançamento está calcado na suposta ausência de comprovação e apresentação de documentos pela Recorrente, em especial, que justificassem o reconhecimento feito em seu razão da reserva de Stock Options durante o ano de 2011. Tanto no TVF quanto na DRJ constam menções a respostas às intimações que supostamente não foram satisfatórias. Entretanto, da análise do PAF não encontro nenhuma das supostas respostas. Também, sequer a DIPJ indicada pelo agente fiscal em seu TVF está acostado aos autos. Ademais, tanto em impugnação, quanto em seu recurso, a Recorrente alega ter apresentado tanto em sede de impugnação, quanto ao longo da fiscalização, as suas demonstrações financeiras do período, devidamente auditadas, que comprovariam a ausência do exercício de compra das ações durante o ano de 2011. Senão vejamos trecho do recurso: Por sua vez, a DRJ se manifesta sobre o suposto demonstrativo financeiro, e conclui como segue: Fl. 423DF CARF MF Processo nº 19515.720679/201570 Resolução nº 1401000.593 S1C4T1 Fl. 424 15 Independentemente da logicidade ou não da conclusão que chegou a DRJ neste aspecto, o fato é que não localizei nos autos a referida demonstração financeira, a não ser seleção constante no corpo da impugnação e recurso. Assim é que, tendo em vista que a análise de mérito do presente lançamento se funda no suposto pagamento através de ações, a comprovação da inexistência de opção de compra no referido exercício é prova hábil a desconstituir o lançamento. Ademais, as demonstrações financeiras podem constituir elemento de prova sobre a realização ou não das referidas opções. Entretanto, apesar de ser referida tanto pelo contribuinte quanto pela DRJ, o fato é que tais documentos não se encontram digitalizados nos autos, razão pela qual, para uma melhor conclusão deste relator, entendo prudente converter o presente lançamento em diligência para que a Delegacia de Origem: a) intime a recorrente a apresentar as referidas demonstrações financeiras do ano de 2011, indicando objetivamente onde resta comprovado a inocorrência de opções de compra no exercício de 2011; b) intime a recorrente para apresentar provas de que tais demonstrações foram apresentadas ao longo da fiscalização ou junto com a impugnação, conforme alega; Após, retornem os autos para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900614/2009-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF.
À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Numero da decisão: 3802-003.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Solon Sehn
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO A CSRF. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO DESTE CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 06 14 /2 00 9- 97 Fl. 107DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I – SP (fls. 31/34), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: 23/02/2005 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara e concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considerase confissão de dívida o débito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de ofício mormente se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 15/12/2012, o Recorrente foi cientificada da decisão (ciência eletrônica fl. 38). Nas razões apresentadas em seu recurso voluntário protocolado em 11/01/2013 (fls. 40/45), alega ter recolhido indevidamente valores referente a CSRF (retenção em fonte da CSLL/COFINS/PIS), nos pagamentos efetuados a outras pessoas jurídicas prestadoras de serviços, argumentando que, na época, existiam algumas situações em que dos prestadores de serviços eram dispensados ou não exigida a referida retenção. Pelo que se vê, o recorrente supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 15/20 (PER/DCOMP nº 09532.52416.090605.1.7.04 8088), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 14/02/2004. É o que basta, no presente momento, para a análise restrita a ser feita por este colegiado. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 16327.900614/200997 Acórdão n.º 3802003.421 S3TE02 Fl. 108 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Conforme relatado, constatase que o processo em epígrafe diz respeito a pedido de compensação cujo crédito em que se alicerça a interessada é relativo a alegado recolhimento a maior de RETENÇÃO de CONTRIBUIÇÕES sobre PAGAMENTO DE PJ a PJ DIR PRIV CSLL/ COFINS/PIS, denominada CSRF (cód. receita 5952), relativo ao período de apuração encerrado em 14/02/2004. De acordo com o artigo 7°, § 1º e § 3º, Inciso I, combinado com o art. 2º, inciso II e VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) – RICARF, temos que: Art. 7º... § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção” (grifei). § 3º Na hipótese do § 1º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ). No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que trata o inciso II e VII do artigo 2o do Anexo II do RICARF: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I – ...; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); VII tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Esta Terceira Seção do CARF, portanto, não pode se manifestar sobre o mérito do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho, como demonstrado. Da Conclusão Fl. 109DF CARF MF 4 Por todo o exposto, e considerando a falta de competência material desta Terceira Seção do CARF para o exame da contenda, voto para não conhecer do recurso voluntário interposto pela interessada, devendo os autos ser encaminhados à Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. Sala de Sessões, em 20/08/2014. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.000889/2006-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
CONCEITO DE RECEITA. art. 3° da Lei n° 9.718/98. RE 527.602-SP. REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 62, DO RICARF.
Aplica-se o entendimento exarado no RE 527.602-SP, em face do caráter de repercussão geral conferido pelo STF à matéria, consoante a mandatória obediência prevista no artigo 62, do RICARF.
