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Numero do processo: 10665.900326/2006-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
DIPJ. RETIFICAÇÃO.
Não surte efeito fiscal a retificação da DIRPJ quando já decorreu mais de 05 (cinco) anos da apuração do tributo (31/12/1997), pois já transcorrido o prazo qüinqüenal previsto no art. 150 do CTN para a homologação tácita.
Numero da decisão: 1001-000.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acatar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que a rejeitaram e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa..
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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RETIFICAÇÃO. Não surte efeito fiscal a retificação da DIRPJ quando já decorreu mais de 05 (cinco) anos da apuração do tributo (31/12/1997), pois já transcorrido o prazo qüinqüenal previsto no art. 150 do CTN para a homologação tácita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acatar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que a rejeitaram e, no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Roberto Adelino da Silva (relator) e Eduardo Morgado Rodrigues que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa.. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 03 26 /2 00 6- 72 Fl. 363DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o acórdão 0221.875 da 3a Turma da DRJ/BHE, que indeferiu pedido de restituição de “Saldo Negativo de CSLL” apurado no ano calendário de 1997, no valor de R$ 20.184,32, enviado eletronicamente á SRF (atualmente RFB) em 14/08/2003, consubstanciado no documento anexado às fls. 01 a 05 deste processo. Relatório 2. A solicitação do contribuinte foi objeto do Despacho Decisório eletrônico anexado à fl. 06, de onde se extrai: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que na data da transmissão do PERDCOMP com demonstrativo de crédito já estava extinto o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data de transmissão do PER/DCOMP e a data da apuração do saldo negativo ". 2.1 Tendo em vista o acima exposto, o art. 168 do CTN (Código Tributário Nacional), o inciso 11 do art. 6° da Lei n° 9.430, de 1996 e o art. 5° da IN SRF n° 600, de 2005, a solicitação do contribuinte foi INDEFERIDA. Cientificada em 06/05/2009 , a recorrente apresentou o recurso voluntário, aparentemente, em 02/06/2009 (não está legível fl 343), mas, o encaminhamento ao CARF ocorreu em 05/06/2009 (fl. 359). Voto Vencido Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente, resumidamente, alega que: Cuidase de Pedido de Restituição/Ressarcimento apresentado no PER/DCOMP n° 15141.43613.140803.1.2.032249, transmitido em 13/08/2003, relativo ao direito da empresa Recorrente à compensação integral do prejuízo fiscal referente à base de cálculo negativa da CSLL, no valor original de R$20.184 32 (vinte mil, cento e oitenta e quatro reais e trinta e dois centavos), no período de apuração compreendido entre os meses de fevereiro a dezembro de 1997. Com o advento da Medida Provisória n°. 812, de 30/12/1994, que, posteriormente, resultou na Lei n° 8.981/95, a empresa Recorrente impetrou o Mandado de Segurança Preventivo n°. 95.00259907, perante a 12” Vara Federal em Belo Horizonte, Seção Judiciária de Minas Gerais, pleiteando, em suma, fosse afastada a incidência desta nova legislação tributária da área do seu Imposto de Renda, vez que as normas retro mencionadas não preenchiam os requisitos constitucionais de relevância da matéria, reputadas, portanto, inconstitucionais. Notese que, nos moldes previstos na referida lei, ao compensar seus prejuízos fiscais, o Contribuinte poderia fazêlo com ressalvas. Dentre elas, o ponto frontal Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10665.900326/200672 Acórdão n.º 1001000.962 S1C0T1 Fl. 364 3 discutido pela Recorrente seria a possibilidade de se compensar, em cada exercício, apenas a proporção de 30% (trinta por cento) dos prejuízos fiscais apurados. Assim, o direito à compensação da integralidade dos prejuízos fiscais apurados até 31/12/1994, bem como os prejuízos eventualmente gerados a partir de 1° de janeiro de 1995, foi discutido pela Recorrente em Juízo. Observese que, no referido mandamus, a ora Recorrente obteve provimento liminar, sendo que, na r. sentença de mérito, o MM. Juiz ntendeu por bem conceder a segurança pleiteada, reconhecendo, em ontrole difuso, a inconstitucionalidade da Lei n°. 8.981, de 20/01/1995, om repercussão in casu et inter partes, restando afastada a plicabilidade desta norma relativamente à Recorrente. Entretanto, a Recorrente, através da petição protocolada em 14/08/2003, optou por desistir da ação mandamental em virtude da adesão ao parcelamento Especial PAES, instituído pela Lei n°. 10.684, de 30 de aio de 2003. Neste sentido, em 30/09/2003, foi protocolada, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis, a declaração de existência formulada pela Empresa. Contudo, tendo em vista a existência de prejuízos fiscais a serem compensados na base da CSLL, a Recorrente efetuou o requerimento da compensação de tais valores, incluídos nos 70 % (setenta por cento) não autorizados pela Fazenda Nacional, no exercício de 1995, em razão da Medida Provisória convertida em Lei, conforme explicitado alhures. Entretanto, para total surpresa da empresa Recorrente, em 20/05/2008, foi proferido, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis, o Despacho Decisório n°. 763934555 que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado, sob a alegação de que está prescrito o direito de utilização do saldo negativo em virtude do decurso do prazo de cinco anos entre a data da transmissão do PER/DCOMP e a data de apuração do saldo negativo. Cientificada do r. despacho interpôs, tempestivamente Manifestação de inconformidade, haja vista que, concessa venia, a referida decisão feriu direito líquido e certo da Recorrente no sentido de proceder à compensação do saldo negativo de CSLL. Não obstante a interposição da Manifestação de Inconformidade, a Receita Federal do Brasil, através do Acórdão de n° 0221.875, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, persistiu em não homologar a compensação pleiteada, pelas razões a seguir ementadas: Assunto Contribuição Social sobre O Lucro Líquido CSLL. Anocalendário: 1997 DECADÊNC1A RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo/contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, e, consequentemente, de compensálos, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, inclusive no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Fl. 365DF CARF MF 4 PREJUÍZO FISCAL/BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL COMPENSAÇÃO A compensação de prejuízo fiscal /BC negativa da CSLL é uma faculdade e deve ser exercida pelo contribuinte em tempo hábil e antes da ação do fisco. Solicitação indeferida.” Argumenta a recorrente que: · é indiscutível o seu direito posto que gerados por prejuízos fiscais acumulados de períodos anteriores; · conforme dito alhures, a Empresa, através da PER/DCOMP transmitido em 13/08/2003, buscou compensar o saldo negativo obtido pela influência dos prejuízos fiscais na base de cálculo da CSLL através da devida retificação da DIPJ; · segundo o entendimento proferido no r. despacho, a apuração do saldo negativo foi. feita em 31/12/1997 e o pedido de compensação em 13/08/2003, daí o motivo da alegação de que decorreram mais de 05 anos, estando prescrito o direito da Recorrente de compensar o que lhe era de direito; · no entanto, desconsiderou a Receita Federal o fato de que, durante esse período, encontravase em trâmite, perante a Justiça Federal, o referido mandado de segurança preventivo que discutiu, além da inconstitucionalidade da Lei n°. 8.981/95, a possibilidade de se compensar a integralidade dos saldos negativos gerados a título de ajustes de prejuízo fiscal apurados pela Recorrente até 31.12.1994, bem como os eventualmente apurados a partir de 1° de janeiro de 1995; · assim, é de se notar que, no lapso temporal em que era discutida, via ação mandamental, a constitucionalidade da Lei n°. 8.981/95, bem como o direito a compensar a integralidade dos saldos negativos obtidos através dos prejuízos fiscais, o prazo prescricional de 05 anos, previsto no artigo 168 do CTN. estava interrompido; · registrese que o mandado de segurança foi distribuído em 04/12/1995 e teve homologada a sua desistência em 05/12/2003, o que significa dizer que, entre esse lapso temporal, não há se falar, data vênia, em prescrição do direito da Recorrente de compensar seus créditos; Alega ainda que a compensação de prejuízos fiscais é imprescritível , com base no artigo 6°, do Decretolei 1598/77. Alega que não ocorre a prescrição da apresentação da retificação de DIPJ retificadora: · o saldo negativo de CSLL foi apurado em 31/12/97, tendo sido este conseqüência reflexa da desistência da ação judicial acima mencionada que questionava a limitação do percentual de Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10665.900326/200672 Acórdão n.º 1001000.962 S1C0T1 Fl. 365 5 compensação dos prejuízos fiscais, cujos valores controversos foram em seguida acertados em Parcelamento Especial PAES; · verificado o saldo negativo de CSLL, procedeu a ora Recorrente ao envio de DIPJ retificadora em 13/08/2003, documento anexo, pela qual apurou e declarou a existência_ do saldo negativo. Em seqüência, transmitiu a PER/DCOMP em 13/08/2003, visando à compensação do saldo negativo, no qual faz os ajustes do prejuízo fiscal de 1997; · desta feita, a aplicação correta ao caso concreto do artigo 6°, §l°, inciso II da Lei n°. 9.430/96 é a contagem do prazo prescricional a partir da entrega da declaração de rendimentos, que, “in casu seria a declaração de rendimentos retificadora: transmitida em 13/08/2003; · unindo e prendendo ao acima sustentado, não se pode perder de vista que o prazo prescricional de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso do da CSLL, deve ser observado de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que adota, nesses casos, a intitulada tese dos 5 + 5; · com efeito, apresentada a DIPJ em 13/08/2003, desta data correrá o prazo para que a Fazenda homologue os valores declarados, e a partir de então, iniciase o prazo prescricional para que o contribuinte, ora Recorrente, solicite a restituição do saldo negativo de CSLL; Finaliza requerendo a procedência do presente Recurso voluntário para que seja reformado o despacho hostilizado no intuito de que seja deferido o pedido de restituição/compensação do saldo negativo de CSLL, por ser obra de inteira justiça. Entendo assistir razão à recorrente. A matéria já foi pacificada pelo CARF através da Súmula 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, o seu pedido de compensação/restituição estava dentro do prazo acima indicado, consoante a PER/DCOMP apresentada em 13/08/2003, relativamente ao período encerrado em 31/12/1997. Portanto, dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Voto Vencedor Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Redator do voto vencedor. Fl. 367DF CARF MF 6 Voto por acatar a decadência e negar o provimento ao recurso voluntário, como preliminar. Acredito que não se aplica ao caso a Súmula CARF 91, pois a DIRPJ retificadora foi apresentada em 13/08/2003 alterando o resultado apurado para o período de apuração (PA) de 31/12/1997. Ou seja, naquela data da retificação nem o Fisco nem o contribuinte poderiam mais modificar a apuração da CSLL, pois o direito de lançar havia decaído. Logo, a retificação ocorreu quando já transcorridos mais de 05 (cinco) anos da apuração (31/12/1997). No mesmo dia (13/08/2003) o contribuinte apresentou a PERDCOMP. Não se nega aqui o entendimento consubstanciado na Súmula 91 do CARF de que ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Mas há que se interpretar que, conforme originalmente apreciado no julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, em que foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, entendeuse que para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplicase ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerandose o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tãosomente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional darseá a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). No caso presente a DIRPJ Retificadora do Exercício 1998, ano calendário 1997, foi apresentada em 13/08/2003 e alterou o resultado apurado para o fato gerador 31/12/1997. Ou seja, naquela data da retificação nem o Fisco nem o contribuinte poderiam mais modificar a apuração da CSLL, pois o direito de lançar havia decaído. Logo, a retificação ocorreu quando já transcorridos mais de 05 (cinco) anos da apuração (31/12/1997). Logo, não há como se requere o prazo de cinco anos (art. 168, I, do CTN) para se requer crédito que sequer existia por impedimento previsto no art. 150, § 4º do CTN. No mesmo dia (13/08/2003) o contribuinte apresentou a PERDCOMP. Desta forma voto por reconhecer a decadência do direito do contribuinte de modificar o tributo lançado e negar o provimento ao Recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 368DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.723715/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2005, 2006
MULTA POR IMPRECISÃO NA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ART. ART. 636 DO REGULAMENTO ADUANEIRO/2002
A multa de 1% por imprecisão na descrição da mercadoria prevista no art. 636 do RA/02 é devida quando a reclassificação impõe a alteração do NCM.
Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 2005, 2006
REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA.
Em face da constatação de que a mercadoria provem de fato de país membro do bloco, deve ser mantida a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. Neste sentido, o certificado de origem foi aceito como válido, sendo afastada a multa de 30% por falta de Licença de Importação.