Numero da decisão: 3401-005.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, no que se refere à cumulatividade (inconstitucionalidade do parágrafo 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998), em função da aplicação do RE 527.602/SP, decidido em repercussão geral pelo STF, que vincula o julgador administrativo
(assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
(assinado digitalmente)
TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), MArcos Roberto da Silva (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 CONCEITO DE RECEITA. art. 3° da Lei n° 9.718/98. RE 527.602SP. REPERCUSSÃO GERAL. ARTIGO 62, DO RICARF. Aplicase o entendimento exarado no RE 527.602SP, em face do caráter de repercussão geral conferido pelo STF à matéria, consoante a mandatória obediência prevista no artigo 62, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, no que se refere à cumulatividade (inconstitucionalidade do parágrafo 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998), em função da aplicação do RE 527.602/SP, decidido em repercussão geral pelo STF, que vincula o julgador administrativo (assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente. (assinado digitalmente) TIAGO GUERRA MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), MArcos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 08 89 /2 00 6- 32 Fl. 560DF CARF MF 2 Roberto da Silva (suplente convocado), Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado, Cassio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em razão de decisão da DRJ/Piracicaba que manteve o lançamento de oficio referente ao PIS e a COFINS devidos nos períodos de apuração durante os anos de 2001 a 2004. Do Lançamento de Ofício A autoridade fiscal verificou que houve diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados/pagos pela Contribuinte no período fiscalizado. No Termo de Encerramento de Ação Fiscal, às fls. 343/352, verificase que: Da análise dos livros fiscais, das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da tabulação dos dados de receita de serviços apresentados e assinados pelo representante da empresa, constatouse que esta declarou e recolheu valores insuficientes de PIS e COFINS no período de 2001 a 2004, quando apurava estas contribuições pelo sistema cumulativo (faturamento) . De 2001 a 2003, este era o regime de apuração do PIS e COFINS. Em 2004 a empresa apurou seus tributos federais com base no Lucro Presumido, portanto também PIS e COFINS com base no faturamento. Em 2005 a empresa voltou a apurar tributos com base no Lucro Real e passou a apurar PIS e COFINS pelo regime não cumulativo. Em anexo, planilha demonstrando valores de PIS e COFINS por período, listando a base de cálculo apurada na ação fiscal, com base nas receitas de serviço escrituradas, e declaradas em DIPJ, os valores recolhidos ou declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) , e a diferença apurada. A declaração de dívida em DCTF tem valor de débito confessado conforme art. 5°, §§ 1° e 2°, do DecretoLei n° 2.124/1984, portanto os valores assim confessados não serão lançados de oficio, visto que os créditos tributários já estão constituídos. Assim, dos valores apurados, segundo a base de cálculo levantada, excluemse, o valor recolhido, ou o confessado em DCTF, deles o maior e constituise, de oficio, através de Auto de Infração, a diferença. Da Impugnação A contribuinte alega, em sua peça impugnatória, o seguinte: · Inconstitucionalidade da Lei Federal 9.718/1998 , que teria ampliação da base de cálculo constitucional das contribuições sociais do faturamento para receita · Discute a compensação da Cofins com a CSLL à luz dos princípios constitucionais, da impossibilidade de Lei Complementar ser alterada Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13888.000889/200632 Acórdão n.º 3401005.091 S3C4T1 Fl. 561 3 por Lei Ordinária, citando em beneficio de sua tese textos de doutrinadores e julgados de tribunais superiores; · Estendeu sua argumentação de inconstitucionalidade e ilegalidade à Lei Federal n°10.833/03, naquilo que dispõe sobre o alargamento do conceito de faturamento para alcançar a receita bruta; · A Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC é inconstitucional; · A multa de 75% sobre o valor do tributo exigido é inconstitucional porque teria efeito confiscatório. E conclui que qualquer multa aplicada, quando devida no Direito Tributário que excede 20%(vinte por cento) do valor do tributo, tem natureza confiscatória e impõe dano ao contribuinte, elevando o próprio valor do imposto, porquanto excede a sua finalidade indenizatória; Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 1120.074, exarado pela DRJ/REC, que manteve o lançamento nos seguintes termos: Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade fogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Fl. 562DF CARF MF 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINs Anocalendário: 200I, 2002, 2003, 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. CONCEITO DE RECEITA. Se há um conceito de receita no direito privado, este conceito é de totalidade dos recebimentos, não importando a que título. CONCEITOS DO DIREITO PRIVADO. BASE DE CÁLCULO O art. 3° da Lei n° 9.718/98, quando estabeleceu que faturamento “corresponde à receita bruta da pessoa jurídica”, não alterou a definição e o alcance de institutos, conceitos e fontes de direito privado para definir ou limitar competência tributária, mas apenas definiu a base de cálculo da contribuição social instituída pela Lei Complementar n° 70/91, também não configurando infringência aos arts. 109 e 110 do Código Tributário Nacional. LEI FEDERAL 10.833/2003. LEI N° 10.637/2002. INAPLICABILIDADE. A Lei n° 10.833/2003, em relação aos arts. 1° a 3°, somente produziu efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos termos do art. 93, 1, e, portanto, inaplicável aos anos calendário de 1999 a 2003. ASSUNTO: CONTRIBUI|ÇÃ0 PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, apenas informar da decisão do Supremo Tribunal Federal do julgamento, em sede de repercussão geral, em que restou reconhecida a inconstitucionalidade do artigo 3°, parágrafo primeiro, da Lei Federal n° 9.718/98, e pedindo que o resultado desse julgamento fosse seguido pelo CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13888.000889/200632 Acórdão n.º 3401005.091 S3C4T1 Fl. 562 5 Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que lhe tomo conhecimento. Do Mérito A única matéria recorrida tratase do entendimento que o Acórdão a quo teve em relação à incidência de COFINS, no que tange à sua incidência sobre a integralidade de suas receitas, indistintamente. Assim diante do julgamento do RE 527.602SP, decidido sob égide do regime de repercussão geral, e de sua aplicação obrigatória por esse Colegiado, consoante o artigo 62, do Regimento Interno do CARF, acolho o argumento trazido pela Recorrente para que sejam anulados os lançamentos da contribuição social no período em que a Recorrente estava submetida ao regime cumulativo previsto na Lei Federal 9.718/1998. Tendo em vista que a Recorrente, em seu Recurso, não apresentou outros argumentos, entendo que o restante da decisão ora recorrida resta incontroversa, não havendo necessidade de qualquer outra reforma, de maneira que devem ser mantidos os demais lançamentos e respectivas multas de ofícios e juros de mora. Por todo exposto, conheço do Recurso Voluntário, e doulhe parcial provimento, no se refere à cumulatividade, em referência à aplicação do RE 527.602SP, decidido em repercussão geral, pelo STF. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.909831/2011-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 15/01/2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 9303-007.196
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 15/01/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente FUGINI ALIMENTOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 15/01/2003 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 98 31 /2 01 1- 71 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10840.909831/201171 Acórdão n.º 9303007.196 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3802002.484, de 25 de março de 2014, proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário. Na parte de interesse, o acórdão recorrido possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/01/2003 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE A restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido (CTN, artigo 165, I) exige seja o direito demonstrado por parte do sujeito passivo, o qual tem o ônus de provar, com a apresentação de documentação suficiente, o direito em que se alicerça. (...) Recurso ao qual se nega provimento. O Contribuinte interpôs Recurso Especial suscitando divergência quanto às seguintes matérias: 1 Exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS; 2 Necessidade de diligência fiscal, com a obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido parcialmente, conforme despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF, apenas quanto à segunda matéria (questão da prova). O seguimento parcial foi ratificado pelo reexame da admissibilidade. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do recurso especial do Contribuinte. É o relatório, em síntese. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10840.909831/201171 Acórdão n.º 9303007.196 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.177, de 12/07/2018, proferido no julgamento do processo 10840.900016/201228, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.177): "Da Admissibilidade O Recurso Especial da Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade do recurso conforme despacho de fls.150 a 154, senão vejamos: Com relação matéria que foi admitida, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial, argumentando que acórdão recorrido, ao examinar questão relativa à restituição de indébitos tributários decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido, decidiu que não caberia a conversão do julgamento em diligência, sob o entendimento de que o ônus de provar o direito alegado, sua liquidez e certeza, é do sujeito passivo. Por sua vez, o acórdão paradigma firma entendimento diverso, ao tratar da mesma matéria relativa à repetição de indébito, decidiu que cabe à autoridade preparadora o ônus de promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários, intimando o contribuinte para apresentálos se for o caso, em face do princípio da verdade material. Desta maneira, entendo que o contraste das ementas e do teor dos votos das decisões evidencia a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas. Diante do exposto, comprovada a divergência, voto no sentido de conhecer do recurso interposto pelo Contribuinte. Do Mérito (...)1 Respeitosamente, divirjo da i. relatora quanto ao provimento do recurso especial de divergência da contribuinte. 1 Deixouse de transcrever a parte do voto da relatora do processo paradigma que tratou do mérito, por ter sido posição que restou vencida, não se aplicando, portanto, à solução do litígio deste processo. Contudo, a íntegra do voto consta do acórdão do paradigma (9303007.177). Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10840.909831/201171 Acórdão n.º 9303007.196 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendo em vista que o recurso especial foi conhecido apenas em razão do acórdão paradigma que abordava a necessidade de diligência fiscal e da obrigatoriedade de apreciação de novas provas das alegações do contribuinte, em face do princípio da verdade material, me fixarei nesse tema. O referido paradigma, de nº 3302002.225, traz o entendimento de que nos autos não constava nenhuma comprovação do direito creditório alegado, decorrente de pagamento indevido ou maior, e por isso o contribuinte requereu diligência a fim de que se apurasse o crédito pleiteado em sua PER/DCOMP. Pelo princípio da verdade material, considerouse que a autoridade fiscal teria a obrigação de realizar a análise dos fatos alegados pela contribuinte solicitando inclusive a realização de diligências e apresentação de novas provas das alegações da contribuinte. Contudo, não entendo que essa seja a melhor interpretação da legislação aplicável. O caput do artigo 170 do CTN, ao tratar da extinção do crédito tributário pela compensação, estipula: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Grifei.) Já na Lei nº 9.430/1996, em seu art. 74, está determinado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Grifei.) A então SRF, cumprindo a disposição legal, editou a IN SRF nº 600 de 28/12/2005, na qual estipulava: COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO EFETUADA PELO SUJEITO PASSIVO Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10840.909831/201171 Acórdão n.º 9303007.196 CSRFT3 Fl. 6 5 formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (Grifei.) Além de reproduzir o ditame legal em seu caput, o art. 26 no § 1º já indicava a necessidade de documentos comprobatórios a serem anexados de imediato, nos casos em que a compensação fosse realizada através de formulários em papel. A contribuinte realizou seu PER/DCOMP, solicitando crédito no montante originário de R$ 44.025,53 e, em face do despacho decisório à efl. 05, pelo qual os créditos do DARF que suportavam seu pedido, de R$ 226.212,51, estariam totalmente alocados; restringiuse à discussão jurídica sobre restituição de indébitos de ICMS, sem apontar como concluiu pelos valor pleiteado, ou qualquer documento que indicasse tais valores de ICMS. Solicitou também a realização de diligência para apuração do crédito, contudo, pela legislação transcrita, há de se observar que a compensação é ato de iniciativa do contribuinte, em face de suposta existência de créditos por ele alegada, devendo esses créditos serem líquidos e certos e por ele apurados. Uma vez que alega a existência de um direito frente à administração, todo o ônus probatório sobre ele recai e deve providenciar as comprovação do que apurou, diferentemente dos casos em que há lançamento de ofício, quando o ônus de apurar o valor do crédito exigido é do fisco. Caberia à autoridade fiscal, em face das provas juntadas pela contribuinte, aferir a liquidez e certeza do crédito requerido. Adicionalmente, no voto condutor do acórdão de manifestação de inconformidade nº 1441.381, da 6ª Turma da DRJ/RPO, se encontra: Mas, para tanto, a alegação deveria vir acompanhada da documentação comprobatória da existência do pagamento a maior, mesmo porque, nesse caso, o ônus da comprovação do direito creditório é do contribuinte, pois se trata de uma solicitação de restituição, de seu exclusivo interesse. Nesse contexto, não se pode olvidar que nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Conseqüentemente, as PER/DCOMP devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento. (Negritei.) Mesmo assim, em sede de recurso voluntário a contribuinte volta a requerer diligência, sem indicar qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado. Por isso penso que andou bem o acórdão a quo ao negar provimento ao recurso voluntário em face da ausência de comprovação do direito creditório. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso especial de divergência da contribuinte." Importante observar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a contribuinte também não indicou "qualquer prova relativamente à apuração do valor do crédito pleiteado". Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10840.909831/201171 Acórdão n.º 9303007.196 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11522.000391/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
Ementa:
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não se constata
qualquer vício na imputação que ensejou o lançamento, pois restou bem demonstrada, com a indicação dos elementos de fato e dos fundamentos legais que ensejaram a autuação.
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
INOCORRÊNCIA. É válida a decisão que analisou todos os argumentos
apresentados na impugnação refutando os com a indicação dos elementos contidos no processo e da legislação aplicável ao caso concreto.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. É hígido o lançamento realizado dentro do prazo previsto no art. 173, inc. I do CTN, quando se constata que a existência de dolo no
cometimento das infrações apuradas.
OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS.
Tendo ficado comprovado que os pagamentos foram efetuados e que foram omitidos da escrituração, provado está o fato índice, não elidido por prova em contrário, para a aplicação da presunção legal de omissão de receitas.
PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Por se constituírem infrações
decorrentes e vinculadas, aplica-se integralmente ao lançamento das contribuições sociais: Pis, Cofins e CSLL as conclusões atinentes ao IRPJ.
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONSTITUCIONALIDADE. A
declaração da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 pelo STF não prejudica o lançamento, na medida em que as receitas consideradas omitidas não integram o rol daquelas cujo alargamento da base de cálculo pretendia abarcar.
Aplicação do § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.
INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O ICMS, nas operações normais da
pessoa jurídica, é componente do preço do produto que compõe o
faturamento da pessoa jurídica, que é a base de cálculo das contribuições.