Numero da decisão: 3201-004.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os
Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, saneando as omissões no acórdão recorrido, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência apenas da multa de 1% (um por cento) por erro de classificação fiscal da mercadoria. Vencido, quanto à proposta de anulação do acórdão embargado, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, por entender que este deveria ser anulado, não complementado por meio de embargos, e os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, relatora, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Laercio Cruz Uliana Junior, que davam integral provimento ao Recurso, para exonerar todo o crédito tributário lançado. Vencido, ainda, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à manutenção apenas da multa por erro de classificação fiscal, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Ficou de apresentar declaração de voto o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ART. ART. 636 DO REGULAMENTO ADUANEIRO/2002 A multa de 1% por imprecisão na descrição da mercadoria prevista no art. 636 do RA/02 é devida quando a reclassificação impõe a alteração do NCM. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Exercício: 2005, 2006 REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. Em face da constatação de que a mercadoria provem de fato de país membro do bloco, deve ser mantida a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. Neste sentido, o certificado de origem foi aceito como válido, sendo afastada a multa de 30% por falta de Licença de Importação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, saneando as omissões no acórdão recorrido, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a exigência apenas da multa de 1% (um por cento) por erro de classificação fiscal da mercadoria. Vencido, quanto à proposta de anulação do acórdão embargado, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, por entender que este deveria ser anulado, não complementado por meio de embargos, e os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, relatora, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Laercio Cruz Uliana Junior, que davam integral provimento ao Recurso, para exonerar todo o crédito tributário lançado. Vencido, ainda, o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que negava provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à manutenção apenas da multa por erro de classificação fiscal, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 37 15 /2 01 0- 12 Fl. 1733DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.734 2 o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Ficou de apresentar declaração de voto o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3201002.616, que restou assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Exercício: 2005, 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Auto de Infração apresenta todos os elementos necessários para a apresentação de defesa pelo contribuinte. PRELIMINAR. REVISÃO ADUANEIRA. LEGITIMIDADE. É legítimo o procedimento de revisão aduaneira previsto no Regulamento Aduaneiro. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. No procedimento de revisão aduaneira, a decadência do direito do Fisco em lançar os tributos devidos deve obedecer ao disposto no no art. 54 do Decretolei nº 37, de 1966. Decadência parcial reconhecida. Fl. 1734DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.735 3 PRECLUSÃO. NÃO CABIMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. Nos termos do art. 17 do DL 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não expressamente abordada na impugnação. Não conhecimento da alegação de inaplicabilidade da multa de ofício por se tratar de inovação em sede de Recurso Voluntário. MULTA POR IMPRECISÃO NA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ART. ART. 636 DO REGULAMENTO ADUANEIRO/2002 A multa de 1% por imprecisão na descrição da mercadoria prevista no art. 636 do RA/02 é devida quando a reclassificação impõe a alteração do NCM. REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. DESCONSIDERAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. CONSEQUÊNCIAS. Em face da constatação de que a mercadoria, conforme descrita e classificada no Certificado de Origem, não corresponde aquela que foi efetivamente importada, deve ser afastada a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. Neste sentido, o certificado de origem será desconsiderado, sendo também aplicável a multa de 30% por falta de Licença de Importação. RECURSO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. PENALIDADE PREVISTA NO DL Nº 37/66. Para as penalidades previstas no DL nº 37/66 o prazo decadencial de 5 (cinco) anos é contado da data da Infração. Decadência reconhecida. Recurso de Ofício negado. Em despacho que admitiu os Embargos opostos, o Presidente desta 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF assim resumiu a controvérsia: A embargante invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3201 002.616, julgado na sessão de 29 de março de 2017, fls. 1588 a 1622,1 cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: (omissis) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Por unanimidade de votos negado provimento as preliminares de cerceamento de direito de defesa e revisão aduaneira. Por maioria de votos dado provimento para considerar o termo inicial da decadência a data do registro da DI, Fl. 1735DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.736 4 vencidos os Conselheiros Mércia Trajano Damorim e Paulo Roberto Duarte Moreira. Quanto a preliminar de nulidade por vício no lançamento, foi negado provimento por maioria de votos, vencidos a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (Relatora), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shapo. Quanto ao mérito, por maioria de votos deuse provimento parcial para afastar a reclassificação da mercadoria, para as Declarações de Importação 06/01928479 e 06/05549843 por não possuírem vinculação de laudo válido. Por unanimidade de votos negouse provimento para afastar a multa de ofício e a multa de 1%. Por maioria de votos negouse provimento ao recurso voluntário para afastar a multa de 30% por falta de LI, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shapo, que davam provimento para afastar a multa de 30% por falta de LI. Designado para redator do voto vencedor o Conselheiro Jose Luiz Feistauer. A Conselheira Mércia Trajano Damorim ficou de apresentar declaração de voto. O arrazoado (fls. 1662 a 1667) aduz que o acórdão embargado padece de vício de omissão no tocante à parte dos fundamentos da decisão e a sua correspondente conclusão. Segundo a embargante, no voto vencido da decisão embargada, a relatora afastou a reclassificação de mercadoria importada, em sede de revisão aduaneira, uma vez que não teria sido realizada qualquer análise física do produto (arroz) apta para aferir se, de fato, o arroz importado era ou não polido. A embargante aduz que o voto vencido reconheceu que a alteração na classificação fiscal do produto importado não poderia ter sido feita com base exclusivamente no "Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado” (MAPA), pois os critérios de classificação do referido certificado são distintos daqueles adotados pela NCM e Mercosul. Nessa esteira, o voto vencedor teria se omitido, aponta a embargante, em afastar, de forma expressa, as premissas sustentadas pelo voto vencido que infirmam a reclassificação de mercadoria então realizada. A embargante assinala que "além de não enfrentar a problemática posta pelo voto vencido, o relator do voto vencedor olvidouse de apresentar seus próprios fundamentos que justificassem sua conclusão e consequente manutenção do auto de infração" (fl. 1665). Além disso, a embargante sustenta que o voto vencedor deixou de "fundamentar o afastamento do pedido subsidiário acolhido pela relatora do voto vencido, no que tange a desclassificação do certificado de origem" (fl. 1665), tendo se limitado a afirmar que a Turma teria concluído pela aplicação da multa de 30% pela falta de Licença de Importação (LI). Em síntese, o acórdão embargado teria deixado de trazer os fundamentos para as conclusões a que chegou, limitandose a narrar, nas palavras da embargante, o resultado do julgamento, Fl. 1736DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.737 5 sem trazer razões próprias para afirmar a reclassificação dos produtos importados e a desclassificação do certificado de origem com a aplicação da multa de 30% pela falta de LI. Os Embargos foram admitidos para fins de saneamento da omissão apontada e os autos foram a mim remetidos para julgamento na condição de Relatora originária do feito, muito embora tenha restado vencida e tenha sido designado redator para o voto vencedor. Transcrevo os termos do referido despacho: 1 Omissão A Embargante, como visto, alega que o acórdão embargado foi omisso ao não apresentar os fundamentos para as conclusões a que chegou, tendo se limitado a narrar o resultado do julgamento, sem trazer fundamentação própria para sustentar sua decisão atinente à manutenção da reclassificação dos produtos importados e a desclassificação do certificado de origem com a aplicação da multa de 30% pela falta de LI. Os excertos transcritos a seguir são fundamentais para elucidar se houve omissão do acórdão embargado (grifamos algumas partes): fl. 1614 a 1616: Conforme determinado durante a sessão de julgamento, encaminho a redação do voto vencedor, em relação às matérias relativas: à preliminar de nulidade em face da reclassificação fiscal da mercadoria, bem como, no mérito, à aplicação da multa por ausência de licenciamento (30%). No caso, o voto vencido decidiu pela nulidade do procedimento fiscal, pois não concordou com a reclassificação da mercadoria, o que entende que não poderia ocorrer apenas em razão do exame da documentação que acompanhou as importações. (...) Desta forma, em face do que foi acima transcrito, entendeu a maioria da Turma que assiste razão à Fiscalização, para então acatar a fundamentação do procedimento de revisão aduaneira, efetivado com base na documentação fornecida pelo MAPA, onde os produtos importados foram especificados como sendo do grupo "Beneficiado", SubGrupo "Polido". Concluiuse, assim, que a descrição e classificação tarifária do produto, conforme constam nas Declarações de Importação, não correspondem às mercadorias efetivamente importadas. Portanto, os respectivos Certificados de Origem apresentados pelo contribuinte, por descreverem o produto apenas como "arroz semibranqueado, não glaceado", devem ser desconsiderados, pois não correspondem às mercadorias efetivamente importadas, devendo ser afastada a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. Fl. 1737DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.738 6 No mesmo sentido, também concluiu a maioria da Turma pela aplicabilidade da multa de 30% por falta de Licença de Importação LI. Conforme a documentação fornecida pelo MAPA, os produtos importados foram especificados como sendo do grupo "Beneficiado", SubGrupo "Polido", portanto, necessária a emissão de LI. (...) Pelo exposto, decidiu a turma, por maioria de votos, em preliminar, que deve ser rejeitada a hipótese de nulidade do lançamento, em face do procedimento que resultou na reclassificação fiscal das mercadorias importadas; no mérito, deve ser mantida a aplicação da multa de 30% por falta de Licença de Importação. Da leitura dos excertos transcritos, vislumbro omissão do acórdão embargado no tocante à apreciação de argumentos fundamentais ao deslinde da causa, os quais poderiam, em tese, infirmar a conclusão assentada pelo colegiado. Podese observar que o voto vencedor se restringiu a relatar as conclusões do colegiado quanto à validade do procedimento de reclassificação de mercadoria importada e de afastamento do certificado de origem com aplicação de multa de 30% por falta de LI, sem, contudo, enfrentar as razões e argumentos relevantes, contrários ao procedimento fiscal, os quais foram apreciados, de forma detalhada, pelo voto vencido. Com efeito, o voto vencedor do acórdão embargado não se manifestou sobre os argumentos opostos à reclassificação de mercadorias, manutenção do auto de infração e aplicação da multa de 30% por falta de LI. A decisão relata que a maioria da Turma entendeu como procedente a reclassificação de mercadoria baseada na documentação fornecida pelo MAPA, sem trazer, entretanto, os fundamentos para tal conclusão, deixando de se pronunciar sobre as razões contrárias que atacam frontalmente a utilização dos critérios de classificação do MAPA apontandoos como incongruentes e inadequados e que sublinham a necessidade de inspeção física dos produtos importados, para verificação de sua genuína classificação. Da leitura dos excertos, constatase, ainda, que o voto vencedor registra que a maioria da Turma entendeu aplicável a multa de 30% por falta de LI, mas não traz qualquer argumento para sustentar suas conclusões e afastar os argumentos relevantes contrários ao procedimento fiscal. Podese assinalar, em síntese, compulsando a decisão embargada, que o voto vencedor não articula argumentos para sustentar sua decisão, deixando de enfrentar os argumentos contrários suscitados pela recorrente e enfrentados no voto vencido , os quais se chocam frontalmente com a autuação e que seriam, em tese, capazes de infirmála. A omissão que reclama a estreita via dos embargos de declaração é justamente essa: a de ausência de pronunciamento Fl. 1738DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.739 7 de matéria expressamente posta em debate, fundamental para o deslinde da causa. 2 Conclusão Com essas considerações, em face do que dispõe o § 7° do art. 65 do RICARF, dou seguimento aos embargos de declaração interpostos pela embargante, para ser julgado pelo Colegiado. Incluase, portanto, o presente processo em lote para sorteio a um dos conselheiros da 1ª Turma Ordinária/2ª Câmara/3ª Seção/CARF. Os autos me foram remetidos para elaboração de relatório e pauta, com a presente inclusão em pauta de julgamento. É o relatorio. Voto Vencido Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme relatado, os Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte foram admitidos por ausência de fundamentação no voto vencedor do acórdão Embargado, sendo despiciendo reescrever os termos do despacho de admissibilidade, já transcrito acima. É fato aduzido nos Embargos de Declaração e anuído no despacho de admissibilidade que o voto vencedor proferido apenas relatou o resultado do julgamento obtido, sem, contudo, fundamentar as razões pelas quais tais conclusões foram firmadas. A necessidade de prolação de decisão fundamentada é premissa essencial ao exercício do contraditório, como forma de garantir os princípios da ampla defesa e da segurança jurídica. Estabelece a lei geral do processo administrativo, Lei nº 9.784/99: Art. 2oA Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; II atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei; III objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; Fl. 1739DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.740 8 IV atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa fé; V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; XI proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII impulsão, de ofício, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. Especificamente quanto à motivação dos atos administrativos, assim entendidas as decisões proferidas em sede de processo administrativo, estabelece a mesma lei: Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; III decidam processos administrativos de concurso ou seleção pública; IV dispensem ou declarem a inexigibilidade de processo licitatório; V decidam recursos administrativos; VI decorram de reexame de ofício; VII deixem de aplicar jurisprudência firmada sobre a questão ou discrepem de pareceres, laudos, propostas e relatórios oficiais; Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.741 9 VIII importem anulação, revogação, suspensão ou convalidação de ato administrativo. § 1oA motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. § 2oNa solução de vários assuntos da mesma natureza, pode ser utilizado meio mecânico que reproduza os fundamentos das decisões, desde que não prejudique direito ou garantia dos interessados. § 3oA motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. Notase que, na hipótese dos autos, nenhum das exigências legais supra destacadas foi cumprida: a decisão possui motivação falha, sem a indicação "explícita, clara e congruente" dos fundamentos que levaram à conclusão obtida. Não obstante as disposições legais supra, atinentes ao procedimento administrativo, é de se destacar, também, imposição trazida pelo Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária nesta seara. Efetivamente, as decisões proferidas em sede de contencioso administrativo, tal qual as decisões judiciais, estão obrigadas a se manifestar acerca de todos os pedidos formulados pelo contribuinte, de modo motivado e apresentando fundamentação suficiente. Ainda que não estejam obrigadas a se manifestar acerca da totalidade dos argumentos apresentados, esta é imprescindível quando se trate de fundamento capaz de infirmar a conclusão adotada. A decisão proferida sem estes elementos, é nula, inexistente. É o que estabelece o Código de Processo Civil de 2015: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1oNão se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.742 10 IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. (...) O transcrito dispositivo do Código de Processo Civil é bastante minucioso ao definir os elementos essenciais de uma decisão. Especificamente quanto à motivação, cumpre trazer as palavras do eminente jurista Humberto Theodoro Júnior: A falta de motivação da sentença (de motivação adequada, repitase) dá lugar à nulidade do ato decisório. Tão relevante é a necessidade de fundamentar a sentença que a previsão de nulidade por sua inobservância consta de regra constitucional (CF, art. 93, IX), e não de preceito apenas do NCPC (art. 11). (in THEODORO JÚNIOR, Humberto.Curso de Direito Processual Civil, 59ª ed. rev., atual. e ampl. Rio de Janeiro: Forense, 2018. Vol. 1, p. 1097) Por todo exposto, é de se concluir que, para afastar da decisão embargada qualquer resquício de nulidade seja na condição de ato decisório, seja na condição de ato administrativo vinculado se faz necessário, por meio dos presentes Embargos de Declaração, o devido saneamento das omissões existentes, com a integração da decisão recorrida, consistente na apreciação de todos os fatos e fundamentos apresentados pelo Recorrente. Na hipótese presente, outrossim, percebese que os fundamentos de mérito sob os quais o Redator designado deixou de se manifestar são essenciais e suficientes, por si só, para alterar a própria conclusão final obtida. Tanto é assim que esta Relatora, vencida, em análise de tais fatos e fundamentos expostos pela Recorrente, chegou à conclusão diversa daquela indicada pelo voto embargado, insuficiente e não fundamentado. E, nesse aspecto, observo que, conforme destacado pelo i. Presidente desta Turma em sede de Despacho de admissibilidade, a omissão vislumbrada "no tocante à apreciação de argumentos fundamentais ao deslinde da causa, os quais poderiam, em tese, infirmar a conclusão assentada pelo colegiado." Tratase da possibilidade de concessão dos efeitos infringentes dos Embargos de Declaração quando examinada questão que deveria ter sido apreciada no primeiro julgamento, questão essa suficiente para alterar a conclusão do julgado. Nesse sentido, trago precedentes deste CARF: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.743 11 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos, com efeitos infringentes, os embargos que questionaram omissão na decisão, decorrente de não fundamentação da tese adotada. MULTA ISOLADA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. QUALIFICAÇÃO. O lançamento de ofício relativo a declaração de compensação indevida sujeitase à multa isolada qualificada por caracterizar evidente intuito de fraude, no caso de o crédito oferecido à compensação ser de natureza nãotributária. (Acórdão nº 1201001.590, de 21/03/2017, Rel. ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA) Na hipótese supra, a situação em muito se assemelha à presente, onde, por ausência de fundamentação, foi alterada a conclusão inicialmente obtida pelo Acórdão recorrido. Cito a conclusão do voto condutor: Peço licença para discordar do argumento formulado pelo Acórdão embargado, no sentido de que a declaração, por constituir confissão de dívida, permite a cobrança dos valores indevidamente pleiteados, posto que a multa isolada exigida na hipótese é figura independente e tem por função justamente sancionar atos considerados ilícitos pela legislação. Ante o exposto, ACOLHO os embargos da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para, no mérito, restabelecer a multa isolada qualificada de 150% que havia sido cancelada pelo Acórdão recorrido. Ainda pela possibilidade de concessão de efeitos infringentes, o seguinte acórdão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Verificado no acórdão embargado obscuridade na fundamentação, cabe seu acolhimento para sanála, ainda que de tal feito resultem efeitos infringentes. RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. ORIGEM DE RECURSOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL. Para fins de apuração do efetivo acréscimo patrimonial do contribuinte ao longo de determinado anocalendário, devem ser considerados os rendimentos de aluguel por ele recebidos no curso do período. Embargos Acolhidos. Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.744 12 (Acórdão nº 2402005.712, de 15/03/2017, Rel. JAIRO MARCOS BAUM) Logo, é preciso pontuar que o saneamento das omissões verificadas no acórdão embargado levará, indubitavelmente, ao novo exame do mérito decidido, podendo se chegar à conclusão diversa daquela obtida no primeiro julgamento. Ou seja, a conclusão exposta no voto vencedor não tem o condão de vincular o julgamento integrador, uma vez que, como dito anteriormente, a conclusão desvinculada de fundamentação é nula, inexistente. Assim, considerando que o exame dos fatos e fundamentos já foi devidamente realizada na condição de Relatora do feito, não há como se chegar à conclusão diversa daquela já exposta quando do julgamento do Recurso Voluntário. Desse modo, reescrevo o voto vencido proferido em sede de julgamento de Recurso Voluntário, naqueles trechos que desafiaram os presentes Embargos de Declaração por omissão de fundamentação no voto vencedor. Os trechos omitidos na transcrição referemse às partes do voto proferido que não padecem de omissão, conforme Embargos de Declaração acolhidos. Logo, a transcrição a seguir corresponde à adição, ao acórdão anterior, dos trechos para os quais entendo ter ocorrido as omissões indicadas, sendo mantido aquele acórdão em todos os demais aspectos. Passo à transcrição. 1. RECURSO VOLUNTÁRIO Em sede de Recurso Voluntário o contribuinte apresenta diversas insurgências, preliminares e de mérito, às quais passo a examinar de forma individualizada. 1.1 Preliminares (omissis) c) Impossibilidade de revisão do lançamento por mudança no critério jurídico (Item 2.3 RV) A discussão relativa à revisão aduaneira configurar ou não hipótese de alteração de critério jurídico do lançamento é deveras tortuosa. Tenho para mim que o procedimento de revisão tal como previsto no regulamento aduaneiro é, por si, possível, posto que a existência de previsão normativa autorizadora da revisão por si legítima o procedimento: É cabível discutir se tal permissivo legal está ou não em conformidade com o art. 149 do CTN ou mesmo com preceitos constitucionais, tais como legalidade e segurança jurídica. Contudo, este exame foge à esfera administrativa e ultrapassa minha competência como julgadora deste CARF. Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.745 13 E certo, contudo, que não é todo e qualquer aspecto do despacho de desembaraço que poderá ser alterado no procedimento de revisão. Existem limites legais que devem ser observados pelo agente tributário. Esse aspecto, embora suscitado como preliminar pelo Contribuinte, será apreciada juntamente com o mérito, pois, no meu entendimento, com este se confunde. 1.2 Mérito (Item 2.4 RV) (omissis) Como visto em no Relatório, a Contribuinte importou, nos anos de 2005 e 2006 (período objeto da autuação) mercadoria descrita como “arroz semibranqueado, não glaceado”, classificandoa como "outros" (não polido), uma vez que, no seu entendimento, não poderia ser classificado na condição de "polido", sendo que, no entendimento da Fiscalização, o correto teria sido a classificação como "arroz polido". Relativamente ao mérito da demanda, portanto, a questão primordial (mas não a única) que se coloca é: o arroz importado pela Contribuinte deve ser classificado como polido ou não polido (outros)? Para melhor visualização, confirase o comparativo entre as classificações fiscais adotadas pelo contribuinte e pela Fiscalização: NCM Informado em DI NCM Reclassificação 1006.30.19 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido Parboilizado Outros 1006.30.11 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido Parboilizado Polido ou brunido 1006.30.29 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido Não Parboilizado Outros 1006.30.21 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido Não Parboilizado Polido ou brunido Logo, é fácil verificar que a única divergência trazida aos autos diz respeito à subalinea dedicada à identificação do produto como polido ou não. É incontroverso que se trata de "Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido ", parboilizado ou não, conforme o caso. Já de início é preciso observar que a reclassificação da mercadoria não ocorreu em razão de exame pericial do produto importado, mas, tão somente, pelo exame de documentação que acompanhou as importações ora em exame. Pois bem. No momento em que a Contribuinte providenciou a importação do arroz, descreveu em suas Declarações de Importação relativas aos anos de 2005 e 2006 (período objeto da autuação) o produto importado como sendo "arroz semibranqueado, não glaceado". Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.746 14 Esta mesma descrição constou nos respectivos Certificados de Origem que comprovavam que o produto era oriundo de países do MERCOSUL. Não obstante, no início do procedimento de Revisão aduaneira, o contribuinte foi intimado a apresentar, para cada uma das DIs, o respectivo "Laudo de Classificação de arroz, de acordo com a Portaria nº 296, de 17/11/1988, do Ministério da Agricultura". Em atendimento às intimações feitas pela Fisco, foram apresentados os referidos "Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado" emitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento" (MAPA) (por exemplo, fl. 187, 199, 223, dentre outras). Em todos os certificados emitidos pelo MAPA os produtos importados foram especificados como sendo do grupo "Beneficiado", SubGrupo "polido": Assim, com base exclusivamente neste documento emitido pelo MAPA é que a Fiscalização, em procedimento de revisão aduaneira, afirmou que a descrição e classificação tarifária do produto nas Declarações de Importação não seriam condizentes com as mercadorias importadas. E mais do que isso, a Fiscalização concluiu que os próprios Certificados de Origem, por descreverem o produto apenas como "arroz semibranqueado, não glaceado", e, portanto, não polido, não seriam correspondentes às mercadorias efetivamente importadas. Com isso, passou a considerar que o contribuinte importador não teria apresentado os Certificados de Origem das mercadorias, anulando, assim, o benefício fiscal de redução a zero das alíquotas dos tributos devidos, benefício esse aplicável tanto ao arroz polido, como ao não polido. Assim, é preciso observar que não se trata meramente de uma questão de classificação fiscal, ou seja, se o arroz deve ser classificado como polido ou não polido, mas existe, claramente, uma afirmação do Fisco de que a mercadoria importada pelo contribuinte não seria aquela descrita nos documentos de importação, ou seja, nas suas faturas / Invoices, DI's e mesmo nos respectivos Certificados de Origem. Pois bem. A despeito de todos os documentos relativos à importação (DI's, faturas / invoices e certificados de origem classificarem o produto importado como sendo "arroz semibranqueado, não glaceado", a Fiscalização entendeu que a caracterização como polido seria a mais acertada uma vez que esta é a classificação adotada pelos "Certificados de Classificação de Produto Vegetal Importado" emitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento de acordo com a Portaria M.A. nº 269/88, acostados aos autos. Fl. 1746DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.747 15 Nesse ponto, mais uma vez reputo necessário ressaltar que não houve análise física do produto, mas, apenas, uma análise documental. Nesse aspecto, defende a Contribuinte a impossibilidade de se utilizar a citada Portaria M.A. nº 269/88, e consequentemente, os Certificados emitidos com base em tal norma, para subsidiar a classificação fiscal como "arroz polido", suscitando a existência de divergências de critérios de classificação entre esta e a tabela do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, utilizada para fins fiscais. Confirase a classificação NCM adotada para o arroz: 10.06 Arroz. 1006.10 Arroz com casca (arroz paddy) 1006.10.10 Para semeadura 1006.10.9 Outros 1006.10.91 Parboilizado 1006.10.92 Não parboilizado 1006.20 Arroz descascado (arroz cargo ou castanho) 1006.20.10 Parboilizado 1006.20.20 Não parboilizado 1006.30 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido 1006.30.1 Parboilizado 1006.30.11 Polido ou brunido 1006.30.19 Outros 1006.30.2 Não parboilizado 1006.30.21 Polido ou brunido 1006.30.29 Outros 1006.40.00 Arroz quebrado Agora vejamos a classificação adotada pelo Ministério da Agricultura por meio da sua Portaria M.A. nº 269/88: 4. Classificação O arroz será classificado em grupos, subgrupos, classes e tipo, identificados de acordo com os seguintes critérios: 4.1. Grupos Segundo a sua forma de apresentação, o arroz será classificado em 2 (dois) grupos, assim denominados: 4.1.1. Arroz em casca é o produto fisiologicamente desenvolvido, maduro e em casca, depois de colhido; 4.1.2. Arroz beneficiado é o produto maduro que submetido a processo de beneficiamento, achase desprovido de sua casca. 4.2 Subgrupos Segundo o seu preparo, o arroz em casca e o arroz beneficiado serão ordenados em subgrupos: 4.2.1. Subgrupos do arroz em casca: Fl. 1747DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.748 16 4.2.1.1. Natural 4.2.1.2. Parboilizado 4.2.2. Subgrupos do arroz beneficiado: 4.2.2.1. Integral 4.2.2.2. Parboilizado 4.2.2.3. Parboilizado integral 4.2.2.4. Polido Trazendo a classificação para a mesma formatação utilizada pela NCM: 4.2.1 Arroz em casca 4.2.1.1 Natural 4.2.1.2 Parboilizado 4.2.2 Arroz beneficiado: 4.2.2.1 Integral 4.2.2.2 Parboilizado 4.2.2.3 Parboilizado integral 4.2.2.4 Polido Agora lado a lado: 1006.10 Arroz com casca (arroz paddy) 1006.10.10 Para semeadura 1006.10.9 Outros 1006.10.91Parboilizado 1006.10.92Não parboilizado 1006.20 Arroz descascado (arroz cargo ou castanho) 1006.20.10 Parboilizado 1006.20.20 Não parboilizado 1006.30 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido 1006.30.1 Parboilizado 1006.30.11 Polido ou brunido 1006.30.19 Outros 1006.30.2 Não parboilizado 1006.30.21 Polido ou brunido 1006.30.29 Outros 4.2.1 Arroz em casca 4.2.1.1 Natural 4.2.1.2 Parboilizado 4.2.2 Arroz beneficiado: 4.2.2.1 Integral 4.2.2.2 Parboilizado 4.2.2.3 Parboilizado integral 4.2.2.4 Polido É interessante observar que, para o arroz sem casca, a NCM apresenta 2 grupos (arroz descascado e Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido) e estes se subdividem no total de 6 classificações possíveis: · Descascado parboilizado Fl. 1748DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.749 17 · Descascado não parboilizado · Semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, parboilizado e polido · Semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, parboilizado e não polido · Semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, não parboilizado e polido · Semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, não parboilizado e não polido Já para a classificação adotada pelo MAPA, o grupo de arroz beneficiado, ou seja, sem casca, apresenta apenas 4 itens: · integral · parboilizado · parboilizado integral · polido. Ou seja, já de início se nota que não existe qualquer paralelo entre as duas classificações em questão. Aprofundando especificamente com relação à classificação dos dois tipos de arroz objeto da presente discussão ("arroz parboilizado polido ou não polido" e "arroz não parboilizado polido ou não polido"), é ainda mais visível a incongruência: (a) Onde, na classificação do MAPA, estaria enquadrado o arroz de NCM 1006.30.11, que é, ao mesmo tempo parboilizado (4.2.2.2) e polido (4.2.2.4.)? (b) E o arroz de NCM 1006.30.29 (ou mesmo o de NCM 1006.20.20), ou seja, que não é nem integral (4.2.2.1.), nem parboilizado (4.2.2.2.), nem parboilizado integral (4.2.2.3.) e nem polido (4.2.2.4.)? Uma hipótese seria, então, classificar o arroz não polido como sendo do grupo arroz em casca (4.2.1) que apenas distingue entre os subgrupos natural (4.2.1.1) e parboilizado (4.2.1.2). Todavia, esta se descarta por absoluto, uma vez que, de acordo com a própria Fiscalização, não se trata de arroz em casca, mas, sim, de arroz beneficiado. Afinal, acaso se tratasse de arroz em casca, o NCM seria vinculado ao item "1006.10 Arroz com casca (arroz paddy)", e não ao item efetivamente utilizado "1006.30 Arroz semibranqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido". Ainda em conjectura. Poderseia afirmar que, caso o arroz fosse de fato não polido, como afirma a Contribuinte, então o MAPA o teria classificado no subgrupo "4.2.2.2. Fl. 1749DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.750 18 Parboilizado", argumento que reforçaria a tese de que a mercadoria descrita nas DIs e nos certificados de origem não seria aquela objeto dos Certificados do MAPA. Todavia, mais uma vez se nota a impossibilidade de tal conclusão. Se assim o o fosse, como, então, deveria o MAPA ter classificado o arroz não parboilizado e não polido? É certo, se há NCM específica para o arroz não parboilizado e não polido (1006.30.29) é porque esta "combinação" é possível. É no mínimo alarmante verificar que a classificação adotada pelo MAPA não tem sincronia com a NCM, utilizada para fins de classificação fiscal. Logo, não vejo como traçar qualquer paralelo entre as diversas classificações adotadas pela NCM e as singelas 4 (quatro) classificações possíveis de serem adotadas pelo MAPA. Em outras palavras, entendo que sim, seria possível a Fiscalização Aduaneira, seja durante o despacho aduaneiro, seja em procedimento de revisão, alterar a classificação fiscal do arroz de "não polido", no caso, no subgrupo "outros", para a classificação de "polido". Essa alteração, por certo, acarretaria a reclassificação fiscal e até mesmo a descaracterização dos certificados de origem que, indubitavelmente, classificaram o arroz como sendo não polido. Contudo, entendo, com segurança e convicção, que esta alteração na classificação fiscal não poderia ter se dado com base exclusivamente nos "Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado" emitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento" (MAPA), uma vez que os critérios de classificação utilizados por este órgão não trazem total correspondência com os critérios adotados pela NCM e pelo Mercosul. Em outras palavras, não se pode, como base nos elementos constantes dos autos, afirmar, com a certeza e segurança que se exigem do lançamento tributário, que o arroz importado pela contribuinte deveria ter sido classificado, na NCM, como sendo 1006.30.11 e 1006.30.21 (polido ou brunido) e não como 1006.30.19 e 1006.30.29 (outros), pois não há, em definitivo, qualquer prova de análise física do produto que tenha sido elaborada em conformidade, exatamente, com os critérios estabelecidos pela NCM e pela NESH. Nesse aspecto, necessário ressaltar que o contribuinte trouxe aos autos a demonstração de que, no ano de 2009 (que, inclusive, foi objeto do Termo de Início de Ação Fiscal), a Fiscalização, diferentemente de como procedera com relação aos anos de 2005 e 2006, ora examinados, solicitou a elaboração de laudos técnicos para conferência física da mercadoria. E, nesses casos, a conferência física das mercadorias, e a respectiva classificação exclusivamente com base nos critérios da NCM e NESH, concluíram se tratar de arroz não polido. (por exemplo, fls. 1226, 1261, dentre outras) Não quero, com isso, afirmar que tais laudos seriam válidos como prova relativamente às importações realizadas em 2005 e 2006, mas, tãosomente, demonstrar que, quando a fiscalização procedeu em estrita conformidade com as regras atinentes ao procedimento de classificação fiscal, solicitando a análise física do produto importado, obteve conclusão absolutamente diversa daquela obtida exclusivamente com base em análise de documentos. Fl. 1750DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.751 19 E observe que, mesmo nesses casos de 2009, em que o laudo emitido com base em análise física do produto concluiu se tratar de arroz não polido, ainda assim os respectivos Certificados do MAPA permaneciam classificando esse mesmo arroz como "polido". Logo, se em 2009 os certificados do MAPA não eram suficientes para chancelar a classificação fiscal do arroz como polido, tendo sido necessária a análise física do produto, porque em 2005 e 2006 essa análise física foi dispensada em os Certificados do MAPA foram admitidos como prova soberana e incontestável? Tal circunstância, a meu ver, macula o lançamento tributário relativo ao ano de 2005 e 2006 de inadmissível incerteza e insegurança. Os certificados emitidos pelo MAPA, por seguirem regras e critérios de classificação distintos daqueles adotados pela NCM / NESH, não podem por absoluto, serem utilizados como único e exclusivo fundamento para suportar o procedimento de revisão aduaneira. Ainda nesse aspecto, para que não se alegue que o entendimento ora externado negaria validade à documento público, qual seja os Certificados do MAPA, ou mesmo que considera inócua a Portaria M.A. nº 269/88, tenho que, nos exatos termos constante da parte preambular da citada norma, esta se destina a classificar o produto (arroz) pronto para venda ao consumidor final. Confirase: Portaria N o 269, de 17 de novembro de 1988 O MINISTÉRIO DE ESTADO DA AGRICULTURA, no uso de suas atribuições tendo em vista o disposto na Lei N o 6.309, de 15 de dezembro de 1975, e no Decreto N o 82.110, de 14 de agosto de 1978, resolve: I Aprovar a norma anexa, assinada pelo Secretário de Serviços Auxiliares de Comercialização e pelo Secretário Nacional de Abastecimento, a ser observada na classificação, embalagem e marcação do arroz. II Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação, revogadas a Portaria N o 205, de 26 de agosto de 1981 e as disposições em contrário. ÍRIS REZENDE NORMA DE IDENTIDADE, QUALIDADE, EMBALAGEM E APRESENTAÇÃO DO ARROZ 1. Objetivo A presente Norma tem por objetivo definir as características de identidade, qualidade, embalagem apresentação do arroz em casca (natural e parboilizado), e do arroz beneficiado (integral, parboilizado, parboilizado integral e polido), e dos fragmentos de arroz que se destinam à comercialização. Assim, enquanto a classificação fiscal NCM observa o produto no momento imediato do desembaraço, antes da sua transformação realizada pela indústria interna, a norma Fl. 1751DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.752 20 do MAPA se destina à classificação do produto já beneficiado, empacotado e posto à disposição do consumidor final. Logo, também por esse ângulo se verifica a imprestabilidade das classificações efetuadas com base na Portaria M.A. nº 269/88 para fins de classificação fiscal de mercadoria importada. Outra linha de raciocínio que poderia ser desenvolvida diz respeito aos conceitos trazidos pelas normas (NESH, MAPA e Mercosul) do que seja o arroz polido, tal como abordado pela DRJ. Contudo, após intenso exame do tema, inclusive com estudos acerca das diversas camadas do arroz, como o "pericarpo" que, segunda