Não existe na legislação a hipótese de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Verificada a prática reiterada de
omissão de receitas, resta configurado o dolo nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, devendo ser mantida a multa de ofício prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. Ainda que não tenha entregado
todos os elementos solicitados ou logrado prestar todos os esclarecimentos, a fiscalizada em nenhum momento obstaculizou ou criou embaraços à conclusão da ação fiscal, sendo assim indevido o agravamento da multa de ofício.
PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não tendo a recorrente indicado os exames
desejados, nem indicado os quesitos e o profissional que seria o seu perito, considera-se não formulado o pedido de perícia por não atender aos requisitos do inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 1302-000.772
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não se constata qualquer vício na imputação que ensejou o lançamento, pois restou bem demonstrada, com a indicação dos elementos de fato e dos fundamentos legais que ensejaram a autuação. NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. É válida a decisão que analisou todos os argumentos apresentados na impugnação refutandoos com a indicação dos elementos contidos no processo e da legislação aplicável ao caso concreto. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. É hígido o lançamento realizado dentro do prazo previsto no art. 173, inc. I do CTN, quando se constata que a existência de dolo no cometimento das infrações apuradas. OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. Tendo ficado comprovado que os pagamentos foram efetuados e que foram omitidos da escrituração, provado está o fato índice, não elidido por prova em contrário, para a aplicação da presunção legal de omissão de receitas. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplicase integralmente ao lançamento das contribuições sociais: Pis, Cofins e CSLL as conclusões atinentes ao IRPJ. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 pelo STF não prejudica o lançamento, na medida em que as receitas consideradas omitidas não integram o rol daquelas cujo alargamento da base de cálculo pretendia abarcar. Aplicação do § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. Fl. 3791DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O ICMS, nas operações normais da pessoa jurídica, é componente do preço do produto que compõe o faturamento da pessoa jurídica, que é a base de cálculo das contribuições. Não existe na legislação a hipótese de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Verificada a prática reiterada de omissão de receitas, resta configurado o dolo nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, devendo ser mantida a multa de ofício prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. Ainda que não tenha entregado todos os elementos solicitados ou logrado prestar todos os esclarecimentos, a fiscalizada em nenhum momento obstaculizou ou criou embaraços à conclusão da ação fiscal, sendo assim indevido o agravamento da multa de ofício. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não tendo a recorrente indicado os exames desejados, nem indicado os quesitos e o profissional que seria o seu perito, considerase não formulado o pedido de perícia por não atender aos requisitos do inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para afastar o agravamento da multa. (Documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (Documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. EDITADO EM: 21/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Daniel Salgueiro da Silva, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Wilson Fernandes Guimarães, Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 3792DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/200774 Acórdão n.º 1302000.772 S1C3T2 Fl. 3.776 3 Relatório Tratase de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Programa de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, dos anoscalendário 2002 a 2004, no valor total de R$ 3.592.604,23, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 28/02/2007 efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 192 a 239. A infração apurada referese à omissão de receitas caracterizada pela comprovação de pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 30/03/2007 (fls. 192, 204, 215 e 226). Tempestivamente o sujeito passivo apresentou impugnação aos lançamentos em 27/04/2007, (fls. 245 a 266), tendo suas alegações sintetizadas pela DRJBelém, in verbis: 1. houve ofensa aos princípios que regem o processo administrativo, dentre os quais o da motivação, da legalidade e da verdade material; 2. não foi comprovada de forma efetiva a omissão de receitas, não havendo motivação suficiente para as autuações impugnadas; 3. a imprecisa descrição dos supostos fatos que originaram a autuação afronta o princípio da verdade material; 4. as decisões do Conselho de Contribuintes demonstram que o ônus de provar a ocorrência do fato jurídico tributário é do Fisco e não o contrário; 5. considerouse que a receita bruta corresponde às notas fiscais de entrada não contabilizadas. No entanto, tais notas fiscais não podem ser consideradas para a constituição do crédito tributário, sem que antes se verifique se efetivamente ocorreu a operação mercantil por elas representadas; 6. o agente fiscal incluiu dentre os bens e mercadorias adquiridos, notas fiscais de caminhões, máquinas e peças de reposição considerando seu valor como se houvessem sido produto de venda mercantil posterior e tributando seu valor como se receita fosse; 7. se não há comprovação da operação mercantil, não é certo que a mercadoria deu entrada no estabelecimento do impugnante, e igualmente rui o argumento de que a mercadoria foi vendida originando receita tributável; 8. deveria o agente fiscal, nos termos do artigo 284, §1º do RIR, diligenciar ao estabelecimento do impugnante, e verificar in loco Fl. 3793DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 o valor efetivo das receitas auferidas em três dias alternados dentro do mesmo mês; 9. não se configura a hipótese legal para a aplicação da multa de 225% tanto porque não demonstrado o evidente intuito de fraude, quanto por não ter o impugnante se negado a apresentar os documentos solicitados e não ter o agente fiscal comprovado o dolo referente a não entrega de documentos ou informações à fiscalização; 10. é ilegal a aplicação da taxa SELIC aos créditos tributários em questão. A Primeira Turma de Julgamento da DRJBelém manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 0111.681, de 07/08/2008 (fls. 277/280), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITA. PAGAMENTOS NÃO CONTABILIZADOS. A confirmação da efetivação de pagamentos a fornecedores com recursos mantidos à margem da contabilidade autoriza a presunção legal de omissão de receita. MULTA AGRAVADA Aplicável a multa de ofício agravada uma vez configuradas as circunstâncias previstas no §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de ofício prevista no §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de sua inconstitucionalidade. PIS, COFINS E CSLL. DECORRÊNCIA. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas. Lançamento Procedente. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 27/08/2008 (AR – fls. 287), tendo interposto recurso voluntário em 25/09/2008 (fls. 290/327). A recorrente alega, preliminarmente, em sua petição que: Fl. 3794DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/200774 Acórdão n.º 1302000.772 S1C3T2 Fl. 3.777 5 a) está sendo submetida a uma acusação desmotivada e infundada, em face da ausência de precisa indicação da infração falta de motivação e justa causa ao auto de infração, o que seria causa de nulidade da autuação; b) que o julgado de primeira instância peca pela ausência de fundamentação, pois “apresentase bastante singelo, lacônico e anêmico em suas considerações, raiando as margens da simples chancela do lançamento, sem qualquer amparo ou sustentação legal ou probatória, o que é inadmissível pelo nosso ordenamento” e que “a 1a Turma da DRJ/BELÉM/PA confundiu seu mister com o de agente fiscal, e assim o ato administrativo de julgamento tributário tornouse simples chancela do trabalho fiscal”, concluindo que “à míngua de observância ao princípio da fundamentação das decisões, é nulo o r. decisum de 1a instância”; e, c) que os Autos de Infração abrangem fatos geradores do PIS, Cofins e IRPJ de 15/02/2002 e 15/03/2002 e que para tais fatos, “o lançamento só poderia ter sido efetuado até 15/02/2007 e 15/03/2007, respectivamente, ou seja, 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do mandamento insculpido no art. 150, § 4o do CTN”, já que se trata de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e que não se aplica a regra do art. 173, I do CTN, pois esta pressupõe, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, a comprovação de que tenha havido dolo, fraude ou simulação, o que não ocorreu, segundo a recorrente. No mérito, o recurso interposto, a par dos argumentos apresentados na impugnação, traz novas alegações que estão bem sintetizadas ao final da própria peça recursal, in verbis: Diante do exposto, é a presente para requerer a Vossas Senhorias que se dignem reformar a r. decisão a quo, julgando improcedente o presente Auto de Infração e Imposição de Multa, em vista dos vícios materiais apontados, especialmente porque a exigência contida no lançamento não é tributo devido, tendo em vista que: (i) não era possível o arbitramento do lucro, vez que não se verificam, in casu, as hipóteses legais autorizadoras (incisos do artigo 530 do RIR); (ii) não era possível o arbitramento do lucro, eis que possível a apuração contábil da receita da Recorrente, visto que a própria Fiscalização determinou que receita bruta seria o valor das mercadorias adquiridas para revenda e não escrituradas; (iii) devem ser desconsideradas as notas fiscais de entrada registradas na SUFRAMA e supostamente não contabilizadas, haja vista que não foi comprovada a operação mercantil nesses casos, o que poderia ter sido feito mediante fiscalização junto aos fornecedores; (iv) caso haja o entendimento de que deveria ter sido arbitrada a receita bruta, esta deveria o ter sido nos moldes do artigo 284 do RIR, com a permanência do fiscal por três dias alternados no estabelecimento da Recorrente, verificando a efetiva receita bruta naquele período; Fl. 3795DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 (v) não houve a descaracterização da contabilidade pelo Agente Fiscal, tanto que os documentos anexos ao auto de infração são os livros fiscais da Recorrente, razão pela qual a contabilidade deveria servir como base para o lançamento tributário; (viii) a base de cálculo do PIS e da COFINS não é a receita bruta, mas sim o faturamento, entendido com o resultado da venda de mercadorias e prestação de serviços, consoante entendimento já exarado pelo E. STF; (xiii) deve ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, eis que não são receita própria da Recorrente, mas de terceiros; (xiv) a multa não poderia ter sido aplicada no percentual de 150% do valor do tributo, eis que não se verifica o dolo, tampouco o intuito de fraude na conduta da Recorrente, e a jurisprudência do Conselho de Contribuintes é no sentido de que a mera omissão de receita é falta simples e não enseja a aplicação da multa qualificada. (numeração dos itens transcrita conforme recurso) Ao final a recorrente requer a insubsistência da autuação, seja pelas razões de mérito, seja pelos vícios formais apontados e requer a produção de prova pericial a fim de corroborar as suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. Analiso em primeiro plano os argumentos de nulidade apresentados pela recorrente, tanto em relação ao lançamento efetuado quanto à decisão de primeira instância. Da alegação de nulidade dos autos de infração A recorrente alega que “está sendo submetida a uma acusação desmotivada e infundada, em face da ausência de precisa indicação da infração falta de motivação e justa causa ao auto de infração, o que seria causa de nulidade da autuação”. Não encontro razões para a insatisfação da recorrente no que tange à correta e precisa indicação da infração apontada nos autos de infração lavrados. A imputação feita está bem demonstrada, com a indicação dos elementos de fato e fundamentos legais que ensejaram a autuação, conforme se pode verificar nos autos de infração lavrados e no Termo de Verificação Fiscal que os integra. Não merece reparos a decisão de primeira instância ao analisar a alegação da recorrente, in verbis: Não se constata, portanto, qualquer imprecisão na descrição dos fatos, até porque a descrição dos fatos e enquadramento legal Fl. 3796DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/200774 Acórdão n.º 1302000.772 S1C3T2 Fl. 3.778 7 constante dos lançamentos é complementada pelo “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 157 a 165 que faz parte do lançamento, conforme descrito nas fls. 193, 205, 216 e 227 onde foi detalhado todo o procedimento de fiscalização com a sua respectiva base legal. Constatados os requisitos para o lançamento, a autoridade administrativa competente é obrigada a constituílo, sob pena de responsabilidade funcional (art. 142, parágrafo único, do CTN): (...) As instâncias administrativas não têm competência para questionar sobre a inconstitucionalidade ou a validade da legislação tributária invocada nos autos de infração. Resulta notório, pois, que nenhuma mácula houve ao contraditório e à ampla defesa, observado que foi o devido processo legal, não aproveitando à impugnante, porque inexistente, qualquer ofensa à legalidade, motivação, verdade material ou a qualquer outro princípio diretor da atividade administrativa em questão. Destarte rejeito a alegação de nulidade dos lançamentos efetuados. Da alegação de nulidade da decisão de Primeira Instância O segundo argumento da recorrente é o de que seria nula a decisão de primeira instância por ausência de fundamentação, pois teria se limitado a chancelar a autuação, sem apreciar os elementos fáticos e os fundamentos legais do lançamento. Também não merece acolhida esta alegação. A decisão de primeira instância não se limitou a chancelar simplesmente o lançamento, como que fazer crer a recorrente. Com efeito, os julgadores de primeira instância analisaram todos os argumentos apresentados na impugnação refutandoos com a indicação dos elementos contidos no processo, bem como fazendo a indicação precisa da legislação aplicável ao caso concreto. Sendo assim, não há como acolher a preliminar argüida. Da ocorrência de decadência parcial A recorrente alega ter ocorrido a decadência do direito de lançar em relação aos fatos geradores do IRPJ, PIS e Cofins que teriam ocorrido em 15/02/2002 e 15/03/2002, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, em face do lançamento ter se consumado apenas em 29/03/2011. Antes de adentrar ao exame da alegação impõese fazer, de imediato, alguns reparos às alegações da recorrente. Nos termos da legislação vigente e do que dispõem os arts. 115 e 116 do CTN, o fato gerador dos tributos ocorre no momento definido pela lei tributária. Assim, no caso das contribuições sociais PIS e Cofins a legislação estabelece como fato gerador a receita bruta mensal (ou faturamento). Assim, têmse como ocorrido o fato gerador no último dia de cada período mensal de apuração. No caso do Imposto de Renda, o fato gerador é fixado pela legislação de diversas formas e está a depender da opção feita pelo Fl. 3797DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 contribuinte quanto ao regime e/ou período de apuração (Lucro Real trimestral ou anual , Lucro Presumido ou Lucro Arbitrado). A mesma regra se aplica à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. De outra parte, o lançamento somente se aperfeiçoou em 30/03/2007, com a ciência dos autos de infração pelo responsável legal do sujeito passivo. Feitas as considerações acima, observo que o lançamento realizado abrange fatos geradores do PIS e da Cofins relativos aos meses de janeiro e fevereiro de 2002, que, em princípio, se observada o disposto no § 4º do art. 150 do CTN estariam alcançados pela decadência quando da ciência da autuação. Ocorre que o lançamento dos tributos foi realizado com a aplicação da multa qualificada prevista no inc II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, por entender a autoridade lançadora que estariam presentes os requisitos de dolo, fraude ou simulação nas infrações apuradas, o que deslocaria o prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, I do CTN Assim, tendo em vista que a recorrente também se insurgiu contra a aplicação da multa qualificada, o que examinarei adiante, a conclusão sobre a ocorrência de decadência em relação aos fatos geradores de janeiro e fevereiro de 2002 das contribuições para o PIS e Cofins, será feita após este exame. No que tange aos fatos geradores do Pis e da Cofins do mês de março de 2002 não há qualquer vício decadencial, na medida em que o lançamento foi realizado em 30/03/2007, observando assim o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN. O mesmo se aplica ao lançamento do IRPJ e da CSLL relativo ao fato gerador ocorrido em 31/03/2002. Tendo o contribuinte apurado seu lucros pelo regime do lucro presumido o primeiro fato gerador ocorrido nos períodos lançados referese ao primeiro trimestre do anocalendário de 2002. Destarte são hígidos os lançamentos de IRPJ e CSLL realizados para as infrações apuradas no referido período. DAS ALEGAÇÕES DE MÉRITO Sobre Arbitramento do lucro A recorrente alega que “não era possível o arbitramento do lucro, vez que não se verificam, in casu, as hipóteses legais autorizadoras incisos do artigo 530 do RIR”, sobre as quais discorre longamente. Afirma ainda que não houve a descaracterização da contabilidade pelo agente fiscal, razão pela qual aquela deveria servir de base para o lançamento feito e que mesmo que o entendimento fosse pelo arbitramento, a receita bruta deveria o ter sido feita nos moldes do artigo 284 do RIR, com a permanência do fiscal por três dias alternados no estabelecimento da Recorrente, verificando a efetiva receita bruta naquele período. Há evidente equívoco nas alegações da recorrente ao se insurgir contra um suposto arbitramento que teria sido efetuado pela autoridade lançadora na apuração das receitas omitidas. Em verdade houve a constatação da omissão de receitas por parte da recorrente por meio de método indireto, autorizado por lei. Tratase da hipótese de presunção legal prevista no inc. II do art. 281 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (Decreto 3.000/1999), in verbis: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da Fl. 3798DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/200774 Acórdão n.º 1302000.772 S1C3T2 Fl. 3.779 9 presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I – (...) II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III – (...) A contabilidade da fiscalizada não foi, de fato, desconsiderada pela autoridade fiscal, como observa a recorrente. A anexação de cópia dos livros contábeis e fiscais aos autos tem o intuito probatório de demonstrar que a recorrente omitiu de sua escrituração grande quantidade de pagamentos por ela efetuados, o que caracteriza a ocorrência da presunção legal de omissão de receitas. Portanto, os elementos contábeis e fiscais juntados aos autos são utilizados como prova da omissão verificada. Em momento alguma a autoridade fiscal desqualificou ou declarou a contabilidade imprestável à apuração dos lucros contabilizados e tributados, mas tão somente identificou falhas nos registros que denotam a ocorrência de omissão de receitas. A infração configurada se amolda perfeitamente à hipótese prevista no inc. II do art. 281 do RIR/99, não havendo necessidade da autoridade fiscal recorrer à hipótese extrema prevista no art. 284 do mesmo diploma legal, como argui a recorrente. Com efeito, tal método de apuração é facultado à autoridade tributária na hipótese em que não exista nenhum ou elemento de aferição da receita tributável, o que não é o caso dos autos. Destarte, afasto as alegações da recorrente por estarem em completa dissonância com os fundamentos e demais elementos contidos na autuação. Da não comprovação das operações mercantis pela fiscalização A recorrente alega também que devem ser desconsideradas as notas fiscais de entrada registradas na SUFRAMA e supostamente não contabilizadas, haja vista que não foi comprovada a operação mercantil nesses casos, o que poderia ter sido feito mediante fiscalização junto aos fornecedores. Transcrevo os argumentos da recorrente sobre a questão trazidos no recurso voluntário: Consta da acusação a divergência entre os arquivos magnéticos e livros registro de entrada fornecidos pela Recorrente e aqueles contendo registro das notas de vendas para o Estado do Acre, registradas pela SUFRAMA no período de 2000 a 2004, arquivos esses que foram encaminhados através do Ofício n° 5045GABIN.SUP de 25.07.2005 (fls. 03 do Anexo II). Tais notas fiscais, contudo, não podem ser consideradas para a constituição do crédito tributário, sem que antes se verifique se efetivamente ocorreu a operação mercantil por elas representada. Fato é que algumas daquelas notas fiscais podem ter sido emitidas contra a Recorrente, sem que a mercadoria tenha efetivamente sido entregue em seu estabelecimento. Fl. 3799DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 Conclui que teria sido necessário que a fiscalização obtivesse junto aos fornecedores os canhotos das notas fiscais listadas, devidamente assinadas pela recorrente, de modo a comprovar que foram efetivamente entregues nos seus estabelecimentos. Também desta feita não assiste razão à recorrente. A infração constatada pela fiscalização é a falta de escrituração de pagamento efetuado. É este o fato a ser provado pela fiscalização