a NESH, é totalmente removido no arroz polido, ou o "tegumento", que, de acordo com o Ministério da Agricultura, será em grande parte removido no arroz polido, concluo que se trata de discussão inócua que apenas desvirtuaria o tema ora em exame. Isso porque, na hipótese dos autos, não existiu qualquer análise física do arroz importado de modo a verificar quais as camadas foram preservadas e que, assim, pudesse concluir se se tratava de arroz polido ou não polido, de acordo com os critérios estabelecidos na NESH. E mais, na presente data, seria impossível realizar qualquer exame físico nos produtos em questão. Assim, tenho que a questão ora em exame é exclusivamente de classificação fiscal e de possível divergências entre os critérios de classificação adotados pela NCM, pela Portaria 269/88 do MAPA e pela Resolução Mercosul. E a classificação fiscal levada a efeito pela Fiscalização deve, necessariamente, atender aos parâmetros estabelecidos na legislação de regência. Por todo exposto, tenho que a reclassificação fiscal levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira é nula por não apresentar fundamentos capazes de sustentar a pretendida reclassificação, uma vez que não apresenta argumentos de fato e de direito capazes de infirmar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. É preciso concluir que, no caso concreto, não estou a reconhecer a legitimidade da classificação fiscal realizada pelo contribuinte uma vez que, como dito, não consta nos autos a verificação física da mercadoria capaz de aferir, com certeza e segurança, que o arroz importado se encontrava na condição de polido ou não. O que se verifica é que o trabalho fiscal levado a efeito não primou pelo princípio da legalidade estrita, externado pelo art. 142 do CTN, pois não revestiu seu lançamento da certeza e segurança inerentes ao lançamento tributário. O procedimento de revisão aduaneiro apresenta vício material na sua motivação (erro de direito), assim entendida como a adequada fundamentação legal da revisão do lançamento, nulidade essa, insanável, nos termos do art. 149 do CTN. Por fim, a Contribuinte requer a aplicação, ao caso concreto, do art. 112 do CTN: Fl. 1752DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.753 21 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Todavia, consoante todo arrazoado exposto na presente decisão, não vislumbro qualquer existência de dúvida. O que houve, em fato, foi uma divergência quanto à aplicação da legislação tributária. Vejase que a dúvida que autoriza a aplicação do art. 112 do CTN não é aquela decorrente da irresignação do contribuinte quanto aos fatos apurados pela Fiscalização, da interpretação divergente das normas. Esta irresignação se materializa por meio do devido processo legal e da ampla defesa assegurados ao contribuinte. Se assim não o fosse, toda e qualquer lide administrativa poderia ser caracterizada como dúvida, independentemente da sua fundamentação. A dúvida que se exige é a dúvida razoável, fundamentada, e, nos termos legais, a dúvida objetiva, que alcança a certeza dos fatos e /ou da capitulação legal. Não é a dúvida quanto a interpretação do direito. Desse modo, entendo inaplicável aos autos o art. 112 do CTN. PEDIDOS SUBSIDIÁRIOS Por dever de ofício, ainda que acolhido o mérito acima examinado, compete me, também, a análise dos demais pontos apresentados em sede de Recurso Voluntário. (omissis) Validade do Certificado de Origem (Item 2.6 RV) Na hipótese dos autos, a violação imputada ao Contribuinte está assim tipificada pelo Regulamento Aduaneiro vigente à época dos fatos (Decreto 4.543/02): Art. 116. O tratamento aduaneiro decorrente de ato internacional aplicase exclusivamente à mercadoria originária do país beneficiário (Decretolei no37, de 1966, art. 8o). § 1oRespeitados os critérios decorrentes de ato internacional de que o Brasil seja parte, temse por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria resultante de material ou de mãodeobra de mais de um país, Fl. 1753DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.754 22 aquele onde houver recebido transformação substancial (Decretolei no37, de 1966, art. 9o). Art. 503. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade com o estabelecido no correspondente acordo internacional, atendido o disposto no art. 116. Com efeito, na hipótese dos autos, verificase que a desclassificação do certificado de origem não ocorreu em razão da verificação de que o produto importado não seria originário do país descrito na documentação de importação, tampouco na conclusão de que o produto importado não correspondia àquele descrito. Ou seja, a Fiscalização em momento algum alegou que poderia ter ocorrido uma "substituição" do produto importado por outro diverso. Até porque, pelo que consta dos autos, não há qualquer indício de que o contribuinte possa ter se aproveitado de qualquer benefício em razão da importação do arroz polido ou não polido, uma vez que ambos merecem idêntico tratamento fiscal e aduaneiro, e até mesmo regulatório. Sendo assim, entendo que assiste razão à Recorrente ao postular a aplicação do art. 503 do Regulamento Aduaneiro exatamente onde diz que "no caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo". Repiso, não há qualquer alegação ou mesmo indício nos autos de que a suposta incorreção na classificação fiscal possa ter trazido qualquer benefício ao contribuinte, apta a ensejar qualquer possibilidade de fraude na operação. Nesse sentido, entendo bastante próprias as palavras do eminente Jurista Humberto Ávila em Parecer apresentado aos autos pela Recorrente: 2.4.3 A própria legislação interna determina que a comprovação da origem será feita "por qualquer meio julgado idôneo", como se verifica no artigo 503 do Regulamento Aduaneiro de 2002 (Decreto n°. 4.543/02), mesma redação do artigo 563 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (Decreto n°. 6.759/09): Art. 503. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo, em conformidade com o estabelecido no correspondente acordo internacional, atendido o disposto no art. 116. 2.4.4 O dispositivo é bastante claro com relação ao fato de que qualquer documentação idônea poderá comprovar a origem da mercadoria importada. Isso significa que ainda que toda a Declaração de Importação fosse considerada imprestável o que por si só já seria equivocado , ainda assim a procedência da mercadoria poderia ser comprovada pela documentação existente, como os próprios contratos. O suposto erro na Declaração é incapaz de atingir o Certificado de Origem, na medida em que o erro se refere a um aspecto bastante específico (a existência de processo de polimento ou não) sem atingir de nenhum modo a idoneidade da documentação apresentada com relação à origem do arroz importado. Fl. 1754DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.755 23 2.4.5 Sendo assim, a fundamentação apresentada pelo Fisco para justificar a invalidade dos Certificados de Origem não encontra respaldo legal. Não há fundamento na legislação interna para a vinculação entre o código utilizado e a imprestabilidade de toda documentação. O procedimento aduaneiro ao qual as empresas foram submetidas levou à autorização de importação de arroz proveniente de países signatários do Mercosul. Tal fato, por si só, já é suficiente para a consideração dessa documentação como idônea para fins de comprovação da origem da mercadoria. Se a autoridade fiscal, mais tarde, pretende discutir se este arroz é polido ou não polido, isso em nada altera o fato de que já reconheceu e autorizou a importação desse arroz, considerando idônea a sua comprovação de origem. Pelo exposto, entendo que, em sede de apreciação subsidiária, acaso mantida a reclassificação fiscal pretendida pela Fiscalização, deve ser afastada a possibilidade de desclassificação do certificado de origem, nos termos do citado art. 503 do Regulamento Aduaneiro. Pelo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, saneando as omissões no acórdão recorrido, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo Redator Designado. Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos Embargos de Declaração, com efeitos infringentes. De forma concisa, o cerne do litígio consiste no procedimento adotado pela fiscalização que levou a reclassificação fiscal das mercadorias importadas e na validade dos certificados de origem. Nesse sentido, após ampla discussão do caso, a turma decidiu pela legalidade do procedimento de reclassificação, sendo que foi mantida apenas a multa por erro de classificação fiscal. Notese que, apesar da reclassificação, a turma considerou que a mudança efetuada no oitavo dígito da NCM seria insuficiente para descaracterizar a origem das mercadorias, mantendose, portanto, a preferência tarifária do regime de origem do Mercosul. O presente voto vencedor tem por objetivo esclarecer as razões que fundamentaram tais conclusões. Inicialmente, cabe recordar que a relatora Conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, após análise do caso proferiu seu voto com as seguintes conclusões: Fl. 1755DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.756 24 1.2 Mérito (Item 2.4 RV) (...) Por todo exposto, tenho que a reclassificação fiscal levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira é nula por não apresentar fundamentos capazes de sustentar a pretendida reclassificação, uma vez que não apresenta argumentos de fato e de direito capazes de infirmar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. (...) Validade do Certificado de Origem (Item 2.6 RV) Sendo assim, entendo que assiste razão à Recorrente ao postular a aplicação do art. 503 do Regulamento Aduaneiro exatamente onde diz que "no caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo". Repiso, não há qualquer alegação ou mesmo indício nos autos de que a suposta incorreção na classificação fiscal possa ter trazido qualquer benefício ao contribuinte, apta a ensejar qualquer possibilidade de fraude na operação. (...) Pelo exposto, entendo que, em sede de apreciação subsidiária, acaso mantida a reclassificação fiscal pretendida pela Fiscalização, deve ser afastada a possibilidade de desclassificação do certificado de origem, nos termos do citado art. 503 do Regulamento Aduaneiro. Pelo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, saneando as omissões no acórdão recorrido, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário A partir do eminente voto da relatora, a discussão da turma recaiu sobre a validade o procedimento adotado pela fiscalização para a reclassificação das mercadorias. O procedimento fiscalizatório foi tomou como fundamento documentos denominados "Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado" emitidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento" (MAPA). O debate foi quanto à possibilidade de utilização dos documentos do MAPA como única fonte para a reclassificação das mercadorias dentro da NCM. Sobre o assunto, cabe explicar que a reclassificação fiscal foi efetuada exatamente no oitavo dígito da NCM, ou seja, no último dígito da nomenclatura comum. Nesse sentido, cabe lembrar que o sétimo e o oitavo dígitos da NCM são exatamente os dígitos manipulados apenas pelos próprios países integrantes do Mercosul, ou seja, sem interferência Fl. 1756DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.757 25 de terceiros países. O sétimo e o oitavo dígitos da NCM são exatamente os dígitos criados para o desenvolvimento de políticas econômicas específicas de cada um dos países do Mercosul. O Mercosul realiza tal trabalho no Comitê Técnico nº 1 (CT1), órgão encarregado do exame técnico dos temas relacionados a Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias. No âmbito do governo brasileiro, o MDIC realizada a coordenação nacional do CT1. Nesse sentido, com base em consulta ao setor produtivo brasileiro, o MDIC, junto com os demais representantes dos países integrantes do bloco, realiza o trabalho de nomenclatura para dois últimos dígitos da nomenclatura. A consideração quanto ao CT1 e ao MDIC interessa, pois resvala na conclusão da turma quanto a validade dos "Certificado de Classificação de Produto Vegetal Importado" emitidos pelo MAPA para embasar a reclassificação dos últimos dois dígitos da NCM. Ou seja, em razão da liberdade quanto aos trabalhos dentro do sétimo e oitavo dígito da NCM, prevaleceu o entendimento de maior força destes Certificados do MAPA para guiar a fiscalização. Ainda sobre o assunto, a falta de harmonização entre a NCM e a nomenclatura adotada pelo MAPA por meio da Portaria M.A. nº 269/88 foi considerada irrelevante para a conclusão quanto a validade do Certificado que orientou a reclassificação. Evidente que o desejável seria que as nomenclaturas da NCM e o MAPA estivessem harmonizadas, mas tal fato não é impeditivo para que a fiscalização possa utilizar o Certificado do MAPA. Sobre a validade dos laudos e pareceres de outros órgãos federais, citase o disposto no art. 30 do Decreto nº 70.235/72: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Reforço o disposto no art. 30 do Decreto nº 70.235/72 com as palavras do Conselheiro Paulo Duarte retirados de sua declaração de voto: Laudos de órgãos federais serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, ou seja, na identificação e qualificação da mercadoria, especialmente as que tiverem sob controle do órgão, como o caso do arroz, que esteve sob procedimento de classificação, que engloba a identificação e qualificação do MAPA ou entidade credenciada por este, por força da Portaria MA 269/88. É nesse sentido que os Certificados emitidos pelo MAPA foram utilizados no procedimento fiscal: meramente de identificação, aproveitandose da competência formal e uso de técnicas de "classificação" para esclarecer suas características/propriedades, como a de arroz "POLIDO". O MAPA realizou a retirada de amostra no momento da entrada na mercadoria estrangeira no território nacional e a submeteu à análise visando a verificação do atendimento a padrões Fl. 1757DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.758 26 estabelecidos em seus atos normativos que a qualificam ao consumo interno, ainda que necessite de etapas ulteriores de beneficiamento. Dessa análise resultou a identificação da mercadoria, em termos de suas propriedades e características, o que foi utilizada no procedimento fiscal. Assim, observese que o disposto no Certificado do MAPA foi considerado válido, sendo considerado como certo que o arroz em questão naquela ocasião atendia ao critério “polido”. O polimento do arroz em 20052006 não foi contestado no laudo do MAPA. Do voto da relatora, observase que a recorrente enfrentou dúvida semelhante em pelo menos outra ocasião, qual seja no ano de 2009. Diante desse fato, a título de ensinamento futuro, recomendase a realização do procedimento de solução de consulta sobre classificação fiscal de mercadorias na NCM, conforme disposto na Lei nº 9.430/96. Tal procedimento é o único capaz de garantir a certeza quanto a classificação fiscal adotada no período de sua vigência, compreendido entre a data da sua publicação ou ciência ao consulente e a data da publicação ou ciência da nova Solução de Consulta definitiva. Diante de todo o exposto, a fiscalização utilizou de forma válida os Certificados do MAPA que estavam vigentes para reclassificar as mercadorias no subitem “polido”. A reclassificação foi efetuada dentro de um procedimento de revisão aduaneira, cuja execução ocorre após a importação e, na maioria das vezes, onde já ocorreu o consumo das mercadorias importadas. É de se concluir, portanto, que no caso concreto prevaleceu o entendimento da turma quanto a validade dos Certificados do MAPA para a reclassificação adotada pela fiscalização no procedimento de revisão aduaneira, com a manutenção apenas da penalidade por erro de classificação fiscal. Conclusão Diante do exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, mantendo apenas a exigência da multa de 1% (um por cento) por erro de classificação fiscal da mercadoria. (assinado digitalmente) Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo Declaração de Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Mantenho meu posicionamento por ocasião do julgamento do RV do qual resultou no Acórdão embargado. Assim, cabe expressar meu entendimento para manter a reclassificação efetuada pela fiscalização, desclassificar o certificado de origem em razão de consignar Fl. 1758DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.759 27 mercadoria com descrição e classificação divergente do que restou apurado, e manter a multa por falta de LI, pois o novo código tarifário exige licenciamento nãoautomático. Revisão aduaneira x mudança no critério jurídico Entende a nobre Relatora que a reclassificação fiscal levada a efeito em sede de Revisão Aduaneira é nula por não apresentar fundamentos capazes de sustentar a pretendida reclassificação, uma vez que não apresenta argumentos de fato e de direito capazes de infirmar a classificação fiscal adotada pelo contribuinte. Prossegue seu raciocínio afirmando que o procedimento de revisão aduaneiro apresenta vício material na sua motivação (erro de direito), assim entendida como a adequada fundamentação legal da revisão do lançamento, nulidade essa, insanável, nos termos do art. 149 do CTN. A irresignação da recorrente tem como pano de fundo a controvérsia de se efetuar lançamento de exigência em ato de revisão após ultrapassado o desembaraço aduaneiro e conferência da mercadoria. De pronto, podese afirmar que a autoridade fiscal fundamentou a hipótese legal de revisão do lançamento. A fundamentação do lançamento foi a inexatidão da classificação fiscal da mercadoria, no caso o arroz, tendo como arrimo os laudos (certificados) emitidos pelo MAPA. Além disso, o auto de infração foi fundamentado em vários dispositivos do regulamento aduaneiro Decreto nº 4.543/2002. Assim sendo, a referida alegação não merece prosperar. A identificação do arroz pelo Mapa e a reclassificação pela autoridade fiscal Uma primeira questão que surge é acerca da prestabilidade de aplicação do resultado do "laudo" do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA na "classificação" do arroz importado pela recorrente. Em outros dizeres, o laudo é apto para identificar a mercadoria para efeitos de classificação tarifária e se reveste da qualidade de prova? Antes, porém, impende afirmar que não se trata de laudo do MAPA, mas de "CERTIFICADO DE CLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO VEGETAL IMPORTADO", e para a expressão "classificação" compreendese a identificação da mercadoria. Estabelecese a distinção: o que é classificação para o MAPA, tem o efeito de identificação das características do produto para efeitos fiscais; e ainda, tratase de um Certificado cujos efeitos é o mesmo de um laudo. O art. 30 do Decreto nº 70.235/72 prescreve: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.760 28 competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Laudos de órgãos federais serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, ou seja, na identificação e qualificação da mercadoria, especialmente as que tiverem sob controle do órgão, como o caso do arroz, que esteve sob procedimento de classificação, que engloba a identificação e qualificação do MAPA ou entidade credenciada por este, por força da Portaria MA 269/881. É nesse sentido que os Certificados emitidos pelo MAPA foram utilizados no procedimento fiscal: meramente de identificação, aproveitandose da competência formal e uso de técnicas de "classificação" para esclarecer suas características/propriedades, como a de arroz "POLIDO". O MAPA realizou a retirada de amostra no momento da entrada na mercadoria estrangeira no território nacional e a submeteu à análise visando a verificação do atendimento a padrões estabelecidos em seus atos normativos que a qualificam ao consumo interno, ainda que necessite de etapas ulteriores de beneficiamento. Dessa análise resultou a identificação da mercadoria, em termos de suas propriedades e características, o que foi utilizada no procedimento fiscal. O conteúdo do certificado trouxe informações hábeis à perfeita identificação da mercadoria objeto do procedimento de reclassificação fiscal que esteve em curso; senão vejamos: Assinalou que a amostra referiase à produto importado, em sacos, com indicação do nº do BL, o que permite concluir que o Laudo/Certificado não tem por objeto somente produtos embalado/acondicionado para a comercialização, como se pronto para a venda a consumidor final; Foi efetuado a partir de amostras do arroz importado conforme identificado no próprio certificado. A fiscalização, na maioria dos casos, demonstrou a perfeita correspondência entre a DI e o Certificado, por meio do Conhecimento de Carga. Informou o equipamento utilizado para se obter a identificação da mercadoria (por exemplo: "MOTOMCO MOD 919 S"); Apresenta o campo "Esclarecimento ao Cliente" com a informação de que "O prazo para fins de contestação do resultado da classificação contida neste certificado é de 45 dias (...), a partir da data da emissão deste certificado" 1 Anexo 1. Objetivo A presente Norma tem por objetivo definir as características de identidade, qualidade, embalagem apresentação do arroz em casca (natural e parboilizado), e do arroz beneficiado (integral, parboilizado, parboilizado integral e polido), e dos fragmentos de arroz que se destinam à comercialização. Fl. 1760DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.761 29 A fiscalização diante das inúmeras informações consignadas nos Laudos, inclusive com a indicação inconteste de que se trata de arroz POLIDO (com a imagem reproduzida no voto da Relatora) não teve dúvidas quanto à exata identificação e classificação fiscal a ser empreendida segundo as regras próprias. A inspeção para classificação pelo MAPA, segundo as regras da Portaria 269/88 permitiram identificar, com precisão, que o arroz importado de que trata estes autos é polido, segundo o que consta expresso nos campos "Especificações Qualitativas" e "Discriminação do Resultado da Classificação" que apontaram para arroz beneficiado, POLIDO e com limites máximos de tolerância de defeitos/tipos que se enquadram no ANEXO VI, da Portaria 269/88, que trata do ARROZ BENEFICIADO POLIDO. Não há, portanto, que se pretender correlacionar as classificações efetuadas pelo MAPA em suas normativas (que na verdade tratase de identificação para fins de aptidão ao consumo) com os códigos tarifários dispostos na TEC e, mormente, com as diversas regras de interpretação do Sistema Harmonizado. A uma, não cabe ao órgão pretender realizar classificação fiscal de produtos, e tal não fora feito; a duas, a classificação é atribuição exclusiva da autoridade fiscal e esta utilizouse de identificação do órgão competente ao controle e certificação do produto. Identificado o arroz importado como semibranqueado ou branqueado e "polido", os códigos tarifários a serem atribuídos serão: 1006.30.11 (parboilizado) e 1006.30.21 (nãoparboilizado), conforme a reclassficiação elaborada pela autoridade fiscal. Para as DI 06/01928479 em que não foi juntado o certificado do MAPA, e a DI 06/0549843, em que o certificado apresentouse ilegível, afastamse as reclassificações. Desclassificação do Certificado de Origem Segundo as regras do Regime de Origem internalizadas em nosso ordenamento jurídico, a deficiência na identificação da mercadoria conduz à perda da preferência tarifária. Sempre que a mercadoria descrita no Certificado de Origem não corresponder àquela identificada na verificação física, o certificado de origem será desclassificado e, consequentemente, cobrados os tributos próprios de uma importação realizada por meio de terceiro país, a teor do que determina a IN SRF nº 149/2002, em seu art. 10, caput e parágrafo único: “Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: (...) Fl. 1761DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.762 30 Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração.” Verificase nos dispositivos normativos do Regime de Origem aprovado pelo Quadragésimo Quarto Protocolo ao Acordo de Complementação Econômica 18, promulgado pelo Decreto nº 5.455/2005 que a indicação de classificação fiscal no Certificado de Origem não caracteriza mero erro formal. Com efeito a alínea “e”, do Item “A”, do Anexo IV do referido protocolo, aponta o que se entende por mero erro formal, que, uma vez sanado, não implicaria prejuízo ao tratamento tarifário diferenciado: “e) Em caso de se detectarem erros formais na confecção do certificado de origem, avaliados como tais pelas as Administrações Aduaneiras, caso, por exemplo de inversão no número de faturas, ou em datas, menção errônea do nome ou domicílio do importador, etc. não se demorará o despacho da mercadoria, sem prejuízo de resguardar a renda fiscal através da aplicação dos mecanismos vigentes em cada Estado Parte. Serão considerados erros formais todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem da mercadoria....” Em segundo, a alínea “f” do mesmo item é categórica ao definir o tratamento legal a ser dispensado a erros diversos daqueles constantes da já transcrita alínea “e”: “f) Não serão aceitos Certificados de Origem que mereçam observações diferentes daquelas descritas na alínea “e”. Finalmente, a alínea “h” deixa claro que, para efeito do regime de origem do Mercosul, a classificação fiscal não se inclui no rol dos chamados vícios formais. Confirase: “h) Os casos enumerados na alínea “e” deverão ser comunicados pela administração aduaneira à repartição oficial quando se aplique o tratamento tarifário correspondente ao âmbito de extrazona. Também serão comunicados os casos em que exista diferença entre a classificação consignada no Certificado de Origem e a resultante da verificação aduaneira da mercadoria, sem prejuízo da aplicação dos procedimentos aduaneiros previstos em cada Estado Parte para tais infrações.” Em verdade, ao fazer a ressalva de que, além dos erros formais (previstos na alínea “e”), deveriam ser também comunicados as divergências de classificação fiscal, o texto do Acordo esclarece que essas últimas não se inserem no rol dos considerados erros formais. Fl. 1762DF CARF MF Processo nº 10480.723715/201012 Acórdão n.º 3201004.243 S3C2T1 Fl. 1.763 31 Assim sendo, não há margem para dúvida de que, estando incorretamente classificada a mercadoria, não poderia ser aceito o certificado emitido, mormente quando o erro detectado alcança a própria descrição literal do produto, omitindose sua característica essencial à correta classificação tarifária arroz polido. Portanto, o Certificado de Origem apresentado, o qual descrevia e classificava mercadoria diversa da efetivamente importada e objeto de reclassificação pela autoridade lançadora, não produziu os efeitos para o gozo da redução a zero da alíquota do II incidente sobre a mercadoria, nos termos do Acordo de Complementação Econômica nº 18, Capítulo III, artigo 3º, inciso b). Multa por falta de licença de importação Decorre da classificação incorreta laborada pela contribuinte a exigência, ainda comprovada no julgamento da impugnação, de outra posição tarifária sujeita ao licenciamento nãoautomático. Ademais, sendo também incorreta e incompleta a descrição da mercadoria afastase qualquer possibilidade de aplicação do ADN Cosit nº 12/97. Dessa forma, em razão da desqualificação do certificado de origem, a incorreta descrição do produto e sua classificação tarifária errônea atraem a aplicação da multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, por ausência de licenciamento não automático nos termos do art. 633 do Decreto nº 4.543/2002. Diante de tudo ante exposto, votei no sentido de, acolhidos os embargos de declaração, neguei provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1763DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000603/2004-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 1998
Ementa: IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA – A conduta da
contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturá-las
nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa
e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/1964.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1202-000.693
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: Nelson Lósso Filho
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998 Ementa: IRPJ APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA – A conduta da contribuinte de não informar a totalidade de suas receitas nas declarações de rendimentos entregues ao Fisco, nem escriturálas nos livros próprios, durante períodos consecutivos, procedimento adotado sistematicamente em todo o grupo de empresas capitaneado pela autuada, por meio de limitadores eletrônicos de emissão de notas fiscais ou cupom, além da manutenção de controles paralelos de receitas, denota o elemento subjetivo da prática dolosa e enseja a aplicação de multa qualificada pela ocorrência de fraude prevista no art. 72 da Lei nº 4.502/1964. Recurso Voluntário Negado. . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10680.000603/200495 Acórdão n.º 120200.693 S1C2T2 Fl. 811 2 Relatório Retornam os autos após julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em relação à decisão tomada pela maioria dos membros da extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 10808.664, fls. 567/583, que deu provimento ao recurso voluntário quanto à impossibilidade da exigência de multa de ofício no caso de sucessão de empresas. Acordaram os membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento ao recurso especial, determinando o retorno dos autos à Câmara de origem para apreciação das alegações da recorrente a respeito da qualificação da multa de ofício, conforme consta da ata de julgamento traduzida na folha de rosto do referido Acórdão CSRF 910100.6431ª Turma, fls. 793. Como determinado no Acórdão CSRF 910100.6431ª Turma, cabe a esta Turma apreciar as alegações apresentadas pela empresa em seu recurso e não enfrentadas no julgamento original, relativas à qualificação da multa de ofício. Registro que a empresa embargou o acórdão proferido originalmente, sustentando existir omissão no voto, dentre outras matérias, quanto à ausência de dolo que motivasse a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%%, fls. 660/666. Os embargos foram parcialmente acolhidos, sendo prolatado o Acórdão nº 10809.679, fls. 703/712, da sessão de 14/08/2008, para suprir a omissão apontada. É o Relatório. Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho Da análise do voto do Relator original, conselheiro Luiz Alberto Cava Maceira, no Acórdão nº 10808.563, da sessão de 10/11/2005, como também do Acórdão nº 10809.679, da sessão de 14/08/2008, da lavra da conselheira Karem Jureidini Dias, vejo que além da matéria levada ao crivo da CSRF, a responsabilidade por multa de ofício no caso de sucessão de empresas, a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu rejeitar as preliminares suscitadas, de nulidade e de decadência, além de no mérito dar provimento parcial ao recurso, abordando todos os questionamentos levantados pela pessoa jurídica. Entretanto, como determinado no Acórdão CSRF nº 910100.6431ª Turma, abordo especificamente a qualificação da multa pela questão da caracterização nos autos a ocorrência de fraude, perpetrada pela contribuinte no intuito de deixar de pagar os tributos devidos. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10680.000603/200495 Acórdão n.º 120200.693 S1C2T2 Fl. 812 3 No que concerne à imposição da multa qualificada, prevista no artigo 44 II da Lei nº 9.430/96, vejo que foi perfeitamente aplicada ao caso em questão, haja vista a conduta dolosa da contribuinte ao utilizar procedimentos fraudulentos para omitir receitas. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 está assim redigido: “Art. 44 – Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Omitido) II – cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” Fica claro que a infração submetida à hipótese da multa do inciso II do artigo 44 é a ação ou omissão com intenção de retardar ou impedir o pagamento do tributo, cujo fato gerador tenha ocorrido. O mestre Alberto Xavier traduz com clareza, apoiado em Rubens Gomes de Sousa, a noção deste instituto: “Não cabe dúvida que a definição se inspirou nas lições de Rubens Gomes de Sousa, quando ensinava no seu ‘Compêndio de Legislação Tributária’ que a fraude fiscal – uma das infrações tributárias simples, por oposição aos crimes e contravenção em matéria tributária – podia ser definida como toda ação ou omissão destinada a evitar ou retardar o pagamento de um tributo devido, ou a pagar tributo menor que o devido. Em face desta noção desenhavase bem simples a distinção entre a fraude fiscal e a evasão de imposto. Ambas seriam ações ou omissões destinadas a evitar, retardar ou reduzir o pagamento de um tributo, mas enquanto a fraude fiscal pressupõe a ocorrência do fato gerador, isto é, uma obrigação tributária já existente, constituindo uma infração, a evasão colocase em momento anterior ao da ocorrência do fato gerador, antes pois do nascimento da obrigação do imposto, pelo que não caberia no caso falarse em ato ilícito.” O artigo 72 da Lei nº 4502/64 traz a definição de fraude citada no art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.” Ao definir que fraude é a ação ou omissão dolosa para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador do tributo, o legislador entendeu que tal procedimento seria motivado por artifício engendrado para impedir a exteriorização completa de um fato que efetivamente aconteceu ou vai acontecer na hipótese de incidência tributária. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10680.000603/200495 Acórdão n.º 120200.693 S1C2T2 Fl. 813 4 Novamente Alberto Xavier, com apoio em Galvão Teles, define assim o conceito do dolo no campo tributário: “Ensina Galvão Teles – com a clareza que é de seu timbre – que ‘dolo, na acepção com que lhe dá a linguagem dos juristas, é a intenção de provocar um evento ou resultado contrário ao Direito. O agente prevê e quer o resultado ilícito; este representase no espírito do sujeito que o elege como fim, e para ele dirige a sua vontade através de uma conduta ativa ou passiva’ (Dos Contratos em Geral, 2a ed., 1962, pág. 45). Não pode falarse em fraude à lei sem que exista dolo e não pode falarse em dolo onde não ocorra uma especial direção subjetiva da consciência e vontade do agente que possa caracterizarse como ‘intenção fraudulenta.” No Termo de Verificação de Infração, o autuante identifica como os motivos que o levaram a impor a multa qualificada os seguintes: “a) as omissões de receitas verificadas ocorreram de forma generalizada na empresa MG MASTER LTDA., bem como já ocorriam as omissões nas empresas que a mesma incorporou e continuaram a ocorrer após as incorporações, como comprovam os envelopes de Fechamento de Caixa e os relatórios existentes no aplicativo SISPAC, constantes da documentação retida/apreendida, de acordo com o Termo de Retenção, a que se refere o item 2, e anexados ao presente processo; b) filiais que iniciaram suas atividades em 1998 também já contabilizavam, desde o primeiro dia de funcionamento, valores de receitas de vendas inferiores às reais; c) as omissões não ocorreram de forma isolada ou esparsa, mas sim de forma continuada e geral, na medida em que ocorreram não só em alguns dias, mas diariamente, não apenas em alguns meses, mas em todos os meses do anocalendário de 1998, que ora está sendo analisado, e também não apenas em uma loja, mas em todas que já existiam, nas que entravam em funcionamento e também nas que foram incorporadas, todas sob a administração do Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, que era sócio das incorporadas e continua como sócio quotista, representante legal e dirigente exclusivo da MG MASTER LTDA; d) as omissões não foram em decorrência de erros de escrituração e sim decorrentes da sistemática contabilização de valores de receitas de vendas inferiores aos efetivamente ocorridos; e) o relatório de auditoria realizada pelo PÁTIO BRASIL SHOPPING, de Brasília, apreendido na sala da Presidência, conforme Termo de Apreensão referenciado no item 2, já apontava para omissão de vendas, conforme documentos juntados às folhas 144 a 148 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA; Fl. 813DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10680.000603/200495 Acórdão n.º 120200.693 S1C2T2 Fl. 814 5 f) na documentação e nos arquivos magnéticos apreendidos foram encontrados diversos documentos que fazem menção a dois tipos de controles, um societário e outro gerencial, como atestam, por exemplo, os documentos juntados às folhas 149 a 217 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA. O societário corresponderia aos valores escriturados pelo contribuinte, enquanto que o gerencial (ainda que em valores inferiores aos apurados por esta fiscalização) representaria os valores reais, a fim de que o contribuinte tivesse o controle gerencial das suas atividades. g) existe uma limitação à emissão de notas ou cupons fiscais no dia, em função do procedimento de controle de cotas, de tal forma que a utilização dos emissores de cupom fiscal (ECF) fica restrita ao valor previamente determinado pelo próprio sócio administrador, Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho, conforme constatado nos documentos juntados às folhas 218 a 220 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA.. h) na documentação apreendida, conforme item 2, encontramos um relatório de apuração trimestral que, em seu item 1.1, contém a sugestão de condicionar os emissores de cupons fiscais (ECF) a um percentual de emissão ainda menor que o corrente, bem como que sejam os gerentes orientados neste sentido, conforme documentos juntados às folhas 221 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA; i) ações trabalhistas dão conta de indícios de sonegação fiscal, como por exemplo, os processos n. 605/99, da 318 Junta de Conciliação e Julgamento de Belo Horizonte, 640/00, da 358 Vara da Justiça do Trabalho de Belo Horizonte e 0186/99, da 138 Junta de Conciliação e Julgamento de Belo Horizonte, cópias anexas às folhas 222 a 224 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA; j) o Sr. Sebastião Vicente Bonfim Filho já foi denunciado pela prática de crimes contra a ordem tributária (consubstanciada na redução de carga tributária devida, de forma continuada, omitindo nos livros e documentos fiscais obrigatórios as correspondentes operações tributáveis), na condição de sócio administrador da empresa CATALÃO ESPORTES LTDA (uma das empresas incorporadas à MG MASTER LTDA. em 1998), no processo n.98.057.3273, da 38 Vara Criminal, da Comarca de Belo Horizonte, documentos juntados às folhas 245 à 248 do anexo 01 do processo IRPJ e reflexos da MG MASTER LTDA;” Não consegue a contribuinte demonstrar a inconsistência do lançamento fiscal, não trazendo à colação nenhuma prova que descaracterize a infração que lhe está sendo imputada, ficando denotada a intenção de reduzir o pagamento do tributo por artifício doloso, adotado sistematicamente em todo grupo empresarial, dentre outros, as restrições eletrônicas à emissão de notas ou cupons fiscais, sendo aplicável, portanto, a multa qualificada de 150%. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10680.000603/200495 Acórdão n.º 120200.693 S1C2T2 Fl. 815 6 (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 815DF CARF MF Impresso em 15/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 15/08/2012 p or NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900745/2008-39
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE.
A falta de comprovação de divergência jurisprudencial inviabiliza o processamento do recurso especial. A divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova, e sim na interpretação das normas, visto que, na apreciação da prova, o julgador tem o direito de formar livremente a sua convicção. Além disso, a caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui. No caso sob exame, a impossibilidade da caracterização de divergência não decorre apenas das diferenças entre os conjuntos probatórios dos casos cotejados, ou do fato de o julgador ter o direito de formar livremente a sua convicção ao apreciar as provas. Essa impossibilidade também decorre do fato de que a imputação de ônus probatório com suas respectivas consequências simplesmente não poderia ser transposta de um caso para o outro. Não se pode pretender validar um PER/DCOMP tomando como referência o ônus probatório que foi imputado à Fiscalização num caso em que houve lançamento de ofício (auto de infração).