com vistas a ficar caracterizada a presunção omissão de receitas. A alegação da recorrente pressupõe que a receita omitida a ser apurada seria aquela decorrente da venda das mercadorias que teriam sido adquiridas mediante os pagamentos omitidos da escrituração. Assim, seria necessário que houvesse a prova do ingresso da mercadoria nos seus estabelecimentos que, presumivelmente seria vendida e caracterizaria a omissão de receitas. No entanto, a hipótese legal de omissão de receitas presumida que deu suporte ao lançamento tem como pressuposto que recursos marginais, oriundo de receitas omitidas em momento anterior, deram suporte aos pagamentos omitidos da escrituração. Portanto, à fiscalização compete provar a existência de pagamentos realizados e não escriturados, não importando que os mesmo se refiram a compras de mercadorias, realização de outras despesas ou mesmo investimentos para o ativo imobilizado. No presente caso, a fiscalização foi cuidadosa em seu mister, na medida em tendo identificado que diversas notas fiscais de aquisição de mercadorias, identificadas em registros da Suframa e da Sefaz, não constavam dos livros contábeis e fiscais da fiscalizada, intimou todos os fornecedores a apresentar não apenas as cópias das referidas notas fiscais, mas também os comprovantes de sua quitação e outros esclarecimentos acerca das operações realizadas com a recorrente, a serem informado em planilha modelo. Das intimações feitas aos emitentes das notas fiscais, que integram dos Anexos XI a XVII deste processo, consta a seguinte solicitação: “(...) intimamos o contribuinte acima qualificado a, no prazo de 05 (cinco) dias contados a partir do dia seguinte ao recebimento desta, preencher a planilha anexa (ou seguindo o modelo da mesma) com as informações referentes a vendas para as empresas citadas, devendo juntar o(s) comprovante(s) de recebimento do (s) pagamento(s) correspondente(s), bem como os documentos ficais/comerciais relacionados (nota fiscal ou equivalente, duplicatas, faturas) com a identificação do responsável pelas informações”. As empresas intimadas prestaram as informações, trazendo os elementos que comprovam cabalmente os pagamentos omitidos na escrituração da recorrente, inclusive extratos bancários em alguns casos. A única intimação não realizada referese à empresa T. de J. L. Silva (fls. 155 a 160, anexo XI), por estar inativa, sendo frustrada a tentativa de entrega da correspondência pela via postal. Neste caso, as notas fiscais e respectivos pagamentos que teriam ocorrido de fevereiro a abril de 2004 foram desconsiderados pela fiscalização para efeito de apuração dos créditos tributários. Outros pagamentos não escriturados foram identificados a partir de documentos apresentados pelo próprio sujeito passivo (fls. 108 a 153). Fl. 3800DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/200774 Acórdão n.º 1302000.772 S1C3T2 Fl. 3.780 11 Por seu turno, intimada a informar a data dos pagamentos aos fornecedores das mercadorias constantes das notas fiscais, bem como a comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados para os pagamentos das referidas compras (Termo de Constatação e Intimação Fiscal lavrado em 29/01/2007– fls. 80/81), após pedir prorrogação de prazo para prestar os esclarecimentos (fls. 100), limitouse a informar (fls. 101) que “quanto às notas fiscais relacionadas no anexo I (18 páginas) do TCIF, informamos que aguardamos posição dos fornecedores, quanto às mesmas, para, de forma clara e precisa constatar se as mercadorias constantes nas mesmas foram adquiridas pela empresa e ou por terceiros, em nome da empresa”. Em 06/03/2007 a recorrente foi reintimada a prestar os esclarecimentos solicitados, e apresentar outros documentos (Termo de Constatação e Intimação nº 0002 – fls. 102/103). Novamente a fiscalizada nada esclareceu sobre as notas fiscais em suas respostas (fls. 104 e 105), limitandose a entregar alguns documentos fiscais. Em 15/03/2007 a recorrente foi intimada a prestar esclarecimentos acerca de veículos adquiridos da empresa Volvo do Brasil e apresentar os comprovantes da operação (notas fiscais, comprovantes de pagamento, etc), bem como comprovar a origem dos recursos empregados nos respectivos pagamentos (Termo de Constatação e Intimação nº 0003 – fls. 106/107). Em correspondência (fls 108) a fiscalizada prestou informações acerca das aquisições e forma de pagamento, inclusive anexando os comprovantes (fls. 109 a 153), mas não informou, nem comprovou a origem dos recursos empregados nos pagamentos. Em suas alegações no recurso a fiscalizada sugere que “algumas daquelas notas fiscais podem ter sido emitidas contra a Recorrente, sem que a mercadoria tenha efetivamente sido entregue em seu estabelecimento”. Embora irrelevante para o deslinde da questão, insta observar que em momento algum do processo a recorrente trouxe qualquer elemento indiciário de que tal fato pudesse ter ocorrido. A infração imputada à recorrente decorre de uma presunção legal, como já foi destacado. Assim, tal presunção poderia ser elidida pela recorrente, mediante a apresentação de elementos que pudessem refutar os indícios levantados pela fiscalização. Isto não ocorreu no presente caso. Tendo ficado comprovado que os pagamentos foram efetuados e que foram omitidos da escrituração, provado está o fato índice para a aplicação da presunção legal de omissão de receitas. Ante o exposto, mantenho integralmente o lançamento do IRPJ alicerçado na infração de omissão de receitas apurada em face da falta de escrituração de pagamentos efetuados. LANÇAMENTOS REFLEXOS Da CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, aplicase ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, integralmente, as conclusões atinentes ao IRPJ. Fl. 3801DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 Assim, mantenho integralmente o lançamento a título de CSLL. Das contribuições ao PIS e Cofins Com relação às contribuições ao PIS e Cofins também se aplicam as conclusões relativa às manutenção do lançamento no que tange ao exame do mérito das infrações. Impõese, no entanto, examinar as alegações da recorrente trazidas especificamente quanto às ditas contribuições. A primeira alegação é de que “a base de cálculo do PIS e da COFINS não é a receita bruta, mas sim o faturamento, entendido com o resultado da venda de mercadorias e prestação de serviços, consoante entendimento já exarado pelo E. STF”. Referese o contribuinte ao alargamento da base de cálculo das ditas contribuições por meio do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, considerado inconstitucional pelo pleno do STF, em sessão realizada em 09/11/2005, ao julgar os Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/Pr. O mencionado dispositivo, considerado inconstitucional pelo STF, deu novo conceito ao termo “faturamento”, in verbis: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. A referida alteração legislativa buscou abranger no conceito de faturamento outras receitas operacionais ou não operacionais, tais como as receitas financeiras, na base de cálculo das contribuições ao Pis e Cofins. No entanto, no caso sob exame a declaração da inconstitucionalidade do mencionado dispositivo em nada prejudica o lançamento, na medida em que as receitas ora consideradas omitidas não integram o rol daquelas cujo alargamento da base de cálculo pretendia abarcar. A inclusão das receitas omitidas na base de cálculo das contribuições ao Pis e da Cofins foi estabelecida pelo § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995, in verbis: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1o No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. Fl. 3802DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/200774 Acórdão n.