Numero da decisão: 9101-003.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. A falta de comprovação de divergência jurisprudencial inviabiliza o processamento do recurso especial. A divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova, e sim na interpretação das normas, visto que, na apreciação da prova, o julgador tem o direito de formar livremente a sua convicção. Além disso, a caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui. No caso sob exame, a impossibilidade da caracterização de divergência não decorre apenas das diferenças entre os conjuntos probatórios dos casos cotejados, ou do fato de o julgador ter o direito de formar livremente a sua convicção ao apreciar as provas. Essa impossibilidade também decorre do fato de que a imputação de ônus probatório com suas respectivas consequências simplesmente não poderia ser transposta de um caso para o outro. Não se pode pretender validar um PER/DCOMP tomando como referência o ônus probatório que foi imputado à Fiscalização num caso em que houve lançamento de ofício (auto de infração).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. A falta de comprovação de divergência jurisprudencial inviabiliza o processamento do recurso especial. A divergência jurisprudencial não se estabelece em matéria de prova, e sim na interpretação das normas, visto que, na apreciação da prova, o julgador tem o direito de formar livremente a sua convicção. Além disso, a caracterização da divergência jurisprudencial se dá quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui. No caso sob exame, a impossibilidade da caracterização de divergência não decorre apenas das diferenças entre os conjuntos probatórios dos casos cotejados, ou do fato de o julgador ter o direito de formar livremente a sua convicção ao apreciar as provas. Essa impossibilidade também decorre do fato de que a imputação de ônus probatório com suas respectivas consequências simplesmente não poderia ser transposta de um caso para o outro. Não se pode pretender validar um PER/DCOMP tomando como referência o ônus probatório que foi imputado à Fiscalização num caso em que houve lançamento de ofício (auto de infração). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 07 45 /2 00 8- 39 Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à negativa de reconhecimento de direito creditório reivindicado em Declaração de Compensação (PER/DCOMP). A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1102000.941, de 08/10/2013, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, negou provimento a recurso voluntário apresentado na fase anterior do processo, mantendo a negativa em relação ao PER/DCOMP. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1998 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE. EMPREITADA. Somente pode ser aplicado o percentual sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal de 8% (oito por cento), no caso de empreitada comprovadamente em que há emprego de materiais, em qualquer quantidade e de mão de obra. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: a controvérsia existente no processo gira em torno da comprovação ou não de que as receitas da Recorrente sejam provenientes da prestação de serviços na construção civil com emprego de materiais, para fim de determinar o coeficiente aplicável para apuração do lucro presumido (se 8% ou 32%); o acórdão recorrido entendeu que a Recorrente não comprovou as atividades sujeitas ao coeficiente de 8%, ou seja, a prestação de serviços de construção civil com emprego de materiais; ocorre que os contratos de prestação de serviços comprovam claramente as atividades desenvolvidas pela Recorrente, assim como os materiais empregados nas obras, na medida em que são contratos firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, onde consta expressamente os serviços a serem realizados, com emprego de materiais; por esta razão, restou caracterizada divergência com a decisão proferida pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no processo 10245.000927/00 77, assim ementado: Acórdão nº 10195.517 LUCRO PRESUMIDO e LUCRO ARBITRADO PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE COEFICIENTES APLICÁVEIS NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO ATIVIDADE DE CONSTRUÇÃO CIVIL O auto de infração deve estar acompanhado de todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Tendo a fiscalização acusado a empresa de utilizar coeficientes inadequados, competia a ela provar que suas receitas não se originam de empreitada com fornecimento de materiais. Recurso provido. assim, considerando a divergência processual e que os contratos e as notas fiscais constituem prova hábil à comprovação do crédito da Recorrente, requer seja dado provimento ao recurso, para anular o acórdão recorrido e homologar a compensação realizada. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 25/05/2015, deu seguimento ao recurso especial, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: I Matéria objeto do recurso especial Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 5 4 No recurso discutemse os meios de comprovação da prestação de serviços com fornecimento de materiais a ensejar a aplicação da alíquota de 8% para a determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal. A contribuinte insurgese contra a decisão que manteve o indeferimento de parte dos pedidos de compensação por entender que, sendo diversas as atividades da contribuinte, os contratos por ela firmados podem abrigar uma ou mesmo mais de uma atividade, sendo necessária a apresentação de toda a documentação contábil e fiscal cabível para apurar a base de cálculo do IRPJ para que haja o reconhecimento do direito creditório. A recorrente entende que contratos e notas fiscais constituem prova hábil para a comprovação de seu direito creditório. [...] III Análise da admissibilidade do Recurso Especial [...] Na decisão combatida julgouse necessária, para a obtenção do direito creditório, a apresentação de todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como, os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração comercial e fiscal, de forma a comprovar, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado em compensação. No paradigma, foi decidido que ordens de serviço de terceiros referente à contratação de construção com fornecimento de materiais, notas fiscais de aquisição de materiais e documentos fornecidos por terceiros declarando que as obras executadas compreenderam fornecimento de mãodeobra são suficientes para apurar o direito da contribuinte, não se tendo exigida a escrituração contábil e fiscal da recorrente. Assim, constato que foi comprovada a divergência argüida, uma vez que ante a mesma situação fática, os julgados confrontados obtiveram decisões diversas no sentido de comprovar o direito creditório dos sujeitos passivos, no que se refere à apuração da base de cálculo do lucro presumido à alíquota de 8%. Em 02/06/2015, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e em 08/06/2015, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. o Despacho nº 1101 – 1ª Câmara reconheceu como comprovada a caracterização da divergência jurisprudencial; todavia, o recorrente não pretende a uniformização de teses jurídicas, objetivo primordial do recurso especial interposto com base na configuração da divergência, mas sim o revolvimento do conjunto fáticoprobatório; Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 6 5 a princípio, cabe estabelecer em quais bases foi proferida a decisão recorrida: [...]; a decisão recorrida, deixa claro, portanto, que o contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório. Isto é, não comprovou que houve erro ou pagamento a maior hábil a gerar o indébito alegado; portanto, o Recurso Especial não deve ser conhecido, vez que este instrumento não pode ser utilizado para a rediscussão do conjunto fáticoprobatório; DA IMPROCEDÊNCIA DAS ALEGAÇÕES DA RECORRENTE. na remota hipótese de não ser aceito o entendimento acima, passase a demonstrar que o Recurso Especial também não merece provimento; a Fazenda Nacional adota como razões a elucidativa fundamentação apresentada no acórdão recorrido: [...]; ademais, convém destacar que a regra acerca da distribuição do ônus da prova no ordenamento jurídico pátrio encontra previsão no art. 333 do Código de Processo Civil, verbis: [...]; a norma extraída deste dispositivo determina que o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito incumbe ao autor. Aplicada ao contexto da compensação tributária, temse que compete ao contribuinte produzir a prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco; o ônus da prova que incumbe ao ente tributante consiste em, uma vez provado o fato constitutivo (crédito) pelo contribuinte, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele; com a devida vênia, não procede o entendimento de que cabe à autoridade fiscal a demonstração da inexistência dos elementos informados pelo contribuinte para a formação do crédito; tratase de inadmissível inversão do ônus da prova, a qual não tem previsão legal. É imperioso destacar que qualquer exceção à regra geral deve constar de texto de lei, como, por exemplo, existe no Direito do Consumidor, descabendo que o faça a autoridade julgadora com base em juízo de equidade; na compensação, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito líquido e certo declarado. Se não se desincumbiu do ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, não há que se exigir da autoridade fiscal a demonstração de qualquer elemento contrário à alegação do crédito; cumpre frisar, por oportuno, que o entendimento adotado no acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência do CARF. Confirase: [...]; DO PEDIDO. ante todo o exposto, pugna a Fazenda Nacional para que seja negado conhecimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte; Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 7 6 caso não seja este o entendimento sufragado, requer que, no mérito, seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo traz controvérsia sobre negativa de compensação (PER/DCOMP), em razão do não reconhecimento do direito creditório reivindicado pela contribuinte. Esse direito creditório seria originário de pagamento indevido ou a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código de receita: 2089, no valor de R$ 1.058,78, relativo ao quarto trimestre de 1998. A contribuinte alega que aplicou indevidamente o coeficiente de 32% para presunção do lucro, enquanto que, por atuar no ramo de construção civil por empreitada, com fornecimento de material próprio, e por força da Solução de Consulta SRRF/8a RF/DISIT n° 52, proferida no processo administrativo n° 10855.000267/200351, o coeficiente correto seria de 8%. Tanto a decisão de primeira instância administrativa, quanto a de segunda instância (acórdão ora recorrido), indeferiram o pleito com o entendimento de que a contribuinte não se desincumbiu do ônus de comprovar o alegado direito creditório. Com seu recurso especial, a contribuinte busca a homologação da compensação realizada. E em sede de contrarrazões, a PGFN suscita inicialmente uma preliminar de não conhecimento do recurso, alegando que a decisão recorrida deixa claro que a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório consistente em demonstrar o seu direito creditório, e que o recurso especial não deve ser conhecido, uma vez que não pode ser utilizado para a rediscussão do conjunto fáticoprobatório. Realmente, não há condições para se conhecer do recurso especial. Reproduzo a seguir várias passagens do acórdão recorrido que ilustram a motivação para a negativa em relação ao PER/DCOMP: Acórdão nº 1102000.941 [...] Relatório Em síntese, o valor do indébito com o qual a contribuinte declarou a compensação, objeto deste processo, seria originário de pagamento Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 8 7 indevido ou a maior de imposto sobre a renda de pessoa jurídica (IRPJ), código de receita: 2089, no valor de R$ 1.058,78, relativo ao quarto trimestre de 1998. A contribuinte apresentou DIPJ, relativo ao anocalendário de 1998, informando IRPJ (código de receita: 2089), relativo ao 4º trimestre de 1998, no valor de R$ 1.830,74. A contribuinte alega que o indébito informado na PER/Dcomp de n° 04309.07265.121203.1.3.047666 decorreu do fato de ter tratado a totalidade de suas receitas como receitas advindas de prestação exclusiva de serviços, sobre as quais foi aplicado o coeficiente de presunção de lucro de 32%. Pauta a contribuinte que atua no ramo de construção civil por empreitada, com fornecimento de material próprio, e por força da Solução de Consulta SRRF/8ª RF/DISIT n° 52, proferida no processo administrativo n° 10855.000267/200351, a essas receitas deveriam ser aplicadas o coeficiente de presunção de lucro de 8%. Com base nisto, sustenta ter efetuado recolhimento a maior que o devido, no 4º trimestre de 1998, apresentando, em virtude disso, a PER/Dcomp de fls. 01/02, objeto do despacho decisório de fl. 03. Em fls. 6064, verificamse as razões do recurso da contribuinte. Inicialmente, apresenta esta o Objeto Social de sua empresa (fls. 17): [...] Junta a Recorrente aos autos contrato de execução de obras (fls 33 36) bem como notas de fiscais de sua emissão e notas de compra de mercadorias / matérias primas que serão utilizadas em trabalhos de sua empresa, sem qualquer alusão a qual obra ou atividade que vem desenvolvendo, sempre recebidos em seu endereço (fls. 38 e outras). Também, importante observar que o contrato prevê anexos que falam sobre materiais fornecidos os quais não foram juntados. Importante observar que as fls. 37 junta a Recorrente um orçamento a uma das atividades a ser realizada na rua Bento Antonio Pereira, sendo que ela mesma descreve tão somente serviços, tais como: carga e descarga; sentamento de tubos de pvc; escoramento especial; escavação e transporte do produto escavado; etc. Às fls. 43, até verificase nota fiscal emitida pela Recorrente, contra determinada prefeitura, onde encontrase em seu corpo “serviços de escavação e reaterreno e obras complementares para implantação de esgoto, entre outros”. O ponto nevrálgico continua sendo: emprego de materiais. Afirma a Recorrente que deixou de retificar o valor do débito de IRPJ declarado na DCTF e na DIPJ, de modo que o sistema não constatou o pagamento a maior do imposto, gerando a não homologação da compensação por ausência de crédito. Transcreve esta o fundamento da não homologação da compensação: [...]; Alega a Recorrente que, embora se esforçasse, a delegacia de julgamento também entendeu que o crédito não foi devidamente comprovado, sendo imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal do trimestre para apuração da base de cálculo do IRPJ. Ainda, a Recorrente alega que, para atender a exigência do órgão recorrido, esta anexou ao presente recurso, todas as notas fiscais emitidas no trimestre, os contratos dos demais meses que compõem o trimestre e Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 9 8 que não haviam sido juntados, as notas fiscais dos materiais empregados nas obras e a cópia do Livro Diário correspondente ao trimestre. Em 02/12/2009 a Recorrente foi cientificada do Acórdão proferido pela autoridade fiscal (fls. 58), a qual apresentou em 21/12/2009 seu Recurso (fls. 6064) reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto [...] A Recorrente alega que está amparada pela Solução de Consulta SRRF/8ª RF/Disit nº 52, de 07.03.2005 formalizada no processo nº10855.000267/200351. A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) manifestouse sobre a prestação de serviço em geral, quando a pessoa jurídica executar obras de construção civil com emprego de material, alegada pela recorrente em quatro contratos e três cartascontrato de execução de obras e/ou serviços de engenharia firmados com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo SABESP. Nesse sentido, referida Solução de Consulta, citando o Ato Declaratório Cosit n° 6, de 13/01/1997, que disciplinou o assunto, declarou, em seu inciso I, que os percentuais aplicáveis no caso de atividade de construção por empreitada são os seguintes: [...]; 1 Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. Com efeito, registre que a solução de consulta, em seu item 12, deixa claro que as empresas que exercem atividades diversificadas mereceram o tratamento disposto no artigo 223, § 3º do RIR/1999, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, que estabelece que o percentual a ser aplicado é aquele correspondente a cada atividade. Ora, cabe assinalar que a base de cálculo do IRPJ para as empresas optantes do regime de tributação com base no lucro presumido é determinada mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 15 da Lei n° 9.249, de 1995, e arts. 1º e 25, inciso I, da Lei n° 9.430, de 1996, fundamento legal dos artigos 518 e 519 do RIR/99, que assim dispõem: [...]; Nesse sentido, mediante esse procedimento fiscal a Recorrente obteve e esclarecimentos sobre a questão, oportunidade em que não lhe foi reconhecido qualquer direito creditório, por falta de análise da liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. A dedução esclarecida pela defendente, então, não está evidenciada. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas no Per/Dcomp devem ser homologadas, pois está sujeita ao lucro presumido calculado pelo Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 10 9 coeficiente de 8% sobre a receita bruta, uma vez que se dedica à construção civil com emprego de materiais e de mão de obra. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. Logo, apreendese a partir da resposta consulta que nenhum procedimento adotada pela Recorrente foi “homologado” pela RFB, tão somente esta apresentou os fundamentos legais para que a Consulente, ora Requerente, aplicasse corretamente a lei. Apenas isto! E isto foi realizado corretamente até porque, pela simples leitura do objeto social estabelecido em contrato social (fls. 15) da Recorrente, constatase que a mesma se propõe a exercer diversas modalidades de prestação de serviços, quais sejam: a) saneamento urbano e civil; b) pavimentação em todos os seus tipos e modalidades; c) terraplanagem e remoção de terra; d) drenagem; e) calçamento e sua reposição; f) construção civil e geral, por empreitadas ou administração por conta própria ou de terceiros; g) serviços técnicos de engenharia; h) serviços especializados de impermeabilização, vedação na construção civil; i) Administração de obras na construção civil; j) incorporação imobiliária em geral; k) compra e venda de imóveis e a promoção de venda de empreendimentos imobiliários de sua propriedade; l) administração de bens imóveis próprios; m) qualquer outro negócio conexo, conseqüente, afim ou correlato com o objetivo social. Exercendo a Recorrente atividades diversas na área de construção civil, os contratos por ela firmados podem abrigar uma ou mesmo mais de uma atividade, daí porque imprescindível a apresentação de toda a documentação fiscal cabível para apuração da base de cálculo do IRPJ, do 4º trimestre de 1998, de modo a demonstrar o montante do tributo devido. Portanto, a contribuinte deveria trazer aos autos demonstrativo da apuração do lucro presumido do 4º trimestre de 1998 (outubro, novembro e dezembro de 1998) com aplicação, no caso de atividades diversificadas, do percentual correspondente a cada atividade, a fim de se determinar a base de cálculo e o imposto de renda devido e, aí sim, cotejar o IRPJ pago com aquele efetivamente devido. Quando um contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar o crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 11 10 reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. [...] O empreiteiro de uma obra pode contribuir para ela só com seu trabalho ou com ele e os materiais. A obrigação de fornecer os materiais não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. [...] Concluindo, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificandose a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros e documentos contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado, o que aqui não restou provado. Em assim sucedendo, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (g.n.) Não é possível extrair nenhuma divergência em relação ao acórdão recorrido a partir do entendimento de ele graduou previamente o valor das provas, ou restringiu as possibilidades de comprovação do indébito a um único tipo de prova, ou algo semelhante a isso. O acórdão recorrido, embora tenha feito alguns comentários genéricos sobre a importância da escrituração contábil e fiscal, não disse em nenhum momento que só reconheceria o indébito se a contribuinte tivesse apresentado "toda" a sua escrituração contábil e fiscal. Não há nenhuma dúvida de que o acórdão recorrido indeferiu sim o pleito da contribuinte, mas por entender que ela não conseguiu comprovar de alguma forma o alegado direito creditório, principalmente porque restou evidenciado, segundo o acórdão recorrido, que ela executa atividades diversas na área da construção civil, submetidas a diferentes coeficientes para a presunção do lucro. É sempre importante lembrar que o Recurso Especial tem por escopo uniformizar o entendimento da legislação tributária entre as câmaras e turmas que compõem o CARF, não se prestando como instância recursal no reexame de material probatório. Com efeito, o alegado dissenso jurisprudencial deve se dar em relação a questões de direito. A divergência jurisprudencial realmente não se estabelece em matéria de prova, e sim na interpretação das normas, visto que, na apreciação da prova, o julgador tem o direito de formar livremente a sua convicção, conforme dispõe o art. 29 do Decreto nº 70.235/1972. Mas o que a contribuinte busca com seu recurso especial é justamente o reexame do conjunto fáticoprobatório, e isso não é possível em sede de recurso especial. Não bastasse esse problema de não se poder confrontar, em sede recurso especial, as convicções dos julgadores diante das provas de cada um dos processos, há ainda um outro aspecto que também inviabiliza a caracterização de divergência e o conhecimento do recurso. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 12 11 É que a caracterização de divergência só pode ocorrer quando o entendimento do caso paradigma pode ser transposto para o recorrido, produzindo o resultado pretendido pelo recorrente, mas isso não ocorre aqui, porque o acórdão paradigma (Acórdão nº 101 95.517) examinou a questão do coeficiente de presunção de lucro num contexto bastante diferente daquele analisado pelo acórdão recorrido. O paradigma tratou de auto de infração para exigência de IRPJ, e, nesse caso, o ônus probatório é inicialmente atribuído à Fiscalização. O trecho abaixo evidencia o contexto em que foi exarado o paradigma: Acórdão paradigma nº 10195.517 [...] A solução do litígio demanda análise do ônus da prova. Tendo a fiscalização acusado a empresa de utilizar coeficientes inadequados, competia a ela provar que as receitas da interessada não se originam de empreitada com fornecimento de materiais. O artigo 9º do Decreto nº 70.235/72 determina que devem acompanhar o auto de infração todos os elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. No caso, caberia à fiscalização demonstrar que as receitas da empresa não advêm de empreitada com fornecimento de material, o que não foi feito. A fiscalização limitouse a alegar que a empresa, em razão de sua atividade (prestação de serviços gerais), estaria sujeita aos coeficientes de [...]. Quando se trata de auto de infração (caso paradigma), o ônus probatório inicial é da Fiscalização, e se ela não se desincumbe desse ônus, o lançamento não é mantido. E quando se trata de reivindicação de direito creditório em um PER/DCOMP (caso recorrido), é o contribuinte que tem que se desincumbir inicialmente do ônus probatório, sob pena de o alegado crédito não ser reconhecido. Assim, não há como pretender que o mesmo ônus probatório que foi imputado à Fiscalização num caso de lançamento de ofício (auto de infração), seja imputado ao Fisco num caso de repetição de indébito, em que a iniciativa é do contribuinte. Isto porque o ônus da prova incumbe ao autor (da ação judicial, do procedimento administrativo, etc.) quanto ao fato constitutivo de seu direito (CPC, art. 373, I). Assim, no caso sob exame, a impossibilidade da caracterização de divergência não decorre apenas das diferenças entre os conjuntos probatórios dos casos cotejados, ou do fato de o julgador ter o direito de formar livremente a sua convicção ao apreciar as provas. Essa impossibilidade também decorre do fato de que a imputação de ônus probatório com suas respectivas consequências simplesmente não poderia ser transposta de um caso para o outro. Não se pode pretender validar um PER/DCOMP tomando como referência o Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10855.900745/200839 Acórdão n.º 9101003.905 CSRFT1 Fl. 13 12 ônus probatório que foi imputado à Fiscalização num caso em que houve lançamento de ofício (auto de infração). Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.720282/2010-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000
CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 3201-004.363
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO N/T. Recorrente A FERREIRA INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 02 82 /2 01 0- 05 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 13433.720282/201005 Acórdão n.º 3201004.363 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de decisão proferida pela DRJ/ Ribeirão Preto, que manteve o Despacho Decisório da DRF/Mossoró/RN e, consequentemente, não reconheceu o direito ao crédito presumido do IPI pleiteado. Como é de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação: "Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e não homologou as compensações declaradas. A empresa em epígrafe peticionou ressarcimento de crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363/96, (...), a serem compensados com débitos contidos nos Per/Dcomp relacionados no processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o ressarcimento, considerando o fato de que a empresa produz e exporta castanha de caju sem casca, produto classificado na TIPI com NCM 0801.32.00, como não tributado (NT). Explicitou que mesmo havendo um EX tarifário com alíquota zero (0%) de IPI, este somente poderia ser aplicado quando o produto fosse acondicionado em embalagens de apresentação, que não é o caso dos produtos exportados pela manifestante, por se encontrarem embalados em caixas para transporte. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que a exportação do produto industrializado, ainda que sob a rubrica NT, foi examinada em Recurso Repetitivo, em vista do que pedese que o mesmo entendimento seja "reproduzido neste processo", na forma do art 62 A do Regimento do “CARF”, porque, em matéria infraconstitucional, o RR do Superior Tribunal de Justiça constitui a última palavra no ordenamento jurídico do Brasil. Por outra, informa que o CARF afastou, por unanimidade, qualquer restrição ao produto NT. Solicitou também que fosse reconhecido, porque assim também foi decidido no Recurso Repetitivo, o direito à correção do crédito pelaTaxa Selic." O Acórdão nº 14043.636, da DRJ/Ribeirão Preto, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13433.720282/201005 Acórdão n.º 3201004.363 S3C2T1 Fl. 4 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICABILIDADE. MESMO OBJETO. A controvérsia submetida ao rito do artigo 543C, do CPC, cingese sobre a legalidade da Instrução Normativa 23/97 que restringiu o direito ao crédito presumido do IPI às pessoas jurídicas efetivamente sujeitas à incidência da contribuição destinada ao PIS/PASEP e da COFINS, à luz do disposto na Lei n° 9.363/96 e não ao Direito ao crédito presumido nas operações de exportação de produtos Não Tributados NT. Não possuindo o mesmo objeto, não pode ser aplicada ao caso concreto. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação “NT”, correspondente a produto nãotributável. Nesse caso, em vista de que a exportação de produto classificado como nãotributável pela legislação do IPI não dá direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em seguida, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13433.720282/201005 Acórdão n.º 3201004.363 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.356, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 13433.720230/201021, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.356): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Pessoalmente entendo que é possível o creditamento nas operações do contribuinte, contudo, a matéria possui a recente Súmula n.º 124, que deve ser aplicada ao presente litígio administrativo fiscal, por ser obrigatória, em acordo com o regimento interno deste Conselho: "Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996." Não reconhecido o crédito, resta prejudicado o argumento do contribuinte a respeito da aplicação da taxa Selic. Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 173DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.910623/2015-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/01/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 23 /2 01 5- 29 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.428. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910623/201529 Acórdão n.º 3301005.288 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.913623/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a apresentar a documentação relativa às operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, nos termos do voto do relator, vencidos o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento ao recurso voluntário e os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e Diego Weis Jr que negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 13 62 3/ 20 09 -7 1 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10830.913623/200971 Resolução nº 3302000.841 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos comprobatórios (peças judiciais de mandado de segurança por ele impetrado, partes da DIPJ, DCTF e da Demonstração do Resultado do Exercício) e requereu a reforma da decisão de origem, alegando que o crédito pleiteado era decorrente de receitas financeiras auferidas por empresa sucedida, tendo a incidência da contribuição (PIS/Cofins) se dado sob amparo do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, que promoveu o alargamento de sua base de cálculo, para além das receitas decorrentes das vendas de mercadorias e serviços, alargamento esse declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de demonstração da composição e da existência do crédito e de provas hábeis a comprovar sua liquidez e certeza. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, trouxe aos autos cópias de planilhas identificadas como Balancete, Balanço, Lalur e Razão e requereu o reconhecimento do seu direito, repisando os mesmos argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10830.913623/200971 Resolução nº 3302000.841 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.833, de 25/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.913618/200969, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.833 Voto vencedor): Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto ao fato de estar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório alegado pela recorrente. Em seu voto, o i. relator entendeu que os documentos acostados aos autos demonstram a existência do crédito pleiteado pela recorrente, possibilitando a compensação requerida. Todavia, não constam, no processo, documentos necessários à demonstração da natureza de algumas receitas no caso, atinentes à participação em outras sociedades , as quais poderiam servir de base de incidência de PIS/COFINS e, assim, influenciar na apuração do crédito alegado pela recorrente. Nesse sentido, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10830.913623/200971 Resolução nº 3302000.841 S3C3T2 Fl. 5 4 Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da RFB tome as seguintes providências: 1. Intimar a recorrente para apresentar documentação suficiente e necessária das operações com aquisição de debêntures de Serra da Mesa e operações da Conta de Resultados a Compensar CESP, devendo ser demonstrado, de forma clara e objetiva, o enquadramento ou não de eventuais receitas ligadas àquelas operações ao provimento jurisdicional concedido à recorrente; 2. Analisar os documentos e a resposta apresentada pela recorrente, analisando sua consistência e procedência, elaborando, ao final, relatório com parecer conclusivo, manifestandose, em especial, sobre o enquadramento ou não das receitas ligadas às operações de participação societária acima aludidas ao escopo da decisão judicial em favor da recorrente; 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência (item 2), abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 290DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.727123/2016-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2301-000.732
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja verificado se o crédito tributário em questão no presente processo guarda vinculação com o processo 12448.900756/2013-11, e, caso positivo, se o crédito tributário em questão no presente processo foi extinto, total ou parcialmente, por homologação da compensação/restituição.
(assinado digitalmente).
João Bellini Júnior - Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente).
Relatório
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja verificado se o crédito tributário em questão no presente processo guarda vinculação com o processo 12448.900756/2013-11, e, caso positivo, se o crédito tributário em questão no presente processo foi extinto, total ou parcialmente, por homologação da compensação/restituição. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior - Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente). Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que seja verificado se o crédito tributário em questão no presente processo guarda vinculação com o processo 12448.900756/201311, e, caso positivo, se o crédito tributário em questão no presente processo foi extinto, total ou parcialmente, por homologação da compensação/restituição. (assinado digitalmente). João Bellini Júnior Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, João Maurício Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Bellini Júnior (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por LUIZ ILDEFONSO SIMÕES LOPES, contra o Acórdão de julgamento (efls. 59/62) que julgou improcedente a impugnação. O relatório do Acórdão recorrido foi descrito nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 70 .7 27 12 3/ 20 16 -9 6 Fl. 175DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 3 2 "Tratase de processo de impugnação à Notificação de Lançamento de fls. 28 a 31, referente à declaração de ajuste anual do exercício 2013 (DIRPF 2013), anocalendário 2012. 2. O interessado foi notificado em decorrência da glosa da compensação de R$ 671.178,54 de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), redundando na exigência tributária de R$ 671.178,54 de Imposto sujeito à multa de mora, R$ 134.236,70 de multa de mora e acréscimos legais pertinentes. 3. A autoridade fiscal em suas razões assim se postou: 'O contribuinte, presidente da fonte pagadora, não comprovou a regularidade dos recolhimentos do imposto de renda retido na fonte da empresa. 0 contribuinte alega que a maior parte dos valores devidos foi extinta por meio da compensação com créditos da empresa. Todavia, efetuada verificação por amostragem, observouse a Insuficiência de créditos para a quitação integral do Imposto de renda retido do mês de setembro/2012, conforme processo administrativo nº 12448.900756/201311. Em razão do exposto, não foi admitida a compensação do Imposto de renda retido na fonte'. 4. O interessado ciente da exigência, por via postal, em 30/08/2015 (fls. 32), apresentou a impugnação de fls. 2 a 19 em 26/09/2015 alegando que é Diretor Presidente da Brookfield Brasil Ltda, que é a fonte pagadora, e que essa empresa reteve o imposto de renda agora glosado e que a totalidade desses débitos se encontram extintos sob condição resolutória, em face da compensação declarada nos PER/DCOMP nº 12511.34114.171012.1.3.028200, sendo que a maioria já foi homologada pelo Despacho Decisório nº 043217486, recebido em 18/02/2013 pela fonte pagadora. 5. Resta apenas um saldo devedor de R$ 20.813,80, cuja decisão já foi contestada por meio de manifestação de inconformidade com efeito suspensivo. 6. A aludida Manifestação de Inconformidade foi processada, mas nunca julgada, e que não houve qualquer omissão de rendimentos por parte do contribuinte em questão, já que todos os valores declarados no ajuste condizem com o informado pela Fonte Pagadora. 7. O que se verifica em relação à situação fiscal da Fonte Pagadora é que os débitos atrelados ao processo de cobrança nº 12448.900756/201311 se encontram com a exigibilidade suspensa, não havendo razão, então, para o lançamento neste combatido. 8. Defendese ainda citando posição do STJ que o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente da empresa é cabível apenas quando demonstrado que este agiu com excesso de poderes, infração à lei ou ao estatuto, ou no caso de dissolução irregular de sociedade, não se incluindo o simples inadimplemento de obrigações tributárias. 9. Aduz que a mera inadimplência do tributo (que sequer se pode cogitar, face à Manifestação de Inconformidade ainda não julgada) e admitindo a prova da retenção do imposto como óbice à glosa da Fl. 176DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 4 3 dedução de IRRF declarada pelo contribuinte, encontra amparo em diversos julgados do CARF. 10. Prossegue, ainda, nos seguintes termos: A partir da apresentação desta Manifestação de Inconformidade, em 20.03.2013, portanto, o débito objeto do Processo nº 12448.900756/201311, estava, ou deveria estar, com a sua exigibilidade suspensa até a decisão definitiva que jamais existiu quanto à compensação realizada, em decorrência da própria legislação, na forma do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional. In verbis: "Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) Ill as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo;" (grifouse) Neste mesmo sentido, ainda, é a disciplina do art. 74, §§ 9º e 11, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03, sendo norma cogente de direito público, que não autoriza qualquer margem de discricionariedade por parte do aplicador do Direito, isto é, não admite interpretação pela Administração Pública tendente a desconsiderar o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade, conforme segue: "Art. 74. (...)§ 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7°, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação(...)§ 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9° e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação." (grifouse) Adicionalmente, ressaltase que a Manifestação de Inconformidade, nos termos do § 49 do art. 77 da Instrução Normativa RFB n° 1.300/2012, e suas alterações, a qual disciplina a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, obedecerá "ao rito processual do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972". Isso, por si só, já seria o suficiente para que a Manifestação de Inconformidade fosse enquadrada na hipótese do art. 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, na medida em que tal dispositivo faz alusão às reclamações e aos recursos previstos "nas leis reguladoras do processo tributário administrativo" e, em âmbito federal, é o Decreto n° 70.235/72 c/c Decreto 7.574/11 que regula o processo administrativo, inaugurando, assim, a fase litigiosa em relação à cobrança de tributos federais. Contudo, corroborando com o raciocínio acima desenvolvido, e espancando qualquer dúvida sobre o tema, o próprio ato normativo expedido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (IN nº 1.300/2012) dispõe, expressamente, sobre a extensão do efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário à Manifestação de Inconformidade, em seu art. 77, § 55, ipsis litteris: Fl. 177DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 5 4 "Art. 77. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso ou, ainda, da data da ciência do despacho que não homologou a compensação por ele efetuada, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a não homologação da compensação. § 55 A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente essa manifestação de inconformidade, enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do CTN relativamente ao débito objeto da compensação.” Todavia, afastada a responsabilidade do Impugnante, que sofreu o ônus da retenção do Imposto de Renda sobre rendimentos do trabalho assalariado, é de rigor o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do débito objeto do presente Processo, advinda da apresentação de Manifestação de Inconformidade no Processo de Crédito nº 12448.900.527/201399, desde a data do seu protocolo, em 20.03.2013, até decisão definitiva acerca da compensação realizada, declarandose nulo o Lançamento nº 2013/806608920838154. Além da impossibilidade de lançamento do débito em tela, visto que oriundo de processo administrativo com exigibilidade suspensa, os valores ora lançados não se equiparam ao montante de Imposto de Renda Retido na Fonte constante no Processo Administrativo nº 12448.900756/201311, referente ao débito de IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado. Vejase que o valor do IRRF glosado, correspondente ao montante retido pela Fonte Pagadora no exercício 2013 (anocalendário 2012), representa a quantia de R$ 671.178,54 (seiscentos e setenta e um mil, cento e setenta e oito reais e cinquenta e quatro centavos), enquanto o saldo devedor de Imposto de Renda Retido na Fonte (Código de Receita 0561) exigido no Processo Administrativo nº 12448.900756/201311 é de somente R$ 20.813,80 (vinte mil, oitocentos e treze reais e oitenta centavos), conforme detalhamento abaixo: (...) Sendo assim, considerando, de acordo com o próprio Fisco, que "efetuada verificação por amostragem, observouse a insuficiência de créditos para a quitação integral do imposto de renda retido do mês de setembro/2012" para o que não é competente o fiscal autuante mas sim a Delegacia de Julgamento que ainda irá apreciar a Manifestação de Inconformidade no Processo de Crédito nº 12448.900.527/201399 e que o saldo devedor de IRRF sobre rendimentos do trabalho assalariado (com exigibilidade suspensa) constante naquele processo representa a quantia de somente R$ 20.813,80 (vinte mil, oitocentos e treze reais e oitenta centavos), bem distante da quantia aqui lançada, deve, igualmente, ser anulado o Lançamento 2013/806608920838154, por ausência de certeza quanto ao débito cobrado. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 6 5 Cabe salientar, aliás, que o Impugnante foi alvo de outras duas notificações de lançamento dos exercícios imediatamente anterior e posterior ao ora impugnado, cujas DIRFs foram revisadas pelos ARFB Bruno Cezar Silva de Lacerda e Walter Gomes Vieira Filho e ambas as notificações assinadas pelo Delegado da RFB DRF/RJ2 Alfredo Luiz Valle do Nascimento, demonstrando que a fiscalização vem adotando o mesmo entendimento plasmado na Norma de Execução Cofis nº l, de 22 de abril de 2014 em todos os casos, mesmo sendo esta norma editada apenas após a ocorrência de todos os fatos geradores tratados na presente notificação de lançamento e, portanto, inaplicável ao caso concreto, em atenção ao princípio da irretroatividade. Por fim, ainda que estas conclusões não sejam alcançadas pela simples leitura dos dados disponíveis nos próprios sistemas da Receita Federal, requer o Impugnante a realização de diligência para que seja confirmado o status das compensações pendentes de confirmação no Processo Administrativo de Crédito n° 12448.900527/201399, e no processo de cobrança nº 12448.900756/201311, objeto da suposta compensação indevida de IRRF, e que seja o presente cancelado ante a constatação de que o lançamento combatido fora efetuado enquanto suspensa a exigibilidade do crédito tributário". Em Recurso Voluntário apresentado nas efls. 116/127, o recorrente alega que a totalidade destes débitos encontrase extinto, sob condição resolutória, por ocasião da compensação declarada no PER/DCOMP nº. 12511.34114.171012.1.028200, sendo que a maior parte dos débitos já foram homologados (e definitivamente extintos) pelo Despacho Decisório nº 043217486, recebido em 18.02.2013, pela Fonte Pagadora. Alega, ainda, que "Pela análise do direito creditório da Fonte Pagadora, verifica se que do valor total do crédito declarado no PER/DCOMP nº. 12511.34114.171012.1.3.02 8200 em relação à compensação do débito de IRRF Rendimento do Trabalho Assalariado (Código de Receita 0561, do qual estaria inadimplente), no montante de R$ 114.272,76 (cento e quatorze mil, duzentos e setenta e dois reais e setenta e seis centavos), o próprio Fisco já reconheceu a liquidez e certeza da parte dos créditos compensados, restando parcialmente homologada a compensação e apurado contra aquela Pessoa Jurídica um saldo devedor pendente de julgamento pela RFB com exigibilidade suspensa de R$ 20.813,80, relativo ao IRRF controlado no PAF n9 12448.900756/201311". Pede a reforma da decisão de primeira instância. É breve o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário é tempestivo. Assim, passo a analisar o mérito. Conforme se constata do enquadramento legal e dos fatos apurados, o Lançamento se deu em decorrência da glosa da compensação de R$ 671.178,54 de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), redundando na exigência tributária de R$ 671.178,54 de Imposto sujeito à multa de mora, R$ 134.236,70 de multa de mora e acréscimos legais Fl. 179DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 7 6 pertinentes, em razão da não comprovação do recolhimento pela empresa da qual que o recorrente é presidente e administrador. Diante disso, a DRJ de origem entendeu que o lançamento deveria ser mantido, mesmo com a informação referente ao processo de compensação, que o contribuinte pediu, inclusive, para que fosse solicitado análise e apuração ao caso. De fato o Lançamento decorre da responsabilidade do recorrente quanto ao imposto devido, uma vez que no presente caso a responsabilidade da fonte pagadora é repassada ao sócio administrador, diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica a quem cabe a retenção, tendo em vista sua solidariedade pelo recolhimento, no que dispõe os termos do art. 723 do RIR/1999. "Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º)". Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração,gestão ou representação (DecretoLeinº1.736, de1979,art.8º,parágrafo único). O teor do artigo 723 do RIR/99, tem respaldo no artigo 135, do CTN, que assim dispõem: "Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I–as pessoas referidas no artigo anterior; II–os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado". Para análise completa do presente caso, em interpretação sistemática da legislação tributária, temos o artigo 45, do CTN, que estabelece o seguinte: " Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. Diante das normas gerias, verificase que poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, as parcelas do imposto retidas antecipadamente pela fonte pagadora, quando da apresentação de sua Declaração de Ajuste Anual, referente aos valores de imposto de renda da pessoa física, conforme se constata do art. 87, in verbis: "Art. 87. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 12): Fl. 180DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 8 7 I As contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente; II as contribuições efetivamente realizadas em favor de projetos culturais,aprovados na forma da regulamentação do Programa Nacional do Apoio à Cultura PRONAC,de que trata o art. 90; III os investimentos feitos a título de incentivo às atividades áudio visuais de que tratam os arts.97 a 99; IV o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; V o imposto pago no exterior de acordo com o previsto no art. 103". Para que possa ser feita, portanto, a compensação, oartigo55,daleinº7.450/85, dispõe o seguinte: "Art 55 O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos". A legislação tributária condiciona a compensação do imposto de renda retido na fonte, nesses casos, mediante a comprovação do efetivo pagamento do imposto, sendo que a pessoa física, por ser sócio/diretor da pessoa jurídica, é solidariamente responsável com a empresa, na apresentação dos documentos comprobatórios da quitação do imposto de renda retido na fonte pagadora. Nesse sentido,segue a jurisprudência deste CARF: "IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE E NÃO RECOLHIDO. SÓCIO ADMINISTRADOR DA FONTE PAGADORA. GLOSA DE FONTE. RESPONSABILIDADE. Por força do princípio da responsabilidade tributária solidária, sendo o contribuinte sócio administrador da empresa (fonte pagadora), incabível a compensação do I.R. Fonte quando comprovada a inexistência do recolhimento do tributo retido.” (Acórdão nº 220200.826, de 19 de outubro de 2010). Ocorre que, o recorrente, vem desde a impugnação solicitando a realização da diligência para que sejam colhidos nestes autos os esclarecimentos necessários quanto à compensação efetuada e já confirmada no Processo Administrativo de Crédito nº 12448.900527/201399 e no Processo de Débito nº 12448.900756/201311, controlador do débito originário da presente. Segundo o recorrente, em suas argumentações em segunda instânica, o equivoco na cobrança se deu em razão de: 12. Em face dessa homologação parcial foi apresentada Manifestação de Inconformidade no Processo de Crédito n9 12448.900527/201399, pendente de julgamento pela RFB e com exigibilidade suspensa (art. 151, III, CTIM), na qual a Brookfield Brasil Ltda. demonstra a existência de todo o crédito de IRPJ (exercício de 2009, anocalendário 2008) declarado para compensação do débito de IRRF (código 0561), Fl. 181DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 9 8 controlado no Processo Administrativo n9 12448.900756/201311, de modo a extinguir, em definitivo, todas as obrigações remanescentes. 13.Conforme já informado nos autos através do DOC. 05 da Impugnação Manifestação de Inconformidade no processo n9 12448.900527/201399 a Fonte Pagadora utilizou, para fins de compensação de débitos diversos, créditos de saldo negativo de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), referente ao exercício de 2009, anocalendário 2008, tendo sido este crédito corretamente identificado tanto na DIPJ como no PER/DCOMP para o qual foi realizada a análise de crédito. 14. O que se constata, no entanto é que, apesar da manifesta regularidade das aludidas compensações, foi proferido Despacho Decisório que compensou apenas parte dos créditos declarados. 15.Tal desencontro de informação por parte do Fisco se deu, em razão de valor informado incorretamente na ficha 12A da DIPJ 2009 da Empresa sucedida pela Fonte Pagadora, sucessão essa que é a razão para a impossibilidade de correção da informação por intermédio dos sistemas disponibilizados pela Receita Federal. 16.Assim, em que pese a regularidade do crédito, a Empresa encontra se impossibilitada de retificar a DIPJ conforme determinado ante a baixa do CNPJ da sucedida, o que, naturalmente poderia ser realizado ex officio pelo Fisco quando verificado que apenas se deixou de incluir na totalização do Imposto de Renda pago por estimativa na ficha 12A da DIPJAssim, verifico que o recorrente que não obrou afastar as provas trazidas pela fiscalização quando da autuação, deixando de apresentar comprovações do direito por ele alegado. Alega ainda que "o próprio Fisco atribui a suposta inadimplência à Fonte Pagadora e, no entanto, realizou a glosa contra a Declaração de Ajuste da Pessoa Física do Recorrente, que já suportou o ônus da retenção do Imposto de Renda sobre os valores recebidos e que foram integralmente declarados ao Fisco. Ora, sendo de líquido e certo o crédito tributário empregado na compensação, como já reconhecido pelo Fisco naquele mesmo processo administrativo em sua maior parte, não é possível conceber qual seria a conduta diversa exigível do contribuinte, quer seja ele diretor ou não, quando da sua Declaração de Ajuste". Nesse sentido, de fato, tendo o contribuinte efetivamente sofrido o ônus da retenção do imposto de renda na fonte, tem ele o direito de compensálo na declaração, independentemente de ter havido ou não o recolhimento do imposto, cuja responsabilidade recai exclusivamente sobre a empresa retentora. Isso porque, de fato o contribuinte não poderá pedir a restituição do imposto em nome da pessoa jurídica. Penso que, na busca da verdade material, que envolve o processo administrativo fiscal, o recorrente possui relativa razão, devendo ser apurada melhor as referidas informações de compensação homologadas e deferidas parcialmente no processo mencionado, a fim de que se possa ter verificada as provas com mais assertividade, quanto ao efetivo recolhimento do imposto. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 18470.727123/201696 Resolução nº 2301000.732 S2C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que seja trazido aos autos as informações sobre as compensações mencionadas pelo contribuinte nos Processo Administrativo de Crédito nº 12448.900527/201399 e no Processo de Débito nº 12448.900756/201311, verificando se o crédito tributário em questão no presente processo guarda vinculação com o processo 12448.900756/201311, e, caso positivo, se o crédito tributário em questão no presente processo foi extinto, total ou parcialmente, por homologação da compensação/restituição. Após, seja dado vista ao contribuinte para que esse se manifeste quanto à referida diligência, bem como apresente eventual prova de seu direito alegado no presente recurso. (assinado digitalmente) WESLEY ROCHA Relator Fl. 183DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.901835/2006-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifeste-se conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifestese conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 01 83 5/ 20 06 -7 6 Fl. 715DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 716 ___________ Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da 3a Turma da DRJ/JFA, em 14.08.2009, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a não homologação parcial da compensação referente a crédito do IPI. Os autos já foram objeto de análise por esse Conselho, que converteu o julgamento do recurso em Diligência, através da 1ª Turma Especial, da Terceira Seção, nos seguintes termos: 1. Com base nas alegações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário apurar se houve o pagamento em duplicidade dos valores afirmados; 2. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. Isto porque, conforme restou consignado no Recurso Voluntário e destacado no relatório e no voto condutor da Resolução, (...) Alega a recorrente que os créditos se, por um lado, teve os créditos por ela compensados reduzidos, por outro lado também teve, por ocasião da recomposição da apuração do IPI realizada no AI n° 15586.001512/200892, mantido intactos os débitos vinculados aos créditos não homologados. Agravase ao fato que a recorrente procedeu o pagamento do débito por meio do direito conferido na MP n° 470/09, do débito tributário que deixou de ser recolhido em função da utilização do crédito presumido de IPI. Assim, incluiu todos os débitos apurados no AI n° 15586.001512/2008 92 na anistia e desistiu da discussão administrativa. Conforme relatado, na decisão proferida pela DRJ/JFA, tornou imperativa a análise da dita duplicidade, assim determinando: "Na análise do auto de infração mencionado será verificada a ocorrência da mencionada duplicidade, sendo necessário que o julgamento dos pedidos de ressarcimento ocorra a priori" (fls. 425). Relata a Recorrente tal situação decorreu do fato de que o AI n° 15586.001512/200892 e a Manifestação de Inconformidade foram julgados em 28.08.2009, mas a Recorrente foi cientificada das decisões apenas em 18.01.2010, ou seja, quase quatro meses após a prolação dos acórdãos. Desconhecendo o teor das decisões, em 26.11.2009 a Recorrente desistiu da defesa apresentada no AI n° 15586.001512/200892 e quitou todos os débitos lançados. Relata ainda que em função das datas dos acontecimentos, o Fisco reconheceu a "duplicidade" no AI n° 15586.001512/200892 e não no presente processo. Notase do exposto, que a matéria exige esclarecimento, dado que houve quitação do débito, transcurso temporal diverso entre as manifestações e defesas, bem como permanece a dúvida sobre o procedimento fiscal de reconstituição da escrita fiscal, onde por um lado a Recorrente teve os créditos por ela compensados reduzidos e por outro lado, os débitos vinculados mantidos intacto. Desse modo, caberia questionar sobre o montante final do débito a ser considerado. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 10783.901835/200676 Resolução nº 3401001.581 S3C4T1 Fl. 717 3 Em cumprimento à diligência, a chefe da Equipe de Parcelamento proferiu despacho informando o seguinte: Os processos em referência foram encaminhados à DRF/BHE/SECAT/Eqpar para que seja esclarecido se no processo 11962.000397/200924 (MP 470/2009) estão consolidados os valores constantes do processo 15586.001512/200892. A análise do parcelamento previsto na MP 470/2009 ficou a cargo de um Grupo de Trabalho criado especificamente para essa finalidade, não tendo a Equipe de Parcelamento participado. No entanto, em consulta ao Despacho emitido por esse Grupo de Trabalho, verificouse que a decisão final relacionada ao pedido da empresa CBF INDÚSTRIA DE GUSA S/A depende da conclusão do julgamento do processo 15586.001512/200892 pelo CARF. Em consulta ao SIEF, nessa data, verificouse que esse processo ainda está em julgamento. Em relação ao processo 15586.001512/200892, o Despacho Decisório do GT MP 470/2009 definiu que: – Caso o CARF modifique o julgamento da DRJ e confirme que os débitos do processo 15586.001512/200892 são devidos, o contribuinte, por ter solicitado sua consolidação nos termos da MP 470/2009, disporá de 30 dias após a intimação de cobrança para recolher a diferença apurada (R$ 52.248,79, em 11/2009) corrigida pela SELIC acumulada até a data de pagamento (CENÁRIO 1 DA MEMÓRIA DE CÁLCULO) – Caso o CARF confirme a exoneração dos valores, ratificando assim a decisão da DRJ, o processo 15586.001512/200892 não entra na consolidação da MP 470/2009, por ter sido exonerado. Por outro lado, o processo 15586.001512/200892, com a adesão do contribuinte ao parcelamento criado pela Medida Provisória 470/2009, teve julgamento terminativo favorável à Fazenda Nacional, em razão da desistência do litígio pelo contribuinte, tal como restou ementado quando do julgamento do recurso da Procuradoria (Acórdão 9303005.292), em 22.06.2017: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 31/07/2005 PEDIDO DE DESISTÊNCIA. EFEITOS. O pedido de desistência total do sujeito passivo, formulado em qualquer etapa processual, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, implica a extinção ex tunc do litígio, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Após manifestação da Recorrente, em que sustenta que não haver mais dúvidas com relação à cobrança em duplicidade do tributo (auto de infração nº 15586.001512/200892 vs. Manifestações de inconformidade nº’s 10783.901836/200611; 10783.901835/200676; 10783.902770/200848; e 10783.902771/200892), e já quitado à vista em parcelamento, os autos retornaram ao CARF para seguir a julgamento; onde foi distribuído a mim para relatar. É o relatório. Fl. 717DF CARF MF Processo nº 10783.901835/200676 Resolução nº 3401001.581 S3C4T1 Fl. 718 4 VOTO Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação, de forma que lhe tomo conhecimento. Do Mérito Tal como se verifica da leitura das conclusões do Grupo de Trabalho responsável pela consolidação manual dos débitos no âmbito da anistia da MP 470/09, foi confirmado que os débitos controlados pelo PTA nº 15586.001512/200892 foram incluídos na anistia. Como a Câmara Superior de Recursos Fiscais homologou a desistência da Recorrente naquele caso, quando do julgamento do Recurso Especial da Procuradoria, os débitos naquele processo são plenamente e devidos e, diante do parcelamento com liquidação à vista, foram tipo como pagos. Assim, tendo em vista a coincidência fática entre os aludidos pedidos de compensação (que originaram os PTA´s 10783.901836/200611; 10783.901835/200676; 10783.902770/200848; e 10783.902771/200892) que vieram a ser indeferidos pelas mesmas razões que o auto de infração consignado no PTA 15586.001512/200892 – concidência inclusive reconhecida pela próprio DRJ – há de se arrastar as conclusões e efeitos do processo de lançamento de ofício aos processos que versam sobre as compensações negadas. Desta feita, devese reconhecer que houve cobrança em duplicidade dos valores controlados pelo presente processo, em comparação aos valores lançados no PTA 15586.001512/200892 (Auto de Infração); valores estes que, em razão da decisão terminativa pela CSRF e da respectiva liquidação durante o programa de parcelamento, deverão ser conciliados e excluídos dos valores lançados por conta do despacho decisório. Todavia, tendo em vista o término do julgamento do PTA 15586.001512/2008 92 (Auto de Infração), e em virtude de a diligência não esclarecer efetivamente se os valores que ali foram quitados em função da anistia guardavam relação com os montantes discutidos na compensação. Pelo exposto, sugiro nova conversão em diligência para que a unidade preparadora, considerando a decisão definitiva proferida no processo referente à autuação, manifestese conclusivamente sobre os efeitos decorrentes no presente contencioso, quantificando eventuais saldos a recolher no presente processo. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 718DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.901237/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13851.900891/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13851.900891/2009-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13851.900891/200973, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Flávio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Maria Lúcia Miceli, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 23 7/ 20 09 -8 7 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13851.901237/200987 Resolução nº 1302000.668 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório A Empresa apresentou PER/DCOMP pretendendo compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de pagamento de estimativa mensal. Em Despacho Decisório Eletrônico, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que não foi confirmada a existência do crédito informado "por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao .final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período", forte no artigo 10 da IN 600/2005. Inconformada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, acompanhada dos documentos, na qual alega, em síntese, que: a) o despacho decisório não homologou a PER/Dcomp sob alegação da improcedência do crédito por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real; b) houve equivoco quanto à interpretação do artigo 10 da IN n° 600/2005; c) o despacho decisório sustenta que a impugnante violou o artigo 10 da IN n° 600/2005; d) a impugnante, por sua vez, informa que não apurou saldo negativo de IRPJ no anocalendário correspondente, nem utilizou o valor do indébito na apuração do referido saldo negativo; e) discorre sobre o direito à compensação. salientando que a compensação, objeto dos autos, foi efetuada mediante pedido eletrônico (PER/Dcomp) e elaborada atendendo todos parâmetros estabelecidos pela legislação; f) o artigo 10 da IN n° 600/2005 viola o principio da legalidade tributária, não podendo a contribuinte ser prejudicada por norma que não tem força de lei, mas sim caráter acessório a ela; g) vedar a compensação dos créditos relativos a pagamento indevido ou a maior de IRPJ/CSLL no decorrer do anocalendário afeta nitidamente o direito do contribuinte na utilização de seu direito; h) se a lei que disciplina referido procedimento não restringe a compensação não há que se falar em improcedência do crédito; i) cita ementas de decisões administrativas; j) Instrução Normativa é ato administrativo realizado nos limites do Poder Regulamentar conferido á Administração Pública; k) o artigo 10 da IN n° 600/2005 não vincula o particular sendo incapaz de gerarlhe obrigação; 1) o valor do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ é legitimo e de pleno direito da impugnante, estando de pleno acordo com as diretrizes trazidas pela lei. Ao final, requer a homologação da compensação pretendida, declarando extinto o crédito tributário. A 5ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, decisão assim ementada: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13851.901237/200987 Resolução nº 1302000.668 S1C3T2 Fl. 4 3 Os recolhimentos mensais de IRPJ, quer calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, quer a partir de balanços ou balancetes de suspensão ou redução, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois ai ocorrente o fato gerador do imposto de renda da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do anocalendário e o quantum do imposto apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto de renda a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1° de janeiro subseqüente. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto A Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Não satisfeita a Empresa apresentou Recurso Voluntário reprisando os argumentos do recurso anterior. Vieram os autos por sorteio. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13851.901237/200987 Resolução nº 1302000.668 S1C3T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.660, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900891/200973, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.660): "O recurso é tempestivo. A representação é regular. Conheço do recurso. Estamos tratando de proibição de compensação de pagamento a maior ou indevido de estimativa mensal, cuja previsão estava no artigo 10 da Instrução Normativa nº 600, de 2005. Temos a incidência direta da súmula CARF nº 84, cujo teor transcrevo: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Sendo de aplicação forçada pelos Conselheiros deste Conselho, por força do artigo 45 § 6º do Anexo II do RICARF, a proibição constante da referida IN não oferece óbice à compensação pleiteada. Todavia, ante a situação criada, em que o direito creditório não sofreu nenhuma análise, sendo sumariamente negado o direito por força de previsão normativa, e pelo fato desta Turma não ter condições de proceder a esta análise, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência para: a) que seja procedida a análise do direito creditório, com o afastamento da proibição constante do artigo 10 da IN nº 600/2005; b) seja dada ciência da decisão ao Recorrente, para manifestação; c) passado o prazo de 30 dias, com ou sem a manifestação do interessado, retornem os autos para julgamento. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 70DF CARF MF
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