º 1302000.772 S1C3T2 Fl. 3.781 13 (...) Destarte, rejeito a primeira alegação da recorrente. O segundo argumento da recorrente é que deve ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, eis que não são receita própria da recorrente, mas de terceiros. Não tem razão a recorrente. O ICMS, nas operações normais da pessoa jurídica, é componente do preço do produto que compõe o faturamento da pessoa jurídica, que é a base de cálculo das contribuições. Não existe na legislação a hipótese de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. No caso dos autos a omissão de receitas foi apurada de forma indireta (por presunção), e conforme acima analisado este montante deve integrar a base de cálculo das referidas contribuições, sem qualquer exclusão, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei nº 9.249/1995. Rejeito, assim, a segunda alegação da recorrente e mantenho os lançamentos relativos ao PIS e Cofins no que diz respeito ao exame do mérito das infrações. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO A recorrente argumenta que a multa de ofício não poderia ter sido aplicada no percentual de 150% do valor do tributo, pois não estaria caracterizado o dolo, nem tampouco o intuito de fraude na sua conduta. Alega que a jurisprudência do Conselho de Contribuintes é no sentido de que a mera omissão de receita é falta simples e não enseja a aplicação da multa qualificada. Alega ainda que “a declaração inexata ou insuficiente apresentada ao Fisco quando este pode verificar seu acerto, não tipifica o evidente intuito de fraude mencionado pela lei. A nãodeclaração de todos os rendimentos auferidos pela empresa no período fiscalizado caracteriza, a princípio, falta simples de omissão de rendimentos já penalizada com aplicação de gravosa multa de 75%”. Além disso, a recorrente ressalta que “em momento algum causou embaraços ou impedimentos à fiscalização, sempre solicitou e justificou a prorrogação de prazo para a entrega dos documentos ao longo da ação fiscal, e jamais apresentou documentos falsos que evidenciassem a máfé própria dos atos fraudulentos”. São dois os aspectos questionados, portanto. A qualificação e o agravamento da multa. Passo a analisar cada um dos argumentos. Da aplicação da multa qualificada A alegação da recorrente de que não teria havido dolo ou fraude no cometimento das infrações apuradas merece reparos. A jurisprudência administrativa tem entendido, de fato, que omissão de rendimentos por si só não é suficiente para caracterizar o dolo ou o intuito de fraude. No caso dos autos, no entanto o que se têm é a prática reiterada de atos ou omissões que revelam a intenção deliberada da recorrente em omitir receitas. Ora, ao deixar de Fl. 3803DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 registrar inúmeros pagamentos feitos aos seus fornecedores mês a mês, durante três anos consecutivos, revelase mais do que manifesta a intenção da fiscalizada de ocultar parte de suas receitas, não podendo atribuirse a mero erro as omissões reiteradas dos pagamentos em sua escrita contábil e fiscal. Não se trata, portanto, de mera declaração inexata, mas de omissão reiterada de receitas que revela o evidente intuito doloso. Deste modo, mantenho a aplicação da multa qualificada. Do agravamento da multa A Recorrente alega que “em momento algum causou embaraços ou impedimentos à fiscalização, sempre solicitou e justificou a prorrogação de prazo para a entrega dos documentos ao longo da ação fiscal, e jamais apresentou documentos falsos que evidenciassem a máfé própria dos atos fraudulentos”. Neste caso me parece exagerado o agravamento da penalidade aplicado pela autoridade lançadora. Compulsando os autos verifico que, se nem sempre conseguiu prestar os esclarecimentos ou apresentar todos os elementos solicitados pela autoridade fiscal, a fiscalizada, ora recorrente, em nenhum momento parece ter oposto qualquer resistência ou tenha causado embaraços à ação fiscal. Com efeito, verifico, por exemplo, que em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, lavrado em 09/02/2006 (fls. 41) a fiscalizada apresentou em 15/03/2006 (fls. 12), parte da documentação solicitada (livros contábeis e fiscais, contrato social e notas fiscais de compras) e pediu prazo para a apresentação dos demais elementos. Em 24/03/2006, entregou o livro Diário do ano de 2004 (fls. 38). Em 17/04/2006, em resposta ao Termo de Intimação lavrado em 03/04/2006 (fls. 41), apresentou talonários de notas fiscais de saída (fls. 43). Em 19/04/2006 respondeu a outro Termo de Intimação (fls. 39) informando que já teria feito a atualização cadastral de uma filial (fls. 44). Constato que, em diversos momentos da ação fiscal, a recorrente apresentou livros ou documentos ou a prestou informações solicitadas pela fiscalização, ou ainda apresentou pedidos de prorrogação de prazos (fls. 46, 51, 58, 59, 71, 72, 73, 75, 78, 79, 100, 101, 104 e 108). Ainda que não tenha entregado todos os elementos solicitados ou prestado todos os esclarecimentos, é certo que a fiscalizada não obstaculizou a conclusão da ação fiscal. A autoridade lançadora, mediante o cotejo das informações de que já dispunha ao início do procedimento fiscal com as informações registradas nos livros fiscais e contábeis da fiscalizada e ainda com a obtenção de outros elementos de confirmação dos indícios da infração apurada junto a terceiros, pode apurar as infrações cometidas e efetuar o lançamento devido. Posto isso, voto no sentido de rejeitar o agravamento da penalidade. DA SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA Ao final do recurso a recorrente requer a produção de prova pericial a fim de corroborar as suas alegações. Não vislumbro qualquer necessidade ou utilidade na realização de perícia no presente caso. Os elementos contidos no processo são mais do que suficientes para a formação de convicção do julgador quanto aos fatos e apurações contidas nos autos. Fl. 3804DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 11522.000391/200774 Acórdão n.º 1302000.772 S1C3T2 Fl. 3.782 15 Além disso, a recorrente não expôs nenhum motivo que a justifique, nem indicou quesitos referentes a exames desejados, nem indicou o profissional que seria o seu perito. Descumpriu, assim, os requisitos do inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. Assim considero não formulado o pedido de perícia, nos termos do §1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. CONCLUSÕES Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e de decadência arguidas e de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto, para excluir da exigência o agravamento da multa, reduzindose o percentual da multa de oficio de 225% para 150% sobre os créditos tributários lançados. Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 3805DF CARF MF Impresso em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 21 /12/2011 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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